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Numero do processo: 13603.720214/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado. Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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3301­004.233  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  1 de fevereiro de 2018  Matéria  Contribuição para o PIS/Pasep  Recorrente  Transportadora Andrade Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  ATAQUE  À  DECISÃO  RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.  A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como  recurso  voluntário.  Todavia,  não  se  observou  na  peça  qualquer  ataque  ao  decisum.  Logo,  na  ausência  de  pontos  controvertidos  entre  o  recurso  voluntário  e  a  decisão  proferida  pela  DRJ,  não  há  qualquer  objeto  a  ser  analisado.  Recurso voluntário não conhecido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer  o  recurso  voluntário,  em  face  de  ausência  de  pontos  controvertidos  entre  a  peça  recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos  termos do  relatório e do voto que integram o presente julgado.  José Henrique Mauri ­ Presidente.   Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora.  Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique  Mauri  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões, Valcir Gassen,  Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos  da Costa Cavalcanti  Filho,  Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.  Relatório  Adoto o relatório da decisão de piso, por bem descrever os fatos:       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 14 /2 01 0- 39 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 501          2 Trata­se  de  compensação  de  direito  creditório  reconhecido  judicialmente  nos  autos da ação ordinária nº 96.00087342, distribuída em 10/04/1996, junto à Seção  Judiciária  de Minas  Gerais,  por  meio  da  qual  a  Autora  buscou  a  declaração  de  inconstitucionalidade  dos  Decretos­leis  2445/88  e  2449/88  requerendo,  ainda,  a  compensação  dos  valores  recolhidos  indevidamente  a  este  título  com  parcelas  vincendas da mesma contribuição.  A  decisão  de  primeira  instância  acolheu  o  pedido  para  declarar  o  direito  da  Autora compensar os pagamentos de PIS efetuados com base nos Decretos­Leis até  a vigência da Medida Provisória n° 1.212/95,  com parcelas vincendas da própria  exação.  Foi  reconhecida,  também,  a  aplicação  da  correção  monetária  com  a  utilização dos índices do IPC por refletirem os expurgos inflacionários quanto aos  meses de  janeiro/89, março/abril/maio/90 e  fevereiro/91 e,  a partir de 01.01.96,  a  aplicação da Taxa SELIC.  O  TRF  da  1ª  Região  reformou  parcialmente  a  decisão  monocrática,  dando  parcial  provimento  à  apelação  da  Fazenda  Nacional,  para  excluir  da  sentença  a  condenação em expurgo inflacionário referente a fevereiro/91, incidindo nesse mês  o INPC, em vez do IPC.  A remessa oficial foi julgada prejudicada.  A ação transitou em julgado em 10/02/2004.  O crédito  reconhecido  judicialmente  foi habilitado conforme Parecer Sacat, de  16  de  maio  de  2005  (cópia,  fls.  190/191),  expedido  nos  autos  do  processo  administrativo nº 13601.000104/2005­18.  Posteriormente foram transmitidas as declarações de compensação relacionadas  nas fls. 02/04 do presente processo.  Mediante DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON Nº 599, de 11 de maio de 2010  (fls. 278/290), a autoridade administrativa jurisdicionante procedeu à valoração do  direito  creditório  no  montante  de  R$  591.448,02,  atualizado  até  06/2005.  Em  sequência,  concluiu  por  homologar  parcialmente  as  compensações  realizadas,  argumentando  que  o  contribuinte  extrapolara  os  termos  da  decisão  transitada  em  julgado  a  qual,  segundo  seu  entendimento,  autoriza  somente  a  compensação  dos  créditos PIS com débitos da própria contribuição.  Na esteira desse raciocínio, a autoridade administrativa entendeu por bem exigir  os saldos devedores decorrentes da compensação não homologada.  Cientificada  da  decisão  em  17/05/2010  (fl.  297),  a Recorrente  apresentou,  em  16/06/2010,  a  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  341/344  alegando,  em  síntese, que:  • A decisão judicial, transitada em julgado em 14/12/2004 lhe garantiu o direito  à compensação do PIS pago com base nos DL 2445/88 e 2449/88 até a vigência da  MP 1212/95.  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 502          3 •  A  decisão  passada  em  julgado  lhe  assegura  a  aplicação  dos  expurgos  inflacionários.  • Seus  cálculos  estão de  acordo com os  critérios definidos na decisão passada  em  julgado, quais  sejam:  IPC Acumulado de Fev/91 a Jan/92, Variação da UFIR  até 31/12/1994 e, após esta data, SELIC, pois, “é a partir desta data que a Receita  Federal atualiza seus débitos fiscais”.  •  Os  cálculos  da  RFB  não  traduzem  o  que  dispõe  a  decisão  judicial  e  não  incorporam a SELIC a partir de 01/01/1995.  •  A  SELIC  Acumulada  utilizada  nos  cálculos  da  RFB,  no  percentual  de  189,69%, não corresponde ao acumulado de Janeiro/1995 a Junho/2005 cujo valor  correto é de 224,77%.  • A Receita Federal  deve  aplicar  ao  contribuinte o mesmo percentual de  juros  que cobra quando existe um pagamento em atraso, onde o que se apresenta é muito  inferior.  •  A  compensação  foi  efetuada  conforme  o  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  com  quaisquer tributos administrados pela RFB.  • Quando do ajuizamento da ação nº 96.00087342 não estava em vigor a Lei nº  9.430/96 e a referida lei se sobrepõe a qualquer decisão.  •  O  valor  de  seu  direito  creditório  é  de  R$  852.900,54,  conforme  planilha  acostada.  Por  fim,  pede  que  seja  homologada  toda  a  compensação  realizada,  com  a  consequente extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inc. II do código  Tributário Nacional.    A  1ª  Turma  da  DRJ/BHE,  acórdão  n°  0243.518,  acolheu  em  parte  a  impugnação da empresa, com decisão assim ementada:    COMPENSAÇÃO.  AÇÃO  JUDICIAL.  SUPERVENIÊNCIA  DE LEGISLAÇÃO MAIS FAVORÁVEL.  Os  créditos  relativos  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  reconhecidos  por  sentença  judicial  transitada  em  julgado  que tenha permitido apenas a compensação com débitos de  tributos  da mesma  espécie  poderão  ser  compensados  com  débitos  próprios,  relativos  a  quaisquer  tributos  administrados pela RFB, se a legislação vigente quando do  trânsito  em  julgado não  tiver  sido  fundamento da decisão  judicial mais restritiva.  COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. A  decisão  transitada  em  julgado  produz  efeitos  nos  estritos  termos  em  que  foi  passada,  sendo  passíveis  de  Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 503          4 compensação, até o limite do direito creditório, os créditos  comprovadamente  existentes,  devendo  estes  gozar  de  liquidez e certeza.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte    A comando veiculado pela DRJ compreendeu:  1)  Determinar  que  a  DRF  de  origem  refizesse  os  cálculos  de  apuração  do  crédito  referente  ao  PIS,  observando  estritamente  os  critérios  de  atualização  monetária  explicitados na decisão judicial passada em julgado, reconhecendo­se eventual diferença, caso  fosse apurado direito creditório maior do que o já reconhecido.  2)  Determinar  que  DRF  de  origem  operacionalizasse  a  homologação  das  compensações com débitos de outros  tributos/contribuições administrados pela RFB além do  PIS, até o limite do crédito reconhecido.  A  manifestação  do  contribuinte,  nas  e­fls.  481­492,  foi  recebida  pela  Delegacia  de  origem  como  recurso  voluntário,  encaminhando  autos  ao  CARF.  Nessa  oportunidade, a Recorrente consignou:    a)  Apresenta  à  DRF  de  origem  os  novos  cálculos  efetuados  com  base  na  decisão  transitada  em  julgado,  conforme  quando  apresentado  no  acórdão,  bem  como  dos  valores  passíveis  de  compensação  e  os  impostos/contribuições que pelo novo valor não foram possíveis compensar.  b)  Solicita a homologação dos referidos cálculos, bem como compensação dos  débitos  ali  apresentados  e  ainda,  que  seja  lançada  em  conta  corrente  para  posterior  quitação  dos  débitos  grafados  na  planilha  de  “Valores  não  compensados, a saldar”. A planilha segue nas e­fls. 483­492.       É o relatório.      Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro  O  recurso voluntário é  tempestivo, mas não deve ser conhecido em face de  ausência de pontos controvertidos entre a peça e a decisão proferida pela DRJ.  Explico.   A decisão de piso  tratou de dois pontos: valor do direito creditório apurado  pela DRF/Contagem e o alcance da coisa julgada, no que diz respeito aos débitos passíveis de  compensação.  Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 504          5 Quanto  ao  primeiro  ponto,  valor  do  direito  creditório  apurado  pela  DRF/Contagem,  a  DRJ  se manifestou  contrária  à  não  homologação  das  compensações  com  outros débitos que não o PIS.  Isso porque a Ação n° 96.00.087342 foi distribuída junto à 18ª Vara Federal  da  Seção  Judiciária  de  Minas  Gerais  em  09/04/1996,  data  anterior  à  vigência  da  Lei  nº  9.430/1996.  Logo,  era  vigente  à  época  do  ajuizamento,  a  Lei  nº  8.383/91  que  a  autorizava,  apenas, a compensação entre tributos da mesma espécie (art. 66).  A DRJ verificou que no acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região houve o  reconhecimento do direito à compensação de PIS com PIS apenas. Ao fim, acertadamente, a  DRJ entendeu pela aplicação do art. 74, da Lei n° 9.430/1996.  Ressalte­se que, no  âmbito  administrativo, há entendimento  consolidado  no  sentido  de  que  os  créditos  relativos  a  tributos  administrados  pela  RFB,  reconhecidos  por  sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos  de  tributos  da  mesma  espécie,  podem  ser  compensados  com  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos administrados, quando a  legislação vigente na data do  trânsito em  julgado  não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.     Por  conseguinte,  se  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado  não  tiver  sido  proferida  com  base  na  legislação  posterior,  esta  poderá  ser  aplicada,  possibilitando  o  contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. É o caso dos autos.    Nesse sentido, as manifestações da COSIT:    Solução de Divergência COSIT nº 2, de 22 de setembro de 2010  DOU 11/11/2010.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   EMENTA:  COMPENSAÇÃO.  DECISÃO  JUDICIAL  TRANSITADA  EM  JULGADO  APÓS  LEI  Nº 10.637,  de  2002,  RESTRITIVA  A  TRIBUTO  DE  MESMA  ESPÉCIE.  POSSIBILIDADE  DE  COMPENSAÇÃO  COM  OUTROS  TRIBUTOS  ADMINISTRADOS  PELA  SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL.  Os  créditos  relativos  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  reconhecidos por sentença  judicial  transitada em  julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos  de  tributos  da  mesma  espécie,  ou  ainda,  que  tenha  permitido  apenas a  repetição  do  indébito,  poderão  ser  compensados  com  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  administrados  pela  RFB  (a)  se  houver  legislação  superveniente  que  assegure  igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação  vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento  da decisão judicial mais restritiva.   DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Caput  e  §  1º do  art.  74  da  Lei  nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de  27  de  dezembro  de  1996,  com a  redação  dada  pelo  art.  49  da  Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 505          6 MP nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637,  de 30 de dezembro 2002.  Solução de Consulta COSIT nº 382, de 26 de dezembro de 2014  DOU 03/03/2015  ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA   EMENTA:  COMPENSAÇÃO.  DECISÃO  JUDICIAL  TRANSITADA  EM  JULGADO  APÓS  LEI  Nº 10.637,  de  2002;  POSSIBILIDADE  DE  COMPENSAÇÃO  COM  OUTROS  TRIBUTOS  ADMINISTRADOS  PELA  SECRETARIA  DA  RECEITA FEDERAL DO BRASIL.   Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  reconhecidos  por  sentença  judicial  transitada  em  julgado  que  tenha  permitido  apenas  a  compensação com débitos de  tributos da mesma espécie podem  ser  compensados  com  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  administrados  pela  RFB  —  exceção  feita  às  contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática  do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente  ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais  contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do  trânsito  em  julgado  não  tiver  sido  fundamento  da  decisão  judicial mais restritiva.   DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts.  168 a 170,  e art.  174,  I,  da Lei nº 5.172, de 1966  (CTN); arts.  460 e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973  (CPC); art. 66 da Lei nº  8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei  nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº66,  de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82  da  IN  RFB  nº 1.300,  de  2012;  Parecer  Normativo  Cosit/RFB  nº 11, de 2014.    Ademais,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  no  acordão  nº  9303­ 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Pôssas, manifestou­se no mesmo sentido:    CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002   AÇÃO  JUDICIAL.  COISA  JULGADA.  RELATIVIZAÇÃO.  É  permitida  a  compensação  do  PIS  com  outros  tributos  administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se  apenas  permitido  a  compensação  de  Cofins  com  parcelas  da  própria Cofins.   Recurso Especial do Contribuinte Provido.       Em  suma,  os  créditos  relativos  a  tributos  administrados  pela  RFB,  reconhecidos  por  sentença  judicial  transitada  em  julgado  que  tenha  permitido  apenas  a  Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 506          7 compensação  com  débitos  de  tributos  da  mesma  espécie,  podem  ser  compensados  com  débitos próprios relativos a quaisquer tributos (com exceção das contribuições previdenciárias  e  tributos  apurados  na  sistemática  do  Simples Nacional),  diante  da  legislação  superveniente  mais benéfica que não tenha sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.    Toda essa digressão foi feita para ressaltar o acerto da decisão da DRJ, o  que não foi contestado na peça, recebida pela DRF como “recurso voluntário”.      Cálculo do direito creditório do contribuinte    Quanto ao segundo ponto, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os  valores  recolhidos  indevidamente  a  título  de  PIS  de  acordo  com  os  Decretos­Leis  inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70.   A DRJ verificou que nem todos os índices utilizados pela RFB na atualização  dos créditos estavam de acordo com os critérios de atualização definidos na decisão judicial.  O comando judicial dispôs:    A sentença determinou a aplicação da correção monetária com a  utilização  dos  índices  do  IPC  que  refletem  os  expurgos  inflacionários  quanto  aos  meses  de  janeiro/89,  março/abril/maio/90  e  fevereiro/91,  em  conformidade  com  precedente  indicado  à  fl.  279  (AC  n°  2000.01.00.0510751/MG,  Rel.  Desembargador  Federal  Hilton  Queiroz,  DJU  de  22.09.2000), devendo, a partir de 01.01.96, ser aplicada a Taxa  SELIC, não como juros de mora. Saliente­se que, em embargos  de declaração opostos contra o acórdão proferido nos autos do  processo indicado, houve a reforma da decisão para excluir da  condenação  os  juros  moratórios,  entendidos  como  incabíveis  quando  o  pedido  é  de  compensação  de  tributos  lançados  por  homologação, vez que o procedimento depende, exclusivamente,  da iniciativa do contribuinte.  Com  efeito,  afigura­se­me  que  a  repetição  de  indébito  é,  em  tudo,  semelhante  a  uma  ação  indenizatória,  pois  o  pedido  decorre de cobrança ilícita de tributo pelo Fisco. Assim sendo, a  reparação  deve  ser  completa,  e,  para  tanto,  a  correção  monetária deve ser plena, não sujeita a expurgos.  Tenho  que  o  índice  que  melhor  reflete  a  desvalorização  da  moeda no período de  janeiro/89 a  janeiro/91 é o  IPC. Tendo a  apelante  se  irresignado  contra  a  condenação  em  expurgos  inflacionários,  tenho  deve  ser  mantida  a  sentença  no  capitulo  que determinou a aplicação do IPC, no que se refere aos meses  de  janeiro/89,  março/abril  e  maio/90,  merecendo,  contudo,  acolhida, a apelação, apenas no tocante ao mês de fevereiro/91,  tendo em vista que  se  firmou a  jurisprudência do STJ3 e desta  Corte  no  sentido  de  que,  nesse  mês,  a  correção  deve  ser  feita  pelo INPC.    Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 507          8 Ao passo que o Despacho Decisório DRF/CON nº 599 afirmou obediência às  regras de correção definidas na Norma de Execução Cosit/Cosar nº 08/97:  “adaptada aos expurgos inflacionários definidos na sentença, a  qual  contempla  os  índices  de  correção monetária  previstos  até  31.12.91;  a  variação  da  UFIR  ocorrida  entre  01.01.92  a  31.12.95;  e  ainda  a  SELIC  acumulada  a  partir  de  01/96  até  a  data da Dcomp, sendo 1% no mês do encontro de contas”.    O quadro a seguir, elaborado pelo voto condutor, mostra a divergência na aplicação  de índices:        Logo,  a  conclusão  da  DRJ  foi  no  sentido  de  refazimento  dos  cálculos  de  apuração  do  crédito  referente  ao  PIS,  observando  estritamente  os  critérios  de  atualização  monetária  explicitados  na  decisão  judicial,  reconhecendo­se  o  eventual  direito  creditório  a  maior do que o já reconhecido.  Por  essa  razão,  o  contribuinte  apresentou  a  planilha  de  e­fls.  483­492,  que  está  sujeita  a  conferência  e  confirmação  da  exatidão  pela  DRF  de  Origem,  na  execução  deste  acórdão.  Ao  apresentar  essa  planilha,  o  contribuinte  expressamente  concordou com o decidido pela DRJ.  Mais  uma  vez,  não  há  pontos  controvertidos  entre  a  peça  do  recurso  e  a  decisão da DRJ.    Conclusão    Pelo  exposto,  voto  por  não  conhecer  o  recurso  voluntário,  em  face  de  ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e  a decisão proferida pela DRJ.  (assinado digitalmente)  Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13603.720214/2010­39  Acórdão n.º 3301­004.233  S3­C3T1  Fl. 508          9 Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                                Fl. 508DF CARF MF

