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Numero do processo: 11128.722173/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:06/11/2009
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.237
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 21 73 /2 01 1- 23 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.722173/201123 Acórdão n.º 3302006.237 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.720, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.722173/201123 Acórdão n.º 3302006.237 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.722173/201123 Acórdão n.º 3302006.237 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.722173/201123 Acórdão n.º 3302006.237 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.722173/201123 Acórdão n.º 3302006.237 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.722173/201123 Acórdão n.º 3302006.237 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.916647/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. Recorrente J. CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 47 /2 01 0- 21 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.916647/201021 Acórdão n.º 3201004.579 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP lastreada em recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O contribuinte alega, em síntese, que é uma sociedade civil de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/91, podendo gozar do direito ao crédito apontado em virtude de estar isenta da contribuição. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório eletrônico. O pleito foi indeferido sob o fundamento de que, embora tenha sido localizado o pagamento indicado na DCOMP em análise, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela DRJ/São Paulo. O Acórdão 16042.492 que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10880.916647/201021 Acórdão n.º 3201004.579 S3C2T1 Fl. 4 3 Não se conformando com a decisão de primeira instância apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Em síntese, alega: a) em preliminar, que ocorreu homologação tácita, pois a decisão foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; b) no mérito, que o artigo 56 da Lei 9.430/96, ao revogar a isenção das sociedades civis, descumpriu comando constitucional expresso no artigo 146, inciso III, que exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.574, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.916643/201042, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.574): "O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentálas. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.916647/201021 Acórdão n.º 3201004.579 S3C2T1 Fl. 5 4 Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720189/2017-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Até a competência dezembro de 2014, os créditos relativos à CPRB, decorrentes de retenções havidas no ato de quitação da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviços sujeito à retenção, podiam ser compensados com os débitos da mesma natureza, mediante a apresentação de GFIP.
Numero da decisão: 2402-006.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, a fim de deduzir do lançamento as retenções a serem confirmadas pela autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que deverá ser apurado em sede de liquidação do julgado. Votaram pela conclusões os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Luis Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Até a competência dezembro de 2014, os créditos relativos à CPRB, decorrentes de retenções havidas no ato de quitação da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviços sujeito à retenção, podiam ser compensados com os débitos da mesma natureza, mediante a apresentação de GFIP.
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CPRB Recorrente ARAUJO ABREU ENGENHARIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Até a competência dezembro de 2014, os créditos relativos à CPRB, decorrentes de retenções havidas no ato de quitação da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviços sujeito à retenção, podiam ser compensados com os débitos da mesma natureza, mediante a apresentação de GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, a fim de deduzir do lançamento as retenções a serem confirmadas pela autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que deverá ser apurado em sede de liquidação do julgado. Votaram pela conclusões os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Luis Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 89 /2 01 7- 00 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 762 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta (CPRB) previstas na Lei 12546/11. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendose em parte o crédito tributário consubstanciado pelo Auto de Infração, nos seguintes termos: a) exonerar na competência 06/2013, o crédito da obrigação principal no valor de R$ 1.925,00 e a multa de ofício de 150% no valor de R$ 2.887,50; e b) manter o crédito tributário da obrigação principal no valor de R$ 9.783.290,66 e a multa de ofício de 150% no valor de R$ 14.674.935,93, acrescidos dos juros. [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. LEI 12.546/2011. As empresas sujeitas à contribuição previdenciária substitutiva em função de seu enquadramento no código CNAE, devem utilizar como base de cálculo a receita bruta da empresa relativa a todas as suas atividades, aplicável também às atividades do setor administrativo da pessoa jurídica, conforme § 10 do art. 9º da Lei nº 12.546/2011. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 763 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉBITO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. A compensação de débitos da CPRB com os créditos de contribuição previdenciária prevista na Lei nº 8.212/91, será efetuada por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. PROCEDIMENTO. Reconhecido crédito tributário ao contribuinte, a sua restituição e ressarcimento sujeitase à verificação prévia da ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional, que se positivo, fica atrelado à concordância do contribuinte, em compensação de oficio, ou retido, até a satisfação do débito, conforme previsto na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE RECEITA BRUTA. PAGAMENTO EM DARF ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. APROVEITAMENTO. DEDUÇÃO DO DÉBITO. Constatado que o sujeito passivo recolheu contribuição previdenciária sobre a receita, em período abrangido pela ação fiscal, mas antes do seu início, é se deduzir o seu valor do auto de infração. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. Temse por prescindível a diligência, cujo tema foi objeto do próprio mérito do julgamento, em que não se reconheceu o crédito e a compensação de ofício, na forma pretendida. O montante exonerado não implicou a interposição de recurso de ofício. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 764 4 Cientificada da decisão em 10/10/2017 (fl. 714), o sujeito passivo interpôs seu recurso voluntário em 06/11/2017, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, argumentando, em síntese, que: a) o lançamento seria improcedente, porque todas as contribuições teriam sido integralmente recolhidas; b) as retenções destacadas em notas fiscais de prestação de serviços (retenções feitas pelas empresas contratantes) quitariam integralmente as contribuições e ainda sobraria saldo credor em favor da recorrente; c) à época dos fatos geradores, os créditos decorrentes de retenção seriam compensados em GFIP, e não através de PER/DCOMP; d) o PER/DCOMP teria passado a ser exigido a partir de 1º de abril de 2015; e) seria indevida a qualificação da multa, uma vez inexistiria dolo que importasse em tipificação do crime de sonegação de contribuição previdenciária, já que os recolhimentos efetuados seriam superiores aos valores efetivamente devidos. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. A tese de que seria descabida a qualificação da multa de ofício não foi ventilada na impugnação e é insuscetível de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 765 5 ................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. .................................................................................................. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................................... Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. 2 Das retenções e sua compensação No entender da recorrente, o lançamento seria improcedente, porque as contribuições teriam sido integralmente recolhidas. Segundo alega, as retenções destacadas em notas fiscais de prestação de serviços (retenções feitas pelas empresas contratantes), de sua emissão, quitariam integralmente as contribuições e ainda sobraria saldo credor em seu favor. Tais retenções teriam sido compensadas em GFIP, conforme determinava a legislação vigente à época dos fatos geradores. A DRJ discordou desse argumento, porque entendeu que as retenções de contribuições previdenciárias, incidentes sobre as notas fiscais de emissão da recorrente, à alíquota de 3,5% sobre o seu valor bruto, deveriam ser compensadas através de PER/DCOMP, e não em GFIP, conforme determinaria a IN 1717/17 e a IN 1300/12. A DRJ ainda citou as Soluções de Consulta COSIT 99002/15 e 99003/15. Por fim, o acórdão de impugnação afirmou que o pedido da recorrente implicaria compensação de ofício, o que não seria admissível. Como se vê, portanto, não há qualquer controvérsia sobre o enquadramento das atividades do sujeito passivo na substituição das contribuições patronais incidentes sobre a folha de pagamento, pela CPRB instituída pela Lei 12546/11, nem mesmo sobre a possibilidade de compensação das retenções acima mencionadas. A controvérsia reside em saber se deve ser deduzido do lançamento as contribuições antecipadamente retidas ou se a recorrente deveria ter feito a sua compensação através de PER/DCOMP. Pois bem. À época dos fatos geradores (abril de 2013 a dezembro de 2014), o art. 56 da IN 1300/12 ainda estava na sua redação original e nem havia qualquer menção à CPRB. A menção às contribuições substitutivas somente foi feita com a alteração introduzida pela IN RFB 1529, de 19 de dezembro de 2014. Em sua redação original, o § 7º do citado Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 766 6 artigo apenas estabelecia que a compensação deveria ser informada em GFIP na competência de sua efetivação. A necessidade de entrega do formulário eletrônico Compensação de Débitos de CPRB foi igualmente introduzida pela IN RFB 1529, de 19 de dezembro de 2014. Já a obrigatoriedade de entrega de PER/DCOMP somente foi prevista em março de 2015, por meio da IN 1557, de 31 de março daquele ano. Para fins ilustrativos, segue abaixo a transcrição do art. 56 da IN 1300. Em síntese, vêse no art. 56, abaixo transcrito, que, nas competências objeto de lançamento, a recorrente, a rigor, não estava obrigada nem à entrega do formulário eletrônico, nem tampouco à apresentação de PER/DCOMP. O § 7º simplesmente estabelecia que a compensação seria informada na GFIP no mês de sua efetivação. Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas “a” a “d” do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas “a” a “d” do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 1º Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. § 2º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições previdenciárias devidas. § 3º Caso haja pagamento indevido relativo a obra de construção civil encerrada ou sem atividade, a compensação poderá ser realizada pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 4º A compensação poderá ser realizada com as contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário. § 5º A empresa ou equiparada poderá efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº123, de 2006, e o Sistema Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 767 7 Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 7º A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação. § 7º A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação, observado o disposto no § 8º. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 8º A compensação de débitos da CPRB com os créditos de que trata o caput será efetuada, a partir de 1º de janeiro de 2015, por meio do formulário eletrônico Compensação de Débitos de CPRB, disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e observará o disposto no parágrafo único do art. 26 da Lei nº11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 8º A compensação de débitos da CPRB com os créditos de que trata o caput será efetuada por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário constante do Anexo VII desta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório, e observará o disposto no parágrafo único do art. 26 da Lei nº11.457, de 16 de março de 2007. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Logo, diante da inexistência de previsão na legislação vigente à época dos fatos geradores sobre a necessidade de compensação por meio de PER/DCOMP, e mesmo do formulário eletrônico Compensação de Débitos de CPRB, entendese que a compensação realmente poderia ser feita mediante a informação em GFIP. Em sendo assim, e até para evitar violação ao disposto no § 6º do art. 7º da Lei 12546/11, abaixo transcrito, entendo que devem ser deduzidas do lançamento as retenções a serem confirmadas pela autoridade administrativa da SRFB, o que deverá ser apurado em sede de liquidação do julgado. Art. 7o Até 31 de dezembro de 2014, a contribuição devida pelas empresas que prestam exclusivamente os serviços de Tecnologia da Informação (TI) e de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), referidos no§ 4odo art. 14 da Lei no11.774, de 17 de setembro de 2008, incidirá sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento). Art. 7º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 768 8 previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de dois por cento, as empresas que prestam os serviços referidos nos§§ 4oe 5odo art. 14 da Lei no11.774, de 2008, e as empresas do setor hoteleiro enquadradas na subclasse 55108/01 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0). (Redação dada pela Medida Provisória nº 563, de 2012) (Vigência) Art. 7o Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Produção de efeito e vigência (Vide Decreto nº 7.828, de 2012)(Regulamento) Art.7º Contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de dois por cento: (Redação dada pela Medida Provisória nº 651, de 2014) Art. 7º Contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (Vide Medida Provisória nº 669, de 2015)Sem eficácia Art. 7º Poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: (Redação dada pela Lei nº 13.161, de 2015)(Vigência)(Vide Lei nº 13.161, de 2015) Art. 7º Até 31 de dezembro de 2020, poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991:(Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018)(Vigência) [...] § 6o No caso de contratação de empresas para a execução dos serviços referidos no caput, mediante cessão de mão de obra, na forma definida pelo art. 31 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante deverá reter 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)Produção de efeito e vigência Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10872.720189/201700 Acórdão n.º 2402006.812 S2C4T2 Fl. 769 9 § 6º No caso de contratação de empresas para a execução dos serviços referidos no caput, mediante cessão de mão de obra, na forma definida pelo art. 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e para fins de elisão da responsabilidade solidária prevista no inciso VI do art. 30 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante deverá reter 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) O recurso não deve ser totalmente provido, porque as retenções cujas compensações foram informadas em GFIP deverão ser confirmadas pela autoridade executora do julgado, observandose inclusive o disposto no art. 60 da IN 1300/12, vigente àquela época, o que não necessariamente implicará o cancelamento de todo o crédito lançado: Art. 60. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mão de obra ou pela execução da empreitada total; e II destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, a fim de deduzir do lançamento as retenções a serem confirmadas pela autoridade administrativa da SRFB, o que deverá ser apurado em sede de liquidação do julgado. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903912/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 12 /2 01 3- 71 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.589.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903912/201371 Acórdão n.º 3402005.659 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720389/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra.
