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Numero do processo: 13830.900224/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Nov 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2000
Ementa:
DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-000.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2000 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2000 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Andre Ricardo Lemes da Silva e Irineu Bianchi Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Processo nº 13830.900224/200696 Acórdão n.º 130200.477 S1C3T2 Fl. 124 2 Relatório Tratase de Recurso voluntário interposto em relação ao acórdão DRJ que negou provimento à Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 12/14, na qual alega, em síntese, que: a) a declarante recolheu, em 31/10/2000, um DARF sob o código de receita: 2362, no valor de R$ 35.295,02; b) a declarante informou em DCTF, 3º trimestre de 2000, a utilização de parte do DARF acima mencionado com um pagamento, código de receita: 2362, vencimento: 31/10/2000, no valor de R$ 28.065,93, perfazendo um saldo de R$ 7.229,09; c) no PER/Dcomp nº 13830.000741/200311, de 14/05/2003, utilizouse do saldo de R$ 7.229,09 para compensar a cifra de R$ 2.108,28, relativo ao um débito de IRPJ, código de receita: 2362, vencimento: 31/10/2000, restando à declarante o montante de R$ 5.120,81; d) em 30/06/2003, a declarante apresentou a PER/Dcomp de nº 13096.81150.300603.1.3.047987 para pagamento parcial de um IRPJ, código de receita: 2362, vencimento 30/06/2003, no valor de R$ 635,15, restando saldo de pagamento à maior de R$ 4.485,66; e) em 30/09/2003, foi entregue o PER/Dcomp nº 05742.83385.300903.1.3.047040 para pagamento parcial de IRPJ, código de receita: 2362, compensandose assim o restante do saldo original da declarante de R$ 4.485,66. Ao final, requer que seja julgado procedente a manifestação de inconformidade com o despacho decisório em tela excluindose todos os débitos originados por aquele, bem como não obstando emissão de certidão negativa de débitos. A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2000 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Processo nº 13830.900224/200696 Acórdão n.º 130200.477 S1C3T2 Fl. 125 3 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 14/08/2009 e apresentou recurso em 15/09/2009. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação. Voto O recurso é tempestivo e dele conheço. Não há reparo a fazer ao decidido em 1ª instância, razão pela qual reproduzo trecho do voto condutor do acórdão, com o qual concordo: Contudo, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como visto, a contribuinte declarou, em sua DCTF, do 3º trimestre de 2000, um débito de IRPJ (código de receita: 2362), mês de apuração: setembro/2000, no valor de R$ 40.643,95, que foi quitado mediante compensação, utilizandose para tanto de pagamento indevido ou a maior, no montante de R$ 5.348,93; depósito judicial, processo judicial nº 2000.03.00.0247180, no valor de R$ 7.229,09; e recolhimento, mediante DARF, código de receita: 2362, na cifra de R$ 35.295,02. No que diz respeito à compensação no valor de R$ 5.348,93, na época, a contribuinte poderia proceder à autocompensação (sem requerimento à autoridade fiscal), desde que envolvidos tributos da mesma espécie e os débitos fossem posteriores aos indébitos, a ver pela Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da Instrução Normativa nº 73, de 15 de setembro de 1997: “Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento.” (destaquei) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Processo nº 13830.900224/200696 Acórdão n.º 130200.477 S1C3T2 Fl. 126 4 No entanto, a compensação deveria ser efetuada mediante registro nos livros fiscais e contábeis e, no caso presente, a recorrente deixou de apresentar qualquer elemento contábil escritural que pudesse dar lastro a sua declaração, isto é, o registro, em seus assentamentos contábeis, do pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 5.348,93, que foi objeto, conforme declarado em sua DCTF, de compensação com o débito de imposto de renda do mês de setembro de 2000. Ademais, não há nos autos prova de que o suposto valor pago a maior, na cifra de R$ 7.229,09, relativo a estimativa do mês de setembro de 2000, não foi utilizado posteriormente em autocompensações, pois, à época dos fatos, a contribuinte poderia proceder à autocompensação, desde que envolvidos tributos da mesma espécie e os débitos fossem posteriores aos indébitos, ou na própria composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. Desta sorte, ainda que o pagamento efetuado (DARF) e a compensações informadas na Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) externem valores a título de pagamento indevido ou a maior, certo é que a DCTF apenas indicia, a grosso modo, que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido, no valor de 7.229,09, relativo ao pagamento de IRPJ (código: 2362), período de apuração: 30/09/2000. Todavia, tal fato resumese à seara do indício, tão somente, vez que tanto a declaração, como o pagamento, são manifestações da contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita, não surtem o efeito desejado. Assim, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de setembro de 2000 e os pagamentos (recolhimentos e compensações) que deram origem ao indébito pretendido, como também os registros contábeis relativos às compensações do IRPJ devido nos períodos subseqüentes à apuração do pagamento indevido sob exame (a partir de outubro de 2000). Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Processo nº 13830.900224/200696 Acórdão n.º 130200.477 S1C3T2 Fl. 127 5 sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)”. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Como não constam dos autos elementos que possam firmar a certeza e liquidez do crédito pretendido, originado no mês de setembro de 2000, nem tampouco preocupouse a recorrente em trazer qualquer elemento contábilescritural que pudesse embasar seu entendimento de existência de pagamento indevido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Como bem afirmado acima, cabe ao contribuinte demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório requerido e, não o tendo feito, não pode a administração aceitar a restituição/compensação requerida. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954299/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2000
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.
Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.954299/200875 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.095 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ICE CARTÕES ESPECIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 99 /2 00 8- 75 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.954299/200875 Acórdão n.º 3201004.095 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que os créditos compensados eram decorrentes de Levantamento Fiscal lastreado em Demonstrativos de Apuração elaborados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em que se apuraram débitos referentes a cálculos e recolhimentos a menor da contribuição, bem como créditos relativos a recolhimentos a maior, que resultaram na compensação declarada. Informou, ainda, que a DCTF havia sido retificada para constar a apuração correta do débito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo contendo a descrição da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 16033.423, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório não era hábil a alterar a decisão proferida e que qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF devia vir acompanhada de documentação hábil e suficiente que o comprovasse. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, repisando os mesmos argumentos de defesa e alegando que procedera à retificação da DCTF de forma a fazer constar o valor do crédito pendente de reconhecimento e que, mesmo tendo sido apresentada após a ciência do despacho decisório, a declaração retificadora cumprira com os requisitos para a homologação da compensação, devendo prevalecer a verdade real. Sustentou, ainda, com fundamento no art. 147, § 2º, do CTN, que a falta da DCTF retificadora não era suficiente para negar ou impedir a homologação, uma vez que a DCTF original deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.954299/200875 Acórdão n.º 3201004.095 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.079, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.954277/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.079): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Preliminarmente registro que a recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Citese jurisprudência do CARF sobre este ponto: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.954299/200875 Acórdão n.º 3201004.095 S3C2T1 Fl. 5 4 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. De acordo com tal dispositivo legal, cabe a recorrente comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O fato é que o princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que a ela competia trazer aos autos. Ainda que fosse na segunda instância, se juntasse as provas no recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. Ocorre que a recorrente não reúne provas na forma de documentação complementar, insistindo erroneamente em argumentar que o Demonstrativo de Apuração, elaborado pela Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa a inexistência de saldo. (efls. 122123) É improcedente a afirmação do contribuinte, pois o crédito compensado neste PER/DCOMP, no montante originário de R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA juntado à Manifestação de Inconformidade (fls. 68/75) informa a INEXISTÊNCIA DE SALDO APURADO, fato confirmado na análise dos valores declarados pelo próprio Interessado na DCTF entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que juntamos a estes autos (fls. 114/117) De fato, mesmo com boa vontade, o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, as efls. 68 75 dos autos, não deixa claro a existência de saldo creditório. Ao contrário, tratase de documento com anotações manuscritas, que necessitam de documentação complementar para tornar o crédito líquido e certo. Mesmo se o Demonstrativo fosse claro, ainda assim, não seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF. No caso em exame, a recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, quando da manifestação de inconformidade e agora em fase de recurso voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF. Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.954299/200875 Acórdão n.º 3201004.095 S3C2T1 Fl. 6 5 Finalmente, observo que à autoridade julgadora administrativa é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa a princípios constitucionais. Nesse sentido, citase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720440/2015-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 40 /2 01 5- 69 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10120.720440/201569 Acórdão n.º 1401002.697 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 2º trimestre de 2013, nos valores de R$ 7.139,19 e R$ 13.037,36, transmitida através do PER/Dcomp nº 00525.93901.180613.1.3.023374 e 24699.02834.130214.1.3.020003. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10120.720440/201569 Acórdão n.º 1401002.697 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10120.720440/201569 Acórdão n.º 1401002.697 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10120.720440/201569 Acórdão n.º 1401002.697 S1C4T1 Fl. 6 5 de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10494.000659/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007
SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO E DE MULTA. PROVA DOCUMENTAL SUFICIENTE PARA CONSTATAR O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO EM APENAS PARTE DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO AUTUADAS.
Sendo suficientes as provas coletadas pela fiscalização para configurar subfaturamento e constatar o preço efetivamente praticado em parte das declarações de importação autuadas (40 DI), deve ser mantida a autuação em relação a tais DI, e em relação a mercadorias idênticas àquelas nelas declaradas, e constantes em outras declarações autuadas.
