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Numero do processo: 19515.004257/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento à luz do Art. 62-A do Anexo II, do RICARF e do § único do Art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto.
RELATÓRIO
Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I - SP assim ementado, verbis:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de ofício.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. Valores não contabilizados, creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, são caracterizados como receitas omitidas, justificando o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto.
NOTIFICAÇÃO POSTAL. DATA DE CIÊNCIA.
O contribuinte toma ciência de ato administrativo ao receber, via postal, a correspondência, datando e assinando o aviso de recebimento.
PAGAMENTO ANTECIPADO: FALTA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A falta de pagamento antecipado de tributo ou atividade de verificação tributária e de avaliação do montante da exação impede o lançamento por homologação.
IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO. Constatado o dolo, o direito de constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ, calculado com base em apuração anual, decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.
PIS. COFINS. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
Ocorre a decadência com o decurso de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.
PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO.
Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito.
PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS.
A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei.
CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE.
O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, pois, tempestiva, abrangente e copiosa a impugnação apresentada, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO E CAPACIDADE ECONÔMICA. A multa de ofício não possui natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da contribuinte é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser recolhido.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. REPERCUSSÃO. Caracterizada a omissão de receita, o decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos dos outros tributos - CSLL, PIS e COFINS - em função de estarem sendo lançados em razão de mesmo fato contábil-empresarial.
Lançamento Procedente em Parte. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis:
Trata-se de impugnação (fls. 1056 a 1160) apresentada por FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. , supra qualificado, contra Autos de Infração (fls. 959 a 985) relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, relacionados a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002.
2. No "Termo (26) de Verificação Fiscal de 14/12/07" (fls. 760 a 762), parte integrante dos Autos de Infração, o Auditor Fiscal autuante informa, inicialmente, que o contribuinte fora intimado a justificar a origem dos créditos registrados nas contas bancárias por ele mantidas junto a instituições financeiras, no valor total de R$ 17.342.189,20. Juntamente com a intimação, entregou ao contribuinte relações individualizando os créditos que deveriam ser justificados e cópia dos extratos que deram origem às relações.
2.1. Acrescenta que, aquele valor total (R$ 17.342.189,20), era um valor líquido, pois já tinham sido excluídos estornos, créditos decorrentes de financiamentos e devolução de cheques depositados. Assevera que o ora impugnante apresentou justificativas em várias etapas, cujos conteúdos compõem 5 (cinco) volumes deste processo (Anexos 2 ao 6) e podem ser assim resumidos:
"3.1) - Transferências entre contas do mesmo titular, que, uma vez comprovados débitos coincidentes em data e valor em outra conta do próprio contribuinte, foram considerados como justificados;
3.2.) - Recebimentos de duplicatas em carteira de cobrança bancária. Apesar do contribuinte escriturar o Livro Saída de Mercadorias e os recebimentos de duplicatas por totais mensais, o que impossibilita identificar qual a NF que se encontra escriturada por qual valor, consideramos justificados os casos em que o contribuinte comprovou, através de avisos de cobrança com relações detalhadas por duplicata, coincidentes em data e valor com o crédito a que se propunha justificar e mediante a apresentação das Notas Fiscais mencionadas nos respectivos avisos de cobrança, até o limite dos valores escriturados, que foram inferiores aos valores de recebimentos de cobrança de títulos constantes dos extratos bancários.
3.3) Ressaltamos que foram apresentadas, em várias ocasiões, Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado, compondo os valores recebidos através de cobrança bancária, casos que foram consideradas NÃO justificadas suas origens uma vez que não foram compuseram a receita oferecida à tributação. Conforme acima mencionado, os registros contábeis de receitas foram feitos por totais mensais,- remetendo ao livro de saídas de mercadorias, e os registros de recebimentos de duplicatas também foram efetuados por totais, fato que não possibilita individualização dos valores recebidos, sendo os recebimentos de valores correspondentes às Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado considerados não escriturados na contabilidade da empresa.
3.4) Justificou os créditos decorrentes de descontos bancários, grande parte, como sendo de duplicatas emitidas "SEM LASTRO" e que teriam sido debitados posteriormente. Apresentou planilhas para justificar essa situação, sendo que nesses casos não apresentou comprovantes hábeis e idôneos que comprovassem que os valores debitados posteriormente, realmente tratavam-se dessas duplicatas "SEM LASTRO". Além disso, não existe na contabilidade, registro de ingressos de recursos decorrentes de duplicatas descontadas, sendo referidas operações consideradas à margem da contabilidade.
3.5) - Para justificar o ingresso de créditos decorrentes de "CAMBIO FINANCEIRO", relativos aos itens 186, 187 e 231 do ANEXO 18 do referido TERMO (09) DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19101107 Banco Bradesco Conta 86.5004-4 da Agência 504-5 a que fora intimado a justificar a origem, nos valores de R$ 16617,12, R$ 150.617, 28 e R$ 94.520, 40, o contribuinte informou tratar-se de repatriamento de antecipações a fornecedor estrangeiro (Cia DEMOR S.A Uruguai) pelo fato de não ter ocorrido as importações relativas a essas antecipações. Entretanto, além de não apresentar comprovantes de que os valores ora creditados referiam-se às remessas efetuadas anteriormente, não consta no livro diário do ano calendário 2002, qualquer registro de lançamentos dos referidos créditos o que confirma que não havia qualquer valor pendente de recebimento a título de adiantamento por conta de importações.
3.5) No Livro Diário / Razão apresentado pelo contribuinte não constam registros de operações financeira dos Bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural, motivo pelo qual, todos os créditos nas contas desses bancos foram considerados à margem da contabilidade e portanto, sem origem comprovada. (destaques do original)
2.2. O Auditor Fiscal declara que o detalhamento da análise feita consta das planilhas dos Anexos I.1 a I.14 do citado Termo 26, tendo obtido como resultado a justificativa aceita de R$ 2.179.204,63, restando R$ 15.462.984,57 sem comprovação da origem, sujeitos, portanto, à presunção legal de omissão de receita. Informa, também, que, para facilitar o manuseio,-transformou o Anexo II do Termo (9) de 19/01/2001 no "Anexo 1" deste processo e os Livros Registro de Entradas/Saídas de Mercadorias, Razão e Diário, todos do ano calendário de 2002, ficaram sendo os Anexos 7, 8 e 9, respectivamente.
2.3. Encerra, afirmando que aplicou a multa de 150 %, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, pelo fato do contribuinte ter omitido em sua escrituração contábil os registros abaixo, o que configura a hipótese de, em tese, ocorrência de crime tributário:
- operações realizadas nos bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural;
- recebimentos em moeda estrangeira, reportados no "Termo (9) de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/01/07"; (estes valores também constam do primeiro item 3.5 do "Termo (26) de Constatação e de Intimação Fiscal de 14/12/07");
- vendas de ativo imobilizado, conforme NF's apresentadas;
- descontos de duplicatas, conforme consta dos extratos bancários e relações de duplicatas descontadas apresentadas;
- depósitos bancários, DOCs e. créditos em suas contas bancárias por transferências bancárias, escriturados em valores inferiores aos constantes dos extratos bancários e de maneira englobada, isto é, sem individualizar cada depósito/crédito recebido, impossibilitando a sua identificação.
2.4. Em vista do exposto, foram lavrados os seguintes Autos de Infração (que fazem parte do Volume 5 deste processo):
IRPJ: R$ 11.551.522,70 (fls. 959 a 962)
CSLL: R$ 4.184.764,33 (fls. 979 a 985)
PIS: R$ 349.310,34 (fls. 963 a 970)
COFINS: R$ 1.531.164,52 (fls. 971 a 978)
CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 17.587.790,64 (fls. 002)
2.5. Todos os valores acima indicados incluem a multa de ofício e os Juros de mora, calculados até 30/11/2007. E a base legal, em complementação aos dispositivos transcritos no Termo de Verificação Fiscal, indicada nos Autos de Infração é:
IRPJ: art. 24, da Lei n° 9.249/95; art. 42, da Lei n°. 9.430/96; arts. 279, 287 e 288, do RIR/99 (fls. 962).
CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6% da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. (fls. 984).
PIS: arts. 1o e 3°, da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n 9.249/95; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n°. 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n°. 9.718/98; arts. 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 969 e 970).
COFINS: art. 1% da Lei Complementar n°. 70/91; art. 24, § 2% da Lei n°. 9.249/95; arts. 2% Y e 8% da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições; artigos 2% inciso II e parágrafo único, 3% 10, 22, 51 e 91, do Decreto n°. 4.524/2002. (fls. 978).
3. Há duas observações manuscritas apostas nos Autos de Infração (fls. 960, 968, 976, 982 e 985) assinadas pelo Auditor Fiscal autuante:
"Tendo em vista o não comparecimento do procurador, Dr. Wanderley Benventi, enviamos o Auto de Infração pelo correio com AR em 17112107" "No dia 19/12/07 foi afixado o Edital n°. 17112007 para ciência do Auto de Infração ao contribuinte porque a entrega via postal não logrou êxito. "
3.1. A fls. 755 encontra-se um documento onde o ora impugnante informa que está providenciando a nomeação de um advogado como procurador `para comparecer e atender, em nosso nome, a intimação verbal dessa Fiscalização que agendou para o próximo dia 19 de Dezembro de 2007, período da manhã, encontro para a necessária conferência final da documentação constante do Processo acima." O extrato do SEDEX, contendo as informações sobre as tentativas de entrega, está a fls. 988. No Edital n°. 171/2007 (fls. 989) constam as informações sobre a data de afixação e de retirada do mesmo: 19/12/07 e 09/01/08, respectivamente.
3.2. Tendo tomado ciência destes lançamentos, nos seus próprios termos, em 03/01/2008, o contribuinte, por intermédio de seus advogados (docs. a fls.009, 997, 1012 e 1013 interp6s impugnação (fls 1060 a 1080), remetida em 06 /02/08 (capa de caixa dos Correios a fls. 1055), relatando e alegando o que segue.
3.3. Inicia pugnando pela tempestividade da impugnação já que tomou ciência dos lançamentos em 03/01/08, conforme artigo 23, III e § 2% III do Decreto n°. 70.235/72. Em seguida, relaciona os Termos de Constatação e Intimação Fiscal, com as respectivas datas de ciência. Afirma, em continuação, em um tópico denominado "111 - GRITANTE ERRO MATERIAL" que o Auditor Fiscal, no item VI, da Representação Fiscal para Fins Penais, menciona como sendo sócios gerentes à época dos fatos os senhores Wanderley Venere Bonventi e Bruno Venere Bonventi, utilizando como base a 8' alteração contratual registrada na JUCESP. Afirma que nem no contrato de constituição da empresa e nem em nenhuma outra alteração contratual constou que o sócio minoritário Sr.Bruno Venere Bonventi tinha poderes de gestão ou de administração.
3.4. Após dizer: "Outrossim, é de extrema estranheza, para dizermos o mínimo, a falta de cautela e acuidade do Auditor Fiscal em utilizar a referida "8a alteração contratual " ou qualquer outra que fosse, eis que nenhuma delas subsidia o fato, para tentar informar que o ex-sócio da empresa, Sr. Bruno Venere Bonventi, tinha poderes de SÓCIO GERENTE a época, incluindo-o como responsável na "Representação Fiscal para Fins Penais", sabendo ademais que em tal procedimento busca-se a mais lídima verdade real. " , pleiteia a imediata retirada do nome do ex-sócio Sr. Bruno Venere Bonventi da "Representação Fiscal para Fins Penais". (os destaques na transcrição são do original)
3.5. Passa, então, a alegar a ocorrência da decadência, principiando por:
"Embora no mérito fático estejamos procedendo à sólida argumentação embasadora desta peça IMPUGNATIVA, que certamente desaguará na anulação das autuações combatidas, ou no mínimo na redução significativa das autuações incorridas e desenquadramento da multa agravada de 150 %, não podemos nos olvidar do instituto da DECADÊNCIA, que insofismavelmente fulmina "in totum " a presente autuação de IRPJ e suas autuações ditas reflexas compreendendo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para a Seguridade Social e o PIS Programa de Integração Social, decorrentes de, na ótica fiscal, "depósitos bancários não justificados ocorridos no Ano-Calendário de 2002 ", a saber... "
3.6. Afirma que, "conforme se demonstrará, o IRPJ é um lançamento por homologação e, permeia ente os fatos geradores ensejadores das autuações mês a mês, de janeiro a dezembro de 2002, até que ocorreu a intimação em 03 de Janeiro de 2008, o lapso temporal de 5 (cinco) anos, opera-se a toda evidência a DECADÊNCIA, nos termos do Art. -150 § 4° do CTN; ou mesmo em se considerando,- o que se admite apenas "ad argumentandum ", a ocorrência do preconizado na parte "in fine " do citado § 4° (..... comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação), o que deslocaria o prazo para operar a Decadência para o ART. 173 I do CTN (I- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ainda assim, a toda evidência e adiante provado, o instituto da Decadência fulminaria os Autos de Autuação em tela, eis que, o lapso temporal iniciar-se-ia em 1 'de Janeiro de 2003, fluindo os 5 (cinco) anos em 1 'de janeiro de 2008, e a intimação ocorreu em 03 de Janeiro de 2008. "
3.7. Após transcrever legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e ementas de acórdãos, encerra: "Portanto, forçoso concluir-se que a "Lei 9.430196", além de consolidar o "IRPJ" como sendo um imposto por homologação, com antecipações mensais ou trimestrais, ainda recepcionou em seu bojo a "lei 8.98111995", com as modificações introduzidas pela "Lei n° 9.065195 ", que conforme artigos transcritos seguem a mesma linha de ser o "IRPJ" um imposto por homologação e pago em bases mensais ou trimestrais, com ajuste anual na DIRPJ; ademais recepcionou ainda como FORMA DE DETERMINAÇÃO DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL DA PESSOA JURÍDICA, ser esta procedida com base em Balancetes de Suspensão ou Redução do IRPJ; balancetes mensais estes procedidos e que compõem a DIRPJ do Ano-Calendário de 2002, Exercício de 2003, desta Impugnante, tempestivamente entregues à Receita Federal e, na qual são explicitados os Balancetes mensais, nos termos da legislação retro citada, demonstrando a exaustão que a IMPUGNANTE procedia ao levantamento do IRPJ apagar, em bases mensais, através dos citados Balancetes. "
3.8. Prossegue, transcrevendo o artigo 42 da Lei n°. 9.430/96, para afirmar que, nos termos desse dispositivo, os depósitos bancários relacionados pelo Auditor autuante como não justificados, deverão ser considerados no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. No entanto, continua, "inexplicavelmente e ilegalmente, eis que, afrontou diretamente a Lei 9.430196 (art. 42 §§ 1 ° 2° e 3°), e saliente-se que a Autoridade tem competência vinculada, o Sr. Auditor Fiscal, as fls. 961 do Processo escreveu: ... " e transcreveu a tabela onde constam a data dos fatos geradores (31/12/2002), o valor tributável respectivo e a multa aplicável. Diz, ainda, í que a s. 958 e 959 "sob o título AUTO DE INFRAÇÃO do IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA, inseriu como FATO GERADOR O ANO DE "2002" e VENCIMENTO DO IMPOSTO que encontrou em data de 31103/2003, em ilegal procedimento, pelo que requer a sua ANULAÇAQ nos termos do Decreto 70.235172 e da Lei 9.784/99, além de afrontar o Princípio dá Legalidade do Direito Administrativo esculpido no Art. 5° da Constituição Federal".
3.9. Da mesma forma ataca o artigo 24, da Lei n°. 9.249/95 que também foi apontado pelo Auditor Fiscal como dando base à autuação. É seu entendimento que os dispositivos citados "arrasam o ilegalmente pretendido pelo Sr. Auditor que, ao invés de considerar as receitas omitidas (sob a sua ótica) decorrentes de depósitos bancários, mês a mês, ou seja dentro do período de Janeiro a Dezembro de 2002, cada mês com seus depósitos, considerou todas como ocorridas em 3111212002, a Lei n° 9.430196 que preceitua em seu § 1' que, os valores das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado junto a instituição financeira, como ainda o ART. 24 da Lei n° 9.249195 preceitua que o valor do imposto e do adicional serão lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período em que corresponder a omissão. E, a ora IMPUGNANTE, conforme consta de sua DIRPJ do ano-calendário de 2002 exercício de 2003, procedia a BALANCETES MENSAIS, nos termos da legislação vigente, para apuração do IRPJ. "
3.10. Alega que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é o dia 1° de janeiro de 2003, já que tinha optado pela utilização de balancetes mensais para a apuração do IRPJ. Assim, teria se operado a decadência, mesmo que prevalecesse a ótica do Auditor autuante (existência de dolo). Dá por encerrado este tópico, transcrevendo legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e extensa lista de ementas de acórdãos administrativos.
3.11. O próximo tópico abordado pelo impugnante foi por ele denominado de "Preliminar de Nulidade", onde ele argumenta que tomou ciência do "Termo (12) de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", em 16/02/2007, e, com a apresentação de sua impugnação, protocolada em 22/03/2007, abriu-se a possibilidade de imediata instalação do processo administrativo fiscal. Após transcrever textos de juristas e artigos de normas legais, diz: "Constata-se assim que o objetivo único do Auditor Fiscal para a precipitada, prematura e intempestiva apreensão dos livros contábeis e fiscais descritos, era anexá-los ao "Processo de Representação Fiscal Para Fins Penais ", ("Art 915 § 1 ° do RAR " em consonância com o "Art. 35 § 1 ° da Lei n° 9.430/96).
3.12. Passa, então, a elencar e discorrer sobre alguns princípios citados por doutrinadores que seriam comuns ao procedimento e ao processo administrativo tributário,como por exemplo: da legalidade objetiva, da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever de colaboração, do dever de investigação. Conclui:"Isto posto, requer-se a anulação das fases subseqüentes à "Apreensão", inclusive do "Auto de Infração", por não terem sido observados em sua lavratura as garantias processuais do Administrado. " (destaque do original)
3.13. Após mais transcrições de textos e de dispositivos legais, discorre sobre princípios de Direito Administrativo que teriam sido afrontados pelo Auditor Fiscal, que seriam: da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório.
3.14. Alguns trechos de sua peroração merecem transcrição:
"Destaque-se que, na hipótese de decisão administrativa, ainda que parcial, ser proferida sem respeitar os "Princípios" do "Contraditório" e da "Ampla Defesa", bem como os demais "Princípios" atinentes ao "Processo Administrativo", em especial o da "Legalidade", ela está eivada de nulidade, por falta de elemento essencial a sua formação." (destaques do original)
.................................................
"Assim, este Contribuinte detém o direito líquido e certo de que, a lavratura do "Auto de Infração", e os seus atos precedentes, desde a deflagração do "Processo Administrativo Fiscal ", o que ocorreu no presente processo com a tempestiva Impugnação à lavratura do "Termo 12 de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", ocorram rigorosamente nos termos da lei infra-constitucional, da Constituição (Ampla Defesa e Contraditório) e dos Princípios do Direito Administrativo e Tributário, . sem olvidar nenhum deles, sob pena dos atos subseqüentes serem considerados nulos de pleno direito, inclusive e principalmente o "Termo de Autuação Fiscal"; não anuláveis, mas NULOS. " (destaques do original)
....................................................................
"Julgadores: é o caso dos Autos, à perfeição, eis que no momento em que lavrou o "Auto de Apreensão de Livros" (Termo 12), abriu-se o trintídio legal para a Impugnação, o que ocorreu, pelo que os fatos subseqüentes e a própria "Autuação Fiscal", estariam sob a égide do "Processo Administrativo"; pelo que se requer o reconhecimento de ser NULO o "Auto de Infração " lavrado, bem como todos os fatos subseqüentes à IMPUGNAÇÃO (Doc. 6), os quais também não observaram as normas do Processo Administrativo. " (destaques do original)
3.15.-Passa- á alegar a preliminar -de cerceamento ao direito constitucional à ampla defesa: "E, no caso em tela, o "Processo Administrativo", só e somente foi encaminhado ao DERA SPO, em data de 17101105 (Doc. 7), e só e somente foi disponibilizado para "VISTA" pela AUTUADA e seus Advogados, em data de 29/Janeiro12008, para um prazo de trintídio que vencia-se em 02/fevereiro/2008, ou seja, 4 (quatro) dias após; o fato narrado pode ser perfeitamente comprovado, através dos Controles Internos do DERAT-SPO, que instados pessoalmente em 23/01/08 a apresentarem o Processo Administrativo da presente autuação, só e somente o disponibilizaram em data de 29/Janeiro/08. "
3.16. E continua: "Assim, ao exposto requer-se que seja disponibilizado à Impugnante, o prazo ilegalmente suprimido, bem em respeito ao Direito Constitucional à Ampla Defesa, possibilitando eventual aditando a presente peça impugnativa que, pela premência de tempo, pode conter erros e imperfeições eis que, em superficial análise, constatamos que o Sr. Auditor Fiscal, teve 365 dias, para fiscalização e, ao lavrar os Autos cometeu absurdos erros e mesmos abusos, conforme expostos e criticados. "
3.17. O próximo tema a ser combatido está no item "VI- Da Omissão de Registro de Operações Bancárias Receita de Venda de Direitos Creditórios não Contabilizada", onde o impugnante alega que a operação na qual alienou, pelo valor de R$ 60.000,00, em 16/09/2002, para a empresa Visão Habitacional Ltda., por meio de instrumento particular de cessão e transferência de direitos creditórios, tendo realizado uma transferência de dinheiro entre agências bancárias, foi devidamente explicada e comprovada. (Doc. 8, 8-A e 9)
3.18. Diz que tal operação não é receita tributável, por já ter sido tributada. em 1995, pois se refere a uma escritura pública de confissão de dívida com garantia hipotecária, lavrada em 26/09/95, em garantia de venda mercantil, conforme notas fiscais listadas na própria escritura.
3.19. Prossegue: "Ante o não pagamento da venda mercantil, a ora Impugnante tratou de executar a hipoteca e, seguindo as normas da Receita Federal vigentes, só e somente poderia levar o valor não recebido à conta de prejuízo, após exauridos todos os meios de cobrança, ou seja, término da Execução Judicial; assim, ao alienar para terceiros o crédito e o direito de ação, pelo valor original, não procedeu a uma operação tributável, sob pena de acolher-se a bi-tributação da mesma operação, ou "bis in idem ". "
3.20. Argumenta que, ao contrário do que alega ó Auditor Fiscal, a operação relacionada à omissão de registro de operações bancárias como os créditos de vendas de divisas não contabilizados (caso Beacon Hills), está comprovada como sendo repatriação de divisas antecipadas a fornecedor estrangeiro, anexando, com o intuito de ver corroborada sua afirmativa, o documento 10-A.
3.21. Alega que o Auditor Fiscal, "sob critérios próprios", ignorando uma lei em que se baseou e 'fazendo letra morta " de outra, lavrou o Auto de Infração por omissão de receitas. Reafirmando que declarou o IRPJ/2003 pelo regime de Lucro Real, com o cálculo do imposto sendo feito mensalmente por balancete, apresenta alguns valores que constam de sua DIPJ/2003. Diz que valores do Ativo, como Cliente, Caixa e do Passivo, como Financiamentos a curto prazo deveriam ser considerados para a perfeita adequação do fluxo de caixa e que "a não consideração dos valores de depósitos em sistema de "Fluxo de Caixa" dia a dia, mês a mês, contraria, a ciência contábil, bem como os princípios e procedimentos contábeis, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Doc. a), e a própria "Lei n° 9.430196 Art. 42 ", além de se constituir na prática em uma verdadeira "bis in idem ".
3.22. Argumenta que o Auditor Fiscal autuante não considerou os depósitos decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte, que representam "conforme adiante se demonstrará e provará um montante de altíssima monta, a contemplar a quase totalidade da autuação por omissão de depósitos bancários". Insiste na citação do § 1o do artigo 42, da Lei 9.430/96 para afirmar que as receitas devem ser consideradas auferidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e que procedimento diverso contraria a jurisprudência do Conselho de Contribuintes
3.23. Assevera: "Pelo que, a denominada "omissão de receitas de Pessoas Jurídicas adveniente de depósitos bancários", repise-se, há de ser considerada "mês a mês", em um conta-corrente, num verdadeiro `fluxo de caixa", eis que, por óbvio, o valor lançado e tributado pelo "Auto de Infração" lavrado pelo Auditor Fiscal em, um mês, passa a se constituir saldo líquido disponível no mês subseqüente, deduzindo-se do montante de depósitos desse mês, e assim subseqüentemente, dentro do ano-calendário, num procedimento dentro das normas e princípios contábeis e da própria Lei n°. 9.430146 (sic), o que aliás é amplamente referendado pela Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; ademais, em não sendo assim, aconteceria a bi-tributação de lançamentos, o que é vedado pela lei. "
3.24. Assegura que o lançamento estribado apenas na soma de depósitos bancários é procedimento inconsistente, que não retrata a situação necessária e suficiente definida em lei para a ocorrência do fato gerador, conforme prevê o artigo 43, do Código Tributário Nacional. Também diz que a Lei n°. 9.430/96 não fala em "soma', ao se referir aos depósitos bancários não justificados e, no seu entendimento, a "soma" contraria a legalidade, como disposto no inciso III, do artigo 97 do CTN. Acredita que é com base nesses fundamentos que a jurisprudência tem confirmado a ilegitimidade do IRPJ lançado com apoio apenas em depósitos bancários.
3.25. Entende que o lançamento seria legítimo apenas se "além dos depósitos bancários cuja origem não tiver sido identificada pela fiscalização, ocorresse a disponibilidade jurídica e econômica em favor do Contribuinte, com conseqüente acréscimo patrimonial (o que definitivamente não ocorreu no caso presente). "
3.26. E encerra este tópico de sua impugnação:
"Ainda que se admitisse a possibilidade do lançamento do "Imposto de Renda" ser baseado exclusivamente nos depósitos bancários, presumidos como receitas omitidas, depois de saneados, ou seja, excluídos os depósitos de mesma titularidade, os cheques depositados e devolvidos, os créditos decorrentes de empréstimos bancários e de Contas Garantidas, os empréstimos comprovados e outros assemelhados seria indispensável o "arbitramento "para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda; nesse sentido o "Acórdão da 12° Câmara do 1 ° Conselho de Contribuintes (Recurso Voluntário n° 116.724) ".
Com efeito, a "Lei n° 8.981195", prevê o arbitramento da base de cálculo em casos em que a contabilidade não tenha registrado a total movimentação bancária (art. 47, inciso II, a).~ Mas, a Impugnante refuta (sic) num primeiro momento, a conveniência de qualquer arbitramento, eis que esta apresentando 'justificativas" aos depósitos bancários elencados (e saneados), o maior volume decorrente de transferências bancárias de MESMA TITULARIDADE; somente requer o "Arbitramento", nos termos do "Art. 530, do RIR199 ", se vencidas as preliminares e as justificativas elencadas, o que se admite "Ad Argumentandum ". Ademais, o "Art. 288, do RIR199 ", adotado pelo Auditor, somente se aplica às receitas efetivas e não às receitas consideradas como tais, por presunção da lei. Com efeito, as receitas efetivas resultam de ingressos reais e inquestionáveis, que tenham sido omitidos pelo contribuinte, não contemplando as receitas por mera presunção, como no caso do Art. 42 Lei n° 9.430196. " ( destaque do original)
3.27. Ataca a aplicação da multa agravada de 150 % pelo evidente intuito de fraude, como definido no artigo 71, da Lei n°. 4.502/64, porque, no seu entender, o ponto caracterizador desse agravamento é o dolo e 'foi autuado açodadamente em astronômico montante, unicamente pela não entrega tempestiva de documentação que respaldasse o seu movimento bancário de depósitos e créditos. " Cita juristas e acórdãos administrativos com o objetivo de ver corroborada sua argumentação.
3.28. Diz: "Com efeito a "autuação fiscal " por "Omissão de Receitas ", decorrente de "depósitos bancários não comprovadas a origem pelo Contribuinte", conforme o constante do "Art. 42 Lei n°. 9.430/96", que inverteu o "ônus da prova", imputando-o ao Contribuinte, ocorre por mera presunção, eis que presume-se que ocorreu "omissão", ante a eventual não comprovação de origens por parte do Contribuinte, como no caso em análise dos presentes Autos, onde constata-se fatores materiais (falta de funcionários) aliado a fatores temporais (exigüidade de tempo) para que a Impugnante, em precária situação econômica e administrativa, procedesse a uma verdadeira auditoria contábil a relacionar, explicar, justificar e relatar, milhares e milhares de documentos, a serem copilados em relatório, a ser produzido pela empresa e acompanhado dos originais e cópias, para satisfação do Fisco.
3.29. Termina este tema afirmando que está impugnando a "astronômica e absurda autuação, nos termos em que ela foi lavrada, ou seja, pendências de justificativas sobre os "DEPÓSITOS BANCÁRIOS" constantes nos EXTRATOS BANCÁRIOS, QUE, RESSALTE-SE, FORAM APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. " ( destaques do original)
3.30. No item denominado "XI QUADRO CONJUNTURAL" confessa que utilizou operações de desconto de duplicatas sem lastro e que, `por serem pouco ortodoxas, não encontravam adequado espaço na contabilização ". Afirma, também, do relatórios, para cada banco, com as justificativas e com documentos
3.31. Diz que os julgadores deverão considerar 9 (nove) elementos (que especifica, a fls. 1138 e 1139) na formação de sua convicção e enfatiza o disposto no artigo-3o, da IN SRF- n°. 246/2002, que traz, em seu § 1o a assertiva de não ser necessário considerar o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00.