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Numero do processo: 13819.900874/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado com certificado digital) Jorge Lock Olmiro Freire - Presidente. (assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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3402­001.306  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  21 de março de 2018  Assunto  OPÇÃO SIMPLES. RESSARCIMENTO IPI.  Recorrente  ELEVADORES OTIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.    (assinado com certificado digital)  Jorge Lock Olmiro Freire ­ Presidente.     (assinado com certificado digital)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Lock  Olmiro  Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais  De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto  Daniel Neto.  Relatório  Trata­se de pedido de compensação de débitos com créditos de ressarcimento do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  do  1º  trimestre  de  2006,  declarado  no     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 00 87 4/ 20 10 -7 6 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13819.900874/2010­76  Resolução nº  3402­001.306  S3­C4T2  Fl. 958          2 PERDCOMP n° 29428.71173.100506.1.3.01­4405. Parte do crédito não foi reconhecido pelos  motivos indicados nos seguintes termos no despacho decisório:    "­  Constatação  de  que  o  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  é  inferior  ao  valor  pleiteado  ­ Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal." (e­ fl. 460)    Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de  Inconformidade,  julgada  parcialmente procedente pelo Acórdão n.º 10­53.739 da 3ª Turma da DRJ/POA, ementado nos  seguintes termos:    "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006   PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.  Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos  proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  MATÉRIAS­PRIMAS,  PRODUTOS  INTERMEDIÁRIOS  E  MATERIAIS  DE  EMBALAGEM  ADQUIRIDOS  DE  EMPRESA  OPTANTE  PELO  SIMPLES.  Não  geram  direito  a  créditos  as  aquisições  de MP, PI  e ME  adquiridos  de  empresa  optante pelo SIMPLES.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido  em Parte" (e­fl. 921)    Intimada desta decisão em 28/03/2016 (e­fl. 928), a empresa apresentou Recurso  Voluntário em 26/04/2016 (e­fls. 929/935) alegando, em síntese, a validade do crédito de IPI  que  teria  sido  indevidamente  glosado,  vez  que  nenhuma  nota  fiscal  emitida  por  seus  fornecedores listados no PER/DCOMP apontavam qual seria o regime fiscal­tributário por eles  adotado,  sendo que  a  consulta  ao  site  da Receita Federal  confirmou que nenhum deles  seria  optante do SIMPLES no período de apuração do pedido (01/2006 a 03/2006). Salienta ainda  que quase a totalidade das notas fiscais traz o destaque do IPI.  Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho.  É o relatório.  Resolução  Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne.  O Recurso Voluntário é  tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, entendo  que o processo não se encontra em condição para julgamento.  A  inconformidade  da Recorrente  se  restringe  à  glosa  de  créditos  considerados  indevidos por se referirem à aquisição de empresas enquadradas no SIMPLES (irregularidade  7). As notas fiscais objeto da glosa foram relacionadas na planilha às e­fls. 463/467.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  Recorrente  trouxe  informação  obtida  no  site  na  Receita  Federal  confirmando  que  as  empresas  relacionadas  na  referida  Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13819.900874/2010­76  Resolução nº  3402­001.306  S3­C4T2  Fl. 959          3 planilha não seriam optantes do SIMPLES no período em que as notas fiscais foram emitidas,  qual seja, janeiro/2006 a março/2006 (e­fls. 507/524).  A  título  de  exemplo,  apenas  para melhor  visualizar  a  informação  trazida  pela  Recorrente,  vejamos  o  que  consta  quanto  a  fornecedora  DEBORA  AKEMI  YAMASHITA  UEMURA  ­  EPP  (CNPJ  05.095.352/0001­91).  Conforme  tela  de  Consulta  do  Simples  da  Receita  Federal,  trazida  pela  Recorrente,  essa  empresa  seria  "NÃO  optante  pelo  Simples  Nacional"  (e­fls.  507/508),  informação  que  pode  ser  atualizada  no  site  da  Receita  (http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/aplicacoes.aspx?id=21):  ü e­fl. 508: tela anexada pela Recorrente da consulta da opção pelo SIMPLES:    ü Tela obtida em consulta ao sistema do SIMPLES (em 28/12/2017):    Contudo, essa informação não foi enfrentada pela decisão recorrida. Com efeito,  atentando­se por sua vez para as razões da decisão recorrida, observa­se que o I. Julgador não  Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13819.900874/2010­76  Resolução nº  3402­001.306  S3­C4T2  Fl. 960          4 analisou  esses  documentos,  afirmando  que  somente  uma  das  empresas  identificadas  teria  apresentado a DIPJ com a opção pelo  lucro presumido (o que ensejou no reconhecimento da  validade  do  crédito),  sendo  que  as  demais  teriam  apresentado  a  DIPJ  com  a  opção  pelo  SIMPLES1. As telas foram anexadas aos presentes autos em arquivo não paginável.  Vejamos  a  título  de  exemplo  a  informação  da  referida  fornecedora DEBORA  AKEMI:    Contudo,  conforme  se  depreende  da  disciplina  normativa  vigente  à  época  da  emissão  da  DIPJ  2007,  no  art.  1º,  §2º  da  Instrução  Normativa  n.º  696/2006,  as  empresas  optantes pelo SIMPLES não eram obrigadas a entregar a DIPJ 2007, obrigação esta que atingia  apenas as empresas que foram excluídas deste regime:    "Art.  1ºAs  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado, bem como as imunes ou isentas do Imposto de Renda, deverão apresentar a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  relativa  ao  exercício de 2007 (DIPJ 2007), conforme disposto nesta Instrução Normativa.  (...)  §  2ºO  programa  de  que  trata  o  §  1ºdeverá  ser  utilizado,  também,  pelas  pessoas  jurídicas referidas no caput que forem:  I  ­  extintas,  cindidas  parcialmente,  cindidas  totalmente,  fusionadas  ou  incorporadas  durante o ano­calendário de 2007;  II  ­ excluídas do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples)  no  ano­calendário  de  2006, em relação ao período posterior à exclusão." (grifei)    Isso  porque  as  pessoas  jurídicas  optantes  pelo  SIMPLES  deveriam  apresentar  não  a  DIPJ,  mas  sim  a  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  (DSPJ),  na  forma  da  Instrução Normativa n.º 692/2007:    "Art. 1º Aprovar o programa gerador e as instruções de preenchimento da Declaração  Simplificada da Pessoa Jurídica ­ Simples 2007, a ser apresentada, obrigatoriamente,  pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples),  relativa ao ano­calendário de 2006, exercício de 2007."  Assim, a  informação  trazida na decisão recorrida não é contundente quanto ao  enquadramento das empresas no SIMPLES, vez que se as empresas apresentaram DIPJ 2007,                                                              1 "Por bem solucionar o litígio, realizou­se consulta ao sistema IRPJ relativa aos estabelecimentos emitentes em  questão, cujas telas são anexadas à este voto, revelando que apenas o estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº  01.716.725/0001­43,  à  época  dos  fatos,  apresentou Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica – DIPJ, sob o regime do Lucro Presumido, e que os demais apresentaram suas DIPJ sob o regime do  SIMPLES. (...)" (e­fl. 924)  Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13819.900874/2010­76  Resolução nº  3402­001.306  S3­C4T2  Fl. 961          5 há  a  possibilidade  de  elas  não  serem  enquadradas  no  SIMPLES,  sendo  necessário  que  elas  tivessem apresentado a DSPJ 2007.   Sob  esta  perspectiva  e  considerando  as  informações  constantes  dos  presentes  autos, ainda remanesce dúvida quanto à possibilidade da Recorrente ter conhecimento da opção  das empresas fornecedoras no regime do SIMPLES ou mesmo se essas empresas teriam optado  por esse regime no ano de 2006.   Diante  desta  dúvida,  proponho  a  conversão  do  presente  julgamento  em  diligência para que a autoridade fiscal de origem:  (i)  elabore  uma  planilha  relacionando  todos  os  fornecedores  da  Recorrente  objeto  das  glosas  identificadas  na  Planilha  1  do  Despacho  Decisório  ­  e­fls.  463/467  (cuja  glosa  permanece  em  discussão  após  a  decisão  de  1ª  instância),  identificados  por  nome  e CNPJ. Nesta  planilha  informar  se  as  empresas  eram  optantes  pelo  SIMPLES  no  período  de  janeiro/2006  a  março/2006.  Caso  positivo,  anexar  aos  autos  os  documentos  comprobatórios  da  opção,  dentre os  quais a tela que comprove a entrega pela empresa da DSPJ 2007.  (ii)  na  hipótese  de  se  confirmar  a  opção  pelo  SIMPLES  de  quaisquer  das  empresas fornecedoras da Recorrente, informar em um relatório, para cada uma  delas:  (ii.1)  se  pelas  informações  publicadas  pela Receita  Federal  era  possível  que  a  Recorrente verificasse a opção da empresa no SIMPLES. Neste ponto, informar  qual  a  base  de  dados  pública  considerada  para  consulta  do  período  de  janeiro/2006 a março/2006; e  (ii.2) se nas notas  fiscais emitidas pela empresa (relacionadas na Planilha 1 do  Despacho  Decisório  ­  e­fls.  463/467)  constava  a  informação  da  opção  pelo  SIMPLES  e  o  destaque  do  IPI.  Para  este  ponto,  elaborar  uma  planilha  relacionando  as  notas  fiscais  que  não  trazem  a  informação  de  opção  pelo  SIMPLES  e  as  que não  trazem destaque  do  IPI,  considerando  as  notas  fiscais  constantes dos presentes autos (e­fls. 525/918) ou intimando a Recorrente para  apresentar notas fiscais que não estejam acostadas aos autos.  Com  a  conclusão  da  diligência,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  do  seu  resultado para manifestação, se assim desejar, em 30 (trinta) dias.  Em seguida, os autos deverão retornar para este Conselho para julgamento.  É como voto a presente Resolução.  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora  Fl. 961DF CARF MF

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7209729 #
Numero do processo: 11040.721984/2016-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.RECIBOS. É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma.
Numero da decisão: 2002-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO

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2002­000.018  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  28 de fevereiro de 2018  Matéria  IRPF ­ DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  VOLNI RABASSA DA SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2012  DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.RECIBOS.   É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados  exigidos pela norma.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento  ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial.   (ASSINADO DIGITALMENTE)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente  (ASSINADO DIGITALMENTE)  Fábia Marcília Ferreira Campêlo ­ Relatora    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília  Ferreira Campêlo.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 84 /2 01 6- 81 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11040.721984/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.018  S2­C0T2  Fl. 190          2 Relatório  Lançamento  Trata­se de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física. De  acordo com o relato da fiscalização, o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual  dedução  de  valores  a  título  de  despesas médicas.  Tais  valores  foram  glosados,  em  razão  de  terem  sido  apresentados  recibos  sem  carimbo  do  profissional,  assinatura,  endereço,  data,  inscrição no conselho de classe, entre outros, além de ter apresentado recibo de 2011 (fls. 53 a  57).  A  glosa  do  valor  de  R$  16.300,00  implicou  em  lançamento  de  imposto  suplementar de R$ 4.482,50 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizou  o valor de R$ 9.619,44.   Tempestividade da impugnação  O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou  ciência do lançamento no dia 11/10/2016 (fl. 58) e protocolou sua peça no dia 07/11/2016 (fl. 2  e 3), verifica­se que a impugnação é tempestiva.  Impugnação  Em sua impugnação (fl. 2 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que:  ­ questiona as despesas  lançadas para as quais alega apresentar documentos  com os requisitos legais;  ­ o art. 80 do Decreto 3.000/99 dispõe que as despesas médicas são dedutíveis  do IRPF desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea;  ­  havendo  indícios  de  irregularidades  na  dedução  de  tais  despesas  deve  a  autoridade fiscal diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do ilícito tributário;  ­ os próprios profissionais de saúde  ratificaram, por declaração, os  serviços  prestados ao contribuinte, o que permite à Receita Federal a  fiscalização do recolhimento do  imposto de renda sobre os honorários recebidos;  ­ as despesas médicas foram apresentadas pelo contribuinte à Receita Federal,  revestindo­se de idoneidade suficiente e valor probatório hábil a permitir a dedução dos valores  do imposto de renda;  ­  para  afastar  a  presunção  de  boa­fé,  é  necessário  que  o  Fisco  comprove  a  existência  de  fraude,  demonstrando  ser  indevida  a  dedução  das  despesas médicas  realizadas  pelo contribuinte.                                                                1 Art. 15 do Decreto 70.235/72  Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11040.721984/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.018  S2­C0T2  Fl. 191          3 Documentos impugnação  Após a impugnação constam os seguinte documentos:  ­ documento de identidade do sujeito passivo (fl. 5);  ­ procuração (fl. 6);  ­ documento de identidade da procuradora (fl. 7);  ­ cópia da notificação de lançamento (fl. 8 e ss);  ­ recibos (fl. 14 a 34);  ­ certidões negativas (fl. 35, 36, 38 e 41);  ­ dados do dentista (fl. 37);  ­ print telas com dados de profissionais de saúde (fl. 39, 40 e 42).  Decisão de 1ª instância  A Delegacia da Receita Federal de  Julgamento  (DRJ)  julgou a  impugnação  improcedente,  mantendo  o  crédito  tributário  (fls.  95  a  99),  porque  a  dedução  de  despesas  médicas  está  sujeita  à  comprovação  à  critério  da  autoridade  lançadora  e  a  comprovação  compreende  o  pagamento  do  serviço médico  a  ser  feito  nos moldes  do  art.  80,  §  1º,  III  do  Decreto 3.000/99. Verificou­se que os recibos apresentados não atendem os requisitos  legais.  No mais, o contribuinte não juntou as declarações emitidas pelos profissionais como alega.  Tempestividade do recurso voluntário  O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou  ciência do  acórdão de  impugnação no dia 11/08/2017  (fl.  103)  e protocolou  sua peça no dia  11/09/2017 (fl. 104), verifica­se que o recurso voluntário é tempestivo.  Recurso Voluntário  Em seu recurso voluntário (fl. 106 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que:  ­  a  ausência  de  endereço  e/ou  carimbo  do  profissional  responsável  pela  emissão  do  recibo  médico/dentista/psicólogo  pode  ser  suprida  de  ofício,  por  meio  das  informações existentes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil;  ­ acosta todos os recibos contendo os endereços dos profissionais;  ­  a  ausência  do  endereço  por  si  só  não  acarreta  glosa  da  dedução,  pois  o  contribuinte poderá utilizar outros meios de prova, afastando assim a glosa;  ­ não existem modelos específicos para tais documentações, bastando que o  contribuinte demonstre por qualquer meio idôneo os gastos em que incorreu, mesmo que não  sejam atendidas todas as especificações solicitadas pela Receita Federal;                                                              2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11040.721984/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.018  S2­C0T2  Fl. 192          4 ­  todos  os  documentos  apresentados  pelo  recorrente  constam  os  CPF,  os  registros profissional, os valores, a descrição das despesas e estão assinados pelos profissionais  que  prestaram  os  serviços,  portanto,  resta  comprovado  o  pagamento  realizado  com  gastos  médicos, dentistas e psicólogos;  ­ ainda que os recibos não contenham todas as  informações, os documentos  juntados pelo recorrente não podem ser desconsiderados por pequenos erros formais, que não  maculam a idoneidade da documentação. A mera falta do endereço ou carimbo do profissional  não tem condão de impossibilitar o seu uso como documentação hábil a ensejar a dedução dos  gastos com saúde da base de cálculo do IRPF;  ­ a autoridade administrativa poderá agir de ofício para suprir a ausência do  endereço  do  prestador  de  serviço,  nos  recibos  apresentados  pelos  contribuintes  com  a  finalidade  de  serem  deduzidas  suas  despesas  médicas/psicólogas/dentistas,  cabendo  a  ela  o  julgamento a respeito das informações apresentadas pelos contribuintes, contidas nos sistemas  da RFB;  Por  fim,  requer  o  acolhimento  do  recurso  para  o  cancelamento  do  débito  fiscal reclamado.  Documentos recurso voluntário  Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos:  ­ documento de identidade do sujeito passivo (fl. 109);  ­ recibos (fl. 111 a 174);  ­ cópia demonstrativo de débito (fl. 175);  ­ cópia acórdão DRJ (fl. 177 e ss);  ­ cópia DARF (fl. 183);  ­ cópia intimação acórdão (fl. 184);  Voto             Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo ­ Relatora  Admissibilidade  O  recurso  preenche  os  pressupostos  de  admissibilidade  no  que  tange  à  representação  processual  (fl.  108)  e  tempestividade,  conforme  acima  demonstrado,  portanto  dele conheço.        Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11040.721984/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.018  S2­C0T2  Fl. 193          5 Do mérito  O ônus de provar que tem direito às deduções de imposto que lhe beneficiam  é do contribuinte e não do Fisco.  O  art.  80,  §  1º,  III  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR/1999,  aprovado pelo Decreto 3.000/99 determina que:  Art. 80. Na declaração de rendimento poderão ser deduzidos os  pagamentos efetuados, no ano­calendário, a médicos, dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentária  (Lei  9.250,  de  1995,  art.  8º,  inciso II, alínea "a").  § 1º O disposto neste artigo (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º)  (...)  III  ­  limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas  ­ CPF  ou  no Cadastro Nacional  da Pessoa  Jurídica  ­  CNPJ  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento.  Assim,  somente  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  cujos  comprovantes  contenham todos os dados exigidos pela norma.   No mais, o art. 73 do mesmo diploma dispõe que:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  à  comprovação  ou  justificação, a juízo da autoridade lançadora.  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte.  Diante  das  normas  supracitadas,  verifica­se  que  apesar  da  legislação  estabelecer a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas (art.  80, § 1º, III, RIR/99), a norma não restringe a ação fiscal apenas a esse exame.  De  acordo  com  a  fiscalização,  os  recibos  apresentados  contém  inúmeras  falhas. O  contribuinte  em  seu  recurso  voluntário  admite  a  existência  dessas  falhas,  tentando  apenas transferir ao Fisco o ônus de supri­las ou tornar tais falhas sem importância. Contudo,  os  recibos  devem  obedecer  os  requisitos  exigidos  pela  norma,  não  havendo  espaço  para  dispensa  de  tais  exigências.  Assim,  como  os  recibos  apresentados  pelo  sujeito  passivo  não  preenchem tais requisitos, as deduções não poderiam ter sido feitas.      Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11040.721984/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.018  S2­C0T2  Fl. 194          6   Conclusão  Diante do exposto, é cabível a glosa de despesas médicas cujos  recibos não  contenham os dados exigidos pela norma.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  voluntário,  para,  no  mérito, negar­lhe provimento, mantendo o crédito tributário.  (ASSINADO DIGITALMENTE)  Fábia Marcília Ferreira Campêlo                                Fl. 194DF CARF MF

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Numero do processo: 10930.003521/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não cabe a aplicação de multa de ofício quando o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa à época do início de qualquer procedimento fiscalizatório, em razão da inocorrência de descumprimento de dever de pagar o tributo. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5. Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula nº 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3402-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO

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camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não cabe a aplicação de multa de ofício quando o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa à época do início de qualquer procedimento fiscalizatório, em razão da inocorrência de descumprimento de dever de pagar o tributo. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5. Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula nº 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.003521/2002­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­004.888  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  31 de janeiro de 2018  Matéria  PIS  Recorrente  Plaenge Engenharia Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997  MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.   Não  cabe  a  aplicação  de  multa  de  ofício  quando  o  crédito  tributário  se  encontra  com  a  exigibilidade  suspensa  à  época  do  início  de  qualquer  procedimento fiscalizatório, em razão da inocorrência de descumprimento de  dever de pagar o tributo.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DEPÓSITO  INTEGRAL.  MULTA  DE  OFÍCIO.  JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5.  Havendo,  na  data  da  lavratura  do  auto  de  infração,  depósito  integral,  suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a  multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula nº 5 do CARF, são devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito no montante integral.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  voluntário  para  dar  provimento  integral,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente substituto.   (assinado digitalmente)  Carlos Augusto Daniel Neto ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 35 21 /2 00 2- 41 Fl. 184DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Waldir  Navarro Bezerra  (Presidente  substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo  Deligne,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).    Relatório  Por bem relatar o feito, reproduzo abaixo trechos da decisão da DRJ:  1. Trata o presente processo do Auto de Infração n°0000597, as  fls.  06/10,  em  que  são  exigidos  R$  20.766,62  de  contribuição  para o Programa de Integração Social ­ PIS e R$ 15.574,97 de  multa  de  ofício,  essa  com  fundamento  no  art.  160  da  Lei  n°  5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­  CTN), art. 1° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art.  44, I e § 1°, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além  dos acréscimos legais.  2.  O  lançamento  fiscal  originou­se  de  Auditoria  Interna  nas  DCTEs  retificadoras  do  terceiro  ao  quarto  trimestres  de  1997,  em que  se  constatou, para  os  períodos  de apuração de  julho  a  dezembro  de  1997,  "FALTA  DE  RECOLHIMENTO  OU  PAGAMENTO  DO  4110  PRINCIPAL,  DECLARAÇÃO  INEXATA" (fl. 07),  tendo como enquadramento legal. arts. 1° e  3°,  "b", da Lei Complementar n° 7, de 7 de  setembro de 1970;  art. 83, 1II, da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1° da  Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 2°,  I e parágrafo  único, e arts. 3°, 5°, 6° e 8 0, I, da Medida Provisória n° 1.495­ 11, de 2 de outubro de 1996, e reedições; art. 2°, I e § 1°, e arts.  3  0,  5°,  6°  e  8°,  I,  da  Medida  Provisória  n°  1.546,  de  18  de  dezembro de 1996, e reedições; art. 2°, I e § 1°, e arts. 3°, 5°, 6°  e 8°, I, da Medida Provisória n° 1.623­27, de 12 de dezembro de  1997, e medições.  3.  Às  fls.  08/09,  no  "ANEXO  I  ­  DEMONSTRATIVO  DOS  CRÉDITOS  VINCULADOS  NÃO  CONFIRMADOS",  constam  valores  informados  nas  DCTFs,  a  título  de  "VALOR  DO  DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados,  informados como "Exigibilidade Suspensa", em face do Processo  n°  96.2011081­1,  não  foram  confirmados,  sob  a  ocorrência  "Proc  jud  de  outro  CNPJ".  À  fl.  10,  "DEMONSTRATIVO  DO  CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR".  4. Cientificada da exigência fiscal, por via postal, em 10/06/2002  (fl.  72),  a  interessada apresentou,  em 05/07/2002,  a  tempestiva  impugnação de fls. 01/02, acompanhada 41, dos documentos de  fls. 03 e 14/70, cujo teor é sintetizado a seguir.  5.  Inicialmente,  informa  que  ingressou  em  juízo,  por  meio  de  mandado  de  segurança  preventivo,  processado  sob  o  n°  96.2011081­1, na 2° Vara da Justiça Federal em Londrina/PR,  questionando  as  modificações  introduzidas  pela  Medida  Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, tendo efetuado  depósitos  judiciais  relativos  às  contribuições  informadas  nas  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10930.003521/2002­41  Acórdão n.º 3402­004.888  S3­C4T2  Fl. 3          3 DCTFs  em  questão,  que,  assim,  estavam  com  a  exigibilidade  suspensa.  6.  A  partir  disso,  entende  que  não  é  cabível  o  lançamento  de  juros  e  de  multa,  em  face  da  suspensão  de  exigibilidade  por  depósitos  judiciais, alegação que  ilustra com jurisprudência do  Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.  7. Requer, do exposto, o cancelamento da multa de ofício e dos  juros de mora e a suspensão do  lançamento até a decisão final  do processo judicial.  A  impugnação  da  Recorrente  foi  julgada  improcedente  pela  DRJ.  Cientificada em 14/01/04 a contribuinte interpôs em 12/02/04 recurso voluntário no qual alega  as  mesmas  razões  de  defesa  da  inicial.  A  contribuinte  não  efetuou  arrolamento  de  bens  ou  depósito recursal por entender que os depósitos judiciais efetuados no bojo da Ação Judicial n°  96.2011081­1  supririam  o  depósito  recursal,  como  confirmado  pela  DRF/Londrina  às  fls.  118/119.  O CARF não conheceu de seu Recurso Voluntário em razão da inexistência  do  depósito  recursal,  o  que  gerou  a  interposição  de  Recurso  Especial,  que  reformou  o  entendimento  da  antiga  turma  Quarta  Câmara  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  determinando que fosse analisado o mérito da questão.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo ser conhecido.  De pronto, deve­se firmar como inconteste o fato do contribuinte ter efetuado  judicialmente,  na  ação  96.2011081­1,  os  depósitos  integrais  dos  montantes  devidos  de  PIS,  como declarado pela Receita Federal em documento de fl. 119, cujo efeito legal é a suspensão  da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II do Código Tributário Nacional.  Diante disso, o motivo da autuação foi a ausência de recolhimento constatada  nas  DCTFs  do  3º  e  4º  trimestre  de  1997,  sob  fundamento  de  não  ter  sido  vinculada  a  informação  da  DCTF  com  o  efetivo  depósito  judicial  do  PIS,  referentes  aos  meses  de  competência  dos  trimestres  apontados,  como  se  verifica  nos  demonstrativos  de  fls.  23­24.  Senão vejamos:  Fl. 186DF CARF MF     4     Inclusive,  compulsando  as  DCTFs  apresentadas,  se  verifica  que  o  Contribuinte corretamente indicava os valores declarados de PIS como sujeitos à suspensão da  exigibilidade, em razão do depósito do montante integral, indicando o número do processo e a  conta de depósito:    Diante  disso,  há  que  se  ter  como  fora  de  dúvidas  que:  i)  o  Contribuinte  depositou o montante integral do PIS devido em conta judicial; ii) o depósito foi informado nas  DCTFs que constituíram os créditos tributários; iii) a própria RFB reconheceu a integralidade  dos depósitos, em documento presente nos autos.  Desse modo, tendo em vista que à época do lançamento tributário o débito se  encontrava com a exigibilidade suspensa, não há que se aplicar de maneira alguma a multa de  ofício,  em  vista  da  inocorrência  de  falta  de  pagamento,  exigida  pelo  art.  44,  I  da  Lei  nº  9.430/96, para que seja imputada tal sanção.  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10930.003521/2002­41  Acórdão n.º 3402­004.888  S3­C4T2  Fl. 4          5 Ressalte­se, aliás, que o próprio art. 63 da Lei 9430/96 determina que no caso  de lançamento para a prevenção da decadência, não se lance multa de ofício ­ o que seria uma  decorrência  lógica  da  própria  tipicidade  do  art.  44,  I,  em  vista  da  inocorrência  de  descumprimento de regra tributária que obrigue o pagamento por parte do Contribuinte.  Nesse sentido, inclusive, é a Súmula CARF nº 17, verbis:  Súmula CARF n°  17: Não  cabe  a  exigência  de multa  de  ofício  nos  lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando  a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do  art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes  do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.  Ademais, havendo depósito no montante integral,  também os  juros de mora  devem ser afastados, conforme entendimento assentado neste CARF, e plasmado na Súmula nº  5 do tribunal administrativo:  "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral."  Por fim, frise­se que o objeto do Recurso Voluntário cinge­se à discussão da  multa de ofício e juros de mora, não abrangendo o crédito tributário relativo ao PIS, objeto do  mandado de segurança preventivo.  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  PROVIMENTO  INTEGRAL  ao  Recurso  Voluntário, para afastar a multa de ofício e juros de mora do lançamento efetuado.  É como voto.  Carlos  Augusto  Daniel  Neto  ­  Relator                               Fl. 188DF CARF MF

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7168005 #
Numero do processo: 13925.000085/2008-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula CARF nº 22).
Numero da decisão: 1001-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula CARF nº 22).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 89          1 88  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13925.000085/2008­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.369  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  07 de fevereiro de 2018  Matéria  Simples Nacional  Recorrente  EMPRESA TRANS UNIAO DEZ DE MAIO LT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2008  PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO  DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE.  É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não  indique  as  pendências  da  empresa  junto  a Secretaria  da Receita Federal  do  Brasil,  limitando­se a consignar a existência de tais pendências  junto a esse  órgão da administração (Súmula CARF nº 22).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado Rodrigues.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 5. 00 00 85 /2 00 8- 10 Fl. 89DF CARF MF     2 Trata­se de Termo de  Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional  (e­fl.  47) para o ano calendário 2008,  tendo­se em vista a existência de débito com a Secretaria da  Receita Federal, com exigibilidade não suspensa, e atividade econômica vedada, nos termos da  Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de débitos:  Após  tomar  ciência  do  contido  do  Termo  de  Indeferimento  a  empresa  apresentou Manifestação de Inconformidade. A DRF em Cascavel/PR emitiu decisão (e­fl. 51),  de 15/07/2008, em que concluiu que o contribuinte retirou a atividade vedada de seu contrato  social, mas no tocante aos débitos existentes para com a Receita Federal do Brasil, "a simples  anexação  aos  autos  de  documentos  referentes  ao  parcelamento  (fls.  02/15),  não  é  suficiente  para comprovar a regularidade fiscal para efeitos de opção no Simples Nacional".  O  contribuinte  renovou  seu  recurso  (e­fl.  54),  e  a  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  73/75)  julgou  a manifestação  de  inconformidade  improcedente,  repetindo  os  fundamentos da Unidade de Origem (e­fl. 51) e adicionando que:  Ocorre,  porém,  que  a  simples  regularização  das  situações  impeditivas ao Simples Nacional não autoriza o contribuinte a se  beneficiar  automaticamente  do  regime  simplificado.  E  mister,  que  ingresse  novamente  com  o  pedido  de  inclusão  no  Simples  Nacional até o último dia útil de janeiro, nos  termos do art.7°,  §10 da Resolução CGSN 04/2007, renovando, desse modo, o seu  interesse de ingressar na sistemática simplificada de pagamento.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  19/01/2012  (e­fl.  86)  a  Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/02/2012 (e­fl. 77), em que aduz, em  resumo, que preencheu todos os requisitos para a adesão ao Simples Nacional.    Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Relator  O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço.  O Termo de  Indeferimento  (e­fl.  47) não  consigna com precisão os débitos  que o optante possuía sem exigibilidade suspensa.  Da análise dos autos, vê­se que a recorrente não foi devidamente informada  dos  débitos  que  possuía  ao  tempo  do  indeferimento  de  sua  opção,  tendo  sido  comunicada  apenas que se tratavam de débitos com a Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não  está suspensa, conforme consta no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional,  e­fl.47.   O Carf  já pacificou  entendimento de que o  ato  declaratório de  exclusão do  Simples que simplesmente consigna existência de débitos sem os indicar com precisão é nulo,  nos termos da Súmula CARF nº 22, verbis:" É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples  que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do  INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa."  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13925.000085/2008­10  Acórdão n.º 1001­000.369  S1­C0T1  Fl. 90          3 Tendo em vista que o Termo de  Indeferimento  incorre no mesmo defeito, e  demonstrado  que  tal  imprecisão  importou  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  sujeito  passivo, a ele deve ser estendido os efeitos decorrentes da Súmula nº22.  Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário.  (Assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa                                 Fl. 91DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.901063/2009-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

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3001­000.023  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma  Data  21 de fevereiro de 2018  Assunto  COFINS ­ DCOMP ELETRÔNICA ­ RECOLHIMENTO INDEVIDO  Recorrente  DROXTER INDÚSTRIA, COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem  analise os documentos acostados aos autos.  (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri,  Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.  RELATÓRIO  Dos fatos  Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  09­49.126,  da  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  /MG  ­ DRJ/JFA­ que, em sessão de  julgamento  realizada no dia 23.01.2014,  julgou  improcedente a  manifestação de inconformidade.  Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 154  a 158):  Trata  o  presente  processo  de  PER/DCOMP  nº  36354.69423.290109.1.3.04  2016,  com  crédito  proveniente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  relativo  ao  DARF  no  valor  de  R$  37.959,76, recolhido em 20/03/2007.  Após  análise  dos  elementos  constitutivos  do  crédito  pleiteado,  foi  emitido  Despacho  Decisório  eletrônico  que  não  homologou  a  compensação  declarada,  por  inexistência  de  crédito,  tendo  em  vista     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 01 06 3/ 20 09 -1 7 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.901063/2009­17  Resolução nº  3001­000.023  S3­C0T1  Fl. 229          2 que  o  pagamento  indicado  como  indevido  ou  a  maior  não  oferecia  saldo  disponível  para  compensação,  uma  vez  que  foi  integralmente  utilizado para quitação de débitos da contribuinte.  Regularmente  cientificada  do  Despacho  Decisório,  por  via  postal,  a  contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em  breve  síntese,  que  transmitiu  DCTF  retificadora  que  confirma  o  seu  crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP é suficiente para a  compensação do(s) débito(s) declarado(s).  É o relatório do necessário.  Da decisão de 1ª Instância   A  1ª  Turma  da  DRJ/JFA,  ao  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 20/03/2007  DÉBITO  INFORMADO  EM  DCTF.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DO ERRO.  A  simples  retificação  de  DCTF  para  alterar  valores  originalmente  declarados,  desacompanhada  de  documentação  hábil  e  idônea,  não  pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Constatada  a  inexistência  do  direito  creditório  por  meio  de  informações  prestadas  pelo  interessado  à  época  da  transmissão  da  Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o  crédito pretendido já existia naquela ocasião.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Da ciência  O contribuinte, segundo por meio do "Aviso de Recebimento" (efl. 160), tomou  conhecimento, em 14.02.2014, da "INTIMAÇÃO 272/2014" (efl. 159) dando conta do acórdão  vergastado.  Irresignado  com  a  referida  decisão,  conforme  o  "Termo  de  Análise  de  Solicitação de Juntada" (efl. 266), o recorrente, em 14.03.2014, registra a solicitação de juntada  do recurso voluntário apresentado (efls. 162 a 225).  No  caso,  compulsando  as  datas  acima  destacadas,  conclui­se  que  o  recurso  voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação;  de modo que dele conheço.  Do recurso voluntário  Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.901063/2009­17  Resolução nº  3001­000.023  S3­C0T1  Fl. 230          3 Sintetizo  os  argumentos  de  defesa  apresentado  que  entendo  suficiente  para  evidenciar a necessidade de deferir­se a diligência pleiteada. Alega o recorrente que:  1­ é pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido e, portanto, o regime  de tributação das contribuições ao PIS e Cofins é o cumulativo;  2­  apurou  saldo  devedor  de  Cofins  no  valor  de  R$  37.959,76,  referente  a  fevereiro/2007 e providenciou o devido recolhimento por meio de DARF;  3­ constatou que apurou de forma indevida o referido saldo a pagar de Cofins no  citado  período,  tendo  em  vista  que,  para  as  operações  de  industrialização  por  encomenda,  a  legislação  reduziu  a  alíquota  desta  contribuição,  ficando  alterada  de  3%  para  zero,  gerando  crédito em seu favor;  4­  em  face  da  legislação  aplicável  às  operações  de  industrialização  por  encomenda, o valor correto a ser recolhido no referido período era de R$ 108,66, gerando, por  consequente, um saldo credor de R$ 37.851,10;  5­ desse modo, apresentou a DCOMP 36354.69423.290109.1.3.04 2016, com o  objetivo de quitar débitos de tributos federais com o valor que recolheu indevidamente;  6­  a  fiscalização,  ao  analisar  o  direito  creditório  pleiteado,  ao  proferir  o  despacho  decisório,  não  o  homologou,  por haver  concluído  que  respectivo  valor  serviu  para  quitar integralmente os débitos informados na DCTF e Dacon;  7­  a  não  homologação  decorreu  da  não  apresentação  da  DCTF  e  do  Dacon  retificados, o que impossibilitou de a fiscalização identificar que o saldo recolhido de Cofins  não estava de acordo com a realidade dos fatos e, por conseguinte, de aferir o crédito existente  a seu favor, em face do recolhimento a maior;  8­  se a  fiscalização o  tivesse  intimado a prestar esclarecimentos  sobre referida  divergência, à época, já poderia explicar que por mero vício formal não retificou em tempo a  DCTF e o Dacon, o que não desqualifica a materialidade de seu crédito de Cofins;  9­  com  vista  a  sanar  o  equívoco  que  maculou  o  despacho  decisório,  ao  apresentar a manifestação de inconformidade, procedeu à retificação dos referidos documentos  (DCTF e Dacon), para que estes demonstrassem o saldo creditório correto, que por um lapso  divergia de sua documentação contábil e fiscal;  10­  a  questão  suscitada  no  acórdão  recorrido  não  merece  prosperar,  pois  comprovou  que  o  crédito  discutido  surgiu  de  apuração  equivocada  de  Cofins  em  relação  à  operação de industrialização por encomenda, conforme consta de seu Livro Razão e Balancete;  11­  no  intuito  de  corroborar  com  a  verdade  material  dos  fatos,  possibilitar  a  aferição do crédito e consequente homologação da DComp, aproveita esta oportunidade para  apresentar  sua  documentação  contábil,  bem  como  a  fiscal,  que  inegavelmente  comprovam  a  existência do direito creditório ora pleiteado.  Do encaminhamento  Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.901063/2009­17  Resolução nº  3001­000.023  S3­C0T1  Fl. 231          4 O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na  forma regimental.  É o relatório.  VOTO  Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator  Da admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado.  Do voto condutor do acórdão recorrido  Do voto condutor do acórdão recorrido colhe­se:  (...)  Consoante  o  §  1º  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96,  a  compensação  é  realizada  mediante  entrega  da  DCOMP.  Assim,  o  crédito  informado  deve existir já na data da transmissão dessa Declaração.  No  caso,  é  inconteste  que,  segundo  as  informações  constantes  da  DCTF  apresentada  pelo  contribuinte  até  a  data  entrega  do  PER/DCOMP,  não  havia  pagamento  a  maior  ou  indevido  que  respaldasse  o  crédito  utilizado  na  compensação.  Portanto,  cabe  ao  interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF  original  e  que  o  valor  efetivamente  devido  é  aquele  declarado  na  DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP).  Entretanto, a contribuinte limitou­se a apresentar a DCTF retificadora  e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais  foi  trazido,  como,  por  exemplo,  escrituração  contábil,  documentos  fiscais e controles internos.  Em  situações  tais  como  a  analisada,  somente  a  apresentação  de  documentos  integrantes  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  empresa  poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta  forma,  o  pagamento  efetuado  em DARF  daria  ao  interessado  crédito  passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e  contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer  à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a  busca da verdade material dos fatos.  De  acordo  com  o  §  11  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96,  aplica­se  ao  presente  processo  o  rito  estabelecido  no  Decreto  nº  70.235/72.  Esse  Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação  (manifestação de  inconformidade) contenha as  razões  e provas que o  interessado possua.  