Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13603.720214/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.
A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.720214/2010-39
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843761
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.233
nome_arquivo_s : Decisao_13603720214201039.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 13603720214201039_5843761.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7174154
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007377018880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 500 1 499 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.720214/201039 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.233 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente Transportadora Andrade Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado. Recurso voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão de piso, por bem descrever os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 14 /2 01 0- 39 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 501 2 Tratase de compensação de direito creditório reconhecido judicialmente nos autos da ação ordinária nº 96.00087342, distribuída em 10/04/1996, junto à Seção Judiciária de Minas Gerais, por meio da qual a Autora buscou a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2445/88 e 2449/88 requerendo, ainda, a compensação dos valores recolhidos indevidamente a este título com parcelas vincendas da mesma contribuição. A decisão de primeira instância acolheu o pedido para declarar o direito da Autora compensar os pagamentos de PIS efetuados com base nos DecretosLeis até a vigência da Medida Provisória n° 1.212/95, com parcelas vincendas da própria exação. Foi reconhecida, também, a aplicação da correção monetária com a utilização dos índices do IPC por refletirem os expurgos inflacionários quanto aos meses de janeiro/89, março/abril/maio/90 e fevereiro/91 e, a partir de 01.01.96, a aplicação da Taxa SELIC. O TRF da 1ª Região reformou parcialmente a decisão monocrática, dando parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional, para excluir da sentença a condenação em expurgo inflacionário referente a fevereiro/91, incidindo nesse mês o INPC, em vez do IPC. A remessa oficial foi julgada prejudicada. A ação transitou em julgado em 10/02/2004. O crédito reconhecido judicialmente foi habilitado conforme Parecer Sacat, de 16 de maio de 2005 (cópia, fls. 190/191), expedido nos autos do processo administrativo nº 13601.000104/200518. Posteriormente foram transmitidas as declarações de compensação relacionadas nas fls. 02/04 do presente processo. Mediante DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON Nº 599, de 11 de maio de 2010 (fls. 278/290), a autoridade administrativa jurisdicionante procedeu à valoração do direito creditório no montante de R$ 591.448,02, atualizado até 06/2005. Em sequência, concluiu por homologar parcialmente as compensações realizadas, argumentando que o contribuinte extrapolara os termos da decisão transitada em julgado a qual, segundo seu entendimento, autoriza somente a compensação dos créditos PIS com débitos da própria contribuição. Na esteira desse raciocínio, a autoridade administrativa entendeu por bem exigir os saldos devedores decorrentes da compensação não homologada. Cientificada da decisão em 17/05/2010 (fl. 297), a Recorrente apresentou, em 16/06/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 341/344 alegando, em síntese, que: • A decisão judicial, transitada em julgado em 14/12/2004 lhe garantiu o direito à compensação do PIS pago com base nos DL 2445/88 e 2449/88 até a vigência da MP 1212/95. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 502 3 • A decisão passada em julgado lhe assegura a aplicação dos expurgos inflacionários. • Seus cálculos estão de acordo com os critérios definidos na decisão passada em julgado, quais sejam: IPC Acumulado de Fev/91 a Jan/92, Variação da UFIR até 31/12/1994 e, após esta data, SELIC, pois, “é a partir desta data que a Receita Federal atualiza seus débitos fiscais”. • Os cálculos da RFB não traduzem o que dispõe a decisão judicial e não incorporam a SELIC a partir de 01/01/1995. • A SELIC Acumulada utilizada nos cálculos da RFB, no percentual de 189,69%, não corresponde ao acumulado de Janeiro/1995 a Junho/2005 cujo valor correto é de 224,77%. • A Receita Federal deve aplicar ao contribuinte o mesmo percentual de juros que cobra quando existe um pagamento em atraso, onde o que se apresenta é muito inferior. • A compensação foi efetuada conforme o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com quaisquer tributos administrados pela RFB. • Quando do ajuizamento da ação nº 96.00087342 não estava em vigor a Lei nº 9.430/96 e a referida lei se sobrepõe a qualquer decisão. • O valor de seu direito creditório é de R$ 852.900,54, conforme planilha acostada. Por fim, pede que seja homologada toda a compensação realizada, com a consequente extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inc. II do código Tributário Nacional. A 1ª Turma da DRJ/BHE, acórdão n° 0243.518, acolheu em parte a impugnação da empresa, com decisão assim ementada: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. SUPERVENIÊNCIA DE LEGISLAÇÃO MAIS FAVORÁVEL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie poderão ser compensados com débitos próprios, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. A decisão transitada em julgado produz efeitos nos estritos termos em que foi passada, sendo passíveis de Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 503 4 compensação, até o limite do direito creditório, os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte A comando veiculado pela DRJ compreendeu: 1) Determinar que a DRF de origem refizesse os cálculos de apuração do crédito referente ao PIS, observando estritamente os critérios de atualização monetária explicitados na decisão judicial passada em julgado, reconhecendose eventual diferença, caso fosse apurado direito creditório maior do que o já reconhecido. 2) Determinar que DRF de origem operacionalizasse a homologação das compensações com débitos de outros tributos/contribuições administrados pela RFB além do PIS, até o limite do crédito reconhecido. A manifestação do contribuinte, nas efls. 481492, foi recebida pela Delegacia de origem como recurso voluntário, encaminhando autos ao CARF. Nessa oportunidade, a Recorrente consignou: a) Apresenta à DRF de origem os novos cálculos efetuados com base na decisão transitada em julgado, conforme quando apresentado no acórdão, bem como dos valores passíveis de compensação e os impostos/contribuições que pelo novo valor não foram possíveis compensar. b) Solicita a homologação dos referidos cálculos, bem como compensação dos débitos ali apresentados e ainda, que seja lançada em conta corrente para posterior quitação dos débitos grafados na planilha de “Valores não compensados, a saldar”. A planilha segue nas efls. 483492. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo, mas não deve ser conhecido em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça e a decisão proferida pela DRJ. Explico. A decisão de piso tratou de dois pontos: valor do direito creditório apurado pela DRF/Contagem e o alcance da coisa julgada, no que diz respeito aos débitos passíveis de compensação. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 504 5 Quanto ao primeiro ponto, valor do direito creditório apurado pela DRF/Contagem, a DRJ se manifestou contrária à não homologação das compensações com outros débitos que não o PIS. Isso porque a Ação n° 96.00.087342 foi distribuída junto à 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 09/04/1996, data anterior à vigência da Lei nº 9.430/1996. Logo, era vigente à época do ajuizamento, a Lei nº 8.383/91 que a autorizava, apenas, a compensação entre tributos da mesma espécie (art. 66). A DRJ verificou que no acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região houve o reconhecimento do direito à compensação de PIS com PIS apenas. Ao fim, acertadamente, a DRJ entendeu pela aplicação do art. 74, da Lei n° 9.430/1996. Ressaltese que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. É o caso dos autos. Nesse sentido, as manifestações da COSIT: Solução de Divergência COSIT nº 2, de 22 de setembro de 2010 DOU 11/11/2010. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Caput e § 1º do art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 505 6 MP nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro 2002. Solução de Consulta COSIT nº 382, de 26 de dezembro de 2014 DOU 03/03/2015 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão nº 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Pôssas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido a compensação de Cofins com parcelas da própria Cofins. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em suma, os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 506 7 compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos (com exceção das contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional), diante da legislação superveniente mais benéfica que não tenha sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Toda essa digressão foi feita para ressaltar o acerto da decisão da DRJ, o que não foi contestado na peça, recebida pela DRF como “recurso voluntário”. Cálculo do direito creditório do contribuinte Quanto ao segundo ponto, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os DecretosLeis inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70. A DRJ verificou que nem todos os índices utilizados pela RFB na atualização dos créditos estavam de acordo com os critérios de atualização definidos na decisão judicial. O comando judicial dispôs: A sentença determinou a aplicação da correção monetária com a utilização dos índices do IPC que refletem os expurgos inflacionários quanto aos meses de janeiro/89, março/abril/maio/90 e fevereiro/91, em conformidade com precedente indicado à fl. 279 (AC n° 2000.01.00.0510751/MG, Rel. Desembargador Federal Hilton Queiroz, DJU de 22.09.2000), devendo, a partir de 01.01.96, ser aplicada a Taxa SELIC, não como juros de mora. Salientese que, em embargos de declaração opostos contra o acórdão proferido nos autos do processo indicado, houve a reforma da decisão para excluir da condenação os juros moratórios, entendidos como incabíveis quando o pedido é de compensação de tributos lançados por homologação, vez que o procedimento depende, exclusivamente, da iniciativa do contribuinte. Com efeito, afiguraseme que a repetição de indébito é, em tudo, semelhante a uma ação indenizatória, pois o pedido decorre de cobrança ilícita de tributo pelo Fisco. Assim sendo, a reparação deve ser completa, e, para tanto, a correção monetária deve ser plena, não sujeita a expurgos. Tenho que o índice que melhor reflete a desvalorização da moeda no período de janeiro/89 a janeiro/91 é o IPC. Tendo a apelante se irresignado contra a condenação em expurgos inflacionários, tenho deve ser mantida a sentença no capitulo que determinou a aplicação do IPC, no que se refere aos meses de janeiro/89, março/abril e maio/90, merecendo, contudo, acolhida, a apelação, apenas no tocante ao mês de fevereiro/91, tendo em vista que se firmou a jurisprudência do STJ3 e desta Corte no sentido de que, nesse mês, a correção deve ser feita pelo INPC. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 507 8 Ao passo que o Despacho Decisório DRF/CON nº 599 afirmou obediência às regras de correção definidas na Norma de Execução Cosit/Cosar nº 08/97: “adaptada aos expurgos inflacionários definidos na sentença, a qual contempla os índices de correção monetária previstos até 31.12.91; a variação da UFIR ocorrida entre 01.01.92 a 31.12.95; e ainda a SELIC acumulada a partir de 01/96 até a data da Dcomp, sendo 1% no mês do encontro de contas”. O quadro a seguir, elaborado pelo voto condutor, mostra a divergência na aplicação de índices: Logo, a conclusão da DRJ foi no sentido de refazimento dos cálculos de apuração do crédito referente ao PIS, observando estritamente os critérios de atualização monetária explicitados na decisão judicial, reconhecendose o eventual direito creditório a maior do que o já reconhecido. Por essa razão, o contribuinte apresentou a planilha de efls. 483492, que está sujeita a conferência e confirmação da exatidão pela DRF de Origem, na execução deste acórdão. Ao apresentar essa planilha, o contribuinte expressamente concordou com o decidido pela DRJ. Mais uma vez, não há pontos controvertidos entre a peça do recurso e a decisão da DRJ. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ. (assinado digitalmente) Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 508 9 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900874/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado com certificado digital)
Jorge Lock Olmiro Freire - Presidente.
(assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13819.900874/2010-76
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851588
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.306
nome_arquivo_s : Decisao_13819900874201076.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 13819900874201076_5851588.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado com certificado digital) Jorge Lock Olmiro Freire - Presidente. (assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7201377
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007380164608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 957 1 956 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.900874/201076 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.306 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de março de 2018 Assunto OPÇÃO SIMPLES. RESSARCIMENTO IPI. Recorrente ELEVADORES OTIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado com certificado digital) Jorge Lock Olmiro Freire Presidente. (assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos com créditos de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 1º trimestre de 2006, declarado no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 00 87 4/ 20 10 -7 6 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 958 2 PERDCOMP n° 29428.71173.100506.1.3.014405. Parte do crédito não foi reconhecido pelos motivos indicados nos seguintes termos no despacho decisório: " Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal." (e fl. 460) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada parcialmente procedente pelo Acórdão n.º 1053.739 da 3ª Turma da DRJ/POA, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. GLOSA DE CRÉDITOS. MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM ADQUIRIDOS DE EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. Não geram direito a créditos as aquisições de MP, PI e ME adquiridos de empresa optante pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (efl. 921) Intimada desta decisão em 28/03/2016 (efl. 928), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 26/04/2016 (efls. 929/935) alegando, em síntese, a validade do crédito de IPI que teria sido indevidamente glosado, vez que nenhuma nota fiscal emitida por seus fornecedores listados no PER/DCOMP apontavam qual seria o regime fiscaltributário por eles adotado, sendo que a consulta ao site da Receita Federal confirmou que nenhum deles seria optante do SIMPLES no período de apuração do pedido (01/2006 a 03/2006). Salienta ainda que quase a totalidade das notas fiscais traz o destaque do IPI. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, entendo que o processo não se encontra em condição para julgamento. A inconformidade da Recorrente se restringe à glosa de créditos considerados indevidos por se referirem à aquisição de empresas enquadradas no SIMPLES (irregularidade 7). As notas fiscais objeto da glosa foram relacionadas na planilha às efls. 463/467. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente trouxe informação obtida no site na Receita Federal confirmando que as empresas relacionadas na referida Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 959 3 planilha não seriam optantes do SIMPLES no período em que as notas fiscais foram emitidas, qual seja, janeiro/2006 a março/2006 (efls. 507/524). A título de exemplo, apenas para melhor visualizar a informação trazida pela Recorrente, vejamos o que consta quanto a fornecedora DEBORA AKEMI YAMASHITA UEMURA EPP (CNPJ 05.095.352/000191). Conforme tela de Consulta do Simples da Receita Federal, trazida pela Recorrente, essa empresa seria "NÃO optante pelo Simples Nacional" (efls. 507/508), informação que pode ser atualizada no site da Receita (http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/aplicacoes.aspx?id=21): ü efl. 508: tela anexada pela Recorrente da consulta da opção pelo SIMPLES: ü Tela obtida em consulta ao sistema do SIMPLES (em 28/12/2017): Contudo, essa informação não foi enfrentada pela decisão recorrida. Com efeito, atentandose por sua vez para as razões da decisão recorrida, observase que o I. Julgador não Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 960 4 analisou esses documentos, afirmando que somente uma das empresas identificadas teria apresentado a DIPJ com a opção pelo lucro presumido (o que ensejou no reconhecimento da validade do crédito), sendo que as demais teriam apresentado a DIPJ com a opção pelo SIMPLES1. As telas foram anexadas aos presentes autos em arquivo não paginável. Vejamos a título de exemplo a informação da referida fornecedora DEBORA AKEMI: Contudo, conforme se depreende da disciplina normativa vigente à época da emissão da DIPJ 2007, no art. 1º, §2º da Instrução Normativa n.º 696/2006, as empresas optantes pelo SIMPLES não eram obrigadas a entregar a DIPJ 2007, obrigação esta que atingia apenas as empresas que foram excluídas deste regime: "Art. 1ºAs pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, bem como as imunes ou isentas do Imposto de Renda, deverão apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao exercício de 2007 (DIPJ 2007), conforme disposto nesta Instrução Normativa. (...) § 2ºO programa de que trata o § 1ºdeverá ser utilizado, também, pelas pessoas jurídicas referidas no caput que forem: I extintas, cindidas parcialmente, cindidas totalmente, fusionadas ou incorporadas durante o anocalendário de 2007; II excluídas do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no anocalendário de 2006, em relação ao período posterior à exclusão." (grifei) Isso porque as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES deveriam apresentar não a DIPJ, mas sim a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ), na forma da Instrução Normativa n.º 692/2007: "Art. 1º Aprovar o programa gerador e as instruções de preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples 2007, a ser apresentada, obrigatoriamente, pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativa ao anocalendário de 2006, exercício de 2007." Assim, a informação trazida na decisão recorrida não é contundente quanto ao enquadramento das empresas no SIMPLES, vez que se as empresas apresentaram DIPJ 2007, 1 "Por bem solucionar o litígio, realizouse consulta ao sistema IRPJ relativa aos estabelecimentos emitentes em questão, cujas telas são anexadas à este voto, revelando que apenas o estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 01.716.725/000143, à época dos fatos, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, sob o regime do Lucro Presumido, e que os demais apresentaram suas DIPJ sob o regime do SIMPLES. (...)" (efl. 924) Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 961 5 há a possibilidade de elas não serem enquadradas no SIMPLES, sendo necessário que elas tivessem apresentado a DSPJ 2007. Sob esta perspectiva e considerando as informações constantes dos presentes autos, ainda remanesce dúvida quanto à possibilidade da Recorrente ter conhecimento da opção das empresas fornecedoras no regime do SIMPLES ou mesmo se essas empresas teriam optado por esse regime no ano de 2006. Diante desta dúvida, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) elabore uma planilha relacionando todos os fornecedores da Recorrente objeto das glosas identificadas na Planilha 1 do Despacho Decisório efls. 463/467 (cuja glosa permanece em discussão após a decisão de 1ª instância), identificados por nome e CNPJ. Nesta planilha informar se as empresas eram optantes pelo SIMPLES no período de janeiro/2006 a março/2006. Caso positivo, anexar aos autos os documentos comprobatórios da opção, dentre os quais a tela que comprove a entrega pela empresa da DSPJ 2007. (ii) na hipótese de se confirmar a opção pelo SIMPLES de quaisquer das empresas fornecedoras da Recorrente, informar em um relatório, para cada uma delas: (ii.1) se pelas informações publicadas pela Receita Federal era possível que a Recorrente verificasse a opção da empresa no SIMPLES. Neste ponto, informar qual a base de dados pública considerada para consulta do período de janeiro/2006 a março/2006; e (ii.2) se nas notas fiscais emitidas pela empresa (relacionadas na Planilha 1 do Despacho Decisório efls. 463/467) constava a informação da opção pelo SIMPLES e o destaque do IPI. Para este ponto, elaborar uma planilha relacionando as notas fiscais que não trazem a informação de opção pelo SIMPLES e as que não trazem destaque do IPI, considerando as notas fiscais constantes dos presentes autos (efls. 525/918) ou intimando a Recorrente para apresentar notas fiscais que não estejam acostadas aos autos. Com a conclusão da diligência, a Recorrente deverá ser intimada do seu resultado para manifestação, se assim desejar, em 30 (trinta) dias. Em seguida, os autos deverão retornar para este Conselho para julgamento. É como voto a presente Resolução. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721984/2016-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.RECIBOS.
É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma.
Numero da decisão: 2002-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.RECIBOS. É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11040.721984/2016-81
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852792
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.018
nome_arquivo_s : Decisao_11040721984201681.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
nome_arquivo_pdf_s : 11040721984201681_5852792.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7209729
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007385407488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 189 1 188 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.721984/201681 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.018 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria IRPF DESPESAS MÉDICAS Recorrente VOLNI RABASSA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.RECIBOS. É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 84 /2 01 6- 81 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11040.721984/201681 Acórdão n.º 2002000.018 S2C0T2 Fl. 190 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física. De acordo com o relato da fiscalização, o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual dedução de valores a título de despesas médicas. Tais valores foram glosados, em razão de terem sido apresentados recibos sem carimbo do profissional, assinatura, endereço, data, inscrição no conselho de classe, entre outros, além de ter apresentado recibo de 2011 (fls. 53 a 57). A glosa do valor de R$ 16.300,00 implicou em lançamento de imposto suplementar de R$ 4.482,50 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizou o valor de R$ 9.619,44. Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 11/10/2016 (fl. 58) e protocolou sua peça no dia 07/11/2016 (fl. 2 e 3), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: questiona as despesas lançadas para as quais alega apresentar documentos com os requisitos legais; o art. 80 do Decreto 3.000/99 dispõe que as despesas médicas são dedutíveis do IRPF desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea; havendo indícios de irregularidades na dedução de tais despesas deve a autoridade fiscal diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do ilícito tributário; os próprios profissionais de saúde ratificaram, por declaração, os serviços prestados ao contribuinte, o que permite à Receita Federal a fiscalização do recolhimento do imposto de renda sobre os honorários recebidos; as despesas médicas foram apresentadas pelo contribuinte à Receita Federal, revestindose de idoneidade suficiente e valor probatório hábil a permitir a dedução dos valores do imposto de renda; para afastar a presunção de boafé, é necessário que o Fisco comprove a existência de fraude, demonstrando ser indevida a dedução das despesas médicas realizadas pelo contribuinte. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11040.721984/201681 Acórdão n.º 2002000.018 S2C0T2 Fl. 191 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 5); procuração (fl. 6); documento de identidade da procuradora (fl. 7); cópia da notificação de lançamento (fl. 8 e ss); recibos (fl. 14 a 34); certidões negativas (fl. 35, 36, 38 e 41); dados do dentista (fl. 37); print telas com dados de profissionais de saúde (fl. 39, 40 e 42). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário (fls. 95 a 99), porque a dedução de despesas médicas está sujeita à comprovação à critério da autoridade lançadora e a comprovação compreende o pagamento do serviço médico a ser feito nos moldes do art. 80, § 1º, III do Decreto 3.000/99. Verificouse que os recibos apresentados não atendem os requisitos legais. No mais, o contribuinte não juntou as declarações emitidas pelos profissionais como alega. Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 11/08/2017 (fl. 103) e protocolou sua peça no dia 11/09/2017 (fl. 104), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 106 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: a ausência de endereço e/ou carimbo do profissional responsável pela emissão do recibo médico/dentista/psicólogo pode ser suprida de ofício, por meio das informações existentes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; acosta todos os recibos contendo os endereços dos profissionais; a ausência do endereço por si só não acarreta glosa da dedução, pois o contribuinte poderá utilizar outros meios de prova, afastando assim a glosa; não existem modelos específicos para tais documentações, bastando que o contribuinte demonstre por qualquer meio idôneo os gastos em que incorreu, mesmo que não sejam atendidas todas as especificações solicitadas pela Receita Federal; 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11040.721984/201681 Acórdão n.º 2002000.018 S2C0T2 Fl. 192 4 todos os documentos apresentados pelo recorrente constam os CPF, os registros profissional, os valores, a descrição das despesas e estão assinados pelos profissionais que prestaram os serviços, portanto, resta comprovado o pagamento realizado com gastos médicos, dentistas e psicólogos; ainda que os recibos não contenham todas as informações, os documentos juntados pelo recorrente não podem ser desconsiderados por pequenos erros formais, que não maculam a idoneidade da documentação. A mera falta do endereço ou carimbo do profissional não tem condão de impossibilitar o seu uso como documentação hábil a ensejar a dedução dos gastos com saúde da base de cálculo do IRPF; a autoridade administrativa poderá agir de ofício para suprir a ausência do endereço do prestador de serviço, nos recibos apresentados pelos contribuintes com a finalidade de serem deduzidas suas despesas médicas/psicólogas/dentistas, cabendo a ela o julgamento a respeito das informações apresentadas pelos contribuintes, contidas nos sistemas da RFB; Por fim, requer o acolhimento do recurso para o cancelamento do débito fiscal reclamado. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 109); recibos (fl. 111 a 174); cópia demonstrativo de débito (fl. 175); cópia acórdão DRJ (fl. 177 e ss); cópia DARF (fl. 183); cópia intimação acórdão (fl. 184); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 108) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11040.721984/201681 Acórdão n.º 2002000.018 S2C0T2 Fl. 193 5 Do mérito O ônus de provar que tem direito às deduções de imposto que lhe beneficiam é do contribuinte e não do Fisco. O art. 80, § 1º, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000/99 determina que: Art. 80. Na declaração de rendimento poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º) (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Assim, somente poderão ser deduzidos os pagamentos cujos comprovantes contenham todos os dados exigidos pela norma. No mais, o art. 73 do mesmo diploma dispõe que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Diante das normas supracitadas, verificase que apesar da legislação estabelecer a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas (art. 80, § 1º, III, RIR/99), a norma não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. De acordo com a fiscalização, os recibos apresentados contém inúmeras falhas. O contribuinte em seu recurso voluntário admite a existência dessas falhas, tentando apenas transferir ao Fisco o ônus de suprilas ou tornar tais falhas sem importância. Contudo, os recibos devem obedecer os requisitos exigidos pela norma, não havendo espaço para dispensa de tais exigências. Assim, como os recibos apresentados pelo sujeito passivo não preenchem tais requisitos, as deduções não poderiam ter sido feitas. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11040.721984/201681 Acórdão n.º 2002000.018 S2C0T2 Fl. 194 6 Conclusão Diante do exposto, é cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma. Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003521/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
Não cabe a aplicação de multa de ofício quando o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa à época do início de qualquer procedimento fiscalizatório, em razão da inocorrência de descumprimento de dever de pagar o tributo.
AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5.
Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula nº 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3402-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não cabe a aplicação de multa de ofício quando o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa à época do início de qualquer procedimento fiscalizatório, em razão da inocorrência de descumprimento de dever de pagar o tributo. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5. Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula nº 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.003521/2002-41
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830231
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.888
nome_arquivo_s : Decisao_10930003521200241.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10930003521200241_5830231.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7121248
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007396941824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.003521/200241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.888 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria PIS Recorrente Plaenge Engenharia Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não cabe a aplicação de multa de ofício quando o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa à época do início de qualquer procedimento fiscalizatório, em razão da inocorrência de descumprimento de dever de pagar o tributo. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5. Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula nº 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 35 21 /2 00 2- 41 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Por bem relatar o feito, reproduzo abaixo trechos da decisão da DRJ: 1. Trata o presente processo do Auto de Infração n°0000597, as fls. 06/10, em que são exigidos R$ 20.766,62 de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e R$ 15.574,97 de multa de ofício, essa com fundamento no art. 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 1° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 44, I e § 1°, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 2. O lançamento fiscal originouse de Auditoria Interna nas DCTEs retificadoras do terceiro ao quarto trimestres de 1997, em que se constatou, para os períodos de apuração de julho a dezembro de 1997, "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO 4110 PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA" (fl. 07), tendo como enquadramento legal. arts. 1° e 3°, "b", da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; art. 83, 1II, da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1° da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 2°, I e parágrafo único, e arts. 3°, 5°, 6° e 8 0, I, da Medida Provisória n° 1.495 11, de 2 de outubro de 1996, e reedições; art. 2°, I e § 1°, e arts. 3 0, 5°, 6° e 8°, I, da Medida Provisória n° 1.546, de 18 de dezembro de 1996, e reedições; art. 2°, I e § 1°, e arts. 3°, 5°, 6° e 8°, I, da Medida Provisória n° 1.62327, de 12 de dezembro de 1997, e medições. 3. Às fls. 08/09, no "ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS", constam valores informados nas DCTFs, a título de "VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como "Exigibilidade Suspensa", em face do Processo n° 96.20110811, não foram confirmados, sob a ocorrência "Proc jud de outro CNPJ". À fl. 10, "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR". 4. Cientificada da exigência fiscal, por via postal, em 10/06/2002 (fl. 72), a interessada apresentou, em 05/07/2002, a tempestiva impugnação de fls. 01/02, acompanhada 41, dos documentos de fls. 03 e 14/70, cujo teor é sintetizado a seguir. 5. Inicialmente, informa que ingressou em juízo, por meio de mandado de segurança preventivo, processado sob o n° 96.20110811, na 2° Vara da Justiça Federal em Londrina/PR, questionando as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, tendo efetuado depósitos judiciais relativos às contribuições informadas nas Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10930.003521/200241 Acórdão n.º 3402004.888 S3C4T2 Fl. 3 3 DCTFs em questão, que, assim, estavam com a exigibilidade suspensa. 6. A partir disso, entende que não é cabível o lançamento de juros e de multa, em face da suspensão de exigibilidade por depósitos judiciais, alegação que ilustra com jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 7. Requer, do exposto, o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora e a suspensão do lançamento até a decisão final do processo judicial. A impugnação da Recorrente foi julgada improcedente pela DRJ. Cientificada em 14/01/04 a contribuinte interpôs em 12/02/04 recurso voluntário no qual alega as mesmas razões de defesa da inicial. A contribuinte não efetuou arrolamento de bens ou depósito recursal por entender que os depósitos judiciais efetuados no bojo da Ação Judicial n° 96.20110811 supririam o depósito recursal, como confirmado pela DRF/Londrina às fls. 118/119. O CARF não conheceu de seu Recurso Voluntário em razão da inexistência do depósito recursal, o que gerou a interposição de Recurso Especial, que reformou o entendimento da antiga turma Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, determinando que fosse analisado o mérito da questão. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. De pronto, devese firmar como inconteste o fato do contribuinte ter efetuado judicialmente, na ação 96.20110811, os depósitos integrais dos montantes devidos de PIS, como declarado pela Receita Federal em documento de fl. 119, cujo efeito legal é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II do Código Tributário Nacional. Diante disso, o motivo da autuação foi a ausência de recolhimento constatada nas DCTFs do 3º e 4º trimestre de 1997, sob fundamento de não ter sido vinculada a informação da DCTF com o efetivo depósito judicial do PIS, referentes aos meses de competência dos trimestres apontados, como se verifica nos demonstrativos de fls. 2324. Senão vejamos: Fl. 186DF CARF MF 4 Inclusive, compulsando as DCTFs apresentadas, se verifica que o Contribuinte corretamente indicava os valores declarados de PIS como sujeitos à suspensão da exigibilidade, em razão do depósito do montante integral, indicando o número do processo e a conta de depósito: Diante disso, há que se ter como fora de dúvidas que: i) o Contribuinte depositou o montante integral do PIS devido em conta judicial; ii) o depósito foi informado nas DCTFs que constituíram os créditos tributários; iii) a própria RFB reconheceu a integralidade dos depósitos, em documento presente nos autos. Desse modo, tendo em vista que à época do lançamento tributário o débito se encontrava com a exigibilidade suspensa, não há que se aplicar de maneira alguma a multa de ofício, em vista da inocorrência de falta de pagamento, exigida pelo art. 44, I da Lei nº 9.430/96, para que seja imputada tal sanção. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10930.003521/200241 Acórdão n.º 3402004.888 S3C4T2 Fl. 4 5 Ressaltese, aliás, que o próprio art. 63 da Lei 9430/96 determina que no caso de lançamento para a prevenção da decadência, não se lance multa de ofício o que seria uma decorrência lógica da própria tipicidade do art. 44, I, em vista da inocorrência de descumprimento de regra tributária que obrigue o pagamento por parte do Contribuinte. Nesse sentido, inclusive, é a Súmula CARF nº 17, verbis: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Ademais, havendo depósito no montante integral, também os juros de mora devem ser afastados, conforme entendimento assentado neste CARF, e plasmado na Súmula nº 5 do tribunal administrativo: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Por fim, frisese que o objeto do Recurso Voluntário cingese à discussão da multa de ofício e juros de mora, não abrangendo o crédito tributário relativo ao PIS, objeto do mandado de segurança preventivo. Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício e juros de mora do lançamento efetuado. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13925.000085/2008-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE.
É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula CARF nº 22).
Numero da decisão: 1001-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula CARF nº 22).
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13925.000085/2008-10
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840939
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.369
nome_arquivo_s : Decisao_13925000085200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13925000085200810_5840939.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7168005
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007399038976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 89 1 88 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13925.000085/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.369 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de fevereiro de 2018 Matéria Simples Nacional Recorrente EMPRESA TRANS UNIAO DEZ DE MAIO LT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitandose a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula CARF nº 22). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 5. 00 00 85 /2 00 8- 10 Fl. 89DF CARF MF 2 Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 47) para o ano calendário 2008, tendose em vista a existência de débito com a Secretaria da Receita Federal, com exigibilidade não suspensa, e atividade econômica vedada, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de débitos: Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A DRF em Cascavel/PR emitiu decisão (efl. 51), de 15/07/2008, em que concluiu que o contribuinte retirou a atividade vedada de seu contrato social, mas no tocante aos débitos existentes para com a Receita Federal do Brasil, "a simples anexação aos autos de documentos referentes ao parcelamento (fls. 02/15), não é suficiente para comprovar a regularidade fiscal para efeitos de opção no Simples Nacional". O contribuinte renovou seu recurso (efl. 54), e a decisão de primeira instância (efls. 73/75) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, repetindo os fundamentos da Unidade de Origem (efl. 51) e adicionando que: Ocorre, porém, que a simples regularização das situações impeditivas ao Simples Nacional não autoriza o contribuinte a se beneficiar automaticamente do regime simplificado. E mister, que ingresse novamente com o pedido de inclusão no Simples Nacional até o último dia útil de janeiro, nos termos do art.7°, §10 da Resolução CGSN 04/2007, renovando, desse modo, o seu interesse de ingressar na sistemática simplificada de pagamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/01/2012 (efl. 86) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/02/2012 (efl. 77), em que aduz, em resumo, que preencheu todos os requisitos para a adesão ao Simples Nacional. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. O Termo de Indeferimento (efl. 47) não consigna com precisão os débitos que o optante possuía sem exigibilidade suspensa. Da análise dos autos, vêse que a recorrente não foi devidamente informada dos débitos que possuía ao tempo do indeferimento de sua opção, tendo sido comunicada apenas que se tratavam de débitos com a Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa, conforme consta no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, efl.47. O Carf já pacificou entendimento de que o ato declaratório de exclusão do Simples que simplesmente consigna existência de débitos sem os indicar com precisão é nulo, nos termos da Súmula CARF nº 22, verbis:" É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa." Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13925.000085/200810 Acórdão n.º 1001000.369 S1C0T1 Fl. 90 3 Tendo em vista que o Termo de Indeferimento incorre no mesmo defeito, e demonstrado que tal imprecisão importou em cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, a ele deve ser estendido os efeitos decorrentes da Súmula nº22. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901063/2009-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.901063/2009-17
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5837806
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.023
nome_arquivo_s : Decisao_10880901063200917.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 10880901063200917_5837806.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7148412
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007426301952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 228 1 227 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.901063/200917 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.023 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 21 de fevereiro de 2018 Assunto COFINS DCOMP ELETRÔNICA RECOLHIMENTO INDEVIDO Recorrente DROXTER INDÚSTRIA, COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0949.126, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora /MG DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 23.01.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 154 a 158): Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 36354.69423.290109.1.3.04 2016, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 37.959,76, recolhido em 20/03/2007. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 01 06 3/ 20 09 -1 7 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.901063/200917 Resolução nº 3001000.023 S3C0T1 Fl. 229 2 que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em breve síntese, que transmitiu DCTF retificadora que confirma o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). É o relatório do necessário. Da decisão de 1ª Instância A 1ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2007 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, segundo por meio do "Aviso de Recebimento" (efl. 160), tomou conhecimento, em 14.02.2014, da "INTIMAÇÃO 272/2014" (efl. 159) dando conta do acórdão vergastado. Irresignado com a referida decisão, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 266), o recorrente, em 14.03.2014, registra a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 162 a 225). No caso, compulsando as datas acima destacadas, concluise que o recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que dele conheço. Do recurso voluntário Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.901063/200917 Resolução nº 3001000.023 S3C0T1 Fl. 230 3 Sintetizo os argumentos de defesa apresentado que entendo suficiente para evidenciar a necessidade de deferirse a diligência pleiteada. Alega o recorrente que: 1 é pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido e, portanto, o regime de tributação das contribuições ao PIS e Cofins é o cumulativo; 2 apurou saldo devedor de Cofins no valor de R$ 37.959,76, referente a fevereiro/2007 e providenciou o devido recolhimento por meio de DARF; 3 constatou que apurou de forma indevida o referido saldo a pagar de Cofins no citado período, tendo em vista que, para as operações de industrialização por encomenda, a legislação reduziu a alíquota desta contribuição, ficando alterada de 3% para zero, gerando crédito em seu favor; 4 em face da legislação aplicável às operações de industrialização por encomenda, o valor correto a ser recolhido no referido período era de R$ 108,66, gerando, por consequente, um saldo credor de R$ 37.851,10; 5 desse modo, apresentou a DCOMP 36354.69423.290109.1.3.04 2016, com o objetivo de quitar débitos de tributos federais com o valor que recolheu indevidamente; 6 a fiscalização, ao analisar o direito creditório pleiteado, ao proferir o despacho decisório, não o homologou, por haver concluído que respectivo valor serviu para quitar integralmente os débitos informados na DCTF e Dacon; 7 a não homologação decorreu da não apresentação da DCTF e do Dacon retificados, o que impossibilitou de a fiscalização identificar que o saldo recolhido de Cofins não estava de acordo com a realidade dos fatos e, por conseguinte, de aferir o crédito existente a seu favor, em face do recolhimento a maior; 8 se a fiscalização o tivesse intimado a prestar esclarecimentos sobre referida divergência, à época, já poderia explicar que por mero vício formal não retificou em tempo a DCTF e o Dacon, o que não desqualifica a materialidade de seu crédito de Cofins; 9 com vista a sanar o equívoco que maculou o despacho decisório, ao apresentar a manifestação de inconformidade, procedeu à retificação dos referidos documentos (DCTF e Dacon), para que estes demonstrassem o saldo creditório correto, que por um lapso divergia de sua documentação contábil e fiscal; 10 a questão suscitada no acórdão recorrido não merece prosperar, pois comprovou que o crédito discutido surgiu de apuração equivocada de Cofins em relação à operação de industrialização por encomenda, conforme consta de seu Livro Razão e Balancete; 11 no intuito de corroborar com a verdade material dos fatos, possibilitar a aferição do crédito e consequente homologação da DComp, aproveita esta oportunidade para apresentar sua documentação contábil, bem como a fiscal, que inegavelmente comprovam a existência do direito creditório ora pleiteado. Do encaminhamento Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.901063/200917 Resolução nº 3001000.023 S3C0T1 Fl. 231 4 O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese: (...) Consoante o § 1º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.901063/200917 Resolução nº 3001000.023 S3C0T1 Fl. 232 5 Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora. 1 “Art. 214. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação” É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) é firme nesse sentido, conforme exemplificam as seguintes ementas: (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. Nessa perspectiva, cumpre assinalar que, de acordo com a peça de defesa, a interessada também retificou o Dacon, em 30/03/2009 (fls. 46 a 88), alterando o valor da contribuição devida nos mesmos moldes da DCTF retificadora (fls. 89 a 131). Tal retificação, que resultou na diminuição do débito confessado, se deu em virtude da alteração da origem de grande parte da receita auferida, primeiramente informada como venda de produtos sujeitos à tributação monofásica e posteriormente alterada para revenda dos referidos produtos, cuja receita é tributada à alíquota zero. Entretanto, a interessada não comprovou a procedência da alteração efetuada, indispensável no presente caso, especialmente porque a atividade da contribuinte é, entre outras, a fabricação de medicamentos farmacêuticos, situação em que a tributação é concentrada no fabricante (fls. 136 a 150 e 153). Diante do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório de não homologação da compensação. Da justificativa para a proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação do recorrente foi indeferido, por meio de despacho decisório eletrônico, número de rastreamento 849875854, em decorrência da inexistência de crédito. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.901063/200917 Resolução nº 3001000.023 S3C0T1 Fl. 233 6 O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN, ainda mais com os documentos lastreados aos presentes autos, com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem proceda à análise da documentação apresentada pelo recorrente em seu recurso voluntário, bem como intimeo para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.901063/200917 Resolução nº 3001000.023 S3C0T1 Fl. 234 7 entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem DERAT SÃO PAULO para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da repartição de origem deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente na PER/DCOMP 36354.69423.290109.1.3.04 2016. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000296/2009-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984.
