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Numero do processo: 11065.003146/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação.
A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas.
As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas.
É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional.
Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
As contribuições destinadas a outras entidades e fundos - Salário Educação, INCRA, SENAI/SESI e SEBRAE - são exigíveis de acordo com suas leis instituidoras.
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante).
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias.
O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados.
A simulação pode configurar-se quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica.
O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964.
Numero da decisão: 2402-006.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. As contribuições destinadas a outras entidades e fundos Salário Educação, INCRA, SENAI/SESI e SEBRAE são exigíveis de acordo com suas leis instituidoras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 46 /2 01 0- 59 Fl. 646DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante). PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. A simulação pode configurarse quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 102 3 viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 648DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 103 5 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 477/632 em face do Acórdão n. 10 40.977 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) e fls. 428/472 , que julgou improcedente a impugnação de efls. 78/215 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4079 consolidado no valor total de R$ 274.792,01 na data de 09/11/2010 Período de Apuração: 01/2007 a 12/2009 ciência do contribuinte em 18/11/2010 (efls. 02/30) com fulcro em descumprimento de obrigação principal vinculada a contribuições destinadas à Seguridade Social (Terceiros TERCEIRIZAÇÃO), no que diz respeito, especificamente, à contribuição para Outras Entidades e Fundos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE) destinada à Seguridade Social, incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas e creditadas aos segurados empregados das empresas interpostas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda., conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 53/76. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 37.274.4079 (efls. 02/30) em 18/11/2010, e, irresignada, apresentou a impugnação de efls. 78/215. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 37.274.4079 (efls. 02/30) foi mantido no julgamento de primeiro grau, nos termos do Acórdão n. 1040.977 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 428/472, que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.274.4079 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie não gera a nulidade do lançamento. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Fl. 650DF CARF MF 6 Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. As contribuições destinadas a outras entidades e fundos Salário Educação, INCRA, SENAI/SESI e SEBRAE são exigíveis de acordo com suas leis instituidoras. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 1040.977 (efls. 428/472) em 07/02/2013 (efls. 474/475), e, em 08/03/2013, interpôs o Recurso Voluntário de efls. 477/632, guerreando contra a decisão a quo de forma total, conforme destaca na retrocitada peça recursal, esgrimindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados na impugnação de efls. 78/215, abaixo resumidos: i) Inexistência de interposição de sociedades; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Isenção legal da divisão de lucros nos exercícios 2008 e 2009; iv) Inaplicabilidade do art. 201, II, do RPS face a imunidade veiculada no art. 7°., XI, da CF; v) Isenção legal Lei n. 8.212/91; vi) Regularidade da terceirização falta de lei que defina atividadefim; vii) Competência da Justiça do Trabalho não aplicação na matéria fiscal; viii) Competência da Justição do Trabalho para declarar a existência de vínculo empregatício; ix) Inexistência de pessoalidade na prestação de serviços (terceirização); x) Inexistência de subordinação; Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 104 7 xi) Excesso de cobrança tributária; xii) Despesas consideradas como salário são, de fato, efetivos ressarcimentos; xiii) Inaplicabilidade do Direito do Trabalho na esfera do Direito Tributário; xiv) Inaplicabilidade do princípio da primazia da realidade para constituição de créditos previdenciários; xv) Inaplicabilidade do art. 126, III, do CTN ao caso concreto; xvi) Inaplicabilidade do art. 9°. e 444 da CLT ao caso concreto; xvii) Inversão do ônus da prova; xviii) Dilação probatória (perícia técnica); xix) Inexistência de simulação; xx) Inexistência de fraude; xxi) Inexistência de conluio; xxii) Inaplicabilidade da multa majorada; xxiii) Proibição de confisco e observância ao princípio da capacidade contributiva; xxiv) Não incidência de juros e atualização monetária sobre as multas aplicadas; xxv) Limite dos juros em 1% a.m; xxvi) Inconstitucionalidade na cobrança e exigência das contribuições de fundações e terceiros; xxvii) Inconstitucionalidade da exigência da contribuição denominada atualmente de GIILRAT. Este processo tem como processoraiz o de n. 11065.003144/201060, ao qual encontrase apenso (efl. 416). Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 477/632) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 477/632 guerreia contra o Acórdão n. 1040.977 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 428/472 , que julgou improcedente a impugnação de efls. 78/215 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4079, que teve como objeto o descumprimento de obrigação principal referente a contribuições destinadas à Seguridade Social Outras Entidades e Fundos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE) , conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 53/76. É oportuno esclarecer que o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4079 (efls. 02/30), em litígio, é parte de uma ação fiscal que deu origem à lavratura dos Autos de Infração infra discriminados: Neste processo a discussão está restrita às contribuições vinculadas às remunerações e folha de pagamentos do Recorrente (contribuinte fiscalizado) referentes aos levantamentos L6 e L62 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS IBS e L8 e L82 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS IM, consignados no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4079 (efls. 02/30), que dizem respeito à contribuição para Outras Entidades e Fundos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), destinada à Seguridade Social, incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas e creditadas aos segurados empregados das empresas interpostas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. Isto posto, passo ao julgamento, adotando a metodologia utilizada pela DRJ/POA quanto à compartimentação dos tópicos, de forma a racionalizar a abordagem dos questionamentos trazidos pela Recorrente, tendo em vista a pulverização e amplitude dos pedidos no Recurso Voluntário de efls. 477/632. De plano, é oportuno destacar que não serão apreciadas quaisquer alegações do Recorrente referentes à ilegalidade/inconstitucionalidade, vez que falece competência ao julgador administrativo para tal mister. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 105 9 Com efeito, assim informa o enunciado de Súmula CARF n. 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O enunciado acima alinhase ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Inicia a Recorrente, na peça recursal de efls. 477/632, o enfrentamento quanto à inexistência de interposição de sociedades e/ou grupo econômico, bem assim de simulação. Na verdade, a autoridade lançadora não caracterizou grupo econômico, mas, sim, concluiu pela ocorrência de simulação na contratação dos serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas terceirizadas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. Com efeito, assim informa a decisão recorrida: "O Relatório Fiscal (fls. 53/76) afirma que os supostos serviços de industrialização por encomenda representam, de fato, os custos relativos à própria folha de pagamento da Saturno e que a IBS e a IM constituemse em empresas interpostas utilizadas pela autuada para contratar segurados com redução de encargos tributários. [...] Cumpre esclarecer que não se trata de caracterização de grupo econômico. Segundo a fiscalização, as três pessoas jurídicas empreenderam verdadeira simulação nacondução de seus negócios. Tratase de uma empresa que obteve a redução da carga tributária,na medida em que as outras IBS e IM encontravam se inseridas no regime de tributação Simples. Não houve a responsabilização solidária das empresas envolvidas. O relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito é esclarecedor e atesta neste sentido, na medida em que não faz referência ao fundamento legal que trata da solidariedade art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 (fls. 41/43). Ademais, observase também que o crédito foi lançado somente contra a empresa Saturno, por ser a detentora de fato de toda a mãodeobra." No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora constatou diversas situações e circunstâncias fáticas, devidamente consignadas no Relatório Fiscal (efls. 53/76), que respaldam a ocorrência de simulação consubstanciada na utilização, pela empresa Balanças Saturno S/A, das empresas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. na condição de interpostas, com o fito de reduzir os encargos tributários previdenciários, usufruindo dos benefícios do regime de tributação Simples, mediante vinculação dos segurados empregados e contribuintes individuais destas últimas (IBS e IM) à Fl. 654DF CARF MF 10 primeira (Saturno). Nesse sentido, assim esclarece a DRJ/POA, no Acórdão n. 1040.977 (efls. 428/472): "No caso, ocorreu uma "contratação" simulada, pela empresa Balanças Saturno S/A, de serviços de industrialização por encomenda das empresas terceirizadas IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda e IM – Indústria Mecânica Ltda, em lugar dos seus próprios funcionários. E com a adoção deste procedimento a Saturno estaria obtendo o beneficio do ingresso de sua mãodeobra no sistema de tributação Simples, reduzindo por conseguinte sua carga tributária previdenciária e ainda usufruindo do beneficio do creditamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente a esses serviços de industrialização por encomenda, os quais são insumos que geram direito a crédito quando contratados com pessoa jurídica. (item 3.8.3 do Relatório Fiscal, fls. 67/68). [...] Os fatos concernentes à relação verificada entre a impugnante (Saturno) e as empresas IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda, CNPJ n° 88.979.067/0001 60 e IM – Indústria Mecância Ltda, CNPJ N° 93.533.172/000101 estão detalhados no Relatório Fiscal, às fls. 53/76 dos autos, tendo sido apurados a partir da análise dos documentos disponibilizados pelas empresas e visita aos seus estabelecimentos, podendo ser assim sintetizados: • as três empresas – Balanças Saturno S.A, IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda e IM – Indústria Mecânica Ltda tem objetivos sociais coincidentes, dedicando se à fabricação e assistência técnica de balanças industriais e comerciais, bem como ao comércio de balanças em geral e estão localizadas, de fato, no mesmo endereço Rua Major Sezefredo, 155, prédio 01, Bairro Vila Rosa, Canoas/RS. É lá que se encontra a estrutura administrativa e operacional e onde foram entregues as intimações fiscais e solicitações de documentos das três empresas. Os endereços constantes para as empresas IBS e IM são relativos a duas salas comerciais (Rua Tamoio, 1978, salas 102 e 103, Canoas/RS) que permaneceram fechadas no período de 2006 a 09/2010, sem nenhum movimento de pessoas, segundo afirmou testemunha entrevistada pela fiscalização e identificada no Relatório Fiscal; • através de visita às instalações da empresa a fiscalização constatou que não existe separação física ou distinção entre os empregados da Saturno e os da IBS ou IM. Há um único relógio ponto, onde todos, sem distinção, registram suas entradas e saídas, e cujo controle é realizado pela Saturno; • em termos de cargos, comparativamente – constam empregados exercendo atividades em funções equivalentes e/ou similares nas três empresas; • despesas incorridas por sócios e empregados das empresas IBS e IM foram contabilizadas na Saturno; • despesas e custo de todo o parque fabril e comercial localizado na Rua Major Sezefredo, 155, prédio 1 são suportados integralmente pela empresa Saturno; • as empresas IBS e IM produziram de forma cativa para a Saturno em todo o período auditado, de 01/2007 a 12/2009, ou seja, operaram em regime de exclusividade, participando de uma ou mais fases do processo industrial; • as empresas IBS e IM atuam e fornecem mãodeobra na execução dos serviços essenciais da empresa autuada, ou seja, aquela que constitui o seu objeto principal; • as empresas IBS e IM têm total dependência econômica em relação à Saturno. Executam seus serviços exclusivamente para a tomadora, necessitando de repasses contínuos e permanentes de recursos financeiros; Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 106 11 • as empresas IBS e IM apresentam domicílio fiscal diverso mas operam, de fato, em instalações dentro do parque fabril da Saturno. A planta industrial onde estão situadas as empresas não possui separação física; • as empresas IBS e IM são comandadas por pessoas ligadas por laços familiares e/ou antigos funcionários da Saturno; • despesas operacionais (água, luz, telefone, aluguéis de máquinas e equipamentos, aluguel de imóvel, fretes), que seriam de responsabilidade das empresas IBS e IM são suportados integralmente pela Saturno; • a Saturno paga e escritura como suas, despesas incorridas por empregados e sócios das terceirizadas – IBS e IM (Viagens/Representações, Comissões/Representantes); • as empresas IBS e IM utilizam, além das instalações da Saturno, também suas máquinas e equipamentos, sem desembolsarem qualquer pagamento; • IBS e IM, mesmo não possuindo escrituração relativa a custo com Materiais e/ou Matérias Primas, bem como com estoques, possuem no seu quadro de funcionários, empregados com as funções e cargos de almoxarifes e auxiliares de almoxarifado, empregados estes executando estas atividades no almoxarifado e junto aos empregados da autuada. Materiais e/ou matérias primas, bem como seus estoques, são encontrados na contabilidade da Saturno; • existe uma relação estreita entre os acionistas da Saturno e os sócios da IBS e IM; • Saturno, IBS e IM têm as suas escriturações contábil e fiscal executadas pela mesma empresa, MLC Associados Ltda Contabilidade e Assessoria, sendo o contador, Luiz Carlos Anflor Schmidt, CRCRS 004372/00, sócio da empresa MLC Associados, procurador da empresa IM; • atividades financeiras e administrativas, como por exemplo, o RH Recursos Humanos, são de responsabilidade da Saturno, sendo a Coordenadora de RH, a Sra. Letícia de Moraes, CPF n° 754.717.87072, empregada da Saturno. No período de 04/2009 a 12/2009, a mesma era registrada como empregada da IBS, e realizava lá as mesmas atividades; • a rede mundial de computadores noticia somente o website da Saturno. Em relação às empresas IBS e IM há somente links que direcionam para o sítio da Saturno, ou seja, www.saturno.ind.br. Estes links indicam o endereço e o número de telefone da Saturno; • os empregados das empresas IBS e IM ocupam e exercem suas atividades lado a lado com os empregados da Saturno, sem nenhuma diferenciação. Uniformes quando usados, possuem todos um único logotipo da "Balanças Saturno". O registro de entrada e saída é realizado num único "relógio ponto" e controlado pelo RH da fiscalizada; • a empresa Saturno realiza serviços de assistência técnica a outras empresas, utilizandose de empregados da IM e IBS, fato demonstrado na sua contabilidade." As situações e circunstâncias fáticas supra relatadas, minuciosamente detalhadas e comprovadas nos autos e no Relatório Fiscal (efls. 53/76), bem assim abordadas na decisão recorrida às efls. 431/433, afastam quaisquer dúvidas quanto ao liame que vincula as empresas citadas, que, na verdade, tratamse de uma única empresa e não três como aparentam ser mediante simulação de terceirização que desmembrou atividades. Fl. 656DF CARF MF 12 Nesse contexto, resta caracterizada a simulação e não planejamento tributário como pretende a Recorrente, impondose a desconsideração da relação meramente formal constatada pela autoridade lançadora, privilegiandose a real vinculação da Recorrente (Balanças Saturno S/A) com os trabalhadores que lhe prestaram serviços, não obstante o registro laboral junto às empresas aparentemente "terceirizadas". Com efeito, respaldada na legislação, não há óbice para que a autoridade lançadora desconsidere a existência de certos negócios ou situações jurídicas, formalmente existentes entre os trabalhadores das empresas envolvidas, vez que os arts. 114, 116 e 149 do CTN permitem a busca da realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, com fulcro na constatação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador, culminando com o poder de requalificar o negócio aparente entre as três empresas em tela, visando à apuração e cobrança do tributo efetivamente devido. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fundase a argumentação da Recorrente no fato de a autoridade lançadora ter tratado como ilícitos atos que, no seu entendimento, caracterizamse elisão fiscal e não evasão fiscal. De fato, é cediço que é tênue linha que distingue o direito legítimo do contribuinte de organizar a sua empresa, com base na livre e na autonomia negocial, do poder do EstadoFiscal considerar tais disposições ineficazes, a partir de pressupostos fáticos lastreados em fraude, abuso de forma e simulações. É oportuna a definição de simulação, na seara tributária, conferida pela jurisprudência do TRF4 e do STJ, nos julgados sumarizados nas ementas abaixo reproduzidas: "INCORPORAÇÃO. AUTUAÇÃO. ELISÃO E EVASÃO FISCAL. LIMITES. SIMULAÇÃO.EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. 1. Dáse a elisão fiscal quando, por meios lícitos e diretos o contribuinte planeja evitar ou minimizar a tributação. Esse planejamento se fundamenta na liberdade que possui de gerir suas atividades e seus negócios em busca da menor onerosidade tributária possível, dentro da zona de licitude que o ordenamento jurídico lhe assegura. 2. Tal liberdade é possível apenas anteriormente à ocorrência do fato gerador, pois, uma vez ocorrido este, surge a obrigação tributária. 3. A elisão tributária, todavia, não se confunde com a evasão fiscal, na qual o contribuinte utiliza meios ilícitos para reduzir a carga tributária após a ocorrência do fato gerador. 4. Admitese a elisão fiscal quando não houver simulação do contribuinte. Contudo, quando o contribuinte lança mão de meios indiretos para tanto, há simulação. 5. Economicamente inviável a operação de incorporação procedida (da superavitária pela deficitária), é legal a autuação. 6. Tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, restando demonstrado claramente que, de fato, esta "absorveu" a deficitária, e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas a fim de serem aproveitados os prejuízos fiscais da empresa deficitária, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada, e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação. 7. Não há fraude no caso: a incorporação não se deu mediante fraude ao fisco, já que na operação não se pretendeu enganar, ocultar, iludir, dificultando ou mesmo tornando impossível a atuação fiscal, já que houve ampla publicidade dos atos, inclusive com registro nos órgãos competentes. 8. Inviável economicamente a operação de incorporação procedida, tendo em vista que a aludida incorporadora existia apenas juridicamente, mas não Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 107 13 mais economicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, a fim de serem aproveitados seus prejuízos fiscais cujo aproveitamento a lei expressamente vedava. 9. Uma vez reconhecida a simulação deve o juiz fazer prevalecer as conseqüências do ato simulado no caso, a incorporação da superavitária pela deficitária, conseqüentemente incidindo o tributo na forma do regulamento não havendo falar em inexigibilidade do crédito, razão pela qual a manutenção da decisão que denegou a antecipação de tutela pretendida se impõe. (grifei) (TRF4 AG: 44424 RS 2004.04.01.0444240, Relator: DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Data de Julgamento: 30/11/2004, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 26/01/2005 PÁGINA: 430)" "PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ. 1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa Supremo Industrial e Comercial Ltda. formalmente incorporou Suprarroz S/A (posteriormente incorporada pela Recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Supremo pela Suprarroz), seria impossível a compensação de prejuízos realizada, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. 4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados (Supremo) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a Recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da Suprarroz (empresa financeiramente sólida) pela Supremo (empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de Supremo e Suprarroz, a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (grifei) (STJ REsp: 946707 RS 2007/00926564, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/08/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: > DJe 31/08/2009)" Fl. 658DF CARF MF 14 No caso concreto, a autoridade lançadora, para fins tributários, deu prevalência à essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores das empresas IBS e IM de forma interposta, com vistas ao fracionamento dos respectivos faturamentos e consequente redução das contribuições previdenciárias a recolher, haja vista a opção das empresas IBS e IM pelo regime de tributação Simples. A valoração jurídica das situações e circunstâncias fáticas efetuada pela Fiscalização da RFB, e corroborada pela decisão recorrida, revela posição avançada sobre o conteúdo do conceito jurídico de simulação previsto no art. 167 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. Restou evidenciado, no caso em tela, o confronto da visão globalizante, material e causalista em face da tradicional visão formalista e voluntarista de simulação sustentada pelo Recorrente. Nessa perspectiva, prevaleceu o conceito amplo de simulação, que, na sua essência, privilegia aspectos econômicos e operacionais, na medida em que a autoridade lançadora examinou, no caso em apreço, a causa concreta dos negócios, comparandoa com a causa típica ou a finalidade prática para a qual os negócios jurídicos foram engendrados pelo ordenamento jurídico, avaliando as operações em sua totalidade com o fito de aferir o quanto artificiosos e ausentes de substrato jurídico efetivo podem ter sido os atos e os negócios jurídicos praticados pelas empresas Saturno, IBS e IM. É oportuno repisar que a Recorrente não faz acompanhar do Recurso Voluntário de efls. 477/632 conjunto probatório suficiente a ilidir as situações e circunstâncias fáticas que caracterizam a simulação em apreço, instituto previsto no art. 167 do Código Civil (Lei n. 10.406/2002). Por sua vez, o Direito Tributário, apesar de constituirse microssistema formado por um complexo conjunto de normas, não é hermético, nem indiferente aos demais ramos do Direito. Assim, nenhum óbice se opõe à autoridade lançadora buscar conceitos, definições e conteúdos em outros ramos do Direito visando a fortalecer a sua argumentação para fins da constituição do crédito tributário, com mais razão ainda quando o Direito em questão é fundamental à compreensão do suporte fático da hipótese de incidência tributária, conforme evidenciase nos autos o Enunciado TST 331 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) DecretoLei n. 5.452/1943. No caso concreto, os dispositivos legais que respaldam o lançamento do crédito tributário consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4079 (efls. 02/30) encontramse discriminados no Anexo FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO (FLD) efls. 27/29, com fulcro na Lei n. 8.212/91. Outrossim, o princípio da primazia da realidade ou da verdade real, não obstante a sua ampla aplicação na seara justrabalhista, não é incompatível com o Direito Tributário, como sugere a Recorrente. Bem ao contrário, mantém estreita vinculação com o princípio da verdade material, tão festejado na seara tributária. Com efeito, o princípio da primazia da realidade ou da realidade dos fatos visa à priorização da verdade real em face da verdade formal, enquanto que o princípio da verdade material busca a realidade dos fatos, conforme ocorrida. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 108 15 Como se observa, a proximidade conceitual e teleológica é óbvia, o que dispensa maiores ponderações. Não há previsão legal para apropriação dos valores recolhidos pelas empresas IBS e IM para fins de abatimento do crédito tributário em apreço, vez que o sujeito passivo da obrigação principal é a empresa Balanças Saturno S/A CNPJ 02.169.172/000119 e os recolhimentos em apreço não só dizem respeito a terceiros , empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples) , bem como repercutiram na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado pela Recorrente. Quanto à dilação probatória e perícia técnica arguidas pela Recorrente na peça recursal de efls. 477/632, cabe destacar que: i) o prazo para interposição de recurso voluntário, acompanhado do conjunto probatório, é de 30 (trinta) dias, conforme disposto no art. 15 do Decreto n. 