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Numero do processo: 13888.005348/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/12/2003 a 10/12/2004
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação da contribuinte na parte submetida à apreciação judicial (Súmula CARF nº 01).
IPI. INCIDÊNCIA. SAÍDAS DE PRODUTOS. BONIFICAÇÕES DESVINCULADAS DE VENDAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o IPI é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação.
Os descontos incondicionais, cuja inclusão na base de cálculo do IPI foi afastada pelo STF no RE nº 567.935, são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No caso, como não foi comprovado pela recorrente, como elemento extintivo ou modificativo da decisão recorrida, que a bonificação na saída dos produtos estaria vinculada a alguma venda mercantil efetivamente realizada pela contribuinte não está configurado o desconto incondicional.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/12/2003 a 10/12/2004 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação da contribuinte na parte submetida à apreciação judicial (Súmula CARF nº 01). IPI. INCIDÊNCIA. SAÍDAS DE PRODUTOS. BONIFICAÇÕES DESVINCULADAS DE VENDAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o IPI é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação. Os descontos incondicionais, cuja inclusão na base de cálculo do IPI foi afastada pelo STF no RE nº 567.935, são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No caso, como não foi comprovado pela recorrente, como elemento extintivo ou modificativo da decisão recorrida, que a bonificação na saída dos produtos estaria vinculada a alguma venda mercantil efetivamente realizada pela contribuinte não está configurado o desconto incondicional. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 53 48 /2 00 8- 62 Fl. 1303DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de processo de auto de infração, lavrado em 04/12/2008, para a exigência de IPI, juros de mora e multa proporcional de 75% sobre o valor do imposto, no montante total de R$6.046.011,45. Conforme consta na autuação, a contribuinte utilizou créditos indevidos relativamente a: a) bonificações nas saídas de produtos; b) entradas de insumos tributados com alíquota zero; c) entradas de insumos isentos; e d) entradas imunes de energia elétrica (com alíquota de 60%, correspondente à saída do produto aguardente). A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, mediante o qual requereu o reconhecimento do direito de aproveitamento de créditos de IPI relativamente aos insumos não tributados ou tributados a alíquota zero, além da compensação desses créditos com o mesmo tributo. A liminar foi indeferida e a segurança denegada, bem como foi negado seguimento à apelação da impetrante, com fundamento no art. 557, caput do anterior CPC. Posteriormente também o agravo foi improvido e os embargos de declaração foram rejeitados, tendo sidos os autos arquivados. A contribuinte também impetrou o mandado de segurança nº 2003.61.09.0065600, o qual foi extinto sem exame do mérito em face da litispendência com o mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: a) nulidade do procedimento fiscal; b) direito ao crédito sobre entradas desoneradas em face do princípio da não cumulatividade; c) impossibilidade de o desconto incondicional integrar a base de cálculo do imposto. Mediante o Acórdão nº 1432.297 2ª Turma da DRJ/RPO, de 26 de janeiro de 2011, decidiu o julgador de primeira instância, em síntese, por: Não conhecer da matéria relativa ao aproveitamento de créditos relativos a insumos imunes, isentos e não tributados, vez que objeto de discussão judicial. Não conhecer da questão acerca da possibilidade de atualização monetária pela aplicação da taxa Selic dos créditos referentes a insumos desonerados, eis que não abordada no processo administrativo e nem judicialmente. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.304 3 Manter a glosa relativa às bonificações/descontos incondicionais, em face da inexistência do direito à exclusão de descontos e abatimentos da base de cálculo do imposto. Tendo sido cientificada dessa decisão em 22/02/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/03/2011. Em face de problemas na digitalização desse documento, os autos retornaram à Unidade RFB de Origem para o saneamento, tendo sido juntada nova via do recurso voluntário, que consta nas fls. 707/739. Alega a contribuinte em seu recurso voluntário, em síntese, que: 1. Entradas desoneradas: Não houve, na decisão recorrida, a comprovação da identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, além do que o processo judicial é anterior a constituição do crédito tributário. O art. 38 da Lei nº 6.830/80 não é aplicável ao presente caso. Faz jus à tomada de créditos em face do princípio da não cumulatividade. O art. 153 da CF referese às operações anteriores, e não tão somente à última operação. O crédito tributário não advém da cobrança ou do efetivo pagamento do tributo, mas sim da existência deste na operação anterior. Além do que a obrigatoriedade do estorno dos créditos de entrada nem mais está em vigor, tendo em vista o art. 11 da Lei nº 9.779/99. 2. Crédito de Descontos Incondicionais: O Superior Tribunal de Justiça em reiteradas decisões afirmou que os descontos incondicionais ou bonificações não integram a base de cálculo do IPI, inclusive em sede de recurso repetitivo (vide Recurso Especial nº 1.161.208SP e AgRg nº 1.254.140SP). As expressões "bonificação" e "descontos incondicionais" são semelhantes. As "bonificações" nada mais são do que gratificações dadas por mera liberalidade da contribuinte a seus clientes, que se efetivam por meio da concessão de um abatimento de 100% do valor da operação. Em conformidade com o disposto no art. 14, II, parágrafo único da Lei nº 4.502/64, apenas era exigida a inclusão dos descontos concedidos sob condição na base de cálculo do IPI, estando, portanto, expressamente excluídos da base de cálculo os descontos incondicionais. A Lei nº 7.798/89, que alterou o art. 14 da Lei nº 4.502/64, proibindo a dedução do valor da operação dos descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente, não poderia alterar o CTN, uma lei complementar. Assim, o que se submete ao crivo do órgão julgador administrativo não é a inconstitucionalidade da Lei nº 7.798/89, mas apenas sua inaplicabilidade ao caso concreto ou, no máximo, sua ilegalidade. Somente a lei complementar poderia alterar a base de cálculo do IPI, a teor do art. 146, III, "a" da CF. O valor da operação na base de cálculo do IPI é o preço, mas nas bonificações não há preço. Não podem os descontos incondicionais, inclusive os de 100%, Fl. 1305DF CARF MF 4 incidir na base de cálculo do IPI, uma vez que não integram o valor da operação. Assim, é incorreto e ilegal o estorno dos créditos respectivos. O julgamento foi convertido em diligência, mediante a Resolução nº 3402 000.802, de 19 de julho de 2016, nos seguintes termos: (...) Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, observase que, embora a principal motivação para a glosa tenha sido mesmo o entendimento da fiscalização de que o IPI incidiria também sobre as bonificações, razão pela qual não haveria o direito ao correspondente creditamento; a fiscalização já havia também alertado sobre a falta de comprovação pela contribuinte das alegadas bonificações. Como não consta intimação para tal comprovação pela contribuinte, depreendese que a fiscalização deixou de apurar a questão fática por entender prejudicada pela questão de direito. Na impugnação e no recurso voluntário, a contribuinte nada acrescentou acerca da efetiva comprovação de que as bonificações teriam efetivamente ocorrido nas quantias informadas nas planilhas. Diante da ausência dos correspondentes documentos fiscais, não se tem, até o presente momento nos autos, a efetiva comprovação de que os créditos pleiteados pela contribuinte seriam efetivamente as bonificações, como qualificadas pela requerente/contribuinte, que dariam em tese o direito ao creditamento. Assim, embora fosse incumbência da própria contribuinte comprovar o direito creditório alegado sobre as bonificações, há que se ponderar que a fiscalização também não direcionou a fiscalização nesse sentido, razão pela qual trará maior equilíbrio entre as partes sob litígio a conversão do julgamento em diligência para que seja oferecida oportunidade à recorrente para apresentar os documentos fiscais que comprovariam as bonificações alegadas. Na oportunidade, auxiliaria também na resolução da lide a juntada aos autos de cópia da petição inicial do mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, para a verificação da concomitância com o presente processo relativamente às entradas desoneradas. Assim, pelo exposto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à DRF/PiracicabaSP que: a) Intime a recorrente a apresentar os documentos fiscais e lançamentos contábeis correspondentes que comprovem as alegadas bonificações; b) Analise a documentação acostada pela recorrente e sua potencialidade para comprovar as alegadas bonificações; c) Junte aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, seja por intermédio da própria recorrente ou da Procuradoria da Fazenda Nacional; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.305 5 e) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (...) A fiscalização na diligência juntou a cópia da inicial do Mandado de Segurança nº 2003.61.09.0014998 nas fls. 1253/1272 e informou no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1279/1294) o que se segue: (...) Analisadas, por amostragem, as seguintes notas fiscais (cópias digitalizadas das originais, fls. 1198 a 1204; a digitalização foi feita da melhor forma possível, considerando que as notas estão encadernadas): Para todos os documentos relacionados acima, foi constatado o seguinte: as notas fiscais originais foram apresentadas (fls. 1198 a 1204); as notas fiscais foram emitidas com CFOP 5910 ou 6910 REMESSA EM BONIFICAÇÃO; os valores das notas fiscais conferem; consta destaque do IPI nas notas fiscais; as notas fiscais estão relacionadas no Livro Registro de Saídas com destaque do imposto (fls. 1205 a 1225); o valor do imposto destacado nas notas fiscais foi lançado no Livro de Apuração do IPI (fls. 1226 a 1243); valor total de débito do imposto de cada decêndio do Livro de Apuração do IPI confere com o valor de débito total do imposto do decêndio do Livro Registro de Saídas; valor da bonificação foi contabilizado, conforme Livro Diário (fls. 1244 a 1252), nas contas 3130101 BONIFICAÇÕES (conta de receita) e contrapartida em 3360504 BONIFICAÇÕES (conta de despesa). Verificase, portanto, que o valor não foi lançado em clientes (ativo), aguardando pagamento, mas sim em despesas, o que veio a comprovar que a mercadoria constante das notas não foi vendida, mas sim dada em bonificação; o valor lançado como receita foi anulado pelo mesmo valor lançado como despesa, na apuração do lucro. Conclusão: tratase de saída de produto em bonificação, devidamente contabilizada, com destaque do imposto, sendo este considerado no somatório de impostos debitados no decêndio. Verificado, ainda, que todos os débitos apurados no LAIPI foram declarados em DCTF (fls. 1273 a 1276). Destaquese que os julgamentos do REsp e RE citados no voto da Relatora do CARF são posteriores à emissão do Auto de Infração, que ocorreu em 2008. À época de emissão do Auto, foi observada a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, Art. 2º, II, e §2º: (...) Fl. 1307DF CARF MF 6 A recorrente tomou ciência do Relatório de Diligência Fiscal em 20/06/2017, por meio eletrônico, tendo sido informada do direito de se manifestar no prazo de trinta dias, mas não apresentou nenhum documento nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. 1. Entradas desoneradas: Não pairam dúvidas de que a questão acerca do direito ao aproveitamento do crédito relativamente aos insumos não tributados ou tributados a alíquota zero foi matéria discutida no mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, como se vê nos trechos abaixo da sua petição inicial: Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.306 7 A concomitância do processo judicial com o presente processo nessa parte também restou confirmada ao julgador da DRJ nos excertos da sua sentença, cuja cópia consta nas fls. 402/408. Determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979 que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de mandado de segurança, repetição do indébito ou anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido, sendo irrelevante se a ação judicial foi proposta antes ou depois do lançamento: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, nada há a reparar na decisão recorrida na parte que não conheceu da matéria que estava sub judice, restando prejudicados os demais argumentos da recorrente no sentido de que faria jus ao referido creditamento. Ademais, no presente momento, conforme nas informações processuais no sítio do TRF 3ª Região, o processo transitou em julgado sem qualquer resultado favorável à impetrante no que concerne às saídas desoneradas. 2. Crédito de Descontos Incondicionais: Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o imposto é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: (...) II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. (...) § 2º O impôsto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. Fl. 1309DF CARF MF 8 (...) Art . 16. Se a saída do produto do estabelecimento produtor ou revendedor se der a título de locação ou decorrer de operação a título gratuito, assim considerada também aquela que, em virtude de não transferir a propriedade do produto, não importe em fixarlhe o preço, o impôsto será calculado sôbre o valor tributável definido nos incisos I e II do artigo anterior, consideradas as hipóteses nêles previstas. Ao contrário do alegado pela recorrente, "descontos incondicionais" e "bonificações" são conceitos diversos, não obstante algumas vezes as "bonificações" possam, conforme o caso, também ter a característica de "descontos incondicionais". Essa questão foi tratada na Solução de Consulta nº 130 SRRF08/Disit, de 3 de maio de 2012, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª RF, que, embora se referisse às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, seus conceitos podem também ser aproveitados para o IPI, nos seguintes termos: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. (...) 