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Numero do processo: 13609.001119/2005-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 11 19 /2 00 5- 15 Fl. 61DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 30/35) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003 (efls. 16/19), onde se apurou a Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas no valor de R$ 23.255,76. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/04), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 42): 1. Os recibos apresentados à Secretaria da Receita Federal do Brasil estão de acordo com as normas exigidas no art. 80 e parágrafos do Decreto n° 3.000, de 26/03/199; 2. O pagamento à Santa Casa de Belo Horizonte referese a plano do seu companheiro Hélio de Assis Brasil, CPF n° 123.714.07649 e que efetua muita vezes o seu pagamento; 3. O recibo referente a Sra. Marília Lúcia de Souza Louback não foi apresentado por ter se extraviado. Não pôde enviar a segunda via, face a profissional estar no exterior e o apresentará tãologo seja necessário. 4. Apresenta declarações dos profissionais que lhe prestaram serviços que comprovam efetivamente os pagamentos efetuados e utilizados como dedução em sua Declaração de Ajuste Anual. O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada (efls. 40/44): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Cientificada do acórdão de primeira instância em 06/10/2008 (efls. 48), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 31/10/2008 (efls. 51/54, 56) com os argumentos a seguir sintetizados. Entende que a legislação fiscal específica do imposto de renda das pessoas físicas nada diz a respeito da existência de uma eventual obrigação dos contribuintes de comprovarem o pagamento dos honorários nos termos solicitados pela autoridade lançadora. Alega que os recibos apresentados são válidos e suficientes como provas e que a autoridade inovou, criando obrigações e óbices não previstos na legislação específica do imposto. Assevera que a legislação citada pela autoridade julgadora limitase a dispor que as deduções relativas a honorários pagos estão sujeitas a comprovação, nada dizendo a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13609.001119/200515 Acórdão n.º 2002001.199 S2C0T2 Fl. 62 3 respeito da forma de se comprovar a sua efetividade. Defende que, caso fosse absolutamente necessária a apresentação de outras provas que não os recibos expedidos pelos profissionais, deveria o legislador (e não o julgador) criar a obrigação em ato legal. Invoca o princípio constitucional tributário da não surpresa e expõe que, tradicionalmente e à luz dos dispositivos legais contidos na Lei nº 7.713 de 1989, a pessoa física não está sujeita a manter escrituração regular de suas transações, podendo perfeitamente comprovar as suas deduções mediante a apresentação de recibos médicos, como acontece no caso presente. Acrescenta que a prática de se aceitarem os recibos de honorários como comprovantes para fins de dedução no imposto de renda das pessoas físicas encontra respaldo nas disposições do Código Tributário Nacional, que consagram as práticas reiteradamente aceitas pelas autoridades como legislação tributária complementar. Sustenta que a fiscalização deixou de realizar diligências acuradas nos domicílios dos profissionais com a finalidade de obter uma comprovação do alegado em sua defesa. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise do Auto de Infração que a autoridade fiscal procedeu à glosa integral das despesas médicas informadas na declaração em exame por não ter a contribuinte comprovado a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos efetuados, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal (efls. 20, 31/32). O julgamento de primeira instância manteve a infração apurada corroborando as razões expostas no lançamento (efls. 40/44). Verificase, contudo, que a interessada não juntou à Impugnação ou ao Recurso Voluntário nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência entre as movimentações realizadas em suas contas e os recibos por ela acostados, permanecendo a pendência apontada pelo auditor. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. Fl. 63DF CARF MF 4 As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comproválos caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13609.001119/200515 Acórdão n.º 2002001.199 S2C0T2 Fl. 63 5 efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Equivocase a recorrente ao entender que a autoridade lançadora deveria ter realizado diligências junto aos profissionais para que estes corroborassem as alegações apresentadas em sua defesa. Não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. A finalidade das diligências é elucidar questões comprometidas e não produzir provas em seu favor. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000161/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004, 2005
EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. ATIVIDADE ECONÔMICA COMERCIAL. ART. 150, II, RIR/99. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
Para fins de equiparação às pessoas jurídicas, as pessoas físicas devem comprovar que, em nome individual, exploram a atividade comercial de forma habitual e profissional, com o fim especulativo de lucro. Não há que se falar em equiparação se faltar um dos requisitos exigidos pela norma.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros.
Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações.
Numero da decisão: 2201-005.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004, 2005 EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. ATIVIDADE ECONÔMICA COMERCIAL. ART. 150, II, RIR/99. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Para fins de equiparação às pessoas jurídicas, as pessoas físicas devem comprovar que, em nome individual, exploram a atividade comercial de forma habitual e profissional, com o fim especulativo de lucro. Não há que se falar em equiparação se faltar um dos requisitos exigidos pela norma. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-17T23:57:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-17T23:57:53Z; Last-Modified: 2019-07-17T23:57:53Z; dcterms:modified: 2019-07-17T23:57:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-17T23:57:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-17T23:57:53Z; meta:save-date: 2019-07-17T23:57:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-17T23:57:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-17T23:57:53Z; created: 2019-07-17T23:57:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2019-07-17T23:57:53Z; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-17T23:57:53Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16641.000161/2008-53 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.244 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Recorrente JOAO NUNES DA SILVA FILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004, 2005 EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. ATIVIDADE ECONÔMICA COMERCIAL. ART. 150, II, RIR/99. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Para fins de equiparação às pessoas jurídicas, as pessoas físicas devem comprovar que, em nome individual, exploram a atividade comercial de forma habitual e profissional, com o fim especulativo de lucro. Não há que se falar em equiparação se faltar um dos requisitos exigidos pela norma. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 61 /2 00 8- 53 Fl. 1526DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 1374/1428, interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS de fls. 1356/1369, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 3/11, lavrado em 20/02/2009, relativo aos anos-calendário de 2004 e 2005, com ciência do RECORRENTE em 06/03/2009, conforme AR de fls. 872. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos da atividade rural e por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no valor de R$ 2.996.735,25, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Na resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência (fls. 1452/1457), assim foi relatada a fiscalização: O relatório fiscal (fls. 12/23) descreve a ocorrência dos seguintes eventos: 1. O contribuinte foi intimado em 19/10/2007 a apresentar extratos bancários de suas contas no Brasil e no exterior, relativos aos anos-calendário 2004 e 2005, com a origem dos recursos que transitaram por elas. 2. O fiscalizado, residente no Rio Grande do Sul, informou que estava na Bahia acompanhando a colheita e comercialização da safra de cebolas e requisitou prorrogação do prazo. 3. Em 13/12/2007, o contribuinte apresentou extratos de três contas bancárias e cópias de parte das notas fiscais de produtores rurais que seriam de compra de mercadorias realizadas nos anos de 2004 e 2005 (fls. 61/185), bem como pediu prazo para apresentar Fl. 1527DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 posteriormente os extratos do banco Bradesco e para providenciar notas de venda, porque estas abrangeriam vários estados do Norte, Nordeste e centro do País, para onde as mercadorias seriam remetidas. 4. Em 11/03/2008, o fiscalizado teria apresentado mais extratos bancários, notas fiscais de produtor rural emitidas por ele mesmo nos anos de 2004 e 2005 (fls. 36/61), cópias das DIRPF de 2004 e 2005 e da DIPJ da empresa de que é sócio (fls. 453/490). Nessa data, voltou a informar que os valores constantes desses documentos são oriundos da comercialização de sua produção rural, transferências feitas por clientes de sua empresa, e importâncias remetidas por clientes para aquisição de cebola e pagamentos de despesas diretamente dos produtores, trabalho prestado de forma autônoma e remunerado por comissão calculada sobre o custo das cebolas embarcadas. 5. Em 30/05/2008, o contribuinte foi intimado a comprovar através de documentação hábil e idônea a origem dos valores depositados/creditados em suas contas. 6. No dia 16/06/2008, ele informou que não possuía escrituração e não mantinha arquivo dos documentos correspondentes, solicitando prorrogação de prazo. 7. Em 11/07/2008, apresentou resposta afirmando que se dedica exclusivamente à produção e comercialização de cebola operando com a produção de cidades do Rio Grande do Sul e da Bahia e que os recursos que transitaram por suas contas decorrem dessa atividade. Essa comunicação foi acompanhada por duas listagens, com a identificação de clientes e de fornecedores com o respectivo número de identificação nos cadastros do Ministério da Fazenda (fls. 529/535). 8. Em 21/07/2008, foi emitida nova intimação para o contribuinte apresentar a documentação relativa às operações que alega ter realizado e vincular essa documentação de forma inequívoca com os valores creditados nas contas bancárias. 9. Em 18/08/2008, o contribuinte apresentou documento vinculando as notas fiscais de produtor rural emitidas por ele nos anos-calendário 2004 e 2005 com os depósitos realizados em suas conta corrente. 10. Ao realizar mais um deferimento de prorrogação de prazo, a fiscalização solicitou que o contribuinte informasse se as notas fiscais emitidas por ele seriam referentes a mercadorias de produção própria ou de terceiros, bem como a apresentação de livro caixa. 11. Em manifestação do dia 15/09/2008, o contribuinte afirma que as notas emitidas por ele seriam referentes à produção própria, que não possuiria livro caixa da atividade rural e que os depósitos em sua conta seriam referentes à venda de produção de terceiros. A partir desses fatos, a fiscalização adotou o seguinte procedimento: 1. As empresas identificadas como destinatárias dos produtos nas notas fiscais de produtor rural do Estado do RS emitidas pelo contribuinte foram intimadas a confirmar as operações descritas nessas notas e informar se realizaram outras operações com ele. 2. Como resultado, houve uma empresa que negou ter negociado com ele, outras que confirmaram a negociação e identificaram os pagamentos realizados e a empresa Sette Fratelli, que confirmou as operações realizadas e o meio de pagamento e ainda afirmou ter depositado em sua conta valores referentes às notas fiscais de outras pessoas físicas produtoras rurais, que seriam parceiras do fiscalizado, bem como notas avulsas do Estado da Bahia emitidas por ele. 3. Quanto às informações prestadas pela Sette Fratelli, a fiscalização adotou o seguinte procedimento: os depósitos relativos às operações apenas intermediadas pelo fiscalizado foram considerados de origem comprovada e efetuou-se representação para que fosse Fl. 1528DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 fiscalizada a empresa de que é sócio (ou seja, aparentemente, a fiscalização considerou que esses valores seriam referentes à omissão de receitas da pessoa jurídica); os valores das notas fiscais avulsas do Estado da Bahia foram tratadas como omissão da atividade rural. 4. Foram excluídos do rol de depósitos sem origem comprovada os seguintes valores: R$ 281.240,00 relativos às notas fiscais do produtor rural do Estado do RS emitidos pelo fiscalizado cujo vínculo com depósitos/créditos foi comprovado; R$ 74.170,00 relativos às notas avulsas do Estado da Bahia cujos comprovantes de depósito foram apresentados pela destinatária das mercadorias; R$ 94.214,00 relativos às notas fiscais emitidas por outros produtores, que daria origem à representação para fins de fiscalização da empresa de que é sócio o fiscalizado. Como consequência, o valor sobre o qual foi apurada a base de cálculo para apuração do imposto devido por omissão da atividade rural foi de R$ 339.045,33 e o valor para apuração decorrente da omissão de rendimentos por depósito bancário sem origem comprovada foi de aproximadamente R$ 5.000.000,00. Em síntese, infere-se que durante a fiscalização, mesmo após diversas dilações e prorrogações de prazo, o contribuinte apenas conseguiu comprovar uma pequena parte dos valores depositados, não logrando em comprovar a origem de alguns depósitos recebidos em suas contas correntes mantidas no Banco do Brasil, no Banco Bradesco e no Banrisul. A fiscalização elaborou a tabela abaixo, com o somatório dos valores não comprovados nos anos calendário de 2004 e 2005 (fls.21): Os extratos das movimentações bancárias se encontram às fls. 186/219 (Bradesco), 220/399 (Brasil) e 400/454 (Banrisul), e a planilha dos depósitos não comprovados nas fls. 499/522. Quanto aos rendimentos de atividade rural, a fiscalização entendeu por proceder com o lançamento de ofício das quantias constantes nas notas fiscais avulsas de pessoa física do estado da Bahia, entregue à fiscalização pela empresa Sette Fratelli. Considerando que o contribuinte não possui livro caixa da atividade rural, a fiscalização optou pelo arbitramento da base de cálculo em 20% da receita omitida, com base no § 2º do art. 60 do RIR/1999. Foram lançados os seguintes valores por omissão de rendimentos de atividade rural: Fl. 1529DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 873/932 em 06/04/2009. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Porto Alegre/RS, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Na impugnação (fls.873/932 Volume IV) o contribuinte, primeiramente, requer a: Nulidade do Lançamento Erro na identificação do sujeito passivo A omissão de rendimentos da atividade rural e de depósitos de origem não comprovada deveriam ser tributados na pessoa jurídica, conforme determina o art. 150, § 1º, inciso II do Decreto nº 3000/99 RIR/ 99. O procedimento fiscal afrontou os princípios da legalidade, capacidade contributiva e o da isonomia previstos na Constituição Federal, bem como não atendeu o disposto no art. 142 do CTN. Cerceamento do Direito de Defesa Houve erros na formalização do processo por não constarem muitos documentos absolutamente relevantes para uma defesa plena. No relatório da ação fiscal (Anexo III) à fl. 13 faz referência a fl. 725, a fl. 15 (às fls. 767 e 727 e 732 a 744) , a fl. 16 faz referência às fls. 729 a 744 e às fls. 732 a 744.Porém tais folhas não foram juntadas ao processo, uma vez que a última folha é a de fl. 719. Na cópia do Relatório Fiscal remetida pelo correio, vê-se pela sua paginação que o Relatório foi inserido no processo às fls. 10 a 21 (Anexo VIII) enquanto que o constante dos autos inicia às fls. 11 a 22, o que demonstra que, depois de notificado houve a inserção de no mínimo uma folha e a substituição das demais folhas sem que houvesse a renumeração das folhas, afrontando os arts. 9 e 59 do Decreto 70.235/72. Nas fls. 19 (Anexo VIII) ou 20 (do processo) há referência aos valores de R$ 281.240,00, R$ 74.170,00 e de R$ 94.212,00 cuja a procedência não estão demonstradas. A quantificação dos valores mensais tributados com relação a infração 02 não foi demonstrada. Apresenta ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Razões de Mérito A movimentação financeira é oriunda, integralmente, da atividade do contribuinte de produção e da comercialização de cebola adquirida de terceiros, de forma habitual. Apresentou diversas Notas Fiscais de Produtor (NFP) de emissão própria e Notas Fiscais de outros produtores que venderam ao contribuinte, todavia, o fisco não aceitou a possibilidade de que a movimentação financeira tem sua origem no comércio da cebola adquirida de terceiros, cujos pagamentos das NFP eram depositadas em suas contas bancárias. A fiscalização intimou o contribuinte a juntar as notas fiscais de compra da cebola adquiridas de terceiros e conhecimentos de frete relativas ao transporte de mercadorias, todavia, os demais controles foram esquecidos e sequer foram examinados. Fl. 1530DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Como não mantém escrituração contábil, por desenvolver atividade sem grandes burocracias, apenas há o registro em NFP ou Notas Avulsas e as Cartas de Frete (Anexo I) não possuindo os documentos exigidos pelo fisco. Através de “outros documentos” juntados ao processo e os agora apresentados com a impugnação, entende estão preenchidas as lacunas que não estariam abertas se mantivesse a contabilidade nos termos da Lei nº 6.404/76. Não pode o fisco desconsiderar os resultados dos atos comerciais praticados pelo impugnante apenas para facilitar a constituição do Auto de Infração. O simples descumprimento de obrigações acessórias (falta de escrituração) o que admite por hipótese, não é suficiente para caracterizar a presunção de omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Para a comprovação da origem dos depósitos, uma vez que não possui as Notas Fiscais exigidas pelo Fisco, forneceu uma planilha de produtores que vendem a sua produção de cebola e outra dos distribuidores que compram a cebola comercializada pelo contribuinte, procurando demonstrar a vinculação dos depósitos a atividade do contribuinte a partir das Notas Fiscais de Produtor (fls. 35/184) e das Cartas de Frete (Anexo