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Numero do processo: 10882.900767/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ESTIMATIVAS QUITADAS POR COMPENSAÇÃO DE SALDO(S) NEGATIVO(S) DE PERÍODO(S) ANTERIOR(ES). POSSIBILIDADE.
As estimativas do IRPJ convertem-se no próprio tributo após encerramento do período de apuração. Assim, o que se cobrará após o encerramento do exercício não é a estimativa, e sim o próprio tributo. Nos termos do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, a compensação, por meio de declaração de compensação, de débitos de estimativas do ano-corrente do crédito de saldo negativo apurado, pode ser executada pela PGFN, razão pela qual o crédito formado no período pode ser reconhecido, se esta for a única pendência apresentada.
IRRF APROVEITADO EM DUPLICIDADE. DESISTÊNCIA DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO COM QUITAÇÃO DO IRRF COMPENSADO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO.
A desistência de processo de compensação de saldo negativo originado por IRRF, com recolhimento deste tributo, permite à empresa realocar o referido IRRF em outro processo de compensação, desde que efetuado dentro do prazo prescricional de 5 anos, contados da apuração do crédito que se quer ressarcir/compensar.
RETENÇÃO NA FONTE COMPROVADA E RECEITAS TRIBUTADAS. CRÉDITO DEFERIDO.
Se a retenção na fonte do IR e a tributação do rendimento que ensejou tal retenção foram comprovados, o crédito tributário perante a Fazenda Nacional torna-se passível de restituição/compensação.
Numero da decisão: 1401-001.913
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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POSSIBILIDADE. As estimativas do IRPJ convertemse no próprio tributo após encerramento do período de apuração. Assim, o que se cobrará após o encerramento do exercício não é a estimativa, e sim o próprio tributo. Nos termos do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, a compensação, por meio de declaração de compensação, de débitos de estimativas do anocorrente do crédito de saldo negativo apurado, pode ser executada pela PGFN, razão pela qual o crédito formado no período pode ser reconhecido, se esta for a única pendência apresentada. IRRF APROVEITADO EM DUPLICIDADE. DESISTÊNCIA DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO COM QUITAÇÃO DO IRRF COMPENSADO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. A desistência de processo de compensação de saldo negativo originado por IRRF, com recolhimento deste tributo, permite à empresa realocar o referido IRRF em outro processo de compensação, desde que efetuado dentro do prazo prescricional de 5 anos, contados da apuração do crédito que se quer ressarcir/compensar. RETENÇÃO NA FONTE COMPROVADA E RECEITAS TRIBUTADAS. CRÉDITO DEFERIDO. Se a retenção na fonte do IR e a tributação do rendimento que ensejou tal retenção foram comprovados, o crédito tributário perante a Fazenda Nacional tornase passível de restituição/compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 07 67 /2 01 4- 10 Fl. 400DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão nº 1458.355, de 29 de abril de 2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo abaixo o relatório do Acórdão da DRJ/RPO: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/RPO) Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito nº 42050.71341.120713.1.6.022062, com base em alegado crédito de Saldo Negativo de IRPJ, exercício 2010, fls. 272 a 278. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP, proferiu o Despacho Decisório de fl. 279, decidindo que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL e NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas e inexistência de valor a ser restituído/ressarcido para os PER/DCOMP apresentados. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 02 a 15, na qual alega, em síntese, o seguinte: Estimativas Compensadas de SNPA Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 401 3 Contudo, data máxima venia, a d. Autoridade Administrativa não se apercebeu que as estimativas de IRPJ em questão já são objeto de cobrança no Processo Administrativo nºs 10882.903769/201207 (Processos de Cobrança n°s 10882.903850/201289, 10882.903852/201278, 10882.903854/201267) (doc. 05), sendo certo que, com a oportuna homologação daquelas compensações ou o seu pagamento, restará convalidado o saldo negativo pleiteado no presente feito, de forma que a sua desconsideração em qualquer hipótese implica cobrança em duplicidade. Nessa linha, conforme já decidiu a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Cosit, o fato de as compensações das estimativas não terem sido homologadas em outro processo não pode produzir qualquer reflexo no saldo negativo indicado no presente caso, sob pena de cobrança em duplicidade e ofensa à solução de consulta interna cosit n° 18/2006. merecendo reforma o r. despacho decisório quanto a esse ponto. Ademais, nos autos daquele processo n° 10882.903769/201207 ainda encontrase pendente de julgamento manifestação de inconformidade apresentada pela Impugnante, de modo que, quando menos, deverseia aguardar o julgamento daquele processo prejudicial para então avaliar os reflexos no presente processo da decisão lá proferida. É manifesta a necessidade de sobrestamento do presente feito até decisão final a ser proferida no que diz respeito ao Processo Administrativo n° 10882.903769/201207, ou então ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, haja vista a manifesta a relação de prejudicialidade e dependência entre os processos, nos termos do artigo 265, inciso IV, alínea 'a', do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. IRRF Dcomp Juros sobre Capital Próprio O despacho decisório não reconheceu as parcelas de IRRF sob o código 5706, no valor total de R$ 35.675.243,52, relativas às receitas de JCP em razão de pagamentos recebidos das empresas Bradespar S.A. (CNPJ n° 03.847.461/000192), NCF Participações S/A (CNPJ n° 04.233.319/000118) e Cidade de Deus Companhia Comercial de Participações S/A (CNPJ n° 61.529.343/000132). DA DIPJ E DO PER ORIGINALMENTE APRESENTADOS. Conforme se verifica da DIPJ/2008 recepcionada em 15/10/2009 (doe. 07), Ficha 12A, a Impugnante apurou a título de saldo negativo de IRPJ o montante de R$ 35.624.955,25. Quanto ao IRRF, do total das retenções no montante de R$36.078.858,97 (Ficha 54 DIPJ) foi indicado na Linha 14 da Ficha 12A da DIPJ apenas o valor de R$ 25.020.426,53 (R$ 36.078.858,97 R$ 399.306,49 R$ 10.659.125,94) considerando que: (i) a quantia de R$ 399.306,49, como visto, foi utilizada para dedução do imposto mensal por estimativa (Ficha 11 DIPJ); (ii) a quantia de R$ 10.659.125,94 foi utilizada na compensação com débito de IRRF incidente sobre pagamentos da mesma natureza e ocorridos no mesmo anocalendário, conforme autoriza a legislação (artigo 9o, parágrafo 6o da Lei n° 9.249/95) (doe. 08). Como se vê, justamente em razão dessa utilização do montante de R$ 10.659.125,94 + R$ 399.306,49 de IRRF, na Ficha 12A da DIPJ relativa ao ano calendário de 2008 a Impugnante indicou na Linha 14 a título de IRRF apenas o Fl. 402DF CARF MF 4 valor de R$ 25.020.426,53, correspondente à diferença de R$ 36.078.858,97 (total de retenções do ano) R$ 10.659.125,94 (utilizado em compensações de IRRF de JCP do mesmo ano calendário) R$ 399.306,49 (utilizado para dedução do imposto mensal por estimativa), e na Linha 18 Estimativas no valor de R$ 10.604.528,72, apurando na Linha 20 (Imposto de Renda a Pagar) a existência de saldo negativo no valor de R$ 35.624.955,25 (doe. 09). Daí porque a Impugnante originalmente apresentou o Pedido de Restituição 37935.44086.221009.1.2.029948 que deu origem ao presente processo, indicando a título de crédito saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008 no montante de R$ 35.624.955,25 (doe. 09). Portanto, ao apurar o saldo negativo originalmente pleiteado (e que embasa todas as compensações declaradas) no valor de R$ 35.624.955,25 a Impugnante já deduziu o montante utilizado nas compensações de IRRF de JCP, não havendo de se falar em utilização de crédito em duplicidade. A compensação de crédito de IRRF de JCP com débilo de IRRF de JCP no valor de R$ 10.659.125,94 acima indicada foi objeto como visto da DCOMP n° 20648.68476.050109.1.3.061252 (retificada pela DCOMP n° 40066.57015.210109.1.7.066047) (doe. 08). Contudo, aquela compensação acabou não sendo homologada, conforme decisão proferida no Processo Administrativo nº 10882.724056/201271 (doc. 10), ao fundamento de que encerrado o anobase aquelas retenções deveriam compor o saldo negativo, e não ser compensadas diretamente. Por entender a Impugnante estar equivocado este entendimento, apresentou naqueles autos a competente manifestação de inconformidade . Pedido Por todo o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, pede e espera a impugnante seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para o fim de reformar parcialmente o r. despacho decisório e: (a) reconhecer de plano como saldo negativo passível de restituição os valores adicionais de R$ 25.016.117,58 (correspondente à parcela de IRRF jamais utilizada antes das compensações declaradas nos presentes autos) e de R$ 1.464.618,20 (correspondente à parcela das estimativas compensadas e que embora não homologadas no Processo Administrativo nº 10882.903769/201207 devem ser reconhecidas no saldo negativo conforme Solução de Consulta Interna nº 18/2006 COSIT), que somados aos R$ 9.144.219,48 já reconhecidos alcança o crédito de R$ 35.624.955,25, suficiente a fazer face à totalidade das compensações declaradas; (b) determinar a devolução dos autos à Delegacia de origem e o sobrestamento do presente processo quanto à parcela do saldo negativo no valor de R$ 10.659.125,94 até decisão final nos autos do Processo Administrativo n° 10882.724056/201271, tendo em vista a relação de prejudicialidade e dependência entre os mesmos, uma vez que sobrevindo decisão desfavorável à Impugnante naquele processo será necessariamente reconhecido nos presentes autos o direito à restituição dessa parcela adicional de R$ 10.659.125,94. A DRJ/RPO, por meio do Acórdão nº 1458.355, de 29 de abril de 2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, que teve a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 402 5 Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA CSLL. VALORES DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO NÃO CONFIRMADOS. O saldo negativo de IRPJ pode ser objeto de pedido de restituição ou utilizado como crédito em declaração de compensação somente se confirmado que os valores a título de antecipação excedem o valor devido ao final do período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. RENDIMENTOS FINANCEIROS. TRIBUTAÇÃO. OFERECIMENTO. COMPROVAÇÃO. A restituição do saldo negativo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, apurado na declaração de ajuste de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, em razão de compensação de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as receitas financeiras correspondentes foram oferecidas à tributação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa foi cientificada do acórdão da DRJ/RPO na data de 11/06/2015 (cf. AR de fl. 306). Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fl. 309 a 336) tempestivamente na data de 08/07/2015, repetindo basicamente os argumentos já trazidos na 1ª (primeira) fase recursal: 1) A DRJ não poderia indeferir o pedido de homologação dos créditos com base no indeferimento de compensação de saldos negativos de CSLL apurados no ano calendário de 2005, que são objeto do processo nº 10882.00903769/201207, pois os débitos eventualmente não homologados naquele processo já são objeto de cobrança nos processos 10882.903850/201289, 10882.903852/201278 e 10882.903854/201267. 2) Alega que não se aplica ao caso o conteúdo do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011. Segundo a recorrente, o referido Parecer trata de estimativa não computada no ajuste anual, não se aplicando ao caso concreto, que, por sua vez, pode ter os valores de crédito indeferido perfeitamente cobrados, inclusive conforme entendimento exarado pelo Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, apresentando conclusão da Procuradoria de que há "possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a Fl. 404DF CARF MF 6 incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste", conclusão que a recorrente entende que se aplica ao caso deste processo. 3) Informa que a Solução de Consulta Cosit nº 18/2006 conclui que "na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ;". Afirma que, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434/2013, aqueles atos têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil. 4) Pede subsidiariamente o sobrestamento do presente feito, até decisão final a ser proferida no Processo Administrativo nº 10882.903769/201207, ou, ainda, ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, em face da manifesta relação de prejudicialidade entre os processos, nos termos do art. 265, IV, "a" do revogado Código de Processo Civil (CPC), hoje constante no art. 313, V, "a", do novo CPC. 5) Trata da retenção do IRRF decorrente do JCP. A RFB negou o direito do IRRF porque a empresa teria utilizado o IRRF em duplicidade (declaração de compensação de R$ 10.659.125,94 com débitos de IRRF de 12/2008, vencidos em 01/2009). A empresa alega que a RFB negou o direito à compensação, por ter sido apresentado fora do prazo legal, porque o IRRF não poderia ter sido compensando autonomamente, devendo compor o saldo negativo do período, razão pela qual a recorrente optou por acatar o entendimento da RFB e recolher via DARF os débitos anteriormente compensados, razão pela qual não pode agora o valor do IRRF ser negado uma vez que a própria RFB disse que este procedimento é que deveria ter sido feito. 6) O despacho decisório se equivocou no cálculo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008, pois, sem qualquer fundamento, simplesmente desconsiderou o crédito de IRRF no valor de R$ 25.419.733,03. 7) A DRJ teria inovado no fundamento para a glosa dos créditos, ao entender que "nenhum registro contábil/fiscal foi apresentado pela Recorrente", de modo que "não se pode, pela documentação que acompanhou o pedido inicial e a presente manifestação de inconformidade, verificar se as receitas financeiras sobre as quais incidiu o IRRF foram oferecidas à tributação e não vejo razão para reforma do Despacho Decisório nesse aspecto". Como a fiscalização teria utilizado como único fundamento para a glosa do crédito de IRRF a "Retenção utilizada em Declaração de Compensação de Juros sobre o Capital Próprio", resta sem fundamento a decisão da DRJ. Conclui com o seguinte: Não obstante, a recorrente alega juntar documentos que comprovam a retenção dos valores e a tributação das receitas que deram origem às retenções. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 403 7 8) A recorrente alega que não houve duplicidade no aproveitamento do crédito de IRRF decorrente do JCP. 9) A recorrente alega que o valor de R$ 10.659.125,94, referente ao IRRF decorrente de JCP que foi nãohomologado por meio do processo nº 10882.724056/201271 (em razão de violação ao § 2º do art. 40 da IN RFB 900/2008), foi recolhido por ela. 10) A recorrente aumentou o valor do crédito pleiteado de R$ 35.624.955,25 para R$ 46.284.081,19, apresentando pedido de restituição retificador, segundo ela, dentro do prazo prescricional para solicitação de créditos. 