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Tratase de prazo peremptório; ii) inexiste previsão legal para dilatação do prazo consoante solicitado pelo Recorrente; iii) a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos em que seja demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pressupostos não demonstrados. Não sendo o caso dos autos, indeferese o pedido. É o que dispõe o art. 16, § 4°., do Decreto n. 70.235/72; iv) o pedido de perícia, conforme o art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, é facultado ao Recorrente, mas fica sujeito ao juízo do julgador decidir sobre a sua realização, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, a instância de piso entendeu por indeferir, vez que não atende aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, pois a impugnante deixou de apresentar os quesitos referentes aos exames desejados, o que resulta no seu indeferimento, e, além disso, não foram apresentados dados concretos que indicassem possíveis erros na apuração das contribuições lançadas; v) a indicação e nomeação de perito, apresentada em 07/02/2011, consubstanciada às efls. 421/424 não se amolda aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, bem assim visa à verificação de documentos probatórios já apreciados pela Fiscalização, no que se torna despiciendo, e documentos que serão juntados, já alcançados pela preclusão, vez que todas as provas deveriam acompanhar o Recurso Voluntário de efls. 477/632. Isto posto, sigo o entendimento da DRJ/POA no sentido de considerar prescindível a perícia solicitada e indeferir o pedido da Recorrente neste ponto, a teor do art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF. Fl. 660DF CARF MF 16 É cediço que o ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, abrigados, inclusive, no Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), que àquele se aplica, ainda que subsidiariamente. Destarte, não resta dúvida de que no processo administrativo fiscal, para apuração e exigência do crédito tributário, inclusive em sede de lançamento de ofício, o autor é o Fisco e é deste o ônus de provar a ocorrência da hipótese de incidência tributária (fato gerador). No tocante à inversão do ônus da prova, suscitada pela Recorrente na peça recursal de efls. 477/632, é oportuno destacar a presunção de legitimidade do ato administrativo, que tem natureza relativa. Essa presunção, como não poderia deixar de ser, não elide o dever do Fisco de comprovar a ocorrência do fato gerador, da incidência da hipótese tributária em face do caso concreto, bem assim das circunstâncias em que esta ocorreu, concretizouse. O lançamento do crédito tributário é ato administrativo vinculado e regido, dentre outros, pelos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, do que decorre a necessária e cabal demonstração da ocorrência dos fatos e motivos que àquele deram suporte, forte no art. 9°. do Decreto n. 70.235/72. Assim, da falta de comprovação do fato gerador deflui a invalidade do lançamento tributário, vez que não há no ordenamento jurídico pátrio norma jurídica que lhe imponha a presunção de legitimidade. No caso em tela, é farta a documentação acostada aos autos pela autoridade lançadora no sentido de fundamentar o lançamento em litígio, colhidas no curso da ação fiscal, oportunidade em que, frisese, foi concedido amplo direito de defesa e contraditório à Recorrente, consubstanciados nos termos de intimação fiscal, consoante registrado às efls. 32/40 e 193/249. Em sede de impugnação (efls. 78/215), a Recorrente trouxe ainda aos autos diversos documentos de efls. 229/417, inclusive solicitação de perícia (efls. 421/424), que foram devidamente apreciados pelo órgão julgador de primeira instância de forma exaustiva e minuciosa, nos termos do Acórdão n. 1040.977 (efls. 428/472). Todavia, todo o conjunto probatório ao qual a Recorrente se socorreu não se mostrou com força suficiente para elidir a existência dos fatos geradores de contribuições sociais para os quais não foram efetuados os recolhimentos devidos, conforme previsto na legislação previdenciária. Destarte, o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4079 (efls. 02/30) tem suporte em provas suficientes da ocorrência da hipótese de incidência tributária, o que lhe confere muito mais do que apenas presunção de legitimidade, vez que os elementos probatórios opostos pela Recorrente não têm força bastante a ilidilo. Com relação à alegação da Recorrente em face da multa aplicada, é bastante elucidativo e suficiente o posicionamento da decisão recorrida, mais precisamente no tópico específico "Da Multa aplicada" efls. 462/465 do Acórdão n. 1040.977, verbis: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 109 17 "Da multa aplicada A impugnante insurgese ainda contra as multas aplicadas ao lançamento. Ora pede a aplicação da multa máxima de 75%. Ora alega que este percentual caracteriza confisco. No período de 01/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de 24%, prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999, destinada às contribuições não recolhidas e incluídas em notificação fiscal de lançamento. Esta multa, aplicável ao lançamento de ofício, foi modificada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que acrescentou à Lei nº 8.212/91 o art. 35A. Com a alteração, a nova multa a ser aplicada aos lançamentos de ofício decorrentes das mesmas bases de cálculo das contribuições previdenciárias passou ao percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento), atualmente menos benéfica ao contribuinte que aquela vigente à época da ocorrência dos fatos geradores deste crédito. No período de 12/2008 a 12/2009 foi aplicada a multa com base na legislação atual, ou seja, a multa no percentual de 75%, considerando que o fato gerador ocorreu na vigência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. Esta multa foi agravada, totalizando 150% e foi aplicada com suporte no artigo 35A da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, combinado com o artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1.º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, supra referidos, estabelecem, “in verbis”: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 662DF CARF MF 18 montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O conceito de dolo encontrase estabelecido no artigo 18, inciso I, do DecretoLei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal, que define o crime doloso como aquele “em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. Em relação ao crime em que o agente quis o resultado, dizse que houve dolo direto; no tocante àquele em que o agente assumiu o risco de produzilo, dolo eventual. Na lição de Julio Fabbrini Mirabete (in Manual de direito penal. São Paulo, Atlas, 1990. 5ª edição. Vol. 1, págs. 138/139), “o Código Penal Brasileiro adotou a teoria da vontade quanto ao dolo direto e a teoria do assentimento ao conceituar o dolo eventual”. Pela teoria da vontade, concernente ao dolo direto, “age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. É necessário para a sua existência, portanto, a consciência da conduta e do resultado e que o agente a pratique voluntariamente”; pela teoria do assentimento, ou do consentimento, relativa ao dolo eventual, “faz parte do dolo a previsão do resultado a que o agente adere, não sendo necessário que ele o queira. Para a teoria em apreço, portanto, existe dolo simplesmente quando o agente consente em causar o resultado ao praticar a conduta”. No caso em tela, restou constatado que a impugnante utilizouse das empresas IBS e IM com a finalidade (dolo direto) de evitar ou reduzir o pagamento de tributos por meio da utilização de empresas interpostas. É o que se pode concluir à vista de todo o procedimento adotado pela impugnante, aqui considerado não só o estabelecimento de todas no mesmo local; a prestação de serviços de forma exclusiva da IBS e IM à Saturno (processo de industrialização); o pagamento de despesas da IBS e IM pela Saturno; o envio de aporte financeiro que a autuada fazia para a IBS e a IM além de todos os demais fatos amplamente noticiados. Há que se considerar também todos os procedimentos e informações prestados perante órgãos públicos – enquadramento cadastral adotado, contratos sociais, contrato de prestação de serviços, cadastros em órgãos públicos, folhas de salários, escrituração contábil independente, contratação de segurados feitas por cada uma das empresas – com vistas a manter a aparência de empresas independentes. Vislumbrase, no caso, a ocorrência de conluio (previsto no artigo 73 da Lei n.º 4.502/1964) entre as empresas Saturno, IBS e IM para a prática de fraude (definida no artigo 72 da Lei n.º 4.502/1964), consistente na contratação e pagamento de remuneração de trabalhadores através de empresas interpostas, com o objetivo de evitar o pagamento das contribuições devidas sobre a remuneração dos trabalhadores assim contratados; e de sonegação (definida no artigo 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/1964), na medida em que todo o procedimento adotado pela impugnante e pelas empresas IBS e IM, inclusive no que respeita às informações prestadas pelo contribuinte, levou a Secretaria da Receita Federal do Brasil a acreditar que a impugnante estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular em que se encontrava, somente identificada após o trabalho de fiscalização. Uma vez preenchidos os requisitos estabelecidos no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cabe o aumento de multa previsto, razão pela qual mantémse a multa qualificada de 150% no lançamento, que não poderá ser reduzida, como quer a impugnante. Observese que não se está julgando se houve, ou não, a prática de crime, competência essa atribuída ao Poder Judiciário, mas tãosomente se foram preenchidos os requisitos estabelecidos em Lei, para a qualificação da multa. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 110 19 A conduta da impugnante, ao simular a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justifica a aplicação da multa de ofício qualificada. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicála, por se tratar de ato vinculado e obrigatório. A aplicação da multa de mora calculada por atraso à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20% (artigo 61, §§1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996), como solicita a autuada, só deve incidir para os tributos vencidos e pagos antes do início do procedimento fiscal, hipótese que não se aplica aos autos. A legislação citada anteriormente também afasta a aplicação do percentual de 2% (dois por cento) previsto no Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei nº 8.078, de 1990, alterada pela Lei 9.298, de 1996). Não são aplicáveis as disposições do Código do Consumidor às relações jurídicotributárias, que têm natureza pública. Por todo o exposto e considerando o caráter irrelevável da multa e ainda, que não foi demonstrada pela autuada a existência de qualquer inconsistência na sua aplicação, mantémse as multas, nos percentuais aplicados. Os argumentos de que a multa aplicada fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e que tem caráter confiscatório não são passíveis de reconhecimento na esfera administrativa, eis que o que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente. A vedação constitucional ao confisco dirigese ao legislador, devendo este observá la no momento da elaboração da lei. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, em razão de sua atividade vinculada e obrigatória, sendolhe defeso reduzila ou dispensála. A multa aplicada nos estritos limites previstos na legislação não caracteriza confisco e não ofende os princípios constitucionais invocados pela autuada, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação vigente. Sendo fixada em lei, deve ser exigida sob pena de responsabilidade funcional." É relevante destacar que a autoridade lançadora procedeu ao comparativo de multas (sistemática atual e anterior) previsto na Instrução Normativa RFB n. 971/2009 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, conforme informa a decisão recorrida, bem assim o Relatório Fiscal de efls. 53/76. A despeito da acusação da Recorrente, não houve aplicação de juros sobre as multas aplicadas, conforme bem destacado na decisão a quo com base no Discriminativo de Débitos (DD) efls. 05/18 e sim sobre o valor principal apurado. No tocante à aplicação do art. 161, 1°., do CTN que impõe a limitação dos juros em 1% ao mês , bem assim a exclusão da taxa SELIC, ambos alvo da irresignação do Recorrente, cabem as seguintes considerações: Fl. 664DF CARF MF 20 i) O art. 161, § 1°., do CTN não exclui a capitalização dos juros de mora; ii) A capitalização dos juros não é vedada em matéria tributária, bem como é legal a utilização da taxa SELIC; iii) O art. 161, § 1°., do CTN estabelece taxa de juros em caráter supletivo tão somente "se a lei não dispuser de modo diverso". Ocorre que, relativamente aos tributos federais, há lei tratando da matéria, de modo que não se aplica taxa de 1% a.m, mas, sim, a taxa SELIC; iv) Existe legislação específica fixando a taxa de juros a ser observada, tanto para todos os tributos, inclusive as contribuições sociais, conforme disposto no art. 84 da Lei n. 8.981/95; art. 13 da Lei n. 9.065/95; art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96, através da remissão ao seu art. 5°. É nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ): "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. JUROS MORATÓRIOS. ATIVO SUFICIENTE PARA PAGAMENTO DO PRINCIPAL. 1. Está firmado no âmbito da 1ª Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, bem como, havendo lei estadual nesse sentido, também em relação a tributos cobrados pelos Estados [...]". (STJ, 1ª. Turma, REsp 1048710/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgamento 12/08/2008 DJe 21/08/2008). Não é diferente o posicionamento do CARF consolidado nos enunciados de Súmula CARF n. 4 e n. 5, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com relação à correção monetária sobre o valor da multa, verificase, da análise dos autos, que esta incidiu sobre o principal , conforme denunciado no Discriminativo de Débito (DD) efls. 05/18, destacandose que a atualização monetária para fins de correção de créditos tributários foi extinta a partir de janeiro de 1995. No tocante à cumulação de multa moratória e juros de mora, consoante questionamento da Recorrente, cabem as seguintes ponderações: i) a multa de mora encontra abrigo no art. 161 do CTN e tem como infração pressuposta , pura e simplesmente, o não pagamento do débito no respectivo vencimento; ii) os juros moratórios têm como objetivo a recomposição do valor do débito devido e não pago no vencimento, e são expressamente previstos no art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96; Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 111 21 iii) a multa de mora e os juros moratórios têm natureza e finalidades distintas, o que possibilita a cumulação e afasta a incidência de bis in idem. A Recorrente ilide a exigência das Contribuições de Fundações e de Terceiros. Ressalta "que em todos os casos advindos da exigibilidade no recolhimento do SENAI, SESI, INCRA, SENAC e SALÁRIO EDUCAÇÃO são inconstitucionais, seja por não haver Lei Complementar que faça a regulamentação precisa do recolhimento do tributo, seja pela total descaracterização com a atividade afim da sociedade (sic)". Prossegue a Recorrente: "Portanto, as contribuições de intervenção do domínio econômico, de terceiros e fundações exigidas e recolhidas pelo INSS são de imediato totalmente inconstitucionais, em face da necessidade de Lei Complementar que regulamente a sua aplicabilidade e exigibilidade, uma vez que a legislação atual traz previsões imprecisas, genéricas e abertas, o que no Direito Tributário não é admitido." Pois bem. Preliminarmente, é oportuno destacar que as alegações da Recorrente quanto à inconstitucionalidade da exigência de Contribuições de Fundações e de Terceiros Outras Entidades e Fundos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE) não são passíveis de apreciação na esfera administrativa, vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, forte no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, bem assim na Súmula CARF n. 2, dispositivos já referidos acima. Ainda assim, por amor à argumentação, ainda que dúvidas restassem quanto à constitucionalidade das contribuições em apreço, transcrevo a decisão recorrida, considerando se, desde já, meu alinhamento com o entendimento esposado: "Da contribuição para o SESI, SENAI As contribuições para o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial foram instituídas pelo DecretoLei nº 4.048, de 22/01/1942, sendo regido ainda pelas seguintes alterações: DecretoLei nº 4.936, de 07/11/1942 e DecretoLei nº 6.246, de 05/02/1944. As contribuições para o SESI – Serviço Social da Indústria foram instituídas pelo DecretoLei nº 9.403, de 25/06/1946 e DecretoLei nº 2.318, de 30/12/1986. Consoante entendimento vigente do STF, o art. 240 da Constituição expressamente recepcionou as contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical (STF, Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 412368 PE, relator: Min. Joaquim Barbosa, Julgamento: 01/03/2011, Segunda Turma, Data de Publicação: DJe062, publicado em 01/04/2011, VOL0249401 PP 00059). Isto posto e, estando em vigor a legislação que instituiu a contribuição ao SENAI e ao SESI, temse por válido o lançamento destas contribuições. Da contribuição para o FNDE Salário Educação A contribuição destinada ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, denominada Salário Educação – que é uma contribuição patronal destinada ao Fl. 666DF CARF MF 22 financiamento do ensino fundamental público, prevista atualmente no parágrafo 5º do art. 212 da vigente Constituição Federal – foi instituída pela Lei n.º 4.440, de 27 de outubro de 1964, e, posteriormente, reestruturada pelo DecretoLei n.º 1.422, de 23 de outubro de 1975, combinado com o Decreto n.º 87.043, de 22 de março de 1982. A contar de 1.º de janeiro de 1997, essa exação passou a ser regida pela Lei n.º 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e pela Medida Provisória n.º 1.518, de 19 de setembro de 1996, sucessivamente reeditada, e, finalmente, convertida na Lei n.º 9.766, de 18 de dezembro de 1998. A constitucionalidade da contribuição ao Salário Educação foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido tal entendimento objeto da Súmula 732 daquela Corte Suprema. Estando legalmente prevista, é correta a sua exigência na presente autuação. Da contribuição para o SEBRAE A contribuição das empresas destinada ao SEBRAE foi instituída pela Lei nº 8.029, de 12/04/1990, na redação da Lei nº 8.154/1990, como adicional das contribuições devidas ao SENAC, SESC, SENAI e SESI. Referida lei encontrase plenamente em vigor, e não liberou da exigência qualquer tipo de contribuinte, seja ele beneficiário ou não das atividades desenvolvidas pelo órgão, seja micro, pequena, média ou de grande porte, ou aquelas que já contribuem para as entidades referidas. Não obstante refugir à apreciação de matéria de ilegalidade/inconstitucionalidade, no âmbito administrativo, cabe ressaltar, apenas para argumentar, que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pacífico declarando a constitucionalidade da citada contribuição: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. Esta colenda Corte, no julgamento do RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE configura contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo legítima a sua cobrança de empresa que exerce atividade econômica. Precedentes: RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso; RE 399.653AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; RE 404.919 AgR, Rel. Min. Eros Grau; e RE 389.016AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 1ª T.. REAgR 437.839. Rel. Min. Carlos Britto. DJ 18.11.2005, p. 8) CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS – SEBRAE. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. A decisão agravada está em perfeita consonância com o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte, ao julgar o RE 396.266, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 27.02.2004. Entendeuse, nesse julgamento, que a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE é constitucional, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Enfatizouse, ainda, não ser necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 2ª T. REAgR 367.973/PR. Rel. Min. Joaquim Barbosa. DJ 10/06/2005, p. 57) (grifouse) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 112 23 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido. (STF, Tribunal Pleno. RE 396.266/SC. Rel. Min. Carlos Velloso. DJ 27.02.2004, p. 22) (grifouse) Assim, alicerçada em preceito legal válido, correta a cobrança pelo Fisco da contribuição destinada ao SEBRAE. Da contribuição para o INCRA Em relação à contribuição destinada ao INCRA convém esclarecer que esta subsiste mesmo após a edição da Lei 8.212, de 1991, podendo ser exigida das empresas urbanas. Vejase, nessa linha: Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 638.527 SC (2004/00229462) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON RECORRENTE : INDÚSTRIA AGRO COMERCIAL CASSAVA S/A E OUTRO ADVOGADO : ROMEO PIAZERA JUNIOR E OUTROS RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA INCRA PROCURADOR : MARCELO AYRES KURTZ E OUTROS RECORRIDO : OS MESMOS RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : CARLOS DOS SANTOS DOYLE E OUTROS EMENTA TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA – LEI 2.613/55 (ART. 6º, § 4º) – DL 1.146/70 – LC 11/71 – NATUREZA JURÍDICA E DESTINAÇÃO CONSTITUCIONAL – CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE – LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA MESMO APÓS AS LEIS 8.212/91 E 8.213/91. Fl. 668DF CARF MF 24 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do EREsp 770.451/SC (acórdão ainda não publicado), após acirradas discussões, decidiu rever a jurisprudência sobre a matéria relativa à contribuição destinada ao INCRA. 2. Naquele julgamento discutiuse a natureza jurídica da contribuição e sua destinação constitucional e, após análise detida da legislação pertinente, concluiu se que a exação não teria sido extinta, subsistindo até os dias atuais e, para as demandas em que não mais se discutia a legitimidade da cobrança, afastouse a possibilidade de compensação dos valores indevidamente pagos a título de contribuição destinada ao INCRA com as contribuições devidas sobre a folha de salários. 3. Em síntese, estes foram os fundamentos acolhidos pela Primeira Seção: a) a referibilidade direta NÃO é elemento constitutivo das CIDE's; b) as contribuições especiais atípicas (de intervenção no domínio econômico) são constitucionalmente destinadas a finalidades não diretamente referidas ao sujeito passivo, o qual não necessariamente é beneficiado com a atuação estatal e nem a ela dá causa (referibilidade). Esse é o traço característico que as distingue das contribuições de interesse de categorias profissionais e de categorias econômicas; c) as CIDE's afetam toda a sociedade e obedecem ao princípio da solidariedade e da capacidade contributiva, refletindo políticas econômicas de governo. Por isso, não podem ser utilizadas como forma de atendimento ao interesse de grupos de operadores econômicos; d) a contribuição destinada ao INCRA, desde sua concepção, caracterizase como CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO, classificada doutrinariamente como CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL ATÍPICA (CF/67, CF/69 e CF/88 art. 149); e) o INCRA herdou as atribuições da SUPRA no que diz respeito à promoção da reforma agrária e, em caráter supletivo, as medidas complementares de assistência técnica, financeira, educacional e sanitária, bem como outras de caráter administrativo; f) a contribuição do INCRA tem finalidade específica (elemento finalístico) constitucionalmente determinada de promoção da reforma agrária e de colonização, visando atender aos princípios da função social da propriedade e a diminuição das desigualdades regionais e sociais (art. 170, III e VII, da CF/88); g) a contribuição do INCRA não possui REFERIBILIDADE DIRETA com o sujeito passivo, por isso se distingue das contribuições de interesse das categorias profissionais e de categorias econômicas; h) o produto da sua arrecadação destinase especificamente aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Por isso, não se enquadram no gênero Seguridade Social (Saúde, Previdência Social ou Assistência Social), sendo relevante concluir ainda que: h.1) esse entendimento (de que a contribuição se enquadra no gênero Seguridade Social) seria incongruente com o princípio da universalidade de cobertura e de atendimento, ao se admitir que essas atividades fossem dirigidas apenas aos trabalhadores rurais assentados com exclusão de todos os demais integrantes da sociedade; h.2) partindose da pseudopremissa de que o INCRA integra a "Seguridade Social", não se compreende por que não lhe é repassada parte do respectivo orçamento para a consecução desses objetivos, em cumprimento ao art. 204 da CF/88; i) o único ponto em comum entre o FUNRURAL e o INCRA e, por conseguinte, entre as suas contribuições de custeio, residiu no fato de que o diploma legislativo Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11065.003146/201059 Acórdão n.º 2402006.181 S2C4T2 Fl. 113 25 que as fixou teve origem normativa comum, mas com finalidades totalmente diversas; j) a contribuição para o INCRA, decididamente, não tem a mesma natureza jurídica e a mesma destinação constitucional que a contribuição previdenciária sobre a folha de salários, instituída pela Lei 7.787/89 (art. 3º, I), tendo resistido à Constituição Federal de 1988 até os dias atuais, com amparo no art. 149 da Carta Magna, não tendo sido extinta pela Lei 8.212/91 ou pela Lei 8.213/91. 4. A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao INCRA. 5. Recurso especial do INCRA provido e prejudicado o recurso especial das empresas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso do INCRA e julgou prejudicado o recurso das empresas, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a)." Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com a Sra. Ministra Relatora. Brasília (DF), 06 de fevereiro de 2007 (Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Documento: 670572 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJ: 16/02/2007 As empresas urbanas e rurais estão sujeitas à incidência da contribuição social para o INCRA, tendo em vista que a contribuição social cobrada ao empregador financia a cobertura dos riscos aos quais está sujeita toda a coletividade de trabalhadores, e não apenas seus empregados, em face do princípio da solidarização da seguridade social, estabelecido no art. 195 da Constituição Federal. Assim, é legítimo o recolhimento da Contribuição Social para o INCRA pelas empresas vinculadas à previdência urbana. As atividades desenvolvidas pelo INCRA não se confundem com aquelas realizadas pela previdência social, motivo pelo qual a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis nº 7.787/1989 e nº 8.212/1991, cuja natureza é previdenciária, restando plenamente exigível. Pelo exposto, não há qualquer dúvida quanto à obrigatoriedade da autuada em recolher as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos enumeradas, em face do entendimento legal acima suscitado, reforçandose que essa instância administrativa é incompetente para afastar a exigibilidade de exação prevista em lei." Fl. 670DF CARF MF 26 Nessa perspectiva, concluise que a decisão recorrida não merece reparo. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 477/632), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 671DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720132/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade de normas, com expressa vedação no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação alterada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), sendo entendimento assentado, também, na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
DRAWBACK. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS. CONDIÇÃO. DESCUMPRIMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
A condição que vincula a suspensão dos tributos a eventos futuros e incertos, impede o início da contagem da decadência, enquanto não implementada, afastando a regulação do lapso extintivo pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, mesmo porque, em função da predita suspensão dos tributos devidos, inocorre antecipação de pagamento, circunstância que determina a aplicação do art. 173, I do mesmo diploma, consoante entendimento fixado no REsp n° 973.733-SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo, de observância impositiva pelas turmas julgadoras do CARF, ex vi do art. 62 do seu regimento interno.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
DRAWBACK SUSPENSÃO. ASPECTOS TRIBUTÁRIOS. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 100.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
Segundo a legislação vigente por ocasião dos fatos, o princípio da vinculação física, consoante o qual as mercadorias importadas com suspensão dos tributos devem ser obrigatoriamente empregadas na produção de bens destinados à exportação, é vetor do drawback modalidade suspensão, não se lhe aplicando o princípio da fungibilidade.
DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 319 do Decreto nº 91.030/85, o descumprimento das condições que ensejaram a suspensão estabelecida para o regime aduaneiro implica a cobrança dos tributos respectivos, acrescidos dos consectários cabíveis (multa e juros de mora).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade de normas, com expressa vedação no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação alterada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), sendo entendimento assentado, também, na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). DRAWBACK. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS. CONDIÇÃO. DESCUMPRIMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A condição que vincula a suspensão dos tributos a eventos futuros e incertos, impede o início da contagem da decadência, enquanto não implementada, afastando a regulação do lapso extintivo pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, mesmo porque, em função da predita suspensão dos tributos devidos, inocorre antecipação de pagamento, circunstância que determina a aplicação do art. 173, I do mesmo diploma, consoante entendimento fixado no REsp n° 973.733SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo, de observância impositiva pelas turmas julgadoras do CARF, ex vi do art. 62 do seu regimento interno. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. ASPECTOS TRIBUTÁRIOS. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 100. “O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 32 /2 00 7- 17Fl. 521DF CARF MF 2 sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.” DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Segundo a legislação vigente por ocasião dos fatos, o princípio da vinculação física, consoante o qual as mercadorias importadas com suspensão dos tributos devem ser obrigatoriamente empregadas na produção de bens destinados à exportação, é vetor do drawback modalidade suspensão, não se lhe aplicando o princípio da fungibilidade. DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 319 do Decreto nº 91.030/85, o descumprimento das condições que ensejaram a suspensão estabelecida para o regime aduaneiro implica a cobrança dos tributos respectivos, acrescidos dos consectários cabíveis (multa e juros de mora). Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência dos tributos devidos pelo descumprimento do regime aduaneiro de drawbacksuspensão, relativamente ao Ato Concessório nº 177800/0001720, pelo emprego parcial dos insumos importados (DMPCT – 2920.90.90 e TDP – 2907.29.00) nas mercadorias exportadas (Themephós). Em impugnação o contribuinte asseverou que o ato concessório respectivo fora baixado pelo órgão competente – Banco do Brasil S/A –, o que comprovaria o adimplemento do compromisso, não cabendo à RFB qualquer tipo de questionamento; que haveria possibilidade de cumprimento do ato concessório, mesmo sem observância da vinculação física “produto importado x produto exportado”; que a multa de ofício aplicada Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 11 3 ostentaria caráter confiscatório; que a cobrança de juros de mora à taxa selic seria inconstitucional; e, que seria inaplicável a cobrança de juros, em face da suspensão do crédito tributário pelo contencioso administrativo. A DRJ São Paulo I/SP negou provimento ao recurso, em decisão assim ementada: “DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. A competência para verificação do adimplemento do compromisso de exportar decorrente de drawback, na modalidade suspensão, atribuída à SECEX, não exclui a competência da RFB para a fiscalização dos tributos, compreendendo o lançamento do crédito tributário e a verificação do regular cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO PARCIAL. EXPORTAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Tornamse devidos os tributos suspensos na importação de mercadorias ao amparo do regime, cuja exportação não for comprovada, os quais devem ser acrescidos de multa de ofício e juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe à autoridade administrativa apreciar matéria atinente à inconstitucionalidade de ato legal, ficando adstrita a seu cumprimento.” O recurso voluntário aduziu, como preliminar, a extinção do crédito tributário pela ocorrência da prescrição e a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento da prova pericial. No mérito, defendeu que a competência para habilitação e fiscalização do drawback suspensão pertenceria à Secretaria de Comércio Exterior – SECEX, consoante art. 339 do Decreto nº 4.543/02; que seria possível o cumprimento do ato concessório sem observância do princípio da vinculação física; e, que a multa de ofício apresentaria caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Respeitante à preambular de mérito – prescrição/decadência –, quero registrar que (i) só será conhecida por ser admitida, senão unanimemente, majoritariamente pela doutrina como matéria de ordem de pública, tendo em vista que não foi deduzida em impugnação, o que, a priori, configuraria preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72; e, (ii) que, em meu entendimento, é pressuposto inarredável para configuração da prescrição e da decadência a existência de inércia por parte do detentor do Fl. 523DF CARF MF 4 direito, de maneira que, havendo qualquer obstáculo ao seu pleno exercício, não há como reconhecer sua perda. Nessa toada, a pendência de condição, suspensiva ou resolutória, uma vez dependente de evento futuro e incerto, impede o pleno exercício do direito enquanto não implementada. No caso vertente, o contribuinte era beneficiário do regime aduaneiro especial DrawbackSuspensão, o que lhe permitia a importação de insumos com suspensão dos tributos incidentes na operação de importação, com a assunção do compromisso de empregá los na fabricação de produtos destinados à exportação, nos prazos e condições firmados junto à Secretaria de Comércio Exterior SECEX. Portanto, enquanto não findo o prazo concedido para cumprimento do referido compromisso de exportação, não haveria possibilidade jurídica de exigir os tributos suspensos, até porque inexistia razão para essa medida. A partir do vencimento do aludido prazo sem o cumprimento das condições ajustadas, daí então nasce o direito de exigir o crédito tributário respectivo, sendo que o prazo para o seu exercício vem disciplinado nos arts. 173, I do Código Tributário Nacional e art. 138 do DecretoLei nº 37/66: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” (destacado) “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado.” (destacado) Notese que a suspensão dos tributos, por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, implica na ausência de “antecipação de pagamento”, essencial à aplicação do art. 150, § 4º do CTN, como decidido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça, no REsp 973.733 SC, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, de observância impositiva no âmbito do CARF, nos termos do art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015): “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 12 5 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos no original) Nestes autos, como a data limite para adimplemento dos compromissos assumidos era 18/11/2002, o termo inicial do lapso extintivo foi 01/01/2003, enquanto o final Fl. 525DF CARF MF 6 recaiu em 01/01/2008, de modo que, cientificado o contribuinte da autuação em 17/07/2007 (efl. 9), não há que se falar em decadência do direito à exigência do crédito tributário. De outra banda, o art. 174 do Código Tributário Nacional não ampara a pretensão do recorrente, isso porque a discussão administrativa é etapa inerente e necessária à formação da “decisão Administrativa irreformável”, requisito determinante à definitividade do lançamento, nas palavras do CTN: “A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.” (grifado) Como não bastasse, por se discutir nessa assentada o direito à constituição do crédito tributário, o lapso extintitivo é de natureza decadencial (art. 173 do CTN), reservando o prazo prescricional à ação de cobrança (art. 174 do CTN), o que, ainda, não é caso. Assim, neste processo, não há decadência, porque o crédito tributário foi devidamente constituído no qüinqüênio estabelecido pelo art. 173, I do codex, enquanto a prescrição ainda não começou a fluir, porque pendente o crédito de “constituição definitiva”, em face da discussão administrativa que ora se desenvolve. Relativamente à nulidade da decisão de primeira instância, pelo indeferimento da “perícia” pleiteada, o que configuraria cerceamento do direito de defesa, é certo que, dentre os pedidos formulados, havia requerimento simples de produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente periciais, com indicação de dois quesitos, entretanto, não se pode olvidar que esse pedido não observou os ditames do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, consoante o qual “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito” (destacado). Essa, inclusive, uma das razões apontadas pelo colegiado a quo para indeferimento do pedido formulado: “Inicialmente, convém observar que o pleito genérico pela produção de provas, inclusive a pericial, não merece acolhimento. Primeiro, porque a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72). Segundo, porque o pedido de perícia apresentado não preenche os requisitos previstos pelo inciso IV do citado art. 16.” (sublinhado) Como se verifica, não houve qualquer exposição de motivos, por parte do recorrente, sobre a necessidade da perícia postulada e, da mesma forma, não houve indicação do perito, como exige o diploma alhures mencionado. Demais disso, os quesitos propostos (i. se o material importado fora utilizado no processo de produção do material exportado; e, ii. se as quantidades indicadas teriam equivalência com as mercadorias exportadas) já haviam sido respondidos pela fiscalização no relatório de autuação, onde se destacou que os insumos foram empregados parcialmente, na produção da mercadoria exportada, conforme se extrai da seguinte passagem (efl. 40): “Examinei os registros das entradas de mercadorias (DIs vinculadas com as respectivas Notas Fiscais de Entrada) e as saídas de mercadorias (REs / DDEs com as respectivas Notas Fiscais de Saídas) no Livro de Registro de Controle Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 13 7 da Produção e do Estoque; a compatibilidade entre os lançamentos constantes dos Livros de Registro de Entradas e de Registro de Saídas com aqueles constantes do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, e a consistência das informações oriundas do uso do Laudo Técnico, no intuito de verificar o atendimento ao Principio da Vinculação Física entre os insumos importados e o produto final. Constatei que parte dos insumos importados não havia sido utilizada na produção das mercadorias acobertadas pelos REs apresentados pela autuada (vide item 5). A Tabela 2 apresenta a quantidade consumida dos bens importados por RE, com base nos cálculos utilizandose a relação de insumo/produto apresentada no Laudo Técnico oferecido pelo importador (fls. 104, 143/152): (...) Assim sendo, considerando a quantidade de matériaprima consumida no processo industrial, cujos cálculos baseados na relação de insumo/produto foram compatíveis com o encontrado no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, verificase que 37.357,34 kg de DMPCT e 36.737,89 kg de TDP não foram exportados, ficando caracterizado o inadimplemento parcial do regime especial ora fiscalizado, com referência a este insumo cuja exportação não foi comprovada.” (destaques no original) Vale registrar que o recorrente não contestou expressamente os cálculos elaborados pela fiscalização, reconhecendo tacitamente que não houve utilização integral do insumo importado na industrialização do produto exportado, tanto assim que defendeu a inaplicabilidade do princípio da vinculação física ao drawbacksuspensão. À luz dessas colocações, não vislumbro vício que inquine de nulidade a decisão reclamada, seja porque o pedido de diligência era incompatível com os argumentos expendidos na impugnação, seja porque o pedido não atendia as disposições do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, e ainda, porque se mostrava completamente desnecessário, ao passo que, não havendo qualquer contestação de cálculo, os questionamentos propostos já haviam sido contemplados no relatório fiscal produzido (efls. 11/56). Rechaçadas as preliminares argüidas, passo ao mérito. Concernente à atribuição para a fiscalização do cumprimento dos requisitos para fruição do drawbacksuspensão, sob o ponto de vista fiscal, é matéria pacífica neste sodalício, inclusive com edição de súmula, o que dispensa maiores debates: “Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do Fl. 527DF CARF MF 8 crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.” Relativamente à observância do princípio da vinculação física, como requisito para comprovação do compromisso de exportação decorrente da fruição do drawbacksuspensão, reproduzo o resgate histórico do instituto e a sua implicação no âmbito tributário, em declaração de voto de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão nº 3403003.162, proferido em 20/08/2014, e o adoto como fundamento do presente aresto, por concordar com o arrazoado lá expendido: “Busco por meio da presente declaração de voto motivar meu entendimento especificamente em relação à necessidade de vinculação física no regime denominado no Brasil de ‘drawback’, tendo em vista a recorrente discussão do tema e a aura de controvérsia que sob ele paira. Ao final, teço ainda considerações sobre as especificidades do presente processo. 1 O ‘DRAWBACK BRASILEIRO’ (Ou: a deturpação do conceito de Drawback no Brasil) É preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um ‘drawback’ brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como ‘drawback’. O ‘drawback’ já era tratado na célebre ‘Riqueza das Nações’ de Adam Smith, em 1776, na qual se dedica um capítulo (Capítulo IV – ‘Dos drawbacks’, do Livro IV – “Dos sistemas de política econômica”): Os comerciantes e os fabricantes não se contentam com o monopólio do mercado interno, mas desejam da mesma forma o máximo possível de vendas para o exterior de suas mercadorias. Seu país não possui nenhuma jurisdição sobre nações estrangeiras e, portanto, raramente pode proporcionar monopólio lá. Eles são geralmente obrigados, por isso, a contentarse em solicitar determinados incentivos à exportação. Desses incentivos, os denominados drawbacks parecem ser os mais razoáveis. (...) Os direitos (de importação) que foram impostos desde o antigo subsídio são, em grande parte, totalmente devolvidos após a exportação. Essa regra geral, entretanto, é passível de grande número de exceções; e a teoria dos drawbacks se tornou matéria muito mais simples do que era quando de sua primeira instituição. Na exportação de algumas mercadorias estrangeiras, das quais se esperava que a importação em muito superasse o necessário para o consumo interno, a totalidade dos direitos Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 14 9 (de importação) era devolvida, sem reter nem a metade do antigo subsídio. (...)1 Pouco antes, na mesma obra (Capítulo I do Livro IV), explicase que: Drawbacks são concedidos em duas diferentes ocasiões. Quando os fabricantes domésticos estivessem sujeitos a qualquer direito (de importação) ou imposto (sobre o consumo), a totalidade ou uma parte destes era frequentemente devolvida após a exportação; e quando mercadorias estrangeiras sujeitas a um direito (de importação) fossem importadas, a fim de serem exportadas novamente, a totalidade ou uma parte deste direito era às vezes devolvida depois de tal exportação. (...)2 O ‘drawback’, assim, é inequivocamente, como sugere a própria formação da palavra, em inglês (‘drawback’), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Tal definição está em perfeita sintonia com o que se entende hoje internacionalmente como drawback: ‘o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback’.3 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: 1 Tradução livre do texto de “An inquiry into the nature and causes of The Wealth of Nations”: (“Merchants and manufacturers are not contented with the monopoly of the home Market, but desire likewise the most extensive foreign sale for their goods. Their country has no jurisdiction in foreign nations, and therefore can seldom procure them any monopoly there. They are generally obligated, therefore, to content themselves with petitioning for certain encouragements to exportation. Of these encouragements, what are called drawbacks seem to be the most reasonable. (…) The duties which have been imposed since the old subsidy, are, the greater part of them, wholly drawn back upon exportation. This general rule, however, is liable to a great number of exceptions; and the doctrine of drawbacks has become a much less simple matter than it was at their first institution. Upon the exportation of some foreign goods, of which it was expected that the importation would greatly exceed what was necessary for home consumption, the whole duties are drawn back, without retaining even half of the old subsidy. (…)”. A obra clássica completa pode ser encontrada na biblioteca virtual da Universidade Penn State/USA, disponível em: <www2.hn.psu.edu/faculty/jmais/adamsmith/wealthnations.pdf>Acesso em 09.jul.2014. 2 Idem. Tradução livre de: “Drawbacks are given upon two different occasions. When the home manufacturers were subject to any duty or excise, either the whole or a part of it was frequently drawn back upon their exportation; and the foreign goods liable to a duty were imported, in order to be exported again, either the whole or a part of this duty was sometimes given back upon such exportation”. 3 Definição extraída do Anexo Especifico “F” da Convenção Internacional para Simplificação e Harmonização de Regimes/Procedimentos Aduaneiros” (Convenção de Kyoto Revisada). A Convenção de Kyoto foi adotada em 1973 (nos idiomas oficiais da OMA, inglês e francês, respectivamente, “International Convention on the Simplification and Harmonization of Customs Procedures” e “Convention Internationale pour la Simplification et L’harmonisation des Regimes Douaniers”), e entrou em vigor em 25/09/1974, tendo passado por um processo de revisão no período de 1995 a 1999, resultando na chamada “Convenção de Kyoto Revisada”, que entrou em vigor em 03/02/2006, e hoje é aplicada em países que representam mais de 80% do comércio mundial (o Brasil, que é o único dos doze maiores países do mundo que ainda não aderiu à Convenção, manifestou expressamente interesse na adesão em novembro de 2011, em conferência da Organização Mundial de Aduanas realizada em São Paulo/2011, e já forma iniciados os trâmites para incorporação do texto da Convenção a nosso ordenamento jurídico). O texto da definição corresponde a tradução livre das versões em francês ("drawback: le montant des droits et taxes à l’ importation remboursé en application du régime du drawback”), e em inglês (“drawback: means the amount of import duties and taxes repaid under the drawback procedure”). O texto da convenção revisada, em ambos os idiomas, está disponível em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. Fl. 529DF CARF MF 10 o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.4 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo ‘remissão’). A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como ‘remissão’, em seu art. 37, dispondo que seria concedida ‘remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira’.5 E tal regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs em seu art. 6o que ‘o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos’. Estava ‘criado’ pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: ‘nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos’. Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).6 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei no 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)7 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada 4 Idem. Tradução livre da versão em francês ("régime du drawback: le régime douanier qui permet, lors de l’ exportation de marchandises, d’ obtenir le remboursement total ou partiel des droits et taxes à l’ importation qui ont frappé, soit ces marchandises, soit les produits contenus dans les marchandises exportées ou consommées au cours de leur production”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“drawback procedure: means the Customs procedure which, when goods are exported, provides for a repayment total or partial to be made in respect of the import duties and taxes charged on the goods, or on materials contained in them or consumed in their production”), do Anexo F da Convenção de Kyoto Revisada. 5 A grafia ‘drawback’ era usual, no Brasil, à época. Hoje, preferese drawback, termo inglês que não encontra correspondente no francês e no espanhol. Em Portugal, até hoje o termo drawback é traduzido como ‘draubaque’. Na Itália, como ‘rimborso’. 6 Dispunha o artigo: “A aplicação do regime do ‘drawback’ farseá mediante: a) suspensão do pagamento do imposto devido, condicionada a plano de importação e exportação previamente aprovado, até a comprovação da exportação; b) franquia do imposto sobre importação posterior de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à de origem estrangeira utilizada no produto exportado; e c) restituição do imposto pago. 7 Não obstante tenha sido alguns meses antes publicada a Lei no 5.025, de 10/06/1966, tratando em dois artigos de “drawback” (um deles, o art. 55, especificamente referindose a isenção). Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 15 11 após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente8) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei no 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). Concordamos com LOPES FILHO quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques.9 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do exSecretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques)10 como tantas outras decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro11; b) o ‘drawback 8 Visto que internacionalmente a expressão drawback designava exclusivamente a restituição, e o Decretolei, em sua Exposição de Motivos (no 867, de 18/11/1966), expressamente afirmava espelharse em “Códigos Aduaneiros modernos” na disciplina da temática aduaneira. 