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Numero do processo: 10183.006493/2005-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal.
Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integral aos autos, analisando-a, ou convertendo o feito em diligência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 10/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integral aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 64 93 /2 00 5- 67 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 10/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes julgou, em 13 de novembro de 2008, o recurso voluntário n 139.279, interposto pelo espólio de FOAD GATTASS, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão n 30134.858 (fls. 193 a 210): Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR PRESERVAÇÃO PERMANENTE RESERVA LEGAL UTILIZAÇÃO LIMITADA EXIGÊNCIA DE LAUDO PERICIAL E ADA PARA COMPROVAÇÃO EXIGÊNCIA DE PRÉVIA AVERBAÇÃO CARTORÁRIA DA ÁREA DE RESERVA LEGAL À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO IMPON1VEL EXIGÊNCIA DE LAUDO PERICIAL Não há amparo legislativo para a exigência do Fisco de prévia averbação no registro cartorário, com o fito de comprovação das áreas de reserva legal, para que o contribuinte possa fruir da isenção do ITR, na condição de que, ao ser instado pelo órgão fazendário, possa comprovar o declarado por todos os meios instrutórios em direito admitidos, notadamente pelo ADA protocolizado e por laudos periciais. Não há qualquer dispositivo legal que exija a comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal / utilização limitada, necessariamente, através de laudo pericial. VTN LAUDO TÉCNICO Verificase a plena viabilidade de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, ainda mais quando é apontado um valor médio, sem discriminação das áreas, haja vista que laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, atende aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10183.006493/200567 Acórdão n.º 9202002.819 CSRFT2 Fl. 8 3 imóvel, bem como a existência de suas características particulares. ITR — ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. Incabível a exclusão da área de utilização limitada/reserva legal da área tributável quando não averbada à margem da matrícula do imóvel, eis que a averbação é requisito de validade, confere eficácia erga unes e permite que a reserva legal instituída na forma da lei possa repercutir juridicamente, ressaltandose que a parte da área declarada e averbada deve ser considerada para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. Recurso voluntário provido em parte. Cientificado dessa decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial. Em face dessa decisão, foram apresentados embargos de declaração tempestivos (fls. 213 a 214), que foram rejeitados pelo Despacho n° 21000139/2010 —1ª Câmara, do Presidente da la Câmara da 2' Seção do CARF (fls. 217 a 218). Cientificado desse despacho em 20 de julho de 2010 (fl. 218), o recorrente (PFN) apresentou o presente recurso tempestivamente no dia 21 do mesmo mês (fls. 221 a 223), nos termos do art. 68 do anexo II do RICARF, apontando divergências com o Acórdão n 201 77.370, da 1a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 2 de setembro de 2003, para discutir a obrigatoriedade de apresentação dos documentos de prova na impugnação, considerandose precluso o direito de juntada posterior quando o sujeito passivo não requerer isso em primeira instância e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. Em 26 de outubro de 2010, o representante legal do Espólio tomou ciência pessoal do acórdão e do despacho n 210000.233, que examinou a admissibilidade do recurso especial, e interpôs, no dia dez do mês subsequente, as contrarazões (fls. 234 a 238) e o recurso especial da parte que lhe foi desfavorável (fls. 239 a 259). O Espólio não apresentou acórdão paradigma e nem divergências ao acórdão recorrido. Limitouse a argumentar quanto à discordância da necessidade de averbação da área de reserva legal para efeito de isenção do ITR. Por meio do Despacho de fls. 261/262, o i. Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção entendeu pelo não seguimento do Especial interposto. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumpre informar, inicialmente, que o recurso especial de que trata o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/09, com as alterações das Portarias MF nº 446, de 27/08/09, e 586, de 21/12/10, publicadas nos DOU de 31/08/09 e de 22/12/10, respectivamente, é cabível no caso de existência de divergência jurisprudencial no âmbito deste Conselho. Por conseguinte decisões judiciais contrárias ao entendimento proferido no acórdão recorrido não têm o condão de demonstrar o dissenso jurisprudencial, que constitui pressuposto de admissibilidade do citado recurso. Segundo se verifica dos autos, o Recurso Especial interposto pela PGFN está manejado quanto à seguinte matéria: Preclusão: momento da juntada de provas no processo administrativo fiscal. Afirma a Recorrente que o decisum recorrido diverge do entendimento manifestado no Acórdão 20177370: Acórdão 20177370: "MULTA REGULAMENTAR. ART. 463, I, DO RIPI/98. A entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira sem prova de sua regular importação ou aquisição no mercado interno, sujeita o estabelecimento à inflição de uma multa igual ao valor comercial da mercadoria. PROCESSO ADMINISTRATIVA FISCAL. PRECLUSAO. A instrução processual é concentrada no momento da impugnação. Considerase precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não requerer em primeira instância a juntada posterior e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando caiba ao sujeito passivo o ônus da prova dos fatos modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Recurso negado". (Grifos nossos) (Doc. 01) Antes de proceder o exame dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em situações semelhantes, verificase a adoção de soluções diversas. É sabido que para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos dos artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ e consolidado pelo RICSRF, fazse necessária a demonstração da similitude de panorama de fato e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados. Quanto à referida matéria, aduz a Fazenda Nacional (fls. 505 e ss): Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10183.006493/200567 Acórdão n.º 9202002.819 CSRFT2 Fl. 9 5 Diversamente do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso com base em documento juntado a destempo, a análise do paradigma indica que a instrução processual é concentrada na fase da impugnação, considerandose precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não requerer em primeira instância e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. Dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial diante da ementa anexa, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial. (...)Levando em consideração Laudo Técnico apresentado somente em sede de recurso, a Câmara a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de preservação permanente e o VTN indicados no referido documento. Verificase, portanto, que houve violação ao disposto nos §§ 4° e § 5° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72: (...) É oportuno registrar que a área de preservação permanente a ser reconhecida pelo CARF deve ser a de 3.950,0 ha, por ser a declarada na DITR/2002 (fls. 12) e informada no ADA de fls 83. Desse modo, devem ser desconsiderados o VTN e a área de preservação permanente indicados no Laudo de fls. 137/168, pois, além da documentação ter sido juntada após a fase da impugnação e de forma injustificada, a área de preservação indicada no Laudo não coincide com a informada no ADA. Não obstante o manifestado pela PFN, entendo que o acórdão recorrido acolheu as provas juntadas em sede recursal, com espeque no princípio da verdade material, enquanto o paradigma aprecia tãosomente a regra geral para efeito da preclusão (§4º, do art. 16, do Decreto n. 70.235/72). Logo, não vislumbro divergência. Apenas para registro em relação a essa matéria, importa colacionar decisum proferido por esta Turma da CSRF que reconheceu a possibilidade de afastar a preclusão de prova documental apresentada após a impugnação: Acórdão n. 920202.162 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Recurso especial negado. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se infere dos Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Primeiro Conselho de Contribuintes, com suas ementas abaixo transcritas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO – PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento [...]”(3a Turma da CSRF – Acórdão n° CSRF/0304.371 – Processo n° 10825.001713/9601, Sessão de 16/05/2005) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2003 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integral aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. [...]” (Sexta Câmara do Primeiro Conselho – Acórdão n° 10616.716 – Processo nº 10120.003058/200515,Sessão de 22/01/2008) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10183.006493/200567 Acórdão n.º 9202002.819 CSRFT2 Fl. 10 7 CONCLUSÃO: Por todo exposto, voto por CONHECER, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO o Recurso Especial. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725606/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Na apuração da base de cálculo do imposto são devidas as deduções referentes a pagamentos de despesas médicas realizadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2202-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Fabio Brum Goldschmidt e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração da base de cálculo do imposto são devidas as deduções referentes a pagamentos de despesas médicas realizadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Fabio Brum Goldschmidt e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 56 06 /2 01 1- 79 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 ENEIDA PIRES DO REGO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da Notificação de lançamento de fls. 08/13 para formalização da exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF – suplementar, no valor de R$ 2.200,00, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 4.095,30. A infração que ensejou o lançamento foi a dedução de despesa médica sem previsão legal. Tratase de despesa médica realizada com Fabiana Alencar Feitosa que não figura como dependente do contribuinte na declaração de rendimentos. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que se trata de despesa realizada com ela própria, e anexou declaração do profissional emitente do recibo e o próprio recibo original. A DRJRECIFE/PE julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que no recibo e na declaração do profissional apresentados não consta o endereço do profissional, nem a descrição detalhada dos serviços, o que considera requisitos essenciais para a validade do documento. Observa, ainda, que não foram apresentados outros elementos que comprovem a realização dos serviços, tais como requisições médicas, laudo médico, etc. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/06/2012 (fls. 27) e, em 20/07/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 31/34, que ora se examina, e no qual reitera a alegação da impugnação e apresenta nova declaração do profissional,. agora indicando seu endereço e detalhando os serviços prestados. É o relatório. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento suplementar do IRPF em decorrência de glosa de despesa médica. O fundamento da glosa foi o fato de que a beneficiário dos serviços não ter sido indicado como dependente na declaração de rendimentos da contribuinte. Na impugnação a contribuinte traz retificação por parte da prestadora do serviço, que acusou erro de fato no seu preenchimento, e apresenta novo recibo e declaração, confirmando a prestação do serviço tendo como beneficiária a ora recorrente. De fato, verificase que no recibo originalmente apresentado foi indicado como beneficiária dos serviços a própria prestadora, o que configura evidente erro. A DRJRECIFE/PE reconheceu o erro, porém manteve a autuação, agora sob o fundamento de que o recibo não indicava o endereço do prestador e a descrição detalhada dos serviços, bem como não foram apresentadas provas da efetividade da prestação dos serviços. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10469.725606/201179 Acórdão n.º 2202002.510 S2C2T2 Fl. 3 3 Em sede de recurso voluntário a contribuinte apresenta nova declaração e novo recibo, agora descrevendo detalhadamente os serviços e indicando o endereço do prestador. Pois bem, o que se verifica neste caso é que ao invocar como fundamento para a manutenção da glosa, a DRJ inovou no lançamento ao invocar razão não aventada na autuação, o que não se sustenta. Mas, ainda que não fosse este o caso, como acima referido, a contribuinte trouxe aos autos nova declaração e novo recibo, suprindo as deficiências antes apontadas. Tratase dos documentos de fls. 33 e 34. Nestas condições, penso não haver restrição ao reconhecimento do direito á dedução da despesa médica. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 41DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001996/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2001
RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL PARA INCIDÊNCIA DO ADICIONAL DO IRPJ. VIGÊNCIA.
Cabível a exclusão dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras existentes em dezembro de 1994, para o efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, na forma determinada pelo art.67, §5º e 73, §7º, da Lei nº 8.981/95.
Numero da decisão: 1302-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. O conselheiro Alberto Pinto Souza Junior acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL PARA INCIDÊNCIA DO ADICIONAL DO IRPJ. VIGÊNCIA. Cabível a exclusão dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras existentes em dezembro de 1994, para o efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, na forma determinada pelo art.67, §5º e 73, §7º, da Lei nº 8.981/95.
