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Numero do processo: 15563.720006/2015-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2014
SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL.
A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), aplica-se no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva.
SICOBE. MULTA. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A exigência da obrigação prevista no art. 58-T da Lei nº 10.833/2003, foi revogada pelo art. 169, inc. III, "b" da Lei 13.097/2015. Porém a exigência, de natureza idêntica, foi reestabelecida pela mesma lei, em seu art. 35. Portanto incorreta a afirmativa que a exigência deixou de existir e que seria aplicável, no caso, a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2014 SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), aplica-se no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. SICOBE. MULTA. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A exigência da obrigação prevista no art. 58-T da Lei nº 10.833/2003, foi revogada pelo art. 169, inc. III, "b" da Lei 13.097/2015. Porém a exigência, de natureza idêntica, foi reestabelecida pela mesma lei, em seu art. 35. Portanto incorreta a afirmativa que a exigência deixou de existir e que seria aplicável, no caso, a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN.
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SICOBE Recorrente MAXXI BEVERAGE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2014 SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. SICOBE. MULTA. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A exigência da obrigação prevista no art. 58T da Lei nº 10.833/2003, foi revogada pelo art. 169, inc. III, "b" da Lei 13.097/2015. Porém a exigência, de natureza idêntica, foi reestabelecida pela mesma lei, em seu art. 35. Portanto incorreta a afirmativa que a exigência deixou de existir e que seria aplicável, no caso, a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 06 /2 01 5- 93 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão nº 3401003.425, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, não conheceu o recurso voluntário em relação às matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário e, por maioria de votos, nas demais, negou provimento ao recurso voluntário. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2014 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2014 SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento o equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Tratase de auto de infração com imputação ao sujeito passivo multa de 100% sobre o valor comercial das mercadorias, decorrente de suposta omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do SICOBE, referente aos exercícios de abril/2013 a abril/2014; · O julgador levantou matéria de ordem, imputando a renúncia da instância administrativa em decorrência da existência do Mandado de Segurança nº 000193478.2011.4.02.5120, que discutia a legalidade das taxas SICOBE, consubstanciado no MPF nº 07.1.03.00.2011.014490; · Ocorre que é pacífica a jurisprudência do CARF no sentido de que somente importaria em renúncia a existência de Mandado de Segurança Prévio que discutisse exatamente o objeto da autuação, o que não ocorre no caso em tela; · Ora, é cogente a vertente conclusão, dado que, inclusive, às fls. 568 (voto do Acórdão 3401003.425), o D. Julgador colaciona trecho do pedido do aludido Mandamus, onde fica claro que se discute o MPF nº 07.1.03.00.2011.014490, enquanto o MPF que embasou o presente processo é o MPF nº 0710300/2014003219 (fls. 224/226); · Ou seja, as competências que se pretendia discutir no aludido mandamus são totalmente distintas das que se pretende autuar no presente processo administrativo, se não por isso, deve se notar que as Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 5 4 competências fiscalizadas são referentes a abril/2013 a abril/2014 (MPF nº 0710300/2014003219), enquanto as que se pretende discutir no Mandado de Segurança são referentes à período anterior a 2011 (MPF nº 07.1.03.00.2011.014490); · Necessário se concluir pela diversidade entre os objetos do presente processo administrativo e o Mandado de Segurança nº 0001934 78.2011.4.02.5120, não devendo prevalecer o presente fundamento, sob pena de cercear o direito de defesa da MAXXI, inclusive, deve se notar que o presente processo sequer ensejaria litispendência em eventual ação ordinária que tivesse como escopo discutir a presente autuação na esfera judicial; · Quanto à multa, tendo em vista que a Lei nº 13.097/2015, revogou o artigo 58T, da Lei nº 10.833/2003, não há como se concluir pela manutenção da multa, que tem caráter iminentemente punitivo, dado que a previsão fática que dava suporte a ela não mais persiste; · Não só por isso, não deve prosperar o argumento sobre a manutenção da presente autuação com base no artigo 35, da Lei nº 13.097/2015, dado que, embora o aludido dispositivo tenha o mesmo conteúdo da norma revogada, constituise obrigação nova; · Aceitar a aplicabilidade do artigo 35, da Lei nº 13.097/2015, no caso em tela é concluir pela RETROATIVIDADE, o que viola o PRINCIPIO e GARANTIA FUNDAMENTAL da LEGALIDADE estampado no artigo 5º, II, da Constituição Federal, bem como o PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE das normas tributárias previsto no artigo 150, III, “a”, da Constituição Federal; · Resta evidente que a obrigação esculpida no revogado artigo 58T foi extinta. O evidente fato é corroborado, inclusive, por meio das informações disponibilizadas pela Receita Federal do Brasil, ADE nº 75/2016. Em Despacho às fls. 620 a 623, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo em relação à matéria Multa SICOBE. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi interposto agravo contra o despacho denegatório de Recurso Especial. Em Despacho às fls. 638 a 643, o agravo foi rejeitado, confirmando o seguimento parcial do recurso especial. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O dispositivo que institui a multa, um dos fundamentos do auto de infração, é o art. 30 da Lei nº 11.488/07, que se encontra plenamente em vigor; · O art. 106 do CTN somente se aplica quando é revogado o próprio dispositivo instituidor da multa, e não a obrigação principal ou acessória descumprida; · Suponhase que um contribuinte tenha sido multado (multa de ofício) em razão do não recolhimento de um determinado tributo. Suponha se, ainda, que o próprio tributo venha a ser revogado ou que se estabeleça alguma isenção a ele relacionada. Perguntase: a multa, aplicada à época da vigência do tributo ou quando ainda não havia isenção, deveria ser excluída com fundamento no art. 106 do CTN? A resposta é obviamente negativa; · No caso, diante do descumprimento de uma obrigação acessória exigível à época, o contribuinte foi corretamente multado conforme o Direito aplicável (tempus regit actum). Se a obrigação acessória foi posteriormente revogada, isso não autoriza a exclusão da multa. A interpretação do art. 106 do CTN deve ser restritiva, pois exclui o crédito tributário; · Mesmo com a revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003, a obrigação acessória ainda permanece vigente, uma vez que o art. 35 da Lei 13.097/2015 estabeleceu obrigação acessória idêntica àquela, cominando, inclusive, a mesma penalidade prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/07. É o relatório. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, vez que em relação à lide posta, foi comprovada a divergência. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho. O acórdão recorrido decidiu pela manutenção do lançamento da multa pela falta de manutenção preventiva e corretiva do Sistema de Controle de Produção de Bebidas SICOBE em virtude de ausência de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil CMB. Não aplicando a retroatividade benigna quando da revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003 pela Lei 13.097/2015. Entretanto, o acórdão recorrido decidiu pela improcedência do lançamento da multa pela falta de manutenção preventiva e corretiva do Sistema de Controle de Produção de Bebidas SICOBE em virtude de ausência de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil CMB diante da revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003 pela Lei 13.097/2015, ocasionando, por conseguinte, aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II “b” do CTN em relação ao presente lançamento de multa. Ventiladas tais considerações, relativamente ao cerne da lide – qual seja, exigência ou não da multa SICOBE para o caso em questão, importante recordar as mudanças normativas que ocorreram ao longo do tempo. Anteriormente, os arts. 58T da Lei 10.833/03 e art. 30 da Lei 11.488/07 contemplavam as seguintes redações (Grifos meus): “Lei 10.833/2003 Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de Fl. 705DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 8 7 produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) [...] Lei 11.488/2007 Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial.” Com o advento da Lei 13.097/15, o art. 58T foi revogado: “Art. 169. Ficam revogados: [...] b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; [...]” Fl. 706DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 9 8 Sendo assim, vêse que tal dispositivo efetivamente revogou o art. 58T da Lei 10.833/03 que trazia a imputação da multa prevista no art. 30 da Lei 11.488/07. Não obstante à revogação do art. 58T, vêse que a cobrança foi mantida nos arts. 14 e 35, in verbis (Grifos meus): “LEI 13.097/15 DOU de 20.1.2015 Art. 14. Observado o disposto nesta Lei, serão exigidos na forma da legislação aplicável à generalidade das pessoas jurídicas a Contribuição para o PIS/PASEP, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/PASEPImportação, a COFINSImportação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização e comercialização dos produtos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011: (Vigência) Regulamento (Vigência) I 2106.90.10 Ex 02; II 22.01, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 2201.10.00; III 22.02, exceto os Ex 01, Ex 02 e Ex 03 do código 2202.90.00; e IV 22.02.90.00 Ex 03 e 22.03. Parágrafo único. O disposto neste artigo, em relação às posições 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, chás, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos, bebidas energéticas e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína. [...] Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Vigência) Regulamento (Vigência) Fl. 707DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 10 9 Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” No entanto, em 18.10.2016, foi publicado o Ato Declaratório COFIS 75/2016, que dispôs sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas – SICOBE (Grifos meus): “Art. 1º Ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único deste ato, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS ANEXO ÚNICO Nome Empresarial CNPJ Cidade UF Maxxi Beverage Indústria e Comércio Ltda 10.346.426/000155 Duque de Caxias RJ” Ato contínuo, foi estendida a não obrigatoriedade de utilização SICOBE para todas as pessoas jurídicas, conforme Ato Declaratório Executivo Cofins nº 94/16: “Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94, de 12 de dezembro de 2016, publicado no DOU de 14/12/2016 (seção 1, pág. 15) Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO no uso da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Em complemento ao ADE Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 11 10 Art. 2º As pessoas jurídicas obrigadas ao Sicobe e que, porventura, não estiverem relacionadas neste ato, ou naquele supramencionado, estão igualmente desobrigadas a partir da data constante no art. 1º. Art. 3º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS Em vista da dispensa da obrigatoriedade de utilização SICOBE para todas as pessoas jurídicas, constatase que a anormalidade de funcionamento desse sistema efetivamente deixou de ser tratada como ação ou omissão passível de cobrança da r. multa. Ou seja, a própria RFB trouxe que não há mais a obrigatoriedade instituída por lei para a cobrança da multa para o sujeito passivo em questão. Destarte, considerando que não há nos autos qualquer elemento que caracterize ato fraudulento, entendo plenamente aplicável a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "b" do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Ademais, vêse a conclusão exposta pelo nobre conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire constante do acórdão 3402003.176 qual seja, de que o ADE Cofis 75/2016 desobriga expressamente determinados fabricantes de bebida da utilização do SICOBE, deve se aplicar o art. 106 do CTN. OU seja, como o ADE COFINS nº 75/2016 desobrigou a Maxxi da utilização do SICOBE, deixou a taxa de ressarcimento pelo uso desse Sistema de ser devida, tendo a Maxxi deixado de ser sujeito passivo da obrigação tributária de “ressarcir" a CMB. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 12 11 Eis a ementa do acórdão: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013 MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada." Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 710DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo do seu posicionamento quanto ao desfecho do presente processo. Tratase de recurso especial de divergência por meio do qual o contribuinte recorreu da decisão que (i) reconheceu a concomitância de processos administrativo e judicial em relação a parte da matéria objeto do recurso voluntário e (ii) decidiu pela procedência da autuação fiscal em relação à exigência de multa por falta de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe – Sistema de Controle de Produção de Bebidas. O recurso especial, conforme se depreende da decisão tomada em sede de exame de admissibilidade (efolhas 620), confirmada pelo Despacho em Agravo (efolhas 638), foi admitido apenas em relação ao item (ii) acima. Da controvérsia narrada nos autos, depreendese que único aspecto a ser considerado sobre a matéria submetida a esta instância especial diz respeito à revogação da exigência originalmente prevista no artigo 58T da Lei 10.833/2003 pelo art. 169 da Lei 13.097/2015 e, em consequência, à aplicação da legislação novel a fatos pretéritos, por força do disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional. A exigência de que se trata referese à obrigação de que determinadas empresas fabricantes de determinadas classes de produtos instalassem e utilizassem equipamentos contadores de produção e aparelhos para o controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos, tal como especificados na Lei 11.488/20071. Na hipótese de 1 Art. 27. Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros classificados na posição 2402.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, excetuados os classificados no Ex 01, estão obrigados à instalação de equipamentos contadores de produção, bem como de aparelhos para o controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos medidos na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Vide Lei nº 12.402, de 2011) § 1o Os equipamentos de que trata o caput deste artigo deverão possibilitar, ainda, o controle e o rastreamento dos produtos em todo o território nacional e a correta utilização do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com o fim de identificar a legítima origem e reprimir a produção e importação ilegais, bem como a comercialização de contrafações. § 2o No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, devendo manter o controle do volume de produção, enquanto perdurar a interrupção, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o A falta de comunicação de que trata o § 2o deste artigo ensejará a aplicação de multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o O selo de controle será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e conterá dispositivos de segurança aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda, a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento industrial fabricante de cigarros. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 14 13 impedimento ou retardo da instalação dos equipamentos ou mesmo no caso que, após instalados, fosse verificado algum tipo de prejuízo ao seu funcionamento normal, por ação ou omissão do fabricante, a legislação cominava multa equivalente a 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida em cada período de apuração. Para maior clareza, transcrevemse as disposições legais vigentes à época dos fatos que deram ensejo à atuação. Lei 10.833/2003 Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) Lei 13.097/2015 Art. 169. Ficam revogados: (...) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015‐ 2018/2015/lei/L13137.htm ‐ art26iii III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; § 2o Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos. Art. 29. Os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei, em condições normais de operação, deverão permanecer inacessíveis para ações de configuração ou para interação manual direta com o fabricante, mediante utilização de lacre de segurança, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o O lacre de segurança de que trata o caput deste artigo será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e deverá ser provido de proteção adequada para suportar as condições de umidade, temperatura, substâncias corrosivas, esforço mecânico e fadiga. § 2o O disposto neste artigo também se aplica aos medidores de vazão, condutivímetros e demais equipamentos de controle de produção exigidos em lei. Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do Decreto‐Lei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 15 14 Também não discute a efetiva revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003. As disposições legais acima reproduzidas são de clareza meridiana. A alínea “b” do inciso III do art. 169 da Lei 13.097/2015 revogou expressamente, dentre outros, os artigos 58A a 58V da Lei no 10.833/2003. Nesse rol, como não é difícil concluir, está incluído o art. 58T. De fato, a questão nuclear do litígio encontrase nas disposições legais inseridas no art. 35 da mesma Lei 13.097/2015, pois, se, por um lado, o art. 169 da Lei revogou a exigência prevista no art. 58T da Lei 10.833/2003, o art. 35, simultaneamente, estabeleceu obrigação idêntica, fazendo, também, idêntica remissão às especificações contidas nos arts. 27 a 30 da Lei 11.488/2007, se não vejamos. Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001 De fato, identificase, apenas, uma ligeira distinção dentre os produtos de que trata o art. 14 da Lei 13.097/2015 e os produtos relacionados no art. 58A da Lei 10.833/2003, o que, contudo, não tem qualquer relevância para o deslinde do caso concreto (sequer foi aventado pelas partes). Entendido isso, é possível que se reduza a lide à seguinte questão: na hipótese de revogação de artigo de lei que especifica conduta e penalidade que se mantém vigentes por força de sua concomitante e imediata reinserção no ordenamento jurídico, consideramse derrogadas a exigência e a pena especificadas tanto no artigo revogado quanto na novel legislação? Penso que para melhor refletir, seja pertinente reler o conteúdo normativo insculpido nos arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional, que versam sobre critérios gerais de aplicação da legislação tributária e hipóteses de retroação da lei que se revele mais benéfica ao contribuinte. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 16 15 CAPÍTULO III Aplicação da Legislação Tributária Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Como consta, em regra geral, a lei aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, podendo ser aplicada a fatos pretéritos se (i) for expressamente interpretativa, ou, tratandose de ato não definitivamente julgado; (ii) deixe de definilo como infração; (iii) deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, ou ainda, (iv) quando lhe comine penalidade menos severa. Aqui, não se trata de hipótese de legislação de natureza interpretativa. Assim, devem ser consideradas apenas as hipóteses (ii), (iii) e (iv) acima. Em linhas gerais, é possível dizer que os três itens acima destacados referem se ou à legislação que revoga exigência antes determinada em lei ou revoga a penalidade a ela cominada ou, ainda, à legislação que comina penalidade mais branda à exigência não revogada. Como espero que tenha ficado claro nas considerações preliminares do vertente voto, a exigência antes expressa na Lei 10.833/2003 e a penalidade a ela vinculada não deixaram de existir nem pelo mais breve lapso de tempo. Ora, a toda evidência, o que legislador buscou prevenir por meio do art. 106 do Código Tributário Nacional foi o direito do apenado a um tratamento equânime sempre que Fl. 714DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 17 16 o Estado decida abrandar, no todo ou em parte, exigência imposta aos contribuintes. No caso concreto, não houve qualquer espécie de abrandamento, muito menos de revogação. A conduta continuou sendo exigida e a penalidade permaneceu igual. Aliás, merece destaque o fato de que elas sequer estavam especificadas no artigo de lei revogado, mais sim nos arts. 27 a 30 da Lei nº 11.488/2007. O art. 58T da Lei 10.833/2003, assim como o art. 35 da Lei 13.097/2015, apenas identificam quais empresas estavam obrigadas a observar o disposto na Lei nº 11.488/2007. Sem margem de dúvida, não é caso de aplicação retroativa da legislação tributária mais benéfica ao contriubinte. E, com muito menos razão haveria porque se falar em revogação da exigência contida em lei em razão da edição dos Atos Declaratórios Executivos nºs 75 e 94 de 2016. De imediato, há que se sublinhar que nenhum ato declaratório editado no âmbito da Secretaria da Receita Federal pode ter por finalidade a derrogação de disposição legal acerca de determinada matéria. Como a ninguém é dado desconhecer, tratamse de normas de diferente hierarquia, do que resulta, por si só, inadmissível que se cogite que os ADEs tenham revogado exigência determinada em Lei. Assim, não há como cogitar a aplicação do art. 106 do Código Tributário Nacional em razão da edição dos ADEs supracitados. Se a exigência está prevista em lei, somente a lei pode revogála. Ademais, tratamse de atos executivos e não interpretativos. Têm por escopo ordenar a forma e os critérios de execução da exigência especificada em lei e não interpretála. No caso, determinaram que, a partir de 13 de dezembro de 2016, os estabelecimentos industriais envazadores de bebidas estavam desobrigados da utilização do Sistema de Controle da Produção de Bebidas – Sicobe. Ou seja, os Atos Declaratórios apenas alteraram o sistema de controle de produção nesse segmento de mercado específico. Ora, alterações de sistemas e critérios do controle exercido pela Secretaria da Receita Federal sobre as operações de mercado são extremamente comuns e decorrem das mais diversas razões e eventos. No caso concreto sabese que, a partir de determinado momento, levantaramse questionamentos acerca da conformidade do Sicobe às necessidades da Secretaria para o controle das operações processadas nesse segmento de mercado. Por conta Fl. 715DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 18 17 disso, foi editada a Portaria nº 638, de 10 de agosto de 2015. Transcrevemse excertos do texto extraído do Diário Oficial da União do dia 11/08/2015. Art. 1º Instituir Comissão Especial destinada a proceder à análise econômicofinanceira, bem como avaliar a conformidade das informações de interesse fiscal do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), integrada pelos seguintes servidores: (…) Art. 2º A Comissão Especial deverá apresentar relatório final abrangendo os seguintes aspectos. I – resultado da arrecadação federal antes e após a instalação do Sicobe; II – avaliação do custobenefício do serviço Sicobe; III – sugestões de racionalização dos atuais custos e resultados auferidos com a utilização do sistema; IV – sugestões de racionalização dos atuais requisitos e funcionalidade do Sicobe que garantam o controle fiscal com menores custos administrativos com a utilização do sistema ou com outras ferramentas alternativas de controle fiscal no âmbito do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped); V – cumprimento dos requisitos de funcionalidade do Sicobe, previstos no art. 2º, § 2º, da IN RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, e no Ato Declaratório Executivo Cofis nº 45, de 10 de junho de 2015; VI – avaliação da operação do Sicobe, em especial de suas funcionalidades de registro e de transmissão de dados para a RFB; VII – revisão dos atos infralegais editados pela RFB relacionados ao Sicobe; VIII – quaisquer outros assuntos que a comissão julgar pertinente em relação ao tema. (…) A Comissão chegou à conclusão de que o Sicobe não atendia às necessidades de controle desse segmento de mercado. Em decorrência disso, foram editados os Atos Declaratórios Executivos nºs 75 e 94 de 2016. O controle da produção dos estabelecimentos industriais envazadores de bebidas voltou a ser feito por meio de selagem. Como se vê, não há qualquer razão para que se avente a possibilidade de que os Atos Declaratórios Executivos nºs 75 e 94 de 2016 tenham deixado de considerar o ato Fl. 716DF CARF MF Processo nº 15563.720006/201593 Acórdão n.º 9303007.463 CSRFT3 Fl. 19 18 como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, atraindo, por conta disso, o disposto na alínea “b” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Eles tiveram por finalidade, exclusivamente, adequar o sistema de controle da Secretaria da Receita Federal às necessidades das partes envolvidas. Eles apenas alteraram o modo de controle do setor de bebidas. Ora, isso é pra lá de comum. É de se perguntar: se importação de determinada mercadoria passa a ser dispensada de licenciamento de importação a partir de determinado momento é possível dizer que isso se aplica retroativamente? Óbvio que não. Os controles são definidos para o momento. Por fim, no que concerne à desproporcionalidade ou falta de razoabilidade da multa, cumpre apenas lembrar que este Tribunal Administrativo não detém competência para formação de juízo com base em princípios gerais do direito ou em princípios constitucionais que não estejam expressos em norma legal positivada no ordenamento jurídica pátrio. Se a penalidade está prevista em lei que vigia à época dos fatos e não se sabe de decisão com efeito vinculante que obstasse sua aplicação, não há fundamento válido para que este Colegiado decida afastar a exigência. Neste sentido o comando insculpido na Súmula CARF nº 02. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 717DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.002004/2010-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL.
Matéria não impugnada, sujeita-se à imediata cobrança.