3.32. Requer a realização de perícias e diligências, nomeando peritos e formulando 8 quesitos, como: confecção de fluxo de caixa; diligência nos bancos, ..., se dúvida houver por parte dos julgadores; diligência para sanar qualquer dúvida dos julgadores quanto à idoneidade de qualquer documento apresentado; se os elementos e documentos constantes do processo administrativo em tela são suficientes para atender ao princípio da justiça tributária, princípio da verdade material, princípio do dever de investigação, princípio da ampla instrução probatória; outras perícias e diligências que os senhores julgadores ou os peritos achem necessárias; identificação nos depósitos bancários das operações pouco ortodoxas.
3.33. Alega o efeito confiscatório da multa, por atingir o direito constitucional à propriedade e investe contra a aplicação da taxa SELIC, por ser uma taxa criada por circular do Banco Central, poder ser modificada a qualquer tempo por este e visar, apenas, remunerar o capital investido na compra e venda de títulos públicos. Entende que deve ser aplicada a taxa de 1 % (artigo 161, § V).
3.34. Antes de encerrar sua extensa exposição, afirma que o enquadramento utilizado pelo Auditor Fiscal na Representação para Fins Penais (artigo 1o da Lei n°. 8.137/90) não é o mais adequado. No seu entender, "como medida da boa doutrina jurídica", requer a retificação para o tipo penal descrito no inciso I, do artigo 2° da referida Lei.
3.35. A título de conclusão afirma que não houve qualquer aumento de patrimônio, nem do impugnante e nem de seus sócios. Requer o acolhimento da presente, com o cancelamento do Auto de Infração.
3.36. Na seqüência dos Autos, consta um documento entregue pelo ora impugnante intitulado "MEMORIAL - CONSIDERAÇÕES", no qual salienta e enfatiza argumentos já expendidos na impugnação, não trazendo documentação nova.
4. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do artigo 1% da Portaria SRF n°. 326/05, que ganhou o n°. 19515.004307/2007-92 e foi apensado aos presentes autos. É o Relatório.
O acórdão recorrido rejeitou preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e parcialmente os autos de infração de PIS e COFINS, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita (fls. 1701 e ss vol. 9). O cancelamento parcial dos autos de infração deveu-se exclusivamente pela aplicação ao caso do disposto no art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial para lançamento das citadas contribuições (ciência do lançamento ocorrida em 03.01.2008 e fatos geradores ocorridos entre 31.01.2002 a 31.12.2002).
Às fls. 1834 consta o AR referente à intimação da Contribuinte em relação ao acórdão acima referido. De citada intimação consta o endereço Avenida Washington Luis, 3050, Fundos, Sala 01, Santo Amaro, que é o endereço da Contribuinte constantes dos registros da Receita Federal do Brasil. Tal intimação foi recebida em 29.04.2009 pelo Sr. André S. C..
Em sede de recurso voluntário (fls. 1851 e ss vol. 10), a Recorrente requer o improvimento do recurso de ofício interposto, suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, por alegada inobservância à liminar proferida no citado mandado de segurança e pelo fato de o ato decisório ter se silenciado quanto à aplicação respectiva no caso concreto; (ii) nulidade do auto de infração por afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96 é ilegítima, conforme precedentes judiciários; (iv) haveria decadência do Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos mensais por estimativa; (v) ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da ausência de conduta dolosa no caso concreto e do seu nítido caráter confiscatório; (vi) seria ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido lavrado com base no arbitramento de lucro, em vista da relevância dos valores apontados, jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte.
No citado recurso voluntário e às fls. 2136/2137, a Contribuinte noticia liminar concedida em mandado de segurança (MS n. 2008.61.00.000011-5), segundo a qual restou determinado que a D. Autoridade Coatora AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis (fls. 889/898 destaques do original).Citada liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 2136 e ss), verbis:
TRIBUTÁRIO - PROCESSO ADMINISTRATIVO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA - IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO PREJUDICADOS IMPROVIMENTO
1- Contrariando o conjunto de regras que disciplina o processo administrativo, a autoridade coatora lavrou o auto de infração sem proceder apreciação da impugnação interposta. Dessa forma, a impetrada extrapolou o due process of law que, mesmo em esfera administrativa, deve ater-se a prazos e ritos dos quais tanto à União como aos contribuintes não é facultado eximir-se, em atendimento ao principio da legalidade.
2- Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a todos, ainda que em procedimento administrativo, o devido processo legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e o impulso oficial.
3- A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório visava rebater as informações acusativas baseadas na apreensão dos livros e documentos fiscais da empresa.
4- Escorreita a sentença monocrática, de rigor sua manutenção,'aguardando a apreciação da impugnação administrativa formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo, para depois se cogitar acerca da Representação Fiscal para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa.
5- Estabelecida que fora a litigisiosidade com o ato de apreensão fez a administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei 9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também direito da parte de impugnar o ato, descortinou-se, em face da administração a perspectiva de nulidade dos atos subseqüentes, a teor do art. 59 II do decreto no 70.235/72.
6- Apelação e à remessa oficial improvidas. (AMS n. 2008.61.00.000011-5, Rel.: Desembargador Federal Nery Júnior, publicado em 27.11.2009).
Às fls. 2.155, a D. Autoridade Preparadora noticia a intempestividade do recurso voluntário interposto pela Contribuinte.
Às fls. 2165 há cópia da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em exame à impugnação apresentada pela Contribuinte contra o termo de apreensão de livros contábeis e fiscais de fls. 272, assim ementada, verbis:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO EM CUMPRIMENTO A DECISÃO JUDICIAL.
Nos termos da legislação de regência, é cabível a retenção de livros e documentos do contribuinte, mediante termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, quando ficar configurada, em tese, a ocorrência de ilícito penal. A apreensão não implica considerar provado o ilícito penal, mas tão-somente visa instruir o processo de representação fiscal para fins penais, o qual será encaminhado ao Ministério Público somente após a constituição definitiva do crédito tributário.
Impugnação Improcedente.
Sem Crédito em Litígio.
Às fls. 2.183, a Contribuinte peticiona novamente a este Conselho, a fim de que seja dado cumprimento ao acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região acima citado e, por conseguinte, sejam tidos como nulos todos os atos subseqüentes ao termo de apreensão de livros e documentos, principalmente, a lavratura do auto de infração, como medida de respeito à superior decisão judicial. Verbis:
O "Mandado de Segurança" foi impetrado em data de 20 de dezembro de 2007, perante a 16a Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, o qual em 02 de abril de 2008 teve a segurança deferida em liminar de antecipação de tutela : (doc. III do Recurso Voluntário) e, posteriormente, confirmada por sentença (doc. IV do Recurso Voluntário), ordenando a autoridade impetrada, in casu o Delegado de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, aguardar a apreciação da Impugnação Administrativa ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos" que a ora Requerente então havia formulado perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, "somente após, garantindo o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Penais e a lavratura do Auto de Infração, se fosse o caso de eventual autuação ".
Em que pese à superior existência do referido Mandado de Segurança, o Processo Administrativo foi objeto do Auto de Infração e, somente no Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a Impugnação ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos", após superficial apreciação, atacada preliminarmente no Recurso Voluntário dirigido a esse Colendo Tribunal.
A liminar, a sentença e o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 31 Região, ora anexado, fazem letra morta e eivado de plena nulidade o Auto de Infração lavrado e, em decorrência, todo o Processo Administrativo que se sucedeu, adstrito ao contraditório e a ampla defesa.
No Mandado de Segurança não se discutiu ou se impugnou a exigência de qualquer tributo, mas sim, se ocorreu no curso do Processo Administrativo em tela, alguma ilegalidade.
A manutenção pela autoridade impetrada da autuação incorrida, face à presença maior de uma ordem judicial (liminar e sentença do mandamus), eivou de NULIDADE a mesma e, em consequência, o Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, discutido no Recurso Voluntário dirigido a esse respeitável Conselho.
Diante do exposto, serve a presente para requerer a esta Colenda Corte de Justiça Tributária que o Acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região seja integralmente cumprido, no sentido de tornar NULOS todos os atos subsequentes ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos principalmente, a lavratura do Auto de Infração, como medida de respeito à superior decisão judicial.
Às fls. 2.190, a Contribuinte apresenta memoriais para refutar a afirmação de intempestividade do recurso voluntário, nos quais sustenta, em síntese, que: (i) não haveria que se falar em intempestividade do recurso na hipótese em que o lançamento não poderia ter sido lavrado em observância a expressa determinação judicial; (ii) o mandado de intimação do acórdão recorrido procedeu-se irregular e ilegalmente, não respeitando seus requisitos de validade, já que este foi recebido por pessoa totalmente estranha e desconhecida ao rol de funcionários da Requerente e de seu contrato social. Sobre esse último item, assim justificou a Contribuinte, verbis:
A Receita Federal do Brasil ignorou que o MANDADO DE INTIMAÇÃO do acórdão exarado pela 8 a Turma da DRJ/SPO I -, enviado via correio com aviso de recebimento, FOI RECEBIDO POR PESSOA TOTALMENTE ESTRANHA E DESCONHECIDA AO ROL DE FUNCIONÁRIOS DA REQUERENTE E DE SEU CONTRATO SOCIAL.
A Requerente, conforme é do pleno conhecimento da RFB, está sediada A. Avenida Washington Luis, número 3.050, FUNDOS, sala 01 (doc. 01). A pessoa que recebeu o "mandado de intimação", posteriormente direcionando A. Requerente, conforme pesquisamos, é funcionário da empresa CHACARA FLORA FITNESS COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA LIMITADA (doc. 11), que está situada à Avenida Washington Luis, número 3.050, FRENTE (docs. 12 e 13), a qual nenhuma ligação e/ou relação detém com a ora Requerente.
Para complicar, somente cinco dias após o recebimento da intimação, o tal funcionário da Chácara Flora Fitness Comércio de Equipamentos de Ginástica Limitada, transmitiu 'a. Requerente, Fitness do Brasil Comercial Limitada, o mandado de intimação anotado como recebido em 04 de Maio de 2009, quando FATICAMENTE ACONTECEU NO DIA 29 DE ABRIL DE 2009, o que somente agora logramos saber.
Caros Julgadores, não se sabe qual o motivo do tal funcionário da Chácara Flora Fitness ter recebido o mandado intimatório em nome da Requerente e, muito menos, em omitir a verdadeira data do recebimento e anotar outra. Provavelmente descaso, ignorância quanto a seriedade e responsabilidade de receber uma intimação da RFB, ou simplesmente confusão, face a existência da expressão "Fitness", na denominação societária desta Requerente e da empresa supra citada.
Conforme os ilustres julgadores podem constatar, na declaração produzida pela empresa Chácara Flora (doc. 11),o SUJEITO QUE RECEBEU 0 MANDADO DE INTIMAÇÃO por carta com aviso de recebimento, à época do recebimento da missiva, INTEGRAVA 0 QUADRO DE FUNCIONÁRIOS HA APENAS 02 (DOIS) MESES E 17 (DEZESSETE) DIAS; portanto é plausível que o mesmo tenha imaginado que a referida carta devesse ser recebida e repassada a um "responsável", em razão das denominações societárias serem "parecidas", é razoável que o senhor André Salvador Crisafulli, tenha, ante o seu recém ingresso na "Chácara Flora", se equivocado e recebido uma correspondência destinada a outra pessoa jurídica, esta, porém, com DENOMINAÇÃO SOCIETÁRIA SIMILAR DA EMPRESA QUE 0 EMPREGAVA, quanto ao nome "Fitness".
Não se pode olvidar que a intimação via postal no processo administrativo fiscal NÃO PODE SER VIOLADA, pois trata-se de um dos alicerces processuais, cuja função é dar ciência de ordem feita pela Autoridade Publica, para que alguém faça ou deixe de fazer algo.
Considerar válida uma intimação que fora recebida por um sujeito que não a Requerente ou um dos seus prepostos é AVILTAR, além do devido processo legal, a AMPLA DEFESA DA REQUERENTE. (Grifos do Original)
É o relatório.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento à luz do Art. 62-A do Anexo II, do RICARF e do § único do Art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I - SP assim ementado, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. Valores não contabilizados, creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, são caracterizados como receitas omitidas, justificando o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. NOTIFICAÇÃO POSTAL. DATA DE CIÊNCIA. O contribuinte toma ciência de ato administrativo ao receber, via postal, a correspondência, datando e assinando o aviso de recebimento. PAGAMENTO ANTECIPADO: FALTA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A falta de pagamento antecipado de tributo ou atividade de verificação tributária e de avaliação do montante da exação impede o lançamento por homologação. IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO. Constatado o dolo, o direito de constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ, calculado com base em apuração anual, decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Ocorre a decadência com o decurso de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, pois, tempestiva, abrangente e copiosa a impugnação apresentada, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO E CAPACIDADE ECONÔMICA. A multa de ofício não possui natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da contribuinte é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. LANÇAMENTOS DECORRENTES. REPERCUSSÃO. Caracterizada a omissão de receita, o decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos dos outros tributos - CSLL, PIS e COFINS - em função de estarem sendo lançados em razão de mesmo fato contábil-empresarial. Lançamento Procedente em Parte. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Trata-se de impugnação (fls. 1056 a 1160) apresentada por FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. , supra qualificado, contra Autos de Infração (fls. 959 a 985) relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, relacionados a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002. 2. No "Termo (26) de Verificação Fiscal de 14/12/07" (fls. 760 a 762), parte integrante dos Autos de Infração, o Auditor Fiscal autuante informa, inicialmente, que o contribuinte fora intimado a justificar a origem dos créditos registrados nas contas bancárias por ele mantidas junto a instituições financeiras, no valor total de R$ 17.342.189,20. Juntamente com a intimação, entregou ao contribuinte relações individualizando os créditos que deveriam ser justificados e cópia dos extratos que deram origem às relações. 2.1. Acrescenta que, aquele valor total (R$ 17.342.189,20), era um valor líquido, pois já tinham sido excluídos estornos, créditos decorrentes de financiamentos e devolução de cheques depositados. Assevera que o ora impugnante apresentou justificativas em várias etapas, cujos conteúdos compõem 5 (cinco) volumes deste processo (Anexos 2 ao 6) e podem ser assim resumidos: "3.1) - Transferências entre contas do mesmo titular, que, uma vez comprovados débitos coincidentes em data e valor em outra conta do próprio contribuinte, foram considerados como justificados; 3.2.) - Recebimentos de duplicatas em carteira de cobrança bancária. Apesar do contribuinte escriturar o Livro Saída de Mercadorias e os recebimentos de duplicatas por totais mensais, o que impossibilita identificar qual a NF que se encontra escriturada por qual valor, consideramos justificados os casos em que o contribuinte comprovou, através de avisos de cobrança com relações detalhadas por duplicata, coincidentes em data e valor com o crédito a que se propunha justificar e mediante a apresentação das Notas Fiscais mencionadas nos respectivos avisos de cobrança, até o limite dos valores escriturados, que foram inferiores aos valores de recebimentos de cobrança de títulos constantes dos extratos bancários. 3.3) Ressaltamos que foram apresentadas, em várias ocasiões, Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado, compondo os valores recebidos através de cobrança bancária, casos que foram consideradas NÃO justificadas suas origens uma vez que não foram compuseram a receita oferecida à tributação. Conforme acima mencionado, os registros contábeis de receitas foram feitos por totais mensais,- remetendo ao livro de saídas de mercadorias, e os registros de recebimentos de duplicatas também foram efetuados por totais, fato que não possibilita individualização dos valores recebidos, sendo os recebimentos de valores correspondentes às Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado considerados não escriturados na contabilidade da empresa. 3.4) Justificou os créditos decorrentes de descontos bancários, grande parte, como sendo de duplicatas emitidas "SEM LASTRO" e que teriam sido debitados posteriormente. Apresentou planilhas para justificar essa situação, sendo que nesses casos não apresentou comprovantes hábeis e idôneos que comprovassem que os valores debitados posteriormente, realmente tratavam-se dessas duplicatas "SEM LASTRO". Além disso, não existe na contabilidade, registro de ingressos de recursos decorrentes de duplicatas descontadas, sendo referidas operações consideradas à margem da contabilidade. 3.5) - Para justificar o ingresso de créditos decorrentes de "CAMBIO FINANCEIRO", relativos aos itens 186, 187 e 231 do ANEXO 18 do referido TERMO (09) DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19101107 Banco Bradesco Conta 86.5004-4 da Agência 504-5 a que fora intimado a justificar a origem, nos valores de R$ 16617,12, R$ 150.617, 28 e R$ 94.520, 40, o contribuinte informou tratar-se de repatriamento de antecipações a fornecedor estrangeiro (Cia DEMOR S.A Uruguai) pelo fato de não ter ocorrido as importações relativas a essas antecipações. Entretanto, além de não apresentar comprovantes de que os valores ora creditados referiam-se às remessas efetuadas anteriormente, não consta no livro diário do ano calendário 2002, qualquer registro de lançamentos dos referidos créditos o que confirma que não havia qualquer valor pendente de recebimento a título de adiantamento por conta de importações. 3.5) No Livro Diário / Razão apresentado pelo contribuinte não constam registros de operações financeira dos Bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural, motivo pelo qual, todos os créditos nas contas desses bancos foram considerados à margem da contabilidade e portanto, sem origem comprovada. (destaques do original) 2.2. O Auditor Fiscal declara que o detalhamento da análise feita consta das planilhas dos Anexos I.1 a I.14 do citado Termo 26, tendo obtido como resultado a justificativa aceita de R$ 2.179.204,63, restando R$ 15.462.984,57 sem comprovação da origem, sujeitos, portanto, à presunção legal de omissão de receita. Informa, também, que, para facilitar o manuseio,-transformou o Anexo II do Termo (9) de 19/01/2001 no "Anexo 1" deste processo e os Livros Registro de Entradas/Saídas de Mercadorias, Razão e Diário, todos do ano calendário de 2002, ficaram sendo os Anexos 7, 8 e 9, respectivamente. 2.3. Encerra, afirmando que aplicou a multa de 150 %, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, pelo fato do contribuinte ter omitido em sua escrituração contábil os registros abaixo, o que configura a hipótese de, em tese, ocorrência de crime tributário: - operações realizadas nos bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural; - recebimentos em moeda estrangeira, reportados no "Termo (9) de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/01/07"; (estes valores também constam do primeiro item 3.5 do "Termo (26) de Constatação e de Intimação Fiscal de 14/12/07"); - vendas de ativo imobilizado, conforme NF's apresentadas; - descontos de duplicatas, conforme consta dos extratos bancários e relações de duplicatas descontadas apresentadas; - depósitos bancários, DOCs e. créditos em suas contas bancárias por transferências bancárias, escriturados em valores inferiores aos constantes dos extratos bancários e de maneira englobada, isto é, sem individualizar cada depósito/crédito recebido, impossibilitando a sua identificação. 2.4. Em vista do exposto, foram lavrados os seguintes Autos de Infração (que fazem parte do Volume 5 deste processo): IRPJ: R$ 11.551.522,70 (fls. 959 a 962) CSLL: R$ 4.184.764,33 (fls. 979 a 985) PIS: R$ 349.310,34 (fls. 963 a 970) COFINS: R$ 1.531.164,52 (fls. 971 a 978) CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 17.587.790,64 (fls. 002) 2.5. Todos os valores acima indicados incluem a multa de ofício e os Juros de mora, calculados até 30/11/2007. E a base legal, em complementação aos dispositivos transcritos no Termo de Verificação Fiscal, indicada nos Autos de Infração é: IRPJ: art. 24, da Lei n° 9.249/95; art. 42, da Lei n°. 9.430/96; arts. 279, 287 e 288, do RIR/99 (fls. 962). CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6% da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. (fls. 984). PIS: arts. 1o e 3°, da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n 9.249/95; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n°. 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n°. 9.718/98; arts. 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 969 e 970). COFINS: art. 1% da Lei Complementar n°. 70/91; art. 24, § 2% da Lei n°. 9.249/95; arts. 2% Y e 8% da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições; artigos 2% inciso II e parágrafo único, 3% 10, 22, 51 e 91, do Decreto n°. 4.524/2002. (fls. 978). 3. Há duas observações manuscritas apostas nos Autos de Infração (fls. 960, 968, 976, 982 e 985) assinadas pelo Auditor Fiscal autuante: "Tendo em vista o não comparecimento do procurador, Dr. Wanderley Benventi, enviamos o Auto de Infração pelo correio com AR em 17112107" "No dia 19/12/07 foi afixado o Edital n°. 17112007 para ciência do Auto de Infração ao contribuinte porque a entrega via postal não logrou êxito. " 3.1. A fls. 755 encontra-se um documento onde o ora impugnante informa que está providenciando a nomeação de um advogado como procurador `para comparecer e atender, em nosso nome, a intimação verbal dessa Fiscalização que agendou para o próximo dia 19 de Dezembro de 2007, período da manhã, encontro para a necessária conferência final da documentação constante do Processo acima." O extrato do SEDEX, contendo as informações sobre as tentativas de entrega, está a fls. 988. No Edital n°. 171/2007 (fls. 989) constam as informações sobre a data de afixação e de retirada do mesmo: 19/12/07 e 09/01/08, respectivamente. 3.2. Tendo tomado ciência destes lançamentos, nos seus próprios termos, em 03/01/2008, o contribuinte, por intermédio de seus advogados (docs. a fls.009, 997, 1012 e 1013 interp6s impugnação (fls 1060 a 1080), remetida em 06 /02/08 (capa de caixa dos Correios a fls. 1055), relatando e alegando o que segue. 3.3. Inicia pugnando pela tempestividade da impugnação já que tomou ciência dos lançamentos em 03/01/08, conforme artigo 23, III e § 2% III do Decreto n°. 70.235/72. Em seguida, relaciona os Termos de Constatação e Intimação Fiscal, com as respectivas datas de ciência. Afirma, em continuação, em um tópico denominado "111 - GRITANTE ERRO MATERIAL" que o Auditor Fiscal, no item VI, da Representação Fiscal para Fins Penais, menciona como sendo sócios gerentes à época dos fatos os senhores Wanderley Venere Bonventi e Bruno Venere Bonventi, utilizando como base a 8' alteração contratual registrada na JUCESP. Afirma que nem no contrato de constituição da empresa e nem em nenhuma outra alteração contratual constou que o sócio minoritário Sr.Bruno Venere Bonventi tinha poderes de gestão ou de administração. 3.4. Após dizer: "Outrossim, é de extrema estranheza, para dizermos o mínimo, a falta de cautela e acuidade do Auditor Fiscal em utilizar a referida "8a alteração contratual " ou qualquer outra que fosse, eis que nenhuma delas subsidia o fato, para tentar informar que o ex-sócio da empresa, Sr. Bruno Venere Bonventi, tinha poderes de SÓCIO GERENTE a época, incluindo-o como responsável na "Representação Fiscal para Fins Penais", sabendo ademais que em tal procedimento busca-se a mais lídima verdade real. " , pleiteia a imediata retirada do nome do ex-sócio Sr. Bruno Venere Bonventi da "Representação Fiscal para Fins Penais". (os destaques na transcrição são do original) 3.5. Passa, então, a alegar a ocorrência da decadência, principiando por: "Embora no mérito fático estejamos procedendo à sólida argumentação embasadora desta peça IMPUGNATIVA, que certamente desaguará na anulação das autuações combatidas, ou no mínimo na redução significativa das autuações incorridas e desenquadramento da multa agravada de 150 %, não podemos nos olvidar do instituto da DECADÊNCIA, que insofismavelmente fulmina "in totum " a presente autuação de IRPJ e suas autuações ditas reflexas compreendendo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para a Seguridade Social e o PIS Programa de Integração Social, decorrentes de, na ótica fiscal, "depósitos bancários não justificados ocorridos no Ano-Calendário de 2002 ", a saber... " 3.6. Afirma que, "conforme se demonstrará, o IRPJ é um lançamento por homologação e, permeia ente os fatos geradores ensejadores das autuações mês a mês, de janeiro a dezembro de 2002, até que ocorreu a intimação em 03 de Janeiro de 2008, o lapso temporal de 5 (cinco) anos, opera-se a toda evidência a DECADÊNCIA, nos termos do Art. -150 § 4° do CTN; ou mesmo em se considerando,- o que se admite apenas "ad argumentandum ", a ocorrência do preconizado na parte "in fine " do citado § 4° (..... comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação), o que deslocaria o prazo para operar a Decadência para o ART. 173 I do CTN (I- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ainda assim, a toda evidência e adiante provado, o instituto da Decadência fulminaria os Autos de Autuação em tela, eis que, o lapso temporal iniciar-se-ia em 1 'de Janeiro de 2003, fluindo os 5 (cinco) anos em 1 'de janeiro de 2008, e a intimação ocorreu em 03 de Janeiro de 2008. " 3.7. Após transcrever legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e ementas de acórdãos, encerra: "Portanto, forçoso concluir-se que a "Lei 9.430196", além de consolidar o "IRPJ" como sendo um imposto por homologação, com antecipações mensais ou trimestrais, ainda recepcionou em seu bojo a "lei 8.98111995", com as modificações introduzidas pela "Lei n° 9.065195 ", que conforme artigos transcritos seguem a mesma linha de ser o "IRPJ" um imposto por homologação e pago em bases mensais ou trimestrais, com ajuste anual na DIRPJ; ademais recepcionou ainda como FORMA DE DETERMINAÇÃO DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL DA PESSOA JURÍDICA, ser esta procedida com base em Balancetes de Suspensão ou Redução do IRPJ; balancetes mensais estes procedidos e que compõem a DIRPJ do Ano-Calendário de 2002, Exercício de 2003, desta Impugnante, tempestivamente entregues à Receita Federal e, na qual são explicitados os Balancetes mensais, nos termos da legislação retro citada, demonstrando a exaustão que a IMPUGNANTE procedia ao levantamento do IRPJ apagar, em bases mensais, através dos citados Balancetes. " 3.8. Prossegue, transcrevendo o artigo 42 da Lei n°. 9.430/96, para afirmar que, nos termos desse dispositivo, os depósitos bancários relacionados pelo Auditor autuante como não justificados, deverão ser considerados no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. No entanto, continua, "inexplicavelmente e ilegalmente, eis que, afrontou diretamente a Lei 9.430196 (art. 42 §§ 1 ° 2° e 3°), e saliente-se que a Autoridade tem competência vinculada, o Sr. Auditor Fiscal, as fls. 961 do Processo escreveu: ... " e transcreveu a tabela onde constam a data dos fatos geradores (31/12/2002), o valor tributável respectivo e a multa aplicável. Diz, ainda, í que a s. 958 e 959 "sob o título AUTO DE INFRAÇÃO do IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA, inseriu como FATO GERADOR O ANO DE "2002" e VENCIMENTO DO IMPOSTO que encontrou em data de 31103/2003, em ilegal procedimento, pelo que requer a sua ANULAÇAQ nos termos do Decreto 70.235172 e da Lei 9.784/99, além de afrontar o Princípio dá Legalidade do Direito Administrativo esculpido no Art. 5° da Constituição Federal". 3.9. Da mesma forma ataca o artigo 24, da Lei n°. 9.249/95 que também foi apontado pelo Auditor Fiscal como dando base à autuação. É seu entendimento que os dispositivos citados "arrasam o ilegalmente pretendido pelo Sr. Auditor que, ao invés de considerar as receitas omitidas (sob a sua ótica) decorrentes de depósitos bancários, mês a mês, ou seja dentro do período de Janeiro a Dezembro de 2002, cada mês com seus depósitos, considerou todas como ocorridas em 3111212002, a Lei n° 9.430196 que preceitua em seu § 1' que, os valores das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado junto a instituição financeira, como ainda o ART. 24 da Lei n° 9.249195 preceitua que o valor do imposto e do adicional serão lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período em que corresponder a omissão. E, a ora IMPUGNANTE, conforme consta de sua DIRPJ do ano-calendário de 2002 exercício de 2003, procedia a BALANCETES MENSAIS, nos termos da legislação vigente, para apuração do IRPJ. " 3.10. Alega que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é o dia 1° de janeiro de 2003, já que tinha optado pela utilização de balancetes mensais para a apuração do IRPJ. Assim, teria se operado a decadência, mesmo que prevalecesse a ótica do Auditor autuante (existência de dolo). Dá por encerrado este tópico, transcrevendo legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e extensa lista de ementas de acórdãos administrativos. 3.11. O próximo tópico abordado pelo impugnante foi por ele denominado de "Preliminar de Nulidade", onde ele argumenta que tomou ciência do "Termo (12) de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", em 16/02/2007, e, com a apresentação de sua impugnação, protocolada em 22/03/2007, abriu-se a possibilidade de imediata instalação do processo administrativo fiscal. Após transcrever textos de juristas e artigos de normas legais, diz: "Constata-se assim que o objetivo único do Auditor Fiscal para a precipitada, prematura e intempestiva apreensão dos livros contábeis e fiscais descritos, era anexá-los ao "Processo de Representação Fiscal Para Fins Penais ", ("Art 915 § 1 ° do RAR " em consonância com o "Art. 35 § 1 ° da Lei n° 9.430/96). 