2. Em preliminar, devese definir o conceito, para efeitos tributários, de bonificação, uma vez que o cerne da questão apresentada se relaciona diretamente a tal conceito, e nos efeitos Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.307 9 que tal conceito podem fazer repercutir em matéria tributária, mais especificamente, na determinação da base de cálculo das Contribuições ao PIS/Pasep e ‘a Cofins. 3. Bonificações são entendidas no campo do direito comercial como a concessão feita pelo vendedor ao comprador, ao diminuir o preço do produto ou serviço vendido ou ao entregar quantidades maiores do que as avençadas em contrato comercial. As bonificações, dentro deste contexto, podem ser concessões recebidas tanto em dinheiro como em mercadorias. 4. Por ser relevante, a Administração Tributária Federal pacificou seu entendimento ao conceituar bonificação no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, do qual transcrevemos o seguinte excerto, para esclarecimento do tema (observamos que o padrão monetário citado é o vigente á época da edição do texto administrativo) : “ Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas pela Instrução Normativa SRF nº 51/78 como descontos incondicionais. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias.” (destacouse) 4.1. Seguindo este parâmetro, a Administração Tributária á época da emissão do Parecer retro, já havia editado a Instrução Normativa SRF nº 51, de 03/11/1978, onde, em seu item 4.2 disciplina o conceito de desconto incondicional, no âmbito tributário : 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.2. Portanto, conjugandose a disciplina normativa de tais atos, concluíse que, para a Administração Tributária, bonificação, cujo valor conste da Nota Fiscal de venda, quando não vinculado ‘a operação ou evento futuro, tem a natureza jurídica de desconto incondicional, assumindo assim a condição de redutor do valor bruto da operação de venda. (...) Nessa mesma linha foi o voto vencedor do Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no Acórdão nº 9303003.515 – 3ª Turma, de 15 de março de 2016, abaixo transcrito: Fl. 1311DF CARF MF 10 (...) Há uma segunda parcela dos tais descontos que não comporta, efetivamente, nenhuma contraprestação por parte do supermercado que possa ser tachada de prestação de serviço. Para essas, concordo que a discussão é realmente bem mais complexa, mas não as diviso na relação elaborada pelo relator da decisão recorrida. De fato, além dos descontos contraprestacionais, ali só identifico as pretensas bonificações, que passo a tratar. Quanto a elas nada tenho a acrescer ao que foi argumentado pelo n. relator que me precedeu: apenas se podem considerar bonificadas as mercadorias recebidas em quantidade maior do que aquela objeto de uma específica e vinculada operação de compra e venda. E para que tal ocorra, há de estar isso registrado na nota fiscal correspondente àquela operação. Esse é, aliás, o próprio significado econômico da expressão bonificação1: "Vantagem concedida pelo vendedor ao comprador, seja pela diminuição do preço da mercadoria vendida, seja pela entrega de uma quantidade maior que a estipulada. No mercado de ações, bonificação é a distribuição gratuita de ações novas aos acionistas (na proporção da quantidade de ações já possuídas por cada acionista) em virtude da incorporação ao capital de reservas ou lucros acumulados ou da realização do ativo de uma empresa". Quase com as mesmas palavras, as define o nosso maior lexicógrafo2: bonificação (...) 3. concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior do que a estipulada. E é por se referirem a uma dada operação de compra, na qual encontram sua razão de ser, que podem ser tratadas como se fossem um desconto incondicional: o vendedor está entregando uma quantidade maior do que estaria obrigado, o que equivale a cobrar menos por cada uma das efetivamente entregues. (...) Quando, entretanto, as mercadorias são recebidas em operações isoladas, isto é, descasadas de uma concomitante operação de compra e venda, de bonificações não se trata, mas meramente de doações. (...) (...) Dessa forma, para a aplicação do entendimento do STF, proferido em sede de repercussão geral no RE 567.9351, ou pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos2, 1 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS –VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO – ARTIGO 15 DA LEI Nº 7.798/89 –INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL – LEI COMPLEMENTAR – EXIGIBILIDADE. Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional. 2 PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO DEDUÇÃO DE DESCONTOS Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.308 11 importa saber se as denominadas "bonificações" pela recorrente, seriam ou não verdadeiros "descontos incondicionais". Conforme se observa nas notas fiscais das fls. 1198/1204, as bonificações concedidas pela recorrente foram acobertadas por notas fiscais autônomas, não estando vinculadas a outra venda, de forma que não se tratam de um desconto incondicional, assim considerado uma parcela redutora do preço de venda que consta na nota fiscal de venda dos bens e independem de evento posterior à emissão desse documento. Além da inexistência de nota fiscal única para amparar conjuntamente a bonificação e a venda, a recorrente também não demonstrou, por outros meios, que a INCONDICIONAIS ILEGITIMIDADE DA DISTRIBUIDORA PARA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO POSSIBILIDADE. AFETAÇÃO DO RECURSO À SISTEMÁTICA DE JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). 1. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp. 903.394/AL (julgado em 24.3.2010, DJ de 26.4.2010) submetido à sistemática dos recursos repetitivos, alterou a sua jurisprudência considerando a distribuidora de bebidas, intitulada de contribuinte de fato, parte ilegítima para pleitear repetição de indébito. 2. A base de cálculo do IPI, nos termos do art. 47, II, "a", do CTN, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. 3. A Lei 7.798/89, ao conferir nova redação ao § 2º do art. 14 da Lei 4.502/64 (RIPI) e impedir a dedução dos descontos incondicionais, permitiu a incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida no art. 47, II, "a", do CTN. Os descontos incondicionais não compõem a real expressão econômica da operação tributada, sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo do IPI. 4. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da operação, depois de realizadas as deduções pertinentes. 5. Recurso especial não provido. Sujeição do acórdão ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1149424/BA, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 07/05/2010) Fl. 1313DF CARF MF 12 bonificação seria vinculada a alguma outra venda mercantil efetivamente realizada, inclusive, sequer foi apresentada alegação nesse sentido no recurso voluntário. Como se sabe, aquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram esse direito. Assim, diante da ausência de demonstração, a cargo da recorrente, da existência de operação de venda vinculada às bonificações, essas não podem ser consideradas descontos incondicionados, não sendo o caso de aplicação obrigatória pelo CARF dos entendimentos do STJ e STF acima referidos. Dessa forma, as saídas de produtos com bonificação do estabelecimento produtor da recorrente são tributadas pelo IPI, tendo sido corretas as glosas efetuadas pela fiscalização no indevido creditamento desses valores efetuado pela contribuinte na sua escrita. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1314DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.917233/2009-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/2009-39 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos e reintime o contribuinte, se necessário, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF, juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/200939 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos e reintime o contribuinte, se necessário, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF, juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 29.06.2007, fls. 3033, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$ 29.140,74 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29.09.2006, fl. 04. O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução 180100.140 da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 78/82) para esclarecer a situação fática, qual seja, a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 17 23 3/ 20 09 -8 3 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 474 2 efetiva existência do suscitado pagamento a maior (no valor total de R$ 29.140,74 de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, referente ao fato gerador ocorrido em 31.07.2006, fl. 04). Entre outros comandos , foi requerido da recorrente: A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior Por bem descrever todos os fatos, transcrevo a seguir as razões daquele resolução: Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 29, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.358, de 11.08.2011, fls. 3536:“ Manifestação de Inconformidade Improcedente”.”. Conta no Voto condutor: "Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito." (...) Notificada em 31.08.2011, fl. 41, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 4358, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 475 3 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. (...) Voto Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao alegado pagamento a maior no valor total de R$ 29.140,74 de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29.09.2006, referente ao fato gerador ocorrido em 31.07.2006, fl. 04: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 476 4 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. A Unidade de Origem respondeu através do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0780/2017 (efls. 460/461) em que aduz que a Recorrente respondeu a intimação no prazo, mas não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência impossibilitando assim a análise conclusiva em sua escrituração fiscal. A Recorrente alegou que figura como parte em outro caso (10783.917232/200939), no qual esta mesma E. Primeira Seção houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte , devendo a "r. decisão funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada". Transcrevo a seguir os principais relatos do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0780/2017: "2. Em atendimento a Resolução de fls 78/82 em que nos é solicitado em Diligência a juntada de Declarações do contribuinte e para a elaboração de Relatório Fiscal após a conclusão das intimações para que o contribuinte junte escrituração completa mantida “com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior” encaminhamos resposta conforme segue abaixo. 3. Em resposta a intimação o contribuinte atravessou a petição de fls. 86/87, e em síntese argumenta que: “Peticionante figura como parte em outro caso, em muito semelhante ao que neste se prima, estáse falando dos autos do processo administrativo autuado sob o n. 10783.917232/200939, o qual, esta mesma E. Primeira Seção, houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte no último dia 07 de agosto de 2013 (…) Portanto, em homenagem ao primado da verdade real, a r. decisão acima colacionada deve funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada, de maneira que o seu desfecho venha a correr no mesmo sentido daquele, ie, com o julgamento de modo favorável às colocações e perpetrações ventiladas pela contribuinte.” 4. Contudo, apesar de responder a intimação no prazo, não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência de modo a não atender a intimação impossibilitando assim a nossa análise conclusiva em sua escrituração fiscal. 5. Em tempo, informamos que paralelamente juntamos as Declarações DCTF e DIPJ às fls. 104/459 conforme solicitado. 6. Por fim, sem mais a fazer para o momento, encaminhamos o presente processo para adoção das providências sob sua alçada. VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 477 5 Juntamos (efls. 465/472) cópia do acórdão 1801001.554, processo n. 10783.917232/200939, e verificamos que o crédito pleiteado do valor de IRPJ foi reconhecido com base em documentos lá anexados em sua maioria referentes ao mês de julho/2006, quais sejam: Diário, Razão, DCTF, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão de Receita de Venda de Mercadorias e de Custo de Mercadorias. Como nos presentes autos o Recorrente requer o reconhecimento de crédito relativo ao pagamento a maior de CSLL do mesmo mês (julho de 2006, efl. 04) presumo ser possível a análise do pleito do contribuinte com base nos documentos acostados no processo n. 10783.917232/200939, como afirma a Recorrente. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência através da qual: a) cientifique o contribuinte do teor desta resolução; b) Anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/200939 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos. c) reintime o contribuinte, se necessário, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 78/82), juntando os documentos requeridos, em especial os que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar Relatório Fiscal sobre a procedência e suficiência do crédito frente aos documentos anexados e débitos a serem compensados, e ao final cientificar o contribuinte daquele Relatório. (Assinado digitalmente). Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 477DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.004352/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 11/05/2007 a 28/05/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. TRANSFORMADOR DE DIELÉTRICO LÍQUIDO.
Classificam-se no código 8504.21.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul os transformadores de dielétrico líquido de potência não superior a 650 kVA. Aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado n. 1 e 6.
PIS. COFINS. IMPORTAÇÃO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LIMITE DEVOLUTIVO DO RECURSO DE OFÍCIO.
Em razão dos limites cognitivos devolvidos a CARF pelo recurso de ofício, e da ausência de recurso voluntário, impossível estender o quanto foi cancelado pela DRJ do lançamento tributário. Assim, há um limite jurídico/processual à aplicação do quanto decidido pelo Supremo Tribunal Federal por meio do RE 559.937/RS, sobre a inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição ao PIS-importação e da COFINS-importação sobre o ICMS (artigo 7º da Lei n. 10.865/2004), o que levaria ao cancelamento integral do lançamento tributário sobre tais valores.