Numero da decisão: 3401-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam, os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, em março de 2018, para reconhecer a intempestividade da peça recursal apresentada por "Granzotto" e a inexistência de nulidade em relação à sujeição passiva; (b) por unanimidade de votos, para (b1) manter a autuação em relação às 40 DI para as quais foi encontrada fatura diversa para a mesma operação, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença); e (b2) afastar a autuação na parcela em que a valoração é efetuada tendo em conta percentuais de subfaturamento em relação à DI ou ao fornecedor; (c) por maioria de votos, para afastar a multa "regulamentar" (100% do valor comercial), e para afastar a autuação no que se refere a mercadorias similares, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que mantinha a autuação em relação a mercadorias similares, assim como a multa "regulamentar" para as 40 DI, e mercadorias idênticas e similares; e (d) por voto de qualidade, para manter a autuação para as mercadorias idênticas às DI paradigma adotadas, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença), vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO E DE MULTA. PROVA DOCUMENTAL SUFICIENTE PARA CONSTATAR O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO EM APENAS PARTE DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO AUTUADAS. Sendo suficientes as provas coletadas pela fiscalização para configurar subfaturamento e constatar o preço efetivamente praticado em parte das declarações de importação autuadas (40 DI), deve ser mantida a autuação em relação a tais DI, e em relação a mercadorias idênticas àquelas nelas declaradas, e constantes em outras declarações autuadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam, os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, em março de 2018, para reconhecer a intempestividade da peça recursal apresentada por "Granzotto" e a inexistência de nulidade em relação à sujeição passiva; (b) por unanimidade de votos, para (b1) manter a autuação em relação às 40 DI para as quais foi encontrada fatura diversa para a mesma operação, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença); e (b2) afastar a autuação na parcela em que a valoração é efetuada tendo em conta percentuais de subfaturamento em relação à DI ou ao fornecedor; (c) por maioria de votos, para afastar a multa "regulamentar" (100% do valor comercial), e para afastar a autuação no que se refere a mercadorias similares, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que mantinha a autuação em relação a mercadorias similares, assim como a multa "regulamentar" para as 40 DI, e mercadorias idênticas e similares; e (d) por voto de qualidade, para manter a autuação para as mercadorias idênticas às DI paradigma adotadas, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença), vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO E DE MULTA. PROVA DOCUMENTAL SUFICIENTE PARA CONSTATAR O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO EM APENAS PARTE DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO AUTUADAS. Sendo suficientes as provas coletadas pela fiscalização para configurar subfaturamento e constatar o preço efetivamente praticado em parte das declarações de importação autuadas (40 DI), deve ser mantida a autuação em relação a tais DI, e em relação a mercadorias idênticas àquelas nelas declaradas, e constantes em outras declarações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam, os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, em março de 2018, para reconhecer a intempestividade da peça recursal apresentada por "Granzotto" e a inexistência de nulidade em relação à sujeição passiva; (b) por unanimidade de votos, para (b1) manter a autuação em relação às 40 DI para as quais foi encontrada fatura diversa para a mesma operação, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença); e (b2) afastar a autuação na parcela em que a valoração é efetuada tendo em conta percentuais de subfaturamento em relação à DI ou ao fornecedor; (c) por maioria de votos, para afastar a multa "regulamentar" (100% do valor comercial), e para afastar a autuação no que se refere a mercadorias similares, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que mantinha a autuação em relação a mercadorias similares, assim como a multa "regulamentar" para as 40 DI, e mercadorias idênticas e similares; e (d) por voto de qualidade, para manter a autuação para as mercadorias idênticas às DI paradigma adotadas, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença), vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 06 59 /2 00 8- 71 Fl. 3898DF CARF MF 2 Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls.3573 e seguintes), contra acórdão de Impugnação proferido pela 2ª Turma da DRJ/SC, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra auto de infração relativo ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e multas administrativas. Do Auto de Infração Após regular procedimento de fiscalização, foram lavrados autos de infração (fls. 1 a 642) por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: 1 R$ 1.798.227,95 (um milhão, setecentos e noventa e oito mil, duzentos e vinte e sete reais e noventa e cinco centavos) a título de Imposto de Importação. 2 R$ 2.697.341,93 (dois milhões, seiscentos e noventa e sete mil, trezentos e quarenta e um reais e noventa e três centavos) a título de Multa de Oficio de 150% (art. 44, II da Lei n° 9.430/96 para fatos geradores entre 01/01/97 a 21/01/2007 e art. 44, I e §1°, da Lei no 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da MP n° 351/07 para fatos geradores entre 22/01/2007 a 14/06/2007). 3 R$ 10.617.857,50 (dez milhões, seiscentos e dezessete mil, oitocentos e cinquenta e sete reais e cinquenta centavos) de Multa do Controle Administrativo (art. 631, I, do Decreto n°4.543/2002 — art. 88, parágrafo único da MP n° 2.15835/2001). 4 R$ 1.864.355,24 (um milhão, oitocentos e sessenta e quatro mil, trezentos e cinquenta e cinco reais e vinte e quatro centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 5 R$ 2.796.532,86 (dois milhões, setecentos e noventa e seis mil, quinhentos e trinta e dois reais e oitenta e seis centavos) a título de Multa de oficio de 150% (art. 80, II, da Lei n° 4.502/64, com redação do art. 45 da Lei n° 9.430/96 para fatos geradores Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.893 3 entre 01/01/97 a 21/01/2007 e art. 80, caput e §6°, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com redação dada pelo art. 13 da MP n° 351/07 para fatos geradores entre 22/01/2007 a 14/06/2007). 6 — R$ 41.144.248,98 (quarenta e um milhões, cento e quarenta e quatro mil, duzentos e quarenta e oito reais e noventa e oito centavos) a título de Multa Regulamentar do IPI (art. 83, I, da Lei n°4.502, de 1964). 7 — R$ 1.686.647,33 (um milhão, seiscentos e oitenta e seis mil, seiscentos e quarenta e sete reais e trinta e tits centavos) a título de COFINS — Importação. 8 — R$ 2.796.532,86 (dois milhões, setecentos e noventa e seis mil, quinhentos e trinta e dois reais e oitenta e seis centavos) a título de Multa de Oficio de 150% (art. 44, II da Lei n° 9.430/96 para fatos geradores entre 01/01/97 a 21/01/2007 e art. 44, I e §1°, da Lei n° 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da MP n° 351/07 para fatos geradores entre 22/01/2007 a 14/06/2007). 9 — R$ 366.165,87 (trezentos e sessenta e seis mil, cento e sessenta e cinco reais e oitenta e sete centavos) a título de PIS — Importação. 10 — R$ 549.248,81 (quinhentos e quarenta e nove mil, duzentos e quarenta e oito reais e oitenta e um centavos) a título de Multa de Oficio de 150% (art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 para fatos geradores entre 01/01/97 a 21/01/2007 e art. 44, I e §1°, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da MP no 351/07 para fatos geradores entre 22/01/2007 a 14/06/2007). No respectivo termo de verificação fiscal, em síntese, consta que: 1. A fiscalização da Receita Federal, em operação conjunta com a Policia Federal, auxiliou na execução do Mandado de Busca e Apreensão, MBA n° 70024553, nas dependências de Securitech Tecnologia em Segurança Ltda (Securitech POA), antiga denominação da RECORRENTE, assim como na execução de mais quatro MBA, sendo o de n° 70024548 executado nas dependências da RIMAR — Assessoria Contábil e Tributária Sociedade Simples Ltda; os de números 70027534 e 70024546 executados nas dependências de Granzotto, Granzotto & Cia Ltda e o último, sem número, nas dependências de Securitech Sistemas Eletrônicos Ltda (Securitech SP), na cidade de Sao Paulo. 2. Vários documentos foram encontrados nas dependências da Securitech POA durante a execução do MBA n° 70024553, como cópias de faturas comerciais de fornecedores estrangeiros com preços muito maiores do que aqueles declarados pelos importadores das mercadorias negociadas pela Securitech POA, assim como demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes às importações dessas mercadorias. 3. Os demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes a importações realizadas, com valores muito maiores do que os realizados pelo sistema regular de câmbio, evidenciam que a diferença entre o valor negociado (efetivo) e o valor pago por meio do fechamento de contratos de câmbio (valor declarado) foi remetido ao exterior ilegalmente. 4. A existência de faturas comerciais verdadeiras de fornecedores estrangeiros, controles de pagamentos ao exterior para estes mesmos fornecedores, direta ou Fl. 3900DF CARF MF 4 indiretamente, em conjunto com outros documentos encontrados, comprovam também que o real importador, importador de fato, real adquirente das mercadorias estrangeiras era a Securitech PUA, que utilizava importadores de fachada para se ocultar nas operações de importação. 5. A Securitech PUA utilizou esquemas fraudulentos de importação, simulando operações normais de importação, em conluio com importadores de fachada, peseudoexportadores e com os próprios exportadores/fabricantes dos produtos importados. Para isso, seus importadores de fachada apresentavam faturas, no mínimo, ideologicamente falsas em seus despachos de importação, pois as mesmas não traduziam a real negociação efetivada entre o real importador (Securitech PUA) e os seus fornecedores estrangeiros, ocultando o real adquirente e declarando preços subfaturados. 6. O crédito tributário lançado relativo às infrações originadas pela prática de subfaturamento dos preços de importação foi contra a empresa Securitech PUA, tendo a empresa Granzotto, Granzotto & Cia Ltda como responsável tributário. No entanto, no que se refere a infração de entrega a consumo, ou consumo de mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, apenas a sociedade Securitech PUA figurou como sujeito passivo. 7. Descreve a negociação referente à compra, a venda e ao pagamento de mercadorias estrangeiras efetuada pela Securitech. Relata que as compras eram realizadas, essencialmente, por André Donadio e por Ângela Santander Garbarino, funcionária da sociedade Securitech PUA. Descreve, também, os métodos utilizados pela Securitech para subfaturar as importações e os procedimentos adotados para efetuar os pagamentos no exterior. 8. Por fim, demonstra o método usado para determinar a verdadeira base de cálculo dos tributos incidentes nas importações realizadas pela Securitech PUA. Da Impugnação Irresignada, a Recorrente (ANDRE TECNOLOGIA, sucessora de Securitech) apresentou Impugnação (fls. 2833 e seguintes), afirmando em suma que: 1 — Requer, em preliminar, a nulidade do lançamento: · Por entender que o mesmo é intempestivo e que houve cerceamento do direito de defesa. Aduz que deve ser aberto um processo de valoração, intimando o importador a prestar informação sobre a valoração da mercadoria. Também, que somente no caso de recusa do atendimento as exigências ou de respostas insuficientes é que a autoridade fiscal poderá decidir pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação. · Pela presença de documentos redigidos em língua estrangeira sem a devida tradução para o vernáculo. · Por erro de identificação do sujeito passivo. Defende que é terceiro de boa fé, não é o importador, nem tampouco praticou qualquer Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.894 5 transgressão ou violação aos princípios que norteiam a importação por conta própria ou por ordem de terceiros. 