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Numero do processo: 10980.014806/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO DE IRRF. AÇÃO TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS.
Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do IRRF sobre rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista, resta insubsistente a glosa de parte da compensação do imposto retido.
IRRF.13ºSALÁRIO.TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força dedução a previdência do art. 62A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo.
Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado: Por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar o lançamento, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, no ano calendário de 2003, no valor de R$ 1.061,74, vencidos os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento parcial para aplicar a esses rendimentos as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento para restabelecer ao recorrente o valor de R$11.051,83, a título de compensação do IRRF.
Nome do relator: Dayse Fernandes Leite
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AÇÃO TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS. Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do IRRF sobre rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista, resta insubsistente a glosa de parte da compensação do imposto retido. IRRF.13ºSALÁRIO.TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força dedução a previdência do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar o lançamento, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, no ano calendário de 2003, no valor de R$ 1.061,74, vencidos os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento parcial para aplicar a esses rendimentos as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento para restabelecer ao recorrente o valor de R$11.051,83, a título de compensação do IRRF. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório FORTUNATO MACHADO FILHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ-CURITIBA PR (fls. 104) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 14/21, que alterou o resultado da DIRPF/2004 de imposto a restituir de R$ 19.964,51 para imposto a restitui de R$ 8.151,58. Segundo o relatório fiscal, foi constatada omissão de rendimentos, no valor de R$ 1.061,74, e compensação indevida de IRRF, no valor de 11.344,26, um e outro decorrentes de rendimentos recebidos de ação reclamatória trabalhista movida em face do Banco Banestado S.A. Também foi apurada omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, no valor de R$ 642,49. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10980.014806/2007-27 Acórdão n.º 2202-002.871 S2-C2T2 Fl. 3 3 O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que não há previsão legal para o cálculo feito pela fiscalização e apresentado na descrição dos fatos da notificação de lançamento, para fins de redução do IRRF a compensar, de R$ 46.282,84, retido e recolhido por ocasião do pagamento de valores decorrentes de reclamatória trabalhista, para R$ 32.687,17; que a notificação de lançamento violou o principio do devido processo legal, eis que, materialmente, não se pode criar fato para justificar a pretensão fiscal, em frontal prejuízo ao contribuinte; que auferiu rendimentos da reclamatória trabalhista no ano calendário de 2003, tendo tido imposto retido neste ano, devendo, portanto, prestar contas ao Fisco no ano calendário de 2003, jamais misturando qualquer vantagem econômica auferida no ano calendário de 2004, cujos rendimentos obtidos foram inseridos na DIRPF/2005. Diz que anexou todos os documentos necessários à análise da DIRPF/2004, ano calendário de 2003, demonstrando de forma clara o IRRF sobre o 13° (R$ 2.553,78) e o valor a ser compensado no ajuste anual (R$ 43.739,06). A DRJ-CURITIBA-PR julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJ-CURITIBA-PR observou que não houve impugnação quanto à imputação de omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, no valor de R$ 642,49, considerando não impugnada a matéria. Quanto à matéria em discussão, a DRJ registra que as verbas indenizatórias isentas são aquelas decorrentes de acidente de trabalho e as previstas na Consolidação das Leis do Trabalho — C.L.T. ,Decreto-lei nº 5.452, de 1° de maio de 1943, mais especificamente nos arts. 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9° da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede a data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei n.° 5.107, de 13 de setembro de 1966, alterada pela Lei n.° 8.036, de 11 de maio de 1990. Afirmam que quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de indenizações, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts. 111 e 176 do CTN. Sobre as verbas recebidas a título de reflexos sobre Férias, acrescido de 1/3, observou que embora o RIR/1999, em seu art. 43, II, estabeleça que as mesmas são tributáveis, a Secretaria da Receita Federal, por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 27 de abril de 2005, determinou a exclusão dos valores correspondentes a licença prêmio e férias não gozadas por necessidade de serviço. Dito isto, anota que caberia ao Impugnante demonstrar que os valores que diz não serem tributáveis foram recebidos como indenização por férias não gozadas por necessidade de serviço, sendo que a identificação constante das planilhas de fls. 65/66 não permite chegar a tal conclusão, induzindo, ao contrário, à compreensão de que se trata apenas de férias gozadas. Feitas essas considerações prévias, a DRJ passou à análise do caso concreto.Reproduzo a seguir as suas ponderações, a saber: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Consoante resumo e planilhas de fls. 59/71, cujos valores foram homologados em 30/07/2004 (fl. 73), verifica-se que o montante resgatado em 17/11/2003, de R$ 131.317,85 (fl. 23), teve origem no montante principal de R$ 132.132,37 (fl.74), que se compõem de rendimentos tributáveis, isentos e de tributação exclusiva, e estão distribuídas da seguinte forma (fls. 59/71). [...] Observa-se, ainda, que o IRRF homologado judicialmente em 30/07/2004 (fl. 70, 73 e 77), no valor de R$ 42.298,87, consoante resumo e cálculos As fls. 59 e 70, incidiu sobre as verbas originais tributáveis sujeitas ao ajuste anual (R$ 108.973,38) mais as de tributação exclusiva (R$ 13.615,10), que totalizam R$ 122.588,48, mais juros calculados até 31/01/2003 de R$ 33.362,34, não havendo, portanto, divergência entre os rendimentos tributáveis e isentos apurados nos cálculos judiciais e no demonstrativo acima. De acordo com os cálculos da Atualização Trabalhista n° 11922/2003 às fls. 74/77, verifica-se que o montante principal de R$ 132.132,37 foi atualizado até a data do primeiro resgate em 17/11/2003, perfazendo o montante de R$ 187.734,81, dos quais foram resgatados R$ 131.317,85 (fls. 23 e 74), restando saldo remanescente do principal de R$ 56.416,96, equivalentes 69,95% e 30,05% do montante, respectivamente. Quanto à compensação do IRRF concluiu a DRJ-CURITIBA- PR que, da mesma forma, procedeu corretamente a autoridade lançadora. E quanto aos cálculo contestado pelo Impugnante diz o seguinte: Quanto ao questionamento dos cálculos efetuados na descrição dos fatos da notificação de lançamento as fls. 11verso e 12, por um calculo mais simples, nota-se que foram benéficos ao interessado, posto que foi apurado para o exercício de 2004, ano calendário de 2003, IRRF de R$ 35.946,50, enquanto a aplicação do percentual de 69,95%, correspondente ao resgate efetuado no ano calendário de 2003, sobre o imposto recolhido em 15/10/2003, no montante de R$ 46.282,84, resultaria R$ 32.374,85, que atualizados até a data do resgate em 17/11/2003, pelos mesmos índices aplicados pela autoridade autuante, ou seja, a variação da TR no período de 15/10 a 17/11/2003 de 0,27217% (R$ 88,11) mais os juros do período de 1,1% (R$ 356,12), totalizaria apenas R$ 32.819,08. Entretanto, como a alteração do IRRF compensado, implica o agravamento da exigência, o que refoge a competência desta instancia de julgamento, mantem-se neste voto o IRRF apurado no lançamento. Nesse contexto considerando o IRRF de R$ 35.946,50 mais o resgate de R$ 131.317,85 (fl. 23), apura-se rendimentos brutos de R$ 167.264,35. Aplicados os respectivos percentuais de 82,47%, 10,30% e 7,23% sobre esse montante, obtêm-se R$ 137.942,91 de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, R$ 17.228,23 de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, e R$ 12.093,21 de rendimentos isentos. E sobre a dedução a título de honorários advocatício, prossegue: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10980.014806/2007-27 Acórdão n.º 2202-002.871 S2-C2T2 Fl. 4 5 Portanto, para a sua dedução há que se observar a proporcionalidade os rendimentos tributáveis, isentos e de tributação exclusiva, pois, como os honorários pagos sobre a totalidade das verbas, não se pode deduzir a parcela correspondente aos rendimentos excluídos da base de cálculo. Dessa forma, como os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os sujeitos A. tributação exclusiva são equivalentes a 82,47% e 10,30% do valor da ação, respectivamente, cabe deduzir honorários advocatícios na mesma proporção. Assim, dos honorários advocatícios de R$ 26.263,57 — fl. 24, R$ 21.659,57 (26.263,57 x 80,31%) correspondem aos rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e R$ 2.705,15 (26.263,57 x 10,30%) aos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, devendo, por conseguinte, serem excluídos da base de calculo do imposto. Os rendimentos correspondentes ao 13° salário, por se tratarem de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, devem ser excluídos da base de cálculo dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual e tributados à parte. 0 imposto incidente sobre esses rendimentos totaliza R$ 3.570,77 {[(17.228,23 — 2.705,15) x 27,5%]423,08), e deve ser deduzido do imposto retido na fonte, cabendo, por conseguinte, compensar a diferença de R$ 32.375,73 de IRRF na declaração de ajuste anual (35.946,50 — 3.570,77). O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/07/2010 (fls. 114) e, em 16/08/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 115/121, que ora se examina, e no qual, preliminarmente, pede a extinção do processo em face da decisão judicial proferida nos autos do processo nº 2007.70.50.0150081 que trata da não incidência do imposto sobre os juros moratórios. Quanto ao mérito, o Contribuinte reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: À vista de todo o exposto, quantum satis demonstrada, desde a impugnação, a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o Recorrente ver acolhido o seu recurso, para: a) determinar-se a extinção da presente ação fiscal, de modo a se restaurarem os dados contidos na Declaração n° 0934350136, Ano calendário 2003, Exercício de 2004, entregue regular e corretamente em 23/04/2005, até que, por força da decisão judicial proferida nos autos n. 2007.70.50.0150081, promova-se sua revisão; ou b) determinar-se a (i) extinção da presente ação fiscal ou a (ii) reforma da decisão de primeira instancia, uma vez que o entendimento perfilhado no Acórdão n. 0626.847 desafia e derroga a autoridade normativa do Parecer Normativo n. 01, de 24 de setembro de 2002; ou c) determinar-se a reforma, pelas razões de mérito, da decisão de primeira instância, cancelando-se, na sua totalidade, o débito fiscal reclamado, bem como, se necessário e favorável, o julgamento extra petita, peculiar à natureza do feito. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2201000.128, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No presente caso, o Notificação de Lançamento, fls. 11/14 objeto deste processo versa sobre, omissão de rendimentos, no valor de R$ 1.061,74, e compensação indevida de IRRF, no valor de 11.344,26, ambos decorrente de reclamatória trabalhista movida contra o Banestado, e omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas p/ Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, conforme DERC, no valor de R$ 642,49. Com relação a omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas p/ Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, conforme DERC, no valor de R$ 642,49, entendo que deve ser mantido o decidido em primeira instância , conforme abaixo transcrito: “0 contribuinte não se manifesta contra a omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas p/ Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, no valor de R$ 642,49, pelo que é de se considerar essa parte do lançamento como não impugnada e, portanto, não litigiosa, conforme o disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 67 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997:” Entretanto, discordo do decido no acórdão vergastado no que se refere a compensação indevida de IRRF, no valor de 11.344,26. A análise dos documentos trazidos pelo contribuinte junto com a impugnação, e quando da interposição do recurso ora enfrentado, são suficientes para permitir a adequada compreensão dos fatos. O Banco do Estado do Paraná S/A, . foi condenado nos autos da RT 25.842/200, a pagar ao contribuinte/reclamante a quantia total de R$ 131.3127,85, consoante valor do crédito apurado em 17/11/2003, conforme documento de fls. 23. Em 15/10/2003, foi recolhido o IRRF no valor de R$46.292,84, conforme DARF de fls. 25. Pelos documentos acostados aos autos depreende-se que do valor de R$46.292,84, relativo ao IRRF recolhido, R$2.553,78, refere-se a tributação do IRRF sobre o 13º salário. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual. O contribuinte não contesta esse valor. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10980.014806/2007-27 Acórdão n.º 2202-002.871 S2-C2T2 Fl. 5 7 Assim, fica evidenciado que o recorrente faz jus a dedução a título de IRRF, no valor de R$43.739,06. Como o valor pleiteado pelo contribuinte em sua declaração foi de R$44.031,43, entendo que a glosa mantida deve ser no valor de R$292,37. No que tange aos rendimentos decorrentes de verbas trabalhistas recebidas no ano-calendário de 2003, no valor de R$ 1.061,74, compulsando os autos, verifica-se que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao ano-calendário 2003 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente, utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O C. Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429-SP, fixou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010, destacamos). Em síntese, estabeleceu o C. STJ que os rendimento acumulados devem ser tributados “...com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos...”, vale dizer, pelo regime de competência e não regime de caixa, como fez a autuação. Importa ressaltar que o julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária Esse entendimento do C. STJ, no REsp n° 1.118.429SP, submetido ao regime do art. 543C do CPC, é de aplicação obrigatória por esta Conselheira, conforme dispõe o art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27.08. 2009 e 586, de 21.12.2010. Confira-se: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 8 Art. 62A.- As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Justifica tratar- se de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Anoto que ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citam-se excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO– O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICO CONTÁBIL. Equivoca-se o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10980.014806/2007-27 Acórdão n.º 2202-002.871 S2-C2T2 Fl. 6 9 (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento, somente em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, no ano calendário de 2003, no valor de R$ 1.061,74 e restabelecer ao recorrente o valor de R$11.051,83 a título de compensação do IRRF. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 36630.001467/2007-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, caracteriza pagamento antecipado de contribuições previdenciárias o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, caracteriza pagamento antecipado de contribuições previdenciárias o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, caracteriza pagamento antecipado de contribuições previdenciárias o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 63 0. 00 14 67 /2 00 7- 82 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face do Hospital e Maternidade São Leopoldo S/A, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 03/353, para cobrança de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e as destinadas a Terceiros referente às competências de 01/1999 a 30/11/2001. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2401001.965, que se encontra às fls. 796/806 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO. COOPERATIVA. DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, e por se tratar de lançamento de parte das contribuições devidas pela empresa, não é possível afirmar que não houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. Recurso Voluntário Provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência de todo o período a que se refere o crédito (02/1999 a 30/11/2001), aplicando a regra decadencial expressa no §4º, art. 150 do CTN. Regularmente intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 807/814) sustentando divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão n.º 201 77.572, no tocante à decadência das contribuições sociais em razão da inexistência de antecipação de pagamento em relação às rubricas objeto de lançamento. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 36630.001467/200782 Acórdão n.º 9202003.650 CSRFT2 Fl. 6 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 016/2012, de 16/01/2012 (fls. 815/817). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 20177.572. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “PIS. DECADÊNCIA. Não havendo prova nos autos de que houve a efetiva antecipação de pagamento, ainda para aqueles que vislumbram a decadência tãosomente pelas regras do CTN, a mesma não se operou, pois, neste caso, deve ser aplicada a contagem estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Verifico, ainda, constar do voto que integra o acórdão paradigma: "Logo, como nos autos só se tem a confirmação de que parcela do crédito tributário foi declarada, e ainda, como a recorrente, que alega a decadência, não logrou comprovar o efetivo pagamento, entendo que para aqueles que concebem a decadência tãosomente pelas regras do CTN, no caso, esta não se operou, pois, diante da ausência de pagamentos, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo a qual a contagem dos cinco anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado. " No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista haver nos autos comprovação do recolhimento antecipado de contribuições previdenciárias ainda que tal recolhimento tenha sido efetuado sob rubricas não lançadas pela fiscalização. O paradigma colacionado, no entanto, manifesta o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo entendendo que, na hipótese de inexistência de pagamento a homologar, a fiscalização deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Existente a divergência conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. No presente caso, da análise dos documentos apresentados apontados no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal é possível inferir que houve o recolhimento, ainda Fl. 821DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo (fls. 322), valor que foi inclusive deduzido na apuração do valor do crédito tributário lançado na autuação. O acórdão recorrido fundamentou a aplicação do art. 150, § 4º do CTN para fins de decadência na existência de tais recolhimentos, conforme se verifica do seguinte trecho do acórdão recorrido: “Levandose em conta que se trata de lançamento de parte das contribuições, eis que foram considerados alguns pagamento efetuados a empresas prestadoras de serviço e a cooperativas, não restando, assim, devidamente comprovada a inocorrência de antecipação de pagamento.” Dessa forma, correta a decisão proferida pelo acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 822DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 13555.000220/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de erro de fato e omissão no Acórdão devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar o vício identificado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. A Lei Complementar nº 105, de 2001, franqueou ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE RENDA.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2201-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2201-002.319, de 18/02/2014, manter a decisão original, no sentido de negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator.
