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Numero do processo: 10825.720649/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE (SUMULA CARF NR 11).
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
BALANÇO DE ABERTURA. ATIVO SUPERIOR À SOMA DO PASSIVO E DO CAPITAL SOCIAL. REGISTRO A TÍTULO DE LUCROS ACUMULADOS. IMPOSSIBILIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE TAIS VALORES AOS SÓCIOS COM ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.
Somente são passíveis de distribuição isenta do imposto de renda ao sócios os lucros (i) apurados com base em escrituração contábil regular ou (ii) apurados pela sistemática do lucro presumido, após a dedução de todos os impostos e contribuições federais devidos pela empresa. Logo, não pode ser distribuído aos sócios, com isenção do imposto de renda, o valor registrado a título de lucros acumulados em balanço de abertura, em decorrência do ativo registrado ser superior à somatória do passivo e capital social, pois tais lucros não foram apurados mediante escrituração contábil regular.
Numero da decisão: 2402-007.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE (SUMULA CARF NR 11). Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). BALANÇO DE ABERTURA. ATIVO SUPERIOR À SOMA DO PASSIVO E DO CAPITAL SOCIAL. REGISTRO A TÍTULO DE LUCROS ACUMULADOS. IMPOSSIBILIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE TAIS VALORES AOS SÓCIOS COM ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Somente são passíveis de distribuição isenta do imposto de renda ao sócios os lucros (i) apurados com base em escrituração contábil regular ou (ii) apurados pela sistemática do lucro presumido, após a dedução de todos os impostos e contribuições federais devidos pela empresa. Logo, não pode ser distribuído aos sócios, com isenção do imposto de renda, o valor registrado a título de lucros acumulados em balanço de abertura, em decorrência do ativo registrado ser superior à somatória do passivo e capital social, pois tais lucros não foram apurados mediante escrituração contábil regular.
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE (SUMULA CARF NR 11). Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). BALANÇO DE ABERTURA. ATIVO SUPERIOR À SOMA DO PASSIVO E DO CAPITAL SOCIAL. REGISTRO A TÍTULO DE LUCROS ACUMULADOS. IMPOSSIBILIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE TAIS VALORES AOS SÓCIOS COM ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Somente são passíveis de distribuição isenta do imposto de renda ao sócios os lucros (i) apurados com base em escrituração contábil regular ou (ii) apurados pela sistemática do lucro presumido, após a dedução de todos os impostos e contribuições federais devidos pela empresa. Logo, não pode ser distribuído aos sócios, com isenção do imposto de renda, o valor registrado a título de lucros acumulados em balanço de abertura, em decorrência do ativo registrado ser superior à somatória do passivo e capital social, pois tais “lucros” não foram apurados mediante escrituração contábil regular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 06 49 /2 01 1- 61 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10825.720649/201161 Acórdão n.º 2402007.195 S2C4T2 Fl. 379 2 (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 351) pelo qual o recorrente se indispõe contra acórdão que decidiu pela procedência meramente parcial de impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 43.297,23 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre receitas recebidas mediante distribuição irregular de lucros por pessoa jurídica, porém omitidas da declaração de ajuste anual dos exercícios 2008/2009. Colacionase abaixo excerto da decisão recorrida que relata os principais fatos verificados durante a auditoria. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10825.720649/201161 Acórdão n.º 2402007.195 S2C4T2 Fl. 380 3 Segue abaixo resumo dos questionamentos apresentados pelo impugnante: Ao analisar o processo, a autoridade de piso entendeu que: 1) apesar de formalmente adequado o procedimento realizado pela empresa, os lucros distribuídos não foram apurados mediante contabilidade regular, 2) houve erro no valor na base de cálculo do tributo lançado (lucro distribuído). Em razão disso, decidiuse pela procedência parcial da impugnação. Inconformado, contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados no primeiro grau, apenas destacando a ocorrência de prescrição intercorrente no trâmite do presente processo. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10825.720649/201161 Acórdão n.º 2402007.195 S2C4T2 Fl. 381 4 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da aplicação da prescrição intercorrente A recorrente questiona o longo tempo de trâmite do processo administrativo, argumentando que a duração deve ser limitada pela aplicação da prescrição intercorrente, cabe observar, no entanto, que não há previsão legal de aplicação dessa espécie de limitação temporal no âmbito do contencioso fiscal, conforme, inclusive, entendimento sumulado por este CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da distribuição de lucros Aduz a impugnante, também, que há previsão legal de isenção tributária quanto aos lucros distribuídos aos sócios de pessoa jurídica e que a lei autoriza o procedimento contábil realizado no caso em apreço. Antes de adentrar no exame dessa alegação, é importante esclarecer que, concomitantemente à fiscalização da pessoa física da recorrente, foi realizado procedimento de auditoria na empresa HELREVIELI, EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 10.825.720.647/201172), pessoa jurídica da qual a recorrente é sócia e está relacionada à distribuição de lucro sob exame. Nesse contexto, deve ser pontuado que embora, de fato, esteja previsto no ordenamento jurídico a isenção apontada pela contribuinte, no caso concreto, a distribuição de lucros excedeu ao limite legal, conforme esclarece o relatório da auditoria (fls 18). Ademais, no que tange à argumentação da recorrente de que a própria Administração Tributária autoriza a realização do procedimento adotado pela empresa nos casos em que há mudança de opção relacionada ao regime de tributação: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10825.720649/201161 Acórdão n.º 2402007.195 S2C4T2 Fl. 382 5 Há de se observar que tal circunstância ocorreu no caso vertente, pois conforme demonstram as DIPJ apresentadas pela empresa no período, a pessoa jurídica envolvida sempre foi optante pelo regime de tributação do lucro presumido. Cabe destacar, também que a correção do procedimento realizado pressupõe que a pessoa jurídica possua contabilidade regular, o que, em absoluto, não é o caso empresa envolvida, já que entre outras irregularidades, durante a auditoria na citada empresa, foi constatada a ocorrência de omissão de receita, inclusive com a formação de saldo credor de caixa, infração que, embora não definitivamente julgada na esfera administrativa, foi explicitamente reconhecida pelos responsáveis no processo relacionado. Assim, temse como correto o procedimento adotado pela fiscalização, não havendo razão nos argumentos apresentados pela contribuinte. Conclusão Posto isso, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito lançado. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000250/2004-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrar-se materialmente viciado.
Numero da decisão: 2201-005.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Débora Fófano dos Santos e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrar-se materialmente viciado.
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GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS MÓVEIS. Recorrente JORGE GETULIO VEIGA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrar se materialmente viciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Débora Fófano dos Santos e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 50 /2 00 4- 09 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 383 2 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 338/374, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, de fls. 312/326, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 238/246, lavrado em 10/03/2004, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 15/03/2004, conforme AR de fls. 248. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens, gerando crédito tributário no valor de R$ 360.296,64, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 232/236, a fiscalização entendeu que o RECORRENTE obteve ganho de capital na alienação de bens e direitos, referente a bens doados pelo RECORRENTE à sua esposa no ano de 1998, no total de R$ 1.700.000,00, que constam no item 111 de sua Declaração de Bens e Direitos. Isto porque a fiscalização não acatou a justificativa de que, durante o ano calendário 1998, o RECORRENTE comprava quadros e doava para sua esposa imediatamente pelo preço de custo, pois o RECORRENTE não conseguiu comprovar o custo de aquisição de alguns dos quadros doados. Em síntese, durante a fiscalização, o RECORRENTE apresentou manifestação indicando o valor de aquisição dos bens doados e o respectivo valor da doação. Contudo, a fiscalização compreendeu não ter sido comprovado o custo de aquisição dos itens 1, 10, 11, 12 e 17 da Tabela que consta às fls. 256. Assim, a fiscalização glosou totalmente o custo de aquisição declarado pelo contribuinte, arbitrando o custo de aquisição como zero para os seguintes quadros e objetos de arte (fl. 234): c) que nessa situação estão: 1quadro "Duas mulatas na varanda", óleo sobre tela, datado de 1961, medindo 115 x 147 cm, de autoria de Emiliano di Cavalcanti, adquirido em fevereiro de 1998 por R$480.000,00, pagos com recursos próprios e de sua esposa; Fl. 383DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 384 3 2cadeira escada de biblioteca, estilo regência, cerca de 1825, em mogno, adquirida por R$46.000,00; 3cadeira pequena em jacarandá, George IV, cerca de 1825, adquirida por R$9.000,00; e 4aparelho de jantar copenhaguem com 50 peças, motivo floral, adquirido de Edelvira de Melo Flores Guinle por R$7.000,00 Além destes, a fiscalização glosou parte do custo de aquisição do quadro “Vasos com copos de leite”, declarado pelo RECORRENTE no valor de R$ 550.000,00, entendendo que o mesmo somente comprovou o pagamento de R$ 200.000,00; assim, o valor restante de R$ 350.000,00 foi considerado como não comprovado. Deste modo, houve lançamento de ganho de capital no montante de R$ 892.000,00, correspondente à diferença entre o valor atribuído as doações (R$ 1.092.000,00) e o custo dos destes bens considerado pela fiscalização (R$ 200.000,00 do quadro “Vasos com copos de leite”, já que os demais objetos tiveram custo de aquisição arbitrados em R$ 0,00). Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 254/280 em 12/4/2004. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 119 a 123 em virtude da apuração da seguinte infração: a) OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. O fato gerador referese ao mês de dezembro do anocalendário de 1998. O enquadramento legal consta as fls. 120 e 122. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 116 a 118. Sobre o imposto apurado, no montante de R$ 133.800,00, foi aplicada multa de oficio de 75% e juros de mora regulamentares, alcançando um total de R$ 360.296,64. Após cientificado do Auto de Infração em referência, em 15/03/04 (fl. 124), o interessado, por intermédio de seu procurador, instrumento de mandato A fl. 142, apresentou a impugnação de fls. 127 a 140, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) tendo tomado ciência do auto de infração em 15/03/2004, a sua impugnação é tempestiva; 2) cita decisões judiciais e administrativas; 3) o impugnante doou a sua esposa, Elizabeth Di Cavalcanti Veiga, pelo seu custo de aquisição, quadros e Fl. 384DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 385 4 objetos de arte, por ele adquiridos no próprio ano de 1998, no montante de R$ 1.700.000,00, conforme fls. 127 e 128. Tais doações foram informadas nas declarações de ambos; 4) durante a fiscalização a autoridade tributária entendeu que o contribuinte não comprovou, total ou parcialmente, o custo de aquisição dos bens correspondentes aos itens 1,10, 11, 12 e 17, da tabela do item 2.1 (fl. 128); 5) As fls. 129 a 133, o autuado alega a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o crédito tributário exigido neste auto de infração; 6) o bem, relativo ao item 1 da tabela de fl. 128, teria sido adquirido em parte com recursos do impugnante (R$ 359.500,00) e a outra parcela proveniente de sua esposa (R$ 120.500,00). Assim, a doação se limitaria A quantia de R$ 359.500,00. Tanto é que o total das doações declarado pelo contribuinte e sua esposa, somou o valor de R$ 1.700.000,00 e não R$ 1.820.500,00. Como conseqüência, deveria ser excluída do lançamento a parcela de R$ 120.500,00; 7) o fiscal autuante não aceitou o argumento do impugnante ao afirmar que os bens foram adquiridos pelo seu valor de mercado, o qual poderia ter sido comprovado por perícia. A fiscalização não procurou obter dos respectivos vendedores informações relacionadas às operações. Portanto, o fiscal presumiu que o custo de aquisição dos referidos bens foi zero, ou seja, foram doados ao impugnante; 8) o auto de infração estaria violando o principio da legalidade tributária. Cita o CTN, a Constituição Federal e o Regulamento do Imposto de Renda. A autoridade fiscal deveria provar a ocorrência de fatos que levem à exigência de tributo e não apenas presumir; 9) de acordo com o art. 809 do RIR/94, ainda que o contribuinte não tivesse efetuado qualquer pagamento, o custo de aquisição só poderia ser zero caso não pudesse ser determinado por um dos critérios nele previstos, entre os quais o valor corrente na data da aquisição. Em caso de dúvida caberia ser aplicado o art. 112 do CTN para beneficiar o contribuinte; 10) o ônus da prova é do Fisco, pois a sua inversão está prevista em lei e não se aplicaria ao caso em questão; 11) não tendo sido provado que as doações foram efetuadas por valor superior ao de custo (valor de mercado na data da aquisição), entende que o auto de infração deve ser cancelado. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 386 5 Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ no Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 312/326). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito o tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento 'poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173,I). GANHOS DE CAPITAL. Sabendose que o impugnante desembolsou recursos na aquisição do bem, cabe exclusivamente ao contribuinte a comprovação do custo efetivo do referido bem sujeito ao ganho de capital, sendo incabível a aplicação do art. 809 do RIR/94. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS.EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, sendo Aquela objeto da decisão. PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revele se prescindível para a formação da convicção pela autoridade julgadora. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 09/06/2008, conforme AR de fls. 334, apresentou seu recurso voluntário de fls. 338/374 em 07/07/2008. Em suas razões, reiterou os argumentos da impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 386DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 387 6 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Da Decadência O RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º, o CTN, a contar a partir da data da realização das doações dos bens. Assim, requereu a extinção do crédito tributário, pois a doação presumidamente teria ocorrido em 31/12/1998 ao passo que tomou ciência do presente lançamento em 15/3/2004. No entanto, entendo que não assiste razão ao RECORRENTE. Primeiramente, para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 387DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 388 7 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº Fl. 388DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 389 8 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso concreto, o imposto de renda lançado decorre de ganho de capital proveniente de alienação de diversas obras de arte por parte do RECORRENTE no ano 1998 e o crédito tributário foi apurado em março/2004. A autoridade fiscal expõe no TVF que o RECORRENTE não apurou o ganho de capital devido em decorrência da operação. Ou seja, o RECORRENTE não declarou qualquer ganho de capital em sua declaração de ajuste anual (fls. 08/16), razão pela qual não houve nenhum recolhimento, ainda que parcial, de imposto referente ao ganho de capital sobre mencionada operação de doação, o que ensejaria em pagamento antecipado capaz de atrair a regra de contagem da decadência pelo art. 150, §4º do CTN. Sendo assim, no caso concreto, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é contado nos termos do art. 173, I, CTN, ou seja, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso dos autos, o fato gerador do imposto de renda decorrente do ganho de capital foi o mês de dezembro/1998. Aplicandose a regra estipulada pelo art. 173, I, do CTN (prazo contase do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado), o dies a quo do prazo decadencial do foi 1º/01/2000, o que autoriza o lançamento do crédito tributário até 1º/01/2005. Destacase que o prazo para envio da declaração de apuração do ganho de capital auferido no anocalendário 1998 foi o último dia útil de abril de 1999 (junto com a declaração de ajuste do imposto de renda). Assim, 1999 seria o ano em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fazenda Pública, pois somente nesta época é que esta poderia ter conhecimento do fato gerador. Portanto, o primeiro dia do exercício subsequente ao que o lançamento poderia ter sido efetuado foi, invariavelmente, o dia 1º/1/2000, e não 1º/1/1999 como se poderia cogitar. Portanto, entendo que não estão extintos pela decadência quaisquer créditos objeto do presente lançamento, tendo em vista que o RECORRENTE tomou ciência do lançamento em 15/3/2004 (fls. 248). MÉRITO Impossibilidade de atribuir custo de aquisição zero no presente caso Pois bem, em síntese, a controvérsia que permeia o presente lançamento diz respeito a base de cálculo do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na doação de quadros, posto que a autoridade fiscal atribuiu o custo zero a diversos bens, ante a não comprovação pelo RECORRENTE do valor pago por eles. Assim dispõe o termo de verificação fiscal (fls. 234): Fl. 389DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 390 9 A ausência de comprovação do custo dos bens doados conduz a que se tenha como base de cálculo do imposto o somatório dos valores acima referidos, no total de R$892.000,00, adotandose, por igual razão, o dia 31/12/2003 como database da incorporação dos bens ao patrimônio da donatária. Se infere do Termo de Verificação Fiscal que foi atribuído custo zero aos quadros doados em virtude da ausência de comprovação do valor pago, em virtude da alegação do contribuinte que este mercado é regido por transações informais e em espécie. Assim, era impossível para o fisco determinar o custo de outra forma. Destaco, de início, que a 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara tem entendimento consolidado que que o arbitramento do custo de aquisição ao custo zero é medida possível, contudo excepcional, que depende de fundamentação da autoridade fiscalizadora comprovando as razões que a levaram a não adotar os demais critérios estabelecidos pela legislação. Exemplificando, segue o julgado abaixo, de relatoria da Ilustre Conselheira Dione Jesebel, do qual fiz parte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que, a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrarse materialmente viciado. (Acórdão nº 2201003.949 – 2º Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 3/10/2017) (Grifouse) Em igual sentido, segue recente entendimento da 2ª Turma da 4º Câmara: GANHOS DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. Na ausência de valor pago, o custo de aquisição de bem ou direito é igual a zero quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III do art. 18 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001 (Acórdão nº 2402006.717, 4º Câmara / 2º Turma Ordinária, sessão de 6/11/2018) (Grifouse) Assim, o custo de aquisição apenas poderá ser arbitrado como igual a zero no caso de impossibilidade de determinação do mesmo através de qualquer outro dos incisos estipulados pelo art. 18 da IN SRF nº 84/2001, cabendo à autoridade fiscalizadora fundamentar as eventuais razões que levaram a impossibilidade da utilização dos demais critérios. Neste sentido, o art. 18 da IN SRF nº 84/2001 dispõe sobre os critérios que devem ser adotados na ausência de comprovação do valor pago: Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; Fl. 390DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 391 10 II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Apesar do critério previsto no inciso I ser evidentemente inaplicável ao caso, a autoridade fiscalizadora não apresentou justificativas plausíveis para a não aplicação dos critérios previstos no inciso II e III do art. 18 da IN SRF nº 84/2001, em especial aquele previsto no inciso III, qual seja, o valor corrente na data da aquisição. Segundo o termo de verificação fiscal, o custo zero se deu exclusivamente pela ausência de comprovação do valor pago pelos quadros, mediante a apresentação de documentação idônea (nota fiscal, cópia de cheque, transferência bancária, DOC/TED, contrato ou documento equivalente). Assim, considerando que o RECORRENTE não apresentou documentos idôneos capazes de comprovar esse custo, foi estabelecido o valor zero. Acontece que tal argumento não é suficiente para justificar o arbitramento do custo zero de aquisição. Neste caso, a autoridade fiscalizadora deveria, ao menos, ter comprovado que tentou obter o valor corrente do quadro na data de aquisição ou do valor que tenha servido de ganho de capital para o alienante anterior. Digase de passagem, a autoridade fiscalizadora sequer intimou os alienantes conhecidos (antigos proprietários dos bens) para apresentar esclarecimentos, quais sejam: · Vasos com copos de leite: Paulo Nazareth Kczynski (fls.231) · aparelho de jantar copenhaguem com 50 peças, motivo floral: Edelvira de Melo Flores Guinle. Além disso, corrobora o argumento do RECORRENTE o fato de que todos os demais quadros de fato foram transferidos pelo custo de aquisição para sua esposa. Ora, não pretende argumentar que tal fato comprova as alegações do RECORRENTE, mas são um indício de sua verossimilhança. Portanto, entendo que o critério utilizado pela autoridade fiscal contraria os atos normativos editados pelo próprio órgão a que pertence, que lhe são vinculantes e constituem também uma garantia ao contribuinte que não pode ser afastada sem uma adequada fundamentação, na medida em que não houve comprovação da impossibilidade de arbitrar o custo com base nos demais critérios do art. 18 da IN SRF nº 84/2001. Com isso, resta caracterizada ofensa direta ao art. 142 do Código Tributário Nacional, quando estabelece a obrigatoriedade da autoridade fiscal de determinar a matéria tributável e apurar o tributo devido, operação que passa, necessariamente, pela perfeita identificação da base de cálculo. A ausência de mensuração dessa grandeza ofende a legalidade, constitui matéria de ordem pública que, reconhecida, conduz à declaração de nulidade do lançamento realizado, por vício material. Deste modo, entendo que o auto de infração em análise contém um vício de ordem material, uma vez que deixou de aplicar o critério estabelecido tanto pelo art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988, como pelo art. 18 da IN SRF nº 84, de 2001, para apuração do valor do Fl. 391DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 392 11 custo de aquisição, sem que tenha apresentado uma justificativa aceitável para esse procedimento. Nesse caso, houve ofensa ao art. 142 do CTN, uma vez que a quantificação do tributo devido não seguiu as normas determinadas pela legislação tributária CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razões acima apresentadas, para cancelar o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Declaração de Voto Carlos Alberto do Amaral Azeredo Conselheiro Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Relator, o qual foi acompanhado pela maioria dos membros da Turma, com a devida vênia, ouso divergir da tese vencedora em relação à impossibilidade de, para fins de apuração do ganho de capital, atribuirse custo de aquisição zero aos itens alienados no caso presente. Inicialmente, ressalto que os precedentes desta Turma citados são relacionados a bens de natureza diversa, não se aplicando à presente lide administrativa as conclusões lá expressas. Ademais, vale destacar que nem todos os itens alienados foram considerados de custo de aquisição zero, já que o quadro “Vasos com copos de leite” teve seu custo fixado em R$ 200.000,00, valor considerado comprovado pelo Agente fiscal. Não obstante, tal fato se mostra pouco relevante, em particular em razão de que a inteligência da respeitável decisão soberana da maioria do Colegiado, mesmo para a obra de arte em tela (Vasos com copos de leite), obrigaria o Fiscal a levantar o valor da efetivo da obra, não se limitando a cotejar o montante declarado com o comprovado. A única diferença, neste caso, é que o contribuinte conseguiu comprovar alguma coisa. O matéria em debate decorre do preceito legal contido no art. 16 da lei 7.713/88, que assim dispõe: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 393 12 Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Como se depreende da leitura de fl. 162 e seguintes, bem assim das demais peças dos autos, o recorrente atua, com alguma regularidade, no mercado de arte e reconhece que é um seguimento que tem suas particularidades, não tendo documentado algumas operações ou mesmo não localizado documentos em razão da exigüidade do tempo. Afirma, ainda, que, desde que ocorra pagamento prévio ou simultâneo, há uma certa despreocupação com os registros formais. O Ilustre Relator pontua que se infere do Termo de Verificação Fiscal que foi atribuído custo zero aos quadros doados em virtude da ausência de comprovação do valor pago, em virtude da alegação do contribuinte que este mercado é regido por transações informais e em espécie, contudo, entendo que não seja este exatamente o caso. De fato, como indicado no parágrafo precedente, o autuado fez tal afirmação, mas o fiscal manifestou sua conclusão no mesmo sentido, fl. 235/236, e nada diferente do que é de conhecimento amplo, de que há de se reconhecer que, num mercado em que impera a informalidade e onde a transferência da propriedade dos bens se da por mera tradição, constitui uma árdua tarefa obter a comprovação das operações nele realizadas. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 394 13 Neste sentido, em um cenário em que todo o cidadão médio tem plena consciência da penumbra que envolve o mercado de arte no país e no mundo, é lamentável atribuir ao Fiscal o dever que caberia ao contribuinte de comprovar o custo de aquisição de uma obra doada que, frisese, se não todas, muitas foram adquiridas no mesmo ano calendário. Conforme a legislação acima colacionada, a regra geral para se quantificar o custo de aquisição é o valor pago pelo bem ou direito, sendo certo que, na ausência deste, conforme o caso, há previsão legal para que tal grandeza seja considerada zero se não puder ser aferida por outros meios. Não obstante, no caso sob apreço, não há como se aplicar, para a totalidade dos bens, as regras alternativas descritas na norma, tampouco aquelas citadas pelo Relator, já que: a grande maioria das obras não teve seus proprietários anteriores comprovados e, segundo o próprio contribuinte, muitas delas foram objeto de operações não documentadas; quando se fala em obra de arte, não há como se aferir o valor corrente na data da aquisição, já que são bens únicos e, na tal data de aquisição, por óbvio, apenas uma operação ocorreu e é exatamente esta que estamos diante dela em que o próprio comprador não logrou comprovar dos valores pagos. Ainda que se possa alegar que uma determinada obra, como um aparelho de jantar em porcelana, por exemplo, tenha vários exemplares no mercado, sendo possível, em tese, a verificação de uma média de preço em determinada data, não se mostra razoável tal comparação, já que os preços de itens como este podem variar de forma muitíssimo expressiva de acordo com questões que são valorosas para investidores exigentes, tal como data e país de fabricação, histórico de proprietários anteriores, participação em filmes e eventos, etc. Assim, entendo que não cabe ao fisco valorar obras de arte, tampouco podemos vincular a possibilidade de utilização da presunção de custo zero prevista na legislação a um detalhamento maior por parte do fiscal sobre as dificuldades de se apurar tal custo de forma indireta. Afinal, todos sabemos que o preço de uma obra depende da necessidade de quem está vendendo e da disposição de quem está comprando. As subjetividades que envolvem o tema não justificam a contratação de um perito para fazer tal avaliação, já que são inúmeros os casos em que obras são avaliadas por determinado valor para fins de leilão e não são vendidas. Por outro lado, o simples fato de serem tais bens comercializados, como regra, por leilão já denota que não se sabe exatamente o seu real valor, havendo apenas uma estimativa mínima, abaixo da qual o dono não se propõe a vender, que nem sempre é alcançada e, em alguns casos, é por muito superada. A exoneração de crédito tributário lastreada em um rigor exacerbado com a atividade fiscal pode se constituir em precedente perigoso. Deixando uma lição ao administrado de que basta não prestar a informação e deixar o Agente fiscal, pelos meios de que dispuser, fazer a apuração do custo de aquisição. Ao final, caso este valor obtido seja inferior ao efetivamente pago, o contribuinte comprova o que pagou. Do contrário, silencia e tributa uma base menor ou nada. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 18471.000250/200409 Acórdão n.º 2201005.130 S2C2T1 Fl. 395 14 Tal fato, além de evidenciar uma afronta ao interesse público, por corresponder a aplicação de horas de fiscalização para execução de tarefas que, por sua essência, caberiam ao contribuinte, apresentase com um estímulo à desordem, à balbúrdia fiscal, em particular porque, mesmo diante de um mercado em que o próprio fiscalizado afirma que, em regra, ocorre de maneira informal, à margem das normas legais, a própria administração tributária conclui que não era ele o errado, mas o fiscal, apenas por não ter explicado de forma mais detalhada os motivos que levaram à atribuição de custo zero. Como já destacado, a regra é que, para fins de apuração de ganho de capital, o custo de aquisição é o valor pago bem alienado, cabendo ao contribuinte comprovar a informação que declara, afinal, o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita, nos termos do que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil), que assim dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. As hipóteses listadas pela legislação como alternativa à atribuição de custo zero, por sua natureza, estão vinculadas a situações de fácil verificação e não devem ser interpretadas de modo que posam subjugar a atividade fiscal e extirpar a força normativa do preceito que prevê que a regra é o valor pago na aquisição do bem alienado. A questão deve ser observada sob prisma do Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bomsenso aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Assim, não tendo sido apresentado pelo interessado elementos que apontem, de forma inequívoca, o custo de aquisição do bem alienado, entendo que a fiscalização agiu com absoluta correção, não havendo razões que justifiquem a alteração do lançamento ou da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.720200/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
ITR. ÁREA UTILIZADA PARA EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Para que se possa valer da benesse fiscal que implica a significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. É uma condição, a Exploração Extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar.
Numero da decisão: 2401-006.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. ITR. ÁREA UTILIZADA PARA EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se possa valer da benesse fiscal que implica a significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. É uma condição, a Exploração Extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 02 00 /2 00 7- 22 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório STA ENGENHARIA FLORESTAL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0345.814/2011, às efls. 56/60, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2003, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 18/12/2007 (AR. fl. 11), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Area objeto de plano de manejo sustentado informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a implantação de plano de manejo sustentado para exploração extrativa ou o cumprimento do cronograma fisicofinanceiro previsto no plano. Desta forma, o Documento de Informação e Apuração (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 5 L 9393/96 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 4 3 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: Na DITR do exercicio fiscalizado, o contribuinte declarou existir uma Area de 6.943,3 ha de EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, motivo pelo qual foi intimado a comprovar a existência dessa area e o cumprimento das obrigações acessórias necessárias A exclusão da mesma da incidência do ITR. Declarou também, que o valor da terra nua do imóvel rural fiscalizado era de R$ 6.000,00 em 1° de janeiro de 2004. Considerando que a propriedade possui uma Area total de 10.143,6 hectares, obtemse um valor declarado de R$ 0,5915 por hectare de terra nua. Por este motivo, foi intimado a comprovar o VTN declarado com apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no Crea, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Foi também informado que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Pregos de Terra SIFT da SRF. Em 13/07/2007, foi enviado para o endereço indicado na DITR o Termo de Intimação Fiscal N° 05102/00083/2007. 0 contribuinte regularmente intimado, com ciência no dia 16/07/2007, ate o momento NÃO APRESENTOU A DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. 0 lançamento está baseado nas informações e enquadramentos legais conforme descritos nesta Notificação de Lançamento. 1. SUBAVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN): SIPT O contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN. A intimação discriminava que deveria ser apresentado Laudo de avaliação conforme NBR 14653 da ABNT, com grau de fundamentação e precisão II e amparado por ART Anotação de Responsabilidade Técnica devidamente registrada no CREA. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 5 4 A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliagao do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá A determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de area total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda, que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Dentro dessa determinação legal e devido ao contribuinte, regularmente intimado, não ter comprovado que o valor da terra nua declarado corresponde ao prego de mercado em 01/01/2004, considerouse os valores constantes do SIFT Sistema de Pregos de Terra, instituido através da Portaria SRF n° 447 de 28/03/02, para o município de BREJOLANDIA, conforme extrato anexo. Com base nesses dados, foi arbitrado o valor da terra nua VTN para o exercicio 2004 em R$ 84,82/ha, perfazendo um total de R$ 860.380,15, conforme demonstrado abaixo: Area Total declarada do Imóvel = 10.143,6 ha VTN/ha = R$ 84,82 VTN do imóvel = VTN/ha x Area do imóvel = 84,82 x 10.143,6 ha = R$ 860.380,15 Enquadramento Legal: Lei n° 9.393/96, artigos 8°,§1° e 2°, 10, 11 e 14. Portaria SRF n° 447/2002. Vale salientar que o INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, informou, através do Oficio/INCRA/GAB/BA/N° 4010/2007, de 6 de novembro de 2007, os valores de terra nua (VTN) para os municípios do estado da Bahia. Nesse documento, verificase que o VTN para o município de localização do imóvel rural fiscalizado variava entre R$ 108,00 e R$ 201,00, no exercício de 2004, portanto superior ao valor constante do SIFT e que foi utilizado como base de calculo do VTN tributável. 2. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Area objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os indices de rendimento por produto (RITR/2002, art. 27; IN SRF n° 256, de 2002, art. 26). Estão dispensados da aplicação dos indices de rendimento por produto, entre outras, as Areas do imóvel exploradas mediante plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 3°; RITR/2002, Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 6 5 arts. 27, parágrafo único, e 28, § 2°; IN SRF n° 256, de 2002, art. 26, §§ 2° a 4°). 0 contribuinte declarou a existência de Plano de Manejo com aprovação do IBAMA em 21/12/1998, mas não apresentou tal plano, nem comprovou o cumprimento do cronograma, motivos pelos quais tal Area está sendo desconsiderada. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 61/66, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, insurgindose acerca do argumento da DRJ de que não há previsão legal capaz de amparar a determinação judicial de paralisação das atividades extrativas, pensamento que não se coaduna com a norma jurídica, segundo a qual, determinação judicial não se discute, mas, cumprese. Esclarece que a desobediência ao preceito judicial constitui crime penal previsto no art. 330 do CP. Sendo incabível pensar em falta de previsão legal no ato de paralisação da atividade extrativa. Afirma não ter cometido nenhuma infração ou deixado de respeitar a norma legal vigente, pois, não estava mais na posse e nem no domínio dos imóveis, colacionando documentação comprobatória e jurisprudência correspondente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, no procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2003, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de exploração extrativa e arbitrar o VTN. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 7 6 No recurso, apresentou inovação ao alegar que não detinha a posse e nem o domínio do imóvel em questão, assim não podendo ser penalizada pela infração. Nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, motivo pelo qual trataremos apenas sobre a glosa da área de exploração extrativa, o que fazemos a seguir: MÉRITO ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Na análise do presente processo, verificase que a área informada como utilizada na exploração extrativa na DITR/2003 (6.943,3 ha) foi integralmente glosada pela autoridade fiscal, por não constar dos autos a comprovação do cumprimento do cronograma físicofinanceiro de execução do plano de manejo sustentado, aprovado pelo órgão ambiental competente, tendo sido anexadas apenas as autorizações para desmatamento expedidas pelo IBAMA em 1995 (fls.23/24) e 1998 (fls.27/28). No que tange à área destinada a exploração extrativa, cabe observar o que dispõe a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 8 7 sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...) Ainda sobre o tema, assim dispõe o artigo 27 do Decreto 4.382/2002: Art. 27. Área objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto estabelecidos em ato da Secretaria da Receita Federal, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso V, alínea "c", e § 3º). Depreendese da legislação encimada, além dos §§ 1° e 4° da IN/SRF n° 256/2002, que as áreas utilizadas na exploração extrativa estão sujeitas a índices de rendimentos mínimos por produto extrativo, sendo a área utilizada a ser aceita a menor entre a declarada e a apurada com base na quantidade de produtos extraídos, observados tais índices; admitese a dispensa desses índices apenas em relação às áreas objeto de plano de manejo sustentado aprovado em tempo hábil pelo IBAMA, e cujo cronograma físicofinanceiro esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Não é difícil notar, pela dicção do dispositivo legal, que o aproveitamento de tal área como de utilização rural na forma intentada, impõe ao contribuinte a necessidade de se comprovar a aprovação do Plano de Manejo Florestal pelo IBAMA e o cumprimento do cronograma então aprovado. Salientese que as áreas utilizadas na exploração extrativa, mesmo que por meio de plano de manejo sustentado, são computadas para efeito de apuração da área utilizada do imóvel, pressupondose assim que no respectivo anobase realmente tenha havido extração de produtos vegetais/florestais, de acordo com o cronograma aprovado pelo órgão ambiental competente ou, caso inexistente, a extração de produtos florestais em quantidade suficiente para justificar a respectiva área declarada como utilizada na produção extrativa, observados os respectivos índices de rendimentos mínimos. No entanto, a declaração do IBAMA/BA (fls. 34) informa que essas atividades extrativas encontravamse paralisadas de 18/09/2000 a 21/02/2005 (fls. 29/30), por determinação judicial, revogada em 22/02/2005 (fls. 32), não subsistindo o impedimento judicial para o referido plano de manejo florestal, condicionando sua reativação a nova autorização, requerida em 05/12/2006 e ainda não expedida, conforme alega a própria contribuinte. Portanto, em que pese o plano de manejo sustentado ter sido aprovado pelo referido órgão ambiental, antes da data do fato gerador do imposto (1º/01/2003, art. 1º da Lei 9.393/1996), o seu cronograma físicofinanceiro não vinha sendo cumprido pela proprietária do imóvel à época, ainda que por impedimento judicial, para que pudesse justificar o acatamento da referida área como efetivamente utilizada na exploração extrativa para o exercício de 2003. Releva dizer: para que se possa valer da benesse fiscal que implica na significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, frisese, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 9 8 tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. Veja, é uma condição, a exploração extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Não basta o potencial de exploração, há de se demonstrar a constância do exercício da atividade, por meio do cronograma que esteja sendo cumprido, como literalmente dispõe a lei. Assim, mesmo que a paralisação das atividades do referido PMFS tenha ocorrido por meio de despacho judicial, não há como considerar, por falta de previsão legal, que o seu cronograma estivesse sendo cumprido, à época do fato gerador do ITR/2003, para efeito de acatar a sua área como efetivamente utilizada na exploração extrativa. Dessa forma, entendo que deva ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal da área informada como utilizada na exploração extrativa. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000230/2006-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
INCONSTITUCIONALIDADES.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12.
PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL.
O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73.
A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
(Súmula CARF nº 73)
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-006.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12. PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 30 /2 00 6- 24 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 3 2 A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 4 3 Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 11 26.218 (fls. 83/98): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 5 4 A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de oficio de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negar se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Lançamento Procedente Este processo trata de Auto de Infração (fls. 05/09), lavrado em 03/04/2006, relativo ao anocalendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, no qual é exigido R$ 34.248,08 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 25.686,06 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 23.935,98 de Juros de Mora, calculados até 31/03/2006, ficando o Crédito Tributário no montante total de R$ 83.870,12. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07), temos que: 1. O contribuinte recebeu em 20/04/2001 o valor de R$ 147.629,04 referente à decisão trabalhista, tendo sido descontado o valor de R$ 7.381,45 referente a honorários advocatícios, dessa forma recebendo o valor tributável líquido de R$ 140.247,58, conforme documento de fls. 18/24; 2. Os rendimentos recebidos foram indevidamente declarados como "Isentos e Não Tributáveis", em face da decisão da Juíza Gláucia Maria Gadelha Monteiro, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 28/29). Nesse mesmo Provimento consta do item 01 "a Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 6 5 incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores de reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias"; 3. Em razão deste contraditório foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional o Ofício nº 262/2005/SORAT/DRF/MOS (fls. 12/17) a fim de que fosse emitido Parecer Jurídico; 4. A Fazenda Nacional emitiu o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006 (fls. 30/32) onde conclui que a decisão acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico; 5. Assim, de acordo com o Parecer da Fazenda Nacional, foi feito o lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 07/04/2006 (AR fl. 37) e, em 09/05/2006, apresentou sua Impugnação de fls. 39/60, instruída com os documentos nas fls. 61 a 81. O Processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1126.218, em 14/05/2009 a 1ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, pela PROCEDÊNCIA do Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC, via Correio, em 12/06/2009 (AR fl. 102) e, inconformado com a decisão prolatada, em 09/07/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 103/144, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente sobre: a. A inexigibilidade de depósito prévio ou de arrolamento de bens para interposição de recursos ao conselho de contribuintes (fls. 104/105); b. O alcance da capacidade contributiva obrigado no Art. 145 § 1° da CF (fls. 105/110); c. O pedido de Nulidade da decisão de 1ª Instância (fl. 111); 2. Em relação ao Mérito sobre: a. A responsabilidade tributária (fls. 112/124); b. A natureza tributária das verbas recebidas decorrente de acordo judicial (fls. 124/131); c. A suposta incoerência no Provimento CG/TST nº 01/96, alegada pelo Julgador de 1ª Instância (fls. 131/134); d. A discriminação das parcelas do credito recebido (fls. 134/138); Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 7 6 e. O erro no cálculo do Imposto devido (fls. 138/139); f. A inaplicabilidade da Multa de Ofício por tratarse de "Erro Escusável" (fls. 139/140); g. O Reajustamento da Base de Cálculo do Imposto (fls. 141/143). Finaliza seu RV requerendo: 1. Que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva, e por conseguinte, a nulidade do procedimento fiscal e consequente arquivamento do mesmo; 2. Que sejam acolhidas as preliminares levandose em consideração os argumentos o Princípio da Capacidade Contributiva do Contribuinte e a progressividade tributária; 3. Que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, quer seja por sua natureza indenizatória, quer seja por se tratar de valor recebido em virtude de acordo homologado na Justiça do Trabalho; 4. Na remota hipótese do não acolhimento de uma das alternativas acima, seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o Débito Fiscal reclamado. Em 09/06/2011 foi determinado, pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o sobrestamento do julgamento do Recurso Voluntário apresentado em razão deste ter como matéria de fundo a tributação de rendimento recebidos acumuladamente, com Repercussão Geral reconhecida pelo STF (fls. 147/148). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inconstitucionalidades Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 8 7 Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidade da decisão de primeira instância O Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos defensivos apresentados pelo contribuinte. No entanto, entendo que não assiste razão ao contribuinte. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. Ademais, cabe destacar que o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas sim sobre a matéria debatida e sobre os pontos que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. 1 Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Ilegitimidade passiva O Recorrente alega a impossibilidade jurídica de figurar no polo passivo da relação tributária, tendo em vista ser a fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda retido na fonte, passando a ser o único devedor do tributo. Importa observar que no presente caso não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora mas, sim, o fato de o contribuinte ter omitido da tributação, na Declaração de Ajuste Anual DAA, rendimentos auferidos no anocalendário de 2001, em virtude de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. 1 EDcl no AgRg no AREsp 575.844/GO, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 22/11/2018 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 9 8 Destarte, esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, não procede o argumento do Recorrente. Mérito Com relação ao mérito, deve ser examinado, inicialmente, se ocorreu ou não o fato gerador do Imposto de Renda e, para tanto, necessário se faz a análise da natureza jurídica dos rendimentos recebidos. Com efeito, conforme se constata dos autos do processo administrativo, as verbas recebidas decorrem de reclamação trabalhista ajuizada contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 (setenta) empregados, na qual se pleiteou o recebimento da diferença correspondente ao índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989. Consoante estabelecido no art. 43 do CTN, o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto, o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Destarte, é pacífico tanto na doutrina como na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento de que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, pois é, na realidade, mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda e seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação. No caso, foi justamente a inflação que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URP. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Cabe ainda ressaltar que questão dessa natureza já foi trazida, em 10/08/2017, à esta 1ª Turma, no Acórdão 2401005.031. Naquela ocasião, acompanhei o voto do Relator Rayd Santana Ferreira, entendendo tratarse de verba de natureza indenizatória, e por isso peço vênia para trazer os argumentos acrescentandoos como razão de decidir: (...) o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 10 9 outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. (...) Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. (Grifamos). Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pela Recorrente à título de "diferenças de URP", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas, restando clara a sua natureza indenizatória. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 11 10 Ademais, o lançamento sequer poderia prosperar, haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto, conforme Tema 368 do STF: Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Dessa forma, não pode prevalecer a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença à I. Relatora para discordar do seu voto quanto ao mérito do julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, manifesto conformidade com a rejeição das questões preliminares. Tratase de lançamento do imposto de renda incidente sobre valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a Unidade de Referência de Preços (URP) do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte classificou indevidamente os rendimentos na sua declaração anual como isentos e/ou não tributáveis (fls. 05/09 e 33/35). A parcela recebida pelo recorrente no ano de 2001 possui nítida conotação salarial, caracterizando rendimento tributável e submetido à incidência do imposto de renda. Ainda que recebida em atraso, a verba é decorrente de pagamento de diferença salarial resultante de plano econômico instituído pelo Governo Federal, reconhecida como devida em virtude de ação judicial. Para concluir pela natureza indenizatória da parcela recebida pela pessoa física, a I. Relatora fez um paralelo com os valores do reajuste de 3,17% relativos à Unidade Real de Valor (URV). Contudo, em uma e outra hipótese os valores não escapam à tributação do imposto de renda, visto que são destinados à recomposição salarial e representam acréscimo Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 12 11 patrimonial para o beneficiário dos rendimentos. No tocante à URV, inclusive, a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme no sentido da natureza remuneratória de tais pagamentos.2 A renúncia ao direito de incorporação do percentual de 26,05% ao salário do contribuinte, que havia sido pleiteado na petição inicial, não converte o rendimento pago em caráter indenizatório (fls. 63/64). Com efeito, por meio de acordo de conciliação, o recorrente e os demais autores da ação trabalhista aceitaram receber apenas parte das verbas salariais reclamadas, com a finalidade específica de chegar ao fim o longo processo judicial em curso, bem como incorporar as quantias já reconhecidas e depositadas em juízo pela Caixa Econômica Federal ao seu patrimônio. Quanto às importâncias vincendas, havia tão só a expectativa de incorporação do índice da URP de fevereiro/1989 aos salários dos trabalhadores, quando da decisão definitiva executória favorável aos reclamantes, após esgotados os meios recursais para discussão da matéria. Por cuidar de direito patrimonial disponível, os exeqüentes simplesmente optaram em ganhar menos, em prol da imediata liberação financeira, de maneira que o valor efetivamente pago na ação trabalhista não configura recomposição patrimonial e/ou compensação pela perda do direito à incorporação salarial do índice de 26,05% com base na URP. Conforme antes esclarecido na análise da preliminar, a constituição do crédito tributário se deu corretamente em nome da pessoa física beneficiária dos rendimentos (Súmula CARF nº 12). É certo que a falta de retenção do imposto sobre os rendimentos pagos poderia implicar o reajustamento da base de cálculo. No entanto, tal hipótese não produz efeitos sobre o polo passivo da relação tributária, apenas que o beneficiário dos rendimentos deveria oferecer o montante reajustado à tributação do imposto de renda. A decisão judicial acerca da não incidência do imposto de renda não obriga a Fazenda Pública, em atenção aos limites subjetivos do julgado, que vincula somente os acordantes. É dizer que a decisão homologatória produz efeitos "inter partes", de um lado, empregados e exempregados, via atuação do respectivo sindicato, e, de outro, a Caixa Econômica Federal. Por sua vez, no que toca ao afastamento da multa de ofício, merece reforma a decisão de piso. A falta de recolhimento do imposto de renda deuse pela natureza da classificação dos rendimentos na declaração de ajuste da pessoa física, a partir de informação prestada pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em juízo. 2 Por exemplo, o Acórdão nº 920207.070, de 25/07/2018, cuja ementa está reproduzida parcialmente a seguir: (...) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. (...) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 13 12 A documentação fornecida pela Caixa Econômica Federal, através do comprovante de rendimentos, foi decisiva para a conduta do recorrente, que nada mais fez do que declarar os valores relativos a exercícios anteriores de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. Mais que isso, a fonte pagadora confiou na orientação da Justiça do Trabalho, que a desobrigou de efetuar a retenção, na medida em que a juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró deixou consignado a não incidência do imposto de renda sobre os valores homologados no termo de conciliação, numa interpretação, data vênia, equivocada do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 75/81). Em que pese a falta de recolhimento e/ou declaração do imposto, punível com sanção pecuniária, é cabível a exoneração da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora à natureza dos rendimentos, com respaldo nas palavras do Poder Judiciário quando procedeu à homologação do acordo de conciliação entre as partes. Nesse sentido, é oportuna a reprodução do entendimento do verbete sumular nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Diferentemente, os juros de mora não possuem caráter de penalidade, incidindo sobre o crédito tributário que deixou de ser pago. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento no vencimento. Confirase o prescrito no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Como não incidiu desconto do imposto na fonte por ocasião do recebimento dos rendimentos, o contribuinte utilizou dinheiro alheio, devendo, sob pena de enriquecimento sem causa, compensar a falta de disponibilidade dos recursos pelo Poder Público, mediante os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto originário devido e não pago. Para fins de cobrança dos juros de mora, tornase indiferente o motivo que determinou a ausência do pagamento. 3 Quanto à incidência dos juros de mora, ressalvase a hipótese de depósito do crédito tributário, conforme a Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 14 13 Por derradeiro, assinalo que os rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário de 2001 são relativos a anoscalendário anteriores, vinculados ao reajustamento salarial com base no índice de 26,05% fixado para a URP, aplicado sobre prestações vencidas até a efetivação do pagamento na ação trabalhista. Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto de renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em 09/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado, tornando definitiva a decisão. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. O entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Desse modo, a unidade da RFB encarregada da liquidação e execução deste acórdão deverá manter a incidência do imposto de renda no mês de recebimento, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 15 14 rendimentos, realizandose a apuração de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para: (i) excluir a aplicação da multa de ofício; e (ii) determinar o recálculo do imposto de renda tomando como base as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909397/2013-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 21/08/2008 através do PER/DCOMP nº 25725.08881.210808.1.7.020353. Tem por objeto o Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no 4º trimestre do anocalendário de 2000, no valor de R$ 47.105,27. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 39 7/ 20 13 -1 5 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.909397/201315 Resolução nº 1001000.090 S1C0T1 Fl. 121 2 Ao mesmo crédito vinculase também a PER/DCOMP nº 21508.64338.210808.1.7.023202. O pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo (DeratSP), com fundamento no Despacho Decisório nº 048937357, eletrônico, de 04/04/2013 (fl. 17). O Despacho Decisório informou que, analisada a PER/DCOMP, dos R$ 47.105,27 informados como retenção na fonte, apenas R$ 31.792,16 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado nos PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 47.105,27. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o valor do saldo negativo disponível era de R$ 31.792,16. Que o crédito reconhecido era insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologava parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 25725.08881.210808.1.7.020353, e não homologava a compensação declarada da PER/DCOMP nº 21508.64338.210808.1.7.023202. As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 15.313,11 (R$ 47.105,27 – R$ 31.792,16), são detalhadas no quadro constante à fl. 21, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 23 a 59, alegando que as retenções na fonte informadas na PER/DCOMP são objeto de rigoroso controle por parte da empresa, conforme demonstrativo que apresenta às fls. 33 a 38, extraído de sua contabilidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – RJ, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 77 a 81, negou provimento à manifestação da empresa, confirmando o Despacho Decisório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. QUARTO TRIMESTRE DE 2000. ANTECIPAÇÕES DE IRRF. FALTA DE PROVAS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa. Argumentou que o interessado não trouxe ao processo os comprovantes das retenções não confirmadas pela DeratSP. Que não há provas de que as receitas correspondentes tenham sido oferecidas à tributação. Concluiu que, não comprovada a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado, o Despacho Decisório eletrônico deveria ser mantido. Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 84 a 88. Nele alega que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 15.313,11, a maior parte (R$ 14.575,50) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DCOMP foram informados os CNPJ das filiais. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.909397/201315 Resolução nº 1001000.090 S1C0T1 Fl. 122 3 É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito acima, a recorrente afirma que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 15.313,11, parte, no valor de R$ 14.575,50, não se confirmou porque foi declarada à Receita Federal, através de Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, no CNPJ das matrizes das fontes pagadoras, enquanto em seus PER/DCOMP as retenções foram informadas nos CNPJ das filiais. Junta, no corpo do recurso, planilha com a lista das referidas retenções, totalizando R$ 14.575,50, informando, para cada retenção, o CNPJ da filial que a efetuou e o CNPJ da matriz responsável pela DIRF. De fato, verificase que na PER/DCOMP (fls. 2 a 17) as retenções foram informadas pelos CNPJ das filiais. E, de fato, em obediência ao artigo 15, incisos I e IV, da Lei nº 9.779/1999, abaixo reproduzidos, os pagamentos de IRRF são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada pela matriz da empresa, bem como a declaração a eles referente: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; (...) IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Para confirmar a informação trazida pela recorrente, é necessário que se acesse as DIRF das fontes pagadoras, nas quais supostamente há o detalhamento das retenções na fonte de cada uma de suas filiais. Tratase de confirmação indispensável ao julgamento do processo. Tais informações, disponíveis nos sistemas da Receita Federal, independem de intimação à recorrente ou da apresentação de qualquer documento de sua parte. Caso se comprovem verdadeiras, influenciarão de forma decisiva o reconhecimento do direito de crédito, no valor retido informado nas DIRF. Caso houvessem sido detectadas pelos sistemas, ou verificadas manualmente na unidade de origem, os valores de crédito correspondentes teriam sido automaticamente homologados. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.909397/201315 Resolução nº 1001000.090 S1C0T1 Fl. 123 4 Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela Recorrente na planilha constante do Recurso Voluntário (planilha à fl. 85), as retenções na fonte efetuadas pelas filiais ali elencadas. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.001420/2008-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
