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Numero do processo: 13401.000483/2006-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004
COFINS. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA No 1 DO CARF.
Não se conhece do Recurso Voluntário em relação às matérias e períodos levados pela Recorrente ao Poder Judiciário, em razão de sua renúncia à discussão administrativa.
COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAIS-ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica (operacionais ou não operacionais), independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (para custeio ou operação, ou para investimento).
Numero da decisão: 3403-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com as ações judiciais e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre da Cunha Ferreira de Moura, OAB/SP no 291.470.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA No 1 DO CARF. Não se conhece do Recurso Voluntário em relação às matérias e períodos levados pela Recorrente ao Poder Judiciário, em razão de sua renúncia à discussão administrativa. COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAISICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com as ações judiciais e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre da Cunha Ferreira de Moura, OAB/SP no 291.470. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 04 83 /2 00 6- 75 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra a Terphane Ltda., ora Recorrente, veiculando cobranças da COFINS e do PIS, decorrente de diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago em DCTF, no período de 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004. As autuações decorreram de Mandado de Procedimento Fiscal, expedido em razão de inúmeros pedidos de ressarcimento formulados pela Recorrente. No Termo de Verificação Fiscal (Relatório Fiscal) a Autoridade Fazendária afirmou que foram verificados valores referentes a INCENTIVO PRODEPE, INCENTIVO SOBRE EXPORTAÇÃO, GANHO SOBRE OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL, VARIAÇÃO CAMBIAL SOBRE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS. A Autoridade Fazendária afirma ainda que a receita decorrente do incentivo fiscal estadual a título de crédito presumido do ICMS (PRODEPE) compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, ainda que contabilizada como reserva de capital. Prossegue informando que esta verba é receita operacional se for subvenção para custeio e receita não operacional se for subvenção para investimento, transcrevendo ementa do Parecer Normativo CST n. 112, de 29/12/1978. Menciona, no entanto, que a referida distinção é importante apenas para fins de apuração do IRPJ, sendo indiferente para o caso do PIS/PASEP e da Cofins, posto que a única receita não operacional que não faz parte da base de cálculo das referidas contribuições é a receita decorrente de venda de bem do ativo permanente ou imobilizado. Mesmo assim, conclui que a referida verba é classificada como subvenção para custeio ou operação. Ainda em relação à matéria (tributação de subvenções), transcreve e cita diversas decisões administrativas do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de Delegacias de Julgamento da Receita Federal (DRJ) e processos de consulta de Superintendências Regionais da Receita Federal de diversas Regiões Fiscais, com base nas quais constata que tanto as subvenções para custeio, quanto as subvenções para investimentos integram a base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.409 3 Esclarece o AuditorFiscal que, diferentemente do período de janeiro a novembro de 2001, em 2002 e em 2004, o contribuinte não computou o incentivo fiscal recebido pelo Governo do Estado de Pernambuco no resultado, mas na conta de Reserva de Subvenção, o que tornou necessário considerar na base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins os valores lançados nesta conta a título de crédito presumido de ICMS. A Recorrente apresentou Impugnação, onde alega em síntese que: Preliminarmente, que a Autoridade Fazendária deixou de considerar o pagamento da Cofins de dezembro de 2004, no valor de R$ 583.786,83, e por essa razão seria nulo todo o lançamento realizado. Aponta que a inconsistência mencionada macula o lançamento objeto do combatido auto de infração, na medida em que os fatos narrados pela autoridade tributária não correspondem à liquidez necessária a sua validade; E que o procedimento fiscal realizado pela autoridade fiscal detectou algumas divergências de valores em relação à composição da base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins, as quais referemse basicamente a valores relativos ao incentivo fiscal do PRODEPE, a receitas de incentivo sobre a exportação a título de credito presumido de IPI, e receitas correspondentes à atualização monetária do imposto de renda para reinvestimento, e por fim receitas de variação cambial positiva relativa a empréstimos e financiamentos; No mérito aponta que o procedimento fiscal realizado pela autoridade fiscal detectou algumas divergências de valores em relação à composição da base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins, as quais, basicamente, referemse a: (i) valores relativos ao incentivo fiscal do PRODEPE; (ii) receitas de incentivo sobre a exportação, a título de crédito presumido do IPI; (iii) receitas correspondentes à atualização monetária dos recursos próprios do imposto de renda para reinvestimento; (iv) receitas de variação cambial positiva relativa a empréstimos e financiamentos. Diante dos fatos relatados, a Recorrente admite ter havido pequeno equívoco quando da apuração da base de cálculo das contribuições, em relação às receitas indicadas nos itens (ii) e (iii) acima, pelo que a impugnação se restringirá à defesa dos fatos expostos nos itens (i) e (iv). No que se refere às receitas de variação cambial, alega a Recorrente impetrou em 01/09/2003 mandado de segurança perante a Justiça Federal em Pernambuco. (processo n 2003.83.00184161/02) para discutir as alterações da legislação trazidas/com a edição da Lei n£ 9.718, de 1998, em especial o pretenso alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e da Cofins, relacionandose diretamente às receitas decorrentes de variações monetárias ativas, havidas em função da taxa de câmbio. Assevera que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 5a Região reconheceu o direito de excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da variação cambial, bem como a compensação de valores já pagos a este título. Alega que a Recorrente optou por discutir judicialmente a citada matéria, o que impossibilita os julgadores administrativos de se manifestar sobre o assunto, ou mesmo pretender seja mantida a exigência em relação a eventuais débitos apurados pela fiscalização nesse sentido, até o trânsito em julgado da decisão final de mérito da aludida ação judicial proposta. Defende que o beneficio de estímulo à atividade industrial foi concedido pelo Governo do Estado de Pernambuco à empresa autuada em 29/12/2000, pelo prazo de fruição de Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 4 8 anos. Posteriormente em 09/03/2001, o Governo do Estado de Pernambuco concedeu à Recorrente o benefício de estímulo ao comércio importador atacadista de mercadorias do exterior pelo prazo de fruição de 4 anos. Esclarece que tais estímulos são conhecidos como incentivo fiscal do Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco (PRODEPE). Destaca que tais estímulos referemse apenas à atividade industrial, pois o estímulo ao comércio importador atacadista de mercadorias do exterior encontrase expirado, e advoga que o estímulo da atividade industrial, por se ser caracterizar como subvenção para investimento, deve ser registrado na conta Reserva de Capital Reserva de Subvenção. Explica que, por lapso, nos primeiros meses de 2001, a Recorrente equivocadamente contabilizou os valores relativos ao PRODEPE em conta de resultado, corrigindo o erro no mês de dezembro, mediante estorno, para reclassificar as apontadas importâncias como reserva de capital. Durante o ano de 2002, os valores relativos aos incentivos em análise foram acertadamente contabilizados como reserva de capital. Já nos meses de janeiromarço de 2003, ocorreu o mesmo erro em relação aos valores do PRODEPE. E que tais valores não consistem receitas, mas apenas valores caracterizados como subvenção para investimento, devendo ser registrados na conta reserva de capital, motivo pelo qual não se sujeitam à tributação das contribuições. Argumenta a Recorrente que a questão de mérito relacionada à matéria em discussão, como um todo, já foi reputada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal (STF), quando do julgamento do recurso Extraordinário n 357.950/RS, face à clara e evidente violação do art. 195, I, "b", da Constituição Federal, o que seria suficiente para afastar a alegada infração à legislação tributária atribuída à autuada pela autoridade fiscal, implicando a consequente e necessária anulação do auto de infração examinado. No que se refere à fruição de qualquer incentivo fiscal frisa o disposto no § 2 do art. 38 do Decretolei n 1.598, de 1977, segundo o qual "as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que registradas como reserva de capital". Indica que o incentivo fiscal estadual do PRODEPE não importa recebimento de recursos financeiros do Poder Público, afirmando que na verdade se trata de uma recuperação de custos tributários mediante sistemática de descontos concedidos pelo entidade política estadual, sustentando a incoerência da pretensão da autoridade tributária em tipificar o reconhecimento de tais valores como "receita bruta", estando sustentada na estrita literalidade de conceitos já superados do art. 44 da Lei n. 4.506, de 1964, o qual determinava o enquadramento da subvenção como " receita bruta", entendimento que não encontra amparo na legislação vigente, que cita (Lei n. 6.404, de 1976; art. 12 do Decretolei n. 1598, de 1977; arts. 274 e 279 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). A Recorrente ainda se volta contra a taxa SELIC. Em revisão de ofício a Autoridade Fazendária reconheceu o equívoco cometido, afirmando que tal apenas produziu resultado sobre os meses de abril e dezembro, tendo sido elaborado novo Demonstrativo de Apuração Fiscal. A DRJ, inicialmente, afastou a preliminar arguida pela Recorrente sob o fundamento de que todas as formas foram observadas e que, além do mais, foi revisto o lançamento com a elaboração de novo Demonstrativo de Apuração Fiscal. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.410 5 Por outro lado, observase nos Demonstrativos de Apuração de Outras Receitas), que a fiscalização apurou para o período de 2001 a 2004 as seguintes receitas: (i) Variações Monetárias Ativas; (ii) Variações Cambiais Clientes Nacionais; (iii) Variações Cambiais Clientes Estrangeiros; (iv) Variações Cambiais sobre Empréstimos e Financiamentos; (v) Juros sobre Empréstimos Mútuo; (vi) Juros sobre Clientes Nacionais; (vii) Ganho sobre Operações Renda Variável; (viii) Juros SELIC sobre Imposto de Renda e Contribuição Social; (ix) Descontos Obtidos; (x) Incentivo PRODEPE; (xi) Receita de Subvenção; (xii) incentivo sobre Exportação; e (xiii) Outras Receitas. Cumpre esclarecer que as receitas auferidas em razão de "variações monetárias ativas", "variações cambiais clientes nacionais" e "variações cambiais sobre empréstimos e financiamentos" não se inserem no contexto da ação judicial proposta pela Recorrente. É que as variações monetárias ativas são atualizações de direitos de crédito e das obrigações, em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. Já as receitas obtidas em razão de variações cambiais advindas de clientes nacionais e variações cambiais sobre empréstimos e financiamentos, embora se refiram a um ganho decorrente da taxa de câmbio, faltamlhe a característica de serem operações de exportação. Portanto, apenas estão abrangidas na ação judicial do processo n 2003.83.00184161/02 as receitas de variações cambiais de clientes estrangeiros, uma vez que representam ganhos cambiais decorrentes de exportação. Assim, concluiu a DRJ, não se deve conhecer desta parte da impugnação, devendo ser mantida a parcela do lançamento do PIS/PASEP e Cofins a este título correspondente (variações cambiais clientes estrangeiros) até o deslinde da ação judicial. Embora não suscitado, impende afirmar que deve ser mantida inclusive a multa de ofício, tendo em vista que o lançamento foi realizado em setembro de 2006 e a decisão favorável ao contribuinte somente foi concedida posteriormente no mês de novembro de 2006. Conforme explanado, a ação judicial n 2003.83.00.0173639 tem como pedido supressão da exigência da Cofins em razão do alargamento da base de cálculo promovido pela Lei n 9.718, de 1998. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 6 Por conseguinte, prossegue a DRJ, a contestação da incidência da Cofins sobre as receitas de subvenções, apurada com base na Lei n£ 9.718, de 1998, vale dizer, no regime cumulativo, está inserida na ação judicial enfocada Está claro que o reconhecimento pelo STF da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista no §12 do art. 3S da Lei n9.718, de 1998, fez com que a Cofins incidisse apenas sobre o faturamento, representado pelas receitas derivadas da venda de bens e da prestação de serviços e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Concluise, dessa maneira, que o contribuinte manifestou o seu desejo por discutir a citada matéria perante o Poder Judiciário, renunciando à instância administrativa. Conforme já afirmado, a propositura da ação judicial com o mesmo objeto impede a apreciação pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Em face disso, não se conhece da impugnação na parte que contesta a incidência da Cofins sobre as receitas de subvenções (incentivos do PRODEPE), com base no citado §12 do art. 32 da Lei n. 9.718, de 1998, ou seja, a Cofins apurada pela cumulatividade. Semelhante diretriz norteia a exigência do PIS/PASEP do presente processo, uma vez que o contribuinte, na qualidade de autor da ação judicial n 2003.83.00.0173680, pede o reconhecimento da inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelas Leis n. 9.715, de 1998, n. 9.718, de 1998, MP n. 66, de 2002 e Lei n. 10.637, de 2002. Observase que o contribuinte invocou normas que amparam a exigência do PIS/PASEP, tanto pelo regime cumulativo, como pelo não cumulativo. No que se refere ao questionamento da cobrança do PIS/PASEP com base na ampliação da base de cálculo promovida pela Lei n. 9.718, de 1998, deverá ter o mesmo tratamento conferido à Cofins cumulativa, já analisado nos itens precedentes. Ou seja, a ação judicial n 2003.83.00.0173680 incluiu em seu objeto a exigência do PIS/PASEP apurado com esteio na Lei n. 9.718, de 1998, sobre as receitas de subvenções, posto que a constituição deste crédito tributário sobre as indigitadas verbas somente ocorreu em função do alargamento da base de cálculo já explicado. A DRJ, portanto, apenas conhece as alegações de que o PIS e a Cofins não devem incidir no enfocado incentivo fiscal estadual não abrangidas pela Ação judicial, portanto, restrita às exigências do PIS/PASEP (março de 2003 a dezembro de 2004) e da Cofins (fevereiro de 2004 a dezembro de 2004) apurados pelo regime da não cumulatividade. Conclui a DRJ que a base de cálculo das contribuições em exame é a universalidade das receitas, ou como esclarece os dispositivos supra, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante sua denominação ou sua classificação contábil. Em relação à contestação do alargamento da base de cálculo, apresentado pelo impugnante em relação ao PIS/PASEP não cumulativo, na ação judicial n. 2003.83.00.0173680, valem os mesmos argumentos para a cobrança da Cofins não cumulativa, uma vez que a Lei n 10.833, de 2003, foi editado já sob a égide da EC n. 20, de 1998, o que afasta qualquer hipótese de ilegalidade sobre a indigitada universalidade das receitas compondo a base de cálculo das contribuições. Ressalta ainda que as subvenções, sejam elas para custeio (ou operação) ou para investimento, deverão compor o resultado da empresa, operacional (subvenção para custeio ou operação) e não operacional (subvenção para investimento), o que leva à conclusão de que, invariavelmente, sua contabilização se dá a crédito de conta de receita. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.411 7 Diante de tais fatos, não se acatam os argumentos apresentados, de forma que não há qualquer reparo a ser efetuado nos lançamentos, relativamente à incidência do PIS/PASEP (março de 2003 a dezembro de 2004) e da Cofins (fevereiro de 2004 a dezembro de 2004) sobre as receitas de subvenções, provenientes dos benefícios fiscais do PRODEPE. Portanto, a DRJ: (i) não conheceu da impugnação na parte relativa à incidência do PIS/PASEP e da Cofins sobre as receitas de variação cambial, decorrentes de exportações, tendo em vista a interposição de ação judicial com o mesmo objeto, devendo ser proferida a decisão formal da definitividade do débito, segundo fundamentação contida nos itens 1935 deste Voto; (ii) não conheceu da impugnação, no que se refere ao alargamento da base de cálculo do PIS/PASEP (janeiro/2001, março/2001julho/2001, setembro/2001novembro/2002 e março/2003dezembro de 2004) e da Cofins (janeiro/2001agosto/2003 e de outubro/2003 janeiro/2004), que envolve qualquer receita que não seja faturamento, a exemplo das receitas de subvenções (incentivos fiscais do PRODEPE), tendo em vista a interposição de ação judicial com o mesmo objeto, devendo ser proferida a decisão formal da definitividade do débito, conforme se discorreu nos itens 44 e 47 deste Voto; e (iii) julgou improcedente a impugnação, no que se refere à alegação de que as receitas de subvenções (incentivos fiscais do PRODEPE) não constituiriam receita bruta, relativamente à incidência do PIS/PASEP (março de 2003 a dezembro de 2004) e da Cofins (fevereiro de 2004 a dezembro de 2004), e no tocante à alegação de ilegalidade dos juros cobrados, cabendo à unidade de origem a observância do lançamento revisado com a modificação dos meses de abril e dezembro de 2004. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações constantes em sua Impugnação. A Recorrente defende que os três Mandados de Segurança por ela ajuizados abrangeriam toda a discussão no presente processo e que deveria levar não a um não conhecimento, mas sim ao sobrestamento do feito até o julgamento do STF. Defende que caso não seja esse o posicionamento adotado pelo CARF, que seja afastada a tributação no período de vigência da Lei n. 9.718/1998, tendo em vista a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no tocante ao alargamento da base de cálculo. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A Recorrente apenas impugnou o lançamento do PIS e da COFINS quanto aos valores relativos ao incentivo fiscal do PRODEPE e receitas classificadas pela Autoridade Fazendária como variação cambial positiva relativa a empréstimos e financiamentos. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 8 A Autoridade Fazendária relaciona as receitas da seguinte forma, para concluir que uma das Ações Judiciais proposta pela Recorrente (Mandado de Segurança n 2003.83.00.0184161) apenas abrange as variações monetárias ativas decorrentes de exportação, não se aplicada às receitas de outras rubricas: (i) Variações Monetárias Ativas; (ii) Variações Cambiais Clientes Nacionais; (iii) Variações Cambiais Clientes Estrangeiros; (iv) Variações Cambiais sobre Empréstimos e Financiamentos; (v) Juros sobre Empréstimos Mútuo; (vi) Juros sobre Clientes Nacionais; (vii) Ganho sobre Operações Renda Variável; (viii) Juros SELIC sobre Imposto de Renda e Contribuição Social; (ix) Descontos Obtidos; (x) Incentivo PRODEPE; (xi) Receita de Subvenção; (xii) incentivo sobre Exportação; e (xiii) Outras Receitas. Portanto, em princípio, as receitas decorrentes de outros títulos poderiam ser conhecidas no presente processo administrativo, pois não tocadas pelo Mandado de Segurança aludido. No entanto, inicialmente, observo que a Recorrente está parcialmente correta, quando reafirma, em seu Recurso Voluntário, a abrangência de suas discussões judiciais, pois além do referido Mandado de Segurança ela também ajuizou Ação da mesma natureza em relação ao alargamento da base de cálculo da COFINS (Mandado de Segurança n 2003.83.00.0173679) e relativamente ao PIS, a Recorrente discute tanto o alargamento da base de cálculo como a própria tributação de títulos que não compreendem o seu faturamento propriamente dito, incluindo o período posterior à entrada em vigor do regime não cumulativo (Mandado de Segurança n 2003.83.00.0173680). Dessa maneira, há que se manter intacto o julgamento da DRJ quanto ao não conhecimento das matérias alegadas, que deverão observar o quanto decidido pelo Poder Judiciário, seja no que se refere ao período de tributação exclusiva pelo regime cumulativo, sob a égide da Lei n 9.718/1998, o que vale para as Contribuições ao PIS e COFINS, seja e aqui constitui um acréscimo ao não conhecimento da DRJ , no que se refere ao período sob o regime nãocumulativo para a Contribuição ao PIS. Nesse aspecto, não posso deixar de ressaltar a incidência da Súmula no 1 do CARF, abaixo transcrita, dando conta que efetivamente não se pode conhecer de discussão administrativa, quando a Recorrente ingressou com Ação judicial sobre a mesma matéria, o que se verifica claramente no presente caso, inclusive com reconhecimento da própria Recorrente: Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.412 9 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De qualquer maneira, remanesce a análise em relação à COFINS, no período referente à sistemática nãocumulativa, mais especificamente de fevereiro de 2004 a dezembro de 2004, centrandose a discussão sobre os valores, classificados como receita pela Autoridade Fazendária, decorrentes do incentivo fiscal concedido pelo Estado de Pernambuco, por meio do PRODEPE. O parágrafo 2 , do artigo 38 do Decretolei n 1.598/1977 dispõe que não serão computadas na determinação do Lucro Real as importâncias creditadas a conta de reserva de capital a título de subvenção para investimento concedidas pelo Poder Público como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, in verbis: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (Vide) I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 10 Referido dispositivo condiciona o tratamento contábil e a sua respectiva consequência fiscal ao registro do valor em conta de reserva de capital, com a ressalva de que a utilização apenas poderá ser efetuada mediante absorção de prejuízo ou incorporação ao capital social. Ora, na subvenção para investimento, conforme estabelece o dispositivo, não há o registro de receita sequer de receita bruta, pois os valores relacionadas à subvenção devem ser necessariamente creditados em reserva de capital, o que exclui de sua tributação do Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro e, por conseguinte, as Contribuições ao PIS e à COFINS. Com efeito, o artigo 1 da Lei n 10.833/2003 utiliza conceito amplo de receita, bem como estabelece os valores que não se incluem como tal, o que, em princípio poderia levar à tributação pelo PIS e COFINS e, no presente caso, da COFINS, em razão da matéria conhecida. Contudo, não se pode perder de vista que a própria legislação, o Decretolei n 1.598/1977 expressamente dispõe que a subvenção para investimento não é registrada contabilmente como receita bruta, mas sim como reserva de capital, de modo que não pode ser tributada. A Primeira Seção do CARF, analisando a matéria e julgando lançamentos reflexos do PIS e da COFINS tem decidido pela não tributação, pelas referidas Contribuições, quando se verifica o preenchimento das condições estabelecidas pelo artigo 38 do DecretoLei n 1.598/1977, estando o valor recebido a título de subvenção para investimento registrado em conta de Reserva de Capital, conforme se verifica nas ementas dos acórdãos abaixo transcritos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. As subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL. (Acórdão 1202000.921)” Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.413 11 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS. As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Exigese perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta o “animus” de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. PIS. COFINS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RTT. Uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratarseiam de subvenções para custeio, é de se notar que a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, da Lei nº 11.941/09, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 1102001.203).” Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 12 E no presente caso, ainda que a DRJ entenda que a diferenciação entre as diferentes subvenções não seria pertinente para a resolução da controvérsia, pois adota o entendimento de que tais valores configurariam receita não excluída pela legislação do PIS e da COFINS, a própria Autoridade Fazendária autuante reconhece o benefício como subvenção para investimento. E como se tal não bastasse os benefícios de estímulo à atividade industrial relacionados ao PRODEPE efetivamente se caracterizam como subvenção para investimento, sendo que a Recorrente os trata contabilmente de tal maneira e registra os respectivos valores em conta de reserva de capital. Dessa forma, nesse ponto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reformar o Acórdão da DRJ reconhecendo que os valores registrados em conta de reserva de capital decorrentes do benefício do PRODEPE, pela Recorrente, não podem ser alcançados pela Contribuição à COFINS no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2004. Ante o exposto, apenas conheço do Recurso Voluntário em relação à COFINS, do período de fevereiro a dezembro de 2004, e lhe dou provimento em relação à parte conhecida para reconhecer a impossibilidade de tributação, pela COFINS, de valores registrados a título de subvenção para investimento decorrente do benefício PRODEPE. E mantenho intacto o julgamento da DRJ em relação ao não conhecimento das matérias e períodos discutidos judicialmente, acrescentando o período relativo à COFINS de março de 2003 a dezembro de 2004, abrangido por sua discussão judicial. Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.414 13 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Manifesto divergência em relação ao voto do relator, com a devida vênia, somente no que se refere à matéria conhecida (COFINS, no período de fevereiro a dezembro de 2004), entendendo que na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). A discussão reside basicamente na inclusão ou não de valores correspondentes a benefícios fiscais de ICMS (“PRODEPE”) na base de cálculo da COFINS. É incontroverso que a empresa é beneficiária de subvenção fiscal concedida pelo Governo do Estado de Pernambuco (“PRODEPE”). Não há ainda controvérsia sobre serem os valores em análise “subvenções” concedidas pelo Poder Público estadual. A empresa sustenta que as subvenções são “para investimento”, e que seu tratamento contábil e tributário é disciplinado no art. 38, § 2o do DecretoLei no 1.598/1977 (disciplinado no art. 443 do Regulamento do Imposto de RendaDecreto no 3.000/1999): “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” (grifo nosso) (o art. 545 e seus parágrafos impede a distribuição dos valores aos sócios Fossem as subvenções “para custeio ou operação”, não haveria dúvidas de que constituem receita bruta operacional, o que decorre de expressa disposição legal (art. 44 da Lei no 4.506/1964): “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 14 III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” (grifo nosso) E, nesse sentido, seriam inequivocamente tributadas pela COFINS, conforme art. 1o da Lei no 10.833/2003. Tal comando legal é relevante, inclusive, para afastar desde já o entendimento de que as subvenções não constituem receitas, pois isso implicaria sustentar o afastamento de comando legal vigente, o que é vedado pela Súmula CARF no 2 (sob o argumento da inconstitucionalidade). Nesse contexto, sobressai, a priori, a relevância da classificação das subvenções. Digo a priori, porque a classificação, a partir do que aqui já foi dito, é relevante para a contabilização, como “receita bruta operacional” ou até “reservas de capital”. Contudo, a questão reflexa (se tal contabilização vai ou não afetar a tributação pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS) ainda deve ser analisada, e a análise deve iniciar à luz do Parecer Normativo CST no 112/1979. Em tal parecer, concluise que: “7.1 Ante exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item I, letra "b" do Decretolei n. 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado nãooperacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desce que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.415 15 VI O § 2º do artigo 38 do Decretolei número 1598/77 aplica se a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei n. 1.598/77.” (grifo nosso) Percebese, pelo texto, que a distinção entre as subvenções é indiscutivelmente importante para fins de tributação pelo IRPJ. Contudo, no que se refere à contribuição em análise no presente processo (COFINS), só seria relevante se a análise fosse referente ao período da cumulatividade, no qual a tributação das contribuições dependia do caráter operacional da receita. Mas na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a contribuição incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Assim, assiste razão ao autuante e ao julgador de piso quando estes sustentam ser irrelevante classificar as subvenções, para efeito de tributação pelas contribuições não cumulativas (como a COFINS). Diante do exposto, divirjo do relator em relação à matéria neste voto tratada (COFINS, no período de fevereiro a dezembro de 2004), e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Numero do processo: 13227.720269/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 02 69 /2 01 2- 45 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, CÉSAR CASSOL, ciência da pessoa física em 26/03/2012 (fl. 53), decorrente do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, AC 2008, no montante de R$ 1.711.679,18, já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 02/2012. O lançamento, conforme descrição dos fatos referese à constatação de: (a) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO CONFIRMADA., no ano calendário 2008, nos valores respectivos de R$ 40.000,00; (b) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. “Em análise aos contratos de mútuo apresentados pelo contribuinte, anexo I, ficou constatado que, conforme prevê o artigo 221 do código civil, não estavam registrados em cartório, não possuíam nenhuma assinatura de testemunha, não foram comprovados os depósitos do contribuinte para a empresa, além do que os valores creditados na conta corrente do sujeito passivo não eram exatamente os mesmos que estavam contabilizados, conforme demonstra a conta 101522.2.2.2.01.001 do Livro Razão apresentado pelo contribuinte, anexo “Em relação aos dividendos recebidos pelo contribuinte, houve a retirada nos dias 20/05, 24/06, 30/06, 30/07, 20/08, 30/08, 01/10, 20/10, 20/11 e 19/12. Nota se que o sujeito passivo, a partir do mês de maio, retira dividendos mensalmente ou até duas vezes ao mês, conforme demonstra a conta 11121 2.4.5.1.04.001 do Livro Razão apresentado pelo contribuinte, anexo III.” A pessoa jurídica poderá distribuir lucros antecipadamente aos seus sócios antes do encerramento do exercício social. Para isto deverá levantar balanços intermediários, semestrais ou em períodos menores, com previsão contratual, para as sociedades limitadas ou estatutária, para as sociedades anônimas, observado o disposto no §1°do art. 204 da Lei 6.404/1976: Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A fim de justificar os depósitos em suas contas correntes listados na tabela 2 acima, o contribuinte apresentou à fiscalização os contratos (fls. 16/26), em que o senhor César Cassol figura como mutuante, assim resumidos: a) Fls. 77/184: Comprovantes de depósitos / Aportes de Capital (fls. 77/84); Atas (manuscritas e ilegíveis) de Reunião Ordinárias dos Sócios da Empresa Eletroprimavera Ltda (fls. 86/92) e Balancetes mensais de verificação (fls. 93/183). b) .Fls. 187/382: DIRPFs (Ex 2008 e 2009 (fls. 187/218); 7a e 1a Alteração Contratual da Empresa Eletroprimavera Ltda, de 01/04/2008 (fls. 222/225 e 226/231) e contratos (fls. 232/261), em que o senhor César Cassol figura como mutuante (três primeiros) e mutuário (dois últimos), assim resumidos: c) Fls. 187/382: Contratos (fls. 414/498), em que o senhor César Cassol figura como mutuante, assim resumidos: Cientificado, apresenta o recorrente a seguinte impugnação: O referido auto foi lavrado mesmo tendo o contribuinte entregue documentos ao fisco demonstrando que efetuou diversos empréstimos da pessoa física para a pessoa jurídica através de contratos de mútuo, do qual, por fim, o fisco desconsiderou como válidos. Salientase que o autuado é sócio gerente da empresa ELETROPRIMAVERA LTDA, inscrita no CNPJ n° 04.647.811/000130, situada no município de Pimenta Bueno/RO. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 4 5 Entretanto, em procedimento de diligência fiscal na empresa ELETROPRIMAVERA LTDA, igualmente referente ao ano calendário de 2008, portanto, no mesmo anocalendário de análise do IRPF do contribuinte ora atuado, Concluiuse pela regularidade da mesma, inclusive acerca dos empréstimos recebidos (originários da pessoa física do contribuinte ora autuado) conforme faz prova TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL e TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA anexo. A mesma conclusão de regularidade fiscal foi dada em relação aos dividendos antecipados. d.2. Ademais, nobres julgadores, caso não fossem considerados legítimas as antecipações de dividendos, os valores teriam de ser extirpados da base de cálculo dos tributos referentes à Pessoa Jurídica, IR, CSLL, dentre outros, pois lhes seria dado tratamento de Despesas Operacionais, portanto, diminuiriam o lucro da empresa e, conseqüentemente, os valores dos tributos. Tais valores já foram tributados, repisese, de forma escorreita pela empresa, e não poderiam mais ser objeto de tributação para a Pessoa Física, posto que, ou se tratou de empréstimo (contrato de mútuo) ou de antecipação de dividendos. d.3. temos por temerário o sistema jurídico adotado em nosso país, que confere feições de procedimento inquisitorial à fase do lançamento tributário. d.4. Quando um contrato é firmado, uma cópia inicial é remetida ao setor de contabilidade, e, ato contínuo, uma cópia é remetida para o advogado contratado, que fica responsável pela realização das formalidades necessárias, tais como registros, reconhecimento de firmas, etc. Quando da resposta às intimações, o setor contábil encaminhou os documentos que dispunha, e como as funcionárias foram contratadas recentemente esqueceramse de acionar o jurídico. Contudo, como o contraditório é instaurado nesta oportunidade, vários documentos serão apresentados, ora em substituição aos apresentados pelas contadoras, ora em sua simples complementação. d.5. No item 3.1 do Auto de infração, consta o valor de R$40.000,00, depositado em 07.1 1.2008, como sendo de origem não comprovada. Pois bem, o valor referese a pagamento de mútuo realizado pelo Impugnante à empresa CESAR & CESAR CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, CNPJ n° 07.796.864/000100, conforme contrato de mútuo anexo, datado de 30.07.2008, com firma reconhecida e testemunha. A origem também resta comprovada com a autorização para o depósito referente ao empréstimo e também autorização para o pagamento do empréstimo e devidos comprovantes (fls. 64, 77 e 78 da apostila). d.6. Os Contratos de Mútuo objeto da alegação do Auditor Fiscal se encontram com as assinaturas com reconhecimento de firma, conforme inclusos nesta defesa. Ademais, já fora Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 delineado no capítulo "DOS FATOS NECESSÁRIOS' constante desta ação, a cerca da entrega dos documentos sem o exigido reconhecimento pelo fisco, ocasionado pelo escritório de contabilidade que presta serviços ao impugnante, que o fez de forma inadvertida. (...) Por fim, a teor do Código Civil e da própria Lei de Registros Públicos, os negócios jurídicos são dotados da boa fé objetiva, de tal modo que transfere o ônus à parte contrária da demonstração inequívoca e efetiva contraprova de que houve má fé. Os contratos, entregues vias fotocópias, anexo ao auto de infração, que não estariam autenticadas, gozam de presunção de legitimidade quando não impugnadas especificamente, e pela via própria, pela parte contrária, possuindo, conseqüentemente, o respectivo valor probante. Ajuntada dos Contratos de Mútuo com assinatura de testemunha desnatura os argumentos do fisco, não obstante, notese que nem mesmo a assinatura de testemunhas, prevista no artigo 135 do Código Civil revogado, é exigida na legislação em vigor. Por isso, tal exigência igualmente não corresponde com o que reza a legislação em vigor neste país, sendo igualmente descabida. d.6. os CONTRATOS DE MÚTUO e os documentos anexos a esta impugnação (vide apostila) comprovam a cadeia sucessória dos depósitos, qual seja, primeiramente os empréstimos do impugnante em favor da empresa EletroPrimavera, ocorrido no ano de 2006 e depois o pagamentos dos empréstimos da empresa para o impugnante ocorridos nos anos de 2007 e 2008. d.7. Os extratos bancários da empresa Eletro Primavera de fls. 81 a 125 da apostila anexa comprovam os recebimentos da pessoa física ora impugnante, inclusive provados através dos Contratos de Mútuo constantes da apostila, além de outros juntados nesta defesa. A conta do Razão de fis. 126 a 129 e do Diário de fl. 132 confirmam os haveres no valor de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) por parte do impugnante com a empresa Eletro Primavera. (..) Diante disso, tais valores foram devidamente contabilizados, inclusive declarados nos Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do anocalendário 2007 e 2008, constante de fis. 02 a 22 e fis. 23 a 31, respectivamente. Ademais, o art. 591 do CC declara: « Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual.” Diante da fundamentação acima, corroborado com o que reza os CONTRATOS DE MÚTUO inclusos, concluise que é legal a cobrança de juros, sendo assim, supõese que na maioria das vezes, como o mútuo tem fins econômicos, que os valores objetos dos empréstimos não corresponderão aos mesmos valores devolvidos nestes empréstimos, portanto diferentes. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 5 7 d.8. Primeiramente, salientase que o fisco não requereu do impugnante o LIVRO ATAS, ou mesmo as ATAS da empresa ELETROPRIMAVERA LTDA, inscrita no CNPJ n° 04.647.81 1/000130, sobre a eventual possibilidade dos sócios autorizarem o repasse mensal dos dividendos da empresa, inclusive referente ao anocalendário de 2008, conforme faz prova TERMO DE RETENÇÃO DE DOCUMENTOS incluso. Diante disso, juntase nesta oportunidade cópia autenticada do LIVRO ATAS (TERMO DE ABERTURA E ATAS) da empresa ELETROPRIMAVERA LTDA, inscrita no CNPJ n° 04.647.811/000130, comprovando que todos os sócios possibilitaram a ocorrência dos dividendos mensais dos anos de 2006, 2007 e 2009, inclusive referente ao ano calendário de 2008, com firma reconhecida do sócio majoritário a época de sua ocorrência. Corrobora as alegações acima, a inclusão nesta defesa de cópias autenticadas dos BALANCETES DE VERIFICAÇÃO mensal da empresa ELETROPRIMAVERA LTDA, referente ao ano de ano calendário de 2008, com firma reconhecida do sócio administrador. Ademais, o exegeta não deve se ater apenas à interpretação gramatical. Ao contrário, deve ele sempre buscar a melhor forma de dar à lei a aplicação devida. Neste diapasão, sobressaise a interpretação lógica e finalística. d.9. Pois bem, a Lei 6.404/76, trata especificamente das Sociedades Anônimas, ou Sociedade por Ações. Subsidiariamente, tem aplicação nas Limitadas, contudo, temos de traçar alguns pontos para a solução do presente problema. Primeiramente, temos que a intenção do legislador foi a de promover a segurança dos acionistas, pois como as S/A, via de regra, têm suas ações negociadas em Bolsa. Assim, com muita razão, bündamse as operações financeiras com regras formais para sua consecução. Preservamse, desta forma, os direitos dos acionistas. É essa a intelecção do art. 204, caput e § I o da Lei 6.404/76 Caso a interpretação seja apenas a gramatical, como foi a empregada pelo Auditor Fiscal responsável pela lavratura do auto, as mesmas regras formais (exacerbadas) deveriam ser aplicadas, com todo o seu rigor, às sociedades limitadas. Ora, nobres julgadores, a quantidade de sócios de uma S.A. é infinitamente maior do que a da empresa da qual o impugnante é sócio. Uma simples falta de formalidade não pode dar azo a um lançamento tributário desta monta, até porque não há autorização para ser dado o tratamento de renda auferida, para o caso presente. Ainda temos, para corroborar a lisura e boa fé do procedimento, a autorização para a distribuição dos lucros de forma antecipada. Tratase das Atas de reunião dos sócios da empresa, que ora juntamos à presente impugnação, demonstrando, de forma inequívoca, que havia autorização por parte dos sócios da Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 empresa para que os levantamentos fossem feitos em períodos menores. (...) Os balancetes de verificação demonstram que havia lucro no período em que fora realizada a antecipação dos dividendos, havia a autorização em ata e os valores antecipados foram apresentados e tributados pela Pessoa Jurídica, ou seja, os aspectos jurídicos relevantes foram obedecidos in totum. (...) Repisemos que a formalidade da alteração contratual (estatutos no caso das S.A) tem sua razão de ser para aquelas sociedades com número de sócios inderminado ou, se determinado, grande demais, que inviabilize tomadas de decisões com todos os sócios presentes. d.10. Com referência a esse tópico, importante frisar que a constituição proíbe a pena passe da pessoa do condenado (inc. XLV da CF). Alguns tratados já foram escritos sobre o tema, mas aqui, para simplificarmos a exposição, indagamos: SE HOUVE ERRO, ESSE FOI DA EMPRESA OU DO IMPUGNANTE? SE FOI DO IMPUGNANTE, QUAL FOI O ERRO? SE FOI DA EMPRESA, POR QUE O IMPUGNANTE FOI PENALIZADO? d.11. Relembramos, por oportuno, que exigências genéricas, como "quaisquer documentos", "todos os documentos", etc, utilizados na requisição dos órgãos públicos são por demais nocivos, pois para o impugnante, todos os procedimentos estavam, como de fato estão, corretos. Faltou clareza especificação nas intimações, pois sequer os extratos bancários de 2006 e 2007 foram solicitados. d.12. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Como demonstrado acima, de forma inequívoca, o impugnante agiu de forma correta, e os tratamentos às verbas quer oriundas dos contratos de mútuo, quer oriundas das antecipações de dividendos não foram fruto de fraude, dolo ou simulação, ao contrário, estão todos abalizados pelo manto da legalidade. d.13. Requer “Oitiva de testemunhas, caso necessário, com possibilidade de indicarmos o rol num momento oportuno, caso as documentações apresentadas não sejam consideradas suficientes para demonstrar a licitude dos contratos apresentados;” A DRJ julga a impugnação procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 MÚTUO O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 6 9 bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. RENDIMENTOS Se o interesse dos sócios é receber os lucros, como rendimentos isentos, dentro do anocalendário em que foram gerados, o contribuinte pode promover uma alteração contratual, prevendo o levantamento de balanços intermediários. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ entendeu por bem cancelar parte do lançamento por reconhecer: Para os contratos anexados à impugnação o Impugnante apresenta alguns contratos (listados abaixo) em que se constata autenticação contemporânea da sua assinatura, além de conter especificação de testemunhas e de conter valor de captação de mútuo idêntico ao depósito na conta corrente do mutuante, em momento em que se daria o pagamento, com a apropriação de juros feita em separado, para os quais deve ser considerada a natureza de mútuo e a efetuada a exclusão do montante de rendimentos tributáveis: O contrato de mútuo anexado (fl.414), assinado em 30/07/2008, no valor de R$ 40.000,00, justifica o pagamento efetuado ao mutuante (o autuado), em 07/11/2008, no mesmo valor, através de depósito em conta corrente do Banco da Amazônia. Ao final a decisão foi por : Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes aspectos no final de seu recurso. Da bitributação, na medida em que a empresa EletroPrimavera Ltda, igualmente referente ao ano calendário de 2008, concluiu pela regularidade da mesma; Do cerceamento do direito de defesa pela não análise de documentos comprobatórios juntados aos autos; Do cerceamento do direito de defesa de lavratura de auto de infração antes do término de prazo ao contribuinte para juntada de documentos comprobatórios quando do procedimento fiscal; Dos fatos necessários, indicando que vario documentos são apresentados; Da omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários, que se encontra demonstrada com o contrado de mútuo em anexo realizado pelo impugnante com a Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 empresa Cesar & Cesar Construções e Serviços Ltda., CNPJ No. 07.796.864/000100, conforme contrato social anexo datado de 30/07/2008; Da omissão de rendimentos do trabalhos recebidos de pessoas jurídica, dos contratos de mútuo e das antecipações de lucros (dividendos); Dos requisitos dos contratos de mútuo questionados pela fiscalização: a) falta no contrato de mútuo de reconhecimento de firma da assinatura das partes; b) falta de comprovação de que os valores creditados na conta do sujeito passivo estavam contabilizados no livro razão; Das antecipações dos lucros, demonstrada com as cópias autenticadas dos balancetes de verificação mensal e da empresa EletroPrimavera, referente ao ano calendário de 2008; Das omissões do julgamento de primeira instância, nesse item o recorrente correlaciona uma série de valores que no entender deste estariam justificados. Esta turma em 18/03/2014 resolveu converte o processo em diligência para que a fiscalização aprecie os argumentos e provas, particularmente aquelas apresentadas na impugnação e no recurso, bem como realize intimações e diligencias que julgar necessárias para formação da convicção sobre as explicações propostas pelo recorrente. A fiscalização apresenta o seu relatório fiscal as fls. 885 a 888, onde menciona: O contribuinte apresentou os contratos solicitados, porém em análise dos documentos entregues pelo contribuinte, verificouse que tal documentação se mostra extremamente bem conservada, muito embora, em tese, se referissem a fatos e documentos ocorridos e lavrados há cerca de 8 anos. Em virtude não apenas deste fato, como também de o contribuinte apenas ter apresentado à Receita Federal os documentos neste momento, e não ao tempo da ação fiscal, gerou a suspeição de que estes não seriam documentos idôneos. Após análise dos contratos apresentados pelo contribuinte e consulta junto ao site do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia – selos, por intermédio do sítio eletrônico http://www.tjro.jus.br/consultaselo, ficou constatado que o reconhecimento de firma dos cartórios nos contratos apresentados tratamse de datas distintas das datas informadas para o Tribunal de Justiça, ANEXO I. E continua a seguir: Para melhor explicar o fato ocorrido, citese os dados retirados da primeira linha da tabela acima: O tabelião, informou que reconheceu aquela assinatura na data 15/02/2006, no entanto, em consulta ao sítio disponibilizado pelo TJRO, constatouse, que tal ato fora lavrado no dia 21/03/2012, portanto, passadose cerca de seis anos do momento informado pelo tabelião no documento apresentado à fiscalização, ou seja os contratos de mútuos. O contribuinte usou esse artifício para se eximir do crédito tributário em seu desfavor perante a Receita Federal do Brasil. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 7 11 Conclui a sua análise com a seguinte observação: O contribuinte apresentou os contratos de mútuos, porém os mesmos não merecem serem considerados, visto que há fortes indícios de manipulação com relação à confecção dos contratos de mútuos e reconhecimento de firmas nos cartórios, visto que constam com datas anteriores as datas das confecções dos mesmos. ANEXO I. Em suma, o relatório fiscal conclui pela manutenção do lançamento. O relatório foi encaminhado ao contribuinte às fls 1001 a 1002, e até o presente momento não houve manifestações do recorrente. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 8 13 presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Muito importante para formação da convicção contra qualquer as provas apresentadas é o resultado da diligência fiscal., Cabe aqui reprisar que esta turma em 18/03/2014 resolveu converte o processo em diligência para que a fiscalização aprecie os argumentos e provas, particularmente aquelas apresentadas na impugnação e no recurso, bem como realize intimações e diligencias que julgar necessárias para formação da convicção sobre as explicações propostas pelo recorrente. A fiscalização apresenta o seu relatório fiscal as fls. 885 a 888, onde menciona: O contribuinte apresentou os contratos solicitados, porém em análise dos documentos entregues pelo contribuinte, verificouse que tal documentação se mostra extremamente bem conservada, muito embora, em tese, se referissem a fatos e documentos ocorridos e lavrados há cerca de 8 anos. Em virtude não apenas deste fato, como também de o contribuinte apenas ter apresentado à Receita Federal os documentos neste momento, e não ao tempo da ação fiscal, gerou a suspeição de que estes não seriam documentos idôneos. Após análise dos contratos apresentados pelo contribuinte e consulta junto ao site do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia – selos, por intermédio do sítio eletrônico http://www.tjro.jus.br/consultaselo, ficou constatado que o reconhecimento de firma dos cartórios nos contratos apresentados tratamse de datas distintas das datas informadas para o Tribunal de Justiça, ANEXO I. E continua a seguir: Para melhor explicar o fato ocorrido, citese os dados retirados da primeira linha da tabela acima: O tabelião, informou que reconheceu aquela assinatura na data 15/02/2006, no entanto, em consulta ao sítio disponibilizado pelo TJRO, constatouse, que tal ato fora lavrado no dia 21/03/2012, portanto, passadose cerca de seis anos do momento informado pelo tabelião no documento apresentado à fiscalização, ou seja os contratos de mútuos. O contribuinte usou esse artifício para se eximir do crédito tributário em seu desfavor perante a Receita Federal do Brasil. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720269/201245 Acórdão n.º 2202002.946 S2C2T2 Fl. 9 15 Conclui a sua análise com a seguinte observação: O contribuinte apresentou os contratos de mútuos, porém os mesmos não merecem serem considerados, visto que há fortes indícios de manipulação com relação à confecção dos contratos de mútuos e reconhecimento de firmas nos cartórios, visto que constam com datas anteriores as datas das confecções dos mesmos. ANEXO I. Em suma, os artifícios utilizados pelo recorrente, materializam, salvo melhor juízo, falsidade ideológica, comprometendo a validade dos mesmos com o propósito de provar qualquer fato. Na verdade os fatos narrados, e não questionados pelo recorrente, firmam neste julgador a convicção da precisão do lançamento. Não há reparos a realizar na decisão da DRJ. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10980.900329/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Havendo pedido expresso do Contribuinte desistindo do recurso voluntário, de forma irrevogável e irretratável, não se deve conhecer do mesmo.
