Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.014216/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
LANÇAMENTO FISCAL. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. EMPREITADA.
A empresa é obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra empreitada e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO FISCAL. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. EMPREITADA. A empresa é obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra empreitada e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.014216/2010-13
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5321132
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-003.844
nome_arquivo_s : Decisao_10830014216201013.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10830014216201013_5321132.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5276310
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369949712384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 329 1 328 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.014216/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.844 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria CESSÃO DE MÃO DE OBRA Recorrente MUNICÍPIO DE HORTOLANDIA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO FISCAL. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. EMPREITADA. A empresa é obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra empreitada e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 42 16 /2 01 0- 13 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal para o período de 01/01/2005 a 31/12/2005 com base nos valores escriturados contabilmente, conforme relatório fiscal e discriminativo do débito. O lançamento foi realizado em 27/10/2010 e constitui crédito sobre serviços prestados ao recorrente mediante cessão de mãodeobra. Seguem trechos da acórdão recorrida: LANÇAMENTO FISCAL. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃODE OBRA/ EMPREITADA. A empresa é obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra/empreitada e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. PROVAS. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA O pedido de diligência e perícia deve ser motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. ... Destaca o Relatório Fiscal, fls. 71/75, que a Prefeitura Municipal de Hortolândia para atender as necessidades do Município realizou diversas obras na área de construção civil contratando prestadoras de serviços nas áreas de pavimentação, construção, saneamento e terraplenagem. Segundo a fiscalização “os contratos firmados, na sua maioria, foram de empreitada com fornecimento de material, mão de obra e equipamentos necessários para a execução dos serviços”. ... Levantamento LEV A1 contribuições incidentes sobre serviços prestados pela empresa Berpa Construtora Emp. Com. Ltda CNPJ 03.593.518/000174, na área de pavimentação, conforme previsão contratual, porém sem discriminação do valor da mão de obra, fornecimento de material e equipamento, caso em que se considerou o valor bruto das notas fiscais para apuração da base de cálculo. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Em preliminar sustenta a nulidade da autuação por inexistência de justa causa e inocorrência de qualquer ilicitude, além de “os Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014216/201013 Acórdão n.º 2402003.844 S2C4T2 Fl. 330 3 dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação”, devendo ser arquivado o processo. Afirma que não houve análise de toda a documentação, como se vê dos documentos juntados, o que macula o procedimento e oferece incertezas para se chegar a conclusão da suposta infração cometida, uma vez que os demonstrativos não tem validade jurídica . Reputa indevida a exigência por erros no lançamento de ofício e ainda por afronta ao disposto nos artigos 112 e 142, ambos do Código Tributário Nacional/CTN, sendo ilegal a autuação uma vez que efetuou os recolhimentos dos tributos ora questionados, conforme documentação anexa. Submetido o recurso à apreciação desta segunda turma ordinária, o julgamento foi convertido em diligência conforme trechos da Resolução 2402000.262: Antes do exame das questões preliminares e de mérito, há alguns fatos que precisam ser elucidados. A fiscalização informa que no levantamento A1 foram lançadas as retenções pelo serviço de pavimentação asfáltica contratado da empresa Berpa Construtora Emp. Com. Ltda CNPJ 03.593.518/000174, considerando o valor bruto das notas fiscais em razão da falta de discriminação do valor da mão de obra, fornecimento de material e equipamento, embora reconheça que contratualmente exista fornecimento de material e equipamentos. A remuneração arbitrada coincide com o valor bruto da nota fiscal sem considerar os percentuais previstos nos artigos 150 e 605 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005: ... No relatório de lançamento, fls. 04, os valores das competências 07/2005 e 09/2005 não coincidem com os valores registrados nas notas fiscais de serviços: R$ 170.125,32 (R$ 230.988,30) e R$ 278.909,20 (R$ 27.890,92), respectivamente. Além de que a cópia às fls. 25 está ilegível. A diligência trouxe as seguintes informações: Com relação às competências e valores citados, tratase dos lançamentos com códigos de levantamento A1, identificados na folha 14 do processo, referente às notas fiscais n°(s) 007 e 011 emitidas pelo prestador de serviço, CNPJ 03.593.518/000174, Berpa Construtora Empr. Com. Ltda, para as quais temos a esclarecer: Competência 07/2005. a) O valor de R$ 170.125,32 implica em parte do pagamento da nota fiscal n° 007 com data de emissão em 13/07/2005. A ordem de pagamento 5311/1, documento anexo na folha 24 do processo, no campo especificação, deixa claro que se trata de parte do pagamento e não do valor total da nota fiscal. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 b) Devido a pouca legibilidade do original da nota fiscal de serviço n° 007, apresentada pelo contribuinte para a fiscalização, sua cópia anexada na folha 25 do processo ficou prejudicada, isto é, ilegível. No entanto, seu valor bruto de R$ 230.988,30, objeto do lançamento da base de cálculo da retenção pode ser conferido na folha 64 do processo n° 10830.014215/201079, Debcad n° 37.307.9257, documento apresentado pelo contribuinte como: “Retenção Analítico, O P./ Ordem Auxiliar n° 607 de 14/07/2005”. Abaixo extraímos cópia deste documento. Competência 09/2005. a) Nesta competência, no levantamento A1, ocorreu erro de digitação no valor do lançamento. O valor correto deveria ser o mesmo registrado na nota fiscal de serviço, qual seja, R$ 278.909,20. É o Relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014216/201013 Acórdão n.º 2402003.844 S2C4T2 Fl. 331 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, passo ao exame. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014216/201013 Acórdão n.º 2402003.844 S2C4T2 Fl. 332 7 No mérito A decisão recorrida reconhece que houve previsão contratual de fornecimento de mão de obra, material e equipamentos: Segundo a fiscalização “os contratos firmados, na sua maioria, foram de empreitada com fornecimento de material, mão de obra e equipamentos necessários para a execução dos serviços”. No entanto, entende a fiscalização que a falta de discriminação dos custos com material e equipamentos nas notas fiscais implica o arbitramento sobre o valor bruto do documento. Quanto ao arbitramento de contribuições, a Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005 estabelece os parâmetros e critérios para o arbitramento: Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos § § 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 4º do art. 60; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse da SRP; V quando os documentos ou informações de interesse da SRP forem apresentados de forma deficiente. § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 427, 601 e 605, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; Constatase que o ato normativo indica os percentuais que serão aplicados em cada caso. Mesmo que os valores não estejam discriminados nas notas fiscais e no contrato, apenas indicados os equipamentos e material, em regra o serviço é arbitrado em 50% do valor bruto da nota fiscal. A remuneração será um percentual sobre a parcela correspondente ao serviço. E, em se tratando de construção civil, devese examinar o artigo 605, que estabelece Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 para alguns serviços o percentual correspondente à remuneração, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal: Art. 601. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 600. § 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 600. § 2º Caso haja discriminação de valores de material ou de utilização de equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, mas não existindo previsão contratual de seu fornecimento, o valor dos serviços será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãodeobra, o disposto no art. 600. § 3º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãode obra utilizada na prestação de serviços, o disposto no art. 600 e observado, no caso da construção civil, o previsto no art. 605. ... Art. 605. Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014216/201013 Acórdão n.º 2402003.844 S2C4T2 Fl. 333 9 Parágrafo único. Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços relacionados nos incisos do caput e não houver discriminação individual do valor de cada serviço, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. Já em relação ao instituto da retenção na cessão de mão de obra, exigese em quaisquer casos a discriminação em nota fiscal de serviços dos valores correspondentes a equipamento e material: Art. 151 Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou utilização de equipamento e o uso deste equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, para o qual a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, à prevista no inciso II do art. 150. Parágrafo único. Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual para o fornecimento de material ou utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores em contrato. A recorrente não traz aos autos, independentemente da falta de discriminação de valores em notas fiscais, quais seriam as bases de cálculo mais próximas dos valores reais. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900882/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.900882/2012-41
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322983
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.950
nome_arquivo_s : Decisao_10945900882201241.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10945900882201241_5322983.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5289164
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369965441024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 76 1 75 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.900882/201241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.950 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 82 /2 01 2- 41 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900882/201241 Acórdão n.º 3803004.950 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900882/201241 Acórdão n.º 3803004.950 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900882/201241 Acórdão n.º 3803004.950 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900882/201241 Acórdão n.º 3803004.950 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900882/201241 Acórdão n.º 3803004.950 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720108/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE
Acatado o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo Contribuinte a fiscalização, em resposta a intimação, com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, apenas um novo Laudo Técnico teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua - VTN mínimo, desde que revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo que seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE Acatado o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo Contribuinte a fiscalização, em resposta a intimação, com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, apenas um novo Laudo Técnico teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua - VTN mínimo, desde que revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo que seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13161.720108/2008-87
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5308705
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.493
nome_arquivo_s : Decisao_13161720108200887.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13161720108200887_5308705.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5184756
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369975926784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720108/200887 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.493 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria ITR Recorrente FRANCISCON AGROPECUÁRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE Acatado o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo Contribuinte a fiscalização, em resposta a intimação, com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, apenas um novo Laudo Técnico teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo, desde que revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo que seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 08 /2 00 8- 87 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13161.720108/200887 Acórdão n.º 2202002.493 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, FRANCISCON AGROPECUÁRIA S/A foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls 44 a 48, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 98,821,06., relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Quiterói, com área de 7.972,1 ha., NIRF 0.377.4201, localizado no município de Anaurilândia/MS. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não logrou comprovar o valor da terra nua declarado; que a matrícula comprova que a área total do imóvel é 7.972,1 ha.; e que o laudo técnico apresentado avaliou o VTN do imóvel em R$ 1.878,87 por hectare, relativamente ao valor de mercado em I o de janeiro do ano de exercício da DITR, totalizando para o imóvel o VTN de R$ 14.978.539,53, que foi utilizado para o cálculo do imposto. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 43. Cientificada do lançamento, por via postal, em 06/10/2008 (fls. 100), a interessada apresentou a impugnação de fls. 50 a 55, em 04/11/2008, acompanhada dos documentos de fls. 56 a 86, onde argumentou, em suma, o que segue: • O valor da terra informado no laudo técnico é do mês de julho/2008, quando de sua elaboração; não nega o valor constante do laudo, porém, no ano de 2004 o valor era menor, posto que tudo aumentou de valor desde então, inclusive o preço da terra, razão pela qual não se pode adotar o preço de hoje; • Várias informações demonstram a subida dos preços, conforme segue: 05/01/2004, a arroba do boi gordo era cotada ao preço médio de R$ 60,00 e em julho/2008 chegou a R$ 94,00; um bezerro valia R$ 370,00 e atualmente vale R$ 1.000,00; a inflação acumulada no período de 01/01/2004 a 30/09/2008, medida pelo INPC/IBGE foi de 26,82% e a variação da Taxa Selic chegou a 66,31%; a terra teve aumento de preço significativo no Estado do Mato Grosso do Sul nos últimos anos, principalmente a partir do ano 2006, dada a erradicação do surto de Febre Aftosa e expansão da área de plantio de cana, com instalação de diversas usinas de beneficiamento no Estado; • Sempre informou na DITR o valor de mercado do imóvel; se a autoridade administrativa supôs que o valor declarado estava abaixo do de mercado, deveria diligenciar antes de efetuar o lançamento e demonstrar o valor real do imóvel em 01/01/2004, mas, não produziu nenhuma prova nesse sentido: • O lançamento contraria a parte final do art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. que determina que o valor seja apurado em procedimento de fiscalização, o que exige que a administração fazendária produza as provas dos fatos constitutivos de seu direito, ou seja , que demonstre que a declaração entre pelo contribuinte não merece fé; segundo o art. 2o da Lei n.° 9.784/1999 os atos administrativos deverão ser motivados, em observância aos princípios da legalidade e da verdade material que orientam o direito tributário; consoante entendimento Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 expresso em Acórdão do (antigo) 3° Conselho de Contribuinte, o ITR está sujeito ao lançamento por homologação, cabendo ao fisco o ônus da prova quanto ao valor real do imóvel, caso discorde do declarado; A falta de laudo técnico referente ao Exercício 2004 não dá à autoridade administrativa o direito de adotar o valor de mercado do imóvel em 2008 para efetuar o lançamento suplementar do ITR/2004, posto que contraria o art. Io da Lei n.° 9.393/1996, que diz que o ITR tem como fato gerador a propriedade do imóvel em I o de janeiro de cada ano; • Para demonstrar que o valor do laudo não pode ser considerado para 2004, apresenta informações sobre preços de terras avaliados pela Fazenda Pública Municipal de Anaurilândia nos anos de 2004 e 2005; • No ano de 2004, o imóvel foi medido pelo sistema de georreferenciamento, instituído pela Lei n.° 10.267/2001, e não teve tempo de providenciar a retificação da DITR/2004, já que o procedimento estava em fase de conclusão junto ao Incra. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua aceito pela fiscalização, com base no laudo técnico apresentado em atendimento à intimação, se não for apresentada comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Enfatiza três pontos 1) que a autoridade administrativa não produziu nenhuma prova que o VTN do imóvel em 01/01/2004 era maior que o declarado; 2) que a autoridade julgadora não aceitou o argumento de que o valor da Terra Nua em 2004 era menor em 2008 e 3) que é dever do fisco provar que o VTN declarado estava abaixo do preço do fisco. Reitera que demonstrou que o preço da terra era menor em 2005, a partir de vária evidências tais como o preço da arroba do boi, a inflação acumulada e a variação da taxa selic. Enfatiza a não produção de provas pelo fisco para comprovar a suposta subavaliação. Indica que fisco não produziu provas que a recorrente subavaliou o VTN/ha do imóvel em 01/01/2004, nem observou que o fisco não levou em consideração os valores inclusos no SIPT, já que não apontou qual o VTN/ha do imóvel em 01/01/2004. A decisão recorrida não levou em consideração a defesa da recorrente quando ela apontou que o ITR tem como fato gerador a propriedade do imóvel em I o de janeiro de cada ano, ao manter o crédito tributário constituído com base em valores de 2008, a Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13161.720108/200887 Acórdão n.º 2202002.493 S2C2T2 Fl. 4 5 decisão recorrida contrariou as disposições do art. I o e 8o , § II da Lei Federal n° 9393/96 que determinam "que o ITR tem fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel em Io de janeiro de cada ano e que o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em Io de janeiro do ano a que se referir o DIAT. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A lançamento referese exclusivamente a alteração do VTN, que foi realizado pela fiscalização com base no laudo entregue pelo interessado, como resposta a intimação de fiscal para apresentação de laudo que comprove o valor da Terra Nua. A autoridade recorrida ao apreciar os argumentos do recorrente sintetiza: “No caso ora tratado, em trabalho de malha da Declaração de ITR/2004 do imóvel, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar o VTN declarado mediante a apresentação de Laudo de Avaliação elaborado em conformidade com norma da ABNT, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls. 0 1 a 03, onde constou também a informação de que, na falta de comprovação do valor declarado, o VTN seria arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, que indicava o VTN/ha. de R$ 1.257,50 para terras classificadas como "outras"* no município de localização do imóvel. A administração tributária alimentou o SIPT com informação fornecida pela Prefeitura do Município de Anaurilândia/MS e a autoridade fiscal, antes do lançamento, cientificou o contribuinte do valor contido no SIPT, ficando demonstrado que foram cumpridas as exigências previstas na legislação tributária para arbitramento do VTN. Após receber o Termo de Intimação Fiscal com informações necessárias para comprovação do VTN do imóvel no Exercício em questão, o contribuinte apresentou o laudo técnico de fls. 15 a 40, acompanhado da respectiva ART, onde o profissional habilitado, engenheiro agrônomo, informou que avaliou o VTN/ha. do imóvel em R$ 1.878,87 e que o laudo foi elaborado para "Atender ao solicitado no Termo de Intimação Fiscal 01402/00055/2008, lavrado em 16/06/2008. pela Unidade da DRF/Dourados(MS)". A autoridade fiscal acolheu o VTN/ha. indicado em tal laudo e, dessa forma, após multiplicar esse valor pela área total do imóvel registrada na matrícula imobiliária e no laudo técnico, de 7.972,1 ha., alterou o VTN do imóvel para R$ 14.978.539,53e refez o cálculo do imposto devido. E, com a exclusão do VTN correspondente às áreas isentas, apurou o VTN tributável de R$ 11.260.630,85. Como razão fundamental para votar, autoridade recorrida reitera que não há prova que permita no recurso invalidar o lançamento com base no laudo elaborado pelo recorrente em atendimento a um intimação específica. Cabe destacar que, conforme comprovantes de fls. 69 a 71, para fins de ITBI, a Prefeitura Municipal de Anaurilândia/MS aceitou Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13161.720108/200887 Acórdão n.º 2202002.493 S2C2T2 Fl. 5 7 avaliação de imóveis rurais por valores correspondentes a R$ 2.100,00, R$ 1.690,96 e R$ 2.433,09 por hectare, nos anos de 2004 e 2005, e nessas guias do ITBI não houve destaque de valor de benfeitorias existentes nesses imóveis. E, com relação ao ano a que se referem os valores considerados no laudo técnico, apesar de constar informação de que são de 2008, não foram apresentados comprovantes efetivos nesse sentido e nem das características efetivas e das benfeitorias efetivamente existentes nos elementos amostrais considerados pelo profissional para justificar que o imóvel ora tratado possuía VTN/ha. inferior ao dos paradigmas. Assim, apesar dos questionamentos da contribuinte, impõese reconhecer que não há nos autos comprovação efetiva que justifique reconhecer que o VTN efetivo do imóvel é menor do que o considerado pela fiscalização. Da análise do lançamento, não identifico qualquer vício no mesmo. Fundamentalmente não há provas nos autos, que demonstrem existir outro valor que não aquele consignado por um laudo trazido ao processo pelo próprio recorrente. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, entendo que apenas um novo Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua – VTN, naturalmente na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Em suma caberia ao recorrente trazer novo laudo demonstrando a imprecisão do anterior. Entendo que as alegações do recorrente ainda que verossímeis, não são suficientes, pois é indispensável a apresentação de laudo consignando o valor almejado. Ante ao exposto, voto negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000161/2009-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1996
PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA.RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANULADOS POR VÍCIO FORMAL.TERMO INICIAL DE CONTAGEM.
Ocorre a decadência do direito de reconstituir o lançamento anulado por vício formal na hipótese de na se observar o comando do art. 173 do código Tributário Nacional - CTN, que estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado considerando a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA . AFERIÇÃO INDIRETA.
O comando do § 2º do art. 31 da Lei 8.812/91, define que entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação do segurado da contratada à disposição do contratante. Neste sentido, para caracterizar que houve a cessão de mão de obra, há que restar provado que o empregado da contratada esteve , integralmente, à disposição da empresa contratante. De posse de toda documentação que suporte a ocorrência dos serviços prestados na modalidade, descabem meras conjecturas para motivar aferir as incidência de forma indireta.
