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Numero do processo: 10314.001149/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 01 14 9/ 20 10 -1 4 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 969 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa e das razões recursais: A empresa acima qualificada importou no período de junho de 2005 a outubro de 2009 o que declarou ser um "Composto cuja estrutura contém um ciclo pirazol (hidrogenado ou não), não condensado — Dipirona Sódica (metampirona). Nome químico — Fenil Dimetil Pirazolona Metilamino Metano Sulfonato de Sódio — Metamizol Sódica (farmacopéia alemã)", classificandoo na posição 2933.11.19 da NCM refernte aos "Outros ácidos 1feni12,3dimetil5pirazolona 4metilaminometanossulfônico e seus sais". Baseandose no laudo de análise n° 1194.01 da FUNCAMP, emitido para idêntica mercadoria importada pela interessada mediante a DI 05/03237099, a fiscalização concluiu que a correta classificação do produto em questão deveria ser na posição 2933.11.11, relativa à "Dipirona". A fiscalização alega ainda que o laboratório Falcão Bauer, responsável pelo aditamento do laudo supra mencionado, informou que as denominações Dipirona, Dipirona Sódica, metamizol, metamizol sódico e analgim, são sinônimas. Tudo isso para justificar a necessidade de licenciamento não automático previsto na Portaria DPF 1.274 de 26/08/2003 para o produto químico Dipirona. Assim sendo, a fiscalização lavrou o auto de infração às folhas 05 a 108 e cobrou as multas previstas nos artigos 84 da MP 2.15835/2001, 636, I, parágrafo 2° do decreto 4.543/2002 e 711, I, parágrafos 2° e seguintes do decreto 6.759/2009. Em sua impugnação, As folhas 175 a 204, a interessada apresenta suas razões de defesa alegando, em suma, que: 1 — Dipirona e Dipirona Sódica são substâncias diferentes. Isso porque, conforme o próprio nome diz, na dipirona sódica, além de uma molécula de dipirona, há ainda a presença de um cátion de Sódio; 2 — como não há na NCM um código para a dipirona sódica, temse que o referido produto deve ser classificado no código 2933.11.19 sob a rubrica "Outros" derivados da Fenazona, uma vez que é mais especifico o produto em tela; 3 — a dipirona sódica não deve ser incluída no código NCM da Dipirona. Tanto é assim que no caso da Dipirona Magnésica, substância composta por uma molécula de dipirona ligada a um cation de magnésio, existe uma classificação especifica na posição 2933.11.12; 4 — a Portaria 14/2004, traz a disposição de que, via de regra, as importações estão dispensadas de licenciamento. A Portaria do Ministério da Justiça n° 1.274/2003 apenas traz a disposição de que a Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.001149/201014 Resolução nº 3201000.449 S3C2T1 Fl. 970 3 Dipirona está sujeita ao licenciamento não automático, e não, a dipirona sódica importada pela interessada; 5 — além disso, o ADN SRF 12/97 é claro em determinar que não incorre na multa por falta de licenciamento a DI cuja classificação tarifária exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; 6 — a interessada sempre classificou o produto em questão na NCM 2933.11.19 e todas as DI's foram devidamente desembaraçadas (e assim devidamente homologadas) sob esta informação. Qualquer revisão de entendimento da Administração Tributária caracterizase como alteração de critério jurídico e não poderia aplicarse nos termos do artigo 146 do CTN; 7 — a utilização de laudo emprestado é mera presunção e não caracteriza prova capaz de identificar as mercadorias das demais DI's registradas; 8 — as multas são descabidas em razão da aplicação do Principio da Proporcionalidade; 9 — os juros não podem incidir sobre as multas pois falta legislação que ampare esse procedimento. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 17 41.528, de 09/06/2010, in verbis: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 26/04/2005 a 09/04/2009 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Dipirona sódica — A dipirona sódica tem classificação especifica na posição 2933.11.11, por ser sinônimo de Dipirona, conforme laudo técnico apresentado. Por restar corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, nos termos do ADN COSIT 12/1997, não cabe a aplicação das multas previstas nos artigos 636, I, parágrafo 2° do decreto 4.543/2002 e 711, I, parágrafos 2° e seguintes do decreto 6.759/2009. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Como a parcela do crédito tributário exonerada excedeu o limite previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, o presidente da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua impugnação quanto à manutenção da multa por erro de classificação. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.001149/201014 Resolução nº 3201000.449 S3C2T1 Fl. 971 4 Além disso, a Recorrente pleiteia o saneamento da decisão recorrida por ter sido contraditória ao indicar dispositivos infralegais referentes à multa por erro de classificação, quando o correto seria indicar o dispositivo legal referente à multa por falta de licenciamento. Também foi requerida a declaração de nulidade parcial da decisão recorrida em razão da falta de análise, por parte da instância a quo, de todas as questões suscitadas na peça impugnatória. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Conforme já relatado, parte do crédito tributário que se discute no recurso de ofício referese à multa do controle administrativo das importações, que está respaldada no art. 169, § 1º, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei nº 37, de 1966. Embora o entendimento do relator fosse divergente inicialmente, o colegiado ressaltou que a jurisprudência do CARF é clara no sentido de que a multa por falta de licença de importação deve ser precedida da análise do tipo de licenciamento a que estava submetida a classificação fiscal atribuída pela fiscalização à época do registro da declaração de importação. Confirase: MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. (Acórdão nº 310200.951, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, Sessão de 02/03/2011) ......................................................................................................... MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro.Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI aos produtos dispensados de controle administrativo e licenciamento e ao produto sujeito a licenciamento, porém inexigível novo licenciamento em decorrência da mudança do código tarifário. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.001149/201014 Resolução nº 3201000.449 S3C2T1 Fl. 972 5 (Acórdão nº 3102000.758, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/08/2010) Portanto, é imprescindível para o julgamento do recurso de ofício que a informação sobre o tipo de licenciamento a que estavam sujeitas as mercadorias importadas pela Recorrente à época em que ocorreram os registros das declarações de importação que foram alcançadas pelo lançamento. Desta feita, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja apurada essa informação. Realizada a diligência, deverá ser dada vista à Recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 (trinta) dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727055/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO.
A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte.
IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE.
Nos termos do Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passa-se a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza salarial.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE. Nos termos do Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passa-se a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza salarial. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE. Nos termos do Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza salarial. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 55 /2 00 9- 87 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 89/126) interposto em 28 de outubro de 2010 (fl. 89) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 79/84), do qual a Recorrente teve ciência em 14 de outubro de 2010 (fl. 88), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/09, lavrado em 09 de novembro de 2009, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda pessoa física, verificada nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.727055/200987 Acórdão n.º 2101002.442 S2C1T1 Fl. 135 3 Crédito Tributário Mantido” (fl. 79). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 89/126, por meio do qual reitera os argumentos trazidos em sua impugnação, alegando, em apertada síntese, que: (i) inexiste conduta hábil à aplicação de multa, em virtude da responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia; (ii) a consulta administrativa levada a cabo pelo Presidente do TJ/BA possui caráter vinculante; (iii) o lançamento é nulo, em virtude da inadequada apuração da base de cálculo; (iv) não incide IR sobre os juros moratórios e compensatórios; (v) as verbas recebidas a título de URV têm natureza indenizatória; (vi) a União não tem legitimidade para cobrar o referido imposto; e (vii) houve violação ao princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em virtude de ter sido verificada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, tendo estes sido apontados como rendimentos isentos e não tributáveis. Mencionados rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em atendimento ao disposto pela Lei Estadual do Estado da Bahia n.º 8.730/2003. Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pela contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Sustenta a Recorrente, ainda, que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido seria da fonte pagadora, ou seja, o Estado da Bahia. Contudo, o Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, dispôs que, verificada a falta de retenção Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, no caso em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Verificandose que os rendimentos auferidos pela contribuinte constaram da Declaração de Ajuste Anual, concluise por sua responsabilidade quanto ao Imposto de Renda não recolhido. Quanto ao mérito, aduz a contribuinte, inicialmente, que os valores recebidos teriam natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, na redação do art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003, segundo o qual “São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei”. Não obstante o mencionado dispositivo consignar o caráter indenizatório dos rendimentos, imprescindível que se realize a análise de sua natureza jurídica, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pela contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pela contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...).” (STJ, Recurso Especial n.º Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.727055/200987 Acórdão n.º 2101002.442 S2C1T1 Fl. 136 5 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução nº 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...).” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, em relação à multa de ofício, entendo que esta deve ser excluída do lançamento. Isso com base na boafé da Recorrente, caracterizada pelo fato de ter agido simplesmente de acordo com expressas informações existentes na Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003. Justificando referido entendimento, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que o erro escusável do contribuinte, em situações como a dos autos, autoriza a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Assim, ao recurso deve ser dado provimento em parte, apenas para afastar a multa de ofício. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento EM PARTE ao recurso, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002043/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IRPJ - DECADÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 20 43 /2 00 3- 11 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.002043/200311 Acórdão n.º 9101001.871 CSRFT1 Fl. 7 2 Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 10196.373, da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido em sessão de 18 de outubro de 2007. Em procedimento de revisão de declaração de imposto de renda de pessoa jurídica IRPJ, foi lavrado contra o contribuinte, Auto de Infração (fls.02/07) exigindo IRPJ no valor de R$ 230.667,33, referente ao exercício de 1999. Fundamenta a fiscalização que, ao optar pelo Lucro Presumido, o contribuinte deveria ter adicionado à base de cálculo do imposto o lucro inflacionário de períodos anteriores. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 109/112) na qual aduziu, em síntese: i. Decadência do tributo, alegando a incidência do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional para determinação do dies a quo do prazo decadencial, haja vista se tratar de lançamento por homologação. Sobreveio o acórdão 10.313 de n° (fls. 163/167) da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 Ementa: Decadência. Lançamento p/ Homologação. Norma Geral. Não estando satisfeitas as condições para o lançamento por homologação, para fins de contagem do prazo decadencial, aplicase a regra geral, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.002043/200311 Acórdão n.º 9101001.871 CSRFT1 Fl. 8 3 Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 171/177), no qual reiterou os termos da Impugnação. Em complemento, alega ter realizado pagamento parcial mediante parcelamento de débito fiscal, corroborando a necessidade de se aplicar o artigo 150, §4º do diploma tributário nacional para determinação do dies a quo do prazo decadencial. Nesta oportunidade, também apresentou novos documentos para comprovação do alegado (fls. 178/204). Na sequência, foi proferido o acórdão de n° 10196.373, da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, reconheceu a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte e deu provimento ao recurso voluntário. IRPJ DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4° do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando violação ao artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, vez que não existe pagamento antecipado do imposto. Em exame de admissibilidade às fls. 223 foi dado seguimento ao recurso especial. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 227/232. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Delimitando a lide, a controvérsia cingese a determinação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se pela regra do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, ou se pela regra do artigo 173, inciso I do referido Código. Bom esclarecer que a peculiaridade do presente caso é que o prazo decadencial reportase ao reconhecimento que a fiscalização entendeu ser devido relativamente ao lucro inflacionário de períodos anteriores que deveriam ter sido adicionados à base de cálculo do anocalendário de 1998, quando o contribuinte optou pelo lucro presumido. Aduz a Fazenda Nacional que no caso em tela, em razão da total ausência de pagamento, não se trata de lançamento por homologação, mas sim lançamento de ofício, consoante artigo 149, V do Código Tributário Nacional, razão pela qual aplicável ao caso a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.002043/200311 Acórdão n.º 9101001.871 CSRFT1 Fl. 9 4 regra do artigo 173, I e não a regra do artigo 150, § 4°, ambos do referido Código. Nas palavras da recorrente às fls. 217: “(...) Por outro lado, não havendo pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, tem se firmado o entendimento de que o prazo decadencial deixa de ser aquele previsto pelo art. 150, §4º do CTN, passando a ser regido pela regra geral prevista no art. 173, I do CTN, que estipula que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter se efetuado. Observese que, não tendo ocorrido o recolhimento antecipado do tributo, não há o que homologar, passando a fluir, a partir da omissão do contribuinte, o prazo de 5 anos para a Fazenda Nacional efetuar o lançamento de ofício, no termos no art. 149, V do CTN.” Em suas contrarrazões, o contribuinte alega em sua defesa: i. Houve o recolhimento antecipado do tributo mediante a adesão ao REFIS; ii. A ausência do pagamento do imposto não desnatura a natureza do lançamento por homologação. Argumenta o contribuinte que a ausência do pagamento do imposto não desnatura a natureza do lançamento por homologação, incidindo, invariavelmente, o artigo 150, §4º no que tange a definição do dies a quo para o prazo decadencial, isto é, independente de pagamento parcial. Todavia, diante de entendimento já cnsolidade no Superior triunal de Justiça, deselhe aplicar, por força regimental. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.002043/200311 Acórdão n.º 9101001.871 CSRFT1 Fl. 10 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Fl. 258DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.002043/200311 Acórdão n.º 9101001.871 CSRFT1 Fl. 11 6 Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Portanto, a premissa fundamental que cinge a presente demanda não está em simplesmente verificar se o tributo é sujeito ao lançamento por homologação ou de ofício, e sim em analisar conjuntamente tal fator com a existência ou não de pagamento parcial do imposto. Nesse sentido, bem se posicionou a Fazenda Nacional em seu Recurso Especial ao apontar a necessidade de se considerar a existência de recolhimento parcial, necessidade esta que não existia quando proferido o acórdão. No que tange ao caso concreto, compulsando os autos, verifiquei nos documentos acostados junto ao Recurso Voluntário (fls. 178/192) a existência de adesão ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, que consubstancia em tese a existência de pagamento parcial. Especificamente às fls. 178 temse para o Código de Receita 289 (IRPJ) os saldos originais consolidados no REFIS, referentes aos períodos de apuração dos 4 trimestres de 1998. Constatei, também, que o valor incluído no REFIS é exatamente o valor declarado nos respectivos trimestres na DIPJ do contribuinte, colacionada às fls. 118/121. Nesse passo, deve ser aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, proponho Negar Provimento ao Recurso Especial da d. Fazenda Nacional. Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2014 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.002407/2005-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 01/05/1991
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 3802-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 01/05/1991 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos de declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 24 07 /2 00 5- 36 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Em sessão transcorrida em 21 de agosto de 2011, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 01/05/1991 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL QUE RECONHECE O DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO FINSOCIAL COM A COFINS, NOS TERMOS DEMANDADOS JUDICIALMENTE, E EM CONFORMIDADE COM AS RESTRIÇÕES LEGAIS VIGENTES À ÉPOCA. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. Realidade em que o título judicial em favor da recorrente é restrito ao pedido pela mesma formulado, reconhecendo o direito à compensação das parcelas pagas a maior a título do Finsocial com a COFINS, sem as restrições impostas pela IN 67/92. Contudo, a limitação do pedido judicial frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da interessada, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que pleito nesse sentido figurasse na petição inicial, justamente porque, à época, tal não era previsto pela legislação de regência. Deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal que não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente em justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Recurso ao qual se dá parcial provimento para reconhecer o direito à liquidação dos débitos declarados pela pleiteante com o título judicial em seu favor, até o montante dos créditos calculados pela Fazenda pública. Cientificada da referida decisão em 31/08/2012 (vide despacho de encaminhamento destinado à COCAT/PGFN, acostado às fls. 520 do eprocesso), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 05/09/2012, interpôs embargos de declaração (fls. 521/523) alegando omissão no acórdão, nos seguintes termos: 1. Analisando o v. acórdão ora embargado, temos que restou consignado, verbis: Contudo, a limitação do pedido judicial frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da interessada, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que pleito nesse sentido figurasse na petição inicial, justamente porque, à época, tal não era previsto pela legislação de regência. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10680.002407/200536 Acórdão n.º 3802002.372 S3TE02 Fl. 527 3 2. Ou seja, o v. acórdão ora embargado afirmou que na época do pedido judicial, estava em vigor uma legislação que limitava o direito de compensação. 3. Porém, a existência da Lei n. 9.430/96 (legislação superveniente que ampliou a possibilidade de tributos) já estava em vigor no momento da decisão de 1ª instância, e mesmo assim o douto magistrado não a aplicou, nem a contribuinte interpôs Embargos de Declaração no processo judicial para tal fim. 4. Em outras palavras, quando da decisão de 1a instância já existia a previsão de compensar com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal e mesmo assim a Justiça não autorizou isso. Não há de se falar em legislação “superveniente”, pois esta já existia quando da prolação da r. sentença. 5. Ora, tal aspecto fundamental para o deslinde da controvérsia, não foi analisado no v. acórdão ora embargado, restando evidenciada a OMISSÃO. 6. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanando a OMISSÃO apontada, ser emprestado efeitos modificativos ao julgado, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Diante da tempestividade do recurso – já que foi observado o prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009), os autos foram movimentados para este conselheiro para exame dos argumentos aduzidos pela Fazenda Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme ementa do julgado vergastado, esta Turma de julgamento, à unanimidade, entendeu pela legitimidade da aplicação do direito superveniente que ampliou as possibilidades de compensação (artigo 74 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002), não mais se restringindo às limitações impostas pela IN 67/92. Assim, os créditos judiciais decorrentes do pagamento a maior do Finsocial não estariam mais restritos à compensação com a COFINS, como deferido na sentença judicial, podendo ser utilizados para a compensação com quaisquer tributos federais em nome do sujeito passivo, já que norma ulterior e mais elástica quanto às possibilidades de compensação fora editada em momento posterior à época da autuação do processo judicial. Contudo, aduz a PGFN que a Lei nº 9.430/96 já estava em vigor no momento da decisão de 1a instância, “e mesmo assim o douto magistrado não a aplicou, nem a contribuinte interpôs Embargos de Declaração no processo judicial para tal fim”. Portanto, Fl. 529DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 “não há de se falar em legislação ‘superveniente’, pois esta já existia quando da prolação da r. sentença. Entende, pois, a douta Procuradoria, que o acórdão questionado teria sido omisso, pois não analisou tal questão em seu conteúdo. Com a devida vênia, entendo não ser razoável a argumentação desenvolvida pela Fazenda Pública. A decisão judicial de primeira instância foi proferida em 21 de julho de 1998 (v. fls. 354 dos autos – fls. 404 do eprocesso), época em que ainda não vigia a alteração legislativa que sedimentou o direito à utilização de créditos tributários por compensação. Com efeito, isso só veio a ocorrer com a publicação Lei no 10.637/2002, que alterou o artigo 74 da mencionada Lei n° 9.784/89. Não sem razão foi que a decisão judicial se baseou no artigo 66 da Lei nº 8.383/91, que restringia a compensação entre tributos da mesma espécie. Importa destacar que a redação original do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 estabelecia que “[...] a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração”. Portanto, a norma vigente à época da promulgação da sentença judicial sujeitava a compensação a autorização da Secretaria da Receita Federal, mediante pedido do interessado. Como já dito, o reconhecimento ao amplo direito à compensação só veio com a publicação da Lei nº 10.637/02, que possibilitou a extinção de créditos tributários sob condição resolutória de ulterior homologação da declaração de compensação (ver art. 74, caput e § 2º, Lei nº 9.430/96, com as alterações impostas pela Lei nº 10.637/02). Portanto, claro está que a premissa em que se fundamenta a Fazenda Pública é falsa, já que no momento em foi proferida a sentença judicial ainda não vigoravam os dispositivos da Lei nº 9.430/96 que ampliaram significativamente o direito à compensação tributária. No mais, ainda que tais alterações legislativas já vigorassem, mesmo assim não haveria como se caracterizar omissão no acórdão recorrido que justificasse o acolhimento de embargos de declaração nos termos em que alude a Fazenda Nacional. As questões necessárias à resolução da lide foram todas explicitamente contempladas no relatório e no voto que pavimentaram o julgado administrativo. Ciente da realidade, o colegiado entendeu que “o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação”. Tal entendimento, inclusive, foi alicerçado em forte jurisprudência administrativa e judicial. No mais, considerando a realidade acima retratada, não me parece razoável exigir do sujeito passivo a interposição de embargos de declaração em relação à decisão judicial. Isso, porque, em sede de embargos, não se pode exigir que o magistrado se manifesta quanto a questão que não fora postulada; em outras palavras, não é razoável fundamentar embargos de declaração para indagar do magistrado manifestação extra petita, já que o pleito não abordara o quesito aduzido. Em suma, também em relação ao decisum judicial não se vislumbra de omissão que justificasse a oposição de embargos. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10680.002407/200536 Acórdão n.º 3802002.372 S3TE02 Fl. 528 5 Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de omissão que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública, visto que carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2014. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10510.904357/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/03/2005, 13/05/2005, 14/06/2006, 14/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp), homologa-se a compensação declarada.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36531.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente temporariamente Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 15/03/2005, 13/05/2005, 14/06/2006, 14/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp), homologa-se a compensação declarada. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36531. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente temporariamente Bernardo Motta Moreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O indébito tributário decorrente de erro na declaração e pagamento da contribuição devida mensalmente, comprovado mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis é passível de repetição/compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/03/2005, 13/05/2005, 14/06/2006, 14/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp), homologase a compensação declarada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36531. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 43 57 /2 00 9- 17 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente temporariamente Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Salvador (BA) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais da Cofins e do PIS declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 03/10, transmitida na data de 23/07/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido de Cofins. A não homologação das Dcomp pela DRF em Aracaju (SE) teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro utilizado, tendo em vista que consulta aos sistemas da Receita Federal prova que o valor recolhido foi integralmente utilizado na extinção do débito fiscal declarado na respectiva DCTF, conforme despacho decisório às fls. 06. Inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “• relativamente ao fato gerador de 31/01/2005, constatou em seus controles, inicialmente, um valor a recolher no montante de R$271.782,50, o qual fora integralmente lançado junto à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, original, correspondente ao período; • em análise posterior, verificando inconsistência na sistemática aplicada à apuração do tributo em referência, identificou o equivoco cometido, promoveu as devidas alterações para evidenciar o real valor devido de acordo com a apuração já ajustada em R$100.476,67, na forma do DACON, apresentando em 03/11/2009, a DCTF retificadora; • constituiu assim um crédito em seu favor no valor de R$171.305,83, passível de compensação nos termos da legislação aplicável, esse, o indébito tributário utilizado pela manifestante para efeito de compensação com outros tributos mediante procedimento declaratório eletrônico; • pelo teor do despacho decisório a compensação não foi homologada, eis que analisada com base nas informações maculadas pelo equivoco cometido pela manifestante no preenchimento da DCTF original; • o crédito tributário compensado pode ser devidamente comprovado através de elementos já fornecidos pela manifestante, conforme DACON apresentado; • mero erro no preenchimento das obrigações acessórias não pode ser levado a efeito para constituição de crédito tributário, conforme preceitua o art.114, do Código Tributário Nacional – CTN; • o processo administrativo tributário prima pela incansável busca da verdade material, devendo prevalecer o principio da verdade material para validar a efetiva realização da compensação quando comprovada a existência e disponibilidade do crédito conforme se depreende das transcrições dos diversos doutrinadores e da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. • protesta por todos os meios de prova e pela produção de prova documental que apure a veracidade dos fatos narrados, inclusive a conversão do processo em diligência fiscal se for julgado necessário.” Fl. 371DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10510.904357/200917 Acórdão n.º 3301002.109 S3C3T1 Fl. 371 3 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1525.145, datado de 20/10/2010, às fls. 104/106, sob as seguintes ementas: “DCTF RETIFICADORA POSTERIOR Á CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. COMPENSAÇÃO 0 crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (110/123), requerendo, a sua reforma a fim de que seja homologada a compensação dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que cometera erro na apuração da Cofins referente ao mês de janeiro de 2005, para o qual apurou, declarou e pagou o valor de R$271.782,50, quando o correto era R$100.476,67, gerando um indébito de R$171.305,83 que foi então utilizado na Dcomp em discussão. Percebido o erro, apresentou DCTF retificadora que, no entanto, não foi aceita pela autoridade julgadora de primeira instância. Contudo, em face do princípio da verdade material, tem direito à retificação do valor do débito declarado e à repetição/compensação do valor recolhido a maior e, conseqüentemente, à homologação da Dcomp. Em face das alegações da recorrente e dos documentos carreados aos autos, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade administrativa apurasse o valor da Cofins com incidência nãocumulativa devida no mês de janeiro de 2005, os créditos a deduzir e o saldo a recolher, nos termos da Resolução nº 3301000.076 às fls. 154/158. Em cumprimento à diligência, foi elaborado o Relatório às fls. 331/334. Intimada, a recorrente apresentou manifestação concordando com seu resultado. O processo foi então devolvido para julgamento. É o relatório. Voto O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Na Dcomp em discussão, a recorrente declarou crédito financeiro, no valor de R$171.305,83, decorrente do pagamento a maior da Cofins do mês de janeiro de 2005. A autoridade administrativa não homologou a compensação sob o fundamento de saldo Fl. 372DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 indisponível, tendo em vista que o valor declarado na DCTF é o mesmo do darf. Já a autoridade julgadora de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob o fundamento de que não se admite retificação de DCTF depois de notificado o contribuinte do despacho decisório. Ao contrário do entendimento da DRJ, entendo que se o contribuinte cometeu erro no preenchimento da DCTF e por conta disto pagou a contribuição, em valor bem superior ao realmente devido, a repetição/compensação do indébito resultante é um direito seu. Baixados os autos em diligência, a autoridade administrativa comprovou o erro alegado pela recorrente, pagamento a maior da contribuição devida para a competência de janeiro de 2005, resultando indébito, no valor utilizado na Dcomp em discussão, conforme demonstrado no Relatório de Diligência às fls. 337/340. Assim, o pagamento a maior daquela contribuição, no valor de R$171.305,83, declarado na Dcomp, é passível de restituição/compensação. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Dessa forma, reconhecida a liquidez e certeza do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, a compensação dos débitos declarados deve homologada. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 373DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000089/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/12/2004 a 30/06/2005
LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
PIS. CONTRIBUIÇÃO NÃO RECOLHIDA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. FALTA DE DECLARAÇÃO DO VALOR DEVIDO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MANTIDO.
É válido o lançamento de ofício quando a contribuição para o PIS não for recolhida, a compensação do período devido for considerada não declarada e o valor devido não for declarado em DCTF.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O afastamento da multa com base em inconstitucionalidade não é permitido, em face da falta de competência do CARF, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis:
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
TAXA SELIC PARA CRÉDITOS DA UNIÃO. LEGALIDADE.