EDITADO EM: 03/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de erro de fato e omissão no Acórdão devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar o vício identificado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. A Lei Complementar nº 105, de 2001, franqueou ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE RENDA. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de erro de fato e omissão no Acórdão devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar o vício identificado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. A Lei Complementar nº 105, de 2001, franqueou ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE RENDA. “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2201002.319, de 18/02/2014, manter a decisão original, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 02 20 /2 01 1- 70 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. EDITADO EM: 03/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Relatório A matéria em discussão neste Colegiado se refere a Embargos de Declaração (fls. 381/396) opostos pelo Contribuinte assentados em possível omissão e contradição do acórdão quando da análise da prova dos autos. Em seus embargos, em síntese, o Contribuinte sustenta a existência de omissão no acórdão quanto à análise (i) da alegação de legitimidade passiva, (ii) da ilegalidade da quebra de sigilo bancário, e (iii) da ilegalidade da presunção de renda por meio de depósito bancário, bem como contradição quanto à base legal utilizada. Em exame de admissibilidade este Relator entendeu possível ter havido omissão na decisão embargada, propondo que os autos fossem trazidos a julgamento (despacho de fls. 412/413). A D. Presidência desta Câmara acatou a referida proposta. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Os Embargos de Declaração foram opostos objetivando aclarar o acórdão 2201002.319, relatado pelo I. Conselheiro Odmir Fernandes. Somente foram admitidos no tocante à omissão quanto à (i) alegação de legitimidade passiva, (ii) ilegalidade de quebra de sigilo bancário, e (iii) ilegalidade da presunção de renda por meio de depósito bancário. Não foram admitidos em relação à alegada contradição quanto à base legal utilizada. A Embargante sustenta que o acórdão recorrido foi omisso ao deixar de analisar tanto os atos efetivamente praticados pela Embargante com base nos poderes que lhe foram conferidos como a responsabilidade do efetivo titular da conta bancária. Embora em analise preliminar tenha opinado pelo acolhimento dos presentes embargos em razão de suposta omissão, verificando os autos entendo que não há omissão a ser sanada em relação à ilegitimidade passiva. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13555.000220/201170 Acórdão n.º 2201002.663 S2C2T1 Fl. 101 3 De fato, a Embargante sustenta que o acórdão embargado foi omisso quanto à alegação de que o titular da conta bancária objeto da autuação (Sr Gilcilei José de Andrade) deveria figurar no polo passivo. Examinando o acórdão, no entanto, verifico que a questão foi devidamente abordada, conforme transcrição abaixo: “Está comprovado nos autos, sem contrariedade, que a autuada mantinha e movimentava conta bancária por procuração, em nome de Gilcilei José de Andrade. Diante da comprovada utilização de conta bancária em nome de terceiro, houve desconsideração do ato com a autuação do verdadeiro titular das contas bancárias, no caso a Recorrente, sem existir qualquer ilicitude na obtenção da prova ou falta de oportunidade de defesa ao titular formal das contas. Não há qualquer acusação ao titular formal das contas bancárias, logo não há nada para se defender. Só há direito de defesa ao acusado e Gilsilei José de Andreade – titular formal das contas – não possui qualquer acusação” O acórdão embargado, com base na existência de procuração que autorizava a Embargante a movimentar as contas do Sr. Giucilei, entendeu que a Embargante era a efetiva titular da movimentação bancária, efetivamente enfrentando a questão. A conclusão de que os recursos movimentados na conta corrente, de titularidade cadastral de Sr. Gilcilei José de Andrade, pertenciam à Embargante, não decorre somente da procuração (fls. 209) que lhe dava amplos e ilimitados poderes para movimentála, mas também em cópias de cheques juntados aos autos (fls. 12/14). Desta forma, tendo a questão sido enfrentada pelo acórdão embargado não há que se falar em omissão, razão pela qual não conheço dos embargos neste item. Sustenta, ainda, omissão em relação à inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem prévia manifestação do Poder Judiciário e sustenta que o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão nesse sentido. Entendo que assiste razão a Embargante, no tocante à omissão, pela ausência de manifestação do acórdão recorrido sobre a questão, apesar de invocado no recurso. Pois bem, a Lei Complementar nº 105, de 2001, franqueou ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Como se verifica na transcrição abaixo, a referida lei trata, expressamente, do dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, ressalvando, no entanto, o acesso a essas informações às autoridades fiscais, in verbis: “Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados: (...) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidas nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único – O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Assim, com a introdução do referido dispositivo ao ordenamento jurídico à fiscalização foi autorizado o acesso a informações bancárias dos contribuintes, desde que atendido o devido processo legal. Nesta linha de raciocínio, o que a nova lei fez nada mais foi que possibilitar às autoridades fiscais a utilização de um novo recurso para a consecução de sua tarefa de fiscalização, não havendo ilicitude nas provas obtidas através de informações bancárias, sem prévia autorização judicial. Por outro lado, a decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 15 de dezembro de 2010 no RE 389.808 ainda não é definitiva, posto que foi objeto de embargos de declaração ainda não julgados. Dessa forma, não há como se aplicar ao caso o entendimento externado pela referida decisão nos termos do disposto no artigo 62 do Regimento Interno deste E. Colegiado. Em suas razões de embargos a Embargante sustenta ainda a necessidade de se comprovar a real existência de fatos geradores do imposto sobre a renda, tema este também não abordado pelo acórdão embargado. Neste ponto, é importante ressaltar que a Embargante não comprovou a origem dos depósitos bancários, o que caracterizou a presunção legal de omissão de rendimentos. Em relação ao tema, este Colegiado editou a Súmula CARF nº 26, que estabelece, in verbis: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A jurisprudência deste E. Colegiado é unânime em aceitar que a mera existência de depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto sobre a renda. No presente caso, no entanto, os depósitos foram identificados pela autoridade fiscal e, somente após a intimação da Embargante e ausência de comprovação da referida origem, tais valores foram considerados como rendimentos omitidos. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13555.000220/201170 Acórdão n.º 2201002.663 S2C2T1 Fl. 102 5 Ante o exposto, acolho parcialmente os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2201002.319, de 18/02/2014, manter a decisão que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721050/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA..
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (VicePresidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do acórdão 1526.386 3ª Turma da DRJ/SDR que negou provimento à impugnação ao Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 151.263,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 05 0/ 20 09 -4 1 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.093 S2C2T1 Fl. 253 2 Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual nº 20, de 08 de setembro de 2003. O contribuinte sustentou em sua impugnação, em apertada síntese que: a) classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.093 S2C2T1 Fl. 254 3 da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A DRJ/BSB manteve o crédito tributário sob o argumento de que: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; e) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN É o relatório do necessário. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.093 S2C2T1 Fl. 255 4 Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos formais e materiais, razão pela que deles conheço. Inicialmente entendo que o caso reclama o sobrestamento. Em que pese o entendimento deste relator, certo é que esta Colenda Turma julgadora por maioria vem entendendo pela procedência parcial do lançamento, forçando no presente caso a análise da questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados. Ocorre que ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre tal forma de cálculo do imposto objeto dos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal determinou o sobrestamento dos demais feitos que versam sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, in verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.093 S2C2T1 Fl. 256 5 Diante do exposto, proponho o sobrestamento do presente feito, tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. É como voto Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901680/2011-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 16 80 /2 01 1- 30 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF em Campinas não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 2ª Turma da DRJ BHE, na sessão de julgamento de 24 de setembro de 2012, por meio do acórdão 0248.982 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASES AnoCalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 10/01/2014 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 10/02/2013, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 18 3 É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 19 5 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 20 7 para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 21 9 Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 22 11 II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 23 13 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 24 15 O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901680/201130 Acórdão n.º 3803006.378 S3TE03 Fl. 25 17 Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 18471.000899/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em analisar e decidir o recurso.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em analisar e decidir o recurso. MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa
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ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em analisar e decidir o recurso. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 89 9/ 20 08 -4 5 Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 18471.000899/200845 Resolução nº 2301000.525 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes aos segurados FPAS e terceiros, não recolhidas no período de 02/01 a 05/01, 07 a 13/01 02 e 03/02, 07 a 09/02, 11 a 13/02, 02/03 e 04/03 a 07/03. Segundo o Relatório Fiscal o fato gerador das contribuições devidas foi apurado no período acima descrito consoante nas folhas de pagamento, recibos de pagamento, documentos de rescisões contratuais e livros contábeis que foram apresentados para essa auditoria fiscal em questão gerando assim o lançamento de debito de nº DEBCAT 35.131.330 3 no valor de R$ 4.415.408,13(quatro milhões quatrocentos e quinze mil, quatrocentos e oito reais e treze centavos) Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais foram providas, determinando a exoneração do crédito fiscal pela decisão de piso. Devidamente cientificado da decisão proferida o recorrente não se manifestou. Dando seguimento ao processo a DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É a síntese do necessário. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 18471.000899/200845 Resolução nº 2301000.525 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Trata se de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007 do Ministro da Fazenda. DO RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. Conforme consta da decisão de primeira instância recorre a DRJ de ofício em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite fixado pela Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007, em conformidade com o artigo 366, parágrafo 2° do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048199, com a redação dada pelo Decreto n° 6.03212007. Todavia, embora à época da decisão a portaria 158 fixar o montante, deve se avaliar a admissibilidade do presente recurso considerando o valor atualizado na portaria MF n. 3 de 03/01/2008, conforme segue: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA: no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 , e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 , com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007 , resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Considerando a exoneração total do crédito em montante superior ao fixado na referida portaria, entendo que se encontram preenchidos os requisitos para a apreciação do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO QUESTÃO PROCESSUAL Antes de adentrarmos em matéria meritória do Recurso de Ofício aviado, mister que verifiquemos questão processual inobservada pela Unidade Preparadora, ao não constar de intimação da decisão de piso a efetiva pronuncia de existência de Recurso de Ofício aviado, cujo qual poderá ser anatematizado por meio de contrarazões de recurso de ofício e até mesmo a possibilidade de recurso voluntário se assim desejar. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 18471.000899/200845 Resolução nº 2301000.525 S2C3T1 Fl. 5 4 A intimação, portanto, é defectível como se vê às fls. , que transcrevo: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO EQUIPE DE PROCESSOS FISCAIS, em 06/06/2012 INTIMAÇÃO Nº: 1612/2012 PROCESSO: 18471.000899/2008 45(Debcad nº 35.131.3303) INTERESSADO: TELEMAR INTERNET LTDA CNPJ/CPF 03.986.348/000198 ENDEREÇO: AV AFONSO PENA, 4001 ANDAR: 10 SALA: A1 BAIRRO: FUNCIONARIOS CEP: 30130008 BELO HORIZONTE/MG Ref: Acórdão 12.046.767 1. Pelo presente dá se ciência do Acórdão nº 12.046.767, da 14 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) em 25 de maio de 2012, cuja cópia segue anexa. 2. Este acórdão julgou a impugnação procedente e o Crédito Tributário Exonerado. Por conseguinte, o processo administrativo relativo a NFLD, em epígrafe, será arquivado.(Destaque nosso) 3. È facultado ao sujeito passivo ou pessoa por ele legalmente autorizada ter vista ao processo no endereço acima, no horário de 13:00 às 17:00 horas, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do AR). Assinado digitalmente MARIA LÚCIA MACEDO ANTUNES AFRFB Matr. 15715 Chefe da Equipe de Processos Fiscais Local de atendimento: SECAT – DRF – BELO HORIZONTE R. LEVINDO LOPES, 357 – 8º andar – FUNCIONÁRIOS – CEP. 30140170 – BELO HORIZONTE MG Horário: 13 às 17 Horas. Desta feita, respeitando o princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, há de retornar os autos para que na intimação conste o aviamento de Recurso de Ofício, cujo ao qual poderá oporse a ora REcorrida através de contrarazões de RO, ou até mesmo, se desejar, aviar recurso voluntário, ambos em prazo delineado pela legislação de regência. Destacamos o item 2 da intimação acima transcrita, onde a Unidade Preparadora esclarece ao Contribuinte que o processo administrativo será arquivado, o que de fato não ocorreu, onde houve interposição de Recurso de Ofício, ao qual, como dito, poderá manifestar se contra ele. CONCLUSÃO Diante do exposto conheço do recurso de ofício, mas, para aperfeiçoar o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, há de retornar os autos em diligência à Unidade Preparadora para que esta providencie a intimação da Recorrida, da sentença de piso, informando que foi aviado Recurso de Oficio, cujo qual poderá oporse através de contrarazões de Recurso de ofício e se desejar poderá aviar Recurso Voluntário em tempo estabelecido por lei. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 18471.000899/200845 Resolução nº 2301000.525 S2C3T1 Fl. 6 5 Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 13884.900670/2008-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO - DCOMP - ERRO MATERIAL - SALDO NEGATIVO DE IRPJ
Evidenciado que houve erro material na indicação do crédito postulado, o que implica identificar o crédito efetivamente pretendido, impõe-se apreciar o crédito desenganadamente destinado à compensação, mercê da impossibilidade de transmissão de Dcomp retificadora. Formalismo moderado ou verdade material: adequação do Direito instrumental infralegal à disciplina legal do Direito material, à vista do caso concreto. Retorno dos autos ao órgão de origem para exame do mérito (crédito depurado do erro).