3.12. Passa, então, a elencar e discorrer sobre alguns princípios citados por doutrinadores que seriam comuns ao procedimento e ao processo administrativo tributário,como por exemplo: da legalidade objetiva, da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever de colaboração, do dever de investigação. Conclui:"Isto posto, requer-se a anulação das fases subseqüentes à "Apreensão", inclusive do "Auto de Infração", por não terem sido observados em sua lavratura as garantias processuais do Administrado. " (destaque do original) 3.13. Após mais transcrições de textos e de dispositivos legais, discorre sobre princípios de Direito Administrativo que teriam sido afrontados pelo Auditor Fiscal, que seriam: da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório. 3.14. Alguns trechos de sua peroração merecem transcrição: "Destaque-se que, na hipótese de decisão administrativa, ainda que parcial, ser proferida sem respeitar os "Princípios" do "Contraditório" e da "Ampla Defesa", bem como os demais "Princípios" atinentes ao "Processo Administrativo", em especial o da "Legalidade", ela está eivada de nulidade, por falta de elemento essencial a sua formação." (destaques do original) ................................................. "Assim, este Contribuinte detém o direito líquido e certo de que, a lavratura do "Auto de Infração", e os seus atos precedentes, desde a deflagração do "Processo Administrativo Fiscal ", o que ocorreu no presente processo com a tempestiva Impugnação à lavratura do "Termo 12 de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", ocorram rigorosamente nos termos da lei infra-constitucional, da Constituição (Ampla Defesa e Contraditório) e dos Princípios do Direito Administrativo e Tributário, . sem olvidar nenhum deles, sob pena dos atos subseqüentes serem considerados nulos de pleno direito, inclusive e principalmente o "Termo de Autuação Fiscal"; não anuláveis, mas NULOS. " (destaques do original) .................................................................... "Julgadores: é o caso dos Autos, à perfeição, eis que no momento em que lavrou o "Auto de Apreensão de Livros" (Termo 12), abriu-se o trintídio legal para a Impugnação, o que ocorreu, pelo que os fatos subseqüentes e a própria "Autuação Fiscal", estariam sob a égide do "Processo Administrativo"; pelo que se requer o reconhecimento de ser NULO o "Auto de Infração " lavrado, bem como todos os fatos subseqüentes à IMPUGNAÇÃO (Doc. 6), os quais também não observaram as normas do Processo Administrativo. " (destaques do original) 3.15.-Passa- á alegar a preliminar -de cerceamento ao direito constitucional à ampla defesa: "E, no caso em tela, o "Processo Administrativo", só e somente foi encaminhado ao DERA SPO, em data de 17101105 (Doc. 7), e só e somente foi disponibilizado para "VISTA" pela AUTUADA e seus Advogados, em data de 29/Janeiro12008, para um prazo de trintídio que vencia-se em 02/fevereiro/2008, ou seja, 4 (quatro) dias após; o fato narrado pode ser perfeitamente comprovado, através dos Controles Internos do DERAT-SPO, que instados pessoalmente em 23/01/08 a apresentarem o Processo Administrativo da presente autuação, só e somente o disponibilizaram em data de 29/Janeiro/08. " 3.16. E continua: "Assim, ao exposto requer-se que seja disponibilizado à Impugnante, o prazo ilegalmente suprimido, bem em respeito ao Direito Constitucional à Ampla Defesa, possibilitando eventual aditando a presente peça impugnativa que, pela premência de tempo, pode conter erros e imperfeições eis que, em superficial análise, constatamos que o Sr. Auditor Fiscal, teve 365 dias, para fiscalização e, ao lavrar os Autos cometeu absurdos erros e mesmos abusos, conforme expostos e criticados. " 3.17. O próximo tema a ser combatido está no item "VI- Da Omissão de Registro de Operações Bancárias Receita de Venda de Direitos Creditórios não Contabilizada", onde o impugnante alega que a operação na qual alienou, pelo valor de R$ 60.000,00, em 16/09/2002, para a empresa Visão Habitacional Ltda., por meio de instrumento particular de cessão e transferência de direitos creditórios, tendo realizado uma transferência de dinheiro entre agências bancárias, foi devidamente explicada e comprovada. (Doc. 8, 8-A e 9) 3.18. Diz que tal operação não é receita tributável, por já ter sido tributada. em 1995, pois se refere a uma escritura pública de confissão de dívida com garantia hipotecária, lavrada em 26/09/95, em garantia de venda mercantil, conforme notas fiscais listadas na própria escritura. 3.19. Prossegue: "Ante o não pagamento da venda mercantil, a ora Impugnante tratou de executar a hipoteca e, seguindo as normas da Receita Federal vigentes, só e somente poderia levar o valor não recebido à conta de prejuízo, após exauridos todos os meios de cobrança, ou seja, término da Execução Judicial; assim, ao alienar para terceiros o crédito e o direito de ação, pelo valor original, não procedeu a uma operação tributável, sob pena de acolher-se a bi-tributação da mesma operação, ou "bis in idem ". " 3.20. Argumenta que, ao contrário do que alega ó Auditor Fiscal, a operação relacionada à omissão de registro de operações bancárias como os créditos de vendas de divisas não contabilizados (caso Beacon Hills), está comprovada como sendo repatriação de divisas antecipadas a fornecedor estrangeiro, anexando, com o intuito de ver corroborada sua afirmativa, o documento 10-A. 3.21. Alega que o Auditor Fiscal, "sob critérios próprios", ignorando uma lei em que se baseou e 'fazendo letra morta " de outra, lavrou o Auto de Infração por omissão de receitas. Reafirmando que declarou o IRPJ/2003 pelo regime de Lucro Real, com o cálculo do imposto sendo feito mensalmente por balancete, apresenta alguns valores que constam de sua DIPJ/2003. Diz que valores do Ativo, como Cliente, Caixa e do Passivo, como Financiamentos a curto prazo deveriam ser considerados para a perfeita adequação do fluxo de caixa e que "a não consideração dos valores de depósitos em sistema de "Fluxo de Caixa" dia a dia, mês a mês, contraria, a ciência contábil, bem como os princípios e procedimentos contábeis, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Doc. a), e a própria "Lei n° 9.430196 Art. 42 ", além de se constituir na prática em uma verdadeira "bis in idem ". 3.22. Argumenta que o Auditor Fiscal autuante não considerou os depósitos decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte, que representam "conforme adiante se demonstrará e provará um montante de altíssima monta, a contemplar a quase totalidade da autuação por omissão de depósitos bancários". Insiste na citação do § 1o do artigo 42, da Lei 9.430/96 para afirmar que as receitas devem ser consideradas auferidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e que procedimento diverso contraria a jurisprudência do Conselho de Contribuintes 3.23. Assevera: "Pelo que, a denominada "omissão de receitas de Pessoas Jurídicas adveniente de depósitos bancários", repise-se, há de ser considerada "mês a mês", em um conta-corrente, num verdadeiro `fluxo de caixa", eis que, por óbvio, o valor lançado e tributado pelo "Auto de Infração" lavrado pelo Auditor Fiscal em, um mês, passa a se constituir saldo líquido disponível no mês subseqüente, deduzindo-se do montante de depósitos desse mês, e assim subseqüentemente, dentro do ano-calendário, num procedimento dentro das normas e princípios contábeis e da própria Lei n°. 9.430146 (sic), o que aliás é amplamente referendado pela Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; ademais, em não sendo assim, aconteceria a bi-tributação de lançamentos, o que é vedado pela lei. " 3.24. Assegura que o lançamento estribado apenas na soma de depósitos bancários é procedimento inconsistente, que não retrata a situação necessária e suficiente definida em lei para a ocorrência do fato gerador, conforme prevê o artigo 43, do Código Tributário Nacional. Também diz que a Lei n°. 9.430/96 não fala em "soma', ao se referir aos depósitos bancários não justificados e, no seu entendimento, a "soma" contraria a legalidade, como disposto no inciso III, do artigo 97 do CTN. Acredita que é com base nesses fundamentos que a jurisprudência tem confirmado a ilegitimidade do IRPJ lançado com apoio apenas em depósitos bancários. 3.25. Entende que o lançamento seria legítimo apenas se "além dos depósitos bancários cuja origem não tiver sido identificada pela fiscalização, ocorresse a disponibilidade jurídica e econômica em favor do Contribuinte, com conseqüente acréscimo patrimonial (o que definitivamente não ocorreu no caso presente). " 3.26. E encerra este tópico de sua impugnação: "Ainda que se admitisse a possibilidade do lançamento do "Imposto de Renda" ser baseado exclusivamente nos depósitos bancários, presumidos como receitas omitidas, depois de saneados, ou seja, excluídos os depósitos de mesma titularidade, os cheques depositados e devolvidos, os créditos decorrentes de empréstimos bancários e de Contas Garantidas, os empréstimos comprovados e outros assemelhados seria indispensável o "arbitramento "para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda; nesse sentido o "Acórdão da 12° Câmara do 1 ° Conselho de Contribuintes (Recurso Voluntário n° 116.724) ". Com efeito, a "Lei n° 8.981195", prevê o arbitramento da base de cálculo em casos em que a contabilidade não tenha registrado a total movimentação bancária (art. 47, inciso II, a).~ Mas, a Impugnante refuta (sic) num primeiro momento, a conveniência de qualquer arbitramento, eis que esta apresentando 'justificativas" aos depósitos bancários elencados (e saneados), o maior volume decorrente de transferências bancárias de MESMA TITULARIDADE; somente requer o "Arbitramento", nos termos do "Art. 530, do RIR199 ", se vencidas as preliminares e as justificativas elencadas, o que se admite "Ad Argumentandum ". Ademais, o "Art. 288, do RIR199 ", adotado pelo Auditor, somente se aplica às receitas efetivas e não às receitas consideradas como tais, por presunção da lei. Com efeito, as receitas efetivas resultam de ingressos reais e inquestionáveis, que tenham sido omitidos pelo contribuinte, não contemplando as receitas por mera presunção, como no caso do Art. 42 Lei n° 9.430196. " ( destaque do original) 3.27. Ataca a aplicação da multa agravada de 150 % pelo evidente intuito de fraude, como definido no artigo 71, da Lei n°. 4.502/64, porque, no seu entender, o ponto caracterizador desse agravamento é o dolo e 'foi autuado açodadamente em astronômico montante, unicamente pela não entrega tempestiva de documentação que respaldasse o seu movimento bancário de depósitos e créditos. " Cita juristas e acórdãos administrativos com o objetivo de ver corroborada sua argumentação. 3.28. Diz: "Com efeito a "autuação fiscal " por "Omissão de Receitas ", decorrente de "depósitos bancários não comprovadas a origem pelo Contribuinte", conforme o constante do "Art. 42 Lei n°. 9.430/96", que inverteu o "ônus da prova", imputando-o ao Contribuinte, ocorre por mera presunção, eis que presume-se que ocorreu "omissão", ante a eventual não comprovação de origens por parte do Contribuinte, como no caso em análise dos presentes Autos, onde constata-se fatores materiais (falta de funcionários) aliado a fatores temporais (exigüidade de tempo) para que a Impugnante, em precária situação econômica e administrativa, procedesse a uma verdadeira auditoria contábil a relacionar, explicar, justificar e relatar, milhares e milhares de documentos, a serem copilados em relatório, a ser produzido pela empresa e acompanhado dos originais e cópias, para satisfação do Fisco. 3.29. Termina este tema afirmando que está impugnando a "astronômica e absurda autuação, nos termos em que ela foi lavrada, ou seja, pendências de justificativas sobre os "DEPÓSITOS BANCÁRIOS" constantes nos EXTRATOS BANCÁRIOS, QUE, RESSALTE-SE, FORAM APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. " ( destaques do original) 3.30. No item denominado "XI QUADRO CONJUNTURAL" confessa que utilizou operações de desconto de duplicatas sem lastro e que, `por serem pouco ortodoxas, não encontravam adequado espaço na contabilização ". Afirma, também, do relatórios, para cada banco, com as justificativas e com documentos 3.31. Diz que os julgadores deverão considerar 9 (nove) elementos (que especifica, a fls. 1138 e 1139) na formação de sua convicção e enfatiza o disposto no artigo-3o, da IN SRF- n°. 246/2002, que traz, em seu § 1o a assertiva de não ser necessário considerar o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00. 3.32. Requer a realização de perícias e diligências, nomeando peritos e formulando 8 quesitos, como: confecção de fluxo de caixa; diligência nos bancos, ..., se dúvida houver por parte dos julgadores; diligência para sanar qualquer dúvida dos julgadores quanto à idoneidade de qualquer documento apresentado; se os elementos e documentos constantes do processo administrativo em tela são suficientes para atender ao princípio da justiça tributária, princípio da verdade material, princípio do dever de investigação, princípio da ampla instrução probatória; outras perícias e diligências que os senhores julgadores ou os peritos achem necessárias; identificação nos depósitos bancários das operações pouco ortodoxas. 3.33. Alega o efeito confiscatório da multa, por atingir o direito constitucional à propriedade e investe contra a aplicação da taxa SELIC, por ser uma taxa criada por circular do Banco Central, poder ser modificada a qualquer tempo por este e visar, apenas, remunerar o capital investido na compra e venda de títulos públicos. Entende que deve ser aplicada a taxa de 1 % (artigo 161, § V). 3.34. Antes de encerrar sua extensa exposição, afirma que o enquadramento utilizado pelo Auditor Fiscal na Representação para Fins Penais (artigo 1o da Lei n°. 8.137/90) não é o mais adequado. No seu entender, "como medida da boa doutrina jurídica", requer a retificação para o tipo penal descrito no inciso I, do artigo 2° da referida Lei. 3.35. A título de conclusão afirma que não houve qualquer aumento de patrimônio, nem do impugnante e nem de seus sócios. Requer o acolhimento da presente, com o cancelamento do Auto de Infração. 3.36. Na seqüência dos Autos, consta um documento entregue pelo ora impugnante intitulado "MEMORIAL - CONSIDERAÇÕES", no qual salienta e enfatiza argumentos já expendidos na impugnação, não trazendo documentação nova. 4. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do artigo 1% da Portaria SRF n°. 326/05, que ganhou o n°. 19515.004307/2007-92 e foi apensado aos presentes autos. É o Relatório. O acórdão recorrido rejeitou preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e parcialmente os autos de infração de PIS e COFINS, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita (fls. 1701 e ss vol. 9). O cancelamento parcial dos autos de infração deveu-se exclusivamente pela aplicação ao caso do disposto no art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial para lançamento das citadas contribuições (ciência do lançamento ocorrida em 03.01.2008 e fatos geradores ocorridos entre 31.01.2002 a 31.12.2002). Às fls. 1834 consta o AR referente à intimação da Contribuinte em relação ao acórdão acima referido. De citada intimação consta o endereço Avenida Washington Luis, 3050, Fundos, Sala 01, Santo Amaro, que é o endereço da Contribuinte constantes dos registros da Receita Federal do Brasil. Tal intimação foi recebida em 29.04.2009 pelo Sr. André S. C.. Em sede de recurso voluntário (fls. 1851 e ss vol. 10), a Recorrente requer o improvimento do recurso de ofício interposto, suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, por alegada inobservância à liminar proferida no citado mandado de segurança e pelo fato de o ato decisório ter se silenciado quanto à aplicação respectiva no caso concreto; (ii) nulidade do auto de infração por afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96 é ilegítima, conforme precedentes judiciários; (iv) haveria decadência do Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos mensais por estimativa; (v) ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da ausência de conduta dolosa no caso concreto e do seu nítido caráter confiscatório; (vi) seria ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido lavrado com base no arbitramento de lucro, em vista da relevância dos valores apontados, jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte. No citado recurso voluntário e às fls. 2136/2137, a Contribuinte noticia liminar concedida em mandado de segurança (MS n. 2008.61.00.000011-5), segundo a qual restou determinado que a D. Autoridade Coatora AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis (fls. 889/898 destaques do original).Citada liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 2136 e ss), verbis: TRIBUTÁRIO - PROCESSO ADMINISTRATIVO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA - IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO PREJUDICADOS IMPROVIMENTO 1- Contrariando o conjunto de regras que disciplina o processo administrativo, a autoridade coatora lavrou o auto de infração sem proceder apreciação da impugnação interposta. Dessa forma, a impetrada extrapolou o due process of law que, mesmo em esfera administrativa, deve ater-se a prazos e ritos dos quais tanto à União como aos contribuintes não é facultado eximir-se, em atendimento ao principio da legalidade. 2- Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a todos, ainda que em procedimento administrativo, o devido processo legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e o impulso oficial. 3- A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório visava rebater as informações acusativas baseadas na apreensão dos livros e documentos fiscais da empresa. 4- Escorreita a sentença monocrática, de rigor sua manutenção,'aguardando a apreciação da impugnação administrativa formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo, para depois se cogitar acerca da Representação Fiscal para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa. 5- Estabelecida que fora a litigisiosidade com o ato de apreensão fez a administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei 9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também direito da parte de impugnar o ato, descortinou-se, em face da administração a perspectiva de nulidade dos atos subseqüentes, a teor do art. 59 II do decreto no 70.235/72. 6- Apelação e à remessa oficial improvidas. (AMS n. 2008.61.00.000011-5, Rel.: Desembargador Federal Nery Júnior, publicado em 27.11.2009). Às fls. 2.155, a D. Autoridade Preparadora noticia a intempestividade do recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Às fls. 2165 há cópia da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em exame à impugnação apresentada pela Contribuinte contra o termo de apreensão de livros contábeis e fiscais de fls. 272, assim ementada, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO EM CUMPRIMENTO A DECISÃO JUDICIAL. Nos termos da legislação de regência, é cabível a retenção de livros e documentos do contribuinte, mediante termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, quando ficar configurada, em tese, a ocorrência de ilícito penal. A apreensão não implica considerar provado o ilícito penal, mas tão-somente visa instruir o processo de representação fiscal para fins penais, o qual será encaminhado ao Ministério Público somente após a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente. Sem Crédito em Litígio. Às fls. 2.183, a Contribuinte peticiona novamente a este Conselho, a fim de que seja dado cumprimento ao acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região acima citado e, por conseguinte, sejam tidos como nulos todos os atos subseqüentes ao termo de apreensão de livros e documentos, principalmente, a lavratura do auto de infração, como medida de respeito à superior decisão judicial. Verbis: O "Mandado de Segurança" foi impetrado em data de 20 de dezembro de 2007, perante a 16a Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, o qual em 02 de abril de 2008 teve a segurança deferida em liminar de antecipação de tutela : (doc. III do Recurso Voluntário) e, posteriormente, confirmada por sentença (doc. IV do Recurso Voluntário), ordenando a autoridade impetrada, in casu o Delegado de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, aguardar a apreciação da Impugnação Administrativa ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos" que a ora Requerente então havia formulado perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, "somente após, garantindo o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Penais e a lavratura do Auto de Infração, se fosse o caso de eventual autuação ". Em que pese à superior existência do referido Mandado de Segurança, o Processo Administrativo foi objeto do Auto de Infração e, somente no Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a Impugnação ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos", após superficial apreciação, atacada preliminarmente no Recurso Voluntário dirigido a esse Colendo Tribunal. A liminar, a sentença e o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 31 Região, ora anexado, fazem letra morta e eivado de plena nulidade o Auto de Infração lavrado e, em decorrência, todo o Processo Administrativo que se sucedeu, adstrito ao contraditório e a ampla defesa. No Mandado de Segurança não se discutiu ou se impugnou a exigência de qualquer tributo, mas sim, se ocorreu no curso do Processo Administrativo em tela, alguma ilegalidade. A manutenção pela autoridade impetrada da autuação incorrida, face à presença maior de uma ordem judicial (liminar e sentença do mandamus), eivou de NULIDADE a mesma e, em consequência, o Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, discutido no Recurso Voluntário dirigido a esse respeitável Conselho. Diante do exposto, serve a presente para requerer a esta Colenda Corte de Justiça Tributária que o Acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região seja integralmente cumprido, no sentido de tornar NULOS todos os atos subsequentes ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos principalmente, a lavratura do Auto de Infração, como medida de respeito à superior decisão judicial. Às fls. 2.190, a Contribuinte apresenta memoriais para refutar a afirmação de intempestividade do recurso voluntário, nos quais sustenta, em síntese, que: (i) não haveria que se falar em intempestividade do recurso na hipótese em que o lançamento não poderia ter sido lavrado em observância a expressa determinação judicial; (ii) o mandado de intimação do acórdão recorrido procedeu-se irregular e ilegalmente, não respeitando seus requisitos de validade, já que este foi recebido por pessoa totalmente estranha e desconhecida ao rol de funcionários da Requerente e de seu contrato social. Sobre esse último item, assim justificou a Contribuinte, verbis: A Receita Federal do Brasil ignorou que o MANDADO DE INTIMAÇÃO do acórdão exarado pela 8 a Turma da DRJ/SPO I -, enviado via correio com aviso de recebimento, FOI RECEBIDO POR PESSOA TOTALMENTE ESTRANHA E DESCONHECIDA AO ROL DE FUNCIONÁRIOS DA REQUERENTE E DE SEU CONTRATO SOCIAL. A Requerente, conforme é do pleno conhecimento da RFB, está sediada A. Avenida Washington Luis, número 3.050, FUNDOS, sala 01 (doc. 01). A pessoa que recebeu o "mandado de intimação", posteriormente direcionando A. Requerente, conforme pesquisamos, é funcionário da empresa CHACARA FLORA FITNESS COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA LIMITADA (doc. 11), que está situada à Avenida Washington Luis, número 3.050, FRENTE (docs. 12 e 13), a qual nenhuma ligação e/ou relação detém com a ora Requerente. Para complicar, somente cinco dias após o recebimento da intimação, o tal funcionário da Chácara Flora Fitness Comércio de Equipamentos de Ginástica Limitada, transmitiu 'a. Requerente, Fitness do Brasil Comercial Limitada, o mandado de intimação anotado como recebido em 04 de Maio de 2009, quando FATICAMENTE ACONTECEU NO DIA 29 DE ABRIL DE 2009, o que somente agora logramos saber. Caros Julgadores, não se sabe qual o motivo do tal funcionário da Chácara Flora Fitness ter recebido o mandado intimatório em nome da Requerente e, muito menos, em omitir a verdadeira data do recebimento e anotar outra. Provavelmente descaso, ignorância quanto a seriedade e responsabilidade de receber uma intimação da RFB, ou simplesmente confusão, face a existência da expressão "Fitness", na denominação societária desta Requerente e da empresa supra citada. Conforme os ilustres julgadores podem constatar, na declaração produzida pela empresa Chácara Flora (doc. 11),o SUJEITO QUE RECEBEU 0 MANDADO DE INTIMAÇÃO por carta com aviso de recebimento, à época do recebimento da missiva, INTEGRAVA 0 QUADRO DE FUNCIONÁRIOS HA APENAS 02 (DOIS) MESES E 17 (DEZESSETE) DIAS; portanto é plausível que o mesmo tenha imaginado que a referida carta devesse ser recebida e repassada a um "responsável", em razão das denominações societárias serem "parecidas", é razoável que o senhor André Salvador Crisafulli, tenha, ante o seu recém ingresso na "Chácara Flora", se equivocado e recebido uma correspondência destinada a outra pessoa jurídica, esta, porém, com DENOMINAÇÃO SOCIETÁRIA SIMILAR DA EMPRESA QUE 0 EMPREGAVA, quanto ao nome "Fitness". Não se pode olvidar que a intimação via postal no processo administrativo fiscal NÃO PODE SER VIOLADA, pois trata-se de um dos alicerces processuais, cuja função é dar ciência de ordem feita pela Autoridade Publica, para que alguém faça ou deixe de fazer algo. Considerar válida uma intimação que fora recebida por um sujeito que não a Requerente ou um dos seus prepostos é AVILTAR, além do devido processo legal, a AMPLA DEFESA DA REQUERENTE. (Grifos do Original) É o relatório.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento à luz do Art. 62A do Anexo II, do RICARF e do § único do Art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 25 7/ 20 07 -4 3 Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 3 2 Anocalendário: 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. Valores não contabilizados, creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, são caracterizados como receitas omitidas, justificando o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. NOTIFICAÇÃO POSTAL. DATA DE CIÊNCIA. O contribuinte toma ciência de ato administrativo ao receber, via postal, a correspondência, datando e assinando o aviso de recebimento. PAGAMENTO ANTECIPADO: FALTA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A falta de pagamento antecipado de tributo ou atividade de verificação tributária e de avaliação do montante da exação impede o lançamento por homologação. IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO. Constatado o dolo, o direito de constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ, calculado com base em apuração anual, decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Ocorre a decadência com o decurso de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 4 3 O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, pois, tempestiva, abrangente e copiosa a impugnação apresentada, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO E CAPACIDADE ECONÔMICA. A multa de ofício não possui natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da contribuinte é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. LANÇAMENTOS DECORRENTES. REPERCUSSÃO. Caracterizada a omissão de receita, o decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos dos outros tributos CSLL, PIS e COFINS em função de estarem sendo lançados em razão de mesmo fato contábil empresarial. Lançamento Procedente em Parte”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de impugnação (fls. 1056 a 1160) apresentada por FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. , supra qualificado, contra Autos de Infração (fls. 959 a 985) relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, relacionados a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002. 2. No "Termo (26) de Verificação Fiscal de 14/12/07" (fls. 760 a 762), parte integrante dos Autos de Infração, o Auditor Fiscal autuante informa, inicialmente, que o contribuinte fora intimado a justificar a origem dos créditos registrados nas contas bancárias por ele mantidas junto a instituições financeiras, no valor total de R$ 17.342.189,20. Juntamente com a intimação, entregou ao contribuinte relações individualizando os créditos que deveriam ser justificados e cópia dos extratos que deram origem às relações. Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 5 4 2.1. Acrescenta que, aquele valor total (R$ 17.342.189,20), era um valor líquido, pois já tinham sido excluídos estornos, créditos decorrentes de financiamentos e devolução de cheques depositados. Assevera que o ora impugnante apresentou justificativas em várias etapas, cujos conteúdos compõem 5 (cinco) volumes deste processo (Anexos 2 ao 6) e podem ser assim resumidos: "3.1) Transferências entre contas do mesmo titular, que, uma vez comprovados débitos coincidentes em data e valor em outra conta do próprio contribuinte, foram considerados como justificados; 3.2.) Recebimentos de duplicatas em carteira de cobrança bancária. Apesar do contribuinte escriturar o Livro Saída de Mercadorias e os recebimentos de duplicatas por totais mensais, o que impossibilita identificar qual a NF que se encontra escriturada por qual valor, consideramos justificados os casos em que o contribuinte comprovou, através de avisos de cobrança com relações detalhadas por duplicata, coincidentes em data e valor com o crédito a que se propunha justificar e mediante a apresentação das Notas Fiscais mencionadas nos respectivos avisos de cobrança, até o limite dos valores escriturados, que foram inferiores aos valores de recebimentos de cobrança de títulos constantes dos extratos bancários. 3.3) — Ressaltamos que foram apresentadas, em várias ocasiões, Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado, compondo os valores recebidos através de cobrança bancária, casos que foram consideradas NÃO justificadas suas origens uma vez que não foram compuseram a receita oferecida à tributação. Conforme acima mencionado, os registros contábeis de receitas foram feitos por totais mensais, remetendo ao livro de saídas de mercadorias, e os registros de recebimentos de duplicatas também foram efetuados por totais, fato que não possibilita individualização dos valores recebidos, sendo os recebimentos de valores correspondentes às Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado considerados não escriturados na contabilidade da empresa. 3.4) — Justificou os créditos decorrentes de descontos bancários, grande parte, como sendo de duplicatas emitidas "SEM LASTRO" e que teriam sido debitados posteriormente. Apresentou planilhas para justificar essa situação, sendo que nesses casos não apresentou comprovantes hábeis e idôneos que comprovassem que os valores debitados posteriormente, realmente tratavamse dessas duplicatas "SEM LASTRO". Além disso, não existe na contabilidade, registro de ingressos de recursos decorrentes de duplicatas descontadas, sendo referidas operações consideradas à margem da contabilidade. 3.5) Para justificar o ingresso de créditos decorrentes de "CAMBIO FINANCEIRO", relativos aos itens 186, 187 e 231 Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 6 5 do ANEXO 18 do referido TERMO (09) DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19101107 — Banco Bradesco — Conta 86.50044 da Agência 5045 a que fora intimado a justificar a origem, nos valores de R$ 16617,12, R$ 150.617, 28 e R$ 94.520, 40, o contribuinte informou tratarse de repatriamento de antecipações a fornecedor estrangeiro (Cia DEMOR S.A — Uruguai) pelo fato de não ter ocorrido as importações relativas a essas antecipações. Entretanto, além de não apresentar comprovantes de que os valores ora creditados referiamse às remessas efetuadas anteriormente, não consta no livro diário do ano calendário 2002, qualquer registro de lançamentos dos referidos créditos o que confirma que não havia qualquer valor pendente de recebimento a título de adiantamento por conta de importações. 3.5) — No Livro Diário / Razão apresentado pelo contribuinte não constam registros de operações financeira dos Bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural, motivo pelo qual, todos os créditos nas contas desses bancos foram considerados à margem da contabilidade e portanto, sem origem comprovada.” (destaques do original) 2.2. O Auditor Fiscal declara que o detalhamento da análise feita consta das planilhas dos Anexos I.1 a I.14 do citado Termo 26, tendo obtido como resultado a justificativa aceita de R$ 2.179.204,63, restando R$ 15.462.984,57 sem comprovação da origem, sujeitos, portanto, à presunção legal de omissão de receita. Informa, também, que, para facilitar o manuseio,transformou o Anexo II do Termo (9) de 19/01/2001 no "Anexo 1" deste processo e os Livros Registro de Entradas/Saídas de Mercadorias, Razão e Diário, todos do ano calendário de 2002, ficaram sendo os Anexos 7, 8 e 9, respectivamente. 