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Numero do processo: 10950.720123/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
As áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, estadual ou federal, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação, devem ser acolhidas para fim de exclusão da área tributável.
Numero da decisão: 2202-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Dayse Fernanda Leite que negava provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Allan Moraes OAB/SP 144.628.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.em exercício.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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As áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, estadual ou federal, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação, devem ser acolhidas para fim de exclusão da área tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Dayse Fernanda Leite que negava provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Allan Moraes OAB/SP 144.628. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente.em exercício. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 03/10/2014 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 01 23 /2 00 7- 60 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 16 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 17 3 Relatório Tratase de notificação de lançamento (fls. 91/95) constituída em razão da falta de comprovação da Área de Interesse Ecológico, relativamente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, correspondente ao exercício de 2005, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 10.735.527,03, já acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O detalhamento da autuação fiscal vem bem descrito na fl. 92, literalmente: “Área de Interesse Ecológico não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de interesse ecológico no imóvel rural. O Documento de informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E ALS "B" e "C" L 9393/96 Inciso III do art. 149 da Lei 5.172/66. Complemento da Descrição dos Fatos: O contribuinte dentro do prazo estipulado apresentou resposta à intimação em 30 de agosto de 2007, por escrito, anexando: Laudo técnico e avaliação com ART; Mapa do imóvel contendo as áreas de Reserva Legal e Preservação permanente e imagem de Satélite; Memorial descritivo, Planilha de cálculo e ART; Imagem de Satélite Landsat 7 do imóvel; Matricula atualizada do imóvel; Cópia do termo de Intimação Fiscal ; Declaração de áreas de Interesse Ecológico para fins de VIR emitido pelo IAP Instituto Ambiental do Paraná, e cópia de Procuração. Em análise dos documentos apresentados ficou constatado que: A matricula de n°. 22.665 identifica a empresa Companhia Melhoramentos Norte Paraná como proprietária do imóvel de 15.399,9 ha, denominado fazenda Agua do índio, situado no Município de Cianorte/Pr. A averbação AV 01 5028, datada de 19/10/1983, consta a averbação de um requerimento da empresa, para constar que, ficam gravadas com o VINCULO DA PRESERVAÇÃO, a área de 3.079,9 ha, conforme Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 18 4 disposto no art. 16 da lei 4.771/65 (Reserva Legal), que foi mantida pela AV 035.328 datada de 24/08/1998, e que foi mantida pela AV 075.328 datada de 12/08/2004. Na averbação AV 035.328 constava a área de 3.699,0 há como área de florestal de interesse ecológico, de forma errónea. A Lei do Estado do Paraná de n°.11.054/95 classificou as unidades de conservação como: as porções de território estadual, incluindo as águas jurisdicionais, com as características naturais de relevante valor, de domínio público ou propriedade privada, legalmente instituídas pelo poder público com objetivos e limites definidos, sob regimes especiais de administração, às quais se aplicam garantias adequadas de proteção, e esta área não consta como declarada de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual. O erro, sina, foi corrigido pelas novas averbações AV 06 5.328 e AV 075.328, aonde foram excluídas estas áreas. O ABA 2003 foi protocolizado em 31/04/2004 dentro do prazo para o exercício de 2005, e retificado em 23/05/2005, onde constam as áreas de 898,9 há declaradas como preservação permanente, 3.080,0 ha declaradas como Reserva Legal e 4.311,0 ha declaradas como de interesse ecológico. A certidão apresentada, firmado pelo Chefe regional do /AP, Sr. Valdir Balan, certifica que existe no referido imóvel, um excedente de Floresta nativa Primária, área esta, também de relevante interresse ecológico, correspondente a 4.311,0 ha, deixando de citar, na certidão, qual foi o Ato especifico do órgão competente federal ou estadual, que o imóvel ou parte dele foi declarado como área de interesse ecológico. Em consulta ao Site do IAP/Pr não encontramos área legalmente instituídas pelo poder público com denominação de Unidade de Conservação e ou de interesse ecológico no Município de Cianorte. O laudo Técnico de uso do solo informa a existência da área de 898,9 ha de preservação permanente que estão discriminadas em mapa de uso do solo, apresentado em anexo. Apresenta a informação da existência da área de 3.080,0 ha de Reserva Legal, que se confirma com as averbações na matricula n°. 5.328. Informa também a existência de área de Reserva Florestal de 4.311,0 ha, que não se confirmaram pela ausência de Ato especifico do órgão competente federal ou estadual. Pelo exposto, e tendo em vista a falta de apresentação do Ato especifico do órgão competente federal ou estadual, que o imóvel ou parte dele foi declarado como área de interesse ecológico, com base no disposto pelo inciso III, art. 149 da Lei n°. 5.172/66, foi efetuada a glosa da área relativa à área de interesse ecológico de 4.311,0 ha, declarada no exercício de 2005. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 19 5 A área da Preservação Permanente declarada de 898,8ha foi retificada para 898,9 tendo em vista os novos valores apurados e apresentados no Laudo de Uso do Solo, da respectiva localização desta área no Mapa em anexo, e também da informação constante no ADA de 2003 – retificadora. As demais áreas e valores declarados no exercício no exercício de 2005 foram mantidos.” Procedimento de Fiscalização Foi lavrado “Termo de Início de Fiscalização nº 09105/00001/2007” (fl. 2/3), cuja ciência se deu em 25/07/2007 (fl. 4), intimando a contribuinte para apresentar documentação referente aos exercícios 2003, 2004 e 2005: “Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia. Arquitetura e Agronomia Crea. Identificando o Imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9° do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja Inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do pode: público que assim a declarou. Copia da matricula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal. Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva registro imobiliário. Ato especifico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico.” E tão somente referente ao exercício de 2003: “Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB.” Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 20 6 A contribuinte apresentou resposta (fl.10) entregando a documentação solicitada, qual seja: laudo técnico e avaliação (fl.11/19), TIF (fl.20/22), ART (fl.23/24), matrícula do imóvel (fl.25/27), ficha de coleta de valores (fl. 28/36), ADA/2003 (37/40), Protocolo de Certificação no INCRA (fl. 40/41), CCRI (42/43), CND (44/45), Contrato Social (fl. 46/47), Procuração (fl. 48/49), Certidão IAP – Área de Interesse Ecológico (50/51), SILEG – Averbação de Reserva Legal (52/55), mapa do uso do solo (56/57), imagem de satélite (58/59), Mapa, Memorial e ART (60/90). Da análise da documentação acostada e, tendo em vista a falta de apresentação do ato especifico do órgão competente federal ou estadual atestando que o imóvel ou parte dele foi declarado como área de interesse ecológico, com base no disposto pelo inciso III, art. 149 da Lei n°. 5.172/66, foi efetuada notificação de lançamento para o exclusivo fim de glosar a área relativa à área de interesse ecológico (4.311,0 há) declarada no exercício de 2005, conforme notificação de lançamento das fls. 91/95. Impugnação Cientificada do lançamento em 10/01/2008 (fl. 97), a contribuinte impugnou às fls. 112/122, instruindo com os documentos de fls. 123/137 (notificação de lançamento, demonstrativo de apuração do tributo devido, ata de constituição da empresa, procuração, RG e CPF), alegando em síntese: a) que a área de interesse ecológico foi declarada em ADA, entregue tempestivamente, antes do lançamento fiscal, portanto constituí documento hábil para comprovar o declarado em DIAT/DITR; b) foi averbada às margens da matrícula uma área de utilização limitada de 3.080,00ha (reserva legal), bem como 4.311,00ha de interesse ecológico, segundo certificado pelo IAP; c) que as áreas de interesse ecológico encontramse fora do campo de incidência do ITR, conforme art. 10, ‘b’, da Lei 9.393/96; d) a não incidência em tela decorre da condição do imóvel declarado por órgão público e não das formalidades exigidas pela fiscalização. Diante de todo exposto, a contribuinte requereu a procedência da impugnação para fins de desconstituir o lançamento do tributo. Pugnou pela juntada posterior de provas e, alternativamente, a baixa dos autos em diligência para que fosse realizada perícia in loco. Acórdão da DRJ Os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE acordaram, por unanimidade de votos, por indeferir o pedido de perícia e de juntada posterior de documentos e, no mérito julgar procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário. Isso porque, entendeuse que a Certidão emitida pelo IAP não seria suficiente para a constituição de área de interesse ecológico, já que deixa de citar o ato específico do órgão competente de que deriva a situação. (fls. 138145). Disse sinteticamente e literalmente: “A apresentação de provas pelo impugnante deve ser feita no momento da impugnação, conforme disposto no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 21 7 nº.70.235/1972, acrescido pelo art. 67 da Lei nº.9.532/1997, abaixo transcrito, "verbis": §º 4 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. É possível a juntada posterior de documentos, mas desde que observado o disposto no 5º do artigo citado, que assim dispõe, "verbis": § 5º. Ajuntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior." (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.532 de 10.12.1997). Cabe aqui recordar o disposto no art. 141 do CTN, que assim dispõe, "verbis": Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Assim, verificase que não é possível deferirse o pedido de juntada posterior de provas, de forma genérica como pleiteado, sem que haja justificativa suficiente para a não apresentação com a impugnação. Da mesma forma, quanto ao pedido de perícia e vistoria no imóvel, além de ser necessário observar o disposto no artigo 15 do Decreto nº.70.235/1.972, que determina que a impugnação deve estar acompanhada dos documentos em que se fundamentar, e o parágrafo 4º do art. 16 do mesmo Decreto, já transcrito, que determina que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, impõese observar também a determinação contida no inciso IV do citado art. 16, de que o pedido de realização de diligência ou perícia deve constar da impugnação, com exposição dos motivos que a justifiquem, a formulação de quesitos referentes aos exames desejados e, no caso de perícia, com o nome, endereço e qualificação profissional do perito. O parágrafo 1º desse dispositivo, acrescentado pelo art. 1º da Lei nº. 8.748/1993, dispõe que "considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Ademais, não há justificativa para se deferir pedido de perícia para levantar provas que possam e devam ser levantadas pelo impugnante por outros meios. (...) A matéria que se apresenta para discussão no presente processo referese a áreas isentas de 1TR, e, nos termos do disposto no art. 111 da Lei n o. 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional CTN, deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 22 8 Deve ser observado ainda o princípio da legalidade previsto no art. 176 do mesmo CTN, o qual dispõe que "a isenção (..) é sempre decorrente de lei. Quanto ao mérito, verificase que o lançamento questionado decorreu da glosa da área de interesse ecológico declarada no Exercício de 2005. As áreas do imóvel rural afastadas da tributação pelo ITR estão discriminadas no art. 10, parágrafo 1°, inciso II, da Lei nº. 9.393, de 19/12/1996, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do 1TR considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (grifei) (...) A Instrução Normativa SRF n° 256, de 11 de dezembro de 2002, tratou das áreas de interesse ecológico em seu artigo 14, nos seguintes termos: Arr. 14. São áreas de interesse ecológico aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que: I se destinem à proteção dos ecossistemas e ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; ou II sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Parágrafo único. Para fins do disposto no inciso II, as áreas comprovadamente imprestáveis para a atividade rural são, exclusivamente, as áreas do imóvel rural declaradas de interesse ecológico mediante ato específico do órgão competente, federal ou estadual. A situação das áreas de interesse ecológico, para fins de apuração do 1TR, foi tratada no Parecer MF/SRF/COSIT/COTIR nº. 22, de 19 de março de 1997, a seguir transcrito: (...) Do exposto, depreendese que, para fins de isenção da área de interesse ecológico existente no imóvel, há necessidade de seu reconhecimento por um ato específico do órgão ambiental competente e averbação do respectivo termo de compromisso do proprietário no Registro de Imóveis. No caso aqui tratado, o fiscal autuante informou que havia averbação na matrícula do imóvel de área florestal de interesse ecológico de 3.699,0 ha, mas que essa área não está de acordo com a lei estadual que classificou as unidades de conservação e que o erro dessa averbação foi corrigido por averbações Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 23 9 posteriores, feitas no ano de 2004, que mantiveram apenas a área de reserva legal. Assim, diferentemente do que sustentou a impugnante, não consta da matrícula a averbação de área de interesse ecológico de 4.311,0 ha. Havia uma averbação indicando área nessa situação correspondente a 3.699,0 ha, mas que foi afastada em averbações feitas em 2004. A certidão emitida pelo Chefe Regional do IAP em Umuarama/PR (fls. 50), ‘Certidão para fins de declaração de 1TR se reporta à existência no imóvel de uma área de interesse ecológico, nos seguintes termos. "...Certificamos, ainda, que existe no referido imóvel, um excedente de Floresta Nativa Primária, área esta, também de relevante interesse ecológico, correspondente a 4.311,0290 ha.", não sendo cabível reconhecer que esse documento tratase da declaração de órgão competente considerada necessária para constituição de área de interesse ecológico, como previsto na legislação citada. A criação de áreas de interesse ecológico pelo Poder Público encontra previsão no artigo 9º da Lei 11.06.938, de 1981 e no Decreto nº. 89.336, de 1984. Do exposto, verificase que não foi apresentado ato especifico de órgão público declarando determinada área da propriedade particular corno de interesse ecológico. Registrese que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração somente foram afastadas da tributação pelo 1TR com o advento da Lei nº.11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1°, inciso II, da Lei nº. 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. A existência no imóvel rural de área sem exploração e que não se enquadra na definição de área isenta do ITR, ainda que seu proprietário procure mantêla intacta buscando a preservação do meio ambiente e cumprimento da legislação ambiental, nos termos da legislação tributária é considerada área aproveitável, mas não utilizada, o que, evidentemente, influencia na apuração do Grau de Utilização. (...)” Recurso Voluntário Intimada em 14/07/2018, insatisfeita com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou tempestivamente o Recurso Voluntário às fls. 148/169, juntando documentação: Laudo Técnico Complementar, Decreto 750/1993, Resolução CONAMA nº 278/2001, Boletim Informativo da FAP, Lei nº 11.428/06, Decreto 20/06, DOU 21/03/2006, IBAMA Ofício nº.140/2008, Mapa da Área, Imagens Aéreas, certidão IAP, matrícula, Laudo de Avaliação, Procuração e Atos Constitutivos da Empresa. (fls170/240). Em síntese, foram repisados os argumentos da impugnação, todavia de forma mais veemente, em que o recorrente buscou demonstrar que o crédito lançado não merece prosperar, por falta de suporte fático, uma vez que comprovada a existência das áreas de interesse ecológico. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 24 10 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt Relator O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Área de Interesse Ecológico Tratase de lançamento de ITR, exercício de 2005, constituído em razão da falta de comprovação pelo recorrente da área de interesse ecológico no imóvel rural. Como se sabe, o inciso II, do § 1º, art. 10 da Lei 9393/96, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, desde que declaradas por órgão competente das esferas federal ou estadual: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Diante disso, antes de tudo, insta delimitar a extensão do conceito de órgão. Segundo a Lei Federal do Processo Administrativo (Lei nº. 9.784/99), em seu art. 1º, §2º, é “a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração indireta.” Hely Lopes Meirelles [1998:67] conceitua como sendo os centros de competência instituídos para o desempenho das funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a quem pertencem. Isto é, são unidades de ação com atribuições específicas na organização estatal. Podese afirmar, à vista disso, que os órgãos do Estado são o próprio Estado compartimentado em centros de competência, destinados ao melhor desempenho das funções estatais. Estabelecida a premissa (conceito de órgão), não vejo como não ser reconhecido o direito da recorrente ao provimento do seu recurso, explico. No caso dos autos, tanto a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Instituto Ambiental do Paraná – IAP (órgão estadual) quanto o Instituto Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 25 11 Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA (órgão federal), órgãos responsáveis pela execução da Política Nacional do Meio Ambiente, atestaram a existência da área de interesse ecológico no imóvel fiscalizado. Do IAP há duas declarações1, ambas pela mesma metragem (4.311,0290ha). (fls.51/218). No Ofício nº 140/2008 do IBAMA, consta que a área submetida à fiscalização (Fazenda Água do Índio), tinha restrições ambientais em face da criação da REBIO das Perobas e do Decreto nº 750/93. A fiscalização, contudo, negouse a reconhecer a Área de Interesse Ecológico, dizendo: “A certidão apresentada, firmado pelo Chefe regional do /AP, Sr. Valdir Balan, certifica que existe no referido imóvel, um excedente de Floresta nativa Primária, área esta, também de relevante interesse ecológico, correspondente a 4.311,0 ha, deixando de citar, na certidão, qual foi o Ato especifico do órgão competente federal ou estadual, que o imóvel ou parte dele foi declarado como área de interesse ecológico. Em consulta ao Site do IAP/PR não encontramos área legalmente instituídas pelo poder público com denominação de Unidade de Conservação e ou de interesse ecológico no Município de Cianorte.”. (fl. 92). Tal entendimento, corroborado pela DRJ, não pode persistir, por afronta ao art. 10, §1º da lei nº9.393/96, que nada prevê a esse respeito. Ora, a legislação se limita a exigir do contribuinte que traga declaração do órgão competente, exatamente como fez a autuada, declaração essa suficientemente clara e precisa na referência à área do contribuinte reconhecida como de Interesse Ecológico. Não cabe à fiscalização criar requisitos adicionais a este, como o de que tal certidão cite o ato específico de que decorre o reconhecimento. O fato está devida e precisamente provado, nos termos da lei. 1 “Certidão para Fins de Declaração de ITR” do IAP, expedida em 15/12/2004, em que se atesta a metragem da área que está compreendida na REBIO das Perobas (fl.51): “Este IAP/SEMA, após análise do pedido da interessada COMPANHIA MELHORAMENTOS NORTE DO PARANÁ, datado de 01.10.04, certifica que, revendo o procedimento protocolado sob o nº. 5.738.4115, referente solicitação de Averbação de Reserva Legal do imóvel denominado Fazenda Água do Índio, CNPJ nº. 61.082.962/001101, inscrito no INCRA sob o nº. 718.033.271.3497 constatouse que neste imóvel, constituído pelos lotes nºs 24 à 31, 32B,34 à 101 da Gleba Saquarema e Lotes es 177, 626 à 629 da Gleba do Ribeirão São Lourenço, todos localizados no município de Cianorte (PR.), comarca de Cianorte (PR), a existência de 898,8450 hectares de áreas consideradas de Preservação Permanente; 7.391,0070 hectares de Floresta Nativa Primária, dos quais, 3.079,9780 hectares, constituem a Reserva Legal de 20% (vinte por cento), correspondente ao percentual mínimo exigido pelo art. 16 da Lei 4.771/65. Certificamos ainda, que existe no referido imóvel, um excedente de Floresta Nativa Primária; área esta, também de relevante interesse ecológico, correspondente a 4.311,0290 hectares.” No mesmo sentido é a certidão datada de 17/12/2007 (fl. 218): “Este IAP/SEMA, após análise do pedido da interessada COMPANHIA MELHORAMENTOS NORTE DO PARANÁ, datado de 17/12/2007, certifica que; revendo o procedimento protocolado sob nº 5.738.4115 referente solicitação de Averbação de Reserva Legal do imóvel, denominado FAZENDA ÁGUA DO ÍNDIO, constituído pelos Lotes nºs 24 a 31, 32B, 34 a 101, 177, 626A a 629 da Gleba Saquarema e Gleba Ribeirão São Lourenço, município de CianortePR, matriculado sob n° 5328 ao C.R.I 1º Oficio da Comarca de CianortePR, constatouse neste imóvel, a existência de 898,8450 ha considerada de Preservação Permanente; 7.391,0070 ha de Floresta Nativa Primária, dos quais, 3.079,9780 ha, Constituem a Reserva Legal de 20 % (vinte por cento), correspondente ao percentual mínimo exigido pelo art. 16 da Lei 4.771/65. Certificamos ainda, que existe no referido imóvel, um excedente de Floresta Nativa Primária, área esta, também de relevante interesse ecológico, correspondente à 4.311,0290 ha. Por ser expressão da verdade, firmo o presente em duas vias de igual teor e forma.” Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 26 12 A DRJ ainda procura reforçar o ponto, aludindo à circunstância de que a área não está averbada em matrícula. Tal requisito, contudo, também não é requisito para o reconhecimento da área de interesse ecológico, diferentemente do que ocorre com a ARL, em que tal exigência consta da IN/RFB nº256, art. 11, §1º. De todo modo, mesmo que assim não fosse, não poderia ela “remendar” o lançamento a partir de acusações outras que não aquelas contempladas no auto de infração. Por essa razão, compreendo que a documentação acostada aos autos, por si só, permite o provimento do recurso voluntário, pois cumprida a exigência legal do §1º do art. 10 que assim prevê: “comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual;”. Ademais, por amor à argumentação, digase que o IBAMA explicitamente mencionou os atos que restringiram a utilização da área fiscalizada, suprindo a exigência do Fisco, conforme trecho que segue: “a situação dos Imóveis Rurais, denominados Lotes n° 222 a 228 e 242 e Fazenda Água do Índio, situadas nos municípios de Tuneiras do Oeste. e Cianorte, cadastrados na Receita Federal NTRF sob nº. 3.054.0453 e 08085021 (segundo requerimento); de propriedade de Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, em face das restrições ambientais decorrentes da criação da REBIO das Perobas Reserva Biológica das Perobas e do Decreto nº 750, de 10 de fevereiro de 1993. (...) de fato encontramse inseridos no Bioma Mata Atlântica e no perímetro abrangido pelo REBIO das Perobas, criada a partir do Decreto s/n, de 20 de março de 2006, e com tal, passou a ser considerada de interesse ecológico na proteção dos ecossistemas nela existentes, frente à Lei nº. 9.985/2000 SNUC.” (fl. 207). Portanto, já que área fiscalizada encontrase no bioma Mata Atlântica e faz parte da Reserva Biológica das Perobas, sendo que o art. 1º do Decreto 750/93 proíbe “a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica.”, e o Decreto 20/06 tem como “objetivo preservar os ecossistemas naturais existentes, com destaque para os remanescentes de Floresta Estacional Semidecidual e sua fauna associada, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades controladas de educação ambiental” (art. 1º), é, também por isso, que merece provimento o recurso voluntário da recorrente. Em sendo assim, e uma vez que no laudo técnico (fls. 11/18) foi constatada uma área de reserva florestal excedente (interesse ecológico) de 4.311,029ha, sendo inclusive confirmada por órgãos da administração pública estadual e federal (IAP e IBAMA) e declarada em ADA a título de área de interesse ecológico (fl. 39), entendo que deve ser excluída a glosa da referida área, para anular a notificação de lançamento. Conclusão Isso posto, entendo pelo PROVIMENTO do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.720123/200760 Acórdão n.º 2202002.680 S2C2T2 Fl. 27 13 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10850.908567/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2001
DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO
É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 67 /2 01 1- 30 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908567/201130 Acórdão n.º 3301002.588 S3C3T1 Fl. 190 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 3.242,37. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/05/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908567/201130 Acórdão n.º 3301002.588 S3C3T1 Fl. 191 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. A 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência que a Delegacia de origem: a) Examinasse os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificasse a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornasse o processo a este CARF para julgamento. Tomadas as providências requeridas o processo retornou a esse Conselho para decidirmos. É o que importa relatar. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908567/201130 Acórdão n.º 3301002.588 S3C3T1 Fl. 192 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. Após a devida análise o relatório da diligência chegou à seguinte conclusão: Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER nº 19725.40518.231205.1.2.043902, transmitido em 23/12/2005, no valor de R$3.242,37 (fls. 02/04). Esse é exatamente o montante pleiteado pela Recorrente. Reconhecido o pedido em diligência nada mais há a fazer senão homologálo. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10380.725991/2010-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicá-las precisamente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO.
A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação. O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que a recorrente é sócia ou administradora, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo da contribuinte.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão. IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicálas precisamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação. O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que a recorrente é sócia ou administradora, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 59 91 /2 01 0- 43 Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.337 2 Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/FOR (Fls. 1132), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte, devidamente identificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração de IRPF, fls. 02/13, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 90.966,58. Sobre o Imposto de Renda Suplementar foi lançada Multa de Ofício Qualificada, no percentual de 150%, no valor de R$ 136.449,86. O crédito tributário totalizou, em 30/11/2010, o valor de R$ 261.445,11, compreendendo: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, Multa de Ofício Qualificada e Juros de Mora, calculados até 30/11/2010. De acordo com o quadro Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, continuação do Auto de Infração, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/99, o crédito tributário é relativo às Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente, e decorreu de ação de fiscalização externa, feita através de Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.338 3 A ação fiscal foi desencadeada a partir de investigação do Departamento de Polícia Federal tendo por objeto pessoas jurídicas nas quais a senhora contribuinte participava do capital e ou atuava como administradora. Material colhido pela Polícia Federal durante as investigações da denominada “Operação Luxo”. Referida operação foi deflagrada, tendo por objetivo, entre outros, combater sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas. Por ter a senhora contribuinte relação de trabalho com as pessoas jurídicas investigadas pela Polícia Federal, foi instaurada a presente ação fiscal contra a pessoa física da senhora contribuinte. Por intermédio de DECISÃO exarada, em 26/06/2009, pelo Juiz Federal Substituto, Ribeiro Campos, no Processo n° 2005.81.00.0140022 (IPL 00686/2005), foi autorizado o compartilhamento com a Receita Federal dos documentos e mídias apreendidos, além da requisição de instauração de ações fiscais nas pessoas físicas e jurídicas envolvidas, conforme consta do Ofício n° OFICIO nº 0011.0008506/2009 da 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará, de 30/06/2009. Do procedimento de fiscalização contra a senhora contribuinte resultou infração de omissão de rendimentos percebidos de pessoas jurídicas, por remuneração indireta. A remuneração indireta ficou caracterizada através dos pagamentos das faturas de cartões de créditos, reconhecidos como de titularidade da senhora contribuinte, que foram feitos pelo caixa das pessoas jurídicas, nas quais a senhora contribuinte possuía participação societária e/ou atuava como dirigente e/ou gerente de compras, percebendo rendimentos de prólabore e rendimentos de distribuição de lucros. Relativamente aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, a contribuinte atuava nas seguintes pessoas jurídicas: MARINA DE IRACEMA PARK S/A 07.334.600/000135 UNIMAR INDUSTRIAL S/A 08.936.460/000138 INTERFRIOS INTERCAMBIO DE FRIOS S/A 07.282.742/000104 INAVE S/A – INDÚSTRIA E NAVEGAÇÃO 06.425.144/000176 A senhora contribuinte possuía participação societária nas pessoas jurídicas: MARINA DE IRACEMA PARK S/A, UNIMAR INDUSTRIAL S/A, INTERFRIOS INTERCAMBIO DE FRIOS S/A e INAVE S/A – INDÚSTRIA E NAVEGAÇÃO. Nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, a Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.339 4 senhora contribuinte informou, como rendimentos tributáveis, rendimentos de prólabore, conforme demonstrativo, abaixo: EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2006 / ANOCALENDÁRIO 2005 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS (MARINA DE IRACEMA PARK S/A, UNIMAR INDUSTRIAL S/A, INTERFRIOS INTERCAMBIO DE FRIOS S/A e INAVE S/A – INDÚSTRIA E NAVEGAÇÃO) 79.597,72 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS 0,00 RENDIMENTOS COM TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE 0,00 TOTAL DOS RENDIMENTOS 79.598,72 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2007 / ANOCALENDÁRIO 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS (MARINA DE IRACEMA PARK S/A, UNIMAR INDUSTRIAL S/A, INTERFRIOS INTERCAMBIO DE FRIOS S/A e INAVE S/A – INDÚSTRIA E NAVEGAÇÃO) 81.316,44 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO – TRIBUTÁVEIS 0,00 RENDIMENTOS COM TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE 0,00 TOTAL DOS RENDIMENTOS 81.317,44 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2008 / ANOCALENDÁRIO 2007 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS (MARINA DE IRACEMA PARK S/A, UNIMAR INDUSTRIAL S/A, INTERFRIOS INTERCAMBIO DE FRIOS S/A e INAVE S/A – INDÚSTRIA E NAVEGAÇÃO) 17.370,00 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO – TRIBUTÁVEIS 0,00 RENDIMENTOS COM TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE 0,00 TOTAL DOS RENDIMENTOS 17.371,00 Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.340 5 No procedimento de fiscalização, o autor do procedimento verificou que o contribuinte possuía cartões de créditos e que os pagamentos das faturas de cartões de crédito eram efetuados pelo caixa da pessoa jurídica INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A O autor do procedimento de fiscalização concentrou a auditoria nesse fato, obtendo os extratos mensais de todos os cartões de créditos em nome da senhora contribuinte, os comprovantes de pagamento das faturas, os documentos fiscais relativos às compras (Nota Fiscal, Cupom Fiscal e Recibo) e os documentos contábeis da pessoa jurídica que efetuou o pagamento. Com base nesses documentos, o autor do procedimento de fiscalização identificou todas as compras nas faturas de cartão de crédito e a pessoa jurídica que