9 LOPES FILHO, Osíris de Azevedo. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 9192. 10 A título ilustrativo, citese que o Glossário de Termos Aduaneiros e Comércio Exterior da ALADI define como ‘reposição de matériasprimas’ o “regime aduaneiro que permite importar, com isenção dos gravames respectivos, mercadorias equivalentes a outras que, havendo pago anteriormente esses gravames, foram utilizadas na produção de artigos exportados previamente a título definitivo” (Disponível em: <http://www.aladi.org/nsfaladi/glosario.nsf>. Acesso em: 09.jul.2014). MEIRA denomina esta ‘modalidade’ de drawbacksubstituição (MEIRA, Liziane Angelotti. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 219). 11 Aliás, tal isenção está relacionada no art. 136 (inciso II, alínea ‘g’). A disciplina da isenção, contudo, foi deslocada da Seção de Isenções para o Livro referente a Regimes Aduaneiros Especiais, pela adoção da nomenclatura inadequada, que remonta à década de 60. Fossem as isenções regimes aduaneiros especiais, todas deveriam estar disciplinadas no Livro IV do Regulamento Aduaneiro. Fosse o drawbackisenção um regime Fl. 531DF CARF MF 12 restituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as exportações12; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo.13 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas possuem supedâneo legal.14 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de no 8.402/1992 (art. 3o, § 2o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. Não se tem dúvida de que a insistência em utilizar terminologia dissonante do resto do mundo dificulta negociações internacionais15 e faz com que se exija cautela em estudos comparados sobre a matéria. Daí nossa preocupação em não comparar grandezas diferentes na labuta empreendida nos tópicos seguintes. Trataremos do ‘drawback brasileiro’ (em suas três ‘modalidades’), comparandoas, quando necessário, aos institutos congêneres existentes internacionalmente. aduaneiro especial, e não uma isenção concedida no regime comum de importação, não haveria necessidade de tê lo expressamente mantido na Lei no 8.032, de 12/4/1990 (arts. 2o, II, ‘g’, e 3o, I). 12 Assim como defendemos o posicionamento da disciplina do drawbackisenção na Seção referente a isenções do Regulamento Aduaneiro, o drawbackrestituição melhor ficaria posicionado ao lado das restituições em decorrência do regime comum de importação, no art. 110 do mesmo regulamento. 13 No Capítulo 1 do Anexo Específico ‘F’ da Convenção de Kyoto revisada encontramos a definição de aperfeiçoamento ativo: “regime aduaneiro que permite receber em um território aduaneiro, com suspensão dos tributos incidentes na importação, certas mercadorias destinadas a sofrer uma transformação, processamento ou reparo e a serem posteriormente exportadas”. O texto corresponde à tradução livre da versão em francês ("perfectionnement actif: le régime douanier qui permet de recevoir dans un territoire douanier, en suspension des droits et taxes à l’ importation, certaines marchandises destinées à subir une transformation, une ouvraison ou une réparation et à être ultérieurement exportées”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“inward processing: means the Customs procedure under which certain goods can be brought into a Customs territory conditionally relieved from payment of import duties and taxes, on the basis that such goods are intended for manufacturing, processing or repair and subsequent exportation”), e está disponível, em ambos os idiomas, em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 14 A situação, em verdade, é ainda pior, dado que normas de hierarquia inferior a decreto acabaram por criar ainda verdadeiras submodalidades de drawback (v.g. Portaria SECEX no 23, de 14/07/2011 que trata de drawback intermediário art. 88, drawback embarcação art. 69, I, e drawback para fornecimento no mercado interno art. 69, II). 15 Vejase, por exemplo, o 13o protocolo adicional ao ACE no 18, no âmbito do MERCOSUL, incorporado ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto no 1.700, de 14/11/1995, que, em seu art. 7o, dispõe que “os países signatários poderão conceder a seus exportadores esquemas de ‘draw back’ ou admissão temporária, segundo a terminologia utilizada para esses efeitos até o presente nos países signatários” (recordese que todos os signatários, exceto o Brasil, classificam o que entendemos por “drawbacksuspensão” como “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo”). Nem o Código Aduaneiro do MERCOSUL, aprovado pela Decisão CMC no 27/2010, conseguiu uniformizar a terminologia, tendo uma Seção denominada “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo” (arts. 56 a 63), que alberga o que entendemos no Brasil por “drawbacksuspensão”, permitindonos continuar com a denominação divergente do restante do mundo no item 3 do art. 63: “a adoção do disposto nesta Seção não afetará as denominações específicas adotadas pelos Estados Partes para situações em que haja aperfeiçoamento ativo”. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 16 13 2 A vinculação física no ‘DRAWBACK BRASILEIRO’ e sua gradativa flexibilização (Ou: o ‘drawback brasileiro’, da vinculação física à fungibilidade) Como destacado no tópico anterior, as primeiras regulamentações do ‘drawback brasileiro’ (em suas três modalidades), veiculadas pelos Decretos no 50.485/1961 e no 53.967/1964, já estabeleciam expressamente a necessidade de vinculação das mercadorias às finalidades para as quais foram admitidas no regime. E as finalidades eram as mesmas, em ambos os decretos (art. 2o): utilização direta na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; complementação de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados; beneficiamento no país e posterior exportação; e reparação, recondicionamento ou reconstrução de máquinas, equipamentos, embarcações e aeronaves admitidos no país temporariamente, quando consignados a estaleiros ou oficinas de reparo e manutenção. E sobre o tema não parece haver dissonância entre as normas regulamentares e o comando do art. 78 do DecretoLei no 37/1966: ‘Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...) § 3o Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1o do art. 75.’ (grifo nosso) Reparese que nas três ‘modalidades’ a mercadoria exportada tem que ser efetivamente a que foi anteriormente importada. Nenhuma flexibilização da vinculação física, assim, naquele momento. E adicionese que o Decreto Lei permite a aplicação subsidiária do § 1o do art. 75 (que trata de condições para a admissão temporária, entre as quais a identificação dos bens e sua utilização exclusiva nos fins previstos). Na disciplina regulamentar posterior, externada pelo Decreto no 68.904/1971, começam a surgir flexibilizações na identidade física entre os Fl. 533DF CARF MF 14 produtos importados e exportados (destacandose a possibilidade de aplicação do regime (art. 2o, §1o) a ‘matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem o benefício, a critério do órgão responsável pela concessão do drawback’. O Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto no 91.030/1985, em seus arts. 314 a 334, tratou do “drawback brasileiro”, em suas três ‘modalidades’, mantendo a flexibilização prevista no art. 2o, §1o do Decreto no 68.904/1971 em seu art. 315, §1o. Com a alteração efetuada no §2o do art. 315, pelo Decreto no 4.257/2002, surge outra flexibilização, permitindose a aplicação do regime a ‘matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior’ (CAMEX). Vejase que a ampliação permitiu, por exemplo, a importação de farelo de milho para alimentar pintos que, depois de adultos, seriam exportados. Impossível estabelecerse vinculação física neste caso. Por óbvio, no momento da exportação, não acompanhará o frango todo o farelo por ele comido durante a criação. Por isso é que nesses casos excepcionais passou se a prever disciplina específica, no §3o do mesmo art. 315, restringindo a aplicação do regime aos ‘limites quantitativos e qualitativos constantes de laudo técnico emitido, nos termos fixados pela Secretaria da Receita Federal, por órgão ou entidade especializada da Administração Pública Federal’; e ‘a empresa que possua controle contábil de produção em conformidade com normas editadas pela Secretaria da Receita Federal’. É a flexibilização sem prejuízo do controle aduaneiro. No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) o ‘drawback’ foi tratado nos arts. 335 a 355, sendo mantidas no art. 336 as flexibilizações anteriores, e adicionadas outras duas, específicas da “modalidade suspensão”. A primeira delas é derivada de lei (no 8.032/1990, art. 5o, com a redação dada pela Lei no 10.184/2001), e não se refere exatamente à flexibilização da vinculação física, mas da própria exportação, admitindo que o regime seja aplicável a mercadoria destinada a fornecimento no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior. A segunda, contudo, existente no art. 339, resultou em equivocadas interpretações. Dispõe o artigo: ‘o regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar’. Houve quem sustentasse, a partir do texto do art. 339, que estaria totalmente afastada a vinculação física quando a SECEX emitisse Ato Concessório com expressa referência ao comando, indicando que haveria acompanhamento do fluxo financeiro e que havia compatibilidade entre as Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 17 15 mercadorias importadas e exportadas. A essa corrente devese opor a distinção entre as atribuições da SECEX (adstritas à concessão e deliberação sobre o drawback hoje no art. 16, IV do Decreto no 7.096/2010) e as atribuições fiscalizadoras da RFB. A matéria hoje já é inclusive sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF: Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Não poderia, assim, a manifestação efetuada a critério da SECEX impedir eventual ação fiscal para verificar o cumprimento dos dispositivos normativos relacionados ao regime. Seria a flexibilização em prejuízo do controle aduaneiro. É preciso esclarecer que o texto do art. 339 não está a dispensar o cumprimento dos demais dispositivos referentes a drawback, mas apenas a permitir à SECEX simplificar seu trabalho, poupandoa de análises pormenorizadas para efeito de concessão e de verificação do cumprimento (e não poupando o importador/exportador de controles contábeis e de segregação, ou impedindo a RFB de efetuar controles afetos à fiscalização). E isso veio a ser expressamente aclarado com a redação do parágrafo único do art. 387 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009), na redação dada pelo Decreto no 7.213/2010. Antes de ingressar mais profundamente no Regulamento Aduaneiro de 2009 (ainda vigente), cabe destacar que em 2003, o instituto internacionalmente conhecido como compensação equivalente16 passou a fazer parte da legislação aduaneira brasileira, ainda que de forma tímida, com o art. 60 da Lei no 10.833/2003:17 16 Presente em diversos códigos aduaneiros do mundo, no tratamento da admissão temporária para aperfeiçoamento ativo (equivalente, em termos, ao nosso “drawbacksuspensão”), a compensação equivalente é uma clara flexibilização da vinculação física, permitindo que se utilizem na industrialização (no aperfeiçoamento) mercadorias equivalentes, definidas no Anexo “F”, Capítulo 1 da Convenção de Kyoto Revisada (e também no Anexo “F”, Capítulo 3, referente a Drawback) como “as mercadorias nacionais ou importadas idênticas em descrição, qualidade e características técnicas àquelas importadas para aperfeiçoamento ativo que elas substituem”. A tradução livre corresponde aos textos originais em francês (“marchandises équivalente: les marchandises nationales ou importées identiques par leur espèce, leur qualité et leurs caractéristiques techniques à celles qui ont été importées en vue d’ une opération de perfectionnement actif et qu'elles remplacent”) e inglês (“equivalent goods means domestic or imported goods identical in description, quality and technical characteristics to those imported for inward processing which they replace”), ambos disponíveis em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 17 Em verdade, a ‘compensação equivalente’ já havia sido instituída, no Brasil, no art. 21 da Medida Provisória no 38, de 14/5/2002 (que perdeu a eficácia desde a edição por não ter sido apreciada pelo Congresso Nacional, cf. Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional de 10/10/2002), no art. 19, II da Medida Provisória no 75, de 24/10/2002 (rejeitada na Câmara dos Deputados, cf. Ato Declaratório do Presidente da casa legislativa datado de 18/12/2002), e no art. 44 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (finalmente convertida Fl. 535DF CARF MF 16 ‘Art. 60. Extinguem os regimes de admissão temporária, de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, de exportação temporária e de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, aplicados a produto, parte, peça ou componente recebido do exterior ou a ele enviado para substituição em decorrência de garantia ou, ainda, para reparo, revisão, manutenção, renovação ou recondicionamento, respectivamente, a exportação ou a importação de produto equivalente àquele submetido ao regime. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos seguintes bens: I partes, peças e componentes de aeronave, (...) II produtos nacionais exportados definitivamente, ou suas partes e peças, que retornem ao País, mediante admissão temporária, ou admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, para reparo ou substituição em virtude de defeito técnico que exija sua devolução; e III produtos nacionais, ou suas partes e peças, remetidos ao exterior mediante exportação temporária, para substituição de outro anteriormente exportado definitivamente, que deva retornar ao País para reparo ou substituição, em virtude de defeito técnico que exija sua devolução. § 2o A Secretaria da Receita Federal disciplinará os procedimentos para a aplicação do disposto neste artigo e os requisitos para reconhecimento da equivalência entre os produtos importados e exportados.’ (grifo nosso) Novamente há flexibilização da vinculação física, sem prejuízo do controle aduaneiro, pois restrita a casos específicos, e sob os requisitos e procedimentos estabelecidos pela RFB. E tais requisitos e procedimentos foram inicialmente estabelecidos na Instrução Normativa SRF no 328, de 28/11/2003, estando hoje previstos na Instrução Normativa RFB no 1.361, de 21/05/2013. Passa, assim, a haver previsão legal para exportação de produto que não corresponde fisicamente ao importado para industrialização, mas é idêntico a ele, ainda que em casos muito restritos. E uma leitura alargada do texto do art. 60, entendendo que o comando seria ainda aplicado a outros casos, além de afrontar a literalidade do dispositivo, tornaria inócuas as restrições, negando o próprio objetivo do texto legal, pois não faria sentido nenhum estabelecer a compensação equivalente a tais segmentos se eles (assim como todos os demais) já a tivessem. Assim, o Regulamento Aduaneiro de 2009, em sua redação original, tem poucas alterações em relação ao regulamento anterior, no que se refere a “drawback”. Contudo, o tema foi objeto de substanciais alterações na Lei no 10.833, de 2003). Há ainda ume espécie de “compensação equivalente”, de disciplina totalmente infralegal, no “regime” denominado de REPEX, instituído no Brasil pelo Decreto no 3.312, de 24/12/1999 (e hoje disciplinado nos arts. 463 a 470 do Regulamento Aduaneiro de 2009). Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 18 17 efetuadas no Regulamento pelos Decretos no 7.213/2010 e no 8.010/2013. Isso porque começou a tomar corpo uma intensificação da flexibilização da vinculação física, chegandose ao que se denomina usualmente como a aplicação da fungibilidade no regime. Tal intensificação deriva de comandos legais editados no final da década passada e no início desta década, e que estão sendo paulatinamente regulamentados. A Lei no 11.945/2009, por exemplo, que cria em seu art. 12 uma variante de “drawbacksuspensão brasileiro”, que veio a ser denominada em norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) de drawback integrado suspensão, permitindo a combinação de mercadorias nacionais e importadas no processo de industrialização para exportação, disciplina a flexibilização em seu art. 14: ‘Art. 14. Os atos concessórios de drawback, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei, poderão ser deferidos, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, levandose em conta a agregação de valor e o resultado da operação. § 1o A comprovação do regime poderá ser realizada com base no fluxo físico, por meio de comparação entre os volumes de importação e de aquisição no mercado interno em relação ao volume exportado, considerada, ainda, a variação cambial das moedas de negociação. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.’ (grifo nosso) Vejase que o texto da lei trata de forma mais ponderada a já citada relação entre as competências da SECEX (concessão e deliberação) e da RFB (fiscalização do regime). Não poderia um órgão estabelecer medidas em detrimento do controle do outro. Daí a necessidade de ato conjunto. E tal ato corresponde atualmente à Portaria Conjunta RFB/SECEX no 467, de 25/03/2010. A mesma Lei no 11.945/2009, em seu art. 12, §1o, com a redação dada pela Lei no 12.058/2009, alça ao status legal disposição que há tempos já habitava normas infralegais, permitindo a aplicação do ‘regime, na modalidade de suspensãointegrado’, a ‘aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação’, e, em seu art. 13, prorroga excepcionalmente por um ano Atos Concessórios de Drawback vencidos de 01/10/2008 a 31/12/2009.18 18 A “prorrogação” de Atos Concessórios de “Drawback” (inclusive os já vencidos, no que se revela inadequada a terminologia “prorrogação”) por lei passou a ser medida recorrente nos últimos tempos. A aqui referida, apesar de inexistente no texto da Medida Provisória no 451/2008, e nas 64 Emendas apresentadas pelos parlamentares, Fl. 537DF CARF MF 18 A Lei no 12.350/2010, de forma semelhante ao art. 12 da Lei no 11.945/2009 (que criou a variante de ‘drawbacksuspensão brasileiro’ posteriormente denominada de drawback integrado suspensão), criou, em seu art. 31, a variante de ‘drawbackisenção brasileiro’, que a norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) denominou de drawback integrado isenção). A novidade fica por conta da definição legal de ‘mercadoria equivalente’, no § 4o do citado art. 31: ‘a mercadoria nacional ou estrangeira da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquirida no mercado interno ou importada sem fruição dos benefícios referidos no caput, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo”. A disciplina do “drawback integrado isenção’ também é conjunta (RFB/SECEX), conforme estabelece o art. 33 da lei, já tendo sido editada nesse sentido a Portaria Conjunta RFB/SECEX no 3, de 17/12/2010. Vejase que o Brasil, com claro fundamento na noção de ‘mercadoria equivalente’ da Convenção de Kyoto Revisada, já referida neste estudo, dá mais alguns passos na jornada iniciada com o art. 60 da Lei no 10.833/2003. Mas é no art. 32 da Lei no 12.350/2010, alterando a disposição do art. 17 da Lei no 11.774/2008, que saltase para o explícito fundamento legal que viabiliza a flexibilização da vinculação física (ou a fungibilidade) no ‘drawback brasileiro, nas modalidades de isenção e suspensão’:19 “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. acabou presente no projeto de Lei de Conversão apresentado pelo relator, na Câmara dos Deputados (e na Lei resultante da conversão, de no 11.945/2009), sob a justificativa de ser reputada como importante “para a economia brasileira voltar ao ritmo de crescimento anterior à eclosão da crise financeira mundial”. Cabe ainda citar a Lei no 12.249/2010 (que em seu art. 61, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2010, inclusive aqueles já prorrogados excepcionalmente com base na Lei no 11.945/2009); a Lei no 12.453/2011 (que, em seu art. 8o, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2011, inclusive aqueles já prorrogados excepcionalmente com base nas Leis no 11.945/2009 e no 12.249/2010); a Lei no 12.782/2013 (que, em seu art. 20, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2013, agora excluindo os já prorrogados excepcionalmente com base nas leis anteriores); e a Lei no 12.995/2014 (que, em seu art. 16, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2014, exclusivamente para “produtos de longo ciclo de produção”, e também excluindo os já prorrogados excepcionalmente com base nas leis anteriores). 19 Aqui também cabe destacar que, em verdade, o fundamento legal já existia, ainda que mais modesto, desde setembro de 2008, com o advento da Lei no 11.774/2008, mas restrito a produtos nacionais, vinculados à aplicação do disposto no § 1o do art. 59 da Lei no 10.833/2003 (admissão por outro beneficiário, com vistas a execução de etapa da cadeia industrial). Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 19 19 § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” (grifo nosso) Descontadas as imperfeições terminológicas, que normalmente derivam do excesso de denominações que temos para idênticos regimes aduaneiros no Brasil, 20 o artigo apresenta de forma cristalina o fundamento legal viabilizador da referida flexibilização. Contudo, é nítido que o comando legal carece de disciplina tanto pelo Poder Executivo (responsável por estabelecer termos, limites e condições) quanto pela SECEX e pela RFB, conjuntamente (responsáveis pela disciplina conjunta do tema). Novamente o legislador, de forma cautelosa, promoveu a flexibilização com preocupação sobre o impacto que a medida teria no controle aduaneiro, deixando aos órgãos técnicos a disciplina da matéria, antes da entrada em operação da nova sistemática. Isso resta claro no texto da exposição de Motivos da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010 (que foi convertida na Lei no 12.350/2010): ‘Temos a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência Projeto de Medida Provisória que: (...) d) altera o art. 17 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008, que dispõe sobre a fungibilidade de produtos adquiridos nos regimes aduaneiros suspensivos, permitindo que o Poder Executivo regulamente a matéria; (...) 