2.3. Encerra, afirmando que aplicou a multa de 150 %, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, pelo fato do contribuinte ter omitido em sua escrituração contábil os registros abaixo, o que configura a hipótese de, em tese, ocorrência de crime tributário: operações realizadas nos bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural; recebimentos em moeda estrangeira, reportados no "Termo (9) de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/01/07"; (estes valores também constam do primeiro item 3.5 do "Termo (26) de Constatação e de Intimação Fiscal de 14/12/07"); vendas de ativo imobilizado, conforme NF's apresentadas; descontos de duplicatas, conforme consta dos extratos bancários e relações de duplicatas descontadas apresentadas; depósitos bancários, DOCs e. créditos em suas contas bancárias por transferências bancárias, escriturados em valores inferiores aos constantes dos extratos bancários e de maneira englobada, isto é, sem individualizar cada Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 7 6 depósito/crédito recebido, impossibilitando a sua identificação. 2.4. Em vista do exposto, foram lavrados os seguintes Autos de Infração (que fazem parte do Volume 5 deste processo): IRPJ: R$ 11.551.522,70 (fls. 959 a 962) CSLL: R$ 4.184.764,33 (fls. 979 a 985) PIS: R$ 349.310,34 (fls. 963 a 970) COFINS: R$ 1.531.164,52 (fls. 971 a 978) CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 17.587.790,64 (fls. 002) 2.5. Todos os valores acima indicados incluem a multa de ofício e os Juros de mora, calculados até 30/11/2007. E a base legal, em complementação aos dispositivos transcritos no Termo de Verificação Fiscal, indicada nos Autos de Infração é: IRPJ: art. 24, da Lei n° 9.249/95; art. 42, da Lei n°. 9.430/96; arts. 279, 287 e 288, do RIR/99 (fls. 962). CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6% da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. (fls. 984). PIS: arts. 1o e 3°, da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n 9.249/95; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n°. 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n°. 9.718/98; arts. 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 969 e 970). COFINS: art. 1% da Lei Complementar n°. 70/91; art. 24, § 2% da Lei n°. 9.249/95; arts. 2% Y e 8% da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições; artigos 2% inciso II e parágrafo único, 3% 10, 22, 51 e 91, do Decreto n°. 4.524/2002. (fls. 978). 3. Há duas observações manuscritas apostas nos Autos de Infração (fls. 960, 968, 976, 982 e 985) assinadas pelo Auditor Fiscal autuante: "Tendo em vista o não comparecimento do procurador, Dr. Wanderley Benventi, enviamos o Auto de Infração pelo correio com AR em 17112107" "No dia 19/12/07 foi afixado o Edital n°. 17112007 para ciência do Auto de Infração ao contribuinte porque a entrega via postal não logrou êxito. " 3.1. A fls. 755 encontrase um documento onde o ora impugnante informa que está providenciando a nomeação de um advogado como procurador `para comparecer e atender, em nosso nome, a intimação verbal dessa Fiscalização que agendou para o próximo dia 19 de Dezembro de 2007, período da manhã, encontro para a necessária conferência final da documentação constante do Processo acima." O extrato do SEDEX, contendo as informações sobre as tentativas de entrega, está a fls. 988. No Edital n°. 171/2007 (fls. 989) constam as Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 8 7 informações sobre a data de afixação e de retirada do mesmo: 19/12/07 e 09/01/08, respectivamente. 3.2. Tendo tomado ciência destes lançamentos, nos seus próprios termos, em 03/01/2008, o contribuinte, por intermédio de seus advogados (docs. a fls.009, 997, 1012 e 1013 interp6s impugnação (fls 1060 a 1080), remetida em 06 /02/08 (capa de caixa dos Correios a fls. 1055), relatando e alegando o que segue. 3.3. Inicia pugnando pela tempestividade da impugnação já que tomou ciência dos lançamentos em 03/01/08, conforme artigo 23, III e § 2% III do Decreto n°. 70.235/72. Em seguida, relaciona os Termos de Constatação e Intimação Fiscal, com as respectivas datas de ciência. Afirma, em continuação, em um tópico denominado "111 GRITANTE ERRO MATERIAL" que o Auditor Fiscal, no item VI, da Representação Fiscal para Fins Penais, menciona como sendo sócios gerentes à época dos fatos os senhores Wanderley Venere Bonventi e Bruno Venere Bonventi, utilizando como base a 8' alteração contratual registrada na JUCESP. Afirma que nem no contrato de constituição da empresa e nem em nenhuma outra alteração contratual constou que o sócio minoritário Sr.Bruno Venere Bonventi tinha poderes de gestão ou de administração. 3.4. Após dizer: "Outrossim, é de extrema estranheza, para dizermos o mínimo, a falta de cautela e acuidade do Auditor Fiscal em utilizar a referida "8a alteração contratual " ou qualquer outra que fosse, eis que nenhuma delas subsidia o fato, para tentar informar que o exsócio da empresa, Sr. Bruno Venere Bonventi, tinha poderes de SÓCIO GERENTE a época, incluindoo como responsável na "Representação Fiscal para Fins Penais", sabendo ademais que em tal procedimento buscase a mais lídima verdade real. " , pleiteia a imediata retirada do nome do exsócio Sr. Bruno Venere Bonventi da "Representação Fiscal para Fins Penais". (os destaques na transcrição são do original) 3.5. Passa, então, a alegar a ocorrência da decadência, principiando por: "Embora no mérito fático estejamos procedendo à sólida argumentação embasadora desta peça IMPUGNATIVA, que certamente desaguará na anulação das autuações combatidas, ou no mínimo na redução significativa das autuações incorridas e desenquadramento da multa agravada de 150 %, não podemos nos olvidar do instituto da DECADÊNCIA, que insofismavelmente fulmina "in totum " a presente autuação de IRPJ e suas autuações ditas reflexas compreendendo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para a Seguridade Social e o PIS — Programa de Integração Social, decorrentes de, na ótica fiscal, "depósitos bancários não justificados ocorridos no AnoCalendário de 2002 ", a saber... " 3.6. Afirma que, "conforme se demonstrará, o IRPJ é um lançamento por homologação e, permeia ente os fatos geradores ensejadores das autuações mês a mês, de janeiro a dezembro de 2002, até que ocorreu a intimação em 03 de Janeiro de 2008, o lapso temporal de 5 (cinco) anos, operase a toda evidência a DECADÊNCIA, nos termos do Art. Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 9 8 150 — § 4° do CTN; ou mesmo em se considerando, o que se admite apenas "ad argumentandum ", a ocorrência do preconizado na parte "in fine " do citado § 4° (..... comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação), o que deslocaria o prazo para operar a Decadência para o ART. 173 — I do CTN (I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ainda assim, a toda evidência e adiante provado, o instituto da Decadência fulminaria os Autos de Autuação em tela, eis que, o lapso temporal iniciarseia em 1 'de Janeiro de 2003, fluindo os 5 (cinco) anos em 1 'de janeiro de 2008, e a intimação ocorreu em 03 de Janeiro de 2008. " 3.7. Após transcrever legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e ementas de acórdãos, encerra: "Portanto, forçoso concluirse que a "Lei 9.430196", além de consolidar o "IRPJ" como sendo um imposto por homologação, com antecipações mensais ou trimestrais, ainda recepcionou em seu bojo a "lei 8.98111995", com as modificações introduzidas pela "Lei n° 9.065195 ", que conforme artigos transcritos seguem a mesma linha de ser o "IRPJ" um imposto por homologação e pago em bases mensais ou trimestrais, com ajuste anual na DIRPJ; ademais recepcionou ainda como FORMA DE DETERMINAÇÃO DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL DA PESSOA JURÍDICA, ser esta procedida com base em Balancetes de Suspensão ou Redução do IRPJ; balancetes mensais estes procedidos e que compõem a DIRPJ do AnoCalendário de 2002, Exercício de 2003, desta Impugnante, tempestivamente entregues à Receita Federal e, na qual são explicitados os Balancetes mensais, nos termos da legislação retro citada, demonstrando a exaustão que a IMPUGNANTE procedia ao levantamento do IRPJ apagar, em bases mensais, através dos citados Balancetes. " 3.8. Prossegue, transcrevendo o artigo 42 da Lei n°. 9.430/96, para afirmar que, nos termos desse dispositivo, os depósitos bancários relacionados pelo Auditor autuante como não justificados, deverão ser considerados no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. No entanto, continua, "inexplicavelmente e ilegalmente, eis que, afrontou diretamente a Lei 9.430196 (art. 42 — §§ 1 ° 2° e 3°), e salientese que a Autoridade tem competência vinculada, o Sr. Auditor Fiscal, as fls. 961 do Processo escreveu: ... " e transcreveu a tabela onde constam a data dos fatos geradores (31/12/2002), o valor tributável respectivo e a multa aplicável. Diz, ainda, í que a s. 958 e 959 "sob o título AUTO DE INFRAÇÃO do IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA, inseriu como FATO GERADOR O ANO DE "2002" e VENCIMENTO DO IMPOSTO que encontrou em data de 31103/2003, em ilegal procedimento, pelo que requer a sua ANULAÇAQ nos termos do Decreto 70.235172 e da Lei 9.784/99, além de afrontar o Princípio dá Legalidade do Direito Administrativo esculpido no Art. 5° da Constituição Federal". 3.9. Da mesma forma ataca o artigo 24, da Lei n°. 9.249/95 que também foi apontado pelo Auditor Fiscal como dando base à autuação. É seu entendimento que os dispositivos citados "arrasam o ilegalmente pretendido pelo Sr. Auditor que, ao invés de considerar as receitas omitidas (sob a sua ótica) decorrentes de depósitos bancários, mês a mês, ou seja dentro do período de Janeiro a Dezembro de 2002, cada mês com seus depósitos, considerou todas como ocorridas em Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 10 9 3111212002, a Lei n° 9.430196 que preceitua em seu § 1' que, os valores das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado junto a instituição financeira, como ainda o ART. 24 da Lei n° 9.249195 preceitua que o valor do imposto e do adicional serão lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período em que corresponder a omissão. E, a ora IMPUGNANTE, conforme consta de sua DIRPJ do anocalendário de 2002 — exercício de 2003, procedia a BALANCETES MENSAIS, nos termos da legislação vigente, para apuração do IRPJ. " 3.10. Alega que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é o dia 1° de janeiro de 2003, já que tinha optado pela utilização de balancetes mensais para a apuração do IRPJ. Assim, teria se operado a decadência, mesmo que prevalecesse a ótica do Auditor autuante (existência de dolo). Dá por encerrado este tópico, transcrevendo legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e extensa lista de ementas de acórdãos administrativos. 3.11. O próximo tópico abordado pelo impugnante foi por ele denominado de "Preliminar de Nulidade", onde ele argumenta que tomou ciência do "Termo (12) de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", em 16/02/2007, e, com a apresentação de sua impugnação, protocolada em 22/03/2007, abriuse a possibilidade de imediata instalação do processo administrativo fiscal. Após transcrever textos de juristas e artigos de normas legais, diz: "Constatase assim que o objetivo único do Auditor Fiscal para a precipitada, prematura e intempestiva apreensão dos livros contábeis e fiscais descritos, era anexálos ao "Processo de Representação Fiscal Para Fins Penais ", ("Art 915 — § 1 ° do RAR " em consonância com o "Art. 35 — § 1 ° da Lei n° 9.430/96). 3.12. Passa, então, a elencar e discorrer sobre alguns princípios citados por doutrinadores que seriam comuns ao procedimento e ao processo administrativo tributário,como por exemplo: da legalidade objetiva, da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever de colaboração, do dever de investigação. Conclui:"Isto posto, requer se a anulação das fases subseqüentes à "Apreensão", inclusive do "Auto de Infração", por não terem sido observados em sua lavratura as garantias processuais do Administrado. " (destaque do original) 3.13. Após mais transcrições de textos e de dispositivos legais, discorre sobre princípios de Direito Administrativo que teriam sido afrontados pelo Auditor Fiscal, que seriam: da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório. 3.14. Alguns trechos de sua peroração merecem transcrição: "Destaquese que, na hipótese de decisão administrativa, ainda que parcial, ser proferida sem respeitar os "Princípios" do "Contraditório" e da "Ampla Defesa", bem como os demais "Princípios" atinentes ao "Processo Administrativo", em especial o da "Legalidade", ela está eivada de nulidade, por falta de elemento essencial a sua formação." (destaques do original) Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 11 10 ................................................. "Assim, este Contribuinte detém o direito líquido e certo de que, a lavratura do "Auto de Infração", e os seus atos precedentes, desde a deflagração do "Processo Administrativo Fiscal ", o que ocorreu no presente processo com a tempestiva Impugnação à lavratura do "Termo 12 de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", ocorram rigorosamente nos termos da lei infraconstitucional, da Constituição (Ampla Defesa e Contraditório) e dos Princípios do Direito Administrativo e Tributário, . sem olvidar nenhum deles, sob pena dos atos subseqüentes serem considerados nulos de pleno direito, inclusive e principalmente o "Termo de Autuação Fiscal"; não anuláveis, mas NULOS. " (destaques do original) .................................................................... "Julgadores: é o caso dos Autos, à perfeição, eis que no momento em que lavrou o "Auto de Apreensão de Livros" (Termo 12), abriuse o trintídio legal para a Impugnação, o que ocorreu, pelo que os fatos subseqüentes e a própria "Autuação Fiscal", estariam sob a égide do "Processo Administrativo"; pelo que se requer o reconhecimento de ser NULO o "Auto de Infração " lavrado, bem como todos os fatos subseqüentes à IMPUGNAÇÃO (Doc. 6), os quais também não observaram as normas do Processo Administrativo. " (destaques do original) 3.15.Passa á alegar a preliminar de cerceamento ao direito constitucional à ampla defesa: "E, no caso em tela, o "Processo Administrativo", só e somente foi encaminhado ao DERA — SPO, em data de 17101105 (Doc. 7), e só e somente foi disponibilizado para "VISTA" pela AUTUADA e seus Advogados, em data de 29/Janeiro12008, para um prazo de trintídio que venciase em 02/fevereiro/2008, ou seja, 4 (quatro) dias após; o fato narrado pode ser perfeitamente comprovado, através dos Controles Internos do DERATSPO, que instados pessoalmente em 23/01/08 a apresentarem o Processo Administrativo da presente autuação, só e somente o disponibilizaram em data de 29/Janeiro/08. " 3.16. E continua: "Assim, ao exposto requerse que seja disponibilizado à Impugnante, o prazo ilegalmente suprimido, bem em respeito ao Direito Constitucional à Ampla Defesa, possibilitando eventual aditando a presente peça impugnativa que, pela premência de tempo, pode conter erros e imperfeições eis que, em superficial análise, constatamos que o Sr. Auditor Fiscal, teve 365 dias, para fiscalização e, ao lavrar os Autos cometeu absurdos erros e mesmos abusos, conforme expostos e criticados. " 3.17. O próximo tema a ser combatido está no item "VI Da Omissão de Registro de Operações Bancárias — Receita de Venda de Direitos Creditórios não Contabilizada", onde o impugnante alega que a operação na qual alienou, pelo valor de R$ 60.000,00, em 16/09/2002, para a empresa Visão Habitacional Ltda., por meio de instrumento particular de cessão e transferência de direitos creditórios, tendo Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 12 11 realizado uma transferência de dinheiro entre agências bancárias, foi devidamente explicada e comprovada. (Doc. 8, 8A e 9) 3.18. Diz que tal operação não é receita tributável, por já ter sido tributada. em 1995, pois se refere a uma escritura pública de confissão de dívida com garantia hipotecária, lavrada em 26/09/95, em garantia de venda mercantil, conforme notas fiscais listadas na própria escritura. 3.19. Prossegue: "Ante o não pagamento da venda mercantil, a ora Impugnante tratou de executar a hipoteca e, seguindo as normas da Receita Federal vigentes, só e somente poderia levar o valor não recebido à conta de prejuízo, após exauridos todos os meios de cobrança, ou seja, término da Execução Judicial; assim, ao alienar para terceiros o crédito e o direito de ação, pelo valor original, não procedeu a uma operação tributável, sob pena de acolherse a bi tributação da mesma operação, ou "bis in idem ". " 3.20. Argumenta que, ao contrário do que alega ó Auditor Fiscal, a operação relacionada à omissão de registro de operações bancárias como os créditos de vendas de divisas não contabilizados (caso Beacon Hills), está comprovada como sendo repatriação de divisas antecipadas a fornecedor estrangeiro, anexando, com o intuito de ver corroborada sua afirmativa, o documento 10A. 3.21. Alega que o Auditor Fiscal, "sob critérios próprios", ignorando uma lei em que se baseou e 'fazendo letra morta " de outra, lavrou o Auto de Infração por omissão de receitas. Reafirmando que declarou o IRPJ/2003 pelo regime de Lucro Real, com o cálculo do imposto sendo feito mensalmente por balancete, apresenta alguns valores que constam de sua DIPJ/2003. Diz que valores do Ativo, como Cliente, Caixa e do Passivo, como Financiamentos a curto prazo deveriam ser considerados para a perfeita adequação do fluxo de caixa e que "a não consideração dos valores de depósitos em sistema de "Fluxo de Caixa" dia a dia, mês a mês, contraria, a ciência contábil, bem como os princípios e procedimentos contábeis, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Doc. a), e a própria "Lei n° 9.430196 — Art. 42 ", além de se constituir na prática em uma verdadeira "bis in idem ". 3.22. Argumenta que o Auditor Fiscal autuante não considerou os depósitos decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte, que representam "conforme adiante se demonstrará e provará um montante de altíssima monta, a contemplar a quase totalidade da autuação por omissão de depósitos bancários". Insiste na citação do § 1o do artigo 42, da Lei 9.430/96 para afirmar que as receitas devem ser consideradas auferidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e que procedimento diverso contraria a jurisprudência do Conselho de Contribuintes 3.23. Assevera: "Pelo que, a denominada "omissão de receitas de Pessoas Jurídicas adveniente de depósitos bancários", repisese, há de ser considerada "mês a mês", em um contacorrente, num verdadeiro `fluxo de caixa", eis que, por óbvio, o valor lançado e tributado pelo "Auto de Infração" lavrado pelo Auditor Fiscal em, um mês, passa a se constituir saldo líquido disponível no mês subseqüente, deduzindose do montante de depósitos desse mês, e assim subseqüentemente, dentro Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 13 12 do anocalendário, num procedimento dentro das normas e princípios contábeis e da própria Lei n°. 9.430146 (sic), o que aliás é amplamente referendado pela Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; ademais, em não sendo assim, aconteceria a bitributação de lançamentos, o que é vedado pela lei. " 3.24. Assegura que o lançamento estribado apenas na soma de depósitos bancários é procedimento inconsistente, que não retrata a situação necessária e suficiente definida em lei para a ocorrência do fato gerador, conforme prevê o artigo 43, do Código Tributário Nacional. Também diz que a Lei n°. 9.430/96 não fala em "soma', ao se referir aos depósitos bancários não justificados e, no seu entendimento, a "soma" contraria a legalidade, como disposto no inciso III, do artigo 97 do CTN. Acredita que é com base nesses fundamentos que a jurisprudência tem confirmado a ilegitimidade do IRPJ lançado com apoio apenas em depósitos bancários. 3.25. Entende que o lançamento seria legítimo apenas se "além dos depósitos bancários cuja origem não tiver sido identificada pela fiscalização, ocorresse a disponibilidade jurídica e econômica em favor do Contribuinte, com conseqüente acréscimo patrimonial (o que definitivamente não ocorreu no caso presente). " 3.26. E encerra este tópico de sua impugnação: "Ainda que se admitisse a possibilidade do lançamento do "Imposto de Renda" ser baseado exclusivamente nos depósitos bancários, presumidos como receitas omitidas, depois de saneados, ou seja, excluídos os depósitos de mesma titularidade, os cheques depositados e devolvidos, os créditos decorrentes de empréstimos bancários e de Contas Garantidas, os empréstimos comprovados e outros assemelhados seria indispensável o "arbitramento "para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda; nesse sentido o "Acórdão da 12° Câmara do 1 ° Conselho de Contribuintes (Recurso Voluntário n° 116.724) ". Com efeito, a "Lei n° 8.981195", prevê o arbitramento da base de cálculo em casos em que a contabilidade não tenha registrado a total movimentação bancária (art. 47, inciso II, “a”).~ Mas, a Impugnante refuta (sic) num primeiro momento, a conveniência de qualquer arbitramento, eis que esta apresentando 'justificativas" aos depósitos bancários elencados (e saneados), o maior volume decorrente de transferências bancárias de MESMA TITULARIDADE; somente requer o "Arbitramento", nos termos do "Art. 530, do RIR199 ", se vencidas as preliminares e as justificativas elencadas, o que se admite "Ad Argumentandum ". Ademais, o "Art. 288, do RIR199 ", adotado pelo Auditor, somente se aplica às receitas efetivas e não às receitas consideradas como tais, por presunção da lei. Com efeito, as receitas efetivas resultam de ingressos reais e inquestionáveis, que tenham sido omitidos pelo contribuinte, não contemplando as receitas por mera presunção, como no caso do Art. 42 — Lei n° 9.430196. " ( destaque do original) Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 14 13 3.27. Ataca a aplicação da multa agravada de 150 % pelo evidente intuito de fraude, como definido no artigo 71, da Lei n°. 4.502/64, porque, no seu entender, o ponto caracterizador desse agravamento é o dolo e 'foi autuado açodadamente em astronômico montante, unicamente pela não entrega tempestiva de documentação que respaldasse o seu movimento bancário de depósitos e créditos. " Cita juristas e acórdãos administrativos com o objetivo de ver corroborada sua argumentação. 3.28. Diz: "Com efeito a "autuação fiscal " por "Omissão de Receitas ", decorrente de "depósitos bancários não comprovadas a origem pelo Contribuinte", conforme o constante do "Art. 42 — Lei n°. 9.430/96", que inverteu o "ônus da prova", imputandoo ao Contribuinte, ocorre por mera presunção, eis que presumese que ocorreu "omissão", ante a eventual não comprovação de origens por parte do Contribuinte, como no caso em análise dos presentes Autos, onde constatase fatores materiais (falta de funcionários) aliado a fatores temporais (exigüidade de tempo) para que a Impugnante, em precária situação econômica e administrativa, procedesse a uma verdadeira auditoria contábil a relacionar, explicar, justificar e relatar, milhares e milhares de documentos, a serem copilados em relatório, a ser produzido pela empresa e acompanhado dos originais e cópias, para satisfação do Fisco. 3.29. Termina este tema afirmando que está impugnando a "astronômica e absurda autuação, nos termos em que ela foi lavrada, ou seja, pendências de justificativas sobre os "DEPÓSITOS BANCÁRIOS" constantes nos EXTRATOS BANCÁRIOS, QUE, RESSALTESE, FORAM APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. " ( destaques do original) 3.30. No item denominado "XI — QUADRO CONJUNTURAL" confessa que utilizou operações de desconto de duplicatas sem lastro e que, `por serem pouco ortodoxas, não encontravam adequado espaço na contabilização ". Afirma, também, do relatórios, para cada banco, com as justificativas e com documentos 3.31. Diz que os julgadores deverão considerar 9 (nove) elementos (que especifica, a fls. 1138 e 1139) na formação de sua convicção e enfatiza o disposto no artigo3o, da IN SRF n°. 246/2002, que traz, em seu § 1o a assertiva de não ser necessário considerar o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00. 3.32. Requer a realização de perícias e diligências, nomeando peritos e formulando 8 quesitos, como: confecção de fluxo de caixa; diligência nos bancos, ..., se dúvida houver por parte dos julgadores; diligência para sanar qualquer dúvida dos julgadores quanto à idoneidade de qualquer documento apresentado; se os elementos e documentos constantes do processo administrativo em tela são suficientes para atender ao princípio da justiça tributária, princípio da verdade material, princípio do dever de investigação, princípio da ampla instrução probatória; outras perícias e diligências que os senhores julgadores ou os peritos achem necessárias; identificação nos depósitos bancários das operações pouco ortodoxas. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 15 14 3.33. Alega o efeito confiscatório da multa, por atingir o direito constitucional à propriedade e investe contra a aplicação da taxa SELIC, por ser uma taxa criada por circular do Banco Central, poder ser modificada a qualquer tempo por este e visar, apenas, remunerar o capital investido na compra e venda de títulos públicos. Entende que deve ser aplicada a taxa de 1 % (artigo 161, § V). 3.34. Antes de encerrar sua extensa exposição, afirma que o enquadramento utilizado pelo Auditor Fiscal na Representação para Fins Penais (artigo 1o da Lei n°. 8.137/90) não é o mais adequado. No seu entender, "como medida da boa doutrina jurídica", requer a retificação para o tipo penal descrito no inciso I, do artigo 2° da referida Lei. 3.35. A título de conclusão afirma que não houve qualquer aumento de patrimônio, nem do impugnante e nem de seus sócios. Requer o acolhimento da presente, com o cancelamento do Auto de Infração. 3.36. Na seqüência dos Autos, consta um documento entregue pelo ora impugnante intitulado "MEMORIAL CONSIDERAÇÕES", no qual salienta e enfatiza argumentos já expendidos na impugnação, não trazendo documentação nova. 4. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do artigo 1% da Portaria SRF n°. 326/05, que ganhou o n°. 19515.004307/200792 e foi apensado aos presentes autos. É o Relatório.” O acórdão recorrido rejeitou preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e parcialmente os autos de infração de PIS e COFINS, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita (fls. 1701 e ss – vol. 9). O cancelamento parcial dos autos de infração deveuse exclusivamente pela aplicação ao caso do disposto no art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial para lançamento das citadas contribuições (ciência do lançamento ocorrida em 03.01.2008 e fatos geradores ocorridos entre 31.01.2002 a 31.12.2002). Às fls. 1834 consta o AR referente à intimação da Contribuinte em relação ao acórdão acima referido. De citada intimação consta o endereço Avenida Washington Luis, 3050, Fundos, Sala 01, Santo Amaro, que é o endereço da Contribuinte constantes dos registros da Receita Federal do Brasil. Tal intimação foi recebida em 29.04.2009 pelo Sr. “André S. C.”. Em sede de recurso voluntário (fls. 1851 e ss – vol. 10), a Recorrente requer o improvimento do recurso de ofício interposto, suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, por alegada inobservância à liminar proferida no citado mandado de segurança e pelo fato de o ato decisório ter se silenciado quanto à aplicação respectiva no caso concreto; (ii) nulidade do auto de infração por afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96 é ilegítima, conforme precedentes judiciários; (iv) haveria decadência do Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos mensais por estimativa; (v) ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da ausência de conduta dolosa no caso concreto e do seu nítido caráter confiscatório; (vi) seria ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 16 15 omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido lavrado com base no arbitramento de lucro, em vista da relevância dos valores apontados, jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte. No citado recurso voluntário e às fls. 2136/2137, a Contribuinte noticia liminar concedida em mandado de segurança (MS n. 2008.61.00.0000115), segundo a qual restou determinado que a D. Autoridade Coatora “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis” (fls. 889/898 – destaques do original).Citada liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 2136 e ss), verbis: TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO PREJUDICADOS – IMPROVIMENTO 1 Contrariando o conjunto de regras que disciplina o processo administrativo, a autoridade coatora lavrou o auto de infração sem proceder apreciação da impugnação interposta. Dessa forma, a impetrada extrapolou o due process of law que, mesmo em esfera administrativa, deve aterse a prazos e ritos dos quais tanto à União como aos contribuintes não é facultado eximirse, em atendimento ao principio da legalidade. 2 Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a todos, ainda que em procedimento administrativo, o devido processo legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e o impulso oficial. 3 A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório visava rebater as informações acusativas baseadas na apreensão dos livros e documentos fiscais da empresa. 4 Escorreita a sentença monocrática, de rigor sua manutenção,'aguardando a apreciação da impugnação administrativa formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo, para depois se cogitar acerca da Representação Fiscal para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa. 5 Estabelecida que fora a litigisiosidade com o ato de apreensão fez a administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei 9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também direito da parte de impugnar o ato, descortinouse, em face da administração a perspectiva de nulidade dos atos subseqüentes, a teor do art. 59 II do decreto no 70.235/72. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 17 16 6 Apelação e à remessa oficial improvidas. (AMS n. 2008.61.00.0000115, Rel.: Desembargador Federal Nery Júnior, publicado em 27.11.2009). Às fls. 2.155, a D. Autoridade Preparadora noticia a intempestividade do recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Às fls. 2165 há cópia da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em exame à impugnação apresentada pela Contribuinte contra o termo de apreensão de livros contábeis e fiscais de fls. 272, assim ementada, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO EM CUMPRIMENTO A DECISÃO JUDICIAL. Nos termos da legislação de regência, é cabível a retenção de livros e documentos do contribuinte, mediante termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, quando ficar configurada, em tese, a ocorrência de ilícito penal. A apreensão não implica considerar provado o ilícito penal, mas tãosomente visa instruir o processo de representação fiscal para fins penais, o qual será encaminhado ao Ministério Público somente após a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente. Sem Crédito em Litígio.” Às fls. 2.183, a Contribuinte peticiona novamente a este Conselho, a fim de que seja dado cumprimento ao acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região acima citado e, por conseguinte, sejam tidos como “nulos todos os atos subseqüentes ao “termo de apreensão de livros e documentos”, principalmente, a lavratura do auto de infração, como medida de respeito à superior decisão judicial”. Verbis: O "Mandado de Segurança" foi impetrado em data de 20 de dezembro de 2007, perante a 16a Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, o qual em 02 de abril de 2008 teve a segurança deferida em liminar de antecipação de tutela : (doc. III do Recurso Voluntário) e, posteriormente, confirmada por sentença (doc. IV do Recurso Voluntário), ordenando a autoridade impetrada, in casu o Delegado de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, aguardar a apreciação da Impugnação Administrativa ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos" que a ora Requerente então havia formulado perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, "somente após, garantindo o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Penais e a lavratura do Auto de Infração, se fosse o caso de eventual autuação ". Em que pese à superior existência do referido Mandado de Segurança, o Processo Administrativo foi objeto do Auto de Infração e, somente no Acórdão n° 1619.