Numero da decisão: 2002-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Matéria não impugnada, sujeitase à imediata cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 20 04 /2 01 0- 91 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11543.002004/201091 Acórdão n.º 2002000.301 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.63) contra decisão de primeira instância (fls.52/57), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 09 a 13, em 12/07/2012, referente ao exercício 2008, anocalendário de 2007, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Suplementar ( Sujeito à Multa de Ofício) 2.675,38 Multa de Ofício 75% (Passível de Redução) 2.006,68 Juros de Mora calculados até 30/07/2010 617,25 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora calculados até 30/07/2010 0,00 Total do crédito tributário apurado 5.299,51 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2008, anocalendário de 2007, quando foram verificadas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativos ao exercício 2008, anocalendário 2007. Fonte Pagadora: Cretovale Cooperativa de Economia e Crédito Mutuo dos Trabalhadores. Valor: R$ 12.548,90. Dedução Indevida de Contribuição à Previdência Oficial – glosa de dedução de Contribuição à Previdência Oficial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 1.269,75. Motivo da glosa: falta de comprovação do pagamento. Os enquadramentos legais encontramse às fls. 10/11 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 15, o impugnante foi cientificado da autuação em 28/07/2010. Em 03/08/2010, apresentou impugnação (fls. 03/05) a o lançamento alegando, em síntese: que reafirma as justificativas apresentadas nos processos nº 2007/607435084492037 e 2005/607435192612081, que vai além da legalidade da aplicação dos normativos da SRF, pois esta é uma questão de legitimidade, pois a Constituição Federal protege os cidadãos e cidadãs dos efeitos tributários injustos e acima de suas possibilidades financeiras; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11543.002004/201091 Acórdão n.º 2002000.301 S2C0T2 Fl. 4 3 que, por conclusão, pede a isenção fiscal, prevista na legislação, pois a sua esposa, Sônia Sampaio Vidal, dependente do contribuinte e sem renda própria, foi acometida de doença grave (câncer de mama), do que decorreu esvaziamento de toda a poupança familiar e reflexos na economia doméstica; que em momento algum do seu pleito fez referência às rendas informais de sua esposa Sônia, que como um grande contingente de brasileiras, ajudam na renda familiar produzindo bolos e doces para festas de aniversários; que os transtornos orçamentários foram agravados pela perda do emprego e aposentadoria precoce do impugnante; que a atividade cooperativista é de cunho altruístico, haja vista que o rendimento auferido, inferior à remuneração de mercado, não suporta as despesas ferais inerentes ao cargo; Ao final, requer também que a isenção tenha seus efeitos retroativos a junho de 2000, época da cirurgia da esposa, que seja calculada e devolvida toda a contribuição feita ao fisco neste período, onde temos também um ônus advindo de outro auto de infração não contestado e parcelado em sessenta meses. Pugna pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitamse à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. ISENÇÃO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES SEM PROVA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. São inadimissíveis no processo meras alegações desacompanhadas de provas que as justifiquem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11543.002004/201091 Acórdão n.º 2002000.301 S2C0T2 Fl. 5 4 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 31/08/2012 (fl.62); Recurso Voluntário protocolado dia 06/09/2012 (fl.63), assinado pelo próprio contribuinte. O recorrente em seu Recurso Voluntário, lança uma preliminar de mérito que confundese com o mérito e, com ele será analisado. O recorrente em sua peça de resistência, não juntou aos autos, a comprovação que os valores recebidos tinham natureza jurídica de ajuda de custo, para custeio de despesas extras, assim, neste sentido, sua defesa fica apenas no campo das alegações, e em direito quem alega deve provar seu fato constitutivo. Outra alegação do recorrente, é que sua esposa é portadora de moléstia grave, portanto faz jus à isenção do imposto de renda, neste aspecto razão não assiste ao recorrente, pois não é o próprio interessado que é acometido pela moléstia. Além de toda a argumentação, verificase que a própria fonte pagadora considerou os valores pagos como rendimentos tributáveis. No que pertine a infração de Dedução Indevida de Contribuição à Previdência Oficial, o recorrente em sua impugnação não contestou o lançamento, assim nesta esteira, a matéria deveria ser expressamente contestada. Mantenho. Quanto ao pedido de isenção fiscal, deixo de analisar eis que o mesmo não é cabível nesta oportunidade, até porque foge da competência deste CARF. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11543.002004/201091 Acórdão n.º 2002000.301 S2C0T2 Fl. 6 5 Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726448/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/09/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 48 /2 01 1- 85 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726448/201185 Acórdão n.º 3302005.900 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.038. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726448/201185 Acórdão n.º 3302005.900 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726448/201185 Acórdão n.º 3302005.900 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726448/201185 Acórdão n.º 3302005.900 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726448/201185 Acórdão n.º 3302005.900 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726448/201185 Acórdão n.º 3302005.900 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.002614/2004-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000, 01/06/2000 a 30/11/2002
VENDAS COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Sem esses requisitos, a venda não se equipara a exportação e é tributada pela Cofins.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000, 01/06/2000 a 30/11/2002
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO.
O pedido de diligência deve ser acolhido sempre que o interessado não tenha o dever de guardar consigo as provas que corroboram a sua argumentação ou quando essas provas devam ser produzidas por terceiros. Em se tratando de exportação indireta, cabe ao interessado ter a guarda dos documentos que lhe permitiram fruir a isenção condicionada.
Numero da decisão: 3301-004.821
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Sem esses requisitos, a venda não se equipara a exportação e é tributada pela Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000, 01/06/2000 a 30/11/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. O pedido de diligência deve ser acolhido sempre que o interessado não tenha o dever de guardar consigo as provas que corroboram a sua argumentação ou quando essas provas devam ser produzidas por terceiros. Em se tratando de exportação indireta, cabe ao interessado ter a guarda dos documentos que lhe permitiram fruir a isenção condicionada. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 26 14 /2 00 4- 23 Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 836 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1512.427 4a Turma da DRJ/SDR (fls 761 e seguintes): Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 312/341, que exige o recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 194.928,82 (cento e noventa e quatro mil, novecentos e vinte e oito reais e oitenta e dois centavos), acrescido da multa de oficio e dos juros de mora, relativa aos períodos de apuração acima mencionados, conforme demonstrativos de fls. 333/341 tendo como fundamento legal os dispositivos mencionados às fls. 314, 316/317 e 341. O autuante, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 312/314, fez o seguinte relato. "001 — PIS FATURAMENTO FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS 002 PIS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÓES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA", em anexo. Os valores utilizados para obtenção da base de cálculo da contribuição estão detalhados na planilha "APURAÇÃO DO PIS/PASEP", que teve como fonte os balancetes e os livros de apuração de ICMS, fornecidospela contribuinte. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 837 3 Observase que os demonstrativos de base de cálculo PIS/COFINS apresentados pelo contribuinte trazem, a titulo de exclusão, valores referente a "VENDAS ME IN7' EQUIP EXP". As supostas vendas equiparadas a exportação, entretanto não foram comprovadas pelo contribuinte e, por isso, deixaram de ser consideradas pela fiscalização. Em 20/02/2004, o contribuinte apresentou cópia de 66 notas fiscais de venda para futura entrega, emitidas em 1999. Não há qualquer referência quanto ao fim especifico de exportação para o exterior. Por meio do termo de intimação fiscal, lavrado em 11/10/2004, item 1, contribuinte foi intimado a comprovar as isenções informadas em seus demonstrativos da base de cálculo das contribuições. Em 04/11/2004, o contribuinte limitouse a apresentar 6 planilhas com o titulo "exclusões base de cálculo pis e cofins" É importante ressaltar que se consideram adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Nao ficou caracterizado que as vendas foram destinadas especificamente para exportação. As remessas de produção do estabelecimento, com o fim especifico de exportação, inclusive, possuem um CFOP (código fiscal de operações e prestações) próprio. Nenhuma nota foi apresentada com tais códigos. Os livros de apuração do ICMS não relacionam qualquer saída com esse CFOP". Regularmente cientificada a contribuinte apresentou impugnação de fls. 345/360, cujo teor é sintetizado a seguir. • afirma, após se referir 6. autuação, que o lançamento resultou da não aceitação da exclusão da base de cálculo da PIS de valores referentes a vendas realizadas com a finalidade de serem exportadas, posteriormente, para o exterior; isto porque tais vendas não atenderam a codificação correta nas notas de venda; • que a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS foi instituída pela LC n° 7, de 07/09/1970; que, a exemplo do ocorrido com as demais contribuições, todo o conjunto de normas editado ao longo destes trinta anos, vem sendo no sentido de evitar ônus aos produtos que se destinam ao exterior; • evidência que a EC n° 33, de 11/12/2001, instituiu nova hipótese de imunidade para os contribuintes, especificamente no que se refere as receitas decorrentes de exportação; discorre sobre o assunto citando, após afirmar que a imunidade constitui se em uma limitação ao poder de tributar atribuído aos entes públicos União, Estados, Distrito Federal e Municípios, doutrina de juristas renomados; Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 838 4 • na seqüência, diz que a EC n° 33, de 11/12/2001, alterou, entre outros, o art. 149, da CF, de 1988, que deixou de ter apenas um parágrafo, passando a ter quatro merendo destaque o § 2°, inciso I (que transcreve); que, evidentemente, o legislador ao editar a citada emenda constitucional acabou desonerando da tributação pelas contribuições sociais todas as receitas vinculadas ao processo de exportação, o que se harmoniza com o propósito das legislações anteriormente mencionadas; • diz, ainda, que as normas desonerativas não foram editadas com foco no exportador, mas sim na exportação, sendo o que se chama de isenção objetiva, pois se refere ao bem e não a pessoa, ou seja, acompanha a mercadoria em todas as etapas de sua circulação e não s6 na última, ou seja, na sua saída para o exterior; que a desoneração relativa as contribuições sociais alcança, assim, toda a cadeia de operações que compõem o processo de exportação; • que, no entanto, o autuante incluiu na base de cálculo da PIS as vendas realizadas para empresas que possuem registro na Secretaria de Comércio Exterior, cujas aquisições tiveram finalidade especifica de exportação para o exterior e o que efetivamente ocorreu; que, segundo o fundamento do autuante, somente se equipara a exportação quando o produto é remetido do estabelecimento industrial para embarque para o exterior ou para recintos alfandegados, por conta e ordem de empresa comercial exportadora; • que, ao que parece, o autuante desprezou a imunidade contida no art. 149 da CF, de 1988 e as demais regras que visam não exportar carga tributária; que, caso venha prevalecer tal entendimento somente se estará exonerando a última operação, ou seja, a exportação direta que se distância da finalidade da norma; • diz que a maior parte de suas vendas foram efetuadas para a Cargil Agricola S/A e para a Citrovita Agro Industrial Ltda., empresas registradas no Siscomex e que figuram, conforme se verifica do site www.brazil4export.com , no Cadastro de Exportadores Brasileiros, e que realizavam as compras para procederem a posterior exportação; • que tais empresas não colocam no mercado interno nem mesmo o suco de laranja, que representa a maior parte de suas vendas; na seqüência, cita as condições impostas a sua empresa para o fornecimento do suco de laranja, quando da contratação com a Cargil Agricola S/A, a fim de atender as exigências do mercado internacional (cláusula 3.1 do Contrato); que, do mesmo modo, a inclusão da taxa de câmbio no contrato com a Citrovita Agro Industrial Ltda, entre os componentes do preço do produto, revela a finalidade de atingir o mercado externo; • afirma, após destacar o papel da interpretação sistemática e teleológica da norma jurídica e de que o processo administrativo visa A. verdade material, que o relevante é a ocorrência ou não do fato gerador, pressuposto de incidência do tributo, no caso o Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 839 5 PIS; que, como visto, mesmo sem a adoção das formalidades quando do preenchimento das notas fiscais de venda, sem a utilização do código apropriado, era possível concluir que o produto foi posteriormente exportado pelos compradores, não se podendo, assim, lavrar auto, constituindo um lançamento que não corresponde a um fato tributável; • que, embora não tenha utilizado o código correto quando da nota fiscal de venda, os produtos foram adquiridos pelas empresas acima mencionadas, e demais empresas sediadas no Estado de São Paulo, para fins de exportação posterior e assim ocorreu; aduz, ainda, que todos os elementos revelam que a citada operação, nada mais é do que uma etapa de um processo de exportação para o exterior; • na seqüência, passa a discorrer, em extenso arrazoado, sobre a impossibilidade de se utilizar a Selic como taxa de juros morat6rios para créditos fiscais federais, já que a mesma, tal como definido pelo seu regulamento, não possui característica de indenização, própria dos juros moratórios; cita, nesse sentido, além de doutrina, os artigos 161, § 10 do CTN e 195, § 3° da CF, de 1988; • requer, ante ao exposto, o acolhimento de sua impugnação a fim de desconstituido o lançamento, uma vez que, segundo seu entendimento, é possível se verificar que as vendas realizadas se constituem em uma fase do processo de exportação, ou, sucessivamente, que o processo seja convertido em diligência a fim de permitir afastar eventuais dúvidas quanto à exportação dos produtos para o mercado externo e, ainda, caso seja mantida a autuação, que seja determinada a aplicação da taxa de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês para a atualização de seus débitos. Em face do despacho de fl. 376, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento a seguinte ementa (fl. 761): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000, 01/06/2000 a 30/11/2002 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 840 6 Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da PIS, nos prazos previstos na legislação tributária, devida sua cobrança, com os encargos legais correspondente. Lançamento Procedente Foi apresentado Recurso às fls. (fls. 788 e seguintes), no qual a Recorrente, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Inicialmente alega a Recorrente nulidade processual por cerceamento de defesa. Contudo, da análise dos autos, é de se concluir, no mesmo sentido da decisão recorrida, que os fatos foram devidamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente. Dessa forma, não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Outrossim, confirmase, tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário, que a Recorrente demonstrou, mediante as razões ofertadas, a compreensão dos motivos das autuações, tentando rebater as infrações apontadas, não havendo de se cogitar de violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O mérito da discussão que motivou o presente recurso cingese à possibilidade de se exigir a contribuição para o PIS/Pasep de receitas decorrentes da suposta venda de mercadorias a empresas exportadoras. A Recorrente se apega ao art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001 e ao art. 149, § 2º, I da Constituição Federal para justificar a não incidência da COFINS sobre a receita decorrente de vendas realizadas para empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior – SECEX do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC. Nesse particular, convém mencionar que a interpretação da imunidade tributária prevista nesse dispositivo é restritiva, conforme já decidiu o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 474.132. Confirase a ementa desse julgado, in verbis: Recurso extraordinário. 