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Numero do processo: 18471.000874/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. INCLUSÃO.
As variações monetárias ativas, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, para fins de apuração da contribuição para o PIS/Pasep, são consideradas receitas financeiras, quando da opção pelo regime de competência, a partir dos registros mensais, e, quando da adoção pelo regime de caixa, quando da liquidação das operações correspondentes.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite, que convertia o julgamento do recurso em diligência. Fez sustentação oral pela recorrente dr. Alberto de Medeiros Filho OAB/DF/2.474.
Júlio Césaer Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio, César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. INCLUSÃO. As variações monetárias ativas, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, para fins de apuração da contribuição para o PIS/Pasep, são consideradas receitas financeiras, quando da opção pelo regime de competência, a partir dos registros mensais, e, quando da adoção pelo regime de caixa, quando da liquidação das operações correspondentes. Recurso voluntário provido em parte.
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ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal consolidou sua jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento e, conseqüentemente, a base de cálculo da Cofins, o que, nos termos do art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, impõe a sua observância pelas turmas julgadoras integrantes deste Conselho Administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. INCLUSÃO. As variações monetárias ativas, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, para fins de apuração da contribuição para o PIS/Pasep, são consideradas receitas financeiras, quando da opção pelo regime de competência, a partir dos registros mensais, e, quando da adoção pelo regime de caixa, quando da liquidação das operações correspondentes. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 74 /2 00 7- 61Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite, que convertia o julgamento do recurso em diligência. Fez sustentação oral pela recorrente dr. Alberto de Medeiros Filho OAB/DF/2.474. Júlio Césaer Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio, César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuidase de auto de infração de PIS não cumulativo e Cofins, relativo ao ano calendário 2003, para constituição de valores concernentes às variações monetárias ativas não oferecidas à tributação. Em impugnação o contribuinte, após historiar a evolução legislativa, defendeu a não incidência do PIS/Pasep não cumulativo sobre as variações monetárias ativas ainda não realizadas, mas apenas àquelas efetivamente auferidas, o que só verificaria por ocasião da liquidação da operação. Em relação à Cofins, a par da alegação de não incidência, sustentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ manteve integralmente o lançamento, verbis: INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à Autoridade Administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, pois o controle das leis achase reservado ao Poder Judiciário. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.000874/200761 Acórdão n.º 3401002.930 S3C4T1 Fl. 11 3 Constatada a falta e/ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, com multa de ofício, na forma definida na legislação da espécie.” O recurso voluntário reitera a argumentação de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a não incidência das contribuições sobre as variações monetárias ativas não realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Tomada a natureza de receita financeira das variações monetárias ativas, objeto da autuação, é indisputável que sua inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, na modalidade cumulativa, somente é possível a partir do conceito ampliado de faturamento, implementado pelas alterações da Lei nº 9.718/98, mormente, o art. 3º, § 1º, assim vazado: “entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Fixado o parâmetro de análise, entendo que o lançamento não pode prosperar nos moldes em que lavrado, porquanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso de constitucionalidade, reconheceu a repercussão geral do assunto e concluiu pela inconstitucionalidade do aludido conceito de faturamento, em manifestação que reproduzo1: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Como se observa, em que pese a matéria ainda não ser objeto de súmula vinculante, tratase, no entanto, de decisão plenária com reafirmação de jurisprudência, donde 1 Página virtual do STF: www.stf.jus.br. Repercussão Geral. Matéria com mérito julgado. Consulta realizada em 23/11/2009. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 se vislumbra definitividade deste posicionamento, especialmente quando examinada à luz do disposto nos arts. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Com espeque nesta assertiva,tranqüila a aplicação das disposições do art. 26 A do Decreto nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/2009, assim redigido: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”. (grifado) O regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por seu turno, é mais incisivo ao determinar a obrigatoriedade de observância das decisões definitivas do STF com repercussão geral, a teor do art. 62A, a seguir reproduzido: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Considerando que a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no período lançado (2003), estava submetida ao regime cumulativo de apuração estatuído na Lei nº 9.718/98, relativamente a este tributo, deve ser considerado insubsistente a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.000874/200761 Acórdão n.º 3401002.930 S3C4T1 Fl. 12 5 autuação, independente da discussão sobre a forma de tributação das receitas de variações monetárias, pois como dito, com a declaração de inconstitucionalidade acima referenciada, o faturamento passa a ser o somatório das receitas típicas da atividade empresarial, segundo entendimento hodierno. Todavia, a mesma conclusão não se aplica ao PIS não cumulativo, eis que a legislação de regência, a partir de dezembro/2002, passa a ser a Medida Provisória nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/2002, que define faturamento mensal como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, não se lhe aplicando a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Encontrandose a Lei nº 10.637/02 válida e vigente não compete ao CARF discutir aspectos de sua constitucionalidade, como fixado no verbete da Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.). Neste sentido, considerando o silêncio da Lei nº 10.637/02 a respeito, remete se ao tratamento conferido pelo art. 9º da Lei nº 9.718/98 e art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, vigentes por ocasião da ocorrência dos fatos jurídicos tributáveis: “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2o A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o anocalendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” “Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Diante dos textos legais transcritos tenho como indiscutível que as variações monetárias ativas devem sofrer a incidência do PIS/Pasep não cumulativo. O debate a ser travado, reside então no momento de sua ocorrência, se no registro contábil, quando da adoção do regime de competência, ou na liquidação da operação, no regime de caixa. Alega o recorrente que a opção pelo regime de competência não teria o condão de obrigarlhe ao reconhecimento mensal das receitas apuradas, mas apenas de remeter à observância da legislação específica do IRPJ, não havendo qualquer incompatibilidade entre Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 a adoção do regime de competência e o reconhecimento das receitas de variações monetárias tão somente por ocasião da liquidação das operações. Nada obstante o raciocínio engendrado, entendoo equivocado, haja vista que a opção pelo regime de competência impõe, sim, o reconhecimento das receitas registradas mensalmente na rubrica em tela, ainda que não liquidadas, sob pena de equiparálo ao regime de caixa, onde se tomam as receitas efetivamente auferidas quando das respectivas liquidações. Friso, a adoção do regime de competência é opção do contribuinte, de maneira que, realizada a escolha, goza de todos os bônus e arca com todos os ônus daí decorrentes, não sendo possível a criação de um sistema híbrido onde a apuração do IRPJ e CSLL, relativamente às variações monetárias, seja realizada pelo regime de competência e para o PIS/Pasep e Cofins a apuração se dê pelo regime de caixa, quando da liquidação dos contratos, como parece pretender o recorrente. Portanto, a decisão recorrida, neste ponto, não merece qualquer reparo. Diante das considerações tecidas, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso interposto para exonerar a parcela da Cofins lançada e submetida ao regime cumulativo, nos termos do voto. Robson José Bayerl Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.000463/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por OSMAR JOSÉ DE SOUZA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins e Heitor de Souza Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins e Heitor de Souza Lima Junior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 46 3/ 20 06 -0 1 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000463/200601 Resolução nº 2202000.565 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, OSMAR JOSÉ DE SOUZA, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 664/675, no montante de R$ 2.619.945,56, sendo R$ 1.116.908,02 de imposto de renda, R$ 837.681,00 de multa de ofício de 75% e R$ 665.356,54 de juros de mora, calculados até 24/02/2006. A autuação se deu em virtude da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósitos e investimento, nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, cuja origem dos recursos utilizados nas operações não foram justificados, tendo como enquadramento legal a legislação relacionada à fl. 675. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes emissão RMFs de Requisição de informação sobre a movimentação financeira do fiscalizado de fls. 542, ver termo de verificação fiscal fls. 665. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000463/200601 Resolução nº 2202000.565 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 982DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000463/200601 Resolução nº 2202000.565 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 983DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000463/200601 Resolução nº 2202000.565 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 984DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000463/200601 Resolução nº 2202000.565 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 985DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10950.720090/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei vigente.
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte.
Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS, CSLL e INSS.
Numero da decisão: 1301-001.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei vigente. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS, CSLL e INSS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei vigente. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 00 90 /2 01 2- 15 Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS, CSLL e INSS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720090/201215 Acórdão n.º 1301001.792 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório De início, o presente processo trata da impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a junho do ano calendário de 2007, fls.794846, onde se exige o crédito tributário de R$315,52 de IRPJ/Simples (fl.806), R$226,73 de PIS/Simples (fl.812), R$1.136,54 de CSLL/Simples (fl.819), R$3.407,28 de COFINS/Simples (fl.826), R$1.096,15 de IPI/Simples (fl. 833) e, R$7.629,05 de INSS/Simples (fl.840). 2. As infrações que estão sendo imputadas ao sujeito passivo estão minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls.783/793 e qualificamse por depósitos bancários de origem não comprovada e, insuficiência de recolhimentos decorrente da alteração da faixa de tributação. 3. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, § 1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, e; art. 186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, a alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 de 1970, art. 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º,alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º, art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e) para o IPI, § 2º, do art. 2º, alínea “e” do § 1º do art. 3º, § 2º do art. 5º, § 1º do art. 7º e art.18 da Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e artigos 2º, 3º, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/2002 e; f) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. 4. A razão utilizada para o calculo da multa de ofício é 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996. 5. No mesmo processo, será alvo de julgamento o Ato Declaratório Executivo nº 02 de 13 de janeiro de 2012, da Delegacia de Maringá, fl. 781, que excluiu a contribuinte ao Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009, tendo em vista que para o ano calendário de 2008, a análise de sua movimentação financeira demonstrou que a receita bruta auferida ultrapassou o limite estabelecido para as empresas de pequenos porte, conforme previsto no artigo 3º, “caput” e inciso II da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. 6. E mais, ainda constam os autos de infração de fls. 847/885, onde se exige os valores de R$ 29.662,65 a título de IRPJ (fl.851), R$ 25.722,11 a título de CSLL (fl.858), R$ 15.480,86 de PIS (fl.869) e, R$ 71.450,31 de Cofins (fl.880), para os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2009. A apuração ocorreu com base no Lucro Presumido e a multa exigida é de 75%, com base no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15.06/2007. 7. O lançamento decorre do fato de a contribuinte ter sido excluída do Simples Nacional, por meio do ADE acima mencionado. 8. O enquadramento legal para o lançamento do IRPJ é o artigo 528 do Decreto nº 3000, de 26/03/1999, RIR/99; para a CSLL, são os artigos 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008; para o PIS, os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 07 de 1970 e art. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, e art. 3º, 19, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002; por fim, para a Cofins, consta o art. 2º, inciso II e parágrafo único e art. 3º, 10, 21 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. 9. O administrador da empresa foi cientificado das exigências em 13/02/2012 e, em 13/03/2012, apresentou impugnação ao feito, fls. 891905, onde alega que optou pelo regime do Simples Nacional desde o seu surgimento e que a autoridade fiscal constatou que no ano calendário de 2008 a movimentação financeira da pessoa jurídica apresentava valores superiores ao limite estabelecido pela legislação que rege o Simples. 10. Após a apresentação dos extratos de contas correntes bancárias foi intimada a comprovar a origem e natureza dos créditos havidos nas referidas contas. Apresentou justificativas em duas ocasiões a saber: 09/08/2011 e 04/01/2012, sendo que os créditos remanescentes foram considerados como receita bruta da impugnante e, como a receita auferida foi superior ao limite permitido aos optantes pela sistemática do Simples, foi determinada sua exclusão ao regime. 11. Inicia sua defesa alegando em preliminar a nulidade da autuação haja vista a quebra do sigilo bancário sem a devida autorização judicial e que confirma o ato atentatório a Representação Fiscal que propõe sua exclusão ao Simples, onde resta evidenciado que a auditoria somente ocorreu em razão, única e exclusiva da quebra de seu sigilo bancário. Portanto, tanto o auto de infração como o ADE devem ser declarados nulos pois fundados em ilegalidade, inconstitucionalidade e por serem contrários à jurisprudência. 