A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitida pela Súmula no 04 do CARF, in verbis:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3401-002.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/12/2004 a 30/06/2005 LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. PIS. CONTRIBUIÇÃO NÃO RECOLHIDA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. FALTA DE DECLARAÇÃO DO VALOR DEVIDO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MANTIDO. É válido o lançamento de ofício quando a contribuição para o PIS não for recolhida, a compensação do período devido for considerada não declarada e o valor devido não for declarado em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O afastamento da multa com base em inconstitucionalidade não é permitido, em face da falta de competência do CARF, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. TAXA SELIC PARA CRÉDITOS DA UNIÃO. LEGALIDADE. A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitida pela Súmula no 04 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
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PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. PIS. CONTRIBUIÇÃO NÃO RECOLHIDA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. FALTA DE DECLARAÇÃO DO VALOR DEVIDO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MANTIDO. É válido o lançamento de ofício quando a contribuição para o PIS não for recolhida, a compensação do período devido for considerada não declarada e o valor devido não for declarado em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O afastamento da multa com base em inconstitucionalidade não é permitido, em face da falta de competência do CARF, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. TAXA SELIC PARA CRÉDITOS DA UNIÃO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 89 /2 00 7- 37 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitida pela Súmula no 04 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Relatório Trata o presente processo de auto de infração pelo qual foi lançado o PIS relativo aos fatos geradores ocorridos entre dezembro de 2004 e junho de 2005 (fls.05/10), com ciência dada em 29/05/2007 (fl.74). O lançamento foi originado porque a Contribuinte apresentou declaração de compensação dos períodos lançados, mas a compensação foi considerada declarada não declarada. Em sua defesa, a Recorrente alega decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito e que o tributo lançado é objeto de compensação em outro processo administrativo e, alternativamente, sustenta a inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada e impossibilidade de aplicação da Taxa Selic sobre o valor devido. O recurso voluntário (fls. 126/149) já foi inicialmente analisado por este Conselho, ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência (fls.211/215) para saber se os períodos lançados tiveram a compensação reconhecida no processo nº 14112.000109/200779 e se a Recorrente havia declarado em DCTF os débitos objeto do auto de infração deste processo. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14120.000089/200737 Acórdão n.º 3401002.456 S3C4T1 Fl. 247 3 As respostas à diligência estão presentes nas fls.229/230 do seguinte modo: “QUESTÃO 1 O direito à compensação foi reconhecido no processo nº 14112.000109/200779? Juntar cópia do acórdão da DRJ e, se houver, do CARF. RESPOSTA: Não, o direito à compensação não foi reconhecido no processo nº 14112.000109/200779. Entretanto, inexiste decisão da DRJ ou do CARF, e sim julgamento do recurso hierárquico pela Superintendência da 1ª Região Fiscal, o qual foi juntado às folhas 218 a 225. Destaquese que esta decisão foi obtida no sistema corporativo DecisõesW e esclarece que não houve equívoco da autoridade fiscal ao elaborar o parecer do processo nº 14112.000109/200779. Sendo a declaração de compensação instrumento que opera a extinção de créditos tributários na data de seu protocolo e sob condição resolutória de ulterior homologação, é requisito essencial que, na data de sua formalização, o crédito pleiteado perante a Fazenda Nacional goze “certeza e liquidez”. Juntado também extrato de movimentação do processo obtido no site da Receita Federal do Brasil, que demonstra que o mesmo não transitou pelo CARF. QUESTÃO 2 O débito fiscal constante no auto de infração objeto deste processo já estava declarado em DCTF? Desde qual data? RESPOSTA: Não, os débitos constantes no auto de infração não estavam declarados em DCTF porque o sujeito passivo é uma autarquia estadual, e, portanto, dispensado desta obrigação acessória, conforme disposto no artigo 3º, inciso IV, da IN SRF nº 255, de 11/12/2004, e artigo 4º, inciso IV, da IN SRF nº 482, de 21/12/2004, normas vigentes no período objeto do lançamento”. A Recorrente se manifestou acerca do resultado da diligência (fls.234/239), informando que passou a efetuar a compensação depois que o Conselho de Contribuintes reconheceu a existência de direito creditório. Portanto, como a compensação foi efetuada conforme determina a legislação e a jurisprudência, elas deveriam ser homologadas. Ao fim, a Recorrente reafirmou os pedidos do recurso voluntário, para que o lançamento seja julgado totalmente improcedente. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Os requisitos do recurso voluntário foram apreciados na primeira vez em que ele foi analisado e dele tomouse conhecimento. Como já relatado, o recurso versa sobre lançamento de ofício do PIS dos fatos geradores ocorridos entre dezembro de 2004 e junho de 2005, em razão de seu não recolhimento, vez que a compensação deste período foi considerada não declarada. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho são as seguintes: (1) Decadência do direito da Fazenda fazer o lançamento de ofício; (2) Impossibilidade de lançamento, em razão de os períodos lançados serem objetos de compensação; (3) Inconstitucionalidade da multa de ofício e; (4) Impossibilidade de aplicação da Taxa Selic sobre o valor devido. 1. Da decadência Preliminarmente, a Recorrente alega que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito está decaído, isso porque, segundo a Recorrente, não se deve levar em consideração o período lançado, pois ele é referente ao período que se apresentou a compensação, mas sim os períodos de pagamento a maior, que deram origem aos créditos, cuja compensação não foi homologada, quais sejam, os ocorridos entre 1988 e 1995. A alegação da Recorrente não prospera, pois o período lançado é referente aos meses com pedido de compensação (dezembro de 2004 a junho de 2005), cuja compensação não foi homologada por ter sido considerada não declarada pela autoridade fiscal. Nesse aspecto, não faria sentido o Fisco efetuar a cobrança de período com recolhimento a maior. O lançamento, ao contrário do argumento do recurso, é feito daqueles períodos não recolhidos. Como bem esclarecido no art. 142 do CTN, pelo ato do lançamento, a autoridade administrativa irá “calcular o montante do tributo devido” e não o do tributo recolhido. Sendo assim, as datas a serem levadas em consideração para a decadência são as dos fatos geradores, cujo tributo é devido, e não daquele recolhido a maior. Em agosto de 2009 do STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733, o reconhecido como recurso repetitivo, pela sistemática do art. 543C, do CPC, editando a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14120.000089/200737 Acórdão n.º 3401002.456 S3C4T1 Fl. 248 5 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...).2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001.6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (STJ, 1a Seção.. Resp. 973.733. Rel.Ministro Luiz Fux) (grifo nosso) Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Dessa forma, seguindo o entendimento pacificado do STJ, apesar de o PIS ser tributo sujeito à homologação, como, in casu, não houve recolhimento antecipado, o prazo a ser contado é o inserido no art. 173, inciso I, do CTN, pelo qual o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário é de cinco anos, “a contar do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo ser levado em consideração o exercício do tributo devido. Portanto, se os tributos devidos são do exercício de 2004 e 2005 e o lançamento foi efetuado em 2007, não ocorreu a decadência. 2. Impossibilidade de lançamento, em razão de os períodos lançados serem objetos de compensação A Recorrente alega que o lançamento não poderia ter sido efetuado, haja vista ela ter apresentado declaração de compensação dos fatos lançados. A compensação alegada pela Recorrente estava sendo analisada no processo nº 14112.000109/200779. A Recorrente pretendia o aproveitamento do crédito reconhecido no processo nº 10140.001701/0099. Ocorre que, conforme demonstra o resulta da diligência, a compensação alegada pela Recorrente não foi reconhecida, bem como não foi apresentada DCTF com os valores devidos. Na manifestação apresentada pela Recorrente acerca do resultado da diligência, ela resumese a contestar o resultado do processo de compensação, alegando que a decisão administrativa ao considerar a compensação não declarada foi equivocada. Todavia, neste processo, não cabe mais discutir a validade da compensação, vez que ela foi objeto de outro processo. Aqui se deve analisar somente a validade do lançamento de ofício. Em consulta à página virtual da Receita Federal do Brasil, procedida por este Conselheiro, foi constatado que o processo nº 14112.000109/200779, o qual cuidou da compensação, está arquivado desde 11/03/2010. Como o relatório da diligência é de 27/02/2013 (fl.230), posterior ao arquivamento do processo, temse que não haverá mais alteração no resultado do processo da compensação. Portanto, como a compensação dos períodos lançados não foi homologada e como não resta dúvida da inexistência do recolhido do PIS, deve ser mantido o lançamento de ofício. 3. Inconstitucionalidade da multa de ofício Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14120.000089/200737 Acórdão n.º 3401002.456 S3C4T1 Fl. 249 7 A Recorrente alega que a multa aplicada é incabível por ter efeito confiscatório. O Princípio do nãoconfisco é princípio constitucional. O afastamento da multa com base em inconstitucionalidade não é permitido, em face da falta de competência do CARF, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. A multa no percentual de 75% está prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Portanto, como a multa tem base em norma em pleno vigor, não cabe ao CARF afastála com base em inconstitucionalidade. 4. Impossibilidade de aplicação da Taxa Selic sobre o valor devido A Recorrente insurgiuse contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios do crédito tributário. O tratamento desta matéria não merece delonga, pois já foi pacificado pela Súmula no 04 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Desse modo, é válido o cálculo dos juros de mora com aplicação da Taxa SELIC. Em suma, constatada a validade do lançamento, não há o que ser reformado no acórdão do DRJ. Ex positis¸ nego provimento ao recurso voluntário interposto, para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10380.012544/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome (Presidente), Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo NetO
