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Numero do processo: 10935.901551/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel.
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VALE COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 15 51 /2 00 9- 41 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901551/200941 Acórdão n.º 3801002.065 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJCuritiba/PR, abaixo transcrito: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 05/05/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 13764.27145.150605.1.3.049004, nos termos do despacho decisório emitido em 25/03/2009 pela DRF em Cascavel/PR (rastreamento nº 825035078). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 15/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 11.314,37 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/03/2000, sob o código 2172, no valor de R$ 143.288,99), vinculado ao Per/Dcomp nº 36663.79013.140305.1.2.041747,de 14/03/2005, objetivando a extinção de débitos de IRRF (cód. 0588 R$ 1.279,90 e cód. 8045 R$ 2.644,00, ambos relativos à 2ª semana de junho de 2005) e CSLL/Cofins/PIS/Pasep (cód. 5952, R$ 5.942,04, período: 2ªquinzena de abril de 2005). Segundo o despacho decisório, cientificado em 06/04/2009 (fl. 13), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de Cofins (2172) de fevereiro de 2000, no valor de R$ 143.288,99. Na manifestação apresentada, a interessada alega que “considerando que a apuração deuse através de estimativa mensal, constatouse que o valor recolhido era maior que o devido.” Informa que houve um pedido de “ressarcimento” em 14/03/2005 (Per 36663.79013.140305.1.2.041747) e que a compensação foi feita com débitos próprios, em obediência ao disposto nas instruções normativas de regência. Analisando o litígio, a DRJ Curitiba/PR considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORIUNDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901551/200941 Acórdão n.º 3801002.065 S3TE01 Fl. 13 3 A Compensação de crédito vinculado a uma restituição indeferida com débitos administrados pela Receita Federal, de responsabilidade do contribuinte, não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório não reconhecido. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que (i) que houve a homologação tácita do pedido de ressarcimento; (ii) que o crédito pleiteado existe e pode ser utilizado em compensações e (iii) que não há que se falar em coisa julgada administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. É fato incontroverso nos autos que, no processo administrativo de nº 36663.79013.140305.1.2.041747, no qual o Recorrente requer a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, houve o indeferimento do pedido por parte da Receita Federal do Brasil. Tanto a Delegacia de Julgamento, no acórdão recorrido, como o próprio Recorrente, no Recurso Voluntário apresentado, atestam que houve o trânsito em julgado do procedimento administrativo e que os créditos não foram reconhecidos pela fiscalização. Neste passo, não poderia mesmo ser homologada compensação, em que os créditos indicados para pagar débitos próprios do contribuinte não foram reconhecidos pela Receita Federal. Nas razões recursais do Recorrente, este alega que houve a homologação tácita do pedido de restituição e, por isso, os créditos devem ser reconhecidos. Contudo, deveria, o Recorrente, ter suscitado tal matéria nos autos do próprio procedimento administrativo ou, se fosse o caso, pedido o reconhecimento desse direito perante o Poder Judiciário. O que, a princípio, não aconteceu. No presente procedimento de compensação, não existem elementos para analisar a afirmação de homologação tácita alegada. E mesmo que houvesse, não se poderia alterar decisão proferida em outro PA. Por outro lado, também não assiste razão ao Recorrente ao tentar demonstrar a liquidez do crédito revindicado em outro processo administrativo. Como mencionado, no presente processo administrativo de compensação, discutese a possibilidade de o contribuinte liquidar débitos próprios com supostos créditos originados de pagamentos indevidos ou a Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901551/200941 Acórdão n.º 3801002.065 S3TE01 Fl. 14 4 maior. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não há como se homologar o pedido de compensação. Por fim, em que pese o Recorrente afirmar que não existe “trânsito em julgado administrativo”, não foi acostado aos autos nenhuma prova, inclusive de medida judicial, capaz de reformar a decisão proferida no processo administrativo nº 36663.79013.140305.1.2.041747. Assim, também não assiste razão ao contribuinte neste ponto. Desta forma, sem maiores delongas, pela simplicidade da questão analisada, conhecendo do Recurso Voluntário apresentado, voto por negar provimento a este. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917024/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/01/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 24 /2 00 9- 75 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 111/119), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação da interessada formalizada contra a não homologação de compensação de reclamados créditos pelo pagamento a maior de IOF (código de receita 7893), no valor de R$ 19.176,74, recolhido em 14/01/2004. A compensação não foi homologada sob o fundamento de que, inerente ao pagamento em tela, não havia nenhum crédito disponível para compensação, pois o recolhimento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito outrora existente. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde afirmou ser entidade fechada de previdência complementar e que se equivocara no cálculo do IOF do período referente a operações de empréstimo, nos termos de laudo técnico apresentado, equívoco este repetido na DCTF correspondente, onde fora declarado como débito o valor indevidamente recolhido a maior. Ressaltou, ainda que os equívocos nas declarações não criam tributos, não podendo, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. Apresentou planilha demonstrativa do aduzido erro cometido. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância, a qual, como ressaltado, indeferiu o pleito em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2004. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2004. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/09/2011 (uma sextafeira) (fls. 123). Inconformada, a autuada apresentou, em 19/10/2011 (v. fls. 133 e 135), Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917024/200975 Acórdão n.º 3802002.052 S3TE02 Fl. 138 3 o recurso voluntário de fls. 125/132, onde reafirma a existência de direito creditório por conta do pagamento a maior do imposto, ressaltado ainda: a) que, no preenchimento da última DCTF entregue à Receita Federal, a manifestante equivocouse em seu preenchimento e não demonstrou a existência de crédito de IOF em janeiro de 2004; contudo, referido crédito poderia ser comprovado pela simples comparação entre os valores apresentados como devidos no período e a guia de recolhimento que instruíram a manifestação de inconformidade; b) cita respeitáveis entendimentos doutrinários para defender que os equívocos nas declarações do contribuinte não geram obrigação tributária, não podendo ser considerada receita do Estado; e, c) ressalta que se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude de erro, a mesma poderia ser revogada, a teor do disposto no artigo 352 do CPC. O sujeito passivo também pleiteia seja o julgamento convertido em diligência para apuração do indébito e comprovação da regularidade da compensação acaso as provas acostadas aos autos sejam consideradas insuficientes para a demonstração do direito reclamado, como lhe asseguram os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência, nos termos acima propostos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 16/09/2011 (uma sextafeira) (fls. 123). Por sua vez, o recurso voluntário foi postado nos Correios em 19/10/2011 (v. fls. 133 e 135), tempestivamente, portanto. Além disso, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento do tributo devido no período, e que o débito declarado em DCTF não corresponderia à realidade fática. Assevera ainda que a natureza do erro em que teria incorrido seria insuficiente para criar obrigação tributária, e que o artigo 352 do CPC autorizaria a revogação da confissão da dívida em tal condição. De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF retificadora, mas sempre se caracterizado o erro em que incorreu o sujeito passivo, ou, em outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias. Isso Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, admitida unicamente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como bem destacado na primeira instância. Com efeito, a título comprobatório do direito aduzido o sujeito passivo acostou aos autos parecer contábil de empresa de consultoria privada acompanhado de uma planilha de cálculo. Tal documentação não pode substituir a escrituração contábil e os documentos em que esta se embasa, como, no caso específico dos autos, os contratos dos empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Mesmo ciente da necessidade de comprovação documental do direito – questão muito transparente na decisão de primeira instância –, a interessada comparece novamente aos autos sem apresentar prova suficiente do reclamado indébito, e requer seja o processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir, uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É este quem detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, a recorrente não trouxe a documentação minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova para o Fisco. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Assim, manifestome no sentido de rejeitar a diligência pretendida. Especificamente em relação aos pedidos de reconhecimento de indébitos relativos ao IOF há ainda uma particularidade: a restituição ou compensação desse imposto, em sintonia com o disposto no artigo 61 do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007 (Regulamento do IOF), deve vir acompanhada da comprovação das exigências estabelecidas no do artigo 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917024/200975 Acórdão n.º 3802002.052 S3TE02 Fl. 139 5 II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Assim, em face da natureza do crédito pleiteado, além da necessidade de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado, a recorrente deveria também demonstrar que devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como que providenciou, juntamente com a contribuinte que sofreu a retenção, os estornos dos lançamentos contábeis e as retificações nas declarações entregues à Receita Federal, o que o não ocorreu, conforme anteriormente explicitado. Tudo isso está em sintonia com o disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.894/94, segundo o qual o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito, combinado com o artigo 166 do CTN, que exige que a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, a transferência do respectivo encargo financeiro, seja instruída com a prova de que o pleiteante assumiu o referido encargo, ou de que este está expressamente autorizado por quem efetivamente suportou o imposto. No mais, resta claro que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisitos indispensáveis à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Nesse ponto, a Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11610.012529/2006-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO
O direito de restituição/compensação de crédito oriundo de ação judicial extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO O direito de restituição/compensação de crédito oriundo de ação judicial extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por descrever os fatos com clareza e fidelidade, adoto o relatório do acórdão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 25 29 /2 00 6- 16 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 “Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolado em 16/12/2006, de saldo remanescente dos valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL. O crédito, objeto do presente, decorre de decisão proferida nos autos da ação judicial n° 92.00094872 com trânsito em julgado em 14/05/1999 (4ª Vara/São Paulo/SP). Na referida ação judicial, foi reconhecido o direito à contribuinte de repetir valores recolhidos do FINSOCIAL, realizados com base em alíquotas superiores a 0,5% a partir de janeiro de 1989, corrigidos monetariamente desde a data do pagamento até a data da efetiva restituição, acrescidos de juros de 1% ao mês, contados do trânsito em julgado (fl.32). Em 1999, a contribuinte protocolizou pedido de restituição, processo n° 13804.003151/9974, requerendo a devolução dos valores pagos a maior ao FINSOCIAL, relativamente ao período de outubro de 1989 a janeiro de 1990, no montante de R$ 88.747,50. Em 2004, a contribuinte tomou ciência do deferimento do pedido de restituição, daquele processo, no valor de R$ 59.454,17, atualizados até 31/12/1995 mais taxa SELIC. Os cálculos da restituição foram efetuados com base na Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar n° 08, de 27/06/97. Não é por demais ressaltar que foram formalizados pela contribuinte Pedidos de Compensação de débitos da COFINS nos valores R$ 32.706,60, R$ 10.456,24 e R$ 35.861,15, e do PIS no valor de R$ 45.584,66, com o crédito obtido da ação judicial, todos controlados no processo n° 13804.003151/9974. Conforme documentos de fls. 59/63, verificase que estes débitos foram extintos. Em relação ao presente pleito, argumenta a contribuinte, que no pedido de restituição formalizado no processo n° 13804.003151/9974, o valor do crédito por ela peticionado divergiu do determinado na decisão judicial n° 92.00094872 no que tange a aplicação do IPC expurgado como indexador para atualização monetária. Por essa razão, segundo a ela, haveria um saldo remanescente de crédito determinado na decisão judicial no valor total de R$ 173.958,71. Em 11/12/2008, o Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo emitiu o Despacho Decisório n° 452/2008, de fls. 64/67, no qual indeferiu o pleito, devido à ocorrência da extinção do direito de pleitear a restituição conforme previsto no art. 168, do CTN. De acordo com o referido despacho, em que pese a contribuinte ter obtido êxito definitivo no reconhecimento do crédito na esfera judicial em 14/05/1999, e de já ter sido restituída no processo n° 13804.003151/9974, somente em 16/12/2006 que a interessada protocolou novo pedido de restituição, alegando ter pleiteado menos do que tinha sido reconhecido no judiciário. Em sendo assim, considerou aquela autoridade que, à data do novo pedido de restituição, já havia transcorrido prazo superior ao estabelecido na legislação para que a contribuinte pudesse pleitear restituição reconhecida judicialmente, indeferindo, pois o pleito. Ademais, consignou no Despacho Decisório, que eventuais débitos compensados com o crédito objeto do presente processo não deveriam ser homologados. A contribuinte, inconformada com o teor do despacho decisório, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 75/107), alegando em síntese o que se segue. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11610.012529/200616 Acórdão n.º 3403002.575 S3C4T3 Fl. 7 3 Inicialmente, não concorda com o indeferimento do pedido de restituição, uma vez que entende a contribuinte que o despacho decisório carece de fundamentação legal. Sustenta que o artigo 168 do CTN, arrolado pela autoridade para o indeferimento seria inaplicável para a utilização de direito já reconhecido no judiciário. Segundo a contribuinte, o artigo 168 do CTN diz respeito ao prazo para formalização de requerimento visando à devolução de valor que eventualmente entenda indevido (fl.93), porém, defende que este prazo foi por ela observado na discussão judicial do direito creditório. Neste ponto, a contribuinte passa discorrer sobre as compensações por ela efetuadas na utilização do crédito. O fato de ter iniciado as compensações, para ela, seria causa da interrupção do prazo prescricional, invocando artigos do Código Civil Brasileiro. A partir desta, passa a discorrer que o cumprimento de decisão judicial, na esfera administrativa, não pode, em hipótese alguma, resultar em um crédito inferior ao que se teria na execução judicial, ainda mais tratandose do direito potestativo à compensação. Por fim, e seguindo o raciocínio, a contribuinte alega que cometeu erro material de valor quando pleiteou a restituição do crédito obtido na ação judicial no 92.00094872,. Segundo afirma, não considerou os índices de atualização monetária determinados na decisão judicial. Por conseqüência, e no entendimento que o erro material poderia ser corrigido a qualquer tempo, defendeu a contribuinte a tese de que teria cabimento pleitear o saldo remanescente do crédito obtido na ação judicial nº 92.00094872, que corresponderia aos índices de atualização monetária determinados na decisão judicial. Diante das alegações feitas, pediu reforma do despacho decisório e provimento à manifestação de inconformidade.” Por meio do Acórdão 27.109, de 19 de outubro de 2009, a 3ª Turma da DRJ – Campinas julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Foi decidido que o prazo para obter a restituição de indébito reconhecido por meio de sentença judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado, a teor do art. 168, II, do CTN. Tendo o trânsito em julgado da decisão judicial ocorrido em 14/05/1999 e o pedido administrativo do crédito complementar formulado somente em 16/12/2006, ocorreu a decadência do direito do contribuinte. Foi rejeitada a tese de inexistência de prazo prescricional para solicitar administrativamente a repetição do indébito reconhecido por sentença judicial, assim como a tese de que o pedido complementar consistiria na continuação da execução do pedido formulado no processo nº 13804.003151/9974. Regularmente notificado daquele acórdão em 10/11/2009, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/12/2009, no qual reprisou e reforçou os argumentos de impugnação. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Controvertese apenas sobre matéria de direito. A questão a ser resolvida é se o direito do contribuinte pleitear o indébito do Finsocial, reconhecido por meio de sentença judicial, já estava prescrito na data em que este processo foi protocolado. É incontroverso nos autos que o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 14/05/1999 e que este processo somente foi protocolado em 16/12/2006. O art. 168, II, do CTN estabelece que no caso de indébito reconhecido por meio de sentença judicial, a prescrição ocorre em cinco anos, contados da data em que ocorrer o trânsito em julgado da sentença. Portanto, no caso concreto, o direito do contribuinte prescreveu no dia 14/05/2004. Se este processo foi protocolado somente em 16/12/2006, não há nenhum reparo a fazer no acórdão de primeira instância, que decidiu corretamente pela prescrição do direito do contribuinte. Quanto aos demais argumentos lançados no recurso, são todos insuficientes para afastar a aplicação do prazo estabelecido no art. 168, II, do CTN. No caso, o contribuinte pleiteou originalmente a restituição do indébito decorrente da sentença judicial por meio do processo nº 13804.003151/9974, protocolado dentro do prazo previsto no art. 168, II, do CTN. No referido processo foi requerido um crédito no valor de R$ 88.747,50, mas a autoridade administrativa somente reconheceu R$ 59.454,17. A discussão acerca da quantificação do valor do crédito deveria ter se desenvolvido no bojo daquele processo. Não tendo o contribuinte apresentado manifestação de inconformidade, o valor de R$ 59.454,17, se tornou definitivo na esfera administrativa. O contribuinte alegou que cometera um erro no cálculo da correção monetária no pedido objeto do processo 13804.003151/9974. Em razão desse erro, seu crédito seria superior aos R$ 88.747,50, inicialmente requeridos. Alegou que esse erro seria imprescritível e que, portanto, poderia requerer a diferença a qualquer tempo. Não tem razão o contribuinte, a imprescritibilidade do direito de ação é regra de exceção no direito brasileiro, só alcançando os casos expressamente ressalvados, tais como os direitos relativos à personalidade e ao estado das pessoas, aos bens públicos e ao direito de propriedade. Se o contribuinte considerou que errou por ter requerido um crédito menor do que aquele que fora reconhecido pelo Poder Judiciário, o prazo para formular o pedido complementar era o mesmo que tinha para apresentar o pedido original, qual seja: cinco anos contados do trânsito em julgado (14/05/2004), a teor do art. 168, II, do CTN. Também não prospera a alegação de que este processo seria uma “continuação da compensação iniciada no processo 13804.003151/9974”. Isto porque naquele processo foi encerrada a discussão do direito com relação ao crédito ali pleiteado, ou seja, o Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11610.012529/200616 Acórdão n.º 3403002.575 S3C4T3 Fl. 8 5 crédito no valor de R$ 88.747,50. Restou decidido que do montante solicitado, o contribuinte só fazia jus a R$ 59.454,17, e tal decisão se tornou imutável na esfera administrativa por falta de recurso do contribuinte. As compensações declaradas no âmbito do processo 13804.003151/9974 foram todas homologadas, pois o valor do crédito reconhecido pela administração foi suficiente para fazer frente aos débitos declarados pelo contribuinte. Estando findo na esfera administrativa o processo 13804.003151/9974, não há como sustentar que o novo pedido do crédito complementar, em decorrência do erro cometido pelo contribuinte objeto deste processo, seja uma “continuação” do processo anterior. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 181DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 12448.905856/2010-83
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Não havendo prova de que houve retenções ou pagamentos antecipados em valores maiores do que a CSLL devida ao final do ano-calendário, não há direito creditório a título de saldo negativo de CSLL a ser reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.526