Numero da decisão: 2402-006.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 230 1 229 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720389/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.894 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria Contribuições Sociais Previdenc Recorrente JACKELINE DOS ANJOS FERRAZ LOBO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 89 /2 01 1- 11 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10540.720389/201111 Acórdão n.º 2402006.894 S2C4T2 Fl. 231 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário voltado contra Decisão nº 1532.401 7ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, manteve crédito tributário previdenciário lançado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em face do sujeito passivo identificado em epígrafe, por meio do Auto de Infração (AI) n.° 37.319.5753, cujo montante consolidado em 16/03/2011 é de R$ l0.319,53 (dez mil trezentos e dezenove reais e cinqüenta e três centavos), referentes à competência 12/2010. A Recorrente alega ter juntado documentos capazes de comprovar o recolhimento dos tributos em foco, tendo tido problemas decorrentes de cadastro duplicado em CEI. Alega ainda a existência de Bitributação. Alega que a obra é una, contratada da demolição a construção e nessa condição, apesar de existirem duas matriculas, os recolhimentos foram integralmente realizados. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. MÉRITO Para compreender os aspectos fático da lide voltamos ao REFISC e suas circunstâncias. Verificamos que o lançamento referese ao débito de contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal desenvolvida na matrícula CEI 32.000.02687/60. Consta do REFISC informação indicando que o fato gerador abrange a contribuição dos segurados sobre a remuneração de trabalhadores envolvidos em obra de construção civil realizadas no imóvel localizado na Rua Nilo Peçanha, 155, Vitória da Conquista, Bahia. Lançamento seguiu a sistemática de aferição indireta apuração do valor baseado na tabela de Custo Unitário Básico (CUB), conforme levantamento “CC – Construção Civil Pessoa Física”, calculando pelo sistema DISO JAVA – SIMULAÇÃO DO ARO Aviso de Regularização de Obra sob a alegação de que a Recorrente não regularizou a obra de Construção Civil em questão. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10540.720389/201111 Acórdão n.º 2402006.894 S2C4T2 Fl. 232 3 No presente auto de infração estão as Contribuições Previdenciárias Incidentes Sobre a MãodeObra empregada em Obra de Construção Civil. No auto de infração relatado estão as contribuições para Terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). Conforme registram os autos, o imóvel sob exame possuí duas matrículas CEI distintas. A de número CEI 32.000.02687/60 tem por CNAE Edificações (Residencial, industrial, comercial e serviços) nº 45217 e a matricula CEI 32.000.02556/64, CNAE 45110, referiase a Demolição e Preparação de Terreno. Como já destacado na decisão de piso, a rega vigente à época do fato gerador, detalhada por meio da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, determinava em seu art. 25 que a matrícula de obra de construção civil deveria ser efetuada por projeto, devendo incluir todas as obras nele previstas. Como os projetos juntados aos autos (fls.173/179) referemse à construção, e não à demolição, a fiscalização procedeu corretamente ao levantar o crédito previdenciário na matrícula CEI 32.000.02687/60, cujo CNAE é 45217 —Edificações (Residencial, industrial, comercial e serviços). Os documentos juntados não dão supedâneo às alegações da Recorrente de que tratarseia de obra única, o que poderia ser provado por meio de uma ART única indicando todas as fases da obra, por meio de contrato de prestação de serviço indicando uma única empreitada ou por meio do projeto arquitetônico contando todas as fases. O que consta dos autos indica tratase de projetos diversos, portanto, não é possível acolher as alegações recursais. Com relação a alegação de a obra não estaria concluída e que, por consequência, impossibilitaria a adoção da Tabela CUB como elemento de aferição da base de cálculo, eis que tratase de valor relativo ao metro quadrado construído, também não conseguimos identificar prova idônea que sustentem a tese. CONCLUSÃO Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13118.720068/2017-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheiro Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial para reconhecer a isenção apenas dos rendimentos recebidos das fontes pagadoras INSS e IPASC.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheiro Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial para reconhecer a isenção apenas dos rendimentos recebidos das fontes pagadoras INSS e IPASC. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheiro Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial para reconhecer a isenção apenas dos rendimentos recebidos das fontes pagadoras INSS e IPASC. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 8. 72 00 68 /2 01 7- 90 Fl. 51DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.674,29, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 21 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação de fls.02/03, argumentando que os rendimentos considerados omissos , relativos às fontes pagadoras INST. DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA DOS SERVIDORES DE CATALÃO, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL e FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIALREFER referemse a rendimentos de aposentadoria e pensão por moléstia profissional de conformidade com a Lei nº 7.713/88, inciso XIV, conforme perícias e laudos médicos em anexo. A impugnação foi apreciada pela 18ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, em 27/10/2017, no acórdão 1292.857, às efls. 28 a 32, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 36 e 47 no qual alega, em síntese, que: · junta laudo médico oficial que comprova a moléstia grave; · que os rendimentos recebidos da fonte pagadora FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL, entidade de previdência privada, são insignificantes e não são hábeis a gerar imposto a pagar. É o relatório. Voto Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13118.720068/201790 Acórdão n.º 2002000.532 S2C0T2 Fl. 52 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 06/12/2017, às efls. 35, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 05/01/2018, efls. 36, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O objeto da notificação de lançamento é a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Irresignada a contribuinte impugna a autuação alegando que é portadora de moléstia grave, motivo pelo qual faz jus a isenção de seus rendimentos provenientes de aposentadoria. A DRJ questiona a natureza dos rendimentos relativos à FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL–REFER, bem como o laudo apresentado pela contribuinte, nos seguintes termos: Quanto aos rendimentos pagos pela fonte pagadora FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL–REFER, cabe registrar que nenhum documento foi acostado aos autos no sentido de comprovar a natureza dos rendimentos recebidos. Analisandose o outro requisito cumulativo indispensável à concessão da isenção, cumpre informar que: 1.o Relatório Médico acostado às fls. 18/20, não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municipíos, ou seja, tratase de laudo de cunho particular; 2. o Relatório de Exame MédicoPericial de fls.11/12 e a Comunicação de Resultado de Exame Médico à fl. 21, não podem ser aceitos porque não são claros quanto à moléstia adquirida pela interessada em função de sua atividade profissional e , em ambos os documentos, restou impossível saber os dados da autoridade médica responsável pelo preenchimento dos mesmos. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 53DF CARF MF 4 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13118.720068/201790 Acórdão n.º 2002000.532 S2C0T2 Fl. 53 5 REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Às efls. 37 a 40 há laudo médico oficial atestando que a recorrente foi aposentada por incapacidade para o exercício do trabalho, decorrente de diversas moléstias profissionais, adquiridas enquanto professora, uma das causas que ensejam a concessão da isenção dos rendimentos de aposentadoria. Ainda, às efls. 44 e 45 há DIRF que atesta expressamente que os valores recebidos da FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL–REFER são complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência complementar, posto que passíveis de serem isentos. Logo, cumpridos todos os requisitos para a concessão do benefício da isenção. Diante do exposto, conheço do presente Recurso para, no mérito darlhe provimento, reconhecendo a isenção dos rendimentos da recorrente. Fl. 55DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006171/00-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE IRRF. CONSÓRCIOS DE EMPRESAS. ILEGITIMIDADE.
Os rendimentos e os valores retidos de imposto com origem na atuação de empresas sob a forma de consórcio devem ser computados na declaração de rendimentos de cada uma das empresas integrantes do consórcio, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. Os consórcios de empresa não têm legitimidade ativa para postular eventual restituição ou compensação de impostos retidos n fonte.
