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Numero do processo: 10660.720506/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2011
ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2011 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 265 1 264 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.720506/201261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.301 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria CP: COOPERATIVA DE TRABALHO. Recorrente FAGOR EDERLAN BRASILEIRA AUTOPEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2011 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. NORMA DECLARA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 05 06 /2 01 2- 61 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/201261 Acórdão n.º 2803003.301 S2TE03 Fl. 266 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.006.4701, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.006.4710, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 14 e 15, com período de apuração de 01/2007 a 12/2010, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 17 e 18. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 06/03/2012, conforme AR, fls. 137. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 141 a 177 e 193 a 215, remetida via postal, em 03/03/2012, envelope, de fls. 192, acompanhada dos documentos, de fls. 178 a 192 e 216 a 229. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 230. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0940.578 5ª, Turma DRJ/JFA, em 06/06/2012, fls. 231 a 236. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte e cancelado o Auto de Infração DEBCAD 51.006.4710. Consta, as fls. 236 a 238, a Resolução nº 2803000.161, de 12/03/2013, da autoria do Cons. Gustavo Vettorato, que baixou os autos em diligência. A diligência foi cumprida, conforme peças processuais a seguir descritas. O contribuinte tomou conhecimento do decisório da DRJ, em 13/06/2013, conforme AR, de fls. 242. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, remetido via postal, envelope, de fls 243, postado, em 12/07/2013. As razões recursais estão acostadas, as fls. 244 a 262, desacompanhada de qualquer documento. As razões recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade dos recursos. Os autos subiram ao CARF, fls. 263. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/201261 Acórdão n.º 2803003.301 S2TE03 Fl. 267 3 Os presentes autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, despacho, de fls. 264. É o Relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/201261 Acórdão n.º 2803003.301 S2TE03 Fl. 268 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre informar que a nova distribuição viola o que estabelecido no artigo 49, parágrafo 7º e 8º e artigo 50, parágrafo 2º, todos, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, veja a transcrição. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.. § 8° Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara. Art. 50. No prazo máximo de 6 (seis) meses, contado da data do sorteio, o relator deverá incluir em pauta os processos a ele destinados. § 2° Os processos cujo julgamento do litígio for convertido em diligência, no seu retorno deverão ser encaminhados ao relator, que os indicará para inclusão em pauta de julgamento no prazo máximo de 3 (três) meses. O Relator original era o Cons. Gustavo Vettorato que está em plena atividade nesse conselho e nessa turma de julgamento. Entretanto, como no presente caso a solução seria a mesma, pois aquele relator comunga da mesma tese que esse em relação à contribuição relativa à Cooperativa de Plano de Saúde, bem como agora com a recentíssima decisão do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a matéria não há dúvidas quanto ao resultado que se obteria. Assim sendo, a aplicação do artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 deve ser impor, pois o contrário seria apenas prolongar a agonia e sofrimento do crédito, nati morto. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/201261 Acórdão n.º 2803003.301 S2TE03 Fl. 269 5 Cumpre esclarecer, ainda, que como consta do crédito em seu REFISC que transcrevo o lançamento se reporta a COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO – UNIMED SULMINEIRA. A exação em tela nestes autos vem sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até recentemente vinha me posicionando ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passei a adotar um novo posicionamento. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus associados. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma transportadora. Ora a transportadora vai contratar a cooperativa que colocará nas dependências desta ou de terceiros os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa ofertará os cooperados em seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos associados pessoas físicas e não a entidade contratante da cooperativa. Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos associados. A exação tornase indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois não ocorre o nascimento da obrigação tributária, uma vez que a hipótese de incidência e o fato jurídico material do mundo dos fenômenos não se ajustam, pois compreendem círculos excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídica tributária. Além do que dito, acima e considerado pelos membros dessa turma o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 595838 / SP considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 inconstitucional, observese a decisão. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10660.720506/201261 Acórdão n.º 2803003.301 S2TE03 Fl. 270 6 Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001039/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
São cabíveis embargos de declaração para esclarecer o julgado embargado, mas sem alteração de sua decisão de mérito posto que insuficientes os fundamentos para tanto.
Numero da decisão: 1401-001.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos para RERRATIFICAR o acórdão embargado sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. São cabíveis embargos de declaração para esclarecer o julgado embargado, mas sem alteração de sua decisão de mérito posto que insuficientes os fundamentos para tanto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos para RERRATIFICAR o acórdão embargado sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Roberto Armond Ferreira da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001039/200667 Recurso nº 000.001 Embargos Acórdão nº 1401001.069 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de outubro de 2013 Matéria embargos de declaração Embargante GILATTO HOME BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. São cabíveis embargos de declaração para esclarecer o julgado embargado, mas sem alteração de sua decisão de mérito posto que insuficientes os fundamentos para tanto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos para RERRATIFICAR o acórdão embargado sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 39 /2 00 6- 67 Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Roberto Armond Ferreira da Silva. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente julgamento de análise de embargos de declaração interpostos pela contribuinte, em que aduz a existência de contradição no acórdão embargado, bem como alteração do fundamento legal de manutenção do auto de infração, razão pela qual requer o reconhecimento de seus efeitos infringentes, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. O relatório do acórdão embargado, de minha própria lavra, descreve os fatos como a seguir: Tratam os presentes auto de lançamento levado a feito pela Administração tributária que apurou, mediante procedimento de fiscalização, o recolhimento a menor de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS pela Recorrente nos anos calendário de 2002 e 2003, referentes, respectivamente, aos anosbase de 2001 e 2002. O termo de constatação fiscal de fls. 295/303 identificou a existência de divergência das informações constantes da DIPJ 2002/2003 com a informações registradas no LALUR do ano base 2002, assim como incompatibilidades com as informações constantes da DIPJ 2001/2002. Promovidas as diligências para identificação do fato gerador, após solicitação de documentos e esclarecimentos ao contribuinte, restaram identificadas as seguintes irregularidades: 1) Dedução indevida na Conta de Receita Operacional: no ano calendário 2002, a Recorrente registrou ajustes na conta de Receita Operacional sem respaldo documental. Intimada e re intimada para apresentar referidos documentos, a Recorrente teria se restringido a anexar as cópias reprográficas de referidos registros. Assim, “não há como prosperar os registros contábeis sem que a empresa identifique ou comprove documentalmente os ajustes computados em sua escrita comercial. Para que os valores computados na sua escrituração comercial como na redução da conta de receita possa ser aceito pelas normas contábeis, a empresa deveria ter os elementos comprobatórios dos registros que daria origem os lançamentos de ajuste” (fls. 298). E tais meios de prova não foram apresentados pela Recorrente. 2) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002: no ano calendário 2002, a Recorrente registrou ajustes na conta custo sem respaldo documental referente a custos de serviços prestados e custos de mercadoria vendida. Intimada e re intimada para apresentar referidos documentos, a Recorrente Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 procedeu da mesma forma em que descrita no item 1 supra, aplicandoselhe a mesma conclusão. 3) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2001: no ano calendário 2001, a Recorrente onerou a apuração do Custo de Mercadorias Vendidas, pela subavaliação do Estoque Final de Mercadoria própria em poder de terceiros, referentes a armazenagem, demonstração e empréstimo. Segundo apurado ela fiscalização, “a empresa através de um artifício contábil, apresentou nestas subcontas registros com Saldos Positivos (para as saídas de mercadorias), e Subcontas com registros de Saldos Negativos (para o valor das mercadorias). Este fato teve como efeito reduzir o valor real do saldo da conta de Estoques para o período, elevando consequentemente o valor de Custo apurado no exercício.” (fls. 300). Após os esclarecimentos da Recorrente, a Fiscalização verificou que a empresa deixou de computar no inventário final de Mercadorias, os produtos enviados para armazenagem perante a empresa Metropolitan Robótica Transportes S/A. 4) Omissão de Receita: A Recorrente deixou de registrar na conta Receita de Serviços – Mercado interno, no ano calendário 2002, os serviços prestados para a empresa Star One S/A. 5) Despesas NãoComprovadas: ausência de comprovação de despesas registradas como pagamento realizado à empresa Gilat to Home Latin America Inc. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou invoice e contrato em que não se pode identificar qual o serviço prestado, o seu executor, local da execução e quando teria ocorrido o serviço, pelo que o mesmo foi glosado. 6) Compensação de prejuízo fiscal no ano calendário 2002. Tendo havido glosa das alterações promovidas no ano calendário 2001, a empresa deixou de registrar prejuízo contábil em referido período, com reflexo de seu aproveitamento no ano calendário 2002. Em sede de impugnação, a Recorrente argumentou o seguinte: A) impossibilidade de tributação por presunção: não poderia a Fiscalização desconsiderar a escrita fiscal da contribuinte com base apenas na sua análise documental, cabendo a busca pela verdade material para identificar o fato gerador do tributo, com base nos princípios da legalidade, eficiência e moralidade constitucionalmente assegurados; B) (Item 1 supra): dos sete lançamentos apontados pela Fiscalização, cinco (R$ 41.955,78, R$ 42.310,17, R$ 84.164,95, R$ 101.337,17 e R$ 32.696,00) haviam sido apropriados no ano calendário de 2002, por registro em 31 de dezembro e 2001 (em dois registros de R$ 114.659,07 e R$ 155.110,00), apesar de as notas fiscais somente terem sido emitidas em 2002. Houve, ainda, um lançamento complementar de receitas em 05.02.2002 (R$ 42.310,17), pelo que teria havido antecipação no pagamento de tributos, e não omissão de receita. No que toca aos dois outros ajustes realizados (R$ 213.879,70 e R$ 181.455,00), os mesmos decorreriam de equívoco da Recorrente. O primeiro, lançado a débito na conta 420104 seria Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 4 5 referente ao lançamento a crédito na conta 21100701, ambos de 30.12.2002. O segundo seria lançamento a débito na conta 420104 e crédito na conta 21100701, ambos de 30.12.2002. C) (item 2): A Recorrente argumenta que, nem sempre quando é realizado um ajuste existe influência na apuração de tributo devido. Diante disso, a Recorrente justifica que: a) R$ 199.003,00 foi lançado pela Recorrente na conta custo de mercadoria (3.1.02.01.01) em 30.12.2002 e, no mesmo dia, o mesmo valor foi lançado a crédito da conta salário de empregados (3.2.02.01); b) R$ 357.118,28 (conta 3.1.02.01.01) decorre da baixa de valores em estoque ocasionados pela frustração de acordo judicial celebrado com a empresa Giltek Serviços Ltda., em ação de falência movida por esta empresa contra a Recorrente, por descumprimento de contrato de subcontratação de serviços prestados em favor da Embratel. A Giltek deveria devolver bens registrados em estoque da Recorrente, mas diante da impossibilidade de fazêlo, impôs à Recorrente a baixa dos mesmos da respectiva conta contábil. c) R$ 283.642,93 seriam referente a igual procedimento descrito no item b supra, só que perante a empresa Azti Telecomunicações Elétrica e Informática Ltda.; d) R$ 155.796,00 seriam referentes a ajustes de custo complementar de prestação de serviço, cuja contrapartida foi registrada na conta do passivo da Star One S/A. D) (Item 3 supra): a Recorrente apresentou falhas sem seu sistema contábil, mas referidas falhas não seriam suficientes ao lançamento tributário. Assim, apresenta planilha demonstrando a contraposição de notas fiscais de remessa e armazenamento para a empresa Metropolitan Robótica Transportes S/A AZTI Telecomunicações Elt. Inf. Ltda. e de notas fiscais de devolução de referidas mercadorias, apontado uma diferença de R$ 894.286,00 (oitocentos e noventa e quatro mil, duzentos e oitenta e seis reais); e não de R$ 3.840.365,30 (três milhões, oitocentos e quarenta mil, trezentos e sessenta e cinco reais e trinta centavos) apurados pela Fiscalização. Ainda, justifica a diferença por ela mesma encontrada pela exigüidade do prazo para reunir a documentação necessária à demonstração da devolução integral das mercadorias. Por fim, teria havido a desconsideração da norma que autoriza a postergação do imposto para o exercício seguinte, conforme entendimento da COSIT nº 2, de 28.08.1996. E) (item 4 supra): teria havido o registro da receita referente o serviço prestado em favor da empresa Star One S/A, porém, na conta de Receita de Mercadorias. Assim, apesar do equívoco no registro contábil, não teria havido omissão de receita tributável, por ter mesma integrado a receita total da empresa no exercício; Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 F) (item 5 supra): a simples apresentação do contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Gilat Latin America Inc. como fornecedora de serviços e a fatura de referida despesa seria suficiente para comprovar a dedutibilidade da despesa. Afirma, ainda, que “a gestão administrativa da Impugnante é realizada pela Gilat Latin America Inc., com base no referido contrato, mediante o pagamento de uma contra prestação” (fls. 561). Esclarece, ainda, que os serviços foram prestados no exterior, mas nunca no Brasil. Ademais, argumento que o ônus de prova de que os serviços não haviam sido de fato prestados incumbe à Autoridade Autuante, não podendo se valer de presunções para glosar referidas despesas. Ainda, apresenta, como prova da prestação de serviços, seis trocas de correspondências realizadas pelas empresas no ano de 2001, que comprovariam “o efetivo gerenciamento das atividades” da Recorrente; G) (Item 6 supra): comprovada a improcedência das desconsiderações realizadas pela Fiscalização, seria restaurado o prejuízo apontado no ano calendário 2002, com seu aproveitamento no ano calendário 2003. A Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I, em análise às razões e documentos apresentados pela Recorrente, entendeu o seguinte: Itens 1) Dedução indevida na Conta de Receita Operacional – Estorno de Vendas Não Comprovadas: improcedente, pois a Recorrente havia sido intimada e reintimada a comprovar documentalmente referidos registros e, não o tendo feito de maneira satisfatória, impõe a manutenção do lançamento; Item 2) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002 – Glosa de Custos: a) R$ 199.003,00 – deve ser excluído, por ter restado devidamente comprovada a regularidade do ajuste (da conta custo de mercadoria para a conta salários de funcionários); b) R$ 357.118,28 – deve ser mantida a glosa, por ausência de comprovação de prestação do serviço; c) R$ 283.642,93 deve ser mantida a glosa, por ausência de comprovação de prestação do serviço; d) R$ 155.796,00 deve ser mantida a glosa, por ausência de comprovação de prestação do serviço; Item 3) Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2001. Subavalização de Estoque Final: improcedente, por não ter a Recorrente comprovado a regularidade da escrita e por só poder falarse em postergação diante do pagamento do imposto; Item 4) Omissão de Receita: procedente, pois a documentação acostada comprovou satisfatoriamente o registro na conta Receita de Mercadorias, o montante de R$ 57.991,36, referente à prestação de serviços à empresa Star One S/A; Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 5 7 Item 5) Despesas NãoComprovadas – Glosa de Despesas Financeiras: procedente, por ter restado suficientemente comprovada a prestação de serviços pela empresa Gilat Latin America Inc. por meio da apresentação de fatura (invoice), contrato e correspondências; Item 6) Compensação de prejuízo fiscal no ano calendário 2002: procedente pois, apesar da manutenção de parte das glosas e de não se ter verificado prejuízo no ano calendário 2001, “a compensação apontada pela fiscalização consta, apenas, do LALUR (fls.225/226) e, como tal, não produziu nenhum efeito tributário, posto que o Lucro Real demonstrado no Lalur não consta da DIPJ” (fls. 1021). A decisão da DRJ restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADOS. Os registros contábeis devem estar embasados em documentos hábeis e idôneos. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovada a contabilização da receita tida por omitida, deve ser cancelado o lançamento. SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE FINAL. Constatada subavaliação de estoque, é devido lançamento. GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e do preenchimento dos requisitos legais. Os valores comprovados devem ser excluídos do lançamento. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. A comprovação elide o lançamento. PREJUÍZO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Indevida a glosa de prejuízos, cancelase o lançamento. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2001, 2002 PIS. CSLL. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. A Recorrente aviou recurso para este Conselho de Contribuintes argüindo, quanto à parte mantida do lançamento, os mesmos argumentos expendidos em sede de impugnação. Tendo havido exclusão, pela DRJ, de montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o feito foi promovido à remessa de ofício para apreciação por este Conselho de Contribuintes. É o relatório. Posto o feito em julgamento perante a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, entendeu a Turma Julgadora por dar parcial ao recurso de oficio para restabelecer as exigências referentes as glosas de despesa de serviço nos valores de R$ 2.108.748,00 registrada na escrita de dezembro de 2001 e R$ 965.223,00 registrada na escrita de dezembro de 2002 e a glosa de prejuízos fiscais no ano calendário de 2002; e, quanto ao Recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. As razões do voto foram as seguintes: RECURSO DE OFÍCIO: Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002 – Glosa de Custos: R$ 199.003,00 – os documentos de fls. 854/855 demonstram a realocação do lançamento da conta Custo de Mercadoria para a conta Salários, pelo que dou por satisfatoriamente demonstrada a procedência do ajuste, nos termos em que definido na decisão da DRJ. Nego, assim, neste particular, o recurso de ofício. Os demais lançamentos deste tópico foram mantidos pela DRJ e são objeto de Recurso. Nego, com isso, provimento ao recurso de ofício neste particular. Omissão de Receita: Verifico, pela documentação acostada às fls. 694/696 que, apesar de equivocado o registro da prestação de serviços em favor da empresa Star One S/A na conta Receita de Mercadorias, não existe reflexo fiscal para fins de apuração dos tributos federais, pelo que dou por satisfatoriamente comprovada a regularidade do ajuste. Diante disso, nego provimento ao recurso de ofício neste particular. Despesas NãoComprovadas – Glosa de Custos e Despesas Financeiras: O auto de infração entendeu por ter ficado suficientemente comprovada a prestação de serviços da empresa Gilat Latin America Inc. em favor da Recorrente, pelo que glosou, como despesa dedutível, o montante de R$ 2.108.748,00 (dois milhões, cento e oito mil, setecentos e quarenta e oito reais) na escrita de 12/2001, e a sua variação cambial de R$ 965.223,00 registrada em 12/2002. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 6 9 Em sede de impugnação, a Recorrente apresentou a seguinte documentação: 1) Fls. 698699 – tradução juramentada: Fatura de prestação de serviços em 28 e dezembro de 2001 emitidas pela empresa Gilat to Home Latin America Inc. para GilatoHome Brazil S.A., pelo seguintes serviços e respectivos valores: a) Serviços de marketing técnico – inclui consultoria sobre novas tecnologias e produtos Gilat e viagens, teleconferências com equipes de marketing e vendas locais: $ 30.000,00; b) Remuneração por propostas técnicas comissão de 7 ¾% dos avlores dos contratos ganhos no Brasil pela GilattoHome America Inc: $50.000,00; c) Suporte de logística por transporte de bens de Israel para o Peru, armazenagem temporária e supervisão dos produtos: $ 25.000,00 d) Profissionais sobre aspectos legais, comerciais e contábeis: $ 35.000,00 e) Suporte administrativo – $10.000,00 f) Valor total: US$ 150.000,00 Registro que, apesar da restrição de conhecer de documentos escritos em língua estrangeira, os valores constantes da tradução juramentada divergem daqueles apontados, individual e globalmente, no documento de fls. 700. 2) Fls. 702 a 714 – tradução juramentada de um contrato de prestação de serviços datado de 28 de dezembro de 2001 firmado entre Gilat Latin America Inc. (denominada Prestadora de Serviço), sediada em Surise, no estado da Florida, nos Estados Unidos da America e as empresas GilattoHome do Brasil Ltda. e Gilat do Brasil Ltda. (denominada Sociedades), ambas com sede na cidade do Rio de Janeiro – RJ, no Brasil. Registro a existência no contrato das seguites referências: a) que “a Prestadora de Serviços é uma coligada das Sociedades” (fls. 702); b) que os serviços serão prestados na sede da Prestadora de Serviços ou em outro local, com exclusão expressa da execução de atividades no Brasil; c) o pagamento de comissão de 7 ¾% dos contratos assinados no Brasil pela Recorrente; 3) (fls. 723/728) – tradução juramentada de mensagem eletrônica data de março de 2001, encaminhando lista com telefones e endereços eletrônicos “do escritório de Sunrise” Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 (mensagem parcialmente em português e lista traduzida por tradutor juramentado); 4) (fls. 730/732) tradução juramentada de mensagem eletrônica informando a alteração do nome da GilattoHome Latin America Inc. para Gilat Latin America Inc. 5) (fls. 736/738) – tradução juramentada de uma mensagem eletrônica informando que todas as atividades operacionais da américa latina deverão ser assinadas pelo sr. Mike Massa; 6) (fls. 742 a 747) – tradução juramentada de mensagem eletrônica com instruções para autorização de viagens com origem e destino à américa latina, com o objetivo de redução de custos; 7) (fls. 752/755) – tradução juramentada de mensagem eletrônica dando instruções para pagamentos e registro de remessas marítimas dos Estados Unidos da América para o Brasil; 8) (fl. 763 a 771) tradução juramentada de mensagem eletrônica datada de 20 e outubro de 2006 de um relatório de “funil de vendas da SO atualizado” (fl. 763) e mensagem anterior datada de 26 de setembro de 2001 com uma lista de providências para atividades financeiras, jurídicas, operacionais/engenharia, instalação e manutenção e logística; No meu sentir, andou mal a decisão a DRJ do Rio de Janeiro, ao considerar referida documentação como suficiente a afastamento da glosa promovida pela Fiscalização. Inicialmente, registro que não foi trazido à baila comprovante de pagamento da despesa que pretende ser registrada como dedutível. Em seguida, identifico que o montante registrado como despesa dedutível (de R$ 2.108.748,00 (dois milhões, cento e oito mil, setecentos e quarenta e oito reais) na escrita de 12/2001, e a sua variação cambial de R$ 965.223,00 registrada em 12/2002), equivalente a US$ 850.000,00 (oitocentos e cinqüenta mil dólares estadunidenses) não é compatível com montante apontado na fatura de prestação de serviços de fls. 698/699 (US$ 150.000,00 – cento e cinqüenta mil dólares estadunidenses). Apesar de o documento de fls. 700 apresentar os valores pretendidos pela Recorrente para dedução, não encontro respaldo do mesmo na tradução juramentada que a ele supostamente se refere. E, ante a restrição em conhecer documento em língua estrangeira, tenho como documento válido apenas e tão somente aquilo que foi traduzido por profissional habilitado. Por outro lado, não consta do documento de fls. 698/699 qualquer referência a assinatura de recebimento do serviço ou sequer de sua efetiva prestação, não constituindo, por si só, elemento suficiente para comprovar a pretendida prestação dos serviços. Verifico, ainda, que a descrição dos serviços constantes de referida fatura não são equivalentes e condizentes com as trocas de mensagens eletrônicas acostadas a processo, ainda que considerada a mensagem de fls. 763/771, de todo insuficiente para comprovar a prestação do serviço. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 7 11 Por fim, identifico que o registro de pagamento na escrita contábil da Recorrente informa crédito na Contas a Pagar a empresa Gilat do Home Antilles, e não Gilat to Home Latin America; ou seja, pessoa diversa daquela cujo fornecimento de serviço alega ter ser beneficiário. Se os serviços foram prestados todos no exterior, deveria haver comprovação de que referidos serviços de fato o foram no exterior e a que se referiam. Na descrição do contrato de prestação de serviço, não existe comprovação de referias prestações, assim como não existe registro que a Recorrente tenha executado serviços fora do país. E, se foram prestados no Brasil, deveria ter havido a retenção do IR fonte na condição de nãocontribuinte. Por fim, apenas registro que, se houve pagamento de comissões por contratos celebrados no Brasil, não pode o mesmo ser caracterizados como prestação de serviço no exterior, sujeitandose à tributação na fonte pelo rendimento auferido no Brasil. Ante estas constatações, julgo procedente o recurso de ofício neste particular, para restaurar a atuação nos termos em que lavrada pela Fiscalização. Compensação de prejuízo fiscal no ano calendário 2002: Nos termos em que promovidos pela Fiscalização, tendo sido afastado o prejuízo apurado no ano calendário de 2001, deve a nova estruturação patrimonial ser refletida na apuração dos tributos devidos no ano calendário de 2002. O simples fato de a DIPJ 2003 ter apontado prejuízo no ano calendário de 2002 no valor de R$ 3.324.417,72 não se mostra suficiente para afastar a glosa aplicada no ano calendário de 2002. Aliás, a própria Recorrente infirma este argumento em suas razões às fls. 1054, afirmando ter apurado imposto a pagar no ano calendário de 2002. Diante destes argumento, dou provimento ao recurso de ofício para restaurar os termos do lançamento original. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso, nos termos em que supra identificados. RECURSO VOLUNTÁRIO Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2002 – Glosa de Custos: A Recorrente alega ter restado suficientemente comprovadas as despesas relativas aos valores abaixo discriminados. R$ 357.118,28 – Segundo alega a Recorrente, referidos valores se referem a baixa de estoque de mercadorias em poder da empresa Giltek Serviços Ltda., em decorrência de acordo Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 realizado nos autos de processo de falência movido por esta contra a Recorrente (fls. 862/984). A Recorrente esclarece que, por força do acordo (fls. 978/980), a Giltek deveria restituir à Recorrente bens que estavam em seu poder, descritos a fl. 981. No entanto, ante a impossibilidade de fazêlo, a Recorrente realizou ajuste de referidos bens na sua conta estoque. No entanto, não identifico a comprovação de que a Giltek deixou de devolver os bens à Recorrente em cumprimento do acordo. Os documentos comprovam a existência de litígio entre as partes, comprova que o litígio foi encerrado com a um acordo apresentado em Juízo comprova que houve a baixa do protesto outrora realizado pela Giltek em desfavor da Recorrente e comprova que a Giltek deveria devolver à Recorrente os bens que estavam em seu poder; mas não comprova que alguns daqueles bens, avaliados em R$ 900.000,00 (novecentos mil reais), deixaram de ser definitivamente devolvidos à Gilat. Diante disso, tenho por insuficiente a prova pretendida pela Recorrente, pelo que nego provimento ao recurso neste particular. R$ 283.642,93 – Segundo alega a Recorrente, referido ajuste decorreu da impossibilidade de recebimento de bens de seu estoque que estavam em poder da empresa Azti Telecomunicações Elétrica e Informática Ltda. Em comprovação de suas alegações, a Recorrente apresentou o documento de fls. 986/990, consistente em um contrato de prestação de serviços entre as empresas, com fins a atendimento de um serviço em favor da Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicões S.A. No entanto, a Recorrente não trouxe à baila quais os equipamentos estariam em posse da empresa Azti, assim como qual deles teriam deixado de ser devolvidos, seus valores e datas, a fim de comprovar a procedência do ajuste. Diante disso, tenho por insuficiente a prova pretendida pela Recorrente, pelo que nego provimento ao recurso neste particular. R$ 155.796,00 – Para comprovar a regularidade do ajuste, a Recorrente juntou os seguintes documentos: fls. 998: nota fiscal de serviços no valor de R$ 101.338,17, com destaque de ISSQN por fora de R$ 5.066,91, sem declaração de recebimento dos serviços; e fls. 999: nota fiscal de serviços no valor de R$ 43.002,96, com destaque de ISSQN por fora de R$ 2.150,15, sem declaração de recebimento dos serviços; ambas em favor da empresa Star One S/A. Os valores das notas fiscais são incompatíveis com o ajuste pretendido. Ausente a equivalência de valores e datas para justificar o ajuste pretendido, assim como qualquer outro elemento que pudesse respaldar a conduta da Recorrente, tenho por insuficiente a documentação apresentada. Diante do exposto, nego, também com relação a estes valores, provimento ao recurso. Dedução indevida na Conta de Receita Operacional Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 8 13 Segundo argumenta a Recorrente, dos sete lançamentos apontados pela Fiscalização, cinco (R$ 41.955,78, R$ 42.310,17, R$ 84.164,95, R$ 101.337,17 e R$ 32.696,00) haviam sido apropriados no ano calendário de 2002, por registro em 31 de dezembro e 2001 (em dois registros de R$ 114.659,07 e R$ 155.110,00), apesar de as notas fiscais somente terem sido emitidas em 2002. Teria havido, ainda, um lançamento complementar de receitas em 05.02.2002 (R$ 42.310,17), pelo que teria havido antecipação no pagamento de tributos, e não omissão de receita. Não vejo como os documentos de fl. 998 a 1003 serem suficientes para justificar o ajuste dentro da pretensão da Recorrente, por não serem sequer coincidentes quanto aos valores pretendidos. No que toca aos dois outros ajustes realizados (R$ 213.879,70 e R$ 181.455,00), os mesmos decorreriam de equívoco da Recorrente. O primeiro, lançado a débito na conta 420104 seria referente ao lançamento a crédito na conta 21100701, ambos de 30.12.2002. O segundo seria lançamento a débito na conta 420104 e crédito na conta 21100701, ambos de 30.12.2002. No entanto, apesar da plausibilidade da informação, não identifiquei na documentação existente nos autos referida compatibilidade, pelo que, também aqui, julgo improcedente o recurso voluntário. Oneração Indevida da Conta Custo ano calendário 2001. Sub avalização de Estoque Final: Improcedente, por não ter a Recorrente comprovado a regularidade da escrita e por só poder falarse em postergação diante do pagamento do imposto; No ano calendário 2001, a Recorrente onerou a apuração do Custo de Mercadorias Vendidas, pela subavaliação do Estoque Final de Mercadoria própria em poder de terceiros, referentes a armazenagem, demonstração e empréstimo. Segundo apurado ela fiscalização, “a empresa através de um artifício contábil, apresentou nestas subcontas registros com Saldos Positivos (para as saídas de mercadorias), e Subcontas com registros de Saldos Negativos (para o valor das mercadorias). Este fato teve como efeito reduzir o valor real do saldo da conta de Estoques para o período, elevando consequentemente o valor de Custo apurado no exercício.” (fls. 300). Após os esclarecimentos da Recorrente, a Fiscalização verificou que a empresa deixou de computar no inventário final de Mercadorias, os produtos enviados para armazenagem perante a empresa Metropolitan Robótica Transportes S/A. Apesar da justificativa da Recorrente, de que não possui armazém próprio, funcionando em um sala de edifício, e que se vale do armazem para manter fisicamente seus estoque; assim como da assertiva de que importa partes e peças para, Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 posteriormente, vender o produto final devidamente montado, com saída de referidos bens do rmazem e remessa por conta e ordem para o adquirente final, não identifiquei que os valores glosados tenham passado por este processo. Ao contrário, a Fiscalização manteve a escrituração contábil da forma como realizada pela Recorrente com relação todas as demais operações, registrando como lançamento apenas aquelas em que não foram apuradas as respectivas vendas para o consumidor final. Foi justamente a diferença de estoque – que não é realizado na própria sede da empresa – mas que deveria ser por ela devidamente registrado, que levou a Fiscalização glosar os ajustes realizados pela Recorrente. Não vejo, pois, como acolher os argumentos expendidos na peça recursal, pelo que nego também aqui, provimento ao recurso voluntário. Ainda, não há que se falar em postergações, posto que a DIPJ de 2002/2003 não registrou a pretendida postergação do IRPJ de 2001/2002, pelo que correta a glosa pretendida pela Fazenda. Devidamente cientificada da decisão do Conselho de Contribuintes, a Contribuinte apresentou embargos de declaração, por meio do qual alega o seguinte: 1) Que o auto de infração apontou “como infração dentre outras a compensação indevida do prejuízo relativo ao anocalendário 2001 (DIPJ 2002), com o imposto de renda a pagar no anocalendário 2002 (DIPJ 2003).”, cuja glosa foi afastada pela decisão proferida pela DRJ. 2) Questiona, assim, a Embargante, que “embora tenha dado provimento ao recurso de ofício para validar a glosa da compensação supostamente realizada, não se manifestou de forma clara sobre a situação fática efetivamente verificada para o ano calendário relevante, sendo, portanto, obscuro quanto à constatação de lucro ou prejuízo no anocalendário 2002 (DIPJ 2003)”. 3) Aduz, que a Embargante foi induzida em erro pelo auto e infração, ao afirmar que teria apurado um lucro de R$1.530.554,85, quando em verdade, no ano calendário 2002, ela teria apurado um prejuízo de R$3.324.417,72 (DIPJ). 4) Com relação à alegação de postergação, rejeitada pelo voto embargado, aduz que “o argumento somente poderia ser afastado caso se assumisse um cenário de prejuízo para o ano calendário 2002”, sendo que “ou bem se apurou lucro real no anocalenda´rio 2002, ou se apurou prejuízo”. 5) Por fim, alega que “a prova documental acostada aos autos, a saber, a DIPJ 2003, indica que a Embargante apurou prejuízo no período relevante e, com base nesse documento o v. acórdão recorrido afastou o argumento da postergação. Pois bem, considerando que o auto de infração se baseou na apuração de lucro, a forçosa constatação da ocorrência de prejuízo deverá acarretar o reconhecimento da sua nulidade, eis que não é dado ao julgador alterar os fundamentos de fato do lançamento”. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 9 15 Por despacho, conheci dos embargos de declaração apresentados pela Contribuinte, sendo este o relatório. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Voto O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Os embargos são tempestivos e já tiveram seu conhecimento assegurado por despacho. A questão posta em discussão decorre da divergência entre a apuração de lucro escriturada no LALUR pela Contribuinte, em que está registrada a existência de lucro no ano calendário 2002, e aquela apresentada pela DIPJ 2003, ano calendário 2002, em que a Embargante aponta prejuízo. Neste sentido, não merece credibilidade o argumento da Embargante de que teria sido induzida em erro pelo auto de infração, ao afirmar que teria apurado um lucro de R$ 1.530.554,85, no ano calendário 2002. Isso porque esse era o resultado que constava do registro do LALUR, conforme se extrai do TVF: Não procede, também, a irresignação da Embargante, ao afirmar que o acórdão embargado não disse se a empresa apurou lucro ou prejuízo, sendo essas duas Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001039/200667 Acórdão n.º 1401001.069 S1‐C4T1 Fl. 10 17 situações incompatíveis entre si. Tal referência, com o provimento parcial do recurso de ofício, estão absolutamente claras no TVF que sustenta o auto de infração, desmerecendo qualquer referência adicional para sustentalo. Com estas considerações, a decisão embargada não merece qualquer integração quanto a esses dois pontos. No que toca à postergação, a Embargante alega que, caso a empresa tivesse aferido lucro tributável, a postergação deveria ter sido acolhida, sendo que, apenas no caso de apuração de prejuízo, ela poderia ter sido negada. Neste ponto, a decisão embargada falou o seguinte: Ainda, não há que se falar em postergações, posto que a DIPJ de 2002/2003 não registrou a pretendida postergação do IRPJ de 2001/2002, pelo que correta a glosa pretendida pela Fazenda. Entende, assim que, se houve lucro tributável, o argumento de postergação não deveria ter sido rejeitado pela decisão recorrida. Cabível, aqui, alguns esclarecimentos. A postergação caracterizase pela “inexatidão contábil consistente na apropriação de receita em exercício posterior ao de competência” (acórdão 1047.04824). No caso dos autos, imputouse à Embargante a redução da receita operacional por ajuste contábil sem comprovação documental, bem como aumento de custo operacional sem comprovação documental. Independentemente de ter havido lucro ou prejuízo, a postergação consiste em matéria de defesa, razão pela qual o ônus de comprovação de que os redutores do lucro tributável em determinado ano calendário (redução da receita operacional ou despesa/custo) impactaram na formação do lucro tributável em anos seguintes é do Contribuinte, e não do fisco. Neste sentido, não basta ter havido lucro tributável para que a postergação seja de imediato reconhecida. É necessário que seja demonstrado que a receita omitia ou o custo glosado integraram a formação do lucro tributável do ano calendário para que a postergação seja reconhecida, ônus do qual a Embargante não se desincumbiu. Diante do exposto, conheço dos embargos para integrar e ratificar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13888.002379/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO
Incidem contribuições para as terceiras entidades sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra t da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.120
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do salário-de-contribuição exposta na letra t , do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Salário Indireto: Educação Recorrente KOELLE LTDA. EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO Incidem contribuições para as terceiras entidades sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra “t” da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra “t” , do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 79 /2 00 8- 61 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/200861 Acórdão n.º 2302003.120 S2C3T2 Fl. 266 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 11/06/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 12/06/2008, referente a contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados e contribuinte individual (diretor) a título de “Bolsas de Estudo” concedidas a dependentes, nas competências de 01/2004 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 30/37, por força de Convenção Coletiva de Trabalho a autuada concede bolsas de estudo no percentual de 100% do valor da mensalidade/matrícula aos filhos de seus professores e auxiliares de administração, bem como ao filho do diretor da instituição, contabilizando tais despesas como gratuidade. Após impugnação, Acórdão de fls. 195/203, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o legislador ordinário excluiu da saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais; b) que atendeu aos requisitos legais para que averba não integre o saláriodecontribuição; c) que a concessão de bolsas não remunera o trabalhador; d) que a bolsa é concedida aos filhos dos empregados, sendo um benefício assistencial e não ganho do empregado; e) que as bolsas não são habituais, tem caráter transitório, não há contraprestação do trabalho, possuindo natureza eminentemente social; f) que a jurisprudência entende que tal pagamento não integra o saláriodecontribuição; g) que como o auxíliocreche que tem natureza indenizatória, a bolsa de estudos não Serpa recebida pelo trabalhador na sua aposentadoria; h) que a concessão da bolsa de estudos não gera prejuízo ao funcionário, apenas lhe traz benefícios, não podendo ser prejudicada por cumprir as normas estipuladas em convenção coletiva. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Requer o provimento do recurso para declarar a insubsistência e improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/200861 Acórdão n.º 2302003.120 S2C3T2 Fl. 267 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o lançamento ao fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes de segurados que prestam serviço para a recorrente. A questão de mérito reside no fato de tal benefício integrar ou não a remuneração dos segurados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/200861 Acórdão n.º 2302003.120 S2C3T2 Fl. 268 7 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente à concessão de ensino a dependentes dos segurados empregados e contribuintes individuais, teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002379/200861 Acórdão n.º 2302003.120 S2C3T2 Fl. 269 9 O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino aos filhos de funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o ensino de seus dependentes. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de bolsa de estudo possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Quanto ao fato da concessão das bolsas de estudo encontrar respaldo nas Convenções Coletivas de Trabalho firmadas entre a recorrente e seus empregados, isto não tem o condão de eximir a verba da incidência da contribuição previdenciária, instituída por lei. O Código Tributário Nacional é taxativo no seu artigo 123, ao dizer que as convenções e acordo havidos entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Várias ementas em decisões dos Tribunais pátrios referemse ao aludido artigo: “Ementa: .... I. Descabe figurar no pólo ativo da demanda aquele que não tem relação com o Fisco, já que não podem ser a ele impostos ajustes particulares relativos à responsabilidade pelo pagamento de tributos (art. 123 do CTN) ....” (STJ. REsp 374694/ SC. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 03/04/03. DJ de 12/05/03, p. 264.) “Ementa: .... III. As convenções particulares não são oponíveis, como matéria de defesa, na discussão de relação jurídico tributária (CTN, art. 123). ....” (TRF1ª Região. AC 93.01.330237/MG. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 16/12/ 97. DJ de 20/03/98, p. 165.) “Ementa: .... II. As convenções particulares, relativas às responsabilidades pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias respectivas. ....” (TRF Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 1ª Região. AC 95.01.246922/MG. Rel.: Des. Federal Mário César Ribeiro. 4ª Turma.Decisão: 1º/04/97. DJ de 24/04/97, p. 26.743.) “Ementa: .... II. As convenções particulares não poderão ser levantadas pelo contribuinte inadimplente para se furtar à responsabilidade quanto a pagamentos de tributos contra a Fazenda Pública. ....” (TRF5ª Região. AC 2001.05.00.016707 7/CE.Rel.: Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima. 2ª Turma. Decisão: 26/03/02. DJ de 21/03/03, p. 917.) Portanto, ao conceder bolsas de estudo a dependentes de segurados empregados e ao dependente de contribuinte individual, a recorrente sujeitase à incidência contributiva previdenciária sobre a verba fornecida, que não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra”t”, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15540.000530/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.290
Decisão: Resolvem os membros da Turma, por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha e designado Redator da Resolução o Conselheiro Márcio Frizzo.
(assinado ditalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente/Relator.
(assinado ditalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha e designado Redator da Resolução o Conselheiro Márcio Frizzo. (assinado ditalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente/Relator. (assinado ditalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .0 00 53 0/ 20 10 -0 6 Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/201006 Resolução nº 1302000.290 S1C3T2 Fl. 1.084 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1257.309 da 3ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007. AUSÊNCIA DE PROVAS. EFEITOS. As alegações desprovidas de provas não produzem efeitos em sede de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não contabilizados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Inexistindo matéria específica, de fato ou de direito a ser examinada, aplicase às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito entre ambos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 05/07/2013 (cf. AR a fls. 1007) e interpôs recurso voluntário em 06/08/2013 (cf. Termo a fls. 1009), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: (i) que houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, o que é inconstitucional; (ii) que a inconstitucionalidade surge quando da intimação da decisão que requer a apresentação dos extratos, sendo irrelevante o cumprimento posterior pelo contribuinte, na medida em que compelido, frisese, por decisão administrativa, sob pena de imposição de multa de ofício; (iii) que adota o lucro real, assim, é indiscutível que meras movimentações não configuram receita, tais como transferências entre contas da mesma titularidade, empréstimos; etc.; (iv) que a tributação da movimentação bancária de forma desvinculada da realidade fiscal do contribuinte gera cristalina violação à sistemática de apuração do IRPJ e, reflexamente, da CSLL, PIS e Cofins, além de atribuir ao contribuinte duas realidades fiscais distintas, quais sejam, a apuração declarada e, paralelamente, a movimentação bancária em tese não declarada; Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/201006 Resolução nº 1302000.290 S1C3T2 Fl. 1.085 3 (v) que o arbitramento de lucro é ferramenta extrema, só outorgada ao Fisco, quando há a impossibilidade de aferição do lucro determinado pelo contribuinte, sobretudo porque a Administração Pública deve observar a verdade material; (vi) que traz à baila os documentos necessários para a comprovação das suas alegações, bem como a planilha (doc. a fls. 1024 e segs.) que visa esclarecer quaisquer dúvidas sobre os valores que foram considerados como receitas, muito embora fossem meras movimentações entre as contas bancárias da contribuinte; (vii) que destaca as movimentações entre as contas da mesma titularidade que, por evidente, não podem ser consideradas receitas, quais sejam: a) do Safra para Real, em 17/05/2006, R$ 650.000,00, a fls. 217; b) do Real para Safra, em 19/05/2006, R$ 8.000,00, a fls. 259; c) do Bradesco para Safra, em 01/03/2007, R$ 5.000,00, a fls. 78; (viii) que as movimentações entre as contas Real Sudameris e Safra, entre os dias 22 e 24 de maio de 2007, se constituem em simples movimentações financeiras ou obtenção de crédito/empréstimo, conforme histórico: Empréstimo no Real Sudameris de R$ 800.000,00 em 22/05/2007 Cheque emitido em 24/05/2007 no valor de R$ 728.717,00 Ingresso no Safra em 23/05 no valor de 391.355,00 Depósito dinheiro Safra dia 22/05 R$ 27.000 em dinheiro. (ix) que a recorrente solicitou aos bancos cópias dos contratos de operações integradas, empréstimos, cópias dos cheques emitidos e dos depósitos, ou seja, toda a documentação necessária para a comprovação de que grande parte das movimentações bancárias não se constituem operações configuradoras de receita, mas as instituições financeiras não disponibilizaram os documentos, criando inexpugnável óbice para o contribuinte; (x) que a recorrente ingressou com medidas cautelares para a obtenção dos extratos bancários solicitados pela Receita Federal, o que demonstra sua total e manifesta boafé, a fim de auxiliar a Receita Federal do Brasil na fiscalização; (xi) que não cabe a aplicação de multa de ofício em autuações provenientes de mera presunção de omissão de receita, conforme entende a Súmula CARF nº 14; (xii) que requer: I. seja julgado procedente o recurso voluntário, a fim de pronunciar nulos os autos de infração, em razão da violação ao princípio da legalidade, da verdade material e do sigilo bancário da contribuinte; II. caso assim não se entenda, que sejam julgados improcedentes os lançamentos: II.1. em razão da insubsistências das informações que o fundamentam; II.2. em razão de terem sido realizados sem a observância da sistemática do lucro real; III. por último, em sendo superados os pedidos acima averbados, requer seja convertido em diligência o presente julgamento, a fim de se determinar que verifique as alegações do contribuinte, em razão da impossibilidade de obtenção das provas necessárias à elucidação da verdade. É o relatório. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/201006 Resolução nº 1302000.290 S1C3T2 Fl. 1.086 4 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Entendo que, a despeito da ausência de documentos que comprovem inequivocamente as arguições constantes no recurso voluntário, há indícios relevantes de que estarseia tributando meras transferências entre contas bancárias ou, ainda, a captação de recursos, sob o pressuposto de representarem suprimento de caixa (art. 282, RIR/99) e/ou omissão de receita (art. 287, RIR/99). Especificamente, dúvidas surgiram em relação aos seguintes valores, os quais podem não se subsumir à noção de receita omitida (art. 282, RIR/99): (i) R$ 650.000,00 – esse valor seria um mútuo contraído perante o Banco Safra, razão pela qual a conta corrente da recorrente nessa instituição (Ag. 15500, C.c. 000.0770) foi creditada em 17/05/2006 (fl. 288). Esse valor teria sido movimentado para a conta corrente da recorrente no Banco Real (Santander) (Ag. 399, C.c. 000671857606), o que explica o fato de a Fiscalização ter encontrado um crédito (depósito em cheque) em 17/05/2006 (fl.220). Tratarse ia de movimentação entre contas correntes de mesma titularidade; (ii) R$ 800.000,00 – esse valor teria origem em um contrato de empréstimo perante o Banco Real Sudameris e teria sido depositado em sua conta corrente em 22/05/2007, consoante comprova o extrato apresentado pela referida instituição e juntado aos autos, especificamente na fl. 685, onde se encontra uma movimentação denominada “Liber. Contr. 93/9103431” nesse valor. Tratarseia de simples empréstimo bancário. Vale frisar, outrossim, a evidente demonstração de boafé da recorrente caracterizada através de sua notificação às Instituições Bancárias para que apresentassem toda a documentação necessária para respaldar suas alegações (fls. 1.048/1.056), muito embora não tenha obtido resposta, bem como através do ingresso com medidas judiciais cautelares (fls. 1.057/1.076) para obtenção dos extratos bancários solicitados pela RFB. Dessa forma, em razão dos indícios de esses valores não representarem receitas omitidas, a maioria da turma entendeu pertinente converter o julgamento em diligência, a fim de que a ARF de origem tome as seguintes providências: Intimar o Banco Safra para que esclareça se entabulou contrato de mútuo no valor de R$ 650.000,00 com a Recorrente em 17/05/2006; Em caso positivo, pedese que seja apresentado o respectivo contrato e, também, que confirme o seu valor e a forma de transferência dos recursos para a Recorrente. Pedese, ainda, que seja esclarecido se o valor liberado foi Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 15540.000530/201006 Resolução nº 1302000.290 S1C3T2 Fl. 1.087 5 transferido para outra conta corrente por meio de cheque e, em caso positivo, que apresente a cópia do cheque e diga quem foi o beneficiário; Caso o valor não decorra do mútuo tomado com a instituição, pedese que seja esclarecida a sua origem, bem como discriminada a forma de recebimento do crédito pela recorrente (TED/DOC, cheque ou outros), comprovando as informações através de cópia dos documentos que respaldaram a operação; Intimar o Banco Sudameris, por meio de seu sucessor Santander, para que esclareça se a Recorrente tomou um empréstimo no valor de R$ 800.000,00 em data aproximada a 22/05/2007 e, em caso positivo, que apresente o respectivo contrato. Em caso negativo, que o banco esclareça qual o origem da importância, informando ainda qual a forma de recebimento do crédito pela recorrente (TED/DOC, cheque ou outros), comprovando as informações através de cópia dos documentos que respaldaram a operação; Na sequência, deve a Recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Redator Designado. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 4 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 19311.720478/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2008
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado.
GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES.
