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Numero do processo: 10711.720943/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 09 43 /2 01 1- 51 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.720943/201151 Acórdão n.º 3302003.425 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000145/2005-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DILIGÊNCIAS.
Indefere-se o pedido de diligência, quando a providência for considerada prescindível ao deslinde da controvérsia por parte do colegiado.
ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito de crédito oposto à Administração Tributária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA.
Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) para reverter a glosa sobre serviços aduaneiros e logísticos computados como custo dos insumos importados. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; b) para reverter as glosas sobre serviços de administração de colheita florestal; administração de estradas; administração de silvicultura; administração de viveiros; benfeitorias em estradas; cadastro florestal; conservação de estradas; construção de estradas; fomento silvicultura; fomento administração (topografia e geoprocessamento); monitoramento e inventário florestal; meio ambiente e segurança industrial; segurança industrial; segurança florestal; segurança industrial; segurança do trabalho e riscos processo; serviços técnicos e meio ambiente industrial; silvicultura linha C. Vencido o conselheiro Jorge Freire; c) para reverter as glosas sobre aluguéis de máquinas e equipamentos apropriados nos centros de custos "derrubada processamento mecanizado" e "transporte fora de estrada". Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Indeferese o pedido de diligência, quando a providência for considerada prescindível ao deslinde da controvérsia por parte do colegiado. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito de crédito oposto à Administração Tributária. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 01 45 /2 00 5- 54 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) para reverter a glosa sobre serviços aduaneiros e logísticos computados como custo dos insumos importados. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; b) para reverter as glosas sobre serviços de administração de colheita florestal; administração de estradas; administração de silvicultura; administração de viveiros; benfeitorias em estradas; cadastro florestal; conservação de estradas; construção de estradas; fomento silvicultura; fomento administração (topografia e geoprocessamento); monitoramento e inventário florestal; meio ambiente e segurança industrial; segurança industrial; segurança florestal; segurança industrial; segurança do trabalho e riscos processo; serviços técnicos e meio ambiente industrial; silvicultura linha C. Vencido o conselheiro Jorge Freire; c) para reverter as glosas sobre aluguéis de máquinas e equipamentos apropriados nos centros de custos "derrubada processamento mecanizado" e "transporte fora de estrada". Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS com base no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo ao período de apuração de janeiro de 2005, formalizado em 28/02/2005 e cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório de fls. 110/132, notificado ao contribuinte em 23/12/2008, a autoridade administrativa efetuou ajustes na apuração do contribuinte, glosou parte dos créditos e homologou parcialmente as compensações. A fiscalização fez os seguintes ajustes na apuração do contribuinte: 1) O contribuinte cometeu um equívoco na indicação do saldo tributável da conta 411230 Papel Mercado Nacional, pois em seu lugar tomou o saldo da conta 411231 Papel Mercado Externo. O ajuste consistiu na readequação do cálculo com a inclusão do valor de R$ 8.347.293,44, conforme planilha de fl. 90; 2) Na rubrica "bens utilizados como insumos", foram glosados fertilizantes, herbicidas, corretivos de solo e congêneres, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero partir de 26/07/2004 (Decreto nº 5.195/04), o que impede o aproveitamento do crédito. Também foram glosados serviços aduaneiros e logísticos computados como custo de aquisição dos produtos importados, pois na condição de serviços, não guardam qualquer pertinência com o conceito de insumo adotado pela Administração Tributária; 3) Na rubrica "serviços utilizados como insumos", foram glosados os valores que não são aplicados diretamente na produção. Foram expurgados do DACON os serviços dos Fl. 477DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000145/200554 Acórdão n.