Numero da decisão: 1301-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da ilegitimidade do requerente.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE IRRF. CONSÓRCIOS DE EMPRESAS. ILEGITIMIDADE. Os rendimentos e os valores retidos de imposto com origem na atuação de empresas sob a forma de consórcio devem ser computados na declaração de rendimentos de cada uma das empresas integrantes do consórcio, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. Os consórcios de empresa não têm legitimidade ativa para postular eventual restituição ou compensação de impostos retidos n fonte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-19T20:31:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-19T20:31:52Z; Last-Modified: 2019-02-19T20:31:52Z; dcterms:modified: 2019-02-19T20:31:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c0f9093e-96c2-4180-9dae-f90a435842ad; Last-Save-Date: 2019-02-19T20:31:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-19T20:31:52Z; meta:save-date: 2019-02-19T20:31:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-19T20:31:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-19T20:31:52Z; created: 2019-02-19T20:31:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-02-19T20:31:52Z; pdf:charsPerPage: 1059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-19T20:31:52Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 174 1 173 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.006171/0071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.664 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente CONSORCIO UNIVIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE IRRF. CONSÓRCIOS DE EMPRESAS. ILEGITIMIDADE. Os rendimentos e os valores retidos de imposto com origem na atuação de empresas sob a forma de consórcio devem ser computados na declaração de rendimentos de cada uma das empresas integrantes do consórcio, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. Os consórcios de empresa não têm legitimidade ativa para postular eventual restituição ou compensação de impostos retidos n fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 61 71 /0 0- 71 Fl. 174DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da ilegitimidade do requerente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11080.006171/0071 Acórdão n.º 1301003.664 S1C3T1 Fl. 175 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de manifestação de inconformidade, constante às fls. 100/106, contra o| decidido no Despacho Decisório DRF/POA n° 738, de 22 de agosto de 2006 (fls. 92/94). A requerente um consórcio de empresas pleiteia a restituição/compensação de créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. A decisão combatida indeferiu o pedido, sob argumento de que 1,1 mesmo na hipótese de as aplicações financeiras terem sido realizadas em nome e no CNPJ do consórcio não cabe a ele pleitear a restituição de eventuais créditos [...] haja vista que tanto os rendimentos quanto os valores retidos a titulo do imposto devem ser computados na declaração de rendimentos de cada uma das consorciadas, proporcionalmente à participação contratada, cabendo somente a elas, as consorciadas, pleitear a restituição de eventual créditos decorrentes do excesso de retenções ". A contribuinte manifesta sua inconformidade, trazendo os seguintes argumentos: 1. os débitos constantes da carta de cobrança recebida pela empresa junto com a decisão da DRF são relativos a impostos com vencimento no ano 2000 e, com| isso, seria inquestionável que decaiu o direito de o Fisco constituir os créditos e, também, a cobrança do mesmos está prescrita; 2. a interessada tentou entregar três declarações de compensação, documentos 04J 05 e 06 juntados, mas o setor competente da SRF não teria aceitado receber ditos formulários, sob argumento verbal de que estariam prescritas ditas compensações. 3. a contribuinte tenta, desde o ano 2000, proceder ditas compensações documentos 7, 8, 9 e 10 juntados logo, inegável que o contribuinte propôs o correspondente processo administrativo, com o que fez cessar a contagem do prazo prescricional. O presente processo, aberto em 27/09/2000, somente teve decisão em 22/08/2006, comunicada ao contribuinte em 08/09/2006; 4. o consórcio, sendo um ente despersonalizado, confundese com personalidade das consorciadas que o compõem e, por isso, o fato de o consórcio e consorciadas terem CNPJ com números diferentes não é óbice para ditas compensações. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja acórdão encontrase as fls. 144 e segs. e ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1999 Fl. 176DF CARF MF 4 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE IRRF. CONSóRCIOS DE EMPRESAS ILEGITIMIDADE ATIVA. Os rendimentos e os valores retidos de imposto com origem na atuação de empresas sob a forma de consórcio devem ser computados na declaração de rendimentos de cada uma das empresas integrantes do consórcio, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. Os consórcios de empresa não têm legitimidade ativa para postular eventual restituição ou compensação de impostos retidos n fonte. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, fl. 153 e segs, em 13/09/2007, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. Em solicitação de diligencia de 18 de setembro de 2018, o então conselheiro relator do processo da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da Segunda Seção de Julgamento sugeriu o encaminhamento dos autos para distribuição a Relator da 1ª Seção nos seguintes termos: Em análise de triagem aos lotes sorteados a esse Conselheiro Relator verifiquei tratarse o presente caso, da mesma forma que o anterior Conselheiro às fls. 169/170, de pedido de compensação/restituição de IRRF de saldo negativo de IRPJ. O crédito pleiteado, portanto, referese a imposto pago como antecipação do IRPJ tributo cuja competência é da 1ª Seção desse CARF na forma do inciso III do art.2º do Ricarf: “III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Às fls. 171, existe decisão do Presidente dessa 2ª Seção na época, determinando o encaminhamento dos autos para a 1ª Seção. Assim, sugiro o encaminhamento dos autos para distribuição a Relator da 1ª Seção, conforme determinação anterior de fls. 171 da Presidência na época da 2ª Seção. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11080.006171/0071 Acórdão n.º 1301003.664 S1C3T1 Fl. 176 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Tratase de pedido de restituição (efls. 02 e segs) em nome de Consórcio Univias protocolado em 23 de Agosto de 2000 motivado pelo aproveitamento de crédito fiscal referente a operação de swap, crédito ocorrido nos meses de janeiromarçoabrildezembro de 1999, decorrentes de aplicação financeira, no valor originário de R$ 73.744,30 (atualizado pela Selic até a data do pedido em R$ 95.435,85), conforme informe de rendimentos abaixo (efl. 05): Em 27 de Setembro de 2000 houve pedido de compensação dos aludidos créditos acima mencionados com débitos no valor de R$ 19.809,41, de natureza de código de receita 0561 (IRF remunerações do trabalho assalariado), referentes ao período de apuração de Agosto de 2000 (fl. 23). Em 31 de Outubro de 2000 houve novo pedido de compensação dos mesmos créditos acima mencionados com débitos no valor de R$ 20.139,36, de natureza de código de receita 0561 (IRF remunerações do trabalho assalariado), referentes ao período de apuração de Setembro de 2000 (fl. 25). Em 16 de Novembro de 2000 houve novo pedido de compensação dos mesmos créditos acima mencionados com débitos no valor de R$ 28.217,49, de natureza de código de receita 0561 (IRF remunerações do trabalho assalariado), referentes ao período de apuração de Outubro de 2000 (fl. 30). Fl. 178DF CARF MF 6 Em 11 de Janeiro de 2001 houve novo pedido de compensação dos mesmos créditos acima mencionados com débitos no valor de R$ 29.888,28, de natureza de código de receita 0561 (IRF remunerações do trabalho assalariado), referentes ao período de apuração de Novembro de 2000 (fl. 31). Restituição / Compensação por consórcio Entendo, em linha com o despacho decisório e decisão de primeira instancia que não há legitimidade por parte do consórcio para que realiza o pedido de restituição e compensação. Cabe às consorciadas, proporcionalmente à participação contratada, cabendo somente a elas pleitear a restituição de eventuais créditos decorrentes do excesso de retenções. Neste sentido, tomo a liberdade de reproduzir trecho do despacho decisório que reflete meu entendimento sobre a questão (efl. 113 e segs) : 2. A constituição de consórcio de empresas regese pelos arts. 278 e 279 da Lei n 6.404 /1976, dos quais cabe destacar o § 1o do art. 278, que estabelece que o consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. 3. A Instrução Normativa SRF n° 105, de 19/10/1984, por sua vez, determinou que os consórcios constituídos na forma dos arts. 278 e 279 da Lei n° 6.404/76, que pagassem rendimentos sujeitos a retenção na fonte ou auferissem rendimentos em decorrência de suas atividades, estariam obrigados a inscreverse no Cadastro Geral do Contribuintes CGC (hoje CNPJ) e que os rendimentos decorrentes de suas atividades estariam sujeitos ao mesmo regime tributário aplicável às pessoas jurídicas. Vale dizer que embora essa Instrução Normativa tenha sido revogada, a obrigatoriedade de inscrição do consórcio no CNPJ ainda permanece, conforme atual Instrução Normativa RFB n° 568, de 8 de setembro de 2005. 4. À citada IN SRF n° 105/1984 veio a ser objeto do Ato Declaratório (Normativo) CST 08/11/1984, que assim dispôs: l o fato de aplicarse aos consórcios (constituídos na forma dos artigos 278 e 279 da Lei 6.404/76) o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoa jurídicas, não os obriga nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos; 2 para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades (principais e acessórias) desses consórcios devem ser computados nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento; 3 o valor do imposto relido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios a que se refere o item l, será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada e observado o disposto no art. 7 do Decretolei n 2.072, de 20/12/83. 5. Verificase, assim, que, mesmo na hipótese de as aplicações financeiras terem sitio realizadas em nome e no CNPJ do consórcio, não cabe a ele pleitear a restituição de eventuais créditos decorrentes do imposto retido na fonte sobre essas aplicações, haja vista que tanto os rendimentos quanto os valores retidos a título do imposto devem ser computados na declaração de rendimentos de cada uma das consorciadas, proporcionalmente à participação contratada, cabendo somente a elas, consorciadas, pleitear a restituição de eventuais créditos decorrentes do excesso de retenções. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11080.006171/0071 Acórdão n.º 1301003.664 S1C3T1 Fl. 177 7 Tendo em vista o exposto acima, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por ilegitimidade da requerente. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o Recurso Voluntário por ilegitimidade do requerente. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002338/2007-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2004
Ementa:
DECADÊNCIA – IRPJ, CSLL, IRRF
O IRPJ e a CSLL apurados mensalmente se colocam sob regime jurídico de estimativa, ainda que apurados com base em balanço de suspensão ou de redução, não se confundindo com o IRPJ e a CSLL efetivos apurados anualmente. Lançamentos feitos em 2007, com o que não se consumou a decadência. É aplicável ao IRRF o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, não se consumando igualmente a decadência.