Numero da decisão: 1103-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para apreciação do mérito considerando o crédito pleiteado como saldo credor anual de IRPJ do ano-calendário de 1998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO DCOMP ERRO MATERIAL SALDO NEGATIVO DE IRPJ Evidenciado que houve erro material na indicação do crédito postulado, o que implica identificar o crédito efetivamente pretendido, impõese apreciar o crédito desenganadamente destinado à compensação, mercê da impossibilidade de transmissão de Dcomp retificadora. Formalismo moderado ou verdade material: adequação do Direito instrumental infralegal à disciplina legal do Direito material, à vista do caso concreto. Retorno dos autos ao órgão de origem para exame do mérito (crédito depurado do erro). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para apreciação do mérito considerando o crédito pleiteado como saldo credor anual de IRPJ do anocalendário de 1998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 06 70 /2 00 8- 37 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 456 2 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de pedido de declaração de compensação (Dcomp) nº 20053.69538.301203.1.7.040235 apresentado pela recorrente no montante de principal de débito de R$ 715.488,69, referente à compensação de pagamento indevido ou a maior do ano base de 1998. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 31 do eprocesso, o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado na declaração de compensação é: R$ 2.138.908,07. A partir das características do DARF discriminado na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Diante disso, não homologou a compensação declarada e colacionou uma tabela discriminativa com o valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, conforme segue (fl. 31 do eprocesso): MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 2 a 10 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Preliminarmente, alegou a conexão do processo administrativo em tela com os processos administrativos 13884900.017/200878 e 13884900.692/200805, pois apresenta as mesmas partes e objetos (referentes às Dcomps 23084.99938.191203.1.3.04679 e 4091.05274.301203.1.3.040144, respectivamente). Afirmou que quando do preenchimento da declaração de compensação, a recorrente informou equivocadamente que o crédito era oriundo de pagamento indevido ou a maior (vinculado ao pagamento efetuado através de DARF no valor de R$ 3.370.915,02), quando o correto seria informar que o crédito referiase a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998. Neste diapasão, portanto, considerou correta a não homologação pelas autoridades fiscais. Disse que o equívoco cometido não é suficiente para obstar a compensação desejada. A recorrente, após apurar saldo negativo de imposto de renda no anocalendário de 1998, efetuou compensações nos termos da legislação vigente (art. 26 da Instrução Normativa 600/2005). Alegou que, conforme demonstra na ficha 13 da DIPJ do exercício de 1999, foi declarado saldo credor no valor de R$ 4.697.917,94, conforme planilha apresentada à fl. 4 (eprocesso): Fl. 456DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 457 3 Disse, ainda, que a base de cálculo do Imposto de Renda está demonstrada na ficha 10, e a estimativa devida em meses anteriores, no montante de R$ 10.139.710,98, recolhida até o mês de novembro de 1998 e composta por (fl. 4 do eprocesso): Não obstante, procurou evidenciar que os débitos de IRPJ foram recolhidos por DARF dentro do prazo legal nos seguintes períodos (fl. 5 do eprocesso): Informou que o saldo negativo de IRPJ do período de 1998 demonstrado na ficha 13 da DIPJ/1999 foi parcialmente utilizado, conforme demonstrado à fl. 5 (eprocesso): Fl. 457DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 458 4 Portanto, após as compensações efetuadas, alegou que restou um montante de R$ 1.135.790,14 que não foi identificado pela autoridade, uma vez que ao elaborar a Dcomp, informou equivocadamente que a origem do crédito era decorrente de pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria informar como origem do saldo negativo de IRPJ de 1998. Informou, ainda, que do valor remanescente de R$ 1.135.790,14, uma parte foi utilizada para compensação de débitos no ano de 2003, por meio da declaração de compensação 20053.69538.301203.1.7.040235, procurando evidenciar, assim, que o crédito em questão existe, é legítimo e é passível de utilização pela recorrente, sendo suficiente a apresentação de uma retificação da informação da origem do saldo credor na Dcomp apresentada. Tendo em vista a impossibilidade de retificação da Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, a recorrente requer a retificação da declaração de compensação 20053.69538.301203.1.7.040235 com o objetivo de eliminar o equívoco cometido. Com isso, afirmou a recorrente, haverá o cancelamento da cobrança indevida do débito no valor principal de R$ 715.468,69, tendo em vista a existência do crédito do contribuinte. Por fim, requereu o julgamento do processo em conexão aos processos administrativos 13884900.017/200878 e 13884900.692/200805, bem como, a autorização para retificar a declaração de compensação em tela e a consequente homologação da compensação efetuada bem como o cancelamento da cobrança indevida do débito. DA DECISÃO DA DRJ Em 9/8/2012, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Campinas, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, afirmou que a empresa emitiu declaração de compensação em 30/12/2003 com o alegado erro e não providenciou sua retificação, conforme a IN SRF 460/2004 e a IN SRF 600/2005, esta última, vigente quando da ciência do despacho decisório recorrido. Afirmou que, conforme as citadas Instruções normativas, a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para a retificação de declaração de compensação, a qual, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação de documento retificar gerado a partir do Programa Per/Dcomp, antes da emissão do despacho decisório. Além disso, não compete às Delegacias de Julgamento o procedimento de admissibilidade da retificação. Não obstante, nos termos do art. 233, inciso IV, da Portaria MF Fl. 458DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 459 5 203/2012 (Regimento da RFB), compete às DRJ, depois de instaurado o litígio, julgar manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativas à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e à redução de alíquotas de tributos e contribuições. Enfatizou também que a apresentação de Dcomp não se trata de mero pedido, mas sim, de veículo por meio do qual se formaliza a compensação e consequente extinção do crédito tributário. Ademais, em análise da declaração de compensação, não se verificou qualquer erro material no seu preenchimento no sentido de se confirmar a alegação da contribuinte. Quanto à alegação de que o indébito apontado na Dcomp de R$ 1.135.790,14 (e não original) corresponderia ao valor remanescente do saldo negativo de IRPJ, informou que tal afirmação veio desacompanhada da devida comprovação escritural das alegadas compensações. Em vista da falta de comprovação, consignou que não há qualquer indício que permita supor a ocorrência do equívoco apontado pela recorrente. Nesse diapasão, a pretensão da interessada configura inovação, tratando de novo pedido, está sujeito à apreciação da autoridade administrativa da jurisdição do domicílio fiscal da recorrente. No mérito, a recorrente retificou a DIPJ/1999 e a DCTF do 4º trimestre de 1998, sem observar, contudo, o correto preenchimento. Além disso, a recorrente não apresentou as demonstrações financeiras e nem a escrituração contábil e fiscal em comprovação do erro de preenchimento das declarações de modo a justificar os novos valores declarados, o que é imprescindível diante das reiteradas alterações procedidas não só na base de cálculo do imposto, mas também nos créditos a ele vinculados. Por fim, registrou que é do contribuinte o ônus de demonstrar o indébito tributário, conforme art. 170 do CTN, o que não se concretizou, motivo pelo qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não conhecendo o pedido de retificação, bem como, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 245 a 266 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade e o que a seguir se sintetiza. Primeiramente, alegou que os erros cometidos na declaração de compensação foram pequenas impropriedades de natureza formal, afirmando que cumpre à autoridade administrativa buscar a verdade material. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Adiante, apresentou os lançamentos registrados no Razão contábil da conta 107519120, os quais, em tese, afastariam quaisquer dúvidas que se pudesse alimentar acerca do alegado (fl. 259, eprocesso): Fl. 459DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 460 6 Não obstante, procurou evidenciar que a recorrente não providenciou a retificação da declaração de compensação tendo em vista que não se deu conta de imediato dos equívocos que cometera. Da mesma forma, disse que a sistemática adotada pela administração é incompatível com a realidade da vida ao não aceitar retificações após o avento do Despacho Decisório, posto que, somente após a manifestação da administração é que o contribuinte toma conhecimento de qualquer lapso cometido no preenchimento do documento. Além disso, procurou consignar que, da mesma forma que não há previsão expressa que estabeleça que a DRJ tome conhecimento e determine sejam sanadas eventuais impropriedades de natureza formal, não existe previsão que a vede. Ademais, alegou que a fiscalização não pode aterse somente aos campos da declaração de compensação e os dados do DARF para encontrar as impropriedades formais. Disse também, que na própria declaração há evidências de que se trata de compensação de saldo negativo. Outrossim, afirmou que não apresentou até a manifestação de inconformidade os seus registros contábeis e demais documentos porque isso não havia sido objeto de questionamento ou de solicitação até a decisão da DRJ, motivo pelo qual juntou apenas em sede de recurso voluntário. Juntada de contas do Razão, de Dcomps, de informes de rendimentos e de retenção, além de informes acostados com a manifestação de inconformismo. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 461 7 Por fim, acerca dos acréscimos, alegou a recorrente ser inaceitável a exigência de multa e juros de mora relativamente a valores cuja compensação deve ser deferida. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 462 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 244 e 245 do eprocesso). Dele, pois, conheço. A indicação de fls. neste voto é a do eprocesso (salvo anotação de numeração manual). Como se viu do relatório, a recorrente alegar tratarse de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, mas que, por erro material, informouse como origem do crédito pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998. Que se cuida de erro na indicação de pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998 ao invés de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 não resulta dúvida. Seja porque, de fato, não há pagamento a maior de estimativa daquele mês, seja porque o valor informado como pagamento a maior corresponde ao valor remanescente de saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/99 (R$ 1.135.790,14), após compensações “diretas” feitas pela recorrente, e a compensação por Dcomp, como se indicará abaixo. Sinteticamente, essas as razões para a afirmação feita no parágrafo precedente; razões que passarei a desdobrar analiticamente com a devida análise fática. Há 3 Dcomps conexas nas quais se utilizam o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998, com o mesmo erro cometido, ao se informar como crédito o pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998: a Dcomp 20053.69538.301203.1.7.040235, objeto deste feito (fls. 117 a 121), e do despacho decisório de fl. 31; a Dcomp 23084.99938.191203.1.3.046479 (fls. 444 a 448), objeto do processo administrativo 13884.900017/200878, distribuído e sorteado a este relator; a Dcomp 40941.05174.301203.1.3.040144 (fls. 412 a 417), objeto do processo administrativo 13884.900692/200805. Segundo a linha 26 da ficha 13 da DIPJ/99 (fl. 301), o saldo negativo de IRPJ apurado e informado é de R$ 4.697.917.94, composto da seguinte forma: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 463 9 Esse saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 foi utilizado por compensação “direta” na escrituração contábil e declarada nas DCTFs, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91 c/c o art. 74 da Lei 9.430/96 em sua redação original (IN SRF 21/97), conforme segue: a) R$ 1.993.839,57 compensados em abril/99; b) R$ 108.020,74 compensados em maio/99; c) R$ 1.083,72 compensados em julho/99; d) R$ 124.554,30 compensados em abril/01; e) R$ 331.513,54 compensados em janeiro/01. Tais compensações “diretas” feitas pela recorrente, conforme declaradas nas DCTFs são confirmadas pelo acórdão de origem. Este acentuou que a compensação feita em maio/99 se deu com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998, e que a compensação efetuada em julho/99 se deu com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1999, conforme consulta ao sistema da RFB e quadro sintético exposto no voto. Compulsando os autos, localizei a compensação do IRPJ por estimativa de abril de 1999 com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998, declarada na DCTF do 2º trimestre de 1999 (fl.s 173 e 174). Não consta nos autos, porém a DCTF do 3º trimestre de 1999 com a compensação de R$ 1.083,72 com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1999. O saldo remanescente, após as compensações “diretas” feitas pela recorrente, conforme descrito acima, é de R$ 2.138.906,07 [R$ 4.697.917.94 – (R$ 1.993.839,57 + R$ 108.020,74 + R$ 1.083,72 + R$ 124.554,30 + R$ 331.513,54)]. Um aspecto sobre o qual pontuo é o seguinte. Pouco importa para