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome (Presidente), Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo NetO RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 12 54 4/ 20 07 -2 5 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.012544/200725 Resolução nº 1102000.178 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. NULIDADE. A disposição contida no caput do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, no sentido de que a lavratura do auto de infração deve se dar no local de verificação da falta não significa necessariamente a confecção do instrumento no domicílio do contribuinte, não se traduzindo, portanto, o fato, em vício que possa inquinar de nulidade o lançamento formalizado nessas condições. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. DISPENSA. A intimação para prestar esclarecimentos não constitui pressuposto de validade do ato de lançamento, se a infração estiver caracterizada à luz das informações e provas de que internamente dispõe a autoridade fiscal, em procedimento de revisão da declaração apresentada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. DIFERENÇA IPC/BTNF. INCORPORAÇÃO AO PREJUÍZO FISCAL. Uma vez comprovada a prévia incorporação ao prejuízo fiscal do saldo devedor da Diferença de Correção Monetária IPC/BTNF, é pertinente a glosa do prejuízo fiscal compensado e considerado inexistente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. DIFERENÇA IPC/BTNF. O resultado da correção monetária complementar, decorrente da diferença verificada, no períodobase de 1990, entre o IPC e o BTNF, não influi na base de cálculo da CSLL. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls 4/10) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls 3/9), com fatos tributários trimestrais em 2003 e nos primeiro e segundo trimestres de 2004, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 3.032.991,10, já acrescido dos juros moratórios e da multa de ofício. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.012544/200725 Resolução nº 1102000.178 S1C1T2 Fl. 4 3 2. Conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração, o contribuinte compensou valores inexistentes de prejuízo fiscal (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSLL) de períodos anteriores, conforme DIPJs apresentadas e os extratos dos sistemas de controle da Receita Federal (fls 22/47). 3. Cientificado da pretensão fiscal em 01.11.2007 (fl 50), o contribuinte apresentou impugnatória em 22.11.2007 (fls 57/67), requerendo a improcedência dos lançamentos, com base nos argumentos a seguir sintetizados: a. Preliminarmente, pugna pela nulidade do lançamento, tendo em vista que ao contribuinte não foram solicitados, antes da autuação, esclarecimentos ou documentação que demonstrasse a possibilidade da compensação realizada, inclusive mediante apresentação do livro lalur, desobedecendo, assim, as disposições contidas no art. 844 do RIR/99; b. Ainda preliminarmente aduz que os lançamentos foram promovidos “fora do local da falta, indo de encontro com o que preconiza o art. 10 do Decreto 70.235/72”, de modo a restar patente a sua nulidade; c. No mérito, alega possuir saldo devedor de correção monetária oriundo da Diferença IPC/BTNF de 1990, nos montantes de R$ 2.922.342,71 (prejuízo fiscal) e R$ 2.805.686,98 (base de cálculo negativa), em 31.12.2002, tal como demonstrado no livro lalur, mas não excluídos, por um equívoco no preenchimento das DIPJs, na apuração das bases tributáveis dos períodos de 1993 a 1998, deixando, assim, de observar a determinação do art. 3º da Lei nº 8.200, de 1991, alterada pela Lei nº 8.682, de 1993; caso tivesse havido a exclusão, a Diferença IPC/BTNF teria se convertido em prejuízo fiscal, sensibilizando, dessa forma, a parte B do lalur; d. No tocante à base de calculo negativa da CSLL, não cabe ao Fisco argumentar que o saldo devedor do IPC/BTNF não poderia influir na base de cálculo da contribuição social, uma vez que o art. 41 do Decreto nº 332/91 jamais poderia inovar na ordem jurídica, modificando a base de cálculo da referida contribuição, para impedir a dedução de despesa, quando tal modificação não tem previsão legal; e. Confrontandose o saldo efetivo com o saldo registrado no lalur, constatase uma divergência de R$ 943.570,00 em relação ao prejuízo fiscal e à base de calculo negativa, decorrente de erro de cálculo da correção monetária relativa ao períodobase de 1995; entretanto, este erro não pode ser revisto pelo Fisco, já que se operou a decadência; dessa forma, devem prevalecer os saldos constantes no lalur que são suficientes para suportar as compensações efetuadas. 4. Anexei as fls 245/345. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.012544/200725 Resolução nº 1102000.178 S1C1T2 Fl. 5 4 5. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte, preliminarmente, requer a nulidade do lançamento: (i) por infração ao art. 844 do RIR/99, em virtude da ausência de intimação prévia para a apresentação de documentos e informações; e (ii) e pelo fato de o lançamento ter sido efetuado fora do local da prática da alegada infração. No mérito, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos por alegada: (i) prevalência da verdade material, mediante a comprovação de erro no preenchimento das DIPJs dos anos de 1993 a 1998; (ii) possibilidade da exclusão do saldo devedor de IPC/BTNF da base de cálculo da CSLL; (iii) decadência do direito da glosa de prejuízos fiscais registrados a mais de cinco anos. Por fim, a Contribuinte aponta que há divergências nos números das declarações (DIPJs) utilizadas como base da autuação, e requer seja convertido o julgamento em diligência. É o relatório. Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. (i) Da preliminar de nulidade: lançamento sem intimação prévia para a apresentação e documentos Argui a Contribuinte nulidade do lançamento em virtude da falta de intimação prévia para a apresentação de documentos. Essa controvérsia encontrase superada por essa Corte, conforme Súmula CARF nº 46, verbis: “Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário” O lançamento foi lavrado com base em informações contidas no sistema de auditoria interna da Receita Federal do Brasil, cf autorizado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 77/98, razão pela qual era dispensável a intimação prévia do sujeito passivo para a entrega de documentos e prestação de esclarecimentos. Rejeitase, pois, a preliminar suscitada. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.012544/200725 Resolução nº 1102000.178 S1C1T2 Fl. 6 5 (ii) Da preliminar de nulidade de lançamento por ter sido lavrado fora do local da alegada infração. Aduz o Contribuinte que a lavratura do auto de infração em local distinto daquele onde praticada a infração constitui vício do lançamento, devendo ser este anulado. Tal qual a preliminar anterior, essa controvérsia também encontrase superada por essa Corte, conforme Súmula CARF nº 27, verbis: “Súmula CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo” Rejeitase, portanto, essa preliminar. (iii) Do mérito: do pedido de conversão do julgamento em diligência Alega a Contribuinte que há divergências nos relatórios extraídos do sistema da RFB que fundamentaram o lançamento e o acórdão recorrido, especialmente em relação aos números das DIPJs utilizadas com base para o cálculo do saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL disponíveis para utilização. Segundo aduzido pela Contribuinte, os números das DIPJs dos anoscalendário de 1995 a 1998 constantes do relatório do “DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – SAPLI”, anexado às fls.303, divergem dos números das declarações constantes das telas denominadas “Consultas de Declarações” (fls. 317 a 337). A divergência é relevante no caso pois “para fins de controle do saldo de prejuízos fiscais, a Receita Federal utilizou as informações das declarações originais (fls. 303), onde não houve qualquer exclusão do saldo devedor IPC/BTNF. Por outro lado para comprovar, o que a firma a decisão, que houve exclusão do saldo devedor IPC/BTNF, utilizouse as informações das declarações retificadoras” (fls. 317/337). Segundo a Contribuinte, os números das DIPJ indicadas nas telas denominadas “Consultas de Declarações” dizem respeito a declarações retificadoras que não teriam sido aceitas pela RFB. Continua o Contribuinte: “se as declarações retificadoras estão produzindo efeitos, o saldo do controle de prejuízos está totalmente incorreto, na medida em que utilizandose as exclusões do IPC, o lucro tributável diminuiu ou transformouse em prejuízo e, consequentemente, o prejuízo compensado diminuiu também, conforme demonstrativo anexo (planilha 1 – Lucro Real antes da compensação do prejuízo). Neste diapasão, ao adequar o controle de prejuízos fiscais às declarações retificadoras, caso sejam estas as declarações consideradas válidas, o saldo apurado de prejuízos a compensar será suficiente para justificar as compensações glosadas”. Compulsando as folhas apontadas, verificase que, de fato, há divergência entre o número das DIPJs consideradas para lançamento e aquelas que serviram de base para o entendimento firmado no acórdão recorrido. Contudo, tal divergência é constatada apenas relação aos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, conforme demonstrado a seguir: Ano Calendário Relatório SAPLI (fls. 303) “Consulta de Declarações” (fls. 317 a 337) 1995 8609411 9412494 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.012544/200725 Resolução nº 1102000.178 S1C1T2 Fl. 7 6 1996 8017918 7873956 1997 3116854 4014564 Considerandose haver divergência entre informações contidas nos relatórios e extratos da RFB que fundamentaram o lançamento e o acórdão recorrido, indispensável a conversão desse julgamento em diligência para a adoção das seguintes providências: (a) verificar e identificar nos sistemas da RFB quais as DIPJs entregues pela Contribuinte que estão válidas para os anoscalendário de 1995 a 1998; (b) verificar e ratificar, de forma conclusiva e fundamentada, a afirmação de que a Contribuinte apurou saldo devedor da diferença de IPC/BTNF, no valor de Cr$ 2.960.201.084,00, conforme consta da DIPJ do ano calendário de 1991; (c) atestar, de forma conclusiva e fundamentada, o alegado erro de preenchimento das DIPJs do ano de 1993 a 1998 decorrente da ausência de informação nessas declarações sobre a utilização do saldo devedor de correção monetária referido no item b supra em comparação com as informações constantes da contabilidade e do Lalur do período; (d) identificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, os reflexos do citado erro de preenchimento de DIPJ e do referido saldo devedor de correção monetária no montante de prejuízos fiscais e bases negativas a compensar no encerramento do anocalendário de 2002. (e) apresentar, se o caso, de forma conclusiva e fundamentada, quais os valores do lançamento que remanesceriam fossem considerados o alegado erro de preenchimento de DIPJ e o saldo devedor de correção monetária alegado pela Contribuinte em impugnação. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. Conclusão Por todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 13832.000291/2002-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/1999
PEDIDO RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 4º DA LC Nº 118/2005. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RE 566621, ELLEN GRACIE, STF. Reprodução do entendimento do STF, na forma do art. 62-A do RICARF.
Inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, para o pedido de restituição solicitado em 2002.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/1999 PEDIDO RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 4º DA LC Nº 118/2005. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62A DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RE 566621, ELLEN GRACIE, STF. Reprodução do entendimento do STF, na forma do art. 62A do RICARF. Inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, para o pedido de restituição solicitado em 2002. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira– Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 02 91 /2 00 2- 65 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de pedido de restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 10.308,49, protocolizado em 27/12/2002, correspondente a pagamentos efetuados no período de novembro de 1995 a dezembro de 1996, com a alegação de que referidos pagamentos foram efetuados indevidamente, em virtude de decisão do Supremo Tribunal Federal, que julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN nº 1.417/0, declarando inconstitucional o artigo 14 da Medida Provisória nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida pela Lei nº 9.715/87, considerando assim inexistente os fatos geradores da contribuição para o PIS, para o período de 11/1995 a 02/1999. Referido pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal, em Marília, em face da decadência, ou seja, por se extinguir o direito de pleitear a restituição após o decurso de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, nos termos do art. 165, I c/c o art. 168 do Código Tributário Nacional – CTN. A DRF, igualmente, decidiu inexistência de crédito, tendo em vista que, relativamente aos fatos geradores da contribuição para o PIS, ocorridos no período de 1º de outubro de 1.995 a 29 de fevereiro de 1.996, os recolhimentos devem obedecer ao disposto na Lei Complementar nº 7/1970, e para os fatos geradores ocorridos a partir de março/1996, referidos recolhimentos, devem ser efetuados conforme normas estabelecidas na Medida Provisória nº 1.212/95, e suas reedições, convertida pela Lei nº 9.715/98. Cientificado do despacho decisório, a contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade, defendendo que não havia se operado a decadência, visto que a contagem do prazo de cinco anos somente começaria a contar depois de ocorrida a homologação tácita, segundo a tese conhecida como “cinco mais cinco” e que seriam indevidos os pagamentos relativos ao PIS, no período indicado. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ julgou improcedente, por entender que se operou a decadência do direito de restituição, não acolhendo a tese baseada na interpretação combinada dos arts. 150, § 4º, 156 , VII, e 168, I, do CTN nem a tese de que teria ocorrido pagamento indevido. Contra o acórdão recorrido, a empresa interpôs o presente recurso voluntário defendendo que, antes da Lei Complementar nº 118/2005, a contagem do prazo decadencial para repetição do indébito somente se inicia após a homologação do crédito tributário, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13832.000291/200265 Acórdão n.º 3202001.048 S3C2T2 Fl. 155 3 É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A pretensão da recorrente merece ser acolhida, uma vez que o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, em regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Confirase a ementa do julgado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECE SSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPE TIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005 . Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 ano s contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156 , VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo juríd ico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, por quanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, se m resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não a penas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, ELLEN GRACIE, STF.) Diante da decisão do STF acima transcrita, impõese adotar tal entendimento na forma do art. 62A do RICARF: Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) In casu, o pedido de restituição foi protocolizado em 27/12/2002 e os pagamentos remontam ao período entre 1995 e 1999. Assim, acolho o recurso voluntário para afastar a decadência e aplicar a regra dos cinco mais cinco. Porém, quanto o alegado direito creditório, entendo que não merece provimento o recurso voluntário. Com efeito, o acórdão recorrido decidiu na mesma linha da jurisprudência do STF, para quem é legítima a incidência da contribuição para o PIS, nos termos da Lei Complementar 07/1970 e, depois, da MP nº 1.212/1995 (convertida pela Lei nº 9.715/98). Confirase: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. LEI COMPLEMENTAR 7/70: PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE OUTUBRO/95 E FEVEREIRO/96. LEGITIMIDADE DA COBRANÇA APÓS A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. AGRAVO IMPROVIDO. I O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2.449/1988 fez com que eles nunca houvessem alterado a Lei Complementar 7/70. Assim, legítima a incidência da contribuição para o PIS, nos termos da Lei Complementar Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13832.000291/200265 Acórdão n.º 3202001.048 S3C2T2 Fl. 156 5 07/1970, no período entre os meses de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Precedentes. II – Agravo regimental improvido. (AI 806555 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 02/12/2010, DJe020 DIVULG 31 012011 PUBLIC 01022011 EMENT VOL0245413 PP03181 LEXSTF v. 33, n. 386, 2011, p. 8090) *** TRIBUTÁRIO. PIS. LEI COMPLEMENTAR N. 7/70: LEGITIMIDADE DA COBRANÇA APÓS A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL 49/95. EFEITO REPRISTINATÓRIO. 1. O Supremo Tribunal Federal possui o entendimento consolidado no sentido de que é legítima a cobrança da contribuição ao PIS, na forma disciplinada pela Lei Complementar 07/70, no período compreendido entre a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 e a entrada em vigor da MP 1.212/95. Precedentes. 2. A Resolução do Senado Federal 49/95, que conferiu efeitos erga omnes à decisão proferida no RE 148.754/RJ, redator para o acórdão Min. Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ 04.03.1994, fez exsurgir a LC 07/70, numa espécie de efeito repristinatório, de forma que tal norma voltasse a produzir seus efeitos. Precedente. 3. Agravo regimental improvido. (AI 677191 AgR, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 08/06/2010, DJe116 DIVULG 24062010 PUBLIC 25062010 EMENT VOL0240706 PP01355 RTJ VOL00214 PP00577 LEXSTF v. 32, n. 379, 2010, p. 8084) Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para afastar a decadência, quanto aos pagamentos efetuados a partir de 27 de dezembro de 1992, devendo a autoridade preparadora apurar as demais questões, alusivas ao pedido de restituição, prejudicadas pela aplicação da decadência de cinco anos. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10805.900855/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, em 02/06/2008, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 00 85 5/ 20 08 -9 6 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.166 S3C2T2 Fl. 54 2 A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime nãocumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confirase: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a titulo de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota seja superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhido seja menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de compensação, conforme art. 147 do CTN. Fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confirase: Observese que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu Fl. 54DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.166 S3C2T2 Fl. 55 3 extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar improcedente a autuação. No presente recurso voluntário o Recorrente afirma que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I. b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito. c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte desta Receita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. No presente caso, a contribuinte pediu a compensação de débito com créditos seus decorrentes de pagamento a maior de PIS. Analisando o pedido, DRF emitiu despacho decisório eletrônico, indeferindo a compensação, porque, embora tenha encontrado o pagamento alegadamente a maior, constatou que o mesmo ainda estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente. Leiase: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOM: 2.370,44 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um a um os pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.166 S3C2T2 Fl. 56 4 Não conformada, a cooperativa apresentou manifestação de inconformidade, pedindo a reforma do despacho decisório, porquanto a vinculação do pagamento a maior à quitação de outra obrigação se devia a erro contido em sua DCTF, a qual foi retificada pela recorrente depois de constatado o equívoco pela DRF. A recorrente afirmou, ainda, em sua manifestação de inconformidade, que o pagamento a maior de PIS foi ocasionado pelo fato de a cooperativa ter recolhido PIS no regime de apuração nãocumulativo, quando deveria ter recolhido PIS sob o regime de apuração cumulativa. O acórdão recorrido, porém, não acolheu a manifestação de inconformidade, uma vez que “a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação”. Assentou, ainda, a DRJ, que o erro de aplicação do regime de apuração do PIS, cumulativo ou nãocumulativo, não comprovaria automaticamente o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de proválo. Contra o acórdão recorrido, a cooperativa interpôs recurso voluntário, pugnado que a compensação fosse homologada. Nessa oportunidade, juntou também comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração do PIS, que coincidem com a sua DCTF retificadora. Entendo, porém, que julgamento deve ser convertido em diligência. Efetivamente, deve ser reformado o acórdão recorrido, quando negou reconhecer efeitos à DCTF retificadora, pelo fato desta ter sido apresentada depois de proferido o despacho decisório. Isso por que o simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior nem resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Assim, diferentemente do que disse o despacho decisório, ratificado pelo acórdão recorrido, o direito à repetição do indébito, por meio de compensação, não está vinculado à apresentação ou não da DCTF retificadora, mas, sim, está atrelado à existência do pagamento indevido, nos termos do art. 170 do CTN. Sem divergir desse entendimento, decidiu o CARF: PROCESSO 10384.901597/200944 Acórdão nº 3301001.857(3ªCâmara/1ªTurmaOrdinária/3ª Seção), de 22 de maio de 2013. Relator: AndradaMárcioCanutoNatal COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.166 S3C2T2 Fl. 57 5 retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Por conseguinte, não merecer prosperar o aresto recorrido, quando manteve o despacho decisório, que, ao invés de perquirir a ocorrência do pagamento indevido, limitouse a analisar perfunctoriamente a DCTF original da recorrente. Com efeito, percebese que a DCTF retificadora só foi apresentada depois do despacho decisório, em razão da DRF ter restringido a análise do pedido de compensação ao cruzamento eletrônico de dados, sem facultar à contribuinte o direito de apresentar documentação adicional necessária à apreciação do seu pleito, como determina o art. 39 da Lei nº 9.784/1999: Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. De acordo com a Lei nº 9.784/1999, somente depois de intimado o interessado sobre a necessidade de documentos adicionais para análise de seu pedido, é que autoridade pode indeferir sua pretensão. Nesse sentido, dispõe o art. 40 do mesmo diploma legal: Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Não é por outro motivo, que o art. 4º da Instrução Normativa nº 210/2002, vigente à época dos fatos, determina que a autoridade competente tenha o poderdever de realizar diligências, caso sejam necessárias para verificar a exatidão das informações prestadas. Observese: Art. 4 o A autoridade competente para decidir sobre a restituição poderá determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Dessa forma, apresentada a DCTF retificadora pela empresa, que afastou o obstáculo apontado pelo despacho decisório, caberia ao acórdão recorrido ou deferir o pedido; ou converter o julgamento em diligência, para certificar o pagamento a maior; ou, ainda, anular a decisão da DRF, por não ter respeitado o devido processo legal, disciplinado pelos arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784/1999 c/c o art. 4º da Instrução Normativa nº 210/2002. Em lugar disso, a DRJ optou por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.166 S3C2T2 Fl. 58 6 Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação de fls. 41/52, intimando a contribuinte a apresentar dados adicionais, se necessário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11080.007579/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
São isentas do imposto sobre a renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
Na hipótese, as bolsas de extensão foram pagas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul (intermediária) com recursos a ela repassados, para esse fim, pelo beneficiário dos serviços, e correspondiam a contraprestação de serviços de ensino, preceptoria, coordenação e consultoria prestados em favor do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, hospital-escola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em rendimentos classificados indevidamente como isentos pelo contribuinte quando induzido por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora.
