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5509127 #
Numero do processo: 10660.720506/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2011 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/2012­61  Acórdão n.º 2803­003.301  S2­TE03  Fl. 266          2 Relatório  O  presente  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  PAF  contempla  o  Auto  de  Infração de Obrigação Principal ­ AIOP ­ DEBCAD 51.006.470­1, que objetiva o lançamento  das  contribuições  sociais previdenciárias decorrentes da prestação de  serviços de cooperados  por  intermédio  de  cooperativa  de  trabalho,  bem  como  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória ­ AIOA ­ DEBCAD 51.006.471­0, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que  se  refere  a  Lei  8.212,  de  24.07.91,  art.  32,  inciso  IV,  acrescentado  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  e  redação da MP 449, de 03.12.2008,  convertida na Lei n.  11.941, de 27.05.2009,  com  informações  incorretas  ou  omissas,  conforme  Relatório  Fiscal  do  Auto  de  Infração  –  REFISC, de fls. 14 e 15, com período de apuração de 01/2007 a 12/2010, conforme Termo e  Início de Procedimento Fiscal ­ TIPF, de fls. 17 e 18.   O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 06/03/2012, conforme AR,  fls. 137.  O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 141 a 177 e  193  a  215,  remetida  via  postal,  em  03/03/2012,  envelope,  de  fls.  192,  acompanhada  dos  documentos, de fls. 178 a 192 e 216 a 229.  A defesa foi considerada tempestiva, fls. 230.  O  órgão  julgador  de  primeiro  grau  emitiu  o  Acórdão  Nº  09­40.578  ­  5ª,  Turma DRJ/JFA, em 06/06/2012, fls. 231 a 236.   No  qual  a  impugnação  foi  considerada  procedente  em  parte  e  cancelado  o  Auto de Infração DEBCAD 51.006.471­0.  Consta,  as  fls.  236 a 238,  a Resolução nº 2803­000.161, de 12/03/2013, da  autoria do Cons. Gustavo Vettorato, que baixou os autos em diligência.  A diligência foi cumprida, conforme peças processuais a seguir descritas.  O  contribuinte  tomou  conhecimento  do  decisório  da  DRJ,  em  13/06/2013,  conforme AR, de fls. 242.  Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, remetido via postal,  envelope, de fls 243, postado, em 12/07/2013. As razões recursais estão acostadas, as fls. 244 a  262, desacompanhada de qualquer documento.  As razões recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto.  A  autoridade  preparadora  não  se  manifestou  sobre  a  tempestividade  dos  recursos.  Os autos subiram ao CARF, fls. 263.   Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/2012­61  Acórdão n.º 2803­003.301  S2­TE03  Fl. 267          3 Os  presentes  autos  foram  sorteados  e  distribuídos  a  esse  conselheiro,  em  21/11/2013, despacho, de fls. 264.  É o Relatório.  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/2012­61  Acórdão n.º 2803­003.301  S2­TE03  Fl. 268          4   Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado.  Inicialmente,  cumpre  informar  que  a  nova  distribuição  viola  o  que  estabelecido no artigo 49, parágrafo 7º  e 8º  e  artigo 50, parágrafo 2º,  todos,  da Portaria MF  256/2009 Regimento Interno do CARF, veja a transcrição.  Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados  aos conselheiros.  §  7°  Os  processos  que  retornarem  de  diligência,  os  com  embargos  de  declaração  opostos  e  os  conexos,  decorrentes  ou  reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente  de sorteio,  ressalvados os embargos de declaração opostos,  em  que  o  relator  não  mais  pertença  ao  colegiado,  que  serão  apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad  hoc..  § 8° Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo  mandato,  em  outra  Câmara  com  competência  sobre  a  mesma  matéria,  os  processos  já  sorteados,  inclusive  os  relatados  e  ainda não  julgados  e os que retornarem de diligência,  com ele  permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara.  Art. 50. No prazo máximo de 6 (seis) meses, contado da data do  sorteio,  o  relator  deverá  incluir  em  pauta  os  processos  a  ele  destinados.  § 2° Os processos cujo  julgamento do  litígio  for convertido em  diligência, no seu retorno deverão ser encaminhados ao relator,  que os indicará para inclusão em pauta de julgamento no prazo  máximo de 3 (três) meses.  O Relator original era o Cons. Gustavo Vettorato que está em plena atividade  nesse conselho e nessa turma de julgamento.  Entretanto,  como  no  presente  caso  a  solução  seria  a  mesma,  pois  aquele  relator comunga da mesma tese que esse em relação à contribuição relativa à Cooperativa de  Plano de Saúde, bem como agora com a recentíssima decisão do Supremo Tribunal Federal –  STF sobre a matéria não há dúvidas quanto ao resultado que se obteria.  Assim  sendo,  a  aplicação  do  artigo  59,  parágrafo  3º,  do Decreto  70.235/72  deve ser impor, pois o contrário seria apenas prolongar a agonia e sofrimento do crédito, nati­ morto.    Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/2012­61  Acórdão n.º 2803­003.301  S2­TE03  Fl. 269          5 Cumpre esclarecer,  ainda, que como consta do crédito em seu REFISC que  transcrevo  o  lançamento  se  reporta  a  COOPERATIVA  DE  TRABALHO  MÉDICO  –  UNIMED SUL­MINEIRA.    A  exação  em  tela  nestes  autos  vem  sendo  objeto  de  muitas  discussões  no  âmbito do contencioso administrativo e até recentemente vinha me posicionando ao lado de sua  validade.  Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os  estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passei a adotar um  novo posicionamento.   Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se  subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observe­se os esclarecimentos.  O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados  por  cooperados...”,  e,  como  bem  disse  a  recorrente  os  serviços  não  são  prestados  a  ela  recorrente, mas sim aos seus associados.  A  diferença  pode  ser  sutil,  mas  implica  em  uma  significativa  mudança  de  direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria.  Imagine­se  uma  cooperativa  de  trabalho  típica  –  como  a  de  carregadores  e  descarregadores de carga, em uma transportadora.   Ora  a  transportadora  vai  contratar  a  cooperativa  que  colocará  nas  dependências  desta  ou  de  terceiros  os  cooperados  que  realizarão  os  serviços.  Ou  seja,  uma  pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da  cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV.   No caso dos  autos  a  empresa  contrata  a  cooperativa ofertará os  cooperados  em  seus  consultórios  próprios  ou  nas  dependências  de  hospitais  e  clínicas  conveniadas  e  os  serviços  serão  prestados  aos  associados  pessoas  físicas  e  não  a  entidade  contratante  da  cooperativa.  Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da  Lei  8.212/91,  pois  o  serviço  não  é  prestado  a  favor  da  empresa  contratante,  mas  sim  dos  associados.  A exação torna­se indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois  não ocorre o nascimento da obrigação tributária, uma vez que a hipótese de incidência e o fato  jurídico  material  do  mundo  dos  fenômenos  não  se  ajustam,  pois  compreendem  círculos  excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídica tributária.  Além  do  que  dito,  acima  e  considerado  pelos  membros  dessa  turma  o  Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 595838 / SP considerou o artigo 22, IV,  da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 inconstitucional, observe­se a decisão.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/2012­61  Acórdão n.º 2803­003.301  S2­TE03  Fl. 270          6 Diante  do  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário  para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.  É como voto.  CONCLUSÃO:  Pelo  exposto  voto  por  conhecer  do  recurso,  para  no  mérito  dar­lhe  provimento.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.                              Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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5512815 #
Numero do processo: 18471.001039/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. São cabíveis embargos de declaração para esclarecer o julgado embargado, mas sem alteração de sua decisão de mérito posto que insuficientes os fundamentos para tanto.
Numero da decisão: 1401-001.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos para RERRATIFICAR o acórdão embargado sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.001039/2006­67  Recurso nº  000.001   Embargos  Acórdão nº  1401­001.069  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de outubro de 2013  Matéria  embargos de declaração  Embargante  GILAT­TO HOME BRASIL LTDA.   Interessado  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 2001, 2002  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  São  cabíveis  embargos  de declaração  para  esclarecer  o  julgado  embargado,  mas  sem  alteração  de  sua  decisão  de  mérito  posto  que  insuficientes  os  fundamentos para tanto.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM,  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  CONHECER  dos  embargos  para  RERRATIFICAR  o  acórdão  embargado  sem  efeitos  infringentes,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Ausentes  justificadamente  os  Conselheiros  Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.    (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva– Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira  ­ Relator        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 39 /2 00 6- 67 Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     2  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da  Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio  Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Roberto Armond Ferreira da Silva.    Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 3          3 Relatório  Trata o presente julgamento de análise de embargos de declaração interpostos  pela contribuinte, em que aduz a existência de contradição no acórdão embargado, bem como  alteração  do  fundamento  legal  de manutenção  do  auto  de  infração,  razão  pela  qual  requer  o  reconhecimento  de  seus  efeitos  infringentes,  com  o  conseqüente  cancelamento  do  auto  de  infração.  O relatório do acórdão embargado, de minha própria lavra, descreve os fatos  como a seguir:  Tratam  os  presentes  auto  de  lançamento  levado  a  feito  pela  Administração tributária que apurou, mediante procedimento de  fiscalização, o recolhimento a menor de IRPJ, CSLL, COFINS e  PIS  pela  Recorrente  nos  anos  calendário  de  2002  e  2003,  referentes, respectivamente, aos anos­base de 2001 e 2002.  O  termo  de  constatação  fiscal  de  fls.  295/303  identificou  a  existência  de  divergência  das  informações  constantes  da  DIPJ  2002/2003  com  a  informações  registradas  no  LALUR  do  ano­ base 2002, assim como incompatibilidades  com as  informações  constantes da DIPJ 2001/2002.  Promovidas  as  diligências  para  identificação  do  fato  gerador,  após  solicitação  de  documentos  e  esclarecimentos  ao  contribuinte,  restaram  identificadas  as  seguintes  irregularidades:  1) Dedução  indevida na Conta de Receita Operacional: no ano  calendário  2002,  a  Recorrente  registrou  ajustes  na  conta  de  Receita  Operacional  sem  respaldo  documental.  Intimada  e  re­ intimada  para  apresentar  referidos  documentos,  a  Recorrente  teria se restringido a anexar as cópias reprográficas de referidos  registros. Assim, “não há como prosperar os registros contábeis  sem que a empresa identifique ou comprove documentalmente os  ajustes  computados  em  sua  escrita  comercial.  Para  que  os  valores  computados  na  sua  escrituração  comercial  como  na  redução  da  conta  de  receita  possa  ser  aceito  pelas  normas  contábeis,  a  empresa  deveria  ter  os  elementos  comprobatórios  dos  registros  que  daria  origem  os  lançamentos  de  ajuste”  (fls.  298).  E  tais  meios  de  prova  não  foram  apresentados  pela  Recorrente.  2) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002: no  ano  calendário  2002,  a  Recorrente  registrou  ajustes  na  conta  custo  sem  respaldo  documental  referente  a  custos  de  serviços  prestados  e  custos  de  mercadoria  vendida.  Intimada  e  re­ intimada  para  apresentar  referidos  documentos,  a  Recorrente  Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     4  procedeu  da  mesma  forma  em  que  descrita  no  item  1  supra,  aplicando­se­lhe a mesma conclusão.  3) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2001: no  ano calendário 2001, a Recorrente onerou a apuração do Custo  de Mercadorias Vendidas, pela sub­avaliação do Estoque Final  de  Mercadoria  própria  em  poder  de  terceiros,  referentes  a  armazenagem,  demonstração  e  empréstimo.  Segundo  apurado  ela  fiscalização,  “a  empresa  através  de  um  artifício  contábil,  apresentou  nestas  sub­contas  registros  com  Saldos  Positivos  (para as saídas de mercadorias), e Sub­contas com registros de  Saldos Negativos (para o valor das mercadorias). Este fato teve  como efeito reduzir o valor real do saldo da conta de Estoques  para  o  período,  elevando  consequentemente  o  valor  de  Custo  apurado  no  exercício.”  (fls.  300).  Após  os  esclarecimentos  da  Recorrente,  a  Fiscalização  verificou  que  a  empresa  deixou  de  computar  no  inventário  final  de  Mercadorias,  os  produtos  enviados  para  armazenagem  perante  a  empresa  Metropolitan  Robótica Transportes S/A.  4)  Omissão  de  Receita:  A  Recorrente  deixou  de  registrar  na  conta Receita de Serviços – Mercado interno, no ano calendário  2002, os serviços prestados para a empresa Star One S/A.  5)  Despesas  Não­Comprovadas:  ausência  de  comprovação  de  despesas registradas como pagamento realizado à empresa Gilat  to Home Latin America Inc. Devidamente intimada, a Recorrente  apresentou  invoice  e  contrato  em  que  não  se  pode  identificar  qual  o  serviço  prestado,  o  seu  executor,  local  da  execução  e  quando teria ocorrido o serviço, pelo que o mesmo foi glosado.  6)  Compensação  de  prejuízo  fiscal  no  ano  calendário  2002.  Tendo  havido  glosa  das  alterações  promovidas  no  ano  calendário 2001, a empresa deixou de registrar prejuízo contábil  em referido período, com reflexo de seu aproveitamento no ano  calendário 2002.  Em sede de impugnação, a Recorrente argumentou o seguinte:  A)  impossibilidade de  tributação por presunção: não poderia a  Fiscalização desconsiderar a  escrita  fiscal da  contribuinte  com  base  apenas  na  sua  análise  documental,  cabendo  a  busca  pela  verdade material para identificar o fato gerador do tributo, com  base  nos  princípios  da  legalidade,  eficiência  e  moralidade  constitucionalmente assegurados;  B)  (Item  1  supra):  dos  sete  lançamentos  apontados  pela  Fiscalização, cinco (R$ 41.955,78, R$ 42.310,17, R$ 84.164,95,  R$ 101.337,17 e R$ 32.696,00) haviam sido apropriados no ano  calendário de 2002, por registro em 31 de dezembro e 2001 (em  dois registros de R$ 114.659,07 e R$ 155.110,00), apesar de as  notas  fiscais  somente  terem  sido  emitidas  em  2002.  Houve,  ainda, um lançamento complementar de receitas em 05.02.2002  (R$ 42.310,17), pelo que teria havido antecipação no pagamento  de tributos, e não omissão de receita.  No que toca aos dois outros ajustes realizados (R$ 213.879,70 e  R$  181.455,00),  os  mesmos  decorreriam  de  equívoco  da  Recorrente. O primeiro, lançado a débito na conta 420104 seria  Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 4          5 referente ao lançamento a crédito na conta 21100701, ambos de  30.12.2002.  O  segundo  seria  lançamento  a  débito  na  conta  420104 e crédito na conta 21100701, ambos de 30.12.2002.  C) (item 2): A Recorrente argumenta que, nem sempre quando é  realizado  um  ajuste  existe  influência  na  apuração  de  tributo  devido. Diante disso, a Recorrente justifica que:  a) R$ 199.003,00 foi lançado pela Recorrente na conta custo de  mercadoria  (3.1.02.01.01)  em  30.12.2002  e,  no  mesmo  dia,  o  mesmo  valor  foi  lançado  a  crédito  da  conta  salário  de  empregados (3.2.02.01);  b)  R$  357.118,28  (conta  3.1.02.01.01)  decorre  da  baixa  de  valores  em  estoque  ocasionados  pela  frustração  de  acordo  judicial celebrado com a empresa Giltek Serviços Ltda., em ação  de  falência movida  por  esta  empresa  contra  a  Recorrente,  por  descumprimento  de  contrato  de  sub­contratação  de  serviços  prestados em favor da Embratel. A Giltek deveria devolver bens  registrados  em  estoque  da  Recorrente,  mas  diante  da  impossibilidade  de  fazê­lo,  impôs  à  Recorrente  a  baixa  dos  mesmos da respectiva conta contábil.  c) R$ 283.642,93 seriam referente a igual procedimento descrito  no  item  b  supra,  só  que  perante  a  empresa  Azti  Telecomunicações Elétrica e Informática Ltda.;  d)  R$  155.796,00  seriam  referentes  a  ajustes  de  custo  complementar  de  prestação  de  serviço,  cuja  contrapartida  foi  registrada na conta do passivo da Star One S/A.  D)  (Item  3  supra):  a  Recorrente  apresentou  falhas  sem  seu  sistema contábil, mas referidas falhas não seriam suficientes ao  lançamento  tributário. Assim, apresenta planilha demonstrando  a  contraposição  de  notas  fiscais  de  remessa  e  armazenamento  para  a  empresa  Metropolitan  Robótica  Transportes  S/A  AZTI  Telecomunicações Elt. Inf. Ltda. e de notas fiscais de devolução  de  referidas  mercadorias,  apontado  uma  diferença  de  R$  894.286,00 (oitocentos e noventa e quatro mil, duzentos e oitenta  e seis reais); e não de R$ 3.840.365,30 (três milhões, oitocentos  e  quarenta  mil,  trezentos  e  sessenta  e  cinco  reais  e  trinta  centavos)  apurados  pela  Fiscalização.  Ainda,  justifica  a  diferença  por  ela mesma  encontrada  pela  exigüidade  do  prazo  para  reunir  a  documentação  necessária  à  demonstração  da  devolução  integral  das  mercadorias.  Por  fim,  teria  havido  a  desconsideração  da  norma  que  autoriza  a  postergação  do  imposto  para  o  exercício  seguinte,  conforme  entendimento  da  COSIT nº 2, de 28.08.1996.  E) (item 4 supra):  teria havido o registro da receita referente o  serviço prestado em favor da empresa Star One S/A, porém, na  conta de Receita de Mercadorias. Assim, apesar do equívoco no  registro contábil, não teria havido omissão de receita tributável,  por ter mesma integrado a receita total da empresa no exercício;  Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     6  F)  (item  5  supra):  a  simples  apresentação  do  contrato  de  prestação  de  serviços  firmado  com  a  empresa  Gilat  Latin  America Inc. como fornecedora de serviços e a fatura de referida  despesa  seria  suficiente  para  comprovar  a  dedutibilidade  da  despesa.  Afirma,  ainda,  que  “a  gestão  administrativa  da  Impugnante é realizada pela Gilat Latin America Inc., com base  no  referido  contrato,  mediante  o  pagamento  de  uma  contra­ prestação”  (fls.  561).  Esclarece,  ainda,  que  os  serviços  foram  prestados no exterior, mas nunca no Brasil. Ademais, argumento  que o ônus de prova de que os serviços não haviam sido de fato  prestados incumbe à Autoridade Autuante, não podendo se valer  de presunções para glosar referidas despesas. Ainda, apresenta,  como  prova  da  prestação  de  serviços,  seis  trocas  de  correspondências  realizadas  pelas  empresas  no  ano  de  2001,  que comprovariam “o efetivo gerenciamento das atividades” da  Recorrente;  G)  (Item  6  supra):  comprovada  a  improcedência  das  desconsiderações realizadas pela Fiscalização, seria restaurado  o  prejuízo  apontado  no  ano  calendário  2002,  com  seu  aproveitamento no ano calendário 2003.  A  Delegacia  Regional  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro  I,  em  análise  às  razões  e  documentos  apresentados  pela  Recorrente,  entendeu o seguinte:  Itens  1) Dedução  indevida  na Conta  de Receita Operacional  –  Estorno  de  Vendas  Não  Comprovadas:  improcedente,  pois  a  Recorrente  havia  sido  intimada  e  re­intimada  a  comprovar  documentalmente  referidos  registros  e,  não  o  tendo  feito  de  maneira satisfatória, impõe a manutenção do lançamento;  Item 2) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002  – Glosa de Custos:  a)  R$  199.003,00  –  deve  ser  excluído,  por  ter  restado  devidamente  comprovada  a  regularidade  do  ajuste  (da  conta  custo de mercadoria para a conta salários de funcionários);  b) R$  357.118,28  –  deve  ser mantida  a  glosa, por  ausência  de  comprovação de prestação do serviço;  c)  R$  283.642,93  ­  deve  ser mantida  a  glosa,  por  ausência  de  comprovação de prestação do serviço;  d) R$  155.796,00  ­  deve  ser mantida  a  glosa,  por  ausência  de  comprovação de prestação do serviço;  Item 3) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2001.  Sub­avalização  de  Estoque  Final:  improcedente,  por  não  ter  a  Recorrente comprovado a regularidade da escrita e por só poder  falar­se em postergação diante do pagamento do imposto;  Item  4)  Omissão  de  Receita:  procedente,  pois  a  documentação  acostada  comprovou  satisfatoriamente  o  registro  na  conta  Receita de Mercadorias, o montante de R$ 57.991,36, referente à  prestação de serviços à empresa Star One S/A;  Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 5          7 Item  5)  Despesas  Não­Comprovadas  –  Glosa  de  Despesas  Financeiras:  procedente,  por  ter  restado  suficientemente  comprovada  a  prestação  de  serviços  pela  empresa Gilat  Latin  America  Inc.  por  meio  da  apresentação  de  fatura  (invoice),  contrato e correspondências;  Item 6) Compensação de prejuízo fiscal no ano calendário 2002:  procedente pois, apesar da manutenção de parte das glosas e de  não  se  ter  verificado  prejuízo  no  ano  calendário  2001,  “a  compensação  apontada  pela  fiscalização  consta,  apenas,  do  LALUR  (fls.225/226)  e,  como  tal,  não  produziu  nenhum  efeito  tributário,  posto  que  o  Lucro  Real  demonstrado  no  Lalur  não  consta da DIPJ” (fls. 1021).  A decisão da DRJ restou assim ementada:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001, 2002  ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADOS.  Os  registros  contábeis  devem  estar  embasados  em  documentos  hábeis e idôneos.  OMISSÃO DE RECEITA.  Comprovada a contabilização da receita tida por omitida, deve  ser cancelado o lançamento.  SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE FINAL.  Constatada subavaliação de estoque, é devido lançamento.  GLOSA DE CUSTOS.  A  dedutibilidade  dos  dispêndios  realizados  a  título  de  custos  requer  a  prova  documental  hábil  e  idônea  das  respectivas  operações e do preenchimento dos requisitos  legais. Os valores  comprovados devem ser excluídos do lançamento.  GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS.  A comprovação elide o lançamento.  PREJUÍZO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Indevida a glosa de prejuízos, cancela­se o lançamento.  Assunto: Outros Tributos ou Contribuições  Ano­calendário: 2001, 2002  PIS. CSLL. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     8  Aplica­se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado  ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito  que os vincula.  A Recorrente aviou recurso para este Conselho de Contribuintes  argüindo,  quanto  à  parte  mantida  do  lançamento,  os  mesmos  argumentos  expendidos  em  sede  de  impugnação.  Tendo  havido  exclusão, pela DRJ, de montante superior a R$ 1.000.000,00 (um  milhão de reais), o feito foi promovido à remessa de ofício para  apreciação por este Conselho de Contribuintes.  É o relatório.      Posto  o  feito  em  julgamento  perante  a  5ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes do Ministério da Fazenda, entendeu a Turma Julgadora por dar parcial ao recurso  de oficio para restabelecer as exigências referentes as glosas de despesa de serviço nos valores  de R$ 2.108.748,00 registrada na escrita de dezembro de 2001 e R$ 965.223,00 registrada na  escrita de dezembro de 2002 e a glosa de prejuízos fiscais no ano calendário de 2002; e, quanto  ao Recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.    As razões do voto foram as seguintes:  RECURSO DE OFÍCIO:  Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002 – Glosa  de Custos:  R$  199.003,00  –  os  documentos  de  fls.  854/855  demonstram  a  realocação do lançamento da conta Custo de Mercadoria para a  conta Salários, pelo que dou por satisfatoriamente demonstrada  a procedência do ajuste, nos termos em que definido na decisão  da DRJ. Nego,  assim,  neste  particular,  o  recurso  de  ofício. Os  demais lançamentos deste tópico foram mantidos pela DRJ e são  objeto de Recurso.  Nego, com isso, provimento ao recurso de ofício neste particular.   Omissão de Receita:  Verifico,  pela  documentação  acostada  às  fls.  694/696  que,  apesar  de  equivocado  o  registro  da  prestação  de  serviços  em  favor  da  empresa  Star  One  S/A  na  conta  Receita  de  Mercadorias, não existe reflexo fiscal para fins de apuração dos  tributos  federais,  pelo  que  dou  por  satisfatoriamente  comprovada  a  regularidade  do  ajuste.  Diante  disso,  nego  provimento ao recurso de ofício neste particular.  Despesas  Não­Comprovadas  –  Glosa  de  Custos  e  Despesas  Financeiras:   O  auto  de  infração  entendeu  por  ter  ficado  suficientemente  comprovada  a  prestação  de  serviços  da  empresa  Gilat  Latin  America  Inc.  em  favor  da  Recorrente,  pelo  que  glosou,  como  despesa dedutível, o montante de R$ 2.108.748,00 (dois milhões,  cento e oito mil, setecentos e quarenta e oito reais) na escrita de  12/2001, e a sua variação cambial de R$ 965.223,00 registrada  em 12/2002.  Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 6          9 Em  sede  de  impugnação,  a  Recorrente  apresentou  a  seguinte  documentação:  1) Fls. 698­699 – tradução juramentada: Fatura de prestação de  serviços em 28 e dezembro de 2001 emitidas pela empresa Gilat  to Home Latin America Inc. para Gila­to­Home Brazil S.A., pelo  seguintes serviços e respectivos valores:  a) Serviços de marketing técnico – inclui consultoria sobre novas  tecnologias  e  produtos  Gilat  e  viagens,  teleconferências  com  equipes de marketing e vendas locais: $ 30.000,00;  b) Remuneração por propostas  técnicas comissão de 7 ¾% dos  avlores  dos  contratos  ganhos  no  Brasil  pela  Gilat­to­Home  America Inc: $50.000,00;  c) Suporte de  logística por  transporte de bens de  Israel para o  Peru,  armazenagem  temporária  e  supervisão  dos  produtos:  $  25.000,00  d) Profissionais sobre aspectos legais, comerciais e contábeis: $  35.000,00  e) Suporte administrativo – $10.000,00  f) Valor total: US$ 150.000,00  Registro  que,  apesar  da  restrição  de  conhecer  de  documentos  escritos  em  língua  estrangeira,  os  valores  constantes  da  tradução  juramentada divergem daqueles apontados,  individual  e globalmente, no documento de fls. 700.   2)  Fls.  702  a  714  –  tradução  juramentada  de  um  contrato  de  prestação  de  serviços  datado  de  28  de  dezembro  de  2001  firmado entre Gilat Latin America Inc. (denominada Prestadora  de  Serviço),  sediada  em  Surise,  no  estado  da  Florida,  nos  Estados  Unidos  da  America  e  as  empresas  Gilat­to­Home  do  Brasil  Ltda.  e  Gilat  do  Brasil  Ltda.  (denominada  Sociedades),  ambas com sede na cidade do Rio de Janeiro – RJ, no Brasil.   Registro a existência no contrato das seguites referências:  a)  que  “a  Prestadora  de  Serviços  é  uma  coligada  das  Sociedades” (fls. 702);  b)  que  os  serviços  serão  prestados  na  sede  da  Prestadora  de  Serviços ou em outro local, com exclusão expressa da execução  de atividades no Brasil;  c) o pagamento de comissão de 7 ¾% dos contratos assinados no  Brasil pela Recorrente;  3)  (fls.  723/728)  –  tradução  juramentada  de  mensagem  eletrônica  data  de  março  de  2001,  encaminhando  lista  com  telefones  e  endereços  eletrônicos  “do  escritório  de  Sunrise”  Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     10  (mensagem  parcialmente  em  português  e  lista  traduzida  por  tradutor juramentado);  4) (fls. 730/732) ­ tradução juramentada de mensagem eletrônica  informando  a  alteração  do  nome  da  Gilat­to­Home  Latin  America Inc. para Gilat Latin America Inc.  5)  (fls.  736/738)  –  tradução  juramentada  de  uma  mensagem  eletrônica  informando  que  todas  as  atividades  operacionais  da  américa latina deverão ser assinadas pelo sr. Mike Massa;  6)  (fls.  742  a  747)  –  tradução  juramentada  de  mensagem  eletrônica  com  instruções  para  autorização  de  viagens  com  origem e destino à américa latina, com o objetivo de redução de  custos;  7)  (fls.  752/755)  –  tradução  juramentada  de  mensagem  eletrônica  dando  instruções  para  pagamentos  e  registro  de  remessas  marítimas  dos  Estados  Unidos  da  América  para  o  Brasil;  8)  (fl.  763  a  771)  ­  tradução  juramentada  de  mensagem  eletrônica  datada  de  20  e  outubro  de  2006  de  um relatório  de  “funil  de  vendas  da  SO  atualizado”  (fl.  763)  e  mensagem  anterior  datada  de  26  de  setembro  de  2001  com  uma  lista  de  providências  para  atividades  financeiras,  jurídicas,  operacionais/engenharia, instalação e manutenção e logística;  No meu sentir, andou mal a decisão a DRJ do Rio de Janeiro, ao  considerar referida documentação como suficiente a afastamento  da glosa promovida pela Fiscalização. Inicialmente, registro que  não  foi  trazido  à  baila  comprovante  de  pagamento  da  despesa  que  pretende  ser  registrada  como  dedutível.  Em  seguida,  identifico que o montante registrado como despesa dedutível (de  R$  2.108.748,00  (dois  milhões,  cento  e  oito  mil,  setecentos  e  quarenta  e  oito  reais)  na  escrita  de  12/2001,  e  a  sua  variação  cambial de R$ 965.223,00 registrada em 12/2002), equivalente a  US$  850.000,00  (oitocentos  e  cinqüenta  mil  dólares  estadunidenses)  não  é  compatível  com  montante  apontado  na  fatura de prestação de serviços de fls. 698/699 (US$ 150.000,00  –  cento  e  cinqüenta  mil  dólares  estadunidenses).  Apesar  de  o  documento  de  fls.  700  apresentar  os  valores  pretendidos  pela  Recorrente para dedução, não encontro  respaldo do mesmo na  tradução juramentada que a ele supostamente se refere. E, ante  a restrição em conhecer documento em língua estrangeira, tenho  como  documento  válido  apenas  e  tão  somente  aquilo  que  foi  traduzido por profissional habilitado.   Por  outro  lado,  não  consta  do  documento  de  fls.  698/699  qualquer  referência  a  assinatura  de  recebimento  do  serviço  ou  sequer  de  sua  efetiva  prestação,  não  constituindo,  por  si  só,  elemento suficiente para comprovar a pretendida prestação dos  serviços.  Verifico,  ainda,  que  a  descrição  dos  serviços  constantes  de  referida fatura não são equivalentes e condizentes com as trocas  de  mensagens  eletrônicas  acostadas  a  processo,  ainda  que  considerada  a  mensagem  de  fls.  763/771,  de  todo  insuficiente  para comprovar a prestação do serviço.   Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 7          11 Por  fim,  identifico  que  o  registro  de  pagamento  na  escrita  contábil  da  Recorrente  informa  crédito  na  Contas  a  Pagar  a  empresa  Gilat  do  Home  Antilles,  e  não  Gilat  to  Home  Latin  America; ou seja, pessoa diversa daquela cujo  fornecimento de  serviço alega ter ser beneficiário.   Se os serviços foram prestados todos no exterior, deveria haver  comprovação  de  que  referidos  serviços  de  fato  o  foram  no  exterior  e  a  que  se  referiam.  Na  descrição  do  contrato  de  prestação  de  serviço,  não  existe  comprovação  de  referias  prestações,  assim  como  não  existe  registro  que  a  Recorrente  tenha executado serviços fora do país. E, se foram prestados no  Brasil, deveria ter havido a retenção do IR fonte na condição de  não­contribuinte.   Por fim, apenas registro que, se houve pagamento de comissões  por  contratos  celebrados  no  Brasil,  não  pode  o  mesmo  ser  caracterizados  como  prestação  de  serviço  no  exterior,  sujeitando­se à tributação na fonte pelo rendimento auferido no  Brasil.   Ante  estas  constatações,  julgo  procedente  o  recurso  de  ofício  neste  particular,  para  restaurar  a  atuação  nos  termos  em  que  lavrada pela Fiscalização.   Compensação de prejuízo fiscal no ano calendário 2002:  Nos  termos  em  que  promovidos  pela  Fiscalização,  tendo  sido  afastado o prejuízo apurado no ano calendário de 2001, deve a  nova  estruturação  patrimonial  ser  refletida  na  apuração  dos  tributos devidos no ano calendário de 2002.  O  simples  fato  de  a DIPJ  2003  ter  apontado  prejuízo  no  ano­ calendário de 2002 no valor de R$ 3.324.417,72 não se mostra  suficiente  para  afastar  a  glosa  aplicada  no  ano  calendário  de  2002.  Aliás,  a  própria  Recorrente  infirma  este  argumento  em  suas razões às fls. 1054, afirmando ter apurado imposto a pagar  no  ano  calendário  de  2002.  Diante  destes  argumento,  dou  provimento  ao  recurso  de  ofício  para  restaurar  os  termos  do  lançamento original.   Diante  do  exposto,  dou  parcial  provimento  ao  recurso,  nos  termos em que supra identificados.   RECURSO VOLUNTÁRIO  Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002 – Glosa  de Custos:  A Recorrente alega ter restado suficientemente comprovadas as  despesas relativas aos valores abaixo discriminados.   R$ 357.118,28 – Segundo alega a Recorrente, referidos valores  se  referem  a  baixa  de  estoque  de  mercadorias  em  poder  da  empresa  Giltek  Serviços  Ltda.,  em  decorrência  de  acordo  Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     12  realizado  nos  autos  de  processo  de  falência  movido  por  esta  contra a Recorrente  (fls. 862/984). A Recorrente esclarece que,  por  força  do  acordo  (fls.  978/980),  a Giltek  deveria  restituir  à  Recorrente bens que estavam em seu poder, descritos a  fl. 981.  No  entanto,  ante  a  impossibilidade  de  fazê­lo,  a  Recorrente  realizou ajuste de referidos bens na sua conta estoque.  No entanto, não identifico a comprovação de que a Giltek deixou  de devolver os bens à Recorrente em cumprimento do acordo. Os  documentos  comprovam  a  existência  de  litígio  entre  as  partes,  comprova  que  o  litígio  foi  encerrado  com  a  um  acordo  apresentado em Juízo comprova que houve a baixa do protesto  outrora  realizado  pela  Giltek  em  desfavor  da  Recorrente  e  comprova  que  a  Giltek  deveria  devolver  à  Recorrente  os  bens  que  estavam  em  seu  poder;  mas  não  comprova  que  alguns  daqueles  bens,  avaliados  em  R$  900.000,00  (novecentos  mil  reais), deixaram de ser definitivamente devolvidos à Gilat.   Diante  disso,  tenho  por  insuficiente  a  prova  pretendida  pela  Recorrente,  pelo  que  nego  provimento  ao  recurso  neste  particular.   R$  283.642,93  –  Segundo  alega  a  Recorrente,  referido  ajuste  decorreu  da  impossibilidade  de  recebimento  de  bens  de  seu  estoque  que  estavam  em  poder  da  empresa  Azti  Telecomunicações Elétrica e Informática Ltda. Em comprovação  de suas alegações, a Recorrente apresentou o documento de fls.  986/990,  consistente  em  um  contrato  de  prestação  de  serviços  entre  as  empresas,  com  fins  a  atendimento  de  um  serviço  em  favor da Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicões S.A.  No  entanto,  a  Recorrente  não  trouxe  à  baila  quais  os  equipamentos  estariam  em  posse  da  empresa  Azti,  assim  como  qual  deles  teriam  deixado  de  ser  devolvidos,  seus  valores  e  datas, a fim de comprovar a procedência do ajuste.   Diante  disso,  tenho  por  insuficiente  a  prova  pretendida  pela  Recorrente,  pelo  que  nego  provimento  ao  recurso  neste  particular.   R$  155.796,00  –  Para  comprovar  a  regularidade  do  ajuste,  a  Recorrente juntou os seguintes documentos: fls. 998: nota fiscal  de serviços no valor de R$ 101.338,17, com destaque de ISSQN  por  fora  de  R$  5.066,91,  sem  declaração  de  recebimento  dos  serviços;  e  fls.  999:  nota  fiscal  de  serviços  no  valor  de  R$  43.002,96, com destaque de ISSQN por fora de R$ 2.150,15, sem  declaração  de  recebimento  dos  serviços;  ambas  em  favor  da  empresa  Star  One  S/A.  Os  valores  das  notas  fiscais  são  incompatíveis com o ajuste pretendido.   Ausente a equivalência de valores e datas para justificar o ajuste  pretendido,  assim  como  qualquer  outro  elemento  que  pudesse  respaldar  a  conduta  da  Recorrente,  tenho  por  insuficiente  a  documentação apresentada.  Diante  do  exposto,  nego,  também  com  relação  a  estes  valores,  provimento ao recurso.   Dedução indevida na Conta de Receita Operacional   Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 8          13 Segundo  argumenta  a  Recorrente,  dos  sete  lançamentos  apontados pela Fiscalização, cinco (R$ 41.955,78, R$ 42.310,17,  R$  84.164,95,  R$  101.337,17  e  R$  32.696,00)  haviam  sido  apropriados no ano calendário de 2002, por registro em 31 de  dezembro  e  2001  (em  dois  registros  de  R$  114.659,07  e  R$  155.110,00),  apesar  de  as  notas  fiscais  somente  terem  sido  emitidas  em  2002.  Teria  havido,  ainda,  um  lançamento  complementar  de  receitas  em  05.02.2002  (R$  42.310,17),  pelo  que  teria  havido  antecipação  no  pagamento  de  tributos,  e  não  omissão de receita.  Não vejo como os documentos de fl. 998 a 1003 serem suficientes  para  justificar o ajuste dentro da pretensão da Recorrente, por  não serem sequer coincidentes quanto aos valores pretendidos.   No que toca aos dois outros ajustes realizados (R$ 213.879,70 e  R$  181.455,00),  os  mesmos  decorreriam  de  equívoco  da  Recorrente. O primeiro, lançado a débito na conta 420104 seria  referente ao lançamento a crédito na conta 21100701, ambos de  30.12.2002.  O  segundo  seria  lançamento  a  débito  na  conta  420104 e crédito na conta 21100701, ambos de 30.12.2002.  No  entanto,  apesar  da  plausibilidade  da  informação,  não  identifiquei  na  documentação  existente  nos  autos  referida  compatibilidade,  pelo  que,  também  aqui,  julgo  improcedente  o  recurso voluntário.  Oneração  Indevida  da Conta Custo  ano  calendário  2001.  Sub­ avalização de Estoque Final:   Improcedente,  por  não  ter  a  Recorrente  comprovado  a  regularidade da escrita e por só poder falar­se em postergação  diante do pagamento do imposto;  No  ano  calendário  2001,  a  Recorrente  onerou  a  apuração  do  Custo de Mercadorias Vendidas, pela sub­avaliação do Estoque  Final de Mercadoria própria em poder de terceiros, referentes a  armazenagem,  demonstração  e  empréstimo.  Segundo  apurado  ela  fiscalização,  “a  empresa  através  de  um  artifício  contábil,  apresentou  nestas  sub­contas  registros  com  Saldos  Positivos  (para as saídas de mercadorias), e Sub­contas com registros de  Saldos Negativos (para o valor das mercadorias). Este fato teve  como efeito reduzir o valor real do saldo da conta de Estoques  para  o  período,  elevando  consequentemente  o  valor  de  Custo  apurado  no  exercício.”  (fls.  300).  Após  os  esclarecimentos  da  Recorrente,  a  Fiscalização  verificou  que  a  empresa  deixou  de  computar  no  inventário  final  de  Mercadorias,  os  produtos  enviados  para  armazenagem  perante  a  empresa  Metropolitan  Robótica Transportes S/A.  Apesar  da  justificativa  da  Recorrente,  de  que  não  possui  armazém próprio, funcionando em um sala de edifício, e que se  vale  do  armazem  para manter  fisicamente  seus  estoque;  assim  como  da  assertiva  de  que  importa  partes  e  peças  para,  Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     14  posteriormente,  vender  o  produto  final  devidamente  montado,  com saída de  referidos bens do  rmazem e  remessa por  conta  e  ordem  para  o  adquirente  final,  não  identifiquei  que  os  valores  glosados tenham passado por este processo.  Ao contrário, a Fiscalização manteve a escrituração contábil da  forma  como  realizada  pela  Recorrente  com  relação  todas  as  demais operações, registrando como lançamento apenas aquelas  em  que  não  foram  apuradas  as  respectivas  vendas  para  o  consumidor  final.  Foi  justamente  a  diferença  de  estoque  –  que  não é realizado na própria sede da empresa – mas que deveria  ser  por  ela  devidamente  registrado,  que  levou  a  Fiscalização  glosar os ajustes realizados pela Recorrente.  Não vejo, pois, como acolher os argumentos expendidos na peça  recursal,  pelo  que  nego  também  aqui,  provimento  ao  recurso  voluntário.   Ainda, não há que se falar em postergações, posto que a DIPJ de  2002/2003  não  registrou  a  pretendida  postergação  do  IRPJ  de  2001/2002, pelo que correta a glosa pretendida pela Fazenda.      Devidamente  cientificada  da  decisão  do  Conselho  de  Contribuintes,  a  Contribuinte apresentou embargos de declaração, por meio do qual alega o seguinte:  1)  Que  o  auto  de  infração  apontou  “como  infração  ­  dentre  outras  ­  a  compensação  indevida  do  prejuízo  relativo  ao  ano­calendário  2001  (DIPJ  2002),  com  o  imposto de renda a pagar no ano­calendário 2002 (DIPJ 2003).”, cuja glosa foi afastada pela  decisão proferida pela DRJ.  2) Questiona, assim, a Embargante, que “embora tenha dado provimento ao  recurso  de  ofício  para  validar  a  glosa  da  compensação  supostamente  realizada,  não  se  manifestou  de  forma  clara  sobre  a  situação  fática  efetivamente  verificada  para  o  ano­ calendário relevante, sendo, portanto, obscuro quanto à constatação de lucro ou prejuízo no  ano­calendário 2002 (DIPJ 2003)”.   3)  Aduz,  que  a  Embargante  foi  induzida  em  erro  pelo  auto  e  infração,  ao  afirmar que teria apurado um lucro de R$1.530.554,85, quando em verdade, no ano calendário  2002, ela teria apurado um prejuízo de R$3.324.417,72 (DIPJ).  4)  Com  relação  à  alegação  de  postergação,  rejeitada  pelo  voto  embargado,  aduz que “o argumento somente poderia ser afastado caso se assumisse um cenário de prejuízo  para o ano calendário 2002”, sendo que “ou bem se apurou lucro real no ano­calenda´rio 2002,  ou se apurou prejuízo”.   5) Por fim, alega que “a prova documental acostada aos autos, a saber, a DIPJ  2003,  indica  que  a  Embargante  apurou  prejuízo  no  período  relevante  e,  com  base  nesse  documento o v. acórdão recorrido afastou o argumento da postergação. Pois bem, considerando  que o auto de infração se baseou na apuração de lucro, a forçosa constatação da ocorrência de  prejuízo  deverá  acarretar  o  reconhecimento  da  sua nulidade,  eis  que não  é  dado  ao  julgador  alterar os fundamentos de fato do lançamento”.    Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 9          15 Por  despacho,  conheci  dos  embargos  de  declaração  apresentados  pela  Contribuinte, sendo este o relatório.      Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     16  Voto             O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira:  Os embargos são tempestivos e já tiveram seu conhecimento assegurado por  despacho.  A  questão  posta  em  discussão  decorre  da  divergência  entre  a  apuração  de  lucro escriturada no LALUR pela Contribuinte, em que está registrada a existência de lucro no  ano  calendário  2002,  e  aquela  apresentada  pela  DIPJ  2003,  ano  calendário  2002,  em  que  a  Embargante aponta prejuízo.  Neste sentido, não merece credibilidade o argumento da Embargante de que  teria sido induzida em erro pelo auto de infração, ao afirmar que teria apurado um lucro de R$  1.530.554,85,  no  ano  calendário  2002.  Isso  porque  esse  era  o  resultado  que  constava  do  registro do LALUR, conforme se extrai do TVF:          Não  procede,  também,  a  irresignação  da  Embargante,  ao  afirmar  que  o  acórdão  embargado  não  disse  se  a  empresa  apurou  lucro  ou  prejuízo,  sendo  essas  duas  Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/2006­67  Acórdão n.º 1401­001.069  S1‐C4T1  Fl. 10          17 situações incompatíveis entre si. Tal referência, com o provimento parcial do recurso de ofício,  estão  absolutamente  claras  no TVF  que  sustenta  o  auto  de  infração,  desmerecendo  qualquer  referência adicional para sustenta­lo.  Com  estas  considerações,  a  decisão  embargada  não  merece  qualquer  integração quanto a esses dois pontos.  No que toca à postergação, a Embargante alega que, caso a empresa tivesse  aferido lucro tributável, a postergação deveria ter sido acolhida, sendo que, apenas no caso de  apuração de prejuízo, ela poderia ter sido negada.   Neste ponto, a decisão embargada falou o seguinte:    Ainda, não há que se falar em postergações, posto que a DIPJ de  2002/2003  não  registrou  a  pretendida  postergação  do  IRPJ  de  2001/2002, pelo que correta a glosa pretendida pela Fazenda.    Entende,  assim  que,  se  houve  lucro  tributável,  o  argumento  de  postergação  não deveria ter sido rejeitado pela decisão recorrida.  Cabível, aqui, alguns esclarecimentos.  A  postergação  caracteriza­se  pela  “inexatidão  contábil  consistente  na  apropriação de receita em exercício posterior ao de competência” (acórdão 1047.04824).   No caso dos autos, imputou­se à Embargante a redução da receita operacional  por  ajuste  contábil  sem  comprovação  documental,  bem  como  aumento  de  custo  operacional  sem comprovação documental.   Independentemente  de  ter  havido  lucro  ou  prejuízo,  a  postergação  consiste  em matéria de defesa,  razão pela qual o ônus de  comprovação de que os  redutores do  lucro  tributável  em  determinado  ano  calendário  (redução  da  receita  operacional  ou  despesa/custo)  impactaram  na  formação  do  lucro  tributável  em  anos  seguintes  é  do Contribuinte,  e  não  do  fisco.  Neste  sentido,  não  basta  ter  havido  lucro  tributável  para que  a  postergação  seja  de  imediato  reconhecida.  É  necessário  que  seja  demonstrado  que  a  receita  omitia  ou  o  custo  glosado  integraram  a  formação  do  lucro  tributável  do  ano  calendário  para  que  a  postergação seja reconhecida, ônus do qual a Embargante não se desincumbiu.  Diante do exposto, conheço dos embargos para integrar e ratificar a decisão  embargada.   (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira  Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     18                            Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA

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Numero do processo: 13888.002379/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO Incidem contribuições para as terceiras entidades sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra “t” da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.120
