Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10283.900193/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.505
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.900193/2010-13
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446722
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.505
nome_arquivo_s : Decisao_10283900193201013.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283900193201013_5446722.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5878504
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702422421504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 353 1 352 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900193/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.505 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 93 /2 01 0- 13 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900193/201013 Acórdão n.º 3202001.505 S3C2T2 Fl. 354 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18050.004723/2008-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no mérito para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18050.004723/2008-13
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5452423
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.991
nome_arquivo_s : Decisao_18050004723200813.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 18050004723200813_5452423.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no mérito para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5887464
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702429761536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 4.514 1 4.513 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.004723/200813 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.991 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FEDERAÇÃO BAHIANA DE FUTEBOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 47 23 /2 00 8- 13 Fl. 7374DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no mérito para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 7375DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.515 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – 'FEDERAÇÃO BAHIANA DE FUTEBOL contra Acórdão nº 1522.188 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.054.7900, com valor inicial de R$ 549.388,74. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere à contribuição previdenciária referente à cota patronal e as devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, todas, incidentes sobre as remunerações devidas, pagas ou creditadas, conforme determinam os incisos I e II, do art. 30, todos da Lei n.° 8.212/91, para o período de 11/2001 a 06/2006. O Relatório Fiscal indica os levantamentos realizados: Os levantamentos foram elaborados, separadamente; mediante identificação dos diversos fatos geradores de contribuição previdenciária, apurados ao longo da ação fiscal, com vistas a possibilitar uma melhor visualização e explicação, nos relatórios, das respectivas bases de cálculo, dos recolhimentos anteriormente efetuados pelo contribuinte e considerados pela fiscalização, e da forma de cálculo das contribuições devidas. A seguir, temse os Códigos de Levantamento utilizados: FCG — Levantamento feito com base nos valores constantes das folhas de pagamento dos empregados, dos contribuintes individuais (diretores, trabalhadores autônomos), declarados em GFIP, referentes ao período de 11/2001 a 06/2006; FSG — Levantamento feito com base nos valores constantes das folhas de pagamento dos contribuintes individuais (Diretores e Autônomos) não declarados em GFIP, referentes ao período de 11/2001 a 06/2006; BOR — Levantamento utilizado para apurar as contribuições devidas decorrentes das remunerações pagas a contribuintes individuais (Arbitragem, Auxiliares, Reservas, equipes de exames AntiDopping, quando realizados e ao Quadro Móvel da FBF, quando apresentados os documentos); AFI — Levantamento, feito por arbitramento ou aferição, para se obter as contribuições (CCI) de 11% para o INSS, decorrentes das remunerações pagas a contribuintes individuais (Arbitragem, Auxiliares, Reservas, equipes de exames Anti Dopping, quando realizados, e aos Quadros Móveis da FBF, quando apresentados os documentos). Contribuições essas, que Fl. 7376DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 deveriam ter sido descontadas das remunerações pagas aos referidos trabalhadores e, no entanto, não o foram, em várias competências a partir de 04/2003, portanto não se caracterizando como apropriação indébita; Diferença de Acréscimos Legais — DAL, que discrimina, por levantamento, as diferenças decorrentes de recolhimento .6 menor de atualização monetária, juros ou multa de mora, com indicação com os • valores que seriam devidos e dos valores recolhidos, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor. O Relatório Fiscal indica também os fatos geradores das contribuições previdenciárias: 8.1 Os pagamentos efetuados aos segurados empregados, contribuintes individuais, constantes de folhas de pagamento, RAIS, GFIP, recibos, levantados através dos códigos FCG — Folha de Pagamento com as remunerações declaradas em GFIP e FSG Folha de Pagamento com os dados não declarados em GFIP. Ressaltese que, a partir de 04/2003, a empresa está obrigada a descontar a contribuição de 11% sobre as remunerações pagas aos seus diretores e trabalhadores autônomos (contribuintes individuais), respeitandose o teto máximo da Previdência Social e observandose as declarações daqueles trabalhadores que tenham outras fontes de remunerações. 8.2 — Os pagamentos efetuados aos árbitros, auxiliares, reservas, quadros móveis da FBF (quando os documentos constavam dos Border6s) e os pagamentos feitos também às equipes destinadas às colheitas de materiais para a realização de exames anti dopping (quando realizados). Todos esses FATOS foram levantados no código BOR e lançados através da rubrica PCL (aqui já foram lançadas às próprias contribuições de 20%) e da rubrica — CCI? (também a contribuição de 11% sobre a base de cálculo patronal, respeitandose o teto máximo de cada trabalhador. Essa contribuição de 11% deveria ter sido descontada, a partir de 04/2003, de cada trabalhador, o que não ocorreu, ensejando o lançamento no levantamento AFI). 8.3 — Aqueles pagamentos efetuados aos árbitros, auxiliares, reservas, quadros móveis da FBF (quando os documentos constavam dos Border6s) e os pagamentos feitos também às equipes destinadas coleta de materiais para a realização de exames antidopping (quando realizados), cujos descontos não foram registrados nos Boletins Financeiros a partir de 04/2003, sofreram um arbitramento de 11% até o teto máximo. Pois era desconhecido o limite de cada contribuinte individual e se o mesmo já contribuía para a Previdência social, em outra fonte pagadora. Fl. 7377DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.516 5 A Recorrente teve ciência da NFLD em 20.12.2006, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 434. O período objeto da autuação, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 28, é de 11/2001 a 06/2006. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O contribuinte inconformado com a notificação fiscal apresentou, impugnação (fls. 436/441) em 04/01/2007, na qual, sinteticamente, aduz: É de ressaltar que por amostragem, dentro do exíguo prazo que gozou para catalogação dos documentos e apresentação da defesa, a impugnante demonstra de plano a existência de erros materiais instransponíveis cometidos pela fiscalização, que serão pormenorizadamente explicados e apresentados no decorrer do processo, suficientes a demonstrar a improcedência da autuação. No que diz respeito A suposta não retenção do percentual de 11% sobre os pagamentos efetuados aos árbitros, auxiliares, quadro móvel e antidoping (AFT — Lançamento Arbitrado), a autuação é improcedente ao tributar valores pagos A titulo de diárias e passagens pagas aos profissionais para exercício das atividades em outro domicilio distinto do usual, conforme art. 28, §9°, alíneas "h" e "m", da Lei n.° 8.212/91. A obrigação da retenção somente deverá prevalecer a partir dos pagamentos realizados após 09/05/2003, conforme acima exposto, tornando improcedente a autuação quanto ao período de 01/04/2003 a 08/05/2003, neste particular; No que diz respeito ao suposto não recolhimento do percentual de 20% sobre os pagamentos efetuados aos árbitros, auxiliares, quadro móvel e antidoping (BOR —BORDERÔ), a autuação também é improcedente ao tributar valores pagos A titulo de diária e passagens pagas aos profissionais para exercício das atividades em outro domicilio distinto do usual, visto que o art.28, §9°, alíneas "h" e "m", da Lei 8.212/91 assim preceitua; No que diz respeito aos lançamentos FCG (Folha de Pagamento com GFIP), pertinentes As competências 12/2003 e 04/2004 (fl. 440), as diferenças apontadas são improcedentes em face de inclusão de parcelas não passíveis de tributação (fl. 440); No que diz respeito aos lançamentos FSG (Folha de Pagamento sem GFIP) pertinente à competência 11/2001 (fl. 440), a diferença apontada é improcedente em face de inclusão de parcelas não passíveis de tributação (fl. 440); Fl. 7378DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Houve solicitação de Diligência Fiscal pela autoridade julgadora de primeira instância para que se manifestasse acerca das argumentações deduzidas em sede de Impugnação bem como acerca da extensa prova documental acostada aos autos. A Fiscalização emite Informação Fiscal, às fls. 4452 a 4457, após análise da documentação acostada aos autos pelo contribuinte, mantendo o lançamento efetuado, nestes termos: 1 – Em atendimento à solicitação, da Diligência Fiscal expedida pelo Chefe Substituto do Serviço de Fiscalização da DRFB – Salvador, Sr. Mário Alberto Ferrari, junto à Empresa interessada, com respaldo no Mandado de Procedimento Fiscal n°. 09439509, inicialmente apresentamos o Termo de Inicio da Ação Fiscal– TIAF, de 29/02/2008, solicitando a documentação pertinente aos trabalhos e posteriormente foram solicitados mais outros documentos, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos T1AD de 26/05/2008, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de 04/06/2008 e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos T1AD de 23/07/2008 2 – QUESTIONAMENTOS, ALEGAÇÕES E INFORMAÇÕES DA IMPUGNANTE NA SUA PECA DE DEFESA, às fls. 430 a 441) 2.1 – Alega dificuldades, com referência ao prazo para apresentar a sua defesa, em tempo hábil, apontando como motivo para isso, a data do recebimento do resultado da Ação Fiscal de, 20/12/2006; 2.2 – Alega que no levantamento feito por arbitramento, ou aferição, para se obter as contribuições (CCI) de 11% para o INSS, houve Inclusão de valores referentes a DIÁRIAS E A PASSAGENS, nos cálculos das remunerações de árbitros, auxiliares, reservas e outros; 2.3 – discorda da retroação da Lei n°. 10.666/2003 que determinou o desconto na Remuneração do contribuinte individual a partir de 1°104/2003; 2.4 – Não recolhimento do percentual de 20 % sobre os pagamentos efetuados aos árbitros, auxiliares, quadro móvel e antidopping, (BOR – BORDER6); 2.5 – Alega improcedência nas diferenças encontradas no levantamento FCG –abaixo mencionadas Competência Alegações da Empresa 12/2003 "O valor apurado a titulo de remuneração de diretoria (prólabore) no valor de R$ 18.400,00 foi incluído na base de cálculo da tributação de 20 % (R$ 3.680,00) e recolhido `dentro' do valor total de (R$ 7.119,47, conforme documentação anexa." 04/2004 "Tributação irregular sobre rubrica 'Adiantamento sobre saldo negativo de salário', no valor de R$ 296,67, que significa adiantamento de salário deduzido do respectivo salário dentro próprio mês, que não 6 passível de tributação previdenciária, conforme legislação em vigor". Fl. 7379DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.517 7 2.5 — Alega improcedência na diferença encontrada no levantamento FSG —FOLHA DE PAGAMENTO SEM GFIP FOG , pela Fiscalização na competência, abaixo mencionada: Competência Alegação da Empresa 11/2001 "0 valor apurado 6 titulo de remuneração de diretoria ( prólabore) e contribuintes individuais no valor de R$ 28.500,00 foi incluído na base de calculo da tributação de 20% ( R$ 5.700,00) e recolhido `dentro' do valor total do INSS, conforme documentação anexa 3 — DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA JUNTO À EMPRESA DURANTE ESTA AÇÃO FISCAL 3.1 — No Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF de, 29/02/2008: 3.1.1 — as atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria ou conselhos; 3.1.2 — todas as caixas de BORDER6S com todos os documentos referentes ao período fiscalizado de 11/2001 a 06/2008. 3.2 — No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de, 26/05/2008: 3.2.1 todas as caixas de BORDER6S com todos os documentos referentes ao período fiscalizado de 11/2001 a 06/2008; 3.2.2 — cópia da Ata de posse dos atuais responsáveis legais pela FBF. 3.3 No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de 04/06/2008: 3.3.1 — GPS, resumo analítico e geral de folhas de pagamento e recibos de prólabore de 11/2001; 3.3.2 — recibos das remunerações dos trabalhadores individuais e autônomos de 11/2001; 3.3.3 — resumos geral e analítico da folha de pagamento dos empregados de 12/2003; 3.3.4 — folha de pagamento analítica dos diretores (Srs. Ednaldo, Jorge e Pedro) de 12/2003; 3.3.5 — resumos geral e analítico da folha de pagamento dos diretores ( Srs. EdnaIdo, Jorge e Pedro ) de 12/2004; 3.3.6 — resumos analítico e geral da folha de pagamento dos empregados de, 04/2004; 3.3.7 — GPS de 12/2003 e GPS de 04/2004. 3.4 No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, de 23/07/2008: Fl. 7380DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 3.4.1 — cópias da GF1P e da SEFIP de 05/2006. 4 — PROCEDIMENTOS REALIZADOS COM REFERÊNCIA A ESTE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO: 4.1 — análise de todos documentos constantes dos autos do processo, em referência; 4.2 — análise de toda a documentação apresentada pela empresa durante esta Ação Fiscal; 4.3 — confronto dos valores encontrados com os valores declarados em GFIP pela empresa; 5 — ESCLARECIMENTOS E CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS VALORES UTILIZADOS NO CALCULO DA MULTA DO AUTO DE INFRAÇÃO 5.1 — com referência ao prazo de defesa: em nosso entendimento, a empresa mantém preservados, até agora, todos os seus direitos garantidos pela Constituição Federal e não padeceu nenhum prejuízo, em decorrência do tão alegado prazo de defesa. Pois, fazendo a sua defesa, juntou uma grande quantidade de documentos aos autos, ficando bastante evidente o pleno exercício do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, para se perceber isto, Basta que se veja que somente este processo contem 20 (vinte) volumes. 5.2 — sobre a possibilidade de ter havido inclusões de valores referentes a DIÁRIAS E A PASSAGENS de contribuintes individuais como base de cálculo é preciso que se diga, que somente foram levantados os valores referentes às taxas de arbitragem e às remunerações de delegados financeiros e de equipes destinadas a fazer coletas de materiais para exames antidopping (quando isto ocorreu e foi declarado em documento especifico).QUE FIQUE ESCLARECIDO, DE UMA VEZ POR TODAS, QUE EM NENHUM MOMENTO FOI APURADO QUALQUER VALOR REFERENTE A DIÁRIA, OU A PASSAGEM; 5.3 — sobre a RETROAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI N°. 10.666/2003, com relação ao desconto (Retenção) de 11% dos Contribuintes individuais): árbitros e demais correlatos, é proveitoso que se diga, que a própria Lei já determina no seu art. 15, 0 INÍCIO DA VIGÊNCIA DOS SEUS EFEITOS, a partir de 1°10412003. Além disso, também é preciso esclarecer, que este não o fórum adequado para se discutir sobre a possibilidade de inconstitucionalidade de uma lei. E ainda, acreditamos que não é demais, recordar o seguinte dispositivos do GIN — Código Tributário Nacional, in verbis: "Art. 3.° Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e COBRADA MEDIANTE ATIVIDADE ADMINISTRATIVA PLENAMENTE VINCULADA.". (sublinhamos e destacamos). Fl. 7381DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.518 9 Como se pode ver, o Auditor Fiscal só tem o caminho da legalidade para seguir. 5.3 com referência ao levantamento BOR (BORDER6): mais uma vez a impugnante retorna ao alegado problema das diárias e passagens. Voltamos a repetir, que em nenhum momento, foi apurado 9ualquer valor referente a diária, ou a passagem de contribuinte individual. E importante ressaltar que durante a Fiscalização, havia uma grande quantidade de Recibos de Contribuintes Individuais e de Boletins Financeiros. E os 20 (vinte) volumes integrantes deste processo são apenas uma amostra do que IA havia. 5.4 — NA COMPETÊNCIA 12/2003, COM REFERÊNCIA À REMUNERAÇÃO TOTAL DA DIRETORIA (PRÓLABORE) LEVANTAMENTO FCG (FOLHA DE PAGAMENTO COM GFIP), VIDE TABELA ABAIXO: Compet. LEV LANC PROLABORE DIRETORES 200312 FCG PRO 16.000,00 EDNALDO RODRIGUES GOMES 200312 FCG PRO 2.400,00 JORGE LUIS REIS SANTANA 200312 TOTAL FCG PRO 1.833,33 20.233,33 PEDRO DUQUE NETO 5.4.1.1 — esses são os valores do PROLABORE DA DIRETORIA E DE CONTRIBUIÇÃO previdenciária, incluindo como contribuinte obrigatório o Sr. Pedro Duque Neto, na competência 12/2003. Essa quantia foi levantada com base em folha de pagamento da diretoria. Acontece que na FOLHA ANALÍTICA DA DIRETORIA, a importância paga ao Sr. PEDRO DUQUE NETO, está denominada de "135 GRATIFICAÇÃO NATALINA". Mas foi levantada como Prolabore pela Fiscalização, já que Diretor de Empresa não percebe 13° Salário, (a folha esta sendo acostada aos autos); Prolabore % Contribuição Correta Contribuição Incorreta 20.233,33 20 4.046,66 3.680,00 5.4.2 — NA COMPETÊNCIA 04/2004, DEMONSTRAÇÃO DA REMUNERAÇÃO TOTAL DA DIRETORIA (PROLABORE), CONFORME TABELA ABAIXO: COMP LEV LANC Prolabore DIRETORES Processo As fls 04/2004 FCG PRO 8.000,00 Ednaldo Rodrigues Gomes 380 04/2004 FCG PRO 1.200,00 Jorge Luis Reis Santana 380 04/2004 FSG PRO 296,67 Pedro Duque Neto, "Auxilio Doença" 380 5.4.2.1 — o valor do Prólabore do Sr. Pedro Duque Neto, nesta competência, foi levantado através da Folha de Pagamento de Prólabore dos Diretores, As fls. 380 dos autos. E 6 por demais curiosa a expressão: "ADIANTAMENTO S/ SALDO NEGATIVO ASSISTÊNCIA MÉDICA"; 5.4.2.2 — durante a Ação Fiscal foi solicitado o Atestado Médico autorizando o pagamento deste beneficio e o Auditor foi informado que não existia. Também não foi constatado outro segurado recebendo este beneficio; Fl. 7382DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 5.4.2.3 — constatase, também, na tabela de Prólabore utilizada para o levantamento do crédito previdenciário que o Sr. Pedro Duque Neto, recebeu valores variados, sob a denominação de "AUXÍLIO DOENÇA" nas competências de 01/2004 até 01/2005. 5.5— NA COMPETÊNCIA 11/2001, COM RELAÇÃO AO LEVANTAMENTO FSG— (FOLHA DE PAGAMENTO SEM GFIP): 5.5.1 este levantamento foi feito com base nos valores constantes das Folhas de Pagamento dos Senhores Diretores e não foram declarados em GFIP; 5.5.2 — esta tabela de levantamento foi elaborada com base nos valores pagos pela Empresa aos Senhores Diretores: Compet l_ Lev Lanc Valor Nome DAD Folhas Pagamento 11/2001 FSG PRO 6.750,00 Carlos Alberto Souza Teles FLS. 20 Entregue 11/2001 FSG PRO 3.000,00 Pedro Duque Neto FLS. 20 Entregue 11/2001 FSG PRO 6.750,00 Sinval Vieira da Silva Filho FLS. 20 Entregue 11/2001 FSG PRO 12.000,00 EdnaIdo Rodrigues Gomes FLS. 20 Entregue TOTAL 28.500,00 5.5.3 — apuração da Contribuição para Lançamento: Base de cálculo % Contribuição GPS não localizada Diferença 28.500,00 20 5.700,00 0,00 5.700,00 5.5.4 — data maxima vênia, julgamos improcedente a alegação da impugnante. Porque a GPS não foi localizada no Sistema e nem a Empresa a disponibilizou para atender ao Termo de Intimação para a Apresentação de Documento — TIAD, de 04/06/2008. 6 — CONCLUSÃO REALIZADA COM BASE NAS ANALISES DO PROCESSO E DADOS COLETADOS DURANTE A DILIGÊNCIA FISCAL 6.1 — estão sendo acostados aos autos do processo muitas cópias de recibos referentes as remunerações efetuadas pela empresa a pessoas físicas, ou contribuintes individuais, como Árbitros, Auxiliares, e outros; 6.2 — estão sendo juntadas Folhas de GFIP WEB e a Planilha de Prólabore dos Diretores.; 7— DO DIREITO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Fica o contribuinte, em epígrafe identificado, notificado deste Relatório Fiscal da Diligência e da devolução do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data da ciência, para a apresentação de impugnação, se julgar necessário, a ser apresentada no Centro de Atendimento da Receita Federal do Brasil — CAC no Comercio. 8 — Face o exposto, estamos encaminhando o presente processo a Chefia do Serviço de Fiscalização, para as providências de direito. Fl. 7383DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.519 11 O contribuinte, devidamente cientificado da Informação Fiscal, apresenta Manifestação, às fls. 4461 a 4470, nestes termos: Visando simplificar a análise e decisão acerca do presente procedimento questionado, vem a Defendente articular a sua defesa em tópicos, obedecendo a ordem das alegações da Fiscalização, nos seguintes termos: Item 5.3: Quanto ao aspecto tratado no item 5.3 da Diligência Fiscal, ao contrário do confusamente declinado pelo Ilustre Auditor, efetivamente todos os valores lançados sob as rubricas BOR e AFI, tem como fato gerador os valores pagos aos árbitros, auxiliares, quadromóvel e antidoping À TÍTULO DE DIÁRIAS E TRANSPORTES, CONFORME PROVAM AS PLANILHAS ANALÍTICAS DE FLS. 527/570. A mencionada planilha de fls. 527/570 destes autos categoricamente comprova as alegações aqui efetuadas e rebatem integralmente a absurda alegação fiscal de que não tributou tais importâncias. As colunas "V" e "VI" da mencionada planilha, confeccionadas jogo a jogo, mês a mês, provam, de uma vez por todas, que efetivamente houve a tributação de verbas pagas à titulo de diárias e passagens e que inconsistente é a alegação fiscal combatida. Assim, provada a incorreta base de cálculo apurada pela Fiscalização â titulo de AFT e BOR, devem as mesmas ser excluídas da tributação, face o disposto no art. 28, 9°, "h" e "m",' da Lei n° 8.212/91, reproduzido na defesa inaugural protocolizada em 04/01/2007 e reiterada através do expediente protocolizada em 28/05/2007 e cujas razões ficam neste ato ratificadas. Item "5.3" sic (retroatividade da Lei n° 10.666/2003): quanto a este particular, considerando tratarse EXCLUSIVAMENTE de aplicação da legislação tributária ao caso concreto, reitera neste ato todos os termos reproduzidos na defesa inaugural protocolizada em 04/01/2007 e reiterada através do expediente protocolizada em 28/05/2007 e cujas razões ficam neste ato ratificadas. Item 5.4: Neste tópico, o Nobre Fiscal absurdamente ignora as alegações declinadas na defesa inaugural protocolizada em 04/01/2007 e reiteradas COM TODOS OS DOCUMENTOS PROBANTES através do expediente protocolizada em 28/05/2007, razão pela qual provado e justificado está que não houve falta de pagamento de contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ao Srs. Ednaldo Rodrigues e Jorge Luis Reis Santana, devendo os pagamentos de contribuições previdenciárias efetuados sobre tais remunerações ser considerados por esta DRJ. E importante destacar que a inclusão de valores pagos pela FBF a Pedro Duque Neto no cômputo dos valores eventualmente devidos, neste momento processual (não foi objeto do Fl. 7384DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 lançamento fiscal inicial), é absolutamente indevido e assim deverá ser considerado por esta DRJ, visto que implica em desvirtuamento do MPFDiligência, e modificação indevida do lançamento fiscal, violando o art. 149 do CTN. Item 5.5: Neste tópico, o Nobre Fiscal absurdamente ignora as alegações declinadas na defesa inaugural protocolizada em 04/01/2007 e reiteradas COM TODOS OS DOCUMENTOS PROBANTES através do expediente protocolizada em 28/05/2007, razão pela qual provado e justificado está que não houve falta de pagamento de contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ao Srs. Ednaldo Rodrigues e Jorge Luis Reis Santana,. devendo os pagamentos de contribuições previdenciárias efetuados sobre tais remunerações ser considerados por esta DRJ, a fim de provar a inequívoca IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Lançamento de valores à titulo de Diferença de Acréscimos Legais DAL: Quanto a este tópico, em que pesem as sérias e comprovadas alegações declinadas no expediente protocolizado em 28/05/2007, o Nobre Auditor não declinou uma única linha sequer sobre os apelos da Defendente de cerceamento do seu sagrado e inconstitucional direito de defesa, especialmente por não entender e não restar explicitado a forma e o critério do lançamento de tal rubrica pela Auditoria Fiscal, RAZÃO PELA QUAL REITERA E RATIFICA PEDIDO DE NULIDADE / IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DESTE TITULO. De todo o acima exposto e provado, reiterando todos os argumentos e pedidos acima formulados, bem como na defesa inaugural protocolizada em 04/01/2007 e reiterada COM TODOS OS DOCUMENTOS PROBANTES através do expediente protocolizada em 28/05/2007, a Impugnante requer ao Douto Julgador que conheça a presente Impugnação, para lhe dar provimento, julgando TOTALMENTE NULO / IMPROCEDENTE o auto de Infra cão aqui combatido, arquivando definitivamente o referido processo administrativo fiscal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1522.188 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA , conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.