efetuou pagamento. Para cada anocalendário, o autor do procedimento fiscal: 1) relativamente a cada faturada de cartão de crédito, elaborou tabela discriminando, mensalmente, a compra, a data e loja; 2) consolidou o total das compras por anocalendário; 3) considerando o vínculo da senhora contribuinte com a pessoa jurídica que liquidou a fatura de cartão de crédito (INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A INACE), participação no capital e exercício da atividade de dirigente e/ou gerente de compras, as compras foram consideradas com remuneração indireta, conforme os artigos 37 e 38 combinados com os artigos 43 e 622, todos do Decreto nº 3.000/99 RIR/ 99; 4) considerando a falta de informação desses rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, a diferença foi considerada como rendimentos omitidos percebidos de pessoas jurídicas; 5) foi imputado à senhora contribuinte crime de sonegação fiscal, lançando se multa de ofício no percentual de 150%. O montante da remuneração indireta importou nos seguintes valores: RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS REMUNERAÇÃO INDIRETA ANOCALENDÁRIO 2005 ANO CALENDÁRIO DE 2006 ANOCALENDÁRIO DE 2007 106.185,54 107.015,68 117.586,37 Para aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, o autor do procedimento de fiscalização apurou Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor total de R$ 90.966,58, conforme demonstrativo abaixo: IMPOSTO DE RENDA MULTA DE OFÍCIO 150% TOTAL Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.341 6 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2006/ANO CALENDÁRIO 2005 29.201,02 43.801,53 73.002,55 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2007/ANO CALENDÁRIO 2006 29.429,31 44.143,96 73.573,27 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2008/ANO CALENDÁRIO 2007 32.336,25 48.504,37 80.840,623 TOTAL 90.966,58 136.448,36 Para uma melhor compreensão dos fatos, abaixo, se transcrevem trechos do Termo de Verificação Fiscal: Mediante o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0310100/2009/009333, foi determinada a fiscalização da contribuinte acima identificada, tendo por foco o exame dos efeitos tributários decorrentes de omissão de rendimentos oriundos de pessoas físicas e jurídicas, nos anos calendários de 2005, 2006 e 2007, tendo por base o material colhido pela Polícia Federal durante as investigações denominada “Operação Luxo”. Por intermédio de DECISÃO exarada, em 26/06/2009, pelo Juiz Federal Substituto Ricardo Ribeiro Campos, no Processo n° 2005.81.00.0140022 (IPL 00686/2005), foi autorizado o compartilhamento com a Receita Federal dos documentos e mídias apreendidos nos mandados de busca e apreensão executados, além da requisição de instauração de ações fiscais nas pessoas físicas e jurídicas envolvidas, dentre elas a Sra. Elisa Maria Gradvohl Bezerra, conforme consta do Ofício n° OFI. 0011.0008506/ 2009 da 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará, de 30/06/2009. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, CNPJ 07.326.937/000109, NOS ANOS CALENDÁRIO DE 2005, 2006 E 2007 Omissão de Rendimentos Tributáveis recebidos da pessoa jurídica Indústria Naval do Ceará, CNPJ 07.326.937/000109, conforme Demonstrativo de Omissão de Rendimentos Tributáveis, em anexo, nos seguintes valores: • Ano de 2005 R$ 106.185,54 • Ano de 2006 R$ 107.015,68 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.342 7 • Ano de 2007 R$ 117.586,37 Regularmente intimada, através do Termo de Início de Fiscalização, a apresentar documentação comprobatória de todos os valores de rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte, recebidos nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, a fiscalizada em sua resposta forneceu os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte de 04(quatro) empresas nas quais possui participação societária (Marina de Iracema Park Ltda, Unimar Industrial S/A, Interfrios Intercâmbio de Frios S/A e Inave S/A Indústria e Navegação), sendo os rendimentos tributáveis recebidos por essas empresas devidamente declarados ao Fisco naqueles anoscalendário. Entretanto, quando intimada, através do Termo de Intimação Fiscal I, a apresentar todos os comprovantes dos pagamentos de cartões de créditos nos anoscalendário de 2005,2006 e 2007, bem como comprovar a origem e tributação dos recursos utilizados para referidos pagamentos, a contribuinte forneceu cinco cartões de crédito, sendo um deles devolvido por se tratar de cartão corporativo utilizado para compras correlacionadas com suas atividades empresariais. Da documentação apresentada pela contribuinte, verificamos que as faturas dos cartões de crédito em nome da Sra. Elisa Maria Gradvohl Bezerra foram pagos pela empresa Industria Naval do Ceará S/A, conforme comprovantes de pagamentos e espelhos de cópia de cheques com o carimbo da empresa. A Sra. Elisa Bezerra juntamente com o seu cônjuge, Sr. Antonio Gil Fernandes Bezerra, são acionistas majoritários da Indústria Naval do Ceará e ela exerceu a função de diretora à época dos fatos, conforme extrato fornecido pela Junta Comercial do Ceará e atas e estatuto social apresentados pela fiscalizada. Vale mencionar que a fiscalizada não declarou, em sua declaração de rendimentos dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, o recebimento de rendimentos de qualquer natureza pagos pela Indústria Naval do Ceará. Após análise das faturas de cartões de crédito, constatamos que todas as compras adquiridas no Brasil e no Exterior pela fiscalizada, através de seus cartões de crédito pagos pela Indústria Naval do Ceará são de caráter pessoal, tais como compras feitas em lojas de roupas, sapatos, jóias, brinquedos e perfumaria (Stalker, Vivara, Redley, Samello, Levi's, Alain Delon. Cantão, Toys'R'US'Miami), instituto de beleza (Jacques Janine) compras feitas em farmácias (Pague Menos e Avenida), compras realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Kingho Sushi, Pão de Açúcar Supermercados, Casa Freitas, Super Família Supermercados, Lojas Americanas), compras de combustíveis, passagens aéreas e despesas de hotéis (Tam, Varig, Gol, Posto Canaã), despesas de Hospital (Hospital Cash São Paulo) e outros. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.343 8 Vêse claramente que os pagamentos das faturas de cartão de crédito em nome da contribuinte, efetuados pela pessoa jurídica, Industria Naval do Ceará S/A, se enquadram, sem qualquer dúvida, nos benefícios e vantagens concedidas a administradores e diretores a serem tributados como rendimentos de pessoa física, conforme dispõem artigos 43 e 622 do Decreto n 3.000/99 RIR/ 99, transcrito abaixo (...) Assim, concluímos que as compras de caráter pessoal em cartões de crédito de titularidade da contribuinte ora fiscalizada, cujas faturas foram pagas pela pessoa jurídica Indústria Naval do Ceará S/A, CNPJ 07.326.937/000109, nos anos calendários de 2005, 2006 e 2007, são consideradas benefícios e vantagens concedidos e devem integrar os rendimentos tributáveis da beneficiária, Sra. Elisa Maria Grahohil Bezerra, conforme determina o dispositivo legal. Do exposto, todos os pagamentos efetuados pela Industria Naval do Ceará S/A das faturas de cartões de crédito da fiscalizada, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, são considerados rendimentos tributáveis omitidos do Fisco, conforme Demonstrativo de Omissão de Rendimentos Tributáveis, em anexo. Pelos motivos referidos acima, lavrouse o auto de infração de que é parte integrante o presente Termo de Verificação Fiscal, para constituir, de ofício, o crédito tributário decorrente da infração acima apurada, acrescido dos juros respectivos e da multa qualificada. DA MULTA QUALIFICADA Conforme se apurou durante este procedimento fiscal, restou inequívoco que a contribuinte recebeu benefícios e vantagens concedidas a administradores e diretores da empresa INDUSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A durante os anos de 2005, 2006 e 2007, estando, portanto, incompatíveis com os rendimentos declarados em suas DIRPFs (Declaração de Ajuste Anual de Pessoa Física) relativas ao mesmo período. Portanto, será aplicada multa qualificada tendo em vista a contribuinte ter subtraído e omitido do conhecimento da autoridade tributária a existência de recursos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, ocultando o fato gerador da obrigação e ocasionando a ausência de recolhimento do imposto de renda, causando danos à Fazenda, prevista no § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Tendo em vista a ocorrência de fatos que, em tese, configuram a prática de crime contra a ordem tributária, tipificado no artigo 1º da Lei n° 8.137/90, formalizamos, nesta mesma data, “Comunicação dos Fatos Apurados”, a ser encaminhada ao Ministério Público Federal, em cumprimento ao disposto no art. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.344 9 1º do Decreto 2.730, de 10 de agosto de 1998, e no § 4º do artigo 1º da Portaria SRF n° 665, de 24 de abril de 2008. Impugnação Inconformada com o Auto de Infração, do qual tomou ciência, em 13/12/2010, por via postal, Aviso de Recebimento anexado às fls. 1129, a contribuinte apresentou impugnação, em 05/01/2011, fls. 863/883, contestando o Auto de Infração e argumentando a improcedência total, sob o fundamento de que o autor do procedimento de fiscalização equivocouse ao considerar que todas as compras feitas nos cartões de crédito, cujas faturas foram pagas pela pessoa jurídica INDUSTRIA NAVAL DO CEARÁ, são de natureza pessoal. Em suma, a senhora contribuinte não contesta as compras feitas através de cartões de créditos nem o pagamento feito pela pessoa jurídica INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, concordando com o valor e a forma de pagamento, mas contesta o valor das compras tidas como remuneração indireta, conforme apurado pelo autor do procedimento de fiscalização. Ela vem insurgindose contra as compras relativas a supermercados, apresentando demonstrativo das compras e argumentando que pela natureza e quantidade, são compras destinadas à pessoa jurídica MARINA DE IRACEMA PARK S/A, e devem ser excluídas da remuneração indireta, pois não possuem natureza de uso pessoal. Enfatizou que a pessoa jurídica MARINA DE IRACEMA PARK S/A é credora da pessoa jurídica INDUSTRIA NAVAL DO CEARÁ. Determinadas compras destinadas à pessoa jurídica MARINA DE IRACEMA PARK S/A foram pagas pela pessoa jurídica INDUSTRIA NAVAL DO CEARÁ, havendo um conta corrente na contabilidade da pessoa jurídica MARINA DE IRACEMA PARK S/A, de controle do empréstimo à coligada INDUSTRIA NAVAL DO CEARÁ. Enfatizou, ainda, que as compras para a pessoa jurídica MARINA DE IRACEMA PARK S/A eram feitas nos seus cartões de crédito por questão de facilidade de negociação com os fornecedores. Para comprovação inconteste, inquestionável e irrefutável, a senhora contribuinte anexou fotocópias de toda a documentação oriunda das aquisições efetivadas através de “cartões de crédito” de sua titularidade, pagas pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARA S/A, com a finalidade única e exclusiva de suprir as necessidades prementes da empresa coligada e credora MARINA DE IRACEMA PARK S/A, recebidas devidamente por essa empresa. A senhora contribuinte em sua impugnação não se reportou às compras não relativas a supermercados (demais compras), denotando que aceita para as compras não relativas a supermercados a imputação de natureza de uso pessoal, concordando com a remuneração indireta. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.345 10 Argumentouse, ainda, que houve erro na apuração do Imposto de Renda Pessoa Física, no Auto de Infração. O autor do procedimento de fiscalização na apuração do imposto deixou de considerar os rendimentos já oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, relativamente às fontes pagadoras informadas. Finalizando a impugnação, a senhora contribuinte vem contestando a Multa de Ofício Qualificada, argumentando que a pretensa infração de omissão de rendimentos não se enquadra em nenhuma hipótese legal de crime de sonegação fiscal. Ademais, há de se ressaltar que os demonstrativos vêm impressos na impugnação e estão acompanhados de documentos, NOTAS FISCAIS emitidas pelas pessoas jurídicas fornecedoras dos produtos (pretensas provas, apresentadas pela senhora contribuinte). Foi apresentado, também, o Livro Razão da pessoa jurídica Marina de Iracema Park S/A, demonstrando o conta corrente de controle de amortização do empréstimo feito à pessoa jurídica INDUSTRIA NAVAL DO CEARÁ . Para uma melhor compreensão transcrevemse trechos da impugnação: Examinando o Auto de Infração, a Impugnante chegou à conclusão de que ele é totalmente incabível, portanto, apresenta pelas razões que expõe, respaldado na documentação que anexa, e no final requer, Impugnação Total, tempestivamente, de conformidade com a INTIMAÇÃO, devidamente postada na ECTSRF em 10.12.2010 e devidamente Recebido em 13.12.2010, portanto, dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares. Inicialmente, o que se verifica, após atenta leitura deste Auto de Infração e de seus anexos correspondentes, é um amontoado de equívocos, porquanto baseado em meras suposições pessoais e até mesmo desrespeito as normas legais, no caso de agravamento para multa qualificada. Assim é que o combalido auto de infração foi lavrado, exclusivamente, pelo mero fato da fiscalização sequer verificar com o cuidado necessário a documentação encaminhada pela autuada durante o curso da ação fiscal, onde fica comprovado a utilização adequada e normal, praticada pela maioria absoluta da rede hoteleira do país (principalmente às que possuem sede na localidade de suas bases de operações (no caso o MARINA DE IRACEMA PARK S/A), que se utilizam para realizar suas compras, principalmente de ALIMENTAÇÃO E BEBIDAS, de Cartões de Crédito de pessoa(s) física(s), pelo fato de comprarem mais barato, aproveitando preços promocionais das grandes e médias cadeias de supermercados do país e principalmente por não necessitarem de grandes estoques. Ora, a fiscalização afirma taxativamente em seu arrazoado denominado de TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL que: (Ipse Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.346 11 Litters): “OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, CNPJ 07.326.937/000109 NOS ANOS CALENDÁRIO DE 2005, 2006 E 2007” Mais adiante declara incisivamente que (Ipse Litters): “Da documentação apresentada pela contribuinte, verificamos que as faturas dos cartões de crédito em nome da Sra. Elisa Maria Gradvohl Bezerra foram pagos pela Indústria Naval do Ceará S/A, conforme comprovantes de pagamentos e espelhos de cópia de cheques com o carimbo da empresa”. E, por incrível que pareça, afirma em conclusão que (Ipse Litters): “Após análise das faturas de cartões de crédito, constatamos que todas as compras adquiridas no Brasil e no exterior pela fiscalizada, através de seus cartões de crédito pagos pela Indústria Naval do Ceará são de caráter pessoal...” O negrito não é de nossa autoria, apenas o grifo. Entretanto, a fiscalização não verificou que referidas compras (as principais estão ora relacionadas em anexo, DOC II) foram apenas pagas pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, para sua empresa coligada, MARINA DE IRACEMA PARK S.A., credora da INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, que com esta prática vem diminuindo o montante do crédito contabilizado, tudo conforme lançamentos contábeis e fiscais em “conta corrente”, revestidos de todas as formalidades legais intrínsecas e extrínsecas, em anexo comprovante dos lançamentos e extratos dos Balancetes e balanços correspondentes, em DOC III. Assim, a utilização do cartão de crédito da pessoa física da autuada para compras de mercadorias destinadas ao estoque do MARINA DE IRACEMA PARK S.A. deuse pelo fato de que a aquisição de cartão de crédito pela pessoa jurídica é muito mais dispendioso e de dificílima concessão pelas administradoras de cartão de crédito, inviabilizando, ainda, as comprasse certas matérias primas, principalmente da rubrica que compõem os CUSTOS DIRETOS com “Alimentação e Bebidas” do MARINA DE IRACEMA PARK S/A, mesmo sendo adquiridas em pequenas e/ou médias quantidades, e pelo fato principal de que os cartões de pessoa física também podem parcelar essas compras sem acréscimo de juros e outras taxas incidentes, ao passo que o cartão de crédito da pessoa jurídica não aceita parcelamento. Por outro lado, é inviável a compra direta aos fornecedores ou produtores, uma vez que para estes somente compras de grandes volumes lhes são interessantes, e mesmo assim, são ínfimos os ganhos à compradora, além das percas, como já foi dito, para financiar essas compras, requerendo um elevado volume