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Numero do processo: 10183.723879/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos da pretensão fazendária.
FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta de recolhimento apurada com base em dados extraídos da contabilidade do contribuinte e chancelados por seu contador, rende ensejo ao lançamento das diferenças apuradas com os consectários do lançamento de ofício.
MULTAS.
Tratando-se de procedimento de ofício, no qual a espontaneidade do contribuinte foi excluída pelo termo de início de fiscalização, é inaplicável a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic, ainda que seu montante supere o patamar de 12% ao ano.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos da pretensão fazendária. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento apurada com base em dados extraídos da contabilidade do contribuinte e chancelados por seu contador, rende ensejo ao lançamento das diferenças apuradas com os consectários do lançamento de ofício. MULTAS. Tratandose de procedimento de ofício, no qual a espontaneidade do contribuinte foi excluída pelo termo de início de fiscalização, é inaplicável a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic, ainda que seu montante supere o patamar de 12% ao ano. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 38 79 /2 01 1- 85 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 23/03/2011 (fl. 24), lavrados para exigir o PIS e a COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2009, em virtude de falta de recolhimento das contribuições. Segundo a descrição dos fatos de fls. 17/18, a partir do cruzamento dos dados fornecidos pelo contribuinte à Agência Nacional do Petróleo, com os demonstrativos apresentados pela empresa à fiscalização mediante intimação, o exator apurou falta de recolhimento das contribuições em todos os meses do anocalendário de 2009, conforme demonstrativos de fls. 19/20. Em sede de impugnação, o contribuinte contestou a apuração do fisco, alegando a existência de diferenças em todos os meses do ano calendário, bem como diferença relativa a devoluções de combustível não consideradas pela fiscalização na apuração. Disse que o fisco apurou que a empresa vendeu 64.313,94 m3 de álcool hidratado em 2009, aplicando as alíquotas específicas de R$ 21,43/m3 (PIS) e R$ 98,57/m3 (COFINS). Entretanto, esses valores não correspondem à realidade, pois existe uma diferença de 112.000 litros que se referem a devoluções e retornos (demonstrativo de fl. 355) e uma diferença de 1.724,61 m3 (fl. 356), que alteram os valores apurados pela fiscalização. Além disso, nos meses de março e julho de 2009 as vendas do contribuinte foram maiores do que as apuradas pela fiscalização. Contestou a multa de ofício aplicada, por considerála confiscatória, abusiva e desproporcional. Contestou os juros de mora superiores a 12% ao ano, bem como a utilização da taxa Selic. Por meio do Acórdão nº 54.914, de 19/11/2014, a 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 492DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10183.723879/201185 Acórdão n.º 3402003.190 S3C4T2 Fl. 3 3 Anocalendário: 2009 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação improcedente." Regularmente notificado em 11/12/2014 (fl. 460), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 465 e seguintes em 05/01/2015, no qual reprisou as alegações de impugnação e arguiu a nulidade do acórdão de primeira instância, em face da violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório, por ter desconsiderado as notas fiscais anexadas à impugnação. Pleiteou a aplicação do art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72 a fim de que a nulidade alegada seja superada, dandose provimento ao recurso pelo mérito. Pleiteou a substituição da multa de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96) pela multa de mora (art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96), com base no art. 112 do CTN e no princípio do nãoconfisco. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. A defesa alegou a nulidade do acórdão de primeira instância, por violação do contraditório e da ampla defesa, em virtude de a DRJ ter desconsiderado as informações prestadas pela defesa com a impugnação. Essa preliminar se confunde com o mérito e com ele será analisada. Conforme se depreende dos autos, o contribuinte é distribuidor de álcool combustível e, desde 01/10/2008, optou pelo RECOB Regime Especial de Apuração e Pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre combustíveis e bebidas, com base no art. 5º, § 4º, II, da Lei nº 9.718/98, com a redação da Lei nº 11.727/2008, estando sujeito ao recolhimento do PIS e da COFINS calculados com base em alíquotas específicas que devem ser multiplicadas pela quantidade de metros cúbicos vendidos a cada mês. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A fiscalização recebeu da Agência Nacional do Petróleo informações sobre as quantidades de álcool movimentadas pelo contribuinte e intimou a empresa a demonstrar o cálculo das contribuições. Em resposta, o contribuinte apresentou a memória de cálculo de fls. 103/114. Confrontando a memória de cálculo do contribuinte (fls. 103/114) com os dados da ANP (fls. 118/328), a fiscalização detectou inconsistências, as quais o contribuinte justificou com as seguintes alegações (fls. 329/330): a) as diferenças entre as informações da ANP, do SIMP e de sua contabilidade se devem à "rigidez" do prazo para o encaminhamento das informações à ANP (dia 15 do mês seguinte), quando "nem sempre todos os documentos (NFs)" haviam sido apurados; e b) as diferenças entre ANP e SIMP (Sistema de Informações de Movimentação de Produtos da ANP) seriam decorrentes de devoluções de empréstimos de produtos, bem como baixas para consumo próprio. A fiscalização aceitou as justificativas do contribuinte e adotou para a quantificação do lançamento as quantidades (em metros cúbicos) vendidas informadas pela própria empresa na memória de cálculo de fls. 103/114, conforme se pode constatar a partir da comparação entre as quantidades dessa planilha com o demonstrativo de apuração de fls. 19/20. Para que os senhores conselheiros tenham ideia dos valores, colacionase a seguir a tabela de fl. 330, elaborada pelo próprio contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, a qual totaliza os valores informados pela ANP, informados ao SIMP pelo contribuinte, e os existentes na contabilidade: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10183.723879/201185 Acórdão n.º 3402003.190 S3C4T2 Fl. 4 5 Conforme se pode verificar no processo, a fiscalização adotou como base para a quantificação do crédito tributário ora lançado, os valores constantes da coluna "contabilidade" que foram chancelados pelo contador do contribuinte. Tanto na impugnação, quanto no recurso, a defesa alegou a existência de diferenças. Haveria uma diferença de 112.000 litros que se referem a devoluções e retornos ocorridos em agosto e setembro de 2009. E uma diferença total no ano de 1.724,61 m3, valor que corresponderia ao somatório de pequenas diferenças ocorridas a cada mês do ano calendário de 2009. Conforme bem apontou a 4ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto, a defesa tentou modificar em sede de julgamento os valores por ela informados durante o procedimento fiscal, sem trazer a documentação hábil à comprovação dos erros alegados. Confirase a passagem do voto condutor da decisão de primeira instância: "(...) Na impugnação, a interessada apresenta novos dados, às fls. 355/356, cujos valores coincidem em parte com a coluna “SIMP info.” e apenas no mês de outubro de 2009 com a coluna “CONTABILIDADE” do demonstrativo de fl. 330. Ou seja, pretende modificar os valores por ela própria informados durante o procedimento fiscal, sendo que teve inúmeras Fl. 495DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 oportunidades para fazêlo, como comprovam os termos de intimação e reintimação. No entanto, para supostamente comprovar esses “novos” números, apresenta 64 notas fiscais de saída (fls. 374/437) para “empréstimo”, sem contudo demonstrar que tais empréstimos tenham sido registrados equivocadamente em sua contabilidade, e que por isso tenham afetado os números por ela fornecidos anteriormente, sendo improcedente sua exclusão dos cálculos. Também não existe qualquer explicação para a relação de valores apresentados no demonstrativo “CONFERÊNCIA iSIMP", de fls. 438/441, e em que medida eles afetariam o lançamento efetuado. (...)" Realmente, a decisão de primeira instância não merece nenhum reparo, pois a teor do art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/77, a escrituração contábil mantida com observância dos requisitos legais e devidamente acompanhada dos documentos que lhe dão lastro fazem prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, in verbis: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. O referido dispositivo legal estabelece uma proteção para o contribuinte, em face do fisco, uma vez que os §§ 1º e 2º criaram uma presunção de legitimidade e de veracidade dos fatos registrados na escrita contábil, caso a escrituração seja mantida em conformidade com a legislação vigente, bem como que esteja acompanhada dos documentos fiscais e demais documentos correlatos, que derem lastro aos lançamentos. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais (§ 2º). E, de outro lado cabe ao contribuinte por força do § 1º, nos casos de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Por outro lado, a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.236/72, cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos da pretensão fazendária no momento da impugnação do lançamento. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10183.723879/201185 Acórdão n.º 3402003.190 S3C4T2 Fl. 5 7 Os dispositivos legais mencionados estabelecem não só os documentos hábeis a fazer prova a favor do contribuinte, mas também o momento processual em que essa prova deve ser produzida. No caso concreto, as notas fiscais de saída a título de empréstimo trazidas com a impugnação não comprovam o quanto alegado pela defesa, pois sem os livros contábeis não é possível aferir se os valores informados sob a coluna "CONTABILIDADE" da tabela acima colacionada já não se encontram expurgados dos valores consignados nas notas fiscais trazidas com a impugnação. Do mesmo modo, a defesa alegou que existem diferenças nas quantidades de metros cúbicos ao longo dos meses de 2009, que totalizariam 1.724,61 m3, mas não trouxe aos autos nenhuma justificativa para amparar tal alegação. O demonstrativo "CONFERÊNCIA iSIMP", de fls. 438/441 não comprova as diferenças alegadas, pois veio desacompanhado dos livros e documentos fiscais e de uma explicação acerca da natureza das diferenças. Portanto, ao contrário do alegado, não existiu nulidade no acórdão de primeira instância por violação ao contraditório e da ampla defesa, pois a DRJ analisou os documentos apresentados e os rejeitou de forma fundamentada, não merecendo nenhum reparo a decisão recorrida. Não tendo a defesa apresentado as provas dos fatos modificativos da pretensão fiscal, há que se manter os lançamentos efetuados com base nos dados informados pela empresa e ratificados por seu contador às fls. 330. No que concerne aos consectários do lançamento de ofício, a defesa pleiteou a substituição da multa de ofício pela multa de mora, com base no art. 112 do CTN. O pleito há que ser indeferido, pois o termo de início de ação fiscal de fl. 23, deixou bem claro que aquele ato processual excluiu a espontaneidade do contribuinte, in verbis: Portanto, inaplicável o art. 112 do CTN, pois não há dúvida de que o contribuinte não mais se encontrava em situação de espontaneidade. Sendo assim, incabível a aplicação da multa do art. 61 da Lei nª 9.430/96, pois essa penalidade somente é aplicável ao procedimento espontâneo. No que concerne à violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, a observância de tais princípios já foi aferida pela Comissão de Constituição e Justiça do Poder Legislativo na ocasião da aprovação da lei. Estando os percentuais da multa estipulados em dispositivo legal válido, vigente e eficaz, só resta aos órgãos da Administração Pública velarem pelo seu fiel cumprimento, quando verificados os pressupostos fáticos de incidência da norma. A defesa alegou a existência de violação do princípio do não confisco. Entretanto, conforme bem apontou a decisão de primeira instância, os órgãos administrativos de julgamento não podem afastar a aplicação da lei, sob o argumento de inconstitucionalidade. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 No caso, essa questão foi pacificada na via administrativa desde o advento da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E também não é o caso de aplicação da Súmula nº 473 do STF, pois não existe nenhuma nulidade cometida pelo fisco ou pelo acórdão de primeira instância, que seja passível de correção pelo CARF. A defesa também contestou os juros de mora, pois no seu entender valores superiores a 12% ao ano violam o art. 161 do CTN e também a taxa Selic, por ser incompatível com o art. 591 do Novo CPC, que permite apenas a capitalização anual de juros; com o art. 161 do CTN que só autoriza juros de 12% ao ano e com o art. 192, § 3º, CF/88, que estava em vigor na época da incidência tributária. Não existe nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade no fato de o crédito tributário lançado de ofício ser corrigido por juros de mora em montante superior a 12% ao ano, pois o art. 161, § 1º do CTN autoriza a lei ordinária a estipular de modo diverso. Além disso, equivocase a recorrente quanto à aplicabilidade o art. 192, § 3º da CF/88 ao caso concreto, pois os fatos geradores deste processo se referem ao ano calendário de 2009, enquanto que aquele dispositivo constitucional foi revogado em 2003 pela Emenda Constitucional nº 40/2003. No que concerne à taxa Selic, ela é perfeitamente compatível com o Novo CPC, pois nem o art. 591, citado pela defesa, e nem qualquer outro dispositivo do referido código impõem a obrigação de que os juros sejam capitalizados de forma anual. Além disso, a análise do demonstrativo de apuração da multa e dos juros anexo ao auto de infração demonstra que as taxas mensais são somadas e não multiplicadas uma pela outra. Portanto, se as taxas mensais são somadas, não existe a incidência de juros sobre juros, o que equivale a dizer que na aplicação da taxa Selic não ocorre a capitalização de juros. A questão da exigência de juros de mora com base na variação da taxa Selic é matéria pacificada nas instâncias administrativas, conforme a Súmula CARF nº 4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 498DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10183.723879/201185 Acórdão n.º 3402003.190 S3C4T2 Fl. 6 9 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/09/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005517/2008-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE
BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP
449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA
PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PLANTI SUL IND E COM DE PLANTADEIRAS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 09 50 .0 05 51 7/ 20 08 -7 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma zembro de 2016 zembro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - APLICAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL PLANTI SUL IND E COM DE PLANTADEIRAS LTDA PLANTI SUL IND E COM DE PLANTADEIRAS LTDA Fl. 531DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial, de e-fls. 413/421, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2402-002.778, julgado na sessão do dia 19 de junho de 2012, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do Simples é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do Simples. SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62-A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10950.005517/2008-75 Acórdão n.º 9202-005.043 CSRF-T2 Fl. 531 3 A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. SAT/RAT. FABRICAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PARA AGRICULTURA São adequados os códigos CNAE 29319, até maio/2007 e CNAE Fiscal 2833000 a partir de junho/2007, com alíquotas de 3% e 2%, respectivamente, para a atividade descrita no contrato social como fabricação de máquinas, peças e acessórios para plantio de mandioca, milho e soja, rolo faca, tratador de sementes, fabricação de peças e acessórios para semeadeiras e plantadeiras (equipamento de sistema de plantio direto) e prestação de serviços de torneamentos, soldas, plana e frezamento. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO A não apresentação de quaisquer documentos ou sua apresentação deficiente, mormente os contratos de prestação de serviços entre Unimed e a empresa que se utiliza dos serviços dessa cooperativa de trabalho, além das respectivas notas fiscais, autoriza a auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil a arbitrar de ofício importância que reputar devida, cabendo à impugnante o ônus da prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, trata-se de Auto de Infração, e-fls. 02, em virtude de o Contribuinte ter efetuado a entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP do período de janeiro/2004 a dezembro/2007 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas aos segurados que lhe prestaram serviços no período, constituindo infração ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. Fl. 533DF CARF MF 4 Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de e-fls. 39/183, requerendo a improcedência do auto de infração. A 5ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, conforme acórdão nº 06-24.324 de e-fls. 339/365, julgou procedente o lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, e-fls. 373/379, que foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 19 de junho de 2012, o qual foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica para o contribuinte. Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e-fls. 413/421, requerendo a reforma do acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32-A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35-A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma. Acórdão nº 2401-02.211, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10950.005517/2008-75 Acórdão n.º 9202-005.043 CSRF-T2 Fl. 532 5 Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35-Ada Lei n. 8.212/1991.(Processo nº 11065.100880/2007-60) Conforme despacho de e-fls. 424/426, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. O Contribuinte intimado, conforme AR de e-fls. 429 opôs Embargos de Declaração de e-fls. 432/440 e apresentou Contrarrazões de e-fls. 448/461 requerendo o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela PGFN, caso seja conhecido que seja negado provimento. Conforme despacho de e-fls. 473/474 os Embargos opostos pelo Contribuinte não foram conhecidos. Diante de tal despacho, o Contribuinte foi intimado conforme AR de e- fls. 477, sendo que nesta oportunidade o Contribuinte interpôs Recurso Especial de e-fls. 478/492. No despacho de e-fls. 504, o Recurso Especial do Contribuinte não foi conhecido, pois, não houve apresentação de divergência. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cinge-se a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 535DF CARF MF 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcreve-se: AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35- A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10950.005517/2008-75 Acórdão n.º 9202-005.043 CSRF-T2 Fl. 533 7 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente - descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal - deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcreve-se excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavrava-se em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito - NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa - art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 537DF CARF MF 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte, “Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplica-se multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva-nos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, refere-se a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais - NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal - AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10950.005517/2008-75 Acórdão n.º 9202-005.043 CSRF-T2 Fl. 534 9 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32-A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observe-se que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 539DF CARF MF 10 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 - que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput dar-se-á por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo dar-se-á: I - mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II - de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrar-se em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10950.005517/2008-75 Acórdão n.º 9202-005.043 CSRF-T2 Fl. 535 11 Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os não-impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35- A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitar-se-á àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 541DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002377/2005-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO -
RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - PRESSUPOSTOS - As obscuridades,
dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a contribuinte ocorrência de imperfeições no acórdão embargado, rejeitam-se os embargos opostos.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 1202-000.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, rejeitar os
embargos opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a contribuinte ocorrência de imperfeições no acórdão embargado, rejeitam-se os embargos opostos. Embargos Rejeitados.