No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito  processual  do Decreto  n.º  70.235/72,  estabelece,  em  seu  art.  36,  que  cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  em  consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo  Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.901063/2009­17  Resolução nº  3001­000.023  S3­C0T1  Fl. 232          5 Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato  constitutivo do seu direito.  Com  efeito,  cumpre  elucidar  ainda  que,  nos  moldes  do  art.  214,  do  Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro  de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito  passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o  encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art.  333,  I,  do  CPC.  E  isto  deve  ser  feito  por  intermédio  de  documentos  robustos,  especialmente  dos  assentamentos  contábeis/fiscais  do  contribuinte,  não  sendo  suficiente,  por  si  só,  como  prova  a  mera  apresentação de DCTF retificadora.  1  “Art.  214.  A  confissão  é  irrevogável,  mas  pode  ser  anulada  se  decorreu de erro de fato ou de coação”  É  assente  na  doutrina  que  direito  líquido  e  certo  é  aquele  cujos  aspectos  de  fato  possam  comprovar­se  documentalmente.  A  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  (atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF)  é  firme  nesse  sentido,  conforme exemplificam as seguintes ementas:  (...)  Deste  modo,  considerando  que  a  DCTF  retificadora  foi  entregue  somente  após  a  transmissão  do  PER/DCOMP  e  que  não  foram  aduzidos  aos  autos  quaisquer  elementos  comprobatórios  do  crédito  pleiteado,  conclui­se  que  não  há  qualquer  reparo  a  ser  feito  no  Despacho Decisório sob análise.  Nessa  perspectiva,  cumpre  assinalar  que,  de  acordo  com  a  peça  de  defesa, a interessada também retificou o Dacon, em 30/03/2009 (fls. 46  a 88), alterando o valor da contribuição devida nos mesmos moldes da  DCTF  retificadora  (fls.  89  a  131).  Tal  retificação,  que  resultou  na  diminuição  do  débito  confessado,  se  deu  em  virtude  da  alteração  da  origem de grande parte da receita auferida, primeiramente informada  como  venda  de  produtos  sujeitos  à  tributação  monofásica  e  posteriormente  alterada  para  revenda  dos  referidos  produtos,  cuja  receita  é  tributada  à  alíquota  zero.  Entretanto,  a  interessada  não  comprovou  a  procedência  da  alteração  efetuada,  indispensável  no  presente  caso,  especialmente  porque  a  atividade  da  contribuinte  é,  entre outras, a fabricação de medicamentos farmacêuticos, situação em  que a tributação é concentrada no fabricante (fls. 136 a 150 e 153).  Diante  do  exposto,  voto  por  considerar  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  ratificando  o  Despacho  Decisório  de  não  homologação da compensação.  Da justificativa para a proposta de diligência  Compulsando­se  os  autos  verifica­se  que  o  pedido  de  compensação  do  recorrente foi indeferido, por meio de despacho decisório eletrônico, número de rastreamento  849875854, em decorrência da inexistência de crédito.  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.901063/2009­17  Resolução nº  3001­000.023  S3­C0T1  Fl. 233          6 O  recorrente  apresentou  DCTF  e  Dacon  retificadora,  informando  este  fato  quando  da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade.  No  seu  entender,  com  a  apresentação  dessas  declarações  retificadora  estaria  sanada  a  irregularidade  apontada  no  despacho decisório.  Entretanto,  o  acórdão  recorrido  manteve  o  indeferimento  do  pedido  de  compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil  que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não  comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão.  Portanto,  em  síntese,  o  fundamento  da  decisão  recorrida  foi  a  falta  de  apresentação  de  documentação  probante  satisfatória  (escrituração  contábil­fiscal)  que  corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora.  O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas  próprias  palavras,  que  houve  erro  quando  do  preenchimento  da  DCTF,  razão  pela  qual  apresentou  a  retificadora  da  DCTF,  juntamente  com  a  Dacon,  e,  no  seu  entender,  seria  suficiente  para  a  solução  do  litígio  ­uma vez  que o  fundamento  do  despacho decisório  seria  apenas  a  inexistência  de  débito.  Como  o  acórdão  recorrido  proferido  pela  1ª  Turma  da  DRJ/JFA  indeferiu  sua manifestação de  inconformidade,  agora pela  falta de  apresentação de  documentação  probante  que  demonstrasse  o  seu  direito,  o  recorrente  apresentou  esses  documentos,  que  entende  serem  suficientes  para  a  devida  comprovação  do  direito  à  compensação  solicitada.  Requer  a  realização  de  diligência  para  o  esclarecimento  acerca  do  crédito compensado, caso entenda­se necessário.  Pois  bem.  Entendo  que  há  razoável  dúvida  quanto  à  certeza  e  liquidez  dos  alegados direitos aos créditos que o recorrente pretende compensar.  É  certo  que  é  condição  indispensável  à  compensação  de  tributos  a  liquidez  e  certeza do crédito, nos  termos do que dispõe o art. 170­A da Lei nº 5.172, de 1966  (Código  Tributário  Nacional  ­  CTN).  Necessário,  neste  sentido,  a  comprovação  cabal  da  existência  desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação  contábil­fiscal do contribuinte.  Deste  modo,  visando  propiciar  a  ampla  oportunidade  para  o  recorrente  esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material,  da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em  diligência.  Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada  a  efeito  pelo  recorrente,  sinaliza  com  a  possibilidade  de  acerto  quanto  ao  correto  valor  do  indébito de Cofins,  e,  com  isto,  o  reconhecimento da  extinção do débito  tributário objeto da  compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN, ainda mais com os documentos  lastreados aos presentes autos, com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida.  Da conclusão  Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235,  de  1972,  proponho  a  realização  de  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  da  repartição  de  origem  proceda  à  análise  da  documentação  apresentada  pelo  recorrente  em  seu  recurso  voluntário,  bem  como  intime­o  para  apresentar  outros  documentos  e/ou  esclarecimentos  que  Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.901063/2009­17  Resolução nº  3001­000.023  S3­C0T1  Fl. 234          7 entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência  dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos.  Desta  forma,  os  autos  devem  retornar  à  repartição  de  origem  ­DERAT  SÃO  PAULO­ para realização da diligência solicitada.  Ao  término  dos  trabalhos,  a  autoridade  fiscal  da  repartição  de  origem  deverá  elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência,  inclusive manifestando­se  sobre  a  existência  de  crédito  líquido  e  certo  suscetível  de  ser  utilizado  pelo  recorrente  na  PER/DCOMP 36354.69423.290109.1.3.04 2016.  Encerrada  a  instrução  processual  o  recorrente  deverá  ser  intimado  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  antes  da devolução  do  processo  para  este CARF,  para julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri    Fl. 234DF CARF MF

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Numero do processo: 13876.000296/2009-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984. INCONSISTÊNCIAS INFORMÁTICAS NA APRESENTAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA

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1002­000.123  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  03 de abril de 2018  Matéria  IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  Recorrente  PROMAT INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2008  DCTF.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA.  PREVISÃO LEGAL.  É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da  DCTF  a  destempo,  vez  que  a  obrigatoriedade  de  apresentação  da  DCTF,  bem  como  a  aplicação  de  penalidade  em  razão do descumprimento de  tal  obrigação,  regulamentadas  pelas  Instruções  Normativas  73/96  e  126/1998, têm supedâneo legal no Decreto­lei nº. 2.124, de  13/06/1984.  INCONSISTÊNCIAS  INFORMÁTICAS  NA  APRESENTAÇÃO  DA  DCTF.  IMPOSSIBILIDADE.  AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.   A  análise  sobre  a  eventual  ocorrência  de  problemas  informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida  à  baila  em  sede  de  Impugnação,  razão  pela  qual  resta  configurada a preclusão consumativa.  Recurso Voluntário Não Conhecido  Crédito Tributário Mantido       Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.  Julio Lima Souza Martins ­ Presidente.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 02 96 /2 00 9- 58 Fl. 72DF CARF MF   2 Breno do Carmo Moreira Vieira ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Lima  Souza  Martins  (presidente  da  turma),  Breno  do  Carmo  Moreira  Vieira,  Ailton  Neves  da  Silva  e  Leonam Rocha de Medeiros.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (e­fls. 43 à 47)  interposto contra o Acórdão  n°  14­26.578,  proferido  pela  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  (e­fls.  30  e  32),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  pela  ora  Recorrente,  decisão  esta  ementada  nos  seguintes termos:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Ano­calendário: 2008   MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO.  CALCULO.  É  devida  a  multa  no  caso  de  entrega  da  declaração  fora  do  prazo  estabelecido,  calculada  mediante  a  aplicação  do  percentual de 2% ao mês­calendário ou fração sobre o montante  dos impostos e contribuições informados na DCTF.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido  Os  argumentos  apresentados  na  Impugnação  aduzem  a  inconformidade  da  Contribuinte  tocante  a  metodologia  de  cálculo  adotada  na  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória,  decorrente  do  atraso  na  entrega  da  DCTF.  Noutro  giro,  em  sede  de  Recurso Voluntário, sustenta que houve problema no sistema da Receita Federal, sendo esta a  causa do atraso na entrega da DCTF:  Tendo  em  vista  que,  em  verdade,  o  atraso  foi  de apenas  de  13  (treze) dias, ou seja, nem mesmo um mês desde a data definida  para entrega da aludida DCTF, e, inclusive, tal demora se deveu  exclusivamente a sucessivos erros do sistema da própria Receita  Federal do Brasil, foi apresentada a competente impugnação de  forma  a  afastar/reduzir  a  exigibilidade  da  cobrança,  eis  que  a  ela não deu causa a Recorrente.  (...)  Os  tributos  administrados  pela  SRFB  são,  em  sua  maioria,  apurados, declarados e  recolhidos pelo próprio Contribuinte, a  quem  a  lei  também  outorga  o  dever  de  manter  informações  bastantes a justificá­los. À Administração Pública resta apenas a  conferência  e  posterior  homologação  ou  não  do  procedimento  adotado, com os recursos aí decorrentes.  Dessa forma, as informações ou requerimentos são prestados ou  solicitados  pelos  próprios  Contribuintes  através  dos  sistemas  eletrônicos  disponibilizados  pela  autoridade  fazendária,  Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13876.000296/2009­58  Acórdão n.º 1002­000.123  S1­C0T2  Fl. 3          3 conforme  ocorre  no  •  que  tange  a  necessidade  de  entrega  das  DCTF's.  Sem dúvida, os aplicativos eletrônicos viabilizam maior rapidez  no recebimento e na utilização dos dados fornecidos. No entanto,  não raras vezes este procedimento eletrônico se dá sem qualquer  intervenção  humana  capaz  de  reconhecer  um  erro  de  sistema.  Assim, é sabido que existem casos — e não são poucos — em que  o  sistema  deixa  de  reconhecer  uma  ou  outra  informação  por  falha de leitura ou até mesmo por falha total do sistema, ficando  a  Recorrente  impedido  de  cumprir  cabalmente  com  suas  responsabilidades, conforme podemos constatar na hipótese que  ensejou a cobrança ora recorrida.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira ­ Relator  O presente Recurso Voluntário é tempestivo; contudo, não atende aos demais  requisitos de admissibilidade, portanto, dele não o conheço.  Percebe­se  de  imediato  que  os  argumentos  abordados  em  sede  de  Recurso  Voluntário não foram objeto de análise na DRJ de origem. Tampouco constaram nas razões de  Impugnação em primeira instância, as quais são resumidas abaixo (e­fl. 3):  No  campo  "Dados  da  Declaração",  item  2  da  Notificação  de  Lançamento, consta como prazo  final para a entrega da DCTF  do mês de Novembro de 2008, o dia 22/01/2009. A declaração foi  entregue  em  05/03/2009,  com  42  dias  de  atraso  do  prazo  da  entrega.  Deste modo,  inadmissível a aplicação de multa equivalente a 3  meses  de  atraso  da  entrega  da  DCTF,  no  valor  de  6%  da  montante do tributo informado na declaração.  Não  transcorreu  nem  um  mês  e  meio  de  atraso  na  entrega,  portanto,  é  pertinente  a  aplicação  de  um  valor  proporcional  a  este  período  de  tempo.  Considerando  que  o  art.  7°  da  Lei  10.426/2002  fala  em  mês  ou  fração  de  atraso  e,  que  o  real  período de atraso foi a metade do período indicado pela Receita  Federal,  a  multa  aplicada  deve  ser,  no  máximo,  de  3%  do  montante de tributo declarado, com redução de 50% em virtude  da entrega da declaração.  Ante o exposto, requer seja corrigido o valor da multa aplicada  pelo atraso na entrega da DCTF para, no máximo, R$ 4818,26,  para que corresponda somente aos 42 dias em atraso realmente  transcorridos.  Nota­se,  pois,  que  o  Recurso  não  atende  a  todos  os  pressupostos  de  admissibilidade  intrínsecos.  O  recurso  é  cabível,  há  interesse  recursal,  a  Recorrente  detém  Fl. 74DF CARF MF   4 legitimidade,  inexiste  fato  impeditivo  ou modificativo  do  poder  de  recorrer; mas,  em  contra  fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou  quanto  a matéria  não  apresentada  em  impugnação  e  constante  no  Recurso  Voluntário,  qual  seja, a suposta ocorrência de problemas no sistema da Receita Federal. Portanto, não conheço  do Recurso Voluntário, deixando de apreciar a referida matéria, inclusive, para evitar supressão  de instância.  A  possibilidade  de  conhecimento  e  apreciação  de  novas  alegações  e  novos  documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal,  instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe:   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  (...)   Art. 16. A impugnação mencionará:   (...)   III  –  os motivos  de  fato  e de  direito em que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993)   (...)   §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532,  de 1997):   b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;(Incluído pela Lei  n.º 9.532, de 1997);   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997)   (...)   Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei n.º 9.532, de 1997).   Desta  forma, nos  termos  dos  arts.  14  a 17 do Decreto n.º  70.235/72,  acima  transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada  a  manifestação  de  inconformidade  ou  a  impugnação,  contendo  as  matérias  que  delimitam  expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e  decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não  se admitindo conhecer de inovação recursal.  A  competência  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  circunscreve­se  ao  julgamento  de  "recursos  de  ofício  e  voluntários  de  decisão  de  primeira  instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não  impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando  inviável aventá­la em sede de recurso voluntário como uma inovação.  Nesse  sentido, o Egrégio CARF  tem decidido por não  conhecer de matéria  que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos  Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13876.000296/2009­58  Acórdão n.º 1002­000.123  S1­C0T2  Fl. 4          5 ns.º  9303­004.566  (3.ª  Turma/CSRF),  3301­002.475  (3.ª  Seção/3.ª  Câmara/1.ª  Turma  Ordinária) e 3402­004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária).  Com  tudo  o  que  foi  exposto  nos  tópicos  anteriores,  resta  claro  que  os  argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO  CONHECIMENTO  do  Recurso  Voluntário,  com  a  consequente  manutenção  da  decisão  de  origem.  Breno do Carmo Moreira Vieira ­ Relator                                Fl. 76DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.910083/2012-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento.
Numero da decisão: 3002-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR

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3002­000.039  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  14 de março de 2018  Matéria  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  ALEPLAST EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  CRÉDITO  JÁ  UTILIZADO  EM  COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO.  A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à  formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último  pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator.  Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes  Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da  Silva Esteves.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 83 /2 01 2- 77 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11020.910083/2012­77  Acórdão n.º 3002­000.039  S3­C0T2  Fl. 107          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto por Aleplast Embalagens Plásticas  Ltda ao acórdão de nº 14­46.796, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto ­ DRJ/RPO, em sessão de 19.11.2013, com a seguinte  ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/10/2005  RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.  A  utilização  de  crédito  requerido  em  pedido  de  restituição,  em  posterior apresentação de declaração de compensação,  implica  no indeferimento do pedido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  Na origem, o contribuinte apresentou, em 15.07.2010, Pedido de Restituição,  Ressarcimento  ou  Reembolso  ­  PER  de  nº  01945.27739.150710.1.2.04­2301,  objetivando  a  restituição, em dinheiro, de valor recolhido a maior a título de COFINS do período de apuração  de outubro/2005, no montante de R$6.225,08.  Apenas  cinco  dias  mais  tarde,  em  20.07.2010,  transmitiu  Declaração  de  Compensação ­ DCOMP de nº 08305.39315.200710.1.3.04­0086, utilizando o mesmo crédito  decorrente de valor recolhido a maior, de COFINS relativa ao mês de outubro/2005, no mesmo  montante, de R$6.225,08, para compensação com débito de IPI relativo ao mês de junho/2010.  Recebeu, em 02.01.2013, Despacho Decisório comunicando o Indeferimento  do Pedido de Restituição de nº 01945.27739.150710.1.2.04­2301, em razão de o crédito já ter  sido  totalmente  utilizado  na  compensação  por  ele  mesmo  declarada  na  DCOMP  nº  08305.39315.200710.1.3.04­0086.  Em  25.01.2013  foi  apresentada Manifestação  de  Inconformidade,  alegando  em síntese que:  a)  A  empresa  foi  notificada  por  realizar  Compensação  de  Crédito  via  Perdcomp  (sic),  no  entanto,  realizou  todos  os  procedimentos  para  viabilizar  o  crédito,  como  alterações na DACON e retificações na DCTF;  b)  Efetuou  uma  revisão  completa  e  retroativa  das  últimas  60  (sessenta)  apurações de COFINS (junho/2005 a maio/2010),  tendo sido identificadas 4 contas contábeis  cujos  valores  gerariam  créditos  da  contribuição,  não  aproveitados  à  época  do  recolhimento,  originando os pagamentos a maior.  Apresentou os números, nomes e razões contábeis das contas cujos créditos  deixaram  de  ser  computados  à  época  da  apuração,  bem  como  cópias  da  DACON  e  DCTF  retificadas, cópia do DARF de pagamento, além de cópias de outros documentos e planilhas;  Ao final, requereu fosse acolhida a manifestação de inconformidade diante da  demonstração da insubsistência e improcedência do Indeferimento de seu pleito.  Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11020.910083/2012­77  Acórdão n.º 3002­000.039  S3­C0T2  Fl. 108          3 A  DRJ/RPO  informou,  no  voto  constante  do  acórdão  combatido,  ter  verificado  que  o  indeferimento  da  restituição  não  tratou  do  mérito  dos  créditos  da  não­ cumulatividade  utilizados  pela  interessada,  mas  simplesmente  da  indisponibilidade  de  saldo  indicado no PER/DCOMP.  A  DRJ/RPO  constatou  ainda  que  o  crédito  do  Pedido  de  Restituição  é  exatamente  o mesmo  da Declaração  de Compensação,  tendo  sido  indicado  como  origem  do  crédito da DCOMP, o número do PER enviado anteriormente.  Sustentou  ainda  a  DRJ/RPO  que  as  Instruções  Normativas  que  tratam  da  restituição  e  compensação prevêem que,  no  caso  de  pedido  de  restituição  não  indeferido,  a  contribuinte  pode  se  utilizar  do  crédito  nele  requerido  para  compensação  de  seus  débitos,  tendo sido exatamente o que ocorreu no presente caso, vez que antes da análise do pedido de  restituição o contribuinte se utilizou do mesmo crédito para compensação com débito de outro  tributo por ele devido, não havendo saldo disponível para devolução ao manifestante.  Cientificado do conteúdo do acórdão em 10.12.2013, e não se conformando  com  o  auto  de  infração  (sic)  e  a  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário em 08.01.2014, confirmando ter utilizado o crédito por pagamento a maior  da COFINS do mês de outubro/2005 para compensar débitos de  IPI  referentes ao período de  apuração  de  junho/2010. Voltou  a  anexar  os  documentos  que,  segundo  ele,  comprovam  seu  direito creditório.  Ao  fim,  requer  o  contribuinte  seja  acolhido  o  Recurso  Voluntário,  cancelando­se o débito fiscal reclamado. (sic)  É o relatório.  Voto             Conselheiro Diego Weis Junior, Relator  O Recurso Voluntário  é  tempestivo e preenche os pressupostos e  requisitos  de admissibilidade.  O  Valor  do  Crédito  tributário  é  inferior  a  (60)  sessenta  salários  mínimos,  estando  dentro  da  alçada  de  competência  desta  turma  extraordinária.  Sendo  assim,  passo  a  analisar o recurso.  O  contribuinte  ratificou,  no  Recurso  Voluntário,  que  o  crédito  pedido  em  restituição por meio do PER nº 01945.27739.150710.1.2.04­2301 foi utilizado para compensar  débitos  de  IPI  do  período  de  apuração  de  junho/2010,  por  meio  da  DCOMP  nº  08305.39315.200710.1.3.04­0086. (fl. 60)  Assim,  resta  devidamente  comprovado  que  o  recorrente  não  faz  jus  ao  ressarcimento  em  dinheiro,  haja  vista  o  mesmo  crédito  ter  sido  utilizado  em  DCOMP  transmitida posteriormente à formalização do PER em discussão, materializando a desistência  deste último pelo contribuinte, na forma da regulamentação vigente.  Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.910083/2012­77  Acórdão n.º 3002­000.039  S3­C0T2  Fl. 109          4 Diante  do  exposto,  e  levando  em  conta  as  provas  e  alegações  produzidas,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário,  mantendo  o  indeferimento  do  pedido de restituição.  (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator                                Fl. 109DF CARF MF