de capital de giro, como ainda o prazo de entrega neste caso é invariavelmente em torno de 60 (sessenta) a 90 (noventa) dias; enquanto as compras efetivadas nas redes de supermercados locais são de entrega imediata, permitindo que as empresas hoteleiras mantenham um estoque pequeno de matérias primas, utilizandose o mínimo de “capital de giro”, já que as compras Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.347 12 podem ser efetivadas semanalmente ou mesmo diariamente, portanto, sem a necessidade de buscar tantos recursos na rede bancária, a custos altíssimos. O MARINA DE IRACEMA PARK S.A, unidade hoteleira de quem a autuada é sua diretora, conta em média com 280 (duzentos e oitenta) funcionários estáveis e diretos, sendo possuidora de 315 (trezentos e quinze) unidades habitacionais, portanto, é alto o seu consumo de bens do item “Alimentação e Bebidas”. Portanto, para comprovação inconteste, inquestionável e irrefutável, fazemos anexar em DOC II, já anteriormente aludido, fotocópias de toda a documentação oriunda das aquisições efetivadas pela autuada através de “cartões de crédito” de sua titularidade, pagas pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARA S/A, com a finalidade única e exclusiva de suprir as necessidades prementes da empresa coligada e credora MARINA DE IRACEMA PARK S/A, recebidas devidamente por essa empresa. Assim, para que se proceda ao devido cotejo entre os gastos efetuados no cartão de crédito da autuada e a sua devida comprovação de que se tratam de despesas da empresa MARINA DE IRACEMA PARK S/A, portanto não se referem a despesas de “caráter pessoal” da autuada, transcrevese abaixo quadros elaborados com os principais dados extraídos rigorosamente dessa documentação (DOC II), contendo a data da sua aquisição, a empresa fornecedora, o documento fiscal, o produto e finalmente a sua quantidade, o que fica comprovado que tamanha quantidade adquirida semanalmente ou mesmo diariamente jamais poderá ser para utilização da pessoa física da autuada, consoante inadvertidamente quer fazer crer a autuação, ao aduzir que tais gastos seriam de "caráter pessoal" da autuada: (Transcreveu tabela demonstrando: Data, Empresa, CF ou NF, Produto, Quantidade, Valor Unitário e Valor Total) Com efeito, Senhores Julgadores, restou comprovado que a autuada, pessoa física, jamais omitiu qualquer informação ao Fisco Federal e, muito menos, utilizouse de qualquer meio escuso e/ou ilegal para prática de sonegação fiscal, e que apenas pelo gosto ao debate, mesmo que a fiscalização glosasse, por absurdo, essas compras inerentes aos negócios da empresa MARINA DE IRACEMA PARK S/A, pagas por sua coligada e credora INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A e efetivadas no cartão de crédito da autuada, simplesmente, o crédito tributário apurado seria por diferença de imposto por inexatidão de sua declaração (conforme Art. 44 das Leis n°(s) 9.430 de 1996 e 10.892 de 2004 com a nova redação dada pela Lei 11.488 de 2007), agora, imputarlhe crime de sonegação fiscal, com o agravamento da multa nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, é de uma tremenda e deliberada desproporcionalidade e injustiça, pois a autuada jamais cometeu qualquer ilícito Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.348 13 criminal (falsificações, dolo, má fé, conluio, etc.) contra a ordem tributária, a não ser na imaginação desvirtuada da Ação Fiscal. De outro, é de se concluir que o agravamento da multa para 150% (cento e cinqüenta por cento) é despropositado e desarrazoado, uma vez que não se verificou sonegação ou fraude lastreada em ato doloso do contribuinte autuado, consoante exige o art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. In casu, a autoridade fiscal imputou o cometimento de “crime contra a ordem tributária”, com o agravamento da multa sobre um mero suposto crédito tributário, como se houvesse por parte do contribuinte “evidente intuito de fraude” (dolo). E o que é pior, pasme Senhores julgadores, neste caso específico, o auto de infração não indica sequer o enquadramento legal desse seu delírio, em total desrespeito ao Art. 957, inciso II, do Decreto 3.000/99 (vigente Regulamento do Imposto de Renda), que exige que se enquadre em qual (is) do(s) artigo(s) dispostos na Lei 4.502/64 (art. 71, art. 72, ou art. 73?), conforme a seguir se transcreve esse dispositivo legal, literalmente: (...) Como efetivado, a ação fiscal não conseguiu e não determinou, sequer, qual dispositivo legal foi infringido, para assacar contra a autuada tamanho disparate. Ademais, não se perca em mente, ainda, que o agravamento da multa nos casos de lançamento de ofício representa uma infração imposta ao contribuinte, portanto, consoante determina o art. 112 do CTN (princípio da interpretação in bonam partem), a lei tributária que define infrações, ou comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (I) à capitulação legal do fato; (II) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (III) à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (IV) à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, resta comprovado que o comando fiscal ao enquadrar, totalmente equivocado, nas normas legais que caracterizam “crime de sonegação fiscal”, imputando ilegalmente à Impugnante tamanho disparate, somente demonstra um perfeito ato de arbitrariedade e desvirtuamento proposital das normas legais. Ainda bem que esse Auditor Fiscal não possui poder de Magistrado, pois se assim fosse, estaria disseminando ainda mais o desmando, a ilegalidade, e a injustiça fiscal no país, aí seria o caos. Finalmente, I. Julgadores, a fiscalização, nesse caso específico da impugnante, quando da lavratura desse indigitado Auto de Infração, sequer efetiva, como é obrigação imposta pelo RIR e de toda a legislação incidente em vigor, a recomposição das novas posições constantes das DIRPF da autuada (pelo menos pretendidas pela fiscalização), tendo em vista que foram Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.349 14 declarados rendimentos nessas declarações no período fiscalizado, incorrendo a fiscalização em um erro crasso, que deverá ser irremediavelmente sanado, segundo o Processo Administrativo Fiscal PAF. CONCLUSÃO/REQUERIMENTO Por todo o exposto, e em vista a documentação comprobatória anexada, espera convicta a Autuada ter demonstrado, nesta peça, a improcedência total do Auto de Infração, portanto, requer mui respeitosamente a V.Sas, após o julgamento de praxe, determinar a extinção do débito tributário e o conseqüente trâmite que lhe ordena o P. A. F., por ser de Justiça. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PAGAMENTO DE FATURA DE CARTÃO DE CRÉDITO PELA PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. São tributáveis os benefícios e vantagens concedidos a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, ou a terceiros em relação à pessoa jurídica, por se revestirem em remuneração indireta. Pagamento de fatura de cartão de crédito de titularidade do sóciogerente através de recurso de caixa da pessoa jurídica caracteriza benefício e remuneração indireta. REMUNERAÇÃO INDIRETA. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Perceber remuneração indireta e não informar esse rendimento na Declaração de Ajuste Anual denota o intuito de não pagar Imposto de Renda e Contribuição para a Seguridade Social, caracterizando evidente intuito de fraude nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando o lançamento da Multa de Ofício Qualificada, conforme o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007), Infração de omissão de rendimentos apurada com base em documentos colhidos em investigação da Polícia Federal em operação de combate à sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas. Cientificada em 24/10/2011 (Fls. 1162), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/11/2011 (fls. 1163 a 1203), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.350 15 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega a Recorrente, em sede preliminar, que o acórdão recorrido baseouse em elementos estranhos ao auto de infração e que não eram de conhecimento da contribuinte, razão pela qual não foi objeto da defesa. Essas informações e documentos, supostamente trazidos somente com a decisão ora guerreada, dizem respeito à utilização de informações colhidas em investigação da Polícia Federal com objetivo, entre outros, de combater sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas. Essa preliminar deve ser rejeitada por duas razões: (a) tais fatos foram mencionados no acórdão recorrido com base nos elementos descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/18), que integra o auto de infração, como expressamente mencionado às fls. 3; (b) no recurso voluntário a recorrente não faz qualquer contraponto às referidas informações, não aponta objetivamente sequer um documento, o que evidencia não ter havido qualquer prejuízo à defesa. Deste modo, rejeito a preliminar argüida. Passo a análise do mérito da questão da omissão de rendimentos de pessoa jurídica em razão da remuneração indireta. A solução de mérito exige que sejam analisadas as provas apresentadas pela recorrente no intuito de identificar se foi comprovado ou não que as despesas sejam decorrentes de atividades da empresas e não gastos pessoais da recorrente. Não se pode ignorar que o cartão de crédito dos sócios e administradores não se presta a pagamento de despesas das empresas, tais despesas são por natureza pessoais dos titulares dos cartões, outrossim, a prática de pagar despesas de pessoas jurídicas com o cartão de crédito pessoal do sócio/diretor/administrador é inusual e exige esforço probatório por parte da recorrente que deve objetivamente indicar cada despesa e respectivas documentação e justificativa, sobretudo quando se verifica uma série de despesas de caráter eminentemente pessoal, tal como resumido pela autoridade lançadora. “tais como compras feitas em lojas de roupas, sapatos, jóias, brinquedos e perfumaria (Stalker, Vivara, Redley, Samello, Levi's, Alain Delon. Cantão, Toys'R'US'Miami), instituto de beleza (Jacques Janine) compras feitas em farmácias (Pague Menos e Avenida), compras realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Kingho Sushi, Pão de Açúcar Supermercados, Casa Freitas, Super Família Supermercados, Lojas Americanas), compras de combustíveis, passagens aéreas e despesas de hotéis (Tam, Varig, Gol, Posto Canaã), despesas de Hospital (Hospital Cash São Paulo) e outros.” (pág. 1137 dos autos) Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.351 16 A recorrente busca provar o alegado com a mera junção aos autos das Notas Fiscais e Recibos que foram emitidos em nome da pessoa jurídica. Neste aspecto, acolho o entendimento esposado nas fls. 1146 do Acórdão proferido pela DRJ: Embora as compras estejam acompanhadas de Nota Fiscal e Recibo, documentos emitidos em nome de pessoa jurídica, e também, estejam acompanhadas de Guia de Controle de Compra da pessoa jurídica solicitante do produto para aquisição, documento de controle de almoxarifado e inerente à contabilidade da pessoa jurídica, entendese que não se deve fazer juízo no sentido de identificar a compra como necessariamente destinada à atividade da pessoa jurídica. Concebese sem muito esforço de raciocínio, que para que a pessoa jurídica pudesse desembolsar recursos de caixa para pagamento da fatura de cartão de crédito, a compra deveria estar acobertada com Nota Fiscal e Recibo, emitidos em nome da pessoa jurídica. (...) Desta forma e considerando que o uso de cartão de crédito é pessoal e intransferível, temse que as compras discriminadas nas faturas são de uso pessoal. A Nota Fiscal, o Recibo e a Guia de Controle de Compra são documentos que possibilitam o pagamento da fatura de cartão de crédito pelo caixa da pessoa jurídica. Entretanto, não comprovam que a compra destinouse ao patrimônio da pessoa jurídica. É incontroverso que os gastos foram pagos por pessoas jurídicas com as quais a recorrente mantinha vínculo como sócia/administradora/representante/gerente, de forma que a falta de contestação específica implica em reconhecer tais gastos pagos pelas pessoas jurídicas como remuneração indireta, portanto tributáveis tal como considerou a autoridade lançadora. A autoridade fiscal demonstrou a totalidade das compras e discriminou aquelas que entendeu comprovadas como despesas empresarias, além de consolidar por ano calendário os respectivos valores, cabe à recorrente listar as demais e apontar a comprovação do que alega. Assim, não basta apresentar extrato do cartão e alegar vinculação a empresas, é ônus da recorrente indicar objetivamente a prova nos autos. Em razão do grande número de documentos, de cartões de crédito, da apuração em três exercícios, pagamentos parcelados e menção ao nome de fantasia ao invés da denominação social grafada no documento fiscal, caso algum documento tenha sido apresentado pela defesa fora da ordem cronológica referente à comprovação da despesas, a recorrente não terá se desincumbido do ônus de provar adequadamente nos autos as suas alegações. A análise das provas baseiase em um conjunto de dados que permitiram o convencimento ou não da natureza empresarial. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.352 17 Assim, não se admite comprovação de gastos de combustíveis de veículos sem a identificação do veículo, vinculação ao patrimônio da pessoa jurídica e atividade empresarial. Também entendo que a existência de nota fiscal em nome da pessoa jurídica não é suficiente para descaracterizar a remuneração indireta. Além do que, não se pode considerar como despesas pessoais a título de remuneração indireta uma série de compras em Supermercados, cuja quantidade e natureza dos itens não tem característica de uso doméstico e sim atividade de hotel e/ou restaurante, e outros documentos reforçam esse entendimento. A fim de justificar as despesas com passagens aéreas e terrestres, hotéis, restaurantes, combustíveis, aluguéis, remédios, compras em lojas de material de construção e despesas no exterior, a recorrente alega que há necessidade de deslocamento de engenheiros e técnicos especializados para os locais em diversos Estado do Brasil e no exterior, onde se encontram atracadas as embarcações que precisam ser atendidas pela empresas que pagaram as despesas, como também é necessário que os dirigentes façam viagens para o exterior com vistas a tentar fechar acordos negociais. Embora possa ser razoável que administradores e colaboradores das pessoas jurídicas realizem viagens, o ônus da recorrente é comprovar a cada viagem o interesse empresarial. Em síntese, embora admissível considerar como despesas empresariais parte das despesas nos cartões de crédito pessoais da contribuinte, não é a mera existência de recibos ou notas fiscais ou documentos internos de almoxarifado das pessoas jurídicas o que assegura essa natureza, a recorrente precisa demonstrar a pertinência da despesa com as atividades das pessoas jurídicas, além de apontar objetivamente o documento e onde localizálo no processo. Dentro deste contexto, após análise da documentação apresentada pela Recorrente, entendo que a mesma não comprovou que as despesas dos seus cartões de créditos, pagas pelas empresas, sejam decorrentes de atividades das empresas. Razões pelas quais o lançamento desta omissão deve ser mantida. Por fim, quanto a multa de ofício qualificada, percebo que a recorrente, subsidiariamente, alega que o auto de infração sequer indicou em qual dos dispositivos da Lei 4.502/64 enquadrouse a conduta da contribuinte (71, 72 ou 73?). Partindo do pressuposto de que a boafé se presume e que dolo se comprova, verificase que a autoridade fiscal não comprovou que a recorrente tenha agido com evidente intuito de fraudar a fiscalização fazendária. De outro giro, não fazse possível presumir o dolo com base exclusivamente no fato de a fiscalização ter sido iniciada em razão de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas. A existência de indícios de crimes é ponto de início do trabalho de fiscalização mas não uma conclusão acabada, por maiores que sejam os indícios; para fins de qualificar a multa, a fiscalização não esta dispensada de comprovar o dolo. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.725991/201043 Acórdão n.º 2801003.974 S2TE01 Fl. 1.353 18 Assim, considerando que a fiscalização não conseguiu imputar ao Recorrente uma conduta adicional, além da simples omissão de rendimentos, é dever aplicar a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Dessa forma, devese afastar a qualificação da multa. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13971.001502/2005-35
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE.
O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL.