Numero da decisão: 2002-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 14 20 /2 00 8- 09 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 32/37) contra decisão de primeira instância (fls. 22/28), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Através de Notificação de Lançamento às fls. 11 a 14, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 2.121,56, a título de imposto suplementar (código 2904), a ser adicionada da multa de ofício _de 75% e de juros moratórios, relativo ao imposto de renda pessoa física, exercício 2007. O total do crédito tributário atinge a RS 3.908,76, calculado até 29.02.2008. A ação da Fiscalização decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2007, DIRPF 2007, cópia às fls. 15 a 18, com o cruzamento e análise de informações constantes nas Declarações de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais DERC, e o contrato celebrado entre o contribuinte e o organismo internacional, quando foi apurada irregularidade às normas tributárias, conforme relatada na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” fl. 12, indicada a seguir: omissão de rendimentos recebidos do exterior DERC, decorrente de serviços prestados a organismos internacionais, no valor de RS 37.760,00, no anocalendário 2006. O enquadramento legal: arts. 1°, 2°, 3° e parágrafos, e 8°, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 4°, da Lei n° 8.134/90; art. 6° da Lei n° 9.250/95; art. 55, inciso VII e 995, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n“ 3.000/99, arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/02, Instrução Normativa SRF n° 166/2002 e Decreto n“ 3.751/2001. O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação à Notificação de Lançamento, às fls. 01 a 05, informando, inicialmente, que foram declarados como rendimentos isentos e não tributáveis os valores percebidos do Programa das Nações Unidas para Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 4 3 o Desenvolvimento PNUD. Aduz, ainda, orientação emanada do Parecer Normativo n° 717/79 e do Parecer Normativo n° 03/96, ambos editados pela Receita Federal. Especificamente ao mérito, invoca o artigo 5°, parágrafo 2° , da Constituição Federal, os artigos 96 e 98 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172/66, 0 artigo V, do Decreto n° 27.784/50, o artigo 6° do Decreto n° 52.288/63 e o Decreto n° 59.308/66. Menciona, ainda, orientações em perguntas contidas na publicação “Perguntas e Respostas”, editada pela Receita Federal. Reproduz as ementas de acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1” Região e de acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Requer, finalizando, o cancelamento do crédito tributário lançado. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conhecese da impugnação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no País, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional. Súmula CARF n° 39: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 08/11/2010 (fl. 31); Recurso Voluntário protocolado em 09/11/2010 (fl. 32), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior DERC Relata o Sr. AFRF que: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 5 4 Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 37.760,00 , recebidos de Organismo Internacional. A r. decisão revisanda, entendeu que: Reafirmados os princípios da territorialidade e político na tributação de renda dos residentes no país, concluise que, no caso em apreço, os rendimentos recebidos pelo contribuinte pessoa física nacional, residente e contratada no Brasil, decorrentes de prestação de serviço ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, quando não detenha a condição de funcionário desse organismo internacional, deverão integrar a base de cálculo na Declaração de Ajuste Anual, conforme determina o regramento tributário nacional supramencionado. A par disso, e por oportuno, cumpre salientar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão do Ministério da Fazenda, editou, recentemente, a Súmula n° 39, consolidando entendimento acerca da matéria, nos seguintes termos: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física”. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Em sua peça de resistência o recorrente, alega razões preliminares que se confundem com o mérito, e com este serão analisadas. Alega o recorrente, que foi contratado pelo “PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO – PNUD/ONU, a fim de trabalhar com horário préestabelecido, sob subordinação hierárquica, em trabalho não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. Assim entende o recorrente, que conforme dispõe o art.3º da CLT o mesmo se enquadra como empregado. Verificando o documento de fl. 39, em seu item III verificamos que: “O CONTRATADO não estará isento do pagamento de imposto em virtude deste contrato, obrigandose ao pagamento de impostos, encargos, taxas e outros tributos devidos em função das importâncias recebidas sob este contrato, conforme legislação aplicável”. No item IV assim relata: “O CONTRATADO será considerado como consultor independente. O CONTRATADO não será considerado, sob nenhum aspecto membro do quadro de funcionários da Agência Nacional de Execução do Projeto ou do PNUD. Desde a decisão do STJ este CARF vem decidindo a matéria, conforme excertos colacionados: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 6 5 IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatora Conselheira Alice Grecchi, Acórdão nº 2102003.265, Sessão de 11 de fevereiro de 2015). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901639/2008-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. MATÉRIA APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PRESENTE NA IMPUGNAÇÃO.
A Recorrente apresenta novos argumentos em seu Recurso, não apresentada na manifestação de inconformidade, de modo que ocorreu a preclusão argumentativa
COMPENSAÇÂO. SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO.
Tendo tomado ciência do valor de saldo negativo apurado em diligência pela DRF de origem, entende-se que a Recorrente concordou com o resultado.
Numero da decisão: 1003-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. MATÉRIA APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PRESENTE NA IMPUGNAÇÃO. A Recorrente apresenta novos argumentos em seu Recurso, não apresentada na manifestação de inconformidade, de modo que ocorreu a preclusão argumentativa COMPENSAÇÂO. SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO. Tendo tomado ciência do valor de saldo negativo apurado em diligência pela DRF de origem, entende-se que a Recorrente concordou com o resultado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 304 1 303 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.901639/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.662 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 7 de maio de 2019 Matéria DCOMP SALDO NEGATIVO IRPJ Recorrente MARCO AVICULTURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. MATÉRIA APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PRESENTE NA IMPUGNAÇÃO. A Recorrente apresenta novos argumentos em seu Recurso, não apresentada na manifestação de inconformidade, de modo que ocorreu a preclusão argumentativa COMPENSAÇÂO. SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO. Tendo tomado ciência do valor de saldo negativo apurado em diligência pela DRF de origem, entendese que a Recorrente concordou com o resultado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 16 39 /2 00 8- 22 Fl. 304DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0629.164, de 11 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 14 644.01294.2 60204.1.3.02 8290, em 26/02/2004, efls. 37, utilizandose do crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativo ao exercício 2004, para compensação dos débitos ali confessados. As compensações pleiteadas não foram homologadas pela DRF Londrina, pelo fato do valor de saldo negativo informado na DIPJ não corresponder ao valor declarado no PER/DCOMP. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada imporcedente pela DRJ/CTA, em acórdão assim ementado: INCONSISTÊNCIA DE INFORMAÇÕES IMPRESCINDÍVEIS. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte, mesmo intimado, deixa de retificar informações inconsistentes imprescindíveis à análise do direito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão em 18/05/2011 (efl. 133), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 18/05/2011 (efls. 134137), no qual alega o seguinte: " O valor solicitado no PERD/COMP incorre em R$ 29.821,34 (conforme se demonstra na planilha anexa, devidamente acompanhada da DARF'S recolhidas neste montante). O valor compensado, como também se infere pela planilha juntada, atinge R$ 25.927,07. Fica demonstrando que ainda remanesce um saldo a compensar de R$ 3.894,27. Somandose o valor remanescente de R$ 3.894,27, com o valor informado na Ficha 12, linha 19 do DIPJ R$ 4.797,83, resultará em R$ 8.692,10, exatamente o que foi declarado no PERD/COMP, demonstrando perfeitamente a apuração do crédito." Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10930.901639/200822 Acórdão n.º 1003000.662 S1C0T3 Fl. 305 3 Subiram os autos à este Colegiado, para julgamento pela 2ª Turma Especial, que houve por bem transformar o julgamento em diligência. em sessão do dia 11 de setembro de 2013., conforme assentado na Resolução n° 1802000.327. Transcrevo parte do voto proferido pela 2ª Turma Especial na Resolução n° 1802000.327, que esclarece a motivação e as informações requeridas na diligência: "Nessa fase recursal, a Contribuinte trouxe melhores esclarecimentos sobre a divergência entre os valores da DIPJ e do PER/DCOMP. A planilha apresentada juntamente com o recurso voluntário, às fls. 140/141, evidencia que o que ela pretende é agregar parcela remanescente do saldo negativo de 2002, ao saldo negativo de 2003. Mas isso não é possível, porque um saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação (é o que parece ter acontecido com a maior parte do saldo negativo de 2002). Se a compensação não é realizada pelo Contribuinte, não há como reconhecer um saldo negativo inexistente em um determinado período por haver saldo negativo de outro período que não foi aproveitado em tempo hábil. Está bastante claro que o PER/DCOMP deste processo tem como objeto o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, pelo que o exame do direito creditório deve se ater a esse período. Embora a DIPJ indique a apuração de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2003, ainda não é possível atestar a certeza e liquidez deste crédito, uma vez que parte das estimativas de 2003 foi quitada mediante compensação (por outros PER/DCOMP), conforme indicado na planilha de fls. 140/141. O julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia de origem (DRF Londrina/PR), para que aquela unidade: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva IRPJ devida no anocalendário de 2003; o valor das estimativas recolhidas em DARF referentes a 2003; a condição das estimativas de 2003 que teriam sido quitadas por meio de outros PER/COMP, conforme indicado na planilhas de fls. 140/141; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ em 2003 a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo legal." Fl. 306DF CARF MF 4 A DRF Londrina procedeu a diligência, e elaborou Termo de Diligência (e fl. 294295), concluindo o seguinte: Tendo a empresa informado apurar, em sua DIPJ/2004, Imposto de Renda a pagar no valor total de R$ 36.067,28 (R$ 36.040,37 + R$ 26,91), deduzindose o valor de R$ 40.888,66 relativo às antecipações de IRPJ, fica comprovada a apuração de Saldo Negativo de IRPJ no período no valor de R$ 4.821,38 (quatro mil, oitocentos e vinte e um reais e trinta e oito centavos), valor esse ligeiramente maior que o apurado na Linha 19 da Ficha 12A da DIPJ/2004 (R$ 4.797,83), haja vista que a contribuinte compensou em DCOMP o débito de estimativa de IRPJ relativo a Setembro/2003 no valor de R$ 1.616,90 e não no valor de R$ 1.592,42, como informado na DIPJ. Segundo Demonstrativo Analítico de Compensação de folha 293, verificase que o direito creditório no valor de R$ 4.821,38 (quatro mil, oitocentos e vinte e um reais e trinta e oito centavos) é parcialmente suficiente para extinguir o débito declarado como compensado na Declaração de Compensação de folhas 220/224. A Recorrente tomou ciência do Termo de Diligência em 23 de dezembro de 2013. Não consta nos autos manifestação da Recorrente em face do referido Termo. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Apenas em sede de recurso voluntário é que a Recorrente esclareceu como chegara ao crédito apontado no PER/DCOMP no valor de R$ 8.692,08. Uma parte (R$ 3.894,27) teria como origem o "restante" do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 e a outra parte (R$ 4.793,83) do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. A Recorrente transportou o saldo negativo do anocalendário de 2002 para o anocalendário 2003. Esclareçase que o aproveitamento do saldo negativo de um período para outro só pode ser feito via compensação das estimativas mensais desses períodos subsequentes via procedimento de compensação. A Recorrente informou em PER/DCOMP que a origem do crédito era saldo negativo de IRPJ do exercício 2004, e é isso que está sendo discutido nos autos. A informação que parte do crédito informado era de saldo negativo do exercício 2003 só foi prestada pela Recorrente em sede de recurso voluntário, não tendo sido trazida para apreciação pela DRJ e tampouco pela unidade de origem. Portanto ocorreu a preclusão argumentativa relativamente ao saldo negativo do exercício 2003. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10930.901639/200822 Acórdão n.º 1003000.662 S1C0T3 Fl. 306 5 Portanto passo a analisar apenas o saldo negativo do exercício 2004. A informação prestada no PER/DCOMP é que a origem do crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 no valor de R$ 8.692,08 e a informação prestada na DIPJ é de saldo negativo de R$ 4.797,83. Diante da inconsistência de valor entre a DIPJ e o PER/DCOMP a 2ª Turma Especial entendeu necessário a realização de diligência pela DRF Londrina para esclarecer se havia saldo negativo de IRPJ em 2003 a ser restituído/compensado, e qual o seu valor. A DRF Londrina procedeu a diligência determinada pela 2ª Turma Especial e concluiu que a Recorrente fazia juz a um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 no valor de R$ 4.821,38 (quatro mil, oitocentos e vinte e um reais e trinta e oito centavos), valor esse ligeiramente maior que o apurado na Linha 19 da Ficha 12A da DIPJ/2004 (R$ 4.797,83). Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente não questionou o que foi apurado pelo Fisco, portanto entendo que o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 a ser reconhecido é de R$ 4.821,38. Isso posto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para determinar a reforma do acórdão a quo, reconhecendo como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Wilson Kazumo Nakayama Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.001148/2006-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos
serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 11 48 /2 00 6- 01 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0923.201 (fl. 48), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05 e 29 a 31, em razão da glosa da dedução com despesas médicas, em montante de R$ 27.149,40, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Consoante descrição dos fatos, à fl. 29, Intimado, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para entregar os comprovantes até 20/09/2006. Não apresentou qualquer documento. Não comprovou as despesas, que são de valores significativos. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/04, na qual, em síntese e entre outros aspectos argúi que as despesas médicas glosadas estão devidamente comprovadas, conforme faz prova a documentação juntada a defesa. Informa como o pagamento das despesas médicas foi efetuado, requerendo, ao final, diligência ou perícia, caso persistam dúvidas. Às fls. 43/44, o Despacho da 6ªª Turma da DRJ/JFA propôs o retorno dos autos à repartição de origem para juntada da intimação fiscal encaminhada ao contribuinte durante a fase de fiscalização. Em atendimento à referida solicitação foram juntados ao processo os elementos de fls. 45 a 47. Ao apreciar o litígio, o órgão julgador de primeiro grau entendeu que os documentos apresentados para comprovação das despesas médicas relativas ao profissional Sílvio Tadeu Bini (R$ 6.500,00) e Fundação AFFEMG de Assistência à Saúde (R$ 3.149,40) são hábeis e suficientes para comprovação dessas despesas médicas. Quanto aos documentos apresentados para comprovação das despesas médicas pleiteadas com o profissional Sérgio Aguiar de Lima, apenas a parcela de R$ 5.000,00 foi comprovada pelo contribuinte, conforme as cópias dos cheques nominativos acostados à defesa, restado sem comprovação o valor de R$ 12.500,00. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. À luz do art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas, cujo pagamento, embora tenha sido objeto de intimação por parte da autoridade lançadora, não foi comprovado pela contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Lançamento Procedente em Parte Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10630.001148/200601 Acórdão n.º 2101001.922 S2C1T1 Fl. 78 3 Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera o pedido pelo restabelecimento integral da despesa médica. Argumenta que a prova efetiva da prestação dos serviços está evidenciada nos autos (fls. 07), com a apresentação de Declaração firmada pelo Dr. Sérgio Aguiar de Lima, onde o mesmo afirma, categoricamente, que prestou os serviços, bem como a forma como lhe foi efetuado o pagamento, parte com dinheiro em espécie e parte em cheques. Entende que não existe nenhuma lei que proíba o contribuinte de efetuar pagamentos em dinheiro, em espécie. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O autuado é aposentado da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado de Minas Gerais e recebe a integralidade dos proventos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar o efetivo pagamento da despesa mantida na decisão de primeiro grau, no valor de R$12.500,00, conforme recibo à fl. 08, emitido em 18/05/2004. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários devem aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados no recibo. A decisão de primeiro grau expressamente manifestou o mesmo entendimento da fiscalização, conforme descrição dos fatos na Notificação de Lançamento (fl. 29) e Intimação à fl. 45, quanto à necessidade de comprovação do efetivo pagamento, conforme se constata pela leitura do voto conduto do acórdão recorrido (fls. 50/54), cujos fundamentos estão em consonância com reiterados julgamentos deste Colegiado. Com efeito, quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos ou declarações que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10630.001148/200601 Acórdão n.º 2101001.922 S2C1T1 Fl. 79 5 Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de afirmar que "a presunção juris tantun de veracidade do conteúdo do instrumento particular é invocável tãosomente em relação aos seus subscritores (STJ, Ac. Unân. 4a T. Resp. 33.2003/SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, in RSTJ 78:269). E também o entendimento da doutrina abalizada de Washington de Barros Monteiro: "Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato". (Curso de Direito Civil", 10 vol., 34a Edição, p. 257 e 258). É certo que o sistema protege o documento que se reveste de presunção de veracidade, permitindo redução do seu valor probatório somente diante de prova em contrário. Contudo, o documento que não se reveste de presunção de veracidade, como recibos e declarações particulares, são passíveis de serem rejeitados como prova, desde que haja outros motivos, pois a estes documentos atribuise valor probatório ordinário. Assim, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, sendo legitima a exigência pelo fisco de elementos complementares a estes documentos, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou de atribuição indevida de ônus ao contribuinte, já que a legislação que rege a matéria (artigo 73 do RIR/99) dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, sendo certo que o caso em exame não suscita qualquer dúvida a ensejar a aplicação do artigo 112 do CTN. Com efeito, diante da clareza da descrição dos fatos na Notificação de Lançamento do auto de infração e do voto condutor da decisão recorrida, esperavase que o contribuinte fosse mais diligente com a prova requerida, especialmente quando este informa que a quantia indicada no recibo à fl. 08, emitido pelo valor global de R$12.500,00, sobre o qual ainda permanece a glosa, foi paga em espécie. Sabemos que os recibos devem ser emitidos à medida que os pagamentos são recebidos, até porque o profissional liberal escritura o livro caixa, que tem base mensal, e os rendimentos auferidos de pessoa física estão sujeitos ao carnêleão, sendo certo que o desembolso de volumosa quantia permite ao interessado a sua comprovação. No caso vertente, o impugnante não se preocupou em apresentar quaisquer documentos/provas subsidiários que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas no valor de R$ 12.500,00, conforme solicitado pela autoridade tributária. Para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o entendimento manifestado pela fiscalização, que encontra suporte na jurisprudência majoritária deste Conselho, expresso nas ementas abaixo colacionadas, dentre muitas outras, no mesmo diapasão: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 da prestação dos serviços. (Acórdão 10422781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248922, Sessão de 25/01/2008). Por fim, pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o indeferimento fundamentado do pedido para realização de diligência ou perícia, como o fez a decisão recorrida (fl. 54), não implica em cerceamento do direito de defesa, conforme dispõem os artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pela Lei n° 8.748, de 1993. Com efeito, não há direito subjetivo do contribuinte à realização de diligência ou perícia, podendo a autoridade julgadora de primeira instância determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10768.908978/2006-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MOMENTO DE RETIFICAÇÃO DAS ESCRITURAÇÕES. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Não se admite retificação da DCOMP e da escrituração contábil por intermédio da Manifestação de Inconformidade, devendo proceder conforme os veículos formais próprios para tanto.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.703
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Não se admite retificação da DCOMP e da escrituração contábil por intermédio da Manifestação de Inconformidade, devendo proceder conforme os veículos formais próprios para tanto. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 89 78 /2 00 6- 05 Fl. 306DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 131 à 132) interposto contra o Acórdão n° 1226.666, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1 (efls. 118 à 125), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: A interessada acima identificada apresentou Declaração de Compensação— DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497, em 30/07/2003 (fls.2/6), constando dito crédito de IRPJ no valor de R$ 689,00, oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL do qual pretendia utilizar R$ 592,96 para compensar parcialmente débito de CSLL de estimativa mensal do PA de junho de 2003 no valor total de R$ 1.770,64. 2. A compensação foi não homologada e o direito creditório indeferido, nos termos do despacho decisório da DERAT de fls. 9, fundamentação legal dos art 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 — CTN e art 74 da Lei 9.430, de 27/12/1996, sob argumento de que foi localizado o pagamento no valor de R$ 689,00 (pagamento n° 0485378379), mas utilizado integralmente para quitação de débitos de CSLL (cód 2484) de mesmo valor do PA 30/06/2000 do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. 3. Inconformada, a interessada ingressou tempestivamente com Manifestação de Inconformidade (fls. 11/2), alegando que: 3.1. o per/dcomp mencionado foi confeccionado na primeira versão instituída (1.0) que gerava dúvidas no preenchimento, o que a levou a interpretação incorreta; 3.2. o per/dcomp em questão se refere a um débito de CSLL, cod. 2484, PA 30/06/2003, vencimento 31/07/2003, no valor de R$ 1.770,64, compensado com o crédito existente em 3 DARF de recolhimento indevido a maior; 3.3. o per/dcomp incorreu no erro de informar o valor total de débito repetidamente nos três per/dcomp emitidos, um para cada DARF, não limitando o valor do débito ao valor do crédito existente em cada darf; 3.4. simulou um per/dcomp atual, que não mais pode ser transmitido, para melhor análise do erro ocorrido; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 307 3 3.5. o crédito de R$ 689,00 utilizado na compensação constou indevidamente na DCTF do 2° trimestre de 2000, o que caracterizava a inexistência do crédito, pelo que foi retificada a DCTF para acerto; 3.7. só tomaram ciência de tais erros cinco anos após as transmissões, sendo impossível fazer qualquer retificação 3.8. pede que sejam consideradas as compensações, visto que não foi dado o direito de retificar os erros incorridos por falta de esclarecimento e que só os conheceu em 30/07/2008, data em que findava o prazo para transmissão dos relatórios retificadores. O teor meritório do Acórdão da DRJ consistiu na inviabilidade de se reconhecer o direito creditório, haja vista a ausência de liquidez e certeza (art. 170 do CTN), verbis: Voto (...) 5. A interessada contesta a decisão que não homologou a compensação declarada, mas admite que errou e só tomou conhecimento dos erros através do despacho decisório recepcionado em 30/07/2008, quando não havia mais tempo para efetuar as retificações. 