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Numero do processo: 17546.000634/2007-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07//2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do
instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja
a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.505
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (Relator), Ronaldo Lima de Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial ao aplicar a regra do art. 173, I do CTN. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07//2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (Relator), Ronaldo Lima de Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial ao aplicar a regra do art. 173, I do CTN. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior Relator (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. – Redator designado (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela autoridade fiscal cujo sujeito passivo é a empresa em epígrafe. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 49 a 59, a notificação referese a Lançamento de Débito apurado referente aos valores correspondentes à retenção de 11% sobre os valores dos serviços prestados por diversas empresas e não recolhidos em época própria à previdência Social, conforme dispõe o art. 31 da Lei nº 8.212 de 1991, em sua redação anual. O período do crédito lançado compreende 07/2000 a 07/2005. O crédito foi constituído, DEBCAD: 35.509.5122, e consolidado em 27/04/2006, tendo sido cientificado em 28/04/2006, fl. 01. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi julgado procedente conforme ACÓRDÃO n°. 0520.262 de 23/11/2007 exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, fls. 190/199. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 889 3 Irresignado, o sujeito passivou interpôs recurso voluntário, fls. 211/231 que, após apreciação pela 4ª Câmara da 1º Turma Ordinária, Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deulhe provimento em parte, conforme acórdão nº 240100.128, fls. 234/243 , cuja ementa transcrevo : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2005 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4o do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4o do antecipação de paga CTN. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra. CESSÃO DE MÃODEOBRA OCORRÊNCIA ÔNUS DA PROVA. Deixando a empresa de apresentar à auditoria fiscal a documentação necessária à demonstração das condições de realização dos serviços que lhe. foram prestados, toma para si o ônus de demonstrar a não ocorrência da hipótese legal, no caso, a inocorrência de cessão de mãodeobra. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Tendo tomado ciência do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra decisão não unânime alegando contrariedade à lei ou à evidência da prova, tempestivamente, fls. 252/260, em relação à matéria decadência. No entendimento da Fazenda Nacional, o acórdão merece reforma, visto ter negado vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicado indevidamente o art. 150, § 4º, do CTN, situação que implica manifesta violação dos preceitos legais bem como entendimento já manifestado no CARF em outros colegiados. Acrescenta que a aplicação dessas normas está umbilicalmente associada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto de cobrança, ou não. Acrescenta que a aplicação do § 4º do art. 150 ocorreu sob o fundamento de que o fisco não demonstrou a antecipação do pagamento, contudo, tal ônus é do contribuinte, tendo em vista ser sua a responsabilidade de comprovar o fato eventualmente impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. O recurso foi admitido por meio de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista ter ficado demonstrado fundamentadamente em que, no entender da Fazenda Nacional, a decisão recorrida seria contrária à lei, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em contrarazões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. O contribuinte interpôs recurso especial de divergência não admitido tendo em vista os paradigmas terem sido proferidos em contexto diverso, fl. 318. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme análise cujo seguimento foi autorizado pelo ilustre presidente do órgão a quo, conforme consta às fls. 261/263, e por estar de acordo com esse entendimento, conheço do recurso. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação desta Turma da Câmara Superior referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito previdenciário lançado e discutido no presente lançamento, tendo por base o entendimento manifesto a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 890 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 891 7 Pois bem, além da questão relacionada à existência ou não de pagamento antecipado, a decisão recorrida inova estabelecendo que o ônus da prova referente a tal pagamento cabe ao fisco, concluindo no sentido de que se não houve tal informação aplicarse ia o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Nesse ponto merece registro que o voto vencedor do acórdão guerreado não fundamenta seu entendimento, apenas lança a tese sem qualquer demonstração de seu alicerce, inclusive afirmando que a regra geral do prazo decadencial seria a do § 4º do art. 150, sendo certo que a jurisprudência e a doutrina é mansa e pacífica em afirmar que a norma do inciso I do art. 173, é a regra geral do prazo decadencial. Por sua vez, no tocante à distribuição do ônus da prova verificase que tal expediente não se submete a avaliação subjetiva do operador do direito mas sim obedece ao disposto no artigo 333 do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ora, se ao fisco cabe demonstrar e fundamentar a ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias (inciso I), hialina a atribuição ao contribuinte para demonstrar o fato extintivo do direito do autor, no caso o pagamento antecipado. Outro ponto que merece destaque referese ao fato de ser necessária a demonstração de pagamento antecipado relativo à regra matriz correspondente ao crédito tributário constituído. É dizer, eventuais recolhimentos relacionados às folhas de pagamento não são aptos a caracterizar o pagamento antecipado quando a análise recai sobre fato gerador diverso, tal como a retenção dos 11%, objeto do presente lançamento. Tal raciocínio é evidente por si mesmo, tendo em vista as especificidades relacionadas ao lançamento propriamente dito, nos termos do art. 142 combinado com o 150 do CTN. Assim, considerando não ter sido demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte referente ao fato gerador da notificação, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, razão pela qual VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL para excluir os valores lançados até a competência 11/2000. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em suas razões de recurso, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional a reforma do decisum recorrido, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 892 9 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 893 11 Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. No caso vertente, inexistem nos autos comprovantes e/ou informações de recolhimentos relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas. No entanto, tratandose de Retenção de 11% incidente sobre a Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, inscrita no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, onde os tributos exigidos dizem respeito a empregados de outro contribuinte (empresa prestadora de serviços), a jurisprudência administrativa vem entendendo pela existência de antecipação de pagamentos, em face da folha normal da pessoa jurídica executora dos serviços, mormente quando a autoridade lançadora nada diz a respeito. Com efeito, o ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire se manifestou com muita propriedade a respeito da matéria, nos autos do processo nº 18108.002386/200736, de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 894 13 onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão, in verbis: “[...] No presente caso, como bem salientou a relatora, o contribuinte está sendo tributado em decorrência de não ter efetuado o regular recolhimento das contribuições que deveriam ter sido retidas do contratado, previsto no art. 31 da Lei nº 8212/91, in verbis: “[...]” Sobre esta questão há de se fazer distinção entre duas situações. A primeira diz situação diz respeito às hipóteses nas quais a empresa contratante efetua a retenção da empresa contratada e não recolhe estes valores aos cofres públicos. Sobre esta hipótese já se manifestou o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1131047 / MA, sendo relator o ministro Teori Albino Zavascki), no sentido de que a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra, assim ementado: [...] A segunda situação, que é a dos autos, diz respeito à hipótese na qual o fisco tributa a empresa contratante em virtude de esta empresa não ter efetuado a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. Sobre a natureza jurídica da retenção de 11% incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços o STJ proferiu o seguinte entendimento em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1036375 / SP, sendo relator o ministro Luiz Fux): [...] Este intróito se fez necessário para demonstrar as razões pelas quais ouso divergir da ilustre conselheira relatora no que diz respeito à aplicação da regra a ser utilizada para definir o termo inicial do prazo decadencial, ao afirmar que: “No lançamento ora em análise, identificamos a cobrança de contribuição sobre valores não descontados pela tomadora de serviços à título de retenção , portanto não há de se falar em recolhimento antecipado para aplicação do art. 150, § 4º, devendo a decadência ser aplicada pelo disposto no art. 173 do CTN.” No caso de tributo lançado por homologação, quando não há pagamento antecipado, ou há a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). A minha divergência diz respeito especificamente ao que se considera como pagamento antecipado ou não para fins de enquadramento na regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. Inicialmente ressalto que no presente caso a empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91, in verbis: “Art. 33................ ........................... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei” Ou seja, o sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. [...]” Observese, que o presente lançamento encontra perfeita consonância com o caso contemplado no voto acima transcrito. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000634/200782 Acórdão n.º 920201.505 CSRFT2 Fl. 895 15 Não bastasse isso, este Egrégio Colegiado já se manifestou em algumas oportunidades sobre a matéria, firmando o posicionamento (à sua maioria) que, na hipótese de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, onde a regra geral é a aplicabilidade do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, o deslocamento para o artigo 173, inciso I, impõe a comprovação pela fiscalização da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou mesmo da inexistência de antecipação de pagamento. O fiscal autuante não logrando êxito nesta empreitada, demonstrando/elucidando tais fatos, devem ser levados a efeito os preceitos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, aplicado, via de regra, aos lançamentos por homologação, o que corrobora o pleito da recorrente. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 28/04/2006, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência 03/2001, os quais encontramse fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1º Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, mantendo a decadência até a competência 03/2001, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Assinado digitalmente) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/04/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14120.000392/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE.
Ementa:
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF.
Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus
Numero da decisão: 9303-001.342
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Pelo voto de qualidade, afastou-se a aplicação, de ofício, da penalidade prevista nos incisos I e II do § 4º do
art. 1º da Lei nº 11.945, de 2009. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DIF PAPEL IMUNE. Ementa: A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF. Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Pelo voto de qualidade, afastouse a aplicação, de ofício, da penalidade prevista nos incisos I e II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945, de 2009. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUSY GOMES HOFFMANN, JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, LEONARDO SIADE Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO 2 MANZAN, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RODRIGO DA COSTA PÔSSAS, NANCI GAMA e MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 87/107, contra decisão do acórdão nº 20313632, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 31/10/2003. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração que, de maneira correta, subsume o fato às normas legais que dele tratam, aplicando a penalidade correspondente pelo descumprimento de obrigação acessória. MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIFPapelImune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar nos termos da legislação tributária vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO. Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplicase aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. Recurso provido em parte A Fazenda Pública em sua peça recursal alega que a decisão contrariou o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, c/c o art. 16 da Lei nº 9.779/98, dispositivos que prevêem aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega, fora do prazo estabelecido, de declaração DIR –Papel Imune. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 3400670 de fl. 113/114. O Sujeito Passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar O recurso apresentado pela Fazenda Pública tem como fundamento jurídico uma possível contrariedade ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, que previa uma multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO Processo nº 14120.000392/200578 Acórdão n.º 930301.342 CSRFT3 Fl. 125 3 Acontece que, com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP nº 2.15832 de 2001, para tipificação específica para conduta. A Lei nº 11.945/09 assim trata a matéria, in verbis: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO 4 § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. O conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis dissertou com sua habitual argúcia sobre o tema, de sorte que trago suas linhas com forma de elucidar a evolução ocorrida com a penalidade em questão, in verbis: A obrigação acessória referida no inc. II do § 3º do art.1º da Lei nº 11.945/2009 é exatamente a DIFPapel Imune, criada por meio da IN SRF nº 71/2001, alterada pelas IN SRF nºs 101/2001 e 134/2002. Conforme as referidas Instruções Normativas, a multa pelo atraso na entrega da DIF era devida nos valores preconizados pelo art. 57 da Lei da MP nº 2.15835/20091, suporte legal da penalidade em questão. Como a penalidade estabelecida pelos §§ 4º e 5º acima é inferior à exigida com base no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o lançamento deve ser reduzido aos valores estabelecidos na Lei nº 11.945/2009, em obediência ao art. 106, II, “c’, do CTN. Antes, consoante uma interpretação literal do art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o valor da penalidade era aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorava a entrega, maior o valor. Ou, quanto mais demorava a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor era de R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso (reduzido para R$ 1.500,00 na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, “o taxímetro ficava rodando”, na expressão mui bem empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005. Agora, após a Lei nº 11.945/2009, a penalidade é exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada – no caso, cada DIFPapel Imune trimestral , de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não aumenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIFPapel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do “taxímetro” anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIFPapel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de 1 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO Processo nº 14120.000392/200578 Acórdão n.º 930301.342 CSRFT3 Fl. 126 5 meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009). A confirmar a redução, cabe mencionar as razões do veto ao art. 3º da Lei nº 11.945/2009. Conforme a Mensagem nº 392, de 04/06/2009, da Presidência da República ao Presidente do Congresso Nacional, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto do citado art. 3º assim: Não se mostra razoável a concessão de anistia de multas a fatos ocorridos há muito tempo e para contribuintes já fartamente beneficiados. Esclareçase que a própria Medida Provisória n°. 451, de 15 de dezembro de 2008, que deu origem ao presente Projeto de Lei de Conversão, já reduziu significativamente a multa pelo atraso na apresentação da DIF Papel Imune (art. 2º, § 4º, I e II). Ademais, a IN SRF n°. 71, de 2001, já concedeu, excepcionalmente, dilatação do prazo para apresentação da DIF Papel Imune por período maior do que o ordinariamente admitido." É pertinente também observar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Ato Declaratório Executivo nº 73, de 13/08/2009, editado pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e escorado exatamente no art. 1º da Lei nº 11.945/2009, já estabeleceu o código de receita 1376, para o recolhimento da penalidade “Multa por Falta ou Atraso na Entrega da DIF Papel Imune”. Após essa breve explicação, afluem razões jurídicas para afirmar que o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não se mais aplica aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista na Lei nº 11.945/2009, pois, como sabemos, a regra específica sobressai sobre a geral. Postulado consagrado utilizado para resolver aparentes conflitos de normas. No caso em epígrafe, estamos diante de uma singularidade, pois a aplicação da nova legislação pioraria a situação do recorrente, ferindo de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus, explico: A interpretação dada ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2009, pelo acórdão vergastado, impõe uma multa de R$ 15.000,00 por DIF Papel Imune em atraso e a nova legislação prevê uma multa de até R$ 5.000,00 pelo mesmo fato. Resta evidente que a aplicação da nova legislação diminuiria o valor da multa. Nas linhas traçadas pela professora Teresa Arruda Alvim Wambier; É ao recorrente que cabe delimitar o âmbito do mérito recursal, devendo deduzir razões de impugnação e formular pedido de reforma da decisão (âmbito de devolutividade do recurso). O órgão ad quem deve examinar a questão posta nestes limites e não pode piorar a situação do recorrente, a não ser que esta piora decorra da cognição de matéria de ordem pública, de ofício ou acolhendo preliminar alegada pelo recorrido em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO 6 contrarrazões. Este é o significado do princípio da proibição da reformatio in pejus. Ora como já dito, a observância da nova legislação fere o princípio citado, de sorte que não há como modificar a base legal do auto de infração, mantendo a interpretação dada pelo acórdão reclamado. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002410/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de
pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em
valor maior que o devido, extinguese