O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu, nem, por conseguinte, da obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FATOS GERADORES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2008 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu, nem, por conseguinte, da obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 78 /2 01 1- 35 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 04/2007 a 08/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a empresa deixou de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias: as remunerações pagas relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que constitui infração ao inciso IV do art. 32 da mesma Lei 8.212/1991. A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. a incidência da contribuição social prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, de modo que, para a incidência da contribuição lançada no auto de infração ora impugnado, seria necessária a contratação das cooperativas de trabalho para a prestação de serviços à Administração e que o custo de tais serviços fosse ônus da própria Administração. Porém, no caso em tela, a contratação das cooperativas teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários, nos termos do artigo 175 da CF, o qual estabelece que incumbe ao Poder Público diretamente ou sob regime de concessão ou permissão a prestação dos serviços públicos; 2. é certo que o serviço de transporte público municipal, de titularidade do Poder Público não se desnatura quando sua execução é delegada aos permissionários, pelo que não se está diante de terceirização mediante contrato de prestação de serviço, mas sim de delegação de serviço público, por meio de permissão, decorrente de licitação, no qual é o usuário o verdadeiro tomador do serviço público, custeando o. É fato notório que o Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros do Município de São Paulo e sua política tarifária adotada para manutenção, é calcada em um complexo Sistema de Bilhetagem Eletrônica, o "Bilhete Único", no qual o beneficiário pode antecipar o custo da utilização. Todavia, a possibilidade do usuário poder se dirigir a um dos postos de venda do "Bilhete Único" e com seu cartão creditarse, pagando a tarifa antecipadamente, que será descontada quando for registrada na catraca do coletivo a efetiva utilização do serviço de transporte, não descaracteriza a permissão do serviço público. Ocorre que é esse repasse dos custos (valores antecipados Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pelos usuários) aos permissionários que está servindo de hipótese de incidência e base de cálculo, por isso, a ilegalidade e inconstitucionalidade da tributação. Assim, verificase que na situação acima transcrita não há que se falar em contribuição social prevista no artigo 22, inciso IV da Lei Federal 8.212/91, pois o referido tributo não incide sobre os valores repassados aos permissionários do serviço de transporte coletivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 05039.665 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 205/229) – considerou o lançamento fiscal improcedente, eis que exonerou os valores lançados, e interpôs o reexame necessário (recurso de ofício). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária em São Paulo/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO RECURSO DE OFÍCIO: O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendese que a decisão recorrida não merece reparo. O Fisco afirma que o Interessado (Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Transportes) firmou termo de contrato de permissão do serviço de transporte coletivo urbano de passageiros, na cidade de São Paulo, com várias empresas, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de Consórcios, designadas de permissionárias de serviço público (itens 4 a 6 do Relatório Fiscal). A partir disso e da leitura isolada do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, o Fisco entende que a execução desses serviços de transporte coletivo urbano de passageiros seria realizada por meio de cooperados, mediante cooperativas de trabalho, e executados diretamente pelo Município de São Paulo/SP. Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (g.n.) Ocorre, contudo, que compete ao Fisco demonstrar a caracterização de que o serviço foi prestado por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, diretamente ao sujeito passivo, pois este tem que se defender dos fatos que lhe são imputados e não da tipificação jurídica que lhe é dada, no presente caso a regra estampada no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991. Constatase, por meio dos elementos probatórios juntados aos autos, que o Interessado (Município de São Paulo/SP) contratou a empresa privada para a execução dos serviços de transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo, mediante a permissão de serviços públicos, prevista no inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, que consiste numa forma de transferência para a prestação de serviços públicos, denominada delegação. Tal transferência é realizada pelo poder concedente (Município de São Paulo/SP) à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Lei 8.987/1995: Art. 2º (...) II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; (...) IV permissão de serviço publico: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Com relação à colocação de segurados para a prestação de serviço ao contratante (Município de São Paulo/SP), um dos pressupostos da caracterização do serviço executado mediante cooperativa de trabalho, o Fisco afirma: “[...] 2. DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NÃO DECLARADO EM GFIP 2.1. Quando da contratação de cooperativas de trabalho para prestação de serviços, a tomadora enquadrase na condição de sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, a partir de março de 2000, em razão da alteração promovida pela Lei n° 9.876, de 26/11/99, trazendo a seguinte disposição, transcrita in verbis: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 5 7 prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho." (Incluído pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) (...) 2.4. Ao seu turno, o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, diz o seguinte: "Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) III quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§ 7° e 8o do art. 219; (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) [...] Art. 219[...] § 7o Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. § 8o Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos, "(grifos nossos) (...) 2.7. Em consonância com os dispositivos legais citados, as permissionárias estavam obrigadas, por expressa disposição contratual (Clásulas 5.6 e 5.7 do Termo de Permissão), a apresentar nota fiscal discriminada, com indicação do valor total dos serviços e dos valores excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos da Orientação Normativa n°01/2002/PREF. 2.8. No entanto, não foram apresentadas as notas fiscais das cooperativas, pois as mesmas não foram emitidas pelas permissionárias, segundo informado pelo órgão fiscalizado. 2.9. Além do recolhimento da contribuição, a empresa tomadora está obrigada a declarar todos os fatos geradores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. [...]” (g.n.) Depreendese que o simples fato da empresa contratada não fazer uso de sua força laboral enquanto o serviço de transporte urbano coletivo é executado, isso, por si só, não tem o condão de caracterizar que os trabalhadores estavam a disposição do Interessado Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 (Município de São Paulo/SP), prestandolhe serviços diretamente com o seu poder de comando. Dentro desse contexto fático, a previsão contratual dos percursos e dos horários a serem respeitados retira a necessidade de orientação do contratante, já que o comportamento do trabalhador decorrerá de ordens emanadas pelo seu empregador, visando cumprir as cláusulas contratuais fixadas pelo Poder Público. Como bem explicado na decisão de primeira instância, também não há que se confundir o poder que a Administração Pública tem de fiscalizar o bom cumprimento do serviço delegado com o instituto da cessão de mão de obra, pois a obrigação contratual da empresa delegatária de prestar as informações acerca da realização do serviço público não equivale a colocar seus empregados à disposição do Poder Público. No contrato de concessão ou permissão, haverá a transferência da prestação do serviço público para uma pessoa jurídica ou consórcio de empresas, passando a desempenhar a execução do serviço público por sua conta e risco. Nesse tipo de contrato administrativo, não há a transferência da titularidade do serviço para o concessionário ou permissionário, já que esta permanecerá com o poder público concedente em razão de previsão constitucional ou legal. Assim, no presente caso, o fato de a concessionária ou permissionária prestar o serviço de transporte coletivo urbano de passageiros em seu próprio nome, conforme inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, isso representa um ponto diferenciador dos contratos de prestação de serviços propriamente ditos, em que a contratada presta o serviço em nome do poder público concedente, contratante (Município de São Paulo/SP), esta última hipótese configura os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ademais, deixo consignado que, no contrato de prestação de serviço executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, o prestador desse serviço é um mero executor material contratado pelo Poder Público que continua diretamente relacionado com os usuários do serviço de transporte urbano coletivo, não havendo transferência da titularidade da prestação do serviço, e os trabalhadores ficam submetidos ao poder de comando da própria contratante (no caso em tela o interessado, Município de São Paulo) – tais como o comando técnico, gerencial ou qualquer outro poder de comando que materialize a intermediação de mão de obra entre a contratada e a contratante. Nesse contrato, o Poder Público concedente será o responsável direto pela prestação do serviço de transporte urbano coletivo, assim, o prestador não mantém relação jurídica alguma com os usuários desse serviço e recebe a sua remuneração do valor avençado com o contratante governamental, já que o serviço de transporte urbano coletivo continua sendo prestado pela entidade pública. Esse entendimento não está consubstanciado nos autos, portanto, não há que se falar em execução de serviços de transporte urbano coletivo executados por cooperados de cooperativas de trabalho diretamente ao Poder Público. Esse fato de que a prestação do serviço executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, não se deu como um mero executor material contratado pelo Poder Público (Município de São Paulo), fora do campo da intermediação de mão de obra (terceirização), também foi evidenciado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), no julgamento dos Embargos em Recurso de Revista ERR 29100023.2005.5.02.0073 (julgado em 25/10/2013), que responsabilizou subsidiariamente a São Paulo Transporte (SPTrans) – empresa que gerencia o sistema de transporte na capital paulista – a pagar débitos trabalhistas do Consórcio Trolebus Aricanduva, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante em acordo coletivo, nos seguintes termos: “[...] II – MÉRITO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 6 9 Discutese, no caso, a responsabilidade da São Paulo Transportes – SPTrans nos débitos trabalhistas do reclamante, contratado pela primeira reclamada. A despeito de a jurisprudência desta Corte, consubstanciada na Orientação Jurisprudencial nº 66 da SBDI1 do TST, posicionar se no sentido de que a SPTrans não responde pelos direitos trabalhistas dos empregados contratados pela primeira reclamada, a Turma reconheceu a responsabilidade da SPTrans pelo pagamento das verbas trabalhistas postuladas em face do acordo coletivo firmado entre as partes, prevendo a sua responsabilidade subsidiária, cuja observância se torna obrigatória, consoante o disposto no artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal. Vale ressaltar que não se trata, aqui, de hipótese de terceirização de serviços, mas de obediência à previsão normativa. (g.n.) Esse entendimento já foi adotado reiteradas vezes por esta Corte, conforme se extrai dos precedentes a seguir transcritos: "RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 11.496/2007. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. Consignando expressamente o Tribunal Regional que a responsabilidade subsidiária da SPTrans decorreu de previsão expressa em norma coletiva, e não da aplicação da Súmula n.º 331, IV, desta Corte superior, subsiste fundamento para a manutenção da sua condenação, na qualidade de devedora subsidiária. Precedentes da Corte. Recurso de embargos conhecido e não provido." (ERR 10980003.2005.5.02.0035, Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa, data de julgamento: 29/4/2010, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, data de publicação: 7/5/2010) "AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. Havendo previsão em norma coletiva de que a concessionária de serviços públicos será responsabilizada pelo adimplemento das verbas trabalhistas não pagas pela prestadora de serviços, não há como afastar tal responsabilidade, em respeito ao disposto no art. 7º, XXVI, da Carta Magna. Agravo de instrumento desprovido." (AIRR 285340 72.2005.5.02.0065, Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, data de julgamento: 15/9/2010, 1ª Turma, data de publicação: 24/9/2010) "RECURSO DE REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 No caso em exame, a Corte Regional reconheceu ser a segunda reclamada SPTRANS mera fiscalizadora dos serviços de Transporte Coletivo do Município de São Paulo, mas, ainda assim, condenoua subsidiariamente pelas verbas deferidas, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante em acordo coletivo. Logo, percebese que a decisão regional foi proferida levando se em conta o disposto no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, que reconhece plena validade às convenções e acordos coletivos de trabalho, e não teve como fundamento a Súmula nº 331, IV, de forma a ser inaplicável ao caso o teor da Orientação Jurisprudencial Transitória nº 66 da SBDI1, a qual permanece incólume. Recurso de revista não conhecido." (RR 22000 73.2006.5.02.0043, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, data de julgamento: 29/9/2010, 2ª Turma, data de publicação: 8/10/2010) [...]” (g.n.) (TST, ERR29100023.2005.5.02.0073, julgado em 25/10/2013) Extraise dessa decisão do TST (ERR29100023.2005.5.02.0073) que a responsabilidade subsidiária imputada à empresa São Paulo Transporte (SPTrans), vinculada ao Município de São Paulo, a pagar débitos trabalhistas das empresas concessionárias ou permissionárias do serviço público de transporte de passageiros – incluído os consórcios de empresas –, decorre de cláusula constante em convenção ou acordo coletivo de trabalho, com fundamento no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal. Por outro lado, em matéria tributária não se pode imputar responsabilidade tributária oriunda exclusivamente de convenção ou acordo coletivo de trabalho (convenção particular), já que a contribuição previdenciária é compulsória, configurada como tributo, sendo necessário que haja explícita previsão legal ou constitucional determinando a sua responsabilidade, conforme preconiza o art. 97, inciso III (parte final), c/c o art. 123, ambos do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; ......................................................................................................... Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (g.n.) No que tange ao aspecto dos pagamentos efetuados aos concessionários ou permissionários, constatase que a empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), entidade da Administração Pública indireta municipal, era a responsável pela gestão financeira das receitas Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 7 11 e despesas do serviço de transporte coletivo de passageiros – conforme o art. 39 da Lei 13.241/2001 (lei municipal – São Paulo) –, já que ela assumia os pagamentos concedidos às concessionárias/permissionárias que operavam no sistema de transporte coletivo. Isso poderia sinalizar (suspeitar) que a empresa SPTrans teria assumido diretamente a prestação do serviço de transporte coletivo no Município de São Paulo e, para realizar tal intento, teria contratado as empresas privadas (ou consórcios), sendo que estas, por sua vez, não assumiriam risco no desenvolvimento dessa atividade e somente colocariam os cooperados à disposição da empresa SPTrans. Ocorre, entretanto, que o lançamento foi realizado em face do Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Transportes SMT), que tem personalidade jurídica distinta da empresa SPTrans. Diante desse fato, a análise da incidência ou não da contribuição Previdenciária, oriunda dos serviços realizados por cooperados e por intermédio de cooperativas de trabalho, foi realizada perante Município de São Paulo, apontado pelo Fisco como o suposto sujeito passivo da relação obrigacional tributária ora lançada. Esse entendimento é extraído dos seguintes fatos evidenciados no Relatório Fiscal: “[...] 4.22. Permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A – SPTrans – a gestão financeira das receitas e despesas do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros, com base no art. 39 da Lei nº13.241/2001, devendo a empresa manter contas bancárias específicas, destinadas exclusivamente a este fim. Também são firmados contratos entre a Prefeitura do Município de São Paulo, representada pela Secretaria Municipal de Transportes – SMT e a SPTrans, para prestação de serviços especializados de gerenciamento, fiscalização, administração e engenharia de transporte, compreendendo a manutenção do sistema de pagamento aos operadores do sistema de transporte coletivo urbano de passageiros (ANEXO IX). 4.23. A SPTrans é responsável pelo pagamento das remunerações das concessionárias que operam no sistema de transporte coletivo, sendo que os valores são publicados mensalmente nos “Relatórios das Receitas e Despesas – Sistema de Transporte Coletivo” , em obediência à Lei nº11.379, de 17/06/93, e podem ser consultados no sítio da SPTrans na internet. 4.24. Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. 4.25. Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. 4.26. Os pagamentos às Concessionárias que prestam os serviços de transporte coletivo público de passageiros no município de São Paulo eram lançados na contabilidade da SPTrans, na conta “Sistema Municipal de Transportes Coletivos”, identificada pelo código 2.1.52.01. À partir de 10/2006, tais pagamentos passaram a ser lançados na conta Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 “STCUP Sistema de Transportes Coletivo Urbano de Passageiros”, identificada pelo código 2.1.53.01. O valor de cada consorciada, a ser depositado nas respectivas contas bancárias, está discriminado nos “Demonstrativos de Valores Remunerados por Serviços Prestados”, juntados, por amostragem, no ANEXO XII. 4.27. Também foram apresentados os arquivos digitais (planilhas) demonstrando o valor das remunerações pagas mensalmente a cada um dos consórcios (ANEXO X), devidamente autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – SVA, conforme recibo de 20/09/2011 (recibos no ANEXO XI). As planilhas serão tratadas no próximo item, referente à apuração do crédito. 4.28. A forma de remuneração das concessionárias foi distinta em etapas ou períodos determinados, em função da vigência dos dispositivos contratuais, que foram sendo alterados ao longo do tempo, conforme disposto na Cláusula SÉTIMA do Contrato de Concessão e Termos de Aditamento subseqüentes, que tratam da remuneração (Contrato nº 701/03 – SMT.GAB, assinado em 21/07/2003 e aditivos – ANEXO VI): 4.28.1. O valor da remuneração nos serviços regulares corresponde ao produto de dois fatores: a) o valor da remuneração ofertada em sua proposta comercial; b) o número de passageiros registrados. Tais valores são ajustados, nos termos do contrato e seus aditivos, considerando o Índice de Integração e o Índice de Gratuidade, dentre outros critérios contratualmente e legalmente previstos. 4.28.2. O número de passageiros transportados deve ser registrado em sistema de controle das permissionárias, aferido pela SPTrans (validadores e catracas eletrônicas nos veículos e sistemas de transmissão dos dados). 4.28.3. Os Termos de Aditamento determinam, dentre outras coisas, a instalação de equipamentos de monitoramento embarcado – AVL, em toda a frota. Definem, também, o atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, bem como plano para obtenção da certificação de qualidade. 4.28.4. As operações são remuneradas considerando, além da remuneração por passageiro, um complemento em função da renovação de frota com idade superior ao limite contratual. Em relação à quantidade de passageiros, além dos pagantes registrados, considerouse, também, na fórmula da remuneração, os passageiros integrados e os gratuitos registrados. Assim sendo, passaram a ser considerados, para a obtenção do valor total da remuneração, o “Fator de Integração – FI” e o “Fator de Gratuidade – FG”. [...]” Neste particular referente aos pagamentos realizados pela empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), evidenciase ainda que faltou o requisito material da hipótese de incidência da contribuição previdenciária, incidente sobre a prestação dos serviços realizados por meio de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, já que o Município de São Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 8 13 Paulo (Recorrente) não realizou diretamente os pagamentos aos prestadores de serviços, visto que ele não estava obrigado a realizar tal intento. Logo, não estão materializados os elementos (requisitos) suficientes para caracterizar o instituto da prestação de serviços por cooperados ao Interessado (Município de São Paulo/SP), prevista no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, eis que não ficou comprovado nos autos que os trabalhadores estariam submetidos a execução direta de serviços do próprio Interessado (Município de São Paulo/SP), e não do cedente (empresa privada ou consórcio de empresas, designados de permissionários). Ou de outra maneira, não houve a materialização de que os trabalhadores foram colocados à disposição do poder público contratante (Município de São Paulo/SP), para a prestação do serviço público de transporte urbano coletivo, previsto no contrato administrativo de permissão, diretamente pelo Município de São Paulo. Por sua vez, a meu ver, nem mesmo a simples indicação de que o serviço está relacionado como prestado por intermédio de cooperativa de trabalho, seja pela Lei (no caso em tela o inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991), seja pelo Decreto, retira a necessidade de o Fisco agir em conformidade com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), demonstrando a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição, mediante a caracterização clara e precisa da presença da cessão de mão de obra na prestação dos serviços de transporte urbano coletivo. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com isso, percebese que o Fisco deixou de fundamentar a execução de serviços por meio de cooperados no Relatório Fiscal, eis que neste documento não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo o que deve se defender. Logo, não vejo outra solução, senão concorda com a decisão de primeira instância, pois não restou devidamente configurada a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conforme ficou consignado no Voto do Relator. E, por consectário lógico, será afastada a necessidade do sujeito passivo declarar os valores lançados na obrigação principal em GFIP, não ocorrendo o descumprimento de obrigação acessória. Diante do exposto, no que tange ao reexame necessário (recurso de ofício), a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 9 15 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Tratase de auto de infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 04/2007 a 08/2008. No caso, a Secretaria Municipal de Transporte do Município de São Paulo deixou de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias: as remunerações pagas relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que constitui infração ao inciso IV do art. 32 da mesma Lei 8.212/1991, tudo conforme o relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Do exame do auto de infração, do acórdão da impugnação ao lançamento e do recurso de ofício acostado aos presentes autos, entendemos que o cerne da questão a ser debatido, se desdobra em um ponto principal: o cabimento da prestação de serviços por meio de cooperados de trabalho na concessão ou permissão de serviços públicos, transporte coletivo de passageiros no caso em concreto do presente processo administrativo tributário, uma vez que a obrigação acessória que se entende inadimplida depende da comprovação da ocorrência do fato gerador tributário. Diante dessa premissa, e partilhando da opinião que o Direito Tributário é um direito de superposição, encaminharemos o presente voto com a preliminar análise jurídica do contrato de concessão de serviços públicos e sua compatibilidade com o instituto da prestação de serviços terceirizados. Na seqüência, partindo da cópia de instrumento da concessão acostado aos autos, analisaremos se as premissas jurídicas que embasam o contrato de concessão de serviços públicos compatibilizam com as disposições do artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social e se aplicam ao contrato em apreço. Em caso positivo, avançaremos na verificação fática, para, enfim, concluir ou não pela procedência do lançamento, consoante as provas acostadas pelo Fisco aos autos. A concessão e a permissão de serviços públicos, previstas no artigo 175 da Constituição Federal, foi regulamentada pela Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que em seu artigo 2º, apresenta os conceitos legais sobre os institutos: Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. (sublinhamos) Depreendese, do texto legal, que a concessão e a permissão de serviço público são a transmissão para que o particular preste esse serviço, por sua conta e risco, durante prazo determinado. Tal outorga deve se dar sempre por contrato (artigo 4º da Lei nº 8.987), e ser precedida de licitação. O contrato de concessão de serviço público deve conter as cláusulas essenciais arroladas no artigo 23, dentre as quais destacamos: o objeto e a área da prestação; o prazo da concessão; a forma e condições de prestação do serviço; os critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; o valor e os critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; os direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; etc. Importa ressaltar que, por força do artigo 40 da mesma Lei nº 8.987/95, tais disposições igualmente se aplicam ao contrato de permissão. As cláusulas essenciais mencionadas, dentre tantas outras, são exemplos dos poderes reservados pela lei à Administração Pública quando da concessão de serviços que por ela poderiam, ou deveriam, ser prestados por serem “necessidade de interesse geral dos administrados”1, em face de seu caráter de serviço público. Maria Sylvia Zanella Di Pietro2 ensina que “é o Estado, por meio da lei, que escolhe quais as atividades que, em determinado momento, são consideradas serviços públicos” e que, no caso brasileiro, por vezes a própria Carta escolhe, como o faz quanto ao transporte coletivo (CF, artigo 30, V). Assim, podemos afirmar que decorre do interesse geral na fruição dos serviços e do fato de ser prestado pela Administração Pública, que os contratos de concessão, ou de permissão, dos serviços públicos ao particular possuam cláusulas e condições que exorbitam àqueles firmados no âmbito privado, entre particulares. Essas condições e cláusulas são chamadas de exorbitantes. 1 Serviço público, segundo Diógenes Gasparini, no sentido material é “uma função, uma tarefa uma atividade da Administração Pública, destinada a satisfazer as necessidades de interesse geral dos administrados” (GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 293) 2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 20 ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2007. p.89. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 10 17 Tratando das cláusulas exorbitantes Maria Sylvia Di Pietro explicita que estas “conferem ao concedente os poderes de alterar e rescindir unilateralmente o contrato, fiscalizar a sua execução, aplicar penalidades...”3, isto é, caracteriza o poder contratual exorbitante a unilateralidade das decisões, no limite da lei e do contrato referente à concessão. Apoiados nos conceitos acima expostos, podemos dizer que o contrato de concessão de serviço público é aquele que enseja a delegação da prestação de determinado serviço – previsto na lei como público – ao particular, para que este o execute, por sua conta e risco , durante todo o prazo contratualmente previsto, mediante retribuição por meio de tarifa (paga pelo usuário do serviço público). Os contratos administrativos de concessão e o de permissão, outorgam à Administração Pública poderes para – unilateralmente – alterar ou rescindir o contrato e ainda fiscalizar sua execução, aplicando, ela própria, penalidades quando for o caso. Perquirindo os pontos essenciais da definição acima, encontramos a questão da execução e a assunção dos riscos pelo concessionário/permissionário dos serviços públicos, e a forma de remuneração (tarifa paga diretamente pelo usuário). Dito de maneira diversa: cabe ao concessionário/permissionário a execução do serviço público, assumindo ele, todos os riscos desta execução e sendo remunerado por tarifa, que lhe é paga diretamente pelo usuário do serviço que ele presta em nome da Administração. Completa nossa identificação dos pontos essenciais, o entendimento de Lucas Rocha Furtado4 sobre os requisitos necessário à prestação de serviços públicos sob regime de concessão, que transcrevemos pela clareza: “1. deve tratarse de serviço privativo do Estado, definido na Constituição Federal ou em lei como serviço público 2. o serviço a ser delegado deve admitir a sua exploração em caráter empresarial, em que as receitas auferidas pelo concessionário sejam suficientes para cobrir as despesas necessárias à prestação; 3.o serviço deve ser prestado à população, sendo o concessionário remunerado pelo usuário por meio de tarifa; 4. devese tratar de serviço ‘uti singuli”; e 5.a existência de lei ou dispositivo constitucional que autorize a delegação do serviço à concessionária.” (negritamos) Cotejando as características do contrato de concessão, ou de permissão, de serviços públicos com os requisitos essenciais para a concessão/permissão, encontramos a execução dos serviços pelo concessionário/permissionário (assim entendida a prestação por sua conta e risco), e a remuneração por tarifa, paga diretamente pelo usuário. Ao se analisarmos a concessão, ou a permissão, de serviços de transporte público municipal, veremos que, em tese, tal concessão atende aos requisitos essenciais, extraídos da lei, acima observados. Observase que há disposição constitucional (CF, art. 30, 3 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. ob. cit. p. 273. 4 FURTADO, Lucas Rocha. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2007. p.553. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 V) que definindo o transporte público urbano com serviço público, permite que ele seja prestado por meio de contrato de concessão ou de permissão. O concessionário/permissionário teria condições de prestar o serviço sob sua conta e risco, sendo remunerado por tarifa. Mas, será que é isso que ocorre no caso em apreço? Vejamos. O termo de permissão, acostado aos autos, dispõe em sua cláusula QUARTA que os serviços serão prestados pelos operadores autônomos, indicados pelo licitante. Após descrever as obrigações ordinárias de um típico contrato de permissão, determina que o permissionário deverá se compor com o concessionário da mesma área para garantir a integração operacional entre as linhas estruturais e as locais, estas de responsabilidade de operação dos permissionários. A leitura atenta desta cláusula nos comprova que a operação do sistema de transporte público local se desenvolve sob a responsabilidade do permissionário, cabendo à Administração Pública, por meio da SPTrans, gerenciadora dos serviços por delegação da SMT. Com essa verificação, nos resta analisar a forma de remuneração, uma vez que, segundo visto acima, a execução dos serviços na permissão ou concessão de transporte público deverá ocorrer por conta e risco do permissionário ou concessionário, conforme o caso. A forma da remuneração está estabelecida na cláusula quinta do termo de permissão (fls 130 do DOCC 1 do processo digitalizado), e é calculada somente pela quantidade de passageiros catracados multiplicada pelo valor da tarifa estipulada. Ora, tal forma de remuneração demonstra que o risco da prestação de serviços de transporte público é imputado ao permissionário, uma vez que ele está adstrito ao cumprimento da prestação do serviço de transporte de passageiros dentro da área da cidade denominada área local, nas condições constantes do termo de permissão, percebendo por esses serviços tarifa, determinada em contrato, por passageiro efetivamente transportado. Importa, para firmarmos nossa convicção, a existência do risco inerente ao serviço público delegado ao particular no contrato de concessão ou permissão especificamente quanto à relação entre o poder concedente e o permissionário, uma vez que este está substituindo aquele, no sentido da efetiva (total e completa) prestação do serviço ao particular, ao usuário. Nessa hipótese, o que ocorre de fato é que a Administração Pública se socorre do particular para a realização do serviço, restando à Administração Pública o gerenciamento, fiscalização e organização do serviço. É isso o que se verificou no termo de permissão acostado. Por meio da Secretaria Municipal de Transportes, houve a contratação de cooperados para a prestação de serviços do transporte coletivo, por intermédio de uma cooperativa de trabalho, porém seguindo as determinações do poder público, que gerencia, fiscaliza, administra. Agora, por todo o exposto, e pelo que se observa e se comprova pelos documentos acostados ao presente processo administrativo tributário, é que – no caso em apreço –há a efetiva substituição do Poder Público Municipal na prestação de serviços de transporte público de ônibus em São Paulo. Logo, verificado que na presente permissão de serviços públicos o permissionário substitui o concedente, ou seja, presta o serviço assumindo o risco e sendo Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720478/201135 Acórdão n.º 2402003.891 S2C4T2 Fl. 11 19 remunerado diretamente pelo usuário, por tarifa, tornase incabível, a substituição tributária incidente na contratação de serviços por meio de trabalho cooperado, uma vez que a efetiva prestação, no caso em concreto, foi realizada para o usuário. Por todo o exposto, e pelas provas acostadas ao Auto de Infração, concluise que a Administração Pública contratou, por meio de permissão de serviço público, cooperativas de trabalho para que estas prestassem diretamente aos usuários os serviços especificados no termo de permissão. Em conclusão, entendo ser indevida a contribuição de 15% sobre os valores da nota fiscal/fatura de serviços prestados por meio de cooperativa de trabalho no caso da contratação, por meio do contrato de permissão anexado, de empresa prestadora de serviços de transporte público de passageiros e por via de conseqüência, inexiste o dever de informação em GFIP. Portanto, em conclusão, voto no sentido de CONHECER o recurso de ofício para negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10580.732687/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Relatório
Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final:
Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao ano-calendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79.
De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações:
Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99
Infração 01 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99.
Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS.
Do Termo de Verificação Fiscal.
Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte:
Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos;
Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatá-los. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock :
O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos:
"CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de
credito de RS 1.000.000,00;
e)"CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00;
"ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ;
"ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARTANTIDA", N° 4982-2, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00;
h)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE
ARBITRAGEM -COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de
23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00;
i)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DEARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 4982-2, datada de
18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ;
j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ;
k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTLMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ;
l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o
fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ;
m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada.
n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais:
MES
MENSAL
TRIMESTRAL
Janeiro
10.015.461,76
Fevereiro
5.929.605,50
Março
9.058.310,54
25.003.377,80
Abril
10.943.734,67
Maio
10.995.336,57
Junho
11.763.471,86
33.702.543,10
Julho
12.730.727,55
Agosto
10.399.914,13
MES
MENSAL
TRIMESTRAL
Setembro
16.943.485,40
40.074.127,08
Outubro
15.411.157,14
Novembro
14.914.805,41
Dezembro
17.944.349,94
48.270.312,49
Total
147.050.360,47
147.050.360,47
o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar-se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999.
Da Impugnação
Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões:
Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente-se.
Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa".
Em resposta, a autuada, de boa-fé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel.
Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor.
Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré-pago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes.
Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré-pagos).
Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de pré-pago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais).
Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais -normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques - descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido.
Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré-pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%).
E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de pré-pago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações.
Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária").
Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe-se apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração.
Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos).
Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referem-se a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição.
Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05.
Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares.
Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas.
Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos.
Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento).
Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%).
Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) - no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos).
Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optou-se, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondo-lhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável.
E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica.
Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratar-se de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repita-se.
Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boa-fé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários.
DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA -Neste
contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante).
27.DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA - Conforme
examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares pré-pagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explica-se. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo).
28.Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda"cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular pré-pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente.
Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábil-fiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressalte-se que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais).
Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, pré-pagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações.
Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo -doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular pré-pago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS-BA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.".
Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verifica-se que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular pré-pago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia".
Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular pré-pago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto."
Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular pré-pago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente-se, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento.
Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos.
DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO - Previamente à
análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado.
I - DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permiti-la, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos".
Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse.
Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva.
Como é notório, tais prescrições normativas encontram-se no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal.
Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos.
E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse.
Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva.
A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornado-se, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor.
Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01.
Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentou-se exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária.
NULIDADE - DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados.
A prescritividade legal mencionada parece ajustar-se com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto.
Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reporta-se a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105-17.098 em 26.06.2008.
Publicado no DOU em: 06.03.2009).
50.O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Istofaz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN.
A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado.
III - NULIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N°
9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE
RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais!
Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008.
A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa.
Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção.
Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive
no CARF.
Mas note-se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas.
Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada.
59.NULIDADE - APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE
32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE
DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada
que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual - já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago), este sim tributado pelo ICMS - tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda.
Isto porque a autuada adquire os cartões pré-pagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré-pagos). Pode-se dizer que o regime assemelha-se a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final.
Além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos pós-pagos.
Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos pós-pagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas.
Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa-se que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento).
No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações.
Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares pré-pagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente.
66.Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos naconta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente,para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32%(próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um únicofundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado,também por este argumento.
DO MÉRITO
Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito.
Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos.
Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada.
Operação de recarga física - Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5).
Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência.
Operação de recarga eletrônica - Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito pré-pago nos celulares dos clientes.
Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores.
Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores.
Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo).
Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo).
Operação das Lojas - Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos pós-pagos.
Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento.
Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária.
Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos pós-pagos entre os clientes e a TIM.
Transferências entre contas da mesma titularidade - Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei
n° 9.430/96.
82.Contratos de locação com a CEMIG - A autuada esclarece, ainda, que possui umimóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato delocação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a
CEMIG (Anexo).
Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda - Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária.
Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada.
Conclusões - Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos.
Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente.
DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO - Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade.
88.DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA - Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação.
Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade.
Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável.
DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA
Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias.
Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito.
Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas).
Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais.
I - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. - Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento).
96.II - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO
Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível.
Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador.
Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento.
Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseou-se, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível.
Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal.
NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO -Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa.
DO PEDIDO - Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindo-se, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita.
Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício.
A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu-se ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu-se de ofício.
Intimado da decisão, o Interessado apresentou recurso voluntário de fls. - , reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários.