O inciso VI, c/c § 1º, inciso III, do artigo 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados sobre a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação de terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
Assim, não poderão ser admitidos na base de cálculo de tais créditos os bens que não se subsumam ao preceito legal acima referenciado.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 02 /2 00 5- 35 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL. O inciso VI, c/c § 1º, inciso III, do artigo 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados sobre a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação de terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim, não poderão ser admitidos na base de cálculo de tais créditos os bens que não se subsumam ao preceito legal acima referenciado. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001502/200535 Acórdão n.º 3802004.260 S3TE02 Fl. 387 3 julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 302/316 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida do pedido de ressarcimento de aduzidos créditos do PIS/Pasep relativo ao quarto trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido Ressarcimento de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, relativo ao quarto trimestre de 2004. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento de valores indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte, conforme informado em Dacon e confrontado com as informações e registros por ela apresentados em resposta a intimações fiscais, como segue: a) Despesas com aquisições de serviços: a autoridade fiscal glosou os valores das notas fiscais que lista em seu RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL, por se referirem a serviços que não podem ser considerados como insumos, a teor da legislação de regência, tais como: serviços na área de refrigeração, manutenção de telefones, roçada em reflorestamento, manutenção de extintores, serviços de construção civil, locação de equipamentos para terraplanagem, serviços de limpeza e conservação, tratamento de efluentes, disposição final de resíduos industriais, manutenção de jardins, varreção de corredores, limpeza de vidros externos, conservação de elevadores, serviços de guindaste, reforma e manutenção de esquadrias de alumínio, limpeza da caixa de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 gordura, troca de fechadura e controle de camundongos, baratas, aranhas e cupins; b) Despesas com energia elétrica: foram glosados os valores consignados nas faturas de energia cobrados a título de parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora, por consistirem de valores não relacionados ao consumo, nos termos prescritos na legislação; c) Encargos sobre bens do ativo imobilizado: dos valores informados a este título pela contribuinte, foram glosados os referentes a bens que não são diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, inicialmente, defende que mesmo que algum dos valores glosados pela fiscalização, não se refiram a insumos, na acepção concebida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ainda assim lhe cabe direito aos créditos pretendidos, ante o que dispõe a Constituição Federal acerca da matéria. Nesse sentido, defende que, com a edição da Emenda Constitucional n° 42/2003, a aplicabilidade do princípio da nãocumulatividade às contribuições sociais ganhou contornos constitucionais, passando a estar prevista no § 12, acrescentado ao art. 195 da CF/88. E que, em assim sendo, em que pese as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, serem anteriores à mencionada previsão constitucional, resta evidente que “toda sua regulamentação, e também alterações posteriores, deve ser harmonizada e compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse instituto”. Com base na doutrina, passa então a discorrer longamente sobre a sistemática de tributação nãocumulativa, trazendo, dentre outros, os dizeres que seguem transcritos: No caso da COFINS e do PIS, tratandose de tributos incidentes sobre o faturamento e a receita, para que a nãocumulatividade seja efetivamente implementada, devese outorgar créditos sobre todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas incorridas ou pagas que se mostrem necessárias à obtenção dos recursos tributáveis por essas exações, sob pena de tornar sua incidência, ainda que parcialmente, cumulativa, e, portanto, inconstitucional. (...) Portanto, a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada. Nem se diga aqui que a nãocumulatividade inerente ao ICMS e ao IPI não se confundiria com a referente à COFINS e ao PIS, na medida em que para os primeiros teria a Constituição Federal estabelecido todos os critérios a serem observados, não procedendo dessa mesma forma em relação aos últimos, bem como na medida em que a receita (base de cálculo da COFINS e do PIS) se traduz em fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar para essas últimas exações em cadeia econômica de produção e circulação de mercadorias para efeitos de outorga de créditos sobre o valor agregado em cada etapa de comercialização ou prestação de serviços. Tal fato, ao contrário do que um exame inicial e menos acurado da matéria deixa a entrever, não autoriza o legislador ordinário a deliberar ao seu livre arbítrio sobre os créditos que poderão e que não poderão ser aproveitados pelos contribuintes, mas, muito pelo contrário, evidencia, em relação à COFINS e ao Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001502/200535 Acórdão n.º 3802004.260 S3TE02 Fl. 388 5 PIS, uma amplitude do princípio constitucional da nãocumulatividade mais abrangente e dilargada do que a existente em relação ao ICMS e ao IPI. (...) Portanto, o fato de o crédito do ICMS e do IPI ser apurado a partir da dedução do montante devido do imposto incidente na etapa anterior, diferentemente do que ocorre com o crédito da COFINS e do PIS, que é apurado mediante a aplicação da alíquota dessas contribuições sobre o valor dos insumos adquiridos e custos incorridos ou pagos, não retira desse último crédito a natureza jurídica de um crédito decorrente do primado da nãocumulatividade tributária. (...) Ademais, tendo a EC n. 42/2003, ao incluir o § 12 ao art. 195 da CF/88, atribuído ao legislador ordinário tãosomente a aptidão de estabelecer os ramos de atividade que estariam sujeitos ao princípio da nãocumulatividade, não se lhe mostra dado, dentro do campo das mercadorias, insumos, custos e demais despesas ligadas à obtenção de receitas tributáveis pela COFINS e pelo PIS, permitir a fruição de créditos em relação a uns e tolhela em relação a outros. (...) Com isto em mente, resta inquestionável o direito da empresa de ver reconhecidos os créditos pretendidos, pois a legislação ordinária assim lhe assegura, e eventuais hipóteses que não se enquadrem nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 devem ser aceitas, ante o que dispõe § 12 ao art. 195 da CF/88, nos termos acima alinhados. Em relação às glosas de valores referentes a aquisição de serviços, argumenta que muitos dos serviços glosados pela fiscalização consistem de serviços que se enquadram no campo de creditamento admitido pelas próprias Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e diz que: Entre tais hipóteses, podem ser citadas, a título exemplificativo, as seguintes (doc. n° 7): tratamento de efluentes sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais; serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos — destinado à área industrial; e equipamentos de combate a incêndios destinados à área industrial. (...) Ademais, na eventualidade de alguma operação ser afastada face à legislação ordinária, ainda assim persiste o crédito pretendido, frente à matriz constitucional do crédito perseguido, nos moldes alinhados no tópico II supra. Com relação à energia elétrica, defende: que a própria legislação ordinária permite o crédito de todas as despesas relacionadas e necessárias ao seu fornecimento e que não poderia receber energia elétrica sem pagamento das despesas em referência. Conclui que, por ser obrigada a estas despesas para ter acesso à energia elétrica, é certo o direito à inclusão do respectivo valor no cálculo do crédito presumido, da forma admitida pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. No que concerne à glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, remete aos seus argumentos iniciais em defesa do amplo direito ao crédito e assevera que “o direito aos créditos pretendidos é devido por conta das aquisições de bens ao ativo imobilizado, ainda que não diretamente vinculados às atividades produtivas da pessoa jurídica”. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Por fim, em relação ao estoque de abertura, novamente remete aos seus argumentos iniciais em defesa do amplo direito ao crédito. Ao final de suas alegações pugna, com base no art 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, pela realização de diligência fiscal para que, diante do acompanhamento da atividade produtiva da empresa, reste respondida a questão “se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003?” Em face do exposto, requer seja recebida e julgada procedente apresente manifestação de conformidade, e concedido integralmente o crédito cujo ressarcimento foi requerido. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos e demais despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001502/200535 Acórdão n.º 3802004.260 S3TE02 Fl. 389 7 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 10/07/2012 (fls. 319), a interessada, em 27/07/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 320/330, onde reitera alguns dos argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pela baixa dos autos em diligência. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso com o consequente reconhecimento integral do crédito cujo ressarcimento fora requerido. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do pedido de diligência Antes de adentrar no exame das questões atinentes ao direito em vista do regime da nãocumulatividade, examino o pedido de diligência da interessada. No pedido em tela a interessada ressalta que os autos não carecem de nenhuma prova documental. "Não há controvérsia quanto à existência ou não das despesas, mas sim em torno da relação destas com as atividades produtivas da empresa". 37. Salvo melhor juízo, nenhuma prova documental existe neste sentido. Como comprovar documentalmente que o tratamento de efluentes está diretamente relacionado às atividades produtivas? É simplesmente impossível. 38. Na realidade, fazse necessária uma diligência para identificar este e outros pontos, com o que se apurará que mesmo no conceito restrito adotado pelo v. acórdão recorrido há direito ao creditamento, ante a estrita relação existente entre as despesas glosadas e as hipóteses de creditamento. Com efeito, o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) garante à reclamante o direito de pleitear as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Porém, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93), o julgador – que também poderá determinar de ofício a realização de perícias – tem o direito de deliberar pelo indeferimento dos pedidos nesse sentido se considerálos “[...] prescindíveis ou impraticáveis [...]”. É nessa última hipótese, pois, que se enquadra o caso posto em exame, cujo pedido de diligência envolve questão demasiadamente genérica, além de estar relacionada a aspectos meramente de direito, razão pela qual não merece ser acolhida. E é essencialmente pelo caráter genérico da defesa que entendo não poderá ser dado provimento ao recurso em relação à aquisição de alguns bens e serviços os quais, aparentemente, relacionamse sim ao processo de industrialização da interessada. Essa questão será abordada com mais detalhes doravante. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento do PIS/Pasep do quarto trimestre de 2004, no montante de R$ 49.012,41, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Florianópolis. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001502/200535 Acórdão n.º 3802004.260 S3TE02 Fl. 390 9 O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, o i. conselheiro desta Tuma de julgamento, Solon Sehn2, ressalta que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente 2 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. Defende ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”3. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins4, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco5 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da 3 ob. cit., p. 315316. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001502/200535 Acórdão n.º 3802004.260 S3TE02 Fl. 391 11 COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de bens não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico”, CNAE 1351100, conforme consignado em seus dados junto ao CNPJ. Consta ainda do artigo 3º do Estatuto Social registrado em 17/05/2006 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina: A sociedade tem por objeto a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares, comercialização e exportação de seus produtos, importação, atividades relacionadas ao florestamento ou reflorestamento, podendo ainda participar de outras sociedades de igual ou diversa finalidade, como acionista ou quotista, a critério do Conselho de Administração. Sem dúvida, a natureza das atividades exercidas pela interessada é relevante para a caracterização como insumo dos custos e despesas apresentados. Mas a suplicante não aponta quais bens adquiridos deveriam ter sido considerados também como insumos pela Fiscalização. Apenas defende o irrestrito cômputo de todos os custos e despesas, procurando dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, o que, como já vimos, não se pode acatar. Registrese que não há nos autos, ou não foi indicado pontualmente pela empresa, a correspondente nota fiscal de aquisição ou eventual elemento de conteúdo técnico Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 suficiente para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo de eventual custo ou despesa, ou seja, o bem necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou as aquisições glosadas, o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Tais elementos, com efeito, deveriam ter sido colacionadas aos autos pela interessada, o que afirmo com esteio no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, não há como reconhecer o correspondente crédito reclamado relativamente às aquisições de bens glosadas. Das glosas de aquisições de serviços por não se enquadrarem como insumos A recorrente também assevera que inúmeros serviços glosados se encontrariam no campo de creditamento objeto das leis nos 10.637/02 e 10.833/02. Cita, por exemplo, o "tratamento de efluentes sem o que suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais", o "serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos destinado à área industrial" e "equipamentos de combate a incêndios destinados à área industrial". Concernente ao tratamento de efluentes é bem verdade que tal serviço me parece essencial ao exercício do processo produtivo do sujeito passivo. Não obstante, e diferentemente de dois outros processos da interessada trazidos para julgamento nesta sessão em que foram apresentados os documentos correspondentes aos serviços em tela (notas fiscais) , agora nenhum documento foi acostado. Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto à correspondente nota fiscal de aquisição do serviço ou eventual elemento de conteúdo técnico suficiente para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo, ou seja, o bem ou serviço necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou os serviços glosados, o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Não obstante, a recorrente, frente a um cenário de centenas de documentos, peca novamente por não pontuar nos autos àqueles inerentes aos custos e despesas que entende deveriam ter sido considerados para fins de creditamento. Poderia também, em alguns casos eventuais, ter acostado aos autos documentação técnica que justificasse o cômputo de cada serviço na condição de insumo. Enfim, apresenta recurso que carece das mesmas questões destacadas na decisão de primeira instância em relação à manifestação de inconformidade, e que poderiam ter sido corrigidas nas razões apresentadas na presente fase recursal. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001502/200535 Acórdão n.º 3802004.260 S3TE02 Fl. 392 13 Perpetrada a imprecisão da peça de defesa, não vejo outra saída senão rejeitar os argumentos da suplicante. Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Extraise do relatório de auditoria fiscal (fls. 234/235) que a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica ("consumo, demanda e encargo de aquisição de energia elétrica, inclusive emergencial"), tendo glosado, contudo, os montantes correspondentes a "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora". O sujeito passivo, por seu turno, defende que estas também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Das glosas acima citadas entendo que deverá ser admitida aquela inerente a parcelamento, em vista de este caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Nessa parte, portanto, dáse parcial provimento ao recurso formulado pelo sujeito passivo. Das glosas dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado O inciso VI, c/c § 1º, inciso III, do artigo 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados sobre a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação de terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Segundo o relatório fiscal, a glosa dos correspondentes encargos de depreciação foi motivada pelo não subsunção de alguns dos bens ao preceito legal acima referenciado. No que diz respeito às aduzidas glosas limitase a interessada a reiterar que teria direito ao irrestrito cômputo de todos os custos e despesas, à semelhança com o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Como já vimos, a exegese adequada da legislação que trata do regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS não autoriza interpretação nesse sentido. Rejeitase, pois, o argumento da suplicante, mantendose, consequentemente, as glosas objeto do relatório de auditoria fiscal. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos do PIS/Pasep calculados unicamente sobre o parcelamento de energia elétrica. Sala de Sessões, em 19 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 14 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 15940.000104/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO E VOTO Em face do contribuinte APARECIDO MOLINA, CPF/MF nº 778.713.91887, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 07/11/2006, auto de infração, com ciência postal em 13/11/2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .0 00 10 4/ 20 06 -7 5 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15940.000104/200675 Resolução nº 2102000.095 S2C1T2 Fl. 3 2 IMPOSTO R$ 1.439.754,26 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 112,50% R$ 1.619.723,54 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no importe de R$ 5.235.470,04, no ano calendário 2001. Os extratos bancários foram assenhoreados pelo fisco a partir da expedição das competentes Requisições de Movimentação de Informação Financeira – RMFs (fls. 17 a 31), tendo o contribuinte sido intimado a comprovar os depósitos bancários, conforme relações confeccionadas pela fiscalização, quedandose, entretanto, inerte, o que culminou com a lavratura do presente auto de infração. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, asseverando que fazia intermediação como autônomo da compra de aves vivas (galinhas), entre criadores, os estabelecimentos de recria e os estabelecimentos industriais. Para comprovar suas alegações, pediu para que a DRFB intimasse os estabelecimentos industriais que relacionou, bem como juntasse aos autos os extratos das contas bancárias auditadas. O julgamento foi convertido em diligência para que fossem juntados aos autos os extratos bancários e os relatórios baixados a partir dos arquivos magnéticos, devendo ser aberto um prazo de 30 dias para que o contribuinte pudesse se manifestar sobre eles. A DRF/Presidente PrudenteSP juntou os documentos solicitados (fls. 218/1319). Cientificado do Termo de Ciência de Anexação de Extratos Bancários em 21/02/2011 (fl. 1321), o contribuinte, em 22/03/2001 (fls. 1322/1325), reiterou que a movimentação bancária em seu nome decorreu do instrumento particular de parceria comercial e industrial feito com a empresa Palmali Industrial de Alimentos Ltda., datado de 10/12/2003 e que teve início em 11/12/2002, e trouxe ainda cópia de documentos (fls. 1326/1354). A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0425.225, de 12 de junho de 2011 (fls. 1.356 e seguintes). No mérito, a decisão acima rejeitou a pretensão do impugnante, com a seguinte motivação: A documentação trazida pelo contribuinte (fls. 1326/1354), para embasar a alegação de que a movimentação bancária em seu nome decorreu do Instrumento Particular de Parceria Comercial e Industrial feito com a empresa Palmali Industrial de Alimentos Ltda., também não pode ser acatada. O referido documento é datado de 10/12/2003 e em sua Cláusula Quarta constou que a parceria teve início em 11/12/2002. A presente autuação se refere ao anocalendário 2001, não podendo, portanto, a alegada parceria justificar os depósitos bancários que originaram o lançamento. Desta forma, à mingua de elementos probantes, é de se considerar como omissão de rendimentos os valores depositados e/ou creditados em contacorrente mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15940.000104/200675 Resolução nº 2102000.095 S2C1T2 Fl. 4 3 aos quais o contribuinte não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. O contribuinte foi intimado da decisão acima em 26/07/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 22/08/2011. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o lançamento não respeitou o prazo qüinqüenal prescricional; II. toda a movimentação financeira foi feita em benefício da empresa Palmali Industrial de Alimentos Ltda., como inclusive reconhecido em sentença trabalhista anteriormente juntada, sendo de rigor cancelar o lançamento. É o relatório. O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais formalidades legais, devendo ser conhecido. Entretanto, atualmente, deve ter seu julgamento sobrestado, como se demonstra a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15940.000104/200675 Resolução nº 2102000.095 S2C1T2 Fl. 5 4 Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso destes autos, os dados bancários do contribuinte foram assenhoreados compulsoriamente pela Receita Federal, como se vê pelas RMFs de fls. 17 a 31, implicando que o julgamento do recurso voluntário deve ser sobrestado. Antes o exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso, devendo o feito ser transferido para a atividade SOBRESTAR PROCESSO do eprocesso, aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal no tema referido acima. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Conselheiro Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15940.000104/200675 Resolução nº 2102000.095 S2C1T2 Fl. 6 5 Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15374.723477/2009-32
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2008
RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado.