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EXCLUSÃO DO LUCRO REAL PARA INCIDÊNCIA DO ADICIONAL DO IRPJ. VIGÊNCIA. Cabível a exclusão dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras existentes em dezembro de 1994, para o efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, na forma determinada pelo art.67, §5º e 73, §7º, da Lei nº 8.981/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. O conselheiro Alberto Pinto Souza Junior acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 96 /2 00 6- 01 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.165 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001 IRPJ. ESTIMATIVA. BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL. EXCLUSÃO INDEVIDA. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA ISOLADA. O descumprimento do dever de recolher a estimativa de IRPJ devida, no mês, enseja a imposição da multa isolada de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, ainda que, em 31 de dezembro, tenhase apurado prejuízo fiscal. A exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras existentes em 31/12/94 da base de cálculo do adicional não é aplicável ao anocalendário 2001, em face da legislação superveniente à Lei 8.981/95. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: 1. Tratase de imposição de multa isolada, pelo descumprimento do dever de recolher a estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2001, nos moldes preconizados pela legislação tributária. 1.1. De acordo com o Termo de Verificação, às fls. 597 (numeração digital), o Contribuinte acima identificado, optante pelo recolhimento mensal do imposto (estimativa), conforme DIPJ do anocalendário 2001, apresentou balancete de redução para o mês de setembro de 2001, no qual foi constatado que o adicional do imposto foi calculado em valor menor que o devido. Relata a Fiscalização que: A empresa apresentou o balancete de suspensão ou redução do mês de setembro/2001 (fls. 78), onde demonstra que para calcular o adicional do imposto excluiu do lucro real os rendimentos sobre aplicações financeiras em fundo de commodities até dezembro de 1994, utilizando os artigos 67, § 5.° e 73, § 7º, ambos da Lei 8.981/95. 1.2. Segundo a Fiscalização, com a publicação das leis 9.065/95 (art. 11), 9.249/95 (artigo 3º, parágrafo 1º) e 9.430/96 (art. 4º), o artigo 39 da Lei 8.981/95, deixou de ter eficácia e, por via de conseqüência, deixou de ter eficácia a exclusão, do lucro real (adicional), dos rendimentos de aplicações financeiras existentes em Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.166 3 31/12/1994 conforme autorizava o regramento veiculado pelos artigos 67, § 5º e 73, §7º, da Lei 8.981/95. 1.3. A multa foi calculada pela aplicação do percentual de 50% sobre a diferença da estimativa apurada e importou no valor de R$ 4.806.006,18. 1.4. Fundamentam a autuação os artigos 222, 228 e 843 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, e art. 44, II, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 18 da MP 303/06. 2. Por meio do instrumento, às fls. 619/656, acompanhado da documentação, às fls. 657/1044, a Autuada impugnou o lançamento. Após fazer breves considerações acerca da tempestividade da impugnação, da autuação e do histórico das alterações legislativas atinentes à tributação das aplicações financeiras de renda fixa e variável, alega em síntese que: 2.2.1. cumpre por ora analisar a questão sob três aspectos: (i) constatar se as alterações trazidas pela legislação são aplicáveis ao contexto atual da legislação do IR e permanecem produzindo efeito; (ii) verificar se os artigos 67 e 73 da Lei n° 8.981/95 se aplicam ao caso da Impugnante, vez que esta efetuou a exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras do adicional do IRPJ calculado nos moldes do artigo 4° da Lei n° 9.430/96; e, (iii) comprovar que as exclusões efetuadas pela Impugnante na base de cálculo do adicional do IRPJ, no anocalendário de 2000, referemse aos rendimentos auferidos a partir de 01.01.1995, decorrentes de aplicações financeiras existentes em 31.12.1994. 2.2.2. .a primeira modificação sofrida pela Lei 8.981/95 surgiu com a Lei 9.065/95, que, em razão da 9.249/95, publicada no mesmo ano, acabou por não produzir efeitos; 2.2.3. a despeito do artigo 19, da Lei 9.065/95, ter revogado as disposições em contrário e expressamente ter revogado determinados artigos de lei, não houve menção expressa ao artigo 39, da Lei 8.981/95, tampouco aos artigos 67 e 73 ; 2.2.4. situação semelhante ocorreu com a Lei 9.249/95; 2.2.5. ainda no tocante à Lei 9.249/95, o artigo 11, parágrafo 3º, dispõe nitidamente que as novas regras não elidem o tratamento previsto nos artigos 76 e 77 da Lei 8.981/95, que estabeleceu que o IRRF seria considerado antecipação do IRPJ devido, o que demonstra que os dispositivos da Lei 9.981/95 permanecem em vigor, salvo aqueles expressamente revogados pela legislação; 2.2.6. nos termos do art. 101, do CTN, e 2º, da LICC, a lei, em regra, vige por tempo indeterminado, e diante da inexistência de disposição em contrário, vige até que nova lei a altere ou revogue; 2.2.7. não houve qualquer menção expressa para revogação tanto em relação aos artigos 67 e 73, quanto ao artigo 39, da Lei n° 8.981/95. 2.2.8. nos termos do art. 2º, da Lei 9.249/95, não houve a criação de novo instituto; 2.2.9. não merece prosperar qualquer interpretação que se conclua pela incompatibilidade de normas, tanto em relação ao adicional do IRPJ quanto aos rendimentos de aplicações financeiras. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.167 4 2.2.10. a modificação do adicional previsto no art. 39, da Lei 8.981/95, deuse apenas na alíquota e no excedente do lucro real; 2.2.11. no que toca ao parágrafo 5° do artigo 67 e parágrafo 7º do artigo 73, ambos da Lei n° 8.981/95, não há revogação expressa; 2.2.12. ainda que se admita aparente conflito entre esses artigos e as disposições contidas no artigo 3° da Lei n° 9.249/95, com redação dada pela Lei n° 9.430/96, estarseia diante de duas normas: uma de caráter geral, a qual trata do adicional do IRPJ como um todo, e outra de caráter especial, que apenas trata da possibilidade de exclusão do lucro real. 2.2.13. sob esse critério prevalece a norma anterior, originada pela Lei 8.981/95; 2.2.14. também não houve a regulação da matéria por inteiro; 2.2.15. não há como contestar a aplicação dos artigos 67 e 73 nos dias atuais, ainda que a legislação do adicional do IRPJ já tenha sido alterada conforme as determinações da Lei n° 9.430/96; 2.2.16. todavia, apesar da previsão legal quanto ao adicional do IRPJ constar no artigo 39, o cálculo deste deve seguir os termos consignados pelo artigo 3° da Lei n° 9.249/95, com redação dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.430/96; 2.2.17. sob a égide da Lei 8.981/95 foi editada a IN SRF nº 43/95 que reproduziu os artigos 67 § 5º e 73, § 7º, da Lei 8.981/95, não fazendo qualquer menção ao artigo 39, da citada lei, uma vez que interpreta tal artigo em seu real sentido; 2.2.18. com a edição da Lei 9.249/95, a IN nº 02/96 tãosomente reproduziu o texto revogado, conforme se verifica em seus artigos 5º, § 7º, e 15, § 10; 2.2.19. como a IN nº 02/96 foi editada em 1996, inferese que o legislador estava, como de fato está, imbuido pela pretensão de que a norma deve alcançar o adicional do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real de forma geral. 2.2.20. as IN posteriormente editadas pela SRF nada trouxeram a respeito da permissão, ou não, da exclusão dos rendimentos das aplicações financeiras, auferidos a partir de 01.01.1995, do adicional do IRPJ. 2.2.21. outro ponto que merece especial atenção referese às edições do MAJUR, que, até o anocalendário de 1999, fizeram clara referência à exclusão permitida pelos artigos 67 e 73 da Lei n° 8.981/95. 2.2.22. de forma similar ao que ocorreu com as Instruções Normativas editadas a partir de determinada época, as orientações extraídas do MAJUR acabaram por ser suprimidas a partir do anocalendário 2000 e seguintes; Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.168 5 2.2.23. tal fato poderia sugerir que as autoridades fiscais teriam modificado o posicionamento até então defendido, no tocante à aplicação das disposições dos artigos 67 e 73 da Lei n° 8.981/95, a partir do anocalendário de 2000, entretanto, não é o que ocorre, conforme restará explicado a seguir. 2.2.24. a questão que se coloca é a da possibilidade de aplicação dos artigos 67 e 73 da Lei 8.981/95 ao cálculo do adicional do IRPJ, efetuado nos moldes do art. 4º da Lei 9.430/96; 2.2.25. inconteste que a literalidade da lei poderia lavar à conclusão distinta, entretanto a interpretação preza por buscar o verdadeiro sentido da norma , através de métodos interpretativos criados pela doutrina clássica e hermenêutica; 2.2.26. o artigo 111 do CTN enumera os casos em que se exige a interpretação literal, e mesmo assim há manifestações contrárias ao seu uso exclusivo; 2.2.27. ao modificar a sistemática de tributação das aplicações financeiras, o legislador buscou causar o menor impacto possível sobre a tributação dos rendimentos contratados sob a égide da legislação anterior, o que o fez permitir a respectiva exclusão do adicional do IRPJ para as pessoas jurídicas submetidas à tributação do lucro real (transcreve trecho da exposição de motivos da MP 812/95); 2.2.28. visou o legislador a assegurar que os rendimentos não fossem tributados pelo adicional do IRPJ, tendo em vista que eles não se submetiam à tributação pelo lucro real, mas tãosomente àquela exclusiva de fonte, à alíquota de 10% (dez por cento); 2.2.29. nessa linha de raciocínio é incontestável o fato que os artigos 67 e 73 da Lei n° 8.981/95 não possuem aplicabilidade limitada ao adicional a que se refere o artigo 39, mas sim ao adicional do IRPJ" em sua natureza; 2.2.30. as IN 43/95 e 02/96 não restringiam a exclusão e, a despeito de suas revogações e das IN supervenientes terem sido silentes sobre o assunto, o MAJUR fez questão de manter, até o anocalendário 1999, claro entendimento sobre a permissão da dedução dos rendimentos dessas aplicações do adicional do IRPJ; 2.2.31. portanto, em face dessas considerações, apresentase incontestável a aplicabilidade dos artigos 67 e 73 da Lei n° 8.981/95 ao caso da Impugnante, vez que a norma deve ser interpretada em consonância com o espírito do legislador; 2.3. A partir deste ponto a Impugnante busca comprovar que os rendimentos excluídos do adicional referemse a aplicações financeiras existentes em 31/12/1994, contratadas com os Bancos Votorantim e BIC. 2.4. Para tanto, apresenta planilhas e, dentre outros documentos, os extratos bancários de suas aplicações. 2.5. Concluindo que restou comprovado o direito à exclusão dos citados rendimentos do lucro real, para fins do adicional, a Impugnante passa a outras questões de mérito que, em síntese, são as seguintes: Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.169 6 2.5.1. nada se fez além de utilizar as alternativas permitidas para apuração mensal do imposto, quais sejam, (i) por estimativa e (ii) pelo balancete de suspensão e redução; e efetuar o pagamento do imposto com base no menor valor entre ambos os cálculos 2.5.2, até o mês de agosto, recolheuse por estimativa, no mês de setembro, efetuouse o balanço de suspensão e, no mês seguinte, voltouse ao regime de estimativa. 2.5.3. é de importância impar que todos os recolhimentos realizados no ano calendário 2001, tendo a sociedade apurado prejuízo ao final do exercício, são indevidos e poderão ser futuramente compensados pela Impugnante. 2.5.4. assim, ainda que se considere indevida a exclusão dos rendimentos do lucro real, para fins do adicional, não se pode admitir a procedência de um auto de infração que visa à cobrança de suposta multa pelo não recolhimento de um tributo que não é devido pela Impugnante, e que atualmente constitui um crédito da Impugnante para com a Fazenda Nacional. 2.5.5. o nascimento da obrigação tributária dáse em 31 de dezembro, em vista da complexidade do fato gerador do IRPJ, não podendo haver sanção pelo não recolhimento de um tributo que não chegou a ser definitivamente devido. 3. Pelo exposto, requer seja julgado nulo o Auto de Infração. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. a análise do PA 19515.002892/200613 importa ao caso, pois a diferença apurada é a mesma, todavia, referida ao dia 31/12/2001. Naquele caso, o acórdão nº 105 16.923 decidiu, com definitividade, excluir referidos rendimentos da base do adicional de IRPJ em 31/12/2001; a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia após encerrado o período anual de apuração do IRPJ; É o relatório. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.170 7 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Adicional de IRPJ sobre aplicações financeiras anteriores a 31/12/1994 A questão controversa nestes autos gira sobre qual o regime de tributação do adicional do IRPJ sobre aplicações financeiras existentes em 31/12/1994, relativamente aos rendimentos produzidos após esta data. A recorrente sustenta que o § 5º do art. 67 e o §7º do art. 73, ambos da Lei nº 8.981/95 permitem a exclusão da base de cálculo do adicional de tais quantias. Já a fiscalização efetuou o lançamento, por entender que o regime criado pelos dispositivos acima foi revogado pelo art. 11 da Lei nº 9.065/95, art.3º da Lei nº 9.249/95 e as modificações nestes artigos promovidas pela Lei nº 9.430/96. Afirmou a autoridade fiscal no termo de verificação fiscal (fls.587): Com efeito, a tributação das aplicações financeiras, que até então era realizada pelo IRRF, foi alterada pela Lei nº 8.981/95, que passou a considerar tais rendimentos no ajuste. Desta forma, o art. 39 da referida Lei estipulou os limites e as alíquotas para o cálculo do adicional. Os percentuais estipulados foram de 12% (parcela superior a 180.000 e inferior a 780.000) e 18% (para a parcela superior a 780.000). Art. 39. O lucro real ou arbitrado da pessoa jurídica estará sujeito a um adicional do Imposto de Renda à alíquota de: I doze por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 180.000,00 até R$ 780.000,00; II dezoito por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 780.000,00; Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.171 8 III doze por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 15.000,00 até R$ 65.000,00; IV dezoito por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 65.000,00. § 1º Os limites previstos nos incisos I e II serão proporcionais ao número de meses transcorridos do anocalendário, quando o período de apuração for inferior a doze meses. § 2º O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções. A Lei nº 9.065/95 alterou tais alíquotas para 10% e 15%, e o art. 3º da Lei nº 9.249/95 os fixou em 10%, ficando também alterados os limites de valores. Além disso, tanto o §2º do art. 11 da Lei nº 9.065/95 quanto o §4º do art.3º da Lei nº 9.249/95 proibiram a dedução de valores do adicional. Lei 9.065/95 Art. 11. O lucro real ou arbitrado da pessoa jurídica estará sujeito a um adicional do imposto de renda à alíquota de: I dez por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 180.000,00 até R$ 780.000,00; II quinze por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 780.000,00; III dez por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 15.000,00 até R$ 65.000,00; IV quinze por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 65.000,00. § 1º Os limites previstos nos incisos I e II serão proporcionais ao número de meses transcorridos do anocalendário, quando o período de apuração for inferior a doze meses. § 2º O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções. Lei 9.249/95 Art. 3º A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento. § 1º A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, apurado anualmente, que exceder a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 2º O limite previsto no parágrafo anterior será proporcional ao número de meses transcorridos, quando o período de apuração for inferior a doze meses. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.172 9 § 1º A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento.(Redação dada pela Lei 9.430, de 1996) § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, inclusive, nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação.(Redação dada pela Lei 9.430, de 1996) § 3º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, à pessoa jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990. § 4º O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções. (Vide Lei nº 12.761, de 2012) Ocorre que também o §2º do art. 39 da Lei nº 8.981/95 vedava a dedução de quaisquer valores do adicional, o que confirma serem os regimes estipulados pelos art.67 e 73 regimes especiais. E assim o são, visto que destinados a reger situações excepcionais, em que a aplicação tem início no velho regime e permanece no novo regime, até que sejam todas elas encerradas. A idéia acolhida pela DRJ, de que tanto as Leis nº 9.065/95, 9.249/95 e 9.430/96 revogaram tacitamente os regimes de exceção criados pelos art. 67 e 73 da Lei nº 8.981/95 a meu ver não é a mais correta. Isto porque a regra geral nelas contida (vedação a deduções) já existia na Lei nº 8.981/95, e convivia com as regras excepcionais criadas no mesmo veículo normativo. Por outro lado, entendo que não houve disciplina total da matéria, mas tão somente delimitações dos limites e das alíquotas a que sujeitamse os rendimentos pela tributação do Adicional do IRPJ. Dizer que isso é a regulação total da matéria, a meu ver, não é possível, vez que nada se mencionou acerca dos elementos materiais que deveriam compor a base de cálculo do adicional, mas tão somente repetiuse a regra geral contra exceções que já havia anteriormente na Lei nº 8.981/95. Demais disso, há uma razão de ser para as exceções criadas para aplicações financeiras existentes já em 31/12/1994. Pela mesma regra, determinouse ao mesmo tempo a tributação antecipada dos rendimentos apropriados pro rata tempore até aquela data, e sujeitouse os rendimentos posteriores a esta data sujeitos ao novo regime, sem que isso resultasse em brutal aumento da carga tributária incidente sobre as aplicações financeiras que pudesse interferir negativamente no mercado de capitais. Assim, tais regras têm a meu ver a natureza de especiais e não tendo as novas leis disciplinado totalmente a matéria, permanecem essas regras em vigor. Bobbio1, ao falar da coerência do Sistema Jurídico, faz a seguinte explanação: 1 Norberto Bobbio, Teoria do Ordenamento Jurídico, Ed.UNB, 10ª ed, p. 108. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.173 10 2) Conflito entre o critério de especialidade e o cronológico: esse conflito tem lugar quando uma norma anteriorespecial é incompatível com uma norma posteriorgeral. Temse o conflito porque, aplicando o critério de especialidade, dáse preponderância à primeira norma, aplicando o critério cronológico, dáse preponderância à segunda. Também aqui foi transmitida uma regra geral, que soa assim: Lex posterior generalis non derogat priori speciali. Com base nessa regra, o conflito entre critério de especialidade e critério cronológico deve ser resolvido em favor do primeiro: a lei geral sucessiva não tira do caminho a lei especial precedente. Tal ensinamento não diverge do que dispõe nosso direito, vez que em não havendo a regulação total da matéria, não há falar em revogação tácita. Por outro lado, embora tenha o colegiado independência para tratar a matéria, a par de sua decisão anterior, no processo 19515.002892/200613, o conteúdo decisório ali tomado importa ao caso, pois a diferença apurada é a mesma, todavia, referida ao dia 31/12/2001. Naquele caso, o acórdão nº 10516.923 decidiu excluir referidos rendimentos da base do adicional de IRPJ em 31/12/2001. Vejase, a respeito, o que dispôs o acórdão sobre o tema: Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.174 11 De fato, é relevante o fato de as IN SRF nº 43/95 e 02/96 mantiveram a exclusão em tela, bem como o fato de que o MAJUR do anocalendário de 1999 tenha mencionado a possibilidade de tal exclusão do adicional do IRPJ, consoante atesta a recorrente. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento efetuado. Sala das Sessões, 09 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Relator Declaração de Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Com a devida vênia, acompanho o brilhante voto do relator, mas com lastro em outro fundamento, conforme a seguir exposto. O caput do art. 67 da Lei 8981/95 se refere aos saldos existentes nas aplicações financeiras no mercado de renda fixa (arts. 65, 66 e 70 da mesma lei), de tal sorte que só está excluído do cálculo do adicional o rendimento produzido a posteriori pelo saldo existente em 31/12/1994. Não se trata de verificar apenas que a aplicação existia em Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001996/200601 Acórdão n.º 1302001.058 S1C3T2 Fl. 1.175 12 31/12/1994, mas, além disso, constatar que o rendimento excluído do adicional derivou de saldo existente na conta em 31/12/1994. Assim, por exemplo, se houve, após 31/12/1994, saques, na conta de aplicação, superiores ao saldo então existente (em 31/12/1994), não há mais que se aplicar o disposto no parágrafo 5º do art. 67 da Lei 8981/95, pois o saldo atual é dinheiro novo ingressado após 31/12/1994. Caso os saques não fossem superiores ao saldo existente em 31/12/1994, haveria a necessidade de se estabelecer a proporção do rendimento auferido derivado do aludido saldo de 1994. Dessa forma, equivocouse a Fiscalização quando sustentou que a norma estava revogada e, assim, deixou de fazer a auditoria devida, qual seja, verificar se houve, a partir de 1995, saques do saldo existente em 31/12/1994, pois só isso poderia definir se.o rendimento ora em questão derivou do saldo existente em 31/12/1994 ou de dinheiro novo ingressado após essa data. Por último, verifico que não cabe a realização de diligência, pois, ainda que provado que os rendimentos derivaram de dinheiro ingressado após 31/12/1994, não poderia esta instância de julgamento modificar os fundamentos da autuação, razão pela qual, acompanho o ilustre Relator. Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.725381/2009-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para Unidade da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte, apensar ao conexo processo administrativo 18050.000995/2008-44, em obediência ao Decreto nº. 7.237/2010, para o trâmite devido.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para Unidade da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte, apensar ao conexo processo administrativo 18050.000995/2008-44, em obediência ao Decreto nº. 7.237/2010, para o trâmite devido. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para Unidade da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte, apensar ao conexo processo administrativo 18050.000995/200844, em obediência ao Decreto nº. 7.237/2010, para o trâmite devido. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 38 1/ 20 09 -5 0 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725381/200950 Resolução nº 2403000.161 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada no Auto de Infração lavrado no AI DEBCAD n. 37.238.3874, em face de Real Sociedade Espanhola de Beneficência, no valor de R$ 3.328.284,74 (três milhões trezentos e vinte e oito mil duzentos e oitenta e quatro reais e setenta e quatro centavos). A autuação foi lavrada em razão do descumprimento de obrigação acessória, assim descrita no Relatório Fiscal, de fls. 49/51, in verbis: “6. Essa fiscalização solicitou ao REAL SOCIEDADE ESPANHOLA DE BENEFICÊNCIA através do TIPF do dia 14/07/2009 (em anexo), informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores. Mas a intimação não foi atendida, já que a empresa informou que os sistemas de processamento dela não estavam preparados para disponibilizar tais informações no formato pedido por essa fiscalização. 7. Dessa forma, fica configurada a infração ao disposto da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, art. 11, §§§ 1º, 3º e 4º, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001. (...) 10. A empresa foi intimada no dia 14/07/2009 a apresentar os arquivos digitais em vinte dias (03/08/2009), mas até o final dessa fiscalização não entregou tais arquivos, já que o sistema de processamento de dados não estava preparado para fornecer os arquivos no formato da SRF. Como a multa é de 0,02% por dia, limitado em 1%, a multa fica estabelecida em 0,74% sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período fiscalizado, pois se passaram 37 dias de atraso (do dia 03/08/09 a 09/09/2009).” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 56/75. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 03 de agosto de 2010, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Salvador, prolatou o Acórdão 1524.470, de fls. 140/145, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/08/2009 a 09/09/2009 ARQUIVOS E SISTEMAS EM MEIO DIGITAL. APRESENTAÇÃO. LEI Nº 10.666/2003. LEI Nº 8.218/1991. REVOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725381/200950 Resolução nº 2403000.161 S2C4T3 Fl. 4 3 O art. 8º da Lei nº 10.666, de 2003, não derrogou o art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Não houve revogação expressa, pois em nenhum de seus dispositivos a lei de 2003 afirma estar revogando a de 1991. Também não há que se falar em revogação tácita, uma vez que as disposições trazidas pela lei nova não são incompatíveis com a legislação anterior, nem dão à matéria um tratamento diferenciado. A lei nova apenas estende aos documentos previdenciários a obrigatoriedade de arquivar e conservar em meio digital os arquivos e sistemas, a qual, até então, existia apenas em relação aos demais documentos fiscais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, de fls. 147/168, almejando a reforma do Acórdão, alegando em síntese que a inaplicabilidade da infração contida na Lei nº. 8.218/1991, por se tratar de lei geral, quando, em verdade, existe lei especial, a saber, a Lei nº. 10.666/2003, na qual prevê idêntica obrigação acessória, estando a ela submetida. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725381/200950 Resolução nº 2403000.161 S2C4T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo, e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portando dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO, DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO E DO SOBRESTAMENTO DO FEITO A recorrente alega que no processo administrativo 18050.000995/200844 que trata do processo que discute a legitimidade do ato cancelatório de isenção, foi apresentado recurso voluntário, que está pendente de julgamento. Afirma também que por ser o recurso dotado de efeito suspensivo não poderia o auditor ter lavrado o auto em discussão antes do trânsito em julgado administrativo, por antecipar os efeitos de uma eventual e futura decisão desfavorável que não se coadunaria com o princípio da segurança jurídica. Referido processo, de fato, ainda não foi julgado definitivamente. Atualmente encontrase neste Conselho, tendo como única movimentação o seu recebimento no dia 15/09/2011, pendente de julgamento. Percebese, portanto, que os processos são conexos eis que derivam do mesmo fato e, o julgamento naquele processo influenciará sobremaneira o julgamento do presente, uma vez que o cerne da questão é a devida exclusão ou não do regime simplificado. O art. 265, IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê que o julgador poderá suspender o processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente”, tal qual o presente caso. Neste sentido, sugiro o sobrestamento deste feito até que decisão final seja proferida nos autos do processo administrativo 18050.000995/200844, tudo a fim de se evitar o surgimento de decisões contraditórias. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por baixar os autos em diligência para a secretaria desta Câmara acompanhar o andamento e julgamento do processo administrativo 18050.000995/200844 e, quando de seu julgamento definitivo, informar o seu resultado para julgamento do presente processo por esta 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000979/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES
Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência de 01/2003 até 09/2003 em conformidade com o art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo, b) determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência de 01/2003 até 09/2003 em conformidade com o art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo, b) determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 09 79 /2 00 8- 18 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência de 01/2003 até 09/2003 em conformidade com o art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo, b) determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000979/200818 Acórdão n.º 2403002.222 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0336.289 fls. 124/134, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para reduzir o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.142.1551, ao importe de R$ 1.257.856,95 para o valor de R$ 1.257.856,95 (um milhão duzentos e cinquenta e sete oitocentos e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2003 a 12/2006, tendo sido lavrado em 07/10/2008 e cientificado o contribuinte em 10/10/2008, foi lavrado em virtude de descumprimento de obrigação acessória por ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Relatório Fiscal, fls. 12/28, assim consigna: 7. RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO 7.1. Foram extraídas informações constantes das declarações e recolhimentos apresentados pelo contribuinte junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo aos seguintes: a) Remuneração, 13º salário, valor retido pela empresa, e outros pagamentos realizados às pessoas físicas, declarados na GFIP, ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, relativas às competências 01/2003 a 12/2006 e competências 13/2003, 13/2004, 13/2005 e 13/2006 (13º salário), gravadas nas versões 7 e 8 do programa de geração (SEFIP), conforme arquivos (...) b) Remuneração, 13º salário, valor retido pela empresa, e outros pagamentos realizados às pessoas físicas, declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, relativas às competências 01/2003 a 13/2006, apresentadas à Receita Federal após o início da ação fiscal e até a data de 16/09/2008, gravadas nas versões 8 do programa de geração (SEFIP), conforme arquivos (...) 7.3. A empresa fiscalizada entregou GFIP para quase todas as competências fiscalizadas (01/2003 a 12/2006) antes do início da Ação Fiscal. Deixou a empresa de entregar a GFIP da competência 13/2006, que corresponde ao décimo terceiro salário, conforme parágrafo anterior. Depois de detectados valores não declarados esta entregou GFIP durante a ação fiscal, tendo esta auditoria tomada por base as GFIP processadas até o dia 19/09/2008. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 (...) 7.6. Foi realizada comparação dos valores apurados em auditoria com os valores declarados espontaneamente pelo contribuinte nos seguintes arquivos (...) 7.7. Os valores apurados em Auditoria, além dos valores declarados pelo contribuinte foram extraídos da contabilidade da empresa, apresentada conforme arquivos constante na pasta (...) para os exercícios 2003, 2004 e 2005 e na pasta (...). 7.8. Do confronto destes valores constatouse existir divergência a contribuição devida para a previdência social e os valores efetivamente descontados dos segurados, conforme relatório 11, em anexo. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou a devida Impugnação, a qual foi juntada aos autos do processo principal nº. 14041.000972/200898. DA INFORMAÇÃO FISCAL Diante da vastidão de documentos apresentados pelo contribuinte nos autos do processo principal nº. 14041.000972/200898, foi proferido despacho pela DRJ, fls. 46/50, solicitando diligência fiscal para que haja o pronunciamento do auditor notificante. Em razão da diligência, foi elaborado Relatório Complementar do Auto de Infração, fls. 52/64, na qual consignou a correção dos valores por GFIP em razão das retificações realizadas nos Processos nº. 14041.000972/200898 e nº. 14041.000973/200887, assim como promoveu o comparativo de aplicação de multa pelo revogado art. 32, § 5º e o art. 32A, ambos da Lei nº. 8.212/91, prevalecendo, segundo a auditoria, o valor originariamente lançado com base no já extinto dispositivo. Portanto, segundo o Relatório Complementar, houve uma redução do valor da multa de R$ 1.257.856,95 para R$ 1.254.671,87 (um milhão duzentos e cinquenta e quatro mil seiscentos e setenta e um reais e oitenta e sete centavos). Nessa esteira, as determinações contidas no dito relatório vieram a ser ratificadas pela informação fiscal, fl 70. Devidamente cientificado da informação fiscal, o contribuinte apresentou sua manifestação por meio das fls. 78/120. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Brasília, DRJ/BSB, prolatou o Acórdão n° 0336.289, fls. 124/134, a qual manteve o lançamento, julgando parcialmente procedente a Impugnação ofertada, para determinar a correção dos valores lançados nos termos da informação fiscal alhures explanada. É o que se vê conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006. AIOA DEBCAD nº. 37.142.1551 9 (CFL 68) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000979/200818 Acórdão n.º 2403002.222 S2C4T3 Fl. 4 5 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP. Determina a lavratura do auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIO/GRFP, conforme art. 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 138/172, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Em sede preliminar, almeja à nulidade do lançamento em razão dos seguintes fatos: 1. não fornecimento das planilhas de forma a possibilitar o seu manuseio e total compreensão dos cálculos efetuados pelo Auditor Fiscal; 2. a inexistência da coluna utilizada pelo Auditor para fundamentar os cálculos e valores apurados; 3. desconsideração das retificações promovidas pelo Recorrente antes da lavratura do Auto de Infração; 4. ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos. Ausência de remuneração indireta, eis que a concessão de descontos nas mensalidades não constitui salário, nos termos do art. 458, § 2º, da CLT. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 178, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000979/200818 Acórdão n.º 2403002.222 S2C4T3 Fl. 5 7 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. No processo principal 14041.000972/200898, foi reconhecida a decadência no período de 01/2003 a 09/2003, uma vez que houve antecipação do pagamento, ainda que parcial, o que levou a interposição de recurso de ofício, do qual se está negando provimento, portanto, deve ser aplicada as mesmas razões de decidir. DO MÉRITO O Recurso Voluntário interposto elenca argumentos que não trazem relação com a presente autuação fiscal, eis que se defrontam com o aspecto formal e material dos Autos de Infração de obrigação principal, lavrados e apurados no mesmo procedimento fiscal que o presente processo administrativo. A presente autuação referese à empresa ter deixado de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme prevê o art. 32, IV, da Lei nº. 8.212/91. Importa ressaltar que, ao contrário do que pretende a Recorrente, a posterior retificação das GFIP’s, quando não realizada integralmente, não enseja quaisquer alterações nos valores imputados, posto que tais informações não foram feitas dentro do prazo, tampouco antes do início da ação fiscal, assim como não caracteriza circunstância atenuante prevista no art. 291 do Decreto nº. 3.048/99, em vigência à época do fato gerador. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000979/200818 Acórdão n.º 2403002.222 S2C4T3 Fl. 6 9 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da presente autuação, a multa aplicada teve como base o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 e art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Não se pode conjugar a multa por descumprimento de obrigação acessória com a multa de mora disposta no art. 35, II, a, da Lei n. 8.212/91, ou mesmo com a multa de 75%, composta pelo art. 44 da Lei 9.430/96. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. DA BOLSA DE ESTUDOS Este processo está vinculado e apensado ao processo principal 14041.000972/200898, no qual se está sendo julgado, na mesma sessão do presente processo, pela improcedência no lançamento da rubrica referente às bolsas estudo, razão pela qual, deverão ser também excluídas estas informações para o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para , preliminarmente, reconhecer a decadência no período de 01/2003 a 09/2003, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN e, no mérito, determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto, excluindo os valores apurados a título de bolsas de estudo. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 16004.720650/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ.
Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO.
Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 06 50 /2 01 1- 36 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial, e, na parte conhecida, dar lhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16004.720650/201136 Acórdão n.º 2302002.729 S2C3T2 Fl. 497 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário. Adotase o relatório constante no acórdão do órgão a quo (fls. 445/448), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização em nome do interessado acima identificado por meio do Auto de Infração (DEBCAD nº 51.000.0681), consolidado em 15/12/2011, no valor de R$ 1.368.794,25, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à glosa de compensação informada indevidamente em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, cumulada com multa isolada por falsidade na declaração. O interessado procedeu à compensação de contribuições previdenciárias devidas nas competências 8/2009 a 11/2010 com valores recolhidos no período de 2/1998 a 9/2004, a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos agentes políticos municipais (Prefeitos, VicePrefeitos e Vereadores). A cobrança de contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas aos agentes políticos estava fundamentada na alínea “h”, do inciso I, do artigo 12 da Lei nº 8.212/91, posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 351.171.1PR e suspensa sua execução pela Resolução do Senado nº 26, de 21/06/2005. A legislação previdenciária autoriza o ente federativo a compensar as contribuições recolhidas a esse título, mas estabelece exigências que não foram todas atendidas pelo sujeito passivo. 1 A compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados (artigo 4º, inciso I da Portaria MPS nº 133/2006 e artigo 6º, inciso I e § 4º da Instrução Normativa nº 15/2006). O ente municipal não retificou as GFIP para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo. 2 O prazo para pleitear a restituição ou efetuar a compensação de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente é de cinco anos contados do pagamento indevido (artigo 168 inciso I do Código Tributário Nacional – CTN; artigo 253, I do Decreto nº 3.048/99; e artigo 3º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006). Os valores compensados de 8/2009 a 11/2010, referentes ao período de 2/1998 a 8/2004, excedem o período Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 permitido para realizar compensações de contribuintes previdenciárias dos exercentes de mandato eletivo. 3 A compensação deve ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP (artigo 6º, inciso II da Instrução Normativa nº 15/2006). O ente municipal não incluiu em GFIP todos exercentes de mandato eletivo. Aplicouse a multa isolada prevista no artigo 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, em razão do sujeito passivo informar em GFIP valores a compensar que sabidamente não teria direito até o trânsito em julgado, reduzindo assim o valor devido a ser recolhido para a Seguridade Social. No lançamento utilizouse os seguintes levantamentos: · GL Glosa Compensação Período do débito: 8/2009 a 11/2010 –Valor: R$ 654.044,25 · MI – Multa Isolada Período do débito: 9/2009 a 12/2010 – Valor: R$ 714.750,00 O interessado apresentou impugnação, acompanhada de documentos, na qual alega e requer, em suma o seguinte: (...) (destaques nossos) A DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 444/453, negou provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. A recorrente foi intimada do Acórdão em 27/08/2012 (fls. 462), tendo apresentado Recurso Voluntário em 18/09/2012 (fls. 464/490), no qual alega: * que a retificação da GFIP iria prejudicar os exercentes de mandato eletivo, que não contarão com o tempo de contribuição para a obtenção do benefício de aposentadoria, sendo que a compensação se dá apenas com a cota patronal. Ademais, é possível a exclusão de ofício, pela própria autoridade fiscal; * não teria ocorrido a prescrição do direito de compensar, seja pela aplicação do prazo decenal, seja pela interrupção do prazo prescricional em 03 de maio de 2006, tendo em vista a publicação da Portaria MPS n° 133, que equivaleria a ato de reconhecimento do direito pelo devedor (artigo 202, VI, do CTN); * a multa aplicada é confiscatória; * a multa isolada não pode prosperar, pois inexiste falsidade na declaração. Ademais, o prazo prescricional seria questão controvertida, assim como a obrigatoriedade de retificação da GFIP, de sorte que não se pode pressupor qualquer a falsidade da declaração; * seria inaplicável o artigo 170A do CTN, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade pela própria Resolução n° 26 do Senado Federal. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16004.720650/201136 Acórdão n.º 2302002.729 S2C3T2 Fl. 498 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Compensação. Art 170A do CTN. Todos os argumentos da recorrente, com exceção daqueles relativos à multa isolada, podem ser reduzidos à impossibilidade de exigência de retificação de GFIP para o exercício do direito de compensação; à não ocorrência de prescrição do direito de reaver o que teria pago indevidamente; e à inaplicabilidade ao caso o artigo 170A do CTN, que autoriza a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial que discute a validade dos créditos compensados. Todavia, ainda que fossem reconhecidas a legitimidade da compensação independentemente da retificação da GFIP e a não ocorrência de prescrição, tais fatos não teriam o condão de tornar ilegítima a glosa efetuada, tendo em vista o comando contido no artigo 170A do CTN, que veda "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". No caso, a recorrente intentou ação “objetivando a declaração de inexigibilidade das contribuições previdenciárias e do direito de proceder à compensação, relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios pagos aos exercentes de mandato eletivo, instituída pela Lei n° 9.506/97” (fls. 95), processo n° 2006.61.24.0008045 (fls. 89/100). Portanto, aplicável, ao caso, o artigo 170A, do CTN. A vedação contida no referido dispositivo aplicase inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 (destaques nossos) Portanto, inexistem dúvidas de que a dispensa de retificação das GFIP´s ou o reconhecimento da não ocorrência da prescrição dos créditos compensados não bastam para tornar lídima a compensação glosada. Notese que, nos termos art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, estando este órgão julgador vinculado à decisão proferida pelo STJ, não cabem maiores digressões a respeito dos pleitos de dispensa de retificação da GFIP ou de não ocorrência de prescrição por ocasião da compensação efetuada. Multa. Caráter Confiscatório. Falsidade da Declaração. Como visto, tendo em vista a aplicação ao caso em comento do artigo 170A do CTN, consideramos a compensação irregular, prosperando, destarte, a glosa e, conseqüentemente, as multas aplicadas. Assim, embora restem prejudicadas as questões suscitadas quanto à necessidade de retificação da GFIP e quanto à ocorrência da prescrição, matérias afetas à própria legitimidade da compensação e que são suplantadas pela aplicação do artigo 170A do CTN, cumpre analisar as questões relativas à multa aplicada, que são decorrência da glosa considerada legítima. O primeiro aspecto a ser analisado é o suposto efeito confiscatório das multas aplicadas, que contrariariam o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16004.720650/201136 Acórdão n.º 2302002.729 S2C3T2 Fl. 499 7 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. O segundo aspecto a ser analisado referese à legitimidade da multa isolada. Aplicouse a multa isolada prevista no artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, em razão do sujeito passivo informar em GFIP valores a compensar que sabidamente não teria direito até o trânsito em julgado, reduzindo assim o valor devido a ser recolhido para a Seguridade Social. Vejamos as disposições legais que fundamentam as penalidades incidentes na hipótese de compensação indevida: Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Ainda Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ainda Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) (destaques nossos) A leitura atenta dos textos legais acima transcritos indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: (i) a multa de mora de 20%; e (ii) a multa isolada de 150%. Ocorre que, para a aplicação da primeira (multa de mora), a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Quanto à segunda (multa isolada), consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Se a lei não tem palavras inúteis (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 251), quanto mais orações inteiras. É verdade que, por força do que dispõe o artigo 136 do CTN, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável”, ou seja, independe de dolo. Todavia, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16004.720650/201136 Acórdão n.º 2302002.729 S2C3T2 Fl. 500 9 quanto à multa isolada, parece haver disposição em contrário, pois há a condicionante de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Para a compensação ser considerada indevida, ou a declaração que deu origem era falsa ou se tornou falsa. Destarte, sempre haverá falsidade, de sorte que não haveria razão para o legislador condicionar a sua aplicação à comprovação da falsidade despretensiosa. Assim, a única maneira de justificar, do ponto de vista jurídico, a existência da condicionante “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, é invocar a intencionalidade do agente. Ademais, não parece que se possa cogitar de comprovação de uma falsidade sem o elemento subjetivo, pois a própria falsidade, no vernáculo, tem definições que implicam em intencionalidade: s.f. (Do lat. Falsitas, falsitatis). 1. Propriedade do que é falso. – 2. Mentira, calúnia. – 3. Hipocrisia; perfídia. – 4. Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade. (Grande dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Larousse cultural, 1999, p. 420) Isso sem falar que, ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, a exigência do dolo, além de ser interpretação que busca dar coerência ao arcabouço normativa, indubitavelmente, revelase como a mais benéfica ou favorável ao infrator. Podese afirmar, do quanto exposto até aqui, que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, é indispensável que esteja demonstrada a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso presente, o Termo de Constatação Fiscal não indica qualquer elemento do qual se possa extrair, de forma concreta, a intencionalidade do agente, destacando apenas que a recorrente informou em GFIP valores a compensar que sabidamente não teria Fl. 504DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 direito até o trânsito em julgado, reduzindo assim o valor devido a ser recolhido para a Seguridade Social. Como se vê, a conduta, da forma como descrita, apesar de contrariar o disposto no artigo 170A do CTN (É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial), não denota qualquer intenção de fraude por parte da recorrente, mas a mera opção por uma conduta amparada por interpretação jurídica minoritária na jurisprudência (inaplicabilidade do artigo 170A do CTN) e que, posteriormente, veio a ser superada quando do julgamento do REsp 1.167.039DF. Assim, concluise que não restou demonstrado e tampouco conseguese extrair da conduta da recorrente descrita nos autos que, de forma consciente, mesmo sabedora de que não possuía direito creditório, tenha informado em GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando ludibriar o fisco. Pelos motivos expendidos, conheço parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial, e, na parte conhecida, doulhe provimento parcial, para excluir do lançamento a multa isolada. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11020.724473/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
MULTA ISOLADA.