INCONSISTÊNCIAS INFORMÁTICAS NA APRESENTAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984. INCONSISTÊNCIAS INFORMÁTICAS NA APRESENTAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13876.000296/2009-58
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855413
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.123
nome_arquivo_s : Decisao_13876000296200958.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13876000296200958_5855413.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7237481
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007430496256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13876.000296/200958 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.123 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente PROMAT INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. INCONSISTÊNCIAS INFORMÁTICAS NA APRESENTAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 02 96 /2 00 9- 58 Fl. 72DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 43 à 47) interposto contra o Acórdão n° 1426.578, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (efls. 30 e 32), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CALCULO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, calculada mediante a aplicação do percentual de 2% ao mêscalendário ou fração sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação aduzem a inconformidade da Contribuinte tocante a metodologia de cálculo adotada na multa pelo descumprimento de obrigação acessória, decorrente do atraso na entrega da DCTF. Noutro giro, em sede de Recurso Voluntário, sustenta que houve problema no sistema da Receita Federal, sendo esta a causa do atraso na entrega da DCTF: Tendo em vista que, em verdade, o atraso foi de apenas de 13 (treze) dias, ou seja, nem mesmo um mês desde a data definida para entrega da aludida DCTF, e, inclusive, tal demora se deveu exclusivamente a sucessivos erros do sistema da própria Receita Federal do Brasil, foi apresentada a competente impugnação de forma a afastar/reduzir a exigibilidade da cobrança, eis que a ela não deu causa a Recorrente. (...) Os tributos administrados pela SRFB são, em sua maioria, apurados, declarados e recolhidos pelo próprio Contribuinte, a quem a lei também outorga o dever de manter informações bastantes a justificálos. À Administração Pública resta apenas a conferência e posterior homologação ou não do procedimento adotado, com os recursos aí decorrentes. Dessa forma, as informações ou requerimentos são prestados ou solicitados pelos próprios Contribuintes através dos sistemas eletrônicos disponibilizados pela autoridade fazendária, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13876.000296/200958 Acórdão n.º 1002000.123 S1C0T2 Fl. 3 3 conforme ocorre no • que tange a necessidade de entrega das DCTF's. Sem dúvida, os aplicativos eletrônicos viabilizam maior rapidez no recebimento e na utilização dos dados fornecidos. No entanto, não raras vezes este procedimento eletrônico se dá sem qualquer intervenção humana capaz de reconhecer um erro de sistema. Assim, é sabido que existem casos — e não são poucos — em que o sistema deixa de reconhecer uma ou outra informação por falha de leitura ou até mesmo por falha total do sistema, ficando a Recorrente impedido de cumprir cabalmente com suas responsabilidades, conforme podemos constatar na hipótese que ensejou a cobrança ora recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo; contudo, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não o conheço. Percebese de imediato que os argumentos abordados em sede de Recurso Voluntário não foram objeto de análise na DRJ de origem. Tampouco constaram nas razões de Impugnação em primeira instância, as quais são resumidas abaixo (efl. 3): No campo "Dados da Declaração", item 2 da Notificação de Lançamento, consta como prazo final para a entrega da DCTF do mês de Novembro de 2008, o dia 22/01/2009. A declaração foi entregue em 05/03/2009, com 42 dias de atraso do prazo da entrega. Deste modo, inadmissível a aplicação de multa equivalente a 3 meses de atraso da entrega da DCTF, no valor de 6% da montante do tributo informado na declaração. Não transcorreu nem um mês e meio de atraso na entrega, portanto, é pertinente a aplicação de um valor proporcional a este período de tempo. Considerando que o art. 7° da Lei 10.426/2002 fala em mês ou fração de atraso e, que o real período de atraso foi a metade do período indicado pela Receita Federal, a multa aplicada deve ser, no máximo, de 3% do montante de tributo declarado, com redução de 50% em virtude da entrega da declaração. Ante o exposto, requer seja corrigido o valor da multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF para, no máximo, R$ 4818,26, para que corresponda somente aos 42 dias em atraso realmente transcorridos. Notase, pois, que o Recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a Recorrente detém Fl. 74DF CARF MF 4 legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer; mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e constante no Recurso Voluntário, qual seja, a suposta ocorrência de problemas no sistema da Receita Federal. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário, deixando de apreciar a referida matéria, inclusive, para evitar supressão de instância. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13876.000296/200958 Acórdão n.º 1002000.123 S1C0T2 Fl. 4 5 ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910083/2012-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento.
Numero da decisão: 3002-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.910083/2012-77
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848882
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.039
nome_arquivo_s : Decisao_11020910083201277.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11020910083201277_5848882.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7188884
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007432593408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 106 1 105 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.910083/201277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.039 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente ALEPLAST EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 83 /2 01 2- 77 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11020.910083/201277 Acórdão n.º 3002000.039 S3C0T2 Fl. 107 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto por Aleplast Embalagens Plásticas Ltda ao acórdão de nº 1446.796, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, em sessão de 19.11.2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A utilização de crédito requerido em pedido de restituição, em posterior apresentação de declaração de compensação, implica no indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 15.07.2010, Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER de nº 01945.27739.150710.1.2.042301, objetivando a restituição, em dinheiro, de valor recolhido a maior a título de COFINS do período de apuração de outubro/2005, no montante de R$6.225,08. Apenas cinco dias mais tarde, em 20.07.2010, transmitiu Declaração de Compensação DCOMP de nº 08305.39315.200710.1.3.040086, utilizando o mesmo crédito decorrente de valor recolhido a maior, de COFINS relativa ao mês de outubro/2005, no mesmo montante, de R$6.225,08, para compensação com débito de IPI relativo ao mês de junho/2010. Recebeu, em 02.01.2013, Despacho Decisório comunicando o Indeferimento do Pedido de Restituição de nº 01945.27739.150710.1.2.042301, em razão de o crédito já ter sido totalmente utilizado na compensação por ele mesmo declarada na DCOMP nº 08305.39315.200710.1.3.040086. Em 25.01.2013 foi apresentada Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: a) A empresa foi notificada por realizar Compensação de Crédito via Perdcomp (sic), no entanto, realizou todos os procedimentos para viabilizar o crédito, como alterações na DACON e retificações na DCTF; b) Efetuou uma revisão completa e retroativa das últimas 60 (sessenta) apurações de COFINS (junho/2005 a maio/2010), tendo sido identificadas 4 contas contábeis cujos valores gerariam créditos da contribuição, não aproveitados à época do recolhimento, originando os pagamentos a maior. Apresentou os números, nomes e razões contábeis das contas cujos créditos deixaram de ser computados à época da apuração, bem como cópias da DACON e DCTF retificadas, cópia do DARF de pagamento, além de cópias de outros documentos e planilhas; Ao final, requereu fosse acolhida a manifestação de inconformidade diante da demonstração da insubsistência e improcedência do Indeferimento de seu pleito. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11020.910083/201277 Acórdão n.º 3002000.039 S3C0T2 Fl. 108 3 A DRJ/RPO informou, no voto constante do acórdão combatido, ter verificado que o indeferimento da restituição não tratou do mérito dos créditos da não cumulatividade utilizados pela interessada, mas simplesmente da indisponibilidade de saldo indicado no PER/DCOMP. A DRJ/RPO constatou ainda que o crédito do Pedido de Restituição é exatamente o mesmo da Declaração de Compensação, tendo sido indicado como origem do crédito da DCOMP, o número do PER enviado anteriormente. Sustentou ainda a DRJ/RPO que as Instruções Normativas que tratam da restituição e compensação prevêem que, no caso de pedido de restituição não indeferido, a contribuinte pode se utilizar do crédito nele requerido para compensação de seus débitos, tendo sido exatamente o que ocorreu no presente caso, vez que antes da análise do pedido de restituição o contribuinte se utilizou do mesmo crédito para compensação com débito de outro tributo por ele devido, não havendo saldo disponível para devolução ao manifestante. Cientificado do conteúdo do acórdão em 10.12.2013, e não se conformando com o auto de infração (sic) e a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08.01.2014, confirmando ter utilizado o crédito por pagamento a maior da COFINS do mês de outubro/2005 para compensar débitos de IPI referentes ao período de apuração de junho/2010. Voltou a anexar os documentos que, segundo ele, comprovam seu direito creditório. Ao fim, requer o contribuinte seja acolhido o Recurso Voluntário, cancelandose o débito fiscal reclamado. (sic) É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O contribuinte ratificou, no Recurso Voluntário, que o crédito pedido em restituição por meio do PER nº 01945.27739.150710.1.2.042301 foi utilizado para compensar débitos de IPI do período de apuração de junho/2010, por meio da DCOMP nº 08305.39315.200710.1.3.040086. (fl. 60) Assim, resta devidamente comprovado que o recorrente não faz jus ao ressarcimento em dinheiro, haja vista o mesmo crédito ter sido utilizado em DCOMP transmitida posteriormente à formalização do PER em discussão, materializando a desistência deste último pelo contribuinte, na forma da regulamentação vigente. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.910083/201277 Acórdão n.º 3002000.039 S3C0T2 Fl. 109 4 Diante do exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720274/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária.
ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS.
Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
DECADÊNCIA.
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15563.720274/2015-13
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852138
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.104
nome_arquivo_s : Decisao_15563720274201513.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EVA MARIA LOS
nome_arquivo_pdf_s : 15563720274201513_5852138.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7203600
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007458807808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720274/201513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.104 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria IRPJ/CSLL, ÁGIO Recorrente SENDAS DISTRIBUIDORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 74 /2 01 5- 13 Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 3 2 Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório T Trata o processo dos autos de infração, págs. 775/793, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$62.037.704,06, devido à infração 001 Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real, Exclusões Indevidas, com fatos geradores em 31/12/2011 e 31/12/2012; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$22.342.213,46, relativa à mesma infração e períodos de apuração; o imposto e a contribuição exigidos foram apenados com multa de 75%; às págs. 739/773, o Termo de Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 4 3 Verificação de Infração Fiscal, descrevendo a autuação; págs. 807/816, Fapli Formulário de Alteração do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário e Facs Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social e Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (Sapli) e Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (Sapli). 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, proferiu o Acórdão 0961606, em 02 de fevereiro de 2017, págs. 1.406/1.415, que a julgou improcedente: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O prazo decadencial só é aplicável para o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, mas não para verificar atos pretéritos cujos efeitos tributários repercutem nos anos seguintes. SIMULAÇÃO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, tais como:a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal. MULTA QUALIFICADA. Quando não se caracteriza a qualificação da multa de oficio, essa deve ser reduzida para 75%. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. Para que se efetue a compensação de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores com o imposto de renda apurado, é necessário, entre outras coisas, que se comprove a existência desse prejuízo na data da compensação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificado em 20/02/2017, pág. 1.418, apresentou Recurso Voluntário de págs. 1.422/1.479, em 22/03/2017, tempestivo. 4. Relata que é sociedade que resultou de uma joint venture entre dois grandes grupos varejistas, em 2004: Grupo Pão de Açúcar e Grupo Sendas, quando passou a ser controlada em 50% por empresas de cada um dos grupos e sujeita a regras rigorosas de governança corporativa. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 5 4 5. Esclarece que, quanto ao mérito, o recurso está restrito à discussão da (i) regularidade da amortização do ágio e (ii) ao erro de quantificação da exigência por falta de compensação do prejuízo fiscal acumulado e bases negativas de CSLL de períodos anteriores. 6. Aponta decadência do direito do fisco de questionar o registro contábil do ágio e constituir o crédito tributário; argumenta que o prazo decadencial deveria ser contado a partir da data da geração do ágio ou, alternativamente, da incorporação, pois o IRPJ é tributo sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual o prazo decadencial deve ser contado conforme o art 150, §4º, do CTN, isto é, a partir da ocorrência do fato gerador, e as operações relativas ao ágio glosado na presente autuação foram realizadas em 2004, assim como a incorporação. Como a ciência da autuação ocorreu em 18/12/2015, já havia transcorrido o lustro decadencial; cita jurisprudência. 