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do salário-de-contribuição exposta na letra “t” , do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 265          1 264  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.002379/2008­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­003.120  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de abril de 2014  Matéria  Terceiros. Salário Indireto: Educação  Recorrente  KOELLE LTDA. EDUCAÇÃO E CULTURA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007  SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO  Incidem  contribuições  para  as  terceiras  entidades  sobre  a  remuneração  atribuída  ao  empregado  em  desacordo  com  as  previsões  de  não  incidência  contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.  A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados  e  contribuinte  individual,  não  se  coaduna  com  a  excludente  do  salário  de  contribuição  exposta  no  parágrafo  9º,  letra  “t”  da  Lei  n.º  8.212/91,  se  consubstanciando,  tais  valores,  em  verbas  passíveis  de  incidência  contributiva previdenciária.  Recurso Voluntário Negado      Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da  Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em  negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já  que  a  concessão  de  "bolsas  de  estudo"  a  dependentes  não  está  ao  abrigo  da  excludente  do  salário­de­contribuição exposta na letra “t” , do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91,  na redação vigente à época dos fatos geradores.       Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 79 /2 00 8- 61 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liege  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Andre  Luís  Mársico  Lombardi,  Bianca  Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/2008­61  Acórdão n.º 2302­003.120  S2­C3T2  Fl. 266          3   Relatório  Trata  o  presente  de  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  lavrado  em  11/06/2008  e  cientificado  ao  sujeito  passivo  em  12/06/2008,  referente  a  contribuições  arrecadadas  para  as  terceiras  entidades,  incidentes  sobre  valores  pagos  aos  segurados  empregados  e  contribuinte  individual  (diretor)  a  título  de  “Bolsas  de  Estudo”  concedidas  a  dependentes, nas competências de 01/2004 a 12/2007.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  30/37,  por  força  de  Convenção  Coletiva de Trabalho a autuada concede bolsas de estudo no percentual de 100% do valor da  mensalidade/matrícula aos filhos de seus professores e auxiliares de administração, bem como  ao filho do diretor da instituição, contabilizando tais despesas como gratuidade.  Após  impugnação,  Acórdão  de  fls.  195/203,  pugnou  pela  procedência  do  lançamento.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  onde  alega  em  síntese:  a)  que  o  legislador  ordinário  excluiu  da  salário­de­ contribuição os valores relativos a planos educacionais;  b)  que  atendeu  aos  requisitos  legais  para  que  averba  não  integre o salário­de­contribuição;  c)  que a concessão de bolsas não remunera o trabalhador;  d)  que  a  bolsa  é  concedida  aos  filhos  dos  empregados,  sendo  um  benefício  assistencial  e  não  ganho  do  empregado;  e)  que as bolsas não  são habituais,  tem caráter  transitório,  não  há  contraprestação  do  trabalho,  possuindo  natureza  eminentemente social;  f)  que  a  jurisprudência  entende  que  tal  pagamento  não  integra o salário­de­contribuição;  g)  que  como  o  auxílio­creche  que  tem  natureza  indenizatória, a bolsa de estudos não Serpa recebida pelo  trabalhador na sua aposentadoria;  h)  que a concessão da bolsa de estudos não gera prejuízo ao  funcionário, apenas lhe traz benefícios, não podendo ser  prejudicada  por  cumprir  as  normas  estipuladas  em  convenção coletiva.  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 Requer  o  provimento  do  recurso  para  declarar  a  insubsistência  e  improcedência do lançamento.  É o relatório.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/2008­61  Acórdão n.º 2302­003.120  S2­C3T2  Fl. 267          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora  Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do  recurso e passo ao seu exame.  Refere­se o lançamento ao fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes  de segurados que prestam serviço para a recorrente.  A  questão  de  mérito  reside  no  fato  de  tal  benefício  integrar  ou  não  a  remuneração dos segurados.  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  A matéria  de  ordem  tributária  é  de  interesse  público,  por  isso  é  a  lei  que  determina  as  hipóteses  em  que  valores  pagos  aos  empregados  não  integram  o  salário  de  contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais.   A  retribuição  em  virtude  de  um  contrato  de  trabalho  está  no  campo  de  incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de  incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória  ou  assistencial,  tais  verbas  estão  arroladas  no  art.  28,  §  9º  da  Lei  n  °  8.212/1991,  nestas  palavras:  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10/12/97)  b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97,  e  de  6  a  9  acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;  2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;  3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;  4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;  5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT;  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;     8. recebidas a título de licença­prêmio indenizada;   9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984;   f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10/12/97)  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/2008­61  Acórdão n.º 2302­003.120  S2­C3T2  Fl. 268          7 i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10/12/97)  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  A  interpretação  para  exclusão  de  parcelas  da  base  de  cálculo  é  literal.  A  isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo,  interpreta­se  literalmente  a  legislação  que  disponha  sobre  esse benefício  fiscal,  conforme prevê  o Código  Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  Portanto,  onde  o  legislador  não  dispôs  de  forma  expressa,  não  pode  o  aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar­se os princípios da reserva legal e  da  isonomia.  Caso  o  legislador  tivesse  desejado  excluir  da  incidência  de  contribuições  previdenciárias  a  parcela  referente  à  concessão  de  ensino  a  dependentes  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  teria  feito  remissão  expressa  na  legislação  previdenciária, o que não ocorreu.  A  Lei  n  °  10.243/2001  alterou  a  CLT,  mas  não  interferiu  na  legislação  previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 refere­se ao salário para efeitos  trabalhistas,  para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de salário­de­contribuição, com  definição  própria  e  possuindo  parcelas  integrantes  e  não  integrantes.  As  parcelas  não  integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já  referido.  Ademais  a  Constituição  Federal,  em  seu  art.  201,  parágrafo  4º  –  hoje  transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15  de dezembro de 1998 – determina, expressamente:  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. [sem grifos no original]  De  acordo  com  a  disposição  constitucional,  "todos  os  ganhos  habituais”,  à  qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o salário­de­contribuição. Significa  dizer que,  além dos pagamentos diretos,  abrange  também os  salários  indiretos  (utilidades ou  salário in natura), não importando a forma ou título.  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/2008­61  Acórdão n.º 2302­003.120  S2­C3T2  Fl. 269          9 O  salário,  para  todos  os  efeitos  legais,  inclui  alimentação,  habitação,  vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume,  fornecer habitualmente ao empregado.  No caso em tela, o oferecimento de ensino aos filhos de funcionários é sem  dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançá­la teriam que arcar com o respectivo  ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o  mesmo não despende dos valores para custear o ensino de seus dependentes.  Ao  contrário  do  que  afirma  a  recorrente,  a  verba  paga  a  título  de  bolsa  de  estudo  possui  natureza  remuneratória. Tal  ganho  ingressou  na  expectativa  dos  segurados  em  decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma  verba paga pelo trabalho e não para o trabalho.  Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não  havendo dispensa  legal para  incidência de contribuições previdenciárias  sobre tais verbas, no  período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.   Quanto ao fato da concessão das bolsas de estudo encontrar respaldo nas  Convenções Coletivas de Trabalho firmadas entre a recorrente e seus empregados, isto não tem  o condão de eximir a verba da incidência da contribuição previdenciária, instituída por lei.  O Código Tributário Nacional é taxativo no seu artigo 123, ao dizer que as  convenções e acordo havidos entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública    Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.  Várias ementas em decisões dos Tribunais pátrios referem­se ao aludido  artigo:  “Ementa:  ....  I.  Descabe  figurar  no  pólo  ativo  da  demanda  aquele que não tem relação com o Fisco, já que não podem ser a  ele  impostos  ajustes  particulares  relativos  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos  (art.  123  do CTN)  ....”  (STJ.  REsp  374694/  SC.  Rel.:  Min.  Eliana  Calmon.  2ª  Turma.  Decisão:  03/04/03. DJ de 12/05/03, p. 264.)  “Ementa: .... III. As convenções particulares não são oponíveis,  como  matéria  de  defesa,  na  discussão  de  relação  jurídico  tributária (CTN, art. 123). ....” (TRF­1ª Região.  AC  93.01.33023­7/MG.  Rel.:  Des.  Federal  Olindo Menezes.  3ª  Turma. Decisão: 16/12/ 97. DJ de 20/03/98, p. 165.)  “Ementa:  ....  II.  As  convenções  particulares,  relativas  às  responsabilidades  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do  sujeito passivo das obrigações tributárias respectivas. ....” (TRF­ Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 1ª  Região.  AC  95.01.24692­2/MG.  Rel.:  Des.  Federal  Mário  César Ribeiro.  4ª Turma.Decisão: 1º/04/97. DJ de 24/04/97, p.  26.743.)  “Ementa:  ....  II.  As  convenções  particulares  não  poderão  ser  levantadas  pelo  contribuinte  inadimplente  para  se  furtar  à  responsabilidade  quanto  a  pagamentos  de  tributos  contra  a  Fazenda Pública.  ....”  (TRF­5ª Região. AC 2001.05.00.016707­ 7/CE.Rel.:  Des.  Federal  Paulo  Roberto  de  Oliveira  Lima.  2ª  Turma. Decisão: 26/03/02. DJ de 21/03/03, p. 917.)  Portanto,  ao  conceder  bolsas  de  estudo  a  dependentes  de  segurados  empregados  e  ao  dependente  de  contribuinte  individual,  a  recorrente  sujeita­se  à  incidência  contributiva previdenciária  sobre a verba  fornecida, que não está ao abrigo da excludente do  salário­de­contribuição exposta na letra”t”, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91.  Por todo o exposto,  Voto por negar provimento ao recurso.  Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora                               Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI

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5485464 #
Numero do processo: 15540.000530/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.290
Decisão: Resolvem os membros da Turma, por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha e designado Redator da Resolução o Conselheiro Márcio Frizzo. (assinado ditalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente/Relator. (assinado ditalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/2010­06  Resolução nº  1302­000.290  S1­C3T2  Fl. 1.084          2   Relatório   Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  de  voluntário,  interposto  pelo  contribuinte  em  face  do Acórdão  nº  1257.309 da  3ª  Turma  da DRJ/RJ1,  cuja  ementa  assim  dispõe:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano­calendário:  2006, 2007.  AUSÊNCIA DE PROVAS. EFEITOS.   As alegações desprovidas de provas não produzem efeitos em sede de  processo administrativo fiscal.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ Ano­calendário: 2006, 2007.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.   A  existência  de depósitos bancários não  contabilizados  ou  de  origem  não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Inexistindo matéria específica, de  fato ou de direito a  ser examinada,  aplica­se  às  exigências  reflexas  o  mesmo  tratamento  dispensado  ao  lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito entre ambos.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido   A recorrente  tomou ciência da decisão  recorrida  em 05/07/2013  (cf. AR  a  fls.  1007) e interpôs recurso voluntário em 06/08/2013 (cf. Termo a fls. 1009), no qual alega, em  apertada síntese, as seguintes razões de defesa:  (i)  que  houve  quebra  de  sigilo  bancário  sem  autorização  judicial,  o  que  é  inconstitucional;  (ii) que a inconstitucionalidade surge quando da intimação da decisão que requer  a  apresentação  dos  extratos,  sendo  irrelevante  o  cumprimento  posterior  pelo  contribuinte, na medida em que compelido, frise­se, por decisão administrativa,  sob pena de imposição de multa de ofício;  (iii) que adota o lucro real, assim, é indiscutível que meras movimentações não  configuram receita, tais como transferências entre contas da mesma titularidade,  empréstimos; etc.;  (iv)  que  a  tributação  da  movimentação  bancária  de  forma  desvinculada  da  realidade fiscal do contribuinte gera cristalina violação à sistemática de apuração  do IRPJ e, reflexamente, da CSLL, PIS e Cofins, além de atribuir ao contribuinte  duas  realidades  fiscais  distintas,  quais  sejam,  a  apuração  declarada  e,  paralelamente, a movimentação bancária em tese não declarada;  Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/2010­06  Resolução nº  1302­000.290  S1­C3T2  Fl. 1.085          3 (v)  que  o  arbitramento  de  lucro  é  ferramenta  extrema,  só  outorgada  ao  Fisco,  quando há a impossibilidade de aferição do lucro determinado pelo contribuinte,  sobretudo porque a Administração Pública deve observar a verdade material;  (vi)  que  traz  à  baila  os  documentos  necessários  para  a  comprovação  das  suas  alegações,  bem  como  a  planilha  (doc.  a  fls.  1024  e  segs.)  que  visa  esclarecer  quaisquer dúvidas sobre os valores que foram considerados como receitas, muito  embora fossem meras movimentações entre as contas bancárias da contribuinte;  (vii) que destaca as movimentações entre as contas da mesma  titularidade que,  por evidente, não podem ser consideradas receitas, quais sejam: a) do Safra para  Real,  em  17/05/2006,  R$  650.000,00,  a  fls.  217;  b)  do  Real  para  Safra,  em  19/05/2006, R$ 8.000,00, a fls. 259; c) do Bradesco para Safra, em 01/03/2007,  R$ 5.000,00, a fls. 78;  (viii)  que  as movimentações  entre  as  contas  Real  Sudameris  e  Safra,  entre  os  dias  22  e  24  de  maio  de  2007,  se  constituem  em  simples  movimentações  financeiras ou obtenção de crédito/empréstimo, conforme histórico:  ­  Empréstimo  no Real  Sudameris  de R$  800.000,00  em  22/05/2007  ­  Cheque  emitido em 24/05/2007 no valor de R$ 728.717,00 ­ Ingresso no Safra em 23/05  no  valor  de  391.355,00  ­  Depósito  dinheiro  Safra  dia  22/05  R$  27.000  em  dinheiro.   (ix)  que  a  recorrente  solicitou  aos  bancos  cópias  dos  contratos  de  operações  integradas, empréstimos, cópias dos cheques emitidos e dos depósitos, ou seja,  toda  a  documentação  necessária  para  a  comprovação  de  que  grande  parte  das  movimentações  bancárias  não  se  constituem  operações  configuradoras  de  receita,  mas  as  instituições  financeiras  não  disponibilizaram  os  documentos,  criando inexpugnável óbice para o contribuinte;  (x)  que  a  recorrente  ingressou  com  medidas  cautelares  para  a  obtenção  dos  extratos bancários solicitados pela Receita Federal, o que demonstra sua total e  manifesta boa­fé, a fim de auxiliar a Receita Federal do Brasil na fiscalização;  (xi) que não cabe a aplicação de multa de ofício em autuações provenientes de  mera presunção de omissão de receita, conforme entende a Súmula CARF nº 14;  (xii)  que  requer:  I.  seja  julgado  procedente  o  recurso  voluntário,  a  fim  de  pronunciar  nulos  os  autos  de  infração,  em  razão  da  violação  ao  princípio  da  legalidade,  da  verdade  material  e  do  sigilo  bancário  da  contribuinte;  II.  caso  assim não  se  entenda, que sejam  julgados  improcedentes os  lançamentos:  II.1.  em razão da insubsistências das informações que o fundamentam; II.2. em razão  de terem sido realizados sem a observância da sistemática do lucro real; III. por  último, em sendo superados os pedidos acima averbados, requer seja convertido  em  diligência  o  presente  julgamento,  a  fim  de  se  determinar  que  verifique  as  alegações do contribuinte, em razão da impossibilidade de obtenção das provas  necessárias à elucidação da verdade.   É o relatório.  Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/2010­06  Resolução nº  1302­000.290  S1­C3T2  Fl. 1.086          4     Voto   Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  apresenta  todos  os  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual dele conheço.  Entendo  que,  a  despeito  da  ausência  de  documentos  que  comprovem  inequivocamente as arguições constantes no recurso voluntário, há indícios relevantes de que  estar­se­ia  tributando  meras  transferências  entre  contas  bancárias  ou,  ainda,  a  captação  de  recursos,  sob  o  pressuposto  de  representarem  suprimento  de  caixa  (art.  282,  RIR/99)  e/ou  omissão de receita (art. 287, RIR/99).  Especificamente,  dúvidas  surgiram  em  relação  aos  seguintes  valores,  os  quais  podem não se subsumir à noção de receita omitida (art. 282, RIR/99):  (i) R$ 650.000,00 – esse valor seria um mútuo contraído perante o Banco Safra,  razão pela qual a conta corrente da recorrente nessa instituição (Ag. 15500, C.c.  000.077­0)  foi  creditada  em  17/05/2006  (fl.  288).  Esse  valor  teria  sido  movimentado  para  a  conta  corrente  da  recorrente  no  Banco  Real  (Santander)  (Ag.  399,  C.c.  0006718576­06),  o  que  explica  o  fato  de  a  Fiscalização  ter  encontrado um crédito (depósito em cheque) em 17/05/2006 (fl.220). Tratar­se­ ia de movimentação entre contas correntes de mesma titularidade;  (ii)  R$  800.000,00  –  esse  valor  teria  origem  em  um  contrato  de  empréstimo  perante o Banco Real Sudameris e  teria sido depositado em sua conta corrente  em  22/05/2007,  consoante  comprova  o  extrato  apresentado  pela  referida  instituição e juntado aos autos, especificamente na fl. 685, onde se encontra uma  movimentação denominada “Liber. Contr. 93/9103431” nesse valor. Tratar­se­ia  de simples empréstimo bancário.  Vale  frisar,  outrossim,  a  evidente  demonstração  de  boa­fé  da  recorrente  caracterizada através de sua notificação às Instituições Bancárias para que apresentassem toda  a documentação necessária para respaldar suas alegações (fls. 1.048/1.056), muito embora não  tenha  obtido  resposta,  bem  como  através  do  ingresso  com medidas  judiciais  cautelares  (fls.  1.057/1.076) para obtenção dos extratos bancários solicitados pela RFB.   Dessa forma, em razão dos indícios de esses valores não representarem receitas  omitidas, a maioria da turma entendeu pertinente converter o julgamento em diligência, a fim  de que a ARF de origem tome as seguintes providências:  ­  Intimar o Banco Safra para que esclareça se entabulou contrato de mútuo no  valor de R$ 650.000,00 com a Recorrente em 17/05/2006;   Em caso positivo, pede­se que seja apresentado o respectivo contrato e, também,  que  confirme  o  seu  valor  e  a  forma  de  transferência  dos  recursos  para  a  Recorrente.  Pede­se,  ainda,  que  seja  esclarecido  se  o  valor  liberado  foi  Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/2010­06  Resolução nº  1302­000.290  S1­C3T2  Fl. 1.087          5 transferido  para outra  conta  corrente por meio  de  cheque  e,  em  caso  positivo,  que apresente a cópia do cheque e diga quem foi o beneficiário;  Caso o valor não decorra do mútuo tomado com a instituição, pede­se que seja  esclarecida  a  sua  origem,  bem  como  discriminada  a  forma de  recebimento  do  crédito  pela  recorrente  (TED/DOC,  cheque  ou  outros),  comprovando  as  informações através de cópia dos documentos que respaldaram a operação;  ­  Intimar  o  Banco  Sudameris,  por  meio  de  seu  sucessor  Santander,  para  que  esclareça se a Recorrente tomou um empréstimo no valor de R$ 800.000,00 em  data aproximada a 22/05/2007 e,  em caso positivo,  que apresente o  respectivo  contrato.  Em  caso  negativo,  que  o  banco  esclareça  qual  o  origem  da  importância,  informando  ainda  qual  a  forma  de  recebimento  do  crédito  pela  recorrente  (TED/DOC,  cheque  ou  outros),  comprovando  as  informações  através  de  cópia  dos documentos que respaldaram a operação;  Na sequência, deve a Recorrente ser cientificada do resultado da diligência para  que, em sendo de seu interesse, manifeste­se da forma que entender adequada, no prazo de 30  (trinta)  dias.  Após,  com  ou  sem  manifestação,  seja  o  feito  devolvido  a  este  Conselho,  que  deverá julgá­lo incontinenti.  Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos  do relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Marcio Rodrigo Frizzo – Redator Designado.    Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO

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Numero do processo: 19311.720478/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2008 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado. GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu, nem, por conseguinte, da obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2008 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado. GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu, nem, por conseguinte, da obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991. Recurso de Ofício Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19311.720478/2011­35  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  2402­003.891  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de janeiro de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  MUNICÍPIO DE SÃO PAULO ­ SECRETARIA MUNICIPAL DE  TRANSPORTES    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2008  RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.  Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no  arcabouço jurídico­tributário, o recurso de ofício será negado.  GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  CARACTERIZAÇÃO.  NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO  FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES.  O Fisco tem o ônus­dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador  das  contribuições  lançadas.  No  presente  caso,  em  se  tratando  de  serviços  prestados  mediante  cooperativa  de  trabalho,  deve  o  relatório  fiscal  conter  toda  a  fundamentação  de  fato  e  de  direito  que  possa  permitir  ao  sujeito  passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia  ao  Fisco  a  demonstração  da  ocorrência  da  prestação  de  serviços  mediante  cooperativa  de  trabalho,  o  que  não  aconteceu,  nem,  por  conseguinte,  da  obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991.  Recurso de Ofício Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 78 /2 01 1- 35 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  O  conselheiro  Julio  Cesar  Vieira  Gomes  acompanhou  o  relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de  voto.      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo,  Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se de Auto  de  Infração  lavrado  com  fundamento  na  inobservância  da  obrigação  tributária  acessória  prevista  no  art.  32,  inciso  IV  e  §  5º,  da  Lei  8.212/1991,  acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que  consiste  em  a  empresa  apresentar  a  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP)  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições previdenciárias, nas competências 04/2007 a 08/2008.  Segundo  o Relatório  Fiscal  da  Infração,  a  empresa  deixou  de  informar  nas  Guias  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à Previdência Social  (GFIP)  todos  os  fatos  geradores das contribuições previdenciárias: as remunerações pagas relativamente aos serviços  que  lhe  foram  prestados  por  cooperados,  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  o  que  constitui infração ao inciso IV do art. 32 da mesma Lei 8.212/1991.  A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que:  1.  a  incidência  da  contribuição  social  prevista  no  art.  22,  IV,  da  Lei  8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativa  de  trabalho, de modo que, para a  incidência da contribuição  lançada no  auto  de  infração  ora  impugnado,  seria  necessária  a  contratação  das  cooperativas de trabalho para a prestação de serviços à Administração  e  que o  custo  de  tais  serviços  fosse  ônus  da  própria Administração.  Porém,  no  caso  em  tela,  a  contratação  das  cooperativas  teve  como  intuito  a prestação de  serviço público de  transporte  à população por  meio  de  permissionários,  os  quais  recebem  como  contrapartida  as  tarifas pagas pelos usuários, nos termos do artigo 175 da CF, o qual  estabelece que incumbe ao Poder Público diretamente ou sob regime  de concessão ou permissão a prestação dos serviços públicos;  2.  é certo que o serviço de transporte público municipal, de titularidade  do Poder Público não  se desnatura quando  sua  execução é delegada  aos  permissionários,  pelo  que  não  se  está  diante  de  terceirização  mediante contrato de prestação de serviço, mas sim de delegação de  serviço  público,  por meio  de  permissão,  decorrente  de  licitação,  no  qual é o usuário o verdadeiro tomador do serviço público, custeando­ o.  É  fato  notório  que  o  Sistema  de  Transporte  Coletivo  Urbano  de  Passageiros do Município de São Paulo e sua política tarifária adotada  para manutenção, é calcada em um complexo Sistema de Bilhetagem  Eletrônica, o "Bilhete Único", no qual o beneficiário pode antecipar o  custo  da  utilização.  Todavia,  a  possibilidade  do  usuário  poder  se  dirigir a um dos postos de venda do "Bilhete Único" e com seu cartão  creditar­se,  pagando  a  tarifa  antecipadamente,  que  será  descontada  quando  for  registrada  na  catraca  do  coletivo  a  efetiva  utilização  do  serviço  de  transporte,  não  descaracteriza  a  permissão  do  serviço  público.  Ocorre  que  é  esse  repasse  dos  custos  (valores  antecipados  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  pelos usuários) aos permissionários que está servindo de hipótese de  incidência  e  base  de  cálculo,  por  isso,  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidade da tributação. Assim, verifica­se que na situação  acima transcrita não há que se falar em contribuição social prevista no  artigo 22,  inciso  IV da Lei  Federal  8.212/91, pois o  referido  tributo  não incide sobre os valores repassados aos permissionários do serviço  de transporte coletivo.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Campinas/SP – por meio do Acórdão 05­039.665 da 6a Turma da DRJ/CPS  (fls.  205/229) –  considerou o lançamento fiscal improcedente, eis que exonerou os valores lançados, e interpôs  o reexame necessário (recurso de ofício).  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária  em São Paulo/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)  para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DO RECURSO DE OFÍCIO:  O  processamento  de  recurso  de  ofício  está  condicionado  ao  requisito  consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro  da Fazenda.  O  limite  foi  estabelecido  pela Portaria MF nº  03,  de  3  de  janeiro  de  2008,  publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito:  Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  No  caso  em  questão,  trata­se  de  lançamento  superior  ao  valor  da  alçada,  razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido.  Pelos  motivos  fáticos  e  jurídicos  a  seguir  delineados,  entende­se  que  a  decisão recorrida não merece reparo.  O Fisco afirma que o Interessado (Prefeitura do Município de São Paulo, por  intermédio da Secretaria Municipal de Transportes) firmou termo de contrato de permissão do  serviço  de  transporte  coletivo  urbano  de  passageiros,  na  cidade  de  São  Paulo,  com  várias  empresas,  pessoas  jurídicas  constituídas  sob  a  forma  de  Consórcios,  designadas  de  permissionárias de serviço público (itens 4 a 6 do Relatório Fiscal).  A partir disso e da leitura isolada do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, o  Fisco  entende  que  a  execução  desses  serviços  de  transporte  coletivo  urbano  de  passageiros  seria  realizada  por  meio  de  cooperados,  mediante  cooperativas  de  trabalho,  e  executados  diretamente pelo Município de São Paulo/SP.  Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de prestação de  serviços,  relativamente a  serviços que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  trabalho.  (Inciso  acrescentado  pela  Lei  nº  9.876,  de  26/11/99)  (g.n.)  Ocorre, contudo, que compete ao Fisco demonstrar a caracterização de que o  serviço  foi prestado por cooperados, por  intermédio de cooperativas de  trabalho, diretamente  ao  sujeito  passivo,  pois  este  tem  que  se  defender  dos  fatos  que  lhe  são  imputados  e  não  da  tipificação jurídica que lhe é dada, no presente caso a regra estampada no inciso IV do art. 22  da Lei 8.212/1991.  Constata­se,  por meio  dos  elementos  probatórios  juntados  aos  autos,  que  o  Interessado  (Município  de  São  Paulo/SP)  contratou  a  empresa  privada  para  a  execução  dos  serviços  de  transporte  coletivo  urbano  da  cidade  de  São  Paulo,  mediante  a  permissão  de  serviços públicos, prevista no inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, que consiste numa forma  de  transferência  para  a  prestação  de  serviços  públicos,  denominada  delegação.  Tal  transferência é realizada pelo poder concedente (Município de São Paulo/SP) à pessoa jurídica  ou  consórcio  de  empresas  que  demonstre  capacidade  para  seu  desempenho,  por  sua  conta  e  risco.  Lei 8.987/1995:  Art. 2º (...)  II ­ concessão de serviço público: a delegação de sua prestação,  feita pelo poder  concedente, mediante  licitação, na modalidade  de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que  demonstre  capacidade  para  seu  desempenho,  por  sua  conta  e  risco e por prazo determinado;  (...)  IV  ­  permissão  de  serviço  publico:  a  delegação,  a  título  precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos,  feita  pelo  poder  concedente  à  pessoa  física  ou  jurídica  que  demonstre  capacidade  para  seu  desempenho,  por  sua  conta  e  risco.  Com  relação  à  colocação  de  segurados  para  a  prestação  de  serviço  ao  contratante  (Município  de  São  Paulo/SP),  um  dos  pressupostos  da  caracterização  do  serviço  executado mediante cooperativa de trabalho, o Fisco afirma:  “[...]  2.  DA  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR  NÃO  DECLARADO EM GFIP  2.1.  Quando  da  contratação  de  cooperativas  de  trabalho  para  prestação de  serviços, a  tomadora enquadra­se na condição de  sujeito  passivo  da  contribuição  previdenciária  prevista  no  art.  22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, a partir de março de 2000, em  razão  da  alteração  promovida  pela  Lei  n°  9.876,  de  26/11/99,  trazendo a seguinte disposição, transcrita in verbis:  "Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 5          7 prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho." (Incluído pela Lei n° 9.876, de 26.11.99)  (...)  2.4. Ao seu  turno, o Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, diz o seguinte:  "Art.  201.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  seguridade social, é de:  (...)  III ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de prestação de serviços, relativamente a  serviços que  lhes são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§ 7° e  8o do art. 219; (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999)  [...]  Art. 219­[...]  § 7o Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a  fornecer material  ou dispor de  equipamentos,  fica  facultada ao  contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do  valor  correspondente  ao  material  ou  equipamentos,  que  será  excluído  da  retenção,  desde  que  contratualmente  previsto  e  devidamente comprovado.  § 8o Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a  forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido  no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do  parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores  correspondentes a material ou a equipamentos, "(grifos nossos)  (...)  2.7.  Em  consonância  com  os  dispositivos  legais  citados,  as  permissionárias  estavam  obrigadas,  por  expressa  disposição  contratual  (Clásulas  5.6  e  5.7  do  Termo  de  Permissão),  a  apresentar  nota  fiscal  discriminada,  com  indicação  do  valor  total dos serviços e dos valores excluídos da base de cálculo da  contribuição  previdenciária,  nos  termos  da  Orientação  Normativa n°01/2002/PREF.  2.8.  No  entanto,  não  foram  apresentadas  as  notas  fiscais  das  cooperativas,  pois  as  mesmas  não  foram  emitidas  pelas  permissionárias, segundo informado pelo órgão fiscalizado.  2.9. Além do recolhimento da contribuição, a empresa tomadora  está  obrigada  a  declarar  todos  os  fatos  geradores  na Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  ­ GFIP. [...]” (g.n.)  Depreende­se que o simples fato da empresa contratada não fazer uso de sua  força laboral enquanto o serviço de transporte urbano coletivo é executado, isso, por si só, não  tem  o  condão  de  caracterizar  que  os  trabalhadores  estavam  a  disposição  do  Interessado  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  (Município  de  São  Paulo/SP),  prestando­lhe  serviços  diretamente  com  o  seu  poder  de  comando.  Dentro  desse  contexto  fático,  a  previsão  contratual  dos  percursos  e  dos  horários  a  serem  respeitados  retira  a  necessidade  de  orientação  do  contratante,  já  que  o  comportamento  do  trabalhador  decorrerá  de  ordens  emanadas  pelo  seu  empregador,  visando  cumprir as cláusulas contratuais fixadas pelo Poder Público. Como bem explicado na decisão  de primeira instância,  também não há que se confundir o poder que a Administração Pública  tem de fiscalizar o bom cumprimento do serviço delegado com o instituto da cessão de mão de  obra, pois a obrigação contratual da empresa delegatária de prestar as  informações acerca da  realização do serviço público não equivale a colocar seus empregados à disposição do Poder  Público.  No  contrato  de  concessão  ou  permissão,  haverá  a  transferência  da  prestação do serviço público para uma pessoa jurídica ou consórcio de empresas, passando a  desempenhar  a  execução  do  serviço  público  por  sua  conta  e  risco.  Nesse  tipo  de  contrato  administrativo,  não  há  a  transferência  da  titularidade  do  serviço  para  o  concessionário  ou  permissionário, já que esta permanecerá com o poder público concedente em razão de previsão  constitucional ou legal. Assim, no presente caso, o fato de a concessionária ou permissionária  prestar o serviço de transporte coletivo urbano de passageiros em seu próprio nome, conforme  inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, isso representa um ponto diferenciador dos contratos de  prestação  de  serviços  propriamente  ditos,  em que  a  contratada  presta  o  serviço  em nome do  poder  público  concedente,  contratante  (Município  de  São  Paulo/SP),  esta  última  hipótese  configura os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.  Ademais,  deixo  consignado  que,  no  contrato  de  prestação  de  serviço  executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, o prestador desse serviço  é  um  mero  executor  material  contratado  pelo  Poder  Público  que  continua  diretamente  relacionado  com  os  usuários  do  serviço  de  transporte  urbano  coletivo,  não  havendo  transferência da  titularidade da prestação do serviço, e os  trabalhadores  ficam submetidos ao  poder  de  comando  da  própria  contratante  (no  caso  em  tela  o  interessado, Município  de  São  Paulo)  –  tais  como  o  comando  técnico,  gerencial  ou  qualquer  outro  poder  de  comando  que  materialize a intermediação de mão de obra entre a contratada e a contratante. Nesse contrato,  o Poder Público concedente será o responsável direto pela prestação do serviço de transporte  urbano coletivo, assim, o prestador não mantém relação jurídica alguma com os usuários desse  serviço e recebe a sua remuneração do valor avençado com o contratante governamental, já que  o  serviço  de  transporte  urbano  coletivo  continua  sendo  prestado  pela  entidade  pública.  Esse  entendimento não está consubstanciado nos autos, portanto, não há que se falar em execução de  serviços de transporte urbano coletivo executados por cooperados de cooperativas de trabalho  diretamente ao Poder Público.  Esse  fato  de  que  a  prestação  do  serviço  executado  por  cooperados,  por  intermédio de cooperativa de trabalho, não se deu como um mero executor material contratado  pelo Poder Público (Município de São Paulo), fora do campo da intermediação de mão de obra  (terceirização),  também  foi  evidenciado  pelo  Tribunal  Superior  do  Trabalho  (TST),  no  julgamento dos Embargos em Recurso de Revista ­ E­RR 291000­23.2005.5.02.0073 (julgado  em  25/10/2013),  que  responsabilizou  subsidiariamente  a  São  Paulo  Transporte  (SPTrans)  –  empresa que gerencia o sistema de transporte na capital paulista – a pagar débitos trabalhistas  do Consórcio Trolebus Aricanduva, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante  em acordo coletivo, nos seguintes termos:  “[...] II – MÉRITO  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 6          9 Discute­se,  no  caso,  a  responsabilidade  da  São  Paulo  Transportes  –  SPTrans  nos  débitos  trabalhistas  do  reclamante,  contratado pela primeira reclamada.   A despeito de a jurisprudência desta Corte, consubstanciada na  Orientação Jurisprudencial nº 66 da SBDI­1 do TST, posicionar­ se  no  sentido  de  que  a  SPTrans  não  responde  pelos  direitos  trabalhistas  dos  empregados  contratados  pela  primeira  reclamada, a Turma reconheceu a responsabilidade da SPTrans  pelo  pagamento  das  verbas  trabalhistas  postuladas em  face  do  acordo  coletivo  firmado  entre  as  partes,  prevendo  a  sua  responsabilidade  subsidiária,  cuja  observância  se  torna  obrigatória, consoante o disposto no artigo 7º,  inciso XXVI, da  Constituição Federal.  Vale  ressaltar  que  não  se  trata,  aqui,  de  hipótese  de  terceirização  de  serviços,  mas  de  obediência  à  previsão  normativa. (g.n.)  Esse  entendimento  já  foi  adotado  reiteradas  vezes  por  esta  Corte, conforme se extrai dos precedentes a seguir transcritos:  "RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA  LEI  N.º  11.496/2007.  RESPONSABILIDADE  SUBSIDIÁRIA.  SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO.  Consignando  expressamente  o  Tribunal  Regional  que  a  responsabilidade  subsidiária  da  SPTrans  decorreu  de  previsão  expressa em norma coletiva, e não da aplicação da Súmula n.º  331,  IV,  desta  Corte  superior,  subsiste  fundamento  para  a  manutenção  da  sua  condenação,  na  qualidade  de  devedora  subsidiária.  Precedentes  da  Corte.  Recurso  de  embargos  conhecido  e  não  provido."  (E­RR  ­  109800­03.2005.5.02.0035,  Relator  Ministro:  Lelio  Bentes  Corrêa,  data  de  julgamento:  29/4/2010,  Subseção  I  Especializada  em  Dissídios  Individuais,  data de publicação: 7/5/2010)  "AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA ­  RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA ­ CONCESSIONÁRIA DE  SERVIÇO  PÚBLICO  ­  PREVISÃO  EM  NORMA  COLETIVA.  Havendo previsão em norma coletiva de que a concessionária de  serviços  públicos  será  responsabilizada  pelo  adimplemento  das  verbas  trabalhistas não pagas pela prestadora de  serviços, não  há como afastar tal responsabilidade, em respeito ao disposto no  art. 7º, XXVI, da Carta Magna.  Agravo  de  instrumento  desprovido."  (AIRR  ­  285340­ 72.2005.5.02.0065,  Relator  Ministro:  Luiz  Philippe  Vieira  de  Mello Filho, data de julgamento: 15/9/2010, 1ª Turma, data de  publicação: 24/9/2010)  "RECURSO  DE  REVISTA.  RESPONSABILIDADE  SUBSIDIÁRIA.  SPTRANS.  PREVISÃO  EM  ACORDO  COLETIVO.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10  No caso em exame, a Corte Regional reconheceu ser a segunda  reclamada  ­  SPTRANS  ­  mera  fiscalizadora  dos  serviços  de  Transporte  Coletivo  do  Município  de  São  Paulo,  mas,  ainda  assim,  condenou­a  subsidiariamente pelas  verbas deferidas, em  virtude  de  expressa  disposição  nesse  sentido,  constante  em  acordo coletivo.  Logo, percebe­se que a decisão regional  foi proferida levando­ se  em  conta  o  disposto  no  artigo  7º,  XXVI,  da  Constituição  Federal, que reconhece plena validade às convenções e acordos  coletivos de trabalho, e não teve como fundamento a Súmula nº  331, IV, de forma a ser inaplicável ao caso o teor da Orientação  Jurisprudencial Transitória nº 66 da SBDI­1, a qual permanece  incólume.  Recurso  de  revista  não  conhecido."  (RR  ­  22000­ 73.2006.5.02.0043, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo  Bastos,  data  de  julgamento:  29/9/2010,  2ª  Turma,  data  de  publicação: 8/10/2010) [...]” (g.n.)  (TST, E­RR­291000­23.2005.5.02.0073, julgado em 25/10/2013)  Extrai­se  dessa  decisão  do  TST  (E­RR­291000­23.2005.5.02.0073)  que  a  responsabilidade  subsidiária  imputada  à  empresa São Paulo Transporte  (SPTrans),  vinculada  ao  Município  de  São  Paulo,  a  pagar  débitos  trabalhistas  das  empresas  concessionárias  ou  permissionárias  do  serviço  público  de  transporte  de  passageiros  –  incluído  os  consórcios  de  empresas –, decorre de cláusula constante em convenção ou acordo coletivo de trabalho, com  fundamento no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal. Por outro lado, em matéria tributária  não  se  pode  imputar  responsabilidade  tributária  oriunda  exclusivamente  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  (convenção  particular),  já  que  a  contribuição  previdenciária  é  compulsória, configurada como tributo, sendo necessário que haja explícita previsão legal ou  constitucional  determinando  a  sua  responsabilidade,  conforme  preconiza  o  art.  97,  inciso  III  (parte final), c/c o art. 123, ambos do CTN.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52,  e do seu sujeito passivo;  .........................................................................................................  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário, as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes. (g.n.)  No que  tange  ao  aspecto  dos  pagamentos  efetuados  aos  concessionários  ou  permissionários, constata­se que a empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), entidade da  Administração Pública indireta municipal, era a responsável pela gestão financeira das receitas  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 7          11 e  despesas  do  serviço  de  transporte  coletivo  de  passageiros  –  conforme  o  art.  39  da  Lei  13.241/2001  (lei municipal – São Paulo) –,  já que ela assumia os pagamentos concedidos  às  concessionárias/permissionárias que operavam no sistema de transporte coletivo.  Isso poderia  sinalizar (suspeitar) que a empresa SPTrans teria assumido diretamente a prestação do serviço  de transporte coletivo no Município de São Paulo e, para realizar tal intento, teria contratado as  empresas  privadas  (ou  consórcios),  sendo  que  estas,  por  sua  vez,  não  assumiriam  risco  no  desenvolvimento dessa atividade e somente colocariam os cooperados à disposição da empresa  SPTrans.  Ocorre,  entretanto,  que  o  lançamento  foi  realizado  em  face  do Município  de  São  Paulo (Secretaria Municipal de Transportes ­ SMT), que tem personalidade jurídica distinta da  empresa  SPTrans.  Diante  desse  fato,  a  análise  da  incidência  ou  não  da  contribuição  Previdenciária,  oriunda  dos  serviços  realizados  por  cooperados  e  por  intermédio  de  cooperativas de  trabalho,  foi  realizada perante Município de São Paulo,  apontado pelo Fisco  como  o  suposto  sujeito  passivo  da  relação  obrigacional  tributária  ora  lançada.  Esse  entendimento é extraído dos seguintes fatos evidenciados no Relatório Fiscal:  “[...] 4.22. Permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A –  SPTrans  –  a  gestão  financeira  das  receitas  e  despesas  do  Serviço  de  Transporte  Coletivo  Público  de  Passageiros,  com  base no art. 39 da Lei nº13.241/2001, devendo a empresa manter  contas  bancárias  específicas,  destinadas  exclusivamente  a  este  fim.  Também  são  firmados  contratos  entre  a  Prefeitura  do  Município de São Paulo, representada pela Secretaria Municipal  de Transportes – SMT e a SPTrans, para prestação de serviços  especializados  de  gerenciamento,  fiscalização,  administração  e  engenharia  de  transporte,  compreendendo  a  manutenção  do  sistema de pagamento aos operadores do sistema de transporte  coletivo urbano de passageiros (ANEXO IX).  4.23.  A  SPTrans  é  responsável  pelo  pagamento  das  remunerações  das  concessionárias  que  operam  no  sistema  de  transporte  coletivo,  sendo  que  os  valores  são  publicados  mensalmente nos “Relatórios das Receitas e Despesas – Sistema  de  Transporte  Coletivo”  ,  em  obediência  à  Lei  nº11.379,  de  17/06/93,  e  podem  ser  consultados  no  sítio  da  SPTrans  na  internet.  4.24.  Os  pagamentos  aos  operadores  do  transporte  são  registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria  (“Conta  Sistema”),  que  não  afeta  seu  resultado,  ou  seja,  não  gera receita, nem despesa para a empresa.  4.25.  Basicamente,  temos  a  entrada  de  recursos  representada  pela  venda  dos  bilhetes  de  passagem  (atualmente  venda  de  créditos  do  Bilhete  Único),  mais  os  valores  repassados  pela  Prefeitura  (gratuidades  e  compensação  tarifária)  e  as  saídas  quando do pagamento aos operadores que prestam  serviços no  sistema de transporte coletivo.  4.26.  Os  pagamentos  às  Concessionárias  que  prestam  os  serviços  de  transporte  coletivo  público  de  passageiros  no  município  de  São  Paulo  eram  lançados  na  contabilidade  da  SPTrans,  na  conta  “Sistema  Municipal  de  Transportes  Coletivos”,  identificada  pelo  código  2.1.52.01.  À  partir  de  10/2006,  tais  pagamentos  passaram  a  ser  lançados  na  conta  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12  “STCUP  ­  Sistema  de  Transportes  Coletivo  Urbano  de  Passageiros”,  identificada  pelo  código  2.1.53.01.  O  valor  de  cada  consorciada,  a  ser  depositado  nas  respectivas  contas  bancárias,  está  discriminado  nos  “Demonstrativos  de  Valores  Remunerados  por  Serviços  Prestados”,  juntados,  por  amostragem, no ANEXO XII.  4.27.  Também  foram  apresentados  os  arquivos  digitais  (planilhas)  demonstrando  o  valor  das  remunerações  pagas  mensalmente  a  cada  um  dos  consórcios  (ANEXO  X),  devidamente  autenticados  pelo  Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  SVA,  conforme  recibo  de  20/09/2011 (recibos no ANEXO XI). As planilhas serão tratadas  no próximo item, referente à apuração do crédito.  4.28.  A  forma  de  remuneração  das  concessionárias  foi  distinta  em etapas ou períodos determinados, em função da vigência dos  dispositivos contratuais, que foram sendo alterados ao longo do  tempo, conforme disposto na Cláusula SÉTIMA do Contrato de  Concessão e Termos de Aditamento subseqüentes, que tratam da  remuneração  (Contrato  nº  701/03  –  SMT.GAB,  assinado  em  21/07/2003 e aditivos – ANEXO VI):  4.28.1.  O  valor  da  remuneração  nos  serviços  regulares  corresponde  ao  produto  de  dois  fatores:  a)  o  valor  da  remuneração ofertada em sua proposta comercial; b) o número  de  passageiros  registrados.  Tais  valores  são  ajustados,  nos  termos  do  contrato  e  seus  aditivos,  considerando  o  Índice  de  Integração  e  o  Índice  de  Gratuidade,  dentre  outros  critérios  contratualmente e legalmente previstos.  4.28.2.  O  número  de  passageiros  transportados  deve  ser  registrado  em  sistema de  controle  das  permissionárias,  aferido  pela SPTrans (validadores e catracas eletrônicas nos veículos e  sistemas de transmissão dos dados).  4.28.3.  Os  Termos  de  Aditamento  determinam,  dentre  outras  coisas,  a  instalação  de  equipamentos  de  monitoramento  embarcado  –  AVL,  em  toda  a  frota.  Definem,  também,  o  atendimento  às  pessoas  portadoras  de  deficiência  ou  com  mobilidade  reduzida,  bem  como  plano  para  obtenção  da  certificação de qualidade.  4.28.4.  As  operações  são  remuneradas  considerando,  além  da  remuneração  por  passageiro,  um  complemento  em  função  da  renovação de frota com idade superior ao limite contratual. Em  relação  à  quantidade  de  passageiros,  além  dos  pagantes  registrados,  considerou­se,  também,  na  fórmula  da  remuneração,  os  passageiros  integrados  e  os  gratuitos  registrados. Assim sendo, passaram a ser  considerados,  para a  obtenção do valor total da remuneração, o “Fator de Integração  – FI” e o “Fator de Gratuidade – FG”. [...]”  Neste particular referente aos pagamentos realizados pela empresa São Paulo  Transportes S/A (SPTrans), evidencia­se ainda que faltou o requisito material da hipótese de  incidência da contribuição previdenciária,  incidente sobre a prestação dos serviços realizados  por meio de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, já que o Município de São  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 8          13 Paulo (Recorrente) não realizou diretamente os pagamentos aos prestadores de serviços, visto  que ele não estava obrigado a realizar tal intento.  Logo,  não  estão  materializados  os  elementos  (requisitos)  suficientes  para  caracterizar o instituto da prestação de serviços por cooperados ao Interessado (Município de  São  Paulo/SP),  prevista  no  inciso  IV  do  art.  22  da  Lei  8.212/1991,  eis  que  não  ficou  comprovado nos autos que os trabalhadores estariam submetidos a execução direta de serviços  do  próprio  Interessado  (Município  de São Paulo/SP),  e  não  do  cedente  (empresa privada  ou  consórcio  de  empresas,  designados  de  permissionários).  Ou  de  outra  maneira,  não  houve  a  materialização  de  que  os  trabalhadores  foram  colocados  à  disposição  do  poder  público  contratante  (Município  de  São  Paulo/SP),  para  a  prestação  do  serviço  público  de  transporte  urbano coletivo, previsto no contrato administrativo de permissão, diretamente pelo Município  de São Paulo.  