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I ti-1 -._ MINISTÉRIO DA FAZENDA -.:•7:1:.::.'/IsS"fr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ' tf-cf"1 -,.•,,,,c_k», PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10865.002377/2005-08 Recurso n° 152.279 Embargos Acórdão n" 1202-00.254 - r Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2010 Matéria 1RPJ E OUTROS Embargante PLÁSTICOS N.T.Z. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado OITAVA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - AIRI Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a contribuinte ocorrência de imperfeições no acórdão embargado, rejeitam-se os embargos opostos. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NELSON LÓS —FIL 0.‘ - Presidente e Relatoryi EDITADO EM: O 7 MA I 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho, • i i Relatório Após o despacho da Presidente desta Colenda Câmara, retomam os autos para exame do pedido formulado pela embargante, com base no § 2° do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, denominado de "Embargos de Declaração", por entender o peticionário existir omissão e contradição no Acórdão n°108-09.559, prolatado na sessão de 06 de março de 2008, apresentando em seu arrazoado de fls. 3.62713.629 o seguinte: "Entendeu o Sr. Relator do Acórdão 108-09.559 que ocorreu a decadência do direito/dever ao lançamento dos tributos PIS e IRPJ, sendo o primeiro até 30/11/2000 e o segundo até o terceiro trimestre/2000. Tal entendimento vai de encontro ao pleiteado tanto na impugnação, como no Recurso Voluntário, eis que é expressamente o que dispõe o Código Tributário Nacional. A embargante demonstrou nos recursos objeto da análise, que todos os tributos tem fundamento no artigo 150 § 40 e que a decadência é contada dos respectivos fatos geradores, além de que a Lei 8.212/91 possui hierarquia inferior ao Código - Tributário Nacional, contrariando desta forma a Constituição Federal, ao estabelecer regras gerais em matéria tributária, conforme reconheceu o próprio Sr. Relator no item "5" e seguintes do relatório de folhas 3.591. Ainda que o relato,- tenha mantido o lançamento de todos os períodos de COFINS e da CSLL, este não se pronunciou sobre a improcedência ou inconstitucionalidade da Lei 8212/91, tendo se omitido quanto a este ponto. Vejamos ainda que após a sessão de julgamento que resultou no Acórdão 108-09559, o Colendo Supremo Tribunal Federal em sessão de 12/06/2008 afastou de nosso ordenamento jurídico os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91 e também o artigo 5°. do Decreto-Lei 1569/1977, e editou a Súmula Vfficulante n° 8, na qual prevalece o entendimento de que prescrição e decadência de crédito tributário não foram reguladas pelos artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, e nem artigo 5°. do Decreto-Lei 1.569/1977, o que implica em reconhecer que a decadência deve ser contada dos fatos geradores de cada tributo. Sendo a Súmula 8 de efeito vinculante para todos as instâncias, inclusive no âmbito administrativo, pode/deve ser aplicada a todos os casos pendentes. Assim, tendo se omitido quanto a este ponto crucial, apresenta- se estes embargos para análise do Sr. Presidente da Câmara. Ainda consta do Acórdão uma contradição, que se requer análise do Sr. Presidente, eis que o próprio Acórdão estendeu para o PIS, COFINS e CSLL o decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Junca, 'conforme item especifico da Ementa, folha 3587: • 2 Processo n° 10865.002377/2005-08 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.254 F/. 2 'PIS - COFINS E CSL - LANÇAMENTOS DECORRENTES - O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente'. Ora, se houve a extensão dos mesmos fundamentos, haveria que ser estendido a questão decadencial, o que não ocorreu, entendendo esta embargante pela contradição neste ponto, que requer seja sanada por Vossa Senhoria como medida de inteira justiça." No julgamento do mérito, deliberou esta Câmara "por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores até o 3 0 trimestres de 2000, ao IRPJ e PIS para fato gerador até novembro de 2000. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Mário Sérgio Femandes Barroso que não acolhiam a decadência, por maioria de votos, quanto a CSLL e COFINS, rejeitar a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.", como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, i s. 3.587. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro NELSON LOSS° FILHO Vieram-me os autos em atendimento ao despacho da Presidente desta Câmara, para que seja examinado o pedido manifestado pelo embargante às fls. 3.627/3.629, que vislumbrou ter ocorrido omissão e contradição no voto, conforme consta do Relatório. Rejeito os embargos opostos em virtude de não restar configurada a omissão e a contradição apontada. Vejo que o posicionamento adotado pela decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: 'Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — INDEFERIMENTO DE PERÍCIA - O pedido de realização de perícia está sujeito ao que determina o inciso IV do artigo 16 do Decreto n 3 70.235/72. Além disso, ela também se submete a julgamento, não implicando deferimento automático, mormente quando a negativa é fundamentada na inexistência de inicio de prova que a justificasse. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO - Rejeita-se a alegação de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ— PIS - DECADÊNCIA - Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplica-se a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4' do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração acontecido em 12 de dezembro de 2005, cabível a decadência suscitada para os fatos geradores do IRPJ ocorridos até o terceiro trimestre do ano de 2000 e para o PIS até 30 de novembro de 2000. CSL — COTINS - DECADÊNCIA - O lapso temporal para a contagem do prazo de decadência da CSL e COFINS é de dez anos, conforme previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/92, tendo como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Não decadente a exigência da CSL e da COFIAIS para fatos geradores acontecidos no ano-calendário de 2000, quando a ciência dos lançamentos pelo interessado ocorreu em 12 de dezembro de 2005. 4 Processo no 10865.00237712005-08 51-C2T2 Acórdão nd 1202-00.254 171 3 IRPJ— ERRO NA DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL — APROVEITAMENTO DE CUSTOS E DESPESAS NÃO CONTABILIZADAS — Incabível a dedução de custos e despesas do valor da omissão de receitas apurada pela fiscalização, quando a autuada não demonstra a vinculação desses gastos com a receita omitida, nem tampouco que eles já não teriam sido aproveitados na apuração do resultado do exercício. IRPJ — ERRO NA DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL —OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DO LUCRO — Conforme determina o artigo 24 da Lei n°9.249/95, deve o Fisco tributar a omissão de receita apurada respeitando a opção focal adotada pelo contribuinte na sua declaração de rendimentos, no caso o Lucro Real. Apenas quando a omissão for vultosa, ultrapassando inúmeras vezes a receita tributária declarada e assim inviabilizando a opção pelo lucro real, é que se admite o arbitramento do lucro tributtiveL IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE - Não cabe a este Conselho negar vigência à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula n° 02 do 1° Conselho de Contribuintes. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL - Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 dor' Conselho de Contribuintes. PIS — COF1NS E CSL - LANÇAMENTOS DECORRENTES - O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência parcialmente acolhida Recurso Voluntário Negado." Após analisar as argumentações apresentadas e confrontá-las com o acórdão embargado, concluo que não restou pros, ada nenhuma imperfeição no voto proferido, não há omissão, dúvida, inexatidão ou contradição no julgado que pudesse justificar o embargo, restando clara a decisão da extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que indicou a impossibilidade deste Conselho discutir vaidade de Lei, tarefa reservada ao Supremo Tribunal Federal. Também não existe contradição entre os fundamentos do voto e a ementa que resume suas conclusões, pois especificamente quanto à preliminar de decadência cada tributo foi analisado de per si. Não considero como omissão ou contradição o que a empresa indicou existir no acórdão, pretendeu ela contrapor os fundamentos expostos na decisão prolatada por aquela Câmara, objetivando rediscutir questão de mérito. Os embargos de declaração não é o remédio adequado para tal situação. Caso não concordasse com o mérito do julgamento e constatasse divergência com decisão proferida por outra Câmara, tinha a Embargante à sua disposição a possibilidade de submissão da controvérsia ao exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em conformidade com o Processo Administrativo Fiscal. Deve a embargante orbitar dentro dos limites determinados para a interposição de Embargos de Declaração, sua admissibilidade jamais poderá implicar em revisão do decidido no julgamento de recurso por este Colegiado. Trago à colação, por pertinente, julgado da I' Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 15.774-0-SP-Edcl, em que foi relator o Min. Humberto Gomes de Barros. "Não pode ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaratórios, pretende substituir a decisão recorrida por outra. Os embargos declaratórios são apelos de interação - não de substituição." (DJU de 22/12/93, pag. 24.895) Assim sendo, tendo em vista a inocorrência de omissão ou contradição no acórdão, entendo deva ser rejeitado os embargos opostos. / NE ON LOS O FIL - Relator 6
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Numero do processo: 10380.004529/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão de ponto sobre o qual deveria se pronunciar o colegiado no acórdão embargado.
MULTA DE OFÍCIO. MEDIDA JUDICIAL OBTIDA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO.
Cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade tiver sido suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN, após o início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
Embargos Acolhidos.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para restabelecer a multa de ofício exonerada em primeira instância de julgamento. .
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: Relator
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão de ponto sobre o qual deveria se pronunciar o colegiado no acórdão embargado. MULTA DE OFÍCIO. MEDIDA JUDICIAL OBTIDA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. Cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade tiver sido suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN, após o início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Embargos Acolhidos. Recurso de Ofício Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para restabelecer a multa de ofício exonerada em primeira instância de julgamento. . (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 45 29 /2 00 6- 22 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 708 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins, relativo ao período de agosto de 2002 a dezembro de 2005. A autuação decorreu da glosa da exclusão do faturamento relativa às vendas de segurosaúde/plano de saúde médico hospitalarodontológico, considerados atos não cooperativos. Em sua impugnação, a recorrente alegou em síntese que: 1. Somente pratica atos cooperativos, administrando plano de saúde, e que a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de isenção de Cofins sobre atos cooperativos; 2. Ainda que se considerasse devida a tributação sobre os atos cooperativos praticados pela recorrente, a autuação seria ilegal, pois não foram consideradas as deduções permitidas pelo §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e regulamentadas pela IN SRF nº 635/2006; 3. Que os tributos deveriam recair apenas sobre os valores que incorporassem ao patrimônio da recorrente e não sobre todo o ingresso financeiro; 4. A realização de perícia para conferência da planilha apresentada com os valores deduzidos de acordo com o §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98; Ao final pela a nulidade do lançamento. Posteriormente, aditando a impugnação inicial, informou a existência do processo 2001.81.00.0038635, com decisão publicada em 22/07/2005 favorável à recorrente no sentido da ementa e excertos abaixo: E M E N T A : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEI N.° 9.718/98 E MP N.° 1.8586/99. Não incidem o PIS e a COFINS sobre atos cooperativos próprios, de prestação de serviço pela cooperativa aos seus associados. Ausência de fim lucrativo. (Precedentes do STJ). ... Não são todos os atos de cooperativa que estão isentos do PIS e da COFINS, mas apenas os identificados como atos específicos, razão pela qual, o tributo incide sobre os atos de prestação de serviços, da venda de bens e mercadorias a terceiros, que não se vinculem diretamente à atividade das cooperativas. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 709 3 Solicitou a nulidade do lançamento, ocorrido posteriormente à decisão em 18/05/2006, ou a suspensão dos processos até o julgamento final do mandado de segurança. Por seu turno, a Terceira Turma da DRJ em Fortaleza converteu o julgamento em diligência, para apuração dos valores destinados ao Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social FATES, informados como dedução pela recorrente, nos termos do artigo 1º da Lei nº 10676/2003, entendendo como indedutíveis os demais valores informados na planilha apresentada pela recorrente, bem como indeferindo a perícia pelo fato de o pedido não ter observado os requisitos do inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Realizada a diligência, a DRJ proferiu o Acórdão nº 0810.388, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Tomase como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. RENUNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, ainda que preencha as condições do artigo 151 do CTN para suspender a exigibilidade do crédito, não elide o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário. CRÉDITO COM EXIBILIDADE SUSPENSA. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 COOPERATIVAS. COFINS. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. FATES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da COFINS, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado Fl. 722DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 710 4 do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Lançamento Procedente em Parte A decisão de primeira instância exonerou o lançamento relativo às deduções para o FATES, bem como a multa de 75% lançada, em razão da concomitância verificada entre os processos administrativo e judicial e por ser a decisão judicial favorável à recorrente anterior à data de lavratura do auto de infração, mantendo o lançamento dos valores originais com juros de mora e indeferindo o pedido de perícia. Em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 375/2001, o colegiado a quo recorreu de ofício. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. A inexigibilidade do depósito recursal; 2. A nulidade do processo administrativo, pelo fato de o auto e a decisão de primeira instância terem desconhecidos os argumentos relativos às deduções previstas no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98; 3. A nulidade da autuação em razão da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.81.00.0038655, acatando a decisão mandamental. Por sua vez, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, conforme o excerto abaixo: "Ante tal contexto dos fatos, com efeito, parece de rigor que se converta o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime o recorrente a informar e esclarecer quanto ao alcance da referida renúncia, inclusive apresentando cópia dos atos processuais em que foi formulada e homologada, e, se o caso, explicando e demonstrando em que medida o contribuinte entende ter sido afetado ou ainda subsistir seu interesse na presente discussão administrativa. Mesmo porque, de acordo com o previsto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, a inclusão do débito que se discute nestes autos depende de desistência do recurso voluntário, não constando que o tenha feito, nada obstante tenha praticado ato incompatível com o interesse de recorrer, ao desistir da ação judicial, na medida em que parece pretender discutir os mesmos fundamentos em âmbito judicial e administrativo. O contribuinte deve informar, ainda, se existe ou propôs qualquer outra medida judicial em andamento a respeito da sua condição de contribuinte de PIS e Cofins, apresentando cópia das peças processuais (petição inicial, decisão, sentença, apelação, acórdãos etc). Fl. 723DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 711 5 Ao final, deve a Delegacia de origem elaborar relatório conclusivo da diligência, em seguida promovendo a intimação do contribuinte para, querendo, manifestarse em 15 dias, depois devolvendose os autos a este Conselho para julgamento." Em cumprimento da diligência, a unidade administrativa da Receita Federal informou que os créditos tributários constituídos neste processo não foram incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, o que foi confirmado pela recorrente. Sobre o Mandado de Segurança nº 2001.81.00.0038635, a Unidade Administrativa informou ter sido homologado o pedido de desistência e a renúncia a que se fundava a ação, bem como a determinação para conversão em renda da União de valores depositados em juízo pela recorrente. Por seu turno, a recorrente afirmou que em momento algum desistiu ou renunciou da discussão neste processo administrativo, em razão do direito que entende existir quanto às deduções previstas no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Reafirmou, ainda, a necessidade de anulação da autuação ou seu refazimento para um valor lícito, o qual a recorrente promoveria os esforços para efetivar seu pagamento. Posteriormente, em 18/03/2015, após a introdução do § 9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98, imprimindo interpretação autêntica sobre a expressão "o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos " de que trata o inciso III do § 9o do mesmo artigo, a recorrente peticionou novamente pela anulação do processo para que a fiscalização refaça os cálculos, acatando os termos da legislação. Na sessão de 23 de junho de 2016, esta turma proferiu o Acórdão nº 3302 003.250, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 corresponde ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, conforme §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Ocorre que o recurso de ofício da decisão da DRJ não foi analisado, razão pela qual foram, por mim, opostos embargos de declaração, os quais foram admitidos. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 712 6 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O presente voto destinase apenas a sanar a omissão de julgamento do recurso de ofício, mantendo o decidido no Acórdão nº 3302003.250, quanto à apreciação do recurso voluntário. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, especialmente quanto à exoneração de crédito tributário superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3/2008, a qual revogou a Portaria MF nº 357/2001. A decisão recorrida exonerou a multa de ofício por considerar que o contribuinte estava amparado por medida judicial anterior à data da lavratura do auto de infração, que tornaria indevido o lançamento com multa de ofício, bem como exonerou para da contribuição por exclusão dos valores destinados ao FATES Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, conforme disposto no artigo 1º da Lei nº 10.676/2003. Verificase que a fiscalização iniciouse em 21/01/2005, efls. 23 e o Auto de Infração foi lavrado em 18/05/2006, efl. 21, em razão de que a contribuinte ter excluído todo seu faturamento da base de cálculo, tratandoo como receita oriunda do ato cooperativo, embora afirmou a fiscalização que a "esmagadora maioria" de suas operações correspondiam a vendas de segurosaúde/plano de saúde médicohospitalarodontológico, os quais se caracterizavam como atos não cooperativos diversos dos legalmente permitidos em função da contratação e revenda de serviços de terceiros para suprir os serviços que os cooperados não podiam fornecer aos usuários, evidenciando atos de intermediação de negócios. Assim, a autuação incidiu sobre as receitas de vendas de planos de saúde, considerandoas como atos não cooperativos. Por seu turno, a contribuinte defendeu em impugnação que somente praticava atos cooperativos. Informou,ainda, na efls. 174, que ajuizou Mandado de Segurança nº 2001.81.00.00.0038635, no qual foi proferida decisão do Tribunal Regional Federal da Quinta Região na Apelação em Mandado de Segurança nº 87178, publicada em 22/07/2005 (ver efl. 227, na qual consta o andamento processual), cuja ementa transcrevese: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA N° 87178 CE APTE: UNIMED DE FORTALEZA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADV/PROL: RODOLFO LICURGO TERTULINO DE OLIVEIRA E OUTROS APDO: FAZENDA NACIONAL RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 713 7 E M E N T A : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEI N.° 9.718/98 E MP N.° 1.8586/99. Não incidem o PIS e a COFINS sobre atos cooperativos próprios, de prestação de serviço pela cooperativa aos seus associados. Ausência de fim lucrativo. (Precedentes do STJ). Na decisão recorrida entendeuse que a obtenção de medida judicial anterior à lavratura do auto de infração tornaria indevida a aplicação da multa de ofício. Entendo, porém, de forma diferente. O artigo 63 da Lei nº 9.430/1996 dispôs sobre a matéria nos seguintes termos: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) O caput do artigo 63 determina que não caberá a multa de ofício na constituição do crédito para prevenir a decadência quando a exigibilidade houver sido suspensa. Porém, o §1º explicita que a exclusão da multa aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício, o que não é caso dos presentes autos. De fato, o início da fiscalização ocorreu em 21/01/2005 com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização, efls. 22/23, ao passo que a medida judicial favorável somente foi obtida em 22/07/2005, posteriormente ao início de procedimento fiscal, não se aplicando, portanto, o disposto no caput do artigo 63 da Lei nº 9430/1996. Neste sentido a Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Assim, devem ser restauradas as multas de ofício aplicadas. Em outra vertente, a decisão recorrida exonerou parte do lançamento concernente à exclusão das parcelas destinadas ao FATES, de acordo com o artigo 1º da Lei nº 10.676/2003, de seguinte redação: Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 714 8 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.858 10, de 26 de outubro de 1999. Tal disposição foi reproduzida na IN SRF nº 635/2006, tratando sobre as contribuições para o PIS/Pasep e Cofins devidas pelas sociedades cooperativas, que, em seu artigo 101, dispôs que as sociedades cooperativas em geral podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. Portanto, correta a exoneração efetuada no acórdão recorrido. Diante do exposto, voto para acolher os embargos opostos, para sanar a omissão alegada, e dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restaurar o lançamento das multas de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 1 Art. 10. As sociedades cooperativas em geral, além do disposto no art. 9º, podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.004529/200622 Acórdão n.º 3302003.261 S3C3T2 Fl. 715 9 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10880.027913/91-14
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRF —PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - JULGAMENTO EM
SEGUNDA INSTÂNCIA - INOVAÇÃO DO FEITO - Não compete à
segunda instância alterar o feito, aplicando legislação distinta daquela
constante na autuação e apurando nova base de cálculo, ainda que a
decisão seja parcialmente favorável ao sujeito passivo Comprovado
flagrante equívoco na aplicação da norma legal e conseqüente
apuração de base de cálculo inadequada, incabível o lançamento assim
constituído.