Numero da decisão: 1802-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/12/2008 RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 34 77 /2 00 9- 32 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual passo a adotar o relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório eletrônico, por meio do qual não foram homologadas as compensação declarada pela interessada acima identificada nas DCOMP de nº: 42153.00198.280704.1.3.040400; 17895.02088.060804.1.3.048407; 36696.22004.150605.1.3.042402; 23142.93822.300605.1.3.040064; 25557.07854.040805.1.3.043789; 21182.45353.050805.1.3.040337; 20744.54058.150805.1.3.040290; 32114.39251.150805.1.7.049896; 00226.47311.310805.1.3.043571; 27206.07513.310805.1.3.040108; 22180.96930.310805.1.7.049012; 31161.08152.090905.1.3.046370; 19559.59214.120905.1.3.042665; 34109.21050.140905.1.3.041055; 34637.55946.051005.1.3.046837; 40569.15284.061005.1.3.044079; 37518.44490.071005.1.3.042017; 00690.03470.261005.1.3.040302; 00397.84754.081105.1.3.049874; 30387.79234.111105.1.3.044358; 05433.67730.281105.1.7.040182; 10435.90590.281105.1.7.040381; 34319.44414.051205.1.3.042311; 42912.59415.061205.1.3.049613; 35157.33895.091205.1.3.042870; 05889.30844.131205.1.3.048307; 23726.91386.221205.1.3.043285; 27859.83393.281205.1.3.046878; 02286.26389.040106.1.3.048289; 17892.40769.170106.1.3.042597; 05125.27553.310106.1.3.048510; 36614.77098.060206.1.3.041310; 40439.99552.090206.1.3.043826; Fl. 966DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 38 3 38242.87523.140206.1.3.046601; 11909.55569.210206.1.7.045231; 41686.72582.210206.1.7.042487; 26090.03352.210206.1.7.048297; 25495.57359.070306.1.7.047047; 15715.45908.070306.1.7.041631; 39992.89529.070306.1.7.040381; 15412.19798.070306.1.7.046888; 32982.66068.070306.1.7.044334; 00352.63514.070306.1.7.043017; 03070.83248.080306.1.7.045055; 27719.52260.080306.1.7.041010; 17642.91833.080306.1.7.049257; 31279.35445.090306.1.7.043007; 21226.09115.090306.1.7.049771; 22174.52051.090306.1.7.046222; 19377.50966.090306.1.3.045681; 10013.62828.100306.1.3.041820; 07873.79401.140306.1.3.048639; 31335.90471.300306.1.3.049831; 16946.01484.070406.1.7.049500; 29108.39783.110406.1.3.040922; 03886.33642.130406.1.3.048908; 14083.60226.190406.1.3.048072; 25510.84725.270406.1.3.047120; 17363.85968.260506.1.3.049040; 02888.12624.290506.1.3.044468; 40060.39362.060606.1.7.049976; 25176.73965.060606.1.7.040785; 34271.38454.060606.1.7.044029; 10292.85450.060606.1.7.040800; 10564.26270.060606.1.7.044003; 35973.32736.060606.1.7.040933; 35358.53356.060606.1.7.046170; 01857.98557.060606.1.7.043261; 33011.55634.060606.1.7.047268; 18083.65840.060606.1.7.041777; 29497.16765.060606.1.7.043248; 05142.19556.070606.1.7.043722; 36408.64033.070606.1.7.044933; 24552.83151.070606.1.7.042957; 39902.04586.070606.1.7.041018; 08178.54900.070606.1.7.049807; 26816.44102.070606.1.7.047880; 21127.49183.070606.1.7.043769; 30435.76220.080606.1.3.049986; 12619.01290.140606.1.3.045897; 20006.25344.200606.1.3.045974; 15330.28733.210606.1.3.047037; 27172.92385.130706.1.3.041181; Fl. 967DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 39 4 03657.47600.140706.1.3.040680; 41855.27947.250706.1.3.046201; 40793.14829.310706.1.3.044146; 33786.36623.220806.1.3.048821; 09685.90844.280806.1.3.040149; 03872.24155.060906.1.7.041005; 22459.16083.060906.1.3.046458; 39151.75510.120906.1.3.044782; 18628.34262.250906.1.3.048576; 27416.14647.280906.1.3.046240; 05255.22622.290906.1.3.047740; 02299.70226.101006.1.3.047031; 30683.10732.261006.1.3.044764; 37253.49355.301006.1.3.042890; 32026.51768.311006.1.3.049287; 00961.93499.141106.1.7.040618; 31838.13104.141106.1.3.043336; 00748.65836.301106.1.3.040520; 35524.00412.081206.1.3.042805; 25179.17777.121206.1.3.046082; 10490.16821.261206.1.3.041642; 02547.29502.160107.1.3.040020; 38566.38735.290107.1.3.040400; 35619.77715.310107.1.3.043177; 20117.78091.140207.1.3.045723; 40956.56148.150207.1.3.049066; 03696.58092.270207.1.3.041650; 04003.86533.280207.1.3.042695; 35807.11360.200307.1.3.047823; 36566.10141.280307.1.3.048630; 34845.98522.290307.1.3.047335; 15928.82225.300307.1.3.046750, no total de R$ 203.389,37, tendo a interessada informado como origem do crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processo administrativo n° 10070.000889/200497. 2. As compensação foram não homologadas pela autoridade fazendária pelo Despacho Decisório nº 192/2009, com base em parecer conclusivo de mesmo nº e datados de 01/06/2009, sob o argumento de que não havia sido comprovada a existência de crédito líquido e certo para o fazer, cf. preconiza o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, ao estabelecer normas concernentes à Declaração de Compensação. 3. O motivo da iliquidez e incerteza do crédito, segundo o parecer conclusivo citado, é que a interessada informou como origem do crédito decorrente de pagamento indevido Fl. 968DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 40 5 ou a maior, o processo administrativo n° 10070.000889/200497. Entretanto, o referido processo teve o objetivo de formular consulta sobre interpretação da legislação concernente a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. 4. Da análise do processo n° 10070.000889/200497 foi proferida uma Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n° 284, de 2004, cópia fl. 777, verso e anverso, e fl. 778, cuja ciência da interessada ocorreu em 21/07/2004, conforme cópias de fls. 779 e 780 e tal processo não teria configurado a existência de crédito líquido e certo para ser utilizado pela interessada em compensações. 5. Ciente do indeferimento da compensação em 1º/07/2009 e inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na data de 29/07/2009 aos fls 837 e seguintes, alegando em síntese que: 5.1. o indeferimento tomou por base o parecer de fls. que considerou incabível o pedido de compensação sob o fundamento de que a decisão que o amparou era tomada no processo administrativo e não judicial; 5.2. o referido processo teve o objetivo de formular consulta sobre interpretação da legislação concernente a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, conforme cópia da petição apresentada pela interessada, anexa f Is. 775 e 776. Da análise do processo n° 10.070.000.889/200497, foi proferida a Solução de Consulta SRRF/N° RF/DISIF N° 284 cópia fls. 777, verso e anverso, e fls. 778 cuja ciência da interessada ocorreu em 21/07/2004, conforme cópias de fls. 779 e 780; 5.3. tal entendimento não pode prevalecer, pois a restituição ou compensação de tributos tem por único fundamento a comprovação de que foram recolhidos indevidamente; 5.4. a compensação opera efeitos imediatos extinguindo o débito sob condição resolutiva de sua subsequente homologação (art. 74 § 2); 5.5. da análise do texto legal fica certo que: a) não há necessidade de decisão judicial prévia para que se configure o direito a compensação. Em outras palavras, a compensação pode ser amparada numa simples decisão administrativa que reconheça o pagamento indevido; b) seja no caso de uma ação judicial, seja em razão do processo administrativo a decisão que ampara a Fl. 969DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 41 6 compensação não precisa ser de natureza condenatória i.e, determinar ela mesmo o valor do credito a compensar. Em ambos os casos admitese que seja declaratória, i.e, reconheça apenas o direito do contribuinte e que justifica o pagamento indevido. c) A apuração crédito i.e, a determinação do valor a compensar sempre será feita pela administração que conhecerá e dará ou não provimento ao requerimento formulado pelo contribuinte; 5.6. em outras palavras, o pedido formulado pela suplicante estava amparado numa decisão administrativa que definiu o critério legal para apuração da base de cálculo do lucro presumido, considerando que ela deveria ser de 8% da receita. Esta decisão pela sua natureza é definitiva no âmbito da administração, eis que proferida em consulta; 5.7. a determinação do valor a compensação é feita pela empresa contribuinte, aplicandose ao caso o regime do lançamento por homologação que está no art. 150 do CTM, ou seja, o contribuinte apura o valor devido calculando o, tributo a recolher (ou a compensar) e efetua o pagamento (ou a compensação) de acordo com as bases declaradas e unilateralmente calculadas. A Fazenda Pública tem o prazo de 05 anos a contar do fato gerador para contestar o lançamento sob pena de não o fazendo entender que o homologou tacitamente. 5.8. a impugnação às compensações apresentadas pela suplicante só poderia se basear na existência de erro de fato, ou seja, na constatação de que o valor correspondentes ao tributo recolhido a maior havia sido feito com equivoco, mas a decisão de fls. porem, em nenhum momento refere este fato afirmando apenas que para operar a compensação deve se apresentar crédito "do sujeito passivo contra a Fazenda Pública esteja dotado de liquidez e certeza"; 5.9. a pretensa incerteza do crédito decorre alegadamente no fato de estar baseado numa decisão administrativa e o que se viu não conflita com o art. 74 da Lei 9450. A liquidez e certeza do credito decorre mais necessariamente de dois fatos: a) o reconhecimento do fundamento jurídico em que estão baseados; b) a determinação do valor a compensar; 5.10. Quanto ao primeiro item não há o que discutir, pois existe decisão administrativa que valida o pagamento indevido. Quanto a determinação do/e valor cabe apenas a Fl. 970DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 42 7 empresa indicálo no pedido de compensação (como 'foi feito), sendo a conferencia dos dados lançados é privativa da autoridade pública, a quem cabe com exclusividade proceder ao lançamento na forma do que determina o art. 142 do CTN; 5.11. Não tendo o processo questionado em nenhum momento o valor do crédito e havendo decisão judicial que o reconhece, está certa a suplicante que a presente será conhecida e provida, para determinar o arquivamento do presente processo. É o relatório” A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU AMAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. HOMOLOGAÇÃO NEGADA. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Inexistindo certeza e liquidez, não se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 10/01/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 07/02/2012. No Recurso faz arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. Este é o Relatório. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 43 8 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme já relatado a Recorrente primeiramente ingressou com um processo de consulta n° 10070.000889/200497 que versava sobre a legislação tributária, no qual foi proferida a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n° 284, de 2004, cópia fl. 777, verso e anverso, e fl. 778, cuja ciência da interessada ocorreu em 21/07/2004, conforme cópias de fls. 779 e 780. A referida consulta versava acerca dos percentuais aplicáveis à determinação das bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, tendo em vista o disposto na Solução de Divergência Cosit/SRF n°11/2003, e teve o seguinte despacho de solução: “Confirmase aqui o entendimento expresso pelo Interessado. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, arts. 518, "caput", 519 § 2°; a Lei n° 9.249/1995, art. 15, § 1º, o ADI SRF n.° 18/2003, PN/CST n°36/77, a Portaria GM do Ministério da Saúde n°1.884/1994, a Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS no 020/2002 e a IN SRF n°306/2003, art. 23, inciso V, a prestação de serviços de clinicas de medicina radiológica enquadrase com prestação de serviços hospitalares e, portanto, os percentuais da receita bruta para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL são de 8% e 12%, respectivamente. Outrossim, é relevante salientar que se os serviços médicos prestados pelo Interessado o forem nos moldes do disposto no art. 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18/2003, o percentual aplicável para fins de determinação do lucro presumido será de 32%, conforme estabelecido no art. 15, § 1°, inciso III, alínea "a" da Lei n.° 9.249/1995. "ADI SRF n° 18/2003 O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF' n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12 de março de 2003, e o Processo n° 13819.000897/9921, declara: Art. 1° Para fins do disposto no art. 15, §1°, III, "a" da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, consideramse Fl. 972DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 44 9 serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2° Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I – prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II – referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo." Da mesma forma, a pessoa jurídica prestadora de serviços que não se enquadre na categoria de prestadora de serviços hospilares deverá apurar a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido aplicando o percentual de 32% sobre a receita bruta, conforme o disposto na Lei n.° 9.249/1995, art. 20, com redação dada pela Lei n.° 10.684, art. 22: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 10 do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento." A Recorrente teve ciência da solução da consulta que formulara em 21/07/2004 e a partir de 28/07/2004 e até 30/03/2007 transmitiu diversas DCOMP, todas relacionadas no relatório, declarando débitos a compensar, mas sem indicar a que crédito se referia. Em cada uma das DCOMP’s, o contribuinte afirmava possuir crédito passível de compensação e se tratar de crédito de pagamento indevido ou a maior, informado em processo administrativo anterior, qual seja o processo nº 10070.000889/200497, tendo o crédito inicial o valor de R$ 492.899,19. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.723477/200932 Acórdão n.º 1802002.564 S1TE02 Fl. 45 10 A Recorrente cometeu um grande equívoco, o qual vem mantendo até o presente momento, motivo pelo qual foi inábil a comprovar que de fato tinha qualquer crédito a ser compensado. O processo de consulta n° 10070.000889/200497 veio a esclarecer o entendimento da Administração Tributária acerca do percentual de lucro a ser considerado para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre as quais as alíquotas dos tributos deveriam ser aplicados, contudo não gerou qualquer direito a crédito a favor da Recorrente. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Isto porque qualquer pretenso crédito a favor da Recorrente somente teria se dado pela comparação entre os valores que foram efetivamente recolhidos a título das exações em questão e os valores apurados de acordo com os percentuais esclarecidos na Solução de Consulta. Em outras palavras para que a Recorrente efetuasse as compensações pretendidas deveria comprovar que os valores recolhidos foram efetuados com uma base de cálculo alargada, de modo que, com a retificação, para que os recolhimentos efetuados fossem considerados indevidos ou recolhidos a maior. As defesas apresentadas no decorrer do presente processo não se prestaram a trazer qualquer indício de que houvesse crédito a ser compensado, não demonstraram como o suposto crédito no valor de R$ 492.899,19 teria sido apurado e nem tampouco anexou memórias de cálculo, cópias de livros fiscais e declaração(ões) que estivessem sido retificadas para dar subsídio ao crédito. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo a decisão da delegacia de origem. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 974DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13855.721131/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL POR PESSOA JURÍDICA. FRACIONAMENTO DE ATIVIDADES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO POR ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E CONFUSÃO PATRIMONIAL E SOCIETÁRIA. REQUALIFICAÇÃO DE FATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. FRAUDE COMPROVADA PELO FISCO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA. CONTRIBUIÇÕES PARA O SENAR. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA.
Ante o conjunto probatório constante nos autos, indiscutível se mostra o reenquadramento da empresa como produtora rural.
O planejamento tributário lícito é aquele em o sujeito passivo deixa de praticar o fato previsto no antecedente da norma, diferente de praticá-lo e, fazendo uso de meios lícitos formais, escondê-los. Verificando o abuso de forma, a fiscalização deve rejeitar qualquer planejamento tributário que não observe a legislação, cabendo requalificar os fatos e negócios ocorridos com base neste planejamento irregular e aplicar às penalidades pertinentes.
Sendo assim, correto o lançamento referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e na aquisição de produção rural de pessoas físicas, o lançamento quanto às contribuições arrecadadas para o SENAR incidentes sobre a comercialização da produção rural própria e legítima a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no §1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.623
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e na aquisição de produção rural de pessoas físicas (sub-rogação). Também foi mantido o lançamento quanto às contribuições arrecadadas para o SENAR incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida na votação a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entendeu pelo provimento do recurso.