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
Numero da decisão: 1101-000.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
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FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 44 73 /2 01 1- 45 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório CONVIAS S/A – CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 16/11/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.127.370,89. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração (i) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – e multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada de folhas 156/162; (ii) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – de folhas 163/167; (iii) de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF – de folhas 168/174; (iv) de multa isolada por falta de recolhimento da Contribuição Social sobre a base estimada, em razão de infração à legislação tributária praticada no anocalendário de 2008. O total do crédito tributário lançado atingiu o montante de R$ 2.127.370,89. Segundo o Relatório da Ação Fiscal de folhas 184/196, a autuação devese ao fato de o contribuinte ter contabilizado despesas de prestação de serviços cujo objeto era a inserção de propaganda televisiva em programas regionais, prestados por CS Editorial Jornalística Ltda. ME, no valor total de R$ 900.000,00, sem que fossem apresentados documentos suficientes para a comprovação da efetiva realização dos serviços contratados. Em razão da infração apurada, os recolhimentos mensais por estimativa do IRPJ e da CSLL se mostraram insuficientes, conforme demonstrado na planilha “Cálculo IRPJ e CSLL por Estimativa” (fls. 154), tendo sido, por isso, efetuado os lançamentos da multa isolada, conforme previsto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Também, como decorrência da infração, foi efetuado o lançamento do Imposto de Renda na Fonte por pagamento sem causa, com base no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda. O contribuinte apresentou a impugnação parcial de folhas 206/230 contestando apenas a exigência das multas isoladas de 50%, aplicadas em decorrência do recolhimento a menor das estimativas de IRPJ e CSLL. Alega que é incompatível a aplicação da multa isolada, que tem como pressuposto a falta de recolhimento da estimativa no anocalendário ou recolhimento a menor, quando a estimativa não é mais devida, pois o objetivo do legislador foi assegurar o recolhimento antecipado e evitar o não pagamento das estimativas no curso do ano calendário. Entendimento diverso levaria ao absurdo de se admitir a aplicação de uma penalidade por conduta que não é mais exigida (pagamento da estimativa) e, principalmente, por valor que não é mais devido. Alega que o pagamento das estimativas somente pode ser exigido enquanto não encerrado o anocalendário e, por decorrência, a multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menos também só pode ser aplicada no próprio anocalendário. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 5 4 Alega que a multa isolada também não pode ser aplicada por implicar em apenála duas vezes por uma única infração cometida. Tal multa só seria válida se os fatos sobre os quais ela recai não se confundirem com os fatos que serviram de fundamento para a aplicação da multa de ofício. Verificada esta interferência, haveria a aplicação de dupla penalidade sobre o mesmo fato, cumulação esta vedada pelo ordenamento jurídico vigente. Alega que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do contencioso administrativo, conforme atestam vários acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Alega, ainda, que, se o legislador pretendesse autorizar a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, o teria feito expressamente no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, determinando que nos lançamentos de ofício fossem aplicadas multa de ofício (de 75%) “E” multa isolada (de 50%), ou então multa de ofício “sem prejuízo” da multa isolada, o que não ocorreu. Por fim, requer o acolhimento da impugnação para cancelar integralmente a exigência fiscal. O crédito tributário não impugnado foi transferido para o processo nº 11020 725.040/201115, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário de folhas 257 e 258. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO É cabível a exigência da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas concomitantemente com a multa proporcional ao tributo devido no final do período de apuração, por serem distintas as hipóteses de incidência legalmente previstas. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/04/2012 (fl. 273), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/05/2012 (fls. 275/299), no qual reprisa os argumentos apresentados em impugnação, destacando que a própria autoridade julgadora de 1a instância salientou a existência de decisões reiteradas sobre o assunto, formadoras de jurisprudência. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente no que se refere aos reiterados julgados deste Conselho contrários à aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL, com a multa proporcional por falta de recolhimento do ajuste anual de IRPJ/CSLL, ou à exigência daquela penalidade depois de encerrado o anocalendário, cumpre observar que a matéria ainda não foi sumulada, e isto especialmente porque a fundamentação legal para esta exigência foi alterada com a edição da Lei nº 11.488/2007. O presente caso, por sua vez, reportase à falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL durante o ano calendário 2008, já na vigência da nova redação atribuída ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 por aquela Lei. Esta Relatora, porém, reputa irrelevante a referida alteração legislativa, entendendo cabível a aplicação concomitante das penalidades questionadas antes ou depois da edição da Lei nº 11.488/2007, bem como a sua exigência depois de encerrado o anocalendário. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 7 6 CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, ou apurando a Fiscalização que estes balancetes revelam resultado inferior ao devido, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deve a contribuinte apurar e recolher os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceria devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, mesmo verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Inadmissível, assim, a interpretação de que as multas isoladas somente poderiam ser aplicadas antes de encerrado o anocalendário. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 8 7 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o fato ilícito que enseja a multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o fato ilícito que motiva a multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Daí porque era desnecessário o legislador expressamente afirmar a possibilidade de aplicação concomitante das duas penalidades. A natureza destas já autoriza a interpretação de que ambas podem ser exigidas quando o sujeito passivo, além de deixar de recolher o ajuste anual, também deixa de antecipar as estimativas ao longo do anocalendário. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 9 8 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.724473/201145 Acórdão n.º 1101000.917 S1C1T1 Fl. 10 9 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000875/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Tratando-se de lançamento tido como decorrente aplicam-se a ele os efeitos do julgamento no processo que lhe deu origem.
PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. INOCORRÊNCIA.
A caracterização do procedimento espontâneo pressupõe a iniciativa do sujeito passivo na denúncia da infração e, se for o caso, acompanhada do pagamento do tributo devido. Não cabe suscitar a espontaneidade como decorrência de irregularidade apurada em procedimento de ofício.
JUROS DE MORA. TERMO INICIAL.
A cobrança dos juros de mora sobre a diferença de imposto que deixou de ser paga como decorrência da postergação tem como referencial a data de vencimento do tributo não recolhido.
Numero da decisão: 1402-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá e, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratando-se de lançamento tido como decorrente aplicam-se a ele os efeitos do julgamento no processo que lhe deu origem. PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. INOCORRÊNCIA. A caracterização do procedimento espontâneo pressupõe a iniciativa do sujeito passivo na denúncia da infração e, se for o caso, acompanhada do pagamento do tributo devido. Não cabe suscitar a espontaneidade como decorrência de irregularidade apurada em procedimento de ofício. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. A cobrança dos juros de mora sobre a diferença de imposto que deixou de ser paga como decorrência da postergação tem como referencial a data de vencimento do tributo não recolhido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá e, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. MULTAS. A incidência de multa de ofício sobre a diferença de imposto que deixou de ser paga como decorrência da postergação não se confunde com a multa de mora cobrada sobre o valor do imposto pago a destempo. PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. INOCORRÊNCIA. A caracterização do procedimento espontâneo pressupõe a iniciativa do sujeito passivo na denúncia da infração e, se for o caso, acompanhada do pagamento do tributo devido. Não cabe suscitar a espontaneidade como decorrência de irregularidade apurada em procedimento de ofício. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. A cobrança dos juros de mora sobre a diferença de imposto que deixou de ser paga como decorrência da postergação tem como referencial a data de vencimento do tributo não recolhido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratandose de lançamento tido como decorrente aplicamse a ele os efeitos do julgamento no processo que lhe deu origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 08 75 /2 00 9- 90 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá e, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 719DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000875/200990 Acórdão n.º 1402001.451 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: O presente processo tem como objeto os autos de infração de fls 302/324, referentes a Imposto sobre a Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, por meio dos quais foram consubstanciadas as exigências de R$ 354.139,41 e R$ 187.002,62, respectivamente, multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário foi formalizado, segundo relato de fls 292/300, com base nos seguintes fundamentos e conclusões : · Em 1998 a interessada contraiu empréstimos com a sociedade General Eletric Company, situada em Fairfield – USA. · os juros referentes a dívida contraída foram contabilizados, conforme o regime de competência, à débito de despesa e a crédito da conta de passivo. Foram ainda provisionados os valores correspondentes ao IRRF incidente sobre os juros, mediante lançamento a débito de despesa (cta 325010131IR a recolher s/ juros de empréstimo no exterior) e a crédito de passivo (cta 211020149 –IR a recolher s/ juros de empréstimos no exterior); · em 31/12/2003 foram adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de “ Provisão de IR s/juros” o valor de R$ 6.301.134,17. A este mesmo título foi registrada a exclusão de R$ 1.828.634,69, referente à baixa da referida provisão; · em 31/12/2004 foi excluída das bases de cálculo do IRPJ e CSLL mais uma parcela no valor de R$ 21.327,77, também a título de reversão da referida provisão; · restou na parte B do Lalur, associado à provisão em foco, o valor de R$ 4.451.171,71, que foi integralmente excluído do lucro real e da base de cálculo da CSLL em 31/12/2005; · intimada , em 10/08/2009, a comprovar a legalidade da referida exclusão, a interessada limitouse a apresentar planilha explicativa da constituição e reversão da provisão correspondente; · verificando o movimento, no ano de 2007, da conta de passivo “211020149 – IR a recolher s/ juros de empréstimo no exterior”, constatouse débitos nos valores de R$ 1.661.881,65 e R$ 3.832.442,39, realizados em 30/04/2007 e 29/06/2007, respectivamente, realizados a título de reversão da provisão constituída; · a exclusão de R$ 4.451.171,71, que reduziu as das bases de cálculo referentes ao ano de 2005, referemse à reversão de provisão feita apenas em 2007 e que corresponderia a exclusão legítima tão somente para este ano. Ocorreu, portanto, postergação de pagamento de Fl. 720DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 imposto passível de cálculo e apuração nos termos do PN/COSIT 02 de 28/08/96; · conforme fls 153/154 e 159, dos cálculos resultantes da aplicação do normativo acima mencionado resultou falta de recolhimento de IRPJ de R$ 354.139,41 e CSLL de R$ 187.002,62. Cientificada do lançamento em 18/12/2009 (fls 304), a interessada apresentou, em 19012010, a impugnação de fls 336, na qual alega, preliminarmente que : · as bases de cálculo do ano de 2005, após compensação, foram de R$ 8.061.688,89 (CSLL) e R$ 8.075.910,40 (IRPJ); · após a aplicação das alíquotas respectivas e dedução das antecipações realizadas ao longo do ano, apurouse, como resultado final do ano de 2005, saldo negativo de CSLL e IRPJ nos valores de R$ 69.140,32 e R$ 215.475,97; · Não foi integralmente adotado o PN 02/1996, que trata de postergação de pagamento de tributos, uma vez que não foram considerados os saldos negativos de IRPJ e CSLL (excessos de pagamentos) apurados para o ano de 2005. O procedimento correto deveria partir da recomposição das bases do período, posterior abatimento das estimativas recolhidas e recálculo da apuração final do período ( IR e CSLL a pagar ou a restituir); · Não foram aproveitadas, para abater os valores apurados, as base de cálculo negativas acumuladas, oriundas de períodos anteriores; · Mesmo que desconsiderados os saldos negativos e as compensações de base de cálculo, o fato é que , se a interessada espontaneamente recolheu a mais, em 2007, o que deveria ter recolhido em 2005, não há que se falar em cobranças adicionais de multa e juros; · Foi lançada multa de 75% sobre os tributos que, anteriormente, já haviam sofrido a incidência de multa de mora; · Estão sendo cobrados juros de mora a partir de R$ 31/03/2006, quando o termo inicial da cobrança deveria ser 31/03/2008; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1251.412 (sessão de 12/12/2012) acolhendo parcialmente a impugnação. Entendeu o Órgão julgador que caberia a utilização do saldo de prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL na dedução do valor tributável, respeitado o limite de 30%. Assim, o valor do IRPJ que deixou de ser pago foi reduzido para R$ 247.897,77 e a CSLL para R$ 89.243,15. Devidamente cientificado o sujeito passivo recorre a este colegiado questionando o suposto equívoco da primeira instância julgadora em recompor o resultado do anocalendário de 2007, quando deveria se limitar ao ano de 2005. No mais, repisa as razões da peça impugnatória concernentes à caracterização da denúncia espontânea, o que impediria a cobrança da multa de mora; à impossibilidade da concomitância entre as multa de mora e de ofício e ao termo inicial de incidência dos juros de mora, que deveria ser março/2008 e não março/2006 como utilizado pelo fisco. É o Relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000875/200990 Acórdão n.