6. Consultado o sistema SIEF/FISCEL verificamos que o pagamento n° 0485378379 se refere ao PA 30/06/2000 e código de receita 2484 (fl. 111). 7. A legislação de regência abrange o Código Tributário Nacional (CTN) —Lei 5.172/66, artigos 156 e 170, a Lei 9430/96, artigos 73 e 74 e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e da Receita Federal do Brasil: (...) 8. Ao tempo da transmissão da DCOMP sub análise, estava em vigor a Instrução Normativa SRF n° 210/02, alterada pela IN SRF n° 226/2002, mas a retificação pretendida pela interessada em 15/08/2008 e apresentada em 22/08/2008 foi feita quando em vigor a IN SRF 600, de 28/12/2005, abaixo reproduzida: (...) 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3 para que o débito nela informado se amolde ao valor constante da DCTF retificada. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não Fl. 308DF CARF MF 4 homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. 11. Por outro lado, ao retificar a DCTF para modificar o valor de débito informado, não apresentou memória de cálculo da formação do débito, nem cópias dos seus livros contábeis e fiscais onde constassem valores que pudessem formar convicção inequivoca da veracidade dos fatos alegados, comprovando a liquidez e certeza do seu crédito. 12. Não havendo, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, não é possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497. 12. Por todo o exposto, voto pela não homologação da DCOMP sub analise e pelo indeferimento dos pedidos constantes da manifestação de inconformidade. (GN) Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: DO DIREITO DA PRELIMINAR Os perdcomp's n°s 21628.93645.300703.1.3.040039; 30883.34596.300703.1.3.048497 e 28590.98726.300703.1.3.04 3070 (em anexo) foram confeccionados com o intuito de se compensar um débito de CSLL código da receita 2484 período de apuração 30/06/2003 vencimento 31/07/2003 no valor de R$ 1.770,64 (anexo DIPJ e DCTF do período para análise) utilizando para isto três darf s de recolhimento a maior. O equivoco ocorreu ao repetirmos nos três perdcomps o valor integral do débito (R$ 1.770,64) não o fracionando de acordo com o crédito existente em cada darf. Sendo cada documento processado individualmente nos controles da SRF, tivemos parte do primeiro crédito no valor principal de R$ 315,00 aceita através do despacho decisório (processo 10768908.979/200641) e a diferença no valor de R$ 1.295,15 não homologada, gerando assim a primeira cobrança deste tributo. A segunda cobrança do mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp n° 30883.34596.300703.1.3.048497 (processo 10768908.978/200605) onde o valor nos foi cobrado integralmente, pois havíamos retificado a DCTF no momento em que tomamos ciência da falha cometida, o que causou duvidas a SRF sobre a existência do crédito, gerando assim uma segunda cobrança no valor de R$ 1.770,64 do referido débito. E por fim, a terceira cobrança deste mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp 28590.98726.300703.1.3.04 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 308 5 3070 (processo 10768908.980/200676) onde o mesmo valor de R$ 1.770,64 nos foi cobrado integralmente, em virtude de não ter sido mais possível o processamento dos perdcomps retificadores. Relatamos em nossas manifestações de inconformidade que existiam varias duvidas na confecção deste documento e que muitas vezes não conseguíamos compreender os esclarecimentos fornecidos nos plantões fiscais, diante disto pleiteávamos a analise da documentação e aceitação da retificação dos perdcomps a fim de que os mesmos fossem considerados homologados . Ao recepcionar em 27/11/2009 o indeferimento das manifestações de inconformidade, compreendemos as alegações transcritas e nos empenhamos no sentido de quitar o debito devido, aderindo ao parcelamento instituído pela Lei 11.941 de 2009, visto tal débito já constar disponível no site para quitação (processo 15374.721.6081200866). No entanto solicitamos neste recurso o estorno dos outros dois débitos gerados pela repetição do mesmo valor na confecção dos perdcomps n°s 30883.34596.300703.1.3.048497 e 28590.98726.300703.1.3.04 3070. DO MÉRITO Facultados pela Lei 10833/2003 que nos permite julgar parcialmente improcedente a decisão proferida a nossa manifestação de inconformidade , solicitamos a analise da DIPJ e DCTF do período em questão, que demonstra a existência de um só debito de IRPJ no valor de R$ 1.770,64, a fim de se proceder ao cancelamento dos perdcomp's n°s 30883.34596.300703.1.3.048497 e 28590.98726.300703. 1.3.043070, visto não ser possível mais a realização da compensação pretendida e com isto corrigir a cobrança indevida que originou os darfs nos valores de R$ 1.868,37; R$ 1.793 ,47; R$ 810, 11 e R$ 2 .851,74 (em anexo), que representam o valor original de R$ 3.541 ,28 (R$ 1.770,64 x 2), vide extratos dos processos recebidos da SRFMadureira , em anexo. Senhores Conselheiros, é este, em síntese, o ponto de discordância apontado neste Recurso: a) Cobrança de um único débito de CSLL cód. 2484 período apuração 30/06/2003 duas vezes mais. Fl. 310DF CARF MF 6 DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial da decisão de primeira instância , requer que seja dado provimento ao presente Recurso. (GN) É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Preliminar Ab initio, o Contribuinte veicula exposição fática e jurídica em caráter preliminar. Contudo, seu teor é adstrito eminentemente ao espectro meritório, razão pela qual será conhecido e avaliado doravante, dentro das razões de mérito per se. Do reconhecimento do direito creditório e a forma de retificação No que cinge à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. De plano, é de se reconhecer a boafé do Contribuinte, conforme se ilustra nas provas acostadas aos autos; quanto ao mais, é inequívoca a dificuldade inerente ao preenchimento da DCOMP, o que se espelha na jurisprudência deste e. CARF, quando se confere muito mais valor à verdade material (escrituração contábil e respectivos comprovantes) frente ao adimplemento formal das Declarações transmitidas. Conforme se vê, o Contribuinte alega possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 309 7 duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico compensatório tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o aludido instituto foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, conforme repisado no Acórdão de piso, o Recorrente não adimpliu tal mister documental, bem como a instrumentalidade necessária às retificações. Sabese que as DCOMPs são veiculadas individualmente, cada qual apresentando a compensação espelhada no formulário eletrônico; este, por seu turno, deve vir acompanhado das escriturações contábeis consentâneas ao pleito realizado. Contudo, em caso de constatação de equívocos, deve o Contribuinte proceder com as modificações, por intermédio de instrumento próprio para tanto. Ademais, ainda que se admitisse a conexão por prejudicialidade frente às outras DCOMPs prestadas e se aceitasse a avaliação do direito creditório sem a formalidade retificadora da Declaração, a verdade material não favorece o Recorrente. Nesse espeque, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, utilizando destas como fundamento para a presente decisão, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3 para que o débito nela informado se amolde ao valor constante da DCTF retificada. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. 11. Por outro lado, ao retificar a DCTF para modificar o valor de débito informado, não apresentou memória de cálculo da formação do débito, nem cópias dos seus livros contábeis e fiscais onde constassem valores que pudessem formar Fl. 312DF CARF MF 8 convicção inequivoca da veracidade dos fatos alegados, comprovando a liquidez e certeza do seu crédito. 12. Não havendo, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, não é possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497. Quanto ao mais, assevero que esta 2ª Turma Extraordinária tem, inclusive, admitido as retificações após a prolação do Despacho Decisório (em observância à jurisprudência dominante do CARF); todavia, nem isso foi realizado pelo Contribuinte, tampouco foram acostadas provas aptas a superar essa formalidade, viabilizando a análise do direito creditório na presente instância recursal. Portanto, além das indigitadas retificações, deveria o Contribuinte ao menos ter apresentado coletânea documental apta a confirmar seu pleito ou rechaçar os aspectos abordados na decisão de piso especificamente quando à DCOMP ora sob exame; contudo, não o fez. Por fim, ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 310 9 demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como Fl. 314DF CARF MF 10 não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.721560/2012-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.000,00.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.000,00. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 15 60 /2 01 2- 77 Fl. 84DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 13.652,07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2010, anobase de 2009, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 32.900,00, por falta de comprovação do atendimento das normas do Direito de Família, eis que o acordo homologado judicialmente apresentado vale a partir de 30/04/2010 (fls. 08/11). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que a separação foi homologada em 27/07/2007, data do início do pagamento da pensão, que veio a ser alterada mediante o acordo homologado em 30/04/2010 (fls. 02/22). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 45/48): 1. no Termo de Audiência decorrente da Ação de Exoneração de Alimentos datado de 08/04/2010, foi ajustado que o Impugnante pagaria 5,1 (cinco virgula um) salários mínimos a partir de 30/04/2010, restando finalizada a Ação de Execução de Alimentos nº 2.911/2009 em tramite na Vara de Família de TaubatéSP; 2. em atendimento à intimação para comprovar o efetivo pagamento da pensão alimentícia por meio de comprovantes de depósitos bancários, transferências ou cópias de cheques, o interessado se limita a anexar declaração de Elisabete Chagas Kako, informando ter recebido, no anocalendário 2009, a quantia de R$ 32.900,00, referente a pensão alimentícia. Recurso voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e alegando em síntese (fls. 54/77): 1. ratifica os argumentos apresentados em primeira instância; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10860.721560/201277 Acórdão n.º 2003000.043 S2C0T3 Fl. 84 3 2. não deve prosperar o argumento de que provas não juntadas na impugnação devem ser rejeitadas; 3. a ação de exoneração que pôs fim à Ação de Execução de Alimentos serve como prova do pagamento, cuja quitação ali está prevista (documento juntado conforme previsto no item II da homologação); 4. o recibo de R$ 32.900,00 assinado por Elisabete Chagas Kako foi entregue em tempo hábil e faz prova do efetivo pagamento da pensão; 5. nada impedia que mencionada pensão fosse paga em moeda corrente, pois somente a partir de 30/04/2010, ficou estabelecido que a mesma seria depositada em conta corrente da pensionista; 6. alem da pensionista declarar que recebeu a pensão alimentícia, tais rendimentos foram por ela oferecidos à tributação exatamente como estabeleceu decisão judicial no Processo nº 1.724/70, sendo R$ 2.000,00 nos meses de janeiro a abril e agosto a novembro, como também de R$ 3.000,00 nos meses de maio a julho e dezembro, mais R$ 3.000,00 de 13º em dezembro o que se pode provar por meio da DIRPF/2010, entregue em 26/04/2010, juntada aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 18/12/2014 (fls. 52), e a Peça recursal foi recebida em 16/01/2015 (fls. 53 e 78), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; Fl. 86DF CARF MF 4 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Posta assim a questão, é de se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A, nesses termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como se pode notar, embora o contribuinte tenha apresentado uma declaração assinada pela Sra. Elisabete Chagas Kako firmando ter recebido pensão alimentícia na quantia de R$ 32.900,00, o conjunto probatório apresentado em fase recursal limita referida dedução ao montante de R$ 28.000,00, conforme consta no Acordo homologado judicialmente em 30/07/2007 e na comprovação de recebimento por parte de mencionada beneficiária (fls. 41, 62/68 e 72/77). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10860.721560/201277 Acórdão n.º 2003000.043 S2C0T3 Fl. 85 5 Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso interposto, restabelecendo a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.000,00. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 88DF CARF MF
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