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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PROVA. NECESSIDADE. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Não havendo prova de que houve retenções ou pagamentos antecipados em valores maiores do que a CSLL devida ao final do anocalendário, não há direito creditório a título de saldo negativo de CSLL a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 58 56 /2 01 0- 83 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 7a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas em PERDCOMPs objeto dos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: Versa o presente processo sobre declaração de compensação n° 35947.79302.140507.1.7.033671, de fl. 01, na qual a interessada objetiva compensar débitos de IRPJ e CSLL, períodos de apuração julho/2005, com crédito de Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2004, no valor original de R$ 4.717,23. Constatouse a existência de mais 06 (seis) DCOMP eletrônicas transmitidas pelo contribuinte n°s.34862.61185.061205.1.3.032403, 38143.38450.151205.1.3.031905, 41155.91038.070206.1.7.036600, 15329.59737.180806.1.3.039519, 26196.47625.191006.1.3.033914 e 06522.60687.220207.1.3.033309, referentes ao mesmo crédito. Através do Despacho Decisório DRFRio de Janeiro I n° 869631900, de 03/08/2010 (fls. 13), constatouse a improcedência do crédito original informado na DCOMP, não se homologando a compensação das referidas DCOMPs pelos motivos abaixo: as quantias ratificadas das parcelas de composição do crédito pelos Sistemas SIEFDIRF foram inferiores aos valores declarados: RETENÇÕES Fonte: PER/DCOMP 9.030,72; confirmadas 2.074,15 DEM. ESTIMATIVAS: PER/DCOMP: 3.095,27; confirmadas 1.704,63 Cientificada em 12/08/2010, fl. 46, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 14/15, em 10/09/2010, alegando, em síntese: apresentou DCOMP e DIPJ retificadoras em 14/05/2007, com o saldo negativo de CSLL de R$ 4.717,23; os créditos de IRRF declarados pelas tomadoras de serviço não foram adequadamente reconhecidos pela RFB, embora de acordo com os informes de rendimentos; as estimativas de CSLL compensadas nas Per/Dcomps n° 34231.38271.310804.1.7.040100 e 32340.24972.220904.1.3.041626 não homologadas pelos Despachos Decisórios 791179795 e 825048329 foram indevidamente excluídas do somatório do Saldo negativo, pois foram objeto de manifestação de inconformidade, sem decisão até o momento; apresenta Planilha de fl.s 14/15 com os IRRF confirmados e não confirmados pela RFB, com observação a respeito do comprovante de rendimentos, seja por informes, ou cópias de notas fiscais e extratos bancários; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.905856/201083 Acórdão n.º 1801001.526 S1TE01 Fl. 3 3 cita ementa do 1o. CC sobre a aceitação da nota fiscal como comprovante de IRRF. Juntei aos autos a consulta ao Sistema da RFB de fls. 50/54. Ao apreciar a inconformidade da contribuinte, a Turma Julgadora de 1a. instância teceu alguns esclarecimentos a respeito do caso analisado. Por relevante, transcrevo os seguintes trechos daquele voto: ... Com relação à diferença entre o valor dos créditos declarados nos Informes ou nas DIRF das fontes pagadoras e os créditos de IRRF consignados na DCOMP, vale destacar de pronto que a interessada se equivocou na informação sobre o Código da Receita, tendo informado para todos os CNPJs às fls. 03, 04 e 05 da PER/DCOMP, o código "5987CSLL retenção sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado", exceto para o item 0003 referente ao CNPJ 02.709.449/000159, onde informou o Código 6190água, telefone, correios, vigilância, limpeza, locação de mãodeobra, locação e demais serviços(IN 306/2003). Inclusive, na Planilha apresentada na manifestação de inconformidade para comparar os valores confirmados e não confirmados pela RFB, os códigos de receita indicados conforme a DCOMP código 6190 e 5987 divergem dos Informes e das DIRF, fls. 51/54, por exemplo: 1. fl. 17 CNPJ 02.709.449/000159 código 5952 2. fl. 18 CNPJ 04.616.210/000160 códigos 5952, 5960, 5979 e 5987 3. fl. 19CNPJ 13.007.158/000135código 5952 4. fls. 20 e21códigos 5952 5. fl. 22CNPJ 33.000.167/000101 código 6147 6. fl. 23 CNPJ 33.127.002/000103 código 5952 e 5979 7. 7. fls. 2 4 e 2 5 c ó d i g o 5952 Ou seja, embora tenha indicado na DCOMP o código de Receita 5987 referente a retenções de CSLL, na sua maioria, os valores retidos estão no código 5952 – RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE PAGAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. Assim, esta retenção, conforme indicado na cópia de Nota Fiscal juntada à fl. 34, é de 4,65% sobre a Receita, e corresponde a 1% de CSLL, 3% de Cofins e 0,65% de PIS, portanto, a parcela a ser considerada como crédito é somente a referente à parcela de CSLL retida de 1%. Tal ocorre também com os pagamentos nos códigos 6147 e 6190. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Além disso, os seguintes códigos de receita indicados nos Informes também não se referem à CSLL retida, portanto, não constituem crédito de CSLL 5960 COFINS RETENÇÃO PAGAMENTOS DE PJ A PJ DIREITO PRIVADO 5979 PIS RETENÇÃO PAGAMENTOS DE PJ A PJ DIREITO PRIVADO Da mesma forma, quanto aos valores indicados como referentes às Notas Fiscais, a interessada informou os valores retidos de 4,65% do total da Nota, quando a parcela de CSLL é de 1%. ... Nesse sentido, não cabe razão à interessada na medida em que ela própria deu causa ao não reconhecimento do direito creditório. O que ocorreu foi que não houve a confirmação dos valores declarados e ela deveria ter retificado a DCOMP indicando tanto os códigos de receita corretos quanto apenas os valores relativos à CSLL retida, o que não ocorreu. Além disso, faltou a comprovação de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, condição necessária para o aproveitamento dos valores retidos na formação do saldo negativo de CSLL. Quanto ao seu protesto em relação às estimativas de CSLL compensadas nas Per/Dcomps n° 34231.38271.310804.1.7.040100 e 32340.24972.220904.1.3.04 1626 e não homologadas pelos Despachos Decisórios 791179795 e 825048329, no seu entender, indevidamente excluídas do somatório do Saldo negativo, por terem sido objeto de manifestação de inconformidade, sem decisão até o momento da sua manifestação de inconformidade, cabe informar que elas não podem ser confirmadas justamente por não terem sido reconhecidas pela Administração. Assim, a parte do direito creditório que está pendente de julgamento em processos diversos, em instância superior, não pode ser aproveitada na presente compensação vez que ocorreu o indeferimento, na origem, das referidas parcelas do direito creditório. ... Por considerar que a interessada não demonstrou, nem comprovou adequadamente o direito creditório pleiteado, a Turma Julgadora de 1a. instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Notificada da decisão, em 11/04/2011 (cópia AR à fl. 60), apresentou a interessada, em 12/05/2011, recurso voluntário, afirmando que teria providenciado o recolhimento integral das estimativas de CSLL que foram objeto de compensação não homologada pela Receita Federal, esperando, com isso, obter o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas nos seguintes PERDCOMP: 35947.79302.140507.1.7.033671 38143.38450.151205.1.3.031905 26196.47625.191006.1.3.033914 06522.60687.220207.1.3.033309 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.905856/201083 Acórdão n.º 1801001.526 S1TE01 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica dos fatos descritos no relatório, a recorrente pretende seja lhe reconhecido, como direito creditório para utilização em compensações declaradas nos PERDCOMP constantes dos autos, o valor de R$ 4.717,23, a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2004. De acordo com a DIPJ retificadora do respectivo exercício, a CSLL foi apurada da seguinte forma: Base de Cálculo 325.796,56 CSLL Devida 29.321,69 () CSLL sobre base estimada (25.008,20) () CSLL retida na fonte (9.030,72) = CSLL a Pagar (4.717,23) No PERDCOMP inicial de fl. 01 a recorrente especificou os valores da CSLL retida, por fonte pagadora, assim como especificou os valores das estimativas quitadas por DARF e compensadas. As estimativas informadas como quitadas por compensação são as seguintes: Mês Valor Abril/2004 1.704,63 Junho/2004 1.205,98 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Julho/2004 184,66 Total 3.095,27 Contudo, o despacho decisório não reconheceu as estimativas pretensamente quitadas por compensação pois os PERDCOMP que declararam tais compensações não foram homologados na esfera administrativa e se encontram pendentes de julgamento, razão pela qual, de fato, tais estimativas não podem ser consideradas como quitadas para o fim de compor o saldo negativo do anocalendário 2004. A recorrente, nas razões deduzidas no recurso voluntário, afirmou que optou por quitar as estimativas não compensadas, a fim de não ter prejudicado o seu pleito. Com efeito, assim se pronunciou a recorrente, nesse ponto: A requerente, com base na analise da RFB Acórdão 1235.851 da 7 a Turma da DRJ/RJ 1 para não prejudicar seu direito de ter seus créditos de retenções sofridos na fonte reconhecidos neste recurso, decidiu recolher a parte das estimativas não confirmadas conforme quadro 5 c e anexar a presente os DARF's pagos (comprovantes de arrecadação emitidos peio eCAC) De fato, constam do processo alguns extratos de DARF de recolhimento (comprovantes de recolhimento). Entretanto, de todos eles, apenas um, no valor de R$ 923,98 se refere ao código 2484 e, ainda assim, não é possível identificar a qual período de apuração se refere, razão pela qual não se pode considerar tal recolhimento para efeito de quitação de qualquer das estimativas constantes do quadro acima. No que toca ao IRRF, a recorrente sequer se defendeu contra os fundamentos da decisão da Turma Julgadora de 1a. instância, precisos, registrese, no sentido de que nas retenções sob os códigos 5952 e 6147, apenas 1% se destina à CSLL. Assim, das retenções constantes dos informes de rendimentos e notas fiscais apresentadas pela recorrente, apenas o valor de R$ 305,03, pode ser deduzido, a título de CSLL retida na fonte, na apuração final da CSLL do anocalendário 2004. Feitas essas considerações, a apuração final da CSLL do anocalendário 2004 fica assim determinada; Base de Cálculo 325.796,56 CSLL Devida 29.321,69 () CSLL sobre base estimada (23.617,57) () CSLL retida na fonte (305,03) = CSLL a Pagar 5.399,09 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.905856/201083 Acórdão n.º 1801001.526 S1TE01 Fl. 5 7 Verificase, pois, que no anocalendário 2004, a recorrente sequer teria apurado saldo negativo de CSLL passível de restituição ou para ser utilizado como direito creditório em compensações. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13894.000222/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1997
LANÇAMENTO. ERRO. MOTIVO. NULIDADE. CONFIGURAÇÃO.