Recurso provido
Numero da decisão: CSRF/01-03.186
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por
maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Dimas Rodrigues de Oliveira que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Leila Maria Scherrer Leitão
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RD 106-0297 Recorrente WALPIRES S/A CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULO E VALORES MOBILIÁRIOS Interessada . FAZENDA NACIONAL Sessão de 04 de dezembro de 2000 Acórdão n° CSRF/01-03 186 IRF —PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA - INOVAÇÃO DO FEITO - Não compete à segunda instância alterar o feito, aplicando legislação distinta daquela constante na autuação e apurando nova base de cálculo, ainda que a decisão seja parcialmente favorável ao sujeito passivo Comprovado flagrante equívoco na aplicação da norma legal e conseqüente apuração de base de cálculo inadequada, incabível o lançamento assim constituído. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WALPIRES S/A CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULO E VALORES MOBILIÁRIOS ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Dimas Rodrigues de Oliveira que negava provimento ao recurso 5 1N PE" 4 0-1- 9RlGUES • RESIDE LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO RELATORA MINISTÉRIO DA FAZENDA rs . CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS • ; "17 P PRIMEIRA TURMA Processo n° : 10880027913191-14 Acórdão n° CSRF/01-03.186 FORMALIZADO EM: 08 FEV 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, ANTÔNIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, JOSÉ CARLOS PASSUELO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA E CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES Ausente, justificadamente, o Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA. Defendeu a interessada o Dr. Urgel Pereira Lopes - OAB/DF 1255/A. Defendeu a Fazenda Nacional o Sr Procurador, Dr. Rodrigo Pereira de Mello ,y) 2 f MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS: PRIMEIRA TURMA Processo n° :10880027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 RELATÓRIO Inconformada com o decidido no Acórdão n° 106-08.658, de 18.03.97 (fls. 525/534), prolatado pela E. Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o sujeito passivo recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A matéria levada a julgamento pela Câmara de origem e constante no Relatório da Resolução n° 106-0.592 (fls.. 198/201), buscando objetividade e clareza, é a seguir transcrita. "2 Contra a contribuinte foi emitido Auto de Infração (fls. 13), na área do Imposto de Renda na Fonte, relativo ao Ano de 1991, por . FALTA, E CONSEQUENTE RESPONSABILIZAÇÃO DE RETENÇÃO DO IR- FONTE INCIDENTE SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS 2A - A recorrente adquiria papéis de SANMA MINERAÇÃO VALE DO VOTORANTIM LTDA., LINEAR CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA.. e NFT EMPREENDIMENTOS LTDA., empresas não financeiras, através do BANCO DE CRÉDITO NACIONAL S/A, que os custodiava 2B - Referidos papéis seriam LTN e BBC. Não há, nos Autos, prova documental que confirme tal afirmação. 2C - A Ação Fiscal se iniciou com intimação à recorrente para que apresentasse as NOTAS DE COMPRA relativas à aquisição dos referidos títulos pelas vendedoras (SANMA, LINEAR e NFT) 2D - Referidas NOTAS DE COMPRA não foram apresentadas. 2E - O lançamento considerou ter havido OPERAÇÃO DAY TRADE. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880027913/91-14 Acórdão n° : CSRF/01-03 186 2F - Na determinação de base tributável foi utilizado ARBITRAMENTO, considerando 50% do valor líquido de cada transação. 2G - Às fls. são assim descritos os fatos e enquadramento legal (ler fls. 14v.). 3. Inconformada, apresenta IMPUGNAÇÃO (fls. 17), rebatendo o lançamento com os seguintes argumentos, que destaco, por refletirem a tese esposada pela impugnante: 3 1 - PRELIMINARMENTE: a) Contesta a utilização da TRD, citando noticiário da imprensa, de ação de inconstitucionalidade de tal prática, b) proclama ter havido erro de sujeito passivo, pois se deixara de haver a retenção, esta teria sido motivada por informação dada pelo banco interveniente nos documentos que embasaram as transações, onde a vendedora é conceituada como "CL 2 - PJNFSR" em função do código ali declarado (0 032-0.23.D), devendo o referido banco ser responsabilizado e não a recorrente. 3.2 - Quanto ao mérito: a) a Lei 7.799/89 teria, implicitamente revogado a Lei 7.751/89, nos pontos em que fixa nova redação; b) que, assim, estaria derrogada a disposição atinente à exigência de apresentação das notas de compra, relativas à transação imediatamente anterior com os mesmos títulos - cuja falta, nestes Autos, motivara o arbitramento e o conseqüente lançamento; c) que a então impugnante teria entregue ao Fisco tudo que a lei exige (Lei 7799/89, art. 52); d) que, se algum imposto fosse devido, a base de cálculo deveria ater-se ao disposto no art. 50 da Lei 7.799/89, e) que a ação fiscal, com tal arbitramento, é verdadeiro CONFISCO 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA - v CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS P TURMA Processo n° 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 f) junta fl - listagem do SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (fls.. ), relativa aos códigos utilizados nos documentos que embasaram o lançamento; f2 - declarações das empresas não financeiras envolvidas, que declaram apurarem seu lucro pela modalidade do Lucro Real, f3 - declarações das mesmas empresas, relativas a cada negociação onde afirmam, em formulário-padrão e pré- impresso que os títulos 'foram adquiridos anteriormente" 4 Não há INFORMAÇÃO FISCAL 5 A DECISÃO RECORRIDA (fls. 171) mantém integralmente o feito, sendo de destacar os seguintes pontos que levaram a digna Autoridade a quo àquela conclusão a) rejeita as liminares (lei fls. 173); b) no mérito, afirma estar em plena vigência a Lei 7.751/89 e ainda que não estivesse, a perfeita descrição dos fatos teria permitido ampla defesa, c) taxa de falsas e capiciosas as declarações das empresas, quando afirmam apurar seu lucro pela modalidade de Lucro Real, pois "nunca apresentaram declarações de rendimentos", conforme informação cadastral anexada após a impugnação, não podendo provar o Lucro Real NOTA DO RELATOR. Referidas informações cadastrais dão as empresas como ATIVAS e não indicam qualquer omissão na entrega da Declaração de Rendimentos; d) afirma ter sido operação "day-trade", não tendo restado alternativa senão lavrar o Auto de Infração, pois, intimada, a contribuinte não lograra provar que a transação anterior com os mesmos títulos não se realizara no mesmo dia " 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880 027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 Naquela assentada, decidiu o Colegiado transformar o julgamento em diligência, sob os seguintes argumentos: " Neste processo e neste julgamento, entendo que, pela importância que tais documentos apresentam no contexto da ação fiscal que se discute, há que, "a priori", buscar esclarecimentos sobre seu conteúdo e sua funcionalidade, para que este Colegiado, dispondo de todas as informações, possa, então, decidir, considerando que estão envolvidas, inclusive, com preliminar de nulidade por erro de sujeito passivo (fls. 202) 2 Outrossim, embora o arbitramento seja uma maneira como qualquer outra de determinar a base tributável e ser, inclusive, autorizada por lei, entendo que não foram esgotadas todas as possibilidades de se chegarem aos documentos que poderiam levar ao cálculo real de tal base. A rigor, as Notas de Compra, relativas à transação anterior, deveriam ter sido solicitadas ao vendedor, embora a norma vigente (IN/SRF n° 106/89, art. 13) autorize o procedimento da Fiscalização, que as solicitou do comprador, sem lograr obtê-las - motivando o arbitramento. Entretanto, tais notas ou a informação que interessa, data e preço de aquisição, podem, perfeitamente, serem solicitadas ao vendedor ou mesmo ao banco custodiante." Baixou-se, pois, em diligência para o fim de se intimar as empresas então relacionadas a apresentarem as notas de compra relativas aos títulos vendidos à recorrente, todos relacionados às fls. 203 Cumprida a diligência, tem-se a seguinte Informação Fiscal, às fls. 208. "Foram tomadas as seguintes providências. Com relação aos itens "a e "b", solicitou-se que se oficiasse a Superintendência da 7a Região Fiscal, onde foram realizadas as operações constantes do Processo, para que intimasse as empresas intervenientes, a fornecerem as Notas de Compra (fls 204) desejadas, o que foi feito (fls. 205 6 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS• ; ^- PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 As empresas não foram localizadas (fls. 206/7) o que impediu que se obtivessem as Notas de Compra Relativamente ao item "c", esclarecemos que Walpires S A. C C.T.V.M adquiriu títulos mobiliários de diversas empresas, financeiras e não, e em particular das seguintes. SANMA MINERAÇÃO VALE DO VOTORANTIM LTDA..; LINEAR CONSULTORIAA E PARTICIPAÇÕES LTDA.,, e NFT EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.., revendendo-os no mesmo dia. Deveria, por ocasião das negociações com pessoas jurídicas não financeiras, resguardar-se, para sua própria garantia, a respeito das informações que lhe foram transmitidas sobre as vendedoras, a propósito de sua situação fiscal e da operação anterior que fizeram com os papeis que ora negociavam, guardando cópia dos documentos que lhe foram exibidos, evitando os inconvenientes e riscos que ora tem Não ignorava a Recorrente que as operações de um dia são tributadas com alíquotas diferenciadas e substancialmente maiores que as demais operações, razão pela qual, deve, naturalmente, dispensar às compras que efetua, a cautela necessária, que a resguardem do descumprimento das obrigações peculiares a esse tipo de operações. Os elementos que lhe permitem cumprir suas obrigações fiscais, são exatamente aqueles que foram solicitados pela Fiscalização (fls. 2), sem, qualquer resultado, acarretando a autuação Entende esta Auditoria, desnecessária qualquer diligência, já que nada há que buscar, além de terem sido oferecidas a Recorrente todas as oportunidades no sentido de provar o que afirma " Cumprida a diligência, o recurso retornou à pauta de julgamento, tendo o sujeito passivo apresentado Memorial, juntado aos autos às fls. 228/245, a pedido do Conselheiro-relator. Leio em sessão o item 5 daquela peça (fls 236). Decidiu o Colegiado por nova diligência Transcrevo, para compreensão da lide, o seguinte excerto daquele voto:L 7 ,-- MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. ; PRIMEIRA TURMA Processo n° , 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 "14 O BCN é, em todos os BOLETOS, identificado como CEDENTE VENDEDOR, o qual "obrigatoriamente, deve ser a instituição custodiante dos títulos ..." (resposta dada pelo BACEW ao quesito "c.5,4,," (fls.. 376) 15. Como custodiante, o BCN tinta que manter registro do seus clientes - inclusive, os citados neste processo (SANMA, LINEAR LFT) - e das operações com títulos, nos exatos termos do MM 6 -3 -8 - 10 e 11, fls. 384/385. 16. E efetivamente os mantinha. Tanto que, às fls. 371, respondendo ao quesito desta Câmara, que perguntava "data em que os referidos títulos foram custodiados pelo cliente observada a última data antes da constante do documento, na hipótese dos mesmos títulos terem sido custodiados mais uma vez pelo mesmo cliente", responde que "os títulos vendidos foram custodiados NAS PRÓPRIAS DATAS DAS VENDAS, POR MEIO DE COMPRAS REALIZADAS" (GRIFEI) 17. Se os títulos foram, então, comprados ou vendidos no mesmo dia, houve OPERAÇÃO DAY-TRADE. Com tal testemunho o que antes era, apenas, presunção do Fisco, passa a ser um fato confirmado por terceiros E terceiros habilitados a prestar tal testemunho. 18.Estabelecido que se tratou de OPERAÇÕES DAY-TRADE, desmorona a tese essencial da defesa 19. Quanto à questão da base de cálculo fixada, que teria determinado imposto equivalente a verdadeiro confisco, na acepção da recorrente, é de se reconhecer que a mesma foi estabelecida em dispositivo legal vigente (Lei n° 7.751/89, art.. 3°, § 2°), pois que a Lei 7.799/89, ao tratar da tributação sobre aplicações financeiras não revogou aquele dispositivo anterior, nem expressa, nem tacitamente, pois silencia a respeito E o Fisco só teria recorrido a esse recurso extremo por ter a contribuinte se negado a apresentar os documentos onde poderia ser apurado o rendimento efetivo - o que, se tivesse sido feito, tornaria desnecessário o arbitramento, de que se queixa a mesma contribuinte. E prazo teve para isso podendo tê-lo feito quando lhe foi dada oportunidade para se manifestar sobre a diligência ou, até mesmo, já estando o processo neste Conselho, inclusive na Sessão em que está sendo julgado. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA -" • P.-;^ CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10880.027913191-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 22 Independente da efetividade ou não do intuito de onerar desnecessariamente, a exigência fiscal, a simples possibilidade ou suspeita de que isso pudesse ter ocorrido, já deve merecer deste Colegiado a necessária cautela na apreciação da questão 23.Ainda que a Lei n° 7.751/89 se refira à existência de TÍTULOS, como papéis existentes e corretos, desde a implantação do Sistema SELIC que as transações eram feitas, essencialmente, pela forma escriturai, dado, inclusive, o significativo volume de "títulos" transacionados O registro das transações nos arquivos eletrônicos competentes do Sistema SELIC dava às mesmas a consistência necessárias, só se partindo para a emissão física dos títulos em circunstâncias excepcionais 24 Assim, é mais do que possível, é, até, bastante provável, que as transações com os títulos questionados estejam registradas nos arquivos eletrônicos do Sistema SELIC, dando uma certa consistência à suspeita levantada pelo ilustre memorialista de que o Fisco mesmo conhecendo o efetivo rendimento (base de cálculo), teria partido para o arbitramento, com o intuito de onerar o tributo devido 25. Penso que não há como possa este Colegiado, escapar da imposição moral de mandar averiguar os fatos 26 Assim sendo, voto no sentido de - mais uma vez - se converter o julgamento do presente processo em Diligência para que: a) a repartição preparadora intime o BANCO DE CRÉDITO NACIONAL S/A a informar, com base nos seus registros que, na qualidade de participante do SELIC, inclusive como CUSTODIANTE, deve manter, o valor de venda dos títulos objeto deste processo, na transação anterior à representada nos boletos anexados; caso fique demonstrada a impossibilidade do fornecimento do valor de venda, na transação anterior, deverá a intimada informar, à vista dos seus registros, o valor de emissão ou de primeira colocação dos títulos, b) na Intimação deve ser mencionado que representante do intimado poderá ter vista das folhas do processo em que se 9 - MINISTÉRIO DA FAZENDA ' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS n PRIMEIRA TURMA ' Processo n° . 10880.027913191-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 encontra as cópias dos boletos, inclusive podendo lhe serem fornecidas cópia (dos boletos), se assim o desejar Deverá, outrossim, ser ainda mencionado (na Intimação) que a resposta dada e as informações prestadas serão submetidas à apreciação do Banco Central do Brasil, por decisão deste Primeiro Conselho de Contribuintes, c) ultimadas as providências junto ao Banco de Crédito Nacional S A ., a resposta dada pelo mesmo e as informações prestadas deverão ser submetidas à Delegacia Regional do BACEN para que se digne de emitir parecer sobre a consistência das mesmas, d) após, deverá a Fiscalização se pronunciar, em relatório conclusivo, sobre os resultados da diligência; Em cumprimento da diligência, o BCN apresenta a "Relação de Operações de Day Trade com Títulos de Renda Fixa realizadas pela Walpires S/A CCTVM, referentes ao lançamento constituídos nos presentes autos (fls. 261/264), indicando as datas das operações, os valores pelos quais os clientes compram de outras corretoras e os valores pelos quais a Corretora Walpires compra dos clientes, podendo-se deduzir que a diferença entre um valor e outro representa o lucro obtido pelos clientes, conforme afirmado no Relatório do Acórdão ora recorrido (fls.. 527). A fiscalização manifesta-se sobre a segunda Resolução às fls., 274/275 e a recorrente, às fls 283/293. No julgamento levado a efeito pela E. Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu o Colegiado " reduzir a base de cálculo...." do imposto, tomando-se por base o rendimento real, conforme se constata na ementa a seguir transcrita, quanto a esse aspecto io MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10880.027913/91-14 Acórdão n° . CSRF/01-03 186 "IR FONTE - RETENÇÃO - RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA - O rendimento real produzido por quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, fica sujeito à incidência do Imposto de Renda na Fonte." Os argumentos que conduziram a esse decisório são a seguir transcritos. E a Lei n° 7.799, de 10.07.89, aplicável ao período gerador em questão, assim dispõe "Art.. 47 - 0 rendimento real produzido por quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, fica sujeito à incidência do imposto de renda na fonte... (grifei) 4. E o art. 48, inciso 11, do mesmo diploma legal, estabelece, inclusive, alíquota mais gravosa para "as operações financeiras iniciadas e encerradas no mesmo dia, aplicáveis sobre o rendimento bruto" (grifei) 5. Estabelecido que a retenção era devida, pouco importando se a título de antecipação do devido na declaração (mesma Lei, art. 51, I), de compensação opcional na Declaração de Ajuste (idem, inciso II) ou devido exclusivamente na fonte (ibidem, inciso III), configura-se a obrigação prevista no art. 574 do RIR/SO, supra mencionado e transcrito. 6 E se a retenção é obrigatória, "a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido", nos termos do art. 576 do mesmo RIR/80 7 A defesa se empenhou para que a transação não fosse caracterizada como day trade (operações com os mesmos títulos iniciadas e encerradas no mesmo dia), alegando que o Fisco nunca o declarara explicitamente e argüindo a responsabilidade dos cedentes, com aval do custodiante (BCN), configurada pelas diversas declarações - nos Autos - - de que os títulos "foram adquiridos anteriormente a esta data" [data em 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.• CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS• PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 que WALPIRES compra dos clientes" - ver fls.. 261 e sgs.]. Terá determinado tal estratégia - provavelmente - o fato de que as operações day trade pagam imposto maior (alíquota mais elevada). 8 Da mesma maneira, insurge-se a contribuinte contra a base de cálculo considerada no lançamento, obtida por arbitramento - o qual considera confiscatório 9 Ante tais estratégias de defesa, flui serena a conclusão de que a contribuinte não contesta a sua responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto, questionando, todavia, a base de cálculo e a alíquota aplicada. 10 Quanto à caracterização das operações como day trade, o resultado das diligências determinadas por este Colegiado, em especial a última, deixou clara tal caracterização, inclusive declarada explícita e expressamente (ver resposta do BCN - fls. 261 e sgs.). Ao manifestar-se sobre os resultados de tal diligência, é a própria defesa que, indignada, pergunta "porque só agora se apresenta o BCN com as informações de fls. 261/271, quando sempre possuídas?", admitindo o que tais informações evidenciam - que as operações foram day trade 11 Entendo, portanto, estar definido tal aspecto da questão, ou seja, ter ficado provado que as operações foram iniciadas e encerradas no mesmo dia, cabendo a aplicação da alíquota majorada de 40%. 12. Outro aspecto a esclarecer - aliás, bem mais substancial - diz respeito à fixação da base de cálculo. Obviamente, os agentes do Fisco tiveram respaldo legal ao procederem ao arbitramento da forma que o fizeram - eis que tal procedimento é previsto na Lei n° 7.75 1, de 14.04.89, art.. 30 e §§ 13 Por não concordar com tal critério de arbitramento, a defesa chega a pugnar pela decretação da nulidade do lançamento, argüindo que o Fisco poderia ter levantado o rendimento bruto e real, que deveria servir de base de cálculo do lançamento, inclusive pelo exame de sua própria contabilidade, tornando desnecessário o recurso ao arbitramento 14. Ocorre que a questão da nulidade é disciplinada pelo art 59 do Decreto n° 70 235, de 06.0372, que regula o Processo Administrativo Fiscal. E tal diploma só considera nulos "os atos e termos lavrados por 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS nI PRIMEIRA TURMA Processo n° : 10880.027913191-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 pessoa incompetente "(inciso I) e "os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. "(inciso II). E não há, nos Autos, qualquer demonstração da defesa de que tenha havido intervenção de autoridade incompetente, assim como restou evidente, pelo desenrolar do processo, que não ocorreu qualquer cerceamento de defesa - nem tal é alegada pela recorrente 15 Rejeito, portanto, qualquer manifestação levantada a título - explícito ou não - de preliminar de nulidade do lançamento 16. Quanto à questão de mérito, relativamente à fixação da base de cálculo, entendo que deva ser reavaliada por este Colegiado. 17. Inicialmente, deve se deixar claro que os agentes do Fisco tem, mais que direito, o dever de recorrer ao arbitramento, sempre que, por motivos os mais diversos, a base de cálculo não seja documentalmente conhecida Na conformidade da jurisprudência deste Colegiado, "ARBITRAMENTO NAO E PENALIDADE - 0 arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro. (Ac. CSRF/01-0.123/81) " 18. Obviamente tal atividade tem que se pautar por observação estrita de critérios objetivos e previamente conhecidos. No caso do Imposto de Renda, a base de cálculo a ser obtida é a que decorrer do fato gerador do Imposto, assim determinado pelo Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 43, como sendo -a aquisição de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos Assim sendo, o critério que venha a ser adotado não poderá fugir da contingência de que o fato gerador é a renda e que a base de cálculo a ser obtida deve, se circunscrever à renda real ou potencialmente auferida 19 Nessa linha de raciocínio, chego a admitir um certo espírito draconiano no dispositivo legal invocado pelo Fisco (art. 3° e §§ da Lei n' 7 751, de 14.04.. 89, ao fixar a base de cálculo em 50% do valor de face ou de cessão, quando é sabido que a renda obtida em tais transações, naquela época de economia inflacionária, era por volta de 1% ou 2% Dir-se-á que o arbitramento só era invocado porque teria sido negada a apresentação de documentos que permitiriam chegar ao valor real. Ocorre que arbitramento não é para ser usado como retaliação E se há que se punir o contribuinte, para isso a Lei e a 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA v , SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° : 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 Constituição da República prevêem as penalidades, tais como a multa, por exemplo. Nunca o exacerbamento da base de cálculo, o qual, pela via indireta, implica em exacerbação do tributo a níveis que tocam ao confisco, proibido pela norma constitucional. 20 Tal dispositivo, a meu ver, draconiano teve vida curta, pois, menos de 60 (sessenta) dias após, foi editada a Lei n° 7. 789, de 10 06 89, que viria a regulamentar os mesmos assuntos (tributação dos rendimentos obtidos em aplicações financeiras de renda fixa) sem repetir os dispositivos que fixavam os critérios para o arbitramento Todavia, ato menor, a Instrução Normativa SRF n° 106, de 19 10.89 - posterior, portanto, a ambos os diploma legais - viria reproduzir aqueles critérios, ao regulamentar aquelas leis. 21. Ainda que, em tese, se possam levantar dúvidas quanto à eficácia de tal ato normativo, a verdade é que ele não foi revogado, nem declarado ilegal, mantendo, portanto, sua condição de legislação tributária de aplicação coercitiva (CTN, art 96 c/c art. 100, I). 22 Assim sendo, respalda-se a atitude fiscal de fazer o arbitramento com base em tais critérios, por mais questionáveis que possam ser, em termos éticos. 23. Todavia, o recurso ao arbitramento só deve ser usado como recurso último Nesse sentido, tem-se pautado a jurisprudência deste Colegiado, como soe ser exemplo o Acórdão, cuja ementa abaixo se transcreve, embora relativo ao IRPJ - o que não descaracteriza sua principal recomendação - qual seja a de que o arbitramento é medida extrema, qualquer que seja o imposto. "ARBITRAMENTO É MEDIDA EXTREMA (EX89) - A aplicação do arbitramento é medida extrema e só deve ser utilizada como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que tenha mais condições de aproximar-se do lucro real. É imprescindível por parte do fisco a abertura formal de prazo para apresentar-se a documentação que o elidiria. A intimação para apresentação da Declaração IRPJ e a sua recusa ou atraso não suportam por si só a utilização da medida extrema, que deve revestir-se de maiores cautelas (Ac. 1° CC 105- 5 127/90 - DOU de 17 06.91) 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA "P . CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ''="'P PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 24 É aceitável o argumento de que, à época do lançamento, o Fisco não tivesse elementos para chegar ao lucro real obtido nas transações - o que terá justificado o recurso à medida extrema Com efeito, apesar da defesa ter alegado, por diversas vezes, que tais informações poderiam ser obtidas na própria escrita da contribuinte, a verdade é que as mesmas só viriam aos Autos, prestadas por terceiro, no caso, o BCN, 25. Havendo meios para identificar o rendimento bruto real, deixa de existir a justificativa para se manter o arbitramento, devendo ser adotada a base de cálculo decorrente de tais valores - agora conhecidos. 