12. Transcreve o inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal para defender a necessidade de autorização judicial para o exame das contas correntes bancárias e jurisprudência proferida pelo Supremo Tribunal Federal acerca da quebra de sigilo bancário. Comentando a referida decisão faz menção ao § 1º do artigo 145 da CF, para falar dos limites à administração pública no exercício de sua competência face aos direitos individuais dos contribuintes. Pede o reconhecimento da nulidade. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720090/201215 Acórdão n.º 1301001.792 S1C3T1 Fl. 13 5 13. Ainda no campo das nulidades, afirma que como se não bastasse, houve uma segunda quebra de sigilo quando o fisco intimou a empresa a apresentar os extratos bancários, sendo que esta solicitação só pode ser realizada por autoridade judicial competente. Sustenta que a autoridade fazendária não possui tal competência e que caso o órgão julgador não compartilhe deste entendimento, restará caracterizado o conflito e a interferência entre as esferas do Poder Público. 14. Requer sejam computados, para fins de redução do suposto crédito tributário, os valores pagos a título de Simples Nacional durante o ano calendário de 2009, conforme tabela que apresenta, sob pena de bitributação. 15. Afirma que a autoridade fiscal considerou como receita bruta a movimentação financeira da impugnante, quando muitos dos valores não correspondem a receitas; que como outras empresas, utiliza de vários mecanismos para manter as contas bancárias sempre no positivo; que tomava empréstimos bancários e, fazia transferências entre contas de sua titularidade, a fim de fugir dos juros. Alega que não pode ser onerada por ter realizado tais operações e pede que o processo seja devolvido à DRF Maringá a fim de ser saneado; que, apesar de ter sido intimada a comprovar a natureza e origem dos depósitos não houve tempo hábil suficiente para tamanha diligência, uma vez que tal esforço não demanda apenas documentos em posse da empresa, como também de parecer de bancos e de um perito que averigúe os depósitos individual e separadamente. Indica perito. 16. Reclama da multa exigida e de seu caráter de confisco. Transcreve jurisprudência e pede sua redução para 10%. 17. Ao final, requer: a) a nulidade do auto de infração e do ADE em razão da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial ou; b) a nulidade do auto de infração e do ADE em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade derivada da solicitação feita à empresa impugnante constante do Termo de Início de Procedimento Fiscal ou, ainda; c) caso não seja este o entendimento, que sejam considerados os valores recolhidos como Simples Nacional e Previdência Social, durante o ano de 2009, no valor total de R$ 315.780,90, devendo tal valor ser deduzido do auto de infração ora atacado; d) que seja deferida a prova pericial, com fundamento no artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235, de 1972; e) e a readequação da multa aplicada reduzindose sua razão de 75% para 10%. A DRJ/CURITIBA (PR) decidiu a matéria sintetizada no Acórdão 0638.920, Sessão de 20 de dezembro de 2012, julgando procedente em parte a impugnação, mantendo na íntegra os lançamentos referente ao Simples e, em parte, os lançamentos relativos ao crédito presumido. O julgamento restou assim ementado: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DE 01/01/2009. Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2008, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional a partir do primeiro dia do ano calendário subseqüente àquela ocorrência. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, pelo regime a que optou, quando questionada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Confirmada a exclusão do sujeito passivo aos benefícios do Simples Nacional, à partir de 01/01/2009 a tributação dos valores omitidos ao crivo do fisco obedecem à forma de tributação eleita pela contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720090/201215 Acórdão n.º 1301001.792 S1C3T1 Fl. 14 7 Lavrado o auto principal, devem também ser lavrados os autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE SIMPLES. APROVEITAMENTO. Confirmada a exclusão da contribuinte ao Simples, impõese abater do auto de infração pelo Lucro Presumido, os valores porventura recolhidos pela sistemática anterior, limitado ao percentual correspondente a cada tributo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007. NULIDADE Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações efetuadas pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal, não caracterizam quebra de sigilo bancário. CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle da legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. PROVAS A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIAS E PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL APLICÁVEL. LEGALIDADE. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. É o relatório. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720090/201215 Acórdão n.º 1301001.792 S1C3T1 Fl. 15 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório e voto recorrido constatase que o presente processo trata (i) de lançamento efetuado com base no Simples Federal (depósito bancários não escriturados, sem que tenha havido excesso de receita bruta), abrangendo os fatos ocorridos no primeiro semestre de 2007, (ii) o ato de exclusão ao Simples Nacional, decorrente da constatação de que no ano calendário de 2008 o sujeito passivo auferiu receita bruta em volume superior ao permitido para os optantes pelo Simples, cujos efeitos passaram a se operar a partir de 01/01/2009 (lançamento de ofício tratado no PAF nº 10950.720255/201259, já julgado em primeira instância Acórdão nº.38.919 e, por fim, (iii) o lançamento pelo Lucro Presumido, para o ano calendário de 2009, decorrente de sua exclusão do Simples Nacional, onde não foram apuradas infrações, mas, apenas, a adequação da apuração de resultados em face da nova sistemática de apuração, pelo Lucro Presumido. A peça recursal repete as argumentações iniciais (da impugnação) as quais trataremos a seguir. Insurgese, em primeiro plano, com a alegação de nulidade do auto de infração, bem como do Ato Declaratório que o excluiu do Simples, já que a quebra do seu sigilo bancário teria sido ilegal, haja visto que não houve ordem judicial nem mesmo para a requisição dos extratos bancários por parte da autoridade fiscal, além de ser arbitrária e inconstitucional, na medida em que violaria frontalmente o disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. Cita jurisprudência e doutrina em favor de sua tese. Pois bem. O presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que disciplinam a constituição do crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Percebo que o fisco indicou os elementos examinados para chegar a conclusão de que houve a omissão de receitas com base em presunção legal, depósitos bancários não contabilizados e nem justificados. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 Nesse sentido, concluo que a notificação e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a constituição dos fatos geradores praticados pela empresa. Quanto à alegação de quebra do sigilo bancário, a Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, a qual dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências, introduziu significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação ao seu anterior disciplinamento, até então conferido pelo art. 38 da Lei n.° 4.595/64. Nesse contexto, a Lei Complementar nº 105/2001, apenas regulou, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras. A Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, por sua vez, regraram com mais precisão a obtenção de dados, antes já autorizada. Ademais, se destinavam a verificar a ocorrência de fato gerador de imposto, já previsto na legislação, qual seja, a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Observese, ainda, que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista ser imposto às autoridades administrativas seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no artigo 198 do CTN, como também do disposto no artigo 6º, parágrafo único, da própria Lei Complementar nº 105, de 2001. Acrescentese que as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. De se ressaltar, por outro lado, que o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720090/201215 Acórdão n.º 1301001.792 S1C3T1 Fl. 16 11 b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento e do Ato Declaratório em razão de vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade no acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada, mesmo porque, no caso em concreto, os extratos bancários foram fornecidos pela própria empresa recorrente, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização. DAS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS E PROVA PERICIAL No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, sem trazer à baila elementos suficientes que pudessem comprovar suas alegações. Os créditos realizados em sua conta bancária que foram passíveis de identificação de origem, diversa de renda, foram excluídos da exação conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Ademais, no que tange às questões que envolvem princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pelo Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste ponto, não há reparos a fazer quanto ao decidido pela turma a quo, ainda mais considerandose que o Recorrente não trouxe qualquer novo elemento aos autos que pudesse alterar a conclusão atacada. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No mais, a lide se relaciona com a matéria omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e cuja origem não foi comprovada, tratase de lançamento efetuado com base em presunção legal, estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, por certo que presunção legal relativa, ou seja, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia ter afastado a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas corrente, mas não o fez. DA MULTA CONFISCATÓRIA (75%) Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720090/201215 Acórdão n.º 1301001.792 S1C3T1 Fl. 17 13 Requer, por fim, a redução da multa de ofício aplicada no percentual de 75% para 10% alegando o princípio da proporcionalidade. Como dito alhures, com relação as argüições de inconstitucionalidade (violação aos princípios do não confisco, da legalidade e da proporcionalidade), cabe esclarecer que a este órgão colegiado não compete julgar, por exemplo, se o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que estabelece as multas para o lançamento de ofício viola o princípio constitucional do não confisco. A essa instância administrativa cabe, em apertada síntese, verificar a conformidade de atos administrativos ao direito positivo. Concluindo, entendo que os fundamentos trazidos na peça recursal não lograram afastar as conclusões da fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Da tributação reflexa. As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS, Cofins e INSS são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. Por todo o exposto, voto, por não acatar as preliminares suscitadas e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 15540.000805/2008-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004
AUXÍLIO UNIFORME. CUSTEIO.
Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços.
SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI-1) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU- RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR- RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Ivacir Julio de Souza - Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CUSTEIO. Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 08 05 /2 00 8- 89 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Ivacir Julio de Souza Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000805/200889 Acórdão n.º 2403002.918 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nº 1224.456, fls. 234/242, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.130.6400, referente ao período de 01/12/2003 a 31/12/2004, no valor de R$ 192.178,58 (cento e noventa e dois mil, cento e setenta e oito reais e cinquenta e oito centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente à cota patronal para o FPAS e contribuição para o financiamento concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), consubstanciados no pagamento de "indenização horarefeição", "indenização uniforme" e outras verbas remuneratórias, ante o batimento entre folha de Pagamento e GFIP, todas não declaradas em guia própria. Foi elaborado pela fiscalização três levantamentos para abarcar os fatos acima, entendidos como tributáveis pelo fiscal: DFP – FP SUPERIOR A GFIP OU NFLD; HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO e; IU – RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME. Os fatos foram explicitados conforme o Relatório Fiscal, fls. 40/51, cujos trechos pertinentes se colaciona abaixo: 3. FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS 3.1 VERBAS REMUNERATÓRIAS DIVERSAS O pagamento mensal de verbas remuneratórias aos segurados empregados, constantes nas folhas de pagamento da empresa e consideradas pela mesma como base de incidência das contribuições sociais. 3.2 INDENIZAÇÃO HORA/REFEIÇÃO O pagamento mensal da verba remuneratória: Indenização Hora/Refeição (cód. 217) aos segurados empregados, constante da folha de pagamento da empresa e não considerada pela mesma como base de incidência das contribuições sociais. ... 3.3 INDENIZAÇÃO UNIFORME 3.3.1 O pagamento mensal (quadrimestral a partir de 11/2004) da verba remuneratória: Indenização Uniforme (cód. 51) aos segurados empregados, constante da folha de pagamento da empresa e não considerada pela mesma como base de incidência das contribuições sociais. ... Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.3.4 A previsão legal se aplica aos casos de pagamento de salários através de utilidades, ou seja, toda prestação in natura que a empresa fornecer ao empregado, em caráter de habitualidade, por força do contrato ou do costume”; situação esta, que não acontece no caso em questão, pois a empresa paga em espécie (moeda corrente nacional) na folha de pagamento, sob o Título: Indenização Uniforme. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 158/181. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 12 24.456, fls. 215/223, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIALPATRONAL É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. UNIFORME. PAGAMENTO DE IMPORTÂNCIA MENSAL FIXA. NATUREZA SALARIAL. O pagamento de importância mensal fica a título de uniforme, quando desvinculada de qualquer comprovação de despesas, equivale a instituir gratificação mensal ajustada, integrando, assim, o salário de contribuição VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. São passíveis de tributação, dada a sua natureza remuneratória, as horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. Lançamento Procedente (destaques do original) DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, AUTO ÔNIBUS FAGUNDES LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 227/231, requerendo a reforma do acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A natureza indenizatória do pagamento efetuado a título de Indenização Uniforme; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000805/200889 Acórdão n.º 2403002.918 S2C4T3 Fl. 4 5 2) Que a categoria de funcionários da recorrente seja enquadrada na exceção contida no art. 62, inciso I, da CLT. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 233, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DO AUXÍLIO UNIFORME O pagamento a título de ajuda de custo para aquisição de uniformes é realizado por força de norma de Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 presente nas fls. 126/133, e na Convenção Coletiva de Trabalho 2004/2005, fls. 134/141. A Cláusula 21 estabelece o padrão dos uniformes a serem utilizados pelos trabalhadores da companhia de transportes, que, por sua vez, obedece ao estabelecido pelo Decreto 3.893/81 do Estado do Rio de Janeiro, in verbis: CLÁUSULA 21 Fica padronizado para o pessoal de tráfego o seguinte uniforme: a) camisa azul; b) calça, cinto, meias gravata e sapatos pretos. § ÚNICO Nas linhas urbanas fica dispensado o uso de gravata. A Cláusula 23 da CCT, por sua vez, trata da ajuda de custo que deu origem a esta autuação: CLÁUSULA 23 As empresas concederão aos motoristas, cobradores, fiscais, e despachantes, que tenham trabalhado mais de 15 dias em cada mês, e a título de ajuda de custo para aquisição de uniformes, o valor quadrimestral de R$ 48,00 (quarenta e oito reais), com pagamento até o 5º dia útil de março de 2005, correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2004, janeiro e fevereiro de 2005, correspondente a R$ 12,00 por cada mês trabalhado nas condições ora ajustada. Em outubro de 2004 o valor da ajuda de custo será de R$ 12,00. O artigo 28, § 9º, alínea "r" afasta os valores pagos a título de vestuário a serem utilizados no local de trabalho, vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000805/200889 Acórdão n.º 2403002.918 S2C4T3 Fl. 5 7 r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; Tendo em vista que a quantia paga de R$ 48,00 paga em período quadrimestral, equivalente a R$ 12,00 mensais, é de se ver que o valor é considerado razoável, não devendo incidir contribuições previdenciárias. Inclusive, destaco que de acordo com o Código disciplinar dos serviços de transporte, aprovado pelo Decreto nº 3.893/81, constituem infração as seguintes condutas: 3.1.5. Manter pessoal de tráfego em serviço com ausência de uniforme. G1 ... 4.10. Trabalhar com o uniforme sem asseio devido. G1. Dessa forma, o uniforme é essencial à prestação dos serviços, e o valor pago a título deste auxílio é compatível e razoável para os fins a que se destina. Os fundamentos acima são os mesmos esposados em oportunidade pretérita por esta turma, em voto de relatoria do Presidente Carlos Alberto Mees Stringari, no julgamento do processo 15540.720315/201106 no dia 20 de novembro de 2012, em julgamento unânime, quando foi prolatado o acórdão nº 2403001.727, contribuinte Expresso Garcia Ltda., atuante no mesmo ramo empresarial e na mesma base territorial que a do contribuinte sob julgamento. Colacionase abaixo a ementa do julgado e trechos do voto condutor, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 UNIFORME Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para a prestação dos respectivos serviços Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte **************************************************** Quanto à questão de fundo, entendo que os valores referemse sim a uniforme utilizado no local ed trabalho para prestação de serviços. Os valores são compatíveis e existe obrigatoriedade de trabalhar uniformizado, conforme contrato de trabalho, convenção coletiva e Decreto nº 3.893/81 do Estado do Rio de Janeiro. Este último estabelece o Regulamento do Transporte Rodoviário Intermunicipal do Estado do Rio de Janeiro, que inclusive prevê Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 como infração "Manter o pessoal de tráfego em serviço com ausência de uniforme." ... Entendo que a situação fática descrita no processo enquadrase na hipótese prevista no artigo 28, § 9º, "r", da Lei 8.212/91, do que resulta em os valores correspondentes e "ajuda uniforme" não integrarem o salário de contribuição Entendo, dessa forma, que a parcela paga a título de indenização uniforme não é hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, § 9º, "r", da Lei 8.212/91. DA INDENIZAÇÃO INTRAJORNADA Entende a recorrente que os valores pagos a título de indenização intrajornada, paga pelo fato de ser suprimido o intervalo do trabalhador, é de caráter indenizatório, uma vez que não há fruição do intervalo de direito trabalhista, o mesmo está disposto no art. 71 da CLT: Art. 71. Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4º Quando o intervalo para repouso ou alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente, com um acréscimo de no mínimo de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. Conforme ventilado no recurso, e de fácil constatação ante a natureza do serviço prestado, os motoristas e cobradores não utilizam uma determinada hora fixa para o descanso, razão pela qual são indenizados pela supressão do direito trabalhista ordinário. O caso em questão trata de clara supressão de direito trabalhista, que, no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização e, portanto, não integrante do conceito de salário de contribuição, critério material da regra matriz de incidência da contribuição previdenciária. Neste sentido, há precedente da 1ª Turma da 3ª Câmara, que, inclusive, abarca o tema dos uniformes, ratificando o entendimento acima, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARCELA PAGA EM CONTRAPARTIDA À SUPRESSÃO DO INTERVALO ALIMENTAR. ARTIGO 71 § 4º DA CLT. O caput do dispositivo é prescritor de direito trabalhista, consistente na concessão pelo empregador de intervalo de repouso ou alimentação considerado entre lapsos temporais determinados. O § 4° é norma sancionatória, cujo antecedente é Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000805/200889 Acórdão n.º 2403002.918 S2C4T3 Fl. 6 9 o descumprimento da obrigação prescrita na endonorma. O conteúdo da sanção é pecuniário, consistente no pagamento do valor pactuado no contrato de trabalho adicionado de 50%. Tratase de clara hipótese de supressão de direito trabalhista, que no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização. VALOR CORRESPONDENTE A VESTUÁRIO. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. Não integram a remuneração do trabalhador o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. ... (CARF. SEGUNDA SEÇÃO – 3ª CÂMARA – 1ª TURMA ORDINÁRIA, Processo n. 15540.720076/201186, Acórdão n. 2301003.768, sessão de 15 de outubro de 2013) Transcrevo abaixo trecho do voto vencedor do acórdão, de relatoria do Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que fundamentam a decisão do colegiado acima, in verbis: O caput do art. 71 da CLT é prescritor de direito trabalhista, consistente na concessão pelo empregador de intervalo de repouso ou alimentação considerado entre lapsos temporais determinados. O parágrafo 4º é norma sancionatória, cujo antecedente é o descumprimento da obrigação prescrita na endonorma. O conteúdo da sanção é pecuniário, consistente no pagamento do valor pactuado no contrato de trabalho adicionado de 50%. Tratase de clara hipótese de supressão de direito trabalhista, que, no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização. As verbas de caráter indenizatório carecem do elemento contraprestação pelo trabalho e são hipóteses de não incidência por via das contribuições sociais previdenciárias. Nestes termos, entendo que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento desta verba. DAS VERBAS REMUNERATÓRIAS DIVERSAS – DIFERENÇA DE FP E GFIP Além das rubricas especificas acima apontadas pela fiscalização, foi encontrado também diferenças entre folha de pagamento e aqueles declarados em GFIP, estando, por vezes, a primeira com valores maiores do que a segunda. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 O contribuinte em momento algum rebate essa imputação fiscal, deixando de apresentar argumento capaz de infirmar a autuação, razão pela qual, há de ser mantida essa exigência. DO RECÁLCULO DA MULTA DE MORA A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000805/200889 Acórdão n.º 2403002.918 S2C4T3 Fl. 7 11 Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar a exclusão dos valores pagos a título de Auxílio Uniforme (Levantamento IU – RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME) e Indenização Hora Refeição (Levantamento HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO) e, por fim, determinar o recálculo da multa de mora do saldo Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000805/200889 Acórdão n.º 2403002.918 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Vencedor O i. Relator arrazoou seu voto no sentido de dar provimento às alegações do contribuinte no que concerne ao que fora classificado de "Indenização Hora Refeição (Levantamento HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO)" Afirma que : "O caso em questão trata de clara supressão de direito trabalhista, que, no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização e, portanto, não integrante do conceito de salário de contribuição, critério material da regra matriz de incidência da contribuição previdenciária." Com todo respeito ao entendimento trazido à colação, cumpre divergir tendo em vista que a matéria consta pacificada Tribunal Superior do Trabalho TST na forma da edição da Súmula 437 , verbis: "SÚMULA 437 INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 I Após a edição da Lei nº 8.923/94, a nãoconcessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento total do período correspondente, e não apenas daquele suprimido, com acréscimo de, no mínimo, 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho (art. 71 da CLT), sem prejuízo do cômputo da efetiva jornada de labor para efeito de remuneração. II É inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. III Possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. IV Ultrapassada habitualmente a jornada de seis horas de trabalho, é devido o gozo do intervalo intrajornada mínimo de Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 uma hora, obrigando o empregador a remunerar o período para descanso e alimentação não usufruído como extra, acrescido do respectivo adicional, na forma prevista no art. 71, caput e § 4º da CLT." Relevante destacar que na forma do item III da Súmula 437 do TST, possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. Compulsório notar, ainda , que no § 4º do sobredito art. 71 da CLT, na hipótese de ocorrência de trabalho no intervalo intrajornada, o legislador, a contrario sensu, define que o valor pago referese a remuneração de HORA EXTRA posto que trata como acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da hora normal de trabalho. "Art. 71 Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4º Quando o intervalo para repouso e alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho." Pelo exposto, voto por não dar provimento às alegações do contribuinte quanto a não incidência tributária das verbas pagas à título Indenização Hora Refeição (Levantamento HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO).. Mantenhase o crédito. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator designado. . Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004551/00-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
DECADÊNCIA. NOTIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO TIPO DE VÍCIO. EXTINÇÃO DO DIREITO DE LANÇAR.
O novo lançamento com base art. 173, II, do CTN somente é possível quando existir clareza na decisão quanto à indicação do tipo de vício, de caráter formal, que resultou na declaração de nulidade da notificação. Caso contrário, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo estabelecido, conforme o caso, no art. 173, I, ou no art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 2201-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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NOTIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO TIPO DE VÍCIO. EXTINÇÃO DO DIREITO DE LANÇAR. O novo lançamento com base art. 173, II, do CTN somente é possível quando existir clareza na decisão quanto à indicação do tipo de vício, de caráter formal, que resultou na declaração de nulidade da notificação. Caso contrário, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo estabelecido, conforme o caso, no art. 173, I, ou no art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 45 51 /0 0- 15 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do IRPF (fls. 1 a 11), exercício 1994, no qual se apurou o imposto suplementar no valor de R$ 1.209,31, com multa de ofício de 75%, por redução da base de cálculo com despesas de contribuições e doações e glosa de despesa com instrução, pleiteadas indevidamente. Inicialmente, as infrações foram apuradas no Processo nº 13841.0002161/9631. Porém, por meio da decisão nº 11.175/014/GD/2025/97 (fl. 34), da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), proferida em 21 de julho de 1997, foi declarada nula a Notificação de Lançamento (fl. 34) que deu origem ao crédito tributário, por ter sido efetuada em desacordo com o disposto no artigo 142 do CTN e no artigo 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, especialmente por não descrever a matéria tributável e não tipificar com clareza a infração atribuída ao sujeito passivo. A ementa da decisão foi assim redigida: É nula a notificação de lançamento que não contenha os requisitos do art. 142 do CTN (Lei 5.172/66) e do art. 11 do Decreto 70.235/72, que trata do Processo administrativo Fiscal. Em substituição ao processo anulado, foi efetuado o lançamento de oficio, em 21 de julho de 2000, conforme discriminado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls.08 a 10), do qual se destaca: 4. Em 21/07/1997, através da Decisão nº 11175/014/GD/2025/97 do Delegado da Receita Federal Julgamento em Capinas – SP, foi anulada a Notificação de Lançamento, citada no item 2, por ter sido efetuada em desacordo com o disposto no artigo 142 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1.966 (Código Tributário nacional – CTN) e no artigo 11 do Decreto 70.235, de 25 de outubro de 1.996 (Código Tributário Nacional – CTN) e no artigo 11 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, por vício formal, doc. Fls. 59. Decisão que ora está sendo cientificado o contribuinte. 5. Foi apresentado documento pelo contribuinte em sua impugnação para justificar a reconsideração de Lançamento Suplementar referente a dedução das contribuições e doações, cópia reprográfica de f1s. 22, ficando o contribuinte dispensado de nova intimação nos termos do §único "a", do art. 3° da IN94197, onde constatouse que a entidade beneficiada, não possui as exigências necessárias para o pleito da dedução, não sendo considerada de Utilidade Pública Estadual, e nem Federal, não revestindo as condições exigidas nos arts 1,° e 2° da Lei 3.860/60, e Lei 8.383191, art. 11, II, bem como artigo 87 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/94. [...] 7. Como não cabe a dedução das contribuições e doações efetuadas para a Sociedade São Vicente de Paulo – CNPJ 54.231.7411000102, no valor de 5.311,00 UFIR, indicadas na declaração original, doc. fls. 22 do processo retro mencionado, procedeu se a glosa deste montante com dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente – contribuições e doações deduzidas indevidamente. " O interessado apresentou a impugnação alegando que o crédito não poderia ter sido novamente lançado, pois teria decaído, e que caberia a prescrição intercorrente para o novo lançamento. Também, pede que sejam afastados os juros de mora. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II, por meio do Acórdão nº 1726.683, de 7 de agosto de 2008, consideraram a impugnação improcedente em parte. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10830.004551/0015 Acórdão n.º 2201002.687 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado, por meio postal, em 3 de outubro de 2008 (fl. 85), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 16 subsequente, do qual se extraí: Decadência – A revisão do Auto de Infração teria sido efetuada pela Fazenda depois de cinco anos contados da data do fato gerador, que foi em 31 de dezembro de 1993, e a revisão somente ocorreu em 19 de julho de 2000. A teor do parágrafo único do artigo 149 do CTN, a revisão do lançamento somente poderia ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Erro material x formal – Seria impossível a aplicação do disposto no inciso II do artigo 173 do CTN, pois a alegação da ocorrência de vício formal seria no mínimo extravagante. Primeiro, porque simplesmente se reporta ao artigo 142 do CTN e artigo 11 do Decreto 70.235/72, sem no entanto fundamentar ou indicar onde ocorreu o erro formal no lançamento. Segundo, porque o erro material seria visível, pois os valores constantes da segunda notificação são diversos dos constantes da primeira, bastante para descaracterizar o formal. Prescrição intercorrente – em matéria tributária, operase pela metade do prazo, ou seja, no caso, em dois anos e meio, já que a prescrição "cheia" seria cinco anos. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O lançamento em exame foi inicialmente apurado por meio da Notificação de Lançamento constante do Processo nº 13841.0002161/9631, declarada nula pela decisão nº 11.175/014/GD/2025/97 (fl. 34), da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), proferida em 21 de julho de 1997, cuja ementa foi assim redigida: É nula a notificação de lançamento que não contenha os requisitos do art. 142 do CTN (Lei 5.172/66) e do art. 11 do Decreto 70.235172, que trata do Processo administrativo Fiscal. A nulidade, conforme determinava a Instrução Normativa SRF nº 54, de 1997 – que dispunha sobre as regras a serem observadas para o lançamento suplementar de tributos e contribuições, quanto ao descumprimento dos requisitos do art. 142 da Lei n° 5.172, de 1976 e do art. 11 do Decreto n° 70.235/72 – seria especialmente por não descrever a matéria tributável e não tipificar com clareza a infração atribuída ao sujeito passivo. Em substituição ao processo anulado foi efetuado o atual lançamento de oficio, em 21 de julho de 2000, conforme discriminado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls. 08 a 10). A seguir, cronologia dos fatos extraída dos autos e do recurso voluntário: Ocorrência Data/ciência Fato Gerador 31/12/1993 Notificação de Lançamento (NL) 28/06/1996 Decisão da DRJ anulando a NL 21/07/1997 Ciência da Decisão da DRJ 07/08/2000 Lançamento do Auto de Infração 10/07/2000 Antes de tratar da questão de mérito, cabe observar se de fato a nulidade da Notificação declarada pela DRJ se deu por erro formal ou material. O auto de infração, que refaz o lançamento, diz, expressamente, tratarse de “vício formal”. O questionamento do contribuinte, por sua vez, é de que seria impossível a aplicação do disposto no inciso II do artigo 173 do CTN, como alegado no Auto de Infração, pois a ocorrência do vício se reportaria ao artigo 142 do CTN e artigo 11 do Decreto nº 70.235/72, sem fundamentar ou indicar onde teria ocorrido o erro na elaboração da Notificação. No seu entendimento, o erro apontado seria material. É fato que, assim como disciplinado no art. 6º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 54, de 1997, não há impedimento para a emissão de nova notificação. Ocorre que o lançamento seguinte pode ocorrer, conforme o caso, dentro do prazo estipulado no art. 150, § 4º, art. 173, I, ou II, do CTN. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10830.004551/0015 Acórdão n.º 2201002.687 S2C2T1 Fl. 4 5 Embora a anulação por vício formal (art. 173, II, do CTN) abra novo prazo decadencial para lançar, o mesmo não se pode garantir quando está presente um vício material. A razão disso é que o lançamento com vício formal interrompe o prazo decadencial, impedindo a extinção do direito de lançar. O vício material ou a ausência de lançamento, de modo diverso, permite a continuidade de fluência do prazo decadencial. No caso em apreciação, o novo lançamento somente seria possível se aplicável o art. 173, II, do CTN. Nas demais hipóteses legais, o direito de o fisco lançar teria decaído. Ocorre que a decisão que anulou a notificação de lançamento não especificou se o vício existente era de caráter formal ou material. Neste aspecto, a falta de clareza prejudicou o entendimento do contribuinte. Não é reto o raciocínio de que a anulação da notificação se deu por vício formal. Ao contrário, é um juízo forçado com o único intuito de manter a possibilidade de relançar o crédito tributário. Assim sendo, concluíse que não seria possível a aplicação do art. 173, II, do CTN, e que a cronologia acima apresentada não permitiria um novo lançamento, já que na ocasião do Auto de Infração havia se passado mais de cinco anos, mesmo se adotada a contagem de prazo decadencial estabelecida no art. 173, I do CTN. Isto posto, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001817/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 17 /2 00 8- 80 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001817/200880 Acórdão n.º 2402004.261 S2C4T2 Fl. 493 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em face do acórdão que manteve parcialmente a NFLD n. 35.699.7065, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, até 06/1997, e ao GILRAT a partir de então, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa PELIR ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA que fazia parte de um consórcio de empresas de construção. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou o consórcio de empresas para a execução de, “serviços de projeto, construção e montagem da unidade II da estação de tratamento de efluentes (eteü) de guamaré/rn, incluindo o fornecimento de materiais e equipamentos, bem como préoperação, operação assistida e assistência técnica, e, apoio às atividades da exploração & produção do rio grande do norte e ceará (e&p / rnce), conforme item 1.1 do contrato.” Também fora informado pelo auditor que a empresa recorrente não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada, comprovando recolhimentos não inferiores aos calculados de acordo com as normas de aferição indireta da remuneração em obra ou serviço de construção civil, previstas nos atos normativos pertinentes. Em continuidade o fiscal esclarece que o presente lançamento é complementar ao da NLFD n. 35.521.1807, pois, da análise da documentação apresentada na defesa nos autos daquele processo, constatouse que os serviços prestados pela empresa líder, CONSTRUTORA ELOS ENGENHARIA LTDA, nova denominação da empresa SDM BAHIA ENGENARIA LTDA, restaram elididos pela apresentação de documentação hábil para tal. Por outro lado, os serviços prestados pela empresa BCP ENGENHARIA LTDA foram excluídos do lançamento por se referirem a serviços exclusivamente de projeto, não cabendo responsabilidade solidária. Assim, foram excluídos do presente lançamento os fatos geradores referentes aos documentos fiscais das duas empresas, permanecendo os fatos geradores somente da terceira empresa, a PELIR ENGENHARIA E COMERCIO LTDA Sobre o assunto, finalizou o fiscal no sentido de que para as competências de 02/1999, 09/1999 e 10/1999, entretanto, como na retificação do débito foram imputadas guias de recolhimento tanto da empresa líder, SDM, quanto da PELIR, e o fato gerador contém somente valores referentes à PELIR, os valores remanescentes na NFLD original para estas competências restaram menores do que os realmente devidos, por causa dos valores contidos nas guias de recolhimento da SDM, que não mais deveriam ser deduzidos do montante levantado, de modo que entendeu por cabível o presente lançamento. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Por fim, consta que quando do lançamento foram consideradas como responsáveis solidárias as empresas PETROBRAS GÀS S/A – GASPETRO, PETROBRAS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO e PETROBRAS QUÍMICA S.A. – PETROQUISA, com fundamento no art. 30, IX da Lei 8.212/91. O lançamento compreende as competências de 02/1999, 09/1999 e 10/1999, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/07/2005 (fls. 01) Apresentadas as impugnações, fora determinada a realização de diligência às fls. 179/181, da qual sobreveio resposta no sentido da necessidade de retificação do lançamento, com a exclusão das competências 02/1999 e 09/1999, mantendose incólume apenas a competência 10/1999. Após, sem intimação das partes interessadas sobre o resultado da diligência, os autos foram enviados à julgamento de primeira instância, tendo sido proferida Decisão Notificação mantendo em parte o lançamento, de acordo com o resultado da diligência. Via de regra, foram interpostos os recursos voluntários, através dos quais as empresas sustentam, em síntese: PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que a Recorrente não recebeu cópia da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e dos documentos que a instruem, mas tão somente oficio informando diversos lançamentos. 2. na contratação de serviços, empresas que eventualmente componham grupo econômico com a contratante não têm qualquer ligação com o fato gerador da contribuição previdenciária — folha de salários de contratada — bem como não têm absolutamente nenhuma possibilidade de efetuar a retenção e assim elidir sua responsabilidade; 3. que as empresas do grupo econômico, com exceção da contratante, por não terem relação com a contratada não podem efetuar retenção nem exigir daquela a apresentação de documentos comprobatórios da quitação do tributo, motivo pelo qual não lhe pode ser atribuída a responsabilidade solidária. PETROBRÁS GÁS S/A – GASPETRO 4. Além das alegações supra, acrescenta que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; Fl. 597DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001817/200880 Acórdão n.º 2402004.261 S2C4T2 Fl. 494 5 PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS 5. que o Acórdão que determinou a anulação da NFLD, também determinou que a fiscalização verificasse a oportunidade de efetuar um novo lançamento, desde que demonstrasse "a inidoneidade da documentação apresentada", o que não ocorreu na presente notificação, lavrada apenas com base nos dados obtidos pela análise do Relatório de Fatos Geradores da NFLD 35.371.8939, não atendendo, dessa forma, a determinação daquele julgado; 6. a decadência do lançamento com arrimo no art. 150, §4o do CTN; 7. que a fiscalização não obedeceu o disposto no Parecer CJ/MPAS no 2.376, que determinava o prévio cruzamento de dados entre as empresas tidas como solidárias para que então se formalizasse o lançamento; 8. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 9. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. 10. que o agente fiscal, equivocadamente, considerou o valor bruto das notas fiscais como a base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante relativo ao pessoal empregado, isso porque outras verbas também integram a NF (materiais, insumos etc PETROBRÁS QUÍMICA S/A PETROQUISA 11. que que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma Fl. 598DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; 12. que deve ser reconhecida como parte ilegítima ao lançamento; Após a interposição dos recursos, às fls. 323, o Serviço de Contencioso Administrativo da DRP RJ/ determinou o retorno dos autos à Junta Notificante para que esta se manifestasse sobre os termos do recurso da empresa recorrente (PETROBRÁS S/A), especialmente no que se refere a indicação de que não fora caracterizado no lançamento substitutivo a inidoneidade dos documentos apresentados. Sobreveio resposta às fls. 331, através de novo relatório fiscal do lançamento, cuja conclusão fora a seguinte: “As competências 02 e 09/99 foram incluídos na NFLD em referência, por equívoco, uma vez que em despacho de 01/09/2004 esta junta fiscal manifestouse no sentido de elaborar NFLD complementar somente para a competência 10/99. Assim também se pronunciou o Serviço de Contencioso Administrativo conforme o item 11 da Reforma de Decisão de Notificação n° 17.401.4/0850/2004 (fls 144). Diante do exposto, emitiuse o FORCED em anexo (fl 163) para exclusão das competências 02 e 09/99, mantendose no lançamento apenas a competência 10/99 [...] 5. No entanto, levandose em consideração o Acórdão de n° 0000629, de 27/05/2005 (fls 156 a 158) da extinta 2a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CaJ/ CRPS (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), em relação ao crédito substituído (NFLD 35.521.1807), em que os seus membros decidiram por ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), determinando a verificação da existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte prestador dos serviços", tecemos as seguintes considerações: 5.1. Em termos práticos, o determinado pelo órgão julgador traduzse na verificação efetiva se os valores pagos em decorrência da mão de obra cedida, através do contrato de n° 161.2.066.988, firmado com o tomador PETROBRAS S.A, encontramse devidamente escriturados em seus livros contábeis, tendo sido objeto de correto recolhimento das contribuições previdenciárias pertinentes. 5.2 No entanto, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto a necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço, a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Enunciado n° 30 do CRPS, com base na Resolução MPS/CRPS n° 1, de 31/01/2007, passando a dispensar tal exigência. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001817/200880 Acórdão n.º 2402004.261 S2C4T2 Fl. 495 7 "Enunciado n° 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.". Ao chefe da equipe fiscal 07, para conhecimento e o devido encaminhamento desta A DERAT/ RJO/ EQCDP — Equipe de Controle de Débitos Previdenciários para que esta dê ciência do teor deste despacho A empresa tomadora, bem como as demais integrantes do Grupo Econômico, reabrindo o prazo recursal, reiniciando, dessa forma, o contencioso administrativo.” Após, todos os envolvidos foram intimados, tendo alguns apresentado manifestação sobre o resultado da diligência, requerendo, reiterando, em síntese, os argumentos já constantes de seus recursos voluntários. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 600DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001817/200880 Acórdão n.º 2402004.261 S2C4T2 Fl. 496 9 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, considerando que o lançamento se reporta ao período de 02/1999, 09/1999, este já excluídos do lançamento, bem como a competência de 10/1999, com a ciência do contribuinte efetivada em 29/07/2005, tenho que por qualquer das regras acerca da contagem do prazo decadencial, a totalidade do crédito lançado fora alcançada pela decadência. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer a decadência da totalidade do crédito tributário lançado. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15922.000008/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2006
SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF).
Recurso Voluntário Negado.
O adicional sobre as contribuições ao SESI, SENAI, SESC e SENAC arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas médias e grandes empresas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA POR ATO DO EXECUTIVO. LEGALIDADE.