O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na razão para sua lavratura, quando não reflita o adequado motivo de sua realização, configuram vícios que impõem sua nulidade.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1997 LANÇAMENTO. ERRO. MOTIVO. NULIDADE. CONFIGURAÇÃO. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na razão para sua lavratura, quando não reflita o adequado motivo de sua realização, configuram vícios que impõem sua nulidade. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1997 LANÇAMENTO. ERRO. MOTIVO. NULIDADE. CONFIGURAÇÃO. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na razão para sua lavratura, quando não reflita o adequado motivo de sua realização, configuram vícios que impõem sua nulidade. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 02 22 /2 00 2- 27Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração eletrônico lavrado para exigência da Cofins, período de apuração janeiro/97 a outubro/97, sob o fundamento de “proc. jud. não comprovad.”. Em impugnação o contribuinte junta certidão do processo 95.00385112, indicado na DCTF, e cópias das guias de depósitos judiciais relativos ao período exigido. A DRJ Campinas/SP excluiu a multa de ofício e manteve o lançamento do principal e juros de mora, ao argumento que a discussão judicial e correspondentes depósitos não obstam a formalização do crédito tributário. Em recurso voluntário asseverase que o crédito tributário, àquela época, encontravase extinto pela conversão em renda dos depósitos efetuados, em função da desistência da ação; que a motivação do ato é frágil e inobserva o dever de eficiência; e, que os juros moratórios cobrados são indevidos. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Examinando os fundamentos da autuação, da decisão recorrida, dos recursos aviados e dos elementos coligidos ao processo, concluo que há, como alegado em sede impugnatória, um equivocado motivo a embasar o lançamento eletrônico, o que, por ser matéria de ordem pública, em face do efeito translativo inerente aos recursos de um modo geral, permite o seu conhecimento em qualquer grau de jurisdição administrativa, ainda que não devolvida expressamente no recurso voluntário. No caso vertente o lançamento se justificou por uma suposta inexistência da ação judicial indicada na DCTF, para o período exigido, como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário respectivo. Entretanto, não só foi comprovada a existência de indigitada ação de conhecimento (95.00385113) como também a existência de depósitos judiciais, o que , aliás, é reconhecido expressamente pela decisão de primeiro grau, o que atrairia a incidência do art. 151, II do Código Tributário Nacional. Ou seja, o motivo em que se assentou o auto de infração simplesmente não corresponde à realidade factual, de forma que, tratandose de ato administrativo de natureza tributária, há vício insanável em um de seus elementos (motivo/motivação), não existindo possibilidade de correção, o que impõe a declaração de sua nulidade. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13894.000222/200227 Acórdão n.º 3401002.355 S3C4T1 Fl. 11 3 A jurisprudência administrativa é majoritária em reconhecer a nulidade do ato administrativo nestas hipóteses, quando existentes vícios em qualquer um de seus cinco elementos (sujeito, objeto, forma, finalidade e motivo) não passíveis de convalidação, como sói ocorrer com os defeitos no motivo do ato. Neste sentido, a Administração possui o poderdever de rever, inclusive de ofício, os atos administrativos praticados quando eivados de nulidade, como, aliás, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal por intermédio das súmulas 3461 e 4732. Como já externado, é inconteste que o motivo indicado para emissão do auto de infração não guarda qualquer congruência com os fatos narrados, porquanto a DCTF, a seu tempo apresentada, continha todas as informações legítimas e necessárias para deflagrar os efeitos que lhe são inerentes, principalmente, a confissão de dívida, tal como previsto no DL 2.124/84. Se é certo que a existência de declaração desta natureza não impede o exercício da prerrogativa do lançamento, como aduz a decisão recorrida, também é correto afirmar que a justificativa para tal proceder deve ser válida, o que, definitivamente, não é o caso. Em síntese, comprovado que o motivo indicado como fundamento do lançamento não é procedente, considerandoo espécie do gênero ato administrativo, forçoso reconhecer a sua nulidade. Quanto às demais alegações deduzidas, quais sejam, a superveniente extinção do crédito tributário pela conversão do depósito efetuado em renda da União, bem assim, a fluência de juros moratórios sobre o valor depositado na data aprazada, reputo prejudicado o seu exame em razão da preliminar de nulidade acolhida. Outrossim, tendo em conta sua pertinência, registro desde logo que a nulidade do lançamento ora declarada não tem o condão de transmutar o valor convertido em favor da União em indébito tributário e, como tal, passível de restituição/compensação, haja vista que um dos efeitos decorrentes desta manifestação decisória é a reativação da confissão de dívida consubstanciada na DCTF apresentada. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. 1 A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 2 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Robson José Bayerl Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10980.003709/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2006 a 28/02/2007
CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriar-se de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.953
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2006 a 28/02/2007 CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriar-se de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
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AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriarse de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Cofins, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2006 a 28/02/2007 CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. APROPRIAÇÃO POR ENTIDADE HOSPITALAR DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNE OU ISENTA. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é assegurado à entidade hospitalar de assistência social o direito de apropriarse de créditos sobre as aquisições de produtos farmacêuticos, submetidos ao regime monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, aplicados na prestação de serviços, cuja receita é contemplada com a imunidade ou isenção da referida Contribuição. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 37 09 /2 00 7- 17 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos meses de agosto de 2006 a fevereiro de 2007 (fls. 3/6), no montante de R$ 213.692,97, protocolado em 5/4/2007, cuja parcela de R$ 204.643,83 foi utilizada na compensação dos débitos informados nas Declarações de Compensação (DComp) de nºs 23500.69342.110407.1.3.048009 (fls. 83/90), 13525.44237.070507.1.3.047671 (fls. 91/94), 32693.44237.070507.1.3.045200 (fls. 95/100) e 22554.45245.140507.1.3.045004 (fls. 101/104). Por meio do Despacho Decisório de fls. 105/110, a autoridade competente da Unidade da Receita Federal origem indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas, com base no argumento de que o crédito pleiteado não existia, pois, na condição de entidade beneficente de assistência social, a interessada não tinha direito à restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, relativa à compra de produtos farmacêuticos/medicamentos, submetidos ao regime de tributação monofásica, concentrada nas etapas de produção e importação, estabelecido no art. 1º da Lei n.º 10.147, de 2000, uma vez que a isenção de que, em tese, era beneficiária contemplava unicamente as suas próprias receitas decorrentes da atividade de assistência social. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 119/131), a recorrente, em síntese, alegou que: a) não estava pleiteando crédito de outrem, mas a manutenção dos créditos relativos aos insumos que adquira, com vista à compensação do prejuízo que lhe causara o sistema monofásico de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita de venda de medicamentos; b) gozava de imunidade de impostos e contribuições, instituída nos arts. 150, VI, “c”, e 195, § 7º, da CF/1988, pois, na condição de hospital filantrópico, tratavase de entidade de assistência social; b) fazia jus a restituição da parcela da diferença de alíquota de 9,25% para 12% das referidas Contribuições, majorada a partir da instituição do referido regime monofásico; c) as entidades beneficentes hospitalares, com a instituição do regime não cumulativo, passaram a arcar com o valor das Contribuições, incluído no custo de aquisição dos medicamentos, diferentemente dos hospitais particulares, mantidos fora da sistemática não cumulativa; e d) o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.003709/200717 Acórdão n.º 3102001.953 S3C1T2 Fl. 11 3 2004, asseguravalhe o direito de apropriarse da parcela majorada dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referente às aquisições de medicamentos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 165/172), em que, por unanimidade, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantidos o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação das compensações declaradas, com base no argumento de que a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas de venda de produtos farmacêuticos (medicamentos), relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, não implicava restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquirissem tais produtos, haja vista que a isenção que gozavam as aludidas entidades, quando cumpridos os requisitos legais, contemplava unicamente as suas próprias receitas. Ademais, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, aplicavase apenas às pessoa jurídicas submetidas ao regime de tributação não cumulativa, situação em que não se enquadrava a recorrente. Em 8/8/2011, a interessada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 25/8/2011, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 179/186, em que reafirmou os argumentos de defesa aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) não solicitara o crédito unicamente dentro das normas do regime não cumulativo, mas que procurara o ressarcimento do crédito com base no art. 195, § 7º, da CF/1988, que trouxe a imunidade como corolário; e b) a Constituição Federal, por força imunidade, determinava a restituição às instituições beneficentes do valor dos tributos pagos na aquisição de insumos. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à questão de direito, isto é, se a Recorrente, beneficiária do regime de imunidade/isenção da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, poderia apropriarse do valor do crédito, calculado com base na alíquota majorada sobre o custo de aquisição de produtos farmacêuticos (medicamentos), submetidos ao regime monofásico ou concentrado, nos termos do art. 1º, I, “a”, combinado com o art. 2º, da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, que, no período de apuração dos créditos, tinha a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, a seguir reproduzida: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. [...] (grifos não originais) Com base nesse regramento, a cobrança das Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre a receita das vendas dos produtos farmacêuticos (medicamentos) passou a ser realizada de forma concentrada no fabricante ou importador, com alíquotas majoradas, respectivamente, de 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento). Em compensação, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas da cadeia comercialização ficaram desoneradas da cobrança das referidas contribuições. Tratase, portanto, de cobrança concentrada em uma única fase da cadeia de comercialização do produto, denominado de regime monofásico ou de monofasia, instituído com fundamento no art. 149, § 4º, da CF/88. Após a vigência desse regime monofásico, foram editadas as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que introduziram, respectivamente, o regime não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Assim, a partir da vigência desses novos diplomas legais, a lado dos regimes de imunidade/isenção e de cobrança cumulativa, monofásica e por substituição tributária, anteriormente vigentes, passou a existir o regime não cumulativo de cobrança das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, porém, mantendo cada um desses regimes regramento próprio de incidência das referidas Contribuições. É oportuno ressaltar que as regras de um regime não podem ser aplicadas aos outros, a menos que haja ressalva expressa em lei. Em consequência dessa independência, as regras do regime cumulativo não se aplicam ao regime de substituição tributária, assim como Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.003709/200717 Acórdão n.º 3102001.953 S3C1T2 Fl. 12 5 as regras do regime monofásico não se aplicam ao regime não cumulativo ou de imunidade/isenção. No caso em apreço, alegou a recorrente que tinha direito deduzir os créditos calculados sobre as aquisições de medicamentos sujeitos ao regime monofásico, ainda que as receitas obtidas na prestação dos serviços, em que utilizados os citados medicamentos, estivessem contempladas com a imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988. Tal pretensão contraria os preceitos legais a seguir mencionados. Com efeito, na atividade de prestação de serviços, o direito de apropriação de créditos sobre a aquisição de insumos, nos termos do art. 3º, II, das Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, só é admitido se os referidos insumos forem aplicados na prestação de serviços, cuja receita esteja submetida ao regime de incidência não cumulativa. No mesmo sentido, determina o § 7º do art. 3º das Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa das mencionadas contribuições, o crédito será calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados ao regime não cumulativo. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, os referidos preceitos legais da Lei nº 10.637, de 2002, tem seguinte teor, in verbis: Art. 2º Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. II – no inciso I do art. 1oda Lei no10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas.(Vide Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais). Da mesma forma, em relação à Cofins, os preceitos legais da Lei nº 10.833, 2003, tem a seguinte redação, in verbis: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).(Produção de efeito)(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II – no inciso I do art. 1º da Lei no10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. [...](grifos não originais). Da leitura dos citados preceitos legais, extraise que não há permissão para apropriação de crédito calculado sobre a aquisição de produtos farmacêuticos (medicamentos), submetidos ao regime de cobrança monofásico, adquiridos para revenda por comerciantes atacadista ou varejista ou para aplicação na prestação de serviços por entidades sem fins lucrativos, cuja receita é imune ou isenta da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, situação em que se enquadra a recorrente. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.003709/200717 Acórdão n.º 3102001.953 S3C1T2 Fl. 13 7 Diferentemente do alegou a recorrente, também o disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, não permite apropriação de créditos das citadas Contribuições, na hipótese de insumos aplicados na prestação de serviços por entidades de assistência social imunes ou isentas, conforme alegou a recorrente. De fato, a manutenção do crédito admitida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, aplicase apenas às aquisições de produtos submetidos ao regime não cumulativo, vinculados a receita de vendas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, conforme se infere da redação do preceito legal em destaque, que segue transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (grifo não original) Portanto, se o referido preceito legal autoriza a manutenção de crédito, evidentemente, tal permissão limitase à aquisição de produtos ou insumos submetidos ao regime não cumulativo. Por óbvio, são se pode manter o que não existe. Assim, fica esclarecido que o referido preceito legal não autoriza a apropriação de crédito relativo às aquisições dos produtos ou insumos sujeitos às demais formas de tributação, inclusive os produtos ou insumos sujeitos à tributação monofásica, a exemplo dos produtos farmacêuticos adquiridos pela recorrente. No mesmo sentido, tem se manifestado as demais Turmas desta Terceira Seção, como bem demonstra os enunciado das ementas dos julgados a seguir transcritos: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Ac. 3403001.565, de 25/4/2012, rel. Raquel Motta Brandão Minatel) REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO DE COBRANÇA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PISI/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição. [...] Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Recurso Voluntário Negado. (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Especial, Ac. 3802001.379, de 23/10/2012, rel. José Fernandes do Nascimento) AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401001.714, de 26/2/2013, rel. José Adão Vitorino de Morais) Por se tratar de recurso voluntário da própria recorre sobre matéria idêntica a aqui versada, merece especial destaque, o enunciado da ementa do acórdão da 1ª Turma Especial desta Terceira Seção, proferido nos autos do processo nº 10980.010278/200656, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 31/07/2006 PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre as receitas de venda dos produtos elencados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, onde ocorre a tributação apenas na etapa de industrialização e de importação, não é possível a restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquirirem tais produtos. A imunidade, prevista no § 7º do artigo 195 da Carta Magna, concedida às entidades beneficentes contempla exclusivamente as operações decorrentes de receitas obtidas pelas próprias entidades, mais especificamente, as receitas obtidas na prestação de serviços de assistência social. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma Especial, Ac. 3801001.868, de 21/5/2013, rel. Marcos Antonio Borges) Da mesma forma, o entendimento aqui esposado também se consolidou no âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se infere do enunciado da ementa do julgado a seguir transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10980.003709/200717 Acórdão n.º 3102001.953 S3C1T2 Fl. 14 9 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1217828/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/04/2011, DJe 27/04/2011) – grifos não originais. Por fim, não cabe a este Conselheiro manifestarse sobre as alegações da recorrente acerca da legalidade da majoração da carga tributária, resultante da instituição do regime de tributação monofásica em destaque, tampouco sobre a aplicação, ao caso em tela, dos preceitos constitucionais sobre imunidade tributária, previstos nos arts. 150, VI, “c”, e 195, § 7º, da CF/1988, pois a apreciação dessas questões, inevitavelmente, envolveria a análise da constitucionalidade dos mencionados preceitos legais, matéria que foge da competência deste Conselho, conforme expressamente determina o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10680.933021/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza.
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.
Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado.
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Recorrente HOSPITAL MATER DEI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 21 /2 00 9- 00 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “O interessado transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/01/2003. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74 parágrafo 3o da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade.” A DRJBelo Horizonte/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 24/26), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 30/51), alegando, em síntese: que promoveu a compensação de tributos federais com crédito decorrente de pagamento a maior referente a COFINS e PIS; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933021/200900 Acórdão n.º 3202000.864 S3C2T2 Fl. 69 3 que possui direito ao crédito pleiteado, pois incluiu erroneamente, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor de medicamentos sujeitos à alíquota zero, recolhendo, indevidamente, as referidas contribuições às alíquotas de 3% e 0,65%, respectivamente; que a DCTF retificadora não foi conhecida sumariamente pela DRJ, para os fins da comprovação pretendida, ao fundamento principal de que teria sido apresentada após o prazo de 05 anos; afirma que o procedimento de compensação de que trata o art. 74 da Lei nº. 9.430/96 não exige a retificação da DCTF, mas que, mesmo assim, anos depois de efetuada a copensação, procedeu a devida retificação da DCTF para evitar o desencontro de informações; que seguiu as regras legais, não sendo possível o indeferimento da compensação pretendida simplesmente pelo fato de que a DCTF foi entregue após o prazo de 5 anos, vez que o art. 11 da IN 900/2008, ato normativo vigente à época da formalização e transmissão da DCTF retificadora, não prevê que a mencionada declaração, enviada após p prazo de cinco não, não terá qualquer validade. Ao contrário, a referida norma complementar dispoõe expressamente, sem impor qualquer limite temporal, que a DCTF retificadora terá os mesmo efeitos da DCTF retificada; que a única conseqüência que se poderia aceitar pelo envio extemporâneo da DCTF retificadora seria eventual imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória; que se, da DCTF retificadora, adviesse aumento do valor dos débitos do contribuinte e não houvesse o correspondente pagamento da diferença, acrescido de juros e multa, certamente tal declaração teria validade e, como forma de confissão de dívida, serviria para a Receita Federal exigir, diretamente e sem qualquer processo administrativo prévio, o valor do crédito extemporaneamente declarado. Assim, se tal declaração é válida para amparar o procedimento de cobrança pelo Fisco, também é legítima para fundamentar o pedido de compensação; que aos julgadores administrativos é conferido o livre convencimento na apreciação da prova e que, uma vez que o fim da instrução do processo é a busca da verdade material, quando os elementos do PAF mostram dúvida irredutível quanto à existência de determinado fato, é cabível a realização de diligência com o intuito de esclarecer esse fato. Deste modo, deveria ter sido, no mínimo, realizado diligência para apurar a existência do pagamento a maior realizado, pois, além de não ter sido homologada a compensação efetuada, houve o lançamento de ofício de crédito tributário. que mesmo que a DCTF retificadora não sirva para comprovar o crédito alegado pelo contribuinte, ela promove uma alteração na declaração anterior que não pode ser sumariamente rejeitada e tratada como se não existisse. Dessa forma, não é válida a cobrança do crédito tributário lançado, pois o seu valor está em confronto com a nova declaração – que faz prova a favor e contra o contribuinte; que a origem dos créditos utilizados na compensação referese à revisão contábil feita pelo contribuinte de recomposição das bases de cálculos dos períodos de 2002 e 2003, em razão da necessária exclusão dos medicamentos submetidos à alíquota zero; e Fl. 70DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 que a Lei nº. 10.147/2000 criou o regime de tributação monofásico do PIS e da COFINS, no qual a incidência das contribuições sobre a circulação de uma grande quantidade de medicamentos ocorre uma única vez, justamente na fase de industrialização ou na importação (início da cadeia de circulação do produto). Faz longo arrazoado para demonstrar que tem direito à alíquota zero e que efetuou pagamento a maior. Informa que existem outros 24 processos administrativos em que se discute idêntica matéria, razão pela qual requer que os 25 processos sejam vinculados e distribuídos a um único relator, para que sejam julgados conjuntamente. Requer, ao final, o provimento do recurso voluntário, para que seja reconhecida a DCTF retificadora para fins de validar o procedimento de compensação e, com isso, sejalhe reconhecido o direito creditório e homologada a compensação realizada. Sucessivamente, requer a nulidade da decisão de primeira instância, para que a DRFBelo Horizonte/MG efetue diligência para verificação da existência do crédito alegado. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de PER/DCOMP apresentada pela contribuinte, a qual alega possuir crédito relativo à Cofins, referente a fato gerador ocorrido em 31/01/2003, decorrente de pagamento a maior que teria efetuado em razão incluir, na base de cálculo da Cofins, o valor de medicamentos que seriam sujeitos à alíquota zero. Tal recolhimento a maior geraria crédito de Cofins para utilização na compensação pleiteada. Nos termos do art. 170 do CTN, para fins de compensação, é certo que o ônus da prova da existência do crédito alegado cabe exclusivamente à contribuinte, que deve demonstrar ser possuidora de crédito tributário líquido e certo contra a Fazenda Nacional, a fim de que tal crédito possa ser utilizado em compensação. No caso em questão, pretende a recorrente seja aceita como prova do crédito que alega possuir, referente a fato gerador da Cofins ocorrido em 31/01/2003, as informações constantes de DCTF retificadora enviada em 11/11/2009, há mais de cinco anos, portanto, da ocorrência do fato gerador. Salientese que a data de envio da retificadora informada pela DRJ não foi contestada pela recorrente, presumindose, pois, verdadeira. As informações constantes da DCTF, que é instrumento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, têm efeito de confissão de dívida, constituindose tal Declaração em instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele declarado, conforme dispõe o art. 5º do Decretolei nº. 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933021/200900 Acórdão n.º 3202000.864 S3C2T2 Fl. 70 5 § 1. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2°. Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 70 do Decretolei n°2.065, de 26 de outubro 1983. § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3° e 4° do artigo 11 do Decretolei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei n°2.065 de 26 de outubro de 1983. (grifo não constante do original) Enganase a recorrente ao afirmar que, no caso, o único efeito da entrega extemporânea da DCTF seria a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. Tal multa, de fato, existe, mas não se adequa ao caso, vez que a contribuinte não deixou de apresentar a DCTF no prazo legal, antes pelo contrário, apresentoua, e, a partir daquele momento, as informações ali constantes passaram a constituirse em confissão de dívida. É claro que as informações prestadas na DCTF podem ser alteradas e, com isso, alterarse a dívida confessada naquele instrumento. Acontece, porém, que, da mesma forma como existe prazo limite de cinco anos para a Fazenda Pública constituir crédito tributário contra o contribuinte, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação (§4º art. 150 do CTN), também há de se obedecer o mesmo prazo qüinqüenal para que o contribuinte possa exigir da Fazenda qualquer crédito tributário que porventura detenha. A segurança jurídica é via de mão dupla, tanto para o contribuinte quanto para a Fazenda Pública. Quanto a esta matéria, adoto, ainda, como razões de decidir, o voto condutor do Acórdão nº. 140200.170, proferido nos autos do processo nº 10825.900563/200815, de lavra do i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cujo teor transcrevo abaixo excertos: “........................................................................................................................... Nos termos do artigo 147 e seguintes do, Código Tributário Nacional, o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição Fl. 72DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notifica ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, do CTN, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, [§4º] do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento, nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF.” (negrito não constante do original) Desta forma, a despeito do extremo inconformismo demonstrado pela contribuinte em relação à não aceitação da DCTF retificadora para fins de comprovação do crédito que alega possuir, nada há nos autos que possa socorrer a pretensão da autora. Por se tratar de crédito tributário definitivamente constituído contra a contribuinte, também se mostra inócua a diligência requerida pela querelante, vez que, qualquer que seja a conclusão a que se chegue por conta da diligência, os valores informados na DCTF originária não mais podem ser alterados. De outro giro, entendo também inexistente qualquer nulidade na decisão recorrida, vez que não se trata de nenhum dos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Demais disso, como afirmado pela própria recorrente em seu recurso voluntário, temse que a autoridade julgadora é livre na formação de sua convicção e na análise das provas constantes dos autos, não lhe sendo obrigado requerer diligência em razão de a recorrente entendêla necessária. Por fim, não há no Regimento Interno do CARF qualquer dispositivo que impeça julgamentos diversos, proferidos por diferentes Câmaras e/ou Turmas, em processos administrativos distintos que versem sobre idêntica matéria e refiramse ao mesmo contribuinte, de forma que não há suporte à pretensão da recorrente quanto ao pedido de julgamento único dos 25 processos que alega tramitarem no CARF . Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres] Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933021/200900 Acórdão n.º 3202000.864 S3C2T2 Fl. 71 7 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.003754/2009-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO.