Aplicação da Súmula CARF nº 73.
Numero da decisão: 2101-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso para excluir a multa de ofício lançada, em virtude da aplicação da súmula CARF n° 73.
(assinado digitalmente)
__________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. São isentas do imposto sobre a renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Na hipótese, as bolsas de extensão foram pagas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul (intermediária) com recursos a ela repassados, para esse fim, pelo beneficiário dos serviços, e correspondiam a contraprestação de serviços de ensino, preceptoria, coordenação e consultoria prestados em favor do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, hospitalescola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em rendimentos classificados indevidamente como isentos pelo contribuinte quando induzido por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso para excluir a multa de ofício lançada, em virtude da aplicação da súmula CARF n° 73. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 75 79 /2 00 9- 51 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 80 e seguintes), alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos originavamse de uma bolsa de extensão e pesquisa, transferidos a ele pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a título de doação, o que os torna isentos do imposto sobre a renda. Pugnou pela nulidade do Auto de Infração e requereu a produção de prova pericial a fim de comprovar suas razões de defesa. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre (RS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1030.418, de 20 de abril de 2011, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.007579/200951 Acórdão n.º 2101002.368 S2C1T1 Fl. 3 3 tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou todos os argumentos de impugnação e repisou seu entendimento quanto a serem isentos do imposto sobre a renda de pessoa física os rendimentos auferidos a título de bolsa de extensão e pesquisa e todos os argumentos de impugnação. Em 14 de novembro de 2013, protocolou os documentos anexados às fls. 507 e seguintes. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante do presente processo referese a omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte, em 2005, 2006 e 2007, da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e por seu dependente, Bruno Arrienti Ferreira, em 2007, do Departamento Estadual de Trânsito – Detran e do Tribunal de Justiça do Estado, intermediado pela Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos. Segundo consta, a Fiscalização apurou que o sujeito passivo classificou indevidamente, como isentos/não tributáveis, na sua Declaração de Ajuste, os rendimentos recebidos daquelas pessoas jurídicas por ele e por seu dependente. Promoveu, então, o lançamento da diferença de imposto para os exercícios 2006, 2007 e 2008, reclassificando os rendimentos como decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício. A Fiscalização entendeu que, para que os valores recebidos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão sejam considerados isentos, os resultados dos estudos e das pesquisas deverão preencher algumas condições cumulativas, entre as quais se sobressaem não importar contraprestação de serviços e não reverter economicamente para o doador ou interposta pessoa, o que não se comprovou. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Salientou a autoridade autuante que, nos anoscalendários fiscalizados, o interessado, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, na qualidade de membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, desenvolveu atividades complementares à docência, sob a forma de programas de extensão, as quais ocorreram nas dependências do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), hospitalescola da UFRGS. Para esse fim, o professor bolsista e a Fundação Médica firmaram contrato intitulado "Termo de Compromisso para Concessão de Bolsa de Extensão", que a Fiscalização entendeu ser, na verdade, um acordo de vontades contrato estipulado entre a Fundação e o fiscalizado, determinando direitos e deveres para ambas as partes: à prestação das atividades de preceptoria, coordenadoria e consultoria, obrigações do contribuinte, correspondia a obrigação da Fundação de pagar a "bolsa de extensão" (preço), durante a vigência do contrato, obrigação essa com o nítido caráter de contraprestação. Destacou a Fiscalização que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA seria diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade do fiscalizado contribuía tanto para que o Hospital realizasse a prestação de serviços médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA atuasse como hospitalescola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa interposta (HCPA) teriam, segundo a autoridade fiscal, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, a pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte. Desse modo, a percepção de bolsas da espécie traduzirseia em proventos que deveriam ser submetidos à tributação pelo imposto sobre a renda. No tocante aos rendimentos oriundos da atividade de estágio curricular auferidos pelo dependente Bruno Arrienti Ferreira, a Fiscalização apontou que as importâncias recebidas a título de bolsaauxílio, independentemente de sua denominação, são consideradas rendimentos do trabalho, e como tais, tributáveis na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Em sua impugnação parcial, o contribuinte deixou de contestar o lançamento do imposto correspondente aos rendimentos auferidos por Bruno Arienti Ferreira, seu dependente, a título de estágio curricular. Esclareceu, outrossim, que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais o impugnante, cumpriria importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica. Salientou que o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como prestação de serviços, visto tratarse de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Complementou o então impugnante que as “bolsas”, doadas pela Fundação aos médicos, professores da UFRGS, representam o elo final de uma cadeia organizada de busca da formação, do aperfeiçoamento de profissionais da área médica e, ao mesmo tempo, de impulsionamento do melhor atendimento aos pacientes do Hospital de Clínicas, repercutindo Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.007579/200951 Acórdão n.º 2101002.368 S2C1T1 Fl. 4 5 em vantagens para toda a sociedade. Além disso, o fato de as "bolsas de extensão" repetirem se, para o mesmo membro da Fundação Médica, em anos sucessivos, não as desnaturaria. Fundamentado no disposto no artigo 26 da Lei n.º 9.250, de 1995, e no artigo 7° do Decreto nº 5.205, de 2004, citando e transcrevendo ementas de julgados que, no seu entender, embasam seu entendimento, o defendente alegou enquadrarse na isenção prevista, eis que as “bolsas de pesquisa e extensão” não possuiriam natureza remuneratória, mas seriam consideradas doações realizadas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, conformandose com o artigo 538 do Código Civil. Além disso, complementou que a concessão das bolsas não representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta estaria apenas repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta destinação específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária. Ao final, pugnou pela nulidade ou insubsistência do lançamento e pediu a produção de prova pericial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre (RS) não acolheu seus argumentos e decidiu pela improcedência da impugnação. No recurso, o interessado rebateu as razões de decidir do julgador de primeira instância e, no mais, repisou seus argumentos. A Lei n.° 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, ao dispor sobre o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, assim especificou: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) [...] (g.n.) Também nesse sentido, assim estipula a Lei n.° 7.713, de 1988, cujo artigo 3.° a seguir transcrevese: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. (g.n.) Dos dispositivos acima reproduzidos, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. As exceções são especificamente previstas em lei, tal como ocorre com as isenções. Para haver isenção, é preciso haver previsão expressa em lei específica, tal como prescreve o artigo 176 do Código Tributário Nacional: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. [...] Tal dispositivo está em perfeita consonância com o previsto na Constituição Federal de 1988, a qual, ao tratar das limitações do poder de tributar, assim prevê, no parágrafo 6.° de seu artigo 150: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.007579/200951 Acórdão n.º 2101002.368 S2C1T1 Fl. 5 7 Art. 150. [...] § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] A isenção pleiteada pelo recorrente é aquela de que trata o artigo 26 da Lei n.º 9.250, de 1995, que assim prescreve: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicos residentes, nem as bolsas recebidas pelos servidores das redes públicas de educação profissional, científica e tecnológica que participem das atividades do Pronatec, nos termos do § 1o do art. 9o da Lei no 12.513, de 26 de outubro de 2011. (Redação dada pela Lei nº 12.816, de 2013) (g.n.) Diante das normas da legislação acima transcrita, concluise que, para que as bolsas de extensão sejam isentas do imposto sobre a renda, é necessário que se caracterizem como doação, atendendo, cumulativamente, às seguintes condições: a) sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; b) os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; c) os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Sendo assim, impende estabelecer se, na hipótese sob análise, os valores auferidos pelo contribuinte, a título de “bolsa de extensão”, pagos pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, cumprem os requisitos legais para serem isentos do imposto sobre a renda. Para esse fim, valhome da excelente análise promovida pelo Ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, em caso idêntico ao que aqui se aprecia, no voto condutor do Acórdão n.º 2101001.950, desta 1ª Turma Ordinária que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da contribuinte: “Caso concreto: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 A recorrente é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e nesta condição tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, onde desempenha atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão A Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS. As verbas lançadas decorrem dos projetos de extensão denominados “PROGRAMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES”, “GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTÊNCIA NO HCPA” e “PROGRAMA DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA E ASSISTÊNCIA À SAÚDE”. De acordo com os Termos de Compromisso firmados para participação nos projetos, as atividades a serem desempenhadas eram: a) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas; b) Coordenadoria: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas; c) Consultoria: atividades de extensão de suporte acadêmico ao desenvolvimento do ensino, assistência e da pesquisa no âmbito das instituições apoiadas, respeitados os respectivos regimentos internos. Os projetos e os termos de compromisso esclarecem que, em contrapartida às atividades de extensão realizadas, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo professor da UFRGS, seria paga uma bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Contudo, apesar de instituídas com base nessa legislação, há que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que a principal função realizada pela contribuinte é a de supervisão e treinamento dos médicos residentes do Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua ocupação de professora dessa universidade. E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência médica constitui modalidade de ensino de pósgraduação. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.007579/200951 Acórdão n.º 2101002.368 S2C1T1 Fl. 6 9 Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos residentes, a contribuinte certamente presta serviço de atendimento médico, atividade própria do hospital escola. O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos de extensão: a de coordenação de programas e projetos de extensão e de consultoria. Tratase de prestação de serviços em benefício da fundação de apoio e do hospital escola. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela Fundação equivaliam a cerca de 50% do total de rendimentos pagos pela UFRGS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. A recorrente centra boa parte do seu recurso na importante função social do hospital escola, que teria sua imunidade reconhecida por decisão judicial, e no fato dos serviços prestados se darem em benefício da sociedade, e não da fundação de apoio. Certamente, não se pretende contestar a importância e a excelência dos serviços prestados à população. Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de assistência social não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos médicos do hospital escola. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de extensão constituem pagamento pelos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Decisão do TCU: A recorrente afirma que a fundação de apoio é rigorosamente fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento dos termos da lei. Nesse sentido, o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara (fls. 403 a 412), teria reconhecido o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica, e não somente que não haveria vínculo empregatício, como afirmado na decisão de primeira instância. De fato, a referida decisão reformou, em sede de embargos de declaração, o acórdão que havia concluído que as bolsas de extensão pagas pela fundação de apoio aos professores da UFRGS importavam em contraprestação de serviços, em Fl. 552DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 violação ao art. 4o, §3o, da Lei no 8.958, de 1994, ao art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, e à jurisprudência daquele Tribunal. Assim, a decisão final do TCU concluiu que a remuneração em forma de bolsa era compatível com a legislação de regência. Penso que a recorrente tem razão ao afirmar que as conclusões do TCU estendemse à natureza isenta das respectivas bolsas, e não só à inexistência de vínculo empregatício, como entendeu o julgador a quo. Isso porque, se as bolsas concedidas atendem aos requisitos do art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, então necessariamente satisfazem aos ditames do art. 7o, sendo isentas do imposto de renda. Entretanto, as conclusões do TCU não vinculam este CARF, e, no meu sentir, estão equivocadas ao retirar das atividades executadas a característica de prestação de serviços. Melhores os argumentos da equipe técnica do Tribunal, referendados pela decisão reformada, que, com base nos fatos concretos analisados, concluiu de forma similar a este voto. Decisões administrativas e judiciais: A recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corroboram o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. Contudo, as decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços.” De modo contrário, recentes decisões desta 2a Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributária de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementas: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. (Acórdão nº 2102001.216, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos) Observese que o lançamento das contribuições previdenciárias na Fundação Médica do Rio Grande do Sul, relativas às bolsas de extensão pagas aos professores da UFRGS, foi apreciado pelo Acórdão no 230201.388, da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento, na sessão de 26/10/2011, sendo relator o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, tendo Fl. 553DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.007579/200951 Acórdão n.º 2101002.368 S2C1T1 Fl. 7 11 sido negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa, na parte de interesse à presente discussão: CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Quanto à esfera judicial, de fato a recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas, tendo uma das decisões, a relativa ao processo nº 2010.71.50.0131397, tratado de caso idêntico ao do presente processo. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, entidade que concedeu a bolsa, mas sim o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas foram repassados pelo HPCA à fundação de apoio, como demonstram os documentos de fls. 230 a 352. Assim, os recursos se originaram da entidade que se beneficiou diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6o do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e Fl. 554DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Na oportunidade, nosso voto foi favorável ao posicionamento externado pelo Conselheiro Relator. Em 14 de novembro de 2013, o recorrente protocolou os documentos anexados às fls. 507 e seguintes, tais como Atestado da Procuradoria de Fundações do Ministério Público do Rio Grande do Sul, declaração da FMRS acerca da inexistência de vantagem econômica e DIPJ 2013 da FMRS, tudo com o intuito de demonstrar que a FMRS é entidade sem fins lucrativos e que não obteve vantagem econômica com o pagamento das “bolsas de extensão”. Ocorre que os recursos que financiaram as “bolsas” não são próprios da fundação de apoio (FMRS), mas foram a ela repassados pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, tal como demonstra o Convênio Operacional n.º 01/2004 (vide fls. 264), com a alteração promovida pelo Termo Aditivo n.º 01/2004 (fls. 270), ratificado pelo Segundo Termo Aditivo ao Convênio Operacional n.º 01/2004: 5) RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS DO PROGRAMA: Os recursos para o desenvolvimento do programa de extensão de preceptoria em residência médica são provenientes de receitas do HCPA (Sistema Único de Saúde SUS). As despesas decorrentes do presente convênio correrão à conta dos limites mensais da descentralização da dotação orçamentária efetuada pelo Fundo Nacional de Saúde. A mesma situação se verifica no Convênio Operacional n.º 05/2004 (fls. 275 e seguintes, vide fls. 278), ratificado pelo seu Segundo Termo Aditivo, no Convênio Operacional n.º 01/2006 (vide fls. 295), no Convênio Operacional n.º 05/2006 (vide fls. 317), no Convênio Operacional n.º 1/2007 (vide fls. 351), no Convênio Operacional n.º 04/2007 (vide fls. 365) e no Convênio Operacional n.º 05/2007 (vide fls. 380). Sendo assim, ficou caracterizado que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul atuou como mera intermediária, eis que “doou” ao recorrente recursos que recebeu, para esse fim, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (hospitalescola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), beneficiário dos serviços prestados pelo recorrente. Isso leva à conclusão que o beneficiário dos serviços prestados é a própria entidade que pagou por esses serviços, utilizando, como intermediária, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul (“doadora”), que não é beneficiária dos serviços. Para que não haja dúvidas quanto à abrangente análise que se promoveu no âmbito do presente processo, impõese a apreciação da Lei n.º 12.871, de 2013, para o fim de definir se seus artigos 27 a 29, que tratam da concessão de bolsas para a atividade de preceptoria nas ações de formação em serviço nos cursos de graduação e residência médica ofertados pelas instituições federais de educação superior ou pelo Ministério da Saúde, seriam ou não aplicáveis à presente hipótese. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.007579/200951 Acórdão n.º 2101002.368 S2C1T1 Fl. 8 13 Vejamos o conteúdo dos artigos 27 a 29 da referida lei, que institui o Programa Mais Médicos e dá outras providências: Art. 27. Será concedida bolsa para atividades de preceptoria nas ações de formação em serviço nos cursos de graduação e residência médica ofertados pelas instituições federais de educação superior ou pelo Ministério da Saúde. [...] Art. 29. Para os efeitos do art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, os valores percebidos a título de bolsa previstos nesta Lei e na Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005, não caracterizam contraprestação de serviços. Vale apreciar se o artigo 29 teria caráter interpretativo e, por essa razão, por força do artigo 106 do CTN, as bolsas para atividades de preceptoria, de que trata o artigo 27, abrangeriam as “bolsas de extensão” cuja tributação aqui se discute, auferidas pela parte interessada nos anoscalendários 2004 a 2007. Acreditamos não ser o caso. Entendemos que não caracterizam contraprestação de serviço somente os valores pagos a título de bolsas de preceptoria concedidas nos moldes da própria Lei n.º 12.871, de 2013, e da Lei nº 11.129, de 2005, eis que essa limitação encontrase expressa no artigo 29 acima reproduzido. Tendo em vista que o artigo 29 da Lei n.º 12.871, de 2013, faz clara referência aos valores recebidos a título de bolsas para atividades de preceptoria previstos nas leis específicas, nele indicadas, não é possível entender que tal dispositivo seria aplicável a todo e qualquer valor pago a esse título, mesmo que concedido fora dos moldes das leis expressamente referidas. É de se destacar que a lei aplicase a fatos pretéritos somente nas hipóteses previstas no artigo 106 do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para que fosse possível atribuir caráter interpretativo aos dispositivos da Lei n.º 12.871, de 2013, a fim de aplicálos a fatos pretéritos, seria necessário que tal caráter estivesse expresso em seu texto, o que, conforme visto, não se verificou. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 Diante dessas considerações, não é possível estender a aplicação do artigo 29 da Lei n.º 12.871, de 2013, às bolsas de preceptoria auferidas pelo recorrente nos anos calendários 2005 a 2007. Outrossim, aplicável à hipótese vertente a Súmula CARF nº 73. Vejamos o seu texto: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Conforme se constata às fls. 31, 32 e 112 dos autos, os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitidos pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul destacam os “rendimentos com bolsas” dos rendimentos tributáveis, consignandoos como rendimentos isentos/não tributáveis. Nessas circunstâncias, não se pode imputar infração ao contribuinte por erro na classificação dos referidos rendimentos, eis que a própria fonte pagadora não prestou as informações necessárias à sua correta classificação; ao contrário, induziu o contribuinte a erro na sua declaração de ajuste anual, eis que prestou informações equivocadas. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir a multa de lançamento de ofício. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 557DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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