Numero da decisão: 1302-001.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto de Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Havendo pedido expresso do Contribuinte desistindo do recurso voluntário, de forma irrevogável e irretratável, não se deve conhecer do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto de Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 03 29 /2 00 8- 03 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório O presente processo se refere a despacho decisório que não homologou o PER/DCOMP nº 35191.07346.230404.1.3.036606, em razão de não haver crédito na DIPJ correspondente ao saldo negativo informado no PER/DCOMP. Assim foi analisado o crédito do Contribuinte: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 34.607,26. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 0,00”. Cientificado do despacho decisório em 12/03/2008, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 09/04/2008, alegando em síntese o seguinte: que a empresa cometeu um erro no preenchimento da DIPJ, uma vez que a empresa no anocalendário 2000 teve prejuízo contábil, como demonstra a retificação da DIPJ entregue em 26/12/2005 sob o número 4170854976. A 1ª Turma da DRJ/CTA, pelo Acórdão nº 0626.988, por unanimidade, não homologou a pretendida compensação, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE 0 VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, e a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte esta condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, e quedandose inerte, a divergência impede que o Fisco proceda à análise do direito creditório informado. Cientificado da decisão em 19/07/2010, apresentou recurso voluntário em 18/08/10, reiterando os argumentos trazidos em sede de impugnação e acrescentando o seguinte: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.900329/200803 Acórdão n.º 1302001.669 S1C3T2 Fl. 153 3 que nos meses de janeiro (R$ 19.468,94) e março (R$ 15.138,32) de 2000, apurou antecipação de CSLL de R$ 34.607,26. que nos demais meses a recorrente suspendeu o pagamento da CSLL e no encerramento de 2000 apurou prejuízo contábil e base negativa de CSLL de R$ 718.745,94. que por ter apurado base negativa de CSLL e efetuado anteriormente antecipações da mesma contribuição, constituiuse um crédito tributário disponível para compensação. que diante da divergência apurada entre a DCTF e DIPJ a RFB e a DRJ não homologaram a compensação. que não foi intimada para regularizar a falha na informação da DIPJ, porém, a entrega da retificadora, resolve a questão já que demonstra a existência do crédito compensado. que apresentou regularmente à compensação créditos tributários decorrentes de saldo negativo de CSLL apurado em 2000, para compensação com débitos de antecipação de CSLL devidos em fevereiro de 2003. que o saldo negativo da CSLL em 2000 foi informado na DCOMP apresentada pela empresa. que houve apenas uma falha formal ao não se informar o mesmo saldo negativo da CSLL na DIPJ do período, falha essa que foi resolvida com o envio, em 2005, da DIPJ retificadora, na qual há informação do prejuízo fiscal no período. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, pela Resolução nº 1302000.103, de 03/08/2011, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: 1 – Levantar as DCTF do anocalendário de 2000, após retificações, e verificar efetivamente a declaração dos valores de CSLL por estimativa identificadas na Tabela 1 acima. 2 – Levantar os extratos de DARF nos sistemas da Receita Federal para consultar o efetivo pagamento desses valores identificados na Tabela 1. 3 – Verificar, nos sistemas da Receita, se a empresa por acaso utilizou os pagamentos declarados e efetuados conforme 1 e 2 em outros PER/DCOMP. 4 – Informar o saldo de CSLL pago conforme 1 e 2 após eventuais compensações em função de 3, informando o saldo disponível principal e juros para compensar com o PER/DCOMP de folhas 5 e seguintes. 5 – Intimar a contribuinte sobre o resultado da diligência (1 a 4) solicitando que se manifeste expressamente em 30 (trinta) dias. 6 – Acostar ao processo os documentos obtidos pelos procedimentos 1 a 5 e retornar o processo a este Conselho para que seja prosseguido o julgamento. A DRF de Curitiba, em 04/06/2012, prestou a Informação Fiscal de fls. 117 e seguintes, onde concluiu o seguinte: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 “Em relação à questão 1, verificase que a DCTF retificadora vigente, apresentada em 26/12/05 (fls. 93 a 96), não apresenta confissão de débitos de CSLL para os períodos constantes na citada tabela (jan/2000 e fev/2000, respectivamente, de R$ 19.468,94 e R$ 15.138,32). Este dado é coerente com as informações constantes na DIPJ/2001 retificadora (fls. 107 a 112), apresentada na mesma data da DCTF, que também não informa CSLL apurada. 3. Em relação à questão 2, esclarecese que, em consulta aos sistemas de controle de pagamentos desta RFB, não se encontrou qualquer pagamento de estimativa de CSLL para o ano de 2000. 3.2 – Contudo, pelo que consta na DCOMP (fl. 8), objeto da decisão em causa neste processo, as parcelas que compõem o crédito (estimativas), estão informadas como tendo sido compensadas pelas DCOMP 21217.58575.141003.1.7.022317 e 20202.98849.141003.1.3.021375. Conforme se pode verificar em tais DCOMP (fls. 97 a 105), comprovase a informação. 3.3 – As referidas DCOMP, registrese, não foram objetos de Despacho Decisório dentro dos cinco anos seguintes à sua transmissão, conforme se pode confirmar na tela SIEFPerdcomp (fl. 106). Assim, considerando a data de sua transmissão (14/10/03), é de se concluir que se encontram homologadas por disposição, nos temos do art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96. 4. Quanto à questão 3, há que esclarecer que, como não houve pagamentos, a possibilidade de os ter aproveitado para outras compensações, não existe, já que não possui um DARF que pudesse ser descrito, na DCOMP, como origem do crédito. Por outro lado, aproveitamento de crédito oriundo de compensação de débito indevido, como seria o caso, em DCOMP ou PER eletrônico, está inviabilizado, já que o programa PERDCOMP não contempla essa possibilidade. E, em consulta ao sistema COMPROT, não se encontrou processo cujo assunto seja um PER ou uma DCOMP em formulário com crédito de tal natureza. 5. Tendo em vista o contido no item precedente, a questão 4 encontrase prejudicada. Assim, nada mais havendo a informar, propõese ciência ao contribuinte, conforme determinado no item 5 da Resolução, acima transcrito.” Cientificada da informação fiscal, em 28/06/2012, o Contribuinte, legalmente representado, apresentou a petição de fls. 121/122, informando o seguinte: que em 30/09/2010, requereu a desistência total do recurso voluntário, renunciando a quaisquer alegações de direito contra o débito para que fosse incluído no parcelamento da Lei nº 11941/2009. que, porém, em 24/05/2012, desconsiderando o pedido de desistência do recurso voluntário, os débitos não foram consolidados e o processo convertido em diligência. reitera o pedido de desistência anteriormente aprsentado e a consolidação imediata dos débitos em cobrança. Em 04/07/2012, a DRF de Curitiba, prestou nova Informação Fiscal às fls. 145/146, onde afirma que verificou que haviam documentos pendentes de anexação ao Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.900329/200803 Acórdão n.º 1302001.669 S1C3T2 Fl. 154 5 processo pela via eletrônica, e, que feita a anexação, verificou que o contribuinte tinha requerido a desistência recurso voluntário, antes da Informação Fiscal de fls. 113/115. Propôs então o encaminhamento do processo ao CACparcelamento para se pronunciar quanto à pretensão de parcelamento do débito em questão, controlado no processo 10980.900473/200831, com posterior retorno para prosseguimento, tendo em vista o pedido de diligência feito pela Resolução do CARF, acima referida, para cujo atendimento já se proferiu a Informação Fiscal, de fls. 113 a 115. O AFRFB em Curitiba, informa às fls. 147, que o débito controlado pelo processo administrativo nº 10980900473/200831 não foi consolidado no parcelamento. Cientificado da informação de fls. o Contribuinte não se pronunciou sobre a mesma. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Diante da analise dos autos, verifico que este processo não pode ser julgado, apesar da informação prestada pelo CACparcelamento de Curitiba informando que o débito em questão não foi consolidado no parcelamento. O Contribuinte cientificado, em 28/06/2012, legalmente representado, apresentou a petição de fls. 121/122, informando que já havia requerido em 30/09/2010, ou seja, antes mesmo do julgamento da Resolução nº 1302000.103, que se deu em 03/08/2011, a desistência total do recurso voluntário. Nesta petição, o patrono reitera o interesse da Contribuinte em renunciar a quaisquer alegações de direito contra os débitos aqui discutidos, para inclusão no parcelamento da Lei nº 11941/2009 e novamente requer sua imediata consolidação. Diante do exposto, frente ao pedido de desistência do recurso voluntário de forma irrevogável e irretratável não conheço do mesmo. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000400/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma, por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 270 1 269 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000400/200881 Recurso nº 99.999Voluntário Resolução nº 2301000.509 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de dezembro de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente JOSÉ CARDOSO NETO SÃO J. RIO PRETO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Tratase de AutodeInfração — AI — n° 37.117.4945, de 23/05/2008, lavrado por ter a empresa acima identificada apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, relativas às competências arroladas, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo desta forma o disposto no artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97, c/c art. 225, inciso IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social — RPS — aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 00 40 0/ 20 08 -8 1 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.000400/200881 Resolução nº 2301000.509 S2C3T1 Fl. 271 2 Conforme Relatório Fiscal da Infração ( fl. 09 ), nas GFIP não foram incluídos os valores de pagamentos efetuados aos segurados empregados, estando identificados no anexo ao AI ( fls. 11 e 12 ), os fatos geradores não incluídos em GFIP, por competência. Foi aplicada a multa no valor de R$ 112.940,10 (cento e doze mil, novecentos e quarenta reais e dez centavos), fundamentada no art. 32, parágrafo 5% da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, e art. 284, inc. II, na redação dada pelo Decreto n° 4.729/03, do RPS e Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008, de conformidade com o explicitado no Feito, Relatório Fiscal da Aplicação Multa e anexo ao AI, (fls. 01 e 10 a 12). Notificada regularmente da autuação, a interessada apresentou IMPUGNAÇÃO, de fls. 20 a 38, aduzindo, em síntese, as seguintes alegações: a) A impugnante não cometeu nenhuma infração porque sempre registrou as GFIP relativas ao prazo 01/2004 a 10/2005; b) A empresa é optante do Simples, ficando, portanto, isenta da contribuição de 23% sobre folha de pagamento, e essa aplicação, por si só, denuncia a irregularidade e fragilidade do presente AI, e, em decorrência destes vícios, o condenam a morte; c) Transcreve artigos da Lei n° 8.212/91 e do RPS e que devem ser apreciados e aplicados os ensinamentos quanto a circunstâncias atenuantes da penalidade, que esses princípios foram atendidos pela impugnante, não havendo razão para se manter o AI da forma que foi lavrado, devendo ser o mesmo extinto. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas. Em 07 de outubro de 2014, a 7ª Turma da DRJ/POR prolatou acórdão [fls. 42 e ss] que julgou procedente a autuação: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/05/2008 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES CORRESPONDENTES A TODOS FATOS GERADORES. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas • legalmente. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.000400/200881 Resolução nº 2301000.509 S2C3T1 Fl. 272 3 Nas competências em que se observa o cumprimento dos requisitos elencados no § 1' do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, relevase a multa aplicada. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA APLICADA. Lançamento Procedente Intimado do decisum, em 09/03/2009, o Sujeito Passivo interpôs tempestivamente Recurso Voluntário no dia 01/04/2004 [fls. 54 e ss], tendo alegado, em resumo, os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, passo a análise de questão preliminar. I DILIGÊNCIA Como visto na capa dos autos do processo administrativo, tratase de auto de infração — AI — n° 37.117.4945, de 23/05/2008, lavrado por ter a empresa acima identificada apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, relativas às competências arroladas, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo desta forma o disposto no artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212/91, ou seja, sob fundamento legal 68, logo não há como negar que o resultado do julgamento do processo que trata das obrigações principais (ausência de recolhimento) influenciará diretamente no desfecho do outro. Dito isso, resolvo CONVERTER o JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o presente processo seja apensado aquele que trata das obrigações principais, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para qual foi distribuído o primeiro processo. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13982.001100/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
MULTA QUALIFICADA
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 00 /2 01 0- 79 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, REGINALDO ROVARIS, foi lavrado o Auto de Infração no qual exige se do contribuinte acima identificado a importância de R$ 1.622.076,27, acrescida de multa de ofício de 150% (R$ 2.433.114,39) e juros de mora calculados até 30/12/2010 (R$ 393.782,94), relativos a fatos geradores verificados nos anos calendário 2005 a 2008. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 5 a 8 do processo digital – v.1) e do Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 115 a 123 – v.3 do processo digital), verifica se que a autuação deu se em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Termo de Verificação e de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fiscalização transcorreu da seguinte forma: Através do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal TIPF (fls. 016 e 017),cientificado pessoalmente o contribuinte em 22/03/2010, aquele foi instado a apresentar os extratos das contas correntes de depósito, poupança e investimentos mantidas em seu nome junto às instituições financeiras ali mencionadas, dos períodos de 01/01/2005 a 31/12/2008. Por expediente juntado às fls. 018, recebido pela Fiscalização em 07/04/2010, o contribuinte informou que NÃO tinha recebido das instituições bancárias os extratos intimados no TIAF, e solicitou prorrogação de prazo para entrega dos mesmos Anexou nessa oportunidade, cópias de seus documentos pessoais e de certidão de registro de imóveis (fls. 019 a 025). Transcorridos mais de 30 dias da ciência do TIAF, diante da inércia do contribuinte em apresentar os extratos bancários intimados, a Fiscalização promoveu em 27/04/2010 a solicitação de emissão de requisição de informação sobre a movimentação financeira (RMF), conforme documentos juntados às fls. 030 e 031, objetivando o recebimento dos extratos bancários não apresentados pelo contribuinte. Apesar da emissão da RMF, a Fiscalização, em observância ao pleito do contribuinte de prorrogação de prazo de entrega dos extratos bancários, em sua correspondência de 07/04/2010, emitiu os Termos de Reintimações Fiscais n° 0001 e n° 0002, em 05/05/2010 e 02/06/2010, respectivamente, conforme documentos juntados as fls. 152, 153, 154 e 157, com envio por via postal, contudo, SEM sucesso de entrega. Observa se que o contribuinte, mesmo tendo ciência da ação fiscal em curso, NÃO facilitou à Fiscalização a entrega dos Termos, razão pela qual, promoveuse a ciência mediante publicação em Edital n°013/2010 (fls. 156). Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Após a desafixação do Edital n° 013/2010 (fls. 039) em 01/072010, a Fiscalização aguardou o prazo de 10 dias concedido para entrega dos extratos, conforme Termo de Reintimação Fiscal n° 0002 (fls. 157), e assim, em 09/07/2010, emitiu o Termo de Intimação Fiscal —TIF n° 0001 (fls. 159 a 172), desta feita, inexplicavelmente, o contribuinte recebeu o no endereço de seu cadastro (fls. 158). Esse TIF no 0001 traz em seu bojo, a planilha de apurações realizadas a partir dos extratos bancários (fls.032 a 149) entregues pelas instituições bancárias frente à Requisição de Movimentação Financeira RMF (fls. 026 a 029), diante da inércia do contribuinte, para que esta pudesse apresentar documentos comprobatários da "origem" de valores que foram depositados em sua conta bancária. Importante destacar que, caso a RMF não tivesse sido promovida, o contribuinte, conforme se verificou durante TODA a ação fiscal, NÃO teria entregue a sua movimentação bancária, e a Fiscalização ficaria sem os dados para o exercício de suas atribuições fiscais. Em 02/08/2010, o contribuinte protocolizou na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Miguel d'Oeste — SC (fls. 173 a 175), citando que não autorizou o que ele atribui como "quebra de sigilo fiscal unilateral", bem como, que não dispõe de tempo hábil para comprovação da origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias. As fls. 177 a 192, a Fiscalização emitindo o Termo de Intimação Fiscal —TIF n° 0002, com recebimento por AR assinado pelo próprio contribuinte (fls. 176), em 30/08/2010, concedeu prazo extra de 20 (vinte) dias, e destacou que o inicio do procedimento fiscal deu se em 22/03/2010, ou seja, visível a intenção do contribuinte em NÃO prestar informações ou apresentar os documentos intimados, em especial, sua movimentação bancária e a origem dos recursos financeiros nela verificados. Importante destacar que a Fiscalização, nesse TIF n° 0002, fez chegar às mãos do contribuinte TODOS os extratos bancários em cópias autênticas dos documentos recebidos das instituições bancárias, além, das planilhas de apurações dos depósitos identificados. Assim, o contribuinte tinha em suas mãos AMPLAS condições de prestar documentalmente os esclarecimentos e comprovações a seu favor, o que NÃO o fez. As fls. 194 consta uma declaração firmada em 06/09/2010 pelo contribuinte indicando que o seu endereço é aquele ali mencionado, diferente daquele de seu cadastro (fls.150). Em 20/09/2010, o contribuinte protocolizou novo expediente em que argumenta que os valores transitados em suas contas bancárias NÃO são de sua propriedade, pois que era apenas COMPRADOR COMISSIONADO de algumas empresas, recebendo e repassando os valores (compras e venda casadas), sem contudo, juntar um único documento comprobatório. Questionou o contribuinte acerca do acesso desta Fiscalização à sua movimentação bancária, entendendo tratar se de quebra de sigilo bancário sem a autorização judicial, o que só reforça a tese de que o mesmo NUNCA prestaria ao Fisco Federal as informações anteriores e repetidamente intimadas. Neste Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 4 5 expediente, o contribuinte apresentou cópia do inquérito policial, que a Fiscalização NÃO detinha em seu poder, que apenas reforçaram a tese do crime contra a ordem tributária, nas investigações chamada "Operação Fumo" (fls. 196 a 474). Por fim, o contribuinte solicitou que a Fiscalização fizesse papel de seu "advogado", ao que fosse diligenciado ao Juizo da Vara Criminal da Comarca de União da Vitória — PR, com vistas a obtenção de documentos, que segundo o contribuinte estão de posse daquele juízo, para que pudesse facilitar a defesa dele mesmo, do contribuinte. Juntou nessa petição, vasta documentação do inquérito policial n° 006/2007 do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos — NURCE (fls. 202 a 474). A Fiscalização, obviamente, não acatou a solicitação do contribuinte, entendendo ser meramente protelatória e descabida, frente ao absurdo requerido. A movimentação bancária verificada decorrem de informações prestadas pelas seguinte instituições bancárias: BANCO DO BRASIL S/A e BANCO BRADESCOS/A, período intimado de 2005 e 2008, apurando os valores significativos em TODOS os anos calendários sob ação fiscal, 2005 a 2008. Destacamos que o Mandado de Procedimento Fiscal n° 09.2.03.002010001224 com vencimento inicial programado para 09/07/2010 foi prorrogado com novo vencimento dado na data de 06/03/2011 (fls. 015). Destarte, frente às considerações suso mencionadas, impende concluir que o contribuinte REGINALDO ROVARIS, CPF no. 008.613.30986, podem ser atribuídas práticas ofensivas à legislação tributária. As autoridades lançadoras também motivam a aplicação da multa de ofício de 150% nos seguintes termos: A conduta do contribuinte de omitir receitas referentes a depósitos bancários efetuados em conta corrente de sua titularidade teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas pelo autuado. Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por TODOS os meses dos anos calendários de 2005 a 2008 (até o mês 08/2008 — perfazendo 44 meses consecutivos), o que demonstra que não houve um mero erro de fato, mas sim, uma conduta dolosa. Ademais, o montante das receitas omitidas pelo contribuinte, e consideradas na presente autuação, perfazem o valor de R$ 5.958.404,88 (fls. 508), que excede em cerca de 80 VEZES o total de rendimentos declarados pelo autuado nos anos calendários de 2005 a 2008 (R$ 74.750,00 fls. 476/479/488/494), o que demonstra sua real intenção de omitir aquelas receitas do conhecimento da Administração Tributária Federal. (...) Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Relembramos que o contribuinte, em 20/09/2010, entregou à Fiscalização uma vasta documentação do inquérito policial n° 006/2007 do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos — NURCE (fls. 202 a 474), que conclui, em tese, pela prática de crime contra a ordem tributária. (...) Encerrando os trabalhos fiscais, foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, formalizada no processo no 13982.001101/201013. O contribuinte apresenta a impugnação de folhas 126 a 196 (v.3processo digital) Após uma breve descrição dos fatos, assim se pronunciou, em resumo: Preliminares: a) Omissão de rendimentos – depósitos bancários: Nesse tópico, o contribuinte requer a nulidade do auto de infração, aduzindo que o fisco se baseou em meras presunções para o lançamento, sem justificar o procedimento de ofício. Afirma que o fiscal não esclareceu qual a causa do lançamento de ofício, se foi por ter deixado de prestar esclarecimentos, por ter se recusado a prestá lós ou porque não foram satisfatórios. Alega que os agentes fiscais desconsideraram por completo a informação de que os valores foram depositados por duas empresas para que o contribuinte pudesse efetuar a compra e venda de "fumo em folha" para estas; que é "COMPRADOR COMISSIONADO" das empresas ARISTEU DA SILVA CONSTANCIO, CNPJ 09171433/000184 e da empresa LÍRIO & OLIVEIRA LTDA, CNPJ 07995704/000190, e, ainda, que a fiscalização não atendeu aos reiterados requerimentos durante a ação fiscal para que o Fisco oficiasse à MM. Juíza titular da Vara Criminal da Comarca de União da Vitória, PR, autos n. 200800008955, para que fornecesse à fiscalização todos os documentos dessas empresas (ARISTEU DA SILVA CONSTANCIO e LÍRIO & OLIVEIRA LTDA), bem como do impugnante em especial, eis que foram apreendidos pelo NURCE do Paraná, sem os quais não poderia se defender, pedido que sequer foi apreciado. Relata que teria alegado à fiscalização, ainda, que os depósitos para a compra de fumo eram feitos em sua conta bancária e que recebia como comissionado, que apenas sacava o dinheiro depositado, pagava aos fornecedores (AGRICULTORES) pela compra do fumo para as empresas acima aludidas (ARISTEU DA SILVA CONSTANCIO e LÍRIO & OLIVEIRA LTDA), devolvendo os valores quando as negociações não eram efetivadas, e que, portanto, a movimentação de tais contas correntes jamais foi uma forma de receita, mas sim, uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor, tratando se de contas transitórias, e, ainda, que o contribuinte somente poderia ser fiscalizado sobre suas receitas, ou seja, sobre as comissões recebidas. Narra que também uma das peculiaridades deste tipo de atividade, em razão do número elevado de transações comerciais, é que os cheques de terceiros, mais precisamente das empresas para os fornecedores, são repassados aos compradores comissionados e estes, na seqüência, os repassem Fl. 826DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 5 7 aos fornecedores, tudo no intuito de fiscalizar o pagamento e receber a comissão sobre venda, que via de regra é descontada quando do repasse do pagamento ao fornecedor, e, para controlar a eficiência desse sistema de repasse de pagamentos e recebimentos, o contribuinte teve que trabalhar com as denominadas “contas transitórias”, onde toda essa movimentação financeira era para o pagamento de fornecedores. Expõe que, no entanto, todas essas teses foram sequer analisadas pelos Fiscais, ocorrendo o cerceamento do direito de defesa e a falta de motivação no lançamento de ofício, além da falta de apreciação de tese defensiva, o que se constitui em nulidade absoluta e insanável. Cita que o exercício de comprador de fumo comissionado contempla esse tipo de depósito em conta corrente com posterior remessa, sendo inerente à atividade e que ficou comprovado o exercício da representação comercial e o repasse dos valores. Conclui que a autuação não sobreviverá, porque, primeiro, o fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimassem a manutenção da presunção embasando a dita omissão de receita; segundo; o contribuinte deu explicações e comprovou que era efetivamente um representante comercial e/ou um comprador de fumo comissionado e que estes valores entraram e saíram das contas correntes constituindo se um mero repasse e não uma decorrência de uma operação de circulação de mercadorias; porque o ora impugnante não tinha inscrição estadual e, portanto, nunca fez compra e venda que justificasse como entradas e saídas os valores transitados pelas contas correntes, e, por fim, que o processo fiscal deve homenagear o princípio da verdade material. Invocando precedente do Supremo Tribunal Federal, questiona o uso da presunção legal no tocante à pessoa física. No corpo dessa explanação, cita precedentes jurisprudenciais administrativos e doutrina sobre o tema. b) Quebra de sigilo fiscal e bancário – sem autorização judicial: Nesse tópico, defende a nulidade o Auto de Infração, porque a autoridade fiscal determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário do impugnante sem qualquer autorização judicial. Tece alegações no sentido de que é nula de pleno direito a quebra do sigilo fiscal e bancário, quando ausente a indispensável fundamentação, estabelecida a partir de fatos tidos, em tese, como ilícitos ou ilegais, sendo indispensável a demonstração cabal de um nexo de causalidade entre o exercício da atividade e a movimentação bancária/fiscal produto de ilícito, sendo insuficiente partir se de saldos de movimentações bancárias para se justificar a quebra do respectivo sigilo por parte da autoridade administrativa, sob pena de produzir prova ilícita (art. 5º, LVI, da CF). Refere que a ausência de fundamentação é suficiente para invalidar as quebras dos sigilos bancário e fiscal, conforme jurisprudência do STF, e que os poderes previstos no texto da Lei Complementar nº 105/2001 devem ser cautelosamente Fl. 827DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 utilizados pela administração. Aduz que os preceitos constitucionais da segurança jurídica e o respeito aos direitos fundamentais são feridos quando a investigação administrativa é transformada em um conjunto de arbitrariedades, objetivando denegrir a imagem do contribuinte investigado. Lembra que o próprio STF modificou seu entendimento, em recente decisão na qual ordenou e entendeu que a Secretaria da Receita Federal só pode ter acesso a dados bancários sigilosos de contribuintes investigados com a devida autorização judicial. Ressalta que “O entendimento do STF é de forma favorável aos contribuintes, os extratos bancários fornecidos sem ordem judicial constituirão prova ilícita, desprovidos de validade jurídica, a teor do que dispõe o art. 5°, LVI da CF/88, pelo qual ‘são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos’. Também são aplicáveis o art. 332 do Código de Processo Civil e o art. 157 do Código de Processo Penal, já que tais dispositivos regulam em nível infraconstitucional aquela cláusula pétrea”, e que afirmou que a Lei Complementar nº 105 não é válida. Prossegue aduzindo que o comando do art. 42 e o seu parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/96, ao determinarem a inversão do ônus da prova, ferem o art. 142 do CTN e o art. 146, III, “b”, da Constituição Federal. E, como o art. 142 do CTN possui eficácia de lei complementar, por força da sua recepção pelo art. 146, III, "b" da CF/88, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 não poderia criar esta presunção, uma vez que tal diploma é lei ordinária em seus aspectos formal e material. Assevera que tem a firme convicção de que a inversão do ônus da prova em favor do Fisco somente pode ocorrer após o encerramento do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário, com a notificação de lançamento que deve conter a prova do fato gerador, além disso, o trâmite desse processo deve observar a ampla defesa e o contraditório, e que no caso em tela foram ofendidos os direitos processuais do contribuinte, pois a autoridade lançadora não se manifestou sobre suas as justificativas e requerimentos. Ainda com relação a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96, diz que no caso das pessoas físicas, por não serem obrigadas a uma escrituração contábil completa, normalmente há uma enorme dificuldade em demonstrar com precisão a origem dos créditos bancários, especialmente porque a fiscalização faz tal exigência em relação aos últimos cinco anos. Que a Receita Federal, tendo a sua disposição as duas opções para efetuar o lançamento por arbitramento com base na movimentação bancária (art. 42 da Lei n° 9.430/96) ou com base nos sinais exteriores de riqueza (art. 6° da Lei n° 8.021/90) deverá levar a efeito aquela que mais favoreça o contribuinte, com o que cumprirá seu dever de aplicar o art. 6°, §6° da Lei n° 8.021/90, e, havendo, portanto, indícios que demonstrem que os valores nas contas bancárias pertencem a terceiros, será aplicável o §6° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, face ao caráter vinculado do ato administrativo de lançamento tributário, inclusive sob pena de responsabilidade funcional (artigos 3° e 142 do CTN). Fl. 828DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 6 9 Discorre sobre a violação de diversos dispositivos constitucionais pela Secretaria da Receita Federal. Alude que a Lei Complementar nº 105 é incompatível com a garantia constitucional do sigilo bancário, a qual resulta dos incisos I e XII do art. 5º da CF/88 e que os autos de infração que se basearam em extratos bancários fornecidos sem prévia autorização judicial deverão ser julgados nulos. c) Do Cerceamento de Defesa — Afronta aos Princípios Constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa: Invocando o art. 5º, LV da Constituição Federal, o art. 24 da Lei Estadual nº 303, de 22.12.2005, sustenta que o auto de infração que não contém a origem e a natureza do crédito tributário, menciona o dispositivo legal em que se fundamenta e a descrição completa dos fatos que ensejaram a autuação, como no caso em tela, impossibilita o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Repisa que o auto infracional está apoiado única e exclusivamente na quebra de sigilo bancário, sem autorização judicial, e que os fiscais não permitiram ao contribuinte se defender, pois nem se manifestaram sobre os fato de os depósitos serem tão somente transitórios, comprador de fumo comissionado, que pudesse pagar a outros fornecedores, e sobre o requerimento, feito por diversas vezes, para que oficiasse a Juíza da Vara Criminal de União da Vitória, nos autos n. 200800008955, para que enviasse os documentos que foram apreendidos, tanto das empresas que o contrataram, bem como dos autos em que está sendo processado. c) Da afronta ao Devido processo legal e a ilicitude das provas Nesse item, em síntese, reforça as alegações de que o processo administrativo se embasa em prova única obtida por meio ilícito, de forma unilateral, que não houve concordância ou discordância do impugnante, sem ater se aos princípios constitucionais do devido processo legal e contraditório. e) Da ilegitimidade passiva do impugnante: Afirma que é parte ilegítima para figurar nesse procedimento administrativo fiscal, pois nenhuma prova, nenhum documento, nada faz crer ou presumir (por quaisquer meios de prova) que tenha omitido receitas. f) Da falta de justa causa dos autos de infração: Essa causa de nulidade trazida pelo impugnante está fundamentada no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, sendo ilegítima a lavratura do auto de infração, cuja irrogação de conduta ilícita não passa de equívocos e cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação. III – Ilegalidade por fixação de prévia tributação: Nesse tópico o contribuinte reforça que a imposição da Fazenda fere os arts. 150, inciso I, 170 da Constituição Federal e 97 e 147 do CTN, criticando a conduta do Fisco de fixar impostos unilateralmente e antes da investigação fiscal com participação Fl. 829DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 do contribuinte, quando poderia obter a documentação necessária para constituir tributos por outros meios, havendo vulneração, também, aos princípios do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, inciso LV, CF). IV – Dos fundamentos jurídicos: Defende novamente nesse ponto da impugnação a ilegalidade do lançamento, que diz estar à revelia da lei, é baseado em provas ilícitas, não permitiu o contraditório e a ampla defesa do contribuinte e relembrando as decisões do STF acerca do sigilo bancário, pelo que pede a sua nulidade. V – Incompetência dos servidores para prorrogações de fiscalização Alude que houve extrapolação do prazo para encerramento da fiscalização em função de que os termos de prorrogações da ação fiscal não foram autorizados pelo Gerente Regional da Secretaria da Fazenda Joaçaba– SC, sendo nulas, portanto, as prorrogações e todos os atos subseqüentes. VI – Falta de indicação da legislação da atualização monetária, uma vez que não foram indicados os artigos correlatos à atualização monetária, a exemplo do art. 100 da Lei nº 10.297/96, requerendo o cancelamento da autuação. VII – Falta de indicação da legislação da aplicação da multa de 150% Do mesmo modo, a autuação é nula posto que não há indicação dos dispositivos legais que autorizem o arbitramento de multa no patamar exorbitante de 150%. VIII – do Excesso de exação Citando doutrina, aponta que não se pode falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada pelo judiciário, registrando que nenhum ato administrativo irregular ou viciado escapa da apreciação jurisdicional. Prossegue alegando que os motivos para a notificação são inexistentes e inidôneos, sendo nula, insanável e inconvalidável. IX – DO MÉRITO Assevera, no mérito, que é inocente das infrações que envolveram seu nome, e, mesmo que fossem válidos os atos de quebra de sigilo bancário (o que não são), não existe prova de que houve qualquer lucro nas operações das contas bancárias transitórias, repisando alegações anteriormente sintetizadas. X – Responsabilidade Tributária Discorre sobre a incidência da norma de responsabilidade, o art. 135 do CTN, distinguindo os possíveis sujeitos passivos da relação jurídico tributária (contribuinte e responsável) e o surgimento da responsabilidade tributária. XI – Das provas contra o impugnante Reafirma que as provas descritas pela autoridade fiscal são única e exclusivamente a existência de valores em sua conta corrente, e, mesmo que fossem válidos os extratos bancários obtidos de forma ilegal e abusiva, em nenhum deles há qualquer comprometimento do suplicante. Ao contrário, comprovam que nada deve ao Fisco, que as contas bancárias eram somente transitórias. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 7 11 XI(sic) – Inconstitucionalidade da Taxa Selic Nas páginas 49 a 62 da impugnação, o contribuinte trata da inconstitucionalidade da taxa Selic, da sua natureza jurídica e tratamento conferido pelos tribunais pátrios com relação à matéria. Ao final, menciona que apesar da autuação ser omissa sobre qual índice de correção e atualização monetária ou juros moratórios foi aplicado ao contribuinte, o que causa ao mesmo dúvidas, imprecisão, ferindo os basilares princípios Constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, entende, que, se foi a Taxa Selic, que é ilegal, deve ser afastada qualquer espécie de correção, multa, juros moratórios e outros. XII – Da Multa Aplicada Trata ainda da Multa aplicada, das discussões doutrinárias e no âmbito dos Tribunais quanto à sua natureza jurídica, aduzindo que as multas tributárias também se sujeitam aos limites do poder de tributar, insertos na Constituição Federal, dentre os quais destaca o nãoconfisco e a capacidade contributiva, além de outros princípios dispersos, mas com igual densidade normativa, como o da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da motivação, da finalidade, do interesse público, da gradação, da subjetividade, da nãopropagação, da pessoalidade, da tipicidade e, como não poderia deixar de ser, da ampla defesa e do contraditório. Cita ainda que a multa aplicada, de 105%, é ilegal e possui caráter confiscatório. XIII – Novo prazo para recurso Requer a dilação do prazo de defesa, alegando que: “Portanto, a fim de que se evite futuras alegações de nulidades e desrespeito aos princípios da igualdade das partes no processo administrativo, é que requer sejam concedidos, no mínimo, mais 30 (trinta) dias para que possa buscar documentos, provas, testemunhas e outras que o eximam de qualquer responsabilidade nesse sentido e efetuar seu pedido de IMPUGNAÇÃO”. Ao final da peça impugnatória, o contribuinte deduziu os seguintes pleitos: a) requer, liminarmente, seja recebida a presente IMPUGNAÇÃO e julgado improcedente os presentes procedimentos fiscais iniciado contra o ora notificado, declarando o nulo, por faltar lhe, no seu aspecto formal, Legitimidade desta para responder sob qualquer aspecto pelas infrações que lhe foram atribuidas e pelos atos infracionais, objeto do lançamento de oficio exarado em seu desfavor. b) requer, seja tornado nulo ou insubsistente o auto de infração que ora se ataca,tonando o sem efeito o imposto exigido, bem assim a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 c) Requer, outrossim, a realização diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementando de provas; ou, ate mesmo, que o julgador, diante das circunstâncias, de oficio determine a diligencia ou perícia, que porventura julgar necessárias com referencias aos documentos acima aludidos. d) requer, ante a falta de comprovação material o ilícito fiscal constante do auto de infração, o seu arquivamento com relação ao impugnante; e) a imprevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação sob hostilidade; f) a comprovada condição de ilegitimidade da autuação, através da qual o autuante quer receber tributos sem o fato gerador que justifique seu nascedouro; g) a indevida instauração da ação fiscal, já que inexistente a obrigação principal, o apenamento não tem qualquer valor. h) Requer seja oficiado a Vara Criminal da Comarca de União da Vitória, PR, autos n. 200800008955, para que forneça a esta fiscalização todos os documentos para qu forneça a esta fiscalização todos os documentos dessas empresas ARISTEU DA SILVA CONSTANCIO, CNPJ 09171433/000184 e da empresa LIRIO & OLIVEIRA LTDA, CNPJ 07995704/000190; e outras envolvidas outras envolvidas nesse procedimento, eis que foram apreendidos todos esses documentos pelo NURCE do Paraná e se encontram apreendidos nestes autos aludidos, sem os quais não poderá o notificado se defender. i) REQUER seja concedido prazo de 30 (trinta) dias, pelos motivos acima aludidos, para que possa apresentar sua IMPUGNAÇÃO, pelos motivos acima alinhavados, o que, em caso de negativa, poderá ofender princípios do contraditório, da ampla defesa e da igualdade das partes. Requer, finalmente, a nulidade de todo o processo, por ser ilegal a quebra de sigilo bancário do impugnante, se autorização judicial, e por faltar qualquer motivação a justificar respectivo imposto e multas, pelo fato de somente ter sido encontrados depósitos bancários em sua conta corrente transitória, sem qualquer outra prova em seu desfavor. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. O sigilo bancário frente à Administração Tributária não é absoluto, não se configurando, com a prestação das informações e o fornecimento de documentos por parte das instituições financeiras, em atendimento a requisições de autoridades fiscais competentes, quebra de sigilo, mas apenas sua transferência. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 8 13 As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicam se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, não tendo sido praticado qualquer ato com preterição do direito de defesa e estando os elementos de que necessita o contribuinte para elaborar suas contrarazões de mérito juntados aos autos, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CLAREZA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Constatada infração à legislação tributária e formalizada a respectiva exigência fiscal por meio de Auto de Infração, no qual estejam presentes o enquadramento legal e a minudente Fl. 833DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 descrição dos fatos, descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPORTUNIZAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DURANTE A FASE INQUISITÓRIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa na fase inquisitória do lançamento, quando ainda não existe processo. A oportunidade de se defender inicia se somente após a efetivação do lançamento, ocasião em que é constituído o crédito tributário. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa, diante da ausência de provas aptas a demonstrar que os rendimentos eram do decorrente; da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial do recorrente; da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; das distorções na imposição da multa qualificada; da multa confiscatória; da taxa selic. É o relatório. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 835DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 836DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 10 17 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Fl. 837DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com Fl. 838DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 11 19 documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Da Multa Qualificada Segundo a fiscalização a recorrente teria omitido rendimentos, adotando conduta no sentido de impedir o lançamento e retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária. A fundamentação no termo de verificação fiscal teria sido a movimentação incompatível com o rendimento declarado ao longo de um período de vários anos. Inobstante respeitável entendimento da autoridade fiscalizadora, não vejo circunstâncias que caracterizem um evidente intuito de fraude. No caso concreto não tenho como presumir que a conduta foi eivada de vício, mas tão somente de omitir do fisco com conhecimento de fato relevante. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Reconhecese que o contribuinte teria sido selecionado a partir de investigações policiais na denominada “operação fumo”, entretanto isso não influencia a natureza da operação verificada, que decorre da omissão de rendimento de valores movimentados em sua conta corrente, aos quais o recorrente não foi capaz de apresentar uma justificativa. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício reduzindoa a 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 840DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.001100/201079 Acórdão n.º 2202002.890 S2C2T2 Fl. 12 21 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13804.000836/2003-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 83 6/ 20 03 -5 1 Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13804.000836/200351 Resolução nº 1802000.570 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de pedidos de Declarações de Compensação de débitos com supostos Saldos Negativos de Imposto de Renda, conforme tabela abaixo: Nº processo Data protocolo Anocalendário do saldo negativo de IR (créditos das compensações) 13804.000836/200351 14/02/2003 2002 13804.001334/200348 14/03/2003 2002 13804.001901/200366 15/04/2003 2002 13804.002673/200341 15/05/2003, retificou em 08/06/2006 2002 A ora recorrente pleiteou a restituição e homologação de compensação do IRPJ relativo ao período de 2002, conforme mencionado nos processos descritos na tabela acima, totalizando a quantia de R$ 964.354,28 (novecentos e sessenta e quatro mil, trezentos e cinquenta e quatro reais e vinte e oito centavos). Foi proferido despacho decisório reconhecendo o direito da recorrente ao crédito original de R$ 674.856,56 (seiscentos e setenta e quatro mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e cinquenta e seis centavos), homologandose a compensação até o valor limite retro mencionado. Isso porque foram reconhecidos apenas os valores constantes na DIRF declarados como rendimentos financeiros, que somam a quantia de R$ 3.374.284,09. Sendo assim, o valor reconhecido de IRRF foi proporcional ao rendimento oferecido e totalizou R$ 674.856,56. Inconformada, a recorrente manifestou inconformidade com o Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo — DERAT , a qual homologou parcialmente as compensações declaradas relativas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, como dito. A decisão foi mantida, e a recorrente, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal, às fls. 199, alegando, em suma: Que a OESP Mídia S/A, CNPJ n° 02.688.912/000123 pertencente ao grupo Estado, reteve o imposto da reclamante sobre juros de mutuo, mas por um erro, não os declarou em DIRF, e por isso anexa à manifestação a DIRF retificadora e seus DARF, cód. 3426 referente aos meses março a julho de 2002, totalizando R$ 163.204,84 de retenção. Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13804.000836/200351 Resolução nº 1802000.570 S1TE02 Fl. 4 3 Que a empresa O Estado de São Paulo, CNPJ no 61.533.9491000141, reteve IRRF relativo a mútuo e apresenta os DARF de retenção na DIRF do período de janeiro a novembro de 2002, argumentando ainda que, por um erro de preenchimento os DARF foram informados incorretamente na DIRF anobase 2001, e os sistemas da Receita Federal não permitem mais a retificação do anocalendário 2001, solicitando ainda a retificação de ofício. Que as aplicações financeiras se iniciaram no anobase de 2001 e foram apropriadas pelo regime de competência no próprio anobase de 2001, razão pela qual a manifestante entende não ser correto o procedimento do Fisco de reconhecer apenas o IRRF cujo rendimento constou na ficha 06 A da DIPJ/2003. Apresentou tabelas e cálculos para comprovar os valores das aplicações já teriam sido declarados no anocalendário de 2001, e requereu o reconhecimento do valor de R$ 964.354,28 e a homologação das compensações declaradas. Em sessão de 27 de janeiro de 2010, a 5ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório requerido, sob os seguintes argumentos: Primeiro, esclarece que cópias de partes de DIRF apresentadas por outras empresas não fazem qualquer prova a favor da contribuinte, principalmente se nelas não tiver qualquer indício de que possuem relação com as supostas telas do programa DIRF apresentadas e ainda, que esses comprovantes de recolhimentos, relativos às informações dessas telas do programa, tenham como beneficiaria a contribuinte. Relata que algumas das DIRF’s apresentadas parcialmente não apontam sequer que a ora recorrente seja a beneficiária da retenção, limitandose esta a apresentar apenas telas do programa DIRF, e não a própria DIRF transmitida, e frisa que cabe a parte, e não Fisco, provar o seu direito de crédito. Ressalta ainda que o IRRF retido no anocalendário de 2001 e não declarados na DIPJ/2002, não podem ser apresentados nem compensados na DIPJ/2003 como parece ter pretendido a contribuinte. Em relação às alegações que teria declarado os rendimentos auferidos pelo regime de competência e que os rendimentos faltantes na DIPJ/2003 estariam declarados na DIPJ/2002, também não podem ser aceitas, pois a contribuinte, a titulo de comprovação do alegado, apresenta meras planilhas e cálculos feitos a mão por ela própria, insuficientes para comprovar seu crédito, razão pela qual não cabe o reconhecimento de qualquer crédito além do já reconhecido pelo Despacho Decisório. Do Recurso Voluntário Inconformada, recorreu a contribuinte em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação, e apresentou os seguintes argumentos, em suma: Sobre a não homologação do valor de R$ 163.204,84: A Recorrente afirma que é empresa gráfica, do Grupo Estado, que possui dentre as suas principais funções a indústria e o comércio gráfico em todas as suas modalidades. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13804.000836/200351 Resolução nº 1802000.570 S1TE02 Fl. 5 4 Que apresentou pedido de compensação eletrônica vinculados ao crédito deste processo sob o n° 130804.000836/200351, que totalizavam a quantia de R$ 964.354,28. Que o despacho decisório homologou o valor de R$ 674.856,56, restando uma diferença de R$ 289.497,72. Afirma que em relação a não homologação do valor de R$ 163.204,84 o Fisco constatou divergência entre os valores declarados na DIPJ da Recorrente e na DIRF da OESP MÍDIA LTDA., e que essa divergência originouse por meio de juros pagos sob contrato de mútuo existente entre a Recorrente e a empresa OESP MÍDIA LTDA., ambas pertencentes ao mesmo grupo. Que para corrigir essa diferença, a Recorrente, apresentou a folha da referida "DIRF" retificadora, onde constava a Recorrente como beneficiária das retenções efetuadas, no valor de R$ 163.204,84. Que, tendo em vista que o Fisco não aceitou a documentação juntada, a recorrente apresenta o extrato de processamento da "DIRF" da empresa OESP MÍDIA., devidamente retificada. Apresenta também o informe de rendimento, tendo como fonte pagadora a empresa OESP MÍDIA LTDA., e como beneficiária, a Recorrente. A Recorrente traz ainda aos autos, os DARFs recolhidos pela empresa OESP Mídia LTDA. para comprovar a origem do crédito tributário compensado. Sobre a não homologação do valor de R$ 32.362,12: Informa que a empresa "ESTADO DE S. PAULO", pertencente ao Grupo Estado, também reteve o Imposto de Renda sobre juros provenientes de contrato de mútuo em nome da Recorrente no ano base 2002, e apresenta o extrato de processamento da "DIRF" da mencionada empresa, que compõem os valores não homologados pela d. Autoridade Fiscal, qual seja, R$ 32.362,12 (trinta e dois mil, trezentos e sessenta e dois reais e doze centavos) referente ao código de retenção 3426. Traz ainda aos autos o informe de rendimentos tendo como fonte pagadora a empresa S/A O "Estado de S. Paulo” e como beneficiária, a Recorrente. Apresenta também os DARFs" recolhidos pela empresa S/A O "Estado de S. Paulo”, a fim de comprovar a origem do crédito tributário compensado. Sobre a não identificação da receita financeira no valor total de R$ 3.841.732,81 (três milhões, oitocentos e quarenta e um mil, setecentos e trinta e dois reais e oitenta e um centavos), base da retenção de IRRF no valor total de R$ 768.346,26 (setecentos e sessenta e oito mil, trezentos e quarenta e seis reais e vinte e seis centavos: A Recorrente alega que efetuou aplicações financeiras com início no ano base de 2001 e resgatadas no ano base de 2002, quando, então, ocorreram as retenções do "IRRF" por parte da Instituição Financeira. Informa que as receitas dessas aplicações financeiras foram apropriadas pelo regime de competência da Recorrente no ano base de 2001 e no ano base de 2002, não sendo Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13804.000836/200351 Resolução nº 1802000.570 S1TE02 Fl. 6 5 correta a concessão de crédito de apenas R$ 674.856.56 com base na receita financeira no valor de R$ 3.374.249,09. Alega que o valor de R$ 2.103.868,19 está "embutido”' no total da conta contábil, conforme documentação anexada, e que no momento do resgate da aplicação, houve a retenção do IRRF de R$ 16.360,42, que é a mesma quantia declarada no Informe de Rendimentos das Instituições Financeiras. Requer a consideração do recurso, bem como a homologação da totalidade dos valores anteriormente compensados. Esse o Relatório. Segue meu Voto. VOTO. Conselheiro Relator Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Da Tempestividade A Recorrente foi cientificada do Acórdão da DRJ/SP1 em 01/03/2010 e apresentou seu Recurso em 30/03/2010. Por ser tempestivo e dotado dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário em face do V. Acórdão 1624.102, proferido em sessão de 27 de janeiro de 2010 pela 5ª Turma da DRJ/SP1, o qual não reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, sob o argumento de que os documentos juntados aos autos pela recorrente não tiveram o condão de comproválo. Alega a autoridade fiscal que foram reconhecidos apenas os valores constantes na DIRF, declarados como rendimentos financeiros, somando a quantia de R$ 3.374.284,09. Além disso, o valor reconhecido de IRRF foi proporcional ao rendimento oferecido, totalizando a quantia de R$ 674.856,56, e não os R$ 964.354,28 pleiteados pela recorrente. Já a turma julgadora da DRJ entendeu que, no caso dos autos, a manifestante não trouxe elementos que pudessem infirmar os cálculos da autoridade fiscal, uma vez terse limitado a trazer apenas as telas do programa DIRF, e não a própria DIRF transmitida, bem como meras planilhas e cálculos "feitos a mão". Em seu recurso, a recorrente alega que as divergências apresentadas decorrem do pagamento de juros sob contrato de mútuo existente entre a Recorrente e outras empresas do Grupo "Estado de São Paulo". Junta os DARF recolhidos pelas empresas do grupo para comprovar a origem dos supostos créditos tributários Traz ainda aos autos planilha de conciliação entre a apuração contábil e o informe de rendimento dos bancos no ano base 2002, bem como planilhas detalhadas sobre as aplicações financeiras realizadas e o respectivo IRRF. Ao analisar as alegações da Recorrente e a documentação trazida aos autos, entendo ser necessária a confrontação de tudo o quanto de documentos apresentados com o recurso com as alegações e demais documentos já constantes dos autos, para se fazer valer, definitivamente ou não, o direito creditório, em nome da verdade material. Reproduzo, por entender correto, o trabalho de autoria do professor JAMES MARINS, in verbis: Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13804.000836/200351 Resolução nº 1802000.570 S1TE02 Fl. 7 6 "O princípio da verdade material que governa o procedimento e o processo administrativo opõemse ao princípio da verdade formal que preside o processo civil, pois este prioriza a formalidade processual probatória — como ônus processual próprio das partes que tem como motor o princípio da segurança jurídica que cria amarras e restrições à atividade promovida pelo magistrado no processo judicial. No processo judicial a convicção do juiz advém unicamente do conjunto de elementos produzidos pelas partes em rígido sistema de preclusão. Isso não significa que a verdade formal não possa conter a verdade material, mas apenas que a liberdade investigativa, os meios próprios de averiguação dos eventos de interesse tributário (diligências administrativas como a fiscalização in loco) e as faculdades procedimentais e processuais conferidas à Administração, se apresentam como instrumentos mais apropriados para a aproximação com a verdade material do que aquelas que são usualmente disponíveis no processo judicial. Enquanto no processo judicial de caráter civil ao magistrado não é licito tomar a frente do processo e determinar ex officio a produção de provas que entender indispensáveis, no procedimento e no processo administrativo tributário a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material." (Direito Processual Tributário Brasileiro — Administrativo e Judicial, ed. Dialética, 3a. edição, pág.1 80) (g. n.) Nesse sentido, temse pronunciado este E. Conselho reiteradamente. Embora seja meu entendimento o de que no caso presente há elementos suficientes para a prova do quanto alegado pela Recorrente, para evitar questões de supressão de instância, voto pela conversão deste em diligência, devendose, primeiramente, intimar a contribuinte para trazer aos autos os livros fiscais correspondentes ao período da autuação. Examinando os citados livros fiscais, em confronto com a documentação apresentada no recurso, deverá a autoridade fiscal confirmar ou não a correção da compensação efetuada Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (assinado digitalmente) Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10380.730638/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS NOS INCISOS X E XII DA CF/88. PROVAS ILÍCITAS.