Neste contexto processual do caso concreto, o valor do ICMS incidente em determinado desembaraço aduaneiro, que comporá a base de cálculo da Contribuição para a PIS e da COFINS - Importação, deve ser exatamente o valor que o estado-membro competente considerou devido e foi adimplido pelo contribuinte.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-004.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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TRANSFORMADOR DE DIELÉTRICO LÍQUIDO. Classificamse no código 8504.21.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul os transformadores de dielétrico líquido de potência não superior a 650 kVA. Aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado n. 1 e 6. PIS. COFINS. IMPORTAÇÃO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LIMITE DEVOLUTIVO DO RECURSO DE OFÍCIO. Em razão dos limites cognitivos devolvidos a CARF pelo recurso de ofício, e da ausência de recurso voluntário, impossível estender o quanto foi cancelado pela DRJ do lançamento tributário. Assim, há um limite jurídico/processual à aplicação do quanto decidido pelo Supremo Tribunal Federal por meio do RE 559.937/RS, sobre a inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição ao PISimportação e da COFINSimportação sobre o ICMS (artigo 7º da Lei n. 10.865/2004), o que levaria ao cancelamento integral do lançamento tributário sobre tais valores. Neste contexto processual do caso concreto, o valor do ICMS incidente em determinado desembaraço aduaneiro, que comporá a base de cálculo da Contribuição para a PIS e da COFINS Importação, deve ser exatamente o valor que o estadomembro competente considerou devido e foi adimplido pelo contribuinte. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 43 52 /2 01 0- 96 Fl. 1285DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pela Contribuinte sobre a cobrança de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, Contribuição ao PIS/PASEPimportação, COFINSimportação, juros de mora (calculados até 31/03/2011), multa proporcional (75%) e, multa regulamentar por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM (1%), em razão da reclassificação fiscal das mercadorias importadas, consubstanciada nos autos de infração em questão, relativos período de 11/05/2007 a 28/05/2010. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do relatório acórdão recorrido in verbis: A interessada por meio das declarações de importação (DI's) indicadas nas planilhas de folhas 127 submeteu a despacho mercadorias descritas como "transformador em líquido isolante", montados ou desmontados, dos tipos: Transformador de Corrente TC (modelo JOF) e Transformador de Tensão ou Potencial TP (modelos EOF) classificando tais mercadorias no código NCM 8504.21.00: (...) No "Relatório Fiscal" (fls. 127 a 155), a fiscalização informa que a presente fiscalização (revisão aduaneira) decorre da constatação que a interessada não efetuava a classificação fiscal das mercadorias importadas em consonância com as características das mesmas. Aduz a autoridade que para fins de classificação fiscal é fundamental o conhecimento de uma parte do transformador denominada dielétrico. O termo significa o meio isolante do núcleo do equipamento com seu exterior. Dielétrico ou isolante elétrico é um material que não permite a livre circulação de cargas elétricas; com baixa condutibilidade elétrica, e pode ser apresentado no estado líquido, sólido ou gasoso. No caso dos autos, a conclusão da fiscalização é que as mercadorias em tela possuem dielétrico sob a forma sólida, e Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 515 3 portanto, insuscetíveis de classificação fiscal no código praticado pela interessada. Referida conclusão é baseada nas informações constantes dos catálogos técnicos do fabricante, em informações de natureza técnica da Professora Jacqueline Rolim (Materiais Isolantes), Laudo Técnico emitido por Professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a pedido da interessada, e resposta a intimação destes mesmos Professores da UFSC (Quesitos formulados pela fiscalização), além de Laudo Técnico lavrado pela Instituto de Pesquisas Tecnológicas de Blumenau/SC. Embora os documentos acima listados façam referência a existência de um dielétrico líquido, há unanimidade também quanto a conclusão de que o "papel" existente é parte necessária e essencial no isolamento do transformador, exercendo a função de dielétrico. Logo, segundo a fiscalização, as mercadorias em apreço não possuem dielétrico líquido, ela é composta de papel e óleo. Assim, com base nas Regras Gerais de Interpretação n° 1 e 6, na Regra Geral Complementar n° 1 e, na Nota Explicativa da Posição 8504 devem as mercadorias serem reclassificadas para os códigos NCM 8504.31.11 (transformadores de corrente códigos JOF) ou 8504.31.19 (transformadores de tensão ou potencial códigos EOF e ECF): (...) Relata também a fiscalização que em algumas declarações de importação as contribuições sociais foram recolhidas, por ocasião do respectivo registro, em valores inferiores ao efetivamente devido, visto que a interessada utilizou, para fins de cálculo, alíquota de ICMS inferior (12%) àquele que deveria ter sido aplicada (17%). Tendo em vista diferença de alíquota nos impostos, prevista para os códigos das NCM's consideradas corretas, e mudança na base de cálculo do IPI e contribuições incidentes sobre a importação, a fiscalização lançou a diferença dos tributos e respectivos consectários, aplicou também multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 739 a 811, anexando os documentos de folhas 812 a 1.010. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, não ocorreu a observância plena do princípio da busca da verdade material, os Auditores se valeram de textos produzidos por profissionais da área de engenharia, sendo que foram os próprios Auditores que alçaram tais profissionais ao patamar de experts; Fl. 1287DF CARF MF 4 Que, ao valerse a autoridade fiscal de seu entendimento sem qualquer suporte técnico probatório, descaracterizado está o fato constitutivo do direito de autuação, esvaziandose a motivação da presente autuação, nos termos em que lavrada; Que, a fiscalização deveria ter utilizado o convênio celebrado entre a União Federal e a Universidade Federal de Santa Catarina, que emitiria o competente laudo por intermédio de seus peritos qualificados; ao invés, os auditores utilizaram textos/materiais de autoria de profissionais da referida instituição; Que, houve uma incorreta utilização de documentos em idioma estrangeiro para fundamentar o lançamento do crédito tributário. O ordenamento jurídico veda expressamente a utilização de documentos estrangeiros como prova, a não ser que tais documentos passem pelo devido trâmite de validação (tradução juramentada); Que, há que se observar os conceitos definidos na Norma ABNT NBR 5458:2010, que trata dos transformadores, em especial o item 3.15 que assim dispõe acerca de Transformador em Líquido Isolante: "transformador cuja parte ativa é imersa em líquido isolante". A presença de papel na parte "ativa" não caracteriza o transformador como "outros transformadores", conclusão equivocada da fiscalização; Que, traz parecer do I. Prof. Dr. César Olivier Dalston e Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil para transformadores; Que, tais Soluções de Consulta tem efeito "erga omnes", visto o princípio da unicidade da classificação. Ocorre vinculação da Solução de Consulta; Que, houve equivocada utilização da apostila da Prof. Dra. Jacqueline G. Rolim para fundamentar a autuação. O material trata dos materiais isolantes de forma ampla, genérica e didática. A fiscalização não transcreveu o contido nas fls. 79 e 80 da referida apostila, onde a professora esclarece o uso combinado de óleo isolante e papel em equipamentos elétricos que menciona. "Papel impregnado com óleo'''' é diferente de "papel revestindo a parte ativa do transformador, que, por sua vez, é imersa em óleo"; Que, houve equivocada utilização dos entendimentos dos Professores da UFSC, Srs. Arnaldo José Perin e Samir Ahmad Mussa. Os professores responderam que o papel fora "empregado" e não "impregnado", as transcrições foram parciais. Os doutos professores deixam claro que o papel, além de assegurar a estabilidade mecânica da parte ativa do transformador, tem, em termos dielétricos, a função de auxiliar o óleo isolante, o que reduz a quantidade deste e daí os custos de construção do transformador. O papel ao é parte essencial no isolamento do transformador, como pensa a fiscalização, é parte auxiliar; Que, houve equivocada utilização do Parecer do Engenheiro Eletricista Rafael Eduardo Werlich, do Laboratório de Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 516 5 Engenharia Elétrica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de Blumenau, foi acrescido conclusão não existente no parecer: "ou seja, podemos deduzir que o papel tem função de dielétrico (isolante)". Também foi omitido um parágrafo do referido parecer que concluiu se tratar de transfonnador em liquido isolante; Que, anexa aos autos o Laudo Pericial apresentado pelos Professores da UFSC para fins de desembaraço aduaneiro da declaração de importação n° 11/05567470 (modelo JOF 145), cujas mercadorias são de natureza idêntica aos transformadores em apreço. Referida declaração restou desembaraçada após baixa de exigência relacionada a classificação fiscal, sendo reconhecida a classificação inicialmente adotada. Caso a autoridade julgadora entenda necessário, pleiteia a realização de perícia nos demais modelos; Que, não existindo erro relacionado a classificação fiscal das mercadorias não pode prosperar a aplicação de qualquer sanção; Que, em licitações vencidas pela Impugnante, os equipamentos especificados (e vendidos) indicam a retidão da classificação fiscal adotada; Que, quanto a questão da alíquota do ICMS, cumpre esclarecer que a Impugnante desde sua constituição até o final do ano de 2008 estava sediada na Capital do Estado de São Paulo, somente a partir de 2009 é que mudou a sua sede para o Estado de Santa Catarina, quando passou a importar por este Estado; Que, indica quais as Regras Gerais de Interpretação devem ser aplicadas para a correta classificação das mercadorias em apreço; Que, não existem transformadores de dielétrico misto no mercado mundial, como quer fazer crer a D. Fiscalização; Que, requer a realização de perícia técnica, designa Engenheiro Eletricista para acompanhamento, bem como os quesitos a serem elucidados; Requer sejam acolhidas as argumentações, declarandose a insubsistência das autuações, protesta pela produção de provas. Sobreveio então o Acórdão 0731.900, da 1ª Turma da DRJ/FNS, dando provimento parcial à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/05/2007 a 28/05/2010 TRANSFORMADOR DE DIELÉTRICO LÍQUIDO. Fl. 1289DF CARF MF 6 Classificamse no código 8504.21.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul os transformadores de dielétrico líquido de potência não superior a 650 kVA. Aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 e 6. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 11/05/2007 a 28/05/2010 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. ICMS. ICMS incidente sobre desembaraço da mercadoria faz parte da base de cálculo das contribuições. O valor do ICMS incidente em determinado desembaraço aduaneiro, que comporá a base de cálculo da Contribuição para a COFINS Importação, deve ser exatamente o valor que o estadomembro competente, ou o Distrito Federal DF, considere devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P I S / P A S EP Período de apuração: 11/05/2007 a 28/05/2010 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. ICMS. ICMS incidente sobre desembaraço da mercadoria faz parte da base de cálculo das contribuições. O valor do ICMS incidente em determinado desembaraço aduaneiro, que comporá a base de cálculo da Contribuição para a PIS/PASEP Importação, deve ser exatamente o valor que o estadomembro competente, ou o Distrito Federal DF, considere devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte foi intimada do teor da decisão a quo em 21/08/2013, conforme o AR (fls 1258), não tendo apresentado recurso voluntário contra a parte da decisão em que foi sucumbente. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O presente julgamento deve cingirse ao crédito cancelado, em razão de a impugnação contra o lançamento tributário apresentada pela Contribuinte ter sido julgada parcialmente procedente pela DRJ de Florianópolis, dando origem ao acórdão que traz a este Conselho a necessidade de apreciação do recurso de ofício. Quanto ao recurso de ofício, ele continua sendo passível de conhecimento, mesmo depois do advento da Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017, que aumentou o limite de alçada para R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais). Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 517 7 Como se depreende do relato acima, são duas as questões a serem tratadas no âmbito do presente julgamento: i) a correta classificação fiscal das mercadorias importadas (Transformador de Corrente TC, modelo JOF, e Transformador de Tensão ou Potencial TP, modelos EOF); ii) o valor do ICMS devido na base de cálculo da Contribuição ao PIS importação e da COFINSimportação. Passo então ao mérito do recurso de ofício, subdividindoo de acordo com os dois tópicos supratranscritos. 1. Da classificação fiscal dos transformadores importados Com relação ao item (i), haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH (Sistema Harmonizado) pretendida pela Recorrente é a 8504.21.00, enquanto as posições sustentadas pela Fiscalização no auto de infração são as 8504.31.11 (transformadores de corrente códigos JOF) ou 8504.31.19 (transformadores de tensão ou potencial códigos EOF e ECF). Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições e itens que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 8504.21.00 (entendimento da Contribuinte): Capítulo 85: TRANSFORMADORES ELÉTRICOS, CONVERSORES ELÉTRICOS ESTÁTICOS (RETIFICADORES, POR EXEMPLO), BOBINAS DE REATÂNCIA E DE AUTO INDUÇÃO Posição 04: Transformadores de dielétrico líquido Subposição à Subitem 21.00: De potência não superior a 650kVA · CLASSIFICAÇÃO 8504.31.11 ou 8504.31.19 (entendimento fazendário): Fl. 1291DF CARF MF 8 Capítulo 85: TRANSFORMADORES ELÉTRICOS, CONVERSORES ELÉTRICOS ESTÁTICOS (RETIFICADORES, POR EXEMPLO), BOBINAS DE REATÂNCIA E DE AUTO INDUÇÃO Posição 04: Transformadores de dielétrico líquido Subposição 31: Outros transformadores de potência não superior a 1kVA Item e subitem 11: Transformadores de corrente Item e subitem 19: outros A divergência da Fiscalização sobre a classificação adotada pela Recorrente decorre da constatação de que no dielétrico líquido dos transformadores1 importados, há também o "papel", concomitantemente ao óleo, como parte no isolamento do transformador, exercendo a função de dielétrico. No linguajar do Relatório de fiscalização, seria então um "dielétrico misto" (fls 139). Por essa razão, no entender da autoridade fiscal, as mercadorias em apreço não possuem dielétrico líquido e a classificação fiscal da Recorrente seria incorreta. Inicialmente, saliento que os dielétricos (ou isolantes), são materiais que fazem oposição à passagem da corrente elétrica. Nesses materiais os elétrons estão fortemente ligados ao núcleo dos átomos, ou seja, as substâncias dielétricas não possuem elétrons livres (fator necessário para que haja passagem de corrente elétrica). Dessa forma, não há possibilidade de passagem de corrente elétrica através dos dielétricos, os quais podem ser constituídos de borracha, porcelana, vidro, plástico, madeira, oléo dentre outros. Assim, tecnicamente, os dielétricos podem ser "sólidos" (plástico, madeira, etc), líquidos (oléo etc) ou gasosos. Tal classificação física/científica (atividade técnica) dos dielétricos foi incorporada ao direito para fins de classificação fiscal (atividade jurídica) pela NCM/NESH, ao, nas Notas Explicativas do Capítulo 85, colocar que "os condensadores elétricos consistem, em princípio, em duas superfícies condutoras, denominadas “armaduras”, separadas por uma matéria isolante, denominada “dielétrico” (ar, papel, mica, óleo, plásticos, borracha, matérias cerâmicas, vidro, etc.)." 1 Segundo as notas explicativas do Capítulo 85 da NESH, no qual se incluem os transforrmadores elétricos: "I. TRANSFORMADORES ELÉTRICOS Os transformadores elétricos são aparelhos que, sem a intervenção de órgãos móveis, transformam, por indução e conforme a relação preestabelecida ou regulável, um sistema de correntes alternadas em outro sistema de correntes alternadas de intensidade, tensão, impedância, etc., diferentes. Estes transformadores compõemse geralmente de dois ou mais enrolamentos, dispostos de formas diversas em torno de núcleos de ferro, na maior parte das vezes formados por folhas (chapas), embora, em alguns casos transformadores de alta freqüência, por exemplo , não haja núcleo magnético ou que este núcleo seja de pó de ferro aglomerado, de ferrite, etc. Um dos enrolamentos constitui o circuito primário, o outro ou os outros o circuito secundário. Às vezes, no entanto (autotransformadores), existe apenas um enrolamento, do qual uma parte é comum aos circuitos primário e secundário. Nos transformadores denominados “blindados”, os enrolamentos são protegidos por um invólucro de ferro. Alguns transformadores são concebidos para fins determinados; é o caso, por exemplo, dos transformadores de adaptação, utilizados para equilibrar as impedâncias de dois circuitos, ou ainda os transformadores denominados “de medida” (transformadores de tensão, transformadores de corrente ou transformadores combinados), que se utilizam para transformar os valores elevados ou muito baixos de tensão ou de corrente a valores adaptados aos aparelhos a serem ligados ou conectados, como, por exemplo, os aparelhos de medida, contadores de eletricidade, relés de proteção." Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 518 9 Sobre a citada separação entre as atividades, técnica e jurídica, bem expôs o Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão 3401003.770: É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função, entre outras, de, a partir da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. Já com relação à importância do laudo técnico para a realização da atividade jurídica de classificação fiscal em casos como o presente, cito o Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF, 2 cujas conclusões advêm do histórico de julgamentos exarados por este Conselho: A classificação fiscal de produtos na Nomenclatura exige profundo conhecimento da mercadoria a ser classificada. É preciso reunir o maior número de informações possível sobre o produto antes de aplicação das regras de interpretação. (...) Embora a lei não exija a presença de laudos técnicos para validar a classificação fiscal, existem situações em que não há como efetuar a classificação da mercadoria sem a oitiva de um perito (...). Feitos tais esclarecimento, sobre as mercadorias objeto do presente processo, temse que muito embora os dielétricos possuam em sua composição uma película de papel, todos os laudos e informações técnicas trazidos aos autos concluem que se trata de um dielétrico líquido. Em outras palavras, a existência dessa pequena parcela de papel não afeta a classificação técnica do dielétrico constante dos transformadores importados pela Recorrente, segundo os experts que se manifestaram a respeito. Destaco a seguir os trechos dos laudos técnicos nesse sentido, que foram bem apontados pelo Acórdão da DRJ. 2 SANTI, Eurico Marcis Diniz, et alii. Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF. São Paulo: Max Limonad e FGV Direito, 2016, p. 876 a 878. Fl. 1293DF CARF MF 10 i) Laudo técnico (fls. 842 a 848) elaborado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) relacionado aos modelos JOF, EOF e ECF: 1. Tipo de isolamento dos transformadores Todos os transformadores relacionados nas Adições das DIs possuem suas partes ativas imersas em líquido isolante. Ou seja, o principal dielétrico empregado para os transformadores relacionados nas DIs empregam dielétrico de isolamento do tipo líquido, o que os caracteriza como Transformadores em liquido isolante. ii) Informações técnicas (fls. 854 e 875) prestadas pelos Professores da UFSC, em razão da intimação da Fiscalização para esclarecer as conclusões do laudo anteriormente citado: 1. O papel que compõe o transformador tem função de dielétrico? Sim, o papel empregado no transformador tem função de dielétrico. 3. Caso a resposta ao quesito 01 seja afirmativa, responder quais as conseqüências possíveis, quanto ao isolamento do transformador, caso se retirasse o papel e se deixasse apenas o óleo? Caso fosse retirado o papel e se deixasse apenas o óleo, a tensão de isolamento seria menor. Como se tratam de transformadores de potencial e de corrente, empregados para medir tensão e a corrente em subestações de sistemas de distribuição de energia elétrica, necessitam suportar tensões elevadas. Para empregar apenas o óleo sem o emprego do papel e suportar a mesma tensão os transformadores deveriam ter dimensões bem maiores (maior volume), devido à necessidade do aumento do espaçamento entre a bobina do primário e a parede do interior e, como conseqüência, o aumento da quantidade de óleo para proporcionar a mesma rigidez dielétrica. 4. Demais informações que julgar convenientes. O papel empregado na construção dos transformadores de potencial e de corrente, para utilização em subestações do sistema de distribuição de energia elétrica, tem a função de auxiliar na composição do dielétrico para proporcionar o isolamento necessário para a alta tensão. Antes de serem utilizados, passam por um processo de retirada de toda a umidade, através de um aquecimento, em um forno, durante vários dias. Após a utilização nos enrolamentos das bobinas de corrente ou de tensão, ocorre a impregnação do óleo isolante no interior do transformador concomitantemente com a retirada do ar. Normalmente a quantidade de papel empregada é muito pequena permitindo que haja espaçamento entre a bobina e a carcaça do transformador. Este espaçamento é preenchido com óleo isolante e, por isto, para a tensão de isolamento considerada o principal dielétrico é o óleo isolante. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 519 11 (Grifos acrescidos) iii) Igualmente o laudo técnico do Laboratório de Engenharia Elétrica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de Blumenau FURB (fls. 1.012) afirma que: Parecer: Toda parte ativa de um transformador é composta além dos enrolamentos de cobre ou alumínio, por materiais isolantes sólidos com função de garantir isolamento elétrico e resistência mecânica do conjunto. Portanto, pela análise dos produtos e visitas realizadas a Pfijfner do Brasil Ltda, verificamos que os transformadores de corrente (TC's), os transformadores de potencial (TP's) e os transformadores de potencial capacitivos (TPCs), de tensões de 69 kV ou superiores até 550 kV, possuem sua parte ativa imersa em óleo mineral isolante, logo se enquadram no item 3.15 da NBR 5458:2010, transformador em líquido isolante. *líquido isolante = dielétrico líquido iv) O laudo técnico (fls. 1026 a 901), referente ao modelo JOF, lavrado a pedido fiscalização por ocasião da declaração de importação n° 11/05567470, também assinado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da USFC, não deixa dúvidas: A mercadoria tratase de Transformador de Dielétríco Líquido? Os transformadores relacionados na Dl possuem suas partes ativas imersas em líquido isolante. O tipo de transformador relacionado na DI empresa líquido como principal dielétríco de isolamento, o que o caracteriza como Transformador em líquido isolante. 5. Se tratarse de outro tipo de Transformador que não os acima citados esclarecer, então, qual é o tipo do mesmo. Tratase de transformadores de corrente com dielétríco líquido como principal isolante, conforme descritos nos itens anteriores. (Grifos acrescidos) Dessarte não há dúvidas de que, tecnicamente, os dielétricos em questão são enquadrados na categoria dos dielétricos líquidos, pois os transformadores possuem sua "parte ativa" imersa em líquido isolante, situação que os caracteriza como transformadores em líquido isolante, vale dizer, de dielétrico líquido. E a autoridade lançadora só não alcançou essa mesma conclusão porque fixou seu olhar unicamente nos extratos dos laudos que se referiam ao "papel" que compõe o dielétrico, deixando de analisar as conclusões dos mesmos laudos de onde retirou tais extratos, os quais apontam em sentido aposto ao adotado no lançamento fiscal (fls 143 e 144). Ainda com relação à classificação técnica, a Norma ABNT NBR 5458:2010 trata dos Transformadores, sendo que no item 3.15 define o que é um Transformador em Líquido Isolante, in verbis: Fl. 1295DF CARF MF 12 "transformador cuja parte ativa é imersa em líquido isolante" Portanto, mais uma vez concluise que, tecnicamente, o transformador que tiver sua parte ativa imersa em um líquido isolante (dielétrico), é definido como Transformador em Líquido Isolante (em dielétrico líquido), como é o caso de todos os transformadores objeto do presente Auto, segundo os laudos citados alhures. E no que tange à sua classificação fiscal, como já citado, no âmbito do NCM/NESH, as Notas Explicativas do Capítulo 85 corroboram a existência de dielétricos "sólidos" e "líquidos". Ademais, conforme bem salientado pelo Acórdão recorrido: Notese que as próprias Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 8532 (condensadores), alínea "A", item " 2 " (já citada anteriormente), dão a entender que a expressão "de óleo" (dielétrico líquido) inclui a hipótese em que o dielétrico possua película de plástico (dielétrico sólido) ou papel (dielétrico sólido) impregnado em óleo ou outro líquido: "2) Os condensadores "de óleo" têm aproximadamente a mesma estrutura que os precedentes mas o dielétrico, geralmente uma película de plástico ou uma película de plástico e de papel, é impregnado de um óleo especial ou de um outro líquido." Dessa forma, fazse imperioso ratificar a decisão a quo, uma vez que, debruçando sobre as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, para dirimir a questão, as Regras Gerais de Interpretação (RGIs) n. 1 e 6 levam exatamente ao NCM adotado pela Recorrente em suas importações (8504.21.00), já que as notas da Seção 85 conduzem à classificação das mercadorias como "transformadores de dielétrico líquido". Lembremos o texto das citas normas: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 520 13 ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. Fl. 1297DF CARF MF 14 b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. REGRA 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Por fim, registro que mesmo que fosse cabível o ponto levantado pela Fiscalização sobre a existência de uma película de papel descaracterizar o dielétrico sob análise como "líquido" o que não é o caso, conforme amplamente tratado nesse voto , ainda assim a classificação adotada pela Recorrente seria correta, pois seria o caso de utilização da Regra Geral de Interpretação n. 3. Isto porque se estaria diante de produtos compostos de matérias diferentes, cuja classificação deve ser feita observando a matéria ou artigo que lhes confere a sua característica essencial. Que o oléo (líquido) é matéria que dá a característica essencial ao dielétrico dos transformadores importados, não há dúvidas, nem mesmo nas afirmações apresentadas pela Fiscalização para motivar o ato administrativo de lançamento. Dessarte, também nesse sentido, seria o caso de dar razão à Recorrente a respeito da classificação fiscal adotada: NCM 8504.21.00 "transformadores de dielétrico líquido", de potência não superior a 65O kVA, sendo esta última característica inconteste no presente caso. Em conclusão, correta a classificação fiscal adotada nas DIs fiscalizadas, devendo ser mantida a decisão da DRJ que exonerou a Contribuinte dos tributos e multas indevidamente cobrados por esse motivo. 2. Da alíquota do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS importação É importante de pronto salientar que, em razão dos limites cognitivos devolvidos a este tribunal pelo recurso de ofício, e da ausência de recurso voluntário, não é possível estender o quanto foi cancelado do lançamento tributário. Faço tal consideração inicial porque o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 559.937/RS declarou a inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição ao PISimportação e da COFINS importação sobre o ICMS (artigo 7º da Lei n. 10.865/2004), o que levaria ao cancelamento integral do lançamento tributário sobre tais valores. Todavia, como tal questão não pode ser solucionada processualmente por este Tribunal no julgamento do presente recurso de ofício, cabe sim analisar a decisão da DRJ e a exoneração por ela decida. Com relação a isso, não merece qualquer reparo o acórdão recorrido, que tratou cuidadosamente da questão. Assim, adoto os seus dizeres como razões de decidir nesse julgamento, nos moldes do artigo 50, §2º da Lei n. 9.784/99: Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10920.004352/201096 Acórdão n.º 3402004.933 S3C4T2 Fl. 521 15 Quanto à questão da recomposição da base de cálculo das contribuições incidentes nas operações de importação, em razão de que a interessada informou, por ocasião do registro das declarações de importação, alíquota de ICMS inferior àquela incidente, no Estado de Santa Catarina, é importante esclarecer que tal autuação decorre de resposta dada pela interessada no curso do procedimento fiscal (fls. 712 a 716), após indicar declarações registradas entre os anos de 2007 e 2010: "Ocorreu que no início de suas operações a empresa tinha uma orientação fornecida pelo Estado de Santa Catarina para que procedesse o recolhimento de 12% de ICMS na importação ... Passado algum tempo, a Receita Estadual de Santa Catarina notificou ao contribuinte dizendo que a alíquota correta a ser utilizada na importação é de 17%, situação que foi regularizada pelo contribuinte... ...(Grifos acrescidos)" Pois bem, uma vez autuada, a interessada vem aos autos alegar que referida diferença não pode ser exigida em relação aos anos anteriores a 2009, dado que até então estaria sujeita às alíquotas vigentes no Estado de São Paulo, onde estava sediada a empresa. De fato, analisando os comprovantes das declarações de importação de folhas 391 a 470 se constata que o endereço e dados registrados no campo " 2. DADOS DO IMPORTADOR" traz a indicação do Estado de São Paulo, sendo portanto inaplicáveis para estas declarações de importação legislação fiscal do Estado de Santa Catarina. Fundamentada a exigência em legislação inaplicável, deve o respectivo crédito tributário ser excluído. Contudo, para os fatos geradores ocorridos após a transferência do estabelecimento para o Estado de Santa Catarina deve ser mantida a exigência (no caso dos autos declarações de 2009 e posteriores)." Dessarte, restando comprovado nos autos que com relação ao período anterior a 2009 a Recorrente recolheu a Contribuição ao PIS e a COFINSimportação corretamente, deve ser mantido o Acórdão a quo que cancelou o lançamento sobre esse período. 4. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 1299DF CARF MF 16 Fl. 1300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004377/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
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DECISÃO RECORRIDA ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 43 77 /2 00 4- 91 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10675.004377/200491 Acórdão n.º 9101003.351 CSRFT1 Fl. 512 2 Relatório FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 428 a 432, contra o Acórdão nº 140200.532, de 1 de abril de 2011 (efls. 416 a 423), que por unanimidade de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, exigida em concomitância com a multa proporcional. Transcrevese a ementa e a decisão do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria discutida concomitantemente na esfera judicial, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, exigida em concomitância com a multa proporcional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Grifouse) A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à possibilidade de se aplicar a multa isolada devida pela falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a multa de ofício. Transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 19300.017, de 13/10/2008 Assunto: Outros Tributos e Contribuições Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 (...) Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10675.004377/200491 Acórdão n.º 9101003.351 CSRFT1 Fl. 513 3 CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de oficio aplicada isoladamente, pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente, com a multa de oficio, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 437 e 438. Em suas razões recursais, a Recorrente defende a cumulação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício, alegando, em síntese, que não há bis in idem na aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, uma vez que as infrações apenadas por cada uma delas são diferentes. Enquanto a multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte, resultando da omissão de receitas; a multa isolada foi aplicada em razão da falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido por estimativa. Acrescenta que ao afastar a exigência da multa isolada a Turma recorrida criou nova hipótese de dispensa de penalidade, não prevista na legislação. Cita, nesse ponto, o art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN). Alega que a Lei nº 9.430, de 1996, estipula que "a multa isolada somente pode ser dispensada quando o contribuinte, que não recolheu o tributo devido por estimativa, justifica o não pagamento pela transcrição, no Livro Diário, dos balancetes de suspensão". Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso especial, restabelecendo se a multa isolada. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN (efls. 445 a 452, do 4º volume digitalizado), aduzindo, em apertada síntese, a impossibilidade de exigência concomitante da multa isolada com a multa de ofício, sob pena de violação ao "princípio do non bis in idem". Alega que "os valores pagos mensalmente não são exigências diferentes do imposto e da contribuição devidos anualmente, razão pela qual se sustenta, na unidade de conduta da recorrente e nos termos da legislação pertinente, que não ocorreram duas hipóteses de incidência de multa, o que, desde já, afasta o cabimento das sanções pecuniárias em duplicidade". Ao final, requer seja negado provimento ao recurso. A Contribuinte também interpôs Recurso Especial, efls. 454 a 465, insurgindose contra a decisão do Colegiado a quo quanto ao não conhecimento das matérias objeto de discussão judicial. Por meio do Despacho de efls. 493 a 496, entretanto, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção negou seguimento ao recurso., o que foi confirmado pelo Presidente da CSRF em sede de reexame de admissibilidade (efls. 497 e 498). É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10675.004377/200491 Acórdão n.º 9101003.351 CSRFT1 Fl. 514 4 O recurso é tempestivo, porém, no tocante à admissibilidade, merece ser reanalisado, haja vista a publicação da Súmula CARF nº 105, aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 08/12/2014, portanto, após a sua interposição (06/06/2011). É que referida súmula assim dispõe: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Grifouse) Compulsando os autos, verificase que o presente processo trata dos lançamentos de ofício de multas isoladas pela falta de recolhimento de CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, referentes aos anoscalendário 2000 a 2004. Tendo sido lavrado em abril de 2004, o auto de infração (efls. 8 a 24, do Volume V1) indica que o enquadramento legal referente à infração 002 (falta de recolhimento da contribuição social sobre valores apurados através de balancetes de redução) repousouse sobre o "Art, 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96". Isto é, foi aplicada a disposição acerca da multa isolada do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, redação anterior à trazida pela Lei nº 11.488, de 2007. Conforme o mesmo entendimento exarado pelo enunciado da Súmula CARF nº 105, a Turma do CARF ora recorrida exonerou as multas isoladas que tenham sido lançadas em concomitância com a multa de ofício. Assim, deu "provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, exigida em concomitância com a multa proporcional", mantendo a exigência quanto aos fatos geradores ocorridos em 31/01/2004, 29/02/2004 e 31/03/2004, por ausência de concomitância Por conseguinte, não deve ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista o disposto no art. 67, § 3º, do Anexo II do RICARF: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Conclusão Em face do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10675.004377/200491 Acórdão n.º 9101003.351 CSRFT1 Fl. 515 5 Fl. 515DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.009832/2009-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB
Numero da decisão: 9202-006.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 98 32 /2 00 9- 34 Fl. 238DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 37.220.7430, consolidado em 29/05/2009, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 20.159,09 (vinte mil, cento e cinqüenta e nove reais e nove centavos), abrangendo o período 04/2004 a 12/2005, decorrente da não inclusão nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's de valores pagos a título de Plano de Saúde para seus dirigentes, sem incluir os referidos valores na remuneração dos dirigentes e, conseqüentemente, na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conforme Relatório da Infração de fls.06, tratase de infringência ao disposto no inciso IV, § 5 ° do art. 32 da Lei n° 8.212 de 1991, com redação dada pela Lei n° 9.528 de 1997, c/c o art. 225, IV e § 4 0 do RPS, por ter o autuado, deixado de incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's, das competências 01/04/2004 a 31/12/2005, valores pagos a título de Plano de Saúde para seus dirigentes, em desconformidade com a legislação, sem incluir os referidos valores na remuneração dos dirigentes e, conseqüentemente, na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ainda no Relatório da Infração, no Relatório da Multa Aplicada e nos seus anexos, fls. 06 a 09, estão demonstrados os valores apurados e as diferenças devidas, apresentadas, para cada competência, os valores devidos originários, o valor da multa e os valores finais devidos. Posteriormente, por diligência solicitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, foi gerado Relatório Fiscal Complementar, anexando planilhas comparativa da multa mais benéfica e novo cálculo da multa, fls. 93 a 96. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mas ratificado o valor da multa. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/03/2014, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003.437 (fls. 145/166), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfico ao contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire.”. O acórdão encontrase assim ementado: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15504.009832/200934 Acórdão n.º 9202006.632 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Voluntário Negado. Fl. 240DF CARF MF 4 O processo foi encaminhado para ciência da autuada em 27/06/2014, conforme cópia do AR (fl. 218/219). O contribuinte interpôs, tempestivamente, em 09/07/2014, Recurso Especial (fls. 170/176). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação à aplicação da multa por descumprimento das obrigações tributárias previdenciárias ocorridos antes da Lei 11.941/09. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de 04/12/2015, da 4ª Câmara (fls. 222/226). O recorrente, em suas alegações, requer seja provido seu recurso, para reformar o acórdão recorrido, para que seja adotado o mesmo entendimento do acórdão paradigma, por entender indevida a multa de 75% relativa ao descumprimento de obrigação acessória (declaração na GFIP). Cientificado do despacho de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou, em 23/08/2016, contrarrazões (fls. 228/236) onde argumenta o seguinte: · que para efeito da apuração de multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%); · que nosso ordenamento jurídico rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; · que tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91; · que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; · que a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. · que devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15504.009832/200934 Acórdão n.º 9202006.632 CSRFT2 Fl. 4 5 somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; É o relatório. Fl. 242DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 222. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Para afastar a pretensão do recorrente a PGFN, traz em sede de contrarrazões, os seguintes argumentos: · que para efeito da apuração de multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%); · que nosso ordenamento jurídico rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; · que tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91; · que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; · que a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. · que devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15504.009832/200934 Acórdão n.º 9202006.632 CSRFT2 Fl. 5 7 prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda restar incorreta a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, entendo que razão não lhe assiste. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 244DF CARF MF 8 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15504.009832/200934 Acórdão n.º 9202006.632 CSRFT2 Fl. 6 9 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 246DF CARF MF 10 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15504.009832/200934 Acórdão n.º 9202006.632 CSRFT2 Fl. 7 11 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 248DF CARF MF 12 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15504.009832/200934 Acórdão n.º 9202006.632 CSRFT2 Fl. 8 13 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA DO SUJEITO PASSIVO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726255/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 55 /2 00 9- 12 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.730162/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
Conforme previsão expressa em lei, a apuração do lucro deve ser feita na sistemática do arbitramento quando não são apresentados os elementos da escrituração comercial e fiscal.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2011
PIS, COFINS e CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
Numero da decisão: 1401-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. Conforme previsão expressa em lei, a apuração do lucro deve ser feita na sistemática do arbitramento quando não são apresentados os elementos da escrituração comercial e fiscal. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2011 PIS, COFINS e CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
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CABIMENTO. Conforme previsão expressa em lei, a apuração do lucro deve ser feita na sistemática do arbitramento quando não são apresentados os elementos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 PIS, COFINS e CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 01 62 /2 01 4- 17 Fl. 247DF CARF MF 2 de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 18470.730162/201417 Acórdão n.º 1401002.202 S1C4T1 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (v. efls. 228/241) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE (v. efls. 209/213) que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo integralmente as autuações lavradas contra a Recorrente, referentes ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2011. Segundo o Termo de Constatação Fiscal de efls. 45/46, a Recorrente é optante pela sistemática de apuração do Lucro Presumido para o anocalendário 2011. A Fiscalização aponta que a mesma teria escriturado o Livro Diário pelo regime de competência e apresentado a DIPJ pelo regime de caixa, "sem que fossem adotados, entretanto, em sua escrituração, critérios que permitissem a identificação da receita recebida, de forma a permitir a comprovação da receita bruta constante de sua DIPJ, em desacordo, portanto, com o estabelecido na Instrução Normativa nº 104, de 24/08/1998, alterada pela IN SRF nº 247, de 21/11/2002, tendo sido tais normas mantidas pela IN nº 1.515, de 24/11/2014" (v. efls. 46). Também consta do Termo de Constatação Fiscal que, até o momento em que iniciada a auditoria, a Contribuinte não havia apresentado a DCTF relativamente ao ano calendário de 2011, vindo a fazêlo somente após o início do procedimento fiscal. Não apresentou nenhum comprovante de pagamento dos tributos declarados na DCTF apresentada a destempo. Assim, e diante da não apresentação do Livro Razão e de documentação que desse suporte aos lançamentos efetuados no Livro Diário, a Fiscalização realizou o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, apurada através dos Livros Diário relativos ao ano calendário de 2011. Impugnado o lançamento, sobreveio o Acórdão nº 1154.565 3ª Turma da DRJ/Recife, em sessão realizada no dia 24 de janeiro de 2017, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 249DF CARF MF 4 O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 13/02/2017, v. efls. 224, apresentando o seu Recurso Voluntário em 15/03/2017, v. efls. 228/241. Suas alegações no Recurso Voluntário são as mesmas já expendidas quando da impugnação e resumemse a arguir o não cabimento do arbitramento realizado pela autoridade fiscal, haja vista a inexistência de justo motivo para tal, eis que o lançamento teria se pautado nas informações prestadas por ela própria e constantes da escrituração firmada no Livro Diário. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 18470.730162/201417 Acórdão n.º 1401002.202 S1C4T1 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A Recorrente se insurge contra o arbitramento levado a efeito pela Fiscalização para a apuração dos tributos devidos. A alegação principal da Recorrente é de que não haveria motivo justificado a ensejar o arbitramento, pois a própria receita bruta adotada pela Fiscalização para a apuração do lucro teria sido extraída do Livro Diário disponibilizado pela Contribuinte. Alega que a Fiscalização disporia de todos os elementos para aferir e conferir as receitas levadas à tributação pela Recorrente. Também argui que "a simples falta da apresentação de algum documento, ante à apresentação de outros documentos fiscais e contábeis que comprovam a legitimidade das receitas submetidas à tributação, não tem o condão, por si só, de ensejar a adoção do lucro arbitrado". Discordo das alegações da Recorrente. Analisando o processo desde a instauração do procedimento fiscal, podese facilmente verificar que a Contribuinte foi intimada e reintimada em mais de uma oportunidade para apresentar toda a documentação contábil e fiscal. Entretanto, apresentou tão somente o Livro Diário, ainda assim, desacompanhado dos documentos fiscais que lhe dariam suporte. Mesmo apresentando o Livro Diário, verificouse que sua escrituração é deficiente, pois nos lançamentos nele escriturados, majoritariamente, não há menção sequer às notas fiscais relativas às receitas auferidas. Também consta do Termo de Constatação Fiscal que, até o momento em que iniciada a auditoria, a Contribuinte não havia apresentado a DCTF relativamente ao ano calendário de 2011, vindo a fazêlo somente após o início do procedimento fiscal. Também não foram apresentados nenhum comprovante de pagamento dos tributos declarados na DCTF apresentada a destempo. Assim, forçoso à Autoridade Fiscal constituir o crédito tributário mediante o lançamento. Pelo que podemos observar, ao analisar os autos, procedeu corretamente a Fiscalização ao arbitrar o lucro. A legislação é claríssima em determinar o arbitramento do lucro nos casos em que o sujeito passivo deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração (art. 530, III, do RIR/99), independentemente dos motivos, sejam eles justificáveis ou não. Aliás, não há nenhuma linha escrita pela Recorrente em seu Recurso Voluntário que esclareça o porque da não apresentação dos livros e documentos fiscais. Vejamos o que determina a legislação de regência: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Fl. 251DF CARF MF 6 I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. De tudo o que se depreende ao se analisar o processo, verificase facilmente que a situação de fato com que se deparou a Fiscalização não autorizava outra atitude senão Fl. 252DF CARF MF Processo nº 18470.730162/201417 Acórdão n.º 1401002.202 S1C4T1 Fl. 250 7 promover o arbitramento do lucro com base nas informações disponíveis (sobretudo conforme o disposto no art. 532 do RIR/99). Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Assim procedeu a Fiscalização que, utilizando as informações que tinha à disposição, tão somente o Livro Diário, conseguiu aferir a base de cálculo muito próxima à real, diminuindo, dessa forma, o grau de subjetividade do lançamento, e evitando a utilização dos critérios estabelecidos pelo art. 535, muito mais imprecisos e, não raras vezes, mais onerosos aos contribuintes, dependendo do ramo de atividade econômica a que se dedicam. Art. 535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): I um inteiro e cinco décimos do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais; II quatro centésimos da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido; III sete centésimos do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade; IV cinco centésimos do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido; V quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI quatro décimos da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII oito décimos da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII nove décimos do valor mensal do aluguel devido. O demonstrativo de efls. 47/51, que reflete a receita bruta conhecida, foi obtido a partir dos lançamentos efetuados no Livro Diário. Cabe ressaltar que a utilização do Livro Diário para apurar as bases de cálculo não desqualifica o método do arbitramento adotado para obter o lucro tributável. Os respectivos valores são próximos, inclusive, daqueles que foram informados na DIPJ. Tais valores sequer foram contestados pela Recorrente, que limitouse a questionar apenas a forma de apuração adotada (lucro arbitrado). Fl. 253DF CARF MF 8 Ora, a falta de lastro na escrituração ou, no caso, a sua inexistência/deficiência, obriga a Autoridade Fiscal a realizar o arbitramento do lucro a partir das informações de que dispõe. É inevitável. Neste sentido, os reclamos da recorrente se mostram fragilizados diante dos fatos concretos presentes nos autos. Ademais, não se deve esquecer que “arbitramento” não é uma penalização, como bem coloca a recorrente e, muito menos, um instrumento de tortura de que disporia a Autoridade Fiscal para massacrar os contribuintes. Ao contrário, é remédio com previsão legal e de adoção indeclinável pelo Fisco quando a escrituração da pessoa jurídica não atender aos ditames que a legislação lhe impõe. Neste trilho, a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). Por tudo o que se expôs e o que consta dos autos, é de se manter o arbitramento nos moldes em que foi realizado pela Autoridade Fiscal. Tudo o que foi dito em relação ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS, dada à relação de causa e efeito que existe entre os referidos tributos Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721100/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS.