I) bem como de “outros controles mantidos”. Os documentos de prova das alegações apresentadas pelo contribuinte estão inseridas nos Anexos I a XI. Transcreve ementas de decisões do Conselho de Contribuintes a respeito de depósitos bancários e de equiparação de pessoa física a pessoa jurídica. Omissão de rendimentos da atividade rural O valor de R$ 339.045,33 comercializado com a empresa Sette Fratelli estão formalizadas em Notas Fiscais Avulsas, nas quais está indicado o contribuinte como remetente. Alega que foram equivocadamente tributadas a razão de 20% como rendimento proveniente da atividade rural tendo em vista a inexistência do livro Caixa. Todavia, o montante acima referido não decorre da venda de produção própria, pois o contribuinte não planta cebola na Bahia. As vendas à empresa Fratelli, assim como muitas outras realizadas naquele estado a outros clientes, decorrem da cebola adquirida de terceiros, de produtores localizados na Bahia. Para transportar os produtos, considerando que os produtores sequer possuem Nota Fiscal de Produtor, foi solicitado a Secretaria da Fazenda da Bahia, Notas Fiscais Avulsas, porém o fato de constar no espaço destinado ao remetente, o nome do contribuinte, não dá ao fisco direito de presumir que a cebola comercializada é de produção própria do interessado. Dos equívocos da Quantificação da Exigência Não tendo o fisco aceitado a vinculação da movimentação financeira com a comercialização da cebola, por coerência, a omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada deveria ser tributada com base no percentual de 20%. Para corroborar seu entendimento transcreve ementas de decisões do Conselho de Contribuintes a respeito de comprovação da receita da atividade rural e da omissão de rendimentos oriundas de depósitos bancários de origem não comprovada. Alega que não foram excluídos da base de cálculo a devolução de cheques depositados, o que contraria o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Para exemplificar: o depósito Fl. 1531DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 de R$ 16.000,00 (fls. 502) foi realizado com cheques (anexo XI) o qual foi devolvido conforme se verifica no extrato juntado à fl. 225. Quanto a Nota Fiscal de Produtor nº 332808 (sic) (fls. 41 e 631) no valor 13.500,00 foi considerada não vinculada a qualquer depósito, todavia, refere-se ao depósito efetuado em 14/12/2005 na conta do Bradesco (fl.202). Portanto, o mesmo valor foi considerado como receita omitida em duplicidade. Dos Pedidos: Razões Preliminares - nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo uma vez que a tributação dos rendimentos deveria recair sobre a pessoa jurídica; - nulidade por cerceamento do direito de defesa tendo em vista as diversas impropriedades formais no preparo do lançamento, as quais impossibilitaram a plena defesa. Razões de Mérito - indevida a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários tendo em vista que os mesmos são decorrentes da comercialização de cebola de produção própria e de cebola adquiridas de terceiros cuja origem foi comprovada no processo; - ilegal a tributação, pela tabela progressiva da receita bruta derivada do comércio habitual de cebola adquirida de terceiros, mesmo que exercida pela pessoa física, tal atividade deve ser tributada na pessoa jurídica (art. 150, § 1º, II do RIR/99); - discorda as tributação de rendimentos equivocadamente considerados como da atividade rural, tendo em vista que os mesmos decorrem do comércio habitual de cebola; - no item 3.4 são apontadas diversas inconsistências menores, todas relacionadas com a quantificação da exação, todavia, com a argüição de erro de identificação do sujeito passivo e que a conseqüente tributação na pessoa jurídica, e o acolhimento dessa teses absorve os equívocos apontados. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Porto Alegre/RS julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 1356/1369): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006 Ementa: ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária é o titular das contas bancárias, cujos os depósitos o contribuinte não logrou comprovar com documentação hábil e idônea. ATIVIDADES CONDUZIDAS POR PESSOA FÍSICA DE FORMA HABITUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. CONDIÇÃO A tributação na pessoa jurídica de valores recebidos por pessoa física, demanda a comprovação de que a pessoa física explore, habitual e profissionalmente, qualquer Fl. 1532DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens e serviço. OMISSÃO DOS RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO O resultado da exploração da atividade rural é apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. A falta da escrituração implica o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. No mérito, a DRJ entendeu que o recorrente comprovou que o depósito recebido em 14/4/2004, no valor de R$ 16.000,00 tratou-se de devolução de cheque, determinando a exclusão deste montante da base de cálculo do imposto. Assim, a DRJ entendeu por cancelar o imposto suplementar no valor de R$ 4.400,00 relativo ao exercício de 2004. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 13/08/2012, conforme AR de fls. 1372, apresentou o recurso voluntário de fls. 1374/1428 em 11/09/2012. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação. Da Resolução convertendo em diligência Durante a sessão de julgamento realizada em 04/06/2018, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara entendeu, após afastar a proposta da relatora de acatar os argumentos do RECORRENTE quanto à nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo (ausência de equiparação à pessoa jurídica – fls. 1456), concluiu pela conversão do julgamento em diligência, conforme se observa da resolução nº 2201-00.308 (fls. 1452/1457). O objetivo da conversão em diligência foi esclarecer a forma como se apurou a base de cálculo, em virtude da “inexistência de um demonstrativo de cálculo que evidencie mês a mês as operações utilizadas bem como as exclusões efetuadas para apuração da base de cálculo” Deste modo, foi determinado que a autoridade elaborasse o demonstrativo mensal, evidenciando cada uma das operações que foram consideradas na base de cálculo da omissão de rendimentos por depósito bancários de origem não comprovada, bem como respondesse aos questionamentos formulados pelo RECORRENTE nos itens 12 a 15 do Recurso Voluntário, quais sejam: Fl. 1533DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 12. Nem mesmo os valores equivalentes às receitas declaradas pelo Fiscalizado decorrentes da venda de cebola de sua produção foi excluída da base de cálculo tributável. 13. O valor de R$ 339.045,33 tributado como resultado de atividade rural também é equivocado, uma vez que se trata de receita de comercialização de cebola adquirida de produtores da Bahia, que não possuem nota fiscal e, por isso, foi solicitado à Secretaria de Fazenda desse Estado a nota fiscal avulsa. 14. Os rendimentos tempestivamente declarados pelo contribuinte deveriam ter sido excluídos do somatório dos depósitos sem origem comprovada. 15. O valor relativo à nota fiscal de produtor nº 332808, de R$ 13.500,00, foi tributado como rendimento da atividade rural, e o valor do depósito na conta bancária em 14/12/2005, correspondente a essa nota, foi tributado como depósito bancário sem origem comprovada. Do relatório de diligência fiscal Em resposta a determinação formulada na resolução nº 2201-00.308, a autoridade preparadora apresentou o relatório de diligência fiscal de fls. 1468/1501. Em suas razões, apresenta as seguintes considerações quanto aos itens 12 a 15 do Recurso Voluntário: 2.1 Item 12: Cabe ressaltar que a exclusão dos valores da base de cálculo da infração referente a depósitos bancários de origem não comprovada é realizada quando o contribuinte afasta a presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 através da apresentação de documentação hábil e idônea com coincidência de datas e valores, documentação que dessa forma comprova de forma inequívoca a origem dos valores. A simples alegação de que os valores seriam oriundos de suas atividades ou de que já teriam sido tributados não afasta a presunção, mesmo porque, no caso em exame os valores movimentados nas contas analisadas superam consideravelmente os valores declarados pelo autuado (fls. 14 e 20 numeração manual). Deve ser apresentado documento documentação hábil e idôneo que traga vinculação inequívoca com o valor creditado/depositado na conta bancária. Como exemplo, nessa mesma autuação, a nota fiscal nº 332803, de abril de 2004, no valor de R$ 24.000,00, foi informada pelo contribuinte na sua apuração do IRPF e serviu de comprovação do mesmo valor depositado na conta nº 12.790-6 do Banco do Brasil e foi excluída da base de cálculo da infração referente a depósitos bancários de origem não comprovada (fl. 4 e 19 numeração manual). 2.2 Item 13: Conforme consta do Relatório Fiscal, (fl. 21 numeração manual), foram coletadas em diligência fiscal junto à empresa Sette Fratelli notas fiscais emitidas pelo autuado para venda de cebola para essa empresa, produto que o autuado declarou produzir. Os valores constantes dessas notas fiscais não foram oferecidos à tributação pelo autuado. Fl. 1534DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Nenhum documento que comprovasse a alegação do autuado de que essas mercadorias teriam sido adquiridas e posteriormente revendidas foi apresentado, mesmo com todas as prorrogações de prazo deferidas pela fiscalização, não existem notas fiscais de compra/entrada e não existem registros contábeis. O próprio autuado alegou não ter escriturado o livro caixa, tendo optado pelo arbitramento de 20% da DIRPF. 2.3 Item 14: Todas os valores das notas fiscais de emissão do autuado e todos os valores das notas fiscais coletadas nas diligências fiscais junto aos terceiros, para os quais foi apresentada documentação hábil e idônea da comprovação da origem, foram excluídos da infração referente a depósitos bancários de origem não comprovada, conforme o Relatório Fiscal (fl. 14 a 20 numeração manual). 2.4 Item 15: Repisando o que já foi colocado neste documento, para o afastamento da presunção legal de omissão de rendimentos referente a depósitos bancários de origem não comprovada faz-se necessária a apresentação de documentação hábil e idônea, com coincidência de datas e valores. Para a nota fiscal nº 332808 não houve a apresentação por parte do autuado e tão pouco pelos terceiros diligenciados de qualquer documento que pudesse vincular o valor dessa nota fiscal com o valor depositado na conta bancária de titularidade do autuado. Nem mesmo o próprio autuado, em resposta a intimação para vincular os valores das notas fiscais emitidas por si com os valores depositados nas contas bancárias de sua titularidade, relacionou a nota fiscal nº 332808 (fl. 713 e 714 numeração manual). Dos esclarecimentos formulados, conclui-se que a razão da fiscalização para manutenção da tributação de todos os pontos questionados foi a ausência de documentação hábil e idônea capaz de comprovar de forma inequívoca a origem dos valores. Por fim, a autoridade preparadora elaborou a planilha de fls. 1469/1500. Tal planilha corresponde à tabela dos depósitos não comprovados (fls. 499/522), acrescida dos débitos comprovados durante a fiscalização (débitos estes que não constam na planilha original) e com a segregação, mês a mês, dos valores. Da petição do Recorrente sobre o resultado da diligência Em sua manifestação acerca da diligência fiscal, o RECORRENTE apresentou a petição de fls. 1514/1521 em 21/12/2018 Em suas razões, defendeu que a diligência não foi integralmente cumprida, pois “o demonstrativo elaborado pela fiscalização não foi capaz de demonstrar, de forma individualizada, quais os valores eventualmente excluídos da base de cálculo” (fls. 1518). Isto porque, em diversos momentos, a autoridade autuante se limita a afirmar que as alegações do RECORRETE não são suficientes para afastar a presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1535DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Acontece que, no entender do RECORRENTE, apenas as turmas julgadoras podem definir os limites da presunção estabelecida na lei, cabendo a autoridade autuante apontar, de forma individualizada os valores excluídos da base de cálculo (fls 1518), motivo pelo qual a autoridade fiscalizadora não poderia ter utilizado deste argumento em seu relatório de diligência. Quanto ao item 2.2 do relatório de diligência, o RECORRENTE entendeu que a alegação da autoridade preparadora – de que inexiste documentos que comprovem que o valor de R$ 339.049,33 não poderia ser tributado como resultado de atividade rural por se tratar de comercialização de produção de terceiros – não merece prosperar, pois “a operação de compra e revenda de cebolas foi plenamente esclarecida no item 3.3 do Recurso Voluntário” (fls. 1519). Por fim, o RECORRENTE volta a alegar que a inclusão do depósito bancário de R$ 13.500,00 demonstra a falta de confiabilidade do lançamento, posto que, em seu entender, o valor consta tanto na base de cálculo do lançamento de omissão de rendimentos de atividade rural quanto do lançamento de omissão de rendimentos por depósitos bancários sem origem comprovada. Nos pedidos, reitera os pedidos formulados no recurso voluntário, em especial, quanto ao erro na identificação do sujeito passivo. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Alegação de nulidade do lançamento – Erro na identificação do sujeito passivo Conforme elencado no relatório fiscal, o contribuinte alega nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo e cerceamento do direito de defesa, por suposta inclusão de páginas durante a digitalização e por ausência de identificação individualizada dos valores com origem comprovada e excluídos da base de cálculo do lançamento, bem como por ausência de demonstração da composição dos valores tributados mensalmente. Pois bem, quanto a alegação de nulidade por suposto erro na identificação do sujeito passivo, informo que tal pedido já foi objeto de julgamento na sessão que determinou a conversão do julgamento em diligência, conforme comprovado pelo parágrafo abaixo destacado: Fl. 1536DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Inicialmente, é preciso registrar que esta Relatora apresentou em sessão de julgamento proposta pela qual seriam acatados os argumentos do recorrente quanto à nulidade do auto de infração relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que teria havido a errônea identificação do sujeito passivo e também comprometimento do direito de defesa, já que não se evidenciou como foi apurada a base de cálculo. Tendo sido vencida nessa matéria, cumpriria dar seguimento ao julgamento pela análise das demais matérias de defesa. No entender da relatora à época da resolução nº 2201-003.308, houve erro na identificação do sujeito passivo pois era necessária a equiparação do RECORRENTE à pessoa jurídica, visto que os rendimentos recebidos são provenientes de atividade profissional exercida na pessoa física com habitualidade. Acontece que esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara entendeu não ser aplicável, ao presente caso, o instituto da equiparação à pessoa jurídica. A respeito deste tema, permaneço com o entendimento por mim adotado naquela sessão de julgamento, de que não houve nulidade no lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Para fins de averiguar a ocorrência da nulidade material do lançamento é necessário, antes, determinar qual regime jurídico o RECORRENTE está submetido. Em outras palavras, analisar-se-á se o RECORRENTE deveria estar submetido a incidência do Imposto de Renda pela pessoa física ou jurídica. Nesse sentido, o art. 150, §1º, II, do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), equiparou as pessoas físicas às empresas individuais, desde que, em nome próprio, explorem habitual e profissionalmente qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante a venda a terceiros de bens ou serviços: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I - as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II - as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); (Grifou-se) Desta forma, havendo a exploração habitual, em nome próprio, de atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante a venda de bens ou serviços para terceiros, resta qualificada a existência de empresa individual. Percebe-se, portanto, uma série sucessiva de condições para equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica: (i) habitualidade e profissionalidade: o contribuinte tem que exercer a atividade econômica de forma contínua e habitual, não sendo possível a Fl. 1537DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1706.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art41%C2%A71a http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art41%C2%A71b Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 equiparação caso a pessoa física apenas exerça a atividade de forma eventual. Observe-se que, atualmente, não há na legislação tributária um conceito objetivo do que vem a ser habitualidade para fins de equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. Habitualidade deve ser considerada como própria das operações que não são eventuais ou acidentais. Deve denotar uma intenção de permanência, de continuidade no exercício da atividade e deve ser apurada caso a caso. (ii) em nome próprio: a pessoa física deve suportar os riscos da atividade econômica. Desta forma, a pessoa física que exerça atividade econômica em nome de terceiro, como por exemplo o representante comercial, não está sujeita à equiparação, nos termos do inciso III do §2º do art. 150 do RIR/1999. (iii) fim especulativo de lucro por meio de venda de bens a terceiros: para ser equiparado à pessoa jurídica, a pessoa física deve buscar auferir lucro com a realização dos negócios. Assim, caso cumprido os requisitos mencionados, a pessoa física que pratique os negócios mercantis por conta própria adquirirá a condição de empresa individual independente de qualquer requisito formal, ocorrendo neste caso, para efeitos tributários, equiparação da empresa individual a pessoa jurídica, sendo seus rendimentos tributados nesta condição. Sobre o tema, merece destaque o trecho da solução de consulta Cosit nº 11/2015, abaixo ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF EMENTA: REVENDA DE BENS EM NOME PRÓPRIO. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA. OBRIGAÇÕES DA PESSOA FÍSICA EQUIPARADA. São equiparadas às pessoas jurídicas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, atividade comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante revenda de bens a terceiros, a exemplo dos revendedores de produtos adquiridos de empresas de vendas diretas. Uma vez equiparada à pessoa jurídica, a pessoa física deve adotar todos os procedimentos contábeis e fiscais aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto-Lei nº 4.506, de 1964, art. 41; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), arts. 150, § 1º, incisos I e II, e § 2º, inciso III, e 160; Parecer Normativo CST nº28, de 1976; Parecer Normativo CST nº 80, de 1976. (Grifou-se) Perceba que a equiparação à pessoa jurídica não é uma faculdade outorgada pela legislação, mas sim um dever que o contribuinte está sujeito caso seja empresa individual. Isto decorre da ficção jurídica, estipulada no art. 41 da Lei nº 4506/1964, que equiparou, em direitos e obrigações, as pessoas naturais que exploram em nome individual atividade econômica às empresas individuais. No presente caso, entendo que o RECORRENTE não cumpre os requisitos para equiparação à pessoa jurídica, em razão da ausência de pessoalidade e outros fatores que Fl. 1538DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 corroboram a inaptidão do pleito do RECORRENTE, o que converge para o entendimento de que ele não suportou o risco do negócio. Explico. Como se observa das fl. 18 do relatório fiscal, o RECORRENTE é responsável legal por empresa no mesmo ramo de atividade (Empresa Granorte - CNPJ nº 91.288.860/0001- 28). Tal fato é um forte indício que a atividade comercial é exercida (ou deveria ser) na própria pessoa jurídica, afastando assim o caráter pessoal exigido para equiparação à pessoa jurídica. Como dito na solução de consulta COSIT nº 11/2015, anteriormente mencionada, “são equiparadas às pessoas jurídicas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, atividade comercial, com o fim especulativo de lucro (...)”. Ora, se a pessoa jurídica existe justamente para explorar habitual e profissionalmente a mesma atividade de comércio de cebolas, qual o sentido do RECORRENTE também explorá-la de maneira habitual e profissional na pessoa física? Nenhuma justificativa foi apresentada pelo RECORRENTE. Importante esclarecer que, para os depósitos que houve uma vinculação efetiva com a Pessoa Jurídica da qual o RECORRENTE é responsável, a fiscalização os transportou para tributar em nome da própria empresa; assim, não pode qualquer depósito sofrer o mesmo procedimento sem que haja a demonstração de uma vinculação efetiva neste mesmo sentido por parte do contribuinte, o que não foi evidenciado. Ademais, ainda que se desconsidere estes argumentos, o RECORRENTE também não comprovou que suportou o risco do negócio. Não constam nos autos nenhum documento que comprove que o ônus financeiro da aquisição das cebolas foi suportado pelo RECORRENTE, e que o mesmo estava sujeito a prejuízos caso não conseguisse efetuar a posterior venda. O RECORRENTE não apresenta sequer o livro-caixa das operações praticadas, tampouco faz um cotejo dos depósitos recebidos com os saques efetuados, documento que, minimamente, comprovaria que foi ele quem adquiriu as cebolas de terceiros para posterior revenda. Quanto a sua operação, alega o RECORRENTE (fls. 1376): Quanto à cebola que o Fiscalizado adquire para a revenda, esta é comprada de pequenos produtores (relação fls. 529 e 530), todos conhecidos do Fiscalizado, fato que propicia operações sem muitas formalidades. Quando da aquisição, é combinado o preço a ser pago ao produtor fornecedor, correndo os custos de classificação, ensacamento, frete, colocação no mercado consumidor, etc., por conta do comerciante, isto é, do Fiscalizado, ora Recorrente. Para executar tais serviços, o Recorrente mantém diversos empregados, os quais exercem suas funções nos depósitos adiante citados, nos quais eles operam equipamento, a exemplo de esteiras, balanças, etc., tudo por conta e risco do Comerciante Recorrente, o que configura uma típica atividade tributável como Pessoa Jurídica. (grifos no original) Não há nos autos comprovantes de pagamento a estes pequenos produtores, ou os comprovantes de saques em valores compatíveis com os depósitos posteriormente recebidos. Quanto aos supostos empregados, também não foram acostados aos autos carteiras de trabalho demonstrando que o empregador é a pessoa física do RECORRENTE. Igualmente, quanto a Fl. 1539DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 aquisição dos mencionados equipamentos, não há nota fiscal mostrando que o adquirente foi o RECORRENTE. Nenhum destes documentos foi acostado aos autos. Até mesmo a relação de fls. 529/530 (e-fls. 532-533), mencionada pelo RECORRENTE em seu recurso voluntário, nada mais é que uma lista de nomes e CPF’s. Qual o valor probatório destes documentos? Não há o cotejo de quanto foi pago a cada produtor, e mais importante, de que quem suportou este pagamento foi a PESSOA FÍSICA do RECORRENTE, e não a pessoa jurídica que é administrador. Tais fatos, alinhados com a ausência de lucro nas operações (alegada pelo próprio RECORRENTE), é um forte indício que o risco era suportado pela PJ, razão pela qual a atividade era exercida profissionalmente nela, e não na pessoa física do RECORRENTE. Alegação de nulidade do lançamento – Cerceamento no direito de defesa Quanto à nulidade por cerceamento do direito de defesa, esta turma entendeu pela conversão do julgamento em diligência com o intuito de verificar qualquer cerceamento de defesa ocorrido durante a fiscalização. Deste modo, analisar-se-á a ocorrência da nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Como cediço, no processo administrativo federal são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10, também Decreto nº 70.235/1972, elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in vebis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 1540DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo compreensão dos fatos e fundamentos que levaram à lavratura do auto de infração pelo contribuinte, bem como cumprimento dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/2012, não há como se falar em nulidade do auto de infração. Assim entende o CARF: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. (Acórdão 3301-004.756 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 20/6/2018, Rel. Liziane Angelotti Meira ) AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação (Acórdão nº 3302005.700 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão 26/7/2018, Rel. Paulo Guilherme Déroulède) No presente caso, o principal fundamento aduzido pelo RECORRENTE foi a dificuldade na obtenção da base de cálculo, em razão da ausência de identificação da composição dos valores individuais tributados mensalmente (fls. 1395), bem como pela diferença de numeração das páginas do processo físico para o processo digital. Em razão da ausência de identificação dos valores tributados mensalmente, esta turma determinou a conversão do julgamento em diligência para que fosse elaborado um relatório “evidenciando cada uma das operações que foram consideradas na apuração da base de cálculo da omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e as exclusões realizadas nessa apuração, bem como que se manifeste acerca das alegações do contribuinte nos itens de defesa acima transcritos (12 a 15).” (fls. 1457). Cumprindo com o determinado, a autoridade preparadora elaborou a planilha de fls. 1469/1500. Tal planilha, em síntese, corresponde à tabela dos depósitos não comprovados (fls. 499/522), acrescida dos depósitos comprovados durante a fiscalização (os quais não constam na planilha original) e com a segregação, mês a mês, dos valores. Pois bem, com o retorno da diligência ficou comprovado que, no momento do lançamento, a planilha não continha a identificação mensal dos valores apurados, tampouco continha os depósitos comprovados durante a fiscalização. Fl. 1541DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Acontece que, diferentemente do que alega o RECORRENTE, entendo que a ausência destas informações não é suficiente para ocasionar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Como dito anteriormente, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. No presente caso, não vislumbro como a ausência de indicação mensal dos valores ou a exclusão dos valores já comprovados podem prejudicar a defesa do RECORRENTE. Isto porque, in casu, o lançamento foi efetuado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos sem origem comprovada, com fundamento no art. 42 do Lei nº 9.460/1996. Como será melhor abordado no mérito deste voto, tal artigo estabelece uma presunção legal de que os depósitos recebidos configuram omissão de rendimentos quando o contribuinte não puder comprovar sua origem, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizada. Assim, para exercer o seu direito de defesa, o contribuinte precisava comprovar, depósito por depósito, a origem dos créditos, através de documentação individualizada. Percebe- se, portanto, que a ausência de identificação mensal dos valores não prejudica a defesa do contribuinte pois, repito, ele precisará comprovar os depósitos de maneira individualizada. E esta relação individualizada dos depósitos que compõem a base de cálculo do lançamento foi elaborada e apresentada pela autoridade fiscal (fls. 499/522). De igual modo, a ausência de identificação na planilha dos depósitos já comprovados também não prejudica o exercício da ampla defesa. Ora, a lista apenas indica os depósitos que ele ainda precisa comprovar. Qual o prejuízo sofrido pela omissão dos depósitos já justificados? Pontua-se que, apesar dos depósitos com origem justificada não constarem na planilha de fls. 499/522, o relatório fiscal elenca de maneira muito clara os depósitos tidos como justificados, conforme planilhas de fls 18 a 20. Logo, considerando que o contribuinte não comprovou qual o prejuízo efetivamente sofrido pela ausência de identificação mensal dos valores não comprovados, bem como pela ausência de identificação na planilha dos valores tidos como justificados, entendo pela ausência de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Quanto ao argumento de que a diferença no número das páginas implicou em cerceamento do direito de defesa, entendo que também não merece prosperar. Mais uma vez o contribuinte se limitou a alegação genérica que a diferença no número das páginas prejudicou seu direito de defesa, mas não apresentou uma só razão fática para explicar qual foi o prejuízo sofrido. Houve inclusão indevida de alguma página? Se sim, qual? Tais perguntas deveriam ter sido respondidas pelo contribuinte, para comprovar que sofreu prejuízo. Nesse sentido, não prosperam as alegações de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa levantadas pelo RECORRENTE. Fl. 1542DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 MÉRITO Depósitos Bancários Sem Origem Comprovada Em princípio, deve-se esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizam-se como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende o RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos de forma individualizada, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Deveria, então, o RECORRENTE comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano-calendário: 1998 Fl. 1543DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 (...) IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI Nº 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareça-se, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O primeiro argumento apresentado pelo RECORRENTE para comprovar a origem dos depósitos recebidos foi de que os mesmos correspondiam a recursos decorrentes da atividade de comércio de cebola. No entender do RECORRENTE, a origem dos depósitos estaria comprovada pois sua única fonte de rendimentos é o comércio de cebolas, conforme anexos V, VI e VII da impugnação (alegação de fls. 1396). Assim, considerando que o fisco não comprovou que o RECORRENTE exercia outras atividades que pudesse motivar a movimentação financeira autuada (alegação de fls. 1397), seria imperioso concluir que se trata de recursos do comércio de cebola. Continuou o RECORRENTE que “para comprovar sua situação de comerciante habitual, apresentou ao Fisco, além das notas fiscais de produtor de emissão própria, uma infinidade de notas fiscais de outros produtores (fl. 11), cujos venderam sua produção ao Fiscalizado, cujas estão inseridas no processo (fls. 60 a 184). Além, relacionou os produtores fornecedores (fls. 529/530) e os compradores clientes (fls. 531/532)” (fls. 1397) Pois bem, em que pese haver indícios que o RECORRENTE exerce a atividade de comércio de cebolas, tal fato não é suficiente para afastar a presunção de omissão de rendimentos insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Como dito anteriormente, é necessária a comprovação individualizada mediante documentação hábil e idônea. Destarte, o RECORRENTE não relacionou, com a individualização necessária quais documentos se prestam a justificar cada depósito sem origem comprovada. Em verdade, de Fl. 1544DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 acordo com o §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, deveria o contribuinte ter justificado cada um dos depósitos, de maneira individualizada (e não apenas apontando que todas as suas receitas são frutos do comércio de cebolas), com documentação hábil e idônea, o que não foi cumprido. Pois bem, analisando por amostragem os documentos juntados aos autos, percebo que eles não comprovam com a exatidão necessária a origem dos depósitos, em especial em decorrência da ausência de indicação individualizada de qual depósito cada documento pretende comprovar a origem, o que inviabiliza o trabalho da autoridade fiscalizadora. Perceba que era dever do contribuinte, por força dos artigos supramencionados, fazer este cotejo analítico indicativo, sobretudo para comprovar que seriam valores pertencentes a terceiros, como alega em sua defesa. Para comprovar a origem dos depósitos creditados em contas bancárias de sua titularidade, o contribuinte deveria não somente comprovar uma efetiva movimentação financeira consistente na transferência de numerário entre remetente e destinatário, mostrando sua procedência inequívoca de quem e de onde veio o dinheiro, como também, demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a que título veio este recurso, ou seja, o porquê, o motivo pelo qual este recurso ingressou em seu patrimônio. Logo, o RECORRENTE deveria, por exemplo, demonstrar que o valor de "X" Reais creditado pela Empresa A no dia "Y" através do cheque "Z" serviu para fazer o pagamento da venda de cebolas intermediada pelo RECORRENTE, conforme comprova a Nota Fiscal "W". Essa vinculação deveria ser inequívoca, com uma razoável compatibilização de datas e valores, pois não adiantaria também afirmar que um valor creditado em janeiro serviu para fazer um pagamento datado de outubro, por exemplo. Neste sentido, as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte de fls.1281/1352, apenas pretensamente comprovam que o contribuinte pratica a atividade de comércio de cebola, todavia, apenas este fato não é suficiente para afastar a tributação. É necessário comprovar que os valores recebidos através da atividade de comércio de cebola são aqueles objetos do presente lançamento, o que poderia ser feito mediante o cotejo dos depósitos recebidos com a data das notas fiscais. Merece especial destaque a alegação do RECORRENTE de que é mero intermediário e que não obteve lucro com essas operações. Ora, se houve mera movimentação financeira, tal fato é ainda mais facilmente comprovável pelo RECORRENTE, bastando fazer o cotejo do depósito de entrada com o documento que justifique a posterior saída dos valores, o que também não foi feito. Portanto, para comprovar que são simples movimentações bancárias, além de comprovar o “ingresso” dos valores, é necessário os vincular a uma “saída”, o que não foi feito. Repiso, esta atividade é dever do contribuinte e não da autoridade julgadora. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de empresas terceiras e saídas para pagamento de produtores individuais, o contribuinte não está comprovando nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações a fim de atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Fl. 1545DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Portanto, não há como acatar os seus argumentos para afastar a tributação sobre os valores recebidos em sua conta corrente, posto que a alegação genérica de que estes valores são provenientes do comércio de cebola desacompanhado do cotejo individualizado da documentação hábil e idônea não é suficiente para afastar a presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 . Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano-calendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI Nº 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareça-se, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, não merece reparo o lançamento, na medida que caberia ao RECORRENTE ter demonstrado, de forma elucidativa, o nexo de causalidade entre os depósitos efetuados em sua conta bancária e as receitas recebidas em função de sua atividade como comerciante de cebolas, inclusive o repasse destes valores para terceiros. Omissão de Rendimentos da Atividade Rural Quanto aos argumentos apresentados pelo RECORRENTE no que diz respeito à omissão de rendimentos da atividade rural, de que se trata de produção de terceiros, entendo que não assiste razão o RECORRENTE. Fl. 1546DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-005.244 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16641.000161/2008-53 Com efeito, essa parte do lançamento foi realizada a partir de documentos fiscais produzidos pelo próprio contribuinte. A fiscalização tomou como base as notas fiscais avulsas do Estado da Bahia emitidas pelo próprio RECORRENTE no qual consta que a mercadoria é produzida por ele. Em face destes documentos, o RECORRENTE simplesmente alega que não tem produção no Estado da Bahia, mas não apresenta nenhum outro documento que tenha o condão de refutar o documento apresentado por ele próprio. A atuação fiscal, neste tópico, não apenas teve por suporte informações e provas carreadas pelo fiscalizado, como foi a mais favorável a ele. Simplesmente negar valor a esses elementos em sede de impugnação/recurso, parece-me uma conduta contraditória, que atenta contra a máxima "venire contra factum proprio". Assim, sendo evidente no processo que o contribuinte omitiu rendimentos, tendo ele mesmo produzido documentos fiscais que atestam a origem de parte desses rendimentos como da atividade rural e afirmado ser produtor rural, não acato os argumentos que procuram negar essa caracterização admitida pela autoridade fiscal. Conclusão Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 1547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661882/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO.