° 8 DO STF. CONTAGEM DO PRAZO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. SEGURADOS EMPREGADOS. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. É inconstitucional o art. 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante n.° 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008. Fl. 7385DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.520 13 É devida a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais consoante preceituam os incisos I e II, do art. 30, da Lei n.° 8.212/91 devido o SAT, consoante preceitua o inciso II, do art. 22, da Lei n.° 8.212/91. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros, conforme art. 3°, da Lei n.° 11.457/2007. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento contido na NFLD n.° 37.054.7900, consoante Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) ern anexo, de modo a excluir a competência 11/2001. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência com base no art. 150, parágrafo 4°, do CTN, às fls. 4474: Neste compasso, a regra a ser aplicada ao presente caso é a contida no art. 150, parágrafo 4°, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Assim, constato que está decadente a competência 11/2001, devendo ser expurgada do presente credito, consoante DADR em anexo. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da ausência de julgamento Inexistência de análise de provas e argumentos da Recorrente Nobres Julgadores, basta uma simples leitura do Acórdão ora combatido para observar que a 7a Turma DRJ/SDR não julgou a questão, muito menos analisou os fundamentos exposto na defesa apresentada pela Recorrente, LIMITANDO SE A REPRODUZIR OS ARGUMENTOS INDICADOS PELO FISCAL AUTUANTE, SEM SEQUER, ANALISAR 0 CONTEÚDO DA MESMA, QUE AFIRMAVA INEXISTIR A OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA INICIALMENTE COBRADA. (...) Ora Nobres Conselheiros, este foi o argumento do Auditor Fiscal, seguido pela 7a Turma DRJ/SDR, tese esta que foi combatida pela Recorrente, a qual comprovou COM TODOS OS DOCUMENTOS COLACIONADOS AOS AUTOS, que houve a inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária as despesas pagas A.. titulo de diárias e transporte, dentre outros Fl. 7386DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 equívocos aos quais comprovam a existência de erros materiais que invalidam completamente a autuação. (ii) Da ilegalidade da autuação (ii.1) LEVANTAMENTO BF1. Boletim Financeiro não Declarado em GFIP. No que diz respeito a suposta não retenção do percentual de 5% sobre a receita bruta dos eventos esportivos decorrentes dos clubes de futebol, a que alude o art. 205, § 1°, do RPS, provou a recorrente COM TODAS AS PLANILHAS JÁ ANEXADA AOS AUTOS, ASSIM COMO TODOS OS DOCUMENTOS PROBANTES PERTINENTES, a existência de erros EM TODAS AS COMPETÊNCIAS AUTUADAS, que comprometem INTEGRALMENTE a procedência da autuação. (ii.2) LEVANTAMENTO BOR Borderô No que diz respeito aos valores tributados 5._ titulo de BOR (Borderii), em dezembro de 2003, por exemplo, ficou comprovado nas pegas de defesas apresentadas pelo Recorrente e com todos os documentos já colacionados, que em que pesem todas as investigações e simulações, não foi possível constatar a ocorrência do fato gerador e nem a base de calculo apurada pela fiscalização, até porque, o Douto Fiscal não cumpriu com o seu dever de demonstrar a ocorrência do fato imponível. (ii.3) LEVANTAMENTO FCG (Folha de Pagamento com GFIP) LEVANTAMENTO FSG (Folha de Pagamento sem GFIP) No que diz respeito aos lançamentos FCG (Folha de Pagamento com GFIP) e FSG (Folha de Pagamento sem GFIP), a Recorrente demonstrou na defesa inicial e nas demais peças colacionadas aos autos, a improcedência da autuação, instruindo as alegações com os documentos vinculados. Como exemplo da ilegalidade apontada, no que diz respeito ao suposta diferença imputada à titulo de FCG FOLHA DE PAGAMENTO COM GFIP, demonstrou a Recorrente, com documentos, que na competência de 12/2003 (documentos de fls. 483), dentro outras, que o valor apurado d. titulo de remuneração de diretoria (prólabore) no valor de RS 18.400,00 foi incluído na base de cálculo da tributação de 20% (R$ 3.680,00) e recolhido "dentro" do valor total de R$ 7.119,47, conforme documentação anexa. Por amostragem também, comprovou o Recorrente na Competência 04/2004 houve tributação irregular sobre rubrica "Adiantamento sobre saldo negativo de salário", no valor de R$ 296,67, que significa adiantamento de salário deduzido do respectivo salário dentro do próprio mês, que não é passível de tributação previdenciária, conforme legislação em vigor (documentos de fls. 482). Fl. 7387DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.521 15 (iii) Da ausência de fundamento na manifestação do Auditor Fiscal Ora, tal afirmativa, data vênia, não comunga com a realidade fática e documental, pois, a manifestação do auditor acerca da defesa apresentada pelo Recorrente em nada eliminou ou suavizou os graves erros e inconsistências do lançamento fiscal, ao revés, corroborou com tudo que foi exposto e defendido pelo Recorrente ao longo do processo administrativo e ignorado pela 7' Turma DRJ/SDR, no seu Acórdão genérico. (iv) requer que o CARF se manifeste sobre todos os argumentos e documentos acostados aos autos Nobres Julgadores, conforme narrado mais acima, a DRJ não analisou os argumentos e documentos colacionados aos autos pelo Recorrente, desta forma, limitouse apenas, em reproduzir a conclusão do Auditor Fiscal, dito isto, devolve a Recorrente toda a matéria para que este Egrégio Conselho se pronuncie sobre os argumentos expostos nas pegas de defesas apresentadas pelo Recorrente, assim como analise e se profira uma conclusão acerca dos documentos abaixo listados e anexos aos autos do processo. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 7388DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – 'FEDERAÇÃO BAHIANA DE FUTEBOL contra Acórdão nº 1522.188 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.054.7900, com valor inicial de R$ 549.388,74. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere à contribuição previdenciária referente à cota patronal e as devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, todas, incidentes sobre as remunerações devidas, pagas ou creditadas, conforme determinam os incisos I e II, do art. 30, todos da Lei n.° 8.212/91, para o período de 11/2001 a 06/2006. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará Fl. 7389DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.522 17 notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); Fl. 7390DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) violação a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: Fl. 7391DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.523 19 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Da ausência de julgamento Inexistência de análise de provas e argumentos da Recorrente Nobres Julgadores, basta uma simples leitura do Acórdão ora combatido para observar que a 7a Turma DRJ/SDR não julgou a questão, muito menos analisou os fundamentos exposto na defesa apresentada pela Recorrente, LIMITANDO SE A REPRODUZIR OS ARGUMENTOS INDICADOS PELO Fl. 7392DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 FISCAL AUTUANTE, SEM SEQUER, ANALISAR 0 CONTEÚDO DA MESMA, QUE AFIRMAVA INEXISTIR A OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA INICIALMENTE COBRADA. (...) Ora Nobres Conselheiros, este foi o argumento do Auditor Fiscal, seguido pela 7a Turma DRJ/SDR, tese esta que foi combatida pela Recorrente, a qual comprovou COM TODOS OS DOCUMENTOS COLACIONADOS AOS AUTOS, que houve a inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária as despesas pagas A.. titulo de diárias e transporte, dentre outros equívocos aos quais comprovam a existência de erros materiais que invalidam completamente a autuação. (iii) Da ausência de fundamento na manifestação do Auditor Fiscal Ora, tal afirmativa, data vênia, não comunga com a realidade fática e documental, pois, a manifestação do auditor acerca da defesa apresentada pelo Recorrente em nada eliminou ou suavizou os graves erros e inconsistências do lançamento fiscal, ao revés, corroborou com tudo que foi exposto e defendido pelo Recorrente ao longo do processo administrativo e ignorado pela 7' Turma DRJ/SDR, no seu Acórdão genérico. Analisemos conjuntamente os itens (i) e (iii). Não concordo com a argumentação da Recorrente posto que a autoridade julgadora de primeira instância se manifestou sobre a matéria fática se fundamentando nas conclusões da Informação Fiscal, conforme se observa de trecho da decisão de primeira instância às fls. 4474: Diante do resultado do pronunciamento fiscal exarado pelo Auditor Fiscal notificante (fls. 4452/4457), constatase que a informação fiscal esclarece todos os pontos que foram alvo de questionamento, consoante abaixo será demonstrado. O Auditor Fiscal notificante relata pormenorizadamente que somente foram levantados os valores referentes às taxas de arbitragem e às remunerações de delegados financeiros e de equipes destinadas a fazer coletas de materiais para exames antidoping, quando isso ocorreu e foi declarado em documento especifico. Logo, rechaça que em nenhum momento foi apurado qualquer valor referente a diária e/ou passagem. Em relação à retroatividade dos efeitos da Lei n.° 10.666/2003, com relação ao desconto, retenção de 11%, dos contribuintes individuais (árbitros e demais correlatos), necessário falar que a própria lei já determina em seu art. 15 que o inicio da vigência dos seus efeitos é a partir de 01/04/2003. Além disso, também é preciso esclarecer que este não é o fórum adequado para se discutir sobre a possibilidade de inconstitucionalidade de uma lei, consoante preceitua o art. 26 — A, do Decreto n.° 70.235/72, in fine: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 7393DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.524 21 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). Com relação aos valores de prólabore da diretoria e de contribuição previdenciária, incluindo como contribuinte obrigatório o Sr. Pedro Duque Neto, na competência 12/2003, insta salientar que a quantia apurada foi levantada com base em folha de pagamento da diretoria. Contudo, na folha analítica da diretoria, a importância paga ao Sr. Pedro Duque Neto, está denominada de "135 GRATIFICAÇÃO NATALINA". Ocorre que esta rubrica foi levantada como prólabore pela fiscalização, já que diretor de empresa não percebe 13° salário, consoante folha de pagamento acostada aos autos. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Da ilegalidade da autuação (ii.1) LEVANTAMENTO BF1. Boletim Financeiro não Declarado em GFIP. No que diz respeito a suposta não retenção do percentual de 5% sobre a receita bruta dos eventos esportivos decorrentes dos clubes de futebol, a que alude o art. 205, § 1°, do RPS, provou a recorrente COM TODAS AS PLANILHAS JÁ ANEXADA AOS AUTOS, ASSIM COMO TODOS OS DOCUMENTOS PROBANTES PERTINENTES, a existência de erros EM TODAS AS COMPETÊNCIAS AUTUADAS, que comprometem INTEGRALMENTE a procedência da autuação. (ii.2) LEVANTAMENTO BOR Borderô No que diz respeito aos valores tributados 5._ titulo de BOR (Borderii), em dezembro de 2003, por exemplo, ficou comprovado nas pegas de defesas apresentadas pelo Recorrente e com todos os documentos já colacionados, que em que pesem todas as investigações e simulações, não foi possível constatar a ocorrência do fato gerador e nem a base de calculo apurada pela fiscalização, até porque, o Douto Fiscal não cumpriu com o seu dever de demonstrar a ocorrência do fato imponível. (ii.3) LEVANTAMENTO FCG (Folha de Pagamento com GFIP) LEVANTAMENTO FSG (Folha de Pagamento sem GFIP) No que diz respeito aos lançamentos FCG (Folha de Pagamento com GFIP) e FSG (Folha de Pagamento sem GFIP), a Recorrente demonstrou na defesa inicial e nas demais peças colacionadas aos autos, a improcedência da autuação, instruindo as alegações com os documentos vinculados. Fl. 7394DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 Como exemplo da ilegalidade apontada, no que diz respeito ao suposta diferença imputada à titulo de FCG FOLHA DE PAGAMENTO COM GFIP, demonstrou a Recorrente, com documentos, que na competência de 12/2003 (documentos de fls. 483), dentro outras, que o valor apurado d. titulo de remuneração de diretoria (prólabore) no valor de RS 18.400,00 foi incluído na base de cálculo da tributação de 20% (R$ 3.680,00) e recolhido "dentro" do valor total de R$ 7.119,47, conforme documentação anexa. Por amostragem também, comprovou o Recorrente na Competência 04/2004 houve tributação irregular sobre rubrica "Adiantamento sobre saldo negativo de salário", no valor de R$ 296,67, que significa adiantamento de salário deduzido do respectivo salário dentro do próprio mês, que não é passível de tributação previdenciária, conforme legislação em vigor (documentos de fls. 482). Analisemos os itens (ii.1), (ii.2) e (ii.3) conjuntamente. De plano, observase que nos itens (ii.1), (ii.2) e (ii.3) a Recorrente repete, no Recurso Voluntário, a mesma linha central de argumentação utilizada em Sede de Impugnação e em sede de Manifestação, de modo a que não apresenta argumento novo em sede de Recurso Voluntário que tenha fundamento em prova material. Vejamos a Informação Fiscal, às fls. 4452 a 4457, intensamente analisada em relação às matérias fáticas apresentadas: 2 – QUESTIONAMENTOS, ALEGAÇÕES E INFORMAÇÕES DA IMPUGNANTE NA SUA PECA DE DEFESA, às fls. 430 a 441) 2.1 – Alega dificuldades, com referência ao prazo para apresentar a sua defesa, em tempo hábil, apontando como motivo para isso, a data do recebimento do resultado da Ação Fiscal de, 20/12/2006; 2.2 – Alega que no levantamento feito por arbitramento, ou aferição, para se obter as contribuições (CCI) de 11% para o INSS, houve Inclusão de valores referentes a DIÁRIAS E A PASSAGENS, nos cálculos das remunerações de árbitros, auxiliares, reservas e outros; 2.3 – discorda da retroação da Lei n°. 10.666/2003 que determinou o desconto na Remuneração do contribuinte individual a partir de 1°104/2003; 2.4 – Não recolhimento do percentual de 20 % sobre os pagamentos efetuados aos árbitros, auxiliares, quadro móvel e antidopping, (BOR – BORDER6); 2.5 – Alega improcedência nas diferenças encontradas no levantamento FCG –abaixo mencionadas Competência Alegações da Empresa 12/2003 "O valor apurado a titulo de remuneração de diretoria (prólabore) no valor de R$ 18.400,00 foi incluído na base de Fl. 7395DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.525 23 cálculo da tributação de 20 % (R$ 3.680,00) e recolhido `dentro' do valor total de (R$ 7.119,47, conforme documentação anexa." 04/2004 "Tributação irregular sobre rubrica 'Adiantamento sobre saldo negativo de salário', no valor de R$ 296,67, que significa adiantamento de salário deduzido do respectivo salário dentro próprio mês, que não 6 passível de tributação previdenciária, conforme legislação em vigor". 2.5 — Alega improcedência na diferença encontrada no levantamento FSG —FOLHA DE PAGAMENTO SEM GFIP FOG , pela Fiscalização na competência, abaixo mencionada: Competência Alegação da Empresa 11/2001 "0 valor apurado 6 titulo de remuneração de diretoria ( prólabore) e contribuintes individuais no valor de R$ 28.500,00 foi incluído na base de calculo da tributação de 20% ( R$ 5.700,00) e recolhido `dentro' do valor total do INSS, conforme documentação anexa 3 — DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA JUNTO À EMPRESA DURANTE ESTA AÇÃO FISCAL 3.1 — No Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF de, 29/02/2008: 3.1.1 — as atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria ou conselhos; 3.1.2 — todas as caixas de BORDER6S com todos os documentos referentes ao período fiscalizado de 11/2001 a 06/2008. 3.2 — No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de, 26/05/2008: 3.2.1 todas as caixas de BORDER6S com todos os documentos referentes ao período fiscalizado de 11/2001 a 06/2008; 3.2.2 — cópia da Ata de posse dos atuais responsáveis legais pela FBF. 3.3 No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de 04/06/2008: 3.3.1 — GPS, resumo analítico e geral de folhas de pagamento e recibos de prólabore de 11/2001; 3.3.2 — recibos das remunerações dos trabalhadores individuais e autônomos de 11/2001; 3.3.3 — resumos geral e analítico da folha de pagamento dos empregados de 12/2003; 3.3.4 — folha de pagamento analítica dos diretores (Srs. Ednaldo, Jorge e Pedro) de 12/2003; 3.3.5 — resumos geral e analítico da folha de pagamento dos diretores ( Srs. EdnaIdo, Jorge e Pedro ) de 12/2004; Fl. 7396DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 3.3.6 — resumos analítico e geral da folha de pagamento dos empregados de, 04/2004; 3.3.7 — GPS de 12/2003 e GPS de 04/2004. 3.4 No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, de 23/07/2008: 3.4.1 — cópias da GF1P e da SEFIP de 05/2006. 4 — PROCEDIMENTOS REALIZADOS COM REFERÊNCIA A ESTE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO: 4.1 — análise de todos documentos constantes dos autos do processo, em referência; 4.2 — análise de toda a documentação apresentada pela empresa durante esta Ação Fiscal; 4.3 — confronto dos valores encontrados com os valores declarados em GFIP pela empresa; 5 — ESCLARECIMENTOS E CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS VALORES UTILIZADOS NO CALCULO DA MULTA DO AUTO DE INFRAÇÃO 5.1 — com referência ao prazo de defesa: em nosso entendimento, a empresa mantém preservados, até agora, todos os seus direitos garantidos pela Constituição Federal e não padeceu nenhum prejuízo, em decorrência do tão alegado prazo de defesa. Pois, fazendo a sua defesa, juntou uma grande quantidade de documentos aos autos, ficando bastante evidente o pleno exercício do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, para se perceber isto, Basta que se veja que somente este processo contem 20 (vinte) volumes. 5.2 — sobre a possibilidade de ter havido inclusões de valores referentes a DIÁRIAS E A PASSAGENS de contribuintes individuais como base de cálculo é preciso que se diga, que somente foram levantados os valores referentes às taxas de arbitragem e às remunerações de delegados financeiros e de equipes destinadas a fazer coletas de materiais para exames antidopping (quando isto ocorreu e foi declarado em documento especifico).QUE FIQUE ESCLARECIDO, DE UMA VEZ POR TODAS, QUE EM NENHUM MOMENTO FOI APURADO QUALQUER VALOR REFERENTE A DIÁRIA, OU A PASSAGEM; 5.3 — sobre a RETROAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI N°. 10.666/2003, com relação ao desconto (Retenção) de 11% dos Contribuintes individuais): árbitros e demais correlatos, é proveitoso que se diga, que a própria Lei já determina no seu art. 15, 0 INÍCIO DA VIGÊNCIA DOS SEUS EFEITOS, a partir de 1°10412003. Além disso, também é preciso esclarecer, que este não o fórum adequado para se discutir sobre a possibilidade de inconstitucionalidade de uma lei. E ainda, acreditamos que não é demais, recordar o seguinte dispositivos do GIN — Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 7397DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.526 25 "Art. 3.° Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e COBRADA MEDIANTE ATIVIDADE ADMINISTRATIVA PLENAMENTE VINCULADA.". (sublinhamos e destacamos). Como se pode ver, o Auditor Fiscal só tem o caminho da legalidade para seguir. 5.3 com referência ao levantamento BOR (BORDER6): mais uma vez a impugnante retorna ao alegado problema das diárias e passagens. Voltamos a repetir, que em nenhum momento, foi apurado 9ualquer valor referente a diária, ou a passagem de contribuinte individual. E importante ressaltar que durante a Fiscalização, havia uma grande quantidade de Recibos de Contribuintes Individuais e de Boletins Financeiros. E os 20 (vinte) volumes integrantes deste processo são apenas uma amostra do que IA havia. 5.4 — NA COMPETÊNCIA 12/2003, COM REFERÊNCIA À REMUNERAÇÃO TOTAL DA DIRETORIA (PRÓLABORE) LEVANTAMENTO FCG (FOLHA DE PAGAMENTO COM GFIP), VIDE TABELA ABAIXO: Compet. LEV LANC PROLABORE DIRETORES 200312 FCG PRO 16.000,00 EDNALDO RODRIGUES GOMES 200312 FCG PRO 2.400,00 JORGE LUIS REIS SANTANA 200312 TOTAL FCG PRO 1.833,33 20.233,33 PEDRO DUQUE NETO 5.4.1.1 — esses são os valores do PROLABORE DA DIRETORIA E DE CONTRIBUIÇÃO previdenciária, incluindo como contribuinte obrigatório o Sr. Pedro Duque Neto, na competência 12/2003. Essa quantia foi levantada com base em folha de pagamento da diretoria. Acontece que na FOLHA ANALÍTICA DA DIRETORIA, a importância paga ao Sr. PEDRO DUQUE NETO, está denominada de "135 GRATIFICAÇÃO NATALINA". Mas foi levantada como Prolabore pela Fiscalização, já que Diretor de Empresa não percebe 13° Salário, (a folha esta sendo acostada aos autos); Prolabore % Contribuição Correta Contribuição Incorreta 20.233,33 20 4.046,66 3.680,00 5.4.2 — NA COMPETÊNCIA 04/2004, DEMONSTRAÇÃO DA REMUNERAÇÃO TOTAL DA DIRETORIA (PROLABORE), CONFORME TABELA ABAIXO: COMP LEV LANC Prolabore DIRETORES Processo As fls 04/2004 FCG PRO 8.000,00 Ednaldo Rodrigues Gomes 380 04/2004 FCG PRO 1.200,00 Jorge Luis Reis Santana 380 04/2004 FSG PRO 296,67 Pedro Duque Neto, "Auxilio Doença" 380 5.4.2.1 — o valor do Prólabore do Sr. Pedro Duque Neto, nesta competência, foi levantado através da Folha de Pagamento de Prólabore dos Diretores, As fls. 380 dos autos. E 6 por demais Fl. 7398DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 curiosa a expressão: "ADIANTAMENTO S/ SALDO NEGATIVO ASSISTÊNCIA MÉDICA"; 5.4.2.2 — durante a Ação Fiscal foi solicitado o Atestado Médico autorizando o pagamento deste beneficio e o Auditor foi informado que não existia. Também não foi constatado outro segurado recebendo este beneficio; 5.4.2.3 — constatase, também, na tabela de Prólabore utilizada para o levantamento do crédito previdenciário que o Sr. Pedro Duque Neto, recebeu valores variados, sob a denominação de "AUXÍLIO DOENÇA" nas competências de 01/2004 até 01/2005. 