Fez sustentação oral: João Henrique G. Domingos OAB/SP 189.262
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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FRACIONAMENTO DE ATIVIDADES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO POR ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E CONFUSÃO PATRIMONIAL E SOCIETÁRIA. REQUALIFICAÇÃO DE FATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. FRAUDE COMPROVADA PELO FISCO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA. CONTRIBUIÇÕES PARA O SENAR. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. Ante o conjunto probatório constante nos autos, indiscutível se mostra o reenquadramento da empresa como produtora rural. O planejamento tributário lícito é aquele em o sujeito passivo deixa de praticar o fato previsto no antecedente da norma, diferente de praticálo e, fazendo uso de meios lícitos formais, escondêlos. Verificando o abuso de forma, a fiscalização deve rejeitar qualquer planejamento tributário que não observe a legislação, cabendo requalificar os fatos e negócios ocorridos com base neste planejamento irregular e aplicar às penalidades pertinentes. Sendo assim, correto o lançamento referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e na aquisição de produção rural de pessoas físicas, o lançamento quanto às contribuições arrecadadas para o SENAR incidentes sobre a comercialização da produção rural própria e legítima a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no §1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 11 31 /2 01 2- 67 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e na aquisição de produção rural de pessoas físicas (subrogação). Também foi mantido o lançamento quanto às contribuições arrecadadas para o SENAR incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida na votação a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entendeu pelo provimento do recurso. Fez sustentação oral: João Henrique G. Domingos OAB/SP 189.262 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.022.6175, consolidado em 24/04/2012, em face da AGROMEN SEMENTES AGRICOLAS LTDA., no valor de R$ 1.141.549,83 (um milhão,cento e quarenta e um mil e quinhentos e quarenta e nove reais e oitenta e três centavos), referente a Contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte da empresa (rural) e à parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e também na aquisição de produção rural de pessoas físicas (subrogação),, no período de 01/2009 a 12/2009. Tratase, também do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.022.6183, consolidado em 24/04/2012, em face da AGROMEN SEMENTES AGRICOLAS LTDA., no valor de R$ 108.285,52 (cento e oito mil e duzentos e oitenta e cinco reais e cinqüenta e dois centavos), referente a Contribuições sociais devida aos Fl. 819DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 4 3 chamados Terceiros (SENAR), incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica no período de 01/2009 a 12/2009. Tratase ainda do Auto de infração por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD n.º 51.022.6167 referente à multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais).por ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas. Constatouse que a empresa não informou o valor da aquisição da produção rural de pessoa física na GFIP da competência 11/2008. De acordo com o relatório fiscal a empresa que atua, segundo seu Contrato Social, no ramo de exploração agrícola na produção e multiplicação de sementes (Fiscalizadas, Certificadas e Outras Classes), Beneficiamento de Sementes, Comércio de Produtos Agrícolas, não se enquadrou corretamente no código de FPAS correspondente à sua atividade. Dessa forma, não recolheu de forma correta as correspondentes contribuições previdenciárias devidas. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTE PATRONAL. SAT. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. FPAS. ENQUADRAMENTO. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. FRACIONAMENTO DE ATIVIDADES. ABUSO DE FORMA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E CONFUSÃO PATRIMONIAL E SOCIETÁRIA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. FRAUDE. ÔNUS DA PROVA. FISCO. REQUALIFICAÇÃO DE FATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. LEGALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Cabível o reenquadramento da empresa como produtor rural pessoa jurídica, a partir da constatação de que teve produção agrícola própria, e de que inexistia atividade econômica autônoma dissociada de seu processo produtivo típico, nas formas definidas na legislação tributária. A comercialização da produção rural própria constitui fato gerador das contribuições previdenciárias, correspondentes à quota da empresa; bem assim a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições devidas na aquisição da produção de produtores rurais pessoas físicas (subrogação). O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos fatos e negócios ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela impugnante e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 5 4 O fracionamento das atividades empresariais típicas, em paralelo com a demonstração efetiva, por parte da fiscalização, de uma série consistente de indícios e elementos convergentes, tais como a unicidade de meios e controles da atividade produtiva, a centralização da direção empresarial e financeira, a confusão patrimonial, contratual e societária, a utilização de mãodeobra de entidades interpostas e desprovidas de autonomia administrativa e operacional, tudo com os intuitos preponderantes de validar formalmente uma estrutura jurídica e negocial artificiosa e de inibir, assim, a incidência de normas tributárias pertinentes, implica a violação abusiva e fraudulenta da legislação tributária, cabendo então – a partir desse conjunto fático evidenciado a requalificação das operações e estruturas formalmente constituídas. Nesses casos, fica legitimada a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no §1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente aos fatos geradores e infrações concretamente constatadas, não sendo competente para discutir a constitucionalidade da lei e se esta fere ou não dispositivos e princípios constitucionais. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Tem respaldo legal a aplicação da Taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções previstas legalmente. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia formulados pela impugnante, quando não atendidos os requisitos legais ou ainda quando desnecessários ao deslinde da questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, em relação aos DEBCADs nº 51.022.6175 e 51.0226183 , alegando, em síntese, que: Fl. 821DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 6 5 i) Foi erroneamente enquadrado como produtor rural pessoa jurídica, uma vez que a produção incide no lançamento tributário é da própria impugnante; ii) Aduz que com fulcro na autonomia das personalidades jurídicas e na presunção da boafé, apenas o judiciário detém o poder de desconsiderar a personalidade jurídica. iii) Assevera que inexiste qualquer dependência econômica ou financeira entre o condomínio e a recorrente, não havendo qualquer fraude na relação de parentesco entre o administrador da recorrente e os produtores do condomínio; iv) Argumenta que inexiste qualquer dependência econômica e financeira entre o condomínio e à impugnante, pois a relação de parentesco entre a recorrente e o condomínio não tem o condão de demonstrar qualquer fraude na relação. v) Afirma que de acordo com a instrução normativa de nº 03/2005, artigo 250, §2º, III, “a” e “b”, a incidência da contribuição ocorre somente à pessoa jurídica que se dedique exclusivamente a atividade rural, o que não se aplica a impugnante que tem como objeto social o comercio de sementes, defensivos agrícolas e participação em outras sociedades. vi) Que o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 25 da lei 8.870/94 e do artigo 1º da lei 8.540/92 que institui a tributação sobre a comercialização rural dos produtores pessoas físicas. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Não há no presente processo argumentos de defesa frente ao AI debcad n.º 51.022.6167, pelo que a decisão impugnada considerou o não impugnado, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), ficando mantido o respectivo crédito tributário. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 7 6 Do Mérito Em análise dos elementos contidos nos autos, percebese que a controvérsia cingese à dúvida quanto à qualidade de produtor rural, atribuída a Recorrente no auto de infração em fustigo. Perseverando, destarte, o enquadramento de produtor rural, deverá ser mantido o lançamento fiscal, à medida que a Recorrente, através de planejamento tributário abusivo e simulado, teria recolhido o tributo em tela sobre aspecto material e quantitativo diverso da regramatriz incidente, disposta nos incisos I e II, e § 3º, do art. 25, da Lei nº 8.870/94 e § 3º do art. 25, da Lei nº 8.212./91. É bem verdade que a comprovação de atos dissimulados é penosa, devendo ser exercida com a estrita observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois, caso contrário, negócios lícitos poderão ser desconsiderados com evidentes prejuízos para os contribuintes e para a própria sociedade. Nesse sentir, sobre o ato de inferir fatos, convém suscitar a lição do mestre Lourival Vilanova, em Causalidade e Relação no Direito, p. 18: “Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da consequência já conhecida em situações verificadas no passado; da existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo causal lógico que o liga aos dados antecedentes.” Nada obstante, frisese que o auto de infração foi lavrado com riqueza de detalhes, trazendo os diversos elementos probatórios que serviram de convicção ao auditor fiscal para constituir os fatos jurídicos relatados, em atribuiu o exercício da atividade de produção rural, em tese praticada pelo Condomínio Suzana Ribeiro de Mendonça e Outros, à Recorrente. De outra banda, a Recorrente, sem se insurgir contra a existência das evidências colhidas pela fiscalização, refuta a conclusão chegada pelo auditor fiscal em suas análises, alegando que todos os atos praticados são lícitos, e de veracidade inquestionável, tanto que registrados nos órgãos oficiais, assim como suas informações contábeis. Além do mais, afirmou que o subjetivismo contaminou o lançamento fiscal lavrado, posto que, em síntese: a) o fato de ser genitor dos sócios do Condomínio Suzana Ribeiro de Mendonça e Outros não implica em confusão patrimonial, posto que fora acordado com estes um arrendamento imobiliário; b) que manter placas nas propriedades do Condomínio com o nome da Agromen é prática usual no ramo, não denotando ser produtora rural do plantio; c) que as informações contidas no site da Agromen na internet, que lhe atribuem a qualidade de produtor rural, não devem ser levadas em consideração, por terem sido inseridas por pessoas leigas; d) que a devolução de sementes ao Condomínio, após tratadas, que haviam sido inicialmente compradas, não quer implica se tratar de uma tentativa de se esquivar do pagamento do PIS, COFINS, ou contribuição previdenciária patronal sobre a comercialização; e) que tanto a Agromen quanto o Condomínio realizam negócios jurídicos com pessoas diversas, configurando atividades econômicas autônomas, inexistindo qualquer vínculo societário; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 8 7 f) que não há qualquer problema a Recorrente pagar algumas contas do Condomínio, por se tratar de mero ajuste de contas; g) que a atividade que exerce pode ser realizada com poucos funcionários, ainda que alguns sejam do “administrativo”, tendo em vista a tecnologia e automação de suas máquinas; h) que os negócios que o Condomínio mantem não representa 10% de seu faturamento; i) que exerce atividade de prestação de serviço autônoma da produção rural, posto que, ainda que se considere a versão do fisco verdadeira, não haveria incidência da contribuição sobre a receita bruta, tendo em vista o disposto no o art. 250, da INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época dos fatos, que limita a incidência dessa base de cálculo aos sujeitos passivos que exercem atividade exclusiva de produção rural; De fato, a análise isolada de cada argumentação feita pela Recorrente não induz a conclusão inarredável dos fatos narrados no lançamento fiscal em vergaste. Contudo, a observância de todo o cotejo fático probatório constante nos autos, aliado a fiscalização do Ministério Público do Trabalho, em que os trabalhadores afirmaram laborar para a Agromen, leva a conclusão insofismável de que procede o lançamento fiscal guerreado. O que se vê, é que o arrendamento das fazendas a pessoas de confiança, possibilitou a Recorrente exercer duas atividades formalmente distintas, entretanto, na prática, efetivamente produzia as sementes, sujeitas a posterior beneficiamento mecânico. Ademais, o fato de realizar negócios dissociados do Condomínio não infirma o lançamento em fustigo, à medida que basta o enquadramento da Recorrente como produtora rural, para haver a incidência da contribuição patronal sobre a base imponível receita bruta. Bem assim, a própria Recorrente discrimina suas atividades em seu site, admitindo ser produtora rural das sementes que comercializa, conforme se observa pela transcrição ipse litere, dos trechos contidos à fl. 251 dos autos: “A Agromen diferenciase no mercado por colocar sua marca apenas nas sementes que ela própria produz no campo. Ou seja, planta, cultiva e colhe 100% das sementes que comercializa, garantindo na lavoura a qualidade de seus produtos. Todos os anos são 6 mil hectares de campos de produção de sementes de milho e outros 7 mil hectares dedicados à produção de sementes de soja, feijão e sorgo. A produção agrícola é, definitivamente, sua especialidade. Além de sementes, a Agromen também produz grãos como milho, soja, sorgo, feijão e trigo. São mais de 37 mil hectares de lavouras cultivados anualmente. Destes, 31 mil hectares são em áreas de sequeiro e 6 mil hectares são irrigados. A empresa, como agricultora dedicada, busca os melhores solos, os melhores climas e microclimas para seus campos de produção. Suas fazendas estão localizadas em municípios de reconhecida excelência agrícola como Maurilândia, Campo Alegre, Cristalina, Ipameri e Bom Jesus de Goiás, em Goiás; Capinópolis, Buritizeiro e Ipiaçú, em Minas Gerais; Ipuã e Guaíra, em São Paulo. (...) Ou seja, além de especialistas em produzir grãos e sementes nas próprias fazendas da empresa, os agricultores da Agromen (seus agrônomos, técnicos e pesquisadores) cultivam lavouras experimentais em praticamente todo o Brasil. O grande volume de híbridos testados permite à Agromen oferecer produtos modernos e com adaptação garantida à diversas regiões e microclimas. Exemplo disso são as excelentes produtividades que os híbridos comerciais e experimentais da Agromen alcançam em Fl. 824DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 9 8 avaliações realizadas pelos órgãos oficiais de pesquisa de diversos estados brasileiros.” Ora, se a Recorrente afirma que “planta, cultiva e colhe 100% das sementes que comercializa”, em mais de 37 mil hectares nas fazendas, que lhe pertencem de fato, e todas as evidências dos autos corroboram este fato, por ilação lógica, temse configurada a atividade de produtor rural de sementes de alta qualidade – beneficiadas mecanicamente – se subsumindo a materialidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25, da Lei nº 8.870/94, à medida que houve a comercialização de sua própria produção rural. LEI Nº 8.870, DE 15 DE ABRIL DE 1994. Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. § 3º Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto no § 3º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Destarte, não há razão para olvidar das informações constantes no site da Recorrente, sendo completamente estapafúrdio atribuir a inserção de uma qualificação tão precisa a terceiros “leigos”, sem qualquer prova deste fato. Notase, que não se trata de um indício apartado analisado subjetivamente, mas todo um conjunto de elementos que levam a conclusão de que a Recorrente utilizouse dos meios disponíveis para solapar a realidade do mundo fenomênico, em uma intensão pueril de obter benefícios fiscais não autorizados. Ato contínuo, cumpre salientar que a Lei Complementar nº 104/2001 ao introduzir o parágrafo único ao art. 116 do CTN, reforçou o poder concedido ao fisco para desconstituir fatos simulados. A esse propósito, valente trazer o conceito de simulação, segundo a melhor doutrina: Do latim simulatio, de simulare (usar fingimento, usar artifício), a simulação é o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui. Simulação, pois, é o disfarce, o simulacro, a imitação, a aparência, o arremedo, ou qualquer prática que se afasta da realidade ou da verdade, no desejo de mostrar ou de fazer crer coisa diversa. (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros. Praticamente, a simulação resulta da substituição de um ato jurídico por outro, ou da prática de um Fl. 825DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 10 9 ato sob aparência de um outro, como com a alteração de seu conteúdo ou de sua data, para esconder a realidade do que se pretende.” (SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico de. Forense, 1990) Tal poder conferido à autoridade administrativa se coaduna com o permissivo do art. 149, VII, do CTN, que autoriza o lançamento de ofício “quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação”. Ademais, outro não é o entendimento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO. INEXISTÊNCIA — Se verificada a gravidade, precisão e concordância nas conclusões da autoridade fiscal sobre a existência de atos dissimulados, todos devem ser desconsiderados para efeito de constituição do fato jurídico, elegendose por sujeito passivo o real contribuinte/responsável. (Acórdão nº 10809.507, de 05/12/2007). Ato contínuo, também não merece guarida o argumento da Recorrente de que exerce atividade autônoma, não se subsumindo a incidência da contribuição sobre a receita bruta, nos termos da Instrução MPS/SRP 3, de 2005, em seu art. 250. Tanto mais porque, a atividade de beneficiamento de sementes está jungida a de produção rural, consoante dispõe o parágrafo 3º, do art. 25, da Lei nº 8,212/91, não havendo o que se falar em atividade exclusivamente autônoma: § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. Além do mais, caso houvesse uma prestação autônoma de serviço de beneficiamento de sementes, a Recorrente seria contribuinte do ISS, fato desconhecido nos autos. Nessa tocada, tomemos emprestada a perfeita fundamentação do voto da Ilustre Conselheira desta Turma, Liége Lacroix Thomasi, no Acórdão 2302003.142, ao julgar caso similar: “Por todo o exposto, a Autoridade Lançadora considerou a empresa Autuada como sendo produtora rural e a desenquadrou como exercente de outras atividades autônomas, mesmo que tenha realizado atos comerciais de caráter eventual, uma vez que, dentre outras constatações, ela não comprovou possuir estrutura operacional definida para o exercício regular destas outras atividades econômicas, tampouco demonstrou possuir recursos humanos qualificados para esse fim, declarados como segurados empregados nas GFIP correspondentes, que justificassem a alteração de enquadramento por ela pretendida. Notese que se a Recorrente tivesse exercido, efetivamente, a atividade econômica autônoma de comercialização de insumos agropecuários, ela teria se tornado, em tese, contribuinte do ICMS. Todavia, a empresa não nos apresenta inscrição estadual, livros de apuração de ICMS, guias de recolhimento de ICMS, etc., em Fl. 826DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 11 10 suma, nenhum documento oficial que logre demonstrar o efetivo exercício da atividade comercial.” Nesse diapasão, o planejamento tributário lícito é aquele em o sujeito passivo deixa de praticar o fato previsto no antecedente da norma, diferente de praticálo e, fazendo uso de meios lícitos formais, escondêlos. Sendo assim, mantenho o lançamento integralmente procedente em relação inclusive em relação as penalidades aplicadas. Das penalidades Da multa qualificada Nos Autos aqui tratados, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, em caso de fraude e simulação de lançamentos A situação de simulação e fraude constatada nos autos também se reflete na aplicação da multa qualificada. Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação determina a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sidoapurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social Fl. 827DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 12 11 sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduçõe previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido detributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A multa de ofício é de aplicação obrigatória para as competências a partir de 12/2008, prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44, e o inciso I e §1º deste dispositivo, a determina a duplicação do percentual da multa nos casos de simulação, fraude ou dolo: Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem sobre o assunto: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente Fl. 828DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 13 12 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, acima transcrito. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. Portanto, não há como acolher as alegações da Recorrente. Da multa moratória e de ofício Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa, porque não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Entretanto, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta Fl. 829DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 14 13 de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por este motivo, deve ser aplicado ao caso, o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, para as competências até 11/2008. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 15 14 Já para a competência 12/2008, há que ser aplicado o novo ordenamento trazido pela MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Fl. 831DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 16 15 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 832DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 17 16 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que está correta a plicação do artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, para a competência 12/2008. Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Fl. 833DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 18 17 Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 19 18 A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Fl. 835DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº13855.721131/201267 Acórdão n.º 2302003.623 S2C3T2 Fl. 20 19 Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e na aquisição de produção rural de pessoas físicas (subrogação), bem como, o lançamento quanto às contribuições arrecadadas para o SENAR incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica e dar provimento apenas quanto a multa, determinando a aplicação da multa prevista no art. 32A, em detrimento da penalidade do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 201510 de fevereiro de 2015 Leonardo Henrique Pires Lopes relator Fl. 836DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 13896.910110/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 11 0/ 20 12 -3 8 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910110/201238 Resolução nº 3801000.898 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910110/201238 Resolução nº 3801000.898 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910110/201238 Resolução nº 3801000.898 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910110/201238 Resolução nº 3801000.898 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910110/201238 Resolução nº 3801000.898 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13898.000380/2002-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
RECURSO INTEMPESTIVO.NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n.º 70.235/72).