A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
Numero da decisão: 3401-006.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
1.0 = *:*
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HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório O presente versa sobre o Pedido de Restituição de fls. 54/56 (PER/DCOMP nº 10870.73265.310112.1.2.04-0443), transmitido em 31/01/2012, para pleitear restituição de crédito de PIS/PASEP decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 38.866,41, efetuado mediante DARF pago em 20/04/2007 no valor total de R$ 3.406.763,24. O Despacho Decisório eletrônico de fls. 57, datado de 03/11/2006, indeferiu o pedido de restituição sob o fundamento de que o crédito pleiteado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte por meio da DCOMP n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 18 82 /2 01 2- 11 Fl. 81DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.308 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.661882/2012-11 30785.61645.220313.1.3.04-0025, transmitido em 22/03/2013, não restando crédito a ser ressarcido. Irresignada, a empresa apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 04/52, em que alegou: (a) que o pedido de restituição nº 10870.73265.310112.1.2.04-0443, indeferido pela fiscalização, fora posteriormente convertido no pedido de compensação n° 30785.61645.220313.1.3.04-0025, já definitivamente homologado; (b) que na Declaração de Compensação informou corretamente o número do PER/DCOMP inicial relativo ao pedido de restituição; (c) que é pressuposto da homologação da compensação o deferimento do pedido de restituição do crédito e, estando ambos vinculados, não se sustenta o indeferimento da restituição após ter havido a homologação da compensação. A decisão de primeira instância (fls. 64/67) foi unânime pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2007 CRÉDITO DISPONÍVEL PARA RESTITUIÇÃO. O crédito disponível para restituição é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizado em compensações ou pedido de restituição anterior. Ciente do acórdão de piso em 28/09/2017 (fls. 64), a empresa protocolou o Recurso Voluntário de fls. 73/78 para repisar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, sustentando que a decisão recorrida seria contraditória, uma vez que a compensação, já homologada, teria origem no pedido de restituição, o qual não poderia ser indeferido. Em 19/04/2013, a URF preparadora certificou a tempestividade do recurso e encaminhou o presente a este CARF para julgamento, tendo sido distribuído, por sorteio, a este relator em 27/11/2018. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Nome do Relator, Relator. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia posta nos autos diz respeito à análise do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP nº 10870.73265.310112.1.2.04-0443, transmitido em 31/01/2012. O crédito pleiteado decorre de recolhimento a maior de PIS/PASEP e foi utilizado para compensar débitos de COFINS por meio do PER/DCOMP nº 30785.61645.220313.1.3.04-0025, transmitido em 22/03/2013, antes da análise do pedido de restituição, cujo número constou da declaração de compensação. Fl. 82DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.308 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.661882/2012-11 A decisão recorrida manteve a denegação do pedido de restituição por entender que só é passível de restituição o saldo remanescente de pagamento indevido ou a maior que não tenha sido utilizado em compensações anteriores, ao que a Recorrente sustenta que o deferimento do pedido de restituição é pressuposto da efetivação da compensação, devendo ser deferida a restituição do crédito no presente processo como imperativo lógico da homologação da compensação em que foi empregado este mesmo crédito. O direito à compensação decorre da existência de duas relações obrigacionais, em que o credor de uma é devedor de outra e vice-versa. Significa dizer que a compensação tributária exige a prévia existência de um direito de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, o que ocorre quando este tem direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. O atual regime de compensação de tributos e contribuições, previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, após as modificações introduzidas pela Lei n° 10.637/2002, passou a permitir que o contribuinte efetuasse a compensação independentemente de prévia autorização administrativa, apresentando uma declaração de compensação em que são registrados o crédito a ser aproveitado e o débito a ser quitado pelo encontro de contas, extinguindo-se este sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente afirma que ao registrar o segundo PER/DCOMP, convertera o pedido de restituição em “pedido de compensação”. Este instrumento não encontra previsão na sistemática instituída pela legislação em vigor. Em verdade, ao registrar o segundo PER/DCOMP, transmitiu uma declaração de compensação, com a qual se operou a compensação pretendida pela Recorrente, extinguindo-se o débito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação, a qual já ocorreu. Isto significa que o direito de crédito discutido nos presentes autos já foi plenamente reconhecido quando da análise da declaração de compensação. Não faria sentido a administração ter homologado uma compensação que pretendia aproveitar crédito ainda pendente de reconhecimento. A análise fiscal da declaração de compensação abrangeu a análise do direito creditório. Perdeu objeto o presente pedido de restituição, pois o direito à restituição do valor pago a maior já foi reconhecido e satisfeito através da compensação. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002106/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/03/2008 a 31/03/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-006.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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INDÚSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/03/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 21 06 /2 00 7- 39 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 219 2 Relatório 1. Trata o presente processo de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2006.72.00.0003150/SC, que tramitou na 3' Vara Federal em Florianópolis, conforme descrito na Certidão de fls. 15/16, e requereu o afastamento da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS determinadas pelos art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, com conseqüente direito à compensação das parcelas que teriam sido recolhidas a maior. As informações contidas na Certidão indicam ainda que esse pleito da interessada foi reconhecido, com o trânsito em julgado tendo ocorrido em 24/04/2007. 2. Através do Despacho Decisório às 32/36, de 13/07/2007, a DRF Florianópolis concluiu que a interessada teve reconhecido esse direito creditório referente à diferença de tributação do PIS e da COFINS. Com isso, a impetrante apresentou planilha com a apuração de crédito referente ao PIS relativo aos fatos geradores de 01/2001 a 11/2002 (fls. 03/04), bem como planilha com a apuração de crédito referente ao COFINS relativo aos fatos geradores de 01/2001 a 04/2004 (fls. 05/06), e que resultariam, no seu entendimento, em um crédito no valor atualizado de R$ 1.082.842,76. O Despacho Decisório, entretanto, ressalta que não tratava do reconhecimento dos valores a compensar, mas apenas promovia o registro administrativo de um direito declarado judicialmente, deferindo o pedido de habilitação do crédito. 3. Em 22/09/2008 a DRFFLN emitiu o Despacho Decisório às fls. 103/104, referente às Declarações de Compensação DCOMPs registradas sob n° 30725.03344.190707.1.3.540047, 08563.19463.190707.1.3.544035, 07084.76073.300707.1.3.549164, 31812.02574.300707.1.3.546085, 06432.92664.060208.1.7.543627, 33246.93760.060208.1.7.543010, 27151.12602.090408.1.3.546582, 21901.76142.090408.1.3.544046, 11002.37560.170408.1.3.545078 e 12775.38870.1.3.548874. 4. Nestas DCOMPs, o contribuinte pretende quitar débitos nelas relacionados utilizandose créditos da COFINS e do PIS, oriundos da ação judicial de n° 2006.72.00.0003150. Entretanto, com base na Informação Fiscal de fls. 97/102, o referido Despacho Decisório declarou a homologação apenas parcial das DCOMPs, conforme planilha apresentada à fl. 102, no valor total de R$ 923.066,94, com a não homologação de compensações no valor total de R$ 183.460,86. 5. A Informação Fiscal foi lavrada nos seguintes termos: Desta forma, para se proceder ao cálculo dos valores recolhidos a maior utilizouse os valores constantes da planilha apresentada pelo contribuinte, fls. 02 a 05, contendo as bases de cálculo do PIS e da COFINS e os respectivos pagamentos. Os valores informados estão compatíveis com os constantes das Declarações de Informações EconômicoFiscais entregues pelo interessado. Por sua vez, os pagamentos apresentados pelo contribuinte foram confirmados no Sistema Sinal09 da RFB, conforme extratos às fls. 36 a 38. Deixouse de apurar os créditos referentes aos períodos 11/02, 03/03, 04/03, 05/03 e 08/03, da COFINS, por não terem sido Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 220 3 quitados com pagamentos, mas objeto de compensação não homologada pela RFB, ora em recurso voluntário junto ao Conselho de Contribuintes (fls. 39 a 43) ou, no caso do período 11/02, já inscrito em Divida Ativa da União. Nestes períodos, o interessado pretendia compensar a COFINS devida com créditos de terceiros, hipótese vedada a partir da edição da Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637/2002. Ainda, no mérito da ação judicial, o detentor do crédito teve negada sua pretensão, em acórdão proferido pelo TRF 3ª Região, não dispondo de créditos sequer para uso próprio, muito menos para cessão a terceiros. Não se apurou, também, o período 11/02, do PIS, haja vista que o pagamento, no valor de R$ 125.993,45, informado pelo contribuinte como utilizado para abater o débito referese a outro período de apuração, 12/02, conforme extratos juntados às fls. 69 a 71. Para o período 11/02, foi informada em DCTF a compensação com crédito de terceiros de mesma origem (processo n° 16542.000649/200211), cuja pretensão foi, até o momento, negada pelo Judiciário. De todo modo, ainda que tais compensações tivessem sido confirmadas, não há previsão legal, conforme se verá adiante, para utilização em Declaração de Compensação de crédito decorrente de procedimento de compensação anterior, mas sim de pagamento indevido ou a maior, em seu sentido estrito — recolhimento via sistema bancário. (...) Para a execução do confronto entre o débito e o crédito utilizou se primeiramente o Sistema Crédito Tributário Sub Judice — CTSJ, fls. 72 a 80, que apura o efetivo valor das contribuições devidas e o saldo de pagamentos a maior, levandose em conta as peculiaridades das bases de cálculo e os pagamentos efetuados pelo contribuinte. Com a finalidade de se efetivar a compensação pleiteada pelo contribuinte utilizouse, posteriormente, aplicativo em que são feitos os batimentos entre o crédito, no presente caso os Saldos de Pagamentos, constantes ãs fls. 77 a 80, e os débitos relacionados nas DCOMP ora analisadas, fls. 49 a 68. As fls. 81 a 94 contém o resultado desse batimento de valores em que ficou devidamente demonstrado que o crédito trazido pelo contribuinte foi insuficiente para quitação total daqueles débitos arrolados nas Declarações de Compensação, acarretando a compensação dos débitos arrolados na planilha abaixo, constante na coluna "Compensação Homologada": Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 221 4 6. Irresignado com esta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 12/11/2008, às fls. 119/128, in verbis: III — DAS RAZÕES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO Conforme assinalado, o despacho decisório ora recorrido limitouse a homologar parcialmente as compensações realizadas pela ora Defendente pelas seguintes razões: Parte do crédito que se pretende compensar, na verdade, não teria sido constituído por meio de pagamento, e sim através de compensações com créditoprêmio de IPI de terceiros, estas não homologadas pela Receita Federal do Brasil. Não haveria previsão legal para compensação com crédito decorrente de compensação anterior, mas apenas de pagamento indevido ou a maior. Inicialmente, no que tange ao primeiro argumento, o mesmo não merece prosperar, haja vista que as compensações com créditos de terceiros se deram nos termos da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança nº 2001.51.01.00633575. A referida medida liminar foi ratificada pela r. sentença de mérito proferida, sendo reformada com o julgamento do recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional e a remessa necessária. Nesse sentido, todos os pedidos de compensação realizados na vigência da medida liminar e da sentença de mérito foram regulares, sendo vedada, em função do princípio da segurança jurídica, a desconsideração dos mesmos. Não há que se considerar, como pretende a ilustre Autoridade Fiscal, que o contribuinte, respaldado por decisão judicial, promova um ato administrativo com possibilidade de revogação posterior. Seria o mesmo que desconsiderar a decisão judicial. Além disso, à referido mandado de segurança não transitou em julgado, de sorte que se configura verdadeira arbitrariedade desconsiderar as compensações regularmente realizadas, fundamentadas em decisão judicial, antes do trânsito em julgado. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 222 5 Por óbvio que, em sendo revogada a decisão judicial que reconhecia o direito ao crédito tributário, não poderá mais o contribuinte apresentar pedido de compensação, ou seja, o efeito da decisão revogadora é ex nunc, não podendo, portanto, retroagir, mantendose plenamente vigentes as compensações realizadas sob a égide das medidas judiciais. No que tange ao segundo argumento, igualmente não possui o mesmo o menor fundamento jurídicotributário. Isto porque a i. Autoridade Fiscal entendeu por não ser possível a compensação de credito que não seja oriundo de "pagamento indevido ou a maior, em seu sentido estrito — recolhimento via sistema bancário". Ocorre que não há uma linha sequer da legislação pátria que disponha sobre tal hipótese, haja vista que a Autoridade Administrativa deve observar ao princípio da legalidade. Seria o auge da arbitrariedade se permitir que a Autoridade Administrativa possa interpretar a legislação vigente, função de competência exclusiva do poder judiciário. (...) Com relação ao último parágrafo da fl. 4 do Despacho Decisório, cumpre destacar que realmente, por equivoco no preenchimento do Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, os valores citados referentes à competência 11/2002 na realidade eram referentes à competência 12/2002, sendo os valores corretos da competência 11/2002 os seguintes: Valor apurado: R$93.224,50 (com receita financeira) e Valor compensado: R$93.224,50, sendo, contudo, correto o crédito original informado de R$4.111,25, referente à parte que incidiu equivocadamente sobre a receita financeira. (...) IV — DA FLAGRANTE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO PELA AFRONTA AOS CRITÉRIOS PROCESSUAIS ADMINISTRATIVOS E AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO (...) Outrossim, verificase pela análise do Despacho Decisório ora recorrido que a douta Autoridade Publica não fundamentou sua decisão em nenhum dispositivo legal, de sorte que apenas fez referência àquele que lhe atribui competência para realizar o ato. No que tange à matéria objeto do presente processo administrativo, não houve qualquer referência constitucional ou legal, de forma a caracterizar a nulidade do ato. (...) Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 223 6 Como se não bastasse, o Despacho Decisório recorrido fundamenta com base em histórico que não se coaduna com os documentos anexados aos presentes autos, bem como em decisão administrativa pendente de apreciação de recurso visando à sua reforma, nos autos do processo administrativo n° 11516.001154/200114, concluindo que não há crédito a se compensar a titulo de CSLL e glosando parte dos créditos de IRPJ e CSLL. Entretanto, a fim de se evidenciar ainda mais a incoerência e nulidade do referido Despacho Decisório, convém observar que, admitindo a suposta inexistência do direito creditório, o que se faz apenas para argumentar, deveria a Autoridade Fiscal considerar não declarados os pedidos de compensação, conforme previsto no parágrafo 12 do supracitado artigo 74 da Lei n.° 9.430/96, o qual dispõe: (...) Por fim, cumpre ressaltar que a Defendente está sendo cobrada pelas compensações realizadas com créditos de terceiros, bem como pelos tributos que eram devidos e foram compensados com estes créditos. Portando a Defendente está sendo cobrada duplamente, eis que se efetivamente pagar os valores que foram compensados com créditos de terceiros, objeto de discussão, por consequência fará jus ao crédito e, consequentemente, terá guarida a compensação realizada. 7. A 4ª Turma da DRJFlorianópolis (DRJFNS), em sessão datada de 26/03/2010, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 0719.395, às fls. 161/168, assim ementado: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, por alegado cerceamento do direito de defesa, quando resta evidenciado que a descrição dos fatos nele contida é exata, e os valores apurados foram corretamente apresentados, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. DCOMP. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A utilização, mediante compensação dos débitos fiscais cujos créditos a cedente ainda discute na Justiça o direito ao seu usufruto, não preenchem os requisitos certeza e liquidez, não sendo hábeis, portanto, para extinguir crédito tributário apurado pelo sujeito passivo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS. CRÉDITOS PRÊMIO DE IPI. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 224 7 DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Será considerada nãodeclarada a compensação que utiliza créditos de terceiros, créditos prêmio de IPI ou seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. A compensação considerada não declarada implicará a cobrança dos débitos já lançados de oficio ou confessados. 8. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJFNS em 27/05/2010 (conforme AR à fl. 173), apresentou Recurso Voluntário contra a decisão em 10/06/2010, às fls. 174/185, repetindo basicamente os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, mas informando também sua adesão aos benefícios concedidos pela MP 470/09, in verbis: I DA ADESÃO AOS BENEFÍCIOS DA MP 476/09 A Recorrente aderiu ao beneficio concedido pela MP 470/09 e realizou o pagamento, dos débitos que originalmente tinha utilizado o Crédito Prêmio de IPI de terceiros para liquidação, com prejuízo fiscal próprio, conforme autorizado pela MP, situação que, por si só, suspendeu a exigibilidade do crédito e resultou, para o caso em tela, na legitimidade do crédito utilizado pela Recorrente para realizar as compensações ora julgadas como não declaradas, eis que em havendo o pagamento do que antes era Crédito Prêmio de IPI, não há mais razão e fundamento para julgar não declarada a compensação. (...) II DO CABIMENTO DE RECURSO (...) Nestas condições, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, resultando em julgamento conforme Acórdão em epígrafe, que julgou nãodeclarada a compensação dos débitos de Cofins, relativos aos períodos de apuração de junho de 2007 e março de 2008, e de PIS, relativo ao período de apuração de março de 2008, no montante de R$ 183.460,86. (...) Ao simplesmente considerar como NÃO DECLARADA a compensação transmitida pelo contribuinte, com base no caput do § 12, da Lei n° 9.430/96, a Autoridade Fiscal ceifa o direito de petição previsto no artigo 5°, inciso XXXIV, da Constituição Federal, pois, pela previsão legal, verificase que o interessado sequer terá direito a questionar o enquadramento de seu crédito nas hipóteses previstas no malfadado inciso II, do § 12, do artigo 74, da Lei nº 9 9.430/96, pois sua declaração é simplesmente desconsiderada, como se não tivesse existido. Da mesma forma, ao excetuar a aplicação dos parágrafos 9º ao 11 da Lei nº 9 9.430/96 aos casos em que a compensação é desconsiderada (§ 13, da Lei n° 9.430/96), a União retira do Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 225 8 contribuinte o direito à manifestação de inconformidade, ficando o mesmo sem nenhum direito de defesa com eficácia suspensiva na esfera administrativa, em total afronta direta ao artigo 5°, incisos LIV e LV, ambos da Constituição Federal. (...) Acaso fundado em lei, então tal previsão legal é flagrantemente inconstitucional, pois existem regras em nossa Carta Magna que são inalteráveis, essas regras são chamadas Cláusulas Pétreas, e estão protegidas pela disposição do Parágrafo 4°, do artigo 60, verbis: (...) Assim, caso não se entenda pelo cabimento do presente Recurso, por economia processual e em face do principio da fungibilidade, requerse seja recebido como Manifestação de Inconformidade encaminhandoo ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis para julgamento. III DOS FATOS (...) IV — DAS RAZÕES DE REFORMA O despacho decisório originário que resultou na manifestação de inconformidade ora julgada se limitou a homologar parcialmente as compensações realizadas pela ora Recorrente pelas seguintes razões: (...) Estas razões, conforme já manifestado no tópico anterior da presente peça, vão por água abaixo, eis que agora, com o pagamento realizado por intermédio da MP 470, não há mais como se falar que não foram realizados por pagamento. Ademais, apenas para restar claro, salta aos olhos que a legislação em nada fundamentava as razões anteriores para não homologação de parte das compensações, senão vejamos: (...) Nesse sentido, o texto legal em nada dispõe que a compensação limitase a utilização de crédito oriundo de "pagamento indevido ou a maior". 9. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 226 9 Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 10. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 11. Conforme o Relatório Fiscal acima, a Autoridade Tributária emitiu Despacho Decisório pelo qual indeferiu, com base em Informação Fiscal, o pedido referente aos créditos dos períodos 11/02, 03/03, 04/03, 05/03 e 08/03, da COFINS, por não terem sido quitados com pagamentos, mas objeto de compensação não homologada pela RFB ou, no caso do período 11/02, já inscrito em Dívida Ativa da União. Nestes períodos, o interessado pretendia compensar a COFINS devida com créditos de terceiros, hipótese vedada a partir da edição da Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637/2002. Ainda, no mérito da ação judicial, o detentor do crédito teve negada sua pretensão, em acórdão proferido pelo TRF 3ª Região, não dispondo de créditos para uso próprio, nem para cessão a terceiros. 12. Da mesma forma, indeferiu o pedido de crédito referente ao período 11/02, do PIS, haja vista que o pagamento, no valor de R$ 125.993,45, informado pelo contribuinte como utilizado para abater o débito referese a outro período de apuração, 12/02, conforme extratos juntados aos autos. Para o período 11/02, foi informada em DCTF a compensação com crédito de terceiros de mesma origem (processo n° 16542.000649/200211), cuja pretensão foi, até o momento, negada pelo Judiciário. 13. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, rebatendo os argumentos contidos no Despacho Decisório que negou o crédito. A 4ª Turma da DRJFNS, entretanto, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedentes todos os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade. 14. O contribuinte, então, apresentou o presente Recurso Voluntário, que ora se julga, com os argumentos a seguir analisados. I DA ADESÃO AOS BENEFÍCIOS DA MP 476/09 15. A Recorrente alega que aderiu ao beneficio concedido pela MP 470/09 e realizou o pagamento dos débitos, para os quais originalmente tinha utilizado o Crédito Prêmio de IPI de terceiros para liquidação, com prejuízo fiscal próprio. Entende que deste fato resultou a legitimidade do crédito utilizado para realizar as compensações julgadas pela DRJ como não declaradas, eis que em havendo o pagamento do que antes era Crédito Prêmio de IPI, não há mais razão e fundamento para julgar não declarada a compensação. 16. Analisando os documentos acostados aos autos, às fls. 186/196, observase, inicialmente, que os pedidos desistência total da impugnação ou do recurso se referem, para a COFINS (código 2172) e para o PIS (código 6912), aos períodos 03/03, 04/03, 05/03 e 08/03. Logo, para os créditos do PIS e da COFINS referentes ao período 11/02, não se aplica esta tese da defesa. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 227 10 17. Quanto aos demais períodos, alcançados pelo presente argumento de defesa, verifico que, ao contrário do que sustenta o recorrente, continua inexistindo "pagamento indevido ou a maior", pois se o contribuinte extinguiu os débitos, para os quais originalmente tinha utilizado o Crédito Prêmio de IPI de terceiros para liquidação, com prejuízo fiscal próprio, não há que se falar em "pagamento", mas sim em "compensação". 18. O próprio contribuinte faz tal afirmação em seu Recurso Voluntário, in verbis: A Recorrente aderiu ao beneficio concedido pela MP 470/09 e realizou o pagamento, dos débitos que originalmente tinha utilizado o Crédito Prêmio de IPI de terceiros para liquidação, com prejuízo fiscal próprio, conforme autorizado pela MP, situação que, por si só, suspendeu a exigibilidade do crédito e resultou, para o caso em tela, na legitimidade do crédito utilizado pela Recorrente para realizar as compensações ora julgadas como não declaradas, eis que em havendo o pagamento do que antes era Crédito Prêmio de IPI, não há mais razão e fundamento para julgar não declarada a compensação. (grifo nosso) 19. O próprio recorrente anexou ao seu Recurso Voluntário o "ANEXO IV PEDIDO DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE PREJUÍZO FISCAL OU BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL", às fls. 186 e 196, apesar de também ter anexado, à fl. 194, o "ANEXO IV PEDIDO DE PAGAMENTO À VISTA DE DÉBITOS". Entretanto, em ambos os documentos, não há qualquer menção ao débito que está sendo compensado ou pago à vista. Ocorre que, à fl. 195, foi anexado pelo recorrente o documento "Discriminação do(s) Débito(s) a Parcelar". Neste, para todos os débitos em discussão neste processo (exceto, como dito, aqueles referentes ao período 11/02), há uma coluna denominada "Valor Amortizado com crédito de PF e BCN (se houver)", cuja indicação é "SIM". As siglas PF e BCN se referem, respectivamente, a PREJUÍZO FISCAL e BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. 20. Além disso, não foi anexado aos autos qualquer DARF devidamente quitado, para fins de comprovar os alegados pagamentos. Resta confirmado, portanto, que os débitos em questão não foram "pagos", mas sim "compensados com PF ou BCN". 21. Em relação à alegação de que o texto legal em nada dispõe que a compensação limitase a utilização de crédito oriundo de "pagamento indevido ou a maior", observese que, na verdade, este é o fundamento apresentado pelo próprio contribuinte para o pedido de compensação, qual seja, o fato de ter realizado uma apuração que resultou em um pagamento maior que o realmente devido. Se fosse um pedido de restituição, aí sim, para tal situação, a legislação tributária exige que seja caso de "pagamento", e não de outra modalidade de extinção do crédito tributário, como se depreende do art. 165, incisos I e II, c/c o art. 162, incisos I e II, ambos da Lei nº 5.172/66 (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 228 11 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; ........................................................... Art. 162. O pagamento é efetuado: I em moeda corrente, cheque ou vale postal; II nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico. 22. Por fim, constatase que o contribuinte não apresentou nova planilha de cálculo, detalhando qual o valor que alegava ter "pago" no âmbito do programa instituído pela MP 476/09, a fim de demonstrar que, mesmo após possuir decisão judicial determinando uma nova apuração do PIS e da COFINS, reduzindo estes tributos, permaneceu pagando/parcelando os mesmos débitos originalmente calculado, algo que, a princípio, não faz qualquer sentido do ponto de vista lógico. 23. Ressaltando que o Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. II DA ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE PETIÇÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DOS §§ 12 E 13 DA LEI Nº 9.430/96 24. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. III DA CONCLUSÃO 25. Assim sendo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.002106/200739 Acórdão n.º 3401006.177 S3C4T1 Fl. 229 12 Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.904868/2008-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 25/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Reconhecida a ocorrência contradição no julgado, estes devem ser acolhidos para saneamento dos vícios identificados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado.