2 — No mérito, requer a improcedência dos autos de infração em razão: · Da empresa Trading Granzotto — Referida empresa, da qual a impugnante é cliente, encontrase devidamente legalizada perante todos os órgãos e repartições públicas, portanto autorizada está a emitir notas fiscais das vendas das mercadorias importadas. Logo, as aquisições feitas pela Securitech POA são absolutamente regulares. Assim, as acusações representam uma mera suposição, sem qualquer credibilidade. · Do pretenso subfaturamento — A acusação de prática de subfaturamento dos preços declarados, objetivando sonegar IPI, simplesmente não pode ser considerada autêntica, uma vez que a impugnante não importou qualquer mercadoria ou produto estrangeiro. Ainda, se tal fato ocorreu, a irregularidade não pode ser imputada à impugnante, mas sim a quem importou as mercadorias. · Da legalidade, legitimidade e independência das revendas — O fisco presumiu que as vendas de produtos da Securitech, efetuadas as demais empresas denominadas de "pontos de vendas" ou "revendas" seriam irregulares. No entanto, as indigitadas revendas são empresas absolutamente independentes, não passando de simples clientes da impugnante. · Das aquisições no mercado interno de produtos importados — fisco estava prejulgando as operações realizadas, inadmitindo que a Securitech pudesse ter adquirido mercadoria importada no mercado interno, como foi feito e comprovado, pelas faturas emitidas pelas trading ou estabelecimentos nacionais importadores, devidamente legalizados e autorizados para tanto. · Das presunções, indícios e suposições — Todas as afirmativas do fisco, analisadas ate o momento, não passam de singelas presunções, conjecturas e suposições absolutamente equivocadas. · Da pretensa ocultação do verdadeiro importador — O fisco jamais comprovou ou demonstrou a existência de quaisquer adiantamentos, pagamentos ou remessa, mesmo porque eles nunca existiram. Como consequência, nunca houve a alegada interposição de terceiros. A Securitech, por conseguinte, adquiriu as mercadorias importadas já nacionalizadas, o que descaracteriza a pretensão do fisco de afirmar que a impugnante é a real importadora das mercadorias apreendidas. · Dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade — A jurisprudência na âmbito do Poder Judiciário é unânime no sentido de que o fisco deve obedecer os preceitos da proporcionalidade e da razoabilidade, cujos postulados são primordiais nos casos de Fl. 3902DF CARF MF 6 apreensão de mercadorias, justamente para mitigar procedimentos injustificados quando fundado em presunções e indícios não comprovados. · Da boafé da impugnante em suas transações negociais e comerciais — O trabalho realizado pelo fisco, fica claro que a empresa, seus sócios ou funcionários, não atuavam, ou sequer participavam de qualquer operação fraudulenta. A documentação fiscal e contábil apresentada à fiscalização comprova que a empresa Securitech POA adquiria no mercado os produtos da marca "Paradox", ou quaisquer outros, para revendêlos aos seus clientes e revendedores. · Da rejeição do fisco aos documentos fiscais e aos registros contábeis da empresa — As mercadorias foram integralmente respaldadas através de planilhas, que conciliavam os documentos fiscais com as mercadorias adquiridas dos diversos fornecedores da impugnante, remanescendo em aberto, somente, produtos obsoletos ou sem qualquer utilização, situação que, por si só, demonstrou a mais absoluta ausência de dolo, fraude ou simulação que pudessem ter causado algum tipo de prejuízo ao Erário Nacional. Também, que embora todas as mercadorias tivessem sido conciliadas com notas fiscais de fornecedores, comprovando efetivamente as suas compras, o fisco simplesmente desconsiderou a sua condição de mera adquirente, preferindo acusála da prática de irregularidades totalmente absurdas. · Da impossibilidade de presunção na imputação de subfaturamento — HA que se questionar onde estaria comprovado, no relatório fiscal, a prova e a demonstração cabal e inequívoca de que a impugnante teria promovido o alegado subfaturamento. O relatório limitase tão somente a presumir a ocorrência do subfaturamento a partir de meras tabelas de preços e cotações de compras, que não são, nem de longe, os meios de prova juridicamente aceitos e válidos para a efetiva comprovação do subfaturamento. · Da inexistência de acréscimo patrimonial da sociedade ou dos seus sócios. Demonstração da incoerência do alegado subfaturamento — O patrimônio líquido da impugnante, no período compreendido entre 2003 e 2006, regrediu. Por sua vez, o patrimônio pessoal dos sócios teve uma pífia evolução. · Da valoração aduaneira. Critérios equivocados — O fisco desconsiderou os valores declarados nas DI's e supôs que os preços "verdadeiros" destas importações havidas entre 2003 a 2006 seriam aqueles contidos nas cotações realizadas em datas bastantes posteriores a tais importações. · Da impossibilidade do arbitramento do valor por simples cotação de preços — Que a apuração do valor aduaneiro não seguiu os trâmites previstos na legislação e que não houve possibilidade de reexame do procedimento de valoração anteriormente A lavratura do auto de infração, com apresentação de dados novos, não solicitados, pelo Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.895 7 descumprimento por parte dos autuantes do art. 32 da IN SRF no 16/98. · Do efetivo exame comparativo com outras importações similares — Que o relatório fiscal não apresenta nenhuma, uma sequer, operação de importação realizada por outra empresa com preços superiores aqueles praticados pelas tradings, verdadeiras e únicas adquirentes das mercadorias. · Da impossibilidade de imposição concomitante das multas do controle administrativo (II) e multa regulamentar do IPI com as multas agravadas do II e IPI — Temse que a sobreposição das multas ao controle administrativo do II e a multa regulamentar do IPI são absolutamente indevidas, porquanto já há a imposição de multas de oficio da forma mais agravada, isto 6, a razão de 150%. Por outro lado, a empresa Granzotto, Granzotto & Cia Ltda, qualificada como responsável solidária, apresentando impugnação em 15/12/2008, fls. 3277 a 3288, alegando, em síntese: · Que a responsabilidade solidária foi atribuída com base no art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, por ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. · Que o interesse comum deve ser interpretado restritivamente, porquanto implica a determinado sujeito a imputação de ônus tributário. · Que o relatório de fiscalização é bastante claro ao afirmar que as negociações das mercadorias eram realizadas pela empresa Securitech, sem qualquer ingerência por parte das denominadas "importadoras de fachada". · Que as provas colhidas pela fiscalização elidem a imputação de interesse comum entre a impugnante e a empresa Securitech. A impugnante exercia sua atividade de prestadora de serviços na importação de mercadorias e nos estritos limites que lhe eram cabíveis sem qualquer ingerência, e isto se encontra provado pela fiscalização, nas operações realizadas pela contribuinte autuada. · Que, se a impugnante agiu (por conta e ordem de terceiro) dentro dos limites das orientações que lhe eram repassadas, não pode ser responsabilizada pelos fatos dos terceiros. Também, que os sujeitos passivos somente respondem pelos atos que praticarem e não ,pelos atos de terceiros, não comportando a extensão da responsabilidade pela força da alegada solidariedade. Não vigora qualquer solidariedade passiva em relação ao pagamento das penalidades pecuniárias. Fl. 3904DF CARF MF 8 · Que a impugnante entende que as faturas tidas como "verdadeiras" não servem para identificação do real valor das operações porquanto possuem, a priori, os mesmos vícios daqueles reputados falsos e não é o fato de terem valores maiores que os torna aptos a servir de base para a valoração aduaneira. · Que a impugnante manifesta sua discordância com os encargos punitivos constituídos e que se revelam manifestamente ilegais e inconstitucionais, além de haver a incidência de dupla punição sobre o mesmo fato praticado. Também, que são penas da mesma natureza e cuja sobreposição deve ser repudiada através da reforma dos autos de infração. · Que a fiscalização atuou ilegalmente ao imputar responsabilidade pelas penalidades à empresa Securitech, pois a legislação expressamente prevê penalidade especifica para as denominadas "importadoras de fachada", de acordo com o art. 33 da Lei n° 11.488/2007. Ao fim, defendeu sua exclusão da responsabilidade solidária pelos tributos e penalidades, bem como que fossem excluídas as multas em função de seu “caráter abusivo” em detrimento da aplicação da multa prevista no art. 33, da Lei Federal n° 11.488/2007. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0717.960, através do qual as Impugnações foram tratadas como improcedentes, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. FRAUDE DOCUMENTAL. PENALIDADES. AGRAVAMENTO DA MULTA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o subfaturamento nas importações e, uma vez caracterizada a fraude fiscal, é aplicável a multa de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, sobre os tributos não recolhidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 Fl. 3905DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.896 9 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. Em se tratando de documento redigido em lingua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. Nos casos de subfaturamento, aplicase a multa do controle administrativo, equivalente a 100% do valor da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, nos termos do art. 169, II e §6° do Decretolei n 37 de 18 de novembro de 1966 (art. 631, I, do Decreto n° 4.543/2002 art. 88, parágrafo único da MP no 2.15835/2001). PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA REGULAMENTAR. IPI. Os que entregarem a consumo, produtos de procedência estrangeira, importados irregular ou fraudulentamente, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria, nos termos do artigo 83, inciso I, da Lei no 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis.. Impugnação Improcedente Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: (a) Sobre as preliminares da Andre Tecnologia: (...) No entanto, no presente caso, a determinação da nova base de cálculo dos tributos incidentes nas operações em comento (22,25% do total) foi estabelecida com base no valor efetivamente praticado, utilizandose as verdadeiras faturas comerciais encontradas nas dependências da própria autuada. Quanto as demais, o critério utilizado foi o estabelecido no art. 88, inciso I, na MP n°2.15835/2001. Notese que os valores atribuídos na determinação da base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes nas importações, obtidos em documentos Fl. 3906DF CARF MF 10 comerciais e de controles internos, revelam incontestável semelhança entre si, visto que um determinado documento sempre é confirmado por outro, demonstrando a congruência entre os valores atribuídos a cada mercadoria nas diversas operações. É de se lembrar que a acusação em tela é de fraude nas importações de que tratam as DI's relacionadas as fls. 182 a 205, onde a empresa auditada e seus verdadeiros mandantes sempre buscaram ocultar não só os reais exportadores e importadores, como também o efetivo valor de transação das mercadorias importadas. Para tal, apresentava para despacho aduaneiro faturas comerciais ideologicamente falsas, cujos preços das mercadorias eram significativamente menores que os praticados efetivamente. Assim, as provas carreadas aos autos permite [sic] concluir que o valor das mercadorias em questão foram subfaturadas, permitindo a fiscalização aduaneira recusar o valor declarado nos documentos que instruíram os despachos das importações em tela, autorizandoa a proceder em conformidade com o que dispõe o art. 88 da MP n° 2.15835/2001. Desta feita, nenhum reparo merece o procedimento adotado pela fiscalização aduaneira ao determinar a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes nas importações (...) Quanto ao alegado cerceamento de defesa, mister se faz aclarar que o procedimento fiscal é de cunho inquisitório, cabendo ao contribuinte colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Neste momento não se tem ainda formada a relação jurídica processual e o contribuinte não atua como parte, o que somente vem ocorrer com o ato de lançamento de tributos ou de imposição de penalidades e a respectiva impugnação. (b) Quanto ao mérito da defesa da André Tecnologia: No tocante a essas alegações, é de se registrar que um código NCM pode abarcar inúmeras mercadorias sem que as mesmas guardem qualquer similaridade entre elas e que tanto o 2° quanto o 3° método de valoração se referem, respectivamente, a valor de transação de mercadorias idênticas ou similares. É um equívoco, portanto, conforme sugere a interessada, estabelecer como parâmetro de referência, com o intuito de demonstrar a inexistência de subfaturamento, o valor declarado das mercadorias com o preço médio que consta do sistema informatizado "ALICEWEB" simplesmente pelo fato dessas mercadorias compreenderem o mesmo código do Sistema Harmonizado. A recorrente Securitech POA, por seu turno, propõemse [sic] demonstrar que não é a real importadora das mercadorias, adquirindoas no mercado interno pelas trading ou de estabelecimentos autorizados. Defende que as afirmativas do fisco não passam de presunções, conjecturas e suposições equivocadas e que o fisco jamais comprovou ou demonstrou a existência de quaisquer adiantamentos. Nesta linha, defende que não há prova incontestável e inquestionável de que foi praticada pela impugnante qualquer irregularidade capaz de justificar sequer a apreensão de suas mercadorias, menos ainda a lavratura de autos de infração. Todavia, quando se propõe a ir além da simples argumentação para confrontar a acusação da fiscalização (...) Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.897 11 (c) Quanto à defesa do contribuinte Granzotto: No caso em análise, buscou o fisco a verdade material dos atos negociais relacionados As importações objeto da lide, os quais deveriam estar nitidamente registrados nas DI's e nos documentos que as instruíram e em perfeita sintonia com a legislação pertinente. Como vimos anteriormente, as importações de que tratam as DI's relacionadas As fls. 182 a 205 foram declaradas como sendo por conta própria da Granzotto. No entanto, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização revelam que a empresa Securitech POA era, de fato, a real adquirente das mercadorias, uma vez que todo o controle das importações, respectivos pedidos e vendas programadas eram controlados por ela e fornecidos à Granzotto para a mesma instruir seus processos de importação. Portanto, se a importadora que consta na Declaração de Importação (DI) entabula uma operação de compra e venda mercantil em que seria a suposta compradora, quando na verdade a sua atuação é de mera intermediária da terceira empresa compradora nacional, que é a efetiva adquirente, declarandose como a real adquirente das mercadorias, quando na verdade a adquirente é terceira empresa compradora nacional (oculta), tal operação se configura em fraude e simulação no comércio exterior, autorizando a autoridade fiscal recusar o valor declarado nos documentos que instruíram os despachos das importações em tela e estabelecer a base de cálculo e direitos incidentes nas operações de comércio exterior em conformidade com o que dispõe o art. 88 da MP n° 2.158 35/2001. (...) Assim, para que a responsabilidade seja estabelecida, basta estar configurado o chamado interesse comum no fato. A solidariedade de que se trata é espécie de sujeição passiva, assim positivada pela própria Lei, conforme se depreende do disposto no parágrafo único, inciso III, do artigo 32 do Decretolei n' 37, de 1966, com redação dada pelo artigo lº, do Decretolei nº 2.472, de 1988, que atribuiu responsabilidade solidária ao adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem. Ao encontro desse entendimento veio a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor dos arts. 77 e 78, reproduzido mais adiante, reitera a solidariedade já firmada no CTN (...) Portanto, não se trata da responsabilidade solidária de terceiro que, mesmo sem revestirse da condição de contribuinte, está obrigado ao pagamento do crédito tributário. Tratase de responsabilidade pela efetiva prática