DEDUTIBILIDADE – CARTÕES DE INCENTIVO CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTOS SEM CAUSA
A recorrente sabia ou deveria saber quem são os beneficiários finais dos
créditos concedidos mediante os cartões de incentivo. Caracterização de
pagamento a beneficiários não identificados e sem causa. Glosa mantida.
DEDUTIBILIDADE – CARTÕES DE INCENTIVO – BENEFICIÁRIOS
GERENTES E ADMINISTRADORES
Os benefícios dos cartões de incentivo não foram integrados à remuneração
dos administradores e gerentes, e, por consequência, não houve retenção de
IRF segundo a tabela progressiva sobre tais benefícios. Suporte fático que
enseja a indedutibilidade da despesa.
DEDUTIBILIDADE – CARTÕES DE INCENTIVO – BENEFICIÁRIOS
EMPREGADOS
A recorrente não identificou os beneficiários dos créditos dos cartões de
incentivo que sejam seus empregados. A identificação de tais beneficiários se
deu em relação aos cartões geridos por uma das administradoras, e por esta,
mediante intimação da fiscalização. Ainda assim, a recorrente não logrou demonstrar que os créditos se deram a título de cursos e treinamentos, como
registrado em sua escrituração contábil. Glosa mantida.
IRRF À ALÍQUOTA MAJORADA – PAGAMENTOS SEM CAUSA E A
BENEFICIÁRIOS GERENTES E ADMINISTRADORES
Corolário da indedutibilidade por pagamentos sem causa é a incidência do
IRRF exclusivo na fonte pagadora à alíquota majorada de 35%. Tratase
de
presunção legal de rendimento auferido pelo beneficiário do pagamento ou
do recurso a ele transferido e por este omitido. Consectário da
indedutibilidade das despesas, por falta de integração dos benefícios à
remuneração dos administradores e gerentes e de retenção do IRF segundo a
tabela progressiva, é a incidência de IRRF exclusivo na fonte pagadora à
alíquota majorada de 35%. Exigência só de multa e de juros cabe quanto a
beneficiários empregados da recorrente, como se deu no caso vertente.
Numero da decisão: 1103-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Shigueo Takata
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Recorrida 8ª TURMA DA DRJ/SÃO PAULO I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2004 Ementa: DECADÊNCIA – IRPJ, CSLL, IRRF O IRPJ e a CSLL apurados mensalmente se colocam sob regime jurídico de estimativa, ainda que apurados com base em balanço de suspensão ou de redução, não se confundindo com o IRPJ e a CSLL efetivos apurados anualmente. Lançamentos feitos em 2007, com o que não se consumou a decadência. É aplicável ao IRRF o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, não se consumando igualmente a decadência. DEDUTIBILIDADE – CARTÕES DE INCENTIVO CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTOS SEM CAUSA A recorrente sabia ou deveria saber quem são os beneficiários finais dos créditos concedidos mediante os cartões de incentivo. Caracterização de pagamento a beneficiários não identificados e sem causa. Glosa mantida. DEDUTIBILIDADE – CARTÕES DE INCENTIVO – BENEFICIÁRIOS GERENTES E ADMINISTRADORES Os benefícios dos cartões de incentivo não foram integrados à remuneração dos administradores e gerentes, e, por consequência, não houve retenção de IRF segundo a tabela progressiva sobre tais benefícios. Suporte fático que enseja a indedutibilidade da despesa. DEDUTIBILIDADE – CARTÕES DE INCENTIVO – BENEFICIÁRIOS EMPREGADOS A recorrente não identificou os beneficiários dos créditos dos cartões de incentivo que sejam seus empregados. A identificação de tais beneficiários se deu em relação aos cartões geridos por uma das administradoras, e por esta, mediante intimação da fiscalização. Ainda assim, a recorrente não logrou Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.572 2 demonstrar que os créditos se deram a título de cursos e treinamentos, como registrado em sua escrituração contábil. Glosa mantida. IRRF À ALÍQUOTA MAJORADA – PAGAMENTOS SEM CAUSA E A BENEFICIÁRIOS GERENTES E ADMINISTRADORES Corolário da indedutibilidade por pagamentos sem causa é a incidência do IRRF exclusivo na fonte pagadora à alíquota majorada de 35%. Tratase de presunção legal de rendimento auferido pelo beneficiário do pagamento ou do recurso a ele transferido e por este omitido. Consectário da indedutibilidade das despesas, por falta de integração dos benefícios à remuneração dos administradores e gerentes e de retenção do IRF segundo a tabela progressiva, é a incidência de IRRF exclusivo na fonte pagadora à alíquota majorada de 35%. Exigência só de multa e de juros cabe quanto a beneficiários empregados da recorrente, como se deu no caso vertente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.573 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de recurso voluntário, fls. 1562 a 1569, de Assemte Instalações Telefônicas Ltda., supra qualificada, apresentada em face dos autos de infração de IRPJ, CSL e IRRF, fls. 1315 a 1366. Conforme consta do Termo de Verificação de fls. 1294 a 1310, a ação fiscal originouse de informação do Ministério Público acerca da existência de possível sonegação de tributos federais através do uso de cartões magnéticos de incentivo, denominados como sendo do tipo “Flexcard”. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08190.002007004469 (fl. 1) a fiscalização constatou as seguintes irregularidades, relativamente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004: – Despesa indedutível – Pagamentos a beneficiários não identificados; operação cuja necessidade não foi comprovada – Pagamento sem causa; – Falta de retenção/recolhimento do IRRF sobre pagamentos sem causa e a beneficiários não identificados; – Falta de retenção na fonte do IRRF sobre pagamentos feitos a administradores e gerentes e a não incorporação de tais pagamentos nos valores dos respectivos salários; Descreve a autoridade fiscal no Termo de Verificação de 13/09/2007: • A fiscalizada tem por atividade principal a manutenção de estações de redes de telecomunicações (CNAE 4221905) e utilizava os cartões “Flexcard” para efetuar o pagamento de prêmios ou outros tipos de vantagens a seus empregados, administradores, fornecedores, ou outro tipo de beneficiários, ditos premiados, por meio de uma operadora de cartão de crédito ou outra prestadora de serviço; • As empresas usuárias assinavam um contrato de prestação de serviços com a operadora de cartão de crédito, através do qual se obrigavam a pagar uma certa quantia que seria creditada em diversos cartões a serem entregues aos recebedores do benefício, que podiam então utilizar os valores disponibilizados; além do valor creditado nos cartões, a empresa contratante dos serviços pagava, em cada nota fiscal, uma taxa pela administração dos serviços; • A fiscalizada apresentou declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica – DIPJ – relativas aos anoscalendário de 2002 a 2004 pelo regime de apuração do lucro real anual, e relativa ao anocalendário de 2003 pelo regime de lucro presumido; Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.574 4 • O contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal a apresentar, além dos livros e documentos contábeis e fiscais, uma relação dos beneficiários, datas e valores referentes aos pagamentos efetuados através do uso do cartão magnético de incentivo, denominado “Flexcard”, administrado pelas empresas Incentive House e Expertise Comunicação Total, bem assim informar as rubricas contábeis envolvidas no registro de tais pagamentos e fornecer as cópias das respectivas razões contábeis, notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamentos, contratos, etc.; • Foram anexadas ao presente processo (fls. 338 a 1229) cópias das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, as quais foram contabilizadas como despesa, referentes às empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda. (CNPJ 03.069.255/000107) e Incentive House (CNPJ 00.416.126/000141); • Observa a fiscalização que, considerando a negativa do contribuinte em identificar os beneficiários dos pagamentos feitos através da Incentive House e da Expertise, foi solicitado e emitido MPFExtensivo em face destas empresas, que foram intimadas por via postal; • A Incentive House apresentou a relação de fls. 255 a 337 indicando os beneficiários dos pagamentos feitos a mando da fiscalizada, nos anos calendário de 2002 a 2004; a Expertise, por sua vez, não havia atendido a intimação até aquele momento; • Em 22/08/2007 houve nova intimação à fiscalizada solicitando: 1. Considerando ter a Incentive House S/A entregado a esta fiscalização relação de beneficiários de prêmios disponibilizados pelo contribuinte em epígrafe, através do uso de cartões do tipo “Flexcard” nos anoscalendário de 2002 a 2004, da qual o mesmo recebe cópia juntamente com o presente termo; 2. Informar para cada beneficiário constante da lista a vinculação que o mesmo tinha com a Assemte Instalações Telefônicas (se é empregado, fornecedor, prestador de serviço, sócio, ...) à época (mês) dos pagamentos; 3. Caso o vínculo seja empregatício, informar e comprovar o cargo/função que exerciam; 4. Informar para cada beneficiário a remuneração total do mês do benefício e se o benefício pago através do “Flexcard” estava incluído nesta remuneração; 5. O motivo pelo qual as pessoas físicas foram beneficiadas com os pagamentos dos prêmios, e termo de esclarecimento onde restem completamente esclarecidas as regras para pagamento dos prêmios, inclusive formas do seu cálculo; 6. De forma a facilitar ao contribuinte a resposta às solicitações feitas nos itens anteriores, esta fiscalização está Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.575 5 entregando a relação citada no item 1, em planilha Excel (1 disco), já contendo as colunas que devem ser preenchidas pelo contribuinte; • Em seguida, a fiscalizada forneceu a relação de fls. 1233 a 1264, contendo os cargos dos beneficiários dos pagamento efetuados através da Incentive House, esclarecendo que os beneficiários não classificados na planilha como gerente ou administrador foram todos empregados da empresa, e que os valores pagos não fizeram parte dos salários informados em DIRF; • Os pagamentos efetuados a diversos beneficiários no decorrer de 2002 e 2003, através da Expertise Comunicação Total, foram escriturados na rubrica contábil 461.0083 – SubEmpreitadas Serviços Gerais ou simplesmente Serviços Gerais (Livro Razão às fls. 154 e seguintes); • O contribuinte, apesar de informar serem os referidos pagamentos efetuados a título de incentivo e treinamento a produtividade de colaboradores (fl. 128), não logrou sucesso em identificar quais funcionários/colaboradores receberam os valores pagos, mesmo tendo sido intimado e reintimado (fls. 122, 123 a 129); • Apesar de solicitado (fl. 132), não apresentou o contrato de serviço referente à prestação de serviços por parte da Expertise, e tampouco forneceu qualquer documentação adicional que prestasse a comprovar a existência de planos de incentivo e/ou treinamentos realizados pela empresa citada; • Concluiu a autoridade fiscal que as despesas contabilizadas