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Numero do processo: 13839.000369/2009-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. EXTINÇÃO DO LITÍGIO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, dispositivo que se aplica igualmente à manifestação de inconformidade em processos de compensação. Decorrido o prazo para apresentação de recurso sem manifestação do interessado, tem-se por final a decisão, com extinção do litígio no âmbito administrativo.
OBJETO DO PROCESSO. REINÍCIO DA DISCUSSÃO EM PROCESSO CONEXO. IMPOSSIBILIDADE.
Cada processo tem seu objeto próprio, que não pode ter sua discussão reiniciada em processo conexo por discordância do sujeito passivo em relação à decisão final administrativa no processo principal.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
No que concerne às declarações de compensação, a competência do CARF para julgamento dos recursos limita-se à existência dos créditos alegados pelo sujeito passivo, não alcançando pedido de redução dos débitos declarados.
Numero da decisão: 3002-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. EXTINÇÃO DO LITÍGIO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, dispositivo que se aplica igualmente à manifestação de inconformidade em processos de compensação. Decorrido o prazo para apresentação de recurso sem manifestação do interessado, tem-se por final a decisão, com extinção do litígio no âmbito administrativo. OBJETO DO PROCESSO. REINÍCIO DA DISCUSSÃO EM PROCESSO CONEXO. IMPOSSIBILIDADE. Cada processo tem seu objeto próprio, que não pode ter sua discussão reiniciada em processo conexo por discordância do sujeito passivo em relação à decisão final administrativa no processo principal. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF. No que concerne às declarações de compensação, a competência do CARF para julgamento dos recursos limita-se à existência dos créditos alegados pelo sujeito passivo, não alcançando pedido de redução dos débitos declarados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. EXTINÇÃO DO LITÍGIO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, dispositivo que se aplica igualmente à manifestação de inconformidade em processos de compensação. Decorrido o prazo para apresentação de recurso sem manifestação do interessado, temse por final a decisão, com extinção do litígio no âmbito administrativo. OBJETO DO PROCESSO. REINÍCIO DA DISCUSSÃO EM PROCESSO CONEXO. IMPOSSIBILIDADE. Cada processo tem seu objeto próprio, que não pode ter sua discussão reiniciada em processo conexo por discordância do sujeito passivo em relação à decisão final administrativa no processo principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF. No que concerne às declarações de compensação, a competência do CARF para julgamento dos recursos limitase à existência dos créditos alegados pelo sujeito passivo, não alcançando pedido de redução dos débitos declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 03 69 /2 00 9- 58 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.000369/200958 Acórdão n.º 3002000.382 S3C0T2 Fl. 126 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação de crédito decorrente de ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre/2003, no valor de R$ 4.824,80, com débitos de Cofins (fls. 6 a 9). O pedido de ressarcimento de IPI foi tratado no processo nº 13839.001673/200327, do qual foram juntados a estes autos a Informação Fiscal e o Despacho Decisório, que reconhecem a totalidade do saldo credor solicitado, no valor de R$ 84.356,68. Consta também que este saldo foi integralmente utilizado na quitação de débitos para os quais o contribuinte solicitou compensação no próprio processo de ressarcimento, motivo pelo qual a Delegacia da Receita Federal em Jundiaí não homologou a Declaração de Compensação que ora se analisa (fls. 11 a 23). A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou que o valor a ser ressarcido deveria ter sido atualizado pela taxa Selic, uma vez que a Lei nº 9.430/1996 definiu que o instituto jurídico aplicável ao saldo credor é a compensação, para a qual há previsão de atualização monetária (art. 39 da Lei nº 9.250/1995). Por esse motivo, haveria saldo remanescente no processo nº 13839.001673/200327, que não foi considerado para a compensação destes autos. Acrescenta que, ainda que não houvesse crédito suficiente, o débito é inferior ao montante cobrado em razão do ilegítimo alargamento da base de cálculo da Cofins (fls. 38 a 43). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 36.802 (fls. 53 a 56), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o crédito do sujeito passivo não se originou de indébito tributário, mas de ressarcimento de crédito presumido de IPI, benefício fiscal para o qual não há previsão legal de atualização pela taxa Selic. Embora haja pontos em comum, seria instituto diverso da compensação. A ausência de previsão legal se confirmaria pela vedação expressa à incidência de juros no ressarcimento de créditos de IPI constante nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do tema, nº 410/2004, nº 600/2005 e nº 900/2008. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.000369/200958 Acórdão n.º 3002000.382 S3C0T2 Fl. 127 3 RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 11.06.2013, conforme AR constante à fl. 58, e protocolizou o Recurso Voluntário em 11.07.2013, conforme carimbo aposto à primeira página da peça recursal à fl. 81. Em seu Recurso Voluntário (fls. 81 a 121), o contribuinte solicita, inicialmente, a apensação destes autos ao processo que trata do ressarcimento de IPI, tendo em vista a relação de dependência entre ambos. No que concerne à atualização do crédito de IPI pela taxa Selic, defende que o saldo credor de IPI pode ser aproveitado como compensação ou como ressarcimento e, quando o é na primeira modalidade, aplicamse as regras da compensação, ou seja, a atualização monetária. Prossegue afirmando que, mesmo que se tratasse apenas de ressarcimento, deveria haver a atualização monetária, pois assim determina o art. 39 da Lei nº 9.250/1995, trazendo em seu favor uma decisão nesse sentido proferida pelo Conselho de Contribuintes em julgamento realizado em fevereiro/2007 – Acórdão nº 20402.187. Caso não se concorde com sua tese, defende, como primeira alternativa, que a atualização monetária seja ao menos aplicada a partir da data da entrega da Declaração de Compensação, com base no prazo para decisão em processo administrativo previsto no art. 49 da Lei nº 9.784/1999. Colaciona decisão do STJ no REsp nº 1.035.847/RS, que trata da correção monetária de crédito escritural em caso de resistência ilegítima do Fisco. Por fim, como segunda alternativa, requer que o Colegiado reduza o valor do débito que se pretende compensar, tendo em vista que foi calculado nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, anteriormente ao reconhecimento de sua inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Antes de se adentrar a análise da contenda, deve ser tratado o pedido de apensação. É indiscutível, como dito pela recorrente, que este processo depende da decisão relativa ao pedido de ressarcimento de IPI. Estáse diante de situação que ocorre frequentemente neste Conselho e que não obriga à providência de apensação – para essa Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.000369/200958 Acórdão n.º 3002000.382 S3C0T2 Fl. 128 4 definição deve ser considerada a fase e o local em que se encontra cada um dos processos. O importante nesses casos é que se aguarde a decisão final administrativa no processo principal pois, uma vez estabelecido o exato montante passível de ressarcimento, será verificado se ainda há saldo disponível para realizar a compensação ou se ele foi completamente utilizado. No caso presente, já tivemos a decisão final administrativa, que reconheceu o direito ao ressarcimento do IPI em sua integralidade, ao mesmo tempo em que homologou as compensações que estavam vinculadas ao ressarcimento por iniciativa do próprio contribuinte, constando do Despacho Decisório que não restou saldo credor para posterior utilização (fl. 21). O contribuinte tomou ciência desta decisão em 10.06.2008 e não recorreu, o que significa que não foi instaurado o contencioso e que essa decisão se tornou definitiva administrativamente em 10.07.2008. Solicitar a apensação em 2013, ano da interposição do Recurso Voluntário, tendo ciência de que se trata de processo encerrado administrativamente, é um pedido sem sentido, que não cabe ser acolhido. A discussão sobre o exato valor de crédito de IPI a ser ressarcido já foi encerrada administrativamente. Partindo então para a discussão sobre a atualização monetária do crédito de IPI pela taxa Selic, ressalto que, ainda que concorde com toda a argumentação desenvolvida pelo relator no Acórdão da DRJ, relativa à inexistência de previsão legal para atualização monetária de crédito presumido do IPI, entendo não ser essa a principal razão para se negar provimento ao pleito do recorrente. Em meu entender, tratase de argumento plenamente válido, mas secundário. O fundamento que creio deve ser determinante nesta decisão foi abordado logo acima, ao tratarse do pedido de apensação: a atualização monetária é matéria que pertence ao processo nº 13839.001673/200327, que define o crédito de IPI passível de ressarcimento e já foi finalizado administrativamente. O objeto do presente processo é distinto – restringese a verificar, a partir do crédito reconhecido no processo de ressarcimento, se sobrou saldo para compensação que se pleiteia. A discussão sobre o montante do crédito de IPI, sua atualização ou não pela Selic e outras questões mais deveriam ter sido tratadas no processo de reconhecimento do crédito. Uma vez finda a discussão lá, aqui só nos resta ver qual o saldo disponível para compensação. E essa resposta já temos: é zero. Disso, nem a recorrente discorda. Aliás, é de se realçar que concomitante ao pedido de ressarcimento de IPI foi solicitada a compensação de débitos de PIS/Cofins em igual valor. Dessa forma, quando o contribuinte transmitiu a compensação deste processo em 2004, já havia pedido a utilização integral do ressarcimento na compensação de outros débitos, no processo de 2003. Devese ter sempre em mente que cada processo tem seu objeto próprio. Não é possível reiniciar a discussão sobre o exato montante do IPI a ser ressarcido em processo conexo que trata de compensação, por discordância do sujeito passivo em relação à decisão final administrativa no processo principal. De qualquer forma, antes de finalizar esta seção do voto, ratifico o entendimento expresso no julgamento de primeira instância, que também adoto como razão de decidir: não há previsão legal para a atualização monetária de ressarcimento de crédito presumido de IPI; toda a legislação trazida pela recorrente referese à atualização dos valores Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.000369/200958 Acórdão n.º 3002000.382 S3C0T2 Fl. 129 5 pagos a maior ou indevidamente, não se aplicando a crédito escritural; e, por fim, a decisão do STJ aplicase aos casos em que foi detectada resistência ilegítima pelo Fisco, que é configurada normalmente pelo provimento de recurso do contribuinte para reverter despacho decisório anterior denegatório. No caso em tela, a unidade de origem reconheceu o pedido em sua íntegra, não tendo ocorrido a resistência ilegítima de que trata o Acórdão do REsp nº 1.035.847/RS. Por fim, quanto ao pedido alternativo para redução do débito, temse por impossível pois o Carf não é competente para tratar de retificação de débito. A partir de 2003, os processos administrativos versando sobre restituição, ressarcimento e compensação passaram a seguir o mesmo rito do contencioso previsto para o lançamento do crédito tributário por auto de infração. A matéria foi assim delimitada, por meio da nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (grifado) Do texto legal depreendese que o contencioso iniciase quando o contribuinte recorre de uma decisão em que a Administração Tributária entende não haver crédito disponível para a compensação. É a partir dessa perspectiva que foram estruturados o rito e os procedimentos. Tal entendimento é confirmado no dispositivo do Regimento Interno do Carf que trata das competências das Turmas, em seu Anexo II: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.000369/200958 Acórdão n.º 3002000.382 S3C0T2 Fl. 130 6 Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (grifado) No caso em tela, se o contribuinte entende que pagou PIS/Cofins indevidamente, em decorrência de cálculo realizado nos moldes do que prevê o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, deve solicitar a restituição e/ou a compensação da contribuição, mas não a sua redução em um processo que trata de compensação de crédito de IPI. O objeto deste processo não é débito de PIS/Pasep ou Cofins, mas crédito de IPI. Em síntese, concluo que não cabe discutir a atualização monetária no presente processo. Ainda que coubesse, não há previsão legal para atualização monetária de crédito escritural, nem está configurada a hipótese para aplicação da atualização de crédito escritural decidida pelo STF. Por fim, este Colegiado não é competente para pronunciarse sobre retificação de débito confessado em declaração de compensação. Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.915135/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007
INSUMOS ISENTOS PRODUZIDOS NA ZFM COM PROJETO APROVADO PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus.
RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A apuração de saldo devedor do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente de lançamento de ofício, impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte.
Numero da decisão: 3301-004.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007 INSUMOS ISENTOS PRODUZIDOS NA ZFM COM PROJETO APROVADO PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldo devedor do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente de lançamento de ofício, impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte.
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldo devedor do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente de lançamento de ofício, impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 51 35 /2 01 1- 13 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 172 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 92/106), abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 02 a 23, contra o Despacho Decisório da DRF/Campinas, fl. 67, que indeferiu o pedido de ressarcimento constante do Perdcomp nº 14515.01762.150108.1.010490 e não homologou a compensação declaradas no Perdcomp nº 40686.48725.150108.1.3.016037, em razão da ocorrência de glosa de créditos considerado indevidos, em procedimento fiscal. Constam do termo de informação fiscal, fls. 70 a 87, em síntese, as seguintes informações: “A presente ação fiscal referese à análise dos créditos constantes de pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 c/c IN SRF n° 33/99, relativo ao período abrangido pelos 4o Trimestres de 2007, conforme as solicitações de pedidos de ressarcimento/ declarações de compensação ingressados eletronicamente no Sistema PER/DCOMP, de acordo com o quadro abaixo: No período objeto do Pedido de Ressarcimento o contribuinte deu saída do seu estabelecimento a produtos denominados de "garrafa pet" e "preforma", de sua fabricação, classificados nas posições 3923.30.00 e 3923.30.00 " Ex01" da Tabela de Incidência do IPI, tributados a alíquota de 15% e à alíquota zero, respectivamente. Vale informar, por oportuno, que o produto denominado de "preforma" representa um esboço de garrafa de plástico, fechado em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 173 3 tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas. Assim, o excedente de crédito na escrita original do estabelecimento, do trimestre em questão, originouse de créditos oriundos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de "preforma", dentre os quais destacase a matéria prima RESINA classificada na posição 3607.60.00 da Tabela de Incidência do IPI, tributados a alíquotas maiores que zero. (...) De acordo com os exames efetuados, constatamos que o contribuinte apurou de forma irregular o excedente de créditos do IPI utilizado em ressarcimento / compensação, conforme explicado a seguir: 1. AUTO DE INFRAÇÃO 10830.724566/201253 Na ação fiscal levada a efeito no contribuinte foram constatadas infrações referentes a créditos indevidos de IPI, conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração Processo Administrativo 10830.724566/201253, com ciência em 19/07/2012. No Auto de Infração mencionado, especificamente no seu Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável, foram constatadas as seguintes infrações: Crédito Indevido de IPI" ENTRADAS ISENTAS MANAUS” O contribuinte não recolheu o I.P.I, ou recolheu a menor o I.P.I. por se utilizar de créditos indevidos, com a rubrica "ENTRADAS ISENTAS MANAUS" abaixo discriminados, conforme constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Tais valores referemse ao IPI relativo a aquisição de materiais isentos de IPI adquiridos na Zona Franca dc Manaus. Nesses casos o crédito de IPI é vedado, uma vez que inexiste o destaque de IPI nas notas fiscais de entradas. (...) Em suas respostas apresentadas através do Termo de Recebimento de Documentos de 01/03/2012 o contribuinte explicou que se creditou do IPI referente à aquisição de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 174 4 preformas isentas de IPI industrializadas na Zona Franca de Manaus, classificadas na posição 3923.30.01 da TIPI, tributado pelo IPI à alíquota 0%, tendo apresentado diversas decisões judiciais e administrativas das quais o contribuinte não era parte. (...) A partir das análises das planilhas e das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte através do Termo de Recebimento de Documentos de 01/03/2012, constatamos que o contribuinte não apresentou as cópias das notas fiscais de entrada abaixo relacionadas: 83471 2102.AA 102.128,83 717.600 142,32 102.128,83 O contribuinte foi intimado através do item 2) do Termo de Intimação Fiscal de 31/05/2012 a apresentar cópia das duas notas fiscais de entradas acima discriminadas, mas elas não foram apresentadas. Em todas as notas fiscais constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte inexiste o destaque de IPI, por se tratar de isenção IPI decorrente de aquisição de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus. Vale ressaltar que os produtos são preformas, classificadas na posição 3923.30.01 da TIPI, é tributado pelo IPI à alíquota 0%. Inexistindo o destaque do IPI nas notas fiscais de entrada, é vedado o crédito de IPI, por faltarlhe o documento que lhe confira legitimidade, nos termos dos artigos 164, 190, 193 e 43 do R1P1/2002: (...) No presente caso, os valores de IPI que o contribuinte utilizou para se creditar não foram aqueles que constavam das Notas Fiscais de Entrada constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte, condição prescrita pelo Artigo 190 do RTPI/2002. Pelo contrário, o contribuinte indicou valores de IPI inexistentes nas notas fiscais, motivo pelo qual deverão ser glosados. (...) Nas planilhas apresentadas pelo contribuinte através do Termo de Recebimento de Documentos de 01/03/2012, o contribuinte corrigiu monetariamente o valor dos créditos presumidos de IPI em R$ 56.887,42, o que não possui amparo legal. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 175 5 (...) Conforme se observa da reconstituição da escrita, tendo em vista a existência de saldo credor de IPI em dezembro/2007 no valor de R$ 1.370.752,97, este mesmo valor não foi cobrado no Auto de Infração, do qual o presente Termo é parte integrante e inseparável, tendo sido cobrado o valor principal de IPI de 2.343.364,17 – 1.370.752,97 = 972.611,20. Ou seja, a princípio o contribuinte deveria estornar do Livro Registro de Apuração do IPI o valor de R$ 1.370.752,97 a fim de adequar o seu Livro Registro de Apuração do IPI. Em virtude da inexistência de saldo credor de IPI em dezembro/2007 após a reconstituição da escrita, o Pedido de Ressarcimento de IPI referente ao 4o Trimestre/2007 contido no PER/DCOMP 14515.01762.150108.1.1.010490 será totalmente glosado. O contribuinte poderia, a princípio, retornar à escrita fiscal o valor solicitado de R$ 1.370.752,97, que foi por ele estornado em janeiro/2008: Por essas razões, o contribuinte está intimado a não retornar ao Livro qualquer valor em virtude da glosa do Pedido de Ressarcimento referente ao 4° trimestre/2007, e por outro lado também não deve estornar qualquer valor do Livro por conta da lavratura do Auto de Infração do IPI, processo 10830.724566/201253. DA CONCLUSÃO Conforme a Reconstituição da Escrita Fiscal do Auto de Infração Processo Administrativo 10830.724566/201253 e conforme "Demonstrativo do Excedente de Crédito Básico (Lei 9.779/99)" anexo, após a reconstituição da escrita, levandose em conta as infrações acima mencionadas, os novos saldos do Livro Registro de Apuração do IPI para dezembro/2007 é: Como resultado da Reconstituição da Escrita Fiscal, o saldo de IPI de dezembro/2007 é devedor, tendo sido inclusive objeto de lançamento através do Auto de Infração 10830.724566/201253. Portanto deixarão de ser concedidos quaisquer valores a título de ressarcimento referentes ao 4o Trimestre/2007 pela inexistência de excedente de crédito. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 176 6 Diante do acima exposto, os créditos de IPI referentes às aquisições de materiais isentos de IPI adquiridos na Zona Franca de Manaus são indevidos, conforme Auto de Infração 10830.724566/201253:” Cientificada do despacho decisório, em 10/10/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 08/11/2012, fls. 02 a 23, alegando, em síntese, que: ÞÞ A presente MI tem como objetivo combater a decisão de não reconhecimento do crédito de IPI referente ao 4º trimestre de 2007, objeto do pedido de ressarcimento nº 14515.01762.150108.1.1.010490, no valor de R$ 1.370.752,97, e de não homologação da declaração de compensação vinculada ao nº Perdcomp nº 40686.48725.150108.1.3.016037; ÞÞA razão do indeferimento dos pedidos decorre do fato de que não houve destaque e pagamento de IPI nas operações de aquisição de preformas de empresa localizada na ZFM. No entanto, os argumentos do Fisco não merecem prosperar, devendo o pedido de ressarcimento ser integralmente deferido, assim como deve ser totalmente homologada a declaração de compensação; ÞÞ A requerente tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de recipientes de plástico, notadamente preformas e tampas, a serem utilizados na indústria em geral; ÞÞMuitos desses insumos ou materiais, como os que se verificam no presente caso (preforma), são provenientes de empresas localizadas na Zona Franca de Manaus e beneficiários do incentivo de isenção do IPI, previsto no artigo 9º do Decreto nº 288/67 e legislação especifica; ÞÞEm razão dessa isenção de IPI, o Fisco glosou os créditos da Requerente, sob o argumento de que a ausência de destaque nas notas fiscais relativas à aquisição desses insumos e materiais e consequente ausência de recolhimento desse tributo impediria o creditamento do imposto; ÞÞ Contudo, tal argumento não pode prosperar, pois o creditamento dos valores de IPI relativos à aquisição de materiais isentos da Zona Franca de Manaus é perfeitamente legitimo e, inclusive, encontrase em perfeita consonância com o princípio da nãocumulatividade previsto constitucionalmente para esse imposto; ÞÞ O art. 40 do ADCT da CF/88 determina tratamento diferenciado às saldas da Zona Franca de Manaus, o que assegura o direito de crédito da Requerente, pois do contrário a isenção conferida aos contribuintes na Zona Franca de Manaus não teria qualquer efeito prático, de redução dos preços das mercadorias, o que aniquilaria a razão de ser da Zona Franca, na contramão da determinação constitucional de tratar mais beneficamente as operações com a Região; Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 177 7 ÞÞA interpretação da Fiscalização sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI é equivocada. Entende que a expressão “cobrado nas operações anteriores” da Constituição Federal pressupõe o efetivo pagamento do IPI na operação anterior; ÞÞ O artigo 153, § 3º, inciso II, da Carta Magna, dispõe que o direito ao crédito do imposto não está condicionado à incidência, ao efetivo destaque, e muito menos ao pagamento do IPI nas operações anteriores; ÞÞA norma constitucional, que garante o direito ao crédito do IPI, é totalmente autônoma em relação à norma que determina a imposição do tributo. Nessa relação autônoma, o direito de crédito não pode ser atingido pelas regras de exigência do tributo, o que torna irrelevante que exista pagamento nas operações anteriores, pois o que importa é que haja possível incidência de IPI na operação anterior para estar assegurado o direito de crédito; ÞÞ A expressão "cobrado" da Constituição, para o IPI, não é sinônimo de imposto pago, como pretende o Fisco; ÞÞ O Código Tributário Nacional, em seu art. 49, também dispõe que o IPI tratase de um imposto nãocumulativo, cujo direito de crédito é inerente à operação autônoma do creditamento, pouco importando como foi tributada a operação anterior; ÞÞ Tomese como exemplo, ainda, uma situação em que a Requerente adquire insumos ou materiais para seu processo produtivo, mas o contribuinte na operação anterior não realiza o efetivo pagamento do IPI, muito embora ele fosse devido, nos termos da Lei. Existiria alguma mácula no direito de crédito da Requerente? ÞÞTrazendo tais conceitos para o caso concreto, concluise que o fato de a operação anterior de aquisição de preformas pela Requerente ser isenta (porque proveniente da Zona Franca de Manaus), não lhe impede o direito de crédito, como fez a Fiscalização, pois a relação jurídica do direito ao crédito não é afetada pela regra de incidência do IPI nessas operações anteriores, sendo essa a correta interpretação da expressão montante "cobrado" do texto constitucional; ÞÞ Não há dúvidas de que o Despacho Decisório em comento encontrase em total contrariedade com a sistemática da nãocumulatividade do IPI, de modo que, também por essa razão, merece ser reformado; ÞÞA vedação ao aproveitamento de tais créditos de IPI resultaria na anulação do específico benefício de isenção de IPI concedido às empresas situadas na Zona Franca de Manaus, já que em termos práticos a diminuição do preço do produto vendido (por conta da isenção) fica sem efeito, considerando que não há direito de crédito do IPI isentado da operação; Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 178 8 ÞÞO que existe, diante da interpretação fiscal, é o mero diferimento de pagamento do IPI. Deixa de ser pago pelo contribuinte localizado na Zona Franca de Manaus e é suportado e pago pelo contribuinte que adquire os itens beneficiados; ÞÞ O objetivo da Zona Franca de Manaus, conforme determina o art. 1º do DecretoLei n° 288/1967, foi criar "no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuária dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância em que se encontram os centros consumidores de seus produtos"; ÞÞÉ ilegítima a interpretação da Fiscalização, de vedar o direito de apropriação de créditos pela Requerente, em situações nas quais as aquisições de insumos ou materiais são beneficiados pela isenção, sob pena de se anular os benefícios concedidos às empresas situadas na Zona Franca de Manaus; ÞÞ Não há dúvidas de que, nessas situações, o direito de crédito deve ser assegurado, em atenção ao artigo 40 do ADCT e de todos os demais princípios constitucionais que dele decorrem, na medida em que, caso os aludidos créditos sejam vedados, empresas como a Requerente, que adquirem insumos e materiais das empresas situadas na Zona Franca de Manaus, deixarão de fazêlo, já que tais aquisições não mais serão benéficas financeiramente. Assim, restarão totalmente anulados os benefícios que são atribuídos às empresas situadas na Zona Franca de Manaus, em violação ao artigo 40 do ADCT e DecretoLei nº 288/67. Cita entendimento dos tribunais superiores sobra a matéria, notadamente em relação ao ICMS; ÞÞ Estando o Recurso Extraordinário nº 592.891/SP afetado pelo instituto da repercussão geral, o entendimento do Supremo Tribunal Federal manifestado nesse caso será aplicado a todos os demais que discorram sobre a mesma matéria; ÞÞ Portanto, por mais essa razão resta demonstrada a improcedência do Despacho Decisório nº 038111978; ÞÞRequer o sobrestamento do julgamento da presente Manifestação de Inconformidade, em razão da decretação da repercussão geral do tema objeto de discussão nesse processo (RE 592.891/SP), nos moldes do artigo 62A do Regimento Interno do CARF; ÞÞTendo em vista o acima exposto, requer seja reformado o despacho recorrido, para que seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1534.7134ª Turma da DRJ/SDR (fls . 