da infração apontada. Todos agiram em conjunto, todos se revestem da condição de infratores e, portanto, de sujeito passivo, devendo responder, conjunta e objetivamente, pelas decorrências tributárias de seus atos. O caso é de coautoria, portanto, de coresponsabilidade. (...) Nesse sentido, no caso presente, inversamente do alegado pelas impugnantes, o dolo não foi presumido, ao contrário, foi demonstrado pela autoridade fiscal Fl. 3908DF CARF MF 12 aduaneira através das provas acostadas aos autos, evidenciando a conduta adotada pela Securitech POA (autuada) e pela Granzotto (responsável solidário), de apresentar documentos com valores inexatos, objetivando obter vantagem em detrimento do fisco, subfaturando o preço das mercadorias importadas e reduzindo o pagamento dos tributos exigidos no registro das Declarações de Importação. Desse modo, consideradas suas respectivas atuações, todos os participes da operação de importação tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária em causa, o que obriga ao lançamento em nome de todos, na qualidade de coautores da infração. Dos Recursos Voluntários e da Resolução 3302000.272 Irresignado, as Contribuintes interpuseram Recurso Voluntário, (André Tecnologia, às fls. 3.573; Granzotto, às fls.3.690), que vieram a reprisar os argumentos apresentados nas suas peças de impugnação. O processo foi distribuído à relatoria do Conselheiro Alexandre Gomes, sendo objeto de deliberação da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa Seção durante a sessão do dia 06.08.2013. Naquela oportunidade, viuse a necessidade de converter o julgamento em diligência (fls 3.734) para verificar: a) a existência, no período do presente auto de infração, de outras importações de mercadorias idênticas as importadas pela Recorrente, informação esta a ser obtida junto aos registros do SISCOMEX, ou outras fontes oficiais; b) o valor praticado pela Recorrente e os valores encontrados nos registros de importação de produtos idênticos aos listados no presente Recurso; c) as diferenças eventualmente existentes entre as mercadorias importadas pela recorrente e as mercadorias listadas no relatório de fls. 3.165 a 3.173, tendo em vista a informação constante da decisão recorrida de que um mesmo NCM pode abranger diversas mercadorias que não guardem nenhuma similaridade; Do Resultado da Primeira Diligência (fls. 3.756) e da Manifestação das Recorrentes (fls. 3.773 e 3.783) Em cumprimento à diligencia, a autoridade fiscal teceu diversas considerações acerca da metodologia aplicada durante o procedimento fiscal, do quais se destacam o seguinte: Item (a) (...) Não há como uma fiscalização afirmar se uma mercadoria é idêntica ou similar à outra se não for realizada uma análise mais apurada sobre essas mercadorias, pois todas as informações que existem no Siscomex sobre as mercadorias importadas são informações declaradas pelos importadores, sendo essas informações muitas vezes incompletas, imprecisas, equivocadas etc, para Fl. 3909DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.898 13 dizer o mínimo. Assim, seria muita irresponsabilidade afirmar que uma mercadoria é idêntica à outra com base apenas em informações constantes de declarações de importação (Dl) de pessoas jurídicas diferentes, sem que tenham sido submetidos tais despachos a um exame fiscal mais criterioso em relação aos bens declarados. (...) Assim, para atendermos, responsavelmente, a letra "a" da presente diligência precisaríamos analisar mais detalhadamente, se não todas, muitas das importações que foram declaradas por outros importadores de mercadorias potencialmente idênticas às importadas pela SECURITECH, inclusive com intimações aos importadores dessas mercadorias. Item (b) Os únicos preços que podemos afirmar que foram os preços efetivamente praticados para importações dos mesmos códigos NCM que foram importados pela SECURITECH já constam do presente processo, pois estas operações de importação foram analisadas por esta fiscalização, que pôde identificar para 41 Dl (de um total de 173 Dl. As outras 132 Dl foram valoradas segundo o art. 88 da MP 2.158, de 2001) os preços efetivamente praticados, fls. 809 a 1.347, 2.770 a 2.779 e 2791 a 2799. Item (c) Desta forma, discordamos respeitosamente da afirmação do sr. Relator na fl.3.590 de que "Tal comparação seria definitiva para determinarmos se de fato existiu subfaturamento na importação das mercadorias listadas", pois levaríamos a inferir que as demoradas, trabalhosas e responsáveis fiscalizações sobre valores aduaneiros declarados nas importações brasileiras, trazendo à baila um enorme conjunto de provas das fraudes de valor cometidas, são dispensáveis, bastando aplicar o critério exemplificado em 2, acima Continuando nesse raciocínio, bastaria escolher o código NCM, calcular a média de seus preços, ou escolher um preço que satisfaça à fiscalização, e efetuar o lançamento de todos os importadores que estão abaixo do preço determinado ou escolhido, lançando inclusive as multas agravadas. Quanto à manifestação das Recorrentes, a André Tecnologia tratou de enfatizar que a diligência não fora cumprida que “os nobres AFRFB não lograram comprovar, de acordo com o método comparativo solicitado pelo Egrégio CARF, a efetiva existência do alegado subfaturamento. Com efeito, o Relatório, em vez de cumprir o determinado pelo CARF e apresentar a pesquisa junto â base de dados do SISCOMEX dos pregos praticados por outros importadores em operações de produtos idênticos ocorridas no mesmo período, limitouse a criticar a diligência solicitada.” Além disso, juntou aos autos do presente processo novos documentos que, em sua visão, comprovariam a ausência de subfaturamento. Já a Recorrente Granzotto, por outro lado, pretendeu rediscutir o teor da primeira decisão desse Colegiado, quanto à intempestividade de seu recurso. Fl. 3910DF CARF MF 14 O processo retornou para novo julgamento, ocorrido em abril de 2016 (Resolução 3401000.927, fls. 3.849), onde foi determinado nova diligência para que se cumpra os termos na primeira Resolução exarada. Do cumprimento da Diligência Em resposta ao novo pedido de diligência, a autoridade fazendária assim respondeu: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conferidas pela Lei nº 10.593/02, alterada pela Lei nº 11.457/07, elaboramos o seguinte Relatório de Diligência Fiscal, em atendimento ao pedido efetuado por meio da Resolução 3401000.927 da 3ª Seção de Julgamento do CARF, fls. 3.849 a 3.872, processo administrativo fiscal nº 10494.000659/200871. As numerações de folhas citadas neste relatório referemse à numeração eletrônica e não à numeração manual. Com relação os itens 1, 2 e 3, constantes da fl. 3.872 da citada resolução, temos as seguintes considerações: 1. Tudo que esta fiscalização podia esclarecer já foi feito quando da elaboração do Relatório de Fiscalização, integrante deste processo, fls. 809 a 1.347, 2.770 a 2.779 e 2791 a 2799. 2. Os itens 1, 2 e 3 já foram atendidos por esta fiscalização quando da elaboração do Relatório de Diligência Fiscal, fls. 3.756 a 3.766. Sem adicionar qualquer outro elemento ao relatório anterior, que fora considerado insubsistente por essa Turma, os autos do processo retornaram a esse Tribunal em fevereiro de 2017, após a manifestação da Recorrente André Tecnologia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator Da Admissibilidade Tratandose de retorno de diligência, os requisitos de admissibilidade já foram analisados e validados, de modo que não cabe novo exame. Quanto ao recurso da recorrente Granzotto, não há como conhecer seus argumentos que somente intentam rediscutir a intempestividade latente de sua peça impugnatória haja vista conter nos presentes autos comprovante de sua ciência datado de Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.899 15 periodo muito superior aos 30 (trinta) dias previstos para apresentação do recurso administrativo, nos termos já exarados na Resolução 3302000.272 . Da Sujeição Passiva Com relação à alegação da Recorrente à ausência de sujeição passiva, como será destacado a seguir, parece claro que houve indícios fortes de interesse comum na prática, o que representaria mandatório o lançamento em nome de todos, de maneira solidárias nos termos do art. 124, in verbis: Art. 124. Silo solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Assim, dada as provas acostadas aos autos, fica nítida a conduta adotada pela Recorrente (André Tecnologia) e pela Granzotto (responsável solidário) (i) de apresentar documentos com valores inexatos, (ii) subfaturando o preço das mercadorias importadas (iii) reduzindo o pagamento dos tributos exigidos no registro das Declarações de Importação. Estando presente a situação prevista no inciso I, do artigo 124, e tendo em vista o disposto no seu parágrafo único, ao não implicar qualquer "benefício de ordem" entre importador e terceiro, não acolho a argumentação da Recorrente, e mantenho a decisão recorrida. Do Mérito Pelo exame dos autos, tratase de matéria eminentemente de prova, do qual essa Turma deve analisar se houve ou não suporte probatório suficiente para que ficassem caracterizados os motivos para o lançamento. Assim, em suma, o que temos de concreto é: 1. A fiscalização da Receita Federal, em operação conjunta com a Policia Federal, auxiliou na execução do Mandado de Busca e Apreensão, MBA n° 70024553, nas dependências de Securitech Tecnologia em Segurança Ltda (Securitech POA), antiga denominação da RECORRENTE, assim como na execução de mais quatro MBA, sendo Fl. 3912DF CARF MF 16 o de n° 70024548 executado nas dependências da RIMAR — Assessoria Contábil e Tributária Sociedade Simples Ltda; os de números 70027534 e 70024546 executados nas dependências de Granzotto, Granzotto & Cia Ltda e o último, sem número, nas dependências de Securitech Sistemas Eletrônicos Ltda (Securitech SP), na cidade de Sao Paulo. 2. Vários documentos foram encontrados nas dependências da Securitech POA durante a execução do MBA n° 70024553, como cópias de faturas comerciais de fornecedores estrangeiros com preços muito maiores do que aqueles declarados pelos importadores das mercadorias negociadas pela Securitech POA, assim como demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes às importações dessas mercadorias. 3. Os demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes a importações realizadas, com valores muito maiores do que os realizados pelo sistema regular de câmbio, evidenciam que a diferença entre o valor negociado (efetivo) e o valor pago por meio do fechamento de contratos de câmbio (valor declarado) foi remetido ao exterior ilegalmente. 4. A existência de faturas comerciais verdadeiras de fornecedores estrangeiros, controles de pagamentos ao exterior para estes mesmos fornecedores, direta ou indiretamente, em conjunto com outros documentos encontrados, comprovam também que o real importador, importador de fato, real adquirente das mercadorias estrangeiras era a Securitech PUA, que utilizava importadores de fachada para se ocultar nas operações de importação. 5. A Securitech PUA utilizou esquemas fraudulentos de importação, simulando operações normais de importação, em conluio com importadores de fachada, peseudoexportadores e com os próprios exportadores/fabricantes dos produtos importados. Para isso, seus importadores de fachada apresentavam faturas, no mínimo, ideologicamente falsas em seus despachos de importação, pois as mesmas não traduziam a real negociação efetivada entre o real importador (Securitech PUA) e os seus fornecedores estrangeiros, ocultando o real adquirente e declarando preços subfaturados. 6. O crédito tributário lançado relativo às infrações originadas pela prática de subfaturamento dos preços de importação foi contra a empresa Securitech PUA, tendo a empresa Granzotto, Granzotto & Cia Ltda como responsável tributário. No entanto, no que se refere a infração de entrega a consumo, ou consumo de mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, apenas a sociedade Securitech PUA figurou como sujeito passivo. 7. Descreve a negociação referente à compra, a venda e ao pagamento de mercadorias estrangeiras efetuada pela Securitech. Relata que as compras eram realizadas, essencialmente, por André Donadio e por Ângela Santander Garbarino, funcionária da sociedade Securitech PUA. Descreve, também, os métodos utilizados pela Securitech para Fl. 3913DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.900 17 subfaturar as importações e os procedimentos adotados para efetuar os pagamentos no exterior. Das evidências trazidas quando do auto de infração, somente restaram, de fato comprovadas irregularidades com relação à 40 (quarenta) Declarações de Importação, não sendo possível "arrastar" as conclusões para as demais declarações que formaram o quantum lançado pelo auditor fiscal. Desse modo, entendo que o auto de infração deve ser parcialmente revertido, de maneira que dou provimento parcial ao recurso nesse aspecto, para que o lançamento apenas considere as diferenças referentes as citadas quarenta Declarações. Com relação à alegação de impossibilidade de aplicação concomitante de multa referente controle administrativo do Imposto de Importação, a multa regulamentar do IPI, e a multa de ofício, assiste parcial razão à Recorrente no que tange à aplicação da multa referente No que tange à aplicação da multa de ofício juntamente com a multa pelo subfaturamento, não há dúvidas que são multas que decorrem de um lançamento de ofício, contudo a primeira trata da pagamento de tributos (tida como "multa de ofício") e da multa pela prática dolosa de subfaturamento ("multa de controle aduaneiro". Logo, tais multas podem coexistir, nos casos em que além de não ter sido recolhido o tributo, sua ausência tenha sido ocasionada pela prática dolosa de subfaturamento, já reconhecida nesse voto com relação às 40 (quarenta) DI´s em que houve comprovação indubitável. Por outro lado, a multa regulamentar lançada sobre 100% sobre a diferença do valor declarado resta insubsistente, dada sua confusão fática com a multa do controle administrativo, de modo que deve ser afastada. Assim, as multas remanescentes devem ser igualmente ajustadas para amparar os lançamentos que restaram mantidos ao longo do presente voto. Pelo exposto, conheço do Recurso, porém doulhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 3914DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado Externo, no presente voto, minhas divergências em relação aos argumentos