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Numero do processo: 10580.902450/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 50 /2 01 4- 12 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.558. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902450/201412 Acórdão n.º 3401005.884 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901913/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.862
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 91 3/ 20 11 -3 7 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13851.901913/201137 Resolução nº 3402001.862 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 685DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006576/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
ENQUADRAMENTO LEGAL
O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração cometida não acarreta nulidade do auto de infração quando comprovado que INOCORREU PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA, isto, pela clara descrição dos fatos nele contida e impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não-confisco tributário apresenta-se incabível em reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO.
Não comprovada a existência de erro no preenchimento da Declaração, mediante análise da documentação acostada aos autos, não deve ser afastada a exigência dele decorrente.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-003.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 ENQUADRAMENTO LEGAL O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração cometida não acarreta nulidade do auto de infração quando comprovado que INOCORREU PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA, isto, pela clara descrição dos fatos nele contida e impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não-confisco tributário apresenta-se incabível em reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Não comprovada a existência de erro no preenchimento da Declaração, mediante análise da documentação acostada aos autos, não deve ser afastada a exigência dele decorrente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do nãoconfisco tributário apresentase incabível em reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Não comprovada a existência de erro no preenchimento da Declaração, mediante análise da documentação acostada aos autos, não deve ser afastada a exigência dele decorrente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 65 76 /2 00 7- 90 Fl. 252DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10283.006576/200790 Acórdão n.º 1401003.414 S1C4T1 Fl. 253 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão n. 01 14.142 P Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Conforme bem relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Auto de Infração n° de rastreamento 703082205 concernente à entrega em atraso da DCTF l0020062006l8.50121769. As características do Auto de Infração encontramse descritas á fl. 24. Em síntese, a impugnante alega em sua defesa que: 1) cerceamento do direito de defesa em virtude de a autoridade fiscal ter indicado como fundamentação legal dispositivo revogado (IN SRF 18/00) à época dos fatos abordados no Auto de Infração; 2) reconhece erro de seus contadores na entrega, em atraso, da DCTF 10020062006l8.50l21769;; 3) embora reconhecendo o atraso na entrega da DCTF, a impugnante argumenta incorreta a base de cálculo da multa, em virtude de ter havido erro na elaboração da DCTF original n° 10020062006l8.50l21769, que fora retificada através da DCTF retificadora n. l0(l20062007.l 830310860, entregue no dia 10.11.2006; 4) A retificação apontada pela impugnante reduz a base de cálculo da multa de R$2.994.036,86 para R$99.762,87, ocasionando a redução do valor da multa. Ao final, a impugnante requer: a) anulação do Auto de Infração em virtude de vícios materiais no lançamento, especificamente, fundamentação legal equivocada; b) seja declarado nulo o Auto de Infração em função do caráter confiscatório, e abusivo, do percentual da multa; c) e, por fim, na hipótese de não prosperar nenhuma das solicitações acima, seja deferida a retificação da DCTF original, ocasionando a redução da base de cálculo da multa ora imputada. Fl. 254DF CARF MF 4 Apreciados os argumentos da impugnação, o lançamento foi mantido, após afastada a preliminar pela inocorrência de nulidade, tendo em vista que a empresa apresentou perfeitamente sua defesa, isto é, sem qualquer dificuldade na sua elaboração, não demonstrando nenhuma dúvida quanto à natureza do ilícito fiscal que lhe foi imputado e no mérito por absoluta falta de comprovação da existência do erro escusável alegado como fundamento para exclusão da multa. Inconformada com o resultado do julgamento, interpôs Recurso Voluntário, objetivando que a multa imposta à Recorrente seja cancelada, aplicada com base nos valores dos débitos apurados informados na DCTF Retificadora, em respeito à verdade material, dada a presença de erro material no preenchimento da DCTF semestral entregue em atraso, bem como que a multa no percentual aplicado teria caráter confiscatório. É o breve relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso de Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Conforme demonstrado no relatório, a Recorrente, em suas razões recursais, se insurgiu contra o lançamento a título de multa por atraso na entrega da DCTF, tal qual havia realizado na sua impugnação, repisando os mesmos argumentos lá apresentados, contudo de forma melhor aprimorada. Aduz a Recorrente em suas razões que a multa pelo atraso na entrega da DCTF, não pode ser aplicada sobre o valor informado na DCTF Original, a qual conteve erros incorridos por ela, sendo que o lançamento deveria tomar como base os valores informados na DCTF Retificadora. Nessa linha de argumentação, prossegue a recorrente que multa não p'ode_ser aplicada com base no 'montante de R$ 2.994.036,86 que resultou nenhuma autuação de R$ 59.880,73 (que corresponde a 4% dovalor do debito, já considerado o desconto de 50%), conforme constante doauto de infração em comento, mas 'sim com base no valor acima demonstrado, ou seja, R$ 99.762,87, que resultaria no valor de multa de R$ 1.995,25. Isto porque, segundo ela, no processo administrativo tributário devese, obrigatoriamente, buscar a denominada verdade material ou verdade real que, em conjunto com o princípio da oficialidade, impõe à Administração a busca pelos fatos que realmente ocorreram, isto é, a realidade, ao contrário do processo (judicial) civil em que vigora a verdade formal, onde o julgador deve apreender os fatos a partir dos elementos contidos nos autos. Regulando a matéria, a Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, ordena: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10283.006576/200790 Acórdão n.º 1401003.414 S1C4T1 Fl. 254 5 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 256DF CARF MF 6 §4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado á apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Em relação ao argumento específico do erro de preenchimento da DCTF, o acórdão DRJ, destaca a ordem cronológica dos fatos relevantes à autuação: 1 prazo final de entrega da DCTF original: 08.10.2006 ; 2data de entrega da DCTF:10.11.2006; 3 data da lavratura do Auto de Infração:12/09/2007:; 4 data da entrega da DCTF retificadora:02/10/2007; 5 data da ciência do Auto de Infração: 26/09/2007; 6 data do recurso: 26/10/2007; Diante dessa cronologia, a DRJ adota o fundamento da intempestividade da retificação pleiteada, em virtude de, à luz do art 10,§ 2°,III, da IN SRF 482/2004 (abaixo citado), ter sido solicitada após início de procedimento fiscal. Além disso, quanto ao mérito da retificação pleiteada, observa a DRJ que a impugnante traz ao processo, para comprovar possível erro no preenchimento do período de apuração a lista de anexos descrita à fl 12, do volume 01;ocorre, entretanto, que o erro alegado pela impugnante necessita de provas que demonstrem como se obteve o cálculo dos tributos descritos na DCTF retificadora, e a sua divergência em relação ao declarado na DCTF original, o que seria obtido, título de exemplos, mediante apresentação de cópias das notas fiscais, apresentação dos livros fiscais pertinentes, bem como demonstração dos cálculos, o que efetivamente não ocorreu. Em Recurso Voluntário, a contribuinte justifica seu erro apontando que: 27 Resta claro que a empresa quitou e vem quitando suas obrigações tributárias dentro do prazo legal. Não houve, em momento algum, lesão ao Fisco ou ao erário; público. Não houve em momento algum erro fomal de cumprimento de obrigação acessória (no caso, relativo ao preenchimento de DCTF). 28 O erro de preenchimento da DCTF também pode ser verificado pela conferência dos débitos tributários informados na DCTF. A retificação da DCTF, no caso em tela, possui a função Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10283.006576/200790 Acórdão n.º 1401003.414 S1C4T1 Fl. 255 7 de adequação de dados que foram corretamente inseridos na DIPJ. 29 Relativamente às contribuições ao PIS c à COFINS, na DCTF Original relativa ao mês de agosto de 2006, são informados débitos apurados nos montantes de RS 454.826,60 e R$ l.982.528,22, respectivamente. Porém, tais valores não correspondem aos valores efetivamente devidos de tais tributos relativos ao período de apuração englobado pela referida DCTF. Confome informado na DCTF Retificadora, os valores corretor correspondem a R$ 16.529,66 a título de PIS e R$ 76.238,21 a título de COFINS. 30 Os valores informados na DCTF Retificadora a título de PIS e COFINS exatamente aos valores de débitos apurados das contribuições, conforme pode ser verificado no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (“DACON”) relativo ao mês 'de 'agosto de' 2006 anexado pela Recorrente cm sua Impugnação (doc. 08 da Impugnação) e das planilhas de calculo anexas à Impugnação (doc. 09 da Impugnação). Tais valores foram devidamente recolhidos pela Recorrente em 15 de setembro de 2006, conforme comprovantes por ela juntados em sua Impugnação (doc. 10 da Impugnação). 31 O mesmo ocorre com o IRPF e CSLL, cujos valores declarados na DCTF original davam conta de débitos no valo rde R$ 254.072,40 e R$ 295.614,64 respectivamente. Não obstante, conforme se verifica na DCTF Retificadora, a Recorrente não apurou quaisquer débitos destes tributos no mês de agosto de 2006. 32 Ademais, conforme se pode verificar dos comprovantes de arrecadação já acostados a esta defesa, os valores informados na DCTF como créditos correspondem, justamente, aos pagamentos das parcelas, quitadas regularmente. 33 Diversas são as evidências da ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF Original. A absoluta identidade entre o valor integral dos parcelamentos de IRPJ e CSLL com os valores declarados como devidos desses impostos na DCTF em questão por si só é capaz de comprovar o erro no preenchimento, motivado pela existência de parcelas vincendas desses parcelamentos no período de apuração englobado pela DCTF. 34 Ademais, as fichas ll e l6 da DIPJ 2007, as quais tratam respectivamente do “Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa” e “Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa”, comprovam que a Recorrente não apurou quaisquer débitos destes tributos no mês de agosto de 2006 (doc. l7). 35 Portanto, a multa pelo atraso na entrega da DCTF relativa ao mês de agosto de 2006 não pode ser aplicada sobre o valor infonnado na DCTF Original, a qual conteve erros incorridos pela Recorrente, sendo que o lançamento deveria tomar como Fl. 258DF CARF MF 8 base os valores informados na DCTF Retifieadora, os quais, para fins de simplificação, são demonstrados na tabela abaixo: 36 Desta forma, a multa não pode ser aplicada com base no montante de R$ 2.994.036,86 que resultou numa autuação de R$ 59.880,73 (que corresponde a 4% do valor do debito, já considerado o desconto de 50%), conforme constante do auto de infração em comento, mas sim com base no valor acima demonstrado, ou seja, R$ 9.9.762,87, que resultaria no valor de multa de R$ 1.995.25. Embora bastante razoáveis os argumentos da Recorrente, neste momento processual não vejo como acolhêlos, vez que DCTF retificadora fora entregue em momento posterior a autuação, que quando realizada tomou por base os elementos de prova colhidos durante o procedimento de fiscalização, quanto a DCTF retificadora não existia, e, por óbvio o lançamento não poderia nos valores nela escriturados se basear. Quando muito a improcedência do lançamento poderia ser confrontada em razão da demonstração através da escrituração contábil que demonstrasse os equívocos que a Recorrente alegou ter praticado, recompondo a sua contabilidade de modo a evidenciar tais erros e a sua posterior correção, na falta destes elementos, como já observado pela DRJ, não há possibilidade para se rever o lançamento, os indícios apontados pela Recorrente, haveriam que ser corroborados por elementos probatórios dos fatos por ela alegados. A mera retificação da DCTF entregue em atraso, não se mostra suficiente a demonstrar a incorreção na base tributável, que serviu de fundamento ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória, juntamente por ter sido entregue em momento posterior à própria autuação. No meu modo de ver, acolher o erro alegado pela contribuinte implicaria na própria invalidação da autuação originária, relativa à correta multa por atraso na entrega da DCTF, regularmente lançada com base nos elementos conhecidos pela autoridade fiscal naquele momento, ainda que a contribuinte tenha identificado eventual erro na declaração que ela própria fez ao fisco, já que não se podia exigir conduta diversa por parte da autoridade lançadora no momento da autuação. Por outro lado, a Recorrente questiona a constitucionalidade da multa aplicada sob o argumento de sua instituição teria desrespeitado princípios previstos em nossa Carta Magna. Contudo, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10283.006576/200790 Acórdão n.º 1401003.414 S1C4T1 Fl. 256 9 Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904129/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.540
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 41 29 /2 01 1- 74 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre o Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativa vinculado à receita não tributada no mercado interno. Mediante o Despacho Decisório decidiuse pela homologação parcial da compensação declarada, não restando valor a ser ressarcido, sob os seguintes fatos e fundamentos, constantes no Relatório Fiscal: Ao contrário do crédito vinculado à Receita não Tributada no Mercado Interno, para o qual existe disposição expressa de autorização de ressarcimento (art. 17 da Lei nº 11.033, de 2005 e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2006), não existe qualquer previsão legal para a realização de ressarcimento de crédito (de PIS e Cofins) vinculado à Receita Tributada no Mercado Interno. A receita tributável (venda de fécula), mesmo após as deduções legais (no caso, repasses aos cooperados e custos agregados), não pode se enquadrar no conceito de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência, motivo pelo qual os créditos vinculados a essa receita só estão sujeitas ao desconto corrente ou manutenção para uso futuro em abatimento (art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/2003). As bases de cálculo negativas, geradas quando a soma dos valores de repasse aos cooperados (compra de raiz de mandioca) com os demais custos agregados são superiores aos valores das vendas tributadas (venda de fécula), não podem ser carreadas para os meses seguintes, de forma a reduzir as bases de cálculos futuras. O crédito presumido, calculado sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação do produto fécula de mandioca, está limitado à contribuição do mês e serve somente para dedução do valor devido de cada contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. De todos os custos, despesas e encargos informados pela cooperativa em seus Dacons os únicos que estariam vinculados tanto às Receitas Não Tributadas no Mercado Interno quanto às Receitas Tributadas no Mercado Interno seriam os relativos às Despesas de Energia Elétrica. Foi procedido ao recálculo dos créditos da não cumulatividade das contribuições dos períodos fiscalizados, dividindo as despesas de energia elétrica entre os tipos de crédito (vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno e às Receitas Não Tributadas no Mercado Interno), com base no rateio proporcional, cuja previsão consta dos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e alocando todos os outros custos, despesas e encargos integralmente para o crédito vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 4 3 A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório, alegando, em síntese: a) Na tributação do PIS e da Cofins o ato cooperativo é caso de não incidência e as exclusões das bases de cálculo dessas contribuições (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e art 17 da Lei nº 10.684/2003) decorrem logicamente da não tributação do ato cooperativo. b) O art. 16 da Lei nº 11.116/2005 assegura o direito ao ressarcimento dos créditos acumulados em relação às operações não tributadas (previstas no art. 17 da Lei nº 11.033/2004). O órgão fiscal deve também considerar (para efeito de aproveitamento desses créditos) as exclusões das bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. A Delegacia de Julgamento não acolheu as razões da manifestante, sob os seguintes argumentos principais: A requerente apura créditos vinculados a receitas tributadas/não tributadas no mercado interno. Assim, seus créditos objetos de pedidos de ressarcimento referemse às aquisições vinculadas a vendas de produtos sujeitos à alíquota zero no mercado interno, já que esses créditos são compensáveis e ressarcíveis. Por sua vez, os créditos vinculados a vendas tributáveis no mercado interno são apenas dedutíveis das contribuições a pagar, devendo ser mantidos na escrituração da contribuinte. A empresa só pode beneficiarse da norma do art. 16 da Lei nº 11.116/2004 se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). As receitas relativas à atividade de venda de amido/fécula estão sujeitas à tributação normal das contribuições, já as receitas relativas aos insumos agropecuários são tributados à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim, somente o saldo credor relativo às aquisições dos produtos agropecuários é que poderia ser ressarcido ou compensado com outros tributos, pois somente essa atividade (revenda de produtos agropecuários) subsomese à hipótese constante do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Assim é que inexiste reparo no entendimento aplicado pela fiscalização quanto à alocação dos créditos informados pela cooperativa nos Dacon. Os dispêndios relativos aos Bens Utilizados como Insumos estão diretamente ligados à Receita Tributada no Mercado Interno, já que se referem às aquisições dos bens/produtos utilizados como insumo no processo produtivo da fécula/amido. Já quanto aos outros dispêndios, é evidente a não vinculação com a revenda de produtos agropecuários para os associados da cooperativa, pois a própria denominação das rubricas (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda e Despesas com Encargos de Depreciação) deixa claro que esses custos, despesas e encargos referemse a equipamentos/serviços utilizados na atividade tributada (venda de amido/fécula). A contribuinte não contestou a forma de rateio das despesas de energia elétrica realizada pela fiscalização, sendo forçoso concluir que houve concordância tácita quanto a esse ponto. As sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência da Cofins como as pessoas jurídicas em geral nos termos da Lei nº 9.718/98, ou seja, as sociedades cooperativas passaram, também, a pagar a Cofins com base nas receitas provenientes de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 5 4 operações com associados. Desse modo, como regra geral para a tributação das cooperativas, não é mais relevante a distinção entre receitas decorrentes de atos cooperados e de atos não cooperados, visto que a classificação não afeta a base imponível definida por lei. Refutase, dessa forma, a argumentação da interessada de que o ato cooperativo é caso de não incidência tributária. A efetivação das deduções legais (exclusões) das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) não tem o condão de transformar uma receita de venda que era tributada em uma receita não tributada. Lendose o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158/35, de 2001, verificase que dentre as possibilidades legais de exclusão da base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) não se encontra prevista a de exclusão de base de cálculo negativa de meses anteriores. O simples fato de não haver restrição na legislação para o procedimento de transferência da base de cálculo negativa para ser descontada em meses subsequentes não autoriza que o mesmo seja realizado, posto que a fixação da base de cálculo de um tributo somente pode ser estabelecida pela Lei. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário, sustentando, em síntese: i) O ato cooperativo configura hipótese de não incidência tributária para fins de aproveitamento de créditos nos termos do que prescreve o art. 17 da Lei n° 11.033 de 2004. É assegurado às Sociedades Cooperativas o direito de manutenção dos créditos de PIS e COFINS, igualmente as demais empresas. O órgão fiscal também deve compreender as exclusões da base de cálculo da MP n° 2.15835/2001 e do art. 17 da Lei n° 10.684/2003 como autorizativas do aproveitamento de créditos. A exclusão, diferentemente, do ato cooperativo, deve ser analisada como isenção, mesmo que parcial. ii) São importantes para o julgamento os princípios da proporcionalidade e da moralidade administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.530, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10950.904119/201139. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.530): "A recorrente apenas repisa os argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, sem contestar especificamente os fundamentos utilizados pela decisão recorrida para refutálos, o que já seria suficiente para não Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 6 5 acolher a defesa da recorrente. Não obstante isso, a fim de se evitar futuras alegações de cerceamento do direito de defesa, passase a analisar a matéria abordada no recurso voluntário. O pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa sob análise está vinculado à receita não tributada no mercado interno e tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem, respectivamente: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Dessa forma, interessa ao pedido de ressarcimento sob tal fundamento somente os créditos vinculados às receitas do mercado interno de "vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência" da contribuição", devendo ser desconsiderados os créditos vinculados a receitas tributadas que podem apenas ser deduzidos das contribuições a pagar do período, eis que inexiste previsão legal de ressarcimento para estes últimos. No caso específico da recorrente, conforme decidido no despacho decisório e mantido na decisão recorrida, as receitas relativas às vendas de amido/fécula seriam tributadas, razão pela qual os créditos vinculados a elas não poderiam ser objeto do ressarcimento pleiteado. Por outro lado, no caso das receitas de venda no mercado interno de produtos agropecuários sujeitas à alíquota zero (art. 1º da Lei nº 10.925/2004) não houve tal Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 7 6 óbice quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do trimestre dos créditos vinculados a essas receitas. Conforme entendimento constante na Solução de Divergência nº 1 Cosit1, de 21 de janeiro de 2019, as exclusões da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep tratadas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/20012 e no art. 11 da IN SRF nº 635/2006 1 Solução de Divergência nº 1 Cosit Data 21 de janeiro de 2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE DESCONTO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.IMPOSSIBILIDADE. A exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, desde que previsto no art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006. Esses créditos não são passíveis de compensação com outros tributos ou de ressarcimento, exceto em caso de previsão legal específica. Dispositivos legais: MP nº 2.15835, de 2001 art. 15; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.684, de 2003 art. 17; Lei nº 11.033, de 2004, art.17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e IN SRF nº 635, de 2006, art. 23. (...) 11. Assim, cabe, primeiramente, examinar se as exclusões da base de cálculo aludidas nos incisos II e V do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, são compatíveis com a apuração de créditos de que tratam os incisos II e III do art. 23 da mesma IN. 12. Como se vê, a própria IN SRF nº 635, de 2006, ao mesmo tempo em que admite a exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado, bem como dos custos agregados a esse produto quando da sua comercialização, também autoriza o desconto de crédito em relação às aquisições de não associados de bens ou serviços utilizados como insumo e às despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 13. Ao exame da questão mencionada, cumpre ressaltar que, conforme explicitado nos itens 8 e 9, os dispositivos em análise, apesar de elencados em uma Instrução Normativa, são derivados de Lei, possuindo base legal que fundamentam a sua existência. Também cabe ressaltar que não haveria lógica jurídica na reprodução na Instrução Normativa de dispositivos incompatíveis entre si. 14. Impende mencionar ainda que não há qualquer disposição na legislação vedando o creditamento após o ajuste da base de cálculo das contribuições com as exclusões legais permitidas. A vedação ao desconto de créditos somente pode ser feita nas hipóteses expressamente previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, no caso de pagamento de mão de obra a pessoa física e no caso da aquisição de bens que não sejam sujeitos ao pagamento das contribuições. 15. Importante registrar que o art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, admite o crédito em relação a bens adquiridos como insumos de não associados e não autoriza o crédito em relação à aquisição dos mesmos bens de associados. 16. É que a aquisição de bens de não associados é sujeita ao pagamento das contribuições pelos não associados na ocasião da venda do bem, enquanto a entrega do produto de associado à cooperativa não corresponde sequer a uma aquisição, eis que a propriedade do bem permanece na esfera do associado. Daí se concluir que não é cabível o crédito em relação à entrega do produto à cooperativa por associado. 17. Em suma, a exclusão de base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, uma vez que a lei não traz nenhuma restrição à aplicação simultânea desses dois institutos, bem como que a própria IN SRF nº 635, de 2006, detalha, sem restrição, os créditos que podem ser descontados e as hipóteses de exclusão de base de cálculo das contribuições. 18. Resolvido o primeiro ponto e admitindose a possibilidade de desconto de créditos em relação a despesas utilizadas como exclusão da base de cálculo, resta definir se esse créditos podem ou não ser objeto de compensação com outros tributos e de ressarcimento. (...) 2 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 8 7 não são, em si, um obstáculo ao desconto de créditos em relação aos insumos dessas atividades, o qual poderá ocorrer nas hipóteses previstas na legislação. Da mesma forma a possibilidade de ressarcimento ou compensação de créditos acumulados pela cooperativa está condicionada à previsão na legislação, a qual pode, inclusive, beneficiarse no disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, como as demais pessoas jurídicas, em relação aos créditos vinculados às vendas não tributadas. A questão que interessa aos autos é que a recorrente quer que se considere como receitas isentas, ainda que parcialmente, para fins do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, as receitas relativas às vendas de amido/fécula, em face das exclusões da base de cálculo das contribuições (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835), de forma a ser autorizado o ressarcimento/compensação em relação aos créditos vinculados a tais receitas. No entanto, as exclusões na base de cálculo das contribuições não acarretam a isenção das receitas dessas vendas. Diante da ausência de previsão legal específica em contrário, tais receitas de vendas são tributadas normalmente, não obstante, em face dessas exclusões, poderá o contribuinte ter um valor a recolher da contribuição menor do que o valor integral, que seria devido sem nenhuma exclusão. O que muda em face das exclusões é o valor a recolher da contribuição. É certo que a isenção somente ocorrerá com a previsão legal para determinado tipo de receita de venda, independentemente de eventuais valores excluídos da base de cálculo das contribuições e do valor a recolher para a contribuição. Nem há que se olvidar que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 referese expressamente às "vendas efetuadas com (...) isenção", razão pela qual pouco importa se o valor a recolher da contribuição no período resultar zero ou menor do que o valor integral. Nesse sentido foi o tratamento dado pela questão na Solução de Consulta n° 383 Cosit, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017, proferida nos seguintes termos: III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 9 8 Solução de Consulta Cosit n° 383/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Dispositivos Legais: Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 15; Lei n° 10.676, de 2003, art. 1°; Lei n° 10.684, de 2003, art. 17; Lei n° 11.033, de 2004, art. 17; e IN RFB n° 635, de 2006, art. 15. (...) 12. Em suma, a cooperativa, ao efetuar a venda de produtos a terceiros, aufere receita que compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No entanto, essa base de cálculo é ajustada mediante as exclusões previstas em lei. Em razão disso, exsurge a dúvida se tais exclusões permitem a manutenção, o ressarcimento e a compensação dos créditos apurados com fundamento no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a tais operações. 13. Para o deslinde da questão, releva entender a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo. Notese que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. 14. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 10 9 15. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. 16. Esclareçase, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento. (...) Também a já mencionada Solução de Divergência Cosit nº 1/2019, ratifica esse entendimento: (...) 21. A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas a isenção ou a outra forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. 22. Tal questão foi pormenorizadamente examinada na Solução de Consulta Cosit nº 387, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017 (disponível na íntegra no sítio eletrônico da RFB <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), o que vincula, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, o entendimento da RFB acerca da matéria. (...) 24. Resta, portanto, claro que as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento. A exceção a essa regra seriam os créditos vinculados a receitas de exportação, a receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize a compensação e o ressarcimento. (...) Por fim, quanto aos princípios e aos subprincípios mencionados pela recorrente, há que se esclarecer que, desde que legítima, como é o caso, a aplicação e a interpretação da legislação que acaba por acarretar menor valor de créditos a ressarcir à contribuinte do que o Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10950.904129/201174 Acórdão n.º 3402006.540 S3C4T2 Fl. 11 10 pretendido não representa lesão aos princípios da proporcionalidade ou da moralidade administrativa. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721477/2011-06
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas.
Mantém-se a glosa da dedução de despesas do livro-caixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas.
DEDUÇÕES. INCLUSÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
É inadmissível a retificação da Declaração de Ajuste Anual para inclusão de novas deduções após a lavratura da notificação de lançamento, nos termos do art. 832 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (RIR/99).
Numero da decisão: 2003-000.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Mantém-se a glosa da dedução de despesas do livro-caixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas. DEDUÇÕES. INCLUSÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível a retificação da Declaração de Ajuste Anual para inclusão de novas deduções após a lavratura da notificação de lançamento, nos termos do art. 832 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (RIR/99).
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LIVROCAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livrocaixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Mantémse a glosa da dedução de despesas do livrocaixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas. DEDUÇÕES. INCLUSÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível a retificação da Declaração de Ajuste Anual para inclusão de novas deduções após a lavratura da notificação de lançamento, nos termos do art. 832 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 77 /2 01 1- 06 Fl. 321DF CARF MF 2 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2009, exercício de 2010, no valor de R$ 24.635,16, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende auto de infração constante dos autos (fls. 4/8). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0654.819, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA (fls. 294/299), o qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação (fls. 2/3) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) nº 2010/161845215457942, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) referente ao exercício 2010, anocalendário 2009, que apurou crédito tributário no valor de R$ 24.635,16, dos quais R$ 13.164,03 de imposto de renda suplementar, R$ 9.873,02 de multa de ofício e R$ 1.598,11 de juros de mora (calculados até 30/6/2011). A autoridade fiscal considerou indedutível parte da despesa declarada a título de livrocaixa, no valor de R$ 49.240,44, assim consignando na Descrição dos Fatos (fl. 15), que integra a Notificação de Lançamento impugnada: [...] As glosas foram motivadas pela falta de comprovação da despesa ou pela apresentação de recibos nos quais não constava a identificação clara do: a) cliente; b) emitente (CPF/CNPJ); c) serviço prestado para a comprovação da necessidade da despesa para a percepção e manutenção da fonte produtora dos rendimentos; ou d) do endereço do contribuinte. Anexamos ao Dossiê as planilhas contendo as justificativas da glosa das despesas declaradas no livro caixa apresentado. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação alegando que: a) anexa todos os documentos devidamente enumerados, para que não restem dúvidas e que sejam aceitos no sentido de serem retificados os lançamentos, para mais nada dever; b) os recibos não estão com os CPFs das pessoas que prestaram serviços, pois estas estavam na categoria de aprendiz e não tinha inscrição no Cadastro de Pessoa Física, conforme autorizado na Constituição Federal no seu artigo 7º, inciso XXXIII. Acórdão de Primeira Instância Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13896.721477/201106 Acórdão n.º 2003000.077 S2C0T3 Fl. 322 3 Ao apreciar a impugnação, a DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para alterar o imposto suplementar antes apurado para R$ 7.037,03, acrescido de multa de ofício e acréscimos legais. Registrou a DRJ/CTA, que do valor de R$ 49.240,44, inicialmente glosado, foi acatado como dedutível o valor de R$ 22.280,00. Por conseguinte, foram mantidas as glosas das despesas declaradas no valor total de R$ 26.960,44, porquanto não foram apresentados documentos capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 06/06/2016 (fls. 303), o contribuinte interpôs, em 04/07/2016, recurso voluntário (fls. 305/318) reiterando basicamente as alegações lançadas na impugnação e complementando com outros argumentos, a seguir sintetizados: em sede preliminar que os recibos assinados pelos colaboradores contêm todos os elementos necessários à sua identificação e podem ser facilmente confirmados pelo exame visual dos mesmos; que os recibos apresentados se referem a colaboradores maiores e menores, indistintamente, sem vínculo empregatício, mas amparados pela legislação do IR, ao teor da questão 415 do Manual de Perguntas e Respostas relativo ao IRPF; que quando mencionou que os menores eram aprendizes, não quis dize que eles trabalhavam na distribuição como aprendizes, mas sim, que eram aprendizes porque não tinham ou não apresentaram CPF na época; que o serviço de distribuição de revistas, folhetos e congêneres, é uma atividade basicamente informal, inconstante, sem regularidade, não permitindo ao distribuidor, qualquer movimento no sentido de sair da informalidade. Em razão dessa particularidade, as pessoas que trabalham nesse segmento o fazem de forma esporádica, casual, como um “bico”, sem qualquer vínculo empregatício; que nunca teve quadro fixo de colaboradores. A cada mês ou a cada nova distribuição, em novas pessoas que faziam o trabalho; que era impossível o Recorrente fazer toda a distribuição sozinho, por isso a necessidade de recorrer ao trabalho de colaboradores. Se assim não fosse, não seria possível a percepção dos rendimentos declarados; não havia como o Recorrente firmar “contrato de trabalho” com o seus colaboradores, adultos e menores, pois durante o período que a operação foi feita, trabalhavam cerca de 131 pessoas na distribuição, um número gigantesco, sem qualquer possibilidade financeira e econômica de admissão por parte do Recorrente; junta aos autos a relação das 85 pessoas (docs. 4,5 e 6) que trabalharam nos anos de 2007 a 2009, com os respectivos CPF, Fl. 323DF CARF MF 4 os quais já constam dos recibods anexados na Impugnação, bem como a relação dos 46 menores (docs. 7 e 8), que não tinham ou não apresentaram CPF na ocasião, totalizando 131 pessoas, conforme mencionado acima; Recibos da Associação SP2 – todos os recibos glosados têm os dados necessários à identificação do pagamento, exceto carimbo da Associação SP2, providência que não era usual naquele condomínio; Recibos Diversos – (...), se referem a gastos necessários ao funcionamento do escritório, sem o qual não seria possível a manutenção da fonte produtora. no mérito, registra que os documentos anexos à impugnação, contêm o valor pago, o nome e o CPF do pagador, o nome e assinatura do recebedor e o tipo de trabalho executado, os quais representam despesas de custeio e a manutenção da fonte produtora, ao teor da legislação vigente: Manual de Perguntas e Respostas do IRPF, questão 403; art. 6º, I e III, da Lei nº 8.134/90; art. 75, I e III, do RIR/99; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 09/10/1970; e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979; Ao final pugna pelo cancelamento do débito fiscal resmanescente mantido pela DRJ/CTA (fls. 310). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações tidas como preliminares, a bem da verdade se confundem e complementam as razões de mérito, razão pela qual com ele serão apreciadas. Mérito Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13896.721477/201106 Acórdão n.º 2003000.077 S2C0T3 Fl. 323 5 Da dedução das despesas lançadas no livrocaixa Insurgese, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/CTA, que manteve parcialmente a glosa das despesas declaradas a título de livrocaixa, no valor de R$ 26.960,44, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos apresentados. Apreciando as alegações recursais, sobretudo no cotejo da prova documental juntada em sede de impugnação, entendo que os aludidos documentos não carecem ser novamente analisados. E, considerando que as alegações recusais apenas complementam e reforçam a impugnação – onde o contribuinte limitouse a escorrer sobre “a ausência de CPF nos recibos dos prestadores de serviços enquadrados na categoria de APRENDIZ” e a juntar os comprovantes que entendeu suficientes para justificar a regularidade de sua conduta fiscal – não trazendo aqui novas alegações hábeis a modificar o julgado de piso, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida (fls. 296/299), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: Da Dedução de LivroCaixa Assim dispõe os artigos 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/96), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, eLei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º,e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). Fl. 325DF CARF MF 6 §1º O excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. (sem grifos no original) Já o Manual de Perguntas e Respostas relativo ao IRPF do exercício 20101, no que se refere às deduções a título de livro caixa, assim orienta: 389 — O que se considera e qual é o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livro Caixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. O valor das despesas dedutíveis, escrituradas em livro Caixa, está limitado ao valor da receita mensal recebida de pessoa física ou jurídica. No caso de as despesas escrituradas no livro Caixa excederem as receitas recebidas por serviços prestados como autônomo a pessoa física e jurídica em determinado mês, o excesso pode ser somado às despesas dos meses subseqüentes até dezembro do ano calendário. O excesso de despesas existente em dezembro não deve ser informado nesse mês nem transposto para o próximo anocalendário. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 76; Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, art. 51) (...) 393 — Podem ser aceitos tíquetes de caixa, recibos não identificados e documentos semelhantes para comprovar despesas no livro Caixa? Não. Para que tais despesas sejam dedutíveis, o documento fiscal deve conter a perfeita identificação do adquirente e das despesas realizadas, sendo que estas devem ser necessárias e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. (...) 401 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13896.721477/201106 Acórdão n.º 2003000.077 S2C0T3 Fl. 324 7 empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) (sem grifos no original) Compulsando os autos verificase que às fls. 16 a 21 consta planilha “Valores Glosados”, elaborada pela autoridade fiscal, contendo a lista das despesas consideradas indedutíveis e os respectivos motivos das glosas. O contribuinte se insurge contra as glosas efetuadas e apresenta, junto a sua defesa, os documentos carreados às fls. 29 a 280 dos autos, com o intuito de atender as exigências apontadas na referida planilha. Notese que também foram apresentados documentos relativos a despesas que já haviam sido aceitas como dedutíveis no curso da ação fiscal. Pois bem, procedendo à análise e ao batimento entre os valores escriturados no livrocaixa, os valores glosados pela fiscalização e os respectivos documentos apresentados na impugnação, concluise que o contribuinte supriu as pendências apontadas pela fiscalização relativamente às seguintes despesas: (...) No tocante às despesas acima nomeadas como “Pagamento a terceiros ref entregas”, no que se refere à alegação da defesa de que os emitentes dos recibos se tratavam de aprendizes não obrigados a possuir CPF por serem menores, importa esclarecer que, conforme informação constante no site do Tribunal Superior do Trabalho2, para que menores sejam contratados na condição de aprendizes exigise a observação de diversos requisitos, entre eles que seja firmado contrato de trabalho especial por escrito e por prazo determinado, regulamentado pelo Decreto nº 5.598/2005, no qual o empregador se compromete a assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnicoprofissional metódica. Não constam nos autos contratos firmados entre o contribuinte e os emitentes dos recibos, de forma que a relação existente entre eles e a natureza do serviço prestado não restou comprovada, impossibilitando a dedução de tais despesas da base de cálculo. Já no que se refere às despesas com terceiros não escrituradas no livrocaixa e, por conseguinte, não informada como dedução da declaração do contribuinte, a alteração de valores na DAA, caracterizaria a sua retificação, procedimento este possível somente quando comprovado erro e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício, conforme disposto no Regulamento do Fl. 327DF CARF MF 8 Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º ) Assim, do valor inicialmente glosado de R$ 49.240,44, acatase como dedutível, em sede de contencioso administrativo, o valor de R$ 22.280,00. Serão mantidas as glosas das demais despesas, não mencionadas na tabela acima, as quais totalizam R$ 26.960,44, conforme planilha de Valores Glosados de fls. 16 a 21, eis que não foram apresentados documentos capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Registrase, por oportuno, que em relação ao menor incluso na categoria de APRENDIZ (art. 428 da CLT) é permitido o exercício laboral, com algumas cautelas, sendo certo que o trabalho exercido nas ruas, praças ou logradouros públicos – como é o caso da atividade do Recorrente que promove a distribuição de revistas, folhetos e congêneres – depende de prévia autorização do Juiz da Infância e Juventude. Na mesma esteira, o art. 76, § 2º, do RIR/99 exige que a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livrocaixa seja comprovada mediante documentação idônea, o que não ocorreu no caso concreto, sobretudo em relação aos titulados aprendizes prestadores de serviço, ante a ausência da prova da autorização judicial a justificar o trabalho dos aludidos menores, nos exatos termos da legislação de regência, documento este, aliás, não constante dos autos o que, por si só, desabilita a dedução pretendida da despesa. Nada obstante, vale salientar que todas as deduções informadas na DAA estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, cabendo ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, ao teor art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Tanto é assim que a impugnação apresentada foi provida parcialmente restando acatada as despesas alusivas aos pagamentos realizados à Ass. São Paulo II (R$ 1.770,00); à Itaboy Entregas (R$ 710,00); e à Adriano Bedeschi (R$ 19.800,00), uma vez que foram supridas as pendências apontadas pela fiscalização sobre tais despesas (fls. 297). Em relação aos “Recibos Diversos” suscitados na peça recursal, nada a prover porquanto foram objeto de apreciação com consequente manutenção da glosa pela DRJ/CTA (fls. 297), quando procedeu a análise e batimento entre os valores escriturados no livrocaixa, os valores glosados pela fiscalização e os respectivos documentos juntados na impugnação. A propósito, me convencendo do acerto da decisão, mantenho a glosa no particular. Registrese, por fim que, ao decidir, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os argumentos apresentados pela parte, principalmente quando, no voto proferido, há fundamentos suficientes para legitimar a conclusão por ele adotada. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.721477/201106 Acórdão n.º 2003000.077 S2C0T3 Fl. 325 9 Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa remanescente das despesas declaradas no valor total de R$ 26.960,44, da base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2009, exercício 2010. É como voto (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.500462/2005-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000, 2001