11) Discorre sobre seu direito à devolução do indébito, invocando as disposições legais neste sentido e o princípio da moralidade administrativa. Subsidiariamente pleiteia o sobrestamento do presente julgamento até decisão final a ser proferida naqueles autos, ou então ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, sob pena de cobrança indevida. Invoca o disposto no art. 265, IV, "a" do Código de Processo Civil, e cita outras decisões deste Conselho em favor do sobrestamento em circunstâncias semelhantes. No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente pugna pela nulidade da decisão recorrida, uma vez que a DRJ teria inovado na sua decisão, ao citar que não houve demonstração de tributação dos rendimentos que geraram a retenção na fonte do IR. Pois bem. Fl. 406DF CARF MF 8 Ultrapasso esta preliminar de nulidade, tendo em vista que minha decisão vai ao encontro com o que dispõe o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) MÉRITO Como visto, parte da lide cingese a verificar se a quitação de estimativas a partir de compensação com saldo(s) negativo(s) de período(s) anterior(es) pode ser considerada para a formação do saldo negativo do período de que se pleiteia o crédito, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, ou ainda esteja pendente de julgamento. Outrossim, devese verificar se o crédito adicional de R$ 10.659.125,94, decorrente de IRRF, pode ser reconhecido neste processo de compensação, uma vez que fez parte de outro processo de compensação. Por fim, devese avaliar o outro argumento, de que se serviu a Delegacia de Julgamento, para indeferir parte do crédito pleiteado: não houve demonstração de tributação dos rendimentos que geraram a retenção na fonte do IR. Quitação de estimativas com compensação de SN de período(s) anterior(es) Como visto, tanto no Despacho Decisório quanto no julgamento da impugnação pela DRJ, a Receita Federal se pronunciou no sentido de que não é possível homologar a compensação deste processo, pois não há certeza e liquidez do crédito utilizado para quitar as estimativas do período objeto do saldo negativo gerado, uma vez que a formação do crédito utilizado para pagar as estimativas também se dava com saldos negativos de anos anteriores. Na época do Despacho Decisório, as compensações de estimativas advieram do processo originário de crédito nº 10882.903769/201207, que também não havia sido homologado por também ter sido originado a partir de saldo negativo que foi formado por estimativas quitadas por compensação de saldo negativo de período anterior, conforme processo nº 10882.001396/200339. Ou seja, a empresa sempre quitava as estimativas de determinado período com saldos negativos de períodos anteriores, de maneira sucessiva, remetendose até o período mais remoto possível. Assim, bastava um pedido de restituição/compensação ser indeferido, que toda a cadeia de utilização de créditos de períodos anteriores restaria prejudicada. Pois bem. Verifiquei em alguns votos neste Conselho em que a turma concluiu pela impossibilidade de deferir, de plano, créditos tributários de saldo negativo originado a partir de estimativas quitadas por meio de compensação. Em voto constante no próprio processo que originou o pedido de compensação neste processo (nº 10882.903769/201207), o qual gerou a Resolução 1302 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 404 9 000.378, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, a relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa efetuou análise percuciente sobre situação similar à aqui analisada e destacou que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, já havia se pronunciado acerca da falta de certeza e liquidez da exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativas mensais, fato a comprometer a cobrança e a inscrição em Dívida Ativa de tais débitos, impossibilitando a compensação de recolhimentos de estimativas decorrentes de saldos negativos de períodos anteriores. No citado voto, a turma decidiu por baixar o processo em diligência para aguardar o julgamento do processo que originou o pedido de crédito compensado naquele processo em análise. Não obstante o brilhante voto da Conselheira, entendo que a situação aqui discutida merece ser analisada sob outro olhar: É que, após o encerramento do período de apuração, as estimativas se convertem nos próprios tributos que foram quitados mediante antecipação, qual seja, IRPJ e CSLL. Vejase na redação dos art. 2º c/c 6º da Lei 9.430/1996, vigentes na época dos fatos, que o imposto a pagar apurado no final do período de apuração é calculado abatendose, dentre outras rubricas, os valores pagos por estimativa: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 408DF CARF MF 10 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negritei) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” Por sua vez, o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002), dispõe sobre o tratamento a ser dado às declarações de compensação: § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A MP nº 135/2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833/2003, atribuiu à declaração de compensação a natureza de instrumento de confissão de dívida, conforme § 6º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, vejase: § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Quanto aos períodos anteriores à vigência da MP nº 135/2003, a confissão de dívida se dava por meio da DCTF. No mesmo sentido se pronunciou a Procuradoria da Fazenda no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, que, apesar de concluir pela impossibilidade de se aceitar a compensação das estimativas, já verificamos que tal conclusão não se aplica ao caso aqui analisado: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 405 11 26. Atentese para a ressalva: se o pleito de compensação foi anterior à Medida Provisória no 135 (30.10.2003), a DCOMP não se prestou à constituição do crédito tributário, o que decorre da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF. 27. Portanto, relativamente à compensação declarada mas não homologada, o crédito tributário poderá ser cobrado com base na DCOMP, salvo se o pleito foi feito no período no qual este documento não apresentava a natureza de confissão de dívida, hipótese em que sua constituição se dá pela DCTF (ou, se inexistente, pelo Fisco)1. Da leitura dos dispositivos legais supra, inferese que, independentemente de homologação da compensação declarada à Receita Federal, a cobrança no processo de origem dos créditos compensados será necessariamente efetuada. E foi esta a interpretação dada pela Receita Federal e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, respectivamente, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e do Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. No referido Parecer, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional traça arrazoado de que as estimativas convertemse no próprio tributo que se quer antecipar. Desta feita, revela a PGFN que a compensação das estimativas pode ser considerada no cálculo do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, uma vez que a sua não homologação definitiva torna o crédito passível de execução, qual seja, o crédito (titularizado pela fazenda) do próprio tributo. Vejase: (início da transcrição do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014) (...) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 1 Quanto à compensação tida por não declarada, o crédito tributário respectivo ou foi objeto de DCTF ou deverá ser constituído de ofício pelo Fisco, pois a DCOMP não se presta à sua constituição. Fl. 410DF CARF MF 12 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2o c.c. art. 6o da Lei no 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarse iam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 406 13 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no ano calendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do ano calendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação Fl. 412DF CARF MF 14 de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; (negritei) b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (término da transcrição do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014) Em acórdão publicado recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a partir do voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, acompanhou a conclusão constante no Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, conforme Acórdão nº 9101002.493, da sessão de 23/11/2016, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). No mesmo sentido, caminhou decisão exarada no Acórdão 1201001.054, de 30 de julho de 2014, da 1ª TO, da 2ª Câmara, da 1ª Seção do CARF: (início da transcrição de trecho do voto no Acórdão 1201001.054) Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta a ora Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, processos administrativos relacionados a não homologação/homologação parcial das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram e compor o saldo negativo do ano de 2004 e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização e a DRJ entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 407 15 Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débito liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. (término da transcrição de trecho do voto no Acórdão 1201001.054) O que posso extrair da conclusão da Procuradoria, da Receita Federal e da CSRF é que não seria justo, sob o ponto de vista da celeridade processual, indeferir crédito tributário ou suspender julgamento de processos que têm como única pendência o pagamento de estimativas com compensações de saldos negativos de períodos anteriores, que, como visto, podem ser cobradas pela PGFN, caso não forem homologadas em definitivo. Portanto, concluise que o valor de estimativas quitado por compensação não pode obstar o direito creditório ora pleiteado. Duplicidade de utilização de IRRF Devo neste momento enfrentar a questão do valor de IRRF a ser utilizado neste processo de compensação. De acordo com a fiscalização, a empresa teve parte de seu crédito não homologado em razão da utilização em duplicidade do IRRF. Segundo a DRJ, a empresa não poderia utilizar estes supostos créditos para quitar IRRF devido decorrente de pagamento de JCP, por ter efetuado a compensação no período seguinte à apuração do crédito que gerou o saldo negativo, contrariando o disposto no caput e § 2º do art. 40 da IN RFB 900/2008: Art. 40. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no § 1º do art. 34. § 2º O crédito de IRRF a que se refere o caput que não for utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, será Fl. 414DF CARF MF 16 deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou anocalendário em que a retenção foi efetuada. Em análise do processo nº 10882.724056/201271, verifiquei que a recorrente protocolou pedido de desistência total do recurso interposto no processo (nº 10882.724056/201271), e juntou DARF comprovando o recolhimento do valor originário de R$ 10.659.125,94, juntamente com o valor de R$ 3.037.957,48, a título de juros de mora. A partir disso, a Delegacia de origem homologou o referido pedido de desistência, solicitando o encaminhamento do processo nº 10882.724056/201271 ao seu arquivo único, conforme tela extraída do eprocesso2: Nesse sentido, incabível o indeferimento do pedido fundamentado no aproveitamento em duplicidade do valor de IRRF de R$ 10.659.125,94, devendo tal montante fazer parte da declaração de compensação constante neste processo nº 10882.900767/201410. Demais valores retidos Quanto aos demais valores de retenção decorrente de pagamento de JCP, entendo que também podem fazer parte deste processo nº 10882.900767/201410, pois, conforme alegado pela recorrente em seu recurso voluntário, tais valores constam nas DIRFs das respectivas fontes pagadoras e foram tributados, informações estas confirmadas pela Receita Federal no despacho decisório constante no processo nº 10882.724056/201271, reproduzido no doc. 10 da manifestação de inconformidade deste processo nº 10882.900767/201410 (efl. 195), veja: 2 Extraído do eprocesso em 19/06/2017 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10882.900767/201410 Acórdão n.º 1401001.913 S1C4T1 Fl. 408 17 Tributação do JCP que gerou o IRRF Em continuidade, a DRJ afirmou que o valor dos Juros sobre o Capital Próprio, que gerou o montante de Imposto de Renda Retido na Fonte, não foi tributado. Não obstante a confirmação da tributação pela Receita Federal no processo nº 10882.724056/201271, a empresa juntou os comprovantes de tributação dos rendimentos, os quais pude analisar: Em análise da DIPJ 2009, ac 2008, anexada ao processo nº 10882.724056/201271, o Lalur 2008 e os documentos contábeis juntados pela recorrente no recurso voluntário, ambos neste processo 10882.900767/201410, pude perceber o seguinte: (i) Na linha 21 da ficha 06A da DIPJ 2009, ac 2008, consta o montante de R$ 237.834.958,41 referente à receita de JCP. Esta informação, por si só, não é capaz de atribuir certeza da tributação do JCP. Devese portanto avaliar os ajustes do lucro real, para se verificar se tal receita não foi objeto de exclusão. Assim, em análise do Lalur de 2008 (efls. 377), posso verificar que não há exclusão do valor referente ao JCP. A exclusão constante no referido livro decorre de receita de equivalência patrimonial, que, por lei, pode ser excluída do lucro real. (ii) Apesar da recorrente contabilizar o recebimento de JCP como "valor referente a provisão dos Juros sobre o Capital Próprio a receber", o que indicaria, em um primeiro momento, que tal receita seria excluída do Lalur 2008, tal nomenclatura não interferiu na tributação efetiva do JCP apurado no ano de 2008. Nesse sentido, posso concluir que a receita de R$ 237.834.958,41, a título de JCP, foi efetivamente tributada. Fl. 416DF CARF MF 18 Desta forma, devese homologar o crédito tributário ora alegado conforme as razões acima aduzidas. Os demais pontos argumentados pela recorrente tornamse insubsistentes em razão do deferimento de seu pleito. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.731400/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, como foi o caso, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 1401-001.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso da Srª Iris Tolardo, mantendo integralmente sua responsabilidade tributária.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, como foi o caso, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso da Srª Iris Tolardo, mantendo integralmente sua responsabilidade tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 14 00 /2 01 3- 12 Fl. 15008DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 532 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Fl. 15009DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJ.. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 14.421 a 14.449, lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de: • Imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 4.409.183,08, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e • Contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 1.956.769,31, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 14.423 e do termo de verificação fiscal de fls. 13.839 a 14.218, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração, embora tenha sido regularmente notificada, ou apresentado sem as formalidades essenciais, bem como parte da escrituração apresentada e mantida pelo contribuinte ser imprestável para a determinação do lucro real em virtude de erros e fraudes apuradas. Além disso, a contribuinte teria optado indevidamente pela apuração com base no lucro presumido. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação "Laranja Mecânica", deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que a receita bruta efetiva da fiscalizada no anocalendário de 2008 foi de R$ 196.384.045,80, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, e abatido os tributos já declarados pela autuada em DIPJ e DCTF, na modalidade do lucro presumido. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei n° 4.502/64, com fundamento no § 1°, do inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96. Fl. 15010DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 534 4 Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: • Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; • Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; • Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; • Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; • Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 12/12/2013, conforme AR de fl. 14.471, a interessada apresentou em 10/01/2014 a impugnação de fls. 14.476 a 14.523, acompanhada dos documentos de fls. 14.524 a 14.532, na qual alega, em síntese, a tempestividade, e: 1) a nulidade da autuação pela violação aos princípios informadores do processo, especialmente do devido processo legal e da ampla defesa, posto que a autuação teria sido feita com base em meras suposições e presunções, com total ausência de provas que consubstanciem as alegações da autoridade autuante, uma vez que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados e a responsabilidade pela obrigação tributária é do Fisco; 2) que os atos societários praticados pela impugnante são perfeitamente válidos e produzem efeitos no ordenamento jurídico, o que afastaria em absoluto a consideração de que seus sócios seriam "laranjas", inexistindo qualquer indício de falsidade ou de simulação, resultando na nulidade da autuação; 3) também seria nulo todo o procedimento fiscal, ante a ausência de devolução dos documentos fiscais após o encerramento da fiscalização, por violação aos princípios do devido processo legal e do contraditório; 4) a nulidade na utilização no procedimento fiscal das provas obtidas no trabalho realizado pela Polícia Federal, uma vez que sequer foram objetos de julgamento na esfera jurisdicional adequada, e requer diligência a delegacia de origem de modo a atestar a ausência de irregularidades fiscais em sua escrituração; 5) a decadência do crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2008 a 12/12/2008, uma vez que foi cientificada em 12/12/2013 do lançamento de tributos sujeitos ao lançamento por declaração, devendo, por isso, incidir a regra estabelecida pelo § 4°, do art. 150 do CTN; 6) insurgese contra o arbitramento do lucro, uma vez que a suposta ausência de verificação de movimentação financeira e bancária não é capaz de tornar a contabilidade imprestável, sendo possível, de fato, com os elementos que dispunha a fiscalização apurar o lucro da autuada; 7) a inexistência de dolo, fraude ou simulação, uma vez que todos os atos societários e contábeis praticados foram legais e estavam amparados pela legislação correspondente, o que não pode ensejar a qualificação da multa aplicada, evocando a seu favor o princípio da interpretação mais benéfica, prevista no art. 112, do CTN; 8) insurgese contra o caráter confiscatório da multa aplicada, ante os princípios constitucionais da capacidade econômica do contribuinte e a vedação ao confisco, previstos nos arts. 145, § 1° e 150, IV da CF/88; 9) pleiteia o afastamento dos juros incidentes sobre a multa de ofício proporcional, ante a ausência de previsão legal; Fl. 15011DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 535 5 10) a ilegitimidade passiva da impugnante, com base na sujeição passiva solidária, bem como a nulidade dos termos de sujeição passiva solidária lavrados, por ausência de competência legal da fiscalização. Por fim, requereu preliminarmente o cancelamento integral da exigência, em face das nulidades argüidas, o reconhecimento da decadência dos créditos tributários com fatos geradores ocorridos até a data da ciência do lançamento, que seja acatada as questões de mérito desconstituindo os créditos tributários exigidos, o afastamento da multa qualificada, ou a sua redução ao equivalente a 2% da obrigação, bem como o cancelamento dos termos de sujeição solidária, a realização de diligências e suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 07/12/2013, conforme AR de fls. 14.465, 14.466, 14.462 e 14.464, Rogério Marcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 06/01/2014 as impugnações de fls. 14.560 a 14.599, 14.618 a 14.656, 14.666 a 14.705 e 14.710 a 14.749, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) pugna pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar n° 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a Fl. 15012DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 536 6 aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 02/01/2014, conforme Edital de fls. 14.472, Robson Marcelo Tolardo apresentou em 06/01/2014 a impugnação de fls. 14.753 a 14.792, na qual apresenta as mesmas alegações e pedidos dos demais impugnantes responsáveis solidários. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos e as responsabilidade tributárias, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NEGATIVA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO. A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis, mediante arbitramento, quando falte a documentação comprobatória da escrita contábil, situação que alcança a hipótese de ela não ter sido apresentada pela pessoa jurídica após regular intimação para fazêlo. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OPÇÃO INDEVIDA PELA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. CABIMENTO. Fl. 15013DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 537 7 Caracteriza hipótese de arbitramento do lucro a opção indevida pela tributação com base no lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. INDÍCIOS DE FRAUDE. CABIMENTO Caracteriza hipótese de arbitramento a escrituração elaborada com evidentes indícios de fraude. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. SÓCIOS GERENTES. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, é preciso que se demonstre que esses agentes efetivamente praticaram algum ato doloso, o que não aconteceu no caso concreto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal “interesse comum” deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto Fl. 15014DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 538 8 da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular de fato da conta, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. INTIMAÇÕES. PRORROGAÇÕES. FALTA DE ATENDIMENTO. NOVO PRAZO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Intimações objeto de prorrogações a pedido da contribuinte, não caracteriza a apontada ocorrência de falta de atendimento das intimações no prazo marcado a justificar a aplicação da multa agravada, eis que o novo prazo concedido é o que passa a reger o termo final da intimação, ademais se a intimação que teria dado causa ao agravamento da multa de ofício, é a mesma que justificou a apontada ocorrência de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, não secausa dos lançamentos discutidos nos autos. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO. ACESSO Á MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Inexiste a figura de embaraço à fiscalização, quando a contribuinte não atende ao pedido da autoridade fiscalizadora para que fosse fornecido uma autorização por escrito para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização da jurisdição da contribuinte, requisitasse as informações sobre sua movimentação financeira junto a instituição bancária, uma vez que a fiscalização dispunha de instrumentos legais que permitiriam o acesso à movimentação financeira da contribuinte sem a sua aquiescência, instrumentos estes que foram utilizados para acessar as pretendidas informações que deram causa aos lançamentos. Acordaram ainda os membros da 5a Turma de Julgamento, em um outro julgamento (Ac. nº 1270.247, em 13 de novembro de 2014), por unanimidade de votos, RERRATIFICAR o Acórdão n° 1269.535, de 23 de outubro de 2014, para retificar o relatório e o voto quanto a análise de arguição de decadência de Róbson Marcelo Tolardo, e ratificando os demais aspectos do relatório e o voto daquele acórdão, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. Fl. 15015DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 539 9 Deve ser retificada inexatidão material, decorrente de lapso manifesto, constante de Acórdão anteriormente proferido. Irresignada com a decisão de primeira instância, interpôs recurso voluntário a este CARF, a responsável tributária, Sra Íris da Silva Tolardo repetindo literalmente os mesmos argumentos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação. A empresa e os demais solidários não se defenderam. É o relatório. Fl. 15016DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 540 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de terem tomado ciência da decisão de primeira instância, resolveram não se defender a empresa, bem assim os solidários abaixo: Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; • Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; • Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; • Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Portanto, estão fora da lide e estão definitivamente constituídas na esfera administrativa as sujeições passivas solidárias dessas pessoas físicas em epígrafe. CONHECIMENTO Atendido os requisitos de admissibilidade do Recurso voluntário da Srª Íris da Silva Tolardo, dele tomo conhecimento. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO Íris da Silva Tolardo RECURSO Conforme relatório fiscal, foi atribuída a sujeição passiva solidária as pessoas físicas da Sra Íris da Silva Tolardo perante os atos praticados junto à empresa fiscalizada, nos termos do art. 124, I e 135, III da Lei n° 5.172, de 1966, tendo em vista que no curso da ação fiscal verificouse que ela seria um dos verdadeiros proprietários e responsáveis de fato pela administração da sociedade, bem como em virtude das fraudes apuradas: Preliminares de nulidade A Recorrente enfileira uma série de nulidades contra os autos de infração, que foram muito bem rebatidas pela decisão de piso. Em primeiro lugar, cabe salientar que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de sua defesa, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa de todas essas alegações de nulidade. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitando se a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Fl. 15017DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 541 11 Todas elas foram postas repetindo literalmente os mesmos termos das respectivas impugnações, sem levar em consideração as razões da DRJ que muito bem rebateram uma a uma cada uma das alegações de nulidade e que precisariam ser infirmadas pela recorrente, mas não o fez. Ora, isso só reforça o fato de que tais alegações de nulidades são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Outrossim, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos naquilo que é relevante, aplicandose também tudo que já foi dito em relação ao não acolhimento da decadência: (...) DA INTIMAÇÃO Defendem os impugnantes a nulidade da intimação efetuada através do correio, uma vez que não foi tentada a intimação pessoal dos mesmos pela autoridade fiscal. Não há que se falar na nulidade da intimação da autuação efetuada por via postal, uma vez que efetuada em estreita conformidade com o disposto no inciso II, do art. 23, do Decreto n° 70.235/72. Com efeito, a norma não prevê a obrigatoriedade da tentativa frustrada de intimação pessoal para realização da ciência postal, mas tão somente a tentativa de ciência de um ou outro modo para se realizar a ciência via edital, conforme prevê o §1° do art. 23, do Decreto n° 70.235/72, e tal qual efetuada no caso de Róbson Marcelo Tolardo. Desse modo, considero como válidas as intimações efetuadas por via postal dos termos de sujeição passiva solidária, bem como a efetuada através de edital. 3.2. DA PERÍCIA, DA PROVA ORAL E DA JUNTADA DE DOCUMENTOS Os impugnantes requerem a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos. Os interessados não indicaram os seus peritos, não formularam os quesitos que pretendem que sejam respondidos pela perícia, nem justificaram suficientemente o pedido de produção de prova pericial, razão pela qual considero como não formulado o pedido, conforme o disposto no §1° e inciso IV do art. 16, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 15018DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 542 12 Indefiro a produção de prova oral, por ausência de previsão legal no âmbito do processo administrativo fiscal. Não consta nos autos nenhum pedido de juntada de documentos efetuado após a apresentação da impugnação até a presente data, de modo que julgo prejudicado o pedido. 3.3. DA NULIDADE Os impugnantes argúem a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal e por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido, por falta de motivação e fundamentação da autuação, a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, bem como a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente. Não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal (MPF), em primeiro lugar porque a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do mandado de procedimento fiscal n° 07.1.09.002013008326, conforme informação constante do termo de início de ação fiscal de fl. 13789, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 10/10/2013, conforme AR de fl.13790, em segundo lugar porque o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. A atribuição de coresponsabilidade pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento e prescindem de prévia emissão de mandado em relação aos coobrigados, uma vez que apenas a empresa foi alvo da fiscalização efetuada. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Diferentemente do afirmam os impugnantes, a autuação esta devidamente motivada e fundamentada, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Afasto, também, a alegada incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa fiscalizada e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, pois, de fato, no presente caso não se cogita a desconsideração da personalidade jurídica da autuada, nem se atribuiu a responsabilidade objetiva dos impugnantes. A sujeição passiva solidária atribuída decorreria de condutas praticadas pelos impugnantes com infração a lei e em razão de serem os proprietários de fato da autuada, com base em farto conjunto probatório coletado em busca e apreensão realizada com autorização da justiça federal do Paraná, e foram atribuídas por quem detém a competência legal de proceder ao lançamento e atribuir a co responsabilidade tributária, na forma da lei. Fl. 15019DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 543 13 Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputase como válida até que outra lhe sobrevenha, alterandoa ou cancelandoa. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. Ante todo o exposto, afasto a alegada nulidade dos termos de sujeição passiva solidária. 3.4. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO Afirmam os impugnantes a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar n° 105. Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar n° 105 encontrase com sua vigência integralmente mantida, posto que não foi deferido nenhum pedido de liminar nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade suspendendo a aplicação de qualquer dispositivo da norma atacada, devendo a mesma ser inteiramente aplicada enquanto não declarada inconstitucional. Portanto, indefiro o pedido de suspensão do presente processo. 3.5. DA DECADÊNCIA (...) Quanto ao demais coresponsáveis, haja vista que se trata de lançamento constituindo créditos tributários do anocalendário de 2008, com aplicação de multa qualificada em virtude de sonegação e fraude, que esta sendo mantida no presente voto, não há maiores dúvidas quanto à inocorrência da decadência, posto que foram cientificados da autuação e da sujeição passiva antes de 31/12/2013. Desse modo, afasto a alegada decadência em relação a todos coobrigados. 3.6. DA LEGITIMIDADE PASSIVA Alegam os impugnantes a ilegitimidade, ante a suposta ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de Fl. 15020DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 544 14 utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa. Alegam, ainda, a ausência de responsabilidade, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio seria exclusiva da pessoa jurídica. Diferentemente do alegado pelos impugnantes, há um conjunto probatório robusto no sentido de atribuir a propriedade e a administração do empreendimento a todos os sujeitos passivos solidários, em especial a Róbson Marcelo Tolardo, principal responsável pela administração do grupo empresarial formado pelas empresas da Rede Presidente, o que se comprova por meio de interceptações telefônicas, de emails, arquivos e documentos aprendidos. (...) • Despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de prólabore mensal, uma vez que nenhum deles era formalmente sócio das empresas do grupo. Esta última caracteriza, em face de confusão patrimonial, o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, uma vez que parcela considerável do lucro obtido pela autuada, e não submetido à tributação eram utilizados para pagamento de despesas pessoais dos impugnantes. Também chama a atenção que todos os responsabilizados tinham a exata noção da ilicitude perpetrada, como a utilização de interpostas pessoas e a não contabilização de receitas de vendas, demonstrando o dolo deste quanto à sonegação fiscal. É o que depreende dos conteúdos das escutas telefônicas e e mails interceptados com autorização judicial. Assim, mantenho a atribuição da coresponsabilidade de todos os obrigados, tal qual efetuado pela fiscalização. 3.7. DA RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS Defendem os impugnantes que a responsabilidade pelas multas aplicadas deve ser excluída ou reduzida, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório. Na presente autuação não foi aplicada multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação para que seja excluída tal penalidade não procede. Pelo mesmo motivo também não procede a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro. Conforme já abordado no presente voto, no tópico relativo a análise da impugnação da autuada, não cabe a autoridade julgadora administrativa deixar de aplicar disposição expressa de lei, em razão de suposta inconstitucionalidade, em que pese na opinião deste julgador não há vedação constitucional à aplicação de penalidade pecuniária com caráter confiscatório, vedação que alcança tão somente os tributos. Tendo os responsáveis solidários comprovadamente praticado atos com infração a lei na gestão dos negócios da autuada, omitindo receitas de suas vendas, mas mantendo o controle paralelo dessas mesmas receitas à margem da escrituração Fl. 15021DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 545 15 contábil e fiscal, utilizandose interpostas pessoas para compor o quadro societário da fiscalizada, mediante falsificação de documentos e assinaturas, devem ser responsabilizados não só pelos tributos devidos, mas também pelas multas aplicadas, inclusive qualificada, conforme determinação contida no art. 137, do CTN. A Sra IRIS TOLARDO é a matriarca da família TOLARDO, família responsável por todo o esquema REDE PRESIDENTE Existe farto material probante na forma de conteúdos de escutas telefônicas e emails interceptados com autorização judicial, que demonstram que todos os responsáveis tributãrios, inclusive a Sra Iris, tinham a exata noção da ilicitude perpetrada pela empresa. Destacase (fls. 191 e 192 do TVF) o diálogo gravado entre Sra Íris e Leda em que ela comenta sobre a atitude de uma funcionária do esquema ,ODETE CARDOSO BERTI178, que supostamente teria preterido um dos seus filhos (ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO) na administração do esquema. A esse respeito, vejase este trecho do TVF: Esses procedimentos culminaram na denominada “operação Laranja Mecânica” realizada em 17 de outubro de 2012, pela Polícia Federal e Receita Federal do Brasil. Nesta operação cerca de 250 servidores cumpriram 45 mandados de busca e apreensão (MBA) e 35 mandados de condução coercitiva, todos expedidos por ordem do Juízo Federal Substituto da 3ª Vara Federal de Curitiba/PR, que, em trecho de sua decisão que fundamentou os MBAs, assim se manifestou (fl 767): No bojo das investigações encetadas no IPL 2008.70.00.0094275, identificouse um grande número de empresas titularizadas por 'laranjas', que movimentam grande soma de dinheiro em todo o país. Entre as principais empresas envolvidas estariam a Napa Parts e a Distribuidora Presidente (ou RPT Distribuidora de Autopeças Ltda), a primeira com sede em Maringá/PR e a segunda com sede no Rio de Janeiro/RJ e filiais em diversas cidades do país. Todas essas empresas seriam controladas pelo mesmo grupo criminoso. 37. As investigações indicavam que os verdadeiros proprietários de todo o suposto esquema criminoso eram os integrantes da família TOLARDO (fl 771): O monitoramento telefônico autorizado judicialmente (autos 5011377 60.2012.404.7000) confirmou quem são os verdadeiros proprietários da Rede Presidente, bem como a utilização de pessoas interpostas para a constituição de empresas. Em um monitoramento realizado em 05/05/2012, Íris da Silva Tolardo deixou claro que seus filhos Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore são sócios nos negócios da família (AUTO1, fl. 4, evento 31 do Inquérito 50113776020124047000 A riqueza de detalhes das escutas presentes no processo é grande no sentido de provar o envolvimento da matriarca na ilicitude perpetrada.Vejase esse trecho do TVFO: (...) Chama a atenção o comentário de IRIS sobre o fato de sua nora (PAULA ROBERTA SORIA POGERE TOLARDO) esposa de ROBSON MARCELO TOLARDO, bajular demais a funcionária do esquema – LIDERCI LURIKO NAGABE DE OLIVEIRA, por ela saber de “tudo”. Tal comentário demonstra Fl. 15022DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 546 16 claramente que a própria IRIS sabe de “tudo”, ou melhor, de todo o esquema REDE PRESIDENTE. 