suscitados no voto do relator, e que acabaram por prevalecer no seio do colegiado. A autuação foi lavrada contra as empresas “Securitech Tecnologia em Segurança LTDA” (doravante “SECURITECH POA”) e “Granzotto, Granzotto & Cia LTDA” (doravante “GRANZOTTO”). Após reconhecer a intempestividade da peça recursal apresentada por "GRANZOTTO" e a inexistência de nulidade em relação à sujeição passiva, no que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado, em março de 2018, e aqui se endossa, o relator proferiu voto de mérito, inicialmente, pelo provimento integral do recurso voluntário, ainda naquele mês. São duas as infrações imputadas na autuação (com ciência em 27/11/2008), além das exigências de tributos e da multa de ofício majorada – 150%): (a) “DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO” (para as DI relacionadas às fls. 207 a 2281 – de 04/02392927/001 a 07/05429355/002), aplicandose a multa prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, à época disciplinada no art. 633, I do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 4.543/2002); e (b) “PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO” (para os fatos geradores relacionados às fls. 390 a 398 – de 18/12/2003 a 27/04/2007), aplicandose a multa prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/1964. A segunda multa, comumente apelidada de “multa do IPI” (por estar prevista na lei do imposto), ou “multa regulamentar”, foi, a nosso ver, corretamente afastada pelo relator com base na especialidade, por existir multa mais específica tanto para o subfaturamento (aplicada nos autos) quanto para a ocultação do real adquirente (conduta cogitada no presente processo, mas não apenada com a multa imputada especificamente a tal conduta pela legislação aduaneira). O artigo 690, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro atual (Decreto 6.759/2009) veio a endossar tal entendimento. Sobre a conversão anterior em diligência (na Resolução 3401000.927, de 27/04/2016 fls. 3849 a 3872), na qual fui vencido, explico que estava convencido, à época, de que as medidas demandadas pelo colegiado eram absolutamente irrelevantes para o deslinde do contencioso, convicção essa que acabou por se confirmar no presente julgamento, no qual nenhuma das correntes divergentes de entendimento, nos debates, se ressentiu da ausência de cumprimento a contento do determinado na diligência. Ademais, o fisco não tomou como paradigmas para mercadorias idênticas (ou similares) dados do SISCOMEX, ou de outro sistema oficial, mas dados de faturas encontradas e apreendidas no domicílio do sujeito passivo. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.901 19 Após demandar vistas do processo, percebi que a autuação era robusta em relação a 40 Declarações de Importação (DI), para as quais foram encontradas na busca e apreensão faturas distintas das apresentadas a despacho pela empresa importadora, contendo as mesmas mercadorias, mas com preços significativamente diferentes. Vejamse, como exemplo, as faturas de fls. 823/824 e 827/828. A de fls. 827/828, apresentada no despacho, e datada de 24/08/2006, apresenta como vendedor UM/Express e como comprador “GRANZOTTO”: Vejase, v.g., que as duas primeiras mercadorias relacionadas na fatura são idênticas, mas com preços significativamente diferentes, daqueles encontrados na fatura encontrada na busca e apreensão (“Invoice” 103939 – fls. 823/824), que continha no polo exportador a empresa que vendia para a UM/Express, e no polo importador, a “SECURITECH POA”, que comprava da “GRANZOTTO”: Fl. 3916DF CARF MF 20 É absolutamente ilógico/incongruente que a inclusão de duas pessoas na cadeia importadora diminua quase à metade o preço da mercadoria, assim como é desarrazoado crer na alegação da recorrente de que um de tais documentos não seria uma fatura (em inglês, “invoice”), mas mera cotação de preços. Tal alegação, digase, além de ser enfrentada pelo próprio nome que se pode ver nos documentos, não faz nenhum sentido, pois levaria à conclusão de que a empresa, sabedora de que era mais barato importar interpondo dois intermediários na operação (paradoxo que aqui já se destacou) anda assim efetuaria constantes “cotações” (40 só neste processo), com a mesma sistemática, nas diferentes importações. Ao exigir o irrazoável raciocínio do julgador, a empresa deveria ao menos motivar suas alegações de defesa, de modo a darlhes consistência/substância, ou, no mínimo, credibilidade. Recordese que, após busca e apreensão na “SECURITECH POA”, entre outras empresas (documentos às fls. 647 a 662), foi realizado procedimento especial de controle na empresa (termos e documentos às fls. 663 a 2743). No Relatório de Fiscalização (fls. 2745 a 2816), narrase que: (a) o procedimento especial de controle, após a busca e apreensão, resultou em aplicação da pena de perdimento a 99% das mercadorias apreendidas à “SECURITECH POA”, versando o presente contencioso sobre mercadorias que haviam sido importadas fraudulentamente em momento anterior; (b) na busca e apreensão, a fiscalização encontrou na “SECURITECH POA” vários documentos, “como cópias de faturas comerciais de fornecedores estrangeiros com preços muito maiores do que aqueles declarados pelos importadores das mercadorias negociadas pela SECURITECH POA, assim como demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes às importações dessas mercadorias anteriormente, de forma fraudulenta”, o que configura o crime de descaminho e as condutas relacionadas no art. 105, VI e XI do DecretoLei no 37/1966; (c) a “SECURITECH POA” era ocultada nas importações, por meio do uso de “importadores de fachada”, que “apresentavam faturas, no mínimo, ideologicamente falsas em seus despachos de importação, pois as mesmas não traduziam a real negociação efetivada entre o real importador (SECURITECH POA) e os seus fornecedores estrangeiros, ocultando o real adquirente e declarando preços subfaturados”; (d) além da responsabilidade solidária (em relação a parte do crédito) da empresa “GRANZOTTO”, são indicadas outras empresas, no relatório fiscal (itens 17 a 21) que seriam responsáveis solidárias “proporcionalmente às suas participações” (em que pese tal afirmação, neste processo há apenas um responsável solidário, e, apesar de haver diversas imputações do fisco, no sentido de que houve ocultação nas operações analisadas, não se aplica no presente processo a multa substitutiva do perdimento por ocultação art. 23, V, do DecretoLei no 1.455/1976); (e) em cumprimento ao mandado de busca e apreensão, foram encontradas cópias de faturas comerciais de fornecedores estrangeiros endereçadas à “SECURITECH POA” e à KISCHEN (sociedade fictícia criada por André Donadio, proprietário da “SECURITECH POA” para diferenciar as importações que eram destinadas diretamente à SECURITECH SP, maior cliente da “SECURITECH POA”, ou a clientes menores); (f) há comprovado subfaturamento em faturas que ampararam 41 das 172 DI autuadas –ver detalhamento às fls. 2771 a 2779, com dados globais (e específicos, para algumas DI) sobre eventual remessa ilegal de divisas ao exterior às fls. 2779 a 2789, com destaque para a simbiose entre as empresas à fl. 2788/2789; e (g) com base nos valores apurados nas 41 DI para as quais se comprovou subfaturamento (uma delas de 2002) e em listas de preços encontradas na própria “SECURITECH POA” foi possível valorar as 132 DI restantes. Podemos encontrar provas em relação às 41 DI às fls. 823 a 1183, e planilha às fls. 1184 a 1239, com a seguinte sequência: “faturas verdadeiras da PARADOX para a “SECURITECH POA” ou para a KISCHEN (ambas encontradas na SECURITECH POA), Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.902 21 que representam a real negociação entre o importador “SECURITECH POA” e o exportador PARADOX; o processo relativo à importação (encontrado na “Granzotto, Granzotto & Cia LTDA” – doravante “GRANZOTTO”), formado por uma capa, pela primeira folha da DI, pelas faturas ideologicamente falsificadas da UNIEXPRESS para a GRANZOTTO, pelos controles preparados pela “SECURITECH POA” para a GRANZOTTO, para confecção das notas fiscais de entrada e das notas fiscais de saída da GRANZOTTO para a SECURITECH POA ou suas REVENDAS, ou para a SECURITECH SP ou a sua REVENDA, e as próprias notas fiscais de entrada e saída. Na capa dos processos de importação identificamos o número do mesmo, a destinação para a SECURITECH POA ou diretamente para a SECURITECH SP (faturas KISCHEN), o n° da DI etc.” e, “com base nessas 41 DI e listas de preços encontradas na própria SECURITECH POA foi possível valorar as 132 DI restantes (cabendo destacar que uma DI das 41 era de 2002)”. Como exposto na narrativa acima, não encontrei, no presente processo, vestígios de aplicação de penalidade pela imputação específica, ou enquadramento, na autuação (em que pese isso constar no relatório anexo) de ocultação do real adquirente. Apesar de o relatório fiscal ter um tópico sobre o tema (5.1 – itens 31 a 64), é antecedido do seguinte excerto: 30. Desta forma, foram analisados quatro pontos básicos do esquema fraudulento de importação capitaneado por ANDRÉ DONADIO, proprietário da SECUR1TECH POA, no que diz respeito aos meios para se atingir os fins, tendo como meios a ocultação do real adquirente das mercadorias estrangeiras, o subfaturamento dos preços declarados na importação de mercadorias estrangeiras (motivação principal do presente Auto de Infração) e a remessa ilegal de divisas para o exterior, e tendo como fim as "vantagens" obtidas para a SECURITECH POA com esses esquemas fraudulentos de importação, tais como o pagamento a menor dos tributos incidentes na importação e dos tributos internos incidentes na comercialização das mercadorias importadas. (grifo nosso) A autuação, no que se refere ao subfaturamento, é bem detalhada, apresentando, em relação às 41 DI valoradas pelo primeiro método (AVAGATT), as faturas correspondentes, que estão longe de refletir, como alega genericamente a recorrente, meras “cotações de preço”. Endossese que há que se ter acentuado e infantil grau de credulidade para acreditar que a cada uma das importações havia uma cotação de preços para a empresa oculta, em documento denominado de “invoice” (“fatura”), e, posteriormente, a ocultante efetuava a importação dos mesmos produtos por valores substancialmente inferiores, com dois intermediários. Não vejo, em relação a tais DI (exceto a de 2002, que não pode ser objeto da autuação, e nem nortear a determinação do valor, se referindo a período temporalmente distante), defeito congênito na adoção como paradigma para valoração própria e das demais DI contendo mercadorias idênticas. Pelo contrário, é fartamente documentado que os valores efetivamente declarados ao fisco nas 40 DI (aqui já expurgada a de 2002) correspondem a apenas parte do valor faturado originalmente. Daí não haver necessidade de arbitramento para tais DI, como se retrata no relatório fiscal (fl. 2792): 135. Ou seja, para aquelas operações de importação em que encontramos os preços efetivamente praticados, caso de todas as importações abordadas no capitulo 5.2., DO SUBFATURAMENTO NEGOCIADO E PRATICADO PELA Fl. 3918DF CARF MF 22 SECURITECH POA, não utilizamos o art. 88 da MP, mas sim Artigo 1 do Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio 1994, método de valoração aduaneira conhecido como o do valor de transação, cuja aplicação em nosso trabalho teve o seguinte encadeamento legal. (grifo nosso) Assim, para as 40 DI objeto da autuação (que representam, segundo a fiscalização, cerca de 22,5% das mercadorias), reconheço a adoção do primeiro método de valoração aduaneira como correto, na forma proposta pela fiscalização. E para a quadragésima primeira DI, que não foi objeto da autuação, recuso a possibilidade de que seja utilizada como paradigma para valoração de mercadorias idênticas ou similares, pelo excessivo decurso temporal em relação às demais importações. Até aí, não há substancial divergência em relação ao voto do relator, e nem ao que decidiu unanimemente o colegiado: manter a autuação em relação a essas 40 DI. A divergência surge a partir do que fez a fiscalização na sequência, ao estender os valoresparadigma dessas 40 DI para as mercadorias idênticas, presentes em algumas das 132 DI restantes. A nosso ver, a valoração das mercadorias idênticas àquelas constantes nas 41 faturas (uma delas aqui excluída), efetuada com fundamento no art. 88, I da Medida Provisória no 2.15835/2001, não encontraria óbice nem no próprio AVAGATT (segundo método de valoração aduaneira). Vejase que a fiscalização informa que 73,8% das mercadorias das demais DI foram valoradas a partir de mercadorias idênticas, constantes nas 41 DI adotadas como paradigma (fl. 2794): “141. Então, para aquelas mercadorias idênticas ou similares As valoradas com base no Artigo 1 do AVAGATT, importadas pela SECURITECH POA, arbitramos seus preços conforme o inciso I do art. 88: preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar. Utilizamos como base de preços os preços de mercadorias idênticas ou similares importadas pela própria SECURITECH POA, apurados conforme o Artigo 1 do AVAGATT, os quais foram retirados de faturas comerciais verdadeiras e de outros documentos encontrados na SECURITECH POA. Foram levados ainda em conta o tempo das importações e as suas quantidades como critérios de valoração. 