Numero da decisão: 2403-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência total por qualquer critério do CTN.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 07/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1996 PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA.RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANULADOS POR VÍCIO FORMAL.TERMO INICIAL DE CONTAGEM. Ocorre a decadência do direito de reconstituir o lançamento anulado por vício formal na hipótese de na se observar o comando do art. 173 do código Tributário Nacional - CTN, que estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado considerando a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CESSÃO DE MÃO DE OBRA . AFERIÇÃO INDIRETA. O comando do § 2º do art. 31 da Lei 8.812/91, define que entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação do segurado da contratada à disposição do contratante. Neste sentido, para caracterizar que houve a cessão de mão de obra, há que restar provado que o empregado da contratada esteve , integralmente, à disposição da empresa contratante. De posse de toda documentação que suporte a ocorrência dos serviços prestados na modalidade, descabem meras conjecturas para motivar aferir as incidência de forma indireta.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14041.000161/2009-78
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316661
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.283
nome_arquivo_s : Decisao_14041000161200978.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 14041000161200978_5316661.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência total por qualquer critério do CTN. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. EDITADO EM: 07/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5247069
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369978023936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 105 1 104 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000161/200978 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2403002.283 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente VIA ENGENHARIA S/ A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1996 PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA.RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANULADOS POR VÍCIO FORMAL.TERMO INICIAL DE CONTAGEM. Ocorre a decadência do direito de reconstituir o lançamento anulado por vício formal na hipótese de na se observar o comando do art. 173 do código Tributário Nacional CTN, que estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado considerando a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CESSÃO DE MÃO DE OBRA . AFERIÇÃO INDIRETA. O comando do § 2º do art. 31 da Lei 8.812/91, define que entendese como cessão de mãodeobra a colocação do segurado da contratada à disposição do contratante. Neste sentido, para caracterizar que houve a cessão de mão de obra, há que restar provado que o empregado da contratada esteve , integralmente, à disposição da empresa contratante. De posse de toda documentação que suporte a ocorrência dos serviços prestados na modalidade, descabem meras conjecturas para motivar aferir as incidência de forma indireta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência total por qualquer critério do CTN. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 61 /2 00 9- 78 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 07/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000161/200978 Acórdão n.º 2403002.283 S2C4T3 Fl. 106 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo transcrito que li, compulsei com os autos e, com grifos de minha autoria, adoto: “ Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal ATOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD n° 37.210.0163, em 03/02/2009, no qual foram incluídas as contribuições previdenciárias relativas a parte segurados, além dos juros e multa correspondentes, totalizando o credito tributário no valor de R$ 20.971,76. O período fiscalizado é de 03/1996 a 03/2001, sendo que o lançamento abrange a(s) competência(s) 09/1997 a 11/1998. O Relatório Fiscal de fls. 25/33 informa que o presente lançamento é realizado em substituição as Notificações de Lançamento de Débito NFLD, n° 35.019.6095 e 35.019.6087, lavradas em nome do contribuinte Via Engenharia S/A. Referidas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD mencionadas foi cientificada à Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CIN, a Fazenda Pública pode constituir o crédito em epígrafe em até 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nas notificações julgadas nulas considerouse a existência da responsabilidade solidária entre os prestadores (e subempreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãode obra (Via Engenharia S/A), diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não ter apresentado os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS, etc). As NFLD foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de subempreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional CTN. Isto porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, à época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do débito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124, I, do CTN. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores foram verificados mediante análise dos seguintes elementos: Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de serviço/faturas, Contratos de prestação de serviços, Folhas de Pagamentos e Guias de recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteiros, contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteiros, Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteiros, apresentados pela empresa Via Engenharia S/A na ocasião da lavratura das NFLD substituídas. Nas NFLD substituídas também consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informações referentes à data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal /fatura, prestador de servico/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição apurado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do débito apurado. A empresa Via Engenharia S/A foi intimada a apresentar as Guias de Recolhimento e folhas de pagamento ou GFIP referentes aos pagamentos constantes da planilha, com fins de elidir a responsabilidade solidária. Também foi oportunizada a referida empresa a apresentação de outros elementos, caso discordasse dos percentuais aplicados para efeitos de aferição do salário de contribuição. Em análise dos contacorrentes dos prestadores de serviços, verificouse que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados e outros sequer apresentavam recolhimento. Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimento genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia de recolhimento com valor inferior ao previsto, apresentaram declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fim, foram abatidos do débito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentos inferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Na substituição dos débitos anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendo que o salário de contribuição foi calculado aplicando percentuais Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000161/200978 Acórdão n.º 2403002.283 S2C4T3 Fl. 107 5 sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado as fls.24/25 dos autos. No que concerne à responsabilidade solidária, o Relatório Fiscal acrescenta que, conforme artigo 896 do Código Civil, a mesma não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. No caso, o arbitramento pelo faturamento para apurar a base de calculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mão deobra, está previsto no artigo 33 da Lei 8.212/91. O procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, na época do lançamento, na OS/INSS/DAF n° 176/1997 e, antes, pela OS/INSS/DAF no 83/1993. Para o período anterior a vigência da Lei 9.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação à solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta, as fls. 34/35, Termo de Sujeição Passiva Solidária, cientificado em 11/02/2009 ao sujeito passivo solidário S. S dos Santos Diniz ME, 02.049.321/000106, 010 conforme documento de fls. 36, juntamente com o Auto de Infração sob comento. Em 18 de março de 2009, a empresa Via Engenharia S/A apresentou defesa tempestiva, na qual resume em algumas páginas o procedimento e o lançamento fiscal, e alega, em síntese: que, no presente caso, aplicase a Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal STF, segundo a qual são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que conferiam o prazo decadencial e prescricional de 10 anos. que as decisões que anularam as NFLD anteriores por vicio formal se tornaram definitivas em 31 de outubro de 2003, uma vez que da decisão não cabiam mais recursos; que as decisões de nulidade se tornaram definitivas nas datas em que foram prolatadas, visto serem irrecorríveis, conforme informa a carta de ciência enviada ao impugnante em fevereiro de 2004; que como não cabiam mais recursos dos acórdãos, eles se tornam definitivos na data em que foram proferidos, 31/10/2003, de forma que o prazo para substituição das NFLD esgotouse em 30 de outubro de 2008; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 que os fatos geradores ocorreram no período de 1996 a 1999 e que as NFLD anuladas foram lançadas apenas contra o devedor solidário e não contra o contribuinte.Dessa forma, não pode haver lançamento contra o contribuinte relativo a período superior ao período de 5 anos. que, se o crédito não pode ser constituído contra o contribuinte, não há solidariedade a ser exigida no presente caso; que não é possível a aferição indireta contra a impugnante, uma vez que sua contabilidade é regular e não há, no caso, pela legislação em vigor ao tempo dos fatos geradores, solidariedade em obrigação acessória; que não pode haver cobrança de multa contra devedor solidário; que as NFLDs foram anuladas por vicio formal, e que, portanto, deveriam ser substituídas em 5 anos contados da data em . que se tomaram definitivas as decisões de nulidade; que as decisões de nulidade se tornaram definitivas na data em que foram prolatadas, e não na data da ciência ao contribuinte, pois que, das mesmas, não cabiam mais recursos, conforme exposto na carta de intimação enviada ao contribuinte; que, como as decisões foram proferidas em 31 de outubro de 2003, a contagem do prazo previsto no inciso II do artigo 173 do CTN deve ser iniciada nesta data; que, como o presente auto de infração foi lançado em 3 de fevereiro de 2009, neste momento o crédito já havia decaído; que os créditos encontramse decaídos, também, em razão da ausência de lançamento, até a data de 3 de fevereiro de 2009, em relação ao contribuinte do tributo; que os créditos anteriormente discutidos foram lançados somente em nome da ora impugnante, mera responsável tributária, e que somente em 2009 houve o lançamento contra o contribuinte; que, assim, o crédito tributário só foi constituído contra o contribuinte em 2009, estando decaído pelo decurso de mais de 10 anos desde a data dos fatos geradores (1996 a 1999); que, estando decaído o crédito em relação ao contribuinte, inexiste obrigação tributária, estando o crédito decaído também em relação ao sujeito passivo solidário, ora impugnante. que não possui o credor solidário a obrigação de manter em sua contabilidade as folhas de pagamento ou registro de documentos relativos a funcionários das empresas que contrata; que o artigo 148 do CTN limita o cálculo do tributo por arbitramento em caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos que não mereçam fé, o que não é o caso dos autos; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000161/200978 Acórdão n.º 2403002.283 S2C4T3 Fl. 108 7 que o arbitramento só pode ser utilizado mediante a desclassificação de documentos ou da contabilidade da empresa, o que não foi feito no presente caso; que o devedor solidário não é responsável pelo pagamento de contribuições devidas a terceiros, conforme artigo 22 da Instrução Normativa no 18, de 11 de maio de 2000; que é incabível a cobrança de multa, que possui caráter punitivo, e não moratório, a qual deve ser imposta ao contribuinte, conforme decisões judiciais citadas; Ao final, requer seja o lançamento julgado nulo, reconhecendo se a decadência do crédito, por ter sido lançado depois de decorridos 5 anos da decisão que anulou o lançamento anterior, por ter decaído o crédito em relação ao contribuinte, inexistindo obrigação tributária; e também seja declarado nulo o lançamento em razão da impossibilidade de utilização da aferição indireta assim como seja declarada nula a cobrança da multa.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.78, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF) DRJ/BSB, em 28 de janeiro de 201010 , exarou o Acórdão n° 0335.293 onde na conclusão não deram provimento às alegações do impugnante. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 87, onde reiterou as razões de impugnação . Não há recursos de Solidários. É o Relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 99, o Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Na forma dos documentos colacionados às fls. 51/52, os acórdãos que reconheceram a nulidade do crédito lançado foram exarados em última instância e prolatados em 31/10/ 2003. A notificação do contribuinte não ocorreu no mesmo ano de 2003 mas sim no ano seguinte em 18/02/ 2004. Cumpre observar quer tal hiato concorreu “ in pejus” para o contribuinte beneficiando a Administração tendo em vista que o comando do art. art. 173 em que se pautou a instância a quo, define que direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim ao levar a notificação para o ano de 2004, a Administração, voluntária ou involuntariamente, beneficiouse com a postergação da contagem do tempo para o exercício seguinte com início em 01/012005 expandida pois em mais um ano para o fisco rever o lançamento anulado. É certo que o contribuinte nas circunstâncias , elemento hipossuficiente na relação sujeito ativo/passivo não tendo dado causa ao prazo para notificar não pode ser vitimado pelas condições adversas lhes impostas. Também é relevante notar que as decisões sobre os acórdãos anulados foram tomadas em última instância descabendo interposições de novos recursos. Tal cenário faz lícito o entendimento de que, a notificação embora ato formal exigível que aperfeiçoa o “decisium” assumiu contornos “pro forma” em virtude de ser definitiva condição prolatada nos acórdãos que não admitia interpor novos recursos. Isto posto, a questão de fundo é estabelecer qual data deva ser observada para dar início para a contagem doe prazo decadencial para constituição de novos lançamentos substitutos. Nas circunstâncias cumpre trazer à lume que a intenção do legislador nunca foi a de penalizar os contribuinte com as mais pesadas imputações. Tal vislumbre fica claro na medida em que no preceituado no inciso II , do art. art. 112 do Código tributário Nacional – CTN, determinouse que tratando de dúvidas quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, interpretase o Códex da maneira mais favorável ao acusado: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000161/200978 Acórdão n.º 2403002.283 S2C4T3 Fl. 109 9 “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, verbis : II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;” É de se ressaltar que andou bem a primeira instância ao exortar o principio da publicidade dos atos administrativos. Entretanto, ao respaldar sua decisão de negar a ocorrência da decadência em razão do comando do inciso II do art. 173 do Código tributário Nacional – CTN, pautada na data em que foi postado o aviso da decisão sobre a nulidade dos lançamentos, além de deixar de observar os sobreditos fatos traduziu precária motivação. No Relatório Fiscal de fls 25, a Autoridade autuante registrou no item 2 da referida peça, que a data da notificação dos lançamentos anulados se ocorrera A PARTIR de 18/02/2004 com base em que a CARTA encaminhada peloINSS fora postada na referida data, verbis: “2. Cumpre observar que a ciência a Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004: (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” Relevante notar que no Relatório Fiscal de primeira instância, o I. Relator , pautandose neste informe, esposou a condição e aduziu que : “ A anulação das NFLD mencionadas foi cientificada à Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004.. ”. Entretanto a ementa contradiz a forma como conduziu o voto, verbis: “A decisão administrativa só pode ser considerada definitiva após a devida cientificação ao interessado, em obediência ao principio da publicidade dos atos administrativos.” Compulsório ressaltar que a notificação efetuada nos termos supra não se aperfeiçoou tendo em vista na forma do comando do § 2° , do art. 23 do Decreto 70.235/72, considerase feita a intimação na data da ciência do contribuinte e não da simples postagem, verbis: “ § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal;” De tudo que foi exposto, considerando que na forma do inciso II do art. 173 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sabendose que a data das decisões definitivas ocorreu em 31/10/2003, o termo fatal para lançar de novo os créditos anulados, repousa na competência 10/2008. Isto posto, tendo o Aviso de Recebimento de fls. 03 registrado que a notificação dos novos lançamentos ocorreu em 18/02/2009 traduziuse intempestiva a constituição dos créditos ora em comento em razão de fulminados pelo Instituto da Decadência. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 De tudo que foi exposto, o crédito constituído no lançamento em comento, encontrase fulminado pelo Instituto da Decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional – CTN. Na hipótese de este Colegiado não esposar o entendimento do relator, passo ao enfrentamento do mérito Na hipótese de este Colegiado não esposar o entendimento do relator, passo ao enfrentamento do mérito. DO MÉRITO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA E DA AFERIÇÃO INDIRETA O texto original, na forma da redação dada pela Lei n° 9.129, de 1995 contemplava no § 2º do art. 31 da Lei 8.812/91 os fatos geradores ocorridos nas competências 09/97 a 11/98 do lançamento em comento definindo que entendese como cessão de mãode obra a colocação do segurado da contratada à disposição do contratante. Neste sentido, para caracterizar que houve a cessão de mão de obra, há que restar provado que o empregado da contratada esteve , integralmente, à disposição da empresa contratante, verbis: “ § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (redação dada pela Lei n° 9.129, de 1995 ) “ No item 5 do Relatório Fiscal de fls. 25, a Autoridade autuante registra que procedera ao lançamento por aferição indireta na forma do abaixo transcrito: “5. As contribuições mencionadas do item anterior foram calculadas mediante aferição indireta, considerandose como salário de contribuição os valores obtidos pela aplicação de percentuais sobre os valores de notas fiscais de serviço/faturas emitidas por subempreiteiras e prestadores de serviço por cessão de mãodeobra que prestaram serviços à Via Engenharia e não efetuaram os devidos recolhimentos e não apresentaram à Tomadora de Serviços os documentos de elisão da responsabilidade solidária (Folha de Pagamento, GFIP, GRPS/GPS etc). No item 9 do sobredito Relatório Fiscal registramse que a identificação dos fatos geradores foi realizada a partir da verificação dos documentos abaixo : “9 A identificação dos fatos geradores foi realizada a partir da análise da documentação apresentada pela empresa Via Engenharia S.A na ocasião da lavraturas das NFLDs ora substiu idas, a saber : • Livros Diário e Razão; • Notas Fiscais de serviço/faturas; • Contratos de prestação de serviços; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000161/200978 Acórdão n.º 2403002.283 S2C4T3 Fl. 110 11 • Folhas de Pagamentos e Guias de Recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteros; • Contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteros; •Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteros; 10. Para a identificação dos fatos geradores fora elaborada uma planilha, inserida nas notificações ora substituídas, onde foram relacionados os pagamentos atinentes a faturas/notas fiscais efetuados a prestadores de serviço de cessão de mão de obra e subempreiteras, com os seguintes dados: • Data de pagamento; • Conta em que foi efetuado o lançamento; • C.C. Centro de Custo em que o serviço foi prestado; • Valor da Nota Fiscal de Serviço/Fatura em moeda da época; • Observações sobre o serviço prestado; • Número da Nota Fiscal de Serviço/Fatura; • Prestador de Servigo/CNPJ; • Percentual aplicado sobre o valor da Nota Fiscal de Serviço/Fatura; • Salário de Contribuição apurado sobre o valor da Nota Fiscal de Serviço/Fatura; • Abatimentos de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas; • Salário de Contribuição do debito apurado. 11. A planilha em questão foi apresentada à empresa Via Engenharia S.A mediante TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, para que a mesma apresentasse as Guias de Recolhimento correspondentes, bem como as folhas de pagamento ou GFIPs, para elidirse da responsabilidade solidária, conforme dispõe a legislação pertinente.” (grifos de minha autoria) Muito embora a Autoridade autuante tenha registrado que vira os Livros Diário e Razão, as Notas Fiscais de serviço/faturas e os Contratos de prestação de serviços, bem como afirma que teria produzido uma planilha apresentada em TIAD, NENHUM desses elementos resta colacionado nos autos. Sequer os números dos registros dos Livros Diário e Razão foram informados. Impossível estabelecer o contraditório na forma genérica da inversão do ônus da prova. Reiterando que trazia na forma do § 2º do art 31 com a redação dada pela Lei n° 9.129, de 1995 entendese como cessão de mãodeobra a colocação dos segurados da contratada à disposição do contratante. Neste sentido , para caracterizar que houve a cessão Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 de mão de obra, tendo a Autoridade autuante lido e analisado os contratos realizados com as prestadoras bem como notas fiscais dos serviços prestados, para fazer prova e tornar clara a motivação o objeto dos contratos deveria ter sido destacado com enquadramento destes nas no rol das atividades sujeitas à cessão de mão de obra. Isto feito não haveria que se falar em AFERIÇÃO INDIRETA que uma vez dispondo dos elementos probantes restaria indubitável que os empregados das prestadoras estiveram, integralmente, à disposição da empresa contratante. Ao afirmar que a empresa dispusera toda a documentação registradas no item 9 do Relatório Fiscal, e ainda pelo fato de não se observar nos autos reiterados pedidos de documentação não atendidos apresentase precária a motivação para constituir o lançamento por aferição indireta. O lançamento do débito por arbitramento, por ser medida extrema, só deverá ser utilizado quando for sistemática a negativa da empresa em apresentar a documentação. O débito arbitrado, dado sua natureza, deverá ser envolvido de cuidados especiais, de modo a apresentar requisitos de convicção, segurança e objetividade. Portanto não basta ao AFRFB, para a lavratura do débito, oferecer meros indícios dos fatos, mas sim, comprovar cabalmente, mediante circunstâncias reais, a prática dos fatos submetidos à incidência da tributação. Conforme o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, independente da forma de aferição, cumpre determinar, de modo efetivo , a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a matéria tributável . Isto não ocorrendo inquina de NULIDADE o lançamento. “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS Muito embora o item 6 do relatório Fiscal acuse ter havido solidariedade , os documentos emitidos NENHUM documento emitido pela Autoridade autuante registra a expressão “ E OUTROS”. Sobre a extensa lista às fls. 37 onde constam os nomes dos prestadores tidos como solidários somente se alcançou intimada a empresa S.S DOS SANTOS DINIZ ME na forma do AR de fls. 36. Quanto aos demais supostos solidários na há registro de cientificação da infração em comento razão pela qual talvez se justifique a ausência de outros recursos voluntário senão da Recorrente. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000161/200978 Acórdão n.º 2403002.283 S2C4T3 Fl. 111 13 Inviabilizado o lançamento em razão da não provada motivação, por economia processual , deixo de enfrentar demais alegações da Recorrente . CONCLUSÃO. Conheço do Recurso para, EM PRELIMINAR DARLHE PROVIMENTO em razão de todo o crédito constituído ter sido fulminado pelo Instituto da Decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional CTN É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018239/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
APRESENTAÇÃO DE DCTF COM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CONTINUADA.
A apresentação de DCTF(s) com atraso, relativas a períodos de apuração mensal distintos são fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente a cada período.
Numero da decisão: 1802-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. APRESENTAÇÃO DE DCTF COM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CONTINUADA. A apresentação de DCTF(s) com atraso, relativas a períodos de apuração mensal distintos são fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente a cada período.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15504.018239/2010-12
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313060
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.952
nome_arquivo_s : Decisao_15504018239201012.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15504018239201012_5313060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 5215062
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369995849728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018239/201012 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.952 – 2ª Turma Especial Sessão de 4 de dezembro de 2013 Matéria Obrigação acessória Multa DCTF Recorrente MULTISERVICE ADMINISTRACAO E SERVICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. APRESENTAÇÃO DE DCTF COM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CONTINUADA. A apresentação de DCTF(s) com atraso, relativas a períodos de apuração mensal distintos são fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente a cada período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 82 39 /2 01 0- 12 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.47/48) que a seguir transcrevo: Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a 2.90.239.1410 FALTA/ ATRASO NA ENTREGA DA DCTF com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500 e acréscimos legais, período de apuração 03/2010. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 03 a 18) contra o lançamento alegando: que entregou espontaneamente, antes de ação fiscal, as DCTF em discussão, situação que se enquadraria na hipótese prevista no art. 138 do CTN; que a entrega da DCTF cumpre sua finalidade e que não houve máfé ou dolo contra a fazenda pública, não podendo ser apenado com multa elevadíssima; que há necessidade de lei para a instituição de obrigação acessória (cita jurisprudência); que as multas aplicadas são desproporcionais e sem razoabilidade (cita jurisprudência); que a aplicação de 7 multas para infração de mesma origem e natureza configura infração continuada e sujeita a única sanção (cita jurisprudência); que a multa é excessiva e confiscatória (cita jurisprudência); que a multa configura desvio de finalidade, pois o objetivo é ser fonte de receita. Ao final, pede o cancelamento das exigências contidas nas notificações, mas se não for acatado, que sejam feitas as devidas reduções. Protesta pela produção de prova pericial, documental e testemunhal. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.018239/201012 Acórdão n.º 1802001.952 S1TE02 Fl. 3 3 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Belo Horizonte/MG) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0242.667, de 19 de fevereiro de 2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 11/03/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 01/04/2013. A Recorrente, no essencial, traz em sede recursal os mesmos argumentos expendidos na impugnação, portanto, desnecessário repetilos. Acrescenta que o r.acórdão foi proferido sem levar em consideração a alteração ocorrida na legislação, qual seja, a alteração no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n° 12.350 de 20/12/2010. Aduz que, a Lei n° 12.350 de 20/12/2010 foi publicada em 21/12/2010, já a Súmula na 49 do CARF foi publicada no DOU em 7/12/2010, ou seja, a Lei n° 12.350 de 20/12/2010 revogou a súmula 49 do CARF. Assim, o acórdão recorrido foi equivocado, pois a Lei 12.350 de 20/12/2010, é posterior a data da edição da Súmula de n° 49 do CARF. Neste sentido, o entendimento contido na súmula n° 49 do CARF está superado em face da Lei 12.350 de 20/12/2010. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário e cancelado o débito fiscal reclamado. Na eventualidade de não ser acatado o recurso, requer seja reduzida pela metade o valor da multa. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de Março de 2010, de que trata a Notificação de Lançamento,fl. 17, na qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 500,00 (multa mínima). Consta da mencionada Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 21/05/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2010. A recorrente alega que apresentou a DCTF junto à Receita Federal e efetuou a denúncia espontânea antes de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, assim é incabível a aplicação da multa. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, e o caráter confiscatório da multa, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 02 e 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A Recorrente alega que o acórdão foi proferido sem levar em consideração a alteração ocorrida no artigo 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, qual seja, a alteração no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n° 12.350 de 20/12/2010. Aduz que, a Lei n° 12.350 de 20/12/2010 foi publicada em 21/12/2010, já a Súmula na 49 do CARF foi publicada no DOU em 7/12/2010, de sorte que , “a Lei n° 12.350 de 20/12/2010 revogou a súmula 49 do CARF”. Assim, o acórdão recorrido foi equivocado, pois, a Lei 12.350 de 20/12/2010, é posterior a data da edição da Súmula de n° 49 do CARF. Neste sentido, o entendimento contido na súmula n° 49 do CARF está superado em face da Lei 12.350 de 20/12/2010. Sobre a alegada alteração no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n° 12.350 de 20/12/2010, tratase, de alteração no DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que dispõe sobre o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências. No tocante ao artigo 102 do mencionado Decreto Lei, a alteração apenas dá nova redação ao § 2º para incluir que a denúncia espontânea também alcança a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porque antes da alteração havia previsão apenas para exclusão da penalidade de natureza tributária, vejamos: MP nº 497, de 27/07/2010 Art. 18 . Os arts. 1º, 23, 25, 50, 60, 75 e 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.018239/201012 Acórdão n.º 1802001.952 S1TE02 Fl. 4 5 ... Art. 102. ................................................................... ............................................................................................. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.” (NR) ......................................................................................................... DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, após alteração: ... Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) §2oA denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) ... Como se vê, inexiste na mencionada legislação exclusão de penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Registrese que a Medida Provisória 497, de 27/07/2010, uma vez convertida na Lei n° 12.350 de 20/12/2010, sem alteração em sua conversão, tem força de lei desde sua Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 edição e eficácia desde sua publicação. E, tal legislação em nada alterou o entendimento sobre a denúncia espontânea sobre a aplicação de penalidades de natureza tributária. Assim, a Súmula nº 49 do CARF publicada em 7/12/2010, após a publicação da Medida Provisória, não se encontra superada ou revogada como aduzido pela interessada. Com efeito, a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada na Notificação de Lançamento, fl.17, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que assim dispõe: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.018239/201012 Acórdão n.º 1802001.952 S1TE02 Fl. 5 7 § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Com efeito, a entrega da DCTF, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de (2%) dois por cento ao mêscalendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. Consta da mencionada Notificação de Lançamento que a DCTF tinha como prazo final para a entrega o dia 21/05/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2010, portanto, cabível a multa por atraso na entrega, relativa a 06 meses/fração, porém, aplicada a multa mínima de R$ 500,00. A Recorrente alega ,ainda, que a entrega de declaração consiste em obrigação acessória e que seu descumprimento fora do prazo não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Aduz que a obrigação principal foi devidamente cumprida, com o pagamento, dentro do prazo legal, assim configuraria a falta de prejuízo ao erário pela entrega a destempo da DCTF . Tal alegação não pode prosperar, pois, o atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo), a teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, porém, respeitado o percentual máximo de 20%, e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos. Estando o crédito tributário (multa mínima) legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei para a dispensa da penalidade, estando a interessada obrigada à apresentação da DCTF, e, sendo inconteste que, apresentou a declaração com atraso, é de ser mantida a exigência da multa em comento. No tocante à alegação de que não se trata de inúmeras irregularidades cometidas a cada período de apuração, mas de uma única irregularidade, aplicandose à espécie o conceito de infração continuada. Razão não assiste à interessada. A DCTF entregue com atraso, constante de Notificação de Lançamento (fl.17), trata de obrigação acessória relativa a período de apuração mensal distinto Março do ano calendário de 2010 com fato gerador e base de cálculo em que repercute obrigação acessória diferenciada a cada período de apuração e vencimento. Portanto a cada DCTF deve ser aplicada a multa correspondente de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF entregue com atraso, respeitados os limites máximo e mínimo, em observância ao artigo 7º, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, acima transcrito. Labora com acerto a decisão recorrida ao concluir que, as apresentações de DCTF em atraso são fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente. Sobre a argumentação da recorrente, poderia se entender como infração reincidente mas sem conteúdo de natureza continuada para se considerar uma única infração, como pretende a autuada. Sobre a redução da multa mínima aplicada, o artigo da Lei nº 8.218, de 29/08/91, e alterações posteriores assim prescreve: (...) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.018239/201012 Acórdão n.º 1802001.952 S1TE02 Fl. 6 9 Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o No caso de provimento a recurso de ofício interposto por autoridade julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III do caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A rescisão do parcelamento, motivada pelo descumprimento das normas que o regulam, implicará restabelecimento do montante da multa proporcionalmente ao valor da receita não satisfeita e que exceder o valor obtido com a garantia apresentada. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o O disposto no caput aplicase também às penalidades aplicadas isoladamente. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Depreendese do dispositivo legal acima que, somente é prevista a redução da multa mínima, quando o sujeito passivo após a decisão de primeira instância, efetua o pagamento da multa ou requer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. Não há previsão legal para redução da multa mínima, no caso em que o contribuinte apresentou recurso voluntário. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 35011.004016/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e antes de da decisão em primeira instância administrativa, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento.