5.5— NA COMPETÊNCIA 11/2001, COM RELAÇÃO AO LEVANTAMENTO FSG— (FOLHA DE PAGAMENTO SEM GFIP): 5.5.1 este levantamento foi feito com base nos valores constantes das Folhas de Pagamento dos Senhores Diretores e não foram declarados em GFIP; 5.5.2 — esta tabela de levantamento foi elaborada com base nos valores pagos pela Empresa aos Senhores Diretores: Compet l_ Lev Lanc Valor Nome DAD Folhas Pagamento 11/2001 FSG PRO 6.750,00 Carlos Alberto Souza Teles FLS. 20 Entregue 11/2001 FSG PRO 3.000,00 Pedro Duque Neto FLS. 20 Entregue 11/2001 FSG PRO 6.750,00 Sinval Vieira da Silva Filho FLS. 20 Entregue 11/2001 FSG PRO 12.000,00 EdnaIdo Rodrigues Gomes FLS. 20 Entregue TOTAL 28.500,00 5.5.3 — apuração da Contribuição para Lançamento: Base de cálculo % Contribuição GPS não localizada Diferença 28.500,00 20 5.700,00 0,00 5.700,00 5.5.4 — data maxima vênia, julgamos improcedente a alegação da impugnante. Porque a GPS não foi localizada no Sistema e nem a Empresa a disponibilizou para atender ao Termo de Intimação para a Apresentação de Documento — TIAD, de 04/06/2008. 6 — CONCLUSÃO REALIZADA COM BASE NAS ANALISES DO PROCESSO E DADOS COLETADOS DURANTE A DILIGÊNCIA FISCAL 6.1 — estão sendo acostados aos autos do processo muitas cópias de recibos referentes as remunerações efetuadas pela empresa a pessoas físicas, ou contribuintes individuais, como Árbitros, Auxiliares, e outros; 6.2 — estão sendo juntadas Folhas de GFIP WEB e a Planilha de Prólabore dos Diretores.; Por outro lado, a autoridade julgadora de primeira instância se manifestou sobre a matéria fática se fundamentando nas conclusões da Informação Fiscal, conforme se observa de trecho da decisão de primeira instância às fls. 4474: Diante do resultado do pronunciamento fiscal exarado pelo Auditor Fiscal notificante (fls. 4452/4457), constatase que a Fl. 7399DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.527 27 informação fiscal esclarece todos os pontos que foram alvo de questionamento, consoante abaixo será demonstrado. O Auditor Fiscal notificante relata pormenorizadamente que somente foram levantados os valores referentes às taxas de arbitragem e às remunerações de delegados financeiros e de equipes destinadas a fazer coletas de materiais para exames antidoping, quando isso ocorreu e foi declarado em documento especifico. Logo, rechaça que em nenhum momento foi apurado qualquer valor referente a diária e/ou passagem. Em relação à retroatividade dos efeitos da Lei n.° 10.666/2003, com relação ao desconto, retenção de 11%, dos contribuintes individuais (árbitros e demais correlatos), necessário falar que a própria lei já determina em seu art. 15 que o inicio da vigência dos seus efeitos é a partir de 01/04/2003. Além disso, também é preciso esclarecer que este não é o fórum adequado para se discutir sobre a possibilidade de inconstitucionalidade de uma lei, consoante preceitua o art. 26 — A, do Decreto n.° 70.235/72, in fine: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). Com relação aos valores de prólabore da diretoria e de contribuição previdenciária, incluindo como contribuinte obrigatório o Sr. Pedro Duque Neto, na competência 12/2003, insta salientar que a quantia apurada foi levantada com base em folha de pagamento da diretoria. Contudo, na folha analítica da diretoria, a importância paga ao Sr. Pedro Duque Neto, está denominada de "135 GRATIFICAÇÃO NATALINA". Ocorre que esta rubrica foi levantada como prólabore pela fiscalização, já que diretor de empresa não percebe 13° salário, consoante folha de pagamento acostada aos autos. Ainda assim, temse que considerar que os itens (ii.1), (ii.2) e (ii.3), da linha de argumentação da Recorrente, se referem às mesmas matérias fáticas que foram aduzidas em sede de Impugnação pela Recorrente, às fls. 436 a 441, as quais foram amplamente analisadas e debatidas em sede de julgamento de primeira instância, inclusive com a análise feita em Diligência Fiscal com a emissão de Informação Fiscal, às fls. 4452 a 4457, de toda a documentação acostada aos autos. Desta forma, em função dos (ii.1), (ii.2) e (ii.3) da Recorrente não serem novos mas sim trataremse de matérias exclusivamente fáticas já amplamente debatida em sede de julgamento de primeira instância, além de considerarse a aplicação dos princípios da ampla defesa, do contraditório, da celeridade, da eficiência e da economia processual, acato a decisão do julgamento de primeira instância que afastou toda a argumentação da Recorrente, em todos os pontos acima questionados. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 7400DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 (iv) requer que o CARF se manifeste sobre todos os argumentos e documentos acostados aos autos Nobres Julgadores, conforme narrado mais acima, a DRJ não analisou os argumentos e documentos colacionados aos autos pelo Recorrente, desta forma, limitouse apenas, em reproduzir a conclusão do Auditor Fiscal, dito isto, devolve a Recorrente toda a matéria para que este Egrégio Conselho se pronuncie sobre os argumentos expostos nas pegas de defesas apresentadas pelo Recorrente, assim como analise e se profira uma conclusão acerca dos documentos abaixo listados e anexos aos autos do processo. Analisemos. De início, observase que o requerimento da Recorrente está centrada na necessidade de valoração dos argumentos expostos acerca da prova documental acostada aos autos. Ora, a linha de argumentação da Recorrente se refere à matérias fáticas que foram igualmente aduzidas em sede de Impugnação pela Recorrente, às fls. 436 a 441, as quais foram amplamente analisadas e debatidas em sede de julgamento de primeira instância, inclusive com a análise feita em Diligência Fiscal com a emissão de Informação Fiscal, às fls. 4452 a 4457, de toda a documentação acostada aos autos. Desta forma, em função dos argumentos da Recorrente não serem novos mas sim trataremse de matérias exclusivamente fáticas já amplamente debatida em sede de julgamento de primeira instância, acato a decisão do julgamento de primeira instância que afastou toda a argumentação da Recorrente, em todos os pontos acima questionados. Ademais, como a prova documental acostada aos autos pela Recorrente já foi analisada e debatida em sede de decisão de primeira instância, sem que haja neste momento processual administrativo de Julgamento no CARF qualquer nova prova documental produzida, tornase despiciendo a requisição de Diligência Fiscal para uma nova reanálise dos mesmos documentos anteriormente valorados, conforme dispõe o art. 18 do Decreto 70.235/1972: Decreto 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Da multa de mora Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: Fl. 7401DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004723/200813 Acórdão n.º 2403002.991 S2C4T3 Fl. 4.528 29 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 7402DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 30 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, no MÉRITO, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 7403DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003116/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 31/05/2000 a 30/06/2004
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. CRÉDITO CONTÁBIL. JUROS.
O simples crédito contábil de obrigação contratual (pagamento de juros, antes da data do seu vencimento, não implica em disponibilidade econômica ou jurídica para o credor, logo, não há fato gerador a autorizar a incidência do IRF.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-003.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, advogado Pedro Miguel Abreu de Oliveira, OAB/SP 24273.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 31/05/2000 a 30/06/2004 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. CRÉDITO CONTÁBIL. JUROS. O simples crédito contábil de obrigação contratual (pagamento de juros, antes da data do seu vencimento, não implica em disponibilidade econômica ou jurídica para o credor, logo, não há fato gerador a autorizar a incidência do IRF. Recurso de Ofício Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.003116/2005-41
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455043
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2102-003.278
nome_arquivo_s : Decisao_19515003116200541.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 19515003116200541_5455043.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, advogado Pedro Miguel Abreu de Oliveira, OAB/SP 24273. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5894565
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702439198720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 183 1 182 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003116/200541 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2102003.278 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRPF Recorrente DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO I (SP) Interessado RIPASA S.A. CELULOSE E PAPEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 31/05/2000 a 30/06/2004 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. CRÉDITO CONTÁBIL. JUROS. O simples crédito contábil de obrigação contratual (pagamento de juros, antes da data do seu vencimento, não implica em disponibilidade econômica ou jurídica para o credor, logo, não há fato gerador a autorizar a incidência do IRF. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, advogado Pedro Miguel Abreu de Oliveira, OAB/SP 24273. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 16 /2 00 5- 41 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/11/2005 (fls. 56/59), contra a contribuinte acima qualificado, relativo ao período de apuração de 31/05/2000 a 30/06/2004, que exige crédito tributário no valor de R$ 6.133.904,44, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 31/10/2005. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 57/59, o Fisco apurou a seguinte infração: 001 – IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – APURAÇÃO SEMANAL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO A contribuinte deixou de efetuar os recolhimentos, bem como, declarar em DCTFs, os valores devidos a titulo de IRRF sobre encargos financeiros cobrados/creditados, decorrentes de contratos de mútuo (empréstimos), contabilizados nas contas contábeis: 2.02.02.07.002 — EMPRESAS CONTROLADAS CONTA EMPRÉSTIMO, para registro das transações financeiras do anocalendário de 2000 com as empresas Limeira S.A. e Ripasa Internacional Ltda.; e, para os anos seguintes: 2.02.06.01.006 — ZDZ Empreendimentos; 2.02.06.01.005 Ripasa Internacional Ltda.; 2.02.06.01.004 — Rilisa Trading; 2.02.06.01.003 Limeira S.A.; e 2.02.06.01.002 — Cia Santista de Papel e Celulose. A Cia Santista de Papel e Celulose foi extinta e incorporada pela fiscalizada, conforme AGE de 31/12/2003, tendo como data base 30/09/2003. Verificando a conta contábil 1.02.02.08.002 na escrituração da Ripasa, a fiscalização constatou que ocorreu a mesma infração mencionada no parágrafo anterior. Na conta contábil 2.02.09.02.014 — ENCARGOS S/IRRF S/OPERAÇÕES DE MUTUO (3.371), a contribuinte contabilizou a importância de R$ 2.517.350,49, porém esse valor não foi declarado em DCTF. Em função do exposto, há que se proceder ao lançamento dos valores devidos, os quais não foram declarados em DCTFs e nem recolhidos. Cientificada da exigência tributária em 30/11/2005 (fl. 56), e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a contribuinte apresentou impugnação em 29/12/2005 (fls. 62/83), acompanhada dos documentos de fls. 85 e seguintes, alegando em síntese, o que segue: Preliminarmente alega decadência do lançamento. Aduz que tanto a doutrina, quanto a atual jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da CSRF (fls. 68 e 69), têm sistematicamente se manifestado no sentido de que o IRRF é um tributo cujo lançamento é por homologação, o que pressupõe a aplicação da regra contida no artigo 150, § 4°, do CTN. Assim, foi operada a decadência do direito de o Fisco constituir parte do suposto crédito tributário (relativo ao período de maio a novembro de 2000), posto que o Auto de Infração foi lavrado em 30/11/2005, ou seja, após o decurso de prazo de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores relativos ao citado período. No mérito argumenta acerca da não incidência do IRRF sobre os contratos de mútuo. Alega que por força das disposições contidas no artigo 65 da Lei n° 8.981/95, os rendimentos produzidos por aplicação financeira de renda fixa, auferidos por qualquer beneficiário, sujeitase à incidência do IRRF à alíquota de 20%. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.003116/200541 Acórdão n.º 2102003.278 S2C1T2 Fl. 184 3 O parágrafo 4°, alínea "c", do supracitado artigo esclarece que a entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer titulo, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central, se equipara a uma aplicação financeira de renda fixa, sendo seu resultado positivo, portanto, um rendimento tributável. Em outras palavras, a impugnante, apesar de não ser instituição financeira autorizada pelo Banco Central a exercer tal atividade, realiza operações de mútuo com suas coligadas, que, por essa lei, são equiparadas a uma aplicação financeira. Contudo, o artigo 77, inciso II, da referida Lei n° 8.981/95 estabelece uma exceção à mencionada regra geral de incidência do IRRF, determinando expressamente que esse imposto não incide sobre os rendimentos decorrentes das operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas nãofinanceiras controladoras, controladas, coligadas ou interligadas. A COSIT, ao analisar o referido artigo 77, expediu o Parecer Normativo n° 02/95, nesse mesmo sentido. Ocorre que sobreveio a Lei n° 9.779/99 (artigo 5°), que alterou algumas regras atinentes à tributação dos rendimentos auferidos em operações ou aplicações financeiras. O artigo 6° da MP no 1.855/99, por sua vez, veio a estabelecer regras complementares ao artigo 5° da Lei n° 9.779/99, principalmente no que se refere à incidência do IRRF sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário nas aplicações em fundos de investimento. Baseada nessas normas, foi editada a IN SRF n° 123/99, que trouxe prescrições similares, ao determinar que seriam também tributados como de aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer titulo, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Entretanto, não houve revogação do artigo 77, inciso II, da Lei n° 8.981/95 pelo artigo 5° da Lei n° 9.779/99 ou pelo artigo 6° da MP n° 1.855/99. O artigo 5° da Lei n° 9.779/99 alterou somente as regras atinentes à tributação dos rendimentos auferidos em operações ou aplicações financeiras, ampliando a incidência do IRRF para as operações de cobertura (hedge) e de swap. Nada versou sobre as operações de mútuo. Também o artigo 6° da MP n° 1.855/99 nada dispôs sobre as operações de mútuo entre coligadas. Suas disposições giravam apenas em torno da incidência do IRRF sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário nas aplicações em fundos de investimento. Logo, não é licito a administração tributária impor a impugnante a obrigação de recolher o IRRF em operações de mútuo entre coligadas, bem como declarálo em DCTF, com base no artigo 5° da Lei no 9.779/99, no artigo 6° da MP n° 1.855/99 ou mesmo na IN SRF n° 123/99, pois ainda vigia a isenção contida no artigo 77, inciso II, da Lei n°8.981/95. Alias, o beneficio (isenção) contido no artigo 77, inciso II, da Lei n° 8.981/95 foi revogado apenas quando da edição do artigo 94, inciso III, da Lei n° 10.833/2003. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Nesse sentido (de que a isenção contida no artigo 77, inciso II, da Lei n° 8.981/95 só foi revogada pelo artigo 94, inciso III, da Lei n° 10.833/2003), inclusive, a jurisprudência pacifica do 1° Conselho de Contribuintes, razão pela qual não é devido o recolhimento do IRRF, consoante se verifica pelas recentes decisões (fls. 75 e 76). Destaquese, ainda, que, como (1) a revogação da isenção contida no artigo 77, inciso II, da Lei n° 8.981/95 pelo artigo 94, inciso III, da Lei n° 10.833/2003, deve obedecer o principio da anterioridade nonagesimal (contido na alínea "c", do inciso III, do artigo 150 da CF/88, incluída pela Emenda Constitucional n° 42, de 19/12/2003), e (2) a publicação da Lei n° 10.833/2003 se deu em 30/12/2003, concluise que a essa revogação só passou a gerar efeitos a partir de 30/03/2004. Sendo assim, por mais esses motivos, resta demonstrada a total improcedência do Auto de Infração. Da inexistência de fato gerador além do exposto, vale salientar que também não houve a ocorrência do fato gerador do IRRF, principalmente em relação aos fatos geradores ocorridos posteriormente a 30/03/2004. Isso porque não basta, para a ocorrência do fato gerador do IRRF, o mero crédito contábil em conta de juros e encargos sobre empréstimos, tendo em vista que esse crédito contábil (1) não extingue a obrigação da pessoa jurídica para com seu sócio; e (2) não confere ao sócio disponibilidade econômica dos juros. Ao revés, é só o efetivo pagamento ou o crédito financeiro dos juros e encargos ao sócio que faz nascer a obrigação de pagar o IRRF. Ressaltese que o 1° Conselho de Contribuintes, de longa data, vem se manifestando no sentido de que o simples crédito contábil não constitui fato gerador do IRRF (fls. 78 a 80). A impugnante não cobrou e/ou creditou financeiramente os juros das operações de mútuo que realizou com suas coligadas. Por mais esse motivo, o Auto de Infração deve ser cancelado. Da impossibilidade de utilização da SELIC como taxa de juros moratórios Os valores devidos não podem ser atualizados pela taxa SELIC, em face de sua manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade (viola o artigo 161, § 1º, do CTN e o artigo 150, inciso I, da CF/88). Destaquese que a ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa SELIC foi objeto de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça STJ (fl. 82). Ante o exposto, requer a impugnante que seja cancelada totalmente a exigência. Caso não seja esse o entendimento, que sejam cancelados os encargos a titulo de taxa SELIC. Em 18/12/2008, o Consórcio Paulista de Papel e Celulose — CONPACEL (formado pelas empresas Votorantim Celulose e Papel S.A. e Suzano Papel e Celulose S.A.), Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.003116/200541 Acórdão n.º 2102003.278 S2C1T2 Fl. 185 5 nova denominação da Ripasa S.A. Celulose e Papel (sic), por meio de suas advogadas Doc. 01, fls. 125/131), apresentou a petição de fls. 120 a 122, nos seguintes termos: 1. A empresa RIPASA sofreu processo de cisão total, passando a ser controlada através de um consórcio criado entre as empresas VOTORANTIM CELULOSE E PAPEL S.A. e SUZANO PAPEL E CELULOSE, denominado CONPACEL, no qual cada uma detém 50% do capital social da companhia cindida. 2. Portanto, com a extinção da RIPASA sua sede e filiais são operadas pela CONPACEL, ora REQUERENTE, a qual responderá por todos os direitos e obrigações advindos dessa operação, nos exatos termos do art. 229 da LSA (Lei n° 6.4041(6), in verbis: (..) 3. Para tanto, a REQUERENTE apresenta toda a documentação necessária a comprovar a extinção da RIPASA e o consórcio realizado, qual seja: (..) 4. Sendo assim, é a presente para requerer a juntada dos documentos anexos a fim de regularizar a sua representação processual. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “CRÉDITO CONTÁBIL. IRRF. NÃO INCIDÊNCIA. Só cabe a tributação a titulo de IRRF se houver a efetiva entrega de recursos, com a aquisição, pelo beneficiário, da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica (fato gerador do imposto de renda). Não basta, para caracterizar a ocorrência do fato gerador do IRRF, a simples contabilização, ou seja, o crédito contábil. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” O contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 1626.193 da 5ª Turma da DRJ/SP1 em 25/08/2010 (fl. 176), e face ao provimento da decisão, deixou de apresentar Recurso Voluntário. Tendo em vista a interposição de Recurso de Ofício, nos termos do artigo 34, I, do Decreto 70.325, de 6 de março de 1972, e de acordo com a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o processo foi encaminhado para este Egrégio Conselho. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso de ofício ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Entendeu a autoridade de primeira instância, acolhendo a alegação da defesa, que o mero registro contábil dos juros não caracteriza a disponibilidade da renda que somente se dá com a efetivação do pagamento e, portanto, no caso, a autoridade lançadora não demonstrou a ocorrência do fato gerador. Com efeito, não há que se falar em fato gerador do imposto incidente na fonte quando as importâncias são contabilmente creditadas ao beneficiário do rendimento em data anterior ao vencimento da obrigação, consoante os prazos ajustados em contrato. O simples crédito contábil, antes da data aprazada para seu pagamento, não extingue a obrigação nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador do imposto de renda na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica. Por si só, o fato de a fonte pagadora lançar contabilmente o acréscimo do valor de sua obrigação na respectiva conta de passivo não torna devido o imposto de renda na fonte, por não importar na aquisição de qualquer disponibilidade econômica ou jurídica de renda pelo beneficiário. Portanto, o mero registro contábil no passivo (juros), tendo em vista a necessidade de registrar, em contrapartida, a despesa em observância ao regime de competência, conforme determina o art. 177 da Lei n° 6.404/1976, não constitui fato gerador do imposto de renda na fonte. Logo, a conclusão que se faz é no sentido de que o crédito contábil apenas gera a presunção da disponibilidade da renda, sendo necessário que se comprove que a disponibilidade jurídica se converteu em disponibilidade econômica para que, assim, ocorra o fato gerador do tributo. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da decisão a quo, que bem analisou a questão acerca do crédito contábil que não configura fato gerador do Imposto de Renda, os quais ratifico e utilizo como fundamentos para julgar: “O artigo 65 da Lei n° 8.981/95 é claro ao prescrever que só cabe a tributação a titulo de IRRF se houver a efetiva entrega de recursos (pagamento ou crédito financeiro dos rendimentos), com a aquisição, pelo beneficiário, da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica (fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN). Não basta, para caracterizar a ocorrência do fato gerador do IRRF, a simples contabilização, ou seja, o crédito contábil (como bem argumenta a impugnante). [...] Concluise do exposto que, mesmo tendo a pessoa jurídica, em obediência ao regime de competência, registrado em sua Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.003116/200541 Acórdão n.º 2102003.278 S2C1T2 Fl. 186 7 contabilidade os valores a que se obrigou a pagar, como despesa incorrida, só haverá retenção do imposto de renda na fonte quando ocorrer o cumprimento da obrigação, o efetivo pagamento. A apropriação das receitas e despesas segue critérios próprios (regime de competência), inaplicáveis à tributação do imposto de renda na fonte. No caso em tela, resta demonstrada (fls. 25 a 46) apenas a ocorrência de créditos contábeis (os quais, repitase, não caracterizam fato gerador do IRRF), nas contas contábeis 2.02.02.07.002 — EMPRESAS CONTROLADAS CONTA EMPRÉSTIMO; 2.02.06.01.006 — ZDZ Empreendimentos; 2.02.06.01.005 Ripasa Internacional Ltda.; 2.02.06.01.004 — Rilisa Trading; 2.02.06.01.003 — Limeira S.A.; 2.02.06.01.002 — Cia Santista de Papel e Celulose 2.02.09.02.014 — ENCARGOS S/IRRF S/OPERAÇÕES DE MÚTUO (3.371), inexistindo qualquer comprovação (cujo ônus cabe à fiscalização, nos termos do artigo 142 do CTN, que dispõe que "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível') de que tenha havido o efetivo pagamento dos rendimentos aos beneficiários (fato gerador do IRRF).” A decisão a quo transcreve ainda, doutrina e jurisprudência deste E. Conselho, dando guarida ao seu entendimento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001706/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.001706/2006-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436502
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.293
nome_arquivo_s : Decisao_15374001706200611.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15374001706200611_5436502.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5843998