com o decurso do prazo de cinco anos,
contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento
antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao
princípio da segurança jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 10/09/2004 a empresa recorrente apresentou PER/DCOMP eletrônica pleiteando a restituição de PIS dos períodos de apuração de 10/95 a 02/96 e declarando a compensação de débitos do SIMPLES dos períodos de apuração de 08/04 a 11/04. A DRF em Anápolis GO indeferiu o pedido da recorrente, alegando que a empresa teria direito à repetição do indébito se não estivesse extinto o direito de pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório de fls. 21/24. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fl. 24, alegando que a extinção do direito de pleitear a restituição contase 05 (cinco) anos da data da publicação final do acórdão da ação direta de inconstitucionalidade, ou seja, do dia 23/03/2001. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0334.070, de 29/10/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 14/01/2010, conforme AR de fl. 38, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 03/02/2010, com o recurso voluntário de fls. 39/46, no qual alega que o prazo de extinção do crédito tributário é de 10 anos (tese dos 5 + 5 anos). Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido pois atende aos demais dispositivos legais. Como relatado, a empresa recorrente apresentou PER/DCOMP eletrônica no dia 10/09/2004 pleiteando a restituição de PIS, relativos aos períodos de apuração de 10/95 a 02/96, e declarando a compensação de débitos do SIMPLES. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13116.002410/200714 Acórdão n.º 330201.222 S3C3T2 Fl. 51 3 O pedido de restituição foi apresentado antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, que considera de 05 (cinco) anos do pagamento antecipado o prazo para pleitear a restituição de tributo ou contribuição lançado por homologação. A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DRJ, julgou extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo para pleitear restituição, que entende ser de 5 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Esta matéria foi apreciada e decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sessão do Pleno, realizada no dia 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621 para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Diante desta decisão do STF, para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, deverá ser adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, quanto à contagem do prazo para pleitear restituição de tributos, previsto no art. 168, I, do CTN, ou seja, referido prazo contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento efetuado e objeto do pedido de restituição. No caso dos autos, não ocorreu homologação expressa de pagamento. Consequentemente, o prazo para pleitear a restituição contase da data da homologação tácita. E, por esta regra, não ocorreu a extinção do direito da Recorrente de pleitear a restituição porque a homologação tácita mais remota de pagamento efetuado, objeto do pedido de restituição, ocorreu em novembro de 2000 e o pedido de restituição foi apresentado no dia 10/09/2004, antes do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, a que se refere o art. 168 do CTN. O reconhecimento do direito de pleitear a restituição não implica em reconhecimento do valor a restituir pleiteado. O valor a restituir deve ser apurado pela autoridade da Receita Federal do Brasil, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir, observado o disposto na IN SRF nº 006/2000 e na Súmula CARF nº 15, com efeito vinculante dado pela Portaria MF nº 383/10. Esclareçase que o valor a restituir apurado pela autoridade da Receita Federal do Brasil é passível de contestação pela recorrente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição pleiteada e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 53DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 54DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16000.000203/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de informar,
mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos
geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse
do mesmo.
CORESPONSABILIDADE. ATRIBUÍDA DE OFÍCIO PELA AUTORIDADE LANÇADORA A EXSÓCIOS.
LEGITIMIDADE PARA DISCUSSÃO DE ALUDIDA CONDIÇÃO. A imputação de coresponsabilidade a pessoas estranhas ao quadro societário da empresa à época da ocorrência dos fatos geradores, a partir da constatação da condição de gestor e/ou proprietário de fato da pessoa jurídica autuada, in casu, exsócios, possibilita a estes a discussão de aludida responsabilidade nos autos do processo administrativo pertinente, em observância aos princípios da ampla defesa e contraditório.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO
ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e
72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas
não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade,
cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por
extrapolar os limites de sua competência.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua
lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106,
inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja
recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida
na Lei nº 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.150
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: a) rejeitar a argüição de decadência; b) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfico ao contribuinte, deduzindo-se os valores lançados a título de multa nas autuações correlatas por descumprimento de obrigações principais. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que votou por aplicar o art. 32A
da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. CORESPONSABILIDADE. ATRIBUÍDA DE OFÍCIO PELA AUTORIDADE LANÇADORA A EXSÓCIOS. LEGITIMIDADE PARA DISCUSSÃO DE ALUDIDA CONDIÇÃO. 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De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: a) rejeitar a argüição de decadência; b) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfico ao contribuinte, deduzindose os valores lançados a título de multa nas autuações correlatas por descumprimento de obrigações principais. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que votou por aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 276 3 Relatório TUBOCITY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada autuação fiscal com fulcro no artigo 32, inciso IV, e parágrafos 3o e 9o, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV e §§ 2o, 3º, e 4°, do RPS, por ter deixado de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, em relação às competências 06/2004 e 11/2004, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 19/27, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, consolidado em 22/12/2006, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 6.941,71 (Seis mil, novecentos e quarenta e um reais e setenta e um centavos), com base no artigo 284, inciso I, e §§ 1º e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV e §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, a empresa autuada, na competência 06/2004, deixou de informar ao INSS, por intermédio da GFIP os dados cadastrais e todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e na competência 11/2004 deixou de entregar GFIP declaratória sem movimento, cuja obrigatoriedade está prevista na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, § 9° ( incluídos pela Lei n. 9.528, de 10.12.97). Informa, ainda, o fiscal autuante que arrolou no anexo CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS, os “exsócios” Sr. Agnaldo Ferraz Júnior e a Sra. Terezinha de Paula Borges Ferraz, os quais muito embora somente tenham figurado nos atos constitutivos da empresa com sócios durante o período de 15/02/1990 a 02/07/1997, de fato, permaneceram exercendo a condição de proprietários nas competências objeto da autuação, participando ativamente da sua gestão, consoante restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal do Auto de Infração. Irresignados os “exsócios” retromencionados interpuseram impugnação conjuntamente, pugnado pela decretação da nulidade do lançamento, insurgindose especialmente contra a responsabilização pelo débito em comento, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada, como se verifica da decisão da 3a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 0413.408/2007, às fls. 175/195, que julgou procedente a autuação fiscal. Inconformados com a Decisão recorrida, os contribuintes Agnaldo Ferraz Júnior e a Sra. Terezinha de Paula Borges Ferraz, arrolados no anexo CORESP, apresentaram Recurso Voluntário, às fls. 230/263, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugnam pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, Fl. 364DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, promovendo o lançamento com base em meras presunções. A corroborar a nulidade suscitada, infere que a presente autuação fora lavrada sem a indicação e sem assinatura da chefia imediata, inerentes à função de subordinação em relação aos atos praticados pelo agente de fiscalização, artigo 11 do Decreto 70.235/72. Ainda em sede de preliminar, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, lançando assertivas a propósito do quadro societário da empresa, concluindo que no período objeto da autuação os recorrentes não eram mais sócios da pessoa jurídica, sendo defeso, portanto, serem responsabilizados pelo débito. Aduzem que a responsabilização dos recorrentes pelo crédito em debate se deu de maneira unilateral, exclusivamente a partir de provas testemunhais, as quais não são admitidas no processo administrativo fiscal, com arrimo em simples presunções, impondo seja afastada a sujeição passiva imputada, mormente em razão de não ter sido oportunizada manifestação a propósito da coresponsabilização atribuída, afrontando o direito de contraditório dos contribuintes. Acrescenta que o Sr. Agnaldo Ferraz Júnior e a Sra. Terezinha Paula de Borges Ferraz, ora recorrentes, não detém poderes da empresa para receber notificação de lançamento de débitos previdenciários. Contrapõese à exigência fiscal em debate, especialmente no que tange à desconsideração da personalidade jurídica da empresa, com atribuição da responsabilidade dos recorrentes pelos seus débitos, por entender que referido procedimento somente pode ser levado a efeito quando demonstrada a ocorrência da prática de atos de atividade irregular, o que não se verifica na hipótese dos autos. Requer seja retificada a multa e juros de mora aplicados no presente auto de infração, limitando ao percentual de 1%, fixado no § 1°, do artigo 161, do Código Tributário Nacional. Opõese à multa moratória pretensamente aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal a sua exigência. Argui a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, argumentando, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Por fim, requerem o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 277 5 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. EXSÓCIOS CORESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA DE OFÍCIO APRESENTAÇÃO DEFESA – POSSIBILIDADE Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que o fiscal autuante arrolou no anexo CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS, os “exsócios” Sr. Agnaldo Ferraz Júnior e a Sra. Terezinha de Paula Borges Ferraz, os quais muito embora somente tenham figurado nos atos constitutivos da empresa com sócios durante o período de 15/02/1990 a 02/07/1997, de fato, permaneceram exercendo a condição de proprietários nas competências objeto da autuação, participando ativamente da sua gestão, consoante restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal do Auto de Infração. Inconformados com referida coresponsabilização, os contribuintes apresentaram impugnação, a qual restou infrutífera e, posteriormente, recurso voluntário, objeto da presente análise. Nesse sentido, primeiramente, impõe verificar se os recorrentes, de fato, tem legitimidade para postular seus direitos na via administrativa, sobretudo em razão de a empresa não ter se insurgido contra a autuação. Com efeito, este Egrégio Colegiado vem decidindo que a simples indicação dos sócios da empresa no anexo da autuação denominado CORESP não oferece margem à discussão quanto à legitimidade passiva daquelas pessoas físicas, tendo em vista inexistir a toda evidência imputação dessa natureza. Destarte, a matéria objeto de julgamento nesta assentada referese à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. Dessa forma, as questões suscitadas pelos contribuintes somente poderiam ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais deste processo, o que afastaria nesta via administrativa tecer maiores considerações relativas à responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrentes. Isto porque, o simples fato de os recorrentes constarem do anexo “CORESP – RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS”, não implica dizer ter havido atribuição automática de sujeição passiva quando da lavratura da autuação fiscal. Aludido anexo tem por finalidade informar as autoridades fazendárias quem são ou foram os sócios da empresa à época da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas, para eventual responsabilização em momento oportuno, por exemplo, na execução fiscal, observados os pressupostos legais para tanto. Aliás, referido entendimento encontrase sedimentado neste Colegiado. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 278 7 Entrementes, a hipótese dos autos diferenciase dos demais já analisados por este Relator, na medida em que a inclusão dos recorrentes no anexo CORESP ocorrera de ofício, ou seja, em que pese tais pessoas físicas não constarem do quadro societário da empresa à época da ocorrência dos fatos geradores, considerou a fiscalização que, de fato, estes “ex sócios”, permanecem como proprietários e gestores da pessoa jurídica, razão pela qual os elencou naquele anexo. Na esteira desse raciocínio, vislumbrase não se tratar de simples informação de quais pessoas físicas figuravam como sócios de direito à época dos fatos geradores, mas, sim, de enquadramento de ofício de “exsócios” como atuais responsáveis pelos atos da empresa, a partir da condição de proprietários e gestores de fato, ainda que ausentes do quadro societário da pessoa jurídica. A Lei nº 9.784/1999, ao tratar do processo administrativo fiscal, mais precisamente em seu artigo 9º, assim estabelece: “Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...]” Nessa toada, mister admitir a possibilidade do insurgimento dos “exsócios” da empresa contra aludida coresponsabilização, mormente por se tratar de procedimento excepcional levado a efeito de ofício pela autoridade fiscal, em observância aos princípios da ampla defesa e contraditório. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindicam os contribuintes seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 279 9 Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período Fl. 370DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 371DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 280 11 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação à antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez tratarse de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória – omissão e incorreções de informações e/ou documentos ao INSS caracterizando lançamento de ofício, impondo a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Com efeito, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS (atualmente Receita Federal do Brasil) caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Preliminarmente, pretendem os recorrentes seja declarada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais levados a efeito no lançamento, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos Relatórios Fiscal da Infração e da Multa Aplicada, às fls. 19/27, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do Auto de Infração. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe deram suporte, ou melhor, os fatos geradores da multa ora exigida, não se cogitando na nulidade do procedimento. Com efeito, restou devidamente demonstrado nos elementos que instruem o processo que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude de a contribuinte ter deixado de entregar as GFIP’s relacionadas às competências de 06/2004 e 11/2004, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso I, parágrafo 1°, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...]” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo:” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação Fl. 373DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 281 13 previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que determinou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Por sua vez, quanto à irresignação dos contribuintes em relação à atribuição da coresponsabilização, igualmente, não há se falar em presunção nesta empreitada. Como já robustamente explicitado no Relatório Fiscal da Infração e, bem assim, na decisão de primeira instância, a conduta fiscal, ao imputar à coresponsabilização aos “exsócios” da autuada, lastreouse em vasto conjunto probatório, dentre eles, Declarações dos sócios de direito, Procurações extraídas dos respectivos Cartórios, Processos Trabalhistas, etc, corroborando o entendimento de que os recorrentes são, de fato, proprietários e gestores da pessoa jurídica autuada. No que tange à impossibilidade de provas testemunhais para atribuição da co responsabilização aos recorrentes, na forma por estes arguida, registrese que, de fato, no âmbito do processo administrativo fiscal, não se tem admitido a prova testemunhal. No entanto, Declarações de terceiros interessados, lavradas em Cartório ou perante a autoridade fiscal, vem sendo admitidas como princípio de prova do direito aduzido, as quais quando corroboradas por outros elementos oferecem guarida à pretensão pretendida, o que se vislumbra no caso vertente. Em verdade, o que não se admite é a oitiva de testemunhas no âmbito administrativo, não implicando dizer necessariamente que Declarações de terceiros interessados, lavradas perante a autoridade fiscal não possam ser utilizadas nas razões da autuação, mormente quando lastreadas em conjunto probatório robusto. Na esteira desse entendimento, não se cogita na improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Mais a mais, relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 14 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o Fl. 375DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 16000.000203/200711 Acórdão n.º 2401002.150 S2C4T1 Fl. 282 15 crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância, ressaltandose o insurgimento contra Taxa Selic, totalmente impertinente, uma vez sequer ser aplicada em auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, tendo em vista que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, mister destacar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, em observância à jurisprudência consolidada neste Colegiado, impende recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa nas autuações correlatas por descumprimento de obrigações principais. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular a multa nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfico ao Fl. 376DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 16 contribuinte, deduzindose os valores lançados a título de multa nas autuações correlatas por descumprimento de obrigações principais, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10510.002534/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Períodos de apuração: Janeiro/98, Maio a Agosto/98, Fevereiro e
Setembro/2000, Março e Abril/2000 Junho/2001 a Junho/2002, Setembro a
Dezembro/2002 e Março a Maio/200.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS.