Por sua vez, a meu ver, nem mesmo a simples indicação de que o serviço está  relacionado como prestado por  intermédio de cooperativa de  trabalho, seja pela Lei  (no caso  em tela o inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991), seja pelo Decreto, retira a necessidade de o  Fisco agir em conformidade com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN),  demonstrando a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição, mediante a caracterização  clara e precisa da presença da cessão de mão de obra na prestação dos serviços de transporte  urbano coletivo.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Com  isso,  percebe­se  que  o  Fisco  deixou  de  fundamentar  a  execução  de  serviços  por  meio  de  cooperados  no  Relatório  Fiscal,  eis  que  neste  documento  não  há  as  circunstâncias de  fato e de direito que  justifiquem a  imposição  fiscal, de modo a garantir ao  sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dando­lhe ciência daquilo o que deve  se defender.  Logo,  não  vejo  outra  solução,  senão  concorda  com  a  decisão  de  primeira  instância, pois não restou devidamente configurada a ocorrência do fato gerador da obrigação  principal,  conforme  ficou  consignado  no  Voto  do  Relator.  E,  por  consectário  lógico,  será  afastada a necessidade do sujeito passivo declarar os valores  lançados na obrigação principal  em GFIP, não ocorrendo o descumprimento de obrigação acessória.  Diante do exposto, no que tange ao reexame necessário (recurso de ofício), a  decisão de primeira  instância não merece qualquer  reparo, eis que  ela  está em conformidade  com a legislação jurídico­tributária de regência.  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14    CONCLUSÃO:  Voto no sentido de CONHECER do  recurso de ofício para NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.              Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 9          15   Declaração de Voto  Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  com  fundamento  na  inobservância  da  obrigação  tributária  acessória  prevista  no  art.  32,  inciso  IV  e  §  5º,  da  Lei  8.212/1991,  acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que  consiste  em  a  empresa  apresentar  a  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP)  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições previdenciárias, nas competências 04/2007 a 08/2008.  No  caso,  a Secretaria Municipal  de Transporte  do Município  de São Paulo  deixou de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social  (GFIP)  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias:  as  remunerações  pagas  relativamente  aos  serviços  que  lhe  foram  prestados  por  cooperados,  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  o  que  constitui  infração  ao  inciso  IV  do  art.  32  da  mesma  Lei  8.212/1991,  tudo  conforme  o  relatório  elaborado  pelo  ilustre  Conselheiro  Ronaldo  de  Lima  Macedo.   Do exame do auto de infração, do acórdão da impugnação ao  lançamento e  do  recurso  de  ofício  acostado  aos  presentes  autos,  entendemos  que  o  cerne  da questão  a  ser  debatido, se desdobra em um ponto principal: o cabimento da prestação de serviços por meio  de cooperados de trabalho na concessão ou permissão de serviços públicos, transporte coletivo  de  passageiros  no  caso  em  concreto  do  presente  processo  administrativo  tributário,  uma vez  que a obrigação acessória que se entende inadimplida depende da comprovação da ocorrência  do fato gerador tributário.  Diante dessa premissa, e partilhando da opinião que o Direito Tributário é um  direito de superposição, encaminharemos o presente voto com a preliminar análise jurídica do  contrato de concessão de serviços públicos e sua compatibilidade com o instituto da prestação  de  serviços  terceirizados.  Na  seqüência,  partindo  da  cópia  de  instrumento  da  concessão  acostado  aos  autos,  analisaremos  se  as  premissas  jurídicas  que  embasam  o  contrato  de  concessão de serviços públicos compatibilizam com as disposições do artigo 22, inciso IV, da  Lei de Custeio da Previdência Social e se aplicam ao contrato em apreço. Em caso positivo,  avançaremos  na  verificação  fática,  para,  enfim,  concluir  ou  não  pela  procedência  do  lançamento, consoante as provas acostadas pelo Fisco aos autos.  A concessão e a permissão de  serviços públicos, previstas no artigo 175 da  Constituição Federal, foi regulamentada pela Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que em  seu artigo 2º, apresenta os conceitos legais sobre os institutos:  Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considera­se:  I ­ poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o  Município,  em cuja  competência  se  encontre  o  serviço  público,  precedido  ou  não  da  execução  de  obra  pública,  objeto  de  concessão ou permissão;  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16  II ­ concessão de serviço público: a delegação de sua prestação,  feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade  de  concorrência,  à  pessoa  jurídica  ou  consórcio  de  empresas  que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta  e risco e por prazo determinado;  III  ­  concessão  de  serviço  público  precedida  da  execução  de  obra  pública:  a  construção,  total  ou  parcial,  conservação,  reforma,  ampliação  ou  melhoramento  de  quaisquer  obras  de  interesse  público,  delegada  pelo  poder  concedente,  mediante  licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou  consórcio  de  empresas  que  demonstre  capacidade  para  a  sua  realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da  concessionária  seja  remunerado  e  amortizado  mediante  a  exploração do serviço ou da obra por prazo determinado;  IV  ­  permissão  de  serviço  público:  a  delegação,  a  título  precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos,  feita  pelo  poder  concedente  à  pessoa  física  ou  jurídica  que  demonstre  capacidade  para  seu  desempenho,  por  sua  conta  e  risco. (sublinhamos)  Depreende­se,  do  texto  legal,  que  a  concessão  e  a  permissão  de  serviço  público  são  a  transmissão  para  que  o  particular  preste  esse  serviço, por  sua  conta  e  risco,  durante prazo determinado. Tal outorga deve se dar  sempre por contrato  (artigo 4º da Lei nº  8.987), e ser precedida de licitação.  O  contrato  de  concessão  de  serviço  público  deve  conter  as  cláusulas  essenciais arroladas no artigo 23, dentre as quais destacamos: o objeto e a área da prestação; o  prazo  da  concessão;  a  forma  e  condições  de  prestação  do  serviço;  os  critérios,  indicadores,  fórmulas  e  parâmetros  definidores  da  qualidade  do  serviço;  o  valor  e  os  critérios  e  procedimentos  para  o  reajuste  e  a  revisão  das  tarifas; os  direitos,  garantias  e  obrigações  do  poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de  futura  alteração  e  expansão  do  serviço  e  conseqüente  modernização,  aperfeiçoamento  e  ampliação dos equipamentos e das instalações; etc.  Importa ressaltar que, por força do artigo  40 da mesma Lei nº 8.987/95, tais disposições igualmente se aplicam ao contrato de permissão.  As cláusulas essenciais mencionadas, dentre tantas outras, são exemplos dos  poderes reservados pela lei à Administração Pública quando da concessão de serviços que por  ela  poderiam,  ou  deveriam,  ser  prestados  por  serem  “necessidade  de  interesse  geral  dos  administrados”1,  em  face  de  seu  caráter  de  serviço  público. Maria  Sylvia Zanella Di  Pietro2  ensina que “é o Estado, por meio da lei, que escolhe quais as atividades que, em determinado  momento,  são  consideradas  serviços públicos”  e que,  no  caso brasileiro,  por vezes  a própria  Carta escolhe, como o faz quanto ao transporte coletivo (CF, artigo 30, V).  Assim,  podemos  afirmar  que  decorre  do  interesse  geral  na  fruição  dos  serviços e do fato de ser prestado pela Administração Pública, que os contratos de concessão,  ou  de  permissão,  dos  serviços  públicos  ao  particular  possuam  cláusulas  e  condições  que  exorbitam àqueles firmados no âmbito privado, entre particulares. Essas condições e cláusulas  são chamadas de exorbitantes.                                                              1   Serviço  público,  segundo  Diógenes  Gasparini,  no  sentido  material  é  “uma  função,  uma  tarefa  uma  atividade da Administração Pública, destinada a satisfazer as necessidades de interesse geral dos administrados”  (GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 293)  2   DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella.  Direito Administrativo. 20 ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2007. p.89.  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 10          17 Tratando das cláusulas exorbitantes Maria Sylvia Di Pietro explicita que estas  “conferem ao concedente os poderes de alterar e rescindir unilateralmente o contrato, fiscalizar  a sua execução, aplicar penalidades...”3, isto é, caracteriza o poder contratual exorbitante a  unilateralidade das decisões, no limite da lei e do contrato referente à concessão.  Apoiados  nos  conceitos  acima  expostos,  podemos  dizer  que  o  contrato  de  concessão  de  serviço  público  é  aquele  que  enseja  a  delegação  da  prestação  de  determinado  serviço – previsto na lei como público – ao particular, para que este o execute, por sua conta e  risco  ,  durante  todo  o  prazo  contratualmente  previsto, mediante  retribuição  por  meio  de  tarifa (paga pelo usuário do serviço público). Os contratos administrativos de concessão e o  de permissão, outorgam à Administração Pública poderes para – unilateralmente – alterar ou  rescindir o contrato e ainda fiscalizar sua execução, aplicando, ela própria, penalidades quando  for o caso.   Perquirindo os pontos essenciais da definição acima, encontramos a questão  da execução e a assunção dos riscos pelo concessionário/permissionário dos serviços públicos,  e a forma de remuneração (tarifa paga diretamente pelo usuário). Dito de maneira diversa: cabe  ao concessionário/permissionário a execução do serviço público, assumindo ele, todos os  riscos  desta  execução  e  sendo  remunerado  por  tarifa,  que  lhe  é  paga  diretamente  pelo  usuário do serviço que ele presta em nome da Administração.  Completa nossa identificação dos pontos essenciais, o entendimento de Lucas  Rocha Furtado4 sobre os requisitos necessário à prestação de serviços públicos sob regime de  concessão, que transcrevemos pela clareza:  “1.  deve  tratar­se  de  serviço  privativo  do  Estado,  definido  na  Constituição Federal ou em lei como serviço público  2. o  serviço a  ser  delegado deve  admitir  a  sua exploração  em  caráter  empresarial,  em  que  as  receitas  auferidas  pelo  concessionário  sejam  suficientes  para  cobrir  as  despesas  necessárias à prestação;  3.o  serviço  deve  ser  prestado  à  população,  sendo  o  concessionário remunerado pelo usuário por meio de tarifa;  4. deve­se tratar de serviço ‘uti singuli”; e  5.a existência de lei ou dispositivo constitucional que autorize a  delegação do serviço à concessionária.” (negritamos)  Cotejando  as  características  do  contrato  de  concessão,  ou  de  permissão,  de  serviços  públicos  com  os  requisitos  essenciais  para  a  concessão/permissão,  encontramos  a  execução dos serviços pelo concessionário/permissionário (assim entendida a prestação por sua  conta e risco), e a remuneração por tarifa, paga diretamente pelo usuário.  Ao  se  analisarmos  a  concessão,  ou  a  permissão,  de  serviços  de  transporte  público  municipal,  veremos  que,  em  tese,  tal  concessão  atende  aos  requisitos  essenciais,  extraídos da  lei, acima observados. Observa­se que há disposição constitucional  (CF, art. 30,                                                              3   DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. ob. cit. p. 273.  4   FURTADO,  Lucas  Rocha.  Curso  de  Direito  Administrativo.  Belo  Horizonte:  Editora  Fórum,  2007.  p.553.  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     18  V)  que  definindo  o  transporte  público  urbano  com  serviço  público,  permite  que  ele  seja  prestado por meio de contrato de concessão ou de permissão. O concessionário/permissionário  teria condições de prestar o serviço sob sua conta e risco, sendo remunerado por tarifa.  Mas, será que é isso que ocorre no caso em apreço? Vejamos.   O termo de permissão, acostado aos autos, dispõe em sua cláusula QUARTA  que  os  serviços  serão  prestados  pelos  operadores  autônomos,  indicados  pelo  licitante.  Após  descrever  as  obrigações  ordinárias  de  um  típico  contrato  de  permissão,  determina  que  o  permissionário  deverá  se  compor  com  o  concessionário  da  mesma  área  para  garantir  a  integração  operacional  entre  as  linhas  estruturais  e  as  locais,  estas  de  responsabilidade  de  operação dos permissionários.  A leitura atenta desta  cláusula nos  comprova que a operação do sistema de  transporte  público  local  se  desenvolve  sob  a  responsabilidade  do  permissionário,  cabendo  à  Administração  Pública,  por  meio  da  SPTrans,  gerenciadora  dos  serviços  por  delegação  da  SMT.  Com  essa  verificação,  nos  resta  analisar  a  forma de  remuneração,  uma  vez  que,  segundo visto  acima,  a  execução dos  serviços  na permissão ou  concessão de  transporte  público deverá ocorrer por conta e risco do permissionário ou concessionário, conforme o caso.  A  forma  da  remuneração  está  estabelecida  na  cláusula  quinta  do  termo  de  permissão  (fls  130  do  DOCC  1  do  processo  digitalizado),  e  é  calculada  somente  pela  quantidade de passageiros catracados multiplicada pelo valor da tarifa estipulada.  Ora,  tal  forma  de  remuneração  demonstra  que  o  risco  da  prestação  de  serviços de transporte público é imputado ao permissionário, uma vez que ele está adstrito ao  cumprimento  da  prestação  do  serviço  de  transporte  de  passageiros  dentro  da  área  da  cidade  denominada área local, nas condições constantes do termo de permissão, percebendo por esses  serviços tarifa, determinada em contrato, por passageiro efetivamente transportado.  Importa, para firmarmos nossa convicção, a existência do risco inerente ao  serviço  público  delegado  ao  particular  no  contrato  de  concessão  ou  permissão  especificamente quanto à relação entre o poder concedente e o permissionário, uma vez que  este está substituindo aquele, no sentido da efetiva (total e completa) prestação do serviço  ao  particular,  ao  usuário.  Nessa  hipótese,  o  que  ocorre  de  fato  é  que  a  Administração  Pública  se  socorre  do  particular  para  a  realização  do  serviço,  restando  à Administração  Pública o gerenciamento, fiscalização e organização do serviço.  É isso o que se verificou no termo de permissão acostado.  Por meio da Secretaria Municipal de Transportes, houve a  contratação de  cooperados para a prestação de serviços do  transporte coletivo, por  intermédio de uma  cooperativa  de  trabalho,  porém  seguindo  as  determinações  do  poder  público,  que  gerencia, fiscaliza, administra.  Agora,  por  todo  o  exposto,  e  pelo  que  se  observa  e  se  comprova  pelos  documentos  acostados  ao  presente  processo  administrativo  tributário,  é  que  –  no  caso  em  apreço –há a efetiva substituição do Poder Público Municipal na prestação de serviços de  transporte público de ônibus em São Paulo.  Logo,  verificado  que  na  presente  permissão  de  serviços  públicos  o  permissionário  substitui  o  concedente,  ou  seja,  presta  o  serviço  assumindo  o  risco  e  sendo  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/2011­35  Acórdão n.º 2402­003.891  S2­C4T2  Fl. 11          19 remunerado  diretamente  pelo  usuário,  por  tarifa,  torna­se  incabível,  a  substituição  tributária  incidente na  contratação de  serviços por meio de  trabalho cooperado, uma vez que a  efetiva  prestação, no caso em concreto, foi realizada para o usuário.  Por todo o exposto, e pelas provas acostadas ao Auto de Infração, conclui­se  que  a  Administração  Pública  contratou,  por  meio  de  permissão  de  serviço  público,  cooperativas de trabalho para que estas prestassem diretamente aos usuários os serviços  especificados no termo de permissão.  Em conclusão, entendo ser indevida a contribuição de 15% sobre os valores  da  nota  fiscal/fatura  de  serviços  prestados  por  meio  de  cooperativa  de  trabalho  no  caso  da  contratação, por meio do contrato de permissão anexado, de empresa prestadora de serviços de  transporte público de passageiros e por via de conseqüência, inexiste o dever de informação em  GFIP.  Portanto, em conclusão, voto no sentido de CONHECER o recurso de ofício  para negar­lhe provimento.    Carlos Henrique de Oliveira.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10580.732687/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Relatório Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao ano-calendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatá-los. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e)"CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARTANTIDA", N° 4982-2, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM -COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DEARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 4982-2, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTLMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar-se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente-se. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". Em resposta, a autuada, de boa-fé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré-pago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré-pagos). Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de pré-pago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais -normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques - descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré-pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de pré-pago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe-se apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referem-se a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) - no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optou-se, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondo-lhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratar-se de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repita-se. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boa-fé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA -Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27.DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA - Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares pré-pagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explica-se. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28.Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda"cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular pré-pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábil-fiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressalte-se que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, pré-pagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo -doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular pré-pago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS-BA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verifica-se que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular pré-pago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular pré-pago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular pré-pago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente-se, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO - Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. I - DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permiti-la, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. Como é notório, tais prescrições normativas encontram-se no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornado-se, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentou-se exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. NULIDADE - DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. A prescritividade legal mencionada parece ajustar-se com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reporta-se a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105-17.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50.O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Istofaz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. III - NULIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. Mas note-se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59.NULIDADE - APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual - já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago), este sim tributado pelo ICMS - tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. Isto porque a autuada adquire os cartões pré-pagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré-pagos). Pode-se dizer que o regime assemelha-se a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. Além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos pós-pagos. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos pós-pagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa-se que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares pré-pagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66.Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos naconta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente,para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32%(próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um únicofundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado,também por este argumento. DO MÉRITO Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. Operação de recarga física - Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. Operação de recarga eletrônica - Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito pré-pago nos celulares dos clientes. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Operação das Lojas - Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos pós-pagos. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos pós-pagos entre os clientes e a TIM. Transferências entre contas da mesma titularidade - Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82.Contratos de locação com a CEMIG - A autuada esclarece, ainda, que possui umimóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato delocação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda - Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. Conclusões - Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO - Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88.DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA - Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. I - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. - Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96.II - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseou-se, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO -Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. DO PEDIDO - Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindo-se, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu-se ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu-se de ofício. Intimado da decisão, o Interessado apresentou recurso voluntário de fls. - , reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Relatório Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao ano-calendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatá-los. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e)"CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARTANTIDA", N° 4982-2, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM -COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DEARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 4982-2, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTLMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar-se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente-se. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". Em resposta, a autuada, de boa-fé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré-pago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré-pagos). Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de pré-pago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais -normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques - descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré-pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de pré-pago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe-se apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referem-se a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) - no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optou-se, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondo-lhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratar-se de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repita-se. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boa-fé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA -Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27.DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA - Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares pré-pagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explica-se. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28.Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda"cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular pré-pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábil-fiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressalte-se que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, pré-pagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo -doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular pré-pago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS-BA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verifica-se que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular pré-pago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular pré-pago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular pré-pago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente-se, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO - Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. I - DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permiti-la, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. Como é notório, tais prescrições normativas encontram-se no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornado-se, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentou-se exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. NULIDADE - DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. A prescritividade legal mencionada parece ajustar-se com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reporta-se a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105-17.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50.O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Istofaz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. III - NULIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. Mas note-se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59.NULIDADE - APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual - já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago), este sim tributado pelo ICMS - tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. Isto porque a autuada adquire os cartões pré-pagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré-pagos). Pode-se dizer que o regime assemelha-se a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. Além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos pós-pagos. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos pós-pagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa-se que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares pré-pagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66.Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos naconta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente,para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32%(próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um únicofundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado,também por este argumento. DO MÉRITO Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. Operação de recarga física - Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. Operação de recarga eletrônica - Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito pré-pago nos celulares dos clientes. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Operação das Lojas - Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos pós-pagos. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos pós-pagos entre os clientes e a TIM. Transferências entre contas da mesma titularidade - Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82.Contratos de locação com a CEMIG - A autuada esclarece, ainda, que possui umimóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato delocação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda - Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. Conclusões - Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO - Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88.DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA - Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. I - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. - Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96.II - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseou-se, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO -Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. DO PEDIDO - Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindo-se, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu-se ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu-se de ofício. Intimado da decisão, o Interessado apresentou recurso voluntário de fls. - , reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.590            2 Relatório  Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase  processual, complementando­o ao final:  Trata  o  processo  em  questão  de  Autos  de  Infração  referentes  ao  ano­calendário  de  2008,  para  exigência  do  Imposto  de  Renda  Pessoa Jurídica ­ IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido ­ CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  no  valor  de  R$  4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS  no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e  multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79.  De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ,  o  lançamento  foi  efetuado sob as seguintes alegações:  Arbitramento  do  lucro  que  se  faz  tendo  em  vista  que  a  escrituração  mantida  pelo  contribuinte  é  imprestável  para  determinação  do  Lucro  Real,  uma  vez  que  não  contempla  seu  movimento  bancário,  nem  em  conta  própria,  banco  conta movimento,  nem  na  conta  caixa.  Enquadramento  Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99  Infração  01  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO COMPROVADA ­ Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo.  Enquadramento Legal: Arts. 27,  inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e  537 do RIR/99.  Em  decorrência  dos  mesmos  pressupostos  fáticos  da  infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS  e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS.    Do Termo de Verificação Fiscal.  Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o  seguinte:  a)  Da  analise  dos  extratos  bancários,  do  contribuinte,  selecionamos  diversos  lançamentos  de  credito,  objetivando obter comprovação das respectivas origens,  o  que  motivou  a  lavratura  dos  TERMOS  DE  CONSTATAÇÃO E DE  INTIMAÇÃO FISCAL N°  001  a  003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por  escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis  em  que  foram  escriturados  todos  os  lançamentos  (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos  valores creditados, em suas contas bancárias, conforme  relação,  informando,  por  escrito,  e  comprovando,  Fl. 29590DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.591            3 através  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  e  tributação dos respectivos recursos;  b)  Em  resposta  aos  termos  lavrados,  o  contribuinte  apresentou  um  vasto  documental,  alegando,  dentre  outras  coisas,  que  em  virtude  de  peculiaridades  de  sua  atividade empresarial, recebia valores que seriam meros  repasses  financeiros  a  serem  transferidos  a  outras  empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas  como  oriundas  de  atividade  comercial,  fatos  estes  que  não consideramos por não encontrarmos respaldo  legal  para  acatá­los.  O  fiscalizado  nos  informou  que  os  valores listados abaixo não seriam receitas da atividade,  e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco  Indusval Multistock :  c)  O  fiscalizado  apresentou,  como  prova  dos  referidos  empréstimos bancários, os seguintes documentos:  d)  "CÉDULA  DE  CRÉDITO  BANCÁRIO  ­  CONTA  GARANTIDA",  N°  5643,  datada  de  21/01/2008,  vencimento 22/04/2008, valor limite de  credito de RS 1.000.000,00;  e)  "CARTA  DE  FIANÇA",  N°  1815/06,  datada  de  23/11/2006,  vencimento  23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00;  f)  "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N°  1815/06",  emitida  em  23/11/2006",  de  17/10/2007,  prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o  valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ;  g)  "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO  ­  CONTA  GARTANTIDA",  N°  4982­2,  datado  de  21/01/2008,  aditando  a  "CÉDULA  DE  CRÉDITO  BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ),  datada  de  21/01/2008,  alterando  o  vencimento  para  22/04/2008,  alterando  o  limite  de  credito  para  R$  2.000.000,00;  h)  "INSTRUMENTO  PARTICULAR  PARA  CONSTITUIÇÃO DE  ARBITRAGEM ­COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de  23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal  RS 1.000.000,00;  i)  "INSTRUMENTO  PARTICULAR  PARA  CONSTITUIÇÃO  DE  ARBITRAGEM  (  COMPROMISSO  ARBITRAL  )  "  N°  4982­2, datada de  18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ;  Fl. 29591DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.592            4   j)  Copia  de  documentos  intitulados  "Extrato  Indusval"  referente  aos meses  de  janeiro  a  julho  e  de  setembro  a  novembro ;  k) Considerando que as informações e os documentos citados  nos  itens  2  e 3,  por  si  só,  não  comprovam nenhum dos  seus  respectivos  valores,  lavramos  o  TERMO  DE  RELNTLMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas  informações e comprovações ;    l)  Em  resposta  ao  TERMO  DE  REINTIMAÇÃO  FISCAL  N  0001, o  fiscalizado  nos  apresentou,  novamente,  os  documentos  citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período,  documentos  estes  que,  por  si  só,  não  demonstram  nem  comprovam nenhum dos valores questionados ;  m)  O  fiscalizado,  regularmente  intimado,  não  comprovou  a  escrituração,  em  seus  livros  contábeis,  dos  valores  creditados,  em  suas  contas  bancárias,  nem  comprovou  sua origem como estranha à atividade social da empresa,  dos  valores  listados  abaixo  :  Junta  ao  Termo  de  Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os  depósitos  bancários,  cuja  origem  não  teria  sido  justificada.  n)  Diante  do  exposto,  estamos  lavrando  o  presente  Auto  de  Infração,  baseado  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96,  tendo  em  vista  a  cobrança  dos  respectivos  tributos  federais,  considerando  como  omissão  de  receita,  os  valores  listados no item 6, que resumimos em valores mensais e  trimestrais:    MES  MENSAL  TRIMESTRAL  Janeiro  10.015.461,76    Fevereiro  5.929.605,50    Março  9.058.310,54  25.003.377,80  Abril  10.943.734,67    Maio  10.995.336,57    Junho  11.763.471,86  33.702.543,10  Julho  12.730.727,55    Agosto  10.399.914,13    MES  MENSAL  TRIMESTRAL  Setembro  16.943.485,40  40.074.127,08  Outubro  15.411.157,14    Novembro  14.914.805,41    Dezembro  17.944.349,94  48.270.312,49  Total  147.050.360,47  147.050.360,47    Fl. 29592DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.593            5 o)  Considerando  que  a  escrituração  contábil,  apresentada  pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário,  nem  em  conta  própria,  "banco  conta  movimento",  nem  na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em  virtude  de  sua  escrituração  encontrar­se  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  bancária,  ao  fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999.    Da Impugnação  Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012,  em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando,  resumidamente, as seguintes razões:  1.  Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os  Livros  Fiscais  solicitados  pela  Fiscalização.  Entretanto,  afirmou  o  Autuante  que  não  foram  entregues  as  cópias  dos  extratos  bancários,  o  que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  (RMFs)  para  algumas  instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente­se.  2.  Após  as  respostas  apresentadas  pelos Bancos,  foram  obtidos  inúmeros  extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais  consignavam,  diversos  depósitos  recebidos.  Em  seguida,  o  i.  Fiscal  aduziu  que  "confrontando  os  extratos  bancários,  com  a  escrituração  contábil,  apresentada  pelo  fiscalizado,  constatamos  que  a  mesma  não  contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta  movimento', nem na conta Caixa".  3.  Em  resposta,  a  autuada,  de  boa­fé,  apresentou  petição,  em 24/05/2012  (fls.  991  a  995  dos  autos),  na  qual,  inicialmente,  explicou  que  atua  no  ramo  de  distribuição  e  intermediação  da  venda  de  recarga  pré­paga  para telefonia móvel.  4.  Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia  móvel  (TIM,  OI,  CLARO  e  VIVO)  habilitam  diversas  distribuidoras,  entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré­ pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e  variedade  de  localidades  possíveis,  visando  alcançar  todo  o  potencial  mercado consumidor.  5.  Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas  operadoras  de  telefonia  móvel  (chamadas  aqui  de  "primeiras  intermediárias")  operam  em  macroregiões  e,  para  otimizar  e  conferir  maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré­pago, firmam  contratos  com  outras  empresas  (chamadas  de  "intermediárias  secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos  em nichos menos abrangentes.  6.  Os  "intermediários  secundários",  por  sua  vez,  contratam  os  chamados  "pontos  de  venda",  que,  normalmente,  são  as  padarias,  bancas  de  Fl. 29593DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.594            6 revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas  ou mercadinhos  de  bairro  etc,  os  quais  ficam  responsáveis  pela  venda  direta  das  recargas  ao  consumidor  final  (clientes  de  celulares  pré­ pagos).  7.  Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como  "primeira  intermediária"  (quando  é  contratada  diretamente  por  uma  operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária"  (quando  é  contratada  pelas  "primeiras  intermediárias"  e  fica  responsável  por  captar  e  cadastrar  os  "pontos  de  venda"  e  coordenar  toda  a  distribuição  para  estes  das  recargas  de  pré­pago,  que,  posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais).  8.  Ao  término  de  um  período  determinado,  cada  "ponto  de  venda"  deve  prestar  contas  das  operações  realizadas  e  efetuar  o  pagamento  às  empresas  chamadas  de  "intermediárias  secundárias"  dos  valores  recebidos dos consumidores finais ­normalmente, por meio de boletos ou  depósitos  bancários  ou,  ainda,  por  meio  de  cheques  ­  descontando  o  valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total  auferido.  9.  Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias  secundárias"  toda  a  receita  decorrente  da  venda  das  recargas  de  pré­ pago  aos  clientes,  abatendo  apenas  deste  valor  o  seu  percentual  de  comissão  (como  dito,  4%  a  5%).  Em  seguida,  cada uma  das  empresas  denominadas  aqui  de  "intermediárias  secundárias"  repassa  os  valores  recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também  abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno  de 3% a 4%).  10.  E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores  recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu  percentual  de  comissão).  Importante  destacar  que  estas  últimas  (as  operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes  das  vendas de  recarga de pré­pago  (cerca de 90% de  todos os  valores  auferidos)  já  que  são  as  prestadoras  efetivas  do  serviço  de  telecomunicações.  11.  Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal,  em  sua  petição  de  24/05/2012,  que,  muito  embora  grande  parte  do  produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato  é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%)  é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como  a  TIM,  por  exemplo  (nas  hipóteses  em  que  a  impugnante  atua  como  "primeira  intermediária")  seja  para  outras  empresas  chamadas  "primeiras  intermediárias"  (quando  a  impugnante  atua  como  "intermediária secundária").  12.  Em  outras  palavras,  o  resultado  de  sua  atividade  empresarial,  na  qualidade  de  intermediária  na  distribuição  de  recargas,  restringe­se  Fl. 29594DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.595            7 apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas).  Esta é a sua efetiva remuneração.  13.  Em  seguida,  se  reportando  a  planilha  disponibilizada  pelo  i.  Auditor  contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores  creditados  em sua conta  bancária,  esclarecendo que,  de  acordo com a  referida  planilha,  havia  lançamentos  em  sua  conta  bancária  que  totalizaram  a  quantia  de  R$149.318.748,01  (cento  e  quarenta  e  nove  milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um  centavos).  14.  Inicialmente,  a  autuada  esclareceu  que,  deste  montante,  R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil  quinhentos  e  quarenta  e  seis  centavos)  referem­se  a  empréstimos  concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre  contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos  03 e 04 de sua petição.  15.  Com  relação ao montante de R$ 78.331.617,98  (setenta e  oito milhões  trezentos e  trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito  centavos),  explicou  que  se  encontra  devidamente  registrado  em  sua  contabilidade,  conforme  comprova  a  DIPJ  do  período,  bem  como  o  Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados  no Anexo 05.  16.  Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões  quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um  centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal  montante  apenas  transitou  pelas  suas  contas  bancárias,  tendo  sido  repassados às outras  empresas  intermediárias  (nas hipóteses  em que a  autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores  decorrentes da venda de recargas de celulares.  17.  Neste  sentido,  a  impugnante  apresentou,  nos  Anexos  06  e  07,  os  contratos  firmados  com  essas  outras  empresas  (RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  a  Tendência  Informações  e  Sistemas  Ltda.),  os  recibos  emitidos  por  elas,  atestando  que  receberam  as  quantias,  bem  como  os  comprovantes de depósito e boletos bancários pagos,  que demonstram,  categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para  elas.  18.  Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o  ilustre Auditor Fiscal  entendeu  por  bem  ignorar  esses  fatos  e  resolveu  autuar  a  empresa,  com  fundamento  no  art.  42  da  Lei  ng.  9.430/96,  presumindo como omissão de  receitas  todos os depósitos efetuados nas  contas bancárias da ora  impugnante,  já que,  sob  sua ótica,  não  restou  devidamente  comprovada  pelos  documentos  apresentados  a  origem  destes depósitos.  19.  Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de  presunção  do  lucro  de  32%  (próprio  das  atividades  de  prestação  de  Fl. 29595DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.596            8 serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal  atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente  uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual  de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e  dois por cento).  20.  Além  presumir  a  omissão  de  receitas  e  de  aplicar  tal  percentual  indevidamente  majorado,  o  ilustre  Autuante  ainda  considerou  imprestável  a  escrituração  contábil  da  ora  impugnante,  uma  vez  que,  segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem  em  conta  própria,  'banco  conta  movimento',  nem  em  conta  Caixa",  optando  por  arbitrar  o  lucro,  o  que  resultou  num  acréscimo  de  20%,  tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4%  (32% + 20%).  21.  Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando  o  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  seus  reflexos  ­  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  Contribuição  ao  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social (COFINS) ­ no absurdo valor total  (incluindo  a  multa  de  75%  e  juros  de  mora)  de  R$  50.971.013,79  (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e  nove centavos).  22.  Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento  de  Fiscalização,  optou­se,  neste  caso,  pelo  caminho  mais  simples  (e  fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para  o  contribuinte  todo  o  ônus  de  se  autofiscalizar,  impondo­lhe  a  complicada  e  difícil  missão  de  comprovar  neste  processo  a  origem  de,  literalmente,  milhares  de  depósitos  bancários  efetuados  em  sua  conta,  sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito  tributário absolutamente impagável.  23.  E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente  de  depósitos  de  origem  não  comprovada  é  um  instrumento  ou  uma  "arma"  extremamente  poderosa  a  que  dispõe  o  Fisco,  para  coibir  e  impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo,  portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°.  9.430/96.  Porém,  como  tal,  há  de  ser  utilizado  com  muita  cautela  e  parcimônia,  a  fim  de  se  evitar  o  cometimento  de  arbitrariedades  e  injustiças, como a que ora se verifica.  24.  Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não  contabilizar  as  referidas  contas  bancárias,  a  autuada  já  antecipa  que  providenciou  toda  a  sua  recontabilização  referente  ao  ano  de  2008,  incluindo  todos os  lançamentos bancários  em  sua contabilidade  (o que  será  apresentado  neste  feito),  tendo  concluído,  ao  final  deste  procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra  tratar­se  de  um  erro  formal  cometido  anteriormente,  e  não  de  uma  intenção  de  sonegar  tributo,  já  que  todo  o  seu  resultado  fora  devidamente oferecido à tributação, repita­se.  Fl. 29596DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.597            9 25.  Além  disso,  há  de  se  destacar  que  a  ora  impugnante  agiu  de  boa­fé  durante  todo  o  procedimento  de  Fiscalização,  tendo  respondido  às  intimações  feitas,  bem  como  apresentado  todos  os  documentos  que,  naquele  instante,  julgava  necessários  e  suficientes  para  comprovar  a  origem dos depósitos bancários.  26.  DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA ­ Neste  contexto,  importa  salientar  que  as  principais  operadoras  de  telefonia  móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para  realizarem  a  venda  dos  créditos  pré­pagos  de  telefones  celulares.  E  é  neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e  intermediação da venda de recarga pré­paga para telefonia móvel (esta  é  sua  atividade  principal,  mas  não  a  única,  conforme  se  examinará  adiante).    27.  DA  EMISSÃO  DOS  DOCUMENTOS  FISCAIS  PELA  AUTUADA  ­  Conforme  examinado  no  tópico  anterior,  a  atividade  de  venda  e  distribuição  de  recarga  para  celulares  pré­pagos  é,  de  certo  modo,  uma  atividade  atípica,  que  apresenta  algumas  peculiaridades.  Explica­se.  Muito  embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a  "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está  "vendendo"  não  é,  propriamente,  uma  "mercadoria"  (para  fins  de  incidência do ICMS, por exemplo).  28.  