142. Desta forma, dos 433.265 itens importados, 319.731 itens, ou 73,8% do total, foram valorados por esta fiscalização com base no inciso I do art. 88 da MP n° 2.15835, como mercadorias idênticas Aquelas valoradas corn base no Artigo 1 do AVAGATT; 5.060 itens, ou 1,17% do total, foram valorados também com base no inciso I do art. 88 da MP n°2.15835, mas como mercadorias similares àquelas valoradas com base no Artigo 1 do AVAGATT.” De forma diferente ao que concluiu o relator, entendo, assim, que as 40 DI (expurgandose a de 2002) para as quais foi mantida unanimemente a autuação podem ser utilizadas como paradigma para valoração de mercadorias idênticas, não havendo razões para afastar a autuação nessa matéria. No entanto, e voltando a concordar com o relator, a partir das mercadorias similares, entendo que terminou aí o respeito estrito da fiscalização à legislação que rege a matéria. No que se refere a mercadorias similares, também relacionadas no excerto retrotranscrito, no entanto, entendo que não restou especificamente demonstrada pela Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.903 23 fiscalização a característica da similaridade, pelo que rechaço a valoração efetuada, e o consequente lançamento, seja por não se amoldar devidamente ao terceiro método de valoração aduaneira, espelhado no texto da medida provisória com outra roupagem, seja por ter extrapolado o raciocínio indevidamente, de forma global, a operações que demandariam detalhamento e justificativa individualizada. Aliás, reitero que fui vencido na decisão pela conversão em diligência, efetuada no curso do julgamento deste processo, justamente por entender que os registros (seja do SISCOMEX, como demandados), ou do sistema ALICEWEB (genéricos/estatísticos, trazidos pela recorrente em sua peça de defesa, ao lado de outras faturas da empresa) em relação a DI de mercadorias ditas como idênticas ou similares e não valoradas seria pouco relevante à análise específica do presente contencioso. Pouco esforço fez o fisco para demonstrar a efetiva similaridade entre as mercadorias constantes das DIparadigma e aquelas revaloradas, de forma a convencer esta turma a respeito da efetiva similaridade. E, como se percebe no quadroresumo a seguir, extraído do relatório fiscal (fl. 2797), houve ainda arbitramento de preço com fundamento no inciso II do art. 88 da mesma MP: Fl. 3920DF CARF MF 24 Tal arbitramento tomou em conta médias e índices estatísticos de subfaturamento, como defende a fiscalização (fls. 2795/2796): “145. Assim, aplicamos para 1.091 itens (0,25% do total), como critério para o arbitramento dos preços, o índice de subfaturamento praticado pela SECURITECH POA na própria DI valorada. Explicamos: com base nos preços apurados para os outros itens da DI, valor de transação ou inciso I do art. 88 da MP 2.15835, calculamos o índice de subfaturamento para a DI, aplicando este índice aos produtos não idênticos ou sem similar dessa mesma DI. Já para 3.080 itens (0,70% do total), aplicamos o índice de subfaturamento praticado pela SECURITECH POA em importações do mesmo fabricante (marca) e exportador daquelas mercadorias, pois tínhamos os preços verdadeiros de produtos da mesma marca, relativos a outras importações da própria SECURITECH POA”. (grifo nosso) Entendemos que, também aí, não deve prosperar o lançamento, seja porque adota método meramente estatístico para determinação e preços, seja porque tais índices não são constantes, nem por DI, nem por exportador, como se percebe pela simples análise das 41 DI adotadas como paradigma. Não se afigura, assim, a valoração, como calcada em “critérios razoáveis”, como espelha a medida provisória algo que seria equivalente ao sexto método de valoração aduaneira, previsto no AVAGATT. Tendo em vista o exposto, entendese que deve ser afastado o lançamento (a) no que toma por paradigma a DI de 2002, (b) em relação a mercadorias similares, e (c) em relação a valoração efetuada com base em índices estatísticos. E deve ainda ser afastada a multa prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/1964, pelo critério da especialidade, endossado no art. 690, parágrafo único do RA/2009. Sobre a configuração de ocultação do real adquirente, que resta flagrantemente demonstrada nos autos, seja pela troca de correspondências que demonstra a simbiose entre as empresas, ou ainda pela própria metodologia de faturamento (como bem destacou o julgamento de piso – fls. 3319 a 3322), entendese que é suficiente não só para a imputação de responsabilidade solidária a ambos os autuados, apesar de não ser a ocultação a imputação protagonista, mas também para evidenciar a prática de fraude, de modo a permitir a majoração (para 150%) das multas de ofício lançadas. Ao contrário do que prega a recorrente, a prova do adiantamento de recursos não é a única forma de demonstrar ter havido ocultação, em uma operação de comércio exterior. E a alegação de que teria sido mantida a autuação na DRJ por serem os julgadores também auditores da RFB, que demonstra descrença no processo administrativo, parece só encontrar paralelo na crença de que declarações das empresas apontadas como partícipes da fraude sejam suficientes para sustentar não ter havido irregularidade nas operações. Ademais, as alegações referentes a regularidade de empresas outras que não as autuadas, com menção a afastamento de perdimento, não afastam as constatações fiscais especificamente em relação às empresas autuadas. Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 10494.000659/200871 Acórdão n.º 3401005.081 S3C4T1 Fl. 3.904 25 Pelo exposto, após concordar com o relator em (a) reconhecer a intempestividade da peça recursal apresentada por "Granzotto" e a inexistência de nulidade em relação à sujeição passiva; (b) manter a autuação em relação às 40 DI para as quais foi encontrada fatura diversa para a mesma operação, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença); (c) afastar a autuação na parcela em que a valoração é efetuada tendo em conta mercadorias similares e percentuais de subfaturamento em relação à DI ou ao fornecedor; e (d) afastar a multa "regulamentar" (100% do valor comercial); dele divirjo para manter o lançamento em relação às mercadorias idênticas às constantes das 40 DI paradigma adotadas, acrescidas da multa de ofício majorada (150%) e da multa por subfaturamento (100% da diferença). Fl. 3922DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.903056/2009-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP POSTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada depois de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada depois de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 30 56 /2 00 9- 45 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.903056/200945 Acórdão n.º 1003000.222 S1C0T3 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 58/67) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 25, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106 (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data da transmissão da DCOMP nº 25282.87619.140605.1.3.047701 já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF (10/12/1999) e a data de transmissão do PER/DCOMP (14/06/2005). A recorrente, às folhas 75/82, em síntese, alega a decadência não atingiu o direito creditório que fundamentou as referidas compensações, pois o prazo de 5 anos determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621RS, só se aplica em relação a pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.903056/200945 Acórdão n.º 1003000.222 S1C0T3 Fl. 116 3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.903056/200945 Acórdão n.º 1003000.222 S1C0T3 Fl. 117 4 Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.903056/200945 Acórdão n.º 1003000.222 S1C0T3 Fl. 118 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF acabou por adotar tal entendimento mediante Súmula: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A DCOMP em tela, de nº 25282.87619.140605.1.3.047701, foi transmitida em 14/06/2005, após, portanto, o marco de aplicação da referida súmula (09/06/2005). O prazo para pleitear a restituição ou utilizar o crédito em questão para compensação era, no caso, de cinco anos, estando, como visto, à data da transmissão da DCOMP em tela, extinto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000058/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 58 /2 00 8- 70 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 15983.000058/200870 Acórdão n.º 2402006.400 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15983.000058/200870 Acórdão n.º 2402006.400 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 15983.000058/200870 Acórdão n.º 2402006.400 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012708/2006-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora) que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora) que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 08 /2 00 6- 59 Fl. 79DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 23 a 29 e seguintes, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, anocalendário de 2002, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 23.054,65 , por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$5.252,50 acrescido de juros e multa de oficio (calculados até 08/2006). O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 1 a 21, juntando documentos para supostamente evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, ressalta a força probante dos recibos, cita fortemente a doutrina para respaldar seus argumentos, discorre sobre a quebra do sigilo bancário, deduções exageradas e traz alguma jurisprudência. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados.Repisa os argumentos , doutrina e jurisprudência trazidos no momento da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.012708/200659 Acórdão n.º 2001000.477 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento médico sem mais nenhuma prova contundente de modo a ratificar a existência das despesas. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] No tocante as despesas médicas, nos termos do art. 8°, inciso II, alínea "a" da Lei n° 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o §2°, inciso III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Por sua vez, o art. 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: Fl. 81DF CARF MF 4 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justcação, a juizo da autoridade lançadora (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 1.1, §3°) §1 0 Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n2 5.844, de 1943, art. 11, §42). Conforme se depreende da legislação tributária, cabe ao beneficiário das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante do comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em principio, admitemse corno provas de pagamentos os recibos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Entretanto, pode a autoridade fiscal, a seu juizo, com base no citado art. 73 do RIR11999, exigir outros meios complementares de provas em relação a todas ou a algumas despesas declaradas, o que, ressaltese, foi feito já no inicio do procedimento fiscal efetuado, por meio do Termo de Intimação Fiscal, no qual, além dos comprovantes das despesas médicas, foram exigidos também documentos que evidenciassem a efetiva realização dos pagamentos correspondentes (fatos estes narrados no item 1 da peça defensória do impugnante). A legislação tributária, portanto, ao contrário do entendimento do contribuinte, permite que a autoridade lançadora, visando formar sua convicção, não acate simples recibos como provas suficientes para comprovação de despesas a principio consideradas elevadas. Com base nisso, pode sim a referida autoridade exigir do sujeito passivo elementos adicionais de prova para que ele faça jus ao pleito declarado. Exigese, então a comprovação da prestação dos serviços ou da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Foi o que ocorreu na situação que ora se apresenta, tendo sido exigido, no presente caso, apenas a comprovação da efetividade dos pagamentos descritos nos recibos apresentados pelo fiscalizado. A referida autoridade não está adstrita a uma préestabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo firmar sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem desde que estejam esses, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Assim é no processo administrativo fiscal, porque nesta seara, a comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada. No âmbito dos ilícitos de ordem tributária dificilmente terseá um documento que ateste, isolada e inequivocamente, a pratica de tais ilícitos; a prova única, alias, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, circunstância que dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.012708/200659 Acórdão n.º 2001000.477 S2C0T1 Fl. 4 5 Na relação processual tributária compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e esse não a faz porque não pode ou porque não quer é licito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Se as necessárias e indispensáveis provas tivessem sido apresentadas pelo requerente juntamente com sua defesa, seriam naturalmente conhecidas e avaliadas nesta primeira instância de julgamento. Portanto, o autuado, na fase impugnatória, perdeu a oportunidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas questionadas pela Fiscalização, não acostando aos autos quaisquer documentos ou provas adicionais, que robustecessem os dados contidos na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados de sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2003. Assim, concluise que a utilização, para caracterizar despesas, de recibos médicos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a tributação dos valores correspondentes, como efetivado pela Fiscalização. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas posto que não formação a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 83DF CARF MF 6 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na vasta e profunda fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos não foram suficientes para demonstrar de forma inequívoca a existência das despesas médicas somada com a escassa comprovação documenta e fática pelo contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser negado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e portanto deve ser mantido o lançamento fiscal . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas médicas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.012708/200659 Acórdão n.º 2001000.477 S2C0T1 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 85DF CARF MF 8 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903046/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.331
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 46 /2 00 9- 15 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903046/200915 Acórdão n.º 1402003.331 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903046/200915 Acórdão n.º 1402003.331 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903046/200915 Acórdão n.º 1402003.331 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903046/200915 Acórdão n.º 1402003.331 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903046/200915 Acórdão n.º 1402003.331 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903046/200915 Acórdão n.º 1402003.331 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723382/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1991
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA DO CRÉDITO.