É o relatório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Relatório Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao ano-calendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatá-los. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e)"CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARTANTIDA", N° 4982-2, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM -COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DEARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 4982-2, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTLMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar-se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente-se. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". Em resposta, a autuada, de boa-fé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré-pago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré-pagos). Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de pré-pago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais -normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques - descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré-pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de pré-pago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe-se apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referem-se a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) - no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optou-se, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondo-lhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratar-se de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repita-se. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boa-fé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA -Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27.DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA - Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares pré-pagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explica-se. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28.Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda"cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular pré-pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábil-fiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressalte-se que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, pré-pagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo -doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular pré-pago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS-BA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verifica-se que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular pré-pago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular pré-pago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular pré-pago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente-se, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO - Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. I - DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permiti-la, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. Como é notório, tais prescrições normativas encontram-se no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornado-se, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentou-se exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. NULIDADE - DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. A prescritividade legal mencionada parece ajustar-se com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reporta-se a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105-17.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50.O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Istofaz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. III - NULIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. Mas note-se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59.NULIDADE - APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual - já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago), este sim tributado pelo ICMS - tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. Isto porque a autuada adquire os cartões pré-pagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré-pagos). Pode-se dizer que o regime assemelha-se a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. Além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos pós-pagos. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos pós-pagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa-se que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares pré-pagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66.Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos naconta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente,para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32%(próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um únicofundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado,também por este argumento. DO MÉRITO Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. Operação de recarga física - Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. Operação de recarga eletrônica - Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito pré-pago nos celulares dos clientes. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Operação das Lojas - Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos pós-pagos. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos pós-pagos entre os clientes e a TIM. Transferências entre contas da mesma titularidade - Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82.Contratos de locação com a CEMIG - A autuada esclarece, ainda, que possui umimóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato delocação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda - Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. Conclusões - Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO - Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88.DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA - Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. I - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. - Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96.II - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseou-se, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO -Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. DO PEDIDO - Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindo-se, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu-se ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu-se de ofício. Intimado da decisão, o Interessado apresentou recurso voluntário de fls. - , reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. É o relatório.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 32 68 7/ 20 12 -6 8 Fl. 29589DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.590 2 Relatório Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementandoo ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao anocalendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: a) Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, Fl. 29590DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.591 3 através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; b) Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatálos. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : c) O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: d) "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e) "CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento 23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; f) "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; g) "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO CONTA GARTANTIDA", N° 49822, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h) "INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i) "INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 49822, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; Fl. 29591DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.592 4 j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTLMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 Fl. 29592DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.593 5 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrarse imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: 1. Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, salientese. 2. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". 3. Em resposta, a autuada, de boafé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel. 4. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. 5. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular prépago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. 6. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de Fl. 29593DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.594 6 revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré pagos). 7. Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de prépago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). 8. Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. 9. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). 10. E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de prépago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. 11. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). 12. Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringese Fl. 29594DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.595 7 apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. 13. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). 14. Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referemse a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. 15. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. 16. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. 17. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. 18. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. 19. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de Fl. 29595DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.596 8 serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). 20. Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). 21. Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). 22. Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optouse, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondolhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. 23. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. 24. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratarse de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repitase. Fl. 29596DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.597 9 25. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boafé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. 26. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos prépagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27. DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares prépagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explicase. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28. Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de prépago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda" cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular prépago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. 29. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábilfiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressaltese que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). 30. Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, prépagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas Fl. 29597DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.598 10 operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. 31. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular prépago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMSBA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". 32. Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verificase que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular prépago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". 33. Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular prépago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." 34. Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular prépago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Salientese, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. 35. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. 36. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. Fl. 29598DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.599 11 37. I DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permitila, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". 38. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. 39. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. 40. Como é notório, tais prescrições normativas encontramse no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. 41. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. 42. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. 43. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em Fl. 29599DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.600 12 cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. 44. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornadose, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. 45. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. 46. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentouse exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. 47. NULIDADE DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. 48. A prescritividade legal mencionada parece ajustarse com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. 49. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reportase a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a Fl. 29600DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.601 13 situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 10517.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50. O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Isto faz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. 51. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. 52. III NULIDADE INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! 53. Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. 54. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. 55. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. Fl. 29601DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.602 14 56. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. 57. Mas notese bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. 58. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59. NULIDADE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de prépago), este sim tributado pelo ICMS tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. 60. Isto porque a autuada adquire os cartões prépagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré pagos). Podese dizer que o regime assemelhase a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. Fl. 29602DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.603 15 61. Além da operação de distribuição e venda de recarga de prépago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos póspagos. 62. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos póspagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. 63. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observase que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). 64. No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. 65. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares prépagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66. Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos na conta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente, para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um único fundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do Fl. 29603DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.604 16 procedimento realizado, também por este argumento. DO MÉRITO 67. Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. 68. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. 69. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. 70. Operação de recarga física Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). 71. Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. 72. Operação de recarga eletrônica Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito prépago nos celulares dos clientes. 73. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a Fl. 29604DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.605 17 impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. 74. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. 75. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). 76. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). 77. Operação das Lojas Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de prépago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos póspagos. 78. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. 79. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. 80. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos póspagos entre os clientes e a TIM. 81. Transferências entre contas da mesma titularidade Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua Fl. 29605DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.606 18 receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82. Contratos de locação com a CEMIG A autuada esclarece, ainda, que possui um imóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). 83. Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. 84. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. 85. Conclusões Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. 86. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. 87. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88. DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, Fl. 29606DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.607 19 no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. 89. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. 90. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA 91. Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. 92. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. 93. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). 94. Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. 95. I IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE Fl. 29607DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.608 20 PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96. II IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO 97. Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. 98. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. 99. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. 100. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseouse, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. 101. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. 102. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. 103. DO PEDIDO Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade Fl. 29608DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.609 21 suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindose, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. 104. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiuse ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreuse de ofício. Intimado da decisão, o Interessado apresentou recurso voluntário de fls. , reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. É o relatório. Fl. 29609DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.610 22 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. De igual forma, tendo sido exonerada parcela de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, deve também ser conhecido o recurso de ofício. 1 RESUMO DA LIDE Conforme já relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos, com arbitramento de lucros, em razão de omissão de receitas por presunção legal (depósitos bancários supostamente sem de comprovação da origem de valores (art. 42 da Lei nº 9.430/96). O arbitramento de lucros deuse em razão de a movimentação financeira/bancária não se encontrar devidamente registrada na escrituração da Recorrente. A Recorrente contesta os valores apurados como receita tributável omitida, aduzindo, em apertada síntese, que por atuar no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel, a maior parte das suas vendas (mais de 94%), apenas transita em suas contas bancárias, sendo posteriormente repassada para as operadoras de telefonia ou outra intermediárias, concluindo ao final que "o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringese apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas)”. Contesta ainda a coexistência de lançamento com base em depósito bancário e o arbitramento de lucros, bem como o coeficiente de presunção de lucro utilizado pela Fiscalização. 2 RECURSO DE OFÍCIO A exoneração do crédito tributário se deu em razão da comprovação de inclusão no montante de receitas consideradas omitidas e transferências bancárias entre contas da própria Recorrente e empréstimos creditados em contas corrente da Recorrente. Outra parcela de exoneração do crédito tributário diz respeito à dedução, do montante exigido de ofício, dos valores já declarados em DCTF. A decisão recorrida bem analisou as questões fáticas, comprovandose a ocorrência das transferências bancárias entre contas da própria Recorrente e créditos bancários relativos a operações de mútuos. Ato contínuo, aplicou o disposto no caput do art. 42, e seu § Fl. 29610DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.611 23 3º, I, da Lei nº 9430/96, abatendose os valores comprovados da quantificação da receita omitida. De igual forma, por considerar que a receita levada a tributação pela Fiscalização corresponde ao total auferido pela autuada, deduziu os valores declarados em DCTF, impossibilitando, assim, dupla cobrança dos valores correspondentes. Compulsando os elementos de prova constantes dos autos, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 3 RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1 DAS ARGUIÇÕES DE NULIDADE No entendimento da Recorrente, a autuação seria nula em razão dos seguintes pontos: Sigilo bancário: os dados teriam sido obtidos por quebra do sigilo bancário sem a necessária autorização judicial mesmo após o advento da LC n° 105/01. Cita recente precedente do STF; Depósitos Bancários: não haveria autorização legal para utilização da presunção legal “no atacado”. O Auditor teria se limitado a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Isto faria parte do dever legal da Fiscalização, conforme determina o art. 142 do CTN. Questiona, assim, a possível falta de amparo legal para presunção de omissão de receita de depósitos bancários, de forma generalizada, obrigando o contribuinte a proceder a uma autofiscalização ante à inversão do ônus da prova trazido pela presunção legal; Percentual de presunção de lucro de 32%: alega que houve aplicação de tal percentual de forma genérica, inobservandose a atividade desenvolvida pela autuada. Passo a análise das nulidades suscitadas. 3.1.1 SIGILO BANCÁRIO E NULIDADE Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da Recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Fl. 29611DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.612 24 Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não desconheço que em 15/12/2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011: Fl. 29612DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.613 25 SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei Fl. 29613DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.614 26 materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Argumenta também a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão de suposta “quebra” de seu sigilo bancário. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pela descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal. 3.1.2 AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DE LUCRO Em relação a tais temas, deixoos de tratar como preliminares, por dizerem respeito ao mérito da exigência, analisados em tópicos específicos do voto. Fl. 29614DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.615 27 3.1.3 CONCLUSÃO QUANTO ÀS PRELIMINARES SUSCITADAS Ante o exposto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Desse modo, rejeito as preliminares de nulidade. 3.1.4 DA SUPOSTA INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA DRJ Entende a Recorrente que a turma julgadora a quo inovou o lançamento. Isso porque, ao considerar que os depósitos bancários teriam origem identificada, qual seja, as receitas auferidas pela Interessada, desnaturou o lançamento realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Discordo de tal entendimento. Se, por um laudo, restou incontroversa que a origem dos depósitos advém das operações realizadas pela Recorrente para auferir sua renda, tal comprovação foi realizada somente em sede de impugnação. Não teria, assim, como a autoridade lançadora deixar de realizar o lançamento considerando como receita o valor de cada crédito bancário sem comprovação de origem. Nesse sentido, destaco excertos do voto condutor do aresto atacado: Do teor dos contratos acima citados, a conclusão que se extrai, é que a Impugnante, mesmo obrigada a seguir alguns parâmetros estabelecidos pelo contratante, exercia de forma autônoma toda a logística de distribuição destes cartões de telefonia prépagos, negócio jurídico que se propôs a desenvolver, assumindo integralmente todos os ônus dos encargos trabalhistas, tributários e previdenciários, não restando dúvida alguma, de que toda a receita auferida em decorrência da sua atividade empresarial, deveria ser submetida à tributação segundo as normas estabelecidas para apuração do IRPJ e demais tributos federais. O contrato não prevê nem consta nos autos, nenhuma comprovação de que a impugnante tenha exercido simplesmente a intermediação de negócios de terceiros ou que tenha exercido representação comercial autônoma, o que lhe permitiria registrar como receita tributável, apenas o valor das comissões recebidas. Ao contrário, todas os contratos estabelecem de forma clara e objetiva a total autonomia da autuada na gestão da sua atividade empresarial, o que, de pronto, afasta qualquer possibilidade de agenciamento ou representação comercial nas operações comerciais aqui tratadas. Resta a conclusão de que os recursos contabilizados ou não pela impugnante foram originados da sua atividade comercial e resultaram dos seus negócios jurídicos efetuados de forma direta, qual seja, prestação de serviço de distribuição dos meios necessários para que os consumidores finais, obtenham a prestação de serviço de telefonia a ser prestado pelas operadoras detentoras da concessão pública e como tal deveriam compor a sua receita bruta na forma do art. 279 do RIR/1999, com o conseqüente oferecimento à tributação: [...] Fl. 29615DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.616 28 Concluise desta forma, que todos recursos que transitaram na conta corrente bancária da impugnante, decorrem da sua atividade empresarial. Tal atividade consiste na prestação de serviço de distribuição por conta própria, dos meios necessários para que os consumidores finais, obtenham a prestação de serviço de telefonia das operadoras detentoras da concessão pública e como tal, todos os recursos auferidos deveriam compor a sua receita bruta para fins de tributação. (g.n.) [...] Devidamente intimado pelo fisco, antes do lançamento o contribuinte confirma a titularidade dos valores depositados nas suas contas correntes e confessa de forma genérica, que estes eram decorrentes da sua atividade empresarial, sem, no entanto, comprovar de forma individualizada durante o procedimento de fiscalização, a razão específica de cada depósito, apresentando os documentos hábeis e idôneos que teriam sustentado estas operações. Em conformidade com o dispositivo legal acima transcrito, os valores creditados em conta bancária, sem a devida comprovação de sua origem, representam receitas omitidas, e caberia à pessoa jurídica provar de forma individualizada por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos tiveram origem em receitas omitidas e foram auferidos ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, conforme estabelece o já citado § 1° do art. 287 do RIR/1999. [...] A apresentação em sede de julgamento, dos comprovantes individualizados das operações que deram origem aos depósitos bancários, providencia esta que deveria ser adotada no decorrer do procedimento fiscalizatório, só invalida ou descaracteriza o lançamento de modo a afastar a omissão já presumida, se, juntamente com os documentos apresentados, se demonstre, também, que tais operações não eram receitas tributáveis (transferência entre contas, isenções, imunidade etc), ou que já teriam sido objeto de tributação, de modo a elidir ou afastar a omissão já consumada, sob pena de se admitir a possibilidade da existência de lançamento condicionado aos interesses e oportunidades do sujeito passivo, o que a jurisprudência administrativa, como já visto, não admite. Desse modo, não há que se falar em inovação no lançamento. A comprovação da origem do depósito em sede de impugnação não desnaturou a caracterização de receita. O lançamento, tal qual realizado, mostrouse perfeito ante aos elementos então disponíveis. Restou a discussão somente em relação à sua quantificação e graças aos elementos somente alcançados pela Recorrente em sua peça impugnatória. A decisão recorrida, pois, em hipótese alguma aperfeiçoou o lançamento, limitandose a adequar o julgado aos elementos carreados em sede de impugnação. Assim sendo, rejeito tal arguição de nulidade. Fl. 29616DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.617 29 3.2 DO PEDIDO DE PERÍCIA O interessado requereu em sua impugnação a realização de perícia a fim de demonstrar que os valores de receitas efetivamente auferidos são os que constam em sua escrituração contábil refeita após a formalização de exigência. Os valores contabilizados refletiriam fielmente os créditos em contas correntes da Recorrente, bem como os valores pertencentes a terceiros efetivamente transferidos e não correspondentes a receitas de sua atividade. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de perícia. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. No decorrer do procedimento fiscal, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, colacionando documentos sem identificação individualizada dos créditos em contas correntes a que se refeririam. Em se de impugnação a Interessada anexou mais de 20.000 documentos que comprovariam a origem dos depósitos. Contudo, a turma julgadora a quo, embora entendesse que restou comprovada que a origem de tais créditos advém das operações realizadas pela Recorrente, concluiu que as receitas da Interessada equivaleriam ao valor integral de cada depósito, enquanto a Recorrente defende a tese de que somente um pequeno percentual de cada depósito corresponde à receita Fl. 29617DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.618 30 própria. Em relação aos valores foram passíveis de identificação de origem diversa de renda, foram excluídos da exação já no julgamento de primeira instância. Tratandose da análise de provas documentais, resta demonstrada a desnecessidade de perícia, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. Entendo, contudo, que o julgamento deverá ser convertido em diligência, conforme explanarei em tópico específico de meu voto. 3.3 MÉRITO A decisão recorrida tece excelente resumo sobre o mérito da lide, razão pela qual transcrevoo: Quanto ao mérito, observase que a impugnante, mesmo alegando a impossibilidade de justificar de forma individualizada, a origem de todos os depósitos bancários que serviram de base para o lançamento, especialmente pelo entendimento emitido pela SEFAZ Bahia pela desnecessidade da emissão de notas fiscais do ICMS, traz ao PAF documentos inseridos em aproximadamente 20.000 mil fls., que, em sua ótica, comprovariam que a origem dos referidos depósitos bancários teria vinculação às seguintes atividades: • operação de recarga física; • recarga eletrônica; • operações da Loja Tim; • transferências entre contas da mesma titularidade; • contratos de Locação com a CEMIG; • contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda.. Ao final, para demonstrar que teria oferecido toda sua receita à tributação, informa que refez toda sua contabilidade com inserção de toda a sua movimentação bancária, ratifica o pleito pela aplicação do percentual de lucro de 8% ao invés dos 32% aplicados pelo fisco e acrescenta o pedido para que seja reconhecida a impossibilidade de cumulação da presunção de receita com arbitramento, e a não incidência dos juros sobre a multa de ofício. Passase a análise das questões de mérito controvertidas. 3.4 DO ARBITRAMENTO DE LUCROS Fl. 29618DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.619 31 Em resumo, baseado no fato de que a escrituração da Recorrente não refletia a vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, procedeu a autoridade autuante ao arbitramento de lucros. Entendo assistir razão à Fiscalização. A decisão recorrida analisou a questão com maestria, devendo ser mantida, a teor do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, pelos seus próprios fundamentos, os quais transcrevo a seguir: No Termo de Verificação Fiscal de fls. 36 a 250, alega a Autoridade Fiscal, que a base de cálculo do IRPJ foi apurada por meio de arbitramento, uma vez que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Acrescenta que por meio dos Termos de Constatação e Intimação Fiscal de n° 01 a 03 , "selecionou diversos lançamentos de créditos e intimou o contribuinte para comprovar a origem, informando por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos". "Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatálos. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock". "Como os documentos apresentados não se vinculavam individualmente aos créditos bancários apresentados, lavrouse TERMO DE REINTFMAÇÃO FISCAL N 0001. Em resposta ao termo de reintimação, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os mesmos documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por se só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados". A análise dos documentos apresentados pela Impugnante em respostas às diversas intimações e reintimações do fisco nos permite concluir, que, de fato, durante o procedimento fiscal até a lavratura do auto de infração, os documentos apresentados não se correlacionavam de forma direta, aos depósitos bancários apresentados nas intimações, limitandose a justificativas genéricas dos valores depositados. No documento intitulado Termo de Resposta (fls 990 a 1.379), onde o contribuinte atendendo às diversas intimações, busca justificar os depósitos efetuados em suas contascorrentes, constam de forma resumida, as seguintes informações: • Cumprenos esclarecer que a Intimada atua como distribuidora e/ou intermediária na venda de recarga prépaga para a telefonia móvel. No caso concreto, a Intimada é contratada tanto pelas operadoras, para atuar como primeira Fl. 29619DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.620 32 intermediária, como também por distribuidoras, hipótese em que atua como intermediária secundária perante os pontos de vendas. • Cabe à Intimada, enquanto intermediária, organizar o recolhimento do produto das vendas, seja através de depósitos ou transferências bancárias ou mesmo boletos...Do valor repassado pelos "pontos de venda" à Intimada já é descontado o valor de sua parcela efetivamente considerada receita, assim como a Intimada repassa à outra intermediária ou à operadora o valor das vendas, já descontada sua parcela na operação de compra e venda. • Observese que, embora grande parte do produto das vendas transite por contas bancárias da Intimada, o resultado de sua atividade econômica, na qualidade de intermediária em relação aos "pontos de venda", é apenas o valor de sua receita efetiva, que é a remuneração pela intermediação. • Valores Creditados em Conta Bancária De acordo com planilha disponibilizada pela Fiscalização, ao longo do ano de 2008, a Intimada teve lançamentos a crédito em sua conta bancária que totalizaram R$ 149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavo). • De plano, cumpre destacar que, desse montante, R$ 21.447.546,00 (vinte e um milhões, quatrocentos e quarenta e sete mil, quinhentos e quarenta e seis reais) referemse a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações entre contas bancárias da própria Intimada, conforme se depreende dos extratos em anexo (Anexo 3 para Transferências e Anexo 4 para Empréstimos Bancários). • Já o montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos) encontrase devidamente registrado na contabilidade da Intimada, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados (Anexo 5). • Por fim, o valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões, quinhentos e vinte e nove mil, seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos) referese a quantias que apenas transitaram por contas bancárias da Intimada, na medida em que relativas ao produto das vendas de recargas de telefonia celular que foram repassados a outras intermediárias quando a Megagiro exercia o papel de intermediária secundária. • Em anexo, além de contratos com essas empresas, seguem recibos por ela emitidos que comprovam que receberam, mediante repasse, tais valores, bem como os comprovantes de depósito e/ou boletos bancários emitidos pelos respectivos intermediários primários (Anexo 6 para os demonstrativos da empresa RV Tecnologia e Sistemas S/A e Anexo 7 para os demonstrativos da Tendência Informações e Sistemas Ltda). Nas informações apresentadas ao fisco antes do lançamento, a Impugnante confessa que de um total de R$ R$ 149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavo) que segundo a mesma, teria transitado pelas suas contascorrentes, apenas R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos ) estaria registrado em sua contabilidade já que considera apenas as comissões recebidas como sua receita tributável e que R$ Fl. 29620DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.621 33 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões, quinhentos e vinte e nove mil, seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos) seriam recursos transferidos a terceiros, e não submetidos a registros contábeis e à tributação. Acatar o entendimento contido na defesa, de que o resultado efetivo das operações comerciais de revenda de cartões telefônicos, por se tratar de recursos que seriam transferidos a terceiros a qualquer título, poderia simplesmente ser depositado em contas transitórias próprias, e posteriormente transferidos a outra pessoa jurídica sem qualquer procedimento prévio de contabilização, além de se caracterizar pela mais completa confusão administrativa e funcional, afastaria por completo a aplicação do princípio contábil da entidade, entre outros, exigido pelo art. 1.179 do Código Civil de 2002, Lei n° 10.406/2002, verbis: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. A contabilidade como ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades (ou seja, de qualquer pessoa física ou jurídica detentora de um patrimônio) e por finalidade seu planejamento e controle, adota entendimentos e interpretações que são uniformizados por meio das Normas Brasileiras de Contabilidade, estabelecidas por Resolução do Conselho Federal de Contabilidade. E, dentre referidas resoluções, temse a Resolução CFC n° 750/93, que aprovou os Princípios Fundamentais da Contabilidade estabelecidos por Normas Brasileiras de Contabilidade (no caso, Norma Técnica, NBC T 1) e, em seu art. 2°, assim os conceituou: "Art. 2° Os princípios Fundamentais de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades. " No art. 3° da citada Resolução, estão relacionados os Princípios Fundamentais da Contabilidade e, a partir do art. 4°, a definição de cada um deles. E o primeiro princípio previsto no inciso I do art. 3° é o Princípio da Entidade, assim definido no art. 4°: Art. 4°. O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônio autônomo não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil." Fl. 29621DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.622 34 No caso aqui tratado, observa que a Autoridade Fiscal, com base no art. 530, inc. II, considerou que a escrituração mantida pelo contribuinte, em face do não registro de toda sua movimentação financeira e comercial, era imprestável para apuração do lucro real, fato inclusive reforçado pela informação contida na defesa, onde o contribuinte confessa que movimentou recursos na ordem de R$ 49.529.683,21 à margem da contabilidade e informa que após o lançamento, teria corrigido o seu erro providenciando a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Em conclusão ao item da recontabilização, requer a impugnante que se eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável e NAO da forma em que se procedeu no caso em apreço. De plano, cumpre esclarecer que as empresas submetidas à tributação com base no Lucro Real devem manter escrituração com observância das legislações comerciais e fiscais, conforme determina o Art. 251 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, o que não ocorreu no caso sob exame: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 7°). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). Ressaltese que o arbitramento não pode ser desconstituído pela apresentação dos livros e documentação após a realização do lançamento, pois sendo um procedimento vinculado à lei, nos termos do artigo 142, do CTN, não está condicionado ao sabor dos interesses do sujeito passivo. Não existe a figura do lançamento condicional conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. ARBITRAMENTO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional" (1° CC, 8a Câmara, acórdão n° 10806.053 de 16/03/2000). ARBITRAMENTO LANÇAMENTO CONDICIONAL IMPOSSIBILIDADE – O lançamento fiscal, calcado no Fl. 29622DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.623 35 artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, tendente a formalizar a exigência conceituada no art. 3° do mesmo Código, não é ato condicionado ao sabor dos interesses e oportunidades do sujeito passivo. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têlo adotado no tempo devido" (1° CC, 7aCâmara, acórdão n° 10706368, de 21/08/2001). Cabe salientar que o lucro arbitrado não se confunde com penalidade, pois assim como o lucro real e o lucro presumido, representam modalidades de apuração da base de cálculo do imposto de renda previstas pela legislação ordinária, que determina as condições em que poderão ser utilizadas. A tributação com base no lucro arbitrado quando motivada pela desobediência a um preceito legal — no caso a confessada ausência de contabilização de parte considerável da movimentação financeira e comercial — é uma alternativa legal para determinação da base tributável idealizada pelo legislador como medida de salvaguarda da Fazenda Pública, quando se mostrar impraticável a apuração do resultado mediante a forma de tributação escolhida pelo contribuinte. Assim mantenho o arbitramento efetuado em todos os seus termos. A respeito da apresentação posterior da escrituração contábil supostamente sem vícios, incide o enunciado número 59 da Súmula CARF, assim vazado: “A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.” Desse modo, o arbitramento de lucros levado a efeito pelo Fisco não merece reparos. 3.4.1 Da suposta impossibilidade de cumulação da presunção de omissão de receita com o arbitramento da base de cálculo Divirjo da posição da Recorrente quanto à pretensa impossibilidade de convivência entre a omissão de receitas com base em depósitos bancários e o arbitramento de lucros. A esse respeito, peço vênia para adotar como razões de decidir os fundamentos da decisão recorrida, verbis: Entre os diversos argumentos apresentados na defesa, requer a impugnante a exclusão da majoração de 20%, decorrente do arbitramento, considerando que seriam incompatíveis a presunção de omissão de receitas com a aplicação do arbitramento. Com referência ao arbitramento há que se esclarecer, que a análise dos pressupostos para sua aplicação já ocorreu em item especifico deste voto, mas convém relembrar que sua aplicação não se confunde com punição por se tratar, Fl. 29623DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.624 36 juntamente com o lucro real e lucro presumido, de formas legais previstas para apuração do IRPJ. No caso aqui tratado, a apuração do IRPJ se deu pelo lucro arbitrado, por que a contabilidade mantida pela impugnante, como já visto, não permitia com segurança a apuração do IRPJ pelo lucro real, já que uma grande parte das receitas decorrentes da atividade exercida, foi movimentada â margem da contabilidade, fato inclusive objeto de confissão expressa. A apuração do IRPJ incidente sobre receitas omitidas por meio do arbitramento está de acordo a legislação de regência, inexistindo qualquer incompatibilidade na sua aplicação, até por que, são matérias distintas e não se confundem, não havendo nenhum respaldo legal, para que seja atendido o pedido do contribuinte. 3.5 DA OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Recorrente foi acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 29624DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.625 37 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. No decorrer do procedimento fiscal, embora apresentados argumentos sobre a possível origem dos valores lançados a débito de suas contas bancárias, não houve apresentação da documentação que vinculasse individualmente os depósitos controvertidos. Em sede de impugnação, frisese, e somente em tal momento, a Recorrente apresentou ampla gama de documentos buscando comprovar que a origem dos créditos em suas contas advieram dos recebimentos referentes às operações de compra e venda e também de intermediação/distribuição de cartões e créditos de celulares prépagos. Haveria também depósitos referentes à venda de aparelhos telefônicos. Indicouse ainda valores objeto de tributação por parte do Fisco que teria origem em operações de mútuo e transferências de contas da própria Recorrente. Fl. 29625DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.626 38 Ao analisar a documentação, a turma julgadora a quo excluiu da tributação os valores referentes às transferências entre contas da própria Recorrente e também o montante relativo a mútuos. Concluiu, contudo, que os depósitos de fato correspondiam à renda, mais especificamente, advinda diretamente das operações realizadas pela Recorrente. Entendeu, contudo, que o valor da receita da Recorrente seria a totalidade dos depósitos, e não somente o spread apontado em suas peças de defesa. Isso porque as operações perpetradas pela Recorrente seriam realizadas em conta própria, ou seja, a totalidade dos valores que transitavam em suas contas pertenceriam a Recorrente, e o suposto percentual de ganho apontado em impugnação nada mais seria do que o lucro, tal qual ocorreria em qualquer ramo de atividade. Conforme esclarecido, não se trata de inovação de lançamento. No que tange à alegada utilização incorreta da presunção legal de omissão de receitas estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não vislumbro qualquer incorreção que pudesse levar à nulidade do lançamento. Ante ao arbitramento de lucros levado a efeito pela autoridade autuante, os custos incorridos pela Recorrente passaram a ser irrelevantes à quantificação das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Nesse cenário, a questão crucial para solução da lide passa pela definição quanto à correta quantificação das receitas da Recorrente. 3.6 DA ATIVIDADE EXERCIDA PELA RECORRENTE E A DETERMINAÇÃO DA RECEITA BRUTA Por bem refletir a descrição das atividades exercidas pela Recorrente, reproduzo excerto do voto condutor da decisão recorrida: Em vários pontos da defesa apresentada, cuidase em demonstrar que a principal atividade econômica desenvolvida pela impugnante, é a distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel, seja por meios físicos (cartões) ou eletrônicos via sistema POS. Além desta atividade, exercia também a Impugnante o controle operacional de Lojas da operadora TIM onde vendia aparelhos celulares e também intermediava venda e planos póspagos mediante remuneração por comissão. A defesa apresentada traz o entendimento, de que o resultado da sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição destas recargas, restringirseia apenas às comissões recebidas, já que esta seria a sua efetiva remuneração. A Lei n° 9.472, de 16.07.1997 conhecida como Lei das Telecomunicações conceitua serviços de telecomunicações como "conjunto de atividades que possibilita a oferta de telecomunicação", acrescentando em seu art. 60 § 1° que "telecomunicação é a transmissão, emissão ou recepção, por fio, Fl. 29626DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.627 39 radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza". Concluise assim, que prestador de serviço de telecomunicação é o sujeito que exerce as mencionadas funções de transmissão, emissão ou recepção, serviços esses regulados pela Lei das Telecomunicações. A revenda ou distribuição de créditos ou cartões telefônicos efetuadas de forma terceirizada por empresas contratadas para este fim específico, não se caracteriza por prestação de serviço de telecomunicações e com este não se confunde, haja vista que o distribuidor de cartões telefônicos não executa "a transmissão, emissão ou recepção (...) de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza”. O distribuidor tão somente fornece os meios para a obtenção dos serviços das empresas de telecomunicações. No caso sob exame, ocorreram contratos de distribuição tanto de forma direta com as operadoras de telefonia (TIM, VIVO, CLARO), como contratos de distribuição efetuados com empresas já terceirizadas por outras operadoras (Tendências, RV Tecnologia), contratos estes, que tinha por objetivo o seguinte: Tendência Informação e Sistemas Ltda fls. 3.289/3.299 Objeto do Contrato Prestação de Serviço de armazenamento e guarda de PIN Numbers de recarga na plataforma pela Tendência, após a compra dos mesmos pelo Distribuidor, além da disponibilização da infraestrutura tecnológica e de sistemas para realização da transação, destinada a autorização de inserção de crédito por meio de recarga eletrônica ao usuário de paraelho celular prépago, diretamente pela operadora de telecomunicações, incluindo software de gerenciamento do processo de vendas, disponibilização de tela para cadastro de PDRs, tela para controle de estoques, telecomunicações, locação de equipamentos e treinamento. RV Tecnologia e Sistemas S/A fls. 3.300/3.320 Objeto do Contrato Através do presente contrato as partes acima nomeadas estipulam e reciprocamente aceitam as cláusulas e condições que regularão a prestação de serviços de distribuição de créditos de telefonia, contrato n° 45787, firmado entre a contratante e a contratada, em 13 de março de 2008. Operadora VIVO fls. 3.306/3.320 Objeto do Contrato As partes resolvem firmar o presente Contrato de Prestação de Serviços de Recebimento de Pagamentos de Crédito de Telefonia Pré Pagos, doravante denominados Contrato, mediante as seguintes clásulas e condições: O presente Contrato tem por objeto a prestação pela Contratada, dos serviços de recebimento de pagamentos decorrentes da aquisição de Créditos pelos usuários para utilização do serviço prépago oferecido pela contratante através da rede de ponto de vendas afiliados à contratada, localizada e estabelecida nas áreas onde a contratante possui autorização para operar SMP. Operadora CLARO fls. 3.321/3.338 Objeto do Contrato O presente Contrato tem por objeto: (i) a distribuição pela Contratada, de créditos digitais emitidos pela CLARO, aos Pontos de Vendas (PDVs) localizados na área de atuação da CLARO, ressalvados o disposto no item 2.1.1 baixo; (ii) prospecção, nomeação, credenciamento e gerenciamento de Fl. 29627DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.628 40 PDVs, para incrementar a comercialização de Créditos Digitais; (iii) captura, transporte, certificação e processamento das transações eletrônicas objetivando a Recarga de Créditos Digitais, em tempo real, pelo usuário do serviço prépago. Operadora TIM fls. 3.339/3.359 Objeto do Contrato O objeto do presente contrato é a compra e venda, pela TIM à CONTRATADA, de unidades de recarga, na área de Atuação e Segmento(s) de Mercado definidos neste Instrumento, com objetivo de revenda de Recarga pela Contratada, aos clientes TIM. Concluiu a turma julgadora a quo que os valores que circulavam nas contas da Recorrente correspondiam a receitas. Tratarseia de operação de prestação de serviço em conta própria, e, ante ao disposto no art. 279 do RIR/99, os valores percebidos corresponderiam ao conceito de receita bruta, não havendo que se falar em spread ou comissão pelos serviços prestados. Concordo, em parte, com as conclusões da autoridade fiscal. No que tange ao contrato com a TIM, não há dúvidas que a totalidade dos valores percebidos pela Recorrente corresponde ao conceito de receita bruta. Conforme o próprio contrato indica, tratase de operações de compra e venda de unidades de recarga. Não há dúvida da inexistência de equívoco na designação da espécie do contrato. Reproduzse excertos do contrato entre a Recorrente e TIM (fl. 3342): Fl. 29628DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.629 41 Fl. 29629DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.630 42 Vêse claramente que a Recorrente adquire os créditos, revendendoos livremente. Não há comissão ou qualquer forma de pagamento/remuneração da TIM à Recorrente. E o pagamento de tais aquisições deverá ser realizado no prazo de 30 dias, conforme determina a cláusula 2.2. A esse respeito, convém ressaltar que se a Recorrente vier a não receber pelas revendas de recargas, tal não fato não a exime da obrigação de efetuar o pagamento à TIM, conforme estatui a cláusula 11.2 (fl. 3350) reproduzida a seguir: Nesse cenário, não há dúvidas quanto à caracterização de compra e venda. Contudo, e considerando que houve arbitramento de lucros, tal fato implica a utilização de Fl. 29630DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.631 43 coeficientes de presunção de lucro aplicáveis às operações comerciais (9,6% para IRPJ e 12% para CSLL). Do mesmo modo, em relação às revendas de aparelhos de telefone originados da TIM, tratase de operações de compra e venda. No mesmo sentido, assim decidiu o então Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. (Acórdão 20181.083, 2° CC 1a Câmara, Sessão de 10 de abril de 2008). "(...). PIS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda da empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. Recurso negado. " (cf. Acórdão n° 20179.266, da 1 Câmara do 2° CC, Recurso n° 130.989, Processo n° 10380.011575/200335, em sessão de 23/05/2006, rel. Conselheiro José Antonio Francisco, publ. in DOU de 15/02/2007, Seção 1, pág. 94; no mesmo sentido cf. Acórdão n° 20179.265, Recurso n° 130.988, Processo n° 10380.011574/200391 na mesma sessão). A esse respeito, convém ressaltar ainda que recentemente a Secretaria da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 761, de 28 de março de 2014 pronunciouse de forma definitiva2 sobre o tema, nos seguintes termos: SIMPLES NACIONAL. RECARGA DE CELULARES. A venda, ao usuário, de créditos telefônicos para recarga de celulares, com ou sem o suporte físico de ficha, cartão ou assemelhado, por pessoa jurídica que não se qualifica como concessionária de serviço público de telecomunicação, não constitui serviço de comunicação nem configura sua intermediação. Destarte, é atividade permitida aos optantes pelo Simples Nacional e suas receitas são tributadas pelo Anexo I da Lei Complementar nº 123, de 2006. A base de cálculo, nesse caso, corresponde à totalidade dos valores recebidos do usuário, porquanto se trata de operação feita em conta própria. Ora, se o Anexo I da Lei Complementar 123 é aplicável às receitas das atividades comerciais, a própria RFB confirma a tese de que a operação em análise referese à atividade comercial. 1 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsultaCosit/2014/SCCosit762014.pdf>. Acesso em: 23 abr 2014. 2 Com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 2013, as Soluções de Consulta Disit e as Soluções de Divergência passam a ter efeito vinculante no âmbito da RFB, bem como respaldando o sujeito passivo que a aplicar, ainda que não seja o consulente, conforme determina o art. 9º de tal dispositivo infralega, verbis: "Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento." Fl. 29631DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.632 44 Vêse, assim, que, em relação às operações de revenda de recargas e celulares da TIM, a controvérsia tratada nos autos não mais subsiste, pois o próprio ente autuante entende que a atividade desenvolvida pela Recorrente é comercial. Nesse caso, aplicáveis os coeficientes de presunção de lucro de 8% para determinação da base de cálculo IRPJ e 12% para a de CSLL, em caso de lucro presumido, ou de 9,6% para IRPJ e 12% de CSLL na hipótese de lucro arbitrado. Tratase, na realidade, de espécie de autocomposição entre as partes. Nesse sentido, traçandose um paralelo do processo administrativo fiscal com o processo civil, o ato emanado pela RFB, equivale “à renúncia ao direito que se funda a ação”. Equiparandose o auto de infração à petição inicial, e a impugnação à contestação, concluise que a RFB deu o primeiro passo para a formação do litígio com a formalização da exigência. Não se desconhece que o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 assevera que o litígio somente se forma a partir da apresentação da impugnação. Contudo, há de se considerar que tal litígio necessita de um ato inaugurador da controvérsia, que é a exigência tributária por parte do Fisco. Pois bem, diante de tal cenário, entendo que a edição de atos por parte do autor que reconhece a insubsistência do direito material em que se funda a exigência do crédito tributário equivale à renúncia do próprio crédito em discussão. Sob a ótica do processo civil, vejamos como a doutrina aborda o tema. Para Humberto Theodoro Júnior, ocorre renúncia quando, de forma expressa, o autor abre mão do direito material que invocou quando da dedução de sua pretensão em juízo. Demitindo de si a titularidade do direito que motivou a eclosão da lide, o autor elimina a própria lide. E, sem lide, não pode haver processo, por falta de objeto. Manifestada ou provada nos autos a renúncia do autor ao direito material sobre que se funda a ação, o juiz dará por finda a relação processual, através de sentença, em cujos termos reconhecerá estar solucionada a lide (julgamento de mérito). [...] a manifestação de vontade de renunciar só pode ser expressa e deve constar de documento escrito juntado aos autos.3 Fredie Didier Júnior, por sua vez, observa que, tratandose de autocomposição, deve ser exarada decisão que homologa a conciliação, de modo a pôr fim à controvérsia.4 Esclarece ainda que a conciliação judicial, em qualquer de suas modalidades, pode se dar por 3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. Vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 331332. 4 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Introdução ao Direito Processual Civil e Processo de Conhecimento. 13. ed. Vol. 1. Salvador: Editora JusPodivm, 2011, p. 580. Fl. 29632DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.633 45 termo elaborado por escrivão, mas também por documento extrajudicial que, uma vez juntado aos autos, não implica sua redução a termo.5 Por fim, Darci Guimarães Ribeiro ensina que [...] enquanto na confissão, a parte declara a verdade de um fato contrário ao seu interesse, na renúncia, o autor não declara nenhum fato afirmado pelo réu e contrário ao seu interesse, mas somente a inconsistência jurídica da ação. A confissão pode emanar tanto do autor quanto do réu; a renúncia é ato privativo do autor, segundo de depreender do inc. V do art. 269 do CPC. 6 (p. 91) Ora, uma vez caracterizada a renúncia ao direito em que se funda a ação, o Código de Processo Civil, em seu art. 269, V7, estabelece que haverá extinção do processo com resolução do mérito. Nesse contexto, e considerandose que a própria Receita Federal do Brasil entende que o direito em que se funda a exigência fiscal em relação às operações de compra e venda de recargas para linhas de aparelhos celulares, em relação aos coeficientes de presunção de lucro aplicáveis, é inconsistente, entendo que se deva dar provimento ao recurso voluntário nesse particular, determinandose a aplicação do coeficiente de 9,6% para o IRPJ (lucro arbitrado) e 12% para a CSLL. Contudo, compulsando os autos, não consegui identificar, e tão pouco quantificar, os créditos bancários (ou o montante da revenda de créditos e aparelhos de telefonia adquiridos da TIM) para fins de aplicação dos corretos coeficientes de presunção de lucro. Nesse cenário, impõese a realização de diligência para levantamento de tais valores. Os termos de tal diligência serão indicados ao final do presente voto, juntamente com outros pontos que entendo também deverem ser alvo de averiguações complementares. Já em relação aos contratos com CLARO, VIVO, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A, concordo com a decisão recorrida quanto à caracterização de prestação de serviço, discordando, contudo, do quantum dos valores percebidos que de fato corresponde à receita bruta da Recorrente. A meu ver, resta cristalino tratarse de prestação de serviço remunerada mediante comissão. Vejase excertos dos contratos em questão: Contrato Claro – fls. 3326 e 3335 (Anexo II) 5 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Introdução ao Direito Processual Civil e Processo de Conhecimento. 13. ed. Vol. 1. Salvador: Editora JusPodivm, 2011, p. 581. 6 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 91. 7 Art. 269. Haverá resolução de mérito: [...] V quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. Fl. 29633DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.634 46 Contrato VIVO – fls. 3307, 3309 e 3310 Fl. 29634DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.635 47 [...] [...] Entendo haver demonstração suficiente de que parte dos recursos que transitaram pelas contas correntes do contribuinte não advieram de operação onerosa entre a Recorrente e os adquirentes de recargas, mas sim mera intermediação entre as operadoras de telefonia celular e seus clientes, remunerada mediante comissão. Assim, tratandose de mero repasse de recursos oriundos de operação entre terceiros, não deve prosperar a acusação de omissão de omissão de receitas em relação ao montante depositado em conta corrente, mas sim somente em relação aos valores das comissões percebidas, equivalente à diferença entre os valores depositados em conta corrente e os valores repassados ou às primeiras intermediárias ou às próprias operadoras de telefonia celular (no caso VIVO e Claro). Com efeito, tratandose de prestação de serviços – remunerada por comissão – devese tributar tão somente a parcela que pertence à Recorrente, utilizandose, para tanto, os coeficientes de presunção de lucro aplicáveis aos prestadores de serviços, quais sejam, 38,4% para IRPJ e 32% para CSLL. Tanto a autoridade lançadora, quanto a turma julgadora a quo agiram bem em relação à conclusão quanto aos coeficientes de presunção aplicáveis no caso concreto. Entendo, contudo, que incorreram em erro em relação ao montante da receita bruta auferida pela Recorrente. De outra banda, também não consegui identificar nos autos, com a precisão e liquidez que impõem o art. 142 do CTN, a quantificação das comissões percebidas pela Fl. 29635DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.636 48 Recorrente, impondose a realização de diligência para levantamento dos valores correspondentes. 3.7 LANÇAMENTOS REFLEXOS Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, na parte em que mantevese o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Ressaltase que não há que se falar em créditos da não cumulatividade em relação ao PIS/Cofins, uma vez que, com o arbitramento de lucros, tais contribuições foram apuradas com base na sistemática cumulativa. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser parcialmente mantidos, excluindose da base de cálculo a diferença entre as comissões percebidas e os depósitos bancários correspondentes, nos termos da diligência a ser realizada. 3.8 DA INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos Fl. 29636DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.637 49 presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 29637DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.638 50 A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Fl. 29638DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.639 51 Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. Fl. 29639DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.640 52 No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. Fl. 29640DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.641 53 O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. 4 DA DILIGÊNCIA Conforme exposto, não restam dúvidas quanto à forma de determinação das bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada no presente caso: em relação às operações com a TIM, os depósitos respectivos devem ser considerados omissão de receita em sua integralidade, tributandose o montante respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizandose dos coeficientes de presunção de lucro 9,6% e 12% para determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado); no que tange às operações remuneradas mediante comissão (contratos com Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A), os valores a serem considerados como omissão de receitas devem se limitar à comissão percebida, sendo a respectiva receita bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins, bem como, mediante utilização dos coeficientes de presunção de lucro de 38,4% e 32%, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado). A fim de dar liquidez à exigência, fazse necessária discriminação e determinação das receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato com a TIM), e também nas operações em que a Recorrente foi remunerada mediante comissão (demais contratos). Para tanto, deverá autoridade fiscal intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM; b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A). A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarecese que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente Fl. 29641DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/201268 Resolução nº 1402000.259 S1C4T2 Fl. 29.642 54 auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Uma vez quantificada as receitas, nos moldes requeridos e nos termos do presente voto, deverá a autoridade fiscal elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre elas, deduzindo os valores já declarados pela Recorrente, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à RFB . Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 29642DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19647.014861/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento suscitou nulidade do acórdão de primeira instância, nos termos do voto vista apresentado em sessão. Tal preliminar foi superada pelos conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro
(Assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado
(Assinatura digital)
Andréa Medrado Darzé Relatora
(Assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento Conselheiro.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento suscitou nulidade do acórdão de primeira instância, nos termos do voto vista apresentado em sessão. Tal preliminar foi superada pelos conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro (Assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé Relatora (Assinatura digital) José Fernandes do Nascimento Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro.