92/106), com a seguinte ementa: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 179 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldo devedor do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente de lançamento de ofício, impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 111/127, no qual se apresentou as seguintes razões para reforma da decisão de piso: · da sistemática da nãocumulatividade do IPI; · do tratamento diferenciado da ZFM; e · da jurisprudência dos tribunais pátrios sobre o tema. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese à glosa de créditos, relativos a entradas de materiais isentos de IPI. Conforme a decisão recorrida, ainda que adquiridos na Zona Franca de Manaus, continua inexistindo o direito a crédito, que somente poderia ser concedido se houvesse previsão expressa para tanto. A Recorrente defende que a decisão recorrida não é compatível com a análise sistemática e finalística da norma. Voltase ao art. 153, IV,e § 3o, II, e também ao art. 49 do CTN e e reafirma que o direito ao crédito do IPI não está condicionado à incidência, ao efetivo destaque e nem ao pagameno do IPI nas operações anteriores. O princípio da nãocumulatividade, contudo, conforme consignouse na decisão recorrida, não é amplo e irrestrito, sendo perfeitamente possíveis sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 180 10 Conforme consta da decisão recorrida, o crédito escritural de IPI não é crédito presumido em que são supostas incidências do imposto em cadeias anteriores e estipulada uma alíquota média para compensação do gravame. Aliás, a própria Constituição Federal, no parágrafo 6º do artigo 150, impõe a existência de lei específica, com exclusiva regulamentação, para que se concedam créditos presumidos, como incentivos fiscais, ou redução da base de cálculo. Ademais, conforme se consignou na decisão recorrida, o artigo 153, § 3º, II da CF/88 é explícito ao acolher a técnica “imposto sobre imposto” pela qual deduzse do montante do imposto devido em cada operação o montante do imposto cobrado nas anteriores. Conforme a decisão recorrida, o pressuposto de fato do IPI é a existência do produto industrializado, esta técnica – no plano constitucional – não é concebida para dimensionar valor agregado (por ser realidade fora do pressuposto de fato); visa dimensionar quanto de imposto o contribuinte precisa recolher: se a totalidade que resulta da aplicação da alíquota sobre o valor da sua operação ou se o montante que resultar da dedução do imposto já cobrado em operações anteriores. O foco da norma constitucional não é a base (que indicaria o elemento “agregação”), mas sim a dimensão da dívida do contribuinte (o “imposto”). Somente surge o direito à apropriação de crédito, para fins de compensação na sistemática da nãocumulatividade do IPI, quando tenha havido cobrança do imposto na operação de entrada e na medida de tal cobrança. Imprescindível, assim, que o imposto não apenas tenha incidido, mas que efetivamente onerado a operação de entrada. Se não houve cobrança na operação anterior, não há requisito lógico para a cumulação, de modo que resta inaplicável o mecanismo que visa a afastar os seus efeitos. Não é outra a interpretação esposada por este CARF, entendimento, inclusive, sumulado: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Dessa forma, mantémse nesta questão a decisão recorrida com base nos seus próprios fundamentos e também na Súmula CARF n° 18. Defende também a Recorrente que haveria tratamento diferenciado para os produtos beneficiados com os incentivos da Zona Franca de Manaus. Referese à preocupação do Governo Federal com o equilíbrio socioeconômico das regiões do Brasil, especialmente da região da Amazônia; explora o histórico da criação da legislação da ZFM; defende que o modelo criado pelo DecretoLei no 288/67 visava concecer incentivo para as empresas que se estabelecessem na região; menciona o art. 40 do ADCT; e cita jurisprudência do STF. Conclui que a ZFM goza de tratamento diferenciado.; e conclui que é "evidente, portanto, a ilegitimidade da vedação ao direito de apropriação de créditos de IPI pela Recorrente, em situações nas quais as aquisições de insumos ou materiais são beneficiadas pela isenção ou alíquota 0 (zero), sob pena de anular os benefícios concedidos às empresas situadas na ZFM, em violação ao artigo 40 do ADCT e ao DecretoLei no 288/67." Sobre esse ponto, cabe retomar que o incentivo não é absoluta e deve ser entendido de acordo com as regras e princípios constitucionais e legais aplicáveis à matéria. Assim, por ausência de previsão legal, é inadmissível a apropriação, na escrita fiscal do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 181 11 estabelecimento industrial adquirente, de créditos do IPI sobre o valor de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Por força do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF/1988, a apropriação de crédito presumido ou ficto do imposto depende de autorização expressa de lei específica, o que não aconteceu com a isenção instituída no art. 9º do Decretolei 288/1967. A jurisprudência do CARF também é assente nesta matéria. Colacionamos excerto do voto da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz (Acórdão n. 3402002.933): A Zona Franca de Manaus, nos termos da Lei n. 3.173/1957, foi criada como um porto franco. Com o advento do Decretolei n. 288/1967, tornouse “área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatôres locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos.” Vêse que se trata de regime jurídico com objetivo desenvolvimentista para o norte do país, muito anterior ao atual texto constitucional. Entretanto, o Artigo 40 Ato das Disposições Constitucionais Transitória (“ADCT”) da Constituição de 1988 recepcionou claramente a legislação referente à Zona Franca de Manaus. Não poderia ter sido outra a opção do constituinte, uma vez que a legislação referente à Zona Franca de Manaus dá efetividade à ideologia nacional desenvolvimentista trazida pelo texto de 1988, que elencou a redução das desigualdades regionais como objetivo fundamental da República (artigo 3º, inciso III)4 e da ordem econômica (artigo 170, inciso VI), 5 tudo na linha iniciada pela Constituição de 1934 (artigo 177) 6 e seguida pela Constituição de 1946 (artigo 199). É neste contexto, de patente zelo constitucional sobre a matéria, que deve ser analisada toda a legislação brasileira atinente ao desenvolvimento da região amazônica, nela incluindose, por óbvio, as leis que implementarem as isenções de IPI para produtos ali fabricados, editadas justamente para cumprir os ditames constitucionais aludidos acima. Afinal, é consabido que o IPI é tributo com nítido caráter extrafiscal (artigo 153, §1º da Constituição), vale dizer, espécie tributária utilizada pela União como instrumento de intervenção sobre o domínio econômico. Isto quer dizer que o tributo (IPI) é manejado para que seja alcançado determinado fim (desenvolvimento da região amazônica), pela indução do comportamento dos particulares (instalaremse na região, que, pela sua posição geográfica, tem condições de desenvolvimento muito aquém do necessário). Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 182 12 A finalidade do tributo, em casos como este, é preponderantemente extrafiscal, e não fiscal (arrecadatória), fato que deve guiar a interpretação da respectiva lei. Neste contexto é que a discussão sobre o direito ao crédito de IPI, decorrente de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus, não se limita à não cumulatividade, como ocorre nos demais casos de isenção, alíquota zero e não incidência do IPI, nos quais é preciso que o tributo seja efetivamente exigido e pago na etapa antecedente da cadeia produtiva para que exista o direito ao crédito. Tal situação já é consolidada pelo STF, bem como sumulada pelo CARF (Súmula 18). Com efeito, a discussão não termina neste ponto, pois os incentivos criados pela Zona Franca de Manaus são benefícios fiscais regionais, que, para que sejam efetivos e alcancem a finalidade para a qual foram constitucionalmente criados, devem ser interpretados de forma diversa. O histórico dos julgamentos do STF a respeito do direito ao crédito de IPI oriundo de operações onde não há cobrança do imposto comprova tal necessidade de separação dos assuntos. Efetivamente, a situação dos créditos de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus vem sendo entendidos como um assunto “especial” no STF, em relação ao não dão direito ao crédito, como firmando na alteração de jurisprudência consolidada nos RE 370.682 e 566.891). A diferenciação entre as duas situações se depreende com nitidez tanto dos esclarecimento do Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE 566.819, como do RE n. 592.891, que trata especificamente do crédito de IPI decorrente de produtos munidos de isenção da Zona Franca de Manaus, cuja repercussão geral foi reconhecida mesmo depois da consolidação do entendimento do STF sobre o “assunto geral” do crédito de IPI. Este último processo encontrase ainda pendente de julgamento. A legislação do IPI traz duas situações distintas sobre o direito ao crédito de IPI relativo a produtos da região amazônica, quais sejam: i) o artigo 9º do Decretolei n. 288/67, regulado pelo artigo 69, incisos I e II do RIPI/2002, que concede a isenção porém não traz previsão expressa para o aproveitamento do crédito presumido; ii) o artigo 6º do Decreto n. 1.435/75, regulado pelo artigo 82, inciso III do RIPI/2002, o qual expressamente estabelece o direito ao aproveitamento do crédito de IPI “calculado como se devido fosse” (sob condição de cumprimento de seus requisitos, como discutido no tópico acima). Disso, conjuntamente com todo o arcabouço constitucional traçado nas linhas acima, constatase que o entendimento segundo o qual, mesmo sem previsão expressa da lei sobre o direito ao crédito de IPI relativo ao artigo 9º do Decretolei n. 288/67, ele deve ser concedido, equivale ao julgamento de que a legislação trouxe uma omissão inconstitucional, justamente ao não prever o direito ao crédito. De fato, não só atos comissivos, mas também os omissivos são passíveis de representar afronta ao texto da Constitucional, resultando em vício de validade que deve ser corrigido pelo Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.915135/201113 Acórdão n.º 3301004.817 S3C3T1 Fl. 183 13 Poder Judiciário via controle de constitucionalidade da lei. Tal faculdade, contudo, não alcança o CARF, que está vedado a se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF n. 2). Assim, é a sentença judicial, capaz de constituir direito do contribuinte ao efetuar a interpretação/integração da lei tributária, bem como declarar a inconstitucionalidade da omissão legislativa, que poderá suprir tal deficiência da legislação do IPI. É tal pedido que, no fundo, requer a Recorrente em sua defesa, pautada em questões constitucionais e pragmáticas. (...). Dessa forma, por todas as razões expostas, propõese manter o entendimento da decisão recorrida. Traz ainda, a Recorrente, jurisprudência dos tribunais superiores sobre o tema. Cumpre ter presente que o Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Assim, a conjuntura dos fatos determina a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000088/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005
VALIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO DE PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é o ato que autoriza as diligências empreendidas para localizar o contribuinte a ser fiscalizado.
É válido o lançamento quando não restam configurados óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. As informações declaradas pela empresa em GFIP servem como base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social e a outras entidades e fundos (terceiros).
Quando suscitada pelo sujeito passivo, a ele cabe a prova da alegação de erro dos valores declarados em GFIP.
Prescinde de perícia a verificação da base de cálculo declarada em GFIP.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. REFERIBILIDADE DIRETA INAPLICÁVEL. O objeto da contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ.
CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer apenas do recurso interposto pelo devedor principal e negar-lhe provimento.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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VÍCIO DE PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é o ato que autoriza as diligências empreendidas para localizar o contribuinte a ser fiscalizado. É válido o lançamento quando não restam configurados óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. As informações declaradas pela empresa em GFIP servem como base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social e a outras entidades e fundos (terceiros). Quando suscitada pelo sujeito passivo, a ele cabe a prova da alegação de erro dos valores declarados em GFIP. Prescinde de perícia a verificação da base de cálculo declarada em GFIP. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. REFERIBILIDADE DIRETA INAPLICÁVEL. O objeto da contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. TRIBUTAÇÃO. A Lei 8.706/93 transferiu para o SEST/SENAT as contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Precedentes do STF. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 88 /2 00 8- 86 Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer apenas do recurso interposto pelo devedor principal e negarlhe provimento. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000088/200886 Acórdão n.º 2402004.496 S2C4T2 Fl. 3.979 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1727.920 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) São Paulo II (SP), fl. 549568, com ciência ao sujeito passivo em 10/12/2008, fl. 572, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 37.073.1239, da qual a autuada foi cientificada por edital em 28/01/2008, fl. 172. De acordo com o relatório fiscal, fl. 98104, o lançamento trata de exigência de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas às contribuições do salárioeducação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE. Inconformada, a autuada apresentou impugnação, fl. 494516, solicitando que fosse anulado o lançamento, alegando vício no procedimento de fiscalização, que não analisou os documentos da empresa e não emitiu tempestivamente o termo de início de fiscalização. Alegou que a fiscalização conhecia o endereço da empresa e poderia ter procedido à intimação do seu diretor presidente. Suscitou decadência do período de 02/2000 a 12/2002, a ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE e erro no valor das contribuições lançadas. Também apresentou impugnação a empresa Constante Administração e Participações S/A na condição de empresa integrante do grupo econômico, fl. 451492. A decisão de primeira instância, ora recorrida, não conheceu da impugnação apresentada por Constante Administração e Participações S/A, sob o fundamentado de que essa empresa não integra o pólo passivo do lançamento. A impugnação da empresa autuada Executiva Transportes Urbanos S/A foi conhecida, e, no mérito, considerada procedente em parte, mantendose em parte o lançamento tributário devido à decadência das contribuições lançadas até a competência novembro/2002. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2005 Auto de Infração Obrigação Principal Previdenciária Debcad n.° 37.073.1239 de 27/12/2007 FORMALIDADES ESSENCIAIS. O auto de infração por descumprimento de obrigação principal previdenciária deverá conter os requisitos previstos no artigo 37 da Lei n.° 8.212/1991. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fica a Administração Pública impossibilitada de praticar quaisquer atos de natureza executória com a finalidade de Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 satisfazer ou receber os créditos oriundos deste processo administrativo na incidência de qualquer dos incisos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. MODALIDADES DE CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE DA INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 588 da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 03/2005, vigente por força do artigo 48 da Lei n.° I 1.457/2007, a ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal poderá ser feita pessoalmente (inciso I), por via postal (inciso II) ou mediante edital (inciso III). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. A partir de 7 de abril de 1999, em observação ao Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS n° 1.710, de 1999, em vigência por força do artigo 48 da Lei n.° 11.457/2007, não há responsabilidade solidária em relação à cobrança de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. INCRA. E legítima a cobrança das contribuições para o INCRA, posto que esta não foi extinta com a edição das Leis n.° 8.212/91 e 8.213/91, conforme entendimento do STJ. SEBRAE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tratase de contribuição de intervenção no domínio econômico, que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado, sendo irrelevante no caso o objeto social da empresa como elemento definidor da sujeição passiva. LANÇAMENTO FISCAL COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIPs. POSSIBILIDADE. De acordo com o Decreto n.° 2.803 de 02/10/I998, as informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela RFB, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. PERÍCIA CONTÁBIL. Indeferese pedido de perícia para comprovar mesma matéria que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB. DECADÊNCIA. Nos termos da súmula vinculante n.° 08 do STF, aplicável à Receita Federal do Brasil por força do artigo 2° da Lei n.° 11.417/2007, há de se afastar aplicabilidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.° 8.212/1991. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000088/200886 Acórdão n.º 2402004.496 S2C4T2 Fl. 3.980 5 Em 09/01/2009, Executiva Transportes Urbanos S/A interpôs recurso voluntário, fl. 573591, repetido às fl. 789807, apresentando seus fundamentos, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento, argumentando que a fiscalização realizou o procedimento de investigação antes da emissão do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) e que o trabalho da fiscalização ocorreu em apenas dois meses, o que seria insuficiente para se analisar a documentação da empresa do período de cinco anos. Explica que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi emitido em 10 de outubro de 2007, mas que o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) somente foi emitido em 30 de outubro de 2007, sendo que, antes disso, em 18 de outubro de 2007, a fiscalização lavrou um “Termo de Esclarecimentos” com base em depoimento do representante da empresa, Sr. Helio Garcia, o qual não foi precedido da intimação do depoente. Deste modo, entende que é nulo o “Termo de Esclarecimentos”, bem como o procedimento fiscal realizado antes da emissão do MPF/TIAF, e, ainda, os atos administrativos subseqüentes, colacionando entendimento doutrinário nesse sentido. No mérito, respaldada na jurisprudência do STJ, alega que é indevida a cobrança das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE, sustentando que a primeira somente pode ser exigida das empresas do setor agrário e que esta última é indevida para as empresas do seguimento de transportes. Sustenta que os valores lançados foram feitos com base em informações extraídas das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), as quais não servem de prova dos valores devidos, requerendo a realização de perícia nos documentos fiscais da empresa para apuração do montante devido, caso exista. Pede que seja anulado o lançamento, ou, alternativamente, que sejam excluídas as contribuições do INCRA e SEBRAE e que o débito remanescente seja apurado mediante análise dos documentos da recorrente. As empresas abaixo listadas também apresentaram recurso voluntário, fl. 847 a 3.937: Tabela 1 Empresas Data Recurso fls. fls.(cópia) AAP Administração Patrimonial S/A 23/1/2009 27542792 29703008 Agrodiesel S/A 23/1/2009 31953233 34433481 Aller Participações S/A 23/1/2009 18871925 21152153 Áurea Administração e Participações S/A 23/1/2009 17281766 Bel Air Serviços Aeroportuários Ltda 23/1/2009 28042842 30203058 Breda Transportes e Serviços S/A 23/1/2009 935973 11581196 BTT Transportes e Turismo S/A 9/1/2009 809819 Comporte Participações S/A 23/1/2009 16461684 Constante – Administração e Participações S/A 9/1/2009 847865 10701088 Empresa Cruz de Transportes Ltda 23/1/2009 36963734 38993937 Empresa Princesa do Norte S/A 23/1/2009 31363174 33843422 Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Expresso União Ltda 23/1/2009 32603298 35083546 Icaraí Transportes Urbanos Ltda 23/1/2009 17831821 20112049 Limmat Participações S/A 23/1/2009 19541992 21822220 Patrimony Administradora de Bens S/A 23/1/2009 22392277 24392477 Piracicabana Transportes de Cargas e Encomendas Ltda 23/1/2009 18301868 20582096 Quality Bus Comércio de Veículos Ltda 23/1/2009 26392677 28552893 Rental Express Transportes e Serviços S/A 23/1/2009 35673605 37703808 Serviços Gráficos S/A 23/1/2009 12931331 15381576 Thurgau Participações S/A 23/1/2009 23072345 25072545 Turb Transportes Urbanos S/A 23/1/2009 30713109 33193357 União Transporte de Cargas e Encomendas Ltda 23/1/2009 15931632 Vaud Participações S/A 23/1/2009 10001038 12231261 Viação Piracicabana S/A 23/1/2009 26902728 29062944 Viação São Paulo – São Pedro S/A 23/1/2009 36333672 38363874 VRG Linhas Aéreas S/A (nova denominação de Gol Transportes Aéreos S/A e GTI S/A) 16/1/2009 882917 11051140 Wisla Participações S/A 23/1/2009 23632401 25632601 BTT Transportes e Turismo S/A e Constante Administração e Participações S/A reiteram as razões e o pedido do recurso apresentado por Executiva Transportes Urbanos S/A. As demais empresas pedem a nulidade do lançamento por entenderem que há vício na ciência da NFLD e no procedimento de imputação de responsabilidade solidária, e, no mérito, solicitam que sejam excluídas do lançamento por ilegitimidade passiva, alegando inexistência de grupo econômico entre elas e Executiva Transportes Urbanos S/A. Os autos foram então enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000088/200886 Acórdão n.