Considerase
acertada a glosa das compensações efetuadas em procedimento
de ofício, quando resta comprovada nos autos a inexistência dos créditos
indicados para aquele fim.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE.
Cobramse
multa de ofício e juros de mora por expressa previsão legal.
Lançamento Procedente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.271
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Períodos de apuração: Janeiro/98, Maio a Agosto/98, Fevereiro e Setembro/2000, Março e Abril/2000 Junho/2001 a Junho/2002, Setembro a Dezembro/2002 e Março a Maio/200. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Considerase acertada a glosa das compensações efetuadas em procedimento de ofício, quando resta comprovada nos autos a inexistência dos créditos indicados para aquele fim. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Cobramse multa de ofício e juros de mora por expressa previsão legal. Lançamento Procedente. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 2 2 Adoto na íntegra o relatório do acórdão recorrido de fls.159/161: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado o auto de infração (fls. 125/135), que exige o recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 259.671,61 (duzentos e cinqüenta e nove mil, seiscentos e setenta e um reais e sessenta e um centavos), acrescida da multa de ofício e dos juros de mora, relativa aos períodos de apuração 01, 05 a 08/1998, 02 e 09/2000, 03, 04 e 06/2001 a 06/2002, 09 a 12/2002, 03 e 05/2003, conforme demonstrativos de fls. 130/135, tendo como fundamento legal os dispositivos mencionados às fls. 129/135. O autuante, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 78/79 relata, em síntese, que: o valor da Cofins foi apurada com base em demonstrativos fornecidos pela empresa; o contribuinte declarou em DCTF como débito apenas os valores recolhidos com DARF; foram considerados corno Valor Recolhido os pagamentos com DARF, as compensações referentes a créditos do IPI — objeto de diversos processos, os depósitos judiciais e as compensações relativas a pagamentos a maior do próprio Colins; foram glosadas as compensações relativas a supostos créditos de Finsocial, que aparecem nos demonstrativos fornecidos pela empresa, haja vista que a sentença relativa ao Processo n° 97.63089 — Classe V — 2 Vara, negou o pedido de compensação de valores pagos do Finsocial com a Cofins; a decisão do Tribunal Regional Federal da 5' Região manteve a decisão inicial, concedendo apenas o direito a restituição de parcelas indevidamente pagas a título de Finsocial; com referência ao período de apuração abril/2002, o valor compensado do Finsocial com a COFINS foi de R$ 13.659,08; que foram glosadas também compensações do PIS com a Cofins, haja vista que as decisões relativas ao Processo n° 97.54802 — Classe V — 2' Vara, só concederam o direito à restituição, tendo o pedido de compensação sido considerado "prejudicado"; que estas compensações foram de R$ 8.621,61 e de 3.992,44, relativa, respectivamente, aos períodos de apuração abril/2002 e maio/2003; que os depósitos judiciais considerados foram relativos ao Processo 2000.85.00.00032078 — Classe II — 3' Vara, em que a contribuinte Processo n.° 10510.002534/200325 Acórdão n.° 1511.517 insurgiuse contra as alterações trazidas pela Lei n° 9.718/98, tendo obtido êxito na 1' instância e sido derrotado na 2' instância, tudo conforme cópias das decisões em anexo; que a partir do período de apuração março/2003 o contribuinte passou a calcular a Cofins de acordo com a citada lei, deixando de efetuar os depósitos judiciais. Instruindo os autos encontramse os documentos de fls. 08/126. Regularmente cientificada a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 137/144, acompanhada dos documentos de fls. 145/150, cujo teor é sintetizado a seguir. Diz, após se referir ao objeto de sua empresa, que os recolhimentos de Finsocial, incidentes sobre o faturamento nos moldes dos artigos 9° da Lei n° 7.689, de 1988, 7° da Lei n°7.787, de 1989, 1° da Lei n° 7.894, de 1989 e 1° da Lei n° 8.147, de 1990, foram considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), fato esse que o levou a ingressar na 2' Vara Federal do Estado de Sergipe, com Ação Ordinária, Processo n° 97.63089 (cópia, fls. 62/70), objetivando a compensação dos valores Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 3 3 recolhidos indevidamente, sendo que lhe foi outorgado tãosomente "a restituição do que fora indevidamente recolhido"; que, nesse passo, e com fulcro no art. 66, da Lei n° 8.383, de 1991, procedeu à compensação ora questionada; Aduz, ainda, que, quem pagou a maior ou indevidamente o Finsocial com fulcro nos dispositivos retro mencionados, poderá compensálo com os futuros pagamentos de quaisquer tributos ou contribuição sociais administrados pela Receita Federal, em face da indevida majoração de alíquotas ali insertas julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estando, assim, a Receita Federal, nos termos do art. 66, da Lei n° 8.383, de 1991 c/c o art. 1009 e seguintes do Código Civil de 1916, obrigada a devolver via compensação tudo aquilo que indevidamente foi arrecadado; Que, contrariamente a todos os princípios legais retro mencionados, o agente do fisco glosou indevidamente todas as compensações legais por ela efetuada, cuja exigência encontrase estampada no bojo do auto de infração ora em combate; Que, caso prevaleça à exigência em comento, se vê ameaçada de ter seu nome inscrito na Dívida Ativa da União e no CADIN, cobrandolhe quantias exorbitantes a título de multas, concomitantemente com juros de mora e atualização pela SELIC, mesmo sabendo a entidade atuante que a autuada é sua credora, contrariando assim todos os postulados legais sobre a matéria, a exemplo do 66, da Lei n° 8.383, de 1991, que se encontrava em vigor á época do acontecimento dos fatos geradores; Argumenta, após citar dispositivos das Leis n's 8.383, de 1991 e 9.430, de 1996, bem como do Código Civil de 1916, que jamais esse débito poderia ter sido cobrado, uma vez que se trata de compensação pertinente a recolhimentos que foram indevidamente efetuados aos cofres do Erário Processo n.° 10510.002534/200325 Acórdão n.° 1511.517 DRJ/SDR F.Is. 1611 Público Federal, conforme substanciado na sentença prolata no Processo n° 97.63089 da 2 Vara Federal do Estado de Sergipe, que lhe autorizou o direito ao ressarcimento das quantias pagas indevidamente; Que, a partir desse prisma equivocado, não há dúvida em concluir pelo seu direito à compensação dos valores do Finsocial pago, devidamente corrigido, com os recolhimentos mensais da Cofins; transcreve, nesse sentido, jurisprudência do TRF/5R e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), argumentando que, a pessoa jurídica que apurar crédito de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal poderá efetuar a compensação com débitos relativos a quaisquer tributo ou contribuição administrados por aquele órgão, independentemente de requerimento, e/ou que seja PIS com Cofins e viceversa; Requer, ante o exposto, que a exigência em comento seja considerada 110 insubsistente por ser da mais lídima e inteira justiça. Em face do despacho de fl. 155, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento”. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 4 4 Decidiu a 4ª Turma DRJ/BA (Salvador) as fls. 158/163 no seguinte sentido: “COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Considerase acertada a glosa das compensações efetuadas em procedimento de ofício, quando resta comprovada nos autos a inexistência dos créditos indicados para aquele fim. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Cobramse multa de ofício e juros de mora por expressa previsão legal”. Intimada em 25.10.2006, apresentou Recurso Voluntário de fls. 167/202 tempestivamente. No Recurso Voluntário, foi requerida a insubsistência do lançamento, bem como combatida sua procedência, como julgado em 1ª instância, repisando as mesmas razões trazidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Compulsando os autos, verifico que ao lançamento de ofício surge quando o contribuinte compensou créditos de Finsocial, exsurgentes de ação declaratória de 1997, com débitos da contribuição para a COFINS, na conta gráfica, com base na Lei no. 8.383/91. Verifico outrossim que essa compensação ocorreu entre créditos e débitos dos períodos de apuração de 01, 05 a 08/1998, 02 e 09/2000, 03, 04 e 06/2001 a 06/2002, 09 a 12/2002, 03 e 05/2003, ou seja, posteriormente à edição da Lei no. 9.430/96 quando as regras de compensação foram alteradas, e passaram a permitir por um lado a compensação de créditos, outrossim mediante apresentação de declaração à RFB, o que não fora feito pela contribuinte; e em alguns períodos posteriormente à entrada em vigor do art. 170A do CTN. Constatei compulsando os autos que o teor da decisão judicial foi de mérito, tendo sido afastada a compensação de tais valores, logo o remédio processual do contribuinte deveria ter sido a execução dessa sentença, e consequentemente a apuração e discussão dos respectivos valores com a Fazenda Nacional. Assim manifestouse o Juízo: “b) Decisão : Três são os pedidos. O primeiro, escancaradamente, é pertinente. O STF, em diversas e diversas decisões, declarou a inconstitucionalidade dos aumentos de alíquotas do Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 5 5 Finsocial, do declei 1.940/82 ocorridos após a promulgação da Constituição vigente. O assunto, no aspecto, está por demais batido. O inconformismo da ré é com a falta de aplicação dessas declarações ao caso em apreciação. Naturalmente que o julgamento do Supremo serve de baliza e de parâmetro a ponto de, escorado nele, não se fazer mais necessário maiores estudos. Só a aplicação. O segundo pedido relacionase à repetição do indébito. A documentação de fls. 1525 consigna recolhimentos feitos sobre a rubrica do Finsocial. Sendo inconstitucionais o aumento da alíquota, todo recolhimento que ultrapassar a 0,5%, deve ser devolvido. O terceiro pedido queda prejudicado, face a repetição encampada, visto não sobrar nada para ser compensado.” Há ainda que citarse a Solução de Divergência no. 38/2008, no seguinte sentido: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS O ADVENTO DA LEI Nº 10.637, DE 2002. CUMPRIMENTO. As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor, que disponham sobre a compensação de débitos do contribuinte para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo citado órgão, em seus exatos termos. Há que ser respeitada a interpretação dada à lei pelo Poder Judiciário. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e pelo art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Assim sendo, não resta a esse julgador alternativa senão a de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 6 6 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 14041.000257/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
COFINS E PIS. AUTOS DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE.