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702442344448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001706/200611 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.293 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de fevereiro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BNDES PARTICIPAÇÕES S.A. BNDESPAR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .0 01 70 6/ 20 06 -1 1 Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de fls. 728748, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ1, que, por maioria de votos, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade, mantendo parcialmente o Despacho Decisório, no que tange à não homologação parcial de PER/DCOMPs. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: "Versa o presente processo sobre as Declarações de Compensações apresentadas por meio dos PER/DCOMP 36570.61964.240206.1.3.02 3078, 27873.48395.310306.1.3.02 1604, 37469.67359.070406.1.3.02 8858, 42359.79851.280406.1.3.021201, e 27136.43620. 240309.1.7.029847 (retificadora do PER/DCOMP 28023.71845.310106.1.3.022177) através dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 147.669.321,50 relativo ao exercício de 2005, ano calendário 2004 com débitos neles declarados. De acordo com o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DEMAC/RJO (fl. 591), com fundamento no Parecer DEMAC/RJO/DIORT n° 040/2010 (fl. 578/585): • foi admitida a retificação da DCOMP eletrônica n° 28023.71845.310106.1.3.022177 pela DCOMP eletrônica 27136.43620.240309.1.7.029847, cancelandose a retificada; • foi reconhecido parcialmente o direito creditório em favor de BNDES Participações S/A,CNPJ 00.383.281/000109, relativo ao crédito do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, no montante de R$ 105.561.999,62 (cento e cinco milhões, quinhentos e sessenta e um mil, novecentos e noventa e nove reais e sessenta e dois centavos); e • foram homologadas as compensações efetuadas através das Declarações de Compensação n° 27136.43620.240309.1.7.029847 e 36570.61964.240206.1.3.023078, foi homologada parcialmente a compensação efetuada através da Declaração de Compensação n° 27873.48395.310306.1.3.021604 e não foram homologadas as compensações efetuadas através das Declarações de Compensação 37469.67359.070406.1.3.028858 e 42359.79851.280406.1.3.021201. O referido Parecer dispôs, quanto à análise do direito creditório, em síntese, que: • Analisandose a DIPJ/2005, anocalendário de 2004 de n° 0639757, ficha 12 A, fl. 44, verificase que a interessada apurou saldo negativo Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 4 3 de IRPJ no valor de R$ 147.669.321,50, conforme extrato sistema IMPRESSÃO PJ de fl. 155: Analisandose o que a interessada informa em ficha 53 "Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte " de sua DIPJ/2005, vêse que utilizou o IRRF de 82 fontes no ano de 2004, cujos CNPJ, códigos de receita (3426 5706 6813) e valores do IRRF se encontram ali listados, sendo que o valor total da retenção efetuada resulta nos R$ 266.058.342,55 que se constituem da soma do IRRF deduzido nas estimativas (total de R$ 118.389.021,05) e no ajuste final (R$ 147.669.321,50), conforme fl. 45/66 e 161/171 e planilha de fl. 172/174; Consultandose o que consta atualmente no sistema informatizado SIEF/DIRF (fl./528/562), podese verificar que o total de IRRF constante de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentadas pelas fontes, R$ 243.019.345,63 é inferior R$ 23.038.996,92 em relação ao valor total deduzido pela interessada no ano de 2004, que foi de R$ 266.058.342,55; • Elaborouse a planilha de fl. 574/575, onde foram listados os valores das retenções que, informadas pela interessada em ficha 53 da DIPJ/2005, também se encontravam declaradas em DIRF pelas fontes retentoras, constantes assim da base de dados do sistema informatizado SIEF/DIRF, ou, aquelas para as quais foram apresentados pela interessada os respectivos Comprovantes de Rendimentos, nos termos do disposto no §2°, do artigo 943, do RIR/1999, cuja matriz legal é o artigo 55 da Lei n° 7.450/1985, desde que cumpridos os requisitos mínimos exigidos em incisos I, II e III do artigo 20, da Instrução Normativa SRF n" 119/2000, sendo que, os valores considerados foram calculados proporcionalmente às receitas declaradas na referida ficha 53 (observandose as respectivas alíquotas: 3426 20%; 5706 15%; 6813 20%), uma vez que aqueles valores de rendimentos é que foram oferecidos à tributação conforme o Relatório Fiscal de Diligência constante de fl. 153/154, complementado pelo de fl. 282; • Constatase, portanto, que o valor do IRRF a ser considerado para efeito de dedução no ano de 2004 será o valor de R$ 223.951.020,67, conforme planilha de fl. 574/575, do qual, diminuindose o valor de R$ 118.389.021,05 utilizado como dedução nas estimativas, restará um saldo de R$ 105.561.999,62 para dedução no ajuste final, conforme tabelas 2 e 5 de fl. 573; Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 5 4 • Cabe ressaltar que os rendimentos de Juros sobre Capital Próprio JCP constantes de DIRF são compatíveis com o valor da receita declarada em ficha 06A, item 23, da DIPJ/2005, fl. 156 e 528, constatandose, ainda, que a interessada não figura como fonte pagadora de Juros sobre o Capital Próprio no ano de 2004, tendo em vista as despesas relativas ao mesmo, item 35 "() Juros sobre Capital Próprio", de ficha 06A, encontrarse zerado, fl. 156, e, conforme extratos dos sistemas SIEF/DIRF CONSULTA DECLARANTE e sistema DCTFGER, fl. 563/572, onde não consta o código de receita 5706, referente ao JCP, assim como pesquisa ao sistema SIEF/PERDCOMP não apontar a existência de declaração de compensação DCOMP eletrônica vinculada a crédito de JCP, fl. 576/577, concluindose, assim, haver saldo de IRRF sobre JCP para dedução; • No que diz respeito às estimativas relativas aos meses de fevereiro, no valor de R$1.595.124,47, março, no valor de R$ 1.687.732,67, abril, no valor de R$ 1.633.093,25 e novembro no valor de R$ 1.297.689,29, extintas com compensação de pagamento indevido ou a maior efetuada através das DCOMP eletrônicas n"35180.27353.310304.1.3.041244, 32900.51125.300404.1.3.042889, 33277.25008.310504.1.3.044778 e 30553.49585. 301204.1.3.041240, respectivamente, que se encontram na situação "Homologação Total" por motivo "Homologação Concluída", segundo pesquisa ao sistema informatizado SIEF/PERDCOMP fl. 510/511 e verso e fl. 512/516 (DCOMP apreciadas pela DIORT/DERAT/RJO, conforme Parecer Conclusivo / Despacho Decisório n" 53/2009 cópia fl. 517/520 e versos), razão pela qual tais estimativas serão consideradas para efeito de dedução no ajuste final; • Quanto à dedução dos Incentivos Fiscais, declarados na ficha 12A "Cálculo do IR sobre o Lucro Real" em item 05 "Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" no valor de R$ 19.452,30 e em item 07 "Atividade Audiovisual" no valor de R$ 2.284.755,64, e também declarados, em item 05 da ficha 11 "Estimativas", concluise, com base em demonstrativo do cálculo do PAT (fl. 306), demonstrativo do incentivo audiovisual, PAT (fl. 307), documentos apresentados pela interessada em fl. 308/318 e 468/472, os quais complementam os documentos juntados e mfl. 498/509, que o valor deduzido como PAT foi efetuado respeitado o limite de valor por refeição de R$ 2,49, limite específico de 4% do imposto devido isoladamente e limite total de deduções, nos termos do disposto no item 18.1.7. II Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT do MAJUR, fl. 494/497; Quanto ao incentivo Audiovisual, podese concluir, da análise da documentação apresentada em fl. 308/318, "Recibos de Subscrição de Investimentos Audiovisual" em que constam os números das Deliberações ANCINE Agência Nacional de Cinema autorizadoras dos projetos a que se referem, complementada pela documentação apresentada em fl. 468/472, Deliberações essas confirmadas através de pesquisa no site da ANCINE, fl. 498/509, que os referidos projetos já se encontravam previamente aprovados pela ANCINE quando da utilização da dedução incentivada em tela, constatandose que o limite de dedução do incentivo, de 3%, foi observado, assim como a exclusão do adicional do imposto devido, no cálculo do limite, e, a parcela do Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 6 5 imposto correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, conforme planilha de fl. 307 e fl. 155, e item 28 de Ficha 06A, o qual se encontra zerado, nos termos do disposto nos itens 18.1.7III e 18.1.7. VI do MAJUR/2005, fl. 494/497; Pesquisa ao Dossiê Eletrônico da Contribuinte não aponta lançamento de IRPJ relativo ao ano de 2004; Assim, tendo em conta que o procedimento de análise do direito creditório não possui o alcance e a abrangência de uma auditoria fiscal, é de se concluir pela existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2004, e assim, refazendose a ficha 12A da DIPJ/2005 de n° 0639757, concluise que o valor do saldo negativo do IRPJ relativo ao ano de 2004 a ser reconhecido é de R$ 105.561.999,62, conforme tabela abaixo: Cientificada do referido Despacho em 14/11/2010 (A.R. fl. 599), apresentou a interessada, em 10/12/2010, a manifestação de inconformidade de fl. 608/616, juntamente com os documentos de fl. 617/676, na qual alega, em síntese, que: • É flagrante a violação ao princípio constitucional da ampla defesa, uma vez que houve reconhecimento somente de parte do direito creditório pleiteado sem a solicitação de reapresentação ou substituição de documentos e sem o cumprimento de diligências junto às fontes pagadoras correspondentes à documentação não acolhida sobre rendimentos que estas não declararam em DIRF ou declararam de forma divergente da documentação apresentada pela BNDESPAR; • Durante a fase de análise da documentação para homologação da compensação poderia a ação fiscalizadora ter requerido a reapresentação / substituição de documentos não acolhidos, bem como ter diligenciado junto às fontes pagadoras, da maneira como prevê o artigo 18 do Decreto n" 70.235/1972, resguardada ainda a possibilidade de a própria autoridade julgadora de 1" instância realizar diligências / perícias, após instaurado o PAF; Pela característica do crédito objeto da compensação, IRRF, o prazo de 30 dias para oposição de manifestação de inconformidade, com a apresentação da necessária prova documental, revelase extremamente exíguo; • Além da necessidade de conhecimento do inteiro teor do processo, a presente manifestação pressupõe ainda a análise e diligências internas, bem como demanda diligências externas às fontes pagadoras para dirimir as questões e obter as provas indispensáveis para que a BNDESPAR possa se opor à glosa realizada. Assim, fazse necessária Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 7 6 a dilação do prazo para oportuna produção e apresentação de prova documental suplementar; • A seguir são comprovados os créditos antes não homologados. Entretanto, quanto ao que até o momento restou pendente de apuração, face aos motivos de força maior alheios à vontade da contribuinte, que depende de atos terceiros, pugnase pela aplicação do disposto na alínea "a", §4", do art. 16 do Decreto n" 70.235/1972, cuja inobservância resultaria na privação do direito ao contraditório e à ampla defesa da contribuinte; • Nos quadros abaixo são explicitadas as glosas efetuadas conforme Parecer Conclusivo n° 040/2010, que tem como base planilha constante do processo (fl. 574/575), para a seguir justificarmos a divergência entre o que foi apresentado pela BNDESPAR e o que foi considerado pela RFB, indicando as providências necessárias à comprovação do crédito da BNDESPAR: Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 8 7 TOTAL DA GLOSA FISCAL: 42.107.321,8 • Discorre sobre as informações referentes aos valores glosados e/ou diligências com êxito até o momento em conexão com o quadro anterior, juntando documentos; • Afirma que continuará a buscar, por meio de diligência junto às fontes pagadoras, documentação adicional para posterior apresentação e comprovação dos casos que informou como "em andamento" nos quadros acima; • Diante do exposto, requer: • Que sejam anexados ao processo os comprovantes obtidos para comprovar parcialmente os créditos antes não homologados, reduzindose o valor correspondente da glosa efetuada; Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 9 8 • Que seja concedido prazo adicional razoável para serem juntados ao processo documentação suplementar ex vi da alínea "a" do parágrafo 4o do inciso V do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972 e que sejam realizadas diligências pela autoridade fazendária a fim de obter tais comprovantes junto às instituições acima relacionadas; • Seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da glosa, nos termos do art. 151, III do CTN e do §11 do art. 74 da Lei n°9.430/1996. Em 11/01/2011, a interessada apresentou a petição de fl. 680/682, juntamente com os documentos de fl. 683/702, por meio da qual "requer a juntada de documentação suplementar relacionada aos créditos nãohomologados, assim destacados: referente ao código 3426 (declarante CNPJ 00.095.147/000102); referente ao código 6813 (declarantes CNPJ 02.295.843/000198, 72.116.353/000162 e 02.973.693/000112); e referente ao código 5706 (declarantes 02.558.132/000169, 02.558.134/000158, 02.558.157/000162, 03.010.016/000173, 02.998.611/000104, 60.701.190/000104 e 60.894.730/000105)". Nesta Turma, foram juntados aos autos Relatório do Sistema DIRF / Consulta Declaração / RFB (fl. 704/706, 712/715, 723 e 724/726), Relatório do Sistema Fisc. Eletr. / Analisar Valores / Débitos Apurados / SIEF / RFB (fl. 707/711) e Relatório Consulta de Evolução do Beneficiário / DIRF / RFB (fl. 716/722). É o relatório." O feito foi submetido à apreciação da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I, que houve por bem acolher parcialmente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 22.196.520,89 (vinte e dois milhões, cento e noventa e seis mil, quinhentos e vinte reais e oitenta e nove centavos). O acórdão de fls. 428448 restou assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando a interessada exerce plenamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. SALDO ANUAL DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 10 9 A pessoa jurídica que compensar com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte deve comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. SALDO ANUAL DE IRPJ. APURAÇÃO. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE RECEITAS TRIBUTADAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica somente pode deduzir do imposto devido o valor do imposto retido na fonte incidente sobre as receitas comprovadamente computadas pelo regime de competência na determinação do lucro real." Em face do referido acórdão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário, alegando: i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; ii) a violação ao princípio da ampla defesa e da ausência de diligência às fontes pagadoras; iii) o direito a compensação pelo fato de a documentação dar suporte geral; iv) o direito à compensação em virtude de os créditos estarem comprovados; e v) que seja concedido prazo adicional razoável para serem juntados ao processo documentação suplementar ex vi da alínea "a" do parágrafo 4o do inciso V do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972 e que sejam realizadas diligências pela autoridade fazendária a fim de obter tais comprovantes junto às instituições por ela relacionadas. É o relatório. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 11 10 VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Solicitação de Diligência O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Dentre as questões postas em julgamento, alguns dados apresentados pelo Contribuinte devem ser antes confirmados pela Autoridade Preparadora, de forma a validar os elementos de convicção necessários ao julgamento, pelo que proponho seja o presente feito baixado em diligência, para o seguinte: IRRF – Código 3426 (fl. 167) CNPJ 47.508.411/000156 e CNPJ 48.081.848/000119:– valor da glosa R$ 1.175.702.13 A Recorrente solicita que sejam retificados os rendimentos informados na ficha 53 da DIPJ 2005 (fl. 167) relativos aos declarantes CNPJ 47.508.411/000156 e CNPJ 48.081.848/000119 dos valores de R$ 228.014,49 e R$ 25.978,67 para R$ 5.700.362,32 e R$ 411.426,55, respectivamente, tendo em vista tais receitas constituírem, de fato, a base de cálculo dos IRRF declarados. A DRJ entendeu que “Em que pese os valores de IRRF estarem confirmados (Informes de Rendimento de fl. 403/404 e DIRF de fl. 553), constatase que não foram juntados aos autos, na manifestação de inconformidade, momento propício para contraditar, documentos que atestem que a totalidade das receitas correspondentes foi devidamente computada na determinação do lucro real no referido anocalendário, a teor do que dispõe o art. 231 do RIR/1999”. Entretanto, não concordo com o posicionamento da instância a quo, pois feita a retificação dos rendimentos informados na ficha 53 da DIPJ 2005 (fl. 167) relativos aos declarantes CNPJ 47.508.411/000156 e CNPJ 48.081.848/000119 dos valores de R$ 228.014,49 e R$ 25.978,67 para R$ 5.700.362,32 e R$ 411.426,55, deve ser oportunizada a produção de provas documentais relativas à retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora. (fl. 416) CNPJ 60.830.833/000101 – valor da glosa: R$ 1.879.187,29. A Recorrente afirma que houve erro no preenchimento do Informe de Rendimentos de fl. 416, pois deveria constar código de receita 3426 e não o código de receita 8045. A DRJ entendeu que “não foi apresentado Informe de Rendimentos que comprove a alegação da interessada, não sendo hábeis à comprovação pretendida ajuntada dos documentos de fl. 658/659 ("Dados Cadastrais do Contrato"). Ademais, não consta nos Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 12 11 sistemas informatizados da RFB DIRF apresentada pela fonte pagadora que ratifique a retenção informada (Relatório Consulta de Evolução do Beneficiário fl. 716/722).” No entanto, não coaduno do entendimento da DRJ, visto que deve ser confirmada a tese da Recorrente no sentido de verificar erro no preenchimento do Informe de Rendimentos de fl. 416, por meio da baixa em diligência para determinar sejam apresentados documentos comprobatórios da contribuinte e da fonte pagadora. CNPJ 60.894.730/000105: – valor da glosa: R$ 1.557.706,75 A Recorrente pretendeu o reconhecimento do crédito relativo ao código de retenção 3426. A DRJ entendeu que “Mantémse o não reconhecimento do IRRF não ter logrado comprovar o direito creditório pleiteado mediante apresentação de documentação pertinente.” Ocorre que, diante da genérica e insuficiente fundamentação da DRJ, patente que seja realizada ampla produção de provas e apresentação de documentos e informações pela fonte pagadora e pela Recorrente, em consagração ao princípio da verdade material. CNPJ 61.584.140/000149: – valor da glosa: R$ 2.192.283,87 A Recorrente informa que há erro no Informe de Rendimentos de fl. 446, (teria constado indevidamente como beneficiário o nome e CNPJ do BNDES, instituição controladora da contribuinte e não sujeita à retenção do IRRF em rendimentos dessa natureza). A DRJ entendeu que “não foi juntado aos autos novo Informe de Rendimentos (retificador) e não consta nos sistemas informatizados da RFB DIRF apresentada pela fonte pagadora CNPJ 61.584.140/000149 na qual conste a interessada como beneficiária (Relatório Consulta de Evolução do Beneficiário fl. 716/722).” Contudo, em consagração ao princípio da verdade material, haverá de ser realizada diligência no sentido de verificar erro no preenchimento do Informe de Rendimentos junto à fonte pagadora e à Recorrente, oportunizandolhes a apresentação de novos documentos e informações comprobatórios. IRRF – Código 6813 CNPJ 02.215.990/000110 – valor da glosa R$ 6.850.712,63 A Recorrente informa que teria incorrido em erro quando do preenchimento da Ficha 53 da DIPJ 2005 ao informar equivocadamente o CNPJ do Fundo e não o CNPJ do Administrador. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 13 12 A DRJ entendeu que “o documento de fl. 333 não é hábil a demonstrar o crédito alegado, uma vez que não preenche os requisitos do art. 2 o da IN SRF n° 119/2000: não é informado o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) nem a descrição do rendimento. Outrossim, não foi localizada nos sistemas informatizados da RFB DIRF entregue pela fonte pagadora CNPJ 33.644.196/000106 ou CNPJ 02.125.990/000110 na qual "conste a interessada como beneficiária.” Porém, necessário se faz dar oportunidade à contribuinte de demonstrar a veracidade do crédito, por meio de documentos e informações obtidos junto às fontes pagadoras. Assim, baixo o feito em diligência no intuito de verificar a veracidade das alegações da Recorrente, razão pela qual deve ser oportunizada a produção de provas documentais relativas à retenção e recolhimento do IRRF, e apresentação documentos comprobatórios da contribuinte e da fonte pagadora. IRRF – Código 5706 (IRRF – Juros sobre Capital Próprio) A Recorrente informa que as retenções não reconhecidas relativas às fontes pagadoras anteriormente relacionadas foram realizadas e contabilizadas na efetivação dos pagamentos, pois em 2004 houve pagamentos de Juros sobre Capital Próprio referentes ao ano calendário de 2003. Em relação aos créditos oriundos de IRRF sobre recebimento de juros sobre capital próprio, a autoridade julgadora afirma que “somente pode ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado IRRF correspondente à receita devidamente oferecida à tributação; e a tributação da referida receita deve obedecer o regime de competência.” Levandose em consideração que na apuração do IRPJ (e, por consequência, na apuração do saldo negativo), a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80), entendo que a discussão restringe à comprovação de que as receitas de JCP foram incluídas na formação da base de cálculo do IRPJ do ano calendário de 2003, bem como a comprovação da ocorrência da referida retenção. Não cabe analisar nos presentes autos se a receita de JCP deveria ter sido tributada no ano calendário de 2003 (retenção do IR pela fonte pagadora) ou de 2004 (recebimento), já que a presente discussão engloba apenas a possibilidade de utilizar os valores retidos a título de IRRF sobre pagamentos de JCP. Sendo possível a utilização do IRRF desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, solicito à autoridade fiscal que realize a diligência para atestar se as receitas de JCP compuseram a base de cálculo do imposto no ano calendário de 2003, bem como se a retenção do IRRF foi comprovada. Na comprovação do IRRF deve ser mencionado se a comprovação ocorreu por informe de rendimentos (de 2003 ou de 2004) ou outro comprovante de recebimento do valor líquido. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15374.001706/200611 Resolução nº 1401000.293 S1C4T1 Fl. 14 13 Pelo exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de verificar a veracidade das alegações da Recorrente, razão pela qual deve ser oportunizada a produção de provas documentais relativas à retenção e recolhimento do IRRF, e apresentação documentos comprobatórios da contribuinte e da fonte pagadora, bem como se as receitas de JCP (que tiveram IRRF glosados) compuseram a base de cálculo do imposto no ano calendário de 2003, bem como se a retenção do IRRF foi comprovada. Na comprovação do IRRF deve ser mencionado se a comprovação ocorreu por informe de rendimentos (de 2003 ou de 2004) ou outro comprovante de recebimento do valor líquido. Ao final da diligência, deverá ser elaborado relatório conclusivo, devendo o mesmo ser devidamente cientificado ao Contribuinte para se pronunciar, no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001728/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA.
Acolhem-se os embargos apresentados por restar configurada a alegada omissão no acórdão embargado.
Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 1402-001.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para no mérito dar-lhes provimento e rerratificar o Acórdão 1402-001.469, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. Acolhem-se os embargos apresentados por restar configurada a alegada omissão no acórdão embargado. Embargos de Declaração acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.001728/2006-81
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448361
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.846
nome_arquivo_s : Decisao_19515001728200681.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001728200681_5448361.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para no mérito dar-lhes provimento e rerratificar o Acórdão 1402-001.469, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5880669
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702462267392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 768 1 767 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001728/200681 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402001.846 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria IRPJ Embargante Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Interessado TELEMINO SERV DE TELEMÁTICA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. Acolhemse os embargos apresentados por restar configurada a alegada omissão no acórdão embargado. Embargos de Declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para no mérito darlhes provimento e rerratificar o Acórdão 1402 001.469, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 28 /2 00 6- 81 Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.846 S1C4T2 Fl. 769 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pela União Federal (Fazenda Nacional), insurgindose contra suposta omissão ocorrida no acórdão embargado, sob o argumento de que o aresto condutor não indicou em quais elementos de prova se apoiou para concluir que as obrigações contraídas e consideradas inexistentes pela fiscalização foram devidamente contabilizadas nas datas que considerou como termo a quo para a contagem do prazo decadencial. Isso porque, consoante afirma o embargante, as folhas dos autos apontadas pelo aresto recorrido não se referem aos registros contábeis dessas operações, mas a outros documentos, tais como contratos de câmbio, contratos de empréstimo, etc. Sustenta que, segundo os termos do próprio lançamento fiscal, o fato gerador de todas as obrigações considerase ocorrido em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado, de forma que, inexistindo pagamento antecipado (para IRPJ e CSLL), tendo a ciência do auto de infração pela contribuinte ocorrido em 28/08/2006 (fl. 88), não há nos autos qualquer fato gerador alcançado pela decadência. Afirma, ainda, que o próprio autuado não contesta a afirmação da fiscalização de que a contabilização do passivo objeto da presente autuação ocorreu em 31/12/2001. In casu, a fiscalização lavrou autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por entender que a contribuinte (i) omitiu receitas decorrente de passivo fictício; e (ii) aproveitou indevidamente despesas a título de juros e variação cambial, decorrentes exclusivamente do reflexo da desconsideração das obrigações escrituradas no passivo, tendo, com isso, reduzido indevidamente a base de cálculo do IRPJ e dos tributos reflexos. O aresto embargado restou assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL para as operações lançadas na contabilidade até 31/12/99; e para o PIS e a Cofins, em relação às operações contabilizadas até 28/08/2001. O conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões em relação à decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à operações com a Canbras Communications Corp nos valores de R$ 133.000,00; R$ R$ 2.640.000,00; R$ 1.934.520,00.Fica mantida a exigência referente às operações com essa empresa nos valores de R$ 1.390.200,00 e R$ 372.750,00 e também àquelas operações com o Banco Rural nos valores de R$ 1.093.000,00 e R$ 2.000.000,00. (g.n) Quanto à matéria relativa à decadência, no voto encontramse os seguintes fundamentos: A planilha abaixo indica a data em que foram contabilizadas as obrigações contraídas e consideradas inexistentes pela fiscalização: Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.846 S1C4T2 Fl. 770 3 (planilha – fl. 1425 dos autos, pg. 8 do acórdão) Com efeito, no caso em comento, para fins de IRPJ e CSLL o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", na visão desta E. Turma, corresponde ao primeiro dia do segundo exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível, que considerando a apuração anual, corresponderá a: 01/01/2000, 01/01/2001, 01/01/2002 e 01/01/2003, para fatos geradores ocorridos, respectivamente, em 1998, 1999, 2000 e 2001 Assim, tendo em vista que a ciência do auto de infração pela contribuinte só aconteceu em 28/08/2006 (fl. 88), percebese que a maior parte dos fatos geradores encontrase alcançada pela decadência. Não estão alcançadas pela decadência as obrigações escrituradas em 25/02/2000, 02/10/2000, 14/09/2001, 12/09/2001, 15/05/2001 e 28/12/2001, bem assim como a última obrigação indicada na planilha (Empréstimo Banco Rural S/A, no valor de R$ 2.000.000,00), que, em virtude da falta de comprovação da data do respectivo lançamento, considerarseá ocorrida em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado. (g.n) A decadência das exigências para o PIS e para a COFINS não foi objeto dos presentes embargos, já que no anocalendário de 2001 foram identificados pagamentos antecipados de tais tributos, aplicandose, com isso, a regra específica do art. 150, § 4º do CTN. É o breve Relatório. Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator. Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Entendo que merece razão a embargante. O presente caso consiste na omissão de receitas, decorrente da manutenção de passivo fictício. Tratando o caso de fato gerador presumível, o fato índice dessa apuração se dá com a escrituração da obrigação na contabilidade, momento em que surge o reflexo tributário daquele fato jurídico. De fato, examinando o acórdão embargado em toda a sua fundamentação, não restou claro se as obrigações autuadas estavam efetivamente escrituradas antes de 31/12/2001, haja vista que não houve a indicação dos registros contábeis dessas obrigações, mas, tão somente, a indicação das folhas onde se encontravam outros documentos relacionados a tais obrigações. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.846 S1C4T2 Fl. 771 4 No entanto, a contabilização das obrigações no passivo, anteriores a 31/12/2001, restou devidamente demonstrada pela Autuada a partir da cópia dos livros contábeis anexados à impugnação, que atestam a data em que as obrigações foram escrituradas em seu passivo. Sendo assim, sanando a omissão apontada pela embargante, indico as folhas do Livro Diário onde estão escrituradas as operações e a relação dos demais documentos comprobatórios apresentados pela Autuada: Documentos Doc. da impugnação n.º N.º do Livro Diário Fls. dos autos Mapa de movimentação de empréstimos 2001 3 155/156 Abertura analítica da Movimentação de 2001 4 157/161 Cópia dos Diários de 2001 5 a 20 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56 e 57 162/283 Mapa de movimentação de empréstimos 2000 21 284/285 Abertura analítica da movimentação de 2000 22 286/289 Cópia dos Diários de 2000 23 a 35 26, 27, 28, 29, 31, 32, 33, 34, 35, 37, 38, 40 e 41 290/365 Mapa de movimentação de empréstimos 1999 36 366/367 Abertura analítica da movimentação de 1999 37 368/369 Cópia dos Diários de 1999 38 a 46 15, 17, 18, 19, 21, 22, 23, 24 e 25 370/416 Mapa de movimentação de empréstimos 1998 47 417/418 Abertura analítica da movimentação de 1998 48 419/420 Cópia dos Diários de 1998 49 a 53 5, 7, 8, 11 e 13 421/442 Data do lançament o contábil Característica/objeto Devedor Credor Valor U$ Valor R$ Doc. Nº da impugnaç ão/Fls. dos autos Livro Diário/ Página Nº do lançament o no Diário Fls. dos autos 07/06/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 419.289,00 728.137,28 69 / 605 n.º 19 / pág. 124 618 386 15/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 196.000,00 325.360,00 68 / 593 n.º 17 / pág. 261 285 378 31/03/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 693.525,50 1.190.783,28 66 / 569 n.º 17 / pág. 260 280 377 05/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 680.561,00 1.168.523,24 67 / 581 n.º 17 / pág. 261 282 378 05/02/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 600.000,00 1.068.000,00 65 / 558 n.º 15 / pág. 187 1 373 17/06/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 490.000,00 N/C 64 / 550 n.º 7 / pág. 26 22 428 28/05/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 500.000,00 N/C 78 / 647 N/C N/C N/C 09/11/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 500.000,00 N/C 79 / 652 N/C N/C N/C 14/09/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 50.000,00 133.000,00 60 / 496 n.º 55 / pág. 38 8942/8943 253 12/09/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 1.000.000,00 2.640.000,00 61 / 512 n.º 54 / pág. 366 6418/6419 249 15/05/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 840.000,00 1.934.520,00 62 / 527 n.º 50 / pág. 375 390 214 28/12/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 600.000,00 1.390.200,00 63 / 546 n.º 57 / pág. 251 9628 278 07/06/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 956.811,00 1.661.597,98 57 / 475 n.º 19 / pág. 124 617 386 31/03/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 708.339,00 1.216.218,06 55 / 455 n.º 17 / pág. 261 283 378 05/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 141.474,50 242.911,72 54 / 443 n.º 17 / pág. 260 281 377 25/02/2000 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 250.000,00 372.750,00 59 / 492 n.º 27 / pág. 297 270 304 15/12/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 350.000,00 613.808,00 58 / 488 n.º 25 / pág. 251 540 413 08/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 204.000,00 338.640,00 56 / 459 n.º 17 / pág. 261 284 378 15/01/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Com. Corp. 837.625,00 N/C 80 / 655 N/C N/C N/C 09/10/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Part. Ltda. 54.787,60 65.000,00 73 / 630 n.º 11 / pág. 20 108 437 05/10/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Part. Ltda. 113.876,00 135.000,00 72 / 627 n.º 11 / pág. 12 11 436 06/07/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Part. Ltda. 1.036.269,00 1.200.000,00 71 / 621 n.º 8 / pág. 39 72 432 07/04/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Part. Ltda. 518.408,00 590.000,00 70 / 618 n.º 5 / pág. 25 72 424 02/10/2000 Empréstimo TST Ltda. Banco Rural S/A 1.093.000,00 81 / 659 n.º 41 / pág. 292 10842 363 N/C Empréstimo TST Ltda. Banco Rural S/A 2.000.000,00 82 / 669 N/C N/C N/C Ressalto, contudo, que, na elaboração da planilha acima, compulsando novamente os documentos comprobatórios apresentados pela Embargante, não localizei os lançamentos contábeis das obrigações destacadas em cinza (Vide acima Empréstimos com a Telem Inc., sendo dois deles no valor de U$ 500.000,00 e um no valor de U$ 837.625,00). Da decadência Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.846 S1C4T2 Fl. 772 5 Diante disso, para tais obrigações, em virtude da falta de comprovação das datas dos respectivos lançamentos contábeis, considerarseá ocorrida a obrigação em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado. E, tendo em vista que a ciência do auto de infração pela Embargante aconteceu em 28/08/2006, não se encontram alcançadas pela decadência tais obrigações, seja para fins de IRPJ e CSLL (cuja contagem se deu pelo art. 173, inc. I, do CTN), seja para fins de incidência do PIS e da COFINS (cuja contagem se deu pelo art. 150, § 4º do CTN). Assim, em adendo ao acórdão embargado, passo a analisar a questão de mérito relacionada a tais obrigações. Do mérito Empréstimos à Telem Inc. e Canbras Communications Corp. Para comprovação dos referidos empréstimos externos com as empresas Telem Inc. e Canbras Communications Corp. a Embargante apresentou os documentos de nº. 78/80 da impugnação (fls. 647/658). O documento 78 da impugnação (fls. 647/649), referente à obrigação (datada de 28/05/1999) no valor de U$ 500.000,00 com a Telem Inc. traz cópias do Pedido de Autorização Prévia enviado ao Bacen. O documento 79 (fls. 653/654), referente à obrigação (datada de 09/11/1998) no valor de U$ 500.000,00 com a Telem Inc. traz cópia do contrato de fechamento câmbio emitido pelo Bacen. Já o documento 80 (fls. 656/658), referente à obrigação (datada de 15/01/1999) no valor de U$ 837.625,00 com a Canbras traz cópia do contrato de fechamento câmbio emitido pelo Bacen e cópia do Pedido de Renovação de Autorização Prévia destinado ao Bacen, solicitando a renovação do prazo do empréstimo. Desta feita, com relação a tais obrigações, deve ser mantida a exigência relativa ao passivo fictício, pois, na linha do que aduziu o aresto embargado, os documentos emitidos pelo Bacen, desacompanhados da cópia do contrato, não comprovam a exigibilidade da obrigação, mas, tão somente, a transferência dos recursos para a Embargante. Outrossim, também restará modificada a conclusão do acórdão embargado, para “dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência de parte dos valores lançados e, no mérito: manter o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relacionado (i) aos empréstimos tomados da empresa Telem, Inc, ambos no valor de U$ 500.000,00; (ii) ao financiamento tomado junto ao Banco Rural, no valor de R$ 2.000.000,00; (iii) aos supostos empréstimos tomados da empresa Canbras Communications Corp., nos valores de U$ 600.000,00 e U$ 837.625,00; e manter os lançamentos de IRPJ e CSLL relacionados (i) ao financiamento tomado junto ao Banco Rural, no valor de R$ 1.093.000,00; e (ii) ao empréstimo tomado da empresa Canbras Communications Corp, no valor de U$ 210.000,00”. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.846 S1C4T2 Fl. 773 6 Isso posto, conheço dos embargos de declaração para, no mérito, acolhêlos. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000552/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11634.000552/2006-81
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442957
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-002.892
nome_arquivo_s : Decisao_11634000552200681.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Antonio Lopo Martinez
nome_arquivo_pdf_s : 11634000552200681_5442957.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5866373
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702473801728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000552/200681 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.892 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ZAQUEU SUTIL DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 52 /2 00 6- 81 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ZAQUEU SUTIL DE OLIVEIRA, foi lavrado, o Auto de Infração de fls. 176 a 179, integrado pelos demonstrativos de fls. 172 a 175, pelo qual se exige a importância de R$252.531,50, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1. dedução indevida de dependente, anoscalendário 2001, 2002 e 2003; 2. dedução indevida de despesas de Livro Caixa, anos calendário 2001, 2002 e 2003; 3. de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anoscalendário 2002 e 2003. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 191 a 213, instruída com os documentos de fls. 214 a 267, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 284 a 286): Cientificado do lançamento em 23/11/2006 (fl. 182), o contribuinte ingressou, em 22/12/2006, por meio de representante (procuração à fl. 215), com a impugnação de fls. 191/200 e 203/213. Após narrar os fatos, demonstra a tempestividade da impugnação. Aduz, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo de quebra do seu sigilo bancário, entendendo que "mesmo após a edição da Lei Complementar n° 105/2001 o sigilo bancário dos contribuintes somente poderá ser quebrado pelo Poder Judiciário, por constituir um direito individual previsto na Constituição Federal de 1998 (sic)" e "mesmo se considerada a possibilidade de decretação pela autoridade fazendária de quebra de sigilo bancário, o que não se crê em absoluto, seria somente possível mediante ato administrativo fundado em elementos que demonstrassem a extrema necessidade da quebra do sigilo bancário, o que não ocorreu. Ressaltese, a respeitável Auditora Fiscal não indicou elemento algum que fundamentasse ou motivasse seu ato". Ainda em sede de preliminar, argúi a decadência, pois "somente foi intimado do atacado auto de infração em 23 de novembro de 2006. Assim, com fulcro no art. 150, § 4°, estão fulminados pela decadência os créditos tributários referente ao período de 01/01/2001 a 22/11/2001, que extrapolam o prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do evento tributável, para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento de ofício". Defende a nulidade do lançamento pela impossibilidade de admitirse, sumariamente, depósitos bancários como renda, pois "no mundo dos fatos, depósito bancário não significa receita omitida. Os depósitos podem ser oriundos de receitas já tributadas, ou de empréstimos, ou de transferências entre contas, ou de subsequentes depósitos oriundos de um mesmo saque, ou mesmo os pertencerem a outras pessoas" e, "diante de tal Fl. 447DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 ocorrência, cumpre ao Auditor Fiscal portarse com cuidado e diligência, aprofundando as investigações para a concatenação de elementos veementes, capazes de formar o inarredável convencimento, de que realmente se trata de renda omitida". Diz que não houve o dimensionamento correto do montante da receita omitida, já que a "Auditora Fiscal considerou, sumariamente, transferência entre contas do próprio Autuado como renda, tornando inconsistente a matéria tributável". Apresenta planilha que aponta tais valores. Alega que não foram considerados na elaboração dos cálculos os "valores também declarados como sujeitos à tributação exclusiva recebidos nos anos calendários de 2002 e 2003, como se verifica em fls. 153 e 157". Contesta a tributação de valores pertencentes a terceiros. Explica que exerce a advocacia e no "desenvolver de suas atividades, por questões operacionais, efetua pessoalmente o levantamento dos valores 'ganhos' por seus clientes em ações judiciais, deposita em sua própria conta corrente e, posteriormente, repassa os valores aos clientes. Tal afirmativa é comprovada facilmente pelas planilhas e documentos anexados (doc. anexo n°3). Nessas, verificase a identificação da origem dos créditos efetuados nas contas correntes do Impugnante. Cada crédito tem demonstrada sua relação com a ação judicial correspondente e seu real proprietário, no caso, cada cliente". Insurgese contra a adoção da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, por considerála ilegal e ofender a princípios constitucionais. Transcreve decisões administrativas e judiciais ao longo da peça impugnatória. Requer, por fim, sejam acolhidas as preliminares de quebra ilegal do sigilo bancário e de decadência e, no mérito, a improcedência do lançamento calcado em depósitos bancários e, eventualmente, sejam reconhecidos os erros de apuração da base de cálculo e a inaplicabilidade da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora. Protesta genericamente pela produção de provas e juntada posterior de documentos que não detêm ainda. Para esclarecer a alegação de que haviam valores depositados que pertenceriam a terceiro, o processo foi baixado em diligência (fl. 274), tendo retornado com os documentos e informações de fls. 275/281. Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 0614.858 (fls. 282 a 298), de 07/08/2007, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se Fl. 448DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 4 5 constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Não ofende o sigilo fiscal a obtenção de dados bancários pela autoridade fiscal, pois essa atividade independe de autorização judicial. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro; quando não declarados, para efeito de lançamento de ofício, o termo inicial do prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430 de 1996. O art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Considerase justificado o depósito oriundo de transferência de recursos de outra conta bancária do próprio contribuinte. GLOSAS. DEPENDENTE. DESPESAS DE LIVRO CAIXA. Mantêmse as glosas relativas a dependente e despesas de livro caixa não impugnadas diretamente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. Lançamento Procedente em Parte A decisão a quo exclui do montante tributável as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilha de fl. 294. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Notificado do Acórdão de primeira instância, em 07/12/2007 (vide AR de fl. 309 verso), o contribuinte interpôs, em 07/01/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 315 a 337, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 215), expondo as razões de sua irresignação. Da preliminar de nulidade do ato administrativo da quebra do sigilo bancário; Da preliminar da decadência; Da nulidade do lançamento pela impossibilidade de admitirse sumariamente, depósitos bancários como renda; Da tributação dos valores pertencentes a terceiros; Da ilegalidade da adoção de taxa selic para cálculos dos juros mora. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 6 9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Decadência No tocante ao ano calendário de 2001, para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verifica se que ocorreu em 23/11/2006. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma Fl. 453DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que foi identificado o recolhimento de tributo no ano calendário 2001, no valor de R$ 6.206,37, fls.245. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 7 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 455DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da Fl. 456DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 8 13 exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte Fl. 457DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso o período mais antigo lançado referese a janeiro de 2001, não pode se falar em decadência para o ano calendário de 2001. Recorde se, por pertinente, que foi identificado recolhimento de imposto relativo a pessoa física no ano calendário de 2001, tal como se constata do demonstrativo de fls. 140. Isto posto, rejeitase a decadência para o ano calendário de 2001. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos Fl. 458DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000552/200681 Acórdão n.º 2202002.892 S2C2T2 Fl. 9 15 créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 459DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000071/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Por se amoldar a efetivo e próprio caráter inquisitório, a atuação dos agentes da fiscalização fazendária não se submetem à necessária observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo esta reservada para a chamada fase litigiosa do procedimentos, nos termos, inclusive, especificamente apontados pelas disposições do Decreto 70.235/72.
PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. SÚMULA CARF N. 02
Tendo sido regularmente observadas as disposições da Lei Complementar n. 105 para o acesso, pelos agentes da fiscalização fazendária federal, aos registros das contas bancárias mantidas pela contribuinte, descabe falar em invalidade de suas providências. Ademais, nos termos da Súmula n. 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA.
Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02
Estando perfeitamente prevista nas disposições do Art. 44 os percentuais aplicáveis no caso de imputação das chamadas multas de ofício, completamente descabida a arguição de sua invalidade e/ou inconstitucionalidade.
PRÁTICA REITERADA. ARGUIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA.