453. Aliás, como não poderia mesmo ser diferente, pois que com a morte do marido, todo o esquema passa a ser de propriedade dos herdeiros. Outro elemento a ser citado contra Sra IRIS é o Parecer Técnico 0123/2012 referido no TVF e elaborado por EZENIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL, a pedido da PRTS (uma das tantas empresas do esquema REDE PRESIDENTE60), acerca da situação tributária e fiscal da empresa. O parecer já alertava (MGA1898.24 – fls 5.100): E a esse respeito esclarece o TVF: Notese que a colocação no contrato social de “pessoa que não é o efetivo proprietário” poderia acarretar a inclusão, no pólo passivo das autuações, de “outras pessoas” que seriam os verdadeiros proprietários, e cujas inciais seriam: “IT” (IRIS DA SILVA TOLARDO), “RMT” (ROBSON MARCELO TOLARDO), “STJ” (SAMUEL TOLARDO JUNIOR), (...) Há também registro no TVF de depoimento de Edson Barbosa da Silva, irmão de IRIS DA SILVA TOLARDO, declarandoa como a real proprietária da Distribuidora Presidente (RPT) em depoimento à Polícia Federal: ' (...) QUE conhece a distribuidora Presidente, pois pertence a sua irmã IRIS DA SILVA TOLARDO e seu sobrinho ROBSON MARCELO TOLARDO; (...); QUE SONIA KAZUMI NODA é escriturária na distribuidora (fls 2.210 ). Fl. 15023DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 547 17 E as vinculações não param por aqui. Consta do TVF ainda: (...) Íris é a matriarca da família, viúva de SAMUEL TOLARDO. Embora não aparente ter poder decisório no esquema, tem pleno conhecimento das atividades e de seu caráter ilícito, além de ser beneficiada por todo o patrimônio e rendimentos obtidos da atividade. 432. No item Empresa 3) PRTS DIST PEÇAS – TEUTO AUTOMOTIVO – (CNPJ 11.866.466/000190) do ANEXO DE EMPRESAS REDE PRESIDENTE, verseá que IRIS DA SILVA TOLARDO é a administradora/responsável pela empresa AGROPECUÁRIA VALPARAÍSO LTDA (CNPJ 01.047.918/0001 59)182 – empresa registrada em nome dos irmãos TOLARDO. Esta empresa AGROPECUÁRIA VALPARAÍSO LTDA, é proprietária do imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE, na esquina entre as Ruas Evaristo da Veiga e Avenida Colombo, em Maringá/PR (antigo clube Teuto). No local temse o endereço de três empresas do esquema presidente: a NAPA PART’S, conforme logomarca na fachada do prédio, a PRTS (CNPJ 11.866.466/000190), e ADMINISTRADORA CONFIANÇA (CNPJ 12.049.403/000104). 433. No endereço residencial de DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR (um dos principais operadores do esquema REDE PRESIDENTE), por ocasião do cumprimento do MBA, encontrouse o INSTRUMENTO PARTICULAR, COM CARÁTER DE ESCRITURA PÚBLICA DE “CESSÃO ONEROSA DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES”, datado de 09/05/2008 (MGA08 5.64, fls 2423 a 2440), referente ao imóvel em questão, utilizado pela REDE PRESIDENTE. O cessionário (beneficiado com a cessão do imóvel) é a AGROPECUÁRIA VALPARAÍSO, naquele ato representada por IRIS DA SILVA TOLARDO. 434. Aqui já se percebe a clara ligação de IRIS DA SILVA TOLARDO com o esquema REDE PRESIDENTE. Não poderia ser diferente, vez que ela é viúva herdeira de SAMUELTOLARDO, que inaugurou todo o esquema. 435. Nova prova desta vinculação é o imóvel onde se localizava um dos “bunkers” do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, que tratase de uma residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, e onde, em cumprimento ao MBA, encontrouse inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE. Este imóvel foi registrado em nome de DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR, CPF 040.589.53993 (matrícula 7.811), importante operador do esquema. Porém o mesmo passa uma procuração para a família TOLARDO – IRIS DA SILVA TOLARDO, ROBSON MARCELO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, datada de 22./06/2009, concedendo poderes para “vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem” (MGA1916.59, fls 7849 e 7850). 436. Considerandose que o imóvel em questão era utilizado pelo esquema REDE PRESIDENTE como um “bunker” administrativo, a procuração é um inequívoco elemento que vincula IRIS DA SILVA TOLARDO ao esquema. 437. Ainda, IRIS DA SILVA TOLARDO serve como caucionante (garantidora) do contrato de locação de um imóvel (galpão industrial) locado pela REDE PRESIDENTE em Barueri/SP, à Rua São João do Araguaia, 477, que é o endereço de uma empresa da REDE PRESIDENTE, a SMA AUTO PARTS INDUSTRIA E COMERCIO DE PECAS AUTOMOTIVAS LTDA Afora tudo isso ainda se destaca do TVF que despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados, inclusive da Sra Iris, eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de prólabore mensal. Eis os termos do TVF: Fl. 15024DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 548 18 Destaquese também que IRIS DA SILVA TOLARDO consta como usuária de um cartão de crédito AMEX, conjuntamente com os demais integrantes/proprietários do esquema, e cuja fatura é paga pela REDE PRESIDENTE. No TVF também tem provas que o salário do seu caseiro era pago pela Rede Presidente. Todos essas provas convergentes, demonstram categoricamente o interesse comum da Sra Iris no fato gerador, ex vi art. 124, I do CTN. Nesse contexto, mostrase bem configurado o interesse comum, uma vez que a Sra Iris foi diretamente beneficiada por recursos financeiros fornecidos pelo contribuinte que perpetrou a ilicitude, ficando evidenciado a chamada "confusão patrimonial", atraindo assim o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, ex vi art. 124, I do CTN. Também rejeito o seu pedido de nulidade ao alegar que a decisão de piso nâo analisou todas as questões impugnadas, ou as analisou de forma simplista, se baseando no TVF. Ora, aqui faltou a interessada ser mais específica. Que questões nâo foram analisadas? A meu ver a decisão de piso foi completo e se utilizouse como fundamentos muitas vezes o que se encontra consignado no auto de infração, não passou a ser sem motivaçâo por este fato, pelo contrário, se buscasse fundamentação para além do que ficou consignado no auto de infração ai sim poderia estar correndo o risco de inovação. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade, afasto a decadência para negar provimento ao recurso para manter a reponsabilidade tributária da Sra Iris Tolardo. Multa confiscatória Sobre a argüição de que a multa aplicada deveria ser reduzida em função de seu caráter confiscatório, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões como essa que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Multa qualificada (150%) Outrossim, a multa qualificada deve ser mantida em função do robusto conjunto probatório que deixou muito claro que a empresa omitiu significativa parcela de suas receitas de suas vendas, mantendo de forma fraudulenta o controle paralelo dessas mesmas Fl. 15025DF CARF MF Processo nº 18470.731400/201312 Acórdão n.º 1401001.870 S1C4T1 Fl. 549 19 receitas à margem da escrituração contábil e fiscal, utilizandose ainda de interpostas pessoas para compor o quadro societário da fiscalizada, mediante falsificação de documentos e assinaturas. Portanto, mantenho a multa de 150 % nos exatos moldes em que foi lançada. Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmula nº 4 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, mantenho os juros de mora. TRIBUTO DECORRENTE Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade, afasto a decadência para negar provimento ao recurso voluntário da Srª Iris Tolardo, mantendo integralmente sua responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 15026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900358/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/08/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 58 /2 01 4- 51 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900358/201451 Acórdão n.º 3401003.729 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900358/201451 Acórdão n.º 3401003.729 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900358/201451 Acórdão n.º 3401003.729 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903159/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 31 59 /2 00 9- 39 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.903159/200939 Acórdão n.º 1402002.560 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.903159/200939 Acórdão n.º 1402002.560 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.903159/200939 Acórdão n.º 1402002.560 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.903159/200939 Acórdão n.º 1402002.560 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.903159/200939 Acórdão n.º 1402002.560 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.005212/2002-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 04/09/1997 a 05/12/1997
COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSÁVEL. EXIGÊNCIA.
Não restando comprovada a compensação tributária, por ausência do direito creditório, deve-se manter a exigência do crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSÁVEL. EXIGÊNCIA. Não restando comprovada a compensação tributária, por ausência do direito creditório, devese manter a exigência do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 52 12 /2 00 2- 97 Fl. 938DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 466/490) interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 453/457) que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve em parte o crédito tributário relativo a IRRF lançado através do Auto de Infração Eletrônico nº 0057576 (fls. 46/79) no valor de R$ 9.851.658,24, sendo R$ 2.459.909,83 de principal IRRF, R$ 1.844.932,37 de multa de ofício, R$ 2.248.896,95 de juros de mora, R$ 830,14 de multa paga a menor, R$ 505,82 de juros não pagos ou pagos à menor e R$ 3.296.553,13 de multa isolada; lavrado em decorrência da nãolocalização de pagamentos e de recolhimentos em atraso sem acréscimos moratórios, vinculados a débitos declarados em DCTF relativas ao 3° e 4° trimestre do anocalendário de 1997. Inconformado com a autuação, o Recorrente apresentou Impugnação ao lançamento, sendo que a autoridade preparadora apreciou a documentação trazida na defesa e efetuou uma primeira revisão de ofício do lançamento, sem alteração do valor lançado (fls. 161), com intimação ao Recorrente para pagar a exação, vindo este a interpor "recurso voluntário" (fls. 169 a 408), ao qual juntou comprovantes de arrecadação e DARFs pertinentes. Ocorre que, ao constatar a ausência do julgamento do mérito pela primeira instância administrativa, a Equipe de Auditoria e Acompanhamento da Arrecadação – EQAAR, vinculada à Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – DICAT, proferiu o despacho de fls. 409, pelo qual determinou a remessa dos autos à Delegacia de Julgamento, para que esta procedesse ao competente julgamento do mérito. Porém, diante dos novos documentos apresentados pelo Recorrente em sua manifestação que chamou de “recurso voluntário”, e considerando a necessidade de verificar a procedência das alegações de pagamentos feitas por este, a Douta 5ª Turma da DRJSPOI entendeu por devolver o processo à autoridade preparadora (fls. 410), para que esta efetuasse nova revisão de ofício do lançamento, o que foi realizado e informado nos autos às fls. 416 a 430, tendo o Despacho Decisório nº 3.817/08 relatado o procedimento utilizado na mencionada revisão, da qual remanesceu os créditos tributários discriminados adiante: Período Apuração PA Código Receita Valor declarado Vínculo Valor comprovado Valor remanescente 04/09/1997 2932 (IRRF) 1.785.146,05 COMP C/ DARF 16.474,19 1.768.671,86 05/12/1997 2932 (IRRF) 585.077,95 COMP C/ DARF 0,00 585.077,95 31/07/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 161,30 31/07/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 122,19 Fl. 939DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.675 S2C2T1 Fl. 939 3 02/08/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 721,78 31/08/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 41,50 31/08/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 41,92 30/09/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 3.207.653,75 30/09/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 267,42 30/09/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 101,29 31/10/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 138,59 31/10/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 69,99 01/11/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 42.833,33 02/11/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 1.815,90 03/11/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 43.528,37 30/11/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 89,35 30/11/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 90,24 31/12/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 131,98 31/12/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 79,99 Ato contínuo, a mesma 5ª Turma da DRJSPOI, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão n° 1619.851 (fls. 453/457), a qual: i) firmou que o Recorrente se conformou com os acréscimos de caráter meramente moratório (juros e multa de mora); ii) afastou a multa isolada (ante a comprovação do equívoco na declaração das semanas dos períodos de apuração na DCTF); e iii) extinguiu parcela do crédito relativo ao IRRF. Por ter exonerado crédito tributário acima do limite de alçada, propriamente recorreu de ofício para este C. CARF. A ementa restou assim descrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. Provada nos autos a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, exonerase o lançamento dele decorrente. Mantémse a exigência decorrente débito compensado com IRRF não comprovado nos autos. Lançamento Procedente em Parte. (...) Fl. 940DF CARF MF 4 Deste ato, RECORRESE DE OFÍCIO, ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com o artigo 34 do Decreto n° 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis n's 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 03/2008.” Assim, manteve a exigência do crédito abaixo informado: Período Apuração PA Código Receita Valor declarado Vínculo Valor comprovado Valor remanescente 04/09/1997 2932 (IRRF) 1.785.146,05 COMP C/ DARF 16.474,19 1.768.671,86 05/12/1997 2932 (IRRF) 585.077,95 COMP C/ DARF 0,00 585.077,95 31/07/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 161,30 31/07/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 122,19 31/08/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 41,50 31/08/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 41,92 30/09/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 267,42 30/09/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 101,29 31/10/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 138,59 31/10/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 69,99 30/11/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 89,35 30/11/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 90,24 31/12/1997 6380 (Multa Mora Isolada) 131,98 31/12/1997 6583 (Juros Mora Isolados) 79,99 Cientificado do Acórdão da DRJ (fls. 453/457) em 23/01/2009 (fls. 462), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 20/02/2009, Recurso Voluntário (fls. 466/490), sustentando, em síntese, o quanto relatado no trecho do relatório do Despacho de Conversão do Julgamento em Diligência, proferido pela Colenda 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF (fls. 498/502), que adoto como parte deste relatório, a seguir transcrito: “I. não procede a cobrança do crédito tributário do PA 0409/1997, no valor original de R$ 1.785.146,05, porque o "Referido valor corresponde ao imposto de fonte retido a maior pela Recorrente no mês de junho/97 (docs. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.675 S2C2T1 Fl. 940 5 07 e 08 anexados à impugnação), a esse mesmo título, e ao IRF também retido pelas empresas Foccar Factoring e Carrefour Administradora de Cartões de Crédito (docs. 09 a 12 anexados à impugnação), por ocasião do pagamento dos juros sobre capital próprio, previstos no artigo 9° da Lei n° 9.249/95, à Recorrente, que é sua quotista" (fl. 472 do recurso voluntário); II. O mesmo ocorre com o débito de R$ 585.077,95 exigido no Auto de Infração em tela, relativo ao período de apuração de 0512/1997. Assim como descrito acima, referido valor, que foi retido pelas empresas Carrefour Administradora de Cartões de Crédito e Foccar factoring por ocasião do pagamento dos juros sobre o capital próprio à Recorrente (docs. 15 a 18 anexados à Impugnação de fls.), também foi utilizado para compensação do imposto de renda retido na fonte nos exatos termos do que dispõe o § 6° do artigo 9° da Lei n° 9.249/95" (destaque do original fls. 473 e 474); III. 13. Enfatizese que, no que tange aos referidos e substanciais débitos, o Órgão Julgador afirmou que não foi possível constatar, pelos documentos acostados aos autos e pelos registros da Receita Federal, se a Recorrente era efetivamente a beneficiária dos rendimentos que deram origem aos DARF's recolhidos pelas empresas Foccar e Carrefour Administradora. Não foram informados, todavia, como os referidos valores foram alocados e destinados nos sistemas da Receita. Ora, se, mesmo diante de toda à documentação acostada aos autos, existiam dúvidas acerca do real beneficiário dos recolhimentos efetuados pelas referidas empresas, das quais a Recorrente é quotista, por que não foram efetuadas diligências ou solicitados documentos suplementares ao contribuinte? É evidente que, diante dos valores envolvidos e das circunstâncias específicas dos débitos, deveria a Receita Federal ter efetuado novas diligências para obter os subsídios necessários à correta formação de seu convencimento. A necessidade de novas diligências, aliás, será adiante ventilada em tópico específico deste recurso. Em verdade, dúvidas não restam acerca da correção e regularidade do crédito compensado e, por decorrência, do procedimento de compensação promovido pela Recorrente, o qual liquidou, de forma integral, os valores aqui questionados pelo Fisco Federal" (destaques do original fl. 474); IV. recolheu a destempo os impostos vinculados aos períodos de apuração que agora se cobra a diferença de multa de mora e juros de mora isolados, com pagamento dos acréscimos a menor (fl. 476); V. no tocante às multas de ofício isoladas lançadas, houve mero equívoco nas informações dos períodos de apuração semanais nas DCTFs, com antecipação indevida do PA informado nas declarações sendo certo que o valor do principal foi pago no prazo assinado na legislação. Ainda, mesmo que houvesse pagamento a destempo, jamais se poderiam lançar multas isoladas no percentual de 75% sobre o imposto pago a destempo, sendo cabível no máximo a incidência de juros e multas de mora, sendo certo que o procedimento da autoridade fiscal violou o princípio do nãoconfisco, imputando um ônus ao contribuinte excessivo em face da conduta perpetrada.” Ao final das suas razões recursais, o Recorrente sustentou que, ainda diante das dúvidas suscitadas sobre a existência, correção e certeza dos créditos por ele compensados, Fl. 942DF CARF MF 6 a Turma Julgadora deveria ter convertido o julgamento em diligência para que lhe fosse propiciada a juntada de esclarecimentos e documentos suplementares que lhe permitissem comprovar, de forma definitiva, seu direito, conforme trecho adiante, exarado das suas razões de recurso (fls. 489): "32. No caso ora em análise, os montantes apontados e compensados pela Recorrente estão integralmente corretos e comprovados. Por este motivo, a conversão do julgamento em diligência e / ou produção de prova pericial aqui requeridas devem ser levadas em consideração, quando da apreciação deste recurso, por esse C. Conselho, para que fiquem comprovados (i) os valores exatos dos créditos da Recorrente; (ii) a destinação dos recolhimentos efetuados pelas empresas Foccar e Carrefour Administradora a título de IRRF incidentes sobre Juros de Capital Próprio (Código de Receita 5706); (iii) a regularidade formal das compensações; (iv) a necessidade de reforma do V. Acórdão da 5" Turma de Julgamento e, por decorrência lógica, de homologação de todas as compensações promovidas pela Recorrente; e (v) a inexistência de débitos remanescentes atinentes aos tributos questionados e multas de qualquer natureza. 33. Não se trata de discutir a aplicação ou interpretação de determinada lei tributária, mas, tãosomente, a verificação de fatos reais e concretos que demonstrarão que a Turma Julgadora se equivocou ao não intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos suplementares, ao não reconhecer a integra/idade dos créditos da Recorrente e ao manter a exigência de tributo que já foi regularmente satisfeito e de multa, de todo, indevida. 34. Por fim, vale ressaltar que a revisão da decisão administrativa ora impugnada mostrase imperativa, inclusive para se evitar que a Fazenda Nacional ajuíze indevidamente executivo fiscal, pleiteando a cobrança do débitos apurados em decorrência da não homologação de compensação e da não corta alocação de recolhimentos do contribuinte, de forma a onerar sem justificativas o Poder Judiciário, bem como submeter o próprio ente público à condenação ao pagamento de honorários advocatícios e custas processuais." Encaminhados os autos para julgamento por esta C. 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF, o nobre relator decidiu por converter o julgamento em diligência (fls. 498/502), após destacar que não havia controvérsia sobre as diferenças lançadas a título de multa de mora e de juros de mora, inclusive com reconhecimento expresso da higidez dessas exações no recurso voluntário (item 16 fls. 476), que já havia sido reconhecida no julgamento de piso, quando de igual forma o Recorrente reconheceu a procedência dessas exações na sua impugnação (fls. 456). Frisou o nobre relator, no Despacho de Conversão, que o debate remanesceu em relação aos fatos geradores dos períodos de apuração de 04/09 e 05/12, ambos de 1997 e relacionados ao IRRF (cód. 2932), com valores remanescentes, respectivamente, de R$ 1.393.020,83 e R$ 585.077,95. O Despacho de Conversão foi embasado nas seguintes fundamentações: “De acordo com a tese recursal, os créditos tributários acima remanescentes teriam sido extintos por compensação, a partir de retenções de IRRF sobre juros remuneratórios do capital próprio recebidos pelo contribuinte de empresas das quais seria sócio cotista (Carrefour Adm. Cartões Créd. Comércio e Participação Ltda. e Foccar Factoring_Fomento Comercial Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.675 S2C2T1 Fl. 941 7 Ltda), bem como com um pagamento a maior ocorrido no 2° trimestre de 1997, este último para o qual a decisão recorrida somente reconheceu em parte, pois não conseguiu identificar a origem do importe de R$ 779.951,34. Em princípio, pareceme que o recorrente poderia ter comprovado facilmente as compensações acima, demonstrando de forma inequívoca a origem dos direitos creditórios, não se fiando apenas em cópias dos DARFs recolhidos com o código 5706 (juros remuneratórios do capital próprio art. 9º da Lei n° 9.249/95) ou com uma planilha de fl. 82, esta a comprovar o pretenso valor a maior recolhido no 2º trimestre de 1997, a título de IRRF sobre juros de capital próprio. Por outro lado, transparece também que a glosa foi efetuada pelos sistemas informatizados de auditoria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem que o contribuinte ou as terceiras empresas fossem intimadas especificamente para comprovar a origem dos direitos creditórios, ou seja, o lançamento pode ter sido efetuado prematuramente. Ademais, há plausibilidade na tese de que houve a retenção do IRRF sobre os juros sobre o capital próprio pagos ao recorrente pelas empresas Carrefour Adm. Cartões Créd. Comércio e Participação Ltda. e Foccar Factoring_Fomento Comercial Ltda, aparentemente empresas coligadas, sendo que a autoridade julgadora a quo rejeitou as compensações sem informar o destino dos valores pretensamente utilizados na compensação (valores recolhidos a título de IRRF pelas terceiras empresas). E, para rematar, vêse que os valores compensados pelo recorrente formam uma pequena fração do IRRF incidente sobre os juros sobre capital próprio pagos pelo autuado e efetivamente recolhido ao Tesouro Nacional (fls. 87, 88, 93 e 94), a indicar a verossimilhança de que houve de fato as compensações dos valores remanescentes.” Assim, o nobre relator converteu o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora tomasse as seguintes providências: “1. intimar as empresas Carrefour Adm. Cartões Créd. Comércio e Participação Ltda. e Foccar Factoring_Fomento Comercial Ltda a comprovar os valores efetivamente pagos a título de juros sobre capital próprio ao fiscalizado, com o IRRF respectivo, no terceiro e quarto trimestres de 1997, como se vê pelos DARFs de fls. 83 a 86 e 89 a 92; 2. intimar o fiscalizado a comprovar a origem do montante de R$ 779.951,34, compensado no IRRF sobre JCP do 2º trimestre de 1997, gerando o saldo a maior de R$ 1.135.076,16 (fl. 82); 3. intimar o fiscalizado a acostar aos autos cópias dos livros fiscais que demonstrem a contabilização do IRRF sobre juros sobre capital próprio dos períodos de apuração objeto do lançamento.” Em cumprimento ao quanto determinado pelo E. CARF (Resolução 2102 000.065), a DERAT DIORT Divisão de Orientação e Análise Tributária lavrou o Termo de Intimação Fiscal de fls. 842, intimando o Recorrente para: “1) Apresentar a comprovação de que os valores efetivamente pagos pelas empresas Carrefour Adm. Cartões Cred. Comercio e Participações Ltda. E Fl. 944DF CARF MF 8 Foccar Factoring Fomento Comercial Ltda, a título de Juros Sobre Capital Próprio e o IRF recolhidos foram pagos relativamente à empresa em questão Carrefour Comercio e Indústria, relativos aos terceiro e quarto trimestre de 1997, no valor de R$590.468,92 e R$ 585.077,95. 2) Comprovar a origem do montante de R$ 779.951,34, compensado no IRRF sobre JCP do 2º trimestre de 1997, gerando o saldo a maior de R$ 1.135.076,16. 3) Apresentar os livros fiscais que demonstrem a contabilização do IRRF sobre juros sobre capital próprio dos períodos de apuração objeto do lançamento. 4) Apresentar os livros fiscais que demonstrem a contabilização das compensações sem processo de Juros sobre capital próprio dos períodos em questão.” Cientificado do teor do Termo de Diligência Fiscal em 03/02/2015 (fls. 844), o Recorrente requereu três pedidos de dilação de prazo à autoridade preparadora, em 23/02/15, 16/03/15 e 06/04/15 (fls. 846, 912, 922), para que pudesse levantar a documentação solicitada e apresentala nos autos, sendo que, até o dia 10/07/15, então passados mais de seis meses, o Recorrente não se manifestou, conforme restou atestado pelo Relatório de Diligência de fls. 931/932, que foi inclusive enviado ao Recorrente, que teve ciência do mesmo em 27/07/15, por abertura de mensagem eletrônica (fls. 935). Na sequência, subiram os autos em retorno a este E. CARF. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratam os autos de exigência de IRRF lançado em razão de recolhimentos em atraso sem acréscimos moratórios e de nãolocalização de pagamentos, e de, vinculados a débitos declarados em DCTF relativas ao 3° e 4° trimestre do anocalendário de 1997. Após procedimentos de revisão do valor do lançamento, bem como depois da decisão a quo, o debate remanesceu em relação aos fatos geradores vinculados aos períodos de apuração de 04/09/97 e 05/12/97, relacionados ao IRRF (cód. 2932), com valores remanescentes, respectivamente, de R$ 1.393.020,83 e R$ 585.077,95. Em suas razões recursais, o Recorrente aduz que não procedem as referidas exigências tributárias, posto terem sido extintas por compensação com o mesmo imposto, retido sobre os recebimentos a título de juros remuneratórios do capital próprio pagos pelas empresas das quais é sócio cotista, quais sejam Carrefour Administração de Cartões de Crédito Comércio e Participação Ltda. e Foccar Factoring_Fomento Comercial Ltda., bem como com um pagamento a maior efetuado no 2° trimestre de 1997. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.675 S2C2T1 Fl. 942 9 Cumpre destacar, por oportuno, que a pedido do Recorrente, que apresentou motivos convincentes, esta Colenda 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF decidiu por converter o julgamento em diligência (fls. 498/502), disponibilizando a oportunidade para que este apresentasse os documentos que entendesse cabíveis na comprovação das suas alegações. Intimado sobre a conversão em diligência pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 842, o Recorrente solicitou, e lhe foram concedidos, três pedidos subsequentes de dilação de prazo em 23/02/15, 16/03/15 e 06/04/15 (fls. 846, 912, 922) para que pudesse levantar a documentação solicitada e apresentala nos autos, com o fim de demonstrar a destinação dos recolhimentos efetuados pelas empresas Foccar e Carrefour Administradora a título de IRRF incidentes sobre Juros de Capital Próprio (Código de Receita 5706), bem como comprovar a regularidade formal das aludidas compensações. Ocorre que o Recorrente quedouse inerte até o dia 10/07/15, conforme restou atestado pelo Relatório de Diligência de fls. 931/932, que inclusive lhe foi enviado, do qual teve ciência em 27/07/15, por abertura de mensagem eletrônica (fls. 935). Como se pode observar da leitura da decisão de piso (fls. 453/457), o Recorrente esclareceu que os saldos a pagar de IRRF relacionados aos períodos de apuração de 04/09/97 e 05/12/97 foram compensados com tributos da mesma espécie. Neste ponto, por esclarecedora e resolutiva dos fatos, cumpre descrever trecho da decisão a quo, que adoto como fundamentação deste voto: “(...) No primeiro período afirma que utilizou o crédito de R$ 1.135.076,16 acrescidos dos juros SELIC de R$ 59.600,97 decorrente do recolhimento efetuado a maior em 30/06/1997 e o crédito de IRRF no valor total de R$ 590.468,92 retido pelas empresas Foccar e Carrefour Adm. No segundo período utilizou apenas o crédito de IRRF retido pelas citadas empresas. A documentação apresentada pela requerente (fls. 81 a 94) é composta por demonstrativos de apuração do IRRF devido a título de juros sobre o capital próprio (cód 5706) em 30/06/1997, 30/09/1997 e 31/12/1997; comprovante de recolhimento (DARF) do saldo apurado e DARF's correspondentes ao IRRF pago pelas empresas Foccar e Carrefour Adm. de Plano, cumpre consignar que os DARF's correspondentes ao IRRF (código 5706) pago pelas empresas Foccar e Carrefour Adm. não comprovam que a requerente suportou o IRRF em tela. Outrossim, em pesquisa efetuada nos arquivos eletrônicos da RFB foi localizada em nome da requerente a título de IRRF (código 5706) apenas uma retenção no valor de R$ 128,44 efetuada pelo CNPJ n° 00.336.701/000104 (fls. 438 a 437). Destarte, em face da falta de comprovação de que a requerente foi a beneficiária dos rendimentos de deram origem aos DARF's em tela, os mesmos não podem ser utilizados na compensação do IRRF devido a título de juros sobre o capital próprio como pretende a requerente. No tocante ao recolhimento efetuado a maior em 30/06/1997, observase na DCTF correspondente ao 2° trimestre de 1997 (fl. 432) que o mesmo decorre do pagamento efetuado em 30/06/1997 no valor de R$ 6.000.759,12 e do Fl. 946DF CARF MF 10 crédito de R$ 779.951,34, utilizados para quitar o IRRF (código 5706) no valor de R$ 5.645.634,30. Não consta dos autos qualquer documento que comprove a certeza e liquidez do crédito de R$ 779.951,34. Assim o valor pago a maior em 30/06/1997, passível de compensação no PA 04 09/1997, corresponde a R$ 355.124,82 (R$ 6.000.759,12 — R$ 5.645.634,30). Sobre o citado valor deve ser acrescida a variação da SELIC ocorrida no período de julho a setembro 4,78% acrescida de 1% (vencimento da obrigação 8/10/1997). (...) Diante do exposto, VOTO no sentido de que o lançamento seja julgado PROCEDENTE EM PARTE, conforme demonstrativo abaixo. DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Valores em R$ Item 4.1 do AI Cód. PA Vencimento Exigido Exonerado Mantido Multa 5706 0409/1997 01/10/1997 1.768.671,86 375.651,03 1.393.020,83 75% 5706 0512/1997 07/01/1998 585.077,95 0,00 585.651,03 75% Assim, da análise do quanto foi decidido pela decisão a quo, e a partir dela, verificase que o Recorrente não logrou apresentar qualquer outro fato novo ou documentação capaz de demonstrar a aludida compensação que alega ter ocorrido, quiçá um documento fiscal ou contábil que comprovasse ter sido ele o beneficiário dos recebimentos de juros sobre o capital próprio pagos pelas empresas que menciona. Dessa forma, entendo não terem restadas comprovadas as alegações do Recorrente, razão pela qual nego provimento ao recurso. Quanto ao Recurso de ofício não o conheço em vista do valor exonerado do crédito tributário ser inferior ao valor estabelecido pela Portaria MF 63/2017. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO E NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.675 S2C2T1 Fl. 943 11 Fl. 948DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720175/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.929
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 75 /2 01 2- 95 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11516.720175/201295 Acórdão n.º 3302003.929 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.576. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11516.720175/201295 Acórdão n.º 3302003.929 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11516.720175/201295 Acórdão n.º 3302003.929 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11516.720175/201295 Acórdão n.º 3302003.929 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11516.720175/201295 Acórdão n.º 3302003.929 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000099/2010-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/07/2009