Em  verdade,  o  que  se  está  "comercializando"  é  um  meio  ou  um  instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de  telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores  finais  (que  adquirem  as  recargas  de  pré­pago).  Em  outras  palavras,  quando  o  usuário  final  se  dirige  a  um  dos  "pontos  de  venda"  cadastrados  pela  ora  impugnante  e  efetua  a  recarga  do  seu  crédito  de  celular pré­pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o  que  ele  deseja  adquirir  não  é  o  cartão  físico  de  recarga  ou  a  recarga  eletrônica, pura e simplesmente.  29.  Na prática, ele está pagando por um serviço de  telecomunicações, que,  como dito,  será  prestado pelas  "operadoras  de  telefonia móvel".  Logo,  sob  uma  ótica  contábil­fiscal  não  se  pode  analisar  a  atividade  desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria  um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem  a  venda  de  determinados  bens  (ressalte­se  que  a  palavra  "venda"  está  aqui  sendo empregado no seu  sentido amplo).  Isso porque, no  caso do  comerciante  atacadista  (de  gêneros  alimentícios,  por  exemplo),  cada  operação  de  venda  de  mercadorias  é  amparada  por  uma  nota  fiscal  específica,  emitida  no  ato  da  venda,  em  relação  à  qual  o  comerciante  recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais).  30.  Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de  recargas  de  celulares,  pré­pagos,  sua  atividade  não  está  sujeita  à  incidência  do  ICMS,  uma  vez  que  este  imposto  é  pago  apenas  pelas  Fl. 29597DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.598            10 operadoras  de  telefonia  móvel,  em  razão  da  prestação  do  serviço  de  telecomunicações.  31.  Atenta  a  esta  realidade,  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer  n°.  00292/2007  (inteiro  teor  anexo  ­doc.  03),  respondendo  a  uma  Consulta Formal  formulada por  contribuinte. Eis a  ementa do  referido  Parecer:  "ICMS.  Consulta.  Recarga  de  telefone  celular  pré­pago.  A  responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto  é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS­BA/97, art. art.  4°, § 2°, c/c o art. 305.".  32.  Em  conclusão,  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  assim  consignou:  "Da  análise  da  norma  transcrita,  verifica­se  que,  na  prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone  celular  pré­pago,  a  responsabilidade  pela  emissão  de  nota  fiscal  e  recolhimento  do  imposto  é  da  empresa  prestadora  de  serviço  de  telefonia".  33.  Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de  telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões  de  recarga  de  telefone  celular  pré­pago,  a  consulente,  além  de  não  prestar  serviço  de  telecomunicação,  não  realiza  operação  relativa  à  circulação  de  mercadorias,  o  entendimento  é  de  que,  nessa  operação,  não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer  obrigação acessória relativa ao imposto."  34.  Ou  seja,  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  reconheceu,  expressamente,  que  as  empresas  que  atuam  neste  ramo  de  "venda"  de  recarga  de  celular  pré­pago,  não  estão  sujeitas  ao  recolhimento  do  ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas  a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente­se,  ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia,  já  que,  a  título  meramente  exemplificativo,  o  Paraná  também  adota  o  mesmo procedimento.  35.  Mas,  por  óbvio,  o  fato  de não  estar  obrigada a  emitir  uma nota  fiscal  relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará  a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária  por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa  comprovação  não  será  feita  por  meio  da  juntada  de  uma  nota  fiscal  específica  para  cada  valor  depositado,  mas,  sim,  por  diversos  outros  documentos  idôneos  e  hábeis  para  comprovar  todas  as  suas  alegações  acerca da origem dos recursos.  36.  DAS  NULIDADES  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL  ADOTADO  ­  Previamente à  análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na  qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em  sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas  nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado.  Fl. 29598DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.599            11 37.  I  ­  DADOS  OBTIDOS  POR  QUEBRA  DO  SIGILO  BANCÁRIO.  NECESSIDADE  DE  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  MESMO  APÓS  O  ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a  querela  envolvendo  as  autoridades  fiscais  e  os  contribuintes  sobre  o  tema  "quebra  do  sigilo  bancário",  especialmente  quando  se  trata  dos  seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a  competência  para  permiti­la,  os  limites  impostos  quanto  ao  uso  e  a  finalidade dos dados bancários legalmente obtidos".  38.  Com  efeito,  a  quebra  do  sigilo  bancário  realizada  no  curso  deste  Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar  pela  etérea  fundamentação  apresentada  para  sua  realização.  De  fato,  uma  simples  leitura  da  Requisição  de  Informação  de  Movimentação  Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade  fiscal requisitante  não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse.  39.  Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção  da  medida,  vale  dizer,  qual  o  comportamento  da  autuada  que  se  subsumiu  ao  comando  legal.  Tal  atitude  da  requisitante,  coloca  em  cheque  o  pedido  formulado,  bem  como  a  legalidade  das  informações  prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do  sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não  se podendo falar em requisição coercitiva.  40.  Como  é  notório,  tais  prescrições  normativas  encontram­se  no  seio  dos  direitos  e garantias  fundamentais,  compondo, pois, um núcleo  imutável  do  texto  constitucional,  ou,  na  linguagem  clássica,  cláusulas  pétreas,  imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal.  41.  Por  isso,  a  quebra  do  sigilo  bancário,  porquanto  representa  uma  relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade  do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa,  sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra  do  sigilo  bancário  deve  respeitar  rígidos  limites  materiais  (as  circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado),  não  sendo  necessário  dizer  que  ambos  devem  se  coadunar  com  os  valores coletivos.  42.  E  é  por  isso  que  o  procedimento  realizado  pela  Fiscalização  foi  absolutamente  ilegal,  ensejando,  pois,  a  nulidade  do  auto  de  infração  impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada  no  curso  deste  Processo  Administrativo  Fiscal  não  possui  nada  de  legítimo,  a  começar  pela  etérea  fundamentação  apresentada  para  sua  realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de  Movimentação  Financeira  (RMF)  permite  concluir  que  a  autoridade  fiscal  requisitante  não  apresentou  nenhum  fundamento  válido  que  a  justificasse.  43.  Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção  da  medida,  vale  dizer,  qual  o  comportamento  da  autuada  que  se  subsumiu  ao  comando  legal.  Tal  atitude  da  requisitante,  coloca  em  Fl. 29599DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.600            12 cheque  o  pedido  formulado,  bem  como  a  legalidade  das  informações  prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do  sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não  se podendo falar em requisição coercitiva.  44.  A  quebra  do  sigilo,  portanto,  depende  da  autorização  de  órgão  imparcial,  isento  e  equidistante,  ou  seja,  pressupõe  a  intervenção  do  Poder  Judiciário,  que  é  constitucionalmente  obrigado  a  assegurar  tal  condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste  caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente  em abalizar sua persecução fiscal, tornado­se, em uma só oportunidade,  acusador e inquisidor.  45.  Pois  bem.  Confirmando  esta  linha  de  raciocínio  e  consolidando  a  jurisprudência  da Corte,  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  do  RE  389.808,  ocorrido  em  15  de  dezembro  de  2010,  decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal  não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário  do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01.  46.  Portanto,  o  Supremo  Tribunal  Federal,  agora  pelo  seu  Pleno,  decidiu  definitivamente  que  a  Receita  Federal  não  tem  o  poder  de  decretar  a  quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No  presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou  da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a  ilegitimidade  da  prova  que  embasou  o  auto  de  infração  impugnado.  Assim, não  resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela  Fiscalização  está  eivado  de  vício  e  deve  ser  anulado  pela  própria  Administração  Pública  (Delegacia  de  Julgamento),  conforme  Súmula  473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade  absoluta  do  presente  Auto  de  Infração,  pois  este  fundamentou­se  exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente  da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita  Federal, sem a interferência de autoridade judiciária.  47.  NULIDADE  ­  DEPÓSITO  BANCÁRIO  INEXISTÊNCIA  DE  AUTORIZAÇÃO  LEGAL  PARA  A  PRESUNÇÃO  "NO  ATACADO".  No  caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da  Lei  n°  9.430/99,  o  qual,  em  síntese,  estabelece  a  possibilidade  de  cobrança  de  imposto  de  renda  por  presunção  de  omissão  de  receita  sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados.  48.  A  prescritividade  legal  mencionada  parece  ajustar­se  com  a  realidade  dos  fatos,  pois,  uma  vez  não  justificada  a  origem  do  ingresso  de  rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal  depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de  cobrança do imposto.  49.  Aqui,  assim  bem  como  nas  duas  situações  acima  exemplificadas,  a  literalidade  do  texto  legal  não  se  coaduna  com  o  fato  verificado  e  descrito pela Auditora. O texto legal reporta­se a excepcionais depósitos,  no  sentido  esporádico,  inusitado,  único  ou  espaçado.  Enquanto  a  Fl. 29600DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.601            13 situação  fática  da  impugnante  descrita  e  demonstrada  menciona  a  ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados  ao  longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem  razão  que  em  julgado  recente,  sobre  depósito  bancário,  o  Conselho  exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação  "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105­17.098 em 26.06.2008.  Publicado no DOU em: 06.03.2009).    50.  O Auditor  se  limitou  a  aplicar  o  texto  literal  da  lei, de  forma acrítica,  enquanto  seu  dever  seria  o  de  verificar,  na  prática,  para  onde  tais  valores  foram  carreados  e  a  que  título.  Isto  faz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN.  51.  A  observação  é  pertinente,  pois  foi  incluso  no  rol  dos  depósitos  não  comprovados,  inclusive,  as  transferências  entre  contas  da  própria  autuada.  Isto,  por  si  só,  já  demonstra  a  total  falta  de  critério  na  aplicação  da  norma  e  a  insubsistência  das  infrações  em  comento,  na  linha  da  jurisprudência  do CARF. Diante do  exposto,  também por este  argumento,  requer  seja  decretada  a  nulidade  do  lançamento  fiscal  ora  impugnado.  52.  III  ­ NULIDADE ­  INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA  LEI N°  9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE  OMISSÃO DE  RECEITA  GENERALIZADA  DE  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito,  pode  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários,  resultando  na  improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar  essa  preliminar  de  nulidade,  até  mesmo  como  contribuição  para  que  procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não  se repitam jamais!  53.  Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação  de  extratos  bancários;  b)  intimação  do  contribuinte  para  comprovar  a  origem de  todos os depósitos bancários:  c) a presunção de omissão de  receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da  origem  de  todos  os  valores  depositados  na  conta  bancária  da  autuada  durante o ano de 2008.  54.  A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização,  tendo  acesso  a  toda  movimentação  bancária  do  contribuinte,  se  acomodar  na  sua  intimação  para  comprovação  da  origem  de  todos  os  recursos,  tributando,  por  presunção,  os  depósitos  de  origem  supostamente não comprovadas? A resposta é negativa.  55.  Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o  contribuinte  a  ter  o  ônus  de  se  fiscalizar,  ou  seja,  realizar  uma  verdadeira  autofiscalização,  sob  pena  de,  não  comprovando  estar  regular, ser tributado por presunção.  Fl. 29601DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.602            14 56.  Essa  não  foi  a  intenção  do  legislador  ao  criar  o  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal  na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes  da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados  fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam,  por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento  pacificado inclusive  no CARF.  57.  Mas note­se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar.  Permanece  o  Auditor  responsável  por  fiscalizar,  investigar  a  regularidade  fiscal  do  contribuinte,  devendo  compulsar,  para  isso,  os  livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece,  a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos  efetuados  em  suas  contas  bancárias,  sem  entender  a  atividade  empresarial  desenvolvida  pela  autuada  e  sem  sequer  investigar  a  eventual tributação das suas receitas.  58.  Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez  que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório,  obrigando  o  contribuinte  a  comprovar  TODA  a  sua  movimentação  financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da  Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada.  59.  NULIDADE ­ APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO  LUCRO DE  32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA  ATIVIDADE  DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também,  a autuada  que,  pela  sua  peculiaridade,  muito  embora  não  sofra  a  incidência  do  ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias  próprias  deste  imposto  estadual  ­  já  que  o  que  está  sendo  "comercializado"  é  um  meio  ou  um  instrumento  que  possibilitará,  posteriormente,  a  prestação  do  serviço  de  telecomunicações  pelas  operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as  recargas de pré­pago), este sim tributado pelo ICMS ­ tal atividade, sem  sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação  comercial, de venda.  60.  Isto  porque  a  autuada  adquire  os  cartões  pré­pagos  ou  as  recargas  eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou  das empresas denominadas de "primeiras  intermediárias"  (as empresas  RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  a  Tendência  Informações  e  Sistemas  Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada  em  seu  sentido  amplo)  para  os  "pontos  de  venda",  que,  por  sua  vez,  realiza  a  "venda"  aos  consumidores  finais  (usuários  de  celulares  pré­ pagos).  Pode­se  dizer  que  o  regime  assemelha­se  a  uma  espécie  de  "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo"  superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final.  Fl. 29602DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.603            15 61.  Além  da  operação  de  distribuição  e  venda  de  recarga  de  pré­pago  (recarga  física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita  da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas  no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao  consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas,  bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos  pós­pagos.  62.  Nestes  casos,  a  operação  consistia,  basicamente,  em  adquirir  as  mercadorias  (celulares,  acessórios  etc.)  e  revender  aos  clientes  ("consumidores  finais"),  obtendo,  assim,  uma  margem  pelas  vendas.  Analisando  todo  o  rol  das  atividades  prestadas  pela  autuada,  talvez  a  única  que  apresente  alguma  feição  de  serviço  seja  a  de  intermediação  pela  venda  de  planos  pós­pagos,  já  que  a  impugnante  recebia  da  TIM  uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre  ambas.  63.  Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa­se que o  ilustre Auditor Fiscal  aplicou,  indistintamente,  para  todos  os  depósitos  recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de  32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um  único fundamento  legal para justificar  tal atitude,  já que a maior parte  das  operações  realizadas  pela  ora  autuada  (talvez,  99%)  constitui,  tipicamente,  uma atividade  de  distribuição  e  venda, que  estaria  sujeita  ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de  32% (trinta e dois por cento).  64.  No  caso  específico  da  impugnante,  a  atividade  desenvolvida  não  constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as  recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para  os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para  os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da  impugnante não  se  confunde  com a atividade da própria operadora de  telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se  conclui que ela não presta serviço de telecomunicações.  65.  Diante  do  exposto,  não  há  como  se  enquadrar  a  atividade  de  venda  e  distribuição de recarga de celulares pré­pagos como uma prestação de  serviço,  já  que  esta  apresenta  todas  as  feições  de  uma  operação  comercial de venda, ainda que sobre ela não haja  incidência do ICMS,  devido às suas peculiaridades expostas anteriormente.  66.  Neste  sentido,  por  não  ter  realizado  qualquer  distinção  entre  os  depósitos  recebidos  na  conta  bancária  da  empresa  autuada,  optando  o  Auditor  Fiscal  por  aplicar,  indistintamente,  para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual  seja,  o  de  32%  (próprio  das  atividades  de  prestação  de  serviços),  sem  apresentar,  contudo,  um  único  fundamento  legal  para  tanto,  há  de  ser  decretada  a  nulidade  do  Fl. 29603DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.604            16 procedimento  realizado,  também por este argumento.  DO MÉRITO  67.  Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de  não  ser  acolhido  algum  dos  argumentos  acima  expostos,  o  que  conduziria à  extinção do presente Auto de  Infração e,  por conseguinte,  do crédito  tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos  argumentos de mérito.  68.  Desde  já,  a  autuada  esclarece  que  é  virtualmente  impossível  descrever  individualmente,  nas  páginas  da  Impugnação  Administrativa,  cada  um  dos  mais  de  7.000  depósitos  bancários  relacionados  na  planilha  apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada  página contendo dezenas de lançamentos.  69.  Entretanto,  pretende,  aqui,  a  autuada  explicar  sobre  todos  os  documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação  (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais  comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta  bancária,  durante  todo  o  ano  de  2008,  elidindo,  assim,  a  malsinada  presunção de omissão de receitas contra si aplicada.  70.  Operação  de  recarga  física  ­  Tratando,  inicialmente,  da  operação  de  venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos  contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de  contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em  dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5).  71.  Estes  documentos  comprovam  o  recebimento  de  todos  os  valores  decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais  foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque  ou  dinheiro,  bem  como  aquelas  situações  em  que  os  vendedores  depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida,  realizavam  a  transferência  para  as  contas  da  impugnante,  prestando  contas com a apresentação dos comprovantes de transferência.  72.  Operação de recarga eletrônica  ­ Com relação à  recarga eletrônica, a  impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um  dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal  POS", decorrente de Point of Sale),  semelhante àquelas máquinas para  operações  com  cartões  de  crédito,  que  registravam  as  vendas  e  autorizavam a recarga de crédito pré­pago nos celulares dos clientes.  73.  Ao  final  de  cada  período  específico,  o  sistema  informatizado  da  impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por  cada  um  dos  "pontos  de  venda".  Em  seguida,  era  emitido  um  boleto  bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria  ser  repassado para a  impugnante,  já abatido o percentual de comissão  daqueles,  que,  como  dito,  era  de  4%,  em  média.  Neste  sentido,  a  Fl. 29604DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.605            17 impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns  contratos  por  amostragem,  bem  como  de  todos  os  relatórios  de  liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os  valores.  74.  Requer,  também,  a  juntada  de  todas  as  notas  fiscais  de  venda  de  recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como  as  notas  de  saídas  das  recargas  da  TIM,  emitidas  pela  MEGAGIRO  (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores.  75.  Pleiteia, ainda, a  juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à  TIM,  bem  como  às  demais  empresas  ("primeiras  intermediárias",  no  caso,  a  RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  a  Tendência  Informações  e  Sistemas  Ltda.)  (Anexo),  demonstrando,  assim,  que,  dos  valores  recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas  empresas,  ficando  a  impugnante  apenas  com  o  percentual  correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%.  Além disso, a autuada está  juntando cópia dos contratos firmados Com  todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo).  76.  Além disso,  a autuada está  juntando cópia dos contratos  firmados  com  todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo).  77.  Operação  das  Lojas  ­  Esclarece,  ainda,  a  impugnante,  que  conforme  explicado  anteriormente,  além  da  operação  de  distribuição  e  venda  de  recarga  de  pré­pago  (recarga  física  ou  eletrônica),  possuía,  ainda,  algumas  lojas  da  operadora  TIM,  na  qual  vendia  diretamente  ao  consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas,  bem  como  intermediava  entre  a  TIM  e  os  clientes  a  contratação  de  planos pós­pagos.  78.  Nestes  casos,  todas  as  vendas  foram  realizadas  por  meio  de  notas  ou  Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e  cupons  fiscais  emitidos  pelas  Lojas  (Anexo)  no  período  objeto  da  autuação, que demonstram todo o seu faturamento.  79.  Requer,  ainda,  ainda,  a  juntada  dos  extratos  emitidos  pelas  administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores  recebidos  pelas  vendas  feitas  nesta  modalidade.  Importante  destacar,  neste ponto,  que  como diversas  compras  feitas pelos  clientes utilizando  os  cartões  de  crédito  são  parceladas,  é  impossível  estabelecer  uma  conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em  sua conta bancária.  80.  Anexa,  também,  à  presente  defesa  a  cópia  das  notas  fiscais  de  serviço  emitidas  no  período  (Anexo),  relativamente  aos  serviços  de  intermediação na contratação de planos pós­pagos entre os clientes e a  TIM.  81.  Transferências  entre  contas  da  mesma  titularidade  ­  Além  dos  documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua  Fl. 29605DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.606            18 receita  decorrente  do  exercício  da  atividade  operacional,  a  autuada  requer  a  juntada  de  todos  os  extratos  bancários  (Anexo),  os  quais  demonstram  a  inclusão  pela  Fiscalização  de  valores  decorrentes  de  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  o  que  denota  um  grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio  art. 42, § 32, I, da Lei  n° 9.430/96.  82.  Contratos de locação com a CEMIG ­ A autuada esclarece, ainda, que  possui  um  imóvel  situado no Estado de Minas Gerais,  em  relação ao qual  firmou  contrato  de  locação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual  firmou contrato de  locação com a  CEMIG (Anexo).  83.  Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda  ­ Ademais,  a  autuada  firmou  contratos  de  empréstimos  com a  empresa  Somamix  Distribuidora  Ltda.,  os  quais  estão  anexados  à  presente  impugnação  (Anexo),  demonstrando,  assim,  a  origem  dos  valores  depositados em sua conta bancária.  84.  Para  facilitar o  exame de  todos os documentos, a autuada apresenta a  planilha  anexa  (Anexo),  que  consolida  toda  a  relação  de  depósitos  bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um  deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada.  85.  Conclusões ­ Como se pode observar, a farta documentação ora anexada  comprova  efetivamente  a  origem  de  todos  os  depósitos  realizados  em  suas  contas  bancárias.  Importa  salientar,  neste  ponto,  que  a  Jurisprudência  do  CARF  é  uníssona  no  sentido  de  que,  uma  vez  comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a  fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos  os tributos devidos.  86.  Entretanto,  a  autuada  reitera,  aqui,  que  todos  os  valores  em  questão  foram efetivamente,  oferecidos à  tributação, o que  será  tratado melhor  no  tópico  seguinte.  Sendo  assim,  comprovada  a  origem  dos  valores  depositados  nas  contas  bancárias  da  impugnante,  resta  elidida  a  presunção de omissão de  receita,  razão pela qual o auto de  infração é  improcedente.  87.  DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO  O  FATURAMENTO  TRIBUTADO  NO  PERÍODO  ­  Entretanto,  por  eventualidade,  na  hipótese  de  se  entender  que,  apesar  de  todo  o  esforço  da  autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que  seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado  no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade.    88.  DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA ­ Como já  afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta  convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que,  Fl. 29606DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.607            19 no  curso  da  Fiscalização  que  culminou  na  lavratura  da  presente  autuação,  providenciou  a  recontabilização  de  todos  os  seus  lançamentos,  inserindo  em  sua  contabilidade  todos  os  depósitos  realizados  em  suas  contas  bancárias,  apurando,  ao  final  deste  procedimento,  que,  de  fato,  toda  a  sua  receita  foi  oferecida à tributação.  89.  Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus  livros Diário  e Razão  devidamente  recontabilizados  (Anexo),  nos  quais  se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na  contabilidade.  90.  Ou seja, como já afirmado no  início da presente defesa, a autuada não  quer  evitar  ou  se  furtar  à  Fiscalização. Muito  pelo  contrário!!!  A  ora  impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se  constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua  efetiva receita),  foram devidamente tributados! E se, eventualmente,  for  apurado  algum  crédito  tributário  remanescente,  o  que,  sinceramente,  não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa  e razoável.    DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA  91.  Conforme  examinado  no  tópico  anterior,  a  autuada  apresentou  na  presente  defesa  todos  os  documentos  de  que  dispõe,  necessários  para  comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias.  92.  Entretanto,  apesar  de  tal  documentação  estar  devidamente  descrita  e  explicada,  a  sua  imensa  quantidade  dificulta  sobremaneira  o  exame  pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia  por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do  Regulamento  do  Processo  Administrativo  Fiscal  (Decreto  n2.  70.235/1972),  a  fim  de  se  apurar  minuciosamente  todas  as  alegações  aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito.  93.  Ante  todo  o  exposto,  entende  a  impugnante  que  foram  devidamente  comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos  bancários  efetuados  em  suas  contas,  por  meio  dos  documentos  apresentados,  devendo  ser  julgado  improcedente  este  Auto  de  Infração  (caso  sejam  ultrapassadas  as  preliminares  de  nulidade  anteriormente  deduzidas).  94.  Entretanto,  na  remota  hipótese  de  serem  ultrapassados  todos  os  argumentos  até  aqui  sustentados  e  em  homenagem  ao  princípio  da  eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o  encerramento  de  suas  atividades  (ocasionando a  demissão  de  centenas  de empregados), vem apresentar seus argumentos finais.  95.  I  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DE  PRESUNÇÃO  DO  LUCRO  DE  32%.  REDUÇÃO  PARA  O  PERCENTUAL  DE  8%.  ­  Conforme  já  explicitado  no  tópico  das  NULIDADES,  referente  à  "APLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DE  Fl. 29607DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.608            20 PRESUNÇÃO DO LUCRO DE  32% DE FORMA GENÉRICA,  SEM A  DEVIDA  OBSERVAÇÃO  DA  ATIVIDADE  DESENVOLVIDA  PELA  AUTUADA. NULIDADE.",  a  ora  impugnante  demonstrou  que  a maior  parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente,  uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual  de presunção de lucro de 8% (oito por cento).    96.  II  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  CUMULAÇÃO  DA  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO  97.  Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e  de  aplicar  tal  percentual  indevidamente  majorado  de  32%,  o  ilustre  Autuante  ainda  considerou  imprestável  a  escrituração  contábil  da  ora  impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu  movimento  bancário,  nem  em  conta  própria,  'banco  conta movimento',  nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num  acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo  do  IRPJ,  de  38,4%  (32% +  20%).  Todavia,  há  de  se  consignar  que  a  cumulação  destes  dois  procedimentos  ou  roteiros  de  Fiscalização  é  absolutamente incompatível.  98.  Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos  de  origem  não  comprovada),  o  Fiscal  não  está  analisando  a  contabilidade  do  contribuinte.  Ao  contrário  disso,  está  se  amparando  numa mera presunção da ocorrência do fato gerador.  99.  Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação  do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a  contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu  fé,  por  alguma  razão,  que  deve  ser  justificada.  E  tal  fato  conduz  ao  arbitramento.  100.  Ora,  se  o  roteiro  de  fiscalização  utilizado  baseou­se,  integralmente,  numa  presunção,  não  tendo  sido  sequer  analisada  a  contabilidade  da  empresa,  jamais  poderia  ter  sido  aplicada  a  majoração  de  20%  decorrente  do  arbitramento  do  lucro,  pois  esta  é  uma medida  imposta  para se identificar alguma base de cálculo possível.  101.  Deste  modo,  requer  seja  excluída  a  majoração  decorrente  do  arbitramento  do  lucro,  na  remota  hipótese  de  ser  mantida  a  autuação  fiscal.  102.  NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE  OFÍCIO  ­Por  fim,  requer  a  impugnante  seja  afastada  a  incidência  dos  juros moratórios  sobre  a multa  de  ofício,  uma  vez  que,  no  âmbito  dos  tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal,  a  legislação  atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa.  103.  DO PEDIDO  ­ Ante o  exposto,  pleiteia a  impugnante pelo acolhimento  dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação  fiscal.  Na  hipótese  de  restarem  superadas  as  preliminares  de  nulidade  Fl. 29608DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.609            21 suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do  Auto  de  Infração  sob  exame,  extinguindo­se,  por  conseguinte,  o  débito  tributário  em  questão,  uma  vez  que  restou  comprovada  a  origem  dos  depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida,  portanto, a presunção de omissão de receita.  104.  Por  fim,  em  homenagem  ao  princípio  da  eventualidade,  na  remota  hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente  citados,  o que,  sinceramente,  não  se espera, pleiteia a autuada  (i)  pela  redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo  afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro;  e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício.  A  decisão  de  origem  julgou  a  impugnação  parcialmente  procedente,  excluindo  da  quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do  próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu­se ainda deduzir da exigência  os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu­se de ofício.  Intimado da decisão, o Interessado apresentou recurso voluntário de fls. ­ , reafirmando  as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à  ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários.   É o relatório.    Fl. 29609DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.610            22 Voto  Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento.  De igual forma, tendo sido exonerada parcela de crédito tributário superior a R$  1.000.000,00, deve também ser conhecido o recurso de ofício.    1  RESUMO DA LIDE    Conforme já relatado, trata­se de exigência de IRPJ e reflexos, com arbitramento  de  lucros,  em  razão  de  omissão  de  receitas  por  presunção  legal  (depósitos  bancários  supostamente  sem  de  comprovação  da  origem  de  valores  (art.  42  da  Lei  nº  9.430/96).  O  arbitramento  de  lucros  deu­se  em  razão  de  a  movimentação  financeira/bancária  não  se  encontrar devidamente registrada na escrituração da Recorrente.  A  Recorrente  contesta  os  valores  apurados  como  receita  tributável  omitida,  aduzindo, em apertada síntese, que por atuar no ramo de distribuição e intermediação da venda  de recarga pré­paga para telefonia móvel, a maior parte das suas vendas (mais de 94%), apenas  transita  em  suas  contas  bancárias,  sendo  posteriormente  repassada  para  as  operadoras  de  telefonia  ou  outra  intermediárias,  concluindo  ao  final  que  "o  resultado  de  sua  atividade  empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe­se apenas à  sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas)”. Contesta ainda a coexistência  de  lançamento  com  base  em  depósito  bancário  e  o  arbitramento  de  lucros,  bem  como  o  coeficiente de presunção de lucro utilizado pela Fiscalização.    2  RECURSO DE OFÍCIO  A exoneração do crédito tributário se deu em razão da comprovação de inclusão  no  montante  de  receitas  consideradas  omitidas  e  transferências  bancárias  entre  contas  da  própria Recorrente e empréstimos creditados em contas corrente da Recorrente.  Outra  parcela  de  exoneração  do  crédito  tributário  diz  respeito  à  dedução,  do  montante exigido de ofício, dos valores já declarados em DCTF.  A  decisão  recorrida  bem  analisou  as  questões  fáticas,  comprovando­se  a  ocorrência das transferências bancárias entre contas da própria Recorrente e créditos bancários  relativos a operações de mútuos. Ato contínuo, aplicou o disposto no caput do art. 42, e seu §  Fl. 29610DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.611            23 3º,  I,  da  Lei  nº  9430/96,  abatendo­se  os  valores  comprovados  da  quantificação  da  receita  omitida.  De  igual  forma,  por  considerar  que  a  receita  levada  a  tributação  pela  Fiscalização  corresponde  ao  total  auferido  pela  autuada,  deduziu  os  valores  declarados  em  DCTF, impossibilitando, assim, dupla cobrança dos valores correspondentes.  Compulsando os  elementos de prova  constantes  dos  autos,  a decisão  recorrida  deve ser mantida por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784,  de 1999.  Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício.  3  RECURSO VOLUNTÁRIO  3.1  DAS ARGUIÇÕES DE NULIDADE  No entendimento da Recorrente,  a  autuação  seria nula  em  razão dos  seguintes  pontos:  ­  Sigilo  bancário:  os  dados  teriam  sido  obtidos  por  quebra  do  sigilo  bancário  sem  a  necessária  autorização  judicial mesmo  após  o  advento  da  LC  n°  105/01. Cita  recente  precedente do STF;  ­  Depósitos  Bancários:  não  haveria  autorização  legal  para  utilização  da  presunção  legal  “no  atacado”. O Auditor  teria  se  limitado  a  aplicar  o  texto  literal  da  lei,  de  forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram  carreados e a que título. Isto faria parte do dever legal da Fiscalização, conforme determina o  art. 142 do CTN. Questiona, assim, a possível falta de amparo legal para presunção de omissão  de receita de depósitos bancários, de forma generalizada, obrigando o contribuinte a proceder a  uma autofiscalização ante à inversão do ônus da prova trazido pela presunção legal;  ­  Percentual  de  presunção  de  lucro  de  32%:  alega  que  houve  aplicação  de  tal  percentual de forma genérica, inobservando­se a atividade desenvolvida pela autuada.  Passo a análise das nulidades suscitadas.  3.1.1  SIGILO BANCÁRIO E NULIDADE    Entre  os  direitos  e  garantias  fundamentais,  a  Constituição  Federal  de  1988,  no  artigo  5º,  XII,  assegura  que  “é  inviolável  o  sigilo  da  correspondência  e  das  comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por  ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal  ou  instrução  processual  penal.”  Entre  os  dados  cuja  a  inviolabilidade  está  assegurada,  nos  dizeres da Recorrente, encontra­se o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com  ordem judicial, para fins criminais.  Da  leitura  da  norma  constitucional  acima  transcrita  depreende­se  que  o  legislador  constituinte  estabeleceu  limites  ao  legislador  ordinário,  isto  é,  somente  permitiu  a  edição de  lei  regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de  investigação criminal; b) mediante ordem judicial.   Fl. 29611DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.612            24 Da  leitura  da  norma  constitucional  acima  transcrita  depreende­se  que  o  legislador  constituinte  estabeleceu  limites  ao  legislador  ordinário,  isto  é,  somente  permitiu  a  edição de  lei  regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de  investigação criminal; b) mediante ordem judicial.   O  ponto  principal  do  recurso  em  que  se  baseia  o  recurso  é  se  o  legislador  ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001,  outorgando  poderes  à  Administração  para  requisitar  a  movimentação  financeira  dos  contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais,  órgão  da  Administração  que  é,  tem  competência  para  conhecer  e  julgar  questões afetas à constitucionalidade das leis.  Inicialmente,  observo  que  sancionada  determinada  lei  ela  entra  no  sistema  jurídico e presume­se constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirando­a do  sistema  ou  impedindo  sua  aplicação  em  relação  ao  caso  concreto,  isto  é  “inter  partes”.  Por  outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o  mesmo  não  se  aplica  em  relação  à  Administração.  A  razão  desta  lógica  é  que  o  Estado­ Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de  lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder  Judiciário.  À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no  caso  o  Presidente  da  República,  tem  legitimidade  para  propor  ação  direta  de  inconstitucionalidade sustentando que determinada  lei viola da Constituição. Contudo, nem o  Presidência  da República  e  tampouco  os  demais  órgãos  da  Administração  podem  deixar  de  cumprir  lei  sob  o  pretexto  de  que  esta  viola  norma  Constitucional.  Neste  sentido,  à  luz  do  artigo 26­A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009, a seguir  transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o  fundamento de  inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em  controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade  da norma.   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade. (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.941, de 2009).  ....  §  6o  O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)    Sobre  a  matéria  este  Conselho  já  pacificou  seu  entendimento  por  meio  da  Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Não  desconheço  que  em  15/12/2010,  ao  julgar  o  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode  ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe­086 em 10­05­2011:  Fl. 29612DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.613            25 SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º  da  Constituição  Federal,  a  regra  é  a  privacidade  quanto  à  correspondência,  às  comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra  do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim,  para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal.  SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS  – RECEITA FEDERAL. Conflita  com  a Carta  da  República  norma  legal  atribuindo  à  Receita  Federal  –  parte  na  relação  jurídico­ tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.   Ocorre  que  o  acórdão  exarado  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR,  com a  ementa  acima  transcrita,  foi  desafiado  por  embargos  de  declaração,  com  pedido de modificação da decisão.  Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por  despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontram­se pendentes de julgamento.   Assim,  por  estarmos  diante  de  acórdão  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é  possível,  nesta  instância  administrativa,  deixar  de  aplicar  as  disposições  constantes  na  Lei  Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001.  Ainda  em  relação  ao  tema,  em  20/11/2009,  ao  examinar  o  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/MG,  relatado  pelo  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  o  Supremo  Tribunal Federal  reconheceu, quanto à matéria,  a existência de repercussão geral, nos  termos  do artigo 543­B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  Fornecimento  de  informações  sobre  movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao  fisco,  sem prévia  autorização  judicial  (lei  complementar  105/2001). Possibilidade  de  aplicação  da  lei  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional.  existência de repercussão geral.  Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/MG,  não  se  identifica  decisão  definitiva  do  STF  reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente.   Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela  Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais.  A  respeito  da  suposta  quebra  de  sigilo  bancário,  convém  reforçar  que  o  parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações  e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo.  No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI,  que  não  constitui  violação  do  dever  de  sigilo  a  prestação  de  informações  nos  termos  e  condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10.  Para preservar  a  inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas  têm à  intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a  que  refere  este  artigo  serão  conservadas  sob  sigilo  fiscal,  na  forma da  legislação  em vigor".  Relativamente  ao  sigilo  fiscal,  vigora  o  art.  198  do  Código  Tributário  Nacional,  lei  Fl. 29613DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.614            26 materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela  Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada  a  divulgação,  por  parte  da  Fazenda  Pública  ou  de  seus  servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira  do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades".  Portanto,  as  informações  bancárias  sigilosas  são  transferidas  à  administração  tributária  da  União sem perderem a proteção do sigilo.  Argumenta também a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão  de suposta “quebra” de seu sigilo bancário.  A nulidade no processo administrativo  fiscal é  regulada pelos arts. 59 a 61 do  Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução do processo.  § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem  aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade  julgadora não a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo  se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do  litígio. (grifo nosso)  Art.  61.  A  nulidade  será  declarada  pela  autoridade  competente  para  praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  A  despeito  do  já  exposto,  no  caso  concreto  não  há  qualquer  dúvida  quanto  à  ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defender­se plenamente.   Nesse aspecto, frise­se que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada  pela descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal.  3.1.2  AUTUAÇÃO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  –  COEFICIENTE  DE  PRESUNÇÃO DE LUCRO  Em  relação  a  tais  temas,  deixo­os  de  tratar  como  preliminares,  por  dizerem  respeito ao mérito da exigência, analisados em tópicos específicos do voto.    Fl. 29614DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.615            27 3.1.3  CONCLUSÃO QUANTO ÀS PRELIMINARES SUSCITADAS  Ante o  exposto,  no  caso  em concreto,  não há que  se  falar em cerceamento de  defesa,  não  havendo  qualquer  prejuízo  ao  pleno  exercício  do  contraditório  e  ampla  defesa,  aliás,  prejuízo  esse  primordial  à  caracterização  de  nulidade,  conforme  apregoa  o  art.  60  do  Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das referidas no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo para o sujeito passivo”.   Desse modo, rejeito as preliminares de nulidade.  3.1.4  DA SUPOSTA INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA DRJ  Entende  a Recorrente que  a  turma  julgadora a quo  inovou o  lançamento.  Isso  porque,  ao  considerar  que  os  depósitos  bancários  teriam  origem  identificada,  qual  seja,  as  receitas auferidas pela Interessada, desnaturou o lançamento realizado com base no art. 42 da  Lei nº 9.430, de 1996.  Discordo de tal entendimento.  Se, por um laudo,  restou  incontroversa que a origem dos depósitos advém das  operações  realizadas  pela  Recorrente  para  auferir  sua  renda,  tal  comprovação  foi  realizada  somente  em  sede  de  impugnação.  Não  teria,  assim,  como  a  autoridade  lançadora  deixar  de  realizar  o  lançamento  considerando  como  receita  o  valor  de  cada  crédito  bancário  sem  comprovação de origem. Nesse sentido, destaco excertos do voto condutor do aresto atacado:  Do  teor dos  contratos acima citados,  a  conclusão que  se  extrai,  é  que a Impugnante, mesmo obrigada a seguir alguns parâmetros estabelecidos pelo  contratante,  exercia  de  forma  autônoma  toda  a  logística  de  distribuição  destes  cartões  de  telefonia  pré­pagos,  negócio  jurídico  que  se  propôs  a  desenvolver,  assumindo  integralmente  todos  os  ônus  dos  encargos  trabalhistas,  tributários  e  previdenciários,  não  restando  dúvida  alguma,  de  que  toda  a  receita  auferida  em  decorrência  da  sua  atividade  empresarial,  deveria  ser  submetida  à  tributação  segundo as normas estabelecidas para apuração do IRPJ e demais tributos federais.  O contrato não prevê nem consta nos autos, nenhuma comprovação  de que a impugnante tenha exercido simplesmente a intermediação de negócios de  terceiros  ou  que  tenha  exercido  representação  comercial  autônoma,  o  que  lhe  permitiria  registrar  como  receita  tributável,  apenas  o  valor  das  comissões  recebidas. Ao contrário, todas os contratos estabelecem de forma clara e objetiva a  total  autonomia  da  autuada  na  gestão  da  sua  atividade  empresarial,  o  que,  de  pronto, afasta qualquer possibilidade de agenciamento ou representação comercial  nas operações comerciais aqui tratadas.  