26 Entendo, portanto, deva ser reformada a r decisão recorrida, quanto a este aspecto, para que o lançamento seja revisto, considerando-se como base de cálculo de incidência do imposto o resultado da comparação (positiva) entre os valores das colunas tituladas como "WALPIRES compra dos clientes" e "Clientes compram de outras empresas" dos quadros de fls. 261 a 264, relativamente aos períodos de apuração de que tratou a autuação neste processo (a autuação, relativamente a períodos de apuração de 1989 a 1991, foi distribuída neste e em outro processo) Inconformada, a pessoa jurídica interpõe recurso especial de divergência, ao qual deu-se seguimento através de agravo interposto às fls., 598/61 3 Do Despacho que admitiu a divergência, transcrevo o seguinte texto, através do qual foi reconhecida a divergência dos julgados: "Em sua petição de recurso especial, sustentou o sujeito passivo que a C Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, muito embora tenha dado provimento parcial ao seu recurso voluntário, reduzindo substancialmente o crédito tributário apurado ex officio, teria promovido "autêntico lançamento novo, tanto no aspecto fático como no jurídico". Na mesma peça, com vistas a caracterizar a inovação do feito, assinalou a ora agravante as seguintes diferenças entre o lançamento de ofício consubstanciado no auto de infração e a decisão 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA -••:; CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ft •Nr PRIMEIRA TURMA Processo n° 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 materializada no acórdão recorrido: 1 no auto de infração a base de cálculo do IR-Fonte foi arbitrada em 50% do valor bruto da cessão ou liquidação, enquanto no acórdão guerreado foi admitido como base de cálculo o rendimento real, 2. "a legislação citada no AI. difere substancialmente daquela arrolada nos fundamentos do voto do Ac."; 3. no AI a Fiscalização sustenta que não lhe foi possível determinar o rendimento real, razão pela qual optou pelo rendimento bruto, ou valor de face. No Ac. Afirma-se ter sido possível chegar ao rendimento real, à vista dos elementos colhidos por força das diligências solicitadas pela Sexta Câmara"; 4. "o AI aplicou a alíquota de 40% prevista no art. 10, parágrafo 20, "b", da Lei n° 7.751, de 14.04 89. O Ac. adotou a mesma alíquota de 40%, porém, estabelecido pelo art. 48, II, "a", da Lei n° 7.799, de 10 07 89" Entendeu a suplicante que, assim procedendo, a decisão atacada teria dado à lei tributária interpretação divergente da que lhe deu a Câmara Superior nos acórdãos n°s CSRF/02-0 560 e CSRF/02-0.568, ambos de 19105197, e a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes nos acórdãos n°s 103-07.255, de 25/02/86, e 103- 07.267, de 26/02/86 De plano verifico que não observou a interessada o dispositivo regimental (art. 7°, parágrafo 2°, RICSRF) que exige que o recurso especial deve demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida. Com efeito, não indicou a contribuinte quais os pontos dos acórdãos apontados como divergentes que se contraporiam ao aresto vergastado, com vistas a permitir ao Presidente da Câmara recorrida confirmar o dissídio jurisprudencial suscitado. Em verdade, preocupou-se a recorrente apenas em sustentar que o aresto hostilizado inovara no feito. Quanto à divergência em si, limitou-se o sujeito passivo a afirmar (já no agravo) que "o que a E Câmara Superior decidiu, nos Acórdãos paradigmas n°s CSRF/02-560 e CSRF/02-0.568, foi, muito claramente, que não compete ao Conselho de Contribuintes a atividade de lançqmento" e, referindo-se aos Acórdãos paradigmas n°s 103-07.255 e 103-07.267, que "os acórdãos desprezados não se referem, nitidamente, à competência do Conselho para lançar, ponto para o qual os acórdãos paradigmas são aqueles dois da Câmara Superior de Recursos Fiscais, examinados pelo Sr. Presidente da Sexta Câmara. Os Acórdãos rejeitados dizem 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880027913/91-14 Acórdão n° • CSRF/01-03 186 respeito à necessidade de observância do duplo grau de jurisdição quando há inovação no feito Causa forte impressão verificar que o Juízo de Admissibilidade não reconheceu ter havido inovação no feito no Acórdão n° 106-08658, de 18.03.97" Parece confundir a agravante a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais com uma terceira instância administrativa de julgamento. Aquela instância especial visa, precipuamente, a garantir a uniformização dos julgados dos Conselhos de Contribuintes, por meio de recurso especial, quando presentes os pressupostos para sua admissibilidade E no juízo de admissibilidade, do recurso especial, o Presidente da Câmara recorrida deve-se ater à verificação do atendimento dos requisitos regimentais, não lhe competindo tecer quaisquer considerações de mérito sobre o acerto do acórdão recorrido (como fez o Senhor Presidente da Sexta Câmara - itens 14 e 14.1, fls. 591) ou sobre o seu desacerto (como pretendia a agravante - transcrição retrogrifada) Nesse contexto, o que aqui se tem que verificar é, única e exclusivamente, se os acórdãos trazidos a confronto teriam examinado casos semelhantes (no plano fático) ao dos autos e se teriam chegado a conclusões diversas ( no plano jurídico) Em outras palavras, importa examinar se os acórdãos paradigmas, diferentemente do aresto recorrido, teriam concluído pela impossibilidade dos Conselhos de Contribuintes alterarem, ainda que para menor, a base de cálculo de um tributo, inclusive com alteração na capitulação legal, por entenderem que, se assim fosse, estariam promovendo novo lançamento Não obstante a recorrente não tenha demonstrado a divergência suscitada, o que por si só já autorizaria a rejeição do agravo, este Conselheiro solicitou a juntada de cópia do Acórdão n° CSRF/02-0560 (fls.. 618/631) e leu o seu inteiro teor. 0 que dele se extrai, diferentemente do que compreendeu o Senhor Presidente da Câmara recorrida (até justificável, pois há erro material 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA A CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA ..;;" Processo n° 10880.027913191-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 no acórdão), é que a E. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, apreciando recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, confirmou o entendimento adotado pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão n° 201- 69 867, assim ementado (fl. 632): "ITR - Não compete ao Conselho de Contribuintes a atividade de lançamentos. A base de cálculo do tributo é o Valor da Terra Nua informado pelo contribuinte, salvo quando impugnado pelo órgão competente mediante avaliação ou levantamento periódico de preços venais do hectare de terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município (Decreto n° 84 684180, art. 70) Recurso provido " Examinou-se, naqueles autos, lançamento do ITR do ano de 1992, em que o Fisco se utilizou dos dados cadastrais fornecidos pelo contribuinte, mas adotou como Valor da Terra Nua, base de cálculo do tributo, o VTN mínimo especificado na Instrução Normativa SRF n° 119/92, uma vez que o valor apontado na Declaração lhe era inferior Prevaleceu o entendimento, na Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e na Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que o lançamento, na forma como efetuado, é insubsistente, pois não observou a norma legal, uma vez que a Lei n° 4.504/64 determina que se leve em consideração o valor da terra nua informado pelo contribuinte, salvo impugnação pelo INCRA, caso em que será identificado por avaliação Implícita nesse entendimento está a conclusão de que não poderia o Colegiado reduzir a exigência para que o tributo passasse a incidir sobre o valor da terra nua declarado pelo contribuinte. No Acórdão n° 201-69867 esta conclusão está expressa no fecho do voto da Relatora (fl. 637). "[ ] Tendo-se desde logo a evidência de que esse valor é inequívoca e flagrantemente incorreto, não se há de recorrer a perícia técnica, eis que dela somente poderia resultar a indicação de outro valor, apurado com base em critérios diferentes, e em relação ao dual o contribuinte tem direito de impugnação e de duplo grau de jurisdição." (grifei) 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA v CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS+ PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880.027913/91-14 Acórdão n° : CSRF/01-03.186 No caso, não há como acolher o lançamento original, uma vez que efetuado com base em VTNm fixado com flagrante inobservância de norma legal, e em montante inteiramente incompatível com a realidade e com os fatos que deveriam ter sido tomados como seus parâmetros de identificação. Portanto, sendo inequivocadamente incorreto o critério que inspirou o lançamento, há que julqar improcedente a exigência, cingindo-se a esse limite a competência deste Colegiada (grifei) Com essas considerações, dou provimento ao recurso " (Grifos do original) No Acórdão n° CSRF/02-0.560, a conclusão é no mesmo sentido (fl. 631) "Portanto, não há como acolher o lançamento original, uma vez que efetuado com flagrante inobservância de norma legal, e em montante inteiramente incompatível com a realidade e com os fatos que deveriam ter sido tomados como parâmetros de identificação. Com essas considerações, sendo inequivocadamente, incorreto o critério que inspirou o lançamento, há que julgar improcedente a exigência, cingindo-se a esse limite a competência deste Colegiado " (grifo do original) Corrobora essa conclusão a afirmativa constante da ementa do acórdão paradigma (Ac.CSRF/02-0.560) de que "não compete ao Conselho de Contribuintes a atividade de lançamento". Nessa conformidade, muito embora distintos os tributos, e sendo certo que o Imposto Territorial Rural - ITR apresenta sistemática de cálculo bem mais complexa que o Imposto de Renda devido na Fonte de que tratam os presentes autos, dou por caracterizada a divergência de julgados, com vistas a possibilitar a manifestação da E Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o mérito da questão " Submetido o seguimento ao recurso especial à consideração do Sr. Presidente da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o aprovou, conforme despacho de fls.. 645/648 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10880.027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 Ciente, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresenta contra- razões É o Relatório 20 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PO: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10880 027913/91-14 Acórdão n° . CSRF/01-03 186 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade Merece, pois, ser conhecido Conforme relatado, exige-se do sujeito passivo imposto de renda na fonte, em face da falta de apresentação de notas de compras através das quais investidoras, devidamente identificadas nos autos, teriam adquirido papéis no mercado financeiro, com venda posterior à autuada Não comprovado o custo, arbitrou-se a base de cálculo para fins de incidência do imposto na fonte. Deu-se o enquadramento legal conforme previsto no item `b", § 2°, art. 1° c/c o art. 3°, da Lei n° 7.751, de 1989, e inciso II, art. 48, da Lei n° 7 799, de 1989. Levado a julgamento na E Sexta Câmara, após realizadas duas diligências, concluiu-se quanto à possibilidade de se apurar o "rendimento real" das operações autuadas, tendo o Colegiado provido parcialmente o recurso para reduzir a base de cálculo ao rendimento real, arguindo, inclusive, que "arbitramento" não é para ser usado como retaliação, mas como recurso último e, constatado meios para se determinar o rendimento real, deixa de existir justificativa para se manter o arbitramento. 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA k),L CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° 10880027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 Não obstante a base de cálculo da exigência tenha sido drasticamente reduzida, não há qualquer dúvida quanto à inovação do lançamento Houve alteração da base de cálculo em face da alteração dos dispositivos legais que regem a incidência do imposto sobre o rendimento real. De se destacar que a apuração da nova base de cálculo da incidência só foi possível após a concretização de duas diligências, sendo necessário intimar terceiros Pode-se concluir, pois, o aperfeiçoamento da exigência, tendo o Colegiado, sem qualquer dúvida, inovado o lançamento Não compete ao julgador de segunda instância aperfeiçoar o lançamento. Comprovado que o lançamento original é inequívoco e flagrantemente incorreto, não caberia ao Colegiado recorrido transformar o julgamento em diligência especificamente para se apurar a verdadeira base de cálculo, haja vista que tal iniciativa conduziria a novo lançamento, pois estar-se-ia aplicando distinta legislação e nova base de cálculo. Caberia ao Colegiado, comprovado ser incorreto o critério utilizado na autuação, julgar quanto à improcedência da exigência Não lhe competindo buscar as provas e verdades materiais dos fatos, ainda que resultasse em base de cálculo mais favorável ao sujeito passivo Entendo ser cabível a este Colegiado declarar a nulidade do Acórdão recorrido, uma vez faltar-lhe competência para inovar no feito. Entretanto, comprovado nos autos que a exigência inicial não merece guarida, em face das novas provas trazidas aos autos, consequentes das diligências efetuadas, deixo de declarar a 22 MINISTÉRIO DA FAZENDAk 4.5 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° . 10880027913/91-14 Acórdão n° CSRF/01-03 186 nulidade daquele DOU provimento ao recurso interposto, cancelando-se toda a exigência constante nos autos É o meu voto Sala das Sessões - DF, em 04 de dezembro de 2000 LEI À MARIA SCHERRER LEITÃO 23 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1
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Numero do processo: 16045.000483/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 25/02/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-004.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário, relativamente às competências cuja decadência foi afastada.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário, relativamente às competências cuja decadência foi afastada. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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TITU. DOC. CIVIL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/02/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário, relativamente às competências cuja decadência foi afastada. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 04 83 /2 00 9- 11 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à multa prevista nos arts. 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, tendo em vista infração ao disposto no art. 47, inciso II, da mesma lei, c/c art. 257, inciso II e § 7°, e art 263, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Relatório Fiscal assim registra: "Autuo o Cartório de Registro de Imóveis de Lorena por infração ao art. 47 inciso da Lei 8.212/91, tendo em vista que o servidor, o serventuário da Justiça ou o titular da Serventia extrajudicial deixou de exigir a apresentação das Certidões Negativas de Débito — CND's do proprietário (...), referentes às obras de construção civil situadas respectivamente: (...)" Em sede do julgamento em Primeira Instância, foi acolhida a decadência, conforme a seguir: "Destarte, aqui cabe apenas a aplicação do art. 173 do CTN, o que implica reconhecer a decadência em relação ao imóvel da rua Paraná , matricula nº 28.209. Isso porque, conforme certidão à fl. 24, a averbação dessa construção se deu em 15/03/2003, sendo que o prazo decadencial se iniciou então em 01/01/2004, primeiro dia do exercício seguinte ao de 2003, e contandose cinco anos a partir dessa data o lançamento de oficio somente poderia ter sido feito até 31/12/2008. Logo, tendo em conta que a data de ciência do auto de infração foi 03/12/2009, há que se reconhecer a decadência em relação a esse imóvel." Em sessão plenária de 20/02/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403001.901 (fls. 72 a 77), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/02/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total, do crédito tributário, com base na regra do § 4º do artigo 150 do Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16045.000483/200911 Acórdão n.º 9202004.485 CSRFT2 Fl. 157 3 CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, que entendeu pela aplicação do Artigo 173 do CTN para a decadência.” O acórdão registra a seguinte conclusão: "Desse modo, tendo o contribuinte sido notificado da infração em 13/12/2009 e averbação do segundo imóvel, matrícula 28.888, ocorrido em 25 de fevereiro de 2004, na forma do artigo 150, §4° do CTN, o créditos lançados pela fiscalização anteriores a competência 11/2004, inclusive, encontravamse alcançado pelo instituto da decadência." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 94). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria 30 dias após a referida data, em 13/11/2013. Em 21/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 95 a 101 (Despacho de Encaminhamento de fls. 119), com fundamento no art. 67, do RICARF, visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 1190/2013, de 09/12/2013 (fls. 121/122). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 22/07/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 129, o Contribuinte ofereceu, em 20/08/2014, as Contrarrazões de fls. 131 a 151. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa a rediscussão da decadência. As Contrarrazões do Contribuinte foram oferecidas intempestivamente, portanto não podem ser conhecidas (ciência do recurso em 22/07/2014 e protocolo em 20/08/2014, portanto após o prazo de quinze dias, previsto no art. 69, do Anexo II, do RICARF). Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória multa prevista nos arts. 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, tendo em vista infração ao disposto no art. 47, inciso II, da mesma lei, c/c art. 257, inciso II e § 7°, e art 263, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Relatório Fiscal assim registra: Em sede do julgamento em Primeira Instância, foi aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, acolhendose parcialmente a decadência, conforme a seguir: Fl. 158DF CARF MF 4 "Destarte, aqui cabe apenas a aplicação do art. 173 do CTN, o que implica reconhecer a decadência em relação ao imóvel da rua Paraná, matricula nº 28.209. Isso porque, conforme certidão à fl. 24, a averbação dessa construção se deu em 15/03/2003, sendo que o prazo decadencial se iniciou então em 01/01/2004, primeiro dia do exercício seguinte ao de 2003, e contandose cinco anos a partir dessa data o lançamento de oficio somente poderia ter sido feito até 31/12/2008. Logo, tendo em conta que a data de ciência do auto de infração foi 03/12/2009, há que se reconhecer a decadência em relação a esse imóvel." Quanto ao acórdão recorrido, este aplicou o art. 150, § 4º, do CTN, considerando decaído todo o restante do crédito tributário. Quanto à decadência para lançamento de obrigações acessórias, reitero a jurisprudência já consagrada nesta 2ª Turma, representada pelo Acórdão nº 9202002.686, de 10/06/2013, da lavra do Ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que adoto e faço minhas suas razões de decidir: "No tocante ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência dos créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, é entendimento assente deste E. Colegiado que deve ser aplicada a regra geral constante do artigo 173, inciso I, do CTN. De fato, em que pesem as alegações da Recorrente, tenho para mim que o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN é regra restrita à obrigação tributária principal, decorrente da ocorrência do fato gerador do tributo e, consoante jurisprudência pacífica do C. Superior Tribunal de Justiça, após a verificação do pagamento, ainda que parcial, do tributo. Outra não poderia ser a interpretação do referido dispositivo legal, in verbis: 'Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.' Ora, só se pode homologar nos termos do art. 150, parágrafo 4º, a atividade que possa resultar em pagamento de tributo ('prestação de dar'), o que é típico da atividade que conduz à determinação da obrigação tributária principal. Aos deveres instrumentais que constituem prestação de fazer (ou não fazer) não se pode, do ponto de vista lógico, cogitar da aplicação do art. 150, parágrafo 4º. Essa é a posição do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16045.000483/200911 Acórdão n.º 9202004.485 CSRFT2 Fl. 158 5 presente Colegiado, como se verifica da ementa abaixo transcrita: 'ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1996 AUTO DE INFRAÇÃO PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa pelo preparo inadequado de folhas de pagamento é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento que envolve as competências 04/1995 e 05/1995, cuja ciência ocorreu em 07/12/2005, está atingido pela decadência. Recurso especial provido.' (Acórdão nº 920200.901, Sessão de Sessão de 12/05/2010) (...)" No presente caso, o Auto de Infração foi lavrado objetivando a cobrança de multa por infração ao art. 47 inciso da Lei 8.212/91, tendo em vista que o servidor, o serventuário da Justiça ou o titular da Serventia extrajudicial deixou de exigir a apresentação das Certidões Negativas de Débito — CND's do proprietário (...), referentes às obras de construção civil situadas respectivamente: (...)", caso típico de descumprimento de dever instrumental ou obrigação acessória. Assim, aplicase ao presente caso o disposto no artigo 173, I, do CTN, concluindose que somente foi operada a decadência em relação ao imóvel da rua Paraná, matricula nº 28.209, já que a averbação dessa construção se deu em 15/03/2003, sendo que o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2004, primeiro dia do exercício seguinte ao de 2003, e contandose cinco anos a partir dessa data o lançamento de oficio somente poderia ter sido feito até 31/12/2008, porém a ciência do lançamento somente ocorreu em 03/12/2009. Como a DRJ já reconheceu a decadência em relação a esse imóvel averbado em 15/03/2003, nada mais há a ser reconhecido em termos de decadência, razão pela qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento para afastar a decadência declarada no acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo, para apreciação das demais questões suscitadas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 160DF CARF MF 6 Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.001379/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 79 /2 00 7- 59 Fl. 336DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 338DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.289. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 340DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 342DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 344DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 346DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 348DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 350DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 352DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 354DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 356DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 358DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 360DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 362DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 364DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 366DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 368DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 370DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 372DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 374DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 376DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 378DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 380DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13161.001379/200759 Acórdão n.º 3302003.289 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 382DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.721586/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 15 86 /2 01 1- 48 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721586/201148 Acórdão n.º 3302003.445 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16643.720038/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
AÇÃO JUDICIAL. MESMO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MATÉRIA SUB JUDICE.
A Recorrente submeteu à apreciação da Justiça a aplicabilidade do art.74 da MP nº 2.158-34, de 2001 e a exigência contida no art. 7°, § 1º, da IN SRF nº 213, de 2002.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO
No momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil, na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras; se houve pagamento de tributo no exterior, este será considerado para fins de compensação com o tributo a ser pago no Brasil.
PERDA NA RECUPERAÇÃO DE INVESTIMENTO.
Ajustes introduzidos pela legislação societária para adequar a contabilidade brasileira aos padrões internacionais, entre os quais impairment, ou perda na recuperação do valor do investimento, devem ser desconsiderados para fins de apuração do lucro real.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS
Deve-se cancelar lançamento de ofício a título de indevida compensação de valor inexistente de prejuízos fiscais, se não há nos autos elementos que confirmem a conclusão fiscal.
