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Numero do processo: 15586.000502/2010-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte consegue apresentar razões de mérito contrárias à autuação.
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos, mesmo que não esteja inscrita no PAT.
TICKET REFEIÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA.
Ticket refeição não é caracterizado como alimentação in natura, razão pela qual deve incidir contribuição previdenciária.
VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA
A parcela paga a título de Vale-Transporte, quando não descontada do empregado, deve ser tributada apenas da parcela que o empregador deveria descontar, 6%.
AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O art. 28, parágrafo 9o, q não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Pelo voto de qualidade excluir tributação sobre alimentação in natura e manter tributação sobre os tickets. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto(relator) Maria Anselma Croscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landin. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (ii) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao auxilio saúde e determinar a tributação da parcela do vale transporte que deveria descontar dos empregados (6%) excluindo o restante. (iii) Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto às cooperativas e RFFP. (iii) Por maioria da votos e dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art.61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Redator Designado Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte consegue apresentar razões de mérito contrárias à autuação. ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos, mesmo que não esteja inscrita no PAT. TICKET REFEIÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. Ticket refeição não é caracterizado como alimentação in natura, razão pela qual deve incidir contribuição previdenciária. VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA A parcela paga a título de ValeTransporte, quando não descontada do empregado, deve ser tributada apenas da parcela que o empregador deveria descontar, 6%. AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28, parágrafo 9o, “q” não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 05 02 /2 01 0- 54 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Pelo voto de qualidade excluir tributação sobre alimentação in natura e manter tributação sobre os tickets. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto(relator) Maria Anselma Croscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landin. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (ii) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao auxilio saúde e determinar a tributação da parcela do vale transporte que deveria descontar dos empregados (6%) excluindo o restante. (iii) Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto às cooperativas e RFFP. (iii) Por maioria da votos e dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art.61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Redator Designado Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 197/217, em face de Acórdão 1233.648 proferido pela 11a Turma da DRJ/RJ1 que manteve crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD 37.280.0190, no importe de R$ 16.573,38 (dezesseis mil quinhentos e setenta e três reais e trinta e oito centavos). Os fatos e fundamentos para apuração do crédito previdenciário foram especificados pelo auditor autuante, fls. 50/68, que os descreveu da seguinte maneira, em suma: 3. A Siderúrgica Ibiraçú, no ano de 2005 concedeu alimentação aos seus empregados, fornecendo Ticket Refeição e refeições prontas adquiridas em bares e restaurantes, entretanto, não providenciou a sua necessária inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, não aderindo, portanto, ao mesmo no ano de 2005. Em consulta ao site do Ministério do Trabalho na Internet, www.mt e.gov.br/Pat/relatórios.asp, somente a partir de 2008 a empresa aderiu ao programa. (...) 4. Na operacionalização de suas atividades, como política de recursos humanos, a empresa concedeu aos empregados da filial localizada no rio de Janeiro, CNPJ 01.319.693/00908, extensivo aos dependentes, Plano de Saúde de Assistência Médica e Hospitalar, contratados junto à AMIL – Assistência Médica Internacional Ltda. (...) 4.3. Ocorre que a SIDERÚRGICA IBIRAÇU ao conceder o plano de assistência médica e hospitalar aos empregados da filial, arcou com contribuições para os dependentes destes. Custeou, portanto, a empresa, plano de saúdo médico para os empregados e para os seus familiares. E o que prevê o art. 28, parágrafo 9o , “q”, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, é que a cobertura do plano deve abranger os segurados empregados e dirigentes da empresa, restritivamente, não alcançando seus dependentes. 4.4. Além do que, a SIDERÚRGICA IBIRAÇU concedeu aos empregados da filial, planos de assistência médica e hospitalar diferenciados. Os planos variam de acordo com a posição hierárquica ocupada pelo segurado dentro de uma estrutura organizacional da empresa. Aos empregados de menor nível hierárquico, foram concedidos planos básicos, que contemplam um conjunto determinado de benefícios; aos empregados de escalões superiores – aos administradores, foram concedidos planos especiais, mais amplos, com mais benefícios e que, consequentemente, agregam maiores custos a empresa. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 (...) 5. Dispõe o art. 28, parágrafo 9o, “f”, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, que a parcela recebida pelo empregado a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra a remuneração para fins previdenciários. (...) 5.2.1. Portanto, se pago de acordo com a lei, o valetransporte não integra a remuneração para fins de incidência das contribuições sociais. O que iremos demonstrar, contudo, é que os pagamentos efetuados pela SIDERÚRGICA IBIRAÇU a título de valetransporte não observaram os parâmetros legais exigidos para a sua concessão. (...) 5.4. Entretanto a SIDERÚRGICA IBIRAÇU, nada descontou dos empregados que receberam o benefício do Valetransporte. Desta forma, os valores custeados pela empresa a título de vale transporte e ofertados aos empregados da filial localizada no Rio de Janeiro, CNPJ 01.319.693/00908, por não observarem os parâmetros legais exigidos para a sua concessão e conseqüente exclusão do saláriodecontribuição, foram considerados como componente da remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias. (...) 7. Desta forma, através do presente Auto de Infração, efetuase a cobrança da devida contribuição dos segurados empregados, incidentes sobre os valores pagos, devidos ou creditados a título de Alimentação, Plano de Saúde e Vale Transporte. Em relação ao Plano de Saúde e Vale Transporte observouse o limite máximo do salário de contribuição de que trata o art. 28, parágrafo 5o, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, e, dandose a apuração da basedecálculo da Alimentação através das notas fiscais, aplicouse a alíquota mínima de 8% (oito por cento) prevista no art. 20 da Lei n. 8.212, de 24/07/1991. Não foi constatada a prática do crime de apropriação indébita. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 88/118. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – 11ª Turma DRJ/RJ1, prolatou Acórdão de fls. 163/191, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: Assunto: Outros Tributos e Contribuições Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS EMPREGADOS Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 4 5 A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos, conforme prevê o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei n. 8.212/91. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. AJUDA ALIMENTAÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre alimentação quando concedida aos empregados da empresa sem a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei 6321, de 14/04/76, por ser verba remuneratória, nos termos do artigo 28, I da Lei 8212/91. ASSISTÊNCIA MÉDICA (PLANO DE SAÚDE). Beneficio trabalhista na forma de custeio integral de "plano de saúde". Inobservância dos requisitos previstos na letra "q" do parágrafo 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991. Incidência de contribuições previdenciárias. VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o valor pago a titulo de vale transporte em desacordo com a legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 197/217, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: O fiscal lavrou sete Autos de Infração que são narrados de forma repetitiva e confusa, violando o devido processo legal e cerceando o direito de defesa ; Que a recorrente oferecia Ticket Refeição conforme convenção coletiva de trabalho e que se trata de verba indenizatória; O auxílio saúde representa natureza meramente assistencial, não se constituindo em salário in natura, haja vista a ausência do caráter contra prestativo no fornecimento da utilidade; Quanto ao valetransporte a autuação não individualizou os estabelecimentos da matriz e filial e que na sede, proporciona por meios contratados vê[iculos adequados ao transporte coletivo, residênciatrabalho e o contrário, estando desobrigada do valetransporte, que não detém natureza salarial e não necessita ser descontado, conforme Lei n. 7.418/85 e 7.619/87, art. 458 em especial e que a retenção de 11% é inconstitucional; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 A representação fiscal para fins penais não merece prosperar pois não ocorreram as condutas descritas nos arts. 297, e 337A do Código Penal. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 307, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Quanto a alegação de que o fiscal lavrou sete Autos de Infração que são narrados de forma repetitiva e confusa, violando o devido processo legal e cerceando o direito de defesa, bem como por não ter individualizado os estabelecimentos matriz e filial, entendo que não merece acolhimento. O relatório fiscal está claro e bem redigido, além de sempre destacar em que local os fatos geradores ocorreram, se na matriz ou na filial, não havendo que se falar em nulidade, da forma como quer o recorrente. Ademais, o contribuinte não obteve qualquer prejuízo com a suposta nulidade, haja vista a produção de toda a prova documental contante nos autos e de suas razões, que consegue levantar questionamentos acerca da materialidade do lançamento. DA NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura, fl. 52, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Com relação ao fato de a autuação se referir a tickets de alimentação e isso não configurar alimentação in natura, cumpre esclarecer que esse entendimento não deve prevalecer. Mesmo nas hipóteses em que o auxílio é pago em dinheiro o caráter não salarial não se desnatura. Dessa forma já decidiu o Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp 1185685/SP, abaixo colacionado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 6 9 (...) 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel.Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) Também, importante observar que este foi o entendimento desta turma, no julgamento do processo 15586.001087/201056, Acórdão 2403001.620, na sessão realizada em 19 de setembro de 2012, quando se entendeu que, se os tickets são utilizados apenas para alimentação devem ser considerados como alimento in natura. Razão pela qual, por não deve incidir contribuição previdenciária em relação ao fornecimento de alimento in natura não há também que se falar em erro no preenchimento da GFIP com relação a estas verbas. DO AUXÍLIO SAÚDE A fiscal autuante alega que o auxílio saúde, apesar de ser parcela que não integra o salário de contribuição para fins de contribuição previdenciária, o será quando não obedecida a legislação, o que teria acontecido no caso concreto. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Os fundamentos de inadequação normativa seriam observados sob duas vertentes: a) O auxílio não foi prestado apenas aos funcionários, mas foi extensível também aos dependentes; b) a depender do escalonamento hierárquico empresarial, a abrangência do plano também mudaria. Cumpre desde já trazer à colação o dispositivo normativo aqui tratado: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; Da análise do texto, percebese que não há qualquer limitação à inclusão de inclusão de dependentes no auxílio saúde, as únicas exigências constantes no artigo são: a) a assistência ser médica ou odontológica; b) cobertura que abranja a totalidade de empregados e dirigentes da empresa. O texto legal não elenca os itens acima como restrições, mas como pressupostos para não caracterização do benefício como salário de contribuição. Esse é, inclusive, o entendimento desta seção de julgamento, conforme pode se perceber do Acórdão 2803001.772 3a Turma Especial, julgado em 16 de agosto de 2012: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 (...) AUXÍLIOSAÚDE. DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. (...) Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. No mesmo norte é o acórdão 240101.981, 1a Turma Ordinária/4a Câmara da 2a Seção, julgado em 22 de agosto de 2011. Logo, este deve ser o mesmo entendimento com relação ao segundo ponto que teria ensejado a autuação, a diferença entre os planos daqueles de função hierárquica superior e os de função subalterna. Ora, o que a lei requer é que haja a cobertura à todos os funcionários e dirigentes, ou seja, impõe universalidade, no entanto, não o faz quanto à homogeneidade, é Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 7 11 silente. Por isso, não compete ao intérprete e o julgador incluir palavras onde a o legislador não o fez. Assim, contatado que todos os funcionários percebiam o benefício, há de se afastar a incidência da contribuição previdenciária. DO TRANSPORTE A autoridade fiscal efetuou o lançamento por entender que a empresa nada descontou dos empregados que receberam o benefício do ValeTransporte, logo, estando em desacordo com as normas legais, o que caracterizaria a verba como remuneração. Contudo, esta não deve ser a melhor conclusão. Segundo a Lei 7.418/85 o ValeTransporte não configura rendimento tributável do trabalhador, in verbis: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 280, de 2006) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Por sua vez, o Decreto n. 95.247/87 que regulamenta o referido benefício: Art. 9° O ValeTransporte será custeado: I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente, do beneficiário que exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Portanto, descabida a autuação no tocante a verba paga a título de Vale Transporte, da parcela que o empregador deveria descontar dos empregados, 6%, em razão da não efetuação do desconto legal. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros, conforme segue: Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Portanto, não serão analisadas as questões referentes a representação fiscal para fins penais. DAS MULTAS APLICADAS As multas foram aplicadas da seguinte forma pela autoridade autuante, conforme se percebe nas fls.54 do Relatório Fiscal: 14. As penalidades aplicadas com base na legislação em vigor à época de ocorrência dos fatos geradores seriam: 14.1. Multa de Mora, prevista na Lei 8.212/1991, art. 35, inciso II, alínea “a”, na redação dada pela Lei 9.876/1999 – 24% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas, incluída em Auto de Infração da obrigação tributária principal. 14.2. Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de apresentar GFIP com todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (AI 68), prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV e parágrafos 2o, 3o e 5o, acrescentado pela Lei n. 9.528/97 – 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada. 15. As penalidades aplicadas com base na legislação atual (Lei 11.941/2009) seriam: 15.1. Multa de Ofício, de acordo com o artigo 35A, da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, que determina, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação do disposto no art. 44 da Lei n. 9.430/1996 – 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas e não declaradas, incluída em Auto de Infração da obrigação tributária principal. 15.2. Multa por apresentar GFIP com incorreções ou omissões (AI 78), prevista na Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV, e art. 32A, “caput”, inciso I e parágrafo 3o, incluído pela Lei 11.941/09, no valor de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, observada a multa mínima de R$ 500,00 por competência. 16. Desta forma, na comparação entre as penalidades aplicadas com fundamento na legislação em vigor na época de ocorrência Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 8 13 dos fatos geradores (anterior) e a legislação superveniente (atual), verificase que serão aplicadas às competências compreendidas no período de 01/2005 a 12/2005 as penalidades impostas pela Lei n. 11.941/2009, em obediência ao princípio da retroatividade benigna, conforme quadro abaixo. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Portanto, deve a multa de mora ser recalculada, desconsiderandose os valores excluídos da base de cálculo e fazendose o recálculo com percentual máximo de 20%. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 9 15 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento para excluir da autuação os valores cobrados a título de contribuições incidentes sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não estar a empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, ValeTransporte da parcela que exceder a 6%, referente ao desconto legal ao qual estava o empregador obrigado ,e Planos de Saúde, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado A divergência com o relator atémse à questão do auxílio alimentação pago por meio de “tickets”. Entendo que tanto a Lei 8.212/91 quanto o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011 referemse a alimentação in natura. Lei 8.2121/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição:§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Apresento abaixo definição para a expressão in natura: A expressão in natura é uma locução latina que significa "na natureza, da mesma natureza". É utilizada para descrever os alimentos de origem vegetal ou animal que são consumidos em seu estado natural, como por exemplo as frutas. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000502/201054 Acórdão n.º 2403001.824 S2C4T3 Fl. 10 17 Traduzida à letra, a expressão in natura quer dizer apenas «na natureza». No entanto, os contextos em que é habitualmente utilizada autorizam e requerem traduções mais amplas: «no estado que se encontra na natureza», «no seu estado natural», «não transformado». A expressão utilizase sobretudo para caracterizar certos produtos alimentares, tanto de origem vegetal como animal, quando estes são distribuídos ou consumidos no seu estado natural, ou seja, sem terem sido sujeitos a qualquer transformação ou processamento. Por exemplo, os frutos e as hortaliças são freqüentemente consumidos in natura, há importações de carne in natura, e o leite já não pode ser vendido in natura (sem ser pasteurizado). No entanto, nada impede a utilização da expressão em contextos não alimentares. No Brasil, por exemplo, o «salário in natura» é o conjunto dos benefícios concedidos pelo empregador como gratificação pelo trabalho desenvolvido ou pelo cargo ocupado pelo empregado: alimentação, habitação, viatura, vestuário, etc. Neste caso, o conceito de «naturalidade», julgo eu, resulta do contraste entre estes bens, que são imediatamente utilizáveis, e o dinheiro proveniente do salário «tradicional», o qual não pode ser utilizado sem ser previamente «transformado» em bens por meio de uma operação chamada «compra». Extraído do sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/In_natura em 28/06/2012. Em todas acepções que encontro, alimentação in natura é alimento. Ticket não é alimento, portanto, não se enquadra na hipótese de não incidência. CONCLUSÃO Entendo que deve ser mantida a tributação dos valores correspondentes aos tickets alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10480.915739/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO.
Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Bruno Mauricio Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a nãohomologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 57 39 /2 00 9- 62 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Bruno Mauricio Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 70): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do despacho decisório quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.915739/200962 Acórdão n.º 3802001.737 S3TE02 Fl. 135 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O direito creditório, por sua vez, decorre de suposto pagamento indevido de contribuição incidente na importação sobre “royalties” pela cessão de direitos de uso de programa de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. A Dctf foi retificada somente após o despacho decisório, o que, de acordo com o acórdão recorrido, seria vedado pelo art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972 e pelo art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), devido à perda da espontaneidade. A decisão também foi assentada na falta de apresentação de prova do direito creditório. A Recorrente, nas razões de fls. 96 e ss., sustenta preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. No mérito, alega violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, porquanto a não homologação teria resultado de mero equívoco nas Dctfs originais apresentadas e da incapacidade do sistema da Receita Federal em fazer o “cruzamento” das informações destas com o PER/Dcomp, o que, por sua vez, poderia ter sido constatado mediante conversão do julgamento em diligência. Aduz que a Dctf retificadora e os demais documentos apresentados afastam qualquer dúvida acerca da liquidez do direito creditório. Requer, assim, a anulação do despacho decisório e, sucessivamente, a conversão do feito em diligência e a confirmação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A interessada teve ciência da decisão no dia 02/09/2011 (fls. 95), interpondo recurso tempestivo em 03/10/2011 (fls. 96). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. I. DA PRELIMINAR DE NULIDADE: A Recorrente sustenta preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Entendese, contudo, que a mesma deve ser rejeitada porque, ainda que contrário ao pleiteado pelo Recorrente, o despacho decisório foi devidamente fundamentado, com indicação dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a nãohomologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o interessado, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. II. DO MÉRITO: Inicialmente, cumpre destacar que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, notase que o PER/Dcomp, consoante destacado, foi transmitido sem a retificação da Dctf, o que, por sua vez, fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, diversamente do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte comprove a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.915739/200962 Acórdão n.º 3802001.737 S3TE02 Fl. 136 5 da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012. No mesmo sentido, cf.: Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012; “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) O Recorrente, entretanto, instruiu a manifestação de inconformidade apenas com a Dctf retificadora, desacompanhada de qualquer outra prova da liquidez e da certeza do direito creditório, mesmo após a decisão contrária da DRJ. Votase, assim, pelo conhecimento do recurso, rejeição das preliminares e, no mérito, pelo seu integral desprovimento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003007/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, LEI Nº 7.713/88. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DO TRABALHO. INAPLICABILIDADE.