A fixação da alíquota da contribuição decorrente dos riscos ambientais do trabalho pode ser fixada por ato do Poder Executivo.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-003.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2006 SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF). Recurso Voluntário Negado. O adicional sobre as contribuições ao SESI, SENAI, SESC e SENAC arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas médias e grandes empresas. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA POR ATO DO EXECUTIVO. LEGALIDADE. A fixação da alíquota da contribuição decorrente dos riscos ambientais do trabalho pode ser fixada por ato do Poder Executivo. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2006 CAMPANHA DE MARKETING PROMOCIONAL. OMISSÃO NA APRESENTAÇÃO DOS CONTRATOS E RELAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Tendo o fisco intimado, sem sucesso, a empresa a apresentar os contratos de prestação de serviço e relação de beneficiários vinculados a campanhas promocionais comprovadamente ocorridas, justificase a aferição indireta da base de cálculo com esteio nas notas fiscais emitidas pela empresa contratada para realização das campanhas. AFERIÇÃO INDIRETA COM BASE NAS NOTAS FISCAIS. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS COMO LIAME DE EMPREGO. INOCORRÊNCIA. O fato do fisco lançar mão do valor das notas fiscais emitidas por empresa de marketing promocional para aferir indiretamente a base de cálculo das contribuições decorrentes das remunerações dos beneficiários não representa desconsideração do contrato entre as pessoas jurídicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA POR ATO DO EXECUTIVO. LEGALIDADE. A fixação da alíquota da contribuição decorrente dos riscos ambientais do trabalho pode ser fixada por ato do Poder Executivo. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 00 08 /2 00 7- 26 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS EMPRESAS URBANAS. Consoante a jurisprudência dominante, é legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, a qual tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico e não foi extinta pelas Leis n. 7.787/1989 e n. 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. EMPRESAS NÃO ENQUADRADAS COMO PEQUENAS OU MICRO. OBRIGAÇÃO DE RECOLHER. O adicional sobre as contribuições ao SESI, SENAI, SESC e SENAC arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas médias e grandes empresas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2006 SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000008/200726 Acórdão n.º 2401003.835 S2C4T1 Fl. 235 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 05 22.537 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.033.3616. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 35/39), o crédito lançado é relativo às contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos, além da contribuição dos segurados. Segundo a autoridade fiscal os fatos geradores que deram ensejo à lavratura foram os valores creditados a segurados, por meio de cartões magnéticos emitidos pela empresa "Spirit Marketing Promocional Ltda". Informase que o lançamento foi efetuado por arbitramento, posto que a empresa, devidamente intimada, não apresentou a relação dos segurados beneficiários dos valores creditados através de cartões magnéticos, dessa forma os referidos valores foram apurados com base nas notas fiscais/faturas de serviços e nos registros contábeis, sendo que esses documentos não nos permitiram a identificação clara e precisa dos segurados beneficiados.. A base de cálculo é o valor bruto das notas fiscais, deduzido do valor das comissões. Apresentada a defesa, fls. 82/109, a DRJ excluiu do lançamento o período de 12/2004 a 11/2006, por entender que neste interregno a empresa tinha apenas um segurado registrado, o qual realizava atividades meio (serviço de manutenção e conservação), não se justificando a ocorrência de pagamentos de bônus de campanhas motivacionais. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 184/210, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a notificação fere os princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, posto que o fisco está a exigir que a empresa apresente documento representativo de pagamento de salário, sem que ela possua tal comprovante; b) é impossível para o sujeito passivo provar que não possui os documentos exigidos pela auditoria; c) a caracterização do contrato com a empresa de marketing promocional, com a exigência de contribuições sobre os valores envolvidos, acaba por tratar essa relação como se fosse um contrato de trabalho, o que não se coaduna com a realidade; d) os pagamentos tomados como base de cálculo dizem respeito a retribuições por serviços prestados por pessoa jurídica, haja vista que sequer restaram comprovados os requisitos da relação de emprego constantes no art. 3.º da CLT; e) sequer o fisco indicou quem eram os segurados que receberam as supostas remunerações; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000008/200726 Acórdão n.º 2401003.835 S2C4T1 Fl. 236 5 f) a competência para reconhecer a relação de emprego é da Justiça do Trabalho e não do INSS; g) não pode a fiscalização tratar um contrato de natureza civil como se fora relação de emprego, sob pena de flagrante atropelo ao art. 110 do CTN; h) a presunção assumida pelo fisco no caso em tela é rechaçada pela jurisprudência administrativa, conforme decisões do CRPS colacionadas; i) destaca decisão do STF, na qual, através da ementa lavrada pelo Em. Ministro Marco Aurélio de Mello, proibiu a desconsideração da prestação de serviços para, por via de presunção, tratála como relação de trabalho; j) exigir da recorrente a contribuição ao INCRA é um absurdo, posto que esta é empresa urbana, conforme comprovase pelos seus estatutos; k) também deve ser excluída da notificação a contribuição ao SEBRAE, por sua patente inconstitucionalidade, visto que a recorrente não possui nenhuma relação com os serviços prestados pelo por aquele ente; l) é inconstitucional a cobrança da contribuição ao SAT a partir de parâmetros quantitativos estabelecidos de forma estranha à lei, ou seja fixados pela Administração mediante decreto, procedimento que afronta os princípios constitucionais da legalidade, da igualdade tributária, da capacidade contributiva e da segurança jurídica; m) no caso em tela a penalidade aplicada não possui amparo na lei, de forma que é totalmente inaplicável, tal como a exigência das contribuições previdenciárias apontadas; n) a multa apresenta caráter de confisco; e o) a taxa Selic não pode ser utilizada para fins tributários. Ao final, pede que o recurso seja conhecido e provido, cancelandose a notificação fiscal e ainda que as intimações sejam realizadas no endereço do advogado constituído nos autos. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Procedimento Fiscal Conforme consta dos autos que o fisco, ao se deparar com as notas fiscais juntadas por amostragem às fls. 48/77, requereu do sujeito passivo, mediante termo de fl. 29, a apresentação dos contratos de prestação de serviço firmados com a empresa Spirit Incentive e Fidelização Ltda. Na mesma intimação foi solicitada a discriminação dos beneficiários dos valores pagos referentes às notas fiscais em questão. A empresa limitouse a afirmar que as notas fiscais diziam respeito a pagamentos de comissões por captação de clientes. Diante da sonegação das informações necessárias à identificação dos beneficiários dos valores pagos mediantes as campanhas motivacionais promovidas pela Spirit Incentive e Fidelização Ltda, a autoridade fiscal arbitrou as contribuições, aferindo a base de cálculo indiretamente, com base nos valores constantes nas notas fiscais, com exclusão da parcela relativa às comissões. Não tem, portanto, razão a recorrente quando afirma que o fisco teria atuado em afronta aos princípios da legalidade e do devido processo legal, ao exigir que a empresa fiscalizada produzisse prova negativa geral. Isso não ocorreu. Na verdade, a auditoria, ao constatar, pelo histórico dos documentos e pela atividade da empresa prestadora, que as notas fiscais se referiam a campanhas promocionais, solicitou os contratos de prestação de serviço e a relação dos beneficiários das campanhas. Por negligenciar o seu dever de colaborar com o fisco, a empresa abriu a este a possibilidade de fixar de ofício o valor do tributo devido, conforme permite a legislação de regência. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000008/200726 Acórdão n.º 2401003.835 S2C4T1 Fl. 237 7 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que fisco solicitou a documentação que poderia esclarecer as características das campanhas promocionais mencionadas nas notas fiscais, não tendo a empresa disponibilizado nenhum documento pertinente. As pesquisas levadas a efeito pela autoridade lançadora não deixam dúvida que os históricos das notas fiscais com menção aos produtos "Spiritcard" e "Spirit Prata" se referem a emissão de cartões para bonificação de pessoas físicas que prestam serviço ao contratante da empresa de marketing promocional. A empresa, ao se negar a fornecer os dados referentes as campanhas realizadas por sua contratante, impossibilitou o fisco de conhecer fatos que deram ensejo ao surgimento da obrigação tributária. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram realizadas campanhas promocionais em benefício de pessoas vinculadas à notificada, tendo, por decorrência lógica, havido o pagamento de remunerações, todavia, o fisco não teve como verificar diretamente o montante desses pagamentos, estando diante da impossibilidade de concluir o seu trabalho apenas com esteio nos elementos apresentados. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 A conduta omissiva do sujeito passivo passou a ser um obstáculo intransponível para que se pudesse aferir diretamente a partir dos documentos apresentados a remuneração paga aos beneficiários das campanhas motivacionais. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração decorrente do fornecimento de cartões decorrentes de campanhas promocionais contratadas pela recorrente e realizadas pela empresa Spirit Incentive e Fidelização Ltda. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Por outro lado, notase que o órgão de primeira instância foi diligente ao afastar do lançamento o período em que o fisco não demonstrou que a empresa contava com empregados que pudessem se beneficiar das campanhas. Observese que a exclusão se deu não pelo fato de não ter havido as campanhas, mas pela falta de comprovação nos autos da existência de possíveis beneficiários. Assim, quando houve dúvida acerca da ocorrência dos fatos geradores, a DRJ preferiu resolvê la em benefício do sujeito passivo. Não comprovação da relação empregatícia Sustenta o sujeito passivo que o fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar que houve pagamento pela prestação de serviço por pessoa física e que nem mesmo foi demonstrada a ocorrência dos pressupostos da relação de emprego. Continuando afirmou que a autoridade lançadora não poderia caracterizar pagamentos efetuados a pessoas jurídicas como se fora remuneração paga ou creditada a trabalhadores. Essas argumentações, ao meu ver representam um mero desvio do foco dos fatos efetivamente constatados pela fiscalização. Conforme já ponderamos, o fisco com base em notas fiscais de prestação de serviço, em lançamentos contábeis e em informações institucionais da empresa Spirit Incentive e Fidelização Ltda, contratada pela notificada, chegou à conclusão de que os contratos sob enfoque tinham como objeto a realização de campanhas promocionais em benefício de segurados a serviço da recorrente. Diante da recusa desta de exibir os contratos de prestação de serviço ou outro documento que pudesse esclarecer como eram realizadas as campanhas motivacionais e quem eram os beneficiários, a fiscalização apurou o saláriodecontribuição com base no valor das notas fiscais. Todavia, esse proceder, em absoluto, significa que o fisco tenha desconsiderado a natureza jurídica da relação de prestação de serviço entre as empresas, esta de direito civil, e caracterizado a relação de emprego sem indicar os trabalhadores envolvidos. É nítido que a utilização do valor das notas fiscais foi a forma escolhida pelo fisco para aferir indiretamente a base de cálculo das contribuições, diante da impossibilidade de fazêlo diretamente em razão da sonegação de documentos pela empresa notificada. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000008/200726 Acórdão n.º 2401003.835 S2C4T1 Fl. 238 9 Por essa razão, deve ser afastada a tese da recorrente de que houve a indevida caracterização de serviço prestado por pessoa jurídica como serviço executado por pessoa natural. Observese que nem na defesa nem no recurso o sujeito passivo trouxe ao processo qualquer outro documento que pudesse dar suporte aos seus argumentos, limitandose apenas a repudiar o procedimento adotado, o qual conforme frisei teve origem na falta de colaboração da própria recorrente. Contribuição ao INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição paro Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA não poderia ser aplicada às empresas urbanas, por ser destinada ao atendimento dos trabalhadores rurais. Além de que é a mesma seria inconstitucional por não se enquadrar em nenhuma das espécies tributárias previstas na Constituição Federal. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. Contribuição ao SEBRAE A notificada advoga que não é legítima a cobrança de contribuição ao SEBRAE, haja vista que, não sendo micro ou pequena empresa, não seria beneficiada na aplicação desse tributo. Também não merece sucesso esse argumento. Com o intuito de promover as políticas de apoio as micro e pequenas empresas, bem como o incentivo às exportações e ao desenvolvimento industrial, o Decreto n.º 99.570, de 09/09/1990, com autorização da Lei n.º 8.029, de 12/04/1990, transformou o então Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE em serviço social autônomo denominado Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE. Para financiamento da entidade criada foi instituído (art. 8.º, § 3.º da Lei n.º 8.029/1990) um adicional a ser cobrado das empresas que contribuíam para o SENAI, SENAC, SESI e SESC, independentemente de serem ou não pequenas ou micro empresas. Sobre esse tema já está pacificado o entendimento do STJ, no sentido de que são contribuintes do SEBRAE, indistintamente, as empresas comerciais e industriais. Observese esse julgado: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE DAS EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTES. EXIGIBILIDADE. ADICIONAL DEVIDO SOBRE CADA CONTRIBUIÇÃO RECOLHIDA AO SESC, SESI, SENAC E SENAI. ART. 8º, § 3º, DA LEI 8.029/1990. 1. "A contribuição ao Sebrae é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao Sesc, Sesi, Senac e Senai, independentemente de serem micro, pequenas, médias ou grandes empresas." (REsp 550.827/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, DJ de 27.02.2007). 2. O adicional para o SEBRAE incide sobre cada uma das Contribuições devidas ao SENAI, SENAC, SESI e SESC. Inteligência do art. 8º, § 3º, da Lei 8.029/1990: "Para atender à execução das políticas de apoio às micro e às pequenas empresas, de promoção de exportações e de desenvolvimento industrial, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1o do Decreto Lei no 2.318, de 30 de dezembro de 1986". Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000008/200726 Acórdão n.º 2401003.835 S2C4T1 Fl. 239 11 3. Agravo Regimental não provido. (STJ – Segunda Turma, AgRg no REsp 500634 / SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,DJe. 31/10/2008). Inconteste, então, a cobrança da contribuição para o SEBRAE na presente NFLD. Contribuição para financiamento dos benefícios acidentários A alegada ilegalidade da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, SAT ou RAT não encontra razão de ser. A jurisprudência tem reconhecido a sua legalidade, inclusive a fixação da alíquota aplicável por meio de ato do Poder Executivo. Colaciono Julgado do STJ que bem retrata essa questão: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS NA ORIGEM. SÚMULA Nº 282/STF. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. SÚMULA Nº 7/STJ. LEGALIDADE DE DECRETO QUE REGULAMENTA O GRAU DE PERICULOSIDADE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELAS EMPRESAS.CONTRIBUIÇÃO AO SAT. RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DO INSS. 1. A não oposição de embargos de declaração na origem impede o conhecimento do recurso especial com base na violação do artigo 535 do Código de Processo Civil, por ausência de prequestionamento. 2. Reconhecido no acórdão recorrido, com amparo no princípio da livre fundamentação motivada, ser desnecessária a produção de prova pericial para o deslinde, tornase forçoso reconhecer que a pretensão recursal, tal como posta, insulase no universo fácticoprobatório. 3. "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." (Súmula do STJ, Enunciado nº 7). 4. "A definição do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas, pelo Decreto nº 2.173/97 e pela Instrução Normativa n. 02/97, não extrapolou os limites insertos no artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/91, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer dos elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho." (EREsp nº 297.215/PR, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, in DJ 12/09/2005). Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1232746 / RS, Relator Ministro Hamilton Cavarlhido, DJe. 10/03/2011) Multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF3. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000008/200726 Acórdão n.º 2401003.835 S2C4T1 Fl. 240 13 Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Intimação no endereço do advogado Com relação ao requerimento para que seja dada ciência aos patronos da empresa acerca do julgamento presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, deve ser indeferido. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 O pedido de intimação prévia dos representantes da recorrente para a sustentação ora não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo o sujeito passivo acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar a sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação nominal aos patronos das partes, informandolhes a data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Conclusão Voto por indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13817.000237/2003-99
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
FINSOCIAL. Ação Judicial. Requisitos.
Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador. Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Ação Judicial. Requisitos. Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 02 37 /2 00 3- 99 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de auto de infração eletrônico por meio do qual se formula a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), alegadamente devida nos meses de janeiro a dezembro de 1998, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Até a data da lavratura do auto de infração, o débito litigioso totalizava R$ 452.753,30. Conforme exposto no anexo intitulado “Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados”, às fls 09 a 121, a exigência fiscal decorre de auditoria eletrônica de DCTF na qual se concluíra que a autuada não teria logrado êxito em demonstrar a regularidade das compensações informadas. Segundo consignado, o processo judicial que autorizaria a compensação teria sido ajuizado por contribuinte com CNPJ distinto do declarante. Discordando da exigência, compareceu a autuada tempestivamente ao processo, manejando a impugnação à fl. 03, por meio da qual, sinteticamente, argumenta que as compensações que geraram a exigência litigiosa foram realizadas com base em autorização judicial obtida no processo 96.000395497, ajuizado por sua matriz2. Anexa cópia das peças do processo judicial e do termo de encerramento exarado por ocasião da diligência levada a efeito com base na FM 1998. Considerando que o crédito alegado teria se originado em processo judicial, o processo foi encaminhado ao órgão preparador, no caso a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil dos Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO), que anexou os documentos às fls. 55 a 94, além do despacho às fls. 96 a 993, onde se expôs os motivos que, na convicção daquela autoridade, justificaram a formulação de questionamento à Procuradoria da Fazenda Nacional. Em tal despacho, noticia a autoridade preparadora que a contribuinte ajuizou a ação ordinária nº 96.00395497, onde, essencialmente, pleiteara o reconhecimento do direito à compensação, nos moldes do art. 66 da Lei nº 8.383/91, de débitos da Cofins com créditos reconhecidos na ação de repetição de indébito nº 93.00043501, transitada em julgado, na qual obtivera o direito à restituição de Finsocial recolhido em percentual superior a 0,5%. Conforme noticiado, teria sido deferida antecipação de tutela autorizando a compensação com débitos da COFINS, PIS e CSLL. Tal decisão liminar teria sido confirmada pela sentença de primeiro grau. Ocorre que, quando do julgamento em segunda instância, a contribuinte teria se quedado vencida na ação e, como consequência o processo teria 1 Notar que o processo digitalizado e, como consequência, ocorreu a renumeração das folhas. Salvo ressalva em sentido contrário, as indicações das peças processuais observarão essa nova numeração. 2 Discutese, no presente processo, a regularidade da compensação informada pela filial inscrita no CNPJ sob o nº 55.834.055/000270. 3 Tratase de cópia transladada do processo 10880.000037/9748. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3802004.062 S3TE02 Fl. 645 3 sido extinto sem julgamento de mérito. A autoridade extraiu o seguinte excerto do voto condutor do acórdão: “... se o contribuinte, antes ou depois do advento da lei nº 8.383/91, promoveu ação para obter a restituição de tributo que pagou indevidamente, e esta foi julgada procedente, pode, na oportunidade da execução, comunicar ao juiz do feito que optou pela compensação, e pedir que o precatório respectivo seja expedido apenas com o valor que é devido pela Fazenda Pública em razão da sucumbência, vale dizer, com o valor destinado ao ressarcimento das custas e dos honorários advocatícios. Não se diga que, tendo sido promovida ação de repetição do indébito, a opção pela compensação é vedada, porque implica mudança do pedido. O art. 66 da Lei 8.383/91 admite expressamente a compensação mesmo que o direito do contribuinte resulte de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Isto quer dizer que o tributo pago indevidamente pode ter sido questionado em juízo e desde que a decisão final reconheça ter havido um pagamento indevido existirá o direito à compensação. É lógico, portanto, que se o contribuinte tem a seu favor uma sentença que condena a Fazenda Pública a devolver um tributo pago indevidamente, o contribuinte pode, em vez do precatório, preferir a compensação”. Apesar da apresentação de seguidos recursos, a contribuinte não teria logrado êxito em reverter a decisão de segunda instância. Diante desse histórico e considerando que o acórdão que extinguira o processo judicial adotara a premissa de que contribuinte poderia realizar suas compensações com base na ação de repetição nº 93.00043501, foi indagado à Procuradoria da Fazenda Nacional: a) se seria possível se implementar a compensação apontada pela ação de repetição nº 93.00043501; e b) em caso de resposta afirmativa, se seria correto afirmar que o indébito reconhecido judicialmente só poderia ser compensado com débitos da COFINS. Em resposta, foi exarado o despacho à fl. 95, onde a representante da Fazenda Nacional esclarece, literalmente: Em resposta ao questionamento formulado às fls. 220/223, informo que o requerido nos autos da Ação Ordinária n. 0004350 89.1993.403.6100 (10ª Vara Cível SP) foi compensado na Ação Ordinária n. 96.395497. Nos autos da Ação Ordinária n. 0004350 89.1993.403.6100 foram executados apenas os honorários advocatícios devidos pela União, conforme demonstram as cópias anexas. De posse de tais esclarecimentos, concluiu o órgão preparador que o Poder Judiciário, até aquele momento, teria firmado posição no sentido de que o contribuinte deveria ter solicitado a compensação dos recolhimentos de FINSOCIAL acima da alíquota de 0,5% nos autos da ação de repetição de Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 indébito nº 93.00043501 e que não teria sido localizado nenhum elemento que noticiasse a formalização de pedido de compensação naquele processo. Assim sendo, conclui, quaisquer compensações levadas a efeito por meio da ação ordinária nº 96.00395497 seriam desprovidas de validade. Por meio do despacho às fls. 101 atestase a tempestividade da impugnação, sugerese o descabimento da multa de ofício e encaminhamse os autos para julgamento. À fl. 108 a 122, a pessoa jurídica BRASKEM QPAR S.A., sucessora da autuada por incorporação, apresenta razões complementares à impugnação. Após traçar um histórico dos fatos que, na sua opinião, comporiam o litígio, defende a contribuinte, inicialmente, que se tome conhecimento de sua nova manifestação nos autos. Segundo aponta, não lhe foi oferecida oportunidade de se manifestar acerca de fato superveniente, no caso, o parecer da DEMACRJ que concluíra que Requerente deveria ter solicitado a compensação nos autos da ação de repetição de indébito nº 93.00043501 e que, consequentemente, as compensações realizadas na escrita não seriam válidas. Tratandose de fato superveniente e relevante, em observância ao princípio do contraditório, caberia à RFB cientificar a Requerente para, querendo, manifestarse, acerca nesse novo elemento, que, segundo aduz, poderia conduzir este Colegiado a uma decisão equivocada. Caso não viesse a ser considerado que esses novos elementos representariam um fato novo, pleiteia o conhecimento das razões complementares em homenagem aos princípios da informalidade e da verdade material. Adentrando no mérito da discussão, após traçar um resumo do processo 93.00043501 e da sentença transitada em julgado em tal processo, expõe a autuada sua convicção no sentido de que agiu de acordo com o preceituado pelo o art. 66 da Lei nº 8.383/91, que facultava ao contribuinte a autocompensação de débitos e créditos de tributos da mesma espécie. Consequentemente, renunciara à execução do indébito por meio de precatório, limitandose a prosseguir na execução das despesas processuais e dos honorários advocatícios arbitrados na sentença, conforme se observaria em petição protocolizada em 02/06/1999, acostada ao presente processo. Inobstante a possibilidade de promover a autocompensação, a Polibutenos, por excesso de zelo, buscara tutela jurisdicional que lhe garantisse esse direito. Naquele época haveria uma forte discussão acerca da identidade da natureza jurídica do Finsocial e da COFINS, ou seja, se as duas contribuições representariam tributos de mesma espécie. Com amparo na medida liminar, deferida em dezembro de 1996, passara a realizar a compensação entre os créditos de Finsocial e os débitos da COFINS e, em decorrência dessas compensações, foi alvo de procedimento fiscal, instaurado com o objetivo de avaliar regularidade do seu Fl. 647DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3802004.062 S3TE02 Fl. 646 5 procedimento. A auditoria teria sido encerrada em 09/12/1998, oportunidade em que, na sua convicção, teriam sido homologadas expressamente as compensações das competências de janeiro de 1997 a outubro de 1998. Apesar de ter se sagrado vencedora na primeira instância, o Tribunal Regional Federal da 3º Região (TRF 3ª) extinguira o processo sem julgamento de mérito devido ao fato de que, segundo decidiu aquela corte, a impugnante não possuiria interesse de agir. Segundo assentado, a Polibutenos já poderia proceder à compensação nos moldes do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, bastaria comunicar ao juiz que preside o processo de execução que optou pela compensação. Transcreve excertos. Por equívoco, informara em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os débitos que são objeto do presente litígio encontravamse com sua exigibilidade suspensa, em face da decisão proferida no processo judicial nº96.00395497. Ao invés disso, defende, deveria ter declarado que os débitos haviam sido compensados, mediante preenchimento do campo intitulado "COMPENSAÇÃO SEM DARF". Em razão de tal impropriedade, inadvertidamente, teria sido lavrado, em 08/05/2002, o Auto de. Infração que é objeto do presente processo para prevenir a decadência, ainda que, na sua convicção, repitase, as compensações já teriam sido homologadas. Anexa mais uma vez cópia do Termo de Encerramento. Diante dos esclarecimentos prestados pela representação judicial da Fazenda Nacional, a DEMAC/RJ, equivocadamente, segundo defende, partira do pressuposto de que a decisão judicial que extinguiu o processo em que se pleiteou a compensação, decidira que a Polibutenos deveria ter solicitado a compensação nos autos da ação de repetição de indébito nº 93.00043501 e, como não teria sido apresentado esse pedido, quaisquer compensações feitas através da ação ordinária nº 96.00395497 não seriam válidas. Anexa cópia do parecer exarado pelo órgão preparador. Discordando de tais conclusões, afirma que, diferentemente do aduzido, o Acórdão de 2ª instância não condicionara a compensação à apresentação de pedido no processo de repetição de indébito, reconheceralhe a faculdade de satisfazer seus créditos pela via judicial ou, alternativamente, optar pela compensação na escrita na forma do art. 66 da Lei 8.383/91. Transcreve, mais uma vez, excerto do Acórdão de 2ª instância proferido no processo nº 96.00395497. Após expor um histórico da evolução da legislação que disciplina a compensação, defende, mais uma vez, a aplicação, ao caso concreto, da Lei nº 8.383/91. Transcreve o art. 66 e defende que o dispositivo legal, que só teria sido revogado com a publicação da Lei nº 10.637, de 2002, não condicionava a compensação a pedido prévio à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Segundo defende, portanto, até a promulgação do ato novel, o regime do art. 66 da Lei nº 8.383/91 conviveria com o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Sustenta que a legislação aplicável à compensação é a vigente à época do “encontro de contas e reitera sua convicção acerca da desnecessidade de se ajuizar uma nova ação com vistas à compensação de tributos da mesma espécie. Cita jurisprudência. Reitera, finalmente, sua convicção acerca da homologação da compensação e transcreve trecho do Termo de Encerramento da Ação. É o Relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/REC no 1145.946, de 30/04/2014, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Garantia ao Contraditório. A juntada de novos elementos ao processo, oriundos de análises complementares levadas a efeito pela autoridade preparadora, autoriza a apresentação de razões complementares à impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: : 01/01/1998 a 31/12/1998 Compensação Baseada em Decisão Judicial. Condições A compensação de débitos da Cofins com créditos do Finsocial reconhecidos por decisão judicial pressupõe o prévio requerimento junto ao órgão preparador (art. 14, § 6º e 17 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997) Retroatividade Benigna. Cabimento. A lei que inova o ordenamento jurídico, aplicando penalidade menos gravosa a conduta que se encontra pendente de julgamento deve ser aplicada retroativamente. Inteligência do art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido em Parte O julgamento foi no sentido de considerar a impugnação improcedente e por conta da retroatividade benigna, foi excluída a multa de ofício de 75%, passando a ser imposta penalidade menos severa, no caso, a multa de mora, aplicável a recolhimento em atraso, nos termos do art. 61, caput e §§, da Lei nº 9.430/96 (crédito tributário mantido em parte). Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicita o provimento do recurso voluntário, reforma da decisão recorrida no que lhe foi desfavorável e tornar improcedente o Auto de Infração. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Fl. 649DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3802004.062 S3TE02 Fl. 647 7 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de auto de infração eletrônico para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, nos meses de JANEIRO a DEZEMBRO de 1998, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Como relatado a decisão de primeira instância já excluiu a multa de 75%, por conta da retroatividade benigna, passando para a multa de mora de 20% . A exigência fiscal decorre de auditoria eletrônica de DCTF, tendo em vista a não demonstração da regularidade das compensações em litígio. Pois, o processo judicial informado que autorizaria a compensação teria sido ajuizado por contribuinte com CNPJ distinto do declarante. Esclarece, a recorrente, que as compensações que geraram a exigência litigiosa foram realizadas com base em autorização judicial obtida no processo 96.000395497, ajuizado por sua matriz. Antes de adentrar em questão de preliminar, bem como do mérito, elenco os fatos, para entendimento no julgamento. · QUANDO DO AUTO DE INFRAÇÃO, RECORRENTE CRÊ QUE JÁ SE ENCONTRAVAM DÉBITOS EXTINTOS PELA COMPENSAÇÃO POR SUA CONTA, NOS TERMOS DO ART. 66 DA LEI 8.383/91. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO A MAIOR DO EXTINTO FINSOCIAL, CUJO INDÉBITO FORA RECONHECIDO PELO PODER JUDICIAL, NA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO N° 9300043501, DA QUAL A UNIÃO FORA CONDENADA A REPETIR OS VALORES DE FINSOCIAL RECOLHIDOS A ALÍQUOTA DE 0,5% (SET /89 A ABRIL/92). AÇÃO FOI JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE (DOC 4 DA IMPUG); · A EMPRESA RENUNCIA À EXECUÇÃO DO INDÉBITO RECONHECIDO ATRAVÉS DE PRECATÓRIO, LIMITANDO A BUSCAR O REEMBOLSO DAS DESPESAS PROCESSUAIS E PAGAMENTO DE HONORÁRIOS (9300043501); · PROPÕE A AÇÃO ORDINÁRIA DE N° 96.00395497 PARA ASSEGURAR DIREITO À COMPENSAÇÃO. A MESMA FOI DISTRIBUÍDA POR DEPENDÊNCIA AO JUÍZO ONDE TRAMITAVA A ANTERIOR; · O TRF DA 3ª REGIÃO EXTINGUIU O PROCESSO SEM ANÁLISE DO MÉRITO, POR ENTENDER QUE INEXISTIA INTERESSE DE AGIR NA PROPOSITURA DA DEMANDA. ARGUMENTA A RECORRENTE, O COMANDO JUDICIAL EMANADO DOS AUTOS DA AÇÃO REPETITÓRIA JÁ SERIA TÍTULO HÁBIL, NÃO APENAS À RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO, MAS TAMBÉM PARA COMPENSAÇÃO COM BASE NA LEI DE N° 8.383/91; · AO TRANSMITIR DCTF DO PERÍODO, INFORMOU EQUIVOCADAMENTE (ALEGA A RECORRENTE) QUE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SE ENCONTRAVA Fl. 650DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 SUSPENSO POR FORÇA DA LIMINAR NA AÇÃO ORDINÁRIA 96.00395497, QUANDO INFORMA QUE O CORRETO ERA COMPENSAÇÃO SEM DARF; · LOGO, LEVOU A FISCALIZAÇÃO AUTUAR, PARA PREVENIR DECADÊNCIA. COMO FOI EXTINTA A REFERIDA AÇÃO SEM EXAME DE MÉRITO; · DRJ MENCIONA QUE A HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO LEVADO A EFEITO PELA FISCALIZAÇÃO (TERMO DE ENCERRAMENTO 98001784 ) PERDERA A EFICÁCIA, POR CONTA DA EXTINÇÃO DA AÇÃO ORDINÁRIA; · ASSIM COMO A RECORRENTE DEIXOU DE ADOTAR PROVIDÊNCIA FORMAL PRÉVIA Á UTILIZAÇÃO NA ESCRITA FISCAL DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE, OU SEJA, PEDIDO ACOMPANHADO DE CÓPIA DO INTEIRO TEOR JUDICIAL , COM FUNDAMENTO DO ART. 17 DA IN 21/97; · RESSALTA QUE A FISCALIZAÇÃO ANALISOU AS COMPENSAÇÃO SEM ALERTAR PARA A RESSALVA MATERIAL OU FORMAL DO ENCONTRO DE CONTAS (JAN/97 A OUT/98); · ALEGA O SEU DIREITO LÍQUIDO E CERTO E QUE SE BASEOU NO ART. 66 DA LEI 8.383/91; · REFERÊNCIA, PELA RECORRENTE’ AO ACÓRDÃO 20176835 NO SENTIDO DA NÃO NECESSIDADE DE PEDIDO FORMAL DE COMPENSAÇÃO, DESDE QUE EFETIVADA À VISTA DA DOCUMENTAÇÃO QUE CONFIRA LEGITIMIDADE A TAIS CRÉDITOS QUE LHE ASSEGURE CERTEZA E LIQUIDEZ. Relatados os fatos, passemos à preliminar. Preliminar Inicialmente, antes da análise de mérito, não há que se falar na homologação de compensações, pois com a reforma da AO de n° 96.00395497 (extinto processo sem análise de mérito), tornamse sem efeito os atos praticados com base judicial. Temse que a reforma da liminar concedida, seja em antecipação de tutela, seja mandado de segurança ou qualquer outro provimento judicial provisório faz com que todos os atos praticados com base em tal determinação percam os seus efeitos, nos termos da Súmula 405 do STF: DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA PELA SENTENÇA, OU NO JULGAMENTO DO AGRAVO, DELA INTERPOSTO, FICA SEM EFEITO A LIMINAR CONCEDIDA, RETROAGINDO OS EFEITOS DA DECISÃO CONTRÁRIA. Pois bem, a verificação fiscal com fins de quantificar os créditos relativos à compensação determinada pela liminar no processo 96.00395497, só se poderia falar em homologação se o processo em questão alcançasse o trânsito em julgado, o que não ocorreu; também não se poderia falar que as considerações que levaram o Judiciário a concluir pela extinção do processo sem julgamento de mérito ratificariam a compensação. Logo, rejeitase a homologação expressa da compensação em litígio. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13817.000237/200399 Acórdão n.º 3802004.062 S3TE02 Fl. 648 9 Mérito A questão reside em verificar se a recorrente estaria autorizada a promover a compensação dos créditos oriundos do processo nº 93.00043501, independentemente da adoção de qualquer tipo de providência, em nível administrativo. O art. 66 da Lei nº 8383/1991 dispõe: (época das compensações) Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente.(Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Então, no presente, os créditos em foco (decorrentes de pagamentos efetuados a título de contribuição para o Finsocial em alíquotas superiores a 0,5%), originaram se em decisão judicial e, como tal, só poderiam ser compensados mediante petição formalizada pela recorrente, bem como cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria. O que não aconteceu. A Instrução Normativa nº 21, de 1997, vigente à época dos fatos, determinava: ....... Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação, rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamentos de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) §6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva Fl. 652DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. Observase que o, tanto a IN SRF no 21/97 (art. 17), como a IN SRF no 210/2002 (art. 37, §§ 2o a 4o), que revogou a anterior, art. 50 da IN SRF no 460/2004, art. 50, § 2º da IN SRF 600/05, dentre outras atualizações, prevêem de forma expressa a restituição/compensação dos créditos aos interessados, desde que tenham sido cumpridos os requisitos ali discriminados, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador, a comprovação da desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Portanto, a procura da via administrativa é opção do autor vencedor da ação judicial – que pode executar judicialmente o título e implica, para esse fim, a obrigatoriedade do cumprimento das condições que essa via administrativa exige. Assim sendo, não restou comprovado o pedido que tem por fundamento indébitos tributários de Finsocial que teriam sido reconhecidos em processo judicial, na referida ação de indébito, pela ausência de atendimento às exigências, via administrativa, que é a forma de controle pela Receita Federal e daí, a não homologação da compensação em foco. Não há reforma no julgamento de primeira instância que está por bem fundamentado. Conclusão Por todo o exposto, afasto preliminar e nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 653DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11070.721647/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2010
VALORES DISCUTIDOS EM AÇÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ART. 170-A DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Para que haja a compensação é condição sine qua non que o crédito a ser compensado seja líquido e certo. Nesse diapasão, o art. 170-A, do Código Tributário Nacional vedou a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, por uma questão de segurança jurídica.
