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Numero do processo: 10670.720074/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: I) Declarar a decadência até a competência 11/2005, votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Walter Murilo Melo de Andrade, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DISCUSSÃO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. PRONUNCIAMENTO DEFINITIVO DO PODER JUDICIÁRIO. Somente consideramse ocorridos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, para as verbas que estejam sobre discussão na Justiça do Trabalho, quando esta se pronunciar definitivamente sobre a lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 74 /2 01 0- 15 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: I) Declarar a decadência até a competência 11/2005, votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Walter Murilo Melo de Andrade, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.720074/201015 Acórdão n.º 2401002.739 S2C4T1 Fl. 1.368 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.299.8534, lavrado contra o sujeito passivo acima para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. O Relatório Fiscal, fls. 19/25, cita que os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os valores de horas extras, com acréscimo de 50%, para os empregados que laboravam no turno de 22 às 6h e que tiveram redução do intervalo intrajornada de 1 hora para 40 minutos no estabelecimento 22.677.520/001229 (a partir de 10/2004) e de 1 hora para 30 minutos nos demais estabelecimentos. O Fisco aferiu os valores devidos com base nas normas que regem o Direito do Trabalho, tendo apresentado memória de cálculo. Afirmase que o Sindicato dos empregados ajuizou ação trabalhista pleiteando o pagamento por alguns estabelecimentos da empresa das horas extras relativas ao intervalo intrajornada, tendo obtido acordo para parte dos empregados. A Auditoria afirma que na apuração foram incluídos apenas os segurados que não aderiram ao acordo trabalhista. Foram acostadas planilhas demonstrativas dos valores apurados para cada um dos estabelecimentos onde ocorreram os supostos fatos geradores. Informase que a multa foi aplicada considerandose as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, com observância do valor mais benéfico ao sujeito passivo, quando se comparou a totalidade das autuações lavradas na ação fiscal. Cientificada em 13/12/2010, a empresa ofertou impugnação, fls. 448/488, na qual alegou que ocorreu decadência de parte das contribuições lançadas. No mérito, contesta a incidência de contribuição sobre as diferenças de horas extras em debate, ao argumento de que se tratam de meras expectativas de direito, pois nem foram pagas pela empregadora, que as entende indevidas, nem foram objetos de condenação pela Justiça do Trabalho. Alega que os valores considerados não são remunerações pagas ou creditadas pela impugnante e nem podem ser tidas como remuneração devida, mesmo em tese. Continuando, aduz que as verbas devidas a que se refere o art. 22, I da Lei 8.212/91, são aquelas incontroversas, reconhecidas pelo próprio empregador, porém, não devidamente quitadas, ou, pelo Poder Judiciário, quando devidamente provocado. Contesta a inclusão no levantamento de empregados: a) que já nem poderiam pleitear a verba em vista do prazo prescricional previsto no art. 11 da CLT. Afirma que foram listados; Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) que aderiram a acordos na Justiça do Trabalho; e c) que ingressaram com reclamatórias trabalhistas individuais. Sustenta que o procedimento para redução intrajornada encontra amparo nas convenções coletivas de trabalhos acostadas, bem como em dispositivos da legislação laboral. Depois, aponta supostos erros cometidos pelo Fisco, quando do cálculo do valor da hora extra. Assevera que a multa lhe foi imposta em patamar mais gravoso que aquele previsto quando da ocorrência dos fatos geradores, devese, portanto, substituir a multa de ofício (75% da contribuição devida) pela multa de mora de 20%, que é atualmente prevista ou, quando muito, cabe a utilização das regras dispostas no inciso II do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente até a publicação da MP n.º 449/2008. Por fim, pede o reconhecimento parcial da decadência; cancelamento do AI ou a redução do valor da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou procedente em parte a impugnação, fls. 897/913. Não foi acolhida a decadência, por entender a DRJ que deveria ser aplicado na espécie o art. 173, I, do CTN, posto que não fora antecipado o recolhimento das contribuições decorrentes dos fatos gerados presentes no lançamento. No mérito, a DRJ entendeu que a redução do intervalo intrajornada não encontra amparo na jurisprudência dominante e que o cálculo levado a efeito pelo Fisco mereceria apenas um reparo, qual seja a exclusão dos empregados que estavam litigando individualmente na Justiça do Trabalho. A multa aplicada, segundo a DRJ, foi fixada com correção, conforme determina o Parecer PGFN/CAT n.º 433/2009. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 932/978, no qual repete os argumentos apresentados na defesa e pede: a) declaração parcial da decadência; b) reconhecimento de que as contribuições lançadas são improcedentes; e c) redução no valor da multa. É o relatório. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.720074/201015 Acórdão n.º 2401002.739 S2C4T1 Fl. 1.369 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que foram colacionados pelo sujeito passivo as guias de recolhimento do período de 01 a 11/2005 (Anexo C, fls. 528 e segs.), por esse motivo, deve ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência. Merecem, portanto, ser excluídas pela caducidade as competências até 01 a 11/2005, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 13/12/2010. Da inocorrência do fato gerador A questão principal da lide diz respeito à ocorrência do fato gerador. O Fisco justificou sua pretensão no fato do Sindicato dos empregados haver pleiteado em sede reclamatória trabalhista o pagamento de horas extras decorrentes de redução do tempo intrajornada promovida pela Autuada. Na apuração, foram excluídos os segurados que firmaram acordo judicial com o empregador para pagamento da verba, haja vista que a comprovação do recolhimento das contribuições decorrentes deveria ser efetuada perante o Juízo Trabalhista. A Recorrente alega que o fato gerador das contribuições lançadas não se configurou, posto que não houve o pagamento, o crédito, nem se comprovou a existência de dívida da empresa para com os trabalhadores, não cabendo a exigência sobre valores que se encontram em litígio na Justiça do Trabalho.. A regra de incidência das contribuições previdenciárias patronais encontrase no inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Observase que o critério temporal é o pagamento, a ocorrência do crédito ou reconhecimento de débito pela empresa, em decorrência de contraprestação pela prestação de serviço efetuada pelo segurado empregado ou trabalhador avulso. De se concluir, então, que o momento da ocorrência do fato gerador se dá quando o empregador repassa o valor correspondente à remuneração, quando credita a quantia ou quando se evidencia a ocorrência de uma dívida decorrente do serviço prestado, mediante, por exemplo, o lançamento da remuneração em folha de pagamento ou quando há condenação em sentença trabalhista irrecorrível ou acordo judicial para pagamento de verbas salariais. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.720074/201015 Acórdão n.º 2401002.739 S2C4T1 Fl. 1.370 7 No caso sob julgamento, verificase que, para os empregados que firmaram acordo judicial para pagamento das horas extras, o Fisco não lançou os pagamentos correspondentes, posto que, nos termos do inciso VIII do art. 114 da Constituição Federal, é da Justiça do Trabalho a competência para execução das contribuições previdenciárias devidas decorrentes das sentenças por ela proferidas. Vejase que, nos casos de condenação em sentença trabalhista, o fato gerador ocorre no momento em que houve a prestação do serviço, sendo esse um caso em que a hipótese de incidência resta configurada pelo reconhecimento da dívida do empregador pelo Judiciário. Feitas essas considerações, já se pode perceber que a empresa merece razão quando argumenta que o lançamento é improcedente por não ter ocorrido o fato gerador das contribuições. De fato, para os empregados que não aderiram ao acordo firmado entre empregador e Sindicato dos trabalhadores não se pode falar em atendimento ao critério temporal previsto na regra matriz de incidência, posto que a verba em questão, pelo menos no momento do lançamento, não era devida pela empresa, estando pendente de pronunciamento da Justiça Laboral. Mesmo que, posteriormente, o Judiciário viesse a se pronunciar favoravelmente a pretensão dos empregados, ainda assim não poderá o Fisco efetuar o lançamento das contribuições, uma vez que a competência para execução das mesmas é da Justiça do Trabalho. Portanto, no mérito, devo dar razão ao sujeito passivo. Conclusão Diante do exposto, voto por reconhecer a decadência para o período de 01 a 11/2005 e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10467.903205/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - VALORES RECOLHIDOS A MAIOR
Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1802-001.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 32 05 /2 00 9- 61 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.821, às fls. 26 a 31: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 02/05, por meio da qual procurou utilizar parte de pretenso crédito remanescente da PER/DCOMP Inicial de n° 32928.06525.270509.1.3.048406, que por sua vez se referia a crédito que teria origem em pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, do período de apuração de 31/12/2008, data de arrecadação 31/03/2009, sendo o “Credito Original na Data da Transmissão” declarado nesta Dcomp de fls. 02/05 no valor de R$ 170.426,00 (fl. 03), para compensar com débitos de JUN/2009, de PIS não cumulativo, código de receita 691201, no valor de R$ 15.518,28, e de Cofins – não cumulativa, código de receita 5856 01, no valor de R$ 71.437,03, sendo o “Total dos Débitos desta Dcomp” de R$ 86.955,31, conforme fls. 04 e 05. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, à fl. 06, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado na PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. Conforme se depreende das fls. 07 e 08, a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/10/2009. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 06/11/2009, conforme fl. 08, argumentando que: 3.1. “informou na DCTF de março de 2009 um débito de IRPJ (2430) no valor de R$ 666.738,34, quando na realidade era de apenas de RS 148.627,70”; 3.2. “Em 14.07.2009 apresentou a PER/DCOMP 40850.84641.140709.1.3.040558, originando o Processo nº 10467.903205/200961”, e “diante da inexistência do credito, não foi homologada a compensação”; 3.3. “Em 22.10.2009 foi feita a devida correção com apresentação da DCTF Retificadora, ficando um saldo credor de R$ 518.110,64, mais R$ 9.936,86 conforme demonstrativo COBAC anexo”; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 4 3 3.4. “Assim sendo, demonstrado e comprovado o efetivo crédito, pede que seu pedido de compensação seja reconsiderado”. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DE DCTF E/OU DIPJ APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. MOTIVO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADO EM DOCUMENTAÇÃO. A alegação de erro de preenchimento em DCTF, que tivesse resultado em recolhimentos a maior, deve vir acompanhada dos documentos comprobatórios, uma vez que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique alteração dos valores registrados em DCTF, há de se manter a decisão proferida sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas, ainda mais se a retificação da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação prevista em lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de defesa e as provas documentais devem ser apresentadas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuálas naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/01/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/02/2012, com os argumentos descritos abaixo: 1. SÍNTESE FÁTICA no mês de abril de 2009, o agora falecido contador da empresa prestou DCTF e DIPJ calculando a maior o valor a recolher para fins de ajuste do IRPJ (2430) no montante de R$ 666.738,39 e da CSLL na quantia de R$ 58.054,35. Em março de 2009, a empresa já havia recolhido os valores majorados pelo equívoco do contador; a falha foi verificada ante a análise comparativa com o Sped/Contábil. Daí, com o objetivo de corrigir esta falha, apresentou em 27/05/2009 a PER/DCOMP que deu origem a este processo indicando a existência de um saldo credor de R$ 518.110,64 do ajuste do IRPJ pago a maior, além de R$ 9.936,86 apresentados no demonstrativo COBAC, todavia não providenciou a retificação da DCTF e da DIPJ; em 21/10/2009, a Recorrente recebeu o despacho decisório que determinou a não homologação da PER/DCOMP, alegando que o pagamento fora “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte”, obrigandoa a “efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados”; em 22/10/2009, ou seja, um dia após receber o referido despacho, o contador percebeu que havia olvidado de retificar a DCTF e a DIPJ, fazendoo de imediato naquela mesma data e também no mesmo dia apresentou manifestação de inconformidade; a manifestação de inconformidade foi bastante sucinta, porém suficiente para conhecimento e provimento do mérito. Entretanto, entendeuse que as retificações teriam sido intempestivas, bem como que a empresa não havia apresentado provas de suas alegações, mais precisamente a contabilidade de 2008; 2. DA INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO ACERCA DO IRPJ OU CSLL DO ANO 2008/2009 TEMPESTIVIDADE DAS RETIFICAÇÕES DE DCTF E DIPJ a Autoridade Fiscal, baseandose no art. 147 do CTN, alega que a retificação da declaração não poderia ser efetuada, pois esta teria ocorrido após a notificação do lançamento, caracterizando a violação do § 1º deste artigo e a invalidade da mesma; mas em nenhum momento houve a notificação do lançamento referente ao IRPJ e a CSLL do ano 2008/2009, tornando infundado o uso deste argumento como negativa ao pedido de ressarcimento; o Fiscal considerou o despacho decisório como notificação de maneira inadequada, porque este apenas referese à não homologação da DCOMP e negativa da existência de crédito para pagar débitos de Confins e PIS de código e período distintos. Sendo, portanto, incabível classificálo como forma de notificação de lançamento dos créditos de IRPJ Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 6 5 e CSLL que o contribuinte alega ter em razão do pagamento a maior, pois o despacho decisório é direcionado à cobrança de Cofins e PIS, e não de IRPJ e CSLL; concluise, a partir do disposto no art. 142, 144 e 150 do CTN, e inciso II do art. 11 do Decreto n° 70.235/72, que o despacho não apresentou quaisquer dos requisitos legais para servir como notificação de obrigação correspondentes ao IRPJ ou à CSLL do ajuste de 2008, já que aquele despacho estabeleceu ao seu final apenas o prazo, o valor principal, a multa e os juros a serem pagos referentes à Confins e ao PIS, bem como a disposição legal infringida em relação a estes dois últimos tributos; o que se viu no despacho decisório e na decisão de primeira instância que o manteve foi a tentativa de aplicação do disposto no § 1º do art. 147 do CTN, quando em verdade deveria a autoridade fiscal ter aplicado de ofício o disposto no § 2º do mesmo art. 147, determinando que fossem realizadas as diligências fiscais com vistas à verificação do crédito alegado pelo Contribuinte, sobretudo por se tratar de pedido eletrônico de ressarcimento, o qual não comporta juntada de documentos e torna obrigatória a fiscalização, a teor do art. 74 e seus §§ 1º e 2º da Lei 9.430/1996; a autoridade fiscal sequer se deu ao trabalho de observar que o Sped/Contábil do ano de 2008 já informava como resultado IRPJ e CSLL com valores muito inferiores aos valores recolhidos e originalmente declarados em DCTF e DIPJ; de se indagar, caso a DCTF e a DIPJ tivessem sido retificadas antes do despacho decisório, se a autoridade fiscal teria homologado o crédito independente de qualquer fiscalização ou análise mais acurada. É óbvio que não; 3. DAS PROVAS PRÉEXISTENTES em relação à retificação da DCTF, foi exposto pela autoridade fazendária que não foi “apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique alteração dos valores registrados em DCTF” e, por isso, considerou que a retificação desta última não seria válida; esta alegação não possui fundamento, porque através do Sped Contábil (ECD Escrituração Contábil Digital) a Receita Federal tem acesso aos Livros Diários, Livros Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos, livros estes que apresentam detalhadamente todas as informações necessárias para a comprovação de qualquer movimentação financeira da empresa; pelas mesmas razões a DCTF Retificadora não pode ser considerada inválida e, conseqüentemente, as alterações nela contidas devem ser aplicadas; a Autoridade Julgadora de primeira instância também acusa a Recorrente de não ter apresentado provas na própria impugnação, fato que não procede, pois a própria declaração retificadora, tempestiva que foi, serve também como comprovação de que houve um pagamento em excesso das quantias referentes ao IRPJ e à CSLL do ano de 2008/2009; em seguida, baseandose nos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, a Autoridade Julgadora alega que além de não terem sido apresentadas provas na impugnação, não será possível fazêlo em outro momento, argumento que não se aplica ao caso, pois, como já foi dito, a Recorrente havia prestado o Sped/Contábil e apresentado a DCTF e DIPJ Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 7 6 retificadoras antes de qualquer notificação que impedisse tal procedimento, ou seja, a autoridade competente teve acesso à Escrituração Contábil Digital da Contribuinte e às declarações; há ainda a Instrução Normativa 787/08, que em seu art. 3º, § 2º, considera o Sped/Contábil como informação original, essencial e primordial em relação a todas as demais declarações, bem como, a teor das respostas contidas no sítio eletrônico da Receita Federal, a mesma IN considera como “formas alternativas de escrituração: em papel, em fichas, em microfichas ou digital. Assim, elas não podem coexistir em relação ao mesmo período. Ou seja, não podem existir, ao mesmo tempo, dois livros diários em relação ao mesmo período, sendo um digital e outro impresso. Em resumo, os livros digitais não precisam ser impressos”; quanto à possibilidade das provas serem apresentadas pela via digital, em nenhum momento este meio é impedido pelo Decreto n° 70.235/72; 4. REQUERIMENTO a Contribuinte requer a reforma da decisão de primeira instância para admitir o crédito e a compensação ou, subsidiariamente, seja reconhecida a sua nulidade, com vistas a determinar que sejam procedidas as diligências necessárias à análise do Sped/Contábil e das declarações retificadoras DCTF e DIPJ, todas já disponíveis nos sistemas da Receita Federal. Este é o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente ao ajuste anual do anocalendário de 2008. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua primeira peça de defesa, a Contribuinte informou ter declarado na DCTF um débito de IRPJ (2430) no valor de R$ 666.738,34, quando na realidade deveria ter informado R$ 148.627,70, e que retificou a DCTF para corrigir o erro. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à pretendida compensação, destacando os seguintes aspectos em sua decisão: que a DCTF retificadora foi apresentada em 22/10/2009, após a ciência do Despacho Decisório, ocorrida em 21/10/2009; que a manifestação de inconformidade está desacompanhada de provas que atestassem a pretendida redução de IRPJ para justificar crédito como origem da pretensa compensação; que não consta dos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da Contribuinte, não tendo sido apresentada documentação que comprovasse erro que desse fundamento a seu pleito; que as provas devem ser apresentadas juntamente com a defesa da Contribuinte, tendo, no caso, inclusive, já precluído o seu direito de apresentálas em outro momento, uma vez que não demonstrou a ocorrência de alguma das hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 9 8 A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. A Delegacia de Julgamento registrou que a retificação de DCTF somente ocorreu após a ciência do despacho decisório, destacando a regra contida no § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, que só admite a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para reduzir ou a excluir tributo, quando ela é realizada antes de notificado o lançamento. Mas o despacho decisório sobre a declaração de compensação não configura a notificação de lançamento prevista no referido dispositivo, relacionado à modalidade de lançamento por declaração, que em nada se confunde com a sistemática de processamento dos PER/DCOMP. Na DCOMP apresentada pela Contribuinte, as questões relativas ao IRPJ no ajuste anual de 2008 dizem respeito ao reconhecimento ou não de direito creditório (por pagamento a maior), e não à exigência deste próprio imposto, inclusive, porque ele já estaria pago. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo. O exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º do mesmo art. 147 do CTN, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma Declaração de Compensação – DCOMP (14/07/2009), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além disso, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, registrou que ocorreu erro na informação do débito do IRPJ/ajuste anual do anocalendário de 2008, e que retificou a DCTF para corrigir esse problema. Vêse que na mesma data em que foi retificada a DCTF, em 22/10/2009, a Contribuinte também retificou a DIPJ, conforme cópia da declaração juntada aos autos. A Ficha 12A da DIPJ retificadora registra que foram apurados R$ 2.405.604,70 a título de imposto e adicional; que foram recolhidos R$ 1.928.080,67 de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 10 9 estimativas mensais ao longo do ano de 2008; e que após a dedução destas estimativas, juntamente com valores de retenção na fonte e do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, foi apurado um saldo de IR a pagar, relativamente ao ajuste anual, no valor de R$ 148.627,70, e não R$ 666.738,34, como anteriormente informado. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o Despacho Decisório, ainda na fase de Auditoria Fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, embasada no fato de a Contribuinte ter retificado a DCTF somente após a ciência do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento também mencionou que ela não apresentou “qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis”, que viesse evidenciar o alegado erro no IRPJ informado inicialmente na DCTF. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Pesam também a seu favor a alegação de que a DIPJ retificadora servia como comprovação (ou pelo menos indicação) de que houve um pagamento em excesso das quantias referentes ao IRPJ, e que a autoridade competente tinha acesso ao Sped Contábil (ECD Escrituração Contábil Digital), contendo os seus Livros Diário, Livros Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903205/200961 Acórdão n.º 1802001.484 S1TE02 Fl. 11 10 A Administração Tributária não fez qualquer análise sobre estes elementos, que, ao que tudo indica, estavam à sua disposição. A decisão da Delegacia de origem ficou fortemente amparada na informação constante inicialmente na DCTF, e, como visto, este não é motivo suficiente para a negativa em relação à compensação, especialmente diante dos aspectos mencionados acima, que, em tese, poderiam caracterizar o direito creditório por recolhimento a maior. Deste modo, dou provimento parcial ao recurso para afastar o problema relativo à DCTF, devolvendo os autos à Delegacia de origem (DRF João Pessoa/PB), para que, à vista das considerações acima, ela reexamine a Declaração de Compensação. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003378/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