O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostra-se ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 1301-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Por se amoldar a efetivo e próprio caráter inquisitório, a atuação dos agentes da fiscalização fazendária não se submetem à necessária observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo esta reservada para a chamada fase litigiosa do procedimentos, nos termos, inclusive, especificamente apontados pelas disposições do Decreto 70.235/72. PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. SÚMULA CARF N. 02 Tendo sido regularmente observadas as disposições da Lei Complementar n. 105 para o acesso, pelos agentes da fiscalização fazendária federal, aos registros das contas bancárias mantidas pela contribuinte, descabe falar em invalidade de suas providências. Ademais, nos termos da Súmula n. 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA. Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02 Estando perfeitamente prevista nas disposições do Art. 44 os percentuais aplicáveis no caso de imputação das chamadas multas de ofício, completamente descabida a arguição de sua invalidade e/ou inconstitucionalidade. PRÁTICA REITERADA. ARGUIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostra-se ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 17883.000071/2007-00
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448306
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.563
nome_arquivo_s : Decisao_17883000071200700.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
nome_arquivo_pdf_s : 17883000071200700_5448306.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5879949
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702493724672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 510 1 509 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000071/200700 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.563 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria Omissão de receitas Recorrente MVZ METALÚRGICA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Por se amoldar a efetivo e próprio caráter inquisitório, a atuação dos agentes da fiscalização fazendária não se submetem à necessária observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo esta reservada para a chamada fase litigiosa do procedimentos, nos termos, inclusive, especificamente apontados pelas disposições do Decreto 70.235/72. PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. SÚMULA CARF N. 02 Tendo sido regularmente observadas as disposições da Lei Complementar n. 105 para o acesso, pelos agentes da fiscalização fazendária federal, aos registros das contas bancárias mantidas pela contribuinte, descabe falar em invalidade de suas providências. Ademais, nos termos da Súmula n. 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA. Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 71 /2 00 7- 00 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 511 2 Estando perfeitamente prevista nas disposições do Art. 44 os percentuais aplicáveis no caso de imputação das chamadas multas de ofício, completamente descabida a arguição de sua invalidade e/ou inconstitucionalidade. PRÁTICA REITERADA. ARGUIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostrase ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 512 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas que circundam o feito, reproduzo o relatório trazido pela r. decisão de primeira instância: Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe em 30/04/2007. Foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 257 a 261), de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (fls. 268 a 272), Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 280 a 284), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 291 a 295), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 303 a 307) e Contribuição para Seguridade Social — INSS (fls. 315 a 319), no que tange aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 111 de 2002 e 2003, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita fiscal do contribuinte optante pelo SIMPLES. 2. Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 05) que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 362.461,08, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de ofício e de juros de mora, calculados até 30/03/2007. 3. A autoridade fiscal relaciona e pormenoriza as infrações apuradas no corpo dos autos de infração e no Termo de Constatação Fiscal (fls. 230 e 231), onde relata o resultado da auditoria fiscal. 4. A autoridade fiscal afirma que o contribuinte, optante pelo SIMPLES, foi intimado em 14/03/2005 a apresentar seus extratos bancários, conforme Termo de Início de Ação Fiscal, e novamente intimado em 31/03/2005 por meio do Termo de Constatação Fiscal e Intimação. 5. Em decorrência do não atendimento às intimações ora referidas, foi lavrada a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira de fls. 11 e 12 (RMF), relativa às instituições bancárias Banco Bradesco S/A e Caixa Econômica Federal. 6. Relata a autoridade autuante que o contribuinte foi intimado em 28/02/2007 e em 09/04/2007, agora para apresentar documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores com os depósitos e créditos ocorridos nas contas correntes n° 2682 (Banco Bradesco) e n° 1295.1 (Caixa Econômica Federal), de acordo com o Anexo 1— Movimentação Financeira. 7. Assegura ainda que foram anexados os extratos bancários e as planilhas com as parcelas depositadas para que o autuado apresentasse a resposta solicitada e os elementos que justificassem as origens dos numerários que transitaram na conta corrente bancária. 8. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer justificativa, lavrou os presentes autos de infração com base no art. 42 da Lei 9.430/1996. A receita apurada foi explicitada no Anexo II— Movimentação Financeira Não Justificada x Valores Declarados. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 513 4 9. A segunda infração apurada decorre da infração anterior, pois foi apurada insuficiência dos recolhimentos efetuados pela autuada, a titulo de SIMPLES, tendo em vista a mudança de percentual com relação à receita bruta acumulada. 10. O contribuinte, que tomou ciência dos autos de infração citados em 30/04/2007, apresentou impugnação em 29/05/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 332 a 411). Alega o contribuinte que o repasse de dados de suas contas bancárias pelas instituições financeiras configura quebra do sigilo bancário da empresa. Diz ainda que esta ação viola o direito à privacidade e à inviolabilidade de dados, assim como à repartição de poderes. 11. Portanto, é inconstitucional a Lei Complementar n° 105/2001, que possibilitou o Fisco ter acesso direto aos dados bancários dos contribuintes sem a intervenção prévia do Poder Judiciário. 12. Argumenta que o indeferimento do seu primeiro pedido de prorrogação do prazo para atendimento à intimação fiscal, a desproporcionalidade entre a duração da ação fiscal e o prazo concedido ao contribuinte para prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização e a lavratura de autos de infração antes do término do prazo concedido ao impugnante na última intimação fiscal representam cerceamento do direito de defesa. 13. Entende que os lançamentos são ilegais, visto que foram efetuados somente com base em extratos bancários. 14. Por último, defende que a multa de oficio aplicada é inconstitucional, já que fere o art. 150, inciso VI, da Constituição Federal que proíbe o confisco. Apreciando as razões trazidas pela contribuinte, entendeu a douta 1a Turma da DRJ/RJ1 pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito do fisco de proceder ao lançamento de oficio. CERCEAMENTO. PROCEDIMENTO FISCAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DO CONTENCIOSO. A ação fiscal tendente a apurar e constituir o crédito tributário é um procedimento administrativo que tem caráter inquisitório. O sujeito passivo pode exercer seu direito ao contraditório e a ampla defesa na impugnação ao lançamento, quando se instaura o contencioso administrativo fiscal. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A autoridade fiscal pode requisitar de instituições financeiras, mediante RMF, dados bancários dos contribuintes para exame, quando há procedimento fiscal em curso e o exame desses dados pelo Fisco se revela indispensável. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 514 5 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SIMPLES. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa fisica ou jurídica, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. SIMPLES. Cobrase por intermédio de lançamento de oficio as diferenças apuradas durante a fiscalização e relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. MULTA DE OFÍCIO. O art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 dispõe que nos casos de lançamento de oficio, deve ser aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença de tributo nos casos de falta de pagamento. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada, a contribuinte então interpôs o seu recurso voluntário, redarguindo todos os argumentos apresentados em sua impugnação e pretendendo a reforma da decisão exarada, sob os seguintes tópicos: Preliminarmente: a) Cerceamento do direito de defesa b) Quebra de sigilo bancário (inconstitucionalidade) No Mérito a) A ilegalidade da tributação dos depósitos bancários b) A insuficiência do pagamento do SIMPLES c) A inconstitucionalidade da multa aplicada Vindome o processo por distribuição, e, tendo em vista as disposições do Art. 62A do Regimento Interno deste CARF, esta Turma resolveu (conforme Resolução no 1301000.130, de 13 de junho de 2013) determinar o sobrestamento do feito, até a decisão final a ser proferida pelo Colendo STF nos autos do RE 601.314.[ Todavia, tendo em vista a revogação daquelas disposições regimentais por meio da Portaria MF no 545, retornam então os autos para a nossa apreciação e julgamento. Esse é o relatório. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 515 6 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. PRELIMINARES Do (suposto) cerceamento ao direito de defesa Nas linhas preliminarmente destacadas pela recorrente, verificase a inicial insurgência fundada no (suposto) cerceamento ao seu direito de defesa, este fundado no fato de que os agentes da fiscalização, quando da lavratura do lançamento, não teriam oportunizado à contribuinte o regular contraditório sobre as considerações construídas. Essa matéria, por certo, é tema recorrente junto a este Conselho, sendo hoje completamente já assentado e pacificado que o desenvolvimento da atividade fiscal consubstanciase em efetiva e verdadeira atividade inquisitória, resguardandose, por certo, os princípios do contraditório e da ampla defesa para a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, nos termos especificamente tratados pelas disposições do Decreto 70.235/72. Toda a construção apresentada pela recorrente, relativa ao tempo em que desenvolvida a ação fiscal, e a contraposição deste ao "exíguo" prazo para a apresentação de sua impugnação (30 dias) não se mostram suficientes, por si só, para a caracterização de qualquer ofensa aos princípios alegados. Em face dessas sumárias considerações, rejeito a preliminar de suposto cerceamento do direito de defesa alegado. Da arguição de inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário Além das considerações apontadas, relevante ainda destacar a sustentação, pela recorrente, da invalidade dos procedimentos adotados pelos agentes da fiscalização, tendo em vista o seu acesso aos respectivos registros bancários da contribuinte, o que, como bem se sabe, encontramse perfeitamente fundamentados nas disposições da Lei Complementar n. 105. A discussão pretendida pela recorrente importa na arguição de inconstitucionaldiade daquele específico diploma normativo, sendo certo que este Conselho carece de competência para a sua apreciação, conforme, inclusive, expressamente destacam as disposições da Súmula CARF n. 02. Vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também por isso, rejeito a preliminar de inconstitucionalidade suscitada. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 516 7 DO MÉRITO Da ilegalidade da tributação dos depósitos bancários Ultrapassadas as questões preliminarmente suscitadas, relevante aqui analisar, ao menos para fins de argumentação, os pontos suscitados pela recorrente em seu Recurso Voluntário. Nesses termos, verificase que a primeira insurgência meritória apresentada encontrase relacionada à suposta ilegalidade da imposição de tributação dos depósitos bancários, sustentando a recorrente as suas razões nas disposições da antiga Súmula 182 do TFR. A par de todos os argumentos ali esboçados, relevante observar que, no caso, estáse diante de aplicação da chamada "presunção fiscal", legitimada, expressamente, a partir da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, que, a esse respeito inclusive, assim especificamente aponta: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 517 8 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, havendo expressa autorização legal para a aplicação da presunção, e. no presente caso, inexistindo qualquer argumentação da contribuinte no sentido de sua desconstituição, temse, inicialmente, como perfeitamente válida a sua aplicação. Da inconstitucionaldiade da multa aplicada Ainda apreciando as razões recursais, mesmo sem objetivamente atacar a questão especificamente tratada nos autos, relevante ainda observar que a recorrente sustenta, em suas razões, a inconstitucionalidade da multa de ofício contra ela aplicada. Mais uma vez, decorrente a multa de ofícios aplica das expressas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, não pode este Conselho adentrar na discussão a respeito da conformação constitucional daquelas disposições, o que, como aqui já antes afirmado, é inclusive especificamente apontado pelas disposições da Súmula CARF n. 02. Em face dessas considerações, também completamente inadmissível a razão apontada. Da prática reiterada exclusão de ofício da sistemática do SIMPLES A par dos apontamentos aqui antes apresentados, relevante verificar ainda que, conforme aqui se verifica, tratase nos autos de discussão a respeito da prática de omissão de receitas, pela contribuinte, configurada pelos agentes da fiscalização a partir das informações obtidas pela emissão das respectivas RMF’s, que, após a intimação da contribuinte para a apresentação de respectivas informações e esclarecimentos, acabou por reconhecer a incompatibilidade entre as movimentações financeiras realizadas e as informações especificamente prestadas aos agentes da receita federal, configurandose assim a os montantes omitidos como receita, e, com isso, a imposição da tributação (sob a sistemática do SIMPLES) em relação aos montantes apontados. A contribuinte, conforme se verifica em sua impugnação, e também agora, em seu recurso voluntário, insurgese contra os procedimentos adotados pelos agentes da fiscalização, sendo desde o procedimento de obtenção das referidas informações, até a não admissão de prorrogação do prazo estabelecido para os esclarecimentos solicitados, alegando, assim, cerceamento ao seu direito de defesa e todas as demais considerações aqui antes então referenciadas. A par das mais diversas considerações que aqui seriam pertinentes em relação à argumentação deduzida pela contribuinte, insta destacar, antes mesmo de qualquer consideração, a peculiaridade própria da matéria aqui discutida, sobretudo porque, conforme se verifica, tratandose de autuação fundada em aplicação de presunção de omissão de receitas, com base na prova direta de depósitos bancários recebidos pela contribuinte em sua conta bancária ao longo de meses e anos, é de se destacar então a necessária configuração, na Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 518 9 hipótese, da realização de prática reiterada, que aqui, com certeza, traz relevantes conseqüências de natureza formal que devem necessariamente ser observadas. Para tanto, cumpre destacar as expressas disposições contidas na Lei 9.317/96, que, sendo a norma de regência do Simples Federal, assim especificamente destaca: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. (...) Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (Grifos e destaques nossos) Da leitura dessas disposições, verificase que, sendo verificada, em qualquer época, a prática reiterada de infração à legislação tributária pela empresa optante pelo Simples Federal, deverá então a autoridade administrativa fazendária promover a sua exclusão de ofício, com efeitos a partir (inclusive) do mês de ocorrência do fato, e, a partir daí, determinar a apuração dos tributos devidos pela empresa de acordo com todos os critérios aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos ali então especificamente apresentados. A partir dessas disposições, o que se verifica é que o legislador expressamente determinou o procedimento a ser adotado pelos agentes da fiscalização federal, que, na constatação da referida “prática reiterada de infração à legislação tributária”, assim então, obrigatoriamente, devem proceder, sob pena, inclusive, de nulidade do ato praticado. No caso tratado no presente feito, outra não é a circunstância material especificamente considerada. Ora, tratandose de lançamento fundado na específica verificação de omissão de receitas com base nas informações bancárias obtidas a partir de informações prestadas pelos respectivos agentes bancários, há tempos praticada pela contribuinte, o procedimento a ser observado pelos agentes da fiscalização deveria ser, obrigatoriamente, após a constatação da inexistência de informações a seu respeito (apesar, inclusive, de regularmente intimada), a determinação da imediata exclusão de ofício da contribuinte da sistemática própria do SIMPLES, com a apuração de todos os montantes devidos a partir das normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, e não a de simplesmente submeter os referidos montantes aos critérios de tributação do SIMPLES, da forma como ali então efetivado. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 519 10 A gravidade e a ilicitude dos atos praticados pela contribuinte, por certo, merecem a devida e necessária reprimenda, o que, entretanto, não autoriza fazêlo sem a obrigatória observância das especificas normas de regência. A respeito da impossibilidade de manutenção do lançamento nessas circunstâncias, inúmeras são as manifestações deste egrégio CARF, valendo como destaque, aqui, apenas como exemplo, o aresto colhido do escólio desta 1a TO / 3a Cam / 1a Sejul, de lavra do ilustre conselheiro VALMIR SANDRI, que, a respeito da matéria, assim então já se pronunciou: Número do Processo 10980.007548/200811 Contribuinte MCP TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 08/05/2012 Relator(a) VALMIR SANDRI Nº Acórdão 1301000.912 Tributo / Matéria Simples ação fiscal insuf. na apuração e recolhimento Decisão ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ementa Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio ano calendário da reiterada infração. Em face dessas considerações, na linha de diversos outros julgados em que assim temos nos manifestado, entendo que, no presente caso, inválido se apresentado o lançamento efetivado, sobretudo porque, conforme se verifica, não teriam os doutos agentes da fiscalização observado as específicas disposições da Lei 9.317/96, razão porque entendo pela necessária desconstituição do lançamento, ante o flagrante vício formal apontado. Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, no caso, a invalidade do lançamento nos termos aqui então especificamente considerados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 520 11 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães – redator designado. Embora tenha rendido homenagens ao pronunciamento do Ilustre Relator, o Colegiado decidiu de forma diversa, relativamente ao que por ele restou denominado “invalidade do lançamento”. O Ilustre Conselheiro Relator declina o seguinte entendimento, in verbis: A par das mais diversas considerações que aqui seriam pertinentes em relação à argumentação deduzida pela contribuinte, insta destacar, antes mesmo de qualquer consideração, a peculiaridade própria da matéria aqui discutida, sobretudo porque, conforme se verifica, tratandose de autuação fundada em aplicação de presunção de omissão de receitas, com base na prova direta de depósitos bancários recebidos pela contribuinte em sua conta bancária ao longo de meses e anos, é de se destacar então a necessária configuração, na hipótese, da realização de prática reiterada, que aqui, com certeza, traz relevantes conseqüências de natureza formal que devem necessariamente ser observadas. Para tanto, cumpre destacar as expressas disposições contidas na Lei 9.317/96, que, sendo a norma de regência do Simples Federal, assim especificamente destaca: ... Da leitura dessas disposições, verificase que, sendo verificada, em qualquer época, a prática reiterada de infração à legislação tributária pela empresa optante pelo Simples Federal, deverá então a autoridade administrativa fazendária promover a sua exclusão de ofício, com efeitos a partir (inclusive) do mês de ocorrência do fato, e, a partir daí, determinar a apuração dos tributos devidos pela empresa de acordo com todos os critérios aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos ali então especificamente apresentados. ... Ora, tratandose de lançamento fundado na específica verificação de omissão de receitas com base nas informações bancárias obtidas a partir de informações prestadas pelos respectivos agentes bancários, há tempos praticada pela contribuinte, o procedimento a ser observado pelos agentes da fiscalização deveria ser, obrigatoriamente, após a constatação da inexistência de informações a seu respeito (apesar, inclusive, de regularmente intimada), a determinação da imediata exclusão de ofício da contribuinte da sistemática própria do SIMPLES, com a apuração de todos os montantes devidos a partir das normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, e não a de simplesmente submeter os referidos montantes aos critérios de tributação do SIMPLES, da forma como ali então efetivado. ... Em face dessas considerações, na linha de diversos outros julgados em que assim temos nos manifestado, entendo que, no presente caso, inválido se Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 17883.000071/200700 Acórdão n.º 1301001.563 S1C3T1 Fl. 521 12 apresentado o lançamento efetivado, sobretudo porque, conforme se verifica, não teriam os doutos agentes da fiscalização observado as específicas disposições da Lei 9.317/96, razão porque entendo pela necessária desconstituição do lançamento, ante o flagrante vício formal apontado. (GRIFEI) Notase, pois, que, para o Relator, estaria configurada no presente caso a prática reiterada a que alude o inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, de modo que caberia à autoridade fiscal promover, de ofício, a exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES e, a partir daí, submetêla à tributação segundo as regras previstas para as pessoas jurídicas em geral. A tese acolhida pelo Ilustre Relator diz respeito ao fato de que, considerados os elementos reunidos ao processo, estaria caracterizada a PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES, o que implicaria em tributação nos moldes aplicados às demais pessoas jurídicas, e não na sistemática do SIMPLES. A argumentação foi rejeitada, primeiramente porque a questão sequer foi suscitada em sede de recurso, não cabendo, no caso, a arguição de que tal matéria seria de ordem pública, obrigando, assim, o Colegiado a conhecêla de ofício. Com efeito, o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância versada nos autos. No mais, restou consignado que o agente fiscal não detém competência para, a partir da caracterização de uma suposta prática reiterada de infrações, decretar a exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. Nos termos do parágrafo 3º do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a exclusão de ofício, para que possa surtir os efeitos jurídicos que lhe são próprios, deve ser promovida por meio da expedição de ato declaratório da autoridade fiscal da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurandolhe o exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos das normas processuais em vigor. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado, pelo voto de qualidade, afastar a invalidade do lançamento suscitada de ofício pelo Ilustre Conselheiro Relator e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721414/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva..
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.721414/2012-80
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436428
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-000.219
nome_arquivo_s : Decisao_11065721414201280.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11065721414201280_5436428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva..
dt_sessao_tdt : Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5842742
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702498967552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721414/201280 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.219 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2014 Assunto OBRIGÃÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CALÇADOS DI CRISTALLI LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 41 4/ 20 12 -8 0 Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO. DO RELATÓRIO FISCAL Em apertada síntese, às fls 40, o Relatório Fiscal registra que a autuada juntamente com empresa CALÇADOS MOLLINO LTDA e mais as empresas DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas : “ A fiscalização teve início em 08/09/2011 com a ciência pessoal do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF. Todos os termos lavrados no curso do procedimento, inclusive contra as demais empresas do grupo, seguem em anexo a este relatório. No curso da ação fiscal, constatamos que a fiscalizada, juntamente com a empresa CALÇADOS MOLLINO LTDA, CNPJ 09.475.352/000178, sediada em São Francisco de Paula, RS, constituiu grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de sonegar contribuições sociais e contribuições de intervenção no domínio econômico, por meio de três “prestadoras de serviço”. As empresas DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas.” ( grifos do Relator) DAS IMPUGNAÇÕES Também em apertada síntese, produzidas pelo mesmo patrono, abaixo seguem alegações de mesmo teor das então impugnantes : Dessarte, como TODAS as fábricas deste porte, a AUTUADA, na condição de empresa ANCORA, possui uma série de PARCERIAS firmadas com diversos ATELIÊS, exatamente como outras empresas do setor onde algumas chegam a ter mais de 100 ateliês gravitando em sua volta. Dentre estes ATELIÊS, que nada mais são do que pequenas empresas que se prestam a trabalhar em uma das etapas da produção do calçado, nos anos de 2009 e 2010 entre outras, estavam as empresas DIVERSAS COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., MIXAGE CALÇADOS LTDA. e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA. Nesse norte, andou muito mal a Autoridade Fiscal no instante em que não incluiu as empresas DIVERSU’S, MIXAGE e CLEITON no polo passivo deste Auto de Infração, pois como se verá adiante são empresas autônomas e independentes da AUTUADA. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 4 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1.487, a 7 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre RS DRJ/POA, em 18 de dezembro de 2012, exarou o Acórdão n° 1041.922, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignadas, as Recorrentes interpuseram idênticos Recursos Voluntários de fls.1.527 a 1.571, onde reiteram as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 5 4 VOTO. DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 1.572, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Às fls. 63 do Relatório Fiscal a autoridade autuante registra que as bases de cálculo utilizadas estão no Relatório de Lançamentos – RL, e foram aferidas a partir das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, declaradas pelas empresas Diversu’s, Mixagem e Cleiton Lazaretti, no período de janeiro de 2009 ao décimo terceiro de 2010. e que a empresa Calçados Mollino Ltda. com base no inciso I, do art. 124, do CTN, foi considerada como responsável solidária pelo crédito tributário constituído. DA SOLIDARIEDADE Às fls 40, o Relatório Fiscal registra que a autuada juntamente com empresa CALÇADOS MOLLINO LTDA e mais as empresas DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas. Corroborando o acima, conforme parte extraída do acórdão, às fls. 1.492, na condução do voto aquo, a I. julgadora , no mérito, se manifestou : “ o litígio trata de impugnação apresentada pela autuada contra lançamento de crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias pela fiscalização, devido ter sido identificada a formação de grupo econômico entre as empresas Calçados Di Cristalli Ltda. e Calçados Mollino Ltda, de cunho familiar (marido, esposa, filho, etc.), as quais teriam explorado a mão deobra registrada em três empresas interpostas: Diversu's Componentes para Calçados Ltda., Calçados Mixage Ltda. e Cleiton Lazaretti e Cia. Ltda., optantes pelo Simples Nacional. Uma vez estando os empregados registrados nessas três "prestadoras de serviço", a fiscalizada e a Mollino usufruíram, irregularmente, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às micro e empresas de pequeno porte, SIMPLES NACIONAL. Tal grupo econômico, segundo a Fiscalização lançou mão de planejamento tributário fraudulento, por meio do qual sonegou contribuições previdenciárias e contribuições para outras entidades e fundos.” ( grifos do Relator) O art. 124, I , suprareferido preceitua que para se configurar a solidariedade há que se constatar interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, verbis: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 6 5 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;.” Assim é pertinente concluir que todas as empresas restaram insertas no comando do art. 124, I, do CTN posto que na forma do Relatório Fiscal, todas concorriam e tinham interesse comum na situação que constituíra os fatos geradores das obrigação principal. Não obstante o acima , o art. 30, I, “c” , “IX” da Lei n 8.212/91 define que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei. DA AFERIÇÃO O Relatório fiscal às fls.40, registra que a fiscalização teve início em 08/09/2011 com a ciência pessoal do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF., e que todos os termos lavrados no curso do procedimento, inclusive contra as demais empresas do grupo, seguiram em anexo consta ainda que a autuação se procedeu por AFERIÇÃO a partir das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, declaradas pelas empresas Diversu’s, Mixagem e Cleiton Lazaretti, no período de janeiro de 2009 ao décimo terceiro de 2010 A apuração indireta do tributo prevista no art. 33, § 6º da Lei nº 8.212/1991 representa forma de constituição do crédito tributário, revestida de excepcionalidade a ser aplicada quando verificada a absoluta ausência ou imprestabilidade da documentação contábil e fiscal da empresa, que constitua irregularidade insanável. Entendase a irregularidade insanável, como aquela que inviabiliza no todo a apuração do tributo Vigente á época do lançamento há que se observar o comando do art. 447 da IN 971/2009 , in verbis: art. 447. a aferição indireta será utilizada, se: i no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; ii a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; iii faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; iv as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na justiça do trabalho, delegacia regional do trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos." ( grifos do relator) DOS ELEMENTOS PROBANTES QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO Ressaltando que sob o preceituado no §1° do art. 38 , do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 , os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 7 6 ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência, é compulsório colacionar todos os documentos probantes. Tendo presente tais sobreditos registros, e ainda que os procedimentos foram concomitantes cujos resultados motivaram o lançamento em tela, não alcancei colacionados os respectivos termos de encerramento das ações fiscais, relatórios fiscais, os lançamentos das eventuais autuações nas demais empresas do grupo, a formal desconsideração da contabilidade bem como a exclusão de ofício das empresas do SIMPLES na forma do previsto no inciso IV do art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e arts. 28 e 29, IV da Lei Complementar nº 123, De 14 De Dezembro De 2006, verbis: “Lei n 9.317, de 5 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 daLei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966(Sistema Tributário Nacional); III resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domícilio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; VI comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva” “ LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006 Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 8 7 II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; III for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; ” DOS CADASTROS NACIONAIS DAS PESSOAS JURÍDICAS Consulta aos CNPJ’s revelam que as empresas não têm registros no SIMPLES. O anexo de fls. 603 gerado pela consulta feita pelo Auditor autuante no curso da ação fiscal, em 22/03/2012, registra que o estabelecimento matriz CALCADOS MOLLINO LTDA, CNPJ 09.475.352/000178 foi aberto em 08/04/2008 e não se trata de empresa do SIMPLES. Consulta recente ao sítio da Receita Federal no dia 27/12/2013 revela que a empresa fora BAIXADA por INCORPORAÇÃO em 18/01/2013 vide cópia abaixo: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 09.475.352/0001 78MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 08/04/2008 NOME EMPRESARIAL CALCADOS MOLLINO LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 18/01/2013 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL INCORPORACAO SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Emitido no dia 27/12/2013 às 09:52:54 (data e hora de Brasília). Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 9 8 Quanto a empresa solidária MIXAGE CALCADOS LTDA, o mesmo sobredito anexo de fls. 603 faz constar que fora aberta em 11/10/2004 também não optante pelo sistema SIMPLES. CNPJ,CONSULTA,CNPJ ( CONSULTA PELO CNPJ )__________________________________ T34227WI DATA: 22/03/2012 PAG.: 1 / 1 USUARIO: EDUARDO NÚMERO DE INSCRIÇÃO 03.979.181/0001 38MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 28/07/2000 NOME EMPRESARIAL CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA ME TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) D'MAILANA CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 15.31901 Fabricação de calçados de couro CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 15.40800 Fabricação de partes para calçados, de qualquer material CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO R PAROBE NÚMERO 308 COMPLEMENTO CEP 95.670000 BAIRRO/DISTRITO AVENIDA CENTRAL MUNICÍPIO GRAMADO UF RS SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Muito embora a Autoridade autuante tenha registrado que a fiscalização teve início em 08/09/2011 com a ciência pessoal do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF. Todos os termos lavrados no curso do procedimento, inclusive contra as demais empresas do grupo, consulta recente ao sítio da Receita Federal no dia 27/12/2013 revela que a empresa DIVERSU'S COMPONENTES PARA CALCADOS LTDA EPP, antes do início da ação fiscal, fora BAIXADA POR INCORPORAÇÃO em 18/10/2010 vide cópia abaixo: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 07.188.995/0001 05MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 20/01/2005 Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 10 9 NOME EMPRESARIAL DIVERSU'S COMPONENTES PARA CALCADOS LTDA EPP TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 18/10/2010 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL INCORPORACAO SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** . Emitido no dia 27/12/2013 às 09:58:21 (data e hora de Brasília). REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 07.025.664/0001 54MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 11/10/2004 NOME EMPRESARIAL MIXAGE CALCADOS LTDA EPP TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 15.40800 Fabricação de partes para calçados, de qualquer material CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO R PAROBE NÚMERO 306 COMPLEMENTO AV CENTRAL CEP 95.670000 BAIRRO/DISTRITO CENTRO MUNICÍPIO GRAMADO UF RS SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 11/10/2004 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 11 10 SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Emitido no dia 27/12/2013 às 01:08:20 (data e hora de Brasília). Página: 1/1 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 09.475.352/0001 78MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 08/04/2008 NOME EMPRESARIAL CALCADOS MOLLINO LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 18/01/2013 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL INCORPORACAO SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DA DILIGÊNCIA No exercício da prerrogativa estatuída no art. 29 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora tem a prerrogativa legal para determinar diligências que entender necessárias para formar sua convicção: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias” CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto determino CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para informar os respectivos termos de encerramento das ações fiscais, relatórios ou informações fiscais, os lançamentos das eventuais autuações nas demais empresas do grupo, a formal desconsideração da contabilidade bem em razão do fraudulento Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721414/201280 Resolução nº 2403000.219 S2C4T3 Fl. 12 11 planejamento, a exclusão de ofício das empresas do SIMPLES na forma do previsto no inciso IV do art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro. Informar, também, se foram deduzidos eventuais pagamentos recolhidos pelas empresas arroladas produzindo planilhas dos valore abatidos por empresa e por competência.. Às fls. 1.492, a respeito da solidariedade das demais empresas, a instância a quo não define se as empresas foram notificadas e enfrentando a questão decidiu que “ estas empresas não fazem parte da relação jurídica debatida nos autos : “A autuada afirma que a fiscalização “feriu de morte o princípio constitucional da ampla defesa”, pois as empresas Diversu’s Componentes para Calçados Ltda., Calçados Mixage Ltda. e Cleiton Lazaretti e Cia. Ltda. não constaram do pólo passivo da autuação” (...) Desta forma a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter sido aberto o contencioso administrativo para as pessoas jurídicas contratadas pela autuada não pode ser acolhida, eis que estas empresas não fazem parte da relação jurídica debatida nos autos, que tem como únicos sujeitos a Fazenda Pública Federal e o Sujeito Passivo autuado ..” Assim, informar, ainda, se as demais empresas que tinham interesse comum na situação que constituíram os fatos geradores da obrigação principal foram notificadas e responsabilizas por solidariedade. Antes de retornar o processo a este Conselho, deve o contribuinte ser notificado desta RESOLUÇÃO bem como das informações eventualmente produzidas em resposta É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002911/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando que o objeto da autuação é a ausência de declaração do fato gerador em GFIP, é devida a aplicação da multa nos termos da atual redação do artigo 32-A da Lei 8.212/91, por se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea c, do CTN). Tal penalidade aplica-se apenas parte remanescente da obrigação principal (janeiro/2007 a março/2007).
PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECONHECIMENTO. IMUNIDADE/ISENÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DESTINADA A TERCEIROS. NÃO SUBSISTE MULTA PUNITIVA DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Reconhecida o benefício da imunidade/isenção à Recorrente no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007, não subsiste a cobrança de obrigação acessória em relação a tal período.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS- REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA.
Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.162.752-4 a obrigação acessória referente aos fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007, em decorrência do resultado do julgamento dos DEBCAD de n.s 37.304.055-5 (Processo Administrativo n. 195150029092010-19) e 37.180.085-4 (Processo Administrativo n. 195150029102010-35). II) Por maioria de votos, dar provimento parcial, em relação ao período compreendido entre janeiro/2007 e março/2007, para recalcular a multa aplicada com base na norma contida na atual redação do art. 32-A da Lei n. 8.212/91, em face da retroatividade benigna, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira votaram para que a multa ficasse limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando que o objeto da autuação é a ausência de declaração do fato gerador em GFIP, é devida a aplicação da multa nos termos da atual redação do artigo 32-A da Lei 8.212/91, por se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea c, do CTN). Tal penalidade aplica-se apenas parte remanescente da obrigação principal (janeiro/2007 a março/2007). PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECONHECIMENTO. IMUNIDADE/ISENÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DESTINADA A TERCEIROS. NÃO SUBSISTE MULTA PUNITIVA DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Reconhecida o benefício da imunidade/isenção à Recorrente no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007, não subsiste a cobrança de obrigação acessória em relação a tal período. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS- REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.002911/2010-80
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449263
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.827
nome_arquivo_s : Decisao_19515002911201080.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CAROLINA WANDERLEY LANDIM
nome_arquivo_pdf_s : 19515002911201080_5449263.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.162.752-4 a obrigação acessória referente aos fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007, em decorrência do resultado do julgamento dos DEBCAD de n.s 37.304.055-5 (Processo Administrativo n. 195150029092010-19) e 37.180.085-4 (Processo Administrativo n. 195150029102010-35). II) Por maioria de votos, dar provimento parcial, em relação ao período compreendido entre janeiro/2007 e março/2007, para recalcular a multa aplicada com base na norma contida na atual redação do art. 32-A da Lei n. 8.212/91, em face da retroatividade benigna, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira votaram para que a multa ficasse limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em exercício Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5883984
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702502113280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002911/201080 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.827 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente ESCOLA BRASILEIRA ISRAELITA CHAIM NACHMAN BIALIK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando que o objeto da autuação é a ausência de declaração do fato gerador em GFIP, é devida a aplicação da multa nos termos da atual redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, por se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea c, do CTN). Tal penalidade aplicase apenas parte remanescente da obrigação principal (janeiro/2007 a março/2007). PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECONHECIMENTO. IMUNIDADE/ISENÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DESTINADA A TERCEIROS. NÃO SUBSISTE MULTA PUNITIVA DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Reconhecida o benefício da imunidade/isenção à Recorrente no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007, não subsiste a cobrança de obrigação acessória em relação a tal período. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 11 /2 01 0- 80 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.162.7524 a obrigação acessória referente aos fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007, em decorrência do resultado do julgamento dos DEBCAD de n.s 37.304.0555 (Processo Administrativo n. 19515002909201019) e 37.180.0854 (Processo Administrativo n. 19515002910201035). II) Por maioria de votos, dar provimento parcial, em relação ao período compreendido entre janeiro/2007 e março/2007, para recalcular a multa aplicada com base na norma contida na atual redação do art. 32A da Lei n. 8.212/91, em face da retroatividade benigna, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira votaram para que a multa ficasse limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401003.827 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O processo administrativo em análise decorre de fiscalização na qual foi lavrado contra a Recorrente o DEBCAD nº 37.162.7524, através do qual é questionado o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, regulamentada pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, apesar de não ter direito à isenção prevista no art.195, § 7º, da Constituição Federal, a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (GFIP) e Informações à Previdência Social, nas competências 01/2007 a 13/2007, com o código FPAS 639, próprio para as entidades isentas, ocasionando a omissão das contribuições devidas à Previdência Social (quota patronal), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. O contribuinte tomou ciência da autuação em 30/11/2010 (fl. 20). Conforme consta do Relatório Fiscal, diante da omissão da declaração dos fatos geradores em GFIP, os Auditores, em observância ao exposto no art. 106 do CTN, entenderam que a multa mais benéfica seria aquela correspondente a 100% do valor devido à contribuição não declarada, limitado, por competência, em função do número de segurados da empresa, nos valores previstos no § 4º do art. 32 da Lei 8.212/91. O processo ora analisado, que tem por objeto a obrigação acessória, é vinculado aos Processos Administrativo n. 19515.002909/201019 (contribuições destinadas à empresa e GILRAT) e n. 19515.002910/201035 (contribuições destinadas a outras entidades). Os Auditores Fiscais, embora reconheçam que o CEAS passou a ter validade para Recorrente a partir de 19/04/2007, entenderam que o referido certificado não é apto a atestar a concessão da imunidade, sendo necessária a apresentação do Ato Declaratório que a conferiu à imunidade/isenção ao contribuinte. Desse modo, como a Recorrente não teria direito à imunidade/isenção, ela teria omitido informações sobre os valores devidos referentes à parte patronal, SAT e Terceiros, ou seja, apenas os valores devidos pelos segurados empregados e contribuintes individuais foram informados pela empresa e devidamente recolhidos. E justamente, diante de tais omissões, foi lavrado o Auto de Infração ora analisado. A ora Recorrente apresentou tempestivamente a impugnação ao Auto de Infração em 29/12/2010, alegando, em síntese, que: · Se caracteriza como entidade imune às contribuições sociais, atendendo aos requisitos do art. 195, parágrafo 7° da Constituição Federal, além de ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), bem como de cumprir todos os requisitos do art. 14 do CTN e do art. 55 da Lei 8.212/91 durante o período contestado pelo Auto de Infração, de modo que não subsistiriam motivos legais para manutenção da autuação. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 · É entidade sem fins lucrativos, voltada para objetivos sociais desde sua fundação, que concede bolsas de estudos, totais e parciais para alunos de famílias que se encontram em situações de destrutibilidade social, não impondo nenhum tipo de distinção aos indivíduos, em observância aos princípios expostos na Lei Orgânica da Assistência Social. · Os requisitos referentes ao gozo da imunidade devem ser previstos por Lei Complementar, conforme dispõe o art. 146, inciso II da CF, bastando, então, o atendimento aos requisitos previstos no art. 14 do CTN para que seja vedado ao Fisco exigir o recolhimento de contribuição previdenciária. · O art. 55 da Lei 8212/91 e o art. 2° do Decreto 2.536/98 são eivados de inconstitucionalidade formal e material, na medida em que impõe restrições que violam o conceito de entidades beneficentes do art. 195, §7°, da Constituição Federal, conforme entendimento do próprio STF, na decisão liminar proferida nos autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade de n.°s 20285 e 20366. · Está registrada perante o CNAS, conforme Processo nº 56.238/66, e vem obtendo a concessão dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS desde então. · Embora o seu pedido do CEBAS, referente ao triênio de 2001/2003, tenha sido indeferido através da Resolução nº 50/2004, tal questão se encontra sub judice em virtude da Ação Declaratória n.º 2004.34.00.0195091, em trâmite na 16ª Vara Federal da Secção Judiciária do Distrito Federal. · Ingressou com pedido de revisão da decisão do CNAS, paralelamente, o qual se encontra em tramite no Ministério da Previdência Social, aguardando parecer jurídico e sem decisão acerca da aplicação da MP n° 446/2008. · Foi concedido novamente o deferimento do seu CEBAS, visto que se constatou o cumprimento de todos os requisitos do Decreto nº 2.536/98 para o período de Janeiro/2004 a Dezembro/2006. · Obteve o deferimento do pedido de renovação de seu CEBAS para o período referente aos anos de 2007 a 2009, de acordo com processo n° 71010.000693/200744, nos termos da Resolução CNAS n° 07/2009. Em seguida, requereu a renovação do seu CEBAS, através do processo n ° 71010.005200/200924, porém, ainda não há decisão, o processo encontrase em tramite no Ministério da Educação. · Deveria ser aplicado, no mínimo, o procedimento previsto no art. 71 da Portaria MPS nº 323/2007, segundo o qual o curso da presente autuação deveria ser suspenso até o julgamento da referida Ação Declaratória, nos termos do art. 265 do CPC. · Ainda que os julgadores entendam que o crédito é devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 32A, I, o seja: de R$ 20,00 (vinte Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401003.827 S2C4T1 Fl. 4 5 reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, no valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). · A autoridade fiscal, de forma arbitrária e ilegal, imputou responsabilidade solidária aos diretores e exdiretores da empresa para o pagamento do débito apurado, o que não se pode aceitar, tendo em vista que não existem razões legais para tanto. · Por fim, requereu a (i) nulidade do lançamento; (ii) improcedência do lançamento; (iii) o valor da multa fosse adequado a nova legislação; (iv) exdiretores fossem excluídos do polo passivo da presente demanda; (v) fossem deferidas as diligências que se fizerem necessárias com objetivo de comprovar o quanto alegado, bem como a juntada de documentos posteriores que se fizerem necessários. Instada a se manifestar sobre o processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) ressaltou que as provas constantes nos autos, juntadas pela fiscalização e pela empresa (na defesa apresentada), são suficientes para verificação da legalidade do lançamento, não havendo necessidade para solicitação de diligência, nem tampouco juntada posterior de documentos por parte da Recorrente. Em seguida, analisando as alegações e documentos constantes nos autos, a DRJ julgou improcedente a impugnação nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ISENÇÃO. Somente tinham direito à isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, as entidades beneficentes de assistência social que cumpriam, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria. Os requisitos para o gozo da “isenção” prevista no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Inaplicabilidade do art. 14 do CTN. A isenção devia ser requerida perante o órgão competente, que após verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa deixar de informar mensalmente por meio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores e as respectivas contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS, descrita no artigo 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/91. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. A multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96 somente é aplicável nos casos de pagamentos feitos pelos contribuintes, de forma voluntária, embora em atraso, das contribuições devidas à previdência social e outras entidades ou fundos. Nos lançamentos de ofício de contribuições não declaradas em GFIP, a multa aplicável, a partir de 04/12/2008, data de publicação da Medida Provisória (MP) nº 449, é aquela prevista no Art. 44, I, da Lei 9.430/96 (multa de ofício de 75%). RELATÓRIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3o do art. 4o da Lei no 6.830/80. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada em 12/07/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 10/08/2012, rebatendo a decisão proferida pela DRJ e reiterando os argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401003.827 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consta no relatório fiscal, o referido auto de infração foi lavrado em virtude de a Recorrente não ter declarado em GFIP os fatos geradores constantes nos DEBCADs 37.304.0555 (Processo Administrativo n. 19515.002909/201019) e 37.180.0854 (Processo Administrativo n. 19515.002910/201035), por considerar se tratar de Entidade Beneficente de Assistência Social em gozo da isenção das Contribuições Previdenciárias, embora não tivesse apresentado Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária deferido em seu favor. Como já mencionado, em decorrência da infração cometida, os Auditores Fiscais aplicaram multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na tabela do art. 32, parágrafo 4º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, em função do número de segurados da empresa. Em respeito ao princípio da retroatividade benigna tributária, previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, foi feito um comparativo entre as penalidades impostas de acordo com a legislação antiga e a atual, concluindo ser mais benéfica a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. A Recorrente, em seu recurso, pretende ver reconhecida a sua condição de imune, para, assim, ver desconstituída a cobrança contra si perpetrada diante da ausência de descumprimento da obrigação acessória que lhe foi imputada. Sendo assim, preliminarmente à análise do referido auto de infração que objetiva a cobrança de multa por descumprimento de obrigações acessórias, fazse necessário levar em consideração as conclusões tomadas no bojo dos processos administrativos que discutiam a cobrança das obrigações principais. Nos processos administrativos nºs 19515.002909/201019 e 19515.002910/201035, referentes à contribuição da empresa e terceiros, respectivamente, foi reconhecido que a Recorrente era titular do benefício no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007, de modo que, naquele período, a Recorrente estava dispensada do recolhimento das contribuições exigidas. Desse modo, em relação ao período de abril/2007 a dezembro/2007, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória por ausência de declaração dos fatos Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 geradores em GFIP, considerando que restou reconhecido o direito da Recorrente de fazer faz jus à imunidade/isenção no referido período. Entretanto, considerando a manutenção da autuação em relação ao período inicial da autuação (janeiro/2007 a março/2007), passemos à análise da obrigação acessória, objeto do presente processo. Entendo que, considerando a observância da multa punitiva mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea c, do CTN), deveria ter sido aplicada a norma contida no art. 32A da Lei 8.212/91 de forma retroativa, como requerido pela Recorrente. Ora, a análise da multa mais benéfica ao contribuinte demanda a comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória da nova sistemática com multa de mora por descumprimento de obrigação acessória da sistemática anterior. Desse modo, tendo em vista a aplicação da multa mais benéfica à Recorrente, entendo que deve ser aplicada retroativamente a atual redação do art. 32A da Lei n. 8.212/91, ou seja, R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorreras ou omissas, no período em que não foi reconhecido o benefício da imunidade/isenção à Recorrente (janeiro/2007 a março/2007). Por fim, a Recorrente requereu a exclusão dos sócios do polo passivo da obrigação tributária, sob o argumento que o simples inadimplemento de contribuições previdenciárias não enseja a responsabilidade solidária dos diretores. Entretanto, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu que é cabível a existência do Relatório de Representantes Legais nos Autos de Infração, razão pela qual tal alegação não merece prosperar. Isto porque, a existência do Relatório de Representantes Legais não estabelece a vinculação dos representantes na condição de devedores. A responsabilização é da pessoa jurídica em que foi lavrado o Auto de Infração e não dos seus sócios e gerentes, que, por serem representantes legais do sujeito passivo, constam no relatório apenas para o cumprimento das formalidades exigidas pela Administração. Inclusive, esse entendimento já foi pacificado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição da súmula nº 88. Vejamos: Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo assim, considerando que a existência do relatório tem caráter meramente informativo, entendo pela sua manutenção. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.162.7524 as obrigações acessórias referentes aos fatos geradores compreendidos entre Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401003.827 S2C4T1 Fl. 6 9 os meses de abril a dezembro de 2007, em decorrência do resultado do julgamento dos DEBCAD de nºs 37.304.0555 (Processo Administrativo n. 19515.002909/201019) e 37.180.0854 (Processo Administrativo n. 19515.002910/201035), e, em relação ao período compreendido entre janeiro/2007 e março/2007, recalcular a multa aplicada com base na norma contida na atual redação do art. 32A da Lei n. 8.212/91, em face da retroatividade benigna. Carolina Wanderley Landim. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720411/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.720411/2008-61
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5452457
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_10830720411200861.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10830720411200861_5452457.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5887498
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702523084800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.044 1 1.043 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720411/200861 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.233 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2014 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A (INCORPORADORA DA FRATELLI VITA BEBIDAS S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 41 1/ 20 08 -6 1 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.045 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, transmitidas por FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, incorporada por AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A. Por bem sintetizar os fatos retratados nos presentes autos, sirvome de fragmentos do relatório constante da decisão exarada em primeira instância. [...] As referidas DCOMP utilizam crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ exercício de 2006, período de 01/01/2005 a 30/11/2005, no valor de R$ 74.148.067,08, apurado pela incorporada Indústria de Bebidas Antárctica do Sudeste S/A (CNPJ nº 55.962.385/000160). O evento de incorporação ocorreu em 30/11/2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, em Despacho Decisório cientificado à contribuinte em 30/08/2011, HOMOLOGOU PARCIALMENTE AS COMPENSAÇÕES por ter reconhecido PARTE do SALDO NEGATIVO, sob a seguinte fundamentação: Trata o presente processo das Declarações de Compensação, discriminadas na tabela abaixo, declaradas pela FRATELLI VITA BEBIDAS S.A, as quais utilizam em suas compensações crédito de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 74.148.067,08, período de apuração de 01/01/2005 a 30/11/2005. O crédito se refere à empresa INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A., CNPJ: 55.962.385/000160, incorporada pela FRATELLI VITA BEBIDAS S.A em 30/11/2005 (fls. 63355, 580609, 623625, ). A empresa FRATELLI VITA BEBIDAS S.A foi incorporada pela AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A.em 01/02/2011, estando a incorporadora localizada no município de Jaguariúna (fls. 625628). Parte das Declarações de Compensação, constantes da tabela, são objeto dos processos 10320.003071/200607 e 10830.720412/200814, os quais foram juntados ao presente processo, conforme fls. 403, 629630. Vale dizer que o interessado apresentou primeiramente a per/dcomp nº 28308.20285.220806.1.3.027090 com detalhamento do crédito, e, após algumas retificadoras (nº 31056.91948.290906.1.7.025305, nº 32904.92571.230709.1.7.023449), por fim, transmitiu a retificadora nº 39353.73809.040110.1.7.020523. As retificações foram as seguintes: a. Alteração do exercício do crédito de 2006 para 2005. Apesar de ter indicado corretamente na per/dcomp retificada a data inicial e final do período: 01/01/2005 a 30/11/2005. Isto devido à situação especial de incorporação; b. Alteração do Valor do Saldo Negativo de R$ 74.138.620,07 para R$ 74.148.067,08. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.046 3 (...) A Declaração de Compensação encontrase amparada pela Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, e Lei n.º 10.637, de 30/12/2002, respectivamente, assim como pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 30/12/2008, que disciplina, entre outras, a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Primeiramente é importante mencionar que, antes de ser incorporada, a empresa FRATELLI VITA BEBIDAS S.A também apresentou dcomps que utilizavam crédito de saldo negativo de CSLL, nos mesmos moldes das dcomps analisadas neste processo, ou seja, referente a crédito da incorporada INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A para o mesmo período de 01/01/2005 a 30/11/2005 no valor de R$ 20.970.908,02. Estas dcomps foram analisadas no processo 10830.904285/200804, sendo emitido Despacho Decisório, nº de rastreamento 783785201, o qual não reconheceu o direito creditório, e, conseqüentemente, não homologou as dcomps vinculadas a este suposto crédito de CSLL (fl. 631). Com isso, a FRATELLI VITA BEBIDAS S.A, que era a interessada à época dos fatos, apresentou manifestação de inconformidade (fl. 475/476). Em análise a manifestação de inconformidade, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas proferiu a Resolução nº 2.738 convertendo o julgamento em diligência a fim de que a DERAT/RJ, em suma, confirmasse: a composição do saldo negativo; se este integrava o patrimônio vertido no momento da referida incorporação; bem como avaliasse se haveria algum reparo a ser feito em sua apuração original pela incorporada (fls. 477483). Em atendimento a esta resolução, foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal, MPF D n° 07.1.9.00201002030 (fls. 484 a 510), que constatou inúmeras infrações tributárias, dentre elas, duas que devem ser destacadas pois são fundamentais para análise do suposto crédito tratado neste processo: A) EVENTO SOCIETÁRIO INCORPORAÇÃO "ÀS AVESSAS": Conforme descrito pela autoridade tributária, a incorporação como instituto de direito privado, deve ter finalidade distinta como, a exemplo, a otimização das estruturas empresariais com vistas a diminuição de custos e a maior competitividade do novo complexo de bens e direitos no desenvolvimento de suas atividades mercantis. Formalmente, foi esta a finalidade declarada da referida incorporação, conforme consta no protocolo de justificação. No entanto, concluiu a autoridade tributária que, de fato, o intuito primordial da incorporação realizada era uma manobra empresarial para se eximir ou reduzir o pagamento de tributos. Apesar de fazer parte dos autos, transcrevo abaixo trechos do Relatório de Diligência Fiscal sobre a infração em tela: “Primeiramente, conforme já relatado, observamos a relevante diferença entre o patrimônio líquido das envolvidas na operação, onde a incorporada se mostra muito maior que a incorporadora, nos seguintes termos: PL de Fratelli Vita a Valor de Mercado na Data Base R$ 27.519.330,86 Incorporadora. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.047 4 PL de IBA Sudeste a Valor de Mercado na Data Base R$ 378.659.008,56 Incorporada. Releva registrar que, em maio de 2005, mesmo ano da incorporação em tela, a Companhia Brasileira de Bebidas foi incorporada à Companhia de Bebidas das Américas(AmBev), aumentando com isso a confusão nas participações acionárias das envolvidas na operação ora em comento. Somente à guisa de ilustração, instanos trazer a lume trecho do relatório da encaminhado às autoridades americanas de regulação de mercado, a CVM dos Estados Unidos, que, em análise prismada em todo o grupo AmBev, asseverou que "Em 31 de março de 2001, a Brahma foi incorporada à Antarctica, e a Antarctica alterou sua razão social para Companhia Brasileira de Bebidas. Essa transação não teve efeito sobre as demonstrações financeiras consolidadas da AmBev, pois todas essas pessoas jurídicas eram integralmente controladas pela AmBev. A transação, entretanto, permitiu à AmBev otimizar a utilização futura de compensação de prejuízos fiscais.” Tal constatação, ainda que em mero juízo de delibação, indicanos o ânimo do grupo empresarial, que, alhures de qualquer mudança fática da estrutura de suas coligadas e controladas, visa em seu escopo, de modo incisivo, a economia tributária, mesmo que em substância os negócios jurídicos não venham a produzir os efeitos pretendidos pela norma, em sua aplicação mais próxima do tipo ideal para seus fins sociais. (…) Com base no acervo ora coligido, não se vislumbra que o evento de incorporação que deu espeque ao suposto saldo negativo alegado para extinguir débitos confessados, mediante encontro de contas amparado por Perdcomp, tenha objetivado de fato a incorporação de uma empresa maior e mais relevante, tanto no aspecto comercial e industrial, quanto no aspecto financeiro, por uma outra de porte econômico menor, e pertencente ao mesmo complexo grupo empresarial.(Grifos nossos). (…) No caso vertente, diante do acervo probatório devidamente comprovado nos autos desta diligência, chegase a cognição de que o objetivo central das operações era a execução de um plano estratégico aliado à neutralização das cláusulas indesejáveis, a incorporação máxime à economia tributária. (Grifos nossos) Vale dizer, a forma é importante, não se deve ignorála pura e simplesmente, mas não é admissível fazer com a forma mágicas e tentar transformála em um único referencial da aplicação do Direito. A forma, portanto, precisa ter um sentido prático e um estreito liame com o conteúdo finalístico a ser pretendido. B) IV. UTILIZAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL DA INCORPORADA ACIMA DO PREVISTO NO DECRETOLEI N 2.341/97, REGULAMENTADO PELO ART.514, RIR/99 Transcrevo parte da descrição da autoridade tributária referente a presente infração: Da análise das demonstrações da incorporada, defluise que os prejuízos fiscais da incorporada IBA S.A., com base somente nas informações dos sistemas informatizados RFB, assim como na DIPJ do ano calendário 2005, haja vista a omissão da interessada em trazer aos autos o livro de apuração do lucro real (Lalur), foram levados ao resultado do IRPJ a pagar, assim como a base negativa de CSLL no Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.048 5 que tange àquela contribuição, in totum, ao revés do que prevê o art.33, do Decreto Lei n 2.341/97, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Vale dizer, embora a lei civil e comercial prescreva que a incorporadora sucede a incorporada em todos os direitos e obrigações (art. 1116 do CC/02 e artigo 227 da Lei n° 6.404/1976), a restrição prevista pelo diploma acima estabelece exceção à regra do direito civil, excluindo da sucessão o direito de compensação de prejuízos fiscais. Por se tratar se norma especifica, a previsão contida na lei tributária sobrepõese, na espécie, às regras do direito privado, o que inquina a utilização do benefício fiscal por parte da incorporadora. Ou seja, ainda que a incorporação se moldasse no tipo ideal, o que resta afastado, não haveria falar em gozo do prejuízo fiscal em tela. Esta infração foi detectada pois a autoridade fiscal aferiu que a INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A (IBA S.A.) não observou a trava de 30% para compensação de seus prejuízos acumulados, pois, compensou prejuízos acumulados em montante de aproximadamente 88,4% do lucro líquido ajustado, conforme informado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ. Diante destas infrações, a autoridade tributária lavrou Auto de Infração reconstituindo a base de cálculo de IRPJ e CSLL do período de 01/01/2005 a 30/11/2005 (fls. 511/542). Como fundamento de sua lavratura, alegou que a redução do lucro líquido ajustado, em no máximo 30% por compensação com prejuízo fiscal acumulado, é benefício fiscal concedido por lei. Ressaltou que não há nenhum amparo legal que estabeleça exceção quanto a trava de 30% para empresas que encerrem suas atividades em decorrência de reorganização societária, como no caso de incorporação (fls. 517520). Com isso, a autoridade tributária retificou de ofício a base de cálculo do IRPJ, conforme segue (fl. 526): Apurado pela Empresa Conforme Legislação Lucro Real antes das compensações R$365.438.065,58 R$365.438.065,58 Compensação de Prejuízos Fiscais R$322.957.766,45 R$ 109.631.419,67 Lucro Real R$ 42.480.299,13 R$ 255.806.645,91 Portanto, a fim de apurar o suposto crédito de saldo negativo de IRPJ em questão, necessário se faz calcular o Imposto de Renda devido no período, considerando a base de cálculo retificada de ofício. Lucro Real: R$ 255.806.645,91 Imposto sobre o Lucro Real A alíquota de 15% R$ 38.370.996,89 Adicional R$ 25.558.664,59 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.049 6 TOTAL do IR devido R$ 63.929.661,48 Tendo em vista o Imposto de Renda devido apurado de ofício, resta a análise das deduções informadas na Ficha 12 A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), mais especificamente (fl. 446): 1) R$ 3.809.983,58 – linha 10 (Isenção e Redução do Imposto); 2) R$ 21.403.022,32 – linha 13 (Imposto de Renda Retido na Fonte) 3) R$ 59.501.634,24 – linha 17 (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) Quanto ao item 1, foi constatado no item III.2 do relatório de diligência fiscal, que a INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A mantinha filial (estabelecimento industrial), no estado do Maranhão, e que em função disso, gozava de benefícios fiscais, conforme trechos transcritos do relatório de diligência fiscal, a seguir (fls. 498500): “No curso da presente diligência, constatamos que a incorporada mantinha filial (estabelecimento industrial), no estado do Maranhão, e que em função disso, gozava dos benefícios instituídos hodiernamente pela Medida Provisória n° 2.146/2001, diploma que criou a autarquia federal denominada Adene, em substituição à extinta Sudene, qual seja, a redução do lucro na exploração, somente para as atividades desenvolvidas pelo estabelecimento localizado na área incentivada. (…) No caso em exame, considerando que o benefício calculado sobre o lucro da exploração está contido em um contexto de política econômica e social que visa ao desenvolvimento regional ou setorial, mediante o incremento de atividades específicas, fazse mister aferir, antes mesmo de se falar em qualquer direito creditório advindo da apuração fiscal do período (lucro real anual), como é o caso do saldo negativo do ano calendário 2005 a apuração do lucro na exploração somente da atividade desenvolvida pela filial incentivada, não se imiscuindo tal beneplácito com as demonstrações da pessoa jurídica como um todo. (grifos nossos). Considerando ainda que a interessada não apresentou os livros contábeis em papel e que nos arquivos magnéticos não há menção a qualquer rubrica específica sobre as operações empreendidas pela filial e, que, alternativamente, não foram apresentados os livros fiscais, especialmente o livro registro de apuração do ICMS (ou as declarações de informações econômicofiscais), não há como se atestar de maneira categórica se houve uma correta apuração do cálculo do lucro da exploração intrínseco somente àquele estabelecimento, e se o mesmo se destacou da apuração de todos os estabelecimentos da interessada, o que, por desdobramento causa incerteza sobre o saldo negativo do período.” (grifos nossos) Percebese que o interessado não apresentou documentos capazes de comprovar a dedução de R$ 3.809.983,58 referente a isenção e redução do imposto indicado na linha 10 / Ficha 12 A da DIPJ/2005. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.050 7 Ainda neste item, vale observar o que o programa DIPJ/2005 determina em suas instruções de preenchimento sobre esta linha 10 da Ficha 12 A: Linha 12A/10 ( ) Isenção e Redução do Imposto Esta linha só pode ser utilizada pelas empresas legalmente amparadas por isenção ou redução do imposto, a título de incentivo fiscal. O valor a ser indicado nesta linha corresponde ao informado na Linha 10/31, observandose que este não pode ser superior à soma algébrica das Linhas [(12A/01 + 12A/02 + 12A/03) – (12A/04 + 12A/05 + 12A/06 + 12A/07 + 12A/08 + 12A/09)].(grifos nossos) Ao analisar a Ficha 10 (Cálculo da Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real – PJ em Geral), verificouse que não constava nenhuma informação na linha 31, e, em nenhuma outra linha, ou seja, a ficha não estava preenchida (fl. 441). Logo, por todo acima exposto, não se confirma a dedução de R$ 3.809.983,58. Quanto aos itens 2 e 3, ambos devem ser analisados juntos como se demonstrará. O interessado apresentou na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) as seguintes estimativas (fls. 442445): Janeiro – R$ 231.492,11 Fevereiro – R$ 366.912,10 Em consulta aos sistemas da Receita Federal, foi possível confirmar que a estimativa de janeiro foi quitada em parte, isto é, R$ 178.693,27 através de pagamento via DARF, e o restante indicado como compensado na Dcomp 21852.94128.191108.1.7.024317, vinculada a Dcomp 15271.64770.191108.1.7.026029 (fls. 632637). Já a estimativa de fevereiro foi integralmente vinculada à própria Dcomp 15271.64770.191108.1.7.026029 (fls. 632633, 638640). Em pesquisa ao SIEFPERDCOMP, constatouse que houve reconhecimento parcial do direito creditório da Dcomp 15271.64770.191108.1.7.026029 em montante próximo do integral e suficiente para respaldar tais compensações (fls. 639640). Além destas, aferiuse que o interessado utilizou Imposto de Renda Retido na Fonte como deduções nas seguintes estimativas (fls. 442445): Mês Estimativa Valor deduzido de IRRF Maio R$ 48.922.743,61 Junho R$ 244.492,34 Julho R$ 4.170.074,00 Agosto R$ 4.058.272,91 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.051 8 Setembro R$ 922.751,48 Outubro R$ 584.895,69 TOTAL R$ 58.903.230,03 Na Ficha 12 A, o interessado informou o valor de R$ 21.403.022,32 de IRRF e R$ 59.501.634,24 de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (fl. 446). Isto porque a instrução de preenchimento da Linha 17 /Ficha 12 A (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) da DIPJ/2005 diz que: “Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração.” Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: “dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf.” (grifos nossos) Logo, têmse que o interessado apurou um total de IRRF de R$ 80.306.252,35, correspondente a soma de R$ 58.903.230,03 (total das deduções de IRRF nas estimativas) com R$ 21.403.022,32 (linha do IRRF da Ficha 12 A). Consultando à DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), confirmouse o total de IRRF informado pelo interessado de R$ 80.306.252,35 (fls. 547565). Cabe dizer que o valor de R$ 59.501.634,24 na linha Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa da Ficha 12 A está correto, pois este é a somatória dos R$ 58.903.203,03 (valor deduzido de IRRF das estimativas) com R$ 598.404,21 (correspondente a soma das estimativas de janeiro e fevereiro: R$ 231.492,11 e R$ 366.912,10, respectivamente). Terminada a análise das deduções, resta a composição do saldo negativo, baseandose em todas as confirmações e constatações já descritas. Concluise, assim, pelo reconhecimento parcial do saldo negativo de Imposto de Renda no valor de R$ 16.974.995,08. Diante do exposto, considerando tudo o mais que do processo consta, DECIDIMOS: 1. Reconhecer parcialmente o direito creditório de saldo negativo de IRPJ em tela, no valor de R$ 16.974.995,08; 2. Homologar as Declarações de Compensação até o limite do crédito reconhecido. Tendo sido cientificada em 30/08/2011, a contribuinte, por seu advogado e bastante procurador, apresentou ,em 29/09/2011, manifestação de inconformidade, contestando o despacho decisório da DRF Campinas/SP, trazendo aos autos as razões adiante sintetizadas. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.052 9 Afirma a contribuinte que teria incorporado a empresa Fratelli Vita Bebidas S/A em 01/02/2011, sucedendoa na universalidade de seus direitos e obrigações. Informa, ainda, que anteriormente a essa operação, a empresa Fratelli teria incorporado a Empresa Indústria de Bebidas Antárctica do Sudeste S.A. Prossegue relatando que foram apresentadas pela empresa Fratelli 74 DCOMP buscando compensar débitos com créditos oriundos do saldo negativo de IRPJ apurado em 30/11/2005, no montante de R$ 74.148.067,08 das quais apenas 24 teriam restado homologadas, após reconhecimento de crédito de saldo negativo pela autoridade fiscal da DRF/Campinas no valor de R$ 16.974995,08. Aduz que a autoridade fiscal, quando da determinação do saldo negativo disponível para as presentes compensações, teria observado conclusões enunciadas em relatório de diligência fiscal, elaborado em 23/03/2011, constante dos autos do processo nº 10830.904285/200804, do qual a contribuinte não teria participado. Segue discorrendo acerca de seu direito às compensações declaradas, ressaltando existirem afrontas explícitas aos princípios da legalidade e da moralidade. Argui a inconstitucionalidade dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9065 de 1995, que prevêem a limitação ao direito da contribuinte de aproveitar os prejuízos fiscais acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado por períodobase, trazendo à colação julgados do STJ que ratificariam seu entendimento. Defende que, ainda que se considerasse constitucionais os referidos artigos, não seriam os mesmos aplicáveis ao presente caso, uma vez que não há que se confundir os efeitos da regra de diferimento da compensabilidade dos prejuízos acumulados experimentados por uma empresa em plena atividade com os de uma empresa que encerra suas atividades por força da incorporação. E complementa: Nesse sentido, a IBAS, detentora do crédito, deixou de existir a partir da data do registro da incorporação na Junta Comercial, nos exatos termos dos artigos 8º ao 12º, da Instrução Normativa nº 88/2001 do DNRC (Departamento Nacional de Registro do Comércio) e artigo 28, da Instrução Normativa nº 748/2007, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tal como também ocorreu com a FRATELLI, por ocasião da sua incorporação pela Impugnante. Destarte, deve ser permitido ao contribuinte afastar a trava legal de30% nos casos de extinção da pessoa jurídica, subsistindo apenas às pessoas jurídicas em atividade, que possam diluir os prejuízos ao longo do tempo. Apresenta, então, decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), além de entendimentos doutrinários, no sentido ora defendido. Subsidiariamente, expõe que, caso se entenda pela aplicabilidade da limitação imposta pela Lei 9.065 ao presente caso, restaria nulo o despacho combatido, tendo em vista a desconsideração da isenção a que teria direito a Manifestante. Destaca o erro enunciado no quadro abaixo reproduzido: [...] Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.053 10 Assevera que, uma vez observadas as exigências legais para fruição da isenção questionada, passaria ela a ter direito aos incentivos fiscais. Isto porque a legislação não fala em “hipótese” de incentivo, mas sim, em certeza deste. Entretanto, quando da apuração do benefício a que teria direito, incidiu em vários erros, razão pela qual equivocouse também quando de suas declarações em DIPJ. Alega que os documentos apresentados pela Fratelli por ocasião da fiscalização efetuada pela Receita Federal do Rio de Janeiro seriam suficientes para que se constatasse a existência dos créditos em análise. Entende a Manifestante que é obrigação da administração pública sempre buscar a aplicação da legislação, conforme a constituição e de acordo com a realidade fática. Assim, caberia à autoridade fiscal o dever de analisar todo o conteúdo probatório formador do processo Administrativo, devendo considerar os documentos anexados, ou ainda solicitar novos que possam embasar o direito à compensação já requerida. Defende, ainda, que a glosa aos incentivos fiscais não poderia ocorrer com base na diligência antes mencionada por não ter sido a Manifestante parte do procedimento de fiscalização consubstanciado no M.P.F. nº 07.1.9.00201002030. Destaca que a referida prova emprestada estaria, portanto, vedada, sob pena de ofensa ao devido processo legal, ao princípio do contraditório e à ampla defesa. Afirma que nenhum direito foi garantido à Impugnante, na apuração dos fatos e elaboração do relatório de diligência fiscal. Reproduz decisões do CARF que consideram legal o uso de prova emprestada produzida por outro órgão tributante, desde que não utilizadas as conclusões do outro órgão. A título exemplificativo, reproduzemse as seguintes ementas: [...]Conclui que o relatório de diligência fiscal observado pelo despacho decisório ora combatido se mostra imprestável para o presente caso, entendendo, ainda, que não poderá sequer ser solicitado qualquer documento ou manifestação sobre estes para a impugnante, neste momento, em razão do óbice contido no art. 194 e seguintes do Código tributário Nacional, considerando ter por objeto fatos ocorridos há mais de cinco anos. Requer, então, a nulidade da glosa das isenções em apreço, sob pena de ofensa ao princípio da motivação. Defende ser inaplicável a multa à sucessora, ora Manifestante. Além disso, considera que a não homologação das DCOMP em litígio, uma vez comprovada a existência do crédito pleiteado, fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Encerra requerendo que seja reconhecido o Direito Subjetivo Público da Impugnante restituir e utilizar o saldo remanescentes, na forma dos artigos 168 e seguintes do Código Tributário Nacional, recebendo a presente como causa de interrupção do prazo prescricional, uma vez que inconteste que a trava de 30% para a compensação de prejuízos acumulados, prevista nos artigos 15 e 16, da Lei nº 9.605/1995, não extingue o direito de crédito da diferença de 70%. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 05 37.300, de 21 de março de 2012, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.054 11 O referido julgado restou assim ementado: BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA JÁ APRECIADA. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. PRELIMINAR. NULIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS NA FORMULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório, cuja lavratura esteja revestida de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Irresignada, AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A, sucessora por incorporação de FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, interpôs o recurso voluntário de fls. 926/979, em que, em apertada síntese, sustenta: a possibilidade de a Administração analisar a constitucionalidade da legislação; a inexistência de preclusão administrativa do dever de decidir; o direito à compensação; a inconstitucionalidade da limitação contida nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995; a inaplicabilidade da limitação contida nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, no caso dos autos (incorporação); a ocorrência de erro no cálculo do saldo negativo do IRPJ; a impossibilidade de transferência das penalidades na responsabilidade por sucessão; e a necessidade da aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. É o Relatório. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.055 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, transmitidas por FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, incorporada por AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A, por meio das quais pretendese compensar débitos diversos com crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2005, período de 1º de janeiro a 30 de novembro. Em conformidade com a FICHA 12A da DIPJ/2005, fls. 266, o saldo negativo em referência, no montante de R$ 74.148.067,08, derivou da seguinte apuração: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 10.598.074,78 () PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR R$ 31.501,72 () ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO R$ 3.809.983,58 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE R$ 21.403.022,32 () ESTIMATIVAS R$ 59.501.634,24 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 74.148.067,08) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas, São Paulo, por meio do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/757/2011 (fls. 646/656), reconheceu parte do saldo negativo, homologando compensações até o limite do crédito reconhecido. Em apertada síntese, o reconhecimento parcial decorreu da recomposição da apuração da base de cálculo do imposto em virtude de a contribuinte não ter observado o limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores (matéria objeto do processo administrativo nº 16682.720173/201036), e por não ter sido considerada comprovada a dedução promovida a título de isenção e redução do imposto. O direito creditório reconhecido pela Delegacia da Receita Federal em Campinas alcançou o montante de R$ 16.974.995,08, conforme demonstrativo abaixo. IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 63.929.661,48 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE R$ 21.403.022,32 () ESTIMATIVAS R$ 59.501.634,24 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 16.974.995,08) Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas indeferiu o pedido ali veiculado, utilizando, para tal, os seguintes fundamentos: a) impossibilidade de reapreciar os fundamentos que teriam levado à glosa da compensação de prejuízos; b) a formalização do despacho decisório combatido decorreu de procedimento administrativo regular, tendo sido Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.233 S1C3T1 Fl. 1.056 13 lavrado rigorosamente nos termos da lei de regência, restando patente que não se configurou nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; e c) a contribuinte não apresentou qualquer documento comprobatório diferente daqueles apreciados pela Delegacia da Receita Federal em Campinas. O presente processo administrativo está sendo apreciado conjuntamente com o de nº 16682.720173/201036, que trata dos lançamentos tributários de IRPJ e de CSLL em virtude da glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, e com o de nº 10830.904285/200804, que tem por objeto declarações de compensações cujo crédito indicado está representado por saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2005. No referido processo nº 10830.904285/200804, restou consignado: ...conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: a) solicitar pronunciamento da unidade administrativa de origem acerca das antecipações obrigatórias (estimativas), no montante de R$ 22.997.953,98, consideradas da apuração da CSLL a pagar do ano calendário de 2005; e b) determinar que sejam sobrestados os julgamentos dos processos administrativos nºs 16682.720173/201036 e 10830.720411/200861, até que a diligência que ora se requer seja concluída, devendo referidos feitos serem apensados ao presente. Assim, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até que seja realizada a diligência requerida nos autos do processo administrativo nº 10830.904285/200804, devendo ser promovida a apensação nos termos do acima consignado. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