2. Contribuições sociais. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). 3. Imunidade. Receitas decorrentes de exportação. Abrangência. 4. A imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição, introduzida pela Emenda Constitucional nº 33/2001, não alcança a Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 841 7 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), haja vista a distinção ontológica entre os conceitos de lucro e receita. 6. Vencida a tese segundo a qual a interpretação teleológica da mencionada regra de imunidade conduziria à exclusão do lucro decorrente das receitas de exportação da hipótese de incidência da CSLL, pois o conceito de lucro pressuporia o de receita, e a finalidade do referido dispositivo constitucional seria a desoneração ampla das exportações, com o escopo de conferir efetividade ao princípio da garantia do desenvolvimento nacional (art. 3º , I, da Constituição). 7. A norma de exoneração tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição também não alcança a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), pois o referido tributo não se vincula diretamente à operação de exportação. A exação não incide sobre o resultado imediato da operação, mas sobre operações financeiras posteriormente realizadas. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 474132, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 12/08/2010, DJe231 IC 01122010. (grifouse) Com efeito, não prevalece o entendimento da Recorrente de que a teleologia do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é desonerar toda a cadeia produtiva dos tributos que incidem sobre a receita de exportação. O conceito de receita de exportação é restrito, logo, não abrange a venda interna de mercadorias, ainda que destinadas à exportação. Em outra palavras, a pretensão da Recorrente constitui uma isenção, e não uma imunidade. Tal isenção está prevista no outra base legal invocada pela Recorrente, o art. 14, IX, da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, que assim dispõe: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (...) Com efeito, o importante para o deslinde da controvérsia encerrada neste processo administrativo é a destinação da mercadoria. Nesse sentido, a instância a quo esclarece que a legislação tributária federal caracteriza os produtos adquiridos com o fim específico de exportação como aqueles remetidos para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Senão vejamos: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 842 8 (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É bem verdade que o referido dispositivo se refere ao contexto da suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados, e não à isenção da COFINS. Contudo, a Instrução Normativa SRF nº 247 de 2002 incorporou esse dispositivo à regulamentação do PIS e da COFINS, dispondo da seguinte forma: Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (...) § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Adicionalmente, há precedentes do CARF, inclusive em relação à própria Recorrente, que confirmam esse entendimento (Acórdão nº 320100.869 – 2ª Câmara / 1ª Turma): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGUIRIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 VENDAS COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Sem esses requisitos, a venda não se equipara a exportação e é tributada pela Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 843 9 Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. O pedido de diligência deve ser acolhido sempre que o interessado não tenha o dever de guardar consigo as provas que corroboram a sua argumentação ou quando essas provas devam ser produzidas por terceiros. Em se tratando de exportação indireta, cabe ao interessado ter a guarda dos documentos que lhe permitiram fruir a isenção condicionada. A forma de se comprovar juridicamente a destinação das mercadorias em causa seria por meio das respectivas notas fiscais. Ocorre que as notas fiscais apresentadas à autoridade preparadora pela Recorrente (fls. 411/541) não contêm qualquer referência à exportação. Tais documentos informam apenas que as operações não estão sujeitas à incidência do ICMS por força do art. 411 do Regulamento do ICMS do Estado da Bahia, aprovado pelo Decreto nº 6.284 de 1997, que assim dispõe: Art. 411. Nas vendas à ordem ou para entrega futura, poderá ser emitida Nota Fiscal, com indicação de que se destina a simples faturamento, vedado o destaque do ICMS (Conv. SINIEF s/nº, de 15/12/70, e Ajuste SINIEF 01/87). Como bem ressaltado pela instância a quo, a Recorrente faz referência a duas empresas cujas notas fiscais sequer estão relacionadas entre aquelas que apresentou à autoridade preparadora, o que faz cair por terra a argumentação de que as empresas adquirentes de suas mercadorias seriam registradas na SECEX do MDIC. Percebendo que não logrou êxito em demonstrar cabalmente que cumpriu as exigências para se valer da isenção estabelecida pela Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, quer seja na impugnação, quer seja no recurso sob exame, a Recorrente formulou novamente pedido de diligência para que seja verificada a destinação das mercadorias por ela vendidas. Entendo que o pedido de diligência deve ser acolhido sempre que a Recorrente não tenha o dever de guardar consigo as provas que corroboram a sua argumentação ou quando essas provas devam ser produzidas por terceiros. Entretanto, no caso concreto, a Recorrente se beneficiou de uma isenção condicionada, razão pela qual deveria ter consigo a prova de que a condição foi cumprida. Por essa simples razão, concordo com a instância a quo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e mantenho integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10530.002614/200423 Acórdão n.º 3301004.821 S3C3T1 Fl. 844 10 Fl. 844DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.006485/2006-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/01/2002 a 31/07/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/01/2002 a 31/07/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 64 85 /2 00 6- 73 Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.155 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra Acórdão nº 310100.250, proferido pela 1º Câmara/1º Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa transcreve se a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/01/2002 a 31/07/2006 Saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental e restante do território nacional. Irregularidade apurada em auditoria nos livros e documentos fiscais do estabelecimento comercial. Pcrdimento. Consumo presumido. Penalidade pecuniária Bem púdico tutelado pelo fato típico previsto no inciso 1 do artigo 618 do Regulamento Aduaneiro de 2002 é a subordinação das operações de carga, descarga ou transbordo de veículo procedente do exterior ao formal ingresso dele no território nacional, ordinariamente em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado. A saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental, apurada em auditoria nos livros e documentos fiscais de estabelecimento comercial do remetente, não é infração punível com a pena cominada no artigo 618, inciso 1 e § 1°, do Regulamento Aduaneiro de 2002. Recurso Voluntário Provido. Devidamente intimada, a interessada interpôs embargos de declaração em face do referido acórdão, que, por maioria de votos, teve o provimento negado por intermédio do Acórdão nº 310100.144 (fls. 3093/3099), sob o fundamento de que não há se falar em efeitos infringentes quando a conclusão do julgamento remanesce inalterada após sanada a omissão. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, sustenta que o acórdão ora recorrido destoa da jurisprudência consolidada em outros colegiados no ponto em que entendera que o erro no enquadramento legal da infração é causa inequívoca de vício insanável do lançamento. Aduz divergência jurisprudencial quanto a duas matérias: 1) validade do lançamento com erro no enquadramento legal; 2) natureza do vício do lançamento em razão do erro no enquadramento legal (vício formal ou material). Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.156 3 Visando comprovar dissenso quanto a validade do lançamento com erro no enquadramento legal, aponta como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/0202.301 e CSRF/01 04.780. Referente ao vício do lançamento , em razão de erro no enquadramento legal, aponta como paradigmas, os acórdãos nºs 30127.102 e 30333.365. Em seguida, o Presidente da 1º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, especialmente quanto a validade do lançamento com erro no enquadramento legal, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 3119/3122. Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF decidiu em manter na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, fls. 3123/3124 Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 3139/3148. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. In caso, tratase de exigência de crédito tributário no valor de RS 3.480.487,43, decorrente da ação fiscal levada a efeito pela Alfândega do Porto de Manaus que Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.157 4 culminou com a lavratura do Auto de Infração de fls. 01 a 13, datado de 20/10/2006 e dado conhecimento à autuada em 26/10/2006. De acordo com a descrição constante do Auto de Infração (acusação inicial), em fls. 02 a 09, constatase que a Fiscalização, ao discorrer sobre a investigação realizada sobre empresas do setor de pneumáticos, procedeu à apreensão de mercadorias nas cidades de Manaus/AM e Porto Velho/RO, tendo sido estas alvo de processo de perdimento em separado. A autuação teve por objeto e base à constatação de que foram enviadas mercadorias importadas (pneus e câmaras de ar) com a proteção do regime aduaneiro de que trata o Decretolei nº 288/67, da área geográfica da Zona Franca de Manaus para o restante do território nacional, inclusive Amazônia Ocidental, conforme listagem e notas fiscais de fls. 23 a 190 (2002), fls.191 a 317 (2003), fls. 318 a 415 (2004) fls. 416 a 554 (2005) e 555 a 654 (2006), sem autorização legal da Receita Federal, ou seja, sem o registro de Declaração para Controle de Internação (DCI), implicando, pois, em contrabando (art. 39, Decretolei 288/67), e, conseqüentemente, no perdimento das mercadorias (art. 105, Decretolei 37/66), sendo que, por já terem sido consumidas (referentes a importações anteriores), a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (art. 23, § 3°, Decretolei 1455/1976). Por sua vez, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com fundamento nos autos do processo nº 10283.006582/200666, acórdão nº 310100.244, julgado em 18 de setembro de 2009, o qual deu provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental, apurada em auditoria nos livros e documentos fiscais de estabelecimento comercial do remetente, não é infração punível com a pena cominado no artigo 618, inciso I e § 1°, do Regulamento Aduaneiro de 2002. Transcrevese na integra fragmento do aresto: "No caso concreto, a pena de perdimento convertida em pecúnia foi aplicada em face de auditoria nos registros e documentos fiscais do estabelecimento comercial que constatou a saída de pneus e câmaras de ar da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental sem o correspondente registro de Declaração para Controle de Internação (DCI). A partir dessa constatação, os auditoresfiscais presumiram 4 o consumo e converteram o perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Consoante fundamentação legal consignada no lançamento do crédito tributário, a exação está ancorada no artigo 105, inciso I, do Decretolei 37, de 18 de novembro de 1966, e no artigo 23, inciso IV, §§ 1° e 3° do Decreto lei 1.455, de 7 de abril de 1976, então regulamentados pelo artigo 618, inciso I, do Reaulamento Aduaneiro de 2002, verbis: Decretolei 37, de 1966, artigo 105: Aplicase a pena de perda da mercadoria: 1 em operação de carga, já carregada em qualquer veiculo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.158 5 Decretolei 1.455, de 1976, artigo 23: Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a "e " b do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos Ia XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966 § 1º E O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002) § 3 A pena prevista no § .1 2 convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002). Regulamento Aduaneiro de 2002, artigo 618: Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei 37, de 1966, art. 105, e Decretolei 1.455, de 1976, art. 23 e § 1°, com a redação dada pela Lei 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto 4.765, de 24.6.2003). aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado ,7, a teor do disposto nos artigos 24 a 29 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário". Compulsando aos autos, verifico que Autoridade Fiscal fundamentou a motivação do auto de infração no sentido de que a remessa de pneus e câmarasdear a Porto Velho, Rondônia, sem o registro prévio de DCI’s – Declarações para Controle de Internação. A partir deste fato, promoveram o levantamento das remessas por todo período não prescrito, ou seja, os exercícios de 2002 a 2006. Foi apontada como infração a violação ao art. 105, I, do Decretolei nº 37/66, art. 23, IV, do Decretolei 1.455/76, art. 618, I, do Decreto 4.543/02, arts. 3º e 39, do Decreto lei 288/67, arts. 453, § 2º, e 623, do Decreto 4.543/02. A pena fixada foi a multa no valor aduaneiro em substituição ao perdimento das mercadorias já consumidas (art. 618, § 1º, do Decreto 4.543/02). Como visto, a Autoridade Fiscal equivocouse quanto a capitulação legal, ao enquadrar nos dispositivos que aplicam pena de perdimento à ação de mero descumprimento de obrigação acessória da Contribuinte, o que por via reflexa, tratase de mero erro formal. A Fazenda Nacional, descreve que a Contribuinte teria praticado o crime de contrabando e tentado ocultar a saída das mercadorias da Zona Franca para deixar de recolher tributos que incidiriam sobre a operação, em que pese a remessa das mercadorias para filial não gerar a incidência de tributos, considerando que os benefícios da ZFM foram estendidos para a Amazônia Ocidental. Malgrado os fundamentos da decisão recorrida, que não enfrentou a lide em sua extensão, não é só a capitulação legal no Auto de Infração que estava incorreta, mas todos os fatos também descritos, bem como a conexão fática com a realidade dos autos. Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.159 6 Visando comprovar o dissenso quanto a validade do lançamento com erro no enquadramento legal, a Fazenda Nacional aponta como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/02 02.301 e CSRF/0104.780, que possuem as seguintes ementas: CSRF/0202.301 NORMAS PROCESSUAIS – CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. (...) Em relação ao mérito, entendo assistir razão à reclamante, pois a infração apontada e provada à exaustão nos autos, consistente na falta de lançamento do imposto devido nas notas fiscais emitida pela autuada é sancionada com a multa de oficio de 75% do valor do imposto devido, independentemente de resultar em falta de recolhimento do tributo. A lei penalisa a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais, a falta de recolhimento do imposto lançado e, também, o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Qualquer dessas infrações em conjunto ou individualmente, sujeitam os contribuintes às multas de oficio fixadas pela legislação. No caso, a de 75% do imposto que deixou de ser lançado. O aqui explicitado encontra supedâneo no art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96 ( grifei). CSRF/0104.780 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL – IMPRECISÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – PROCESSO REFLEXIVO –DECORRÊNCIA PROCESSUAL Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento.Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal. Dá análise do acórdão paradigma nº CSRF/0202.301, não há divergência com a decisão recorrida, além de não demonstrar qual dispositivo legal esta sendo violado, o mérito versa sobre a falta de lançamento do imposto devido nas notas fiscais emitida pela autuada é sancionada com a multa de oficio de 75% do valor do imposto devido, independentemente de resultar em falta de recolhimento do tributo. No que tange o acórdão paradigma nº CSRF/0104.780, também não resta qualquer vestígio de divergência, o referido acórdão foi decidido no esteio dos autos do Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.160 7 processo nº 13425.000049/9675 ( acórdão nº 0104.778) em que pese tratar sobre um suposto erro de capitulação legal, não corresponde com a imputação da decisão recorrida, pois, in caso, houve o equivoco de enquadrar os dispositivos que aplicam pena de perdimento à ação de mero descumprimento de obrigação acessória da Contribuinte, em verdade tratase de um erro formal, diametralmente oposto da divergência dos paradigmas. Neste sentido, a Portaria MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nos termos do artigo 67, dispõe sobre as condições de interposição de Recurso Especial. In verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.161 8 divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. Em que pese estar sempre vencido quanto as minhas convicções referente aos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, entendo que esta E. Câmara Superior deve seguir o que preceitua o Regimento Interno deste Conselho. Nos últimos meses, venho verificando que alguns contribuintes que não manejam de modo correto a interposição de recurso, buscam tutela no poder judiciário, para invalidar análise técnica feita por este Conselho, em detrimento do devido processo legal. Por outra banda, os Recursos da Fazenda Nacional em via de regra não contém qualquer cotejo analítico ou demonstração clara de qual dispositivo esta sendo interpretado de modo divergente. Portanto, minha convicção pessoal é no sentido de que se deve observar na estrita legalidade os requisitos de interposição de recurso, para que se tenha um julgamento apto a pacificar a jurisprudência, missão esta da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. No que tange a divergência do acórdão paradigma 280300.109, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, não se comprova divergência. Vejamos trecho que interessa do voto condutor do paradigma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O DESPACHO DECISÓRIO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova do erro no preenchimento da DCTF, segundo o sistema de distribuição do ônus probatório adotado no processo administrativo federal. Recurso negado.” Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 10283.006485/200673 Acórdão n.º 9303007.467 CSRFT3 Fl. 3.162 9 identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional. Dispositivo Ex positis, não tomo conhecimento do Recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3162DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.903033/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2005
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2005 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 30 33 /2 00 9- 52 Fl. 60DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 39.109 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/04, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL – código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 05, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 30/04/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/09, na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2005 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 356.049,60 (trezentos e cinqüenta e seis mil, quarenta e nove reais e sessenta centavos), conforme demonstrada na ficha 17, Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 238.600,74 (duzentos e trinta e oito mil, seiscentos reais e setenta e quatro centavos), conforme ficha 17 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 117.448,86 (cento e dezessete mil, quatrocentos e quarenta reais e oitenta e seis centavos), conforme ficha 17, da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n°.42424.49084.220306.1.3.047889, enviada em 22/03/2006, a mesma tinha um saldo suficiente para fazer a compensação do Valor de R$ 2.355,60 (dois mil, trezentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta centavos). Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10855.903033/200952 Acórdão n.º 1401002.780 S1C4T1 Fl. 61 3 É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de nº 42424.49084.220306.1.3.047889. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de outubro de 2005, no valor de R$27.333,41, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de outubro de 2005, no valor de R$27.333,41, assim declarado na DCTF de outubro de 2005, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores Fl. 62DF CARF MF 4 recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do Balanço Patrimonial apurado em 31/12/2005, de um demonstrativo denominado de Resultado do Exercício que compreenderia o Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10855.903033/200952 Acórdão n.º 1401002.780 S1C4T1 Fl. 62 5 período de 01/01/2005 a 312/12/2005, DARF relativo ao mês de outubro de 2005 e da própria DIPJ/2006, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. Fl. 64DF CARF MF 6 A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)." Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no ano calendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10855.903033/200952 Acórdão n.º 1401002.780 S1C4T1 Fl. 63 7 E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrouse correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Cláudio de Andrade Camerano (assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001649/00-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, fls. 311 e seguintes: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls. 249 e 366, no valor de R$650.942,14. Segundo discriminado no pedido de fl. 366, que retificou o formulário de fl. 251, tratase de crédito presumido do IPI com amparo na Lei nº 9.363, de 1996, e Portaria MF nº 38, de 1997, relativamente ao 2º trimestre de 2000. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 01 64 9/ 00 -5 2 Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 10320.001649/0052 Resolução nº 3201001.413 S3C2T1 Fl. 3 2 Inicialmente, o Pedido de Ressarcimento foi formulado em nome do estabelecimento filial, detentor do CNPJ nº 42.105.890/000901, localizado no Município de São Luís, Maranhão, enquanto a matriz localizavase no estado do Rio de Janeiro. Por essa razão, diversos entendimentos sobre a competência para análise do pleito do contribuinte foram então expressos, determinando o fato a expedição de 3 (três) despachos decisórios, 3 (três) acórdãos, ultimados pelo Acórdão nº 28.604, às fls. 1.287/1303, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MGDRJ/JFA/MG, em de 12/03/2010. Nesse contexto, seguiram se os encaminhamentos abaixo relatados. Definida a competência para a apreciação do pleito do contribuinte, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 269/274), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato de a empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação do contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 366), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 399/406, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 415/425. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação expressa da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Com as manifestações do contribuinte, o processo foi remetido à DRJ/JFA/MG, para julgamento. Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de 834/835 e 845/846, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas/MG, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10320.001649/0052 Resolução nº 3201001.413 S3C2T1 Fl. 4 3 Ao tomar ciência da informação fiscal, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 848/863. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, como integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de Diligência de fls. 903/907, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à segunda solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 915. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificado da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 1.261/1.268. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação, incluído nesse a solicitação de perícia. Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o já mencionado Acórdão nº 09 28.604, em 12/03/2010, às fls. 1.287/1.303. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que a manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificada do acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 1.308/1.326, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 380100.915, de 06/10/2011, às fls. 1.352/1.368. Por maioria de votos decidiu o colegiado: “reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito”. Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 10320.001649/0052 Resolução nº 3201001.413 S3C2T1 Fl. 5 4 O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido no CARF. Os autos retornaram à DRJ/JFA/MG para novo julgamento. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0955.886, de 05/12/2014, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Transcrevo a ementa: LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 1) CONSUMO DE CRÉDITOS MEDIANTE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PRESUMIDO PARA A FILIAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, a transferência de créditos para estabelecimentos filiais resultam no indeferimento do montante de direito creditório pleiteado, pois o crédito presumido transferido deverá ser utilizado unicamente na dedução de débitos escriturais do estabelecimento beneficiário da transferência. 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. A solicitação de perícia requer além da exposição motivos que a justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ausentes tais requisitos, é de se inferir a perícia requerida ((Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inc. IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10320.001649/0052 Resolução nº 3201001.413 S3C2T1 Fl. 6 5 possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no segundo trimestre de 2000, ainda depois das transferências às filiais; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 2397DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.941618/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.815
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo da análise de supostos créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 30.702.942,55 (Trinta Milhões, Setecentos e Dois Mil Novecentos e Quarenta e Dois Reais e Cinquenta e Cinco Centavos), combinado com a análise de diversas PER/DCOMP, relacionadas nas páginas 3 e 4 da Informação Fiscal de fls. 1820/1845. Após as verificações conduzidas pela fiscalização da DERAT São Paulo –SP, a solicitação do contribuinte foi deferida parcialmente, no valor de R$ 16.389.230,76 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 41 61 8/ 20 12 -6 9 Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.192 2 (Dezesseis Milhões, Trezentos e Oitenta e Nove Mil Duzentos e Trinta Reais e Setenta e Seis Centavos), em razão de glosas apontadas na referida Informação Fiscal, relativas à: 1 Diferenças apontadas nos índices de rateio proporcional aplicados pelo interessado em relação aos custos geradores de créditos não cumulativos vinculados às receitas no mercado externo e interno. Os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. 2 – Créditos apropriados indevidamente em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. 3 – Despesas com a constituição de florestas, que compõem o Ativo Imobilizado da empresa e portanto não são passíveis de classificação como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Entre outros, não foram considerados como insumos: silvicultura, serviços florestais (manutenção, aparelhos, insumos e limpeza), tratores, adubos, serviços de viveiros, produção de mudas, monitoramento de pragas e doenças, biometria florestal, colheita, adubos, fertilizantes, inseticidas, herbicidas, estradas, terraplenagem, topografia, defensivos, análises ambientais e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores, veículos e peças como a Komatsu, Caterpillar, Volvo, John Deere e Cia Olsen). 4 – Apuração de créditos, sem previsão legal, sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte tanto para o PIS/Pasep como para o Cofins. 5 – Créditos apurados sobre bens e serviços utilizados como insumo que não foram adquiridos de terceiros, quando a empresa despende esforços para a obtenção de madeira de seus terrenos, na chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). 6 – Créditos relativos à frete pago na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado da empresa, caso dos fretes pagos na Operação Florestal. 7 – Créditos calculados nas aquisições de embalagens para transporte, que não podem ser consideradas como insumo, visto que o transporte do produto não constitui etapa do processo de produção. Entre outros, foram desconsiderados créditos relativos a: arames utilizados para transporte de fardos de celulose, embaladores de bobinas, estrados de madeira e pallet (palete). 8 – Outros créditos relativos a algumas rubricas que a auditoria apontou que não se enquadram no conceito de insumo para fins de apuração de créditos não cumulativos, entre outros: despesas com mão de obra inespecífica, insumos relacionados à logística / transporte, baterias, pilhas, carregadores e acessórios, materiais de consumo de informática, materiais para laboratório, serviços de gerenciamento, extintores,materiais de papelaria, palestras, festas e eventos, limpeza industrial, serviços de combate a incêndio, armazenagem de insumos, serviços de projetos, serviços relacionados à parte laboratorial, desenvolvimento de software, locação de andaimes, locação de container, assinatura de manuais de legislação, gerenciamento de arquivos, seminários da NR10, segurança patrimonial, alpinismo industrial, eventos como fórum de marketing, vigilância, serviços fotográficos e de mídia, serviços relacionados ao setor de Recursos Humanos,inspeção da NR13, serviços administrativos, reforma de mobiliário, Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.193 3 programas de formação profissional e instalação de fibras ópticas e rede. Ainda, não foram considerados como insumos todos os bens e serviços relativos ao tratamento dos resíduos, uma vez que efetivamente não são aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, mas sim constituindo fase posterior a fabricação dos bens comercializados pela empresa. 