A execução do indébito reconhecido judicialmente pode ser realizada na esfera administrativa ou na esfera judicial, à opção do contribuinte. Optando por executar, na via administrativa, o crédito reconhecido judicialmente, deve o contribuinte observar o que está previsto nas normas administrativas, sob pena de não ter seu direito satisfeito.
Numero da decisão: 3301-004.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA DO CRÉDITO. A execução do indébito reconhecido judicialmente pode ser realizada na esfera administrativa ou na esfera judicial, à opção do contribuinte. Optando por executar, na via administrativa, o crédito reconhecido judicialmente, deve o contribuinte observar o que está previsto nas normas administrativas, sob pena de não ter seu direito satisfeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 82 /2 01 0- 86 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 171 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de compensação de valores recolhidos ao Finsocial pago em alíquotas superiores a 0,5%, em face da inconstitucionalidade das majorações de alíquota preconizadas pelas Leis nºs. 7.787/89, 7.894/8989 e 8.147/90, conforme DCOMP abaixo relacionadas: • 01071.37061.060906.1.3.575208 • 24114.90526.290806.1.3.573424 • 05744.72370.110806.1.3.572405 • 40337.68297.080806.1.3.575385 • 20940.29796.250706.1.3.570181 • 32790.19305.140706.1.3.570560 • 06448.99185.040706.1.3.57294 • 09014.44678.270606.1.3.576689 • 23606.12139.140606.1.3.570349 • 11406.28199.060606.1.3.573062 • 07588.59629.260506.1.3.576853 • 12620.03669.190506.1.3.572079 • 20267.81659.120506.1.3.570305 • 01867.91441.030506.1.3.574830 • 29886.50206.260706.1.3.571690 Segundo Despacho Decisório DRF/CON n° 1.499, de 10 de dezembro de 2010, o direito creditório originase da Ação Ordinária nº 2000.38.00.0199371, distribuída junto à 13ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, transitada em julgado em 12/05/2005 (fls. 69/71). Efetuados os cálculos do crédito, com a utilização de aplicativo homologado pela RFB, foi apurado o montante de R$ 362.112,22 (trezentos e sessenta e dois mil, cento e doze reais e vinte e dois centavos) no mês de referência Fevereiro/2006. De outra banda, no “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado” (proc. adm. nº 13603.000201/200663), a Contribuinte pleiteia, para o mês de referência Junho/2005 o valor de R$ 369.829,78 (trezentos e sessenta e nove mil, oitocentos e vinte e nove reais e setenta e oito centavos). Esclarece o despacho decisório combatido que a diferença entre o valor apurado pela RFB e o valor pleiteado pela Interessada referese às atualizações dos valores originais dos créditos e assim decide: Conforme relatório e fundamentação acima, e nos estritos termos da decisão judicial transitada em julgado, decido reconhecer o crédito no valor de R$ Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 172 3 362.112,22 (trezentos e sessenta e dois mil, cento e doze reais e vinte e dois centavos), na data de referência fevereiro de 2006, e declarar parcialmente homologadas as compensações tratadas neste despacho, de interesse de Reauto Representação de Automóveis Ltda, CNPJ nº 17.282.963/000128. Não resignada, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 14/01/2011 (fls. 85/88) alegando, em síntese o que se segue: • A contribuinte ajuizou a ação ordinária nº 2000.38.00.0199371 objetivando a restituição dos valores pagos a título de majoração de alíquota do Finsocial. • Em primeira instância o pedido foi julgado improcedente, mas em face do recurso de apelação interposto pela Contribuinte ao TRF da 1ª Região, a União foi condenada a restituir “os valores recolhidos a título de Finsocial, com alíquotas superiores a 0,5% com correção monetária, incluídos expurgos inflacionários, pelos índices proclamados pelo STJ no AGA nº 318.515/PR, até 31 DEZ 95, e taxa SELIC a partir de 1º de JAN 96”. Apresentados embargos de declaração, eles foram rejeitados. • O Recurso Especial interposto pela União ao STJ teve provimento negado. • Em seguida, a União apresentou embargos de declaração, os quais também não foram acolhidos. • Posteriormente o Fisco opôs embargos de divergência, os quais foram parcialmente providos para “afastar a prescrição dos créditos anteriores aos dez anos do ajuizamento da ação”. • Portanto, ao final, prevaleceu a decisão de segunda instância. • O trânsito em julgado operouse em 12/05/2005. • Utilizando os critérios de correção definidos pela decisão passada em julgado, o crédito da Contribuinte perfaz o montante de R$ 369.829,78 (trezentos e sessenta e nove mil, oitocentos e vinte e nove reais e setenta e oito centavos), conforme planilha, tabela de coeficientes de atualização monetária da Justiça Federal e Taxa Selic anexas, atualizada até Junho/2005. • Como pretendia compensar administrativamente o crédito, a empresa ajuizou execução do título judicial em face da União Federal (proc. 2005.38.00.0327459), apenas para validar o crédito apurado. • Na execução, pediu a citação da União para falar sobre o valor indicado “e, havendo discordância, opor embargos no prazo de 30 (trinta) dias (art. 730, I, CPC)” e, na hipótese de concordância, a interessada pediu a homologação da quantia informada. • Citada nos autos, a União informou que não tinha “nada a opor aos cálculos”, razão pela qual eles “foram considerados homologados” pelo Magistrado. • Em 09/02/2006, a empresa protocolou o “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado” na DRF/Contagem informando o valor homologado em juízo (R$ 369.829,78, atualizado até junho/2005) e o pedido foi deferido em 16/02/2006. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 173 4 • A Contribuinte só iniciou a compensação após expressa concordância da Fazenda Nacional quanto aos valores pretendidos e após expressa homologação dos cálculos por sentença judicial. • Sendo assim, não pode a DRF/Contagem discordar dos cálculos apresentados, vez que eles foram homologados judicialmente. • As decisões proferidas pelo Poder Judiciário devem prevalecer sobre decisões administrativas, sob pena de nulidade destas últimas. • Ante o exposto, requer a reforma do Despacho Decisório nº 1.499/2010 para acatar o valor do crédito reconhecido pela União Federal e homologado por sentença judicial, com a consequente homologação de todas as compensações que envolvem o referido crédito. O processo foi remetido a esta DRJ/Belo Horizonte para julgamento. Tendo em vista que não se localizou nos autos a documentação comprobatória da ciência do Despacho Decisório DRF/CON nº 1.499/2010 (ou eventual pronunciamento quanto a um possível extravio desse documento) o processo foi restituído à DRF/Contagem para manifestarse quanto à tempestividade do recurso interposto pela empresa (fl. 133). Em atendimento, fezse juntar os documentos de fls. 134/135, retornando os autos à DRJ/Belo Horizonte para prosseguimento (fls.136/137). Dos novos documentos juntados, verificase que a Interessada foi devidamente cientificada do despacho decisório em 17/12/2010 (fl.135). É o relatório." A DRJ em Belo Horizonte julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0256.488 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1991 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.CRÉDITOS RECONHECIDOS POR "DECISÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA DO CRÉDITO. A execução do indébito reconhecido judicialmente pode ser realizada na esfera administrativa ou na esfera judicial, à opção do contribuinte. Optando por executar, na via administrativa, o crédito reconhecido judicialmente, deve o contribuinte observar o que está previsto nas normas administrativas, sob pena de não ter seu direito satisfeito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que, basicamente, repetiu os argumentos contidos na manifestação de incoformidade. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 174 5 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de compensação de créditos da contribuição para o Fundo de Investimento Social Finsocial, relativos aos valores pagos superiores à alíquota de 0,5% (meio por cento), com base na inconstitucionalidade das majorações de alíquotas preconizadas pelas Leis nºs. 7.787/89, de 30 de junho de 1989; 7.894/89, de 24 de novembro de 1989 e 8.147/90, de 28 de dezembro de 1990. A recorrente obteve reconhecendo os créditos, nos autos da Ação Ordinária nº 2000.38.00.0199371 foi objeto de Pedido de Habilitação no processo administrativo nº 13603.000201/200663, deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem MG, mediante Despacho DRF/CON nº 110, de 16 de fevereiro de 2006, cuja cópia consta das fls. 117/119. Deferida o pedido de habilitação, a recorrente protocolizou Pedidos de Compensação (DCOMP), que, todavia, foram parcialmente homologados. Em sua defesa, a recorrente alega que os cálculos já haviam sido homologados pelo judiciário, bem como pela própria fiscalização, por meio do Despacho n° 110/06. Entretanto, não apontou os erros que eventualmente teriam sido cometidos pela unidade preparadora. Da leitura dos autos, verificase que a divergência reside nos critérios de cálculo da atualização dos créditos. E que não houve homologação pelo juízo do cálculo do valor da atualização monetária e tampouco por parte do Fisco nos termos do § 6° da INSRF n° 600/05, "O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento." Ademais, não aponta quais teriam sido os erros eventualmente cometidos pelo Fisco. E, como também não identifiquei problema algum, adoto o respectivo trecho da decisão de piso com minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99): "II – DOS CÁLCULOS DE APURAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO Examinando os cálculos de apuração do crédito apresentados pela Manifestante (fl. 121) e os cálculos de apuração efetuados pela unidade administrativa de origem (fl. 65/68), observase que, de fato, a divergência existente relacionase aos critérios de atualização do indébito pleiteado, haja vista que são coincidentes os valores originais apurados tanto pela Fazenda Nacional, quanto pela Contribuinte. Segundo extraise do DESPACHO DRF/CON nº 110, de 16 de fevereiro de 2006, exarado no processo administrativo de habilitação do crédito ora discutido (cópia fls. 117/119), a decisão passada em julgado condenou a União a restituir à Autora os valores recolhidos ao Finsocial, com alíquotas superiores a 0,5%, corrigidos monetariamente, incluídos expurgos inflacionários, pelos índices Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 175 6 proclamados pelo STJ no AGA nº 318.515/PR, até 31/12/1995 e taxa Selic a partir de 10/01/1996. Do acórdão de apelação exarado nos autos da ação ordinária nº 2000.38.00.0199371 extraise os seguintes excertos: "A correção monetária se aplicará desde cada recolhimento indevido (SÚMULA 162/STJ) com a inclusão de expurgo(s) inflacionário(s) havido(s) no período do(s) recolhimento(s) compensando(s), observados os índices proclamados pelo STJ no AGA 318.515/PR:" “As matérias ventiladas pela agravante, no que diz respeito aos acréscimos monetários, devem amoldarse ao recente julgamento do Excelso Supremo Tribunal Federal (RE nº 226.8557/RS, Relator Ministro Moreira Alves, in DJ de 13.10.00) tãosomente no que se refere aos acréscimos relativos aos Planos Bresser (junho/87 – LBC – 18,02%), Collor I (maio/90 – BTN – 5,38%) e Collor II (fevereiro/91 – TR – 7,00%). Nos demais expurgos inflacionários o posicionamento desta Corte Superior de Justiça continua incólume [Planos Verão (janeiro/89 – IPC – 42,72%) e Collor I (abril/90 – IPC – 44,80%0] (cf. REsp n. 265.556AL, relatoria deste subscritor, 1ª Seção, j. em 25.10.00).” "É a jurisprudência desta Corte: “(...)5. Os valores a serem compensados devem ser corrigidos pelos índices integrais de inflação e, a partir de 1º de janeiro de 1996, pela taxa SELIC (artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95).(...)” (AC Nº 1998.38.00.0436910 /MG, Rel. Juiz MÁRIO CÉSAR RIBEIRO, T4, DJ 19 FEV 2002, pág. 105) “(...)7. A taxa de juros do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, mandada aplicar especificamente à compensação e à restituição pela Lei nº 9.250, de 26/12/95, incide a partir de 1º/01/96 (art. 39, § 4º), mas não pode ser cumulada com correção monetária e juros de mora. Precedentes do STJ.