º 1402001.451 S1C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em sede recursal não foi mais suscitada a consideração do saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL, apurados em 2005, pois o Órgão julgador de primeira instância demonstrou que esses valores foram utilizados em pedidos de compensação específicos. Primeiramente a recorrente reclama do que seria o ajuste equivocado feito pela decisão recorrida no ajuste do anocalendário de 2007 o que, alega, só poderia ser realizado mediante lançamento. Pelo exame do acórdão recorrido confesso não ter vislumbrado a irregularidade suscitada. Em primeiro lugar, porque o voto condutor só trata do anocalendário de 2007 na parte em que acolhe as razões de defesa expostas na impugnação. Em segundo lugar porque a abordagem desse período foi realizada a partir dos cálculos efetuados pelo Fisco. Em outras palavras, a primeira instância julgadora simplesmente acolheu a argüição da defesa quanto à necessidade da apuração fiscal levar em consideração a existência de saldo de prejuízos acumulados e base de cálculo negativa da contribuição social. No que se refere à arguição de denúncia espontânea o pleito do sujeito passivo mostrase totalmente improcedente. Isso porque, ao contrário do alegado não há que se falar em “recolhimento espontâneo das diferenças no anocalendário de 2007”. O sujeito passivo antecipou para 2005 uma exclusão do resultado que só poderia ter sido realizada em 2007. Coube exclusivamente à autoridade lançadora, sem qualquer iniciativa do sujeito passivo, fazer os devidos ajustes e considerar a exclusão em 2007. Em relação à suposta concomitância de multas, também não assiste razão à demandante. O sujeito passivo excluiu indevidamente no anocalendário de 2005 o valor de R$ 4.451.171,71. Sobre o imposto que deixou de ser pago, apurado considerando a dedução de 30% referente ao saldo de prejuízos acumulados, incide a multa de mora e os juros até março de 2008, quando do vencimento do imposto apurado em 2007 onde a exclusão poderia ser realizada. Assim, o valor “pago” em 2007 – pela consideração da exclusão deve ser decomposto em principal, multa de mora e juros. Em função da decomposição, nem todo o imposto devido em 2005 foi “quitado” em 2007. É sobre essa diferença, apurada pelo Fisco, que incide a multa de ofício. Em resumo, a multa de mora incide sobre o imposto “pago” com atraso. A multa de ofício índice sobre a diferença não quitada em 2005. O mesmo raciocínio vale para os juros de mora. Os juros “pagos” referemse ao principal do imposto devido. Sobre a diferença não quitada, apurada no anocalendário de Fl. 722DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 2005, incide juros de mora com termo inicial tendo como referência o vencimento do tributo correspondente a esse anocalendário (31/03/2006). Numericamente temse: 1) R$ 4.451.171,71 x 70% = R$ 3.115.820,20 (valor da infração no ano calendário de 2005, considerando a dedução do saldo acumulado de prejuízos fiscais); 2) R$ 3.115.820,24 x 15% = R$ 467.373,03 (imposto que deveria ter sido pago no anocalendário de 2005 – sobre esse valor incidem multa de mora e juros até a “quitação” no anocalendário de 2007); 3) decomposição do valor referente ao item anterior, consolidado em 2007: R$ 318.634,46 (principal) R$ 63.726,90 (multa de mora: 20%) R$ 85.011,67 (juros de mora: 26,68%) 4) R$ 467.373,03 R$ 318.634,46 = R$ 148.738,57 (valor não quitado em 2005 – sobre esse valor incidem multa de ofício e juros de mora); 5) R$ 3.115.820,24 x 10% = R$ R$ 311.582,02 (valor do adicional referente à infração no anocalendário de 2005, considerando a dedução do saldo acumulado de prejuízos fiscais sobre esse valor incidem multa de mora e juros até a “quitação” no ano calendário de 2007); 6) decomposição do adicional referente ao item anterior, consolidado em 2007: R$ 212.422,97 (principal) R$ 42.484,60 (multa de mora: 20%) R$ 56.674,45 (juros de mora: 26,68%) 7) R$ 311.582,02 – R$ 212.422,97 = R$ 99.159,05 ( valor do adicional não quitado em 2005 – sobre esse valor incidem multa de ofício e juros de mora); 8) R$ 148.738,57 + R$ 99.159,05 = R$ 247.897,62 (total não quitado em 2005) O mesmo cálculo aplicarseia à CSLL o que levaria ao valor apurado pela decisão recorrida, com aproximação de centavos. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 723DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000875/200990 Acórdão n.º 1402001.451 S1C4T2 Fl. 5 7 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10855.910090/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1802-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 00 90 /2 00 9- 98 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910090/200998 Acórdão n.º 1802001.838 S1TE02 Fl. 241 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto recolhimento a maior de CSLL Estimativa do período de apuração relativo a 07/2006 e cujo débito é da CSLL Estimativa relativa ao período de apuração de 03/2007. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 14 35.853, constante às efls. 70/71: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de CSLLestimativa mensal (código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 07/2006. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que “no ano base de 2.006 recolheu a importância de R$ 3.758.744,64 (Três milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil, setecentos e quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos) como estimativa mensal da CSLL, conforme cópias dos DARF's PER/DCOMP's e CSLL retido na fonte, que ora se junta e demonstrativo abaixo. Ao apurar o valor final devido nesse período constatou que seu saldo devedor era de R$ 1.548.559,01 (um milhão, quinhentos e quarenta e oito mil, quinhentos e cinqüenta e nove centavos e hum centavos) resultando no recolhimento a maior de R$ 2.210.185,63 (Dois milhões, duzentos e dez mil, cento e oitenta e cinco reais e sessenta e três centavos)”; que “no preenchimento da DIPJ (coluna B do demonstrativo acima), julgando estar correta, a RECORRENTE imputou somente os valores que deveriam ser os recolhimentos devidos, não computando os valores indevidamente recolhidos a maior”; que “no caso a RECORRENTE é detentora de saldo credor no valor de R$ 16.035,56, que é a diferença entre o valor recolhido R$ 280.192,64 e o valor correto de R$ 264.157,08, não estando correta a conclusão de que o crédito é inexistente”; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que “ocorreu um equívoco na forma de apresentação dos créditos, o que resultou na não homologação da compensação efetuada no PER/DCOMP 41016.11848.300407.1.3.046075”. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da peça impugnatória, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls. 69): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 10/01/2012 (efls 82) mostrouse irresignada, pelo que apresentou recurso voluntário em 09/02/2012, suscitando em apertada síntese que: a) a colação de provas no momento recursal é valida à luz do princípio da verdade material, sobretudo quando atrelada a uma decisão que vincula essa necessidade e; b) o crédito pleiteado, seja considerado como pagamento a maior ou saldo negativo está devidamente comprovado pela documentação acostada. É o relato do essencial. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910090/200998 Acórdão n.º 1802001.838 S1TE02 Fl. 242 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, discutese nos presentes autos sobre a existência de um crédito tributário passível de compensação, na condição de pagamento a maior. Preliminarmente, a recorrente pede que sejam analisadas as provas acostadas à peça recursal, em apreço à verdade material. Ora, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição do Acórdão atacado que tais documentos são necessários neste momento para a comprovação do crédito, motivo pelo qual devem ser aceitos e analisados. Já no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. O presente caso remete ao suposto recolhimento a maior da estimativa de CSLL do período de 07/2006, pela apresentação da Declaração de Compensação de n° 41016.11848.300407.1.3.046075. A turma julgadora a quo selou entendimento no sentido de que as estimativas recolhidas têm cunho antecipatório, o que caracterizaria uma “flagrante impropriedade”, e portanto, “não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não existe, vez que o átimo do fato imponível da CSLL dáse em 31 de dezembro do anobase” e por isso, julgou incabível seu pleito na modalidade de pagamento a maior. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Ora, em que pese a natureza antecipatória do recolhimento da estimativa, não há óbice ao pleito na modalidade de pagamento indevido ou a maior quando resta demonstrada por meio de documentação idônea sua existência, não podendo seu direito ao crédito ser negado por este motivo. Neste sentido, este Conselho já pacificou o entendimento através de Súmula: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sob a ótica da recorrente, denotase imprecisão no seu recurso voluntário, quando em relação à origem do crédito, colocase o seguinte: 19. Para aqueles que entendem que se trata de pagamento indevido ou a maior, seguem os fundamentos que garantem o direito à restituição: [...] 20. Para aqueles que entendem que se trata de saldo negativo, o artigo 2° da Lei n° 9.430/96, complementado pelo artigo 230 do Regulamento do IR/99, garante a compensação do saldo negativo, seja em virtude da natureza da sistemática de recolhimento, seja em relação ao disposto no artigo 11 da IN n° 900/2008. Vejamos os textos legais abaixo transcritos: [...] (Grifouse) Como se observa, não há determinação se o crédito supostamente existente é decorrente de pagamento a maior da estimativa, ou se ele é decorrente de um saldo negativo do período. Dos documentos juntados que guardam relação ao pleito, consta às efls 230 página da DIPJ que demonstra a existência de um saldo negativo no montante de R$ 2.107.555,25. Referido saldo confere com o documento produzido pela recorrente denominado Demonstração de Cálculo da CSLL referente ao mês de dezembro de 2006, constante às efls 126, onde consta o montante de R$ 2.107.555,06. Tal constatação é um indício da existência de saldo negativo, hipótese que daria direito à recorrente ao indébito nesse montante. Não consta colacionado aos autos, contudo, a DCTF relativa ao período, nem a DIPJ na parte da apuração da CSLL que denota a existência de um pagamento a maior da CSLL estimativa do período de 07/2006, capaz de substanciar uma hipótese desta modalidade do pedido, que é exatamente o que conta no documento declaratório (DCOMP). Assim, ainda que às efls 114 conste o DARF recolhido para este período de apuração no montante de R$ 280.192,64 e às efls 121 no documento produzido pela recorrente Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910090/200998 Acórdão n.º 1802001.838 S1TE02 Fl. 243 7 denominado Demonstração de Cálculo da CSLL referente ao mês de julho de 2006 conste o valor de R$ 264.157,08, o que resulta num suposto pagamento a maior no montante de R$ 16.035,56, na forma em que conta do documento declaratório (DCOMP), não há como atestar a validade e existência do referido crédito pela falta da DCTF e da DIPJ do período que lhe guarda relação. Neste viés, identificase que há indícios tanto da existência de saldo negativo no período como de pagamento indevido ou a maior da estimativa. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Este colegiado normalmente desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. É este o caso. Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Portanto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Sorocaba/SP). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10314.721343/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/06/2007
CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07.