LUCRO NÃO COMPUTADO NO LUCRO REAL. RECOMPOSIÇÃO DO CÁLCULO DE IRPJ E CSLL
O IRPJ e a CSLL devidos sobre lucro que o contribuinte não havia computado no lucro real devem ser apurados mediante recomposição dos cálculos apresentados na DIPJ, considerando-se as deduções ali contidas e não contestadas na autuação.
IMPOSTOS PAGOS NO EXTERIOR POR CONTROLADA INDIRETA.
Inviável efetuar a compensação de impostos pagos por controlada indireta no exterior, se a Recorrente não apresentou elementos suficientes a provar que a controlada direta (controladora daquelas indiretas) já não os compensou em função de tratado para evitar bitributação existente entre os dois países, o da controlada indireta e da direta, e em virtude de incoerência entre os comprovantes e a apuração apresentada dos ditos impostos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso, nos termos da voto da relatora, vencidos os Conselheiros José Roberto e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Ester Marques Lins de Souza, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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MESMO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA SUB JUDICE. A Recorrente submeteu à apreciação da Justiça a aplicabilidade do art.74 da MP nº 2.15834, de 2001 e a exigência contida no art. 7°, § 1º, da IN SRF nº 213, de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO No momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil, na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras; se houve pagamento de tributo no exterior, este será considerado para fins de compensação com o tributo a ser pago no Brasil. PERDA NA RECUPERAÇÃO DE INVESTIMENTO. Ajustes introduzidos pela legislação societária para adequar a contabilidade brasileira aos padrões internacionais, entre os quais impairment, ou perda na recuperação do valor do investimento, devem ser desconsiderados para fins de apuração do lucro real. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 38 /2 01 3- 08 Fl. 2922DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 3 2 Devese cancelar lançamento de ofício a título de indevida compensação de valor inexistente de prejuízos fiscais, se não há nos autos elementos que confirmem a conclusão fiscal. LUCRO NÃO COMPUTADO NO LUCRO REAL. RECOMPOSIÇÃO DO CÁLCULO DE IRPJ E CSLL O IRPJ e a CSLL devidos sobre lucro que o contribuinte não havia computado no lucro real devem ser apurados mediante recomposição dos cálculos apresentados na DIPJ, considerandose as deduções ali contidas e não contestadas na autuação. IMPOSTOS PAGOS NO EXTERIOR POR CONTROLADA INDIRETA. Inviável efetuar a compensação de impostos pagos por controlada indireta no exterior, se a Recorrente não apresentou elementos suficientes a provar que a controlada direta (controladora daquelas indiretas) já não os compensou em função de tratado para evitar bitributação existente entre os dois países, o da controlada indireta e da direta, e em virtude de incoerência entre os comprovantes e a apuração apresentada dos ditos impostos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso, nos termos da voto da relatora, vencidos os Conselheiros José Roberto e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Ester Marques Lins de Souza, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Relatório Trata o processo de autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$28.944.977,90 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 2923DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL, R$10.380.209,81, págs. 5/18, acrescidos de juros de mora, e relativos ao anocalendário 2010. Não foi aplicada multa pois o crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa devido à ação judicial Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0026301; as infrações autuadas foram: 0001 Lucros auferidos no exterior não computados no lucro real; 002 Compensação de prejuízos operacionais em montante superior ao saldo existente; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Verificação Fiscal de págs. 21/36. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo no Acórdão nº 1667.792 7ª Turma da DRJ/SPO, de 24 de abril de 2015, que considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário in totum; as ementas esclarecem a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fotos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória. APURAÇÃO DOS LUCROS DA CONTROLADA NO EXTERIOR. OBEDIÊNCIA ÀS NORMAS DA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA Harmonizando o caput e o §2° do art. 6o da Instrução Normativa (IN) 213 2002 com o dispositivo do art. 25, §2°, incisos I e II. da Lei 9249 95, resulta na exigência de a apuração do lucro da controlada no exterior, para refletir no lucro real da controladora residente no Brasil, ser feita segundo as normas da legislação brasileira, depois da tradução para idioma nacional das contas e subcontas e conversão em Reais. Somente com a edição da Medida Provisória 627/2013 é que houve a inserção do §7° do art. 25 da Lei 9.249/95 para determinar que os lucros devam ser apurados segundo as normas da legislação comercial do país de domicílio. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DA CONTROLADORA NA PARTE QUE SE REFERE AO LUCRO DA CONTROLADA NO EXTERIOR. INOCORRÊNCIa DE DUPLA OU TRIPLA TRIBUTAÇÃO JURÍDICA E DE OFENSA AO TRATADO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E LUXEMBURGO. A tributação do lucro da empresa controladora que corresponde, em termos de equivalência patrimonial, ao lucro da empresa controlada no exterior não ofende o art. T do tratado para evitar a dupla tributação existente entre Brasil e Luxemburgo, pois o sujeito passivo da tributação é Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 5 4 a empresa residente no Brasil. Não há que se falar em dupla ou tripla tributação, tendo em conta que não se observa as quatro identidades necessárias para adupla tributação jurídica dada a diversidade de sujeitos quando consideramos a tributação dos lucros da controlada feita por Luxemburgo e a tributação da controladora feita pelo Brasil. A dupla ou tripla tributação econômica não é objeto dos tratados. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COM O IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE EVENTUAL IMPOSTO PAGO NO PAÍS DA CONTROLADA INDIRETA. Em conformidade com o art. 14, §§ 1º, 4º e 5o da Instrução Normativa (IN) 213/2002, o imposto de renda pago no país de domicílio controlada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da controlada, sendo que a compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificado em 27/05/2015, pág. 2.687, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 2.690/2.789, em 25/06/2015 (pág. 2.689), tempestivo, resumido a seguir. 4. Assevera que não há concomitância no caso concreto, pois os argumentos (autônomos e suficientes) aduzidos na defesa administrativa do contribuinte são absolutamente diversos da matéria objeto do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0026301 (afastamento do disposto no artigo 74 da MP n° 2.15835/01 e, subsidiariamente, da IN SRF n° 213/02, no que concerne à tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial). 5. O autuante não motivou de forma adequada e suficiente os lançamentos tributários, e não aprofundou o trabalho fiscal, inclusive desprezando os créditos dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL na DIPJ do anocalendário de 2010 (págs. 43/98). 6. Diz que o autuante foi induzido em erro no lançamento porque, por equívoco, no curso do procedimento de fiscalização a Fiscalizada apresentou uma "demonstração preliminar" não oficial, elaborada de acordo com as normas contábeis de Luxemburgo (págs. Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 6 5 1.801/1.822), indicando suposto lucro pela CCCLux,e que subsidiou o incorreto preenchimento da DIPJ do anocalendário de 2010; que tal demonstração deve ser desprezada . 7. É por meio da CCCLux que são administrados e controlados todos os investimentos operacionais do Grupo Camargo Corrêa nas empresas de cimento. 8. E comprovou que, tanto na demonstração financeira definitiva elaborada conforme as normas contábeis de Luxemburgo (LOCAL GAAP), quanto na demonstração financeira elaborada de acordo com as normas contábeis brasileiras (BR GAAP), a investida (CCCLux) não apurou lucro no anocalendário 2010; os lançamentos tributários decorrem de ajuste realizado pela autoridade administrativa da baixa de impairment, tendo em vista o disposto no artigo 16 da Lei n° 11.941/09 RTT Regime Transitório de Tributação, aplicável somente às empresas brasileiras, e para adaptar as novas normas contábeis brasileiras às normas fiscais, distorcendo completamente o resultado da empresa estrangeira, de prejuízo, para lucro. 9. Que as demonstrações financeiras auditadas, publicadas e registradas perante o Registro de Comércio das Sociedades de Luxemburgo (fls. 1.321/1.330 e docs. 03 a 06 da impugnação), comprovam que a investida da Recorrente (CCCLux), observando as normas societárias e contábeis de Luxemburgo, encerrou o anocalendário de 2010 com vultoso prejuízo de EUR 181.477.443 (e não lucro!); assim como o balanço patrimonial da investida em Luxemburgo (CCCLux) elaborado de acordo com as normas contábeis brasileiras (fls. 547/548), apenas para fins de avaliação do valor contábil do investimento da Recorrente, também apurou prejuízo no anocalendário de 2010, atestado pelos Auditores Independentes (Deloitte, doc. 01) da ordem dc RS 567.241 mil, bem como o resultado negativo de equivalência patrimonial de R$ 582.487 mil (vide folha 37 do doc. 01). 10. Também, a fiscalização desconsiderou as regras aplicáveis aos lucros auferidos pelas investidas no exterior, ou seja, aos lucros societários, aqueles que são ou serão um dia passíveis de distribuição à sócia brasileira e, portanto, sujeitos á tributação no Brasil; e tentou transformar a investida estrangeira em empresa brasileira, sujeita às normas de apuração contábil e fiscal vigentes no Brasil, e cujo resultado tomouse também sujeito a adições e exclusões para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ c da CSLL; o que é uma inovação em termos legais, pois a admitir esse procedimento, como inadvertidamente fez a decisão recorrida passaríamos a buscar não o lucro que um dia estará disponível para distribuição, mas o resultado das investidas estrangeiras ajustado pelo RTT. 11. E ainda que se pudesse cogitar da apuração de lucro pela investida da Recorrente no exterior (CCCLux), apenas como argumentação, a sua tributação, aqui no Brasil, afronta o Tratado firmado entre Brasil e Luxemburgo para Evitar a Dupla Tributação, aprovado pelo Decreto n° 85.051/80 (Tratado Brasil e Luxemburgo); cita Superior Tribunal de Justiça e CARF. 12. Também foi ignorada a autorização legal para a compensação dos tributos pagos no exterior, inclusive pelas controladas indiretas, como é o caso, por exemplo, da "CIMPOR" domiciliada era Portugal, cujo resultado, aliás, foi equivocadamente adicionado ao resultado da CCCLux. 13. Aponta que o presente caso concreto não envolve qualquer "planejamento tributário", por meio da interposição de pessoa jurídica (sociedade holding) em país com o qual o Brasil possui Tratado, apenas para evitar a tributação aqui no Brasil de lucros auferidos por controladas no exterior; a CCCLux detém participação na CIMPOR, estabelecida em Portugal, Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 7 6 com o qual o Brasil firmou Tratado para Evitar a Dupla Tribulação (Tratado Brasil e Portugal, aprovado pelo Decreto n° 4.012/01) e os lucros dessa investida (Cimpor Portugal, controlada direta da CCCLux), também estão protegidos por este Tratado o que, por si só, demonstra que a estrutura não objetivava qualquer economia fiscal. 14. Diz que nada consta no termo de verificação fiscal sobre compensação indevida de saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, por isso, não há a necessária e imprescindível motivação exigida pelo artigo 142 do CTN. 15. Resume que demonstrou na sua impugnação à autuação que: (I) os autos de infração violaram o art. 142 do Código Tributário Nacional, dado vícios insanáveis na motivação dos lançamentos tributários; (II) comprovou que, no anocalendário de 2010, a investida CCCLux apurou prejuízo; (III) demonstrou que a aplicação das normas contábeis e fiscais brasileiras, inclusive o "RTT para ajustar o resultado da empresa estrangeira, alterandoo de prejuízo para lucro, é improcedente e ilegal; (IV) demonstrou que as exigências fiscais afrontam o Tratado firmado entre Brasil e Luxemburgo para Evitar a Dupla Tributação; e (V) na remota hipótese de ser mantida a tributação, demonstrou que todos os tributos recolhidos no exterior pelas investidas (diretas e indiretas) devem ser compensados com os créditos tributários exigidos nos autos . Porém a DRJ/SPO emitiu Acórdão em que encampou os procedimentos da Fiscalização, com o que discorda. 16. Sobre a afronta ao art. 142 do CTN, aponta: a. Sobre "DA VIOLAÇÃO AO ART. 142 DO CTN", afirma que tratou de argumentos de mérito (e não preliminares de nulidade por cerceamento de direito de defesa como entendeu a DRJ, que deixou de analisar os argumentos expostos pela Recorrente), demonstrando que vícios materiais insanáveis na motivação exigem o cancelamento do lançamento fiscal, porque: (I) não se pronunciou sobre a existência do Tratado entre Brasil e Luxemburgo para Evitar a Dupla Tributação, aprovado pelo Decreto nº 85.051/80, nem as razões da sua não aplicação ao caso; tampouco houve o cotejo entre os Comentários da OCDE e a Convenção Modelo, e sua aplicação aos específicos termos do Tratado Brasil e Luxemburgo; não demonstrou de que forma e em que medida as conclusões contidas na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18 impediriam a aplicação do Tratado Brasil e Luxemburgo. (II) não motivou de forma adequada e específica a acusação fiscal de compensação indevida de saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, sendo que simplesmente nada foi dito em todo o Termo de Verificação Fiscal; e (III) não aprofundou o trabalho fiscal, desprezando os tributos recolhidos no exterior; Tendo sido intimada apenas a esclarecer recolhimento de imposto sobre a renda no exterior, a Recorrente informou tão somente às empresas nas quais possuía investimento direto (pois nunca se indagou acerca das empresas investidas indiretas), no caso, a empresa situada na Argentina (Loma Negra); e o Autuante, sem aprofundar o trabalho fiscal requerendo apresentação de outras informações sobre eventuais recolhimentos de imposto no exterior, encerrou a fiscalização sem possibilitar a compensação prevista nas Leis n°s 9.249, de 1995 e 9.430, de 1996 ; 60. Nas demonstrações financeiras da empresa controlada indireta em Portugal (Cimpor Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 8 7 Portugal fls. 1.625/1.628), há tópico específico discriminando a alíquota do imposto sobre a renda incidente sobre a renda/rendimentos auferidos pelas empresas do Grupo nos mais variados países, bem como o efetivo montante de imposto recolhido pelas empresas no ano de 2010, informação mais do que suficiente para que a autoridade administrativa, por força do art. 142 do CTN, prosseguisse com a investigação dos fatos, e não encerrado o trabalho fiscal, sem considerar tais impostos pagos. 17. Reclama da desconsideração de créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL, do anocalendário de 2010, nos montantes de R$4.604.644,50 e R$1.166.891,29, respectivamente (fls. 43/98); fato este não justificado no Termo de Verificação Fiscal. 18. Requer que seus argumentos sejam acolhidos neste recurso voluntário e julgados de acordo, tendo em vista o §3º do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. 19. Pugna pela improcedência da tributação do suposto lucro no exterior, destacando que há nos autos três demonstrativos referentes à CCCLux: (I) uma demonstração preliminar e não oficial, que não refletia a realidade, apesar de ter sido utilizada pela Recorrente para equivocadamente preencher a DIPJ, o que é incontestável, dado que assim foi aceito pela DRJ; (11) uma demonstração financeira definitiva da CCCLux, elaborada conforme as normas contábeis de Luxemburgo (GAAP LOCAL) e com apuração de prejuízo, sendo que a diferença entre a "demonstração preliminar" (fls. 1.801/1.822) e a demonstração financeira definitiva (fls. 1.321/1.330) repousa, basicamente, na perda (impairment) que a CCCLux, obrigatoriamente, teve de registrar em seu investimento na empresa CIMPOR Portugal em decorrência da diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado do investimento, para atender as normas da legislação comercial de Luxemburgo, 1.321/1.330), com apuração de prejuízo de EUR 181.477.443, e que foi auditada, publicada e registrada no Registro de Comércio das Sociedades de Luxemburgo (docs. 03 a 06 da impugnação); e (III) finalmente, uma demonstração financeira da CCCLux elaborada conforme as normas contábeis brasileiras (BR GAAP), fls. 547/548), que também registrou prejuízo (R$582.487.169,26). 20. Para evitar quaisquer questionamentos sobre o assunto, na impugnação a Recorrente juntou a demonstração financeira consolidada da CCCLux (doc. 08 da impugnação), com a apuração de prejuízos, preparada para atender ao disposto no §6° do artigo 1° da IN nº 213, de 2002; Parecer dos Auditores Independentes (Deloitte, doc. 01) sobre as demonstrações financeiras da Recorrente (empresa brasileira) do anocalendario de 2010, atestando o prejuízo da investida em Luxemburgo (CCCLux) de RS 567.241 mil, bem como o resultado negativo de equivalência patrimonial de RS 582.487 mil como não poderia deixar de ser, o prejuízo da investida em Luxemburgo (CCCLux) impactou as demonstrações financeiras consolidadas da Recorrente, reduzindo o resultado do anocalendário de 2010 da empresa brasileira. 21. Sobre a necessária observância da legislação de Luxemburgo na apuração de resultados da CCLux, que o entendimento da fiscalização e da DRJ de que o lucro da controlada estrangeira deveria ser apurado segundo as normas da legislação brasileira, é improcedente e, portanto, deve ser afastado, tal como, aliás, já decidido pelo CARF que: " Assim, não há nenhum distanciamento entre a norma prevista no inciso I do §2" do art. 25 da Lei n" 9.249, de 1995, e o disciplinamento do art. 10 da IN nº 38, de 1996. O lucro a ser adicionado deve ser demonstrado segundo as normas da legislação brasileira, a partir das demonstrações elaboradas segundo as normas de legislação comercial do país de domicílio, traduzidas e convertidas para a moeda nacional."; "Assim, como regra geral a pessoa jurídica submetese às normas tributárias do país onde está domiciliada. Demonstrado que a apuração Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 9 8 do resultado ocorreu sem violação ao regramento locai, acatase o valor do lucro declarado."; afirma que o inciso I do §2° do art. 25 da Lei nº 9.149, de 1995, as filiais, sucursais e controladas no exterior deverão DEMONSTRAR A APURAÇÃO DO LUCRO segundo as normas da legislação brasileira, e NAO APURAR O LUCRO de acordo com as normas da legislação brasileira e, evidentemente, o lucro da empresa estrangeira deve ser apurado de acordo com a legislação do país de domicílio, conforme esclarecido pelos art. 5º, §3º e art. 10, §2º da Instrução Normativa SRF n° 38, de 1996, e art. 4º, §1º e art. 6º, §2º da Instrução Normativa SRF n° 213, de 2002, não revogados pela Instrução Normativa RFB n° 1520, de 2014, evidenciando que, há quase 20 (vinte) anos, a Receita Federal assim se pronuncia; destaca que a IN nº 1.520/2014, no §1" do artigo 8o, ainda confirmou que: "O resultado auferido no exterior de que trata o caput deve ser apurado segundo as normas da legislação comercial do país de domicílio e antes da tributação no exterior sobre o lucro'" 22. Destaca que a elaboração da demonstração financeira da empresa estrangeira e a apuração do seu resultado conforme a legislação do país de domicílio faz muito mais sentido do que a interpretação dada ao inciso 1 do §2° do artigo 25 da Lei n° 9.249/95 na decisão recorrida, pois a empresa investida (domiciliada no exterior) somente poderá distribuir os lucros apurados conforme sua legislação local, dado que esse é o único resultado a que os sócios ou acionistas da sociedade, seja ela sediada no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, pode ter acesso. 23. E para corroborar a argumentação da Recorrente o art. 95 da Lei n° 12.973, de 2014 (conversão da Medida Provisória n° 627, de 2013) introduziu o §7° ao art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995 com a seguinte redação: "Os lucros serão apurados segundo as normas da legislação comercial do país de domicílio". esclarecido na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 627/2013, convertida na Lei n° Lei n° 12.973/2014 que, dentre outras questões, introduziu o §7° ao artigo 25 da Lei n° 9.249/95: "O art. 94 traz um comando legal aplicado à apuração dos lucros da empresa no exterior, acrescentando o §7" do art. 25 da Lei n" 9.249, de 1995. O comando confirma o respeito às normas da legislação comercial do Estado estrangeiro como base para a apuração dos lucros. (...)" 