INEXISTÊNCIA. MPF.
Reputase
válido o auto de infração instaurado por MPF, que tenha cumprido
todos os requisitos legais necessários à sua validade, bem como tenha sido
alterado obedecendo às regras contidas no art. 9º da Portaria RFB n 11.371,
de 12 de dezembro de 2007.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA DEPOIS DO INÍCIO
DA AÇÃO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE.
Pagamentos e declarações efetuados depois da lavratura do Auto de Infração
não caracterizam denúncia espontânea, excludente da responsabilidade por
infrações, conforme disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN, c/c o art.
7º, § 1º, do Dec. nº. 70.235, de 1972.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%.
RECOLHIMETO.
Somente o recolhimento (pagamento por meio de Darf) tem o efeito de
reduzir a multa de ofício devida em 50%, se efetuado no prazo de
impugnação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fez sustentação oral,
pela recorrente, o Dr. Murilo Marco, OAB/SP 238689.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 COFINS E PIS. AUTOS DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. MPF. Reputase válido o auto de infração instaurado por MPF, que tenha cumprido todos os requisitos legais necessários à sua validade, bem como tenha sido alterado obedecendo às regras contidas no art. 9º da Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Pagamentos e declarações efetuados depois da lavratura do Auto de Infração não caracterizam denúncia espontânea, excludente da responsabilidade por infrações, conforme disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN, c/c o art. 7º, § 1º, do Dec. nº. 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. RECOLHIMETO. Somente o recolhimento (pagamento por meio de Darf) tem o efeito de reduzir a multa de ofício devida em 50%, se efetuado no prazo de impugnação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 464DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 460 2 Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Murilo Marco, OAB/SP 238689. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente José Antonio Francisco (Assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 436 a 455) apresentado em 14 de abril de 2009 contra o Acórdão no 0329.036, de 23 de janeiro de 2009, da 2ª Turma da DRJ/BSA (fls. 413 a 423), cientificado em 13 de março de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PARA A INSTAURAÇÃO DO MPF. Reputase válido o auto de infração instaurado por MPF, que tenha cumprido todos os requisitos legais necessários à sua validade, bem como tenha sido alterado obedecendo às regras contidas no art. 9º da Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Pagamentos e declarações efetuados depois da lavratura do Auto de Infração não caracterizam denúncia espontânea, excludente da responsabilidade por infrações, conforme disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN, c/c o art. 7º, § 1º, do Dec. nº. 70.235, de 1972. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 461 3 Declarações de Compensação processadas após o início do Procedimento Fiscal não devem ser consideradas como comprovantes da extinção do crédito tributário; A contribuinte não faz jus a redução de 50% da multa de ofício de 75%, prevista no inciso I, do art. 961 da RIR/1999. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aos lançamentos de PIS, aplicase o decidido em relação ao auto de infração da Cofins, formalizado a partir da mesma matéria fática Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 15 de março de 2008, de acordo com o termo de fls. 198 a 203. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Autos de Infração com exigências tributárias da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 03/13) e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep (fls. 14/22), referentes aos anos calendário 2004 e 2005, incluindo o principal, multa de ofício proporcional (75%) e juros de mora, calculados até 29/02/2008, conforme demonstrativos consolidados às fls. 03 e 14, totalizando R$ 1.243.082,99 de débitos. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 1.052.709,80 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep 190.373,19 Valor do Crédito tributário apurado 1.243.082,99 Conforme Relatório de Verificação Fiscal (fls. 198/199, 2002/2003), a ação fiscal teve como objeto inicial a verificação da correta apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, conforme o Mandato de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002007002022. Num primeiro momento, houve a constatação de que a empresa possuía movimentação financeira incompatível com sua receita declarada em relação aos anoscalendário de 2004 a 2005. Em paralelo, constatouse diferenças de valores em todos os meses do período fiscalizado entre a escrituração da contribuinte e a DCTF, em relação às contribuições para o PIS e para a Cofins. Emitiuse Termo de Constatação Fiscal intimando a fiscalizada esclarecer as divergências encontradas (fls. 53/56). Os esclarecimentos apresentados pela contribuinte ratificaram Fl. 466DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 462 4 os valores escriturados em sua contabilidade (fls. 67/72 e 115/117). Confirmada a divergência, solicitouse a retificação do RPF/MPF nº 01.1.01.002007002022, incluindo os procedimentos fiscais necessários a fiscalização que deu origem aos presentes Autos de Infração. Em 08/03/2008, a Fiscalização foi ampliada de acordo com a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, sendo emitido novo Mandato de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002008003111, dandose ciência à Fiscalizada com a emissão do Termo de Continuidade da Ação Fiscal (fl. 73). Os lançamentos lavrados nos presentes autos de infração decorreram de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte supracitada, que constatou diferenças de valores, em todos os meses do período fiscalizado, entre a escrituração da contribuinte (Livro Razão) e as informações declaradas na DCTF. Foram apuradas nos Autos de Infração as seguintes infrações: • Cofins – falta de recolhimento / declaração da Cofins – insuficiência de recolhimentos ou declaração (fl. 05); • Cofins – incidência nãocumulativa: falta / insuficiência de recolhimento da Cofins (fls. 05/06); • PIS Faturamento – incidência cumulativa: falta / insuficiência de recolhimento do PIS (fls. 15/16). Os quadros demonstrativos das diferenças encontradas estão discriminados nas planilhas “Contabilidade x DCTF” localizadas às fl. 204 e 205. Cientificado, via postal, das exigências em 15/03/2008 (fl. 208 e 95), o sujeito passivo apresentou em 15/04/2008, impugnações dos autos de infração às fls. 210/221 e 312/323, e documentos anexos, contestando o feito fiscal e pedindo a anulação do lançamento tributário, com os argumentos a seguir expostos. Preliminarmente a contribuinte alega que houve mudança de escopo do MPF em desrespeito às formalidades exigidas, requerendo que seja reconhecida a nulidade dos Autos de Infração impugnados. Destacamse os seguintes pontos: • que teria havido inobservância dos requisitos dispostos pela Portaria 4.066, de 2007, o que levaria ao reconhecimento de nulidade formal do lançamento tributário decorrente; • que o MPF expedido em 04/04/2007, teria como escopo a verificação quanto à apuração do IRPJ nos anoscalendário 2004 e 2005, tão somente, Entretanto, a ação fiscal resultou na lavratura de Autos de Infração a título de Cofins e PIS; Fl. 467DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 463 5 • que, na tentativa de suprir o suposto vício, a Autoridade Fiscal, ao modificar o escopo do MPF, incluindo a Cofins e o PIS, teria se aproveitado de brecha da prorrogação do MPF, sem adotar o devido procedimento legal; • que, de acordo com a Portaria SRF nº 4.066, de 2007, a alteração de escopo é aceita somente se feita a expedição de Mandato de Procedimento Fiscal Complementar, o que não teria sido observado pela Autoridade Fiscal; • que os alegados vícios formais existentes no MPF, por violação dos requisitos da Portaria SRF nº 4.066, de 2007, levariam à decretação da nulidade do lançamento tributário impugnado; • que Autoridade Fiscal que promoveu a Autuação carecia de competência, de forma que teria havido ofensa ao art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, restando nulo os presentes lançamentos. Quanto ao mérito, a contribuinte solicita que os presentes lançamentos sejam integralmente cancelados, devido à existência de recolhimentos de Cofins e PIS via pedidos de Compensação (PerDcomp). Seguem os principais argumentos utilizados: • a Autoridade Fiscal não teria considerado, ao efetuar seus cálculos, a existência de recolhimentos feitos mediante entrega de Declaração de Compensação formalizadas em 23/01/2008, conforme Doc 6, presente em ambas as impugnações (fls. 260/308 e 360/411); • se tivessem sido considerados os referidos pedidos de compensação, a insuficiência de recolhimento de Cofins teria sido comprovada somente para os períodos de fevereiro de 2004, outubro de 2005, novembro de 2005 e dezembro de 2005, conforme quadros às fls. 214/215 e 316/317; • o art. 76 da Lei nº 9.430, de 1996, faculta ao contribuinte detentor de créditos administrados pela RFB sua utilização para compensação de débitos próprios para com a Instituição, que estariam extintos, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; • o CTN inclui a compensação como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário (art, 156, inciso II); • a desconsideração da extinção da obrigação tributária objeto do lançamento teria constituído violação das disposições normativas; • enquanto não examinados os Pedidos de Compensação pela Autoridade Fiscal, a mesma deveria ter assumido como extintos os créditos tributários, sendo vedado efetuar exigência em relação aos mesmos. Em relação à Multa de Ofício, a contribuinte faz os seguintes questionamentos: Fl. 468DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 464 6 • a inexigibilidade do crédito tributário faz com que a multa de ofício aplicada também seja inexigível; • a multa de ofício de 75% deve ser aplicada quando verificada falta de pagamento ou recolhimento de imposto ou contribuição no decorrer do processo de fiscalização; no caso concreto, não deveria ter sido admitida a imposição da referida multa de ofício, já que teria sido comprovado o recolhimento das contribuições exigidas; • no momento da compensação, a contribuinte efetuou recolhimentos mediante aplicação de multa de mora, com alíquota de 20%, o que estaria em conformidade com as determinações sobre acréscimos legais, no pagamento após prazo de vencimento (art. 61, § 1º e § 2º, da Lei 9.430, de 1996); • que as multas constantes dos lançamentos lavrados deveriam ser todas canceladas, já que a Impugnante teria cumprido a obrigação tributária, mediante recolhimento de multa de mora calculada a 20%, como determina a legislação; • que a contribuinte teria o benefício da redução de 50% sobre a multa de ofício para os contribuintes que efetuam o pagamento até o vencimento da intimação, conforme dispõe o art. 961, do RIR, caso seja sustentado a aplicação da multa de 75%. Diante das considerações apresentadas, a contribuinte faz os seguintes requerimentos: a) preliminarmente que seja cancelado o presente auto de infração, sem análise de mérito, pelo fato de a Autoridade Fiscal não ter seguido os procedimentos exigidos em lei relativamente ao MPF; b) no mérito: • que seja reconhecida a extinção das obrigações tributárias relativas às exigências do lançamento para as quais houve formalização de Pedido de Compensação antes de sua lavratura; • que seja considerada indevida a aplicação de multa de ofício de 75%, uma vez que os montantes exigidos teriam sido recolhidos antes da lavratura dos Autos de Infração; • caso seja entendido indevido o recolhimento feito antes da lavratura do Auto de Infração, que seja reconhecida a redução de 50% do percentual da multa de ofício, conforme art. 961 do RIR, já que a Impugnante teria efetuado o recolhimento devido antes da lavratura dos Autos de Infração." No recurso, a Interessada repetiu as argumentações da impugnação, ressaltando que, em 23 de janeiro de 2008, quando apresentou as declarações de compensação, ainda não estaria sob fiscalização em relação a PIS e Cofins. Por meio de um gráfico, elaborado na fl. 446, sustentou que para o período de 30 de janeiro de 2008 a 14 de março de 2008, não teria havido prorrogação do MPF. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 465 7 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à primeira matéria (MPF), ao recurso da Interessada não trouxe novidades em relação aos fundamentos muito bem elaborados do acórdão de primeira instância, que demonstrou, de forma clara e segura, que não houve irregularidades quanto à emissão dos MPF, aos períodos e contribuições abrangidos e à competência do agente fiscal. O MPF original era relativo ao IRPJ de 2004 a 2005, mas abrangia, como todo MPF abrange, as verificações obrigatórias, que dizem respeito a divergências na apuração de todos os tributos e contribuições federais dos cinco anos anteriores. Portanto, por tais fundamentos, deve ser improvido o recurso da Interessada. Já em relação à segunda questão (declarações de compensação apresentadas em 23 de janeiro de 2003), a Primeira Instância fundamentou sua decisão no art. 138 do CTN. A Interessada, por sua vez, defende sua espontaneidade com base exclusivamente nas prorrogações de MPF. Devese levar em conta o que diz o Decreto no 70.235, de 1972, art. 7º: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Segundo o artigo acima citado, os termos lavrados pela Fiscalização ou quaisquer outros atos escritos, e não só o MPF, interrompem o prazo de sessenta dias para recuperação de espontaneidade. Os atos praticados no curso da Fiscalização foram os seguintes: 1) termo de início de ação fiscal (fl. 30) foi lavrado em 26/04/2007; Fl. 470DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 466 8 2) termo de intimação (fl. 35) em 22/05/2007; 3) termo de intimação (fl. 40) em 23/08/2007, com prorrogação para atendimento até 27/08/2007; 4) termo de intimação (fl. 45) em 10/10/2007; 5) termo de intimação (fl. 48) em 12/11/2007; 6) termo de constatação (fl. 53) em 27/12/2007 (fl. 57); 7) termo de constatação (fl. 59) em 15/02/2008 ( fl. 61); 8) termo de intimação (fl. 62) em 22/02/2008. O auto de infração foi lavrado em 15 de março e, portanto, não houve, nunca, recuperação de espontaneidade. A constatação de irregularidade na apuração de PIS e Cofins ocorreu no termo de fls. 53 e seguintes, lavrado, como acima esclarecido, em 27 de dezembro de 2007. Daí até 23 de janeiro não se passaram 60 dias; ademais, o termo de fl. 61 também tratou de PIS e Cofins. Assim, em relação à recuperação de espontaneidade, a Interessada não tem razão alguma, sendo, pelos motivos constantes do acórdão de primeira instância, devida a multa de ofício. Obviamente, a exigibilidade do crédito tributário deve ficar suspensa até o final do processo administrativo e, depois de finalizado, a unidade local da RFB deve tomar as devidas providências para que não haja duplicidade de cobrança. Quanto à multa de ofício, não há que se falar em sua redução, nem mesmo proporcionalmente, uma vez que houve não homologação e somente a efetiva compensação tem efeito sobre a redução, conforme previsto no art. 44, § 3º, da Lei no 9.430, de 1996. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, para negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 471DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 467 9 Fl. 472DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11041.000145/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO.