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação in natura aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Numero da decisão: 9202-005.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação in natura aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação in natura aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 99 /2 01 0- 14 Fl. 470DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o Contribuinte foi lavrado auto de infração DEBCAD nº 37.259.266 0, para cobrança de contribuições destinadas a Seguridade Social, correspondendo à parcela da empresa e a contribuição para financiamento de benefícios decorrentes de riscos do ambiente de trabalho, incidentes sobre o valor total das notas fiscais de aquisição de cestas básicas e das notas fiscais de repasse dos vale tiquetes alimentação/refeição, quando a empresa não estava devidamente cadastrada no Programa de Alimentação do Trabalhador. A Delegacia de Julgamento, após análise da impugnação juntada às fls. 77/114, julgou o lançamento procedente em parte para determinar, com base na diligência realizada, a revisão da base de cálculo da competência 05/2009. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador o Contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 246/280, alegando: i) nulidade do auto de infração por vícios no MPF; ii) que a ausência do recadastramento da empresa no PAT, em nada influencia a natureza da alimentação fornecida, pois a inscrição ou não no PAT, não retira a natureza "in natura' dos alimentos fornecidos, seja por meio de cestas básicas ou tíquetes alimentação; no mais de acordo com a Portaria Interministerial nº 5 de 30/11/1999, a partir do ano de 2000 a validade do PAT passou a ser indeterminado; e iii) efeito confiscatório da multa. A 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 2401002.269, deu provimento em parte ao recurso voluntário para, aplicando o entendimento do Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as cestas básicas. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO | IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E JATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e] Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10970.000099/201014 Acórdão n.º 9202005.264 CSRFT2 Fl. 471 3 título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA VALE/TÍQUETE REFEIÇÃO. NÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA PREVISÃO Com fulcro no artigo 28, § 9o , alínea "c", da Lei n° 8.212/91, as verbas pagas aos segurados empregados a título de auxílio alimentação somente não integrarão a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando concedidas in natura, não alcançando, portanto, aquelas fornecidas em pecúnia vale/tíquete refeição. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula n° 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional, citando paradigmas, apresentou recurso especial sob o argumento de ser devida a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílioalimentação sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal verba for paga em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Quanto ao PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 foram feitas a seguintes considerações: Quanto ao Ato Declaratório nº 03/2011 publicado no DOU de 24/11/2011, Seção 1, pág. 72 em razão da aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, cabem aqui algumas considerações. O Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 entendeu pela dispensa de apresentação de contestação e da interposição de recursos, assim como pela desistência dos recursos já interpostos, desde que inexistente outro fundamento relevante, nas ações judiciais Fl. 472DF CARF MF 4 que visassem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio‑ alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. A razão que justificou a aprovação do parecer foi a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Como se vê, a dispensa está endereçada às ações judiciais e as razões que levaram à aprovação do referido parecer estão centradas em questões processuais e não de mérito, havendo possibilidade da reversão do entendimento nele cristalizado. Contribuinte intimado por edital. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de analisarmos o mérito, julgo necessário tecer comentários quanto ao conhecimento do recurso. O Recorrente afirma existir divergência jurisprudencial na medida em que, ao contrário do acórdão recorrido, os paradigmas 2403000.926 e 2308001117 entenderam pela incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura (cesta básica) sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal fornecimento ocorrer em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Embora a Recorrente tenha feito a correta digressão acerca da divergência jurisprudencial alegada, entendo que o fato de o Colegiado a quo ter baseado sua decisão no Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/11, no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional aprovado pelo Ministro da Fazenda e ainda defender a aplicação obrigatória desses por força do art. 62, parágrafo único, II, alínea 'b' do RICARF vigente (Portaria nº 256/09), caracteriza condição que distancia as situações analisadas. Nenhum dos acórdãos indicados como paradigmas adotam como razão de decidir o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/11, o Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional aprovado pelo Ministro da Fazenda e o Regimento Interno deste Conselho, citados atos não foram considerados quando da realização dos respectivos julgamentos. No entender desta Relatora, considerando a fundamentação do acórdão recorrido, somente poderia ser aceito como paradigma acórdão proferido após a data da aprovação pelo Ministro da Fazenda do Ato Declaratório da PGFN e ainda que, neste caso, o colegiado tenha afastado a aplicação do art. 62 do RICARF. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10970.000099/201014 Acórdão n.º 9202005.264 CSRFT2 Fl. 472 5 Diante desta questão, entendo haver uma discrepância entre as situações fáticas dos acórdãos que impede o estabelecimento da divergência pretendida pela Recorrente e portanto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo ao mérito. Conforme consta do relatório, discutese se o valor despendido pelo Contribuinte para o fornecimento de cesta básica aos seus empregados, ainda que não tenha promovido o respectivo registro no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, comporiam o conceito de saláriodecontribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária, haja vista a restrição imposta pelo art. 28, §9º, alínea 'c' da Lei nº 8.212/91. Não há dúvidas e não se discute que estão abrangidas pela modalidade de fornecimento in natura de alimentos a entrega aos segurados empregados de refeições e cestas básicas pelo próprio empregador. Nem mesmo a Recorrente discorda disto, fundamentado seu recurso no sentido de que "O presente apelo objetiva esclarecer que a alimentação fornecida in natura sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) integra o saláriodecontribuição, já que fornecido em desacordo com a legislação previdenciária". Ora, no entender desta Relatora, e conforme adotado pela decisão recorrida, a situação narrada se ajusta exatamente no caso tratado pelo parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11 o qual reproduz o entendimento consolidado do Superior Tribunal Justiça. Vale citar partes do parecer: O presente Parecer tem como escopo analisar a viabilidade de edição de ato declaratório, com base no art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 , e no art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 19972 , que dispensa a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. ... A análise em comento decorre da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o auxílio alimentação in natura, por não possuir natureza salarial, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. ... Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, Fl. 474DF CARF MF 6 esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento a produtividade e eficiência funcionais. Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Por meio de despacho, publicado em 24.11.2011, o Ministro da Fazenda aprovou o citado Ato Declaratório nº 03/2011, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento ao contrário do alegado pelo Recorrente que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Segundo o citado artigo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; O regime não comporta interpretação diuve Diante do exposto, nego provimento ao recurso para, aplicando o Ato Declaratório da PGFN nº 03/2001, excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo Contribuinte os valores despendidos com o fornecimento de cestas básicas, mesmo na ausência de adesão ao PAT. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10970.000099/201014 Acórdão n.º 9202005.264 CSRFT2 Fl. 473 7 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Em que pese o nobre entendimento da Relatora quanto ao conhecimento do Recurso, ouso discordar de seu posicionamento. Faço notar que, à época do julgamento do primeiro Acórdão paradigmático, (Acórdão no. 2403000.926), apreciado na sessão de 02 de dezembro de 2011, já existia, conforme constante do nobre voto vencido, a Publicação, pelo Ministro da Fazenda, da aprovação do Ato Declaratório 03/2011, consoante despacho publicado em 24/11/2011. Assim, considerandose ainda que o referido art. 62, §1o., II, "c", do Atual Regimento Interno desta casa, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 2015, também já existia sob a égide do Regimento Anterior, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 2009, sob a numeração de art. 62, Parágrafo único, II, "a", vislumbro similitude fática e normativa entre as situação analisadas pelo Acórdão Recorrido e Paradigma, com a adoção de decisões diferentes pelos diferentes Colegiados. Assim, voto por conhecer do Recurso, acedendo, todavia, integralmente às considerações da Relatora no que tange à negativa do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 476DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.005504/2002-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997,31/12/1997
LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA.
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF/2015, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que consideraram que a descrição dos fatos, de per si, não torna o lançamento improcedente. O que, por conseguinte, consideraram que não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação fiscal, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento, em respeito ao art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72.
No caso vertente, o sujeito passivo acostou aos autos os extratos de acompanhamento do sistema do Tribunal Regional Federal 5° Região - em que consta o número correto do processo judicial, sanando o motivo ensejador da cobrança aventada, qual seja, a não comprovação do processo judicial.
Numero da decisão: 9303-004.922
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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IMPROCEDÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF/2015, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que consideraram que a descrição dos fatos, de per si, não torna o lançamento improcedente. O que, por conseguinte, consideraram que não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação fiscal, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento, em respeito ao art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72. No caso vertente, o sujeito passivo acostou aos autos os extratos de acompanhamento do sistema do Tribunal Regional Federal 5° Região em que consta o número correto do processo judicial, sanando o motivo ensejador da cobrança aventada, qual seja, a não comprovação do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 55 04 /2 00 2- 12 Fl. 89DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20181.667 da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997,31/12/1997 AÇÃO JUDICIAL. MEDIDA LIMINAR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. O lançamento tributário, corno medida necessária à constituição do crédito tributário, deve ser realizado ainda que na vigência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito. Recurso voluntário negado. ” Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.005504/200212 Acórdão n.º 9303004.922 CSRFT3 Fl. 565 3 Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, em síntese, que: · A empresa teve lavrado contra si Auto de Infração para lançamento de crédito tributário de Cofins, nos períodos de 07/97 a 12/97 sob único fundamento de que o processo judicial descrito não foi comprovado; · A razão para a não comprovação da existência do referido processo judicial, ocorreu por um simples equívoco no preenchimento na DCTF. · Informou o n. º 97.135322 como sendo o número do processo judicial que ensejou o crédito ora objeto da compensação aqui; · Na ocasião da Defesa ao Auto de Infração, este contribuinte acostou a estes autos os extratos de acompanhamento do sistema do Tribunal Regional Federal 5° Região, fls. 11 a 13, 41 em que consta o número correto do processo judicial, ou seja, n. º 97.0013532 sanando já naquele momento, o motivo ensejador da cobrança aventada, qual seja, não comprovação do processo judicial. · Na busca da verdade material, e em própria atenção ao Princípio da Legalidade, traz o direito subjetivo do sujeito passivo em ter confirmado a existência do processo judicial n. º 97.00135322, onde o agente fiscal deverá agir embasado nos princípios que regem a administração pública e em busca da verdade dos fatos; · Concernente ao presente caso e embasado nos documentos acostados a estes autos, o auto de infração deverá ser anulado posto que insubsistente o embasamento adotado para a lavratura do mesmo, já que se respaldou em um mero erro material, que devidamente esclarecido no decorrer deste processo administrativo. Requer, assim, que seja declarada a nulidade do Auto de Infração. Em Despacho às fls. 78/79, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional contra o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, invocando, de per si, que se deve manter o que fora Fl. 91DF CARF MF 4 decidido pelo Eg. Órgão julgador “a quo”, no sentido de que, no momento do lançamento, ainda que o sujeito passivo que esteja ao abrigo de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito (medida liminar ou de tutela antecipada concedida em ação judicial), deve o Fisco constituir o crédito tributário, uma vez que essa constituição se destina a prevenir a decadência, não podendo, pois, a fiscalização deixar de efetuála. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O que concordo com a manifestação dada em Despacho às fls. 78/79. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as discussões acerca da Nulidade do Auto de Infração no caso vertente. Primeiramente, quanto à discussão acerca da nulidade do Auto de Infração por perda de objeto – importante trazer o que contemplou o Auto de Infração: “O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na (s) DCTF discriminada (s) no quadro 3 (três), conforme IN SRF n° 045 e 077/98. “Contexto Fo(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF' (Anexos Ia ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.005504/200212 Acórdão n.º 9303004.922 CSRFT3 Fl. 566 5 ou Pagos a Menor" (Anexo IV) . Para efetuar o pagamento da (s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as "Instruções de Pagamento" (Anexo V).” É de se constatar que a descrição do auto de infração foi extremamente genérica. O que considero que tal falha na descrição dos fatos e enquadramento legal é passível para se considerar o lançamento improcedente, por se tratar de vício material. Ora, a empresa teve lavrado contra si, Auto de Infração, para lançamento de crédito tributário de COFINS, nos períodos de 07/1997 a 12/1997 sob único fundamento de que o processo judicial descrito na DCTF, não foi comprovado. A razão para a não comprovação da existência do referido processo judicial, ocorreu por um simples equívoco no preenchimento na DCTF. O sujeito passivo informou o n° 97.135322 como sendo o número do processo judicial que ensejou o crédito ora objeto da compensação aqui debatida, quando o correto seria o n.º 97.00135322, ou seja, somente faltou a adição de dois zeros ao número informado na referida Declaração. Tanto foi assim que esclareceu e comprovou o número correto do r. processo judicial, eis que logo na ocasião da Defesa ao Auto de Infração, o sujeito passivo acostou aos autos os extratos de acompanhamento do sistema do Tribunal Regional Federal 5° Região, fls. 11 a 13, 41 em que consta o número correto do processo judicial, ou seja, n.º 97.0013532 sanando já naquele momento, o motivo ensejador da cobrança aventada, qual seja, não comprovação do processo judicial. No processo administrativo fiscal, a lavratura de auto de infração deve respeitar os termos do art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] Fl. 93DF CARF MF 6 III a descrição do fato; [...]” O que, por conseguinte, impossível considerar que não há falha na descrição dos fatos e desrespeito ao disposto no art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72. Vêse que a descrição defeituosa do fato, bem como do enquadramento legal torna o auto de infração defeituoso, prejudicando o contraditório regular e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, prerrogativas constitucionais insculpidas no inciso LV do art. 5º da CF, aplicáveis por expressa remissão ao procedimento administrativo fiscal. E ainda, se a descrição dos fatos constante do auto se resumia na inexistência de processo judicial em nome do sujeito passivo e o sujeito passivo demonstrou a existência da medida judicial em seu nome, faz com que o motivo que lhe originasse se “expandisse” no espaço – restando declarar improcedente o Auto de Infração. Sendo assim, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Em respeito ao art. 63, § 8º, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis: “Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. [...] § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. [...]” Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10380.005504/200212 Acórdão n.º 9303004.922 CSRFT3 Fl. 567 7 Essa conselheira deve refletir o entendimento manifestado pela maioria que, por sua vez, votou pelas conclusões – o que, por conseguinte, cabe trazer que a maioria dos conselheiros consideraram que a descrição dos fatos, de per si, não torna o lançamento improcedente. O que, consideraram que o sujeito passivo acostou aos autos os extratos de acompanhamento do sistema do Tribunal Regional Federal 5° Região em que consta o número correto do processo judicial, sanando o motivo ensejador da cobrança aventada, qual seja, não comprovação do processo judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.000688/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
Somente é cabível a aferição indireta da base de cálculo das contribuições, quando o Fisco demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa, o que não se verificou no caso sob cuidado.