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543=C, do CPC (dicção do art. 62-A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição como impedimento à análise do pedido de restituição e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação de seu mérito.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000, 2001 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543=C, do CPC (dicção do art. 62-A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição como impedimento à análise do pedido de restituição e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação de seu mérito. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543=C, do CPC (dicção do art. 62A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição como impedimento à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 50 04 62 /2 00 5- 95 Fl. 207DF CARF MF 2 análise do pedido de restituição e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação de seu mérito. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 184 à 188) interposto contra o Acórdão n° 1024.581, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (efls. 174 à 178), que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. Decisão essa ementada nos seguintes termos: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/11/2001 Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. O prazo para a interessada pleitear a restituição/compensação de valores que teriam sido pagos a maior que o devido é de 5 (cinco) anos contados a partir do pagamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 Ementa: Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. O prazo para a interessada pleitear a restituição/compensação de valores que teriam sido pagos a maior que o devido é de 5 (cinco) anos contados a partir do pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11040.500462/200595 Acórdão n.º 1002000.683 S1C0T2 Fl. 177 3 Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: Trata o presente processo de cobrança de débitos de IRPJ (lucro presumido) informados em DCTF relativos aos 1°/2°/3° e 4° trimestres de 2000 inscritos em Dívida Ativa da União em 3 de fevereiro de 2005. Pela via judicial a empresa obteve o cancelamento das inscrições (o que foi, afinal, efetivado pela PFN Pelotas em 03/03/2009), conforme despacho que deferiu a medida liminar proferido na ação mandamental 2007.71.10.0050589/RS (fls. 58/59). A decisão em sede de agravo de instrumento, proferida em 24/11/2005 (fls. 69) também determinou a suspensão da exigibilidade dos débitos, já que a manifestação de inconformidade estaria pendente de julgamento, provimento confirmado pelo TRF da 43 Região . No caso, a manifestação de inconformidade tomada dentro do previsto no art. 74 da Lei 9.430/1996 não foi a apresentada no presente processo de cobrança, mas sim no processo 11040.000519/200470, recebida pela DRF Pelotas em 14/09/2004 (oposta ao Termo de Intimação 00005377 emitido em 28/06/2004 e cujo prazo para pagamento era até 30/09/2004 fls. 09 do processo anexado), na qual entre outras alegações de compensação, a empresa alegou que o débito de IRPJ foi compensado com amparo no art. 66 da Lei 8.383/1991, com créditos de IRRFLL, conforme teria informado na DCTF respectiva. Este outro processo foi juntado por anexação ao presente, conforme termo a fls. 123, ante o imbróglio judicial. Em despacho decisório (fls. 141/143), a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat Pelotas não homologou as compensações informadas em DCTF ”s, posto que os créditos já teriam sido atingidos pela prescrição, determinando a continuidade da cobrança do crédito tributário indevidamente compensado. Cientificada em 05/10/2009, tempestivamente, a empresa apresenta, em 30/10/2009, manifestação de inconformidade contra o indeferimento de seus procedimentos de compensação, alegando preliminarmente a nulidade do despacho decisório da DRF Pelotas, já que a competência para julgamento das manifestações de inconformidade contra compensações não homologadas é da Delegacia de Julgamento. No mérito, insurge se contra a prescrição de seus créditos após o prazo de cinco anos do pagamento, devendo ser considerado o prazo de dez anos contados da data do recolhimento indevido, consoante jurisprudência do STJ. Na análise do pleito do Contribuinte, a SACAT Pelotas (efls. 153 à 155) emitiu parecer cuja cerne restou essencialmente vertido à questão do lustro quinquenal. Transcrevo o teor meritório: Fl. 209DF CARF MF 4 Examinando as DCTF's do 1°/2°/3°/4° trim/2000, de fls. 136/139, verificase que foi informada uma vinculação “COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO/RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" com os débitos do IRPJ relativos aos períodos de apuração do 1°/2°/3°/4° trim/2000. Entretanto, os créditos vinculados pela impetrante na compensação dos créditos tributários declarados em DCTF não se verificaram. Primeiro, em vista de que a interessada vinculou aos débitos pagamentos efetuados antes do Plano Real em valores históricos, o que impede o reconhecimento dos, mesmos pelos sistemas informatizados da RFB, já que na DCTF são informados valores em reais. Segundo, notase que todos os pretensos créditos oriundos de pagamentos informados nas DCTF's, com indicação de datas de vencimento de 30/04/1991 a 03/01/1992, foram atingidos pela extinção do direito de repetir o indébito tributário, nos termos do art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, Art. 168. O direito ,de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (grifei) É certo que esse dispositivo, por não esclarecer, de forma clara e objetiva, o momento da extinção do credito tributário para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo da Cofins e do PIS, foi toco de inúmeras teses interpretativas, doutrinárias e jurisprudenciais, que culminaram com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, que, nn seu art. 3°, explicita: Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso l do art. 168 da Lei n° 5.172, de _ 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata 1° o § do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto n`o art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (grifei) Assim, diante da interpretação que é dada ao inc. I, do art. 168 do CTN pela LC n° 118/05, por óbvio. restaram fulminados pela prescrição os eventuais créditos anteriores a cinco anos dos fatos geradores, e não dez anos, como requer a impetrante. Esse o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB sobre o assunto, considerando correta a contagem do prazo de decadência do art. 168 a partir dr data do pagamento indevido. Vejase, o disposto no Ato Declaratório SRF n.° 096, de 26/11/1999: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11040.500462/200595 Acórdão n.º 1002000.683 S1C0T2 Fl. 178 5 “(...) I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, _extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). (...)" Diante do exposto, proponho a nãohomologação _da compensação dos débitos do IRPJ 2089 dos períodos de apuração do 1°/2°/3°/4° trim/2000, informada nas DCTF's do 1°/2°/3°/4° trim/2000, de fls. 136/139. Em sequência, a DRJ primou por seguir a intelecção da SACAT, quanto a ocorrência da prescrição; ademais, adicionou que, ainda na eventual superação do lustro, não seria possível avaliar a compensação requerida, haja vista a ausência de demonstração de liquidez e certeza do crédito tributário almejado (art. 170 do CTN). Seguem os principais trechos: O cerne do litígio a ser analisado no presente processo recai sobre o transcorrimento do prazo decadencial (ou prescricional, como entendem vários estudiosos). Entendo correta a decisão efetivada pela DRF jurisdicionante. Da leitura conjunta do inciso I do art. 156 com o § 1° do art. 150, do Código Tributário Nacional, depreendese que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação o mesmo se aplicando aos tributos sujeitos às demais modalidades de lançamento, considerase como data da extinção do crédito tributário a data em que efetuado o pagamento: (...) Desta forma, nos termos do art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição adotada no Parecer PGFN/CAT 678, de 28 de maio de 1999, que revogou o entendimento esposado no Parecer Cosit 58/1998. O referido ato emanado do órgão responsável pela representação judicial da Fazenda Nacional foi corroborado pelo Parecer PGFN/CAT/ 1538/99, de 28 de setembro de 1999, versando sobre o prazo para pleitear compensação/restituição de indébitos perante à Fazenda, cujo trecho conclusivo, atinente à presente lide, abaixo transcrevo: (...) Fl. 211DF CARF MF 6 Também nesse sentido, foi editado o Ato Declaratório SRF n° 096, de 1999, determinando a observância do Parecer citado, e deixando bem claro que a contagem se inicia a partir da data do pagamento indevido ou a maior que o devido: (...) Concluise que as normas complementares da legislação tributária, em consonância com a própria legislação tributária, estabeleceram que o prazo decadencial para a interessada exercer o direito à repetição do indébito iniciouse na data em que foram feitos os pagamentos supostamente a maior, estando extinto, a contar daí, 5 anos após, 0 seu direito de reaver valores porventura indevidamente recolhidos, não reconhecendo exceções. Assim, os questionamentos da interessada esbarram no determinado na Lei Complementar 118, de 2005, cujo artigo 3° interpretou o art. 168 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172 de 1966, nos seguintes termos: (...) Por se tratar de norma interpretativa, não há desrespeito ao princípio da irretroatividade. E pelo acima exposto, não resta outro caminho a este órgão julgador administrativo que não seja a confirmação do despacho da DRF Pelotas e a não homologação dos procedimentos de compensação que foram tratados no presente processo. Cabe ainda ressaltar que não há nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Pátrio. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através das guias de pagamento, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e, se for o caso, do provimento judicial autorizativo da compensação pleiteada. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar a base de cálculo de qualquer dos períodos. A obrigação de comprovar o fato alegado é exclusiva da interessada, nos termos do art.333 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: "Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor,_quanto ao fato constitutivo do seu direito: II ao réu, quanto à existência de falo impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. " Grifo nosso. Por sua vez, o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito federal, estabelece que o contribuinte deve comprovar suas alegações: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11040.500462/200595 Acórdão n.º 1002000.683 S1C0T2 Fl. 179 7 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 19 da Lei ng 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/1993) Ante o exposto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade e, no mérito, pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, não homologando as compensações informadas em DCTF após o transcurso do prazo de cinco anos do pagamento, até mesmo porque, caso fosse vencida esta questão, a interessada não trouxe ao processo qualquer documentação comprobatória do direito pleiteado. O Recurso Voluntário, em sua essência, reitera os argumentos expostos na exordial defensiva; contudo, rebateu os elementos alusivos à ausência de liquidez e certeza, acrescentando cópias de DARF e suas respectivas planilhas de atualização, bem como do contrato social da Recorrente. Para garantir melhor acurácia, colaciono os principais excertos: A r. decisão recorrida merece ser reformada por estar em desconformidade com a correta interpretação da legislação aplicável à matéria. Com efeito, a controvérsia sobre o prazo de decadência/prescrição da restituição de crédito decorrente do recolhimento a maior ou indevido de tributos e contribuições federais sujeitos a lançamento por homologação, está pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça como demonstra o entendimento adotado pela 1° Turma no julgamento do AgRg no Agravo de Instrumento n° 1.106.829 MG Relatora Min. Denise Arruda DJe de 11.12.2009 e Revista Dialética de Direito Tributário n° 176, p. 239/240: (...) De acordo com esse entendimento. as compensações feitas pela recorrente com amparo no disposto no art. 66, da L. 8.383/91 de créditos do IRRFLL e débitos de IRPJ merecem ser homologadas, pois efetuadas dentro do prazo consagrado judicialmente de "cinco mais cinco" (cinco anos do fato gerador + cinco anos da homologação). Importante salientar que a não homologação das compensações havia sido cientificada à recorrente através do Termo de Intimação N° 00005377. (fls. 32), contra o qual foi apresentada, em 14/09/2004, a “manifestação de inconformidade" prevista no § 9° do art. 74, da L. 9.430/96. Fl. 213DF CARF MF 8 Incompreensível, por isso além de supérfluo e extemporâneo, o pronunciamento da DRFB/Pelotas a fls. 141/143: se a não homologação já havia sido comunicada ao contribuinte e tinha sido alvo de manifestação de inconformidade, o que cabia era o julgamento (pela autoridade competente) da inconformidade e não, novo pronunciamento sobre a não homologação. Até mesmo porque de há muito transcorrido o prazo previsto no § 4°, do art. 150, do CTN. Se for emprestada alguma validade ao referido despacho (como o fez a decisão recorrida, nos dois primeiros parágrafos do "voto" de fls. 159 v°), não pode deixar de ser reconhecida a decadência do direito fazendário de rever, em 2009, compensações informadas em DCTF's apresentadas no ano de 2000. O único efeito que se pode atribuir ao despacho em comento foi o de explicitar o real motivo da não homologação das compensações: o transcurso de mais de 5 anos entre o surgimento do crédito e a sua utilização pelo contribuinte. Motivo, aliás, ressaltado na decisão recorrida, a fls. 160 (“O cerne do litígio a ser analisado no presente processo recai sobre o transcorrimento (sic) do prazo decadencial (ou prescricional, como entendem vários estudiosos”). Por isso também inaceitável a alusão constante do “voto” recorrido, no sentido de que se vencida a questão do prazo a interessada não teria melhor sorte por falta de comprovação do direito pleiteado. Ora, a recorrente não apresentou a "documentação comprobatória do direito pleiteado” porque esse aspecto, como demonstrado, não era objeto da discussão encontrandose fora dos lindes do litígio, fixados, desde a lavratura do Termo de Intimação n° 0005377, totalmente, em torno do “prazo decadencial de restituição/compensação." Não havia, assim, razão para o contribuinte ultrapassar esses limites, juntando comprovantes dos recolhimentos indevidos e demais documentos comprobatórios do seu direito à repetição do indébito. Agora, entretanto, diante da menção na decisão recorrida à falta de comprovação do direito pleiteado, apresentase, em anexo, a documentação pertinente: DARF's comprobatórios dos recolhimentos que geraram o crédito; planilhas que quantificaram e atualizaram o valor a compensar bem como cópia do contrato social vigente na época dos recolhimentos indevidos a fim de comprovar que não havia distribuição automática dos lucros. Por último mas não menos importante, cabe lembrar que as compensações de que se trata foram efetuadas antes que transcorressem 5 anos contados da publicação, em 19/11/96, da Resolução n° 82/96 (que suspendeu a eficácia do art. 35, da L. 7.713/88). Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11040.500462/200595 Acórdão n.º 1002000.683 S1C0T2 Fl. 180 9 A esse propósito, invocase o acórdão 103 23503, recurso 156395, da 3° Câmara do 1° CC Rel. Alexandre Barbosa Jaguaribe DOU 03.09.2008 p. 32: "O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. (...) se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada medida provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida." É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Da aplicação da Lei Complementar 118/2005 Quanto ao mérito, assiste prima facie razão ao Recorrente. Embora o Acórdão de piso adote a percepção de inaplicabilidade do lustro decenal, quando da análise da Lei Complementar 118/2005, a jurisprudência do CARF é pacífica quanto à contagem do prazo de prescrição decenal (tese do 5 + 5) àqueles casos em que a restituição é formulada antes de 09 de junho de 2005. Para tanto, cito o teor do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 9101003.453, de 06 de março de 2018, Rel. Cons. Rafael Vidal de Araújo, o qual expõe com precisão o assunto: A contribuinte suscitou divergência de interpretação da legislação tributária em relação à decisão que considerou decaído/prescrito o direito creditório por ela reivindicado em Pedido de Restituição apresentado em 01/06/2001, antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Fl. 215DF CARF MF 10 Ela busca a reforma do acórdão recorrido, para que prevaleça o entendimento de que o prazo prescricional para os pedidos de restituição/compensação formulados antes do advento da LC n° 118/05 é de 10 (dez) anos, e não de 5 (cinco) anos, como entendeu o acórdão recorrido. O direito creditório pleiteado no referido Pedido de Restituição (fl. 01) corresponde a saldo de CSLL recolhida a maior no ano calendário de 1995. Esse pedido de restituição estava acompanhado de um Pedido de Compensação (fl. 02). Entretanto, em momento posterior, a contribuinte apresentou petição solicitando o cancelamento desse pedido de compensação (fls. 67/68), de modo que o crédito ficasse disponível para oportunamente ser utilizado. A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas cinge se à questão do prazo para os contribuintes pleitearem restituição de direito creditório. Não deixo de perceber que a contribuinte registra seu inconformismo com o acórdão recorrido, tratandoo também como uma questão preliminar de seu recurso especial. Contudo, as questões por ela suscitadas, atinentes ao art. 62A do antigo RICARF e à Súmula CARF n° 91, configuram o próprio mérito do recurso especial, e é nessa seara que elas devem ser examinadas. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621 Rio Grande do Sul, Relatora Exma. Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.269.570 Minas Gerais, Relator Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Tese dos 5 + 5. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11040.500462/200595 Acórdão n.º 1002000.683 S1C0T2 Fl. 181 11 SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 217DF CARF MF 12 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Segue a ementa do mencionado acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi prolatado após a decisão do STF: DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11040.500462/200595 Acórdão n.º 1002000.683 S1C0T2 Fl. 182 13 homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento acima foi inclusive sumulado por este Tribunal Administrativo conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como a reivindicação do direito creditório ocorreu em 01/06/2001, antes portanto de 09/06/2005, a contribuinte se enquadrava na sistemática do prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou a maior. Nessa data de 01/06/2001, ela poderia reivindicar indébitos relacionados a fatos geradores ocorridos até 01/06/1991, que não haveria decadência/prescrição do direito creditório. No caso, o direito creditório reivindicado é proveniente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1995 (fato gerador ocorrido em 31/12/1995), e, assim, ele não estava atingido pela decadência/prescrição na data de apresentação do pedido de restituição (em 01/06/2001). Particularmente no caso em tela, rememoro que a Compensação foi veiculada direto por DCTF em 2000 (época em que ainda não existia o formulário de PER/DCOMP eletrônico), tal como era a praxe de outrora. Nessa trilha, ao se avaliar a composição do crédito, ainda que sob uma vertente intelectiva tendo o início do lustro o período anterior à veiculação do pedido compensatório, não seria viável afastar a análise do pleito do Recorrente, eis que são oriundos de 1991 e 1992 (portanto, dentro de 10 anos). Em outras palavras, seja qual for a contagem de prazo escolhida para o caso, essa respeitaria o prazo decenal. Outrossim, avaliar a eventual liquidez e certeza do crédito tributário significaria recair ao Contribuinte a supressão de instância, o que implicaria em direta mácula ao PAF, especialmente no que cinge ao art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Nessa ocasião, em situações semelhantes à esta dos presentes autos, a 2ª Turma Extraordinária tem reiteradamente opinado pelo retorno do processo à instância de origem, para que se avalie o acervo documental, e posteriormente opine acerca do adimplemento aos ditames do art. 170 do CTN, vejase: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/1999 Fl. 219DF CARF MF 14 PRAZO PRESCRICIONAL NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL E EFEITO VINCULANTE EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. As decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, conforme reza o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão (Acórdão n° 1002000.531, Rel. Cons. Aílton Neves da Silva, sessão de 05 de dezembro de 2018) Dispositivo Diante do exposto voto para dar provimento parcial Recurso Voluntário, afastando a preliminar da prescrição e determinando que os autos voltem a Unidade de jurisdição do contribuinte para apreciar o mérito do pedido de restituição. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900211/2008-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/05/2001
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
A apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior.