9 – A fiscalização, com base em Solução de Divergência (SD 200835) prolatada pela COSIT (Coordenação de Tributação) da Receita Federal do Brasil, considerou que não são passíveis de creditamento as aquisições de partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão, pois entende que não se tratam de bens e serviços aplicados ou utilizados diretamente no produto em fabricação. Seriam bens e serviços aplicados para a eventual obtenção de uma matériaprima industrial, a madeira, sendo sua relação com o produto industrializado pela contribuinte apenas indireta. Também tiveram o mesmo tratamento as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final. Da mesma forma, se com a substituição das partes e peças houver um acréscimo do tempo de vida útil do equipamento superior a um ano, não podem ser admitidos os gastos com partes e peças de reposição como custos de produção. Nesse caso, o valor despendido não é considerado insumo à produção, mas um acréscimo incorporado ao valor das máquinas e equipamentos pertencentes ao ativo imobilizado. Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumos, uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: peças de reposição de transpaleteiras e fixação de defensas em portos. 10 – Também com base em Solução de Divergência (SD 200843) prolatada pela COSIT, considerou que não são passíveis de creditamento o transporte de pessoal e gastos com lanches e refeições. 11 – Ainda com base em Solução de Divergência (SD 201109) prolatada pela COSIT, considerou que não são passíveis de creditamento as aquisições de equipamentos de proteção individual, como por exemplo: luvas, capuzes, botinas de segurança, entre outros. 12 – Novamente, com base em Solução de Divergência (SD 200711) prolatada pela COSIT, considerou que não são passíveis de creditamento quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes, os quais não podem ser considerados como sendo insumo. Seguindo esta interpretação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: armazenagem e movimentação de insumos e logística. 13 – Créditos indevidamente apurados na contratação de frete para transporte intercompany, transportes internos dentro da empresa (conta 33101060), conforme Solução de Divergência (SD 200812) prolatada pela COSIT. 14 – Créditos indevidamente apurados na aquisição de combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos, conforme Solução de Divergência (SD 200837) prolatada pela COSIT. Considera que para as despesas com combustíveis gerarem crédito da Contribuição para o PIS e da Cofins, no caso ora em análise, é necessário que o combustível seja considerado insumo no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, seja empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte, nos termos da legislação que rege a matéria. Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.194 4 Portanto, entre outros, não foram considerados como insumo: GLP utilizado em empilhadeiras, GLP granel, Óleo diesel, Óleo biodiesel marítimo e Óleo biodiesel. 15 – Créditos relativos à depreciação de máquinas e equipamentos que não foram considerados como diretamente relacionados à área de produção da empresa. Ressaltado, ainda, que a Lei só permite creditamento sobre máquinas e equipamentos, excluindo do benefício os veículos, razão pela qual o creditamento, por exemplo, sobre os veículos Toyota foi glosado em sua totalidade. Cientificado do despacho e inconformado com o indeferimento parcial de seu pedido, o interessado apresentou a manifestação às fls. 1850/1896, onde apresenta as alegações resumidas sinteticamente a seguir: O índice de rateio proporcional dos créditos calculados sobre custos e despesas comuns às receitas do mercado interno e externo teria sido equivocadamente alterado em razão de a fiscalização haver considerado como receita de exportação apenas os valores registrados no SISCOMEX, conforme a data de embarque das mercadorias, parâmetro que estaria definido no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002; contudo, o ADI citado seria inaplicável ao caso pois se refere à exportação de produtos nacionais sem saída do território nacional, para o gozo da isenção, caso que não coincidiria com o tratado nos autos. Ademais a interpretação fiscal colidiria com o §3º, do artigo 6º, c/c §8º do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento das receitas sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que a receitas auferidas sejam consideradas de exportação. Contesta o conceito de insumo utilizado nas IN SRF nº 247, de 2002 e 404, de 2004, invocadas no despacho decisório para glosar créditos da interessada, inclusive aqueles relacionados a dispêndios destinados à formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose. Considerando que a madeira é o principal insumo para a fabricação da pasta da celulose, certo é que todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, mudas, fertilizantes, herbicidas, entre outros, possuem a classificação jurídica e contábil como custos de produção, razão pela qual classificálos de forma distinta, e por conseqüência, glosar os créditos de PIS e COFINS se encontra ao arrepio da lei. O art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, utiliza o termo insumo com o mesmo sentido de custo de produção; Reclama do entendimento da autoridade fiscal quanto aos gastos com a formação e manutenção das florestas, que constituem ativo imobilizado da empresa e não se classificam como insumos. Aponta que a reserva florestal, mesmo contabilizada no ativo imobilizado e portanto submetida à exaustão, não perderia sua natureza de insumo. No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam como o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e se encerram após a transformação da madeira em celulose. O processo de produção de celulose de inicia com uma etapa agrícola, à qual incorrem dispêndios com bens e serviços indispensáveis à formação das florestas, em um longo processo de anos até que a madeira se forme para que assim se proceda à fabricação da celulose. Assim, todos os gastos listados na planilha elaborada pela fiscalização que tiverem ligação à formação de florestas ou silvicultura, por constituírem insumo na produção da celulose, deveriam gerar crédito de PIS e COFINS. Entende como descabida a menção no despacho decisório quanto à impossibilidade de apuração de créditos que não tenham relação com aquisição de terceiros. Afirma que só se apropria de créditos sobre bens e serviços adquiridos de terceiros. Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.195 5 Rebate a glosa de créditos relativos a fretes pagos na aquisição de matériaprima, na transferência dos produtos entre estabelecimentos da empresa (intercompany) de produtos em elaboração ou para colocação do produto acabado no estabelecimento do vendedor, bem como os relativos à chamada operação florestal. Argumenta são custos de produção e portanto insumos que integram o custo do produto final, sendo a apuração dos correspondentes créditos garantida pelo art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. No mesmo sentido, entende como ilegal a glosa sobre embalagens para transporte, conforme os mesmos argumentos já expostos contra o entendimento da autoridade fiscal que teria se baseado em critérios do IPI para conferir créditos de PIS e COFINS. Igualmente, contesta a glosa sobre combustíveis utilizados para o transporte e manejo de insumos, que também entende como ilegal. Reclama do procedimento da autoridade fiscal ao glosar o creditamento dos bens do ativo imobilizado, considera que não teria havido uma motivação precisa da glosa, o que acarretaria na nulidade do despacho decisório em relação a esta rubrica. Ainda, cita que a glosa da totalidade dos créditos oriundos da aquisição de veículos Toyota também não teria sido justificada para fins de crédito do ativo imobilizado. Considera que mesmo que houvesse referida motivação, o entendimento fiscal não poderia perdurar pois se tratariam de veículos utilizados em atividades ligadas diretamente ao ciclo produtivo. Requer, então, o reconhecimento da nulidade da glosa constante nos itens 99 e 100 da rubrica “creditamento bens do ativo imobilizado” em razão da preterição do direito de defesa. Caso não se entenda que os bens e serviços utilizados para a formação de florestas não estão ligados à produção da celulose, seria inequívoco o direito ao crédito de PIS e Cofins em relação à parcela desses insumos que se encontram vinculados à receita de exportação, já que o art. 6º, §3º e art. 15, inciso II da Lei nº 10.833, de 2003 não impõem nenhuma condição adicional para o gozo do direito. Tendo em vista que o contribuinte é ainda empresa exportadora de pasta de celulose, todos os custos que estejam vinculados à receita de exportação, nos quais se incluem os insumos florestais e os fretes, confeririam crédito de PIS e de Cofins. Caso não se entenda que os argumentos acima sejam suficientes para a reforma do despacho decisório, solicita a realização de diligência e perícia para que sejam respondidos os quesitos que indica à fl. 1887, onde também nomeia os peritos de sua confiança. Argumenta, ao final, pela impossibilidade de cobrança de parcelas de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, o que violaria o disposto na Súmula 82 do CARF e na IN nº 93/97. Aponta que a exigência dos débitos objeto dos Processos de Cobrança nº 10880.921154/201355 e 10783.902842/201314 não poderia ser efetivada, pois seriam referentes a estimativa de CSLL do anocalendário 2007 e IRPJ do anocalendário 2012, respectivamente. Reclama, também, contra a incidência de juros e multa de mora sobre débitos de estimativa de CSLL e IRPJ, pois o Art. 61 da Lei nº 9.430/96 não se aplicaria ao presente caso. Para embasar seus argumentos, o manifestante cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Ao fim, solicita o provimento de sua manifestação de inconformidade ou, alternativamente, a realização de diligência e perícia conforme fundamentos expostos. Novamente, requer o cancelamento dos débitos de estimativas de IRPJ e CSLL objeto dos Processos de Cobrança nº 10880.921154/201355 e Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.196 6 10783.902842/201314 ou, ao menos, o afastamento da incidência de multa e juros de mora sobre estes débitos compensados. A Delegacia de Julgamento manteve a integralidade das glosas, com decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 EXPORTAÇÃO. MOMENTO DO RECONHECIMENTO DA RECEITA. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins nãocumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferemse, por prescindível, os pedidos de diligência e perícia. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.197 7 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Adoto a integralidade do voto proferido em caso idêntico, o processo n° 10880.941619/201211, por formarem uma mesma unidade de julgamento, nos termos que seguem. Na origem, houve a análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS não cumulativos, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e combustíveis. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada: Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal; os laudos de utilização dos diversos tipos de combustíveis, objeto do pedido de creditamento e documentos de constituição de participação em Consórcios. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em três grandes grupos: i. Método de Apropriação de Custos Rateio proporcional ii. Insumos da nãocumulatividade iii. Creditamentoativo imobilizado Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.198 8 adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são: a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros. Foi juntado laudo técnico produzido pela Escola Superior de Agricultura da USP, em sede de recurso voluntário. Tal documento teve a finalidade de descrever o processo produtivo da Recorrente, desde a operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, bem como as etapas industriais da celulose e do papel: Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.199 9 De antemão já se configura a necessidade de conversão do julgamento em diligência, em razão de o laudo ser um fato novo, o que demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Todavia, há outros pontos que demandam esclarecimento. A seguir, analisase uma a uma as glosas para delimitar o objeto da diligência proposta. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS RATEIO PROPORCIONAL (Lei nº 10.637/2002, art. 3º e art. 3°, 6º e 15 da Lei nº 10.833/2003) Ao longo de todo o período fiscalizado, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos. Ao final, a fiscalização: Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. Para a autoridade fiscal, o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, nos termos do art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002: Art. 1º Para fins de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, considerase exportado para o exterior o bem que tenha saído do território nacional. Diante disso, os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. Por conseguinte, parte do crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido, por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. Por outro lado, para a Recorrente, o reconhecimento da receita deve ser na emissão da Nota Fiscal. Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.200 10 Ademais, há ponto de extrema importância levantado pelo contribuinte em sua defesa: A lide e o que tem quer ser decidido nos presentes autos é: A receita decorrente de exportação indireta (venda no mercado interno para trading, com fim específico de exportação) deve ser contabilizada como receita de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, ou apenas devem ser considerados os valores constantes do SISCOMEX? Todo o arcabouço legal que regula a exportação indireta vigente leva a única conclusão possível de que os valores relativos a tais operações compõem a receita de exportação e, portanto, o índice do rateio. As empresas comerciais têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão trading company não é utilizada na legislação brasileira e na doutrina, há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo Decretolei nº 1.248/1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, essa norma assegura os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE. Pelo Decretolei nº 1.248/1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação, entretanto, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial e 2) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicam se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior. Como dito atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grandes grupos: 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo De cretolei nº 1.428/1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.201 11 ordinária; e 2) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. As ECE devem atender certos requisitos: de acordo com o art.5º, caput, do DecretoLei nº 1.248/1972, e o art. 231 do Decreto nº 6.759/2009 ( Regulamento Aduaneiro Brasileiro), os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de: a) não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação; b) revenda das mercadorias no mercado interno; ou c) destruição das mercadorias. para obter o Certificado de Registro Especial, a Empresa Comercial Exportadora (ECE) deve atender alguns requisitos, como ser constituída na forma de sociedade por ações (S.A.) e possuir capital social mínimo, já a ECE que não se enquadra nas exigências do DecretoLei nº 1.248/1972, pode ser constituída sob qualquer forma e não precisa ter capital mínimo. Regese, pois, pelo Código Civil Brasileiro. Porém, para ser caracterizada como ECE, dever ter o fim comercial em seu objeto social, realizar operações de comércio exterior, estar habilitada na Receita Federal (RFB) para operar no SISCOMEX (Instrução Normativa RFB nº 1.288/2012) e estar inscrita no Registro de Importadores e Exportadores da SECEX/MDIC (Portaria SECEX nº 23/2011, art. 8º). atualmente, as empresas que desejam atuar como empresas comerciais exportadoras devem estar habilitadas no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda (MF), respectivamente, além de outros requisitos. Tratase de exigência contida no art. 229 do Regulamento Aduaneiro Brasileiro (Decreto nº 6.759/2009), que reproduz exigência prevista no DecretoLei nº 1.248/1972, que possui status de lei ordinária. De acordo com os arts. 228 e 229 do Regulamento Aduaneiro as operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o seguinte tratamento : serão consideradas destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Tal tratamento aplicase às empresas comerciais exportadoras que estiverem registradas no registro especial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda; estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O inciso VII do artigo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.096/2010, dispõe sobre as prerrogativas de exame e análise de solicitações de inscrição, atualização e cancelamento de registro de “trading companies”. Registrada a sistemática da exportação indireta, é de se concluir que as alegações da Recorrente são pertinentes. Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.202 12 Logo, quanto aos índices de rateio, é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno. Dito de outra forma, a autoridade fiscal deve investigar o valor da receita de exportação, decorrente também de exportação indireta (via trading), para que sejam computadas no rateio. Ressaltese que toda a documentação foi disponibilizada à fiscalização, como já mencionado. INSUMOS DA NÃOCUMULATIVIDADE (Arts. 3º das Leis de regência) Segundo a fiscalização, para que um bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Dessa forma, as despesas com a constituição da floresta compõem o ativo imobilizado da empresa. Por isso, na análise dos insumos, foi aplicado o seguinte critério na auditoria: “Todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa.” Por isso, apontou: 44. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. O bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 45. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. 46. Entre outros, não foram considerados como insumos: silvicultura, serviços florestais (manutenção, aparelhos, insumos e limpeza), Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.203 13 tratores, adubos, serviços de viveiros, produção de mudas, monitoramento de pragas e doenças, biometria florestal, colheita, adubos, fertilizantes, inseticidas, herbicidas, estradas, terraplenagem, topografia, defensivos, análises ambientais e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores, veículos e peças como a Komatsu, Caterpillar, Volvo, John Deere e Cia Olsen). Em seguida, a autoridade fiscal aduz a impossibilidade de desconto de créditos de exaustão, por não haver previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte. Quanto à necessidade da aquisição dos insumos de terceiros, a fiscalização glosou as despesas relacionadas com a obtenção de madeira dos terrenos da empresa, a chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). Na mesma esteira, uma vez entendido que todos os esforços despendidos na Operação Florestal compõem o ativo imobilizado, glosou os fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado. Por outro lado, a Recorrente aduz que é devida a tomada de crédito sobre a formação de florestas: plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte de toras de madeira e etc. por indispensáveis à elaboração da celulose. Aponta as efls. 19, 78, 90, 131 e 132 do laudo técnico da USP. Acrescenta que os serviços glosados estão elencados no laudo como indispensáveis ao processo produtivo da celulose, conforme itens 4 e 5 do documento, também ligados à formação das florestas. E ainda, que os dispêndios com clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndios e colheita são prestados por terceiros, pessoas jurídicas. a) Embalagem de apresentação e de transporte A fiscalização aceitou como insumo a embalagem de apresentação, entendendo que sua colocação determina a fase final da produção. Por outro lado, não considerou a embalagem para transporte como insumo. Assim, entre outros, não foram considerados como insumos: correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete) e caixas de papelão. O contribuinte defende o creditamento por entender que essas embalagens de transporte acondicionam as folhas de celulose produzidas, conforme descrição no laudo técnico. b) Insumos Caracterização SD 200815 Foram considerados como insumos: toras de madeira, produtos químicos utilizados no processo produtivo, tintas, feltros e telas (formação e desaguação da folha de papel) e telas de lavagem de polpa de celulose. Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.204 14 E ainda, foram considerados como insumos os “bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”, ocorrendo o contato direto com o produto final e/ou desgaste na sua utilização, como por exemplo: lâminas para remoção de resíduos em rolos da máquina de papel, esferas de vidro utilizadas no processo de pigmentação, pastilhas de frenagem de máquinas de papel, facas para corte de folha de celulose e de bobinas e correias de acionamento de equipamentos rotativos. Todavia, foram glosados os seguintes: despesas com mão de obra inespecífica, insumos relacionados à logística/transporte, baterias, pilhas, carregadores e acessórios, materiais de consumo de informática, materiais para laboratório, serviços de gerenciamento, extintores, materiais de papelaria, palestras, festas e eventos, limpeza industrial, serviços de combate a incêndio, armazenagem de insumos, serviços de projetos, serviços relacionados a parte laboratorial, desenvolvimento de software, locação de andaimes, locação de container, assinatura de manuais de legislação, gerenciamento de arquivos, seminários da NR10, segurança patrimonial, alpinismo industrial, eventos como fórum de marketing, vigilância, serviços fotográficos e de mídia, serviços relacionados ao setor de Recursos Humanos, inspeção da NR13, serviços administrativos, reforma de mobiliário, programas de formação profissional e instalação de fibras ópticas e rede. Ademais, foram glosados: todos os bens e serviços relativos ao tratamento dos resíduos, "uma vez que efetivamente não são aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, mas sim constituindo fase posterior a fabricação dos bens comercializados pela empresa". Quanto às glosas de materiais de laboratório, sustenta a empresa que são os insumos utilizados para as análises químicas em laboratório, sendo indispensáveis ao desenvolvimento da atividade produtiva. Os clones utilizados para a produção de celulose são desenvolvidos em laboratório. Aponta as efls. 129 e 132 do laudo técnico. Acrescenta que os materiais e serviços laboratoriais são empregados também no tratamento de efluentes, serviço obrigatório das atividades industriais. Cita as efls. 122 e 123 do laudo técnico. No tocante às despesas com limpeza industrial (remoção de resíduos), esclarece que esta é voltada a remover e tratar os resíduos decorrentes da picagem e cozimento da madeira. Cita a efl. 90 do laudo técnico. c) Insumos Partes e Peças de Reposição SD 200835 Apontou a fiscalização que as partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado, utilizados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda (papel e celulose), são consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado e, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Foram considerados insumos: chapas de aço para reparos em caldeiras, cabos, barras e tubos metálicos utilizados em reparos de equipamentos, eletrodos de solda, bicos de Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.205 15 chuveiro de lavagem de tela de máquina de secagem, peças hidráulicas de reposição (luvas, cotovelos e válvulas), graxas, óleos lubrificantes e óleos refrigerantes. E também, peças de reposição dos maquinários utilizados na obtenção de cavacos (facas do picador, contra facas, discos de facas do rotor, suporte das facas e contra facas, parafusos, porcas e placas dos picadores, mesas slashe, correntes de movimentação) e obtenção de biomassa. Entretanto, foram glosadas despesas com: as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão. Da mesma forma, as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final, foram glosados. Dentre outros, não foram considerados como insumos, uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: peças de reposição de transpaleteiras e fixação de defensas em portos. A empresa defende que todos os dispêndios realizados na fase de produção, corte, transporte e acompanhamento logístico da madeira encontramse inseridos no processo produtivo da celulose, sendo imprescindível a aquisição de partes e peças de reposição para o maquinário de carga (antes e após a fabricação), bem como a realização dos serviços de manutenção. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos como essenciais as partes e reposição de peças (efls. 30, 31, 88 e 131 do laudo). d) Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 e g) Frete Transporte Intercompany Vedação de Crédito SD 200812 Neste tópico, entendeu a fiscalização que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes não podem ser considerados como insumo. Então, não foram considerados: armazenagem/transporte de papel e logística. Mas foram considerados como insumo os referentes às despesas de exportação. E não os fretes relacionados a transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição ou de um centro de distribuição para outro. Já a Recorrente sustenta que todos os fretes de aquisição de matériaprima, os intercompany e o de aquisição de bens do ativo imobilizado integram o custo do produto, o que permite o creditamento. e) Insumos Alimentação, Transporte e Fardamento SD 200843 Segundo a fiscalização: Despesas efetuadas com o fornecimento de alimentação, de transporte, de uniformes ou equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.206 16 ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. Por essa razão, foram glosados, dentre outros, o transporte de pessoal e gastos com lanches e refeições. Sustenta a Recorrente serem indispensáveis tais dispêndios, com apoio no laudo técnico, efl. 86. f) Combustíveis utilizados como Insumos SD 200837 A fiscalização acatou como insumo, o combustível utilizado no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, o empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte. Descartou como insumo os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos: GLP utilizado em empilhadeiras, GLP granel, Óleo diesel, Óleo biodiesel marítimo e Óleo biodiesel. Quanto aos combustíveis, a alegação da empresa é de que são fornecidos por ela e, são utilizados nas máquinas e em veículos de transporte aplicados ao processo produtivo da Operação Florestal (conforme itens 5.65, 6.6 e 8 do laudo). g) Insumos EPI (Equipamento de Proteção Individual) – SD 201109 Para a fiscalização: Os valores das despesas realizadas com a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) tais como: respiradores; óculos; luvas; botas; aventais; capas; calças e camisas de brim e etc., utilizados por empregados na execução dos serviços prestados de dedetização, desratização e lavação de carpetes e forrações, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep, porque não se enquadram na categoria de insumos aplicados ou consumidos diretamente nos serviços prestados. Logo, foram glosados os equipamentos de proteção individual, como por exemplo: luvas, capuzes, botinas de segurança, entre outros. Por outro lado, afirma o contribuinte que os equipamentos de proteção individual são absolutamente indispensáveis à atividade industrial, fornece a indumentária sem qual a execução das atividades de capina e aplicação de herbicidas (por exemplo) jamais poderiam ser executadas, bem como são de uso obrigatório para evitar acidentes na fase agrícola e industrial. Cita as efls. 36, 82, 86/87 do laudo. Síntese do tópico “Insumos da nãocumulatividade” Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.207 17 O laudo apresentado pela Recorrente em seu recurso voluntário teve o objetivo de demonstrar a essencialidade dos custos incorridos na formação, manutenção e exploração das florestas, afastando, por conseguinte, as glosas. Descreveu também as etapas industriais até o consumidor. Confirase a síntese do processo produtivo descrito no laudo técnico da USP: Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.208 18 Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.209 19 Na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte. Consequentemente, confrontando o motivo das glosas, os elementos trazidos aos autos e o laudo técnico, vislumbrase como desnecessários novos esclarecimentos em sede de diligência fiscal, restando para julgamento a matéria referente à extensão do conceito de insumo e os reflexos da classificação das florestas como ativo imobilizado. CREDITAMENTO BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, VI, VII, §1º, §14 e art. 15) A fiscalização acatou o creditamento apenas referente a: depreciação de máquinas e equipamentos inseridos em centros de custo relacionados diretamente à área de produção da empresa e de edificações e benfeitorias utilizadas em quaisquer atividades da empresa, aceitos independentemente do centro de custo relacionado. Dentre as glosas, encontramse os créditos referentes aos veículos integrantes do ativo imobilizado. Em sentido oposto, a empresa sustenta que as glosas não foram motivadas, o que lhe cerceou o direito de defesa. As glosas foram fundamentadas nos dispositivos legais supracitados, ao passo que a Recorrente identificou os gastos negados, ao afirmar: Além disso, não é demais reforçarmos que o aterro industrial e as torres de transmissão, respectivamente, representam justamente a área de depósito de rejeitos sólidos e os componentes para a sustentação de linhas de transmissão de energia elétrica, restando patente a participação dos mesmos no processo produtivo da celulose. Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10880.941618/201269 Resolução nº 3301000.815 S3C3T1 Fl. 2.210 20 Considerando que a fiscalização acatou o creditamento referente à depreciação de máquinas e equipamentos inseridos em centros de custo relacionados diretamente à área de produção da empresa (a industrial propriamente dita), deve o contribuinte segregar o ativo imobilizado da fase agrícola e da fase industrial, apontando a utilização dos bens de acordo com a operação florestal descrita no laudo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Por ser o laudo da Escola Superior da Agricultura da USP fato novo, manifestese sobre ele (anexado no recurso voluntário de caso idêntico, processo n° 10880.941619/201211); b) Verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno; c) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; d) Cientifique a interessada do resultado, concedendolhe prazo para manifestação; e) Intime o contribuinte para que em 30 dias apresente a segregação do ativo imobilizado da fase agrícola e da fase industrial, apontando a utilização dos bens de acordo com a operação florestal descrita no laudo; f) Após, que retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910739/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 39 /2 00 8- 82 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910739/200882 Acórdão n.º 3201004.110 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.900, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910739/200882 Acórdão n.º 3201004.110 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910739/200882 Acórdão n.º 3201004.110 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910739/200882 Acórdão n.º 3201004.110 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910739/200882 Acórdão n.º 3201004.110 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910739/200882 Acórdão n.º 3201004.110 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.727044/2013-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
JUROS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA
As importâncias recebidas a título de juros integram a base de cálculo do IRPF, inclusive quando resultarem de decisão judicial, exceto se auferidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou em se tratando de verba remuneratória principal isenta ou fora do campo de incidência do IRPF.