SERVIDORES DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
Afastada, por cláusula contratual, a aplicação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784, de 16 de fevereiro de 1950, a concessão ou não de isenção aos brasileiros contratados por organismos internacionais deve ser solucionada à luz da legislação interna. Estão isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Afastada, por cláusula contratual, a aplicação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784, de 16 de fevereiro de 1950, a concessão ou não de isenção aos brasileiros contratados por organismos internacionais deve ser solucionada à luz da legislação interna. Estão isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 33 78 /2 00 9- 72 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.003378/200972 Acórdão n.º 2801002.882 S2TE01 Fl. 144 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 26.229,46, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificada, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2007, omissão de rendimentos recebidos do exterior. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 22, que confrontando os valores declarados de rendimentos recebidos do exterior com o valor informado em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais – DERC constatouse a omissão de rendimentos no valor de R$ 60.614,59, recebidos de Organismo Internacional. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/14, acompanhada dos documentos de fls. 15/91, que foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB, por intermédio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação os rendimentos recebidos por técnicos residentes no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/01/2012 (fl. 121), o Interessado interpôs, em 15/02/2012, o recurso de fl. 122/137. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Sobre a origem da isenção de imposto de renda sobre rendimentos percebidos por funcionários pertencentes a organismos internacionais O Decreto nº 27.784/1950, que promulgou a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, trata das regras de isenção que deverão ser observadas pelos organismos internacionais, em seu artigo V, Seções 17, 18 e 19. Atentandose ao texto convencional, observase que um dos seus objetivos é estabelecer a isenção tributária sobre as remunerações daqueles que exerçam funções junto à ONU e às agências especializadas. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.003378/200972 Acórdão n.º 2801002.882 S2TE01 Fl. 145 3 A Convenção não estabelece distinção entre as categorias de funcionários como condição para o gozo ou não do direito à isenção. A isenção é inerente a todos que desempenham funções em organismo internacional, que, por força de lei, possuem tratamento privilegiado face à Convenção Internacional ratificada pelo Brasil. O Recorrente está enquadrado na categoria de funcionários de organismos internacionais que gozam da isenção prevista na alínea “b” da Seção 18 da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas. O art. 5º da Lei nº 4.506/1964 também isenta de imposto de renda os servidores de organismos internacionais, assim como o art. 22 do Decreto nº 3.000/1999. A isenção sobre remunerações auferidas em razão de trabalhos executados para organismos internacionais resta latente quando comprovado o exercício de função técnica na UNESCO, haja vista a jornada de trabalho regular e a remuneração mensal, o que caracteriza a condição de funcionário do organismo. Sobre a vigência dos tratados ou convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário A vigência dos tratados ou convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário está assegurada pelo § 2º do art. 5º da Constituição Federal. O art. 98 do CTN determina a prevalência da legislação internacional sobre a legislação interna. Não se pode admitir que os dispositivos utilizados pela Autoridade Fiscal para embasar o lançamento se sobreponham à Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada pelo Decreto Legislativo nº 4, de 13/02/1948, ratificada em 11/11/1949 e promulgada pelo Decreto nº 27.784, de 16/02/1950. Imperioso invocar também a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas, tal como a UNESCO, que foi promulgada pelo Decreto nº 52.288/1963. O Acordo Básico de Assistência Técnica, promulgado pelo Decreto nº 59.308/1966, trata igualmente os peritos, agentes e funcionários, garantindo a todos os privilégios previstos na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas, sem distinção de categorias profissionais. Os acórdãos que deram origem à Súmula CARF nº 39 são de exercícios posteriores ao do presente caso. A conduta adotada pelo Recorrente estava de acordo com o preceituado pelo Conselho de Contribuintes, que à época tinha por majoritária a posição de isento e não tributável os rendimentos recebidos na situação ora analisada. Os casos que subsidiaram a edição da Súmula CARF nº 39 se referem a contratados por organismos internacionais na modalidade produto, diferente da situação do Recorrente, que possuía vínculo permanente com a UNESCO. Sobre a jurisprudência A tese apresentada pelo Recorrente em sua impugnação e desenvolvida no presente recurso encontra guarida tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.003378/200972 Acórdão n.º 2801002.882 S2TE01 Fl. 146 4 Pedido Requer seja o recurso admitido e integralmente provido para que seja reformado o acórdão recorrido, cancelandose o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. O cerne da controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre os rendimentos de trabalho recebidos por técnicos residentes no Brasil em decorrência de contrato celebrado com a UNESCO, para o exercício de atividades no âmbito de projeto de interesse da referida Agência Internacional. Observo, de início, que a matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF nº 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Anoto, no entanto, por relevante, que a 1ª Seção do STJ, em recente julgado submetido ao rito do art. 543C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF nº 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.003378/200972 Acórdão n.º 2801002.882 S2TE01 Fl. 147 5 de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Embora a divergência de entendimentos, tenho para mim que o deslinde da presente controvérsia não depende da aplicação de nenhuma das duas orientações (Súmula CARF nº 39 e julgamento do STJ em sede de recurso repetitivo), pelas razões que serão declinadas a seguir. O exame das cláusulas insertas nos contratos celebrados pelo Recorrente e a UNESCO (fls. 25/27, 33/36 e 41/43) é suficiente, a meu ver, para afastar tanto a aplicação da Súmula CARF nº 39, quanto da tese fixada no julgamento RESP nº 1.306.393/DF. Nesse sentido, oportuna é a transcrição das cláusulas V e VI dos contratos pactuados: V. ESTATUTO DO(A) CONTRATADO(A) Este estatuto é contratual. O(A) Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade. A UNESCO eximese de qualquer responsabilidade no caso em que terceiros venham a solicitar indenização de prejuízos ocasionados pelo(a) Contratado(a) no âmbito de ações realizadas na execução do presente Contrato. VI. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO(A) CONTRATADO(A) Os direitos e obrigações do(a) Contratado(a) estão estritamente limitados aos dispositivos e às condições do presente Contrato. Assim, o(a) Contratado(a) não poderá se prevalecer de nenhum beneficio, pagamento, subsidio, indenização ou pensão por parte da UNESCO, exceção feita aos pagamentos expressamente previstos neste Contrato, 0(A) Contratado(a) não poderá se prevalecer do presente Contrato para fins de isenção de impostos que poderão incidir sobre pagamentos recebidos à titulo do mesmo. Consoante se vê, o próprio contrato afasta a aplicação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada pelo Congresso Nacional brasileiro Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.003378/200972 Acórdão n.º 2801002.882 S2TE01 Fl. 148 6 através do Decreto Legislativo 3, de 13 de fevereiro de 1948, e promulgada pelo Decreto 27.784, de 16 de fevereiro de 1950. E mais. O contratado não poderá se prevalecer do contrato para fins de isenção de impostos. Significa dizer que a questão aqui tratada deve ser solucionada não com base Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (artigos V e VI), que foi o ato que serviu de supedâneo aos acórdãos paradigmas que deram suporte à Súmula CARF nº 39 e à tese veiculada no RESP nº 1.306.393/DF, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, mas sim à luz da legislação interna. Na legislação tributária nacional, o art. 5º, II, da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, prevê que estão isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção. Diante da disposição legal citada, que é reproduzida no art. 22, II, do Decreto nº 3.000/1999, revestese de suma importância verificar se, na hipótese dos autos, o ora Recorrente possuía a qualidade de “servidor de organismo internacional” e quais são os critérios objetivos para que o agente se enquadre em tal categoria. A melhor doutrina explicita que os servidores de organismos internacionais “constituem uma categoria de agentes que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente”. Podem ser definidos como "indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio" (Mello, Celso Duvivier de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público, Renovar, 13ª edição), isto é, sua admissão é feita pela organização internacional mediante relação jurídica estatutária, e não contratual. Apontados os critérios, passo ao exame da situação fáticojurídica do prestador de serviços contratado pela UNESCO, ora Recorrente. Depreendese, dos autos, que a relação de trabalho pactuada não era permanente. Os dois contratos foram pactuados por prazos prédeterminados. Um vigorou pelo período de dez meses (fl. 26) e o outro por um período de três meses (fl. 34). Acrescento, por importante, que o Recorrente foi contratado no Brasil, não estando vinculado à UNESCO por meio de situação jurídica estatutária, a teor do que dispõe a Cláusula V do contrato celebrado (Este estatuto é contratual. O(A) Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade). Assim, forçoso concluir que o Recorrente que não faz parte do quadro efetivo da UNESCO, não se qualificando, portanto, como “servidor de organismo internacional”. De conseguinte, não faz jus à isenção sobre os rendimentos recebidos em razão do serviço prestado, devendo incidir, sobre eles, o imposto de renda. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.003378/200972 Acórdão n.º 2801002.882 S2TE01 Fl. 149 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723303/2009-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/01/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, já que o acórdão indicado como paradigma já se encontrava reformado à época da interposição do apelo