A isenção presente no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88 abrange tão somente os rendimentos decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma.
Os rendimentos de outras naturezas como os do trabalho não são considerados isentos, mesmo que o contribuinte padeça de moléstia grave.
Numero da decisão: 2202-002.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, LEI Nº 7.713/88. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DO TRABALHO. INAPLICABILIDADE. A isenção presente no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88 abrange tão somente os rendimentos decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de outras naturezas como os do trabalho não são considerados isentos, mesmo que o contribuinte padeça de moléstia grave.
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ART. 6º, XIV, LEI Nº 7.713/88. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DO TRABALHO. INAPLICABILIDADE. A isenção presente no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88 abrange tão somente os rendimentos decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de outras naturezas — como os do trabalho — não são considerados isentos, mesmo que o contribuinte padeça de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 30 07 /2 00 8- 71 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório 1 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO A recorrente protocolou pedido de restituição do imposto de renda (fls. 34 do eprocesso) pago de 1995 a 2007, com fulcro na isenção prevista no art. 6º, XII, uma vez que foi acometida por neoplasia maligna — câncer — pelo qual foi operada em 1993. Apesar da operação, contudo, o câncer já havia entrado em metástase, e continuou a atormentar a recorrente até a data de apresentação do pedido. Informou, ainda, que recebia pensão do Ministério da Saúde desde 1969, que era aposentada pelo INSS desde 1994, e foi aposentada por invalidez da Defensoria Pública do Estado de Pernambuco em 30/11/07. Dentre os diversos documentos apresentados, destacase laudo emitido por peritos do Ministério da Saúde do núcleo estadual de Pernambuco, que atesta a existência da doença, e atesta que ela iniciou em junho de 1993 (fl. 18 do eprocesso). 2 TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL E DO DESPACHO DECISÓRIO Em análise prévia ao julgamento do pedido, foi emitido termo de informação no qual foi considerada aplicável a isenção desde junho de 1993 para a pensão recebida do Ministério da Saúde; para aposentadoria recebida do INSS, a partir de maio de 1994; para os proventos de aposentadoria recebidos do Governo do Estado de Pernambuco, a partir de novembro de 2007. Assim, ficou afastada a isenção em relação a esses rendimentos (anteriores a data da aposentadoria) porquanto não decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Seria devida, ainda, a devolução dos valores pagos a título de IRRF sobre o 13º salário, entre 2003 a 2008. Quanto à restituição, devido ao prazo prescricional para pedido de restituição, foi proferida a opinião de que seria devida a restituição dos exercícios de 2004 a 2007 sobre os valores já referidos. Ainda, deveriam ser cancelados os autos de infração lavrados para os exercícios de 2002 2007, não sendo objeto de análise o referente ao exercício de 2000, visto que existia ação cautelar discutindo a exigibilidade do crédito constituído para esse exercício. Em relação à DIRPF 2008, disse que, por estar retida em malha fiscal, a restituição deve ser realizada por meio da própria declaração. Em relação aos valores pagos nos processos inscritos em Dívida Ativa da União, seria necessário realizar o pedido junto à Procuradoria da Fazenda Nacional de Pernambuco, tendo em vista que cabe a eles administrar as receitas em questão. O Despacho Decisório superveniente anuiu com o termo de informação fiscal, com o seguinte provimento: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.003007/200871 Acórdão n.º 2202002.405 S2C2T2 Fl. 230 3 1. DETERMINO o cancelamento dos valores de imposto suplementar e multa de oficio lançados pela Repartição para os exercícios de 2002 a 2007, através dos Autos de Infração de nºs 6.880.041 (IRPF/2002) e 6.000.598 (IRPF/2003), e das Notificações de Lançamento de nºs 677.411.922 (IRPF/2004), 657.092.751 (IRPF/2005), 740.713.785 (IRPF/2006) e 740.752.807 (IRPF/2007), bem como as respectivas inscrições em DAU dos referidos débitos através dos processos 19647.009860/200473 e 10480.601044/200734. 2. DEFIRO EM PARTE o pedido de restituição formulado às fls. 01/02, e RECONHEÇO o direito creditório da contribuinte contra a Fazenda Nacional dos valores a seguir demonstrados (a serem acrescidos da taxa de juros do SELIC,conforme legislação em vigor), tendo em vista o transcurso do prazo estabelecido na legislação para que a Contribuinte pleiteasse a restituição e tendo em vista que as importâncias recebidas pelo exercício da atividade de Defensora Pública não estão amparadas pela isenção concedida a portador de moléstia grave: 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Por discordar das limitações temporais estipuladas, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 160164 dos autos digitais), na qual alega, em suma, que a isenção em comento abarca todos os rendimentos recebidos pela recorrente desde a data de diagnóstico da doença, motivo pelo qual deve ser restituído também o imposto pago sobre os valores recebidos enquanto Defensora Pública do Estado de Pernambuco. 4 ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A 1 Turma da DRJ/REC acordou, por unanimidade, pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada (fls. 17218 do eprocesso). Os fundamentos utilizados foram: a) A isenção pleiteada depende do preenchimento de duas condições: comprovação do diagnóstico de uma das moléstias graves listadas no inciso XII, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e os rendimentos em questão devem ser oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) os rendimentos do trabalho assalariado não estão abarcados pela isenção inscrita no art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88, porquanto a lei fala tão somente em proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; c) a interpretação da legislação tributária que concede isenções deve ser realizada de forma literal, o que significa dizer que não cabe estender o conteúdo do dispositivo para abarcar os rendimentos assalariados; d) o direito à restituição do crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário; e) o julgador administrativo deve se deter a aplicar a legislação vigente. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO 4 5 RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado com o resultado do julgamento de sua manifestação de inconformidade, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 215224 do eprocesso), tempestivo, em 02/09/10, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.003007/200871 Acórdão n.º 2202002.405 S2C2T2 Fl. 231 5 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo A recorrente reclama o reconhecimento da isenção prevista pelo art. 6º, XII da Lei nº 7.713/88, abaixo transcrito: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte (sic) rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Conforme se verifica, a Lei prevê duas hipóteses de isenção do imposto de renda, uma relacionada a proventos de aposentadoria, ou de reforma motivada por acidente em serviço, e outra relacionada a proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portador de moléstia elencada no inciso XIV. Tratando o presente caso da segunda hipótese, resta analisar os requisitos para a concessão da isenção. O primeiro requisito diz respeito à natureza dos proventos, exigindo que sejam recebidos a título de aposentadoria, natureza essa que, por óbvio, só pode acompanhar os rendimentos pagos após a concessão da aposentadoria. No presente caso, verificase o não atendimento a este requisito, haja vista que os rendimentos em questão foram percebidos pela recorrente no exercício de sua função enquanto Defensora Pública na Defensoria Pública do Estado de Pernambuco, embora já fosse aposentada pelo INSS desde 1994 e recebesse pensão do Ministério da Saúde desde 1969. Dessa forma, os rendimentos recebidos do Estado de Pernambuco só passaram a possuir a natureza de proventos de aposentadoria a partir da concessão da aposentadoria da recorrente, em novembro de 2007. Quanto ao segundo requisito, exige o referido comando legal que os proventos sejam recebidos por portador de uma das moléstias elencadas no inciso XIV. No caso em tela, a recorrente informa ser portadora de patologia grave, e a comprova através de diversos laudos e exames, com destaque para a declaração de serviço médico oficial do Estado de Pernambuco, à fl. 18 do eprocesso. Ou seja, o segundo requisito foi preenchido. Deixo de analisar a questão da prescrição da restituição, uma vez que a restituição é matéria eventual sucessiva que depende do reconhecimento da isenção pleiteada, o que não ocorreu. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO 6 Desta forma, ausente um dos requisitos legalmente estabelecidos, não deve ser reconhecido o direito à isenção postulado pela recorrente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 16327.001450/2009-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA -
DECADÊNCIA - ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento..
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.157
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2004 com base no Artigo 150 do CTN. No mérito, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1.009 1 1.008 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001450/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.157 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente BANCO SANTANDER S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento.. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2004 com base no Artigo 150 do CTN. No mérito, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 50 /2 00 9- 13 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16327.001450/200913 Acórdão n.º 2403002.157 S2C4T3 Fl. 1.010 3 Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado contra a empresa acima identificada, por descumprimento do contido na Lei 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea “a”. De acordo com o Relatório Fiscal de fls 100/103, a fiscalização verificou que a contratação de ESTAGIÁRIOS não atendeu aos quesitos legais. O Contribuinte não apresentou toda d o c u m e n t a ç ã o que demonstrasse a realização de estágio nos ditames da legislação especifica, Lei N° 6.494 de 7 dezembro de 1977, Medida Provisória n° 2 . 1 6 4 4 1 , de 24 de agosto de 2001 e Decreto n° 87.497, de 18 d e agosto de 1982. Desta forma, a empresa autuada deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições desses segurados, considerados empregados, a seu serviço, incidentes sobre estes valores, bem como as contribuições dos segurados incidentes sobre valores pagos aos empregados a título incentivo ao desempenho, relativas a competências de 12/2002 a 12/2006. Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 129/145), a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: DA PRELIMINAR Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal, com base no art. 150, § 4º do CTN declarandose como extemporâneo o lançamento das competências entre 12/2002 a 11/2004. DO MÉRITO Entende que, na condição de sucessora não poderia ser punida com multa por descumprimento de obrigação acessória por parte da sucedida pois o art. 132 do CTN dispõe que a responsabilidade do sucessor recai somente com relação ao tributo; Afirma que a presente autuação é derivada de uma obrigação principal que foi lançada em uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito onde se discute a incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário de estagiários considerados pela fiscalização como segurados empregados, logo, a multa somente pode ser aplicada se aquela NFLD for mantida. Por fim, entende que, mesmo a decisão de primeira instância tendo retificado o valor da multa, esta ainda continua equivocada. Requer o provimento do recurso cancelando o presente Auto de Infração. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Da preliminar A decadência suscitada pela recorrente merece parcial acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. A decisão de primeira instância, embora tenha acolhido a determinação da Súmula 08 do STF, entendeu pela aplicação do art. 173, I do CTN, o que no meu entendimento está equivocado. No presente caso o a autuação foi lavrada em dezembro de 2009, conforme se verifica as fls. 02 e as contribuições mantidas pela decisão de primeira instância referemse às competências 01/2005 a 012/2005, resta fulminado parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve a cobrança, na presente autuação, de diferenças de recolhimento devendo serem excluídas da autuação as competências até 11/2004. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16327.001450/200913 Acórdão n.º 2403002.157 S2C4T3 Fl. 1.011 5 Do Mérito Ao contrário do que entendeu a decisão de primeira instância, a matéria discutida na presente autuação está sim vinculada a caracterização de estagiários como segurados empregados, desta forma, a manutenção da autuação deve seguir a mesma conclusão tida naquele processo. Em decisão proferida por esta mesma turma, no julgamento do processo 16327.001895/200812, conexo a esta autuação, foi dado provimento ao recurso do contribuinte julgando improcedente o lançamento fiscal. O Acórdão do referido processo restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/08/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO STRICTO SENSU. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. EMPRESA ESTATAL Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola – CIEE , agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. O entendimento predominante no Tribunal Superior do Trabalho TST é no sentido de que não se reconhece o vínculo de emprego com estagiário, conforme o disposto no art. 4º da Lei 6.494/77, mormente em se tratando de sociedade cujo acesso se dá somente por meio de concurso público. Recurso Voluntário Provido. Logo, em não se reconhecendo a procedência do lançamento da obrigação principal, não há que se falar em manutenção da obrigação acessória. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos os valores lançados até a competência 11/2004 e no mérito Darlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003733/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS.
As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS - GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
De acordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal, as provas devem ser apresentadas em conjunto com a impugnação.
TRIBUTAÇÃO CONEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova.
Numero da decisão: 1202-000.998
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (presidente da turma), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Orlando Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS - GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. De acordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal, as provas devem ser apresentadas em conjunto com a impugnação. TRIBUTAÇÃO CONEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (presidente da turma), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Orlando Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. De acordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal, as provas devem ser apresentadas em conjunto com a impugnação. TRIBUTAÇÃO CONEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 33 /2 01 0- 12 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (presidente da turma), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Orlando Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto Relatório Consiste o presente processo em Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, constitutivos de créditos de IRPJ (fls. 362/367), PIS/PASEP (374/377), COFINS (fls. 384/387) e CSLL (fls. 397 a 404), totalizando o montante de R$ 2.340.602,35, já acrescido de juros de mora e multa de ofício agravada no percentual de 225% com base no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Os débitos constituídos seguem abaixo discriminados: Tributo Juros Multa Crédito IRPJ R$ 221.262,37 R$ 76.952,15 R$ 421.673,42 R$ 719.887,94 PIS/Pasep R$ 63.100,09 R$ 22.697,52 R$ 141.975,10 R$ 227.772,71 COFINS R$ 291.231,65 R$ 104.758,54 R$ 655.271,10 R$ 1.051.261,29 CSLL R$ 104.843,42 R$ 36.730,54 R$ 200.106,45 R$ 341.680,41 Total R$ 680.437,53 R$ 241.138,75 R$ 1.419.026,07 R$ 2.340.602,35 Levado a efeito o procedimento fiscal, foi lavrado Termo de Verificação (fls. 347/348), cujos fatos ali apurados e narrados foram bem sintetizados na decisão recorrida: 03. Nos anoscalendários de 2006 e de 2007, o Contribuinte apresentou DIPJ com base no Lucro Presumido, informando receita bruta anual de R$ 1.429.658,24 e R$ 1.516.119,47, respectivamente, com os valores correspondentes ao IRPJ declarados em DCTF. 04. Intimado, o Contribuinte apresentou os livros de Registros de Saídas e Entradas e GIAs dos anos de 2006 e de 2007 da matriz. Intimada e reintimada, não apresentou os livros Diários ou Caixa, os livros de Registro de Saídas e GIAs das filiais. 2 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 05. Após obter informações das GIAs das filiais, através da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Fiscalização intimou e reintimou a empresa a justificar as diferenças apuradas entre os valores declarados nas GIAs e os valores declarados nas DIPJs de 2006 e de 2007. Não houve manifestação da empresa. 06. Diante da não apresentação dos livros Diário ou Caixa, dos livros de Registro de Saídas e GIAs das filiais, além dos demais elementos da escrituração contábil necessários à apuração dos resultados auferidos pela empresa nos anos fiscalizados, o lucro foi arbitrado com base na receita bruta de vendas, na forma dos arts. 527, 529, 530, III, e 532 do Decreto nº 3.000/99. 07. Foi aplicado o coeficiente de 9,6% sobre as receitas brutas de vendas (R$ 5.037.483,70 em 2006; R$ 7.616.020,50 em 2007). As receitas mensais declaradas foram obtidas a partir dos valores da COFINS declarados em DCTF. Foram deduzidos os valores recolhidos. Sobre os valores apurados, foi aplicada a multa agravada de 225% com o art. 44, II e § 2º da Lei nº 9.430/96. 08. Enquadramento legal: IRPJ – arts. 530, III; 532; 537 e 538 do RIR/99. CSLL – arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 24 da Lei nº 9.249/95, art. 29 da lei 9.430/96; art. 37 da Lei 10.637/02. COFINS – art. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22, 51 e 91, do Decreto nº 4.524/02. PIS – arts. 1º e 3º, da LC nº 07/70; art. 24, §2º, da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02. 09. Foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 19515.003731/201015. Intimada da lavratura dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou, em 13/12/2010, Impugnação (fls. 418/436), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 585/595): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. 