Numero da decisão: 9202-007.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA As importâncias recebidas a título de juros integram a base de cálculo do IRPF, inclusive quando resultarem de decisão judicial, exceto se auferidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou em se tratando de verba remuneratória principal isenta ou fora do campo de incidência do IRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 70 44 /2 01 3- 87 Fl. 272DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de imposto de renda haja vista a constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos, acumuladamente, de pessoa jurídica em virtude de processo judicial de revisão de benefício e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Fato gerador relativo ao ano calendário 2009. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do imposto com base no regime de competência e, com base no entendimento do STJ no REsp nº 1.227.133, sob rito do artigo 543C do CPC, afastar a tributação sobre os valores relativos ao juros de mora. O acórdão nº 2301004.902 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2009 AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS RECONHECIDAS. JUROS DE MORA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais sobre verbas trabalhistas pagas em atraso em decorrência de sua natureza indenizatória. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração alegando omissão do julgado acerca dos efeitos do entendimento consolidado pelo STJ a partir do Resp nº Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11080.727044/201387 Acórdão n.º 9202007.110 CSRFT2 Fl. 273 3 1.163.490/SC no que tange a matéria da incidência do IRPF sobre os juros de mora. Na visão da embargante, nesse julgado, o Tribunal Superior assentou o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo apenas de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. Os embargos foram rejeitados pela autoridade competente. Tempestivamente, a Fazenda Nacional apresenta então seu recurso especial. Citando como paradigmas os acórdãos 2801002.684 e 9202003.872 a divergência é assim resumida: Portanto, divergiu da jurisprudência da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, na medida em que essa, com amparo no REsp 1.227.133/RS em conjunto com os esclarecimentos do REsp 1.163.490/SC, excluiu a incidência do imposto sobre os juros somente quando a verba trabalhista tiver caráter indenizatório. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF divergiu também da jurisprudência da 2ª Turma da CSRF, na medida em que essa, com amparo na combinação do REsp 1.227.133/RS e do REsp 1.089.720/RS, entendeu que o afastamento do imposto somente ocorre quando: a) os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; e b) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. No caso dos autos, seguindo o entendimento dos paradigmas, deve incidir IR sobre os juros recebidos, vez que originados do pagamento de verbas com natureza remuneratórias, que não foram decorrentes de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, ratificando o despacho de fls. 218/221, dele conheço. No mérito, como destacado no relatório, a discussão restringese a definição acerca da incidência do imposto de renda sobre o montante dos juros moratórios recebidos pelo Contribuinte haja vista decisão judicial proferida contra o INSS. O acórdão recorrido, aplicando o art. 62 do RICARF e interpretando o REsp nº 1.227.133, entendeu que sobre os juros de mora devidos ao reclamante não há incidência do IRPF pela sua natureza indenizatória, independentemente da incidência ou não do imposto sobre a verba principal. Fl. 274DF CARF MF 4 Segundo a recorrente a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS é no sentido de que o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória, de modo que, a contrario senso, em sendo de natureza remuneratória, como ocorre no presente caso, é imperativa a incidência do tributo. Importante mencionar que no recurso repetitivo o Tribunal analisou "ação declaratória c/c repetição de indébito", movida contra a Fazenda Nacional, tendo por objeto o imposto de renda retido na fonte em execução de sentença trabalhista, na qual o empregador foi condenado a pagar "vários anos de salários, incluindo juros de mora". O voto do Ministro Cesar Asfor Rocha, designado redator para o acórdão, de fato é o sentido de que, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Concluiu que "abrangendo os juros moratórios, em tese, de forma abstrata e heterogênea, eventuais danos materiais, ou apenas imateriais, que não precisam ser discriminados ou provados, não se pode conceber que aqueles representem simples renda ou acréscimo patrimonial, não se enquadrando na norma do art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 25/10/1966)." Ocorre que os demais Ministros que acompanharam o voto vencedor pela não incidência do imposto de renda sobre os juros tratados naquele caso concreto, o fizeram com base em outros argumentos o que motivou a interposição de embargos de declaração por parte da Fazenda Nacional o qual foi parcialmente acolhidos. Constatado erro material no julgado, por meio do EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133 RS o Tribunal entendeu por bem em retificar a ementa do acórdão para refletir melhor o entendimento dos Ministros Mauro Campbell Marques e Arnaldo Esteves Lima. Assim nos termos do voto proferido nesses embargos de declaração temos: Diante desse quadro, não há falar em nulidade do acórdão com base no art. 560 do Código de Processo Civil, segundo o qual "qualquer questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo se incompatível com a decisão daquela". O mencionado dispositivo não se aplica a este caso. Cada Ministro adotou fundamento jurídico próprio para efeito de julgar o mérito do recurso especial. Assim, a adoção da "não incidência" em dois votos vencedores – fundamento mais amplo – e da "isenção" nos dois outros votos vencedores – fundamento específico para o caso concreto, não impõe a cisão do julgamento na forma pleiteada pela embargante. Seja com base na "não incidência", seja com fundamento na "isenção", o recurso especial da Fazenda Nacional não poderia ser provido. A ementa do julgado, entretanto, deve ser revista, tendo em vista que os votos vencedores dos em. Ministros Mauro Campbell Marques e Arnaldo Esteves Lima adotaram fundamentos menos abrangentes, limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate, por força de lei específica de isenção (art. art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/1988). A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11080.727044/201387 Acórdão n.º 9202007.110 CSRFT2 Fl. 274 5 – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Vale destacar que a tese fixada pelo STJ ficou assim definida: Tema/Repetitivo 470 Questão submetida a julgamento: "Discutese a tributação pelo Imposto de Renda sobre os juros de mora recebidos como consectários de sentença condenatório em reclamatória trabalhista. Tese firmada: Não incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Observamos, portanto, que embora o voto do Ministro Relator designado seja pela não incidência do IR sobre juros de mora sob quaisquer circunstâncias, o que temos é uma aplicação restrita dessa tese aos casos cuja verba decorra de ação judicial trabalhista, fato bem delimitado em razão da nova ementa adota para o julgado e pela redação fixada para tese firmada. Ocorre que no presente lançamento os valores recebidos acumuladamente pelo Contribuinte são decorrentes de ação judicial por meio da qual discutiuse junto ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS revisão de benefício. Não estamos diante de verbas trabalhistas, razão pela qual, neste cenário, concluo não ser o caso da aplicação do art. 62, §2º do RICARF, pois a situação fática discutida não se amolda aquela dirimida pelo Recurso Especial nº 1.227.133/RS eleito como repetitivo. Entretanto, por essa mesma razão de não estarmos diante de rendimento do trabalho também não se aplica ao caso a norma do art. 16 da Lei nº 4.506/1964 a qual incluem expressamente no conceito de rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções e os respectivos juros moratórios. Se assim fosse, e novamente por força do art. 62 do RICARF esse Colegiado não poderia afastar o comando expresso da lei. Ocorre que não há no ordenamento qualquer lei clara/expressa no sentido de prever que os valores recebidos pelo contribuinte em decorrência de juros de mora sejam fatos geradores do imposto de renda pessoa física. Ao contrário é pacífico o entendimento no sentido de que verbas que possuem natureza indenizatória não estão inseridas nas hipóteses de incidência do IRPF. Esse entendimento é compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Fl. 276DF CARF MF 6 Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Concluo, portanto, que os valores recebidos a título de juros moratórios pelo Contribuinte não estão sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme explicitado não ocorre no presente caso concreto. Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 277DF CARF MF Processo nº 11080.727044/201387 Acórdão n.º 9202007.110 CSRFT2 Fl. 275 7 Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, entendo que as normas que disciplinam a matéria conduzem a conclusão diversa daquela esposada no voto vencido. Conforme delimitado no relatório, a controvérsia cingese à incidência de Imposto de Renda das Pessoas Físicas – IRPF sobre valores recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, em virtude de decisão judicial, a título de juros moratórios. Neste ponto, o recurso voluntário foi provido sob o argumento de que “o STJ no REsp nº 1.227.133 sob rito do artigo 543C do CPC que sobre os juros de mora devidos ao reclamante em ações trabalhistas não há incidência do IRPF pela sua natureza indenizatória, independentemente da incidência ou não do imposto sobre a verba principal”. A Fazenda Nacional, por seu turno, informa que “o STJ vem entendendo que os juros, nas ações trabalhistas, somente são isentos da tributação quando foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e nas situações em que a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto de renda”. Sobre o IRPF, o Código Tributário Nacional – CTN estabelece: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. [...] (Grifouse) Recorrendose ao art. 7º do DecretoLei nº 1.302/1973, que está em perfeita sintonia com o CTN, verificase que as importâncias recebidas a título de juros não escapam à tributação pelo imposto incidente sobre a renda. Ao revés disso, o dispositivo legal é taxativo no sentido de que os juros decorrentes de sentença judicial estão sujeitos à incidência do tributo. Confirase: Art. 7º Estão sujeitas ao desconto do imposto de renda na fonte, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do que for devido na declaração do beneficiário, as importâncias pagas ou creditadas a pessoas físicas ou jurídicas, a título de:(Redação dada pelo Decretolei nº 1.584, de 1977)(Vide Lei nº 7.450, de 1985)(Vide DecretoLei nº 2.413, de 1988) I juros, indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial; [...] (Grifouse) Fl. 278DF CARF MF 8 O Decreto nº 3000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veicula norma de semelhante teor: Art. 55. São também tributáveis: [...] VI as importâncias recebidas a título de juros e indenizações por lucros cessantes; [...] Observese que os dispositivos legais e regulamentares não restringem a incidência do imposto às importâncias recebidas a título de juros no contexto de ações trabalhistas. Diversamente disso, os dispositivos têm aplicação ampla e irrestrita, alcançando os juros decorrentes de ações judiciais de qualquer natureza. A respeito do Resp 1.227.133/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, não obstante os trechos do EDcl no REsp nº 1.227.133/RS, reproduzido no voto vencido, entendo que o alcance da decisão vinculante em foco (REsp 1.227.133/RS) é melhor esclarecido no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques (também relator do EDcl no REsp nº 1.227.133/RS). A seguir trecho da ementa que interessa ao caso sob exame: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11080.727044/201387 Acórdão n.º 9202007.110 CSRFT2 Fl. 276 9 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (Grifouse) (...) Nos termos do REsp 1.089.720/RS, que, como já se disse, sedimenta o entendimento consubstanciado no julgado vinculante (REsp 1.227.133/RS), temse que a isenção do IRPF em relação aos juros de mora recebidos acumuladamente somente se verificará caso reste atendido um dos seguintes requisitos: a) se os juros de mora terem sido auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; ou b) quando se está diante de verba remuneratória principal isenta ou fora do campo de incidência do IRPF. Na situação em questão, consoante destacado no voto vencido, “os valores recebidos acumuladamente pelo Contribuinte são decorrentes de ação judicial por meio da qual discutiuse junto ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS revisão de benefício”, ou seja, os juros moratórios não foram recebidos em razão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, tampouco têm relação com verba remuneratória principal isenta ou fora do campo de incidência de IRPF. Assim, não há como conferir razão ao Colegiado a quo visto ser inaplicável ao caso concreto o REsp nº 1.227.133/RS. Consequentemente, em virtude de a situação fática não se amoldar àquela dirimida no julgado vinculante do STJ, não poderia, somente com fundamento no § 2º do art. 62 do CARF, a decisão judicial ser estendida à situação que ora se analisa. Por outro lado, o fato de os valores recebidos acumuladamente não serem decorrentes de ação trabalhista não confere ao julgador administrativo a liberdade de decidir em desacordo com as normas que regem a matéria. Não se pode deslembrar que o inciso I do art. 7º do DecretoLei nº 1.302/1973, bem assim o inciso IV do art. 55 do RIR são taxativos Fl. 280DF CARF MF 10 quanto à incidência do imposto de renda as importâncias recebidas a título de juros, inclusive quando decorrentes de ações judiciais de qualquer natureza. Em vista do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer o lançamento, declarando a incidência do IRPF sobre os juros de mora relativos às verbas recebidas. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 281DF CARF MF
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