.A falta de análise dos documentos juntados na Manifestação de Inconformidade afronta os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/05/2001 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. A apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. .A falta de análise dos documentos juntados na Manifestação de Inconformidade afronta os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. A apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. .A falta de análise dos documentos juntados na Manifestação de Inconformidade afronta os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 02 11 /2 00 8- 33 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10860.900211/200833 Acórdão n.º 3002000.705 S3C0T2 Fl. 117 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP (fl. 02/10), transmitido em 17/03/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do IPI efetuado de forma indevida. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 11), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 30/04/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 13), na qual informou reafirmou ser detentora do crédito e apresentou cópias da DCTF retificadora, do DARF e de parte do Livro de Apuração do IPI. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 17/03/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10860.900211/200833 Acórdão n.º 3002000.705 S3C0T2 Fl. 118 3 como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 61/75), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, tecendo, em linhas gerais, os seguintes argumentos a seu favor: preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido e, no mérito, repisou a alegação de possuir o crédito pleiteado e de ter cometido um erro de fato no preenchimento da DCTF original. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade do Acórdão recorrido De início, cumprenos analisar o argumento apresentado pela contribuinte no sentido de que o Acórdão recorrido teria incorrido em nulidade por ter deixado de analisar os documentos juntados em sua peça recursal, os quais comprovariam o crédito pleiteado. Com efeito, da confrontação do teor da Manifestação de Inconformidade com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que a primeira instância não analisou os documentos juntados pela contribuinte, sob o fundamento que a DCTF retificadora foi transmitida posteriormente a prolação do Despacho Decisório e, portanto, não produziria efeitos, pois a contribuinte não gozava mais de espontaneidade. Transcrevese, como exemplo, o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão recorrido: "A DCTF retificadora não produz efeitos quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme prevê Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10860.900211/200833 Acórdão n.º 3002000.705 S3C0T2 Fl. 119 4 o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007. Assim, quando da transmissão e da análise do PERD/COMP em tela, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela contribuinte." (grifo nosso) De fato, quanto à exclusão da espontaneidade da contribuinte a partir da ciência do Despacho Decisório, assiste razão à Delegacia de Julgamento. Entretanto, quanto à existência do crédito, o mesmo já não ocorre. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito pleiteado. Para tanto, fazse necessário a apresentação de documentos contábeis e fiscais, que possam comprovar a liquidez e certeza desse suposto crédito. No caso dos autos, percebese que a contribuinte juntou documentos a sua Manifestação de Inconformidade que, em tese, poderiam comprovar o crédito pleiteado. Contudo, tais documentos não foram analisados pela primeira instância e procedendo dessa maneira, não há como negar que houve afronta aos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório. Por outro lado, a matéria que não foi objeto de exame pela Delegacia de Julgamento não pode ser apreciada por esta Turma, sob pena de incorrer em vedada supressão de instância. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720855/2014-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
Cofins. Redução do Passivo sem Contrapartida do Ativo. Aumento do Patrimônio Líquido. Natureza de Receita.
A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
PIS. Redução do Passivo sem Contrapartida do Ativo. Aumento do Patrimônio Líquido. Natureza de Receita.
A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
Recurso Especial de Divergência. Similitude Fática. Aspectos Relevantes. Caracterização
Demonstrado que há similaridade fática entre os litígios enfrentados pelos acórdãos recorrido e paradigmas acerca de aspectos fáticos e jurídicos que, por si só, seriam suficientes para, em tese, rever o julgado recorrido, não há fundamento para que se negue seguimento ao recurso especial de divergência em razão de pretensa dessemelhança.
Numero da decisão: 9303-008.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à omissão de receitas, ao perdão de dívida, às exigências reflexas, à contribuição ao PIS e Cofins, ao perdão de dívida e quanto à incidência do PIS e da Cofins Não-Cumulativa e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 Cofins. Redução do Passivo sem Contrapartida do Ativo. Aumento do Patrimônio Líquido. Natureza de Receita. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 PIS. Redução do Passivo sem Contrapartida do Ativo. Aumento do Patrimônio Líquido. Natureza de Receita. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 Recurso Especial de Divergência. Similitude Fática. Aspectos Relevantes. Caracterização Demonstrado que há similaridade fática entre os litígios enfrentados pelos acórdãos recorrido e paradigmas acerca de aspectos fáticos e jurídicos que, por si só, seriam suficientes para, em tese, rever o julgado recorrido, não há fundamento para que se negue seguimento ao recurso especial de divergência em razão de pretensa dessemelhança.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à omissão de receitas, ao perdão de dívida, às exigências reflexas, à contribuição ao PIS e Cofins, ao perdão de dívida e quanto à incidência do PIS e da Cofins Não-Cumulativa e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 PIS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. ASPECTOS RELEVANTES. CARACTERIZAÇÃO Demonstrado que há similaridade fática entre os litígios enfrentados pelos acórdãos recorrido e paradigmas acerca de aspectos fáticos e jurídicos que, por si só, seriam suficientes para, em tese, rever o julgado recorrido, não há fundamento para que se negue seguimento ao recurso especial de divergência em razão de pretensa dessemelhança. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 55 /2 01 4- 11 Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à omissão de receitas, ao perdão de dívida, às exigências reflexas, à contribuição ao PIS e Cofins, ao perdão de dívida e quanto à incidência do PIS e da Cofins NãoCumulativa e, no mérito, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3402004.002, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento integral ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 DAÇÃO EM PAGAMENTO. CESSÃO DE CRÉDITO. EFICÁCIA. O efeito que a dação em pagamento produz é a extinção do crédito, qualquer que seja o valor da coisa dada em substituição. Juridicamente, não importa Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 4 3 que valha mais ou menos de que a quantia devida ou a coisa que deveria ser entregue, pois a sua eficácia liberatória é plena. RECEITA BRUTA. CONCEITO CONTÁBIL E JURÍDICO. REDUÇÃO DE PASSIVO. O conceito contábil de receita, para fins de demonstração de resultados, não se confunde com o conceito jurídico, para fins de apuração das contribuições sociais. Na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. A mera redução de passivo, conquanto seja relevante para apuração de variação do patrimônio líquido, não se caracteriza como receita tributável pelo PIS e Cofins, por não se tratar de ingresso financeiro.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão e que é de competência da 1ª Seção processar e julgar recursos que versem sobre lançamento de PIS e Cofins, quando reflexos do IRPJ, e formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Em Despacho às fls. 2414 a 2417, os embargos foram rejeitados, considerando: “[...] Os embargos opostos pela Fazenda Nacional, não obstante tempestivos, são manifestamente improcedentes, eis não houve a alegada omissão no acórdão recorrido, primeiramente, porque não se trata de matéria alegada pela recorrente no recurso voluntário (fls. 2258/2280), nem tampouco pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões (fls. 2337/2349). Inclusive, por ocasião de sua impugnação, a contribuinte já tinha se manifestado no sentido de não havia relação de prejudicialidade entre os processos de PIS/Cofins e de IRPJ/CSLL, conforme trecho abaixo transcrito, o que não foi contestado pelo julgador da DRJCuritiba, que efetuou seu julgamento (Acórdão 0653.929 3ª Turma da DRJ/CTA, de 27/01/2016), de forma completamente independente do outro julgamento da DRJBrasília no Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 5 4 âmbito do IRPJ/CSLL (Acórdão 0363.870 2ª Turma da DRJ/BSB, de 29/09/2014): (...) NÃO há qualquer questão jurídica prejudicial entre os processos administrativos fiscais n°s 10882.721304/201493 (IRPJ e CSLL) e 16327.720855/201411 (PIS e COFINS), tendo em vista que: (i) a cobrança de supostos débitos de IRPJ e CSLL no processo administrativo fiscal n° 10882.721304/201493 decorre de divergências entre a Requerente e a D. Fiscalização com relação ao tratamento fiscal dispensado à baixa do ATIVO "conta 1225101010002 Aporte para Recomposição Patrimonial" no contexto da alienação do investimento mantido pela Requerenteno Panamericano, e está relacionada à possibilidade de exclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; e (ii) a cobrança de supostos débitos de PIS e COFINS no presente processo decorre de divergências entre a Requerente e a D. Fiscalização com relação ao tratamento fiscal dispensado à baixa do PASSIVO "conta 3510909010017 Receitas Eventuais – Operação PAN" no contexto da dação em pagamento descrita no Contrato de Pagamento, e está relacionada à não sujeição desses valores à incidência do PIS e da COFINS à alíquota de 9,25% como pretende a D. Fiscalização. (...) As exigências de PIS/Pasep e Cofins do presente processo não são reflexas do lançamento de IRPJ e de CSLL no processo nº 10882.721304/201493, eis que não objeto de uma mesma ação fiscal, não obstante a ação fiscal do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 08113002014 00246, que originou o presente auto de infração, seja um desdobramento da outra ação fiscal de MPFF nº nº 0811300201200195, que resultou nos lançamentos de IRPJ e de CSLL. Ademais, no auto de infração do presente processo, o fato tributável pelo PIS/Cofins foi o perdão parcial de dívida entre a contribuinte e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no montante de R$ 3,35 bilhões, considerado como um auferimento de receita no período de apuração de janeiro de 2011 (extinção parcial de um passivo sem o desaparecimento concomitante de um Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 6 5 ativo de valor igual ou maior), enquanto que, no processo nº 10882.721304/201493, as exigências de IRPJ e de CSLL foram motivadas por outros fatos, nos seguintes termos: (...) Tratase de autos de infração em face da pessoa jurídica SILVIO SANTOS PARTICIPAÇÕES S/A, referentes aos anos de 2009 a 2011, para a exigência de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 2.005.502.879,39, em razão de a Fiscalização ter apurado as seguintes irregularidades fiscais na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro: (1) IRPJ/CSLL falta de adição de deságios obtidos na aquisição de investimentos, em razão da sua liquidação, no montante de R$ 42.026.591,26 (Ano de 2011); (2) IRPJ/CSLL dedução indevida de baixa de ativo denominado "Aporte para Recomposição Patrimonial", no montante de R$ 3.427.428.400,00, contabilizada como despesa (Ano de 2011); (3) CSLL falta de adição das baixas das diferenças de correção monetária IPC/BTNF registradas em contas de investimento, nos montantes de R$ 7.194.130,40 (Ano de 2010) e R$ 2.609.946,82 (em 2011); (4) CSLL falta de adição da provisão com acréscimos moratórios de tributos sub judice, nos montantes de R$ 852.743,31 (Ano de 2009), e R$ 221.985,54 (Ano de 2010); e (5) Multa Isolada em face das infrações apuradas, foi efetuado o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (...) Conforme determina o art. 65, §3º do Regimento Interno do CARF, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, o Presidente "não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas". Assim, proponho a rejeição em caráter definitivo dos embargos opostos pela Fazenda Nacional em face da sua alegação de omissão ser manifestamente improcedente. [...]” Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 7 6 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Em relação aos fatos: ü Tratase de lançamento de Cofins e de PIS/PASEP, inclusive multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de adição, à base de cálculo dessas contribuições, da receita auferida com a remissão de dívidas; ü O contribuinte, holding do Grupo Sílvio Santos GSS, detinha, em 31.12.10, a participação acionária de 37,27% do capital social do Banco Panamericano BP; 99,51% do capital social da BF Utilidades Domésticas Ltda; e 61,88 % do capital social da Panamericano Administradora; ü Em 31.1.11, a SSP possuía dívidas com o Fundo Garantidor de Crédito FGC, no valor total de R$ 3.800.000.000,00, as quais foram contraídas com o objetivo de sanear e reestruturar o Banco Panamericano S/A, devido à descoberta de inconsistências contábeis apuradas pelo Banco Central do Brasil – Bacen, no ano de 2010; ü Esse passivo é resultante da contratação de duas dívidas: a primeira no valor de R$ 2,5 bilhões e a segunda no valor de R$ 1,3 bilhão. Quanto à primeira, ela foi contraída mediante a emissão privada de 250 mil debêntures da SSP, tendo o FGC subscrito a totalidade dessa emissão, na qualidade de investidor exclusivo; ü Quanto à segunda, ela foi contraída por meio de um contrato de mútuo, assinado em 31.1.11, entre a SSP (devedora) e o FGC (credor); ü Na mesma data (31.1.11), a SSP e a BF Utilidades Domésticas Ltda. (sua controlada) efetuaram a venda do controle acionário do Banco Panamericano ao Banco BTG Pactual S/A, pelo valor total de R$ 450.000.000,00, pagos com créditos a receber nos valores de R$ 446 milhões e de R$ 4 milhões (SSP e BF, respectivamente), exigíveis no dia 28.7.28, corrigidos por 110% Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 8 7 da Taxa DI, ou índice que vier substituíla, ou o valor de R$ 3,8 bilhões, sem correção monetária, dos dois o menor; ü Nessa mesma data, 31.1.11, a SSP e a BF Utilidades Domésticas Ltda. celebraram o “Instrumento Particular de Dação em Pagamento” com o FGC, por meio do qual esse último aceitou o crédito no valor de R$ 450 milhões como dação em pagamento pela dívida de R$ 3,8 bilhões; ü Em decorrência dessa operação (dação em pagamento), as contas passivas que registravam as debêntures e o mútuo, bem como a conta ativa relativa ao crédito com o Banco BTG, foram baixadas, tendo sido apurado uma receita no valor de R$ 3,35 bilhões; ü A autuada não recolheu o PIS e a Cofins incidente sobre essa receita, sob a justificativa de que o resultado gerado com a operação de dação em pagamento para quitação da dívida contraída pela SSP com o FGC não estaria sujeito aos referidos tributos; ü A fiscalização, porém, efetuou o lançamento, sustentando que a receita apontada deve ser tratada como uma remissão de dívida (perdão), devendo incidir sobre ela tanto o PIS como a Cofins; ü Cientificado do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, que foi rejeitada pela DRJ sob o fundamento de que “A base de cálculo da contribuição não cumulativa para o PIS é o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, observadas apenas as exclusões expressamente previstas na legislação, devendo ser considerada como tributável a receita decorrente da remissão do capital de dívidas.”; ü O Colegiado a quo entendeu que a mera redução de passivo, conquanto seja relevante para apuração de variação do patrimônio líquido, não se caracteriza como recita tributável pelo PIS e Cofins, por não se tratar de ingresso financeiro. · Em Preliminar – Nulidade – competência – questão de ordem pública, a Fazenda suscitou em sede de Embargos omissão quanto ao disposto no Fl. 2708DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 9 8 art. 2º, inciso IV, do Anexo II, do RICARF, alegando que há determinação expressa que compete à 1ª Seção processar e julgar recursos que versem sobre lançamento de PIS e Cofins, quando reflexos do IRPJ, e formalizados com base nos mesmos elementos de prova; · A presente autuação é reflexo do lançamento de IRPJ e CSLL – Processo 10882.721304/201493 e decorre dos mesmos fatos, conforme, aliás, encontrase consignado no Termo de Verificação Fiscal; · Quanto à omissão de receitas, a legislação tributária prescreve a incidência do PIS e da Cofins sobre a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas independentemente da atividade desenvolvida e da classificação contábil adotada; · A receita decorrente de remissão de dívida não se encontra dentre as não tributáveis o que seria cabível somente a partir de uma norma tributária isentiva como as receitas financeiras (excetos os juros sobre o capital próprio) que têm as alíquotas reduzidas a zero por conta do Decreto nº 5.442/05. Ou, ainda, as receitas de exportação de mercadorias e demais receitas elencadas no art. 5º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º da Lei nº 10.833/03 que não sofrem a incidência do Pis/Pasep e da Cofins; · O valor contabilizado como despesa, em decorrência de algum evento pretérito, deve ser contabilizado como receita, quando o motivo que levou à contabilização assim realizada deixa de existir. É o caso de perdão de dívida, cujo lançamento contábil deve ser realizado mediante crédito em conta de receita operacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A dação em pagamento e perdão de dívidas são institutos jurídicos diferentes, com efeitos jurídicos diversos, motivo pelo qual a operação ocorrida em 31.1.2011, entre o sujeito passivo e o Fundo Garantidor, não consubstancia “perdão de dívida” passível de tributação pelo PIS e pela Cofins, especialmente quando se considera que o Fundo Garantidor outorgou quitação em vista de pagamento Fl. 2709DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 10 9 com ativo que vale substancialmente mais que o registrado nos livros em razão da convenção contábil; · Quanto à preliminar de incompetência suscitada pela Fazenda, o caso do IRPJ e da CSLL trata da possibilidade de deduzir a perda de um crédito financeiro (decorrente de “aporte em conta de sócio”) detido em face do Panamericano, enquanto o presente caso trata da quitação de débitos em face do Fundo Garantidor por meio de “dação em pagamento” do crédito BTG; · O recurso não deve ser conhecido, pois não há como se comprovar a divergência considerando os acórdãos indicados como paradigmas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso não merece ser conhecido, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. Importante recordar que a Fazenda Nacional traz em sede preliminar nulidade do acórdão recorrido, alegando que compete à 1ª Seção processar e julgar recursos que versem sobre lançamento de PIS e Cofins, quando reflexos do IRPJ, nos termos do art. 2º, inciso IV da Portaria MF 152/16. Para tanto, traz a Fazenda Nacional que a presente autuação é reflexo do lançamento de IRPJ e CSLL – Processo nº 10882.721304/201493 – e decorre dos mesmos fatos. Em relação à essa questão, importante trazer que: Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 11 10 · Tal incompetência da 3ª Seção alegada pela Fazenda Nacional não foi suscitada pela Fazenda em contrarrazões ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo; · E o contribuinte, inclusive na impugnação, já havia manifestado que não havia prejudicialidade entre os processos de PIS/Cofins e de IRPJ/CSLL, não tendo sido contestado pelos julgadores da DRJ – Curitiba, que julgaram o processo de forma independente de outro julgamento da DRJ Brasília (IRPJ/CSLL), inclusive trazendo no acórdão (Destaques meus): “[...]NÃO há qualquer questão jurídica prejudicial entre os processos administrativos fiscais n°s 10882.721304/201493 (IRPJ e CSLL) e 16327.720855/201411 (PIS e COFINS), tendo em vista que: (i) a cobrança de supostos débitos de IRPJ e CSLL no processo administrativo fiscal n° 10882.721304/201493 decorre de divergências entre a Requerente e a D. Fiscalização com relação ao tratamento fiscal dispensado à baixa do ATIVO "conta 1225101010002 Aporte para Recomposição Patrimonial" no contexto da alienação do investimento mantido pela Requerente no Panamericano, e está relacionada à possibilidade de exclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; e (ii) a cobrança de supostos débitos de PIS e COFINS no presente processo decorre de divergências entre a Requerente e a D. Fiscalização com relação ao tratamento fiscal dispensado à baixa do PASSIVO "conta 3510909010017 Receitas Eventuais – Operação PAN" no contexto da dação em pagamento descrita no Contrato de Pagamento, e está relacionada