A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 13 43 /2 01 2- 73 Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 05/03/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 367.703,03 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e conforme programação do Serviço de Pesquisa e Seleção Aduaneira da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, foi realizada auditoria fiscal nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, para a verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior efetuadas pela empresa GUERRA JÚNIOR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 06.326.833/000123, e para o combate à interposição fraudulenta de pessoas, que resultou na lavratura da presente penalidade de multa por cessão de nome. Constatouse durante o procedimento fiscal que as empresas TOP COMPONENTES DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS LTDA., CNPJ 07.715.763/000168; ALFATRADE BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 07.384.764/000177; SAENGE ENGENHARIA DE SANEAMENTO E EDIFICAÇÕES LTDA., CNPJ 52.908.423/000108; GAMAFIRE SOLUÇÕES CONTRA INCÊNDIO LTDA., CNPJ 65.660.532/000109; e TEGUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 11.380.591/000196; foram as reais adquirentes ocultas das mercadorias importadas pela empresa GUERRA JÚNIOR. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 08/03/2012 (fls. 1.456), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 09/04/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de folhas 1460 a 1478. Na forma do artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, alegou que: As importações feitas pela recorrente sempre foram feitas na modalidade importação direta, vez que a recorrente efetuou a importação dos produtos diretamente de diversos fabricantes dos EUA. Europa e China conforme comprovado nas DI's relativas às importações realizadas, sempre trazendo regularmente os produtos para o Brasil com a finalidade de revenda posterior. Nesses casos, a recorrente assume os riscos totalmente com a operação através de suas expensas. Nessa espécie de importação ainda, vale frisar, a importadora efetua o recolhimento integral de todos os impostos incidentes sobre a operação, o que é comprovado integralmente em todas as importações efetuadas, haja vista que as Declarações de Importação não são emitidas e Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.606 3 liberadas sem que ocorra o efetivo recolhimento e comprovação do pagamento dos impostos devidos e incidentes na importação. Portanto, imperioso chamarmos a atenção de que contrariamente às afirmações feitas pelo Sr. Auditor, em todas as importações feitas pela recorrente, houve o correto e integral recolhimento dos impostos decorrentes das importações. não apenas o IPI. como também o II e demais impostos, conforme constam todos discriminados nas DI's. razão pela qual descabido afirmar que as importações efetuadas acarretaram dano ao Erário, consoante afirmado. Por outro ponto, uma vez que as importações efetuadas foram feitas na modalidade "importação direta", competia à recorrente efetuar o recolhimento dos impostos, exatamente como ocorreu e não aos clientes os quais adquiriram os produtos posteriormente. Importante registrar ainda, que se de fato houve adiantamentos por parte dos clientes da recorrente mesmo antes da conclusão da importação, a prática devese ao interesse de se valer da taxa cambial favorável entre o RS (real) e o US$ (dólar Americano), evitando assim, possíveis variações que poderiam onerar os custos do produto, já que obviamente a recorrente repassa para seus clientes todo e qualquer custo, atualizados pela taxa de câmbio. Não constitui, contudo, referido adiantamento, indício de que as importações tenham sido feitas por intermédio de recursos dos clientes finais da recorrente. A Importação por Conta e Ordem, por sua vez, se caracteriza pela vinculação das duas empresas envolvidas (importadora e adquirente) para realização de processo de importação onde ambas são responsabilizadas pela operação através do lançamento de seus CNPJ's na emissão de todos os documentos de importação, inclusive na DI (Declaração de Importação), registrada no SISCOMEX (Sistema da Receita Federal de formalização de importações e exportações). A condição indispensável para a realização da Importação por Conta e Ordem de terceiros é que as empresas envolvidas (importador e adquirente) estejam devidamente habilitadas no RADAR e demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (SRF), razão pela qual jamais poderia ser assim considerada a importação feita no caso. uma vez que as empresas terceiras para as quais a recorrente efetuaria as vendas das mercadorias objeto das importações não tem o registro perante o RADAR. SUPOSTA OCULTACÃO DO IMPORTADOR INEXISTENCIA DE DOLO, SIMULAÇÃO OU FRAUDE Das importações realizadas A recorrente na condição de comercial importadora tem obviamente contato com diversas empresas de inúmeros setores e diferentes países, o que por vezes, lhe permite fazer o emparelhamento de empresas que possam ter interesses comerciais em comum. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 E foi justamente o que ocorreu no caso em tela. Conhecendo os produtos fabricados pelas empresas fabricantes dos produtos posteriormente vendidos para as empresas TOP COMPONENTES, ALFATRADE, SAENGE, GAMAFIRE E TEGUS aproximou as empresas em vista da possibilidade de negócio. Em função dos interesses comerciais comuns das empresas, acabou por viabilizar o negócio entre elas. Não nos parece sequer razoável que a Receita Federal tenha o poder de ditar normas e direções para o funcionamento comercial entre empresas, tampouco a respeito de como se dará a aproximação comercial de empresas com possibilidade de negócios em comum, sob pena de serem considerados criminosos os interesses comuns. Importante registrar ainda que a recorrente faz parte do grupo Koing, dentre o qual há a empresa Konig USA Trading & Support Inc. a qual fez a intermediação das operações nos EUA, ou seja a recorrente tem respaldo para desenvolver suas atividades e inclusive encontrar novos negócios e oportunidades de novos negócios no mercado interno. sem que a prática seja considerada criminosa ou fraudulenta, como pretende ver reconhecido o Sr. Auditor Fiscal. Tratase de prática comercial comum a identificação de novos negócios e a aproximação comercial por qualquer empresa, qualquer que seja seu ramo de atividade, não competindo à Receita Federal do Brasil identificar a postura como criminosa. Contrariamente ao sugerido pelo Sr. Auditor Fiscal, a empresa ora recorrida utilizase de equipe indireta através das demais empresas do grupo Konig. da qual faz parte a recorrente, o que lhe garante a possibilidade de praticar preços de mercado extremamente competitivos e em nenhum momento indica que a recorrente seja uma empresa inviável. É fato que a recorrente é uma empresa comercial importadora e exportadora e como tal, oferece aos seus clientes os serviços de importação e exportação,dentre os quais há uma série de desdobramentos que são oferecidos pela recorrente, desde a procura de produtos no mercado externo conforme o interesse do cliente, até a realização de pesquisas, cotações, serviços de despacho aduaneiro, tudo isso fazendo parte daquilo que é oferecido ao cliente pela recorrente, sem que ela seja por isso enquadrada como uma empresa prestadora de serviços, mas tão somente uma comercial importadora e exportadora que oferece de fato os serviços em excelência e de forma abrangente ao cliente, como forma de garantir que todo o processo de importação e exportação possa ser realizado sem preocupações ao cliente, ou mesmo a necessidade de que sejam contratadas empresas terceiras para auxiliarem nas demais especificidades do processo de importação/exportação. Contrariamente ao que alega o Sr. Auditor Fiscal, toda a documentação apresentada pela recorrente corrobora com a tese ora defendida, no sentido de que as importações realizadas foram feitas sob a espécie de importação direta. Por ter "apresentado" as empresas, e em função do seu ramo de atividades na área de importação e exportação, e seus custos reduzidos na prestação dos serviços, a recorrente manteve a realização das importações diretas dos produtos os quais eram posteriormente vendidos aos seus clientes, sem que isso, Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.607 5 atentemos, configurasse qualquer ilegalidade, contrariamente ao alegado pelo Sr. Auditor Fiscal. Inexistência de Fraude ou Simulação Não há que se falar que há informações falsas inseridas nas Declarações de Importação e Fatura Comercial, contrariamente ao que afirma o Sr. Auditor Fiscal, pois: • Os referidos documentos são totalmente lícitos e idôneos, vez que a importadora é empresa regularmente constituída e inclusive em plena atividade na data da emissão dos documentos, conforme comprovado documentalmente. • Não há assim, qualquer adulteração, omissão, ocultação ou disfarce de informações por parte da recorrente. • A sócia proprietária da recorrente cumpriu com todas as exigências apresentadas pelo representante da Receita Federal, no sentido de fornecerlhe toda a documentação relativa à importação sob investigação, encaminhando toda a documentação completa, onde há claramente os dados de seus clientes, para os quais realizou a venda de produtos importados, razão pela qual jamais houve qualquer intenção em ocultar ou omitir os dados de seus clientes, com o intuito de garantir qualquer vantagem para si ou para outrem. Ocorre que tudo isso faz parte de um emaranhado de entendimentos e negociações comerciais, a respeito dos quais a Receita Federal não detém qualquer poder, não cumprindo a ela determinar o modo de funcionamento ou mesmo as diretrizes do negócio, sob o ponto de vista comercial, sob pena de haver uma ingerência ilegal por parte do Governo sobre as relações particulares. No caso em análise, considerando que as importações efetuadas são formalmente lícitas, conforme comprovado documentalmente, em contrapartida às alegações feitas pelo Sr. Auditor Fiscal, é preciso definir até que ponto a fiscalização pode interferir na esfera da autonomia da vontade privada, para negar seus respectivos efeitos tributários, alegando terem sido efetuados de forma "abusiva" ou "ilegítima"? Os impostos foram regularmente recolhidos pela importadora ora recorrente, conforme comprovado documentalmente tendo sido igualmente o fechamento de câmbio efetuado também pela importadora o que foi de fato confirmado na Fiscalização . O fato de não ter constado nas Declarações de Importação, as informações a respeito do CNPJ do cliente da recorrente, não condiz com a afirmação de que houve ocultação com o intuito de fraudar a operação. Por primeiro porque em se tratando de uma importação direta, não há que se falar na declaração de dados do terceiro que adquire a mercadoria posteriormente; por segundo porque se houvesse qualquer intenção da recorrente em ocultar informações acerca da empresa para quem efetuou a venda dos produtos importados, não teria apresentado a documentação da forma como apresentou, fornecendo à Receita os dados do seu cliente final. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Em última análise, ainda que apenas para argumentar, se o entendimento deste DD. Julgador for no sentido de que houve qualquer omissão por parte da recorrente em informações que deveriam estar contidas nas DIs apresentadas, admitese a hipótese tão somente como falha na modalidade culpa, posto que não agiu com intenção fraudulenta, e insistimos, as importações foram realizadas na modalidade de importação direta o que elimina a exigência de prestação de informações acerca de terceiros, que não o real e direto importador a mercadoria, como ocorreu in casu. A legislação é clara no sentido de exigir que haja efetivamente a fraude e/ou simulação na ocultação das informações para que seja aplicada a pena de perdimento da carga. Ocorre que a fraude e/ou simulação somente pode ocorrer quando haja dolo por parte do infrator no ato omissivo, o que não ocorreu nos casos em tela, haja vista a boa fé da recorrente em apresentar toda a documentação, bem como as informações claras e precisas acerca do cliente para o qual efetuou a recorrente a venda das mercadorias importadas. É requisito sine qua non para a caracterização da fraude, que a omissão tenha sido praticada de forma dolosa, com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal relativamente ao recolhimento dos impostos decorrentes das importações realizadas. Conforme veremos a seguir com minudencias, ainda que as importações em comento tenham sido feitas através da modalidade "por conta e ordem" como afirma o Sr. Auditor, não haveria qualquer alteração na alíquota ou forma de recolhimento do II bem como do IPI sobre a importação, não havendo portanto qualquer dano ao Erário a ser considerado prática fraudulenta ou simulada. Não há também que se falar em simulação na operação realizada. O termo simulação tem origem no latim simulatio, que significa fingimento, artifício. Na definição vernacular, simulação significa ato ou efeito de fingir o que não é; disfarce; fingimento. Como requisito da simulação, figura assim um acordo das partes contratantes em declarar para terceiros um negócio jurídico aparente, simulado, cujos efeitos não são desejados pelas partes. Além disso, o propósito do negócio aparente é o de enganar a coletividade, seja não visando a causar nenhum dano, seja objetivando prejuízos a terceiros, ou fugir ao imperativo da lei. No caso em tela, jamais houve qualquer intenção da recorrente em iludir a coletividade nas importações realizadas, tampouco causar danos a terceiros, e menos ainda fugir do imperativo da lei, através do não recolhimento de tributos incidentes na importação, posto que, conforme já mencionado, não ocorreu. DO NÃO RECOLHIMENTO DOS IMPOSTOS Ainda que as importações em comento tivessem sido feitas através da modalidade “por conta e ordem" como afirma a Sr. Auditor Fiscal, não haveria qualquer alteração na alíquota ou forma de recolhimento do IPI e do II sobre a importação, porque a incidência tributária decorre da classificação dos produtos em função do NCM e não em função da espécie de importação utilizada para trazer a carga. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.608 7 Partindo dessa conclusão, não há que se falar que a prática adotada pela recorrente garantiu, a ela ou mesmo a terceiros que venham a adquirir a mercadoria fruto das importações, qualquer benefício fiscal, ou. em outras palavras, acarretou redução do montante do imposto devido, em detrimento do Erário. Portanto, considerando que houve de fato o pagamento de todos os impostos incidentes sobre a carga importada, não há que se falar em prejuízo ao Erário, em função da modalidade de importação realizada, posto que independente da forma eleita para a nacionalização da mercadoria, a carga tributária foi respeitada e devidamente recolhida. Em não havendo dolo na prática, descabe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria, para a qual, é imperiosa a existência do dolo no ato omissivo praticado. DO BIS IN IDEN O fato de que a pretensão da Receita Federal esbarra na ilegalidade de pretender que a recorrente seja punida com sanções recorrentes em decorrência de um mesmo fato, o que é vedado pela legislação, sob pena de tratarse de bis in iden. Isso porque, conforme já supra narrado, foi a recorrente penalizada com a aplicação de diversos autos de infração em função das mercadorias importadas e posteriormente comercializadas para as empresas TOP COMPONENTES, ALFATRADE, SAENGE E GAMAFIRE. Nesses autos de infração, a recorrente é apontada como responsável solidária no pagamento das multas ali aplicadas, portanto, aplicarlhe novo auto de infração, atribuindolhe multas decorrentes das importações realizadas, sobre as quais já foi autuada, é no mínimo uma prática ilegal e abusiva, constituindo pretensão da Receita em cobrar da recorrente duas vezes pela mesma infração, prática portanto reprovável pela doutrina e jurisprudência vigentes. CONCLUSÃO E PEDIDO Por todos os fatos supra narrados, concluise pela inexistência das infrações as quais deram origem à lavratura dos autos de infração, tampouco do termo de sujeição passiva solidária a respeito do qual ora se manifesta a recorrente. Considerando que as importações realizadas pela recorrente e cujo produto foram posteriormente vendidos à Saenge foram feitas na modalidade direta, não houve dolo ou qualquer prática de máfé por parte da recorrente a ensejar a aplicação da pena de multa equivalente ao total dos produtos importados, tampouco da aplicação da multa de forma solidária em detrimento da recorrente. Assim sendo, vem a recorrente postular: 1. Seja de imediato recebida e processada a presente impugnação, a qual deverá ser julgada no prazo d° 15 (quinze) Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 dias conforme disposto no § 2, do artigo 27 do Decreto Lei n. 1455/76; 2. Seja julgado improcedente o termo de autuação, haja vista que não houve qualquer irregularidade nas importações efetuadas através da recorrente, com a suspensão da pena imposta." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/06/2007 Cessão de Nome. Acobertamento dos reais adquirentes das mercadorias importadas. A exigência do presente Processo Administrativo Fiscal é regida pelo Decreto nº 7.574, de 29/09/2011. Se uma pessoa jurídica declare uma importação como direta e a fiscalização constate que se trata de Importação por “conta e ordem”, o importador estará cometendo a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Foi constatada pela fiscalização o fluxo financeiro com adiantamentos e que já se tinha conhecimento, antes de a importação ser realizada, do destinatário da mercadoria importada. Modalidade de Importação por “conta e ordem". A incidência da multa de Cessão de Nome não exclui a aplicação da pena de perdimento e consequente multa equivalente ao valor aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, incluindo um novo pedido, questionando o valor da condenação aplicada, alegando que o julgador aplicou à Recorrente o disposto no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759/2009, entretanto considerando que a disposição legal foi editada em 2009 e as importações foram realizadas nos anos de 2007 e 2009 a multa no poderia ser aplicada no montante integral, devendo ser limitada a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.609 9 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A lide gira em torno da aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização entendeu que a empresa autuada teria cedido o nome para a operação de importação de terceiros. A Recorrente, em sua defesa, alega a licitude das operações sendo imputadas a ela uma fraude que não existe. É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da empresa Guerra Junior, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam ocorrido por conta e ordem das empresas Top Componentes de Máquinas Industriais Ltda., Alfatrade Brasil Comércio Importação e Exportação Ltda, Saenge Engenharia de Saneamento e Edificações Ltda. Gamafire Soluções Contra incêndio Ltda. e Tegus Indústria e Comércio Ltda. Para o enfrentamento das matérias suscitadas nos autos é necessário trazer a lume o tema do controle aduaneiro e a interposição nas operações de comércio exterior. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante, o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro, o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio exterior e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, considerase dano ao erário punível com a pena de perdimento das mercadorias, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, conforme o art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. " Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.158 35/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.610 11 quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. A procedência e legalidade da aplicação da multa de 10% na cessão de nome para terceiro nas operações de interposição fraudulenta. Além, da penas referentes ao perdimento da mercadoria, a interposição fraudulenta também gera a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." De acordo com este mandamento legal, a pessoa jurídica que cede o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros fica sujeita a multa de 10% do valor da operação. Questão reiteradamente discutida é se a referida penalidade teria afastado a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 "Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim, não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 por esta nova multa. Esclarecida a questão da interposição fraudulenta e das penalidade aplicáveis, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. Das operações realizadas pela Guerra Importação e Exportação Ltda. Verificando os autos consta do relatório as provas que levaram a Fiscalização a considerar a interposição nas operações de importação realizadas entre a Guerra Importação e Exportação e outras empresas, que a Fiscalização Aduaneira entendeu que o real adquirente eram outras empresas. A forma de operação das importações realizadas foi descrita no relatório e merece uma análise em razão das provas constantes dos autos. A fiscalização identificou por diversos informações e documentos fiscais que comprovam a cessão de nome da autuada para as operações de importação que teriam como real adquirente outras empresas. A seguir, detalho informações extraídas do relatório fiscal, que comprovam este entendimento: i) Conforme informações entregues pela empresa, ela não possui empregados, não possui local para armazenagem de estoques nem possui contrato com terceiros para tal função. A empresa funciona em uma sala do imóvel situado na Avenida Moema, 490; sendo seu locador a empresa KONIG DO BRASIL – CARGA INTERNACIONAL LTDA. O sítio que esta empresa mantém na internet trazem informações sobre sua atuação (Documentos Diversos Outros site_Guerra). O lema no “banner” do site é: “we know how to trade”. Na rubrica “quem somos”, lêse: "Criada em 2004, a Guerra Junior destacase na prestação de serviços de excelência em Importação, Exportação e Suporte Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.611 13 Comercial Internacional obedecendo altíssimos padrões de qualidade e de exigência do mercado mundial. A Guerra Junior tem forte atuação no mercado de empresas que importam e exportam, mas não possuem e nem tem a intenção de criar um departamento de importação e exportação. Nosso maior objetivo é executar uma prestação de serviço completa para nossos clientes, evitando todo e qualquer tipo de contratempo e facilitando as remessas e as compras no exterior. A Guerra Junior pertence ao Grupo Konig, que atua a mais de 20 anos em todo o mundo, e hoje é uma das mais experientes empresas na área de logística Internacional e comércio exterior.(grifouse) Em “produtos”: A Guerra Junior importa e exporta o que o cliente precisa, entre em contato conosco e solicite uma cotação.(grifouse) Em “vantagens”: Por que utilizar uma trading? • Sua empresa importa e exporta a qualquer momento sem a necessidade do RADAR? • Para empresas que importam e exportam sem usar o radar próprio ou que não desejam obter o Radar • Com a Guerra Junior, sua empresa não precisa manter uma equipe ou um departamento dedicado a importação e/ou exportação; • Sua empresa não precisa obter o registro especial na SECEX e SRF; • A Guerra Junior calcula os custos completos para importação e/ou exportação; • Avaliamos e apontamos a melhor logística para que sua mercadoria chegue ao destino sem contratempos e com o melhor custo; • Controlamos, acompanhamos e administramos todas as etapas após o recebimento da mercadoria até a entrega no local determinado; • Administramos o câmbio e toda a documentação necessária para importar e/ou exportar;(grifouse)" ii) A entrevista realizada em 05/08/2011 com a Senhora ANNE KARIN GUERRA é bastante esclarecedora sobre as operações da empresa. Na entrevista foram realizadas perguntas, as quais a administradora da GUERRA JÚNIOR respondeu. Seguem as respostas que explicam o seu funcionamento: "6. Pergunta: o que a empresa oferece para o mercado produtos ou serviços)? Quais tipos de serviços ou produtos a empresa fornece? Respondeu serviço de intermediação de importação e exportação de produtos, com foco em partes e peças de máquinas, de acordo com a necessidade de mercado. (...) Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 8. Pergunta: existe verificação da existência de registro no SISCOMEX das empresas que contratam ou compram da Guerra Júnior? Respondeu que a empresa cliente é questionada quanto à existência de registro. Quando possui registro, importa por conta e ordem ou encomenda; quando não possui, realiza importação direta. (...) 22. Pergunta: como é o processo de uma operação para um cliente no Brasil, na importação (negociação, importação, transporte e venda de bens)? Respondeu que (1) fornecedores no exterior informam possuir produtos à Guerra Júnior; (2) essa informação é repassada a possíveis compradores no Brasil; (3) compradores interessados entram em contato e a Guerra Júnior negocia valores com o fornecedor do exterior; (4) o cliente interessado faz o pedido firme e adianta parte dos recursos para pagar tributos na importação (em geral, não existe contrato formal, só emails); (5) chegada a mercadoria, pagos os tributos e desembaraçada a mercadoria, são emitidas as notas fiscais e é feita a remessa diretamente para o cliente. Existe também a possibilidade de um cliente estar interessado em um produto; neste caso, a empresa Guerra Júnior procura fornecedores. Se a negociação for aprovada, há o pedido do cliente e a consequente importação (procedimentos 4, 5 e 6)." iii) A empresa TOP COMPONENTES entregou algumas comunicações recebidas da GUERRA JÚNIOR (Intimações Outros resposta_int256), reforçando a sistemática exposta. Mensagem eletrônica de 16/08/2010, referente ao processo GJ016/10: "A mercadoria Magnetic Coupling FGE 16.5 S no hubs, chegou ao Brasil ontem e já está disponível para registro da D.I, abaixo passo os custos para esse procedimento.(...) TOTAL : R$ 4.812,11" No mesmo dia, a GUERRA JÚNIOR recebe o valor informado, escriturado como “Adiantamento Registro DI GJ 16/10 Top Componentes”. Mensagem eletrônica de 14/08/2009, referente ao processo GJ015/09: "Gostaria de informar que a mercadoria chegou ao Brasil hoje e, portanto, podemos fazer o registro da D.I hoje na parte da tarde, abaixo passo os valores para registro da D.I, valor relacionados ao dólar de hoje.(...) Gostaria de saber também se os senhor pretende pagar a mercadoria hoje também, caso positivo me informe para que eu possa avaliar o valor do dólar perante meu corretor. Fico no aguardo." A lista de valores, somada, totaliza 16.475,19. Na mesma data, escriturase a entrada do mesmo valor, com o seguinte histórico: “Deposito c/c ref. adiantamento Processo GJ <01509> Top Componentes”. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.612 15 Essas mensagens, portanto, estão em consonância com o que foi informado pela Senhora ANNE KARIN GUERRA, durante a entrevista. As constatações realizadas somente confirmam o modo de operação informado pela administradora da GUERRA JÚNIOR: recebemse adiantamentos do real adquirente antes de pagamentos de tributos ou da liquidação de contratos cambiais. Ou seja, sabese, mesmo antes do registro da DI, a quem será destinada a mercadoria, atuando a importadora GUERRA JÚNIOR na modalidade “por conta e ordem de terceiros”; iv) A empresa ALFATRADE entregou algumas comunicações recebidas da GUERRA JÚNIOR (Intimações Outros resposta_int307), reforçando a sistemática exposta. Reproduzemse alguns excertos que a comprovam. Mensagem eletrônica de 20/06/2007, cujo assunto é “GJ0007/07 Perucas 2” (DI registrada em 21/06/2007, processo GJ007/07): "em anexo estou te passando a planilha de custos desse embarque, note, que o valor da mercadoria está incluso. Os valores que paguei hoje para a Ranur e os impostos estão com base nos valores de hoje mas, acho que não vai ter muita alteração não. Espero registrar a D.I amanhã mesmo e assim, aguardar que tudo de certo e tenhamos canal verde , ok?? Fico no aguardo" Mensagem de 09/11/2007 (DI registrada em 13/11/2007, processo GJ016/07): "em anexo encaminho planilha de custos do embarque GJ 0016/07. Gostaria de saber de vocês podem me adiantar, pelo menos os valores dos impostos. II : R$ 7.727,48 IPI : R$ 9.272,97 PIS : R$ 898,95 COFINS : R$ 4.136,78 TAXA DE SISCOMEX : R$ 50,00 ICMS: 13.329,43" Os valores citados totalizam 35.415,61, valor transferido para a GUERRA JÚNIOR em 12/11 (antes do registro da DI). Mensagem de 29/11/2007, assunto “Guerra Junior GJ 0017/07 1/2007/4888” (DI registrada em 30/11/2007, processo GJ017/07): "efetuamos o pedido de desistência de vistoria e mandamos continuar com o processo de registro de D.I. O registro da D.I será efetuado amanhã na parte da manhã e para darmos continuidade nesse processo, informo os valores de impostos a ser pago." Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 16 Mensagem de 02/01/2008 (DI registrada em 03/01/2008, processo GJ036/07): "Bom, sobre o embarque GJ0036/07, informo que o navio CSAV Callao atracou no Porto de Santos na data de 28/12/2007 e que até sexta feira devemos fazer o registro da D.I. (...) Impostos: II : R$ 11.016,36 I.P.I : R$ 13.219,63 PIS : R$ 1.061,95 COFINS: 4.869,30 Tx Siscomex : R$ 40,00 ICMS : R$ 18.721,98 Total de impostos : R$ 48.929,22" Em 02/01, realizouse a transferência de 48.929,22 à GUERRA JÚNIOR. Mensagem de 29/01/2008 (DI registrada em 03/03/2008, processo GJ038/07): "Note os impostos da importação GJ0038/07: I.I : RS 2900,06 I.P.I : R$ 3480,07 PISPASEP : R$ 346,98 Cofins : R$ 1598,20 Taxa Siscomex.: R$ 40,00 ICMS à recolher: R$ 5019,28" Tais valores totalizam 13.384,59, transferidos em 31/01. Mensagem de 06/05/2008 (DI registrada em 09/05/2008, processo GJ004/08): "Segue abaixo valores dos tributos para o registro da DI de sua importação em referencia, à saber : II : R$ 21.165,12 IPI : R$ 25.398,15 PIS : R$ 2.532,31 COFINS : R$ 11.663,96 TAXA DE SISCOMEX : R$ 40,00 TOTAL : R$ 60.799,54 ICMS : 36.576,25 TOTAL COM ICMS : R$ 97.375,79 Preciso que você me deposite esses valores o quanto antes para eu poder fazer o registro da D.I ainda hoje." A transferência solicitada foi realizada em 07/05. Em 18/08/2008, a empresa ALFATRADE enviou mensagem à GUERRA JÚNIOR para tratar de pendência sobre as notas 298/299/300 (referentes à DI registrada em 04/07/2008, processo GJ007/08, cujos contratos de câmbio foram pagos em 19/03 e 29/05/2011), informando: "PAGAMENTOS EFETUADOS PELA ALFATRADE 19/03/2008 R$ 30.241,93 28/05/2008 RS 68.275,20 07/07/2008 RS 113.949.79" Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.721343/201273 Acórdão n.º 3402002.212 S3C4T2 Fl. 1.613 17 Essas mensagens, portanto, estão em consonância com o que foi informado pela Senhora ANNE KARIN GUERRA, durante a entrevista. As constatações realizadas somente confirmam o modo de operação informado pela administradora da GUERRA JÚNIOR: recebemse adiantamentos do real adquirente antes de pagamentos de tributos ou da liquidação de contratos cambiais. Ou seja, sabese, mesmo antes do registro da DI, a quem será destinada a mercadoria, atuando a importadora GUERRA JÚNIOR na modalidade “por conta e ordem de terceiros”; A configuração da multa de 10% por cessão de nome a terceiros para operações de comércios exterior. As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre o modelo de operação da autuada é bastante detalhado e as informações trazidas aqui, somente a título de exemplo, demonstram de forma cristalina que a Guerra Júnior cedia o seu nome para operações de importação de terceiros, reais adquirentes da mercadoria. Configurando a cessão do nome, apenada com a multa de 10% prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/2007. A Recorrente alega que as importações que geraram a aplicação da penalidade ocorreram no período de 2007 a 2009 e a multa somente seria exigível a partir da edição do Decreto nº 6.759/2009. Não assiste razão a Recorrente, a multa em discussão foi incluída no ordenamento jurídico pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 e as operações de importação realizadas pela recorrente autuadas pela Fiscalização ocorreram no período de 21/06/2007 a 11/11/2010, posterior a edição da lei instituidora da multa de 10%. Conclusão Conforme farta documentação trazida aos autos foi comprovada a interposição fraudulenta e portanto, a cessão do nome para utilização de terceiros nas operações de comércio exterior. A Recorrente foi legalmente cientificada de todas as imputações a ela infringidas, inclusive quanto aos fatos motivadores do lançamento e tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário fez alegações da licitude das operações, mas não trouxe nenhuma consideração acerca das provas carreadas aos autos pela Fiscalização, não existindo nenhum questionamento aos fatos apresentados no trabalho de auditoria realizado pela Receita Federal, não existindo nenhum reparo a ser feito na exigência fiscal controlada no presente processo. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 18 Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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