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, a Delegacia de Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 18 17 Julgamento julgou improcedente a Impugnação ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos", após superficial apreciação, atacada preliminarmente no Recurso Voluntário dirigido a esse Colendo Tribunal. A liminar, a sentença e o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 31 Região, ora anexado, fazem letra morta e eivado de plena nulidade o Auto de Infração lavrado e, em decorrência, todo o Processo Administrativo que se sucedeu, adstrito ao contraditório e a ampla defesa. No Mandado de Segurança não se discutiu ou se impugnou a exigência de qualquer tributo, mas sim, se ocorreu no curso do Processo Administrativo em tela, alguma ilegalidade. A manutenção pela autoridade impetrada da autuação incorrida, face à presença maior de uma ordem judicial (liminar e sentença do mandamus), eivou de NULIDADE a mesma e, em consequência, o Acórdão n° 1619.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, discutido no Recurso Voluntário dirigido a esse respeitável Conselho. Diante do exposto, serve a presente para requerer a esta Colenda Corte de Justiça Tributária que o Acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região seja integralmente cumprido, no sentido de tornar NULOS todos os atos subsequentes ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos principalmente, a lavratura do Auto de Infração, como medida de respeito à superior decisão judicial.” Às fls. 2.190, a Contribuinte apresenta memoriais para refutar a afirmação de intempestividade do recurso voluntário, nos quais sustenta, em síntese, que: (i) não haveria que se falar em intempestividade do recurso na hipótese em que o lançamento não poderia ter sido lavrado em observância a expressa determinação judicial; (ii) o mandado de intimação do acórdão recorrido “procedeuse irregular e ilegalmente, não respeitando seus requisitos de validade”, já que este “foi recebido por pessoa totalmente estranha e desconhecida ao rol de funcionários da Requerente e de seu contrato social”. Sobre esse último item, assim justificou a Contribuinte, verbis: “A Receita Federal do Brasil ignorou que o MANDADO DE INTIMAÇÃO do acórdão exarado pela 8 a Turma da DRJ/SPO I , enviado via correio com aviso de recebimento, FOI RECEBIDO POR PESSOA TOTALMENTE ESTRANHA E DESCONHECIDA AO ROL DE FUNCIONÁRIOS DA REQUERENTE E DE SEU CONTRATO SOCIAL. A Requerente, conforme é do pleno conhecimento da RFB, está sediada A. Avenida Washington Luis, número 3.050, FUNDOS, sala 01 (doc. 01). A pessoa que recebeu o "mandado de intimação", posteriormente direcionando A. Requerente, conforme pesquisamos, é funcionário da empresa CHACARA FLORA FITNESS COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA LIMITADA (doc. 11), que está situada à Avenida Washington Luis, número 3.050, FRENTE (docs. 12 e 13), a qual nenhuma ligação e/ou relação detém com a ora Requerente. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 19 18 Para complicar, somente cinco dias após o recebimento da intimação, o tal funcionário da Chácara Flora Fitness Comércio de Equipamentos de Ginástica Limitada, transmitiu 'a. Requerente, Fitness do Brasil Comercial Limitada, o mandado de intimação anotado como recebido em 04 de Maio de 2009, quando FATICAMENTE ACONTECEU NO DIA 29 DE ABRIL DE 2009, o que somente agora logramos saber. Caros Julgadores, não se sabe qual o motivo do tal funcionário da Chácara Flora Fitness ter recebido o mandado intimatório em nome da Requerente e, muito menos, em omitir a verdadeira data do recebimento e anotar outra. Provavelmente descaso, ignorância quanto a seriedade e responsabilidade de receber uma intimação da RFB, ou simplesmente confusão, face a existência da expressão "Fitness", na denominação societária desta Requerente e da empresa supra citada. Conforme os ilustres julgadores podem constatar, na declaração produzida pela empresa Chácara Flora (doc. 11),o SUJEITO QUE RECEBEU 0 MANDADO DE INTIMAÇÃO por carta com aviso de recebimento, à época do recebimento da missiva, INTEGRAVA 0 QUADRO DE FUNCIONÁRIOS HA APENAS 02 (DOIS) MESES E 17 (DEZESSETE) DIAS; portanto é plausível que o mesmo tenha imaginado que a referida carta devesse ser recebida e repassada a um "responsável", em razão das denominações societárias serem "parecidas", é razoável que o senhor André Salvador Crisafulli, tenha, ante o seu recém ingresso na "Chácara Flora", se equivocado e recebido uma correspondência destinada a outra pessoa jurídica, esta, porém, com DENOMINAÇÃO SOCIETÁRIA SIMILAR DA EMPRESA QUE 0 EMPREGAVA, quanto ao nome "Fitness". Não se pode olvidar que a intimação via postal no processo administrativo fiscal NÃO PODE SER VIOLADA, pois tratase de um dos alicerces processuais, cuja função é dar ciência de ordem feita pela Autoridade Publica, para que alguém faça ou deixe de fazer algo. Considerar válida uma intimação que fora recebida por um sujeito que não a Requerente ou um dos seus prepostos é AVILTAR, além do devido processo legal, a AMPLA DEFESA DA REQUERENTE.” (Grifos do Original) É o relatório. VOTO Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Entendo que exame do recurso de ofício em referência merece ser sobrestado por dois fundamentos distintos. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 20 19 O primeiro deles referese ao fato de estar em curso o MS n. 2008.61.00.0000115, cujas decisões judiciais nele proferidas determinaram à D. Autoridade Coatora que “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis” (fls. 2140 e ss – destaques do original). Conforme consta de informação do sitio do TRF3a Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20086 1000000115), os autos do processo judicial encontramse conclusos no Gabinete do Exmo. Sr. VicePresidente do Tribunal para exame dos requisitos de admissibilidade dos recursos excepcionais apresentados pela União Federal naquele caso. Com a devida vênia, a par de constar menção expressa deste processo administrativo na parte do relatório da r. decisão judicial de fls. 2141 (quando a Exma. Juíza faz menção à manifestação da própria Fazenda Nacional naquele caso), a generalidade do comando proveniente do ato judicial sugere que citado mandamus tem expressa relação com este processo, visto que, reiterese: determinouse que se “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis”. Não parece haver dúvida de que os lançamentos em referência têm relação direta com os fatos e informações contidas nos documentos relacionados no termo de apreensão objeto de impugnação administrativa a que alude as decisões em judiciais em referência. Assim, no meu entender, apenas com o exame detalhado das peças processuais correspondentes (petição inicial, sentença, acórdão, ato decisório final e certidão de trânsito em julgado) e com o encerramento do processo judicial em referência é que será possível analisar o pedido de nulidade formulado pela Contribuinte neste processo (cujo conhecimento me parece obrigatório ao menos por força do efeito traslativo do recurso de ofício objeto de julgamento). O segundo deles referese à legitimidade (ou não) de lançamentos tributários lavrados com base em informações obtidas pela Fiscalização diretamente com instituições financeiras. Conforme salientado linhas acima, versa o caso dos autos sobre lançamento tributário fundamentado exclusivamente em informações financeiras da pessoa jurídica contribuinte e dos responsáveis tributários pessoas físicas obtidas pela Fiscalização por meio de mero RMF, sem prévia autorização judicial. Nesse sentido, vejase informação fiscal contida a Termo de Intimação 09 (fls. 463, v.g.), no qual a Fiscalização afirma ter obtido informações bancárias da Contribuinte diretamente perante instituições financeiras e ter entregue os extratos bancários obtidos por essa via à Contribuinte. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 21 20 Sobre o tema, este Colegiado, por maioria de votos de seus membros, vencido apenas este Relator, no julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do Processo n. 10630.720364/200721 (Resolução n. 110200.088), decidiu sobrestar o andamento dos feitos que versassem sobre a matéria citada, em decorrência do quanto disposto .Verbis: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso, se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, sem ordem judicial. Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR,o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL.Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária– o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A,§ 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 22 21 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração,com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B,do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontraseno artigo 543B,do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 23 22 § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplica se o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 24 23 Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B,CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre:a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B,parágrafo único, do CPC) e;b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem,para aplicação dos parágrafos do art. 543Bdo Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela (sic) em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acercado sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratasede agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96(ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARACONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 25 24 indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 26 25 A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” A Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, determinou os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62AdoRegimento Interno do CARF. Uma vez que esta Turma ainda não apreciou, até o momento, nenhum caso envolvendo esta questão, e que outras Turmas de Julgamento deste Conselho possuem entendimento diverso do aqui exposto, foi colocado em pauta o presente processo para a devida manifestação dos conselheiros que a integram. Tendo em vista que o sobrestamento, nesses casos, deve ser feito de ofício pelo próprio relator, nos termos do artigo 62Ado Regimento Interno do CARF, acima transcrito, a proposta que ora submeto à apreciação de meus pares é de que o julgamento do presente feito seja Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 27 26 sobrestado até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B,do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial.” Nada obstante discorde do entendimento supra , por entender que (a) os casos apreciados pelo C. STF acima citados não se referem direta e especificamente à questão versada neste processo (inconstitucionalidade da quebra sigilo bancário de contribuinte pessoa jurídica em geral, e, notadamente, nos anoscalendários de 2002 e seguintes, em particular), o que, por princípio e definição, impediria no meu sentir a mera reprodução no caso do quanto decidido pela Suprema Corte nos citados paradigmas (causa única da conveniência e obrigatoriedade da suspensão do processo administrativo) e (b) não apresentam o requisito específico previsto na Portaria CARF n. 1/2012 (decisão proferida pelo Plenário do STF determinando a suspensão dos feitos), curvome à orientação do Colegiado e proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide “até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial”. Digase, ainda, que o fato de a Contribuinte não ter tratado especificamente desta questão em sede de recurso voluntário não impede o reconhecimento da necessidade de sobrestamento nesta instância, porquanto se trata de vício de origem insanável do lançamento passível de conhecimento de ofício pelo julgador administrativo. Por todo o exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento deste processo em diligência para: (i) que sejam juntados aos autos as peças processuais relevantes do MS n. 2008.61.00.0000115, notadamente a petição inicial e as informações prestadas pela União Federal, as petições de apelação e contrarazões ao recurso de apelação e as petições de recursos excepcionais e respectivas contrarazões; (ii) após a realização da diligência acima, a Unidade de Origem deverá sobrestar o andamento deste processo administrativo até que transite em julgado (a) a decisão judicial final a ser proferida no MS n. 2008.61.00.0000115, cujo traslado deve ser feito a este processo; e, cumulativamente. (iii) Após a diligência do item (ii) supra, encaminhar estes autos ao CARF para que, se o caso, o processo seja sobrestado até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial. O exame da admissibilidade do recurso voluntário deverá ser procedido quando do julgamento do recurso de ofício acima referido. É como voto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/200743 Resolução nº 1102000.106 S1C1T2 Fl. 28 27 Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.902200/2012-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 22 00 /2 01 2- 21 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902200/201221 Acórdão n.º 3803006.013 S3TE03 Fl. 146 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 815.078,57. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902200/201221 Acórdão n.º 3803006.013 S3TE03 Fl. 147 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902200/201221 Acórdão n.º 3803006.013 S3TE03 Fl. 148 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902200/201221 Acórdão n.º 3803006.013 S3TE03 Fl. 149 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13679.001149/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria nº 256/2009).
Numero da decisão: 2201-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2014
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria nº 256/2009).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 15/05/2014 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria nº 256/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 15/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 00 11 49 /2 00 8- 41 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 22/25, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 13.917,02. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 35.227,79, com IRRF de R$ 1.056,83. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... após indeferida sua SRL – fl. 3, apresentou a impugnação de fls. 1/2, instruída com os elementos de fls. 4/21. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal argumentando que o valor considerado omitido foi recebido em razão de uma ação judicial ajuizada contra o INSS no TRF 1ªRegião, a qual visava a concessão de aposentadoria rural por tempo de serviço de um salário mínimo. Como houve resistência do INSS em conceder, foi acumulando mensalmente até que o resultado da ação lhe foi favorável. Os valores se fossem pagos mês a mês não teriam sido tributados por serem inferiores aos limites de isenção mensais, assim, o total acumulado também não o seria. Ademais, teria natureza indenizatória. Anexa, nesse sentido, diversos julgados do STJ. Requer ao final o cancelamento da NL e a restituição do IRRF que incidiu sobre tais rendimentos. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no ano calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial para obtenção de benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13679.001149/200841 Acórdão n.º 2201002.381 S2C2T1 Fl. 3 3 Intimado da decisão de primeira instância em 29/07/2009 (fl. 72), Agenor Franklin Gomes apresenta Recurso Voluntário em 18/08/2009 (fl. 74), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Os valores se fossem pagos mês a mês não teriam sido tributados por serem inferiores aos limites de isenção mensais... É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuidam os presentes autos de lançamento efetuado sobre parcelas atrasadas de benefício previdenciário recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. A autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (grifei) Contudo, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil CPC. Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, referente às parcelas atrasadas de benefício previdenciário, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas de benefício previdenciário recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Assim, como os valores recebidos mensalmente se situaram dentro do limite de isenção da tabela do imposto de renda, não é legítima a cobrança de IR sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13679.001149/200841 Acórdão n.º 2201002.381 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13679.001149/200841 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.381. Brasília/DF, 15 de abril de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10283.900184/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Processo provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Processo provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 84 /2 00 9- 81 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 113 2 Presidente Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0120.483 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 75 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 29/06/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 220.805,94 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 31/07/2004, no valor originário de R$ 288.487,43. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 11/17): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 114 3 e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 25/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0120.483 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (quartafeira) (AR constante das fls. 80), a SHOWA DO BRASIL LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0120.483, recorre em 24/03/2011 (fls. 81 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “ISTO POSTO, amparada nos argumentos de fato e de direito aduzidos neste RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pede aos Senhores Conselheiros que: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 115 4 a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0120.4833ª Turma da DRJ/BEL, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, passo a analisar a preliminar de nulidade em decorrência do indeferimento do pedido de diligência levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 85e segs dos autos. Relativamente à diligência/perícia requerida não pode o pleito ser acolhido, pois a Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a manifestação de inconformidade, conforme arts.15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso dos autos a perícia não se faz necessária, eis que as provas que foram (ou deixaram de ser) acostadas ao longo do procedimento fiscal são suficientes para a formação da convicção do julgador. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências ou perícia. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 116 5 E, não tendo a Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, fazse imperioso indeferir o pedido. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. 78 dos autos: “(...)No caso presente, embora a manifestante afirme que se trata de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, verificase que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamentos correspondentes a estimativas mensais. Impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961. os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa.”. Porém, o único ponto levantado pela Recorrente é que é detentora do Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, fls. 42 dos autos, e por isso afirma o seguinte: “Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, cujo artigo 1º , assim prescreve: ‘Art 1º . Todas as pessoas jurídicas registradas no Pais poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: a) Até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S.A., com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM);’ Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004, nos seguintes termos: ‘Art. 1° Fica reconhecido o direito da empresa SHOWA DO BRASIL LTDA, CNPJn° 04.012.043/000148, à redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004’” Ocorre que a Recorrente não apresenta a forma que chegou para quantificar o crédito e, por conseguinte, efetuar a compensação; apenas informando, fls 87 dos autos, que Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 117 6 “resta demonstrado de forma cristalina que a Recorrente tem o direito de ver os seus livros contábeis e fiscais examinados para aferir a existência do crédito e ao depois depararse com a decisão da autoridade administrativa reconhecendo ou não o direito creditório e a homologação da compensação”. Entendo até que a Recorrente, a luz do que determina o Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, tem o direito de “deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S.A., com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM)”; porém, caberia a recorrente comprovar em sede de manifestação de inconformidade e até do recurso voluntário, que cumpriu as regras e quantum efetivamente tinha de crédito em decorrência da dedução que supostamente não foi feita. E isso não aconteceu! Essa minha posição decorre da determinação expressa contida no art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos tanto do despacho decisório, fls. 7 dos autos; e, na falta de outros elementos, o fisco, por dever de oficio, indeferiu a compensação pleiteada. Desta forma, pela ausência de documentos que possam comprovar a existência, bem como a liquidez e certeza do crédito, não vejo como reparar a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos créditos supostamente ensejadores da compensação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 1.679 (mil, seiscentos e setenta e nove) dias entre o recebimento do despacho decisório e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 118 7 Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a comprovação do seu crédito; e, isso não o fez! Simplesmente afirmou que “tem o direito de ver os seus livros contábeis e fiscais examinados para aferir a existência do crédito e ao depois depararse com a decisão da autoridade administrativa reconhecendo ou não o direito creditório e a homologação da compensação”. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário por não encontrar nos autos comprovação do direito creditório, mantendo, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900184/200981 Acórdão n.º 1803001.950 S1TE03 Fl. 119 8 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 10920.911191/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 91 /2 01 2- 51 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911191/201251 Acórdão n.º 3801003.388 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11052.000872/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. AFERIÇÃO INICIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SUPERVENIENTE. MANUTENÇÃO DA SITUAÇÃO JURÍDICA CONSOLIDADA.
A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada na data de sua efetivação. A transmissão de declaração de compensação em momento posterior, utilizando-se de saldo negativo em cuja composição contém tributos retidos na fonte utilizados como depósito do montante integral, não tem o condão de descaracterizar a situação jurídica consolidada decorrente do depósito no montante integral do débito, exceto se já houvesse sido proferida decisão favorável ao sujeito passivo nos processos de compensação.
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.
O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os valores depositados judicialmente.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a autuação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que votaram por dar provimento parcial para excluir a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Em primeira votação, por maioria de votos, deram provimento ao recurso para considerar que o depósito judicial representou a integralidade do valor em litígio. Vencidos nessa primeira votação os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor da primeira votação. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Alkmin Teixeira.,
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Redator-Designado
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. AFERIÇÃO INICIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SUPERVENIENTE. MANUTENÇÃO DA SITUAÇÃO JURÍDICA CONSOLIDADA. A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada na data de sua efetivação. A transmissão de declaração de compensação em momento posterior, utilizandose de saldo negativo em cuja composição contém tributos retidos na fonte utilizados como depósito do montante integral, não tem o condão de descaracterizar a situação jurídica consolidada decorrente do depósito no montante integral do débito, exceto se já houvesse sido proferida decisão favorável ao sujeito passivo nos processos de compensação. DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os valores depositados judicialmente. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 72 /2 01 0- 69 Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a autuação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que votaram por dar provimento parcial para excluir a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Em primeira votação, por maioria de votos, deram provimento ao recurso para considerar que o depósito judicial representou a integralidade do valor em litígio. Vencidos nessa primeira votação os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor da primeira votação. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Alkmin Teixeira., (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e RedatorDesignado (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.222 3 Relatório Tratase de autos de infração (fls. 143148 e 149154) nos quais se exige IRPJ e CSLL, ambos acrescidos de multa de ofício (75%) e juros de mora, em razão da amortização de ágio na aquisição de participação acionária. O processo foi alvo da Resolução nº 140200.103, na sessão de 15 de março de 2012. A relatora dos autos era a então Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. Por bem retratar o litígio até então, adoto o relatório da referida resolução: Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que considerou o lançamento procedente. A infração referese a redução indevida do lucro real, em virtude de exclusão não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício, conforme Termo de Constatação de fls. 139/141. Exigiuse o IRPJ e CSLL do anocalendário de 2008. A multa de ofício aplicada corresponde a 75%. A fiscalização afirma que a legislação permite a dedução da amortização do ágio na aquisição de ações, somente após eventos específicos, dentre eles, a incorporação, e que a criação da empresa FCP DO BRASIL S/A, com as ações da FICAP S/A, denotam o início da implementação de estratégia de aproveitamento desse benefício legal em relação à amortização de ágio. Acrescenta que ainda que a empresa tivesse motivos adicionais para proceder dessa forma, o objetivo principal, sob a ótica tributária, foi a incorporação da empresa FCP do Brasil, pela FICAP S/A. Explica que a empresa FCP do Brasil, entre sua constituição (18.05.2001) e incorporação (27.06.2001), não declarou qualquer atividade, tendo apresentado capital inicial de R$ 261.838.861,35, composto de ágio de investimento de R$ 172.192.683,63, integralizado com ações da FICAP, e é extinta, por incorporação pela própria controlada. Esclarece que segundo parecer dos auditores independentes (KPMG), devido à incorporação a empresa recebeu em substituição das ações da FCP do Brasil, ações da FICAP, da mesma quantidade e espécie das ações originais, subrogandose nos mesmos direitos e obrigações, e que não houve alteração no capital da FICAP no momento da incorporação. Salienta que realizada a incorporação, não houve modificação na titularidade de ações, e não se denota nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados, e que mesmo que fosse admitida como válida a transferência dos ativos para a empresa FCP do Brasil, prevalece o fato de que jamais existiu vontade efetiva, haja vista que os documentos apresentados explicitavam que o objetivo das partes seria a economia fiscal. Afirma que a suposta elisão fiscal, sugerida pelos seus idealizadores nos documentos que lastrearam as operações, perde esta característica no confronto de dispositivos legais já existentes à época, reconfirmados em legislação específica posterior. Cita o Parecer CST 46, de 17.08.87 e o art. 249 do RIR/99, para concluir que a contribuinte não procedeu de acordo com a legislação de regência, devendo ser adicionados os valores correspondentes às amortizações de ágio na aquisição das ações da FICAP ao lucro líquido do exercício e à base de cálculo da CSLL. Para os anos de 2006 e 2007, o lançamento foi efetuado com exigibilidade suspensa e não está sob controle destes autos, uma vez que houve depósitos judiciais pelo montante integral. Assim, nos presentes autos, somente se exige o IRPJ e CSLL, em razão da glosa de amortização de ágio, do anocalendário de 2008, porque o depósito judicial (mandado de segurança 2006.51.01.4903155) efetuado é parcial, isto é, não foi efetuado pelo montante integral, além do que, houve sentença denegatória. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 Consta ainda a observação de que a empresa FICAP S/A foi incorporada pela empresa NEXANS do Brasil S/A. Impugnada a exigência, a Turma Julgadora deixou de conhecer de parte da impugnação, em razão de concomitância da discussão da mesma matéria na esfera judicial, e em relação às demais matérias, considerou o lançamento procedente. A ciência da decisão de primeira instância se deu em 17.03.2011 e o recurso voluntário foi interposto em 14.04.2011. Explica a recorrente que, em 21.08.2000, a Metal Overseas (MOSA), pessoa jurídica não residente no Brasil, integrante do grupo Madeco, do Chile, adquiriu o controle societário da FICAP S/A, situada no Brasil, sucedida por incorporação pela recorrente, tendo registrado na operação o pagamento de ágio e informado à CVM do Chile, nos termos da comunicação de fls. 439/447. Os antigos controladores venderam 99,99% de suas ações para a Metal Overseas; o valor pago foi determinado com base em laudo de fls. 444/529, e o fundamento econômico do ágio registrado na operação é a “perspectiva de rentabilidade futura”. Por força da aquisição das ações da FICAP, a Metal Overseas enviou ao Brasil o valor correspondente ao preço acordado com os antigos controladores da FICAP, havendo a internação das divisas conforme registro no Banco Central. Em 18.05.2001, a Metal Ovserseas constituiu no Brasil a FCP do Brasil, tendo procedido à integralização de capital social dessa sociedade, com as ações da FICAP, conforme os ritos estabelecidos pela legislação societária. Em 27.06.2001, a FICAP incorporou a FCP, tendo sido cumpridos os procedimentos descritos no art. 227 da Lei 6.404/76, quais sejam, elaboração de ata da AGE, do laudo de avaliação e do protocolo de incorporação. Essa incorporação possibilitou a amortização do ágio registrado quando da aquisição de suas ações, nos exatos moldes previstos nos art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, e consequentemente o ágio passou a ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação. Salienta que a legalidade da operação implementada pela FICAP e a legitimidade de aproveitamento do ágio encontramse examinadas nos pareceres dos professores Alberto Xavier (fls.533/598) e Ricardo Mariz de Oliveira (599/686). Apesar da legitimidade da operação, em 19.07.2006, foi lavrado o auto de infração sob controle do processo 18471.000656/200645, quando a fiscalização adotou o entendimento de que a FICAP teria reduzido indevidamente o lucro líquido dos anoscalendário de 2001 a 2005, em virtude da exclusão não autorizada, de valores referentes a amortização do ágio. Informa que esse processo estava pendente de julgamento no CARF. Afirma que em razão de possuir direito líquido e certo à redução do lucro líquido no anocalendário de 2006 e seguintes, ajuizou o MS 2006.51.01.4903155, e efetuou o depósito judicial do montante integral não recolhido, a título de IRPJ e CSLL, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. A recorrente argumenta que o lançamento é nulo por erro na capitulação legal, porque o agente fiscal não contestou o fundamento econômico do ágio, reconheceu que a incorporação representa um dos eventos capazes de gerar a amortização do ágio para fins de apuração do lucro real, não haveria que se falar em redução indevida do lucro líquido, como sustentado no auto de infração, e que na verdade, tratase de hipótese de dedução do lucro líquido de parcela correspondente ao ágio amortizado em operação de incorporação de controladora por controlada, que se encontra expressamente autorizada pela legislação tributária, o que significaria dizer, que houve imprecisa indicação dos dispositivos legais hipoteticamente violados pela recorrente. Pede a declaração de nulidade do lançamento reconhecendose a legitimidade da exclusão dos valores referentes às amortizações de ágio dos anoscalendário 2006 a 2007 (sic). Ressalta que os autuantes não indicaram o dispositivo legal que rege a CSLL que teria sido violado, e que uma vez demonstrada a nulidade do auto de infração quanto ao IRPJ, em razão da errônea capitulação legal, cabível também o reconhecimento da nulidade para o lançamento da CSLL. Também alega que o lançamento é nulo por erro na capitulação dos fatos. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.223 5 Aduz que o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração, que aplicou o PN CST 46/87, que trata de operações simuladas, à operação de reorganização societária levada a cabo pela FICAP, por entenderem que se trata de questão de mérito. Acrescenta que o entendimento esposado no Parecer jamais poderia ser aplicado na avaliação da operação de incorporação realizada pela FICAP, porque o Parecer se refere à hipótese de operações simuladas, sendo que a operação de incorporação praticada pela FICAP não pode ser enquadrada no conceito de simulação. Salienta que em momento algum, a fiscalização atribuiu à incorporação o atributo de operação simulada, porque não se pode afirmar que houve dois negócios jurídicos distintos que colocariam em contraposição uma verdade formal e outra verdade real. Conclui que, tendo com base a jurisprudência administrativa e judicial, teria demonstrado que em razão de as autoridades fiscais não terem comprovado a prática de qualquer ato simulado na operação de incorporação, jamais poderiam com fundamentos em meras suposições ter desconsiderado a amortização do ágio; e não havendo provas concretas da ocorrência de simulação, mas tão somente conjecturas, de conotação subjetiva, ficaria clara a improcedência da autuação, o que justificaria a anulação do lançamento. Aborda ainda, a impossibilidade de lançamento do crédito tributário pela inexistência de infração. Alega que o auto de infração foi lavrado enquanto vigente cláusula de suspensão do crédito tributário, representada pelo depósito judicial de valor integral do principal ora exigido, assim, não foi cometida qualquer infração; que o depósito referese ao montante integral dos valores do IRPJ e da CSLL, correspondentes à amortização do ágio dos anos de 2006 e 2007 (sic). Segundo a recorrente, o depósito do montante integral impediria a lavratura do auto de infração, por inexistência de infração. Acrescenta que não merece prosperar o entendimento de que se deve lavrar auto de infração para impedir a decadência do direito de exigir tributos cujo valor haja sido depositado na esfera judicial, uma vez que a jurisprudência do STJ tem afastado o reconhecimento da decadência no caso de o contribuinte efetuar o depósito integral do débito, razão pela qual o auto de infração seria nulo, sob pena de conflito com o princípio da legalidade. Também discorre sobre a autonomia do processo administrativo. Aduz que o direito à ampla defesa é garantido pela CF e que o extinto Conselho de Contribuintes já reconheceu a autonomia do processo administrativo em relação ao processo judicial, razão pela qual, ficaria demonstrada a legalidade e a viabilidade da presente discussão administrativa, mesmo que haja medida judicial em andamento. A seguir aborda a comprovação do depósito integral dos valores do IRPJ e de CSLL relativos ao anocalendário de 2008. Afirma que o depósito judicial efetuado em dinheiro nos autos do mandado de segurança 2006.51.01.4903155 corresponde exatamente à integralidade dos valores do IRPJ e de CSLL relativos à amortização do ágio do anocalendário de 2008. Argüi que ao contrário do que diz a fiscalização, os depósitos judiciais não são insuficientes, isto porque, os autuantes partiram da premissa de que deveria considerar como base de cálculo mensal, o valor fixo de R$ 1.434.938,97 durante todo o anocalendário, sendo que a FICAP considerou como base de cálculo a cada mês, o resultado contábil ajustados pelas adições e deduções previstas na legislação, dentre essas o valor de R$ 1.434.938,97, razão pela qual a FICAP depositou nos meses do anocalendário de 2008, os valores correspondentes à diferença verificada entre o valor que seria devido sem a amortização do ágio com o valor que seria devido com a amortização do ágio, não tendo apurado lucro tributável nos meses de maio, setembro, outubro, novembro e dezembro (mesmo sem a influência da amortização do ágio) e não apurou lucro tributável nos meses de fevereiro, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro (com a influência da amortização do ágio), conforme planilha anexa, que demonstra os cálculos de apuração do lucro tributável com o efeito do ágio e sem o efeito do ágio (doc. 3 e 19 da impugnação). Salienta que a diferença verificada entre o valor do lucro tributável apurado com o efeito do ágio e o valor sem o efeito do ágio corresponde aos valores depositados judicialmente pela Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 FICAP, e que não se pode olvidar que não haveria depósito judicial nos meses de fevereiro, junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2008, mesmo que não fosse considerado o efeito do ágio, em razão da não apuração de lucro tributável nesses meses. Anexa cópias dos extratos bancários das contas bancárias onde foram efetuados os depósitos judiciais, a título de IRPJ e de CSLL, que comprovariam ter a FICAP colocado à disposição do Juízo, a íntegra dos valores objeto de discussão (doc. 4, 5, 20 e 21 da impugnação) e conclui que não se pode falar em insuficiência de depósitos judiciais e tampouco se poderia falar em infração à legislação tributária. A seguir aborda: a) Elisão fiscal – A lícita escolha do caminho não oneroso; b) A “interpretação econômica do direito tributário” c) Do abuso de forma; d) Do abuso de direito; e) Da simulação; f) Do negócio jurídico indireto; g) Do PN CST 46/87; h) Da CSLL – extensão dos efeitos i) Da jurisprudência; j) Da impossibilidade da cobrança dos juros moratórios, por conta da suspensão da exigibilidade do crédito tributário; k) Da impossibilidade da cobrança da multa de ofício de 75%: aduz que é ilegal a aplicação da multa de ofício quando existe depósito do montante integral e que agiu de boafé e não cometeu qualquer infração, bem como, foram desrespeitados os princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Ao final conclui: (i) o Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser apreciado na maior brevidades possível; (ii) merece ser decretada a nulidade do presente auto de infração tendo em vista que: (a) a dedução do lucro líquido da parcela correspondente ao ágio amortizado em operação de incorporação de controladora por controlada — se encontra expressamente autorizada pela legislação tributária em vigor. Isto significa dizer que houve imprecisa indicação dos dispositivos legais hipoteticamente violados pela Recorrente; (b) o agente fiscal não apresentou provas concretas da ocorrência de simulação, mas tão somente conjecturas, de conotação altamente subjetiva, o que inviabiliza a aplicação do PN CST 46/87 ao presente caso; (c) a lavratura ocorreu enquanto vigente causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, representada pelo depósito judicial do valor integral do principal ora exigido, o que jamais poderia ter ocorrido, visto que não foi cometida qualquer infração pela FICAP passível de punição pelas D. Autoridades Fiscais; (d) não haveria qualquer impossibilidade de se debater o tema na esfera administrativa, enquanto pendente a medida judicial em andamento perante os Tribunais Pátrios, em função do direito de petição assegurado na via administrativa; (e) a documentação apresentada pela Recorrente comprovaria o depósito integral e em dinheiro dos valores de IRPJ e de CSLL, relacionados ao anocalendário de 2008, nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.51.01.490315 5, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional; (iii) a FICAP implementou operação de reorganização societária que acarretou a redução da carga tributária incidente em suas atividades conforme expressa autorização legal constante do artigo 386 do RIR/99; (iv) dentre as alternativas legais existentes para o aproveitamento do ágio, optouse pela celebração de uma operação de subscrição em aumento de capital da FCP com ações da FICAP, seguida de incorporação da FCP pela FICAP; (v) a realização da operação de subscrição em aumento de capital seguida da incorporação é legítima e real, tendo se revestido de todos os requisitos legais para sua validade; (vi) de acordo com a legislação, doutrina e jurisprudência, é inquestionável o direito de o contribuinte escolher, dentre as alternativas legais válidas e legítimas, aquela que apresenta o menor ônus tributário para alcançar o mesmo objetivo; Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.224 7 (vii) o tratamento fiscal dispensado a cada etapa do negócio jurídico celebrado entre as partes estava expressamente previsto na legislação tributária. A FICAP, portanto, seguiu expressamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso; (viii) a fiscalização pretendeu tributar o negócio jurídico celebrado pela FICAP com base na interpretação econômica dos objetivos alcançados, tentando indiretamente aplicar a teoria de interpretação econômica do direito, teoria do abuso de forma e teoria do abuso de direito. Ocorre que todas essas teorias não encontram amparo no Sistema Tributário Nacional, não podendo ser validamente aplicadas pela fiscalização; (ix) a simulação é questão de fato e não pode ser simplesmente alegada, tem que ser provada. Ademais, para que seja configurada a simulação, deve ser provada a ocorrência das hipóteses (vícios) expressamente previstas no artigo 167, §1° do Novo Código Civil. A fiscalização não comprovou a alegada simulação, sendo totalmente descabida sua argumentação; (x) a FICAP não conferiu ou transmitiu direito a pessoas diversas das a quem realmente deveriam conferir ou transmitir (inciso I, §1°, do artigo 167 do Novo Código Civil). A FICAP não firmou qualquer documento que contivesse declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira (inciso II, §i°, do artigo 167 do Novo Código Civil). A FICAP não utilizou documentos pósdatados ou antedatados (inciso III, §1°, do artigo 167 do Novo Código Civil). Assim, em razão de nenhuma das hipóteses previstas no §1°, do artigo 167 do Novo Código Civil estar prevista no caso em análise, temse como demonstrada a total improcedência da argumentação fiscal. Em suma, o agente fiscal não comprovou a suposta contradição entre a vontade da FICAP e a "vontade da lei"; (xi) o negócio jurídico indireto não se confunde com operações simuladas. A utilização de negócio jurídico indireto para se realizar negócios entre partes não relacionadas é permitida pelo ordenamento jurídico, sendo esta posição aceita e reconhecida pela melhor doutrina e jurisprudência; (xii) o PN CST 46/87 não é aplicável ao caso em análise e não pode servir de base legal para a autuação em tela; (xiii) todos os argumentos expostos acima são também aplicáveis à CSLL, tendo em vista a não ocorrência de qualquer ato que pudesse comprovar a contradição entre a vontade da FICAP e a "vontade da lei". Assim, restou totalmente comprovada a improcedência da exigência da CSLL com base no argumento de que teria ocorrido uma simulação; (xiv) em relação especificamente à CSLL, da mesma forma que com relação ao IRPJ, não é devida no caso em análise por força de expressa determinação legal (artigo 57 da Lei n° 8.981/95); (xv) a jurisprudência reconhece, de forma pacífica, a validade e a legalidade da adoção de estruturas lícitas, ainda que fiscalmente mais vantajosas, para a celebração de negócios jurídicos, como no caso em análise; (xvi) não subsiste a cobrança de juros de mora pois o depósito judicial integral dos valores de IRPJ e de CSLL, realizado nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155, suspende a exigibilidade do crédito tributário e, portanto, afasta a mora da Recorrente; e (xvii) tampouco subsiste a cobrança da multa de ofício, visto que não foi cometida qualquer infração passível de punição. Aliás, muito pelo contrário, a FICAP agiu de boafé e depositou em Juízo a totalidade dos valores de IRPJ e de CSLL relacionados ao anocalendário de 2008, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Em seu voto, assim propôs a então relatora, acompanhada por unanimidade pelo colegiado: De todas essas alegações há uma que me motiva a converter o julgamento em diligência, que é a relativa à suficiência dos depósitos. Isto porque se os depósitos forem suficientes, estaria suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em sua integralidade. A contribuinte trouxe aos autos planilhas onde demonstra os valores apurados de CSLL e de IRPJ sem os efeitos da amortização de ágio e com os efeitos da amortização. Alega que a diferença foi depositada judicialmente, e por essa razão os depósitos representariam o Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 montante integral do crédito tributário. Também trouxe aos autos cópias dos extratos das contas bancárias onde foram efetuados os depósitos judiciais. Argüi que ao contrário do que diz a fiscalização, os depósitos judiciais não são insuficientes, isto porque, os autuantes partiram da premissa de que deveriam considerar como base de cálculo mensal, o valor fixo de R$ 1.434.938,97 durante todo o anocalendário, sendo que a FICAP considerou como base de cálculo a cada mês, o resultado contábil ajustado pelas adições e deduções previstas na legislação, dentre essas o valor de R$ 1.434.938,97, razão pela qual a FICAP depositou nos meses do anocalendário de 2008, os valores correspondentes à diferença verificada entre o valor que seria devido sem a amortização do ágio com o valor que seria devido com a amortização do ágio, não tendo apurado lucro tributável nos meses de maio, setembro, outubro, novembro e dezembro (mesmo sem a influência da amortização do ágio) e não apurou lucro tributável nos meses de fevereiro, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro (com a influência da amortização do ágio). Verifico que no auto de infração, a fiscalização compensou o prejuízo apurado no próprio período de R$ 3.654.447,90, bem como, o mesmo valor de base negativa da CSLL, também foi compensado, assim, essa não seria a causa da diferença entre os tributos apurados pela recorrente e os apurados pela fiscalização. Constatase que a fiscalização efetuou a apuração do imposto de renda e CSLL a pagar, sem levar em consideração as deduções, tais como, retenções dos tributos na fonte, pagamento de estimativas, entretanto, não explicou se esses valores foram aproveitados pela recorrente de alguma outra forma ou se não foram confirmados. Também pode haver outras razões que expliquem parte da diferença entre ambos os cálculos. Assim, o presente recurso não está em condições de ser julgado. Concluo que o julgamento do recurso deve ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal com base nas informações existentes nos arquivos da Receita Federal e com base na escrita contábil e fiscal da interessada, verifique se os valores de IRPJ e da CSLL apurados pela recorrente nas planilhas apresentadas, estão ou não corretos, bem como, verifique se os depósitos judiciais efetuados são suficientes. A contribuinte também deve ser intimada a apresentar certidão de objeto e pé relativa à ação judicial em que discute seu direito à amortização do ágio, bem como a apresentar a inicial do mandado de segurança. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo a ser cientificado à recorrente, que poderá se manifestar se entender necessário. Retornados os autos à DRF de origem, concluiu o Auditor Fiscal responsável pela diligência que o depósito realizado não corresponderia ao montante integral do débito discutido em razão de a Fiscalização não ter levado em consideração as retenções na fonte e pagamentos de estimativas realizados. Tal procedimento se explicaria pela transmissão de declarações de compensação por parte do contribuinte, antes da data da lavratura dos autos de infração, utilizandose do saldo negativo relativo de IRPJ e base negativa de CSLL apurados em 2008 para compensação de outros débitos (fls. 11211122). O Recorrente foi intimado a se manifestar sobre a Informação Fiscal retrorreferida e apresentou o expediente de fls. 11511158. Em resumo, alega que à data da realização dos depósitos judiciais não havia sido transmitida qualquer declaração de compensação, logo, os depósitos retratariam o montante integral do débito em discussão. Aduziu ainda que o lançamento deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador, e que o art. 2º, §§ 3º e 4º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, determina que do saldo a recolher de IRPJ e CSLL no dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário devem ser deduzidas as retenções efetuadas ao longo do período. Que a autoridade fiscal poderia até mesmo concluir pela não homologação das compensações pleiteadas, mas jamais considerar os depósitos não suficientes para suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Anexou ainda parecer que, em resumo, aduz que : “não ocorreu, como não ocorre, renúncia à esfera administrativa, nem tampouco à desistência dos recursos administrativos e, dada a circunstância de serem diversos os fundamentos (causas de pedir) da ação judicial e da defesa administrativa, dessumese a Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.225 9 necessidade de serem apreciadas e julgadas as defesas apresentadas pela Empresa na esfera administrativa”. Ao final, ratifica o pedido de provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. 1 ARGUIÇÃO DE NULIDADE Alega a Recorrente ser nula a autuação em razão de erro no enquadramento legal. Aduz que o art. 250, inciso I, do RIR/99, não se aplicaria ao caso concreto, uma vez que as amortizações de ágio eram expressamente autorizadas pelos arts. 385 e 386 do RIR/99. Argumenta também que o PN CST 46/1987 aplicase a negócios simulados, sendo que a autoridade fiscal autuante não demonstrou a existência de simulação. Aponta ainda como possível causa de nulidade dos autos de infração a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão do suposto depósito do montante integral do crédito. No que tange ao enquadramento legal e motivação do auto de infração, não assiste razão à Recorrente. A descrição dos fatos e os dispositivos legais são absolutamente corentes com infração apontada. O ponto de discórdia entre a Fiscalização e a Recorrente diz respeito ao próprio direito material em discussão, qual seja, se as amortizações de ágio realizadas estariam, ou não, albergadas pelo disposto no art. 386 do RIR/99, bem como a aplicabilidade, ou não, dos fatos concretos aos ditames do PN CST 46/1987. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.226 11 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pela descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal. Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula nos autos de infração lavrados. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. No que tange aos depósitos judiciais contemplarem, ou não, o montante do débito em discussão, deixo de analisar como arguição de nulidade por abordálo no item específico ao mérito da autuação. Portanto, deve ser rejeitada a arguição de nulidade. 2 MÉRITO A decisão recorrida muito bem aborda os limites da lide: A controvérsia reside, afinal, em saber se são dedutíveis ou não, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as parcelas referentes à amortização de ágio lançadas pela Interessada em sua declaração relativa ao anocalendário de 2008. Os fatos e valores apontados pela autoridade autuante são incontroversos, já que confirmados ou não contestados na impugnação, resumindose a divergência sobre as consequências dos referidos fatos. Segundo a interessada, seria direito seu adotar estratégia que mais lhe proporcione economia fiscal já que todas as etapas das operações realizadas adequaramse à legalidade. Assim, o fato de ter criado pessoa jurídica, integralizando seu capital com ações próprias, com o único propósito de logo após incorporála, não impediria o aproveitamento do benefício de que trata o artigo 386 do RIR/1999. Por outro lado, segundo a autoridade autuante, as operações realizadas foram meramente formais, apegadas à literalidade da estipulação e desprovidas de qualquer finalidade econômica, fato este que inviabilizaria o aproveitamento do benefício de que Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 12 trata o art 386 do RIR/1999 (dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, na hipótese ali tratada). Contudo, a Recorrente impetrou mandado de segurança (nº 2006.51.01.4903155) pleiteando o reconhecimento de seu direito de deduzir do lucro líquido dos anos calendário 2006 e subsequentes as despesas de amortização de ágio, justamente o objeto do presente processo. Não há dúvidas de que as matérias abordadas no Mandado de Segurança e na presente exigência dizem respeito aos mesmos fatos. Em que pesem os argumentos da Recorrente e o parecer anexo aos autos, a opção pela via judicial impede este colegiado de analisar o mérito do presente processo, mais precisamente, se as amortizações de ágio realizadas podem ou não deduzir o resultado seu tributável, pois, a teor do art. 78, § 2º, do RICARF c/c parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/1980, a opção pela via judicial implica renúncia ao recurso administrativo. A matéria encontrase, inclusive, sumulada no âmbito do CARF. Vejase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. [grifo nosso] Salientase que o fato de o Mandado de Segurança ser preventivo em nada altera o panorama, pois, conforme bem retratada no enunciado sumular retrotranscrito, a opção pela via judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Resta, contudo, analisar ponto crucial para o deslinde da exigência de ofício, matéria estranha ao mérito da demanda judicial: o suposto depósito do montante integral do débito em discussão. 2.1 DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL Conforme já relatado, a única discussão sobre integralidade do depósito judicial diz respeito a não utilização, por parte do Fisco, dos valores retidos na fonte e recolhidos a título de estimativa para cálculo do IRPJ e da CSLL devidos. No momento da realização dos depósitos, o montante colocado à disposição da União contemplava a integralidade do crédito tributário em discussão. No cálculo realizado pelo contribuinte levou se em consideração os valores de IRPJ e CSLL retidos na fonte, bem como as estimativas recolhidas durante o período. Para a Fiscalização, o fato de o contribuinte ter transmitido, antes da data de lavratura dos autos de infração, pedidos de compensação utilizandose do saldo negativo apurado em 2008, acabou por descaracterizar o depósito do montante integral, e, consequentemente, não há mais que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário, uma vez que o contribuinte não obteve decisão judicial favorável. A questão é de suma importância, uma vez que a Primeira Seção do STJ já pacificou a matéria no julgamento EREsp n. 898.992/PR (acórdão publicado no DJ 27/08/2007), sob a relatoria do Ministro Castro Meira, de modo unânime, exarando o entendimento de que: Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.227 13 [...] com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Eis a sua ementa: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 14 4. Embargos de divergência não providos. Logo, se o depósito realizado realmente for suficiente para acobertar o montante integral do crédito tributário em litígio, não há que se falar em lançamento. A própria Fazenda Nacional vem se valendo de tal exegese em execuções fiscais nas hipóteses em que o contribuinte realizou o levantamento do depósito, como se pode observar no REsp nº 1216466 / RS em que a Fazenda ingressou com execução fiscal baseada na confissão de dívida via depósito judicial: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA – DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp nº 1216466 / RS, Relatora Ministra Diva Malerbi – Desembargadora Convocada do TRF da 3ª Região, 2ª Turma, sessão de 20/11/2012, DJe de 04/12/2012) Mostrase imperioso analisar se o depósito realizado corresponde, ou não, ao montante integral do crédito tributário, pois, em caso afirmativo, o lançamento deve ser considerado insubsistente. Conforme manifestação da própria autoridade fiscal responsável pela elaboração do relatório fiscal em atendimento a resolução deste Colegiado, não há dúvidas que, no momento de realização do depósito o montante correspondia à integralidade do crédito tributário discutido, desde que se deduzindo os valores retidos na fonte e pagamentos de estimativas realizados. Contudo, após a transmissão de pedidos de compensação utilizandose de saldo negativo de IRPJ e base negativa de CSLL referentes ao anocalendário de 2008, o depósito realizado deixou de ser suficiente para garantia do montante integral do crédito tributário em discussão. Reforcese que a declaração de compensação transmitida pelo contribuinte extingue o débito confessado, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). A autoridade fiscal autuante realizou o lançamento somente após a manifestação do contribuinte em utilizar os supostos valores de IRPJ e CSLL pagos a maior em 2008 para compensar outros débitos perante a RFB. Não há dúvidas, portanto, que no momento do lançamento, o crédito tributário não mais estava com exigibilidade suspensa, pois os valores utilizados em declarações de compensação superavam, inclusive, os valores depositados pela Recorrente: o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação ao IRPJ foi de R$ 3.971.812,05 e o depósito judicial foi de R$ 2.592.233,50, em relação à CSSL, os valores Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.228 15 compensados e depositados foram de, respectivamente, R$ 1.055.471,81 e R$ 1.031.621,17 (fls. 11211122). A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada não somente na data do depósito, mas também em decorrência de fatos supervenientes. Constatado que o contribuinte utilizouse de saldo negativo de IRPJ, referente a imposto de renda retido na fonte e recolhimentos de estimativas mensais, para declarações de compensações transmitidas em data posterior ao depósito, de modo que o depósito realizado não mais contempla a integralidade do crédito discutido, não subsiste a suspensão de exigibilidade do crédito, uma vez que não há mais que se falar em depósito do montante integral. Contudo, devese manter a exigência somente em relação aos valores que superaram o valor depositado, devendo ser reformada a exigência nesses moldes. Considerandose que o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação ao IRPJ foi de R$ 3.971.812,05 e o depósito judicial foi de R$ 2.592.233,50 (fls. 11211122), exonerase esse último montante, mantendose a exigência de R$ 1.379.578,55. 3 LANÇAMENTO DECORRENTE – CSLL O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foi lavrado em decorrência da mesma infração que ensejou a exigência de IRPJ. Assim, considerandose a parte de exigência exonerada em relação ao lançamento de IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, há de se estender também tais conclusões à exigência correspondente de CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Considerandose que o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação à CSLL foi de R$ 1.055.471,81 e o depósito judicial de R$ 1.031.621,17 (fls. 11211122), exonerase esse último montante, mantendose a exigência de R$ 23.850,64. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 16 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, RedatorDesignado Minha discordância do I. Relator dirigese à questão da integralidade do depósito efetuado pelo sujeito passivo. O digníssimo colega reconhece que, no momento em que foi realizado, o depósito correspondeu à integralidade da exigência. Sobre essa fato, não há controvérsia. Entretanto, no entendimento do Fisco corroborado pelo Relator, a entrega de Declarações de Compensação utilizando como crédito o saldo negativo do IRPJ e a base de cálculo negativa da CSLL, apurados pela interessada no anocalendário de 2008, descaracterizaria a abrangência do depósito pois, na apuração do montante a ser depositado, o sujeito passivo deduziu as grandezas componentes daqueles valores. Assim, como as Declarações de Compensação foram entregues antes da autuação, quando da formalização da exigência o valor depositado não inibiria a incidência de juros e multa. A meu ver, o equívoco do sujeito passivo ocorreu na apresentação das Dcomps. A lavratura do auto de infração alterou o resultado apurado pela pessoa jurídica, com implicação direta no saldo devedor do IRPJ e na base de cálculo negativa da CSLL. Em outra palavras, não existiu a liquidez e certeza do crédito pleiteado, requisito indispensável à homologação da compensação. Caberia dessarte a rejeição dos pedidos de que tratam os processos 10860.902040/201263 e 10860.902041/201216 pela inexistência do crédito. Por outro lado, não se pode olvidar que o efeito imediato do pedido de compensação, como definido em lei, é a confissão dos débitos nele relacionados. No que se refere ao crédito, não vislumbro base para que a Dcomp tenha o condão de descaracterizar a situação jurídica consolidada decorrente do depósito no montante integral do débito, a não ser que já houvesse sido proferida decisão favorável ao sujeito passivo nos processos de compensação. Por esse motivo voto no sentido de excluir do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000158/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos em que não houve o recolhimento antecipado do tributo, como é o caso em tela, aplica-se a regra contida no art. 173, do Código Tributário Nacional.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO
Nos termos do artigo 12, inciso I, letra a, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal do AI
CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO CONFIGURADO
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária aos relacionados e tão pouco admite discussão no CARF.
MULTA
Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindo-se o valor da multa aplicada nos moldes do que determina o artigo 61 da Lei nº 9.430/96.