CIÊNCIA ELETRÔNICA
Considera-se feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3101-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP nº 209.032, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 21/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n.º 70.235/72). CIÊNCIA ELETRÔNICA Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP nº 209.032, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 8. 00 03 80 /2 00 2- 47 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls.606 a 607): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Ressarcimento em papel (fl. 003), protocolado em 18/04/2002, e do Pedido de Compensação em papel (fl. 052), protocolado em 20/08/2002, por meio dos quais a contribuinte pretende ter reconhecido crédito no valor total de R$ 650.000,00 e compensálo em parte em débitos do estabelecimento, no valor de R$ 110.038,97. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos adquiridos pelo estabelecimento CNPJ nº 61.192.522/000208, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referentes ao 1º trimestre de 2002. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osaco SP, que, em 29/03/2007, emitiu Despacho Decisório (fls. 516/520), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 609.886,06 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da falta de comprovação da natureza de crédito básico de parte dos créditos e da apuração descentralizada do crédito presumido incluído no crédito pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 02/05/2007 (fl. 525), a contribuinte ingressou, em 07/05/2007, com a manifestação de inconformidade de fls. 526/544 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Em relação à parcela dos créditos considerada não ressarcível, a contribuinte pretende demonstrar a validade de todos os créditos e o faz discorrendo sobre a natureza das operações correspondentes a cada grupo de CFOPs abrangido. Dessa forma, o CFOP 1.99 referese a entradas de mercadorias a título de amostra ou bonificação utilizadas como insumos na industrialização de produtos isentos ou tributados pela alíquota zero, e os créditos correspondentes devem ser admitidos por não caberem restrições infraconstitucionais à nãocumulatividade do IPI, assim como teriam sido admitidos outros créditos do mesmo CFOP não glosados pela fiscalização; o CFOP 2.32 referese a devolução de Fl. 745DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13898.000380/200247 Acórdão n.º 3101001.800 S3C1T1 Fl. 4 3 vendas, cujos créditos correspondentes são previstos no art. 150 do Decreto 2.637/1998, e também nesse caso haveria créditos da mesma natureza admitidos pela fiscalização; e o CFOP 1.22 referese a créditos relativos a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da requerente, previsto no art. 147, X, do Decreto 2.637/1998. Traz doutrina no sentido de não se admitir restrições à nãocumulatividade do IPI. 2. Defende seu direito à manutenção do saldo credor remanescente do período anterior no valor a ser ressarcido, fundamentandose no art. 49, § único, do CTN, no art. 195, §1º, do RIPI, e no art. 2º, §2º, I e II, da IN 33/1999, que permitem a transferência do saldo credor ao final de um trimestre para o trimestre subseqüente como forma de aplicação do princípio da nãocumulatividade, associado ao direito a ressarcimento do saldo credor ao final de cada trimestre. Complementa afirmando que a existência do campo “saldo credor do período anterior” no programa PER/DCOMP corrobora a interpretação de que esse valor compõe o montante a ser ressarcido ao contribuinte. 3. Quanto à glosa do crédito presumido por ter sido apurado de forma descentralizada, a contribuinte contrapõese argumentando que a forma de apuração não importa a inexistência do crédito, que teria sido cabalmente comprovado pela documentação apresentada e, pelo princípio da verdade material, deveria ter sido considerado. 4. Clama pela homologação das compensações na sua totalidade, em face da improcedência das glosas já demonstrada. Conclui requerendo a reforma do Despacho Decisório para que se reconheça a validade do crédito glosado e a procedência da homologação da totalidade da compensação efetuada pela contribuinte, protestando pela juntada de provas e demais documentos necessários à solução da lide e requer que as publicações sejam remetidas para o endereço da requerente em Caieiras constante da manifestação, sob pena de nulidade. A 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto em sessão de julgamento realizada em 27 de março de 2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão nº 1437.064 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Somente fazem jus a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário de que trata o pedido e que não tenham sido absorvidos pelos débitos escriturados em cada período de apuração ao longo do referido trimestre. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI, transferido da matriz para a filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos do imposto em conta gráfica, vedado seu ressarcimento. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada interpôs o Recurso Voluntário em 27 de setembro de 2013. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Esta turma de julgamento, em sessão realizada em 28 de maio de 2014, converteu o julgamento em diligência para manifestação da autoridade preparadora sobre os seguintes pontos (Resolução nº 3101000.360): (i) Informar se a partir da data de 09/05/2013 os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento” efetivamente estavam disponíveis para acesso e leitura do sujeito passivo no eprocesso via e CAC, para ciência eletrônica, face a alegada inexistência de tais documentos por parte do contribuinte. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13898.000380/200247 Acórdão n.º 3101001.800 S3C1T1 Fl. 5 5 (ii) Informar as datas em que o interessado acessou o e processo 13898.000380/200247 e quais foram as atividades acessadas a partir do dia 09/05/2013. A autoridade fiscal apresentou telas do sistema e Informação Fiscal às fls 717 a 719. A recorrente apresentou suas considerações acerca da diligência às fls. . 733 a 741. O processo foi novamente encaminhado a este Conselho e distribuído a este conselheiro relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Reproduzo o voto da Resolução nº 3101000.360 até aquela fase do julgamento: Preliminarmente devemos apreciar a questão da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado em 27 de setembro de 2013 (fls.632 a 675). Consta às folhas 617 do processo, o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO, com a informação de que o Acórdão de Manifestação de Inconformidade e a Comunicação de Resultado de Julgamento (fls.616) foram disponibilizados ao contribuinte através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal em 09/05/2013, e que a data da ciência por decurso de prazo seria o dia 24/05/2013. Tratase da modalidade de ciência por maio eletrônico, conforme prevê o inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] Fl. 748DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...]. A Administração Tributária disciplinou as regras, para prática de atos processuais de forma eletrônica através da Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, posteriormente alterada pela Portaria 574/2009. Destacamos os seguintes trechos, aplicáveis ao caso em análise: Art. 1° O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] § 3° Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Renumerado com nova redação pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] Fl. 749DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13898.000380/200247 Acórdão n.º 3101001.800 S3C1T1 Fl. 6 7 Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou [...] § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; [...]. A Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, disciplinou o domicilio tributário eletrônico do sujeito passivo, considerando, para tanto, a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC. Dessa forma, de acordo com a previsão legal e a previsão regulamentar, a ciência eletrônica darseá com o envio a Caixa Postal do contribuinte disponibilizada no eCAC, e será considerada feita a intimação 15 dias contados da data registrada no comprovante de entrega na Caixa Postal. A Recorrente reconhece que a notificação foi encaminhada a sua Caixa Postal. Entretanto, alega que a suposta notificação encaminhada apenas informa a existência de “documentos para sua ciência na Consulta de Comunicados/Intimações, que pode ser acessada através da opção ‘Processos Digitais” no eCAC”, não havendo, na notificação, qualquer informação sobre o teor do documento a ser consultado. Restanos analisar se efetivamente foram disponibilizados o acesso ao documento objeto da ciência, ou seja, o efetivo acesso ao Acórdão 1437.064. Acessando a função “Acompanhar Ciência” do eprocesso 13898.000380/200247, constatamos as seguintes informações: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Tipo Ciência ELETRÔNICA Data Acionamento 09/05/2013 NI Destinatário 61.192.522/000208 Nome Destinatário BIGNARDI INDUSTRIA E COMERCIO DE PAPEIS E ARTEFATOS LTDA Situação REALIZADA Documentos Acórdão de Manifestação de Inconformidade Comunicação de Resultado de Julgamento Data Ciência 24/05/2013 O documento que comprova a ciência efetuada ao sujeito passivo é o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO (fls.617), com a informação de disponibilização do Acórdão de Manifestação de Inconformidade e a Comunicação de Resultado de Julgamento, em sua Caixa Postal do eCAC, no dia 09/05/2013. De acordo com o prazo previsto no inciso I do art. 6º da Portaria SRF nº 259, considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, no dia 24/05/2013, de acordo com a previsão do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Consta no eprocesso que os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento” foram disponibilizados na Caixa Postal do eCAC da Recorrente no dia 09/05/2013. Como a Recorrente alega que não foram disponibilizados para ela os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento”, esta turma de julgamento converteu o julgamento anterior em diligência para manifestação da autoridade preparadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí assim se manifestou (Informação Fiscal às fls. 719): QUESITO 1: Informar se a partir da data de 09/05/2013 os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento” efetivamente estavam disponíveis para acesso e leitura do sujeito passivo no eprocesso via e CAC, para ciência eletrônica, face à alegada inexistência de tais documentos por parte do contribuinte. Conforme tela do sistema Caixa Postal à fl. 717, foi enviado ao interessado um Ato Oficial referente a este processo, em seu domicílio tributário eletrônico, no dia 09/05/2013, às 16:52:20. Essa foi a data em que o Acórdão ficou disponível para visualização. QUESITO 2: Informar as datas em que o interessado acessou o eprocesso 13898.000380/200247 e quais foram as atividades acessadas a partir do dia 09/05/2013. A 1ª leitura do documento (Ato Oficial) foi feita no dia 13/05/2013 às 17:35:22 (fl. 717). O conteúdo deste “Ato Oficial” é o que traz outra tela do sistema, copiada à fl. 718 destes autos. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13898.000380/200247 Acórdão n.º 3101001.800 S3C1T1 Fl. 7 9 Conforme se depreende do texto do “Ato Oficial” (fl. 718), para visualizar o Acórdão, o contribuinte precisava acessar a Consulta de Comunicados/Intimações, na opção “Processos Digitais”, no eCAC, o que, aparentemente, ele não fez, uma vez que não foi gerado o “Termo de Abertura de Documento” no eprocesso. Assim, embora o Acórdão tenha sido disponibilizado para acesso do contribuinte, via eCAC, desde 09 de maio de 2013, não há provas, seja no processo, seja nos sistemas, de que ele o tenha visualizado antes da vista aos autos efetuada em 16/09/2013 (fls. 619 a 629). É fato incontroverso que a notificação foi encaminhada ao domicílio tributário eletrônico da recorrente, conforme comprovado pela autoridade fiscal às fls. 717 e 718 e confirmado pela recorrente em sua manifestação às fls. 734 (parágrafo 2). Ainda que considerássemos as alegações da recorrente de que o processo não teria sido disponibilizado para sua consulta no Sistema eCAC, constatase que a recorrente não foi diligente para verificar o conteúdo da notificação encaminhada para seu endereço eletrônico, mesmo tendo conhecimento desta forma de ciência prevista na legislação. Como a notificação foi encaminhada para a Caixa Postal do eCAC da recorrente no dia 09/05/2013, considerase feita a intimação por meio eletrônico 15 (quinze) dias contados desta data, ou seja, no dia 24/05/2013, de acordo com a previsão do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 Tendo em vista que o Recurso Voluntário foi apresentado apenas em 27 de setembro de 2013, e como a data de ciência por via eletrônica foi no dia 24 de maio de 2013, o referido recurso é intempestivo. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário por ser intempestivo. Sala das sessões, em 28 de janeiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 752DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13808.005507/2001-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001
Ementa:
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante.
APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 289 1 288 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.005507/200103 Recurso nº 137.866 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HASPA HABITAÇÃO SÃO PAULO IMOBILIÁRIA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 55 07 /2 00 1- 03 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1044 a 1058) contra o v. acórdão proferido pela colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1035 a 1041) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para declarar de ofício a decadência parcial do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores anteriores a setembro de 1996 e, no mérito, para afastar a tributação das receitas não enquadradas no conceito de faturamento pelo artigo 3º da Lei nº 9.715/98 e pela Lei nº 9.718/98. No presente caso, conforme relatório apresentado no v. acórdão recorrido, da lavra do Ilustre relator, Conselheiro Rodrigo Bernardes de Carvalho, o contribuinte se insurge contra a incidência da contribuição ao PIS incidente sobre as variações monetárias adquiridas com a venda de imóveis a prazo. De se notar, a propósito, que o contribuinte é uma empresa imobiliária cujo objeto social é a compra e venda de imóveis. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 31/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 PIS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, III, b, da Constituição Federal cabe à lei complementar estabelecer normas sobre decadência. Sendo assim, é de se aplicar o prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, § 4º do CTN. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303002.859 CSRFT3 Fl. 290 3 ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A incidência do PIS sobre receitas oriundas de variações monetárias, somente encontra base legal com a superveniência do art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98, que já foi afastado do mundo jurídico com a declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido (grifos e destaques nossos) A Fazenda Nacional alegou em seu recurso, em síntese, que na hipótese de total ausência de recolhimento do tributo, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN. Em relação ao mérito a Fazenda Nacional apontou que o Acórdão recorrido violou os artigos 2º e 3º da Lei n.º 9.715/98, pois a denominação do que seja receita financeira e do que seja receita bruta deve ser considerada em face da análise das atividades empresariais, entendidas estas como sendo a atividade fim da pessoa jurídica. Nesse sentido, defendeu a caracterização da correção monetária percebida pelo contribuinte como receita operacional, devendo, portanto, ser incluída no conceito de faturamento. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 1073 a 1074. Sem contrarrazões, conforme noticiado às fls. 1095. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Quanto ao mérito, mister destacar que a premissa da exigência e o cerne do recurso especial da Fazenda Nacional diz respeito ao disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo do PIS. Este dispositivo, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de repercussão geral, também deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vale reforçar ainda que, quanto à hipótese ora em discussão, a Excelsa Corte reafirmou a sua jurisprudência acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, determinando, ainda, a edição de súmula vinculante. Por último, especificamente quanto ao caso ora em julgamento, em que o contribuinte é uma empresa imobiliária cujo objeto social é a compra e venda de imóveis, e em que se pretende incluir na receita tributável a variação monetária decorrente dos pagamentos em prestação, entendo que a jurisprudência acima destacada também é plenamente aplicável e deve ser seguida. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303002.859 CSRFT3 Fl. 291 5 Com efeito, nos termos das razões expendidas pelo contribuinte no seu recurso voluntário às fls. 953 a 959, a receita com a venda de imóveis foi reconhecida integralmente no próprio mês da venda pelo regime de competência, independente do prazo de recebimento das prestações. As variações monetárias ativas, ao seu turno, foram contabilizadas na própria conta de variações monetárias ativas, não tendo sido utilizada a conta de Resultados de Exercícios Futuros na tributação das vendas. Além disso, a Fazenda Nacional em nenhum momento refutou tal afirmação, que foi corroborada pela cópia da escrituração contábil acostada às fls. 33 a 121 dos autos. Admitir a tributação da correção monetária, assim, seria tributar além do preço de venda dos imóveis, visto que o valor integral já foi oferecido à tributação do PIS no próprio mês da venda. Não deve ser acolhido, portanto, nesse particular, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
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