24. Sobre a Demonstração da CCCLux elaborada de Acordo com as Normas Contábeis Brasileiras, apenas para fins de cálculo do valor contábil do investimento da Recorrente, também apurou prejuízo no anocalendário de 2010; assim, na remota hipótese de a RFB considerar esta apuração, necessariamente deverá sei adotada a demonstração financeira da investida da Recorrente em Luxemburgo (CCCLux) elaborada de acordo com as normas contábeis brasileiras (BR GAAP, fls. 547/548), com apuração de prejuízo e sem qualquer ajuste em função de normas fiscais brasileiras (portanto, sem o ajusto do RTT, previsto na Lei nº 11.941/2009), aplicáveis, obviamente, somente para empresas brasileiras. Destaca que o lucro que é passível de ser distribuído aos acionistas brasileiros é o "Lucro Contábil", e não o "Lucro Real", apurado após as adições, exclusões, deduções e compensações autorizadas pela legislação tributária de regência; que as regras brasileiras de tributação de resultado auferido no exterior não admitem a aplicação de ajustes previstos na legislação tributária de regência, especialmente os relacionados à apuração do "Lucro Real" e da base de cálculo da CSLL, para efeito de apuração do resultado da empresa estrangeira; então, não se pode admitir o procedimento da autoridade administrativa que, invocando dispositivos da legislação fiscal brasileira relativos ao denominado Regime Tributário de Transição RTT (art. 16 da Lei n° 11.941/09), aplicável somente às pessoas jurídicas nacionais, expurgou perdas/despesas efetivamente incorridas pela controlada luxemburguesa (impairment), registradas por força da legislação comercial de Luxemburgo. Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 10 9 25. Acerca do Tratado Brasil e o GrãoDucado de Luxemburgo para Evitar a Dupla Tributação, que a autoridade administrativa,entendeu que o art. 7º do Tratado não veicularia norma de competência exclusiva de tributação, e protegeria somente a denominada "dupla tributação jurídica internacional" (tributação do mesmo contribuinte por 2 Estados diferentes sobre os mesmos fatos e no mesmo período); a DRJ/SPO acabou encampando a posição da Receita Federal do Brasil sobre a matéria, manifestada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 13 de agosto de 2013, para consignar que a tributação de lucros da CCCCLux não afrontaria o Tratado Brasil e Luxemburgo; mas o entendimento na Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2013, não pode prosperar e invoca pronunciamento da Ia Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ de que: "7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicilio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicioná los ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o principio da boafé nas relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono." 26. Discorre sobre os Objetivos dos Tratados para Evitar a Dupla Tributação: destaca questões de território e soberania, para evidenciar que a autoridade fiscal brasileira não tem ingerência sobre empresas em outros países e que a questão reside na interpretação dada pela autoridade acerca da forma de atribuição dos lucros da controlada estrangeira à investidora brasileira que, desvirtuando a natureza do lucro produzido no exterior, agride os reais e verdadeiros objetivos dos Tratados para Evitar a Dupla Tributação que se encontram expressamente declarados nos próprios Tratados: evitar a dupla tributação e a evasão fiscal. 27. E a má compreensão destes dois objetivos levou qe a autoridade administrativa e a 7a Turma da DRJ/SPO, a pressupor que (a) os lucros ora tributados seriam os lucros auferidos pelos sócios aqui residentes (e não os lucros da CCCCLux) e (b) tal tributação não seria incompatível com os Tratados para Evitar a Dupla Tributação. 28. Assim, fixada a premissa correta de que os Tratados têm por objetivo evitar a dupla tributação e a evasão fiscal, passa a Recorrente a refutar as ilações da autoridade administrativa e da 7a Turma da DRJ/SPO sobre a matéria. 29. Sobre a Dupla Tributação e do Mecanismo para Evitar a sua Ocorrência, esclarece que um Estado Contratante deverá, de alguma forma e em algum momento, abrir mão de receita tributária; a renúncia de receita tributária representa a essência, o fundamento de qualquer metodologia a ser aplicada para evitar a dupla tributação. Se não ocorrer esta renúncia de receita tributária, fica prejudicada qualquer tentativa de se evitar a dupla tributação. 30. O artigo 7º do Tratado Brasil e Luxemburgo aplicado ao caso concreto, deve ser lido da seguinte forma: os lucros de uma empresa de um Estado Contratante (CCCCLux) só são tributáveis nesse Estado (Luxemburgo); esta foi a opção do Brasil e de Luxemburgo para evitar a dupla tributação e deve ser respeitada; se o lucro for oriundo de empresa estabelecida em Luxemburgo (CCCCLux), este lucro somente pode ser lá tributado. 31. Dessa forma, não tem cabimento a leitura do artigo 7º do Tratado Brasil e Luxemburgo realizada pela 7a Turma da DRJ/SPO e consignada da seguinte maneira na r. Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 11 10 decisão recorrida; o fundamento da regra do art. 7º do Tratado de competência exclusiva de tributação, há uma lógica irrefutável: ao país em que são explorados os negócios pela sociedade e obtidos os lucros, cabe o direito de tributar. 32. Aduz que a Recorrente não possui estabelecimento permanente em Luxemburgo e, como comprovado nos autos, a CCCLux não apurou lucros em 31/12/2010 e, portanto, também não ocorreu e nem poderá ocorrer qualquer pagamento de dividendos para a empresa brasileira. 33. Sobre a Interpretação Particularizada da Fiscalização e da r. Decisão Recorrida, diz que interpretação, no sentido de que os lucros ora tributados não seriam os lucros da CCCCLux, mas sim os lucros da Recorrente, é sutil, mas possui um potencial efeito devastador de esvaziar por completo o conteúdo normativo do Tratado Brasil e Luxemburgo, assim como o de todo c qualquer Tratado firmado para evitar a dupla tributação. 34. Contudo, a Convenção de Viena sobre o "Direito dos Tratados", à qual o Brasil aderiu e que foi promulgada por meio do Decreto nº 7.030, de 09, estipula que os Tratados Internacionais, categoria na qual se incluem os Tratados para Evitar a Dupla Tributação, devem ser interpretados de boafé, à luz do seu objetivo e finalidade, e neste ponto, a interpretação defendida pela autoridade administrativa, encampada na r. decisão recorrida, distanciase, e muito, dos objetivos do Tratado firmado por esta República com Luxemburgo. 35. E acusa que ocorreu tripla tributação: o lucro seria tributado no país de domicílio da empresa, Luxemburgo e no país de domicílio do sócio, Brasil, e por fim, este lucro seria posteriormente tributado na fonte quando de sua efetiva distribuição, na forma de dividendos, aos sócios da empresa investida (art. 10 do Tratado), por ambos os países signatários; tanto que, no julgamento da Ia Turma do STJ sobre a matéria (REsp n° 1.325.709), o Ministro Relator Napoleão Nunes asseverou categoricamente que a interpretação das Autoridades Fiscais, inclusive manifestada na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18 de 2013, "termina por ferir de morte os pactos internacionais tributários e infringir o princípio da boafé nas relações existentes". 36. Assim, o Lucro Tributado por meio dos Autos de Infração, segundo os Autuantes e a DRJ, supostamente de titularidade da Recorrente, não se confundiriam com os lucros da CCCCLux, conforme a Solução de Consulta Cosit nº 18, de 2013. Porém, existem lucros distintos ou grande/as diversas (aquele apurado pela CCCLux e o lucro ora tributado), na medida em que não foram criadas riquezas novas. O lucro é um só: aquele apurado pela CCCCLux! 37. Conforme o art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995, na formação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do contribuinte brasileiro (bases de cálculo dos tributos brasileiros), existem duas parcelas, segregadas e plenamente identificadas: (I) o lucro produzido pela própria empresa brasileira; e (II) o lucro produzido pela empresa estrangeira. 38. Se a parcela (II) acima mencionada (lucro produzido pela empresa estrangeira) for produzida por uma empresa domiciliada num país com o qual o Brasil possuí Tratado para Evitar a Dupla Tributação, por força do art. 7°, este lucro somente pode ser tributado pelo país de domicilio da empresa estrangeira; de reverso, se a empresa estrangeira não estiver estabelecida num país com o qual o Brasil possui Tratado para Evitar a Dupla Tributação, não há saída e este valor deverá ser devidamente tributado aqui no Brasil (a não ser que a norma que determina essa adição seja declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário). Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 12 11 39. É dessa forma que o Tratado para Evitar a Dupla Tributação opera e alcança os seus objetivos! Este é o seu campo de aplicação. 40. Sobre os Comentários da OCDE à Convenção Modelo e da Dupla Tributação Jurídica Internacional, a autoridade administrativa asseverou que o objetivo do Tratado é de apenas evitar a "dupla tributação jurídica internacional" em que pessoa da Recorrente não se confundiria com a pessoa da sua controlada direta (CCCLux), afirma que os Comentários da OCDE constantes do Termo de Verificação Fiscal e que, supostamente, comprovariam a ausência de violação às disposições do Tratado Brasil c Luxemburgo, não se aplicam ao caso concreto, pois guardam relação direta com o segundo objetivo dos Tratados, qual seja, o de evitar a evasão fiscal. 41. Os Comentários da OCDE transcritos no Termo de Verificação Fiscal estão contextualizados no âmbito de específicas legislações de alguns países, que veiculam normas antielisivas, a fim de evitar abusos nas práticas adotadas pelos contribuintes, com o intuito de frustrar a tributação, em seus domicílios, dos lucros apurados no exterior, o que não é o caso dos autos; que na maioria dos países em que ocorre a denominada "tributação em bases universais", a tributação dos lucros auferidos no exterior, via de regra, ocorre apenas quando estes lucros são efetivamente colocados à disposição (pagos regime de caixa) dos seus titulares; porém, excepcionalmente, e com o intuito de evitar abusos de seus contribuintes, no sentido de praticar atos com o único objetivo de postergar ou impossibilitar a disponibilidade de certos tipos de lucros (e, por consequência, a sua tributação), é que alguns Estados criaram as denominadas legislações "CFCs" para, em determinadas situações, possibilitar a sua imediata tributação independentemente da disponibilidade (distribuição) destes lucros. Estas situações (a atrair a aplicação da norma "CFC" em certos países) podem guardar relação com (a) a jurisdição em que sediada a empresa investida (por exemplo, países com baixa tributação); (b) os tipos de resultados/rendimentos em análise (rendas passivas); ou (c) a combinação das situações anteriores. Tratase, sem dúvida alguma, de verdadeiras normas excepcionais e antielisivas! 42. A tributação no Brasil operase tão logo o lucro no exterior é auferido (art. 74 da MP n° 2.15835/01). independentemente de sua origem (paraíso fiscal ou país de alta tributação) e de sua natureza (decorrente de atividade operacional ou não). Por esse motivo, cm nosso país, não há normas CFCs e, por consequência, qualquer razão para a aplicação dos Comentários da OCDE, indevidamente invocados pela fiscalização para subsidiar o lançamento fiscal. 43. Sobre a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18, destaca que, diferentemente do consignado na Solução de Consulta (e encampado pela r. decisão recorrida), o E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL não decidiu que a apuração de resultado positivo de equivalência patrimonial relativo ao investimento detido por contribuintes nacionais em empresas estrangeiras validaria a sua tributação aqui no Brasil. Até reconhece que este foi o fundamento adotado por alguns Ministros como, por exemplo. Min. Dias Toffoli e Min. Cezar Peluso, cujos excertos dos votos proferidos sobre o assunto foram transcritos no corpo da Solução de Consulta, porém, esta não foi a argumentação acolhida pela maioria dos Ministros do E. Supremo Tribunal Federal TRF. Tanto é assim que, ao Final do julgamento da ADI n° 2.588, o Plenário do E. STF rejeitou a proposição do Min. Dias Toffoli de consignar, no resultado de julgamento, a questão referente à validade da tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial. Esta questão foi extirpada do resultado de julgamento da ADI. Que, no mesmo Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 13 12 sentido, cabe relembrar que o Superior Tribunal de Justiça STJ já teve a oportunidade de rejeitar a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial em investimentos detidos em empresas estrangeiras, na forma como regulamentada pela Instrução Normativa n° 213/02 (REsp n° 1.211.882, 2° Turma, Rei. Min. Mauro Campbell, j. em abril/l 1). 44. Portanto, não podem a autoridade administrativa e a 7a Turma da DRJ/SPO trabalhar com a equivoca premissa de que a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial teria sido acolhida pelos Tribunais pátrios. Muito pelo contrário! 45. E a própria legislação pátria não admite a tribulação (IRPJ e CSLL) do resultado de equivalência patrimonial tanto para os investimentos em empresas nacionais (art. 23 do Decretolei rt° 1.598/77 e art. 2°, §1°, alínea c, item 4, da Lei n° 7.689/88), quanto para os investimentos em empresas localizadas no exterior (art. 25, §6°, da Lei n° 9.249/95). 46. Acerca da pleiteada Compensação dos Tributos Pagos no Exterior, nos termos do artigo 26 da Lei n° 9.249/95 e do §6° do artigo 14 da IN n° 213, de 2002, reclama que na r. decisão recorrida, a 7a Turma da D RJ/S PO não admitiu a compensação de tributo pago no exterior por controladas indiretas, nos seguintes termos: "A impugnante pretende (...) pretende que seja compensado o imposto pago tanto pela CCLux como CIMPOR. Entretanto, a legislação de regência não ampara tal pretensão. " (fl. 2.672); mas que tanto a DRJ como o CARF já proferiram decisões análogas a que os tributos pagos pela CIMPOR (controlada indireta da Recorrente) e também pelas suas controladas no exterior devem ser compensados com os tributos exigidos nos autos do processo administrativo em referência, em estrita obediência à disposição do artigo 14, § 6°, da IN n° 213/02, de que a CCCCLux consolide os tributos pagos pela CIMPOR e suas controladas no exterior, para posterior compensação no Brasil. A Recorrente apenas pretende ver observada a regra em referência. 47. Considerando que os lucros das controladas da CCCCLux compuseram os "lucros" da CCCCLux para fins do cálculo efetuado pela autoridade administrativa, e que o resultado da CIMPOR foi objeto de tributação em Portugal, como se verifica dos comprovantes de recolhimento já juntados aos autos (docs. 2 e 11 da impugnação), nada mais razoável que sejam compensados no Brasil os tributos pagos pela CIMPOR em Portugal e também os pagos pelas suas controladas, em linha com o que determina a legislação brasileira (art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995). 48. Considerando que as regras contábeis de Luxemburgo determinam o reconhecimento dos investimentos pelo seu custo de aquisição (e não pelo método da equivalência patrimonial), se a autoridade administrativa tivesse seguido a regra do artigo 6º da IN n° 213, de 2002, que determina que as demonstrações financeiras das sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio, o resultado da CIMPOR teria sido refletido no balanço da CCCLux na forma de dividendos, e portanto, liquido dos tributos pagos em Portugal. Somente nesse caso não haveria motivo para compensação de tributos pagos em Portugal no Brasil; todavia, ao ignorar o preceito do art. 6º da IN nº 213, de 2002, a autoridade administrativa optou por considerar o resultado da CIMPOR no balanço da CCCLux mediante o método da equivalência patrimonial, pelo qual se deve considerar o resultado da CIMPOR antes dos tributos devidos em Portugal e, nesse sentido, a lógica do art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, e da regra do art. 14, § 6", da IN n° 213, de 2002 exige que os tributos pagos em Portugal sejam compensados com o IRPJ e a CSLL considerados devidos no Brasil sobre os resultados da CIMPOR que foram, repitase, indevidamente adicionados ao resultado da CCCLux. Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 14 13 49. Reitera ainda o requerimento de que, na remota hipótese de se entender pela manutenção dos lançamentos, ao menos, deverá ser determinado o recálculo dos créditos tributários, computandose os créditos provenientes dos saldos negativos de 1RPJ e de CSLL, nos montantes de R$4.604.644,50 e R$1.166.891,29 (fis. 43/98), respectivamente, reduzindo se, assim, os montantes dos valores exigidos. 50. Finaliza protestando pelo direito de sustentação oral. 51. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, págs. 2.859/2.914, apresentou Contrarrazões ao Recurso do contribuinte, de que se destacam as seguintes considerações. 52. Que a Fiscalização entendeu que a contribuinte não ofereceu à tributação os valores referentes a lucros obtidos por intermédio de sua controlada residente no exterior situada em Luxemburgo, a CAMARGO CORREA CIMENTOS LUXEMBURGO (CCCLUX) . assim como não computou os resultado obtidos por intermédio da CIMPOR PORTUGAL residente em Portugal e na qual a controlada CCCLUX detinha participação societária; e teria reduzido indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse entendimento foi confirmado no acórdão recorrido. 53. A CAMARGO CORREA S.A. era controladora, no anocalendário de 2010, da CAMARGO CORREA CIMENTOS LUXEMBURGO residente em Luxemburgo que, por sua vez, detinha participação acionária (32,94%) na CIMPOR PORTUGAL residente em Portugal. A autoridade fiscal identificou que a contribuinte não ofereceu à tributação os lucros auferidos por intermédio da CAMARGO CORREA LUXEMBURGO, sendo que estes lucros podem ser divididos em duas partes: a) contribuinte reconheceu, na DIPJ 2011, resultado positivo de equivalência patrimonial referente ao investimento detido na CAMARGO CORREA LUXEMBURGO, no montante de R$ 93.790.581,69, porém esse valor não foi oferecido â tributação; b) a CAMARGO CORREA LUXEMBURGO obteve, em 2010, resultado positivo decorrente da sua participação societária na CIMPOR PORTUGAL, no montante de EUR 51.060.302,18, não foi refletido na DIPJ 2011 apresentada pela CAMARGO CORREA LUXEMBURGO e, tampouco foi incluído na apuração do IRPJ e da CSLL da contribuinte. 54. A CIMPOR PORTUGAL distribuiu, para a CAMARGO CORREA LUXEMBURGO, dividendos no valor de EUR$ 44.272.031,001. Após computadas as demais receitas (financeiras) e as despesas do período, apurouse que o lucro da controlada em Luxemburgo foi de EUR$ 42.095.311,35 – o que corresponde aos R$93.790.581.69 encontrados na DIPJ 2011, como resultado auferido pela mesma controlada. 55. Com relação aos lucros provenientes dos dividendos distribuídos pela CIMPOR PORTUGAL, a discussão levantada pela contribuinte resumese à perda na recuperação do valor do investimento (impairment), que teria impactado o resultado da CAMARGO CORREA LUXEMBURGO e gerado prejuízo no anocalendário de 2010. 56. A CAMARGO CORREA LUXEMBURGO deixou de registrar o montante de EUR$ 51.060.302,18, e, consequentemente, a CAMARGO CORREA não incluiu tais valores da DIPJ 2011. Para corrigir essa falha, a autoridade fiscal incluiu, na apuração do IRPJ e da CSLL, o montante de R$ 119.924.290,63 – que corresponde aos EUR$ 51.060.302,18, a título de “resultado de participação societária” decorrente do investimento na CIMPOR PORTUGAL. Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 15 14 57. Caberia à CAMARGO CORREA LUXEMBURGO EUR$ 98.244.000.00. a título de participação no resultado da CIMPOR PORTUGAL. Considerando que EUR$ 44.272.031,00 já tinham sido distribuídos como dividendos, em favor da CAMARGO CORREA LUXEMBURGO, restava ainda mais de EURS 50 milhões, que não foram contabilizados pela controlada em Luxemburgo, assim como não foram reconhecidos pela controladora brasileira. E justamente sobre essa última parcela que recai o lançamento. Com efeito, ao examinar o auto de infração, verificase que a base de cálculo indicada pela autoridade fiscal foi de RS 114.814.223.19 que corresponde ao resultado de participação na CIMPOR PORTUGAL (EURS 51.060.302,18 ou R$ 119.924.290.63), conforme demonstrado nas tabelas inseridas no Termo de Verificação Fiscal. 58. A Recorrente concentra a quase totalidade da sua defesa para afastar a tributação do lucro auferido por intermédio da CCCLux correspondente aos dividendos distribuídos pela CIMPOR PORTUGAL no montante de EUR$ 44.272.031.00 (R$ 93.790.581.69. após realizada a conversão para o real e as deduções contábeis). Contudo, a autuação fiscal não se refere aos mesmos como esclarecido a seguir. 59. De acordo com o TVF, a CCCLux teve EUR 98.244.000,00, de participação no resultado da CIMPOR PORTUGAL; destes, EUR 44.272.031,00 ou R$98.638.084,18, já tinham sido distribuídos à CCCLux como dividendos, o restante no valor de EUR 51.060.302,18 ou R$119.924.290.63, não foram contabilizados pela controlada em Luxemburgo, nem reconhecidos pela controladora brasileira; esse montante foram objeto do lançamento fiscal. Considerando que a CCCLux incluiu na DIPJ 2011 R$93.790.581,69 ou EUR 42.095.311,35 de dividendos, o Auto de Infração teve por objeto os valores não distribuídos pela CIMPOR (EUR 51.060.302,18 ou R$119.924.290.63) que restaram não declarados pela controlada CCCLux e consequentemente, pela autuada, que é a controladora no Brasil. 60. Sobre lucro ou prejuízo apurados pela CCCLux, explica que o questionamento da contribuinte, quanto ao lucro tributado pela autoridade fiscal, reside na aceitação da perda na recuperação de investimento (impairment) que a CCCLux teria sofrido em relação ao investimento detido na CIMPOR PORTUGAL. De acordo com a recorrente, se for levada em consideração essa perda, o resultado da CCCLux, no anocalendário de 2010, é de prejuízo no valor de EUR 181.477.443,00. Por isso, tentar fazer prevalecer a tese de que o balanço utilizado pela Fiscalização, para apurar os resultados obtidos por intermédio da controlada em Luxemburgo, não seria válido; no entanto, está confirmado inclusive pelo contribuinte que o resultado que consta do balanço denominado pela contribuinte de "prébalanço" foi o que lastreou o preenchimento da DIPJ 2011 (e foi registrado no LALUR, parte B), isto é, o resultado de MEP relativo ao investimento detido na CCCLux informado pela contribuinte ao Fisco brasileiro, foi de R$93.790.581,69 (EUR 42.095.311,35). 