Resta  a  conclusão  de  que  os  recursos  contabilizados  ou  não  pela  impugnante  foram  originados  da  sua  atividade  comercial  e  resultaram  dos  seus  negócios  jurídicos  efetuados  de  forma  direta,  qual  seja,  prestação  de  serviço  de  distribuição  dos  meios  necessários  para  que  os  consumidores  finais,  obtenham  a  prestação  de  serviço  de  telefonia  a  ser  prestado  pelas  operadoras  detentoras  da  concessão pública e como tal deveriam compor a sua receita bruta na forma do art.  279 do RIR/1999, com o conseqüente oferecimento à tributação:  [...]  Fl. 29615DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.616            28 Conclui­se  desta  forma,  que  todos  recursos  que  transitaram  na  conta corrente bancária da  impugnante, decorrem da sua atividade empresarial.  Tal  atividade  consiste  na  prestação  de  serviço  de  distribuição  por  conta  própria,  dos meios necessários para que os  consumidores  finais,  obtenham a prestação de  serviço  de  telefonia  das  operadoras  detentoras  da  concessão  pública  e  como  tal,  todos  os  recursos  auferidos  deveriam  compor  a  sua  receita  bruta  para  fins  de  tributação. (g.n.)  [...]  Devidamente  intimado  pelo  fisco,  antes  do  lançamento  o  contribuinte  confirma  a  titularidade  dos  valores  depositados  nas  suas  contas­ correntes e confessa de forma genérica, que estes eram decorrentes da sua atividade  empresarial,  sem,  no  entanto,  comprovar  de  forma  individualizada  durante  o  procedimento de fiscalização, a razão específica de cada depósito, apresentando os  documentos hábeis e idôneos que teriam sustentado estas operações.  Em  conformidade  com  o  dispositivo  legal  acima  transcrito,  os  valores  creditados  em conta bancária,  sem a devida comprovação de sua origem,  representam  receitas  omitidas,  e  caberia  à  pessoa  jurídica  provar  de  forma  individualizada  por meio de  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações, presumindo­se, quando não for produzida essa prova,  que os recursos tiveram origem em receitas omitidas e foram auferidos ou recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela  instituição  financeira,  conforme  estabelece  o  já  citado § 1° do art. 287 do RIR/1999.  [...]  A  apresentação  em  sede  de  julgamento,  dos  comprovantes  individualizados  das  operações  que  deram  origem  aos  depósitos  bancários,  providencia  esta  que  deveria  ser  adotada  no  decorrer  do  procedimento  fiscalizatório,  só  invalida  ou  descaracteriza  o  lançamento  de  modo  a  afastar  a  omissão  já  presumida,  se,  juntamente  com  os  documentos  apresentados,  se  demonstre, também, que tais operações não eram receitas tributáveis (transferência  entre contas, isenções,  imunidade etc), ou que  já  teriam sido objeto de  tributação,  de  modo  a  elidir  ou  afastar  a  omissão  já  consumada,  sob  pena  de  se  admitir  a  possibilidade  da  existência  de  lançamento  condicionado  aos  interesses  e  oportunidades  do  sujeito  passivo,  o  que  a  jurisprudência  administrativa,  como  já  visto, não admite.  Desse modo, não há que se  falar em inovação no  lançamento. A comprovação  da origem do depósito em sede de impugnação não desnaturou a caracterização de receita. O  lançamento,  tal  qual  realizado,  mostrou­se  perfeito  ante  aos  elementos  então  disponíveis.  Restou  a  discussão  somente  em  relação  à  sua  quantificação  e graças  aos  elementos  somente  alcançados pela Recorrente em sua peça impugnatória. A decisão recorrida, pois, em hipótese  alguma aperfeiçoou o  lançamento,  limitando­se a adequar o  julgado aos  elementos carreados  em sede de impugnação.  Assim sendo, rejeito tal arguição de nulidade.  Fl. 29616DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.617            29 3.2  DO PEDIDO DE PERÍCIA  O  interessado  requereu  em  sua  impugnação  a  realização  de  perícia  a  fim  de  demonstrar  que  os  valores  de  receitas  efetivamente  auferidos  são  os  que  constam  em  sua  escrituração  contábil  refeita  após  a  formalização  de  exigência.  Os  valores  contabilizados  refletiriam  fielmente  os  créditos  em  contas  correntes  da  Recorrente,  bem  como  os  valores  pertencentes  a  terceiros  efetivamente  transferidos  e  não  correspondentes  a  receitas  de  sua  atividade. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada.  O recurso voluntário apresentado repete o pedido de perícia.  O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação  dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem:  Art. 16 – A impugnação mencionará:  [...]  IV  –  As  diligências  ou  perícias  que  o  impugnante  pretenda  sejam  efetuadas,  expostos  os motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação  dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de  perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.  (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93).  §  1°  –  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do  art.  16.  (parágrafo  introduzido  pelo  art.  1°  da  Lei  n°  8.748,  de  09/12/1993).  [...]  Art. 18 ­ A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art.  28, in fine.  Assim,  tanto  a  perícia  quanto  a  diligência  objetivam  a  comprovação  de  elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos.  No caso ora examinado trata­se da exigência de tributos sobre suposta omissão  de  receitas baseada  em presunção  legal  insculpida no  art.  42 da Lei nº  9.430, de 1996. Para  elidir  a  presunção  de  omissão  de  receitas  baseadas  em  depósitos  bancários  bastaria  ao  recorrente  demonstrar  que  determinados  depósitos  possuíam  origem  em  operação  que  não  denotava a auferição de renda. No decorrer do procedimento fiscal, o contribuinte limitou­se a  argumentar  de  que muitos  dos  depósitos  não  se  referiam  à  renda,  colacionando  documentos  sem identificação individualizada dos créditos em contas correntes a que se refeririam. Em se  de impugnação a Interessada anexou mais de 20.000 documentos que comprovariam a origem  dos depósitos.   Contudo,  a  turma  julgadora a quo,  embora entendesse que  restou  comprovada  que a origem de tais créditos advém das operações realizadas pela Recorrente, concluiu que as  receitas da Interessada equivaleriam ao valor integral de cada depósito, enquanto a Recorrente  defende a tese de que somente um pequeno percentual de cada depósito corresponde à receita  Fl. 29617DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.618            30 própria. Em relação aos valores foram passíveis de identificação de origem diversa de renda,  foram excluídos da exação já no julgamento de primeira instância.   Tratando­se  da  análise  de  provas  documentais,  resta  demonstrada  a  desnecessidade de perícia, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº  70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.  Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia.  Entendo,  contudo,  que  o  julgamento  deverá  ser  convertido  em  diligência,  conforme explanarei em tópico específico de meu voto.      3.3  MÉRITO  A  decisão  recorrida  tece  excelente  resumo  sobre  o mérito  da  lide,  razão  pela  qual transcrevo­o:  Quanto  ao  mérito,  observa­se  que  a  impugnante,  mesmo  alegando a impossibilidade de justificar de forma individualizada, a origem de  todos  os  depósitos  bancários  que  serviram  de  base  para  o  lançamento,  especialmente  pelo  entendimento  emitido  pela  SEFAZ  Bahia  pela  desnecessidade da emissão de notas fiscais do ICMS, traz ao PAF documentos  inseridos  em  aproximadamente  20.000  mil  fls.,  que,  em  sua  ótica,  comprovariam que a origem dos referidos depósitos bancários teria vinculação  às seguintes atividades:    • operação de recarga física;  • recarga eletrônica;  • operações da Loja Tim;  • transferências entre contas da mesma titularidade;  • contratos de Locação com a CEMIG;  •  contratos  de  empréstimos  com  a  empresa  Somamix  Distribuidora Ltda..  Ao final, para demonstrar que teria oferecido toda sua receita  à tributação, informa que refez toda sua contabilidade com inserção de toda a  sua movimentação bancária, ratifica o pleito pela aplicação do percentual de  lucro de 8% ao invés dos 32% aplicados pelo fisco e acrescenta o pedido para  que seja reconhecida a impossibilidade de cumulação da presunção de receita  com arbitramento, e a não incidência dos juros sobre a multa de ofício.  Passa­se a análise das questões de mérito controvertidas.  3.4  DO ARBITRAMENTO DE LUCROS    Fl. 29618DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.619            31 Em resumo, baseado no fato de que a escrituração da Recorrente não refletia a  vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, procedeu a autoridade autuante ao  arbitramento de lucros.  Entendo  assistir  razão  à  Fiscalização.  A  decisão  recorrida  analisou  a  questão  com maestria,  devendo  ser mantida,  a  teor do  disposto  no  art.  50,  §  1º,  da Lei  nº  9.784,  de  1999, pelos seus próprios fundamentos, os quais transcrevo a seguir:  No Termo de Verificação Fiscal de  fls. 36 a 250, alega a Autoridade  Fiscal, que a base de cálculo do IRPJ foi apurada por meio de arbitramento, uma vez  que  a  escrituração  contábil,  apresentada  pelo  fiscalizado,  não  contempla  seu  movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta  Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar­ se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II,  alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999.  Acrescenta  que  por  meio  dos  Termos  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  de  n°  01  a  03  ,  "selecionou  diversos  lançamentos  de  créditos  e  intimou  o  contribuinte  para  comprovar  a  origem,  informando  por  escrito,  os  números  das  páginas  dos  seus  livros  contábeis  em  que  foram  escriturados  todos  os  lançamentos  (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas  contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através  de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos".  "Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto  documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de  sua  atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem  transferidos  a  outras  empresas,  pleiteia  que  suas  receitas  sejam  consideradas  como  oriundas  de  atividade  comercial,  fatos  estes  que  não  consideramos  por  não  encontrarmos respaldo legal para acatá­los. O fiscalizado nos informou que os valores  listados  abaixo  não  seriam  receitas  da  atividade,  e  sim  empréstimos  bancários,  contraídos junto ao Banco Indusval Multistock".  "Como  os  documentos  apresentados  não  se  vinculavam  individualmente  aos  créditos  bancários  apresentados,  lavrou­se  TERMO  DE  REINTFMAÇÃO FISCAL N 0001. Em resposta ao termo de reintimação, o fiscalizado  nos  apresentou,  novamente,  os  mesmos  documentos  citados  no  item  3.1  a  3.6  e  o  extrato  bancário  do  período,  documentos  estes  que,  por  se  só,  não  demonstram nem  comprovam nenhum dos valores questionados".  A análise dos documentos apresentados pela Impugnante em respostas  às  diversas  intimações  e  reintimações  do  fisco  nos  permite  concluir,  que,  de  fato,  durante  o  procedimento  fiscal  até  a  lavratura  do  auto  de  infração,  os  documentos  apresentados  não  se  correlacionavam  de  forma  direta,  aos  depósitos  bancários  apresentados  nas  intimações,  limitando­se  a  justificativas  genéricas  dos  valores  depositados.  No documento intitulado Termo de Resposta (fls 990 a 1.379), onde o  contribuinte atendendo às diversas intimações, busca justificar os depósitos efetuados  em suas contas­correntes, constam de forma resumida, as seguintes informações:  •  Cumpre­nos esclarecer que a Intimada atua como distribuidora  e/ou  intermediária  na  venda  de  recarga  pré­paga  para  a  telefonia  móvel.  No  caso  concreto, a  Intimada é contratada tanto pelas operadoras, para atuar como primeira  Fl. 29619DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.620            32 intermediária,  como  também  por  distribuidoras,  hipótese  em  que  atua  como  intermediária secundária perante os pontos de vendas.  •  Cabe  à  Intimada,  enquanto  intermediária,  organizar  o  recolhimento  do  produto  das  vendas,  seja  através  de  depósitos  ou  transferências  bancárias ou mesmo boletos...Do valor repassado pelos "pontos de venda" à Intimada  já é descontado o valor de sua parcela efetivamente considerada receita, assim como a  Intimada  repassa  à  outra  intermediária  ou  à  operadora  o  valor  das  vendas,  já  descontada sua parcela na operação de compra e venda.  •  Observe­se  que,  embora  grande  parte  do  produto  das  vendas  transite por contas bancárias da Intimada, o resultado de sua atividade econômica, na  qualidade de intermediária em relação aos "pontos de venda", é apenas o valor de sua  receita efetiva, que é a remuneração pela intermediação.  •  Valores  Creditados  em  Conta  Bancária  ­De  acordo  com  planilha disponibilizada pela Fiscalização, ao longo do ano de 2008, a Intimada teve  lançamentos  a  crédito  em  sua  conta  bancária  que  totalizaram  R$  149.318.748,01  (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito  reais e um centavo).  •  De  plano,  cumpre  destacar  que,  desse  montante,  R$  21.447.546,00  (vinte  e  um milhões,  quatrocentos  e  quarenta  e  sete mil,  quinhentos  e  quarenta e seis reais) referem­se a empréstimos concedidos por instituições financeiras  e movimentações entre contas bancárias da própria Intimada, conforme se depreende  dos  extratos  em  anexo  (Anexo  3  para  Transferências  e  Anexo  4  para  Empréstimos  Bancários).  •  Já  o  montante  de  R$  78.331.617,98  (setenta  e  oito  milhões,  trezentos  e  trinta  e  um  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais  e  noventa  e  oito  centavos)  encontra­se devidamente registrado na contabilidade da Intimada, conforme comprova  a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente  assinados (Anexo 5).  •  Por fim, o valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões,  quinhentos e vinte e nove mil, seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos)  refere­se  a  quantias  que  apenas  transitaram  por  contas  bancárias  da  Intimada,  na  medida em que relativas ao produto das vendas de recargas de  telefonia celular que  foram  repassados  a  outras  intermediárias  quando  a  Megagiro  exercia  o  papel  de  intermediária secundária.  •  Em  anexo,  além  de  contratos  com  essas  empresas,  seguem  recibos  por  ela  emitidos  que  comprovam  que  receberam,  mediante  repasse,  tais  valores, bem como os comprovantes de depósito e/ou boletos bancários emitidos pelos  respectivos intermediários primários (Anexo 6 para os demonstrativos da empresa RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  Anexo  7  para  os  demonstrativos  da  Tendência  Informações e Sistemas Ltda).  Nas  informações  apresentadas  ao  fisco  antes  do  lançamento,  a  Impugnante  confessa  que  de  um  total  de  R$  R$  149.318.748,01  (cento  e  quarenta  e  nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavo)  que  segundo  a  mesma,  teria  transitado  pelas  suas  contas­correntes,  apenas  R$  78.331.617,98 (setenta e oito milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e dezessete  reais  e  noventa  e  oito  centavos  )  estaria  registrado  em  sua  contabilidade  já  que  considera  apenas  as  comissões  recebidas  como  sua  receita  tributável  e  que  R$  Fl. 29620DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.621            33 49.529.683,21  (quarenta  e  nove milhões,  quinhentos  e  vinte  e  nove mil,  seiscentos  e  oitenta e  três reais e vinte e um centavos) seriam recursos  transferidos a  terceiros, e  não submetidos a registros contábeis e à tributação.  Acatar  o  entendimento  contido  na  defesa,  de  que  o  resultado  efetivo  das operações comerciais de revenda de cartões telefônicos, por se tratar de recursos  que  seriam  transferidos  a  terceiros  a  qualquer  título,  poderia  simplesmente  ser  depositado  em  contas  transitórias  próprias,  e  posteriormente  transferidos  a  outra  pessoa  jurídica  sem  qualquer  procedimento  prévio  de  contabilização,  além  de  se  caracterizar  pela  mais  completa  confusão  administrativa  e  funcional,  afastaria  por  completo a aplicação do princípio contábil da entidade, entre outros, exigido pelo art.  1.179 do Código Civil de 2002, Lei n° 10.406/2002, verbis:  Art.  1.179.  O  empresário  e  a  sociedade  empresária  são  obrigados  a  seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na  escrituração  uniforme  de  seus  livros,  em  correspondência  com  a  documentação  respectiva,  e  a  levantar  anualmente  o  balanço  patrimonial e o de resultado econômico.  A  contabilidade  como  ciência  que  tem  por  objeto  o  patrimônio  das  entidades (ou seja, de qualquer pessoa física ou jurídica detentora de um patrimônio) e  por finalidade seu planejamento e controle, adota entendimentos e  interpretações que  são  uniformizados  por meio  das Normas Brasileiras  de Contabilidade,  estabelecidas  por Resolução do Conselho Federal de Contabilidade.  E, dentre referidas resoluções, tem­se a Resolução CFC n° 750/93, que  aprovou  os  Princípios  Fundamentais  da  Contabilidade  estabelecidos  por  Normas  Brasileiras de Contabilidade (no caso, Norma Técnica, NBC ­ T 1) e, em seu art. 2°,  assim os conceituou:  "Art. 2° ­ Os princípios Fundamentais de Contabilidade representam a  essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade,  consoante  o  entendimento  predominante  nos  universos  científico  e  profissional  de  nosso País. Concernem,  pois,  à Contabilidade  no  seu  sentido mais amplo de  ciência  social,  cujo objeto  é o Patrimônio das  Entidades. "  No  art.  3°  da  citada  Resolução,  estão  relacionados  os  Princípios  Fundamentais  da Contabilidade  e,  a partir  do  art. 4°,  a  definição  de  cada um deles. E o primeiro princípio previsto no inciso I do art. 3° é o  Princípio da Entidade, assim definido no art. 4°:  Art. 4°. O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto  da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da  diferenciação  de  um  Patrimônio  particular  no  universo  dos  patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa,  um  conjunto  de  pessoas,  uma  sociedade  ou  instituição  de  qualquer  natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência,  nesta  acepção,  o  patrimônio  não  se  confunde  com  aqueles  dos  seus  sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.  Parágrafo único. O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca  não  é  verdadeira.  A  soma  ou  agregação  contábil  de  patrimônio  autônomo  não  resulta  em  nova  Entidade,  mas  numa  unidade  de  natureza econômico­contábil."  Fl. 29621DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.622            34 No caso aqui  tratado, observa que a Autoridade Fiscal,  com base no  art. 530, inc. II, considerou que a escrituração mantida pelo contribuinte, em face do  não registro de  toda sua movimentação  financeira e comercial, era  imprestável para  apuração  do  lucro  real,  fato  inclusive  reforçado  pela  informação  contida  na  defesa,  onde o contribuinte confessa que movimentou recursos na ordem de R$ 49.529.683,21  à margem  da  contabilidade  e  informa  que  após  o  lançamento,  teria  corrigido  o  seu  erro  providenciando  a  recontabilização  de  todos  os  seus  lançamentos,  inserindo  em  sua contabilidade  todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando,  ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação.  Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e  Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção  de toda a sua movimentação bancária na contabilidade.  Em conclusão ao item da recontabilização, requer a impugnante que se  eventualmente,  for  apurado  algum  crédito  tributário  remanescente,  o  que,  sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa  e razoável e NAO da forma em que se procedeu no caso em apreço.  De plano, cumpre esclarecer que as empresas submetidas à tributação  com base no Lucro Real devem manter escrituração com observância das legislações  comerciais  e  fiscais,  conforme  determina  o  Art.  251  do  RIR/1999,  aprovado  pelo  Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, o que não ocorreu no caso sob exame:  Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real  deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais  (Decreto­Lei n° 1.598, de 1977, art. 7°).  Parágrafo único. A escrituração deverá abranger  todas as operações  do  contribuinte,  os  resultados  apurados  em  suas  atividades  no  território  nacional,  bem  como  os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954,  art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25).  Ressalte­se  que  o  arbitramento  não  pode  ser  desconstituído  pela  apresentação dos livros e documentação após a realização do lançamento, pois sendo  um  procedimento  vinculado  à  lei,  nos  termos  do  artigo  142,  do  CTN,  não  está  condicionado  ao  sabor  dos  interesses  do  sujeito  passivo.  Não  existe  a  figura  do  lançamento condicional conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais ­ CARF.  ARBITRAMENTO  ­  APRESENTAÇÃO  DE  ESCRITURAÇÃO  APÓS  O  LANÇAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.  INEXISTÊNCIA  DE  ARBITRAMENTO CONDICIONAL  ­ O arbitramento  do  lucro,  quando  realizado  em  prazo  hábil,  sem  percalços  que  provoquem  grave  dificuldade  ao  contribuinte  na  reconstituição  de  sua  escrituração,  deve  ser  entendido,  tão­somente, como meio único na obtenção das bases de  cálculo  dos  tributos.  A  apresentação  da  escrituração  após o lançamento de ofício não invalida a apuração das  bases  de  cálculo  pelo  arbitramento.  Não  existe  lançamento condicional" (1° CC, 8a Câmara, acórdão n°  108­06.053 de 16/03/2000).  ARBITRAMENTO  ­  LANÇAMENTO  CONDICIONAL  ­  IMPOSSIBILIDADE  – O  lançamento  fiscal,  calcado  no  Fl. 29622DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.623            35 artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  tendente a formalizar a exigência conceituada no art. 3°  do mesmo Código, não é ato condicionado ao sabor dos  interesses e oportunidades do sujeito passivo. É inócua a  posterior  apresentação  de  livros  e  documentos,  com  o  intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada  pelo  fisco,  utilizando­se  de  forma  de  tributação  que,  apesar  de  reiteradamente  intimado,  não  mostrou  tê­lo  adotado  no  tempo  devido"  (1° CC,  7aCâmara,  acórdão  n° 107­06368, de 21/08/2001).  Cabe salientar que o lucro arbitrado não se confunde com penalidade,  pois  assim  como  o  lucro  real  e  o  lucro  presumido,  representam  modalidades  de  apuração da base de cálculo do imposto de renda previstas pela legislação ordinária,  que determina as condições em que poderão ser utilizadas.  A  tributação  com  base  no  lucro  arbitrado  quando  motivada  pela  desobediência a um preceito legal — no caso a confessada ausência de contabilização  de  parte  considerável  da movimentação  financeira  e  comercial —  é  uma alternativa  legal para determinação da base tributável idealizada pelo legislador como medida de  salvaguarda  da  Fazenda  Pública,  quando  se  mostrar  impraticável  a  apuração  do  resultado mediante a forma de tributação escolhida pelo contribuinte.  Assim mantenho o arbitramento efetuado em todos os seus termos.  A respeito da apresentação posterior da escrituração contábil supostamente sem  vícios, incide o enunciado número 59 da Súmula CARF, assim vazado: “A tributação do lucro  na  sistemática  do  lucro  arbitrado  não  é  invalidada  pela  apresentação,  posterior  ao  lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que,  após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.”  Desse modo,  o  arbitramento  de  lucros  levado  a  efeito  pelo  Fisco  não merece  reparos.    3.4.1  Da suposta impossibilidade de cumulação da presunção de omissão de receita com o  arbitramento da base de cálculo  Divirjo  da  posição  da  Recorrente  quanto  à  pretensa  impossibilidade  de  convivência entre a omissão de receitas com base em depósitos bancários e o arbitramento de  lucros.  A esse respeito, peço vênia para adotar como razões de decidir os fundamentos  da decisão recorrida, verbis:  Entre  os  diversos  argumentos  apresentados  na  defesa,  requer  a  impugnante  a  exclusão  da  majoração  de  20%,  decorrente  do  arbitramento,  considerando  que  seriam  incompatíveis  a  presunção  de  omissão  de  receitas  com  a  aplicação do arbitramento.  Com  referência  ao  arbitramento  há  que  se  esclarecer,  que  a  análise  dos  pressupostos  para  sua  aplicação  já  ocorreu  em  item  especifico  deste  voto,  mas  convém  relembrar  que  sua  aplicação  não  se  confunde  com  punição  por  se  tratar,  Fl. 29623DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.624            36 juntamente  com  o  lucro  real  e  lucro  presumido,  de  formas  legais  previstas  para  apuração do IRPJ.  No caso aqui tratado, a apuração do IRPJ se deu pelo lucro arbitrado,  por  que  a  contabilidade mantida  pela  impugnante,  como  já  visto,  não  permitia  com  segurança a apuração do IRPJ pelo lucro real, já que uma grande parte das receitas  decorrentes da atividade  exercida,  foi movimentada â margem da contabilidade,  fato  inclusive objeto de confissão expressa.  A  apuração  do  IRPJ  incidente  sobre  receitas  omitidas  por  meio  do  arbitramento  está  de  acordo  a  legislação  de  regência,  inexistindo  qualquer  incompatibilidade  na  sua  aplicação,  até  por  que,  são  matérias  distintas  e  não  se  confundem, não havendo nenhum respaldo  legal, para que seja atendido o pedido do  contribuinte.      3.5  DA  OMISSÃO  DE  RECEITAS  –  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  A  Recorrente  foi  acusada  de  omissão  de  receita,  caracterizada  pela  falta  de  comprovação da origem dos depósitos/créditos  efetuados em suas contas bancária,  tendo por  base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe:  Art. 42. Caracterizam­se também omissão de receita ou de rendimento  os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas  operações.   Tal  dispositivo  legal  estabeleceu  uma  presunção  de  omissão  de  receitas,  autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em  sua  conta  de  depósito ou de investimento.   A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), recepcionada pela  nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em  seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a  renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de  renda  não  se  dá  só  sobre  rendimentos  reais, mas,  também,  sobre  rendimentos  arbitrados  ou  presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem:  Art.  43.  O  imposto,  de  competência  da  União,  sobre  a  renda  e  proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da  disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da  combinação de ambos;  Fl. 29624DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.625            37 II ­ de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos  patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou  presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.  Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se  refere  o  artigo  43,  sem  prejuízo  de  atribuir  a  lei  essa  condição  ao  possuidor,  a  qualquer  título,  dos  bens  produtores  de  renda  ou  dos  proventos tributáveis.  Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos  proventos  tributáveis  a  condição  de  responsável  pelo  imposto  cuja  retenção e recolhimento lhe caibam.  A  presunção  em  favor  do  Fisco  transfere  ao  contribuinte  o  ônus  de  elidir  a  imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os  depósitos bancários. Trata­se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário.  É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de  depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos,  informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas  de  que  trata  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996.  Contudo,  a  comprovação  da  origem  dos  recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte.  Não  comprovada  a  origem  dos  recursos,  tem  a  autoridade  fiscal  o  poder  e  o  dever  de  considerar  os  valores  depositados  em  conta  bancária  como  receita,  efetuando  o  lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante  a  vinculação  legal  decorrente  do  princípio  da  legalidade  que  rege  a  Administração  Pública,  cabendo ao agente seguir a legislação.  Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão  de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob  pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário  Nacional,  cabe  à  fiscalização  efetuar  o  lançamento  de  acordo  com  a  legislação  aplicável  ao  caso.  A Recorrente  foi  intimada  a  comprovar,  com  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados/creditados  nas  suas  contas  corrente.  No  decorrer  do  procedimento  fiscal,  embora  apresentados  argumentos  sobre  a  possível  origem  dos  valores  lançados  a  débito  de  suas  contas  bancárias,  não  houve  apresentação  da  documentação  que  vinculasse individualmente os depósitos controvertidos.  Em  sede  de  impugnação,  frise­se,  e  somente  em  tal  momento,  a  Recorrente  apresentou  ampla  gama  de  documentos  buscando  comprovar  que  a  origem  dos  créditos  em  suas contas advieram dos recebimentos referentes às operações de compra e venda e também  de  intermediação/distribuição  de  cartões  e  créditos  de  celulares  pré­pagos.  Haveria  também  depósitos  referentes  à  venda  de  aparelhos  telefônicos.  Indicou­se  ainda  valores  objeto  de  tributação  por  parte  do  Fisco  que  teria  origem  em  operações  de  mútuo  e  transferências  de  contas da própria Recorrente.  Fl. 29625DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.626            38 Ao analisar a documentação, a  turma  julgadora a quo excluiu da  tributação os  valores  referentes  às  transferências  entre  contas da própria Recorrente  e  também o montante  relativo a mútuos.  Concluiu,  contudo,  que  os  depósitos  de  fato  correspondiam  à  renda,  mais  especificamente,  advinda  diretamente  das  operações  realizadas  pela  Recorrente.  Entendeu,  contudo, que o valor da receita da Recorrente seria a totalidade dos depósitos, e não somente o  spread  apontado  em  suas  peças  de  defesa.  Isso  porque  as  operações  perpetradas  pela  Recorrente  seriam  realizadas  em  conta  própria,  ou  seja,  a  totalidade  dos  valores  que  transitavam  em  suas  contas  pertenceriam  a  Recorrente,  e  o  suposto  percentual  de  ganho  apontado em impugnação nada mais seria do que o lucro, tal qual ocorreria em qualquer ramo  de atividade.  Conforme esclarecido, não se trata de inovação de lançamento.   No que  tange  à  alegada utilização  incorreta da presunção  legal  de omissão de  receitas estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não vislumbro qualquer incorreção que  pudesse levar à nulidade do lançamento.  Ante  ao  arbitramento  de  lucros  levado  a  efeito  pela  autoridade  autuante,  os  custos  incorridos  pela  Recorrente  passaram  a  ser  irrelevantes  à  quantificação  das  bases  de  cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.   Nesse cenário, a questão crucial para solução da lide passa pela definição quanto  à correta quantificação das receitas da Recorrente.    3.6  DA  ATIVIDADE  EXERCIDA  PELA  RECORRENTE  E  A  DETERMINAÇÃO  DA  RECEITA BRUTA  Por bem refletir a descrição das atividades exercidas pela Recorrente, reproduzo  excerto do voto condutor da decisão recorrida:  Em vários pontos da defesa apresentada, cuida­se em demonstrar que a  principal  atividade  econômica  desenvolvida  pela  impugnante,  é  a  distribuição  e  intermediação  da  venda  de  recarga  pré­paga  para  telefonia  móvel,  seja  por  meios  físicos (cartões) ou eletrônicos via sistema POS.  Além  desta  atividade,  exercia  também  a  Impugnante  o  controle  operacional  de  Lojas  da  operadora  TIM  onde  vendia  aparelhos  celulares  e  também  intermediava venda e planos pós­pagos mediante remuneração por comissão.  A defesa apresentada  traz o entendimento, de que o  resultado da sua  atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição destas recargas,  restringir­se­ia  apenas  às  comissões  recebidas,  já  que  esta  seria  a  sua  efetiva  remuneração.  A  Lei  n°  9.472,  de  16.07.1997  conhecida  como  Lei  das  Telecomunicações  conceitua  serviços  de  telecomunicações  como  "conjunto  de  atividades que possibilita a oferta de telecomunicação", acrescentando em seu art. 60 §  1°  que  "telecomunicação  é  a  transmissão,  emissão  ou  recepção,  por  fio,  Fl. 29626DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.627            39 radioeletricidade,  meios  ópticos  ou  qualquer  outro  processo  eletromagnético,  de  símbolos,  caracteres,  sinais,  escritos,  imagens,  sons  ou  informações  de  qualquer  natureza".  Conclui­se  assim,  que  prestador  de  serviço  de  telecomunicação  é  o  sujeito  que  exerce  as  mencionadas  funções  de  transmissão,  emissão  ou  recepção,  serviços esses regulados pela Lei das Telecomunicações. A revenda ou distribuição de  créditos  ou  cartões  telefônicos  efetuadas  de  forma  terceirizada  por  empresas  contratadas  para  este  fim  específico,  não  se  caracteriza  por  prestação  de  serviço  de  telecomunicações e com este não se confunde, haja vista que o distribuidor de cartões  telefônicos  não  executa  "a  transmissão,  emissão  ou  recepção  (...)  de  símbolos,  caracteres,  sinais,  escritos,  imagens,  sons  ou  informações  de  qualquer  natureza”. O  distribuidor tão somente fornece os meios para a obtenção dos serviços das empresas  de telecomunicações.  No  caso  sob  exame,  ocorreram  contratos  de  distribuição  tanto  de  forma direta com as operadoras de telefonia (TIM, VIVO, CLARO), como contratos de  distribuição  efetuados  com  empresas  já  terceirizadas  por  outras  operadoras  (Tendências, RV Tecnologia), contratos estes, que tinha por objetivo o seguinte:  Tendência Informação e Sistemas Ltda ­ fls. 3.289/3.299 ­  Objeto do Contrato ­ Prestação de Serviço de armazenamento e guarda  de PIN Numbers de recarga na plataforma pela Tendência, após a compra dos mesmos  pelo  Distribuidor,  além  da  disponibilização  da  infra­estrutura  tecnológica  e  de  sistemas para realização da transação, destinada a autorização de inserção de crédito  por meio de recarga eletrônica ao usuário de paraelho celular pré­pago, diretamente  pela operadora de telecomunicações, incluindo software de gerenciamento do processo  de  vendas,  disponibilização  de  tela  para  cadastro  de  PDRs,  tela  para  controle  de  estoques, telecomunicações, locação de equipamentos e treinamento.  RV Tecnologia e Sistemas S/A ­ fls. 3.300/3.320  Objeto  do  Contrato  ­  Através  do  presente  contrato  as  partes  acima  nomeadas estipulam e reciprocamente aceitam as cláusulas e condições que regularão  a  prestação  de  serviços  de  distribuição  de  créditos  de  telefonia,  contrato  n°  45787,  firmado entre a contratante e a contratada, em 13 de março de 2008.  Operadora VIVO ­ fls. 3.306/3.320  Objeto do Contrato ­ As partes resolvem firmar o presente Contrato de  Prestação de Serviços de Recebimento de Pagamentos de Crédito de Telefonia Pré­ Pagos, doravante denominados Contrato, mediante as seguintes clásulas e condições:  O  presente  Contrato  tem  por  objeto  a  prestação  pela  Contratada,  dos  serviços  de  recebimento de pagamentos decorrentes da aquisição de Créditos pelos usuários para  utilização do serviço pré­pago oferecido pela contratante através da rede de ponto de  vendas afiliados à contratada, localizada e estabelecida nas áreas onde a contratante  possui autorização para operar SMP.  Operadora CLARO ­ fls. 3.321/3.338  Objeto  do  Contrato  ­  O  presente  Contrato  tem  por  objeto:  (i)  a  distribuição pela Contratada, de créditos digitais emitidos pela CLARO, aos Pontos  de Vendas (PDVs) localizados na área de atuação da CLARO, ressalvados o disposto  no  item  2.1.1  baixo;  (ii)  prospecção,  nomeação,  credenciamento  e  gerenciamento  de  Fl. 29627DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.628            40 PDVs,  para  incrementar  a  comercialização  de  Créditos  Digitais;  (iii)  captura,  transporte,  certificação  e  processamento  das  transações  eletrônicas  objetivando  a  Recarga de Créditos Digitais, em tempo real, pelo usuário do serviço pré­pago.  Operadora TIM ­ fls. 3.339/3.359  Objeto  do  Contrato  ­  O  objeto  do  presente  contrato  é  a  compra  e  venda,  pela  TIM  à  CONTRATADA,  de  unidades  de  recarga,  na  área  de  Atuação  e  Segmento(s)  de  Mercado  definidos  neste  Instrumento,  com  objetivo  de  revenda  de  Recarga pela Contratada, aos clientes TIM.  Concluiu a turma julgadora a quo que os valores que circulavam nas contas da  Recorrente correspondiam a receitas. Tratar­se­ia de operação de prestação de serviço em conta  própria, e, ante ao disposto no art. 279 do RIR/99, os valores percebidos corresponderiam ao  conceito  de  receita  bruta,  não  havendo  que  se  falar  em  spread  ou  comissão  pelos  serviços  prestados.  Concordo, em parte, com as conclusões da autoridade fiscal.  No  que  tange  ao  contrato  com  a  TIM,  não  há  dúvidas  que  a  totalidade  dos  valores  percebidos  pela  Recorrente  corresponde  ao  conceito  de  receita  bruta.  Conforme  o  próprio contrato indica, trata­se de operações de compra e venda de unidades de recarga. Não  há  dúvida  da  inexistência  de  equívoco  na  designação  da  espécie  do  contrato.  Reproduz­se  excertos do contrato entre a Recorrente e TIM (fl. 3342):  Fl. 29628DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.629            41   Fl. 29629DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.630            42   Vê­se  claramente  que  a  Recorrente  adquire  os  créditos,  revendendo­os  livremente.  Não  há  comissão  ou  qualquer  forma  de  pagamento/remuneração  da  TIM  à  Recorrente.  E  o  pagamento  de  tais  aquisições  deverá  ser  realizado  no  prazo  de  30  dias,  conforme determina a cláusula 2.2. A esse respeito, convém ressaltar que se a Recorrente vier a  não  receber  pelas  revendas  de  recargas,  tal  não  fato  não  a  exime  da  obrigação  de  efetuar  o  pagamento à TIM, conforme estatui a cláusula 11.2 (fl. 3350) reproduzida a seguir:    Nesse  cenário,  não  há  dúvidas  quanto  à  caracterização  de  compra  e  venda.  Contudo,  e  considerando  que  houve  arbitramento  de  lucros,  tal  fato  implica  a  utilização  de  Fl. 29630DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.631            43 coeficientes de presunção de lucro aplicáveis às operações comerciais (9,6% para IRPJ e 12%  para CSLL). Do mesmo modo, em relação às revendas de aparelhos de telefone originados da  TIM, trata­se de operações de compra e venda.  No  mesmo  sentido,  assim  decidiu  o  então  Conselho  de  Contribuintes  atual  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF:  PIS  E  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  REVENDA  DE  CARTÕES  TELEFÔNICOS.  O produto da revenda de cartões  telefônicos, adquiridos por contrato  de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo  da contribuição como receita de vendas. (Acórdão 201­81.083, 2° CC  1a Câmara, Sessão de 10 de abril de 2008).  "(...).  PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  REVENDA  DE  CARTÕES  TELEFÔNICOS.  O  produto  da  revenda  de  cartões  telefônicos,  adquiridos  por  contrato  de  compra  e  venda da  empresa  de  telefonia,  integra  a  base  de  cálculo  da  contribuição  como  receita  de  vendas.  Recurso  negado.  "  (cf.  Acórdão  n°  201­79.266,  da  1­  Câmara  do  2°  CC,  Recurso  n°  130.989,  Processo  n°  10380.011575/2003­35,  em  sessão de 23/05/2006,  rel. Conselheiro  José Antonio Francisco, publ.  in  DOU  de  15/02/2007,  Seção  1,  pág.  94;  no  mesmo  sentido  cf.  Acórdão  n°  201­79.265,  Recurso  n°  130.988,  Processo  n°  10380.011574/2003­91 na mesma sessão).  A  esse  respeito,  convém  ressaltar  ainda  que  recentemente  a  Secretaria  da  Receita  Federal,  por  meio  da  Solução  de  Consulta  Cosit  nº  761,  de  28  de  março  de  2014  pronunciou­se de forma definitiva2 sobre o tema, nos seguintes termos:  SIMPLES NACIONAL. RECARGA DE CELULARES.   A venda, ao usuário, de créditos telefônicos para recarga de celulares,  com  ou  sem  o  suporte  físico  de  ficha,  cartão  ou  assemelhado,  por  pessoa  jurídica  que  não  se  qualifica  como  concessionária  de  serviço  público de telecomunicação, não constitui serviço de comunicação nem  configura  sua  intermediação.  Destarte,  é  atividade  permitida  aos  optantes  pelo  Simples  Nacional  e  suas  receitas  são  tributadas  pelo  Anexo I da Lei Complementar nº 123, de 2006. A base de cálculo, nesse  caso,  corresponde  à  totalidade  dos  valores  recebidos  do  usuário,  porquanto se trata de operação feita em conta própria.  Ora,  se  o  Anexo  I  da  Lei  Complementar  123  é  aplicável  às  receitas  das  atividades comerciais, a própria RFB confirma a tese de que a operação em análise refere­se à  atividade comercial.                                                              1  Disponível  em:  <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsultaCosit/2014/SCCosit762014.pdf>.  Acesso em: 23 abr 2014.  2 Com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 2013, as Soluções de Consulta Disit e as Soluções de  Divergência  passam a  ter  efeito  vinculante  no  âmbito  da RFB,  bem como  respaldando o  sujeito  passivo  que  a  aplicar, ainda que não seja o consulente, conforme determina o art. 9º de tal dispositivo infralega, verbis:  "Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito  vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente,  desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento  de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento."  Fl. 29631DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.632            44 Vê­se,  assim,  que,  em  relação  às  operações  de  revenda  de  recargas  e  celulares  da  TIM,  a  controvérsia  tratada  nos  autos  não  mais  subsiste,  pois  o  próprio  ente  autuante  entende  que  a  atividade  desenvolvida  pela  Recorrente  é  comercial.  Nesse  caso,  aplicáveis os coeficientes de presunção de lucro de 8% para determinação da base de cálculo  IRPJ e 12% para a de CSLL, em caso de  lucro presumido, ou de 9,6% para  IRPJ e 12% de  CSLL na hipótese de lucro arbitrado.   Trata­se,  na  realidade,  de  espécie  de  autocomposição  entre  as  partes.  Nesse  sentido, traçando­se um paralelo do processo administrativo fiscal com o processo civil, o ato  emanado pela RFB, equivale “à renúncia ao direito que se funda a ação”.   Equiparando­se  o  auto  de  infração  à  petição  inicial,  e  a  impugnação  à  contestação,  conclui­se  que  a  RFB  deu  o  primeiro  passo  para  a  formação  do  litígio  com  a  formalização da exigência. Não se desconhece que o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 assevera  que  o  litígio  somente  se  forma  a  partir  da  apresentação  da  impugnação.  Contudo,  há  de  se  considerar que  tal  litígio necessita de um ato  inaugurador da controvérsia, que é a exigência  tributária por parte do Fisco.  Pois bem, diante de tal cenário, entendo que a edição de atos por parte do autor  que  reconhece  a  insubsistência  do  direito  material  em  que  se  funda  a  exigência  do  crédito  tributário equivale à renúncia do próprio crédito em discussão.  Sob a ótica do processo civil, vejamos como a doutrina aborda o tema.  Para Humberto Theodoro Júnior,   ocorre  renúncia  quando,  de  forma  expressa,  o  autor  abre  mão  do  direito material que invocou quando da dedução de sua pretensão em  juízo. Demitindo de si a titularidade do direito que motivou a eclosão  da  lide,  o  autor  elimina  a  própria  lide.  E,  sem  lide,  não  pode  haver  processo, por falta de objeto.  Manifestada  ou  provada  nos  autos  a  renúncia  do  autor  ao  direito  material  sobre  que  se  funda  a  ação,  o  juiz  dará  por  finda  a  relação  processual,  através  de  sentença,  em  cujos  termos  reconhecerá  estar  solucionada a lide (julgamento de mérito).  [...]  a  manifestação  de  vontade  de  renunciar  só  pode  ser  expressa  e  deve constar de documento escrito juntado aos autos.3    Fredie Didier Júnior, por sua vez, observa que, tratando­se de autocomposição,  deve  ser  exarada  decisão  que  homologa  a  conciliação,  de  modo  a  pôr  fim  à  controvérsia.4  Esclarece ainda que a conciliação judicial, em qualquer de suas modalidades, pode se dar por                                                              3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Teoria geral do direito processual civil e  processo de conhecimento. Vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 331­332.  4 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Introdução ao Direito Processual Civil e Processo  de Conhecimento. 13. ed. Vol. 1. Salvador: Editora JusPodivm, 2011, p. 580.  Fl. 29632DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.633            45 termo  elaborado  por  escrivão,  mas  também  por  documento  extrajudicial  que,  uma  vez  juntado aos autos, não implica sua redução a termo.5  Por fim, Darci Guimarães Ribeiro ensina que  [...] enquanto na confissão, a parte declara a verdade de um fato contrário ao  seu interesse, na renúncia, o autor não declara nenhum fato afirmado pelo  réu e contrário ao seu  interesse, mas somente a inconsistência jurídica da  ação. A confissão pode emanar  tanto do autor quanto do réu; a  renúncia é  ato privativo do autor, segundo de depreender do inc. V do art. 269 do CPC. 6  (p. 91)  Ora,  uma  vez  caracterizada  a  renúncia  ao  direito  em  que  se  funda  a  ação,  o  Código de Processo Civil, em seu art. 269, V7, estabelece que haverá extinção do processo com  resolução do mérito.  Nesse  contexto,  e  considerando­se  que  a  própria  Receita  Federal  do  Brasil  entende que o direito em que se funda a exigência fiscal em relação às operações de compra e  venda de recargas para linhas de aparelhos celulares, em relação aos coeficientes de presunção  de lucro aplicáveis, é inconsistente, entendo que se deva dar provimento ao recurso voluntário  nesse  particular,  determinando­se  a  aplicação  do  coeficiente  de  9,6%  para  o  IRPJ  (lucro  arbitrado) e 12% para a CSLL.  Contudo,  compulsando  os  autos,  não  consegui  identificar,  e  tão  pouco  quantificar,  os  créditos  bancários  (ou  o  montante  da  revenda  de  créditos  e  aparelhos  de  telefonia adquiridos da TIM) para fins de aplicação dos corretos coeficientes de presunção de  lucro.  Nesse  cenário,  impõe­se  a  realização  de  diligência  para  levantamento  de  tais  valores. Os termos de tal diligência serão indicados ao final do presente voto, juntamente com  outros pontos que entendo também deverem ser alvo de averiguações complementares.  Já  em  relação  aos  contratos  com  CLARO,  VIVO,  Tendência  Informação  e  Sistemas Ltda e RV Tecnologia  e Sistemas S/A, concordo com a decisão  recorrida quanto  à  caracterização  de  prestação  de  serviço,  discordando,  contudo,  do  quantum  dos  valores  percebidos que de fato corresponde à receita bruta da Recorrente.  A  meu  ver,  resta  cristalino  tratar­se  de  prestação  de  serviço  remunerada  mediante comissão. Veja­se excertos dos contratos em questão:  ­ Contrato Claro – fls. 3326 e 3335 (Anexo II)                                                                5 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Introdução ao Direito Processual Civil e Processo  de Conhecimento. 13. ed. Vol. 1. Salvador: Editora JusPodivm, 2011, p. 581.  6 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 91.  7 Art. 269. Haverá resolução de mérito:   [...]  V ­ quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação.    Fl. 29633DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.634            46       ­ Contrato VIVO – fls. 3307, 3309 e 3310  Fl. 29634DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.635            47   [...]    [...]    Entendo  haver  demonstração  suficiente  de  que  parte  dos  recursos  que  transitaram pelas  contas  correntes do  contribuinte não  advieram de operação onerosa  entre  a  Recorrente e os adquirentes de recargas, mas sim mera intermediação entre as operadoras de  telefonia celular  e seus  clientes,  remunerada mediante comissão. Assim,  tratando­se de mero  repasse  de  recursos  oriundos  de  operação  entre  terceiros,  não  deve  prosperar  a  acusação  de  omissão de omissão de receitas em relação ao montante depositado em conta corrente, mas sim  somente  em  relação  aos  valores  das  comissões  percebidas,  equivalente  à  diferença  entre  os  valores depositados em conta corrente e os valores repassados ou às primeiras  intermediárias  ou às próprias operadoras de telefonia celular (no caso VIVO e Claro).  