MULTA ISOLADA DE 150%. A FALSIFICAÇÃO DEPENDE DE COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO DOLO. INAPLICABILIDADE.
No art. 86, § 10º, da Lei 8.212/91, a falsificação não é presumível, certamente não admite forma culposa, portanto é imperiosa a demonstração cabal do animus do agente, sendo odiosa a interpretação objetiva para o caso.
Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2010 VALORES DISCUTIDOS EM AÇÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ART. 170-A DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Para que haja a compensação é condição sine qua non que o crédito a ser compensado seja líquido e certo. Nesse diapasão, o art. 170-A, do Código Tributário Nacional vedou a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, por uma questão de segurança jurídica. MULTA ISOLADA DE 150%. A FALSIFICAÇÃO DEPENDE DE COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO DOLO. INAPLICABILIDADE. No art. 86, § 10º, da Lei 8.212/91, a falsificação não é presumível, certamente não admite forma culposa, portanto é imperiosa a demonstração cabal do animus do agente, sendo odiosa a interpretação objetiva para o caso. Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ART. 170A DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Para que haja a compensação é condição sine qua non que o crédito a ser compensado seja líquido e certo. Nesse diapasão, o art. 170A, do Código Tributário Nacional vedou a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, por uma questão de segurança jurídica. MULTA ISOLADA DE 150%. A FALSIFICAÇÃO DEPENDE DE COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO DOLO. INAPLICABILIDADE. No art. 86, § 10º, da Lei 8.212/91, a falsificação não é presumível, certamente não admite forma culposa, portanto é imperiosa a demonstração cabal do animus do agente, sendo odiosa a interpretação objetiva para o caso. Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 16 47 /2 01 3- 94 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 158 2 (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 159 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE VITÓRIA DAS MISSÕES – PREFEITURA MUNICIPAL, em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito tributário referente ao período de 01/2009 a 12/2011. 2. Segundo o apontado pela fiscalização (fls. 103 a 106), foram emitidos dois DEBCAD’s em desfavor da contribuinte, sendo um referente à glosa de compensação e um correspondente à aplicação da multa isolada por crédito inexistente, considerado compensação com falsidade. 3. Consta do Relatório Fiscal: "Considerando a Lei Complementar nº 118/05 que modificou o prazo da extinção da repetição ou compensação de indébito para a data do pagamento, com a decisão do STF, não procedemos à verificação de todos os fatos geradores por serem considerados decadentes do período de 01/1999 a 07/2004. Por isso, como a compensação ocorreu com valores recolhidos a mais de cinco anos do pagamento, todos os valores compensados desta rubrica foram glosados. Foi verificado que o Município de Vitória das Missões, em relação aos cargos eletivos, possui AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) 2006.71.05.008335 7/RS, sendo a ação proposta em 07/11/2006 e na EMENTA restaram prescritas as parcelas relativas aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 07/11/2001 para a Repetição de Indébito. Conforme Termo de Intimação 001 – TIF 001, como não foram localizados os documentos das folhas de pagamentos e empenhos em meio papel, os mesmos foram solicitados em meio digital para apurar os fatos geradores das competências em que o Município alegava recolhimentos a maior. Foram elaboradas as Planilhas do Salário de Contribuição de 08/2004 a 12/2004, Folhas com fatos geradores de 08/2004 a 12/2004 e o Relatório de Esclarecimento da Origem dos Fatos Geradores que constam nos anexos, onde ficou demonstrado que o Município não recolheu valores a maior e que ocorria que fatos geradores de um mês foram recolhidos na competência seguinte. [...]. Conforme o exposto, os valores que deram origem às compensações não procedem e por isso não podem ser objeto de compensação. Assim sendo, os montantes compensados em GFIP foram glosados pela fiscalização. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 160 4 [...]. Verificada a improcedência dos valores compensados, foi aplicada a multa isolada por falsidade de declaração com base no art. 89, parágrafo 10º da Lei 8.212/91, conforme demonstrado no relatório do AI – 51.014.4578 de glosa de compensação acima.” 4. Após ser devidamente intimada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 128/138) restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2010 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito oriundo de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos artigos 170A do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96 (e alterações). DIREITO A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo de cinco anos previsto na Lei Complementar nº 118/2005, atinge as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. MULTA ISOLADA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do artigo 89, § 10º, da Lei 8212/91 (com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/09). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 5. Após ter sido cientificado do referido acórdão (fl. 141), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls.145 a 150), sustentando, em síntese que: a) a decisão do STF acerca da prescrição do direito de compensação das contribuições previdenciárias não excluiu todos os valores que foram efetivamente compensados pelo município, o que, por si só, representa a total nulidade do auto de infração, eis que foram glosados pelo fisco todos os valores compensados; b) embora tenha sido “revogada” a tese dos “5 mais 5”, a regra passou a ser a prescrição em apenas 5 anos, o que significa que as compensações feitas pela Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 161 5 recorrente em relação aos fatos geradores até 07/11/2001 devem ser considerados adequados e devidos em sua integralidade; c) tendo em vista que a ação foi proposta em 07/11/2006, os fatos geradores até 07/11/2001 devem ser considerados adequados e devidos, na sua integralidade; d) a multa aplicada, no valor de R$ 434.370,00 é absolutamente indevida, inadequada e ilegal, pois só poderia ter ocorrido por falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 162 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA 2. A recorrente foi autuada por ter realizado compensação indevida, no montante de R$ 442.406,69. Os valores compensados pela recorrente, na época da compensação, estavam sendo discutidos em juízo, no processo nº 2006.71.05.0083357/RS. 3. A recorrente alega em sua defesa que, considerando que a ação foi proposta em 07/11/2006, as compensações feitas por ela em relação aos fatos geradores até 07/11/2001 devem ser considerados adequados e devidos, na sua integralidade. 4. Com a devida licença, entendo que a Lei Complementar 108/2001, a qual gerou a discussão sobre a prescrição e a tese dos “cinco mais cinco”, não tem muita relevância para o caso trazido à baila, uma vez que a problemática cingese no fato de a recorrente ter compensado valores oriundos de ação judicial não transitada em julgado. 5. Ora, a compensação é forma de extinção do crédito tributário, que teve raiz no Direito Civil, tendo o instituto migrado para o Direito Tributário, e acontece quando duas ou mais pessoas forem ao mesmo tempo credor ou devedor uma da outra. 6. Para que haja a compensação, é condição sine qua nom que o crédito a ser compensado seja líquido, certo e exigível. Nesse diapasão, o art. 170A, do Código Tributário Nacional vedou a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, conforme vislumbrase do dispositivo abaixo transcrito: “Art. 170A. Vedada a compensação mediante o aproveitamento do tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” 7. Certamente, o legislador pretendeu coibir a insegurança jurídica, uma vez que a compensação extingue o crédito tributário, como dispõe o art. 156, II, do CTN. É axiomático que, antes do transito em julgado da ação, o crédito está desprovido de certeza, liquidez e exigibilidade. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 163 7 8. Dessa forma, ao tentar realizar uma compensação com créditos discutidos em ação não transitada em julgado, a recorrente restou por violar a legislação pertinente, razão pela qual entendo como acertada a autuação fiscal. DA MULTA APLICADA 9. No caso em tela foi aplicada multa contida no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/91, que reza o seguinte: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” 10. Compulsando os autos, verifico que não há provas, tampouco a devida motivação para atestar que a contribuinte, no caso, tenha agido falsamente ou com dolo no que diz respeito à declaração para compensação dos seus créditos. E o dolo, no meu entender, é figura exigível para a reformulação das infrações tributárias, notadamente quando se trata de agravar a situação do sujeito passivo. 11. Conforme se depreende da legislação, para que a multa seja qualificada é necessária estar presente a conduta dolosa por parte do agente. Ensina a Doutrina que “dolo ocorre quando o indivíduo age de máfé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiarse de algo”. Assim, para que haja dolo deve haver a intenção de “burlar a lei”, enganando o próximo em proveito próprio ou alheio, o que, no meu sentir, não ocorreu no caso concreto. 12. A Lei nº 4.502/64, nos artigos 71 a 73, tratou das situações caracterizadoras da ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Dentre essas questões, há a exigência de ação ou omissão dolosa com finalidade de deixar de recolher o tributo ou fazêlo a menor, verbis: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 164 8 “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 13. Além disso, a legislação tributária, quando trata da falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, exige a efetiva comprovação do ato por parte do agente fiscalizador, o que, no meu entendimento, não ocorreu no processo ora relatado. A propósito, transcrevo os dispositivos que tratam desta temática : “Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” ........................................................................................ “Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 165 9 (...). IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;” 14 Assim, como não observo no presente caso nenhum dos trazidos na legislação supratranscrita, entendo que não há de se falar em qualificação da multa aplicada, como ocorre em caso de omissão de rendimentos ou receitas, dos quais, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, pois se faz necessária à comprovação da intenção do sujeito passivo, ou seja, provas que configurem o dolo, como se verifica nas Súmulas CARF n.º 14 e 25, ora colacionadas: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” 15. O mesmo entendimento foi proferido pela CSRF no julgamento do PAF nº 11020.003681/200992, Acórdão nº 9101.01.402, julgado na sessão de 17/10/2012, que, embora tratando de outro tributo (IRPJ), igualmente concluiu pela necessidade de comprovação da ocorrência de fraude para aplicação da multa de 150%: “(...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.” Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11070.721647/201394 Acórdão n.º 2301004.233 S2C3T1 Fl. 166 10 16. Isto posto, não há que se aplicar a multa isolada sem a cabal demonstração do dolo e da fraude cometida de modo a permitir a subsunção ao disposto no artigo 89, §10º da Lei n.º 8.212/91. CONCLUSÃO 17. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito dar parcial provimento, a fim de excluir a multa isolada, tornando insubsistente o Debcad nº 51.014.4586. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 10860.900402/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 00 40 2/ 20 09 -8 6 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Em 30/05/2004, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP para fins de extinção de débito de IRPJ, código 23621, referente ao período de apuração abril de 2005, no valor de R$ 389.906,12, indicando como crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ referente a abril de 2005, que teria sido arrecadado em 30/05/2005, no valor original de R$ 466.000,30, valor atualizado na data da transmissão R$496.476,71 (valor original a ser utilizado na compensação: R$ 356.828,15). Como o DARF com os dados informados não foi localizado nos Sistemas da Receita Federal, o contribuinte cientificado desse fato, e alertando que se houver qualquer divergência, deveria ser transmitido o PER/DCOMP retificador e, caso contrário, deveria o contribuinte comparecer à Receita com o DARF original. A intimação foi lavrada em 31/08/2006 (fl. 11) e a ciência ocorreu em 04 de setembro de 2006. Em 30/05/2007, a contribuinte transmitiu o PER/DCOMP 41150.03979.300507.1.7.047520 retificando o anterior em relação ao crédito, e consignando: Data da arrecadação: 30/11/2004 Valor original do crédito inicial: R$ 356.828,15 Valor do crédito atualizado na data da transmissão: R$ 389.906,12 DARF: Período de apuração 31/10/2004 vencimento em 30/11/2204, data da arrecadação 30/11/2004, valor R$603.021,01. O débito a ser extinto não foi alterado: débito de IRPJ, código 23621, referente ao período de apuração abril de 2005, no valor de R$ 389.906,12. Em 18 de fevereiro de 2009 foi emitido Despacho Decisório referente ao PER/DCOMP retificador, não homologando a compensação, e intimando ao contribuinte a recolher o débito indevidamente compensado (fl. 13). A motivação apresentada foi a seguinte: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 356.828,15 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a Improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade, alegando ter se equivocado no preenchimento da DCOMP, ao indicar que o crédito era decorrente de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10860.900402/200986 Resolução nº 1301000.249 S1C3T1 Fl. 4 3 pagamento a maior ou indevido, mas que o saldo credor derivou de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, apurado no valor de R$ 1.843.663,97. Informou que esse valor, devidamente atualizado pela SELIC foi utilizado para compensação a partir de abril de 2005, conforme planilha abaixo: Mês comp. Histórico Nºprocesso Receita Federal Crédito Original R$ Crédito original utilizado Juros selic Débito compensado Saldo crédito original 2004 Saldo negativo DIPJ 2004/2053 1843.663,97 1843.663,97 Mar05 PerDecomp 34375.94927.290405.1.3.04.5995 10860.900401/200931 1843.663,97 202.511,40 5,13% 212.900,23 1.641.152,57 Abr05 41150.03979.300507.1.7.04.7520 18609.900402/200986 1.642.152,57 356.828,15 9,25% 389.906,12 1.284.324,42 Saldo original do crédito Ponderou que, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, não há razão para dar continuidade à cobrança.. Menciona decisões da e DRJs nesse sentido. Ressaltou que, no caso em tela, o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente, é facilmente identificado, bastando para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Constou do voto condutor: “Consoante relatado, por meio da DCOMP nº 41150.03979.300507.1.7.047520, retificadora da DCOMP nº 11465.12537.310505.1.3.040626, a contribuinte informou a existência de crédito correspondente a pagamento indevido de IRPJ, arrecadado em 30/11/2004, no valor original de R$ 603.023,01. Deste montante, teria utilizado na DCOMP a parcela original de R$ 356.828,15 para liquidar débito de estimativa de IRPJ de abril de 2005. E, intimada a adotar as providências pertinentes em razão de o DARF não ter sido localizado, restringiuse a contribuinte a retificar a DCOMP original, de nº 11465.12537.310505.1.3.040626, inserindo novas informações relativas a DARF distinto, também não localizado. Agora, em sede de manifestação de inconformidade, limitase a informar que errou ao declarar a natureza do crédito a ser compensado, a qual seria “saldo negativo” , e não “pagamento indevido ou a maior”, conforme informado no instrumento de compensação. Ora, a empresa transmitiu a DCOMP em 31/05/2005 de forma equivocada, e intimada a corrigilo (fls. 11), transmitiu nova DCOMP com novo erro. Cabia à contribuinte efetuar as retificações necessárias, observando corretamente a natureza e período de apuração do crédito. É o que determina o artigo 55 da IN SRF nº 460/2004.” Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10860.900402/200986 Resolução nº 1301000.249 S1C3T1 Fl. 5 4 Registra o voto condutor que a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação, que inexiste previsão legal quanto a procedimentos para retificação de pedidos de restituição, ressarcimento e compensação ou declarações de compensação, no âmbito da DRJ. Enfatizou que a apresentação de PER/DCOMP não é mero pedido, mas sim veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e consequente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Ademais, destacou que não há como confirmar a alegação de erro, trazida pelo contribuinte, pois o exame da DCOMP deixa entrever que o equívoco cometido não foi apenas na forma, mas também no conteúdo.. Esclarece o voto condutor: Ora, como se verifica das informações por ela apresentadas à RFB, o valor apontado como crédito original em sede de DCOMP original (R$ 466.000,30) e retificadora (R$ 356.828,15) não coincide com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2004 (R$ 1.843.664,97). Além disso, os períodos de apuração informados nas fichas crédito das DCOMP em litígio (31/03/2005) não guarda relação com o saldo negativo do ano calendário 2003 (31/12/2004). Não há, portanto, qualquer indício que permita supor a ocorrência do equívoco apontado pela Manifestante. Não tendo sido localizado o DARF, origem do crédito objeto da compensação em análise no presente processo, e nada trazendo a contribuinte que comprove sua existência e disponibilidade, inviável se faz homologar a compensação nos moldes em que declarada. Ciente da decisão em 10 de outubro de 2012, a interessada ingressou com recurso em 01 de novembro seguinte, no qual reitera as razões articuladas na manifestação de inconformidade. Contesta a decisão, alegando que, diferentemente do indicado na decisão recorrida, há sim, como identificar a alegação de erro no preenchimento, diante da existência de saldo negativo do IRPJ, e que, em qualquer caso, não houve prejuízo ao erário. Cita jurisprudência, invoca o princípio da verdade material, e destaca que os casos de erros de fato cometidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados de ofício pela autoridade a quem competir o seu exame, a teor do art. 147, § 2º, do CTN. Conclui dizendo que, segundo a decisão recorrida, não existe o direito creditório decorrente do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003, em que pese ter a ora recorrente demonstrado nos autos a existência desse direito, e requer perícia para confirmálo. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10860.900402/200986 Resolução nº 1301000.249 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo, dele conheço. Inicialmente, registro ser impertinente a menção feita pela Recorrente ao art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional. Referido artigo trata das normas referentes a lançamento na modalidade “por declaração” (hoje inexistente no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Em tal modalidade de lançamento, o sujeito passivo prestava informações acerca dos fatos que relacionados à matéria tributável e, com base na declaração prestada, a autoridade administrativa efetuava o lançamento. Nesse caso, o CTN previa as possibilidades de retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante (§ 1º do art. 147) e as retificações de ofício a serem procedidas pela autoridade administrativa (§ 2º). Além de a DCOMP não representar instrumento preparatório ao lançamento por declaração, era impossível, à autoridade administrativa que o examinou, proceder à sua retificação de ofício, sem que o sujeito passivo prestasse esclarecimentos. Na realidade, é obvia a ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP originalmente apresentada, pois é realmente muito estranho que em 30/05/2005 o contribuinte transmitisse DCOMP informando como crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ no valor original de R$ 466.000,30 arrecadado nessa mesma data (30/05/2005), e cujo valor original já seria passível de atualização de 6,54%%, para compensar débito vencido nessa mesma data. Ainda que se aventasse a praticamente inexistente possibilidade de o contribuinte ter recolhido mediante DARF, em 30/05/2005, o IRPJ referente a abril de 2005, no valor de R$ 466.000,30, e na mesma data, tendo constatado que o valor devido era R$ 389.906,12, tivesse transmitido a DCOMP para regularizar, o suposto pagamento indevido jamais poderia ser objeto de atualização, eis que efetuado naquela mesma data. Contudo, a autoridade administrativa não tinha como, apenas à vista da declaração, retificála de ofício. Por isso, transmitiu intimação comunicando ao sujeito passivo que o DARF que ele indicou como crédito não existia nos sistemas da Receita Federal e intimandoo a sanar a irregularidade no prazo de 20 dias. Esclarece o termo de intimação que, se houvesse qualquer divergência (ou seja, qualquer equívoco quanto ao crédito indicado), solicitavase que fosse transmitido o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, isso é, se realmente o sujeito passivo confirmasse a existência daquele pagamento indevido, que ele apresentasse o DARF original. A intimação advertia que a não regularização implicaria não homologação da compensação. O contribuinte transmitiu a DCOMP retificadora, também com várias impropriedades na pg. 2, mas identificou os dados do DARF correspondente ao crédito: Período de apuração 31/10/2004 vencimento em 30/11/2204, data da arrecadação 30/11/2004, valor R$603.021,01. O despacho decisório da autoridade administrativa não faz referência à DCOMP original, eis que ela fica inteiramente substituída pela retificadora. Conforme se constata às fls. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10860.900402/200986 Resolução nº 1301000.249 S1C3T1 Fl. 7 6 13, o Despacho se refere apenas ao PER/DCOMP retificador (41150.03979.300507.1.7.04 7520), reproduz as características do DARF (Período de apuração 31/10/2004; Código de receita 2362. Valor total do DARF R$ 603.021,01; Data da arrecadação 30/11/2004), e embasa seu indeferimento no fato de o crédito se referir a “ pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Na manifestação de inconformidade o contribuinte alegou erro de fato no preenchimento da DCOMP, e que o crédito a ser utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2004. O órgão julgador da Receita Federal (4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas) declarouse incompetente para apreciar pedido de retificação Assentou o voto condutor que “(...) não se pode admitir a retificação da declaração de compensação em sede de manifestação de inconformidade, na medida em que todos os pedidos devem ser apreciados, em primeira vez, pela autoridade competente da DRF jurisdicionante da contribuinte. A análise primária acerca da existência ou não do crédito pleiteado deve se dar pelo órgão competente, ou seja, a DRF Taubaté.” Na realidade, mesmo o PER/DCOMP retificador ainda contém uma série de inconsistências, e não indica que o crédito utilizado foi saldo negativo de IRPJ. Ocorre que a não homologação da compensação está motivada na impossibilidade de utilização de crédito representado por pagamento a maior de estimativas mensais, e que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Sobre essa questão, não cabe discussão no âmbito do CARF, eis que a Súmula CARF nº 84, cuja adoção é obrigatória para seus membros, enuncia: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por oportuno, lembro que esta é também a posição adotada pela administração tributária, que, pela Solução de Consulta Interna Cosit 19/2011, transmitiu a seguinte orientação: O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa; Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10860.900402/200986 Resolução nº 1301000.249 S1C3T1 Fl. 8 7 dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005;” Não obstante as inconsistências ainda apresentadas no PER/DCOMP retificador, entendo que a manifestação de inconformidade representa um novo pedido de retificação indicado a verdadeira origem do crédito a ser utilizado (saldo negativo de IRPJ). Considero não razoável negar um direito ao contribuinte em razão de inconsistências que não foram regularizadas na forma prevista nas instruções da SRFB (transmissão de novo PER/DCOMP. Reportome, aqui, às lúcidas considerações do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no voto condutor do Acórdão 1301001.495, sessão de 13/02/2014: “Em que pese as considerações da autoridade julgadora de primeiro grau acerca da impossibilidade, em sede de contraditório, de retificação de débitos apontados para compensação, penso que a solução das controvérsias instauradas nos processos acima referenciados deve ser encontrada a partir da desconsideração do erro cometido pela Recorrente. Isto porque não se pode, com fundamento em mero erro no preenchimento de instrumento declaratório, negar ao contribuinte o direito de reaver aquilo que ele pagou indevidamente ou em montante maior que o devido. Tratase, no caso, de se comparar as grandezas dos direitos envolvidos na lide: de um lado, o da Fazenda Nacional de não devolver o que lhe foi pago acima do devido, em virtude de erro de forma no pedido apresentado pelo contribuinte; do outro, o legítimo direito do contribuinte de utilizar o montante pago a maior (ou indevidamente) para fins de compensação tributária. A meu ver, em tais circunstâncias, devese relevar o erro formal cometido e, em homenagem ao princípio da verdade material, promover a utilização do direito creditório efetivamente reconhecido na extinção (ainda que parcial), por compensação, dos débitos de titularidade do requerente.”. Contudo, diferentemente da situação que foi objeto do acórdão relatado pelo Conselheiro Wilson, na qual o erro do contribuinte se deu quanto ao valor dos débitos indicados na DCOMPs, no presente caso o erro está na origem do crédito. Como a legitimidade do crédito (saldo negativo do IRPJ) não foi objeto de análise pela autoridade administrativa, não pode este Colegiado decidir a respeito, sem o prévio exame da autoridade jurisdicionante (Delegacia da Receita Federal de Taubaté). Ressalto que as normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que tratam da retificação de DCOMP não vedam a retificação para alteração do crédito, sendo que a vedação específica existe apenas para inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado. IN SRF 1.300, de 2012900/2008 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10860.900402/200986 Resolução nº 1301000.249 S1C3T1 Fl. 9 8 Art. 90 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. (mesma redação das instruções normativas anteriores, inclusive do art. 58 da 460/2004, vigente quando da transmissão da DCOMP objeto deste processo) Por todas essas considerações, voto no sentido de baixar o processo em diligência, para que a autoridade competente (DRF Taubaté), recepcionando o pedido do contribuinte como saldo negativo, verifique a certeza e liquidez do direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 03 de fevereiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI
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