3 Fl. 937DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. De acordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal, as provas devem ser apresentadas em conjunto com a impugnação. TRIBUTAÇÃO CONEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Tendo sido intimada em 06/12/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 606/627) em 22/12/2011, merecendo destaque as seguintes alegações: 1. A autoridade administrativa sequer procedeu à competente fiscalização para apurar a real situação da empresa quanto aos supostos débitos questionados; 2. A obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, definida em lei como necessária e suficiente, para poder ser exigido o tributo, conforme art. 114 do CTN; 3. A disponibilidade jurídica de que fala o art. 43 do CTN não configura mera suposição ou “disponibilidade de direito”. O poder de renda há de ser efetivo; 4. A ocorrência do fato gerador do imposto de renda, tal como previsto no CTN, implica a aquisição real e efetiva de renda dos proventos disponíveis; 5. A alegação de “omissão de receitas”, sem oferecer a fiscalização a prova de nexo de causalidade, não pode ter vinculação de obrigatoriedade com o fato gerador do Imposto de Renda, muito menos da CSLL, COFINS, PIS/PASEP, objeto de autuação, não podendo prevalecer o lançamento efetuado por presunção, de que a Recorrente teria recebido faturamento de valores maiores do que aqueles que efetivamente recebeu; 6. Na presunção, caso não exista correlação substancial entre fato conhecido e fato desconhecido, a imputação da consequência jurídica ao fato conhecido não se dará por presunção, mas por força de ficção, que é inadmissível em direito tributário; 7. Não pode persistir a presunção sobre a suposta omissão de receitas decorrentes de atividade da Recorrente, vez que as provas documentais carecem de acerto por desconsiderarem as vendas canceladas e devoluções que cotidianamente ocorrem na atividade da Recorrente; 8. A simples afirmação de que teria ocorrido “omissão de receitas” com base em provas fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, sem que fossem consideradas as vendas canceladas e devoluções de mercadorias reembolsadas, demonstra que não se configurou no lançamento a necessária demonstração dos fatos geradores do Imposto de renda, em desacordo com a legalidade e tipicidade tributária e com o art. 142 do CTN; 9. Em havendo dúvida, a solução é a de aplicação da norma contida no art. 112 do CTN; 4 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 10. O critério adotado pela fiscalização para presumir a receita não implica reconhecimento imediato de que tais valores estavam jurídica ou economicamente disponíveis para o contribuinte, destarte, não há prevalecer o critério utilizado; 11. A fiscalização em nenhum momento comprovou o aumento patrimonial da Recorrente, constituindo lançamento precário baseado em indícios; 12. Pretender extrair por informações das GIAs das filiais pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo ilação de omissão de renda é estender a presunção à etapa à qual equivocadamente não se aplica, mesmo porque isso implicaria em querer presumir fato gerador do tributo, vedado pela doutrina e jurisprudência; 13. Não se subsomem os fatos, portanto, às hipóteses de arbitramento do lucro contida nos arts. 527, 529, 530, III e 532 do Decreto 3.000/99, pois não se verificou omissão de receitas, tampouco o conhecimento de receita bruta, já que na atividade há cancelamento de vendas e devoluções de mercadorias. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. DO MÉRITO A fim de infirmar o arbitramento da base de cálculo efetuado pela Fiscalização, alega a Recorrente, em apertada síntese: (i) a inexistência de correlação substancial entre fato conhecido e fato desconhecido para configurar a presunção do fato gerador do Imposto de Renda, sem demonstrar a fiscalização o respectivo nexo de causalidade, em desacordo com os arts. 43 e 114 do CTN; (ii) não restou demonstrada a ocorrência do fato gerador, pois as provas documentais carecem de acerto na medida em que a fiscalização, a partir das provas fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, desconsiderou as vendas canceladas e devoluções de mercadorias reembolsadas; e (iii) o critério adotado pela fiscalização para presumir a receita e efetuar o arbitramento da base de cálculo, qual seja informações contidas nas GIAs, não implica reconhecimento imediato de que tais valores estavam juridicamente ou economicamente disponíveis para o contribuinte. 5 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 De início, há de ressaltar que, em todo o decorrer do procedimento fiscal, foram conferidas à Recorrente diversas oportunidades para apresentação de documentos e fornecimento de informações, relativamente aos anoscalendários fiscalizados, tais como: Livro de Registros de Saídas (Modelo 2); Livro de Apuração de ICMS (Modelo 9); Livro de Apuração do IPI (Modelo 8) ou declaração de sua inexistência; Livro Registro de Inventário (Modelo 7); Livre de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e de Termos de Ocorrência (Mod. 6); arquivos magnéticos relativos ao ICMS; GIAs – Guias de Informação e Apuração de ICMS apresentadas à SEFAZSP; Livro Caixa; Livro Diário e Razão, acompanhados dos Balancetes de Verificação Mensais e Anual Analítico; Autos de Infração lavrados; documento justificando as diferenças apuradas entre os valores declarados em GIAs e DIPJs dos anos de 2006 e 2007 etc. Nesse contexto, fazem prova os vários termos fiscais abaixo relacionados: · Termo de Início de Fiscalização de fls. 03/08, com ciência em 13.11.09; · Termo de Reintimação de fls. 60/63, com ciência em 15.12.09; · Termo de Reintimação de fls. 69/72, com ciência em 11.02.10; · Termo de Reintimação de fls. 85/87; com ciência em 01.04.10; · Termo de Reintimação de fls. 93/95, com ciência em maio/2010; · Termo de Reintimação de fls. 99/101, com ciência em 07.07.10; · Termo de Intimação de fls. 103/105, com ciência em 16.07.10; · Termo de Reintimação de fls. 107/108, com ciência em 11.08.10; · Termo de Intimação de fls. 111, com ciência em 23.07.10; · Termo de Intimação de fls. 113, com ciência em 07.10.10. Embora tenha tomado ciência dos referidos Termos Fiscais, a Recorrente ora restringiuse a requerer prorrogação de prazo para o cumprimento das notificações (fls. 51 e 65/66), ora mantevese inerte em apresentar a integralidade da documentação requerida e prestar esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, tampouco justificou o não atendimento às solicitações. Extraise do Termo de Verificação Fiscal de fls. 356/349: 6 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 2Intimada (fls. 03 a 07) a fiscalizada apresentou os livros de registro de saídas e entradas e GIAs do ano calendário de 2006 e 2007 da matriz. 3Intimada (fls. 81 a 84) e reintimada (fls. 52 a 56, 61 a 65, 77 a 88 e 91 a 94) a empresa não apresentou os livros Diário ou Caixa, os livros de Registro de Saídas e GIAs das filiais e GIA’s das filiais. Após obter informações das GIA’s das filiais, através da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a fiscalização intimou (fls. 95 a 98) e reintimou a empresa (fls. 99 a 102) a justificar as diferenças apuradas entre os valores declarados nas GIAs (fls. 107 a 265) e os valores declarados nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica anos calendário de 2006 e 2007 (fls. 30 a 50), relacionadas no Anexo I (fls. 349) e novamente a empresa não se manifestou. 5 Diante da falta de apresentação dos livros Diário ou Caixa, livros de Registro de Saídas das filiais e GIA’s das filiais e demais elementos da escrituração contábil, que possibilitassem a esta Fiscalização a efetiva apuração dos resultados auferidos nos anos calendário de 2006 e 2007, procedeuse ao ARBITRAMENTO DO LUCRO, com base na receita bruta de vendas, na forma dos arts. 527, 529, 530, III e 532 do Decreto nº 3.000/99. – não grifados no original Como se vê, pelo conjunto de fatos apurados, a Recorrente, apesar de reiteradamente notificada, não apresentou documentos suficientes à Fiscalização, sendo que a legislação tributária autoriza o arbitramento do lucro quando ausentes condições para apurar, devidamente, a base de cálculo por meio do lucro presumido ou real, nos moldes do art. 530 do Decreto nº 3.000/99 (RIR). A propósito, é esse o entendimento adotado por este E. Conselho, inclusive pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais: [...] ARBITRAMENTO BASE DE CÁLCULO. Comprovada a inexistência e/ou a recusa na apresentação dos livros e documentos que amparariam a tributação com base no lucro real, cabível o arbitramento do lucro, que é o valor da receita omitida. Bases de cálculos reduzidas, em função de margens diferenciadas decorrente da atividade comercial, quando arguidas, devem restar provadas. O ônus dessa prova é de quem alega. (CARF / CSRF/ 1ª Turma / Acórdão nº 9101 00.435, Sessão de 04.11.09) [...] ARBITRAMENTO – AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO – Não obstante o arbitramento do lucro seja medida excepcional, justificase quando a contribuinte, apesar de intimada diversas vezes, não apresentar qualquer escrituração para a fiscalização, não restando, portanto, outra alternativa se não arbitrar o lucro. [...] (CARF. Recurso 158.220. 1ª Câmara/1º Conselho. Sessão de 19/06/2009) 7 Fl. 941DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 ARBITRAMENTO DE LUCRO – LEGALIDADE – A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro do contribuinte se ele deixa de apresentar a escrita contábil regular exigida nos termos da legislação. [...] (CARF. Recurso 174.325. 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 02/09/2010) Se não bastasse, ao apresentar suas razões ao presente recurso voluntário, a Recorrente limitouse a alegações genéricas de improcedência da presunção de base de cálculo realizada e de contrariedade à legislação tributária, abstendose, contudo, de trazer aos autos elementos comprobatórios de suas arguições. Daí porque correta a conclusão firmada na decisão de 1ª instância administrativa recorrida, nos seguintes termos (fl. 594): [...] a Impugnante não juntou qualquer documento aos autos, nem mesmo algum que comprovasse erro ou inexatidão quanto aos valores das GIAs. As. GIAs, [...]. são documentos que contém informações elaboradas pelo Contribuinte e que constituem prova válida e legítima para a apuração dos valores omitidos, valores esses que serviram de base ao arbitramento do lucro do Contribuinte, cuja medida foi aplicada em consequência do não atendimento das solicitações feitas pela Fiscalização acerca da apresentação dos livros e documentos fiscais e contábeis da empresa. Com efeito, os valores informados nas GIAs – Guias de Informação e Apuração de ICMS constituem critério legítimo para apurar o valor real das receitas, com o consequente arbitramento: [...] LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que deixar de apresentar, regularmente intimado, à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA são prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes e constituem meio legítimo para se apurar receitas omitidas. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AOS FISCOS FEDERAL E ESTADUAL. MULTA QUALIFICADA. [...] (CARF / 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Ordinária –. Acórdão nº 1402001.189, Sessão de 11/09/12) [...] ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITAS OMITIDAS. GIA'S. Correto o arbitramento do lucro aplicado sobre receitas omitidas, quando inexistentes os livros e documentos das operações ativas e passivas da empresa. Neste caso, plenamente 8 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 válida a utilização da receita bruta constante de declarações prestadas espontaneamente ao Fisco Estadual (GIA'S) e não infirmadas pelo contribuinte no curso do processo administrativo fiscal. [...] (CARF / 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Especial – Acórdão nº 180300.824, Sessão de 23/02/11) [...] ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a Contribuinte, regularmente intimado, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Além de a Contribuinte não ter adotado os procedimentos previstos no § 1º do art. 264 do RIR/1999, o contexto dos fatos não corrobora suas alegações sobre o extravio dos Livros Diário/ Razão ou Caixa, e não justifica a ausência dos mesmos, pelo que deve ser mantido o arbitramento. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇAS ENTRE GIA E DIPJ. Apuradas diferenças de receitas no confronto entre os valores informados pela contribuinte nas GIA e na DIPJ, fica caracterizada a omissão de receitas, ressalvada a prova em contrário. [...] (CARF / 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Especial – Acórdão nº 180200.916, Sessão de 29/06/11) – não grifados no original. Deveras, a Recorrente abstevese de apresentar escrituração contábilfiscal que possibilitasse à autoridade fiscal aferir, de forma precisa, as receitas submetidas à tributação, não colacionando elementos de provas com escopo de sustentar seus argumentos e combater o arbitramento, ônus este lhe cabia. Assim, não restou outra alternativa ao Fisco que a de se valer dos valores constantes nas referidas GIAs, os quais eram conhecidos e haviam sido declarados pela própria contribuinte Recorrente. No que tange aos lançamentos dos demais tributos (CSLL, PIS/PASEP, COFINS), é pacífico nesse E. Conselho que o entendimento adotado para a exigência principal de IRPJ se aplica aos lançamentos reflexos em questão, diante da estreita relação de causa e efeito entre eles (vide Acórdão nº 1301000.469 de 16/12/2010 e Acórdão nº 180100.480 de 21/02/2011). Contra as multas fiscais constituídas nos Autos de Infração, nada foi impugnada pela Recorrente em suas razões recursais. Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o teor da decisão da DRJ/SP1. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto 9 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 935 10 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 14751.002990/2008-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO.IMPEDIMENTO PARA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL -MPF. NULIDADE VÍCIO FORMAL.
Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, na emissão do novo Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.
O descumprimento do art. 19 da Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005; do § 2 ° do art. 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007 e também do parágrafo único do art. 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, macula o lançamento de VÍCIO FORMAL.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2403-001.867
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, pela anulação de oficio do processo por vicio formal. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Ivacir Júlio de Souza Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO.IMPEDIMENTO PARA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL -MPF. NULIDADE VÍCIO FORMAL. Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, na emissão do novo Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. O descumprimento do art. 19 da Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005; do § 2 ° do art. 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007 e também do parágrafo único do art. 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, macula o lançamento de VÍCIO FORMAL. Processo Anulado
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NULIDADE VÍCIO FORMAL. Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, na emissão do novo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. O descumprimento do art. 19 da Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005; do § 2 ° do art. 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007 e também do parágrafo único do art. 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, macula o lançamento de VÍCIO FORMAL. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 29 90 /2 00 8- 06 Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, pela anulação de oficio do processo por vicio formal. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Ivacir Júlio de Souza – Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.789 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CAMPANHA NACIONAL DE ESCOLAS DA COMUNIDADE contra Acórdão nº 1129.009 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.157.9325, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 12.548,77. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.157.932 5, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, o sujeito passivo deixou de apresentar: a) Recibos e fichas de saláriomaternidade e atestados médicos, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; b) Relação das obras de construção civil com as respectivas matriculas CEI e nº das CND's, bem como informação sobre a utilização de mãodeobra própria ou terceirizada, solicitada nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; c) Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; d) Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; e) Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados (nacionais e regionais), solicitadas nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; Ademais, conforme o Relatório Fiscal da Infração e o Relatório da decisão de primeira instância, a Recorrente também apresentou a contabilidade em desacordo com padrões estabelecidos em legislação ordinária e nas normas do Conselho federal de Contabilidade – CFC: A2 apresentação de contabilidade em desacordo com padrões estabelecidos em legislação ordinária e nas normas do Conselho Federal de Contábil e de CFC pela adoção de vários procedimentos: Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A2.1:::inexistência de um sistema único de registro contábil em suas diversas filiais; A2.2:::não houve incorporação dos resultados das diversas filiais, mensalmente, na escrituração da matriz (Livro Diário 2004, s/n); A2.3::: 0 Balanço Geral e as Demonstrações contábeis não foram inseridas no Livro Diário e, por conseguinte, não foram autenticados pelo cartório competente; A2.4:::a entidade não apresentou a composição do saldo de contas tais como : Caixa, Bancos, Receita Bruta Total e Receita Bruta com Subvenções; A2.5:::não foi informado o registro na CVM do Sr. Ricardo Roberto Monello, que auditou e emitiu parecer sobre as demonstrações contábeis da autuada; A2.6:::o referido parecer contou com várias ressalvas (transcritas à f. 55); A2.7:::no Anexo III do relatório fiscal (fls. 287 a 293), estão anotados os Livros Diário que foram apresentados e que possuem irregularidades nas datas de autenticação/registro; A2.8:::os registros contábeis, nos casos dos Estados de Alagoas e Pernambuco se deram em data posterior a entrega da DlPJ, conforme apurado pela data de registro do contador responsável; • A2.9:::no mesmo Anexo III (fls. 287 a 293) estão listados diversos estabelecimentos cujos livros não possuíam numeração de ordem. A2.10:::no Anexo XI (fls. 746 a 772) encontramse as cópias de vários livros, de filiais apontadas no Anexo III, que apenas foram impressos após o inicio da ação fiscal (28/11/2007); A2.11:::no Anexo V deste relatório (fls. 298 a 302) encontramse os estabelecimentos com omissão/falhas nas demonstrações contábeis que deveriam integrar os respectivos Livros Diário; A2.12:::no Anexo VI deste relatório (fls. 303 e 304) encontram se elencados os estabelecimentos com diferenças entre o valor total do Ativo e do Passivo; A2.13:::nas demonstrações contábeis da matriz foi observado que os valores do Passivo Exigível a Longo PrazoPELP e do Patrimônio LiquidoPL relativos a 2003 e inseridos no Balanço de 2004, não coincidem com os declarados em 2003 (Anexo VII fls. 389 a 415); A2.14:::no Anexo VIII deste relatório (fls. 416 e 417) encontr se indicados os estabelecimentos com Saldo Credor na conta caixa; A2.15:::ausência dos extratos bancários dos estabelecimentos apontados no item 6.12 do relatório fiscal (f. 63); Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.790 5 A2.16:::ausência de livros Diário e Razão e de arquivos digitais para os estabelecimentos indicados no item 6.13 (f. 64); A2.17:::ausência de livros Diário e Razão para os estabelecimentos indicados no item 6.13.1 (fls. 64 e 65); A2.18:::no Anexo XI (fls. 746 a 772) estão indicados os estabelecimentos com problemas no histórico dos lançamentos contábeis, dificultando a análise fiscal; A2.19:::livros Diário e Razão sem a movimentação de todo o exercício de 2004, embora tenha declarado informações em GFIP / RATS (Anexo XII de fls. 773 a 785); A2.20:::diversos estabelecimentos apresentaram livro Diário apenas a partir de 2004 (Livro n°1), embora estivessem desenvolvendo suas atividades anteriormente (Anexo XIII de fls. 786 a 788); A2.21:::Livro Razão sem totalização dos valores movimentados nas contas contábeis (Anexo XIV de fls. 822 a 843); A2.22:::não contabilização de gratuidades e das isenções usufruídas; A2.23:::existência de elevados valores de ajustes de anos anteriores (Anexo I de fls.166 a 195); A2.24:::divergências entre os números de bolsas de estudo nas demonstrações contábeis e nos relatórios de atividades (Anexo XVI de fls. 958 a 964); A2.25:::divergências entre os números de bolsas de estudo nos relatórios de atividades e nos documentos contábeis (Anexo XVII de fls. 965 a 968); A2.26:::empréstimos não contabilizados (Anexo XIX de fls. 11 66 a 1181); A2.27:::reavaliação de Ativos sem a devida comprovação (Anexo XX de fls. 1182a 1185); A2.28:::obras em andamento sem a respectiva documentação contábil (conta "Imobilizado em Formação" na demonstração contábil do já referido Anexo I). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373, cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2008. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0430100.2008.00111, com ciência da Recorrente, às fls. 80. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 18.12.2008, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 0 contribuinte autuado e cientificado, pessoalmente, da lavratura, ingressou com defesa (fls. 1196 a 1234) argüindo, em síntese: A. tempestividade de sua defesa; B. aplicação de multa cujo valor é abusivo, estando acima do valor mínimo, já corrigido, previsto no art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99; C. responsabilização de representantes legais não integrantes da empresa época da autuação, clamando por sua exclusão; D. alega ter incorporado na contabilidade da matriz, os resultados das filiais contabilizados de forma descentralizada; E. a contabilidade das muitas filiais não possuía uma única estrutura (planos de contas diferenciados), mas tratava de garantir a consistência das informações registradas, restando claro que possuía critério uniforme em sua contabilidade a nível nacional; F. a escrituração referida pelo artigo 14 do CTN não precisa atender todas as regras de escrituração contábil e a autuada, por se tratar de entidade civil sem fins lucrativos, apenas registra seus atos em cartório de Notas, sem submissão As normas do Registro de Comércio; G. a regra de consolidação de lançamento na matriz diz respeito apenas As entidades tributadas com base no lucro real (artigo 252 do Decreto 3.000/1999); H. não há norma contábil que determine a existência de um único livro Diário/ Balanço; I. houve atestado da própria fiscalização de que a autuada teria promovido sua escrituração contábil dentro dos padrões estabelecidos; J. inexiste norma que condicione a validade do Balanço A sua integração ao Livro Diário; K. as várias Unidades da Federação elaboram Balanços Estaduais através de planilhas eletrônicas; Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.791 7 L. não foram consideradas, de forma arbitrária, as demonstrações contábeis da autuada pelo simples fato de não estarem suportadas por um Livro Diário ou Razão; M. as informações do Anexo III atestam que os livros contáveis das filiais foram todos entregues; N. apenas se exige o registro na CVM do auditor coordenador dos trabalhos, no caso o Sr. Ivan Roberto dos Santos; O. as ressalvas destacadas na auditoria contábil s6 confirmam a existência da escrituração que a fiscalização tenta descaracterizar; Q. inexiste prazo para a escrituração contábil; P. a emissão de um Parecer com ressalva não motiva a desconsideração da contabilidade; Que inexiste prazo para a escrituração contábil; R. o registro secundário do Contador não é suficiente para atestar a intempestividade da escrituração contábil de sua responsabilidade : os registros foram assinados em 2008 por conta da digitação da escrita no intuito de atender à exigência de arquivos digitais; S. o Balanço de 2003 foi elaborado de forma analítica e o de 2004 de forma consolidada: a demonstração adicional chamada "compensado" aponta as divergências anotadas; T. as diferenças entre os valores de 2003 usadas no Balanço de 2004 se devem à posição das colunas consideradas em cada exercício; U. em alguns momentos a conta caixa apresenta saldo credor que, ao final do exercício, é corrigido; V. as contas correntes em nome da Superintendência do DF estão devidamente escrituradas em sua contabilidade; W. os extratos da faculdade de Ciências Econômicas de Vitória ES chegaram apenas depois de o auditor fiscal de ter dito que não receberia mais nenhuma documentação; X. as operações da filial 004530 (Santa Catarina), bem como as das filiais de Itajai/SC, foram registradas na filial 095233; Y. nas filiais onde se alega que há massa salarial e vínculos, não houve escrita contábil por se tratar de empresas encerradas antes de 2004 (maioria) ou sem operação; Z. a contabilidade incompleta em algumas filiais derivou da exigüidade do prazo concedido pela fiscalização para, inclusive, construir os respectivos arquivos digitais; AA. o fato de um livro contábil tomar o número "1" não autoriza concluir que não houve outros antes; Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 AB. a falta de totalização de saldos no Livro Razão decorre do sistema de registro utilizado: os totais verticais existem; AC. os lançamentos que o auditor considerou como "retificação de lançamento" são, na realidade transferências de recursos entre as diversas filiais; AD. é necessário que a fiscalização informe o motivo fático da presente autuação e não apenas sua fundamentação legal; AE. o novo MPF (n° 04301100.2008. 00111) apresentado não reiterou os documentos do MPF anterior (09428478); AF. a despeito de pontual atraso na entrega dos documentos solicitados, a autuada alega têlos apresentado, na integra; AG. não aplicação do valor mínimo de multa, estabelecido para os casos de ausência de agravantes (relata julgados com dispensa da multa); AH. ocorrência de bis in idem em relação ao Auto de Infração de n° 37.157.9333. Ademais, o Relatório da decisão de primeira instância mostra que a Recorrente anexou aos autos: Estatuto Social 2008, Decreto 36.505/1954, Decreto de 27.05.1992, Certidão de entrega de Relatório de Atividades de 2007, Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos de 02.09.1975, Certidão de existência do CEAS válido de 01/2004 a 12/2006, Declaração de utilidade pública estadual de 18.05.2005, Declaração de Utilidade Pública Municipal por meio da Lei 10497/2005, Ata de reunido do 40° Congresso Nacional da CNEC, Declarações no Ministério da Educação a respeito de bolsas de estudo parciais e integrais ofertadas pela CNPJ da matriz ao, PROUNI no período de 2005 a 2008, Termo de Abertura do Livro Diário n ° 6 de 2004 registrado em Cartório em 28.03.2008 em AracajuSE, Termo de Abertura do Livro Diário n ° 20 de 2004 registrado em Cartório em 02.04.2008 em João pessoa PB, Balancetes e outros termos de abertura, Relação de Movimentação Bancária e extratos , Razão Analítico da matriz de 01/20034 a 12/2004, Guias de recolhimento de 2003 a 2005 , Relatórios do SEFIP de competências de 2003 a 2005 e guias de recolhimento. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte autuação, nos termos do Acórdão nº 1129.009 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.792 9 LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO APRESENTAÇÃO. APRESENTAÇÃO COM DEFEITO. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de apresentar à fiscalização livros e documentos regularmente requisitados e relacionados com as contribuições previdenciárias. Incorre na mesma infração apresentálos sem as devidas formalidades e/ou contendo incorreções/omissões. MULTA. REAJUSTE DE VALOR. FIXAÇÃO EM ATO NORMATIVO. POSSIBILIDADE. 0 mero reajuste de valores de penalidades legais cominadas ao sujeito passivo não configura aumento, e sim atualização monetária, podendo se dar através de ato normativo complementar (Portaria) nos termos da legislação atinente à matéria. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE DISPENSA. Ainda que a empresa ostente a condição de entidade beneficente de assistência social imune de contribuições previdenciárias, não está o contribuinte dispensado de seus deveres instrumentais representados nas obrigações acessórias estabelecidas para todos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido ACÓRDÃO Acordam os membros da Turma de Julgamento, por unanimidade' de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação ao Auto de Infração n° 37.157.9325, acatando as suas seguintes teses: I Exclusão do Sr. Narcio Oliveira do rol de representantes legais; II Validade do Parecer Contábil assinado pelo Sr. Ivan Roberto dos Santos (registrado na CVM). Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando fundamentadamente os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: (i) Da abusividade da multa aplicada. De acordo com o dispositivo legal retrocitado — e considerando que não houve agravantes e reincidência, nem intenção de lesar o Fisco — caso os limos. Conselheiros entendam pela manutenção da autuação, o que se admite, apenas, para fins de Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 argumentação, o valor da multa não deveria exceder o valor mínimo estabelecido no art. 283, do RPS, que, de acordo com a atualização trazida pela Portaria Interministerial MPS/MF no 77, de 11 de março de 2008, é de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). (ii) Dos representantes legais 0 Auto de Infração carece de inúmeras formalidade algumas das quais ensejam a sua própria nulidade — pois negligenciou também, ao indicar como representantes legais da CNEC pessoas físicas que não integravam os seus quadros no respectivo período objeto da fiscalização. (...) À época desta autuação, a composição legal da ora Recorrente não correspondia A que fora indicada pelos I. Auditores Fiscais, sendo certo que os Srs. Adelar Hengemuhle, Narcio Rodrigues da Silveira, Geraldo do Espirito Santo Avila e Sra. Maria Amélia Teles, indicados pela Autoridade como representantes da CNEC, não o eram, nem de fato, nem de Direito representantes legais da CNEC. Ocorre que, a I. Julgadora As fls. 819, entendeu por bem, somente excluir do rol de representantes legais da Recorrente o Sr. Narcio Rodrigues da Silveira. Contudo, em face dos documentos inclusos, o Sr. Adelar Hengemuhle só representou a CNEC no ano de 2006, ou seja, fora do período da ocorrência da suposta infração; a Sra. Maria Amélia Teles foi demitida da entidade em fevereiro de 2004, sendo que em janeiro estava em gozo de férias, não tendo praticado nenhum ato de gestão no período a que se refere a fiscalização"; e por fim, o Sr. Geraldo do Espirito Santo Avila é falecido. (iii) Dos equivocados fundamentos da autuação Todavia, tais fundamentos não guardam correlação com os fatos narrados no relatório do Ilmo. Sr. Fiscal. 42. Não é justo, pois, e tampouco razoável ou legal, que o Agente Fiscal faça da suposição e da arbitrariedade a justificativa para autuar uma instituição de nobres ideais e que opera em perfeita normalidade. (iv) Da contabilidade apresentada No Relatório que integra a autuação, os doutos Fiscais autuantes narraram os fatos que, mau analisados, ensejaram a lavratura do auto e imposição da multa: nãoapresentação de documentos solicitados, dos erros da contabilidade 4resentada, análise das Demonstrações e Livros Contábeis, Escrituração Contábil em desacordo com a legislação, registro dos Livros Diários em órgão incompetente, sem as respectivas Demonstrações Contábeis e com erro no Balanço Patrimonial, Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.793 11 divergências nos Livros Contábeis, estabelecimentos sem Livros Diário e Razão. (...) 58. Nesse contexto, a autoridade autuante alega que as diversas Demonstrações Contábeis extraídas dos seus Livros Diários, conforme constante no Anexo III do Relatório Fiscal, não guardam padrões de comparabilidade e/ou uniformidade. Tal alegação, mantida no Acórdão, é infundada ante as exposições acima, pois resta claro que a CNEC possui contabilidade em nível nacional, bem como possui critérios estabelecidos para a contabilização de suas operações. 0 que se deve compreender é que, em função das estruturas diferenciadas dos planos de contas, há mudanças nos subníveis das contas, mas não nos critérios em si. (...) 85. Prosseguindo com a leitura do Relatório Fiscal, a autoridade autuante alega que "a auditoria fiscal deve ser exercida em escrita regular e não cabe ao auditor fiscal montar ou reformular uma escrituração ou exercer auditagem em registros inadequados". Tal alegação é descabida, uma vez que versa sobre o fato de não estar centralizada em um único Livro Diário, conforme amplamente defendido pelos fiscais, baseados, conforme querem fazer crer, no art. 252 do Decreto 3.000/1999. Desta forma, notase E. Conselheiros, que a Recorrente agiu em total consonância com as normas vigentes, uma vez que a contabilidade apresentada a autoridade autuante estava adequada. (v) Do Parecer dos Auditores Independentes. 86. 0 Acórdão reconheceu (fls. 1706) a validade da Auditoria realizada pela empresa AUDITUS Consultores e Auditores Independentes, com a coordenação do Sr. Ivan Roberto dos Santos Pinto Júnior, registrado junto a CVM, restando, pois, atendida pela Recorrente a exigência do artigo. 5° do Decreto 2536/98. 87 Noutro passo, segundo o relato da autoridade fiscal autuante, foram realizadas algumas análises nas Demonstrações Contábeis e Livros Contábeis apresentados, por amostragem, para aferir a confiabilidade da contabilidade da Recorrente. (...) 136. Quanto à alegação de que haveria estabelecimentos sem escrituração contábil nos exercícios anteriores, os Auditores Fiscais alegam que há unidades da CNEC que, supostamente, passaram a ter escrituração contábil apenas a partir de 2004. Cabe indagar: como foi possível chegar a uma conclusão tão absurda? Certamente, isso é fruto de uma análise equivocada do fato de que tais unidades, elencadas no Anexo XIII, do Relatório Fiscal, apresentaram seus Livros Diário e Razão com número de ordem igual a "1" em 2004. 137. Ora, o fato de que o número de ordem apresentado ser "1" significa que nunca houve contabilidade antes? E uma conclusão Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 forçada e sem lógica, já que isso não é fator determinante de existência ou não de contabilidade anterior. (...) 148. Nesse exemplo simples, os valores registrados nas contas de ativo das unidades que enviam recursos, bem como os valores registrados nas contas de passivo das unidades que recebem recursos, não podem transitar em contas de resultado, uma vez que não se trata nem de Receita e nem de Despesa. Então, como resolver o problema, de forma que tais contas não atinjam valores estratosféricos ao longo dos anos? Zerandose seus saldos, no inicio de cada ano, contra a conta de Resultados Acumulados, vez que de fato houve transferência patrimonial de uma unidade para a outra, mas tais transferências não se constituem em valores de resultado, não podendo transitar pela contas que compõem a DRE. (vi) OS DOCUMENTOS QUE, EVENTUALMENTE, DEIXARAM DE SER APRESENTADOS, NÃO FORAM ESPECIFICAMENTE EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. 157. A autuação, ora impugnada, não pode persistir, posto que os documentos apontados como supostamente não apresentados aos limos. Srs. Fiscais, na verdade, não foram exigidos de forma especifica. Isto porque, em 28.11.2007, a. Recorrente tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09428478 e do Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF). Em tais expedientes foram elencados diversos documentos que deveriam ser exibidos à Fiscalização, dentre eles alguns dos quais foram apontados como nãoapresentados. 158. Contudo, o MPF 09428478 e TIAF foram cancelados. Posteriormente, foram expedidos novo MPF (n° 0430100.2008.00111), e TIAF e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), que, como bem relatam os Srs. Fiscais Autuantes, retificaram os expedientes anteriormente emitidos. No segundo MPF, TIAF e sucessivas TIAD's os documentos que constavam nos primeiros expedientes, não foram reiterados nas solicitações posteriores. 159. A utilização do termo retificar pelos Srs. Fiscais é muito apropriada, pois, esta expressão definese por: tornar reto, alinhar, corrigir, emendar. 160. Ora, não se pode atribuir à Impugnante a responsabilidade pela nãoexibição de documentos,e multála por isso. Fica evidente que, uma vez que o MPF, TIAF e TIAD foram retificados, deixando de mencionar parte dos documentos — cuja suposta omissão ensejou a aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de exibilos — é possível concluir que tais documentos ii não se faziam mais necessários à diligencia de fiscalização, ou, se faziam, não foram solicitados especificamente. 161. Isto, inclusive, pode ser verificado pela análise das TIAD's emitidas em 03.03.2008, 08.07.2008, 30.07.2008, 22.08.2008, 09.09.2008, 26.09.2008 e 07.11.2008, nas quais é solicitada, especificamente, a apresentação de Livros Diários de diversos Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.794 13 estabelecimentos da Recorrente, o que foi prontamente atendido. Os demais documentos, que inicialmente constavam na TIAF original, não foram objeto de solicitação especifica, o que fez a Recorrente crer que a fiscalização deles mais não necessitava. 162. Ressaltese que os demais documentos explicitados nas TIAD's foram entregues a d. Auditoria Fiscal, seja por meio eletrônico I2, seja pela entrega direta A. Delegacia da Receita Federal na Paraiba encarregada da diligência. (vii) Duplicidade na aplicação da multa. Em que pese à inocorrência de conduta com intuito de lesar o Fisco, fazse necessário ressaltar que os mesmos fatos relatados nesse AI 37.157.9325, também foram objeto para lavratura do Auto de Infração 37.157.9333, sendo imposta à Recorrente outra multa, com mesmo valor. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 1785. É o Relatório. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada pela unidade da RFB de jurisdição da Recorrente. DEPÓSITO RECURSAL Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Possibilidade da autoridade julgadora afastar a norma inconstitucional. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.795 15 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Da abusividade da multa aplicada. (iii) Dos equivocados fundamentos as autuação Analisemos os tópicos (i) e (iii) conjuntamente. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CAMPANHA NACIONAL DE ESCOLAS DA COMUNIDADE contra Acórdão nº 1129.009 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.157.9325, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 12.548,77. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.157.932 5, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, o sujeito passivo deixou de apresentar: a) Recibos e fichas de saláriomaternidade e atestados médicos, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; b) Relação das obras de construção civil com as respectivas matriculas CEI e nº das CND's, bem como informação sobre a utilização de mãodeobra própria ou terceirizada, solicitada nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; c) Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; d) Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; e) Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados (nacionais e regionais), solicitadas nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; Ademais, conforme o Relatório Fiscal da Infração e o Relatório da decisão de primeira instância, a Recorrente também apresentou a contabilidade em desacordo com padrões estabelecidos em legislação ordinária e nas normas do Conselho federal de Contabilidade – CFC: A2 apresentação de contabilidade em desacordo com padrões estabelecidos em legislação ordinária e nas normas do Conselho Federal de Contábil e de CFC pela adoção de vários procedimentos: A2.1:::inexistência de um sistema único de registro contábil em suas diversas filiais; A2.2:::não houve incorporação dos resultados das diversas filiais, mensalmente, na escrituração da matriz (Livro Diário 2004, s/n); Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.796 17 A2.3::: 0 Balanço Geral e as Demonstrações contábeis não foram inseridas no Livro Diário e, por conseguinte, não foram autenticados pelo cartório competente; A2.4:::a entidade não apresentou a composição do saldo de contas tais como : Caixa, Bancos, Receita Bruta Total e Receita Bruta com Subvenções; A2.5:::não foi informado o registro na CVM do Sr. Ricardo Roberto Monello, que auditou e emitiu parecer sobre as demonstrações contábeis da autuada; A2.6:::o referido parecer contou com várias ressalvas (transcritas à f. 55); A2.7:::no Anexo III do relatório fiscal (fls. 287 a 293), estão anotados os Livros Diário que foram apresentados e que possuem irregularidades nas datas de autenticação/registro; A2.8:::os registros contábeis, nos casos dos Estados de Alagoas e Pernambuco se deram em data posterior a entrega da DlPJ, conforme apurado pela data de registro do contador responsável; • A2.9:::no mesmo Anexo III (fls. 287 a 293) estão listados diversos estabelecimentos cujos livros não possuíam numeração de ordem. A2.10:::no Anexo XI (fls. 746 a 772) encontramse as cópias de vários livros, de filiais apontadas no Anexo III, que apenas foram impressos após o inicio da ação fiscal (28/11/2007); A2.11:::no Anexo V deste relatório (fls. 298 a 302) encontramse os estabelecimentos com omissão/falhas nas demonstrações contábeis que deveriam integrar os respectivos Livros Diário; A2.12:::no Anexo VI deste relatório (fls. 303 e 304) encontram se elencados os estabelecimentos com diferenças entre o valor total do Ativo e do Passivo; A2.13:::nas demonstrações contábeis da matriz foi observado que os valores do Passivo Exigível a Longo PrazoPELP e do Patrimônio LiquidoPL relativos a 2003 e inseridos no Balanço de 2004, não coincidem com os declarados em 2003 (Anexo VII fls. 389 a 415); A2.14:::no Anexo VIII deste relatório (fls. 416 e 417) encontr se indicados os estabelecimentos com Saldo Credor na conta caixa; A2.15:::ausência dos extratos bancários dos estabelecimentos apontados no item 6.12 do relatório fiscal (f. 63); A2.16:::ausência de livros Diário e Razão e de arquivos digitais para os estabelecimentos indicados no item 6.13 (f. 64); A2.17:::ausência de livros Diário e Razão para os estabelecimentos indicados no item 6.13.1 (fls. 64 e 65); Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 A2.18:::no Anexo XI (fls. 746 a 772) estão indicados os estabelecimentos com problemas no histórico dos lançamentos contábeis, dificultando a análise fiscal; A2.19:::livros Diário e Razão sem a movimentação de todo o exercício de 2004, embora tenha declarado informações em GFIP / RATS (Anexo XII de fls. 773 a 785); A2.20:::diversos estabelecimentos apresentaram livro Diário apenas a partir de 2004 (Livro n°1), embora estivessem desenvolvendo suas atividades anteriormente (Anexo XIII de fls. 786 a 788); A2.21:::Livro Razão sem totalização dos valores movimentados nas contas contábeis (Anexo XIV de fls. 822 a 843); A2.22:::não contabilização de gratuidades e das isenções usufruídas; A2.23:::existência de elevados valores de ajustes de anos anteriores (Anexo I de fls.166 a 195); A2.24:::divergências entre os números de bolsas de estudo nas demonstrações contábeis e nos relatórios de atividades (Anexo XVI de fls. 958 a 964); A2.25:::divergências entre os números de bolsas de estudo nos relatórios de atividades e nos documentos contábeis (Anexo XVII de fls. 965 a 968); A2.26:::empréstimos não contabilizados (Anexo XIX de fls. 11 66 a 1181); A2.27:::reavaliação de Ativos sem a devida comprovação (Anexo XX de fls. 1182a 1185); A2.28:::obras em andamento sem a respectiva documentação contábil (conta "Imobilizado em Formação" na demonstração contábil do já referido Anexo I). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373, cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2008. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.797 19 · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. CORESP – Relatório de CoResponsáveis do Débito; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Mandados de Procedimento Fiscal — Fiscalização — n°. 09428478; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD emitidos em 03/03/2008, 08/07/2008, 30/07/2008, 22/08/2008, 09/09/2008, 26/09/2008 e 06/11/2008; g.Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF de 28/11/2007 e de 11/02/2008; h. Termos de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal datados de 19/05/2008 e 02/12/2008 i. TEPF –Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. j. Relatório Fiscal da Infração e de Aplicação da Multa. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 293, Decreto 3.048/1999. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Dos representantes legais Analisemos. Anotese que tal debate já ocorreu em sede de primeira instância, na qual a decisão de primeira instância fez a avaliação do rol dos coresponsáveis e efetivou a a exclusão do Sr. Narcio Oliveira da relação: Cumpre esclarecer que a inclusão destes no relatório "Relação de Vínculos", se destina à base cadastral da RFB e à eventual responsabilização pessoal, neste último caso, na forma da lei e no momento adequado, não havendo que se falar, até aqui, em coresponsabilidade dos mesmos pelo crédito tributário, conforme entendeu a defendente, motivo pelo qual qualquer dos diretores foi pessoalmente notificado do AI. No tocante aos sujeitos individualmente impugnados cumpre informar, de acordo com o relatório de representantes legais de fls. 4 a 22: quanto ao Sr. Adelar Hengemuhle está arrolado no mesmo período indicado pela defesa, ou seja, exercício de 2006; quanto ao Sr. Narcio Rodrigues Silveira, não consta nos autos prova de sua qualidade de diretor no período mencionado pela fiscalização, devendo, portanto ser excluído do mencionado rol de representantes legais. quanto ao Sr. Geraldo do Espirito Santo, o relatório menciona o período de sua atuação frente à autuada, não tendo o seu falecimento o condão de apagar o histórico administrativo da empresa ora fiscalizada; quanto a Sra. Maria Amélia, seu desligamento corresponde exatamente ao período anotado no referido relatório; Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.798 21 Assim, acatase, em parte, a demanda do contribuinte no sentido de excluir do mencionado rol de representantes legais o Sr. Narcio Rodrigues Silveira. Outrossim, quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO. (vi) OS DOCUMENTOS QUE, EVENTUALMENTE, DEIXARAM DE SER APRESENTADOS, NÃO FORAM ESPECIFICAMENTE EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Analisemos o tópico (vi). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.157.932 5, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, o sujeito passivo deixou de apresentar: a) Recibos e fichas de saláriomaternidade e atestados médicos, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; b) Relação das obras de construção civil com as respectivas matriculas CEI e nº das CND's, bem como informação sobre a Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 utilização de mãodeobra própria ou terceirizada, solicitada nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; c) Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; d) Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, solicitados nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; e) Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados (nacionais e regionais), solicitadas nos TIAFs de 28/11/2007 e 11/02/2008, e TIAD de 03/03/2008; A decisão de primeira instância também enfrentou este ponto, às fls. 1729, concluindo que o contribuinte de fato não fez a apresentação da documentação solicitada: A própria defendente reconhece nos já mencionados ofícios de fls. 113 a 164, que possui pendências junto ao Fisco. Justifica, noutro ponto de sua defesa, que a apresentação incompleta de algumas filiais se deu por conta da exigüidade do prazo concedido para a elaboração dos arquivos digitais. E mais, reconhece que teria contabilizado movimentação de algumas filiais de Santa Catarina em uma única filial (mais antiga). Deste modo, tratase de mera alegação sem comprovação com elementos da defesa que por si sós contradizem a pretensão do contribuinte. Improcedente a irresignação do contribuinte. Outrossim, a Recorrente não apresenta nos autos a relação de documentos solicitados pela AuditoriaFiscal e que foram apontados no Relatório Fiscal da Infração às fls. 46 como um dos fundamentos fáticos para a autuação fiscal. Consignase então que diante da não apresentação dos documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212/1991, regularmente solicitados pela AuditoriaFiscal, houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373, cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2008. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Da contabilidade apresentada (v) Do Parecer dos Auditores Independentes. Analisemos os tópicos (iv) e (v). Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.799 23 Pelos princípios da economia processual e da celeridade processual, não analisaremos os tópicos (iv) e (v) posto que já restou configurada a infração de obrigação acessória no tópico (vi) acima, de forma a que o debate destes tópicos em nada influiria na já configurada ocorrência da infração de obrigação acessória. (vii) Duplicidade na aplicação da multa. Em que pese à inocorrência de conduta com intuito de lesar o Fisco, fazse necessário ressaltar que os mesmos fatos relatados nesse AI 37.157.9325, também foram objeto para lavratura do Auto de Infração 37.157.9333, sendo imposta à Recorrente outra multa, com mesmo valor. Analisemos. Conforme já debatido em sede de primeira instância, às fls. 1729, as duas autuações de infração de obrigação acessória possuem diferentes fundamentações, não havendo duplicidade: Da alegada ocorrência de bis in idem em relação ao AI n° 37.157.9333 (item AH da defesa) A presente autuação, conforme disposto à capa deste processo, tem seu fundamento legal no artigo 33, §§ 2° e 3° da Lei 8.212/91. (...) Por sua vez, o Auto de Infração mencionado pela defesa (37.157.9333) encontra lastro nos artigos 32, III da Lei 8.212/1991 e no 8° da Lei 10.666/2003. (...) Desta feita, enquanto que no primeiro Auto de Infração, tem se como objeto documento e livros relacionados, necessariamente, com as contribuições previdenciárias, no Auto apontado pela defesa, tratase de prestação de informações definidas pela fiscalização e do uso de arquivos digitais. Pelo que se observa, não há que se falar em bis in idem no presente caso, posto que os fatos (ações e/ou omissões) que deram causa aos autos de infração acima fundamentados não são os mesmos, estando, por este motivo, capitulados em dispositivos legais distintos. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, afastar as PRELIMINARES e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.800 25 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Redator Designado Muito embora o laborioso voto do I. Relator, cumpre divergir pelas razões a seguir expostas: Tratase de processo com 1.842 folhas onde se aplicaram multa no valor de R$ R$ 12.548,77 (Doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), em, razão de a empresa ter inadimplido obrigação acessória que não se mitiga por parcial cumprimento. Exortando na ementa que o fiscal autuante demonstrara de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, na condução do voto, o Dr. Paulo Maurício entendeu que não ocorrera nulidade por vício insanável. Assim, no mérito decidiu que : “ Pelos princípios da economia processual e da celeridade processual, não analisaremos os tópicos (iv) e (v) posto que já restou configurada a infração de obrigação acessória no tópico (vi) acima, de forma a que o debate destes tópicos em nada influiria na já configurada ocorrência da infração de obrigação acessória.” ( grifos de minha autoria) Os documentos a que se refere o Relator para restar configurada a infração estão descritos na página 10 do seu voto onde o contribuinte alega que : “ (vi) Os documentos que, eventualmente, deixaram de ser apresentados, não foram especificamente exigidos pela fiscalização. ” As irregularidades analisadas na forma como fez o i. Relator, de fato, num primeiro momento, compulsanos a acompanhálo no seu ponto de vista. Entretanto a complexidade da alegação no item (vi) me chamou atenção. Ações fiscais demasiado longas conduzidas por substancial número de Auditores têm sempre o condão de despertar um pouco mais de minha atenção. O fato de a presente, conduzida por 04 Auditores, ter se iniciado em 28.11.2007 e concluída em 18/12/2008, um ano depois, conforme fls. 01 inclui o processo em tela no sobredito rol. Entre outros fatores, ostenta relevância formal o fato de o contribuinte alegar que no segundo MPF, TIAF e sucessivas TIAD's os documentos que constavam nos primeiros expedientes, não foram reiterados nas solicitações posteriores. Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Trago então a íntegra da alegação no definitivo item (vi) registrada às fls. 11 e 12 do voto em comento: “ (vi) OS DOCUMENTOS QUE, EVENTUALMENTE, DEIXARAM DE SER APRESENTADOS, NÃO FORAM ESPECIFICAMENTE EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. 157. A autuação, ora impugnada, não pode persistir, posto que os documentos apontados como supostamente não apresentados aos limos. Srs. Fiscais, na verdade, não foram exigidos de forma especifica. Isto porque, em 28.11.2007, a. Recorrente tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09428478 e do Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF). Em tais expedientes foram elencados diversos documentos que deveriam ser exibidos à Fiscalização, dentre eles alguns dos quais foram apontados como nãoapresentados. 158. Contudo, o MPF 09428478 e TIAF foram cancelados. Posteriormente, foram expedidos novo MPF (n° 0430100.2008.00111), e TIAF e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), que, como bem relatam os Srs. Fiscais Autuantes, retificaram os expedientes anteriormente emitidos. No segundo MPF, TIAF e sucessivas TIAD's os documentos que constavam nos primeiros expedientes, não foram reiterados nas solicitações posteriores. 159. A utilização do termo retificar pelos Srs. Fiscais é muito apropriada, pois, esta expressão definese por: tornar reto, alinhar, corrigir, emendar. 160. Ora, não se pode atribuir à Impugnante a responsabilidade pela nãoexibição de documentos,e multála por isso. Fica evidente que, uma vez que o MPF, TIAF e TIAD foram retificados, deixando de mencionar parte dos documentos — cuja suposta omissão ensejou a aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de exibilos — é possível concluir que tais documentos ii não se faziam mais necessários à diligencia de fiscalização, ou, se faziam, não foram solicitados especificamente. 161. Isto, inclusive, pode ser verificado pela análise das TIAD's emitidas em 03.03.2008, 08.07.2008, 30.07.2008, 22.08.2008, 09.09.2008, 26.09.2008 e 07.11.2008, nas quais é solicitada, especificamente, a apresentação de Livros Diários de diversos estabelecimentos da Recorrente, o que foi prontamente atendido. Os demais documentos, que inicialmente constavam na TIAF original, não foram objeto de solicitação especifica, o que fez a Recorrente crer que a fiscalização deles mais não necessitava. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.801 27 162. Ressaltese que os demais documentos explicitados nas TIAD's foram entregues a d. Auditoria Fiscal, seja por meio eletrônico I2, seja pela entrega direta A. Delegacia da Receita Federal na Paraiba encarregada da diligência.”( grifos de minha autoria) Como se observa o arrazoado destaca aspectos procedimentais e , também, processuais que em razão da complexidade da alegação trazida à colação não se pode dispensar de enfrentálos sob pena de expor o “ decisium” a procedentes embargos de declaração. Tendo presente tal circunstância, enfrentei o arrazoado . Da leitura do Relatório Fiscal de fls. 44, tendo presente que a ação fiscal teve encerramento em 18/12/2008, refulge, de plano, o item 4 da referida peça, quando a Junta autuante revela que foram emitidos novo Mandado de Procedimento Fiscal e que este fora duas vezes prorrogados em 19/05/2008 e 02/12/2008, mediante emissão de 2 ( dois) Termos de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal : “ 4. Em 28/11/2007, a fiscalizada tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09428478, bem como do Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF. Em 11/02/2008, a Entidade tomou ciência de novo MPF n° 0430100.2008.00111 e TIAF, que retificaram os emitidos anteriormente. Na seqüência, foram emitidos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD nas datas de 03/03/2008, 08/07/2008, 30/07/2008, 22/08/2008, 09/09/2008; 26/09/2008 e 06/11/2008. Em 19/05/2008 e 02/12/2008, foram emitidos Termos de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal.” DOS PRAZOS E DAS PRORROGAÇÕES E DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF Com destaque para o parágrafo único do art. 15, sob o comando da então vigente Portaria RFB 11.371/2007, se observam os prazos abaixo transcritos , verbis : “ Dos Prazos Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 . Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Da Extinção do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.”( grifos de minha autoria) É de relevo ressaltar que como se vê, com intervalo de 7 meses entre o primeiro e o último, em 19/05/2008 e 02/12/2008, apenas dois termos de prorrogação foram lavrados. Ressaltese que o último quase próximo ao encerramento da ação fiscal ocorrido em 18/12/2008. No registro às fls. 77, para que não reste dúvidas que somente dois termos de prorrogação foram gerados, na letra “d ” do item 7 do Relatório Fiscal as Autoridades autuantes reiteram o sobredito quando registram os documentos que foram gerados na ação fiscal : ( grifos de minha autoria) : “ 7. Juntamos ao presente Auto de Infração cópias dos seguintes documentos: a) Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização n°. 09428478; b) Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF de 28/11/2007 e de 11/02/2008; c) Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD emitidos em 03/03/2008, 08/07/2008, 30/07/2008, 22/08/2008, 09/09/2008, 26/09/2008 e 06/11/2008; d) Termos de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal datados de 19/05/2008 e 02/12/2008; e) Ofícios fls. 1314/2007, 1397/2007, 278/2008, 345/2008, 482/2008, 492/2008, 105/2008, Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.802 29 107/2008, 931/2008, 178/2008, 179/2008, 180/2008, 210/2008 e 1089/2008, encaminhados a fiscalização pela CNEC; f) Procuração outorgando poderes ao Sr. Aparício Pereira Duarte Filho e a Sra. Francisca Arruda Ramalho; g) Anexo I deste Relatório Fiscal REFISC (Demonstrações Contábeis Consolidadas dos Exercícios encerrados em 31 de Dezembro de 2002, 2003 e 2004); h) Anexo II deste REFISC (cópias, por amostragem, de termos de abertura e de encerramento do Livro Diário e das Demonstrações Contábeis inseridas); i) Anexo Ill deste REFISC (Relação dos estabelecimentos como Livro Diário); j) Anexo IV deste REFISC (Ofícios dos CRC em Alagoas e Pernambuco); k) Anexo V deste REFISC (Relação dos estabelecimentos que possuem Livro Diário sem Demonstrações Contábeis); 1) Anexo VI deste REFISC (Relação dos estabelecimentos com erros no Balanço Patrimonial e cópias destes); m) Anexo VII deste REFISC (Demonstrações Contábeis dos exercícios de 2003 e 2004 do estabelecimento 33.621.384/000119); n) Anexo VIII deste REFISC (Relação dos estabelecimentos que apresentaram saldo credor na conta CAIXA e cópias, por amostragem, de folhas dos livros Razão); o) Anexo IX deste REFISC (Cópias, por amostragem, de livros Diário e Razão); 13) Anexo X deste REFISC (Informações de massa salarial e vínculos declaradas em GFIP e RAIS); q) Anexo XI deste REFISC (Relação dos estabelecimentos com problemas nos históricos os lançamentos contábeis e cópias, por amostragem); r) Anexo XII deste REFISC (Cópias, por amostragem, dos livros Diário e Razão e das informações da GF1P e RA1S do estabelecimento 33.621.384/112340); s) Anexo XIII deste REFISC (Relação dos estabelecimentos coin livro Diário n°1 e cópias, por amostragem); t) Anexo XIV deste REFISC (Cópias, por amostragem, de livros Razão de estabelecimentos do Rio de Janeiro); Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 u) Anexo XV deste REFISC (Documentos apresentados relativos aos ajustes de exercícios anteriores); v) Mexo XVI deste REFISC (Planilha relativa as Gratuidades Bolsas de Estudo 2004); w) Anexo XVII deste REFISC (Planilha e relação relativas As Gratuidades Bolsas de Estudo e mapas de captação das escolas CNEC na Paraíba); x) Anexo XVIII deste REFISC (Atas das Reuniões da Diretoria Nacional da CNEC em 2004); 31) Anexo XIX deste REFISC (Cópias de extratos e depósitos apresentados pela Entidade); z) Anexo XX deste REFISC (Relação dos Laudos de Reavaliação de Ativos apresentados e cópias, por amostragem). O novo MPF , de número 0430100.2008.00111, apesar ter sido mencionado de em breve passagem no item 4 relatório, não consta colacionado nos autos e sequer fora aludido no item 7 do Relatório Fiscal de fls.77, onde as Autoridades autuantes registram os documentos gerados na ação fiscal. Às fls. 92, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, emitido em 09/07/2008 traz uma particularidade quando aproveita a intimação para fazer comunicação sem informar o prazo de que o novo MPF fora prorrogado: “ (...) Por oportuno, informamos a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. 