Numero da decisão: 2301-003.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e antes de da decisão em primeira instância administrativa, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 35011.004016/2006-41
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5321104
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.838
nome_arquivo_s : Decisao_35011004016200641.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 35011004016200641_5321104.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Lopes
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5276282
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369998995456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 184 1 183 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35011.004016/200641 Recurso nº 145.790 Voluntário Acórdão nº 2301003.838 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DA CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e antes de da decisão em primeira instância administrativa, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão Notificação para a correta formalização do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 40 16 /2 00 6- 41 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 10/06/2005, por ter deixado a empresa acima identificada de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9o, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa deixou de preparar folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. A recorrente impugnou o débito (fls. 22/23) e, de sua análise, o processo foi baixado em diligência (fls. 30/32), resultando na Informação Fiscal de fls. 38/39, e na juntada da documentação de fls. 40 a 130. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 03.401.4/0312/2006 (fls. 132 a 135), julgou a autuação procedente e a autuada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 142 a 148)), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega inconstitucionalidade da exigência do depósito prévio e, no mérito, reitera que não considera ter infringido nenhum diploma legal, uma vez que elaborou as respectivas folhas observando as formalidades exigidas. Assevera que a impetrada não aceitou as folhas de pagamento anexadas à defesa, se apegando unicamente às Folhas de Pagamento elaboradas quando da regularização das obrigações previdenciárias. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35011.004016/200641 Acórdão n.º 2301003.838 S2C3T1 Fl. 185 3 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que, após a impugnação do sujeito passivo e antes do julgamento de 1ª instância, o processo foi convertido em diligência e a autoridade autuante se manifestou rebatendo os argumentos trazidos pela recorrente em sua peça impugnatória e juntando farta documentação para demonstrar a correção do feito. Todavia, verificase que não foi dada, à autuada, a oportunidade se manifestar após o pronunciamento da autoridade lançadora e antes da decisão da Autarquia Previdenciária, suprimindo uma instância administrativa do contribuinte, configurando, dessa forma, desrespeito ao contraditório e à ampla defesa. O processo, como espécie de procedimento em contraditório, exige a manifestação de uma parte sempre que a outra traz para os autos fatos novos. Assim, se no curso do procedimento, são efetuadas diligências com manifestações do agente autuante sem conhecimento do sujeito passivo, fazse necessária a abertura de prazo para sua manifestação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. E o Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 59, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, entendo que a nulidade da DN merece ser decretada afim de que se possa oferecer oportunidade à recorrente de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal antes de qualquer decisão da Autarquia a respeito do lançamento. Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO e ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO, para que o contribuinte seja intimado a se manifestar em relação à Informação fiscal. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910822/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.910822/2010-22
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326648
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.805
nome_arquivo_s : Decisao_10680910822201022.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10680910822201022_5326648.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5313248
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370021015552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 37 1 36 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910822/201022 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.805 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAGGA AUTO PECAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 22 /2 01 0- 22 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910822/201022 Acórdão n.º 3801002.805 S3TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511585 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 06661.15861.200407.1.3.045468 (doc. de fls. 1316). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.013,50, representado por Darf recolhido em 15/07/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 30/06/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/07/2004 no valor de R$ 3916,77; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 902,67, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910822/201022 Acórdão n.º 3801002.805 S3TE01 Fl. 39 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910822/201022 Acórdão n.º 3801002.805 S3TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 30/06/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910822/201022 Acórdão n.º 3801002.805 S3TE01 Fl. 41 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930928/2011-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.930928/2011-55
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320919
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.539
nome_arquivo_s : Decisao_11080930928201155.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080930928201155_5320919.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5276097
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370035695616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930928/201155 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.539 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERAÇÃO CRM. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 28 /2 01 1- 55 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.393, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n°11080.930928/201155, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 5 4 Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 6 5 geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 8 7 art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930928/201155 Acórdão n.º 3801002.539 S3TE01 Fl. 9 8 É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000186/2006-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
RECURSO DE OFÍCIO:
DECADÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
No lançamento de ofício das multas isoladas o termo inicial para a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA.
Aplica-se ao ato administrativo de lançamento de ofício, não definitivamente julgado, lei superveniente que comine ao sujeito passivo penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da irregularidade, nos termos do art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional - CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO:
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE.
Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS.
Devem ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal.
INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O primeiro ato, escrito, praticado por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações de compensações ou declarações retificadoras que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício.
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A redução sistemática, em diversos períodos, de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, bem como a apresentação de declarações ao Fisco Estadual em valores superiores àqueles declarados ao Fisco Federal confirmam a intenção de sonegar tributos e autorizam a qualificação da multa de ofício.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Preliminares rejeitadas.
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1302-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário acordam: I) por unanimidade, afastar as alegações de nulidade; II) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do Pis e da Cofins lançados, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade e Andrada Marcio Canuto Natal; III) por maioria, em manter a aplicação da multa qualificada (150%), vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez e Marcio Rodrigo Frizzo; IV) por voto de qualidade, manter a exigência da multa isolada de IRPJ e CSLL, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcio Rodrigo Frizzo; e, V) por voto de qualidade, afastar a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade, Andrada Marcio Canuto Natal e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Designado como redator do voto das matérias vencidas o Conselheiro Eduardo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.000186/2006-23
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5325835
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-000.976
nome_arquivo_s : Decisao_19647000186200623.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 19647000186200623_5325835.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário acordam: I) por unanimidade, afastar as alegações de nulidade; II) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do Pis e da Cofins lançados, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade e Andrada Marcio Canuto Natal; III) por maioria, em manter a aplicação da multa qualificada (150%), vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez e Marcio Rodrigo Frizzo; IV) por voto de qualidade, manter a exigência da multa isolada de IRPJ e CSLL, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcio Rodrigo Frizzo; e, V) por voto de qualidade, afastar a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade, Andrada Marcio Canuto Natal e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Designado como redator do voto das matérias vencidas o Conselheiro Eduardo de Andrade. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
id : 5304673
ano_sessao_s : 2012
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO: DECADÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício das multas isoladas o termo inicial para a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. Aplica-se ao ato administrativo de lançamento de ofício, não definitivamente julgado, lei superveniente que comine ao sujeito passivo penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da irregularidade, nos termos do art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional - CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. Devem ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O primeiro ato, escrito, praticado por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações de compensações ou declarações retificadoras que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática, em diversos períodos, de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, bem como a apresentação de declarações ao Fisco Estadual em valores superiores àqueles declarados ao Fisco Federal confirmam a intenção de sonegar tributos e autorizam a qualificação da multa de ofício. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Preliminares rejeitadas. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370104901632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 429 1 428 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.000186/200623 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302000.976 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente DPM DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO: DECADÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício das multas isoladas o termo inicial para a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. Aplicase ao ato administrativo de lançamento de ofício, não definitivamente julgado, lei superveniente que comine ao sujeito passivo penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da irregularidade, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 01 86 /2 00 6- 23 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 430 2 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. Devem ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O primeiro ato, escrito, praticado por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações de compensações ou declarações retificadoras que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática, em diversos períodos, de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, bem como a apresentação de declarações ao Fisco Estadual em valores superiores àqueles declarados ao Fisco Federal confirmam a intenção de sonegar tributos e autorizam a qualificação da multa de ofício. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 431 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Preliminares rejeitadas. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário acordam: I) por unanimidade, afastar as alegações de nulidade; II) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do Pis e da Cofins lançados, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade e Andrada Marcio Canuto Natal; III) por maioria, em manter a aplicação da multa qualificada (150%), vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez e Marcio Rodrigo Frizzo; IV) por voto de qualidade, manter a exigência da multa isolada de IRPJ e CSLL, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcio Rodrigo Frizzo; e, V) por voto de qualidade, afastar a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade, Andrada Marcio Canuto Natal e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Designado como redator do voto das matérias vencidas o Conselheiro Eduardo de Andrade. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 432 4 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 433 5 Relatório Tratam os presentes autos de recurso de ofício interposto pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, contra parte da decisão proferida no Acórdão nº 1121.943, de 14 de março de 2008 (fls. 4604/4636), bem como de recurso voluntário (fls. 4702/4740) de DPM DISTRIBUIDORA LTDA., em relação à parcela mantida nos autos de infração de IRPJ (fls. 10) e CSLL (fls. 2515). Consta do Relatório de Trabalho Fiscal, às fls. 28 a 39, as seguintes irregularidades fiscais: a) As Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, dos anoscalendário de 2001 e 2002 foram retificadas pela contribuinte após o início do procedimento Fiscal. Para o Ano Calendário 2001 a Declaração de Informação da Pessoa Jurídica – DIPJ retificadora alterou os resultados constantes da original de forma a retratar os resultados da Demonstração de Resultado do Exercício, anexada junto a JUCEPE. Para o Ano Calendário 2002, apesar de a empresa ter apresentado DIPJ retificadora esta não alterou os resultados apurados pela contribuinte. b) Para os Anos Calendários de 2001 e 2003 foram considerados para efeito de tributação do IRPJ e da CSLL os valores extraídos respectivamente das DIPJs retificadoras (2001) e original (2003). c) Para os Anos Calendários 2000 e 2002 a fiscalização efetuou a apuração dos resultados a partir da escrita contábil e fiscal disponibilizada pela empresa autuada. A recomposição do resultado do Ano Calendário 2002 está no demonstrativo da fl. 171 (volume I), enquanto do Ano Calendário 2000 está à fl. 2623 (volume XIV). 2 — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA — Ano Calendário 1999 A 2002. Foram apuradas falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Em cumprimento a legislação, em especial o art. 44, §1°, inciso III da Lei n° 9.430/1996 foram lançadas multas isoladas no percentual de 75% sobre o valor que deixou de ser recolhido. Ressaltam os autuantes que em relação aos meses de janeiro, julho, agosto e dezembro de 1999 foram acrescentadas omissões de receitas apuradas no processo n° 19647.012087/200440. Esclarecem ainda que a multa isolada referente aos valores apurados no Anocalendário 1999 já haviam sido lançadas, porém como ficou demonstrada a falta de inclusão das omissões Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 434 6 de receita estas multas foram complementadas no presente auto de infração. 3 FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO DA CSLL— AJUSTE ANUAL DOS ANOS CALENDÁRIOS DE 1999A 2002 E DOS QUATRO TRIMESTRES DE 2003. Da mesma forma já descrita no item 1. 4 — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA — Ano Calendário 1999 a 2002. Meses de 1999(todos) Da mesma forma já descrita no item 2, com a ressalva de que para o anocalendário de 1999 foram encontradas diferenças nos meses de janeiro a dezembro. Ao tomar ciência dos autos de infração lavrados, apresentou Impugnação onde expõe os seguintes argumentos de defesa: são nulos os autos de infração do IRPJ 2002 e 2003, da CSLL, do PIS e da COFINS, em todos os períodos, porque os respectivos procedimentos fiscalizatórios não estavam autorizados por Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, o qual só foi emitido após execução da ação fiscal e com ciência do contribuinte na data da lavratura dos respectivos autos de infração; o anocalendário de 1999 já havia sido examinado e ensejado as exigências tributárias consubstanciadas no processo n° 19647.013087/200440; não houve autorização expressa da autoridade competente para o reexame; o Mandado de Procedimento Fiscal não dispensa nem afasta a necessidade da ordem escrita para o reexame; houve exigência tributária referente ao IRPJ, ano calendário de 1999, sequer incluído no MPF Complementar. Portanto, por coexistir autorização expressa da autoridade competente; afirma que os lançamentos são nulos tendo em vista que o direito de defesa da contribuinte foi cerceado em virtude da caótica descrição dos fatos, em que não se identifica a origem da infração praticada. Alega que na descrição dos fatos a infração esta capitulada como falta de recolhimento do IRPJ, ou seja, valores do imposto que deixaram de ser recolhidos ou declarados em DCTF, no entanto, no Relatório de Trabalho Fiscal os autuantes dão a entender que teriam apurado omissão de receita, tendo em vista a comparação das receitas declaradas e as escrituradas nas GIAM'S. Este procedimento da fiscalização contraria o princípio da legalidade. Referese ainda a contribuinte a validade das presunções de omissão de receita; ao promover o levantamento fiscal com base em conjecturas e suspeitas, os senhores Auditores da Secretaria da Receita Federal incorreram em erros e vícios, deixando de fazêlo com precisão, lançando dúvidas quanto à qualificação e quantificação da matéria tributável, o que caracteriza o cerceamento ao direito de defesa, impossibilitando à suplicante defenderse plenamente, pois desconhece a clara origem e a forma como foram encontrados os valores exigidos no auto de infração; a ação fiscal lançou créditos tributários relativos a períodos, constituídos em 02 de janeiro de 2006, já abrangidos pelo prazo decadencial de cinco anos Fixado pelo Código Tributário Nacional (§4° do art. 150). Referese a contribuinte ao Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 435 7 lançamento do fato gerador de 31/12/2000 alegando que quando a ciência do lançamento já havia passado os cinco anos; com relação à aplicação da multa isolada relativa aos anos de 1999 e 2000 afirma a empresa que também estes lançamentos estão sujeitos, ao prazo decadencial do art. 150 §4° do CTN, operouse a decadência de todos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2000; O erro no valor tributável do IRPJ e da CSLL, relativo aos anoscalendário de 2000 e 2002, se deu porque na apuração deveria levar em conta não somente as receitas, mas também as despesas, os custos e as deduções de vendas a elas relacionadas. Lembra a contribuinte que na apuração do lucro real, forma adotada pela empresa, de acordo com o artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 e o 247 do RIR/1999, eventuais diferenças devem ser ajustadas levandose em consideração a reconstituição do lucro líquido para apuração do lucro real; a empresa requer a consideração dos seguintes valores: a) Dedução do PIS e COFINS e dos juros de mora lançados de oficio; b) Dedução do ICMS sobre vendas, pois utilizando as GIAM'S para apurar diferenças de receitas de vendas devem também utilizar o ICMS sobre estas vendas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL; c) dedução dos custos das mercadorias para revenda vinculados às receitas omitidas; explica a contribuinte que, da mesma forma do ICMS sobre vendas, os livros e documentos utilizados para apurar diferenças na declaração/escrituração de valores de receitas, devem ser utilizados para comprovar e apurar que a empresa também, nos anos calendários de 2000 e 2002, também não informaram as compras efetuadas em sua totalidade. Demonstra, à fl. 1508, os valores de compras informados na DIPJ e os valores constantes do Livro de Apuração do ICMS. Continua suas alegações afirmando que tendo em vista a diferença nos valore das compras conseqüentemente os valores do Custo das Mercadorias Vendidas ficou alterado prejudicando a contribuinte na apuração do lucro tributável. A empresa anexa, às fls. 2419 a 2427(volume XIII) quadros demonstrativos dos valores do ICMS sobre vendas e dos valores das compras que deixaram de ser considerados. Os Senhores Auditores apontaram como receitas de vendas valores divergentes daqueles constantes nos livros de Apuração do ICMS. Foram utilizados, a critério dos agentes fiscais, ora dados das RAICMS, ora das GIAM, ora do Livro Razão, ora do livro RAIS, ora das Declarações de Serviços. Portanto, houve utilização de dados inconsistentes e inválidos para lançamento fiscal; a DIPJ referente ao anocalendário de 2000, foi tempestivamente entregue em 27.06.2001 e retificada em 28.06.2001 e 03.12.2004; igualmente para o ano calendário de 2001, em 28.06.2002 e retificada em 15.12.2004, não tendo o contribuinte sido notificado de que permanecia sob ação fiscal, tendo sido, portanto, espontânea a sua entrega; os anoscalendário de 2002 e 2003 não estavam sob ação fiscal até que fosse emitido o MPF Complementar, a DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 foi tempestivamente entregue em 30.06.2003 e retificada em 24.04.2004 e a DIPJ relativa ao anocalendário de 2003 fora tempestivamente entregue em 15.06.2004. Nenhuma irregularidade foi cometida e o imposto devido relativo ao anocalendário de 2003 foi corretamente declarado. O anocalendário de 2003 não se achava legalmente incluído no exame fiscal, haja vista que o MPF Complementar foi emitido apenas em dezembro de 2005 e as DCTF, relativas ao anocalendário de 2003, foram entregues em 02.02.2005; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 436 8 portanto, os tributos, relativos aos anoscalendário de 2001 a 2003, foram integralmente e espontaneamente declarados, assim, a exigência de oficio se caracteriza como bitributação, imposta ao contribuinte; inadmissível a exigência da multa isolada de 75% pela falta de recolhimento por estimativa do IRPJ e CSLL, quando lançada após o encerramento do período base e da regular entrega da declaração de rendimentos de ajuste anual, porque qualquer diferença porventura existente é regularizada no ajuste efetuado, bem como há impossibilidade da imposição da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, posto ser lançamentos de duas multas sobre a mesma base de cálculo, resultando uma majoração de 225% do crédito lançado pelo auto. Cumulação absurda de manifesto efeito confiscatório; não houve a precisa qualificação jurídica da conduta da impugnante para a caracterização do ilícito de fraude. Suposta falta de escrituração contábil de receita de filiais não torna presumível a ocorrência de fraude, se a impugnante oficializou perante o fisco estadual as receitas totais de suas filiais. Além disso, nos exercícios de 2001 a 2003 não houve sequer diferença entre os valores apurados pelos autuantes e aqueles declarados e no exame dos extratos bancários não gerou sequer autuações, o que comprova a boa fé da empresa e apenas erro no preenchimento das DIPJ. Descabe a multa qualificada de 150% porque a impugnante não praticou nenhum ato que possa ser qualificado como fraudulento. Tendo em vista a alegação da contribuinte, quanto à apuração dos valores devidos do IRPJ e da CSLL, dos anos calendários de 2000 e 2002, a Turma de Julgamento de primeiro grau determinou a realização de uma diligência fiscal, através da Resolução DRJ/REC n° 505, de 31 de agosto de 2006, cuja solicitação segue transcrita abaixo: Desta forma, voto no sentido de transformar o julgamento do presente processo em resolução para a realização de unia diligência para que sejam verificados os seguintes itens abaixo: 1º Diante dos Livros de Apuração do ICMS e dos livros contábeis da contribuinte apurar, para os Anos Calendários de 2000 e 2002 os valores das compras realizadas. Diante dos valores verificar a documentação comprobatória. destas compras para a apuração dos valores a serem considerados no Custo das Mercadorias Vendidas CMV. Calcular os novos valores do Custo das Mercadorias Vendidas CMV dos anos calendários de 2000 e 2002. 2º Da mesma forma do item anterior realizar a apuração dos valores do ICMS sobre vendas dos anos calendários de 2000 e 2002. 3º Após a apuração dos valores do Custo das Mercadorias Vendidas CMV e ICMS sobre vendas devem ser apurados os valores do IRPJ e CSLL devidos nos Anos Calendário de 2000 e 2002. 4° Apurando novos valores do IRPJ e CSLL a contribuinte deve ser cientificada com reabertura do prazo para manifestação a respeito da matéria alterada. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 437 9 Em resposta o auditor diligenciante anexou a Informação Fiscal, às fls. 5118 a 5120, na qual descreve detalhadamente as apurações efetuadas e os demonstrativos anexados, em resumo: a) Foram verificados, por amostragem, o correto registro das compras nos livros Registros de Mercadorias, da matriz e das filiais. Foram apuradas as compras líquidas demonstradas nas planilhas das fls. 5085 a 5090, para o ano calendário de 2000, e das fls. 5091 a 5096, para o ano calendário de 2002. b) Em seguida foram apurados os valores do ICMS sobra Vendas conforme planilhas às fls. 5097 a 5099, para o ano calendário de 2000, e às fls. 5100 a 5102, para o ano calendário de 2002. c) No passo seguinte foram apurados os valores do estoque inicial e final cuja planilha esta anexada à fl. 5103. d) Diante dos valores de estoque inicial, compras e estoque final foram apurados os valores do custo da mercadoria vendida (CMV). Para o Ano calendário de 2000 apurou a fiscalização o Custo das Mercadorias Vendidas CMV de R$ 20.261.120,36 e, para o ano calendário de 2002, o de R$ 39.728.635,84, conforme demonstrativo da fl. 5104. e) Em seguida foram efetuadas as apurações dos novos lucros líquidos dos Anos Calendário 2000 e 2002, conforme planilhas às fls. 5105 e 5108. Diante do lucro ou prejuízo foram apurados os seguintes resultados da CSLL e IRPJ: Ano Calendário 2000 — fls. 5106 e 5107 — CSLL — base de cálculo negativa (R$ 436.764,38); IRPJ — prejuízo fiscal (R$ 157.182,87). Ano Calendário 2002 — fls. 5109 e 5110 — CSLL — valor devido de R$ 286.666,54; IRPJ — Valor devido de R$ 430.339,37. f) Por fim, lembra o diligenciante que a empresa foi autuada por omissão de receita, no Ano Calendário 2002, cujo auto de infração, lavrado em 11/12/2006, consta anexado ao processo n° 19647.011529/200685. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 14/03/2008, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Recife PE, concluíram pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção, em parte, do crédito tributário (fls. 5139)5171), cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, quando presentes nos autos os demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 438 10 administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado o respectivo prazo regulamentar de defesa. DECADÊNCIA DO IRPJ. PRAZO. Restando comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ rege se pelo disposto no art. 173, I, do CTN, haja vista a ressalva na parte final do § 4° do art. 150 do mesmo código. DECADÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Para o procedimento fiscal, consta, nos autos a emissão e ciência de MPFF e MPFC,. além de que a autorização específica por MPF para a fiscalização não é razão suficiente para a decretação de nulidade do lançamento. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA" Aos créditos tributários relativos ao IRPJ e a CSLL declarados na DIPJ só são atribuídos os efeitos de confissão de dívida, até o Anocalendário 1998. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, ver que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. MULTA ISOLADA. IRPJ POR ESTIMATIVA. Verificada a falta ou recolhimento a menor do imposto de renda devido por estimativa, cabível a aplicação da multa de oficio Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 439 11 isolada no percentual de 75%, prevista no art. 44, § 1, IV, da Lei n° 9.430/96. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA MULTA ISOLADA. Aplicase a atos ainda não definitivamente julgados a lei tributária que lhes comine pena menos severa que a vigente ao tempo de sua prática. . RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Lançamento Procedente em Parte Tendo em vista a exoneração de parte do crédito tributário, a turma de julgamento opôs recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n° 375, de 2001. A interessada tomou ciência da decisão em 14/09/2009 (fls. 4701) e, irresignada, apresentou de forma tempestiva o seu recurso voluntário em 13/10/2009 (fls. 4702), onde expõe, em apertada síntese, o seguinte: que, quanto a nulidade em decorrência de irregularidades na emissão do MPF, é de se dizer, que embora a ação fiscal se desenvolvesse desde o início de 2004, apenas na data da ciência ao Auto de Infração em causa, 02/01/2006, o contribuinte tomou conhecimento do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar de numeração 04.1.0.00 20040009285, datado de 26 de dezembro de 2005, o qual estendeu a ação fiscal, a partir de sua emissão, aos demais tributos federais e passou a abranger os anos calendário de 1999, 2002 e 2003. Logo, toda a fiscalização desenvolvida relativa ao IRPJ nos anos de 2002 e 2003 e relativa ao PIS/à COFINS e à CSLL em todos os períodos, não estava autorizada pela Administração tributária; que o MPF é uma autorização expressa da Administração Tributária concedida a funcionário público habilitado para que proceda à auditoria fiscal de determinado contribuinte. Estabelece prazos para execução, a natureza do procedimento, a extensão do levantamento, tributos e períodos a serem fiscalizados, descrição das verificações determinadas, auditores designados, suas matrículas etc. Todas essas informações têm o intuito de dar transparência aos atos praticados e segurança aos contribuintes, aos quais, obrigatoriamente, dáse ciência dos elementos contidos no MPF; que não havendo autorização para procedimento de fiscalização, com fragrante desrespeito aos artigos 7º e 10 da Portaria SRF nº 3.007/2001, todos os atos praticados pelo fisco e que redundaram na lavratura dos autos de infração relativos aos tributos Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 440 12 e aos períodos mencionados, inclusive os próprios autos, são nulos de pleno direito, implicando o cancelamento definitivo do respectivo/lançamento; que, quanto a nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa, em virtude da caótica descrição dos fatos, em que não se identifica a origem da infração praticada pela empresa, é de se dizer, que a validade do ato administrativo do lançamento pressupõe a adequação à lei tributária que determinou a sua prática, ou seja, expedida por agente competente e mediante o cumprimento dos requisitos necessários previstos no artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972; que na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em causa, os Srs. Auditores informam à empresa que constataram "falta de recolhimento/ declaração do imposto de renda falta de recolhimento e declaração do IRPJ ajuste anual dos a c. 2000 a 2002 e do IRPJ trimestral do a.c. de 2003. Valores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica que deixaram de ser recolhidos e declarados em DCTF referentes aos anoscalendários 2000, 2001 e 2002 (ajuste anual) e aos quatros trimestres do anocalendário 2003 (imposto trimestral)." ; que, entretanto, o Relatório de Trabalho Fiscal dá a entender que teria sido detectada omissão de receitas pela comparação entre a declarada, a escriturada, a informada ao Fisco estadual pelas GIAM e as indicadas em Demonstrações de Resultados registradas na JUCEPE, ou seja, neste Termo fica caracterizada uma tributação de múltiplaescolha. Ao agir da maneira descrita, os Srs. Auditores contrariaram o Princípio da Legalidade a que estavam obrigados; que a recorrente suscita a nulidade do auto de infração pela falta de cumprimento de requisitos indispensáveis à sua legitimidade: a correta descrição dos fatos apurados pelo fisco, em desobediência ao previsto no Decreto nº 70.235/72, e o total cerceamento ao seu direito de defesa; que, quanto a decadência manifesta, é de se dizer que a ação fiscal lançou créditos tributários relativos a períodos já abrangidos pelo prazo decadencial de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional. De fato, os autos de infração se ativeram a fatos geradores ocorridos nos anos de 1999 e 2000, cujos lançamentos, contudo, foram realizados apenas em 02 de janeiro de 2006, quando ocorreu, nos termos do Dec. 70.235/72, art. 23, inc. II e § 2% inc. I, a intimação da recorrente, como demonstram o extrato de movimentação dos Correios e o envelope de postagem dos autos de infração; que ressaltese que, embora não tenha sido sequer invocada pelo auto de infração, não se há de falar na aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional como termo inicial do prazo decadencial em razão de fraude ou dolo. Com efeito, a recorrente não praticou nenhum ato que pudesse ser caracterizado como ilícito, simplesmente porque jamais agiu com a intenção de fraudar o fisco, ao contrário do afirmado pela ação fiscal com base exclusivamente nas inaceitáveis ilações rechaçadas adiante nesta petição; que, assim, tomando o disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional como a norma jurídica que consigna o marco inicial do prazo decadencial, a sua contagem deve observar a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados pelo auto de infração; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 441 13 que a ação fiscal lançou créditos tributários relativos às duas infrações descritas nos itens 001 e 002 do auto de infração: a) falta de recolhimento/ declaração do IRPJ e b) multas isoladas falta insuficiência de recolhimento do IRPJ; que em relação à infração descrita no item "a", o auto de infração lançou crédito tributário sobre fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 2000, no valor de R$ 4.479.392,56. Sobre esse montante, a ação fiscal ainda aplicou multa qualificada de 150%, no valor de R$ 6.719.088,84, e juros de mora de R$ 3.801.212,52; que, contudo, dentre a data da ocorrência do fato gerador 31 de dezembro de 2000 e a data da ciência da lavratura do auto de infração ora guerreado 02 de janeiro de 2006 transcorreramse mais do que cinco anos, prazo fixado pelo art. 150, § 4 1 , do Código Tributário Nacional para o lançamento do IRPJ; que em relação à infração descrita no item "b" acima, concernente às multas isoladas, também restou consumada a decadência em determinados lançamentos realizados pelo auto de infração; que, de fato, a ação fiscal lançou multa isolada relativa a fatos geradores ocorridos nos ano de 1999 e 2000. Contudo, também esses lançamentos são sujeitos ao prazo decadencial qüinqüenal fixado pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; que, quanto falta de dedução do PIS, da COFINS e dos juros de mora lançados de ofício da base de cálculo do Imposto Sobre a Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido exigidas no mesmo período, é de se dizer, que nos cálculos dos autos de infração para as exigências do IRPJ e da CSLL não foram deduzidas as contribuições para o PIS e COFINS e os juros de mora lançados de ofício. Essas contribuições e os juros de mora são despesas dedutíveis na formação do lucro líquido, devendo ser diminuídas para a apuração do IRPJ e CSLL, cuja base de cálculo tem como ponto de partida o resultado contábil; que o lucro líquido, já deduzido de todas as despesas, inclusive PIS, COFINS e os juros de mora, é somado algebricamente às adições e exclusões previstas na legislação tributária e resultará no lucro real, base de cálculo do imposto sobre a renda e na base positiva da contribuição social; que, em resumo: o PIS, a COFINS e os juros de mora exigidos de oficio seriam despesas dedutíveis das "supostas receitas omitidas" na apuração do lucro real. Assim, deveria a fiscalização determinar o valor tributável do IRPJ e da CSLL após a dedução das importâncias lançadas de ofício a título dessas contribuições e juros; (que, quanto às declarações tempestivas e espontaneamente prestadas nos anoscalendário de 2001 e 2003 — Procedimento da recorrente a) Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos anos calendário de 2000 e 2001, é de si dizer, que a ação fiscal desenvolvida junto à recorrente teve início em 23 de janeiro de 2004. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) original autorizava o exame do IRPJ nos anos de 2000 e 2001. Após quase um ano de auditoria, em 19 de novembro daquele ano a empresa foi notificada ao mesmo tempo de que o exame passara a abranger o período de 1999 e do auto de infração lavrado relativamente a esse período; que observese que a DIPJ retificadora referente ao anocalendário de 2000 foi entregue no dia 03/12/2004, após a ciência do auto de infração e do correspondente Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 442 14 Relatório de Procedimento Fiscal, havido em 19/11/2004, e antes da ciência de que haveria continuidade do procedimento fiscal, ocorrida em 22/12/2004 (cópia anexa); que semelhante situação ocorreu com a DIPJ do anocalendário de 2001, cuja primeira versão fora entregue, tempestivamente, em 28/06/2002. Em 15 de dezembro de 2004 o contribuinte apresentou retificação relativa àquele períodobase; que a entrega da DIPJ retificadora referente ao anocalendário de 2001 ocorreu em 15/12/2004, após a ciência do auto de infração e do correspondente Termo de Encerramento de Ação Fiscal, em 19/11/2004, e antes da ciência de que haveria continuidade do procedimento fiscal ocorrida em 22 / 12 / 2004 (cópia anexa); que nas datas em que apresentou as declarações retificadoras relativas aos anoscalendário de 2000 e 2001, o contribuinte não fora notificado de que permanecia sob ação fiscal, tendo sido, portanto, espontânea e válida a sua entrega; que, quanto as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003, é de se dizer, que os anos calendário de 2002 e 2003, como já descrito, não estavam sob ação fiscal até que fosse emitido o Mandado de Procedimento Complementar nº 04.1.01.0020040009285, em 26 de dezembro de 2005; que a DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 foi tempestivamente entregue em 30/06/2003. Em 24/04/2004 foi apresentada retificação, ajustando, para menor, o valor das bases negativas do IRPJ e da CSLL, sem qualquer conseqüência tributária imediata; que, quanto à ilegalidade da cobrança da multa isolada descabimento após a apuração do exercício fiscal, é de se dizer, que após o encerramento do períodobase de apuração do IRPJ e da CSLL, com a apresentação da declaração de rendimentos e o recolhimento dos tributos, a exigência de recolhimentos por estimativa se torna ineficaz, porque deve prevalecer, para efeitos fiscais, o tributo efetivamente devido tendo por base a apuração do Lucro Real ou a Base Positiva da CSLL; que caso houvesse alguma irregularidade na determinação e recolhimento dos valores mensais estimados, caberia ao fisco efetivar suas verificações antes do encerramento do anocalendário, ou, no máximo, até a data da entrega da declaração de rendimentos, porque qualquer incorreção em tais cálculos é sanada quando do cálculo do IRPJ e da CSLL na declaração de ajuste anual; que, quanto à impossibilidade da imposição da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício lançamentos de duas multas sobre a mesma base de cálculo é de se dizer, que foi imputada ao contribuinte multa de lançamento de ofício incidente sobre o tributo lançado, com base na recomposição da Demonstração de Resultados e, também de ofício, no mesmo momento, a multa isolada sobre a insuficiência ou falta de recolhimento de estimativas calculada em decorrência da mesma infração; que, quanto à aplicação da multa qualificada, é de se dizer, que a própria constatação da ação fiscal é suficiente para desacreditar as suas conclusões, porque demonstra que inexistiu o dolo da recorrente em fraudar o fisco. Nesse sentido, devese ressaltar que a ação fiscal examinou exaustivamente os extratos bancários 'da empresa, os quais não geraram Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 443 15 sequer autuações, o que comprova a boa fé da empresa e apenas erro no preenchimento das DIPJ; que, além disso, nos exercícios 2001 de 2003 não houve sequer diferença entre os valores apurados pelo auto e aqueles declarados, o que somente demonstra • que a recorrente não agiu com intenção de fraudar o fisco, o que, aliás, a própria autuação reconhece ao imporlhe a multa isolada de 75%. Nesse sentido, devese ressaltar que a ação fisco examinou exaustivamente os extratos bancários da empresa, os quais não geraram sequer autuações, o que comprova a boa fé da empresa e apenas erro no preenchimento das DIPJ; que, quanto à responsabilidade pessoal dos sócios, é de se dizer, que a outra conseqüência da ilegal tipificação de fraude é a sujeição passiva solidária dos sócios da recorrente em relação aos tributos lançados, realizada pela ação fiscal com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional; que a regra do art. 135 do Código Tributário Nacional é exceção ao princípio da personalidade jurídica da empresa, que a distingue da pessoa dos seus sócios. Por força dessa distinção, os seus patrimônios são inconfundíveis, não respondendo por obrigações assumidas exclusivamente por um ou por outro. É o relatório Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 444 16 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator = QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO = O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos se constata, que a Primeira Instância decidiu tomar conhecimento da impugnação por apresentação tempestiva para, no mérito deferila, em parte, determinando o cancelamento parcial do crédito tributário constituído, baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, quanto à decadência das multas isoladas (lançamento de ofício), é de se dizer, que no lançamento de ofício o direito de a Fazenda Pública o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; que, quanto à retroatividade benigna da lei tributária (multa isolada), é de se dizer, que aplicase a atos ainda não definitivamente julgados a lei tributária que lhes comine pena menos severa que a vigente ao tempo de sua prática; que, quanto à exclusão de valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em razão do resultado da diligência, é de se dizer, que verificase que o auditor diligenciaste seguiu os princípios contábeis para a apuração do Custo das Mercadorias Vendidas CMV e do ICMS incidente sobre vendas. Também consta relatado, que por amostragem, foram verificadas a correta escrituração dos itens que influenciam diretamente na formação do Custo das Mercadorias Vendidas — CMV, tais como compras, estoque inicial e estoque final. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Resta claro, na decisão de Primeira Instância, de que da análise dos documentos, acostados aos autos, cabe razão parcial a contribuinte. Para a multa lançada isoladamente a decadência segue sempre a regra geral do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Para quem exerceu a opção de tributação pelo lucro real anual, o pagamento das estimativas é obrigatório, e não facultativo. Tratandose de obrigação, seu descumprimento Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 445 17 gera para o fisco o direito de aplicar a sanção imediatamente, quando a autoridade toma conhecimento da irregularidade, ainda que no próprio ano calendário da infração. Uma vez que o prazo para pagamento da estimativa é o último dia do mês seguinte àquele a que se referir. A autoridade julgadora de Primeira Instância elaborou um demonstrativo, às fls. 5.152, indicando de forma clara a data do fato gerador, a data que a Fazenda Publicada poderia iniciar o lançamento, o início do prazo decadencial e o fim do prazo para a constituição do crédito tributário, considerado a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Resta claro, neste demonstrativo, que os fatos geradores relativo ao período de 29/02/1999 a 30/11/2000 das exigências relativas à multa isolada encontramse alcançadas pela decadência. Quanto à retroatividade benigna da lei tributária (multa isolada), é de se dizer, que aplicase a atos ainda não definitivamente julgados a lei tributária que lhes comine pena menos severa que a vigente ao tempo de sua prática Passo a examinar os fundamentos em que se baseou a autoridade julgadora de primeira instância para exonerar o sujeito passivo do pagamento da multa isolada que lhe foi imposta com arrimo no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996. O dispositivo em referência sofreu várias modificações no seu texto, vigendo atualmente as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007 (conversão da Medida Provisória nº 351, de 2007), que prevê a aplicação de penalidade menos severa: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: (g.n) “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 446 18 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); ( ...) Com a nova redação do artigo, a multa de ofício isolada pela falta de recolhimento da parcela estimativa do IRPJ e da CSLL foi reduzida de 75% para 50%, e não há previsão para a imposição da multa isolada qualificada, no percentual de 150%. A penalidade, portanto, deve ser adequada ao novo regramento, inclusive no caso sob exame, em observância ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional (CTN), que autoriza sua aplicação em respeito ao princípio da retroatividade da lei mais benigna: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ( ... ) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: ( ... ) C) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto à exclusão de valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em razão do resultado da diligência, é de se dizer, que verificase que o auditor diligenciaste seguiu os princípios contábeis para a apuração do Custo das Mercadorias Vendidas CMV e do ICMS incidente sobre vendas. Também consta relatado, que por amostragem, foram verificada a correta escrituração dos itens que influenciam diretamente na formação do Custo das Mercadorias Vendidas — CMV, tais como compras, estoque inicial e estoque final. Assim sendo, não vejo nenhuma contradição na decisão de Primeira Instância, já que a própria autoridade fiscal lançadora concordou que havia falhas o levantamento do Auto de Infração. Assim fundamentada, a decisão recorrida não merece reparos, devendo ser considerada definitiva, nos termos do art. 42, do Processo Administrativo Fiscal. Assim sendo e considerando que todos os elementos de prova que compõe a presente lide foram objeto de cuidadoso exame por parte da autoridade julgadora de Primeira Instância e que a mesma deu correta solução à demanda, aplicando a legislação de regência à época da ocorrência do fato gerador, fazendo prevalecer à justiça tributária, VOTO pelo conhecimento do presente recurso de ofício, e, no mérito, NEGO provimento. = QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO = Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 447 19 O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O crédito tributário apurado nos anos calendários de 1999 a 2003 está consolidado da seguinte forma: IRPJ = R$ 14.805.549,87 Juros de Mora = R$ 8.962.754,60 Multa Proporcional = R$ 22.208.324,94 Multa Exigida Isoladamente = R$ 1.701.375,92 Total do Crédito Tributário = R$ 47.678.005,43 CSLL = R$ 5.433.522,70 Juros de Mora = R$ 3.351.085,52 Multa Proporcional = R$ 8.070.176,57 Multa Exigida Isoladamente = R$ 1. 116.967,52 Total do Crédito Tributário = R$ 17.971.752 131 Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do IRPJ e da CSLL. Assim, a discussão restringese as seguintes matérias de recurso: 1 QUANTO AO AUTO DE INFRAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ 1.1 INFRAÇÃO 001 FALTA RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO DO IRPJ — AJUSTE ANUAL DOS ANOSCALENDÁRIO DE 2.000 A 2002 E DO IRPJ TRIMESTRAL NO ANOCALENDÁRIO DE 2003: a) As Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, dos anos calendário de 2001 e 2002 foram retificadas pela contribuinte após o início do procedimento Fiscal. Para o anocalendário 2001 a Declaração de Informação da Pessoa Jurídica – DIPJ retificadora alterou os resultados constantes da original de forma a retratar os resultados da Demonstração de Resultado do Exercício, anexada junto a JUCEPE. Para o anocalendário 2002, apesar de a empresa ter apresentado DIPJ retificadora esta não alterou os resultados apurados pela contribuinte. b) Para os anoscalendário de 2001 e 2003 foram considerados para efeito de tributação do IRPJ e da CSLL os valores extraídos respectivamente das DIPJs retificadoras (2001) e original (2003). c) Para os anoscalendário 2000 e 2002 a fiscalização efetuou a apuração dos resultados a partir da escrita contábil e fiscal disponibilizada pela empresa autuada. A recomposição do resultado do anocalendário 2002 está no demonstrativo da fl. 171 (volume I), e do anocalendário 2000 está à fl. 2623 (volume XIV). 1.2 — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA — ANOSCALENDÁRIO DE 1999 A 2002. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 448 20 Foram apuradas falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Em cumprimento ao art. 44, §1°, inciso III da Lei n° 9.430, de 1996 foram lançadas multas isoladas no percentual de 75% sobre o valor que deixou de ser recolhido. Ressaltam os autuantes que em relação aos meses de janeiro, julho, agosto e dezembro de 1999 foram acrescentadas omissões de receitas apuradas no processo n° 19647.012087/200440. Esclarecem ainda que a multa isolada referente aos valores apurados no Anocalendário 1999 já haviam sido lançadas, porém como ficou demonstrada a falta de inclusão das omissões de receita estas multas foram complementadas no presente auto de infração. 2 QUANTO AO AUTO DE INFRAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL: 2.1 FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO DA CSLL— AJUSTE ANUAL DOS ANOSCALENDÁRIO DE 1999A 2002 E DOS QUATRO TRIMESTRES DE 2003. Da mesma forma já descrita no item 1.1 2.2 — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA — Ano Calendário 1999 a 2002. Da mesma forma já descrita no item 1.2, com a ressalva de que para o ano calendário de 1999 foram encontradas diferenças nos meses de janeiro a dezembro. Em sua defesa a suplicante sustenta preliminares de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa por entender que houve irregularidades e ilegalidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, bem como a peça acusatória apresenta deficiência na descrição dos fatos, dificultando a identificação da origem das infrações praticadas pela autuada, levanta a argüição de decadência relativo aos anoscalendário de 1999 e 2000 e, no mérito, sustenta que não houve a dedução do PIS, da COFINS e dos juros de mora lançados de ofício da base de cálculo do IRPJ e CSLL; alega a apresentação tempestiva e espontânea da DIPJ; sustenta a ilegalidade da cobrança da multa isolada e da aplicação da multa qualificada e, por fim, reclama da sujeição passiva solidária dos sócios. 1 – QUANTO AS PRELIMINARES SUSCITADAS Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais. Tais como: “embora a ação fiscal se desenvolvesse desde o início de 2004, apenas na data da ciência ao Auto de Infração em causa, 02/01/2006, o contribuinte tomou conhecimento do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar de numeração 04.1.0.0020040009285, datado de 26 de dezembro de 2005, o qual estendeu a ação fiscal, a partir de sua emissão, aos demais tributos federais e passou a abranger os anos calendário de 1999, 2002 e 2003. Logo, toda a fiscalização desenvolvida relativa ao IRPJ nos anos de 2002 e 2003 e relativa ao PIS/à COFINS e à CSLL em todos os períodos, não estava autorizada pela Administração tributária”; “em virtude da caótica descrição dos fatos, em que não se identifica a origem da infração praticada pela empresa, é de se dizer, que a validade do ato administrativo do lançamento pressupõe a adequação à lei tributária que determinou a sua prática, ou seja, expedida por Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 449 21 agente competente e mediante o cumprimento dos requisitos necessários previstos no artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972”. Com a devida vênia dos que assim não entendem, estou com a decisão recorrida, já que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 450 22 Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infração e o Termo de Verificação identifica por nome e CNPJ da autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, cuja ciência foi através de AR e descreve as irregularidades praticadas, bem como o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, relativo aos anoscalendário de 1999 a 2003. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através dos Autos de Infrações lavrados. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. A autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade dos Autos de Infrações lavrados. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o Fl. 22DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 451 23 caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. No que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório a suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que os Mandados de Procedimento Fiscal – MPF foram emitidos fora dos critérios estabelecidos na legislação de regência. É equivocada a conclusão da suplicante no sentido de que as informações sucintas e falhas na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. A elementar alegação da recorrente de que o procedimento fiscal teve início com base no MPFD e do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 56), onde estavam delimitados os tributos sobre os quais recairia a diligência fiscal (IRPJ, CSLL e IRRF) e o período a ser analisado (anoscalendário de 1999 a 2001), jamais provocaria a nulidade do auto de lançamento. No caso em questão, com base na diligência fiscal a autoridade tributária entendeu haver matéria a ser tributada, em conseqüência, emitiu o MPFF (fls. 01). O curto lapso temporal existente entre a data de emissão do MPFF e a autuação, não é suficiente para decretar a nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que o sujeito passivo já conhecia, anteriormente, os limites da ação fiscal, por meio do termo de início e dos outros termos que lhe foram entregues no decorrer do procedimento fiscal. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, rejeito a preliminar de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). 2 – QUANTO A ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA COM RELAÇÃO AO IRPJ E CSLL RELATIVO AO ANOCALENDÁRIO 2000. Verificase às fls. 5156, que a decisão recorrida exonerou o IRPJ lançado no valor de R$ 4.479.392,56 (fato gerador = 31/12/2000) e a CSLL lançada no valor de R$ 1.667.052,89 (fato gerador = 31/12/2002). Portanto, não cabe mais a discussão sobre a Fl. 23DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 452 24 contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário por falta de fato gerador (crédito tributário exonerado). 