º 2402004.496 S2C4T2 Fl. 3.981 7 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Admissibilidade. Recursos de Terceiros. Ilegitimidade Passiva O exame da admissibilidade passa pela apreciação da legitimidade, dentre outros requisitos. Somente a sociedade empresária Executiva Transportes Urbanos S/A foi arrolada no pólo passivo do presente lançamento tributário, relativo às contribuições de outras entidades e fundos (terceiros). O art. 178 da Instrução Normativa SRP nº 03/20051, vigente à época da lavratura do lançamento, excluía a responsabilidade solidária em relação às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, o que foi mantido pela vigente Instrução Normativa RFB nº 971/2009, art. 151, § 2o, inciso I: Art. 151. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. § 1º A solidariedade prevista no caput não comporta benefício de ordem. § 2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; Portanto, deixo de conhecer os recursos interpostos pelas sociedades empresárias identificadas na Tabela 1, por lhes faltar interesse de agir, uma vez que, até essa fase processual, não existem evidências nos autos de que elas possam ser afetadas pelo que aqui se decidir. Por fim, conheço do recurso interposto por Executiva Transportes Urbanos S/A por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. 1 Art. 178 . São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) § 1º A solidariedade prevista no caput não comporta benefício de ordem. § 2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos; Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Invalidade do Lançamento. Vício de Procedimento. Inocorrência A recorrente alega a existência de vícios no procedimento de fiscalização, que iniciou as investigações antes da emissão do Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF). Entretanto, as alegações da recorrente não encontram verossimilhança nos autos. A partir de 02/05/2007, data da vigência da Instrução Normativa SRP nº 23, de 30/04/2007, o início do procedimento fiscal passou a darse com a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIAF), a qual revogou os §§ 2o e 3o do art. 588 da Instrução Normativa nº SRP 03/2005 e incluiu o art. 591: Art. 591 . O TIAF emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, tem por finalidades cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) (Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) Parágrafo único. Para o fim previsto no caput, considerase documento aquele definido no inciso IV do parágrafo único do art. 606. § 1º Será dada ciência do TIAF ao sujeito passivo na forma prevista no art. 588. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 2º A ciência do TIAF dá início ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no §3º do art. 645. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 3º O sujeito passivo deverá apresentar a documentação e as informações no prazo fixado pelo AFPS, que será de, no máximo, dez dias úteis, contados da data da ciência do respectivo TIAF. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 4º A não apresentação dos documentos no prazo fixado no TIAF ensejará a lavratura do competente AutodeInfração, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades previstas em lei. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 5º Deverá constar do TIAF, se for o caso, a intimação para que o sujeito passivo libere ao AFPS documentos com vistas à extração de cópias reprográficas ou, se o sujeito passivo preferir, forneça as cópias necessárias à instrução do processo a ser instaurado. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 6º Para o fim previsto no caput, considerase documento aquele definido no inciso IV do parágrafo único do art. 606. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 7º Após a ciência do TIAF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta referente às obrigações previdenciárias objeto Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000088/200886 Acórdão n.º 2402004.496 S2C4T2 Fl. 3.982 9 de verificação no procedimento fiscal. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) Consta dos autos que o sujeito passivo tomou ciência do TIAF em 27/11/2007, mediante edital publicado nas dependências da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme item 30 do relatório fiscal, uma vez que a recorrente não foi localizada, por estar em local indeterminado, o que foi constatado pela auditoria fiscal após a realização de diligências e coleta de informações, conforme consta do relatório fiscal, itens 8 a 16, quais sejam: a) no local cadastrado como domicilio tributário da matriz constante dos bancos de dados, informado pela recorrente em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício 2007, a fiscalização constatou que funcionava a base operacional de transportes urbanos pertencentes a outra empresa, a Viação Piracicabana Ltda; b) com base em informações obtidas dos bancos de dados da Previdência Social e da Receita Federal, a fiscalização concluiu que no ano de 2006 a recorrente reduziu drasticamente suas atividades, pois a partir de abril daquele ano houve redução expressivamente das receitas de prestação de serviços declaradas para fins de apuração da COFINS; em julho de 2006, ocorreu o desligamento de todos os empregados; e a partir de agosto de 2006 a recorrente deixou de registrar faturamento e também teve reduzida a sua movimentação financeira, conforme dados da contribuição social CPMF; c) o Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos informou que a recorrente atuou como permissionária do serviço público de transporte coletivo no município de Santos (SP) por dez anos, mas que a permissão foi cessada em meados de 2006, a qual passou para a Viação Piracicabana. O suposto representante da empresa, Sr. Helio Garcia, embora tenha sido eleito diretor conforme ata de assembléia geral extraordinária arquivada na Jucesp em 03/11/2006, o foi por meio de alteração social invalidada pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, a qual procedeu à revisão do registro da alteração societária, referente à transformação do tipo jurídico para o de “sociedade por ações”, registrada em 30/10/2003, por ter sido averbada naquele órgão de registro sem prova de Certidão Negativa de Débitos, em afronta ao art. 47, inciso I, “d”, da Lei 8.212/91. É válida, portanto, a intimação feita por edital, pois ficou comprovado que os demais meios de intimação restaram improfícuos. Com efeito, ficou demonstrada, nos autos, a ineficácia das tentativas de intimação pelos correios, endereçada ao domicilio do sujeito passivo por ele informado em suas declarações à Receita Federal, fl. 158161, bem como a inviabilidade de se proceder à intimação pessoal do Sr. Helio Garcia, que, naquele momento não estava amparado por instrumento válido de representação. O depoimento do Sr Helio Garcia ocorreu em 18/10/2007, durante a realização de diligências para localizar a empresa e foi feito na repartição da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Santos (SP), fl. 162164. Os fatos tratados no depoimento não estão diretamente relacionados com a autuação fiscal, cingindose às questões de interesse do Fisco para localização da empresa e Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 dos seus responsáveis, decorrência natural da atribuição de fiscalizar o contribuinte, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) emitido em 10/10/2007. Em suma, ficou evidenciado que o procedimento fiscal realizado na recorrente foi feito de acordo com a legislação e nos limites das competências de fiscalizar. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Mérito Lançamento com base em GFIP. Previsão Legal. Perícia. Indeferimento A Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) foi instituída pela Lei 9.528/97, que alterou o art. 32 da Lei 8.212/91, regulamentado pelo art. 1o do Decreto 2.803/98, com os objetivos de servir de base de cálculo das contribuições devidas ao INSS e de compor a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, conforme abaixo: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto 2.803/98 Art. 1o A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Por determinação do art. 94 da Lei 8.212/91 e art. 3o da Lei 11.457/20072 essas disposições legais aplicamse também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos. 2 Lei 8.212/91 Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 11.501, de 2007). Lei 11.457/2007 Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000088/200886 Acórdão n.º 2402004.496 S2C4T2 Fl. 3.983 11 Assim sendo, quando o contribuinte alega erro nas informações por ele prestadas em GFIP, passa a ser dele o ônus da prova do alegado, não sendo suficiente a contestação genérica, conforme disciplina o art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72: Art. 16 ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Revelase, portanto, prescindível a perícia contábil, pois estão satisfatoriamente esclarecidos nos autos os fatos sobre os quais o lançamento recai e não foram apontadas, pela recorrente, eventuais divergências de valores. A prova pericial prestase a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação. Ademais, por expressa previsão do § 1o do art. 16 do Decreto 70.235/72, não é conhecido o pedido de perícia formulado em desacordo com as exigências do inciso IV do mesmo dispositivo legal3. Em síntese, rejeito o recurso nessa parte e indefiro o pedido de produção de provas nessa fase processual. INCRA. Empresa Urbana. SEBRAE. Empresa Prestadora de Serviços de Transporte. Tributação A contribuição devida ao INCRA tem natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE) e visa a beneficiar toda a sociedade e não Art. 3 As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). ... § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. ... § 6º Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. 3 Art. 16 ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível a referibilidade direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). É igualmente devida a contribuição para o SEBRAE, pelas empresas de transporte rodoviário, considerando que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo com repercussão geral reconhecida, RE 635682/RJ: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados.(STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, 05/2013) A partir da Lei 8.706/93 as empresas transportadoras rodoviárias passaram a contribuir ao SEST e SENAT em lugar de contribuir ao SESI e ao SENAI, sem, contudo, alterar a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. Nesse sentido é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. SEST/SENAT. CONTRIBUIÇÃO SEBRAE. LEGALIDADE. I – Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser suportado pelos empregadores, mas tão somente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II – A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso.” (STF, 1ª T., AI 596552 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, nov/07) Em suma, são devidas, no caso, as contribuições ao INCRA e ao SEBRAE. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000088/200886 Acórdão n.º 2402004.496 S2C4T2 Fl. 3.984 13 Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer dos recursos interpostos pelas sociedades empresárias identificadas na Tabela 1 deste voto, por conhecer do recurso interposto por Executiva Transportes Urbanos S/A, rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de perícia, e, no mérito, negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18471.000866/2003-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/06/1992, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
Nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991. Transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, §4º, do CTN), no caso de antecipação de pagamento, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art.173, I, do CTN), extingue-se o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Decadência reconhecida.
Numero da decisão: 1103-001.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrente EMPRESA CARIOCA DE PRODUTOS QUÍMICOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/1992, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991. Transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, §4º, do CTN), no caso de antecipação de pagamento, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art.173, I, do CTN), extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Decadência reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 66 /2 00 3- 91 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 336 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de auto de infração de CSLL (fatos geradores: 30/6/92, 31/7/94, 31/8/94, 30/9/94, 31/10/94, 30/11/94 e 31/12/94), com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.64/71)1. A ciência do sujeito passivo ocorreu em 29/4/03 (fl.65). No Termo de Constatação (fls.59/60), consignouse, verbis: “1 A empresa ora autuada deixou de recolher a CSSL em virtude de ter entrado em 20 de abril de 1989, com pedido de liminar de Mandado de Segurança Preventivo contra o Sr. Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, vide anexo 1, fls.45 a 57. Em 02 de maio de 1989 teve concedida a Liminar solicitada, vide anexo 2, fls. 58. Em 31 de agosto de 1989 foi concedida a segurança, ratificando a liminar concedida anteriormente, vide fls.59 2 Cabe esclarecer que não houve, por parte da União, recurso contra a pretensão da Impetrante, durante o prazo legal, tendo a ação transitado em julgado em 02/93. 3 Às fls.181 do Processo n.10768.012969/8910, o Sr. Delegado da Receita Federal, AFRF Sérgio Santiago da Rosa, emitiu o seguinte despacho: ‘Diante da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança imperado pela Companhia Atlantic de Petróleo ou outros (doc. Fls. 47/52), e: Considerando que essa decisão foi ratificada em razão da decisão proferida pelo T.F.F. da 2ª Região (acórdão às fls. 61/67), operandose o trânsito em julgado em 1991 (Certidão datada de 06/05/91); Considerando o entendimento firmado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos Pareceres PGFN/CRJN/ns. 182/93 e 589/94. bem como na NOTA PGFN/CRJN nº. 021/93 (doc. Fls. 97/127). Entendo que, a partir do período de apuração de 1992, as impetrantes não estão amparadas pela referida decisão. Assim sendo, à DIFIS/CESU, a fim de verificar os recolhimentos da CSSL da Compainha Atlantic de Petróleo, inscrita no CGC n. 33.195.785/000154, e 1 A indicação das páginas referida neste acórdão estão em conformidade com a numeração estabelecida automaticamente pelo sistema eprocesso. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 337 3 Atlantic Participações e Investimentos Ltda, inscrita no CGC 30.278.378/000112, lançando, de ofício, os valores apurados e não declarados” ...... 4 Às fls. 187/192 do processo acima citado, consta solicitação endereçada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, na forma de consulta, para que a mesma informasse se poderia haver lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro, tendo em vista o trânsito em julgado, vide anexo 3, fls. / . 5 Às fls. 64 do processo 10070.000128/9853, o qual está apensado ao processo mencionado no item 3 acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional respondeu a solicitação constante no item 4, através da NOTA PGFN/CRJ/N. 379/2001, a qual encontrase no anexo 4, à fls. , e que transcrevo parte, abaixo: ‘Conseqüentemente o decisum com trânsito em julgado é apenas neste âmbito. sem exonerar o impetrante de pagamentos posteriores referentes a créditos ulteriores da mencionada contribuição, que devem ser lançados pela Receita Federal e, se for o caso, inscritos e cobrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional.’(grifouse) Face a todo o exposto nos itens acima, e conforme determinação superior e entendimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, foi lavrado o presente Auto de Infração tendo em vista que a empresa não logrou comprovar os valores pagos a título de Contribuição Social sobre o Lucro no período de 1992 até 1995.” A Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) considerou procedente o lançamento, conforme acórdão de fls.241/254, de 9/3/07, que recebeu a seguinte ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. EFEITOS. O mandado de segurança não é o meio processual adequado para atacar lei em tese, nem substitui ação meramente declaratória. A menos que expressamente determine em cada caso o Poder Judiciário, os efeitos das decisões proferidas em mandando de segurança, especialmente tratando se de fatos geradores de natureza continuada, não atingem fatos imponíveis futuros, uma vez que estes não representam violação ou ameaça a direito liquido e certo, restringindose os efeitos da coisa julgada aos atos da autoridade fiscal que tenham violado ou ameaçado direito do impetrante. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA MATERIAL ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. Mesmo na hipótese de o impetrante, pela via inadequada do mandado de segurança, atacar a lei em tese, objetivando a declaração de sua inconstitucionalidade e a conseqüente desobrigação de pagar o tributo, a coisa julgada se apresenta abalada quando sobrevém alteração do estado de fato ou de direito concernente à relação tributária. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 338 4 O pronunciamento definitivo e posterior do STF declarando a constitucionalidade da contribuição constitui verdadeira alteração do estado de direito, bem como as alterações legislativas posteriores da norma contestada. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta injustificada de recolhimento da contribuição social apurada pelo Fisco sujeita o contribuinte ao lançamento de oficio da referida contribuição, que deve ser efetuado antes de expirado o prazo decadencial. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. É de dez anos o prazo de decadência para o Fisco efetuar o lançamento das contribuições para custear a Seguridade Social (Lei 8.212/91, art. 45). MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Revelase cabível a exigência de multa de oficio no lançamento da CSLL relativa a períodos posteriores ao trânsito em julgado da decisão proferida em mandado de segurança que eximiu o contribuinte da contribuição, se sobreveio a alteração do estado de fato ou de direito concernente à relação tributária entre o impetrante e o Fisco. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. Devidamente cientificado em 27/4/07 (fl.259), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 25/5/07 (fls.260/292), em que aduz: o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região transitara em julgado favoravelmente às impetrantes em 6/5/91, tendo a União deixado de contestálo em ação rescisória; considerando que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sujeitase a lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituíla encerrarseia após decorridos 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, razão pela qual deveria ser reconhecida a decadência. O art.45 da Lei nº 8.212/91 não justificaria o prazo de dez anos para fins de contagem do prazo decadencial; o auto de infração ofenderia a coisa julgada; normas supervenientes não afastariam os efeitos da decisão judicial transitada em julgado; a própria PGFN, no Parecer PGFN/CRT nº 3.401, publicado em 2/1/03, expusera compreensão diversa da Nota PGFN/CRT nº 379/01, na qual a autuação fundamentouse; seria descabida a multa de ofício proporcional, pois a exigibilidade estaria suspensa. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 339 5 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso. Da preliminar de decadência A Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) não reconheceu a decadência tributária por entender aplicável o art.45 da Lei nº 8.212, de 24/7/91. Vejamos: “[...] vale lembrar que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) corresponde a uma contribuição destinada a custear a Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição da República. Sendo assim, cumpre observar o que dispõe o art.45 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que fixou, nos termos da previsão dada pelo §4° do art. 150 do CTN, prazo de decadência específico para essas contribuições: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Nessa linha, transcrevese abaixo também parte da ementa do acórdão n° 10806247, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Normas gerais Decadência É de 10 (dez) anos o prazo de decadência das contribuições para a Seguridade Social. Registrese, por necessário, que o prazo decadencial de dez anos, consoante previsto no artigo 45, da Lei 8.212, de 1991, foi prestigiado pelo Superior Tribunal de Justiça, como nos mostra a ementa de acórdão de sua 2ª Turma, no RESP 475.559, de 16/10/2003, Relator Ministro Castro Meira, o qual reformou decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que declarava a inconstitucionalidade do referido artigo 45, in verbis: 1. A Constituição Federal de 1988 tornou indiscutível a natureza tributária das contribuições para a seguridade. A prescrição e decadência passaram a ser regidas pelo CIN cinco anos e, após o advento da Lei n° 8.212/91, esse prazo passou a ser decenal. 2. In casu o débito relativo a parcelas não recolhidas pelo contribuinte referentes aos anos de 1989, 1990 e 1991, sendo a notificação fiscal datada de 07.04.97, achase atingido pela decadência, salvo quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de 25 de julho de 1991, quando entrou em vigor o prazo decenal para a constituição do crédito previdenciário, nos termos do art. 45 da Lei n°8.212/91. 3. Recurso Especial parcialmente provido. (Destaques acrescidos) Mesmo em relação ao período mais antigo abrangido pela autuação, qual seja o anocalendário de 1992, no qual a Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 340 6 interessada optou pelo lucro real consolidado semestralmente, o crédito somente poderia ter sido constituído pelo Fisco no exercício de 1993, lembrandose, aliás, que a opção era exercida pelos contribuintes na declaração. Logo, o prazo decadencial somente se iniciou em 01/01/1994, de acordo com o art. 45, inc. I, da Lei n° 8.212/91, possibilitando ao Fisco efetuar o lançamento até 31/12/2003. Portanto, não há que se falar em decadência em relação à CSLL à época do lançamento, ocorrido em 29/04/2003 (fl.37), verificandose legítimo o direito e o Fisco lançar o crédito tributário apurado em relação à contribuição social.” Acontece que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art.45 da Lei nº 8.212, de 1991, tendo, inclusive, editado a Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte teor: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.”. Considerando que a publicação daquele enunciado no Diário Oficial da União ocorreu em 20/6/08, aquele dispositivo legal sequer poderia ter sido aplicado pela Turma julgadora de primeira instância, conforme estabelece a Constituição Federal: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (destaquei) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 341 7 Afastada a norma específica que regia o prazo decadencial das contribuições sociais, subsistem as seguintes regras do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ..... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, decorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, §4º, do CTN), no caso de antecipação de pagamento, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art.173, I, do CTN), extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Dado que os fatos geradores ocorreram entre 30/6/92 e 31/12/94, e a ciência do contribuinte quanto à autuação, em 29/4/03, acolhese a alegação de decadência para extinguir os créditos tributários constituídos. Pelo exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000866/200391 Acórdão n.º 1103001.207 S1C1T3 Fl. 342 8 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.007893/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO- DECADÊNCIA.
O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação. Assim, nos casos em que foi entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado o pagamento, no caso conformado em imposto retido, e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, em 31 de dezembro de cada ano, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN.
Ultrapassado esse prazo sem que o contribuinte seja intimado do imposto complementar apurado em procedimento fiscal, figura extinto o crédito tributário.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Não configura omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dessas operações, de forma individualizada.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. § 6º DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96
A tributação proveniente da omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada, quando verificados em contas correntes de mais de um titular, deve observar a partilha dos valores entre os co-titulares, conforme prescreve o § 6º do art. 42 da Lei nº9.430/96.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 25 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte.