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 31/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, já que o acórdão indicado como paradigma já se encontrava reformado à época da interposição do apelo Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 33 03 /2 00 9- 77 Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 07/06/2011, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara julgou e deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, exarando o Acórdão 220201.216, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Data do fato gerador: 31/01/2005 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA “D” DO DECRETOLEI Nº. 1.510, DE 1976 DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI Nº. 7.713, DE 1988) Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do artigo 4º, “d”, do DecretoLei nº. 1.510, de 1976, subseqüente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. Recurso provido.” Em 18/08/2011, foi determinada a intimação à Fazenda Nacional que, em 22/08/2011, interpôs Recurso Especial, indicando como paradigma o Acórdão 10422.220. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 220000.877, de 1º/02/2012. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a isenção reconhecida pela Segunda Câmara foi instituída pelo Decretolei n° 1.510, de 27/12/76, e tinha por objeto, especificamente, excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o período de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações; Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.723303/200977 Acórdão n.º 9202002.396 CSRFT2 Fl. 1.205 3 entretanto, tal benefício fiscal foi revogado pelo art. 58 da Lei 7.713, de 1988, portanto, praticado o fato gerador do imposto, qual seja, auferimento de ganho de capital com a alienação de participação societária, é devido o imposto de renda incidente; a autuação, no presente caso, se deu em razão da omissão de ganho do capital obtido na alienação, realizada em 31/01/2005, de 49,9% das ações da Agripec Química e Farmacêutica S/A, empresa de cujo capital social a autuada detinha, já há mais de cinco anos, 62,19% das ações; assim, à época em que o contribuinte vendeu sua participação acionária, em janeiro de 2005, a isenção instituída pelo DecretoLei nº 1.510, de 1976, já havia sido revogada pelo art. 58 da Lei 7.713, de 1988; no que tange especificamente à revogação de uma isenção, o Código Tributário Nacional assim disciplina: “Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104”. portanto, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional ou concedida a prazo certo; dessa forma, a ressalva contida no art. 178 do CTN é inaplicável à isenção ora discutida, pois se trata de benefício fiscal concedido de forma genérica e por prazo indeterminado; quanto ao enunciado subjetivo contido na expressão “em função de determinadas condições”, o Supremo Tribunal Federal sumulou, no verbete nº 544, o seguinte entendimento: “Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas”.(grifo da recorrente) sob inspiração da matéria sumulada, vieram várias decisões no mesmo sentido, dentre elas a prolatada no AMS n° 95.04.337171/SC e, posteriormente, o decidido no RE n° 198.331, trazendo este último a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO – ISENÇÃO – IMPORTAÇÃO – LEI N° 8.032/90 – IPI E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – DECRETOLEI N° 2.324/97. A isenção, quando concedida por prazo certo e sob condição onerosa, não pode ser revogada”. (grifo da recorrente) é a própria jurisprudência do STF que nos dá, também, a noção do que seja condição onerosa; o tema é tratado no Acórdão proferido no RE n° 164.1614, de março de 1997, cuja ementa está assim redigida: Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 “... Regime isentivo concedido pela União Federal na vigência da Constituição pretérita, em face do Programa de Exportação BEFIEX, que teve sua vigência assegurada no art. 41, § 1°, do ADCT, até outubro de 1990. Direito adquirido reconhecido pelo acórdão, com base no art. 41, § 2°, da disposição transitória e na Súmula 544 – STF, tendo em vista tratarse de incentivo concedido por prazo certo e mediante condições. Recurso Extraordinário que não se conhece”. nesse julgado, resta claro que a isenção não revogável a qualquer tempo é aquela concedida a termo e sob condições onerosas, condições estas, conforme deixou entendido a ementa transcrita, referentes ao comprometimento de recursos com projetos apoiados pelo Governo, a exemplo do que ocorre com os empreendimentos na área da Sudene e da Sudam, bem assim com aqueles relacionados ao Befiex, este especificamente citado no julgado do STF trazido a lume; nessa esteira de raciocínio, temse que a isenção pleiteada pelo contribuinte, pelas razões expostas, além de não ser concedida a termo, também não guarda relação com aquelas outorgadas em função de determinadas condições, amoldandose, por conseguinte, à regra geral da revogabilidade a qualquer tempo; sobre o “direito adquirido”, o festejado autor De Plácido e Silva, na sua obra Vocabulário Jurídico. 12ª Ed., Editora Forense, 1996, assim se posiciona: “Por essa forma, direito adquirido quer significar o direito que já se incorporou ao patrimônio da pessoa, já é de sua propriedade, já constitui um bem, que deve ser juridicamente protegido contra qualquer ataque exterior, que ouse ofendêlo ou turbálo. Mas, para que se considere direito adquirido é necessário que: a) sucedido o fato jurídico, de que se originou o direito, nos termos da lei, tenha sido integrado no patrimônio de quem o adquiriu; b) resultando de um fato idôneo, que o tenha produzido em face de lei vigente ao tempo, em que tal fato se realizou, embora não se tenha apresentado ensejo para fazêlo valer, antes da atuação de uma lei nova sobre o mesmo fato jurídico, já sucedido.” o art. 4º do Decretolei n° 1.510, de 27/12/1976, que concedia a isenção, estabelecia o seguinte: “Art. 4º. Não incidirá o imposto de que trata o art. 1º: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos da data da subscrição ou aquisição da participação”. (grifo da recorrente) portanto, analisando a isenção ora pleiteada, concluise que só haveria direito adquirido a ela se realizados, durante a vigência da lei que a veiculou, os pressupostos necessários a sua concessão, quais sejam, posse da participação acionária por mais de cinco anos e alienação dessas ações; Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.723303/200977 Acórdão n.º 9202002.396 CSRFT2 Fl. 1.206 5 e, na hipótese dos autos, foi satisfeito o primeiro dos requisitos fáticos (posse por prazo superior a cinco anos), mas não o segundo (implemento da alienação durante a vigência da lei concessora da isenção), e, carente este último, resta insubsistente o argumento de “direito adquirido”. assim, mesmo com a manutenção das ações no patrimônio do contribuinte por mais de 5 anos, não há que se falar em isenção sem a ocorrência da alienação desses ativos, na vigência do Decretolei n° 1.510, de 27/12/1976, por faltar um dos pressupostos para a aquisição do direito; cabe, ainda, trazer à colação ementa do julgado do STJ no Resp n° 26.5130–SP, que trata especificamente de temática relacionada com as isenções tributárias, tendo presente a figura jurídica do direito adquirido: “TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO. PROJETO DE INTERESSE NACIONAL. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. Firmou a Seção de Direito Público deste Superior Tribunal o entendimento no sentido de que a isenção, por não ser condicionada, nem a termo, para o seu titular, pode ser revogada a qualquer tempo, sem malferimento a direito adquirido”.(grifo da recorrente) Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como do despacho que lhe deu seguimento em 08/04/2012, o contribuinte não ofereceu contrarazões. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O recurso é tempestivo e, preliminarmente, cabe aferir acerca do cumprimento dos demais pressupostos que autorizariam o conhecimento do apelo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse passo, cumpre esclarecer que o Acórdão 10422.220, de 26/01/2007, indicado como paradigma e exarado no processo nº 13811.002470/0005, foi reformado em 11/05/2010, por meio do Acórdão 920200.882, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, cujo voto foi acolhido por unanimidade. Dito julgado restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996, 1997 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei n° 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4°, alínea "d", daquele Diploma Legal ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal. Recurso especial provido.” Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, já que o acórdão indicado como paradigma pela Fazenda Nacional em Recurso Especial interposto em 28/11/2011, já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais desde 11/05/2010. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, § 10, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, por falta de demonstração de divergência. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002023/2001-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2802-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade e converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora (a) intime a fonte pagadora Novo Rumo Ind. e Com. de Móveis Ltda a confirmar ou não o pagamento de rendimentos que foi informado em DIRF e que, se confirmado, junte documentação comprobatória; (b) faculte ao contribuinte manifestar-se sobre os elementos juntados aos autos, em trinta dias,; e (c) elabore relatório conclusivo acerca da diligência realizada.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade e converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora (a) intime a fonte pagadora Novo Rumo Ind. e Com. de Móveis Ltda a confirmar ou não o pagamento de rendimentos que foi informado em DIRF e que, se confirmado, junte documentação comprobatória; (b) faculte ao contribuinte manifestar-se sobre os elementos juntados aos autos, em trinta dias,; e (c) elabore relatório conclusivo acerca da diligência realizada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade e converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora (a) intime a fonte pagadora Novo Rumo Ind. e Com. de Móveis Ltda a confirmar ou não o pagamento de rendimentos que foi informado em DIRF e que, se confirmado, junte documentação comprobatória; (b) faculte ao contribuinte manifestarse sobre os elementos juntados aos autos, em trinta dias,; e (c) elabore relatório conclusivo acerca da diligência realizada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 1998, anocalendário 1997, em virtude de apuração de omissão de rendimentos no valor de R$50.956,56 conforme informado pela empresa NOVO RUMO IND. E COM. DE MOVEIS LTDA na Declaração de Rendimentos Pagos e Imposto Retido na Fonte DIRF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 02 02 3/ 20 01 -3 4 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2802000.125 S2TE02 Fl. 119 2 Na impugnação o contribuinte alega falta de intimação prévia ao lançamento, de Mandado de Procedimentos Fiscal – MPF e de comprovação da ocorrência do fato gerador, sustenta o não cabimento da exigência de juros com base na Selic, faz alegações acerca de inconstitucionalidade, requer diligência e perícia. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que falta de intimação prévia e de MPF não enseja nulidade do lançamento, que o contribuinte deveria ter trazido aos autos ao menos indícios de que não recebeu o rendimento informado na DIRF emitida pela empresa Novo Rumo, pois a DIRF é documento hábil até prova em contrário, consignou que, em razão do princípio da verdade material seriam analisados documentos apresentados após o prazo de impugnação, desconheceu o pedido de diligência pois cabe ao interessado trazer as provas que pode produzir e indeferiu o pedido de perícia por não observar os parâmetros legais. Ciente da decisão de primeira instância em 13/12/2007, o recorrente apresentou recurso voluntário em 27/12/2007, por meio reitera os argumentos da impugnação, em síntese: 1. nulidade do lançamento por não ter sido intimado previamente ao lançamento; 2. nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude de não terem sido entregues ao contribuinte todos os documentos que embasaram a autuação e não ter sido dada vista ao processo na repartição durante o prazo para impugnação, neste ponto reportase a lições doutrinárias e à lei 9.784/1999; 3. inexistência de prova nos autos da ocorrência da omissão de rendimentos, uma vez que não foi juntada a original e/ou cópia da DIRF para comprovar o recebimento do rendimento cita acórdãos deste Conselho (10321445) e não cabe exigir do contribuinte a prova negativa – apresenta lições doutrinárias e precedentes judiciais sobre ônus da prova; 4. sustenta que não ocorreu o fato gerador do imposto de renda; e 5. impossibilidade de exigir juros moratório com base na Selic. É o relatório. Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recorrente amparase no art. 844 do RIR1999 para suscitar nulidade do lançamento pela falta de intimação prévia ao lançamento, porém este dispositivo também estabelece que a intimação para prestar os esclarecimentos ocorrerá quando forem necessários. A necessidade é avaliada pela autoridade fiscal. No caso dos autos, tratase de revisão interna das Declarações de Ajuste Anual e foi aplicada a dispensa de intimação prevista no "a" do parágrafo único do artigo 3° da IN SRF n° 94, de 24/12/1997. Sem razão o recorrente. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2802000.125 S2TE02 Fl. 120 3 A falta de MPF também não é razão para nulidade, consoante jurisprudência do CARF, notadamente quando se trata de revisão interna das Declarações de Ajuste: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2000 (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. (...) (acórdão nº 19200107, de 18122008, da 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Rubens Maurício Carvalho) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei.(acórdão nº 10249388, de 06112008, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) José Raimundo Tosta Santos) O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO NÃO COMUNICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte e objetiva informar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se correrem problemas com a prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(acórdão nº 10249346, de 09102008, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Moises Giacomelli Nunes da Silva) Sem razão o recorrente. O recorrente também alegou cerceamento do direito de defesa por não ter sido entregue a DIRF como prova da omissão de rendimentos. A questão não se resolve com tamanha simplicidade. Não há que se falar em nulidade se não houver comprovação do prejuízo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2802000.125 S2TE02 Fl. 121 4 Ressaltese que o lançamento decorreu de revisão da declaração de ajuste anual, espécie de procedimento administrativo do qual decorrem lançamentos emitidos eletronicamente em procedimentos de massa. Uma vez detectada a infração, são emitidos os autos de infração e notificação de lançamento (para o exercício em exame, a IN SRF 94/1997 prescrevia o emprego exclusivamente de autos de infração), cujos requisitos estão previstos no art. 10 e 11 do Decreto 70.235/1972, conforme o caso. Tal como ocorre em qualquer outro procedimento de fiscalização, o contribuinte recebe uma via do instrumento de constituição do crédito tributário, mas não a íntegra dos autos, não é necessário enviarlhe cópia das provas da ocorrência do fato gerador. A peculiaridade inerente aos lançamentos emitidos eletronicamente em procedimento de massa é que não são necessariamente formalizados autos do processo no qual estejam anexados todos os elementos que motivaram o lançamento. Isto não quer dizer que não existam, mas por eficiência administrativa a formalização somente ocorre se, e quando, necessária. Explicase, em havendo impugnação, atribuise um número de processo e se dá início à constituição dos autos do processo, fase de instrução processual, da qual é encarregada a Unidade Preparadora e não mais a autoridade fiscal autuante. Cabe à Unidade Preparadora juntar aos autos toda a documentação que motivou o lançamento e que comumente é denominada de dossiê da fiscalização. O contribuinte tem direito de exigir acesso completo a essa documentação. E não raro é o que ocorre. Não cabe reconhecer nulidade em virtude de alegação de que não foi juntada a DIRF ou cópia da DIRF antes da notificação de lançamento. De outro giro, se o contribuinte requer vista aos autos e aos documentos que embasaram a autuação e isto não é possibilitado haverá cerceamento do direito de defesa, mas não a nulidade do lançamento desde seu nascedouro e sim a nulidade do procedimento a partir do ato de instrução processual que produziu prejuízo à defesa. No caso dos autos, o recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa porque não lhe foi entregue a DIRF ou cópia da DIRF na qual constou como beneficiário e porque não foi possibilitado o acesso aos autos no prazo para impugnar. Não consta dos autos que o contribuinte tenha requerido acesso aos referidos documentos ou vistas aos autos, razão suficiente para rejeitar a preliminar que se ampara em alegação desacompanhada de prova. Quanto ao mérito, não se pode atribuir a natureza de prova irrefutável à informação prestada em DIRF emitida pela fonte pagadora. É fato que é uma prova, mas somente a princípio. Com a negativa de recebimento dos valores não se pode exigir a prova negativa por parte do contribuinte. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2802000.125 S2TE02 Fl. 122 5 Nesses casos, a DIRF deve ser tomada como um indício, porém a dúvida levantada pela alegação do contribuinte precisa ser eliminada por meio de diligência fiscal, sob pena de ser constituído crédito tributário sem a necessária certeza da ocorrência do fato gerador. Portanto, devese REJEITAR as preliminares de nulidade e converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora (a) intime a fonte pagadora Novo Rumo Ind. e Com. de Móveis Ltda a confirmar ou não o pagamento de rendimentos que foi informado em DIRF e que, se confirmado, junte documentação comprobatória; (b) faculte ao contribuinte manifestarse sobre os elementos juntados aos autos, em trinta dias,; e (c) elabore relatório conclusivo acerca da diligência realizada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.902279/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PIS E COFINS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre a receita da atividade principal da empresa.
Numero da decisão: 3401-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de voto, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II RJ ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PIS E COFINS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre a receita da atividade principal da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de voto, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 22 79 /2 00 6- 43 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 15/08/2003 (fls. 03/07) para compensar débitos do PIS de julho de 2003, com crédito também do PIS, supostamente recolhido a maior em abril de 1999. Conforme relatório fiscal, o pagamento supostamente indevido ocorreu pelo fato da Contribuinte ter estornado valores de juros, dos quais era credora, em razão da mora de seu devedor. Contudo, a delegacia de origem entendeu que esse estorno não exclui os valores dos juros da base de cálculo, concluindo pela não ocorrência recolhimento indevido e indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação (fls.52/58). A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.93/102), mas a DRJ Rio de Janeiro II/RJ a julgou improcedente, proferindo decisão (fls.164/167) com a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. Não há previsão para se excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS os valores relativos a receita financeira decorrente dos juros de mora que não foram efetivamente recebidos. Paralelamente, há expressa previsão legal para que a Contribuição recaia sobre o (a) faturamentoreceita. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 25/01/2010 (fl.169) e interpôs Recurso Voluntário em 23/02/2010 (fls.171/181), alegando, em resumo, que perdoou a dívida dos juros e, uma vez perdoada essa dívida, não auferiu receita em relação a ela, de modo que não há incidência do PIS. Ao final, pediu a homologação integral das compensações. É o Relatório. Voto Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10768.902279/200643 Acórdão n.º 3401001.884 S3C4T1 Fl. 251 3 Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. A questão central do presente processo consiste em saber se os juros não estornados compõem ou não a base de cálculo do PIS. Inicialmente cabe destacar duas questões: em primeiro lugar, que o período em questão é regido pela Lei nº 9.718/98; em segundo, que é incontroverso que o pagamento alegado como indevido é oriundo de juros perdoados pela recorrente. Os esclarecimentos acima são de suma importância, isso porque os juros não são oriundos da atividade principal da empresa, mas sim da demora no pagamento pelo serviço prestado. Desse modo, os juros, na verdade, são classificados como receita não operacional. Sendo receita não operacional, os juros não compõem a base de cálculo do PIS, haja vista a decisão do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, no qual foi prolatada a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre as receitas operacionais, ou seja, aquelas oriundas de venda e de prestação de serviço, não estando incluídas, dessa forma, as receitas oriundas dos juros de mora. Como no julgamento do STF foi reconhecida a sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, é o caso da aplicação do art. 62A, Caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, não tem relevância se os juros foram recebidos, não recebidos ou estornados, pois, ainda que tenham sido recebidos e não devolvidos, eles não compõem a base de cálculo do PIS, de modo que o recolhimento da contribuição sobre os valores de juros é indevido, fazendo jus, a Recorrente, à repetição de indébito, inclusive por meio de compensação. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o valor indevidamente recolhido. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10768.902279/200643 Acórdão n.º 3401001.884 S3C4T1 Fl. 252 5 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10935.003374/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/01/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RESPOSTA APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE AOS QUESTIONAMENTOS FORMULADOS QUE NÃO OCASIONARAM EMBARAÇOS À FISCALIZAÇÃO. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o contribuinte apresentou em documento escrito os esclarecimentos solicitados pela fiscalização acerca de pagamentos e reembolsos efetuados, os quais permitiam ao fiscal a análise da documentação apresentada, a multa aplicada há de ser julgada improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RESPOSTA APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE AOS QUESTIONAMENTOS FORMULADOS QUE NÃO OCASIONARAM EMBARAÇOS À FISCALIZAÇÃO. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o contribuinte apresentou em documento escrito os esclarecimentos solicitados pela fiscalização acerca de pagamentos e reembolsos efetuados, os quais permitiam ao fiscal a análise da documentação apresentada, a multa aplicada há de ser julgada improcedente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RESPOSTA APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE AOS QUESTIONAMENTOS FORMULADOS QUE NÃO OCASIONARAM EMBARAÇOS À FISCALIZAÇÃO. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o contribuinte apresentou em documento escrito os esclarecimentos solicitados pela fiscalização acerca de pagamentos e reembolsos efetuados, os quais permitiam ao fiscal a análise da documentação apresentada, a multa aplicada há de ser julgada improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 33 74 /2 01 0- 70 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.003374/201070 Acórdão n.