7. No mérito, acusa que a glosa das despesas de amortização do ágio ocorreu em duplicidade, pois o valor integral do saldo de ágio registrado, no total de R$439.013.328,40 foi glosado nos autos de infração do processo nº 15563.720259/201133, em vez de somente o valor amortizado nos anos 2008 consequentemente, glosou o ágio que foi amortizado nos anos 2009, 2010, 2011 e 2012, subsequentes. 8. Historia que foi e continuou sendo durante sete anos, o que demonstra a intenção de perenidade do negócio e o affectio societatis entre seus formadores a sociedade resultante de uma associação (joint venture) entre dois grandes grupos varejistas do Brasil, a qual veio a se consumar no ano de 2004; que, na época em que o Grupo Pão ae Açúcar e o Grupo Sendas decidiram se associar, as suas respectivas sociedades controladoras a saber: Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e Sendas S.A. (Senda") eram companhias abertas, portanto, estavam sujeitas às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo auditadas por auditor independente e adotando boas práticas de governança corporativa; CBD, possuía (e ainda possui) ações listadas na Bolsa de Nova Iorque (New York Securities Exchange NISE), devendo observar, igualmente, as normas de transparência exigidas pela Lei Sarbanes Oxley, reconhecidas no mercado por sua rigidez; que a criação da joint venture ocorreu em um momento em que empresas varejistas estrangeiras estavam ingressando de forma agressiva no mercado brasileiro, razão pela qual a associação entre o Grupo Sendas e o Grupo Pão de Açúcar, dois fortes grupos brasileiros, contribuiria para manter o fortalecimento de ambos; ressalta que em momento algum foi noticiado pela midia eventual intuito de economia de tributos decorrente da associação entre os Grupos; pelo contrário, o foco era a questão estratégica do Grupo Pão de Açúcar dentro do território do Rio de Janeiro, bem como a necessidade de maior competitividade da rede Sendas, para que passasse a gerar lucros. 9. Outro ponto de extrema relevância, e previsto desde o inîcio das tratativas iniciais, era o objetivo das partes em formalizar a jointventure, mediante aportes de bens, direitos e obrigações relacionadas às atividades de varejo do Grupo Sendas e do Grupo Pio de Açúcar no Estado do Rio de Janeiro e, obviamente, avaliados a mercado, seja para equacionar a participação de 50% a que cada Grupo fazia jus, seja para conferir maior transparência ao mercado acerca das referidas operações, e cita organismos que apoiaram a operação: o BNDES, que adquiriu debêntures, o SBDC Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, composto pela SDE Secretaria de Direito Econômico, pelo CADE Conselho Administrativo de Defesa Econômica e pela SEAE Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda; o cumprimento de várias condições impostas pelo CADE; descreve as cláusulas do Acordo de Associação firmado entre os grupos (págs. 1.440/1.443); transcreve matéria sobre Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 6 5 esta operação de joint venture da revista Exame, que destacou o aumento de produtividade resultante; explica que: mas, não obstante todas as melhoras na gestão e no grau de eficiência operacional da rede Sendas implementada pelo Grupo Pão de Açúcar, a Sendas Distribuidora, ora Recorrente, continuava com um alto grau de endividamento, razão pela qual o Grupo Sendas e o Grupo Pão de Açúcar celebraram um contrato junto ao AIG, por meio do qual este investiria o equivalente a US$ 50 milhões em reais na Sendas Distribuidora, mediante subscrição e integralização de 157.082.802 ações preferenciais classe B da Sendas Distribuidora, passando a deter 14,86% de seu capital social; e a participação do Grupo Pão de Açúcar e do Grupo Sendas foi reduzida para 42,57% cada, mantendose, todavia, o mesmo percentual de participação para ambos. 83. Todavia, com as dificuldades encontradas no Rio de Janeiro, bem como com o enfraquecimento da marca Sendas, o Grupo Pão de Açúcar acabou interrompendo os investimentos na expansão da rede Sendas, no mesmo momento em que foram retomadas as negociações para a aquisição da participação detida pela família Sendas pelo Grupo Pão de Açúcar. 84. É importante considerar que, de acordo com os termos da joint venture, a família Sendas poderia exercer, desde fevereiro de 2007, sua opção de venda do restante de sua participação no capital social da Sendas Distribuidora. Porém, as partes não chegavam em um acordo sobre a forma como a transferência do controle acionário da Sendas Distribuidora seria efetivada. 85. Inclusive, convém notar que, em 2006, o Sr. Arthur Sendas instaurou procedimento arbitral em face do Grupo Pão de Açúcar por entender que teria havido mudança de controle acionário do CBD em maio de 2005, quando o Sr. Abílio Diniz e o grupo francês Casino criaram uma nova holding com 65,5% das ações com direito a voto na CBD, na qual, por sua vez, metade do controle era detido por Abílio Diniz e a outra metade pelo Casino, sendo certo que, nos termos do acordo de acionistas assinado na criação da Sendas Distribuidora, eventual mudança de controle acionário do CBD dispararia o direito de venda da participação do Grupo Sendas na Sendas Distribuidora, ora Recorrente. Por sua vez, o Grupo Pão de Açúcar discordava de tal entendimento, por acreditar que o que o que teria havido era um compartilhamento de controle, não transferência de controle. 86. Notese, ainda, que nesta mesma ocasião, a família Sendas pretendia trocar suas ações integralizadas na Sendas Distribuidora por ações preferenciais da CBD, conforme lhe autorizava o acordo de acionistas. Esta questão também passou a ser objeto de discussão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas. Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 7 6 87. Apenas em fevereiro de 2011 portanto, após mais de 7 anos do início da Joint Venture é que ficou acordado que o Grupo Pão de Açúcar adquirisse a totalidade da participação detida pela família Sendas, passando a deter a totalidade das ações da Sendas Distribuidora. Para a referida aquisição, o Grupo Pão de Açúcar se comprometeu a efetuar o pagamento de R$ 377 milhões, em sete parcelas, ao longo de seis anos, dando fim ao conturbado "casamento" de sete anos ocorrido entre o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas. 10. Por todo o exposto, rechaça a acusação de simulação; afirma que não há qualquer indicação do suposto negócio que teria sido ocultado por conta da incorporação, no Auto de Infração; ressalta que o ágio amortizado pela Recorrente nada mais é do que uma consequência do desdobramento do custo de aquisição de participação societária, tal como prevê a legislação brasileira e não se pode, portanto, sustentar que a aludida amortização decorreu de simulação de negócio jurídico com o fim específico de "transformar custo de aquisição de patrimônio em despesa dedutível"; a Recorrente jamais pretendeu encobrir um negócio jurídico com a realização de outro e a razão é que; não existe "outro" negócio jurídico diferente daquele que foi realizado e que durou sete anos. 11. Que dentre os vários caminhos jurídicos existentes para que a associação fosse implementada, o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas optaram pela constituição de sociedades de propósito específico (Rio Patea e Serra do Andaraí) que reunissem, em princípio, o patrimônio que seria aportado na associação (a valor contábil), para posterior conferência a mercado das participações societárias de tais sociedades (conferência esta sujeita ao disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/02) para a equalização das participações dos dois grupos que as constituiu e implementar a Associação, rapidamente e no contexto da operação, coube à Recorrente recepcionar as participações em Rio Patea e Serra do Andaraí já avaliadas pelos valores de mercado e, em seguida, absorver os respectivos acervos patrimoniais para consolidar a joint venture com patrimônio líquido valorado a preço de mercado. 12. Justifica que os dois Grupos não efetuaram aumento de capital diretamente com os ativos e passivos na Recorrente, porque a transmissão desses ativos e passivos, a valor de mercado, seria extremamente onerosa, nos mais diversos sentidos e aspectos (financeiro, temporal, de disclosure etc), por conta da necessidade de contratação de laudos de avaliação a mercado com individualização para cada tipo ativo e passivo aportados; por isso, a forma eleita foi, em um primeiro momento, segregar os ativos e passivos que cada uma delas aportaria, adquirir as sociedades com propósito específico Rio Patea e Serra do Andaraí, mediante transferência não onerosa e aumento de capital dessas empresas com a conferência de bens, direitos e obrigações a valor contábil. 13. Os custos operacionais envolvidos nessa primeira etapa foram definidos sobre o valor contábil dos ativos conferidos, de modo que a auditoria teve por base, também, atestar esse valor patrimonial do acervo transferido. 14. Nesta etapa, as operações de aumento de capital foram feitas entre partes ligadas, pois se tratava de destacar, nessas novas empresas, os negócios que, individualmente, Grupo Pão de Açúcar e Grupo Sendas tinham no Rio de Janeiro; uma vez destacado esse patrimônio e os negócios correspondentes, as partes puderam valorizar o negócio e aumentar o capital da Recorrente com a entrega das participações acionárias, aí sim, a valor de mercado tendo os Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 8 7 patrimônios já segregados, todo o processo de avaliação, precificação, auditoria e aumento de capital foi simplificado. 15. Como a nova etapa envolvia partes não relacionadas (com acionistas minoritários) fezse, tal como expressamente autorizava o já citado art. 36 da Lei nº 10.637/02, a conferência de Rio Patea e Serra do Andaraí a valor de mercado. Cumprese aqui ressaltar que esta era justamente a finalidade de tal dispositivo. 16. A fiscalização qualificou como simulados (i) o fato de SÉ S/A e Sendas S/A subscreverem capital, a valor de mercado, na Recorrente, mediante conferência das ações que respectivamente detinham na Rio Patea e Serra do Andaraí (sociedades que foram concebidas com intuito de reunir os ativos e passivos que comporiam a mencionada associação), e (ii) de a Recorrente, tempos depois, incorporar essas sociedades no seu patrimônio. 17. Reconhece que o caminho seguido não é o único, porém como é legalmente previsto, não pode ser taxado de simulado; e avalia duas estruturas jurídicas alternativas que a fiscalização entendeu que seriam as corretas; o primeiro caminho que, segundo a fiscalização, poderia ter sido adotado por CBD/Novasoc/Sé e Sendas era a utilização das empresas Rio Patea e Serra do Andaraí para a reunião dos ativos e passivos, que, entretanto, deveriam ter sido diretamente incorporadas pela Recorrente, sem que previamente tivessem sido conferidas ao capital social da Recorrente. Confirase: "(...) tivesse a fiscalizada incorporado as sociedades RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ sem ter participação em seus capitais, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível deduzir do lucro real o ágio amortizado." Fl. 17 do TVF 18. Sobre esta, argumenta que "se a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial", seria uma incorporação a mercado, atípica e mais onerosa para a Recorrente, pois, conforme art. 440 do RIR de 1999, seriam necessários laudos individualizados em relação a cada bem, direito e obrigação e geraria reservas de avaliação reflexas nos dois Grupos; conclui que a criação da joint venture teria inconvenientes que poderiam comprometer sua criação. 19. E o entendimento da DRJ/JFA: "131. As integralizações feitas por CBD, NOVASOC e SENDAS nas empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, e as incorporações destas ao interessado representam operações estruturadas exclusivamente para reduzir ou suprimir tributos. Não há como sustentar que tais operações visavam a constituir uma joint venture entre os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, pois as integralizações podiam ser feitas diretamente na SENDAS DISTRIBUIDORA, alcançandose, assim, o alegado propósito negocial. Mesmo na sequência de atos escolhida pelos sócios, as incorporações eram dispensáveis, pois a constituição se completou com a integralizacão das participações." 20. Aponta que a subscrição de capital mediante conferência, a valor de mercado, dos bens, direitos e obrigações, pelas empresas dos dois Grupos, seria regulada pelo art. 439, do RIR de 1999, e a tributação do respectivo ganho não ocorre de forma imediata e deverá ser Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 9 8 diferida, conforme seus incisos a única diferença em relação ao já extinto art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que este trata dos demais tipos de bens e aquele só sobre a subscrição a mercado de participação societária. 142. De todo modo, a diferença fundamental entre tais dispositivos é a de que o artigo 36 deslocou o momento da tributação do ganho de capital para os eventos de realização da própria participação societária, enquanto o art. 439 a difere em função da realização dos próprios bens subscritos, bem como de outros eventos. 143. Em outras palavras, considerando que não há uma diferença tão grande entre os citados dispositivos, resta claro que o aporte direto dos bens não geraria uma desvantagem fiscal significativa, para efeito dos seus respectivos subscritores GPA e Sendas. Por outro lado, as desvantagens operacionais seriam imensas, tal como já demonstrou! 21. E na perspectiva da Recorrente, a alternativa de aporte direto a valor de mercado, cada um deveria ser objeto de laudo de avaliação (e detalha as exigências legais para tanto) o que encarece a operação e demanda mais tempo destaca que dois laudos que avaliam as participações societárias e que facilitam a implementação do objetivo de 50% de participação de cada parte, é muito mais barato e rápido. 22. Aduz que os referidos bens, direitos e obrigações se aportados diretamente na Recorrente, eles seriam registrados em sua contabilidade pelos valores de mercado, e estariam sujeitos às depreciações e amortizações, por exemplo, os direitos de exploração das lojas, o tratamento tributário seria idêntico ao do valor do ágio apurado, isto é, seriam amortizáveis e dedutíveis de acordo com o art. 325, "c", do RIR, de 1999, pelo prazo contratual de exploração, portanto, efeito fiscal semelhante ao adotado pela Recorrente. 23. Além desse fato fragilizar a própria tese da simulação sustentada pela DRJ, acabaria por pressupor que, mesmo na hipótese dela ser declarada, a presente autuação não poderia glosar a integralidade das despesas com ágio, pois, se declarado nulo o ato, ou requalificado para fins fiscais, por ser simulação, é obrigação da autoridade autuante imputar ao contribuinte os efeitos fiscais decorrentes do ato considerado real, isto é, a despesa com amortização do diferido, nos termos do art. 325 do RIR/99, da situação supostamente real encoberta pela simulação, não poderia deixar ser considerada, para efeito de recomposição do IR devido. 24. Acosta Parecer Jurídico relativo ao processo 15563.000871/200891, doc. 36 da impugnação. 