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Numero do processo: 15563.720274/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15563.720274/2015­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­002.104  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de março de 2018  Matéria  IRPJ/CSLL, ÁGIO  Recorrente  SENDAS DISTRIBUIDORA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011, 2012  DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  EMPRESA  CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE.  INDEDUTIBILIDADE.  Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária  consistente  na  capitalização  de  empresa  em  que  dois  grupos  econômicos  detinham  50%  cada  no  capital  (joint  venture  societária),  sendo  esta  capitalização  respectivamente  com  quotas  capital  das  subsidiárias  que  cada  um  dos  dois  grupos  econômicos  constituiu  com  seus  respectivos  bens,  reavaliados,  gerando  ágio,  e  a  posterior  incorporação  pela  joint  venture  societária  dessas  duas  subsidiárias,  resultando  ao  final  que  ambos  grupos  econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária.   ERRO  MATERIAL.  APURAÇÃO  DE  OFÍCIO.  PERÍODO  DE  APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO.  Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente,  autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e  2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo.   COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS  E  BASES  DE  CÁLCULO  NEGATIVAS.  Procede  o  pleito  de  que  o  lucro  e  a  base  de  cálculo  da  autuação  sejam  reduzidos  até  o  limite  legalmente  autorizado,  pelos  prejuízos  acumulados  e  bases  de  cálculo  negativas,  porém  apurados  após  o  deslinde  dos  processos  administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação  dos saldos disponíveis para tal.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011, 2012  DECADÊNCIA.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 74 /2 01 5- 13 Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 3          2 Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que  ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na  contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse  evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.   MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE  Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de  ser  recolhido  ou  declarado  e  no  percentual  determinado  expressamente  em  lei.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.  A  multa  de  ofício  é  parte  integrante  da  obrigação  ou  crédito  tributário  e,  quando não  extinta  na  data  de  seu  vencimento,  está  sujeita  à  incidência  de  juros.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2011, 2012  LANÇAMENTO DECORRENTE.  Aplica­se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  dar  parcial  provimento ao  recurso voluntário, nos  termos do voto da  relatora. Vencidos os conselheiros,  Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam  integral provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Eva Maria Los ­ Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de  Aguiar,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Gisele  Barra  Bossa;  ausentes  justificadamente  José  Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.   Relatório  T  Trata  o  processo  dos  autos  de  infração,  págs.  775/793,  que  exigem  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  no  montante  de  R$62.037.704,06,  devido  à  infração  001  ­  Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real, Exclusões  Indevidas,  com fatos geradores em 31/12/2011 e 31/12/2012; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­  CSLL,  R$22.342.213,46,  relativa  à  mesma  infração  e  períodos  de  apuração;  o  imposto  e  a  contribuição  exigidos  foram  apenados  com  multa  de  75%;  às  págs.  739/773,  o  Termo  de  Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 4          3 Verificação de Infração Fiscal, descrevendo a autuação; págs. 807/816, Fapli ­ Formulário de  Alteração do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário e Facs ­ Formulário de Alteração da Base  de Cálculo Negativa  da Contribuição  Social  e Demonstrativo  de Compensação  de  Prejuízos  Fiscais (Sapli) e Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (Sapli).  2.  Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em relação à qual a Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora/MG  ­  DRJ/JFA,  proferiu  o  Acórdão 09­61606, em 02 de fevereiro de 2017, págs. 1.406/1.415, que a julgou improcedente:  ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2011, 2012   DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA   O  prazo  decadencial  só  é  aplicável  para  o  direito  de  a  Fazenda  constituir  o  crédito  tributário,  mas  não  para  verificar atos pretéritos cujos efeitos tributários repercutem  nos anos seguintes.  SIMULAÇÃO.  PROVA.  REESTRUTURAÇÃO  SOCIETÁRIA.  GLOSA  DE  DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.  A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia  tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e  circunstâncias, tais como:a proximidade temporal de atos;  a  disparidade  infundada  de  valores;  o  desfazimento  dos  efeitos  do  ato  simulado;  a  inexistência  de  outra  causa  econômica além da economia fiscal.  MULTA QUALIFICADA.  Quando  não  se  caracteriza  a  qualificação  da  multa  de  oficio, essa deve ser reduzida para 75%.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  MULTA  LANÇADA.  A  multa  de  ofício  lançada  com  o  tributo  também  se  enquadra  no  conceito  de  débito  para  com  a  União,  logo  sofre  a  incidem  juros  Selic  se  não  for  paga  tempestivamente.  COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO.  Para  que  se  efetue  a  compensação  de  prejuízos  fiscais  acumulados  de  exercícios  anteriores  com  o  imposto  de  renda  apurado,  é  necessário,  entre  outras  coisas,  que  se  comprove  a  existência  desse  prejuízo  na  data  da  compensação.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  3.  Cientificado  em  20/02/2017,  pág.  1.418,  apresentou Recurso Voluntário  de  págs.  1.422/1.479, em 22/03/2017, tempestivo.  4.  Relata que é sociedade que resultou de uma joint venture entre dois grandes grupos  varejistas, em 2004: Grupo Pão de Açúcar e Grupo Sendas, quando passou a ser controlada em  50%  por  empresas  de  cada  um  dos  grupos  e  sujeita  a  regras  rigorosas  de  governança  corporativa.  Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 5          4 5.  Esclarece  que,  quanto  ao  mérito,  o  recurso  está  restrito  à  discussão  da  (i)  regularidade da amortização do ágio e  (ii)  ao erro de quantificação da exigência por  falta de  compensação do prejuízo fiscal acumulado e bases negativas de CSLL de períodos anteriores.  6.  Aponta decadência do direito do  fisco de questionar o  registro  contábil  do ágio  e  constituir o crédito tributário; argumenta que o prazo decadencial deveria ser contado a partir  da data da geração do ágio ou, alternativamente, da incorporação, pois o IRPJ é tributo sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  razão  pela  qual  o  prazo  decadencial  deve  ser  contado  conforme o art 150, §4º, do CTN, isto é, a partir da ocorrência do fato gerador, e as operações  relativas  ao  ágio  glosado  na  presente  autuação  foram  realizadas  em  2004,  assim  como  a  incorporação.  Como  a  ciência  da  autuação  ocorreu  em  18/12/2015,  já  havia  transcorrido  o  lustro decadencial; cita jurisprudência.  7.  No  mérito,  acusa  que  a  glosa  das  despesas  de  amortização  do  ágio  ocorreu  em  duplicidade, pois o valor integral do saldo de ágio registrado, no total de R$439.013.328,40 foi  glosado  nos  autos  de  infração  do  processo  nº  15563.720259/2011­33,  em  vez  de  somente  o  valor  amortizado  nos  anos  2008  ­  consequentemente,  glosou  o  ágio  que  foi  amortizado  nos  anos 2009, 2010, 2011 e 2012, subsequentes.  8.  Historia que foi ­ e continuou sendo durante sete anos, o que demonstra a intenção  de perenidade do negócio e o affectio societatis entre seus formadores ­ a sociedade resultante  de uma associação (joint venture) entre dois grandes grupos varejistas do Brasil, a qual veio a  se consumar no ano de 2004; que, na época em que o Grupo Pão ae Açúcar e o Grupo Sendas  decidiram  se  associar,  as  suas  respectivas  sociedades  controladoras  ­  a  saber:  Companhia  Brasileira de Distribuição (CBD) e Sendas S.A. (Senda") ­ eram companhias abertas, portanto,  estavam sujeitas  às  regras da Comissão de Valores Mobiliários  (CVM),  sendo auditadas por  auditor  independente  e  adotando  boas  práticas  de  governança  corporativa;  CBD,  possuía  (e  ainda possui) ações listadas na Bolsa de Nova Iorque (New York Securities Exchange ­ NISE),  devendo observar,  igualmente, as normas de  transparência exigidas pela Lei Sarbanes Oxley,  reconhecidas  no  mercado  por  sua  rigidez;  que  a  criação  da  joint  venture  ocorreu  em  um  momento em que empresas varejistas estrangeiras estavam ingressando de forma agressiva no  mercado  brasileiro,  razão  pela  qual  a  associação  entre  o  Grupo  Sendas  e  o  Grupo  Pão  de  Açúcar,  dois  fortes  grupos  brasileiros,  contribuiria  para  manter  o  fortalecimento  de  ambos;  ressalta  que  em  momento  algum  foi  noticiado  pela  midia  eventual  intuito  de  economia  de  tributos  decorrente  da  associação  entre  os  Grupos;  pelo  contrário,  o  foco  era  a  questão  estratégica  do  Grupo  Pão  de  Açúcar  dentro  do  território  do  Rio  de  Janeiro,  bem  como  a  necessidade de maior competitividade da rede Sendas, para que passasse a gerar lucros.  9.  Outro ponto de extrema relevância, e previsto desde o inîcio das tratativas iniciais,  era  o  objetivo  das  partes  em  formalizar  a  joint­venture, mediante  aportes  de bens,  direitos  e  obrigações relacionadas às atividades de varejo do Grupo Sendas e do Grupo Pio de Açúcar no  Estado  do  Rio  de  Janeiro  e,  obviamente,  avaliados  a  mercado,  seja  para  equacionar  a  participação  de  50%  a  que  cada  Grupo  fazia  jus,  seja  para  conferir  maior  transparência  ao  mercado  acerca  das  referidas  operações,  e  cita  organismos  que  apoiaram  a  operação:  o  BNDES,  que  adquiriu  debêntures,  o  SBDC  ­Sistema  Brasileiro  de Defesa  da  Concorrência,  composto pela SDE ­ Secretaria de Direito Econômico, pelo CADE ­ Conselho Administrativo  de Defesa Econômica e pela SEAE ­ Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério  da Fazenda; o cumprimento de várias condições impostas pelo CADE; descreve as cláusulas do  Acordo de Associação  firmado entre os grupos  (págs. 1.440/1.443);  transcreve matéria  sobre  Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 6          5 esta  operação  de  joint  venture  da  revista  Exame,  que  destacou  o  aumento  de  produtividade  resultante; explica que:  mas,  não  obstante  todas  as  melhoras  na  gestão  e  no  grau  de  eficiência operacional da rede Sendas implementada pelo Grupo  Pão  de  Açúcar,  a  Sendas  Distribuidora,  ora  Recorrente,  continuava com um alto grau de endividamento, razão pela qual  o  Grupo  Sendas  e  o  Grupo  Pão  de  Açúcar  celebraram  um  contrato  junto  ao  AIG,  por  meio  do  qual  este  investiria  o  equivalente a US$ 50 milhões em reais na Sendas Distribuidora,  mediante  subscrição  e  integralização  de  157.082.802  ações  preferenciais classe B da Sendas Distribuidora, passando a deter  14,86% de seu capital social; e a participação do Grupo Pão de  Açúcar  e  do  Grupo  Sendas  foi  reduzida  para  42,57%  cada,  mantendo­se, todavia, o mesmo percentual de participação para  ambos.  83. Todavia, com as dificuldades encontradas no Rio de Janeiro,  bem  como  com  o  enfraquecimento  da  marca  Sendas,  o  Grupo  Pão  de  Açúcar  acabou  interrompendo  os  investimentos  na  expansão  da  rede  Sendas,  no  mesmo  momento  em  que  foram  retomadas  as  negociações  para  a  aquisição  da  participação  detida pela família Sendas pelo Grupo Pão de Açúcar.  84.  É  importante  considerar  que,  de  acordo  com  os  termos  da  joint venture, a família Sendas poderia exercer, desde  fevereiro  de 2007, sua opção de venda do restante de sua participação no  capital  social  da  Sendas  Distribuidora.  Porém,  as  partes  não  chegavam em um acordo sobre a forma como a transferência do  controle acionário da Sendas Distribuidora seria efetivada.  85.  Inclusive,  convém notar que,  em 2006, o Sr. Arthur Sendas  instaurou  procedimento  arbitral  em  face  do  Grupo  Pão  de  Açúcar  por  entender  que  teria  havido  mudança  de  controle  acionário do CBD em maio de 2005, quando o Sr. Abílio Diniz e  o  grupo  francês Casino  criaram uma nova  holding  com 65,5%  das  ações  com  direito  a  voto  na  CBD,  na  qual,  por  sua  vez,  metade do controle era detido por Abílio Diniz e a outra metade  pelo  Casino,  sendo  certo  que,  nos  termos  do  acordo  de  acionistas  assinado  na  criação  da  Sendas  Distribuidora,  eventual  mudança  de  controle  acionário  do  CBD  dispararia  o  direito  de  venda  da  participação  do  Grupo  Sendas  na  Sendas  Distribuidora,  ora  Recorrente.  Por  sua  vez,  o  Grupo  Pão  de  Açúcar discordava de tal entendimento, por acreditar que o que  o  que  teria  havido  era  um  compartilhamento  de  controle,  não  transferência de controle.  86. Note­se,  ainda, que nesta mesma ocasião, a  família Sendas  pretendia  trocar  suas  ações  integralizadas  na  Sendas  Distribuidora  por  ações  preferenciais  da  CBD,  conforme  lhe  autorizava o acordo de acionistas. Esta questão também passou  a  ser  objeto  de  discussão  entre  o  Grupo  Pão  de  Açúcar  e  o  Grupo Sendas.  Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 7          6 87. Apenas em fevereiro de 2011 ­ portanto, após mais de 7 anos  do  início  da  Joint Venture  é  que  ficou  acordado  que  o  Grupo  Pão  de  Açúcar  adquirisse  a  totalidade  da  participação  detida  pela família Sendas, passando a deter a totalidade das ações da  Sendas Distribuidora.  Para  a  referida  aquisição,  o Grupo Pão  de  Açúcar  se  comprometeu  a  efetuar  o  pagamento  de  R$  377  milhões, em sete parcelas, ao longo de seis anos, dando  fim ao  conturbado  "casamento"  de  sete  anos  ocorrido  entre  o  Grupo  Pão de Açúcar e o Grupo Sendas.  10.  Por todo o exposto, rechaça a acusação de simulação; afirma que não há qualquer  indicação do suposto negócio que  teria  sido ocultado por conta da  incorporação, no Auto de  Infração; ressalta que o ágio amortizado pela Recorrente nada mais é do que uma consequência  do desdobramento do custo de aquisição de participação societária, tal como prevê a legislação  brasileira e não se pode, portanto, sustentar que a aludida amortização decorreu de simulação  de negócio jurídico com o fim específico de "transformar custo de aquisição de patrimônio em  despesa  dedutível";  a  Recorrente  jamais  pretendeu  encobrir  um  negócio  jurídico  com  a  realização de outro e a razão é que; não existe "outro" negócio jurídico diferente daquele que  foi realizado e que durou sete anos.  11.  Que  dentre  os  vários  caminhos  jurídicos  existentes  para  que  a  associação  fosse  implementada,  o  Grupo  Pão  de  Açúcar  e  o  Grupo  Sendas  optaram  pela  constituição  de  sociedades de propósito específico (Rio Patea e Serra do Andaraí) que reunissem, em princípio,  o patrimônio que seria aportado na associação (a valor contábil), para posterior conferência a  mercado das participações societárias de  tais sociedades  (conferência esta sujeita ao disposto  no  art.  36 da Lei nº 10.637/02) para a  equalização das participações dos dois grupos que  as  constituiu  e  implementar  a  Associação,  rapidamente  e  no  contexto  da  operação,  coube  à  Recorrente  recepcionar  as  participações  em Rio Patea  e Serra  do Andaraí  já  avaliadas  pelos  valores de mercado e, em seguida, absorver os respectivos acervos patrimoniais para consolidar  a joint venture com patrimônio líquido valorado a preço de mercado.  12.  Justifica que os dois Grupos não efetuaram aumento de capital diretamente com os  ativos  e  passivos  na  Recorrente,  porque  a  transmissão  desses  ativos  e  passivos,  a  valor  de  mercado,  seria  extremamente  onerosa,  nos  mais  diversos  sentidos  e  aspectos  (financeiro,  temporal, de disclosure etc), por conta da necessidade de contratação de laudos de avaliação a  mercado com individualização para cada tipo ativo e passivo aportados; por isso, a forma eleita  foi,  em  um  primeiro momento,  segregar  os  ativos  e  passivos  que  cada  uma  delas  aportaria,  adquirir  as  sociedades  com  propósito  específico  Rio  Patea  e  Serra  do  Andaraí,  mediante  transferência não  onerosa  e  aumento  de  capital  dessas  empresas  com a  conferência  de bens,  direitos e obrigações a valor contábil.  13.  Os  custos  operacionais  envolvidos  nessa  primeira  etapa  foram  definidos  sobre  o  valor contábil dos ativos conferidos, de modo que a auditoria  teve por base,  também, atestar  esse valor patrimonial do acervo transferido.  14.  Nesta etapa, as operações de aumento de capital  foram feitas entre partes  ligadas,  pois  se  tratava de destacar, nessas novas empresas, os negócios que,  individualmente, Grupo  Pão de Açúcar e Grupo Sendas tinham no Rio de Janeiro; uma vez destacado esse patrimônio e  os negócios  correspondentes,  as partes puderam valorizar o negócio  e  aumentar o  capital  da  Recorrente com a entrega das participações acionárias, aí sim, a valor de mercado ­  tendo os  Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 8          7 patrimônios já segregados, todo o processo de avaliação, precificação, auditoria e aumento de  capital foi simplificado.   15.  