Numero da decisão: 3001-000.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, retificando o Acórdão no 3001-000.504, de 18/09/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para que seja homologada a compensação no limite do crédito original validado, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Reconhecida a ocorrência contradição no julgado, estes devem ser acolhidos para saneamento dos vícios identificados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, retificando o Acórdão no 3001-000.504, de 18/09/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para que seja homologada a compensação no limite do crédito original validado, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Cuida-se de apresentação de Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional, por intermédio de petição fundamentada de sua Procuradora, formalizados ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 48 68 /2 00 8- 15 Fl. 106DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em desfavor do Acórdão nº 3001- 000.504 (doc. fls. 088 a 094) 1 , proferido em sessão de 18/09/2018. Discute-se nos autos do processo solicitação de compensação efetuada pelo contribuinte e não homologada pela unidade de origem, em Despacho Decisório no qual, baseando-se em dados constantes de seus sistemas informatizados, constatou que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos, reproduzo parcialmente o Relatório da decisão de primeira instância: “Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 01287.70537.150904.1.3.045619 (fls. 37/42), transmitida eletronicamente em 15/09/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Característica do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/08/2003 6912 16.168,65 15/09/2003 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados nos sistemas internos da RFB outro débito da contribuinte e declarações de compensação que foram quitados com parcelas desse mesmo crédito, de modo que não restou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP objeto da atual lide, conforme demonstrado no quadro a seguir: Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: No DO PAGAMENTO VALOR ORIGINA L TOTAL PROCESSO (PR)/ PERD/COMP (PD DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1473331391 16.168,45 DB: cód 6912PA 31/08/2003 PD:23987.31386.150704.1.3.041171 PD: 42006.36658.150604.1.3.047055 4.820,09 9.010,71 2.337,65 11.348,36 2.337,65 0,00 Em 25/09/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 06), cuja decisão não homologou a compensação declarada por inexistência de credito. O valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados foi de R$ 1.552,02. 1 As referências às folhas dos autos levam em conta a numeração atribuída pelo processo digital. Fl. 107DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 Cientificado, via postal, dessa decisão em 07/10/2008, conforme extrato de consulta de postagem (fl. 52), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 05/11/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/05, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta tal decisão, argumentando que teria efetuado um procedimento errado quando da emissão do PER/DCOMP nº 23987.31386.150704.1.3.041171 (fls. 25/30), transmitido anteriormente, que utilizou parcela do mesmo crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado nos correntes autos. Ela não teria assinalado o campo "informado em outro PER/DCOMP", fazendo com que o sistema considerasse que todo o crédito disponível teria sido utilizado para compensar os débitos declarados na citada declaração de compensação, o que teria influenciado a decisão sobre a homologação da declaração de compensação objeto do atual litígio. Em decorrência de tal procedimento, afirma que o valor original utilizado pela contribuinte no PER/DCOMP nº 23987.31386.150704.1.3.041171 teria sido de R$ 5.104,52, ao invés de R$ 9.010,71 constantes do Despacho Decisório, de modo que existiria crédito suficiente para compensar os débitos confessados no PER/DCOMP nº 01287.70537.150904.1.3.045619. Ao final requer que seja homologado o PER/DCOMP objeto do presente Despacho Decisório e que seja dado efeito suspensivo à exigência da presente Manifestação de Inconformidade”. A 2ª Turma da DRJ/BSB, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, por meio do Acórdão n o 03-31.758, cuja ementa abaixo se reproduz: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/09/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE CRÉDITO. As provas apresentadas comprovaram a existência do crédito alegado. O crédito disponível, entretanto, foi suficiente apenas para efetuar a compensação parcial dos débitos. Solicitação Deferida em Parte.” Pautou a decisão de piso o entendimento de que (fls. 66): “Analisando os documentos apresentados verifica-se que estão corretas as alegações da contribuinte, ou seja, o Despacho Decisório emitido eletronicamente em 25/09/2008 considerou de maneira equivocada que o montante do crédito original utilizado pela contribuinte no PER/DCOMP no 23987.31386.150704.1.3.04-1171 teria sido no valor de R$ 9.010,71. Na verdade, o valor original utilizado foi de R$ 5.104,52 (atualizado para R$ 5.753,81), conforme alegado pela contribuinte e homologado pela própria RFB, de acordo com cópia do Sief Per/Dcomp anexado à fl. 54. Fl. 108DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 (...) O quadro a seguir apresenta novo demonstrativo de utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP objeto dos presentes autos, corrigindo o montante do crédito original utilizado na declaração de compensação n°23987.31386.150704.1.3.04- 1171: VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR)/ PERD/COMP (PD DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZAD O SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 16.168,45 DB: cód 6912 - PA 31/08/2003 PD: 42006.36658.150604.1.3.04-7055 PD: 23987.31386.150704.1.3.04-1171 PD: 35254.56737.130804.1.3.04-7805 4.820,09 2.337,65 5.104,52 2.560,35 11.348,36 9.010,71 3.906,19 1.345,84 (*) (*) O montante poderá diminuir, dependendo do novo demonstrativo de compensação elaborado pela DRF de origem, conforme decisão proferida no Acórdão n° 03-31.757 da 2" turma da DRJ - Brasilia.” Nesses termos, o colegiado de piso chegou à decisão de deferimento parcial da solicitação, determinando a homologação da compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original validado, devidamente atualizado, determinando ainda que a unidade de origem refaça os cálculos “elaborando novo demonstrativo de compensação. Os débitos não liquidados por insuficiência do crédito deverão ser enviados para a cobrança”. Salientou ainda que, “para fins de cálculos, que cada débito deverá estar acrescido de juros e multa de mora, quando cabíveis, ou seja, quando o respectivo PER/DCOMP tiver sido transmitido após o vencimento”. Irresignado pelo deferimento parcial, o interessado interpôs Recurso Voluntário, onde alega, em síntese, que: (i) na verificação das justificativas de pagamentos, relativas ao débito total de IRRF, constatou-se pelo julgador a quo que suas alegações estavam corretas, ou seja, que o Despacho Decisório de 25.09.2008 havia considerado de maneira equivocada o saldo de crédito disponível; (ii) o acórdão recorrido destaca que a decisão do Acórdão 03-31.757, deferida anteriormente pela 2ª Turma da DRJ/BSB referente ao processo 10166.904867/2008-62, seria considerada para fins de determinação do saldo do crédito original disponível; (iii) ao considerar o saldo de crédito original validado por aquela decisão (Acórdão n o 03-31.757) no montante de R$ 3.906,42, antes do deferimento do DCOMP referente àquele processo (PD: 35254.56737.130804.1.3.04.7805), tem- se um saldo credor final de R$ 0,02, e não devedor de R$ 0,23; (iv) que o saldo do crédito original demonstrado no quadro de utilização dos pagamentos demonstrado pelo julgador do Acórdão recorrido não condiz com o mesmo valor do saldo de crédito original validado pelo Acórdão DRJ n o 03- 31.757, Fl. 109DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 (v) a inconsistência nos valores do saldo original do crédito constantes nos Acórdãos 03-31.757 e 03-31.758 influenciam a decisão dada neste último; (vi) a diferença do débito no valor de R$ 0,23 supostamente não recolhido é imaterial e gera apenas custos para ambos, sendo impossível de ser recolhida pelas vias normais, tendo em vista o art. 68 da Lei n o 9.430 de 1996, que veda a utilização de DARF para o pagamento de tributos e contribuições de valor inferior a R$ 10,00 (dez reais). Analisando o caso em litígio, este colegiado, por meio do Acórdão n o 3001- 000.504, decidiu por dar provimento ao recurso, no sentido deferir a solicitação e determinar que fosse homologada integralmente a compensação indicada no PER/DCOMP. Entendeu a c. Turma que, “demonstrada a insignificância do saldo devedor resultante do confronto entre o montante do direito creditório reconhecido e o débito confessado, efetuado em Per/Dcomp regularmente apresentado, em respeito ao princípios que regem o processo administrativo geral, da razoabilidade e da proporcionalidade, bem assim, em face a interpretação analógica de dispositivo legal autorizativo, em face do valor ínfimo do débito remanescente, é de se reconhecer que o crédito disponível foi suficiente para efetuar integralmente a compensação dos débitos." Conduziu a decisão o entendimento manifestado no voto de que (fls. 092 e 093 - grifei): De plano, confrontando-se ambas decisões, ou seja, a ora recorrida Acórdão 03-31.758 e a constante no Acórdão 03-757, ambas proferidas pela 2ª Turma da DRJ/BSB, em 29.06.2009, emerge que assiste razão ao recorrente quando demonstra que há inconsistência quanto aos valores do saldo original do crédito. Porém, conforme acima reproduzido, independentemente desse equívoco de transcrição de valor de direito creditório, fato é que o que restou incontroverso é que a importância à qual o douto colegiado a quo entendeu como sendo "insuficiente para compensar totalmente os débitos declarados no referido instrumento", ou seja, no Per/Dcomp 01287.70537.150904.1.3.045619, perfaz o montante de R$ 0,23 (vinte e três centavos de real). (...) Ora, existindo lei que dispensa a constituição de créditos tributários de valores inferiores a R$ 100,00 (cem reais), não subsiste interesse nem razão plausível para não entender que o crédito original disponível é suficiente para compensar os débitos declarados no Per/Dcomp 01287.70537.150904.1.3.045619, sob o argumento que o débito remanescente, de R$ 0,23, que fere o princípio da razoabilidade, do processo administrativo geral. Ademais, por analogia e considerando o princípio da proporcionalidade, também característico do processo administrativo, como orienta o artigo 108 do Código Tributário Nacional Lei 5.172 de 25.10.1966, é legítimo e de justiça acolher-se a pretensão do ora recorrente.” Em sua petição de fls. 096 a 097, a Representação Jurídica da Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que se visualiza uma possível contradição do acórdão embargado, que Fl. 110DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 utilizaria dos valores constantes no Acórdão de primeira instância, mas chegaria a solução diversa da DRJ quanto aos valores. Argumenta a Fazenda Nacional, nesse sentido, que (fls. 096 – grifei): “A DRJ, considerando que o contribuinte comprovou a existência de parte do crédito, homologou a compensação até o limite do crédito existente. O acórdão ora embargado, por sua vez, entendeu que, diante da insignificância do valor que se considerou insuficiente para compensar totalmente os débitos declarados, o correto seria homologar totalmente a compensação indicada no Per/Dcomp objeto do presente processo. No entanto, salvo melhor juízo, não é de apenas R$ 0,23 o valor necessário para compensar o total dos débitos aqui declarados, pois o acórdão não considerou a atualização dos valores de créditos e débitos. Os valores corretos só serão alcançados quando da liquidação do presente julgado. Os dois acórdãos convergem no entendimento quanto à comprovação da existência de créditos por parte do contribuinte. A divergência consiste apenas nos valores considerados para homologação parcial ou total da compensação. Desse modo, requer-se o esclarecimento quanto aos valores considerados pela decisão ora embargada para que tenha tido por fundamento o princípio da insignificância.” É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Tendo o Conselheiro Relator do voto condutor do Acórdão embargado deixado esta Turma, o processo foi a mim sorteado para nova avaliação. Conhecimento do recurso O recurso é tempestivo. A Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 02/10/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 095) e, consoante o disposto no art. 79, do Anexo II do RICARF, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 01/11/2018. De acordo com o art. 7 o §§ 3 o e 5 o da Portaria MF n o 527, de 2010, tratando-se de processo eletrônico, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN. O prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista. A contagem do prazo para interposição dos Embargos inicia-se, então, após a intimação presumida. Fl. 111DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 Sendo de 5 (cinco) dias o prazo para interposição dos Embargos, e considerando em estes foram regularmente encaminhados em 17/10/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 098), conclui-se que são francamente tempestivos. Os Embargos de Declaração foram formalizados por Procuradora da Fazenda Nacional, legitimada a opor esse tipo de recurso, conforme o que estabelece o § 1 o do art. 65 do Anexo II do RICARF, de sorte que podem ser conhecidos. Análise do mérito Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, podendo ser interpostos, mediante petição fundamentada. Nos Embargos de Declaração, a Representação Jurídica da Fazenda Nacional acusa a ocorrência dos vícios de contradição, arguindo que não seria de apenas R$ 0,23 o valor necessário para compensar o total dos débitos declarados, pois o Acórdão embargado não teria considerdo a atualização dos valores de créditos e débitos. Assim, requer "o esclarecimento quanto aos valores considerados pela decisão ora embargada ". Uma análise detida dos elementos que constam dos autos nos mostra que a razão está com a embargante, visto que não há a inconsistência quanto aos valores do saldo original do crédito, asseverada no Acórdão embargado. Vejamos. Da leitura cuidadosa do que consta dos autos, se observa que a discussão decorre de erro de preenchimento cometido pelo contribuinte quando da formulação de pedido de compensação de pagamento indevido ou a maior de COFINS. O crédito seria originário de recolhimento de DARF no valor R$ 16.168,45. Pretendia a recorrente utilizar-se desse crédito para compensar débitos de IRRF de setembro/2004 e, para tanto, transmitiu as PER/DCOMP n o 42006.36658.150604.1.3.04-7055; 23987.31386.150704.1.3.04-1171; 35254.56737.130804.1.3.04-7805; e 01287.70537.150904.1.3.04-5619. Não obstante, o erro na formulação da DCOMP-1171 ensejou a não homologação, pela unidade de origem, das compensações a ela subsequentes, decorrentes da DCOMP-7805 (gerando o litígio materializado no processo n o 10166.904867/2008-82 – Acórdão DRJ n o 03- 31.757) e da DCOMP-5619 (litígio materializado neste processo – Acórdão DRJ n o 03-31.758). Ambos os acórdãos do colegiado a quo concluíram por reconhecer a apontada ocorrência do erro no preenchimento do DCOMP-1171. Não obstante, há inexatidão material no Acórdão n o 03-31.757, ao indicar a existência de um saldo credor, após a compensação da referida DCOMP, de montante R$ 3.906,42, tendo consignado ao longo do voto o entendimento de que o valor correto seria um saldo credor de R$ 3.906,19, como se irá mostrar. Analisando as cópias das declarações de compensação citadas, constantes das fls. 020 a 044, fica claro constatar que o saldo credor apurado, após a compensação materializada pelo DCOMP-1171, é de R$ 3.906,19, nos seguintes termos: Fl. 112DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 DARF de origem PER/DCOMP - DB CRÉDITO UTILIZADO SALDO CREDOR 16.168,45R$ DB cód 6912 - PA 31/08/2003 4.820,09R$ 11.348,36R$ 42006.36658.150604.1.3.04-7055 2.337,65R$ 9.010,71R$ 23987.31386.150704.1.3.04-1171 5.104,52R$ 3.906,19R$ 35254.56737.130804.1.3.04-7805 2.560,35R$ 1.345,84R$ 01287.70537.150904.1.3.04-5619 1.346,07R$ 0,23-R$ Além disso, ao contrário do que asseveram o Recurso Voluntário e o Acórdão embargado, não há divergência no valor do saldo credor apurado pelos Acórdãos n o 03-31.757 e n o 03-31.758. Da análise materializada em ambos resultou um saldo credor em montante de R$ 3.906,19. Há sim inexatidão na redação de sua conclusão, quando o primeiro cita um saldo de R$ 3.906,42. O reconhecimento de saldo credor em montante de R$ 3.906,19 fica claro quando se extrai o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão n o 03-31.757 (fls. 061): Ressalte-se que, apesar dessa inexatidão na conclusão, a mesma determina que “seja homologada a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do credito original aqui validado” e que (fls. 061): “A DRF de origem deverá refazer os cálculos, elaborando novo demonstrativo de compensação. Os débitos não liquidados por insuficiência do crédito deverão ser enviados para a cobrança. Saliente-se, para fins de cálculos, que cada débito deverá estar acrescido de juros e multa de mora, quando cabíveis, ou seja, quando o respectivo PER/DCOMP tiver sido transmitido após o vencimento”. O Acórdão embargado, contudo, está correto ao afirmar que há regras legais que corroboram com a irrelevância da cobrança de valores sem expressão monetária, as quais trazem consigo o princípio de que se deve desconsiderar valores ínfimos ou não levar a diante cobranças ou discussões que possam ser mais onerosas à Administração Pública quanto ao próprio pagamento. Fl. 113DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-000.848 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904868/2008-15 São exemplos a Lei n o 10.522, de 2002, que nos arts. 18 e 20 cancela os débitos inscritos em Dívida Ativa da União de valor consolidado igual ou inferior a R$ 100,00 e arquiva os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa em valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00, e a Lei n o 9.430 de 1996, que em seu art. 68 veda a utilização de DARF para o pagamento de tributos e contribuições de valor inferior a R$ 10,00. Agora, esses princípios devem ser aplicados quando se apuram os valores corretos a serem alcançados pelo confronto de contas do contribuinte quando da execução do julgado, ou seja, quando se apuram ao final do processo valores de débito inferiores aos limites para emissão de DARF ou inscrição em Dívida Ativa. À vista do exposto, entendo que devam ser acolhidos os presentes embargos, dando a eles efeitos infringentes, de forma a modificar o Acórdão n o 3001-000.504, para que seja homologada a compensação objeto do presente processo, no limite do crédito original validado. Conclusões Por tudo quanto exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração, dando a estes efeitos modificativos ao Acórdão n o 3001-000.504, nos termos do voto. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.100017/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 23/11/2007
IMUNIDADE. LIVROS ELETRÔNICOS. SUPORTE EM CD. RE STF 330.817/RJ. REPERCUSSÃO GERAL.