16. O art. 8o propõe alteração no art. 17 da Lei no 11.774, de 2008, que dispõe sobre a possibilidade da fungibilidade de bens adquiridos, tanto por importação como no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos federais e ao abrigo de regimes aduaneiros especiais, quando destinados à industrialização para exportação. Tratase de revisão da redação original, que 20 A menção a “regimes aduaneiros suspensivos” existente no texto original do art. 17 da Lei no 11.774/2008 não parecia objetivar especificamente o “drawback”, por estar restrita ao disposto no § 1o do art. 59 da Lei no 10.833/2003 (comando que possibilitou a solidariedade no “regime aduaneiro especial” de RECOF entreposto industrial sob controle informatizado”, disciplinado nos arts. 420 a 430 do Regulamento Aduaneiro de 2009, e totalmente sob a tutela da RFB, tanto no que se refere a concessão quanto fiscalização). Isso fica claro pela leitura do § 2o do mesmo art. 59 da Lei no 10.833/2003, que destacava ser da RFB a competência para “disciplinar a aplicação dos regimes aduaneiros suspensivos de que trata o caput, e estabelecer a os requisitos, as condições e a forma de registro da anuência prevista para a admissão da mercadoria, nacional ou importada, no regime”. A menção no texto atual, por sua vez, parece desejar, de forma oposta, ser específica ao drawback, seja porque o art. 32 da Lei no 12.350/2010 está inserido no Capítulo III, denominado “Do Drawback” (que abrange os arts. 31 a 33), ou porque estabelece disciplina conjunta, o que só é compatível com o regime de “drawback brasileiro, nas modalidades de suspensão e isenção”. De qualquer forma, tanto a redação original (que parecia esquecer o “drawback”), quanto a atual (que parece esquecer o RECOF) resta patente que passou da hora de o Brasil utilizar a terminologia internacional em relação à matéria: (admissão temporária para) aperfeiçoamento ativo, e não drawbacksuspensão, RECOF, RECOM ... Fl. 539DF CARF MF 20 havia alicerçado sua base no art. 59 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e agora passa a ser aplicada de forma autônoma, desde que regulamentada pelo Poder Executivo. (...)’ (grifo nosso) Em recente alteração do Regulamento Aduaneiro, o Decreto no 8.010, de 16/05/2013, trouxe o novo comando legal para o art. 402A da norma regulamentar, sem qualquer alteração (ou disciplina) do texto da lei, mas esclarecendo, no §2o do artigo, que a aplicação ‘fica condicionada à edição de ato normativo específico conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior’. Mais uma vez resta patente a tecnicidade do tema, que está sendo tratado conjuntamente entre RFB e SECEX, aguardandose para breve a publicação do ato normativo conjunto que finalmente colocará em operação, com as restrições que estabelecer, a flexibilização da vinculação física, ou a fungibilidade em regimes aduaneiros suspensivos (mais objetivamente os conhecidos como ‘drawback integrado suspensão’ e ‘drawback integrado isenção’. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao qual é vinculada a SECEX, ciente de que ainda não opera, pelas regras atuais, a fungibilidade, noticiou recentemente (29/04/2014) em seu sítio web que:21 ‘Rio de JaneiroRJ (29 de abril) Durante abertura do Seminário de Operações de Comércio Exterior, realizado hoje, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Renato Agostinho, anunciou duas medidas de simplificação para a utilização do regime drawback, que permite (sic) a desoneração de tributos nas importações ou compras domésticas de insumos usados na fabricação de produtos exportados. A primeira é o lançamento de um sistema eletrônico para o processamento do drawback isenção, mecanismo aplicado na reposição de insumos que foram anteriormente utilizados na produção de bens já exportados. “Esta é a última operação, relacionada ao Decex, que é feita ainda por papel. Com o lançamento do sistema, no segundo semestre deste ano, poremos fim ao uso do papel e todas as operações serão realizadas de forma digital”, disse o diretor. No ano passado, US$ 8 bilhões foram exportados ao amparo do regime drawback isenção. Outra medida prevista para breve é a edição de uma portaria conjunta da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) do Ministério da Fazenda, que tratará da questão da fungibilidade das mercadorias 21 Pesquisa feita no sítio web do MDIC , no campo “busca”, com a palavra “fungibilidade”. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=5¬icia=13134>. Acesso em 09.jul.2014. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 20 21 relacionadas à concessão de drawback. “Esta medida é importante para eliminar a necessidade de segregação nos estoques dos insumos pelo exportador, o que representa hoje um custo que pode ser dispensado com regras mais claras para a administração do regime”, explicou Agostinho. (...)’ (grifo nosso) Nesse contexto, o Brasil migra, em algumas décadas, de um cenário de estrita vinculação física a um ambiente no qual parece que a regra será a fungibilidade, nos termos a serem estabelecidos em norma conjunta da RFB e da SECEX. 3 Considerações sobre a ‘fungibilidade’ no ‘drawback brasileiro’ (ou: A discussão econômica e a discussão jurídica do tema) Conforme exposto no tópico anterior, o ‘drawback brasileiro’ ainda é regido, em regra, pela vinculação física, já havendo algumas mitigações, externadas em atos normativos emanados nas últimas décadas. Não se têm dúvidas sobre as vantagens que há, do ponto de vista econômico, na implementação de uma sistemática em que se possam reduzir custos com segregação de estoques e atividades afins. A otimização de recursos (tanto dos operadores do regime quanto das instituições concedentes e fiscalizadoras) certamente impactará positivamente no comércio exterior brasileiro. E a tecnologia da informação, ferramenta chave na operacionalidade das atividades aduaneiras, permitindo a coexistência da celeridade com a segurança, representa indubitavelmente a saída para o controle eficaz da elevada quantidade de dados a analisar em relação ao regime. A celeridade e a simplificação das atividades aduaneiras (sem prejuízo da segurança) é preocupação internacional atualíssima, sendo o principal tema tratado, por exemplo, na última Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Bali (dezembro/2013), sob o título ‘facilitação comercial’, gerando um pacote de medidas alinhadas à já citada Convenção de Kyoto Revisada. Não se têm dúvidas, assim, de que o Brasil está trilhando caminho alinhado com as melhores práticas internacionais. Mas essa análise econômica não tem o condão de sobrepor a análise jurídica do tema, que realizamos no tópico anterior, concluindo por variadas razões que as disposições sobre fungibilidade do art. 17 da Lei no 11.774/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei no 12.350/2010, não são autoaplicáveis, e pendem do estabelecimento de uma disciplina conjunta pela SECEX e pela RFB, que já está inclusive em elaboração. Fl. 541DF CARF MF 22 Assim, divergimos frontalmente dos posicionamentos (digase, minoritários), externados em julgamentos do CARF22 e na doutrina23, de que já seria aplicável a fungibilidade no “drawback brasileiro”, por carecer tal argumento de fundamentação jurídica, diante do aqui analisado. É preciso analisar a questão de forma isenta e científica, sem partir de premissas equivocadas/preconcebidas ou de análises comparadas de institutos de natureza diversa, ou ainda de análise econômica em detrimento do teor de leis vigentes.” (grifos no original) Essa posição, atualmente, é a que prevalece na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF/CARF: “PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303001.346, de 02/02/2011). PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303003.465, de 24/02/2016) PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. 22 Luiz Henrique Travassos Machado presenteoume com cópia de sua dissertação de mestrado na Universidade Cândido Mendes, intitulada “Regime Aduaneiro Especial de Drawback: exoneração fiscal como fomento ao desenvolvimento econômico”, defendida em 2012. No detalhado trabalho, o autor efetua, entre outros, levantamento estatístico do tratamento no CARF (e no antigo Conselho de Contribuintes) do tema da fungibilidade no “drawback”, de 2003 a 2010, encontrando 34 acórdãos reconhecendo a necessidade de vinculação física, e dois a afastando, entre outras variantes mitigadas. Realizando busca no sítio web do CARF, nos anos de 2011 a 2014, com a palavra “fungibilidade” ou com a expressão “vinculação física” atreladas a “drawback” (ementa+decisão) encontrei 1 resultado em 2014 (Acórdão no 3102.002.127, com decisão majoritária em favor da necessidade de vinculação física), outro em 2013 (Acórdão no 3202.000.878, no qual a matéria foi decidida por qualidade, em favor da necessidade de vinculação física) 4 em 2012 (Acórdãos no 3102001.439, no 3102001.494 e no 3802000.837, unânimes em favor da necessidade de vinculação física; e no 3101000.884, majoritariamente favorável à necessidade de vinculação física) e 1 em 2011 (Acórdão no 3202000.403, unânime em favor da necessidade de vinculação física). 23 Outra obra que chegou a minhas mãos recentemente foi “Drawback e a inexigibilidade de vinculação física”, de Victor Bovarotti Lopes (Almedina, 2012). O objetivo da obra, como se destaca logo de início, é “demonstrar a inexigibilidade de vinculação física entre os insumos adquiridos e os produtos exportados (sic) através das operações realizadas sob o regime de drawback”. Assim, o estudo é fundado na preconcepção de que opera a fungibilidade no regime, apontando como críticas à exigência de vinculação física (Capítulo 3) possíveis violações aos princípios da segurança jurídica, da isonomia, da impessoalidade, da finalidade, da proporcionalidade e da legalidade, e realizando estudo comparado com acordo da OMC referente a defesa comercial (subsídios). Também nessa obra há substancial coletânea de jurisprudência do CARF sobre o tema, demonstrando que há alternância de entendimentos, e que nas composições atuais a predominância é de acolhida da necessidade de vinculação física. Em oposição, citese outra análise do tema, efetuada por Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” (MP, 2013), ao final do artigo intitulado “A natureza jurídica do regime aduaneiro de drawback”, com a conclusão pela exigência de vinculação física, por disposição legal expressa, por entendimentos da Administração, pela disposição constante do art. 56 do Código Aduaneiro do MERCOSUL, pela leal concorrência, pela análise de decisão do STJ e pelo reconhecimento (este também presente na obra de Lopes) de que o drawback teria natureza jurídica de isenção condicionada. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 21 23 No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303002.833, de 23/01/2014) Nesse contexto, o emprego dos insumos importados nos produtos exportados é condição sine qua nom para o cumprimento do drawbacksuspensão e, uma vez inobservado esse requisito, passam a ser exigíveis os tributos suspensos. Não custa frisar que o ônus probatório respectivo é incumbência do beneficiário do regime, conforme já se manifestou esta turma julgadora no Acórdão nº 3401 003.018, de 09/12/2015, de relatoria do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira: O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art. 78 do Decretolei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art. 1o, inciso I, da Lei n.° 8.402. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX. (...) Como vimos, o texto da lei que criou o regime suspensivo informa que as condições e termos a serem observados serão os estabelecidos a partir do regulamento. E de fato, encontramos no Regulamento Aduaneiro normas de disciplinamento: (...) Conforme podemos ver, a conclusão do regime de forma que a contribuinte possa obter plena e definitivamente o benefício tributário depende do cumprimento dos termos e das condições. A suspensão dos tributos não constitui a plenitude do benefício final. Quando a contribuinte logra atender às condições e termos, e comprovar as exportações pactuadas e constantes do ato concessório, ela deixa de usufruir da suspensão para passar a usufruir da extinção por isenção daqueles tributos que estavam suspensos sob clausula condicional. É o que constatamos na leitura combinada dos textos normativos acima indicados combinado com o inciso I, do artigo 117 do CTN. O regime aduaneiro de drawback suspensão de bens estrangeiros, que em cada caso tem o pactuado pela contribuinte e autorizado pelo ato concessório e o reconhecido pelo desembaraço aduaneiro dos bens importados, é ato jurídico celebrado sob condição suspensiva. E ele aguarda o cumprimento ou não do compromisso de exportar por parte do beneficiário para que se possa obter a definição da extinção da obrigação tributária ou a sua exigência, além da constituição de crédito dela decorrente. (...) Fl. 543DF CARF MF 24 Não há dúvida de que, o reconhecimento desse benefício de isenção tributária, em qualquer uma das modalidades do regime drawback suspensão, isenção ou restituição , está condicionado à reexportação da mercadoria importada, após o beneficiamento ou utilização na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra mercadoria. É obrigação da beneficiária do regime drawback provar a reexportação. Por se tratar de incentivo fiscal, o cumprimento dessa condição não pode ser presumida, mas, sim, ser reconhecida pela autoridade administrativa. (...) Em meu entendimento, o regime drawback não confere suspensão e isenção genéricas, mas decididas caso a caso. O regime drawback de bens estrangeiros conforme autorizado pelo ato concessório se aperfeiçoa pelo desembaraço aduaneiro. Até então, o pactuado não adquiriu existência em uma situação concreta. A suspensão tributária passa a existir com a decisão proferida no despacho aduaneiro, face a ocorrência da hipótese de incidência dos tributos e do ato jurídico consubstanciado no ato concessório. E a extinção da obrigação tributária pela isenção passa a existir com a decisão que acolheu ter a contribuinte comprovado o cumprimento dos termos e das condições pactuadas. No caso em debate, que os bens beneficiados no regime drawback foram efetivamente exportados consoante o que dispunha o ato concessório. (destaques no original) No mesmo sentido o voto condutor do Acórdão 9303001.346, de 02/02/2011: “Aqui o ônus probante é do beneficiado pela suspensão dos tributos. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, no caso, o total cumprimento do regime. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as partes em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o sujeito passivo é que teria interesse em provar o seu direito à fruição do benefício acordado no ato concessório, e não o fez. Assim não há como se decidir pelo cumprimento do regime.” Tocante à inaplicabilidade da multa de ofício e o seu pretenso caráter confiscatório, temse que o consectário encontra respaldo legal no art. 161 do Código Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10830.720132/200717 Acórdão n.º 3401004.485 S3C4T1 Fl. 22 25 Tributário Nacional c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, considerando que não houve recolhimento dos tributos suspensos dentro do trintídio assegurado pelo art. 319 do Decreto nº 91.030/85, então vigente. Outrossim, aspectos relacionados à constitucionalidade de normas não podem ser altercados em sede administrativa, por expressa vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF 343/15), sendo entendimento já sedimentado nesse tribunal administrativo, consoante Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.). Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 545DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.013198/2008-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 31 98 /2 00 8- 66 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal lavrada em face do contribuinte acima qualificado, relativa ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2006, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no montante de R$ 25.560,04, acrescidos de juros de mora e mais multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foram apuradas as seguintes infrações: dedução indevida de dependente (R$ 1.516,32 fl. 09), dedução indevida de despesas médicas (R$ 46.462,77 fl. 10) e dedução indevida de despesas com instrução(R$ 2.373,84). Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 3 a 6). A fiscalização cancelou as infrações de dedução indevida de dependente e despesas com instrução e restabeleceu parte da glosa de despesas médicas comprovadas. A Revisão do Lançamento alterou o imposto suplementar de R$ 13.847,06 para R$ 8.542,26 tendo sido considerada não comprovadas as despesa médicas no total de R$31.062,77 (fl.36). O contribuinte foi cientificado por meio do Termo de Intimação nº 1351/2012 (fl. 41) em 01/11/2012 (fl.43) e em resposta apresentou a contestação de fl. 44 na qual alega que é portador de moléstia grave. Junta laudo médico e demais documentações para comprovar a cardiopatia grave. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que é isento, por ser aposentado por moléstia grave, junta toda a documentação comprobatória e pede o reconhecimento deste direito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10730.013198/200866 Acórdão n.º 2001000.067 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos médicos, com identificação clara do beneficiário do tratamento, especificação do serviço prestado, e na maioria com a informação detalhada do endereço do local da prestação. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas e que não era competente para reconhecer direito a isenção alegada, nos seguintes termos: “[...] Sendo assim, cabe manter a glosa de despesas em relação a Leandro Costa Braga Vieira (R$ 10000,00); Nalu Tavares de Freitas (R$ 5000,00); e, Andréia de Sousa Batista (R$5000,00) tendo em vista a ausência da discriminação do tratamento no próprio, nos recibos de fls. 16 a 18 não atendendo ao disposto no inciso II do § 2º, art. 8º da Lei nº 9.250/95acima transcrita, posteriormente regulamentado na IN SRF nº 15/2001. Não foi trazida aos autos documentação adicional que pudesse comprovar tais gastos declarados à Odonto Empresas Convênios Dentários Ltda. (R$ 9800,00). O contribuinte não apresentou comprovante algum e tampouco discriminou os gastos das despesas médicas de R$ 1.262,77 da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (fl. 21) mantendose a glosa desses valores. Fl. 99DF CARF MF 4 Na contestação de fl. 44, alega que é portador de moléstia grave e que seus rendimentos são isentos conforme os laudos e documentação adicional (fls. 44 a 49). Esclareçase que a presente lide versa exclusivamente sobre deduções indevidas. Nesse diapasão, o pleito do impugnante versa sobre pedido de retificação de declaração para fins de reconhecimento de isenção sobre proventos recebidos por portador de moléstia grave. Todavia, tal matéria é estranha à presente lide e, por conseguinte, fora da competência de julgamento desta Delegacia. Assim, tal solicitação não se sujeita à apreciação por parte desta instância administrativa de julgamento. Portanto, esta instância julgadora deve se ater apenas às matérias que foram objeto da notificação de lançamento em questão, isto é, as deduções supracitadas que foram glosadas pela fiscalização, sendo este o resultado do procedimento fiscal, gerando com isso o litígio entre o Poder Público e o contribuinte. Analisar no presente caso os rendimentos tributáveis apontados nas declarações de ajuste anual do Interessado, sem que o Fisco tenha implementado na notificação de lançamento qualquer modificação a este respeito, configuraria na prática uma revisão de ofício, estando tal procedimento fora das atribuições desta Delegacia de Julgamento. Desse modo, não tendo a fiscalização alterado qualquer valor declarado pelo contribuinte a título de rendimentos tributáveis, o exame da natureza isenta dos referidos valores escapa completamente à faculdade concedida pela norma tributária a este Órgão Julgador, estando essas matérias fora do presente litígio. Sendo assim, cabe manter a glosa das deduções com despesas médicas de R$31.062,77 tendo em vista o não atendimento à legislação que rege a matéria anteriormente transcrita. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação devendo ser mantido o imposto suplementar de R$ 8542,26 acrescido de multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais, conforme Termo Circunstanciado de fls. 36 e 37. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a boafé e a intenção do contribuinte, ora Recorrente, em comprovar todas as suas despesas, bem como a sua atitude proativa em aclarar a sua situação de aposentado por doença grave, conforme resta detalhado na documentação anexa ao processo. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10730.013198/200866 Acórdão n.º 2001000.067 S2C0T1 Fl. 4 5 das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supra citados, e baseando se em toda a documentação acostada a este processo, entendo que resta comprovada a situação de aposentadoria por cardiopatia grave sofrida pelo ora Recorrente, desde 2002, a qual garante a situação de isenção de IR desde 2002. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento por considerar o contribuinte como isento desde 2002. Em relação à restituição dos impostos retidos ou pagos no período em que já era isento, será consequência natural do processamento desta decisão, junto ao órgão de origem, para períodos ainda não atingidos pela prescrição ou decadência. Fl. 101DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.004362/98-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer dos embargos e, no mérito, dar-lhe provimento, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhem-se os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer dos embargos e, no mérito, dar-lhe provimento, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhemse os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer dos embargos e, no mérito, darlhe provimento, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 43 62 /9 8- 91 Fl. 2619DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Afirmase que a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o Acórdão nº 1401001.518, incorreu em omissão quanto à aplicabilidade do art. 62, § 2º do RICARF, no que se refere à aplicação de tese assentada pela Corte Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC). Esta Turma Julgadora julgou o Recurso Voluntário interposto pela ora Embargante através do acórdão nº 1401001.098 (fls. 1633/1644), em 03/12/2003, que restou assim decidido: (...) Já para o Despacho da DRF (acolhido como Embargos Inominados), foi proferido o seguinte voto exarado na íntegra do acórdão ora embargado: No caso, deuse provimento ao recurso do contribuinte (fls. 1549/1556), acima identificado, para que fossem homologadas as compensações declaradas, em observância às decisões proferidas nos processos de n°s 10480.011265/200210 e 10480.011266/200256. (...) Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos, mas recepcionandoos como embargos inominados, conforme fundamentos abaixo. Como a DRF ficou impedida de liquidar a execução do Acórdão, nos termos do art. 66, supramencionado, bem se vê que estamos lidando com os embargos inominados. Recepcionoos então como embargos inominados, e como tal é consagrada a jurisprudência pacífica deste CARF no sentido de que os embargos de que tratam o art. 66 do RICARF (INOMINADOS) não têm prazo para oposição, pois dizem respeito à correta execução do acórdão. Apenas os previstos no art. 65 possuem prazo de cinco dias, conforme estabelecido em seu § 1°. Inicialmente é importante esclarecer que a DRF, apesar de ser legitimada para tanto, não interpôs embargos de declaração. A DRF proferiu um Despacho (fls. 2.481 2.482) suscitando alguns esclarecimentos dessa Turma, o que foi efetivamente efetuado. (...) Não obstante, ao redigir a ementa, assim o fez referindose a embargos de declaração, o que efetivamente não se trata, pois o recurso julgado não se tratou de embargos de declaração, mas um mero DESPACHO recebido como embargos inominados. Ocorre que tal erro material ou contradição (como queira entender), pode suscitar equívocos, de parte a parte (como efetivamente suscitou). É que ao fazer Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401002.170 S1C4T1 Fl. 2.620 3 constar na ementa que se tratavam de embargos de declaração, levouse a equívoca idéia de que se estaria a tratar de embargos de declaração. Sabese que apenas embargos de declaração interpostos tempestivamente suspendem o prazo para interposição de Recurso Especial, bem como apenas esses são suscetíveis de serem atacados por Recurso Especial. Pois bem, a Embargante acredita que levada a erro, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do acórdão 1401001.518, ora embargado, mesmo sendo embargos inominados. Apenas para esclarecer o equívoco que aparentemente a Procuradoria da Fazenda Nacional foi levada, em virtude do apontado vício, é importante esclarecer que o acórdão n° 1401001.098 transitou em julgado na via administrativa. Como consta no voto, o julgamento foi efetuado em 03/12/2013. A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão em 21/01/2014 (fl. 1.646). Dessa data, a Fazenda dispunha de 5 dias para interpôs embargos de declaração e 15 dias para interpôs Recurso Especial. Não o fez. A PGFN exarou sua ciência, bem como informou que não haveria interposição de Recurso à CSRF (fls. 1.647). Ou seja, este acórdão transitou em julgado administrativamente para a Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo então foi enviado para a DRF, que a recebeu em 05/02/2014 (fls. 1.649). Poderia ter interposto embargos de declaração dentro do prazo de 5 dias. Não o fez. Foi proferido um Despacho (fls. 2.4812.482) em 19/08/2005, propondo o retorno dos autos para que esta Turma esclarecesse algumas questões. Esclareçase: não foram interpostos embargos de declaração. Houve a prolatação de um despacho, que foi recebido como embargos inominados. O Despacho (recebidos como embargos inominados) foi proferido passados mais de cinco dias do seu recebimento (na verdade mais de um ano e meio após o recebimento), ou seja, o acórdão também transitou em julgado em face da DRF. E foi apenas por isso, (por conta de sua clara intempestividade), que o Despacho (fls. 2.4812.482) proferido pela DRF foram recepcionados como embargos inominados por esta Turma Julgadora. Ora, se o Despacho foi recepcionado como EMBARGOS INOMINADOS, e a ementa traz a afirmação de que: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes. Percebese o claro descompasso do que consta no voto (integra do acórdão), da verdade fática (Despacho recebido como embargos inominados) e a sua ementa (versando sobre embargos de declaração inexistente nestes autos). Se o DESPACHO proferido pela DRF foi recebido como embargos inominados, a ementa deveria fazer clara menção que este processo em concreto se trata de DESPACHO/embargos inominados, até mesmo para que não se pense que o julgamento iria abrir uma nova via para interposição de outros recursos (o que acabou sendo efetuado pela Procuradoria da Fazenda Nacional). Fl. 2621DF CARF MF 4 Ou seja, em face do vício já apontado, a Embargante recebeu a seguinte intimação: (...) De fato, além de ter sido intimada do acórdão ora embargado, a Embargante foi intimada para também (pasmem), apresentar contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN, que para sua maior surpresa ainda, teve o seu exame de admissibilidade admitido, inobservando o que prevê o art. §5º do art. 65 do RI/CARF. A Embargante esclarece que a correção do equívoco apontado (ajustar a ementa para se adequar ao voto, fazendo constar que o recurso julgado se trata de EMBARGOS INOMINADOS) é necessário para que não se fique a pensar que o julgamento efetuado no acórdão nº 1401001.518 seria suscetível de interposição de eventual Recurso Especial, ou que reabriria prazo para tanto, porque o rito do Decreto nº 70.235 não prevê tal possibilidade. Por outro lado, tendo em vista que a ementa afirma que “Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes”, e este julgamento se refere a DESPACHO recebido como EMBARGOS INOMINADOS, seria importante esclarecer se para este caso, (despacho recebido como inominados por conta de sua intempestividade), se seria possível ensejar efeitos infringentes. Até porque mesmo que se admita que ensejariam também efeitos infringentes, não se poderia entender que tais efeitos poderiam trazer prejuízo ao contribuinte (Embargante). Ou seja, mesmo que a administração possa rever os seus atos eivados de vício, a decisão que reconhece a omissão e a supre (sem alterar o acórdão), não reabre prazo para a PGFN ou para a própria DRF, a decisão apenas esclarece como deverá ser efetuada a execução do acórdão. Também por esse motivo, a Embargante requer que sejam analisados os pontos apontados que restam eivados de vício, e aplique a legislação em vigor no intuito de integrar a decisão embargada. (...) Os embargos foram opostos tempestivamente e por parte legítima, qual seja, o sujeito passivo, por meio de seu representante regularmente constituído. Quanto à alegação de contradição, é de se dizer que a embargante logrou êxito em demonstrála. De fato, no acórdão 1401001.518, ora embargado, consta que os embargos opostos pela DRF em face do acórdão 1401001.098, que julgou o recurso voluntário, foram recebidos pela Turma ora embargada como embargos inominados, conforme trecho do voto condutor a seguir transcrito (efl. 2489): Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos, mas recepcionandoos como embargos inominados, conforme fundamentos abaixo. (g.n.) (...) Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401002.170 S1C4T1 Fl. 2.621 5 Como a DRF ficou impedida de liquidar a execução do Acórdão, nos termos do art. 66, supramencionado, bem se vê que estamos lidando com os embargos inominados. (g.n.) Recepcionoos então como embargos inominados, e como tal é consagrada a jurisprudência pacífica deste CARF no sentido de que os embargos de que tratam o art. 66 do RICARF (INOMINADOS) não têm prazo para oposição, pois dizem respeito à correta execução do acórdão. Apenas os previstos no art. 65 possuem prazo de cinco dias, conforme estabelecido em seu § 1º. (g.n.) (...) Já na parte dispositiva do mesmo acórdão 1401001.518, ora embargado, consta que foram acolhidos os embargos de declaração opostos pela DRF, conforme se vê abaixo (efl. 2486): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para completar seus fundamentos, dando provimento integral ao recurso, com efeitos infringentes, para considerar homologadas tacitamente todas as compensações do presente processo e consumindo o crédito no montante dessas compensações. (g.n.) (...) Demonstrada, a contradição entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e seus respectivos fundamentos, os embargos foram admitidos e encaminhados para julgamento pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora Os embargos são tempestivos, para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. Da leitura do relatório, verificase que na verdade houve apenas mero lapso na redação do acordão, ao passo que onde deveria constar o termo "embargos inominados" constou "embargos de declaração", o que nada influencia no resultado do julgamento, que teve por resultado claro a determinação de que uma vez absorvido todo o crédito reconhecido após o julgamento do Recurso Voluntário, o saldo de débito remanescente deverá ser cobrado do sujeito passivo. Ante o exposto, acolho os embargos, sem efeito infringentes, apenas para retificar sua parte dispositiva nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2623DF CARF MF 6 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos inominados para completar seus fundamentos, dando provimento integral ao recurso, com efeitos infringentes, para considerar homologadas tacitamente todas as compensações do presente processo e consumindo o crédito no montante dessas compensações. (g.n.) (...) Anoto que a admissibilidade e acolhimento dos embargos inominados não produzem quaisquer efeitos quanto à reabertura de prazo para interposição de Recurso Especial. Conheço, pois, os embargos nesse item para, no mérito, darlhes provimento, sem efeitos infringentes, apenas para dirimir contradição. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 2624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000407/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para as seguintes providências: (i) intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para as seguintes providências: (i) intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para as seguintes providências: (i) intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 40 7/ 20 07 -8 6 Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.216 2 Tratase do autos de infração, situados às fls. 52 a 62 (Cofins) e 42 a 51 (PIS), em razão da falta de recolhimento das contribuições sociais, referentes ao período de apuração compreendido entre 01/2005 e 03/2007, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 455.384,91. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 28 a 36, narra a autoridade fiscal que o procedimento teve início a partir da constatação de que contribuinte não declarou, no período fiscalizado, compreendido entre 01/2005 e 03/2007, contribuições em DCTF e, durante a auditoria realizada, mediante o cotejo entre as planilhas de apuração do PIS e COFINS e os balancetes contábeis mensais, foram constatadas divergências, tendo sido gerado demonstrativo de apuração da contribuição devida, que veio a culminar com o lançamento de ofício. A contribuinte, intimada em 05/12/2007, apresentou, em 07/01/2008, as impugnações, situadas às fls. 119 a 139 e 292 a 312, nas quais argumentou, em síntese: (i) tratarse de entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, constituída em conformidade com a Lei n° 6.435/77 e Lei Complementar n° 109/2001, que aplica seus recursos integralmente no país, não distribui lucros e é mantida exclusivamente por recursos advindos da SHELL BRASIL LTDA. e ICOLUB INDUSTRIA DE LUBRIFICANTES S/A; (ii) ter sido foi instituída com a finalidade de gerir planos de concessão de benefícios previdenciários suplementares à previdência oficial, atividade com nítido caráter de assistência social, já que são prestadas sem qualquer espécie de contraprestação dos beneficiários; (iii) que as atividades por ela desenvolvidas se enquadram no conceito de assistência social previsto artigo 203 da Constituição e, não obstante, o art. 34 da Lei nº 6.435/1977 reconheceu expressamente a natureza de assistência social das entidades de previdência privada; (iv) tratandose de entidade de assistência social, por prestar suas atividades sem qualquer contraprestação dos beneficiários e por enquadrarse nos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, condição já apreciada pelo STF no julgamento do RE n° 259.276, a impugnante é imune aos impostos indicados no artigo 150, VI, 'c', da CR/1988. Ainda segundo a Constituição Federal, de acordo com o previsto no artigo 195, §7°, a impugnante é também imune à tributação pelas contribuições sociais; (v) quanto ao "Certificado de Entidade Beneficiente de Assistência Social" expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social", conforme requerido pelo art. 55 da Lei 8.212/91 temse em relação As Entidades Fechadas de Previdência Privada, o STF já definiu que sua condição de entidade de assistência social depende tão somente do atendimento ao art. 14 do CTN e do fato dos beneficiários não contribuírem para o plano de previdência mantido. Dessa forma, diversas exigências relacionadas no art 55 da Lei 8.212/91 são inaplicáveis As Entidades Fechadas de Previdência Privada que não exigem contribuição de seus beneficiários; (vi) que a Lei n° 9.718/98 revogou a isenção da Cofins concedida às entidades de previdência privada pela Lei Complementar n° 70/1991, o que é inadmissível, uma vez que a revogação de lei complementar não poderia se dar por meio de norma hierarquicamente inferior; (vii) que a Lei nº 9.718/98, ao extravasar os limites do conceito de "faturamento", acabou por tentar instituir uma nova contribuição social, incidente já não sobre o faturamento, mas sobre outras receitas (como as receitas de venda de ativo imobilizado) que não aquelas que compõem propriamente o conceito de faturamento e, em se tratando de contribuição nova, seria necessária a sua instituição por lei complementar e que fossem respeitados os limites previstos nos artigos 195, §4° e 154, I, da CR/1988 dessa forma, para o período objeto do lançamento, o PIS e a Cofins deveriam ser exigidos (o que apenas para argumentar se admite, tendo em vista a imunidade da impugnante) utilizandose a base de cálculo prevista nas LC n° 7/1970 e n° 70/1991. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.217 3 Em 29/08/2011, a 4ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1337.017, situado às fls. 515 a 527, de relatoria do AuditorFiscal Carlos Henrique Gomes, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA COFINS. A Cofins, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas FATURAMENTO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os repasses efetuados pelas patrocinadoras das EFPP constituem receitas operacionais, que integram o faturamento ou receita bruta como base de cálculo da COFINS e do PIS definida na Lei Complementar 70/91 e na Lei 9.718/98. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA COFINS. A Cofins, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. FATURAMENTO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.218 4 Os repasses efetuados pelas patrocinadoras das EFPP constituem receitas operacionais, que integram o faturamento ou receita bruta como base de calculo da COFINS e do PIS definida na Lei Complementar 70/91 e na Lei 9.718/98. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 16/09/2014, a contribuinte foi intimada via postal em conformidade com o aviso postal situado à fl. 911 e, em 16/10/2012, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 914 a 942, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator A contribuinte é parte no Processo nº 19740.000109/200524, que tramitou neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e que culminou, em sessão de 29/06/2017, com o Acórdão CARF nº 3201003.008, de relatoria do Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, publicado em 22/08/2017, em que a 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção decidiu, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário interposto em razão da concomitância, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. Transcrevese, abaixo, trecho do relatório do acórdão em referência: "(...) foi lavrado auto de infração de fis. 140/150 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no período de 01/02/1999 a 31/12/2000, exigindoselhe contribuição de R$119.687,69, multa de oficio de R$89.765,68 e juros de mora Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.219 5 de.R$96.719,30, calculados até 31/03/2005, perfazendo o total de RS306.172,67 (...). Em 05 de maio de 2004, o contribuinte encaminha a esta Fiscalização as planilhas de apuração do PIS, de fevereiro 1999 a dezembro de 2000, juntamente com as cópias dos balancetes contábeis mensais solicitados. Com vistas a avaliar a veracidade e a confiabilidade das informações fornecidas, efetuamos a conferência das planilhas elaboradas pelo contribuinte (lIs. 44 a 47) com os balancetes contábeis apresentados (lis. 48 a 116), tendo sido retificadas as divergências detectadas. Desta forma, foi gerado por esta Fiscalização, demonstrativo de apuração da contribuição devida, de acordo com a IN SRF n° 170/2002 (lis. 129 a 132). Com base no demonstrativo citado, constituiuse de oficio os valores devidos de PIS no período compreendido entre fevereiro 1999 a dezembro de 2000, lançamento este formalizado por meio do auto de infração em tela, do qual a interessada tomou ciência em 06/04/2005. Inconformada, a interessada interpôs em 06/05/2005 a impugnação de folhas 158 a 182 na qual alega, em síntese: A ocorrência da decadência para as contribuições compreendidas no período de fevereiro de 1999 a março de 2000, com fundamento no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; Tratarse de entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, constituída em conformidade com a Lei n° 6.435/77 e LC n° 109/2001, que aplica seus recursos integralmente no pais, não distribui lucros e é mantida exclusivamente por recursos advindos da Shell Brasil Ltda. e kolub Industria de Lubrificantes S/A; Que foi instituída com a finalidade de gerir planos de concessão de benefícios previdenciários suplementares a previdência oficial, atividade que tem nítido caráter de assistência social, já que são prestadas sem qualquer espécie de contraprestação dos beneficiários; Que as atividades desenvolvidas enquadramse no conceito de assistência social previsto artigo 203 da Constituição Federal e ainda que a Lei 6.435/77 em seu artigo 34 reconheceu expressamente a natureza de assistência social das entidades de previdência privada; Tratandose de entidade de assistência social, por prestar suas atividades sem qualquer contraprestação dos beneficiários e por enquadrarse nos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, condição já apreciada pelo STF no julgamento do RE n° 259.276, a impugnante é imune aos impostos indicados no artigo 150, VI, 'c', da CF/88. Ainda segundo a Constituição Federal, de acordo com o previsto no artigo 195, §7°, a impugnante é também imune a tributação pelas contribuições sociais. A fiscalização pretendeu incluir na tributação das contribuições ao PIS e a COFINS os recursos recebidos das patrocinadoras a titulo de ressarcimento de despesas administrativas, contabilizados na conta 3.4.2.3 Custeio do programa Administrativo, sob o argumento de que o mero registro em conta credora de resultado configura base de calculo das referidas contribuições. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.220 6 Contudo, tal argumento não pode subsistir, eis que o referido crédito não corresponde a receita auferida, conforme depreendese do artigo 3° § 2°, inciso II da Lei n° 9.718/98. Alega ainda que o conceito de receitas auferidas não se confunde com o de recuperações de despesas, sendo que estas não devem gerar a tributação pelo PIS e pela COFINS. Nesse sentido, os valores transferidos pelos patrocinadores a Impugnante não possuem natureza contábil de receita, muito embora a sua contabilização, de acordo com o procedimento adotado pela entidade, seja realizada em contas de resultado, na rubrica de receitas; Que possui, como um de seus investimentos, participações em shopping center que proporcionam rendimentos mensais contabilizados na conta de rendimentos de aluguéis e outros investimentos imobiliários. Os valores auferidos pela Impugnante não constituem receitas de aluguéis, mas de rendimentos recebidos pela Impugnante em razão de participação societária no Barra Shopping. Embora os rendimentos auferidos nessas participações sejam contabilizados em conta de receita, tais valores não possuem natureza de receita auferida, motivo pelo qual podem ser deduzidos da base de cálculo da COFINS e do PIS, devendose, neste caso, aplicar o disposto no art. 3° , § 2°, inciso II, da Lei n° 9.718/98; Em relação ao ano de 1999, alega que durante a vigência do Fundo Social de Emergência (art. 72 de ADCT) foram editadas várias medidas provisórias para a regulamentação do PIS, posteriormente convertida na Lei 9.701/98. Tais normas, alargaram indevidamente a base de cálculo do PIS, através da ampliação do conceito de receita operacional bruta indicado no art. 72 do ADCT, criando adições e exclusões que desvirtuaram tal conceito. Dessa forma, o alargamento da base de cálculo do PIS promovido pelas medidas provisórias e pela Lei 9.701/98, ofendeu, portanto, o artigo 73 do ADCT (que proibiu a regulamentação do Fundo Social de Emergência por medida provisória) e ampliou indevidamente o conceito de renda operacional bruta delimitado pelo artigo 72 do ADCT. Assim, até o início da vigência da Lei 9.718/98 para as pessoas jurídicas indicadas no artigo 22, §1°, da Lei 8.212/91 (na qual se enquadra a Impugnante), o que ocorreu em 01.01.2000, deve ser aplicada a base de cálculo prevista no art. 72 do ADCT, qual seja, receita bruta operacional delimitada pela legislação do IR, sem as limitações previstas na Lei 9.701/98; Quanto ao ano de 2000, que a Lei 9.718/98, ao extravasar os limites do conceito de "faturamento", acabou por tentar instituir uma nova contribuição social, incidente já não sobre o faturamento, mas sobre outras receitas (como as receitas de venda de ativo imobilizado) que não aquelas que compõem propriamente o conceito de faturamento. Em se tratando de contribuição nova, seria necessária a sua instituição por lei complementar e que fosse respeitado os limites previstos nos artigos 195, §4° e 154,1, da CF/88. Dessa forma, para o período de janeiro a dezembro de 2000, o PIS também deve ser exigido (o que apenas para argumentar se admite) utilizandose a base de cálculo prevista no artigo 72 do ADCT, sem as Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.221 7 limitações previstas na Lei 9.701/98 (...) O processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que proferiu a Resolução de fls 415, nos seguintes termos: "Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Em suas alegações recursais, a Recorrente traz a informação de que o objeto do presente processo administrativo é também objeto da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que reconheceu a condição da Recorrente como entidade de assistência social para os fins da imunidade pretendida. Considerando que a ação judicial mencionada continua pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal, há fortes indícios de concomitância. Em face do exposto, voto por converter em diligência o processo para que a Recorrente forneça cópia da petição inicial e da sentença da ação judicial em comento." Os andamentos e peças judiciais foram juntados a partir das fls 422. Diligência cumprida.". Tendo em vista a quase identidade das questões discutidas no Acórdão CARF nº 3201003.008, bem como a notícia de que a contribuinte ora recorrente patrocina a ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 que ensejou reconhecimento de concomitância por unanimidade no caso em referência, fazse prudente, previamente à análise do mérito, que os integrantes deste colegiado tenham franqueado o acesso às cópias das principais peças do processo que teve início na jurisdição do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em especial a petição inicial, eventuais emendas ao pedido, decisões proferidas e estado atual do processo para fins de verificação de eventual concomitância, e, caso confirmada, em qual extensão. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Intime a contribuinte a apresentar as cópias eletrônicas das principais peças da ação judicial n° 001523572.1999.4.02.5101 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), juntando, ainda, extrato atualizado do andamento do processo; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 19740.000407/200786 Resolução nº 3401001.382 S3C4T1 Fl. 1.222 8 É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1222DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720113/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração com exigência de valores referentes à Contribuição para o PIS/Pasep, no total de R$ 6.471.562,33, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no total de R$ 29.362.250,63, incluídos, em ambos os valores, principal, multa de ofício e juros de mora, relativos ao período de apuração de janeiro de 2010 a dezembro de 2012. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 11 3/ 20 15 -1 0 Fl. 5286DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.287 2 restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou inúmeros créditos tomados pela Recorrente, em especial aqueles referentes à produção na fase agrícola da cana de açúcar que, por sua vez, é ulteriormente empregada na fase industrial de produção de açúcar e álcool. É o que se depreende, v.g., do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: (...). Da definição de insumo na produção de bens ou produtos destinados à venda, foram excluídos quaisquer bens que não sofram alterações, tais como: consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no bem ou produto que está sendo fabricado. No que tange aos serviços, apenas consideramse insumos aqueles que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Além disso, frisese, só podem ser caracterizados desta forma os componentes que sejam diretamente utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Estão fora do conceito, portanto, quaisquer materiais que sejam empregados em atividades que não diretamente exercidas sobre o produto em fabricação. (...). (fl. 697 grifos constantes no original). 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela Recorrente ao longo do procedimento fiscalizatório, a fiscalização glosou inúmeros os seguintes itens creditados pela recorrente: (i) insumos adquiridos com alíquota zero; (ii) despesas com graxas; (iii) despesas com equipamentos de proteção individual EPI; (iv) despesas com contrato de mútuo; (v) despesas relacionadas com alugueres de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (vi) despesas com alugueres de imóvel residencial; (vii) despesas com arrendamento de imóveis rurais; (viii) despesas relacionadas a créditos extemporâneos; (ix) despesas relacionadas à transferências entre estabelecimentos; Fl. 5287DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.288 3 (x) bens e serviços utilizados como insumos na atividade agrícola; (xi) bens do ativo imobilizado utilizados na atividade agrícola; e, por fim (xii) despesas com fretes. 5. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 731/788, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 6. Uma vez processada, a Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ de Fortaleza (acórdão n. 0837.259 fls. 5.047/5.076), o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo CARF, exceto suas Súmulas Vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não vinculam os julgadores de primeira instância. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na Fl. 5288DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.289 4 impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. As aquisições de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero não geram direito a crédito no regime nãocumulativo. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. GRAXA. Por não se classificar como lubrificante, os gastos com graxa não geram direito a crédito a ser descontado do PIS e da Cofins apurados no regime nãocumulativo. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. MÚTUO. VALOR EMPRESTADO. Não se insere no conceito de insumos para fins de creditamento a quantia emprestada em decorrência de contrato de mútuo. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A despesa com o arrendamento de terras não se confunde com o conceito de aluguel de prédios, para o qual é permitido o direito ao creditamento. As normas que criam direito a benefícios fiscais devem ser interpretadas restritivamente, não se permitindo a extensão de conceitos. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO. PRAZO. O cálculo do crédito, conforme a regra prevista no art. 3º, VI e § 14, da Lei nº 10.833/2003, a qual prevê a apropriação na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem em meses subseqüentes, somente pode incidir sobre gastos com máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação do PIS e da Cofins devidos sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos Fl. 5289DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.290 5 clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. Não geram direito a credito as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. GRAXA. Por não se classificar como lubrificante, os gastos com graxa não geram direito a crédito, a ser descontado do PIS e da Cofins apurados no regime nãocumulativo. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. MÚTUO. VALOR EMPRESTADO Não se insere no conceito de insumos para fins de creditamento a quantia emprestada em decorrência de contrato de mútuo. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A despesa com o arrendamento de terras não se confunde com o conceito de aluguel de prédios, para o qual é permitido o direito ao creditamento. As normas que criam direito a benefícios fiscais devem ser interpretadas restritivamente, não se permitindo a extensão de conceitos. Fl. 5290DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.291 6 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO. PRAZO. O cálculo do crédito, conforme a regra prevista no art. 3º, VI e § 14, da Lei nº 10.833/2003, a qual prevê a apropriação na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem em meses subseqüentes, somente pode incidir sobre gastos com máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado. CRÉDITO. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação do PIS e da Cofins devidos sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não há previsão legal para o aproveitamento dos créditos calculados em relação à depreciação ou amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que não sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 7. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise (fls. 5.088/5.162), oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. 8. É o relatório. Resolução 9. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS nas atividades agrícolas. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas autuações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser Fl. 5291DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.292 7 aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 10. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos). 11. Por isso, é salutar que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, devem ser analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 12. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 13. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora intime o contribuinte a preparar laudo técnico pertinente às discussões aqui travadas e, ato contínuo, a unidade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada custo/despesa elencados (levando em consideração, inclusive, a fase agrícola da produção), para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 14. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (i) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (ii) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (iii) contato direto com o produto em fabricação; (iv) agregação ao produto final. 15. Não obstante, esta diligência deverá ainda ter um segundo escopo que se desdobra do primeiro, ainda que de forma mais específica. 16. Conforme se observa dos autos, parte da exigência aqui tratada decorre do fato do contribuinte ter supostamente se apropriado de créditos extemporâneos relacionados a despesas incorridas nos anos de 2007, 2008 e 2009, anteriores, portanto, ao período fiscalizado. Por sua vez, a recorrente aduz que não se trataria de aproveitamento de créditos extemporâneos, mas sim de créditos decorrentes de compras para o ativo imobilizado, cuja Fl. 5292DF CARF MF Processo nº 16004.720113/201510 Resolução nº 3402001.343 S3C4T2 Fl. 5.293 8 apropriação teria ocorrido em 48 parcelas, nos termos da legislação de regência (art. 3º, inciso VI e §14 da Lei nº 10.833/2003). O contribuinte apresenta, por amostragem, documentos fiscais para comprovar suas assertivas. 17. Não obstante, motivando a manutenção da glosa, a DRJ prescreve que o creditamento seria indevido porque teria recaído sobre bens de consumo que não apresentariam características que permitiriam sua classificação no ativo imobilizado. E aí está o cerne da diligência aqui proposta. É que, aparentemente, nem todos os bens autuados de fato apresentam características de bens de consumo. É o caso, por exemplo, de bens como "lençol de borracha com lona" (esteira de transporte de matériaprima na destilaria), "disco de corte diamantado para makita", dentre outros. 18. Assim, também converto o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique se, neste tópico em particular, os créditos aproveitados referem se a bens ativáveis, justificando de forma analítica e individual eventual glosa por se tratar de bens de consumo, bem como aponte quais os valores passíveis de aproveitamento e, neste caso, o quanto isso impactaria na redução da presente autuação. Para tanto, deverá considerar os documentos já acostados nos autos, bem como deverá exigir outros do contribuinte, se for necessário, para o esclarecimento desta questão. 19. Concluída a diligência, o recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 20. Na sequência, determino que seja dada ciência do resultado da diligência à Procuradoria da Fazenda Nacional para, ato contínuo, finalmente, devolver o processo para esta Turma julgadora para prosseguimento do julgamento. 21. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 5293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901371/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DCOMP. SALDO NEGATIVO. IRRF.
Elididas as duvidas levantadas pela decisão recorrida que impediam o reconhecimento do direito creditório este deve ser reconhecido, homologando-se a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1401-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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SALDO NEGATIVO. Recorrente ITAU UNIBANCO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DCOMP. SALDO NEGATIVO. IRRF. Elididas as duvidas levantadas pela decisão recorrida que impediam o reconhecimento do direito creditório este deve ser reconhecido, homologandose a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 13 71 /2 01 4- 71 Fl. 1009DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de Declaração de Compensação DCOMP nº 22730.89831.131114.1.3.022007, nas quais foi utilizado crédito a título de “Saldo Negativo de IRPJ”, do exercício 2010, de 01/03/2009 a 31/12/2009. O despacho decisório de fl. 140, abaixo reproduzido, homologou parcialmente a compensação resultando no valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados no montante de R$50.914.567,53, acrescido de multa de mora e juros de mora. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada parcialmente procedente em 24 de maio de 2016. A DRJ/FNS reconheceu direito creditório suplementar no importe de R$ 16.688.065,02, em acórdão assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRRF. RENDIMENTOS PAGOS A FILIAL NO EXTERIOR. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 16327.901371/201471 Acórdão n.º 1401002.407 S1C4T1 Fl. 1.010 3 O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país com tributação favorecida, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. Na hipótese de compensação de estimativa não homologada, o débito será cobrado com base na própria DCOMP, instrumento de confissão de dívida. Por conseguinte, não cabe a glosa dessa estimativa na apuração da IRPJ a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Restou em discussão o reconhecimento da parcela de R$18.161.056,98, relativa ao IRRF pago sobre o resgate do Fundo Crossborder, a qual foi originalmente negada em razão de a fiscalização ter entendido que a operação que deu origem a tal retenção não foi comprovada, nem consta que o rendimento supostamente auferido por empresa ligada tenha sido computado no lucro e posteriormente tributado no Brasil, na apuração do resultado da Matriz. De fato, quanto à matéria, o “Relatório Fiscal” de f. 892 a 896 afirmou: b) Item 5 Rendimento de Aplicação Financeira O contribuinte apresentou uma cópia simples de DARF referente a retenção de IR feita pelo Banco Itaucard S.A, CNPJ n° 17.192.451/000170 no Brasil, no valor de R$ 18.161.056,98 alegando tratarse de resgate de aplicação financeira Fundo Crossborder efetuada por pessoa jurídica ligada com domicilio nas Ilhas Cayman (CNPJ 11.168.560/000176). Ocorre que não foram apresentados quaisquer outros documentos que possam comprovar a natureza da operação e ainda, que os rendimentos decorrentes da mesma, auferidos no Brasil foram computados na determinação do lucro da empresa ligada e posteriormente tributada no Brasil na apuração do resultado da Matriz. Assim, concluise pela glosa do valor por não restar comprovado a operação (falta de documentos comerciais, contábeis e fiscais com força probante) e por não se ter identificado que o rendimento foi de fato oferecido a tributação (vide art. 14 § 7° §13). Intimado em 2 de junho de 2016 (fl. 952), uma quintafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 4 de julho de 2016 (fl. 953), segundafeira, alegando, em síntese: (i) que apresentou na manifestação de inconformidade: a) o comprovante de recolhimento do IRRF realizado pelo Banco Itaucard, tendo como beneficiária pessoa ligada com domicílio nas Ilhas Cayman (Agência Grand Cayman), conforme regulamento do referido fundo de investimento (fl. 39); e b) a comprovação da adição dos rendimentos do Fundo na apuração do IRPJ, bem como a evidência de contabilização do Fundo na sua unidade externa (Grand Cayman) nas contas de Fl. 1011DF CARF MF 4 investimento 1.3.15.308 e receita 7.1.5.40.001 e, ainda, os valores da amortização R$154.186.018,44 de custo da aplicação R$50.408.550,00 e o cálculo do IRRF R$18.161.056,98. (ii) que a decisão recorrida confirmou o oferecimento à tributação do lucro, cujo valor foi devidamente validado e informado na DIPJ, confirmando também a retenção sofrida no valor de R$18.161.056,98, a autorização legal para a utilização do crédito (art. 395, par. 8o, do RIR/99) e a demonstração da ativação contábil do valor do fundo, conforme balancete que evidencia a contabilização na unidade externa (Cayman). (iii) em que pese o conjunto probatório apresentado, a decisão recorrida entendeu que não era possível afirmar que se e quando teria efetivamente ocorrido o resgate. (iv) diante disso, anexa ao recurso voluntário: a) o Relatório de Carteira Diária, documento oficial onde se registra a movimentação do Fundo Crossborder CBI I FIM CP Investimento no Exterior, posição de 28/12/2009, no qual se evidencia o resgate de R$ 154.186.018,44 (doc. 3, fl. 987); b) os balancetes de fls. 989992, que comprovariam a baixa da referida conta ocorrida em dezembro de 2009 e janeiro e fevereiro de 2010, encerrandose contabilmente em março de 2010; e c) a mensagem Swift de fl. 993 informando o resgate efetuado já no valor líquido em dólar ($78.242.715,82), ocorrido em 29/12/2009, demonstrando o cálculo da retenção do IRRF e da conversão. v) protesta, assim, pelo reconhecimento da totalidade do crédito que compôs o saldo negativo de 2009 e a consequente homologação da compensação. Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de junho de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. O acórdão recorrido não homologou o crédito referente ao IRRF pago sobre o resgate do Fundo Crossborder por entender que, não obstante tenha sido confirmada a retenção no valor de R$18.161.056,98 e o oferecimento dos valores à tributação, teriam remanescido dúvidas quanto à efetividade do respectivo resgate, nos seguintes termos (grifamos): Em análise do arguido, constatase que a operação não ficou devidamente esclarecida, embora o lucro indicado na planilha acima tenha sido levada à tributação, conforme DIPJ de f. 36/37 e 311. O fato de a fonte pagadora ter feito o recolhimento da quantia discutida de R$ 18.161.056,98, a titulo de IRRF conforme registro abaixo, é importante, mas não é preponderante para a comprovação do direito creditório. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 16327.901371/201471 Acórdão n.º 1401002.407 S1C4T1 Fl. 1.011 5 É que o aproveitamento de tal IRRF teria amparo no referido art. 395, § 8º, do RIR/99, de modo que a operação teria que ter como beneficiária pessoa ligada domiciliada em país com tributação favorecida. A Interessada alega que o resgate foi de U$ 88.418.059,34 (correspondente a R$ 154.186.018,44), tendo como beneficiária aquela filial em Grand Cayman. O pagamento de IRRF foi realizado em 29/12/2009, o que estaria a indicar que a operação teria ocorrido no terceiro decêndio de dezembro. Se o resgate tivesse ocorrido no segundo decêndio de dezembro, o vencimento seria no dia 23/12, conforme agenda tributária. O balancete único apresentado à f. 67, indica que a filial em Grand Cayman detinha U$ 88.418.059,34 em balancete de 30/11/2009: Todavia, não há a posição no mês seguinte. Portanto, dúvidas remanescem quanto à efetividade do alegado resgate, porque não se sabe quando ocorreu, se ocorreu. Os documentos trazidos por ocasião do recurso voluntário visam a esclarecer as dúvidas levantadas por ocasião da decisão da DRJ, devendo portanto ser admitidos. Como visto, o cerne da dúvida que remanesceu para a DRJ foi a ausência dos balancetes seguintes a novembro de 2009, o que a impediu de verificar se e quando houve o resgate. Fl. 1013DF CARF MF 6 No caso, entendo que os documentos apresentados pela Recorrente são capazes de elidir as dúvidas levantadas pelo acórdão recorrido. De fato, o doc. de fl. 987, Relatório de Carteira Diária, registra a movimentação do cliente Fundo Crossborder CBI I FIM CP Investimento no Exterior, contemplando três resgates em 28/12/2009 em um total de R$ 154.186.018,44, vejase: Além disso, os balancetes referentes à Agência Grand Cayman posteriores a novembro de 2009, comprovam que houve a baixa da conta UNIB0013120006 INV EXCLUSIVE FUNDSCROSS BORD, nos valores abaixo (o Recorrente observa que a existência de valores residuais em dezembro de 2009, janeiro e fevereiro de 2010 se deu em razão de ajustes contábeis): Por fim, a mensagem Swift de fl. 993, abaixo reproduzida, demonstra a transferência do em dólar de $78.242.715,82, ocorrido em 29/12/2009. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 16327.901371/201471 Acórdão n.º 1401002.407 S1C4T1 Fl. 1.012 7 Segundo o Recorrente, tal valor referese ao resgate líquido do IRRF, sendo que o cálculo da retenção do IRRF e da conversão para reais foi demonstrado nos seguintes termos: Assim, por entender que a existência e data do resgate restaram comprovadas, não há como manter a conclusão da decisão recorrida. Diante do exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1015DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.962008/2008-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial. Os conselheiros Orlando Rutigliani Berri e Cássio Schappo acompanharam o relator pelas conclusões.