na rubrica acima apontada, no decorrer dos anoscalendário de 2002 e 2003, constituíam pagamentos efetuados a beneficiários não identificados e feitos sem a necessária comprovação da causa, através da Expertise Comunicação Total S/A, sendo portanto despesas indedutíveis, acarretando como consequência a sua glosa na apuração do lucro real de 2002; tais pagamentos são tributados pelo IRRF, em 2002 e 2003, nos termos do art. 674 do RIR/99; • Quanto aos pagamentos realizados de 2002 a 2004 através da empresa Incentive House, estes foram escriturados na rubrica contábil 462.0356 – Cursos e Treinamentos Profissionais (Livro Razão às fls. 154 e seguintes); • Embora tenha informado que tais pagamentos foram efetuados a título de incentivo e treinamento a produtividade de colaboradores (fl. 127), o contribuinte não logrou sucesso, inicialmente, em identificar quais funcionários/colaboradores receberam os valores pagos através da Incentive House, apesar de intimado e reintimado (fls. 127 a 129); • Apesar de solicitado (fl. 132), não apresentou o contrato de serviço referente à prestação de serviços por parte da Incentive House, e tampouco forneceu qualquer documentação adicional que prestasse a Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.576 6 comprovar a existência de planos de incentivo e/ou treinamentos por ela realizados; • Entretanto, a Incentive House apresentou a relação de fls. 225 e seguintes, na qual são indicados os valores pagos a diversos beneficiários, por ordem da fiscalizada, bem como o contrato de prestação de serviço (fls. 257 e seguintes) tratado com a fiscalizada; • Os valores contidos na relação são compatíveis com os valores constantes nas notas fiscais apresentadas e contabilizadas pela fiscalizada; • Apenas em duas notas fiscais, relacionadas à fl. 1303, não houve identificação do beneficiário dos pagamentos; Data Crédito Valor Nota Fiscal 15/01/2004 R$ 4.650,00 75015 16/02/2004 R$ 458,00 77370 • A Incentive House não informou relativamente aos pagamentos efetuados em 2002, a data em que o crédito se tornou disponível para o beneficiário; contudo, como o item 2.1.6 do contrato informa ser obrigação da empresa disponibilizar os recursos alocados no prazo de 2 dias úteis contados da data da comprovação do pagamento pelo cliente (informação esta confirmada pela fiscalizada), a data do crédito dos pagamentos a ela referentes foi obtida para cada nota fiscal; • Posteriormente, a fiscalizada informou os cargos dos beneficiários relacionados pela Incentive House, indicando gerentes, administradores, prestadores de serviços e empregados; em verificação por amostragem nas DIRF apresentadas pelo contribuinte, foi possível confirmar o vínculo empregatício de alguns dos beneficiários relacionados, ressaltandose, contudo, a possibilidade de beneficiários não localizados por estarem abaixo do limite de isenção; • Foram apurados os valores pagos a administradores e gerentes nos anos de 2002 e 2004 (fls. 1271 a 1286); a fiscalização concluiu que tais valores deveriam ter sido incorporados aos seus respectivos salários, nos termos do art. 358 do RIR/99, e tributados exclusivamente na fonte, nos termos do art. 622 e 675 do citado Regulamento, devendo o rendimento ser considerado líquido, com o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto; • Quanto aos pagamentos efetuados a empregados, que não se enquadram na hipótese prevista no art. 358 do RIR/99, foram relacionados (fl. 1289) os pagamentos que ultrapassaram o limite de isenção na fonte de 2002 (R$ 1.058,00), sobre os quais recai a multa isolada pela não retenção do Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.577 7 devido IRRF; também cabe a multa no caso de um funcionário cujo salário constante em DIRF, acrescido dos benefícios recebidos da Incentive House, ultrapassou o referido limite (fl. 1290); • No tocante aos pagamentos para os quais não houve identificação e/ou causa comprovada (as duas notas fiscais mencionadas anteriormente), bem como relativamente aos pagamentos feitos a um dos beneficiários identificados pela Incentive House, que a fiscalizada alegou tratarse de prestador de serviço, sem contudo informar qual serviço seria, ou porque tal prestador estaria recebendo prêmios, concluiu a autoridade fiscal que deveria haver o mesmo tratamento dado aos pagamentos efetuados através da Expertise Comunicação Total, enquadrandose no art. 674, c/c art. 304, do RIR/99, acarretando não só a glosa da despesa como a tributação do IRRF; • Ressalvou a fiscalização que a matéria relativa à correta aplicação do coeficiente na apuração do lucro presumido tributável ainda era objeto de trabalhos fiscais, razão pela qual o encerramento feito através da presente autuação foi apenas parcial; • Como fundamento legal, apontou a autoridade fiscal: 1) Pagamento sem causa feito a beneficiário não identificado (para os quais tributase a glosa de despesa em 2002 e 2004, e a falta de retenção e recolhimento do IRRF em 2002, 2003 e 2004) Art. 249, I; 251 e parágrafo único; 300; 304 e 674, do RIR/99; Art. 2º e §§, da Lei 7.689/88; art. 19 da Lei 9.249/95; art. 1º da Lei 9.316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96; art. 6º da MP 1.858/99 e reedições; 2) Remuneração indireta não incorporada ao salário, feita através da Incentive; Arts. 249, I; 251 e parágrafo único; 300; 304; 358 e §§; 622 e 675, do RIR/99; 3) Juros e multa isolada pela falta de retenção do IRRF sobre os benefícios pagos a empregados fora do limite de isenção: Art. 9º da Lei 10.426/02; art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Ante o constatado, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 1315 a 1322), de CSL (fls. 1326 a 1333) e de IRRF (fls. 1342 a 1348), que perfazem o montante de R$ 5.578.315,58, já computados o imposto/contribuição, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 31/08/2007, no valor de R$ 3.988.564,10. A ciência pessoal do contribuinte ocorreu em 13/09/2007 (fls. 1315, 1326, 1342 e 1361). Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.578 8 DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, e devidamente representada por seu procurador (fls. 1383 a 1384), a autuada protocolizou em 11/10/2007 a impugnação de fls. 1370 a 1382 alegando, em síntese, que: • Quanto ao IRPJ, à CSL e à multa, teria transcorrido o prazo decadencial relativo aos fatos geradores ocorridos até 30/08/2002, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; • Discorda da glosa de despesas relativas a pagamentos a beneficiários não identificados; • A impugnante efetuou pagamentos à Incentive House e à Expertise Comunicação conforme contrato de prestação de serviços firmado, sendo evidente a identificação dos beneficiários dos pagamentos, e “os repasses realizados a posteriori não são de responsabilidade da impugnante, considerados, inclusive, a impossibilidade absoluta de meios”; • Os valores pagos às referidas empresas foram contabilizados, não havendo que se falar em contabilização indevida ou pagamentos sem causa, tendo as notas fiscais sido apresentadas à fiscalização; • O fato de inexistir a identificação dos beneficiários por falha daquelas empresas não implica a responsabilidade solidária da impugnante, sendo inaplicável a regra da retenção do imposto; • Quanto aos pagamentos efetuados pela Incentive House a gerentes, administradores e empregados, a retenção caberia ao próprio beneficiário, com base na tabela progressiva e sujeitos a ajuste anual, nos termos do art. 620 c/c art. 624, ambos do RIR/99, não havendo que se falar na aplicação dos artigos 622 e 675 do mesmo Regulamento; • A responsabilidade da fonte pagadora subsiste somente até a data da entrega da declaração de ajuste anual, a partir de quando a responsabilidade passa a ser daquele que auferiu o respectivo rendimento, conforme consta no Parecer Normativo nº 1 de 2002, e consoante entendimento pacificado no Conselho de Contribuintes; • Sendo assim, pleiteia que o lançamento de IRRF, IR, CSL, juros e multa seja inteiramente cancelado. DA DECISÃO DA DRJ Em 2/09/2008, acordaram os julgadores da 8ª Turma da DRJ de São Paulo, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, pelos motivos abaixo sintetizados: Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.579 9 Acerca da preliminar de decadência aduzida pela recorrente, primeiramente realizou esclarecimentos sobre os prazos decadenciais previstos pelo Código Tributário Nacional. A seguir, observou que os fatos geradores sujeitos ao prazo do art. 150, § 4º, do CTN, ocorreram em 31/12/2002; e aqueles sujeitos ao art. 173, I, também do CTN, ocorreram em 31/12/2002, devendo seu prazo ser contado a partir de 1º/01/2004. De tal sorte que, sendo a exigência fiscal de setembro de 2007, todos os fatos geradores se deram antes do transcurso do prazo decadencial. Sobre o pagamento realizado a beneficiários não identificados, restou claro que os pagamentos feitos à Incentive House e à Expertise Comunicação eram repassados a empregados, gerentes, administradores da fiscalizada, e não eram para cursos ou treinamentos, como foi escriturado, mas a título de premiação àqueles. Dessa forma, acertada a conclusão da autoridade administrativa ao tributar os referidos pagamentos, sendo a responsabilidade pelo IRRF da fonte pagadora. Não poderia ser outra a conclusão, já que não estando os beneficiários identificados, seria impossível que o fisco deles exigisse o imposto. Não há que se falar, portanto, que a retenção caberia ao próprio beneficiário do rendimento, conforme defende a recorrente. Agiu a fiscalização, de maneira correta, consoante o Parecer Normativo nº 1/2002, para situações em que a incidência na fonte tinha a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, no caso, os empregados beneficiários da premiação. Alega a recorrente não poder ser responsabilizada pelos repasses feitos pela Expertise e pela Incentive House; sua responsabilidade encerraria no momento em que entregou os recursos a estas empresas. Contudo restou comprovado que os beneficiários dos recursos repassados eram administradores, gerentes e empregados da fiscalizada. E ainda, não havia qualquer relação ou vínculo entre estes e as empresas que realizavam o repasse dos benefícios que pudesse sugerir que fossem pagamentos decorrentes de relações jurídicas havidas entre essas pessoas. Por fim, os pagamentos realizados a gerentes e administradores, devem ser incluídos na remuneração dos beneficiários e tributados de acordo com as disposições do art. 358, II, § 2º, do RIR/99. O que decidido quanto ao IRPJ se estende, no que cabível, à autuação reflexa de CSL. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 26/12/2008, recurso voluntário de fls. 1562 a 1569, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural. É o relatório. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.580 10 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o exame da preliminar de mérito de decadência. A recorrente argui terse consumado o fenômeno decadencial em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/08/02, na conformidade do art. 150, § 4º, do CTN, vez que os lançamentos se aperfeiçoaram em 13/07/07. A Lei 9.430/96 consagrou expressamente o regime jurídico de estimativa quanto ao dever de pagar o IRPJ e a CSL mensalmente – para aqueles que não apuram o lucro presumido, arbitrado, ou lucro real trimestral. Assim, aos que optarem pela apuração do lucro real anual – e, pois, da base de cálculo da CSL anual – há o dever de pagar o IRPJ e a CSL mensalmente sob o regime de estimativa. Isso significa que, no caso, o IRPJ e a CSL apuráveis e pagáveis mensalmente são estimativa, e não o IRPJ e a CSL efetivos. Mas e aos que apuram o IRPJ e a CSL mensal por balanço de suspensão ou redução? Igualmente, o IRPJ e a CSL assim apurados e devidos se colocam sob o regime jurídico de estimativa. Ainda que o valor do IRPJ e da CSL dessa forma apurados venham a coincidir com o IRPJ e a CSL efetivos anuais – caso de aplicação do balanço de suspensão ou redução em dezembro – o IRPJ e a CSL devidos mensalmente não se confundem com o IRPJ e a CSL efetivos anual, juridicamente. Nesse sentido é expresso o art. 2º, caput, da Lei 9.430/96, ao falar da base de cálculo estimada, fazendo expressa remissão ao art. 35 da Lei 8.981/95, que cuida do balanço de suspensão ou redução. E o título do art. 2º, como do art. 6º (tributo efetivamente devido, para quem o apura anualmente, com dever de pagamento mensal), é “Pagamento por Estimativa”. E o art. 28 da Lei 9.430/96 estende esses preceitos à CSL. Podese discutir se os pagamentos mensais de IRPJ e de CSL, antes da Lei 9.430/96, precisamente, sob a égide da Lei 8.981/95 eram tributos efetivos ou não, já que persistia o dever de apuração anual. Mas, com a Lei 9.430/96, essa discussão deixa de existir, com a expressa consagração do dever de pagar mensalmente o IRPJ e a CSL como estimativas desses tributos, ainda que apurados com base em balanço de suspensão ou redução. Portanto, não há consecução da decadência em relação aos lançamentos de IRPJ e de CSL. Sobre a decadência quanto ao IRRF observo o seguinte. Sobre a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, mesmo sem algum pagamento, fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.581 11 Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. O julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional contido no referido acórdão do STJ, em sede de procedimento repetitivo, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto nenhum com termo inicial previsto em algum artigo do CTN. Por conseguinte, sobre o IRRF por pagamento sem causa, aplicável o art. 173, I, do CTN, não havendo consumação de decadência quanto ao lançamento a ele relativo. De tal feito, nego provimento ao recurso sobre a questão da decadência. Passo ao exame do mérito. Como se viu do relatório, os lançamentos decorreram do procedimento fiscal referente a despesas incorridas (regime de competência) e correspondentes pagamentos (regime de caixa) às empresas Incentive House e Expertise Comunicação Total S/C Ltda., para concessão de benefícios a diversas pessoas, mediante crédito em cartões magnéticos de incentivo do tipo “Flexcard”, administrados pelas duas citadas empresas. Ou seja, a recorrente incorreu em despesas pagando os valores dos benefícios creditados em cartões magnéticos de incentivo (“Flexcard”) que eram concedidos aos beneficiários – os pagamentos eram feitos às administradoras dos cartões de incentivo. A recorrente articula que os pagamentos eram identificados – portanto, não foram feitos a beneficiário não identificados – e devidamente contabilizados. A identificação se deu nas empresas Incentive House e Expertise Comunicação Total S/C Ltda., sendo que os beneficiários finais dos créditos compete a essas empresas, o que se dá posteriormente ao pagamento feito à recorrente – é sua alegação. Também argui que, quando muito, só caberia a exigência de multa e de juros, jamais o principal (IRRF), conforme o Parecer Normativo RFB 1/02. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.582 12 É de se ver que, quanto aos benefícios concedidos mediante crédito nos cartões de incentivo administrados pela Incentive House, só foram glosadas as despesas incorridas em que os beneficiários finais foram gerentes e administradores. Exceto por despesas correspondentes a 2 notas fiscais que não tiveram seus beneficiários finais identificados. Lembrase que a identificação dos beneficiários finais dos créditos dos cartões de incentivo administrados pela Incentive House e dos valores concedidos a cada um se deu por essa, e não pela recorrente, mediante intimação às administradoras dos cartões, precedida de Mandado de Procedimento FiscalExtensivo. Já as despesas incorridas relativas aos créditos nos cartões de incentivo administrados pela Expertise Comunicação Total foram integralmente glosadas, porquanto nem a recorrente nem a administradora identificaram os valores e os beneficiários finais dos créditos. Pois bem. É evidente que a recorrente sabia, ou deveria saber, quem são os beneficiários finais dos créditos concedidos mediante os cartões de incentivo. Como se nota das fls. 255 a 337, a Incentive House indicou os beneficiários e os valores atribuídos a cada um dos créditos feitos, a mando da recorrente. E, quanto aos valores repassados através da administradora Expertise Comunicação Total, mesmo se supondo que os créditos aos beneficiários finais não se davam a mando ou ordem da recorrente, esta tinha o dever de obter junto à administradora os beneficiários e os valores creditados a cada um, para poder justificar a dedução das despesas incorridas. O art. 2º da Lei 3.470/58, reproduzido no art. 304 do RIR/99, é expresso ao prescrever a indedutibilidade das despesas correspondentes a pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado1. Observo o seguinte. A lei, ao dizer pagamento sem causa, referese à transferência de recurso a terceiro sem causa identificada. O sentido da lei é: como não se identifica a causa da transferência de recurso a terceiro, registrada como despesa, temna indedutível. Aliás, se estivesse a lei cuidando de pagamento em estrito sentido jurídico, haveria contradição de termos. Se é pagamento, não há como sêlo sem causa. Pagamento é forma extintiva ordinária de dever (obrigação). Se não há dever (obrigação), não há pagamento (fato jurídico ou atofato jurídico ou ato jurídico, ou mesmo negócio jurídico em certos casos, tudo a depender da doutrina a que se filie). O único sentido extraível da norma legal é o de que ela referiu a transferência de recurso sem causa cujo valor foi registrado como despesa, a qual, por falta de identificação de causa, temna por indedutível. Por conseguinte, nego provimento ao recurso sobre a questão da glosa das despesas incorridas relativas aos pagamentos feitos à e através da administradora Expertise 1 Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei nº 3.470, de 1958, art. 2º). Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.583 13 Comunicação Total, bem como as relativas aos dois pagamentos feitos em 2004 à e através da administradora Incentive House. Restam as despesas incorridas com créditos nos cartões de incentivo administrados pela Incentive House, que tiveram como beneficiários finais gerentes e administradores, bem como empregados em geral. Conforme o art. 358 do RIR/99, as despesas incorridas correspondentes a benefícios pagos a gerentes e a administradores são indedutíveis, caso não haja a identificação dos beneficiários e não se integrar tais benefícios às suas remunerações com a retenção de IRF segundo a tabela progressiva. Além da indedutibilidade, não havendo a identificação dos beneficiários e a integração dos benefícios com a retenção do IRF conforme descrito, há incidência de IRRF exclusivo na fonte pagadora à alíquota majorada de 35% com reajustamento da base de cálculo. Noutro ângulo, caso os benefícios em questão, pagos a administradores como a gerentes, tenham estes identificados e aqueles sejam integrados às suas remunerações com a retenção de IRF à tabela progressiva, as despesas com tais benefícios são dedutíveis para a pessoa jurídica. Aliás, obter dictum, acentuo ser muito claro para mim que o art. 357 do RIR/99 se encontra superado ou no mínimo deve ser interpretado em seus devidos termos. Me refiro à dedutibilidade de despesas com remunerações de administradores fixas e mensais. As despesas com os benefícios pagos, referidos no art. 358 do RIR/99, são dedutíveis, atendidos os requisitos nele previstos. Ora, tais benefícios (fringe benefits) são, por excelência, variáveis e podem não ser inclusive mensais. Como então os benefícios pagos em dinheiro a administradores seriam indedutíveis se não forem fixos e mensais? Sobre não conviver lógica e sistematicamente tal preceituação com a do art. 358 do RIR/99, é de se ver que o art. 43, § 1º, “b” e “d”, do Decretolei 5.844/43, reproduzido no art. 357, parágrafo único, I, do RIR/99, ao falar em remuneração mensal e fixa só se refere à paga a sócios – e não a administradores. Mais importante. O referido dispositivo legal já teria sido superado pelo art. 47, §§ 5º e 7º e pelo art. 51, da Lei 4.506/64, que deu nova regulação à dedutibilidade das despesas com remunerações de administradores. Posteriormente, os arts. 29 e 30, do Decretolei 2.341/87 regularam integralmente a matéria sobre a dedução da remuneração mensal – como aliás já havia feito a Lei 4.506/64 – estabelecendo o “teto” mensal individual e global. Por fim, o art. 88, XIII, da Lei 9.430/96 revogou esse “teto” de dedução. Daí ser muito claro para mim que a dedução de despesas com administradores não se limita à remuneração fixa e mensal. Tal como, a propósito, se dá com os benefícios em dissídio. Entretanto, a recorrente não integrou os benefícios pagos em questão à remuneração de seus administradores e de seus gerentes, com a retenção de IRF segundo a tabela progressiva. Para além disso, sequer identificou os beneficiários dos créditos nos cartões de incentivo – os administradores e gerentes. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.584 14 Evidente, pois, a indedutibilidade das despesas incorridas com os créditos nos cartões de incentivo que tiveram como beneficiários os administradores e gerentes da recorrente. Também se viu que a identificação dos beneficiários que são empregados da recorrente não se deu por essa, mas pela administradora Incentive House. Mesmo após tal identificação, a recorrente não logrou demonstrar e comprovar o título jurídico adequado por que se deram tais créditos. Sua escrituração contábil se limita a registrar na rubrica “Cursos e Treinamentos Profissionais” (conta de resultado) a contrapartida dos pagamentos feitos à Incentive House. Nenhuma alegação adicional tampouco comprovação foi efetuada pela recorrente. Faço aqui uma ressalva. O mero erro na capitulação legal não é razão para derruir o lançamento. Importa é o motivo deste, como já me manifestei diversas vezes. No caso, entrevejo erro na capitulação legal – pagamento sem causa. Entretanto, da análise do relatório que integra o lançamento, constato que a glosa das despesas em questão tem motivo na não demonstração da efetividade delas a título de cursos e treinamentos. É o que consigo extrair da descrição contida no relatório da fiscalização. Diante desse quadro, não vejo como interditar a indedutibilidade das despesas incorridas com os créditos nos cartões de incentivo que tiveram como beneficiários os empregados da recorrente. Sob o manto dessas considerações, nego provimento ao recurso sobre a questão da glosa das despesas relativas aos pagamentos feitos à Incentive House. A questão do IRRF é consequente à da glosa das despesas. O art. 61, caput e § 1º, da Lei 8.981/95, reproduzido no art. 674, caput e § 1º, do RIR/99, é textual ao prescrever a incidência de IRRF exclusivo na fonte pagadora, à alíquota majorada de 35%, diante da materialidade pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. E o valor do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é considerado líquido, cabendo o reajustamento da base de cálculo para inclusão do IRRF à alíquota de 35% (art. 61, § 3º, da Lei 8.981/95, reproduzido no art. 674, § 3º, do RIR/99). Sobre a expressão pagamento sem causa já versamos alhures. Observo que, em minha intelecção, a hipótese de incidência de IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado reproduzido no art. 674 do RIR/99 cuida de uma presunção legal de rendimento auferido pelo beneficiário do pagamento, ou melhor, do recurso a ele transferido, e por este omitido. Daí se tributar exclusivamente na fonte pagadora esse valor. É o que se dá quanto aos créditos nos cartões de incentivo administrados pela Expertise Comunicação Total e aos créditos relativos às 2 notas fiscais emitidas pela Incentive House. Sobre os créditos nos cartões de incentivo que tiveram como beneficiários finais administradores e gerentes da recorrida, cabe o art. 358 do RIR/99, que reproduz o art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95 c/c o art. 74, § 2º, da Lei 8.383/91. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.585 15 Como já se viu, o art. 358 do RIR/99, prevê, a par da indedutibilidade já referida, a incidência de IRRF exclusivo na fonte pagadora, à alíquota majorada de 35%, na presença do mesmo pressuposto fático para a indedutibilidade das despesas. É o que sucede no caso vertente em relação aos créditos nos cartões de incentivo administrados pela Incentive House, em que os beneficiários finais são administradores e gerentes da recorrente. Como disse, a questão do IRRF exclusivo na fonte pagadora é consequente à da glosa das despesas. Cabia à recorrente a identificação dos beneficiários finais dos créditos nos cartões de incentivo, e da causa dos créditos. Mais. Cabia à recorrente integrálos à remuneração, no caso de administradores e gerentes, com a retenção de IRF segundo a tabela progressiva, para que pudessem ser dedutíveis as despesas incorridas pela recorrente. É evidente que, quanto aos beneficiários finais administradores e gerentes da recorrente, a ela cabe igualmente a retenção de IRF exclusivo na fonte à alíquota majorada de 35%, na falta de retenção do IRF sob a tabela progressiva. Ou seja, dela é exigível o IRRF à alíquota majora de 35%, o qual é exclusivo de fonte. Quanto aos beneficiários finais dos créditos no cartões de incentivo administrados pela Expertise Comunicação Total, e dos créditos relativos às 2 notas fiscais já referidas (emitidas pela Incentive House), entendo ser igualmente exigível da recorrente o IRRF exclusivo na fonte pagadora, à alíquota majorada de 35%. É uma decorrência lógica da regra da indedutibilidade das despesas. A retenção de IRF devia ser feita pela recorrente, no momento em que ela pagou as administradoras dos cartões. Da recorrente, e não das administradora dos cartões, é exigível o IRRF em dissídio. A Incentive House e a Expertise Comunicação Total nem teriam como saber – ou não teriam dever de saber – a causa dos créditos nos cartões dos beneficiários finais. Não há dúvida, portanto, sobre a correção da exigência do IRRF exclusivo na fonte à alíquota majorada de 35% com reajustamento da base de cálculo feita pela autuante. O PN RFB 1/02 está correto. Seu entendimento é o de que, no caso de incidência exclusiva na fonte, desta é exigível o principal (IRRF). Quando se refira a IRRF antecipação do IRPF, exigíveis somente a multa de ofício e os juros de mora, após o prazo para a entrega da DIRPF, calculados os juros da data prevista para o pagamento do IRRF (ou melhor, do dia seguinte; de lege lata, os juros são exigidos do primeiro dia do mês seguinte ao do vencimento) até a data prevista para a entrega da DIRPF. Eis os termos do referido PN: PARECER NORMATIVO Nº 1, DE 24 DE SETEMBRO DE 2002 IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.586 16 No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. (...) Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Segue daí que, em relação aos créditos nos cartões de incentivo feitos a empregados da recorrente (exceto gerentes), correto o lançamento processado pela autuante, ao exigir somente a multa e os juros, no pressuposto de serem rendimentos tributáveis daqueles sujeitos ao ajuste anual. Não é razoável supor, aqui, tratarse de pagamento ou transferência de recursos sem causa. Sobre isso, faço remissão ao que disse sobre a glosa das despesas com tais benefícios a empregados da recorrente. Ainda sobre os créditos nos cartões de incentivo a empregados da recorrente, a exigência de multa e de juros se deu somente para as hipóteses em que ultrapassou o limite de isenção mensal entre os quais se inclui um empregado, para o qual se constatou que o crédito não superara o limite de isenção, mas a remuneração mensal acrescida do crédito ultrapassou o referido limite. Em tais termos, nego provimento ao recurso sobre a questão do IRRF exclusivo na fonte. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002338/200717 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 1.587 17 Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 9 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15586.000501/2010-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
Numero da decisão: 9202-007.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 05 01 /2 01 0- 18 Fl. 407DF CARF MF 2 Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15586.000500/201065 37.280.0173 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Liquidado 15586.000501/201018 37.280.0181 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 15586.000502/201054 37.280.0190 (Seg.) Obrig. Principal Acórdão de Recurso Especial nº 9202 004.973 xxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.280.0203 Obrig. Principal xxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.280.0211 Obrig. Principal xxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.280.0238 (AI 68) Obrig. Acessória xxxxxxxxxxxxxxxxxx 15586.000506/201032 37.280.0246 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Voluntário O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.280.0181, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes no total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a título de auxílio alimentação sem inscrição no PAT, assistência médica não extensiva a todos os segurados a serviço da empresa e vale transporte pago em pecúnia, no período de 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 28 a 36. Em sessão plenária de 23/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001823 (efls. 308 a 325), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte consegue apresentar razões de mérito contrárias à autuação. ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos, mesmo que não esteja inscrita no PAT. TICKET REFEIÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 9202007.421 CSRFT2 Fl. 407 3 Ticket refeição não é caracterizado como alimentação in natura, razão pela qual deve incidir contribuição previdenciária. VALE TRANSPORTE. INCIDÊNCIA A parcela paga a título de ValeTransporte, quando não descontada do empregado, deve ser tributada apenas da parcela que o empregador deveria descontar, 6%. AUXÍLIO SAÚDE. SEGURADOS. DEPENDENTES. PLANOS DIFERENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28, parágrafo 9o, “q” não estabelece restrições, mas sim, pressupostos para não configuração do auxílio saúde como salário de contribuição. Por tal razão basta que o auxílio seja médico ou odontológico e que seja oferecido a todos os segurados e contribuintes individuais. Constatados os pressupostos, podem ser incluídos dependentes dos beneficiários diretos. O artigo apenas trata da universalidade e não da homogeneidade do auxílio, logo é possível o oferecimento de planos diferenciados desde que por critérios objetivos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Pelo voto de qualidade excluir tributação sobre alimentação in natura e manter tributação sobre os tickets. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto(relator) Maria Anselma Croscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landin. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (ii) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao auxilio saúde e produção rural e determinar a tributação apenas da parcela do vale transporte que deveria descontar dos empregados (6%), excluindo o restante. (iii) Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto às cooperativas e RFFP. (iii) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art.61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Redator Designado Carlos Alberto Mees Stringari." Fl. 409DF CARF MF 4 O processo foi encaminhado à PGFN em 07/10/2013 (Despacho de e fls. 327) e, em 19/10/2013, o Procurador da Fazenda Nacional considerouse intimado (efls. 326). Na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de efls. 328 a 379 (Relação de Movimentação de fls. 77). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 023/2014, de 16/01/2013 (efls. 380 a 383). Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 404/405). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.280.0181, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes no total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a título de auxílioalimentação sem inscrição no PAT, assistência médica não extensiva a todos os segurados a serviço da empresa e vale transporte pago em pecúnia, no período de 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 28 a 36. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 (art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Conforme o quadro demonstrativo constante do relatório, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração em GFIP, portanto a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15586.000501/201018 Acórdão n.