3 DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES do PIS E DA COFINS. Alega a recorrente que a fiscalização não excluiu na apuração da base de cálculo do IRPJ e também da CSLL, o valor correspondente ao lançamento de ofício referente à contribuição para o PIS e também da COFINS, apurados em decorrência da própria ação fiscal. A matéria encontrase disciplinada pelo artigo 280 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º). No mesmo sentido, a dedução do PIS e da COFINS é autorizada também pelas disposições do art. 344 do mesmo diploma legal, verbis: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º). Da análise dos dispositivos acima elencados, é possível concluir que não há qualquer impedimento legal para o acolhimento do pleito do sujeito passivo para a dedução das contribuições do PIS e da COFINS lançadas de ofício, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas na ação fiscal. A partir de 01 de janeiro de 1996, caso constatada omissão no registro de receita por parte do sujeito passivo, a autoridade fiscal deve apurar o valor do imposto devido, respeitando o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica. Nesse caso, para que seja apurada a receita líquida, devem ser deduzidas da receita bruta, as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os tributos incidentes sobre as vendas. Diante disso, em atendimento ao regime de competência, da mesma forma, devem ser computados todos os custos que a oneraram e que não afetaram o lucro líquido . Inexistem quaisquer dúvidas a respeito das contribuições sobre o faturamento em relação a dedutibilidade na apuração do lucro real, logo, na lavratura do lançamento de ofício em que são exigidos o IRPJ e a CSLL e, concomitantemente as contribuições para o PIS e COFINS, estas podem ser deduzidas da base de cálculo daqueles, sob pena de majoração indevida dos tributos cobrados com base no lucro das atividades da empresa. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 453 25 Esta matéria já foi objeto de apreciação por parte da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 10193.776, de 20/03/2002, relatora a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, conforme a ementa abaixo: OMISSÃO DE RECEITAS ANOS CALENDÁRIO DE 1996 E 1997 APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAIS Se o contribuinte não traz aos autos a comprovação dos custos que diz corresponderem às receitas omitidas, não há como deduzilos para efeito de apuração do lucro real. Devem, porém, ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal. Diante disso, em relação aos tributos incidentes sobre as vendas, a dedução daqueles exigidos em decorrência de procedimento fiscal devem ser reduzidos da receita bruta para chegar à receita líquida. 4 QUANTO A ALEGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES TEMPESTIVAS E ESPONTANEAMENTE PRESTADAS. Com relação à apresentação da Declaração de Informação da Pessoa Jurídica DIPJ e da DCTF, temos a ressaltar o seguinte: Cabe esclarecer que até o anocalendário de 1998 os débitos declarados através das DIRPJ (até 1997) e Declaração de. Informação da Pessoa Jurídica DIPJ (a partir de 1998) constituíamse em confissão de dívida, nos termos do art. 5º, §§ 1° e 2°, do Decreto Lei n° 2.124/1984, enquanto que a partir do anocalendário de 1999, a DIRPJ/DIPJ deixou de figurar dentre os veículos de confissão de débitos, passando a ser meramente informativa. Isto porque o Secretário da Receita Federal, no uso da competência que lhe foi atribuída pelo art. 16 da Medida Provisória n° 1.788/1998 (posteriormente convertida na Lei n° 9.779/1999), expediu a Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, extinguindo em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituindo, em seu art. 1º a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Assim, a partir do anocalendário de 1999 a DIPJ deixou de trazer a confissão dos tributos a pagar. Tal informação passou a estar contida apenas na DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. O próprio recibo de entrega da DIPJ foi modificado a partir do anocalendário 1999, não mais informando o saldo dos tributos a pagar no período, como ocorria nos períodos anteriores. Coerentemente, o art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 77/1998, que contemplava a possibilidade de inscrição em dívida ativa da União dos saldos a pagar informados na declaração de rendimentos da pessoa jurídica, foi alterado pela Instrução Normativa SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2.000, para deixar de relacionála como veículo de confissão de débitos: Art. 1 ° . O art. lo . da Instrução Normativa SRF n° 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Art.. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 454 26 da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. Frente a tais considerações, resta definido que a partir do anocalendário 1999 devem ser considerados como declarados e, por conseqüência, constituídos, apenas os débitos informados em DCTF. Como estamos diante de fatos geradores de 2000 até 2003, não há que se falar em Declaração de Informação da Pessoa Jurídica DIPJ como declaração com efeito de confissão, no presente caso, são apenas informativas. O Termo de Início de Fiscalização, que determina o início do procedimento fiscal, e conforme §1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/1972 Processo Administrativo Fiscal PAF , e fim da espontaneidade da contribuinte, foi cientificado no dia 23/01/2004 (documento às fls. 192 e 193). O Processo Administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. O referido decreto tem status de lei, pois ele regula e não apenas regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União. Por isso, as alterações são processadas por dispositivo legal de igual natureza. Diz o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; (o destaque não é do original) III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Diante do disposto na regra legal, é pacífico que o contribuinte readquire a espontaneidade se a fiscalização deixar transcorrer mais de 60 dias entre um ato e outro, não demonstrando a continuidade do procedimento fiscal. Porém, em nenhum momento do procedimento fiscal este fato aconteceu. Conforme Termos anexados ao presente processo nas fls. 192 (volume I) a 251(volume II) desde o dia do início do procedimento fiscal em 23/01/2004 até ciência dos autos de infração no dia 02/01/2006 foram emitidos termos indicando o prosseguimento da fiscalização sempre antes de decorrido o prazo de sessenta dias. Assim, em nenhum momento, após o início do procedimento fiscal, a contribuinte readquiriu a espontaneidade para confessar débitos. Desta forma fica sem sentido a alegação da contribuinte de bitributação dos valores do IRPJ e CSLL. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 455 27 Portanto, as DCTF's entregues no dia 02/02/2005 foram apresentados em procedimento de oficio e não podem ser aceitas para efeito de abater débitos lançados nos autos de infração com a respectiva multa de oficio. Quanto à alegação de que a verificação do anocalendário 2003 não estava prevista no Mandado de Procedimento Fiscal MPF, temos a destacar que ano Termo de Início de Fiscalização, às fls. 192 e 193, foram solicitados documentos dos períodos de apuração de 01/02/1999 a 31/12/2003, portanto, a partir deste termo a contribuinte perdeu a espontaneidade para confessar débitos deste período. É o que basta, já que este procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. 5 APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE ISOLADA EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA. Alega a contribuinte que a multa isolada é improcedente tendo em vista que no final do exercício a empresa apura prejuízo, porém temos a salientar que a obrigação de antecipar o pagamento do IRPJ e CSLL deve, conforme a legislação já citada, ser cumprida mês a mês, podendo a contribuinte suspender ou reduzir o pagamento através da comprovação, pelo levantamento de balancetes, de que já recolheu a totalidade ou parte desta, ou mesmo não teria nada a recolher. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, sujeitase à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Observase, que a autoridade lançadora calculou a multa isolada lançada de ofício, com fundamento no artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430, DE 1996, tendo em vista que o contribuinte optou pela tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no lucro estimado. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, estabelece: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... Fl. 27DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 456 28 IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do artigo 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado que não houver sido pago ou recolhido. Os dispositivos acima transcritos têm como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento dos tributos e contribuições sociais declarados (inciso V) ou que deixou de efetuar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma estipulada no artigo 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, recolhimento por estimativa por empresas que estavam sujeitas ao pagamento pelo lucro real. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo. Ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. No presente caso a fiscalização aplicou a multa de lançamento de oficio, isoladamente, por entender que houve a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os quais já incide multa de lançamento de ofício. A autoridade autuante reconstituiu o lucro líquido contábil em cada período base, com os ajustes correspondentes aos valores incluídos no auto de infração, e apurou o valor do IRPJ e da CSLL que deveriam ter sido pago em cada mês, com a aplicação da multa de lançamento de ofício isolada. Como se vê, foi aplicada a multa isolada sobre os valores que deixaram de ser antecipados durante o anocalendário a título de estimativa e também da multa normal de lançamento de ofício, sobre os valores considerados ainda devidos. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, do § 1°, autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, concluise que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, Fl. 28DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 457 29 pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. A legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento do imposto por estimativa ou por balanço de suspensão/redução. Esta matéria já tem jurisprudência formada no Primeiro Conselho de Contribuintes e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de adições/exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre o mesmo fato apurado em procedimento de ofício. (Acórdão nº 10193.939, de 17/09/2002) PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em de ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. (Acórdão nº 10193.692, de 05/12/2001) PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOB BASE ESTIMADA. Incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa calculada sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (Acórdão nº 10320.475, de 07/12/2000) IRPJ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso provido. (Acórdão nº 10320.572, de 19/04/2001). MULTA ISOLADA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CABIMENTO A multa isolada de lançamento de ofício só tem cabimento na existência do seu pressuposto fundamental como seja a falta de recolhimento de imposto. Não enseja assim sua aplicação a prática de qualquer ilícito, com ênfase para formal, Fl. 29DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 458 30 que não denote inadimplência do sujeito passivo a qualquer obrigação principal. Recurso provido. (Acórdão nº 10320.931, de 22/05/2002) CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. (Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001) MULTA – Art. 44 da Lei nº 9.430/96. A multa de ofício, lançada pela autoridade tributária, não pode ser calculada sobre valor superior ao montante da falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. Recurso provido. (Acórdão nº 10512.986, de 09/11/1999) PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. (Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE No pagamento espontâneo de tributos, sob o manto, pois, do instituto da denúncia espontânea, não é cabível a imposição de qualquer penalidade, sendo certo que a aplicação da multa de que trata a Lei 9.430/96 somente tem guarida no recolhimento de tributos feitos no período da graça de que trata o artigo 47 da Lei 9.430/96, sem a multa de procedimento espontâneo. (Acórdão nº 10706.591, de 17/04/2002) PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário, com glosa de prejuízos compensados além do percentual permitido pela Lei nº 8.891/95, arts. 42 e 58 na determinação do lucro real. (Acórdão nº 107 06.894, de 04/12/2002) No caso, tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 459 31 concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. 6 APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. No que diz respeito a multa de ofício, observase que os autos noticiam a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob os seguintes argumentos: que nos anos de 2000, 2001 e 2002 o contribuinte registrou na contabilidade apenas as receitas de vendas de mercadorias e serviços do estabelecimento matriz, omitindo as receitas das filiais, enquanto para o fisco estadual apresentou informações mais realistas no que diz respeito às receitas auferidas; que na esteira do procedimento acima apontado, a empresa apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ relativas àqueles mesmos anos com valores de receitas bem aquém das efetivamente ai feridas. Só após iniciado o procedimento de oficio é que o contribuinte apresentou uma declaração retificadora, relativa ao a. c. 2001, contendo valores que demonstram estar mais afinados com a sua realidade econômica observada. É importante frisar que a DIPJ retificadora relativa ao a. c. 2002 contém valores de receitas (que são idênticos ao da DIPJ original) muito inferiores aos apurados pela fiscalização (cerca de trinta e sete por cento); que o contribuinte apresentou à fiscalização livros Diário onde se encontram transcritas Demonstrações dos Resultados dos Exercícios — DRE dos anos de 2000, 2001 e 2002 com valores significativamente inferiores aos constantes nas DRE apresentadas à Junta Comercial do Estado de Pernambuco para arquivamento, o que revela um comportamento dúbio no que se refere à consistência das informações, com claro detrimento do fisco federal; que as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF apresentadas pela fiscalizada, relativamente aos anos apontados, expressam valores de tributos substancialmente inferiores aos apurados pela fiscalização. O mesmo se aplica aos recolhimentos efetuados, quando existentes. Os tributos apurados por ocasião dos ajustes anuais de 1999 a 2002 (IRPJ e CSLL) sequer foram declarados pela empresa; que até o início do procedimento de oficio, o contribuinte encontravase omisso da entrega das DCTF relativas ao ano de 2003, tendo também deixado de recolher a maioria dos tributos federais devidos naquele ano. Resta claro nos autos, que tal motivo levou a fiscalização a aplicar a multa qualificada de 150%, ao fundamento de que, com essa atitude, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de suas circunstâncias materiais, situação fática que se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa da contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela falta de registro de receitas de vendas de mercadorias e serviços, quer pela apresentação da DIPJ retificadoras sob procedimento fiscal, tentando regularizar a omissão de receitas, bem como pela omissão de Fl. 31DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 460 32 informações à Fiscalização, objetivando impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco. Desta conduta concluise, que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de receitas, caracterizados pela falta de escrituração em sua contabilidade e nas DIPJ inicialmente apresentadas. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar receitas auferidas fazendo declarações simuladas e apresentando provas materiais de conteúdo inexistente, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando receitas auferidas e não escrituradas/declaradas. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na escrituração contábil da empresa, de receitas tributáveis auferidas ocasionando a falta ou o retardamento do imposto a pagar, independentemente, da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que a contribuinte teria se utilizado de meios escusos para deixar de escriturar receitas auferidas (deixar de declarar receitas auferidas). Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte prestou informações ao fisco, em sua declaração de imposto de renda e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido é o fato da autoridade lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de receitas, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização. Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela fiscalização através das informações fornecidas pela própria contribuinte e, que por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que estes valores já existiam e não eram passíveis de tributação pelo imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que as receitas apuradas pela autoridade fiscal houvessem sido tributadas, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálas como sendo receitas omitidas e adicionálas a base de cálculo tributável nos anoscalendário questionados. Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que Fl. 32DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 461 33 ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na DIPJ ou Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão na escrituração contábil e na declaração de rendimentos de receitas auferidas e não contabilizadas, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base presunção legal de omissão de receitas/rendimentos, vislumbrase um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumulamse as premissas de que a omissão de receitas/rendimentos por presunção legal e a simples falta de inclusão de valores nas declarações de imposto de renda, em razão da forma e/ou expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte ou declaração inexata, jamais será motivo para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de receitas/rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de Fl. 33DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 462 34 comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de receitas, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar receitas auferidas e não trouxe provas para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de receitas. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a omissão de receitas ou rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de alguma receita ou rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: Fl. 34DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 463 35 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10245584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não Fl. 35DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 464 36 identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente Fl. 36DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 465 37 intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Acórdão n.º. 10193.251, de 08 de novembro de 2000: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 37DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 466 38 II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 467 39 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 468 40 Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 469 41 Acórdão n.º. 10307.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.º. 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte da contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que o suplicante deixou de escriturar receitas de vendas de mercadorias e serviços, bem como deixou de lançar estas receitas em suas declarações de imposto de renda em valores expressivos e de forma continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. 7 – QUANTO A APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO NORMAL – ALEGAÇÃO DE CONFISCO – JUROS MORATÓRIOS COM BASE NA TAXA SELIC: Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, inconstitucionalidade, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 470 42 suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 471 43 Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 472 44 De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 473 45 norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” 08 – QUANTO A RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS: No Relatório de Trabalho Fiscal, especificamente nas fls. 38 e 39, estão narrados os fatos que levaram a Fiscalização lavrar Termos de Sujeição Passiva em nome dos sócios da empresa o Sr. Alberto Brandão Teixeira Filho, CPF: 001.032.84400, Sr. Walter da Silva Vieira Filho, CPF: 018.630.77420 e Sra. Márcia D'Assunção Vieira, CPF: 018.630.774 80, conforme excerto abaixo: Os fatos descritos no item "da multa qualificada" acima, levaramnos a imputar aos administradores a condição de sujeitos passivos solidários, conforme previsto no Código Tributário Nacional — CTN, Lei n° 5.172/66, arts. 124, inciso I e seu parágrafo único e 135, inciso III. Em sua impugnação a contribuinte especificamente contesta que a aplicação do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional esta condicionada a comprovação por parte do Fisco de que foram praticados atos que importem infração à lei. Ainda que infração à lei não pode ser entendida como simples descumprimento de obrigação tributária, principal ou acessória, mas sim o ato do particular praticado com evidente intuito de fraudar o fisco. Conclui afirmando que a impugnante não praticou ato fraudulento, apenas deixou de cumprir obrigações, sem, contudo, ter agido com intuito de fraudar o Fisco Federal. Assim, cai por terra a responsabilização individual dos sócios, afirma a contribuinte. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 474 46 A sujeição passiva dos responsáveis (sócios), nos casos em que foi atribuída pela fiscalização com fundamento no art. 135 do Código Tributário Nacional e decorrente da presunção de ocorrência do evidente intuito de fraude, sempre foi rejeitada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais mediante a interpretação de que dito dispositivo tratava de responsabilidade pessoal, portanto exclusiva. Nesse passo, uma vez que a empresa, no papel de contribuinte da obrigação tributária, não fora excluída do seu pólo passivo, a responsabilidade tributária somente poderia ser ativada em caráter subsidiário (supletivo), mas nunca solidário. Assim sendo, cumpre examinar os recursos apresentados pelos indigitados responsáveis solidários. De início, entendo que a validade (ou não) da indicação de uma terceira pessoa como responsável solidário, em lançamento de ofício, em situações como a deste processo, comporta discussão no âmbito do Processo Administrativo. É que a identificação do sujeito passivo, e é disso que se trata neste caso, é parte do procedimento administrativo do lançamento, contra o qual é garantido aos apontados sujeitos passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Notese que não se trata, no caso concreto em exame, de solidariedade atribuída a pessoas expressamente designadas em lei, mas, como dito nos fundamentos da autuação, a pessoas que, de acordo com o entendimento da autoridade lançadora, teriam interesse comum no fato gerador do imposto, um por serem administradores, com poderes de decisão sobre a gestão da empresa. Ora, o entendimento da autoridade administrativa quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimos para se opor às conclusões da autoridade lançadora os indigitados responsáveis solidários. Quanto ao mérito da questão, cumpre assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional – CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em função de estado da Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 475 47 pessoa, isto é, ser proprietário de imóvel, importar mercadoria, obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, “é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo.” A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, os artigos 124, I e 135, III. Passo ao exame desses outros dispositivos. Reza o art. 124, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso I. A questão aqui é definir o alcance da expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto”, tema controvertido dada a vagueza da expressão. Paulo de Barros Carvalho a reconhece quando diz que “o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores”, mas exclui a simples participação nos acontecimentos envolvendo o fato gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, “aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade”. É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos caracterizadores do fato gerador. É como no exemplo mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de compra e venda de mercadorias, onde ambos, comprador e vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária entre ambos. Concordando com essas ponderações, penso que o “interesse comum” referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária, não pode o mesmo Código Tributário Nacional referirse a situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, além das pessoas expressamente apontadas pela lei, seriam solidariamente obrigadas ao pagamento do tributo pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente com a regra do art. 121, I, a saber: O interesse comum no fato gerador põe o devedor solidário numa posição também comum. Se em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio Fl. 47DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 476 48 como contribuinte, nenhum dos coproprietários seriam qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar de contribuinte). Ocorre que cada qual só se poderia dizer contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse à sua quota de interesse na situação. Como a obrigação tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia, em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. O que determina o Código Tributário Nacional (art. 124, I) é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, onde se poderia dizer que a condição de sujeito passivo assumiria forma híbrida em que cada codevedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro. Penso que a grande virtude dessa construção é explicitar a vinculação do interesse comum do art. 124, I à condição de sujeito passivo como contribuinte, do 121, I. Isto é, para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel. Todos os co proprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A autuação não demonstra que os indigitados obrigados solidários tenham sido os beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para o pretenso evidente intuito de fraude, ocultando os fatos geradores através de meios fraudulentos. Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional. A autuação menciona, também, como fundamento da imputação de responsabilidade solidária o art. 135, III, que a seguir transcrevo: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 477 49 (...) II – os mandatários, prepostos ou empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O referido artigo do Código Tributário Nacional versa, expressamente, sobre responsabilidade pessoal, portanto, exclusiva. É dizer, no caso de aplicação do referido comando legal, o Contribuinte deve ser, necessariamente, excluído do pólo passivo da relação obrigacional. Não foi o que ocorreu no caso concreto, que apontou a pessoa jurídica DPM Distribuidora Ltda. como sujeito passivo e que, como se verá mais adiante, na condição de responsável, os sócios da empresa o Sr. Alberto Brandão Teixeira Filho, CPF: 001.032.84400, Sr. Walter da Silva Vieira Filho, CPF: 018.630.77420 e Sra. Márcia D'Assunção Vieira, CPF: 018.630.77480, como responsáveis solidários. Para admitirse, no caso, a responsabilidade solidária, com fundamento no 135, II e III, terseia, necessariamente, que excluir a contribuinte DPM Distribuidora Ltda. do pólo passivo. De qualquer forma, apesar da referência feita na autuação ao artigo 135, III, não é disso que se trata neste processo. Não só pelo fato de o lançamento ter apontado a empresa como contribuinte mas, também, pelo fato de que o fundamento fático referido na autuação é o de ter os indigitados obrigados solidários, interesse comum no fato gerador. Assim, também não se mantém a responsabilidade solidária com fundamento o artigo 135 do Código Tributário Nacional. Razão pela é de se excluir, o Sr. Alberto Brandão Teixeira Filho, CPF: 001.032.84400, Sr. Walter da Silva Vieira Filho, CPF: 018.630.77420 e Sra. Márcia D'Assunção Vieira, CPF: 018.630.77480, como responsáveis solidários. 