Como a nova etapa envolvia partes não relacionadas (com acionistas minoritários)  fez­se, tal como expressamente autorizava o já citado art. 36 da Lei nº 10.637/02, a conferência  de Rio Patea  e Serra do Andaraí  a  valor  de mercado. Cumpre­se  aqui  ressaltar  que  esta  era  justamente a finalidade de tal dispositivo.  16.  A  fiscalização  qualificou  como  simulados  (i)  o  fato  de  SÉ  S/A  e  Sendas  S/A  subscreverem capital, a valor de mercado, na Recorrente, mediante conferência das ações que  respectivamente detinham na Rio Patea e Serra do Andaraí (sociedades que foram concebidas  com intuito de reunir os ativos e passivos que comporiam a mencionada associação), e (ii) de a  Recorrente, tempos depois, incorporar essas sociedades no seu patrimônio.  17.  Reconhece  que  o  caminho  seguido  não  é  o  único,  porém  como  é  legalmente  previsto, não pode ser taxado de simulado; e avalia duas estruturas jurídicas alternativas que a  fiscalização entendeu que seriam as corretas; o primeiro caminho que, segundo a fiscalização,  poderia  ter  sido  adotado  por  CBD/Novasoc/Sé  e  Sendas  era  a  utilização  das  empresas  Rio  Patea e Serra do Andaraí para  a  reunião dos  ativos  e passivos,  que,  entretanto,  deveriam  ter  sido diretamente incorporadas pela Recorrente, sem que previamente tivessem sido conferidas  ao capital social da Recorrente. Confira­se:  "(...) tivesse a fiscalizada incorporado as sociedades RIO PATEA  e SERRA DO ANDARAÍ sem ter participação em seus capitais,  ainda  que  a  incorporação  fosse  por  valor  superior  ao  valor  patrimonial,  não  seria  possível  deduzir  do  lucro  real  o  ágio  amortizado." ­ Fl. 17 do TVF  18.  Sobre  esta,  argumenta  que  "se  a  incorporação  fosse  por  valor  superior  ao  valor  patrimonial",  seria  uma  incorporação  a  mercado,  atípica  e  mais  onerosa  para  a  Recorrente,  pois, conforme art. 440 do RIR de 1999, seriam necessários laudos individualizados em relação  a  cada  bem,  direito  e  obrigação  e  geraria  reservas  de  avaliação  reflexas  nos  dois  Grupos;  conclui  que  a  criação  da  joint  venture  teria  inconvenientes  que  poderiam  comprometer  sua  criação.  19.  E o entendimento da DRJ/JFA:  "131. As integralizações feitas por CBD, NOVASOC e SENDAS  nas  empresas  RIO  PATEA  e  SERRA  DO  ANDARAÍ,  e  as  incorporações  destas  ao  interessado  representam  operações  estruturadas  exclusivamente  para  reduzir  ou  suprimir  tributos.  Não há como sustentar que tais operações visavam a constituir  uma joint venture entre os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, pois  as  integralizações  podiam  ser  feitas  diretamente  na  SENDAS  DISTRIBUIDORA,  alcançando­se,  assim,  o  alegado  propósito  negocial. Mesmo na sequência de atos escolhida pelos sócios, as  incorporações  eram  dispensáveis,  pois  a  constituição  se  completou com a integralizacão das participações."  20.  Aponta que a subscrição de capital mediante conferência, a valor de mercado, dos  bens, direitos  e obrigações, pelas empresas dos dois Grupos,  seria  regulada pelo art. 439, do  RIR de 1999,  e  a  tributação do  respectivo  ganho não ocorre de  forma  imediata e deverá  ser  Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 9          8 diferida, conforme seus  incisos  ­ a única diferença em relação ao  já extinto art. 36 da Lei nº  10.637, de 2002,  é que  este  trata dos demais  tipos  de bens  e aquele  só  sobre  a  subscrição  a  mercado de participação societária.  142.  De  todo  modo,  a  diferença  fundamental  entre  tais  dispositivos  é  a  de  que  o  artigo  36  deslocou  o  momento  da  tributação do ganho de capital para os eventos de realização da  própria participação societária, enquanto o art. 439 a difere em  função da realização dos próprios bens subscritos, bem como de  outros eventos.  143.  Em  outras  palavras,  considerando  que  não  há  uma  diferença  tão  grande  entre  os  citados  dispositivos,  resta  claro  que o aporte direto dos bens não geraria uma desvantagem fiscal  significativa, para efeito dos seus respectivos subscritores GPA e  Sendas.  Por  outro  lado,  as  desvantagens  operacionais  seriam  imensas, tal como já demonstrou!  21.  E na perspectiva da Recorrente, a alternativa de aporte direto a valor de mercado,  cada um deveria ser objeto de laudo de avaliação (e detalha as exigências legais para tanto) o  que  encarece  a  operação  e  demanda  mais  tempo  ­  destaca  que  dois  laudos  que  avaliam  as  participações societárias e que facilitam a implementação do objetivo de 50% de participação  de cada parte, é muito mais barato e rápido.  22.  Aduz  que  os  referidos  bens,  direitos  e  obrigações  se  aportados  diretamente  na  Recorrente, eles seriam registrados em sua contabilidade pelos valores de mercado, e estariam  sujeitos  às  depreciações  e  amortizações,  por  exemplo,  os  direitos  de  exploração  das  lojas,  o  tratamento tributário seria idêntico ao do valor do ágio apurado, isto é, seriam amortizáveis e  dedutíveis de acordo com o art. 325, "c", do RIR, de 1999, pelo prazo contratual de exploração,  portanto, efeito fiscal semelhante ao adotado pela Recorrente.   23.  Além desse fato fragilizar a própria tese da simulação sustentada pela DRJ, acabaria  por  pressupor  que,  mesmo  na  hipótese  dela  ser  declarada,  a  presente  autuação  não  poderia  glosar a  integralidade das despesas com ágio, pois,  se declarado nulo o ato, ou  requalificado  para fins fiscais, por ser simulação, é obrigação da autoridade autuante imputar ao contribuinte  os  efeitos  fiscais  decorrentes  do  ato  considerado  real,  isto  é,  a  despesa  com  amortização  do  diferido,  nos  termos  do  art.  325  do  RIR/99,  da  situação  supostamente  real  encoberta  pela  simulação, não poderia deixar ser considerada, para efeito de recomposição do IR devido.  24.  Acosta  Parecer  Jurídico  relativo  ao  processo  15563.000871/2008­91,  doc.  36  da  impugnação.  154.  Vejamos,  novamente,  o  caminho  que,  aos  olhos  da  fiscalização, deveria ter sido adotado, qual seja, a incorporação,  pela  Recorrente,  das  sociedades  RIO  PATEA  e  SERRA  DO  ANDARAÍ,  sem  ter  participação  em  seus  capitais,  ainda  que  a  incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não  seria possível considerar o valor 'pago' ao resultado do período  a título de despesas.  155.  Ora,  se  a  incorporação  acima  ocorresse  sem  que  a  Recorrente tivesse participação direta nas sociedades Rio Patea  Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 10          9 e Serra do Andaraí, como queria a fiscalização, estaríamos ­ aí  sim ­ diante de uma operação atípica e pouco usual.  156. Como  já dito anteriormente,  se  "a  incorporação  fosse por  valor  superior  ao  valor  patrimonial  estaríamos  diante  de  uma  incorporação  a  mercado,  e,  necessariamente,  diante  de  um  caminho  mais  oneroso  sob  o  ponto  de  vista  tributário  ­  e  igualmente tortuoso.  157. Ora, fica claro que tanto a análise da Fiscalização quanto  da  DRJ  denunciam  apenas  e  tão  somente  a  busca  por  uma  alternativa de  reorganização que  se  coadune com os  interesses  arrecadatórios.  25.  E  sobre  a  "proximidade  temporal"  dos  atos  praticados,  é  irrelevante,  pois  cumpriram o seu papel e serviram às finalidades para as quais foram criadas e, muito ou pouco  é  questão  subjetiva;  destaca  que  se  passaram  2  meses  entre  a  assinatura  do  Protocolo  de  Intenções e o 1º Acordo, e a celeridade do processo de integração dos dois grupos é mérito, que  os  julgadores  transformaram  em  indício  de  simulação;  cita  as  sociedades  de  propósito  específico, de natureza transitória, como exemplo.  26.   Sobre  argumento  do  Acórdão  DRJ/JFA  de  que  "somente  o  efeito  tributário  intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas  em RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, o valor de R$10.000,00 aos direitos de cada um na  exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro", portanto,  que  visaram  de  rebaixar  artificialmente  o  valor  do  capital  social,  de  modo  a  maximizar  a  diferença  entre  este  e  as  avaliações,  ou  seja,  o  ágio,  justifica  que  se  os  aportes  da  CBD  e  SENDAS  foram  efetuados  em  valores  menores,  isto  se  deve  exclusivamente  ao  fato  dos  direitos  de  exploração  aportados  serem  intangíveis,  conforme  já  se  explicou  anteriormente  (pontos de venda e respectivos direitos sobre contratos de locação etc), e se tal aporte fosse a  mercado,  diretamente  na  Recorrente,  o  ativo  diferido  nela  reconhecido  também  geraria  amortização dedutível.  179. A situação do diferimento da tributação do ganho de capital  tratada pelo artigo 36 da Lei n^ 10.637/2002 é uma opção legal  dada ao contribuinte exatamente para a situação desse processo  administrativo,  não  cabendo  a  autoridade  fiscal  impedir  que  a  opção seja materializada por discordar da própria lei.  27.  Discorda  que  Acórdão  101.96.724  proferido  no  CARF,  aplicado  no  processo  nº  15563.00871/2008­91  (relativo  a  outro  contribuinte),  transcrito  no  Acórdão  DRJ/JFA  recorrido, se aplique ao presente:  186.  Na  verdade,  a  Recorrente  demonstrará  que:  (i)  os  fatos  discutidos  no  referido  acórdão  não  são  semelhantes  aos  fatos  aqui  tratados,  razão  pela  qual  aquele  acórdão  não  pode  ser  utilizado  como  paradigma  para  o  julgamento  ora  recorrido;  e  que  (ii)  o  voto  proferido  pela  Conselheira  Relatora  em  tal  acórdão, ao  tratar da  teoria de elisão e evasão fiscal esposada  pelo Prof. Marco Aurélio Greco, nada mais faz do que confirmar  a licitude das operações praticadas pela Recorrente  28.  Relata e demonstra, págs. 1.463/1.467, que se concluiu naquele processo:  Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 11          10 193. Portanto, toda a engenharia societária foi estruturada para  a  criação  de  vantagem  fiscal  nas  etapas  intermediárias,  posteriormente  suprimidas  (as  etapas,  não  as  vantagens)  para  que retornasse a situação inicial. Demonstrou­se, assim, que não  houve  propósito  negocial  ou  econômico  nas  operações  societárias.  194. Na reestruturação societária ocorrida no caso julgado pelo  acórdão  em  tela  a  criação  das  mencionadas  empresas  foi  artificial,  haja  vista  que  inexistiam  as  razões  econômicas  e  negociais na  constituição de ZBT, que acabou por desaparecer  para  que  restassem  as  empresas  Libra  Terminais  e  LIBRA,  conforme entendimento da I. Conselheira Relatora:  29.   Mas  que  o  presente  caso  é  o  oposto,  tratando­se  de  uma  associação  entre  dois  gigantescos  grupos  econômicos,  até  então  concorrentes,  e que  subsistiu durante 7  anos;  que,  analisado  o  conjunto  das  operações,  a  operação  foi  constituída  com  reais  interesses  econômicos,  acabando,  de  um  lado,  por  conferir  despesas  de  amortização  de  ágio  para  a  Recorrente, e por outro, receitas tributáveis para CDB e Sendas.  200.  Aliás,  este  fato  também  deve  ser  considerado:  o  reconhecimento  da  diferença  entre  o  valor  contábil  dos  ativos  transferidos e o correspondente valor de mercado dos mesmos,  atribuído por ocasião da subscrição e integralização de aumento  de capital, gerou como contrapartida um ganho de capital para  os subscritores, cuja tributação foi diferida em razão de expressa  disposição contida no art. 36 da Lei nº 10.637/02. Assim, pode­ se afirmar que nessa operação não se visou afastar a ocorrência  do  ganho  capital,  nem  evitar  que  essa  diferença  jamais  fosse  tributada.  30.  Quanto  à  alusão  ao  art.  116,  parágrafo  único  do  CTN,  pela  fiscalização,  sobre  desconsideração  de  ato  ou  negócio  jurídico  simulado,  pela  autoridade  administrativa,  norma  ainda não regulamentada nem auto­aplicável e portanto, não produz efeitos; cita ADI movida  pela  Confederação  Nacional  do  Comércio  ­  CNC;  e  que  só  seria  aplicável  nos  casos  de  simulação relativa.  31.  Aponta  erro  na  quantificação  da  exigência,  devido  à  falta  de  compensação  do  prejuízo  acumulado  e  bases  negativas  de  CSLL  de  períodos  anteriores,  conforme  Sapli,  fls,  810/816, que  levam em conta as glosas procedidas em outros autos de  infração. E anexa aos  autos  a  DIPJ  2014/2013,  doc.  01;  quanto  aos  anos­calendário  2014  e  2015,  a  obrigação  acessória  equivalente  passou  a  ser  a  Escrituração  Contábil  Fiscal  ­  ECF,  cujos  dados  estão  disponíveis  aos  julgadores;  invoca  os  arts.  250,  III,  509,  §  1º  e  510,  do  RIR  de  1999,  que  estabelecem o direito; também o CARF reconhece e pode ensejar a nulidade do lançamento: à  pág. 1.472, demonstra que os montantes das exigências seriam reduzidos:   a.  no  ano­calendário 2011: o  IRPJ de R$36.099.611,69 a R$25.262.528,18; o de  CSLL de R$13.004.500,21 para R$9.103.150,15.  b.  no  ano­calendário 2012: o  IRPJ de R$25.938.092,36 a R$18.156.664,65; o de  CSLL de R$9.337.713,25 para R$6.536.399,28.  Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 12          11 32.  Reclama  que  o Acórdão  deixou  de  apreciar  o  pedido  de  cancelamento  da multa,  invoca o art. 112, I do CTN, e diz que:   227.  A  orientação  jurisprudencial  desperta  confiança  legítima  nos  contribuintes,  que  adotam  práticas  com  base  nas  decisões  proferidas  pelos  órgãos  de  julgamento,  agindo  com  boa­fé  objetiva,  que  deve  ser  observada  pelos  julgadores,  de  modo  a  não ser mantida a penalidade aplicada.  (...)  230. O órgão administrativo de julgamento no âmbito de tributos  federais  tem  enfrentado  a  questão  da  boa­fé,  tendo  chegado  a  afastar a aplicação de multa de ofício, ou de reduzi­la, com base  no  instituto  penal  do  "erro  de  proibição",  em  razão  da  nova  orientação adotada naquela Instância de julgamento.  (..)  235. O artigo 76 da Lei n.s 4.502, de 1964, estabelece que não  serão  aplicadas  penalidades,  enquanto  prevalecer  o  entendimento,  aos  que  tiverem  agido  ou  pago  o  imposto  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal,  inclusive  de  consulta,  seja  ou  não  parte  o  interessado.  33.  Advoga a impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício,  com base nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002; diz que a cobrança afronta o art. 161 do  CTN, o Princípio da legalidade do art. 5º, II da CF de 1988 e do art. 97 do CTN; ofende o art.  2º, I da Lei nº 9.784, de 1994 e oas arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e ao  contraditório e ampla defesa do art. 5º, LV, da CF de 198, e ainda:  Tal  fato,  tal  penalidade  (juros  sobre  multa  de  ofício)  não  foi  objeto  de  regular  lançamento  e,  assim,  não  foi  conferida  à  Recorrente  para  contestá­la  previamente  à  constituição  definitiva do mesmo.  34.  Em 27/04/2017, apresentou Petição:  (...)  com  fundamento  no  art.  151,  III,  do  CTN1,  requerer  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  objeto  deste  processo,  haja  vista  a  interposição,  tempestiva,  de  Recurso  Voluntário,  o  qual  será  apreciado  pelo  Eg.  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  O  interesse  de  agir  da  Peticionante  decorre  do  fato  de  o  processo  em  referência  constar  no  "Relatório  de  Situação  Fiscal" com o status "Débitos/Pendências na Receita Federal":  Desse modo,  com  fundamento  no  art.  151,  III,  do CTN,  requer  seja o banco de dados atualizado, de modo a excluir o processo  em  referência  do  status  "Débitos/Pendências  na  Receita  Federal".  Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 13          12 Voto             Conselheira  EvaMaria Los, Relatora  1  Preliminar de decadência.  35.  A argumentação de que o ágio se originou em período de apuração já atingido pela  decadência,  para  pleitar  que  a  glosa  da  amortização  autuada  em período  inferior  a  5  (cinco)  anos da data da autuação, já foi frequentemente objeto de decisões administrativas; citem­se:  Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR  /  RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE   Data da Sessão: 03/10/2017   Nº Acórdão: 9101­003.131   Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008  DECADÊNCIA.  INOCORRÊNCIA.O  prazo  decadencial  relativamente à glosa de despesas de amortização de ágio inicia­ se  com  a  dedução  de  tais  despesas  pelo  contribuinte,  sendo  irrelevante  para  seu  cômputo  o  momento  em  que  ocorridas  operações societárias que originaram o ágio.  ÁGIO  INTERNO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  AMORTIZAÇÃO.Inadmissível  a  formação  de  ágio  por  meio  de  operações realizadas dentro do grupo econômico.    Acórdão: 1301­002.608   Data de Publicação: 22/01/2018   Ementa: Assunto:  Imposto  sobre  a Renda de Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2008  Ementa:  DECADÊNCIA.  Na  hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele  em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do  evento  registrado  na  contabilidade,  mas  sim,  a  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores  em  que  esse  evento  produziu  o  efeito de reduzir o tributo devido.     36.  Reitera­se, portanto, os argumentos do Acórdão CARF 401­001.624, proferido no  processo nº 15563.720259/201133, do mesmo contribuinte e relativo ao mesmo ágio:  Não  há  que  se  falar  de  decadência  do  lançamento  referente  à  glosa  de  ágio,  justamente  porque  a  contagem  inicial  do  prazo  decadencial  toma  como  marco  inicial  não  o  momento  da  formação  do  ágio  como  quer  fazer  crer  a  recorrente,  mas  o  momento de sua dedutibilidade. Isso porque a contabilização do  ágio,  na  operação  de  integralização  de  aumento  de  capital,  enseja mero  lançamento  contábil  de  natureza  patrimonial,  sem  repercussão imediata na determinação do lucro líquido, do lucro  real e da base de cálculo da CSLL. Diante da não ocorrência de  fato  gerador,  não  há  possibilidade  jurídica  de  lançamento  de  ofício  e,  conseqüentemente,  de  início  da  contagem  do  prazo  decadencial, bem como esclareceu a DRJ:  Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 14          13 105.  Conforme  o  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  a  contagem  do  prazo  decadencial  não  se  inicia  no momento  de  formação  do ágio, mas a partir do fato gerador.  Considerando que a apuração do lucro real foi anual, e que  as despesas glosadas competiam aos anoscalendário 2007 e  2008,  os  fatos  geradores  ocorreram  em  31/12  daqueles  anos. Portanto, o termo final do prazo decadencial é 31/12  de  2012  e  2013,  respectivamente.  Como  a  ciência  do  lançamento ocorreu em 27/12/2011 (fls. 4.298, 4.303, 4.309  e 4.315), não houve decadência.  37.  Afasta­se, portanto, a decadência.  2  Mérito.  2.1  ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO.  38.  Como se expõe a seguir, não é possível caracterizar as operações societárias como  simuladas, em sua essência ­ foi publicamente reconhecido, inclusive por órgãos fiscalizadores  que a associação teve objetivos estratégicos e perdurou por 7 anos, como relata o Recorrente.  39.  O questionamento do Autuante e da DRJ se centra: a) nas estapas operacionais para  atingir a associação, consideradas como executadas de  forma a gerar ágio dedutível, ou seja,  simuladas, pois seriam desnecessárias; b) e se tratar de operação entre partes relacionadas.  2.2  DIREITO À AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO.  40.  O Recorrente informa que, no período autuado, foi uma  joint venture (associação)  dos  grupos  empresariais  CBD  e  Sendas,  do  ramo  de  comercialização  (supermercados),  que  perdurou  desde  2004  (com  a  participação  de  50%  de  cada  grupo,  no  capital  social  e  no  processo decisório) até 2011, quando o grupo CBD, adquiriu a participação do grupo Sendas,  terminando a associação.  2.3  Cabe ter me mente o que significa joint venture na forma societária, que foi o caso; cite­ se:  Fonte:  http://www.ambito­ juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6843,  Parcerias  empresarias “joint ventures”, Eliane M. Octaviano Martins:  Juridicamente,  inexiste definição  legal exata que possa abarcar  um  conceito  universal,  delimitando  com  precisão  a  expressão.  Joint  venture  é  um modelo  de  estratégia. Doutrinariamente  ou  jurisprudencialmente  predomina  a  imprecisão  terminológica,  o  que torna a joint venture um conceito “fluído”.[5] Joint venture  é uma figura jurídica que contempla as associações e as alianças  estratégicas  entre  empresas.  Constitui  forma  associativa  sui  generis. É modelo jurídico nascido e desenvolvido da prática dos  mais  variados  campos  de  negócios,  reconhecida  pela  jurisprudência  e  configurada  por  contratos  formais.  Sua  aplicação extende­se desde um simples contrato de colaboração,  até a união total de sociedades numa única empresa.  Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 15          14 Joint  venture  ou  merger  significa  fusão  ou  associação  de  capitais;  participação  acionária;  transação  ou  operação  conjunta, na qual o aporte de capital pode ser um mix de bens  tangíveis ou bens  líquidos.[6] Para Carlos Alberto Bittar,  joint  venture é conceituada como o “ajuste tendente a combinação de  capitais ou de técnicas entre empresas diferentes, com ou sem o  surgimento  de  nova  personalidade  jurídica”.[7]  Joint  venture  pode  ser  entendida  também  como  operação  conjunta,  participação acionária, associação de capitais, transferência de  tecnologia  ou  empreendimentos  determinados,  plasmados,  de  imediato –sob  forma  societária própria, como acontece com as  instituições  de  sociedade  anônima  ou  limitada  –  ou  não,  para  poder  alcançar  de  forma  progressiva  a  maturação  no  relacionamento  –  que  é  restrito  no  início,  a mera  participação  societária. Seria uma espécie recente de ação empresarial e que  vem  colocando­se  no  lugar  das  operações  de  aquisição  de  empresa, ou de controle, no qual os parceiros mantêm posições  equilibradas  ou  ajustadas,  contribuindo  em  numerário,  ou  em  bens,  tecnologia, etc. [8] Len Young Smith e G. Gale Roberson  definem  a  joint  venture  como  ”a  modalidade  de  ‘partnership’  temporária, organizada para a execução de um único ou isolado  empreendimento  lucrativo  e  usualmente,  embora  não  necessariamente,  de  curta  duração.  É  uma  associação  de  pessoas que combinam seus bens, dinheiro, esforços, habilidade  e  conhecimentos  com  o  propósito  de  executar  uma  única  operação negocial e lucrativa.” [9]  (...)  3. FORMAS DE “JOINT VENTURE”  A característica essencial de uma  joint venture é a  intenção de  realizar um projeto ou empreendimento comum, utilizando ou a  forma societária com a criação de uma empresa, esta assumindo  nova  e  distinta  personalidade  jurídica;  ou  então  na  forma  contratual,  criando  uma  associação  regida  por  contratos  de  associação.  Constituirão  as  corporate  ou  non  corporate  joint  ventures  ,  e  caso  os  co­ventures  aportem  ou  não  recursos  financeiros,  teremos  as  chamadas  equity  e  as  non  equity  joint  ventures.  (...)  3.2.“Joint ventures” societárias  A característica essencial de uma joint venture societária[18] é  a  intenção  de  realizar  um  projeto  ou  empreendimento  comum,  com a criação de uma empresa, esta assumindo nova e distinta  personalidade jurídica.  [5] Rae v. cameron, 112 Mont 159, 168, 114 p. 2d. 1060 (1941),  apud Luiz Olavo Baptista, in A Joint Venture – Uma Perspectiva  Comparatista, Revista de Direito Mercantil, ano XX, 42, abr/jun  81. (...)  Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 16          15 [6]  Cf.  Dicionário  Inglês/Português  para  economistas  e  Contabilistas. Fonte citada – sem demais referências na obra de  U. V. Rasmussen, op.cit.  [7]  BITTAR,  Carlos  Alberto.  Contratos  comerciais.  Rio  de  janeiro: Forense Universitária, 1994. 2ª ed., p. 213.  [8] idem.  [9]  SMITH,  Len  Young  e  ROBERSON, G.  Gale,  in  the  law  of  Corporations. Mineola, N.Y.  :  The Foundation Press,  Inc.  1971  apud  PENTEADO,  Mauro  R.,.  Consórcios  de  Empresas.  São  Paulo : Livraria Pioneira Editora, 1979. p. 129.  [18] BASSO, Maristela in Joint Ventures – Manual Prático das  Associações  Empresariais  .  Porto  Alegre  :  Livraria  do  Advogado,  1998,  p.  47  :  “A  distinção  entre  as  joint  ventures  societárias  (corporate)  e  as  não  societárias  (non  corporate)  resulta  da  existência,  na  primeira,  de  elementos  específicos  do  contrato  de  sociedade,  em  especial  :  a)  a  entrada  com  que  os  participantes  contribuem  para  possibilitar  a  execução  em  comum  do  projeto  ou  operação;  b)  a  repartição  de  lucros  ou  prejuízos;  c)  o  interesse  comum  dos  participantes  de  que  a  associação atinja  seus objetivos,  em  razão do qual  exercem ou  controlam a gestão do empreendimento”.  41.  Após Protocolo de Intenções, em 08/12/2003, os dois grupos assinaram Acordo de  Investimento e de Associação em 05/02/2004, págs. 1.170/1.187:  a.  1.2, informa que o grupo Sendas é controlado pela Sendas Empreendimentos;  b.  1.3.  que  o  grupo  Pão  de  Açucar  (CBD)  pelas  sociedades  PAIC,  Península  e  Nova Península;  c.  a associação objetiva explorar sinergias, visando economia de escala, mediante  a constituição de uma nova empresa regional de distribuição;  d.  2.3  a  gestão  e  administração, via Diretoria Executiva,  inteira  responsabilidade  da CBD;  e.  ambos grupos aportarão  todos os estabelecimentos que possuem no Estado do  Rio de Janeiro.  42.  Na consecução do objetivo de se associarem, foram seguidos os seguintes passos,  após terem os:  a.  págs. 416/450, da parte do grupo Pão de Açucar, foi constituída a empresa Rio  Patea Empreendimentos e Participações Ltda (Rio Patea), na qual a Companhia  Brasileira  de  Distribuição  (CBD)  e  a  Novasoc  Comercial  Ltda  (Novasoc)  ingressaram  como  sócias  com  capital  R$100,00  (50%  cada)  e  aumentaram  o  capital para R$114.729.239,00 subscrito da seguinte forma:  Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 17          16 i.  CBD: 14.950 quotas, com: R$4.950,00 ­ moeda e R$10.000,00 ­ direitos  de  exploração  do  fundo  de  comércio  de  suas  lojas;  resultaram  15.000  quotas detidas;  ii.  Novasoc: 114.714.189 quotas: R$4.950,00 ­ moeda e R$114.709.239,00  ­ de contas a receber e direitos de exploração do fundo de comércio de  suas lojas ­ resultaram 114.714.239 quotas;  iii.  data 29/02/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004;  iv.  na mesma data, CBD e Novasoc retiram­se da sociedade e transferem o  total das quotas para Sé Supermercados Ltda (Sé), a serem pagas em 2  (dois) anos;  resulta que a Rio Patea torna­se subsidiária  integral da Sé,  única sócia; data 29/02/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004;  v.  Sé  (sócia  da  Sendas  Distribuidora  S/A,  que  é  a  Recorrente),  considerando  que  aprovou  aumento  de  capital  na Recorrente mediante  conferência  da  totalidade  das  quotas  da  Rio  Patea,  cede  e  transfere  á  Recorrente  as  ditas  quotas;  data  02/03/2004,  data  registro  na  JUCESP  19/04/2004;  vi.  Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente, incorpora a Rio Patea (sua  subsidiária  integral)  e  a  extingue;  data  30/04/2004,  data  registro  na  JUCESP 30/06/2004;  vii.  Comentário:  as  integralizações  e  transferências  entre  as  empresas  do  grupo se deram a valores contábeis e os direitos de exploração de fundos  de comércio a valores inferiores aos de mercado.  b.  págs.  480/570,  da  parte  do  grupo  Sendas,  foi  constituída  a  empresa  Serra  do  Andaraí  Empreendimentos  e  Participações  Ltda  (Andarai)),  na  qual  a  Sendas  S/A  ingressou  como  sócia  com  capital  R$100,00  (100%)  e  aumentou­o  para  R$15.000,00 subscrito da seguinte forma:  i.  4.900  quotas,  com:  R$4.900,00  ­  moeda  e  R$10.000,00  ­  direitos  de  exploração  do  fundo  de  comércio  de  suas  lojas;  resultaram  15.000  quotas, de capital de R$15.000,00, resultando a Andaraí sua subsidiária  integral; data 29/02/2004, data registro na JUCERJ 28/05/2004;  ii.  Sendas  S/A  (sócia  da  Sendas  Distribuidora  S/A,  que  é  a  Recorrente),  considerando  que  aprovou  aumento  de  capital  na Recorrente mediante  conferência  da  totalidade  das  quotas  da  Andaraí,  cede  e  transfere  à  Recorrente  as  ditas  quotas;  data  02/03/2004,  data  registro  na  JUCESP  19/04/2004;  iii.  Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente, incorpora a Andaraí (sua  subsidiária  integral)  e  a  extingue;  data  30/04/2004,  data  registro  na  JUCERJ 28/05/2004;  Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 18          17 iv.  Comentário: a integralização na Andaraí se deu a valores contábeis e os  direitos  de  exploração  de  fundos  de  comércio  a  valor  inferior  ao  de  mercado.  c.  págs. 565/568, ingressam como acionistas na joint venture Sendas Distribuidora  S/A, que é a Recorrente:  i.  CBD,  800  ações  com  voto  ­  40%; Novasoc,  200  ­  10%  e Sendas  S/A  1.000  ­  50%;  total  2.000  ações,  no  valor  de  R$2.000,00;  data  29/02/2004, data registro na JUCERJ 29/03/2004;  ii.  é  aprovado  aumento  do  capital  para  R$900.002.000,00;  são  emitidas  500.000.000  ações  ordinárias  e  400.000.000  ações  preferenciais,  todas  nominativas e sem valor nominal; preço de emissão R$1,00/ação; foram  subscritas e integralizadas da seguinte forma:   15. 000 quotas Andaraí a valor de mercado 31/12/2003,   R$853.904.369,00, Laudo Anexo IV  250.000.000 AO       R$(­) 325.209.265,75, valor contábil 31/01/2004,   acervo líquido (PL) da Sendas S/A, Laudo Anexo V  Sendas S/A ­ 450.000.000   ações (50%)      200.000.000 AP  a serem pagos em 4 anos, com atualização  CBD ­ 25.002.941   ações (2,78%)  25.002.941 AO  R$25.002.940,72 valor contábil 31/01/2004,   acervo líquido (PL), Laudo Anexo I  Novasoc ­ 2.019.192   ações (0,22%)  2.019.195,75 AO    R$2.019.195,75 valor contábil 31/01/2004,   acervo líquido (PL), Laudo Anexo II  222.977.864 AO Sé ­ 422.977.864   ações (47%)  200.000.000 AP  114.729.239 quotas CS Rio Patea a valor de mercado   31/12/2003, R$618.340.702,00, Laudo Anexo III  iii.  data 29/02/2004; data registro na JUCERJ 29/03/2004;   iv.  Comentário:  a  joint  venture  societária  se  materializou  com  a  integralização supra, em que cada um dos grupos passou a deter 50% de  todo  o  capital,  e  50% do poder  decisório,  dado  que  cada  um passou  a  deter 50% das AO e 50% das AP.   v.  págs.  692/697  ­  Protocolo  de  Incorporação  e  Justificação  da  incorporação das suas subsidiárias Rio Patea e Andaraí pela Recorrente:  1.  Rio Patea: PL R$114.729.239,00;  2.  Andaraí: PL R$15.000,00  3.  A  incorporação  não  acarreta  aumento  do  CS  da  incorporadora  (Recorrente)  4.  As  incorporadas  são  extintas;  data  15/04/204;  registro  na  JUCERJ 31/05/04.  d.  pág.  730,  demonstrativo  apresentado  pela  Sendas  Distribuidora  S/A  (Recorrente) do valor de ágio que contabilizou:  Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 19          18 Empresa  Vlr. do Patrimônio  da Empresa a preço  de Mercado cfe  laudo  Vlr. Do  patrimônio da  Empresa  utilizado  Ágio em  Investimento  Subscrição de  Capital  Rio Patea  618.340.702,00  422.977.864,00  308.248.625,00  114.729.239,00  Andaraí  853.904.369,00  575.209.265,71  575.194.265,71  15.000,00  i.  Comentário:  os  valores  de  mercado  da  Rio  Patea  e  da  Andaraí  contabilizados  pelo  Recorrente  foram  inferiores  aos  apontados  nos  Laudos de Avaliação; desta forma, obteve­se a participação de 50% de  cada um dos grupos:  1.  Pão  de  Açúcar:  R$  (422.977.864,00+25.002.940,72+2.019.195,75)=450.000.000,47;  2.  Sendas:  R$(575.209.265,71­ 325.209.265,75+200.000.000,00)=449.999.999,96.  3.  Os  ágios  apurados  foram,  respectivamente R$308.248.625,00  e  R$575.195.265,71.  4.  Vigia no ano calendário 2004 o art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de  dezembro de 2002:  Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da  base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da  pessoa  jurídica,  a  parcela  correspondente  à  diferença  entre  o  valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao  patrimônio de outra pessoa  jurídica que  efetuar a  subscrição e  integralização,  e  o  valor  dessa  participação  societária  registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica.  (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do  Livro de Apuração do Lucro Real  (Lalur) e somente deverá ser  computado na determinação do lucro real e da base de cálculo  da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido:  (Revogado pela  Lei nº 11.196, de 2005)  I  ­  na  alienação,  liquidação  ou  baixa,  a  qualquer  título,  da  participação  subscrita,  proporcionalmente  ao  montante  realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005)  II  ­  proporcionalmente  ao  valor  realizado,  no  período  de  apuração em que a pessoa  jurídica para a qual a participação  societária  tenha  sido  transferida  realizar  o  valor  dessa  participação,  por  alienação,  liquidação,  conferência  de  capital  em outra pessoa  jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado  pela Lei nº 11.196, de 2005)  §  2o  Não  será  considerada  realização  a  eventual  transferência  da participação societária  incorporada ao patrimônio de outra  pessoa  jurídica,  em  decorrência  de  fusão,  cisão  ou  Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 20          19 incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela  Lei nº 11.196, de 2005) (Grifou­se.)  5.  Comentário:  a  legislação  permitia  diferir  a  tributação  do  ganho  de capital, no caso, pelas empresas Sé e Sendas S/A.  2.4  OPERAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS.  43.  O  Recorrente  foi  alvo  de  autuações  relativas  ao  ágio  amortizado,  relativo  à  operação descrita, nos processos:  a.  15563.000871/2008­91, relativo ao ano­calendário 2005; Acórdão CARF 1.401­ 001.623, de 04/05/2016  b.   15563.720259/2011­23  ­  relativo  aos  anos­calendário  2006,  2007  e  2008;  Acórdão CARF 1401­001.624 de 04/05/2016.  c.  15563.720356/2013­98­ relativo aos anos­calendário 2009 e 2010;  d.  15563.720.274/2015­13, que é o que aqui se julga.  44.  Os dois Acórdãos citados foram proferidos pelo mesmo Conselheiro do CARF; no  que tange ao direito à dedutibilidade do ágio em questão, assim se pronunciou:  Discordo  da  DRJ  em  algum  de  seus  fundamentos,  porém,  o  lançamento deve  ser mantido,  principalmente  porque  existe  um  ponto principal descrito no auto de infração com o qual estou de  pleno  acordo  e  que  também  foi  abordado  com  um  dos  fundamentos da DRJ.  (...)  A  parte  relevante  da  defesa  concentra­se  em  demonstrar  o  propósito  negocial  como  um  todo  na  associação  do  grupo  Sendas com o grupo Pão de Açúcar (CBD).  De  fato,  se  visto  sob  um  ponto  de  vista  geral,  as  operações  descritas  de  reestruturação  e  reorganização  do  grupo  sendas  com  o  grupo  Pão  de  Açúcar  não  careceram  de  propósito  negocial. O propósito negocial da associação efetuada é um fato  notório,  porém  a  forma  como  se  deu  é  que  macula  o  aproveitamento  do  ágio.  Na  verdade,  vendo  os  fatos  de  forma  retrospectiva  a  partir  do  que  se  desenrolou  no  futuro  pode­se  concluir que essa associação  inicial  foi uma etapa do processo  de  aquisição  do  grupo Sendas  pelo  grupo Pão  de Açúcar, mas  que  até  o momento  dos  fatos  aqui  tratados  tal  aquisição ainda  não havia se dado. Porém, se a ausência de propósito negocial  pode  ser  uma  condição  que  por  si  só  possa  invalidar  o  planejamento  tributário,  a  simples  presença  dela  não  é  uma  condição  suficiente  para  validá­lo,  isso  porque  pode  ocorrer  outras situações que maculem o planejamento como de fato foi o  que ocorreu, senão vejamos.  Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 21          20 E  o  ponto  crucial  dessa mácula  encontra­se  no  fato  de  que  as  partes  deixaram  de  ser mterdependentes  na medida  em  que  os  Grupos  Pão  de  Açúcar  e  Sendas,  apesar  do  seu  histórico  de  concorrência, passaram a não mais disputar o mercado entre si.  e  uniram  esforços  para  alcançar  objetivos  comuns, que  passou  inicialmente pela tentativa de formarem uma joint venture.  Na  verdade,  o  que  aconteceu  foi  que  essa  joint  venture  que  se  consubstanciou na criação da SENDAS Distribuidora deixando  o  controle  acionário  na  mesma  de  forma  paritária,  ou  seja,  sendo dividido entre os dois grupos envolvidos (Grupo Sendas e  o grupo Pão de Açúcar (CBD).  Toda a cadeia de eventos que se deu nas empresas de passagens  Serra  do  Andaraí  (SENDAS)  e  Rio  Patea  (CBD),  em  curto  espaço  de  tempo,  nada  mais  é  do  que  destacar  os  ativos  e  direitos de exploração de cada um dos grupos para  fazer parte  da Recorrente, reavaliar esses ativos a preço de mercado e. por  fim, aproveitar o ágio de si mesmo.  É  como  se  cada  um  dos  grupos  (CBD  e  Sendas)  fizesse  separadamente e dentro do seu próprio grupo tais operações de  reavaliação  do  ativo  e  não  as  tributasse,  gerando  o  conhecido  ágio interno e no caso também, o ágio de si mesmo, sabidamente  não oponível ao Fisco.  (...)  Causa espanto o fato de a CBD e SENDAS terem atribuído, nas  integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO AND ARAÍ,  o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração  do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de  Janeiro.  Esse  aviltamento  proposital  só  foi  possível  com  a  certeza  de  que  havia  uma  estruturação  passo  a  passo  no  caminho  de  formarem  uma  única  empresa  com  participações  equitativas  (meio  a  meio)  onde  o  ganho  adviria  através  da  criação de um ágio  fictício,  porque  foi  sobrevalorizado através  do  aviltamento  inicial  dos  valores  patrimoniais  dessas  integralizações  (capital  social  inicial).  O  passo  seguinte  sena  avaliá­las  agora  sim  a  preço  de  mercado  e  obter  o  ágio  sobrevalorizado a ser deduzido.  (...)  Nas operações objeto de análise nestes autos, os Grupos Pão de  Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, não  disputavam mercado entre si, mas uniam esforços para alcançar  objetivos  comuns. Somente  o  efetivo  tributário  intragrupo pode  explicar  o  fato  de  CBD  e  SENDAS  terem  atribuído,  nas  integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO AND ARAÍ,  o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração  do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de  Janeiro.  A  prova  e  quantificação  do  erro  no  valor  das  integralizações  são os próprios  laudos  confeccionados  segundo  a  capacidade  de  geração  de  resultados  futuros.  Em  vez  de  atender  a  algum  propósito  negocial,  o  objetivo  foi  rebaixar  Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 22          21 artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a  diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio.  Esse aviltamento do capital  social se deu  justamente porque as  partes deixaram de respeitar um critério super importante para  a validade da existência do ágio, que é o fato de as partes serem  interdependentes, onde as aquisições se dão a preço de mercado.  Essa situação conduziu inexoravelmente também a existência do  denominado  "ágio  de  si  mesmo",  também muito  bem  colocado  tanto pelo autuante quanto pela DRJ.  (...)  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  as  operações  em  sequencia  terminaram produzindo o ágio interno e o ágio de si mesmo. Na  prática, o ágio de si mesmo denota que não houve nem aquisição  envolvendo terceiros. E de fato, não houve. O que houve, como  já  se  disse  alhures,  foi  apenas  que  os  dois  grupos  resolveram  reavaliar seus ativos, equalizando os preços um com o outro de  forma  paritária  (meio  a  meio),  onde  o  fiel  da  balança  foi  o  aporte financeiro feito pelo grupo Pão de Açúcar na Rio Patea.  Ao  final  tais  ativos  foram  acomodados  na  SENDAS  DISTRIBUIDORA também meio a meio. Ou seja, não houve até  esse  ponto,  qualquer  aquisição  de  um  grupo  pelo  outro,  mantendo­se a independência cada qual do seu acervo original.  Como  também  já  se disse,  aqui  se  tratou apenas de uma etapa  preparatória  para  um  futura  aquisição  do  grupo  Sendas  pelo  grupo Pão de Açúcar, que de fato ocorreu depois dos fatos aqui  tratados.  Portanto,  comprovada  está  o  abuso  de  direito  na  medida  que  pelas provas dos autos constatou­se que os valores atribuídos às  integralizações  nas  sociedades  de  passagem  foram  artificialmente rebaixados, com o objetivo de maximizar o ágio  dos investimentos, conforme comprovam os laudos de avaliação;  bem assim também ficou caracterizada a existência do chamado  "ágio  de  si  mesmo"  em  operações  intragrupo  que  também  macula toda a operação.  45.  Do transcrito supra, esta relatora concorda com a existência de ágio de si mesmo no  conjunto de operações efetuadas.  46.  Nas operações descritas, a Sendas Distribuidora S/A (Recorrente) teve seu aumento  de capital mediante, entre outros, as quotas da Rio Patea e da Andaraí, com ágio; no entanto, a  Sendas Distribuidora S/A era, tanto antes desta operação como depois, constituída de 50% pelo  Grupo Pão de Açúcar e 50% pelo Grupo Sendas; os bens conferidos foram 50% Grupo Pão de  Açúcar  e  50%  pelo  Grupo  Sendas;  o  ágio  da  Rio  Patea  resultou  de  bens  do Grupo  Pão  de  Açúcar  a  ela  conferidos,  que  o  mesmo  Grupo  Pão  de  Açúcar  via  quotas  da  Rio  Pátea,  integralizou  na Sendas Distribuidora S/A  (Recorrente);  e  analogamente  o Grupo Sendas,  via  Andaraí.  47.  