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IPI. PIS/COFINSImportação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. E OUTROS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento suscitou nulidade do acórdão de primeira instância, nos termos do voto vista apresentado em sessão. Tal preliminar foi superada pelos conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro (Assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé – Relatora (Assinatura digital) José Fernandes do Nascimento – Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 14 86 1/ 20 09 -4 4 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 999 ___________ Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face da decisão da DRJ em Recife que julgou a impugnação procedente em parte, para: (i) manter o Crédito Tributário, no sujeito passivo Hi Tech do Brasil S.A – CNPJ – 05.463.639/000127, por configurar nos autos do presente processo como Importadora, mantendose a multa qualificada.; (ii) exonerar da responsabilidade solidária e da sujeição passiva os demais contribuintes arrolados, CIL Comércio de Informática Ltda., as pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski; e (iii) exonerar o correspondente a R$ 1.099.927,46 (Um milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos) da multa em face da exclusão dos sujeitos passivos solidários. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Em desfavor dos contribuintes CIL Comércio de Informática Ltda. (CNPJ n. 24.073.694/000155; HITech do Brasil S/A CNPJ n. 05.463.639/000127); Marco Antônio Mansur – CPF – 36515345968); Marco Antônio Mansur Filho – CPF – 25674726817; Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 02093845733; Alessandra Salewski – CPF – 10311292860 foi lavrado Auto de Infração relativo ao Programa de Integral Social – PIS, a contribuição para financiamento da Contribuição Social – COFINS – multa e juros. Descrição dos fatos e enquadramento legal – COFINS – Importação – fls 15 a 26; “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL Comércio de Informática Ltda. – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa HITECH DO BRASIL S/A CNPJ – 05463639/000127, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS DI O importador (HITECH DO BRASIL S/A), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Contribuição 4685 287.465,20 Juros de Mora (30/11/09) 185.061,36 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1000 3 Multa proporcional (passível de redução) 431.197,80 Valor do crédito tributário apurado 903.724,36 Descrição dos fatos e enquadramento(S) legal(S) – PIS/PASEP – Importação – fls. 04 a 14 . “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. – CNPJ n. 24.073.694/000155 em conluio com a empresa HITECH DO BRASIL S/A CNPJ – 05463639/000127, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI O importador (HITECH DO BRASIL S/A), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o valor do PIS efetivamente devido, na importação realizada, e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Contribuição 4562 62.410,16 Juros de Mora (30/11/09) 40.177,70 Multa proporcional (passível de redução) 93.615,24 Valor do crédito tributário apurado 196.203,10 Termo de encerramento; Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. Crédito tributário apurado 1.099.927,46 Consta no presente processo às fls. 28 a 131 o Relatório de Auditoria que entre outros temas, trata da operação Dilúvio, do Grupo MAM, do esquema fraudulento, do modus operandi, da sujeição passiva, do valor aduaneiro dos contribuintes envolvidos na suposta organização criminosa objeto da investigação em apreço. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1001 4 Passaremos a transcrever resumidamente os principais trechos do referido relatório: “A investigação realizada pela Receita Federal, em conjunto com a Policia Federal, de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR – CPF 365.153.45968, doravante nomeada Grupo MAM, que se dedicava ã prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos produtos dos crimes realizados.” Da Operação Dilúvio – – consiste em conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo grupo MAM. (...) Dentre as apreensões realizadas nos estabelecimentos da CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, verificase a existência de meios probantes do envolvimento desta em fraudes de comércio exterior praticas em conluio com a HITECH DO BRASIL S/A com outras empresas fortemente vinculadas ao Grupo MAM, que tinham sido alvo das investigações. Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados A Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta especifica finalidade, procedeu à triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiê para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a representação aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas.” 1.1.5 Do grupo MAM; “Podese caracterizar o Grupo MAM como sendo uma organização empresarial, engendrada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, constituída por empresas importadoras, exportadoras, distribuidoras e financeiras patrimoniais que atuavam em todas as etapas do fluxo operacional e logístico das importações realizadas por conta e ordem de empresas adquirentes de mercadorias estrangeiras, beneficiandose do cometimento de fraudes aduaneiras e tributárias. Para esse fim, o Grupo dispunha de várias empresas que operavam sob o controle centralizado, como se fossem departamentos de uma única empresa. Havia, portanto, as empresas constituídas no exterior para atuar como se fossem agentes de carga e exportadores, as empresas importadoras (denominadas tradings) e as empresas distribuidoras (adquirentes fictícios). Os controladores desta organização, ou seja, MARCO ANTÔNIO MANSUR – CPF 365.153.45968, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (MARQUITO) – CPF 256.747.26817, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (TONY) CPF 020.938.45733 e ALESSANDRA SALEWSKI – CPF 103.112.92860, e seus gerentes operacionais determinavam todos os procedimentos, tais como: a forma de embarque das mercadorias; como os documentos deveriam ser emitidos (quando não eram eles Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1002 5 mesmos que os emitiam); como seria elaborada a Declaração de Importação; como seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizada no fluxo, até que a mercadoria fosse colocada à disposição do seu cliente. Proporcionavam, assim, amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização.” Às fls. 038 a 044 a Fiscalização descreve a suposta engenharia da organização e em seguida se esclarece como se dava o fluxo das mercadorias e o fluxo financeiro. Às fls. 047 a 058 a Fiscalização faz um resumo das principais empresas envolvidas no suposto esquema de fraude fiscal. São elas: 2.3.2.1 A Exportadora: Feca Internacional Corporation – CNPJ 07038833/000190 – durante as investigações efetuadas quando da OPERAÇÃO DILÚVIO, constatouse que o principal exportador utilizado pelo Grupo MAM era a Feca Internacional Corporation. Constituída em 04/10/2001 com capital inicial equivalente ã módica quantia de US$ 50,00 – cinquenta dólares e sediada na 6124 NW 74 th Avenue, em Miame, Flórida EUA – tinha como presidente o brasileiro Adilson Tadeu Soares – CPF 045.344.99809 – que informava possuir o mesmo endereço da empresa no exterior. (...) 2.3.2.2 – A Importadora: HITech do Brasil S/A – CNPJ 05463639/000127 – A HITech do Brasil S/A foi constituída em 05/12/2002 e está sediada na Av. Presidente Vargas, nº 387, no bairro do Pontal em Ilhéus/BA. Está em situada ativa no CNPJ e possui uma filial na cidade do Rio de Janeiro. 2.3.2.3 A Distribuidora (suposta adquirente): Ghats Comércio Exterior Ltda. CNPJ – 68758218/000143. (...) Desde 08/07/2004 tinha em seu quadro societário constituído pela empresa CEMDA – Consultoria Empresarial Ltda., CNPJ – 05122933/000175, com 95% de participação e Mauro Lima – CPF 099.423.27720, com 5%. Este, sóciogerente da Ghats, é contador e possui participações societárias em outras empresas vinculadas ao Grupo MAM, apresentandose, inclusive, como diretor de algumas delas, como a importadora HiTech do Brasil S/A, sediada m Ilhéus/BA. Reside em Nova Iguaçu também, 6 Rua Madressilva, n°63, no Bairro Margarida. 2.3.2.4 – A Distribuidora: Control Comércio Exterior Ltda. CNPJ 02.069.249/000189. (...) Possui endereço cadastral na Rua Madressilva, n°. 19, Margarida, em Nova Iguaçu/RJ, com filiais sediadas n Rua Guilherme Maxwell, n°. 250, Conjunto 202, Bonsucesso, Rio de Janeiro/RJ e na Av. Brasil n°. 19.001, Pavilhão 42, Box 22, Irajá também no Rio de Janeiro/RJ. (...) 2.3.2.5 A empresa responsável pela assessoria e controle das operações: Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda. – CNPJ – 06974682/000110. A empresa Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda. – CNPJ – 06974682/0001 10, sediada na Rua Buenos Aires, nº 68, 11º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, foi Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1003 6 constituída em 03/09/2004 e está registrada com CNAE 7119799 (Atividades Técnicas Relacionas à Arquitetura). Também segundo a Fiscalização em relatório às fls. 061 em seu item 2.3.2.6 consta como empresa responsável pela logística das operações, nos EUA a InTime Shipping Logística Ltda. – CNPJ – 05767921/000106. Às fls. 061 a 066 a Fiscalização descreve o suposto esquema fraudulento e às fls. 066 a 077 a Fiscalização justifica a Sujeição Passiva dos contribuintes e/ou responsáveis tributários na figura de: Contribuintes/responsáveis/solidários CNPJ/CPF CIL Comércio de Informática ltda 24073694/000155 HItech do Brasil S.A 05463639/000127 Marco Antônio Mansur 36515345968 Marco Antônio Mansur Filho 25674726817 Antônio Carlos Barbeito Mendes 02093845733 Alessandra Salewski 10311292860 Da Conclusão – As fls. 130 a 131. Por fim a Fiscalização conclui que: “Concluise diante de todo o exposto que a CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. atuou como verdadeiro comprador na operação comercial analisada por essa fiscalização, sem nem sequer ser habilitada para operar no comércio exterior. A empresa agiu em conluio com o denominado GRUPO MAM, num esquema de simulação em que este, através de suas várias empresas, sob o comando de MARCO ANTÔNIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUSR FILHO, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES e ALESSANDRA SALEWSKI, atuava como exportador, importador, transportador, distribuidor etc., ocultando os reais personagens da operação de comércio exterior. Não bastasse a ocultação, as infratoras ainda promoveram o subfaturamento na importação. (...) A Fiscalização concluiu pela responsabilidade solidária dos supostos envolvidos e pela Representação Fiscal para fins Penais em consonância com o § 4° do Art. 1° da Portaria RFB n° 665, de 24 de Abril de 2008. Às fls. 132 a 134, consta cópia da Denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em 04 de Julho de 2007 nos autos do processo n° 2007.70.00.00111062, para os supostos envolvidos nos crimes em tese: Halim Nagem Neto – CPF – 233.112.904 53, Carlos André Gomes Nagem – CPF 834.153.35453, Valdir Nagem Junior – CPF 427.422.69487, na condição de sócio e efetivos administradores a empresa CIL comércio de informática Ltda., nome de fantasia NAGEM INFORMÁTICA, José Eduardo de Azevedo Martins – CPF – 682.331.83849, Karina Andrea Parraquez Bustamante – CPF – 301.522.66810, Cristiane Maria Miguel de Sousa – CPF 782.481.83491, Marco Antônio Mansur – CPF – 365.153.45968, Marco Antônio Mansur Filho – CPF – 256.747.26817, Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 020.938.45733, Alessandra Salewski – CPF – 103.112.92860. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1004 7 Foi lavrado o auto de infração às fls. 001 a 027, para lançamento do Crédito Tributário referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS – Importação, Juros e Multa. PIS – Importação, Juros de Mora e Multa proporcional sobre o PIS Importação, no valor total de R$ 1.099.927,46 – (Um milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos). Cientificada do lançamento em 14 de Dezembro de 2009, através de Edital às fls. 539, a empresa HITech do Brasil S.A apresentou sua defesas às fls. 597 a 609. A CIL COMÉRCIO E INFORMÁTICA LTDA foi cientificada em 15/12/2009 protocolou tempestivamente, em 13/01/2010, a impugnação cujo inteiro teor se encontra às fls.543 a 578, de onde se extraem, em resumo, os seguintes argumentos de defesa: Alega a impugnante que os supostos fatos geradores relativos a importações foram realizadas pela HITech do Brasil S.A, cujos bens importados foram adquiridos no mercado interno pela empresa ora impugnante, por meio de operações pautadas na legislação pertinente. Alega que ao longo de 106 laudas, os AuditoresFiscais, autores do lançamento, argumentaram de todas as formas tendentes a imprimir um caráter criminoso, fraudulento, à conduta e ao histórico da ora defendente. (...) Passa a expor que: I Principio do contraditório e da ampla defesa, condenação prévia e sumária. Alega a impugnante que, hão de ser desconsideradas, por absoluta impertinência ao que foi apurado durante a fiscalização, as alegações de que as relações comerciais havidas entre a CIL e as indigitadas empresas do grupo MAM serviriam para “...fabricação de débitos tributários em ‘empresas de fachadas’ interpostas, incapazes de promoverem os respectivos recolhimentos...’(fis. 39), ou de que a suposta ocultação “...normalmente vem atrelada ou desencadeia a prática de outros crimes, direta ou indiretamente, tais como remessa ilegal de divisas, a ocultação de receita, a lavagem de dinheiro, etc.”( fls. 39). Afirmações desse cariz não encontram ressonância nos elementos coligidos aos presentes autos, e não passam de conjecturas absurdas e maldosas, dissociadas por completo dos fatos. Merece relevo o fato de que nenhuma falha foi apurada na contabilidade e nos registros fiscais da empresa. As receitas todas foram devidamente escrituradas e tributadas. Nesse sentido vale remeter às possíveis razões que justificariam (em tese) buscar se a ocultação do real importador, segundo apontam os Auditores que subscrevem os autos impugnados, em como os esclarecimentos ora aduzidos sobre a importância de tais considerações: “impossibilidade de comprovar a procedência legal dos recursos empregados”: todas as compras foram devidamente contabilizadas, assim como os recursos utilizados, como, aliás, apurouse na fiscalização; “falta de habilitação dos interessados perante a Receita Federal do Brasil pra operar no comércio exterior”: nem a empresa, e tampouco seus sócios, contam com óbice de qualquer natureza para o cadastramento nos sistemas de comércio exterior. Simplesmente não era e continua não sendo, o objeto social da pessoa jurídica. E, principalmente, a quase totalidade das aquisições dos produtos para a distribuição são feitas junto às próprias fabricantes instalas no território nacional, como se explicará seguir; Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1005 8 “pelo ‘afastamento’ da responsabilidade pelas operações realizadas”: o “Relatório de Auditoria” invoca elementos vindos de outras fiscalizações, em que um “laranja” é interposto, sendo que a importadora, in casu, HITech, tem estrutura econômica para responsabilizarse pelas operações de importação que promove como inclusive é relatado no que tange ao capital social devidamente registrado. “quebra da cadeia tributária do IPI”: como será demonstrado, não procede a imputação de subfaturamento que, inexistente, remete à irrelevância a cadeia do IPI, que já foi pago pela importadora; SIMPLES: a argumentação dos i. Fiscais em nada se relaciona com os autos, pois a impugnante não é empresa participante do SIMPLES, e tampouco a importadora o é também. II Das Nulidades: II1.1 Da Ausência de indicação de todos os Sujeitos Passivos; A impugnante invoca o art. 142, § único do CTN, o art. 53, da Lei n° 9.784/94 e o art. 10º, incisos I, III, IV e V, do Decreto n° 70.235/72 para enfatizar que: “Consoante se depreende dos mencionados autos de infração, as atuações ora vergastadas foram formalizadas apenas contara a ora impugnante ( CIL – Comércio de Informática Ltda.) a HITech do Brasil S/A, bem como contra as seguintes pessoas naturais:Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho e Alessandra Salewski. No entanto, estranhamente, foram excluídas da autuação as empresas Ghats Comércio Exterior Ltda., Control Comércio Exterior Ltda., e Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda.. Vêse, portanto, que, assim como a ora Impugnante foi indevidamente alçada à condição de responsável solidário, com fundamento nas alíneas ‘c’ e ‘d’, do § único, do art. 32 do Decreto 37/66, razão alguma justifica a exclusão antecipada das empresas Ghats, Control e Interlogistic, haja vista que também figuraram como adquirentes de mercadorias de procedência estrangeira. A atuação não poderia, de forma temporã, excluir a sujeição passiva de empresa que, segundo se apurou, “... praticou atos de comércio internacional, comprando no exterior as mercadorias estrangeiras.” II.1.2. Da ausência de autorização judicial para o compartilhamento de documentos e informações sob sigilo – Consta do Relatório de Auditoria que: (i) “... os elementos utilizados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos apreendidos em 16 de Agosto de 2006 pela Polícia Federal em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR...” (.– destacouse); (ii) “A OPERAÇÃO DILÚVIO consiste em um conjunto de procedimentos dotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo Grupo MAM” (fl. destaque no original); e (iii) “Os elementos apreendidos durante a operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados à Receita Federal, Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1006 9 pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta finalidade, procedeu à triagem e seleção de documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiês para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a Representação Fiscal aludida na introdução deste Relatório, acarretando o inicio dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas” (fl. 42/43 negrito e grifos acrescidos). A impugnante alega que: “Todavia, antes de se manifestar sobre cada um dos elementos de prova constantes dos autos, é de se perguntar, num primeiro momento, pelos indigitados mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá/PR, os quais serviram de lastro legal para coleta licita dos documentos e arquivos apreendidos pela Policia Federal. Indagase, ainda, pelos relatórios produzidos depois de realizadas as aludidas operações de busca e apreensão, nos quais devem constar a lista de documentos e arquivos colhidos em cumprimento a cada um dos mandados emitidos pela Justiça Federal. Sem tais peças não há como se averiguar se, de fato, as ordens judiciais de busca e apreensão foram fielmente cumpridas pelo órgão estatal executor das medidas deferidas pelo Poder Judiciário. Não basta evocar a existência de mandados judiciais autorizando a realização de busca e apreensão nos domicílios, sedes e filiais das pessoas físicas ou jurídicas, é necessário, ainda que se proceda ao controle do resultado obtido em tais diligencias, para que se examine se houve ou não excessos ou desmandos nos atos executórios. Como, afinal, saber se os elementos “elementos utilizados nesta fiscalização” têm como fonte as ordens judiciais da Justiça Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá/PR, se tais pegas não existem nos presentes autos. Tal ausência inviabiliza o crivo sobre a licitude das referidas ações policiais de busca e apreensão. À mingua de elementos concretos para a realização da sindicabilidade dos procedimentos realizados no bojo da propalada “Operação Dilúvio”, os quais a ora impugnante desconhece por completo, não há como proceder ao exame da licitude do conjunto probatório coligido aos autos, quando perscrutado à luz dos direitos individuais consagrados nos incisos X, XI e XII, do art. 5° da CF. A impossibilidade de se averiguar se os elementos de prova produzidos pela “Operação Dilúvio” são compatíveis com o texto constitucional gera como conseqüência direta a inadmissibilidade de sua utilização no presente procedimento fiscal. Por outro lado, admitindose, por hipótese, que as requisições de busca e apreensão foram adequadamente requeridas a órgão competente do Poder Judiciário, e que este as deferiu na exata extensão horizontal e vertical em que solicitadas; ou, admitindose, em tese, que as diligências realizadas para cumprimento dos mandados foram executadas em total respeito às ordens judiciais, e que o material levantado em tais procedimentos são os mesmos que foram compartilhados com a Receita Federal, mesmo assim resta uma questão a ser analisada: em qual ato formal foi materializada a requisição feita pela Receita Federal â Justiça Federal da Subseção judiciária de Paranaguá, com vistas a obter o compartilhamento doa acervo documental e arquivos colhidos pela Policia Federal no curso da “Operação Dilúvio”. E mais, qual ato judicial autorizou esse compartilhamento para fins de procedimentos fiscais. Em verdade, tais atos não existem, ou, se existentes, não constam nos presentes autos. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1007 10 É dizer, tanto a requisição quanto a autorização judicial dada pela autoridade judiciária competente são atos pressupostos para o compartilhamento legitimo dos documentos e arquivos aprendidos pela Policia Federal durante a “Operação Dilúvio”. A inexistência desses atos tem como conseqüência a inadmissibilidade de sua utilização como elementos de prova no presente procedimento fiscal. São, portanto, provas obtidas ou compartilhadas ilicitamente, sem prévio e imprescindível controle e autorização judiciais. Se a ordem constitucional vigente exige, para superação pontual e legítima das inviolabilidades asseguradas os incisos X, XI e XII do art. 5º, prévia determinação judicial nesse sentido, a fortiori, também os elementos colhidos em decorrência de ordem judicial, com relativização das supramencionas inviolabilidades constitucionais, somente poderão ser compartilhados a outro órgão do aparato estatal se houver requisição formal do órgão interessado e prévia autorização judicial franqueando sua utilização para o fim ao qual foi solicitada. Transcreve a posição do Eg. STF no HC n°. 93.050/RJ, 2a Turma, Rel. Min. Celso de Mello, publicado no DJ de01.08.2008, v.u – destacouse; III – Alega a aplicação cumulativa da multa, que não houve subfaturamento. Por fim, requer seja apreciada com vistas a que seja julgada improcedente a ação fiscal, declarandose insubsistentes os lançamentos. Defesa de Alessandra Salewski – fls. 430 a 456; Resumidamente a alegação da impugnante retro, é de que não tem nenhum vinculo com a suposta importadora HITECH DO BRASIL S/A CNPJ – 05463639/000127, que houve violação da Lei de interceptação telefônica em consonância com HC – Habeas Corpus n° 142045 PR, no qual figura os pacientes Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, pois os Ministros do C. STJ houveram por bem conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos e a mesma é beneficiária deste HC. Por fim requer a impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Defesa de Marco Antônio Mansur fls. 631 a 662. Resumidamente a alegação do impugnante retro, é de que não tem nenhum vinculo com a suposta importadora HITECH DO BRASIL S/A CNPJ – 05463639/000127, que houve violação da Lei de interceptação telefônica em consonância com HC – Habeas Corpus n°142045 PR, no qual figura como paciente e Marco Antônio Mansur Filho, pois os Ministros do C.STJ houveram por bem conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos. Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por consequência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Defesa de Marco Antônio Mansur Filho fls. 667 a 698; Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1008 11 Resumidamente a alegação do impugnante retro, é de que não tem nenhum vínculo com a suposta importadora HITECH DO BRASIL S/A CNPJ – 05463639/000127, que houve violação da Lei de interceptação telefônica em consonância com HC Habeas Corpus n°142045 PR, no qual figura como paciente e Marco Antônio Mansur, pois os Ministros do C. STJ houveram por bem conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos. Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Defesa de Antônio Carlos Barbeito Mendes fls. 614 a 628. Resumidamente a alegação do impugnante retro, é de que não tem nenhum vinculo com a suposta importadora HITECH DO BRASIL S/A CNPJ – 05463639/000127, que as acusações são genéricas e improcedentes, que não há nenhuma prova consistente que demonstre quaisquer relações com as empresas supostamente envolvidas no Auto de Infração em apreço. Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. A DRJ em Recife julgou procedente o auto de infração, para manter a exigência do imposto de renda, referente ao anocalendário de 1998, no valor total de R$ 829.514,77 (oitocentos e vinte e nove mil, quinhentos e catorze reais e setenta e sete centavos), e a multa de oficio de 150%, no valor de R$ 1.244.272,15 (um milhão, duzentos e quarenta e quatro mil, duzentos e setenta e dois reais e quinze centavos), mas excluiu do polo passivo do lançamento todas as pessoas físicas arroladas como responsáveis solidários, por entender que não restou provado nos autos, com provas licitas, o interesse comum dos supostos envolvidos, bem como a empresa CIL Comércio de Informática Ltda., nos seguintes termos: COFINS – IMPORTAÇÃO. A importadora alterou indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. PIS – IMPORTAÇÃO. A importadora alterou indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO PARA SE PRONUNCIAR.. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1009 12 Nos casos de impugnação a auto de infração, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento são competentes para julgar tudo aquilo que for relativo à matéria atinente As infrações apuradas. Inclusive, sobre sujeição passiva solidária quando ficar demonstrado com provas licitas o interesse comum de terceiros envolvidos. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A autuada praticou ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador. A fraude consiste em declarar valores a menor, resultando no subfaturamento. Tendo em vista a exoneração correspondente a R$ 1.099.927,46 (um milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos) em face da exclusão do polo passivo do lançamento da empresa CIL Comércio de Informática Ltda. e das pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski, a DRJ em Recife recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Não foi interposto recurso voluntário relativamente à parte mantida pela DRJ em Recife. É o relatório. Voto vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à existência nos autos de provas lícitas e concludentes da existência do interesse comum no fato gerador do tributo, necessária para imputação de responsabilidade solidária em face da empresa CIL Comércio de Informática Ltda. e das pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski, bem como para a manutenção da multa qualificada e do suposto cunho penal da infração administrativa. Isso porque, não tendo sido apresentado Recurso Voluntário, foi apenas esta a matéria devolvida a este C. Tribunal. Pois bem. A integralidade dos documentos apresentados pela fiscalização para lastrear o presente o Auto de Infração, em especial, no que se refere aos Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os sujeitos acima relacionados, foram obtidos em decorrência da investigação realizada, em conjunto, pela Receita Federal do Brasil e pela Polícia Federal, denominada “Operação Dilúvio”, destinada ao combate a suposto esquema de descaminho, fraudes no comércio exterior, sonegação e importações subfaturadas envolvendo importantes empresas. Esta constatação é aferida a partir de várias passagens da autuação, em especial do Relatório de Auditoria Fiscal. A título de exemplo, transcrevo alguns trechos do referido documento em que isto fica bastante evidente: Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1010 13 fl. 39 “No dia 16 de agosto de 2006 foi deflagrada a parte ostensiva da OPERAÇÃO DILÚVIO, tendo sido realizadas centenas de diligências em diversos endereços comerciais e residenciais, localizados em oito Unidades da Federação, e também no exterior, com vistas a localizar e apreender documentos que permitissem comprovar as fraudes praticadas. Nesta operação, que envolveu a participação de quase 2000 servidores da Policia Federal e da Receita Federal, houve a apreensão de grande quantidade de documentos, meios magnéticos e mercadorias, assim como a realização da prisão de mais de cem envolvidos.” fl. 40: “Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados A Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta especifica finalidade, procedeu à triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiê para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a representação aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas.” fl. 45: “Nas investigações da OPERAÇÃO DILÚVIO foram identificadas as seguintes importadoras do Grupo: Ø Mercotex do Brasil Ltda, CNPJ 01.732.373/000110; Ø Opus – Trading América do Sul Ltda, CNPJ 01.184.974/000135; Ø Mercotec Importação e Exportação S/A, CNPJ 07.067.563/000146; Ø HiTech do Brasil S/A, CNPJ 05.463.639/000127, e Ø Borgtec Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 05.429.757/000119.” fl. 49: “(...) foram apreendidas também por ocasião da OPERAÇÃO DILÚVIO em sua filial de São Paulo, percebese claramente que se trata de uma empresa bem sucedida, que tem acumulado lucros ano após ano e crescido vigorosamente”. fl. 51: “Além dele, cujo nome aparece em diversos documentos apreendidos na OPERAÇÃO DILÚVIO, destacamse as figuras' de José Eduardo Martins e Karina Bustamante, quase sempre presentes nos contatos efetuados pela empresa, especialmente por email, com fornecedores no exterior e, em particular, com empresas do Grupo MAM. Ambos são funcionários da filial em São Paulo e, tudo indica, ocupam posições privilegiadas dentro da empresa, pois, muitas vezes são determinantes nas tomadas de decisões estratégicas durante as negociações para compra, no exterior, e revenda, no mercado interno, de equipamentos e suprimentos de informática.” fl. 53: “Conforme se verificou, na análise de uma série de emails obtidos por interceptação de meios telemáticos legalmente autorizada trocados entre membros do Grupo MAM, especialmente entre Tony e Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1011 14 Marco Antônio Mansur (MAM), se fosse estabelecida uma classificação dentro da organização MAM, consoante grau de importância, Tony seria o 2° na linha hierárquica. Cabia a ele o gerenciamento das operações do Grupo nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, realizando negócios em parceria com MAM. As investigações da OPERAÇÃO DILÚVIO apontam a HiTech como uma das principais tradings à disposição do Grupo MAM, realizando diversas importações, das quais mais de 90% tiveram como fornecedor a empresa Feca International Corporation (também integrante do Grupo)”. fl. 55: “Emails obtidos por interceptação telefônica e de meios telemáticos, legalmente autorizada, confirmam que a Control é, de fato, uma empresa de fachada totalmente controlada pelo Grupo MAM, através de Tony e Marco Antônio Mansur Filho (Marquito), atuando, principalmente, como adquirente de mercadorias importadas por outras empresas do Grupo, como Mercotex, Opus, Hi Tech e Borgtec. Seria responsável apenas pela emissão de notas fiscais, simulando operações de compra e venda de mercadorias importadas, funcionando como uma intermediária no esquema de interposição fraudulenta, com vistas a esconder os reais adquirentes das mercadorias, clientes contumazes das empresas do Grupo MAM.” fl. 56: “Interceptações telefônicas autorizadas judicialmente evidenciaram as relações existentes entre Liberalino (ou Lino, como é conhecido) e Marco Antônio Mansur Filho (Marquito), de quem recebia ordens. Ficou comprovado que Lino, de fato, é empregado do Grupo, funcionando como um testadeferro assalariado, que emprestou o nome para acobertar os verdadeiros donos da Lansaret.” fl. 66: “Esse Relatório de Fiscalização é farto de elementos que comprovam a prática de todas as infrações cometidas pelos autuados. Ademais, os Autos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal de n° 2007.70.00.00111062 (fls. 132 a 154) e seus apensos, que constam da respectiva Ação Penal, são bastante esclarecedores sobre a participação de cada uma das pessoas físicas envolvidas na operacionalização do esquema.” A própria descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração é categórica ao afirmar que as supostas infrações imputadas foram apuradas em fiscalização realizada em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação “Operação Dilúvio”: “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL Comércio de Informática Ltda. CNPJ n. 24.073.694/000155 em conluio com a empresa HITECH DO BRASIL S/A CNPJ n. 05463639/000127, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILUVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados” Neste contexto, não resta dúvida que os elementos de prova que lastrearam a imputação de responsabilidade solidária em face das pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1012 15 Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salews, e da própria empresa CIL Comércio de Informática Ltda. foram integralmente obtidos na intitulada OPERAÇÃO DILÚVIO, referindose, em especial, a emails e escutas telefônica. Tecido este esclarecimento e antes de enfrentar o mérito da questão, ou seja, antes de analisar a suficiência ou não de provas para a formação do convencimento da autoridade julgadora sobre a existência de interesse comum ou mesmo conluio entre a importadora de direito, a de fato e as pessoas físicas supostamente envolvidas na referida operação, devese, de plano, manter a parte da decisão recorrida que excluiu Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho do polo passivo da atuação. Isso porque, nesse interim, transitou em julgado decisão judicial (HC n° 142.045/PR) na qual restou reconhecida a ilicitude das provas contra eles obtidas por meio da “Operação Dilúvio”, bem assim das provas produzidas a partir dessas mesmas provas. Com efeito, no voto vencedor que transitou em julgado em favor do Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, o Ministro do Superior Tribunal de Justiça Nilson Naves deixou consignado o seguinte: “Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08) reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefónicas; consequentemente, a fim de que ‘toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefónicas’ seja, também considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar ás mãos do Juiz originário para determinação de direito.” De fato, se é incontroverso que os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho pautaramse em provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos na “Operação Dilúvio” e que, o Poder Judiciário, por sua vez, entendeu que essas provas são ilícitas, por terem sido obtidas em desacordo com a legislação vigente, não há como manter a autuação em face dessas pessoas. Dito isso, passemos à análise da situação dos demais responsáveis solidários. De início, importa ressaltar que, a despeito de se ter notícia apenas de decisão judicial transida em julgado a favor de Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, é possível verificar que o Superior Tribunal de Justiça, naquele julgamento, analisou a ilegalidade da obtenção das provas na “Operação Dilúvio” como um todo, não se atendo a particularidades dos impetrantes. Isso porque a razão de decidir foi a obtenção de escutas antes da primeira interceptação autorizada, extrapolação do prazo e da renovação desse prazo para a escuta telefônica, ou seja, escutas telefônicas realizadas sem autorização Judicial. Assim, o que se verifica é que, ainda que a referida decisão não opere efeitos em relação a terceiros, certo é que o próprio Superior Tribunal de Justiça reconheceu que todas as provas decorrentes da “Operação Dilúvio” seriam nulas, na medida em que teriam sido obtidas por meio ilícitos, por extrapolação do prazo para as escutas telefônicas. Dessa forma, concluise que, mesmo em relação àquelas pessoas que não obtiveram decisão judicial transitada em julgado no poder judiciário a seu favor (tampouco decisão em sentido contrário) devese, seguindo a linha adotada pelo Superior Tribunal de Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1013 16 Justiça, considerar nulas as provas obtidas na “Operação Dilúvio”, vez que obtidas, em última análise, sem autorização Judicial. Afinal, o que se vê é que a constituição do crédito tributário em face dos responsáveis solidários se deu com suporte em provas eivadas pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada” (art. 157, § 1º, CPP). O Supremo Tribunal Federal tem diversos julgados acerca da imprestabilidade das provas obtidas por meio ilícito, conforme se pode verificar de trechos do excelente voto proferido pelo Ministro Celso de Mello: Tenho reiteradamente enfatizado, em diversas decisões proferidas no âmbito desta Corte Suprema, que ninguém pode ser denunciado ou condenado com fundamento em provas ilícitas, eis que a atividade persecutória do Poder Público, também nesse domínio, está necessariamente subordinada à estrita observância de parâmetros de caráter éticojurídico cuja transgressão só pode importar, no contexto emergente de nosso sistema normativo, na absoluta ineficácia dos meios probatórios produzidos pelo Estado. Impõese registrar, como expressiva conquista dos direitos instituídos em favor daqueles que sofrem a ação persecutória do Estado, a inquestionável hostilidade do ordenamento constitucional brasileiro às provas ilegítimas e às provas ilícitas. A Constituição da República, por isso mesmo, sancionou, com a inadmissibilidade de sua válida utilização, as provas inquinadas de ilegitimidade ou de ilicitude. A norma inscrita no artigo 5º, LVI, da Lei Fundamental promulgada em 1988, consagrou, entre nós, com fundamento em sólido magistério doutrinário (Ada Pellegrini Grinover, Novas tendências do direito processual, Forense Universitária, 1990, p. 6082; Mauro Cappelletti, Efficacia di prove illegittimamente ammesse e comportamento della parte, Rivista di Diritto Civile, p. 112, 1961; Vicenzo Vigoriti, Prove illecite e costituzione, Rivista de Diritto Processuale, p. 64 e 70, 1968), o postulado de que a prova obtida por meios ilícitos deve ser repudiada – e repudiada sempre – pelos juízes e Tribunais, “por mais relevantes que sejam os fatos por ela apurados, uma vez que se subsume ela ao conceito de inconstitucionalidade...” (Ada Pellegrini Grinover, op. cit., p. 62). (...) A prova ilícita é prova inidônea. Mais do que isso, prova ilícita é prova imprestável. Não se reveste, por essa explícita razão, de qualquer aptidão jurídicomaterial. Prova ilícita, sendo providência instrutória eivada de inconstitucionalidade, apresentase destituída de qualquer grau, por mínimo que seja, de eficácia jurídica. (Ação Penal nº 3073 Distrito Federal RF 252/6869) Também este Conselho Administrativo possui inúmeros precedentes no sentido de que não se pode admitir lançamento efetuado com base em prova obtida por meio ilícito, conforme se verifica da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. ORDEM JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE EXECUÇÃO. ILEGALIDADE DA PROVA. A busca e apreensão de documentos é medida excepcional, devendo a sua execução ser realizada sob amparo de ordem judicial, e nos estritos limites e Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1014 17 requisitos dela constantes. Ao promover a busca e apreensão de bens e documentos em forma diversa daquela autorizada judicialmente, a autoridade policial descumpriu a ordem judicial de busca e apreensão, invalidando a prova dela decorrente. PROVA ILÍCITA. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, no processo de formação do lançamento, a utilização de provas adquiridas por meio ilícito, ainda que sob a pretensão de cumprimento de ordem judicial, mas extrapolando os limites nela fixados. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 1401000.829, publicado em 20.11.2012) Por fim, vale ressaltar que o Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a disciplina do processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, do processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, trouxe definitivamente para o âmbito do processo administrativo fiscal federal previsão expressa da imprestabilidade das provas obtidas por meio ilícito: Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332). Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 30). Por todo exposto, entendo que não há como manter os Termos de Sujeição Passiva Solidária, tampouco a multa qualificada e o suposto cunho penal da infração administrativa já que todos esses atos se basearam no dossiê da “Operação Dilúvio”, que foi considerado nulo pelo Poder Judiciário, uma vez que todas as provas nele contidas teriam sido obtidas por meio ilícito, o que contamina todo o processo ora em julgamento. De fato, é de se entender que como as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente fiscal por meios lícitos, comprometeuse toda a fiscalização. Este argumento, por si só é suficiente para determinar a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da presente autuação. Não bastasse isso, acompanho a decisão recorrida no sentido de que, mesmo que se entendesse que os documentos apresentados pela fiscalização fossem lícitos, ainda assim não se sustentaria a imputação das responsabilidades solidárias em questão, tendo em vista que não há uma única prova de conduta ilícita das pessoas físicas mencionadas, ou de vinculando dos mesmos com os fatos geradores. Com efeito, a decisão recorrida deixou evidente que, mesmo superada a questão da ilicitude das interceptações telefônicas e telemáticas, devese concluir pela ausência de prova cabal para lastrear a autuação contra essas pessoas, valendose a fiscalização de meras conjecturas, ilações, suposições, sem qualquer apresentar qualquer prova concreta do conluio entre a importadora de Direito e de fato a HITech do Brasil S.A e os demais supostos envolvidos na referida operação: Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1015 18 Às fls. 035 a 038 do presente processo, a Fiscalização faz conjecturas, suposições, sem, no entanto, trazer a lume provas concretas, licitas, senão vejamos: “(...) a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas provoca danos fazendários tanto à União quanto aos Estados onde estão estabelecidos. No âmbito estadual, o dano pode decorrer da destinação do ICMS, devido na entrada da mercadoria, quando este não se encontra estabelecido na mesma Unidade Estadual do real adquirente. Na esfera federal, o dano tem ainda maior potencial e atinge diversos tributos, como veremos a seguir.” “(..) Devese atentar, ainda, para o que dispõe o artigo 118 do regulamento o IPI, Decreto n°. 4.544/2002: (transcrição do Art. 118 do Regulamento do IPI) Ou seja, se optante pelo SIMPLES, o contribuinte não poderá se apropriar de créditos relativos ao Imposto. Assim, por exemplo, em uma operação por conta e ordem declarada como por conta própria, caso a interposta pessoa se credite do valor do IPI, e sendo a real adquirente optante pelo SIMPLES, os valores de IPI creditados pela interposta pessoa representam mais um dano provocado fazenda da União, uma vez que eles reduzem indevidamente o crédito a recolher da cadeia.” Às fls. 042 a fiscalização alega a existência de meios probantes do envolvimento da CIL Comércio de Informática Ltda. em conluio com HITech do Brasil S.A, os quais estão sintetizados às fls.55; Às fls. 053 a fiscalização usa expressões duvidosas, vagas: “(..) Ambos são funcionários da filial de São Paulo e, tudo indica ocupam posições privilegiadas dentro da empresa, pois, muitas vezes são determinantes nas tomadas de decisões estratégicas durante as negociações para compra, no exterior e, em particular, com empresas do Grupo MAM” As fls. 055 – (...) A HITech do Brasil S.A aumento consideravelmente suas importações por conta e ordem de terceiros, não trouxe provas aos autos. A fiscalização esclarece: “(...) as únicas empresas adquirentes, registras no Siscomex, que teriam “contratado” a HITech do Brasil S.A. para que ela importasse mercadorias por sua conta e ordem fora a Ghats Comércio Exterior Ltda. – CNPJ – 68.758.218/000143, a Distribuidora Sentra Comercila Ltda – CNPJ – 02155389/000170 e a Control Comércio exterior Ltda – CNPJ – 02069249/000189. Portanto, há evidências que é realmente importadora e que foi contratada por conta de terceiros A Fiscalização se utiliza da expressão: (...) Tudo indica que é uma empresa e “fachada”... (...) haja vista que nem todos os valores comerciais utilizados nas vendas da CIL ao mercado nacional puderam ser determinados com precisão. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1016 19 A Fiscalização alega que os controladores da organização são: Marco Antônio Mansur – CPF – 36515345968, Marco Antônio Mansur Filho – CPF – 25674726817, Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 02093845733 e Alessandra Salewski – CPF – 10311292860. (...) A Fiscalização aduz que: (..) supõese que Marcos Mella teria se enganado quanto ao valor exato da operação em foco e quanto ao percentual do comarketing prometido de (1%). A fiscalização, além da ilegalidade da prova trazida, mesmo considerando que fosse legal a referida prova, ela mesma admiti que não bate os supostos valores combinados entre os supostos envolvidos, portanto, não tem valor probante. Analisando as Declarações de Imposto de Renda – DIPJs da CIL Comercio de Informática Ltda – CNPJ – 24073694/000155, da HI Tech do Brasil S.A– CNPJ – 05463639/000127, da Ghats Comércio Exterior Ltda CNPJ – 68.758.218/000143, da Distribuidora Sentra Comercial Ltda. CNPJ 02155389/000170, da Control Comércio Exterior Ltda – CNPJ – 02069249/000189, elas nunca foram e não são optantes da sistemática de tributação pelo SIMPLES, portanto, tais afirmações transcritas anteriormente, são sem fundamentos. Diante das provas trazidas aos autos, convençome de que as mesmas não demonstraram que houve conluio entre a importadora de Direito e de fato a HITech do Brasil S.A e os demais supostos envolvidos na referida operação. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da autuação, bem como o cancelamento da multa qualificada e o suposto cunho penal da infração administrativa. (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé VOTO VENCEDOR Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Penso, que o presente processo não se encontra em condições de ser julgado. De fato, em primeiro lugar, há que se considerar que, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a decisão proferida em sede habeas corpus não surte efeitos exclusivamente com relação ao paciente. Confirase ementa acórdão proferido nos autos do HC 80479 / RJ1. EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSO PENAL. ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. CRIMES 1 Relator: Min. NELSON JOBIM, Segunda Turma, julgado em 05/12/2000. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1017 20 HEDIONDOS. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA. EXTENSÃO DA DECISÃO AO CORÉU. Os crimes capitulados nos arts. 213 e 214 do CP, para serem considerados como crimes hediondos, devem resultar em lesão corporal de natureza grave ou morte. Precedente. No caso, resultaram apenas lesões leves. O paciente deve cumprir a pena em regime inicialmente fechado. Na hipótese de concurso de agentes, o CPP contempla a possibilidade de um dos réus aproveitar a decisão proferida em recurso de outro, desde que os motivos não se fundem em caráter exclusivamente pessoal (CPP, art. 580). A decisão que o paciente pretende ver estendida não se fundamentou em aspectos de ordem exclusivamente pessoal. Habeas deferido. Ou seja, há, com efeito, que se perquirir acerca do efeito da decisão que anulou parte das escutas telefônicas, proferida nos autos do habeas corpus. Nessa esteira, com vistas à compreensão do alcance da decisão que decretou a nulidade parcial das provas, este Relator consultou o sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e obteve cópia da sentença proferida nos autos da Ação Penal nº 2007.70.00.011106 2/PR. Da referida decisão extraise o seguinte excerto2: "A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações,analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: ‘Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão,para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível.’ Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°,CPP)." 2 http://www.trf4.gov.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=jfpr&documento=5674216&DocC omposto=&Sequencia=&hash=9a07819af2f9bf41029729fb612329e7 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1018 21 Em face de tal decisão, em que pese a independência entre as esferas judicial (criminal) e administrativa (tributária), a nulidade decretada pelo acórdão proferido nos autos do habeas corpus, poderá produzir efeitos no presente processo, pois há norma concreta (sentença transitada em julgado) que impossibilitaria a utilização de provas colhidas no juízo criminal e compartilhadas com as autoridades fiscais. Não vejo, entretanto, fundamento para, com base na decisão proferida na Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR, decretar a insubsistência da exigência fiscal. Até porque a impossibilidade de segregar as provas contaminadas faz parte dos motivos de decidir (e não da decisão) e, como tal, não se encontra albergada pela coisa julgada, nos termos do art. 469, I do Código de Processo Civil. Reforça essa convicção a decisão proferida nos autos do Habeas Corpus 2007.70.00.0160267/PR, onde o Poder Judiciário rejeitou a proposta de extensão dos efeitos da decisão proferida nos autos do Habeas Corpus que decidiu pela absolvição. Desnecessário, ademais, tecer maior comentários acerca independência das esferas administrativa e judicial e dos poderes de instrução do Fisco. Ou seja, a autoridade fiscal não se sujeita às conclusões do Ministério Público Federal. Por outro lado, tratandose de prova colhida na esfera criminal, é preciso ter em mente o que diz o art. 157, caput e §§ do Código de Processo Penal, segundo a redação fornecida pela Lei 11.690/2008, que, relembrese, possui a seguinte redação: Art.157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2o Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Assim, nos mesmos moldes adotados pelo magistrado que presidiu o processo criminal, entendo prudente que seja conferida oportunidade para que as autoridades que assumem posição análoga à do autor daquela ação, ou seja, os autuantes, analisem as provas colacionadas aos autos e segreguem, além das interceptações em si, os elementos que na sua opinião, não possuam nexo de causalidade com as interceptações ou, ainda que possuam, poderiam ser enquadradas como fonte independente daquela declarada nula, nos termos do que dispõe o § 1º acima transcrito. Deverá ser elaborado parecer conclusivo elencando os elementos de prova que a autoridade considera não maculados e a razão pela qual os considera regularmente produzidos, sendo ponto de partida para tanto as interceptações realizadas no período de 60 dias, consideradas válidas pelo Poder Judiciário. Assim, se requer que a Fiscalização responda, em parecer fundamentado, às seguintes questões: Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1019 22 1 Identifique e relacione os documentos obtidos a partir de fonte independente, ou seja, independentemente da autorização consubstanciada no Mandado de Busca e Apreensão e dos documentos e arquivos magnéticos apreendidos em seu cumprimento. 2 Especifique a relação entre os documentos elencados no item 1 e a acusação que recai sobre os devedores, principal e solidários. Concluído tal parecer, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para que as pessoas físicas e jurídicas apontadas como devedoras principal e solidárias teçam suas considerações. Concluído tal prazo, com ou sem a apresentação de manifestação, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É como Voto. (Assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro VOTO VISTA Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Ouso discordar da nobre Relatora e lhe peço vênia para manifestar entendimento e encaminhamento de voto em sentido diverso. Conforme delineado no relatório precedente, a matéria recorrida e devolvida à apreciação deste Colegiado cingese apenas à exclusão dos responsáveis solidários do polo passivo da autuação, a saber: a pessoa jurídica CIL Comércio de Informática Ltda. e as pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewski. Para que não reste qualquer dúvida respeito dos contornos lide submetido a este Colegiado, trago à colação as conclusões apresentadas no voto condutor do julgado recorrido expostas no excerto a seguir reproduzido: Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER da impugnação interposta pelas pessoas arroladas como responsáveis solidários, não restou provado nos autos, com provas lícitas, o interesse comum dos supostos envolvidos; determinando, de outra sorte, que o Crédito Tributário Apurado no presente Auto de Infração, seja mantido e imediatamente encaminhado para a cobrança no sujeito passivo HI Tech do Brasil S.A — CNPJ —05.463.639/000127. Impugnação Procedente, manter o Crédito Tributário, no sujeito passivo HITech do Brasil S.A — CNPJ — 05.463.639/000127, por configurar nos autos do presente processo como Importadora, mantendose a multa qualificada. Exonerar da responsabilidade solidária e da sujeição passiva os demais contribuintes arrolados, são eles: CIL Comércio de Informática Ltda, as pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1020 23 Ressaltese que, em razão da exoneração correspondente a R$ 1.099.927,46 (Um milhão, noventa e nove mil, novecentos e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos) por não mais figurarem no pólo passivo da sujeição tributária (a empresa CIL Comércio de Informática Ltda, as pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski) e em conformidade com o disposto no art. 34, I, do Decreto n.° 70.235/1972, deve ser submetida à análise do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na forma de RECURSO DE OFÍCIO. (grifos não originais) É pertinente esclarecer, previamente, que a inclusão, no polo passivo das autuações, das pessoas jurídicas e das pessoas físicas deuse por motivos distintos, isto é, o motivo da inclusão da pessoa jurídica HiTech do Brasil S/A. foi diferente do motivo da inclusão da pessoa CIL Comércio de Informática Ltda. e destas em relação as pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewski. De fato, compulsando o item 4 do Relatório de Auditoria integrante dos autos de infração (fls. 65/76), verificase que a pessoa jurídica HiTech do Brasil S/A. foi relacionada como sujeito passivo como contribuinte, especificamente, na condição de importador (de direito) das mercadorias objeto da autuação em apreço, conforme se infere do teor dos trechos colhidos do citado Relatório (fls. 69/71) que seguem transcritos: Como resta demonstrado de sobejo neste relatório, a pessoa jurídica importadora HiTech do Brasil S/A não realizou as transações comerciais que originaram as importações das mercadorias. Participou, sim, de simulações de importações por conta própria, sempre em acordo simulatório como real adquirente das mercadorias. Assim, sua atividade dizia respeito ao despacho aduaneiro das mercadorias importadas, ou seja, é de se dizer que atuava por ordem do real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira. [...] Adquirente das mercadorias é a empresa contraente do negócio jurídico que originou a operação de importação, isto é, o sujeito que praticou atos de comércio internacional, comprando no exterior as mercadorias estrangeiras. Aqui, pouco importa se é ele mesmo quem promove a importação ou se o faz por intermédio de pessoa jurídica importadora. [...] Imprestáveis à completa identificação do sujeito passivo, portanto, as formalidades sem propósito negocial, cujo único objetivo, era ocultar a materialidade das operações de importação. Assim, no presente caso, adquirente das mercadorias de procedência estrangeira foi a empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LIDA. As declarações de importação foram registradas pela pessoa jurídica importadora HITECH DO BRASIL S/A, CNPJ 05.463.639/000127, isto é, a HiTech, ainda que por conta, ordem, ou encomenda de outrem, foi quem submeteu a despacho aduaneiro as mercadorias estrangeiras, com o fito de que fossem desembaraçadas e, portanto, Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1021 24 pudessem circular economicamente sendo incorporadas ao aparelho produtivo nacional. Nesta condição, a pessoa jurídica importadora pratica ato para internação das mercadorias quando ainda eram estrangeiras e, conseqüentemente, é contribuinte do imposto de importação. (grifos não originais) Por sua vez, a pessoa jurídica CIL Comércio de Informática Ltda. foi arrolada no polo passivo como responsável solidária, especificamente, na condição de adquirente (real importadora) das mercadorias, nos termos explicitados nos excertos extraídos do citado Relatório (fl. 71), que seguem transcritos: Quanto à empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 24.073.694/000155, há sujeição passiva enquanto responsável solidário decorrente da sua caracterização como adquirente das mercadorias de procedência estrangeira, porque: a) há interesse comum nas situações constituintes dos fatos geradores, pois as mercadorias foram importadas por sua conta e ordem, o que confirma estarem presentes tanto a comunidade do interesse jurídico quanto o proveito conjunto que retiram da situação importador e adquirente, o que atrai a incidência da norma que se retira do artigo 124, inciso I, do CTN; “Art. 124. Sao solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” (grifamos). b) há expressa determinação legal conforme prescreve o parágrafo único do artigo 32 do DL n° 37/66 cristalinamente aplicável ao sujeito de direitos na sua condição de adquirente. “Art . 32.[...] Parágrafo único. E responsável solidário: (incluído pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988) . [...] c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Medida Provisória n° 215835, de 24.8.2001) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei n°11.281, de 2006)” (grifos do original). Embora os preceitos legais citados refiramse ao Imposto sobre a Importação (II), é oportuno esclarecer que há preceitos simétricos e de mesmo teor na legislação dos demais tributos (IPI vinculado á importação, Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação) e, especificamente, na própria legislação de comércio exterior que trata das infrações aduaneiras. Por fim, todas as pessoas físicas foram incorporadas ao polo passivo como responsáveis solidárias por revelarem interesse comum na situação que constituintes do fato gerador da obrigação principal objeto das autuações vergastas, conforme definidos no art. 124, Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1022 25 I, do CTN, e no art. 95, I, do Decretolei nº 37, de 1966, conforme se extrai do trecho colhido do citado Relatório (fl. 71), que segue transcrito: Da mesma forma, as pessoas físicas do MARCO ANTONIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, ANTONIO CARLOS BARBEITO MENDES e ALESSANDRA SALEWSKI, por serem os principais operadores do esquema fraudulento, tendo, portanto, interesse direto na situação que constitui o fato gerador, são também solidários. (grifos não originais) A partir desse breve relato, com a devida vênia, é possível apontar sérias contradições e graves omissões nas conclusões apresentadas no voto condutor do julgado recorrido, inclusive, com evidente prejuízo ao direito de defesa da contribuinte impugnante Hi Tech do Brasil S/A. A primeira contradição que salta aos olhos referese ao fato de a impugnação ter sido considerada procedente e o crédito tributário integralmente mantido, incluindo a multa agravada, porém, apenas em nome da marginalizada contribuinteimpugnante HiTech do Brasil S/A. E o mais grave, a meu ver, foi o tratamento dispensado à robusta defesa da contribuinte e impugnante HiTech do Brasil S/A., coligida tempestivamente aos autos (fls. 598/610), desde o relatório encartado no acórdão recorrido que, aliás, apenas mencionou a referida impugnação sem, contudo, explicitar quaisquer das várias e relevantes razões de defesa aduzidas na citada peça impugnatória. Senão veja o trecho do citado relatório (fl. 782) que tratou da referida impugnação, a seguir a reproduzido: Cientificada do lançamento em 14 de Dezembro de 2009, através de Edital às fls. 539, a empresa HITech do Brasil S.A apresentou sua defesas às fls. 597 a 609. Por outro lado, se comparado com o longo e exaustivo relato dedicado às igualmente relevantes razões de defesa apresentadas pela responsável solidária CIL Comércio de Informática Ltda., explicitadas em cerca de quatro páginas (fls. 782/785), fica evidenciado que o tratamento dado a defesa da contribuinte e impugnante HiTech do Brasil S/A. não foi isonômico com que foi conferido a dita responsável solidária e tampouco consentâneo com o pleno exercício do direito de defesa assegurado pela nossa Carta Magna a todas as pessoas físicas e jurídicas deste País, sem qualquer distinção. O mesmo se refletiu no corpo do voto condutor do julgado recorrido, haja vista que nenhum dos diversos relevantes e pertinentes argumentos de defesa aduzidos pela contribuinteimpugnante HiTech do Brasil S/A. foi analisado, sendolhe, ao fim e ao cabo, atribuída a responsabilidade integral e solitária por todo o valor do crédito tributário lançado, sem qualquer motivação e fundamentação jurídica adequada. Também as contradições apresentadas corpo do voto condutor do julgado em apreço são evidentes. Senão veja as palavras do relator expostas no trecho a seguir transcrito (fl. 787): Resumidamente, temos dois pontos a analisar: primeiro, se existem provas concretas, lícitas que comprovem o interesse comum dos supostos envolvidos, que o real importador não é o sujeito passivo Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1023 26 constante na DI. O Segundo ponto, seria em havendo interesse comum devidamente comprovado, poderia a fiscalização atribuir a sujeição passiva a todos os supostos envolvidos? De fato, conforme se observa nos autos, quase todos, senão todos, os documentos apresentados pela fiscalização para sustentar o auto de infração, e o seu entendimento das responsabilidades, são simples cópias de documentos supostamente apreendidos na "operação dilúvio. Deste modo, é de se entender que as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente fiscal por meios lícitos; comprometendose, desta forma toda a fiscalização. Também é de se entender que a falta de tradução de documentos em língua estrangeira, em última análise, fere o direito a ampla defesa do contribuinte; na medida em que se exige do mesmo o conhecimento em língua estrangeira que este não está obrigado a ter. Ademais, mesmo que entenda que os documentos apresentados pela fiscalização são lícitos, ainda assim não há uma única prova de conduta ilícita das pessoas físicas mencionadas, ou de vinculado dos mesmos com os fatos geradores. (grifos originais) Previamente, é oportuno esclarecer que a grande parte da documentação colacionadas aos autos (fls. 306/534), que serviu de base para lavratura dos autos de infração em análise, foi extraída dos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou fornecida pela responsável solidária CIL Comércio de Informática Ltda., conforme se verifica na petição de fls. 211/212, por meio da qual, em atenção à intimação da fiscalização, foram encaminhadas as notas fiscais discriminadas na relação de fl. 213, as demonstrações financeiras de fls. 286/305 e demais documentos colacionados aos autos, inclusive, todos eles autenticados pelos representantes legais da citada pessoa jurídica. Assim, analisando os referidos documentos coligidos aos autos fica cabalmente demonstrado que, com todas as vênias aos ilustres julgadores de primeira instância, não são verídicas as assertivas no sentido de que “quase todos, senão todos, os documentos apresentados pela fiscalização para sustentar o auto de infração, e o seu entendimento das responsabilidades, são simples cópias de documentos supostamente apreendidos na ‘operação dilúvio’; ou que “as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente fiscal por meios lícitos; comprometendose, desta forma toda a fiscalização.” Além disso, mais uma vez, com a devida vênia, há contradição insuperável nas conclusões apresentadas pelo nobre Relator do voto condutor do julgador recorrido, quando assevera que “as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente fiscal por meios lícitos; comprometendose, desta forma toda a fiscalização.”, mas mantém integralmente a autuação em nome da contribuinte impugnante HiTech do Brasil S/A. Ora, se “as supostas provas” eram ilegítimas e comprometia toda a fiscalização, como asseverado pelo nobre Relator, soa estranhíssimo que a autuação tenha sido mantida integralmente em nome da contribuinteimpugnante HiTech do Brasil S/A. Com base nessas considerações, resta demonstrado nos autos o evidente cerceamento do direito de defesa da contribuinteimpugnante HiTech do Brasil S/A., o que Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 19647.014861/200944 Resolução nº 3102000.283 S3C1T2 Fl. 1024 27 macula toda a decisão recorrida com o vício de nulidade insanável, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para ANULAR integralmente a acórdão recorrido e determinar que outra decisão seja proferida em boa e devida forma. Por fim, a título de mera sugestão, recomendase que, antes de proferido o novo julgamento, caso assim entenda o Órgão julgador de primeiro grau, os autos sejam baixados em diligência, para que a fiscalização manifestese acerca da licitude das provas que serviram de fundamento da autuação, tendo em conta os parâmetros da decisão proferida pelo STJ no âmbito do HC nº 142.045. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Numero do processo: 11080.722485/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.304
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, converter o julgamento em diligência para que seja dado ciência do Acórdão de Impugnação à devedora solidária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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Nome do relator: Não se aplica
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Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 22 48 5/ 20 10 -4 0 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/201040 Resolução nº 2302000.304 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo BANCO DO BRASIL S/A em face da decisão administrativa proferida pela 5ª Turma da DRJ/BSB que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O crédito previdenciário lançado contra a empresa referese ao período de 12/1997 a 03/1998, no valor de R$ 1.278,70 (um mil duzentos e setenta e oito reais e setenta centavos). O presente lançamento objetiva restabelecer os lançamentos anulados (NFLD n° 35.067.6682 levantamentos SC1 e SM1; nº 35.067.6690 levantamento SC2), por vício formal, conforme ementa da 4ª CAJ –Câmara de Julgamento /CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO”. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 11/23), o objeto do crédito constituído é a contribuição previdenciária dos segurados que a empresa deveria ter retido e recolhido ao INSS, devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, calculada por aferição indireta na forma das legislações e normas ali citadas. Consta ainda no relatório que o Banco do Brasil é responsável solidário pelo pagamento das contribuições devidas pela CONSTRUTORA SANTI LTDA., CNPJ: 93.101.210/000157. A fundamentação legal do débito (fls. 08), demonstra que a cobrança encontra validade nas disposições contidas no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91. O Banco do Brasil foi intimado do lançamento (DEBCAD nº 37.294.9843). Na impugnação (fls. 80/94), protocolada tempestivamente, foram aduzidas as razões que seguem: a) Preliminarmente, suplicou o chamamento ao processo da empresa executora da obra para apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância dos princípios da garantia de defesa e da verdade material, dado que ela dispõe de diversos documentos probantes dos recolhimentos previdenciários; b) Que por fazer parte da Administração Pública Federal, podendo contratar somente mediante licitação pública, está respaldada pela Lei de Licitações nº 8.666/93 e, neste contexto, não pode ser responsabilizada, por solidariedade, pelos encargos previdenciários devidos pela empresa contratada; c) Que há pagamentos comprovadamente efetuados pela empresa contratada cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/201040 Resolução nº 2302000.304 S2C3T2 Fl. 4 3 originários das NFLD 35.067.6682 (PAF 11686.000242/200813) e 35.067.6690 (PAF 11686.000241/200879); d) Que as Certidões Negativas de Débito – CND, expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; e) Que o fisco deve cobrar primeiramente da contratada. A omissão na fiscalização desta, importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo à empresa Impugnante; f) Que a redação original do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, vigente de junho/91 a dezembro/97, não vedava a aplicação do benefício de ordem, razão pela qual deve, pelo menos até dezembro/1997, ser aceito. g) Que a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou ilegal e abusivamente a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; h) Que a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos nº 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e nº 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690), deve ser aproveitada no presente feito, apensando a este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual; i) Por fim, requereu o acolhimento da preliminar para o fim de determinar o chamamento ao processo da empresa contratada responsável pelo recolhimento do débito relativo ao período lançado e, ultrapassadas essas, no mérito, pleiteou a improcedência da autuação. A Construtora SANTI Ltda., intimada do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01/2010 (fls.76/78), apresentou impugnação, dentro do prazo, alegando, em síntese: a) Que se o crédito objetiva restabelecer a exigência anulada por vicio formal dos lançamentos no período de 11/96 a 02/01 e que estes, após a aplicação da regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do art. 173, II, do CTN foram alcançados pela decadência, as parcelas aqui discutidas, no período de 12/97 a 03/98, também o foram; b) Pela situação exposta, houve a transcorrência de cinco anos entre a data do lançamento e a notificação da impugnante para efetuar o pagamento, pois os lançamentos são datados de 12/1997 e 03/1998, nos quais se percebe o transcurso do prazo estabelecido pelo art.174 do CTN; c) Pleiteou a nulidade da cobrança, uma vez que não consta nos autos o nome do devedor, no caso a Construtora Santi Ltda e nem o dos sócios, conforme Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/201040 Resolução nº 2302000.304 S2C3T2 Fl. 5 4 dispõe o art. 585 do CPC. Ressalta, ainda, que a empresa encontrase inoperante, tendo em vista o falecimento do sócio majoritário; d) Que não poderia responder solidariamente com o Banco do Brasil; e) Que não foi cientificada dos lançamentos anteriores; f) Insurgiuse contra os juros e multa abusiva, em afronta aos preceitos legais; g) Ao final, requereu o reconhecimento da decadência ou prescrição do período de 12/1997 e 03/1998 e, alternativamente, a nulidade por falta de requisitos formais indispensáveis a sua validade. Pleiteou também que a responsabilidade recaísse somente sobre a instituição financeira; h) Protestou por todos os meios de provas permitidos em direito, principalmente, os documentais, testemunhais e as periciais para o melhor deslinde da questão. Na decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BSB ACORDÃO 0348.913 (fls. 185/201), por unanimidade de votos, foi mantido o crédito previdenciário. Tais foram os motivos: a) Que não houve cerceamento de defesa, já que estão devidamente discriminados no Auto de Infração e em seus anexos os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como, a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento; b) Que o contratante de quaisquer serviços de construção civil responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias em relação aos serviços prestados. A elisão da responsabilidade solidária somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida e pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. A não apresentação desses documentos pelo tomador de serviços implica no lançamento a esse título; c) Que uma vez descumpridos os requisitos para elisão da responsabilidade solidária, cabe à AuditoriaFiscal lançar o crédito previdenciário contra o contratante, apurando as bases de cálculo a partir dos valores das notas fiscais ou faturas; d) Que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário; e) Que a utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade; f) Que a partir da lavratura do auto de infração não se pode mais cogitar na aplicação do instituto da decadência; e, se houve recurso administrativo, também Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/201040 Resolução nº 2302000.304 S2C3T2 Fl. 6 5 não cabe falar em prescrição cujo prazo somente começou a fluir na data da decisão administrativa final; g) Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não poderia ser cobrado, nem, conseqüentemente, prescrever. Intimado do Acórdão, em 24.07.2012 (fls. 203/204), o Banco do Brasil interpôs Recurso Voluntário (fls. 205/298). Em suas razões, de forma sucinta, afirmou: a) No que concerne à matrícula prevista no art. 49, § 1º, alínea “b” 8.212/91, aduziu que a mesma competia às empresas contratadas, eis que responsáveis pela execução da obra, motivo pelo qual deveriam ser chamadas para integrar o processo; b) Que o Recorrente por ser Sociedade de Economia Mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução, nos termos do art. 71, § 1º da Lei n.º 8.666/93; c) Que a solidariedade não se presume e resulta da lei ou da vontade das partes, não podendo ser fixada de forma arbitrária; d) Que a autuação referese à responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mãodeobra aliado aos próprios fundamentos do acórdão recorrido, devendo ser aplicado o beneficio de ordem para afastar a co responsabilidade atribuída ao Recorrente; e) Que a forma de apuração da base de cálculo, por arbitramento da contribuição previdenciária, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, prevista em lei, não poderia ter sido modificada pelo INSS, sendo, abusiva e ilegal, devendo ser nulificada a autuação efetuada; f) Requereu, ao final, o provimento do Recurso Voluntário. A empresa Construtora SANTI não foi intimada do Acórdão proferido pela Delegacia Regional de Julgamento. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/201040 Resolução nº 2302000.304 S2C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Em que pese o lançamento ter sido lavrado, por solidariedade, contra o Banco do Brasil e Construtora Santi Ltda., tendo ambas as partes apresentado impugnação, após a prolação do acórdão pela DRJ/DF, somente a instituição financeira foi notificada da decisão (fls. 202/204). Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão de 1ª instância caberá recurso voluntário, dentro de 30 (trinta) dias, da data da ciência do acórdão. "Decreto nº 70.235/72 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." A lei que rege o processo administrativo fiscal confere ao contribuinte o direito de ser intimado das decisões de forma a garantir o pleno exercício da ampla defesa e contraditório. Alçadas à categoria de garantias constitucionais (art. 5º, inciso LV, CF/88), tais princípios devem ser observados pela Administração Pública sob pena de nulidade (art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72), vejamos: "Constituição Federal/88: Art. 5°...... LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; " "Decreto 70.235/72: “Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Contempla o mesmo entendimento o enunciado disposto no art. 31, inciso II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito: "Art. 31. São nulos: ... Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11080.722485/201040 Resolução nº 2302000.304 S2C3T2 Fl. 8 7 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; " Na hipótese dos autos, não restou evidenciada a intimação da Construtora Santi Ltda. a respeito do acórdão proferido pela DRJ/DF (fls. 185/201). Neste contexto, não obstante seja integrante passiva da relação jurídicotributário, não tomou conhecimento dos motivos que ensejaram o convencimento do julgador a quo, ficando impedida de apresentar nova manifestação. Por todo o exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja intimada a Construtora Santi Ltda. sobre o acórdão da impugnação (fls. 185/201), abrindolhe prazo para manifestação, se for de seu interesse, no prazo estipulado pelo art. 33 do Decreto 70.235/72 (trinta dias). Sala das Sessões, em 14 de Maio de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 13839.001634/2008-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
OPÇÃO PELO SIMPLES. VERIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA AUFERIDA DISPOSTO EM LEI. DISCREPÂNCIA ENTRE RECEITA BRUTA E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRAS. INTIMAÇÃO SEM RESPOSTA. PROCEDIMENTO PARA ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONDIÇÕES ATENDIDAS.