De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerá-lo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e, nessa parte, Provido.
Numero da decisão: 3802-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Regis Xavier Holanda- Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi- Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barros Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: Relator
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REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO. PENALIDADE. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, e, do Decretolei nº 37/66. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerálo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo. Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e, nessa parte, Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 37 54 /2 00 9- 65 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barros Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 07 21562, de 15/10/2010, de lavra da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 53 dos autos): Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04 por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 60.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada A fl. 05, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração A multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 14 a 23, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 2005 para embarques Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.003754/200965 Acórdão n.º 3802000.576 S3TE02 Fl. 112 3 ocorridos anteriormente A vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao principio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte de terceiros intervenientes no processo de exportação; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve se afastada em razão da Solução de Consulta n° 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9' Região Fiscal). Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de Florianópolis/SC entendeu pela procedência do lançamento tributário, refutando os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. Confirase a ementa do julgado: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário (fls. 73105), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual, além de reiterar os argumentos já aduzidos por ocasião da sua impugnação inicial, requer: (i) a aplicação de retroatividade de norma tributária posterior que aumentou o prazo para apresentação dos registros de dados de embarque de mercadorias transportadas para o exterior. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade, motivo pelo qual passo ao respectivo exame. Compulsando os autos, verificase que o lançamento de ofício contestado resultou de registros de embarque realizados a destempo, já que posteriores ao prazo exigido pela legislação. À época da ocorrência dos fatos geradores, o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28/94 determinava os registros de embarque no SISCOMEX imediatamente após o efetivo transporte da mercadoria exportada, nos termos que seguem abaixo: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no S1SCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. O Recorrente, na qualidade de transportador, nada obstante tecer longas linhas sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente, sabe ou deveria saber que além do vernáculo não abrir possibilidades de dilação temporal ao conceito comum imediatamente, a Notícia SISCOMEX nº 105/94 esclarece que a exigência de apresentação imediata comporta até 24 horas de tolerância para o cumprimento da referida obrigação acessória. Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos". Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a previsão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. Observese que a referida Notícia faz menção expressa à previsão legal para autuação do transportador, o que realça ainda mais sua adequação ao caso. Nada obstante isso, o Recorrente deixou de cumprir o disposto na IN SRF nº 28/94, vindo a efetuar o registro dos embarques das mercadorias somente depois dessas 24 horas, em diversas ocasiões ao longo do exercício de 2004. Isso, de plano, já rechaça seu argumento de necessidade de interpretação mais benéfica ao sujeito, ante a dúvida sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente carreada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94 (item III.1 do Recurso Voluntário). Apesar, todavia, da apresentação dos registros de embarque ter superado 24 horas (ferindo assim as disposições da IN SRF nº 28/94), o Auto de Infração, lavrado em 2009, já partiu de norma mais benéfica – qual seja a redação dada ao mesmo dispositivo pela IN SRF nº 510/2005, que passou a tolerar a apresentação dos registros de embarque dentro do prazo de dois dias contados da data da realização do embarque, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.003754/200965 Acórdão n.º 3802000.576 S3TE02 Fl. 113 5 documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (grifouse) Isso porque a própria autoridade administrativa já houvera reconhecido a aplicação da norma mais benéfica para o sujeito passivo, uma vez que o art. 37 da IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005, passou a considerar intempestivos – infracionais, portanto – os registros de embarque apresentados somente após dois dias, e não mais as exíguas 24 horas exigidas à época da ocorrência dos fatos geradores. Ora, fezse o quanto exigido pelo art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, que exige a aplicação retroativa da norma que deixe de considerar como infração algum ato não definitivamente julgado. Incabíveis, destarte, os argumentos do sujeito passivo quanto à suposta nulidade material do auto de infração por penalização do contribuinte “com base em norma inexistente no momento do fato gerador” (item II.2 do Recurso Voluntário), já que, em verdade, o sujeito passivo foi beneficiado pela aplicação da redação da IN SRF nº 28/94 inovada pela IN SRF nº 510/2005. O Recorrente, todavia, mesmo pretendendo anular o auto de infração pela aplicação de norma posterior à vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, amparase no critério adotado pela autoridade administrativa (e reafirmado pela instância a quo) para buscar a aplicação de norma mais recente, que, alterando novamente a redação da IN SRF nº 28/94, aumentou o prazo para apresentação dos registros de embarque para sete dias. Tratase da IN RFB nº 1096/2010, que, modificando o art. 37 da IN SRF nº 28/94, deixou referida norma com a seguinte redação: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana). De fato, a regra ora vigente possui disposição que beneficia o sujeito passivo, ao considerar intempestivos somente os registros de embarque apresentados após o decurso de sete dias contados da data da realização do embarque. É de se aplicar então o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, o qual impõe a retroatividade da norma que deixa de considerar infrações certos atos ainda não definitivamente julgados. No caso particular, não é mais infração, para os fins da legislação aduaneira, a apresentação do registro de embarque após dois dias contados da data da realização do embarque, desde que essa apresentação não ocorra em tempo superior a sete dias. Desse modo, é de se excluir do presente lançamento todo e qualquer registro de embarque porventura feito em prazo inferior a sete dias, em estrita observância ao que determina a IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN RFB nº 1096/2010. Acolhese, portanto, a preliminar constante do item III do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito No que toca o mérito, o Recorrente traz como argumentos (i) retroatividade da norma mais benigna (IN n°1096/2010); (ii) falha do sistema SISCOMEX; (iii) inexistência de embaraço à fiscalização; (iv) violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; (v) caráter confiscatório das multas aplicadas. Passo à análise de cada um deles. No que tange o pedido de interpretação mais favorável ao sujeito passivo, os argumentos do Recorrente não podem ser acolhidos. Já no início do voto expus que a Notícia SISCOMEX nº 105/94 trouxe ao mundo jurídico, cerca de dez anos antes da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente lançamento tributário, esclarecimento quanto ao conteúdo jurídico da expressão imediatamente, constante do art. 37 da IN SRF nº 28/94. Impraticável, portanto, o Recorrente, que tem como uma de suas atividades fim o transporte de mercadorias para o exterior, simplesmente desconsiderar isso. E ainda assim, eventual desconhecimento dessa regra (que nem mesmo foi alegado pelo sujeito passivo, reforçando sua presunção de conhecimento ante a publicação no Diário Oficial da União) não constitui erro escusável, para quaisquer fins de direito. O Recorrente reforça seu argumento aduzindo que o SISCOMEX é um sistema extremamente instável, que por vezes não registra certas informações do sujeito passivo, e, por outras, mostrase inflexível quanto a pequenas divergências eventuais entre características das mercadorias exportadas (gramas, na literalidade do Recurso Voluntário). Ocorre que o artigo 136 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.003754/200965 Acórdão n.º 3802000.576 S3TE02 Fl. 114 7 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim é que eventuais inconsistências do SISCOMEX não podem servir como excludente de responsabilidade tributária, já que o sujeito passivo dispõe de dias para efetuar o registro do embarque. Deve, portanto, ser diligente para evitar que divergências com seu cliente exportador, ou mesmo eventuais quedas do sistema, prejudiquem o cumprimento da sua obrigação tributária. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada. Quanto ao argumento (iii) inexistência de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira no registro de dados do embargue de mercadoria, é correta a imputação proposta pela autuação e o seu enquadramento legal. Não se trata de embaraço, mas de descumprimento de obrigação acessória prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Quanto ao argumento (iv) expendido no Recurso Voluntário (ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade) não pode ser conhecido, como já foi estabelecido pelo Acórdão 0721562. Conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009) e Súmula 01 da CSRF, é vedado ao Conselho realizar análise tendente à avaliação dos aspectos inerentes a constitucionalidade das normas, pois esse mister é exclusivo do Poder Judiciário, como tem entendido os tribunais administrativos e judiciais. Arguições dessa natureza, portanto, são inócuas na esfera administrativa. Assim, sempre e quando se entender que a norma aplicada não atendeu os princípios mencionados, a matéria deve ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Quanto à jurisprudência citada, principalmente no tocante da Solução de Consulta 215 de 16 de agosto de 2004, esta questão se encontra superada no caso em tela tendo em vista a dilação do prazo estabelecida pela IN RFB n°1096/2010. Conclusão Isto posto, conheço parcialmente do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO, a fim de se aplicar a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB nº 1.096/2010, excluindose do lançamento, por conseguinte, todos os registros de embarque apresentados dentro do prazo de sete dias contados da data do embarque das mercadorias transportadas. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/0 8/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 16327.001372/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.302
Decisão:
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 37 2/ 20 10 -9 1 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001372/201091 Resolução nº 2401000.302 S2C4T1 Fl. 394 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo BANCO VOLKSWAGEN SA, irresignado com o acórdão por meio do qual fora mantida a integralidade do AI n. 37.234.026 1, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte do segurado, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais por intermédio de cartão premiação Consta do relatório fiscal que, BANCO VOLKSWAGEN S/A, inscrito no CNPJ sob o n° 59.109.165/000149 é sucessor por incorporação da empresa VOLKSWAGEN LEASING, inscrita no CNPJ sob o n° 49.324.619/000140. A documentação referente a essa sucessão segue em anexo. Portanto, as intimações e os Autos de Infração foram lavrados na pessoa do incorporador, ou seja, no BANCO VOLKSWAGEN S/A. Os levantamentos utilizados para fatos geradores do BANCO VOLKSWAGEN foram: B, BI e B2 e os levantamentos utilizados para fatos geradores da VOLKSWAGEN LEASING foram: L e LI. O fiscal autuante esclarece que a recorrente utilizou os serviços da empresa DPTO PROMOÇÕES S/C LTDA para criar campanhas de vendas e premiar (remunerar) funcionários da rede de concessionárias vinculadas á marca VOLKSWAGEN, os quais eram premiados ao vender carros, apresentando e vendendo ao comprador do veículo algum produto financeiro dos contribuintes ora fiscalizados. Todo o custo da operação foi suportado pela recorrente. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 10/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 29/10/2010 (fls. 01). Diante dos argumentos de impugnação apresentados, especialmente com relação ao fato da empresa DPTO PROMOÇÕES ter efetuado o pagamento das contribuições lançadas, às fls. 341, a DRJ determinou a realização de diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 4.1. As remunerações declaradas nas GFIP da empresa DPTO Produções Ltda correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços para com a autuada? 4.2. Em caso positivo, todos os valores pagos a título de premiação por meio de cartão aos segurados relacionados nas planilhas apresentadas pela autuada (fls. 76), que serviram de base de cálculo para as contribuições incluídas nas autuações n" 37.234.0253, 37.234.0261, foram declarados nas GFIP da empresa prestadora de serviços DPTO Produções Ltda, considerandose todo o período autuado (01/2005 a 12/2008)? 4.3. Em sendo a declaração retromencionada parcial, solicitase a elaboração de discriminativo detalhado (meio papel ou arquivo digital) informando quais segurados e remunerações integrantes das planilhas de fls. 76 foram declarados cm GFIP pela empresa DPTO Produções Ltda. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001372/201091 Resolução nº 2401000.302 S2C4T1 Fl. 395 3 4.4. Considerando que o Relatório Fiscal (fls. 95/102) aponta para a conclusão de que os contribuintes individuais que receberam premiações por meio de cartão teriam seus vínculos estabelecidos diretamente com a autuada (Banco Volkswagen S/A e a sucedida Volkswagen Leasing), solicitase que a Autoridade Fiscal, frente às análises e esclarecimentos apresentados em resposta aos questionamentos anteriores, esclareça, conclusiva e justificadamente, se o vínculo dos contribuintes individuais que receberam as citadas premiações é com a autuada. 4.5. Havendo, em consequência, qualquer alteração no valor das contribuições previdenciárias incluídas na presente notificação, deverá a referida Autoridade demonstrar, justificadamente, tal alteração. Sobreveio resposta às fls. 376, da qual o contribuinte fora devidamente cientificado. Em seu recurso sustenta a decadência de parte do lançamento, com fundamento no art. 150, 4o do CTN. Afirma, por conseguinte, que os valores pagos aos contribuintes individuais através dos cartões CASH PLUS da empresa DPTO não podem ser considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois classificamse como prêmios esporádicos não vinculados a uma contraprestação em prol do recorrente, pois para o seu pagamento depende de fatores econômicos do mercado de venda de automóveis e caminhões. Defende que não havia habitualidade nos pagamentos e que o CASH PLUS era um prêmio excepcional, desvinculado do pagamento dos salários e trabalho. Sustenta que a autuação foi levada a efeito com erro na eleição do sujeito passivo, pois, deveria ter sido efetuada em face da empresa DPTO, contratada para executar políticas de marketing de incentivo, sendo esta a responsável pelos pagamentos efetuados, e não a recorrente. Relata que não se trata de um caso no qual se pretende transferir a sujeição passiva relativamente à contribuição a outra pessoa jurídica por meio de contrato, mas apenas demonstrar que no presente caso, de fato demonstrar que quem era a responsável por recolher os tributos incidentes sobre os pagamentos efetuados, conforme prevê o contrato firmado entre as partes era a DPTO, empresa que decidia inclusive sobre qual o montante do premio a ser pago. Defende que o fato da DPTO receber recursos da recorrente, os as quais são consumidos no exercício de sua atividade (campanha de marketing), englobando inclusive os pagamentos aos vendedores, não significa que tais pagamentos estejam sendo efetuados pela recorrente. Argumenta que a obrigação tributária está extinta pelo pagamento, tendo em vista que conforme contrato firmado entre as partes, a DPTO, ao efetuar os creditamentos de valores aos contribuintes no cartão CASH PLUS também levou a efeito o pagamento das contribuições previdenciárias devidas sobre referidos pagamentos. Que a prova da correlação entre os pagamentos efetuados e os beneficiários dos valores creditados em cartão se faz através do confronto do relatório de pagamentos do programa de incentivo do banco Volks Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001372/201091 Resolução nº 2401000.302 S2C4T1 Fl. 396 4 com as GFIP´s apresentadas pela DPTO. Que o próprio relatório fiscal complementar reconheceu a identidade entre os pagamentos e os beneficiários do serviços. Que a DRJ ilegalmente afastou todo o conjunto probatório constante dos autos, quando deveria reconhecer o aproveitamento dos pagamentos efetuados pela DPTO em favor da recorrente. Ainda quanto ao pagamento, sustenta que o art. 124 do CTN permite o reconhecimento do pagamento efetuado pela DPTO em favor da recorrente, sobretudo diante do princípio da busca da verdade material. Por fim sustenta a ilegalidade da cobrança da alíquota de 2,5% prevista no art. 22, parágrafo primeiro da Lei 8.212/91, em virtude de sua sistemática não encontrar amparo no texto constitucional, bem como ser necessária a correção da aplicação da multa aplciada no patamar de 75%, quando, em verdade, deveria ter sido aplicado ao caso a multa de 24%, diante da impossibilidade da comparação da multa mais benéfica de 24% acrescida da multa pelo descumprimento da obrigação acessória com a multa de 75%. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001372/201091 Resolução nº 2401000.302 S2C4T1 Fl. 397 5 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Antes mesmo de adentrar ao julgamento das matérias objeto do presente recurso, tenho que o julgamento da demanda mereça prévio esclarecimento em seu conjunto fático. Conforme previu o contrato entabulado entre as partes (fls. 239), no presente caso, a empresa DPTO responsabilizouse pelo pagamento das contribuições sociais em decorrência dos valores creditados no cartão premiação em favor dos contribuintes individuais vinculados a recorrente. Confirase: CLÁUSULA SEGUNDA – Obrigações da Contratada 2.1. [...] h) Responsabilizarse pelo pagamento de todos os tributos e outros encargos, incluindo previdenciários, que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, sobre os créditos disponibilizados aos BENEFICIÁRIOS; Diante de tal ponto, e mesmo da análise da documentação juntada em sede de impugnação a DRJ achou por bem determinar o julgamento em diligência ao ter constatado o seguinte: 3.2. Em análise preliminar, por amostragem, aos documentos apresentados pela Impugnante, em especial a mídia digital (CD de fls. 331) contendo planilhas nominais dos contribuintes individuais que receberam valores por intermédio do cartão "Cash Plus" e as GFIP da empresa prestadora dos serviços DPTO Produções Ltda (competências 11/2005, 05/2006, 07/2007 e 01/2008), e seu confronto com as planilhas anexas ao Relatório Fiscal (CD fls. 76), foi possível averiguar o seguinte: 3.2.1. A maior parte dos segurados relacionados na planilha anexada pela Autoridade Fiscal (fls. 76) encontrase declarada nas GFIP da empresa contratada DPTO Produções Ltda. 3.2.2. Parte significativa desses segurados encontram relacionados nos dois documentos, com remuneração idêntica. 3.2.3. Os documentos apresentados, confirmados pelos registros constantes dos sistemas informatizados da RFB (sistema ÁGUIA), sugerem que a empresa DPTO Produções Ltda efetuou o recolhimento integral das contribuições previdenciárias devidas declaradas em GFIP no período da presente autuação Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001372/201091 Resolução nº 2401000.302 S2C4T1 Fl. 398 6 Em resposta aos questionamentos da DRJ, o fiscal autuante assim apontou (fls.380) : [...] Apesar da inequívoca relação direta e pessoal da autuada com a situação que constitui o fato gerador, e do artigo 123 do CTN deixar clara a impossibilidade de mudança do sujeito passivo por convenções particulares, o contribuinte pleiteia na impugnação o cancelamento da autuação baseado no contrato firmado com a DPTO em que a responsabilidade pelos tributos seria da mesma, e, portanto, como os tributos estariam todos recolhidos, haveria no máximo uma falha formal. 19 Em relação ao Bis in Idem alegado na impugnação, a lei 8.212 no seu artigo 89 (vide item 11 deste relatório) garante o direito de restituição ou compensação no caso de recolhimento indevido ou a maior 20 Portanto, por todo o exposto entendo que o Banco Volkswagen é o sujeito passivo. 2 1 Ainda assim, caso entenda ser necessária a diligência junto à DPTO, proponho que os PAFs discriminados no item 1 deste relatório, após retorno a 13a Turma da DRJ/SP1, sejam encaminhado à delegacia de jurisdição do contribuinte a ser diligenciado. E ciente de referida resposta a DRJ levou a efeito o julgamento entendendo por manter as conclusões da fiscalização, dandose por satisfeita, portanto, com o resultado da diligência realizada. Em que pesem os argumentos adotados no julgamento de primeira instância, os quais poderão até mesmo ser futuramente confirmados por este Eg. Conselho, tenho que o presente caso mereça que a diligência sugerida pela DRJ seja renovada, tendo em vista que o fiscal autuante, a margem de responder os questionamentos formulados, apontou seu entendimento acerca da sujeição passiva no presente caso. Atento ao que consta dos autos, especialmente as alegações da própria fiscalização no sentido da grande possibilidade de que os pagamentos efetuados pela DPTO, de fato, sejam relativos ao creditamento de valores por intermédio de cartão premiação em face dos segurados vinculados à recorrente, entendo que a diligência anteriormente requerida fazse necessária para que esta Turma melhor se posicione sobre o assunto no julgamento do recurso voluntário, até porque, a meu ver, os elementos constantes nos autos, até o presente momento, não são suficientemente capazes de traduzir ao presente julgamento a certeza acerca de um fato que ainda é controverso, ou seja, se existe ou não a efetiva correlação entre o pagamento das contribuições e os pagamentos efetuados via cartão premiação. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que baixem os autos a origem e sejam respondidos os seguintes questionamentos, que peço vênia aos colegas da DRJ para transcrever na presente oportunidade, são eles: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001372/201091 Resolução nº 2401000.302 S2C4T1 Fl. 399 7 4.1. As remunerações declaradas nas GFIP da empresa DPTO Produções Ltda correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços para com a autuada? 4.2. Em caso positivo, todos os valores pagos a título de premiação por meio de cartão aos segurados relacionados nas planilhas apresentadas pela autuada (fls. 76), que serviram de base de cálculo para as contribuições incluídas nas autuações n" 37.234.0253, 37.234.0261, foram declarados nas GFIP da empresa prestadora de serviços DPTO Produções Ltda, considerandose todo o período autuado (01/2005 a 12/2008)? 4.3. Em sendo a declaração retromencionada parcial, solicitase a elaboração de discriminativo detalhado (meio papel ou arquivo digital) informando quais segurados e remunerações integrantes das planilhas de fls. 76 foram declarados cm GFIP pela empresa DPTO Produções Ltda. 4.4. Considerando que o Relatório Fiscal (fls. 95/102) aponta para a conclusão de que os contribuintes individuais que receberam premiações por meio de cartão teriam seus vínculos estabelecidos diretamente com a autuada (Banco Volkswagen S/A e a sucedida Volkswagen Leasing), solicitase que a Autoridade Fiscal, frente às análises e esclarecimentos apresentados em resposta aos questionamentos anteriores, esclareça, conclusiva e justificadamente, se o vínculo dos contribuintes individuais que receberam as citadas premiações é com a autuada. 4.5. Havendo, em consequência, qualquer alteração no valor das contribuições previdenciárias incluídas na presente notificação, deverá a referida Autoridade demonstrar, justificadamente, tal alteração. Após que seja o contribuinte cientificado a manifestarse sobre o resultado da diligência, com o posterior envio dos autos a este Eg. Conselho para julgamento do recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901719/2010-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO NA FONTE.