0 sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do mandado de procedimento fiscal, utilizando o programa Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, www.receita.fazenda.gov.br , onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante no Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em duas vias de igual teor e forma, assinados pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e pelo sujeito passivo.” Na seqüência, às fl. 111, lavrado em 19/05/2008, se registra o referido Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal: “ A Seção de Fiscalização desta DRF, em atendimento ao disposto no art. 7°, § 2° do Decreto n° 70.235/72, vem por intermédio deste termo, dar ciência ao contribuinte acima identificado, da Continuidade do Procedimento Fiscal relativo às Contribuições Previdenciárias do seguinte anocalendário: 2004 E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.803 31 Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias.” Seguindo as orientações passados ao contribuinte se observa no sítio da Receita Federal do Brasil – RFB www.receita.fazenda.gov.br emitido o MPF abaixo transcrito: Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 Como visto alhures sem registros dos prazos fatais e sem emissão de exigíveis Mandados de Procedimentos Complementares – MPFc as autoridades autuantes registraram somente dois documentos em que se prorrogavam a ação fiscal, Contudo, consta editado no novo MPF informações sobre outras prorrogações não confirmadas material e documentadamente. Não consta nos autos registro de que tenham sido emitidos Mandados complementares do tipo MPFc. Também não se alcança emitido o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF registrando as prorrogações efetuadas previsto no § 2º Na hipótese do § 1º do art. 13 da “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet e exigível para que o servidor responsável pelo procedimento fiscal forneça ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação. O anexo supra é exigência formal para convalidar o procedimento fiscal na forma do art. 19 da PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 : “ Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ” Cumpre destacar que , também, o § 2 ° do art. 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007, determina que a emissão do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF bem como sua juntada ao processo: “Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1 º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7 º , inciso VIII. § 2 º Na hipótese do § 1 º , o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5 ºdo Decreto n º 70.235, de 1972 .” Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.804 33 DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO DE MPF CONTRIBUINTE/RESPONSÁVEL CNPJ / CPF: NOME EMPRESARIAL / NOME: ENDEREÇO: MUNICÍPIO: UF: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº _____________________ EMISSÃO: ___ de _________ de _____. PRORROGAÇÃO: DATA : ___ de _________ de _____. VALIDADE: ___ de _________ de _____. DATA : ___ de _________ de _____. VALIDADE: ___ de _________ de _____. ..................... ..................... DATA : ___ de _________ de _____. VALIDADE: ___ de _________ de _____. AUDITORFISCAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MATRÍCULA OBSERVAÇÕES 1. Em caso de dúvida, o contribuinte/responsável poderá entrar em contato com: Chefe de Equipe de Fiscalização:_________________________________________ Telefone: _________________ Chefe de Fiscalização: _________________________________________________ Telefone:__________________ Endereço: ______________________________________________________________________________________ 2. CÓDIGO DO PROCEDIMENTO FISCAL: __________________________________ A autenticidade deste Demonstrativo poderá ser verificada pelo sujeito passivo mediante consulta ao site do Ministério da Previdência Social – MPS (www.previdencia.gov.br) na Internet, opção: Empregador / Mais Serviços / Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), com a utilização do código acima, ou então em qualquer Unidade de Atendimento da Secretaria da Receita Previdenciária, ou mesmo pelo telefone acima. O art. 27 da Lei n °11.457/2007 determina que os procedimentos fiscais e os processos administrativo fiscais referentes às contribuições sociais de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei permanecem regidos pela legislação precedente : Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 “ Art. 27. Observado o disposto no art. 25 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais referentes às contribuições sociais de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei permanecem regidos pela legislação precedente.” Alterada em parte mas não revogada, a Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005 DOU de 22/12/2005, sendo legislação precedente que dispõe especificamente sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecendo normas para a execução de procedimentos fiscais relativos a contribuições administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária , previa prorrogação nos termos ali preceituados. Embora seja de se observar a íntegra da Portaria em apreço, destaquese o comando parágrafo único do art. 16 bem como o arts. 10, 12, 13 e 19, ( grifos de minha autoria): “ Parágrafo Único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo servidor responsável pela execução do Mandado extinto ” “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de servidor responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão, pela autoridade outorgante do MPF originário, de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), conforme modelos aprovados por esta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. § 1º O MPFC será identificado pelo número do MPF originário, na forma do inciso I do art. 7º, acrescido de número seqüencial correspondente a sua emissão, separado por hífen. § 2º Na hipótese do § 2º do art. 7º, a constituição do crédito tributário, relativamente a período diverso do fixado, dependerá de emissão de MPFC. Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.805 35 do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX. Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo Único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo servidor responsável pela execução do Mandado extinto Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ,Art. 20. Os MPF de que trata esta Portaria serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinações: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado; III arquivo da Delegacia da Receita Previdenciária do domicílio do sujeito passivo. “ Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Realçando que convalidar significa tornar válido os novos e obrigatórios MPF – C que deveriam ter sido emitidos para que tal efeito se verificasse. Daí que o art. 19 seguinte é muito relevante para o caso em tela : “ Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ” Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 PORTARIAS DA RFB DE MESMO TEOR Não obstante, também, o parágrafo único do artigo 16 da portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, revela idêntico comando diante de tal sobredito panorama. As portarias que sucederam a de número 4.066 , sem revogála, alteramna em parte preservando a restrição de não repetir as autoridades autuantes nas circunstâncias supra. Neste sentido, cumpre reiterar o comando do parágrafo único do art. 15 da ora vigente instrução definida pela Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007 que vigora desde 1 ° janeiro de 2008. DO VÍNCULO DO MPF COM A PORTARIA RFB N° 11.371/2007 No campo ENCAMINHAMENTO do novo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n 0430100.2008.00111, registra que a execução do procedimento fiscal definido para o MPF em tela se subsume ao comando da Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Cumpre ressaltar que dado como encerrado o MPF registras , também a mesma junta fiscal que iniciara a ação fiscal. Relevante destacar que os termos do parágrafo único do art. 15 da sobredita Portaria: “ Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. ” A importância de se ver cumprido o comando do multicitado parágrafo único resta caracterizada na forma das reiteradas reedições das portarias 4.066, 10.382, 11.161 e 11.371 todas Portarias da Receita Federal do Brasil que mantiveram as mesmas determinações . Cumpre registrar que somente em 2011 revogaramse aquelas exigências do parágrafo único mediante a edição da Portaria RFB n ° 3.014, de 29 de junho de 2011. DA QUESTÃO DE EVENTUAL PREJUÍZO Não se desconhece que a verificação se algum ato trouxe ou não prejuízo para o contribuinte é eivada de subjetividade. A decisão tomada nestes termos não é regimental e tampouco é legalmente prescrita. Adstrita à certa corrente doutrinaria depende do juízo do julgador que a seu critério enxergará ou não prejuízos. Na forma do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, a nulidade não seria declarada, se fosse o caso de decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração, verbis: “Art. 59. São nulos: (..) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.806 37 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) “ A decisão para ser objetiva deve levar em conta que toda norma jurídica compõemse num suporte fático e numa correlata conseqüência jurídica, no modelo: “Se A, então B”. Logo, trazendo o exemplo para o caso concreto, se descumprir a exigência do parágrafo único elemento “A”, então implica a nulidade conseqüência prevista no elemento “ B” da norma. Se a legislação determina que a nulidade não ocorrerá se for observado o parágrafo único, o descumprimento da formalidade exigida, à contrario sensu , torna explícita a nulidade não sendo o caso de se verificar eventuais prejuízos. No magistério de Tourinho Filho, nulidade "é a sanção decretada pelo órgão Jurisdicional, em relação a ato praticado com a inobservância das prescrições legais. É a decretação da ineficácia do ato atípico, imperfeito, defeituoso (Processo Penal, Ed. saraiva, SP, 1990, vol. II, pág. 117) Nas circunstâncias, declarar a nulidade não é decisão do Relator mas obrigação, posto que tal sentença caracteriza mera homologação da previsão legal. Em presença das mesmas circunstâncias ora em apreço, sempre tenho me manifestado pela nulidade em razão de vício formal. Tais conclusões têm sido prevalentes nos Acórdãos desta Egrégia Turma. Citese como exemplo a recente decisão do processo 12268.000063/2007, em que, com fulcro nos mesmos sobreditos parágrafos únicos dos artigos 16 das portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, e Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005 , a exceção do i. Relator do presente, toda a Turma anuiu o decisium , verbis: “ Diante de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para, em PRELIMINAR, com fulcro nos parágrafos únicos dos artigos 16 das portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, e Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005, declarar NULO o lançamento POR VÍCIO FORMAL. ” Trago, também, à lume decisões pretéritas exaradas por esta turma na sessão de 14 de agosto de 2012, onde enfrentando as mesmas circunstâncias, na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, esta turma decidiu, inclusive com o voto do I. Relator, por unanimidade, determinar a nulidade do lançamento em face de a emissão do novo MPF , não poder ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado: “ 31 Processo nº: 10976.000498/200801 Recorrente: ENARPE ADMINISTRACAO E SERVICOS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL RECURSO VOLUNTÁRIO Decisão: Por unanimidade de votos, conhecer do recurso para determinar a nulidade em razão do ato estar maculado por vício formal “AB INITIO”. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 Acórdão: 2403001.559 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/10/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. IMPEDIMENTO PARA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL –MPF Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, na emissão do novo MPF , não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. Processo Anulado” “ 32 Processo nº: 10976.000537/200861 Recorrente: ENARPE ADMINISTRACAO E SERVICOS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL RECURSO VOLUNTÁRIO Decisão: Por unanimidade de votos, conhecer do recurso para determinar a nulidade em razção do ato estar maculado por vício formal “AB INITIO”. Acórdão: 2403001.560 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. IMPEDIMENTO PARA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11. Processo Anulado” Participaram da sessão os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Ewan Teles Aguiar DO REGIMENTO INTERNO Sem que se pretenda apontar ou sugerir ocorrência de eventual descumprimento regimental e também sem desapreço da prerrogativa de convicção da decisão vencida, exorto o regimento interno para ressaltar que aplicar a legislação é obrigação prevista no art. 1° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF que define que este Colegiado tem por finalidade julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “ DA NATUREZA E FINALIDADE Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.002990/200806 Acórdão n.º 2403001.867 S2C4T3 Fl. 1.807 39 Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ” Os incisos III e IV do art. 41, determinam que é dever dos Conselheiros, sob pena de perda de mandato, observar o devido processo legal, cumprir e fazer cumprir, com imparcialidade e exatidão, as disposições legais : “ DOS DEVERES DOS CONSELHEIROS E DA PERDA DE MANDATO Art. 41. São deveres dos conselheiros, dentre outros previstos neste Regimento: III observar o devido processo legal, assegurando às partes igualdade de tratamento e zelando pela rápida solução do litígio; IV cumprir e fazer cumprir, com imparcialidade e exatidão, as disposições legais a que estão submetidos; ” ( grifos de minha autoria) O comando do art. 61 determina que : “ A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade ” CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto cumpre determinar a NULIDADE do lançamento em comento em razão de maculado por VÍCIO FORMAL face o descumprimento do art. 19 da Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005; do § 2 ° do art. 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007 e também do parágrafo único do art. 15 da Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator designado Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.915938/2008-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO.
A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o Decreto-Lei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza.
Numero da decisão: 3803-004.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que admitiam juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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INOCORRÊNCIA. O ato administrativo que obedece as suas formalidades essenciais e que não contenha obscuridade que implique cerceamento do direito de defesa não pode ser inquinado de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o DecretoLei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que admitiam juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 38 /2 00 8- 87 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 14376.10188.150304.1.3.049559, fls. 5/9, em que utilizou como crédito pagamentos a maior de PIS Cumulativo relativo ao período de apuração setembro de 2001, no valor de R$ 2.187,24, do DARF pago de R$ 69.936,19. Despacho Decisório Eletrônico da Derat/São Paulo, fl. 1, de 26 de agosto de 2008, não homologou a DComp, visto que o crédito já teria sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 12/16, a Contribuinte alegou, em síntese, que: a) as DComps tratam de créditos de mesmo tipo e prova, não fracionáveis, pelo que requereu a apensação de todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; b) arguiu a nulidade do despacho decisório pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; c) os documentos ora juntados (notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas da base de cálculo e demonstrativo contábil ) devem ser apreciados sob pena de cerceamento do direito de defesa; d) recolheu indevidamente PIS e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus ZFM, que não geram obrigação fiscal pois equiparadas a exportação (DL 288/67); e) o incentivo fiscal permaneceu em vigor mesmo após a promulgação da CF/88, por força do art. 40 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. Ao final, requereu a emissão de novo despacho decisório fundamentado, em face da prova, e/ou homologação da presente compensação e das demais cujo apensamento pleiteiou. Em julgamento da lide, a DRJ/São Paulo I, fls. 46/53, manifestouse pela validade do despacho decisório, eis que proferido por autoridade competente e dele foi dada ciência regular à Contribuinte, rejeitando, assim, o argumento de nulidade. Aduziu que a falta de intimação para prestar esclarecimentos não perfaz o rol das nulidades previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915938/200887 Acórdão n.º 3803004.532 S3TE03 Fl. 103 3 Quanto ao mérito, defendeu a correção do despacho decisório, referindo que é inteira a responsabilidade do sujeito passivo no tocante à constituição do crédito tributário por meio da confissão em DCTF, e a ele cabe desconstituílo por meio de documento retificador para que se habilite a eventual direito à restituição ou homologação de compensação, quando o DARF vinculado a determinado direito creditório já tiver sido utilizado na extinção dessa mesma dívida. Acerca das vendas para a Zona Franca de Manaus, destacou que a Manifestante não citara o dispositivo legal em que amparara o seu alegado direito ao não recolhimento sobre esta base, nem sob que instituto (imunidade, isenção ou alíquota zero) o enquadra. Não reconheceu o direito ao crédito, se, acaso, a hipótese considerada pela Contribuinte tivesse sido isenção ou alíquota zero, com fundamento na Solução de Divergência nº 7, de 29/11/2006. Se a hipótese aventada pela Manifestante fosse imunidade, assentou que, por se tratar de alegação de inconstitucionalidade, o foro para essa discussão haveria de ser o Judiciário, sendo incompetente para fazêlo a Delegacia de Julgamento. A decisão foi ementada como segue: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2000 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 27 de junho de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 57/68, em 25 de julho de 2011, em que: a) inquina de nulidade o acórdão recorrido, por não ter sido claro e preciso na fundamentação de suas razões de decidir e foi construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto b) ratificou e reforçou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quanto à isenção das receitas de vendas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus, não podendo este CARF deixar de aplicar o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Nulidade Sobre o acórdão recorrido a Recorrente refere que: [...] não deixa claro se a premissa para negar provimento à Manifestação de Inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a Recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a Recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; ou (iii) se a Recorrente não tinha direito à isenção de PIS sobre as vendas realizadas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra”. Em outra passagem, por outro lado, o Acórdão mencionado afirma sem um aprofundamento devido, que a Recorrente não aponta em qual dispositivo legal fundamenta sua pretensão, por supostamente não haver apontado qual o instituto tributário aplicável ao caso, o que, como será visto adiante, não é verdade. A Manifestante estruturou a sua defesa em dois pilares, embora não a tenha repartido em tópicos expressos: (i) preliminar de nulidade do despacho decisório; e (ii) matéria de mérito, em que apresenta a origem do crédito que utilizara na compensação em foco. Após concluir a primeira parte, deixando claro que se tratava de preliminar, nos itens “5” e “6” transcritos abaixo, tece os seus argumentos em torno do mérito, verbis: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915938/200887 Acórdão n.