Aplica-se a imunidade do art. 150, VI, "d", da Constituição Federal aos suportes exclusivos para leitura e armazenamento, além de componentes eletrônicos que acompanhem material didático.
Numero da decisão: 3401-006.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 23/11/2007 IMUNIDADE. LIVROS ELETRÔNICOS. SUPORTE EM CD. RE STF 330.817/RJ. REPERCUSSÃO GERAL. Aplica-se a imunidade do art. 150, VI, "d", da Constituição Federal aos suportes exclusivos para leitura e armazenamento, além de componentes eletrônicos que acompanhem material didático.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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LIVROS ELETRÔNICOS. SUPORTE EM CD. RE STF 330.817/RJ. REPERCUSSÃO GERAL. Aplicase a imunidade do art. 150, VI, "d", da Constituição Federal aos suportes exclusivos para leitura e armazenamento, além de componentes eletrônicos que acompanhem material didático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 10 00 17 /2 00 8- 54 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 19647.100017/200854 Acórdão n.º 3401006.217 S3C4T1 Fl. 82 2 Tratase de autuação efetuada no regime de tributação simplificada, por meio de Nota de Tributação Simplificada (NTS), pela importação pelos Correios de um livro em mídia CD. O contribuinte apresentouse irresignado e, dentre outros motivos, alega cerceamento de direito de defesa e que teve que pagar o valor que lhe era imputado, por isso solicita o ressarcimento. O pleito foi inicialmente indeferido pela DRF Recife, que analisou o pedido de ressarcimento, já que a imunidade tributária não alcançaria os livros eletrônicos. Em seguida o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, quanto ao despacho decisório, que foi julgada pela DRJ Recife, acórdão nº 1134.543, em 29 de julho de 2011, por unanimidade de votos, pela sua improcedência. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde alega em síntese, após tecer comentários e citar doutrina sobre imunidade tributária, que a Constituição não condiciona que a imunidade deve ser concedida somente a versão do livro impressa no papel É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Quanto ao tema da tributação do livro eletrônico, já foi pacificado pelo STF, em repercussão geral, RE 330817 RG / RJ Rio de Janeiro, Relatoria do Ministro Dias Toffoli, assim ementado: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. PRETENDIDA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A RECAIR SOBRE LIVRO ELETRÔNICO. NECESSIDADE DE CORRETA INTERPRETAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL QUE CUIDA DO TEMA (ART. 150, INCISO IV, ALÍNEA D). MATÉRIA PASSÍVEL DE REPETIÇÃO EM INÚMEROS PROCESSOS, A REPERCUTIR NA ESFERA DE INTERESSE DE TODA A SOCIEDADE. TEMA COM REPERCUSSÃO GERAL. Para o colegiado, a imunidade tributária para livros, jornais, periódicos e papel destinado a sua impressão deve abranger os livros eletrônicos, os suportes exclusivos para leitura e armazenamento, além de componentes eletrônicos que acompanhem material didático. No RE 330817, com repercussão geral reconhecida, o Estado do Rio de Janeiro questionava decisão do Tribunal de Justiça local (TJRJ) que, em mandado de Fl. 82DF CARF MF Processo nº 19647.100017/200854 Acórdão n.º 3401006.217 S3C4T1 Fl. 83 3 segurança impetrado pela editora, reconheceu a existência da imunidade prevista no artigo 150 (inciso VI, alínea “d”) da Constituição Federal ao software denominado Enciclopédia Jurídica Eletrônica e ao disco magnético (CD ROM) em que as informações culturais são gravadas. Para o estado, o livro eletrônico, como meio novo de difusão, é distinto do livro impresso e que, por isso, não deve ter o benefício da imunidade. Para o relator da ação, ministro Dias Toffoli, a imunidade constitucional debatida no recurso alcança também o livro digital. Segundo o ministro, tanto a Carta Federal de 1969 quanto a Constituição de 1988, ao considerarem imunes determinado bem, livro, jornal ou periódico, voltam o seu olhar para a finalidade da norma, de modo a potencializar a sua efetividade. “Assim foi a decisão de se reconhecerem como imunes as revistas técnicas, a lista telefônica, as apostilas, os álbuns de figurinha, bem como mapas impressos e atlas geográficos”, disse em seu voto. Considerando o art. 62 do RICARF as matérias em repercussão geral do STF devem ser reproduzidas obrigatoriamente pelos Conselheiros nos julgamentos do CARF, por isso conheço do recurso voluntário e no mérito doulhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006239/2006-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PIS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM REJEITOS. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Embora os dispêndios com rejeitos sejam necessários ao funcionamento da empresa, estes não são essenciais ou relevantes no processo produtivo, já que, por decorrência lógica, são posteriores à obtenção do produto produzido, assim, não sendo aptos a gerar o creditamento, conforme o disposto no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e da Lei nº 10.637/02.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM REJEITOS. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Embora os dispêndios com rejeitos sejam necessários ao funcionamento da empresa, estes não são essenciais ou relevantes no processo produtivo, já que, por decorrência lógica, são posteriores à obtenção do produto produzido, assim, não sendo aptos a gerar o creditamento, conforme o disposto no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e da Lei nº 10.637/02. Recurso Voluntário Negado.
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HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM REJEITOS. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Embora os dispêndios com rejeitos sejam necessários ao funcionamento da empresa, estes não são essenciais ou relevantes no processo produtivo, já que, por decorrência lógica, são posteriores à obtenção do produto produzido, assim, não sendo aptos a gerar o creditamento, conforme o disposto no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e da Lei nº 10.637/02. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 62 39 /2 00 6- 39 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 585 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do PIS, referente ao período de janeiro a setembro de 2005, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade da contribuição, cumulado com Declarações de Compensação. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de declaração de compensação apresentada em 14/06/2006 pela contribuinte acima qualificada, referente a créditos do PIS nãocumulativo mercado externo, dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2005 (fls. 01/10). O direito creditório foi objeto de verificação pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte. Conforme relatório fiscal de fls. 156/170, após exame das obrigações tributárias relativas ao PIS e à Cofins do período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, a autoridade fiscal efetuou a glosa dos gastos que considerou em dissonância com as disposições das Leis n” 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e das Instruções Normativas SRF n° 247, de 2002, e 404, de 2004, reconstituindo os Dacons apresentados pela contribuinte. Os créditos reconhecidos pela fiscalização estão demonstrados às fls. 84 (1° trimestre de 2005), 113 (2° trimestre de 2005) e 131 (3° trimestre de 2005). Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 586 3 Em síntese, para os períodos de apuração de janeiro a setembro de 2005, não foram admitidos, segundo o relatório fiscal, os custos e despesas com: . bens que, segundo informação prestada pela contribuinte no curso da ação fiscal, não exerceram ação diretamente sobre o produto fabricado pela empresa destinado à venda (ouro) , demonstrados a fl. 85 (“Glosa de Créditos de PIS e Cofins Relativos a Bens Utilizados como Insumos ~ ano 2005”); . serviços de escavação de estéril, escavação de rejeitos, transporte de estéril, transporte de rejeitos e desmatamento/destocamento, por também não se enquadrarem no conceito de insumo “serviço”, uma vez que não aplicados ou consumidos diretamente na produção do produto fabricado pela empresa, demonstrados a fl. 107 (“Glosa de Créditos relativos a Serviços Utilizados como Insumos ano 2005”); . aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas não comprovados; . aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas empregados nas atividades de serviços auxiliares de destocamento, raspagem e transporte do sol e remoção de camada vegetal, por não serem empregados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, demonstrados a fl. 149 (“Glosa de Créditos de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas”). Com relação ao presente processo, tendo em vista as glosas efetuadas, apurou a fiscalização créditos passíveis de compensação no montante de R$ 149.533,27, relativos ao período de janeiro a setembro de 2005. Em face do crédito levantado pela fiscalização, a autoridade administrativa exarou o despacho decisório de fls. 171/174, homologando a compensação declarada no limite do crédito reconhecido. Cientificada da decisão em 08/04/2010 (fl. 183), a contribuinte manifestou, em 10/05/2010, às fls. 184/217, sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: . a interpretação do fisco quanto ao conceito de insumos geradores de crédito das contribuições não cumulativas foi restritiva e desconsiderou aspectos pontuais de sua atividade, devendo os benefícios fiscais relacionados à atividade de industrialização do ouro ser concedidos na extensão de todo o processo produtivo; . tendo em vista a semelhança do PIS e da Cofins, em seu aspecto material, com o imposto de renda, poderseia exemplificar como uma correta conceituação de insumo a contida no artigo 290 do RIR/99; Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 587 4 . segundo julgado do Conselho de Contribuintes, o termo “insumos” dentro da legislação do PIS e da Cofins compreende todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte na fabricação de seus produtos; . as restrições contidas nas Instruções Normativas da SRF não encontram respaldo legal, como é o caso dos valores despendidos com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e com os insumos utilizados em todas as suas etapas do processo; . a retirada de estéril e rejeitos é procedimento intrínseco para a extração do ouro e demais minerais; . a legislação do Estado de Minas Gerais apresenta a definição de produto intermediário nas atividades de mineração, incluindo as etapas de movimentação e remoção do estéril, uma vez que faz parte indissociável do processo produtivo; . durante todo o processo de extração do minério fazse necessária a remoção do estéril, sendo esta relação bastante elevada no início da mina e há uma redução gradativa no aprofundamento da cava, e, com isto, não há como se obter a extração de minério sem a extração de estéril e rejeitos, pois é parte do procedimento; . os créditos decorrentes de combustível também são previstos no art 3° da Lei n° 10.637/2002, sendo equivocada a glosa em virtude da utilização de combustível para a extração de estéril e rejeitos, cabendo uma interpretação razoável da lei; . no mesmo sentido há de se entender os créditos decorrentes da locação de máquinas e equipamentos para a retirada de estéril e rejeitos; . quanto às divergências constatadas pela fiscalização nos valores declarados na Dacon nas bases de cálculo de créditos relativos a bens do ativo imobilizado, não ficaram claras as diferenças apontadas, nem apresentadas provas, enquanto o processo administrativo é anunciado pelo principio da verdade real. Ao final, requer a produção de todas as provas admitidas em Direito, especialmente a prova documental, testemunhal e pericial e pede a homologação das compensações realizadas." Em seqüência, analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 588 5 Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 Ementa: Somente dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência nãocumulativa, os dispêndios expressamente autorizados em lei. Geram direito a crédito do PIS nãocumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Para cálculo dos créditos do PIS nãocumulativo, entendemse como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, 0 material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto Geram direito a crédito do PIS nãocumulativo as despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 521/540), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao direito de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 589 6 COFINS, assim, entendo oportuno tecer alguns comentários sobre os fundamentos que irão embasar este voto. O regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Em seus arts. 3º e §§, ambas as leis tratam das possibilidades de apropriação de créditos. Da simples leitura dos dispositivos legais citados, constatase que as hipóteses de creditamento no âmbito dessas contribuições possuem uma abrangência específica e diversa das legislações que regulamentam outros tributos. Em especial, o termo "insumo" não se amolda a definição restritiva presente na legislação sobre o IPI, como também não contempla um sentido tão amplo a ponto de incluir todos os custos e despesas necessárias à atividade empresarial, como no caso do IRPJ. Necessitase, então, a construção de diretrizes particulares na análise dos elementos geradores de crédito dessas contribuições. Na busca desse desiderato, a jurisprudência desta Corte foi elaborando, ao longo do tempo, premissas importantes a serem consideradas, como no Acórdão nº 9303 006.083, de 12 de dezembro de 2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: "O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (grifo nosso) Embora o entendimento principal esposado acima seja majoritário atualmente no CARF, corrente autodenominada intermediária, mesmo entre seus adeptos, a aplicação prática desse conceito não é pacífica. Assim, temos que uns vislumbram que basta o insumo ser utilizado no processo produtivo para fazer jus ao crédito, outros entendem ser necessário a utilização direta desse insumo na produção, outros, ainda, preconizam que tal insumo deve ser indispensável. A meu sentir, a exigência mais correta a ser feita para que um determinado gasto seja classificado como um insumo, para o fim de creditamento disposto na legislação do PIS e da COFINS não cumulativas, é a essencialidade, tal qual foi manifestada no voto do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG: "Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 590 7 preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante." (grifo nosso) Ademais, tal entendimento foi ratificado pelo Ministro no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: "Daí minha divergência, pois tenho posição um pouco mais restrita, onde deve ser realizado o "teste de subtração" do insumo a fim de verificar a sua essencialidade ao processo produtivo". (grifo nosso) Nesse passo, creio que o bem ou serviço para ser considerado como insumo, além da necessidade de ser utilizado especificamente no processo produtivo, mesmo que não entre em contato direto com o produto, deve ser essencial à produção do bem ou à prestação do serviço. Em outras palavras, o insumo para ser apreciado como essencial ao processo, quando submetido ao teste de subtração, deve inviabilizar a obtenção do bem ou, ao menos, retirarlhe significativamente a qualidade. Para além da corrente intermediária do conceito de insumo, temos outra que considera que a legislação criadora da não cumulatividade para as contribuições enumerou um rol taxativo dos bens e serviços passíveis de serem considerados insumos com vista ao creditamento. Dessa forma, fora das hipóteses legalmente previstas, não haveria a possibilidade da apropriação de créditos. Tal entendimento pode ser observado no excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303006.717, de 15 de maio de 2018, da lavra do Eminente Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: "Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso." (grifo nosso) A princípio, tais correntes parecem antagônicas ou, ao menos, incompatíveis. Contudo, a meu ver, existe a possibilidade de reconciliação. Primeiramente, entendo oportuno Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 591 8 transcrever o art. 3º da Lei 10.833/2003, que trata do creditamento na sistemática da COFINS não cumulativa. Repisese que a legislação referente ao PIS tem dispositivo semelhante: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 592 9 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) ......................................................................................................... (grifo nosso) A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebese que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. Por conseqüência do que foi dito, voltando às operações de venda, fora a armazenagem e o frete, não há possibilidade de reconhecimento de crédito de mais nenhuma despesa ou custo incorridos nessas operações, a contrario sensu., por expressa determinação legal. Então, tomemos o caso das embalagens para transporte, sobre as quais vários ilustres Conselheiros reconhecem o direito ao creditamento, data venia, penso exatamente o oposto. Considerandose que tais embalagens não são insumos para a produção do bem, pois utilizadas somente após o término de sua elaboração, logo, muito menos o são insumos essenciais, embora sejam fundamentais ao processo de comercialização, e considerandose que tais dispêndios não estão elencados no rol taxativo do art. 3º, a meu sentir, não geram direito a crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 593 10 Por fim, ressaltese que no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, realizado na sistemática dos Recursos Repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça firmou a tese de que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Considerando a certa falta de objetividade do conceito em questão para a sua aplicabilidade, os textos dos votos proferidos pelos Eminentes Ministros naquele julgamento e as disposições contidas nas leis específicas e vigentes sobre a não cumulatividade das contribuições, entendo que os fundamentos assentados por mim anteriormente encontramse em harmonia com a decisão emanada daquela Corte Superior. Nesse contexto, a essencialidade e a relevância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica da contribuinte só podem ser entendidos como relacionados ao processo produtivo do bem ou serviço produzido pela empresa e não ao funcionamento da empresa em si. Caso contrário, estariase equiparando os insumos, passíveis de creditamento, a todos as despesas e os custos necessários ao funcionamento da empresa, ou seja, estariase ampliando indevidamente o benefício previsto pelo legislador. Assim, dispêndios com os rejeitos gerados no processo produtivo não podem ser aptos a gerar o creditamento, pois, por conseqüência lógica, são posteriores à própria obtenção do produto. Por certo, embora essenciais ao funcionamento da empresa em si, tais gastos não se caracterizam como insumos, nem estão previstos no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Dessa maneira, no caso concreto ora em análise, não há reparo a ser feito na decisão proferida pela primeira instância julgadora. A motivação exteriorizada no voto condutor do Acórdão recorrido demonstrase adequada e, a meu sentir, correta, por isso, reproduzo excerto e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: "Todavia, tendo em vista o caso concreto em análise, não há como ratificar todas as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, assistindo razão à manifestante em sua afirmativa de que os serviços de escavação e retirada do estéril, efetivamente, são intrínsecos e diretamente aplicados na extração do ouro. Isto porque o estéril constitui minério com baixo teor, cuja viabilidade de exploração depende dos preços do mercado, e, embora não se integre ao produto final, sua extração é etapa inicial e inerente à obtenção do produto final. Da descrição trazida pela manifestante, verificase que o processo de extração tem início com a fase de desmonte (arriamento do minério ou do estéril de sua posição rochosa inicial, de maneira a se obter um amontoado de minério ou de estéril totalmente desagregado de suas rochas naturais) e termina com a fase de estocagem, devendose compreender como integrante do processo de produção do ouro a fase de desmonte da rocha ou remoção de estéril até a fase de estocagem. E, durante toda a atividade de exploração do ouro, fazse Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10680.006239/200639 Acórdão n.º 3002000.753 S3C0T2 Fl. 594 11 necessária a remoção do estéril, sendo a relação estéril/minério variável ao longo da exploração do minério. Portanto, os serviços de escavação e retirada do estéril são de fato aplicados ou consumidos diretamente no processo produtivo e, portanto, os custos neles incorridos, inclusive os despendidos com aquisição de combustíveis para utilização em tais serviços, são geradores de créditos das contribuições nãocumulativas, ao contrário do que considerou a fiscalização. Já a remoção de rejeitos gerados no processo produtivo, mesmo que necessária à atividade da empresa, não constitui despesa aplicada ou consumida diretamente na extração e beneficiamento do ouro, pelo que, com relação a tais despesas, devem ser confirmadas as glosas efetuadas pela fiscalização, assim como as relativas aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de rejeitos. Ressalvese que, conforme demonstrativos de fl. 86e 149, não houve, no período de janeiro a setembro de 2005, glosas relativas a gastos com combustíveis, nem com locação de máquinas e equipamentos, utilizados na escavação ou transporte de estéril, que, se existentes, também gerariam direito a creditamento. No que concerne à afirmativa da manifestante de que não ficaram claras as incorreções constatadas pela autoridade fiscal nas bases de cálculo de créditos relativos a bens do ativo imobilizado declaradas no Dacon, observase, conforme demonstrativos de fls. 84, 1 13 e 131, que, para os períodos de apuração abrangidos pelo presente processo, não foram efetuadas glosas relativas a tais créditos." (grifo nosso) Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 594DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903877/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.152