Inocorrendo prova de ato ilícito ou tentativa de fraudar a ordem tributária, não prospera o agravamento da multa, consoante jurisprudência deste Colegiado.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO- DECADÊNCIA. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação. Assim, nos casos em que foi entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado o pagamento, no caso conformado em imposto retido, e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, em 31 de dezembro de cada ano, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Ultrapassado esse prazo sem que o contribuinte seja intimado do imposto complementar apurado em procedimento fiscal, figura extinto o crédito tributário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não configura omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dessas operações, de forma individualizada. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. § 6º DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 A tributação proveniente da omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada, quando verificados em contas correntes de mais de um titular, deve observar a partilha dos valores entre os co-titulares, conforme prescreve o § 6º do art. 42 da Lei nº9.430/96. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 25 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Inocorrendo prova de ato ilícito ou tentativa de fraudar a ordem tributária, não prospera o agravamento da multa, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. EDITADO EM: 19/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
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O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação. Assim, nos casos em que foi entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado o pagamento, no caso conformado em imposto retido, e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, em 31 de dezembro de cada ano, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Ultrapassado esse prazo sem que o contribuinte seja intimado do imposto complementar apurado em procedimento fiscal, figura extinto o crédito tributário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não configura omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dessas operações, de forma individualizada. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. § 6º DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 A tributação proveniente da omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada, quando verificados em contas correntes de mais de um titular, deve observar a partilha dos valores entre os cotitulares, conforme prescreve o § 6º do art. 42 da Lei nº9.430/96. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 78 93 /2 00 6- 11 Fl. 5929DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 25 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Inocorrendo prova de ato ilícito ou tentativa de fraudar a ordem tributária, não prospera o agravamento da multa, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 19/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão de nº 0418.889 da 2ª Turma da DRJ/CGE (fls. 5488/5467 e Anexo de fls. 5466/5479), que, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência do lançamento correspondente ao anocalendário 2000, e, no mérito, considerou procedente em parte o lançamento fiscal. No caso, diante de procedimento fiscalizatório, o Contribuinte/Autuado teria deixado de comprovar a origem de depósitos bancários existentes em contas correntes de sua Fl. 5930DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 3 3 propriedade, razão pela qual foram tributados os referidos valores como rendimentos omitidos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Regularmente cientificado do lançamento em 04/12/2006, conforme fls. 4085 e 4093, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 4097/4126, em 02/01/2007, acompanhada de documentos (fls. 4127/4136), requerendo, preliminarmente, que lhe seja concedido um prazo de pelo menos seis meses para continuar na diligência de mais alguns lançamentos que o Fisco alega não terem sido justificados. Justifica seu pedido em razão dos 21 volumes, sendo lícito afirmarse que é humanamente impossível conseguir alguns depósitos, até porque foram efetuados há já vários anos. Quanto ao mérito, alegou, em apertada síntese, que: a) a autuação decorreu de sua prerrogativa profissional de despachante aduaneiro, regularmente inscrito no Registro de Despachantes Aduaneiros da SRRF da 8ª Região Fiscal, profissão que exerceu durante longos anos até aposentarse e que tem como função principal a prática de atos administrativos previstos em legislação própria que visam ao desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas ou a exportar, o que se faz mediante mandato específico exigido por lei e regular credenciamento junto aos sistemas de controle existentes no seio da Administração Pública; b) é imperioso registrar o fato de que é próprio daquela profissão a recepção de valores necessários à quitação dos tributos e demais gravames devidos na importação e ou na exportação de mercadorias; c) é que o despachante aduaneiro, por força de suas atribuições, recebe quantias para consecução do despacho aduaneiro e posteriormente presta contas com o seu mandante, tomador de seus serviços profissionais, importador ou exportador; d) o despachante aduaneiro, como se sabe, não está obrigado a criar e manter escrita fiscal face sua condição de profissional autônomo que é, tanto que está erigido à categoria de contribuinte individual, para fins de pagamento de contribuições previdenciárias, possuindo, isto sim, Livro Caixa; Fl. 5931DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 e) seus serviços são de representação legal nos serviços aduaneiros, conforme art. 718 e parágrafo único do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002; f) o art. 5° do Decretolei n° 2.472/1988 dispõe sobre a profissão e as atividades do despachante aduaneiro e seu ajudante, e a norma específica da SRF é a IN/SRF n° 650/2006, que se refere ao credenciamento dos despachantes para atuarem no Siscomex; g) a lei impõe que essa representação se faça mediante procuratório específico, cujos poderes alcançam a prática de atos necessários ao desembaraço das mercadorias e que incluem, necessariamente, os de pagamento de tributos, contribuições e despesas afetos a cada despacho aduaneiro por parte desse profissional; h) ditos valores são suportados pelo contribuinte consignatário da carga, importador ou exportador, que os envia ao despachante aduaneiro via sistema bancário, que então efetua os pagamentos e depois presta contas com os tomadores de seus serviços; i) a Fiscalização percebeu, de antemão, que se cuida de recepção de valores dos tomadores de seus serviços de despachos aduaneiros, conforme deflui do grande número de justificativas que o autuado ainda conseguiu demonstrar em relação a muitíssimos desses créditos bancários, que remontam aos anos de 2000 a 2002, segundo se constata no Termo de Conclusão Fiscal; j) o despacho aduaneiro é procedimento de exigência e determinação de crédito tributário, porquanto envolve lançamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados. Portanto, são inúmeros os gravames que incidem no curso de tal procedimento fiscal, podendose citar, entre eles; os impostos de importação, o IPI, ICMS, as contribuições de um modo geral, as taxas de armazenagem, as de capatazias, o aluguel de container, os adicionais de frete, os fretes marítimos e rodoviários, os honorários de técnicos certificantes, despesas com certificados e tantas outras que incorrem; k) no caso do despachante aduaneiro existe toda uma lógica operacional que justifica o volume e a constância com que esses valores sãõ recebidos, fato esse que por si só já espanca o elemento doloso; l) na parte final da presente autuação, os auditores autuantes dispuseram que “existem condições para a aplicação da Lei acima descrita ou seja a ocorrência de: sonegação, fraude ou conluio”, mas não é possível saber a qual figura infracional fazem alusão. Ademais disso não trazem à baila qualquer prova de sonegação, fraude ou conluio, figuras que exigem o elemento dolo, tanto que citam o art. 71 da Lei nº 4.502/1964, que define essa figura penal como sendo uma ação ou omissão dolosa, o que não restou demonstrado e nem comprovado da leitura da peça fiscal Fl. 5932DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 4 5 ora atacada, assim como não se provou a ocorrência de fraude ou conluio, que igualmente não podem ser presumidos; m) o Primeiro Conselho de Contribuintes vem decidindo no sentido de que para a aplicação da muita qualificada há que ficar bem configurado o evidente intuito de fraude, citando o Acórdão n° 10420084; n) não bastasse a cobrança em si do tributo, oriunda de uma presunção que despreza o fato de os depósitos bancários serem funcionais, exigese do impugnante uma multa de caráter verdadeiramente confiscatório, vez que fere sua própria capacidade contributiva e da proporcionalidade, citando jurisprudência e doutrina; o) a Fiscalização não logrou demonstrar ou comprovar a existência de nexo causal seguro e inequívoco entre os depósitos bancários e os propalados rendimentos que teriam sido omitidos, não tendo obedecido ao Princípio da Tipificação, que é ínsito ao da Legalidade, conforme jurisprudência e doutrina. Finalizou requerendo que fosse declarada a insubsistência do auto de infração. Em 02/07/2007, o contribuinte apresentou aditamento à impugnação original (fls. 4140/4142), acompanhada de documentos (fls. 4143/5301), alegando, após justificar a apresentação, que: a) apresentou documentos em 21 volumes buscando facilitar a conciliação entre os valores relativos a entradas (receitas) e saídas (despesas); b) os documentos de entrada e saída já se encontravam nos autos deste processo, porém em volumes separados e, por isso, informa nesta oportunidade, em qual volume se encontra o documento de entrada e, consequentemente, em qual se encontra o da respectiva saída; c) está anexando os documentos tidos como faltantes à época da formação do processo, os quais ora seguem anexados para fins de complementação da defesa e indicados pelo sinal asterisco, podendose dizer que ditos documentos complementam as saídas constantes da autuação.” A decisão proferida pela da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande (MS), restou assim ementada: Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade de leis. PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário, e tendo havido o pagamento do imposto devido, seja por meio da declaração de ajuste anual, seja por antecipação do pagamento do imposto pelo recolhimento a título de "carnêleão' ou "mensalão", ou mediante retenção do imposto pela fonte pagadora, tem início em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, data do fato gerador. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. Incabível a qualificação da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 5 7 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. CONTA CONJUNTA. Comprovado que a conta bancária é de titularidade conjunta, fato não considerado quando do lançamento, os valores cuja origem não foi justificada devem ser divididos pelo número de titulares. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” No caso, o julgado proferido afastou a tributação dos valores referentes ao anocalendário de 2000, ao entendimento de que alcançados pela decadência, considerou incabível a aplicação no caso da multa qualificada de 150%, excluiu do lançamento o montante correspondente aos depósitos que tiveram suas origens comprovadas pelo Contribuinte, mantendo os valores remanescentes com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, tributados em 50% em razão do número de titulares das contas correntes, nos termos do art. 42, § 6° da Lei nº 9.430/1996. Desta feita, como não houve Recurso do Contribuinte, apenas em face de Recurso Oficial é que o procedimento foi distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade. Fl. 5935DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Circunscrito nas razões de improcedência de parte do lançamento fiscal aferidas pela Corte Originária, observo inicialmente que a decisão de primeira instância, aplicando o art. 150, § 4º do CTN, entendeu que o lançamento referente ao anocalendário de 2000 teria sido alcançado pela decadência, modo pelo qual desconstituiu a respectiva tributação. Ora, sabese que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, é apurado e ofertado a tributação pelo contribuinte sem prévio exame da Administração Tributária, figurando na modalidade de lançamento por homologação. Nestes casos, entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado o pagamento, mesmo que parcial, ou até mesmo havendo retenção de imposto na fonte, como no caso em análise (fls. 15/16, e 53/55), e inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador – que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano –, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Apenas na hipótese em que não há qualquer pagamento ou evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o prazo decadencial deve ser apurado nos termos do inc. I do art. 173, do CTN, conforme entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, nos termos do art. 543C do CPC. De todo modo, ultrapassado o prazo sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inc. V do CTN. Vejamos as ementas de alguns precedentes deste Colendo Conselho, julgados neste sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1996 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÃO NA FONTE. A retenção de imposto de renda na fonte se traduz em antecipação de pagamento apta a atrair a incidência do § 4º do art. 150 do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão nº 2802003.204, Processo nº 10283.100500/200326, Relator Cons. RONNIE SOARES ANDERSON, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 21/11/2014); Fl. 5936DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 6 9 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS EM PARTE. OMISSÃO. DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL. A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos § 1º e seguintes do art. 2º da Lei nº 11.033/2004, revestese do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733, sob o rito dos recursos repetitivos art. 543C do CPC. Embargos Acolhidos em Parte.” (Acórdão nº 2802003.064, Processo nº 10803.000030/201195, Relator Cons. RONNIE SOARES ANDERSON, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 26/08/2014); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1997 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, constatado a partir do imposto retido na fonte informado pela própria autoridade fiscal, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado.” (Acórdão nº 9202003.223, Processo nº 13839.003436/200309, Relator Cons. RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA/ CSRF/ CARF/MF/DF, Data de Publicação: 19/05/2014). No presente feito, assumindo como marco inicial para contagem do prazo decadencial do IRPF referente ao anocalendário de 2000, a data do fato gerador considerado ocorrido em 31/12/2000, e tendo em vista que o Contribuinte/Autuado só tomou ciência do Fl. 5937DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Auto de Infração no dia 04/12/2006 (fls. 4216), ultrapassado o lapso quinquenal, o crédito tributário em referência está efetivamente fulminado pela decadência, não havendo reparos a fazer à decisão recorrida. Quanto aos exercícios fiscais remanescentes, atinentes aos anoscalendários 2001 e 2002, importa destacar que a Fiscalização questionou a origem de diversos depósitos bancários existentes em contas correntes de propriedade do Contribuinte, que seriam incompatíveis com os rendimentos ofertados a tributação, razão pela qual foram tributados os referidos valores como rendimentos omitidos. De fato, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Na letra da lei: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ocorre que o Contribuinte/Autuado, além dos documentos ofertados durante o procedimento fiscal, apresentou outras provas na sua Impugnação, inclusive destacadas no acórdão do julgamento em análise, justificando a origem de significativo montante de depósitos, cumprindo sua obrigação conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Nesses termos, diante da cautela do Contribuinte em comprovar parte das suas alegações por meio de documentação hábil e idônea, justificando a origem de alguns depósitos bancários, tais valores devem ser retirados do lançamento fiscal, porquanto o contribuinte cumpriu seu ônus de afastar a presunção das imputações feitas. De fato, “Não Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (Acórdão nº 2801003.787, Processo nº 10120.008397/200750, Relator Cons. CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE/ 1ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 01/12/2014). Fl. 5938DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 7 11 Confirmados os elementos de prova que afastam a presunção de omissão de rendimentos, devidamente sopesados no julgamento do feito (fls. 5456/5459 e Anexo de fls. 5466/5479), efetivamente que resulta improcedente a respectiva parte do lançamento fiscal em nome do contribuinte, restando incólume também neste aspecto o Acórdão recorrido. Do mesmo modo, vale ressaltar que o presente lançamento trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em contas correntes com mais de um titular, e, neste caso, obrigatoriamente, deve ser observado o comando do § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. omissis. (...) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Avulta da norma transcrita que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados à conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados para cada titular, mediante a divisão dos valores pelo número de titulares da conta. Sobre a matéria esta Corte já se pronunciou: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Arguição genérica de nulidade não prospera perante lançamento efetuado por autoridade competente e com respeito ao direito de defesa do contribuinte. (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. CRITÉRIO DE RATEIO PARA CONTA CONJUNTA. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96. O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 prescreve que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados à conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados a cada titular mediante sua divisão pelo número de titulares da conta. Fl. 5939DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2802003.123, Processo nº 18471.000920/200721, Relator Cons. RONNIE SOARES ANDERSON, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 29/09/2014 grifamos). Ora, avultam dos autos que todas as contas bancárias analisadas pela Fiscalização para efeitos do lançamento fiscal, são do tipo conjuntas com a esposa ou com o filho do Contribuinte/Interessado, de modo que cada cotitular responde apenas por 50% dos recursos nela depositados. Como consequência, em respeito a previsão legal e atento aos precedentes jurisprudenciais neste sentido, os valores considerados rendimentos omitidos que remanescem no presente feito, devem ser reduzidos pela metade, como bem lançado na Decisão proferida. Por fim, sobre a multa qualificada aplicada no Auto de Infração, entendo que, também nesse ponto, assiste razão ao Contribuinte/Interessado, devendo ser mantida a conclusão jurisdicional administrativa ofertada. Ora, é entendimento já sumulado neste CARF que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (Súmula 14); e, “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de um das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64” (Súmula 25). Da análise dos autos, em que pese a interpretação dos fatos apresentada pela fiscalização tributária, entendo que a opção do contribuinte em desempenhar seu exercício profissional de despachante aduaneiro, e utilizar suas contas correntes para facilitar os pagamentos de tributos e outros gravames devidos na importação e exportação de mercadorias de seus clientes, figura como ato lícito e não constitui, por si só, tentativa de fraudar a ordem tributária. A bem da verdade, grande parte dos depósitos restaram justificados pelas provas contundentes produzidas, de forma que tais recebimentos não configuram rendimentos omitidos, e os valores remanescentes tributados não comportam presunção de intuito de sonegação fiscal, em especial porque não foi produzida nenhuma prova neste sentido. Pelo contrário, todas as informações do Contribuinte referentes a sua atividade profissional, notas fiscais, livro fiscal, extratos bancários, além de diversos outros Fl. 5940DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 8 13 documentos, foram apresentados à Fiscalização pelo próprio, denunciando seu convencimento pela legitimidade da sua atuação. Por outro lado, para justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, deveria o Fisco comprovar a ocorrência efetiva de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que não ocorreu. Vejase que a autoridade fiscalizadora limitouse a discorrer sua interpretação dos fatos, alegando que o contribuinte não teria sido suficientemente claro no sentido de evitar que o lançamento nesse montante tivesse sua ocorrência (fls. 4214), sem, no entanto, comprovar a intenção do recorrente em sonegar tributo por meio de ato ilegal. A meu ver a situação quanto à ausência de dolo fica mais clara quando se observa que o Contribuinte prestou todas as informações requeridas, juntou uma quantidade significativa de documentos e, induvidosamente, conseguiu reduzir consideravelmente o lançamento fiscal, de modo que a opção de utilizar suas contas bancárias para receber valores de terceiros no sentido de quitar obrigações tributárias não representa nenhuma ilegalidade. Diante disso, como não houve conduta dolosa por parte do Contribuinte e não há nos autos nenhuma prova constituída pela Fiscalização, quanto a pratica efetiva do intuito doloso em sonegar tributo, é que se deve afastar a aplicação da qualificação da multa. Neste sentido, já decidiu este CARF em inúmeras manifestações, das quais transcrevo algumas ementas somente a título de exemplo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o Fl. 5941DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. ” (Acórdão nº 9202003.433, Processo nº 15956.000091/200665, Relator Cons. RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA / CSRF/CARF/MF/DF, Data de Publicação: 19/11/2014); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Tributamse como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. Ocorrendo irregularidades na escrituração do livro caixa, ou falta de escrituração quando obrigatória à atividade rural, o imposto devido deve ser apurado por meio de arbitramento em 20% sobre o valor da receita bruta. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). Recurso provido em parte” (Acórdão nº 2202002.786, Processo nº 15586.000423/200586, Relator Cons. ANTÔNIO LOPO MARTINEZ, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 23/10/2014 grifamos); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS EM RAZÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Regularmente intimado para tanto e incapaz de comprovar a origem de valores depositados em suas contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, é de manterse o lançamento. AUSÊNCIA DE CRIAÇÃO DE NOVO FATO GERADOR PELA LEI N. 9.430/96. Fl. 5942DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.007893/200611 Acórdão n.º 2101002.678 S2C1T1 Fl. 9 15 A lei em questão tão somente criou a presunção de que depósitos bancários de origem não comprovada tem natureza de rendimentos omitidos, dando fundamento ao lançamento correspondente, como é o caso nos presentes autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS VÁLIDOS. SÚMULA CARF N° 25 Tendo os recursos transitado por contas de titularidade do próprio contribuinte, não havendo utilização de interposta pessoa, não há indícios do uso pelo contribuinte de qualquer subterfúgio para ocultar a percepção dos rendimentos objeto de autuação, razão pela qual se reconduz a multa ao patamar de 75%, nos termos da Súmula CARF n° 25, que dispõe que: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. Recurso parcialmente provido. ” (Acórdão nº 2802002.808, Processo nº 13827.000245/200910, Relator Cons. CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO, 2ª TE / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF/, Data de Publicação: 21/10/2014); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, todas as deduções estão sujeitas à comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação da multa de ofício qualificada somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. ” (Acórdão nº 2802003.173, Processo nº 12571.720232/201153, Relator Cons. JACI DE ASSIS JUNIOR, 2ª TE / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 21/10/2014); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 5943DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 MULTA QUALIFICADA A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por essa razão, afastase a qualificação da multa aplicada. ” (Acórdão nº 2202002.705, Processo nº 10680.726330/201212, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 10/09/2014). Deste modo, considerando suficientes os elementos contidos nos autos para reconhecer a impropriedade da incidência da multa qualificada, entendo que deve ser mantida afastada. Ante todo o exposto, inexistindo razões para reforma da decisão proferida, voto no sentindo de negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 5944DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 35301.007743/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Ademais argumentos de irresignação contra o acórdão prolatado deve ser manejada pela via recursal adequada.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 2302-003.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, para manter o Acórdão embargado que deu provimento parcial ao recurso voluntário acatando a homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, para manter o Acórdão embargado que deu provimento parcial ao recurso voluntário acatando a homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Ademais argumentos de irresignação contra o acórdão prolatado deve ser manejada pela via recursal adequada. Embargos de declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, para manter o Acórdão embargado que deu provimento parcial ao recurso voluntário acatando a homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 77 43 /2 00 4- 32 Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Tratase de embargos opostos tempestivamente pela VIA DRAGADOS S.A (prestadora do serviço ao qual a CBTU figura como tomadora, e, porquanto, responsável solidário pelo crédito tributário), contra acórdão, fls. 1073 a 1082, que, negou provimento ao recurso voluntário interposto, o qual conheceu do pedido de revisão da Receita Previdenciária e resolveu rescindir Acórdão anterior e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento crédito até a competência 06/1998, em vista do prazo decadencial do artigo 150, § 4 do CTN. Afirma a embargante que: 1. Não foi apreciada a preliminar de cerceamento do direito de defesa, posto a falta de ciência da embargante da diligência fiscal de fls. 226/227. Nulidade, pois, da decisão de primeira instância. 2. Os argumentos acerca da apresentação de todos os documentos necessários para a elisão completa da responsabilidade solidária, independentemente da utilização da aferição indireta como meio de lançamento, não foram analisados. É o Relatório. Voto Tratase de embargos de declaração contra acórdão, amparado na existência de omissão na decisão. O Regimento Interno deste Órgão Colegiado prevê, em seu art. 65 e seguintes, o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para o acatamento dos declaratórios. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado, concluímos que não há razão na peça recursal, vez que restou aventado, explicitamente, no acórdão recorrido que a prestadora do serviço VIA ENGENHARIA S/A (VIA DRAGADOS S/A) foi cientificada da NFLD e de todos os atos processuais. O enunciado do Conselho Pleno n° 29 editado pela Resolução n°06, foi publicado no Diário Oficial da União de 21/12/2006, seção 01, pag.76, nos seguintes termos: Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. De outra parte, afirmar que os argumentos acerca da apresentação de todos os documentos necessários para a elisão completa da responsabilidade solidária, Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35301.007743/200432 Acórdão n.º 2302003.544 S2C3T2 Fl. 3 3 independentemente da utilização da aferição indireta como meio de lançamento, não foram analisados, demonstra a tentativa de rediscutir a matéria. Afora tais hipóteses, devidamente elencadas no Regimento Interno deste Conselho, os embargos não são o meio hábil a alterar uma determinada decisão proferida pelo Colegiado, sendo certo que existem outros recursos para tanto. Analisando a pretensão da recorrente, em seu segundo argumento, resta claro que a motivação da Embargante é a de revisão deste julgado, ou seja, rediscussão da matéria, o que não é admissível – como dito – pela estreita via dos embargos declaratórios. Feitos estes esclarecimentos, e por não se tratar da hipótese de verdadeira omissão ou contradição por parte da decisão embargada, entendo que os embargos não merecem ser providos neste ponto, por absoluta falta de previsão legal para tanto. Por essas razões, concluise que não há qualquer reparo a se feito no acórdão embargado, motivo pelo qual voto pela rejeição dos presentes embargos. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos. É o voto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em REJEITAR os embargos propostos. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2014 LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900407/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido
Numero da decisão: 1803-002.064
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido
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M.CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 07 /2 00 9- 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900407/200910 Acórdão n.º 1803002.064 S1TE03 Fl. 97 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900407/200910 Acórdão n.º 1803002.064 S1TE03 Fl. 98 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0819.712 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, constante das fls. 28 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação, fls. 01/05, na qual pretende compensar o pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior (código de receita 2089) relativo ao período de apuração encerrado em 30/06/2002. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, com base no seguinte fundamento (fls. 01/05): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificado desse despacho em 04/03/2009, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 03/04/2009, fls. 09, alegando que a inconsistência se deu devido ao preenchimento da DCTF, onde o débito relativo a esse período foi informado a maior, e o DARF foi totalmente vinculado a este débito. Para corrigir a situação, apresenta a DCTF retificadora, relativa ao 2° trimestre de 2002, com o débito correto”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, na sessão de 22/12/2010, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0819.712 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900407/200910 Acórdão n.º 1803002.064 S1TE03 Fl. 99 4 RETIFICAÇÃO DE DCTF. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 07/01/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 34), a B. M. CONSTRUTORA LTDA, nova denominação da B. M.CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0819.712, recorre em 08/02/2011 (fls. 35 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer que V. Sas. se dignem de considerar procedente o presente Recurso Voluntário, acatandoo em todos os seus termos, e reformando in totum o Acórdão n°. 08 19.712, proferido pela da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, no intuito de que seja admitida a DCTF retificadora apresentada, para posterior reexame e procedência da requerida COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA dorespectivo crédito tributário comprovado nessa”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900407/200910 Acórdão n.º 1803002.064 S1TE03 Fl. 100 5 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Em relação ao mérito, passo que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, quando afirmou às fls. 29 e segs dos autos: “O exame inicial da declaração apresentada à Administração Tributária revelou que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Não havia, pois, saldo disponível (ou seja, não havia crédito liquido e certo) para suportar a extinção. Dai a não homologação pela autoridade local. Em sua defesa, o contribuinte alega ter se equivocado no preenchimento DCTF, e informa que procedeu à retificação da declaração, após a ciência da não homologação da compensação. Como a DCTF foi retificada após o despacho impugnado, é pertinente perquirir acerca da possibilidade jurídica de o requerente fazêla e da eficácia probatória que a DCTF retificadora carreia na comprovação do alegado indébito. De inicio, é conveniente lembrar que o procedimento adotado pelo contribuinte teve por objetivo a extinção de crédito tributário, mediante a modalidade prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional — CTN (compensação). Por não ter sido homologada, foi proferido despacho decisório no qual constam os motivos que embasaram o indeferimento do pleito. Nesse mesmo ato o postulante foi intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados (campo 4 do despacho decisório). A razão da existência dessa intimação é simples. Como o pedido de compensação do débito extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, §3°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637, de 2002), a partir da não homologação da compensação deve ser reativada a cobrança do tributo, que até então era considerado extinto. O art. 7° do Decreto n° 70.235/72 elege como uma das hipóteses que caracteriza o inicio do procedimento fiscal a prática de ato de oficio por servidor competente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Já o § 1 0 do mesmo artigo dispõe que o inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...)” Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900407/200910 Acórdão n.º 1803002.064 S1TE03 Fl. 101 6 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado. Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente em relação ao valor de R$ 1.200,79, não podendo prevalecer à decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE. (Assinado Digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006231/2009-00
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a possível existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o questionamento apontado.