A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS.
A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação.
Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 11 00 /2 01 4- 68 Fl. 13183DF CARF MF 2 (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Belém, fls. 13140 e seguintes1: Tratase o processo de Auto de Infração de Contribuição para o PIS e Auto de Infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009 e janeiro a dezembro de 2010, que exige o recolhimento de R$ 5.881.364,70 (contribuição + multa de ofício + juros calculados até março/2014) de contribuição para o PIS e R$ 27.052.409,24 (contribuição + multa de ofício + juros calculados até março/2014) de COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/44, extraímos os seguintes excertos: a) O contribuinte tem como objeto social "Comércio de óleos, graxas, lubrificantes e fluidos de freio; distribuição no atacado de derivados de petróleo e álcool e o transporte rodoviário de produtos perigosos”. b) Tratase de Distribuidora de Combustíveis. c) Conforme recibos apresentados pela empresa, foram entregues DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON para os exercícios de 2009 e 2010. Em consulta a esses DACON diretamente nos sistemas da RFB, constatamos que referente ao período de 01/2009 a 06/2009 foram parcialmente preenchidas, ou seja, constam informações apenas nas fichas 05 A, 10A, 15A 20A e 25A. Para o período de 07/2009 a 12/2010 foram entregues os referidos DEMONSTRATIVOS em branco. As Fichas 06A e 16A que informam as bases de cálculo dos créditos, de acordo com a sua origem e apuram os respectivos créditos a serem aproveitados para o cálculo do PIS e da COFINS devidos estavam sem informações, ou seja, em branco em todo o período fiscalizado. d) a fiscalizada deixou de apurar e comprovar documentalmente a existência de créditos da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a COFINS. e) passamos a apuração do PIS e COFINS a pagar no período de fevereiro de 2009 a dezembro de 2010, sem levar em 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 13184DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 3 3 consideração a existência de créditos a deduzir, por não ter a empresa fiscalizada prestado as informações necessárias e a documentação correlata. f) As bases de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foram determinadas a partir da análise da seguinte documentação: das Notas Fiscais Eletrônicas NFe armazenadas no ambiente SPED; dos arquivos SINTEGRA fornecidos pela fiscalizada; da resposta da ANP Agência Nacional do Petróleo, através do Ofício 1238/2013/SAB; da resposta da Petrobrás Petróleo Brasileiro S.A. ao Ofício 10.199/2013 SEFIS/DRF/CPS, em confronto com a contabilidade da fiscalizada. g) Conforme exposto nos itens 31 e 32, a fiscalizada não comprovou a existência de créditos, por não ter apresentado as planilhas demonstrativas de sua apuração, passíveis de aproveitamento para dedução dos valores devidos, com a respectiva documentação comprobatória, referentes as contribuições de PIS/COFINS, e não retransmitiu os DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON do período fiscalizado, com o preenchimento principalmente das fichas 05A, 06A, 07A, 10A, 15A, 16 A, 17 A, 20 A e 25 A. h) As Contribuições apuradas da empresa fiscalizada para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e o Programa de Integração Social (PIS), relativos aos períodos de apuração 2009 e 2010 foram determinadas levandose em consideração as Notas Fiscais Eletrônicas – Nfe (SPED); os arquivos SINTEGRA; informações obtidas da ANP Agência Nacional do Petróleo e da Petrobrás Petróleo Brasileiro S.A., dos valores considerados e confirmados pela fiscalizada (planilhas do item 17) em confronto com a sua contabilidade. i) Dos valores apurados, procedemos mensalmente, a dedução das contribuições, para o Pis e para a Cofins, já declarados em DCTF, exceto em relação às competências outubro/2009 e janeiro/2010, as quais não foram objetos de declaração Regularmente intimada, com ciência pessoal em 21 de março de 2014, a interessada apresentou, em 22 de abril de 2014, a impugnação de fls. 188/201, e argumenta: “foram abertos prazos para a autuada apresentar documentos comprobatórios de eventuais direitos a créditos, os quais não foram atendidos por mera dificuldade de localização no arquivamento de tais documentos” “também foi alvo da fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, referentes aos mesmos períodos, com exigência de apresentação das notas fiscais de aquisição do produto álcool. Diante disso, houve uma enorme dificuldade na localização dos documentos comprobatórios do direito aos créditos às contribuições da COFINS e do PIS, o que levou à sua Fl. 13185DF CARF MF 4 não apresentação dentro do período solicitado pelo Sr. Agente Fiscal” “tendo a Defendente localizado neste momento, pelo menos parte dos documentos comprobatórios dos seus créditos, juntados em anexo, de rigor o recebimento e análise por V.Sa., tendo em vista trataremse de documentos comprobatórios do direito ao crédito da Defendente, em estrito cumprimento à regra da NÃO CUMULATIVIDADE do PIS e da COFINS” (grifo no original) Requer, posteriormente, a juntada dos documentos comprobatórios da aquisição do combustível álcool hidratado, nos anos de 2009 e 2010, representados pelos pedidos de nº 2203/09 até nº 3153/10 correspondentes aos contratos de compra e venda efetuados com as usinas e seus respectivos comprovantes de pagamento, bem como, as Notas Fiscais, devidamente planilhadas com a indicação dos volumes de produto adquiridos. Assevera ser incompreensível a ausência de requisição do Sr. Agente Fiscal à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, solicitando as informações quanto ao volume de compra do combustível álcool hidratado informado pela defendente para aquele período, para possibilitar a verificação de existência ou não de créditos, com relação ao PIS e a COFINS. Aduz ser ilegal a multa de ofício aplicada. Carreia aos autos jurisprudências administrativas e judiciais. (...) Foi requerida a realização de diligência, fls. 13016/13019, no sentido de solicitar à Unidade proceder a análise dos documentos anexados aos autos e a apuração das contribuições devidas. Em resposta, a DRF/Campinas expediu a Informação de fls. 13041/13127, onde inicia informando: “A presente Diligência Fiscal foi determinada na Resolução N° 368, de 22/07/2014, pela 3a Turma da DRJ/BEL (Delegacia da RFB de Julgamento de Belém/PA), com a finalidade de verificar a documentação juntada pela fiscalizada, à impugnação do Auto de Infração objeto do processo 10803.721100/201468 e revisar os valores lançados, à medida que os créditos alegados pela impugnante sejam confirmados por esta fiscalização” “Durante o procedimento fiscal original de MPF n° 0810400.2011.011816, que durou mais que dois anos, o atendimento à essa fiscalização foi precário, razão pela qual a fiscalização foi concluída no início de 2014, sem que fossem apresentados documentos que comprovassem possíveis créditos de PIS e COFINS” “Surpreendentemente, no pequeno prazo de trinta dias para impugnação, a empresa apresentou milhares de notas fiscais de aquisição de álcool combustível do período de 2009 e 2010, Fl. 13186DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 4 5 digitalizadas uma a uma em PDF. Acompanhou o material uma planilha também em PDF com a apuração do suposto crédito considerado na aquisição de álcool combustível de usinas e distribuidoras em 2009. Não acompanhou planilha similar referente a 2010. Observando a referida planilha, notamos que faltam informações importantes como a inclusão o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações), o CNPJ do fornecedor e sua qualificação como usina produtora ou distribuidora de combustível, pois as tributações são diferenciadas, consequentemente as bases de cálculo do crédito também” “Foram entregues termos de intimação, conforme cópias anexas, 01/09/2014, 03/11/2014 e 27/01/2015, diretamente ao advogado da empresa, pois a mesma já se encontrava suspensa de suas atividades pela fiscalização estadual. Além dessas intimações, foram feitas inúmeras cobranças por telefone e por email diretamente ao advogado Dr. Fábio Martins Bonilha Curi, mas os atendimentos às intimações também foram precários. Chegaram a ser preparadas planilhas em excel, que mesmo com inúmeras falhas, representavam apenas cerca de 20% do trabalho a ser feito, isso após quase seis meses de insistentes cobranças por parte dessa fiscalização” “Emitido novo termo de intimação em 27/02/2015 dando prazo final improrrogável até 16/03/2015.Terminado esse prazo o advogado declarouse sem estrutura para preparar a listagem digital das notas fiscais apresentadas na impugnação. Diante dessa situação, em que mesmo sendo a interessada, a empresa não conseguiu fazer em seis meses a listagem digital, a própria fiscalização fez a devida tabulação das notas fiscais, para a apuração da correta base de cálculo dos créditos alegados. Em noventa dias foi preparada a planilha "bruta", depurada com a exclusão de notas fiscais repetidas, impróprias e com CFOP indevidos” E prossegue com a análise das Notas Fiscais apresentadas mês a mês, e por fim, conclui: Apuração dos novos valores de PIS devidos, a serem considerada no Al Auto de Infração: Período de PIS devido conforme Crédito de Aquisição Crédito de aquisição de PIS devido considerando NF Apuração Al 10830.721100//201468 de Álcool do Produtor Álcool do Distribuidor apresentadas na impugnação MAR/09 165.803,91 10.038,43 62.054,35 93.711,13 ABR/09 82.144,02 7.911,89 63.587,70 10.644,43 MAI/09 61.418,44 26.841,10 7.801,35 26.775,99 JUN/09 120.542,66 43.121,99 4.885,20 72.535,47 JUIJ09 124.946,47 34.849,61 400,87 89.695,99 AGO/09 116.276,12 48.541,72 68.533,74 799,34 SET/09 97.893,35 0,00 0,00 97.893,35 OUT/09 68.125,97 19.853,62 21.943,32 26.329,03 NOV/09 47.922,61 12.415,95 14.183,30 21.323,36 DEZ/09 114.255,22 37.736,21 24.173,58 52.345,43 J AN/10 79.526,73 27.734,60 340,20 51.451,93 FEV/10 86.871,19 29.192,39 2.036,92 55.641,88 MAR/10 141.497,91 55.335,38 6.258,85 79.903,68 ABR/10 149.761,45 20.848,52 4.758,36 124.154,57 M Al/10 130.372,74 53.578,88 144,22 76.649,64 Fl. 13187DF CARF MF 6 JUN/10 148.288,65 61.573,43 534,64 86.180,58 JUL/10 161.230,93 60.073,17 5.339,35 95.818,41 AGO/10 154.333,38 64.949,97 639,92 88.743,49 SET/10 173.613,72 60.865,74 638,40 112.109,58 OUT/10 160.652,67 0,00 0,00 160.652,67 NOV/10 194.219,78 0,00 0,00 194.219,78 DEZ/10 205.774,74 0,00 0,00 205.774,74 2.785.472,66 675.462,60 288.254,27 1.821.755,79 Apuração dos novos valores de COFINS a serem considerados no Al Auto de Infração: Período de Apuração COFINS devida conforme Al 10830.721100//201468 Crédito de Aquisição de Álcool do Produtor Crédito de aquisição de Álcool do Distribuidor COFINS devido considerando NF apresentadas na impugnação MAR/09 762.636,09 46.187,31 299.228,00 417.220,78 ABR/09 377.876,86 36.403,03 292.480,71 48.993,12 MAI/09 282.501,62 123.497,90 35.885,73 123.117,99 JUN/09 554.455,68 198.405,23 22.470,12 333.580,33 JUL/09 574.713,83 160.340,71 1.844,18 412.528,94 AGO/09 534.832,33 223.337,24 315.229,62 3.734,53 SET/09 450.278,42 0,00 1.897,72 448.380,70 OUT/09 313.354,03 91.345,19 100.932,84 121.076,00 NOV/09 220.428,83 57.124,96 65.237,86 98.066,01 DEZ/09 525.538,89 173.621,80 111.189,42 240.727,67 JAN/10 365.793,27 127.605,05 1.564,80 236.623,42 FEV/10 399.578,97 134.312,26 9.369,08 255.897,63 MAR/10 650.844,16 254.594,39 28.788,35 367.461,42 ABR/10 688.853,80 95.922,66 21.886,68 571.044,46 MAI/10 599.672,08 246.512,85 6.696,06 346.463,17 JUN/10 682.081,28 283.295,24 2.459,12 396.326,92 JUL/10 741.609,09 276.392,67 24.559,01 440.657,41 AGO/10 709.884,05 298.830,49 2.943,40 408.110,16 SET/10 798.565,89 280.039,23 2.936,40 515.590,26 OUT/10 738.948,99 0,00 0,00 738.948,99 NOV/10 893.345,84 0,00 0,00 893.345,84 DEZ/10 946.494,18 0,00 0,00 946.494,18 12.812.288,18 3.107.768,21 1.347.599,10 8.356.920,87 “Diante da análise da contabilidade, das planilhas da ANP (Agência Nacional do Petróleo), documentos correlatos e planilhas auditadas, esta fiscalização confirmou e considerou as notas fiscais relacionadas nas planilhas acima, mês a mês, ora como aquisição diretamente de produtora de álcool, ora de distribuidora de combustível, ora álcool anidro, ora álcool hidratado” “Conclui também, da mesma análise, que a fiscalizada atuava na época exclusivamente no ramo da distribuição de combustíveis, agindo entre as refinarias de petróleo e usinas de álcool