09 – QUANTO A TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as Fl. 49DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 478 50 exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada lançada de forma concomitante com a multa de ofício, deduzir das receitas lançadas para fins de apuração da receita líquida a incidência do PIS e da COFINS, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% e excluir da autuação a responsabilidade solidária de Alberto Brandão Teixeira Filho, Walter da Silva Vieira Filho e Márcia D’Assunção Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 50DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 479 51 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Andrade, Redator Designado Neste julgado, manifestou o ilustre Conselheiro Relator Paulo Cortez seu posicionamento no sentido de que são incabíveis: a) a manutenção concomitante da multa isolada, por não recolhimento de estimativas mensais, com a multa de ofício aplicada sobre a diferença tributável no ajuste; b) a manutenção da multa qualificada, aplicada no percentual de 150%. Não obstante estarem tais posições escoradas em valiosos fundamentos, o colegiado divergiu, por voto de qualidade, seguindo o entendimento de que a cobrança efetuada nestes termos é legal, e, no caso vertente, devida. É neste mesmo diapasão que, designado para redigir o voto vencedor, manifesto meu entendimento no sentido da legalidade das referidas cobranças com base nos argumentos abaixo expendidos. a) Concomitância entre multa isolada e multa de ofício no ajuste Entendo que a multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas podem coexistir, não havendo dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo às estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mêscalendário, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. Vejamos as situações: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 51DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 480 52 para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Neste ponto, entendo que as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora e é sancionado. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser consideradas como obrigações tributárias, pois se não o fossem, restariam violados o art. 3º e o art.113 do CTN. Assim, são obrigações tributárias compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2º, §4º, IV, da Lei nº 9.430/96). Esta a saída encontrada pelo legislador, que não as prescreveu como meras antecipações exatamente para poder sancionar seu inadimplemento. Daí ser inócuo reputálas como meras antecipações, sugerindo seu saneamento com base no recolhimento ao final do exercício, após realizada a apuração anual. Isto porque tal raciocínio vai contra o conteúdo prescritivo desejado pelo legislador, que para garantir tal cumprimento, ainda fez constar que o pagamento é devido mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Notese, ademais, que a opção mencionada na redação do art.2º não diz respeito à qualquer faculdade de efetuar ou não o pagamento das estimativas, mas se relaciona com a outra possibilidade prevista em lei, qual seja, a de que o contribuinte opte pela suspensão ou redução do pagamento do imposto, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto ou da contribuição, calculados com base no lucro real do período em curso, nos termos do art.35 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95, in verbis: Lei nº 8.981/95 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 481 53 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Cabe ressaltar, por fim, que as normas que prescrevem ambas as infrações (isolada, por falta de recolhimento de estimativas e proporcional, por falta de recolhimento do tributo ao final do exercício) e cominam as penalidades pela sua violação estão ambas vigentes, não cabendo ao órgão julgador administrativo deixar de observar os efeitos legais daí decorrentes pelo muitas vezes sugerido efeito confiscatório derivado da dupla incidência, pois tal afastamento da norma que prescreve a multa isolada implicaria violação do art.26A do Decreto nº 70.235/72, que veda o afastamento de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, entendo que possam ambas coexistir, sem que disso resulte qualquer violação ao direito posto. b) Multa qualificada No que tange à aplicação da multa qualificada, vêse da análise do processo que a recorrente sofreu a penalização com base na multa qualificada (150%), porque, segundo apurou a autoridade fiscal: nos anos de 2000, 2001 e 2002 o contribuinte registrou na contabilidade apenas as receitas de vendas de mercadorias e serviços do estabelecimento matriz, omitindo as receitas das filiais, enquanto para o fisco estadual apresentou informações mais realistas no que diz respeito às receitas auferidas; apresentou DIPJ relativas àqueles mesmos anos com valores de receitas bem aquém das efetivamente ai feridas. Só após iniciado o procedimento de oficio é que o contribuinte apresentou uma declaração retificadora, relativa ao a. c. 2001, contendo valores que demonstram estar mais afinados com a sua realidade econômica observada. É importante frisar que a DIPJ retificadora relativa ao ac 2002 contém valores de receitas (que são idênticos Fl. 53DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 482 54 ao da DIPJ original) muito inferiores aos apurados pela fiscalização (cerca de trinta e sete por cento); apresentou à fiscalização livros Diário onde se encontram transcritas Demonstrações dos Resultados dos Exercícios — DRE dos anos de 2000, 2001 e 2002 com valores significativamente inferiores aos constantes nas DRE apresentadas à Junta Comercial do Estado de Pernambuco para arquivamento, o que revela um comportamento dúbio no que se refere à consistência das informações, com claro detrimento do fisco federal; as DCTF apresentadas pela fiscalizada, relativamente aos anos apontados, expressam valores de tributos substancialmente inferiores aos apurados pela fiscalização. O mesmo se aplica aos recolhimentos efetuados, quando existentes. Os tributos apurados por ocasião dos ajustes anuais de 1999 a 2002 (IRPJ e CSLL) sequer foram declarados pela empresa; até o início do procedimento de oficio, o contribuinte encontravase omisso da entrega das DCTF relativas ao ano de 2003, tendo também deixado de recolher a maioria dos tributos federais devidos naquele ano. Para mim, a concorrência de tais fatos autoriza a qualificação da multa de ofício, por restar demonstrado que a recorrente, por meio dos atos praticados, tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de suas circunstâncias materiais, consoante art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. Em primeiro lugar, verificase a reiteração da conduta de informar dados inverídicos e sistematicamente apurados nas declarações prestadas ao Fisco Federal em valores inferiores àqueles efetivamente apurados em procedimento de ofício por vários anos calendário. Tal situação afasta a hipótese de erro material, posto que exsurge daí sua intenção de manter o fisco em erro, ano após ano, à sombra do real aumento de riqueza experimentado, e, assim, perpetuando a inadimplência dos valores devidos e não pagos. Além disso, a recorrente prestou declarações ao Fisco Federal contendo valores inferiores àquelas prestadas ao Fisco Estadual. Tal situação também concorre para evidenciar sua intenção de sonegar tributos federais. Ocorre que a percepção de risco é em geral maior quanto à sonegação de tributos estaduais, relativamente aos federais. Isto porque, em geral, dada sua estrutura regional e local maior, os fiscos estaduais possuem mais agentes fiscais na localidade, são mais presentes e realizam mais procedimentos fiscais. Assim, verificase que a recorrente preocupouse em não ocultar do fisco mais próximo e atuante, deixando, porém, de fazer o mesmo quanto ao fisco federal, o que demonstra sua intenção de sonegar tributos federais. A declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. No caso vertente, além de omitir receitas na declaração de rendimentos (DIPJ), a recorrente também omitiu débitos na DCTF, para evidentemente corroborar os dados inverídicos prestados na sua DIPJ. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19647.000186/200623 Acórdão n.º 1302000.976 S1C3T2 Fl. 483 55 Evidenciase, assim, para mim clara a conduta dolosa de ocultar do Fisco Federal a ocorrência de fatos geradores. Assim, voto para manter a multa qualificada, aplicada no percentual de 150%. Sala das Sessões, 11 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Redator Designado Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digita lmente em 12/02/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004249/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Tratando-se de Grupo Econômico formado por empresas que objetivam repartir o seu faturamento, pulverizando receitas, de modo a que todas possam usufruir, ao mesmo tempo, da tributação privilegiada do Simples, reduzindo, desse modo, os valores a recolher a título de impostos e contribuições, inclusive previdenciárias, cabível a exclusão de todas elas desse regime de tributação, na forma do art. 9º, incisos II e XVII, da Lei nº 9.317, de 1996.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Relatora), Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Tratando-se de Grupo Econômico formado por empresas que objetivam repartir o seu faturamento, pulverizando receitas, de modo a que todas possam usufruir, ao mesmo tempo, da tributação privilegiada do Simples, reduzindo, desse modo, os valores a recolher a título de impostos e contribuições, inclusive previdenciárias, cabível a exclusão de todas elas desse regime de tributação, na forma do art. 9º, incisos II e XVII, da Lei nº 9.317, de 1996. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.004249/2009-55
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324675
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-001.705
nome_arquivo_s : Decisao_10950004249200955.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10950004249200955_5324675.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Relatora), Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5295485
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370139504640
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-06-05T12:30:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-06-05T12:30:23Z; Last-Modified: 2013-06-05T12:30:23Z; dcterms:modified: 2013-06-05T12:30:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:5a3b973c-bb0c-4538-98a9-8d8fe41c39d0; Last-Save-Date: 2013-06-05T12:30:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-06-05T12:30:23Z; meta:save-date: 2013-06-05T12:30:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-06-05T12:30:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-06-05T12:30:23Z; created: 2013-06-05T12:30:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; Creation-Date: 2013-06-05T12:30:23Z; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-06-05T12:30:23Z | Conteúdo => S1TE03 Fl. 646 1 645 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004249/200955 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.705 – 3ª Turma Especial Sessão de 9 de maio de 2013 Matéria IRPJ Recorrente INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE METAIS IMPERATRIZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Tratandose de Grupo Econômico formado por empresas que objetivam repartir o seu faturamento, pulverizando receitas, de modo a que todas possam usufruir, ao mesmo tempo, da tributação privilegiada do Simples, reduzindo, desse modo, os valores a recolher a título de impostos e contribuições, inclusive previdenciárias, cabível a exclusão de todas elas desse regime de tributação, na forma do art. 9º, incisos II e XVII, da Lei nº 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 42 49 /2 00 9- 55 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 647 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Relatora), Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 648 3 Relatório Tratase, o presente feito, de processo de exclusão da sistemática do Simples, através do Ato Declaratório Executivo n° 35, de 14.08.2009, com efeitos a partir de 01.01.2004, fundamentado nas hipóteses de embaraço à fiscalização e constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas, em afronta ao disposto nos incisos II e XVII do artigo 9° e incisos II e IV do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996. Ainda, a ação em discussão teve origem em Representação Fiscal de fls.01/33 e foi instruída com os documentos dc fls. 34 a 199 e 202 a 209. O ato de exclusão foi expedido em 14/08/2009 e a recorrente tomou ciência em 26/08/2009 (fl.213). Devidamente cientificada do Ato de Exclusão, a empresa recorrente apresenta manifestação de inconformidade alegando, em sede de preliminar, a nulidade do ato de exclusão, porquanto embasarse na lei no 9.317, de 1996 que já está revogada pela Lei Complementar n° 123, de 2006. Afere a empresa que para se operar uma penalidade, como a exclusão do Simples, é impossível utilizar regra revogada, sob pena de ofender princípios constitucionais como o da segurança jurídica, do contraditório e ampla defesa e da legalidade; que o disposto no artigo 144 do CTN só se aplica ao lançamento, não podendo amparar a exclusão que é uma penalidade; que a lei tributária não possui efeito represtinatório; que o fundamento legal aplicável à hipótese é a Lei Complementar n° 123, de 2006; que a manterse sua exclusão estarseá ameaçando de ruína a estrutura do Estado Democrático de Direito; que o ato atacado não obedeceu ao disposto no artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 que, em seu inciso IV dispõe sobre a obrigatoriedade de o auto de infração mencionar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; e, assim, pede que seja declarada a nulidade do ADE, por ser ilegal e por preterir o direito de defesa da empresa recorrente. Prossegue, ainda em preliminar, alegando a nulidade do procedimento, já que ao quebrar o sigilo fiscal da empresa, a autoridade fiscal deixou de observar a garantia fiscal insculpida nos incisos X e XII do artigo 50 da Constituição Federal, ao expor dados sigilosos seus, aos seus concorrentes; que houve afronta ao disposto no artigo 198 do CTN; que o auto é nulo pela ausência de intimação da prorrogação do prazo do procedimento fiscal, previsto no artigo 9°, parágrafo único, da Portaria RFB no 11.371, de 2007; que em nenhum momento foi cientificada expressamente acerca da prorrogação do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF); que tal conduta se afigura vício formal insanável, culminado com a nulidade do feito; que houve ofensa ao principio do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da legalidade. De igual modo, a recorrente sustenta que teria havido ausência de intimação da prorrogação da competência para incluir na fiscalização o período de janeiro a dezembro de 2008, bem como da intimação do contribuinte para optar por novo regime de tributação, conforme facultado pelo artigo 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006. Já em relação ao mérito, sustenta não existir o grupo econômico formado pela recorrente e demais empresas integrante do polo industrial de produção de torneiras na região de Loanda/PR. E, para sustentar suas afirmações, dispõe que na formação do grupo econômico, imperioso que se vislumbre a relação íntima de negócio e de controle entre as pessoas jurídicas que forma o grupo, que a gestão deve ser comum, bem como o interesse, qual seja, elas devem Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 649 4 exercer suas atividades sob unidade gerencial, laboral e patrimonial. Aduz que no caso da empresa recorrente, as empresas são totalmente distintas umas da outras, possuindo personalidade jurídica distinta, com finalidade social diversa, empregados próprios, controladores diversos, clientes próprios e independentes. Refere que existe um contrato de franquia celebrado com as empresas em questão e que é pacifico, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que entre empresa franqueadora e empresa franqueada não há a caracterização de grupo econômico, uma vez que a única vinculação é a utilização da mesma marca. Já no que diz respeito à razão social das empresas e os respectivos quadros societários, alega que todas são distintas, sendo que cada qual possui alvará de funcionamento próprio, inscrição perante a Receita Estadual do Paraná, licença ambiental e licença de operação individualizadas, sede própria, faturas de energia individualizadas, razão social, quadro de funcionários distintos e carteira de clientes própria, razão pela qual não se confundem. Assim, a simples existência de grau de parentesco entre os sócios não induz que as mesmas constituam um grupo econômico. Neste caminho, justifica a movimentação dos empregados como decorrente da exploração do mesmo ramo de atividade. Relaciona alguns funcionários e identifica os diversos postos, em diversas indústrias para as quais trabalharam nos últimos anos e conclui que o entendimento da autoridade fiscal implica infringir o princípio da livre iniciativa da atividade econômica e da livre concorrência. Alega ser imprescindível concluir que a movimentação de empregados entre a recorrente e as demais empresas indicadas pela autoridade fiscal não constitui elemento hábil para demonstrar a existência de um grupo econômico. Afirma que o contador, Paulo Roberto Esbrigue, e a gerente de recursos humanos, Terezinha de Souza, embora mantenham vínculo com as empresas Jefferson César Gomes e Jeniffer Greice Gomes, respectivamente, são meros prestadores de serviços em relação à empresa alvo da ação fiscal. Aduz que a existência de apenas uma linha de produção não afasta o fato de que em cada setor de produção existe um conglomerado de máquinas e equipamentos necessários à função a ser desempenhada, não descaracteriza a existência de fato e de direito de cada pessoa jurídica e, nem o fato de que cada uma delas possui quadro de empregados próprios alocados em cada um dos estágios produtivos. Já com relação à existência de ações trabalhistas, onde constam no polo passivo algumas das empresas neste processo relacionadas, não constitui prova de que elas formam um grupo econômico; que a menção ao Grupo Metais Imperatriz, conforme consta do LTCAT e no POMSO ocorreu com a finalidade única e exclusiva de ratear custos do serviço que foi contratado em grupo. Atenta para o fato de que não restou comprovado o uso de telefones celulares em conjunto pelas empresas fiscalizadas; que o aumento de suas vendas a partir do momento em que optou pelo Lucro Presumido e, em um período que a recorrente reduziu de forma significativa seus quadros de colaboradores, decorre da diminuição da produção e o incremento na aquisição de produtos para revenda; que não restaram comprovadas as divergências e omissões em seu balanço, conforme atesta a autoridade fiscal e que a ausência de algumas informações nas guias de recolhimento do FGTS e da GFIP decorrem de descumprimento de obrigação acessória, não constituindo fato determinante de sua exclusão, uma vez que não previsto em norma. Prossegue salientando que a existência de personalidade jurídica distinta, com finalidade social diversas, empregados próprios, controladores diversos e clientes próprios Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 650 5 e independentes, afastam qualquer argumento no sentido de interposição de pessoas; que a existência de contratos de franquia entre as pessoas jurídicas afastam a imputação de que foram um grupo econômico. Contesta qualquer argumento referente à soma do faturamento global, em face das razões já expedidas; afirma nunca ter auferido receitas acima dos limites admitidos para o Simples; que o faturamento global é invenção jurídica, idealizada pelo auditor; que não houve omissão de receitas, portanto não há que se falar em exclusão por extrapolação de receitas. Por fim, conclui a recorrente que o faturamento da empresa sempre se deu dentro dos permissivos legais, que não resulta de cisão, fusão ou incorporação, que prestou todas as informações solicitadas e que restou afastada a existência de um grupo econômico, razão pela qual pede a nulidade do ato atacado ou que o mesmo seja declarado improcedente. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento. Segundo dispõe em seu voto, a autoridade a quo aduz ser improcedente a preliminar de nulidade por afronta a preceitos constitucionais, vez que a esfera administrativa não é a competente para julgar questões de Constitucionalidade. Nesse contexto, afirma que as argumentações da recorrente pertinentes à inconstitucionalidade de leis e de violação de princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento deve ser submetida ao Poder Judiciário, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo fiel cumprimento das lei. Cita Súmula deste Egrégio Conselho (CARF) a respeito do tema. Quanto à alegação de nulidade do Ato de Exclusão, a autoridade julgadora refere que de acordo com o disciplinado nos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72, só se pode cogitar de declaração de nulidade do ADE que se insere na categoria de ato ou termo, quando esse for lavrado por pessoa incompetente. Como no presente caso, a autoridade fiscal observou os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária, nos termos do art. 142 do CTN, descabida a alegação da recorrente. Refere ainda que, segundo a melhor doutrina processualística, em atenção ao princípio da instrumentalidade das formas, não cabe declarar nulidade sem que a parte demonstre o efetivo prejuízo sofrido. A reclamação de que o defeito vicia, macula e dificulta todo e qualquer procedimento no sentido de verificar a legalidade do procedimento e a regularidade da exclusão, é totalmente vazia de conteúdo, uma vez que a recorrente sequer cogita de apontar em que medida se sentiu prejudicada em sua defesa. A forma como foi produzida a impugnação, aliás, acaba por afastar sua tese, uma vez que foi feita com desenvoltura e de forma articulada. O julgador afere ainda não caber a arguição de cerceamento do direito de defesa, vez que somente os despachos e as decisões podem estar eivados desse vício processual, quando proferidos com preterição desse direito de defesa, o que, no caso em tela, somente poderia ocorrer em uma fase posterior à exclusão do Simples pelo ADE DRF/MGA n° 035, de 2009, consoante determinado no § 3 0 do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996. De igual modo, entende a autoridade julgadora que também não há que se falar em irregularidades quanto ao Mandado de Procedimento FiscalFiscalização, cuja exigência se aplica aos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, assim entendidos as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, assim como a correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 651 6 comerciais, conforme disposto no art. 3°, I, da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Como o presente feito trata apenas de análise da concessão de benefícios do regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido previstos na Lei no 9.317, de 1996, não há que se falar em falta de ciência de MPFFiscalização e de suas prorrogações, cuja exigência somente ocorrerá na eventual apuração de crédito tributário devido a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão do Simples, segundo as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, caso confirmada sua exclusão desse regime. O julgador refere também não haver ofensa ao disposto nos incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal à medida em que tais garantias são direcionadas às pessoas físicas, posto que o Titulo II da Carta Magna é Dos Direitos e Garantias Fundamentais, sendo que o CAPÍTULO I, que inicia com o mencionado artigo 5° trata Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. Portanto, tais dispositivos não se aplicam aos dados investigados da pessoa jurídica, relativos à vida econômicofinanceira da instituição. Salienta que a pessoa jurídica é uma entidade abstrata, com existência e responsabilidade jurídica, portanto não se lhe aplicam os direito fundamentais previstos no artigo 5° da Constituição Federal que são direcionados às pessoas naturais. E, nesse caminho, atenta para o fato de ser infundada a alegação da recorrente de que o fisco teria exposto seus dados fiscais às suas concorrentes. Isso porque, segundo o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, o grupo econômico em análise é formado por pessoas da mesma família, que atuam em prol do mesmo objetivo social, que trabalham num mesmo espaço físico, utilizandose dos mesmos equipamentos, partilhando o mesmo responsável contábil e a mesma gerente de recursos humanos, portanto não há que se falar em quebra de sigilo fiscal. Ademais, as empresas individuais tem como titulares pessoas com vínculo de parentesco com o titular da recorrente e que também possuem participação no capital desta, portanto não há que se falar em concorrentes se estas pessoas possuem interesse direto no desempenho da interessada, bem como nas empresas das quais são titulares. Aduz que nenhum empresário, em tese, iria laborar contra seus interesses e isso é um fator a mais a corroborar para a criação destas empresas, posto que após a entrada em vigor da legislação do Simples, teve como objetivo maior, pulverizar as linhas de produção, os colaboradores e, assim, permanecer na sistemática, tributando seus resultados com alíquotas diferenciadas e, por fim, auferir melhores resultados. Já quanto à nulidade pela não intimação para optar pelo novo regime de tributação, expõe o julgador que o presente procedimento diz respeito única e exclusivamente à exclusão da empresa do regime simplificado de tributação, desta forma inexiste razão para consultála acerca da opção de outro regime de tributação. Fundamenta no artigo 16 da Lei 9.317/96. A opção é feita pela empresa. Atenta o julgador que os fatos analisados ocorreram sob a égide da Lei 9.317/96, sendo inaplicável a legislação posterior. Desse modo, não prospera a tese de que o ADE seria nulo, posto ter sido emitido com base em legislação revogada, porquanto que a Lei Complementar n° 123/2006, que instituiu as normas gerais do Simples Nacional e revogou a Lei 9.317/96, a partir de 01.07.2007, só tem aplicação sobre os fatos geradores pendentes e futuros, em conformidade com o disposto no arts. 105 e 144 do CTN. Ademais, a lei tributária não pode colher fatos pretéritos, já consolidados e cujos efeitos canalizaram regularmente em consonância com as diretrizes da ordem jurídica então vigente, tal como dispõe o art. 150, III, “a” da CF/88. Somente em caso de retroatividade benigna a lei poderá atingir fatos pretéritos, tal como determina o art. 10 do CTN. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 652 7 No que diz respeito ao mérito da demanda, a autoridade de primeiro grau traça um histórico que culminou no ADE e assim coloca: Consta da Representação Fiscal que em 01.01.2008 a autoridade fiscal dirigiuse ao endereço dos contribuintes pessoas jurídicas Indústria Comércio e Exportação de Metais Imperatriz Ltda, CNPJ 78.386.885/000104, Jefferson César Gomes, CNPJ 01.754.565/000127 e Jeniffer Greice Gomes — Torneiras, CNPJ 04.922.919/000193, todos situados no Parque Industrial I, em Loanda/PR, tendo constatado uma única portaria com uma placa indicando Metais Imperatriz e tendo sido recepcionado pelo contador das empresas, Paulo Roberto Esbrigue, que o apresentou aos titulares das pessoas jurídicas identificadas. No curso da ação, o auditor constatou que no mesmo local havia outros estabelecimentos funcionando, fato que acarretou a inclusão da empresa Imperatriz Sul Metais Ltda, CNPJ 06.054.733/000195, Paulo Afonso de Souza Ramos — Torneiras, CNPJ 06.370.572/000149 e Maria Conceição Trizzi, CNPJ 03.546.042/000110 na ação fiscal. Análise do quadro societário das pessoas jurídicas em pauta revelou que se trata de empresa familiar, tendo como ponto de partida Roberto Gomes Vilar e, posteriormente, se estendendo aos filhos, genros, noras e cunhada, conforme quadra a seguir: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 653 8 Somado a tudo isso restou comprovado que as empresas atuam no mesmo ramo de atividades, qual seja, fabricação e comércio de torneiras, registros, bóias e válvulas, peças para bombas d'água e instalações hidráulicas e artefatos de metal e ferro e perseguem este objetivo dentro de um mesmo espaço físico, tanto que possuem um mesmo portão de acesso, em resumo; os seis termos de inicio de ação fiscal foram cientificados dentro das instalações da empresa Indústria Comércio e Exportação de Metais Imperatriz Ltda. Diante do narrado, o julgador de primeira instância entende que a alegação de que cada uma das empresas possui razão social, quadros societários próprio, alvará de funcionamento próprio, inscrição perante a Receita Estadual do Paraná, licença ambiental e licença de operação individualizadas, sede própria, faturas de energia individualizadas, quadro de funcionários distintos e carteira de clientes própria, razão pela qual não poderiam ser confundidas como um grupo econômico familiar não prospera, já que tornase evidente que para poderem operar as empresas deveriam preencher os requisitos mínimos para que fossem reconhecidas como tal. A falta de qualquer dos itens mencionados pela defesa relativos a licenças, alvará, inscrição estadual e federal, bem como registro acarretaria o seu não reconhecimento perante a autoridade concedente. Prossegue aduzindo que referente ao fato de possuir sede própria, já foi explicado que na realidade as empresas operam dentro de um mesmo espaço físico partilhando equipamentos e recursos. O quadro de funcionários também não constitui elemento probante à medida em que todas as seções abrigam empregados de todas as empresas, uma vez que só existe uma linha de produção e, as funções de menor demanda, como técnico de segurança do trabalho, copeira, contador, almoxarifado, chefes em geral e gerente administrativos são exercidas por uma única pessoa, comum a todas as empresas. Atenta, o julgador que a autoridade fiscal, buscando comprovar o fato de que as pessoas jurídicas partilham de um mesmo espaço, aprofundou as investigações e juntou aos autos foto do mapa da cidade de Loanda, onde identificou que todas as empresas estão instaladas na quadra 383, cujos lotes estavam registrados no Cartório de Registro de Imóveis. Frisa que em 22.04.2009. Todos os lotes foram transferidos para o nome de Roberto Gomes Vilas. Outro ponto citado pelo julgador foi o fato de diversos colaboradores terem acionado mais de uma das empresas em suas ações trabalhistas. Afirma que seria uma Fl. 785DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 654 9 evidencia de que se trata de um grupo econômico o fato de constar do Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT, onde elas foram tratadas como Grupo Metais Imperatriz e onde foram expressamente mencionadas as empresas Indústria, Comércio e Exportação de Metais Imperatriz Ltda, Jefferson César Gomes, Jeniffer Greice Gomes Torneiras e Paulo Afonso de Souza RamosTorneiras, que ocupam um terreno com área de 10.620m2 e com área edificada de 7.662,48m2. A mesma situação, de considerar todas as empresas como pertencentes ao Grupo Metais Imperatriz, se repetiu no Programa de Controle Médico e Saúde OcupacionalPCMSO do exercício de 2008, firmado pelo Dr. João Batista S. Filho. Corrobora o seu entendimento com o trecho da ação trabalhista 718/2005, movida por Santina de Oliveira Vargas, contra Jefferson César Gomes e Indústria, Comércio e Exportação de Metais Imperatriz Lida, trazida ao autos pela fiscalização, na qual consta ter a reclamante rejeitado a contestação conjunta juntada aos autos, nos seguintes termos: "quanta a preliminar de ilegitimidade passiva: não merece prosperar, pois ambas as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico, mesmo dono, estão estabelecidas no mesmo local e são gerenciadas pelas mesmas pessoas". Do mesmo modo, o fato das correspondências enviadas para a autoridade fiscal, em resposta às intimações, por mais de um das empresas, ter utilizado o mesmo papel timbrado e constar o mesmo telefone para contato. Já quanto aos contratos de franquias, atenta o julgador que a empresa recorrente cedeu o uso da marca Imperatriz para as atividades específicas de fabricação de torneiras de metal, válvulas e registros de metal, canos e tubos de metal, peças de metal, canos de água, pegas para instalações sanitárias, acessórios de regulagem de aparelhos de água, filtros etc., para uso em embalagens, anúncios, propaganda, folders, banners, etc. em território nacional, com prazo indeterminado, ademais constatouse que, apenas a empresa Imperatriz Sul Metais Ltda teria repassado, em 01/01/2006, o valor de R$ 400.000,00 pelo uso da marca em 2005, contudo, o contrato de franquia não foi apresentado. Por outro lado, a Indústria, Comércio e Exportação de Metais Imperatriz Ltda não registrou receitas do uso de sua marca, bem como as outras empresas do grupo não lançaram as despesas correspondentes, exceto no exercício de 2008, quando constam valores a receber e a pagar. Ressaltese que a contabilidade do exercício de 2008 foi concluída após o inicio da ação fiscal, a pedido da autoridade fiscal. Registra a autoridade julgadora que durante o período analisado ocorreram empréstimos a favor da empresa Indústria, Comércio e Exportação de Metais Imperatriz, sem os quais a conta caixa teria, em alguns períodos saldo credor, segundo sua contabilidade. Também, em relação aos empréstimos, não correu nenhum lançamento a título de encargos sobre os mesmos. Nos contratos de franquia existe cláusula prevendo a possibilidade de a franqueada auxiliar a franqueadora para o cumprimento de suas metas, bem como regras especificas em relação à conduta a ser adotada frente as reclamatórias trabalhistas. Atesta o julgador a quo ser possível perceber que o conjunto probatório montado pela autoridade fiscal permite concluir que as empresas franqueada e franqueadora atuam conjuntamente e que foram constatadas inconsistências na relação: faturamentonúmero de empregados, conforme demonstrativo elaborado à fl. 20/21. A análise dos Livros Diário apresentados conclui que os mesmos contém informações diversas da realidade e que omitem informações verdadeiras, já que não registram todas as movimentações bancárias e financeiras e, a empresa intimada não prestou os devidos esclarecimentos, bem como deixou de apresentar a documentação necessária e imprescindível, caracterizando embaraço fiscalização. Também foram detectadas irregularidades nas Fl. 786DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 655 10 informações prestadas à Previdência Social, o que acarretou a lavratura de auto de infração, também em julgamento na DRJ. Atenta que com a entrada em vigor da Lei n° 9.317, de 1996, Roberto Gomes Vilar, sócio da pessoa jurídica Indústria, Comércio e Exportação de Metais Imperatriz, por meio de interpostas pessoas, quer filhos seus, outros parentes e mesmo uma funcionária, constituiu as firmas individuais Jefferson Cesar Gomes (15/04/1997), Maria Conceição Trizzi EPP (01/12/1999), Jeniffer Greice GomesTorneiras (20/02/2002) e Paulo Afonso de Souza RamosTorneiras (06/07/2004), todas funcionando no endereço a ela pertencente, tendo o mesmo objeto social e optantes pelo Simples, com o objetivo de distribuir seu faturamento e reduzir os valores a recolher a título de impostos e contribuições. Além das empresas acima mencionadas estabeleceuse, ainda, vínculo com a empresa Imperatriz Sul Metais, constituída em 30/12/2003, cujos sócios também possuem grau de parentesco com Roberto Gomes Vilar, a qual optou pelo Simples a partir de janeiro de 2007. Assim, entendeu o julgador de primeiro grau caracterizada a formação de grupo econômico familiar, sendo que foram somadas as receitas brutas auferidas pelas diversas empresas, desde o ano de 2004 até 2008, concluindo que o montante apurado extrapolou o limite admitido para a permanência no Simples, caracterizando a afronta ao disposto no inciso II do artigo 9° da lei n° 9.317, de 1996. Salienta que a soma das receitas brutas de cada uma das pessoas jurídicas correspondem aos valores por elas informados na contabilidade e declarados em suas DIPJ, conforme planilha de fls. 28 33. Quanto à ciência dos procuradores, requerida pela recorrente, o julgador entende não ser cabida, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal e o Decreto n° 70.235/1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532/1997, art. 67, que determina o encaminhamento ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. E conclui por afastar as preliminares e no mérito manter o lançamento. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de recurso voluntário, aduzindo, sinteticamente, o já disposto na sua impugnação. É o relatório. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 656 11 Voto Vencido Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de processo de exclusão da sistemática do Simples, através do Ato Declaratório Executivo n° 35, de 14.08.2009, com efeitos a partir de 01.01.2004, fundamentado nas seguintes hipóteses: a) embaraço à fiscalização, e b) constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas, fundamento legal nos dispositivos: incisos II e XVII do artigo 9° e incisos II e IV do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996. O ato de exclusão foi expedido em 14/08/2009 e a recorrente tomou ciência em 26/08/2009. A autoridade de primeira instância manteve a exclusão da empresa, por entender caracterizada a formação do grupo econômico familiar, sendo que somadas as receitas de todas as empresas do grupo, o montante apurado ultrapassou o limite disciplinado na sistemática do Simples. A empresa recorrente alega, praticamente, os mesmos pontos de insurgências apresentados em seara de impugnação. Frente a essa posição, passo ao voto de cada item. Discussões a respeito da constitucionalidade de Normas e Aplicação de Princípios Constitucionais Passo a dirimir as questões de constitucionalidades, alegadas pela recorrente, aduzindo que essa esfera administrativa não é competente para enfrentar o tema, posto que discussões desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de leis são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim, certo de que somente o Poder Judiciário pode manifestarse sobre aplicação da constitucionalidade de uma norma, a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as leis em vigor dentro do nosso ordenamento pátrio. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Nulidade do auto de infração Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 657 12 Entendo que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada, o fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação. Desse modo, descabido o argumento de cerceamento de defesa, apresentado pela recorrenta, tomando em conta que a mesma apresentou suas razões defensivas em seara de Impugnação e também em Recurso Voluntário. A empresa teve todas as oportunidades para apresentar suas provas, nas duas oportunidades processuais para as quais foi devidamente cientificada, o que não resulta pertinente a alegação de cerceamento do direito defesa e tão pouco ofensa ao devido processo legal. Irregularidades do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização Alega a empresa recorrente que o mandado de procedimento fiscal não obedeceu o seu rito processual, tal como determinado nas normas que o regulamenta. Afirma que a empresa não recebeu a devidas intimações de prorrogações do referido Mandado de Procedimento Fiscal e refere que esta falta vicia todo o Ato Declaratório de Exclusão do sistema simplificado. Ocorre que a empresa recebeu todas as intimações, segundo disciplina a norma. Importa que se refira que o art. 9° da Lei 11.371/07, impõe que as alterações constantes no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, sejam cientificadas ao sujeito passivo, mas somente quando do primeiro ato de ofício praticado após cada ato prorrogatório. No caso em tela, temos que a autoridade fiscal responsável cientificou a empresa através dos Termo de Intimação Fiscal n°01 e do Termo de Intimação Fiscal n° 02, porquanto trataremse do primeiro ato de ofício praticado depois da prorrogação alcançada. Quebra do Sigilo Bancário Alega a empresa recorrente que o presente Ato de Exclusão não pode prosperar por ter quebrado o sigilo bancário da mesma, expondo sua contabilidade financeira às suas concorrentes. Ocorre que o sigilo de dados, referidos pela empresa, não pode prosperar, no caso em tela, quando entendido tratarse de um grupo econômico familiar. Isso porque a Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 658 13 exposição jamais teria ocorrido se a empresa estivesse abrindo a sua contabilidade para si mesma. Ademais, convém que se esclareça que neste presente feito não constam os extratos bancários da empresa recorrente e do que analisamos tão pouco houve quebra do sigilo de dados bancários, tal com alegado, já que sequer foram requisitados os extratos à empresa recorrente. Há que se ater ao fato de que a alegação da quebra dos sigilo só terá pertinência nos casos em que a apresentação dos extratos bancários não tenha sido feita de forma espontânea pela parte e sim mediante requisição direta da fiscalização às Instituições Bancárias, o que não consta nesse processo. Assim, não pode prosperar a alegação de quebra de sigilo quando não consta no processo as requisições às Instituições Bancárias para que estas apresentem os extratos bancárias, ultrapassando a vontade da empresa recorrente que não entregou espontaneamente ou sequer foi intimada a tanto. Neste caminho cumpre atentar para o fato de que a insurgência da empresa só poderia ter guarida nos casos em que a empresa, recusandose a apresentar ou não sendo intimada a fazer, tivesse os extratos anexados como veículo condutor para o auto de infração lavrado, o que não ocorreu, posto que tratase o caso em tela de Ato de Exclusão do sistema Simples. Discussão sobre a aplicação da Lei 9.317/96 ou LC123/2006 Alega a empresa recorrente ser nulo o Ato de Exclusão do Simples por estar fundamentado em Lei Revogada, haja vista que a Lei Complementar 123/2006 expressamente revogou a Lei 9.317/96. Assim, segundo o seu entendimento, norma revogada não tem o condão de gerir efeitos e como o Ato de Exclusão foi lavrado no ano de 2009, referente ao ano calendário de 2004, deveria ter sido realizado com o embasamento da Lei Complementar e não mais sob a luz da Lei Ordinária em discussão. Discordo do entendimento da empresa, já que os fatos abordados pelo Ato de Exclusão estão no passado, ou seja, referemse ao ano calendário de 2004, quando a norma disciplinada pela Lei Ordinária 9.317/96 ainda vigorava. Neste caso, ainda que entenda que a Lei Complementar realmente revogou os efeitos da Lei Ordinária, esta somente revogou no ano de 2006 e até a sua revogação, data em que então a Lei Ordinária não mais produziu efeitos no mundo jurídico pátrio. Assim, temse que Lei 9.317/96 ainda detinha o condão de reger os atos realizados pela empresa no ano de 2004, ora em discussão. Ademais, a revogação da Lei Ordinária traz para o mundo do direito a determinação que aquela norma não produzirá mais efeitos daquela data em diante, mas não poderá mudar o que está no passado. A sua exclusão do sistema jurídico, tal como pretende nos fazer crer a empresa recorrente, somente darseá com a Resolução do Senado, depois de proferida decisão pelo Supremo Tribunal Federal, de que a norma realmente encontra em descompasso com o ordenamento da Carta Magna, fato esse que não ocorreu. A retirada por completo de uma norma do sistema jurídico brasileiro, por inconstitucional, se perfaz com a Resolução do Senado, sem esse posicionamento, a norma revogada produz efeitos até a sua revogação. Não se pode confundir Lei anulada, que nunca produziu efeitos, com Lei revogada que produz efeitos até a data da sua revogação. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 659 14 É possível compreender que na revogação de uma Lei os atos praticados sob sua égide são perfeitos, a sua revogação atende a critérios de conveniência e oportunidade, porém não se pode dizer tratarse de uma violação ao Direito, aliás a eficácia dessa norma não foi revogada. É com esse compasso que disciplina a matéria o doutrinador Washington de Barros Monteiro, no seu livro Curso de Direito Civil: (...) Em regra, a norma só diz respeito a comportamentos futuros, embora possa referirse a condutas passadas, tendo, então, força retroativa. A norma que atinge os efeitos de atos jurídicos praticados sob o império da lei revogada é retroativa; a que não se aplica a qualquer situação jurídica constituída anteriormente é irretroativa, hipótese em que uma norma revogada continua vinculante para os casos anteriores à sua revogação.1(grifos nosso) Desse modo, entendo que a lei revogada produziu efeitos até a sua revogação e os atos praticados sob sua égide devem ser regidos pela mesma. Formação de Grupo Econômico Familiar A fiscalização buscou demonstrar que a empresa recorrente e as demais envolvidas na realidade formam um grupo econômico e que agem como uma empresa tão somente, estando divididas para fins de obter uma tributação mais benéfica, mas que fundamentalmente dispõem de mesma organização financeira, contábil, gerencial e organizacional. De fato, entendo que a empresa recorrente encontrase como parte integrante do grupo econômico familiar, evidenciado na farta juntada de documentação pela autoridade fiscal competente. Assim, no caso em tela, temos que o grupo societário foi formado com o objetivo de atender às necessidades do desenvolvimento dos processos de produção, racionalizando a exploração empresarial, baixando custos e aumentando os lucros. Logicamente, há interesse de toda e qualquer pessoa jurídica integrante deste grupo econômico nos atos de qualquer outra integrante, principalmente nos que beneficiem todo o agrupamento. O que não pode prevalecer é a confusão patrimonial, gerencial ou mesmo financeira como veículo para que o grupo econômico esquivese da obrigação de arcar com a responsabilidade oriunda da limitação imposta pelas normas do sistema Simples. Isso porque, no presente grupo, restou evidenciado que os atos de um, principalmente na seara tributária, são de total interesse das outras empresas agrupadas, bem como os benefícios da tributação simplificada. 1BARROS MONTEIRO, Washington, Curso de Direito Civil; v1. São Paulo, Saraiva, 1967, p.315. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 660 15 Ademais, no grupo econômico ora em questão, o interesse comum vincula as empresas agrupadas por circunstâncias externas, formadoras de solidariedade, provenientes da consciência de grupo, das necessidades que interligam as empresas participantes. E, tais circunstâncias externas restaram perfeitamente evidenciadas quando as empresas demonstraram a unidade ao usar o mesmo local para alojar todo o grupo, ter o mesmo contador e mesma gerente de recursos humanos, ter em comum a mesma linha de produção, os funcionários atenderem a um só empregador e subordinaremse a ele como um todo generalizado, entre outros tantos pontos elencados pela autoridade fiscal e que a empresa recorrente não logrou comprovar o contrário. Desta forma, o interesse comum é justificado, no caso da recorrente, pela unidade de direção ou controle, com objetivos finais idênticos de todos os entes agrupados. Há claro aproveitamento das pessoas jurídicas que formam o grupo econômico com as atividades desempenhadas por qualquer delas, pois agem por subordinação ou mesmo por coordenação à empresa em comento. Tudo demonstrado na utilização de funcionários comuns a todas as empresas do grupo em todas as atividades que envolvam o processo produtivo. Porém, no que tange ao Ato de Exclusão do sistema de apuração simplificada, a formação de grupo econômico, por si só, não gera motivou ou fundamentação tipificada em norma que lhe imponha tal penalidade. Entendo que a autoridade fiscalizadora, deixou de evidenciar os pontos que subsumem a empresa em comento nas hipóteses de exclusão do simples, tal como passarei a expor no item Da Tipificação a seguir. “E, especificamente no que tange ao Ato de Exclusão do sistema de apuração simplificada, restou esclarecido que o grupo econômico utilizavase da individualização das empresas apenas no papel, com o fim único de aproveitarse dessa tributação mais benéfica. Ocorre que uma vez demonstrado que se trata de um grupo, a unificação das receitas é imprescindível e, no caso em comento, os valores apurados ultrapassam o limite estabelecido pela legislação do Simples. ( restando pois válido o Ato de Exclusão analisado. )” Da Tipificação A empresa recorrente insurgese contra a tipificação dada pela autoridade fiscalizadora, quando da emissão do ADE. Expõe que a referida exclusão do simples está fundamentada nos seguintes artigos: art.9°, II e XVII, art. 14, I e IV e art. 15, da Lei 9.317/96 e que nenhum deles respaldam a exclusão da empresa. Aduz, a recorrente, que ser considerado Grupo Econômico não dá motivos à exclusão do regime simplificado. Neste ponto, guarda razão a recorrente, posto não haver em toda a legislação, que dispõe sobre a exclusão do SIMPLES, a tipificação como fundamento para exclusão deste regime o fato de ser um Grupo Econômico. Insurgese a empresa recorrente contra a fundamentação do auto de infração, referindo que toda a tipificação elencada não coaduna com a realidade jurídica e fática, estando em descompasso com a verdade. Frente a essa situação, passo a examinar a tipificação dada pela autoridade fiscal: Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 661 16 a) Tipificação: art. 9°, II, da Lei 9.317/96: A empresa contrapõese à fundamentação disciplinada no art. 9°, II da Lei 9.317/96, já que a exclusão se dará quando a receita bruta for superior a R$ 2.400.000,00. Porém, no caso em tela este montante somente ultrapassará o limite estabelecido em lei, caso sejam somadas todas as receitas de todas as empresas, posto que a recorrente sozinha não alcançou tal monta, razão pela qual entende que não pode ser excluída por tal fundamento. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: II a condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Neste contexto, entendo ter razão a empresa recorrente, já que para a exclusão se faz necessário que o valor elencado no artigo citado seja ultrapassado e isso somente se dá quando do somatório de todos os rendimentos. Contudo, para que o somatório seja realizado, fazse pertinente submissão dos atos da empresa recorrente em outra hipótese de incidência que lhe confira a obediência da soma, fato esse que entendo não ter ocorrido. b) Tipificação: art.9°, XVII, da Lei 9.317/96: Aferese que o segundo fundamento para a exclusão está embasado no art.9°, XVII, que determina a exclusão sempre que houver cisão ou qualquer outra forma de desmembramento. A empresa insurgese contra esse fundamento, com razão, porquanto a mesma não resultar de cisão, fusão ou incorporação de alguma outras empresa fiscalizada. Importa atentar para o fato de que a fiscalização não demonstra a ocorrência de alguma dessas situações de desmembramento da pessoa jurídica em relação à empresa recorrente. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa : XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; Neste ponto, não posso furtarme de expor que cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcela do seu patrimônio, para uma ou mais sociedade, constituída para Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 662 17 esse fim ou já existente, extinguindose a empresa cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio (Cisão total) ou dividindose o seu capital, se parcial a versão (Cisão parcial). Porém, no caso em tela, a autoridade fiscal deveria ter fundamentado, descrito e demonstrado, que a empresa recorrente cindiu ou desmembrou de alguma forma, tendo para tanto transferido parcelas dos seus ativos e passivos para as sociedades resultantes da cisão ou desmembramento. Ocorre que não há nenhuma descrição desse fato, fundamento ou base na contabilidade da empresa recorrente que demonstre que parte do seu patrimônio serviu para a formação das demais empresas do grupo. Razão pela qual entendo que não pode prosperar o presente auto. c) Tipificação: art. 14, II da Lei 9.317/96 A empresa recorrente também observa que todas as informações solicitadas foram prestadas, não restando caracterizado o embaraço à fiscalização. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); De igual modo, não vejo embaraço à fiscalização, já que a recorrente respondeu a todas a intimação recebidas. Atento para o fato de que a autoridade fiscal teve livre acesso e recebeu todas as informações necessárias para a autuação realizada. d) Tipificação: art. 14, IV da Lei 9.317/96: Também insurgese a empresa quanto à fundamentação da exclusão na constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. Isso porque restou comprovada, sob sua análise, a existência individualizada de fato e de direito da empresa recorrente, cujos sócios são todos conhecidos. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 663 18 Neste ponto, coaduno com os argumentos da recorrente, posto estar evidente que a mesma não foi constituída por interposta pessoa, já que detém os mesmos sócios, desde a sua formação e as alterações societárias posteriores foram todas legitimadas em contrato e assentadas no órgão pertinente. Ainda, claro está que a pessoa jurídica, ora recorrente, é a responsável pela sua própria organização, gerência e comando, não havendo outras pessoas nos seus quadros societários, senão os já relacionados, sendo estes os que movem o setor produtivo da empresa. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; Não podemos fugir do disposto no artigo em referência, já que a constituição da pessoa jurídica, ora recorrente, não se perfez por intermédio de pessoas que nãos sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. Ao contrário, no caso em tela a empresa recorrente permanece intacta e atua por ela mesma nos interesses, inclusive do grupo econômico, não havendo caracterização de interposta pessoa. Assim, diante dos argumentos acima expostos, entendo que, embora caracterizado o Grupo Econômico Familiar, a tipificação dada pela fiscalização, no Ato de Exclusão da empresa recorrente do Simples, não coaduna com o resultado. Isso porque, a exclusão da empresa recorrente teria que ser feita sob a égide do artigo 9°, IX, da Lei 9.317/96 para que restasse fundamentado que a empresa recorrente realmente era a detentora de todas as demais empresas, como sócia oculta ou mesmo de fato, já que de direito não consta nos quadros societários. Disciplina o artigo referido: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; Temse que a simples caracterização do Grupo Econômico não gera efeitos modificativos, antes a demonstração efetiva de que a empresa recorrente, por ser a signatária das demais e por deter a gerência dos negócios, reúne todo o grupo. Contudo tal fundamento não se encontra na tipificação dada pela autoridade fiscalizadora e tão pouco sua descrição. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 664 19 Desse modo, por entender que a tipificação do Ato Declaratório de Exclusão do Simples necessita estar completo, com a presença de todos os artigos que o fundamentam, sob pena de gerar com isso a insegurança jurídica e impedir a correta defesa da empresa, é que não vislumbro como poderá prosperar a presente exclusão. Na realidade a fiscalização promoveu um trabalho árduo, mas equivocouse ao tipificar a empresa no dispositivo correto. E, neste contexto, entendo que houve descumprimento do disciplinado no art. 10, IV, do Decreto 70.235/72. Isso porque a autoridade fiscalizadora não fundamentou e tão pouco descreveu, a disposição legal infringida e a sua penalidade. Com isso, a empresa ora recorrete não pode fomentar a sua defesa da forma correta, já que não houve dois erros insanáveis: a) não há capitulação correta por parte da fiscalização; b) e tão pouco a capitulação e fundamentação disposta pela autoridade encontra respaldo fático e de direito. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Restou claro que a autoridade fiscalizadora não demonstra a cisão ou desmembramento da empresa recorrente, não vinculando sua contabilidade ao ato, assim como não demonstrou a interposição de pessoas, nos seus quadros societários, para o fim de ludibriar o fisco. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. É o voto (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 665 20 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Conforme bem observado pela decisão recorrida (fls. 613verso): 55. Análise do quadro societário das pessoas jurídicas em pauta revelou que se trata de empresa familiar, tendo como ponto de partida Roberto Gomes Vilar e, posteriormente, se estendendo aos filhos, genros, noras e cunhada, [...]:”. Constatase analisandose detidamente os autos que todas as empresas apontadas no processo atuam no mesmo ramo de atividades, qual seja, “fabricação e comércio de torneiras, registros, bóias e válvulas, peças para bombas d’água e instalações hidráulicas e artefatos de metal e ferro”, com utilização da mesma marca (“Metais Imperatriz”) e perseguindo aquele objeto social dentro de um mesmo espaço físico. Elas agem economicamente como um todo, como um Grupo, e assim devem ser consideradas. O objetivo final é comum, formando, na realidade, uma unidade de fato, com atividades intimamente relacionadas e planejamento econômico e administrativo único. Não há dúvida, portanto, de que se trata de um Grupo Econômico, formado por empresas que objetivam repartir o seu faturamento, de modo a que todas possam usufruir, ao mesmo tempo, da tributação privilegiada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), reduzindo, desse modo, os valores a recolher a título de impostos e contribuições, inclusive previdenciárias. Por outro lado, apesar de não ter havido cisão formal da pessoa jurídica, houve cisão de fato: firmas individuais Jefferson César Gomes (15/04/1997), Maria Conceição TrizziEPP (01/12/1999), Jeniffer Greice GomesTorneiras (20/02/2002) e Paulo Afonso de Souza RamosTorneiras (06/07/2004). Ademais, para a caracterização e identificação de Grupo Econômico, importa investigar a situação real, material, concreta verificandose os vínculos entre as empresas e as circunstâncias em que realizam suas atividades , e não apenas a situação meramente formal. Menciono, a respeito, os seguintes precedentes: Acórdão nº 120100.625 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2011 EXCLUSÃO. Não podem optar ou permanecer no sistema simplificado as pessoas jurídicas resultantes de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento. [...]