Com efeito,  tratando­se de prestação de serviços – remunerada por comissão –  deve­se tributar tão somente a parcela que pertence à Recorrente, utilizando­se, para tanto, os  coeficientes de presunção de lucro aplicáveis aos prestadores de serviços, quais sejam, 38,4%  para  IRPJ  e 32% para CSLL. Tanto  a autoridade  lançadora,  quanto  a  turma  julgadora  a quo  agiram bem em relação à conclusão quanto aos  coeficientes de presunção aplicáveis no caso  concreto. Entendo, contudo, que incorreram em erro em relação ao montante da receita bruta  auferida pela Recorrente.  De outra banda,  também não  consegui  identificar nos  autos,  com a precisão  e  liquidez  que  impõem  o  art.  142  do  CTN,  a  quantificação  das  comissões  percebidas  pela  Fl. 29635DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.636            48 Recorrente,  impondo­se  a  realização  de  diligência  para  levantamento  dos  valores  correspondentes.  3.7  LANÇAMENTOS REFLEXOS  Os lançamentos do Programa de Integração Social ­ PIS, da Contribuição para o  Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  ­ CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada.  Assim, na parte em que manteve­se o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo  fatos  ou  argumentos  novos  a  ensejar  conclusão  diversa,  é  de  se  manter  também  essas  exigências, ante a íntima relação e causa e efeito.  Há disposição  legal expressa de que a  receita omitida seja  incluída na base de  cálculo  da CSLL,  PIS  e COFINS,  conforme  dispõe  o  §  2º  do  art.  24  da  Lei  nº  9.249/1995,  verbis:  Art.  24.  Verificada  a  omissão  de  receita,  a  autoridade  tributária  determinará  o  valor  do  imposto  e  do  adicional  a  serem  lançados  de  acordo com o  regime de  tributação a que estiver  submetida a pessoa  jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  (...)  § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da  base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro  líquido,  da  contribuição  para  a  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação  do Patrimônio do Servidor Público ­ PIS/PASEP.  Ressalta­se  que  não  há  que  se  falar  em  créditos  da  não  cumulatividade  em  relação ao PIS/Cofins,  uma vez que,  com o arbitramento de  lucros,  tais  contribuições  foram  apuradas com base na sistemática cumulativa.  Diante do  exposto,  os  lançamentos  reflexos devem ser parcialmente mantidos,  excluindo­se  da  base  de  cálculo  a  diferença  entre  as  comissões  percebidas  e  os  depósitos  bancários correspondentes, nos termos da diligência a ser realizada.  3.8  DA INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.  Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício  seria ilegal.  Observa­se,  inicialmente,  que  a  questão  tem  sido  objeto  intenso  debate  pela  Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos  opostos,  ambos  decididos  por  maioria  apertada  de  votos,  como  se  verifica  dos  acórdãos  n°  9101­00539, de 11/03/2010, e n° 9101­00.722, de 08/11/2010.  Abstraindo­se  de  argumentos  finalísticos,  como  o  enriquecimento  ilícito  do  Estado, os quais  fogem à alçada deste  tribunal administrativo, conforme determina a Súmula  CARF n° 2, expõe­se os  fundamentos considerados suficientes para  justificar a cobrança nos  Fl. 29636DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.637            49 presentes  autos,  com  espelho  no  acórdão  n°  9101­00539,  de  11/03/2010,  de  lavra  da  Conselheira Viviane Vidal Wagner.  O  conceito  de  crédito  tributário,  nos  termos  do  art.  139  do  CTN,  comporta  tanto tributo quanto penalidade pecuniária.  Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96,  que  regula  os  acréscimos moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses débitos a multa de ofício.  Contudo,  uma  norma  não  deve  ser  interpretada  isoladamente,  especialmente  dentro do sistema tributário nacional.  No  dizer  do  jurista  Juarez  Freitas  (2002,  p.70),  "interpretar  uma  norma  é  interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente,  uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do  seu raciocínio:  "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação  sistemática,  quando  entendida  em  profundidade,  o  processo  hermenêutico  por  excelência,  de  tal  maneira  que  ou  se  compreendem  os  enunciados  prescritivos  nos  plexos  dos  demais  enunciados  ou  não  se  alcançará  compreendê­los  sem  perdas  substanciais.  Nesta  medida,  mister  afirmar,  com  os  devidos  temperamentos,  que  a  interpretação  jurídica  é  sistemática  ou  não  é  interpretação." (A interpretação sistemática do  direito,  3.ed.  São  Paulo:  Malheiros,  2002,  p.  74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa  que  resulte  logicamente contraditória com alguma norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual  deve  incidir  os  juros  de  mora,  ao  dispor  que  o  crédito  tributário  não  pago  integralmente  no  seu  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  independentemente dos motivos do inadimplemento.  Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário  há de ser uniforme.  De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito  tributário "é o vínculo  jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o  Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou  responsável  (sujeito passivo),  o pagamento do  tributo ou da penalidade pecuniária  (objeto  da relação obrigacional)."  Fl. 29637DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.638            50 A  obrigação  tributária  principal  referente  à  multa  de  ofício,  a  partir  do  lançamento, converte­se em crédito tributário, consoante previsão do art. 113,  §1°, do CTN:  Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1°  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento de tributo ou penalidade pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  tributário dela decorrente. (destacou­se)  A obrigação principal  surge,  assim,  com a ocorrência do  fato gerador  e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional.  A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida  "juntamente  com  o  imposto,  quando  não  houver  sido  anteriormente  pago''"  (§1°).  Assim,  no  momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a  multa  de  ofício,  tornando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.    A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício,  tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza  indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de  direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre  a multa isolada.  Eventual  alegação  de  incompatibilidade  entre  os  institutos  é  de  ser  afastada  pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros  de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da  Lei  n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.  O  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e contribuições,  alcança os débitos em geral  relacionados  com esses  tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento,  dizia  então,  reforçado  pelo  fato  de  o  art.  43  da  mesma  lei  prescrever  expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente.  Nesse  sentido,  o  disposto  no  §3°  do  art.  950  do Regulamento  do  Imposto  de  Renda  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99)  exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96  poderia  ser  aplicada  concomitantemente  com  a  multa de ofício.  Fl. 29638DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.639            51 Art.950.  Os  débitos  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica  serão  acrescidos de multa de mora, calculada à  taxa  de trinta e três centésimos por cento por dia de  atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61).  §1°A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada a partir do primeiro dia subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento do imposto até o dia em que ocorrer  o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61,  §1°).  §2°O percentual de multa a ser aplicado fica  limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996,  art. 61, §2°).  §3°A multa  de mora  prevista  neste  artigo  não  será  aplicada  quando  o  valor  do  imposto  já  tenha  servido  de  base  para  a  aplicação  da  multa decorrente de lançamento de ofício.  A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante  do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser  acrescido  dos  juros  de  mora  devidos  em  razão  do  atraso  da  entrada  dos  recursos nos cofres da União.  No mesmo  sentido  já  se manifestou  a Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  quando  do  julgamento  do  Acórdão  n°  CSRF/04­00.651,  julgado  em  18/09/2007, com a seguinte ementa:    JUROS  DE  MORA  ­  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  OBRIGAÇÃO  PRINICIPAL  ­  A  obrigação  tributária principal surge com a ocorrência do  fato  gerador  e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento,  incluindo  a  multa  de  ofício  proporcional.  O  crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem  incidir  os  juros  de  mora  à  taxa  Selic.  Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."  Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca­se  na  legislação  ordinária  a  norma  complementar  que  preveja  a  correção  dos  débitos para com a União.  Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem­se a taxa Selic, instituída pela Lei  n° 9.065, de 1995.  Fl. 29639DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.640            52 No  âmbito  do  Poder  Judiciário,  a  jurisprudência  é  forte  no  sentido  da  aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê  no exemplo abaixo:  REsp  1098052  /  SP  RECURSO  ESPECIAL2008/0239572­8 Relator(a) Ministro  CASTRO MEIRA  (1125) Órgão  Julgador  T2  ­  SEGUNDA  TURMA  Data  do  Julgamento  04/12/2008  Data  da  Publicação/Fonte  DJe  19/12/2008  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  OMISSÃO.  NÃO­OCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  DESNECESSIDADE.  TAXA SELIC. LEGALIDADE.  1.  É  infundada  a  alegação  de  nulidade  por  maltrato  ao  art.  535  do  Código  de  Processo  Civil,  quanto  o  recorrente  busca  tão­somente  rediscutir as razões do julgado.  2.  Em  se  tratando  de  tributos  lançados  por  homologação,  ocorrendo  a  declaração  do  contribuinte e na falta de pagamento da exação  no  vencimento,  a  inscrição  em  dívida  ativa  independe de procedimento administrativo.  3.  É legítima a utilização da taxa SELIC como  índice  de  correção  monetária  e  de  juros  de  mora,  na  atualização  dos  créditos  tributários  (Precedentes:  AgRg  nos  EREsp  579.565/SC,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJU  de  11.09.06  e  AgRg  nos  EREsp  831.564/RS,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon, DJU de 12.02.07).  No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  foi  pacificada  com  a  edição  da  Súmula  CARF  n°  4,  de  observância  obrigatória  pelo  colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes  termos:    Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC para títulos federais.    No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que  o  Parecer MF/SRF/Cosit  nº  28/98  teria  deixado  claro  não  ser  exigível  a  incidência  de  juros  sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95.  Fl. 29640DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.641            53 O  mencionado  Parecer,  ainda  que  conclua  pela  incidência  dos  juros  sobre  a  multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifesta­se nos  termos  dessa  tese.  Entretanto,  constata­se  que  o  referido  Ato  Administrativo  não  levou  em  consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o §  8º  ao  art.  84,  da  Lei  8.981/95,  e  que  estendeu  os  efeitos  do  disposto  no  caput  aos  demais  créditos da Fazenda Nacional cuja  inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de  competência da Procuradoria da Fazenda Nacional.  Isso  posto,  voto  por manter  a  exigência  de  juros moratórios  sobre  a multa  de  ofício lançada.  4  DA DILIGÊNCIA  Conforme  exposto,  não  restam  dúvidas  quanto  à  forma  de  determinação  das  bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada no presente caso:  ­  em  relação  às  operações  com  a  TIM,  os  depósitos  respectivos  devem  ser  considerados omissão de receita em sua integralidade, tributando­se o montante respectivo para  fins de PIS e Cofins, e utilizando­se dos coeficientes de presunção de lucro 9,6% e 12% para  determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado);  ­  no  que  tange  às  operações  remuneradas  mediante  comissão  (contratos  com  Claro,  Vivo,  Tendência  Informação  e  Sistemas  Ltda  e  RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A),  os  valores a serem considerados como omissão de receitas devem se limitar à comissão percebida,  sendo a respectiva receita bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins,  bem  como, mediante  utilização  dos  coeficientes  de  presunção  de  lucro  de  38,4%  e  32%,  as  bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado).  A  fim  de  dar  liquidez  à  exigência,  faz­se  necessária  discriminação  e  determinação das  receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato com a  TIM),  e  também  nas  operações  em  que  a  Recorrente  foi  remunerada  mediante  comissão  (demais contratos).  Para  tanto,  deverá  autoridade  fiscal  intimar  a  Recorrente  a  fim  de  que  essa  demonstre, de forma pormenorizada:  a)  O  valor  recebido,  mensalmente,  referente  às  operações  de  venda  de  créditos,  cartões  telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM;  b)  O  valor  líquido  mensal  referente  às  operações  de  intermediação  de  créditos  digitais  remuneradas  mediante  comissões  (diferença  entre  os  valores  percebidos  pela  Recorrente  e  aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e  RV Tecnologia e Sistemas S/A).      A  Recorrente  poderá  se  utilizar,  se  assim  entender,  da  escrituração  contábil  acostada  em  sede de  impugnação/recurso. De  qualquer  forma,  a Recorrente deverá manter  à  disposição da autoridade  fiscal, de  forma discriminada e organizada, a documentação que dê  suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados.      Esclarece­se  que  a  eventual  utilização  da  nova  escrituração  apresentada  pela  Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente  Fl. 29641DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.259  S1­C4T2  Fl. 29.642            54 auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando  quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e  a forma de tributação adotada pela Interessada.  Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá  indicar aqueles que entender corretos.  Uma  vez  quantificada  as  receitas,  nos  moldes  requeridos  e  nos  termos  do  presente  voto,  deverá  a  autoridade  fiscal  elaborar  demonstrativo  quantificando os  valores  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  incidentes  sobre  elas,  deduzindo  os  valores  já  declarados  pela  Recorrente, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser  declarados à RFB .  Ato  contínuo,  deverá  ser  elaborado  relatório  fiscal  circunstanciado  em  que  restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação  aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar  ainda  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  à  melhor  análise  dos  autos.  Ao  final,  a  Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo­se prazo de 30 dias para  que, querendo, manifeste­se sobre seu conteúdo.     (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator    Fl. 29642DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 19647.014861/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento suscitou nulidade do acórdão de primeira instância, nos termos do voto vista apresentado em sessão. Tal preliminar foi superada pelos conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro (Assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé – Relatora (Assinatura digital) José Fernandes do Nascimento – Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 998          1 997  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19647.014861/2009­44  Recurso nº            De Ofício  Resolução nº  3102­000.283  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  21 de agosto de 2013  Assunto  AUTO DE INFRAÇÃO. IPI. PIS/COFINS­Importação  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. E OUTROS    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência.  Vencidos  os  Conselheiros  Andréa  Medrado  Darzé,  relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para  redigir  o  voto  vencedor  o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci  Gama  declarou­se  impedida,  tendo  sido  substituída  pela  Conselheira  Adriana  Oliveira  e  Ribeiro.  O  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento  suscitou  nulidade  do  acórdão  de  primeira instância, nos termos do voto vista apresentado em sessão. Tal preliminar foi superada  pelos  conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Álvaro  Arthur  Lopes  de  Almeida  Filho,  Andréa  Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro  (Assinatura digital)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente e Redator Designado  (Assinatura digital)  Andréa Medrado Darzé – Relatora  (Assinatura digital)  José Fernandes do Nascimento – Conselheiro.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Álvaro  Arthur  Lopes  de  Almeida  Filho,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Andréa  Medrado  Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 14 86 1/ 20 09 -4 4 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 999  ___________       Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício em face da decisão da DRJ em Recife que julgou  a impugnação procedente em parte, para: (i) manter o Crédito Tributário, no sujeito passivo Hi­ Tech  do  Brasil  S.A  –  CNPJ  –  05.463.639/0001­27,  por  configurar  nos  autos  do  presente  processo  como  Importadora,  mantendo­se  a  multa  qualificada.;  (ii)  exonerar  da  responsabilidade  solidária  e  da  sujeição  passiva  os  demais  contribuintes  arrolados,  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda.,  as  pessoas  físicas  Marco  Antônio  Mansur,  Marco  Antônio  Mansur  Filho,  Antonio  Carlos  Barbeito  Mendes,  e  Alessandra  Salewski;  e  (iii)  exonerar  o  correspondente a R$ 1.099.927,46 (Um milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete  reais e quarenta e seis centavos) da multa em face da exclusão dos sujeitos passivos solidários.  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  o  presente  momento  processual,  os  quais  foram  relatados  com  riqueza  de  detalhes,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  transcrevendo­o abaixo na íntegra:  Em desfavor  dos  contribuintes CIL  ­ Comércio  de  Informática Ltda.  (CNPJ n.  24.073.694/0001­55;  HI­Tech  do  Brasil  S/A  CNPJ  n.  05.463.639/0001­27);  Marco  Antônio  Mansur  –  CPF  –  365153459­68);  Marco  Antônio  Mansur  Filho  –  CPF  –  256747268­17; Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 020938457­33; Alessandra  Salewski – CPF – 103112928­60 foi lavrado Auto de Infração relativo ao Programa de  Integral  Social  –  PIS,  a  contribuição  para  financiamento  da  Contribuição  Social  –  COFINS – multa e juros.  Descrição dos fatos e enquadramento legal – COFINS – Importação – fls­ 15  a 26;  “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior  pelo  contribuinte  denominado  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda.  –  CNPJ  –  24.073.694/0001­55 em conluio com a empresa HI­TECH DO BRASIL S/A ­ CNPJ –  05463639/0001­27,  em  decorrência  de  investigações  realizadas,  em  conjunto,  pela  Receita  Federal  e  pela  Policia  Federal,  sob  a  denominação OPERAÇÃO DILÚVIO,  foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados.  001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS ­ DI  O importador  (HI­TECH DO BRASIL S/A), em conluio com o real adquirente  (CIL),  por  meio  da  DI  abaixo  discriminada,  submeteu  a  despacho  aduaneiro  de  importação  mercadorias  com  valor  declarado  abaixo  do  valor  real  de  transação.  Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação  dolosa  tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação  tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos  aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos.  Sendo  assim,  é  lançada  a  diferença  entre  o  crédito  tributário  devido  e  o  recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais.  Demonstrativo do crédito  Código de Receita  Valor em Reais  Contribuição  4685  287.465,20  Juros de Mora (30/11/09)    185.061,36  Fl. 999DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1000          3 Multa proporcional (passível de redução)    431.197,80  Valor do crédito tributário apurado    903.724,36    Descrição dos fatos e enquadramento(S) legal(S) – PIS/PASEP – Importação  – fls. 04 a 14 ­ .  “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior  pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. – CNPJ  n. 24.073.694/0001­55 em conluio com a empresa HI­TECH DO BRASIL S/A ­ CNPJ  –  05463639/0001­27,  em  decorrência  de  investigações  realizadas,  em  conjunto,  pela  Receita  Federal  e  pela  Policia  Federal,  sob  a  denominação OPERAÇÃO DILÚVIO,  foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados.  001  –  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DO  PIS/PASEP  ­  IMPORTAÇÃO ­ DI  O importador  (HI­TECH DO BRASIL S/A), em conluio com o real adquirente  (CIL),  por  meio  da  DI  abaixo  discriminada,  submeteu  a  despacho  aduaneiro  de  importação  mercadorias  com  valor  declarado  abaixo  do  valor  real  de  transação.  Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação  dolosa  tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação  tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos  aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos.  Sendo assim, é lançada a diferença entre o valor do PIS efetivamente devido, na  importação  realizada,  e  o  recolhimento  a  menor  efetuado,  juntamente  com  os  seus  devidos acréscimos legais.    Demonstrativo do crédito  Código de Receita  Valor em Reais  Contribuição  4562  62.410,16  Juros de Mora (30/11/09)    40.177,70  Multa proporcional (passível de redução)    93.615,24  Valor do crédito tributário apurado    196.203,10    Termo de encerramento;  Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito.  Crédito tributário apurado  1.099.927,46  Consta no presente processo às fls. 28 a 131 o Relatório de Auditoria que entre  outros temas, trata da operação Dilúvio, do Grupo MAM, do esquema fraudulento, do  modus operandi, da sujeição passiva, do valor aduaneiro dos contribuintes envolvidos  na suposta organização criminosa objeto da investigação em apreço.  Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1001          4 Passaremos  a  transcrever  resumidamente  os  principais  trechos  do  referido  relatório:  “A  investigação  realizada  pela  Receita  Federal,  em  conjunto  com  a  Policia  Federal, de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR – CPF ­  365.153.459­68,  doravante  nomeada  Grupo  MAM,  que  se  dedicava  ã  prática  de  diversas  fraudes,  muitas  delas  em  operações  do  comércio  exterior,  resultou  na  constatação  do  envolvimento  de  várias  empresas  que,  mesmo  não  fazendo  parte  da  referida organização, participavam de várias empresas que, mesmo não fazendo parte  da  referida  organização,  participavam da prática das  infrações  e beneficiavam­se dos  produtos dos crimes realizados.”  Da Operação Dilúvio – – consiste em conjunto de procedimentos adotados pela  Policia  Federal  e  pela  Receita  Federal,  devidamente  amparados  por  autorizações  judiciais,  com  vistas  a  identificar  as  pessoas  e  empresas  envolvidas  na  prática  de  fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo grupo MAM.  (...)  Dentre  as  apreensões  realizadas nos  estabelecimentos da CIL COMÉRCIO DE  INFORMÁTICA LTDA, verifica­se a existência de meios probantes do envolvimento  desta  em  fraudes  de  comércio  exterior  praticas  em  conluio  com  a  HI­TECH  DO  BRASIL S/A com outras empresas fortemente vinculadas ao Grupo MAM, que tinham  sido alvo das investigações.  Os  elementos  apreendidos  durante  a  Operação  foram  todos  remetidos  a  Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados A Receita Federal, pela Justiça  Federal  daquela  cidade,  para  fins  de  procedimentos  fiscais.  A  equipe  Especial  de  Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta especifica finalidade, procedeu  à  triagem e  seleção dos documentos  e  arquivos magnéticos de  interesse  fiscal,  assim  como à formalização de dossiê para serem remetidos às unidades de fiscalização através  de Representações Fiscais. Foi deste  trabalho que resultou a representação aludida na  introdução  deste  Relatório,  acarretando  o  início  dos  procedimentos  fiscais  levados  a  efeito nas fiscalizadas.”  1.1.5 ­ Do grupo MAM;  “Pode­se caracterizar o Grupo MAM como sendo uma organização empresarial,  engendrada  por  MARCO  ANTÔNIO  MANSUR,  constituída  por  empresas  importadoras,  exportadoras, distribuidoras e financeiras patrimoniais que atuavam em  todas as etapas do fluxo operacional e logístico das importações realizadas por conta e  ordem  de  empresas  adquirentes  de  mercadorias  estrangeiras,  beneficiando­se  do  cometimento de fraudes aduaneiras e tributárias.  Para esse fim, o Grupo dispunha de várias empresas que operavam sob o controle  centralizado, como se fossem departamentos de uma única empresa. Havia, portanto, as  empresas  constituídas  no  exterior  para  atuar  como  se  fossem  agentes  de  carga  e  exportadores,  as  empresas  importadoras  (denominadas  tradings)  e  as  empresas  distribuidoras (adquirentes fictícios).  Os controladores desta organização, ou seja, MARCO ANTÔNIO MANSUR –  CPF  365.153.459­68, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO  (MARQUITO)  – CPF  256.747.268­17,  ANTÔNIO  CARLOS  BARBEITO  MENDES  (TONY)  ­  CPF  020.938.457­33 e ALESSANDRA SALEWSKI – CPF 103.112.928­60, e seus gerentes  operacionais determinavam  todos os procedimentos,  tais como: a  forma de embarque  das mercadorias;  como os  documentos  deveriam  ser  emitidos  (quando não eram eles  Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1002          5 mesmos  que  os  emitiam);  como  seria  elaborada  a  Declaração  de  Importação;  como  seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizada no  fluxo, até que a mercadoria fosse colocada à disposição do seu cliente. Proporcionavam,  assim,  amplo  suporte  documental,  cambial,  logístico  e  jurídico  aos  clientes  da  organização.”  Às fls. 038 a 044 ­ a Fiscalização descreve a suposta engenharia da organização e  em seguida se esclarece como se dava o fluxo das mercadorias e o fluxo financeiro.  Às  fls.  047  a  058  a  Fiscalização  faz  um  resumo  das  principais  empresas  envolvidas no suposto esquema de fraude fiscal. São elas:  2.3.2.1  ­  A  Exportadora:  Feca  Internacional  Corporation  –  CNPJ  07038833/0001­90  –  durante  as  investigações  efetuadas  quando  da  OPERAÇÃO  DILÚVIO,  constatou­se que o principal exportador utilizado pelo Grupo MAM era a  Feca  Internacional  Corporation.  Constituída  em  04/10/2001  com  capital  inicial  equivalente  ã módica  quantia  de US$ 50,00 –  cinquenta dólares  ­  e  sediada na 6124  NW  74  th  Avenue,  em  Miame,  Flórida  EUA  –  tinha  como  presidente  o  brasileiro  Adilson  Tadeu  Soares  –  CPF­  045.344.998­09  –  que  informava  possuir  o  mesmo  endereço da empresa no exterior.  (...)  2.3.2.2 – A Importadora: HI­Tech do Brasil S/A – CNPJ 05463639/0001­27 –  A  HI­Tech  do  Brasil  S/A  foi  constituída  em  05/12/2002  e  está  sediada  na  Av.  Presidente Vargas, nº 387, no bairro do Pontal em Ilhéus/BA. Está em situada ativa no  CNPJ e possui uma filial na cidade do Rio de Janeiro.   2.3.2.3  ­ A Distribuidora  (suposta  adquirente): Ghats  Comércio  Exterior  Ltda.  CNPJ – 68758218/0001­43.  (...) Desde 08/07/2004 tinha em seu quadro societário constituído pela empresa  CEMDA  –  Consultoria  Empresarial  Ltda.,  CNPJ  –  05122933/0001­75,  com  95%  de  participação  e Mauro  Lima  –  CPF  099.423.277­20,  com  5%.  Este,  sócio­gerente  da  Ghats, é contador e possui participações societárias em outras empresas vinculadas ao  Grupo  MAM,  apresentando­se,  inclusive,  como  diretor  de  algumas  delas,  como  a  importadora  Hi­Tech  do  Brasil  S/A,  sediada  m  Ilhéus/BA.  Reside  em  Nova  Iguaçu  também, 6 Rua Madressilva, n°63, no Bairro Margarida.  2.3.2.4  –  A  Distribuidora:  Control  Comércio  Exterior  Ltda.  ­  CNPJ  02.069.249/0001­89.  (...)  Possui  endereço  cadastral  na  Rua  Madressilva,  n°.  19,  Margarida,  em  Nova  Iguaçu/RJ,  com  filiais  sediadas  n  Rua  Guilherme Maxwell,  n°.  250,  Conjunto  202,  Bonsucesso, Rio de Janeiro/RJ e na Av. Brasil n°. 19.001, Pavilhão 42, Box 22, Irajá  também no Rio de Janeiro/RJ.  (...)  2.3.2.5  A  empresa  responsável  pela  assessoria  e  controle  das  operações:  Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda. – CNPJ – 06974682/0001­10.  A empresa Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda. – CNPJ – 06974682/0001­ 10,  sediada  na  Rua  Buenos  Aires,  nº  68,  11º  andar,  Centro,  Rio  de  Janeiro/RJ,  foi  Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1003          6 constituída  em  03/09/2004  e  está  registrada  com  CNAE  7119­7­99  (Atividades  Técnicas Relacionas à Arquitetura).  Também segundo a Fiscalização em  relatório  às  fls. 061  ­ em seu  item 2.3.2.6  consta  como  empresa  responsável  pela  logística  das  operações,  nos EUA  a  In­Time  Shipping Logística Ltda. – CNPJ – 05767921/0001­06.  Às fls. 061 a 066 ­ a Fiscalização descreve o suposto esquema fraudulento e às  fls.  066  a  077  ­  a  Fiscalização  justifica  a  Sujeição  Passiva  dos  contribuintes  e/ou  responsáveis tributários na figura de:  Contribuintes/responsáveis/solidários  CNPJ/CPF  CIL ­ Comércio de Informática ltda  24073694/0001­55  HI­tech do Brasil S.A  05463639/0001­27  Marco Antônio Mansur  365153459­68  Marco Antônio Mansur Filho  256747268­17  Antônio Carlos Barbeito Mendes  020938457­33  Alessandra Salewski  103112928­60    Da Conclusão – As fls. 130 a 131.  Por fim a Fiscalização conclui que: “Conclui­se diante de todo o exposto que a  CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. atuou como verdadeiro comprador na  operação comercial analisada por essa fiscalização, sem nem sequer ser habilitada para  operar no comércio exterior. A empresa agiu em conluio com o denominado GRUPO  MAM, num esquema de simulação em que este, através de suas várias empresas, sob o  comando  de  MARCO  ANTÔNIO  MANSUR,  MARCO  ANTÔNIO  MANSUSR  FILHO, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES e ALESSANDRA SALEWSKI,  atuava como exportador, importador, transportador, distribuidor etc., ocultando os reais  personagens da operação de comércio exterior. Não bastasse a ocultação, as infratoras  ainda promoveram o subfaturamento na importação.  (...)  A  Fiscalização  concluiu  pela  responsabilidade  solidária  dos  supostos  envolvidos e pela Representação Fiscal para fins Penais em consonância com o § 4°  do Art. 1° da Portaria RFB n° 665, de 24 de Abril de 2008.  Às  fls. 132 a 134, consta cópia da Denúncia oferecida pelo Ministério Público  Federal em 04 de Julho de 2007 nos autos do processo n° 2007.70.00.0011106­2, para  os supostos envolvidos nos crimes em tese: Halim Nagem Neto – CPF – 233.112.904­ 53, Carlos André Gomes Nagem – ­CPF 834.153.354­53, Valdir Nagem Junior – CPF ­  427.422.694­87,  na  condição  de  sócio  e  efetivos  administradores  a  empresa  CIL  ­  comércio  de  informática  Ltda.,  nome  de  fantasia  NAGEM  INFORMÁTICA,  José  Eduardo  de  Azevedo  Martins  –  CPF  –  682.331.838­49,  Karina  Andrea  Parraquez  Bustamante  –  CPF  –  301.522.668­10,  Cristiane  Maria  Miguel  de  Sousa  –  CPF­  782.481.834­91,  Marco  Antônio  Mansur  –  CPF  –  365.153.459­68,  Marco  Antônio  Mansur  Filho  –  CPF  –  256.747.268­17,  Antônio  Carlos  Barbeito  Mendes  –  CPF  –  020.938.457­33, Alessandra Salewski – CPF – 103.112.928­60.  Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1004          7 Foi  lavrado  o  auto  de  infração  às  fls.  001  a  027,  para  lançamento  do Crédito  Tributário  referente  à  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  –  Importação,  Juros  e  Multa.  PIS  –  Importação,  Juros  de  Mora  e  Multa  proporcional  sobre  o  PIS  ­  Importação,  no  valor  total  de  R$  1.099.927,46  –  (Um  milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos).  Cientificada do lançamento em 14 de Dezembro de 2009, através de Edital às fls.  539, a empresa HI­Tech do Brasil S.A apresentou sua defesas às fls. 597 a 609.   A CIL COMÉRCIO E  INFORMÁTICA LTDA foi  cientificada  em 15/12/2009  protocolou  tempestivamente,  em  13/01/2010,  a  impugnação  cujo  inteiro  teor  se  encontra às fls.543 a 578, de onde se extraem, em resumo, os seguintes argumentos de  defesa:  Alega  a  impugnante  que  os  supostos  fatos  geradores  relativos  a  importações  foram realizadas pela HI­Tech do Brasil S.A, cujos bens importados foram adquiridos  no mercado interno pela empresa ora impugnante, por meio de operações pautadas na  legislação pertinente. Alega que ao longo de 106 laudas, os Auditores­Fiscais, autores  do  lançamento,  argumentaram  de  todas  as  formas  tendentes  a  imprimir  um  caráter  criminoso, fraudulento, à conduta e ao histórico da ora defendente. (...) Passa a expor  que:  I  ­  Principio  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  condenação  prévia  e  sumária.  Alega a impugnante que, hão de ser desconsideradas, por absoluta impertinência  ao que foi apurado durante a fiscalização, as alegações de que as relações comerciais  havidas  entre  a  CIL  e  as  indigitadas  empresas  do  grupo  MAM  serviriam  para  “...fabricação de débitos tributários em ‘empresas de fachadas’ interpostas, incapazes  de promoverem os respectivos recolhimentos...’(fis. 39), ou de que a suposta ocultação  “...normalmente  vem  atrelada  ou  desencadeia  a  prática  de  outros  crimes,  direta  ou  indiretamente, tais como remessa ilegal de divisas, a ocultação de receita, a lavagem  de  dinheiro,  etc.”(  fls.  39).  Afirmações  desse  cariz  não  encontram  ressonância  nos  elementos  coligidos  aos  presentes  autos,  e  não  passam  de  conjecturas  absurdas  e  maldosas, dissociadas por completo dos fatos.  Merece relevo o fato de que nenhuma falha foi apurada na contabilidade e nos  registros  fiscais  da  empresa.  As  receitas  todas  foram  devidamente  escrituradas  e  tributadas.  Nesse sentido vale remeter às possíveis razões que justificariam (em tese) buscar­ se a ocultação do real  importador, segundo apontam os Auditores que subscrevem os  autos  impugnados,  em como os  esclarecimentos ora  aduzidos  sobre  a  importância de  tais considerações:  “impossibilidade de comprovar a procedência legal dos recursos empregados”:  todas as compras foram devidamente contabilizadas, assim como os recursos utilizados,  como, aliás, apurou­se na fiscalização;  “falta de habilitação dos interessados perante a Receita Federal do Brasil pra  operar no  comércio  exterior”: nem a empresa, e  tampouco seus  sócios, contam com  óbice de qualquer natureza para o cadastramento nos sistemas de comércio exterior.  Simplesmente  não  era  e  continua  não  sendo,  o  objeto  social  da  pessoa  jurídica.  E,  principalmente, a quase totalidade das aquisições dos produtos para a distribuição são  feitas  junto às próprias fabricantes instalas no território nacional, como se explicará  seguir;  Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1005          8 “pelo  ‘afastamento’  da  responsabilidade  pelas  operações  realizadas”:  o  “Relatório de Auditoria” invoca elementos vindos de outras fiscalizações, em  que um “laranja” é interposto, sendo que a importadora,  in casu, HI­Tech,  tem  estrutura  econômica  para  responsabilizar­se  pelas  operações  de  importação que promove como inclusive é relatado no que tange ao capital  social devidamente registrado.  “quebra  da  cadeia  tributária  do  IPI”:  como  será  demonstrado,  não  procede  a  imputação  de  subfaturamento  que,  inexistente,  remete  à  irrelevância  a  cadeia  do  IPI,  que já foi pago pela importadora;  SIMPLES: a argumentação dos i. Fiscais em nada se relaciona com os autos, pois  a impugnante não é empresa participante do SIMPLES, e tampouco a importadora o é  também.  II ­ Das Nulidades:  II­1.1 ­ Da Ausência de indicação de todos os Sujeitos Passivos;  A impugnante invoca o art. 142, § único do CTN, o art. 53, da Lei n° 9.784/94 e  o art. 10º, incisos I, III, IV e V, do Decreto n° 70.235/72 para enfatizar que: “Consoante  se  depreende  dos mencionados  autos  de  infração,  as  atuações  ora  vergastadas  foram  formalizadas apenas contara a ora impugnante ( CIL – Comércio de Informática Ltda.)  a  HI­Tech  do  Brasil  S/A,  bem  como  contra  as  seguintes  pessoas  naturais:Marco  Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho e Alessandra Salewski.  No  entanto,  estranhamente,  foram  excluídas  da  autuação  as  empresas  Ghats  Comércio Exterior Ltda., Control Comércio Exterior Ltda., e Interlogistic Consultoria  Empresarial Ltda..  Vê­se, portanto, que, assim como a ora  Impugnante foi  indevidamente alçada à  condição de responsável solidário, com fundamento nas alíneas ‘c’ e ‘d’, do § único, do  art.  32  do Decreto  37/66,  razão  alguma  justifica  a  exclusão  antecipada das  empresas  Ghats, Control  e  Interlogistic,  haja vista que  também  figuraram como adquirentes de  mercadorias  de  procedência  estrangeira.  A  atuação  não  poderia,  de  forma  temporã,  excluir  a  sujeição  passiva  de  empresa  que,  segundo  se  apurou, “...  praticou  atos  de  comércio internacional, comprando no exterior as mercadorias estrangeiras.”  II.1.2.  ­  Da  ausência  de  autorização  judicial  para  o  compartilhamento  de  documentos e informações sob sigilo –  Consta do Relatório de Auditoria que:  (i)  “... os elementos utilizados nesta fiscalização são decorrentes, em sua  maior parte,  de documentos  e arquivos apreendidos em 16 de Agosto de 2006 pela  Polícia  Federal  em  cumprimento  de  diversos  Mandados  de  Buscas  e  Apreensões  (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR...” (.– destacou­se);  (ii)   “A  OPERAÇÃO  DILÚVIO  consiste  em  um  conjunto  de  procedimentos  dotados  pela  Policia  Federal  e  pela  Receita  Federal,  devidamente  amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas  envolvidas  na  prática  de  fraudes  aduaneiras  e  tributárias  cometidas  pelo  Grupo  MAM” (fl. ­ destaque no original); e  (iii) “Os elementos apreendidos durante a operação foram todos remetidos a  Curitiba/PR,  tendo sido  imediatamente disponibilizados à Receita Federal,  Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1006          9 pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A  Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta  finalidade,  procedeu  à  triagem  e  seleção  de  documentos  e  arquivos  magnéticos  de  interesse  fiscal,  assim  como à  formalização de dossiês para  serem  remetidos  às  unidades  de  fiscalização  através  de  Representações  Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a Representação Fiscal aludida na  introdução deste Relatório, acarretando o inicio dos procedimentos fiscais  levados a efeito nas fiscalizadas” (fl. 42/43 negrito e grifos acrescidos).  A impugnante alega que:  “Todavia,  antes  de  se  manifestar  sobre  cada  um  dos  elementos  de  prova  constantes  dos  autos,  é  de  se  perguntar,  num  primeiro  momento,  pelos  indigitados  mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal da Subseção Judiciária de  Paranaguá/PR,  os  quais  serviram  de  lastro  legal  para  coleta  licita  dos  documentos  e  arquivos apreendidos pela Policia Federal.  Indaga­se,  ainda,  pelos  relatórios  produzidos  depois  de  realizadas  as  aludidas  operações  de  busca  e  apreensão,  nos  quais  devem  constar  a  lista  de  documentos  e  arquivos  colhidos  em  cumprimento  a  cada  um  dos  mandados  emitidos  pela  Justiça  Federal.  Sem  tais  peças  não  há  como  se  averiguar  se,  de  fato,  as ordens  judiciais de  busca e apreensão foram fielmente cumpridas pelo órgão estatal executor das medidas  deferidas pelo Poder  Judiciário. Não basta evocar a existência de mandados  judiciais  autorizando a realização de busca e apreensão nos domicílios, sedes e filiais das pessoas  físicas ou jurídicas, é necessário, ainda que se proceda ao controle do resultado obtido  em tais diligencias, para que se examine se houve ou não excessos ou desmandos nos  atos executórios.  Como,  afinal,  saber  se  os  elementos “elementos  utilizados  nesta  fiscalização”  têm  como  fonte  as  ordens  judiciais  da  Justiça  Federal  da  Subseção  Judiciária  de  Paranaguá/PR, se tais pegas não existem nos ­presentes autos. Tal ausência inviabiliza o  crivo sobre a licitude das referidas ações policiais de busca e apreensão.  À  mingua  de  elementos  concretos  para  a  realização  da  sindicabilidade  dos  procedimentos  realizados  no  bojo  da  propalada  “Operação  Dilúvio”,  os  quais  a  ora  impugnante desconhece por completo, não há como proceder ao exame da licitude do  conjunto  probatório  coligido  aos  autos,  quando  perscrutado  à  luz  dos  direitos  individuais consagrados nos incisos X, XI e XII, do art. 5° da CF. A impossibilidade de  se  averiguar  se  os  elementos  de  prova  produzidos  pela  “Operação  Dilúvio”  são  compatíveis  com  o  texto  constitucional  gera  como  conseqüência  direta  a  inadmissibilidade de sua utilização no presente procedimento fiscal.  Por  outro  lado,  admitindo­se,  por  hipótese,  que  as  requisições  de  busca  e  apreensão foram adequadamente requeridas a órgão competente do Poder Judiciário, e  que  este  as  deferiu  na  exata  extensão  horizontal  e  vertical  em  que  solicitadas;  ou,  admitindo­se, em  tese, que as diligências  realizadas para cumprimento dos mandados  foram executadas em total respeito às ordens judiciais, e que o material levantado em  tais procedimentos  são os mesmos que foram compartilhados com a Receita Federal,  mesmo assim resta uma questão a ser analisada: em qual ato formal foi materializada a  requisição  feita  pela  Receita  Federal  â  Justiça  Federal  da  Subseção  judiciária  de  Paranaguá, com vistas a obter o compartilhamento doa acervo documental e arquivos  colhidos pela Policia Federal no curso da “Operação Dilúvio”. E mais, qual ato judicial  autorizou esse compartilhamento para fins de procedimentos fiscais. Em verdade,  tais  atos não existem, ou, se existentes, não constam nos presentes autos.  Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1007          10 É  dizer,  tanto  a  requisição  quanto  a  autorização  judicial  dada  pela  autoridade  judiciária  competente  são  atos  pressupostos  para  o  compartilhamento  legitimo  dos  documentos e arquivos aprendidos pela Policia Federal durante a “Operação Dilúvio”.  A inexistência desses atos tem como conseqüência a inadmissibilidade de sua utilização  como  elementos  de  prova  no  presente  procedimento  fiscal.  São,  portanto,  provas  obtidas  ou  compartilhadas  ilicitamente,  sem  prévio  e  imprescindível  controle  e  autorização judiciais.  Se a ordem constitucional vigente exige, para superação pontual e  legítima das  inviolabilidades  asseguradas  os  incisos  X,  XI  e  XII  do  art.  5º,  prévia  determinação  judicial  nesse  sentido,  a  fortiori,  também  os  elementos  colhidos  em  decorrência  de  ordem judicial, com relativização das supramencionas inviolabilidades constitucionais,  somente  poderão  ser  compartilhados  a  outro  órgão  do  aparato  estatal  se  houver  requisição  formal do órgão  interessado e prévia autorização  judicial  franqueando sua  utilização para o fim ao qual foi solicitada.  Transcreve  a  posição  do  Eg.  STF  no HC  n°.  93.050/RJ,  2a  Turma,  Rel. Min.  Celso de Mello, publicado no DJ de01.08.2008, v.u – destacou­se;  III – Alega a aplicação cumulativa da multa, que não houve subfaturamento. Por  fim,  requer  seja  apreciada  com vistas  a  que  seja  julgada  improcedente  a  ação  fiscal,  declarando­se insubsistentes os lançamentos.  Defesa de Alessandra Salewski – fls. 430 a 456;  Resumidamente  a  alegação  da  impugnante  retro,  é  de  que  não  tem  nenhum  vinculo  com  a  suposta  importadora  HI­TECH  DO  BRASIL  S/A  ­  CNPJ  –  05463639/0001­27,  que  houve  violação  da  Lei  de  interceptação  telefônica  em  consonância  com HC – Habeas Corpus  ­  n°  142045 PR,  no  qual  figura  os  pacientes  Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, pois os Ministros do C. STJ  houveram  por  bem  conceder  a  ordem de  habeas  corpus  para  declarar  a  nulidade  das  provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos e a mesma é  beneficiária deste HC.  Por fim requer a impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente,  para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a  sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por  conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração.  Defesa de Marco Antônio Mansur ­ fls. 631 a 662.  Resumidamente  a  alegação  do  impugnante  retro,  é  de  que  não  tem  nenhum  vinculo  com  a  suposta  importadora  HI­TECH  DO  BRASIL  S/A  ­  CNPJ  –  05463639/0001­27,  que  houve  violação  da  Lei  de  interceptação  telefônica  em  consonância com HC – Habeas Corpus n°142045 PR, no qual figura como paciente e  Marco Antônio Mansur Filho, pois os Ministros do C.STJ houveram por bem conceder  a  ordem de habeas  corpus  para  declarar  a nulidade das provas obtidas por meio das  interceptações telefônicas e meios telemáticos.  Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente,  para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a  sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por  consequência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração.  Defesa de Marco Antônio Mansur Filho ­ fls. 667 a 698;  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1008          11 Resumidamente  a  alegação  do  impugnante  retro,  é  de  que  não  tem  nenhum  vínculo  com  a  suposta  importadora  HI­TECH  DO  BRASIL  S/A  ­  CNPJ  –  05463639/0001­27,  que  houve  violação  da  Lei  de  interceptação  telefônica  em  consonância com HC ­ Habeas Corpus n°142045 PR, no qual  figura como paciente e  Marco Antônio Mansur,  pois  os Ministros  do C. STJ  houveram por  bem conceder  a  ordem  de  habeas  corpus  para  declarar  a  nulidade  das  provas  obtidas  por  meio  das  interceptações telefônicas e meios telemáticos.  Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente,  para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a  sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por  conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração.  Defesa de Antônio Carlos Barbeito Mendes ­ fls. 614 a 628.  Resumidamente  a  alegação  do  impugnante  retro,  é  de  que  não  tem  nenhum  vinculo  com  a  suposta  importadora  HI­TECH  DO  BRASIL  S/A  ­  CNPJ  –  05463639/0001­27,  que  as  acusações  são  genéricas  e  improcedentes,  que  não  há  nenhuma  prova  consistente  que  demonstre  quaisquer  relações  com  as  empresas  supostamente envolvidas no Auto de Infração em apreço.  Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente,  para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a  sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por  conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração.  A DRJ em Recife julgou procedente o auto de infração, para manter a exigência  do  imposto  de  renda,  referente  ao  ano­calendário  de  1998,  no  valor  total  de  R$  829.514,77  (oitocentos e vinte e nove mil, quinhentos e catorze reais e setenta e sete  centavos),  e  a  multa  de  oficio  de  150%,  no  valor  de  R$  1.244.272,15  (um milhão,  duzentos  e quarenta  e quatro mil, duzentos  e  setenta  e dois  reais e quinze centavos),  mas  excluiu  do  polo  passivo  do  lançamento  todas  as  pessoas  físicas  arroladas  como  responsáveis  solidários,  por  entender  que  não  restou  provado  nos  autos,  com  provas  licitas,  o  interesse  comum  dos  supostos  envolvidos,  bem  como  a  empresa  CIL  ­  Comércio de Informática Ltda., nos seguintes termos:  COFINS – IMPORTAÇÃO.  