e os postos de abastecimento do consumidor final. Entre os fornecedores (Petrobrás, Usinas e outras Distribuidoras) e os adquirentes (Postos de Gasolina e outras Distribuidoras) era utilizada uma Base de Distribuição localizada em Paulínia/SP, que recebia os combustíveis gasolina e diesel brutos, canalizados diretamente da REPLAN (Refinaria de Paulínia PETROBRÁS) e os álcoois anidro e hidratado diretamente das Usinas Alcooleiras ou de Distribuidoras, em sua grande maioria situadas no próprio Estado de São Paulo, transportados por caminhões. Na Base, o álcool anidro era adicionado à gasolina pura e o álcool hidratado e o óleo diesel apenas estocados. Esta Base bem como todas existentes nas cercanias da REPLAN, atendem a diversas pequenas e médias distribuidoras em condomínio, como é o caso da fiscalizada, sendo o estoque de uso comum. Essa característica de funcionamento é que Fl. 13188DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 5 7 determina a aquisição de álcool diretamente de Usina ou de outra Distribuidora. Grandes distribuidoras como a Ipiranga, Petrobrás, Esso, Shell, etc, possuem Bases exclusivas” “A Fiscalizada, em sua impugnação procedeu a juntada, de NF (notas fiscais), não consideradas como base de cálculo de crédito de PIS e COFINS, por essa fiscalização. Não foram consideradas: notas fiscais de aquisição de álcool, de simples faturamento: CFOP 5922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, ou de simples transferência: CFOP 5659 Transferência de combustível ou lubrificante adquirido ou recebido de terceiro, CFOP 5664 Retorno de combustível ou lubrificante recebido para armazenagem, CFOP 5665 Retorno simbólico de combustível ou lubrificante recebido para armazenagem” “Ainda sobre o CFOP 5922, constatamos que a aquisição de álcool de algumas usinas produtoras ocorria em dois momentos, a do simples faturamento para entrega futura, utilizando o CFOP 5922, quando a mercadoria ainda não foi produzida, não faz parte do estoque da fornecedora, razão pela qual será entregue futuramente ainda que seja em várias etapas, conforme a concretização da produção. Quando a mercadoria era entregue, eram utilizados os CFOP: 1o) 5655 Venda de combustível adquirido ou recebido de terceiros destinado à comercialização, 2o) 5651 Venda de combustível ou lubrificante de produção do estabelecimento destinado à industrialização subsequente, 3o) 5652 Venda de combustível ou lubrificante de produção do estabelecimento destinado à comercialização e 4o) 6116 Venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura” “Para comprovar o crédito alegado de PIS COFINS a fiscalizada procedeu a juntada de notas fiscais no código CFOP 5922 (simples faturamento de venda para entrega futura), bem como nos códigos CFOP 5655 (Venda de combustível adquirido ou recebido de terceiros destinado à comercialização), CFOP 5651 (Venda de combustível produzido destinado à industrialização), 5652 (Venda de produção do estabelecimento), CFOP 6116 (Venda de produção encomendada) das fornecedoras: Copersucar Cooperativa de Produtores de Cana deAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, Zambianco Açúcar e Álcool Ltda., Rio Vermelho Açúcar e Álcool Ltda., Decasa Destilaria de Álcool Caiuá S.A., Cia. Brasileira de Açúcar e Álcool e Usina Campestre Companhia Açucareira de Penápolis. Através da análise da contabilidade da fiscalizada constatamos que não houve o pagamento de todas as notas juntadas, que ocorreu uma duplicidade em sua apresentação (simples faturamento/venda). Diante do exposto, após o batimento de valores constantes em sua contabilidade e as notas fiscais juntadas, concluímos pela utilização, para apuração da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS, das notas fiscais do momento da entrega do produto. Essa conclusão foi consequência da análise da planilha apresentada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Através da planilha, Fl. 13189DF CARF MF 8 apresentada mediante solicitação dessa fiscalização, a qual foi alimentada por dados fornecidos pelas usinas e distribuidoras de combustíveis, onde consta a fiscalizada como adquirente, o momento consideração e informado é o da entrega do produto” “Foram desconsideradas por essa fiscalização, as notas fiscais juntadas em duplicidade, bem como as de aquisição de outros combustíveis, as quais de acordo com a legislação vigente não é base de cálculo de crédito de PIS/COFINS, pois os demais tipos de combustíveis sofrem tributação monofásica nas refinarias de petróleo” Cientificada do despacho proferido pela DRF/Campinas, em 07 de agosto de 2015, a empresa apresenta a seguinte manifestação: “VEGA DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem respeitosamente perante Vossa Senhoria, informar que concorda com os valores apurados pela fiscalização, na diligência determinada pelo douto relator do presente processo” (grifo no original) A DRJ/Belém considerou parcialmente procedente a impugnação e a ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação, e à aquisição de álcool anidro para adição à gasolina em valores estabelecidos em ato do poder Executivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação, e à aquisição de álcool anidro para adição à gasolina em valores estabelecidos em ato do poder Executivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Fl. 13190DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 6 9 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Em se tratando de lançamento de ofício, será aplicada a multa de ofício de 75% sobre a diferença da contribuição que deixou de ser recolhida/declarada, sendo irrelevante a existência de boafé na conduta da pessoa jurídica e independentemente da intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Há Recurso de Ofício por ter sido exonerado crédito tributário em montante superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, contudo, não houve apresentação de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto 1. Dos requisitos de admissibilidade Tratase de recurso de ofício, interposto conforme artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 e atendendo à atual Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. A contribuinte foi cientificada em 29 de dezembro de 2015 por decurso de prazo, fls. 13157, mas não apresentou Recurso Voluntário, o que torna definitiva a decisão administrativa naquilo em que ela foi sucumbente. 2. Do Recurso de Ofício A contribuinte tem como objeto social o comércio de óleos, graxas, lubrificantes e fluidos de freio; distribuição no atacado de derivados de petróleo e álcool e o transporte rodoviário de produtos perigosos” e o cerne da controvérsia ocorre em razão do aproveitamento de créditos sem a documentação probatória, o que foi solucionado em fase de impugnação. Quanto à tributação do PIS e da Cofins sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, assim, estabeleceu a legislação após algumas alterações: Lei nº 9.718, de 1998 Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) e 6,9% (seis inteiros e nove décimos por cento), no caso de produtor ou importador; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), no caso de distribuidor. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 13191DF CARF MF 10 § 1o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, quando auferida: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – por distribuidor, no caso de venda de álcool anidro adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – por comerciante varejista, em qualquer caso; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) III – nas operações realizadas em bolsa de mercadorias e futuros. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 2o A redução a 0 (zero) das alíquotas previstas no inciso III do § 1o deste artigo não se aplica às operações em que ocorra liquidação física do contrato. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (...) § 4o O produtor, o importador e o distribuidor de que trata o caput deste artigo poderão optar por regime especial de apuração e pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no qual as alíquotas específicas das contribuições são fixadas, respectivamente, em: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – R$ 23,38 (vinte e três reais e trinta e oito centavos) e R$ 107,52 (cento e sete reais e cinqüenta e dois centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – R$ 58,45 (cinqüenta e oito reais e quarenta e cinco centavos) e R$ 268,80 (duzentos e sessenta e oito reais e oitenta centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 5o A opção prevista no § 4o deste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o último dia útil do mês de novembro de cada anocalendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o anocalendário subseqüente ao da opção. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (...) § 8o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas no caput e no § 4o deste artigo, as quais poderão ser alteradas, para mais ou para menos, em relação a classe de produtores, produtos ou sua utilização. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (...) Fl. 13192DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 7 11 § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (Redação dada pela Lei nº 12.859, de 2013) § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 15. O disposto no § 14 deste artigo não se aplica às aquisições de álcool anidro para adição à gasolina, hipótese em que os valores dos créditos serão estabelecidos por ato do Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Pela leitura dos artigos, observase que o contribuinte, no caso distribuidor, deve pagar pelas contribuições em apreço sob alíquotas definidas na lei ou pode optar por regime especial de apuração. Ademais, os parágrafos que seguem o artigo 5º, da Lei nº 9.718, de 1998, prevêem a possibilidade ao distribuidor sujeito à não cumulatividade dessas contribuições, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo aos mesmos valores do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo fornecedor que lhe fez a venda. A exceção ocorre quanto à aquisição de álcool anidro para adição à gasolina. Com fundamento no artigo 5º, § 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, houve a edição do Decreto nº 6.573, de 19 de setembro de 2008, pelo Poder Executivo, estabelecendo as seguintes alíquotas, aplicáveis ao período de autuação do caso em análise: Decreto nº 6.573, de 2008 Art. 2º As alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, com a utilização do coeficiente fixado no art. 1º, ficam reduzidas, respectivamente, para: (Redação dada pelo Decreto nº 7.997, de 2013) I R$ 8,57 (oito reais e cinqüenta e sete centavos) e R$ 39,43 (trinta e nove reais e quarenta e três centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; e II R$ 21,43 (vinte e um reais e quarenta e três centavos) e R$ 98,57 (noventa e oito reais e cinqüenta e sete centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. Fl. 13193DF CARF MF 12 Art. 3º No caso da aquisição de álcool anidro para adição à gasolina, os valores dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o § 15 do art. 5o da Lei no 9.718, de 1998, ficam estabelecidos, respectivamente, em: I R$ 3,21 (três reais e vinte e um centavos) e R$ 14,79 (quatorze reais e setenta e nove centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; e II R$ 16,07 (dezesseis reais e sete centavos) e R$ 73,93 (setenta e três reais e noventa e três centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. Houve a realização de diligência, que efetuou uma revisão dos valores inicialmente lançados devido ao aproveitamento de créditos na aquisição de álcool combustíveis nos termos do Decreto nº 6.573, de 19 de setembro de 2008, informação fiscal, fls. 13041/13127. A contribuinte, à época, disse que não tinha oposição aos referidos cálculos, fls. 13136. A decisão da DRJ/Belém foi no sentindo de adotar o resultado da diligência, o que não merece reparos. Quanto à multa de ofício no percentual 75% aplicada ao crédito restante, mantémse em face da coisa julgada administrativa. 3. Conclusão Pelo exposto, conheço o recurso de ofício, mas nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 13194DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000365/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE
Demonstrando ser improfícua a intimação via postal ressai regular a intimação por edital.
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Preliminar de tempestividade rejeitada.