Esclarecidas as alegações do contribuinte quanto às possíveis contradições e omissões.
Mantida a decisão embargada sem efeitos modificativos.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para esclarecer as alegações da embargante quanto às possíveis contradições e omissões, mantendo o resultado da decisão embargada.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a possível existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o questionamento apontado. Esclarecidas as alegações do contribuinte quanto às possíveis contradições e omissões. Mantida a decisão embargada sem efeitos modificativos. Embargos Acolhidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 115 1 114 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006231/200900 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2803003.863 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Embargante STONCOR CORROSION SPECIALISTS GROUP LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a possível existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o questionamento apontado. Esclarecidas as alegações do contribuinte quanto às possíveis contradições e omissões. Mantida a decisão embargada sem efeitos modificativos. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para esclarecer as alegações da embargante quanto às possíveis contradições e omissões, mantendo o resultado da decisão embargada. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 31 /2 00 9- 00 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 116 2 Relatório Tratase de embargos de declaração contra o Acórdão 2803003.366 – 3ª Turma Especial, Segunda Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, interposto por Stoncor Corrosion Specialists Group Ltda contra a Fazenda Nacional, alegando contradição e omissão, nos termos: os documentos estão a disposição da fiscalização em sua sede. Jamais deixou de prestar qualquer informação e sempre esclareceu todos os questionamentos do fisco; reiterou várias vezes que fosse determinada fiscalização na empresa, entretanto, não houve; por qual motivo a fiscalização não procedeu análise dos documentos que informa não terem sido apresentados? Se houve fiscalização na sede da empresa a fiscalização deveria ter juntados os documentos que dão conta das irregularidades, se não houve necessário a realização da fiscalização; não se verifica apreciação quanto ao pedido de revisão da fiscalização com o exame de toda documentação hábil existente para se aferir o crédito tributário. Não se vislumbra qualquer fundamentação quanto a exigência de obrigar o contribuinte digitalizar documentos para a fiscalização; Por fim, requer que sejam acolhidos os embargos e providos, corrigindo o ponto controverso e omisso. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 117 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Tratase de embargos de declaração tempestivo em razão da embargante supracitada alegar contradição e omissão do Acórdão guerreado. O Regimento Interno do CARF, Portaria MF/GM 256, de 22 de junho de 2009, prevê no art. 65 e seguintes o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para seu acatamento. Assim sendo, reconhecese os embargos do contribuinte no sentido de se analisar e esclarecer suas razões. Quanto à disponibilização da documentação solicitada pela fiscalização, a decisão de primeira instância assim se manifestou: (...) II – Apresentação da Documentação Solicitada pela Fiscalização/Encerramento da Fiscalização/ Resultado da Diligencia – Adendo à Defesa –Endereço do Contribuinte 10. A Impugnante alega que a documentação inicialmente solicitada, mediante TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, em 23/06/2008 (fls.50/52 anexado ao PT nº19515.006232/200946), encontrava se disponível no escritório até a data da apresentação da impugnação. Tal alegação não merece prosperar, pela razões abaixo expostas. 10.1. A documentação acima requerida (TIAF), bem como as demais solicitadas via TIAD e TIF’s nº01, nº02, nº03, nº04, nº05 (anexadas ao PT nº19515.006232/200946), pela Auditora Anita Lúcia D’ Aliesio e pelo Auditor Paulo de Tarso Magalhães Paes de Barros, foram verificadas por este último, responsável pela lavratura do presente auto de infração, conforme atesta a informação fiscal prestada às fls.42, após o Despacho de Diligência nº10/2011, fls.33/37, vejamos: 1. Em atendimento à solicitação formulada pela 14a Turma da DRJ/SP 1, em fls. 34, item 5, alínea "a", tenho a informar que o endereço da empresa é Rua ARANDU 205 ANDAR 12 CONJUNTO 1209, BROOKLIN, CEP:04562030, SAO PAULO/ SP, conforme extrato de consulta ao CNPJ no HOD SRF juntado em fls. 39. 2. Na verdade, não houve alternância de endereços, tendo sido todas as intimações, Autos de Infração e Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF encaminhados ao endereço postal acima. Inclusive, as assinaturas dos funcionários Josete Terto da Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 118 4 Silva, gerente e administradora (Termo de Intimação Fiscal TIF n° 01), e Hélio Alves de Souza, analista financeiro (Termos de Intimação Fiscal TIF n° 04 e n° 05), bem como documentos para exame foram todos colhidos por mim pessoalmente no endereço indicado no item 1. (grifouse) 3. Ocorre que apenas o cabeçalho dos Autos de Infração e de alguns Termos de Intimação traz impresso o endereço Rua Samuel Morse, 120 – conjunto 22 Cidade Monções São Paulo/SP, CEP: 04576060, porque o cadastro da Carga Fiscal, quando distribuída ao AFRFB, veio assim e não foi alterado. Mas o endereço de fato a que compareci várias vezes e ao qual foram remetidos todos os Termos e Autos sempre foi o da Rua Arandu mencionado. (grifouse) 10.2. A empresa foi cientificada mediante Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal, datados de 24/11/2008 e 16/10/2009, respectivamente (vide AR’s 56/57 e 62 anexados ao PT nº 19515.006232/200946), que os trabalhos fiscais iniciados através do TIF –Termo de Intimação Fiscal, relativos ao RPF nº 8.1.90.002008044898, teriam prosseguimento, ou seja, não procede a alegação de que teria sido comunicada do prosseguimento dos trabalhos fiscais somente após 13 (treze) meses depois de iniciado o procedimento fiscal. 10.2.1. Vale destacar, ainda, que a empresa foi cientificada mediante Termo de Ciência ao Sujeito Passivo (AR’s fls.62 anexado ao PT nº19515.006232/200946), das alterações no Mandado de Procedimento Fiscal, com relação a inclusão da Supervisora Deuslene Candido dos Santos e do AFRFB Paulo de Tarso Magalhães Paes de Barros, logo, não há que se falar em nulidade do lançamento (vide fls. 59 anexado ao PT nº19515.006232/200946), já que a empresa foi cientificada de todos os atos da ação fiscal. 10.3. Com relação a alegação de que todos os documentos constantes TIF 01 (Arquivos digitais:Contabilidade (Programa SINCO): lançamentos contábeis, saldos mensais e tabelas do plano de contas (sintéticas e analíticas) ; Contrato Social e Alterações; Discriminar a composição das linhas 02Ordenados salários; e 05Custo do Pessoal na Produção, da DIPJ do Ano calendário 2004), foram entregues pela empresa, conforme protocolo, verificase mais uma vez tal alegação não procede, uma vez que no processo (impugnação e adendo a defesa), foi anexado pelo contribuinte apenas a alteração do contrato social, fls. 17/31, inexistindo nos autos qualquer documento que demonstrasse o cumprimento integral do referido termo, ou pelo menos, a prestação dos esclarecimentos solicitados pela Fiscalização que ensejaram o presente auto. 10.4. Sustenta a Impugnante que o “Termo de Finalização da Ação Fiscal” não consta assinatura, o que vicia o procedimento, acarretando a nulidade do auto, tal entendimento da empresa é equivocada, pois foi devidamente cientificada do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, conforme se constata às Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 119 5 fls. 70 (AR recebido em 24/12/2009, anexado ao PT nº19515.006232/200946), o que inclusive lhe possibilitou tomar ciência não só do encerramento da ação fiscal, como também dos autos de infração lavrados, com apresentação da respectivas impugnações. 10.5. Por fim, alega que TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, tem endereço que difere do indicado pela empresa, tal alegação não merece amparo, pois a empresa foi cientificada no endereço correto (Rua Arandu, 205, 12º andar, Cj 1209, BrooKlin, São Paulo – SP), apesar do endereço constante no citado Termo de Encerramento ser outro (Rua Samuel Morse, nº120, Cj 22, Cidade Monções, São Paulo – SP), conforme se verifica no AR recebido pela empresa, fld. 70 do PT nº19515.006232/200946 e nas informações prestadas pela Fiscalização,fls.42, acima transcrita (item 10.1 deste voto). 10.6. Diante do acima exposto, não se constatou qualquer irregularidade do procedimento fiscal em análise capaz de ensejar a nulidade do auto de infração e foi dado oportunidade para a empresa apresentar as informações/esclarecimentos solicitadas durante toda a ação fiscal (TIF nº 01 a discriminar a composição das linhas 02 – Ordenados, Salários e 05 – Custo do Pessoal na Produção, da DIPJ do anocalendário 2004). Frisa se que a única documentação apresentada pela empresa em sede de impugnação e adendo a defesa, foi a alteração contratual, fls. 17/31. III – Princípios: Formalidade, Legalidade e Segurança Jurídica 11. Alega a empresa que a Fiscalização não observou formalidades na lavratura do auto de infração, violando os princípios da legalidade e da segurança jurídica. Tal alegação é totalmente improcedente, uma vez que o presente auto de infração informou precisamente os esclarecimentos que deixaram de ser prestados pela empresa com relação a discriminação da composição das linhas 02 – Ordenados, Salários e 05 – Custo do Pessoal na Produção da DIPJ, os períodos a que se referem, e a correspondente fundamentação legal, conforme determina o art.10 do Decreto nº70.235/72, vigente a época da lavratura do auto, in verbis: DECRETO 70.235/72 Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. LEI nº 8.212/91 (redação dada pela MP 449/2008) Art. 37 – Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 120 6 art.32, a falta de pagamento de beneficio reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. 11.1. Nestes termos, tendo a Fiscalização solicitado ao contribuinte mediante procedimento administrativo regular, os documentos e esclarecimentos necessários à verificação do correto cumprimento de suas obrigações principais e acessórias perante a Previdência Social, e tendo este deixado de exibilos e prestálos na sua totalidade, agiu corretamente o Auditor Fiscal ao lavrar o presente auto com observância de todas as formalidade legais, conforme se constata nos relatórios fiscais da infração e da aplicação da multa, fls.06/07. 11.2. No caso em tela não há que se falar em inobservância de formalidades, muito menos em violação aos princípios da legalidade e da segurança jurídica, uma vez que a Fiscalização demonstrou quais os esclarecimentos que deixaram de ser apresentados, apesar de devidamente solicitados mediante TIF 01 (anexado ao PT nº19515.006232/200946). 11.3. Assim, estando o presente auto devidamente lavrado pelo Auditor Fiscal, caberia a Impugnante comprovar de forma cabal que os esclarecimentos solicitados pela Fiscalização (TIF 01 anexado ao PT nº nº19515.006232/200946), foram prestados, o que não ocorreu no presente caso. VI – Nulidade do Auto de Infração – Mesmo fato gerador do AIOP –Debcad nº37.244.4318 12. Alega a empresa que o fato gerador do presente auto de infração é o mesmo do AIOP – Debcad nº 37.244.4318, logo, o lançamento deve ser anulado, tal alagação não tem o condão de anular o presente auto de infração de obrigação acessória (CFL 35), uma vez que este foi lavrado em razão da empresa deixar de apresentar os esclarecimentos solicitados no TIF 01 (discriminação da composição das linhas 02 – Ordenados, Salários e 05– Custo do Pessoal na Produção, da DIPJ do anocalendário 2004), conforme art. 32, III, §11º, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, III, do Decreto 3.048/99. Ao passo que o AIOP (Debcad nº 37.244.4318), foi lavrado em virtude da empresa deixar de recolher as contribuições previdenciárias (parte patronal), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais (art.22, I, II e III da Lei nº 8.212/91), razão pela qual a alegação de nulidade suscitada pela empresa é totalmente descabida. 13. Diante do acima exposto, o presente auto de infração foi regularmente lavrado em virtude de descumprimento de obrigação acessória estabelecida em lei, tendo em vista a existência de previsão legal criando a obrigatoriedade da empresa de apresentar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme preceitua o artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, cujo teor transcrevemos a seguir: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 121 7 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 13.1. Por sua vez o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme disposto no seu art. 225, inciso III, a saber: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; 13.2. Assim, além do recolhimento das contribuições previdenciárias (obrigação principal), os contribuintes em geral estão sujeitos à satisfação de determinadas obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, dentre as quais a de prestar os esclarecimentos solicitados pela Fiscalização. 14. A multa foi corretamente aplicada, conforme previsto nos artigos 283, II, “b” c/c art. 373 do RPS aprovado pelo Decreto n° 3048/99, atualizada nos termos da Portaria MPS/MF nº 48 de 12/02/2009, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), sem circunstancias agravantes, conforme relatórios fiscais, fls. 06/07. CONCLUSÃO 15. Ante todo o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Consta do relatório fiscal da infração (fl. 7) que o Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III e parágrafo 11, da Lei 8.212/91, com redação da MP 449 de 03/12/2008, convertida na lei 11.941, de 25/05/2009, uma vez que a empresa não atendeu a intimação fiscal de discriminar a composição das linhas 02 Ordenados, Salários e 05 Custo do Pessoal na Produção, da DIPJ do anocalendário 2004. Como se pode notar dos autos e da decisão que a empresa não apresentou todos os documentos e não prestou todos os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, que apurou o valor do tributo devido com base nos documentos e informações que dispunha (Folha de pagamento, GFIP, DIRF, contabilidade, DIPJ, Processos Trabalhistas, alguns documentos de PLR, outros). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 122 8 Assim sendo, a fiscalização demonstra quais os documentos utilizados da empresa que deram origem ao crédito tributário. A empresa deve disponibilizar seus dados/informações em sistema de processamento eletrônico (arquivos digitais) à autoridade fiscal, consoante art. 32, inciso III da Lei 8.212/91 e art. 8o da Lei 10.666/2003. Lei 10.666/2003 Art. 8oA empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Desse modo, não se justifica o argumento da embargante de que não se vislumbra qualquer fundamentação quanto a exigência fiscal de documentos em arquivos digitais da empresa. Constam do lançamento fiscal o registro dos fatos e a fundamentação legal. O contribuinte foi cientificado de todos os atos da fiscalização com direito à defesa e contraditório. A apuração do favor real das contribuições sociais é feita com as informações da empresa. A empresa deve disponibilizar todos os documentos e informações à fiscalização, o que não ocorreu. Para que haja auditoria fiscal no exame de toda documentação existente, a empresa deve demonstrar o interesse, anexando aos autos provas da documentação a ser analisada, o que não vez. Diante da falta da documentação necessária para a aferição das contribuições sociais a fiscalização lançou os valores com base na documentação que dispunha. Cabe a empresa demonstrar que os valores não estão corretos. Desse modo, a simples alegação da empresa de que não concorda com aferição indireta, que não se recusou a apresentar a documentação e que a mesma está a disposição da fiscalização, não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal. Destarte, do que consta do relatório fiscal, da decisão de primeira instância e da decisão embargada, podese concluir que as alegações da embargante de possíveis contradições e omissões estão explicadas e demonstradas. A embargante alega que os documentos estão a disposição da fiscalização em sua sede, todavia, não junta aos autos sequer prova parcial dos documentos existentes. Ressaltase que desde o início do procedimento fiscal até o momento a embargante não demonstra prova convincente de seus argumentos. Inclusive quanto à prestação de todos os esclarecimentos e as informações solicitadas pelo fisco. Diante da falta de comprovação, mesmo que parcial, da documentação disponível à fiscalização em sua sede, não há como deferir pedido de revisão de fiscalização. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.006231/200900 Acórdão n.º 2803003.863 S2TE03 Fl. 123 9 A fiscalização informou os motivos porque não procedeu a análise dos documentos não apresentados pela empresa, requeridos em documento formal pela fiscalização (TIAD e TIF s n 01, n 02, n 03, n 04, n 05, anexados ao processo n 19515.006232/200946). Os embargos de declaração não servem para rediscutir os fundamentos já repelidos pelas decisões anteriores. As argumentações desprovidas de prova não são suficientes para a desconstituição da autuação fiscal. Ressaltase que autuação fiscal em epígrafe se deu em razão da empresa deixar de atender a intimação fiscal de discriminar a composição das linhas 02 Ordenados, Salários e 05 Custo do Pessoal na Produção, da DIPJ do anocalendário 2004 (fl. 7). Esclarecidas as alegações da embargante quanto às possíveis contradições e omissões deve a decisão embargada ser mantida sem efeitos modificativos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em acolher os embargos de declaração para esclarecer as alegações da embargante quanto às possíveis contradições e omissões, mantendo o resultado da decisão embargada. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10925.002073/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
UNICIDADE EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÃO SUBSIDIÁRIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA.
AUSÊNCIA DE PROVAS. Cancela-se o ato de exclusão do Simples Federal se a acusação fiscal não está suportada por provas suficientes para caracterizar a simulação na constituição de pessoa jurídica para segregação de faturamento e obtenção das vantagens conferidas pelo sistema simplificado de recolhimentos, e também não se presta a demonstrar a interposição de pessoas no quadro social ou a prática de atividades de locação de mão-de-obra.