o desate deste feito, terse compensado, a título de crédito de pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998, o débito de IRPJ por estimativa de abril/99. É que efetivamente esse valor (R$ 108.020,74) reduziu o saldo negativo de IRPJ de 1998. Cuidase de evidente erro, pois a compensação foi com crédito de saldo Fl. 463DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 464 10 negativo de IRPJ de 1998. E o que importa neste feito: tal valor reduziu o saldo negativo de IRPJ de 1998 utilizável na Dcomp em dissídio. O mesmo se diga quanto à compensação a título de pagamento a maior de estimativa de novembro de 1999. O valor de R$ 1.083,72 reduziu o saldo negativo de IRPJ de 1998 utilizável na Dcomp em discussão. Retomo agora o que antecipei no início deste voto. Como havia dito, há Dcomps conexas nas quais se utilizam o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. O montante do crédito de saldo negativo de IRPJ de 1998 usado nessas 3 Dcomps perfaz R$ 1.986.104,11 – menor em R$ 152.801,96 ao saldo remanescente de R$ 2.138.906,07 após as compensações “diretas” declaradas nas DCTFs pela recorrente. Eis os valores (de original) utilizados em cada uma das Dcomps: na Dcomp 20053.69538.301203.1.7.040235 são utilizados R$ 369.293,22 (fls. 118 e 121), objeto deste feito e do despacho decisório de fl. 31; na Dcomp 23084.99938.191203.1.3.046479, são utilizados R$ 1.003.115,93 (fls. 445 e 448), objeto do processo administrativo 13884.900017/200878, distribuído e sorteado a este relator; na Dcomp 40941.05174.301203.1.3.040144 são utilizados R$ 613.694,96 (fls. 414 e 417), objeto do processo administrativo 13884.900692/200805. A Dcomp 23084.99938.191203.1.3.046479 foi apresentada em 19/12/03 com indicação de crédito original de R$ 2.138.906,07, e com uso de valor original de R$ 1.003.115,93. A Dcomp em dissídio foi entregue em 30/12/03, com indicação de valor original de R$ 1.135.790,14 (= R$ 2.138.906,07 R$ 1.003.115,93), e com uso de R$ 369.293,22. Da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, vêse que R$ 10.139.710,98 são valores de estimativas de IRPJ, R$ 331.513,50 são de IRRF deduzidas no ajuste anual, R$ 211.154,36 são deduções de PAT, e R$ 650.729,30 são deduções de exigibilidade suspensa. Tudo conforme a ficha 13 da DIPJ/99 cuja síntese fora transcrita alhures. A maior parte do saldo negativo de IRPJ postulado é formada pelas estimativas de IRPJ, cuja composição se deu da seguinte forma: a) R$ 7.337.807,12 por pagamento mediante DARFs – somatória de pagamentos de IR dos meses de janeiro a dezembro da ficha 12 da DIPJ/99; b) R$ 477.254,75 por compensação – ficha 12 de junho da DIPJ/99; c) R$ 2.324.649,11 por dedução de IRRF – somatória de deduções nos meses de julho e novembro da ficha 12 da DIPJ/99. Quanto à compensação de R$ 477.254,75 para adimplemento da estimativa de junho de 1998, vejo que houve erro no preenchimento da ficha 12. R$ 3.210,05 foram informados na linha de compensações, mas R$ 474.044,74 foram informados na linha de IRRF Fl. 464DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 465 11 (fl. 297). De toda forma, confirmo que ambas quantias versam sobre compensação feita para adimplemento da estimativa de junho de 1998, como alegado pela recorrente. Vejo que na fl. 307 há o pedido para compensação de R$ 474.044,74 de débito de estimativa de IRPJ de junho de 1998, e que na fl. 334 há o pedido para compensação de R$ 3.210,05 também de débito de estimativa de IRPJ de junho de 1998. Essas compensações são objeto do processo administrativo nº 13884.001968/9884 (R$ 474.044,74), e do processo administrativo nº 13884.002268/9806 (R$ 3.210,05), como informado pela recorrente. Em consulta ao comprot, ambos os processos se encontram em curso, não tendo sido apreciados ainda por Turma julgadora de DRJ. Quanto aos pagamentos de estimativa de IRPJ por DARFs, no total de R$ 7.337.807,12, conforme a ficha 12 da DIPJ/99, constato que houve tais pagamentos, conforme cópias de DARF de fls. 36 a 40 (e repetidas nas fls. 302 a 306). São estimativas de janeiro a agosto e novembro de 1998. Ainda, do exame da ficha 12 da DIPJ/99, vejo que houve pagamento indevido de R$ 507.248,30 (por DARF) para a estimativa de agosto de 1998 – fl. 298. Sucede que nesse mês fora apurado um saldo a pagar de IR negativo, com base em balanço de suspensão ou redução. Esse valor de R$ 507.248,30 foi informado como compensação na estimativa de novembro de 1998 na ficha 12 – fl. 300. Apesar de tal valor ter sido informado como compensação na estimativa de novembro de 1998, não há interferência na valoração de saldo negativo. Isso porque nesse mês fora apurado IR a pagar de R$ 3.364.920,35 e houve pagamento por DARF de R$ 3.370.915,20. E na dedução das estimativas, no ajuste anual, o valor de R$ 507.248,30 não foi utilizado duas vezes: o total informado corresponde aos R$ 10.139.710,98, objeto de análise – os quais correspondem à maior parte da composição do saldo negativo de IRPJ de 1998. Também, para a estimativa de dezembro de 1998, na ficha 12 foi indicado como IR devido nos meses anteriores (objeto de dedução) o montante de R$ 10.139.710,98, que não é o valor efetivo de tal IR acumulado. Igualmente tal informação não interfere na valoração de saldo negativo, pois, a bem ver, a estimativa de dezembro de 1998 é espelho do IR do ajuste anual na ficha 13. Confirmase, pois, aquele erro material que acusei no início deste voto. Diante desse erro material, simples é a solução, ao se considerar que a compensação declarada como sendo de crédito de pagamento a maior de estimativa de IRPJ de novembro de 1998 é compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ de 1998. Para que não se objete que mesmo erro material dessa espécie não tem lugar sem a retificação de Dcomp, a qual é interditada pela então IN SRF 460/04, repetida na IN SRF 600/05, como na IN RFB 900/08, reproduzo excertos do voto condutor que proferi no Acórdão nº 110300.612, da sessão de 17/1/12. Em suma, a restrição infralegal deve ser analisada cum grano salis e à vista de cada caso concreto. A mesma conclusão que deduzi naquele acórdão, quanto à impossibilidade de tal restrição literal, vale para o presente feito: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 466 12 Nos termos do art. 57 da Instrução Normativa (IN) SRF 600/05, a retificação da DCOMP só é possível antes de haver decisão administrativa a respeito, ainda que essa não seja definitiva. E, conforme os arts. 58 e 59, da IN SRF 600/05, a retificação só é possível na hipótese de inexatidões materiais, sendo vedada para inclusão de novo débito ou aumento de débito compensado. Eis a dicção desses dispositivos: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Referidos ditames permanecem na legislação infralegal atual – arts. 77 a 79, da Instrução Normativa RFB 900/08. Questão que se põe é a seguinte. Tais restrições postas na IN, e que não constam na lei (art. 74 da Lei 9.430/96) são legais? E o § 14 do art. 74 da Lei 9.430/96, ao estabelecer que a Receita Federal “disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto a critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, ressarcimento e de compensação”, teria dado carta branca ao legislador infralegal, ou haveria limites que seriam os da própria lei, i.e., a complementação seria somente de caráter procedimental? Em termos abstratos, reputo correta a interpretação dada na Solução de Consulta Interna nº 19/11 (item 12) da Cosit, ao dizer que, em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei 9.430/96 estabeleceu somente função complementar à Receita Federal, de natureza procedimental. Entendo que, em princípio, mas sujeito à análise das particularidades do caso concreto, as restrições postas nos arts. 57 a 59, da IN SRF 600/05 não desbordam os limites legais. Quer dizer, entendo que, em tese, mas a depender da apreciação do caso in concreto, a vedação à retificação de DCOMP já Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 467 13 analisada, ainda que não definitivamente (i.e., sob contencioso administrativo), bem como para inclusão de novo débito ou para aumento de débito, não desborda os limites legais. Bem se sabe que não se julga em tese. Importa, por conseguinte, verificar se no caso sob exame a limitação da IN se mostra legal, ou, ainda, se tal limitação é aplicável ao caso sub judice, em interpretação conforme a lei. Como se vê do despacho decisório e reiterado pelo acórdão de origem, o crédito apurado e declarado para o período de 2003 foi integralmente reconhecido pela DRF/Belo Horizonte. O valor do saldo negativo de IRPJ em 31/12/03 foi de R$ 376.382,47, e tal valor havia sido integralmente utilizado para compensações – foram apreciadas as DCOMP’s com uso desse saldo negativo apresentadas até 15/07/04. A DCOMP retificadora alegada no presente recurso fora entregue em 18/10/06, mesma data da ciência da decisão da Turma da DRJ. Nela consta como crédito original o saldo negativo no valor de R$ 376.382,47 (fl. 427) – tal como já havia sido reconhecido integralmente pela DRF/Belo Horizonte. Nesta DCOMP retificadora figura somente o débito em dissídio de R$ 261.182,48, de COFINS, vencível em 15/01/04 (fls. 427, 429 e 430). Por que razão a recorrente apresentara DCOMP retificadora ao invés de entregar nova DCOMP incluindo o débito em questão, já que o crédito, tal como informado na retificadora, já havia sido integralmente reconhecido pela DRF/Belo Horizonte? Provavelmente, porque uma nova DCOMP com a inclusão do débito em dissídio seria considerada não declarada. Vejase o que prevê o art. 26, § 3º, IV, da IN SRF 600/05: Art. 26.(...) § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I – o débito apurado no momento do registro da DI; II – o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; III – o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 468 14 IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; E, conforme o art. 31, § 1º, I, da IN SRF 600/05, essa hipótese é considerada como compensação não declarada1. Notese: a IN SRF 600/05 (art. 26, § 3º, IV) veda a DCOMP para compensação de débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada. Ora, como a recorrente poderia reparar o erro material mediante apresentação de nova DCOMP incluindo o débito em dissídio, se este débito foi objeto de compensação não homologada (ao ter sido objetivado à compensação com saldo negativo de IRPJ de 2002, ao invés de sêlo com o saldo negativo de IRPJ de 2003)? [...] E, por outro lado, a retificação de DCOMP para inclusão de novo débito é igualmente vedada, ao teor do art. 59 da IN SRF 600/05. Como então a recorrente pode proceder à compensação do débito com crédito inclusive já reconhecido pelo próprio órgão de origem? Ao teor do art. 57 da IN SRF 600/05 não é possível! Igualmente se diga em face do art. 59 combinado com os arts. 26, § 3º, IV e 31, da IN SRF 600/05! O mesmo se dá atualmente em relação à IN RFB 900/08 (arts. 34, § 3º, V, 39, 77 e 79)2. 1 Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. § 1º. Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º do art. 26; 2 Art. 34. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação nãohomologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; Art. 39. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 34. (...) Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. (....) Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 469 15 Noutras palavras, a IN SRF 600/05 (e assim também a atual IN RFB 900/08), no caso concreto, interdita a compensação, que constitui direito material acolhido pela lei ordinária – art. 74 da Lei 9.430/96. Isso, a menos que se dê interpretação extremamente restritiva ao art. 26, § 3º, I, da IN SRF 600/05, para se compreender que tal vedação só alcança “débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada” com o mesmo crédito objetivado na compensação anterior. [...] Como não parece ser essa a interpretação prevalecente ao art. 26, § 3º, I, da IN SRF 600/05 (atual art. 34, § 3º, I, da IN RFB 900/08), meu entendimento é o de que, in casu, a vedação dos art. 57 e 59, da IN SRF 600/05 desborda os limites legais. O contrário é a supressão por norma infralegal de direito conferido pela norma legal, o que é inadmissível. Dito de outra forma, a interpretação dos arts. 57 e 59, da IN SRF 600/05 conforme a lei impõe a admissão, no caso em exame, da retificação da DCOMP relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. (destaques do original) Pois bem. O órgão de origem não analisou o mérito do crédito como saldo negativo de IRPJ de 1998. O acórdão a quo também não enfrenta propriamente o mérito do crédito enquanto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. § 2º. Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º. As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 470 16 Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito postulado como de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, com retorno dos autos ao órgão de origem para exame do mérito (saldo negativo). É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10410.009242/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA.
Comprovado nos autos que a receita submetida à tributação por parte do contribuinte é inferior a efetivamente auferida (e recebida) no período sob exame, há de se manter as exigências correspondentes aos valores omitidos. Ausente tal comprovação, o lançamento tributário revela-se insubsistente.
OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Tratando-se de alienação de imóveis em que os respectivos contratos têm previsão de duas transações distintas, isto é, uma operação de compra e venda, por preço determinado; e outra de financiamento do referido preço, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, os acréscimos relativos a esse financiamento não integram o preço da transação, razão pela qual não podem ser submetidos ao coeficiente de presunção na determinação das exações devidas, mas, sim, no presente caso, às regras contidas no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).