Numero da decisão: 2401-005.152
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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REGULARIDADE Demonstrando ser improfícua a intimação via postal ressai regular a intimação por edital. INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Preliminar de tempestividade rejeitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 65 /2 00 5- 85 Fl. 1793DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR, que por unanimidade de votos, decidiu não conhecer da impugnação, por ser intempestiva, conforme ementa do Acórdão nº 1518.082 (fls. 1710/1711): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Demonstrandose improfícua a notificação postal, justificase a notificação por edital. Impugnação não Conhecida. O presente processo teve sua origem no MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF nº 08.1.90.002004008684 (fls. 02) emitido em 28/05/2004, que determinou a execução de procedimento fiscal do Contribuinte, com base nas movimentações financeiras, informadas pelas instituições financeiras, relativas aos anoscalendário 1999, 2000, 2001 e 2002. O Contribuinte foi intimado (AR fl. 26) em 15/06/2004 através do TERMO DE INÍCIO E INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 25), lavrado em 01/06/2004, para apresentar documentação referente à sua movimentação financeira nos anoscalendário sob fiscalização. Em 14/07/2004 enviou para a Receita Federal os documentos de folhas 28/657; em 02/08/2004, apresentou os documentos de fls. 658/722; em 08/09/2004, apresentou os documentos de fls. 723/915; em 29/06/2004, apresentou os documentos de fls. 916/939; em 16/08/2004, juntou a documentação de fls. fl. 940/956. Foi emitido TERMO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO (fl. 957) por não ter o contribuinte atendido integralmente a intimação de folha 25. Em 02/09/2004, o Contribuinte tomou ciência (AR fl. 958) do referido termo. Em 04/10/2004 foi expedida a Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira nº 08.1.90.002004004298 (fl. 959), com as informações apresentadas às fls. 960/1376. Em 05/11/2004 o Contribuinte foi intimado (AR fl. 1378) através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 1377), lavrado em 04/11/2004, para “comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome, conforme Planilhas de Conferência dos Depósitos Bancários anexas, referentes às contas bancárias mantidas junto aos bancos: BANESPA, BANRISUL, BRADESCO, BRASIL, BCN, ITAÚ (AG. 0300 e 3740), REAL e SAFRA”. Fl. 1795DF CARF MF 4 Em atendimento ao referido Termo de Intimação, o Contribuinte enviou ao Auditor Fiscal Petição (fls. 1451/1452) solicitando dilação de prazo para a coleta dos documentos, esclarecendo o motivo da demora no atendimento da intimação e anexando os documentos de folhas 1453 a 1610. Em 18/02/2015 foi expedido o TERMO DE ENCERRAMENTO da ação fiscal (fl. 1625), emitido o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 1611/1620), e lavrado o AUTO DE INFRAÇÃO no valor total de R$ 6.428.803,58 (fls. 1621/1624). Os documentos foram enviados ao Contribuinte pelos correios (AR fl. 1626), no entanto, não constou o correspondente recebimento. Diante da falta de intimação do contribuinte, foi publicado o EDITAL nº 069/2005 (fl. 1627), no qual constou que: não localizada no seu domicílio tributário, a pessoa física abaixo qualificada, nos termos do §1° c/c o inciso IV do §2°, todos do artigo 23 do Decreto no 70.235, de 06/03/1972, com redação dada pelo artigo 10 da Medida Provisória no 232, de 30/12/2004, por meio do presente Edital e após 15 (quinze) dias de sua publicação, fica considerada CIENTIFICADA do Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Termo de Encerramento, lavrado no curso do procedimento fiscal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal de nº 08.1.90.002004 008684, datado de 28 de maio de 2004. As vias do termo encontramse em poder deste subscritor, no seguinte endereço: Av. Pacaembu, 715 — sala 225 — São Paulo/SP Telefone: 36675789. O Edital foi afixado em 08/03/2005, no térreo das dependências da Delegacia, e desafixado em 24/03/2005. No Relatório Fiscal constante às fls. 1628/1629, o Auditor Fiscal esclareceu que o contribuinte obteve na Justiça, em 16/12/2004, uma liminar suspendendo a ação fiscal por 60 (sessenta) dias, que visava dar ao contribuinte oportunidade para apresentação de documentos que julgasse conveniente. Segundo o Auditor Fiscal, decorrido o prazo de 60 dias, não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte nesse sentido. Assim, em 18 de fevereiro de 2005, foi emitido o Auto de Infração relativo aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, no valor total de R$ 6.428.803,58. Conforme afirmado pelo Auditor Fiscal no Relatório (fl. 1629), o Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Termo de Encerramento, foram enviados ao contribuinte, via correio, tendo sido a correspondência devolvida em 24 de fevereiro de 2005, sob a justificativa de mudança do contribuinte, razão porque a ciência foi dada por Edital. Através do Ofício PRFN/GAE/SP n° 67/2005 (fl. 1639), emitido pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da Terceira Região, foi comunicada à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, a decisão proferida nos autos do processo judicial n° 2004. 03.00.0733316, em curso perante a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, deferindo a prorrogação do prazo de suspensão do procedimento fiscal nº 08.1.190.002004008684 por mais 45 dias. Conforme consta do documento à fl. 1641, a decisão judicial foi proferida em 17/03/2005. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, em documento adunado às fls. 1647, determinou o seguinte: Decorrido o prazo de 45 dias de suspensão por medida judicial, conforme decisão proferida no processo 2004.03000733316, cuja cópia foi juntada à fl. 1460, e não havendo manifestação através de impugnação ou pagamento por parte do interessado, proponho encaminhamento à EQAMJ/DICAT/SP para providências de sua alçada. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 4 5 Em 04/12/2007, ao receber da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB uma CARTA COBRANÇA (fls. 1671/1674), o Contribuinte, em 21/12/2007, apresentou sua Impugnação (fls. 1679/1708), onde em síntese alegou que: 1. Tomou ciência da existência do Auto de Infração somente em 04/12/2007, com o recebimento da carta de cobrança; 2. É corretor de valores mobiliários e que por suas contas bancárias transitam valores de clientes; 3. O Impugnante foi intimado pela fiscalização, pelos diversos períodos, para apresentar documentação sobre sua movimentação financeira, tendo apresentado todos os documentos solicitados; 4. Apresentou contrato de mútuo, realizado em 14/01/1999, com o Sr. Moisés Lipinik, bem como justificou a razão do empréstimo; Comprovou a origem de inúmeros depósitos/créditos efetuados relativos a 2000 e 2001 nas instituições financeiras; 5. Ingressou com Mandado de Segurança, onde obteve liminar concedendo suspensão da Ação Fiscal para que conseguisse fornecer todos os elementos à fiscalização, e que, após este período, o Impugnante não recebeu qualquer outra intimação; 6. Somente em 04/12/2007 tomou ciência da cobrança decorrente ao período fiscalizado.Entretanto, em momento algum foi informado o contribuinte que estava em andamento o processo de fiscalização, e neste sentido,também não recebeu o Auto de Infração. 7. A intimação via Edital foi irregular e por isso nula e que teve seu direito de defesa cerceado; 8. O AR (fl. 1626) devolvido pelos correios à RFB não informa o motivo de sua devolução, não está datada e não tem a qualificação de quem o devolveu; 9. Não havia mudado de endereço, conforme alegado pelo Auditor fiscal, tanto que no mesmo endereço recebeu também a Carta Cobrança em 04/12/2007; 10. Houve falta de critério do órgão fiscalizador ao intimar o Contribuinte que teve seu direito de defesa cerceado por ausência de regular intimação, na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972; 11. A única intimação válida seria a intimação da Carta de Cobrança recebida em 04/12/2007, iniciado o prazo para impugnação de 30 dias em 05/12/2007 e não na data prevista no Edital; 12. Sendo válida a intimação que ocorreu em 04/12/2007 e considerando que os tributos cobrados correspondem ao período de janeiro de 2000 Fl. 1797DF CARF MF 6 a dezembro de 2002, ocorreu a decadência do direito do Fisco ao lançamento; 13. A falta de indicação na declaração de IRPF do Contribuinte de que houve um empréstimo obtido de outra pessoa física não invalida a sua existência. A legislação é genérica, não indicando quais documentos seriam válidos, limitandose apenas a dizer que eles têm que ser “hábeis e idôneos”; 14. É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado apenas em extratos ou depósitos bancários, indicando a existência jurisprudências a este respeito; 15. Os depósitos bancários por si só não constituem fato gerador de Imposto de Renda; 16. A comprovação de origem dos depósitos não deve ser feita com coincidência exata de datas e horas, bastando para tal que o Contribuinte prove dispor de montante suficiente que os justifique, cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes. Finaliza sua impugnação requerendo cancelamento da Carta Cobrança e no mérito que seja decretada a improcedência do Auto de Infração lavrado, cancelandose os créditos tributários nele constantes, acatandose as razões expedidas na impugnação, ou que, no mínimo, sejam descontados da base de cálculo os valores comprovados através das Notas de Corretagem, o valor do Contrato de Mútuo e os numerários que representam reaplicação, considerando como tal as receitas tributadas em um mês como disponibilidade financeira do mês seguinte. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SDR decidiu por unanimidade não conhecer a impugnação, considerando intempestiva a sua apresentação em 21/12/2007. O contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 1518.082 em 09/03/2009 (fls. 1712/1715). Em 10/03/2009, não conformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/SDR, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1717/1742), onde repete todos os argumentos da impugnação enfatizando os seguintes argumentos: 1. Em preliminar pleiteia a nulidade do Edital e alega cerceamento do direito de defesa por ausência de regular intimação; 2. Esclarece que tem o mesmo domicílio fiscal desde 1988 e afirma que seu domicílio tributário é o mesmo em todas as suas declarações de Imposto de Renda e que, neste mesmo endereço recebeu pelos correios todas as intimações da fiscalização, solicitações de esclarecimentos e, inclusive, a Carta de Cobrança referente a esse processo, somente não recebeu o Auto de Infração; 3. Destaca que foi intimado nesta mesma época, 27/12/2007, do Auto de Infração referente ao ano de 1999, no mesmo endereço e, tempestivamente, o contribuinte apresentou a Impugnação; 4. Neste sentido, aduz que não foi intimado na forma legal, portanto, sua ciência somente ocorreu a 04/12/2007, iniciandose o prazo para Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 5 7 Impugnação a 05/12/2007, e não na data prevista no Edital, esta já fora da vigência da MP n° 232/04; 5. Em segunda preliminar, assevera que ocorreu a decadência do direito do Fisco ao lançamento, pela aplicação do artigo 150, parágrafo 4° do CTN que fixa como termo inicial para a contagem do prazo decadencial, a data da ocorrência do fato gerador nos lançamentos por homologação; 6. No mérito, justifica a origem dos depósitos e junta contratos de empréstimo; afirma que, tendo em vista o próprio controle das corretoras em todas as suas operações na bolsa (em razão do próprio imposto recolhido na fonte em cada operação), que sempre recolheu devidamente seus impostos de cada aplicação; 7. Transcreve jurisprudência administrativa no sentido de que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda; 8. Esclarece que, sendo operador da bolsa de valores, além de trabalhar com o dinheiro de terceiros tem o mesmo valor de dinheiro entrando e saindo da conta corrente diversas vezes. Por fim requer seja recebido o recurso voluntário; seja dado provimento ao recurso tendo em vista as preliminares de irregularidade de intimação e do Edital, a Decadência e os argumentos de mérito expostos no recurso; requer ainda seja decretada a improcedência do Auto de Infração lavrado cancelandose os créditos tributários nele constantes, acatandose as razões expendidas no presente Recurso, ou, alternativamente, que seja anulada a decisão recorrida pelas razões expostas ou que seja encaminhado o processo administrativo em diligência, para autoridade julgadora de primeira instância e devolvido o prazo para Impugnação ao contribuinte. O processo foi encaminhado para julgamento tendo os membros do Colegiado, por unanimidade, convertido o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 2401000.560 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: [...] A Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação apresentada pelo contribuinte, afirmando categoricamente que, ao contrário do que alega o impugnante, consta carimbo dos Correios no verso do envelope da notificação postal (fls. 1445), onde o agente assina e informa que a correspondência foi devolvida em 24/02/2005, porque lhe fora informado que o contribuinte mudara de endereço. Tal fato demonstra que houve a tentativa de notificação por via postal, e que esta resultou improfícua, justificandose a intimação por edital, como dispõe o art. 23, inciso III, do Decreto 70.235/1972. Diante dos fatos acima narrados, e da incongruência entre a informação contida na decisão de piso e o documento adunado aos autos, converto o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique se o AR de fls. 1626 possui verso e Fl. 1799DF CARF MF 8 se contém alguma informação sobre a sua devolução, trazendo aos autos o documento que comprove a questão de fato. Em atendimento à Resolução mencionada, e após as diligências para a localização dos documentos mencionados, foram juntados ao processo os seguintes documentos: ENVELOPE DEVOLVIDO – FRENTE E VERSO E AR confirmando a devolução da correspondência sob a justificativa de mudança do contribuinte; TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E termo de constatação COM A INFORMAÇÃO DE MUDANÇA DE ENDEREÇO. O Relatório Fiscal de diligência consta às fls. 1775/1777. Tendo em vista o retorno de diligência o processo foi encaminhado a esta Relatora para inclusão em pauta e prosseguimento no julgamento. É o relatório. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Em preliminar aduzida na peça recursal de fls. 1717/1742, o contribuinte alega a nulidade do Edital e o cerceamento do direito de defesa em virtude da ausência de regular intimação do Auto de Infração. Como se observa dos presentes autos, no envelope da notificação postal contendo o AR devolvido em 05/04/2005, consta o carimbo do correio com a informação "mudouse" com a anotação que indica ter sido a informação prestada por Neiva Funaro (fls.1769/1773). Também é trazido aos autos Termo de Constatação Fiscal (fls. 1774), emitido em 19 de abril de 2005, onde o Auditor Fiscal relata que em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002004008684, compareceu ao endereço do contribuinte para dar ciência do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, tendo sido informado que o Sr. Lúcio Bolonha Funaro não mais residia no local e que não saberia indicar seu novo endereço. Consoante Relatório Fiscal de Diligência 1775/1777, por ocasião da conversão em digital do presente processo, não foi digitalizado o verso do envelope devolvido referente à intimação do Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração e Termo de Encerramento. Para a obtenção dos documentos originais foi solicitado ao Supervisor Regional do eprocesso na 8ª Região Fiscal, o que foi atendida, conforme a juntada ao processo dos seguintes documentos: ENVELOPE DEVOLVIDO FRENTE E VERSO, confirmando a devolução da correspondência sob a justificativa de mudança do contribuinte. Pela relevância das informações, foi juntada ainda documentos comprobatórios da devolução do AR do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, datado de 30/03/2005 e do Termo de Constatação lavrado em 19/04/2005, confirmando novamente a informação de que o fiscalizado havia se mudado. Notoriamente, o contexto dos fatos ora narrados, devidamente lastreados pelas provas adunadas aos autos, indica que houve sim a tentativa de notificação via postal do contribuinte, no entanto, restou improfícua a intimação via postal, razão porque a ciência foi dada por Edital, na forma do art. 23 do Decreto 70.235/72. Neste passo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por ausência de regular intimação quando os indícios indicados nos autos convergem à conclusão de que houve a tentativa de intimação via postal, no entanto, foi informado pela Senhora Neiva Funaro a mudança de endereço. Conforme informações constantes no Relatório de Diligência constatase que o contribuinte quis se furtar ao recebimento da intimação, o que se comprova através dos documentos carreados aos autos, em especial o Termo de Constatação Fiscal (fls. 1774), emitido em 19/04/2005. Fl. 1801DF CARF MF 10 Assim, não há reparos a ser feito em relação a notificação realizada por edital. Pois bem. O contribuinte não foi localizado no seu domicílio tributário e em 08/03/2005 foi afixado o Edital de intimação do Auto de Infração, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Encerramento nº 069/2005 (fl. 1627). Transcorrido o prazo legal de 15 (quinze) dias após a publicação do Edital, bem como o prazo de 45 dias de suspensão por medida judicial, conforme decisão proferida no processo 2004.03000733316 (fl. 1460), e tendo a União sido intimada em 16/05/2005 e transcorrido o prazo de suspensão em 30/06/2005, considero efetivada a intimação do contribuinte do lançamento em 01/07/2005. Como a impugnação foi entregue apenas em 21/12/2007 (fls. 1679/1708) ela é inequivocamente intempestiva, não podendo, por isso, ser conhecida, conforme bem destacado pela decisão de piso. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905871/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.905871/201216 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.029 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 71 /2 01 2- 16 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.907. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
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