à não sujeição desses valores à incidência do PIS e da COFINS à alíquota de 9,25% como pretende a D. Fiscalização. [...] Analisando os autos do processo, concordo com o exame dessa preliminar feita pela DRJ e, por último pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula – o Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 12 11 que, peço licença para transcrever parte constante do Despacho de admissibilidade dos embargos (Grifos meus): “[...] As exigências de PIS/Pasep e Cofins do presente processo não são reflexas do lançamento de IRPJ e de CSLL no processo nº 10882.721304/201493, eis que não objeto de uma mesma ação fiscal, não obstante a ação fiscal do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 0811300201400246, que originou o presente auto de infração, seja um desdobramento da outra ação fiscal de MPFF nº nº 0811300201200195, que resultou nos lançamentos de IRPJ e de CSLL. Ademais, no auto de infração do presente processo, o fato tributável pelo PIS/Cofins foi o perdão parcial de dívida entre a contribuinte e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no montante de R$ 3,35 bilhões, considerado como um auferimento de receita no período de apuração de janeiro de 2011 (extinção parcial de um passivo sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior), enquanto que, no processo nº 10882.721304/201493, as exigências de IRPJ e de CSLL foram motivadas por outros fatos, nos seguintes termos: (...) Tratase de autos de infração em face da pessoa jurídica SILVIO SANTOS PARTICIPAÇÕES S/A, referentes aos anos de 2009 a 2011, para a exigência de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 2.005.502.879,39, em razão de a Fiscalização ter apurado as seguintes irregularidades fiscais na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro: (1) IRPJ/CSLL falta de adição de deságios obtidos na aquisição de investimentos, em razão da sua liquidação, no montante de R$ 42.026.591,26 (Ano de 2011); (2) IRPJ/CSLL dedução indevida de baixa de ativo denominado "Aporte para Recomposição Patrimonial", no montante de R$ 3.427.428.400,00, contabilizada como despesa Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 13 12 (Ano de 2011); (3) CSLL falta de adição das baixas das diferenças de correção monetária IPC/BTNF registradas em contas de investimento, nos montantes de R$ 7.194.130,40 (Ano de 2010) e R$ 2.609.946,82 (em 2011); (4) CSLL falta de adição da provisão com acréscimos moratórios de tributos sub judice, nos montantes de R$ 852.743,31 (Ano de 2009), e R$ 221.985,54 (Ano de 2010); e (5) Multa Isolada em face das infrações apuradas, foi efetuado o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (...) Vêse que se tratam de fatos e matérias diferentes, eis que: · No presente caso, estaremos discutindo se na dação em pagamento há que se falar em “remissão de dívida”/perdão de dívida e, por conseguinte, destrinchar o conceito de receita – para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins e a baixa de passivo; · Enquanto, no processo que trata de IRPJ e CSLL, a discussão se resumiu na dedução indevida da baixa de ativo, baixa de diferença de correção monetária e falta de provisão com encargos, tal como se observa pela ementa do acórdão 1401002.099: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADES. FALTA DE INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não incorre nulidade por falta de indicação da infração ou de fundamentação quando a descrição da autuação aponta todos os elementos em que se baseia e os fundamentos jurídicos que indicam os atos contestados. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. ADIÇÃO AO LALUR NA LIQUIDAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 14 13 Não sendo comprovada a adição dos deságios obtidos na aquisição de investimentos quando de sua liquidação. Mantémse o lançamento de adição na apuração do lucro real. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDA EM BAIXA DE APORTE DE CAPITAL. PROCEDÊNCIA. Os valores entregues à empresa controlada para saneamento de patrimônio líquido negativo não podem ser considerados dedutíveis quando de sua baixa como perda, por se configurar operação de aporte de capital em controlada e não restar caracterizado o cumprimento de determinação legal do órgão regulador. BAIXA DE DIFERENÇAS IPC x BTNF DE 1990. FALTA DE ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA. Não sendo comprovada a adição das diferenças de IPX x BTNF de 1990 na base de cálculo da CSLL, mantémse o lançamento de adição na apuração desta mesma base. PROVISÃO DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE TRIBUTOS SUB JUDICE. FALTA DE ADIÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA. Não são dedutíveis as provisões de acréscimos moratórios relativos a tributos sub judice, enquanto mantida esta condição. Valores das provisões devem ser adicionados de ofício à base de cálculo da CSLL quando não comprovada a adição pelo contribuinte. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Tratandose a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa de penalidade sobre o mesmo objeto de falta de recolhimento do IRPJ e CSLL anual. A penalidade maior, de ofício, absorve a menor até o montante do seu valor. Incidência do Princípio da Consunção. No caso comprovandose a absorção Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 15 14 total da multa isolada pela multa de ofício aplicada, improcede a aplicação da multa isolada.” Sendo assim, vêse claro que se tratam de fatos e lides diferentes tratados em processos diversos – o que, por conseguinte, é de se afastar a alegação de incompetência da 3ª Seção nesse caso. É de se recordar ainda que não se tratam de mesmos elementos de provas, vez que, como esclarecido pela DRJ, tratamse de “ações” fiscais diferentes, ainda que um MPF tenha se originado de outro. Ademais, é de se trazer que o paradigma indicado não serve para comprovar a divergência jurisprudencial, eis que: · O acórdão 9303001.488 trouxe que a competência para julgar matéria relativa à contribuição reflexa do IRPJ era do 1º Conselho de Contribuintes, pois para se definir qual a alíquota de PIS seria a correta, caberia ao 1º Conselho de Contribuintes definir se a “Elo Assessoria e Corretora de Seguros Ltda” seria “agente autônomo de seguros privados” ou “corretor de seguros”; · Tanto é assim, que a 1ª Seção, no processo de nº 10830.004083/2001 86, definiu que não se aplicava às corretoras de seguros a alíquota majorada da CSLL de que trata o art. 22, § 1º, da Lei 8.212/91: “[...] CSLL – INEXISTÊNCIA DE COINCIDÊNCIA CONCEITUAL ENTRE OS TERMOS “AGENTE AUTONÔMO DE SEGUROS PROVADOS” E “CORRETOR DE SEGUROS” – ART. 22, § 10, DA LEI Nº 8.212/91 – ALÍQUOTA MAJO9RADA – NÃO APLICAÇÃO ÀS CORRETORAS DE SEGURO – Não há coincidência conceitual entre os termos “agente autônomo de seguros privados” e “corretor de seguros”, não se aplicando às corretoras de seguros a alíquota majorada de que trata o art. 22, § 1º, da Lei 8.212/91. Não haveria como o 2º Conselho efetivamente julgar qual a alíquota de PIS seria aplicável ao caso em questão, pois se no processo que a 1ª Seção estivesse Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 16 15 julgando fosse definido que a pessoa jurídica deveria observar a alíquota majorada de CSLL aplicável às pessoas referidas no art. 22, § 1º, da Lei 8.212/91, nos termos do art. 8º da Lei 10.637/02 e art. 8º da Lei 10.833/03, essa pessoa jurídica não deveria observar a sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins (com alíquotas menores). E se a 1º Seção julgasse de forma a afastar para a pessoa jurídica a regra aplicável às pessoas referidas no art. 22, § 1º, da Lei 8.212/91 para a CSLL, essa deveria, por consequência, observar a sistemática não cumulativa das contribuições – com alíquotas maiores. Sendo assim, vêse claro que no acórdão indicado como paradigma, os julgadores deveriam realmente alegar a incompetência do 2º Conselho com direcionamento da apreciação da matéria para o 1º Conselho de Contribuintes, pois efetivamente a decisão tomada para a CSLL iria se refletir para a definição das alíquotas corretas de PIS e Cofins. Diferentemente do presente caso, em que o julgado em um processo não interfere no outro. Sendo assim, por considerar imprestável o aresto indicado como paradigma para ressurgir com a alegação de incompetência da 3º Seção de Julgamento, pois se tratam de fatos diversos, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nessa parte. Quanto ao mérito trazido em Recurso Especial, importante trazer que a Fazenda Nacional traz como paradigma o acórdão 1101001.115, que contém a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERDAS PATRIMONIAIS NÃO DEDUTÍVEIS. DOAÇÃO DE ATIVO. LIBERALIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A cessão a terceiros de direitos e obrigações resultantes de contrato de concessão de exploração de petróleo é ato bilateral e não pode ser caracterizado como doação. Ausente prova que sustente a conclusão de que a contribuinte poderia ter negociado o direito cedido por um valor positivo, sua baixa contra resultado deve ser admitida como perda de capital. OMISSÃO DE RECEITAS. PERDÃO DE DÍVIDA. Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 17 16 A baixa de obrigação para com os sócios, se não convertida em capital social, também caracteriza perdão de dívida, representando acréscimo ao Patrimônio Líquido da devedora que deve ter como contrapartida o resultado do período de apuração. BAIXA DE OBRIGAÇÕES EM CONTRAPARTIDA A DESPESAS PRÉOPERACIONAIS. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. O resultado decorrente do perdão de dívida é anulado na parte correspondente a perdas decorrentes da baixa de despesas pré operacionais por ocasião do encerramento das atividades da pessoa jurídica e da cessão dos contratos de exploração dos ensejaram aqueles gastos. EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Somente as receitas nãooperacionais decorrentes da venda de ativo imobilizado estão excluídas da base imponível das contribuições apuradas na sistemática não cumulativa. Todavia, no período em que a exigência foi formulada na sistemática cumulativa, a declaração de inconstitucionalidade do fundamento legal do lançamento permite que os órgãos administrativos de julgamento cancelem a exigência. CRÉDITOS ESCRITURADOS. BAIXA POR NÃO UTILIZAÇÃO. Se a autoridade fiscal não logra desconstituir os créditos que, apurados na sistemática não cumulativa, foram escriturados pelo sujeito passivo e baixados em razão, apenas, do encerramento de suas atividades, deve ser revertida a baixa destes valores contra o resultado e admitida sua utilização para redução dos créditos tributários apurados. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário.” Nesse caso do aresto paradigma, vêse que em nenhum momento houve a discussão sobre o instrumento jurídico “dação em pagamento”, o que, por conseguinte, nem se chegou a cogitar em equiparação de dação em pagamento com perdão de dívida. Inclusive, foi acordado que a operação se caracterizou como ato unilateral de transferência de patrimônio e renda de credor estrangeiro, em favor da empresa nacional, que não se confunde Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 18 17 com aumento de capital e se sujeita à incidência de IRPJ, CSLL e PIS e Cofins, observando, inclusive, que a jurisprudência administrativa tem equiparado tais operações a doação entre pessoas jurídicas. No presente caso, diferentemente do acórdão paradigma, não se trata de ato unilateral, vez que houve efetivamente um instrumento formal de dação em pagamento, onde as partes se manifestam por receber prestação diversa da que lhe é devida e determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes devem ser reguladas pelas normas do contrato, conforme reza os arts. 356 a 359 do CC/02. Ademais, inclusive, foi afastada a caracterização de “perdão de dívida”, vez que, independentemente de o valor de face, o valor real do título correspondia efetivamente ao crédito da SSP para o FGC. É de se recordar também os fundamentos utilizados no aresto recorrido para se afastar a tributação pelo PIS e Cofins o valor objeto do auto de infração: · A cessão do crédito a receber da SSP para o FGC corresponde juridicamente, a uma operação de dação em pagamento, tendo eficácia liberatória plena; · A “receita eventual” apurada no confronto entre o ativo cedido e o passivo baixado não corresponde ao conceito de receita tributável do PIS e Cofins, por não se tratar de ingresso financeiro, e por não decorrer das atividades econômicas da empresa; · A “receita eventual” decorre, em rigor, de uma disparidade entre o valor do registro contábil, que adotou o valor de face do título, e o valor real do mesmo, e não de um “perdão de dívida”, como sustentado pela fiscalização. Sendo assim, resta claro que o acórdão 1101001.115 não traz os mesmos fatos tratados no aresto recorrido, além de não ter rebatido todos os fundamentos considerados no r. aresto, tampouco tratando de “dação em pagamento”. E se considerassem que o acórdão indicado como paradigma atacou um dos fundamentos – “perdão de dívidas” dos sócios estrangeiros, ainda assim não seria possível conhecêlo, pois o fundamento suficiente para a manutenção do acórdão não foi atacado –que seria o instrumento jurídico dação em pagamento. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 19 18 Frisese esse entendimento os acórdãos emitidos por esse Colegiado: · Acórdão 9303007.540: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/01/2005 a 31/05/2008 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigma são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.” · Acórdão 9303007.047: “RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS DIVERGENTES. Não deve ter seguimento o recurso especial que não ataca os fundamentos da decisão recorrida.” · Acórdão 9303005.111: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/09/2001 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. Não deve ter seguimento o recurso especial que ataca apenas um dos fundamentos da decisão recorrida, quando o outro é suficiente para manutenção do acórdão.” Quanto ao outro acórdão indicado como paradigma – o de nº 3201002.117, que traz em sua ementa: “Exercício: 2002 PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O perdão de dívida importa para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizandose como receita operacional, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo.” Vêse que não há como se conhecer pelos mesmos fundamentos já trazidos para o 1º acórdão indicado como paradigma. Nesse caso, o que se discute é efetivamente um Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 20 19 perdão de dívida contraída com sua matriz e com outras subsidiárias do mesmo grupo estabelecidos no exterior. Não há a discussão da dação em pagamento e tampouco do valor real e de face do título objeto do crédito. Como se sabe, juridicamente e contabilmente, a dação em pagamento deve observar outros procedimentos, não aqueles observados no perdão de dívidas, pois não possui a mesma natureza jurídica e contábil dessa última. Ora, na dação em pagamento, nos termos do art. 356 do CC/02, o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. Enquanto, no perdão de dívida, o próprio nome já conceitua, não há consenso de prestação diversa, mas efetivo perdão da obrigação sem contrapartida de outra parte. Ora, a dação em pagamento é um acordo convencionado entre credor e devedor para extinção de um crédito através de prestação diversa. Não há ingresso novo ou percepção de receita. Enquanto, no perdão de dívida não há que se falar em convenção de prestação diversa. No presente caso, não há perdão de dívida!!! Mas sim pura operação de dação em pagamento. Tanto é assim, que foi afastado pelo colegiado a quo qualquer equiparação de dação em pagamento a perdão de dívida, restando impossível se conhecer de recurso que somente indiquem como paradigma arestos que tratem de perdão de dívida. E esses paradigmas indicados nem tratam de dação em pagamento, evento objeto dos presentes autos. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por ausência de similitude fática e por não haver a discussão principal – que se traduz na discussão jurídica da dação em pagamento. Considerando que fui vencida em relação ao conhecimento relacionado ao mérito, passo a discorrer sobre ele. Para tanto, proveitoso trazer parte do voto vencedor proferido pelo ilustre Conselheiro Carlos Augusto Daniel na parte que interessa e que concorda essa Conselheira. Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 21 20 Mas, peço licença ainda para transcrever os fatos lá descritos, para melhor elucidar o meu entendimento: “[...] 2. Em síntese, os fatos são os seguintes: 3. A Silvio Santos Participações S.A. (SSP) é uma sociedade holding que detém participações societárias em diversas pessoas jurídicas que fazem parte do Grupo Silvio Santos. Em relação ao presente caso, convém ressaltar que a SSP detinha participação societária no Banco Panamericano (PANAMERICANO). 4. Ao final de 2010, o Banco Central do Brasil (BACEN) apurou irregularidades na contabilidade do Panamericano, ao verificar o descumprimento do Patrimônio de Referência Exigido, cuja observância é indispensável ao funcionamento deste tipo de instituição, conforme as disposições da Basiléia II e da regulação prudencial do Bacen. 5. Diante disso, o Bacen determinou, através do Termo de Comparecimento DESUP/GTSP42010/0003, de 04/11/2010, que a SSP: i) aportasse recursos no Panamericano, visando recompor o Patrimônio Líquido daquela instituição ao montante exigido; e, ato contínuo, ii) alienasse a participação societária detida pela SSP, no Panamericano; sob pena de liquidação extrajudicial ex officio, nos termos do artigo 15, I da Lei nº 6.024/1974. 6. Em razão disso, o SSP tomou recursos junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de R$ 3.800.000.000,00 (três bilhões e oitocentos milhões), para aporte no Panamericano, concretizadas da seguinte forma: i) “Instrumento Particular de Assunção Recíproca de Obrigações” (Acordo), de 5 de novembro de 2010; ii) “Instrumento Particular de Escritura da 1ª Emissão Privada de Debêntures da Sílvio Santos Participações S.A.” (Escritura), de 5 de novembro de 2010 e o iii) “Contrato de Mútuo” (Mútuo), de 31 de janeiro de 2011. 7. Após a regularização da situação patrimonial do Panamericano, o controle acionário foi vendido ao Banco BTG Pactual (BTG) por meio do “Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças” (Contrato), celebrado no dia 31 de janeiro de 2011. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 22 21 Através do contrato, a SSP e a BF Utilidades Domésticas Ltda (BF) tinham um crédito a receber descrito na forma do item 1.4 do contrato: 1.4. As Partes, de comum acordo, atribuem, nesta data, como contrapartida à aquisição das Ações, o menor dos seguintes valores: (i) R$ 450.000.000,00 (quatrocentos e cinquenta milhões de reais) corrigido, a partir da Data de Fechamento até da Data de Pagamento (conforme abaixo definida), por 110% da Taxa DI, o qual poderá ser pago, a critério único e exclusivo da Compradora, a partir da Data de Fechamento até 31 de julho de 2028; OU (ii) R$3.800.000.000,00 (três bilhões e oitocentos milhões de reais), o qual somente será exigível em 31 de julho de 2028, não sofrendo qualquer tipo de correção, remuneração ou atualização até a referida data (o menor destes dois valores, doravante denominado o “Preço”). A data em que a Compradora realizar o pagamento do Preço será doravante como “Data de Pagamento”. 8. O crédito total de R$ 450 milhões foi contabilizado na SSP que, por sua vez, ficou devedora da BF, em relação aos R$ 4 milhões, registrandoo como Crédito a Receber do BTG, no valor nominal do título. 9. Em seguida, a SSP e o FGC celebraram um Instrumento Particular de Dação em Pagamento ("Contrato de Pagamento") para ajustar termos e condições do pagamento das obrigações financeiras contratadas junto ao FGC. Conforme a avença, a SSP cedeu o Crédito a Receber do BTG ao FGC, para quitar as obrigações no valor de R$ 3,8 bilhões de reais. 10. Em contrapartida, o FGC outorgou quitação à SSP, o que levou à baixa do passivo existente e o registro, na contabilidade da SSP, de um valor de R$ 3,35 bilhões, referente à diferença entre o valor total das obrigações financeiras e o valor de face do crédito BTG. As debêntures emitidas pela SSP e subscritas integralmente pelo FGC foram canceladas e todas as garantias prestadas pela SSP, pelas demais sociedades controladas por ela e pelo acionista controlador, Senor Abravanel, foram liberadas e extintas pelo FGC. 11. A Receita Federal entendeu, com fundamento na Resolução CFC nº 750/1993 que a extinção de um passivo sem o desaparecimento concomitante Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 23 22 de um ativo de valor igual ou maior corresponderia a perdão de dívida, constituindo receita para a SSP, passível de incidência de PIS e Cofins. 