154. Vejamos, novamente, o caminho que, aos olhos da fiscalização, deveria ter sido adotado, qual seja, a incorporação, pela Recorrente, das sociedades RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, sem ter participação em seus capitais, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível considerar o valor 'pago' ao resultado do período a título de despesas. 155. Ora, se a incorporação acima ocorresse sem que a Recorrente tivesse participação direta nas sociedades Rio Patea Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 10 9 e Serra do Andaraí, como queria a fiscalização, estaríamos aí sim diante de uma operação atípica e pouco usual. 156. Como já dito anteriormente, se "a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial estaríamos diante de uma incorporação a mercado, e, necessariamente, diante de um caminho mais oneroso sob o ponto de vista tributário e igualmente tortuoso. 157. Ora, fica claro que tanto a análise da Fiscalização quanto da DRJ denunciam apenas e tão somente a busca por uma alternativa de reorganização que se coadune com os interesses arrecadatórios. 25. E sobre a "proximidade temporal" dos atos praticados, é irrelevante, pois cumpriram o seu papel e serviram às finalidades para as quais foram criadas e, muito ou pouco é questão subjetiva; destaca que se passaram 2 meses entre a assinatura do Protocolo de Intenções e o 1º Acordo, e a celeridade do processo de integração dos dois grupos é mérito, que os julgadores transformaram em indício de simulação; cita as sociedades de propósito específico, de natureza transitória, como exemplo. 26. Sobre argumento do Acórdão DRJ/JFA de que "somente o efeito tributário intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, o valor de R$10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro", portanto, que visaram de rebaixar artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio, justifica que se os aportes da CBD e SENDAS foram efetuados em valores menores, isto se deve exclusivamente ao fato dos direitos de exploração aportados serem intangíveis, conforme já se explicou anteriormente (pontos de venda e respectivos direitos sobre contratos de locação etc), e se tal aporte fosse a mercado, diretamente na Recorrente, o ativo diferido nela reconhecido também geraria amortização dedutível. 179. A situação do diferimento da tributação do ganho de capital tratada pelo artigo 36 da Lei n^ 10.637/2002 é uma opção legal dada ao contribuinte exatamente para a situação desse processo administrativo, não cabendo a autoridade fiscal impedir que a opção seja materializada por discordar da própria lei. 27. Discorda que Acórdão 101.96.724 proferido no CARF, aplicado no processo nº 15563.00871/200891 (relativo a outro contribuinte), transcrito no Acórdão DRJ/JFA recorrido, se aplique ao presente: 186. Na verdade, a Recorrente demonstrará que: (i) os fatos discutidos no referido acórdão não são semelhantes aos fatos aqui tratados, razão pela qual aquele acórdão não pode ser utilizado como paradigma para o julgamento ora recorrido; e que (ii) o voto proferido pela Conselheira Relatora em tal acórdão, ao tratar da teoria de elisão e evasão fiscal esposada pelo Prof. Marco Aurélio Greco, nada mais faz do que confirmar a licitude das operações praticadas pela Recorrente 28. Relata e demonstra, págs. 1.463/1.467, que se concluiu naquele processo: Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 11 10 193. Portanto, toda a engenharia societária foi estruturada para a criação de vantagem fiscal nas etapas intermediárias, posteriormente suprimidas (as etapas, não as vantagens) para que retornasse a situação inicial. Demonstrouse, assim, que não houve propósito negocial ou econômico nas operações societárias. 194. Na reestruturação societária ocorrida no caso julgado pelo acórdão em tela a criação das mencionadas empresas foi artificial, haja vista que inexistiam as razões econômicas e negociais na constituição de ZBT, que acabou por desaparecer para que restassem as empresas Libra Terminais e LIBRA, conforme entendimento da I. Conselheira Relatora: 29. Mas que o presente caso é o oposto, tratandose de uma associação entre dois gigantescos grupos econômicos, até então concorrentes, e que subsistiu durante 7 anos; que, analisado o conjunto das operações, a operação foi constituída com reais interesses econômicos, acabando, de um lado, por conferir despesas de amortização de ágio para a Recorrente, e por outro, receitas tributáveis para CDB e Sendas. 200. Aliás, este fato também deve ser considerado: o reconhecimento da diferença entre o valor contábil dos ativos transferidos e o correspondente valor de mercado dos mesmos, atribuído por ocasião da subscrição e integralização de aumento de capital, gerou como contrapartida um ganho de capital para os subscritores, cuja tributação foi diferida em razão de expressa disposição contida no art. 36 da Lei nº 10.637/02. Assim, pode se afirmar que nessa operação não se visou afastar a ocorrência do ganho capital, nem evitar que essa diferença jamais fosse tributada. 30. Quanto à alusão ao art. 116, parágrafo único do CTN, pela fiscalização, sobre desconsideração de ato ou negócio jurídico simulado, pela autoridade administrativa, norma ainda não regulamentada nem autoaplicável e portanto, não produz efeitos; cita ADI movida pela Confederação Nacional do Comércio CNC; e que só seria aplicável nos casos de simulação relativa. 31. Aponta erro na quantificação da exigência, devido à falta de compensação do prejuízo acumulado e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, conforme Sapli, fls, 810/816, que levam em conta as glosas procedidas em outros autos de infração. E anexa aos autos a DIPJ 2014/2013, doc. 01; quanto aos anoscalendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração Contábil Fiscal ECF, cujos dados estão disponíveis aos julgadores; invoca os arts. 250, III, 509, § 1º e 510, do RIR de 1999, que estabelecem o direito; também o CARF reconhece e pode ensejar a nulidade do lançamento: à pág. 1.472, demonstra que os montantes das exigências seriam reduzidos: a. no anocalendário 2011: o IRPJ de R$36.099.611,69 a R$25.262.528,18; o de CSLL de R$13.004.500,21 para R$9.103.150,15. b. no anocalendário 2012: o IRPJ de R$25.938.092,36 a R$18.156.664,65; o de CSLL de R$9.337.713,25 para R$6.536.399,28. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 12 11 32. Reclama que o Acórdão deixou de apreciar o pedido de cancelamento da multa, invoca o art. 112, I do CTN, e diz que: 227. A orientação jurisprudencial desperta confiança legítima nos contribuintes, que adotam práticas com base nas decisões proferidas pelos órgãos de julgamento, agindo com boafé objetiva, que deve ser observada pelos julgadores, de modo a não ser mantida a penalidade aplicada. (...) 230. O órgão administrativo de julgamento no âmbito de tributos federais tem enfrentado a questão da boafé, tendo chegado a afastar a aplicação de multa de ofício, ou de reduzila, com base no instituto penal do "erro de proibição", em razão da nova orientação adotada naquela Instância de julgamento. (..) 235. O artigo 76 da Lei n.s 4.502, de 1964, estabelece que não serão aplicadas penalidades, enquanto prevalecer o entendimento, aos que tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado. 33. Advoga a impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício, com base nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002; diz que a cobrança afronta o art. 161 do CTN, o Princípio da legalidade do art. 5º, II da CF de 1988 e do art. 97 do CTN; ofende o art. 2º, I da Lei nº 9.784, de 1994 e oas arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e ao contraditório e ampla defesa do art. 5º, LV, da CF de 198, e ainda: Tal fato, tal penalidade (juros sobre multa de ofício) não foi objeto de regular lançamento e, assim, não foi conferida à Recorrente para contestála previamente à constituição definitiva do mesmo. 34. Em 27/04/2017, apresentou Petição: (...) com fundamento no art. 151, III, do CTN1, requerer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto deste processo, haja vista a interposição, tempestiva, de Recurso Voluntário, o qual será apreciado pelo Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O interesse de agir da Peticionante decorre do fato de o processo em referência constar no "Relatório de Situação Fiscal" com o status "Débitos/Pendências na Receita Federal": Desse modo, com fundamento no art. 151, III, do CTN, requer seja o banco de dados atualizado, de modo a excluir o processo em referência do status "Débitos/Pendências na Receita Federal". Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EvaMaria Los, Relatora 1 Preliminar de decadência. 35. A argumentação de que o ágio se originou em período de apuração já atingido pela decadência, para pleitar que a glosa da amortização autuada em período inferior a 5 (cinco) anos da data da autuação, já foi frequentemente objeto de decisões administrativas; citemse: Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR / RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 03/10/2017 Nº Acórdão: 9101003.131 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.O prazo decadencial relativamente à glosa de despesas de amortização de ágio inicia se com a dedução de tais despesas pelo contribuinte, sendo irrelevante para seu cômputo o momento em que ocorridas operações societárias que originaram o ágio. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico. Acórdão: 1301002.608 Data de Publicação: 22/01/2018 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 Ementa: DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. 36. Reiterase, portanto, os argumentos do Acórdão CARF 401001.624, proferido no processo nº 15563.720259/201133, do mesmo contribuinte e relativo ao mesmo ágio: Não há que se falar de decadência do lançamento referente à glosa de ágio, justamente porque a contagem inicial do prazo decadencial toma como marco inicial não o momento da formação do ágio como quer fazer crer a recorrente, mas o momento de sua dedutibilidade. Isso porque a contabilização do ágio, na operação de integralização de aumento de capital, enseja mero lançamento contábil de natureza patrimonial, sem repercussão imediata na determinação do lucro líquido, do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diante da não ocorrência de fato gerador, não há possibilidade jurídica de lançamento de ofício e, conseqüentemente, de início da contagem do prazo decadencial, bem como esclareceu a DRJ: Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 14 13 105. Conforme o art. 150, § 4°, do CTN, a contagem do prazo decadencial não se inicia no momento de formação do ágio, mas a partir do fato gerador. Considerando que a apuração do lucro real foi anual, e que as despesas glosadas competiam aos anoscalendário 2007 e 2008, os fatos geradores ocorreram em 31/12 daqueles anos. Portanto, o termo final do prazo decadencial é 31/12 de 2012 e 2013, respectivamente. Como a ciência do lançamento ocorreu em 27/12/2011 (fls. 4.298, 4.303, 4.309 e 4.315), não houve decadência. 37. Afastase, portanto, a decadência. 2 Mérito. 2.1 ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO. 38. Como se expõe a seguir, não é possível caracterizar as operações societárias como simuladas, em sua essência foi publicamente reconhecido, inclusive por órgãos fiscalizadores que a associação teve objetivos estratégicos e perdurou por 7 anos, como relata o Recorrente. 39. O questionamento do Autuante e da DRJ se centra: a) nas estapas operacionais para atingir a associação, consideradas como executadas de forma a gerar ágio dedutível, ou seja, simuladas, pois seriam desnecessárias; b) e se tratar de operação entre partes relacionadas. 2.2 DIREITO À AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. 40. O Recorrente informa que, no período autuado, foi uma joint venture (associação) dos grupos empresariais CBD e Sendas, do ramo de comercialização (supermercados), que perdurou desde 2004 (com a participação de 50% de cada grupo, no capital social e no processo decisório) até 2011, quando o grupo CBD, adquiriu a participação do grupo Sendas, terminando a associação. 2.3 Cabe ter me mente o que significa joint venture na forma societária, que foi o caso; cite se: Fonte: http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6843, Parcerias empresarias “joint ventures”, Eliane M. Octaviano Martins: Juridicamente, inexiste definição legal exata que possa abarcar um conceito universal, delimitando com precisão a expressão. Joint venture é um modelo de estratégia. Doutrinariamente ou jurisprudencialmente predomina a imprecisão terminológica, o que torna a joint venture um conceito “fluído”.[5] Joint venture é uma figura jurídica que contempla as associações e as alianças estratégicas entre empresas. Constitui forma associativa sui generis. É modelo jurídico nascido e desenvolvido da prática dos mais variados campos de negócios, reconhecida pela jurisprudência e configurada por contratos formais. Sua aplicação extendese desde um simples contrato de colaboração, até a união total de sociedades numa única empresa. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 15 14 Joint venture ou merger significa fusão ou associação de capitais; participação acionária; transação ou operação conjunta, na qual o aporte de capital pode ser um mix de bens tangíveis ou bens líquidos.[6] Para Carlos Alberto Bittar, joint venture é conceituada como o “ajuste tendente a combinação de capitais ou de técnicas entre empresas diferentes, com ou sem o surgimento de nova personalidade jurídica”.[7] Joint venture pode ser entendida também como operação conjunta, participação acionária, associação de capitais, transferência de tecnologia ou empreendimentos determinados, plasmados, de imediato –sob forma societária própria, como acontece com as instituições de sociedade anônima ou limitada – ou não, para poder alcançar de forma progressiva a maturação no relacionamento – que é restrito no início, a mera participação societária. Seria uma espécie recente de ação empresarial e que vem colocandose no lugar das operações de aquisição de empresa, ou de controle, no qual os parceiros mantêm posições equilibradas ou ajustadas, contribuindo em numerário, ou em bens, tecnologia, etc. [8] Len Young Smith e G. Gale Roberson definem a joint venture como ”a modalidade de ‘partnership’ temporária, organizada para a execução de um único ou isolado empreendimento lucrativo e usualmente, embora não necessariamente, de curta duração. É uma associação de pessoas que combinam seus bens, dinheiro, esforços, habilidade e conhecimentos com o propósito de executar uma única operação negocial e lucrativa.” [9] (...) 3. FORMAS DE “JOINT VENTURE” A característica essencial de uma joint venture é a intenção de realizar um projeto ou empreendimento comum, utilizando ou a forma societária com a criação de uma empresa, esta assumindo nova e distinta personalidade jurídica; ou então na forma contratual, criando uma associação regida por contratos de associação. Constituirão as corporate ou non corporate joint ventures , e caso os coventures aportem ou não recursos financeiros, teremos as chamadas equity e as non equity joint ventures. (...) 3.2.“Joint ventures” societárias A característica essencial de uma joint venture societária[18] é a intenção de realizar um projeto ou empreendimento comum, com a criação de uma empresa, esta assumindo nova e distinta personalidade jurídica. [5] Rae v. cameron, 112 Mont 159, 168, 114 p. 2d. 1060 (1941), apud Luiz Olavo Baptista, in A Joint Venture – Uma Perspectiva Comparatista, Revista de Direito Mercantil, ano XX, 42, abr/jun 81. (...) Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 16 15 [6] Cf. Dicionário Inglês/Português para economistas e Contabilistas. Fonte citada – sem demais referências na obra de U. V. Rasmussen, op.cit. [7] BITTAR, Carlos Alberto. Contratos comerciais. Rio de janeiro: Forense Universitária, 1994. 2ª ed., p. 213. [8] idem. [9] SMITH, Len Young e ROBERSON, G. Gale, in the law of Corporations. Mineola, N.Y. : The Foundation Press, Inc. 1971 apud PENTEADO, Mauro R.,. Consórcios de Empresas. São Paulo : Livraria Pioneira Editora, 1979. p. 129. [18] BASSO, Maristela in Joint Ventures – Manual Prático das Associações Empresariais . Porto Alegre : Livraria do Advogado, 1998, p. 47 : “A distinção entre as joint ventures societárias (corporate) e as não societárias (non corporate) resulta da existência, na primeira, de elementos específicos do contrato de sociedade, em especial : a) a entrada com que os participantes contribuem para possibilitar a execução em comum do projeto ou operação; b) a repartição de lucros ou prejuízos; c) o interesse comum dos participantes de que a associação atinja seus objetivos, em razão do qual exercem ou controlam a gestão do empreendimento”. 41. Após Protocolo de Intenções, em 08/12/2003, os dois grupos assinaram Acordo de Investimento e de Associação em 05/02/2004, págs. 1.170/1.187: a. 1.2, informa que o grupo Sendas é controlado pela Sendas Empreendimentos; b. 1.3. que o grupo Pão de Açucar (CBD) pelas sociedades PAIC, Península e Nova Península; c. a associação objetiva explorar sinergias, visando economia de escala, mediante a constituição de uma nova empresa regional de distribuição; d. 2.3 a gestão e administração, via Diretoria Executiva, inteira responsabilidade da CBD; e. ambos grupos aportarão todos os estabelecimentos que possuem no Estado do Rio de Janeiro. 42. Na consecução do objetivo de se associarem, foram seguidos os seguintes passos, após terem os: a. págs. 416/450, da parte do grupo Pão de Açucar, foi constituída a empresa Rio Patea Empreendimentos e Participações Ltda (Rio Patea), na qual a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e a Novasoc Comercial Ltda (Novasoc) ingressaram como sócias com capital R$100,00 (50% cada) e aumentaram o capital para R$114.729.239,00 subscrito da seguinte forma: Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 17 16 i. CBD: 14.950 quotas, com: R$4.950,00 moeda e R$10.000,00 direitos de exploração do fundo de comércio de suas lojas; resultaram 15.000 quotas detidas; ii. Novasoc: 114.714.189 quotas: R$4.950,00 moeda e R$114.709.239,00 de contas a receber e direitos de exploração do fundo de comércio de suas lojas resultaram 114.714.239 quotas; iii. data 29/02/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; iv. na mesma data, CBD e Novasoc retiramse da sociedade e transferem o total das quotas para Sé Supermercados Ltda (Sé), a serem pagas em 2 (dois) anos; resulta que a Rio Patea tornase subsidiária integral da Sé, única sócia; data 29/02/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; v. Sé (sócia da Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente), considerando que aprovou aumento de capital na Recorrente mediante conferência da totalidade das quotas da Rio Patea, cede e transfere á Recorrente as ditas quotas; data 02/03/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; vi. Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente, incorpora a Rio Patea (sua subsidiária integral) e a extingue; data 30/04/2004, data registro na JUCESP 30/06/2004; vii. Comentário: as integralizações e transferências entre as empresas do grupo se deram a valores contábeis e os direitos de exploração de fundos de comércio a valores inferiores aos de mercado. b. págs. 480/570, da parte do grupo Sendas, foi constituída a empresa Serra do Andaraí Empreendimentos e Participações Ltda (Andarai)), na qual a Sendas S/A ingressou como sócia com capital R$100,00 (100%) e aumentouo para R$15.000,00 subscrito da seguinte forma: i. 4.900 quotas, com: R$4.900,00 moeda e R$10.000,00 direitos de exploração do fundo de comércio de suas lojas; resultaram 15.000 quotas, de capital de R$15.000,00, resultando a Andaraí sua subsidiária integral; data 29/02/2004, data registro na JUCERJ 28/05/2004; ii. Sendas S/A (sócia da Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente), considerando que aprovou aumento de capital na Recorrente mediante conferência da totalidade das quotas da Andaraí, cede e transfere à Recorrente as ditas quotas; data 02/03/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; iii. Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente, incorpora a Andaraí (sua subsidiária integral) e a extingue; data 30/04/2004, data registro na JUCERJ 28/05/2004; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 18 17 iv. Comentário: a integralização na Andaraí se deu a valores contábeis e os direitos de exploração de fundos de comércio a valor inferior ao de mercado. c. págs. 565/568, ingressam como acionistas na joint venture Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente: i. CBD, 800 ações com voto 40%; Novasoc, 200 10% e Sendas S/A 1.000 50%; total 2.000 ações, no valor de R$2.000,00; data 29/02/2004, data registro na JUCERJ 29/03/2004; ii. é aprovado aumento do capital para R$900.002.000,00; são emitidas 500.000.000 ações ordinárias e 400.000.000 ações preferenciais, todas nominativas e sem valor nominal; preço de emissão R$1,00/ação; foram subscritas e integralizadas da seguinte forma: 15. 000 quotas Andaraí a valor de mercado 31/12/2003, R$853.904.369,00, Laudo Anexo IV 250.000.000 AO R$() 325.209.265,75, valor contábil 31/01/2004, acervo líquido (PL) da Sendas S/A, Laudo Anexo V Sendas S/A 450.000.000 ações (50%) 200.000.000 AP a serem pagos em 4 anos, com atualização CBD 25.002.941 ações (2,78%) 25.002.941 AO R$25.002.940,72 valor contábil 31/01/2004, acervo líquido (PL), Laudo Anexo I Novasoc 2.019.192 ações (0,22%) 2.019.195,75 AO R$2.019.195,75 valor contábil 31/01/2004, acervo líquido (PL), Laudo Anexo II 222.977.864 AO Sé 422.977.864 ações (47%) 200.000.000 AP 114.729.239 quotas CS Rio Patea a valor de mercado 31/12/2003, R$618.340.702,00, Laudo Anexo III iii. data 29/02/2004; data registro na JUCERJ 29/03/2004; iv. Comentário: a joint venture societária se materializou com a integralização supra, em que cada um dos grupos passou a deter 50% de todo o capital, e 50% do poder decisório, dado que cada um passou a deter 50% das AO e 50% das AP. v. págs. 692/697 Protocolo de Incorporação e Justificação da incorporação das suas subsidiárias Rio Patea e Andaraí pela Recorrente: 1. Rio Patea: PL R$114.729.239,00; 2. Andaraí: PL R$15.000,00 3. A incorporação não acarreta aumento do CS da incorporadora (Recorrente) 4. As incorporadas são extintas; data 15/04/204; registro na JUCERJ 31/05/04. d. pág. 730, demonstrativo apresentado pela Sendas Distribuidora S/A (Recorrente) do valor de ágio que contabilizou: Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 19 18 Empresa Vlr. do Patrimônio da Empresa a preço de Mercado cfe laudo Vlr. Do patrimônio da Empresa utilizado Ágio em Investimento Subscrição de Capital Rio Patea 618.340.702,00 422.977.864,00 308.248.625,00 114.729.239,00 Andaraí 853.904.369,00 575.209.265,71 575.194.265,71 15.000,00 i. Comentário: os valores de mercado da Rio Patea e da Andaraí contabilizados pelo Recorrente foram inferiores aos apontados nos Laudos de Avaliação; desta forma, obtevese a participação de 50% de cada um dos grupos: 1. Pão de Açúcar: R$ (422.977.864,00+25.002.940,72+2.019.195,75)=450.000.000,47; 2. Sendas: R$(575.209.265,71 325.209.265,75+200.000.000,00)=449.999.999,96. 3. Os ágios apurados foram, respectivamente R$308.248.625,00 e R$575.195.265,71. 4. Vigia no ano calendário 2004 o art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 20 19 incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifouse.) 5. Comentário: a legislação permitia diferir a tributação do ganho de capital, no caso, pelas empresas Sé e Sendas S/A. 2.4 OPERAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS. 43. O Recorrente foi alvo de autuações relativas ao ágio amortizado, relativo à operação descrita, nos processos: a. 15563.000871/200891, relativo ao anocalendário 2005; Acórdão CARF 1.401 001.623, de 04/05/2016 b. 15563.720259/201123 relativo aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008; Acórdão CARF 1401001.624 de 04/05/2016. c. 15563.720356/201398 relativo aos anoscalendário 2009 e 2010; d. 15563.720.274/201513, que é o que aqui se julga. 44. Os dois Acórdãos citados foram proferidos pelo mesmo Conselheiro do CARF; no que tange ao direito à dedutibilidade do ágio em questão, assim se pronunciou: Discordo da DRJ em algum de seus fundamentos, porém, o lançamento deve ser mantido, principalmente porque existe um ponto principal descrito no auto de infração com o qual estou de pleno acordo e que também foi abordado com um dos fundamentos da DRJ. (...) A parte relevante da defesa concentrase em demonstrar o propósito negocial como um todo na associação do grupo Sendas com o grupo Pão de Açúcar (CBD). De fato, se visto sob um ponto de vista geral, as operações descritas de reestruturação e reorganização do grupo sendas com o grupo Pão de Açúcar não careceram de propósito negocial. O propósito negocial da associação efetuada é um fato notório, porém a forma como se deu é que macula o aproveitamento do ágio. Na verdade, vendo os fatos de forma retrospectiva a partir do que se desenrolou no futuro podese concluir que essa associação inicial foi uma etapa do processo de aquisição do grupo Sendas pelo grupo Pão de Açúcar, mas que até o momento dos fatos aqui tratados tal aquisição ainda não havia se dado. Porém, se a ausência de propósito negocial pode ser uma condição que por si só possa invalidar o planejamento tributário, a simples presença dela não é uma condição suficiente para validálo, isso porque pode ocorrer outras situações que maculem o planejamento como de fato foi o que ocorreu, senão vejamos. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 21 20 E o ponto crucial dessa mácula encontrase no fato de que as partes deixaram de ser mterdependentes na medida em que os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, passaram a não mais disputar o mercado entre si. e uniram esforços para alcançar objetivos comuns, que passou inicialmente pela tentativa de formarem uma joint venture. Na verdade, o que aconteceu foi que essa joint venture que se consubstanciou na criação da SENDAS Distribuidora deixando o controle acionário na mesma de forma paritária, ou seja, sendo dividido entre os dois grupos envolvidos (Grupo Sendas e o grupo Pão de Açúcar (CBD). Toda a cadeia de eventos que se deu nas empresas de passagens Serra do Andaraí (SENDAS) e Rio Patea (CBD), em curto espaço de tempo, nada mais é do que destacar os ativos e direitos de exploração de cada um dos grupos para fazer parte da Recorrente, reavaliar esses ativos a preço de mercado e. por fim, aproveitar o ágio de si mesmo. É como se cada um dos grupos (CBD e Sendas) fizesse separadamente e dentro do seu próprio grupo tais operações de reavaliação do ativo e não as tributasse, gerando o conhecido ágio interno e no caso também, o ágio de si mesmo, sabidamente não oponível ao Fisco. (...) Causa espanto o fato de a CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO AND ARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. Esse aviltamento proposital só foi possível com a certeza de que havia uma estruturação passo a passo no caminho de formarem uma única empresa com participações equitativas (meio a meio) onde o ganho adviria através da criação de um ágio fictício, porque foi sobrevalorizado através do aviltamento inicial dos valores patrimoniais dessas integralizações (capital social inicial). O passo seguinte sena avaliálas agora sim a preço de mercado e obter o ágio sobrevalorizado a ser deduzido. (...) Nas operações objeto de análise nestes autos, os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, não disputavam mercado entre si, mas uniam esforços para alcançar objetivos comuns. Somente o efetivo tributário intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO AND ARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. A prova e quantificação do erro no valor das integralizações são os próprios laudos confeccionados segundo a capacidade de geração de resultados futuros. Em vez de atender a algum propósito negocial, o objetivo foi rebaixar Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 22 21 artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio. Esse aviltamento do capital social se deu justamente porque as partes deixaram de respeitar um critério super importante para a validade da existência do ágio, que é o fato de as partes serem interdependentes, onde as aquisições se dão a preço de mercado. Essa situação conduziu inexoravelmente também a existência do denominado "ágio de si mesmo", também muito bem colocado tanto pelo autuante quanto pela DRJ. (...) Não restam dúvidas, portanto, que as operações em sequencia terminaram produzindo o ágio interno e o ágio de si mesmo. Na prática, o ágio de si mesmo denota que não houve nem aquisição envolvendo terceiros. E de fato, não houve. O que houve, como já se disse alhures, foi apenas que os dois grupos resolveram reavaliar seus ativos, equalizando os preços um com o outro de forma paritária (meio a meio), onde o fiel da balança foi o aporte financeiro feito pelo grupo Pão de Açúcar na Rio Patea. Ao final tais ativos foram acomodados na SENDAS DISTRIBUIDORA também meio a meio. Ou seja, não houve até esse ponto, qualquer aquisição de um grupo pelo outro, mantendose a independência cada qual do seu acervo original. Como também já se disse, aqui se tratou apenas de uma etapa preparatória para um futura aquisição do grupo Sendas pelo grupo Pão de Açúcar, que de fato ocorreu depois dos fatos aqui tratados. Portanto, comprovada está o abuso de direito na medida que pelas provas dos autos constatouse que os valores atribuídos às integralizações nas sociedades de passagem foram artificialmente rebaixados, com o objetivo de maximizar o ágio dos investimentos, conforme comprovam os laudos de avaliação; bem assim também ficou caracterizada a existência do chamado "ágio de si mesmo" em operações intragrupo que também macula toda a operação. 45. Do transcrito supra, esta relatora concorda com a existência de ágio de si mesmo no conjunto de operações efetuadas. 46. Nas operações descritas, a Sendas Distribuidora S/A (Recorrente) teve seu aumento de capital mediante, entre outros, as quotas da Rio Patea e da Andaraí, com ágio; no entanto, a Sendas Distribuidora S/A era, tanto antes desta operação como depois, constituída de 50% pelo Grupo Pão de Açúcar e 50% pelo Grupo Sendas; os bens conferidos foram 50% Grupo Pão de Açúcar e 50% pelo Grupo Sendas; o ágio da Rio Patea resultou de bens do Grupo Pão de Açúcar a ela conferidos, que o mesmo Grupo Pão de Açúcar via quotas da Rio Pátea, integralizou na Sendas Distribuidora S/A (Recorrente); e analogamente o Grupo Sendas, via Andaraí. 47. Não se vislumbra a participação de uma terceira parte da negociação e definição do valor dos bens reavaliados. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 23 22 48. Ambos Grupos, em paralelo, aportaram seus bens no Recorrente de forma paritária e tornaramse proprietários de forma paritária na sociedade resultante (Recorrente). 