Numero da decisão: 1301-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos que a receita submetida à tributação por parte do contribuinte é inferior a efetivamente auferida (e recebida) no período sob exame, há de se manter as exigências correspondentes aos valores omitidos. Ausente tal comprovação, o lançamento tributário revelase insubsistente. OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Tratandose de alienação de imóveis em que os respectivos contratos têm previsão de duas transações distintas, isto é, uma operação de compra e venda, por preço determinado; e outra de financiamento do referido preço, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, os acréscimos relativos a esse financiamento não integram o preço da transação, razão pela qual não podem ser submetidos ao coeficiente de presunção na determinação das exações devidas, mas, sim, no presente caso, às regras contidas no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 92 42 /2 00 8- 56 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 456 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 457 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. Em sede de impugnação, a contribuinte argumentou (fls. 346/351): que não teria omitido receita; que todos os seus recebimentos teriam sido registrados e estariam lastreados em documentos hábeis e idôneos; que a autuação teria se socorrido de presunção legal, efetuando uma descrição "sucinta e vaga" da infração, além do que não teria levado em conta, na apuração dos valores omitidos, as "diferenças registradas a maior na contabilidade"; que os acréscimos às parcelas das vendas a prazo não poderiam ser considerados como "lucro", para efeito de tributação. A contribuinte solicitou, ainda, a realização de diligências. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, apreciando as razões trazidas por meio da impugnação interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 1128.899, de 11 de fevereiro de 2010, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no respectivo períodobase. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. No regime de lucro presumido, as receitas financeiras devem ser adicionadas à base de cálculo para efeito de incidência do imposto e do adicional. A partir do ano de 2006, com a entrada em vigor da Lei n° 11.196, de 2005, as referidas receitas passaram a compor a base para aplicação do índice de presunção das pessoas jurídicas que exploram atividades imobiliárias. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 458 4 Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 411/416), do qual extraio os seguintes fragmentos: [...] 6. Conforme se vê dos registros contábeis da Impugnante (docs. anexos), os valores nele contabilizados são sempre maiores que os levantados pela fiscalização, com exceção do valor do mês de maio, onde o AuditorFiscal aponta para um recebimento de R$ 308.034,99, sem especificar a origem ou natureza desses recebimentos, quando em verdade, a receita deste mês foi de R$ 240.466,67, como a seguir especificado: ... 7. Pelo quadro acima exposto, há de ser ver logo a imparcialidade do Auditor Fiscal em apontar na Impugnante a presumida omissão de receita indevidamente nos meses de fevereiro e junho, e encontrar uma diferença inexistente no mês de maio, desconsiderando as diferenças registradas a maior na contabilidade nos demais 11 meses do exercício de referência. Por isso, em último caso, se houvesse omissão de receita na contabilidade da Impugnante, esse valor seria de R$ 24.014,53 e não de R$ 81.941,65 como indicado pelo AuditorFiscal em seu Auto de Infração. 8. Mas no mérito, nenhuma omissão de receita foi praticada pela Impugnante, mesmo porque todos os recebimentos efetuados por ela estão registrados em sua contabilidade, lastreados em documentos hábeis e que foram colocados à disposição do AuditorFiscal, durante o longo período da fiscalização por ela exercida (mais de 1 ano). E pelo que se vê do sucinto relatório constante do Termo de Encerramento, nele não se identifica a forma pela qual o Auditor "encontrou" as tais omissões de receitas. 9. No exercício de referência a Impugnante obteve uma receita operacional de R$ 3.180.162,94, objeto do recebimento de prestações centenas de promitentes compradores de 6 (seis) edifícios residenciais por ela construídos, além de revenda de vários apartamentos e casas usadas recebidas em permuta ou em dação de pagamento de sinal. Por isso há de se indagar, onde estão as pretensas diferenças encontradas pelo AuditorFiscal, e por ele imputadas como "omissão de receitas" ?! 10. E contra fatos não há argumentos. De forma contrária ao que aponta o AuditorFiscal em seu relatório, a Impugnante comprova através de seus anexos registros contábeis (Livro Razão) os valores efetivamente recebidos conforme se vê na relação constante do item 06 acima. 11. E pelo que se depreende da leitura atenta do relatório anexo ao auto de infração, a fiscalização, sem se deter em qualquer aspecto de ordem contábil ou racional, desprezando todos os indicadores postos à sua disposição quer de forma cômoda, levar ao extremo alguma possível omissão de receita, descrita de forma sucinta e vaga, que não foi comprovada por qualquer procedimento que se pudesse a mesma se configurar. ... 15.Assim, por tudo quando já exposto, nenhuma razão assiste ao Agente Fiscal em ver prosperar sua peça intimatória da exação fiscal. Para que pudesse esta se revestir de condições legalizadoras, deveria esta no mínimo, demonstrar em qual contrato ou prestação de promitente comprador de imóvel novo ou usado se deu a pretensa infração. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 459 5 ... 18. No segundo ponto discriminado pelo AuditorFiscal em seu Auto de Infração, versando sobre a hipótese de ter a Impugnante considerado como receita aquilo que ele considera como lucro, mais uma vez se constata o equívoco cometido. 19. É que de fato, a Impugnante ao promover a venda a prazo de suas unidades imobiliárias, acresce mês a mês, a atualização monetária pósfixada medida pelo INCC Índice Nacional da Construção Civil, da Fundação Getulio Vargas. Mas essa atualização monetária pósfixada, tratase de ingresso de simples reposição de perda inflacionária, não podendo em hipótese alguma ser considerada como "lucro" como pretende o AuditorFiscal em seu Auto de Infração. 20. Tanto é correto esse entendimento, que o Governo Federal, embora tardiamente, a partir do anocalendário de 2005, editou Medida Provisória convertida posteriormente na Lei n° 11.196, dando nova redação ao § 4º do art. 15 da Lei n° 9.249/95, assim estabeleceu: ... 21. Ao teor do enunciado da lei acima referenciado, pacificado ficou o entendimento de que a atualização monetária, por índices oficiais, das prestações decorrentes de vendas de imóveis, são simples reposições de perdas inflacionárias e por isso mesmo se agregam às receitas operacionais das empresas imobiliárias, equivalendo afirmar que nos contribuintes optantes pelo lucro presumido, sobre essas atualizações aplicase o percentual de 8% para se encontrar a base de cálculo do IRPJ e de 12% para se fixar a base de cálculo da CSLL e não de 100% como equivocadamente pretende o AuditorFiscal em sua peça intimatória. 22. Assim colocada a questão e, em síntese, considerando a inobservância pelo AuditorFiscal da legislação aplicável na lavratura de seu Auto de Infração, há que ser o mesmo tornado nulo ou insubsistente, tornandose sem efeito o imposto e as contribuições nele exigidas, bem assim a multa e os encargos de mora pretendidos, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco e dessa forma merece reforma o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao considerar como procedente em parte a impugnação apresentada. É o Relatório. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 460 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuidam os autos de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. As infrações imputadas à contribuinte encontramse assim descritas, conforme auto de infração de fls. 316/322. 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Omissão de receitas da atividade em função do não oferecimento de valores provenientes de parcelas recebidas da alienação de unidades imobiliárias, assim como oferecimento a menor da receita decorrente da atualização monetária de todas as parcelas recebidas, conforme demonstrativos anexos. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2003 R$ 6.440,06 75,00 30/06/2003 R$ 67.568,02 75,00 30/06/2003 R$ 7.933,57 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 528 do RIR/99. 002 OUTRAS RECEITAS Valor referente a Receitas de Atualização Monetária das parcelas recebidas a título de alienação de unidades imobiliárias, uma vez que o contribuinte as considerou como se fossem bases de cálculo do Lucro e não como Lucro já sujeito à tributação. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2003 R$ 5.133,08 75,00 31/03/2003 R$ 2.945,31 75,00 31/03/2003 R$ 5.172,64 75,00 30/06/2003 R$ 5.903,00 75,00 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 461 7 30/06/2003 R$ 5.414,62 75,00 30/06/2003 R$ 5.092,94 75,00 30/09/2003 R$ 9.495,98 75,00 30/09/2003 R$ 5.063,01 75,00 30/09/2003 R$ 6.357,52 75,00 30/12/2003 R$ 10.072,90 75,00 30/12/2003 R$ 4.852,47 75,00 30/12/2003 R$ 13.774,92 75,00 Apreciando a impugnação interposta pela autuada, a Turma Julgadora de primeiro grau decidiu pela procedência parcial dos lançamentos tributários, eis que, a partir do argumento de que, tratandose de lucro presumido, para fins de IRPJ e CSLL a receita a ser considerada deve ser a do trimestre, concluiu que na apuração da omissão de receita por parte da Fiscalização tal aspecto não foi observado, motivo pelo qual promoveu ajustes na matéria tributável indicada nas peças de autuação (IRPJ e CSLL). Aprecio, pois, os argumentos trazidos pela fiscalizada em sede de recurso voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS Alega a Recorrente que a omissão apontada pela Fiscalização não ocorreu. Afirma que os valores contabilizados por ela são sempre maiores que os apurados pela autoridade fiscal, “com exceção do valor de maio de 2003, onde o AuditorFiscal aponta um recebimento de R$ 308.034,99, sem especificar a origem ou natureza desses recebimentos, quando em verdade, a receita deste mês foi de R$ 240.466,67...” Primeiramente, esclareço que, como já visto, considerados os trimestres em que restou constatado que a receita submetida à tributação por parte da contribuinte revelouse inferior à apurada pela Fiscalização (primeiro e segundo trimestres), as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram revisadas em primeira instância, de modo que em cada um desses períodos (trimestres) foi apurada a receita efetiva, representada pela soma algébrica dos valores correspondentes aos meses que integram os citados períodos, isto é, os valores maiores que os apurados pela Fiscalização serviram para reduzir as insuficiências detectadas por meio da ação fiscal. Assim, em conformidade com a denominada TABELA DE EXONERAÇÃO constante da decisão de primeira instância, os montantes tributáveis passaram a ser os seguintes: PERÍODO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO MANTIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA 1º TRIMESTRE/2003 6.440,06 0,00 2º TRIMESTRE/2003 75.501,59 64.411,64 Correto, a meu ver, o procedimento adotado pela Turma Julgadora de primeiro grau, eis que, tratandose de IRPJ e CSLL cuja a tributação tem por base o lucro presumido, que foi o regime de opção da Recorrente (DIPJ, fls. 247), a receita a ser Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 462 8 considerada é a referente ao trimestre. Correta também a decisão ao não considerar o resultado algébrico na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, vez que, sendo mensal a apuração, não existe amparo legal para excluir em determinado período eventual receita a maior computada em período diverso. No caso, efetivamente comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos o recolhimento indevido de contribuição e adotados os procedimentos da legislação que regem a matéria, a contribuinte poderia promover a compensação tributária em períodos subseqüentes. Destaco que a Recorrente, em virtude de, em essência, repisar argumentos trazidos por ocasião da interposição da peça impugnatória, não contradita os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância. Rejeito, também em âmbito preliminar, os argumentos da Recorrente de que a autoridade fiscal não especificou a origem ou natureza dos recebimentos e de que não se identifica no “sucinto relatório constante do Termo de Encerramento” a forma pela qual foram apuradas as omissões de receita. Isto porque identifico informação no citado Termo de Encerramento no sentido de que os valores recebidos foram determinados com base em planilhas e contratos apresentados pela própria contribuinte. Não obstante o registro acerca da reiteração de argumentos esposados na impugnação, no recurso voluntário a contribuinte traz quadro demonstrativo e anexa documentos, antes não apresentados, com o intuito de comprovar a alegação de que, excetuado o mês de maio, os valores contabilizados foram sempre maiores dos que os apurados pela Fiscalização. Analisando o quadro de fls. 413, constato que, para os períodos para os quais a Fiscalização apontou ter ocorrido omissão de receitas, a Recorrente consignou os seguintes montantes: FEVEREIRO/2006: 145.243,69 MAIO/2006: 240.466,97 JUNHO/2006: 113.490,81 Os totais acima encontramse detalhados nos demonstrativos de fls. 433, 434 e 435. Relativamente aos meses de fevereiro e junho de 2003, releva destacar que a planilha de fls. 314, elaborada pela Fiscalização, consigna os mesmos valores totais, isto é, incluída a atualização monetária, que a Recorrente indica no quadro de fls. 413, quais sejam, R$ 145.243,69 e R$ 113.490,81 para fevereiro e junho, respectivamente. A omissão, entretanto, foi considerada em relação ao valor líquido, ou seja, excluída a atualização monetária (R$ 141.683,75 para fevereiro, e R$ 103.490,81 para junho). Portanto, no que tange aos meses de fevereiro e junho de 2003, nenhuma discussão cabe acerca dos valores dos recebimentos considerados pela autoridade fiscal. A questão a ser enfrentada diz respeito ao fundamento da omissão, e, quanto a esse aspecto, ela se justifica pelo fato de a contribuinte declarar para os referidos meses os montantes de R$ Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 463 9 135.243, 69 e R$ 103.490,81, ao invés de R$ 145.243,69 e R$ 113.490,81 (vide DIPJ, fls. 247/281) Correta, pois, a meu ver, a imputação de omissão de receitas, relativamente aos meses de fevereiro e junho de 2003. Quanto ao mês de maio, em relação ao qual foi imputada à Recorrente omissão no valor de R$ 67.568,02, resultado da diferença entre os recebimentos levantados pela Fiscalização (R$ 308.034,99) e o que foi escriturado/declarado pela contribuinte (R$ 240.466,97), não encontro nos autos elementos capazes de servir de suporte para o cômputo do valor de R$ 308.034,99 a título de recebimentos, eis que tanto as folhas do Razão aportadas ao processo pela autoridade autuante, especialmente as de fls. 305/311, como as trazidas pela Recorrente por meio da peça recursal, indicam que os citados recebimentos situamse próximo ao montante de R$ 240.466,971, valor que foi considerado na declaração apresentada ao Fisco. OUTRAS RECEITAS Admite a Recorrente que, relativamente às vendas a prazo, a atualização monetária prevista contratualmente não foi considerada, para fins de determinação do LUCRO PRESUMIDO, como “outras receitas”, mas, sim, como integrante do “preço” e, portanto, submetida ao coeficiente de determinação do citado lucro. Sustenta a procedência do procedimento por ela adotado com base no fato de ter sido editada, em 2005, a Lei nº 11.196, que expressamente determina que o coeficiente de determinação do lucro presumido deve também ser aplicado às receitas financeiras decorrentes da comercialização de imóveis das pessoas jurídicas que explorem atividade imobiliária em geral. Penso de forma diversa. Com efeito, observadas as disposições contidas no art. 144 do Código Tributário Nacional, em especial a que esclarece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, resta indubitável que os acréscimos às prestações, no caso de operação imobiliária, tinham, à época da ocorrência dos fatos que aqui se encontram sob apreciação, tratamento tributário distinto do dispensado ao preço pago pelo imóvel no regime de tributação com base no lucro presumido. Na mesma linha do entendimento esposado pela autoridade de primeiro grau, e em consonância com a interpretação feita por meio do Parecer Normativo CST nº 63, de 1975, tratandose de alienação de imóveis em que os respectivos contratos têm previsão de duas transações distintas, isto é, uma operação de compra e venda, por preço determinado; e outra de financiamento do referido preço, os acréscimos relativos a esse financiamento não integram o preço da transação, razão pela qual não podem ser submetidos ao coeficiente de presunção na determinação das exações devidas, mas, sim, às regras contidas no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), verbis: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o 1 Embora tenham sido identificadas algumas diferenças, diante da enexpressividade dos valores, é bem possível que isso tenha ocorrido em razão da má qualidade das cópias digitalizadas anexadas ao processo. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 464 10 disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). [...] GRIFO NOSSO Ao contrário do que entende a Recorrente, penso que a edição da Lei nº 11.196, de 2005, que, objetivando trazer incentivos aos empreendimentos imobiliários no país, modificou o tratamento aqui referenciado, conforme art. 34 abaixo transcrito, fortalece o posicionamento ora esposado, eis que, consoante as disposições contidas no art. 132 do diploma em referência, o preconizado pelo art. 34 da citada lei só produziu efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006, restando indubitável, assim, a ausência de natureza interpretativa da norma introduzida no cenário jurídicotributário, o que inviabiliza a sua aplicação com efeitos retroativos. Art. 34. Os arts. 15 e 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. ........................................................................................ ........................................................................................ § 4o O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato." Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: a) excluir o IRPJ e a CSLL incidentes sobre a omissão de receita mantida em primeira instância, eis que, considerado o somatório algébrico das diferenças de receitas auferidas/recebidas nos meses de abril (R$ 11.359,95), maio (R$ 0,00) e junho (R$ 7.933,57) não resulta em valor positivo; e b) excluir o PIS e a COFINS incidentes sobre a matéria tributável do mês de maio de 2003 (R$ 67.568,02). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10830.725869/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA.