Somente é licito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2202-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS NOS INCISOS X E XII DA CF/88. PROVAS ILÍCITAS. Somente é licito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 06 38 /2 01 1- 66 Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, NICOLAS ALENCAR VASCONCELOS, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, para cobrança do Imposto de Renda no valor de R$ 2.080.016,18. Sobre o Imposto de Renda foi lançada Multa de Ofício, em percentual de 150%, no valor de R$ 3.120.024,27. O crédito tributário totalizou, em 30/09/2011, o valor de R$ 6.035.024,24, incluindo: Imposto de Renda, Multa de Ofício e Juros de Mora, com base na Taxa Selic. O crédito tributário é relativo às Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2007 e 2008, anos calendário 2006 e 2007 O Imposto Suplementar decorreu de comprovação da origem de depósitos bancários e de infração de omissão de rendimentos da atividade rural. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foram encaminhadas a instituições financeiras, tal como se constata de fls.1798 a 1804. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/23, a infração de omissão de rendimentos foi detectada com base nos seguintes fatos: 1) movimentação financeira, nos anos calendário de 2006 e 2007, no Banco Bradesco S/A, Banco do Brasil, S/A, Banco Industrial e Comercial S/A, Banco Santander, Caixa Econômica Federal, Banco SAFRA e Banco do Nordeste do Brasil S/A, incompatível com os rendimentos informados na respectiva Declaração de Ajuste Anual; 2) relativamente ao ano calendário de 2006, o senhor contribuinte teve movimentação financeira em montante de R$ 12.944.484,78 e a Declaração de Ajuste Anual demonstrou resultado tributável da atividade rural, no valor total de R$ 80.025,52; 3) relativamente ao ano calendário de 2007, o senhor contribuinte teve movimentação financeira em montante de R$ 14.392.191,58 e a Declaração de Ajuste Anual demonstrou resultado tributável da atividade rural no valor total anual de R$ 83.199,79; 4) o senhor contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes mantidas em bancos; 5) o senhor contribuinte apresentou parte dos extratos bancários e o autor do procedimento de fiscalização solicitou através de Requisição de Informações Financeiras, RMF, o restante dos extratos bancários, à instituição financeira; 6) de posse de todos os extratos bancários, os fornecidos pelo contribuinte e os fornecidos pela instituição financeira, em resposta à RMF, o autor do procedimento fiscal fez as devidas conciliações, preparou uma relação de depósitos bancários, identificando o banco, agencia, data e valor do depósito, e intimou o senhor contribuinte a comprovar a origem de todos os depósitos bancários, discriminados na relação; 7) o senhor contribuinte em resposta à intimação, apresentou diversas Notas Fiscais de Saída emitidas pela empresa Granja Soever Limitada, CNPJ 07.859.846/000120, diversos Contratos de Mútuo, Livro Caixa da Atividade Rural, Livro de Registro de Saída da empresa Granja Soever Limitada, Razão Analítico das contas correntes em nome da Granja Soever Limitda; Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.730638/201166 Acórdão n.º 2202002.733 S2C2T2 Fl. 3 3 8) o senhor contribuinte informou que a origem dos depósitos bancários relacionados ao Termo de Intimação Fiscal deuse pelo recebimento de empréstimos da empresa Granja Soerver Limitada e pelo recebimento de empréstimos do senhor Marden Alencar Vasconcelos, apresentando os respectivos Contratos de Mútuos; 9) o autor do procedimento de fiscalização diligenciou contra a empresa Granja Soerver Limitada e contra o senhor Marden Alencar Vasconcelos, no sentido de obter provas da efetiva entrega dos recursos, ingressados na conta corrente do senhor contribuinte como suposto empréstimo; 10) tanto a empresa como o senhor Marden Alencar Vasconcelos apresentam documentos, que, segundo o autor do procedimento de fiscalização, não comprovam a origem dos créditos ou dos depósitos bancários, como sendo de Contratos de Mútuos; 11) O autor do procedimento de fiscalização solicitou através de RMF das instituições financeiras cópia dos cheques (foram selecionados diversos cheques de maior valor); 12) de posse das cópias dos cheques, o autor do procedimento de fiscalização identificou o beneficiário dos cheques e intimou o beneficiário a comprovar a efetividade da operação que deu causa ao recebimento do cheque; 13) os beneficiários dos cheques emitidos pelo senhor contribuinte informaram que o cheque havia sido recebido pelo pagamento de produtos ou serviços relacionados à agricultura. Muito dos cheque serviram para pagamento de produtos da atividade rural, despesas de custeio; 14) o autor do procedimento de fiscalização constatou que o senhor contribuinte exercia, nos anos calendário de 2006 e 2007, exclusivamente, atividade rural, tendo apresentado as Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2007 e 2008, com rendimentos, exclusivamente, da atividade rural; 15) o autor do procedimento de fiscalização constatou que os contratos de mútuos eram simulados, não tendo havido comprovação da efetividade da entrega por parte das empresas mutuantes: Granja Soever Limitada e Marden Alencar Vasconcelos; 16) o autor do procedimento de fiscalização, tendo constatado que as saídas das contas correntes, cheques emitidos pelo senhor contribuinte, destinaram se a pagamento de compra de produtos relacionados à atividade rural, deu por origem comprovada relativamente a todos os depósitos bancários relacionados às diversas contas correntes, conforme relação anexa ao Termo de Intimação Fiscal; 17) o autor do procedimento de fiscalização considerou todos os depósitos bancários como sendo receita bruta da atividade rural, confrontou o somatório mensal com a receita bruta mensal da atividade rural informada na Declaração de Ajuste Anual e constatou que a receita bruta da atividade rural foi informada a menor, apurando, então, omissão de rendimentos da atividade rural; Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 18) o autor do procedimento de fiscalização constatou que o senhor contribuinte vendia produtos da sua atividade rural para a empresa Granja Soever Limitada, fato materializado em diversas Notas Fiscais do Produtor Rural, emitidas pelo senhor contribuinte. As Notas Fiscais do Produtor Rural somaram no ano calendário de 2006, o valor de R$ 3.178.046,94. Para o ano calendário de 2007, somaram o valor de R$ 3.045.743,76; 19) o senhor contribuinte é um grande fornecedor de produtos para a Granja Soever e para o Senhor Marden Alencar Vasconcelos, não tendo havido nenhum empréstimo, e sim, a venda de produtos produzidos pelo Produtor Rural, Nicolas Alencar Vasconcelos, o senhor contribuinte; 20) o autor do procedimento fiscal tomou o somatório mensal dos depósitos bancários como receita bruta da atividade rural e o confrontou com a receita bruta apurada informada na Declaração de Ajuste Anual; 21) tomando a despesa de custeio informada na Declaração de Ajuste Anual, o autor do procedimento de fiscalização apurou a diferença o resultado da atividade rural, tributando a diferença, conforme a forma de tributação escolhida pelo senhor contribuinte; 22) a diferença do resultado da atividade rural no ano foi tributada, apurandose Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar; 23) pelo fato de o senhor contribuinte ter utilizado Contratos de Mútuos simulados, o autor do procedimento de fiscalização lançou a Multa de Ofício Qualificada, no percentual de 150%. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência, por via postal, em 22/10/2011, conforme Aviso de Recebimento, AR, fls. 1.813, o contribuinte apresentou impugnação, em 17/11/2011, fls. 1.815/1.861, insurgindose contra todo Auto de Infração, argumentando, tal como relatados pela autoridade de primeira instância: 1) preliminar de nulidade, por vício de forma, ressaltando o Mandado de Procedimento Fiscal. O autor do procedimento de fiscalização não estava munido do Mandado de Procedimento Fiscal. O contribuinte autuado nunca foi cientificado de Mandado de Procedimento Fiscal. Não recebeu cópia do Mandado de Procedimento Fiscal e nem o código de acesso pela internet no sitio da Receita Federal do Brasil. Todos os procedimentos fiscais realizados a descoberto do MPF estão inválidos. O autor do procedimento de fiscalização não tinha competência para fiscalizar e lavrar Auto de Infração (citou diversos julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais); 2) preliminar de nulidade por quebra de sigilo bancário. Privacidade e Intimidade nos termos dos incisos X e XII do artigo 5º da CF/88 e no artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, da CF/88. Extratos bancários requisitados aos bancos por meio de RMF nos quais se mantinha conta corrente em desacordo com o Decreto nº 3.725, de 2001, com redação dada pelo Decreto 6.104, de 2007. RMF autorizada sem que tivesse sido realizado o requisito da Portaria SRF nº 180, de 2001. Procedimento de fiscalização em curso e exame considerados indispensáveis. Requisitos estabelecidos pelo Decreto e não seguidos pelo Autor Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.730638/201166 Acórdão n.º 2202002.733 S2C2T2 Fl. 4 5 do Procedimento de Fiscalização. O procedimento de fiscalização foi iniciado para quebra do sigilo bancário, solicitandose os extratos bancários por meio de RMF sem o relatório de hipótese de indispensabilidade conforme a legislação regulamentar; 3) preliminar de nulidade por inobservância do princípio da ampla defesa. O autor do procedimento de fiscalização realizou diversas diligências contra terceiros, pessoas físicas e pessoas jurídicas, e não deu conhecimento dos documentos colhidos para o senhor contribuinte; 4) preliminar de nulidade por requisitar cópia de cheques emitidos por parceiros comerciais do senhor contribuinte. Emissão de RMF contra terceiros, parceiros comerciais, para obtenção de cópia de cheques depositados na conta corrente do senhor contribuinte. Procedimento não admitido conforme Solução de Consulta Interna Cosit nº 37, de 28 de agosto de 2008. Provas ilícitas por quebra de sigilo bancário. 5) preliminar de nulidade. Provas ilícitas. Quebra de Sigilo Bancário sem autorização judicial. O contribuinte vem argumentando inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, fundamentando se no artigo 5º, incisos X e XII, no artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, ambos da CF/88. Citou e transcreveu diversos julgados do Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário e agravo de instrumento, nos quais se reconhece a necessidade de autorização judicial para a quebra do sigilo bancário; 6) no mérito, o autor do procedimento de fiscalização considerou que todos os depósitos bancários tiveram origem na atividade rural, considerando o depósito bancário como receita bruta da atividade rural e apurando omissão de rendimentos da atividade rural. Como a autuação não foi decorrente de depósito bancário de origem não comprovada, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a regra não é que o contribuinte deva provar a origem dos depósitos bancários; mas sim que a RFB prove que houve omissão de rendimentos, apontando as operações correspondentes; 7) a fiscalização não prova a existência das operações, ou a omissão de rendimentos; limitandose apenas a utilizar os depósitos bancários como base de cálculo; 8) vários dos depósitos bancários tiveram origem em mútuos celebrados entre o contribuinte de outros produtores rurais; 9) os mútuos eram feitos através de troca de cheques pré datados com descontos em bancos. O autor do procedimento de fiscalização não considerou as respostas dos parceiros na atividade rural com os quais as operações de mutuo eram feitas; 10) o autor do procedimento de fiscalização não poderia atribuir a todos os depósitos bancários a origem como sendo da atividade rural, uma vez que, havia depósito bancário originado de mútuos com parceiros produtores rurais; Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 11) o autor do procedimento de fiscalização estava de posse das Notas Fiscais de Produtor Rural, podendo ter utilizado essas Notas Fiscais de Produtor Rural para apurar eventual omissão de rendimentos da atividade rural; 12) o autor do procedimento de fiscalização correlacionou o depósito bancário com a receita bruta da atividade rural sem apresentar documento que pudesse demonstrar que o depósito bancário originou se da atividade rural; 13) houve presunção de omissão de rendimentos da atividade rural; 14) posteriormente, deveria apresentar documento de transferência bancária para demonstrar a efetividade do mútuo com parceiros produtores rurais; 15) o autor do procedimento de fiscalização não levou em consideração as respostas dos produtores rurais que foram intimados para se pronunciarem sobre o argumento de mútuo. Nas respostas à intimação, os produtores rurais confirmaram o existência dos mútuos. Entretanto, o autor do procedimento de fiscalização não levou em consideração as respostas dadas pelos produtores rurais parceiros na troca de cheques prédatados; 16) inaplicável a Multa de Ofício Qualificada, em percentual de 150%, haja vista que de fato houve a contratação de mútuo, não tendo havido fraude; 17) a jurisprudência da Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica em admitir a Multa Qualificada apenas nos casos e evidente cometimento de fraude por parte do contribuinte; 18) o autor do procedimento de fiscalização apenas não considerou os contratos de mútuos como prova da origem dos depósitos bancários. Não há provas de que os contratos de mútuos foram feitos em conluio para justificar os depósitos bancários sem que tenha havido de fato a operação; 19) a fraude e dolo não podem ser presumidos (nesse sentido, o senhor contribuinte citou e transcreveu diversas ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reduzindo a Multa de Ofício, em percentual de 150% para 75%, por inexistência de prova de cometimento de fraude e dolo) A DRJ julgou o lançamento improcedente pois teria existido a irregular quebra do sigilo bancário, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006, 2007 NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS NOS INCISOS X E XII DA CF/88. PROVAS ILÍCITAS. Somente é licito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.730638/201166 Acórdão n.º 2202002.733 S2C2T2 Fl. 5 7 A autoridade julgadora recorre de ofício da decisão. É o relatório. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade de primeira instância julgou a lançamento procedente pois no seu entendimento a prova utilizada pela fiscalização seria ilícita. Assim se manifesta a autoridade de primeiro instância: Intimado a apresentar os extratos bancários, o senhor contribuinte atendeu à intimação apresentando os extratos bancários do BIC Banco, do Banco Safra e do BNB. Não tendo apresentado todos os extratos bancários, o senhor contribuinte foi reintimado e não atendeu à intimação. O restante dos extratos bancários foram solicitados através de RMF, expedidos para o Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A, Banco Industrial e Comercial S/A, Banco Santander, Caixa Econômica Federal, Banco SAFRA e Banco do Nordeste S/A. Após apresentar os requisitos exigidos pelo artigo 3º do Decreto n 3724/2001, afirmou a autoridade recorrida. Vê se, então, que as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira foram motivadas pelo fato de haver indícios de que o titular de direito seria interposta pessoa do titular de fato. Conforme ressaltado no Termo de Verificação Fiscal, a movimentação financeira, tanto no ano calendário de 2006 como no ano calendário de 2007, foi superior a dez vezes a renda disponível declarada. Isso no entendimento do autor do procedimento de fiscalização. Entretanto, para o presente caso, há de se acolher a preliminar de que os extratos bancários foram obtidos em desacordo com as regras contidas na Lei Complementar nº 105, de 2001 e no correspondente Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o artigo 6º. Há de se ressaltar que para o ano calendário de 2006, o senhor contribuinte auferiu rendimentos da atividade rural, receita bruta, em montante anual de R$ 6.404.876,54; para o ano calendário de 2007, auferiu rendimentos da atividade rural, receita bruta, em montante anual de R$ 7.458.039,00, tudo conforme as respectivas Declarações de Ajuste Anual. Nessa situação, não há como se imputar ao senhor contribuinte movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados e nem como enquadrálo como interposta pessoa, para fins de requerimento de extratos bancários às instituições financeiras. As informações das Declarações de Ajuste Anual não denotam a situação de interposta pessoa, dentro do fato de que houve movimentação financeira, em montante de R$ Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.730638/201166 Acórdão n.º 2202002.733 S2C2T2 Fl. 6 9 12.944.484,78, para o ano calendário de 2006, e em montante de R$ 14.392.191,58, para o ano calendário de 2007. A situação fática não permite enquadrar o senhor contribuinte no inciso XI do artigo3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Entendo correto o arrazoado da autoridade julgadora, não há dúvida que a autoridade lançadora não demonstrou que estariam preenchidas as condições indispensáveis para solicitação dos extratos bancários. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 14485.003378/2007-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/08/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.917