12. É esta a síntese do presente caso. 13. O primeiro ponto a ser enfrentado diz respeito à consideração do valor escriturado pela contabilidade da SSP relativo ao crédito a receber do BTG, registrado no valor de R$ 450 milhões e utilizado, como objeto de dação em pagamento, para arcar com o passivo existente junto ao FGC. 14. Em primeiro lugar, verificase do dispositivo contratual citado no parágrafo 7 deste voto que o contrato consubstancia um crédito que apto a ser realizado imediatamente, na modalidade "i" de adimplemento, ou apenas após 31/07/2028 para a modalidade "ii", devendo ser atendido o menor valor: (i) R$ 450.000.000,00 (quatrocentos e cinquenta milhões de reais) corrigido, a partir da Data de Fechamento até da Data de Pagamento (conforme abaixo definida), por 110% da Taxa DI, o qual poderá ser pago, a critério único e exclusivo da Compradora, a partir da Data de Fechamento até 31 de julho de 2028; OU (ii) R$3.800.000.000,00 (três bilhões e oitocentos milhões de reais), o qual somente será exigível em 31 de julho de 2028, não sofrendo qualquer tipo de correção, remuneração ou atualização até a referida data 15. Como é sabido, os direitos de uma companhia que, em uma determinada fase do ciclo operacional, ainda não foram realizados financeiramente, isto é, substituídos por dinheiro, devem ser computados no balanço pelo valor de realização. Assim sendo, tal crédito, na condição de ativo circulante da SSP, deveria ser avaliado nos termos do artigo 183, I, "b" da Lei nº 6.404/76: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: I as aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos, classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo: (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 24 23 a) pelo seu valor justo, quando se tratar de aplicações destinadas à negociação ou disponíveis para venda; e (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os direitos e títulos de crédito; (Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007) 16. Como ensina o Professor Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei as Sociedades Anônimas, 3º Volume. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 821822), a Lei nº 11.638/2007 alterou o inciso I do artigo citado acima, passando a adotar uma concepção mais ampla do conceito de instrumentos financeiros, determinando a sua avaliação de forma coerente com os princípios da contabilidade internacionalmente aceitos, e reconhecendo a separação de duas categorias: 16.1. Aqueles destinados à negociação ou disponíveis para venda, para os quais determina a avaliação pelo seu "valor de mercado", como critério precípuo de avaliação; e 16.2. As demais aplicações, direitos e títulos de crédito, para os quais mantém a exigência de avaliação pelo custo de aquisição ou pelo valor de emissão, ajustando de acordo com as disposições legais e contratuais e pelas eventuais perdas em comparação com o valor provável de realização. 17. Salienta também o citado professor que a Lei nº 11.638/2007 não chegou a definir o que seria um "instrumento financeiro", manejando o termo em seu sentido contábil refletido no Pronunciamento Técnico CPC 39: [...] 18. Não resta dúvidas, para nós, que o crédito a receber do BTG corresponde a um ativo financeiro de imediatamente disponível para utilização por parte da SSP, razão pela qual o seu registro e avaliação deverá se dar, nos termos do artigo 183, I, "b" da Lei das S/A, pela adoção do chamado custo de aquisição. Tal parâmetro de preço é justificado pelos seguintes motivos, explicados por Alfredo Lamy e Bulhões Pedreira (Direito das Companhias, V. II. Rio de Janeiro: Forense, 2009, p.1596): a) os bens realizáveis destinamse a ser convertidos em dinheiro e não devem ser Fl. 2724DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 25 24 avaliados por valor superior ao de mercado na data do balanço porque esse é o limite de realização do capital neles aplicado; b) se o valor de mercado na data do balanço é superior ao custo de aquisição, o bem deve continuar avaliado pelo custo porque a diferença é lucro potencial, que somente deverá ser reconhecido nas contas de resultado quando realizado; c) se o valor de mercado na data do balanço é inferior ao custo de aquisição, a sociedade empresária sofreu perda potencial que deve de acordo com o princípio de conservadorismo ser reconhecida independentemente de realização. 18.1. A única hipótese de reavaliação do ativo, prevista no próprio art. 183, I, "b" da Lei das S/A é a hipótese da realização do crédito gerar valor menor que o custo de aquisição, o que implicaria no provisionamento do prejuízo. 18.2. Isso implica em dizer que a SSP agiu corretamente em registrar no seu ativo o valor de face do crédito, visto que não há como determinar o valor de realização, especialmente ante a possibilidade da liquidação antecipada do crédito na forma do item "i" da cláusula 1.4 do contrato entre a SSP e a BTG. 19. Além disso, cabe ponderar também a necessidade de observância da Resolução CFC nº 1.282/2010, cujo artigo 10 trata do chamado princípio da prudência ou princípio da cautela, que determina, em condições de incerteza, que os ativos e receitas não sejam superestimados e os passivos e despesas não sejam subestimados. Segundo ele, devese adotar o menor valor para os componentes do Ativo e o maior para os do Passivo, sempre que estejam presentes alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. 20. Fica claro, no presente caso, que o crédito a receber da BTG possui, como menor valor possível, o montante nominal de R$ 450 milhões, que seria devido na hipótese de "Data de Fechamento" e "Data de Pagamento" coincidirem. Há, no caso, a necessidade de reconhecimento da receita, pela definitividade do ingresso, ao passo que há a incerteza quanto ao valor real da receita a ser reconhecida, em razão da impossibilidade de determinar com precisão o valor final. Diante disso, o valor a ser escriturado é o valor de face, como o fez a SSP. Fl. 2725DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 26 25 21. Essa digressão contábil é relevante por um importante motivo: 21.1. Por um lado, verificase a nível de evidência que se trata de um crédito de valor muito superior ao seu valor de face bastaria uma pequena simulação em uma calculadora financeira para verificar que o ajuste do valor inicial (R$ 450 milhões) pela CDI, por alguns anos, bastaria para ultrapassar o montante de R$ 3,8 bilhões, implicando na aplicação do menor valor em relação às duas possibilidades de liquidação do crédito. 21.2. Por outro lado, a contabilidade determina que se registre esse ativo com o menor valor possível, preservando, nesse caso, o seu custo de aquisição. 22. A relevância de tal ponto se dá em razão da Receita Federal ter construído toda a sua argumentação sobre a consideração de que a "receita contábil" surgida da transferência do Crédito a receber do BTG e sucessiva quitação do passivo perante o FGC corresponderia: i) a perdão de dívida; e ii) a receita tributável pelo PIS e pela Cofins. [...] 24. Da mesma forma, o conceito de "dação em pagamento", "cessão de crédito" e "perdão de dívida" são conceitos jurídicos do Direito Privado, onde possuem um sentido técnico específico [...] 26. Passase, pois, a enfrentar especificamente os argumentos da autuação. I) O conceito de receita tributável pelo PIS e pela Cofins [...] 32. Tal redação do dispositivo, como explica o Professor Marco Aurélio Greco, tem o condão de desatrelar da contabilidade o conceito de receita gerando dois efeitos opostos, mas complementares: de um lado, se contabilmente algo não está registrado como receita, mas tem essa natureza, as contribuições devem incidir; de outro lado, se algo está registrado contabilmente como receita, mas não tem essa natureza, não há incidência das contribuições. Outro não foi o entendimento do Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, sujeito à sistemática de repercussão geral: [...] Fl. 2726DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 27 26 37. Não se está diante, no presente caso, de receita bruta decorrente da venda de bens e serviços, caracterizado pela legislação de regência como o conjunto de fatos aptos a configurar a incidência do PIS e da Cofins. É preciso mais do que simples "ganho" para que se configura receita tributável, como também consignou o STF, no mesmo REx 606.107/RS: Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (grifo nosso) 38. No caso em tela, resta claro que o perdão de dívida considerando aqui o fundamento da fiscalização nunca poderia ser tratado como receita para fins de tributação (apenas para fins de demonstração de resultado da empresa), por não configurar ingresso. Ele não se integra ao patrimônio de forma inaugural não há aquisição de disponibilidade nova, mas apenas eliminação de um comprometimento patrimonial existente. [...] 41. Frisese, todavia, que se está enfrentando aqui a impossibilidade da receita decorrente de perdão de dívida compor a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas para enfrentar o argumento da autuação em suas próprias bases, pois logo em seguida será demonstrado extensivamente que a operação de dação em pagamento do crédito a receber do BTG, entre a SSP e o FGC, não configura, de forma alguma, perdão de dívida. II) Da Dação em Pagamento 42. Outro ponto de sustentação da autuação e da decisão da DRJ se funda no argumento de que teria havido um "perdão de dívida" na operação, sob argumento de que o FGC teria recebido, como condição da quitação do passivo existente na SSP, um crédito com valor de face menor do que o crédito que possui perante o devedor. 43. Todavia, é preciso observar que a operação, no caso, envolveu uma dação em pagamento, regulada nos artigos 356 a 359 do Código Civil: CAPÍTULO V Da Dação em Pagamento Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 28 27 Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regularseão pelas normas do contrato de compra e venda. Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência importará em cessão. Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecerseá a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. 44. A dação em pagamento possui como elemento básico a alteração do objeto do contrato, mantendose o liame obrigacional, através da substituição da coisa que deveria ser prestada ou entregue por outra aliud pro alio. Como pontua Orlando Gomes, o credor não é obrigado a receber coisa diversa da que constitui objeto da prestação devida, mas a partir de sua aquiescência no recebimento de outro bem ou prestação, não há que se distinguir a dação em pagamento de qualquer outro meio normal de cumprimento da prestação (Obrigações, 17ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p.145). 45. Mais ainda, uma vez concordando com a dação em pagamento, a operação tem pleno efeito liberatório daí a importância do consentimento, em vista de se tratar de uma operação de caráter não compulsório para ser tomada como válida. Desse modo, não há que se confundir confusão esta presente no argumento fiscal entre modos de extinção da obrigação e o dimensionamento da dívida. Orlando Gomes novamente esclarece a esse respeito: O efeito que a dação em pagamento produz é a extinção do crédito, qualquer que seja o valor da coisa dada em substituição. Não importa que valha mais ou menos de que a quantia devida ou a coisa que deveria ser entregue. Se valer menos, o credor não poderá exigir a diferença. Se valer mais, o devedor não terá o direito de exigir a restituição do excedente. Mas, se o crédito for inexistente, impõemse a devolução da coisa entregue ou do seu valor. (Obrigações, 17ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p.146). Fl. 2728DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 29 28 46. O regime civil dos efeitos da dação em pagamento implica na imediata extinção da obrigação (PONTES DE MIRANDA. Tratado de Direito Privado, v. 25, §3000, nº4, p.6) e, em se tratando de dação de título de crédito, aplicase o disposto nos artigos 286 a299 do Código Civil, relativos à cessão de crédito. 47. Conforme definido por Antunes Varela, "A cessão de crédito consiste, precisamente, no contrato pelo qual o credor de determinada prestação transmite a terceiro, independentemente do consentimento do devedor, a totalidade ou parte do seu crédito" (Direito das Obrigações, v.2. Rio de Janeiro: Forense, 1978, p.308). Tal negócio jurídico tem a finalidade de transmitir um crédito preexistente a terceiro, que não participou da relação jurídica originária no caso em tela, a SSP pretendeu transmitir ao FGC crédito decorrente de negócio assumido junto ao BTG. 48. A distinção principal da cessão de crédito clássica daquela prevista como espécie de dação em pagamento no art. 358 do Código Civil diz respeito à eficácia liberatória que terá em relação a uma obrigação assumida entre o cessionário e o cedente do crédito, a revelia do devedor do crédito cedido. 49. É preciso frisar, mais uma vez, que a natureza consensual da dação em pagamento é o que lhe garante a eficácia liberatória independente do valor da dívida e do bem ou serviço aceito como contraprestação por exemplo, seria possível que um devedor de uma dívida de R$ 100 mil reais oferecesse como pagamento um imóvel do valor de R$ 150 mil, sem que sequer se pudesse cogitar do surgimento de uma inversão nas posições originais, passando o credor a ser devedor da diferença de R$ 50 mil. 50. A dação em pagamento não exige uma preciso quid pro quo de valores para ter sua eficácia liberatória. 51. Esse parece ter sido exatamente o erro no argumento da autuação fiscal, ao interpretar o oferecimento de um crédito de R$ 450 milhões como pagamento de uma dívida de R$ 3.8 bilhões como uma dação em pagamento de parcela numericamente equivalente da dívida original, seguida de uma remissão do valor de R$ 3.35 bilhões. Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 30 29 51.1. Como foi dito, a dação em pagamento não exige, para sua realização, que o valor do bem dado seja equivalente ao valor da dívida existente o que é corroborado pela eficácia liberatória plena, sem que eventuais excessos ou déficits de valores gerem novas relações de crédito. Assim, cabe um último esclarecimento. 51.2. A fiscalização considerou o valor registrado contabilmente no cruzamento com o valor do passivo baixado após a quitação dada pelo FGC, que resultou na receita eventual de R$ 3.35 bilhões. Todavia, é preciso retomar o que foi dito sobre o regime contábil de registro de receitas, que segue regras específicas que determinaram que lá fosse colocado o valor de face do título. 51.3. Entretanto, não é preciso entrar em minúcias econômicas para perceber que o crédito em questão possui um valor real, isto é, o valor de realização dele, muito maior do que os R$ 450 milhões que constam como valor nominal, na "Data de Fechamento". Não é a toa que, quando o crédito for realizado, cabe à SSP retificar o valor do ativo cedido na sua contabilidade, para adequálo ao valor da realização da qual gozou o FGC. 51.4. Isso quer dizer que se na data X o crédito foi realizado no valor de, por exemplo, R$ 2.5 bilhões, o montante da receita eventual da SSP deveria ser retificado, à partir da retificação do valor do ativo para o montante realizado. Da mesma forma, se na data Y o crédito for realizado por R$ 3.8 bilhões (conforme a regra "ii"), se verifica que o montante de "receita eventual" deveria ser retificado para zero. 51.5. Imaginem, dentro do exemplo do parágrafo anterior, que essa realização se deu apenas em 2025, e que o PIS/Cofins sobre a receita eventual apurada do confronto entre o passivo e o valor de face do crédito já fora cobrado em 2017. Estaríamos na canhestra situação de vultosas contribuições cobradas sobre uma receita que simplesmente desapareceu após a realização do crédito cedido, e sem qualquer possibilidade da SSP pedir restituição ou compensação do tributo pago indevidamente, em razão da decadência. 51.6. O exemplo deixa claro que se trata de uma receita meramente contábil, mas que não consubstancia ingresso financeiro, e está sujeita Fl. 2730DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 31 30 inclusive a desaparecer quando da realização do crédito cedido, ocasião em que a SSP poderia corrigir o valor do ativo cedido. 51.7. Resta claro, assim, que a divergência entre o valor de face do crédito e o passivo da SSP existe apenas em razão das regras vigentes de contabilidade, visto que o valor real daquele é muito superior ao tomado como referência pela fiscalização. 52. Tratase de um equívoco que contraria a lógica dos institutos do Direito Civil, cuja observância na seara tributária deve ser respeitada por força dos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 53. Assim, é juridicamente impossível que após uma dação em pagamento tomada com efeito liberatório total da obrigação original exista algo a ser remido, perdoado, pois a dívida já foi inteiramente extinta. 54. Diferentemente do sustentado pela Ilustre Conselheira relatora, não se trata de caso de aplicação da Solução de Consulta nº 306 SRRF/ 9ª RF/Disit, haja vista que não há descontos financeiros, o que há, efetivamente, é o encerramento do vínculo obrigacional entre o FGC e a SSP, em razão do efeito liberatório da dação em pagamento. Não há necessidade do bom entrega na dação em pagamento tenha exatamente o valor do crédito que se pretende extinguir, tampouco procede a afirmação de que em caso de diferença a menor ou a maior se possa falar em surgimento de uma nova relação creditícia, relativa a essa diferença. [...] 55.3. Não restam dúvidas de que a dação em pagamento nada mais é do que modalidade satisfatória direta, pois se trata, ao fim e ao cabo, de Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 32 31 simples modalidade de pagamento, como reconhecido de forma ampla pela doutrina civilista. 55.4. Muito longe disso, a remissão ou perdão de dívida implica em um ato unilateral do credor, com vistas à extinção do crédito, através da renúncia expressa do seu direito. Ao se verificar o recebimento de um crédito, já resta absolutamente claro que o FGC não praticou remissão, mas sim recebeu um direito de crédito perante terceiro como pagamento pela dívida assumida, como de resto já foi abordado anteriormente. 55.5. Portanto, tratase de rotunda impropriedade técnica a qualificação da operação entre a SSP e o FGC como uma espécie de remissão ou perdão, sendo, nos termos da legislação de Direito Privado, espécie de dação em pagamento. c) Da inaplicabilidade dos precedentes citados da CSRF 56. Da mesma forma, descabe aplicar no caso os precedentes apontados da Câmara Superior de Recursos Fiscais relativos ao julgamento de IRPJ. Tratamse de materialidades tributárias absolutamente distintas: enquanto o PIS/Cofins incidem sobre receitas decorrentes da atividade de venda de bens e serviços, o IR tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica do produto do capital, do trabalho ou de ambos, bem como de proventos e quaisquer acréscimo patrimonial, nos termos do art. 43 do CTN. 57. É clara na contabilidade a diferença entre receitas propriamente ditas e simples "ganhos", da mesma forma que nem toda receita compõe renda tributável, e nem sempre a renda tributável depende de receita. 57.1. Por exemplo: a receita da venda de bens do ativo não circulante, os termos do art. 1º, §3º, VI é enquadrada como receita, mas excluída da base de cálculo do PIS/Cofins, ao passo que sequer poderia ser cogitada como materialidade da IR (salvo na realização de ganho de capital), pois não implica em acréscimo patrimonial, exigido pelo art. 43, II do CTN. 57.2. Outro exemplo seria o ajuste a valor presente de um imóvel do ativo da empresa, para fins de oferecelo como garantia em um empréstimo. Antes da Lei nº 12.973/2014, tal situação não seria enquadrada como receita, mas poderia se reconhecer acréscimo patrimonial, nos termos do Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 33 32 art. 43, II do CTN, ainda que a legislação ordinária só reconheça a realização dessa renda com a alienação do ativo (diferentemente, por exemplo, de como decidiu a Suprema Corte norte americana no caso Helvering v. Bruum, em 1940, desvinculando a realização financeira da realização econômica) 58. Estes exemplos servem para deixar claro que as hipóteses de incidência do PIS/Cofins e IRPJ são absolutamente distintas, não sendo válida a invocação de precedentes da CSRF sobre este último, para orientar quanto ao primeiro. 59. Este Colegiado já enfrentou a distinção entre receita e renda com bastante rigor técnico, na ocasião do julgamento do Acórdão 3402003.239, julgado em Agosto de 2016 e de relatoria da Conselheira Maria Aparecida, que em seu voto consignou e aderiu à posição do Professor José Antônio Minatel, citada abaixo: O ingresso financeiro é um dos atributos que permitem qualificar o conteúdo material da receita, mas nem todo ingresso tem natureza de receita. É preciso caráter de definitividade da quantia ingressada e que tenha como causa o exercício de atividade empresarial". (...) "Já afirmamos que receita pressupõe ingresso, no sentido de contraprestação em dinheiro recebida, por exemplo, pelo comerciante proveniente da venda de mercadorias, ou pela atividade desempenhada pelo prestador de serviços, assim como se qualificam no contexto de receita os juros que remuneram o capital transferido num contrato de mútuo. Nessa concepção, foram tomados sob o genérico rótulo de receita, por não ser demais repetir que tais eventos têm configuração instantânea de circulação de riqueza, aferível na contrapartida instantânea de cada negócio ou operação, portanto, prescindem de apuração de resultado mediante confronto com os custos correspondentes. O mesmo não acontece com a renda, conceito relacional, pois pressupõe avaliação técnica do efetivo resultado, num determinado período de tempo, segundo métodos e critérios predefinidos, para o que são relevantes todos os fatores interrelacionados para exteriorizálo." Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 34 33 (MINATEL, José Antonio. O Conteúdo do conceito de receita. São Paulo: MP Editora, 2005) 60. Desse modo, não restam dúvidas de que o raciocínio esgrimido nos casos de IRPJ não tem aplicabilidade no âmbito da discussão travada no presente caso. [...] e) Conclusão Podese concluir que, em síntese, que: I) A cessão do crédito a receber da SSP para o FGC corresponde, juridicamente, a uma operação de dação em pagamento, tendo eficácia liberatória plena. II) A "receita eventual" apurada no confronto entre o ativo cedido e o passivo baixado não corresponde ao conceito de receita tributável do PIS e Cofins, por não se tratar de ingresso financeiro, e por não decorrer das atividades econômicas da empresa. III) A "receita eventual" decorre, em rigor, de uma disparidade entre o valor do registro contábil, que adotou o valor de face do título, e o valor real do mesmo, e não de um "perdão de dívida", como sustentado pela fiscalização.” No caso em questão, entendo que a dação em pagamento decorrente do crédito da venda de participação para a quitação da dívida junto ao FGC, considerando o valor real, tal como exposto no Instrumento de Dação em Pagamento, não gera “ingresso novo” – tampouco acréscimo patrimonial ao contribuinte. Sendo assim, sem delongas, não é possível considerar que a diferença da dívida (EIS QUE NEM EXISTE ESSA DIFERENÇA), considerando simplesmente o valor de face do título, geraria receita tributável, pois efetivamente de receita não se trata. E o valor real do título corresponde ou mesmo poderia ser superior ao valor da dívida junto ao FGC se aplicarmos índices de atualização acumulado. Ora, a SSP vendeu a participação do Banco Panamericano ao Banco BTG, nos seguintes termos – o valor pago pela compradora observaria o menor dos seguintes valores: R$ 450 milhões corrigido até 31.7.2028 ou R$ 3,8 bi sem correção até 31.7.2028. Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 35 34 Sendo a dívida junto ao FGC correspondente ao valor de R$ 3,8 bi – qual seria a “receita” nesse caso? Nenhuma. Não há efetivamente aquisição de nova disponibilidade, mas apenas a liquidação de um comprometimento patrimonial existente. Extinção da dívida com crédito decorrente da venda de participação no banco panamericano no mesmo valor da dívida. A mera redução de passivo, conquanto seja relevante para apuração de variação do patrimônio líquido, não se caracteriza como receita tributável pelo PIS e Cofins, por não se tratar de ingresso financeiro que acresce o patrimônio. Ademais, caso esse colegiado entenda que se trata de receita, forçando o contribuinte a pagar PIS e Cofins sobre receita inexistente, por não se tratar de contrato unilateral, considerando que tal “valor” estaria vinculado com a dívida junto ao FGC, teria essa receita a natureza de receita financeira, e nunca de doação. Na doação, não há contrapartida de outra parte. Nessa linha, considerando a época dos fatos, seria passível tal “receita” de incidência de PIS e Cofins à alíquota zero, nos termos do Decreto 5.442/05. Frisese que a Receita Federal ao interpretar a natureza jurídica do “perdão de dívida”, trouxe a Solução de Consulta Cosit 4/2018, que traz que perdão de dívida deve ser classificado como receita financeira. Importante trazer que essa Solução somente tratou de “perdão de dívida”, e não “dação em pagamento”. O que, se ignorássemos a discussão da natureza da “dação em pagamento”, e configurássemos a dação como “perdão de dívida”, passando por cima da definição do próprio Código Civil, teríamos que considerar tal receita como “receita financeira”. O que, direcionaríamos para a alíquota zero do PIS e da Cofins, considerando a época dos fatos. Mas, retornando a discussão, tendo em vista se tratar de dação em pagamento, e não perdão de dívida, recordo que tal evento é decorrente de um acordo convencionado entre credor e devedor para extinção de um crédito através de prestação diversa. Não há ingresso novo ou percepção de receita, inclusive, observandose o conceito trazido pelo CPC 30 e CPC 47. Por isso, há que se afastar eventual caracterização de receita na baixa do passivo. Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 36 35 Ademais, importante trazer parte do Parecer emitido pelo ilustre Professor Marco Aurélio Greco sobre o evento (Destaques meus): “Quesito 1 e 2 Parecer do Dr. Marco Aurelio Greco... Quesito 1 O pagamento antecipado das obrigações financeiras contratadas entre a SSP e o FGC, e o respectivo registro contábil de R$ 3.35 bi realizado pela SSP em janeiro de 2011 (correspondente à diferença entre o valor total das obrigações financeiras quitadas e o valor de face do crédito BTG) teria ocasionado algum auferimento de receita pela SSP, sob a perspectiva jurídica? Não Auferimento de receita, da perspectiva jurídica, supõe o ingresso financeiro positivo de recursos novos, o que não ocorre com a redução ou quitação de uma dívida. Reduzir ou quitar não é sinônimo de auferir receita. No caso, não houve auferimento de receita, mas extinção de dívidas mediante dação em pagamento de créditos, hipótese que também não se confunde com o perdão de dívida. [...] Quesito 2 O registro contábil de R$ 3.35 bi realizado pela SSP em janeiro de 2011 configura fato gerador e, portanto, receita tributável do PIS e da Cofins? Por que? Não. O fato gerador de PIS/Cofins é determinado pela natureza jurídica do ingresso financeiro auferido (se receita ou faturamento) e não pelo registro contábil realizado pelo contribuinte.[...]" Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 37 36 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Peço vênia para discordar parcialmente da i. Relatora no que se refere à preliminar de nãoseguimento do recurso especial, pois entendo configurada a divergência interpretativa em relação às matérias denominadas “i. Omissão de Receitas. Perdão de dívida. Exigências Reflexas. Contribuição ao PIS e Cofins, demonstrada a partir do Acórdão nº 1101 001.115; e “ii. Perdão de Dívida e Incidência do PIS e da Cofins NãoCumulativa”, demonstrada a partir dos acórdãos nº 3201002.117 e 9303003.548. A meu ver, com a devida vênia, no que interessa à solução do presente litígio, há semelhança entre as circunstâncias fáticas e dessemelhança em relação à aplicação da legislação de regência. Explico: Em primeiro lugar, no que concerne aos fatos, verificase que tanto o acordão recorrido quanto os paradigmas discutiram a incidência de PIS e Cofins sobre operações que redundaram na baixa de dívidas sem a correspondente baixa do ativo. Em contraposição observase que, inegavelmente, acórdão recorrido e paradigmas adotaram premissas conceituais diversas no que concerne à caracterização das receitas sujeitas à incidência de PIS e Cofins, o que, por si só, é suficiente para demonstrar divergência na interpretação da legislação. Vale dizer: enquanto o acórdão recorrido concluiu que a redução do passivo sem uma contrapartida em igual valor, apesar do consequente aumento do patrimônio líquido, não representaria receita, os paradigmas, em sentido diverso, concluíram que o ganho auferido com tal operação, justamente o acréscimo no patrimônio líquido, enquadrase no conceito de receita para fins de incidência das contribuições debatidas. Nesse sentido, cumpre destacar que, diferentemente do acórdão recorrido, que, dentre outros fundamentos, afasta expressamente o aproveitamento dos conceitos contábeis, o paradigma nº 1101001.115, que, destaquese, manteve a fração da exigência Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 38 37 relativa à acusação de omissão de receitas sujeitas ao PIS e à Cofins, esquadrinha o conceito de receita extraído da Resolução CFC nº 750/93 – expressamente abordada no voto vencido do acórdão recorrido e da legislação que rege a cobrança das contribuições litigiosas, e conclui que a extinção parcial da dívida, sem a contrapartida do ativo, representa receita sujeita à tributação por aquelas contribuições, sem fazer qualquer ilação acerca da necessidade de que se verifique um ingresso financeiro. Confirase (destaques acrescidos): A segunda infração decorreu da baixa de dívidas contraídas junto ao sócio da autuada no exterior, em contrapartida à baixa das correspondentes despesas préoperacionais, contabilizadas no ativo diferido, resultantes de serviços adquiridos no exterior no interesse dos projetos BMES11 e BMPAMA3, e suportados diretamente pelo sócio credor, sem ingresso de recursos no país. A autoridade fiscal discordou do estorno de despesas pré operacionais e asseverou que a baixa da dívida deve ser entendida como objeto de perdão, ou seja, ato unilateral de transferência de patrimônio e renda do credor estrangeiro, em favor da empresa nacional, que não se confunde com aumento de capital, e sujeita se à incidência do IRPJ e da CSLL, bem como da Contribuição ao PIS e da COFINS. O lançamento recaiu sobre os lançamentos de liquidação de dívida em contrapartida a despesas préoperacionais, no valor total de R$ 21.859.750,25, bem como sobre os ajustes injustificados de redução do passivo no valor total de R$ 10.299.024,12, interpretados como representativos de extinção parcial da obrigação, que, sem a correspondente prova do pagamento em favor do credor, ou de outra forma regular de extinção, caracteriza perdão de dívida. (...) A Resolução CFC nº 750/93 assim dispõe acerca do regime de competência contábil: Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. [...] § 3º As receitas consideramse realizadas: [...] II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; [...] Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 39 38 Nestes termos, o perdão de dívida somente não revelaria insubsistência passiva, e por consequência receita, se o sócio estrangeiro efetivamente convertesse em aumento de capital o direito que detinha em face da autuada, à semelhança de como procedeu em relação a outros aportes promovidos. A conversão da dívida em aumento de capital representaria fato permutativo, pois a obrigação em face de terceiros seria substituída por uma obrigação da pessoa jurídica em face de seus sócios. (...) Quanto às exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS, a autoridade fiscal reproduz os seguintes fundamentos legais, que regem a incidência nãocumulativa destas contribuições: (...) O legislador, nestes termos, depois de estabelecer a incidência sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluiu deste conceito, no que aqui importa, apenas as receitas não operacionais decorrentes da venda de ativo imobilizado. As demais receitas nãooperacionais, como no caso aquela decorrente do perdão de dívida, permaneceram sujeitas à tributação. De fato, se os mencionados dispositivos legais merecessem interpretação ampliada, a Medida Provisória nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014, não precisaria ter promovido os seguintes acréscimos às exclusões relacionadas nos §§ 3º daqueles dispositivos: Ora, o votocondutor do acórdão recorrido afasta expressamente os pressupostos conceituais (antecedentes) que levaram o paradigma a concluir que, naquele processo, ocorreu uma realização de receita por força da redução do débito sem uma contrapartida do ativo. Confirase, exemplificativamente, os seguintes excertos: 29. Como se vê, cai por terra o fundamento contábil da autuação a partir do reconhecimento, pela própria contabilidade, da diversidade entre o conceito de receita para fins de demonstração de resultado e para fins de cálculo das contribuições sociais devidas tratamse de finalidades absolutamente distintas que demandam registros coerentes com seus próprios escopos. 30. Resta, ultrapassada a fronteira de um conceito contábil de receita, o enfrentamento de um conceito constitucional e legal de receita para fins de determinação da hipótese de incidência das contribuições sociais, bem como a delimitação de sua base de cálculo. 31. Em se tratando de um conceito utilizado pela Constituição Federal e com reflexos nos textos do artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determinam a incidência do PIS/Cofins não cumulativo sobre o total das receitas auferidas Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 40 39 no mês pela pessoa jurídica, "independentemente de sua denominação ou classificação contábil". 32. Tal redação do dispositivo, como explica o Professor Marco Aurélio Greco, tem o condão de desatrelar da contabilidade o conceito de receita gerando dois efeitos opostos, mas complementares: de um lado, se contabilmente algo não está registrado como receita, mas tem essa natureza, as contribuições devem incidir; de outro lado, se algo está registrado contabilmente como receita, mas não tem essa natureza, não há incidência das contribuições. Outro não foi o entendimento do Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, sujeito à sistemática de repercussão geral: (...) 38. No caso em tela, resta claro que o perdão de dívida considerando aqui o fundamento da fiscalização nunca poderia ser tratado como receita para fins de tributação (apenas para fins de demonstração de resultado da empresa), por não configurar ingresso. Ele não se integra ao patrimônio de forma inaugural não há aquisição de disponibilidade nova, mas apenas eliminação de um comprometimento patrimonial existente. 39. E mais, não se trata de uma distinção que estamos inaugurando aqui, mas sim de elemento de discrímen não apenas consagrado jurisprudencialmente como também pela própria legislação, que não se furtou, em diversas oportunidades, em deixar claro que a eliminação de um passivo, conquanto represente um ganho, não deve ingressar na base de cálculo do PIS e Cofins, como no artigo 1º, §3º, incisos V, "b", X e XII da Lei nº 10637/02: Ora, se tais premissas interpretativas, por si só, são suficientes para alterar completamente o resultado do julgamento, as circunstâncias fáticas apontadas como não uniformes, evidentemente não afastam a caracterização da divergência interpretativa. Por outro lado, ainda que houvesse dúvida acerca da caracterização do conflito de interpretações a partir daquele primeiro paradigma, a análise do paradigma de nº 3201002.117 acabaria por fulminála. Com efeito, enquanto nestes autos decidiuse que, para fins da definição do regime de incidência caberia investigar a que título ocorreu a redução do passivo, naquele paradigma, adotouse expressamente a premissa interpretativa de que essa investigação seria completamente desnecessária. Relembrese, nestes autos, partiuse do pressuposto de que a baixa das obrigações ocorreu em razão de instrumento de dação em pagamento e, consequentemente, não haveria que se falar em perdão ou remissão de dívidas, ainda que o valor entregue em dação Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 41 40 (R$ 450.000.000,00) fosse significativamente inferior ao débito “baixado” (R$ 3.800.000.000,00). Consequentemente, não haveria como se promover a tributação dessa diferença entre o valor da dívida assumida com o Fundo Garantidor de Crédito e aquele efetivamente dispendido para sua baixa. Ocorre que o paradigma de nº 3201002.117 adota expressamente como razão de decidir a interpretação no sentido de que a natureza do instrumento jurídico ou a denominação da operação que levariam à baixa do passivo sem contrapartida seriam irrelevantes para a definição do regime de tributação. Confirase (destaques acrescidos): Ora, o Decretolei nº 1.598, de 1977, referido no § 1º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, é o diploma legal que instituiu o Imposto de Renda, um dos tributos em cuja base de cálculo a própria Recorrente computou os valores da dívida que lhe fora perdoada. Ademais, apesar de ser de uma obviedade acachapante a afirmação de que o PIS não incide sobre despesas – e não é disso que se trata –, em determinadas situações, o valor contabilizado como despesa, em decorrência de algum evento pretérito, deve ser contabilizado como receita, quando o motivo que levou à contabilização assim realizada deixa de existir. É o caso de perdão de dívida, cujo lançamento contábil deve ser realizado mediante crédito em conta de receita operacional. Não se pode olvidar que o art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, estabeleceu que o faturamento mensal deve compreender o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Donde absolutamente discrepante da Lei, cuja aplicação não se pode afastar (Súmula CARF nº 2), o entendimento de que aquele termo se aplica exclusivamente à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Por fim, registrese que a forma pela qual a dívida deixou de existir não importa para o deslinde da questão. Afinal, havia uma obrigação e ela foi extinta. Poderia têlo sido, por exemplo, mediante simples pagamento; foi apenas de forma diferente. Conforme consignado no paradigma, portanto, diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, a inclusão da rubrica no conceito de receita não se dá pelos contornos da operação que a deu causa, mas pelos seus efeitos. Sendo assim, pedindo mais uma vez as vênias de estilo, dou seguimento ao recurso especial com relação às matérias “i. Omissão de Receitas. Perdão de dívida. Exigências Reflexas. Contribuição ao PIS e Cofins, demonstrada a partir do Acórdão nº 1101001.115; e Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 42 41 “ii. Perdão de Dívida e Incidência do PIS e da Cofins NãoCumulativa”, demonstrada a partir dos acórdãos nº 3201002.117 e 9303003.548. Superada parcialmente a preliminar de nãoseguimento do recurso especial, peço licença para discordar ainda do judicioso voto da relatora no que se refere ao mérito. No meu sentir, a redução de um passivo, sem a correspondente contraprestação, representa receita, mesmo que não se configure um ingresso. Para tanto, tomo emprestadas, inicialmente, as ponderações de Ricardo Mariz de Oliveira1: Tenho meditado profundamente sobre este problema e não consigo ver como sustentar que as reduções de obrigações sem pagamento não sejam receitas, porque na verdade elas reúnem todas as características pelas quais podese identificar uma receita (...) Ora, material e juridicamente, uma redução de passivo sem pagamento reúne estas qualidades para se equipar às receitas que se formam no lado ativo da demonstração gráfica do patrimônio social. Com razão, o patrimônio é um conjunto de direitos e obrigações, sendo mensurado pela soma algébrica de todos os direitos com todas as obrigações. Visto de forma contábil, e tal como descrito na Lei nº 6.404, o patrimônio reúne os direitos do lado esquerdo do balanço o ativo e as obrigações do lado direito o passivo. A diferença entre eles resultado da soma algébrica é o patrimônio líquido, que se demonstra do lado direito porque em condições normais, de uma pessoa jurídica que seja solvente, o ativo é maior do que o passivo. Ora, nesta equação, aumentase o patrimônio tanto aumentando o ativo quanto diminuindo o passivo. Por qualquer destas operações o resultado do patrimônio líquido é igual. Destarte, matemática e materialmente não há a mínima diferença entre uma e outra fonte de alteração patrimonial. E também juridicamente não há diferença entre uma e outra situação, pois se se admite que receita é um ingresso de direito novo, que contribui positivamente para a formação de um aumento patrimonial, esse direito também pode ocorrer com o passivo, isto é, com as obrigações, porque o perdão de uma dívida também incorpora um novo direito no patrimônio do até 1 "Conceito de Receita como Hipótese de Incidência das Contribuições para a Seguridade Social (para Efeitos da COFINS e da Contribuição ao PIS)", apud Marcelo Knoepfelmacher, in "O Conceito de Receita na Constituição: Método para sua Tributação Sistêmica", p. 76, obtido em http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp012102.pdf (consulta realizada em 08/03/2016 Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 43 42 então devedor, que é o direito de não mais pagar aquela dívida perdoada. Nessa mesma linha, vai a resolução CFC nº 750/1993, já transcrita anteriormente, e a Resolução CFC nº 1.374/2011, que foi tratada com maestria no voto condutor do Acórdão nº 3302005.382 (unânime) de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento: A propósito, sabese que não há, na legislação tributária, definição de receita. Assim, por ser um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), de obediência obrigatórias por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normas, a definição de receita encontrase estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/2012, que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A – Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 472, de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. (grifos não originais) Com mais detalhes, a referida definição também encontrase estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/20113, a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 44 43 redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. (...) Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. (...) Com base nos excertos transcritos, podese afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os ganhos. As receitas propriamente dita incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. (...) E uma vez definido que os referidos descontos tratase de receita, resta saber se ela integra a base da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do regime não cumulativo. No âmbito desse regime de incidência, sabese que as receitas que integram a base de cálculo das contribuições e respectivas exclusões encontramse definidas no art. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, no período da autuação, tinha o seguinte teor (dispositivo extraído da Lei 10.833/2003, que tem a mesma redação do dispositivo equivalente da Lei 10.637/2002), in verbis: Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 45 44 Trazendo essas premissas ao caso concreto, forçoso é concluir que, apesar da pretendida singularidade do negócio jurídico entabulado, é inegável que, mediante uma entrega de créditos no valor de R$ 450.000.000,00, baixouse uma dívida de R$ 3.800.000.000,00, decorrente da emissão de debêntures e de contrato de mútuo. Vale dizer, malgrado as partes denominarem a operação de dação em pagamento, há, inegavelmente, um perdão parcial dos compromissos e, como tal, um resultado positivo que se enquadra no conceito de receita já exposto acima. De qualquer forma, mesmo que não fosse possível identificar uma remissão de dívida paralela à dação em pagamento, como bem apontado pelo paradigma de nº 3201 002.117, a definição da operação seria inteiramente irrelevante para a incidência das contribuições litigiosas. Lembrar que, à época dos fatos, vigia a seguinte redação do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 que, essencialmente, era reproduzida no art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Vale dizer: a regra é a universalidade da incidência e a exceção, a exclusão. Definido que a diferença entre os valores do débito e dos títulos entregues ao FGC representa uma receita, caberia indagar se, como suscitou a recorrente, estarseia diante de receita financeira, tributada à alíquota zero, e a resposta a tal indagação é negativa. Nesse aspecto, cumpre relembrar quais seriam os ganhos enquadrados no conceito de receita financeira, observado o art. 373 do RIR aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999, vigente à época dos fatos: Subseção I Receitas e Despesas Financeiras Receitas Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 46 45 Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem Com efeito, a remissão de dívidas aqui debatida não pode ser enquadrada como juros recebidos, descontos por antecipação, lucro na operação de reporte, prêmio de resgate de títulos ou debêntures, nem muito menos rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa. Consequentemente, não se trata de receita financeira, mas outra receita operacional. É dizer, tendo em mente que, como bem pontua Carlos Maximiliano2, o Direito Excepcional dever ser interpretado de modo estrito, não se poderia incluir no conceito de receita financeira ingressos diversos dos especificados no dispositivo regulamentar. Isto posto, faço coro com o voto vencido do acórdão recorrido, pois entendo aplicáveis as conclusões da Solução de Consulta nº 306 SRRF/9ª RF/Disit, de 2007, assim ementada (destaques acrescidos): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". Dispositivos Legais: Lei nº 6.404/1976, art. 187; Lei nº 10.865/2004, art. 27, § 2º; RIR/1999, arts. 274, 373 e 374; Resolução CFC nº 750/93, art. 9º, § 3º, II;. Com essas considerações, conheço parcialmente o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, na parte conhecida, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal 2 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., pp. 183 e seguintes. Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201411 Acórdão n.º 9303008.341 CSRFT3 Fl. 47 46 Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Em que pese concordar com o excelente fundamento da Ilustre Relatora, a qual acompanhei, a presente declaração de voto tem como objetivo dirimir quaisquer dúvidas referente a um eventual conflito de interesse/ou impedimento. Com efeito, o presente processo foi distribuído para apreciação do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional sob minha relatoria, ocorre que, á época o processo estava dentro do prazo regimental (6 meses) apto para ser relatado, contudo, nos termos do art. 42, inciso II, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constatei estar impedido de atuar como Relator do caso, pelo fato do patrono (Pinheiro Neto Advogados), manter relação de eventual serviço de advocacia com o cônjuge deste Conselheiro, sendo noticiado em 01/08/2018 17 h/05 minutos, imediatamente solicitei a retirada de pauta do referido processo, sendo os autos devolvidos para Secretaria da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, para que fosse providenciado um novo sorteio. Em 15/09/2018, fui informado que o patrono ( Pinheiro Neto Advogados) e a Companhia, a qual a esposa deste Conselheiro trabalha, não pactuaram nenhum contrato de prestação de serviço, de modo que, não se configura qualquer impedimento ou conflito de interesse por este Conselheiro ter participado do presente julgamento. Portanto, não há qualquer impedimento ou conflito de interesse no presente julgado. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2747DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.910018/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/03/2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88 em seu art. 37, caput, e dispõe que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Assim a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, está subordinada aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso.
Numero da decisão: 2401-006.478
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. .
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88 em seu art. 37, caput, e dispõe que ‘’a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência’. Assim a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, está subordinada aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 00 18 /2 01 0- 75 Fl. 277DF CARF MF 2 Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Tratase de Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, por via eletrônica (fls. 45 a 50) PER/DCOMP n 01632.21122.050407.1.3.048895, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0916) relativo ao pagamento efetuado em 15/03/2006, no valor de R$ 845,22. Ato contínuo foi proferido o Despacho Decisório de fls. 02, onde o contribuinte foi cientificado, em 14/10/2010 (fls. 03), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”, tendo sido o pagamento vinculado ao débito, no mesmo valor, de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 10/03/2006). Diante desses fatos, a compensação realizada não foi homologada e o interessado foi intimado a recolher o débito indevidamente compensado. Após intimação a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando a legalidade da compensação realizada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1659.708 da 8ª Turma da DRJ/SPO, às fls. 238/242, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Inconformada, a empresa APLUB CAPITALIZAÇÃO S.A apresentou Recurso Voluntário às fls. 246/250, alegando em síntese que: a) A decisão recorrida não merece prosperar pois a Recorrente cumpriu o procedimento indicado na legislação para sanar o erro no preenchimento da DCTF, onde foi feito o pagamento à maior; b) que apresentou manifestação em 12/11/2010, onde informou que recolheu o valor a maior de R$ 5.619,96 que está incluído no DARF de R$ 89.023,38, sendo que o Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11080.910018/201075 Acórdão n.º 2401006.478 S2C4T1 Fl. 3 3 débito apurado no período era de R$ 162.713,68, porém foi informado indevidamente no preenchimento da DCTF o débito de R$ 168.333,64. Da mesma forma nos créditos vinculados ao débito linha " pagamento de DARF" deixouse de abater o valor de R$ 5.619,96, demonstrandose que havia ali um crédito, motivo pelo qual a DCTF foi retificada referente ao 1º semestre/2006, para sanar os erros contidos ; c) Não houve dolo da Recorrente, tampouco tentativa de sonegar as informações necessárias, o que ocorreu foi simplesmente a retificação de um erro, passível de ocorrer, conforme comprovam os documentos anexados. Notese que o PERD/COMP foi feita antes da retificação da DCTF; d) A falha ocorrida não foi de voluntariedade da Empresa, fato que descaracteriza qualquer infração administrativa (cita diversos excertos doutrinários a corroborar essa narrativa). A falta de consciência da suposta ilicitude esvazia qualquer chance de sancionamento, pois faltaria o elemento subjetivo básico; e) Assim, requer a reforma da decisão combatida e o provimento do recurso em tela, julgando procedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 04/05 dos autos. É o relatório Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 11/09/2014 conforme A.R às fls. 83, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/10/2014 (fl. 85/89), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. MÉRITO A Recorrente alega que a r. decisão combatida não merece prosperar pois cumpriu o procedimento indicado na legislação para sanar o erro no preenchimento da DCTF, onde foi realizado o pagamento à maior. Que não houve dolo ou sonegação de informações necessárias, o que ocorreu foi simplesmente a retificação de um erro, passível de ocorrer, conforme comprovam os documentos anexados. Que a falha ocorrida não foi de voluntariedade da Empresa, fato que descaracteriza qualquer infração administrativa e que a falta de consciência da suposta ilicitude esvazia qualquer chance de sancionamento, pois faltaria o elemento subjetivo básico. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Fl. 279DF CARF MF 4 Conforme previsão legal constante no artigo 147 do Código Tributário Nacional, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise reduzir ou excluir tributo, só é admitida mediante comprovação e antes de notificado o lançamento, hipóteses que não ocorreram no caso concreto. O § 1º do artigo 147, do CTN assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(g.n) Nessa mesma esteira de entendimento temse o artigo 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124/84, ao estabelecer que a DCTF constitui confissão de dívidas e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo que a sua retificação, no sentido de redução de tributo exige que o erro seja efetivamente comprovado, conforme o disposto no § 1º do artigo 147 do Código Tributário Nacional. No presente caso, impende ressaltar que o Recorrente alega apenas que parte do débito de IRRF declarado na DCTF sob o código 0916 era indevido juntando parte do razão analítico que supostamente estaria a comprovar o indébito, entretanto, não traz qualquer outro elemento que justifique o suposto recolhimento a maior o valor a maior de R$ 5.619,96 do que o devido, não justificando sequer a razão pela qual declarou e confessou o débito em DCTF e nem o motivo de ter sido indevidamente declarado, restringindo sua defesa ao campo das alegações genéricas. Conforme demonstrado na legislação supra, o débito confessado em DCTF só pode ser reduzido se apresentada justificativa e motivo para tanto. Em reforço, temse ainda os comandos constantes no artigo 166 do CTN, in verbis: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Assim, por se tratar de Imposto de Renda Retido na Fonte, pretensamente retido e recolhido indevidamente ou a maior, deve ainda a Recorrente, além de atender os dispositivos legais mencionados acima, deve comprovar que também atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN, para que o direito creditório lhe seja reconhecido. E, segundo estabelece o aludido art. 166, “a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Não obstante toda legislação de regência mencionada até o momento, fazse necessário ainda a observância das normas infralegais que determinam que, para que o crédito possa ser utilizado na compensação, deve a interessada (fonte pagadora) tomar as providências previstas no art. 8º, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012, a saber: Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.910018/201075 Acórdão n.º 2401006.478 S2C4T1 Fl. 4 5 Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do §1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. (grifos incluídos) Assim, com também não consta nos presentes autos quaisquer das medidas constantes na norma acima mencionada, também por estes motivos, não restou demonstrado que a Recorrente é titular do direito creditório em questão. É importante registrar que todo o procedimento legal para realizar a compensação/restituição é descrito em lei, e nenhum agente público pode decidir em desacordo com as normas positivadas para esse fim, em respeito ao princípio da legalidade, basilar na gestão da administração pública. O princípio da legalidade aparece expressamente na nossa Constituição Federal em seu art. 37, caput, que dispõe que ‘’a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência’. Significa dizer que toda a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, estão sujeitos aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. Assim, a não homologação nos presentes autos, deriva de critérios legais, positivados na norma, não podendo ser afastada ainda que a falha ocorrida não decorra da vontade da Recorrente. A falta de consciência da suposta ilicitude, não possui o condão de esvaziar o dever de aplicação da norma por parte do Fisco ou deste Colegiado. 3. CONCLUSÃO Fl. 281DF CARF MF 6 Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720104/2008-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-007.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 01 04 /2 00 8- 61 Fl. 319DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202002.646 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 13 de maio 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 190: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NÃO LOCALIZAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA ENTREGA DE UM DOS “TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL”. INTIMAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE. A intimação por edital, no processo administrativo tributário, tem caráter subsidiário e somente se legitima quando resultar improfícua uma das formas de intimação previstas no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, dentre elas a intimação por via postal, que somente se aperfeiçoa com a prova de recebimento no domicilio eleito pelo sujeito passivo. Em vista do retorno de AR negativo relativamente a intimação acerca de “Termo de Intimação Fiscal”, temse justificada a intimação do contribuinte por edital, não havendo motivo para se falar em cerceamento de defesa, ainda mais quando considerada a regular intimação acerca da autuação e apresentação de impugnação pelo autuado. Preliminar afastada. Precedentes. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10166.720104/200861 Acórdão n.º 9202007.753 CSRFT2 Fl. 3 3 Quanto ao referido recurso especial, fls. 209 a 219, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 221 a 224, para rediscutir o critério jurídico para a aplicação da multa de ofício agravada. Em seu recurso, aduz a Procuradoria da Fazenda Nacional, em síntese: a) constatase que o contribuinte foi reiteradamente intimado a apresentar documentos à fiscalização e simplesmente não atendeu aquelas intimações; b) a lei determina, expressamente, que as intimações enviadas pela autoridade fiscal devem ser atendidas. Não fixa condições outras. Apenas que o contribuinte responda às intimações, no prazo nelas fixado, sob pena de agravamento da multa de ofício a ele imputada; c) diferentemente da conclusão a que chegou a e. Câmara a quo, no sentido de que não cabe o agravamento da multa em decorrência da inobservância de intimação, constatase que a lei exige o cumprimento da intimação dentro de prazo certo; d) r. acórdão recorrido, neste ponto, pois caso o legislador pretendesse agravar a penalidade aplicada somente nas hipóteses de não atendimento à intimação, não teria elegido também como requisito, que o cumprimento do referido ato se desse de forma tempestiva. Intimada, o Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 238 e seguintes: a) em verdade, o que a Fazenda Pública almeja é a penalização do contribuinte por não ter fornecido seus extratos bancários ao fisco. Ao passo que o acórdão recorrido apenas reconheceu o direito ao silêncio do contribuinte, em observância ao princípio constitucional que veda a autoincriminação; b) este entendimento se coaduna com o princípio da ampla defesa, que deve ser garantido ao contribuinte, em toda sua extensão e cabimento; c) notese que a exigência de fornecimento de documentos para fins de fiscalização não pode suprimir o direito de permanecer silente ou inerte atribuível a todo e qualquer processado, de acordo com a Constituição; d) a 4ª Câmara já vem declarando em seus julgamentos a impossibilidade de aplicar a multa agravada, quando a própria omissão do contribuinte resulte conseqüências específicas previstas na legislação. Foi interposto Recurso Especial pelo Contribuinte, mas não foi admitido, consoante Despacho de fls. 277 a 287 mantido pela Presidente da CSRF, após agravo. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, observase que o lançamento sob análise se refere à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A matéria objeto de rediscussão, devido a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, é a possibilidade de agravamento da multa aplicada. Acerca do tema, o acórdão recorrido assim dispôs, fls. 203 e 204: Multa Agravada O recorrente insurgese quanto ao agravamento da multa de ofício de 50%, previsto no § 2º do art. 44 da Lei 9.430/96. O artigo 44 da Lei 9.430/96 prevê que os percentuais das multas a que se refere o inciso I do caput e o § 1˚ de tal artigo devem ser aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. Mesmo que o referido dispositivo preveja o agravamento da multa e o seu pressuposto fático esteja presente, entendo que a mera ausência ao atendimento das intimações, por não impedir a lavratura do auto de infração e a constituição crédito tributário, não se mostra justificativa suficiente para tal medida, tendo em vista a ausência de prejuízo ao trabalho da fiscalização. É esse, inclusive, o entendimento exarado em voto da lavra do Conselheiro Rafael Pandolfo: MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação Da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo.(CARF. Ac. 2202002.231, Rel. Rafale Pandolfo. Julg. em 19/06/2013). Nesse tocante, já entendeu este Conselho em caso análogo: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. (Grifamos)(Conselho de Contribuintes. 6a Câmara. Ac. 10617.240. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos. Julg. em 05/02/09) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10166.720104/200861 Acórdão n.º 9202007.753 CSRFT2 Fl. 4 5 Portanto, no tocante ao desagravamento da multa de ofício, entendo assistir razão ao contribuinte, merecendo ser provido o recurso voluntário neste ponto. No mesmo sentido da conclusão contida na decisão a quo, embora acrescido de alguns outros fundamentos, esse Colegiado possui entendimento pacífico sobre o tema, como esposado no Acórdão n.º 9202006.997, em sede de repetitivo, conforme abaixo transcrito: Com a interpretação finalística da norma regente do tema (art. 44, § 2º, inciso I, da Lei 9.430/96), depreendese que a possibilidade de agravamento da multa decorre da necessidade de desestimular o comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza e imperiosidade das atividades desenvolvidas pela administração tributária, em obediência ao dever de colaboração. Contudo, quando há descumprimento da intimação por parte do Contribuinte, na hipótese específica da aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, no que se refere à demonstração da origem dos depósitos bancários, tal conseqüência mostrase tão gravosa ao contribuinte que o agravamento da multa perde o sentido. Assim, a própria presunção se perfaz em instrumento hábil a desestimular a conduta do sujeito passivo de não colaborar com o fisco, transferindo para ele o ônus da prova, de modo que a omissão de rendimentos, por si só, quando não elidida, consubstanciase em exigência mais severa que o próprio agravamento. Portanto, diante de uma única conduta, ausência de atendimento à intimação fiscal para comprovação da origem dos depósitos, estariam sendo aplicadas duas penalidades: inversão do ônus da prova com a presunção legal de omissão de rendimentos e o agravamento da multa, o que seria, de fato, desarrazoado. Ao meu ver, não há hierarquia entre princípios, o princípio da legalidade deve ser ponderado com o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e, também, do interesse público, pois a União não tem interesse em invadir a esfera patrimonial do sujeito passivo, de forma desarrazoada, mas sim de arrecadar os tributos devidos e desestimular condutas contrárias ao serviço de arrecadação. Ora, se a simples presunção legal atende ao interesse da Fazenda, não há razão jurídica para a aplicação do agravamento da multa, inclusive, por inexistir prejuízo algum à fiscalização, nesse caso, já que resta afastado o ônus de demonstrar a constituição do crédito. Assim, mantenho a decisão recorrida no que se refere ao agravamento da multa sobre a autuação relativa à presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Fl. 323DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 324DF CARF MF
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