(...) (AC 1999.38.00.0163880 /MG, Rel. Juiz OLINDO MENEZES, T3, DJ 25 JAN 2002, pág. 88)" Em resumo, da leitura da decisão do STJ no AGA nº 318.515/PR, extraise os seguintes índices a serem aplicados na atualização monetária do indébito: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 176 7 Em conferência dos cálculos efetuados pela unidade jurisdicionante, verifica se que, na atualização do indébito, os comandos da decisão passada em julgado foram devidamente observados, mediante aplicação dos índices previstos na Norma de Execução/COSIT/COSAR nº 08/1997, ajustados pelos índices determinados na decisão de segunda instância. Uma vez que os recolhimentos objeto do pleito foram efetuados no período de 01/08/1990 a 01/04/1991, apenas o recolhimento efetuado em 04/02/1991, relativo ao PA Janeiro/1991, sofreu o ajuste necessário (TR – 7%). Quanto à Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97, os índices que a compõem originalmente são: a) de janeiro/88 a fevereiro/90: IPC, exceto o relativo ao mês de janeiro/89(70,28%), expurgado inclusive do reajuste da OTN; b) de março/90 a janeiro/91: BTN; c) fevereiro/91: IPC; d) de março/1991 a dezembro/1991: INPC. e) de 01/01/1992 a 31/12/1995: UFIR. f) a partir de janeiro de 1996 a correção é feita pela Taxa Selic que, conforme anteriormente exposto, cumula índice de atualização monetária e juros. Dessarte, a fim de melhor elucidar os cálculos realizados pela unidade administrativa de origem, elaborei planilha demonstrativa do crédito atualizado até 31/12/1995, com o índice de Fev/1991 ajustado pela decisão judicial, o qual fiz juntar na fl.138 dos autos. Posteriormente, ainda observando a coisa julgada, corrigi o montante encontrado (R$ 120.047,87) pela Taxa Selic Acumulada até Junho/2005, para fins comparativos. Como a Selic Acumulada no período de Janeiro/1996 a Junho/2005 atinge o percentual de 189,69%, o valor do indébito passível de compensação, atualizado em Junho/2005, perfaz o montante de R$ 347.766,67 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13603.723382/201086 Acórdão n.º 3301004.852 S3C3T1 Fl. 177 8 (trezentos e quarenta e sete mil, setecentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos) e não R$ 369.829,78 (trezentos e sessenta e nove mil, oitocentos e vinte e nove reais e setenta e oito centavos) defendido pela Reclamante. De outra banda, atualizandose o montante de R$ 120.047,87 (indébito corrigido até dezembro 1995) até Fevereiro/2006, tomandose a Selic Acumulada no período de Janeiro/1996 a Fevereiro/2006 (201,64%) obtémse o valor de R$ 362.112,39 (trezentos e sessenta e dois mil, cento e doze reais e trinta e nove centavos), tal como apurado pela autoridade administrativa de origem. A Reclamante defende a justeza de seus cálculos, afirmando que os mesmos se baseiam nas instruções contidas no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal. Todavia, o exame da Tabela de Coeficientes de Atualização Monetária acostada à Manifestação de Inconformidade revela que a Reclamante empregou parâmetros incorretos na atualização de seu crédito, uma vez que os índices por ela utilizados são índices de correção de CUSTAS JUDICIAIS. De acordo com o Capítulo IV – LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA, Subitem 4.1.5 – CUSTAS E DESPESAS JUDICIAIS do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, os critérios de atualização de custas judiciais são os seguintes: Logo, concluise que os cálculos efetuados pela DRF/Contagem estão de acordo com os termos da decisão passada em julgado nos autos da Ação Ordinária nº 2000.38.00.0199371 e que, de fato, a Manifestante é que não observou os comandos dessa decisão ao apurar o seu direito creditório." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.003602/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto.
(Súmula Carf nº 1)
Numero da decisão: 2401-005.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto. (Súmula Carf nº 1) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 36 02 /2 00 9- 47 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2401005.758 S2C4T1 Fl. 426 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), por meio do Acórdão nº 1327.966, de 04/02/2010, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 190/196): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 INTIMAÇÃO PRÉVIA. O pedido de esclarecimento ao contribuinte, na fase que antecede o lançamento fiscal, é uma faculdade da autoridade lançadora, sendo apenas um dos meios de que esta se vale quando da revisão da declaração de imposto de renda, na forma do art. 835 e 844 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99. MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange apenas os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. TAXA SELIC. APLICABILIDADE A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E DE REABERTURA DE PRAZO PARA A JUNTADA DE NOVAS PROVAS Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e de reabertura de prazo para a juntada de novos documentos, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2401005.758 S2C4T1 Fl. 427 3 Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2006/607450871654071, relativa ao anocalendário de 2005, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 20/25): (i) omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de decisão da Justiça do Trabalho no Processo nº 8700076970, no importe de R$ 2.166.593,53; e (ii) compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 64.997,81. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa de ofício. O contribuinte foi cientificado da autuação, em 01/04/2009, e impugnou a exigência fiscal (fls. 02/11 e 27). Intimado em 08/09/2010 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 23/09/2010, em que alega os seguintes argumentos de fato e direito (fls. 198/200 e 201/219): (i) os rendimentos acumulados percebidos pelo contribuinte no ano de 2005 decorrentes da ação trabalhista são isentos e não tributáveis, dado que, à época, já era aposentado e portador de moléstia grave; e (ii) nada obstante, na hipótese de se decidir pela natureza tributável dos rendimentos pagos acumuladamente, o cálculo do imposto de renda deverá levar em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos (regime de competência). Por meio do Acórdão nº 2101002.482, de 15/05/2014, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação sobre os valores recebidos acumuladamente pelo contribuinte, tendo em vista que a fiscalização adotou equivocadamente como parâmetro para a cobrança do imposto de renda o montante global pago extemporaneamente (fls. 235/242). Na sequência, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 2101002.482, de 15/05/2014, o qual foi admitido, tendo o sujeito passivo apresentado contrarrazões (fls. 244/248, 258/260 e 267/275). Através do Acórdão nº 9202005.636, de 26/07/2017, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para a retificação do crédito tributário, mediante apuração com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. Além disso, o julgado determinou o retorno dos autos à Câmara de origem para proceder à análise das demais questões trazidas pela contribuinte no recurso voluntário (fls. 365/373). Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2401005.758 S2C4T1 Fl. 428 4 Consta dos autos que o contribuinte tomou ciência do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 376/378). Levando em consideração que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, realizouse novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 381/382). Recentemente, através de petição protocolada no dia 09/05/2018, o recorrente dá notícias que ajuizou, em 08/02/2011, uma ação judicial com vistas à anulação do lançamento tributário. A decisão judicial foilhe parcialmente favorável, sendo que ocorreu o trânsito em julgado do processo em 17/12/2017 (fls. 385/387). Postula o recorrente, desse modo, que a deliberação do colegiado administrativo respeite a decisão judicial transitada em julgado, no que se refere à isenção por moléstia grave, em que foi reconhecida a não incidência do imposto de renda a partir da data da aposentadoria do requerente. Em outras palavras, a isenção atinge os valores pagos a partir de 29/06/1990, em diante. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Como dito linhas acima, há informação nos autos da interposição de ação ordinária pelo contribuinte, cadastrada sob o nº 000140179.2011.4.02.5101, na 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, visando à anulação do crédito tributário constituído através da Notificação de Lançamento n° 2006/607450871654071, exercício de 2006, ano calendário 2005 (fls. 385/387). Tal lançamento fiscal é o mesmo que se encontra em litígio no presente processo administrativo. Segundo a petição inicial, o contribuinte ajuizou, em 08/02/2011, ação anulatória de débito fiscal com pedido de tutela antecipada, com a finalidade de obter o cancelamento da Notificação de Lançamento n° 2006/607450871654071, em razão do cumprimento pelo contribuinte dos requisitos estipulados em lei para a fruição da isenção do imposto de renda (fls. 392/413): (...) A presente tem por objeto anular crédito tributário constituído através da Notificação de Lançamento) Imposto de Renda Pessoa Física nº 2006/607 450 871 654 071, no valor de Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2401005.758 S2C4T1 Fl. 429 5 R$1.078.111,75 (um milhão, setenta e oito mil, cento e onze reais e setenta e cinco centavos), instaurado contra o ora Autor em 23/03/2009, referente à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005. (...) Em primeiro grau, o pedido do contribuinte foi julgado procedente em parte, conforme sentença proferida no dia 12/05/2014, para (fls. 417/420): (...) declarar a isenção de imposto de renda sobre as parcelas recebidas a título de principal, monetariamente corrigidas, por força do processo judicial n° 87.00076970, que tenham por origem a diferença de remuneração entre os cargos de Oficial de Previdência e de Auditor Fiscal e se refiram a período posterior a 29/06/1990, conforme o respectivo cálculo de liquidação (fls. 147/167). Determino, em consequência, a retificação do lançamento fiscal, com exclusão das parcelas isentas, conforme acima declarado. (...) A sentença foi mantida em segundo grau, com trânsito em julgado do processo em 17/12/2017 (fls. 422/424). Pois bem. A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ao optar pela discussão judicial, o sujeito passivo abdica da esfera administrativa. A renúncia às instâncias administrativas ou a desistência do recurso interposto configura fato impeditivo do direito de recorrer, não podendo ser conhecida a petição na parte concomitante. Com a interposição da ação anulatória, em 08/02/2011, restou configurada a desistência do recurso voluntário quanto à matéria de fundo debatida no contencioso administrativo fiscal, porquanto integralmente submetida ao Poder Judiciário. Em outras palavras, tornouse inviável a discussão administrativa se os valores recebidos acumuladamente correspondem a proventos de aposentadoria, para fins de isenção do portador de moléstia grave. Por outro lado, o processo administrativo fiscal poderá ter seguimento em relação às questões em que não se instaurou a discussão judicial. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2401005.758 S2C4T1 Fl. 430 6 Todavia, o critério de cálculo mensal do imposto, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos acumulados, é matéria superada e já avaliada favoravelmente ao pleito do recorrente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do Acórdão nº 9202005.636, de 26/07/2017, cuja decisão continua produzindo efeitos no que tange à parcela do crédito tributário não alcançada pela isenção reconhecida pelo Poder Judiciário. Dessa feita, tendo em vista as questões devolvidas a exame para segunda instância, no atual estágio processual não há matéria passível de análise pelo colegiado, cabendo não conhecer do recurso voluntário. Naturalmente, a unidade da RFB responsável pela liquidação do crédito tributário e execução do acórdão deverá observar o Processo nº 000140179.2011.4.02.5101, com trânsito em julgado no dia 17/12/2017. Além disso, o procedimento da unidade também deverá atentar para o decidido no Acórdão nº 9202005.636, de 26/07/2017, de lavra da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, em razão da opção pela via judicial. De qualquer modo, deixo registrado que a unidade da RFB responsável pela liquidação do crédito tributário e execução do acórdão deverá observar o Processo Judicial nº 000140179.2011.4.02.5101, com trânsito em julgado em 17/12/2017. Além disso, o procedimento administrativo deverá atentar para o decidido no Acórdão nº 9202005.636, de 26/07/2017, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