No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que houve pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial vence em 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
IRPJ. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS.
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza a prática da omissão de receitas, pela utilização de recursos à margem da contabilidade da empresa, nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96.
PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido (omissão de receitas), que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente a preliminar de decadência para considerar decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências da COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000 e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que houve pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial vence em 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. IRPJ. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza a prática da omissão de receitas, pela utilização de recursos à margem da contabilidade da empresa, nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido (omissão de receitas), que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 748DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 731 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a preliminar de decadência para considerar decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências da COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000 e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Gilberto Baptista. Relatório Tratase de Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, pela constatação da existência da omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização dos pagamentos de compras de mercadorias, relativo ao anocalendário de 2000, o que totalizou um crédito tributário exigido no valor de R$ 42.294,68, já incluídos os acréscimos de multa de ofício, no percentual de 75 %, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. Intimada pela fiscalização a comprovar a origem dos pagamentos das notas fiscais de compras de mercadorias, a autuada teria indicado uma série de cheques emitidos nominalmente, cujos valores e nomes dos fornecedores, entretanto, não eram coincidentes com o constante das respectivas notas de aquisição, nos termos do que foi descrito no Relatório Fiscal, de fls. 22 a 33. Os valores dos pagamentos das notas de compras, cuja contabilização não foi comprovada, constam resumidos nas planilhas das fls.384 a 387 e detalhados nas fls. 388 a 480, ensejando a presunção da omissão de receitas nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou sua impugnação, cujos principais pontos abordados estão assim resumidos no Acórdão da DRJ/Porto Alegre, de fls. 705 a 715, o qual adoto, na parte que a seguir transcrevo: “A impugnante alega a decadência dos fatos geradores anteriores a 07/06/2000, tendo em vista o transcurso de mais de cinco anos entre os fatos geradores e o lançamento. No mérito a empresa alega que: Todos os documentos comprobatórios do destino dos recursos descritos nos cheques relacionados pela Fiscalização foram apresentados e estão devidamente contabilizados. Os Fl. 749DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 732 3 documentos de fls. 57 a 160 encontramse lançados nos livros registro de entrada de mercadorias e diário. (...) 0 simples fato de existirem pequenas distorções entre o valor do cheque emitido e o total das Notas Fiscais correspondentes, não caracteriza em absoluto o pagamento a terceiros sem comprovação. A Fiscalização não apontou nenhum indicio de fraude, utilizandose dos documentos contábeis da empresa para lavrar os autos de infração. Nenhum dos casos elencados no art. 841 do RIR/99 ocorreu para ensejar o lançamento de oficio. A fiscalização presume que tais pagamentos foram realizados em proveito de terceiros, mas não demonstra os indícios e constatações que levaram a essa conclusão. Cabe à fiscalização demonstrar, cabalmente, por intermédio de todos os meios de prova admitidos, as suas presunções. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1018.599 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 705 a 715, com o seguinte ementário: DECADÊNCIA. Não havendo prova de ter havido pagamento relativo a determinado fato gerador, o prazo de extinção pela decadência do crédito relativo aquele fato gerador é contado nos termos do art. 173, e não do § 4º do art. 150, ambos do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizase como omissão no registro de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim sintetizados, nos termos do voto condutor e do voto vencedor em relação à decadência, transcritos na parte que interessa: Preliminar de decadência – voto vencido: “Em relação ao IRPJ e à CSLL: No anocalendário 2000 a empresa optou pela apuração pela sistemática do lucro real anual (fls. 344381) e recolheu o imposto de renda e CSLL por estimativas mensais. Portanto, o fato gerador ocorreu em 31/12/2000, data da apuração do IRPJ e CSLL naquele anocalendário e não mensalmente como o contribuinte entende. Desse modo, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Então, se o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2000, o Fisco estava autorizado a efetuar o lançamento de oficio até dezembro de 2005. Como o lançamento foi efetuado em junho de 2005, não há que se falar em decadência. Em relação ao PIS e à COFINS Fl. 750DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 733 4 Os fatos geradores que podem estar fulminados pela decadência, dependendo da análise de ter, ou não, ocorrido pagamentos, são 31/01/2000; 29/02/2000 e 30/04/2000 — vide autos de infração. Para constatar a existência de pagamentos, consultei o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil denominado SINAL10. As planilhas que juntamos ao processo (fls. 698 a 704) demonstram que houve pagamentos de PIS Faturamento (código 8109) relativo às competências janeiro, fevereiro, março e abril/2000. Com relação à COFINS (código 2172), houve pagamento referente As competências fevereiro, março e abril/2000, mas não houve pagamento relativo A competência janeiro/2000. Com isso, estão decaídas as exigências de PIS com base nos seguintes fatos geradores:31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000. Estão decaídas as seguintes exigências de COFINS: 29/02/2000 e 30/04/2000.” Preliminar de decadência – voto vencedor: “Como se vê, a extinção do crédito tributário prevista nos §§ 1° e 4° do art. 150 do CTN referese ao crédito decorrente de determinado fato gerador e exige que tenha havido algum pagamento relativo aquele fato gerador. Ou seja, no caso de tributos lançados por homologação, tendo havido algum pagamento em relação a determinado fato gerador, mesmo que a menor, a disposição legal, nos termos que estabelece, prevê a extinção definitiva do crédito no prazo cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. De outra banda, caso não tenha havido qualquer pagamento em relação aquele fato gerador, não mais se aplica a regra do art. 150. Nesse caso, o prazo de decadência é contado conforme o art. 173. 0 caso em julgamento se refere a autuação por omissão de receitas, sendo que nenhum elemento trazido pelo autuado demonstra ter havido pagamento parcial do crédito relativo aos fatos geradores correspondentes a essas receitas omitidas. Logo a decadência regese pelo estatuído no art. 173 do CTN. Assim, até dia 1° de janeiro de 2006, poderiam ter sido lançados os tributos correspondentes às receitas omitidas ao longo de 2000. Como no caso em tela a ciência do auto de infração ocorreu em 7.06.2005 e a autuação referese a receitas omitidas em 2000, não há que se falar em decadência de nenhum dos tributos lançados. Mérito: “A contribuinte teria omitido receitas, omissão essa identificada pela falta de contabilização de pagamentos de compras, nos valores consignados nas notas fiscais de fls. 58 a 160 e demonstrativos de fls. 388 a 480. No caso, a presunção de omissão de receita, tem base no art. 40 da Lei n° 9 430, de 1996 (art. 281, II, do RIR/1999). Fl. 751DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 734 5 A presunção acima admite prova em contrário, tratase de presunção relativa, em que reputase verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Há, então uma inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. As notas fiscais de fls. 58 a 160 comprovam a realização das operações, ou seja, a aquisição dos produtos, porém, não restou comprovada a alegação de que as aquisições foram pagas com os cheques apontados pelo contribuinte (cópias As fls. 481 a 489). (...) Caberia à empresa comprovar, com documentação hábil e idônea, os pagamentos das referidas compras. Por disposição legal (art. 251 do RIR/99), é obrigação da pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Reforçando: meras alegações sem respaldo em provas não são suficientes para descaracterizar o lançamento. Não satisfeito com a decisão proferida, a empresa ingressou com recurso voluntário perante este colegiado, mediante arrazoado de fls. 719 a 728, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo diz respeito em definir se ocorreu a presunção da omissão de receitas pela falta de comprovação dos pagamentos das notas de compras de mercadorias. Inicialmente, cabe examinar a preliminar de decadência. A ciência dos Autos de Infração ocorreu em 07/06/2005, conforme cópias de fls. 06 a18. Por seu turno, os fatos geradores considerados pela fiscalização nos Autos de Infração do IRPJ, CSLL, foram 31/12/2000, posto que a Declaração DIPJ entregue pela contribuinte indicava a opção pelo lucro real anual, fls. 344. Em relação ao PIS e à Cofins os valores lançados na autuação se referem aos períodos de apuração 31/01/2000, 29/02/2000, 30/04/2000, 30/11/2000 e 31/12/2000. Há que se registrar que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto e das contribuições sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento se opera pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo sujeito passivo, aperfeiçoada pelo pagamento do tributo, expressamente a homologa. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto, nos moldes do art. 150 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou Fl. 752DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 735 6 simulação de parte do sujeito passivo, o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem manifestação expressa da Fazenda, rejeitando o pagamento, implica na homologação tácita do lançamento, restando definitivo o pagamento antecipado, conforme § 4o do mencionado art. 150 do Código Tributário Nacional. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destaquei) Na situação em análise, o relator do acórdão recorrido informa em seu voto condutor que consultou o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil denominado SINAL10, juntando planilhas ao processo (fls. 698 a 704), que demonstram a existência de pagamentos de PIS Faturamento (código 8109) relativo às competências janeiro, fevereiro, março e abril/2000. Com relação à COFINS (código 2172), houve pagamento referente às competências fevereiro, março e abril/2000, mas não houve pagamento relativo à competência janeiro/2000. Como os valores do PIS e da COFINS, lançados na autuação, se referem aos períodos de apuração 31/01/2000, 29/02/2000, 30/04/2000, 30/11/2000 e 31/12/2000, entendeu como decaídas as exigências do PIS com base nos fatos geradores: 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências de COFINS, entendeu decaídos os fatos geradores: 29/02/2000 e 30/04/2000. A recorrente pleiteia a aplicação do § 4o do mencionado art. 150 do CTN, pugnando por considerar decaídos os fatos geradores anteriores a 07//06 2000, ou seja, a mais de 5 anos da ciência das autuações do PIS e da Cofins. Já em relação ao IRPJ e à CSLL, o relator do acórdão recorrido sustenta em seu voto condutor que o prazo decadencial para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, ocorridos em 31/12/2000, iniciaramse em 01/01/2001 e se encerraram cinco anos após, em 31/12//2005. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu 07/06/2005, portanto antes do prazo fatal de cinco anos, não teria ocorrido a decadência do direito do fisco em proceder ao lançamento de ofício com relação à esse período. Fl. 753DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 736 7 No entanto, o voto vencedor entendeu diferentemente. Sustenta que tratando se de autuação por omissão de receitas, e considerando que nenhum elemento trazido pelo autuado demonstra ter havido pagamento parcial do crédito relativo aos fatos geradores dos tributos correspondentes a essas receitas omitidas, deveria o prazo decadencial ser regido pelo disposto no art. 173, I do CTN, que dispõe que a contagem do prazo decadencial extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Assim, até dia 1° de janeiro de 2006, poderiam ter sido lançados todos os tributos (imposto e contribuições) correspondentes às receitas omitidas ao longo de 2000, descabendose falar em ocorrência da decadência. Creio que merece ser reformado parcialmente o voto vencedor do acórdão recorrido. A redação do caput do art. 150 do CTN acima transcrito é bastante claro ao dispor que nos lançamentos ditos por homologação, referemse aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Como já mencionado nos itens anteriores deste voto, efetuado o pagamento antecipado do imposto, nos moldes do art. 150 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de parte do sujeito passivo, o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem manifestação expressa da Fazenda, rejeitando o pagamento, implica na homologação tácita do lançamento, restando definitivo o pagamento antecipado, conforme § 4o do mencionado art. 150 do Código Tributário Nacional. Diferentemente do que mencionou o voto vencedor, inexiste previsão legal de que os pagamentos de que trata o caput do art. 150 do CTN devam se referir à omissão de receitas apurada pela fiscalização. Basta que se identifique a ocorrência de algum pagamento efetuado pelo contribuinte referente àquele imposto ou contribuição que se está examinando, em qualquer fase processual, face ao princípio da busca da verdade material que rege o processo administrativo fiscal. Assim, fico alinhado com o entendimento esposado no voto vencido do acórdão recorrido, que identificou pagamentos do PIS e da Cofins (mencionados no item precedente deste voto), devendo ser considerado decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências de COFINS, os fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000. Esse também é o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, em procedimento de recursos repetitivos (CPC, art. 543C, e Resolução STJ n. 08/2008), conforme decisão proferida pelo Eminente Ministro Luiz Fux no Recurso Especial (REsp) 973.733/SC, DJe 18/09/2009, aos casos em que não há antecipação do pagamento de tributo, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 754DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 737 8 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Fl. 755DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 738 9 RESp 973.733/SC. Rel. Min. Luiz Fux. S1. J 12.08.09. DJe 18.09.2009) Já em relação ao fato gerador do IRPJ e da CSLL, ocorridos em 31/12/2000, o fisco somente poderia proceder ao lançamento no dia seguinte, em 01/01/2001. Portanto, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia útil seguinte ao fato gerador, a contagem se inicia em 01/01/2001 e se encerra cinco anos após, em 01/01/2006. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu 07/06/2005, portanto, dentro do prazo de cinco anos, verificase o direito do fisco em proceder ao lançamento com relação ao fato gerador de 31/12/2000, como concluiu o voto vencedor do acórdão recorrido. Assim, em relação à preliminar de decadência, cabe reformar parcialmente a decisão proferida no acórdão recorrido pelo voto vencedor, devendo ser considerado decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências da COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000. Passo ao exame do mérito. Argumenta a defesa que os documentos comprobatórios do destino dos recursos descritos nos cheques relacionados pela Fiscalização foram apresentados e estão devidamente contabilizados. O fato de existirem pequenas distorções entre o valor do cheque emitido e o total das Notas Fiscais correspondentes, não caracteriza em absoluto o pagamento a terceiros sem comprovação. A fiscalização presume que tais pagamentos foram realizados em proveito de terceiros, mas não demonstra os indícios e constatações que levaram a essa conclusão. Caberia à fiscalização demonstrar, cabalmente, por intermédio de todos os meios de prova admitidos, as suas presunções. Creio não assistir razão à recorrente. Em relação a essa matéria, cabe dizer que a presunção da receita omitida relativo a falta de comprovação da escrituração dos pagamentos das compras efetuados pela pessoa jurídica, decorre de expressa previsão legal, contida no art. 40 da Lei n° 9.430, de 1996, “in verbis”: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. (grifei) Assim, uma vez que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar os pagamentos das notas fiscais de compra relacionadas pela fiscalização, não comprovando, mediante a entrega de documentação hábil e idônea, a forma como se deram esses pagamentos, bem como a sua regular escrituração, a lei atribuiu que todos os valores pagos sejam considerados omissão de receita, exatamente como procedeu a fiscalização. A presunção da omissão de receitas é a favor do fisco, que o contribuinte pode descaracterizar apresentando a respectiva documentação que demonstre os pagamentos efetuados, tanto na fase procedimental de fiscalização ou na fase impugnatória, contrapondo a omissão de receitas prevista na lei. Ao contrário do que alega a defesa, o fisco não precisa provar o auferimento de renda para fins do lançamento. Tratase de presunção “juris tantum”, passível de prova em contrário, mas que não foi apresentada, pela interessada. O que ocorreu no caso em exame, é que a autuada foi intimada a comprovar a origem dos pagamentos das notas fiscais de compras de mercadorias. Entretanto, a autuada trouxe uma série de cheques emitidos nominalmente, que não coincidiam, nem nos valores e Fl. 756DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 739 10 nem nos nomes dos fornecedores constantes das respectivas notas de aquisição, nos termos do que foi descrito no Relatório Fiscal, de fls. 22 a 33. Assim, não restou outra alternativa ao agente fiscal senão proceder ao lançamento dos tributos e contribuições caracterizado pela omissão de receitas, em estrita obediência ao dispositivo legal acima transcrito. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também era pacífica nesse sentido, conforme transcrição de parte da ementa do Acórdão nº 10515499, sessão de 26/01/2006, abaixo reproduzida: OMISSÃO DE RECEITAS COMPRAS NÃO REGISTRADAS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS A falta de escrituração de pagamentos efetuados na compra de mercadorias pela pessoa jurídica, as quais também não estão registradas na contabilidade (Livro de Registro de Entrada de Mercadorias), evidencia que os pagamentos foram efetuados com recursos mantidos à margem da contabilidade, o que autoriza a presunção de omissão de receitas, conforme o disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996. Uma vez identificada a omissão de receita, pela falta de comprovação da escrituração dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, o que foi decidido quanto ao principal, relativo ao IRPJ, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos da CSLL, PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de que seja acolhida parcialmente a preliminar de decadência, para considerar decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências de COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000, e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 757DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11065.002306/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. SEGURADOS EMPREGADOS.
NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO.
As contribuições devidas à Seguridade Social, mas também as decorrentes de RAT e as destinadas a terceiros (SESI, SENAE, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
SALÁRIO EDUCAÇÃO. A contribuição sobre o Salário Educação é devida também sob a égide da CF/88.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a
cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo
inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Os Conselhos de Contribuintes não têm competência para apreciar recurso de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
Numero da decisão: 2301-002.536
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relato. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. SEGURADOS EMPREGADOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO. As contribuições devidas à Seguridade Social, mas também as decorrentes de RAT e as destinadas a terceiros (SESI, SENAE, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. SALÁRIO EDUCAÇÃO. A contribuição sobre o Salário Educação é devida também sob a égide da CF/88. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Os Conselhos de Contribuintes não têm competência para apreciar recurso de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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SEGURADOS EMPREGADOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO. As contribuições devidas à Seguridade Social, mas também as decorrentes de RAT e as destinadas a terceiros (SESI, SENAE, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. SALÁRIO EDUCAÇÃO. A contribuição sobre o Salário Educação é devida também sob a égide da CF/88. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 2 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Os Conselhos de Contribuintes não têm competência para apreciar recurso de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relato. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 15/10/2009, em desfavor de ATENDE BEM SOLUÇÕES DE ATENDIMENTO, INFORMAÇÃO COMUNICAÇÃO, INFORMÁTICA, LOCAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, referente às contribuições devidas pela empresa incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados, bem como a outras entidades e fundos INCRA, SEBRAE, salárioeducação, SESC e SENAC. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 3 3 Narra o auditor fiscal que, ao analisar o livro diário e o livro razão apresentados, bem como os documentos contábeis que deram sustentação aos lançamentos realizados, constatou que a empresa recorrente efetuou crédito/pagamento aos seus segurados empregados a título de comissões sobre vendas ou prêmio sobre a produção, ora denominada pelo contribuinte de “TOP”. Referido procedimento foi verificado pela auditoria através da análise dos lançamentos contábeis na conta ADIANTAMENTO A FORNECEDORES (CÓD 03055) até 12/2006, e num segundo momento na conta PROGAMA DE INCENTIVOS (CÓD 08086 até 06/2007 e CÓD 95292 após 07/2007). Destaca que, anteriormente à competência de 05/2006, a ora recorrente efetuava o pagamento das mesmas comissões denominadas “TOP” através do cartão “INCENTIVE HOUSE”, não oferecendo as mesmas à tributação. Salienta que o pagamento da rubrica “TOP” tratase, na verdade, de comissão sobre a produção ou vendas não incluídas na folha de pagamento, nem em GFIP, e é objeto de diversas ações trabalhistas, onde o próprio contribuinte reconheceu como um “pagamento por fora”, conforme atesta o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, assinado pela recorrente com o Ministério Público do Trabalho. Por fim, informa que a sonegação da contribuição previdenciária configura, em tese, ilícito penal, devendo ser comunicado ao Ministério Público Federal, em relatório a parte, para eventual propositura de ação penal. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 37/81, tendo o acórdão de fls. 131/142 julgado procedente a autuação, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 AI DEBCAD nº 37.088.8855 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. PREMIAÇÃO. MULTA. RFFP. A constitucionalidade e legalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. Integra o saláriodecontribuição o pagamento de prêmios a empregados, uma vez que visam a retribuir a prestação de serviços. A penalidade decorrente do não pagamento das contribuições previdenciárias dentro do prazo leal tem incidência automática e obedece a percentuais previstos em lei, vigente à época dos fatos geradores e independe da intenção do infrator ou do grau de infração. A fiscalização deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de ilícito penal com relação às contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 4 4 Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário de fls. 120/146, alegando, em síntese que: a) Os prêmios pagos aos empregados não têm natureza remuneratória, razão pela qual não incide contribuições previdenciárias e fiscais; b) O SEBRAE foi instituído para apoiar as micro e pequenas empresas tendo em vista aspectos que somente dizem respeito a elas, não é válido admitir que os recursos que arrecada devem, também, ser derivados das empresas de médio e grande porte; c) A exigência da contribuição para o INCRA será até a entrada em vigor da Lei 8.212/91, não sendo lícita a cobrança pela Receita Federal em período posterior; d) Não há permissivo legal a embasar a pretensão de cobrança da contribuição a título de salárioeducação; e) A aplicação de juros e multa no caso dos autos, acarretaria um desvio de finalidade destes institutos; f) Não havendo fato gerador a ensejar a contribuição a ser arrecadada, inexiste também o dever legal de informar tais valores em GFIP’s, devendo ser afastada a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91; g) É descabida a representação fiscal para fins penais, tendo em vista que está pendente de processamento e julgamento definitivo o errôneo lançamento realizado; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do mérito Da incidência de contribuição previdenciária sobre as premiações de incentivo Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, o contribuinte aduz que os prêmios por ele alcançados não têm natureza de salário, bem como não se enquadram Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 5 5 no conceito de saláriocontribuição, pois não possuem características habituais, razão pela qual não deveria sofrer a incidência da contribuição previdenciária. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 16/22, a recorrente efetuou o pagamento de comissões, cuja denominação atribuída pela mesma foi “TOP”, a seus empregados no período fiscalizado, através do cartão “Incentive House”. Tais valores pagos foram considerados salário, passíveis de incidência da contribuição previdenciária por se enquadrarem no conceito de saláriodecontribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Integra o saláriodecontribuição, portanto, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa pelos serviços a elas prestados. Tal dispositivo legal, na verdade, disciplina o art. 195, I, a e o art. 201, §11º, ambos da Carta Magna, que afirma que sofrerão tributação para a Seguridade Social os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. Deste modo, cabe analisar, de início, a natureza da premiação de incentivo, que somente se afastam da fisionomia de remuneração quando pagos eventualmente e por liberalidade do empregador, com regulamentação da empresa sobre a matéria, sem qualquer vinculação com o trabalho prestado. No caso dos autos, contudo, verificase, do relatório fiscal, a presença de diversos elementos, contra os quais não se insurgiu o contribuinte, que conduzem à conclusão de que a premiação sobre a produção se tratam, na verdade, de comissões pagas as empregados, com caráter indiscutivelmente remuneratório. Para cada segurado empregado eram apurados vários valores mensais, os quais eram somados e pagos, normalmente, no mês subseqüente ao de apuração da produção. Além disso, em diversas competências era emitido um cheque no valor total a ser pago a todos os empregados, sendo que montante correspondente em dinheiro era depois distribuído entre estes. Ora, as condições impostas para que o prêmio fosse pago era o desenvolvimento das atividades da empresa em maior quantidade, medida pelos critérios de produtividade do empregado, ou seja, o próprio contrato de trabalho firmando entre prestador e tomador de serviço. A eventualidade, na verdade, decorria do não atendimento das metas previstas no programa de incentivo, e não por liberalidade da empresa. Evidente, portanto, que Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 6 6 o caso ora em apreço não se trata de distribuição de premiação eventual, mas de pagamento de caráter remuneratório, que se formalizou impropriamente, por intermédio de cartões de incentivo, a dificultar sobremaneira a fiscalização dos valores transferidos como premiação. Desta forma, fica evidente a correspondência dos valores pagos e a prestação dos serviços, detendo natureza remuneratória, razão pela qual são devidas as contribuições sociais correspondentes, mesmo quando o pagamento da remuneração é realizado por meros intermediários. Das Contribuições de Terceiros Quanto à alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sociais destinadas a Terceiros (SENAC, SESC e SEBRAE), reafirmo que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Desta feita, no que diz respeito à contribuição devida a Terceiros, nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, literris: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS SESC E SENAC SESCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA ENQUADRAMENTO SINDICAL ART. 557 DA CLT PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE CONSTITUCIONALIDADE DAS EXAÇÕES EXIGIBILIDADE NÃO REFERIBILIDADE DECRETOS LEIS 9.853/46 E 8.621/46 MP 1.89813/99 APELAÇÃO DESPROVIDA 1 Verificado o enquadramento da Apelante, mediante a análise de seus fins, dispostos no estatuto às fls. 32/55 dos autos, nº 2º Grupo do quadro anexo ao art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho E que foi recepcionado pela Carta Magna de 1988 Sujeitase a mesma ao recolhimento de contribuições sociais gerais ao SESC e SENAC. Confirase a jurisprudência deste eg. Tribunal: AMS 2000.33.00.000789 8/BA, 8ª Turma, Rel.: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 2512008, p. 319) e AMS 1999.38.00.0410304/MG, 7ª Turma, Rel.: Desembargador Federal Catão Alves, DJ de 1342007, p. 76). 2 A exigência do recolhimento das contribuições sociais para o SESC e o SENAC, de natureza jurídica social, encontrase amparada em lei, devidamente recepcionada pela Carta Magna de 1988 (cf. Lei 9504, art. 240), notadamente em face da eleição da valorização do trabalho e o progresso social do trabalhador como princípios pétreos da ordem econômica e social (cf. art. 170, CF/88). Relativamente às cooperativas, a própria Medida Provisória nº 1.89813/99, criadora do SESCOOP, faz referência, em seu art. 9º, ao fato de que as contribuições anteriormente arrecadadas pelas cooperativas e destinadas ao SESC/SENAC, passaram a ser canalizadas para a nova entidade. 