Não se vislumbra a participação de uma terceira parte da negociação e definição do  valor dos bens reavaliados.  Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 23          22 48.  Ambos Grupos, em paralelo, aportaram seus bens no Recorrente de forma paritária  e tornaram­se proprietários de forma paritária na sociedade resultante (Recorrente).  49.  A observação do Acórdão citado, de que ambas  reavaliaram seus próprios bens  é  correta.  50.  Assim,  tal ágio não preenche os  requisitos de dedutibilidade da sua amortização ­  uma das partes na  transação, pode­se dizer,  fora,  50% cada  grupo;  e a outra parte,  foram os  mesmos.  Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR  /  RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE   Data da Sessão: 12/09/2017   Nº Acórdão: 9101­003.077   Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010  ÁGIO  INTERNO.  AMORTIZAÇÃO.  INDEDUTIBILIDADE.A  hipótese  de  incidência  tributária  da  possibilidade  de  dedução  das  despesas  de  amortização  do  ágio,  prevista  no  art.  386  do  RIR/1999,  requer  a  participação  de  uma  pessoa  jurídica  investidora  originária,  que  efetivamente  tenha  acreditado  na  "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para  sua aquisição.Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão  do  fato  de  alienante  e  adquirente  integrarem  o  mesmo  grupo  econômico,  evidencia­se  a  artificialidade  da  reorganização  societária  que,  carecendo  de  propósito  negocial  e  substrato  econômico,  não  tem  o  condão  de  autorizar  o  aproveitamento  tributário  do  ágio  pretendido  pela  contribuinte.Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  2.5  DUPLICIDADE  51.  Acusa  que  a  glosa  das  despesas  de  amortização  do  ágio  ocorreu  em  duplicidade,  pois o valor integral do saldo de ágio registrado de R$439.013.328,40 foi glosado no processo  nº 15563.720259/2011­33.  52.  Destaque­se que o equívoco que o recorrente aponta já foi objeto de correção tanto  pelo Acórdão DRJ, como pelo CARF, conforme se transcreve a seguir:  2)  ÁGIO  AMORTIZADO  EM  2008  (EQUÍVOCO  NA  APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL)      Tabela 1  Infração  Ano­calendário  Valor no lançamento  Valor mantido  Amortização de ágio indedutível  2007  91.969.359.62  91.969.359.62  Amortização de ágio indedutível  2008  439.013.328,40  93.377.359,38  A  DRJ  acertadamente  cancelou  parte  do  ágio  considerado  amortizado pela fiscalização no ano calendário de 2008, por se  tratar  na  verdade  de  uma  confusão  feita  pelo  autuante  ao  não  conseguir distinguir o lançamento da provisão determinada pela  IN CVM 319/99, art. 6°, § 1° do ágio efetivamente amortizado.  Conforme  Tabela  II  abaixo,  diferentemente  do  que  aconteceu  Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 24          23 para  ano  calendário  de  2006  e  2007,  na  DIPJ  2009  (Ano  calendário  de  2008),  tanto  o  ágio  quanto  a  provisão  foram  lançados  conjuntamente  na  linha  27,  de  modo  que  o  valor  informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão  (R$  498.652.236,71  R$  345.635.969,02  =  R$  153.016.267,69).  Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38  (=  R$  592.029.596,09  R$  498.652.236,71),  e  não  R$  439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como  considerou a fiscalização.  A DRJ bem esclareceu essa falta de distinção:  106. Na  tabela abaixo,  constam os  valores declarados nas  DIPJ  2008  e  2009  (fls.  42  e  86),  Ficha  36A,  Linhas  27  "Ágios  em  investimentos"  e  30  "(­)Deságios  e  provisões  para perdas prováveis em investimentos".  Linha\Data  31/12/2006  31/12/2007  31/12/2008  27  683.998.955,71  592.029.596,09  153.016.267,69  30  474.182.830,94  410.359.583,87  973.967,99      107. Para 31/12/2007 (DIPJ 2008), segundo o Interessado,  foi declarado na linha 27 o valor do ágio em investimentos,  enquanto, na linha 30,  foi lançada a provisão determinada  pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1°. Na DIPJ 2009,  tanto o  ágio  quanto  a  provisão  foram  lançados  na  linha  27,  de  modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o  ágio  menos  a  provisão  (R$  498.652.236,71  R$  345.635.969,02  =  R$  153.016.267,69).  Portanto,  o  ágio  amortizado  em  2008  seria  de  R$  93.377.359,38  (=  R$  592.029.596,09  R$  498.652.236,71),  e  não  R$  439.013.328,40  (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69),  como considerou a fiscalização.  108.  Para  provar  suas  alegações,  junta  aos  autos  o  "Balanço analítico consolidado em dezembro­08" (Doc. 10,  fls.  4.857/4.860),  em  que  constam  os  valores  de  498.652.236,71  e  345.635.969,02  a  título  de  ágio  e  provisão;  e  a  nota  explicativa  n°  11  de  demonstrações  contábeis  publicadas  no  DOE  (Doc.  11,  fls.  4.861/4.865),  que registra amortização de 93.377 mil em 2008.  109. Acrescento que na Ficha 5A da DIPJ 2009, linha 21, fl.  71,  o  Interessado declarou  "Encargos  de Amortização"  no  valor de R$ 93.377.359,38.  110. Por todo o exposto, considero comprovado que no ano  de 2008 a amortização de ágio foi de R$ 93.377.359,38.  Em face dos argumentos expostos na decisão recorrida, os quais  aqui os encampo integralmente, nego provimento ao recurso de  ofício.  Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 25          24 53.  À vista do exposto, evidencia­se que o erro já foi sanado, desde que foi proferido o  Acórdão supra, na sessão de julgamento ocorrida em 04 de maio de 2016.  2.6  ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE  CÁLCULO NEGATIVAS.  54.  Reclama que, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL exigidos, deixaram  de  ser  consideradas  as  possíveis  compensações  de  prejuízos  acumulados  e  bases  de  cálculo  negativas de períodos anteriores, conforme Sapli, fls, 810/816, que levam em conta as glosas  procedidas em outros autos de infração. E anexa aos autos a DIPJ 2014/2013, doc. 01; quanto  aos anos­calendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração  Contábil Fiscal  ­ ECF, cujos dados estão disponíveis aos  julgadores;  invoca os arts. 250,  III,  509, § 1º e 510, do RIR de 1999, que estabelecem o direito; também o CARF reconhece e pode  ensejar  a nulidade do  lançamento:  à pág. 1.472, demonstra que os montantes das  exigências  seriam reduzidos:   a.  no  ano­calendário 2011: o  IRPJ de R$36.099.611,69 a R$25.262.528,18; o de  CSLL de R$13.004.500,21 para R$9.103.150,15.  b.  no  ano­calendário 2012: o  IRPJ de R$25.938.092,36 a R$18.156.664,65; o de  CSLL de R$9.337.713,25 para R$6.536.399,28.  55.  O  mesmo  questionamento  foi  interposto  no  processo  nº  15563.720259/201­33,  referente  aos  períodos  de  apuração  2007,  2008  e  2009,  no  qual  julgou­se  improcedente  (Acórdãos DRJ e CARF) a infração Saldo Credor de Caixa e a  infração mantida (relativa ao  ágio)  teve  o  IRPJ  e  CSLL  correspondentes  compensados  com  prejuízo  e  saldo  negativo  do  próprio período, não restando exigências, de forma que a questão não chegou a ser objeto de  análise por perda de objeto; consta do Acórdão DRJ que os saldos de prejuízos fiscais e bases  negativas  da  CSLL  dos  anos­calendário  2006  a  2008  foram  alterados  para:  R$(­)  142.242.919,99, R$(­)13.151.784,45 e R$(­)138.859.674,45, respectivamente.  56.  No processo nº 15563.720356/2013­98, referente aos anos­calendário 2009 e 2010,  em que a autuação foi mantida pela DRJ, com IRPJ e CSLL a exigir, o questionamento não foi  apresentado na impugnação, nem foi objeto de decisão pela DRJ; o recurso voluntário aguarda  decisão no CARF.  57.  No  presente  processo,  anos  ­calendário  2011  e  2010,  a  questão  foi  levantada  na  impugnação, tendo a DRJ se pronunciado no sentido de que não havia prova destes prejuízos e  bases negativas  No  entanto,  essa  comprovação  fica  prejudicada  tendo  em  vista  que a empresa não apresentou, até a presente data, DIPJ para  os  anos  base  2014  e  2015,  como  se  constata  no  sistema  de  controle da RFB. Assim, não é possível confirmar se a empresa  mantém  prejuízo  fiscal  passível  de  compensação ou  se  esse  foi  absorvido no citados exercícios de 2015 e 2016.Verifica­se que,  no  presente  processo,  foi  efetuada  a  compensação  de  prejuízo  que o Recorrente havia apurado, do período autuado, mas não  de períodos anteriores, na autuação relativa a 2011, pág. 777, e  nenhuma  compensação  de  prejuízos  em  2012,  pág.  779;  analogamente, na apuração da CSLL, págs. 788 e 789.  Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 26          25 58.  O  recorrente,  corretamente  argumentou  que  anexa  DIPJ  2014/2013,  doc.  01  e  quanto  aos  anos­calendário  2014  e  2015,  a  obrigação  acessória  equivalente  passou  a  ser  a  Escrituração Contábil Fiscal ­ ECF, disponível na RFB.  59.  A legislação permite a compensação até o limite de 30% do lucro, portanto, o pleito  é procedente, desde que efetivamente existam.  60.  Os demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais (Sapli), pág. 810/816, não  registram que o Lucro Real de 2010  tenha sido alterado em função das autuações fiscais dos  anos precedentes e de 2011 e 2012.  61.  Contudo,  a  quantificação  dos  prejuízos  acumulados  e  das  bases  de  cálculo  negativas disponíveis para compensação depende dos deslindes finais dos julgamentos dos  processos que precederam este, e que são: 15563.000871/2008­91, do ano­calendário 2005;  15.563.720259/2011­33, anos 2006, 2007 e 2008; 15.563.720356/2013­98, anos 2009 e 2010  e ainda de  se  levar em conta  eventuais valores  consumidos  em compensações nos anos­ calendário posteriores, ocorridos antes da decisão final deste processo.  62.  Em  síntese,  a  reclamação  é  procedente,  porém  não  há  elementos  para  quantificar o montante a que  teria direito, no momento desta decisão administrativa, o  que  somente  será  verificado  por  ocasião  da  implementação  da  decisão  no  presente  processo.  2.7  MULTA DE OFÍCIO 75% CANCELAMENTO, ART. 112, I DO CTN  63.  O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de  infração, foi o art. 44,  I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº  11.488, de 2007:   Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  64.  Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de  75%  o  legalmente  previsto  para  o  lançamento  de  ofício,  não  se  podendo,  em  âmbito  administrativo,  reduzi­lo  ou  alterá­lo  por  critérios  meramente  subjetivos,  contrários  ao  princípio da legalidade.  65.  Considerações  sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a  discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não  dando margem  a  conjecturas  atinentes  à  ocorrência  de  efeito  confiscatório  ou  de  ofensa  ao  princípio da proporcionalidade. Nesse  sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse  a  análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes,  em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142,  parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem  ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário.  Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 27          26 66.  Desse  modo,  deve­se  considerar  correta  a  aplicação  da  multa  de  lançamento  de  ofício ao percentual de 75%, definido  em  lei,  sobre o valor de  impostos  e contribuições não  recolhidos.  2.8  JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO NÃO ADIMPLIDA. INCIDÊNCIA.  67.  A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não  extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no  art. 113 do CTN.  68.  Esse  é  também o  entendimento  do  STJ  sobre  o  assunto,  conforme  se  observa  na  ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  Entendimento  de  ambas  as  Turmas  que  compõem  a  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  2/6/2010.  2.  Agravo  regimental  não provido.  69.  A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a  aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento,  uma vez que passa a integrar o crédito tributário.  Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de 5 de abril de 2016  Ementa: (...)  JUROS SOBRE MULTA  Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o  seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos  43 e 61 da Lei n° 9.430/96.    Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma  Sessão de 24 de fevereiro de 2016  Ano calendário:2007  Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A multa  de  ofício,  sendo parte  integrante  do  crédito  tributário,  está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro  dia  do  mês  subsequente  ao  do  vencimento.  Selic  exigida  nos  termos da lei.    Recurso nº Voluntário  Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de 03 de março de 2016  Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2006  Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 28          27 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE.  Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito  tributário”.  Este  decorre  da  obrigação  principal  que,  por  sua  vez, inclui também a penalidade pecuniária.    70.  O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina:   Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.  (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  71.  Note­se  que  no caput  do  art.  61,  o  texto  é  “débitos  [...]  decorrentes  de  tributos  e  contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes”  evidencia que o  legislador não quis  se  referir,  apenas aos  tributos e contribuições em  termos  estritos para todas as situações.   72.  Finalmente a Súmula CARF nº 5:  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.   73.   E o CTN determina:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.   Art. 139. O crédito  tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.   74.  Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por  objeto  também  a  penalidade  pecuniária.  Consequentemente,  o  entendimento  sumulado  compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas.  2.9  SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO.  75.   Determina o Código Tributário Nacional ­ CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966,  art.  151,  III,  que Suspendem a  exigibilidade do  crédito  tributário,  as  reclamações  e os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo,  portanto,  descabe procedimento de cobrança, em tal situação.  Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 29          28 3  Conclusão    Voto  por  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário,  apenas  para  reconhecer  o  direito  a  compensação  de  prejuízos  e  bases  de  cálculo  da  CSLL  comprovadamente disponíveis por ocasião da implementação da decisão.  (assinado digitalmente)  Eva Maria Los    Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15563.720274/2015­13  Acórdão n.º 1201­002.104  S1­C2T1  Fl. 30          29                             Fl. 1577DF CARF MF

score : 1.0
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Numero do processo: 10166.722229/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRADIÇÃO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO. Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo, sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual, deve ser sanado o vício pela exclusão da referência à matéria não litigiosa que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão.
Numero da decisão: 2201-004.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanar, nos termos do voto da Relatora, a decisão constante do Acórdão nº 2403-000.877. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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2201­004.278  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de março de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DEPOSITO AVATAR LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  CONTRADIÇÃO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO.  Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo,  sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual,  deve  ser  sanado  o  vício  pela  exclusão  da  referência  à matéria  não  litigiosa  que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em conhecer  e  acolher  os  embargos  para  sanar,  nos  termos  do  voto  da  Relatora,  a  decisão  constante  do  Acórdão nº 2403­000.877.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.      EDITADO EM: 22/03/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 22 29 /2 00 9- 14 Fl. 944DF CARF MF     2 Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se de embargos de declaração apresentados pela Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional (fls. 929/932) em face do Acórdão nº 2403­000.877 da 3ª Turma Ordinária,  4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, em face de suposta omissão relativa à fundamentação  da  decisão  no  que diz  respeito  à  retroatividade  da  legislação  que  estabelece  penalidade pelo  descumprimento de obrigação acessória.  Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 933/934, que reconheceu  a omissão nos seguintes termos:  O  fundamento  do  embargo  é  que  o  acórdão  embargado  incide  em  omissão  no  que  tange  à  retroatividade  da  obrigação  acessória,  uma  vez  que  em  momento  nenhum  foi  exposta  na  fundamentação motivação deste entendimento. A questão não foi  sequer ventilada na fundamentação do acórdão.   Tendo em vista  a extinção da  turma que prolatou  a decisão  embargada, os  autos foram incluídos em lote sorteado em sessão pública a esta conselheira.  É o que havia para ser relatado.    Voto             Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  Conforme bem apontou a autoridade embargante, o Acórdão nº 2403­000.877  tratou em sua fundamentação apenas de dois assuntos: a exclusão do contribuinte do Simples e  a incidência das contribuições previdenciárias sobre o Auxílio Alimentação. Não tendo acatado  os  argumentos  do  recurso  voluntário  em  qualquer  uma dessas matérias,  concluiu  por  "negar  provimento ao recurso".  Ocorre,  porém, que o dispositivo do Acórdão contém  texto que não condiz  com o que foi tratado na fundamentação:  ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em  dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da  multa,  com  base  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  ao  artigo  32­A da Lei  8.212/91  com prevalência  da mais  benéfica  ao contribuinte. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva  na questão da tributação do PAT.  Apesar  dessa  constatação,  entendo  que  não  se  trata  de  omissão  na  fundamentação,  mas  de  contradição  entre  ela  e  o  dispositivo,  que  deve  ser  sanada  com  a  alteração deste último.  Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.722229/2009­14  Acórdão n.º 2201­004.278  S2­C2T1  Fl. 945          3 Com  efeito,  contrariando  a  conclusão  do  texto  do  acórdão  em  negar  provimento ao recurso, o dispositivo lhe deu parcial provimento para determinar o recálculo da  multa.  Esta  matéria,  contudo,  não  apenas  não  foi  tratada  na  fundamentação,  como  não  foi  objeto  de  recurso  voluntário  (fls.  908/913),  já  que  foi  reconhecido  pela  própria  decisão  recorrida a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica.  Aliás, essa matéria é objeto de tratamento pelo art. 476­A da IN RFB nº 971,  de 2009, e a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, estabelece que este cálculo deverá  ser  refeito  no  momento  do  pagamento  ou  parcelamento,  independente  de  requerimento  do  interessado. É o que determina, sem embargo, o seguinte dispositivo:  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento. (grifou­se)  Assim, seja porque a administração tributária  já reconhece a necessidade de  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica,  seja  porque  ela  foi  expressamente  reconhecida  pela  decisão  da  DRJ,  bem  como  porque  não  houve  qualquer  pedido  nesse  sentido  no  recurso  voluntário, quando da sua análise, essa matéria não se encontrava em litígio, sendo inadequada  a referência a ela para fins de provimento do recurso.     Conclusão  Com base no exposto, voto por conhecer e prover os embargos de declaração,  para  determinar  que  seja  sanada  a  contradição  verificada  no  Acórdão  2403­000.877  ­  4ª  Fl. 946DF CARF MF     4 Câmara/3ª Turma Ordinária, através da alteração de seu dispositivo, que passa a ter a seguinte  redação:  ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em  negar  provimento  ao  recurso.  Vencido  o  conselheiro  Jhonatas  Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT.  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora                                Fl. 947DF CARF MF

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