A  importadora alterou  indevidamente, para menor, a base de cálculo  dos  direitos  aduaneiros,  de  modo  a  reduzir  o  montante  dos  tributos  devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário  devido  e  o  recolhimento  a  menor  efetuado,  juntamente  com  os  seus  devidos acréscimos legais.  PIS – IMPORTAÇÃO.  A  importadora alterou  indevidamente, para menor, a base de cálculo  dos  direitos  aduaneiros,  de  modo  a  reduzir  o  montante  dos  tributos  devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário  devido  e  o  recolhimento  a  menor  efetuado,  juntamente  com  os  seus  devidos acréscimos legais.  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  COMPETÊNCIA  DA  DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO PARA  SE PRONUNCIAR..  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1009          12 Nos casos de impugnação a auto de infração, as Delegacias da Receita  Federal  de  Julgamento  são  competentes  para  julgar  tudo  aquilo  que  for relativo à matéria atinente As infrações apuradas. Inclusive, sobre  sujeição  passiva  solidária  quando  ficar  demonstrado  com  provas  licitas o interesse comum de terceiros envolvidos.  INCIDÊNCIA  DE  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  COMPROVAÇÃO  DA  OCORRÊNCIA  DE  EVIDENTE  INTUITO  DE FRAUDE.  A autuada praticou ação dolosa tendente a modificar as características  essenciais  do  fato  gerador.  A  fraude  consiste  em  declarar  valores  a  menor, resultando no subfaturamento.  Tendo  em  vista  a  exoneração  correspondente  a  R$  1.099.927,46  (um milhão,  noventa  e  nove mil,  novecentos  e  vinte  e  sete  reais  e  quarenta  e  seis  centavos)  em  face  da  exclusão do polo passivo do lançamento da empresa CIL ­ Comércio de Informática Ltda. e das  pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito  Mendes, e Alessandra Salewski, a DRJ em Recife recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do  Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10  de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008.  Não foi interposto recurso voluntário relativamente à parte mantida pela DRJ em  Recife.  É o relatório.  Voto vencido  Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora  Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à  existência nos autos de provas lícitas e concludentes da existência do interesse comum no fato  gerador do tributo, necessária para imputação de responsabilidade solidária em face da empresa  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda.  e  das  pessoas  físicas Marco  Antônio Mansur,  Marco  Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes,  e Alessandra Salewski,  bem  como  para a manutenção da multa qualificada e do suposto cunho penal da infração administrativa.  Isso  porque,  não  tendo  sido  apresentado  Recurso  Voluntário,  foi  apenas  esta  a  matéria  devolvida a este C. Tribunal.  Pois bem. A  integralidade dos documentos  apresentados pela  fiscalização para  lastrear o presente o Auto de Infração, em especial, no que se refere aos Termos de Sujeição  Passiva  Solidária  contra  os  sujeitos  acima  relacionados,  foram  obtidos  em  decorrência  da  investigação  realizada,  em  conjunto,  pela  Receita  Federal  do  Brasil  e  pela  Polícia  Federal,  denominada  “Operação  Dilúvio”,  destinada  ao  combate  a  suposto  esquema  de  descaminho,  fraudes  no  comércio  exterior,  sonegação  e  importações  subfaturadas  envolvendo  importantes  empresas.  Esta constatação é aferida a partir de várias passagens da autuação, em especial  do Relatório  de Auditoria Fiscal. A  título  de  exemplo,  transcrevo alguns  trechos do  referido  documento em que isto fica bastante evidente:  Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1010          13 ­ fl. 39 “No dia 16 de agosto de 2006 foi deflagrada a parte ostensiva  da  OPERAÇÃO  DILÚVIO,  tendo  sido  realizadas  centenas  de  diligências  em  diversos  endereços  comerciais  e  residenciais,  localizados  em  oito  Unidades  da  Federação,  e  também  no  exterior,  com  vistas  a  localizar  e  apreender  documentos  que  permitissem  comprovar  as  fraudes  praticadas.  Nesta  operação,  que  envolveu  a  participação de quase 2000 servidores da Policia Federal e da Receita  Federal,  houve  a  apreensão  de  grande  quantidade  de  documentos,  meios magnéticos e mercadorias, assim como a realização da prisão de  mais de cem envolvidos.”  ­ fl. 40: “Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos  remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados A  Receita  Federal,  pela  Justiça  Federal  daquela  cidade,  para  fins  de  procedimentos fiscais. A Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação  Fiscal, constituída para esta especifica finalidade, procedeu à triagem  e  seleção  dos  documentos  e  arquivos  magnéticos  de  interesse  fiscal,  assim  como  à  formalização  de  dossiê  para  serem  remetidos  às  unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste  trabalho  que  resultou  a  representação  aludida  na  introdução  deste  Relatório,  acarretando  o  início  dos  procedimentos  fiscais  levados  a  efeito nas fiscalizadas.”  ­  fl.  45:  “Nas  investigações  da  OPERAÇÃO  DILÚVIO  foram  identificadas as seguintes importadoras do Grupo:  Ø Mercotex do Brasil Ltda, CNPJ 01.732.373/0001­10;  Ø Opus – Trading América do Sul Ltda, CNPJ 01.184.974/0001­35;  Ø Mercotec Importação e Exportação S/A, CNPJ 07.067.563/0001­46;  Ø Hi­Tech do Brasil S/A, CNPJ 05.463.639/0001­27, e  Ø Borgtec Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 05.429.757/0001­19.”  ­ fl. 49: “(...) foram apreendidas também por ocasião da OPERAÇÃO  DILÚVIO  em  sua  filial  de  São  Paulo,  percebe­se  claramente  que  se  trata  de  uma  empresa  bem  sucedida,  que  tem  acumulado  lucros  ano  após ano e crescido vigorosamente”.  ­  fl.  51:  “Além  dele,  cujo  nome  aparece  em  diversos  documentos  apreendidos  na  OPERAÇÃO  DILÚVIO,  destacam­se  as  figuras'  de  José Eduardo Martins  e Karina Bustamante,  quase  sempre presentes  nos  contatos  efetuados  pela  empresa,  especialmente  por  e­mail,  com  fornecedores  no  exterior  e,  em  particular,  com  empresas  do  Grupo  MAM. Ambos são  funcionários da filial em São Paulo e,  tudo indica,  ocupam posições privilegiadas dentro da empresa, pois, muitas vezes  são  determinantes  nas  tomadas  de  decisões  estratégicas  durante  as  negociações para compra, no exterior, e revenda, no mercado interno,  de equipamentos e suprimentos de informática.”  ­  fl. 53: “Conforme  se  verificou, na análise de uma série de e­mails  obtidos por interceptação de meios telemáticos legalmente autorizada  trocados entre membros do Grupo MAM, especialmente entre Tony e  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1011          14 Marco  Antônio  Mansur  (MAM),  se  fosse  estabelecida  uma  classificação  dentro  da  organização  MAM,  consoante  grau  de  importância,  Tony  seria  o  2°  na  linha  hierárquica.  Cabia  a  ele  o  gerenciamento das operações do Grupo nos Estados do Rio de Janeiro,  Espírito Santo e Bahia, realizando negócios em parceria com MAM.  As  investigações da OPERAÇÃO DILÚVIO apontam a Hi­Tech como  uma das principais tradings à disposição do Grupo MAM, realizando  diversas importações, das quais mais de 90% tiveram como fornecedor  a  empresa  Feca  International  Corporation  (também  integrante  do  Grupo)”.  ­  fl.  55:  “E­mails  obtidos  por  interceptação  telefônica  e  de  meios­  telemáticos, legalmente autorizada, confirmam que a Control é, de fato,  uma  empresa  de  fachada  totalmente  controlada  pelo  Grupo  MAM,  através de Tony e Marco Antônio Mansur Filho (Marquito), atuando,  principalmente,  como  adquirente  de  mercadorias  importadas  por  outras empresas do Grupo, como Mercotex, Opus, Hi­ Tech e Borgtec.  Seria  responsável  apenas  pela  emissão  de  notas  fiscais,  simulando  operações de compra e venda de mercadorias importadas, funcionando  como uma intermediária no esquema de interposição fraudulenta, com  vistas  a  esconder  os  reais  adquirentes  das  mercadorias,  clientes  contumazes das empresas do Grupo MAM.”  ­  fl.  56:  “Interceptações  telefônicas  autorizadas  judicialmente  evidenciaram as relações existentes entre Liberalino (ou Lino, como é  conhecido)  e  Marco  Antônio  Mansur  Filho  (Marquito),  de  quem  recebia ordens. Ficou comprovado que Lino, de fato, é empregado do  Grupo,  funcionando  como  um  testa­de­ferro  assalariado,  que  emprestou o nome para acobertar os verdadeiros donos da Lansaret.”  ­  fl.  66:  “Esse  Relatório  de  Fiscalização  é  farto  de  elementos  que  comprovam a prática de todas as infrações cometidas pelos autuados.  Ademais,  os  Autos  da  denúncia  oferecida  pelo  Ministério  Público  Federal de n° 2007.70.00.0011106­2  (fls.  132 a 154) e  seus apensos,  que  constam  da  respectiva  Ação  Penal,  são  bastante  esclarecedores  sobre  a  participação  de  cada  uma  das  pessoas  físicas  envolvidas  na  operacionalização do esquema.”  A  própria  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  do  Auto  de  Infração  é  categórica  ao  afirmar  que  as  supostas  infrações  imputadas  foram  apuradas  em  fiscalização  realizada em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela  Policia Federal, sob a denominação “Operação Dilúvio”:  “Em  fiscalização  realizada  para  apurar  a  prática  de  fraudes  no  comércio  exterior  pelo  contribuinte  denominado  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda.  ­  CNPJ  n.  24.073.694/0001­55  em  conluio  com  a  empresa HI­TECH DO BRASIL S/A ­ CNPJ n. 05463639/0001­27, em  decorrência  de  investigações  realizadas,  em  conjunto,  pela  Receita  Federal  e  pela  Policia  Federal,  sob  a  denominação  OPERAÇÃO  DILUVIO,  foram  apuradas  as  infrações  abaixo  descritas,  aos  dispositivos legais mencionados”  Neste  contexto,  não  resta  dúvida  que  os  elementos  de  prova  que  lastrearam  a  imputação de  responsabilidade  solidária em  face das pessoas  físicas Marco Antônio Mansur,  Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1012          15 Marco  Antônio  Mansur  Filho,  Antonio  Carlos  Barbeito Mendes  e  Alessandra  Salews,  e  da  própria  empresa  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda.  foram  integralmente  obtidos  na  intitulada OPERAÇÃO DILÚVIO, referindo­se, em especial, a e­mails e escutas telefônica.   Tecido  este  esclarecimento  e  antes  de  enfrentar  o mérito  da  questão,  ou  seja,  antes  de  analisar  a  suficiência  ou  não  de  provas  para  a  formação  do  convencimento  da  autoridade  julgadora  sobre  a  existência  de  interesse  comum  ou  mesmo  conluio  entre  a  importadora  de  direito,  a  de  fato  e  as  pessoas  físicas  supostamente  envolvidas  na  referida  operação, deve­se,  de plano, manter a parte da decisão  recorrida que excluiu Marco Antônio  Mansur e Marco Antônio Mansur Filho do polo passivo da atuação. Isso porque, nesse interim,  transitou  em  julgado  decisão  judicial  (HC  n°  142.045/PR)  na  qual  restou  reconhecida  a  ilicitude das provas contra eles obtidas por meio da “Operação Dilúvio”, bem assim das provas  produzidas a partir dessas mesmas provas.  Com  efeito,  no  voto  vencedor  que  transitou  em  julgado  em  favor  do  Marco  Antônio Mansur  e Marco Antônio Mansur Filho, o Ministro do Superior Tribunal de Justiça  Nilson Naves deixou consignado o seguinte:   “Voto,  pois,  pela  concessão  da  ordem  com  o  intuito  de,  à  vista  do  precedente, a saber, do estatuído no HC­76.686 (6ª Turma, sessão de  9.9.08) reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias  de  interceptação  das  comunicações  telefónicas;  consequentemente,  a  fim  de  que  ‘toda  a  prova  produzida  ilegalmente  a  partir  das  interceptações  telefónicas’  seja,  também  considerada  ilícita  (tal  o  pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar ás mãos  do Juiz originário para determinação de direito.”  De  fato,  se  é  incontroverso  que  os  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  lavrados contra Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho pautaram­se em provas  obtidas por meio das  interceptações  telefônicas e meios  telemáticos na “Operação Dilúvio” e  que,  o  Poder  Judiciário,  por  sua  vez,  entendeu  que  essas  provas  são  ilícitas,  por  terem  sido  obtidas em desacordo com a legislação vigente, não há como manter a autuação em face dessas  pessoas.  Dito isso, passemos à análise da situação dos demais responsáveis solidários.   De  início,  importa  ressaltar que, a despeito de se  ter notícia apenas de decisão  judicial transida em julgado a favor de Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho,  é  possível  verificar  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  naquele  julgamento,  analisou  a  ilegalidade  da  obtenção  das  provas  na  “Operação Dilúvio”  como  um  todo,  não  se  atendo  a  particularidades dos impetrantes. Isso porque a razão de decidir foi a obtenção de escutas antes  da primeira interceptação autorizada, extrapolação do prazo e da renovação desse prazo para a  escuta telefônica, ou seja, escutas telefônicas realizadas sem autorização Judicial.  Assim, o que se verifica é que, ainda que a referida decisão não opere efeitos em  relação a terceiros, certo é que o próprio Superior Tribunal de Justiça reconheceu que todas as  provas decorrentes da “Operação Dilúvio” seriam nulas, na medida em que teriam sido obtidas  por meio ilícitos, por extrapolação do prazo para as escutas telefônicas.  Dessa  forma,  conclui­se  que,  mesmo  em  relação  àquelas  pessoas  que  não  obtiveram  decisão  judicial  transitada  em  julgado  no  poder  judiciário  a  seu  favor  (tampouco  decisão  em  sentido  contrário)  deve­se,  seguindo  a  linha  adotada  pelo  Superior  Tribunal  de  Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1013          16 Justiça, considerar nulas as provas obtidas na “Operação Dilúvio”, vez que obtidas, em última  análise, sem autorização Judicial. Afinal, o que se vê é que a constituição do crédito tributário  em  face  dos  responsáveis  solidários  se  deu  com  suporte  em  provas  eivadas  pelo  vício  da  ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada”  (art. 157, § 1º, CPP).  O Supremo Tribunal Federal  tem diversos  julgados acerca da  imprestabilidade  das provas obtidas por meio  ilícito,  conforme  se pode verificar de  trechos do excelente voto  proferido pelo Ministro Celso de Mello:  Tenho  reiteradamente  enfatizado,  em diversas decisões proferidas no  âmbito  desta  Corte  Suprema,  que  ninguém  pode  ser  denunciado  ou  condenado  com  fundamento  em  provas  ilícitas,  eis  que  a  atividade  persecutória  do  Poder  Público,  também  nesse  domínio,  está  necessariamente  subordinada à estrita observância de parâmetros de  caráter ético­jurídico cuja transgressão só pode importar, no contexto  emergente  de  nosso  sistema  normativo,  na  absoluta  ineficácia  dos  meios probatórios produzidos pelo Estado.  Impõe­se registrar, como expressiva conquista dos direitos instituídos  em  favor  daqueles  que  sofrem  a  ação  persecutória  do  Estado,  a  inquestionável hostilidade do ordenamento constitucional brasileiro às  provas ilegítimas e às provas ilícitas. A Constituição da República, por  isso  mesmo,  sancionou,  com  a  inadmissibilidade  de  sua  válida  utilização, as provas inquinadas de ilegitimidade ou de ilicitude.  A norma  inscrita no artigo 5º, LVI,  da Lei Fundamental promulgada  em 1988, consagrou, entre nós, com fundamento em sólido magistério  doutrinário  (Ada  Pellegrini  Grinover,  Novas  tendências  do  direito  processual, Forense Universitária, 1990, p. 60­82; Mauro Cappelletti,  Efficacia  di  prove  illegittimamente  ammesse  e  comportamento  della  parte, Rivista di Diritto Civile, p. 112, 1961; Vicenzo Vigoriti, Prove  illecite e costituzione, Rivista de Diritto Processuale, p. 64 e 70, 1968),  o postulado de que a prova obtida por meios ilícitos deve ser repudiada  – e repudiada sempre – pelos juízes e Tribunais, “por mais relevantes  que sejam os  fatos por ela apurados, uma vez que se subsume ela ao  conceito de inconstitucionalidade...” (Ada Pellegrini Grinover, op. cit.,  p. 62).  (...) A prova  ilícita é prova  inidônea. Mais do que isso, prova  ilícita é prova imprestável. Não se reveste, por essa explícita razão, de  qualquer  aptidão  jurídico­material.  Prova  ilícita,  sendo  providência  instrutória eivada de inconstitucionalidade, apresenta­se destituída de  qualquer grau, por mínimo que seja, de eficácia jurídica. (Ação Penal  nº 307­3 ­ Distrito Federal ­ RF 252/68­69)  Também este Conselho Administrativo possui inúmeros precedentes no sentido  de que não se pode admitir  lançamento efetuado com base em prova obtida por meio  ilícito,  conforme se verifica da ementa abaixo transcrita:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano­calendário: 2004, 2005,  2006,  2007  NULIDADE.  ORDEM  JUDICIAL  DE  BUSCA  E  APREENSÃO.  DESCUMPRIMENTO  DOS  REQUISITOS  DE  EXECUÇÃO.  ILEGALIDADE  DA  PROVA.  A  busca  e  apreensão  de  documentos  é  medida  excepcional,  devendo  a  sua  execução  ser  realizada  sob  amparo  de  ordem  judicial,  e  nos  estritos  limites  e  Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1014          17 requisitos dela constantes. Ao promover a busca e apreensão de bens e  documentos  em  forma  diversa  daquela  autorizada  judicialmente,  a  autoridade policial descumpriu a ordem judicial de busca e apreensão,  invalidando  a  prova  dela  decorrente.  PROVA  ILÍCITA.  APROVEITAMENTO  NO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, no processo de  formação do lançamento, a utilização de provas adquiridas por meio  ilícito, ainda que sob a pretensão de cumprimento de ordem judicial,  mas extrapolando os limites nela fixados. Recurso de Ofício Negado.  Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 1401­000.829, publicado em  20.11.2012)   Por fim, vale ressaltar que o Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a disciplina  do  processo  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  da  União,  do  processo  de  consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, trouxe definitivamente para o âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  federal  previsão  expressa  da  imprestabilidade  das  provas  obtidas por meio ilícito:  Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios  de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  art. 332).   Parágrafo  único.  São  inadmissíveis  no  processo  administrativo  as  provas  obtidas  por  meios  ilícitos  (Lei  nº  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999, art. 30).  Por  todo  exposto,  entendo  que  não  há  como  manter  os  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  tampouco  a  multa  qualificada  e  o  suposto  cunho  penal  da  infração  administrativa  já que  todos esses atos  se basearam no dossiê da “Operação Dilúvio”, que foi  considerado nulo pelo Poder Judiciário, uma vez que todas as provas nele contidas teriam sido  obtidas por meio ilícito, o que contamina todo o processo ora em julgamento.  De  fato,  é  de  se  entender  que  como  as  supostas  provas  apresentadas  pela  fiscalização  não  foram  obtidas  pelo  agente  fiscal  por  meios  lícitos,  comprometeu­se  toda  a  fiscalização.  Este  argumento,  por  si  só  é  suficiente  para  determinar  a  exclusão  dos  responsáveis solidários do pólo passivo da presente autuação. Não bastasse isso, acompanho a  decisão recorrida no sentido de que, mesmo que se entendesse que os documentos apresentados  pela  fiscalização  fossem  lícitos,  ainda  assim  não  se  sustentaria  a  imputação  das  responsabilidades  solidárias  em  questão,  tendo  em  vista  que  não  há  uma  única  prova  de  conduta  ilícita das pessoas  físicas mencionadas, ou de vinculando dos mesmos com os  fatos  geradores.  Com efeito, a decisão recorrida deixou evidente que, mesmo superada a questão  da  ilicitude  das  interceptações  telefônicas  e  telemáticas,  deve­se  concluir  pela  ausência  de  prova cabal para  lastrear a autuação contra essas pessoas, valendo­se a  fiscalização de meras  conjecturas,  ilações,  suposições,  sem qualquer apresentar qualquer prova concreta do conluio  entre  a  importadora  de  Direito  e  de  fato  a  HI­Tech  do  Brasil  S.A  e  os  demais  supostos  envolvidos na referida operação:  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1015          18 Às fls. 035 a 038 do presente processo, a Fiscalização faz conjecturas,  suposições,  sem,  no  entanto,  trazer  a  lume  provas  concretas,  licitas,  senão vejamos:  “(...)  a  ocultação  dos  reais  adquirentes  das  mercadorias  importadas  provoca danos fazendários tanto à União quanto aos Estados onde estão  estabelecidos. No âmbito estadual, o dano pode decorrer da destinação  do  ICMS,  devido  na  entrada  da  mercadoria,  quando  este  não  se  encontra estabelecido na mesma Unidade Estadual do real adquirente.  Na esfera  federal, o dano  tem ainda maior potencial e atinge diversos  tributos, como veremos a seguir.”  “(..)  Deve­se  atentar,  ainda,  para  o  que  dispõe  o  artigo  118  do  regulamento o IPI, Decreto n°. 4.544/2002: (transcrição do Art. 118 do  Regulamento do IPI) Ou seja, se optante pelo SIMPLES, o contribuinte  não  poderá  se  apropriar  de  créditos  relativos  ao  Imposto. Assim,  por  exemplo,  em  uma  operação  por  conta  e  ordem  declarada  como  por  conta  própria,  caso  a  interposta  pessoa  se  credite  do  valor  do  IPI,  e  sendo  a  real  adquirente  optante  pelo  SIMPLES,  os  valores  de  IPI  creditados pela interposta pessoa representam mais um dano provocado  fazenda da União, uma vez que eles reduzem indevidamente o crédito a  recolher da cadeia.”  Às  fls.  042  a  fiscalização  alega  a  existência  de  meios  probantes  do  envolvimento da CIL Comércio de  Informática Ltda. em conluio com  HI­Tech do Brasil S.A, os quais estão sintetizados às fls.55;  Às fls. 053 a fiscalização usa expressões duvidosas, vagas:  “(..)  Ambos  são  funcionários  da  filial  de  São  Paulo  e,  tudo  indica  ocupam posições  privilegiadas  dentro  da  empresa,  pois, muitas  vezes  são  determinantes  nas  tomadas  de  decisões  estratégicas  durante  as  negociações  para  compra,  no  exterior  e,  em particular,  com empresas  do Grupo MAM”  As fls. 055 – (...) A HI­Tech do Brasil S.A aumento consideravelmente  suas importações por conta e ordem de terceiros, não trouxe provas aos  autos.  A fiscalização esclarece:  “(...)  as  únicas  empresas  adquirentes,  registras  no  Siscomex,  que  teriam “contratado” a HI­Tech do Brasil S.A. para que ela importasse  mercadorias  por  sua  conta  e  ordem  fora  a Ghats Comércio Exterior  Ltda. – CNPJ – 68.758.218/0001­43, a Distribuidora Sentra Comercila  Ltda – CNPJ – 02155389/0001­70 e a Control Comércio exterior Ltda  – CNPJ – 02069249/0001­89. Portanto, há evidências que é realmente  importadora e que foi contratada por conta de terceiros  A  Fiscalização  se  utiliza  da  expressão:  (...)  Tudo  indica  que  é  uma  empresa e “fachada”...  (...)  haja  vista  que  nem  todos  os  valores  comerciais  utilizados  nas  vendas  da  CIL  ao  mercado  nacional  puderam  ser  determinados  com  precisão.  Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1016          19 A Fiscalização alega que os controladores da organização são: Marco  Antônio Mansur – CPF – 365153459­68, Marco Antônio Mansur Filho  –  CPF  –  256747268­17,  Antônio  Carlos  Barbeito  Mendes  –  CPF  –  020938457­33 e Alessandra Salewski – CPF – 103112928­60.  (...)  A Fiscalização aduz que:  (..) supõe­se que Marcos Mella teria se enganado quanto ao valor exato  da operação em foco e quanto ao percentual do co­marketing prometido  de (1%).  A  fiscalização,  além  da  ilegalidade  da  prova  trazida,  mesmo  considerando que  fosse  legal a referida prova, ela mesma admiti que  não bate os supostos valores combinados entre os supostos envolvidos,  portanto, não tem valor probante.  Analisando  as  Declarações  de  Imposto  de  Renda  –  DIPJs­  da  CIL  Comercio  de  Informática  Ltda  –  CNPJ  –  24073694/0001­55,  da  HI­ Tech do Brasil S.A– ­ CNPJ – 05463639/0001­27, da Ghats Comércio  Exterior Ltda  ­ CNPJ – 68.758.218/0001­43, da Distribuidora Sentra  Comercial  Ltda.  ­  CNPJ  02155389/0001­70,  da  Control  Comércio  Exterior  Ltda  –  CNPJ  –  02069249/0001­89,  elas  nunca  foram  e  não  são optantes da sistemática de tributação pelo SIMPLES, portanto, tais  afirmações transcritas anteriormente, são sem fundamentos.  Diante das provas trazidas aos autos, convenço­me de que as mesmas  não demonstraram que houve conluio entre a importadora de Direito e  de  fato  a  HI­Tech  do  Brasil  S.A  e  os  demais  supostos  envolvidos  na  referida operação.  Em  face  do  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  de  ofício,  mantendo  a  exclusão  dos  responsáveis  solidários  do  pólo  passivo  da  autuação,  bem  como  o  cancelamento da multa qualificada e o suposto cunho penal da infração administrativa.  (Assinatura digital)  Andréa Medrado Darzé  VOTO VENCEDOR  Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado  Penso, que o presente processo não se encontra em condições de ser julgado.  De  fato,  em  primeiro  lugar,  há  que  se  considerar  que,  na  esteira  da  jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a decisão proferida em sede habeas corpus não  surte efeitos exclusivamente com relação ao paciente. Confira­se ementa acórdão proferido nos  autos do HC 80479 / RJ1.  EMENTA:  HABEAS  CORPUS.  PENAL.  PROCESSO  PENAL.  ESTUPRO  E  ATENTADO  VIOLENTO  AO  PUDOR.  CRIMES                                                              1 Relator:  Min. NELSON JOBIM, Segunda Turma, julgado em 05/12/2000.  Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1017          20 HEDIONDOS. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA. EXTENSÃO  DA DECISÃO AO CO­RÉU.   Os  crimes  capitulados  nos  arts.  213  e  214  do  CP,  para  serem  considerados  como  crimes  hediondos,  devem  resultar  em  lesão  corporal de natureza grave ou morte. Precedente. No caso, resultaram  apenas  lesões  leves.  O  paciente  deve  cumprir  a  pena  em  regime  inicialmente  fechado.  Na  hipótese  de  concurso  de  agentes,  o  CPP  contempla  a  possibilidade  de  um  dos  réus  aproveitar  a  decisão  proferida em recurso de outro, desde que os motivos não se fundem em  caráter  exclusivamente  pessoal  (CPP,  art.  580).  A  decisão  que  o  paciente  pretende  ver  estendida  não  se  fundamentou  em  aspectos  de  ordem exclusivamente pessoal. Habeas deferido.  Ou seja, há, com efeito, que se perquirir acerca do efeito da decisão que anulou  parte das escutas telefônicas, proferida nos autos do habeas corpus.  Nessa esteira,  com vistas à compreensão do alcance da decisão que decretou a  nulidade parcial das provas, este Relator consultou o sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª  Região e obteve cópia da sentença proferida nos autos da Ação Penal nº 2007.70.00.011106­ 2/PR. Da referida decisão extrai­se o seguinte excerto2:  "A  despeito  de  este  juízo  ter  considerado  inicialmente  válidas  as  interceptações  telefônicas  realizadas  nos  primeiros  sessenta  dias  da  medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas  colhidas,  nos  moldes  pretendidos.  Isso  porque  foram  os  elementos  colhidos  em  todo  o  período  em  que  perduraram  as  interceptações,analisados em conjunto, que deram suporte às medidas  de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram  ensejo  à  colheita  de  elementos  representativos  da  materialidade  do  crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais  e dados armazenados em computadores.  A esse respeito, colhe­se da manifestação ministerial:  ‘Sem  as  provas  conseguidas  através  da  interceptação,  não  seria  possível  a  obtenção  dos  mandados  de  busca  e  apreensão;  sem  as  provas  carreadas  aos  autos  com  o  cumprimento  destes,  não  seria  possível a apreensão,para dizer o mínimo, de centenas de milhares de  notas  fiscais/computadores  contendo  os  verdadeiros  preços  das  mercadorias  descaminhadas;  sem  a  análise  destes,  pela  Receita  Federal, em conjunto com os inúmeros e­mails interceptados, os laudos  que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo;  a pretendida separação é impossível.’  Dessa  forma,  tem­se  que  até  mesmo  naqueles  casos  em  que  houve  constituição  do  crédito  tributário,  esta  se  deu  com suporte  em prova  eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação  da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°,CPP)."                                                              2  http://www.trf4.gov.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=jfpr&documento=5674216&DocC omposto=&Sequencia=&hash=9a07819af2f9bf41029729fb612329e7  Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1018          21 Em  face  de  tal  decisão,  em que  pese  a  independência  entre  as  esferas  judicial  (criminal) e administrativa (tributária), a nulidade decretada pelo acórdão proferido nos autos  do  habeas  corpus,  poderá  produzir  efeitos  no  presente  processo,  pois  há  norma  concreta  (sentença  transitada em julgado) que impossibilitaria a utilização de provas colhidas no juízo  criminal e compartilhadas com as autoridades fiscais.  Não vejo, entretanto, fundamento para, com base na decisão proferida na Ação  Penal nº 2007.70.00.011106­2/PR, decretar a  insubsistência da exigência  fiscal. Até porque a  impossibilidade de segregar as provas contaminadas faz parte dos motivos de decidir (e não da  decisão) e, como tal, não se encontra albergada pela coisa julgada, nos termos do art. 469, I do  Código de Processo Civil.  Reforça  essa  convicção  a  decisão  proferida  nos  autos  do  Habeas  Corpus  2007.70.00.016026­7/PR, onde o Poder Judiciário rejeitou a proposta de extensão dos efeitos  da decisão proferida nos autos do Habeas Corpus que decidiu pela absolvição.  Desnecessário,  ademais,  tecer  maior  comentários  acerca  independência  das  esferas  administrativa  e  judicial  e  dos  poderes  de  instrução  do  Fisco.  Ou  seja,  a  autoridade  fiscal não se sujeita às conclusões do Ministério Público Federal.  Por outro lado, tratando­se de prova colhida na esfera criminal, é preciso ter em  mente  o  que  diz  o  art.  157,  caput  e  §§  do  Código  de  Processo  Penal,  segundo  a  redação  fornecida pela Lei 11.690/2008, que, relembre­se, possui a seguinte redação:  Art.157. São  inadmissíveis,  devendo  ser desentranhadas do processo,  as provas  ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas  constitucionais ou legais.  §1o  São  também  inadmissíveis as provas derivadas das  ilícitas,  salvo  quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou  quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente  das primeiras.  §2o Considera­se fonte independente aquela que por si só, seguindo os  trâmites  típicos  e  de  praxe,  próprios  da  investigação  ou  instrução  criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.  Assim, nos mesmos moldes  adotados pelo magistrado que presidiu o processo  criminal,  entendo  prudente  que  seja  conferida  oportunidade  para  que  as  autoridades  que  assumem posição análoga à do autor daquela ação, ou seja, os autuantes, analisem as provas  colacionadas aos autos  e segreguem, além das  interceptações em si, os elementos que na sua  opinião,  não  possuam  nexo  de  causalidade  com  as  interceptações  ou,  ainda  que  possuam,  poderiam ser enquadradas como fonte independente daquela declarada nula, nos termos do que  dispõe o § 1º acima transcrito.  Deverá ser elaborado parecer conclusivo elencando os elementos de prova que a  autoridade considera não maculados e a razão pela qual os considera regularmente produzidos,  sendo  ponto  de  partida  para  tanto  as  interceptações  realizadas  no  período  de  60  dias,  consideradas válidas pelo Poder Judiciário.  Assim,  se  requer  que  a  Fiscalização  responda,  em  parecer  fundamentado,  às  seguintes questões:  Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1019          22 1­ Identifique e relacione os documentos obtidos a partir de fonte independente,  ou  seja,  independentemente  da  autorização  consubstanciada  no  Mandado  de  Busca  e  Apreensão e dos documentos e arquivos magnéticos apreendidos em seu cumprimento.  2­ Especifique a relação entre os documentos elencados no item 1 e a acusação  que recai sobre os devedores, principal e solidários.  Concluído  tal  parecer,  deverá  ser  franqueado  o  prazo  de  30  dias  para  que  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  apontadas  como  devedoras  principal  e  solidárias  teçam  suas  considerações.  Concluído  tal  prazo,  com  ou  sem  a  apresentação  de  manifestação,  devem  os  autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento.  É como Voto.  (Assinatura digital)  Luis Marcelo Guerra de Castro  VOTO VISTA  Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Ouso discordar da nobre Relatora e lhe peço vênia para manifestar entendimento  e encaminhamento de voto em sentido diverso.  Conforme delineado no  relatório precedente,  a matéria  recorrida e devolvida à  apreciação  deste  Colegiado  cinge­se  apenas  à  exclusão  dos  responsáveis  solidários  do  polo  passivo  da  autuação,  a  saber:  a  pessoa  jurídica  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda.  e  as  pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito  Mendes e Alessandra Salewski.  Para que não reste qualquer dúvida respeito dos contornos lide submetido a este  Colegiado,  trago à colação as conclusões apresentadas no voto condutor do julgado recorrido  expostas no excerto a seguir reproduzido:  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  da  impugnação  interposta pelas pessoas arroladas como responsáveis solidários, não  restou provado nos autos, com provas lícitas, o interesse comum dos  supostos  envolvidos;  determinando,  de  outra  sorte,  que  o  Crédito  Tributário  Apurado  no  presente  Auto  de  Infração,  seja  mantido  e  imediatamente  encaminhado  para  a  cobrança  no  sujeito  passivo  HI­ Tech do Brasil S.A — CNPJ —05.463.639/0001­27.  Impugnação  Procedente,  manter  o  Crédito  Tributário,  no  sujeito  passivo HITech do Brasil S.A — CNPJ — 05.463.639/0001­27, por  configurar  nos  autos  do  presente  processo  como  Importadora,  mantendo­se  a  multa  qualificada.  Exonerar  da  responsabilidade  solidária e da sujeição passiva os demais contribuintes arrolados, são  eles:  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda,  as  pessoas  físicas  Marco  Antônio  Mansur,  Marco  Antônio  Mansur  Filho,  Antonio  Carlos  Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski.  Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1020          23 Ressalte­se  que,  em  razão  da  exoneração  correspondente  a  R$  1.099.927,46 (Um milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete  reais  e  quarenta  e  seis  centavos)  por  não  mais  figurarem  no  pólo  passivo  da  sujeição  tributária  (a  empresa  CIL  ­  Comércio  de  Informática  Ltda,  as  pessoas  físicas  Marco  Antônio  Mansur,  Marco  Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra  Salewski) e em conformidade com o disposto no art. 34, I, do Decreto  n.°  70.235/1972,  deve  ser  submetida  à  análise  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  na  forma  de  RECURSO  DE  OFÍCIO. (grifos não originais)  É  pertinente  esclarecer,  previamente,  que  a  inclusão,  no  polo  passivo  das  autuações,  das  pessoas  jurídicas  e  das  pessoas  físicas  deu­se  por motivos  distintos,  isto  é,  o  motivo  da  inclusão  da  pessoa  jurídica  Hi­Tech  do  Brasil  S/A.  foi  diferente  do  motivo  da  inclusão da pessoa CIL Comércio de Informática Ltda. e destas em relação as pessoas físicas  Marco  Antônio  Mansur,  Marco  Antônio  Mansur  Filho,  Antonio  Carlos  Barbeito  Mendes  e  Alessandra Salewski.  De fato, compulsando o item 4 do Relatório de Auditoria integrante dos autos de  infração  (fls. 65/76), verifica­se que a pessoa  jurídica Hi­Tech do Brasil S/A.  foi  relacionada  como  sujeito  passivo  como  contribuinte,  especificamente, na  condição de  importador  (de  direito) das mercadorias objeto da autuação em apreço, conforme se infere do teor dos trechos  colhidos do citado Relatório (fls. 69/71) que seguem transcritos:  Como resta demonstrado de  sobejo neste  relatório, a pessoa  jurídica  importadora  Hi­Tech  do  Brasil  S/A  não  realizou  as  transações  comerciais  que  originaram  as  importações  das  mercadorias.  Participou,  sim,  de  simulações  de  importações  por  conta  própria,  sempre em acordo simulatório como real adquirente das mercadorias.  Assim,  sua  atividade  dizia  respeito  ao  despacho  aduaneiro  das  mercadorias importadas, ou seja, é de se dizer que atuava por ordem  do real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira.  [...]  Adquirente  das  mercadorias  é  a  empresa  contraente  do  negócio  jurídico que originou a operação de  importação,  isto é, o sujeito que  praticou  atos  de  comércio  internacional,  comprando  no  exterior  as  mercadorias  estrangeiras. Aqui,  pouco  importa se é ele mesmo quem  promove a  importação ou  se o  faz por  intermédio de pessoa  jurídica  importadora.  [...]  Imprestáveis à completa identificação do sujeito passivo, portanto, as  formalidades sem propósito negocial, cujo único objetivo, era ocultar a  materialidade das operações de importação. Assim, no presente caso,  adquirente das mercadorias de procedência estrangeira foi a empresa  CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LIDA.  As declarações de importação foram registradas pela pessoa jurídica  importadora HI­TECH DO BRASIL S/A, CNPJ 05.463.639/0001­27,  isto  é,  a  Hi­Tech,  ainda  que  por  conta,  ordem,  ou  encomenda  de  outrem,  foi  quem  submeteu  a  despacho  aduaneiro  as  mercadorias  estrangeiras,  com  o  fito  de  que  fossem  desembaraçadas  e,  portanto,  Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1021          24 pudessem  circular  economicamente  sendo  incorporadas  ao  aparelho  produtivo  nacional.  Nesta  condição,  a  pessoa  jurídica  importadora  pratica  ato  para  internação  das  mercadorias  quando  ainda  eram  estrangeiras  e,  conseqüentemente,  é  contribuinte  do  imposto  de  importação. (grifos não originais)  Por  sua vez,  a pessoa  jurídica CIL Comércio de  Informática Ltda.  foi arrolada  no  polo  passivo  como  responsável  solidária,  especificamente,  na  condição  de  adquirente  (real importadora) das mercadorias, nos termos explicitados nos excertos extraídos do citado  Relatório (fl. 71), que seguem transcritos:  Quanto à empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ  24.073.694/0001­55,  há  sujeição  passiva  enquanto  responsável  solidário  decorrente  da  sua  caracterização  como  adquirente  das  mercadorias de procedência estrangeira, porque:  a) há interesse comum nas situações constituintes dos fatos geradores,  pois as mercadorias  foram importadas por  sua conta e ordem, o que  confirma estarem presentes  tanto a  comunidade do  interesse  jurídico  quanto  o  proveito  conjunto  que  retiram  da  situação  importador  e  adquirente, o que atrai a incidência da norma que se retira do artigo  124, inciso I, do CTN;  “Art. 124. Sao solidariamente obrigadas:  I ­ as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua  o fato gerador da obrigação principal” (grifamos).  b) há  expressa determinação  legal  ­  conforme prescreve o parágrafo  único  do  artigo  32  do  DL  n°  37/66  ­  cristalinamente  aplicável  ao  sujeito de direitos na sua condição de adquirente.  “Art . 32.[...]  Parágrafo único. E responsável solidário: (incluído pelo Decreto­Lei  n°2.472, de 01/09/1988) .  [...]  c)  o  adquirente  de mercadoria de procedência  estrangeira,  no  caso  de  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora;  (Incluída  pela  Medida  Provisória  n°  2158­35, de 24.8.2001)  d)  o  encomendante  predeterminado  que  adquire  mercadoria  de  procedência  estrangeira  de  pessoa  jurídica  importadora.  (Incluída  pela Lei n°11.281, de 2006)” (grifos do original).  Embora  os  preceitos  legais  citados  refiram­se  ao  Imposto  sobre  a  Importação  (II),  é  oportuno  esclarecer  que  há  preceitos  simétricos  e  de  mesmo  teor  na  legislação  dos  demais  tributos  (IPI  vinculado  á  importação,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep­Importação  e  Cofins­Importação) e, especificamente, na própria legislação de comércio exterior que trata das  infrações aduaneiras.  Por  fim,  todas  as  pessoas  físicas  foram  incorporadas  ao  polo  passivo  como  responsáveis solidárias por revelarem interesse comum na situação que constituintes do fato  gerador da obrigação principal objeto das autuações vergastas, conforme definidos no art. 124,  Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1022          25 I, do CTN, e no art. 95, I, do Decreto­lei nº 37, de 1966, conforme se extrai do trecho colhido  do citado Relatório (fl. 71), que segue transcrito:  Da mesma forma, as pessoas físicas do MARCO ANTONIO MANSUR,  MARCO  ANTÔNIO  MANSUR  FILHO,  ANTONIO  CARLOS  BARBEITO  MENDES  e  ALESSANDRA  SALEWSKI,  por  serem  os  principais  operadores  do  esquema  fraudulento,  tendo,  portanto,  interesse direto na situação que constitui o fato gerador, são também  solidários. (grifos não originais)  A  partir  desse  breve  relato,  com  a  devida  vênia,  é  possível  apontar  sérias  contradições  e  graves  omissões  nas  conclusões  apresentadas  no  voto  condutor  do  julgado  recorrido, inclusive, com evidente prejuízo ao direito de defesa da contribuinte impugnante Hi­ Tech do Brasil S/A.  A primeira contradição que salta aos olhos refere­se ao fato de a impugnação ter  sido  considerada  procedente  e  o  crédito  tributário  integralmente mantido,  incluindo  a multa  agravada,  porém,  apenas  em  nome  da  marginalizada  contribuinte­impugnante  Hi­Tech  do  Brasil S/A.  E  o  mais  grave,  a  meu  ver,  foi  o  tratamento  dispensado  à  robusta  defesa  da  contribuinte  e  impugnante  Hi­Tech  do  Brasil  S/A.,  coligida  tempestivamente  aos  autos  (fls.  598/610),  desde  o  relatório  encartado  no  acórdão  recorrido  que,  aliás,  apenas  mencionou  a  referida impugnação sem, contudo, explicitar quaisquer das várias e relevantes razões de defesa  aduzidas  na  citada  peça  impugnatória.  Senão  veja  o  trecho  do  citado  relatório  (fl.  782)  que  tratou da referida impugnação, a seguir a reproduzido:  Cientificada  do  lançamento  em  14  de Dezembro  de  2009,  através  de  Edital  às  fls.  539,  a  empresa  HI­Tech  do  Brasil  S.A  apresentou  sua  defesas às fls. 597 a 609.  Por  outro  lado,  se  comparado  com  o  longo  e  exaustivo  relato  dedicado  às  igualmente relevantes razões de defesa apresentadas pela responsável solidária CIL Comércio  de Informática Ltda., explicitadas em cerca de quatro páginas (fls. 782/785), fica evidenciado  que o  tratamento dado a defesa da contribuinte e  impugnante Hi­Tech do Brasil S/A. não foi  isonômico com que foi conferido a dita responsável solidária e  tampouco consentâneo com o  pleno  exercício  do  direito  de  defesa  assegurado  pela  nossa Carta Magna  a  todas  as  pessoas  físicas e jurídicas deste País, sem qualquer distinção.  O mesmo se refletiu no corpo do voto condutor do julgado recorrido, haja vista  que  nenhum  dos  diversos  relevantes  e  pertinentes  argumentos  de  defesa  aduzidos  pela  contribuinte­impugnante Hi­Tech  do Brasil  S/A.  foi  analisado,  sendo­lhe,  ao  fim  e  ao  cabo,  atribuída a responsabilidade integral e solitária por  todo o valor do crédito tributário lançado,  sem qualquer motivação e fundamentação jurídica adequada.  Também  as  contradições  apresentadas  corpo  do  voto  condutor  do  julgado  em  apreço são evidentes. Senão veja as palavras do relator expostas no trecho a seguir  transcrito  (fl. 787):  Resumidamente,  temos  dois  pontos  a  analisar:  primeiro,  se  existem  provas  concretas,  lícitas  que  comprovem  o  interesse  comum  dos  supostos  envolvidos,  que  o  real  importador  não  é  o  sujeito  passivo  Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1023          26 constante na DI. O Segundo ponto, seria em havendo interesse comum  devidamente  comprovado,  poderia  a  fiscalização  atribuir  a  sujeição  passiva a todos os supostos envolvidos?  De fato, conforme se observa nos autos, quase todos, senão todos, os  documentos apresentados pela  fiscalização para sustentar o auto de  infração,  e  o  seu  entendimento  das  responsabilidades,  são  simples  cópias  de  documentos  supostamente  apreendidos  na  "operação  dilúvio.  Deste  modo,  é  de  se  entender  que  as  supostas  provas  apresentadas  pela  fiscalização  não  foram  obtidas  pelo  agente  fiscal  por  meios  lícitos; comprometendo­se, desta forma toda a fiscalização.  Também é de  se entender que a  falta de  tradução de documentos em  língua estrangeira, em última análise, fere o direito a ampla defesa do  contribuinte; na medida em que se exige do mesmo o conhecimento em  língua estrangeira que este não está obrigado a ter.  Ademais, mesmo que entenda que os documentos apresentados pela  fiscalização  são  lícitos,  ainda  assim  não  há  uma  única  prova  de  conduta ilícita das pessoas físicas mencionadas, ou de vinculado dos  mesmos com os fatos geradores. (grifos originais)  Previamente,  é  oportuno  esclarecer  que  a  grande  parte  da  documentação  colacionadas aos autos  (fls. 306/534), que serviu de base para lavratura dos autos de infração  em análise, foi extraída dos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)  ou  fornecida  pela  responsável  solidária  CIL  Comércio  de  Informática  Ltda.,  conforme  se  verifica na petição de fls. 211/212, por meio da qual, em atenção à intimação da fiscalização,  foram  encaminhadas  as  notas  fiscais  discriminadas  na  relação  de  fl.  213,  as  demonstrações  financeiras de fls. 286/305 e demais documentos colacionados aos autos, inclusive, todos eles  autenticados pelos representantes legais da citada pessoa jurídica.  Assim, analisando os referidos documentos coligidos aos autos fica cabalmente  demonstrado  que,  com  todas  as  vênias  aos  ilustres  julgadores  de  primeira  instância,  não  são  verídicas  as  assertivas  no  sentido  de  que  “quase  todos,  senão  todos,  os  documentos  apresentados  pela  fiscalização  para  sustentar  o  auto  de  infração,  e  o  seu  entendimento  das  responsabilidades, são simples cópias de documentos supostamente apreendidos na ‘operação  dilúvio’;  ou  que  “as  supostas  provas  apresentadas  pela  fiscalização  não  foram  obtidas  pelo  agente fiscal por meios lícitos; comprometendo­se, desta forma toda a fiscalização.”  Além disso, mais uma vez, com a devida vênia, há contradição insuperável nas  conclusões  apresentadas  pelo  nobre Relator  do  voto  condutor  do  julgador  recorrido,  quando  assevera que “as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente  fiscal  por meios  lícitos;  comprometendo­se,  desta  forma  toda  a  fiscalização.”, mas mantém  integralmente a autuação em nome da contribuinte impugnante Hi­Tech do Brasil S/A.  Ora, se “as supostas provas” eram ilegítimas e comprometia toda a fiscalização,  como  asseverado  pelo  nobre  Relator,  soa  estranhíssimo  que  a  autuação  tenha  sido  mantida  integralmente em nome da contribuinte­impugnante Hi­Tech do Brasil S/A.  Com  base  nessas  considerações,  resta  demonstrado  nos  autos  o  evidente  cerceamento  do  direito  de  defesa  da  contribuinte­impugnante Hi­Tech  do Brasil  S/A.,  o  que  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/2009­44  Resolução nº  3102­000.283  S3­C1T2  Fl. 1024          27 macula toda a decisão recorrida com o vício de nulidade insanável, nos termos do art. 59, II, do  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Por  todo  o  exposto,  voto por DAR PROVIMENTO ao  recurso de ofício,  para  ANULAR integralmente a acórdão recorrido e determinar que outra decisão seja proferida em  boa e devida forma.   Por fim, a título de mera sugestão, recomenda­se que, antes de proferido o novo  julgamento, caso assim entenda o Órgão julgador de primeiro grau, os autos sejam baixados em  diligência, para que a fiscalização manifeste­se acerca da licitude das provas que serviram de  fundamento  da  autuação,  tendo  em  conta  os  parâmetros  da  decisão  proferida  pelo  STJ  no  âmbito do HC nº 142.045.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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Numero do processo: 11080.722485/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.304
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, converter o julgamento em diligência para que seja dado ciência do Acórdão de Impugnação à devedora solidária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. .