Numero da decisão: 1101-001.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 UNICIDADE EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÃO SUBSIDIÁRIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cancela-se o ato de exclusão do Simples Federal se a acusação fiscal não está suportada por provas suficientes para caracterizar a simulação na constituição de pessoa jurídica para segregação de faturamento e obtenção das vantagens conferidas pelo sistema simplificado de recolhimentos, e também não se presta a demonstrar a interposição de pessoas no quadro social ou a prática de atividades de locação de mão-de-obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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S. MÁQUINAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 UNICIDADE EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÃO SUBSIDIÁRIA DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cancelase o ato de exclusão do Simples Federal se a acusação fiscal não está suportada por provas suficientes para caracterizar a simulação na constituição de pessoa jurídica para segregação de faturamento e obtenção das vantagens conferidas pelo sistema simplificado de recolhimentos, e também não se presta a demonstrar a interposição de pessoas no quadro social ou a prática de atividades de locação de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 73 /2 00 8- 23 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório J. S. MÁQUINAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 018/2008, que a excluiu do Simples Federal a partir de 01/01/2003 em razão da constatação da prática de simulação de existência de empresa autônoma, por meio de interpostas pessoas, para segmentação artificial de atividades, do faturamento e do emprego da mãodeobra, para obtenção de benefícios do Simples. A exclusão está fundamentada nas apurações expostas na representação fiscal de fls. 01/06 e no Parecer SACAT nº 316/2008 (fls. 121/130). A autoridade fiscal reportouse a registros contábeis reunidos a partir de 01/01/2003, hábeis a demonstrar que: · José Schazmann era originalmente sócio da interessada, juntamente com sua mãe Elita Schazmann, mas em 1997 retirouse do quadro social para ingressar, juntamente com sua esposa, Silvana Marques Schazmann, com sócios de Idugel Industrial Ltda, mantendo no quadro social da interessada, além de Elita Schazmann, Claudia Schazmann Perottoni, irmã de José Schazmann. Além disso, os filhos de José Schazmann (Fellipe Marques Schazmann e Karinne Marques Schazmann) são sócios de KF Industrial Ltda ME, e esta, assim como JF Máquinas Ltda, são administradas, mediante procuração, por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann; · Em 1997, a interessada também deixou de ter sede própria e a indicar como endereço o mesmo local de funcionamento de Idugel Industrial Ltda, e atualmente ambas ocupam o mesmo imóvel situado em outro endereço, diferenciandose apenas pela indicação de blocos (A e B), muito embora tal segregação seja apenas formal; · A semelhança entre os objetos sociais das duas pessoas jurídicas permite afirmar que elas operam no mesmo ramo de atividades (fabricação e comércio de máquinas e equipamentos), e apesar disso a relação de custos/despesas para Idugel é de 34 a 57% de 2003 a 2006, enquanto para a interessada é de 1 a 7%, com acentuada discrepância na folha de pagamento, na medida em que Idugel Industrial Ltda, com apenas dois ou três empregados, alcançou faturamento de R$ 3 a 5 milhões, ao passo que a interessada, com 19 a 21 empregados, no mesmo período de 2004 a 2005, obteve faturamento de R$ 305 a 638 mil; e · As pessoas jurídicas estão sob a mesma administração, seus empregados trabalham com o mesmo uniforme com a inscrição “Grupo Idugel”, os setores administrativos atendem indistintamente Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 5 4 às duas empresas, há diversos pagamentos cruzados de despesas, ferindo o princípio contábil da entidade. Concluiu, assim, que: No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa J.S. Máquinas Ltda, e os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda, concluise que a empresa J.S. Máquinas Ltda, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, no mundo real, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda, ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a J.S. Máquinas Ltda destinase apenas, como pessoa jurídica formalmente constituída, para que a Idugel Industrial Ltda, através dela, possa beneficiarse do Simples, não se constituindo de fato a J.S. como empresa, o que exigiria um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que figuram formalmente como sócias da J.S. Máquinas, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, nem exercem atividade empresarial de fato. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 14. inciso IV. da Lei n° 9.317. de 05 de dezembro de 1996. Subsidiariamente consignou que, mesmo se a interessada exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda, visto que, segundo seus próprios registros, os gastos da J.S. Máquinas com insumos não justificam por serem irrisórios comparados aos da Idugel o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãode obra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Assim, mesmo abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, ficaria caracterizada a incidência em vedação ao Simples Federal, também com fundamento no art. 9o inciso XII. alínea “f”. da Lei n° 9.317. de 05 de dezembro de 1996. Em razão da exclusão assim fundamentada, a autoridade fiscal lançou os créditos tributários devidos, dentre os quais foram distribuídos para relatoria desta Conselheira: IRPJ devido do 1o trimestre/2003 ao 2o trimestre/2007 (processo administrativo nº 10925.000016/200991); CSLL devida do 1o trimestre/2003 ao 2o trimestre/2003 (processo administrativo nº 10925.000018/200980); COFINS devida de novembro/2003 a junho/2007 (processo administrativo nº 10925.000011/200968); Contribuição ao PIS devida de novembro/2003 a junho/2007 (processo administrativo nº 10925.000013/200957); IPI devido janeiro/2004 a dezembro/2006 (processo administrativo nº 10925.000019/200924); Contribuições Previdenciárias devidas de janeiro/2003 a junho/2007 (processo administrativo nº 10925.000029/200960). A contribuinte apresentou defesa em todos os processos administrativos. Nestes autos, manifestando sua inconformidade contra a exclusão do Simples Federal, a interessada alegou que o grupo familiar de Elita Schazmann explora ramos comercial e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e, com a evolução dos negócios, optaram por fracionar a cadeia produtiva entre as três pessoas jurídicas antes Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 6 5 citadas. Afirmou válidos os atos praticados, porque dentro do campo da elisão fiscal, e resultantes de práticas formalmente válidas. Observou que não foi delimitado o termo final da exclusão, e que ela não poderia exceder a 30/06/2007. Alegou incompatíveis as hipóteses de exclusão apontadas pela Fiscalização, argüiu a decadência para anulação da constituição da pessoa jurídica, discordou da retroatividade dos efeitos de situações fáticas apuradas apenas em 2008, afirmou confiscatórias as exigências daí decorrentes, opôsse à sanção administrativa de atos que não vislumbrava ilícitos, discordou dos fatos apurados e do enquadramento legal do ato, apresentou justificativas para suas atividades e afirmou regular sua contabilidade. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSTITUIÇÃO PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTAS PESSOAS. A prática de simulação de existência de empresa autônoma, por meio da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios para fins Segmentação artificial de atividades, do faturamento e do emprego da mãodeobra é causa de exclusão do simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. O exercício de atividade de locação de mãodeobra é causa de exclusão do simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do simples pela constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios surtirá efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o se direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 7 6 Cientificada da decisão de primeira instância em 18/05/2010 (fl. 262), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/06/2010 (fls. 263/301), principiando com a seguinte epígrafe: "SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária (3o C. 1° Conselho de Contribuintes, ac. 103.23.357/08, proc. 11516.002462/2004 18, Rel Paulo Jacinto do Nascimento, publ. DOU n° 57, de 25/03/2008) No preâmbulo da peça consigna, dentre outros aspectos, que: Concomitante à exclusão do regime simplificado e, a despeito da interposição de recursos administrativos e do efeito suspensivo garantido a estes, o agente fiscal expediu intimações com a finalidade de exigir a prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, para as quais foram apresentadas manifestações no sentido da incompatibilidade com o efeito suspensivo atribuído aos recursos pendentes. Reintimada, foram reiterados os termos da manifestação anterior. E, por fim, foi surpreendida com a emissão dos autos de infrações constantes no rol anexo. Aduz que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si e seus filhos e netos exploram o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais, e que com a evolução do negócio e por interesse dos entes familiares para evitar desentendimentos, optaram pela separação das atividades, com o fracionamento da cadeia produtiva, considerando o envolvimento de cada um nesse processo, o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente. Neste sentido, em virtude dos conhecimentos técnicos e por já atuar no ramo de projetos, fabricação e comércio desse tipo de produção de maquinários, José Schazmann e sua esposa integraram a empresa IDUGEL, a qual é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), que conta com a participação de diversas outras empresas delegadas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas). Por sua vez, mediante participação financeira e visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, formaram, a mãe e irmã de José Schazmann, a empresa recorrente, para participarem da cadeia produtiva de máquinas industriais comercializadas pela empresa IDUGEL. Já KF Montagens, formada por Karine e Felipe, filhos de José Schazmann, dedica se exclusivamente à montagem dos equipamentos fabricados pela empresa IDUGEL (por si ou através de terceiros), diretamente nos locais definitivos. Desta forma, a recorrente é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva. Defende que nenhum ilícito existe na formação de empresas por grupo de familiares, bem como a terceirização no caso em tela não se traduz em cessão de mão de obra como interpretou o agente fiscal, em que pese tenha assim concluído por análise equivocada dos fatos. Reportase ao art. 116 do CTN e diz que, no mundo negocial, há um momento Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 8 7 anterior à sua efetivação, no qual é permitido ao participante do negócio optar por um ou outro caminho a alcançar um único objetivo, no caso, fato gerador. E cita doutrina acerca da permissão, presente na legislação tributário, em favor do desenvolvimento de ações (ou omissões) tendentes a evitar a ocorrência da hipótese de incidência (fato gerador), através da chamada Elisão Fiscal, qual seja, “direito à economia de impostos". No caso, não houve qualquer concretização de hipótese normativa de incidência anterior ao fato gerador dos tributos. Desta forma a ação é legítima ao passo que é perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores. Ademais, as práticas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações. Conclui, assim, que nenhuma mácula existe na constituição e operacionalização da empresa requerente, suficiente a afastarlhe o direito a opção pelo regime simplificado de tributação. Prossegue afirmando ilegal o ato praticado, porque não especificado o termo final dos efeitos da exclusão. Observa que na fundamentação do ato de exclusão está expresso que o ato disciplina apenas as situações abrangidas pelo Simples Federal, a evidenciar a ilegalidade da extensão daqueles efeitos para além de 30/06/2007. Argumenta, ainda, que a fundamentação exposta para exclusão demonstra a total insegurança da decisão, em razão da adoção de motivos totalmente incompatíveis entre si. Entende que ao promover o enquadramento da recorrente como sendo a atividade desempenhada “locação de mão de obra", está se respaldando a relação jurídica havida entre as empresas Idugel e J.S. Deste modo, se há relação jurídica entre referidas empresas, logo, existem; e devem ser reconhecidas como duas personalidades distintas, autônomas. E, se assim o são, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, considerandoa como parte integrante da própria empresa Idugel, como leva a crer na fundamentação em apreço. Entende que, ao optar por se cercar de todos os fundamentos possíveis e impossíveis a prejudicar a requerente, a autoridade fiscal praticou ato nulo por defeito de fundamentação, com prejuízo à defesa da requerente, na forma do artigo 59, do Decreto 70.235/72, e nos termos de doutrina que cita. Defende a aplicação do prazo previsto no art. 45, parágrafo único, do Código Civil para anulação da constituição da pessoa jurídica, observando que sua constituição pelas sócias Elita e Cláudia Schazmann está informada no CNPJ desde 20/02/98, sem qualquer questionamento por parte da Receita Federal. Acrescenta que mesmo considerando a regra do art. 2028 do Código Civil, estaria fulminada pela decadência a possibilidade de anulação da empresa requerente, como pretende a autoridade fiscal. Aduz, também, que a apuração de fatos no exercício de 2008 somente se presta como prova da alegada simulação neste período, revelandose absurda a exclusão com efeitos desde 01/01/2003. Observa que a cada exercício é feita a opção pelo regime simplificado, com validade única e exclusiva para aquele. Reportase aos arts. 105 e 106 do CTN, e ao art. 15 da Lei nº 9.317/96 para defender que em se tratando que a situação excludente foi atestada (equivocadamente) durante o exercício de 2008, deveria ser aplicada a regra de exclusão a partir da constatação da mesma pois e quando se dá a ocorrência, pois Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 9 8 que resultante de situação fática, cuja situação na data da verificação não pode ser estendida ao período pretérito. Cita manifestações dos Tribunais Regionais Federais TRF da 1a e da 3a Região, neste sentido e conclui pela inexistência de qualquer base jurídica para fixar a data de exclusão em 01.01.2003, devendo o ato de exclusão operar efeitos a partir de outubro/2008. Cita doutrina para argumentar que a cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. Reportase ao art. 97 do CTN e destaca que a exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado e a conseqüente migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Acrescenta que tal circunstância impede um planejamento para a incidência dos tributos majorados, e que a exclusão afasta benefícios previstos na Lei nº 9.841/99, desvirtuando sua finalidade expressa já em seu art. 1o, como corolários dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, penalizando as microempresas e empresas de pequeno própria com indevida restrição ao direito de exercer a atividade econômica, que independe da autorização de órgãos públicos, além de configurar uma exigência sem o devido processo legal, com grave violação ao direito de defesa do contribuinte, posto que a autoridade que impõe a restrição não é competente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se e legítima ou ilegítima. Observa que a cobrança retroativa de tributos será realizada com incidência de juros e correção monetária, e diz que nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a sanção tributária esta a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Cita doutrina acerca da necessidade de ato ilícito praticado pelo contribuinte para imposição de sanção, reportase ao art. 112 do CTN, e questiona se existe algum ilícito administrativo, a ensejar a aplicação da penalidade de pagamento retroativo dos tributos. Acrescenta que, quando da edição da Lei Federal n.° 9.317/96, vários contribuintes passaram a desenvolver atividades comerciais sob a égide da tributação simplificada, com o acolhimento do pedido de adesão por parte do Órgão competente do Poder Executivo, e com o advento da Lei Federal n.° 9.841/99, houve uma consolidação em massa da abertura de microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que somente em 2004 passaram a ser emitidos atos declaratórios, fundados na vedação da continuidade da tributação simplificada sob o argumento de que a "atividade é vedada", sem qualquer diretriz legal para os atos, ficando a critério subjetivo da autoridade fiscal de atribuir vedação ou não à atividade, sem apresentar sequer o fundamento legal do fato da exclusão, e não da exclusão em si mesma. Argumenta, ainda, que a legitimação da interpretação aleatória das regras juridicotributárias e fundada em meros indícios das atividades desenvolvidas pelos contribuintes foi inserida no Código Tributário na forma do Parágrafo Único do artigo 116. A atuação fiscal aqui questionada estaria fundada naquele autorização legal, ainda dependente de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, sem a qual permitese interpretações elásticas e, às vezes até fantasiosa. A ausência de limites seguros para atuação fiscal, portanto, evidencia que a atuação fiscal não tem amparo legal. Reportase à diferença entre locação/cessão de mão de obra e empreitada, citando a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, e enfatizando que na cessão de mão de Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 10 9 obra é o tomador quem gerencia a realização do serviço, sendo que no caso presente, tratase de Empreitada, pois há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo ã contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e, ainda, o emprego de meios mecânicos necessários à execução da tarefa. Entende, assim, que não há que se falar na vedação do artigo 9o, XII, “f” da Lei 9317/96. Aduz que a Fiscalização não demonstrou não serem, as sócias Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, sendo que o fato de terem outorgado procurações para representálas em situações especificas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que as sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, reportase à definição de interpostas pessoas, destaca que as sócias que integram a empresa requerente têm legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas, e arremata que não há qualquer motivo ilícito para que os sócios integrantes da empresa Idugel figurem no quadre societário, nada existindo a acobertar. Conclui que falta amparo legal à exclusão do Simples, mas ainda cita provas inservíveis juntadas pela Fiscalização, porque referentes a datas posteriores a outubro/2007, e enfatiza que há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, observando que esta ocorrência deveria ter sido atestada pela Fiscalização, e reportandose a cópia da planta do imóvel para demonstrar sua alegação, à instalação de sistemas de alarmes e à certificação municipal neste sentido. Discorre sobre a atividade da empresa Idugel, citando doutrina acerca dos resultados obtidos por quem detém knowhow em alguma atividade, e enfatizando que aquela empresa detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo. Cita exemplo prático para demonstrar que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados muito superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Reportase a documentos que evidenciam outro tipo de atuação em parceria das empresas referidas e conclui que a simples análise de desproporção do faturamento entre as empresas lDUGEL e JS não se presta a comprovar ilegalidade nas suas constituições ou no relacionamento entre elas, assim como não é possível, diante das peculiaridades do caso, considerar proporcionalidade de faturamento com número de empregados. Afirma a regularidade de sua escrituração contábil, reconhecendo que houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel, mas que tais transferências não desqualificam a individualidade de ambas, porque sempre na proporção dos créditos existentes da ora requerente perante a empresa IDUGEL. Diz que quando existente crédito e, ao mesmo tempo, devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. E invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade, eis que a partir do momento que o agente fiscal firmou entendimento (equivocado) sobre a ilegalidade da ora requerente, passou a buscar elementos, por mais Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 11 10 insignificantes fossem, para sustentar referido convencimento. Reportase a jurisprudência do TRF/4a Região e pede o afastamento a ilegalidade apontada, até porque insuficiente a formar convencimento sobre a inidoneidade da empresa requerente. Transcreve a ementa citada na epígrafe e excerto do voto condutor do acórdão para afirmar perfeitamente legal, legítima a constituição e relacionamento da empresa requerente para com a IDUGEL. E finaliza a abordagem de mérito fazendo considerações acerca da inviabilização de suas atividades caso mantida a interpretação dada pela Fiscalização. Na seqüência, aponta vício formal do ato administrativo, citando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o art. 293 do Decreto nº 3.048/99, e questionando a lavratura de auto de infração, e não de notificação fiscal de lançamento, sem a indicação da penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida, para o que não se presta a indicação dos fundamentos legais das rubricas. Acrescenta que há que ser considerado que o montante constante no auto de infração corresponde à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa a impugnante de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas no auto em epígrafe. E na seqüência discorda da penalidade no percentual de 200% prevista no art. 284, II do Decreto nº 3.048/99, porque não verificada a hipótese do inciso IV do art. 225 do mesmo decreto, e também porque não observada a limitação para a penalidade. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Argúi, ainda, cerceamento ao seu direito de defesa, porque pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas, observando que no relatório fiscal há referência a diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte, bem como se foram as mesmas tomadas como base na emissão do auto de infração em epígrafe, com aplicação de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Diz que o descumprimento das intimações não é verdadeiro, porque comprovados os questionamentos administrativos antes mencionados. Afirma, também, a nulidade do processo administrativo, porque o auto de infração não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, na forma do art. 149, VII do CTN. Mais à frente, diz que o lançamento também seria nulo porque a penalidade não poderia ter recaído sobre os valores apurados pela Fiscalização, dado que apesar da unificação dos impostos e contribuições houve recolhimento do tributo, que não foi identificado como crédito na apuração fiscal. Por fim, argúi a decadência do direito de o Fisco constituir as contribuições previdenciárias devidas de janeiro a dezembro/2003, na forma do art. 173, I do CTN, conforme jurisprudência que cita, dado que houve pagamento antecipado. E nega a ocorrência de fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, e deve ser provada pelo Fisco. Ademais, na forma do art. 112 do CTN, na dúvida em face do planejamento tributário adotado pela recorrente, a decisão deve lhe ser favorável, consoante jurisprudência que cita. Arremata requerendo a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para sua oitiva. Às fls. 306/324, 337/344 e 347/354 constam cópias de decisão judicial que conferiu à contribuinte, no âmbito do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC, o que segue: Fl. 369DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 12 11 1) nos termos do art. 269, II, do CPC, diante do reconhecimento da impetrada, declarar o direito liquido e certo da impetrante de permanecer no regime tributário simplificado (SIMPLES FEDERAL de 01/01/2003 a 30/06/2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007) até o julgamento final dos processos administrativos 10925 .002252/200 861 e 10925002073/200823; ii) nos termos do art. 269, I, do CPC, declarar nulas as intimações e reintimações fiscais feitas à impetrante com base em normas estranhas ao SIMPLES (fls. 30/32), bem como as autuações e lançamentos delas decorrentes (fls. 70/71), reconhecendo seu direito à obtenção de certidão de regularidade fiscal se por outro motivo não estiver impedida sua expedição; iii) nos temos do art. 269, 1, do CPC, ordenar à autoridade impetrada que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES. principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Este Colegiado apreciou, recentemente, atos simulados praticados com vistas a assegurar que uma atividade econômica, apesar de sua expansão, continuasse a usufruir dos benefícios do regime simplificado de recolhimentos. Os atos de exclusão e os lançamentos decorrentes foram mantidos por unanimidade de votos, nos termos das ementas a seguir transcritas: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta e a prática reiterada de infração à legislação tributária são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta, a prática reiterada de infração à legislação tributária e a omissão na folha de pagamento de empregado são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. É válido o lançamento resultante de procedimento fiscal desenvolvido com observância das normas legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude impõe a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. UNICIDADE EMPRESARIAL. CONFUSÃO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Demonstrada a simulação em razão da confusão operacional, comercial, financeira e trabalhista entre as pessoas jurídicas fiscalizadas, correto o lançamento que reúne, na pessoa jurídica que primeiro foi constituída, o faturamento partilhado entre as demais pessoas jurídicas com vistas a manter a atividade empresária beneficiada pela sistemática simplificada de recolhimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Caracterizada a simulação e a fraude, o lançamento tributário depende, apenas, da formalização da exclusão da pessoa jurídica autuada do SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. A confusão entre pessoas jurídicas formalmente constituídas para que entre elas fosse partilhado o faturamento decorrente da atividade empresária impõe a responsabilidade solidária de todas pelo crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A contabilidade da pessoa jurídica, quando escriturada fracionada e com vícios, erros e falhas não é hábil para que se proceda a tributação com base no lucro real ou pelo lucro presumido. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 14 13 EMPRÉSTIMOS E ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADOS. INDÍCIOS EXTRAÍDO DE ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Se os vícios que ensejam a imprestabilidade da escrituração afetam significativamente os registros de disponibilidades não é possível tomar como indícios de presunção de omissão de receitas os empréstimos e adiantamentos que, segundo a acusação fiscal, teriam se prestado a evitar a configuração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. (Acórdão nº 1101001.093, sessão de julgamento de 09 de abril de 2014) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social Fl. 372DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 15 14 COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. (Acórdão nº 1101001.158, sessão de julgamento de 31 de julho de 2014). Traço comum dos litígios em referência é a prova produzida pela Fiscalização em favor da confusão patrimonial e da ausência de autonomia entre as pessoas jurídicas, evidenciando um único empreendimento formalmente dividido com vistas, apenas, a usufruir das isenções conferidas aos beneficiários do sistema simplificado de recolhimentos. No presente caso, a representação fiscal para exclusão da contribuinte do SIMPLES também se reporta a simulação para segmentação de atividades/faturamento. Inicialmente aponta a existência de documentação anexa, onde se observa a designação de “GRUPO IDUGEL”, possivelmente reportandose ao papel timbrado usado por Idugel Industrial Ltda, que ao lado da designação desta pessoa jurídica traz o logotipo do grupo (fl. 11), o mesmo se verificando no demonstrativo consolidado de salários dos empregados de pessoas jurídicas do grupo à fl. 81. A autoridade fiscal indica as pessoas jurídicas integrantes do grupo (Idugel Industrial Ltda, J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME), descrevendo seu endereço, objeto social, data de opção pelo SIMPLES e informações sobre o número de empregados. Na seqüência, discorre sobre as características da composição societária do grupo, enfatizando a administração das três pessoas jurídicas, por procuração, pelo casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann (que também são sócios e administradores de Idugel Industrial Ltda), e relatando a atuação dos demais familiares: Elita Schimidtz Schazmann (mãe de José Schazmann, sócia administradora da fiscalizada e antiga sócia administradora de KF Montagens Industriais Ltda ME); Claudia Schazmann Perottoni (irmã de José Schazmann e sócia administradora da autuada); Felipe Marques Schazmann (filho de José Schazmann e sócio administrador de KF Montagens Industriais Ltda ME); e Karinne Marques Schazmann (filha de José Schazmann e sócia cotista de KF Montagens Industriais Ltda ME). Os quadros abaixo demonstram as alterações da composição societária das pessoas jurídicas do grupo empresarial: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 16 15 Para afirmar que as três pessoas jurídicas constituem uma única empresa, a autoridade lançadora consigna que: · As três pessoas jurídicas ocupariam o mesmo imóvel, situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, pois este é o endereço declarado por Idugel Industrial Ltda e JS Máquinas Ltda ME, enquanto o endereço declarado por KF Montagens Industriais Ltda ME é o endereço residencial das sócias da fiscalizada. Todavia, a autoridade fiscal nada menciona acerca das instalações físicas deste imóvel, e não infirma a possibilidade de naquele mesmo espaço físico Idugel Industrial Ltda estar encarregada de projetos, comércio, montagem e manutenção das máquinas e equipamentos, restando à J.S. Máquinas Ltda ME a fabricação propriamente dita dos equipamentos, ou de partes deles, e à KF Montagens Industrias Ltda ME a prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda para instalação dos equipamentos fora do estabelecimento industrial; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 17 16 · A fiscalizada atuaria basicamente como empresa de cessão de mãode obra para Idugel Industrial Ltda, pois embora o objeto social de JS Máquinas Ltda ME seja fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas, as duas pessoas jurídicas ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Como dito, a ocupação do mesmo espaço físico é afirmada pela Fiscalização apenas em razão da identidade de endereço. Não há qualquer descrição de diligência no estabelecimento em referência, ou termo lavrado neste sentido, para investigação acerca das atividades exercidas pela mãodeobra contratada ou da logística dos materiais, com vistas a afirmar que José Schazmann e Silvana Marques Schazmann estariam administrando uma atividade empresarial única em razão da confusão operacional entre elas; · A tomadora de mãodeobra – IDUGEL , que não é optante pelo SIMPLES, teve, por exemplo, em 2007, dois empregados registrados em seu nome, e concentrou praticamente todo o faturamento de vendas. Porém, nada impediria que Idugel Industrial Ltda se responsabilizasse apenas pelo projeto e comércio dos equipamentos, desde que seus empregados e suas instalações físicas estivessem efetivamente destinadas a estas atividades, e houvesse contratação formal e material de JS Máquinas Ltda ME para a produção dos equipamentos projetados e vendidos, atividade a ser realizada em instalações específicas do imóvel compartilhado pelas duas pessoas jurídicas, com seus próprios empregados, mormente tendo em conta que a fiscalizada teria como sócias pessoas distintas dos sócios de Idugel Industrial Ltda. Necessário seria que houvesse simulação na composição do quadro social da fiscalizada, distribuição informal de receitas contratadas com clientes por apenas uma das pessoas jurídicas, ou descompasso na distribuição entre as pessoas jurídicas da remuneração contratualmente fixada, tendo em conta a natureza dos serviços que cada ente prestaria; · Os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc...) atendem as duas empresas. Ocorre que para demonstrar esta prática, a Fiscalização se reportou a demonstrativos de pagamento de folha de salário, juntados às fls. 75/81, nos quais apenas se observa a utilização da mesma máscara para o relatório, com substituição da marca de cada pessoa jurídica, além de um relatório consolidando os resultados das três pessoas jurídicas. Não há sequer a individualização dos empregados destes setores administrativos, subsistindo a possibilidade de os relatórios terem sido produzidos de forma padronizada por uma mesma pessoa jurídica em favor da qual foram terceirizadas estas atividades; · Além das pessoas jurídicas funcionarem num mesmo estabelecimento, os empregados usam uniforme contendo a descrição “GRUPO IDUGEL”, trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A indicação do logotipo do grupo empresarial no uniforme, entretanto, é apenas um indício de eventual confusão operacional entre as pessoas jurídicas. Como dito, nenhum elemento foi trazido aos autos demonstrando a impossibilidade de Idugel Industrial Ltda ter operado com apenas dois ou três empregados para executar o projeto e o comércio dos equipamentos, ou a atuação dos empregados de JS Máquinas Ltda em favor de outra pessoa jurídica ou em suas instalações. A localização das duas pessoas jurídicas no mesmo imóvel e a administração das três sociedades pelas mesmas pessoas físicas são aspectos formais que podem indicar irregularidades, mas estas devem ser materializadas com provas, ou ao menos indícios consistentes e convergentes, colhidos das instalações físicas, da atividade operacional e da gerência efetiva da atividade empresária; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 18 17 · A escrituração contábil das pessoas jurídicas revela vários pagamentos “cruzados” ferindo o princípio contábil da “Entidade”, ou seja, quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recurso da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias. Ademais, os pagamentos foram autorizados por Silvana Marques Schazmann. Porém, os elementos juntados à acusação fiscal, com datas do ano de 2007, apenas refletem as operações em si, e não ensejaram qualquer questionamento às empresas do grupo acerca da solução adotada para adequação dos saldos bancários das pessoas jurídicas, sendo certo que os registros contábeis, na parte em que evidenciados, apontavam a baixa de disponibilidades pela pessoa jurídica que implementou o pagamento, e nada foi esclarecido acerca da forma contábil adotada para registro da despesa ou do ativo vinculado a tais pagamentos, que deveria se dar na pessoa jurídica que promoveu sua aquisição/contratação ou incorreu no tributo devido. Vejase: o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de JS Máquinas Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/87); o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” e “FGTS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/92 e 98/99); o Relação de lançamentos a débito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de boletos bancários tendo Idugel Industrial Ltda como sacado, e debitados em conta bancária de KF Montagens Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 82 e 93/97); o Relação de valestransporte e valesrefeição de empregados vinculados a J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME, pagos com cheque emitido por Idugel Industrial Ltda (fls. 101/106); o Aquisição de material por Idugel Industrial Ltda debitada em conta bancária de J.S. Máquinas Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 107/109); o Pagamento de boleto bancário tendo como sacado J.S. Máquinas Ltda ME, debitado em conta bancária de Idugel Industrial Ltda com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 110/111); e o Pagamento de nota fiscal de aquisição de uniformes e correspondente boleto bancário tendo como sacado Idugel Industrial Ltda, debitado em conta bancária de KF Montagens Industriais Ltda (fls. 112/114). Fl. 376DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 19 18 · Não há preocupação de justificar contabilmente, de forma correta, tais registros, ou seja, a empresa que faz os pagamentos contabiliza as saídas na conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa”. A empresa que tem suas contas pagas simplesmente contabiliza esses valores como saídas da conta “Caixa”. Contudo, estas ocorrências apenas revelam o uso do “Caixa Flutuante”, prática por meio da qual todos os valores movimentados em Bancos transitam por conta Caixa. Inexistiria qualquer irregularidade se, depois de contabilizar um pagamento de outra empresa do grupo mediante débito de “Caixa” e crédito de “Bancos”, a pessoa jurídica registrasse outro lançamento creditando “Caixa” e debitando “Créditos com pessoas ligadas”, representativo do direito que passou a deter ao destinar suas disponibilidades ao pagamento de dívida de outra pessoa jurídica. Logo, os registros apontados pela Fiscalização não se prestam a comprometer de forma irremediável a escrituração contábil apresentada; · Idugel Industrial Ltda é a responsável por praticamente toda a atividade gerencial/industrial do “grupo”, compreendendo as aquisições de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia, etc. As empresa J.S. e K.F. são meras fornecedoras de mão deobra, e todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação de máquinas a cargo da empresa KF. O único elemento que aparenta ter correlação com esta acusação é a nota fiscal emitida por KF Montagens Industriais Ltda por prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda, no valor de R$ 48.000,00, em 30/04/2008, juntada à fl. 115. Para além disso, a autoridade fiscal se limita a elaborar quadros com a relação custo x receita e receita por empregado, de 2003 a 2007, para demonstrar a concentração de receitas e custos em Idugel Industrial Ltda, e de empregados em J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME. Como já dito, não houve qualquer investigação acerca da logística destes materiais, das relações contratuais entre as pessoas jurídicas do grupo, e da forma de prestação de serviço pelos empregados, para materializar as suspeitas advindas do objeto social das pessoas jurídicas, do endereço por elas adotados, da designação de seus administradores, e dos quantitativos de receitas, custos e número de empregados. A conclusão fiscal, diante destes fatos, é de que houve simulação para fracionamento da atividade e o faturamento, hábil a ensejar a exclusão da fiscalizada do Simples para que os resultados por ela declarados não fossem beneficiados com o tratamento diferenciado conferido por aquela sistemática de recolhimento. Em paralelo, afirmase também que a atividade de cessão ou locação de mãodeobra também impediria a permanência da contribuinte no Simples Federal. O ato de exclusão faz referência às constatações consolidadas no Parecer SACAT nº 316/2008. Neste documento algumas acusações recebem nova abordagem: · O Grupo Idugel constituiria uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no Simples Federal, sendo que Idugel Industrial Ltda beneficiouse indevidamente por acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Contudo, em momento algum a autoridade fiscal demonstrou que o faturamento do grupo superaria o limite para permanência no Simples Federal. Os quadros comparativos de receitas, custos e empregados apresentam totais anuais, mas não são correlacionados com os limites de faturamento estipulados para cada anocalendário, dado que Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 20 19 sua elaboração não tinha este objetivo. Demais disso há ao menos uma evidência de nota fiscal de prestação de serviços emitida por KF Montagens Ltda ME em favor de Idugel Industrial Ltda, a exigir a exclusão destas operações recíprocas para se aferir o volume real de receita do grupo. · J.S. Máquinas Ltda, a partir de determinado momento teria perdido, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda, assumindo existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, de inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda. Mas, além de a representação fiscal para exclusão não ter sido acompanhada de provas desta alegada existência meramente formal da fiscalizada, não houve investigação para demonstrar que as sócias administradoras de JS Máquinas Ltda ME seriam interpostas pessoas, sem qualquer participação na sociedade, a evidenciar que os administradores da pessoa jurídica por procuração (José Schazmann e Silvana Marques Schazmann) seriam, em verdade, seus sócios de fato ou, nas palavras do mencionado Parecer, seus sócios verdadeiros; · As alterações societárias se prestaram a submeter o controle administrativo da fiscalizada ao casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, bem como a alterar o endereço de J.S. Máquinas Ltda ME, que deixou de ter sede própria em 22/09/97 para adotar o mesmo endereço de Idugel Industrial Ltda, com indicação em blocos diferentes do mesmo imóvel, sendo esta uma pequena diferença, apenas formal. Como já demonstrado, além de a Fiscalização não ter infirmado a divisão em blocos do imóvel ocupado pelas pessoas jurídicas, também não houve qualquer prova de que o mencionado controle administrativo por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann seria absoluto, sem prestação de contas às sócias administradoras da fiscalizada, que lhes outorgaram procuração para gerir a J.S. Máquinas Ltda; · Ainda que exercesse atividade econômica autônoma a fiscalizada apenas forneceria mãodeobra a Idugel Industrial Ltda, dado que os gastos de JS Máquinas Ltda ME com insumos não justificam – por serem irrisórios comparados aos da Idugel – o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Ocorre que não há, nos autos, qualquer intimação dirigida à fiscalizada exigindo esclarecimentos acerca das atividades por ela exercidas, ou de suas relações comerciais com Idugel Industrial Ltda, de modo que as incompatibilidades aventadas são apenas inferências a partir dos valores escriturados, motivadas em razão da administração das sociedades pelas mesmas pessoas. Não é possível declarar gastos com mãodeobra incompatíveis com o faturamento, nem afirmar que houve locação ou cessão de mãodeobra sem avaliar, documentalmente ou no plano fático, qual a atividade exercida pelas pessoas jurídicas e a forma como ela se processou; e · A exclusão deveria operar efeitos desde janeiro/2003, dado que as vedações tratadas no art. 14, inciso IV, da Lei nº 9.317/96 (interposição de pessoas no quadro social) e no art. 9o, inciso XII, alínea “f”, da mesma lei (locação ou cessão de mãodeobra) estariam demonstradas nos autos, em especial nos quadros comparativos de receita, custos e gastos com mãodeobra. Contudo, por tudo antes exposto, as evidências reunidas não são suficientes para caracterizar a interposição de pessoas no quadro social, ou mesmo que as Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 21 20 atividades da fiscalizada pudessem caracterizar locação ou cessão de mãodeobra, verificando se idêntica situação em todos os períodos investigados, desde 2003. Acrescentese que ao prosseguir na análise do litígio formado a partir desta exclusão, examinando as exigências tributárias daí decorrentes, constatouse a referência ao procedimento fiscal descrito nos autos do processo administrativo nº 10925.000023/200992, no qual foram formalizadas exigências de contribuições previdenciárias já apreciadas pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento. No Relatório Fiscal lavrado naqueles autos foram identificadas algumas diligências aqui não relatadas, anteriores à representação fiscal para exclusão. Vejase: No dia 04 de março de 2008, em cumprimento ao Mandato de Procedimento Fiscal — MPF n° 0920300.2008.00160, na presença da Sra. Silvana Marques Schazmann e através da ciência do Sr. José Schazmann no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (fls.75, 76) iniciouse a ação fiscal no contribuinte IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. Durante essa visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social — GFIP, informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo ?' descrição "GRUPO IDUGEL". Foram observados também na recepção do estabelecimento ,, do fiscalizado, "banners", quadros . com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. Questionado o Sr. José Schazmann sobre a existência de outras empresas de sua propriedade, foi informado à fiscalização que havia, além da IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, as empresas J.S. MÁQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Foi solicitado o nome completo das empresas e o número do CNPJ e informado ao Sr. José Schazmann que ambas seriam fiscalizadas. [...] Em atendimento ao TIAF, o fiscalizado apresentou parcialmente os documentos discriminados, com destaque para os arquivos magnéticos conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 77 a 81). Os documentos solicitados foram apresentados pelo escritório de contabilidade CONTASSESC CONTABILIDADE E ASSESSORIA, com sede a Rua Getúlio Vargas 835, Centro Joaçaba/SC, contratado pelo contribuinte para a execução de sua escrita fiscal. A fiscalização foi atendida pelo Sr. Tiago, sendo este o contato para esclarecimento de todas as questões relativas à fiscalização. Foi informado à fiscalização que todas a empresas pertencentes ao "GRUPO IDUGEL" haviam sido recém incorporadas a carteira de clientes do escritório, sendo que até a competência de agosto de 2007 elas eram atendidas pelo escritório de contabilidade GABARITO ASSESSORIA CONTÁBIL, com sede a Rua 13 de Maio, 11, sala 19, Centro, Joaçaba/SC. Em razão disso, alguns documentos não puderam ser disponibilizados de imediato, pois ainda encontravamse de posse do antigo escritório de contabilidade. Posteriormente a fiscalização iniciou a análise dos documentos que deram origem à escrita contábil dos contribuintes (IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, KF Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 22 21 MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME e J.S. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ME), sendo disponibilizados na sede do fiscalizado. 4.2 TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS — TIAD DE 27/06/2008 Por meio do TIAD de 2710612008 (fis. 82) intimamos o contribuinte a fornecer cópia da procuração com cessão de poderes para José Schazmann e Silvana Marques Schazmann. Tal solicitação teve como objetivo comprovar de forma clara e objetiva que a empresa fiscalizada na verdade é administrada de forma direta pelos proprietários da empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA., constatação já evidenciada pela análise da documentação contábil apresentada pelo contribuinte. Constatase do assim exposto que a autoridade fiscal promoveu diligências ao estabelecimento da fiscalizada, e lá colheu as impressões acerca do uniforme usado pelos empregados (aqui citada), além da identificação comum das empresas, que não foi ressaltada na acusação aqui produzida. Observase, também, que nenhuma contestação foi objetivamente apresentada acerca da divisão do imóvel em blocos, para complementar a afirmação posterior de que ela seria apenas formal. Ou seja, não foram descritas as atividades exercidas no imóvel, os empregados nelas alocados e seus vínculos empregatícios, a forma de supervisão de seu trabalho, etc. Quanto às atividades administrativas, surgem as referências à terceirização antes cogitada. E, no que tange à administração das pessoas jurídicas por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, confirmase que a investigação resumiuse à outorga de poderes pelas sócias da fiscalizada, sem qualquer questionamento acerca da efetiva atuação destas como sócias, para suportar a acusação de que elas seriam interpostas pessoas. A ausência das provas referidas neste voto impede que, neste julgamento, sejam refutadas as justificativas apresentadas na defesa, especialmente que: · O interesse do grupo familiar em termos societários e operacional em fracionar a cadeia produtiva, aproveitando o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente: não houve qualquer questionamento dirigido aos administradores ou aos sócios das pessoas jurídicas envolvidas perquirindo as razões comerciais para o fracionamento das atividades, e a Fiscalização não as infirmou para prevalência da motivação tributária; · A experiência profissional de José Schazmann e sua esposa para administrar em Idugel Industrial Ltda os projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (know how), bem como as atividades delegadas à diversas outras empresas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas): não foram investigadas as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo e entre elas, seus fornecedores, clientes e parceiros, para assim reunir evidências de confusão operacional; · A participação financeira, visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, em favor daqueles que são sócios de JS Máquinas Ltda ME e KF Montagens Ltda ME: não foi questionado a formação do capital social das pessoas jurídicas que teriam sido Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 23 22 supostamente constituídas por interpostas pessoas, nem eventual desproporção entre sua participação nos lucros e a remuneração dos administradores; · A recorrente seria responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva: não há, nos autos, registros da atividade operacional da fiscalizada, dos insumos por ela adquiridos, das receitas por ela registradas, dos contratos por ela firmados, das funções exercidas por seus empregados; · Seria perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores: sem a demonstração de como se processaram as atividades e as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo empresarial, não há como dizer que as atividades não estavam separadas, e que seu resultado era partilhado na proporção da participação financeira e do trabalho dos sócios e administradores; · As sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, tendo legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas: a outorga de procuração para que outrem administre a sociedade não permite que se classifique os integrantes do quadro social como interpostas pessoas. A condição de sócio pressupõe capacidade financeira para formação do capital social da pessoa jurídica, da qual resultará a pretensão de auferir lucros, que podem ser acompanhados de pro labore mensal, caso os sócios também exerçam atividades em favor da pessoa jurídica, isto para além de demandar a prestação de contas por parte daqueles a quem conferiu poderes para administrar a pessoa jurídica. Nenhuma destas circunstâncias foi infirmada durante o procedimento fiscal; · ...há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, consoante atesta a cópia da planta do imóvel, a instalação de sistemas de alarmes e a certificação municipal neste sentido: a autoridade fiscal apenas afirma que a divisão do imóvel é meramente formal e nada traz aos autos para fundamentar sua constatação; · A empresa Idugel detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 24 23 delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo: como o comparativo entre receitas, custos e mãode obra teve em conta apenas os totais anuais registrados por cada pessoa jurídica, não há como afastar a possibilidade de as anormalidades aventadas pela Fiscalização decorrerem, apenas, da natureza das atividades exercidas por cada uma das pessoas jurídicas; e · Houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel: como antes demonstrado, sem a investigação acerca da forma de escrituração da despesa ou dos ativos pagos por outra empresa do grupo, não há como afastar a possibilidade de que este registro tenha sido feito em contrapartida a empréstimos. Relevante frisar que não se admite, aqui, a ampla liberdade para a formação de empresas por grupo de familiares, bem como para a alegada terceirização que teria ocorrido no caso em tela. A sistemática simplificada de recolhimentos confere isenções significativas para as empresas de baixo faturamento, e para todas as beneficiárias no âmbito previdenciário. Por esta razão, há limites de faturamento para opção, e esta é vedada à pessoa jurídica que resulte de qualquer desmembramento de outra pessoa jurídica, bem como a pessoas jurídicas em cujo quadro societário conste titular de participação em outra pessoa jurídica também optante, além de restrições a atividades que apresentam alta incidência previdenciária. Assim, a formação de empresas por grupos familiares e a terceirização de operações pode se prestar como meio para auferir as vantagens que a lei não conferiu a determinadas atividades, e a prova da simulação em tais circunstâncias é suficiente para a prática dos atos administrativos de exclusão e lançamento, independentemente do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. A atuação das três pessoas jurídicas no mesmo ramo de atividades, operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócio são indícios sérios de que vantagens tributárias ilícitas poderiam ser auferidas pelo grupo, porém a acusação de simulação não pode estar suportada, apenas, por inferências que sequer constituem presunções simples. Assim, uma vez demonstrado que não há, nos autos, provas que suportem a acusação de ilicitude da estruturação societária, operacional e comercial adotada pelo grupo familiar, não pode subsistir o ato de exclusão do Simples Federal. Irrelevante, assim, se a argumentação subsidiária acerca da prática de locação de mãodeobra pela fiscalizada seria incompatível com a acusação principal que pretendeu anular a existência da empresa JS, ou se outro conceito deve ser atribuído às atividades de locação de mãodeobra, vez que nenhuma das irregularidades aventadas no ato de exclusão podem sustentálo. Desnecessário, também, apreciar a argüição de decadência do direito de o Fisco questionar a constituição da pessoa jurídica fiscalizada, ou a postergação dos efeitos da exclusão em razão da constatação, apenas em 2008, das irregularidades aqui abordadas. Impróprio, ainda, discutir o efeito confiscatório da exigência retroativa dos créditos tributários, na medida em o litígio, aqui, limitase à exclusão da contribuinte do Simples Federal. O mesmo se diga acerca da extensa abordagem em favor da existência de vício formal no ato administrativo de lançamento, e de cerceamento ao direito de defesa em razão das intimações que lhe foram dirigidas quando ainda pendentes de apreciação as impugnações interpostas contra os atos de exclusão, bem como de nulidade por ausência de prévia revisão de ofício do lançamento e de decadência de parte da exigência de contribuições previdenciárias. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002073/200823 Acórdão n.º 1101001.243 S1C1T1 Fl. 25 24 Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o ato de exclusão do Simples Federal. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13770.000801/2003-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diiligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 737 1 736 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.000801/200357 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.335 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de fevereiro de 2015 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente RIO DOCE CAFE S.A IMP E EXP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diiligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Tratase no presente processo de exame da declaração de compensação (Dcomp) apresentada pelo interessado anteriormente identificado (fl. 15), por intermédio da qual se pleiteia o reconhecimento da existência de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, apurados segundo o regime de incidência nãocumulativa da contribuição (total: R$ 27.757,05), referentes ao período de apuração de novembro de 2003 (PA 1112003), conforme expresso no Demonstrativo "Créditos da Contribuição para o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 80 1/ 20 03 -5 7 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 738 2 PIS/PASEP" de fl. 01, a serem compensados com debito do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJEstimativa) e da contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), ambos do período de apuração de dezembro de 2003 (PA 12/2003), respectivamente, nos valores de R$ 25.985,53 e R$ 1.771,52. 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vit6riia/ES (DRF/VIT/ES) exarou 0 Parecer SEORT/DRF/VIT n° 2.178/2008 e Despacho Decis6rio (fls. 104/118), não reconhecendo 0 direito creditório pleiteado pelo interessado, e também não homologando a compensação efetuada mediante a declaração de compensação de fl. 15, sob os seguintes fundamentos: • no intuito de verificar as informações prestadas pelo contribuinte, foi instaurado procedimento de diligencia fiscal, ocasião na qual intimouse o requerente a disponibilizar para consulta a sua escrituração contábil e fiscal e a apresentar diversos documentos, dentre os quais o demonstrativo analítico de apuração do PIS nãocumulativo referente ao mês de novembro de 2003 (fls. 32/34 e 39); • O requerente tem por objeto social (art. 3° do Estatuto Social, fl. 05) e registra no CNPJ atividade que se refere ao comercio atacadista de café, com vendas no mercado interno e externo, sendo que, em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2003, sujeitase a empresa ao regime de incidência não cumulativa da contribuição para 0 PIS/Pasep; • e inadmissível a apropriação de créditos do PIS/Pasep nãocumulativo, no que toca as compras de cometedores em situações de inatividade, ou que se encontram omissos na apresentação de suas declarações de rendimentos a Receita Federal do Brasil (RFB), ou, ainda, que, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada e totalmente incompatível com 0 valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o requerente (cf. consulta aos sistemas informatizados da RFB as fls. 791100); • 75% das compras analisadas foram efetuadas de fornecedores que se enquadram nas situações acima descritas, não sendo portanto exceção e sim a regra as compras de café do interessado junto a pessoas jurídicas em situação incompatível com as transações informadas (a Tabela a ft. 101 apresenta as compras dos fornecedores irregulares); • 0 principio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3°, II, da CF/88 ("não obstante referirse ao IPI, sem sombra de duvida e 0 paradigma adotado para est a novel roupagem das contribuições sociais PIS/COFINS"), estabelece a condensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior, sendo portanto, irrefragável a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, e condição sine qua non para a admissão do creditamento; • como na hip6tese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário (na operação anterior), não ha razoabilidade em se Fl. 738DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 739 3 admitir o reconhecimento do direito credit6rio, motivo pelo qual foi providenciada a relação nominal dos fornecedores (Tabela do Parecer Fiscal, v. fl. 111) que se encontram nas situações descritas e respectivos valores de vendas, bem como promovida a glosa pertinente, conforme (outra) Tabela à fl. 103; • em prosseguimento, observouse também que, não obstante parcela das aquisições do contribuinte tenham sido feitas com o fim especifico de exportação, na condição de comercial exportadora (notas fiscais arroladas no demonstrativo de fl. 102, cujas c6pias constam das fls. 68178), não comportando, portanto, o aproveitamento pelo interessado dos créditos referentes a tais aquisições (cf. art. 50III, da Lei n" 10.637/2002, c/c 0 § 2°, II, do art. 3° da mesma Lei n° 10.637/2002, introduzido pela Lei n" 10.86512004), o cotejo do demonstrativo de apuração do PIS para o mês de novembro de 2003, apresentado a fiscalização (fl. 39), com os livros fiscais revela que a empresa apurou créditos sobre a totalidade dos bens adquiridos para revenda, motivo pelo qual aqueles valores referentes aos bens adquiridos para revenda, com 0 fim especifico de exportação (demonstrativo a fl. 102), foram afastados da apuração do credito a descontar; • as aquisições de bens de terceiros com fins específicos de exportação não dão direito a credito, haja vista não se sujeitarem ao pagamento da contribuição para o PIS, isto e, não estarem no campo de incidência de tal contribuição; • uma vez que o fornecedor da mercadoria, ao efetuar a venda com 0 fim especifico de exportação, deu saída sem a incidência da contribuição e com a manutenção do credito, efetivar um direito a novo credito ao adquirente da mercadoria implicaria a geração de créditos sem causa; • tendo a Lei n° 10.637/2002 definido que se trata, na espécie, de não incidência do PIS sobre as vendas com fins específicos para exportação, não se aplica a Solução de Divergência Cosit n° OS/2008, cuja conclusão versa sobre as aquisições com alíquota zero ou isentas; • ainda em prosseguimento, os gastos com armazenagem, bem como os dispêndios com "fretes sobre vendas" (estes últimos registrados na conta 3.2.01.01.0005), respectivamente, nos montantes de R$ 7.225,23 e R$ 48.546,09, foram excluídos do calculo dos créditos do mês de novembrol2003, já que tais gastos somente passaram a dar direito ao desconto de credito do PIS nãocumulativo com 0 advento da Lei n° 10.833/2003 (art. 3°, IX), que instituiu a COFINS nãocumulativa, sendo que a extensão dessa norma para o PIS, ocorrida por forca do art. 15 da citada Lei, somente passou a produzir efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004 (cf. art. 93, I); • As despesas comerciais com combustíveis (registradas na conta "3.2.01.01.0054 Despesa c/ CaminhoesCombustivel", v. fl. 39) também foram afastadas da base de calculo do credito da contribuição para 0 PIS/Pasep, já que, nos termos do art. 3° da Lei n'' 10.63712002 c/c art. 66, § 5°, I, da IN SRF n° 24712002, introduzido pela IN SRF n° 358/2003, a Fl. 739DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 740 4 aquisição de combustíveis gera direito a credito somente se aplicado diretamente como insumo no processo produtivo, não sendo suficiente, para que haja direito a credito, apenas a comprovação de que tenham sido adquiridos combustíveis e lubrificantes, conforme corroborado pela Solução de Consulta SRRF/6a RF/Disit n 111, de 20/04/2005; • Como não houve previsão nos incisos do caput do art. 3° da Lei n 10.637/2002, e por não se enquadrarem no conceito de insumo, as despesas comerciais com comissões pagas a pessoas jurídicas (registrados na conta 3.2.01.01.0007, v. fls. 39 e 61) foram excluídas do calculo dos créditos do PIS; • Os exames efetuados nos Livros Fiscais (Razão e Registro de Saídas) não apontaram irregularidades quanto ao valor da base de calculo e ao valor da contribuição, apurados pelo interessado (v. fls. 39 e 103); • Partindose das premissas advindas da leitura do art. 5°, § 1°, da Lei n° 10.637/2002 e do art. 1° da IN SRF n" 291, de 03/0212003, de que 0 credito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições e 0 apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com 0 fim especifico de exportação, elaborouse 0 "Demonstrativo de Calculo dos Créditos a Descontar" de fl. 103, no qual estão discriminados todos os ajustes procedidos nas bases de calculo dos créditos, e a partir do qual o credito total disponível no mês vinculado ao mercado interno alcançou a cifra de R$ 4.645,39, e R$ 44.209,43 vinculado ao mercado externo (rateio com base na proporção da receita bruta com direito a credito, v. fl. 103); • Procedeuse, então, a utilização dos créditos na dedução do debito do PIS apurado no mês de novembro de 2003 (R$ 54.962,99), utilizados primeiramente os créditos atrelados ao mercado interno, e, posteriormente, os créditos vinculados ao mercado externo; no entanto, os créditos no valor de R$ 48.854,82 foram insuficientes para cobrir os valores devidos do PIS (R$ 54.962,99), restando, pois, PIS a pagar no valor de R$ 6.108,17, não se reconhecendo, nesses termos, qualquer direito creditório em favor do interessado, e também não se homologando a compensação apresentada no formulário a fl. 15. 3 Cientificado pessoalmente da decisão da autoridade administrativa local, acima mencionada, em 29109/2008 (v. fls. 125/126), 0 contribuinte, irresignado, apresentou, em 20/10/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls, 128/158 e demais documentos a ela anexados as fls. 159/171 (procuração, fl. 159; copia dos documentos de identidade dos procuradores da empresa, fl. 160; atas, fls. 1611163; copia do razão contábil da conta fornecedores de: "J G Gomes"; "São Jorge Com. Imp. e Exp. Ltda."; "Mercantil Crizol Comercio de Cereais Ltda."; "Comercial de Café Arábica Ltda"; e comprovantes de pagamento TED/DOC, fls. 164/171), alegando, em síntese, que: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 741 5 a) o recorrente tem como objetivo social a compra de café em grão cru, adquirido de empresas comerciais, cerealistas e cooperativas de produtores rurais, bem como a venda desse produto no mercado interno e externo, e, como tal, esta sujeita ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real e, por forca da legislação, deve apurar 0 PIS pelo regime nãocumulativo, descontando, todavia, os créditos calculados em relação as suas aquisições; b) as limitações ao creditamento da contribuição ao PIS não podem acarretar, todavia, tratamento fiscal diferenciado a contribuintes que estejam na mesma situação, consoante 0 principio da isonomia (arts. 5° e 150, inciso II, da CF/88); c) verificase do art. 3° da Lei n" 10.63712002 que as alterações restringindo o aproveitamento de alguns tipos de créditos surgiram apenas com 0 advento da Lei n° 10.865/2004, ou, mais precisamente, em 01/08/2004; ou seja, anteriormente, na hipótese do recorrente, os créditos eram possíveis sobre todos os bens adquiridos para revenda, bem como todos os outros inseridos no referido art. 3° da Lei n? 10.637/2002, inclusive as aquisições de mercadorias com 0 fim especifico de exportação, e, sendo assim, já que a base para a apropriação e o aproveitamento dos créditos foi a sistemática da Lei n° 10.637/2002, não se pode impor a aplicação de lei de 2004; d) podese provar também essa argumentação a partir de uma interpretação, a contrario sensu, do § 2° do artigo 7° da Lei n° 10.637/2002, pelo qual a empresa comercial exportadora, que tenha adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica com o fim especifico de exportação para 0 exterior, caso não comprove em 180 dias a efetiva exportação dos bens ou serviços relacionados, será obrigada ao pagamento de todos os tributos, bem como lhe será vedada a utilização dos créditos de COFINS e de PIS decorrentes das aquisições referidas, e, sendo assim, a exportadora perde 0 credito apenas quando se enquadrar nas disposições dessa norma restritiva, concluindose, portanto, que existia, no sistema inaugurado pela MP n° 6612002 e pela Lei n° 10.637/2002, a hipótese de apropriação de créditos em situações de aquisição de mercadorias de outra pessoa jurídica, com 0 fim especifico de exportação para 0 exterior; e) devese ressaltar ainda que 0 art. 17 da Lei n° 11.033/2004 disp5e que as vendas efetuadas com a suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, sendo que, posteriormente, a Lei n° 11.11612005, em seu art. 16, possibilita, na hip6tese do art. 17 da Lei n° 11.03312004, que o saldo credor de PIS e COFINS, apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados it receita das vendas sem incidência da contribuição, poderá ser compensado com débitos próprios da pessoa jurídica relativos a outros tributos e contribuições, e, portanto, toda a sistemática da nãocumulatividade do PIS e também da COFINS esta assentada na permissão de que compras e a prestação de serviços, mesmo que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e COFINS, geram créditos; Fl. 741DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 742 6 f) já com relação it glosa de créditos, oriunda das aquisições de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada, o recorrente não pode ser prejudicado pela omissão do fisco, uma vez que não tem o poder de fiscalizar, e não possui instrumentos legais para saber se 0 seu fornecedor de café pagou ou não a Contribuição para 0 PIS/Pasep; g) 0 recorrente realiza pagamentos aos seus fornecedores, somente via deposito bancário ou via TED/DOC, diretamente aos emitentes das notas fiscais (docs. 04 às fls. 164/171), e sua escrituração contábil e fiscal obedece as normas exigidas pela legislação, tendo agido, assim, de boafé; h) no Direito Tributario, o que confere a pessoa jurídica e física a condição de contribuinte e o fato dessa possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (cf. art. 121, I, do CTN), e, se as empresas comercializam bens e serviços, sujeitos à incidência da contribuição para o PIS nãocumulativo, elas são contribuintes da exação, independentemente das receitas por elas auferidas terem sido declaradas ao fisco federal; i) uma vez comprovado que as notas fiscais relacionadas it fl. 111 (sic, querendo se referir, em verdade, it Tabela de fl. 111, que discrimina a relação de fornecedores do recorrente em situação de irregularidade junto a RFB, assim como valor de suas vendas ao recorrente no ano de 2003), classificadas como inid6neas para geração de credito, deram entrada física e efetiva das mercadorias no estabelecimento do requerente (conforme comprovado pelo fisco), contabilizadas dentro dos padrões legais, pagas através de deposito bancário, TED ou DOC direto ao emitente, temse como induvidosamente caracterizada a sua boafé, razão suficiente para conferirse plena legitimidade aos créditos de PIS aproveitados, encontrandose tal afirmativa amparada legalmente no paragrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96; j) no plano jurisprudencial, podese afirmar, sem qualquer vacilo, que 0 Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem posição definitiva acerca do assunto, firmada em inúmeras decisões judiciais, que asseguraram aos contribuintes do ICMS 0 direito ao credito fiscal inidôneo, sempre que estes conseguiram demonstrar que a compra e venda da mercadoria foi efetivamente realizada (cf. AgReg no Resp 290.227, DJ de 06/02/2006, p. 232; Resp 133.325, DJ de 25/1011999, p. 72), assim como 0 Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda tem decidido nesta mesma linha (cf. Acordão n" 202 15975, de 11111/2004, publ. no DOU em 04107/2006), sendo, portanto, inadmissível a glosa de créditos lançados pelo recorrente; k) voltandose novamente as compras com o fim especifico de exportação, efetivadas pelo recorrente na condição de sociedade comercial exportadora, fato e que 0 auditor fiscal, ao entender que as aquisições sob tal condição não comportariam 0 aproveitamento de créditos, fez retroagir os efeitos da Lei n° 10.865/2004, aplicandoa a fatos geradores ocorridos em novembro de 2003; Fl. 742DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 743 7 I) os arts. 66 e 67 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 247/2002, regulamentando 0 art. 3° da Lei n? 10.637/2002 (redação anterior as alterações trazidas pela Lei n" 10.86512004), permitia 0 aproveitamento de créditos sobre os bens adquiridos para a revenda, de pessoa jurídica domiciliada no Pais, e, ademais, os créditos vinculados a receita de exportação visam a incentivar as vendas para 0 mercado externo, proporcionando, assim, mais divisas para o Pais, bem como 0 ingresso de novas receitas; m) a 5ª Turma da DRJIRJOII examinou, recentemente, este caso no processo n° 11543.000511/200361, também do recorrente, em cujo Acordão n° 13 20.459 0 relator votou pela manutenção do credito sobre as mercadorias adquiridas com fins específicos de exportação, acompanhado por unanimidade; n) a Receita Federal do Brasil (RFB), analisando a questão a luz da técnica da nãocumulatividade, antes do advento da Lei n" 10.865/04, chegou a exarar 0 entendimento, expresso na Solução de Consulta n" 113, de 23/03/2004, e na Solução de Consulta n° 2, de 13/0112004 (ambas da Superintendência Regional da 2a Região Fiscal), no sentido de que "a pessoa jurídica terá direito ao desconto de credito relativo ao PIS/Pasep, decorrente da aquisição de matériaprima utilizada como insumo na fabricação de seus produtos, mesmo que não tenha havido a incidência da referida contribuição na operação de compra do insumo"; 0) a fiscalização tomou como base a Lei n° 10.865/2004 para glosar parte dos créditos do recorrente, porem, essa norma teve eficácia a partir de 01108/2004, e, em novembro de 2003, não existia lei impedindo 0 aproveitamento dos créditos; ao contrario, havia a IN SRF n° 24712002, permitindo o lançamento dos créditos como feito pelo recorrente; p) quanta à glosa que se refere aos gastos com armazenagem, frete, combustíveis e comissões, verificase, fazendo usa de conceitos econômicos, que os insumos, também denominados fatores de produção, transmutamse em todos os custos e despesas da empresa, e, portanto, os insumos constituemse em todos os custos e despesas suportados pela empresa em seu processo produtivo, motivo pelo qual, desse modo, os valores pagos a titulo de armazenagem, fretes, comissões, entre outros, são insumos utilizados na produção de seus produtos, possibilitando, todavia, o lançamento de credito de PIS sobre os mesmos; q) ademais, 0 recorrente enquadrase na redação do artigo 8°, § 6°, da Lei n° 10.925/2004, sendo, portanto, uma produtora em relação aos produtos classificados no c6digo 09.01 da NCM (café), uma vez que executa, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, e, sendo assim, são lícitos os créditos lançados pelo recorrente sobre os valores de armazenagem, fretes, combustíveis, comissões, etc., desconsiderados pela fiscalização, tendo em vista que são insumos Fl. 743DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 744 8 utilizados na prestação de serviços e na produção de seus produtos destinados à venda, e, altern. disso, todos foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais e suportados pelo comprador/requerente; r) corroborando este entendimento, visto que os insumos estão intrinsicamente ligados a produção (café), na Solução de Divergência n 15/2008, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação Cosit garantiu maior flexibilidade no desconto de créditos de PIS e COFINS; s) a própria Receita Federal, analisando a questão, exarou o entendimento expresso na Solução de Consulta n° 248, de 16110/2006, devendo, dessa forma, ser reformado o Parecer DRF/VIT/Seort n° 2.17812008, no que tange as glosas de créditos realizadas pelo auditor fiscal; t) a interpretação do auditor fiscal, que glosou parte dos créditos oriundos das aquisições com o fim especifico de exportação, com fundamento no inciso II, § 2°, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002, inserida pela Lei n° 10.865/2004, viola o art. 150, III, da CF188, e toda a legislação federal relativa ao assunto; u) a matéria veiculada no inciso II, § 2°, do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 não tem conteúdo de lei interpretativa (art. 106, I, do CTN), uma vez que não existia norma anterior a ser interpretada (não existia proibição semelhante a encontrada hoje no inciso II), e, neste caso, a nova redação introduzida pelo art. 37 da Lei n° 10.865/2004 e fato novo em nosso ordenamento jurídico, e, assim sendo, sua aplicação ocorre a partir da eficácia da Lei que o criou, ou seja, a partir de 01/08/2004; v) assim, invocando os princípios da irretroatividade, segurança jurídica, e, sobretudo, o principio da confiança na lei fiscal, que se traduz praticamente na possibilidade dada ao contribuinte de conhecer e computar os seus encargos tributários com base exclusivamente na lei, e insubsistente a glosa de créditos do recorrente; w) ademais, a função de interpretar leis e cometida a seus aplicadores, basicamente ao Poder Judiciário, que aplica as leis aos casos concretos submetidos it sua apreciação, de modo definitivo e com forca institucional, não podendo o Poder Executivo usurpar das funções do Poder Judiciário, impondo sua vontade imperial, incompatível com o Estado Democrático de Direito; x) além disso, baseada em orientação técnica do IBRACON, de 22/06/2004, através da Interpretação Técnica n 1, o recorrente, quando de suas aquisições (compras), contabilizou a debito de "PIS a Recuperar" (ativo), tendo como contrapartida a conta geradora do credito (estoque, mercadorias, insumos, despesas/custos), os créditos de PIS, depois de deduzidos os custos de aquisição das mercadorias e insumos, e, com essa sistemática, o valor dos estoques, custos e insumos estão deduzidos dos seus respectivos créditos, proporcionando, assim, um aumento na base de calculo do Imposto de Renda (IRPJ) e CSLL, quando da apuração do resultado; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 745 9 y) assim, caso seja mantida a glosa dos créditos conforme proposta pelo Auditor fiscal, que seja determinada a restituição dos valores pagos a titulo de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%) apurados, corrigidos monetariamente, uma vez que os referidos valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculos; z) em face das razoes aduzidas e para que produzam os efeitos estabelecidos no art. 151, III, do CTN, c/c os §§§ 9° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, requer 0 recorrente que: i) seja reformado 0 Despacho Decisório originado do Parecer DRF/VIT/Seort n° 2.178/2008, no que tange aos valores dos créditos não homologados, e cancelada a cobrança realizada com base em dita nãohomologação, uma vez que: i) as glosas dos créditos de PIS sobre as aquisições de pessoas jurídicas inativas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas são improcedentes, tendo em vista que as notas fiscais são idôneas, legíveis, e se encontram devidamente escrituradas e contabilizadas nos livros fiscais e contábeis do recorrente (fls. 39/65), além do que foram pagas através de depósitos, TED ou DOC ao emitente (docs. 04 às fls. 164/171); ii) a glosa sobre as compras de mercadorias com fim especifico de exportação e ilegal, pois foram adquiridas de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais, e os créditos foram lançados na forma dos arts. 66 e 67 da IN SRF n? 247/2002 e art. 3° da Lei n° 10.637/2002; iii) as glosas sobre os custos de armazenagens, fretes, comissões pagas a pessoas jurídicas e combustíveis são ilegais, tendo em vista que foram usados como insumos na produção e foram pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Pais (art . 66, "b", e 67, da IN SRF n" 247/2002 e art. 3° da Lei n" 10.63712002, c/c Solução de Divergência Cosit n° 1512008); iv) na hipótese de indeferimento dos pedidos acima, que sejam restituídas as quantias de IRPJ e CSLL, pagas sobre os créditos glosados pelo fisco, uma vez que foram inc1uidosna base de calculo dos mesmos. O acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2003 a 30/1112003 REGIME NAOCUMULATIVO. DIREITO DE CREDITO. AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. COMPROVAÇÃO. Somente as notas fiscais de venda emitidas por pessoas jurídicas não caracterizadas como inaptas, acompanhadas dos comprovantes de pagamentos a elas correspondentes e devidamente registradas na escrita contábilfiscal de terceiro interessado, produzem efeitos tributários em favor deste. PIS/PASEP. NAOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CREDITOS. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA Anteriormente a 10 janeiro de 2004, e permitido as empresas comerciais exportadoras aproveitarse dos créditos relativos aos insumos adquiridos com fim especifico de exportação, conforme se verifica nas disposições constantes do art. 6°, § 4°, combinado com 0 art. 15, III, todos da Lei n 10.833, de 2003, assim como dos arts. 1°, § 2°, e 8°, ambos da IN SRF n 379, de 30112/2003. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 746 10 PIS/PASEP. CREDITOS A DESCONTAR. INCIDENCIA NAOCUMULATIVA. Os gastos com armazenagem de mercadorias e com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de credito do PIS/Pasep não cumulativo a partir de 01/0212004. A aquisição de combustíveis gera direito a credito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo. Não da direito a credito o gasto com comissões, por não corresponderem a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de credito. PEDIDO DE Restituição/COMPENSAÇÃO Não compete a DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Verifico que a questão gira em torno da desconsideração das notas fiscais de aquisições feitas de empresas caracterizadas com inaptas que geraram a glosa de créditos por parte da fiscalização. O artigo 82 da Lei nº 9430/96 fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos, senão vejamos: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 747 11 Vêse, portanto, que a efetivação do pagamento do preço constante da nota fiscal, bem como o recebimento de bens pelo adquirente, são critérios objetivos a serem observados para a desconsideração jurídica dos documentos que ensejaram o crédito glosado nestes autos e que necessitam ser minuciosamente confirmados. Além disso, é importante realizar o cotejo destes itens (prova da entrega da mercadoria e prova do pagamento pela aquisição da mercadoria), com a declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, em termos de cronologia dos acontecimentos, já que isso pode ter influência direta na análise a ser proferida pelo por esta Turma. Destaco, inclusive, que existem situações em que a inaptidão de fornecedores se deu após as compras realizadas pela Recorrente e outras após a autuação. Além disso, parecem existir operações objeto de glosa que foram realizadas até mesmo antes da operação deflagrada pela Polícia Federal. Diante das dúvidas apontadas anteriormente, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, com relação a todos os créditos objeto da glosa, elaborar demonstrativo relacionando os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, assim como os comprovantes de pagamento do preço de aquisição das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais objeto de glosa, indicando as folhas dos autos em que constem referidas informações ou juntadoas; b) Informar a fiscalização conclusivamente (com cópias) quais as datas de publicação no DOU e a íntegra da decisão e respectiva fundamentação, quanto aos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos foram glosadas; c) Elaborar Demonstrativo em que conste, por operação, as datas das aquisições, dados das Notas Fiscais de aquisição que foram glosadas, data e endereço da entrega dos produtos adquiridos, data e forma de pagamento pela respectiva compra dos produtos, cotejando com a data de declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, se for o caso, ou então, manifestando sobre a condição do CNPJ nas datas das operações (CNPJ ativo ou inativo); e d) Elaborar Parecer Conclusivo especificamente quanto a Diligência realizada, bem como informando se a Recorrente consta da lista de empresas apontadas pelo Ministério Público Federal nas operações da Polícia Federal e se existem depoimentos dos dirigentes ou que citam os dirigentes da Recorrente; Em relação à glosa de insumos em razão da atividade de blend, também converto o julgamento em diligência para que unidade de origem providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente suas atividades, apontando a utilização dos insumos ora glosados na prestação de serviços; e Fl. 747DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000801/200357 Resolução nº 3202000.335 S3C2T2 Fl. 748 12 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização ou não dos insumos ora glosados na atividade da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 748DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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