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 87 7/ 20 13 -5 1 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11080.903877/201351 Resolução nº 3402002.152 S3C4T2 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A restituição e/ou ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da sua respectiva certeza e liquidez. A falta de comprovação do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, impossibilita o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão. a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão pelas seguintes razões: i) Preliminarmente: Nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e ao Devido Processo Legal; ii) No mérito, o cerne da questão se detém à análise da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos (soja) adquiridos pela Contribuinte e equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa Recorrente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; iii) Não exerce atividade agroindustrial ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; iv) Tem sido aplicada equivocadamente a norma suspensiva; v) Aplicase o Princípio da Verdade Material; vi) Cabe o retorno dos autos à origem para a realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.137, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.903871/201383. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.137): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11080.903877/201351 Resolução nº 3402002.152 S3C4T2 Fl. 4 3 A empresa acima identificada transmitiu o PER/DCOMP, pelo qual solicitou o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo a PIS/Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre emitiu Despacho Decisório Eletrônico reconhecendo parcialmente o direito creditório. Não foram admitidos créditos da Contribuição referente às aquisições de mercadorias destinadas à revenda, efetuadas pelos fornecedores com alíquota zero, com o fim específico de exportação ou com suspensão nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004 e art. 2º, § 2º da IN 660/2006. Como relatado, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos de defesa: Foram equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa efetivamente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; Não exerce atividade agroindustrial e não utiliza ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; Os créditos solicitados decorrem, principalmente, das aquisições de soja de pessoas jurídicas para revenda (mercado interno e exportação), sendo que tais aquisições seriam parte das operações que realiza e que decorreriam da disponibilidade de grãos durante a safra e da sua capacidade de armazenagem, uma vez que sua estrutura não atende a demanda existente, surgindo a necessidade de operações de venda imediata do produto por incapacidade de escoamento (interno e externo). A Lei n.º 10.925/2004 dispõe sobre a suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, condicionandoa ao processo industrial, como prevê o artigo 9º, abaixo colacionado: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11080.903877/201351 Resolução nº 3402002.152 S3C4T2 Fl. 5 4 cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (sem destaque no texto original) Observo que a improcedência do pedido pela DRJ de origem teve por principal motivação a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito invocado. O Ilustre julgador de primeira instância consignou que em nenhum momento a Contribuinte comprovou suas alegações, tampouco acostou qualquer documentação para demonstrar que as operações glosadas de fato não teriam ocorrido com suspensão. No entanto, o Recurso Voluntário foi instruído com Notas fiscais de Entrada e Saída, reiterando a Recorrente que as operações se referem à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da análise de tais documentos, de fato constam as operações classificadas pelos seguintes códigos fiscais: CFOP 5102: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. CFOP 5117: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, quando da saída real da mercadoria, cujo faturamento tenha sido classificado no código "5.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura". CFOP 5922: Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Diante de tais documentos anexados com o Recurso Voluntário, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca do direito creditório, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11080.903877/201351 Resolução nº 3402002.152 S3C4T2 Fl. 6 5 Com isso, fazse necessário verificar se as mercadorias adquiridas dos fornecedores não foram objeto de recolhimento das contribuições, bem como comprovar a efetiva atividade exercida pela Recorrente, de forma a avaliar o cumprimento dos requisitos da IN SRF 660/2006. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11080.903877/201351 Resolução nº 3402002.152 S3C4T2 Fl. 7 6 bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 566DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.000305/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164.
Numero da decisão: 3302-006.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 03 05 /2 00 9- 19 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 3 2 Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato, o relatório do acórdão da DRJ/RPO nº 1453.098, da 12ª Turma, proferido na sessão de 27 de agosto de 2014: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do IPI, pleiteado pela contribuinte em epígrafe, efetuado por meio do PER/DCOMP nº 17512.14419.210306.1.1.010320, com direito creditório informado atinente ao 3º trimestre de 2003, no valor de R$ 696.650,13. No Despacho Decisório de fls. 359/363, com base na Informação Fiscal de fls. 325/334, a autoridade competente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 69.771,23, com glosa no montante de R$ 626.878,90, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Nos termos do que consta do processo, o pedido foi parcialmente deferido devido à exclusão, da base de cálculo do cálculo do crédito presumido, de que tratam as Leis nºs 9.363/1996 e 10.637/2002, das aquisições efetuadas de: a) pessoas físicas, pois as mesmas não geram direito a crédito presumido do IPI haja vista que estas não são contribuintes do PIS e da CONFIS em relação ao seu faturamento; b) bens que não se enquadram no conceito de insumos, conforme art. 164, I do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), o qual esclarece que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente; c) energia elétrica e de prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda; d) outros bens que, tendo em vista o Código Fiscal de Operação (CFOP) contido nas respectivas notas fiscais de aquisição, não geram direito a crédito. Regularmente cientificada do despacho decisório, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 385/470, instruída dos documentos de fls. 471/499, alegando, em síntese, que é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo e serviços prestados por terceiros, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados. Conclui sua manifestação com as considerações: Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 4 3 “1) A Matéria Prima, laranja, adquirida de pessoas físicas, e sociedades cooperativas, não deve ser glosada no cálculo do crédito presumido em comento, já que onde a lei não restringe, não pode o intérprete fazêlo, mesmo por que, o espírito da lei é desonerar as exportações das contribuições ao PIS e a Cofins, que são cumulativas, e mesmo as pessoas físicas e sociedades cooperadas, adquirem insumos para produção de laranja, sobre os quais incidiu em etapas anteriores, as exações que se quer exonerar; 2) Os produtos intermediários devem ser analisados como todos àqueles que integram o processo produtivo, de maneira ampla, sob o ponto de vista econômicofinanceiro, e não aqueles que são direta e imediatamente consumidos ou que agregam o produto final, conceitos não aplicáveis ao IPI, e, muito menos, aos créditos presumidos de PIS e COFINS, já que incidem em todo o ciclo produtivo, desde a extração vegetal ou mineral, até a industrialização, em cascata, facultando, portanto, o direito sobre todos os produtos glosados neste tópico, em especial, os insumos combustíveis, energia elétrica e telecomunicações; 3) Onde a lei não estabeleceu, não pode o intérprete inovar, ou seja, levar em dedução estoques anteriores de insumos que componham ou não o processo produtivo, e que estejam no estoque, já que o crédito presumido é apenas calculado sobre as aquisições efetivadas no trimestre, e não levadas em conta pela Recorrente no seu pedido, ou seja, as deduções não tem qualquer amparo legal, devendo ser anuladas;” Por fim, requer seja acolhida a oposição apresentada, para deferir a totalidade do pedido de ressarcimento, ou seja, R$ 696.650,13. É o relatório. A decisão da DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, garantido o direito ao crédito do IPI referente a aquisição de insumos de pessoas físicas, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, devese adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 5 4 de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde esclarece visa tão somente garantir a aplicação da taxa selic, no que diz respeito à correção monetária dos valores de seus créditos. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. A matéria que se apresenta para julgamento já foi analisada e julgada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo que a ora recorrente figura como parte, oportunidade que restou garantido a correção monetária do crédito apurado com a incidência da taxa selic, contudo, somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da dada da protocolização do pedido de ressarcimento, tendo em vista a oposição ilegítima do fisco ao crédito. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 6 5 Pois bem. Nesse sentido, é o Acórdão n.º 9303007.533, de relatoria do Nobre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999, in verbis: Taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 8 7 (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividem se em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 9 8 DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 10 9 referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 11 10 a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, reconheço a incidênca da correção em relação aos créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas que foi a única matéria em que o contribuinte reverteu nas instâncias de julgamento. Correção esta a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento de alguns tributaristas, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Portanto em relação à incidência da taxa Selic, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo que o seu termo inicial dáse a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido, somente sobre os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas. Por todo o exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário, para admitir a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10850.000305/200919 Acórdão n.º 3302006.919 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 602DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.906078/2010-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimentos adicionais e formação de juízo conclusivo sobre a matéria em discussão, oportunidade na qual a Unidade de Origem deverá confirmar as retenções pelas fontes pagadoras, bem como se eles foram informados pela contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo.
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimentos adicionais e formação de juízo conclusivo sobre a matéria em discussão, oportunidade na qual a Unidade de Origem deverá confirmar as retenções pelas fontes pagadoras, bem como se eles foram informados pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo. Relatório Por reproduzir fielmente a presente caso, reproduz-se abaixo o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC): Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (nº 08123.96817.060707.1.3.021785) na qual se indicou, como origem de crédito, saldo negativo de IRPJ relativo a 31/12/2003. O despacho decisório eletrônico (fl. 07) afirma não ter havido confirmação das parcelas de composição do crédito referentes às retenções na fonte que compõem o saldo negativo do IRPJ declaradas na DCOMP (R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 06 07 8/ 20 10 -1 8 Fl. 237DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.086 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.906078/2010-18 27.194,52). Restando saldo negativo disponível igual a zero, não homologando a compensação declarada. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.12/15) fazendo, em síntese, as seguintes alegações: - o saldo negativo de IRPJ foi devidamente informado nas DCOMP e nas DIPJ, sendo referentes às retenções na fonte efetuadas pelas instituições financeiras; - como não houve apuração de IRPJ a pagar ao final do período, as retenções se transformaram em saldo negativo de IRPJ; - não há qualquer divergência de valores entre os créditos de saldo negativo informados na DIPJ e na DCOMP; - requer sejam homologadas as compensações e anulados os lançamentos por falta de clareza e fundamentação do Despacho Decisório. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada às fls. 12/98 do e- processo, a DRJ/REC manteve o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório, sob a alegação de que "o interessado além de não apresentar informe de rendimentos nem documentação, como, por exemplo, Razão contábil da conta Receitas Financeiras, que fosse capaz de comprovar que a receita financeira, a qual deu origem ao IRRF objeto do pedido de compensação, comporia o resultado, sequer declarou valores de receitas na DIPJ correspondente, é o que se observa em consulta ao sistema IRPJ-Consulta", como se verifica às fls. 102 do e-processo. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual apresentou os informes de rendimento das fontes pagadores (instituições financeiras), bem como explicou que por se encontrar em fase pré-operacional, as receitas financeiras foram registradas contabilmente no Ativo Diferido, conforme apresentado na Ficha do Balanço Patrimonial - Ativo da DIPJ relacionada ao ano-calendário em questão. Ao final requereu fosse reformado o Acórdão da DRJ/REC. Este é o relatório Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pela Recorrente fundamenta-se em pretensos recolhimentos indevidos de Imposto de Renda, que na verdade teriam sido objeto de retenção das fontes pagadoras, por se tratarem de rendimentos produzidos por aplicações financeiras. Fl. 238DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.086 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.906078/2010-18 Em razão da ausência de comprovação dos recolhimentos indevidos e do atendimento à legislação de regência, a decisão a quo negou provimento à Manifestação de Inconformidade, conforme trecho seguinte às fls. 102 do e-processo: Assim, para demonstrar a liquidez e certeza do crédito, deve o contribuinte apresentar o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e comprovar que a receita sobre a qual incidiu o referido IRRF, objeto do presente pedido, no caso, receita financeira, foi oferecida à tributação, condição legalmente exigida para que este possa ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período (IRPJ), originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Ocorre que o interessado além de não apresentar informe de rendimentos nem documentação, como, por exemplo, Razão contábil da conta Receitas Financeiras, que fosse capaz de comprovar que a receita financeira, a qual deu origem ao IRRF objeto do pedido de compensação, comporia o resultado, sequer declarou valores de receitas na DIPJ correspondente, é o que se observa em consulta ao sistema IRPJ Consulta. Vê-se que a improcedência da Manifestação de Inconformidade teve como fundamento principal a falta de suporte probatório. Nada obstante, a Recorrente juntou no Recurso Voluntário os informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, que, em princípio e em juízo de delibação, indicam a verossimilhança de seus argumentos. À vista dessa nova realidade processual, entendo que há necessidade de baixar o processo em diligência para esclarecimentos adicionais e formação de juízo conclusivo sobre a matéria. discussão, oportunidade na qual a Unidade de Origem deverá confirmar as retenções pelas fontes pagadoras, bem como se eles foram informados pela contribuinte. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. É como voto. Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Fl. 239DF CARF MF
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