61. No que tange à alegada perda por redução no investimento na CIMPOR, impairment, não está registrada no LALUR; e tampouco foi retificada a DIPJ. 62. Sobre CONCOMITÂNCIA ou não da discussão no Poder Judiciário sobre a possibilidade de tributação do MEP, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança 2003.61.0026301, no qual está sendo discutida a tributação de lucros no exterior por intermédio da aplicação do MEP. Se o litígio no âmbito do citado Mandado de Segurança diz respeito a esse tema, inevitavelmente tal matéria estaria fora do alcance da esfera administrativa de julgamento. Em que pese a DRJ ter afastado a concomitância, vale a pena Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 16 15 frisar que não há como debater esse assunto quando o CARF for apreciar o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. Nesse ponto, chama a atenção o fato de a recorrente ter mencionado, em apenas um parágrafo do seu extenso recurso, a impossibilidade de serem tributados os resultados de equivalência patrimonial referentes à CIMPOR. Ciente de que essa matéria está sendo discutida no Poder Judiciário, e que isso implica concomitância, a contribuinte limitase a fazer essa afirmação, sem trazer argumentos mais aprofundados. Ao que parece, a contribuinte percebeu que esse seria o limite da sua defesa quanto a esse tema. Isso reforça a percepção de que, efetivamente, há concomitância quanto à parcela de EUR$ 51 milhões (ou RS 114 milhões), que foi objeto do Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal, razão pela qual não deve ser objeto de apreciação, pelo CARF, qualquer argumento de defesa nesse sentido. 63. A Fazenda Nacional entende que não pode ser objeto de discussão, no presente processo administrativo, qualquer alegação relativa à “tributação de resultados de MEP” devido à concomitância com ao MS 2003.61.0026301 SP, impetrado pela autuada. 64. Mas, explica que a CCCLux reconheceu em sua contabilidade, como lucro, os dividendos distribuídos pela CIMPOR (EUR 42.095.311,35), mas não fez qualquer registro a respeito dos lucros provenientes de participação societária (MEP). advindos da mesma CIMPOR PORTUGAL, no montante de EUR 51.060.302,18, porque a legislação de Luxemburgo não exige que as pessoas jurídicas registrem os investimentos detidos no exterior pelo método da equivalência patrimonial, mas pelo método de custo. Assim, de acordo com o entendimento da contribuinte, somente os lucros que tenham sido distribuídos em favor das empresas residentes em Luxemburgo é que seriam registrados naquele país; por conseguinte, essa também é a razão da ausência do registro contábil, na controladora brasileira, dos resultados obtidos em decorrência da participação societária na CIMPOR. 65. A recorrente parte do pressuposto de que a controladora brasileira apenas pode incluir em seu resultado os lucros auferidos por suas controladas indiretas caso a controlada direta esteja submetida ao MEP em seu país. Porém, a legislação brasileira determina que as pessoas jurídicas que detenham investimentos relevantes em controladas ou coligadas estão obrigadas a avaliar esses investimentos por meio do MEP. Isso acontece em virtude da própria essência do MEP, vale dizer, consiste em uma técnica de avaliação do patrimônio que resulta na consolidação dos resultados de todo o grupo empresarial. Por essa razão, todas as pessoas jurídicas que integram o grupo empresarial são consideradas como uma única unidade econômica. 66. Para a correta aplicação do MEP, tanto os investimentos diretos quanto os indiretos devem ser refletidos na controladora do grupo. Tratase de uma consequência lógica da aplicação do MEP, pois, somente será possível avaliar o real valor do investimento detido pela controladora se forem considerados todos os resultados obtidos pela sua controlada. Implica dizer que a determinação do resultado do grupo econômico que consiste justamente no objetivo da avaliação por meio do MEP apenas será obtido quando considerados todos os lucros auferidos dentro da cadeia de pessoas jurídicas que compõem o grupo empresarial. 67. E não se aplica à controlada no exterior, mas à controladora sediada no Brasil; não afeta os demonstrativos das controladas no exterior, mas cabe à investidora obter as informações, proceder aos cálculos e lançar o ajuste na sua escrituração, sem que daí resulte modificação na escrituração da controlada ou coligada. Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 17 16 68. Quanto ao art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, é aplicável às controladas no exterior, seja diretas, seja indiretas, dado que na legislação civil – tanto a Lei das S.A. quanto no Código Civil – a definição de sociedade controlada foi apresentada pelo legislador com caráter amplo, sem fazer distinção entre a modalidade de controle direto ou indireto; e destacando que objetivo do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, isto é, implementar a tributação universal da renda das pessoas jurídicas e ao mesmo tempo, evitar o diferimento por tempo indeterminado da renda auferida por intermédio de controladas ou coligadas no exterior; cita autores, pág. 2.880: "No intuito de contornar essa situação, veio a lume o art. 74 da MP nº 2.15835/2001. Fundamentado na avaliação do investimento em controladas e coligadas pelo método da equivalência patrimonial,o dispositivo legal eliminou o diferimento, antecipando a tributação para o momento da apuração dos lucros nos balanços das subsidiárias no exterior"; e entender somente aplicável às controladas diretas, implicaria em esvaziamento da norma. 69. Assim, para fins da incidência do IRPJ e da CSLL, a legislação brasileira criou uma presunção absoluta de que os lucros foram disponibilizados aos sócios brasileiros na data de sua apuração no balanço da controlada ou coligada residente no exterior. Implica dizer que. no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras. 70. Apresenta argumentos acerca do Tratado para Evitar Bitributação, Brasil Luxemburgo, art. 7º, que determina que somente o Estado Contratante onde está sediada a empresa poderá tributála, que se resume no voto e conclui que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é autêntica norma CFC e está em perfeita harmonia com o art. 7º do Tratado Brasil Luxemburgo. Isso porque aquele dispositivo apenas estabeleceu que os lucros auferidos pelas controladas no exterior consideramse disponibilizados para a controladora brasileira na data do balanço em que tiverem sido apurados. Como os lucros da sociedade estrangeira são imputados à empresa brasileira, não há descumprimento ao Art. 7º do Tratado – afinal, continuará havendo tributação dos lucros disponibilizados à controladora residente no Brasil. Assim, resta comprovada a inaplicabilidade do art. 7º da Convenção Brasil–Luxemburgo ao caso dos presentes autos. 71. O contribuinte requereu e recebeu cópia das Contrarrazões ao Recurso da PFN em 09/09/2015, págs. 2.916/2.920. Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los 72. À pág. 23, consta a estrutura do grupo empresarial, indicando que, de 17/05/2010 a 02/12/2010, a Autuada deteve 100% do capital social de Camargo Correa Cimentos Luxembourg S.à r.l. (CCCLux); à pág. 1.329, confirmase que continuava com a participação em 31/12/2010. 73. Às págs. 637/644, Contrato de Compra e Venda de Ações, em 24/05/2010, em que a Autuada (controladora 100%) vende à controlada em Luxemburgo CCCLux, ações da CIMPOR Cimentos Portugal SGPS, S/A, pelo total de EUR 282.103.380,00 (EUR 6,50/ação) a serem pagos até 31/12/2010 em relação a essa operação, a CCCLux apurou impairment, ou Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 18 17 perda na recuperação do valor do investimento, devido à redução do valor recuperável deste ativo, que explicou ao Autuante: Esclarecemos ainda que, o ágio na operação de aquisição da CIMPOR, foi originado pelo valor do valuation EUR 5,49 por ação e o valor efetivamente pago EUR 6,50 por ação. O valor do impairment está composto pelos valores de Equivalência patrimonial, AAP Ajustes de Avaliação Patrimonial, e Dividendos registrados na tradução para o BRGAAP na consolidação das demonstrações financeiras da CCLux. 1 Preliminares x Mérito. 74. A Recorrente se insurgiu ao tratamento como preliminares de nulidade dos seus questionamentos referentes a violação do art. 142 do CTN, porque: o Acórdão DRJ não se pronunciou sobre a existência do Tratado entre Brasil e Luxemburgo para Evitar a Dupla Tributação; o autuante não motivou de forma adequada e específica a acusação de compensação indevida de prejuízos, desprezou os tributos recolhidos no exterior; desprezou os créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2010. 75. Cada uma destas questões será tratada no mérito. 2 Ação judicial MS 2003.61.0026301 SP 76. A litigante advoga que não há concomitância entre a ação judicial e a autuação, pois os argumentos aduzidos na defesa administrativa são diversos da matéria objeto do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0026301, que são: afastamento do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e, subsidiariamente, do art. 7°, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, no que concerne à tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial. 77. Foi concedida liminar e proferida sentença de págs. 1.791/1.796, em 06/09/2007: Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, presentes os pressupostos legais, CONCEDO A SEGURANÇA, para afastar a obrigatoriedade de adicionarse aos lucros líquidos da Impetrante, para efeito de apuração na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores relativos aos lucros acumulados e os resultados apurados pelo método de equivalência patrimonial, que ainda não foram disponibilizados. 78. Haja vista liminar concedida e sentença supra, os autos foram lavrados sem a incidência de multa de ofício. 79. À pág. 1.799, a Certidão de Objeto e Pé, datada de 21/08/2013, referente a esta ação judicial, relata, terem sido concedidas Liminar e Segurança: suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL relativamente ao lucro verificado no exterior apurado no balanço de 31.12.02 pelo resultado positivo da equivalência patrimonial, afastando a exigência contida no art. 7°, § 1o, da IN nº 213/02, na espécie, devendo a autoridade coatora se abster de imporlhe penalidades, ressalvados os indispensáveis atos fiscalízatórios cabíveis na espécie; posteriormente, apreciando embargos de declaração: Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 19 18 Com efeito, dado que o erro material a todo tempo pode ser corrigido e para que tal erronia não venha a causar qualquer prejuízo processual às partes, corrijoo, passando a constar no cabeçalho também como Impetrante a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e o dispositivo da r. decisão a ter a seguinte redação: Posto isso. considerando tudo o mais que dos autos consta, presentes os pressupostos legais, CONCEDO A SEGURANÇA, para afastar a obrigatoriedade de adicionarse aos lucros líquidos das impetrantes, para efeito de apuração na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores relativos aos lucros acumulados e os resultados apurados pelo método de equivalência patrimonial, que ainda não foram disponibilizados.' 80. O art. 74 da MP nº 2.15834, de 2001: Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997. Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. (...) Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (Vide ADI nº 2588, 2001). (Grifouse) 81. IN SRF nº 213, de 2002, que regulamentou o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001,: Equivalência patrimonial Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. (Grifouse) 82. Importa também destacar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal STF determinou a repercussão geral no Recurso Extraordinário 611.586 Paraná, em 05/04/2012 (DJe 02/05/2012), reportandose ao voto proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588/DF, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 20 19 DEVIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS ÀS PESSOAS JURÍDICAS SEDIADAS NO BRASIL. CONTROLADAS E COLIGADAS. MOMENTO EM QUE SE APERFEIÇOA O FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA. CONCEITOS DE DISPONIBILIDADE JURÍDICA E DE DISPONIBILIDADE ECONÔMICA DA RENDA. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL (MEP). ART. 43 DO CTN. MP 2.15834/2001 (MP 2.13535/2001). ART. 248, II DA LEI 6.404/1976. ARTS. 145, §1º, 150, III, A e 153, III DA CONSTITUIÇÃO. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre a constitucionalidade do art. 74 e par. ún. da MP 2.15835/2001, que estabelece que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento, bem como que os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestou a Ministra Cármen Lúcia. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator 83. E o site do STF informa a posição da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588/DF: DI 2588/DF DISTRITO FEDERAL AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA Julgamento: 10/04/2013 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe027 DIVULG 07022014 PUBLIC 10022014 EMENT VOL0271901 PP00001 Parte(s) REQTE.(S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA CNI ADV.(A/S : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTROS INTDO.(A/S) : PRESIDENTE DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) : CONGRESSO NACIONAL Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 21 20 da MP nº 2.15835/2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013.(Grifouse.) 84. No que se refere à controlada CCCLux, a IN SRF nº 188, de 06 de agosto de 2002, relacionou países ou dependências com tributação favorecida ou oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas: Art. 1º Para todos os efeitos previstos nos dispositivos legais discriminados acima, consideramse países ou dependências que não tributam a renda ou que a tributam à alíquota inferior a 20% ou, ainda, cuja legislação interna oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade as seguintes jurisdições: (...) XXVIII Luxemburgo (no que respeita às sociedades holding regidas, na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929) ; 85. Foi revogada pela IN RFB nº 1.037, de 04 de junho de 2010, na qual consta, por sua vez: Art. 2º São regimes fiscais privilegiados: I com referência à legislação de Luxemburgo, o regime aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de holding company; (Revogado(a) pelo(a) Ato Declaratório Executivo RFB nº 3, de 25 de março de 2011) 86. Resumindo, a CCCLux, companhia holding, era, em 2010, “controlada” localizada em país de tributação favorecida ou desprovido de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei). 87. No que tange à ação judicial impetrada pela Recorrente, pesquisa no sítio do 3º Tribunal Regional Federal, anexadas às págs. 2.922/1.932, informa que em 12/03/2014 foi homologada renúncia parcial da autora: Renúncia Renúncia parcial ao direito sobre que se funda a ação formulada por Camargo Corrêa S.A., tão somente em relação à questão da legitimidade do regime tributário do caput do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158/2001, à vista de adesão ao programa de parcelamento fiscal disposto na Lei nº 12.865/2013 (fls. 294/296). 3 Objeto da autuação. 88. Para o anocalendário 2010, a Autuada consignou na Ficha 35 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, o lucro da controlada CCCLux no montante de R$93.790.581,69, em cuja apuração, conforme a Coluna DIPJ/2010 do quadro 6 de pág. 32, a CCCLux computou R$98.638.074,18 (EUR 44.272.631,00) de receita de dividendos recebidos Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 22 21 da empresa CIMPOR; não constam outras receitas operacionais da CCCLux, ou seja, não demonstrou atividades operacionais próprias. 89. Consta do TVF, pág. 33, que: No que tange ao reconhecimento do resultado em participações societárias através do Método de Equivalência Patrimonial, a fiscalização constatou que a contribuinte deixou de incluir o resultado positivo de participações societárias da CIMPOR de EUR 51.060.302,18 no resultado da controlada CCCCLux informado na DIPJ. Assim, a fiscalização procedeu ao ajuste do resultado de 31/12/2010 da CCCLux, para a inclusão do resultado da participação na CIMPOR. 90. O autuante consignou que o valor dos EUR 51.060.302,18, convertido, resultou em R$119.924.290,63. 91. Às págs. 1.318/1.331, e 2.323/2.335 (Doc 5, em português) estão os demonstrativos financeiros anuais do período de 05/2010 a 31/12/2010, da CCCLux, com relatório da Deloitte dirigido aos acionistas, onde às págs. 1.329 e 2.334 (em português), consta que em Dezembro 2010, a CCCLux detinha 32,94% do capital social da CIMPOR, situada em Portugal; que a sua fração no resultado anual foi de EUR 98.244.000, confirmados pelo Autuante e não contestados pela Autuada. 92. No entanto, em relação aos lucros da CCCLux, foram declarados pela Autuada R$93.790.581,69, resultantes da apuração de resultados que considerou a receita de EUR 44.272.631,00 (ou R$98.638.074,18) de dividendos da CIMPOR deixaram de ser oferecidos à tributação EUR 51.060.302,18, ou R$119.924.290,63 (dos EUR 98.244.000 descritos no parágrafo anterior; a PFN explicou o motivo porque a Autuada assim procedeu: a. A CCCLux reconheceu em sua contabilidade, como lucro, os dividendos distribuídos pela CIMPOR, mas não fez qualquer registro a respeito dos lucros provenientes de participação societária (MEP) advindos da mesma CIMPOR, no montante de EUR 51.060.302,18, porque a legislação de Luxemburgo não exige que as pessoas jurídicas registrem os investimentos detidos no exterior pelo método da equivalência patrimonial, mas pelo método de custo. Assim, de acordo com o entendimento da contribuinte, somente os lucros que tenham sido distribuídos em favor das empresas residentes em Luxemburgo é que seriam registrados naquele país; por conseguinte, essa também é a razão da ausência do registro contábil, na controladora brasileira, dos resultados obtidos em decorrência da participação societária na CIMPOR. 93. Essa matéria (reconhecimento do resultado pelo MEP) foi submetida ao judiciário; não obstante, citemse as colocações da PFN nas Contrarrazões, resumidas no Relatório, e que se repete a seguir, a fim de melhor esclarecer o lançamento fiscal: A recorrente parte do pressuposto de que a controladora brasileira apenas pode incluir em seu resultado os lucros auferidos por suas controladas indiretas caso a controlada direta esteja submetida ao MEP em seu país. Porém, a legislação brasileira determina que as pessoas jurídicas que detenham investimentos relevantes em controladas ou coligadas Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 23 22 estão obrigadas a avaliar esses investimentos por meio do MEP. Isso acontece em virtude da própria essência do MEP, vale dizer, consiste em uma técnica de avaliação do patrimônio que resulta na consolidação dos resultados de todo o grupo empresarial. Por essa razão, todas as pessoas jurídicas que integram o grupo empresarial são consideradas como uma única unidade econômica. Para a correta aplicação do MEP, tanto os investimentos diretos quanto os indiretos devem ser refletidos na controladora do grupo. Tratase de uma consequência lógica da aplicação do MEP, pois, somente será possível avaliar o real valor do investimento detido pela controladora se forem considerados todos os resultados obtidos pela sua controlada. Implica dizer que a determinação do resultado do grupo econômico que consiste justamente no objetivo da avaliação por meio do MEP apenas será obtido quando considerados todos os lucros auferidos dentro da cadeia de pessoas jurídicas que compõem o grupo empresarial. E não se aplica à controlada no exterior, mas à controladora sediada no Brasil; não afeta os demonstrativos das controladas no exterior, mas cabe à investidora obter as informações, proceder aos cálculos e lançar o ajuste na sua escrituração, sem que daí resulte modificação na escrituração da controlada ou coligada. 94. E ainda a citação feita pela PFN ao autor Bulhões Pedreira (PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto sobre a renda – pessoas jurídicas. v. I. Rio de Janeiro: Justec, 1979, p. 501.), que esclarece com precisão a interpretação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 e art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995: 2. Determinação pela Investidora – A determinação do valor de patrimônio líquido do investimento é procedimento de escrituração da investidora. Consiste na reunião das informações e nos cálculos necessários para determinar o ajuste no valor de patrimônio líquido do investimento a ser procedido nos registros contábeis da investidora, e não implica nenhum lançamento na escrituração das coligadas ou controladas. Cabe à investidora obter as informações, proceder aos cálculos e lançar o ajuste na sua escrituração, sem que daí resulte modificação na escrituração da controlada ou coligada.4 Portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas. 95. É portanto, entendimento da Administração Tributária que cabe a aplicação do MEP, previsto na Lei nº 6.404, de 1976; a computação dos lucros auferidos no exterior, na determinação do lucro real da Autuada, conforme art. 25 de Lei nº 9.249, de 1995; e que tais lucros serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados no caso, em 31/12/2010, conforme art. 74 da MP n° 2158 34/2001, cuja aplicação foi submetida à justiça, pela Recorrente. 