49. A observação do Acórdão citado, de que ambas reavaliaram seus próprios bens é correta. 50. Assim, tal ágio não preenche os requisitos de dedutibilidade da sua amortização uma das partes na transação, podese dizer, fora, 50% cada grupo; e a outra parte, foram os mesmos. Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR / RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 12/09/2017 Nº Acórdão: 9101003.077 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição.Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte.Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 2.5 DUPLICIDADE 51. Acusa que a glosa das despesas de amortização do ágio ocorreu em duplicidade, pois o valor integral do saldo de ágio registrado de R$439.013.328,40 foi glosado no processo nº 15563.720259/201133. 52. Destaquese que o equívoco que o recorrente aponta já foi objeto de correção tanto pelo Acórdão DRJ, como pelo CARF, conforme se transcreve a seguir: 2) ÁGIO AMORTIZADO EM 2008 (EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL) Tabela 1 Infração Anocalendário Valor no lançamento Valor mantido Amortização de ágio indedutível 2007 91.969.359.62 91.969.359.62 Amortização de ágio indedutível 2008 439.013.328,40 93.377.359,38 A DRJ acertadamente cancelou parte do ágio considerado amortizado pela fiscalização no ano calendário de 2008, por se tratar na verdade de uma confusão feita pelo autuante ao não conseguir distinguir o lançamento da provisão determinada pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1° do ágio efetivamente amortizado. Conforme Tabela II abaixo, diferentemente do que aconteceu Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 24 23 para ano calendário de 2006 e 2007, na DIPJ 2009 (Ano calendário de 2008), tanto o ágio quanto a provisão foram lançados conjuntamente na linha 27, de modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão (R$ 498.652.236,71 R$ 345.635.969,02 = R$ 153.016.267,69). Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38 (= R$ 592.029.596,09 R$ 498.652.236,71), e não R$ 439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como considerou a fiscalização. A DRJ bem esclareceu essa falta de distinção: 106. Na tabela abaixo, constam os valores declarados nas DIPJ 2008 e 2009 (fls. 42 e 86), Ficha 36A, Linhas 27 "Ágios em investimentos" e 30 "()Deságios e provisões para perdas prováveis em investimentos". Linha\Data 31/12/2006 31/12/2007 31/12/2008 27 683.998.955,71 592.029.596,09 153.016.267,69 30 474.182.830,94 410.359.583,87 973.967,99 107. Para 31/12/2007 (DIPJ 2008), segundo o Interessado, foi declarado na linha 27 o valor do ágio em investimentos, enquanto, na linha 30, foi lançada a provisão determinada pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1°. Na DIPJ 2009, tanto o ágio quanto a provisão foram lançados na linha 27, de modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão (R$ 498.652.236,71 R$ 345.635.969,02 = R$ 153.016.267,69). Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38 (= R$ 592.029.596,09 R$ 498.652.236,71), e não R$ 439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como considerou a fiscalização. 108. Para provar suas alegações, junta aos autos o "Balanço analítico consolidado em dezembro08" (Doc. 10, fls. 4.857/4.860), em que constam os valores de 498.652.236,71 e 345.635.969,02 a título de ágio e provisão; e a nota explicativa n° 11 de demonstrações contábeis publicadas no DOE (Doc. 11, fls. 4.861/4.865), que registra amortização de 93.377 mil em 2008. 109. Acrescento que na Ficha 5A da DIPJ 2009, linha 21, fl. 71, o Interessado declarou "Encargos de Amortização" no valor de R$ 93.377.359,38. 110. Por todo o exposto, considero comprovado que no ano de 2008 a amortização de ágio foi de R$ 93.377.359,38. Em face dos argumentos expostos na decisão recorrida, os quais aqui os encampo integralmente, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 25 24 53. À vista do exposto, evidenciase que o erro já foi sanado, desde que foi proferido o Acórdão supra, na sessão de julgamento ocorrida em 04 de maio de 2016. 2.6 ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. 54. Reclama que, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL exigidos, deixaram de ser consideradas as possíveis compensações de prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas de períodos anteriores, conforme Sapli, fls, 810/816, que levam em conta as glosas procedidas em outros autos de infração. E anexa aos autos a DIPJ 2014/2013, doc. 01; quanto aos anoscalendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração Contábil Fiscal ECF, cujos dados estão disponíveis aos julgadores; invoca os arts. 250, III, 509, § 1º e 510, do RIR de 1999, que estabelecem o direito; também o CARF reconhece e pode ensejar a nulidade do lançamento: à pág. 1.472, demonstra que os montantes das exigências seriam reduzidos: a. no anocalendário 2011: o IRPJ de R$36.099.611,69 a R$25.262.528,18; o de CSLL de R$13.004.500,21 para R$9.103.150,15. b. no anocalendário 2012: o IRPJ de R$25.938.092,36 a R$18.156.664,65; o de CSLL de R$9.337.713,25 para R$6.536.399,28. 55. O mesmo questionamento foi interposto no processo nº 15563.720259/20133, referente aos períodos de apuração 2007, 2008 e 2009, no qual julgouse improcedente (Acórdãos DRJ e CARF) a infração Saldo Credor de Caixa e a infração mantida (relativa ao ágio) teve o IRPJ e CSLL correspondentes compensados com prejuízo e saldo negativo do próprio período, não restando exigências, de forma que a questão não chegou a ser objeto de análise por perda de objeto; consta do Acórdão DRJ que os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL dos anoscalendário 2006 a 2008 foram alterados para: R$() 142.242.919,99, R$()13.151.784,45 e R$()138.859.674,45, respectivamente. 56. No processo nº 15563.720356/201398, referente aos anoscalendário 2009 e 2010, em que a autuação foi mantida pela DRJ, com IRPJ e CSLL a exigir, o questionamento não foi apresentado na impugnação, nem foi objeto de decisão pela DRJ; o recurso voluntário aguarda decisão no CARF. 57. No presente processo, anos calendário 2011 e 2010, a questão foi levantada na impugnação, tendo a DRJ se pronunciado no sentido de que não havia prova destes prejuízos e bases negativas No entanto, essa comprovação fica prejudicada tendo em vista que a empresa não apresentou, até a presente data, DIPJ para os anos base 2014 e 2015, como se constata no sistema de controle da RFB. Assim, não é possível confirmar se a empresa mantém prejuízo fiscal passível de compensação ou se esse foi absorvido no citados exercícios de 2015 e 2016.Verificase que, no presente processo, foi efetuada a compensação de prejuízo que o Recorrente havia apurado, do período autuado, mas não de períodos anteriores, na autuação relativa a 2011, pág. 777, e nenhuma compensação de prejuízos em 2012, pág. 779; analogamente, na apuração da CSLL, págs. 788 e 789. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 26 25 58. O recorrente, corretamente argumentou que anexa DIPJ 2014/2013, doc. 01 e quanto aos anoscalendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração Contábil Fiscal ECF, disponível na RFB. 59. A legislação permite a compensação até o limite de 30% do lucro, portanto, o pleito é procedente, desde que efetivamente existam. 60. Os demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais (Sapli), pág. 810/816, não registram que o Lucro Real de 2010 tenha sido alterado em função das autuações fiscais dos anos precedentes e de 2011 e 2012. 61. Contudo, a quantificação dos prejuízos acumulados e das bases de cálculo negativas disponíveis para compensação depende dos deslindes finais dos julgamentos dos processos que precederam este, e que são: 15563.000871/200891, do anocalendário 2005; 15.563.720259/201133, anos 2006, 2007 e 2008; 15.563.720356/201398, anos 2009 e 2010 e ainda de se levar em conta eventuais valores consumidos em compensações nos anos calendário posteriores, ocorridos antes da decisão final deste processo. 62. Em síntese, a reclamação é procedente, porém não há elementos para quantificar o montante a que teria direito, no momento desta decisão administrativa, o que somente será verificado por ocasião da implementação da decisão no presente processo. 2.7 MULTA DE OFÍCIO 75% CANCELAMENTO, ART. 112, I DO CTN 63. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 64. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 65. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 27 26 66. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 2.8 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO NÃO ADIMPLIDA. INCIDÊNCIA. 67. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 68. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 69. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 28 27 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 70. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 71. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 72. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 73. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 74. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 2.9 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. 75. Determina o Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 151, III, que Suspendem a exigibilidade do crédito tributário, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, portanto, descabe procedimento de cobrança, em tal situação. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 29 28 3 Conclusão Voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer o direito a compensação de prejuízos e bases de cálculo da CSLL comprovadamente disponíveis por ocasião da implementação da decisão. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 30 29 Fl. 1577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722229/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRADIÇÃO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO.
Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo, sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual, deve ser sanado o vício pela exclusão da referência à matéria não litigiosa que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão.
Numero da decisão: 2201-004.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanar, nos termos do voto da Relatora, a decisão constante do Acórdão nº 2403-000.877.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRADIÇÃO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO. Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo, sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual, deve ser sanado o vício pela exclusão da referência à matéria não litigiosa que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.722229/2009-14
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848887
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.278
nome_arquivo_s : Decisao_10166722229200914.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 10166722229200914_5848887.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanar, nos termos do voto da Relatora, a decisão constante do Acórdão nº 2403-000.877. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7188914
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007469293568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 944 1 943 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722229/200914 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.278 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado DEPOSITO AVATAR LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRADIÇÃO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO. Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo, sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual, deve ser sanado o vício pela exclusão da referência à matéria não litigiosa que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanar, nos termos do voto da Relatora, a decisão constante do Acórdão nº 2403000.877. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 22 29 /2 00 9- 14 Fl. 944DF CARF MF 2 Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 929/932) em face do Acórdão nº 2403000.877 da 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, em face de suposta omissão relativa à fundamentação da decisão no que diz respeito à retroatividade da legislação que estabelece penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 933/934, que reconheceu a omissão nos seguintes termos: O fundamento do embargo é que o acórdão embargado incide em omissão no que tange à retroatividade da obrigação acessória, uma vez que em momento nenhum foi exposta na fundamentação motivação deste entendimento. A questão não foi sequer ventilada na fundamentação do acórdão. Tendo em vista a extinção da turma que prolatou a decisão embargada, os autos foram incluídos em lote sorteado em sessão pública a esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme bem apontou a autoridade embargante, o Acórdão nº 2403000.877 tratou em sua fundamentação apenas de dois assuntos: a exclusão do contribuinte do Simples e a incidência das contribuições previdenciárias sobre o Auxílio Alimentação. Não tendo acatado os argumentos do recurso voluntário em qualquer uma dessas matérias, concluiu por "negar provimento ao recurso". Ocorre, porém, que o dispositivo do Acórdão contém texto que não condiz com o que foi tratado na fundamentação: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 32A da Lei 8.212/91 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT. Apesar dessa constatação, entendo que não se trata de omissão na fundamentação, mas de contradição entre ela e o dispositivo, que deve ser sanada com a alteração deste último. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.722229/200914 Acórdão n.º 2201004.278 S2C2T1 Fl. 945 3 Com efeito, contrariando a conclusão do texto do acórdão em negar provimento ao recurso, o dispositivo lhe deu parcial provimento para determinar o recálculo da multa. Esta matéria, contudo, não apenas não foi tratada na fundamentação, como não foi objeto de recurso voluntário (fls. 908/913), já que foi reconhecido pela própria decisão recorrida a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica. Aliás, essa matéria é objeto de tratamento pelo art. 476A da IN RFB nº 971, de 2009, e a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, estabelece que este cálculo deverá ser refeito no momento do pagamento ou parcelamento, independente de requerimento do interessado. É o que determina, sem embargo, o seguinte dispositivo: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. (grifouse) Assim, seja porque a administração tributária já reconhece a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, seja porque ela foi expressamente reconhecida pela decisão da DRJ, bem como porque não houve qualquer pedido nesse sentido no recurso voluntário, quando da sua análise, essa matéria não se encontrava em litígio, sendo inadequada a referência a ela para fins de provimento do recurso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer e prover os embargos de declaração, para determinar que seja sanada a contradição verificada no Acórdão 2403000.877 4ª Fl. 946DF CARF MF 4 Câmara/3ª Turma Ordinária, através da alteração de seu dispositivo, que passa a ter a seguinte redação: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