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/2010­40  Resolução nº  2302­000.304  S2­C3T2  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto pelo BANCO DO BRASIL S/A em  face  da  decisão  administrativa  proferida  pela  5ª  Turma  da  DRJ/BSB  que  julgou,  por  unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário.  O  crédito  previdenciário  lançado  contra  a  empresa  refere­se  ao  período  de  12/1997 a 03/1998, no valor de R$ 1.278,70 (um mil duzentos e setenta e oito reais e setenta  centavos).  O  presente  lançamento  objetiva  restabelecer  os  lançamentos  anulados  (NFLD  n°  35.067.668­2  ­  levantamentos  SC1  e  SM1;  nº  35.067.669­0  ­  levantamento  SC2),  por  vício  formal, conforme ementa da 4ª CAJ –Câmara de Julgamento /CRPS:   “NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  LAVRADA  COM  FALTA  DO  TIPO  DE  DÉBITO,  ACARRETANDO  AUSÊNCIA  DA  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL  NO  RELATÓRIO  FUNDAMENTOS  LEGAIS  DO  DÉBITO,  ENSEJA  A  SUA  NULIDADE,  PELA  IMPOSSIBILIDADE  TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE  CADASTRAMENTO  DE  DÉBITO,  CARACTERIZANDO­SE  VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO”.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  (fls.  11/23),  o  objeto  do  crédito  constituído  é  a  contribuição  previdenciária  dos  segurados  que  a  empresa  deveria  ter  retido  e  recolhido  ao  INSS,  devida  por  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA,  calculada  por  aferição  indireta  na  forma das legislações e normas ali citadas.   Consta  ainda  no  relatório  que  o Banco  do Brasil  é  responsável  solidário  pelo  pagamento  das  contribuições  devidas  pela  CONSTRUTORA  SANTI  LTDA.,  CNPJ:  93.101.210/0001­57.  A fundamentação  legal do débito  (fls. 08), demonstra que a cobrança encontra  validade nas disposições contidas no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91.  O Banco do Brasil foi intimado do lançamento (DEBCAD nº 37.294.984­3). Na  impugnação (fls. 80/94), protocolada tempestivamente, foram aduzidas as razões que seguem:  a)  Preliminarmente,  suplicou  o  chamamento  ao  processo  da  empresa  executora da obra para apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em  estrita observância dos princípios da garantia de defesa e da verdade material,  dado  que  ela  dispõe  de  diversos  documentos  probantes  dos  recolhimentos  previdenciários;       b)  Que por fazer parte da Administração Pública Federal, podendo contratar  somente mediante licitação pública, está respaldada pela Lei de Licitações ­ nº  8.666/93 e, neste contexto, não pode ser responsabilizada, por solidariedade,  pelos encargos previdenciários devidos pela empresa contratada;    c)  Que  há  pagamentos  comprovadamente  efetuados  pela  empresa  contratada  cujos  demonstrativos  se  encontram  inclusos  nos  processos  Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/2010­40  Resolução nº  2302­000.304  S2­C3T2  Fl. 4          3 originários  das  NFLD  35.067.668­2  (PAF  11686.000242/2008­13)  e  35.067.669­0 (PAF 11686.000241/2008­79);    d)  Que  as  Certidões  Negativas  de  Débito  –  CND,  expedidas  à  época  das  autuações  originais,  confirmam  sobremaneira  a  inexistência  de  débito  pendente  em  nome  da  empresa  contratada  junto  ao  INSS,  descabendo,  por  conseguinte,  eventual  responsabilidade  solidária  por  débito  que,  no  período  autuado, era inexistente;    e)  Que  o  fisco  deve  cobrar  primeiramente  da  contratada.  A  omissão  na  fiscalização  desta,  importa  em  cerceamento  de  defesa  e  possibilidade  de  pagamento em duplicidade, em latente prejuízo à empresa Impugnante;    f) Que  a  redação  original  do  art.  30,  inciso VI,  da Lei  8.212/91,  vigente  de  junho/91 a dezembro/97, não vedava a aplicação do benefício de ordem, razão  pela qual deve, pelo menos até dezembro/1997, ser aceito.    g) Que  a Diretoria Colegiada  do  INSS,  ao  expedir  a  IN DC/INSS  18/2000,  arbitrou  ilegal  e  abusivamente  a  forma  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  devida  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados  empregados para execução de obras de construção civil;    h) Que a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos  nº  11686.000242/200813  (NFLD  35.067.6682)  e  nº  11686.00241/200879  (NFLD 35.067.6690), deve ser aproveitada no presente feito, apensando a este  processo  àqueles  autos,  tudo  em  nome,  dentre  outros,  dos  princípios  da  eficiência e economicidade processual;    i) Por fim, requereu o acolhimento da preliminar para o fim de determinar o  chamamento  ao  processo  da  empresa  contratada  responsável  pelo  recolhimento do débito relativo ao período lançado e, ultrapassadas essas, no  mérito, pleiteou a improcedência da autuação.  A Construtora SANTI Ltda.,  intimada do Termo de Sujeição Passiva Solidária  nº 01/2010 (fls.76/78), apresentou impugnação, dentro do prazo, alegando, em síntese:  a) Que se o crédito objetiva restabelecer a exigência anulada por vicio formal  dos lançamentos no período de 11/96 a 02/01 e que estes, após a aplicação da  regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do art. 173,  II, do CTN  foram  alcançados  pela  decadência,  as  parcelas  aqui  discutidas,  no  período  de  12/97 a 03/98, também o foram;  b) Pela situação exposta, houve a transcorrência de cinco anos entre a data do  lançamento  e  a  notificação  da  impugnante  para  efetuar  o  pagamento,  pois  os  lançamentos  são  datados  de  12/1997  e  03/1998,  nos  quais  se  percebe  o  transcurso do prazo estabelecido pelo art.174 do CTN;  c) Pleiteou a nulidade da cobrança, uma vez que não consta nos autos o nome  do  devedor,  no  caso  a  Construtora  Santi  Ltda  e  nem  o  dos  sócios,  conforme  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/2010­40  Resolução nº  2302­000.304  S2­C3T2  Fl. 5          4 dispõe  o  art.  585  do  CPC.  Ressalta,  ainda,  que  a  empresa  encontra­se  inoperante, tendo em vista o falecimento do sócio majoritário;  d) Que não poderia responder solidariamente com o Banco do Brasil;  e) Que não foi cientificada dos lançamentos anteriores;   f) Insurgiu­se contra os juros e multa abusiva, em afronta aos preceitos legais;  g) Ao final, requereu o reconhecimento da decadência ou prescrição do período  de  12/1997  e  03/1998  e,  alternativamente,  a  nulidade  por  falta  de  requisitos  formais indispensáveis a sua validade. Pleiteou também que a responsabilidade  recaísse somente sobre a instituição financeira;   h)  Protestou  por  todos  os  meios  de  provas  permitidos  em  direito,  principalmente,  os  documentais,  testemunhais  e  as  periciais  para  o  melhor  deslinde da questão.  Na decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BSB ­ ACORDÃO 03­48.913 (fls.  185/201),  por  unanimidade  de  votos,  foi  mantido  o  crédito  previdenciário.  Tais  foram  os  motivos:  a)  Que  não  houve  cerceamento  de  defesa,  já  que  estão  devidamente  discriminados  no Auto  de  Infração  e  em  seus  anexos  os  fatos  geradores  e  as  contribuições  apuradas,  bem  como,  a  indicação  de  onde  os  valores  foram  extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento;  b)  Que  o  contratante  de  quaisquer  serviços  de  construção  civil  responde  solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias em relação aos  serviços  prestados.  A  elisão  da  responsabilidade  solidária  somente  é  possível  com a comprovação do recolhimento da contribuição devida e pela apresentação  dos documentos exigidos pela legislação de regência. A não apresentação desses  documentos pelo tomador de serviços implica no lançamento a esse título;  c)  Que  uma  vez  descumpridos  os  requisitos  para  elisão  da  responsabilidade  solidária,  cabe  à  Auditoria­Fiscal  lançar  o  crédito  previdenciário  contra  o  contratante, apurando as bases de cálculo a partir dos valores das notas fiscais ou  faturas;  d) Que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação deficiente,  pode a Administração Tributária,  sem prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida,  cabendo à empresa o ônus da prova em contrário;  e) Que a utilização de percentual definido em ato normativo,  incidente sobre o  valor dos  serviços  contidos  em notas  fiscais,  para  fins de  apuração  indireta da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  constitui  procedimento  que  observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade;  f) Que  a  partir  da  lavratura  do  auto  de  infração  não  se  pode mais  cogitar  na  aplicação do instituto da decadência; e, se houve recurso administrativo, também  Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/2010­40  Resolução nº  2302­000.304  S2­C3T2  Fl. 6          5 não  cabe  falar  em  prescrição  cujo  prazo  somente  começou  a  fluir  na  data  da  decisão administrativa final;  g) Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não poderia ser  cobrado, nem, conseqüentemente, prescrever.  Intimado do Acórdão, em 24.07.2012 (fls. 203/204), o Banco do Brasil interpôs  Recurso Voluntário (fls. 205/298). Em suas razões, de forma sucinta, afirmou:  a) No que  concerne  à matrícula  prevista no  art.  49,  §  1º,  alínea  “b” 8.212/91,  aduziu  que  a  mesma  competia  às  empresas  contratadas,  eis  que  responsáveis  pela execução da obra, motivo pelo qual deveriam ser chamadas para integrar o  processo;   b)  Que  o  Recorrente  por  ser  Sociedade  de  Economia  Mista  somente  pode  contratar mediante licitação pública, não devendo responder de forma solidária  pelas obrigações do  responsável pela  execução,  nos  termos do  art.  71,  § 1º da  Lei n.º 8.666/93;  c) Que a solidariedade não se presume e resulta da lei ou da vontade das partes,  não podendo ser fixada de forma arbitrária;  d) Que a autuação refere­se à responsabilidade solidária decorrente da execução  de  contrato  de  cessão  de  mão­de­obra  aliado  aos  próprios  fundamentos  do  acórdão recorrido, devendo ser aplicado o beneficio de ordem para afastar a co­ responsabilidade atribuída ao Recorrente;  e) Que a forma de apuração da base de cálculo, por arbitramento da contribuição  previdenciária,  incidente  sobre  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados das empresas executoras de obras de construção civil, prevista em  lei, não poderia ter sido modificada pelo INSS, sendo, abusiva e ilegal, devendo  ser nulificada a autuação efetuada;  f) Requereu, ao final, o provimento do Recurso Voluntário.  A  empresa  Construtora  SANTI  não  foi  intimada  do  Acórdão  proferido  pela  Delegacia Regional de Julgamento.  É o relatório.  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/2010­40  Resolução nº  2302­000.304  S2­C3T2  Fl. 7          6   Voto    Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora   Em que pese o  lançamento  ter sido  lavrado, por solidariedade, contra o Banco  do Brasil  e Construtora  Santi  Ltda.,  tendo  ambas  as  partes  apresentado  impugnação,  após  a  prolação do acórdão pela DRJ/DF,  somente a  instituição  financeira  foi  notificada da decisão  (fls. 202/204).  Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão de 1ª instância caberá  recurso voluntário, dentro de 30 (trinta) dias, da data da ciência do acórdão.  "Decreto  nº  70.235/72  Art.  33.  Da  decisão  caberá  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  trinta dias seguintes à ciência da decisão."  A lei que rege o processo administrativo fiscal confere ao contribuinte o direito  de  ser  intimado  das  decisões  de  forma  a  garantir  o  pleno  exercício  da  ampla  defesa  e  contraditório. Alçadas à categoria de garantias constitucionais (art. 5º, inciso LV, CF/88), tais  princípios  devem  ser  observados  pela Administração  Pública  sob  pena  de  nulidade  (art.  59,  inciso II, do Decreto 70.235/72), vejamos:  "Constituição Federal/88:  Art. 5°......  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa,  com  os  meios  e  recursos  a  ela  inerentes;  "  "Decreto  70.235/72:    “Decreto 70.235/72:  Art. 59. São nulos:    ...  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa."  Contempla o mesmo entendimento o enunciado disposto no art. 31, inciso II, da  Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito:   "Art. 31. São nulos:   ...  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/2010­40  Resolução nº  2302­000.304  S2­C3T2  Fl. 8          7 II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa; "     Na hipótese dos autos, não restou evidenciada a intimação da Construtora Santi  Ltda. a respeito do acórdão proferido pela DRJ/DF (fls. 185/201). Neste contexto, não obstante  seja integrante passiva da relação jurídico­tributário, não tomou conhecimento dos motivos que  ensejaram  o  convencimento  do  julgador  a  quo,  ficando  impedida  de  apresentar  nova  manifestação.  Por  todo  o  exposto,  voto  pela  CONVERSÃO  DO  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  para  que  seja  intimada  a  Construtora  Santi  Ltda.  sobre  o  acórdão  da  impugnação  (fls.  185/201),  abrindo­lhe  prazo  para manifestação,  se  for  de  seu  interesse,  no  prazo estipulado pelo art. 33 do Decreto 70.235/72 (trinta dias).    Sala das Sessões, em 14 de Maio de 2014.    Juliana Campos de Carvalho Cruz ­ Relatora.        Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI

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Numero do processo: 13839.001634/2008-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 OPÇÃO PELO SIMPLES. VERIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA AUFERIDA DISPOSTO EM LEI. DISCREPÂNCIA ENTRE RECEITA BRUTA E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRAS. INTIMAÇÃO SEM RESPOSTA. PROCEDIMENTO PARA ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONDIÇÕES ATENDIDAS. Ao se analisar uma empresa optante pelo Simples, um dos procedimentos a fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadra-se nos limites estabelecidos em lei para a adesão do regime especial. E, diante de significativa discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, mostra-se pertinente solicitar à fiscalizada a apresentação de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa. Prazo de quatro meses sem nenhuma manifestação do contribuinte é mais do que suficiente para caracterizar mora no atendimento, consolidando contexto para que sejam preenchidas as condições para a emissão das RMF - Requisição de Movimentação Financeira, quais sejam, (1) existência de procedimento de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito passivo para apresentação de informações. O não fornecimento de informações sobre movimentação financeira caracteriza embaraço à fiscalização, uma das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da RMF.
Numero da decisão: 1103-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 OPÇÃO PELO SIMPLES. VERIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA AUFERIDA DISPOSTO EM LEI. DISCREPÂNCIA ENTRE RECEITA BRUTA E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRAS. INTIMAÇÃO SEM RESPOSTA. PROCEDIMENTO PARA ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONDIÇÕES ATENDIDAS. Ao se analisar uma empresa optante pelo Simples, um dos procedimentos a fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadra-se nos limites estabelecidos em lei para a adesão do regime especial. E, diante de significativa discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, mostra-se pertinente solicitar à fiscalizada a apresentação de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa. Prazo de quatro meses sem nenhuma manifestação do contribuinte é mais do que suficiente para caracterizar mora no atendimento, consolidando contexto para que sejam preenchidas as condições para a emissão das RMF - Requisição de Movimentação Financeira, quais sejam, (1) existência de procedimento de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito passivo para apresentação de informações. O não fornecimento de informações sobre movimentação financeira caracteriza embaraço à fiscalização, uma das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da RMF.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 286          2   Assinado Digitalmente  Aloysio José Percínio da Silva ­ Presidente.    Assinado Digitalmente  André Mendes de Moura ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio  da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro  e Fábio Nieves Barreira.    Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício interposto em face da decisão da 1ª Turma da  DRJ/Campinas (fls. 261/274), que apresentou a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003  ITER  PROCEDIMENTAL  DA  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DA  INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES ADVINDAS DE  TERCEIROS, VIA RMF, POR FALTA DE RAZOABILIDADE NA  CONDUÇÃO  DO  PROCEDIMENTO.  PROVA  ILEGÍTIMA.  NULIDADE  DECLARADA  SOB  A  ESCUSA  DE  VÍCIO  FORMAL.  O  art.  4°,  §  6°,  do  Decreto  n°  3.724,  de  2001,  preceitua  que  a  construção  do  fato  conducente  à  expedição  de  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­  RMF,  sob  a  ótica  da  caracterização  da  indispensabilidade  das  informações  então  adventícias,  deve  estar  especialmente  qualificada  pela  razoabilidade.  Ora,  se  a  fiscalização  não  nasceu  preordenada  para  investigar  movimentação  financeira;  se foi dado ao Contribuinte exíguo prazo para apresentar o que  se  lhe  requeria  (5  dias  úteis);  se  tempo  considerável  (quatro  meses)  transcorreu  entre  a  caracterização  d'uma  possível  recalcitrância  do  Contribuinte  e  a  expedição  das  RMF's,  circunstância  que  faz  suscitar  dúvida  sobre  a  imprescindibilidade  das  informações  requeridas;  e  se,  junto  a  isso  tudo,  ganha  relevo  ­  que  em  outras  situações,  talvez,  pudesse ser superada – a inconveniência de se mostrar somente  agora  ao  Contribuinte  a  articulação  entre  o  fático  (não  apresentação de informações sobre movimentação financeira) e  o jurídico (art. 33,  inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996), para lhe  dizer  que  sobre  ele  pesa  o  signo  do  embaraço  à  fiscalização;  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 287          3 então, se esta é a situação presente, é a própria razoabilidade é  que está ausente.  Dos fatos da Autuação Fiscal.  A  ação  fiscal  foi  iniciada  com  objetivo  de  verificar  o  cumprimento  das  obrigações tributárias relativas aos tributos e contribuições do Sistema Integrado de Pagamento  de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES  referente ao exercício 2004, ano­calendário 2003.  Assim, foi cientificada a contribuinte do Termo de Início de Fiscalização em  01/03/2007,  oportunidade  em  que  foi  intimada  a  apresentar  livros  contábeis  e  fiscais,  declaração  de  rendimentos  da  empresa,  extratos  bancários  de  contas  correntes  e  poupança  e  extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras.  O Termo de Constatação Fiscal nº 0001  relata  que não  foram apresentados  pela  fiscalizada  os  extratos  bancários.  Nesse  sentido,  diante  da  indispensabilidade  das  informações  bancárias  para  o  prosseguimento  da  ação  fiscal,  foram  emitidas  as  RMF  ­  Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, em 13 de julho de 2007.  Em  08/02/2008,  o  responsável  pela  pessoa  jurídica,  Henrique  Infante,  informou que a  empresa havia  encerrado  suas  atividades  aproximadamente  em novembro de  2007, mas  que  a  baixa  no  Cadastro  Nacional  de  Pessoas  Jurídicas  da  Secretaria  da Receita  Federal do Brasil não havia sido realizada.  De  posse  dos  extratos  bancários,  constatou  a  Fiscalização  a  seguinte  movimentação financeira:  ­  Banco  Mercantil  do  Brasil,  Agência  0217,  Conta  02.017.130­2:  R$  61.321,37 sessenta e um mil, trezentos e vinte e um reais e trinta e sete centavos);  ­  Banco  Mercantil  do  Brasil,  Agência  0217,  Conta  02.017.541­0:  R$  437.428,56 ( quatrocentos e trinta e sete mil, quatrocentos e vinte e oito reais e cinqüenta e seis  centavos);  ­ Banco Safra SA, Agência 05100, Conta 012.750­9: R$ 152.318,60 ( cento e  cinquenta e dois mil, trezentos e dezoito reais e sessenta centavos);  ­ Banco  Sudameris, Agência  0230, Conta  280743000­1: R$  7.110.672,85  (  sete milhões, cento e dez mil, seiscentos e setenta e dois reais e oitenta e cinco centavos);  ­ Banco Real ABN Amro, Agência 0912, Conta 1.001848­5: R$ 119.868,75  (cento 'e dezenove mil, oitocentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco centavos);  Intimada  a  contribuinte  a  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários,  relacionada às fls. 106/120, no montante de R$7.881.610,13 (sete milhões, oitocentos e oitenta  e  um  mil,  seiscentos  e  dez  reais  e  treze  centavos),  foi  apresentada  prova  mediante  documentação hábil e idônea de parte dos valores em análise, remanescendo, contudo, o total  de R$6.914.328,71  (seis milhões,  novecentos  e  quatorze mil,  trezentos  e vinte  e  oito  reais  e  setenta e um centavos) sem comprovação.  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 288          4 Nesse  contexto,  o valor  de R$6.914.328,71  foi  considerado pela  autoridade  fiscal como omissão de receita, com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430,  de 1996, sendo apurada nova base de cálculo e lavrados os autos de infração de IRPJ­Simples,  CSLL – Simples, Cofins – Simples, PIS – Simples e INSS – Simples de fls. 168/219.  No processo administrativo nº 13839.001700/2008­76, juntado aos presentes  autos, foi formalizada Representação Fiscal de fls. 02/04, informado que, somando­se o valor  de  receita  omitida  com  o  valor  de  receita  declarada  pela  contribuinte,  de R$787.527,05,  foi  excedido o  limite  estabelecido para a permanência no SIMPLES, motivo pelo qual propõe a  exclusão da empresa do  regime especial. Assim,  foi editado o Ato Declaratório Executivo nº  023, de 02 de junho de 2008, para excluir a pessoa jurídica do Simples, por auferir, no ano­ calendário  de  2003  receita  bruta  total  excedente  ao  limite  legal  permitido  estabelecido  no  inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317 de 05 de dezembro de 1996 a partir de 1º de janeiro de  2004.  Da Fase Contenciosa.  Nos autos do processo nº 13839.001700/2008­76, encontra­se “AR” de fl. 14  por  meio  do  qual  a  contribuinte  tomou  ciência  do  ADE  em  12/06/2008,  a manifestação  de  inconformidade apresentada em 10/07/2008 às fls. 15/19, no qual discorre a defesa:  1)  sobre  a  relação  de  prejudicialidade  entre  o  processado  nos  autos  sob  n°  13839.001634/2008­34  e  a  exclusão  do  Simples  Federal  que  daí  se  seguiu  (processada  nos  autos sob n° 13839.001700/2008­76), e  2) que a exclusão não poderia operar efeitos retroativos.  Também tomou ciência dos autos de infração a contribuinte em 24/04/2008, e  apresentou impugnação em 19/05/2008, no qual aduz o seguinte:  1)  nulidade  da  autuação  por  ofensa  ao  art.  5°,  inciso  X,  da  Constituição,  dispositivo  este  que  vedaria  a  quebra  de  sigilo  bancário  determinada  por  "funcionário  subordinado ao Poder Executivo", e, ainda que se admitisse o procedimento, no caso concreto  não restou apresentada a sua fundamentação, conforme determina o art. 93, IX, da CF/88;  2) Os lançamentos de extratos de movimentação financeira não se prestam a  servir  como  índice  de  riqueza,  pois  lhes  faltam  "liquidez  e,  na  sua maioria,  davam conta  de  transferência de valores entre contas da mesma titularidade". O verbete n° 182 da Súmula do  STJ dispõe que é “ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em  extratos ou depósitos bancários".  3)  Se,  de per  si,  a movimentação  financeira  anotada  nos  extratos  bancários  que instruem estes autos não seria reveladora de disponibilidade econômica, concretamente tal  disponibilidade seria mesmo inexistente, tanto que a empresa encontra­se desativada;  4) não  foi observado o preceito do art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 24 de  outubro de 1996.  Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ/Campinas, decidiu, por maioria, reconhecer a  nulidade  por  vício  formal  da  autuação  processada  nos  autos  sob  n°  13839.001634/2008­34,  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 289          5 bem como de todos os atos daí decorrentes, incluindo­se a exclusão do contribuinte do Simples  Federal, formalizada no processo n° 13839.001700/2008­76.  Tendo em vista que a exclusão de crédito tributário ocorreu em valor superior  a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o Presidente da Turma recorreu de ofício ao CARF,  conforme disposto pela Portaria MF nº 3, de 03/01/2008.  O sujeito passivo tomou ciência da decisão em 18/06/2009 (“AR” de fl. 279).  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura  Trata­se  de  recurso  de  ofício,  interposto  em  face  de  acórdão  da  DRJ/Campinas, que reconheceu a nulidade por vício formal da autuação fiscal que resultou na  lavratura de autos de infração do Simples e na exclusão da contribuinte do regime especial, por  entender que a Fiscalização, ao expedir RMF (Requisição de Movimentação Financeira) para  ter acesso à movimentação bancária da empresa, não teria demonstrado a indispensabilidade de  tais  informações  para o  andamento  dos  trabalhos,  afrontando,  principalmente,  o  princípio  da  razoabilidade, de que fala o art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001.  Discorre sobre as seguintes razões o voto da DRJ:  Assim  estruturadas  as  considerações  que  se  entende  relevantes  (itens 1 a 8 supra), diga­se, em primeiro lugar, que, aqui, não se  critica  a  ausência,  como  peça  de  instrução,  do  "relatório  circunstanciado" mencionado no art. 4°, §§ 5° e 6°, do Decreto  n° 3.724, de 2001. O importante é que, no mínimo, deveriam ter  sido trazidos para os autos o elemento fático que, eventualmente,  possa  ser  visto  como  a  realização  d'uma  dentre  as  hipóteses  normativas previstas nos incisos do art. 3° do Decreto n° 3.724,  de 2001. Tal elemento fático, pelos elementos que se extrai dos  autos,  parece  restar  caracterizado  assim,  sob  a  ótica  da  fiscalização:  intimado em 01/03/2007 a apresentar  informações  sobre  suas movimentações  financeiras,  o Contribuinte  nada  fez  até a data de expedição das RMF's em causa, isto é, 13/07/2007.  Esta situação caberia na hipótese prevista no art. 3°, inciso VII,  do  Decreto  n°  3.724,  de  2001,  c/c  art.  33,  inciso  I,  da  Lei  n°  9.430, de 1996.  (...)  É  importante  repisar.  Os  autos  não  precisam  estar  instruídos  com o dito "relatório circunstanciado", mas a motivação fático­ jurídica deve ser daí apreensível. Uma possível motivação fática  está presente nestes autos. O que  falta então? Pelos dizeres do  art. 40, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, dita motivação fática  não  se  apanha  exclusivamente  pelo  viés  objetivo.  Não.  Ela  é  Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 290          6 especialmente  qualificada  pela  razoabilidade.  E  é  justamente  isso  que  está  faltando  nestes  autos,  ou  seja,  razoabilidade  do  motivo  fático  dele  possivelmente  extraível,  pois:  a  fiscalização  não  nasceu  preordenada  para  investigar  movimentação  financeira;  foi  dado  ao  Contribuinte  exíguo  prazo  para  apresentar  o  que  se  lhe  requeria;  tempo  considerável  (quatro  meses)  transcorreu  entre  a  caracterização  d'uma  possível  recalcitrância  do  Contribuinte  e  a  expedição  das  RMF's,  a  suscitar  dúvida  sobre  a  imprescindibilidade  das  informações  requeridas; e  junto a  isso  tudo, ganha relevo — que em outras  situações, talvez, pudesse ser superada — a inconveniência de se  mostrar  somente  agora  ao  Contribuinte  a  articulação  entre  o  fático  (não  apresentação  de  informações  sobre  movimentação  financeira)  e  o  jurídico  (art.  33,  inciso  I,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996), para lhe 'dizer que sobre ele pesa o signo do embaraço à  fiscalização.  Assim,  entende­se  que  há  um  vício  de  forma  na  linha  de  causalidade  que  deságua  no  auto  de  infração  processado  nos  autos  sob  n°  13839.001634/2008­34:  quando  do  momento  em  que  expedidas  as  RMF's  que  aqui  seguem,  não  se  havia  ainda  configurada, com razoabilidade, a indispensabilidade do acesso  à movimentação financeira de que fala o art. 2°, §5°, do Decreto  n° 3.724, de 2001.  Apesar  das  considerações  expostas  pela  decisão  de  primeira  instância,  não  entendo que seja a mais adequada interpretação dos fatos.  A  princípio,  cumpre  destacar  que  a  Fiscalização  não  incorreu  em  nenhuma  irregularidade.  Ao  se  analisar  uma  empresa  optante  pelo  Simples,  um  dos  procedimentos  a  fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadra­se nos  limites  estabelecidos  em  lei  para  a  adesão  do  regime  especial.  Nesse  contexto,  mostra­se  plenamente justificável intimar à fiscalizada que apresente, além dos livros contábeis e fiscais,  outros  elementos de prova  aptos  da  comprovar o  faturamento  auferido. Assim, o  “Termo de  Início de Fiscalização”, cuja devida ciência  foi dada em 01/03/2007, solicitou a apresentação  de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa.  Sem  ainda  adentrar  no  mérito  da  questão  em  debate  (indispensabilidade  da  expedição  das  RMF),  constatou­se  que  a  empresa  movimentou,  no  período  fiscalizado,  o  montante  de R$7.558.960,04,  valor  substancialmente  superior  ao  da  receita  bruta  declarada,  que foi de R$787.527,05. Ora, não se trata de um percentual qualquer, vez que o montante de  receita  bruta  declarada  corresponde  a  10,42%  (dez  vírgula  quarenta  e dois  por  cento)  do  valor movimentado nas contas correntes. Tal constatação serve para demonstrar a pertinência e  a  relevância  de,  em  um  procedimento  de  auditoria  de  uma  empresa  optante  pelo  Simples,  solicitar­se  a  movimentação  financeira  auferida  pela  pessoa  jurídica,  com  o  objetivo  de  se  constatar se guarda uma razoável proporcionalidade com a receita bruta declarada para o Fisco.  Evidente  que,  dependendo  do  ramo  de  atividade  da  empresa  fiscalizada,  a  movimentação  financeira  pode  ser muito maior  do  que  a  receita  bruta  auferida.  Trata­se  de  análise a ser realizada no decorrer do procedimento fiscal. No caso concreto, constatou­se que  o CNAE Fiscal Principal informado pela pessoa jurídica era o 4639­7/01 ­ Comércio atacadista  de produtos alimentícios em geral.  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 291          7 Não obstante as considerações iniciais, há que se apreciar as razões pelas quais a  DRJ/Campinas decidiu, por maioria, reconhecer a nulidade por vício formal no procedimento  da Fiscalização.  Discorre o relator que o Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com as  alterações promovidas pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007, que regulamentou o art.  6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, estabelece em seu art. 2°, § 5°, e art.  4°, §2°:  Art. 2° [...]  § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por  intermédio  de  servidor  ocupante  do  cargo  de  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  somente  poderá  examinar  informações  relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras  e  de  entidades  a  elas  equiparadas,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso e tais exames forem considerados indispensáveis.  Art. 4° (...) § 2° A RMF será precedida de intimação ao sujeito  passivo para apresentação de informações sobre movimentação  financeira, necessárias à execução do MPF. (grifei).  E,  sobre  o  critério  de  indispensabilidade  para  o  acesso  à  movimentação  financeira  por  meio  de  RMF,  disserta  a  decisão  da  DRJ/Campinas  sobre  o  art.  3º  do  mencionado Decreto  n°  3.724,  de  2001,  que,  ao  relacionar  os  exames  a  serem  considerados  como  indispensáveis  referidos  no  §  5º  do  art.  2º,  cita  o  inciso  VII,  que  faz  referência  às  hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, dentre as quais se destacam:  Art. 33. [...]  I  ­  embaraço  à  fiscalização,  caracterizado  pela  negativa  não  justificada de exibição de livros e documentos em que se assente  a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios  ou  de  terceiros,  quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição  do  auxílio  da  força  pública,  nos  termos  do  art.  200  da  Lei  n°5.172, de 25 de outubro de 1966; (grifei)  Discorre o voto da decisão em análise que o procedimento da Fiscalização não  teria  observado  o  princípio  da  razoabilidade,  previsto  no  art.  4º,  §§  5º  e  6°,  do  Decreto  n°  3.724, de 2001:  Art. 4° [...]  §  5º  A  RMF  será  expedida  com  base  em  relatório  circunstanciado,  elaborado  pelo  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  encarregado  da  execução  do  MPF  ou  por  seu  chefe  imediato.  § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar  a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre,  com  precisão  e  clareza,  tratar­se  de  situação  enquadrada  em  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 292          8 hipótese  de  indispensabilidade  prevista  no  artigo  anterior,  observado o princípio da razoabilidade. (grifei)  Observando  os  autos,  constato  que  as  condições  estabelecidas  para  que  a  emissão das RMF fosse realizada foram atendidas, quais sejam, (1) existência de procedimento  de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito  passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira.  Verifica­se que foi realizada intimação prévia ao sujeito passivo, no “Termo de  Início  de  Fiscalização”  de  fls.  47/48,  cuja  ciência  à  contribuinte  foi  dada  em  01/03/2007.  Diante  da  não  apresentação  das  informações  requeridas,  foram  expedidas  as  RFM  em  13/06/2007, ou seja, mais de quatro meses depois da intimação.  Como  já dito,  a natureza da fiscalização  tendente a verificar  se a  receita bruta  declarada pela empresa enquadra­se nos limites da lei demanda analisar elementos que possam  lastrear  a  veracidade das  informações  declaradas  ao Fisco. Mostra­se,  portanto, mais  do  que  razoável  solicitar  a  apresentação  de  extratos  bancários  para  constatar  se  a  movimentação  financeira guardaria proporção com a receita bruta declarada.   Após  quatro  meses,  diante  do  não  atendimento  da  intimação,  recorreu  a  Fiscalização às RMF para dar prosseguimento aos trabalhos.  Para  fundamentar  a  suposta  falta  de  razoabilidade  do  procedimento  fiscal,  a  decisão da DRJ/Campinas fez uma série de questionamentos, relacionados à fl. 273, os quais  transcrevo e respondo, um a um.  Questionamento 1. É razoável  (art. 4°, § 6°,  in  fine, do Decreto n° 3.724, de  2001) uma fiscalização, que parece não  ter nascido sob o mote da movimentação  financeira  incompatível com os rendimentos declarados (coisa que se apuraria, por exemplo, a partir de  dados/informações da CPMF),  já de  início solicitar ao Contribuinte  informações nesse justo  sentido? Minha Resposta. Sim, é razoável, pela própria natureza da fiscalização empreendida  no  caso  concreto.  Uma  das  verificações  a  que  se  submete  a  pessoa  jurídica  optante  pelo  Simples  é  precisamente  demonstrar  que  a  receita  bruta  declarada  enquadra­se  nos  limites  estabelecidos em lei para permanecer no regime especial de tributação. Portanto, o cotejo entre  a receita bruta declarada e a movimentação financeira fornece indícios relevantes para auferir a  veracidade das informações declaradas ao Fisco.  Questionamento 2. É razoável  (art. 4º, § 6°,  in  fine, do Decreto n° 3.724, de  2001), pedidas então as informações sobre a movimentação financeira de um ano­calendário  inteiro  (2003),  conferir  ao  Contribuinte  5  (cinco)  dias  úteis  para  atender  ao  tanto  quanto  requisitado? Minha  Resposta. Não  obstante  o  prazo  apresentado  no  “Termo  de  Início  de  Fiscalização”, no caso concreto, transcorreram­se mais de quatro meses até o momento em que  a  autoridade  fiscal  expediu  os  RMF.  Assim,  foi  razoável  o  procedimento  adotado  pela  Fiscalização.  Questionamento 3. Ainda que ao final as RMF's em questão tenham sido só  expedidas em 13/07/2007, é razoável (art. 4°, § 6°, in fine, do Decreto n° 3.724, de 2001) que  isso  venha  a  acontecer  depois  de  4  (quatro)  meses  do  termo  final  do  prazo  (08/03/2007)  inicialmente  conferido  ao  Contribuinte  para  apresentar  as  informações  sobre  sua  movimentação  financeira,  sem que  tenha havido  no  intermédio  qualquer  ato  cientificado  ao  Contribuinte  sobre o andamento dos  trabalhos  fiscais? Esses 4  (quatro) meses,  em  silêncio,  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 293          9 suscita,  antes  da  caracterização  da  indispensabilidade,  a  dúvida  na  sua  tipificação. Minha  Resposta.  Reclama­se,  de  um  lado,  que  o  prazo  requerido  no  “Termo  de  Início  de  Fiscalização” teria sido exíguo. Por outro, aduz­se que quatro meses poderia caracterizar mora  da  Fiscalização.  Não  entendo  assim.  O  prazo  mostrou­se  de  quatro  meses  mostrou­se  adequado, e, se a contribuinte optou por permanecer em silêncio, restou mais do que evidente e  caracterizada a mora em atender a intimação.  Questionamento 4. À vista deste sumário, o não atendimento à intimação de  fl. 46/47 (autos sob n° 13839.001634/2008­34) seria suficiente/razoável (art. 4°, § 6°, in fine,  do Decreto n° 3.724, de 2001) para caracterizar a hipótese prevista no art. 3°, inciso VII, do  Decreto n° 3.724, de 2001, c/c art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996? Minha Resposta.  Sim,  seria  suficiente,  diante,  como  já  dito,  primeiro,  da  natureza  da  fiscalização,  referente  à  análise  de  empresa  optante  pelo  Simples,  e,  segundo,  diante  do  fato  de  que,  apesar  de  devidamente  intimada,  a  fiscalizada,  depois  de  quatro  meses,  ter  permanecido  em  silêncio,  conduta que se enquadra plenamente na hipótese prevista no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430,  de  1996,  qual  seja,  embaraço  à  fiscalização  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  movimentação financeira.  Questionamento 5. O "relatório  circunstanciado" anunciado no art  4°,  §§  5° e 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, não está nos autos. Não precisa. Já se disse que basta  um mínimo, isto é, que trouxessem aos autos o elemento fático que, eventualmente, possa ser  visto como a realização d'uma dentre as hipóteses normativas previstas nos incisos do art. 3°  do Decreto n° 3.724, de 2001. Esse mínimo parece existir nos autos. Também já se disse linhas  atrás.  Porém,  é  razoável  (art.  4°,  §  6°,  in  fine,  do  Decreto  n°  3.724,  de  2001)  mostrar  a  articulação fático­jurídica somente agora ao Contribuinte? Dito de outro modo: o fato é que o  Contribuinte foi intimado em 01/03/2007 a apresentar informações sobre suas movimentações  financeiras  e  nada  fez  até  a  data  de  expedição  das  RMF's  em  causa,  isto  é,  13/07/2007;  o  jurídico é dado pelo art. 3°, inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001, c/c art. 33, inciso I, da  Lei  n°  9.430,  de  1996;  ocorre  que  essas  duas  coisas  não  estão  articuladas  em  nenhum  momento  no  curso  dos  autos.  Bem  resumido:  o  Contribuinte  sabia  —  antes  de  vir  a  julgamento, claro — que se lhe imputava o comportamento de embaraço à  fiscalização (art.  33,  inciso  I, da Lei n° 9.430, de 1996)? Minha Resposta. O elemento  fático  foi  trazido aos  autos. Restou demonstrado a (1) conveniência e a oportunidade de se requerer a movimentação  financeira em um procedimento de fiscalização relacionado à empresa optante pelo Simples, e  (2) a opção da fiscalizada em não fornecer as  informações em um prazo de quatro meses. A  subsunção  dos  fatos  à  norma  é  clara,  na  medida  em  que,  diante  do  não  fornecimento  de  informações sobre movimentação financeira, restou consumado embaraço à fiscalização, uma  das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da  RMF.  Nesse  sentido,  diante  do  exposto,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  por  vício  formal.  Contudo,  entendo  que  o  presente  colegiado  não  pode  avançar  no  julgamento,  para adentrar ao mérito da questão, qual seja, os lançamentos de ofício lavrados no regime de  tributação  do  Simples  e  a  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  regime  simplificado  de  tributação.  Caracterizar­se­ia supressão de instância o presente tribunal apreciar mérito que poderia, antes,  ser julgado pela DRJ competente.  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/2008­34  Acórdão n.º 1103­000.967  S1­C1T3  Fl. 294          10 Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso de  ofício para afastar a preliminar de nulidade e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem  para prosseguir com o enfrentamento do mérito.      Assinado Digitalmente  André Mendes de Moura                                  Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA

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Numero do processo: 11030.904365/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 86          1 85  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.904365/2012­16  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­003.179  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  LATICINIOS BOM GOSTO S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/2003  PIS.  COFINS.  RESTITUIÇÃO.  EXCLUSÃO DO VALOR DO  ICMS DA  BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.  O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  integrando  assim  o  faturamento,  que  é  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.   INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Paulo Sérgio Celani ­ Presidente Substituto.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani  (Presidente  Substituto),  José  Luiz  Feistauer  De  Oliveira,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Marcos  Antonio  Borges,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  e  Jacques  Mauricio  Ferreira  Veloso De Melo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 65 /2 01 2- 16 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/2012­16  Acórdão n.º 3801­003.179  S3­TE01  Fl. 87          2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/2012­16  Acórdão n.º 3801­003.179  S3­TE01  Fl. 88          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito  nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de  Pis, relativo ao fato gerador de 31/10/2003.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte  emitiu  despacho  decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a  restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi  utilizado na quitação  integral de débito(s) do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido  cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em  20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com  os argumentos a seguir sintetizados.  Informa  que  pediu  a  restituição  dos  valores  pagos  a  maior  a  título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS  da base de cálculo.  Traz  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudência  dos  tribunais  acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar  o  conceito  de  “ingresso”.  O  ICMS  seria  mero  ingresso  na  escrituração  contábil  das  empresas,  para  posterior  destinação  ao Fisco, terceiro titular de tais valores.  Cita  o  recurso  extraordinário  nº  240785,  que  se  encontra  em  fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios  constitucionais,  discorrendo  acerca  da  impossibilidade  de  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do PIS/Cofins,  visto  que  não  representa  riqueza  do  contribuinte,  não  fazendo  parte  da  receita ou do faturamento.  Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição,  tendo  em  vista  ser  inconstitucional  a  cobrança  do  PIS/Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS da base  de  cálculo,  e  que os  créditos  sejam  acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a  data da restituição/compensação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte  (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/2003  EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/2012­16  Acórdão n.º 3801­003.179  S3­TE01  Fl. 89          4 Não  há  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes  cumulativo e não­cumulativo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  repisa  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/2012­16  Acórdão n.º 3801­003.179  S3­TE01  Fl. 90          5   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  em  DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os  créditos pleiteados  referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em  razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/2012­16  Acórdão n.º 3801­003.179  S3­TE01  Fl. 91          6 sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  sendo  calculado  “por  dentro”,  ou  seja,  o  montante  do  próprio  imposto  está  incluído  na  sua  base  de  cálculo,  nos  termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento,  que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa  disposição legal para tanto.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei  10.833,  de  2003,  para  aquelas  empresas  sujeitas  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das  referidas  contribuições,  estas passaram a  ter como  fato  gerador o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à  possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas  leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas  decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações  de exportação.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do  artigo 543­C do CPC, no  sentido de que o  ICMS  integra  sim a base de  cálculo do PIS  e da  COFINS,  através  de  decisão  monocrática  que  negou  seguimento  ao  recurso,  com  base  em  jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/2012­16  Acórdão n.º 3801­003.179  S3­TE01  Fl. 92          7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  presente  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI

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