. Acórdão nº 180201.263 – 2ª Turma Especial Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 666 21 Sessão de 13 de junho de 2012 Ementa: Ao incorrer em quaisquer das hipóteses de exclusão previstas na legislação instituidora do Simples, o contribuinte deve ser excluído do sistema simplificado de tributação, especialmente porque foram comprovadas as hipóteses previstas na legislação de desmembramento da pessoa jurídica, embaraço à fiscalização e interposição de pessoas que não fossem os verdadeiros sócios. Desse último precedente, transcrevo, por pertinente, o seguinte trecho: A constituição de empresas individuais que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários, e cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico e impede a opção pelo Simples. De se ressaltar que, relativamente a esses precedentes, foi excluída do Simples a empresa mais antiga, que promoveu o seu desmembramento em outras, resultando, em consequência, menor do que deveria ser, se não houvesse efetuado dito desmembramento. Já quanto aos precedentes desta Terceira Turma Especial, mencionados na Declaração de Voto que acompanha este acórdão e nos memoriais entregues em sessão, envolveram situação diversa, em que a empresa excluída era uma das mais novas, o que não quer dizer, entretanto, que a exclusão do Simples não deva alcançar – como realmente deve todas as empresas do Grupo, sem exceção, inclusive a mais antiga. Com relação à afirmação do Voto da Relatora do processo, no sentido de que Neste ponto, guarda razão a recorrente, posto não haver, em toda a legislação que dispõe sobre a exclusão do SIMPLES, a tipificação como fundamento para exclusão deste regime o fato de ser um Grupo Econômico esclareço que a tipificação fiscal não é pela circunstância de ser um Grupo Econômico, mas, sim, pelo fato de, em assim sendo, pretender agir como se não o fosse, como se se tratasse de entes isolados e independentes entre si (grifouse): Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...].; XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; Ora, é inconcebível que um Grupo Econômico, pelo só fato de se apresentar composto por miniempresas, possa vir a usufruir de favor legal e mais que isso constitucional, voltado a minorar a carga tributária e os encargos administrativos das verdadeiras pequenas empresas, proporcionandolhes meios de sobrevivência e possibilidades de crescimento, de notório interesse para a economia nacional. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 667 22 Tal expediente, artificioso, não pode, nunca jamais, ser agasalhado pelo Direito. Por fim, no que toca aos efeitos da exclusão no Simples, tidos pela ação fiscal como tendo início apenas em 1º de janeiro de 2004 – fls. 26, item 53 o que coincide com o início do período auditado – fls. 22, item 42 , observase que foi a ora Recorrente beneficiada nesse ponto, pois, como visto anteriormente, os primeiros desmembramentos impeditivos da opção pelo Simples se deram muito antes, em 15/04/1997 (firma individual Jefferson César Gomes), 01/12/1999 (Maria Conceição TrizziEPP) e 20/02/2002 (Jeniffer Greice Gomes Torneiras). Nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 668 23 Declaração de Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman A empresa Recorrente foi excluída do SIMPLES por ter o AFRFB constatado que, junto com as demais empresas mencionadas na Representação Fiscal de fls. 02/28 deste PAF, a mesma faz parte de um grupo econômico e, tendo somado os faturamentos das empresas optantes pelo SIMPLES, estaria extrapolado o limite de faturamento permitido para aquela modalidade de tributação. O Ato Declaratório Executivo nº. 35 (fls.212) foi emitido com fulcro nos seguintes dispositivos legais, ora transcritos, da Lei 9.317/1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 669 24 IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; Como se vê da Representação Fiscal, a exclusão da Recorrente do SIMPLES se dá com a conjugação dos dispositivos acima dispostos. Assim, depreendese necessário analisar um a um, dentro das conclusões extraídas pelo AFRFB que implicaram na edição do já mencionado ADE nº. 35. I.I. ART. 9º, II O inciso II do artigo 9º estabelece como impedimento à opção pelo Simples o auferimento no ano imediatamente anterior de receita bruta superior ao limite permitido por este regime simplificado de tributação. No presente caso, como corretamente fez o AFRFB, não seria cabível a aplicação isolada do referido dispositivo (art. 9, II), posto que como verificado pelo próprio Auditor Fiscal, a Recorrente não extrapolou (isoladamente) o teto máximo permitido para o Simples. Por isso é que, dentro do contexto verificado, de existência de grupo econômico, conjugou este dispositivo com outros, que o permitisse fazer o somatório da receita bruta de todas as empresas, como se uma só fossem, e verificar assim a extrapolação do limite legal estabelecido. Assim, dentro do conteúdo do Relatório Fiscal e do contexto em que editado o Ato Declaratório Executivo nº. 35, correta está a aplicação do art. 9º, II, da Lei 9.317/1996. Como dito, não sendo cabível a aplicação isolada do referido dispositivo, passemos a analisar os demais enquadramentos realizados pelo AFRFB para excluir a Recorrente do SIMPLES. I.II. ART. 9º, XVII Pelo contido na Representação Fiscal, o AFRFB concluiu que a empresa Recorrente criou outras empresas, por meio de interpostas pessoas, de modo a dividir/fatiar o seu faturamento e assim se manter dentro da sistemática do SIMPLES. Por este motivo, dentre outros, é que o AFRFB fundamentou, também, a exclusão no inciso XVII do artigo 9º. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 670 25 O referido dispositivo veda o ingresso no Simples da pessoa jurídica que “seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei”. Para a aplicação deste dispositivo legal, teria que estar verificado de que a Recorrente é resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento. Todavia, da análise de todo o conjunto fáticoprobatório deste processo administrativo, não vislumbro esta possibilidade. Vejamos. Destarte, não há dúvidas de que de acordo com o contexto do presente PAF e todas as provas aventadas pelo AFRFB, que a Recorrente criou as empresas lá relacionadas (Jeniffer Greice Gomes, Jefferson Cesar Gomes, Paulo Afonso de Souza Ramos, Maria Conceição Trizzi e Imperatriz Sul Metais Ltda.) com o intuito único e direto de fatiar o seu faturamento e permitir a sua permanência dentro do regime tributário mais benéfico. Todavia, isto não faz concluir, em hipótese alguma, que seja a Recorrente RESULTANTE de qualquer forma de desmembramento, mas sim, o contrário, que as outras empresas lá relacionadas são sim “resultantes” de desmembramento da Recorrente Ind. Com. Exp. de Metais Imperatriz. O dicionário Michaelis assim define a palavra “resultante”: resultante re.sul.tan.te adj m+f (de resultar) Que resulta ou que é conseqüência. sf Mec 1 A força que resulta da aplicação de muitas forças a um ponto determinado. 2 Linha reta que representa essa força. Como se vê, resultante é aquele/aquilo que “resulta” ou que é “consequência”. No presente caso, por óbvio que a Recorrente não “resulta” de desmembramento, nem é consequência de qualquer cisão ou outra forma de desmembramento, pois como se vê, foi constituída no ano de 1.980, muito antes das demais empresas que formam o Grupo Econômico constatado pelo AFRFB. De salientar, por oportuno, que é cediço à luz do artigo 111 do CTN que a interpretação deve ser restritiva quanto a análise da legislação que dispõe sobre benefício fiscal. Ora se é certo de que resta defeso ampliar o alcance da legislação em questão para incluir atividades no rol dos beneficiários dessa norma especial, certo também será de que também deve ser lançado mão do critério exegético restritivo para interpretar os enunciados normativos que impõe (e vedam) a exclusão do SIMPLES. Dessa maneira, outra opção não vejo que não seja a de afastar a aplicação do inciso XVII do art. 9º da Lei 9.317/96, posto que absolutamente inaplicável ao presente caso, conforme outras vezes já decidiu este Conselho e esta Turma, conforme a análise dos julgados abaixo: Fl. 802DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 671 26 SIMPLES. EXCLUSÃO. DESMEMBRAMENTO. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica. (PAF 13963.000190/2005 41, Sessão de 31/03/2011, 3ª Turma Especial da 1ª Seção, Relator Selene Ferreira de Moraes) No julgamento do PAF acima reproduzido, proferido por votação unânime desta E. Turma Especial, o julgado deixou bastante claro que a exclusão se dava em virtude da empresa, então Recorrente, ser justamente aquela que resultava de desmembramento de outra pessoa jurídica. In verbis: A fiscalização afirma que a recorrente é resultante de um desmembramento meramente formal da Indústria de Couro Ltda. (...) No presente caso, um dos sócios saiu do quadro societário da Indústria de Couro Ltda. para constituir uma nova empresa, a ora recorrente. (...) são elementos probatórios mais do que suficientes para demonstrar que a saída da sócia Elta Marisane Coelho Paes da empresa Indústria de Couro Ltda., e a criação da Curthy Couro Ltda. com seu filho Isael Coelho Paes, configurou desmembramento que impede a opção pelo Simples. Como se vê, fica clara a aplicação do dispositivo ora analisado em face daquela empresa que resulta de desmembramento, que foi originada por outra pessoa jurídica que se infere como sua controladora. No mesmo sentido: SIMPLES EXCLUSÃO – DESMEMBRAMENTO Feita a prova de que a pessoa jurídica é resultante de desmembramento de outra pessoa jurídica, deve ela ser excluída do regime do Simples com base no disposto no inciso XVII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996. (PAF 11516.000041/200525, Sessão de 04/11/2010, 2ª Turma Especial da 1ª Seção) Fl. 803DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 672 27 No processo acima ementado, a situação que se verifica é praticamente a mesma da jurisprudência anterior. Mais uma vez, é excluída do Simples pessoa jurídica que nasceu em virtude de um desmembramento de outra, que a criou justamente com o intuito de desviar o seu faturamento para outra empresa, no caso, a Recorrente do PAF nº. 11516.000041/200525. Vejamos: De todo o exposto, pareceme, de fato, válida a conclusão de que a Recorrente, assim como as demais sociedades constituídas à mesma época, tinham por objetivo assumir parte da atividade da Precicast. (...) Em que pese tal fato, os demais elementos aqui arrolados parecemme suficientemente indicativos de que houve desmembramento da atividade da Precicast para a Recorrente, caracterizando a hipótese do artigo 9°, XVII, da Lei 9.317/96. Com base nas razões acima expostas, voto por afastar a aplicação do artigo 9º, inciso XVII, de modo a não ser este dispositivo apto a fundamentar a exclusão da Recorrente do Simples. I.III. ART. 14, II Da análise do Ato Declaratório Executivo nº. 35 verificase que a exclusão da Recorrente do SIMPLES também se deu com fulcro no inciso II do artigo 14 da Lei 9.317/96. O referido dispositivo estabelece que serão excluídos de ofício do Simples a pesosa jurídica que incorrer em “embaraço á fiscalização”. Todavia, em todo o conteúdo da Representação Fiscal, não se verifica em momento algum que tenha a Recorrente incorrido nesta hipótese, muito pelo contrário, são relacionados pelo próprio AFRFB os documentos fornecidos pela próprio Recorrente. Diante dessas razões, voto também por afastar a aplicação do artigo 14, II como fundamento para o fim de excluir a Recorrente do Simples. I.IV. ART. 14, IV O último fundamento legal utilizado pelo Auditor Fiscal para excluir a Recorrente do Simples é o inciso IV do art. 14 da Lei 9.317/96. O referido inciso estabelece Fl. 804DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 673 28 que será excluída de ofício a pessoa jurídica que incorrer na hipótese de “constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual” . Como já mencionado anteriormente, conclusão que inclusive este julgador não afasta, a Recorrente faz parte de um Grupo Econômico, sendo a “empresamãe” deste, e incorreu na criação de outras pessoas jurídicas com o fito de fatiar o seu faturamento e assim não extrapolar o limite do Simples. Assim, precisou conjugar o disposto no inciso II do art. 9º, que estabelece o limite de faturamento já que a Recorrente, sozinha, não extrapolou o limite, situação que só se configurou com o somatório dos faturamentos de todas as empresas do Grupo Econômico Imperatriz com outros dispositivos legais, dentre eles o inciso IV do art. 14. As demais empresas do Grupo Imperatriz, em sua maioria firmas individuais, possuem em seu quadro societário parentes do Sr. Roberto Gomes Vilar, sócio da ora Recorrente Ind. Com. Exp. de Metais Imperatriz. Ocorre que, mais uma vez, entendo por equivocada a utilização do inciso IV do art. 14 como fundamento para excluir do Simples a Recorrente, “empresamãe” do Grupo Imperatriz, aquela que deu início a todo o grupo e muito antes da criação das demais empresas, posto que em nenhum momento foi indicado ou sequer aventado que no quadro societário da RECORRENTE (sujeito passivo do ATO DE EXCLUSÃO) constariam interpostas pessoas. Embora o art. 14, IV, fale em “constituição” por interposta pessoa, creio que a utilização de interpostas pessoas para a aplicação deste inciso não seja necessária somente no ato de “constituição” da pessoa jurídica, mas sim em qualquer momento de sua vida, conforme inclusive já decidiu este Conselho: INTERPOSTA PESSOA — SIMULAÇÃO ABSOLUTA O caso é de simulação absoluta, e não relativa, pois se cuida de examinar se a sucessão a título singular dos sócios ocorreu ou não — em caso negativo, nenhum negócio jurídico houve. A presença de uma causa sinzulandi associada aos dados representados nos autos são elementos sobremaneira fortes a descortinar a consecução de simulação absoluta. (PAF nº. 11516.002599/200545, Sessão de 18/05/2010, 3ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da 1ª Seção) Na jurisprudência colacionada acima, tratavase de se averiguar a ocorrência de sujeição ao inciso IV do artigo 14 num caso de sucessão societária onde os novos sócios (ingressantes) na verdade seriam laranjas, o que acabou ficando constatado. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 674 29 Porém, no presente caso, não se aventou a hipótese de se encontrarem interpostas pessoas no quadro societário da Recorrente que não fossem os verdadeiros sócios ou acionistas. Muito pelo contrário, atribuise à Recorrente a criação de outras empresas por interpostas pessoas, motivo pelo qual deverão aquelas empresas ser excluídas do Simples. Todavia, impossível a aplicação deste dispositivo em face da Recorrente. No Dicionário Jurídico da autora Maria Helena Diniz consta o seguinte conceito: Interposta pessoa seria aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo. Tratarseia do prestanome ou testa de ferro. Age em lugar do verdadeiro interessado que, por motivos não de todo lícitos, deseja ocultar sua participação num ato negocial. Da análise da Representação Fiscal e de toda a documentação acostada ao presente processo administrativo, não há qualquer indício de que o Sr. Roberto Gomes Villar (sócio da RECORRENTE) fosse um laranja, prestanome, testa de ferro ou qualquer outra denominação que se dê a uma interposta pessoa. Muito pelo contrário, a ele é atribuída a criação de outras empresas, a utilização de interpostas pessoas para a utilização de outras pessoas jurídicas, mas não a Recorrente – Ind. Com. Exp. de Metais Imperatriz. Eis a conclusão da decisão recorrida à fl. 634: Por fim, a autoridade fiscal concluiu que com a entrada em vigor da Lei nº. 9.317, de 1996, Roberto Gomes Vilar, sócio da pessoa jurídica Indústria, Comércio e Exportação de Metais Imperatriz, por meio de interpostas pessoas, quer filhos seus, outros parentes e mesmo uma funcionária, constituiu as firmas individuais Jefferson César Gomes (15/04/1997), Maria Conceição TrizziEPP (01/12/1999), Jeniffer Greice Gomes – Torneiras (20/02/2002) e Paulo Afonso de Souza Ramos – Torneiras (06/07/2004), todas funcionando no endereço à ela pertencente, tendo o mesmo objeto social e optantes pelo Simples, com o objetivo de distribuir seu faturamento e reduzir os valores a recolher a título de impostos e contribuições. In casu, novamente aplico a regra contida no artigo 111 do CTN para que seja afastada a utilização de critério ampliativo. Assim, não sendo a ora Recorrente constituída por interpostas pessoas, afasto a aplicação do referido dispositivo ao presente caso, em conformidade com a jurisprudência maçante deste Conselho: Fl. 806DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 675 30 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Será excluída do Simples a pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual. (PAF 10630.000787/200641, Sessão de 27/01/2011, 1ª Turma Especial da 1ª Seção, Relator Sérgio Rodrigues Mendes) No julgamento acima ementado, proferido por esta E. Turma Especial, ficou constatado que a empresa não era constituída por seus verdadeiros sócios, o que, então, ensejaria a aplicação do artigo 14, IV da Lei 9.317/96. Assim consta do referido voto: Portanto, está devidamente caracterizado que os sócios declarados no contrato social da Farmácia Indiana de Manipulação Ltda. (Recorrente – Empresa excluída do SIMPLES) não são os verdadeiros sócios e que os verdadeiros sócios dessa empresa são aqueles que fazem parte do Quadro Societário da empresa Irmãos Matar e Cia Ltda. Acrescentese que, relativamente a essa constatação, a Recorrente não oferece qualquer argumento capaz de elidir a conclusão apresentada pela fiscalização previdenciária. Como se vê, tratase da aplicação lógica e única interpretação possível do dispositivo, no caso, implicando na exclusão daquelas pessoas jurídicas constituídas por laranjas, pessoas que não são os verdadeiros sócios da empresa da qual fazem parte do quadro societário. No mesmo sentido: SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES LEGAIS. Justificase a exclusão da sistemática do Simples, desde a constituição da pessoa jurídica, pela constatação da utilização de interpostas pessoas como sócios da empresa, pela comprovação da prática reiterada de infração tributária, pelo embaraço à fiscalização e pela negativa, não justificada, da exibição de livros e documentos a que estava obrigada, nos termos do que dispõe o art. 14, incisos II, IV e V, da Lei n° 9.317/96. (PAF nº. 10670.004339/200810, Sessão de 27/06/2011, 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 1ª Seção) No caso acima, a mesma situação já narrada nos casos anteriores: Fl. 807DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 676 31 Ainda, segundo comprovado pela fiscalização, no período que a empresa autuada exercia suas atividades, os ditos sócios de direito, Srs. Ronaldo Pereira da Silva e Ademir Alves dos Santos trabalharam como empregados das empresas MERCADÃO RURAL AGROPECUÁRIO LTDA, que tinha como sócios os Srs. Luciano Waldemar Valle Pereira e Crisantino Almeida Borém Filho, e PONTO DO FAZENDEIRO LTDA, que tinha como sócios Luciano Waldemar Valle Pereira e José Reinaldo Martins. (...) Portanto, concluo que a sociedade Irrifértil Irrigação e Pecuária Ltda. foi inicialmente constituída por interpostas pessoas (laranjas), incidindo ao caso a vedação de opção pelo SIMPLES, desde a sua constituição, em 2001, nos termos do art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 1996 combinado com o art. 15, inciso V da mesma lei. Em outro caso, também julgado por esta E. Turma Especial, a mesma conclusão: SIMPLES. EXCLUSÃO. A constituição da empresa mediante a utilização de interpostas pessoas, aliada ao quadro de completa ausência de capacidade operacional e financeira, configuram situação impeditiva para manutenção da opção no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). (PAF nº. 13971.001139/200477, Sessão de 10/11/2010, 3ª Turma Especial da 1ª Seção, Relator Walter Adolfo Maresch) Eis o relatório do PAF nº. 13971.001139/200477: Relatam os auditores de que foi constatada situação de fato envolvendo três empresas sob o mesmo controle financeiro e administrativo, funcionando no mesmo local, envolvendo as empresas “VILLA CONFECÇÕES LTDA”, “VILLA TÊXTIL INDUSTRIAL LTDA” e a empresa “SERVTEX SERVIÇOS TÉCNICOS TÊXTEIS LTDA” ora recorrente. A primeira empresa citada é a única que deteria verdadeira autonomia econômico financeira, enquanto as outras duas “Villa Têxtil Industrial Ltda” e “Servtex Serviços Técnicos Têxteis Ltda”, ambas optantes pelo SIMPLES, seriam meras empresas de fachada utilizadas para registro dos empregados da “VILLA CONFECÇÕES”. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 677 32 E a conclusão em seu voto: Conforme relatam os auditores previdenciários, diversos funcionários foram sendo transferidos ao longo do tempo da VILLA CONFECÇÕES LTDA para a SERVTEX, sendo que o sócio majoritário desta, Sr. LINDOLFO KRAETZER, atua na verdade como preposto e executa atividades de cunho administrativo em nome da VILLA CONFECÇÕES LTDA, conforme documentos juntados aos autos. (...) Desta forma, o quadro fático é revelador de que a SERVTEX não tem autonomia e tampouco quadro operacional independente, sendo mero apêndice da empresa VILLA CONFECÇÕES LTDA. Como demonstrado, a exclusão do Simples será daquela pessoa jurídica que fora constituída por interpostas pessoas, o que, conforme já mencionado acima, não é o caso da Recorrente, ao menos com base na Representação Fiscal acostada ao presente processo administrativo, conforme item 50 da Representação Fiscal, à fl. 25: Diante das constatações acima, a empresa Industria, Comercio e Exportação de Metais Imperatriz Ltda., utilizouse de interpostas pessoas para exercer suas atividades normais, distribuir o seu faturamento e diminuir os valores a recolher de suas contribuições e impostos, utilizandose de Jeffercon César Gomes, Jeniffer Greice Gomes, Maria Conceição Trizzi ,Paulo Afonso de Souza Ramos e as pessoas constantes do contrato social e alterações da empresa Imperatriz Sul Metais Ltda. Sra. Katiane Gama Bragante Gomes, Juraci Maria Minini, Fabiano Minini Gomes e Guiomar Minini Vilar. O conceito de “interposta pessoa” trazido acima, extraído das lições da doutrinadora Maria Helena Diniz, vai de encontro com aquele utilizado por este Conselho, qual seja, interpostas pessoas são os denominados “laranjas”, “testadeferro”, que simplesmente emprestam os seus nomes para a abertura de pessoas jurídicas, deixando para os verdadeiros “donos” (ou sócios de fato) a administração da sociedade, por meio da outorga de procurações, por exemplo, com ilimitados poderes para gerir a empresa como um todo. Eis alguns julgados nesse sentido: SIMULAÇÃO OBJETIVA – EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Conquanto a interposição de pessoas não possa ser deduzida de um único indício, o conjunto de indícios pode demonstrar a existência da causa simulandi a comunicar o fio condutor quanto à ocorrência de simulação subjetiva. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 678 33 Vêse que a recorrente outorgou ilimitados poderes a pessoas físicas, sócias de outra pessoa jurídica que, como a própria recorrente reconhece, é a líder de grupo econômico de fato a que pertence a recorrente. E as procurações outorgadas, sobre não estabelecerem limites para atuação das pessoas físicas, não previam sequer a prestação de contas, o que contraria a ideia de gestão de negócios colocada pela recorrente. Somese a isso a vultosa movimentação financeira, não registrada e nem justificada, das contas correntes pertencentes à recorrente, que eram movimentadas pelos procuradores. Quadro fático que acusa a presença de causa simulandi, denotando a conclusão de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas — no caso, as referidas pessoas físicas são os efetivos ou verdadeiros sócios da recorrente. (PAF nº. 11516.002474/200515, Sessão de 05/07/2010, 3ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da 1ª Seção). SIMPLES Não pode optar pelo SIMPLES empresa que seja formada por interpostas pessoas. (PAF nº. 13971.00112230/200329, Sessão de 06/07/2010, 3ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da 1ª Seção) No caso acima (PAF nº. 13971.00112230/200329), a fiscalização constatou que a empresa fora “formada por pessoas que não são os verdadeiros sócios”, para assim ser concluído o voto: Por tudo isso, fica devidamente comprovado que os empregados da recorrente são empregados da LULI Indústria e Comércio de Confecções LTDA, pois, a recorrente, faz parte da LULI, ou seja, a recorrente, foi formada por interpostas pessoas, visando optar pelo SIMPLES, e aproveitar os benefícios do sistema, notadamente nas questões previdenciárias. Por último, trazemos o julgado abaixo onde fica clarividente o norte de interpretação dado por este Conselho, onde na empresa Recorrente do PAF nº. 11516.001158/200586, ficou constatado que ela fora constituída por interpostas pessoas, pois, a pessoa jurídica “SEPROL Computadores e Sistemas Ltda.” era quem de fato geria a empresa Recorrente, o que ensejou a sua exclusão do Simples com fulcro no artigo 14, inciso IV da Lei 9.317/96. Eis a ementa e trecho conclusivo do voto: EXCLUSÃO DE OFÍCIO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica for constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual. (PAF nº. 11516.001158/200586, Sessão de 30/03/2011, 3ª Turma Especial da 1ª Seção) Fl. 810DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 679 34 Nos autos foram comprovados os fatos descritos na Representação Administrativa INSS, fls. 01/113, dos quais se pode deduzir que, embora a SEPROL Computadores e Sistemas Ltda, CNPJ 76.366.285/000140, não participa do capital social da Recorrente, há preponderância na gerência desta por parte daquela como forma de se beneficiar indevidamente do tratamento tributário diferenciado, simplificado e favorecido, o que evidencia, por presunção relativa, a interposição de pessoa. Com base nas razões acima expostas, voto por afastar a aplicação do artigo 14, IV, da Lei 9.317/96 no presente processo administrativo, de modo não ser este dispositivo fundamento hábil a ensejar a exclusão da Recorrente do Simples, posto que diante de todo o conteúdo fáticoprobatório deste PAF em momento algum ficou constatado que tenha sido a Recorrente criada por interpostas pessoas ou tenha sido constatado, em qualquer momento desde a sua criação, interpostas pessoas em seu quadro societário. Vêse que tanto não é aplicável o referido artigo em casos como o da Recorrente (no caso é esta a empresa que criou outras por interpostas pessoas, e não a própria empresa criada por interpostas pessoas) que quando da criação da Lei Complementar nº. 123/2006, que revogou a Lei 9.317/96, veio previsão específica para situações como esta da ora Recorrente. Vejamos: Art. 3o Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 4o Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Assim, haja vista a Lei Complementar nº. 123/2006 não poder se aplicar à Recorrente e as previsões da Lei 9.317/96 não serem aptas a ensejar na exclusão da Recorrente, Fl. 811DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10950.004249/200955 Acórdão n.º 1803001.705 S1TE03 Fl. 680 35 conforme demonstrado acima, entendo pela não aplicação do artigo 14, inciso IV no caso sob análise. Diante da análise pormenorizada de cada um dos fundamentos legais utilizados pelo AFRFB para excluir a Recorrente do Simples e assim entender que o art. 9º, XVII, e o art. 14, II e IV, não são aptos a ensejar a exclusão da Recorrente do Simples, e o inciso II, art. 9º, não é suficiente para caracterizar a exclusão da Recorrente, posto que o estouro do limite do faturamento só se dá com a soma dos faturamentos de todas as empresas do Grupo Econômico, voto pela improcedência do Ato Declaratório Executivo nº. 35, afastando a exclusão da Recorrente do Simples por ausência de fundamento legal apto a concretizar a exclusão nos moldes delineados pelo AFRFB. É como voto. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 812DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMA N, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