º 3803004.532 S3TE03 Fl. 104 5 [...] Isto à guisa de invocação preliminar. 5. No particular, conforme restará demonstrado, o crédito objeto de compensação teve origem em recolhimentos indevidos a título de PIS e COFINS, no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam, na espécie, de vendas para Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento dos tributos, em face das disposições do Decretolei 288/67 que equiparou referidas vendas a uma operação de exportação. E para comprovar o alegado, ora junta a MICROLITE, em ordem cronológica, cópias de todas as notas fiscais ensejadoras do crédito compensado, bem como demonstrativo da base da compensação, em sua totalidade. Ademais, a fim de facilitar a apreciação da prova ora produzida, junta, ainda, a MICROLITE, planilhas demonstrativas da composição mensal das bases de cálculo dos recolhimentos integrais de PIS e COFINS, no período declinado, e cópia do respectivo demonstrativo contábil. 6. Em face do exposto e acreditando que os documentos juntados demonstram a lisura do seu comportamento compensatório e o equívoco perpetrado pela Autoridade Julgadora em seu julgamento, nesta oportunidade requer a MICROLITE seja acolhida a sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE para o efeito de (i) preliminarmente se determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal, para a prolação de despacho decisório fundamentado, em face da prova e (ii), por economia processual, se assim não for determinado, se homologar todas as compensações conectadas tanto a este procedimento, como também aos demais procedimentos cujo apensamento ora se pleiteia. Foi com foco na exposição acima que o voto condutor da decisão recorrida afirmou que a Manifestante não apresentara o fundamento legal do direito pleiteado, nem identificara o instituto jurídico sob o qual abarcara a sua pretensão de excluir as receitas oriundas das vendas para a Zona Franca de Manaus da tributação a que anteriormente submetera. Como se vê, no texto reproduzido acima, a Manifestante indicara o Decreto Lei nº 288/67, mencionando que este equiparara as vendas para a Zona Franca de Manaus a exportação. A decisão recorrida não passou ao largo dessa menção feita pela Manifestante, e foi mesmo em face dela que fez a sua consideração de ausência de fundamentação legal do direito. Para o deslinde dessa questão, importa reconhecer que o texto do art. 4º do DecretoLei nº 288/67 é um enunciado prescritivo que erige a ficção de equiparar a exportação Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 as vendas de produtos nacionais para a Zona Franca de Manaus, porém, desprovido de completude que o torne, por si, uma norma de exoneração tributária. Isso, porque tal preceito faz remissão à legislação em vigor que esteja a reger o tratamento fiscal dado às exportações1, havendo de ser esse tratamento estendido às vendas para a ZFM. Logo, o fundamento jurídico do pedido não só está incompleto, naquela defesa, como, de fato, ausente de indicação está o tipo exonerativo que imunizaria de não incidência as indigitadas receitas. Conforme todos os termos da defesa da Manifestante expressos no mérito, acima expostos, é, de fato, impossível não se ver essa vaguidade na exposição da causa de pedir que sustenta a Manifestação de inconformidade. Não obstante isso, o Julgador a quo não se esquivou de julgar a questão e enfrentou as três hipóteses exonerativas possíveis de serem consideradas pela Parte: isenção, alíquota zero e imunidade. O que o Relator fez, sem mencionálo, foi vislumbrar o caminho processual de defesa mais amplo que era possível à Manifestante, como se ela tivesse se utilizado do princípio da eventualidade. E à luz dessa ampla análise, deitou por terra a pretensão da Manifestante. Então, indaga a Recorrente para conspurcar de nulidade a decisão combatida: qual(is) foi(ram) as premissas que de fato serviram para fundamentar o acórdão recorrido? E afirma: A verdade é que ou não houve premissa alguma; ou, a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, "soltas", caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na Manifestação de Inconformidade, sendo incapaz de apontar de maneira suficiente qual a fundamentação legal considerada para negar provimento à pretensão da Recorrente. Em ambas as hipóteses, o Acórdão é nulo, por cercear o direito de defesa da Recorrente. A pergunta é descabida para o fim específico que almeja a Recorrente. Isso, porque é a manifestação de inconformidade que estabelece o limite objetivo da lide. A Manifestante é que deveria fixar se estava fundamentando o seu recálculo na imunidade, ou na isenção ou na alíquota zero a que estariam submetidas as vendas para a ZFM. Ela afirma que o acórdão abordou institutos tributários não tratados na defesa. É verdade, não foram tratados na defesa. Mas nem por isso se poderá dizer que houve uma decisão extra petita, porquanto os três institutos exonerativos que haveriam de servir como causa de pedir da Manifestante é que foram abordados no acórdão. Tal verdade não mancha a decisão, mas, a contrario sensu, milita contra o interesse da Recorrente, pois a então Manifestante não discutiu nenhum dos três, e que agora afirma ter tratado de isenção. Uma inverdade de fácil verificação. Quanto à observação da Recorrente de que o acórdão foi esparso e lacônico ao afirmar que a documentação juntada pela Recorrente ‘não tem o teor comprobatório buscado no mérito’, ela é inócua, pois, ao tempo em que o faz, não desenvolve argumento na tentativa de demonstrar que os documentos que trouxera na manifestação de inconformidade tivessem, de fato, conteúdo probatório de sua alegação de direito ao crédito. 1 A meu ver, seja esta a vigente ao tempo da edição ou a que estiver vigendo durante o prazo de eficácia do art. 4º do DL 288/67, por força do art. 40 dos ADCTs da CF/88. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915938/200887 Acórdão n.º 3803004.532 S3TE03 Fl. 105 7 Por fim, a Recorrente traz à colação ementas de julgados da Câmara Administrativa de Recursos Fiscais (sic) em que há decretação de nulidade da decisão de primeira instância por falta de enfrentamento de matéria de mérito conduzida na defesa, fundamentandoo no cerceamento do direito de defesa. Conforme elucidado acima, não é o que se deu no presente caso, pelo que, considero incabíveis como paradigmas os julgados citados, por se fincarem em substrato fático distinto. Pelo exposto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito De início importa rever a evolução, no tempo, dos dispositivos legais e regulamentares em relação à matéria de isenção/exclusão da base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou a receita bruta. Partindose do Regulamento do extinto Finsocial, aprovado pelo Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, a matéria foi tratada em seu art. 32, inciso V. Esta disciplina antecede à promulgação da Carta da República de 1988 e consequente recepção do art. 4º do DL 288/67, pelo art. 40 dos ADCTs: Art. 32. As empresas, cuja contribuição para o Finsocial seja calculada sobre a receita bruta, excluirão da base de cálculo os seguintes valores: (...) V. receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços, assim entendidas: (...) b) vendas de mercadorias e serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) d) vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores; e) vendas realizadas a empresas exclusivamente exportadoras registradas na Carteira de Comércio Exterior (Cacex) do Banco do Brasil S.A.; (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata o item V deste artigo não alcança as vendas efetuadas por empresas comerciais ou industriais à Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental. [Grifei] Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que o conteúdo do parágrafo único vinculase ao inciso V, como a reconhecer a correspondência das vendas para a Zona Franca de Manaus com a operação de exportação. Malgrado isso, o parágrafo encarta o comando negativo de direito de excluir da base de cálculo do Finsocial as receitas para a ZFM. A contribuição para o PIS/Pasep, instituída pela Lei Complementar nº 7, de 1970, somente veio a tratar de exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição quando da edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, em seu artigo 5º, após a entrada em vigor da CF/88, como segue: Art. 5º. Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. [Grifei] Essa redação prevaleceu até a edição da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, posteriormente convertida na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que deixou expressa a vedação de exclusão das receitas de vendas para as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e em Área de Livre Comércio da base de cálculo das contribuições. Vejase: Art. 1° O art. 5° da Lei n° 7.714, de 29 de dezembro de 1988, acrescido dos §§ 1° e 2°, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5° Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares n° 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. [Grifei] § 1° Serão consideradas exportadas, para efeito no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2° A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (...). [Grifei] A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de dezembro de 1995, cuja reedição final foi convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispôs sobre o PIS/Pasep, e, ao ampliar o leque das receitas excluíveis da base de incidência, no caput do artigo 4º, determina a observância das disposições da Lei nº 9.004/95, mantendo, portanto, inalterada a vedação de exclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e a Área de Livre Comércio da base de cálculo da contribuição: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915938/200887 Acórdão n.º 3803004.532 S3TE03 Fl. 106 9 Art. 4º. Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de cálculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: II aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros. [Grifei]. Relativamente à Cofins, com respeito às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, com redação dada pela Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, deixa claro que as vendas de mercadorias e serviços exportados são as destinadas para o exterior: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. [Grifei] O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, ainda que repetindo o pleonástico Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “para o exterior”, cuidou de afirmar que a exclusão da base de cálculo não alcançava as vendas para a ZFM: Art. 1º. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. [Grifei] Posteriormente, edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tratou inteiramente da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e não fez referência alguma à exclusão da receita bruta de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, em seu art. 14, caput, e §§ 1º e 2º, adiante transcrito, redefiniu as regras de desoneração, nas hipóteses especificadas, e revogou todos os dispositivos legais Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915938/200887 Acórdão n.º 3803004.532 S3TE03 Fl. 107 11 relativos às isenções e às exclusões da receita bruta, para fins de determinação de base de cálculo, a partir de 30 de junho de 19992, que já não contemplavam isenção para a Zona Franca de Manaus. Em sua redação afastou da isenção as vendas para a ZFM, como o fizeram, antes, o Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, a Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, o Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993 e a Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. E dispôs: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [Grifei] Esta redação foi mantida até a edição da MP 2.03724, de 23 de novembro de 2000, ocasião em que foi impetrada a ADI nº 2.3489/AM, que resultou na concessão de medida liminar, em 18 de dezembro de 2000, suspendendo a expressão na Zona Franca de Manaus contida no inciso I, do § 2º, do artigo 14, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, com eficácia ex nunc. Em observância à liminar concedida pelo STF, entendo, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 22 de dezembro de 2000, foi suprimida a expressão na Zona Franca de Manaus do art. 14, § 2º, I. Contudo, esse ajuste não implica que após deixar de existir o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja é preciso que o ato legal a explicite, a teor do art. 111, II, do CTN, não sendo bastante o enunciado prescritivo do art. 4º do DecretoLei 288/67, como já o afirmei. Em razão da adequação da Medida Provisória nº 2.03724 à liminar já na reedição seguinte, a falta de aditamento à inicial, pelo impetrante, resultou na perda de objeto da ADI, ficando prejudicada a liminar, conforme decisão datada de 2 de fevereiro de 2005: DECISÃO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA PROVISÓRIA. REEDIÇÕES. AUSÊNCIA DE ADITAMENTO À INICIAL. PRECEDENTE. PREJUÍZO (QUESTÃO DE ORDEM NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 1.952/DF). 1. Conforme ressaltado pelo ProcuradorGeral 2 Os incisos I e III do art. 6º da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; o art. 7º da Lei Complementar no 70, de 1991, e a Lei Complementar no 85, de 15 de fevereiro de 1996; o art. 5º da Lei no 7.714, de 29 de dezembro de 1988, e a Lei no 9.004, de 16 de março de 1995 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 da República na peça de folha 545 a 547, a medida provisória atacada mediante esta ação direta de inconstitucionalidade foi objeto de reedições sucessivas, não havendo ocorrido aditamento à inicial. 2. Nos termos do precedente revelado na apreciação da Questão de Ordem na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.952/DF, relatada pelo ministro Moreira Alves, com decisão publicada no Diário da Justiça de 9 de agosto de 2002, declaro o prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. 3. Publiquese. Brasília, 2 de fevereiro de 2005. Ministro MARCO AURÉLIO Relator. (fonte: www.stf.gov.br). A evolução desta matéria como descrita acima, permite concluir que os Poderes Legislativo e Executivo ao trataremna, na esfera de suas competências, não tiveram em consideração o art. 40 da ADCT na preservação da equivalência entre as vendas para a Zona Franca de Manaus e a exportação de mercadorias e serviços para o exterior. Não se pode dizer que é de todo desprezível o entendimento segundo o qual a retirada da expressão Zona Franca de Manaus do texto que a excluía da isenção dada às exportações passou a permitir a equiparação prevista no art. 4º do DL nº 288/67. É como se pudesse dizer: a exclusão do que estava excluído é inclusão. Vertendoo na linguagem da norma: venda para a Zona Franca de Manaus deve ser considerada como exportação, para os efeitos ficais; exportação é isenta, exclusive para a Zona Franca de Manaus; retirada a exclusão, Zona Franca de Manaus beneficiase da isenção. O silogismo é válido. Todavia, esse entendimento enfrenta o histórico legal de não equiparação das vendas para a ZFM a exportação pelo Poder Legislativo e pelo Poder Executivo. Mesmo na vigência da liminar na ADI 2.3489/AM, o Poder Executivo editou a Medida Provisória nº 202, 23 de julho de 2004, convertida na Lei n° 10.996, de 15 de dezembro de 20043, que reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora dela. Tal ato, assim como a sua conversão em lei, foram promulgados antes, até, da decisão que declarou prejudicado o pedido, esta, em 2 de fevereiro de 2005. Conquanto esta norma tenha efeito prospectivo, o texto do art. 2º contém uma norma implícita, da qual deflui uma conclusão inafastável, qual seja, uma redução de alíquota somente pode acontecer, por óbvio, no bojo da existência de relação jurídica tributária anteriormente estabelecida. Portanto, no caso, a norma está a informar que gravitava sobre as vendas para pessoas jurídicas localizadas na Zona Franca de Manaus a incidência tributária da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a submeter essas operações às alíquotas normais respectivas originalmente fixadas e que, então, passavam a ser reduzidas a zero. Uma vez mais, reforçando o histórico de incidência das aludidas contribuições sobre as operações em foco, a lei 10.996/2004, evidencia que na discussão e votação da Medida Provisória nº 202/2004 não levou em conta o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. 3 Art. 2º. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915938/200887 Acórdão n.º 3803004.532 S3TE03 Fl. 108 13 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça tem, reiteradamente, decidido reconhecer a isenção das receitas de vendas de produtos e serviços para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, mesmo após a perda de objeto da liminar na ADI nº 2.3489/AM, alinhandose declaradamente ao entendimento do Supremo Tribunal Federal ali expresso. Anotese, porém, que as decisões não foram proferidas sob a sistemática de recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, do que não resulta a vinculação deste CARF àqueles julgados. Ademais, entendo que não se deve perder de vista que, sendo o papel desta Corte exercer o controle de legalidade dos atos administrativos, o conteúdo implícito da norma contida na Lei nº 10.996/2004 não pode ser desconsiderado, sob pena de se afastar a aplicação da norma de incidência tributária vigente (Lei nº 9.718/98, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003), uma vez que aquela lei não reconhece a existência da isenção das vendas para a ZFM, à base do art. 14 da MP nº 2.158/2001. Adotar esse entendimento não é mero resultado de deixar de aplicar o art. 4º do DecretoLei nº 288/67, como aduz a Recorrente; implica, sim, aplicar a norma de incidência das contribuições, autorizada e validada, concretamente, pela Lei nº 10.996/2004, esta, sim, deixou da considerar válida, para os efeitos fiscais de que aqui se trata, a equivalência das vendas para a ZFM a exportação ao fixar a alíquota zero para este destino. Por fim, aditese: ainda que se superasse todas as razões de direito acima expendidas, a Recorrente deixou de acostar aos autos as bases sobre que efetuara pagamento a maior e documentos idôneos que o comprovassem, circunstância já referida pela decisão recorrida. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11610.002927/2003-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/02/2003
Ementa:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS CEDIDOS POR TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO.