96. O lançamento foi efetuado nestes termos, com exigibilidade suspensa pela sentença judicial, cabendo o deslinde da questão à Justiça Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 24 23 97. A legislação atacada determina que, aos resultados das controladas no exterior apurados segundo as legislações locais, a controladora no Brasil deve efetuar as alterações determinadas pela legislação brasileira: apuração pelo Método da Equivalência Patrimonial MEP (art. 243, § 2º da Lei nº 6.404, de 1976 Lei das SAs c/c Lei 11.638, de 2007), relativamente às controladas no exterior, tanto diretas (CCCLux) como indiretas (CIMPOR); os valores tributáveis devem ser reconhecidos pelo regime de competência (art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001). 98. Como o resultado obtido na CIMPOR de EUR 51.060.302,18, pela CCCLux, não foi considerado por aquela em atenção à forma de apuração da legislação em Luxemburgo (custo de aquisição e não MEP), e tampouco a Autuada o incluiu, coube ao autuante efetuar o ajuste segundo a legislação brasileira, cujo acerto será definido no Judiciário, haja vista que tem precedência sobre a Administração, cabendo obedecer à Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 3.1 IMPAIRMENT, PERDA NA RECUPERAÇÃO DO VALOR DO INVESTIMENTO. 99. O autuante não considerou o ajuste de (EUR 290.102.538,64), de Impairment referente ao investimento da CCCLux na CIMPOR, em atenção ao art. 16 da Lei n° 11.941, de 2009, que dispõe que as alterações introduzidas para a harmonização de normas contábeis que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computados no lucro líquido não terão efeitos para fins de apuração do Lucro Real da pessoa jurídica sujeita ao RTT; em outras palavras, ajustes introduzidos pela legislação societária para adequar a contabilidade brasileira aos padrões internacionais, entre os quais impairment, ou perda na recuperação do valor do investimento, devem ser desconsiderados para fins de apuração do lucro real (razão porque foi introduzido o Regime de Tributação de Transição RTT durante o período de 2008 a 2014, no Brasil). 100. Explicase: a partir de 2008 foi instituído o RTT, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei 11.638, de 2007, e pelos arts. 36 e 37 da MP 449, de 2008, convertidos nos artigos 37 e 38 da Lei 11.941, de 2009, visando a neutralidade tributária daquelas alterações; as alterações introduzidas pelas referidas leis, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, definido no art. 191 da Lei 6.404, de 1976 (Lei das SAs), não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007; e também aplicouse a neutralidade fiscal às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários CVM e pelos demais órgãos reguladores que visem alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade. 101. A Autuada reclama "a admitir esse procedimento, como inadvertidamente fez a decisão recorrida passaríamos a buscar não o lucro que um dia estará disponível para distribuição, mas o resultado das investidas estrangeiras ajustado pelo RTT" eis que, para Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 25 24 fins da legislação brasileira, o lucro de controladas no exterior deve ser adaptado à legislação brasileira, quando da sua declaração do fisco brasileiro. 102. No entanto, sua resposta à intimação fiscal foi; resposta da contribuinte à pág. 776: "Termo de Intimação n° 05 1 ) Esclarecer divergência entre Lucro ( Prejuízo) do período, na Demonstração do Resultados do Exercício da investida Camargo Corrêa Cimentos Luxemburgo SARL no ano de 2010 no valor de R$ 582.487.169,26 ( anexo 2 da resposta datada de 19/10/2012 ) e o valor de R$ 93.790.581,68 declarado na ficha 35 linha 13 da DIPJ. Resposta: Tratase de ajustes contábeis referente a IMPAIRMENT realizados em atendimento as normas contábeis, ajustes estes que não afetam os resultados para fins fiscais. Esses ajustes são determinados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis 01, e Lei n° 11.638 de 28 de dezembro de 2007 que altera e revoga os dispositivos da Lei 6.404/76 e impõe às sociedades de grande porte, análise periódica compulsória da recuperação dos valores registrados no imobilizado, intangível e diferido. Segue balanço e demonstração de resultado do exercício." 103. Um fato não foi destacado pelo autuante, porém não se pode deixar de notar que a perda resultou da operação de aquisição, pela controlada CCCLux, de ações da CIMPOR, que lhe foram vendidas pela sua respectiva controladora, que nada mais é que a Autuada, em 05/2010 e em 12/2010, alguns meses depois, a CCClux aponta perda porque o valor da ação pela qual pagou EUR 6,50, caiu para EUR 5,48. (reiterese, às págs. 637/644, Contrato de Compra e Venda de Ações, em 24/05/2010, a Autuada vende à CCCLux, ações da CIMPOR pelo total de EUR 282.103.380,00 (EUR 6,50/ação) a serem pagos até 31/12/2010.) e à pág. 1.498, resposta da Autuada: 4)Apresentar os documentos relativos à aquisição da participação societária da CCLux na C1MPOR, que deram origem ao ajuste a titulo de ímpairment no demonstrativos da CCLux de 2010. Resposta: Encaminhamos Constituição da Camargo Corrêa Cimentos Luxembourg S.A.R.L., contrato de compra e venda de ações, valuation elaborado pelo Bank of América Merrill Lynch, demonstrativos da equivalência patrimonial, ágio e impairment Doc. 3. Esclarecemos ainda que, o ágio na operação de aquisição da CIMPOR, foi originado pelo valor do valuation EUR 5,49 por ação e o valor efetivamente pago EUR 6,50 por ação. O valor do impairment está composto pelos valores de Equivalência patrimonial, AAP Ajustes de Avaliação Patrimonial, e Dividendos registrados na tradução para o BRGAAP na consolidação das demonstrações financeiras da CCLux. 104. Concluindo, por força das citadas alterações pela fiscalização, apresentadas na pág. 34, quadro 7, apurouse um lucro tributável de R$114.814.223,19, objeto da autuação. Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 26 25 3.2 TRATADO BRASIL E O GRÃODUCADO DE LUXEMBURGO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO, 105. Trazemse aqui resumo dos argumentos apresentados pela PFN em suas Contrarrazões e os quais se adota neste voto. 106. Acerca do Tratado para Evitar Bitributação, BrasilLuxemburgo, o art. 7º, determina que somente o Estado Contratante onde está sediada a empresa poderá tributála; porém falta um conceito essencial para se estabelecer a relação jurídicotributária, qual seja: explicitar o que pode ser considerado lucro das empresas residentes em cada país. E o parágrafo 2º do art. 3º prevê uma regra residual, qual seja: deve ser observada a legislação interna do Estado Contratante quando não estiverem presentes, no texto do Tratado, a definição de algum termo ou expressão; portanto, a definição de lucro na autuada deve ser obtida no ordenamento jurídico brasileiro art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, que remete aos arts. 21 e 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e que consagram o princípio da universalidade ou da tributação em bases universais, previsto no inciso I do § 2º do art. 153 da Constituição Federal de 1988. 107. A novidade trazida pelo art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, foi estabelecer que a tributação dos lucros das controladoras e coligadas situadas no Brasil, auferidos por intermédio de suas controladas ou coligadas no exterior, seguiria o regime de competência. O fundamento para essa inovação, é bom ressaltar, encontrase no § 2º do art. 43 do CTN, que autorizou o legislador a estabelecer o momento em que ocorrerá a disponibilização dos rendimentos oriundos do exterior. 108. Tanto o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, como o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, apresentam o mesmo conceito para lucro real, no sentido de que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL levará em conta os rendimentos auferidos no exterior e ambos dispositivos têm como objeto os lucros da sociedade controladora sediada no Brasil. 109. Implica dizer que os valores disponibilizados pelas controladas ou coligadas estrangeiras devem ser qualificados como lucros da controladora residente no Brasil – nos termos do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. 110. Que é preciso enfatizar que essa foi a escolha feita pelo Brasil ao adotar o seu regime CFC (Controlled Foreign Corporation). Implica dizer que o legislador pátrio optou por não seguir integralmente as orientações da OCDE, o que é perfeitamente normal e válido. Vale lembrar que os trabalhos, orientações, relatórios e modelos elaborados pela OCDE não tem força cogente sobre nenhum país – nem mesmo para os seus membros. Portanto, o fato de o Brasil ter escolhido não incluir o método jurisdicional e o método transacional na legislação apenas indica uma opção de política fiscal. 111. Contudo, isso não pode servir de fundamento para afirmar que não se pretendia instituir uma norma CFC por meio do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. 112. E o § 7º do art. 1º, da IN SRF nº 213, de 2002, determina: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem.”. Implica dizer que, no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil – na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras e, se realmente houve pagamento de tributo no exterior, isso será relevante apenas em um segundo momento, vale dizer: os Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 27 26 impostos pagos no exterior somente terão importância para fins de compensação com o tributo a ser pago no Brasil. 113. Destaca que o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, expressamente reconhece o direito à compensação do imposto pago no exterior com o montante devido, no Brasil, a título de IRPJ e CSLL. 114. Dessa maneira, se o temor da contribuinte é que a renda auferida por intermédio das controladas residentes no exterior seja tributada mais de uma vez, basta que apresente o comprovante dos tributos pagos no país estrangeiro. Com isso, restará afastada a indesejada dupla tributação. 115. Mas, até o momento da autuação, a realidade da contribuinte era a seguinte: (a) a controlada no exterior auferiu lucro e não o tributou; (b) a controladora residente no Brasil reconheceu em sua contabilidade a parcela desses lucros que lhe pertencia, por meio da aplicação do MEP; (c) seguindo a sua interpretação dos Tratados para evitar a dupla tributação e da legislação brasileira, a controladora não ofereceu à tributação os lucros obtidos por intermédios das suas controladas no exterior. 116. Diante desse contexto, fica claro resultado pretendido pela contribuinte, vale dizer, não incorrer em tributação no exterior e tampouco no Brasil. 117. E conclui que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é autêntica norma CFC e está em perfeita harmonia com o art. 7º do Tratado Brasil Luxemburgo. Isso porque aquele dispositivo apenas estabeleceu que os lucros auferidos pelas controladas no exterior consideramse disponibilizados para a controladora brasileira na data do balanço em que tiverem sido apurados. Como os lucros da sociedade estrangeira são imputados à empresa brasileira, não há descumprimento ao art. 7º do Tratado. 3.3 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS 118. A autuação relativa ao IRPJ, inclui a infração de indevida compensação de prejuízo operacional, por falta de saldo, no valor de R$965.688,42 dessa forma os prejuízos R$99.289.978,86, utilizados na compensação do resultado na DIPJ, foram diminuídos do valor glosado; e à pág. 11, o Autuante apresentou a Planilha de Prejuízos Fiscais do IRPJ, consignando os valores cuja diferença resulta nos prejuízos que a Autuada utilizou em compensação, mas que afirma serem inexistentes: a. Saldo de Prejuízos antes da Compensação 98.324.290,44 b. Prejuízo compensado pelo Suj Passivo 99.289.978,86 119. Na autuação relativa à CSLL, análogamente, no valor de R$521.441,42; à pág. 18, a Planilha de Compensação de BC Negativa da CSLL consignando os valores cuja diferença resulta no valor da BC Negativa de CSLL que a Autuada utilizou em compensação, mas que o autuante reputo como inexistente: a. Saldo de BC negativa antes da Compensação 98.768.537,44 b. BC Negativa compensada pelo Suj Passivo 99.289.978,86 Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 28 27 120. No Termo de Verificação Fiscal não há menção a esta infração e tampouco se informa onde foram obtidos os valores dos valores de Prejuízos acumulados e saldos negativos de BC da CSLL anteriores, considerados pelo autuante. 121. Às págs. 585/594, partes da DIPJ anocalendário 2008, apontando lucro real R$() 5.910.621,10; às págs. 595/604 partes da DIPJ anocalendário 2009, com apuração do lucro real R$() 92.226.510,42; porém sem constar Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados; a soma dos lucros reais negativos de 2008 e 2009 resulta em R$98.137.131,52, valor menor que o considerado pelo autuante, que não esclareceu a origem dos valores que considerou. 122. Pelo exposto, não há nos autos elementos que confirmem a conclusão fiscal, cabendo o cancelamento da autuação relativa às infrações de compensações indevidas prejuízos e de saldos negativos 123. Quanto à CCCLux, conforme págs. 1.329 e 31, a CCCCLux foi constituída em 19/05/2010, portanto não havia prejuízos de anos anteriores, da CCCLux): A controlada CCCLUXEMBOURG (CCCLUX) foi constituída em Luxemburgo, em 19/05/2010 (Ato constitutivo da sociedade Resposta ao TIF n° 04 em 04/03/2013). 3.4 SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ E BASE DE CÁLCULO CSLL, 31/12/2010, NA DIPJ. 124. A Autuada acusa que o Autuante "desprezou os créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2010, nos montantes de R$4.604.644,50 e R$1.166.891,29, respectivamente (fls. 43/98); fato este não justificado no Termo de Verificação Fiscal." 125. Na DIPJ 2011/2010, págs. 42/97, Ficha 12A Cálculo do IR sobre o lucro real, a contribuinte consignou na linha 21. IR a pagar, o Saldo Negativo de R$()4.604.644,50; na Ficha 17. Cálculo da CSLL, linha 83. CSLL a pagar R$()1.166.891,29. 126. Com relação a estes valores reivindicados, tem razão a interessada, conforme se demonstra a seguir, ao se refazer as apurações fiscais a partir da DIPJ, incluindose as Deduções que o contribuinte consignou na DIPJ e que o autuante não considerou na apuração: IRPJ Ficha 09A Demonstração do Lucro Real 80 e 83. LR antes da comp prej per apura e após 421.426.521,21 84. () Comp prej fiscais per apur anteriores 99.289.978,86 88. Lucro Real 322.136.542,35 Infração 001 Lucros auferidos no exterior não declarados 114.814.223,19 Infração 002 Prej indevidam compensado 965.688,42 TOTAL Lucro Real 437.916.453,96 IR 15% 65.687.468,09 AIR 43.767.645,40 Total IRPJ ano 2010 109.455.113,49 Ficha 12 A () Deduções/DIPJ 85.114.780,09 IRPJ a exigir, que se apura na revisão 24.340.333,40 Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 29 28 IRPJ exigido no Auto de Infração 28.944.977,90 diferença 4.604.644,50 DIPJ 4.604.644,50 CSLL Ficha 17 Cálculo da CSLL 65. BC antes comp BC neg per ant 421.426.521,21 66.() BC neg per ant 99.289.978,86 68. BC da CSLL 322.136.542,35 Infração 001 Lucros auferidos no exterior não declarados 114.814.223,19 Infração 002 Base neg indevidam compensada 521.441,42 Total BC CSLL 437.472.206,96 CSLL apurada 39.372.498,63 () Deduções/DIPJ 30.159.180,10 CSLL a exigir que se apura na revisão 9.213.318,53 CSLL exigida no Auto de Infração 10.380.209,81 diferença 1.166.891,28 DIPJ 1.166.891,29 3.5 IMPOSTOS RECOLHIDOS NO EXTERIOR, PELAS CONTROLADAS. 127. No que tange a impostos recolhidos em Luxemburgo, temse que, não tendo sido declarados em Luxemburgo os valores objetos da exigência fiscal, não há tributos a serem deduzidos a esses título; quanto a tributos recolhidos pela CIMPOR em Portugal, citese a Recorrente: Considerando que os lucros das controladas da CCCLux compuseram os "lucros" da CCCLux para fins do cálculo efetuado pela autoridade administrativa, e que o resultado da CIMPOR foi objeto de tributação em Portugal, como se verifica dos comprovantes de recolhimento já juntados aos autos (docs. 2 e 11 da impugnação), nada mais razoável que sejam compensados no Brasil os tributos pagos pela CIMPOR em Portugal e também os pagos pelas suas controladas, em linha com o que determina a legislação brasileira (art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995). 128. Eis que, conforme bem esclareceu a PFN, impostos recolhidos pela controlada devem compensados com os que forem apurados no Brasil, estes apurados sobre os valores dos lucros da controlada antes da incidência dos impostos no país estrangeiro em que se localiza. 129. Resposta à pág. 1.499: 7)Demonstrativos financeiros de 31/12/2010 da CIMPOR. elaborados conforme legislação societária do pais de domicilio e legislação societária brasileira, devidamente assinados pelo contador responsável pela sua elaboração. Resposta: Apresentamos as demonstrações financeiras da CIMPOR em 31/12/2010 em moeda local ( EUR ). Não possuímos essas demonstrações financeiras pela legislação societária brasileira, visto que o domicilio fiscal da CIMPOR è Portugal, e o investimento era da CCCLux. Doc 5. Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 30 29 130. Às págs. 1.558/1.715 (Doc. 5), o Relatório de Contas (demonstrações financeiras) da CIMPOR, na legislação local, em EUROs, indica apuração de impostos a pagar: à pág. 1.626, Imposto sobre o rendimento do Grupo reconhecido em 2010, no total de EUR 96.771.000; às págs. 12.627/1.628, Imposto sobre o rendimento da Empresa reconhecido no exercício findo em 31 de Dezembro de 2010: EUR 4.523.000. 131. O Doc 11, págs. 2.402/2.409, anexado pela Recorrente, consiste em cópia da Portaria 514/2003 de 02/07, no Diário da República (de Portugal) determinando que o pagamento de Imposto sobre os Rendimento de Pessoas Coletivas IRC, deve ser efetuado mediante o Documento Único de Cobrança DUC; e Guias DUC da 500722900 CIMPOR Cimentos Portugal SGPS SA, Exercício 2010: 1º Pagto por conta de EUR 3.040.973,00 em 30/07/2010; 1º Pagto Adicional por conta de EUR 363.825,00 em 30/07/2010; 2º Pagto por conta de EUR 3.040.973,00 em 30/09/2010; 2º Pagto Adicional por conta de EUR 363.825,00 em 30/09/2010; 3º Pagto por conta de EUR 2.000.000,00 em 16/12/2010; 3º Pagto Adicional por conta de EUR 349.329,00 em 16/12/2010, totalizando EUR 7.158.925,00. 132. Especifica o art. 16 §2º, II. da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, (Obs. autenticação por consulado ou embaixada brasileiros) quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. 133. Portanto, a interessada comprovou os recolhimentos dos impostos em Portugal. 134. Verificase que existe Tratado para Evitar Bitributação entre Portugal e Luxemburgo: o Decreto do Presidente da República n.° 29/2000 em 14/06/2000 ratificou a Convenção entre a República Portuguesa e o GrãoDucado do Luxemburgo para Evitar as Duplas Tribulações e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de impostos sobre o Rendimento e o Patrimônio, assinada em Bruxelas em 25 de Maio de 1999, aprovada, para ratificação, pela Resolução da Assembléia da República n.° 56/2000, em 27 de Abril de 2000. 135. Havendo o Acordo, não há informação se a CCCLux se utilizou da prerrogativa, para compensar o valor devido em Luxemburgo; valores recolhidos pela CIMPOR não vieram acompanhados de bases de cálculo propondo qual seria a proporção/valor reivindicado, mesmo porque não coincidem com o valor apontado no Relatório de Contas descrito. 136. Portanto, não há base para se e qual o valor a ser compensado. 137. Concluise que a Recorrente não apresentou elementos suficientes a provar que tenha direito à dedução dos impostos recolhidos em Portugal pretendida, sobre os rendimentos que ora lhe são exigidos na presente autuação. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720038/201308 Acórdão n.º 1201001.464 S1C2T1 Fl. 31 30 4 Valores mantidos IRPJ Ficha 09A Demonstração do Lucro Real 80 e 83. LR antes da comp prej per apura e após 421.426.521,21 84. () Comp prej fiscais per apur anteriores 99.289.978,86 88. Lucro Real 322.136.542,35 Infração 001 Lucros auferidos no exterior não declarados 114.814.223,19 Infração 002 Prej indevidam compensado 0,00 TOTAL Lucro Real 436.950.765,54 IR 15% 65.542.614,83 AIR 43.671.076,55 Total IRPJ ano 2010 109.213.691,39 () Deduções 85.114.780,09 IRPJ a exigir 24.098.911,30 CSLL Ficha 17 Cálculo da CSLL 65. BC antes comp BC neg per ant 421.426.521,21 66.() BC neg per ant 99.289.978,86 68. BC da CSLL 322.136.542,35 Infração 001 Lucros auferidos no exterior não declarados 114.814.223,19 Infração 002 Base neg indevidam compensada 0,00 Total BC CSLL 436.950.765,54 CSLL apurada 39.325.568,90 () Deduções 30.159.180,10 CSLL a exigir 9.166.388,80 Voto por não conhecer da matéria sub judice e considerar procedente em parte a autuação, reduzindo a exigência para R$24.098.911,30 de IRPJ e R$9.166.388,80 de CSLL, acrescidos de juros de mora. (documento assinado digitalmente) Relator Eva Maria Los Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10930.903670/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 09/05/2006
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 70 /2 01 2- 84 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903670/201284 Acórdão n.º 3402003.638 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.011, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903670/201284 Acórdão n.º 3402003.638 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903670/201284 Acórdão n.º 3402003.638 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903670/201284 Acórdão n.º 3402003.638 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903670/201284 Acórdão n.º 3402003.638 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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