Assim, como no caso em tela, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, há de ser aplicada aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar pro0viemnto ao recurso, na questão da caracterização como segurados empregados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de conhecer de ofício e decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer de ofício da matéria; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007 DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA Para os lançamentos em que não houve o recolhimento antecipado do tributo, como é o caso em tela, aplica-se a regra contida no art. 173, do Código Tributário Nacional. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Nos termos do artigo 12, inciso I, letra a, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal do AI CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO CONFIGURADO Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS Tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária aos relacionados e tão pouco admite discussão no CARF. MULTA Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindo-se o valor da multa aplicada nos moldes do que determina o artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Assim, como no caso em tela, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, há de ser aplicada aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar pro0viemnto ao recurso, na questão da caracterização como segurados empregados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de conhecer de ofício e decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer de ofício da matéria; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros - Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA Para os lançamentos em que não houve o recolhimento antecipado do tributo, como é o caso em tela, aplicase a regra contida no art. 173, do Código Tributário Nacional. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Nos termos do artigo 12, inciso I, letra “a”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal do AI CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 58 /2 00 8- 53 Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS Tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária aos relacionados e tão pouco admite discussão no CARF. MULTA Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada nos moldes do que determina o artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Assim, como no caso em tela, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, há de ser aplicada aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar pro0viemnto ao recurso, na questão da caracterização como segurados empregados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de conhecer de ofício e decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer de ofício da matéria; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Redator designado. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à contribuição devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e ao SAT. Conforme Relatório Fiscal (fls. 30), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento de remuneração de pessoas físicas, caracterizadas como segurados empregados pela fiscalização, por ter sido constatada a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, quais sejam, pessoalidade, onerosidade, a nãoeventualidade/habitualidade e a subordinação. A autoridade lançadora informa que o procedimento fiscal é fruto de dois anos de investigações desenvolvidas em conjunto pela DPF, RFB, MPF e Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tendo resultado em mandados de busca e apreensão e mandados de prisão, retenção judicial de mercadorias e na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos. Esclarece que todo o material apreendido ficou à disposição da Receita Federal do Brasil, mediante autorização judicial, e foi utilizado como fonte subsidiária de informação, tendo sido analisados, além dos apreendidos, as Folhas de Pagamentos, Livros Diário e Razão, notas fiscais de serviço, recibos de pagamento e contratos de prestação de serviços. Segundo relato fiscal, a recorrente remunerou diversos empregados em período anterior às anotações do contrato de trabalho, sendo a base de cálculo das contribuições lançadas as remunerações pagas, referente ao período por eles trabalhados antes do correspondente contrato de trabalho, extraídos das folhas de pagamento encontradas em HDs portáteis, apreendidos pela Polícia Federal. Consta, ainda, que as remunerações constantes destas folhas de pagamento não foram escrituradas em contas contábeis próprias e não se encontram lançados nas GFIPs, e o agente fiscalizador ressalta que sua constatação não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida. É também objeto do presente AI a contribuição incidente sobre a remuneração ao Sr Reinaldo de Paiva Grillo, caracterizado como segurado empregado da recorrente pela fiscalização, na função de Gerente de Importações, e que nunca foi registrado pelo contribuinte nessa condição. A seguir, a autoridade fiscal discorre sobre cada elemento caracterizador da relação de emprego, e expõe as razões pelas quais entende que restou caracterizada a existência do vínculo empregatício entre o contribuinte e as pessoas físicas ali relacionadas. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1631.193, da 12a Turma da DRJ/SPI (fls 1.267), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 4 5 Preliminarmente, alega que as supostas provas trazidas aos autos não poderão prevalecer, pois possuem finalidade exclusivamente penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei e reafirma a impossibilidade de utilização de prova emprestada. Pondera que, muito embora alguns documentos apreendidos sejam de natureza comercial ou fiscal, portanto passíveis de exame pelo Fisco, nos termos do art. 195, do CTN, os documentos que realmente fundamentam a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instruir ação criminal e, sendo assim, jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal, pois tal conduta viola o art. 5o, da CF. Observa que as regras jurídicas a respeito da interceptação telefônica e de fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática estão previstas na Lei 9.296/96, e argumenta que não há como utilizar provas penais sem assegurar à defesa os critérios garantidores do processo penal. Ressalta que as referidas provas dizem respeito, exclusivamente, aos elementos trazidos pela fiscalização para concluir pela existência de vínculo de emprego, pois não há nos autos qualquer documento que demonstre a efetiva ocorrência de pagamentos às pessoas físicas arroladas no relatório fiscal, e frisa que a fiscalização preferiu juntar aos autos elementos emprestados de processo criminal, deixando, assim, de provar a ocorrência dos fatos geradores, para, em seu lugar,buscar comprovar tão somente a alegada relação empregatícia. Sustenta que, mesmo havendo autorização judicial para emprestar provas, não poderia a fiscalização basear o lançamento apenas em tais elementos, e traz parecer encomendado pela recorrente a Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para tentar demonstrar a ausência de motivação e a ilegalidade no processo de obtenção dos meios probatórios, ressaltando que a referida autorização é somente para se ter acesso, e não para servir de meios de prova para outros fins que não os criminais. Insurgese contra a alegação de que a fiscalização teria utilizado de outros documentos como livros contábeis e documentos fiscais/trabalhistas apresentados pela empresa, afirmando que a autoridade lançadora fundamentou a autuação única e exclusivamente em planilhas eletrônicas encontradas no computador do Sr Marcílio Palhares, as quais foram reputadas como se fossem folhas de pagamento, embora não ostentassem tal qualidade. Questiona como pode a fiscalização fundamentar sua autuação fiscal com base em documentos eletrônicos desprovidos de qualquer formalidade e validade, e cita a doutrina e jurisprudência para reforçar o entendimento de que caberia à fiscalização a prova inequívoca de que a recorrente havia, de fato, remunerado pessoas físicas em decorrência da contraprestação laboral, provandose a existência do vínculo de trabalho sem as conseqüentes formalizações contratuais e demais exigências em questão, e não exigir da recorrente a produção de prova negativa, como quer a DRJ. Reitera que as referidas provas não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento ora discutido, pois são documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Insiste que esses documentos localizados e obtidos por meio da citada investigação policial são desprovidos de qualquer validade jurídica, tendo em vista que não estão sequer revestidos das formalidades necessárias, por estarem em forma de minuta, não assinadas, e em formato Exel, e, diante dos requisitos formais específicos previstos na legislação para tais documentos, questiona como pode a fiscalização analisar planilhas digitais sem qualquer validade jurídica e equiparálas a folhas de pagamento. Indaga, ainda, se a recorrente tivesse apresentado documentos semelhantes aos que foram objeto de análise, mas com valores diferentes, se a fiscalização os teria aceitado incontestavelmente, ainda que não revestidos das formalidades cabíveis Em relação aos demais documentos utilizados como prova, ressalta que são relativos a apenas parte do período autuado e dizem respeito ao planejamento da entidade, nada tendo a ver com a realidade organizacional, e não poderiam gerar qualquer obrigação em relação a outros períodos. Repete que não se pode admitir que documentos supostamente do ano de 2006 sejam base para aferição indireta de contribuições dos anos de 2003, 2004 ou 2005, não cabendo, à fiscalização, chegar a uma conclusão sem que haja provas concretas sobre os fatos, vinculando informações vagas e incertas a períodos desconhecidos para concluir que houve a ocorrência do fato gerador, frisando que o pagamento de remuneração, que é o fato gerador das contribuições exigidas, não foi comprovado. Assevera que a fiscalização comete ilegalidade ao exigir da recorrente contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos e não indiretos, da alegada existência de vínculo de emprego, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, sendo que as supostas evidências descritas no relatório fiscal nada provam contra a recorrente, principalmente no sentido de evidenciarse relação empregatícia. Observa que, no caso presente, a fiscalização não obedeceu as regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, inaugurando procedimento criado a seu bel prazer e, portanto, sem previsão legal, que foi o de considerar como base de cálculo as notas fiscais de prestação de serviços, imaginando existir suposto vínculo empregatício. Ressalta que não houve aferição indireta, mas apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar quanto à remuneração de pessoas físicas a título de prestação laboral à recorrente. Quanto ao argumento da DRJ de que seria descabida a verificação física dos segurados em serviço na empresa para confronto com seus registros fiscais, questiona se a diligência não se presta para verificação de fatos ocorridos nos períodos de 2003 a 2007, o que dizer de documentos genéricos, não datados, fundamentarem uma autuação relativa a período anterior Discorre sobre a verdade material e cita a doutrina para argumentar que, para que a fiscalização pudesse lavrar algum auto de infração em face da recorrente, deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência do vínculo empregatício entre pessoas físicas e a recorrente em período anterior ao que consta nos respectivos contratos de trabalho. Frisa que tem certeza de que não existe uma prova sequer no processo que subsidie as afirmações de existência de vínculo de emprego a basear a cobrança das Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 5 7 contribuições em questão, sendo que as supostas provas apresentadas, e acolhidas pela DRJ, não passam, quando muito, de meros indícios. No mérito, repete que inexiste o vínculo empregatício entre as pessoas físicas arroladas pela fiscalização e a recorrente, o que impossibilita a cobrança das contribuições em tela por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstram o contrário, seja porque as autoridades fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações. Atenta para o fato de que a fiscalização não produziu prova individualizada acerca da existência do vínculo de emprego das pessoas físicas sócias das prestadoras de serviço em relação à recorrente e, em conseqüência, não logrou êxito em comprovar, de forma individualizada, a ocorrência dos fatos geradores. Insiste que, para que se pudesse considerar válida a apuração fiscal, seria necessária a produção de prova material, com a análise individual de cada uma das relações supostamente existentes e demonstrar, de maneira individual, a ocorrência de cada um dos fatos geradores, não cabendo a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Sustenta que não se aplicam, no caso concreto, as disposições do art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91, uma vez que não houve recusa de entrega de documentos e tampouco exame da escrituração contábil, e nem valeuse a fiscalização de métodos outros que não o de equiparar, e definir como base de cálculo, 100% do valor estampado nas planilhas reputadas como folhas de pagamento. Reafirma a inexistência dos requisitos necessários à configuração do vínculo empregatício, discorrendo acerca de contrato de trabalho e de cada elemento caracterizador da relação de emprego, citando doutrina sobre a matéria, concluindo que a fiscalização nada comprovou a respeito, mas apenas baseou suas conclusões em meras suposições, motivadas pela existência de planilhas eletrônicas e outros elementos que nada provam contra a recorrente, pois não demonstram a presença dos elementos indispensáveis à caracterização do vínculo de emprego, mormente a subordinação, como quer fazer crer a DRJ. Cita alguns documentos utilizados pela fiscalização para frisar que os mesmos não têm o condão de comprovar materialmente a presença dos requisitos do art. 3o, da CLT, quais sejam, a pessoalidade, a nãoeventualidade, a onerosidade e a subordinação, sendo que tais documentos poderiam, quando muito, ser tomados como indícios da existência de suposto vínculo empregatício. Qualifica de inconsistente organograma do item 4AC, do Relatório Fiscal, pois nele se misturam, completamente, subordinados e supervisores ao mesmo tempo, o que o torna imprestável para fundamentar a comprovação de eventual vínculo empregatício, observando que a própria DRJ reconheceu o equívoco da fiscalização ao elaborar o gráfico em questão. Ressalta o completo descabimento em se tomar, como base de cálculo, mera planilha eletrônica obtida em um dos computadores apresentados pela autoridade policial, sem qualquer prova acerca da efetividade dos pagamentos a cada pessoa reputada como empregado da recorrente, reafirmando que as autoridades fiscais basearam a autuação apenas em presunções.. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Reitera que inexiste pagamento às pessoas físicas arroladas nas planilhas no período apurado pela fiscalização, anterior ao da formalização do contrato de trabalho, como demonstram as DIRFs anexadas na impugnação, o que invalida, por completo, presente AI. Repisa que a fiscalização nada comprovou quanto à existência de pagamentos de remuneração às pessoas físicas em questão, mas apenas reputou, com base em presunção não prevista ou autorizada em lei, que tais pagamentos efetivamente ocorreram. Inova, em relação à peça impugnatória, relatando que, em 2006 e 2007, a empresa foi fiscalizada minuciosamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, sob a supervisão do Ministério Público da União,para fins de verificar eventual descumprimento das leis trabalhistas, formalizada nos autos da Peça de Informação 12293/2006. Informa que, durante a inspeção, o MTE, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de serviços, o que foi efetuado pela recorrente, sendo que a fiscalização daquele Ministério, após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo a recorrente e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de poucos vínculos empregatícios e tão somente esses, determinando que referidos empregados fossem regularmente registrados, o que foi feito no prazo de 48 horas pela recorrente. Destaca que o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram qualquer irregularidade envolvendo as pessoas arroladas pela fiscalização, aduzindo que, se houvesse de fato o alegado vínculo empregatício entre a recorrente e tais pessoas, como quiseram parecer as autoridades fazendárias, o TEM certamente teria identificado a relação jurídica, tomando as previdências cabíveis, o que, como é possível verificar, não foi o caso. Insiste na aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência, e insurgese, também de forma inovadora, contra a incidência de juros sobre a multa de ofício, alegando ilegalidade de sua cobrança. Alega, por fim, inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, e requer a reforma integral da decisão recorrida, e que seja julgado procedente o presente recurso voluntário, cancelando in totum o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente traz um extenso arrazoado tentando demonstrar a impossibilidade de utilização da prova emprestada, argumentando que as supostas provas trazidas aos autos possuem finalidade exclusivamente penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. No entanto, há decisão judicial autorizando a utilização, pela RFB, dos documentos apreendidos, cujo trecho reproduzo a seguir: Em relação ao requerido pela 5" região fiscal da Receita Federal Ilhéus e aos 03 (três) pedidos formulados pela Receita Federal do Brasil em São Paulo, acerca da utilização de conteúdo de interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal para fins de instrução de procedimentos fiscais visando lançamentos tributários em autuações fiscais, abstratamente falando é legal e constitucional a utilização de elementos desse procedimento criminal para outros fins, inclusive para fins administrativos (prova emprestada). A jurisprudência do STF já tem mais de um caso de autorização ou aceitação de utilização de provas sigilosas obtidas em processo penal para outros fins. A legal obtenção da prova para apuração de crimes, mesmo no caso de interceptações telefônicas, não inviabiliza a posterior utilização dessas provas para outros fins judiciais ou administrativos.. O que precisa ficar devidamente comprovado é que a interceptação foi originalmente solicitada e deferida visando efetivamente sua utilização em apurações de crimes e isso, inegavelmente, é o caso dos autos. As interceptações telefônicas e telemáticas, bem como as demais quebras de sigilo de dados, foram regularmente deferidas para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Com isso, perfeitamente cabível, em um segundo plano, que esses elementos possam ser utilizados como provas em outros procedimentos, mesmo que administrativos (prova emprestada). (...) Assim, como estamos diante de pedidos de utilização de provas emprestadas em relação a fatos direta ou indiretamente Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 relacionados com os fatos apurados nesse procedimento criminal, com objetivos fiscais administrativos, entendo cabível a autorização de uso desses dados sigilosos. Ademais, cumpre esclarecer que essa matéria já foi objeto de análise por este CARF, no processo 10803.000161/200877, também de interesse da ora recorrente. Permitome adotar as razões trazidas pelo então Relator Mauro José Silva, transcrevendo o trecho do voto pertinente à matéria: “Acrescentamos que mesmo que tenham sido utilizadas provas emprestadas, isso em nada afeta a validade destas. Sobre o tema da prova emprestada, esclarecemos que não existe vedação na legislação reguladora do processo administrativo à utilização de provas colhidas em outro processo ou por outra autoridade administrativa, fiscal ou judicial, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332 . No mesmo sentido a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: “PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento de Imposto de Renda, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. (Acórdão 10615779) NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA EMPRESTADA A jurisprudência administrativa reconhece a validade da chamada prova emprestada, observadas as naturais cautelas na sua utilização. No caso, a autoridade administrativa bem as observou. Deve, portanto, ser considerada “válida. (Acórdão 10243475)” É oportuno informar que, por unanimidade, foi negado provimento à preliminar de impossibilidade de utilização de prova emprestada.. Assim, acompanhando o entendimento trazido pelo relator no voto acima transcrito, rejeito a preliminar suscitada. Portanto, ao contrário do que alega a recorrente, a conduta de utilizar, no processo administrativo fiscal, os documentos apreendidos em processo criminal em nada viola o art. 5o, da CF. Constatase que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Dessa forma, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, lançou a contribuição devida, expondo, com muita clareza e riqueza de detalhes, os motivos pelos quais entendeu que as pessoas físicas por ela arroladas eram empregados da recorrente, apontando os elementos caracterizadores da relação de emprego presentes nos serviços prestados. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 7 11 E, ao contrário do que afirma a recorrente, a autoridade lançadora juntou, aos autos, farta documentação comprobatória de suas afirmações, não restando configurado, em nenhum momento, arbítrio ou desvio de finalidade. Verificase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto de Infração e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Portanto, reiterase, a autoridade lançadora identificou as bases de cálculo do tributo lançado, anexando ao AI documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador e apontando os dispositivos legais e normativos que disciplinam o lançamento. E como não é facultado ao agente fiscal deixar de cumprir a lei, ao constatar a ocorrência do fato gerador, lançou corretamente o presente débito, discriminando clara e precisamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI discutido, uma vez que foram observadas disposições contidas no Decreto 70.235/72 O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restou demonstrado nos autos que houve cerceamento de defesa do autuado, que demonstrou pleno conhecimento do que lhe esta sendo imputado. E, ao contrário do que afirma, verificase que não houve presunção do fato gerador da contribuição previdenciária, e sim a constatação da sua ocorrência, comprovada por meio dos documentos analisados, cujas cópias foram juntadas aos autos. Portanto, rejeito as preliminares suscitadas. A recorrente alega que a fiscalização fundamentar sua autuação fiscal com base em documentos eletrônicos desprovidos de qualquer formalidade e validade, defendendo que caberia à fiscalização a prova inequívoca de que a recorrente havia, de fato, remunerado pessoas físicas em decorrência da contraprestação laboral, provandose a existência do vínculo de trabalho sem as conseqüentes formalizações contratuais. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 Ora, mas foi exatamente isso que a fiscalização fez, provou a existência de vínculo empregatício entre as pessoas físicas apontadas no Relatório Fiscal e a recorrente, sem o devido registro/contrato trabalhista. Os documentos que a recorrente alega que são apócrifos, sem assinaturas, foram, na verdade, extraídos dos computadores pessoais, devidamente identificados, e legalmente obtidos. E se tais documentos existem e não estão revestidos das formalidades legais, conforme insiste em afirmar a recorrente, é porque ela mesma não os formalizou, ocultando a prestação de serviços pelas referidas pessoas físicas, segurados empregados da empresa autuada, conforme demonstrado nos autos. Da mesma forma, não procedem as afirmações de que os documentos utilizados pela fiscalização se referem a apenas uma parte dos períodos, uma vez que, da análise da documentação juntada, constatase a existência de provas para todo o período do débito. A recorrente indaga se tivessem sido apresentados documentos semelhantes aos que foram objeto de análise, mas com valores diferentes, se a fiscalização os teria aceitado incontestavelmente, ainda que não revestidos das formalidades cabíveis. Entendo que a fiscalização os teria aceito, desde que não houvesse provas da tentativa de ocultar a ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária, como ocorreu no presente caso. Também não houve presunção de um fato jurídico ou desobediência das regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, pois os valores das bases de cálculo foram extraídos diretamente das folhas de pagamento constantes dos computadores pessoais apreendidos. Vale observar que em nenhum momento a autoridade fiscal afirmou que o débito foi aferido indiretamente, e sim que a base de cálculo foi extraída diretamente dos documentos analisados. Portanto, entendo que restou provado, por meios diretos, a existência de vínculos de emprego, ante toda a documentação analisada, seja aquela apreendida ou a apresentada pela própria recorrente. Contra o argumento da DRJ de que seria descabida a verificação física dos segurados em serviço na empresa para confronto com seus registros fiscais, a autuada pondera que, se a diligência não se presta para verificação de fatos ocorridos nos períodos de 2003 a 2007, o que dizer de documentos genéricos, não datados, fundamentarem uma autuação relativa a período anterior. Entretanto, entendo que assiste razão à DRJ, pois a verificação da existência do vínculo empregatício por meio de vistorias e inspeções, ou seja, verificação física, para busca da verdade material apenas poderia ajudar na avaliação das relações de emprego na data de sua realização, mas não na avaliação do que existia em datas anteriores. Para os períodos pretéritos, como é o caso do lançamento em tela, a fiscalização dispõe apenas dos documentos que a empresa era obrigada a elaborar por determinação legal. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 8 13 Como o presente lançamento se refere ao período compreendido entre 01/2003 a 09/2007, a auditoria não pode mais, por meio de vistoria e inspeção, verificar a real situação dos trabalhadores que prestavam serviços à empresa naquele período, valendose para isso dos documentos analisados, como livros contábeis e folhas. Por todo o exposto, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, a autuada tenta demonstrar que inexiste o vínculo empregatício entre as pessoas físicas arroladas pela fiscalização e a recorrente, o que impossibilita a cobrança das contribuições em tela por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstram o contrário, seja porque as autoridades fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações. Contudo, entendo que restou demonstrada, nos autos, a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego , exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. º 8.212/91 c/c art. 9. º, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. º 3.048/99, quais sejam, pessoalidade, a nãoeventualidade (habitualidade), a onerosidade e a subordinação. Aplicase portanto, ao caso, o artigo 9º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar ou impedir a aplicação dos preceitos nela contidos E como o parágrafo 2. º do art. 229 do Decreto 3.048/99, permite ao Auditor Fiscal desconsiderar o vínculo pactuado, a Auditoria, ao verificar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego, agiu em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente os trabalhadores como empregados da autuada para efeitos da legislação previdenciária. Esse enquadramento será automático sempre que estiverem presentes, na prestação do serviço, os pressupostos da relação de emprego, quais sejam, a remuneração, a habitualidade e a subordinação, porque a lei assim determina, mesmo que no contrato formalizado entre as partes esteja definido de forma diversa, pois a relação de emprego não é aferida pelos elementos formais do ajuste, mas do conteúdo emergente de sua execução. Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. º 8.212/91, pode sim o Auditor Fiscal desconsiderar a contratação do segurado como contribuinte individual para considerálo como empregado da contratante, exclusivamente para fins de recolhimento da contribuição previdenciária, pois houve a ocorrência do fato gerador. Ademais, os nossos Tribunais já vêm decidindo que o Fisco pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ela julgue com vínculo empregatício e, caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho afim de questionar a existência do vínculo. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Nesse sentido e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal, entendo que restou comprovada, nos autos, a relação de emprego entre a MUDE COMÉRCIO E Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 SERVIÇOS LTDA e as pessoas físicas que lhes prestaram serviços apontadas pela fiscalização.. Insta salientar que, conforme art. 114, I da CF/88, compete à. Justiça do Trabalho processar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho, não havendo, portanto, invasão de competência, uma vez que a autoridade fiscal apenas constituiu o crédito previdenciário incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, mas não julgou, com atributo de coisa julgada, a relação de emprego, pois que esta última matéria é de competência da Justiça do Trabalho. A autoridade fiscalizadora em questão tem competência para efetuar o lançamento, uma vez que é, sim, atribuição inerente ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil verificar a ocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, lançando os respectivos tributos, e enquadrar a pessoa física como segurado obrigatório da Previdência Social, independentemente da forma jurídica que foi adotada, a qual, por vezes, pode mascarar tal condição, nos termos do art. 33, caput da Lei n° 8.212/91. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de fato gerador, pode superar o negócio jurídico para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Esse é o entendimento consolidado do Colendo Superior Tribunal de Justiça, conforme manifestação exarada pelo eminente Ministro CASTRO MEIRA, quando do julgamento do REsp n° 575.086/PR, em 21/03/2006, verbis : "0 reconhecimento da relação de emprego para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias é independente do exame na Justiça Trabalhista. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes e fiscais tem competência para reconhecer o vinculo trabalhista, porém, somente para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento da contribuição previdenciária, mas à Justiça do Trabalho cabe reconhecer o vinculo trabalhista e os direitos advindos. 0 agente fiscal do INSS exerce atos próprios quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados, podendo submeterse tal avaliação administrativa ou judicial." (grifei) A competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para caracterização de empregado para fins previdenciários tem sido agasalhada pela jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça, conforme os arestos a seguir: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. REEXAME DO SUBSTRATO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N° 07/STJ. I 0 INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 9 15 efetivada a arrecadação" (REsp n°515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25/04/05). II Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vinculo empregatício, na medida em que: "0 juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado,seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp n°575.086/PR,Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30/03/06). III O acórdão recorrido, ao dirimir a controvérsia, entendeu que inexistiu prova que afastasse a validade da NFLD, sendo que, para rever tal posicionamento, seria necessário o seu reexame, que serviu de sustentáculo ao convencimento do julgador, ensejando, no caso, a incidência da Súmula n° 07/STJ. IV Agravo regimental improvido. PREVIDENCIÁRIO INSS FISCALIZAÇÃO AUTUAÇÃO POSSIBILIDADE VINCULO EMPREGATÍCIO. A fiscalização do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação Its pessoas que ele julgue com vinculo empregatício. Caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho, a fim de questionar a existência do vinculo. Recurso provido. (STJ. la Turma. REsp 236279/RJ; Recurso Especia11999/00981057. Relator Min. Garcia Vieira. DJ 20.03.2000. p. 48) (...) 1. A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho, entre as quais se inclui o direito & previdência social. 2. No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonega cão. Exigese, contudo, que a decisão docorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que se atenda ao principio da legalidade, ou para que o ato possa ser objeto de controle judicial, ou para que o contribuinte possa exercer seus direito de defesa. Dou provimento ao recurso e inverto as penas de sucumbencia. (STJ. AG n° 257.017RS. Relator Min. José Delgado. DJ 21/10/99.) RECURSO ESPECIAL — FISCALIZAÇÃO — CONSTATAÇÃO DE LIAME LABORAL POR MEIO DE FISCAL DA PREVIDÊNCIA — ALEGADA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DE PESSOAS QUE PRESTAM Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 16 SERVIÇOS NAS EMPRESAS QUE DEVEM RECOLHER CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCOMPETÊNCIA PARA DESQUALIFICAR A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA RECONHECIDA EM AMBAS AS INSTÂNCIAS — PRETENDIDA REFORMA COM BASE EM JULGADO DESTE SODALÍCIO — RECURSO PROVIDO. No particular, o fiscal, ao promover a fiscalização para eventual cobrança da contribuição, entendeu que os médicos que estavam a prestar serviços nas dependências do hospital da contribuinte possuíam vinculo de trabalho, razão por que lavrou os autos de infração. O LAPAS ou o INSS (art. 33 da Lei n. 8.212), ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação. (...) – Recurso especial conhecido e provido com base na divergência jurisprudencial. (Resp 515821/RJ; Recurso Especial 2003/00272128. Relator Min.Franciulli Netto. STJ. 2a Turma. DJ 25.04.2005. p. 278.) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA.CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. REEXAME DO SUBSTRATOFATICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SUMULA N° 07/STJ. I 0 INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregaticia, a fiscalização deve procedera autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (Resp n°515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIUM NETTO, DJ de 25/04/05). (...) IV Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 894015 /AL ; AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2006/02279329 Relator Min. FRANCISCO FALCÃO Franciulli Netto. STJ. la Turma. DJ 12.04.2007 p. 251) (grifei) No mesmo sentido são os seguintes julgados do CRPS: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC LEGALIDADE.CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 10 17 I — Constatado pela fiscalização do INSS que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, apenas para burlar o FISCO, correto o enquadramento dos empregados terceirizados como segurados empregados da empresa contratante; (.) RECURSO CONHECIDO E WO PROVIDO. (4° CAJ. NFLD DEBCAD N° 35.472.4258. Acórdão n° 239/2005. Relator: Rogério de Lellis Pinto. Julgamento em 23/02/05. Resultado do julgamento: RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO POR UNANIMIDADE.) PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SEBRAE. INCRA. CONSTITUCIONALIDADE. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. SESI. SENAL COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR. I — Constatado pela fiscalização do INSS que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, apenas para burlar o FISCO, correto o enquadramento dos empregados terceirizados como segurados empregados da empresa contratante; (..) RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. CAJ. NFLD DEBCAD N° 35.472.4231. Acórdão n° 238/2005. Relator: Rogério de Lellis Pinto. Julgamento em 23/02/05. Resultado do julgamento: RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO POR UNANIMIDADE) A autuada entende, ainda, que a fiscalização não comprovou a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, pois deixou de analisar individualmente cada uma das relações supostamente existentes e demonstrar, de maneira individual, a ocorrência de cada um dos fatos geradores, entendendo que não cabe a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Ocorre que a fiscalização relacionou cada uma das pessoas físicas e o período em que eles prestaram serviços à recorrente, anterior ao devido contrato de trabalho. As remunerações e o período trabalhado constam das folhas de pagamento encontradas no HD portátil do gerente da empresa, Sr Marcílio Palhares, e estão discriminadas na planilha intitulada “PAGAMENTOS FORA DO PERÍODO FORMAL DO CONTRATO DE TRABALHO”, que traz os segurados empregados, suas contribuições previdenciárias, a data de admissão na empresa e a função exercida, com o correspondente número da FRE. Portanto, não procede a alegação de que não houve individualização dos segurados caracterizados como empregados. A fiscalização informou que, entre os documentos analisados, estão os organogramas, documento que apresenta a estrutura de uma empresa, e que foram encontrados Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 18 nos computadores apreendidos, e demonstram a subordinação, a nãoeventualidade e a pessoalidade, pois revelam a hierarquia, a necessidade permanente de funcionário exercendo determinada função, e a impossibilidade de se enviar outra pessoa que não a designada para exercer aquele cargo, para trabalhar naquele lugar, ou para dar ou receber ordens. Também, nas folhas de pagamentos encontrados no HD portátil do Sr Marcílio, constam as remunerações por trimestre, e demonstram as composições salariais de cada um dos trabalhadores, registrados ou não, contendo salários fixos e variáveis, e nelas, além do Sr Reinaldo de Paiva Grillo, estão todos os empregados que trabalhavam sem o devido registro do contrato de trabalho. A fiscalização verificou, da análise dessas folhas, que o salário do período sem registro é o mesmo do período registrado, não havendo interrupções entre os dois períodos, permanecendo o empregado, após o registro, na mesma função e no mesmo departamento em que trabalhava antes de ser haver o devido contrato de trabalho. Outros documentos, descritos nos itens 4A e 4B do Relatório Fiscal, demonstram que o Sr. Reinaldo de Paiva Grillo, que nunca foi registrado em contrato de trabalho, era empregado da recorrente ao longo do período do débito, trazendo seu cargo, função e remuneração, indicando a quem estava subordinado dentro da hierarquia da empresa e sobre quais funcionários exercia poder de mando. Cumpre observar que as atividades exercidas pelos segurados caracterizados como empregados são matérias da competência da autuada, e diante da existência de uma posição jurisprudencial de que é vedada a terceirização da atividade fim da empresa, não há como vislumbrar que tais atividades sejam exercidas por terceiros sem vínculo com a recorrente. Dessa forma, a fiscalização demonstrou a presença de subordinação, pessoalidade, onerosidade e nãoeventualidade, requisitos necessários à caracterização do vínculo de emprego e caracterizou as pessoas físicas apontadas como segurado empregado da recorrente. E, segundo o Ministro Carlos Veloso “Corre em favor do ato administrativo a presunção da legitimidade. Assim, se o lançamento fiscal previdenciário aponta a existência de empregados e não trabalhadores autônomos, cumpre ao contribuinte ilidir, mediante prova, essa presunção” (TRF AC. 101.404MG, Min. Carlos Veloso – DJU 05/09/85, pág. 14800). Dessa forma, o agente fiscal, ao constatar a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego e a falta do recolhimento da contribuição devida incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, lavrou corretamente o presente AI. Cumpre reiterar que, como exceção do Sr. Reinaldo de Paiva Grillo, todos os demais trabalhadores foram enquadrados como segurados empregados pela própria recorrente e períodos posteriores, e continuaram a exercer as mesmas funções que exerciam antes. Todos esses fatos, aliados aos demais narrados pela fiscalização, reforçam a convicção de que esses trabalhadores eram, no período objeto do AI, empregados da recorrente. Com relação ao argumento de que não se aplicam, no caso concreto, as disposições do art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91, cumpre observar que a fiscalização não amparou a autuação no referido dispositivo legal. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 11 19 A recorrente insiste em afirmar que inexiste pagamento às pessoas físicas arroladas nas planilhas no período apurado pela fiscalização, anterior ao da formalização do contrato de trabalho, como demonstram as DIRFs anexadas na impugnação, e que a fiscalização nada comprovou quanto à existência de tais pagamentos de remuneração, mas apenas reputou, com base em presunção não prevista ou autorizada em lei, que tais pagamentos efetivamente ocorreram. Ora, mas a existência de folhas de pagamento, com o registro das remunerações, para as referidas pessoas físicas, e no período do débito, reforça a convicção de que o pagamento foi realizado, pois não é possível supor que, se houve a prestação do trabalho, conforme restou demonstrado, tal trabalho não tenha sido remunerado. Portanto, entendo que restou demonstrado o pagamento das remunerações. A recorrente inova, em relação à peça impugnatória, informando que, em 2006 e 2007, a empresa foi fiscalizada minuciosamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, sob a supervisão do Ministério Público da União,para fins de verificar eventual descumprimento das leis trabalhistas, e relata que, durante a inspeção, o MTE, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de serviços, o que foi efetuado pela recorrente, destacando, ainda, que os referidos Órgãos não constataram qualquer irregularidade envolvendo as pessoas arroladas pela fiscalização, aduzindo que, se houvesse de fato o alegado vínculo empregatício entre a recorrente e tais pessoas, como quiseram parecer as autoridades fazendárias, o MTE certamente teria identificado a relação jurídica, tomando as previdências cabíveis, o que, como é possível verificar, não foi o caso. No entanto, observase que o argumento acima não foi apresentado em defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase, no caso presente, que na época em que ocorreu a fiscalização do Ministério do Trabalho ainda não havia sido deflagrada a ação que culminou na apreensão da documentação utilizada pela fiscalização da RFB, ocorrida somente no final de 2007. Não tenho dúvidas de que, se a fiscalização trabalhista tivesse tido acesso a esses documentos apreendidos, sua conclusão seria pela caracterização do vínculo empregatício, a exemplo do que ocorreu com a auditoria da RFB. Ademais, o resultado da fiscalização do MTE apenas demonstra que é uma prática da recorrente não registrar segurados empregados que lhe prestam serviços, o que vem corroborar o entendimento esposado pela fiscalização da RFB. A autuada insiste na aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência. Contudo, o fato gerador que ensejou a lavratura do AI em tela é o pagamento de remuneração dos segurados caracterizados como empregados pela fiscalização, cujo vínculo empregatício não foi reconhecido pela empresa, no período. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 20 Portanto, para os fatos geradores objeto do presente AI, não houve recolhimento antecipado, caso em que se aplica o prazo previsto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Verificase, da análise dos autos, que o contribuinte tomou ciência do AI em 16/12/2008, conforme AR de fls. 270, e o lançamento se refere ao período de 01/2003 a 09/2007. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito, uma vez que, para a primeira competência lançada, 01/2003, a contribuição é devida somente a partir de 02/2003, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2004, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Portanto, o Fisco se encontra ainda no direito de cobrar a integralidade das contribuições devidas lançadas por meio do AI em tela. A recorrente insurgese, também de forma inovadora, contra a incidência de juros sobre a multa de ofício, alegando ilegalidade de sua cobrança. No entanto, a exemplo do que ocorreu quanto à fiscalização do MTE, a recorrente não apresentaram perante a primeira instância de julgamento qualquer questionamento a respeito, vindo a fazêlo somente em sede recursal. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Por fim, a recorrente alega inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, Todavia, cumpre esclarecer que tal matéria é objeto da Súmula do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula nº 03: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido e Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 12 21 Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 22 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Redator Designado Peço vênia à perfulgente Relatora, em que pese sua notória sapiência, mas dela divirjo no presente voto, conforme exposto abaixo. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS Tem finalidade meramente informativa, conforme já sumulado pelo CARF, cuja decisão tomo como voto. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Assim, a relação de coresponsáveis que consta nos autos não atribui responsabilidades à eles, e tão pouco comporta discussão no âmbito do CARF. MULTA Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. Sendo assim, mister que tenhamos em mente que enquanto não preclusa a oportunidade para a oposição algum remédio processual e ou se estes não tiverem transitado em julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96, desde que, como alhures dito, o ato não se encontre definitivamente julgado, como é o caso em tela. Este pensar, da mesma forma vêm se posicionando nossos Tribunais, in verbis’: Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 2301004.029 S2C3T1 Fl. 13 23 "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. DCTF. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO DA JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROVA PERICIAL INDEFERIDA. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. ART. 106, DO CTN. TAXA SELIC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETOLEI Nº 1.025/69. .... O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106, do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96 a fatos anteriores a 1997. ... (STJ, REsp 653645/SC, 2a T., Rel. Min. Eliana Calmon, D.J 21/11/2005)" "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO DEL 2.471/1988. ART. 106, II, "c", CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. 1. O ART. 106, do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobrevindo, no curso da execução fiscal, o DL 2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e, sendo possível a reestruturação do cálculo de liquidação, é possível a aplicação da lei mais benigna, sem ofensa aos princípios gerais do direito tributária. Na execução fiscal, as decisões finais correspondem as fases de arrematação, da adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra feita, com a extinção do processo, nos termos do art. 794, do CPC. (STJ, REsp 94511/PR, 1a T., Rel. Min. Demócrito Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)" Assim, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996. CONCLUSÃO Desta forma, diante de todo o exposto, tenho que o presente remédio recursivo acode todos os requisitos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito, aunto ao CORESP, dizer que ele não implica responsabilidade aos relacionados e tão pouco comporta discussão no âmbito do CARF, e, referente a multa, aplicarlhe a mais benéfica, conforme determina o artigo 106, II, C do CTN, sendo certo que o artigo 61 da Lei 9.430/1996, é a mais favorável. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 24 É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa – Redator Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Numero do processo: 15586.002293/2008-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.145
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator, no exercício da presidência.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator, no exercício da presidência. Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 02 29 3/ 20 08 -6 9 Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.002293/200869 Resolução nº 1103000.145 S1C1T3 Fl. 4.547 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos aos 1º a 4º trimestres de 2003 e 2004 e 1º trimestre de 2005, no valor total principal de R$ 8.370.687,20 (oito milhões, trezentos e setenta mil, seiscentos e oitenta e sete reais e vinte centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 150% (fls.4.184/4.236). As infrações foram assim descritas no lançamento de IRPJ: 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA).REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de café, apurada através de diligências efetuadas nas empresas compradoras. Os fatos que comprovam esta infração estão descritos no Auto de Infração que, para todos os efeitos legais, é parte integrante deste Auto de Infração. 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA Valor referente depósitos/créditos de origem não comprovada, em relação aos quais, o contribuinte devidamente intimado, não comprovou com documentação hábil e idônea, a origem destes valores. Os fatos que comprovam esta infração estão descritos no Termo de Verificação Fiscal que, para todos os Fato Gerador efeitos legais, é parte integrante deste Auto de Infração. A fiscalização lavrou Termos de Sujeição Passiva (fls.4.140/4.143) em face das pessoas físicas Wladimir Resstel, CPF nº 282.831.39720, e Marlene Coelho Resstel, CPF nº 073.477.42730, imputandolhes responsabilidade solidária com fundamento no art.124, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Para cientificar o contribuinte dos lançamentos, afixouse o Edital nº 249/2008 (fl.4.236). Por sua vez, os responsáveis tributários foram cientificados por via postal em 19/12/08 (sextafeira) (fls.4.239 e 4.241). Contribuinte e responsáveis tributários impugnaram os lançamentos em 22/1/09 e 19/1/09 (fls.4.245/4.294 e 4.363/4.379), respectivamente. Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) (fls.4.141/4.183), em síntese: apesar de nos anoscalendário 2003 a 2005 o contribuinte ter movimentado em contas correntes o montante de R$ 130.419.783,92, deixou de entregar DIPJ; todas as instituições financeiras apresentaram instrumento de mandato, no qual o Sr. Jucelino Cunha, sócio formal do contribuinte, constituiu como procuradora a Sra. Marlene Coelho Resstel, que substabeleceu algum dos poderes para Lourival Kruger, Paulo André Comério, Antônio Amadeu Comério, Nildson Orige Giuliatte e Fabiana Coelho Resstel, sua filha; da movimentação financeira excluíramse as transferências entre contas de titularidade da fiscalizada, empréstimos, devoluções de cheques, estornos ou qualquer outro crédito sem interesse tributário; Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.002293/200869 Resolução nº 1103000.145 S1C1T3 Fl. 4.548 3 os Srs. Paulo André Comério, Antônio Amadeu Comério, Nildson Orige Giuliatte e Christian Silva Rupf (contador responsável pela entrega da DIPJ/03) prestaram relevantes informações à fiscalização; também foram ouvidos os seguintes beneficiários de alguns cheques e transferências bancárias, bem como os remetentes de recursos: Alexandre Emílio de Almeida, Nestlé Brasil Ltda, Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, Cia Iguaçu de Café Solúvel e Nossa Senhora da GuiaExportadora de Café Ltda; podese concluir pela interposição fraudulenta, haja vista os seguintes indícios: (a) os Srs. Jucelino Cunha e Edgarzito Francisco Chagas, que constam como sócios formais do contribuinte, possuem domicílios fiscais em municípios do Estado de Rondônia, não possuindo terras, veículos, movimentação financeira ou outros bens; (b) a Delegacia da Receita Federal do Brasil em JiParaná (RO) não localizou tais pessoas; (c) consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) atestam que Jucelino Cunha foi admitido como ajudante de obras civis (3/6/03) e alimentador de linha produção (5/6/07), e que Edgarzito Franscisco Chagas, como auxiliar administrativo (10/4/07) e ajudante de obras civis (13/6/08); (d) nos documentos bancários (cópias de cheques e transferências), os sócios formais não foram beneficiados com recursos movimentados pelo contribuinte; (e) não há cheques ou ordens de transferência por eles assinados; (f) procuração conferindo amplos poderes de gerência à Sra. Marlene Coelho Resstel, que em conjunto com o Sr. Wladimir Resstel, foi, conforme provas dos autos, a responsável pela gestão; e (g) incompatibilidade do montante dos recursos movimentados com a capacidade econômica de tais pessoas; documentos acostados aos autos e informações prestadas por várias pessoas permitem concluir pela responsabilidade tributária da Sra. Marlene Coelho Resstel e do Sr. Wladimir Resstel, tendo em vista a prática de atos de gerência e administração do contribuinte; “...A apuração dos valores da receita de vendas de café se deu através de diligências nas empresas Nestlé Brasil Ltda, Santa Clara Industria e Comércio de Alimentos Ltda, Cia. Iguaçu De Café Solúvel e Nossa Senhora da Guia Exportadora de Café Ltda”; após intimação, o contribuinte não comprovou a origem dos depósitos bancários, tendo sido excluídos do valor apurado a título de omissão de receitas os créditos com origem comprovada nas vendas de café a pessoas jurídicas identificadas; o lucro foi arbitrado, com a aplicação do percentual de 9,6% sobre as receitas omitidas, vez que o contribuinte não apresentou mínimo elemento (v.g., livros comerciais e fiscais, demonstrações financeiras) que possibilitasse a sua apuração nos períodos de apuração fiscalizados. Qualificouse a multa de ofício em razão dos fatos narrados no TVF, “...considerando sobretudo a intenção fraudulenta do contribuinte em suprimir os tributos devidos, omitindo, de maneira contumaz valores de receitas além da utilização de interposta pessoa (‘laranja’)”. Os lançamentos foram considerados procedentes pela Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro 1 (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.4.450/4.475): ARBITRAMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.002293/200869 Resolução nº 1103000.145 S1C1T3 Fl. 4.549 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira que não sejam decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, serão caracterizados como receita bruta omitida. Artigo 42 da Lei n°. 9.430 de 1996. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art.16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). DIPJ. AUSÊNCIA. REITERAÇÃO. DOLO. Caracteriza omissão dolosa de receitas quando, de forma reiterada, a pessoa jurídica não apresenta declaração de rendimentos e auferi valores vultosos em diversos exercícios. CONDUTA DOLOSA. SANÇÃO. A conduta que tenha a finalidade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente obtendose como resultado, a efetiva redução ou a supressão de tributo, está sujeita à multa agravada aplicada sobre a totalidade ou diferença do tributo omitido. LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. CSLL. COFINS. Decorrendo o lançamento do PIS, da CSLL e da COFINS, da omissão de receita constatada na autuação do IRPJ, reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A prática de atos que caracterizam a detenção de poderes de gestão e administração em consonância com as atividades previstas no objeto social de pessoa jurídica caracterizam o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Devidamente cientificados, os responsáveis tributários interpuseram recurso voluntário em 29/7/09 (fls.4.484/4.536), em que alegam: a autuação unicamente com base em movimentação bancária seria desprovida de legalidade, conforme já decidira o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes; em razão da apresentação de impugnação, não seria possível a elaboração de representação fiscal para fins penais; seria ilegal a obtenção de informações perante instituições financeiras diretamente pelo Fisco, sendo inconstitucional a Lei Complementar nº 105/01, devendo ser anulado os autos de infração e conseqüentemente extintas as sujeições passivas solidárias; não teriam sido esgotados os meios à disposição da fiscalização, antes da constituição dos créditos tributários por arbitramento e com base na movimentação bancária do contribuinte, que não se constituiria em fato gerador tributário. Os Srs. Jucelino Cunha e Edgarzito Francisco Chagas não teriam sido procurados em seus endereços atualizados; Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.002293/200869 Resolução nº 1103000.145 S1C1T3 Fl. 4.550 5 não haveria “...correlação lógica direta e segura, pois nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido”, conforme decisões administrativas (acórdãos nºs 10417.494 e CSRF/0102.741), sendo aplicável a Súmula TFR nº 182; a melhor exegese do art.42, §5º, da Lei nº 9.430/96, levaria à necessidade de intimação, durante o procedimento fiscal, dos responsáveis tributários para comprovar a origem dos depósitos bancários, vez que seriam sujeitos passivos, conforme decidido pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuinte (acórdão nº 10323.333); os fatos narrados pela fiscalização, que a conduziram para imputar as responsabilidades tributárias, seriam “absolutamente infundados”, “imprecisos” e “contraditórios”; conforme informações do Sr. Wladimir Resstel, conhecera o Sr. Jucelino Cunha, que o procurou para iniciar uma relação comercial no Estado do Espírito Santo, apresentandose como grande comerciante da área cafeeira, quando aceitou a proposta por vislumbrar a possibilidade de lucro e indicou sua esposa como mandatária, que teria deixado de atuar no próprio ano de 2003 e não praticara qualquer ato com excesso de poderes; o simples fato de assinar cheques, bem como ser o “contato” em algumas operações de café, não seria suficiente para que a fiscalização imputasse à Sra.Marlene Coelho Resstel a condição de responsável tributária; do universo de dezenas de pessoas intimadas pelo Fisco, apenas a Nestlé Brasil Ltda, Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, Cia Iguaçu de Café Solúvel e Nossa Senhora da GuiaExportadora de Café Ltda, teriam prestado esclarecimentos, “...o que compromete, sem sombra de dúvidas, a precisão das conclusões obtidas, no que tange à responsabilização”, não tendo nenhuma delas informado que o Sr. Wladimir Resstel teria sido o contato para a venda do café oriundo do contribuinte; “...a amostragem, como feita no processo administrativo sub examem, implica em verdadeira escusa da administração tributária em obter o maior grau de verossimilhança possível no alcance da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal [...]. A amostragem, é situação excepcional, utilizada diante da impossibilidade de se efetuar a verificação integral. A utilização da amostragem, como no processo ora combatido, afigurase indevida, eis que não possibilitou o alcance da verdade material.”; documentos acostados pela fiscalização trariam informações inidôneas, “...provavelmente motivadas por falhas de terceiros”; a fiscalização não teria se esforçado para encontrar as pessoas Fabiana Coelho Resstel e Lourival Kruger; os produtores de café, que venderam os produtos para a Montreal, não teriam sido intimados a prestar esclarecimentos; o segundo depoimento da Sra. Marlene Coelho Resstel seria imprescindível para a elucidação dos fatos, não tendo sido colhido por razões de saúde, devidamente informadas à autoridade fiscal e comprovadas com atestado médico; a fiscalização, ao concluir que os beneficiários dos recursos teriam sido os responsáveis tributários, deveria ter obedecido aos comandos dos §§ 5º e 6º do art.42 da Lei nº 9.430/96; não sendo os responsáveis tributários os gestores do contribuinte, não subsistiria a multa qualificada, vigorando o princípio da presunção de inocência, sendo necessário a “...existência de procedimento específico para aplicação de penalidade de qualquer natureza pela existência de eventual fraude”; Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.002293/200869 Resolução nº 1103000.145 S1C1T3 Fl. 4.551 6 seria ilegal a exigência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Ao final, pleitearam, com fundamento no art.16 do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligência “...com o objetivo de oportunizar aos Defendentes a produção de provas que jogarão por terra qualquer indicio de responsabilidade pelos créditos lançados contra a empresa Montreal Comércio de Produtos Alimentícios Ltda”, especificamente para: (a) intimar os sócios do contribuinte em seus endereços atuais para prestar esclarecimentos; (b) intimar todos os remetentes de recursos a fim de que informem a natureza da operação e a pessoa de contato do contribuinte; (c) intimar a Sra. Fabiana Coelho Resstel para esclarecer a participação de seus pais, ora Recorrentes, nos negócios do contribuinte; (d) agendar nova oitiva da Sra. Marlene Coelho Resstel; e (e) intimar os Srs. Nildson Orige Giuliatte, Paulo André Comério e Alexandre Emílio de Almeida para fornecerem a lista dos produtores/vendedores de café com os quais transacionavam, que também devem ser ouvidos. Não consta recurso voluntário do contribuinte, tendo sido lavrado Termo de Perempção (fl.4.542). É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Da análise do autos, notase que o acórdão nº 1224.710 (fls.4.450/4.475) foi cientificado aos responsáveis tributários por via postal (fls.4.482/4.483), enquanto ao contribuinte, via edital (fl.4.481). A respeito das intimações, dispõe o Decreto nº 70.235, de 6/3/72: “Art. 23. Farseá a intimação: ..... I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.002293/200869 Resolução nº 1103000.145 S1C1T3 Fl. 4.552 7 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.” Vêse, portanto, que a intimação por edital apenas pode ser realizada quando a fiscalização não tenha sucesso na tentativa pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, ainda que anteriormente, relativamente a intimações realizadas no curso do procedimento fiscal, as correspondências tenham sido devolvidas pelos Correios com a informação de que a pessoa não mais se encontrava no domicílio fiscal indicado no cadastro CNPJ. No caso concreto, quanto ao contribuinte, optou o agente fazendário pela intimação por Edital nº 04/2009 (fl.4.481), sem previamente proceder a alguma daquelas outras modalidades, conforme atesta o despacho de fl.4.544. Pelo exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) cientifique o contribuinte do acórdão proferido pela DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), valendo se inicialmente de algum dos meios previstos no Decreto nº 70.235/72 (art.23, incisos I, II ou III). Em caso de insucesso, publique Edital nos termos do art.23, §1º, do Decreto nº 70.235/72; b) transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência, para a interposição de recurso voluntário, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 10920.911131/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 31 /2 01 2- 38 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911131/201238 Acórdão n.º 3801003.328 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11516.006352/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO - A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2202-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator) e Rafael Pandolfo que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente em Exercício e Redator Designado).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 63 52 /2 00 7- 60 Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 preliminar. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator) e Rafael Pandolfo que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente em Exercício e Redator Designado). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.525 3 Relatório Mediante auto de infração de folhas 948 a 982, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 583.570,34, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 a 2005, anos calendário 2002 a 2004. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), às folhas 949 a 970, verificase que a autuação é decorrente de apuração de: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada — Anoscalendário 2002 a 2004; Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica — Anoscalendário 2003 e 2004; Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi — Anocalendário 2004; Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos — Anos calendário 2003 e 2004; Dedução Indevida de Dependente — Anocalendário 2004; Dedução Indevida de Despesas Médicas — Anoscalendário 2002, 2003 e 2004; Dedução Indevida de Despesa com Instrução — Anocalendário 2004; Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi — Anocalendário 2002. Encerrando os trabalhos fiscais, a autoridade lançadora elaborou Representação Fiscal Para Fins Penais, protocolizada sob o n° 11516.006354/200759, por haver indícios de crime contra ordem tributária. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta a impugnação de folhas 996 a 1.025, na qual expõe suas razões de contestação. Sob o título Dos Fatos Supervenientes, às folhas 997 a 1000, o impugnante esclarece que é alvo de fiscalização nos processos administrativos fiscal n° 11516.005389/200771, 11516.005642/200796, 11516.005445/200777 e 11516.005429/200784, conjuntamente com as empresas MEAT PLUS ALIMENTOS LTDA. e CB DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. ME. E, portanto, solicita que seja acostado aos autos cópia integral dos referros procedimentos sob pena de violação ao artigo 359 do CPC. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Argumenta o contribuinte que as movimentações financeiras se confundem entre as empresas Meat Plus, CB Distribuidora, e entre as pessoas fisicas, Pedro Luiz da Silva, Daniel Monrando, Matias Morando, entre outros. Explica que, muitas vezes, uma determinada quantia migrava de uma conta bancária para outra, senão através de operações financeiras uma empresa saldava débitos, ou percebia créditos de outras, ante a parceria administrativa, financeira, gerencial comandada por Daniel Morando, sócio de fato e pai de Matias Morando. O contribuinte alega que, embora conste como sócio administrador das pessoas jurídicas já indicadas, não possuía plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais; era responsável apenas pelas atividades comerciais da empresa Meat Plus, atuando como mero funcionário. Afirma que foi vitima da Daniel Morando, que utilizou suas contas bancárias e das empresas para realizar movimentações financeiras. Na empresa CHAPOLIN, o contribuinte alega que não era diferente, ou seja, a administração e propriedade era de fato de Daniel Morando, constando o contribuinte no quadro social. O impugnante alega que, conforme informações apresentadas, a Meat Plus não possuía bens, e somente a CB Distribuidora possuía patrimônio. Inclusive, o imóvel onde funcionava a CB Distribuidora foi adquirido pelo sócio e administrador de fato das empresas, Daniel Morando, que em ato continuo à compra constituiu a empresa FLORIGEL DISTRIBUIDORA, sucessora, aparentemente da Meat Plus e CB Distribuidora. Argumenta o contribuinte que somente quem obteve aumento de capital foi Daniel Morando. Afirma que não obteve aumento de capital ou omitiu renda, pois não foi o sujeito passivo da obrigação tributária, tendo sido posto para figurar nos contratos sociais como proprietário ou administrador. Ressalta o contribuinte que o volume das movimentações bancárias entre as empresas Meat Plus e CB Distribuidora, além das pessoas físicas indicadas, não era superior a receita. No item III, denominado Preliminares, o contribuinte apresenta oito preliminares. Na primeira preliminar, sob o título Da não fixação de prazo máximo e/ou prorrogação sem a cientificação do sujeito passivo/procedimento viciado, às folhas 1000 a 1001, o contribuinte alega que a autoridade fiscal não fixou prazo para conclusão das diligências e/ou não respeitou o prazo máximo, estabelecido no artigo 196 do CTN, encontrandose viciado o lançamento, sendo nulo em sua integralidade. Pugna o contribuinte que a autoridade fiscal traga aos autos cópia integral do procedimento administrativo, sob pena de afronta ao artigo 359 do CPC. Como segunda preliminar — Da ilegitimidade do impugnante/Pedro Luiz, e da inexistência de solidariedade nos processos n° 11516.005389/200771, 11516.005642/200796, 11516.005445/200777, 11516.005429/200784, e da relação (in)direta entre os valores apurados de IRPF, às folhas 1001 a 1004, o contribuinte alega que apesar de constar como proprietário e administrador nos contratos sociais das empresas, nunca ocupou ou teve proveitos correspondentes às prerrogativas que lhe foram atribuídas formalmente, pois como proprietário e administrador detrato figurava Daniel Morando Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.526 5 Argumenta o contribuinte que, pelo princípio da verdade real, deve ser atribuído a Daniel Morando a situação de contribuinte responsável, em vista de a capacidade tributária passiva independer de estar o indivíduo regularmente inserido no contrato social, quando sua participação de fato é evidente, somado a atos de gestão, participação nos lucros Em sua defesa cita jurisprudência do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda. O contribuinte afirma que não é pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias contraídas pelas pessoas jurídicas citadas, porque exigese para aplicação da exegese do artigo 135, inciso II do CTN, a condição evidente de prática de atos de direção ou gerência. Afirma que, por analogia, sendo os valores encontrados nas contas do impugnante pertencentes à pessoa jurídica, não resta dúvida que inexistiu aumento de capital ou omissão de renda do contribuinte, sendo as pessoas jurídicas e seu administrador, proprietário e gerente de fato, Daniel Morando, o efetivo devedor do fisco. Alega, portanto, que não se pode cogitar sua responsabilidade (solidária) por eventuais créditos em desfavor das pessoas jurídicas. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em seu favor. O contribuinte lembra que, na dicção do artigo 121, parágrafo único, inciso I, do CTN, o sujeito passivo é a pessoa que tenha relação jurídica pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador. Assim, entende que não é parte legítima para configurar como sujeito passivo da obrigação tributária nos processos administrativos n° 11516.005389/2007 71, 11516.005642/200796, 11516.005445/200777, 11516.005429/200784, e como as movimentações financeiras encontradas em suas contas pesssoais têm como origem atividades voltadas às pessoas jurídicas já indicadas, não há que se alvitrar um aumento de capital ou omissão de receita. Na terceira preliminar, denominada Obtenção de Provas por Meios Ilícitos — Quebra de Sigilo Bancário, às folhas 1005 e 1006, o contribuinte alega que não forneceu dados bancários, tampouco autorizou a quebra de sigilo em seus dados bancários, portanto, a obtenção dos dados bancários se deu de forma ilícita, em nítida quebra de sigilo bancário. Em sua defesa cita o artigo 5 0, inciso X, da Constituição Federal. Alega o contribuinte que, somente o poder judiciário, respeitando o devido processo legal, contraditório e ampla defesa, poderia eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às matérias arroladas em lei, como determina jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 4' Região. Desta forma, defende o contribuinte que o lançamento em litígio é nulo em sua integralidade. Como quarta preliminar, o contribuinte alega, sob o título Da Duplicidade do Crédito Lançado pela Autoridade Fiscal, às folhas 1006 e 1007, que o crédito constituído/arbitrado correspondente ao IRPJ (nos processos administrativos 11516.005389/200771, 11516.005642/200796, 11516.005445/200777, 11516.005429/2007 84, em nome de Meat Plus Alimentos Ltda. e CB Distribuidora de Alimentos Ltda.ME) corresponde ao mesmo fato gerador do IRPF, pois os valores que circularam nas contas da pessoa fisica do contribuinte correspondem a operações das pessoas jurídicas citadas. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Em sua defesa, cita os artigos 114, 115 e 116 do Código Tributário Nacional.Argumenta o contribuinte quç; se eventualmente tiver que arcar com os créditos impugnados em todos os procedimentos administrativos, como sujeito passivo solidário ou contribuinte, suportará quantias em duplicidade, ocasionando nítido bis in idem, uma vez querestam evidentes o estabelecimento paralelo do IRPJ e do IRPF decorrentes do mesmo fato gerador. Na quinta preliminar — Da Impossibilidade da Aplicação de Multa/Vício doLançamento, às folhas 1008 e 1009, o contribuinte alega a nulidade do lançamento ou,alternativamente, que seja declarada indevidamente a aplicação de multa por entender que aautoridade fiscal não pode aplicar a penalidade, somente propor a sua aplicação. Argumenta que, por meio do contraditório e da ampla defesa, a autoridade julgadora deve tomar a decisão de aplicação da multa de oficio. Neste sentido, o contribuinte cita Ruy Barbosa Nogueira que entende que "o agente fiscal não pode mesmo aplicar a penalidade, mas simplesmente propor a sua aplicação, de maneira que apenas mediante contraditório possa ser tomada a decisão por autoridade fiscal julgadora". Como sexta preliminar, o contribuinte alega, sob a denominação Da Nulidade ante a Ausência da Forma de Cálculo, às folhas 1009 e 1010, que o Termo de Verificação ,Demonstrativos de Multa e Juros de Mora e o Auto de Infração e seus anexo não demonstram em detalhes a forma de calcular os juros de mora, encargos e atualização monetária. O contribuinte argumenta que, como explica José da Silva Pacheco, deve estar expresso no termo de autuação: o valor originário, os juros que incidem sobre o valor originário do débito, os demais encargos previstos em lei e a atualização monetária. Defende o contribuinte que não basta mencionar a legislação e lançar número, mas obrigatoriamente o valor dos juros de mora e o valor dos encargos em seus valores originários com as respectivas descrições minuciosas acerca dos cálculos, pois ao contrário é impossível ao contribuinte exercer preceitos . constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Desta forma, o contribuinte alega a nulidade do lançamento. No sétimo item das preliminares — Da Nulidade Por Vício do Lançamento, às folhas 1010 a 1012, o contribuinte alega que o lançamento em litígio "traz em sua constituição impossibilidade de se tornar líquido, individualizado e certo, considerandose que o Fisco não apresentou elementos que pudessem ensejar o referido ato fiscal, senão seu arbitrário posicionamento". O contribuinte defende que o instituto do lançamento, concebido pelo artigo 142 do CTN, tem a função de formalizar a pretensão da Fazenda Pública, com aferição de todos os aspectos da hipótese de incidência, identificando a matéria tributável, suas coordenadas de tempo e lugar, sua dimensão valorativa, aspectos estes não identificáveis no lançamento em discussão. Defende o contribuinte que todas essas providência estão voltadas para que o sujeito ativo possa exercitar sua pretensão, exigindo o tributo do sujeito passivo, quer administrativamente ou judicialmente, o que se apresenta de forma incompleta e obscura no caso latente. Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.527 7 O contribuinte argumenta, ainda, que as razões legais que determinam o lançamento está de forma correta nos autos, cerceando o poder de defesa do contribuinte, a ampla defesa e o contraditório, tomando dificil a averiguação dos números alcançados pelo fisco em seus cálculo matemáticos, haja vista que o levantamento efetuado na contagem não pode ser tido como correto. No oitavo e último item das preliminares, o contribuinte alega, sob o título Do Lançamento Insanável, às folhas 1012 a 1014, que não há embasamento fático para o lançamento, nem consequentemente para a constituição do crédito tributário, uma vez que a autoridade fiscal não comprovou a materialidade concreta e efetiva de uma possível ilegalidade por parte do contribuinte. Defende que não pode ser apenado por alegações decorrentes de mera presunção simples, sem provas que venham a materializar o dito lançamento tributário. Neste sentido, o contribuinte aelga, com base no artigo 333 do Código de Processo Civil, que, para configuração do fato gerador, compete ao poder público, de modo privativo e obrigatório, a comprovação da existência de todos os elementos componentes do fato, sob pena de mera presunção. O ônus de comprovar os fatos, no entender do contribuinte, é de quem alega, ou seja, do fisco. A fim de sustentar sua alegação, o contribuinte cita o artigo 142 do CTN concluindo que, se inexistiu um levantamento correto, a base de cálculo auferida também está incorreta. Explica que, no caso analisado, o valor determinado pela autoridade fiscal não está apto para que seja aplicado um percentual para determinação de suposto tributo não recolhido e/ou devido, pois a base de cálculo assim como a alíquota são elementos da categoria técnico jurídico da quantificação. No mérito, o contribuinte alega, primeiramente, no tópico denominado Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic, às folhas 1015 a 1021, por razões de variada ordem, que a incidência da taxa Selic sobre os créditos apurados pela autoridade lançadora é ilegal e inconstitucional. No segundo tópico das questões de mérito — Da Inaplicabilidade da Multa, às folhas 1021 a 1025, o contribuinte alega que a penalidade em 150% e 75% do valor decorrente da obrigação tributária é nitidamente confiscatória, sendo inconstitucional sua aplicação. Requer o contribuinte a redução da multa de oficio para 2%, em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor. Em sua defesa, cita jurisprudência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. No tópico denominado Dos Pedidos, à folha 1025, o contribuinte pugna pela produção de todos os gêneros de provas admitidos em direito e requer a juntada de novos documentos, tendo em vista as buscas incessantes do contribuinte para comprovar as teses apresentadas, em especial buscando formas de obter os documentos contábeis das empresas que estão sob a posse de Daniel Morando. Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 A DRJ ao analisar a impugnação interposta pelo contribuinte por unanimidade de votos negou provimento através do acórdão 0715.421, de 13 março de 2009, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVADA ORIGEM. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUJEITO PASSIVO. O titular da conta de depósito mantida junto à instituição financeira é o sujeito passivo da tributação da omissão de rendimentos representada por valores creditados na referida conta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. FISCALIZAÇÃO. PRAZO. PRORROGAÇÃO. O prazo inicialmente previsto no MPF para sua execução pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias por meio de registro eletrônico. PRELIMINAR. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DISPOSITIVOS LEGAIS. REGULARIDADE. A existência no auto de infração de descrição dos fatos e indicação dos dispositivos legais que regulam a tributação realizada, infirma a argüição de nulidade do lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. INCORRETA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. A existência de incorreções no levantamento da matéria tributável ou na incorreta aplicação da legislação, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.528 9 PRELIMINAR. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA IRREGULAR. NÃO OCORRÊNCIA. Resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, a obtenção de informações bancárias (extratos bancários) por parte do fisco, dentro dos parâmetros legalmente estabelecidos, não se constitui em quebra irregular do sigilo bancário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias a disposição literal de lei, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n2 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 MULTA. LANÇAMENTO. AFRF COMPETÊNCIA. Compete privativamente a ocupante de cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a constituição de crédito tributário, incluindo penalidades aplicáveis, por meio de lançamento, relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido ex officio pela autoridade fiscal, aplicamse as multas de oficio previstas na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.529 11 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Gostaria de destacar que o recorrente só recorreu da parte do lançamento referente a omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário de origem não comprovada. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.530 13 Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.531 15 vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. No que diz respeito as demais preliminares suscitadas pelo Recorrente, entendo que não merece reparos a decisão da DRJ, pois não assiste razão ao contribuinte as sus alegações. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que tais valores seriam de titularidade de duas pessoas jurídicas portanto não seriam de sua titularidade, mas não traz aos autos nenhuma prova para demonstrar o alegado. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.532 17 MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do CARF, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Diante do exposto, conheço do recurso, rejeito as preliminares suscitadas pelo recorrente e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.533 19 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.006352/200760 Acórdão n.º 2202002.633 S2C2T2 Fl. 1.534 21 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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