A dedução da CSLL retida na fonte condiciona-se à demonstração de efetivo recolhimento dos valores aos cofres públicos e ao oferecimento das respectivas receitas à tributação.
As notas fiscais e planilhas elaboradas pelo contribuinte não são suficientes para a comprovação de liquidez e certeza do direito afirmado.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1801-001.311
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes- Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO NA FONTE. A dedução da CSLL retida na fonte condicionase à demonstração de efetivo recolhimento dos valores aos cofres públicos e ao oferecimento das respectivas receitas à tributação. As notas fiscais e planilhas elaboradas pelo contribuinte não são suficientes para a comprovação de liquidez e certeza do direito afirmado. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 17 19 /2 01 0- 17 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente apresentou Declarações de Compensação 29057.29850.230206.1.3.034887 por meio do qual compensou crédito decorrente de saldo negativo de CSLL referente ao 3° trimestre de 2003, com débitos nele declarados. O Despacho Decisório n° emitido em 06/09/2010 pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP, pois o crédito reconhecido teria sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente, conforme o fundamento que transcrevemos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: [...] Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 11.981,82 Valor na DIPJ: R$ 11.981,82 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$11.981,82 CSLL devida: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 11.159,47 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 850.416,16 Valor na DIPJ: R$ 850.416,16 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 909.762,19 IRPJ devido: R$ 59.346,03 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devido), limitado ao menor valor entre o saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do Saldo negativo disponível: R$ 741.109,06 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10735.901719/201017 Acórdão n.º 1801001.311 S1TE01 Fl. 9 3 Portanto, a não homologação de parte do afirmado direito creditório oriundo do saldo negativo decorreu do não reconhecimento de retenções de fonte no valor de R$822,35. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente constou, em síntese, que: (i) mantinha rígido controle sistematizado das retenções de fonte, somente procedendo à formação do saldo negativo de CSLL para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; (ii) apresentou “anexo A” em que consignou as empresas em relação às quais não se confirmara as retenções de fonte, compondo o valor de R$822,35; (iii) apresentou “anexo B” em que relacionou os valores retidos informados, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no terceiro trimestre de 2003;(iv) alegou que fez prova de que de fato tem direito ao crédito integral de saldo negativo de CSLL, e que as retenções estão demonstradas, devendo a Secretaria da Receita Federal, de posse das informações disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; (v) apresentou as respectivas notas fiscais, dispostas no anexo C. A 1a Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o fundamento de falta de comprovação do direito alegado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO – CSLL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional. CSLL RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL retida na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida afirmouse que para que a CSLL retida e recolhida possa ser deduzida do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário, a receita correspondente deve ter sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, computada na determinação do lucro real no referido período de apuração.Nesse sentido, seria ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os valores de CSLL referentes a pagamentos por serviços prestados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para deduzila quando da apuração do resultado do exercício. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 E nos termos dos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99, a documentação apresentada produzida pela própria interessada Planilha – 3o Trimestre 2003 Anexos A e B — fl. 33/37 e cópias de notas fiscais Anexo C — fl. 38/60), não seria suficiente para a demonstração pretendida. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reiterou os argumentos expendidos na defesa anterior, acrescendo que: i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art.923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10735.901719/201017 Acórdão n.º 1801001.311 S1TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o despacho decisório negou o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que o crédito reconhecido referente a base de cálculo negativa de CSLL, foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente,uma vez que deixaram de ser comprovadas parte das retenções na fonte, relativas a seus prestadores de serviço. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, fundamentou a negativa de reconhecimento do direito creditório na ausência de certeza e liquidez do direito creditório afirmado, pois a documentação acostada aos autos não se prestaria a essa finalidade, que apenas seria atingida pela apresentação das respectivas DIRFs. Analisandose as razões do recurso voluntário apresentado, conforme relatado anteriormente, inicialmente deve ser rechaçada a alegação da Recorrente de que não é condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte, o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora. Ora, admitir tal assertiva implica o desvirtuamento do próprio conceito de compensação, enquanto ente jurídico que pressupõe relação jurídica complexa, que encerra relação de indébito do Fisco, e, por conseguinte, pressupondo o pagamento a maior ou indevido. No caso do regime jurídico de apuração do imposto sobre a renda eleito o cálculo do valor devido a título de IRPJ e CSLL, consolidase em 31 de dezembro de cada ano calendário, pois esse é o marco temporal estabelecido pela legislação, que determina o término do período de apuração e, por conseguinte, momento em que se reputam aperfeiçoados os fatos geradores dos referidos tributos. Nessa ocasião, aperfeiçoase o fato jurídico que dá nascimento à obrigação tributária, pelo cômputo de todos os pagamentos de antecipações, retenções na fonte, deduções, que são suficientes, vistos em conjunto, para a extinção da obrigação tributária, podendo advir situações em que apuração de saldo negativo, quando se verifica que do cômputo geral, há saldo credor para o contribuinte. É o que determina a Lei n.9430/96: Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (g.n.) Portanto, nesse contexto, impõese que na determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica tãosomente possa deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, não se podendo deduzir o que não foi pago a maior. Assim, estabelecida essa premissa, inferese que a possibilidade de dedução da CSLL na composição da base de cálculo no final do exercício condicionase à demonstração de efetivo recolhimento dos valores aos cofres públicos, concomitantemente ao oferecimento das respectivas receitas à tributação. Seguindose adiante, para fazer a prova da retenção, o art.55 da Lei n° 7.450/85 estabelece que: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. E nessa esteira, os arts. 942 e 943 do RIR assim determinam: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). (g.n.) Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10735.901719/201017 Acórdão n.º 1801001.311 S1TE01 Fl. 11 7 § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(g.n.) Destarte, verificase que a legislação é coerentemente edificada para dispor sobre essa hipótese de responsabilidade tributária por substituição, em que o substituído é efetivamente o contribuinte, que suporta o encargo econômico da exação, mantendose atrelado ao destino da obrigação tributária principal. A Recorrente, assim, deveria manter em seu poder os comprovantes de retenção da CSLL que utilizou para compor o saldo credor da CSLL, por expressa disposição legal, não sendo caso de mera faculdade, porém de obrigação prescrita na legislação, não podendo dela se furtar, pela mera alegação de omissão da fonte pagadora. Diante do quadro que se descortina, o pedido de restituição/compensação, deve ser acompanhado da prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e a CSLL retida, admitindose os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Essa Turma especial, inclusive, tem o entendimento firmado nesse sentido, conforme se depreende: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilhas com remissão a Notas Fiscais não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Assim, embora se invoque o Princípio da Verdade Material, alegando que os documentos elencados na legislação não seriam os únicos hábeis a comprovar as retenções na fonte, é certo que os documentos juntados não são suficientes para constituir a situação jurídica afirmada, pois não espelham a realidade afirmada. Para invocar referido princípio ao seu favor, deveria ter acostado documentação suficiente que demonstrasse o fato da retenção e do Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 oferecimento das receitas à tributação, pois o Princípio da Verdade Material não opera seus efeitos à míngua de substrato probatório que espelhe determinada alegação. Nesse sentido, também não lhe assiste direito à produção de laudo técnico para a comprovação da alegação, pois este se revela despiciendo se considerado que a Recorrente poderia já na primeira instância administrativa ter acostado as provas, considerandose que estas, em tese, já deveria deter, desde sempre. O Princípio da Verdade Material não se presta a subverter e suplantar as regras do processo administrativo fiscal, e assim, eternizálo, substituindo o ônus processual do contribuinte. Frisese, por derradeiro, que a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Assim sendo, por todos os motivos expostos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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