CRÉDITOS DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO E FRAUDE. Sujeita-se à multa isolada, em sua forma qualificada, quem declara compensação com crédito que, além de não ter natureza tributária e ter sido cedido por terceiros, é informado como originário de processo administrativo, mas decorre de operações notoriamente conhecidas como meio para postergar a cobrança de créditos tributários ou ensejar sua prescrição.
Numero da decisão: 1101-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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MULTA. CRÉDITOS DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO E FRAUDE. Sujeitase à multa isolada, em sua forma qualificada, quem declara compensação com crédito que, além de não ter natureza tributária e ter sido cedido por terceiros, é informado como originário de processo administrativo, mas decorre de operações notoriamente conhecidas como meio para postergar a cobrança de créditos tributários ou ensejar sua prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 58 69 /2 01 2- 93 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ITAMBÉM INDÚSTRIA DE PRODUTOS ABRASIVOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/09/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.976.610,83. A exigência decorre da aplicação da multa de 150% sobre o valor de débitos compensados indicados em Declarações de Compensação DCOMP apresentadas com fraude, consoante exposto na conclusão do Termo de Verificação Fiscal à fl. 21: A fiscalizada protocolou as DCOMP em comento a partir de 29/04/2011, submetendose, pois, à legislação acima citada. O malfadado crédito, utilizado nos procedimentos compensatórios, adveio única e exclusivamente do processo administrativo nº 10168.001414/200277, que, conforme exaustivamente comprovado, não traz direito creditório algum reconhecido em seus autos, apesar do que tentou fazer crer o sujeito passivo além de referirse a litígio de caráter cível em que não figuram como partes nem a União, nem o contribuinte em tela. Ademais, salientase a expedição das Notas PGFN/CRJ/Nº 145/2009 e PGFN/CRJ/Nº 552/2012, aduzindo que o processo nº 10168.001414/200277 é alvo de diversas denúncias de fraude. Por todos esses motivos, as respectivas DComps foram consideradas não declaradas, com base no art. 74, §12, II, “a” e “e” da Lei nº 9.430/96, e art. 34, §3º, I, “a” e “e”, da IN/RFB nº 900/08, sujeitando o contribuinte em foco ao lançamento de ofício da multa isolada prevista no art. 39, §6º, da IN/RFB nº 900/08, como exposto alhures. As DCOMP foram analisadas nos autos do processo administrativo nº 10166.002850/201174 e restaram nãodeclaradas porque comprovada a inexistência dos créditos postulados, além de, mesmo se existentes, desprovidos de caráter tributário (não administradas pela RFB) e pertencentes a terceiros (adquiridos de terceiros). As declarações foram apresentadas em papel, consignandose no campo destinado à origem e valor do crédito utilizado a seguinte referência: PROCESSO ADMINISTRATIVO JUNTO À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOB O NRO: 10168.001414/200277. A contribuinte juntou às declarações pedido de compensação/quitação de título executivo judicial "precatório" asseverando ser legítimo possuidor de Crédito Tributário, constituído por meio de Cessão Pública de Crédito junto ao Tabelionato do 2º Ofício de Notas, protesto, Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Alexânia GO, 1º Translado, Livro 90 E, folhas 182 a 183, do Direito Creditório nº. 10168.001414/200277, transitado em julgado, Prazo da Rescisória vencido e já Homologado junto a RFB (Receita Federal do Brasil) através do Protocolo de número 00.21.1008.88, cujas Escrituras originais seguem anexado à presente inicial. Referida escritura pública tem por objeto direitos de crédito oriundos do processo que tramitaram na 1ª Vara de Fazenda Pública de CuritibaPR, e apelações Cíveis nºs 28.635 e 35.521, transitado em julgado pelo Supremo Tribunal Federal por Carta de Sentença, bem como da certidão expedida pelo Superior Tribunal de Justiça referente ao Recurso Especial nº 37.056/PR (registro nº 93/00203169), transitado em julgado em sessão de 18 de junho de 1998. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 4 3 No despacho decisório de nãodeclaração das DCOMP, a autoridade fiscal afirmou tratarse da já desgastada e combalida tese de direitos oriundos da gleba Apertados, cujo descabimento já foi, inclusive, motivo de matéria jornalística, publicada no jornal Valor Econômico em 17/01/2005, bem como no Jornal Diário do Nordeste (Paranavaí/PR), em 15/12/2005. Complementou que: De fato, trata tal ação de litígio iniciado no século XIX, em que são partes pessoas físicas e o Estado do Paraná, em torno de direitos sobre a gleba rural então conhecida como “Fazenda Apertados”. Pelo que se conclui da leitura da Escritura Pública de fls. 31 e 32, direitos ao pretenso crédito sofreram transferências com o passar do tempo, tendo a interessada adquirido supostos direitos que montam em R$ 1.000,000 de FINANCE BUSINESS & SERVICES LTDA, CNPJ: 09.452.149/000186. Ora, do estudo do objeto da ação judicial representativa do crédito posto em compensação, concluise, indubitavelmente, acerca de seu caráter cível, pois cuida de direito indenizatório. Considerando que o crédito não tinha natureza tributária e foi objeto de transferência por parte de terceiros, a não declaração restou fundamentada no art. 74, §12, inciso II, alíneas "a" e "e", da Lei nº 9.430/96. A autoridade fiscal também entendeu presente fraude, porque: No caso vertente, o epigrafado contribuinte escriturou em suas DComp o processo administrativo nº 10168.001414/200277 como originário do indébito compensado. Conforme fls. 280/88, por meio das quais trazemse à baila as Notas PGFN/CRJ/nº 145/2009 e PGFN/CRJ/Nº 552/2012, o processo creditório em questão – nº 10168.001414/200277 é alvo de diversas denúncias de fraude, vez que nunca existiu crédito algum ali reconhecido. Corrobora com tal assertiva o fato de o contribuinte, ao ser inquirido acerca do indébito compensado, ato contínuo ter apresentado pedido de desistência das DComp apresentadas. Está claro o dolo, pois o sujeito passivo incluiu em documentação fiscal informações que sabia inverídicas com a cristalina intenção de burlar o fisco, abstendose de pagar débitos tributários. E conclusão outra não pode prosperar, vez que não se pode conceber erro quando fatos, que em verdade nunca ocorreram, são descritos tão pormenorizadamente como tentou fazer o interessado. Nessa toada, vale consignar que o sujeito passivo chegou ao ponto de afirmar, em sua petição – “IBreve Resenha dos Fatos” que se tratava de crédito já homologado pela RFB, reconhecido definitivamente nos autos do processo nº 10168.001414/200277! Como comprovado nos autos, tal fato nunca ocorreu. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou violado seu direito à ampla defesa e ao contraditório, por não poder exercer seu direito de recurso contra o despacho decisório de nãodeclaração das DOCMP, bem como por inexistir no Auto de Infração, mas apenas no Termo de Verificação Fiscal, menção ao fundamento legal que justifica o percentual da multa aplicada. Argumentou que a desistência da habilitação do crédito anularia qualquer ato dele consequente, e discordou dos fundamentos apresentados para rejeitar sua desistência, dado que procurou substituir o crédito utilizado por outro, formalizando novas compensações objeto do processo administrativo nº 10166.002455/201272, também consideradas não declaradas, com aplicação de nova penalidade, objeto do processo administrativo nº 10830.724988/201229, em evidente bis in idem. Justificou a desistência da utilização do crédito aqui referido, e defendeu a inaplicabilidade da multa, sem que seja aferida sua culpabilidade, além de seu evidente caráter confiscatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 5 4 A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CANCELAMENTO PER/COMP. A desistência do PER/DCOMP pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento e antes da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a DCOMP será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela unidade da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/03/2014 (fl. 555/556), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 04/04/2014 (fls. 558/578), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Assevera que além lavratura deste auto de infração aplicando multa em razão da não consideração da compensação, o valor do débito compensado já deverá ser inscrito em dívida ativa e objeto de cobrança judicial, sem que tenha sido permitido à Impugnante a chance de se manifestar contra as razões que fundamentaram tal decisão, nos termos do Decreto 70.235/72. Argumenta que o entendimento da Fazenda Nacional contra a possibilidade de recurso contra a nãodeclaração da compensação, e a ausência da devida fundamentação legal quanto ao percentual decorrente da penalidade aplicada configuram violação ao Decreto nº 70.235/72 e ao princípio da legalidade. Transcreve excertos da decisão recorrida e se opõe ao que ali consignado, na medida em que os arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 exigem a indicação do fundamento legal no auto de infração. Acrescenta que: Dizer que o fato do presente auto de infração possuir fundamentação e fatos semelhantes ao que teria o auto de infração que deveria ser lavrado, mas não o foi sob o fundamento do art. 74, da Lei nº 9.430/96, chega a ser escarnio ao fato de vivermos num Estado de Direito. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 6 5 O fato do parágrafo 13º desta Lei estabelecer que as regras aplicadas a compensação não homologada, presentes nos §§2º e 5º a 11º do referido artigo, não se aplica às hipóteses previstas no §12 deste artigo, relativas a compensação não declarada, não implica em entender que não há possibilidade de recurso contra tal decisão. O direito a ampla defesa e ao contraditório, constitucionalmente consagrado, não permite a interpretação de que foi negado o direito ao recurso contra decisão que considerar como não declarada uma compensação, mas tão somente que os procedimentos para exercício de tais direitos que não serão aqueles previstos para as compensações não homologadas. Complementa que a competência para legislar sobre compensação não autoriza disposições sobre direitos constitucionalmente consagrados, e que há omissão na norma que deve ser preenchida nos termos do art. 108 do CTN. Entende que o débito objeto da compensação não declarada tem que ser lançado em Auto de Infração competente, para a partir de sua negativa ser aplicada a multa objeto desta autuação, porque lhe é acessória, sob pena de ser impedido o exercício de seu direito à ampla defesa e ao contraditório, restando eivados de nulidade os atos daí consequentes. Cita o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, lições de Sacha Calmon Navarro Coêlho, e discorda da aplicação do art. 59 da Lei nº 9.784/99 em detrimento aos arts. 14, 15 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, vez que resta assegurada a ampla defesa da contribuinte e não há efeito suspensivo. Conclui que o lançamento é nulo porque lavrado com preterição do direito de defesa da contribuinte, nos termos do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Invoca os arts. 37, caput e 150, inciso I, ambos da Constituição Federal; art. 97, inciso I e art. 142, parágrafo único, ambos do CTN; e art. 2º da Lei nº 9.784/99 para afirmar que todo ato administrativo deve possuir uma fundamentação correta, cuja omissão ou equívoco impede o direito de defesa do autuado. Diz que no presente caso, foi aplicada uma multa de 75%. Não há no Enquadramento Legal do referido auto de infração, norma que justifique a aplicação deste percentual... Por que não 20%, 50%, etc...? E conclui que a nulidade do lançamento não pode ser afastada frente a uma violação clara e objetiva, que deve ser observada pelo administrador, nos termos do art. 4 do CTN, uma vez que a lei não permite discricionariedade e não excetua sua aplicação em caso de apresentação de defesa por parte do contribuinte. Passando ao mérito, reportase à habilitação prevista no art. 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, asseverando que sua observância era necessária, na medida em que o crédito utilizado em compensação tinha por origem decisão judicial transitada em julgado. Por sua vez, a habilitação prévia competia à PGFN, uma vez que o processo originário do crédito lá tramita, de modo que a burocracia e a comunicação interna existentes nos órgãos administrativos do Ministério da Fazenda não podem ser utilizados como desculpas nem argumentos para impedir o contribuinte de exercer o seu direito. Acrescenta que sua manifestação expressa e inequívoca pela desistência da compensação deve ser considerada como ato de boafé, e não resultar em ato punitivo ou meramente arrecadador. Conclui que o cancelamento da habilitação do crédito decorrente das petições protocoladas no dia 16/05/2012 colocou fim em qualquer procedimento compensatório que o utilizou para extinguir créditos tributários perante a RFB, e entende que este ato enseja o afastamento da multa por falsidade na declaração. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 7 6 Reportase a excerto da decisão recorrida que não transcreve e ressalta que sem a devida habilitação prévia, nos termos da lei, é nula a compensação efetuada, por falta de atendimento a este requisito legal, não podendo sequer ser recepcionada. Assim, se a compensação é nula na origem, não pode ser considerada existente para ser julgada declarada ou nãodeclarada e, por conseguinte, ensejar a penalidade aqui questionada. Na sequência, por mero exercício do princípio da eventualidade, dada a desistência do crédito utilizado em compensação, opõese à imputação de fraude ou de falsidade defendendo que o crédito utilizado é de natureza financeira, objeto de pedido de conversão em renda, pois foi dinheiro emprestado a União e tem que ser pago em dinheiro e neste caso a compensação é amplamente admitida, conforme doutrina que cita. Aliás, neste sentido, em se tratando de pagamento, e não de compensação, haveria erro na fundamentação jurídica da nãodeclaração. Diz ser indiferente a questão constitucional suscitada e utilizada como fundamento para afastar o mérito do pedido, porque o importante, e que não foi objeto de análise por parte do julgamento de primeira instância, é que a norma utilizada como embasamento para não declarar a compensação e, por conseguinte, a aplicação da multa objeto da presente autuação (art. 74, da Lei nº 9.430/96), versa sobre compensação tributária, não possuindo incidência no presente caso, uma vez que se trata de PAGAMENTO! Observa que o pagamento e a compensação são tratados em dispositivos diferentes no CTN, e que a doutrina admite a quitação de tributos por meio de títulos públicos ou outro bem que não a moeda em curso legal no país. Cita o art. 6º da Lei nº 10.179/2001 e o art. 78, §2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, defendendo a aplicabilidade imediata deste, como já reconhecido pelo Poder Judiciário. Acrescenta referências à Lei nº 10.072/2000, acerca de refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal, para argumentar que o pagamento de tributos utilizandose os títulos, não teria assim a União qualquer prejuízo, bem como se refere ao art. 1º, inciso III da Lei nº 9.665/98, que concederia ao Poder Executivo a competência necessária para receber o título da Dívida Externa em pagamento. Menciona, ainda, despacho do Ministro da Fazenda, publicado no Diário Oficial do dia 1º de abril de 2002, exarado nos autos do processo nº 10168.005347/8788, deferindo pedido análogo, dirigindo o processo à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para as providências complementares, conforme cópia anexa, e finaliza consignando que: Assim, no presente caso, o que se tem é que a lei atribui à Fazenda Nacional a competência para receber os títulos da dívida externa como pagamento, bem como a instrumentalização desta utilização. Ocorre que, dentro do Ministério, tal competência foi repartida entre o Tesouro Nacional ou a Procuradoria da Fazenda Nacional, no caso de reconhecimento do título, e a Receita Federal, para a sua efetiva utilização em pagamento. Com relação ao crédito utilizado, há o pedido de reconhecimento e conversão, dirigida ao Ministro da Fazenda, conforme requerimento protocolado em anexo, o qual não foi analisado; bem como possui o pedido de utilização do mesmo, dirigido à Receita Federal, que indevidamente indeferiu o pedido, já objeto de recurso. Acrescenta que no processo administrativo nº 10168.001414/200277 o detentor do crédito requereu a conversão do débito da Fazenda Pública Federal em Títulos Públicos Federais, para fins de cessão e quitação de tributos federais, nos termos do inc. II, do art. 1º c/c arts. 2º e 6º, todos da Lei 10.179/01. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 8 7 Defende que a vedação contida no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 alcança apenas créditos de terceiros de natureza tributária, diversamente do que consignado no despacho decisório de nãodeclaração da compensação, sob pena de violação dos arts. 108 e 111 do CTN, porque não cabe interpretação literal para legislação tributária sobre compensação, enquanto meio de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. Menciona violação ao art. 110 do CTN e conclui que em momento algum tentou levianamente utilizar crédito para compensação, mas sim entendia haver o direito ao crédito e sua liquidez, além da viabilidade jurídica do pedido e da compensação, e ausência de qualquer indeferimento no processo administrativo nº 10168.001414/200277, sendo que a decisão de substituir o crédito utilizado decorreu de cautela, ante aos indícios de fraude e a possibilidade de que tais indícios promovessem um despacho desfavorável no referido processo. Observa que os julgadores de 1ª instância reconhecem que toda a fundamentação do voto está baseada na aplicação de 75% de multa e não de 150%, evidenciandose o erro na decisão recorrida que reformou a multa aplicada na lavratura do auto de infração de 150% para 75%, nos termos da fundamentação apresentada. Cita doutrina acerca da necessidade de se auferir a culpabilidade do contribuinte (sic) para imputação da multa de mora, dada sua natureza penal, afirma correta a redução da multa aplicada, e reafirma que se é verdade que não existe crédito reconhecido, é igualmente verdadeiro que não crédito negado, vez que o processo administrativo nº 10168.001414/200277 ainda estava em andamento, e se ali houvesse fraude, ou se constatada a inexistência do crédito, já teria sido julgado pelo indeferimento do pedido e arquivado. A ausência desta decisão dá causa a que terceiros de boafé sejam vítimas na aquisição e uso de um suposto crédito fraudulento, contribuinte pela suposta falsidade na declaração. Acrescenta que não foi intimada das Notas PGFN/CRJ nº 145/2009 e 552/2012 citadas no lançamento, e que a desistência da habilitação foi apresentada logo depois da segunda nota, iniciandose a substituição do crédito supostamente inidôneo. Por tais razões, pede a improcedência do lançamento quanto à imputação da multa e da conclusão de falsidade na declaração. Discorre sobre o caráter confiscatório da multa, citando doutrina e arguindo danos às atividades empresariais caso exigida sua quitação, defendendo a possibilidade de o julgador reduzir a multa excessiva e reportandose a manifestação do Superior Tribunal de Justiça neste sentido. Diz que a manutenção da exigência resultará na violação do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, do inciso I do art. 156 do CTN e do art. 312 da Instrução Normativa INSS/DC nº 070/2002, e afirma seu direito à aplicação de atenuante à penalidade, com sua consequente desconsideração. Pede, assim, a declaração de nulidade do lançamento ou, então, a declaração de inexistência da pretensa relação jurídica obrigacional. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente esclareçase que o litígio nestes autos circunscrevese à penalidade imputada à recorrente em razão de compensação indevida declarada nos autos do processo administrativo nº 10166.002851/2011474 entre 29/04/2011 e 08/06/2012. Não se discute, aqui, os créditos tributários que retomaram sua exigibilidade em razão da não declaração da compensação, as referências a exigências correlatas e a pretensão de aplicação de atenuante à penalidade, prevista na legislação previdenciária, que regeria parte dos débitos compensados. E isto porque a penalidade aqui exigida não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. A falta de recolhimento dos débitos compensados sujeitase a multa de mora se eles estiverem declarados, ou à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma outra infração a ser punida com multa isolada, independentemente das providências adotadas para satisfação da obrigação tributária principal. Esta distinção fica evidente, desde a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 10 9 § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve promover: a cobrança dos débitos indevidamente compensados e o lançamento de ofício de multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurado, dentre outras hipóteses, que o crédito utilizado não era passível de compensação por expressa disposição legal, ou se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é incompatível com a aplicação de multa isolada, pois esta não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, em lançamento de ofício, se ele não estivesse declarado. Tratase, sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas. De fato, não é possível cogitar que um mesmo débito sofra a aplicação de multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora, como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Negase provimento ao agravo regimental, em face das razões que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há configuração de denúncia espontânea quando o contribuinte declara e recolhe com atraso o seu débito perante a Administração Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. SÚMULA 168/STJ. [...] 2. Deveras, pacificouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de "não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340 – MG, Rel. Min. Luiz Fux) Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 11 10 Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de recolhimento do tributo declarado, infração que mereça penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que autorizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Vejase que é admissível, inclusive, a aplicação da multa de ofício isolada sobre valor representativo de multa de mora, nos casos em que a compensação, mediante DCOMP, se faça com débito em atraso, dado que a multa por compensação indevida tem por base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado de ofício for objeto de compensação, e reste caracterizado o abuso de forma ou a fraude na apresentação da DCOMP. A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Logo, a exigência da multa isolada por compensação indevida é compatível com a exigência de multa (moratória ou de ofício) sobre os débitos indevidamente compensados. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 12 11 Passando ao mérito da multa isolada aqui aplicada, a autoridade lançadora justifica a exigência no fato de a compensação ter sido considerada não declarada e porque comprovada fraude na declaração apresentada. A não declaração da compensação resultou da classificação do crédito como de terceiros e de viés cível, e a fraude restou evidenciada pela referência ao processo administrativo nº 10168.001414/200277, alvo de diversas denúncias de fraude, vez que nunca existiu crédito algum ali reconhecido. Como antes mencionado, a multa por compensação indevida é uma penalidade nova, criada pela Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se vê, o caput originalmente previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida em razão de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que para as hipóteses de evidente intuito de fraude a referida lei assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Já com a Lei nº 11.051/2004, a estipulação da penalidade passou a estar assim redigida: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 13 12 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento imposto às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros ou de natureza não tributária: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Naqueles termos, a multa isolada para a hipótese de nãodeclaração de compensação com crédito de terceiros ou de natureza não tributária (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “c” da Lei nº 9.430/96) passou a ser a mesma aplicável aos casos de nãohomologação com evidente intuito de fraude (art. 18, caput da Lei nº 10.833/2003). Para além disso, a inovação legislativa operou efeitos significativos no campo da exigibilidade dos débitos compensados, a qual, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de não declaração, e não mais de nãohomologação. Mais à frente, a Lei nº 11.196/2005 deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 14 13 ............................................................................................................. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) [...] Referida alteração esclareceu que a multa isolada por compensação não declarada somente se sujeitaria a multa qualificada se caracterizado o evidente intuito de fraude, e adotou outra forma de redação: ao invés de tomar por empréstimo os percentuais aplicáveis à penalidade prevista para os casos de nãohomologação de compensação com evidente intuito de fraude, prevista no § 2o do art. 18, trouxe a indicação, no próprio inciso II do § 4o do percentual aplicável. Além disso, no inciso I do §4º, passou a cogitar de casos de nãodeclaração de compensação sujeitos a multa sem qualificação. As infrações em tela foram cometidas de 29/04/2011 a 08/06/2012, quando o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já sofrera outra alteração, decorrente da nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, então, passou a ter a seguinte redação, vigente até hoje: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 15 14 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há dúvida, portanto, que a não declaração da compensação, fundamentada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é motivo suficiente para a aplicação da multa isolada minimamente no percentual de 75%. Somente o cancelamento da DCOMP, promovido espontaneamente pelo sujeito passivo antes de qualquer intimação fiscal, poderia impedir a aplicação da penalidade, pois em regra este procedimento desfaz a extinção do débito compensado e permite sua cobrança por parte do Fisco, caso ele esteja, por outro meio, declarado. Outras condutas do sujeito passivo, ainda que tendentes à extinção definitiva dos débitos irregularmente compensados, não produzem o mesmo efeito, pois enquanto a DCOMP estiver ativa, os débitos estarão extintos por compensação, e a segunda extinção do mesmo débito poderia, a qualquer momento, ser arguida como indevida, inclusive com pedido de repetição dos valores eventualmente pagos. No presente caso, consta dos autos que a contribuinte teria apresentado as petições de fls. 310/330 em 28/06/2012, requerendo a renúncia ao direito e a consequente desistência e cancelamento do pedido de compensação, mas isto depois de ser intimada, em 18/06/2012, a prestar esclarecimentos a cerca das compensações em tela (fls. 306/309). Em sua defesa, há menção, também, a desistência de habilitação no processo administrativo nº 10168.001414/200277, mas sem juntada do documento correspondente. De toda sorte, o fato é que não há qualquer prova do cancelamento das DCOMP que deflagraram as multas aqui aplicadas, sendo certo que a legislação vigente à época estipulava, para o cancelamento, a observância da mesma forma adotada na declaração da compensação. Neste sentido a Instrução Normativa RFB nº 900/2008: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Registrese também não ter lugar, aqui, a discussão acerca da ilegalidade da cobrança dos débitos compensados sem prévia discussão administrativa da compensação considerada não declarada, ou da necessidade de prévio lançamento de ofício dos débitos compensados. Como antes demonstrado, o presente litígio circunscrevese à aplicação de multa isolada por compensação indevida, e a contribuinte deve dirigir aqueles questionamentos contra os atos de cobrança ou de inadmissibilidade de manifestação de inconformidade contra a rejeição da compensação declarada. A multa aqui aplicada decorre do abuso de forma/fraude na declaração da compensação, e não se confunde com as penalidades devidas ou outras consequências administrativas da falta de recolhimento/declaração dos débitos compensados. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 16 15 A recorrente também afirma a nulidade do lançamento porque, no presente caso, foi aplicada uma multa de 75%. Diz que não há no Enquadramento Legal do referido auto de infração, norma que justifique a aplicação deste percentual... Por que não 20%, 50%, etc...? Contudo, o auto de infração não só faz referência ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e às suas alterações até a Lei nº 11.488/2007, como também no Termo de Verificação Fiscal estão apontados os fatos que justificam o percentual adotado e a referência à consolidação legislativa exposta na Instrução Normativa RFB nº 900/2008, destacando o excerto abaixo negrejado: Art. 39. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 34. § 1º Também será considerada não declarada a compensação ou não formulado o pedido de restituição, de ressarcimento ou reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 98, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação ou formular o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso. § 2º Nos casos previstos no caput e no § 1º, a declaração ou o pedido será analisado em caráter definitivo pela autoridade administrativa. § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 34 e nos arts. 37 e 66, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1224, de 23 de dezembro de 2011) § 3º A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados ou a cobrança dos débitos já lançados de ofício ou confessados. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) I não extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento; e II é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 4º Nas hipóteses a que se refere o § 1º não se aplica o disposto no inciso V do § 3º do art. 34. § 5º Verificada a situação a que se refere o caput em relação à parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. § 6º Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso I do § 3º do art. 34, aplicandose o percentual de: I 75% (setenta e cinco por cento); ou II 150% (cento e cinqüenta por cento), quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 7º As multas a que se referem os incisos I e II do § 6º passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos ou arquivos magnéticos. § 8º O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AFRFB da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 17 16 Por sua vez, o art. 34, §3º, inciso I da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 reportase às hipóteses que, na forma do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, autorizam a não declaração de compensações: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 1 tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 2 tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 3 tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 4 seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) [...] Assim, a acusação fiscal validamente fundamenta a penalidade na apresentação de DCOMP considerada não declarada por veicular crédito de terceiros e de natureza não tributária, e justifica o percentual aplicado de 150% em razão da fraude evidenciada pela origem do crédito compensado. A multa assim fundamentada encontra amparo no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e nos atos normativos expedidos pela Receita Federal, de forma que inexiste qualquer deficiência a macular o lançamento. Em sua defesa, a recorrente também procura negar efeitos à compensação declarada, ante a inexistência de prévia habilitação de crédito exigida pelo art. 