Ao se analisar uma empresa optante pelo Simples, um dos procedimentos a fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadra-se nos limites estabelecidos em lei para a adesão do regime especial. E, diante de significativa discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, mostra-se pertinente solicitar à fiscalizada a apresentação de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa. Prazo de quatro meses sem nenhuma manifestação do contribuinte é mais do que suficiente para caracterizar mora no atendimento, consolidando contexto para que sejam preenchidas as condições para a emissão das RMF - Requisição de Movimentação Financeira, quais sejam, (1) existência de procedimento de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito passivo para apresentação de informações. O não fornecimento de informações sobre movimentação financeira caracteriza embaraço à fiscalização, uma das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da RMF.
Numero da decisão: 1103-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 OPÇÃO PELO SIMPLES. VERIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA AUFERIDA DISPOSTO EM LEI. DISCREPÂNCIA ENTRE RECEITA BRUTA E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRAS. INTIMAÇÃO SEM RESPOSTA. PROCEDIMENTO PARA ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONDIÇÕES ATENDIDAS. Ao se analisar uma empresa optante pelo Simples, um dos procedimentos a fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadra-se nos limites estabelecidos em lei para a adesão do regime especial. E, diante de significativa discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, mostra-se pertinente solicitar à fiscalizada a apresentação de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa. Prazo de quatro meses sem nenhuma manifestação do contribuinte é mais do que suficiente para caracterizar mora no atendimento, consolidando contexto para que sejam preenchidas as condições para a emissão das RMF - Requisição de Movimentação Financeira, quais sejam, (1) existência de procedimento de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito passivo para apresentação de informações. O não fornecimento de informações sobre movimentação financeira caracteriza embaraço à fiscalização, uma das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da RMF.
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VERIFICAÇÃO DO ATENDIMENTO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA AUFERIDA DISPOSTO EM LEI. DISCREPÂNCIA ENTRE RECEITA BRUTA E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRAS. INTIMAÇÃO SEM RESPOSTA. PROCEDIMENTO PARA ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONDIÇÕES ATENDIDAS. Ao se analisar uma empresa optante pelo Simples, um dos procedimentos a fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadrase nos limites estabelecidos em lei para a adesão do regime especial. E, diante de significativa discrepância entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira, mostrase pertinente solicitar à fiscalizada a apresentação de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa. Prazo de quatro meses sem nenhuma manifestação do contribuinte é mais do que suficiente para caracterizar mora no atendimento, consolidando contexto para que sejam preenchidas as condições para a emissão das RMF Requisição de Movimentação Financeira, quais sejam, (1) existência de procedimento de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito passivo para apresentação de informações. O não fornecimento de informações sobre movimentação financeira caracteriza embaraço à fiscalização, uma das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da RMF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 16 34 /2 00 8- 34 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 286 2 Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face da decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls. 261/274), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 ITER PROCEDIMENTAL DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES ADVINDAS DE TERCEIROS, VIA RMF, POR FALTA DE RAZOABILIDADE NA CONDUÇÃO DO PROCEDIMENTO. PROVA ILEGÍTIMA. NULIDADE DECLARADA SOB A ESCUSA DE VÍCIO FORMAL. O art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, preceitua que a construção do fato conducente à expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, sob a ótica da caracterização da indispensabilidade das informações então adventícias, deve estar especialmente qualificada pela razoabilidade. Ora, se a fiscalização não nasceu preordenada para investigar movimentação financeira; se foi dado ao Contribuinte exíguo prazo para apresentar o que se lhe requeria (5 dias úteis); se tempo considerável (quatro meses) transcorreu entre a caracterização d'uma possível recalcitrância do Contribuinte e a expedição das RMF's, circunstância que faz suscitar dúvida sobre a imprescindibilidade das informações requeridas; e se, junto a isso tudo, ganha relevo que em outras situações, talvez, pudesse ser superada – a inconveniência de se mostrar somente agora ao Contribuinte a articulação entre o fático (não apresentação de informações sobre movimentação financeira) e o jurídico (art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996), para lhe dizer que sobre ele pesa o signo do embaraço à fiscalização; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 287 3 então, se esta é a situação presente, é a própria razoabilidade é que está ausente. Dos fatos da Autuação Fiscal. A ação fiscal foi iniciada com objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos tributos e contribuições do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES referente ao exercício 2004, anocalendário 2003. Assim, foi cientificada a contribuinte do Termo de Início de Fiscalização em 01/03/2007, oportunidade em que foi intimada a apresentar livros contábeis e fiscais, declaração de rendimentos da empresa, extratos bancários de contas correntes e poupança e extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras. O Termo de Constatação Fiscal nº 0001 relata que não foram apresentados pela fiscalizada os extratos bancários. Nesse sentido, diante da indispensabilidade das informações bancárias para o prosseguimento da ação fiscal, foram emitidas as RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, em 13 de julho de 2007. Em 08/02/2008, o responsável pela pessoa jurídica, Henrique Infante, informou que a empresa havia encerrado suas atividades aproximadamente em novembro de 2007, mas que a baixa no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas da Secretaria da Receita Federal do Brasil não havia sido realizada. De posse dos extratos bancários, constatou a Fiscalização a seguinte movimentação financeira: Banco Mercantil do Brasil, Agência 0217, Conta 02.017.1302: R$ 61.321,37 sessenta e um mil, trezentos e vinte e um reais e trinta e sete centavos); Banco Mercantil do Brasil, Agência 0217, Conta 02.017.5410: R$ 437.428,56 ( quatrocentos e trinta e sete mil, quatrocentos e vinte e oito reais e cinqüenta e seis centavos); Banco Safra SA, Agência 05100, Conta 012.7509: R$ 152.318,60 ( cento e cinquenta e dois mil, trezentos e dezoito reais e sessenta centavos); Banco Sudameris, Agência 0230, Conta 2807430001: R$ 7.110.672,85 ( sete milhões, cento e dez mil, seiscentos e setenta e dois reais e oitenta e cinco centavos); Banco Real ABN Amro, Agência 0912, Conta 1.0018485: R$ 119.868,75 (cento 'e dezenove mil, oitocentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco centavos); Intimada a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, relacionada às fls. 106/120, no montante de R$7.881.610,13 (sete milhões, oitocentos e oitenta e um mil, seiscentos e dez reais e treze centavos), foi apresentada prova mediante documentação hábil e idônea de parte dos valores em análise, remanescendo, contudo, o total de R$6.914.328,71 (seis milhões, novecentos e quatorze mil, trezentos e vinte e oito reais e setenta e um centavos) sem comprovação. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 288 4 Nesse contexto, o valor de R$6.914.328,71 foi considerado pela autoridade fiscal como omissão de receita, com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo apurada nova base de cálculo e lavrados os autos de infração de IRPJSimples, CSLL – Simples, Cofins – Simples, PIS – Simples e INSS – Simples de fls. 168/219. No processo administrativo nº 13839.001700/200876, juntado aos presentes autos, foi formalizada Representação Fiscal de fls. 02/04, informado que, somandose o valor de receita omitida com o valor de receita declarada pela contribuinte, de R$787.527,05, foi excedido o limite estabelecido para a permanência no SIMPLES, motivo pelo qual propõe a exclusão da empresa do regime especial. Assim, foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 023, de 02 de junho de 2008, para excluir a pessoa jurídica do Simples, por auferir, no ano calendário de 2003 receita bruta total excedente ao limite legal permitido estabelecido no inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317 de 05 de dezembro de 1996 a partir de 1º de janeiro de 2004. Da Fase Contenciosa. Nos autos do processo nº 13839.001700/200876, encontrase “AR” de fl. 14 por meio do qual a contribuinte tomou ciência do ADE em 12/06/2008, a manifestação de inconformidade apresentada em 10/07/2008 às fls. 15/19, no qual discorre a defesa: 1) sobre a relação de prejudicialidade entre o processado nos autos sob n° 13839.001634/200834 e a exclusão do Simples Federal que daí se seguiu (processada nos autos sob n° 13839.001700/200876), e 2) que a exclusão não poderia operar efeitos retroativos. Também tomou ciência dos autos de infração a contribuinte em 24/04/2008, e apresentou impugnação em 19/05/2008, no qual aduz o seguinte: 1) nulidade da autuação por ofensa ao art. 5°, inciso X, da Constituição, dispositivo este que vedaria a quebra de sigilo bancário determinada por "funcionário subordinado ao Poder Executivo", e, ainda que se admitisse o procedimento, no caso concreto não restou apresentada a sua fundamentação, conforme determina o art. 93, IX, da CF/88; 2) Os lançamentos de extratos de movimentação financeira não se prestam a servir como índice de riqueza, pois lhes faltam "liquidez e, na sua maioria, davam conta de transferência de valores entre contas da mesma titularidade". O verbete n° 182 da Súmula do STJ dispõe que é “ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". 3) Se, de per si, a movimentação financeira anotada nos extratos bancários que instruem estes autos não seria reveladora de disponibilidade econômica, concretamente tal disponibilidade seria mesmo inexistente, tanto que a empresa encontrase desativada; 4) não foi observado o preceito do art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ/Campinas, decidiu, por maioria, reconhecer a nulidade por vício formal da autuação processada nos autos sob n° 13839.001634/200834, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 289 5 bem como de todos os atos daí decorrentes, incluindose a exclusão do contribuinte do Simples Federal, formalizada no processo n° 13839.001700/200876. Tendo em vista que a exclusão de crédito tributário ocorreu em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o Presidente da Turma recorreu de ofício ao CARF, conforme disposto pela Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O sujeito passivo tomou ciência da decisão em 18/06/2009 (“AR” de fl. 279). É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Tratase de recurso de ofício, interposto em face de acórdão da DRJ/Campinas, que reconheceu a nulidade por vício formal da autuação fiscal que resultou na lavratura de autos de infração do Simples e na exclusão da contribuinte do regime especial, por entender que a Fiscalização, ao expedir RMF (Requisição de Movimentação Financeira) para ter acesso à movimentação bancária da empresa, não teria demonstrado a indispensabilidade de tais informações para o andamento dos trabalhos, afrontando, principalmente, o princípio da razoabilidade, de que fala o art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001. Discorre sobre as seguintes razões o voto da DRJ: Assim estruturadas as considerações que se entende relevantes (itens 1 a 8 supra), digase, em primeiro lugar, que, aqui, não se critica a ausência, como peça de instrução, do "relatório circunstanciado" mencionado no art. 4°, §§ 5° e 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001. O importante é que, no mínimo, deveriam ter sido trazidos para os autos o elemento fático que, eventualmente, possa ser visto como a realização d'uma dentre as hipóteses normativas previstas nos incisos do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. Tal elemento fático, pelos elementos que se extrai dos autos, parece restar caracterizado assim, sob a ótica da fiscalização: intimado em 01/03/2007 a apresentar informações sobre suas movimentações financeiras, o Contribuinte nada fez até a data de expedição das RMF's em causa, isto é, 13/07/2007. Esta situação caberia na hipótese prevista no art. 3°, inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001, c/c art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. (...) É importante repisar. Os autos não precisam estar instruídos com o dito "relatório circunstanciado", mas a motivação fático jurídica deve ser daí apreensível. Uma possível motivação fática está presente nestes autos. O que falta então? Pelos dizeres do art. 40, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, dita motivação fática não se apanha exclusivamente pelo viés objetivo. Não. Ela é Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 290 6 especialmente qualificada pela razoabilidade. E é justamente isso que está faltando nestes autos, ou seja, razoabilidade do motivo fático dele possivelmente extraível, pois: a fiscalização não nasceu preordenada para investigar movimentação financeira; foi dado ao Contribuinte exíguo prazo para apresentar o que se lhe requeria; tempo considerável (quatro meses) transcorreu entre a caracterização d'uma possível recalcitrância do Contribuinte e a expedição das RMF's, a suscitar dúvida sobre a imprescindibilidade das informações requeridas; e junto a isso tudo, ganha relevo — que em outras situações, talvez, pudesse ser superada — a inconveniência de se mostrar somente agora ao Contribuinte a articulação entre o fático (não apresentação de informações sobre movimentação financeira) e o jurídico (art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996), para lhe 'dizer que sobre ele pesa o signo do embaraço à fiscalização. Assim, entendese que há um vício de forma na linha de causalidade que deságua no auto de infração processado nos autos sob n° 13839.001634/200834: quando do momento em que expedidas as RMF's que aqui seguem, não se havia ainda configurada, com razoabilidade, a indispensabilidade do acesso à movimentação financeira de que fala o art. 2°, §5°, do Decreto n° 3.724, de 2001. Apesar das considerações expostas pela decisão de primeira instância, não entendo que seja a mais adequada interpretação dos fatos. A princípio, cumpre destacar que a Fiscalização não incorreu em nenhuma irregularidade. Ao se analisar uma empresa optante pelo Simples, um dos procedimentos a fazer é precisamente verificar se a receita bruta auferida pela pessoa jurídica enquadrase nos limites estabelecidos em lei para a adesão do regime especial. Nesse contexto, mostrase plenamente justificável intimar à fiscalizada que apresente, além dos livros contábeis e fiscais, outros elementos de prova aptos da comprovar o faturamento auferido. Assim, o “Termo de Início de Fiscalização”, cuja devida ciência foi dada em 01/03/2007, solicitou a apresentação de extratos bancários de contas correntes e contas poupança da empresa. Sem ainda adentrar no mérito da questão em debate (indispensabilidade da expedição das RMF), constatouse que a empresa movimentou, no período fiscalizado, o montante de R$7.558.960,04, valor substancialmente superior ao da receita bruta declarada, que foi de R$787.527,05. Ora, não se trata de um percentual qualquer, vez que o montante de receita bruta declarada corresponde a 10,42% (dez vírgula quarenta e dois por cento) do valor movimentado nas contas correntes. Tal constatação serve para demonstrar a pertinência e a relevância de, em um procedimento de auditoria de uma empresa optante pelo Simples, solicitarse a movimentação financeira auferida pela pessoa jurídica, com o objetivo de se constatar se guarda uma razoável proporcionalidade com a receita bruta declarada para o Fisco. Evidente que, dependendo do ramo de atividade da empresa fiscalizada, a movimentação financeira pode ser muito maior do que a receita bruta auferida. Tratase de análise a ser realizada no decorrer do procedimento fiscal. No caso concreto, constatouse que o CNAE Fiscal Principal informado pela pessoa jurídica era o 46397/01 Comércio atacadista de produtos alimentícios em geral. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 291 7 Não obstante as considerações iniciais, há que se apreciar as razões pelas quais a DRJ/Campinas decidiu, por maioria, reconhecer a nulidade por vício formal no procedimento da Fiscalização. Discorre o relator que o Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com as alterações promovidas pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007, que regulamentou o art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, estabelece em seu art. 2°, § 5°, e art. 4°, §2°: Art. 2° [...] § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Art. 4° (...) § 2° A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. (grifei). E, sobre o critério de indispensabilidade para o acesso à movimentação financeira por meio de RMF, disserta a decisão da DRJ/Campinas sobre o art. 3º do mencionado Decreto n° 3.724, de 2001, que, ao relacionar os exames a serem considerados como indispensáveis referidos no § 5º do art. 2º, cita o inciso VII, que faz referência às hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, dentre as quais se destacam: Art. 33. [...] I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966; (grifei) Discorre o voto da decisão em análise que o procedimento da Fiscalização não teria observado o princípio da razoabilidade, previsto no art. 4º, §§ 5º e 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001: Art. 4° [...] § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 292 8 hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (grifei) Observando os autos, constato que as condições estabelecidas para que a emissão das RMF fosse realizada foram atendidas, quais sejam, (1) existência de procedimento de fiscalização em curso, (2) indispensabilidade dos exames e (3) intimação prévia ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira. Verificase que foi realizada intimação prévia ao sujeito passivo, no “Termo de Início de Fiscalização” de fls. 47/48, cuja ciência à contribuinte foi dada em 01/03/2007. Diante da não apresentação das informações requeridas, foram expedidas as RFM em 13/06/2007, ou seja, mais de quatro meses depois da intimação. Como já dito, a natureza da fiscalização tendente a verificar se a receita bruta declarada pela empresa enquadrase nos limites da lei demanda analisar elementos que possam lastrear a veracidade das informações declaradas ao Fisco. Mostrase, portanto, mais do que razoável solicitar a apresentação de extratos bancários para constatar se a movimentação financeira guardaria proporção com a receita bruta declarada. Após quatro meses, diante do não atendimento da intimação, recorreu a Fiscalização às RMF para dar prosseguimento aos trabalhos. Para fundamentar a suposta falta de razoabilidade do procedimento fiscal, a decisão da DRJ/Campinas fez uma série de questionamentos, relacionados à fl. 273, os quais transcrevo e respondo, um a um. Questionamento 1. É razoável (art. 4°, § 6°, in fine, do Decreto n° 3.724, de 2001) uma fiscalização, que parece não ter nascido sob o mote da movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados (coisa que se apuraria, por exemplo, a partir de dados/informações da CPMF), já de início solicitar ao Contribuinte informações nesse justo sentido? Minha Resposta. Sim, é razoável, pela própria natureza da fiscalização empreendida no caso concreto. Uma das verificações a que se submete a pessoa jurídica optante pelo Simples é precisamente demonstrar que a receita bruta declarada enquadrase nos limites estabelecidos em lei para permanecer no regime especial de tributação. Portanto, o cotejo entre a receita bruta declarada e a movimentação financeira fornece indícios relevantes para auferir a veracidade das informações declaradas ao Fisco. Questionamento 2. É razoável (art. 4º, § 6°, in fine, do Decreto n° 3.724, de 2001), pedidas então as informações sobre a movimentação financeira de um anocalendário inteiro (2003), conferir ao Contribuinte 5 (cinco) dias úteis para atender ao tanto quanto requisitado? Minha Resposta. Não obstante o prazo apresentado no “Termo de Início de Fiscalização”, no caso concreto, transcorreramse mais de quatro meses até o momento em que a autoridade fiscal expediu os RMF. Assim, foi razoável o procedimento adotado pela Fiscalização. Questionamento 3. Ainda que ao final as RMF's em questão tenham sido só expedidas em 13/07/2007, é razoável (art. 4°, § 6°, in fine, do Decreto n° 3.724, de 2001) que isso venha a acontecer depois de 4 (quatro) meses do termo final do prazo (08/03/2007) inicialmente conferido ao Contribuinte para apresentar as informações sobre sua movimentação financeira, sem que tenha havido no intermédio qualquer ato cientificado ao Contribuinte sobre o andamento dos trabalhos fiscais? Esses 4 (quatro) meses, em silêncio, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 293 9 suscita, antes da caracterização da indispensabilidade, a dúvida na sua tipificação. Minha Resposta. Reclamase, de um lado, que o prazo requerido no “Termo de Início de Fiscalização” teria sido exíguo. Por outro, aduzse que quatro meses poderia caracterizar mora da Fiscalização. Não entendo assim. O prazo mostrouse de quatro meses mostrouse adequado, e, se a contribuinte optou por permanecer em silêncio, restou mais do que evidente e caracterizada a mora em atender a intimação. Questionamento 4. À vista deste sumário, o não atendimento à intimação de fl. 46/47 (autos sob n° 13839.001634/200834) seria suficiente/razoável (art. 4°, § 6°, in fine, do Decreto n° 3.724, de 2001) para caracterizar a hipótese prevista no art. 3°, inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001, c/c art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996? Minha Resposta. Sim, seria suficiente, diante, como já dito, primeiro, da natureza da fiscalização, referente à análise de empresa optante pelo Simples, e, segundo, diante do fato de que, apesar de devidamente intimada, a fiscalizada, depois de quatro meses, ter permanecido em silêncio, conduta que se enquadra plenamente na hipótese prevista no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, qual seja, embaraço à fiscalização pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira. Questionamento 5. O "relatório circunstanciado" anunciado no art 4°, §§ 5° e 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, não está nos autos. Não precisa. Já se disse que basta um mínimo, isto é, que trouxessem aos autos o elemento fático que, eventualmente, possa ser visto como a realização d'uma dentre as hipóteses normativas previstas nos incisos do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. Esse mínimo parece existir nos autos. Também já se disse linhas atrás. Porém, é razoável (art. 4°, § 6°, in fine, do Decreto n° 3.724, de 2001) mostrar a articulação fáticojurídica somente agora ao Contribuinte? Dito de outro modo: o fato é que o Contribuinte foi intimado em 01/03/2007 a apresentar informações sobre suas movimentações financeiras e nada fez até a data de expedição das RMF's em causa, isto é, 13/07/2007; o jurídico é dado pelo art. 3°, inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001, c/c art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; ocorre que essas duas coisas não estão articuladas em nenhum momento no curso dos autos. Bem resumido: o Contribuinte sabia — antes de vir a julgamento, claro — que se lhe imputava o comportamento de embaraço à fiscalização (art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996)? Minha Resposta. O elemento fático foi trazido aos autos. Restou demonstrado a (1) conveniência e a oportunidade de se requerer a movimentação financeira em um procedimento de fiscalização relacionado à empresa optante pelo Simples, e (2) a opção da fiscalizada em não fornecer as informações em um prazo de quatro meses. A subsunção dos fatos à norma é clara, na medida em que, diante do não fornecimento de informações sobre movimentação financeira, restou consumado embaraço à fiscalização, uma das hipóteses que se enquadra no critério de indispensabilidade necessário para a expedição da RMF. Nesse sentido, diante do exposto, não há que se falar em nulidade por vício formal. Contudo, entendo que o presente colegiado não pode avançar no julgamento, para adentrar ao mérito da questão, qual seja, os lançamentos de ofício lavrados no regime de tributação do Simples e a exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de tributação. Caracterizarseia supressão de instância o presente tribunal apreciar mérito que poderia, antes, ser julgado pela DRJ competente. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13839.001634/200834 Acórdão n.º 1103000.967 S1C1T3 Fl. 294 10 Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício para afastar a preliminar de nulidade e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para prosseguir com o enfrentamento do mérito. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 11030.904365/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 65 /2 01 2- 16 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/201216 Acórdão n.º 3801003.179 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/201216 Acórdão n.º 3801003.179 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/10/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/201216 Acórdão n.º 3801003.179 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/201216 Acórdão n.º 3801003.179 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/201216 Acórdão n.º 3801003.179 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904365/201216 Acórdão n.º 3801003.179 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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