É quinquenal o prazo para homologação tácita das declarações de compensação, inclusive quando, transmitidas antes do advento da Lei n° 11.051/04, veiculem pretensão à extinção de débitos tributários próprios mediante emprego de créditos cedidos ao declarante por terceiros. Irretroatividade das alterações legislativas efetuadas no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 pela Lei n° 11.051/04.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP no 182.632.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/02/2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS CEDIDOS POR TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. É quinquenal o prazo para homologação tácita das declarações de compensação, inclusive quando, transmitidas antes do advento da Lei n° 11.051/04, veiculem pretensão à extinção de débitos tributários próprios mediante emprego de créditos cedidos ao declarante por terceiros. Irretroatividade das alterações legislativas efetuadas no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 pela Lei n° 11.051/04. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP no 182.632. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 27 /2 00 3- 73 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Por meio de declaração de compensação protocolada, ainda em formulário físico, em 25.02.2003, a ora recorrente pretendia extinguir débitos tributários seus com créditos originalmente reconhecidos a terceiro – a empresa Nitriflex S.A. Comércio e Indústria – e a ela, recorrente, cedidos. Segundo se verifica dos autos, a cedente obtivera, em primeiro lugar, o reconhecimento do direito ao crédito de IPI sobre a aquisição de insumos desonerados do imposto (isentos, sujeitos à alíquota 0% ou não tributados), por meio de mandado de segurança impetrado sob o no 98.00166580, perante a Subseção Judiciária de São João do Meriti – RJ. Numa segunda demanda judicial – o mandado de segurança no 99.00605420 – teria conquistado, na seqüência, por decisão transitada em julgado, o direito à aplicação de juros moratórios e de expurgos inflacionários sobre o montante do crédito escritural de IPI que o primeiro feito lhe assegurara. Finalmente, propôs uma terceira ação judicial, o mandado de segurança no 2001.51.10250, por meio da qual conquistou também por sentença definitiva, o direito de ceder a terceiros os créditos objeto das duas primeiras demandas, para fins de compensação tributária. Em razão dos provimentos em questão, a titular do direito creditório cedeuo à ora recorrente, sua coligada, que, ato contínuo, passou a empregálo para sucessivas compensações declaradas à RFB, entre elas, a que é objeto deste feito (fls. 2/3). Fundandose em parecer SEORT, a DRF em Nova Iguaçu/RJ recusouse a homologar a compensação. Para tanto, baseouse, sobretudo, em parecer emitido pela PSFN/Nova Iguaçu, de acordo com o qual a coisa julgada conquistada pela titular originária do crédito, no sentido de lhe assegurar a cessão do direito a terceiros, apenas dá guarida a compensações declaradas à RFB até 29.08.2002. Isso porque, nesta data, foi publicada a Medida Provisória no 66, posteriormente convertida na Lei no 10.637/02, cujo artigo 49 passou a doravante restringir a compensação tributária entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. Também influiu no indeferimento do pleito a constatação de que o crédito, embora objeto de reconhecimento judicial, não teria sido objeto de prévio procedimento de habilitação perante a RFB. Irresignada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, por ocasião da qual aduziu: (a) a homologação tácita da compensação, eis que foi intimada do despacho decisório apenas em 06.10.2008, isto é, quando mais de cinco anos já haviam transcorrido desde o protocolo da declaração; (b) a cedente do crédito – Nitriflex S.A. Indústria e Comércio – é pessoa jurídica coligada a ela, recorrente, e, nesse sentido, não constitui verdadeiro “terceiro” para fins de aplicação do artigo 74, da Lei no 9.430/96; Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11610.002927/200373 Acórdão n.º 3403002.544 S3C4T3 Fl. 8 3 (c) a sentença prolatada no mandado de segurança no 2001.51.10.0010250, impetrado com o objetivo de assegurar a cessão do direito creditório, concedeu a ordem à empresa cedente com fundamento na irretroatividade da legislação que estabelecesse restrições à disponibilidade do crédito posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que lhe tenha reconhecido o direito; (d) a norma que governa o direito à cessão do crédito é aquela vigente à época em que gerados os créditos escriturais de IPI objeto da transferência; (e) a limitação imposta pelo despacho decisório à cessão do direito de crédito constitui forma de desrespeito à coisa julgada produzida no mandado de segurança no 98.00166580 – demanda em que se reconheceu o creditamento sobre a aquisição de insumos desonerados do IPI – e violação ao princípio constitucional da não cumulatividade; (f) a recusa de homologação da compensação aqui declarada infringe também a sentença transitada em julgado no mandado de segurança no 2001.51.10.0010250, na medida em que implica admitirse a aplicação retroativa de norma posterior – a Lei no 10.637/02 – a compensações regidas por disciplina legal anterior; e, finalmente, (g) a habilitação de créditos reconhecidos ao sujeito passivo por decisões judiciais apenas passou a ser exigida como condição para o posterior emprego em declarações de compensação com a edição da IN SRF no 517, publicada em 25.02.05, diploma que evidentemente não se aplica à compensação objeto dos autos, declarada em janeiro de 2003. Na DRJJuiz de Fora/MG, a manifestação de inconformidade acabou desprovida por maioria de votos, em acórdão assim ementado: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COLIGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n. 10.637, de 2002. 2. Não há previsão legal na legislação tributária que atribua às pessoas jurídicas o direito de compensar créditos de coligada como próprios. 3. As compensações declaradas a partir de 1o de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, esbarra em inequívoca disposição legal – MP n. 66, de 2002, convertida na Lei n. 10.637, de 2002 – impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com créditos de terceiros, declaradas após 1o de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora inexistente, em instrução normativa. (...) PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário.” Não se conformando com o decisum de Primeira Instância, a recorrente avia competente recurso voluntário, no qual reproduz os fundamentos da sua anterior manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Interposto tempestivamente e em conformidade com os demais pressupostos de admissibilidade, o recurso voluntário deve ser conhecido. Eis a cronologia de fatos e de documentos legislativos que reputo relevantes ao deslinde da controvérsia: (i) dezembro de 2002: promulgada a Lei no. 10.637/02 (resultado da conversão da MP no. 66/02), cujo artigo 49 modifica o artigo 74 da Lei no. 9.430/96 para, em primeiro lugar, introduzir a “declaração de compensação” como o instrumento para o exercício do direito à compensação tributária pelos contribuintes e, em segundo lugar, determinar a automática conversão, desde o respectivo protocolo, dos pedidos de compensação ainda pendentes de apreciação (§4o); (ii) fevereiro de 2003: recorrente apresenta a DComp objeto deste processo, ainda por meio de formulário físico; (iii) dezembro de 2003: promulgada a Lei no. 10.833/03 (produto da conversão da MP no. 135/03) que novamente altera o artigo 74 da Lei no. 9.430/96, desta feita para dispor que a compensação declarada pelo contribuinte estaria homologada tacitamente com o transcurso do prazo de cinco anos a partir da respectiva entrega, caso silente a unidade destinatária da sua análise (§5o); (iv) dezembro de 2004: promulgada a Lei no. 11.051/04 que inova o artigo 74, da Lei no. 9.430/96, para (a) enunciar hipóteses nas quais a compensação realizada pelo contribuinte se consideraria “não declarada” e, entre elas, incluir aquela que pretendesse extinguir débitos tributários mediante aproveitamento de créditos cedidos por terceiros ao declarante (§12, II, “a”) e (b) estabelecer que as compensações tidas pela lei por “não declaradas” não se sujeitariam a homologação tácita (§13); (v) 06.10.2008: a recorrente é intimada da decisão da DRF que não homologou a Dcomp objeto do feito. Vejamos, agora, os dispositivos legais envolvidos, antes e depois das respectivas alterações legislativas: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11610.002927/200373 Acórdão n.º 3403002.544 S3C4T3 Fl. 9 5 "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. (Redação original) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: a) seja de terceiros; § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no §12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" Pois bem. Tudo se resolve aqui em saber se a regra da homologação tácita prevista no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 se aplica à DComp em análise. O documento foi, afinal, transmitido antes de 06.10.2003 e, portanto, quando da intimação da decisão não Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 homologatória da DRF, ocorrida em 06.10.2008, já havia transcorrido integralmente mais de um quinquênio. A aplicação da regra de homologação tácita requer, contudo, o enfrentamento de dois aspectos: (a) saber se e como ela se aplica a DComps transmitidas antes da sua instituição, isto é, DComps transmitidas antes de 29 de dezembro de 2003, caso da declaração de compensação objeto deste processo; e (b) aferir se não incide alguma das hipóteses – mais especificamente, a hipótese do art. 74, §12o, II, “a” da Lei no 9.430/96 – em que a DComp é tida por não declarada – não se aplicando, por conseguinte, a tal regra, por força do art. 74, §13 da lei. Em relação ao primeiro aspecto, reportome à Solução de Consulta Interna no. 1/06, na qual restou assentado que a regra de homologação tácita retroage, sim, às DComps já transmitidas antes da Lei no. 10.833/03, iniciandose o prazo quinquenal na data da transmissão da declaração. Confirase: “CONCLUSÃO 1. Por todo o exposto, concluise que: a) o prazo para a homologação de compensação requerida à SRF tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação; b) será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da SRF, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito; (...);” Passo então ao segundo aspecto referido acima. O ponto está em saber se a DComp transmitida pela ora recorrente deve ser considerada nãodeclarada, o que de pronto afastaria a aplicação da regra de homologação tácita. A perspectiva que se afigura é de incidência do art. 74, §12, II, “a” que considera nãodeclarada a DComp que veicule pretensão à extinção de débitos do contribuinte mediante aproveitamento de créditos tributários que lhe hajam sido cedidos por terceiros, seus originais titulares. Como se sabe, o crédito levado à DComp aqui tratada foi transferido à ora recorrente por terceira pessoa jurídica, a quem se reconheceu por sentença judicial o direito creditório empregado na compensação. Sucede que o §12, II, “a” e o §13 somente foram acrescidos ao artigo 74, da Lei no 9.430/96 em dezembro de 2004, por meio da Lei no 11.051. Quer dizer, as declarações de compensação entregues antes disso, ainda que pretendessem empregar créditos originalmente pertencentes a terceiros, estavam, sim, sujeitas à regra da homologação tácita porquanto, até então, inexistia no artigo 74 da Lei no 9.430/96 disposição que excepcionasse o instituto nesta ou em qualquer outra hipótese. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11610.002927/200373 Acórdão n.º 3403002.544 S3C4T3 Fl. 10 7 O mesmo raciocínio, penso eu, aplicase ao caso destes autos. Sobrevinda a Lei no 10.833/03, a recorrente adquiriu o direito à homologação tácita da DComp que houvera transmitido. Em meio ao transcurso do prazo para tanto, a declaração objeto destes autos encontrou a promulgação da Lei no. 11.051/04. Só aí, com as modificações postas por este último diploma no artigo 74, da Lei no. 9.430/96, é que o sistema conheceu a categoria das “compensações não declaradas”, para as quais instituiuse, na mesma oportunidade, exceção à regra da homologação tácita. Daí porque, sob pena de retroatividade não respaldada pelo artigo 106, do Código Tributário Nacional, as regras contidas nos §§12 e 13 do citado artigo 74, da Lei no. 9.430/96 somente podem ser impostas às declarações de compensação cuja transmissão seja posterior a 30 de dezembro de 2004, quando entraram em vigor. Voto, pois, para prover o voluntário e considerar homologada tacitamente, com fundamento no art. 74, §5o da Lei no 9.430/96, a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 07/11/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10640.901842/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CRÉDITOS DE SALDO NEGATIVO DE CSLL.
A autoridade administrativa deve atentar às provas e aos documentos juntados pelo contribuinte tendo como fim a verificação da veracidade das alegações do contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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CRÉDITOS DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. A autoridade administrativa deve atentar às provas e aos documentos juntados pelo contribuinte tendo como fim a verificação da veracidade das alegações do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 18 42 /2 00 9- 45 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (“DRJ/JFA”), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo parte do relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Trata o presente de Declarações de Compensação de nos 26349.47842.191107.1.7.038382,19857.63185.290605.1.3.03687 9 e 09205.23519.300605.1.3.036088, referente a débitos diversos, tendo como base em crédito relativo ao Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 2003, no valor de R$231,64. A DRF/JFA/MG, em 25/03/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico, fls. 06, por meio do qual não homologa as compensações declaradas, tendo em vista que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Parc. Créd. IR Exterior Retenções Fonte Pagamento Estim com SNPA Estim Parceladas Dem Estim Comp Soma Parc. Créditos PER/DCOMP 0,00 0,00 240,29 0,00 0,00 0,00 240,29 Confirmadas 0,00 0,00 240,29 0,00 0,00 0,00 240,29 Valor original do saldo negativo informado no PER /DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 231,64 Somatório das parcelas de composição do crédito na D1PJ: R$ 471,93 CSLL devida: R$ 240,29 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitadas ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 ” Em sua manifestação de inconformidade a interessada afirma que: ‘Houve erro na informação da guia na PER/DCOMP 26349.47842.191107.1.7.038382, conforme cópia da página 17 da DIPJ de 2004 e cópia das guias recolhidas em 30/09/2003 e 31/10/2003. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901842/200945 Acórdão n.º 1802001.690 S1TE02 Fl. 103 3 Ocorrendo este erro na informação as PER/DCOMPs de número 26349.47842.191107.1.7.038382,19857.63185.290605.1.3.03687 9 e 09205.23519.300605.1.3.036088 não foram homologadas, porém se tivermos a oportunidade de fazer a retificação haverá crédito suficiente para compensação acima, conforme demonstrado abaixo: Valor do CSSL Devido conforme ficha 17 do DIPJ 2004 R$ 240,29 Recolhimentos Efetuados CSSL Código 2484: 31/09/2003 405,04 31/10/2003 66,89 Total Recolhido 471,93. Credito Gerado R$ 231,64 em 12/2003 Com estes créditos a empresa efetuou as seguintes compensações: Crédito Original R$ 231,64 (sem atualização SELIC) O indeferimento pode ter ocorrido em razão do preenchimento da PERDCOMP 39758.47063.290605.1.3.038074 originadora do crédito ter sido preenchido incorretamente na titulação PAGAMENTOS (Pagina 3 e 5) no item específico "VALOR UTILIZADO PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO PERÍODO" o qual deveria contemplar os valores efetivamente utilizados, totalizando o montante de R$ 471,93’. É o relatório”. Em sua decisão, a DRJ/JFA não reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, votando pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela não homologação da compensação através do Acórdão n° 09 38.697, com fundamento de que há um equívoco na linha de raciocínio da Manifestação de Inconformidade, na qual o contribuinte pretende ver como direito creditório todo o valor de CSLL recolhido em 2003, sem que seja subtraído o valor da CSLL apurada e informada na DIPJ/2004. Além disso, informa que o PER/DCOMP com demonstrativo de crédito ativo nos sistemas informatizados da RFB, quando da emissão do presente Despacho Decisório, foi o de nº 26349.47842.190707.1.7.038382 e não o de nº 39758.47063.290605.1.3.038074, que foi retificado pela Recorrente. E conclui que o Despacho Decisório estava correto quando considerou como crédito a importância de R$231,64, referente ao saldo negativo de CSLL apurado para o Ano Calendário 2003, conforme a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Não se homologa as compensações declaradas, quando o crédito confirmado for insuficiente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual apresentou a ficha 17 da DIPJ 2004, onde demonstra a CSLL devida de R$ 240,29; os DARFs pagos demonstrando o crédito de R$ 471,93; DCTFS demonstrando os valores pagos de R$ 405,04 e R$ 66,89; e PERD/COMP retificadora não transmitida em função de erro impeditivo. Alega em seu recurso que o direito creditório está previsto nas normas tributárias e que a não homologação se deu pelo fato da Recorrente ter informado equivocadamente o valor de saldo negativo a ser utilizado na compensação. Aduz ainda que o programa PERD/COMP não permitiu a retificação da declaração original, pois o sistema acusara um erro impeditivo para sua transmissão. Ao final, requer que o recurso seja acolhido e provido para que seja cancelado o débito fiscal reclamado e substituída a PERD/COMP original pela retificadora. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 06/02/2012, conforme aviso de recebimento às fls. 66 e, apresentou o recurso (fls. 67), tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 10/02/2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase de recurso voluntário de decisão da DRJ que manteve a não homologação das Declarações de Compensação de nos 26349.47842.191107.1.7.038382, 19857.63185.290605.1.3.036879 e 09205.23519.300605.1.3.036088, referente a débitos diversos, tendo por base crédito relativo à base de cálculo negativa de CSLL, do ano calendário 2003, no valor de R$231,64. Alega a recorrente que possui uma base de cálculo negativa no valor de R$231,64, referente ao anocalendário de 2003 e, que tal saldo não fora homologado pelo equívoco de informação constante da PER/DCOMP 26349.47842.191107.1.7.038382, uma vez que no campo valor usado para compor o saldo negativo do período constou R$173,40, quando o correto seria R$405,04. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901842/200945 Acórdão n.º 1802001.690 S1TE02 Fl. 104 5 Para provar o alegado, a recorrente juntou as DCTF do 3º e 4º trimestres de 2003, a DIPJ/2004 (ficha 17) e, cópia dos recolhimentos referente às estimativas de CSLL para os meses de setembro e outubro/2003 que foram de R$405,04 e R$66,89, totalizando um crédito de R$471,93. Por outro lado, constatase com base na DIPJ/2004, que o valor devido de CSLL para o anocalendário de 2003, foi de R$240,29. Assim, subtraindose a CSLL devida do anocalendário de 2003 (R$231,64), dos valores antecipados durante esse período a título de CSLL (R$471,93), apurase um saldo negativo para esse anocalendário de, R$231,64, valor esse devidamente informado na DIPJ. Importante frisar que a própria DRJ, em sua decisão, reconheceu o valor do saldo negativo de R$231,63 em favor da Recorrente, entretanto, incorreu em erro ao afirmar que o despacho decisório reconhecera tal crédito, conforme consta no seguinte trecho abaixo transcrito: “Correto, assim, o Despacho Decisório, que considerou como crédito a importância de R$231,64, referente ao saldo negativo de CSLL apurado para o AC2003.” Isto porque, o despacho decisório não reconheceu a existência de saldo negativo para esse período e, por conseguinte, não homologou nas compensações efetuadas. Entendo que assiste razão à recorrente. O crédito referente ao saldo negativo da CSLL, referente ao anocalendário de 2003, foi provada, a meu ver, à saciedade, não havendo impedimento a homologação das compensações até o limite do crédito, ora reconhecido. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformandose a r. decisão combatida, para reconhecer o direito creditório da Recorrente de R$ 231,64 e, consequentemente, homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Marco Antônio N. Castilho Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 13005.000823/2007-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/06/2007
REPERCURSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. EXPRESSA DETERMINAÇÃO DO STF.
Para que haja o sobrestamento do processo na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, é necessária expressa determinação do STF para que assim se proceda.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para sanear a omissão apontada, mantendo-se, todavia, a decisão anteriormente prolatada, sem conferir-lhe efeitos infringentes.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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SOBRESTAMENTO. EXPRESSA DETERMINAÇÃO DO STF. Para que haja o sobrestamento do processo na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é necessária expressa determinação do STF para que assim se proceda. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para sanear a omissão apontada, mantendose, todavia, a decisão anteriormente prolatada, sem conferirlhe efeitos infringentes. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 08 23 /2 00 7- 11 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte encontra seu cerne na NFLD DEBCAD nº. 37.047.6344, no importe de R$ 84.466,45 (oitenta e quatro mil quatrocentos e sessenta e seis reais e quarenta e cinco centavos), referente às contribuições sociais, devidas e não recolhidas pela pessoa jurídica, no percentual de 15%, correspondentes à cota patronal oriunda da contratação de serviços de cooperativa de trabalho, de que trata o art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, na redação que lhe foi dada pela Lei nº. 9.876/99. Apresenta Impugnação (Fls. 90/110), foi proferido o Acórdão nº. 188.839 (Fls. 176/179), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 COOPERATIVA DE TRABALHO. A prestação de serviço de cooperados intermediados por cooperativas de trabalho é fato gerador da obrigação tributária. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE A Declaração de Inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Irresignada, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde foi proferido o Acórdão nº. 2403001.233 (Fls. 225/234), com ementa e decisão a seguir transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DA NFLD FACE ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE MORA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Não há que se falar em cancelamento de NFLD ou insubsistência do crédito tributário quando não houver qualquer tipo de vício. Não pode ser alegada inconstitucionalidade de Lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13005.000823/200711 Acórdão n.º 2403002.181 S2C4T3 Fl. 3 3 Recurso Voluntário Provido em Parte (...) ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências 01/2002 a 09/2002, inclusive com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/09, nos termos do art. 61 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Ato contínuo, o contribuinte opôs Embargos de Declaração requerendo o saneamento da omissão do julgado no que concerne à expressa análise do pedido de sobrestamento do feito, nos termos do art. 62A, do RICARF, em razão da Repercussão Geral da matérias tratada no RE 595.838 e o processo em epígrafe. Assistindo razão a parte embargante, merece reforma o julgado para que se proceda a análise do ponto suscitado na peça recursal. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fls. os Embargos são tempestivos e reúnem os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO FEITO Infere a Embargante que a exigência de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados às cooperativas de trabalhos, objeto da presente autuação, encontrase submetida à sistemática da Repercussão Geral, prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Conquanto, o recurso paradigma é o RE 595.838, cuja decisão que entendeu pela repercussão geral foi assim ementada: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXIGIBILIDADE. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91. REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 9.876/99. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram as Ministras Carmen Lúcia e Ellen Gracie. Neste sentido, o art. 62A do Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Há, contudo, Portaria deste Conselho que regulamenta o dispositivo supratranscrito, inclusive trazido aos autos pela Embargante, na qual dispõe: Portaria CARF nº 001/2012 Art. 1º . Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF, Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13005.000823/200711 Acórdão n.º 2403002.181 S2C4T3 Fl. 4 5 tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Pela leitura do dispositivo supra é possível identificar a imprescindibilidade de determinação da Suprema Corte acerca do sobrestamento, independentemente, frisese, do reconhecimento de existência de repercussão geral. Portanto, para que eventualmente o processo em epígrafe fosse sobrestado, o Supremo Tribunal Federal deverá determinar expressamente o sobrestamento dos processos relativos à matéria sob análise, o que não ocorreu no caso em tela. Isso porque, não obstante o reconhecimento da repercussão geral do RE 595.838, não foi determinado o sobrestamento do processo, nem tampouco houve determinação expressa sobre o sobrestamento dos demais processos, razão pela qual inviabiliza o pleito da Embargante. CONCLUSÃO Do exposto, voto por acolher os embargos, para sanear a omissão apontada, mantendose, todavia, a decisão anteriormente prolatada, sem conferirlhe efeitos infringentes. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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