º 2401002.557 S2C4T1 Fl. 79 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por KL COMÉRCIO E REPAROS DE VEÍCULOS PESADOS LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.289.6375, lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de prestar esclarecimentos à fiscalização acerca de lançamentos contem seus livros contábeis e folhas de pagamento. Para um melhor esclarecimento, cumprenos transcrever o que consta do relatório fiscal da infração: “Entre os documentos solicitados, constava a folha de pagamento de todos os segurados , bem como livros contábeis (Diário e Razão) e plano de benefícios. Analisandose a folha de pagamento apresentada, bem como os livros contábeis, constatouse a existência de rubricas com características de benefícios fornecidos pela empresa a e m p r e g a d o s , como UNIMED, FARMÁCIA, VALE PARA AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS E GÁS, CONVÊNIO F A R M Á C I A / M E R C A D O . Acerca dessas rubricas, foram solicitados alguns esclarecimentos à empresa . A empresa foi questionada , através do TIF n° 2 de 27 / 1 0 / 0 9 (cópia anexa apenas na via d a RFB, uma vez q u e a empresa j á está de posse d e s u a v i a ) , a esclarecer o mecanismo de funcionamento dos d e s c o n t o s constantes da f o l ha de pagamento, relativamente a UNIMED VARIÁVEL, FARMÁCIA, VALE AQUIS. ALIMENTOS, VALE A Q U . DE GÁS, C O N V E N I O F A R M Á C I A / M E R C A D O e porquê constavam valores a estes títulos lançados como despesas, a partir de 2006. Acerca da solicitação de esclarecimentos, após pedido de prorrogação de prazo atendido, foram prestados os seguintes esclarecimentos (item A 3 f ls d o T I F n° 2 ) : os funcionários comprovam em estabelecimentos conveniados e com demonstrativo de gastos estes estabelecimentos cobram a empresa que autorizou o gasto, em seguida estes valores são descontados em folha de pagamento. Cópia anexa do pedido de prorrogação e dos esclarecimentos prestados apenas na via da RFB, u m a vez que a empresa j á e s t á de posse de s u a v i a. Os questionamentos formulados não foram atendidos na sua plenitude, em razão de que não se explicou o motivo de constar em valores lançados como despesas. Em face disso, foi aplicado o presente Auto de Infração por deixar a empresa de prestar esclarecimentos à fiscalização. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em razão dos fatos expostos, por não atendimento à solicitação de esclarecimentos é aplicada à empresa a presente autuação. Em seu recurso, defende, em preliminar, a necessidade de julgamento em conjunto do presente processo com as NFLD’s relativas à fiscalização levada a efeito na empresa SPERAFICO INDUSTRIAL LTDA, pois naquele procedimento foram lançadas as contribuições sobre a sua folha de pagamentos, dentre outras que estavam a seu cargo; Acrescenta que a prorrogação pedida pela empresa, destacada no relatório fiscal, foi efetuada com fundamento no art.19 da Lei 3.470/58 e o seu prazo não foi atendido pela fiscalização. Reitera que a impugnante não deixou de prestar informações à Receita Federal. A informação de que as informações não foram prestadas em "sua plenitude" configura hipótese subjetiva e desprovida de fundamentação legal. Finaliza argumentando que o conceito de plenitude e cita a norma da aplicação da multa que prevê "deixar de prestar informações" afirmando que tratase de hipótese em que a impugnante jamais incorreu; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.003374/201070 Acórdão n.º 2401002.557 S2C4T1 Fl. 80 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Pugna a recorrente pelo julgamento em conjunto do presente processo com as NFLd’s e demais autos de Infração decorrentes da fiscalização levada a efeito na empresa SPERAFICO INDUSTRIAL LTDA, conforme busca fazer prova com documentação juntada em anexo ao seu recurso voluntário. Referida documentação demonstra que a fiscalização previdenciária entendeu pela existência de simulação entre várias empresas, dentre as quais a SPERAFICO (principal) utilizavase de outras empresas, dentre elas a recorrente, para obtenção de vantagem indevida de inscrição no SIMPLES com a finalidade de furtarse ao recolhimento de contribuições previdenciárias. A propósito, referida fiscalização finalizouse em data posterior à presente, de modo que em se tratando de objeto totalmente diferente daquele que se discute nos autos do presente processo, tenho que o julgamento conjunto não merece ser acatado. Rejeito a preliminar e passo ao mérito. MÉRITO Conforme já relatado, tratase de Auto de Infração no qual é aplicada multa por ter a recorrente deixado de prestar esclarecimentos solicitados pela fiscalização. Em suma, a solicitação da fiscalização foi a seguinte: A empresa foi questionada , através do TIF n° 2 de 27 / 1 0 / 0 9 (cópia anexa apenas na via d a RFB, uma vez q u e a empresa j á está de posse de sua via) , a esclarecer o mecanismo de funcionamento dos descontos constantes da folha de pagamento, relativamente a UNIMED VARIÁVEL, FARMÁCIA, VALE AQUIS. ALIMENTOS, VALE AQU . DE GÁS, CONVENIO FARMÁCIA / MERCADO e porquê constavam valores a estes títulos lançados como despesas, a partir de 2006. E a resposta apresentada foi a seguinte: Os funcionários compravam em estabelecimentos conveniados e com demonstrativo de gastos estes estabelecimentos cobram a Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 empresa que autorizou o gasto, em seguida estes valores são descontados em folha de pagamento. Todavia, mesmo diante dos esclarecimentos apresentados, a fiscalização entendeu que a recorrente não esclareceu a segunda parte de sua solicitação, concernente a indicação do “porquê constavam valores a estes títulos lançados como despesas, a partir de 2006”, motivo pelo qual considerou a solicitação não atendida em sua plenitude e determinou a aplicação da multa. Dos esclarecimentos prestados, percebese que, de fato, não se quedou a recorrente em deixar de atender a solicitação efetuada pela fiscalização. A recorrente esclareceu a solicitação feita pela fiscalização afirmando que os valores, por ela são considerados como despesas de reembolso e não salariais. Ora, não se pode, simplesmente, por este fato entenderse que houve transgressão ao comando da norma que fundamenta a infração, até porque da resposta apresentada, foram prestados outros esclarecimentos, acerca de outras indagações da fiscalização. A meu ver, a norma em comento deve ser interpretada como forma de que não sejam causados embaraços à fiscalização na análise da documentação apresentada pela recorrente, o que não ocorre no presente caso. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000387/00-22
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/08/1993
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/08/1993 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1990 a 31/08/1993 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/08/1993 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 03 87 /0 0- 22 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000387/0022 Acórdão n.º 9900000.590 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 02.797, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 15/10/2007, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretosleis nes 2.445 e 2.449, de 1988, é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, a data da publicação da Resolução do Senado n e 49, de 1995. Recurso especial do procurador negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810). Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que o aresto recorrido prolatou entendimento segundo o qual o prazo decadencial para o pedido de restituição/compensação de valor pago indevidamente começaria a fluir a partir da Resolução do Senado que dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concedesse ao contribuinte o direito de pleitear a restituição/compensação. Observa que, por outro lado, o voto condutor do aresto declinado como paradigma entende que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. No mérito, afirma que, pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Diz que decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.601, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que o prazo extintivo do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente tem inicio com a extinção do crédito tributário respectivo, mas esta nem sempre ocorre com o pagamento do tributo. Argumenta que, inexistindo lei fixando prazo para a homologação do lançamento, considerase este efetuado depois de cinco anos do recolhimento do tributo. E só então está extinto o crédito tributário correspondente, quando começa a correr o prazo de decadência, extintivo do direito à restituição do indébito. Pondera que tal tese já foi acolhida por decisão unânimo do STJ. Destaca que o paradigma apresentado pela Fazenda Nacional trata de tributo totalmente adverso do ora pretendido pelo contribuinte e que em momento algum restou comprovada a divergência de interpretação da lei tributária pelos arestos em comento. Ao final, requer que o recurso extraordinário da Fazenda Nacional não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000387/0022 Acórdão n.º 9900000.590 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000387/0022 Acórdão n.º 9900000.590 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (29/03/2000), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 29/03/1990. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10140.720467/2009-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
No que se refere ao aspecto quantitativo da hipótese de incidência, o lançamento reporta-se a data da ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em documento firmado por autoridade ambiental competente, bem como averbada na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Reserva Legal no montante de 318,20 ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que negava provimento ao recurso. Designada redatora do Voto Vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Redatora Designada.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. No que se refere ao aspecto quantitativo da hipótese de incidência, o lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em documento firmado por autoridade ambiental competente, bem como averbada na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Reserva Legal no montante de 318,20 ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que negava provimento ao recurso. Designada redatora do Voto Vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Redatora Designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 67 /2 00 9- 75 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 91 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 91.754,65, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 3/4 deste e processo, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte: Não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. Não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. Não comprovou, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado, o que determinou o arbitramento do referido valor com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Por esses motivos, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado à fl. 5. Na Notificação Fiscal a Autoridade lançadora acrescenta que: O contribuinte não conseguiu encontrar o protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA 2002. Porém, para comprovar a regularidade no âmbito ambiental, apresentou Autorização Ambiental de Desmatamento do Instituto do Meio Ambiente Pantanal IMAP n° 326, de 20/12/2002, onde constam áreas não passiveis de corte na propriedade, sendo Preservação Permanente de 48,49 ha e Reserva Legal de 318,20 ha. Relativamente à Reserva Legal, o contribuinte informou na declaração uma área de 620,00 ha, porém somente houve averbação de 20% da área do imóvel, escriturada na Matricula 15.501, Av. 03/15.501, de 23 de julho de 2002. Logo, somente poderia ser aceito como Reserva Legal a área de 318,20 ha. Contudo, como o contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) meses contado do término do prazo para entrega da DITR, não foi possível aceitar nenhuma área como Reserva Legal. Relativamente à Preservação Permanente, o contribuinte informou na declaração uma área de 86 ha, porém não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 92 3 ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) meses contado do término do prazo para entrega da DITR, não sendo possível aceitar nenhuma área como Preservação Permanente. Com relação ao VTN, o contribuinte não apresentou Laudo Técnico de avaliação do imóvel, sendo utilizado o valor do SIPT para o Município de Jaraguari no ano 2005 (R$762,60). A 1ª Turma da DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e da regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Laudo Técnico O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/05/2011 (fl. 78), o interessado interpôs, em 07/06/2011, o recurso de fls. 80/86. Nas razões recursais aduz que: Em relação à área de preservação permanente A área de preservação permanente é uma limitação administrativa definida no Código Florestal, que impõe ao administrado o seu não uso para a proteção do meio ambiente. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 93 4 O legislador entendeu por bem excluir da incidência do ITR a área de preservação permanente (art. 10, §1°, II, 'a', da Lei n. 9.393/961), de forma que, hodiernamente, a lei exige para o reconhecimento da isenção apenas a declaração do contribuinte. É o que prevê o § 7° do art. 10 da Lei n. 9.393/96. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre a desnecessidade do ADA para exclusão, da base de cálculo do ITR, da área de preservação permanente. É impossível a exigência do protocolo do ADA com fundamento no art. 17 O da Lei nº 6.938/1981, merecendo plena consideração a declaração do contribuinte, que deve ser mantida a fim de se entender os 86 ha declarados como de preservação permanente. Entendendose que a declaração apresentada é inábil a comprovar o quantitativo de preservação permanente, requer que se considere a área de 64,9062 ha como meio de prova do quantitativo, a qual consta do “Comunicado de Projeto de Recuperação de Área Degrada PRADE / Resolução SEMAC nº 027/2008" e demonstra que mesmo a Autorização Ambiental de Desmatamento do IMAP nº 326, de 20/12/2002, não representa a totalidade da área de preservação permanente. Em relação à área de reserva legal Não subsiste a pretensão fiscal, uma vez que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996 atribui à declaração do contribuinte força probante suficiente para que não se exija a apresentação de qualquer outro documento. O agente do Fisco reconhece o quantitativo da área de reserva legal constante à margem da matrícula (20% da área total), o que demonstra a insubsistência da ação fiscal. O "Comunicado de Projeto de Recuperação de Área Degradada PRADE / Resolução SEMAC nº 027/2008" aponta a existência da área de 319,8195 ha de reserva legal mais uma área de vegetação remanescente (entendase "vegetação natural não passível de exploração", portanto não tributável) de 146,1245 ha, as quais somadas resultam num total de 465,944 ha impassíveis de tributação, gleba que, acaso desconsiderada a área declarada pelo contribuinte (620 ha), merece indiscutível isenção. Não se entendendo pelos argumentos suscitados, pugnase pelo acatamento do percentual constante à margem da matrícula (20% sobre a área total) como não passível de tributação. Em relação à atribuição do grau de utilização e à fixação da alíquota A Lei nº 9.393/1996 institui um imposto progressivo, na medida em que impõe menor alíquota ao contribuinte que mais utiliza a área aproveitável do imóvel. Assim, mesmo que as áreas declaradas de reserva legal e preservação permanente assim não forem consideradas pelo Fisco, poderiam ser enquadradas como áreas inaproveitáveis em face da inaptidão para exploração. Como o inciso IV do art. 10 da Lei nº 9.393/1996 define o que são áreas aproveitáveis (as passíveis de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola, ou florestal), Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 94 5 temse que, ao combinálo com o art. 112 do CTN, as áreas declaradas como de preservação permanente ou reserva legal merecem a classificação de inaproveitáveis, já que não se enquadram no conceito de aproveitáveis, de modo que sobre elas também não incide a regra matriz do ITR. Desta maneira, terseia por aplicável a alíquota incidente sobre o grau de utilização de 100% (cem por cento), e não a imputada arbitrariamente, o que mais uma vez reforça a fragilidade do lançamento efetuado. Ao fim, requer: Seja desconstituído o lançamento suplementar efetivado (principal, juros e multa) em razão da atribuição de quadro de uso ex oficio, diferente da realidade fática do imóvel rural; Caso não se cancele o débito indevidamente imputado, que se reconheçam os quantitativos declarados e os faça constar no cômputo de eventual crédito suplementar, adequando o grau de utilização apurado e a base de cálculo componente da regra matriz do tributo. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Registro inicialmente, que o Recorrente não se insurgiu, especificamente, contra a alteração do VTN declarado, o que evidencia, a meu ver, concordância tácita com o valor arbitrado pelo Fisco. Acrescento, ademais, que a possibilidade de modificação do valor arbitrado está condicionada, em regra, à apresentação de elementos de convicção embasados em Laudo Técnico, elaborado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, laudo este que não foi apresentado pelo Recorrente. Essa constatação, em 1ª instância, foi registrada no item 53 do acórdão recorrido, nos seguintes termos: O interessado não apresentou laudo à Fiscalização, razão pela qual o VTN foi alterado e com a impugnação, novamente, não foi encaminhado esse documento. Na realidade não houve uma impugnação, propriamente. Apenas se alegou no início, em Os Fatos, de forma genérica, que o VTN fora devidamente declarado. Desta forma, em virtude da ausência de laudo eficaz para comprovar o VTN, não há como modificar a avaliação constante da NL. Assim, a controvérsia se resume, basicamente, a dois pontos: a) definição dos requisitos necessários para que uma área de reserva legal ARL ou de preservação permanente APP seja excluída da base tributável do ITR; e Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 95 6 b) possibilidade de exclusão, da base de cálculo do imposto, da área de vegetação remanescente de 146,1245 ha, a título de floresta nativa, ou de classificação, da mesma área, como inaproveitável, já que a área aproveitável é considerada no cálculo do grau de utilização do imóvel, com repercussão direta na alíquota aplicável na apuração do tributo. REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO DO ITR, DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama, a meu ver, o atendimento de requisitos de duas ordens: requisitos substanciais e requisitos formais. Os requisitos substanciais das áreas de preservação permanente encontravam se elencados nos arts. 2º (APP por efeito da lei) e 3º (APP por ato declaratório) da revogada Lei nº 4.771 (Código Florestal), de 15 de setembro de 1965. Os requisitos substanciais das APP são de dois tipos: aqueles ligados à topografia das florestas (art. 2º) e aqueles ligados à destinação das florestas (art. 3º). Ambos têm a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. Ilustrativamente, menciono situações de “APP por efeito da lei” em que a presença do requisito substancial (ligado à topografia), por se só, já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais (art. 2º, “b”) ou situadas no topo de morros, montes, montanhas e serras (art. 2º, “d”). Exemplificativamente, cito situações de “APP por ato declaratório” em que a presença do requisito substancial (ligado à destinação das florestas), aliada à presença de um requisito formal (declaração por ato do Poder Público), já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar dunas (art. 3º, “b”) e destinadas a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção (art. 3º, “f”). A qualificação advinda do atendimento dos requisitos mencionados, no entanto, não possibilita a exclusão automática das APP da base tributável do ITR, como se verá adiante. Os requisitos substanciais das áreas de reserva legal encontravamse elencados no inciso III do § 2º do art. 1º da revogada Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 1º. (...) §2º Para os efeitos deste Código, entendese por: (...) III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 96 7 à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas;(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Assim, se uma área se subsume aos ditames do inciso III do § 2º do art. 1º do revogado Código Florestal (localização e destinação), qualificase como área de reserva legal, sob o ponto de vista substancial, sem que, no entanto, possibilite, de forma automática, sua exclusão da base tributável do ITR. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, é requisito formal necessário para que uma ARL seja excluída da base de cálculo do ITR, a teor de uma interpretação conjugada do artigo 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996 e § 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965, assim descritos: Lei nº 9.393/1996 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II as área tributável, a área total do imóvel, menos áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei nº 4.771/1965 Art. 16. (...) §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No mesmo sentido, embora com um enfoque diverso, a lição do Conselheiro do CARF Giovanni Christian Nunes Campos em artigo publicado na obra “Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”, MP Editora, 2012, intitulado “A controvérsia sobre as exigências do Ato Declaratório Ambiental – ADA e da averbação cartorária das áreas de interesse ambiental na tributação do ITR”, a ver: A lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservado nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 97 8 Quanto à obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece não haver qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal. (...) Não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nºs 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. (...) Ora, se a averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. Quanto ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, o § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, vigente no ordenamento jurídico pátrio, espancou qualquer dúvida sobre sua obrigatoriedade para fruição do benefício fiscal, ao eleger tal ato como requisito formal necessário à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR. Oportuna é a transcrição do dispositivo mencionado: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A norma do § 1º poderia ser lida, sem qualquer alteração de seu conteúdo, da seguinte forma: a utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR, dentre elas as APP e as ARL, é obrigatória. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 98 9 Ademais, a cabeça do artigo instituiu taxa de vistoria a cargo dos proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do ITR, em face da utilização do Ato Declaratório Ambiental – ADA. Assim, a utilização do ADA ocasiona a produção de dois efeitos: 1º) redução do imposto a pagar, mediante exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR; 2º ) recolhimento da taxa de vistoria ao IBAMA, para os proprietários que se beneficiarem da redução do ITR (Inteligência do art. 17O, § 1º da Lei nº 6.938/1981). Tudo o que foi exposto pode ser assim resumido: Os requisitos substanciais para qualificação de uma APP estavam elencados, à época do fato gerador, nos arts. 2º (ligados à topografia) e 3º (ligados à destinação das florestas) e os requisitos substanciais para qualificação de uma ARL estavam elencados no inciso III do § 2º do art. 1º (ligados à localização e à destinação), todos da revogada Lei nº 4.771/1965; O requisito formal para qualificação de uma “APP por efeito da Lei” consta do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981 e consiste na apresentação do ADA; Os requisitos formais para qualificação de uma “APP por ato declaratório”, à época do fato gerador, encontravamse listados no caput do art. 3º da revogada Lei nº 4.771/1965 (declaração por ato do Poder Público) e no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981 (apresentação do ADA); Os requisitos formais para qualificação de uma ARL, à época do fato gerador, encontravamse listados no § 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965 (averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel) e no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981 (apresentação do ADA); É necessário o atendimento cumulativo dos requisitos substanciais e formais para exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR. No caso concreto, não houve a apresentação do ADA. Logo, o Recorrente não faz jus à exclusão das APP e ARL da base tributável do ITR. ÀREA DE VEGETAÇÃO REMANESCENTE DE 146,1245 HA Importante enfatizar, nesse ponto, que as áreas listadas no inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996 são consideradas, no cálculo do imposto devido, em duas situações distintas: na apuração da área tributável e na apuração da área aproveitável do imóvel rural, com repercussão nos dois elementos do aspecto quantitativo da hipótese de incidência: base de cálculo e alíquota. No caso concreto, o Recorrente pleiteia que a área de vegetação remanescente constante do "Comunicado de Projeto de Recuperação de Área Degradada PRADE / Resolução SEMAC nº 027/2008", cuja dimensão é de 146,1245 ha, seja excluída da base de cálculo do ITR por se tratar de vegetação natural, ou seja, de floresta nativa. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 99 10 Acontece que o fato gerador do ITR ocorreu em 1º de janeiro de 2005 (Lei nº 9.393/1996, art. 1º, in fine) e a isenção das áreas cobertas por florestas nativas somente veio a lume com a edição da Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que acrescentou a alínea “e” ao inciso II do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996. Incabível, portanto, a exclusão da referida área da base de cálculo do ITR, porquanto o lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (CTN, art. 144, caput). O mesmo raciocínio se aplica ao cálculo da área aproveitável do imóvel, que é um dos parâmetros considerados na definição da alíquota aplicável. À época da ocorrência do fato gerador a Lei nº 9.393/1996 estabelecia, em seu art. 10, § 1º, inciso II, “a”, “b” e “c” c/c inciso IV, “a” e “b”, que: Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) I área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas “a”, “b” e “c” do inciso II; A leitura dos dispositivos transcritos revela que, à época da ocorrência do fato gerador, a lei excluída da área aproveitável tão somente as áreas listadas nas alíneas “a”, “b” e “c” do inciso II, o que significa dizer que não abarcava as áreas cobertas por florestas nativas, que somente foram excluídas do cálculo da área aproveitável a partir da edição da Lei nº 11.428/2006, que alterou a redação da alínea “b” do inciso IV do § 1º da art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que passou a ostentar a seguinte redação: IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 100 11 b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Assim, inviável a exclusão da área de 146,1245 ha do cálculo da área aproveitável, porquanto o lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (CTN, art. 144, caput). Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, permitome divergir de seu voto quanto à comprovação da área reserva legal declarada na DITR em tela, cuja glosa decorreu da constatação, pela autoridade fiscal, da ausência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) tempestivo. Diante disso, vale fazer uma breve recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4º, art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1º de setembro de 1997: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...) II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...)” (Grifos acrescidos). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 101 12 O Ibama, por sua vez, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1º, art. 17O, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) Observese que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama nº 162, de 1997, até o advento da IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; e II a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996; (...) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 102 13 Art 7º O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: I pela apresentação por meio eletrônico ADAWeb; II pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras.” (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA , deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (...) Art. 9º. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 103 14 dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber.” (Grifos acrescidos) Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, registrese que sua redação apenas determina que não se exija do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: “§ 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, verificase que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Permanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Inferese que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 104 15 § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, art. 9º, § 3º, incs. I e II, sendo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR. Não obstante as considerações acima, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se o único fundamento do lançamento, no que se refere a esse aspecto, foi a protocolizado intempestiva do ADA, como aqui se verifica, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Na espécie, conforme registrou a autoridade fiscal, há Autorização Ambiental de Desmatamento do IMAP n° 326 de 20/12/2002 onde consta consignada Área de Reserva Legal de 318,2ha (fl. 17), bem como averbação de 318,2 ha na matrícula do imóvel 15.501 Av.03/15,501 de 23 de julho de 2002 registrado no Serviço Registrai Imobiliário da Comarca de Bandeirantes /MS (fl. 12). Nestes termos, restando comprovada a comunicação ao órgão ambiental competente e a averbação anterior ao fato gerador de 01/01/2005. devese considerar a referida Área de Utilização Limitada/Reserva Legal para fins cálculo do ITR do exercício sob exame. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal, no montante de 318,20 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10140.720467/200975 Acórdão n.º 2801002.713 S2TE01 Fl. 105 16 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Numero do processo: 11634.001034/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/10/2009
Ementa:
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
MULTA MORATÓRIA
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Este posicionamento é válido para as competências até 11/12008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/10/2009 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Este posicionamento é válido para as competências até 11/12008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Este posicionamento é válido para as competências até 11/12008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 34 /2 00 9- 28 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.001034/200928 Acórdão n.º 2302002.142 S2C3T2 Fl. 119 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 04/12/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 08/12/2009, da diferença de 1% da alíquota relativa às contribuições destinadas ao financiamento dos riscos ambientais do trabalho, nas competências de 06/2007 a 10/2001, apuradas ao efetuar o cruzamento dos salários de contribuição declarados pela autuada nas GFIP’s e os valores recolhidos. O relatório fiscal de fls. 18/21, diz que com a edição do Decreto n° 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, que em seu artigo 2° alterou o anexo V do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, o grau de risco para Órgãos da Administração Pública em Geral passou a ser 2% a partir da competência 06/2007, enquanto a autuada permaneceu recolhendo a alíquota de 1%, no período antes citado. Após a impugnação, Acórdão de fls.105/107, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) que de 12/2006 a 12/2011, recolheu contribuição patronal sobre 1/3 de férias constitucionais, o que sabidamente não integra o salário de contribuição, apurando um valor recolhido a maior de R$ 248.356,36; b) que tem direito à restituição de tal valor, que seu direito não está decadente; c) que mesmo reconhecendo a existência de valores não recolhidos é de se ver que pagou valores indevidamente. Requer o reconhecimento do recolhimento irregular para que seja compensado com a dívida da irregularidade da alíquota do SAT. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade, devendo ser conhecido. Como se vê da análise da peça recursal, a recorrente admite a procedência do débito lançado, relativamente à diferença de 1% da alíquota de SAT a partir da competência 06/2007. Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência. Por este motivo, não é necessário tecer considerações outras sobre o lançamento. Com referência aos demais aspectos trazidos no recurso, verifiquei que os mesmos inovaram no processo administrativo porque a matéria relativa a recolhimento supostamente indevido e pedido de restituição não foram alegadas pela autuada quando da impugnação em sede de defesa administrativa. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, estipula em seu artigo. 16, inciso III, que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e por isso, em seqüência, o já referido artigo 17, do mesmo diploma legal traz que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.001034/200928 Acórdão n.º 2302002.142 S2C3T2 Fl. 120 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, a matéria que não foi expressamente impugnada na primeira instância administrativa , quando da apresentação de defesa será considerada como verdadeira, precluindo o ensejo de impugnação posterior, ou seja, não cabe alegação em grau de recurso. Ainda, é de se ver que o recurso voluntário oferecido pela autuada tem como objetivo manifestar a inconformidade do contribuinte, no caso, com a decisão proferida em primeira instância que lhe tenha sido desfavorável, almejando reformála. Portanto, recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, exarada por um julgador a quo. Ao não existir decisão que tenha se pronunciado quanto aos aspectos trazidos pelo autuado, não há como ele manifestar inconformidade e o Colegiado se pronunciar. A recorrente na sua peça de defesa mostra inconformidade com a aplicação da multa de ofício e diz que há divergência entre os valores apurados pelo Fisco, no exame das GFIP’s, e aqueles que entende como corretos. A decisão recorrida, manifestouse sobre tais tópicos e negou provimento ao recurso. Todavia, em sede recursal a recorrente inova buscando o reconhecimento do direito à restituição, tese que não será apreciada por estar preclusa a oportunidade da arguição, conforme já explicitado em parágrafos anteriores. Por derradeiro, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. É de fácil constatação, que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 12/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostrase mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores até a competência 11/2008 e a multa do artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, para as competências a partir de 12/2008, inclusive. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.001034/200928 Acórdão n.º 2302002.142 S2C3T2 Fl. 121 7 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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