3 Desnecessária a referibilidade, relação e vinculação entre a exação e o contribuinte, que prescinde ser beneficiado diretamente pelas exações em comento, porquanto contribuições de intervenção no domínio econômico, cujo objetivo é efetivar, sob todos os aspectos, o apoio e desenvolvimento das empresas, em sua generalidade e independentemente do fato de praticarem atos de comércio Ou não Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 7 7 Ou de serem prestadoras de serviços Ou não. 4 Neste sentido: "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema (S) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAI, SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela jurisprudência como contribuições sociais de intervenção no domínio econômico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a serem suportadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00.0260118/MG, 7ª Turma do TRF/1ª Região, Rel.: Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 1952008, p. 124). 5 Recurso de apelação ao qual se nega provimento. (TRF1ª R. AC 2003.38.00.0398970/MG 7ª T. Rel. Itelmar Raydan Evangelista DJe 23.01.2009 p. 202) CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC/SENAC CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE 1 Pacificouse no E. Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a contribuição para o SESC/SENAC é devida pelas empresas prestadoras de serviço (REsp nº 431.347/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, D.J. de 25.11.2002 e REsp nº 587.415/ SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, D.J. de 03.5.2004). 2 No julgamento do RE nº 396.266/SC, o E. STF concluiu pela constitucionalidade da cobrança da contribuição para o SEBRAE. 3 Apelação improvida. (TRF1ª R. AC 2005.33.00.0178953/BA 7ª T Rel. Des. Fed. Catão Alves DJe 06.03.2009 p. 140) Precedentes. Agravo regimental não provido. Da Contribuição ao SEBRAE Já a contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8º, §3º da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, é constitucional, e não se restringe às micro e pequenas empresas. Assim, todas as empresas sujeitas ao pagamento das contribuições ao SESC, SENAC, SESI e SENAI, estão também obrigadas ao pagamento da contribuição ao SEBRAE. Esse é o entendimento pacífico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA 1ª SEÇÃO DO STJ. PRECEDENTES. ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Recife/PE, objetivando desobrigarse de recolher contribuição social para SESC, SENAC e SEBRAE. O juízo monocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TRF da 5ª Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 535, II, do CPC, 110 do CTN, 4º do Decreto lei nº 8.621/46, 3º do Decretolei 9.853/46, 8º, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. 2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. In Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 8 8 casu, não obstante em sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constatase que a lide foi regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegada violação da norma inserta no art. 535, do CPC. 3. Novo posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido de que as empresas prestadoras de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC. 4. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autônomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5. Recurso especial improvido.(REsp 691056 / PE; RECURSO ESPECIAL 2004/01366999. Relator Ministro José Delgado. STJ. 1ª Turma. DJ 18.04.2005 p. 235) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/00729112. Relator Ministro Luiz Fux. STJ. 1ª Turma. DJ 28.02.2005 p. 241) *** TRIBUTÁRIO ADICIONAL AO SEBRAE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EXIGIBILIDADE 1 A Contribuição para o SEBRAE (§ 3º, do art. 8º, da Lei nº 8.029/90) configura intervenção no domínio econômico, e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam a Contribuições para o SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico (micro, pequena, média ou grande empresa). Agravo regimental improvido. (STJ AgRgREsp 1.042.041 (2008/00618479) 2ª T Rel. Min. Humberto Martins DJe 25.05.2009 p. 1412) *** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90 PRECEDENTE 2 A contribuição do sebrae é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a Lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, sesc e senac. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AgRgRE 520.8150 Rel. Min. Eros Grau DJe 09.05.2008 p. 154) *** PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT CONTRIBUIÇÃO SEBRAE LEGALIDADE PRECEDENTES I Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 9 9 Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser suportado pelos empregadores, mas tãosomente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso. III Agravo regimental improvido. (STF AIAgR 596552 MG 1ª T. Rel. Min. Ricardo Lewandowski J. 06.11.2007) *** TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3. Recurso especial provido. (REsp 608101 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2003/02069199. Relator Ministro Castro Meira. STJ. 2ª Turma. DJ 04.10.2004 p. 254) Tendo em vista a jurisprudência acima colacionada, resta cabalmente comprovada a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, bem como mostrase inegável o fato da referida obrigação não restringirse apenas às micro e pequenas empresas. Da inconstitucionalidade da cobrança de contribuição do SALÁRIO EDUCAÇÃO Manifestamente improcedente, outrossim, a argumentação que questiona a constitucionalidade da contribuição para o salárioeducação, vez que a definição sobre o tema já se acomodou definitivamente no âmbito jurisprudencial, culminando inclusive na formulação do verbete nº 732 da Súmula do E. STF, que assim orienta: “SÚMULA Nº 732 – É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96.” Portanto, escorreito e incensurável o lançamento que exigiu a cobrança dos créditos referentes ao salárioeducação. Da constitucionalidade da exigência de recolhimento de contribuições destinadas ao INCRA por empresas urbanas Alegouse, também, a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária destinada ao INCRA, sob a justificativa de que a cobrança estaria a comprometer o princípio contributivo regente do sistema previdenciário constitucional, tendo em vista a empresa matriz da Recorrente estar situadas em área de perímetro urbano. Mantidas as ressalvas já articuladas em item anterior, em que se delineou os limites cognitivos traçados para a atuação desta instância administrativa, devese observar, a Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 10 10 par da questão constitucional, que o E. STJ revisou a jurisprudência de suas Turmas de Direito Público a partir do julgamento do ERESP nº 770451/SC e passou a reconhecer na exação instituída pelo art. 15, II, da Lei Complementar nº 11/71, a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não mais de contribuição social, de modo que sua imposição estaria mantida mesmo após a vigência da Lei nº 8.212/91. Admitiuse, dessa forma, que a arrecadação promovida em nome do INCRA não seria destinada ao financiamento de benefícios e de serviços previdenciários destinados ao trabalhador rural, mas ao custeio das atividades institucionais cometidas constitucionalmente ao INCRA para a realização da reforma agrária. Vale trazer à colação a ementa deste julgamento: “TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei n. 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. (EREsp 770451/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 11.06.2007 p. 258)” Reconsiderada a natureza da mencionada contribuição, também restou assentado no âmbito do E. STJ o entendimento de que as contribuições vertidas ao INCRA e ao FUNRURAL são perfeitamente exigíveis de empresas urbanas, o que se colhe da leitura da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA. EMPRESA URBANA. LEGALIDADE DA COBRANÇA. ENTENDIMENTO DO STF. PRINCÍPIO DA SOLIDARIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. Configurada, à época, divergência entre o acórdão embargado (que entende exigível a Contribuição de empresa urbana para o FUNRURAL e o INCRA) e o acórdão paradigma (que preconiza a não exigência das Contribuições em casos análogos), aplicase o entendimento da Primeira Seção, no sentido da decisão recorrida. 2. "É legítimo o recolhimento da contribuição previdenciária para custeio do FUNRURAL e do INCRA por empresas urbanas, já que a lei não exige a vinculação da empresa a atividades rurais." (ERESP 412.923/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 09/08/2004). 3. Embargos de Divergência não providos. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 11 11 (EREsp 177661/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2006, DJ 01.10.2007 p. 203)” Portanto, em obséquio à autoridade da interpretação consolidada no âmbito da Corte de pacificação da legislação infraconstitucional, devem ser afastadas as postulações da Recorrente que pleiteiam a desconstituição dos lançamentos referentes à contribuição destinada ao INCRA. Quanto às alegações do contribuinte que é descabível a representação fiscal para fins penais, cabe trazer a lume o disposto no art. 83, caput, da Lei n° 9.430/96 e no art. 1°, incisos I e II do Decreto n° 2.730/98, in verbis: Art. 83 da Lei 9.430/1996. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1° e 2° da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Art. 1º do Decreto 2.730/1998. O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese: I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. Vêse, portanto, que a legislação prevê que os auditores fiscais formalizem processo contendo representação fiscal para fins penais sempre que no curso da ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1° ou 2° da Lei n° 8.137/90 ou nos arts. 168A e 337A do DecretoLei n° 2.848/40 (Código Penal), in verbis: Art. 1°. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 12 12 Art. 168A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional. Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias. A formalização da representação encerra a atividade da Receita Federal, sendo as conseqüências penais totalmente alheias à sua alçada, cabendo, tão somente, informar a ocorrência de fato que possa se enquadrar na figura típica do ilícito, o que é obrigação legal. Por este mesmo motivo, foge totalmente à alçada deste CARF a discussão sobre a configuração do crime, podendo o contribuinte oferecer suas razões de defesa perante o Ministério Público Federal, a quem competirá propor a ação penal, se entender cabível. Face ao exposto, não se deve tomar conhecimento, em sede recursal, das alegações de mérito acerca da inexistência da infração penal. Da aplicação de penalidade benéfica A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 13 13 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 14 14 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 15 15 Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 16 16 Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007762/00-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO POR AQUISIÇÕES DE INSUMOS PROVENIENTES DE NÃO-CONTRIBUINTES.
A Lei nº 9.363/96 no art. 2º refere-se ao valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, sem referir-se a exclusões de qualquer natureza dentre as quais as relativas a não- contribuintes do PIS e da COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.887
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO POR AQUISIÇÕES DE INSUMOS PROVENIENTES DE NÃOCONTRIBUINTES. A Lei nº 9.363/96 no art. 2º referese ao valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, sem referirse a exclusões de qualquer natureza dentre as quais as relativas a não contribuintes do PIS e da COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Nanci Gama e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Contra o Acórdão de fls. 189/195 que por maioria entendeu pelo deferimento parcial do Recurso Voluntário, incluindo na base de cálculo do ressarcimento de IPI as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, anteriormente excluídas na decisão a quo, insurgiu a Fazenda em Recurso Especial às fls. 197/213, admitido pelo despacho às fls. 214/216, bem como a Contribuinte, às fls. 217/228, tendo seu seguimento negado às fls. 241/243. Aduz a Fazenda que a decisão combatida é contrária à Lei 9.363/96, pois os produtos adquiridos de entes que não sofrem ditas contribuições estão livres de tal oneração em sua etapa anterior. Transcreve também quase a integralidade do Parecer PGFN/CAT/nº 3092/2002, às fls. 200/208, tendo em sua conclusão, decisão judicial ementada que norteia sua tese: "Agravo de Instrumento 32877 Órgão Julgadora Quarta Turma DJ: 0210212001, p.337 Relator Desembargador Federal Napoleão Maia Filho Decisão unânime Ementa TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURIS AO CREDITAMENTO. 1. Tratandose de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o benefício instituído pelo art. 1º da lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida” 46. Em face do exposto, impõese a seguinte conclusão: o crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, somente será concedido ao produtor/exportador que adquirir insumos de fornecedores que efetivamente pagarem as contribuições Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.007762/0022 Acórdão n.º 930301.887 CSRFT3 Fl. 248 3 instituídas pelas Leis Complementares nº 7 e nº 8 de 1970, e nº 70, de 1991. “ Outrossim, aduz também que os insumos passíveis de inserção na base de cálculo devem ser consumidos em decorrência de uma ação direta com o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida. Para fortalecer sua assertiva, transcreve à fl. 209 trecho do Parecer Normativo CST nº 181, de 08 de outubro de 1974, abaixo: “(...) 13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças, e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive, lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. (...)” À fl. 211/213 transcreve acórdãos paradigmas que decidem pela exclusão de tais produtos em matéria semelhante. Por fim, pede a reforma da decisão para restabelecer a decisão de Primeira Instância Administrativa, excluindo da base de cálculo o que fora incluído no Acórdão recorrido. Em Contrarrazões, argumenta a Contribuinte que tal crédito foi concedido como ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Observa, ainda, que a base de cálculo conforme disposto no art. 2º da referida Lei 9.363/96 é o “valor total” das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, abrangendo, portanto, tais produtos que pretende a Fazenda verem excluídos. Como precedentes aos argumentos aduzidos, cita às fls. 234/236 ementas de decisões deste CARF cujo texto transmite o sentido de seus argumentos, corroborando com a tese da inclusão dos produtos adquiridos de pessoa física e cooperativas na base de cálculo do crédito pugnado. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Nas fls. 214/216, Despacho nº 202426, conferindo admissibilidade parcial a este Recurso da Fazenda Nacional para darlhe seguimento ao que se refere apenas às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS. O Recurso Especial da Contribuinte teve admissibilidade negada fls. 241/242, sem inconformidade constante dos autos. Da minha maneira de ver, irrepreensível o Acórdão lavrado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de então, porque interpretando corretamente o disposto na Lei nº 9.363/96, principalmente quanto a inexistência de exclusões da base de cálculo. Em razão do exposto sou por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para admitir a inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS na base de cálculo do crédito presumido do IPI criado pela Lei nº 9.363/96. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000123/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social Previdenciária
Período de Apuração: janeiro/04 a outubro/04 TIAD. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, dispõe que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defender-se do lançamento, não há que se falar em cerceamento de defesa.