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 78 /2 00 7- 59 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003378/200759 Acórdão n.º 2403002.917 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1618.146 da 11ª Turma, que julgou o lançamento procedente em parte com o reconhecimento da decadência até a competência 11/2001, com base no artigo 173, I do CTN. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD lavrada pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, na condição de sucessora, por incorporação, da empresa SEA PORT COMÉRCIO DE ARTIGOS DO VESTUÁRIO LTDA, CNPJ 61.471.512/000120, nos termos do art. 132 da Lei n.° 5172/66 — Código Tributário Nacional —CTN. O lançamento é relativo as contribuições sociais devidas pela empresa — a parte da empresa, a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras entidades — incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, conforme declarado nas folhas de pagamento e nas GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações Previdência Social, nas competências de 01/1997 a 08/2006, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 26/32. Informa ainda o Relatório Fiscal que todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram deduzidos do valor da presente Notificação, assim como os valores de saláriofamília e saláriomaternidade. O Relatório Fiscal acrescenta que será emitida Representação Fiscal para Fins Penais, pela prática, em tese, das condutas tipificadas no art. 168A do Código Penal, pelo fato de terem sido verificadas diferenças a recolher na contribuição retida dos segurados empregados. Tais diferenças foram objeto de recolhimento durante a ação fiscal. O valor devido atinge o montante de R$ 256.842,27 (duzentos e cinqüenta e seis mil e oitocentos e quarenta e dois reais e vinte e sete centavos), consolidado em 20/12/2007. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Tempestivamente, a Notificada impugnou o lançamento, através da peça de fl. 166/193 acompanhada de cópias de Contrato Social e procuração (fl. 195/212) e cópias de peças da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fl. 213/338). Em sua defesa, a Impugnante faz relato da notificação e traz contra ela os argumentos a seguir sintetizados Do Direito 1. Das nulidades constantes na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Alega que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito não contém as peças de instrução obrigatórias elencadas nos art. 640 e 663 da Instrução Normativa SRP n.° 03/2005: não integram a presente Notificação o Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de documentos — AGD e o Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF. Não consta ainda o Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF. Tais Termos não foram entregues à Impugnante por meio impresso para que pudessem ser assinados. Acrescenta que o Sr. Marcelo Simões Abraão não é sócio da Iinpugnante, embora conste no Relatório de Representantes Legais — REPLEG como sóciogerente. Por fim, a Notificação desrespeita o art. 142 do Código Tributário Nacional —CTN, porque não traz, em sua descrição, elementos suficientes que demonstrem a natureza da infração, os fatos supostamente infringentes à lei, os elementos configuradores do fato gerador, os fundamentos (de fato e de direito) e a legitimidade da pretensão. Caracterizouse o cerceamento de defesa porque o contribuinte não teve acesso aos relatórios e documentos necessários, e a Notificação não atende os requisitos da lei. 2. Da perda da espontaneidade. Não deve ser emitida Representação Fiscal para Fins Penais pelo fato de ter ocorrido apropriação da contribuição do segurado. O pagamento, nos termos do artigo XXX (sic) do Código Penal, extingue a punibilidade das referidas condutas. 3. Da decadência. Devese considerar decaído o direito do Fisco de lançar créditos referentes a tributos lançados por homologação. Nos termos do §4 ° do art. 150 do CTN, os fatos geradores ocorridos até 21/12/2002 estão abrangidos pela decadência. Os art. 45 e 46 da Lei n.° 8212/91 são inconstitucionais. Transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cita o art. 10 do Decreto n.° 2345/97, que obriga a administração a observar, em seus julgados, decisões do Supremo Tribunal Federal, e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ST.1. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003378/200759 Acórdão n.º 2403002.917 S2C4T3 Fl. 4 5 4. Da ilegalidade da incidência do juro SELIC sobre créditos tributários. O próprio Superior Tribunal de Justiça decidiu que a aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários é inconstitucional. 5. Do pedido. Requer o recebimento da Impugnação para que seja declarada a nulidade da presente NFLD, reconhecida a decadência dos créditos lançados e a inaplicabilidade dos juros equivalentes à SELIC. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · a nulidade da autuação pela falta dos requisitos necessários para sua constituição – TIAF, TIAD e MPF e descrição insuficiente; · a decadência dos supostos créditos com base no artigo 150 § 4 º do CTN; · Representação Fiscal para Fins Penais; · a ilegalidade da incidência dos juros SELIC; · conforme consta do Relatório de Representantes Legais — REPLEG, o Sr. Marcelo Simões Abrão é qualificado como Sócio Gerente da Recorrente. Todavia, conforme Contrato Social anexo, podese aferir que o mesmo não é sócio da Recorrente. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente alega que não constam TIAF, TIAD o MPF e que a falta desses documentos impressos motiva a declaração da nulidade do lançamento. Outro vício apontado é que o Sr. Marcelo Simões Abrão, qualificado como Sócio Gerente no Relatório de Representantes Legais REPLEG, não é sócio da Recorrente. Não concordo com a recorrente. Consta do processo, folha 11, a indicação que “contém um CD com os anexos da ação fiscal 09394790, NFLD 37.146.6067, Bônus Indústria e Comércio de Confecções Ltda, CNPJ 55.507.834/000180” O MPF, do qual, comprovadamente a recorrente tomou ciência, folhas 14 a 16, especifica que “a partir da ciência deste MPF, encontrase sob AuditoriaFiscal Previdenciária, devendo apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização no prazo estabelecido no correspondente Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD).” Entendo assim, que a recorrente foi notificada do início da ação fiscal. Conforme o disposto no art. 1º da Lei nº 11.098 de 13 de janeiro de 2005, fica o sujeito passivo cientificado de que, a partir da ciência deste MPF, encontrase sob AuditoriaFiscal Previdenciária, devendo apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização no prazo estabelecido no correspondente Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD). Para a questão do MPF, o CARF tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003378/200759 Acórdão n.º 2403002.917 S2C4T3 Fl. 5 7 auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido O Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF está apresentado às folhas 18 e 19. O TIAD está contido na folha 20. Constato que a empresa, por meio de sua Gerente Jurídico recebeu os documentos que agora diz que não recerbeu. Ademais, a jurisprudência está consolidada no entendimento de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃO CUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. ... Quanto à questão do o Sr. Marcelo Simões Abrão, qualificado como Sócio Gerente no Relatório de Representantes Legais REPLEG, não é sócio da Recorrente. A relação de representantes legais é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores. A decisão de primeira instância já relatou que o Sr Marcelo era administrador da empresa. A inclusão do Sr. Marcelo Simões Abraão no Relatório de Representantes Legais — REPLEG como sóciogerente está de acordo com o art. 9° do Instrumento Particular de Re Ratificação e Alteração do Contrato Social. Esse artigo estabelece que a sociedade será administrada por ele, na qualidade de Diretor. Como se trata de uma sociedade limitada, a forma de indicar que ele é o responsável pela gerência do negócio é classificálo, no Relatório de Representantes Legais — REPLEG, como sóciogerente. E embora não seja ele sócio da empresa Notificada, e sócio representante da empresa sócia majoritária da Impugnante, o que o vincula também à notificada. Também aqui não percebo razão para a nulidade. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003378/200759 Acórdão n.º 2403002.917 S2C4T3 Fl. 6 9 DECADÊNCIA Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal, conforme o CTN. Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O Relatório Fiscal registra a existência de recolhimentos. 8. Todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram considerados no lançamento e deduzidos desta Notificação, bem como, as deduções do saláriofamília e saláriomaternidade, conforme demonstram os anexos Relatório de Documentos Apresentados RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA e Discriminativo Analítico de Débito DAD. O período do lançamento é de 01/1997 a 08/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2007. Entendo decadentes as competências até 11/2002, inclusive. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003378/200759 Acórdão n.º 2403002.917 S2C4T3 Fl. 7 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 11/2002, com base na regra do artigo 150, § 4° do CTN. No mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.906387/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 63 87 /2 00 9- 81 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.906387/200981 Acórdão n.º 3202001.506 S3C2T2 Fl. 348 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 23034.008000/2003-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NRD's n° 790/004, 344/2004, 398/2004, 360/2004,
439/2004, 392/2004 e 393/2004.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULA. SEM MOTIVAÇÃO.
Torna-se inconstitucional e ilegal decisão administrativa que não tem a motivação, sendo nula, devendo-se anular.
No presente caso não há na decisão hostilizada nem mesmo relatório que traga aos litigantes conhecimento com percuciência dos fatos. Não há motivação. Prejudica a ampla defesa e o contraditório.
Por isto deverá ser anulada.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto que integra o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior E Wilson Antonio De Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 NRD's n° 790/004, 344/2004, 398/2004, 360/2004, 439/2004, 392/2004 e 393/2004. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULA. SEM MOTIVAÇÃO. Torna-se inconstitucional e ilegal decisão administrativa que não tem a motivação, sendo nula, devendo-se anular. No presente caso não há na decisão hostilizada nem mesmo relatório que traga aos litigantes conhecimento com percuciência dos fatos. Não há motivação. Prejudica a ampla defesa e o contraditório. Por isto deverá ser anulada. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto que integra o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior E Wilson Antonio De Souza Correa.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULA. SEM MOTIVAÇÃO. Tornase inconstitucional e ilegal decisão administrativa que não tem a motivação, sendo nula, devendose anular. No presente caso não há na decisão hostilizada nem mesmo relatório que traga aos litigantes conhecimento com percuciência dos fatos. Não há motivação. Prejudica a ampla defesa e o contraditório. Por isto deverá ser anulada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto que integra o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 80 00 /2 00 3- 17 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior E Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 23034.008000/200317 Acórdão n.º 2301004.271 S2C3T1 Fl. 586 3 Relatório Referese a processo Administrativo Fiscal referente à Contribuição Social do SalárioEducação, constituído pelo FNDE com base nos Decretos 3.142/1999 e 4.943/2003, notificado através das NRD’s acima. Ciente do lançamento a Recorrente apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Face aos artigos 30 e 40 da Lei n0 11.457/2007, que transferiram os processos administrativos fiscais das contribuições sociais devidas a terceiros para a RFB, os débitos de salário educação constituídos pelo FNDE foram migrados dos sistemas de controle próprios do FNDE para os sistemas de controle de lançamento e de cobrança da RFB, SISCOL e SICOB, respectivamente. Antes porém, foi julgada a impugnação improcedente, conforme se vê às fls.286, compelindo o Recorrente a aviar o presente Recurso Voluntário. É a síntese do necessário. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa Relator O presente Recurso Voluntário foi aviado dentro do trintídio e acode os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo analise dos argumentos expendidos para, afinal, julgamento deles. DECISÃO ADMINISTRATIVA SEM MOTIVAÇÃO. Como se vê às fls. 286 a autoridade competente para decidir em primeira instância, qual seja, o Presidente do FNDE não respeitou princípios pétreos da Carta Maior, sobretudo o da motivação. O Ordenamento Jurídico Pátrio não admite tal comportamento, tanto que inúmeras são as decisões que anulam decisão que não seja acompanhada de motivação. Vejamos: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. 6ª Turma Cível Acórdão nº 473251 do Processo nº20050110629156apc Data 15/12/2010 Ementa APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. NULIDADES DE INFRAÇÕES E DE RECURSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. SUSPENSÃO DA CARTEIRA ANULADA. I A DECISÃO QUE APRECIA RECURSO ADMINISTRATIVO DEVE SER MOTIVADA, NÃO SE ADMITINDO QUE ESTEJA EM FLAGRANTE CONFRONTO COM OS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. II É NULA A DECISÃO QUE APLICA PENALIDADE DE SUSPENSÃO DE DIRIGIR, SEM EXPLICITAR AS MOTIVAÇÕES DA DECISÃO E SEM LEVAR EM CONTA AS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS INCONTROVERSAS ADUZIDAS PELA DEFESA NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. III NEGOUSE PROVIMENTO. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. 5ª Turma Cível Acórdão nº 229306 do Processo nº20020110016383apc Data 28/02/2005 Ementa ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. CONCURSO PÚBLICO. TESTE DE APTIDÃO FÍSICA BARRA. CANDIDATO CONSIDERADO INAPTO. EXCLUSÃO. ATO Fl. 776DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 23034.008000/200317 Acórdão n.º 2301004.271 S2C3T1 Fl. 587 5 ADMINISTRATIVO SEM MOTIVAÇÃO. ILEGALIDADE. ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. O ATO ADMINISTRATIVO DE ELIMINAÇÃO DO CANDIDATO, EM SEDE DE CONCURSO PÚBLICO, NÃO PRESCINDE DA NECESSÁRIA FUNDAMENTAÇÃO, PORQUANTO A MOTIVAÇÃO, COMO FATOR INDECLINÁVEL, DECORRE DE PRINCÍPIOS ERIGIDOS CONSTITUCIONALMENTE, NA DICÇÃO DOS ARTIGOS 5º, CAPUT E INCISOS XXXV E LV; E ART. 37 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O princípio da motivação das decisões administrativas e judiciais está previsto em nossa Carta Magna como uma garantia constitucional, ou seja, princípio Pétreo Constitucional, além de ter previsão em artigos do Código de Processo Civil Brasileiro. Ela é, como dito, por ser Pétrea, uma coluna sustentadora e nascedouro de outros princípios que a ela estão relacionados de modo direto com outras garantias constitucionais, como o princípio do contraditório e da ampla defesa; do devido processo legal e da publicidade, dentre outros. Reza a Carta Maior em seu dispositivo 93, IX que: Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Isto implica que não é apenas a sentença e o acórdão que deverão ser fundamentados, mas todas as decisões proferidas pelos julgadores. Exatamente porque a Constituição de 88 determinou que deve prevalecer sobre as demais legislações, ou seja, a CF e´ a lei maior. Mas, não é só, eis que o artigo 458 do CPC reforça o que determinado pela CF. ‘In verbis’: Artigo 458 – CPC São requisitos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeteram. art. 165 CPC Fl. 777DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 6 As sentenças e acórdãos serão proferidos com observância do disposto no art. 458; as demais decisões serão fundamentadas, ainda que de modo conciso. Conforme leciona Misael Montenegro Filho toda a decisão judicial deve ser fundamentada dando às partes envolvidas a oportunidade de entender os motivos daquela decisão e poder, se for o caso impugnar através de recurso para cada caso. Se isso não for respeitado, a parte poderá oferecer embargos declaratórios para que o juiz se manifeste sobre sua omissão. Deve, pois, ser fundamentada a decisão judicial, que é gênero, do qual são espécies a sentença, o acórdão e as decisões interlocutórias, estas mesmo que de maneira concisa. Motivar decisões implica dizer que o julgador deverá mostrar às partes e aos demais interessados como se convenceu, para chegar àquela conclusão. Deve de maneira clara e objetiva demonstrar o porquê agiu de tal maneira decidindo em favor de uma das partes e contrário à outra, não bastando mencionar, por exemplo, que o autor tem razão e a ação é procedente porque de acordo com as provas dos autos fica evidente que o réu cometeu ato ilícito. Para Nelson Nery Júnior: Fundamentar significa o magistrado dar as razões, de fato e de direito, que o convenceram a decidir a questão daquela maneira. A fundamentação tem implicação substancial e não meramente formal, donde é lícito concluir que o juiz deve analisar as questões postas a seu julgamento, exteriorizando a base fundamental de sua decisão. Não se consideram “substancialmente” fundamentadas as decisões que afirmam “segundo os documentos e testemunhas ouvidas no processo, o autor tem razão, motivo por que julgou procedente o pedido”. Essa decisão é nula porque lhe faltou fundamentação No caso em tela cristalino está que o julgador singular não respeitou nada da Carta Maior e do Caderno Processual, pois não teve nem mesmo o relatório, onde deveria dizer dos fatos relevantes que importaria em seu convencimento para dar solução ao litígio. Portanto, tenho que decisão de piso é nula, porque não respeitou os princípios da Carta Maior, mormente o da motivação. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, estando o presente Recurso Voluntário em pleno ajuste com a legislação, dele conheço para no mérito DARLHE PROVIMENTO para ANULAR DECISÃO DE PRIMEIRA instância por ausência de motivação. É como Voto. Wilson Antônio de Souza Correa Relator (assinado digitalmente) Fl. 778DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 23034.008000/200317 Acórdão n.º 2301004.271 S2C3T1 Fl. 588 7 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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