Numero da decisão: 2402-005.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial, de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos adotando como valor retido aquele constante nas NFPS n.º 59, 60 e 61.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. Somente é cabível a aferição indireta da base de cálculo das contribuições, quando o Fisco demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa, o que não se verificou no caso sob cuidado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 88 /2 01 0- 35 Fl. 1080DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial, de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos adotando como valor retido aquele constante nas NFPS n.º 59, 60 e 61. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 14033.000688/201035 Acórdão n.º 2402005.803 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência, conforme Resolução n.º 2402000.568 de fls. 877/881, para que a Delegacia da RFB de Fiscalização cumprisse diligência anteriormente comandada pela Resolução n.º 2803000.197, fls. 648/654. Pedido de Restituição Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias, relativo à competência 06/2007, decorrente de supostas sobras de recolhimento decorrentes da retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998, fls. 03/06. Decisão da RFB O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, mediante o despacho decisório de fl. 315, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços, nos seguintes termos: Fl. 1082DF CARF MF 4 Manifestação de inconformidade O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 319/336, na qual suscita os seguintes pontos: a) tendo prestado serviço mediante empreitada, sofreu retenções a título de antecipação de contribuições previdenciárias à alíquota de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço; b) por ocasião da apuração das contribuições previdenciárias decorrentes das folhas de pagamento das obras, efetuou compensação dos valores retidos, todavia, restou saldo em seu favor, motivo pelo qual solicitou restituição dos valores recolhidos a maior; c) diante da morosidade da RFB em analisar o seu pedido, impetrou mandado de segurança, obtendo provimento no sentido de que o mérito do Pedido Eletrônico de Restituição de Retenção (PER/DCOMP) fosse analisado no prazo de 60 dias; d) o órgão requerido, então, intimou a empresa a apresentar uma série de documentos, no qual foi prontamente atendido, contudo, sob a justificativa de que os elementos apresentados não mereceriam fé, a base de cálculo das contribuições foi apurada por aferição indireta, o que conduziu ao indeferimento do pedido; e) afirma ser inadmissível o não reconhecimento da documentação juntada para fins de comprovar o direito creditório, uma vez que, além dos documentos exigidos pela legislação, inclusive a contabilidade, o sujeito passivo apresentou a conciliação de todos os dados necessários ao cálculo dos tributos; f) o despacho decisório não menciona a existência de qualquer divergência ou incongruência entre os documentos exibidos (folhas de pagamento, GFIP, CAGED, etc.); g) por isso, não se pode admitir a utilização da aferição indireta, uma vez que essa somente tem lugar quando: (i) se caracterize a inexistência de contabilidade regular; (ii) evidenciese que esta não reflete o real movimento da remuneração, do faturamento e do lucro; ou (iii) comprovese que, em face de outros elementos de que disponha o fisco, os documentos apresentados pelo contribuinte não mereçam fé; h) os artigos 460, III, 467 e 468 da Instrução Normativa IN RFB n.º 971/2009, utilizados como fundamento para o combatido despacho decisório, tem utilização específica para constituição do crédito tributário, não se prestando para aplicação aos casos de pedido de restituição/compensação; Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 14033.000688/201035 Acórdão n.º 2402005.803 S2C4T2 Fl. 4 5 i) do mesmo modo é impensável se cogitar de exigência de crédito tributário, uma vez que o processo em questão trata de restituição de retenção, o qual foi instruído com todos os elementos necessários ao reconhecimento do direito creditório. Ao final pede o deferimento do seu pleito. Decisão da DRJ A decisão de primeira instância, fls. 557/561, declarou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Ali entendeuse que o fato da relação massa salarial/faturamento ser de apenas 3,54% é indicativo de incongruência dos dados informados mediante GFIP/CAGED, o que demonstra a impossibilidade de execução das obras com o número de segurados declarados pela empresa. Com base nesta constatação, o órgão de primeira instância justificou o acerto na aferição indireta da mãodeobra com base na alínea "c", do inciso IV, do art. 447 da IN RFB n.º 971/2009 e declarou improcedente a manifestação de inconformidade, inclusive sugerindo a inclusão da empresa no planejamento fiscal para que se aprecie a citada incongruência. Recurso Voluntário Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 564/606, onde em síntese alega que toda a documentação solicitada pelo fisco foi apresentada, sem que se demonstrasse qualquer mácula ou incongruência entre os elementos disponibilizados. Nesse sentido, seria incabível a aferição indireta da remuneração, posto que não se configuraram as hipóteses normativas que poderiam justificar esse procedimento excepcional. Alega que a suposta discrepância na relação massa salarial/faturamento decorreu da falta de cômputo da mãodeobra subcontratada de terceiros, a qual ocorreu conforme demonstra mediante o doc. 03. Defende que não utilizou as retenções feitas das suas contratadas para dedução do valor que lhe foi retido, fato este que justifica a sobra de valores a compensar e a procedência do presente pedido. Sustenta que o fisco também deixou de levar em conta as parcelas indenizatórias pagas aos segurados envolvidos na obra, o que também provoca distorção no critério adotado para verificar a massa salarial em relação ao faturamento. Afirma que, em relação à matrícula CEI 38720.05895/70, a retenção sofrida pela recorrente foi devidamente informada na GFIP, todavia, a NF n.º 61 somente foi emitida após o término do serviço contrato, inexistindo na competência qualquer movimento de mão deobra, motivo pela qual a GFIP foi informada sem movimento. Também requer que se declare a falta de motivo para que a empresa seja incluída em procedimento fiscal, conforme sugerido pelo órgão a quo. Ao final, pediu o reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 1084DF CARF MF 6 Primeira diligência A 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência. O colegiado determinou que o fisco na análise do pedido de restituição se abstivesse de levar em conta a relação massa salarial/faturamento e procedesse a apreciação do feito limitandose a verificar os requisitos necessários ao deferimento do pleito e os documentos acostados pelo sujeito passivo. O fisco pronunciouse às fls. 659/660, entendendo pelo indeferimento do pedido por duas razões: a) que nas folhas de pagamento apresentadas haveria segurados em funções incompatíveis com obras de construção civil, a exemplo de desenhista, auxiliar de compras, gerente administrativo e auxiliar administrativo, o que teria reflexo negativo na escrituração contábil; b) os valores escriturados referentes à retenção sobre as faturas de prestação de serviço estariam incompatíveis com os valores informados na PER/DCOMP, enquanto o sujeito passivo declara haver sofrido retenção de R$ 45.096,93, o valor lançado na contabilidade e destacado na nota fiscal é de R$ 60.027,22. O contribuinte rebateu as alegações constantes na informação fiscal na peça de fls. 712/726. Alegou que a Unidade da RFB ignorou por completo as determinações contidas na Resolução da Turma do CARF. Depois argumentou que não haveria necessidade de retificar a GFIP, ante a completa convergência das informações contábeis, fiscais e tributárias apresentadas ao fisco, mas, caso precisasse retificar a guia informativa, mesmo após o transcurso de cinco anos dos fatos geradores, o sistema permitiria tal providência, ao contrário do que se insinuou na informação fiscal. Sustenta que a RFB neste caso vem atentando recorrentemente contra os princípios que regem a administração pública, posto que: a) fundamentou despacho decisório exclusivamente em norma infralegal; b) vem inovando nos seus argumentos para justificar a aplicação da aferição indireta da remuneração dos segurados; e c) descumpre determinação emanada do órgão de julgamento de segunda instância. Depois asseverou que a incompatibilidade das atividades de alguns trabalhadores com a natureza do serviço prestado representa inovação na fundamentação de indeferimento do direito creditório, uma vez que tal fundamento não consta do despacho decisório. Por outro lado, tal alegação não foi acompanhada da imprescindível base legal. Acrescentou que as funções mencionadas na informação fiscal não são incompatíveis com a prestação de serviços em obras de construção civil por se tratarem de funções administrativas necessárias à execução da obra. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 14033.000688/201035 Acórdão n.º 2402005.803 S2C4T2 Fl. 5 7 Garantiu que as informações constantes dos documentos apresentados são absolutamente convergentes, não tendo se configurado a discrepância de informações alegada no pronunciamento da Receita Federal. Afirmou que, segundo a documentação acostada, sofreu retenção de R$ 133.069,25; na competência 06/2007 foi compensado o valor de R$ 26.606,24, restando o valor de R$ 106.463,01 a ser restituído/compensado. Por esse motivo existe na PER/DCOMP os dois valores, quais sejam, R$ 133.069,25 (retenção sofrida) e R$ 106.463,01 (saldo de retenção). Por fim, requereu a declaração de nulidade da informação fiscal e, no mérito, o reconhecimento do seu direito creditório. Segunda diligência Os autos retornaram a julgamento por essa Turma mediante sorteio e incluído em pauta de julgamento na sessão do dia 13/07/2016, onde o colegiado resolveu determinar a realização de nova diligência fiscal, de modo que o órgão da RFB cumprisse a diligência anterior no sentido de não levar em conta na análise do pedido a aferição indireta da mãode obra. Outra questão trazida na requisição de diligência foi a necessidade de que se oportunizasse a possibilidade do sujeito passivo de retificar informações inconsistentes, além da apresentação de novos elementos úteis à análise do pleito. Por fim, determinouse que a RFB se pronunciasse conclusivamente sobre pontos específicos apresentados pelo contribuinte na petição de fls. 668/682. Veio aos autos a informação fiscal de fls. 888/890, na qual a autoridade fiscal alegou que não há como dissociar a relação massa salarial e faturamento da análise do presente pedido de restituição, ignorar tal fato faria incidir no erro de deferir a restituição mesmo tendo sido constatado que as informações prestadas em GFIP pela contribuinte são inexatas. Esclareceuse, por fim, que o contribuinte não apresentou nenhum documento provando que a relação massa salarial reflete fielmente a realidade. Ademais, não lhe foi negado, em momento algum, o direito ao contraditório e à possibilidade de retificar os documentos que entendesse necessários. O sujeito passivo pronunciouse sobre esse arrazoado. Inicialmente destaca que a divergência existente entre o valor destacado na nota fiscal e o efetivamente retido não impede a correta restituição dos valores, eis que o art. 17 da IN/RFB n° 1.300/2012 prevê que os valores serão restituídos com base na comprovação do valor retido pela empresa contratante, ainda que não haja destaque da retenção em nota fiscal. Assevera que o entendimento jurisprudencial da RFB é no sentido de que a quantificação do valor a ser restituído deve levar em conta o valor recolhido e comprovado mediante GPS. Em seguida afirma que o caso não comporta a utilização do método de aferição indireta uma vez que a empresa disponibilizou toda a documentação solicitada pela autoridade tributária e não incorreu em nenhuma das hipóteses normativas que autorizam o arbitramento do tributo. Fl. 1086DF CARF MF 8 Conclui que: " Dessa forma, atestada a apresentação de documentos hábeis e suficientes à comprovação do direito da Recorrente, bem como a regularidade dos registros contábeis e cumprimento das obrigações principal e acessórias, não há de se falar em aferição indireta e em impossibilidade de dissociação da massa salarial e faturamento, uma vez que a Recorrente comprovou a existência de seu direito creditório mediante documentação hábil e idônea (notas fiscais – fls. 513/516, declaração do valor retido em GFIP – doc. 02 e comprovante de recolhimento em GPS – doc. 03), não cabendo ao Fisco, de forma arbitrária e infundada, entender pela inexatidão dos documentos baseandose em falhos argumentos, consoante acima devidamente demonstrado. " E segue alegando: "No caso dos autos, exatamente como ocorrido nos demais 21 processos já julgados favoravelmente à contribuinte (doc. 04), a Recorrente comprovou cabalmente a existência de seu direito creditório, não havendo razão para indeferimento de seu pleito, consoante detalhadamente explanado." Os autos retornaram a esta instância para julgamento. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 14033.000688/201035 Acórdão n.º 2402005.803 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Mérito Considerando que o recurso já foi admitido quando foi apreciado pela primeira vez aqui no CARF, passemos imediatamente ao mérito da contenda. Apesar do longo relatório, que reflete as idas e vindas experimentadas pelo processo, no meu entender, não é complexa a questão a ser resolvida por este colegiado, que, após a última informação fiscal, deve decidir sobre a única inconformidade apontada como causa de indeferimento do pedido, qual seja impossibilidade de execução das obras com os segurados constantes nas folhas de pagamento e na GFIP, tendo fisco tomado como parâmetro comparativo o procedimento de aferição indireta. Assim, como a 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF, entendo que não é cabível a aplicação da aferição indireta ao caso sob testilha e aproveito para utilizar como razões de decidir aquelas lançadas no voto da Resolução n.º 2803000.197 (fls. 648/654): "Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n.º 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentou se na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n.º 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n.º 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando Fl. 1088DF CARF MF 10 solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do mesmo que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções pré moldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec.n.º 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n.º 10020.004375/200892: (...)" Em síntese, não vislumbrei no caso a ocorrência de circunstâncias que pudessem ensejar a aferição indireta da remuneração, posto que não houve recusa na apresentação de documentos, a empresa possuía contabilidade regular e não houve a cabal de demonstração de que as informações sobre a mãodeobra apresentadas pelo contribuinte não mereceriam fé. Sobre tal questão, tenho até a acrescentar que o sujeito passivo chegou a alegar que a baixa relação massa salarial/faturamento teria decorrido da contratação de empresas de cessão de mãodeobra para execução da obra, cujas retenções não teriam sido consideradas quando da emissão da NFPS n.º 59, 60 e 61. Essa questão sequer foi considerada pela RFB na produção de suas informações fiscais. Diante do exposto, encaminho pelo provimento parcial do recurso de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos (folhas de pagamento, nota fiscal, GPS e GFIP) e adotando como valor retido aqueles destacados nas NFPS n.º 59, 60 e 61. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 14033.000688/201035 Acórdão n.º 2402005.803 S2C4T2 Fl. 7 11 Conclusão Voto por conhecer do recurso e darlhe provimento parcial do recurso de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos (folhas de pagamento, nota fiscal, GPS e GFIP) adotando como valor retido aquele constante nas NFPS n.º 59, 60 e 61. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006847/2003-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003
REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS.
Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS.
Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastá-los da tributação das contribuições, tem-se que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo - Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, Decreto-Lei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 - que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003
REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS.
Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo da COFINS.
Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastá-los da tributação das contribuições, tem-se que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pela COFINS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo - Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, Decreto-Lei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 - que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastá-los da tributação das contribuições, tem-se que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo - Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, Decreto-Lei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 - que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo da COFINS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastá-los da tributação das contribuições, tem-se que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pela COFINS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo - Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, Decreto-Lei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 - que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 68 47 /2 00 3- 83 Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.132 2 Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo da COFINS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pela COFINS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir em parte a restituição de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo o acórdão sido ementado da seguinte forma: Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.133 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2004 PIS. REGIME CUMULATIVO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. Tendo o STF reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo do PIS apurado sob o regime cumulativo corresponde ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes das vendas de bens e serviços, para o caso do contribuinte em questão. PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. Na apuração nãocumulativa do PIS, a base de cálculo é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, admitidas as exclusões expressamente previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2004 COFINS. REGIME CUMULATIVO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. Tendo o STF reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da Cofins apurada sob o regime cumulativo corresponde ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes das vendas de bens e serviços, para o caso do contribuinte em questão. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. Na apuração nãocumulativa da Cofins, a base de cálculo é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, admitidas as exclusões expressamente previstas em lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Anteriormente, tanto a repartição de origem quanto a Delegacia de Julgamento haviam decidido no sentido de indeferir o pedido de restituição, não reconhecendo o direito à exclusão das bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins dos valores correspondentes ao (i) incentivo fiscal de desoneração do ICMS concedido pelo Estado do Amazonas, a (ii) variações monetárias de direito de crédito em função da taxa de câmbio decorrente de aplicação financeira, contratos de mútuo e pagamentos a fornecedoras estrangeiros vinculados ao dólar e a (iii) outros resultados que não relacionados à noção de receita. No acórdão recorrido, por seu turno, o redator designado para redigir o voto vencedor encaminhou a decisão nos seguintes termos: CONCLUSÕES Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.134 4 Considerando que os valores dos pedidos de restituição não foram objetos da análise de mérito por parte da DRF/Manaus, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1) PERÍODO DE APURAÇÃO CUMULATIVA: a DRF/Manaus deve fazer a análise de mérito dos valores envolvidos no pedido de restituição/compensação, reconhecendo ao contribuinte que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento, assim entendido o somatório de suas receitas decorrentes de vendas e serviços, admitidas as exclusões previstas nas respectivas legislações; 2) PERÍODO DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA: a DRF/Manaus deve fazer a análise de mérito, para verificar se as receitas que o contribuinte pretende excluir estão efetivamente fora do campo da base de cálculo estabelecida pelas legislações correspondentes. Observando que não há previsão legal para exclusão das receitas relativas ao incentivo fiscal de desoneração do ICMS concedido pelo Estado do Amazonas e que a partir de 02/08/2004 as receitas financeiras estão submetidas à alíquota zero destas contribuições. Quanto aos demais resultados reclamados pelo contribuinte devem ser analisados caso a caso, conforme as rubricas demonstradas por ele. (g. n.) No recurso especial, devidamente admitido pelo Presidente da Câmara, o contribuinte requer o reconhecimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos relativos ao incentivo fiscal de ICMS concedido pelo Estado do Amazonas, por não se caracterizar tal incentivo uma receita. Em contrarrazões, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) defende a manutenção do acórdão recorrido, arguindo que, no conceito de receita (totalidade dos recebimentos) previsto nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, incluemse as subvenções governamentais de investimento e de custeio. Ainda segundo a PGFN, o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que o conceito de faturamento corresponde ao conceito de receita operacional bruta, na qual se incluem as subvenções de custeio, mas não as subvenções de investimentos, estas últimas entendidas como auxílios nos quais o Poder Público exige que os recursos incentivados sejam específica e efetivamente utilizados em investimentos, que não devem ser oferecidas à tributação, sendo contabilizadas como reserva de capital (art. 38, §2º, do DecretoLei nº 1.598/77), o que não é o caso dos valores ora em discussão. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.135 5 Conforme acima relatado, a divergência jurisprudencial, nesta instância, se restringe à questão relativa ao direito ao crédito da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas na sistemática não cumulativa, decorrente de incentivo fiscal de ICMS concedido pelo Estado do Amazonas. De pronto, devese destacar que, quando da instituição das contribuições não cumulativas por meio das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o art. 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, já previa a possibilidade de instituição das contribuições sobre a totalidade das receitas (faturamento e receita), não cabendo aqui, portanto, perscrutar acerca da questão relativa à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições que havia sido promovido pela Lei nº 9.718, de 1998. O art. 1º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins e PIS) vigente à época dos fatos assim dispunha: Lei nº 10.637/2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.136 6 patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. Lei nº 10.833/2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Dos dispositivos supra, constatase que as contribuições não cumulativas foram instituídas para incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, prevendo as leis, de forma individualizada, as receitas passíveis de exclusão. Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.137 7 Não havia nas leis, à época dos fatos controvertidos nestes autos, hipótese de exclusão da base de cálculo da receita decorrente de incentivo fiscal de ICMS concedido pelo Estado, o que veio a ocorrer somente com a edição da Lei nº 12.973, de 2014, que incluiu novos incisos ao art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, dentre eles o seguinte: IX (X) de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Dessa forma, somente a partir de 1º de janeiro de 2015, data de início da vigência do dispositivo, foi que se passou a autorizar a exclusão de créditos decorrentes de incentivo fiscal instituído pelo Poder Público, o que leva à conclusão de que, no período de apuração destes autos, inexistia previsão legal autorizando a exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições. Merece destaque ainda o fato de que se encontra pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) o mérito do Recurso Extraordinário (RE) nº 835.818, submetido à sistemática da repercussão geral, em que se analisa a constitucionalidade da inclusão de créditos presumidos do ICMS nas bases de cálculo da Cofins e da contribuição ao PIS. Também devese ressaltar que a estes autos não se aplica a decisão tomada pelo STF no julgamento do RE nº 606.107, também submetido à sistemática da repercussão geral, com parte da ementa assim dispondo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 606.107 (...) EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.138 8 cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (g. n.) Do excerto supra, constatase que a decisão do STF se restringe ao saldo dos créditos de ICMS apurados nas aquisições de insumos aplicados em produtos exportados imunes, créditos esses passíveis de transferência a terceiros sem incidência da Cofins e do PIS somente após a efetiva exportação do produto fabricado. Dessa forma, em razão da inexistência de previsão legal expressa autorizando a exclusão, nas bases de cálculo das contribuições, das receitas decorrentes de créditos incentivados de ICMS, há que se concluir, inexoravelmente, que, nas referidas bases de cálculo, encontramse incluídos os créditos presumidos de ICMS, mesmo não tendo havido a transferência física do recurso. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.139 9 Não merece guarida o entendimento de que, quando do recebimento dos valores relativos às vendas dos produtos, o contribuinte já suportara a incidência da Cofins e do PIS, pois a exação sob comento tem fato gerador distinto da tributação anteriormente ocorrida, sendo uma decorrente da receita da subvenção concedida pelo Estado e a outra, da venda das mercadorias ou da prestação de serviços, inexistindo, portanto, bis in idem. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora Designada Peço vênia ao discordar do nobre Conselheiro Presidente em exercício Rodrigo Pôssas em relação à matéria em debate. O que passo a redigir o voto vencedor. Recordo que o cerne da lide trazida nesse recurso envolve a discussão acerca do crédito presumido de ICMS se devem ser considerados ou não como receita para fins de incidência de PIS e de Cofins. Vêse, assim, que a análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e da COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra “o conceito de receita trazido por aquele tribunal” perfeitamente ao presente caso. O que passo a discorrer sobre aquele julgamento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. É de se lembrar que o tema teve repercussão geral reconhecida, conforme segue (Grifos meus): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.140 10 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida” (RE 606.107– RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ 20.8.2010). Continuando, é de se recordar que ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois não se acrescentariam nova riqueza. Trazendo, portanto, o conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Compulsando aos autos do processo, notase que o crédito presumido do ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte – devendo ser afastado do conceito de receita. Insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo. ” Vêse, assim, esvaziada a discussão sobre qual seria a correta classificação contábil do referido crédito, haja vista que, independentemente da classificação contábil adotada, a Suprema Corte definiu o conceito constitucional de “receita bruta”, entendendo imprescindível a verificação, no caso concreto, se o ingresso se submete ou não a alguma espécie de condição, reserva ou contraprestação pela pessoa que o recebe/ou que tenha direito– e se configura como elemento novo positivo. Para melhor elucidar tal entendimento, impõese a transcrição de trecho da ementa do referido julgado, in verbis (Grifos meus): “(...) V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.141 11 para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (...)” (grifouse)” Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução à Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo,", Cabe trazer, em consonância com esses entendimentos, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC (atualmente arts. 1036 a 1041 do NCPC Lei 13.105, a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.142 12 pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III. Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV. Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. ” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008) ” Consonante a esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que a discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS. Para melhor compreensão e por não considerar tal incentivo como sendo de natureza de receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.143 13 Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito presumido do Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.144 14 ICMS pelo PIS e Cofins pois de natureza de receita auferida não se trata. Tais créditos presumidos devem ser tratados como mero benefício fiscal concedidos pelos EstadosMembros como meio de estabelecer equilíbrio de mercado. Indiscutível que seu efeito econômico, portanto, não caracteriza nova riqueza. O crédito presumido do ICMS não ostenta natureza de receita, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. É de se esclarecer ainda que pela Teoria da Prevalência da Essência Econômica sobre a Forma, a correta classificação contábil dos r. créditos presumidos de ICMS deveriam desconsiderar qualquer intenção de se tratálos como receita. Ora, no que tange ao conceito contábil de receita, o CPC 30 traz (Grifos meus): “[...] Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. [...] 7. Neste Pronunciamento são utilizados os seguintes termos com os significados especificados a seguir: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...]” Vêse claro que o conceito de receita trazido pelo CPC 30 é consonante com o manifestado pelo STF quando especifica, em síntese, que receita é o ingresso de recursos que resulta em aumento do patrimônio líquido da entidade. O que resta, nessas fundamentações, concluir que tal incentivo não poderia ser contabilizado como receita e, por conseguinte, não comporia a base das contribuições. E, caso se pretenda ignorar os dizeres do CPC 30 Receitas, alegando se tratar de norma contábil sem implicação tributária, cabe trazer o art. 58 da Lei 12.973/14: “DAS DEMAIS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Art. 58. A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.145 15 em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no âmbito de suas atribuições, identificar os atos administrativos e dispor sobre os procedimentos para anular os efeitos desses atos sobre a apuração dos tributos federais.” Com tal dispositivo, fica evidente que as normas contábeis publicadas anteriormente à Lei 12.973/14 devem ser observadas para fins de registro contábil, produzindo, inclusive, efeitos tributários. O que é o caso do CPC 30 Receitas. Esse dispositivo somente explicitou o que as normas contábeis internacionais já defendiam – a primazia da essência sobre a forma. Tal teoria é de suma importância aos investidores que suplicavam pela transparência dos eventos e dos reflexos negociais que uma empresa vivenciava. Para eles, a contabilidade deveria refletir o que de fato, no sentido econômico, a empresa estava vivenciando. E, para melhor transmitir essas informações, independentemente da forma legal em que os negócios eram fechados ou contratados, a contabilidade deveria considerar o substrato econômico de cada evento – podendo, assim, o investidor conhecer os efetivos riscos de sua participação naquela empresa. O art. 58 da Lei 12.973/14 nada mais fez do que explicitar o respeito a ser dado às normas internacionais de contabilidade que, por sua vez, trazem como princípio basilar a Primazia da Essência sobre a Forma. E, recordase, por esse princípio basilar, tais incentivos não devem ser considerados como sendo de natureza de receita. Sendo assim, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, bem como à análise da essência do crédito de ICMS, não há que se falar em tributação, pois forçoso tributálos pelas r. contribuições – encartandoos sua natureza como receita. Frisese também a jurisprudência deste Conselho, conforme julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, que analisou situação idêntica, cuja ementa restou redigida (Grifos meus): “[...] PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido” (grifouse) (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011)” E o posicionamento exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção no acórdão abaixo transcrito: Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.146 16 “(...) “NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Grifouse) (Acórdão nº 3401001.976, P.A. 11618.000542/200563, Redator para acórdão Conselheiro Emmanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 26.09.2012)” Em vista do exposto, é de se já reconhecer que os créditos incentivados de ICMS concedidos não constituem natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, na linha do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE 606.107/RS, do CPC 30 e do art. 58 da Lei 12.973/14 – pois o crédito de ICMS não influi em entrada de recursos passível de ser considerado como sendo de natureza de "receita", eis que não se acresce ao patrimônio da entidade e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo das contribuições. No que tange à discussão sobre o registro do evento e regras de tributação da subvenção de investimento, passo também a evoluir sobre o assunto. Caso ignorássemos a discussão acerca do conceito jurídico e contábil de receita para fins de se definir sua natureza e já afastar os incentivos da tributação pelo PIS e pela Cofins e partíssemos para outra discussão – se seriam subvenção para custeio ou se subvenção para investimento, entendo que, ainda assim, não deverseia que falar em tributar tais créditos para fins de PIS e Cofins. Os r. créditos se enquadrariam no conceito de subvenção para investimento, haja vista que, por óbvio, tais incentivos são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos – incentivos do Estado a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial. E, assim, sendo subvenções para investimentos, não constituiriam lucro e nem estariam disponíveis para distribuição como dividendo, eis que à época dos fatos, deveriam ser contabilizadas em reservas de capital. Para melhor elucidar, trago o art. 182, § 1º, alínea “d”, da Lei 6.404/76 vigente à época (Grifos meus): “Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.147 17 capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. [...]” Continuando, o PN CST 112/78 traz que a subvenção para investimento corresponde efetivamente a uma transferência de recursos do Poder Público para uma pessoa jurídica com a finalidade de darlhe suporte para aplicação específica em bens e serviços para “expandir empreendimentos econômicos” – o que é o caso vertente. Eis o que traz o PN (Grifos meus): “[...] 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1. do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia de intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus‟ de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...]” Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.148 18 E tal subvenção deve ser registrada, considerando o momento discutido, em contas de reserva de capital, conforme Nota Explicativa da ICVM 59/86: “As reservas de capital representam acréscimos efetivos aos ativos da companhia que não foram originados dos lucros auferidos em suas operações, por não representarem efeitos de seus próprios esforços, mas assim de contribuições de acionistas ou de terceiros para o patrimônio líquido da companhia com o fim de propiciar recursos para o capital (em sentido amplo), inclusive contribuições governamentais sob a forma de subvenções por incentivos fiscais. (...) Quanto às doações e subvenções, fazemse necessários alguns comentários adicionais. As doações recebidas pela companhia poderão ser em bens (imóveis, móveis) ou direitos. A contabilização de bens doados, tendo como contrapartida uma conta de reserva de capital, deve ser feita a valor de mercado pelo valor que custaria adquirir o bem recebido em doação. Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICMS e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras.” Vêse que tais normas estavam em conformidade com o art. 38 do Decreto Lei 1.598/77 vigente à época: “Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: [...] § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital. [...]” Tal dispositivo esclarece que devem ser registradas como “reserva de capital” as subvenções para investimento relativas a redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Frisese tal entendimento o Parecer Normativo CST 2/1978 que contempla que as subvenções que integram a receita bruta operacional da pessoa jurídica beneficiária são aquelas destinadas ao custeio, não alcançando as que se destinem a investimentos. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.149 19 O que, em breve síntese, com tal registro – não haveria como considerarmos o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins. Tais normas deveriam ser aplicadas ao caso em questão, considerando à época dos fatos. Porém, não obstante à esse entendimento, importante trazer que a Lei 11.941/09 alterou o registro contábil da subvenção para investimento de que trata o art. 38 do DecretoLei 1.598/77 ao trazer os seguintes dispositivos (Grifos meus): "Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.150 20 exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2o O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3o Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes. [...]" Art. 21. ..................... Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e II – o valor do prêmio na emissão de debêntures, de que trata o art. 19 desta Lei. " Vêse, então, que a Lei 11.941/09 trouxe que as subvenções para investimento passariam a ser registradas em reserva de lucros e quando registradas em conta de resultado poderiam ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins. A Lei 11.941/09, ao trazer que se tais subvenções fossem registradas em contas de resultado não deveriam ser tributadas pelo PIS e pela Cofins, acabou por respeitar, de per si, a Primazia da Essência sobre a forma no mundo fenomênico contábil e tributário e a segurança jurídica ao sujeito passivo, pois pela essência, como dito anteriormente, tal subvenção não teria natureza de receita, não podendo ser, por conseguinte, tributada como tal pelo PIS e pela Cofins, independentemente da forma que foi registrada. Os efeitos, independentemente da forma jurídica ou forma de registro, deve observar essencialmente a natureza do evento pela sua essência jurídica e contábil. E pela essência desse crédito não poderíamos considerálo como sendo de natureza de receita refletindo os efeitos tributários para esse evento como se assim fosse somente considerando a forma de se registrar. Proveitoso trazer também que a MP 627 (Lei 12.973/14 conversão da MP), publicada posteriormente, quando revogou, entre outros os arts. 14 a 24 da Lei 11.941/09, trouxe disposições alterando as Leis 10.637/02 e Lei 10.833/03 (Grifos meus): Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.151 21 “[...] Art. 1º................................. [...] § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; [...]” Manteve, assim, a não tributação da subvenção para investimento pelo PIS e pela Cofins, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma, eis que independentemente da "forma" de se registrar tal subvenção (registro como receita ou reserva de incentivos fiscais), trouxe explicitamente que, para fins tributários, tal subvenção não seria tributada pelas contribuições, tal como fez a Lei 11.941/09, eis que consideraram que tal subvenção não possui "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como receita, ainda que registrados como tal. Sendo assim, em respeito a segurança jurídica, é de se esclarecer que tais subvenções para investimento nunca foram objeto de tributação pelo PIS e pela Cofins, ainda que normas posteriores "mandassem" registrar como receita, pois sempre se considerou para fins de tributação que em sua essência não teria natureza de receita. A Lei 12.973/14, o DecretoLei 1.598/77, o PN e a Nota Explicativa CVM 59/86 – que trazem que tais incentivos não devem ser tributados pelo PIS e Cofins enaltecem a segurança jurídica a ser dada aos sujeitos passivos e não conflitam com o art. 58 da Lei 12.973/14 que, por sua vez, traz que para fins de tributação devem ser observadas as normas contábeis publicadas anteriormente àquela Lei. E, pelo CPC 30, recordo que tais subvenções não possuem natureza de receita em sua essência, devendose afastar a tributação pelas contribuições. Sendo assim, para que não haja confusão normativa – normas tributárias e normas contábeis, é de se entender que o que fez as Lei 11.941/09 e 12.973/14 ao trazerem “a exclusão da "receita" de subvenção de investimento para fins de tributação pelo PIS e Cofins não cumulativo” foi esclarecer que, independentemente de seu registro, ainda que como receita, a subvenção para investimento não seria passível de tributação pelo PIS e Cofins – pois o que prevalece, para fins de tributação – em respeito à teoria da prevalência da essência sobre a forma, é a essência desse evento. Nesse sentido, a subvenção de investimento em sua essência não comporta a "natureza" de receita, não devendo sofrer a tributação para fins de PIS e Cofins ainda que fosse registrada como tal. Destarte, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10283.006847/200383 Acórdão n.º 9303004.674 CSRFT3 Fl. 2.152 22 Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2152DF CARF MF
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