NÃO ELABORAR O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o formulário DIRBEM 8030,
substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais.
EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS. PREJUÍZO AOS SÓCIOS GERENTES.
É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
Numero da decisão: 2301-002.941
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuição Social Previdenciária Período de Apuração: janeiro/04 a outubro/04 TIAD. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, dispõe que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defender-se do lançamento, não há que se falar em cerceamento de defesa. NÃO ELABORAR O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o formulário DIRBEM 8030, substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS. PREJUÍZO AOS SÓCIOS GERENTES. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
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PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, dispõe que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defenderse do lançamento, não há que se falar em cerceamento de defesa. NÃO ELABORAR O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o formulário DIRBEM 8030, substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS. PREJUÍZO AOS SÓCIOS GERENTES. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. . Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra TECNOSONDA S/A, em 25/05/2005, por ter essa empresa deixado de comprovar, perante a fiscalização, que elaborou e manteve atualizado o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP de todos os seus empregados que trabalham em condições especiais, no período de janeiro/2004 a outubro/2004, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 06/07, infringindo o disposto no artigo 58, § 4°, da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, c/c o artigo 68, §§ 6°, 9° e 10°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e alterações posteriores. Afirma ainda o aludido relatório que, quando da rescisão dos contratos de trabalho, não restou comprovado a entrega de cópia autenticada do PPP, por parte do contribuinte, embora tenha ele reconhecido que diversos empregados trabalham em condições especiais, conforme informações contidas na GFIP. Apresentada impugnação tempestiva às fls.157/185, foi mantido o lançamento pela DecisãoNotificação de fls. 191/199, cuja ementa assim dispôs: AUTO DE INFRAÇÃO. A empresa deverá elaborar e manter atualizado o Perfil Profissiográfico previdenciário que abranja as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e a ele fornecer, quando da rescisão de contrato de trabalho, cópia autenticada do mesmo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 3 3 Não tendo sido apresentados os PPP's dos seus trabalhadores, e havendo fortes indícios ou inerência da existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho da empresa, assim como esteja comprovada esta existência, será a empresa autuada, nos termos do art. 58, § 40 da Lei n°8.213/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Irresignada, apresentou o Recurso Voluntário sob exame, às fls. 209/ 214, junto com documentos e procuração, reiterando todos os argumentos apresentados na impugnação, quais sejam: 1) Preliminarmente, alega que a inclusão de pessoas físicas que exerçam cargos de direção em empresas como codevedoras dos créditos tributários de responsabilidade da empresa só é permitida em casos excepcionais, quando haja a possibilidade de imputação de dolo a estes diretores, por este motivo requereu a exclusão dos corresponsáveis; 2) Afirma que houve nulidade da fiscalização, posto que os TIAD anexos ao Auto de Infração solicitaram a apresentação de toda a documentação da contribuinte em prazo exíguo; 3) Diz que houve cerceamento de defesa, uma vez que não foi possível apreender os fatos que levaram à lavratura do auto, pelas informações contidas no Relatório Fiscal; 4) Aduz que em momento algum se recusou a fornecer os documentos solicitados pelo Auditor; 5) Informa que possui toda documentação em meio magnético; 6) Afirma que o lançamento referente a esta mesma infração foi efetuado duas vezes, em dois autos de infração distintos; 7) Defendeu que se trata de caso de infração de natureza continuada, isto é, uma mesma infração cometida mais de uma vez; 8) Rezou que as infrações de natureza continuada, como é o caso, são consideradas uma só infração pela doutrina e jurisprudência. Ato contínuo, a Delegacia de Receita Previdenciária/RJ requereu, na fl. 315, que o processo fosse encaminhado à Seção de Fiscalização, para que a junta fiscal emitisse relatório complementar para ser entregue à empresa, com reabertura de prazo para a defesa de 30 (trinta) dias, tendo em vista a necessidade de identificação de cada trabalhador, para a apuração da penalidade aplicada, que seria efetuada por ocorrência, considerandose cada trabalhador sem o PPP como uma ocorrência. Diante da determinação supramencionada, a DRP/RJ enviou à empresa o Relatório Complementar do Auto de Infração, junto com uma planilha em que contavam os nomes dos 344 empregados demitidos entre 04/2004 a 10/2004. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 4 4 Diante disso, a ora recorrente apresentou Defesa Complementar tempestivamente, às fls. 427/432, em que ratificou os argumentos já mencionados na impugnação. Assim vieram os autos a este Conselho de Contribuintes, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da não configuração da nulidade do auto de infração Ainda em sede de preliminar, alega a ora Recorrente, que o prazo concedido pela autoridade fiscalizadora, para a apresentação dos documentos solicitados nos TIAD anexos ao auto de infração foi exíguo. Todavia, conforme se vislumbra da análise dos autos, diversas oportunidades foram dadas a Recorrente para que apresentasse os documentos solicitados, através dos TIAD de: 13/01/05 (fl. 20), 14/03/05 (fl. 23), 04/04/05(fl. 26) e 17/05/05 (fl. 32), consoante Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAF, às fis.36/38, constatandose, assim, um espaço temporal de quatro meses, o que se mostra suficiente ao contrário do alegado pela contribuinte. Destarte, ao observar o disposto no art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, verifica se que O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. Por tudo o que foi exposto, resta claro que o prazo concedido para a apresentação de toda a documentação não foi exíguo e, portanto, não se verifica qualquer motivo para que seja o auto de infração considerado nulo. Da ausência de cerceamento de defesa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 5 5 Preliminarmente, a Recorrente alega que houve cerceamento no pleno exercício do seu direito de defesa, uma vez que não foi possível apreender os fatos que levaram à lavratura do auto, pelas informações contidas no Relatório Fiscal. Entretanto, essa alegação não merece prosperar, posto que o Relatório fiscal (fls.06/07) traz todas as informações necessárias, de forma discriminada, tais como os valores, os pagamentos, o fato gerador e a base de cálculo das contribuições devidas, para que o contribuinte identifique qual a obrigação que se encontra insatisfeita, bem como proporciona todas as instruções fundamentais para a elaboração da defesa. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da Recorrente, tendo em vista que lhe foi dada a oportunidade de impugnar o presente lançamento, bem como de se manifestar acerca das Informações Fiscais apresentadas posteriormente, ocasiões nas quais se constatou que o contribuinte tinha pleno conhecimento da matéria objeto da presente autuação. Do exposto, destaquese restar clarividente que não houve qualquer cerceamento do direito de defesa do contribuinte lhe tendo sido dadas oportunidades para defenderse da presente autuação, bem como para apresentação de documentos, em momentos diversos durante o decorrer do processo. Sendo assim, restaram plenamente respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, imprescindíveis à garantia do devido processo legal em matéria tributária. Do Mérito A presente autuação referese ao fato de a empresa não ter comprovado perante a fiscalização que elabora e mantém atualizado o DIRBEN8030, em substituição ao perfil profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais, nem haver comprovado o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o controle dos riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e a integridade física. Desta feita, fora lavrado o presente Auto de Infração, por descumprimento ao disposto no art. 58, §4º, da Lei 8.213/91, in verbis: “Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)” (grifos acrescidos) Entretanto, a ora Recorrente, em momento algum alegou não ter cometido a infração contida no dispositivo supracitado. Afirmou, em suas razões de defesa, que o lançamento referente a esta mesma infração foi efetuado duas vezes, em dois autos de infração distintos, o que não deveria ter acontecido, já que se trata de infração de natureza continuada. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 6 6 Além disso, informou ainda a Recorrente que: Considerando a mudança na legislação, principalmente as alterações provocadas pelo Decreto 4.729, de 09/08/03, ao Decreto 3.048/99 e por interpretação dada a partir da vigência, em abril de 2004, da Instrução Normativa número 100, de 18 de dezembro de 2003, quando se entende que a multa pela não entrega do PPP ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, configura uma ocorrência bem como pela não elaboração do PPP para os empregados em atividade que trabalham expostos a agentes nocivos, ficou entendido (...) que devem ser aplicadas duas multas. Uma pelo valor mínimo independente do número de ocorrências e outra a partir da vigência da IN n° 100 de dezembro/03, considerando o número de ocorrências, e que, por essa razão, a Auditoria Fiscal emitiu (...) dois autos de infração contra a empresa, um pelo valor mínimo pela não elaboração e por conseguinte a falta de fornecimento do DIRBEN8030 ao empregado demitido, em substituição ao PPP até a competência dezembro/03 e também a não elaboração e a falta de entrega do PPP aos empregados demitidos a partir de janeiro de 2004, considerando, no entanto, que o número de ocorrências foram multiplicadas pelo valor mínimo e incluído o valor encontrado, em novo auto de infração no mesmo fundamento legal 89. Ocorre que, conforme já demonstrado pela decisão recorrida, a auditoria fiscal proferiu relatório, em que explicou que, somente a partir da IN/INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 é que o PPP passou a ser expressamente considerado como infração por ocorrência. Embora a lei 8.213/91, em seu art. 58, já identificasse o documento por trabalhador, pode se inferir, a partir da leitura do referido dispositivo, que a cada trabalhador cujas obrigações do PPP fossem descumpridas, seria gerada uma infração, consequentemente, uma ocorrência. Sendo assim, temos que com a entrada em vigor da aludida Instrução Normativa nº 100, do INSS, o valor da multa a ser aplicado é o valor mínimo contido no art. 133, da Lei nº 8.213, aplicado cumulativamente para cada trabalhador demitido sem a entrega do PPP. No que tange ao argumento da recorrente de que o lançamento em discussão foi realizado em duplicidade, o que não poderia ter ocorrido, sob a alegação de que se trata de infração de natureza continuada, este não merece prosperar, vez que entendo não se tratar de infração de natureza continuada, pois a cada PPP não emitido ao trabalhador exposto aos agentes nocivos, ou a cada PPP não atualizado ou não entregue ao trabalhador quando da rescisão do seu contrato de trabalho, acarreta uma ocorrência, consoante reza o art. 646, II, da IN/SRP nº 03/2005 e seu respectivo parágrafo único: Art. 646 – parágrafo único: O termo ocorrência citado no caput significa infrações isoladas que, por economia processual, integrarão um único Auto de Infração, porém individualizadas no relatório fiscal. Por todo exposto, contatase que a ora Recorrente ignorou os ditames da Lei, tendo em vista que não comprovou perante a fiscalização que elabora e mantém atualizado o formulário DIRBEM 8030, substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 7 7 desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais e também não comprovou que fornece a estes, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autenticada deste documento, apesar de entender que seus empregados estão expostos a riscos ambientais do trabalho. Por essa razão, o presente lançamento foi corretamente arbitrado com base no art. 33 §3º da Lei 8.212/91. Por fim, diante do acima exposto, uma vez que a Recorrente agiu em total dissonância com o disposto no §4º do art. 58, da Lei 8.213/91, não vislumbro outra possibilidade, senão manter incólume a decisão de primeira instância. Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 8 8 Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja mantida a autuação, excluindose dela, contudo, a lista dos corresponsáveis. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de julho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 9 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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