Relator(a): RENATO VIEIRA
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial. Os conselheiros Orlando Rutigliani Berri e Cássio Schappo acompanharam o relator pelas conclusões. Relator(a): RENATO VIEIRA (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário cujo cerne da discussão invoca o direito à compensação sob a alegada ocorrência de erro na apuração da COFINS, vez que, por estar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 00 8/ 20 08 -1 2 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 97 2 submetida, simultaneamente, ao regime cumulativo e não cumulativo, classificara, no primeiro, quando, segundo roga, deveria ter debelado a segunda sistemática do tributo. Despacho Decisório A recorrente indica ter submetido à compensação, mediante a respectiva apresentação e envio de DComp, crédito oriundo de pagamento indevido, obtendo, como resposta, despacho cujo teor indicava a Não Homologação do crédito indicado Manifestação de Inconformidade A requerente narra ter apresentado DComp na qual pretendia efetuar a compensação de débito de Cofins, com parte do crédito proveniente do recolhimento indevido do mesmo tributo relativo a período anterior, realizado através de DARF mencionada dos autos. Iresignase em face da decisão emanada de Despacho Decisório cujo teor normativo não homologou a compensação, motivo pelo qual, manejou defesa alegando o que se segue. Origem do Crédito A fim de demonstrar a origem do crédito rogado, a contribuinte indica o período de apuração e sua devida declaração em DCTF original e tempestiva. Todavia, argumenta que por estar submetida, simultaneamente, ao regime cumulativo e não cumulativo, aduziu em seu favor, que na competência reclamada nestes autos. Para comprovar a correta aplicação da legislação, se 9.718/98, ou, 10.637/02, aponta para a DIPJ do ano calendário correspondente, que já corrigia a forma de apuração da Cofins, conforme declarada em DCTF original. DCTF Retificadora Em sua defesa, ainda, alega ter recebido a notificação dandolhe ciência da decisão emanada pelo combatido despacho, momento após o qual promoveu a devida verificação em sua DCTF anteriormente enviada, para, em seguida, retificar e enviar a informação pelo meio devido. Em que pese a posteridade, em relação ao Despacho Decisório, evidencia a anterioridade da informação constante em DIPJ, como indício de sua lealdade. Constatada a divergência entre DIPJ e DCTF, sanoua, a seu favor. Para melhor visualização, montou planilha demonstrativa remontando o raciocínio matemático empreendido. Documentos Acostados A fim de sustentar a existência de crédito em seu favor, juntou nestes autos cópias do despacho decisório, declaração de compensação, DARF, DCTF e DIPJ. DRJ/SP1 A manifestação de inconformidade recebeu a seguinte ementa: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 98 3 Acórdão 1640.579 6 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem sintetizar a lide, merece ser transcrito: Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 7 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estava integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 16/01/2009 (fl. 11), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/02/2009 (fls. 12/17), na qual alega que : no período de apuração maio/2004, a requerente apurou valor devido ao COFINS com base no regime CUMULATIVO, no total de R$ 3.873,63, como informado em DCTF do 2º Trimestre/2004 (doc. nº 07). Ocorre que essa apuração inicial se mostrou equivocada. De fato, em virtude de possuir receitas classificadas no regime cumulativo e/ou nãocumulativo, foram, no curso de 2004, refeitas as apurações a fim de que retratassem os valores devidos correspondentes aos dois regimes, respeitandose os exatos termos das Leis nºs 9.718/98 (regime cumulativo) e 10.637/02 (regime nãocumulativo). Vejase, nesse sentido, que a DIPJ do anocalendário de 2004, exercício 2005, transmitida em 29/06/2005 (doc. nº 08), já Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 99 4 corrigia a informação errônea contida na DCTF original, e apontava que o saldo devedor de COFINS cumulativo –ficha 25 – era ZERO, no mês de maio/2004. Logo, todo o recolhimento feito através de DARF, em 15/06/2004, no montante de R$ 3.873,63 (doc. nº 06), a título de COFINS cumulativo era INDEVIDO, devendo ser compensado. A manifestante prossegue alegando que ao receber a notificação do Despacho Decisório acima referido, promoveu a verificação da DCTF que apresentou à DRFB e constatou que a retificação da apuração da COFINS, para o período referido, não havia sido refletida na DCTF da época, muito embora tivesse dado a correta informação na DIPJ, AC 2004, exercício 2005. Constatada a divergência, a requerente promoveu a retificação da DCTF (número de controle 33.94.83.76.18) (doc. nº 09), tornando homogêneas as informações constantes da DIPJ e da DCTF, nas quais estão demonstrados os valores devidos e corretos, concluindose pela existência do crédito que corretamente propiciou a compensação efetuada no PERDCOMP objeto da intimação. A interessada conclui seus argumentos nestes termos: Portanto, não resta dúvida de que através da correta apuração do COFINS, informada na DIPJ/2005, ano calendário 2004, e na DCTF retificadora, em anexo, a requerente comprovou que possuía crédito suficiente para as compensações efetuadas DCTF Retificadora Após Despacho Decisório Ao longo do seu voto, extraiuse os trechos que demonstram os fundamentos da negativa do crédito, mister ressaltarse em especial o seguinte trecho: A DCTF retificadora, porque apresentada após a ciência do Despacho Decisório, em 10/12/2008 (fl. 45), não tem o condão de fazer, por si só, nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito Outro trecho essencial à compreensão da decisão combatida, tratase a exigência, por parte do colegiado de piso, em estar nos autos, elementos mais robustos cuja função seria a efetiva comprovação da ocorrência de erro na apuração. A contribuinte trouxe também aos autos cópia das Fichas 24 e 25 de sua DIPJ 2005 (fl. 43/44), afirmando que por tal documento já teria corrigido a informação errônea contida na DCTF original. Entretanto, esse documento é apenas outra declaração da interessada, assim como a DCTF, porém, sem o mesmo valor. Isso porque, ao contrário da DCTF, a DIPJ não tem natureza de confissão de dívidas. Por essa razão, não se pode nem cogitar de tal declaração ter corrigido a DCTF. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 100 5 Na verdade, para que os dados declarados em DIPJ fossem considerados corretos, infirmando aqueles confessados em DCTF e demonstrando a liquidez e certeza de todo o crédito a compensar, seria necessário que a interessada trouxesse aos autos documentos outros que corroborassem a apuração do tributo ali declarado. Recurso Voluntário Em sua peça recursal, a recorrente limitouse a, novamente, delimitar os fatos necessários à compreensão desta lide, que, em breve resumo, limitase a devolver a este Conselho a regularidade da compensação efetivada sobre crédito devido a título de pagamento indevido. Menciona a decisão de piso que confirmou o entendimento expresso no Despacho Decisório, no sentido de não considerar homologado a compensação. Pagamento Indevido Indica, a recorrente, a ocorrência de pagamento indevido haja vista ter submetido ao tratamento cumulativo, receita cujo regime legal tributário acercase do tratamento não cumulativo. Meios de Prova Em seu Recurso Voluntário, indica a eficiência da DIPJ, DACON e DCTF Retificadora, como aptos à comprovação da ocorrência do pagamento indevido. DCTF Retificadora Indica, sobretudo, neste momento processual, a efetividade da DCTF retificadora como meio apto à comprovação do alegado crédito. Como forma retórica, repete planilhas apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Ao final, menciona jurisprudências do TRF3 e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário que clama pela legitimidade de compensação de crédito cuja origem terseia configurado em decorrência da indevida apuração de Cofins pela metodologia não cumulativa. A questão gira em torno dos meios de prova aptos a comprovar a ocorrência do mencionado pagamento indevido. Para a contribuinte, o pagamento indevido, ocasionado pela equivocada apuração de Cofins não cumulativo, estaria comprovado com o confronto da DCTF e DACON, além da planilha demonstrativa da apuração da Cofins, apresentada após o despacho decisório, pois acredita que, em seu conjunto, tal documentação detém capacidade probatória suficiente para a demonstração do crédito, originalmente apontado na DCTF original. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 101 6 Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado, qual seja, os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento indevido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Trata das decisões em sede de despacho decisório, acerca do controverso assunto das análises eletrônicas de DComp. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 102 7 DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 103 8 que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 104 9 Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 105 10 o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 106 11 Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.962008/200812 Resolução nº 3001000.068 S3C0T1 Fl. 107 12 Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, julgo conveniente a conversão deste processo em diligência, para oportunizar ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal colacionada aos autos, a origem dos valores trazidos à compensação. Demonstradas as operações, e confirmada a estreiteza do regime aplicado, configurado estará o erro material cometido, e, portanto, a legalidade das DIPJ e DACON que condizem com a DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000686/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003,01/09/2006 a 30/11/2006
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e 95°, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n o 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n o 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.714
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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I Processo n° Recurso nO Acórdão nO Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 11634.000686/2007-83 264.701 Voluntário 2302-00.714 - 38 Câmara / 28 Turma Ordinária 21 de outubro de 2010 AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES JORGE RUDNEY ATALLA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DE CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003,01/09/2006 a 30/11/2006 GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e 95°, da Lei nO8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N o 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n o 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n o 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento , e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 38 Câmara / 28 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos~ termos do voto da relatora. l )1 \c.... LIEGE LACROIX THOMASI - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Thiago Davila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, ~5°, da Lei n.O8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.O 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, ~ 5° da Lei n.o 8.212/91 e artigo 284, inciso lI, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto' n.o 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP's das competências de 11/2003 e de 09/2006 a 11/2006, todas as remunerações pagas aos segurados empregados conforme demonstrativo de fls.39. o auto de. infração foi lavrado em 15/05/2007. E o contribuinte é reincidente, ou seja tinha contra si lavrada autuação com decisão administrativa transitada em julgado em 12/12/2005, antes de cinco anos da nova autuação, conforme informação de fls. 37 do processo. Após a apresentação da defesa, os autos baixaram em diligência para que a fiscalização discriminasse os valores não informados por segurado e por competência. Do resultado da mesma, fls. 69/76, foi dada ciência ao autuado e reaberto prazo para manifestação, o qual foi devidamente aproveitado. Acórdão da DRJ de Curitiba, pugnou pela procedência do lançamento com a atenuação da multa, já que a empresa corrigiu a falta parcialmente até o prazo final para a apresentação de defesa. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: a) a ausência de motivação para a autuação o que a viciou de forma insanável; b) não há precisão no relatório da hipótese da incidência da exação e não há menção aos objetos que redundaram no valor pretendido; c) não foi atendido o artigo 142, do CTN; d) que houve cerceamento de defesa, pois a fiscalização primeiro teria que elaborar auto de infração e o contribuinte ser notificado do mesmo, para depois se proceder a autuação; Processo nO 11634.000686/2007-83 Acórdão n.o 2302-00.714 e) t) g) S2-C3T2 FI. 2 que o AI não foi lavrado no local da falta como prevê o Decreto n.o 70.235/72; que é imprescindível o dano para haver responsabilidade objetiva e que não houve prejuízo à Fazenda, pois a fiscalização pode fazer o cálculo dos valores que deveriam constar em GFIP e foram lavradas notificações; que a multa é inexigível por ser inconstitucional e confiscatória. Requer a nulidade da exigência fiscal ou no mérito a reforma da decisão para reconhecer como inexigível o débito apontado. É o relatório. Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização da autuação. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nO70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I-a qualificação do autuado; 11- o local, a data e a hora da lavratura; 111- a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I-a qualificação do notificado; 11 - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; 111- a disposição legal infringida, selor o caso; ) IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. o recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trouxeram fatos novos, assegurando-lhe a oportunidade de exerCÍcio da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nO 9.532, de 10.12.1997) 11 - por via postal, telegr4fica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nO 9.532, de 10.12.1997) 111 - por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e lI. (Vide Medida Provisória nO 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescnçoes que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, também, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e not~ficações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nO 8.748, de 9.12.1993). "PROCESSUAL CIVIL E TRiBUTARio. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRiBUIÇÃO PREVIDENCIARiA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DEMORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater-se aos fundamentos por elas indicados ". (RESP 946. 447-RS - Min. Castro Meira - r Turma -DJ 10/09/2007 p.216) Processo nO 11634.000686/2007-83 Acórdão n.o 2302-00.714 S2-C3T2 FI. 3 Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tomar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. . Quanto à alegação de nulidade por ter sido o Auto de Infração lavrado fora do estabelecimento do contribuinte, faço referência à Súmula n.O 06 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n° 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. o local da verificação da falta expresso no art. lOdo Decreto n o 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento fisico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizá-lo. Desse modo, nada impede que as providências preliminares de elaboração sejam feitas na repartição fiscal, pois o ato em si somente se aperfeiçoa com a regular intimação do contribuinte, quando efetivamente se pode afirmar que a autuação foi lavrada. Também não há cerceamento de defesa pela alegação de que não estão ditos quais os documentos examinados e que resultaram na exação, pois a fiscalização aponta no relatório fiscal o dispositivo legal infringido, que as GFIP's foram solicitadas através de termo próprio, TIAD e que após análise das mesmas e das folhas de pagamento da autuada, dos recibos de férias e de rescisão de contrato de trabalho, restou comprovado que não foram declarados em GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, porque não foram declaradas todas as remunerações recebidas pelos segurados. Posteriormente, o fisco elaborou discriminativo mensal e nominal dos segurados com os valores que não ,foram declarados em GFIP. Do mesmo foi dada ciência ao autuado e aberto prazo para manifestação, não se vislumbrando, portanto o cerceamento de defesa. É também de se considerar que a decisão de primeira instância atenuou a multa aplicada, uma vez que a recorrente corrigiu a falta no prazo de defesa, obedecendo aos ditames do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, o que certamente mostra perfeita compreensão da autuação: Art. 291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo .final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nO 6.032 - de 1°/212007 - DOU DE 21212007) Ainda, é inócua a alegação de que previamente deveria ser lavrado um aut de infração e posteriormente a notificação, uma vez que o procedimento fiscal esta rigorosamente de acordo com o que prevê a legislação, artigo 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.o 3048/99: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado auto-de-inlração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Modificado pelo Decreto n° 6.103 - DE 30/4/2007 - DOU DE 2/5/2007) S li! Recebido o auto-de-inlração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de oficio com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação .. (Modificado pelo Decr~to nO 6.103 - DE 30/4/2007 - DOU DE 2/5/2007) Portanto, não há que se falar em autuação prévia. A recorrente foi devidamente cientificada do início da ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, teve solicitada a apresentação de documentos de acordo com o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos - TIAD e do procedimento fiscal foi constatada a infração à legislação previdenciária que resultou na autuação em tela, não havendo desrespeito ao devido processo legal, como diz a recorrente. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o 'Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denomina~a acessória. "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. S 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. S 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da ar.recadação ou da fiscalização dos tributos. S 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária ". A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecumana e surge com a ocorrência do fato gerador. Trata-se de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. Processo nO 11634.000686/2007-83 Acórdão n.o 2302-00.714 S2-C3T2 FI. 4 o descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessona (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto-de-Infração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma converte-se em obrigação principal, na forma do S 3° do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a toda remuneração dos segurados empregados, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, S 5°, da Lei n.O8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.o 3.048/99, pois ~ obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social- GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, S 5° da Lei n.o 8.212/91 e artigo 284, inciso lI, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.o 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I - valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo:+~~segurados .f __ __ . 16 a 15 segurados I .J16 ;~-~-~.~~~r~~~~--__...._----- '1:1 ~ 100segurados . +01 a 500 segurados ·Eoo se~.ur~.do.s . 11~~1~5000 segurados. FCimad~ 5000 SegUrados. valor mínimo x o valor mínimo x o valor mínimo x o valor mínimo x o valor mínimo x o valor mínimo x o valor minimo x o valor minimo II - cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto n°4.729, de 9/06/2003) III - cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. f 1!! A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter. sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. g 2!! O valor mínimo a que se refere o inciso 1será o vigente na data da lavratura do auto-de-in;/i'ação. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somando-se os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.O 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n o 449 de 2008, . convertida na Lei n.O 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei nO 8.212, nestas palavras: "Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á às seguintes multas: I - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e 11 - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Processo n° 11634.00068612007-83 Acórdão n.o 2302-00.714 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no ~ 3º deste artigo. ~ ]º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso 11 do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. ~ 2º Observado o disposto no ~ 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou 11- a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. ~ 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de onussao de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e 11-R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. /I S2-C3T2 FI. 5 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do árt. 106, inciso lI, alínea "c" do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32-A , inciso I, da Lei n.o 11.941/2009. Sala das sessões, 21 de outubro de 2010 .~~, LIEGE LACROIX THOMASI - Relatora ,A9 _J 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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Numero do processo: 10746.900591/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL.
Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
Numero da decisão: 1302-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 05 91 /2 01 1- 18 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10746.900591/201118 Acórdão n.º 1302002.763 S1C3T2 Fl. 137 2 Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.435, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 78 a 85), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação." O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 26563.74165.200907.1.3.049223 (fls. 20 a 25), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de agosto de 2007, no valor de R$ 152,27, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de mesma contribuição O crédito em questão, no valor de R$ 101,00, originarseia de pagamento efetuado em 13/04/2004, no montante de R$ 432,00; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2004, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao primeiro trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10746.900591/201118 Acórdão n.º 1302002.763 S1C3T2 Fl. 138 3 Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2004, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 76 e 77, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 1º trimestre de 2004, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 78 a 85) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 86/87, foi interposto o Recurso de fls. 89 a 99, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10746.900591/201118 Acórdão n.º 1302002.763 S1C3T2 Fl. 139 4 Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 05 de abril de 2013 (fls. 86/87), tendo apresentado seu Recurso em 06 de maio de 2013 (fl. 89). Considerando que a data de ciência foi uma sextafeira, o prazo recursal somente se iniciou em 08 de abril de 2013, de modo que o Recurso foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído à fl. 100. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 13/04/2004, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 1ª trimestre do anocalendário de 2004. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10746.900591/201118 Acórdão n.º 1302002.763 S1C3T2 Fl. 140 5 O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do primeiro trimestre do anocalendário de 2004, aplicase, portanto, o entendimento que admite o fornecimento de qualquer quantidade de material, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Na opinião deste julgador, as notas fiscais de serviço apresentadas pela Recorrente junto com a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 53 e 54), conjugada com o contrato juntado com o Recurso ao CARF (fls. 116/123 e 125/132) são, sim, elementos hábeis para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 12% para a determinação do Lucro Presumido do período. Tal fato é especialmente comprovado a partir da seguinte cláusula, extraída do contrato em questão: Contrato Particular com a Fundação ASSEFAZ: "1 Constitui objeto do presente contrato o fornecimento de material, mão de obra especializada e equipamentos necessários à execução das obras de reforma e ampliação do prédio da ASSEFAZ...." Cabe o registro que, in casu, devese deferir a juntada do citado contrato após a manifestação de inconformidade, posto que se presta a rebater as razões somente trazidas pelo julgador administrativo de primeira instância, de modo que plenamente amparada pelo art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972. A par disso, os Livros contábeis e fiscais de fls. 31 a 48 revelam a base de cálculo da CSLL no período em questão, a apuração realizada pelo sujeito passivo com base no Lucro Presumido determinado por meio da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, de modo a amparar a existência do direito creditório no qual se embasou a apresentação da DComp sob análise. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10746.900591/201118 Acórdão n.º 1302002.763 S1C3T2 Fl. 141 6 A partir dos elementos constantes dos autos, segue o detalhamento do referido direito creditório: DESCRIÇÃO VALOR (R$) RECEITAS AUFERIDAS: 18.451,97 Nota Fiscal nº 00383 15.000,00 Nota Fiscal nº 00384 3.451,97 LUCRO PRESUMIDO CALCULADO (32%): 5.904,63 CSLL APURADA E RECOLHIDA: 531,42 LUCRO PRESUMIDO APLICÁVEL (12%): 2.214,24 CSLL DEVIDA: 199,28 PAGAMENTO A MAIOR: 332,14 Também não pode ser óbice ao reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, a apresentação por este de DCTF com confissão de débito no montante apurado a partir da base de cálculo obtida por meio do percentual de 32%, uma vez que, como dito, resta configurado o erro de fato no preenchimento de tal declaração, o qual não foi retificado pela Recorrente antes do transcurso do prazo decadencial. Nesta mesma linha, os seguintes Acórdãos do CARF: "TRIBUTO PAGO A MAIOR PELO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO MEDIANTE DILIGÊNCIA FISCAL. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (DÉBITO DO CONTRIBUINTE). Restando evidente que houve erro no preenchimento da DCTF, relativamente a informação acerca de crédito, e comprovada (por meio de diligência fiscal) a efetiva existência do crédito do contribuinte, é evidente o direito creditório do contribuinte, exatamente conforme alegado em suas DCOMPs." (Acórdão nº 2201003.519 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, de 16 de março de 2017, Relator Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência." (Acórdão nº 1301002.410 – 3ª Câmara / 1ª Turma Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10746.900591/201118 Acórdão n.º 1302002.763 S1C3T2 Fl. 142 7 Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, de 15 de maio de 2017, Relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) O sujeito passivo recolheu a CSLL relativa ao trimestre em questão por meio de 2 (dois) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), conforme a seguir detalhado: DATA DA ARRECADAÇÃO BANCO AGÊNCIA VALOR PAGO VALOR DEVIDO APROVEITADO SALDO PAGO A MAIOR 13/04/2004 399/1598 R$ 99,42 R$ 99,42 13/04/2004 399/1598 R$ 432,00 R$ 99,86 R$ 332,14 TOTAL R$ 531,42 R$ 199,28 R$ 332,14 A DComp de que trata este processo se utiliza do indébito referente ao pagamento realizado no montante de R$ 432,00, compensando o valor de R$ 101,00, e na DComp nº 02936.02854.200907.1.3.048839, tratada no processo administrativo nº 10746.900590/201173, foi compensado o saldo de R$ 231,14. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a consequente homologação da compensação por ele declarada, até o limite do crédito reconhecido, deduzido da compensação já realizada no autos do processo administrativo nº 10746.900590/201173. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 142DF CARF MF
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