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Ocorre que as DCOMP foram, mesmo assim, apresentadas em papel, e ainda que a partir do ato de não declaração deixem de produzir qualquer efeito em relação aos débitos compensados, a conduta contrária à lei foi praticada, e as demais Fl. 596DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 18 17 disposições legais que procuram impedir sua prática não podem ser invocadas para anular a penalidade prevista, justamente, para os casos de infração à lei. Aliás, a alegação assim produzida pela defesa somente evidencia a inquestionável intenção do sujeito passivo de contornar os controles administrativos e criar a aparência de compensação de um crédito objeto de outro processo administrativo existente, submetido à apreciação administrativa. A autuada também faz referências à demora da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em se manifestar sobre o pleito a ela dirigido no processo administrativo nº 10168.001414/200277, e pede que seja considerado como ato de boafé a desistência manifestada naqueles autos. Ora, não bastasse a contribuinte ter apresentado DCOMP em papel fazendo referência a um crédito demonstrado em processo administrativo, com o qual alcançou a extinção imediata dos débitos compensados, pretende, agora, que outra petição encartada àquele mesmo processo administrativo, desacompanhada do cancelamento das correspondentes DCOMP, associada à demora da Fazenda Nacional em apreciálo, se preste como evidência da boafé de quem não poderia ter outro objetivo senão contar com os efeitos da extinção dos débitos compensados enquanto a análise do processo administrativo nº 10168.001414/200277 não se verificava. Os demais argumentos deduzidos pela defesa contra a imputação de fraude também em nada lhe socorrem. De fato, ao defender que o crédito utilizado teria natureza financeira e corresponderia a pagamento, e não a compensação, a contribuinte apenas agrega outras justificativas para a total inadmissibilidade das DCOMP. Em verdade, todas as referências feitas pela recorrente acerca da natureza do crédito utilizado somente conduzem à conclusão de que o direito supostamente a ela cedido poderia, no máximo, autorizar a pretensão de uma dação em pagamento, correspondente à quitação de tributos por meio de títulos públicos ou outro bem que não a moeda em curso legal no país, inclusive com base no art. 6º da Lei nº 10.179/2001, no art. 78, §2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e nas Leis nº 9.665/98 e 10.072/2000. A recorrente ainda vislumbra na lei a possibilidade de compensação de créditos de terceiros que não tenham natureza tributária, invocando as disposições do Código Tributário Nacional acerca da interpretação das leis tributárias. Olvidase, porém, da amplitude das vedações expressas no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que alcançam créditos de terceiros de qualquer natureza, e créditos de natureza não tributária de qualquer titularidade, em razão da própria dicção do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em compatibilidade com o art. 170 do CTN. Argumenta, também, que em momento algum tentou levianamente utilizar crédito para compensação, mas sim entendia haver o direito ao crédito e sua liquidez, além da viabilidade jurídica do pedido e da compensação. Todavia, como demonstrado na acusação fiscal, não se pode cogitar de boafé frente à utilização de créditos que há anos são noticiados na imprensa como destituídos de qualquer validade para fins de compensação tributária, criados por uma verdadeira indústria de direitos creditórios, com vistas a postergar a cobrança, ou até alcançar a prescrição de débitos, mediante formalização de compensações indevidas. Não é crível que diante deste cenário amplamente divulgado pela imprensa, a contribuinte somente tenha suspeitado da fraude em maio/2012, quando teria apresentado petição de desistência junto ao processo administrativo nº 10168.001414/200277. Quanto à alegação de que a autoridade julgadora de 1ª instância teria reformado a multa aplicada na lavratura do auto de infração de 150% para 75%, não é o que Fl. 597DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 19 18 se constata às fls. 533/553, em argumentação na qual é declarada improcedente a impugnação e, especificamente em relação à qualificação da penalidade, consignase que: 38.1 Em síntese, todos os procedimentos adotados pelo contribuinte ao longo do tempo indica seu total conhecimento das irregularidades cometidas, afastando qualquer hipótese da boafé alegada; ao contrário, o comportamento do contribuinte demonstra a sua clara intenção de eximirse do pagamento do tributo. 39. Por outro lado, os dispositivos legais utilizados pelo fisco quando do lançamento, além de vedar a utilização de precatórios na extinção de débitos tributários pela compensação e a utilização de crédito de terceiros, vai mais além, prevê – expressamente – a aplicação de multa isolada quando intentada. Vejamos: [...] 40. Como se vê, a compensação tributária prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 é uma faculdade do contribuinte no recebimento de seus créditos para com a União com mais celeridade. Contudo, assim como prescreve o art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer nas condições e sob garantias estipuladas em lei; exatamente neste sentido, o legislador criou a multa isolada para coibir a compensação indiscriminada, desprovida de amparo legal, unicamente para suprimir ou retardar o pagamento do tributo. 41. No presente caso, o contribuinte – ciente da ilegalidade de seu ato – apresenta DCOMP onde indica como origem de crédito processo protocolizado por terceiros, que nada tem haver com restituição/ressarcimento: nas declarações apresentadas pelo contribuinte não há indicação da origem do crédito – títulos da dívida publica e de terceiros. O ato praticado tem a nítida intenção de impedir ou retardar o pagamento do tributo devido, mediante apresentação de informações falsas. 41.1 Cabe lembrar que, na hipótese de utilização de crédito reconhecido judicialmente, a primeira providência a ser tomada pelo sujeito passivo é o “pedido de habilitação do crédito”. Mesmo ciente deste procedimento, o sujeito passivo esquivouse de apresentálo à RFB, indicando a sua clara intenção de ludibriar o fisco. Por todo o exposto, o fato de inexistir decisão indeferindo o crédito apontado no processo administrativo nº 10168.001414/200277 é irrelevante para reduzir a penalidade aplicada. Como bem exposto na acusação fiscal, era de conhecimento público a imprestabilidade dos créditos referidos pela contribuinte, e para ocultar sua utilização a recorrente valeuse da apresentação de DCOMP fazendo referência a outro processo administrativo, no qual inexistia qualquer direito reconhecido. Irrelevante, assim, se a contribuinte não foi cientificada das Notas PGFN/CRJ nº 145/2009 e 552/2012, ou se a desistência da habilitação foi apresentada logo depois da segunda nota. A contemporaneidade da desistência com o referido ato não exclui o descompasso de sua conduta com fato que já era notório muitos anos antes. Ademais, para manifestar sua boafé a contribuinte deveria ter requerido o cancelamento das DCOMP antes de ser intimada pela autoridade fiscal, o que não se verificou. Quanto ao caráter confiscatório da multa, importa apenas reiterar que a lei estipula o percentual aplicado, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 20 19 Assim, por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 599DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.727515/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICAS DAS QUESTÕES DE MÉRITO. NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO.
Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentá-las sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estar-se-ia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Sem Crédito em Litígio:
Numero da decisão: 2803-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICAS DAS QUESTÕES DE MÉRITO. NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO. Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentá-las sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estar-se-ia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Sem Crédito em Litígio:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
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NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO. Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentálas sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estarseia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Sem Crédito em Litígio: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 15 /2 01 1- 82 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727515/201182 Acórdão n.º 2803003.802 S2TE03 Fl. 338 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Via Park Comercial de Alimentos LTDA, em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, quando presentes todos os requisitos necessários à sua lavratura e a exata compreensão da exação por parte do contribuinte, que dispôs de todos os elementos indispensáveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” De acordo com o Relatório fiscal, tratase de Auto de Infração de lançamento de contribuições sociais previdenciárias,lavrado em face do sujeito passivo em epígrafe e responsáveis solidários integrantes do grupo econômico, para o período compreendido entre 01/01/2008 a 31/12/2008, Debcad nº 37.344.1770.Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “O presente Auto de Infração referese a lançamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, na condição de sujeito passivo sub rogado no cumprimento das obrigações previdenciárias principais do produtor rural contribuinte, nas operações de aquisição de produto rural de produtores rurais pessoas físicas, calculadas pelas alíquotas de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da produção; 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.” Após devidamente intimado do lançamento em 31/10/2011 o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 235/254, aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade da autuação por ter apresentado o auditor relatório dos fatos genéricos, ficando a cargo da descriminação dos fatos geradores apenas a Planilha de Lançamento, em que todas as situações foram lançadas numa planilha comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi aplicado; b) que o fato puro simples da empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como sendo integrante do salário de contribuição; c) que o pagamento do vale em transporte em pecúnia não desvirtua sua finalidade, não podendo assim ser considerada verba previdenciária; Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 d) que cumpre rigorosamente com seus compromissos, sendo que a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém o que era devido foi pago. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza não acolheu as razões apresentadas na impugnação da contribuinte, mantendo na íntegra o lançamento efetudo, sob o fundamento de que não há impugnação específica quanto ao mérito do lançamento tributário (fls. 257/262). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 295/300), alegando, de forma frívola, em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso. Aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação. b) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir c) Alega que no que tange ao dissídio e as férias retroativas houve um engano do auditor fiscal, já que a CCT, em sua cláusula primeira, prevê o aumento apenas em 1/11/2008. Conclui que, portanto, inexistiu retroatividade. d) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas. reformando o acórdão impugnando. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727515/201182 Acórdão n.º 2803003.802 S2TE03 Fl. 339 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Existência de Nulidade Analisando o acórdão proferido pela DRJ, observase que o único fundamento de mérito utilizado pelos julgadores foi de que não fora apresentado impugnação especifica quanto ao mérito do lançamento, não enfrentando, por consectário, qualquer questão de mérito apresentada pela recorrente em sua impugnação. “Não há impugnação específica quanto ao mérito do lançamento tributário, nem se vislumbrou qualquer irregularidade que ensejasse a sua revisão de ofício, razão pela qual mantémse hígido o crédito tributário lançado.” Contudo, a contradição existente no julgado é de clareza hialina, visto que no próprio relatório apresentado pelo julgador a quo consta que a recorrente apresentou impugnaçãoo específica sobre as questões de mérito do lançamento efetuado pela fiscalização, senão vejase: Do Mérito Alimentação sem PAT Assevera que a empresa está inscrita no PAT desde 2003, fato que por si só já torna ilegal o entendimento esposado pelo agente fiscal. Todavia, o fato pura e simples de a empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como integrante do saláriodecontribuição. O Superior Tribunal de Justiça em recente decisão firmou posicionamento nosentido de que a concessão do valealimentação in natura não é saláriodecontribuição, independentemente de inscrição no PAT. Se, contundo, os valores forem pagos em pecúnia,passam a integrar o saláriodecontribuição. Do valetransporte Em relação ao valetransporte pago em pecúnia, assevera que tal benefício foi regularmente previsto na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Outrossim, já é pacífico no Supremo Tribunal Federal que valetransporte, mesmo quando pago em dinheiro, não sofre a incidência da contribuição previdenciária. Da folha de pagamento, premiação, dissídio retroativo, adicional de férias não declarada em GFIP Cumpre rigorosamente com seus compromissos, não deixando de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus funcionários, sendo que, em determinados casos e por algum lapso, deixou de declarar tais pagamentos em GFIP, como assinalado pelo Auditor Fiscal. Assim, a não declaração em GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém, foi pago o que era devido. Nesses casos, em que não existe o dolo e o pagamento foi realizado, não há o débito principal, portanto, a multa, que é acessória, deve deixar de existir. No que tange ao dissídio e férias retroativos, há um engano do AuditorFiscal, já que a Convenção Coletiva firmada ressalva em sua cláusula primeira a previsão de aumento apenas em 1o de novembro de 2008, portanto, não havendo que falar em retroatividade. Na remota hipótese de não serem acatadas as teses expostas acima, deve ser levado em consideração o dispositivo contido na Lei no 11.941/2009, que determina a aplicação do dispositivo mais benéfico ao contribuinte quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias. Por fim, requer a declaração de nulidade dos Autos de Infração em epígrafe, e, por conseguinte, das multas aplicadas. É o relatório. Ademais, na impugnação apresentada pela recorrente às fls. 235/254, constata que houve impugnação específica em face de todos os pontos apresentados pela fiscalização em sua autuação, tanto que aduz que o fato puro simples da empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como sendo integrante do salário de contribuição; que o pagamento do vale em transporte em pecúnia não desvirtua sua finalidade, não podendo assim ser considerada verba previdenciária; que cumpre rigorosamente com seus compromissos, sendo que a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém o que era devido foi pago, etc. Ressalto, no entanto, mesmo estando este Conselheiro apto a proferir o julgamento, até porque há matéria já Súmulada por esse Conselho Administrativo, que eventual julgamento de mérito por parte desta Colenda Turma Especial configuraria verdadeira supressão de instância, o que não é admitido em Processo Administrativo Fiscal. Assim sendo, entendo que os presentes autos devam retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), para que esta enfrente as questões de mérito da autução, devidamente impugnada pela recorrente. Conclusão Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727515/201182 Acórdão n.º 2803003.802 S2TE03 Fl. 340 7 Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 343DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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