º 9202007.421 CSRFT2 Fl. 408 5 convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 411DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.000374/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 27/03/2007 a 19/02/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-006.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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IMP. E EXP. E COMÉRCIO E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 27/03/2007 a 19/02/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos relacionados à presente demanda até o presente momento, adoto o relatório do acórdão 1651.170, da 23ª Turma da DRJ/SP1, prolatado na sessão de 30 de setembro de 2013: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 03 74 /2 01 1- 14 Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10314.000374/201114 Acórdão n.º 3302006.343 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 13/01/2011, no valor de R$ 846.997,85, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro pela impossibilidade da apreensão das mercadorias importadas então sujeitas à Penalidade de Perdimento, uma vez caracterizada a infração de interposição fraudulenta nos termos do art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Informa a Fiscalização que, mediante Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.55.002010009035 – foi realizada ação fiscal na empresa ITIBAN S/A IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO com o objetivo de aprofundar o procedimento especial instaurado em os anos de 2008/2009, com fundamento no art. 1º da IN SRF nº 228/2002, restando constatado, por ocasião da fiscalização, o que segue : 1) Histórico fraudulento, consoante pesquisas efetuadas no sistema RADAR, tanto da autuada – ITIBAN – quanto das tradings que operavam com ela; 2) A empresa ITIBAN não possuía estrutura para movimentar as mercadorias por ela importadas na condição de real adquirente, situação evidenciada em visita efetuada pela Fiscalização à sede da empresa em São Paulo; 3) A empresa ITIBAN operava por conta e ordem de terceiros, segundo depoimento prestado por seu sócioadministrador; 4) Requisições de movimentação financeira da ITIBAN evidenciaram movimentações bancárias atípicas e insuficientes para financiar suas operações de comércio exterior; 5) A autuada não possuía empregados, depósitos ou armazéns, e apresentava a posição contábil dos estoque sempre igual a zero; 6) Não foi comprovada a capacidade econômicofinanceira de seus sócios, e, quanto ao capital social da empresa, a integralização deuse, em sua quase totalidade, de forma duvidosa, por meio de um imóvel no meio da Amazônia. Ao final do procedimento, a Fiscalização conclui que a empresa ITIBAN utilizava recursos de terceiro para financiar suas operações de comércio exterior, sendo, na verdade, a empresa PUCCINI COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA. a real adquirente das mercadorias importadas por intermédio das DI(s) elencadas em fl. 54, então registradas pelo importador ALCOEX. De outro lado, levando em conta os procedimentos de fiscalização efetuados sobre a empresa PUCCINI, constatouse que: 1) Esta apresentava estrutura e capacidade econômico financeira compatíveis com as suas atividades comerciais; 2) As mercadorias amparadas pelas DI(s) elencadas em fl. 54, em que a empresa ITIBAN encontrase registrada como o real Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 10314.000374/201114 Acórdão n.º 3302006.343 S3C3T2 Fl. 4 3 adquirente, têm por fornecedores estrangeiros empresas indicadas pela empresa PUCCINI como seus, em sua quase totalidade; 3) Em que pese encontrarse registrada como real adquirente das mercadorias mencionadas no item anterior, a empresa ITIBAN não conseguiu informar os contatos relacionados aos fornecedores estrangeiros das mercadorias; 4) Consoante fluxo financeiro detalhado em fl. 59, houve adiantamento de recursos com vistas a custear as operações de importação objeto desta ação fiscal, uma vez que a empresa ITIBAN recebera recursos financeiros de seu cliente PUCCINI antes de repassálos ao fornecedor estrangeiro, na forma ali relatada. Cientificadas do auto de infração, as autuadas apresentaram, tempestivamente, as respectivas impugnações, na forma do art. 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, instaurando, desse modo, a fase litigiosa do processo, alegando o que segue: EMPRESA ITIBAN 1) A Impugnante é a real adquirente das mercadorias importadas objeto do auto de infração impugnado; (fl. 1.343) 2) Essas mercadorias foram importadas na modalidade importação por conta e ordem de terceiros, consoante contrato celebrado – desde meados do ano de 2006 – com a empresa importadora Alcoex Trading Assessoria Comercial, Importação e Exportação Ltda; (fl. 1.344) 3) Não há ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sendo que os valores registrados nos livros contábeis da empresa Itiban S/A referemse a quantias recebidas posteriormente à nacionalização daquelas mercadorias – produto, portanto, das relações comerciais de compra e venda; (fl. 1.344) 4) Não há de prosperar a suposição de fraude em relação ao real adquirente das mercadorias, uma vez que não houve uma exata vinculação dos valores depositados pela empresa Puccini com os valores da operação de câmbio relacionados à compra das mercadorias no exterior; (fls. 1.344/1.345) 5) A Impugnante, assim como seus sócios, possuem capacidade econômica e financeira, conforme se pode constatar, em relação a esses, por intermédio das respectivas declarações de IRPF, e, quanto àquela, pela integralização do seu capital social (imóvel adquirido no valor de R$ 19.000.000,00); (fl. 1.347) 6) Quanto à falta de capacidade operacional da autuada alegada pela Fiscalização – precária instalação física, quadro de funcionários inadequado, ausência de depósito para o armazenamento do estoque rotativo – a Impugnante argumenta que a maioria dos serviços são terceirizados: comissária de Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 10314.000374/201114 Acórdão n.º 3302006.343 S3C3T2 Fl. 5 4 despachos, locação provisória de armazenamento, transportes; (fl. 1.348) 7) Em relação ao dano ao Erário, a tese sustentada pela autoridade fiscal, por ocasião da lavratura do auto de infração, de que a autuada não estaria pagando o IPI na saída das mercadorias importadas não há de prevalecer, haja vista que, de acordo com o princípio da não cumulatividade desse tributo, o consumidor seria quem, de fato, arcaria com o ônus financeiro desse tributo; (fls. 1.349/1.353) 8) Caso prevaleça o entendimento de que a autuada praticara a infração de interposição fraudulenta, a penalidade a ser aplicada deveria ser outra, mais precisamente aquela prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007. (fls. 1.353/1.354) Por derradeiro, a Impugnante, considerando as alegações apresentadas, requer o acolhimento de sua defesa e a improcedência do auto de infração então lavrado. EMPRESA PUCCINI Em sua defesa, a autuada tece as seguintes alegações: 1) A relação dos fornecedores das mercadorias estrangeiras, apresentada pela Impugnante, foi obtida por intermédio das informações repassadas pela empresa Itiban; (fl. 1.253/1.254) 2) Que as operações comerciais efetuadas, entre a Impugnante e a empresa Itiban foram regulares, não ocorrendo, pois, a prática de fraude ou simulação como alega a Fiscalização; (fls. 1.254/1.257) 3) Em fls. 1.258/1.259, a Impugnante alega que a escrituração das notas fiscais estão de acordo com a legislação pertinente e retratam, fielmente, os fatos ocorridos (compra e venda de mercadorias no mercado interno); 4) Finalmente, sob o título Do Direito, a Impugnante discorre acerca da hierarquia das normas, da tipificação da lei, da legislação aplicável, etc. (fls. 1.260/1.265) Por derradeiro, requer a Impugnante a procedência de sua impugnação. Em que pese os argumentos apresentados pelas Recorrente, a 23ª Turma da DRJ/SP1, julgou improcedente as impugnações e manteve o crédito tributário nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 27/03/2007 a 19/02/2008 A ocultação do real adquirente de mercadorias importadas configura a infração considerada como dano ao Erário, punível Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 10314.000374/201114 Acórdão n.º 3302006.343 S3C3T2 Fl. 6 5 com a penalidade de perdimento das mercadorias. É cabível a conversão do perdimento em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando esta for consumida ou não localizada. Dispositivos legais: art. 23, inciso V e parágrafos do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A tentativa de intimação via postal da empresa ITIBAN, restou infrutífera, conforme demonstra o AR de fls. 1494, com a descrição de mudouse/desconhecido, motivo pelo qual foi promovida a citação pela forma editalícia, sendo afixado o edital em 02/06/14 e desafixado em 18/06/14. Tendo em vista a não manifestação da empresa autuada foi lavrado o termo de perempção de fls. 1501, não havendo a interposição de recurso voluntário por parte da ITIBAN. A autuada PUCCINI, foi intimada da decisão de piso por via postal na data de 01/08/14, conforme faz prova o AR de fls. 1499. Uma vez não apresentado o recurso voluntário no prazo estabelecido pelo art. 33 do Decreto 70.235/72, foi lavrado o termo de perempção pelo decurso do prazo. A autuada, fora do prazo, apresentou recurso voluntário em 03/11/2014, juntado às fls. 1516 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Em primeiro lugar cumpre informar que a autuada ITIBAN não apresentou recurso voluntário. Pois bem. Já a segunda autuada, Puccini Comércio de Roupas Ltda., em que pese devidamente intimada para tanto, apresentou seu recurso voluntário em 03/11/2014 (e fls.1516 e segs.). Contudo, o prazo final para interposição do recurso voluntário era 02/09/2014, terçafeira, a contribuinte foi cientificada da decisão de piso em 01/08/2014, sexta feira, conforme demonstra o AR de efl. 1499. A planilha abaixo demonstra a cronologia dos atos procedimentais ocorridos nos autos: Intimação Início do prazo Término do Prazo 30 dias Protocolo Recurso 01/08/2014 (sextafeira) 04/08/2014 (segundafeira) 02/09/2014 (terçafeira) 03/11/2014 (segunda feira) Com relação ao prazo para apresentar recurso voluntário, dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, a saber: Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 10314.000374/201114 Acórdão n.º 3302006.343 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do prazo previsto no dispositivo anteriormente citado, deve observar as determinações contidas no artigo 5º do mesmo diploma legal, "in verbis": Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Deste modo, considerando que a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 01/08/2014 e, somente apresentou recurso voluntário em 03/11/2014, depois de ultrapassado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência, concluise pela intempestividade do referido recurso. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1564DF CARF MF
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