º 3402002.811 S3C4T2 Fl. 7 3 centros de custos de administração de viveiro; silvicultura e colheita florestal; almoxarifados; benfeitorias em estradas de terceiros; conservação e construção de estradas; topografia; vigilância; inventários; dentre outros. Foram glosados também serviços prestados em áreas vinculadas à produção e/ou industrialização, mas que não se enquadram como insumos, devido à influência indireta que exercem sobre os bens produzidos/industrializados, o que motivou a fiscalização a elaborar uma planilha demonstrativa das glosas efetuadas (fls. 80/87); 4) Na rubrica "despesas com energia elétrica", a fiscalização acatou o custo com a energia elétrica propriamente dita, mas glosou as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia (fl. 77), por se tratar de um serviço não aplicado diretamente na produção; 5) Na rubrica "despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos", foram glosados os lançamentos relativos aos centros de custos denominados "derrubada e processamento mecanizado" e "transporte fora de estrada", pelo fato dessas despesas não se enquadrarem no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (fl. 88); 6) Na rubrica "outros valores com direito a crédito", foram glosados valores que manifestamente não dão direito ao crédito, como despesas com hospedagem de empregados; manutenção de hadware; anuidades e mensalidades de órgãos classistas; programas de formação profissional e eventos para empregados. Em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) com o advento da COFINS nãocumulativa, a partir da vigência da Lei n° 10.833/2003, o impugnante passou a ter em sua escritura fiscal valores acumulados que foram expressamente informados na competente DACON referentes aos saldos de 2003, que não foram considerados pelo auditor fiscal; b) a Lei n° 10.833/2003 estipulou a nãocumulatividade da COFINS e, como garantia desse instituto, determinou que o saldo de tributo não aproveitado no mês em que tiver sido apurado deverá ser acumulado para aproveitamento no exercício seguinte, sendo que, seguindo a risca esse preceito legal e no intuito de manter coerência com o princípio da não cumulatividade, o impugnante apurou o saldo de COFINS em fevereiro de 2004 e o acumulou com o saldo de março de 2004 e assim sucessivamente, mês a mês, até o pedido de compensação de parte do valor acumulado por ora em debate; c) além do mais, na qualidade de empresa exportadora, faz jus ao beneficio instituído pela Lei n° 9.363/96, a qual prevê a hipótese de crédito presumido de IPI como meio de ressarcimento à COFINS, colocandoa na posição de empresa acumuladora de créditos de COFINS, causa do saldo constante dos seus registros contábeis/fiscais até a data de hoje, e assim, não há como existir igualdade entre os valores informados pelo impugnante como créditos acumulados de COFINS desde fevereiro/2004, para uso na compensação de COFINS em janeiro/2005, com os valores apurados pelo Fisco repleto de falhas de apuração como as acima evidenciadas; d) tal situação, de inconsistências entre os dados apresentados pelo contribuinte e o resultado da apuração feita pela fiscalização enseja, no mínimo, a imediata revisão do procedimento fiscal realizado através de diligência, a ser realizada por fiscal estranho ao feito, quando não se optar pela sua imediata anulação; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 e) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matéria prima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; f) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme Solução de Consulta n° 260, de 26/09/2008, Solução de Consulta n° 85, de 07/04/2008, Solução de Consulta n° 72, de 04/09/2006; g) também não há que se falar em glosa de créditos da COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp n° 1008021/CE; Resp n° 617.733/CE; Resp n° 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração da COFINS; h) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRFNIT/ES n° 2.941/2008, para que seja homologada na integralidade a compensação constante deste processo. Por meio do Acórdão nº 26.045, de 20/08/2009, a 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Ficou decidido o seguinte: 1) o contribuinte não tem direito de acumular saldos anteriores a fevereiro de 2004, pois a Lei nº 10.833/2003 só teve eficácia a partir de 01/02/2004; 2) não existe nenhum saldo acumulado nos meses de fevereiro e março de 2004, pois os valores relativos a esses meses foi objeto de pedido por parte do contribuinte no processo 13770.000198/200494, no qual o direito de crédito foi parcialmente reconhecido e totalmente absorvido para amortizar as compensações então declaradas, não restando saldo algum a transferir para os períodos seguintes; 3) o crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96 nada tem a ver e não interfere com os créditos das contribuições no regime nãocumulativo. Além disso o regime não cumulativo exclui o direito de o contribuinte de apurar o crédito presumido com base na Lei nº 9.363/96; 4) foram mantidas as glosas de bens e serviços, com a mesma fundamentação lançada pela fiscalização; 5) não houve glosa de combustíveis e nem de equipamentos de proteção individual e, tampouco, de partes e peças de reposição, mas ainda que tivessem ocorrido deveriam ser mantidas, pois esses itens não são insumos; 6) não há direito de apropriar créditos em relação a insumos sujeitos à alíquota zero, por força do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, com a redação da Lei nº 10.865/2004; 7) a DRJ considerou matérias não impugnadas: a readequação do cálculo apresentado pelo contribuinte (R$ 8.347.293,44) e a desconsideração do crédito de R$ 207.534,70, informado pelo contribuinte na linha 25 da Ficha 12 do DACON para janeiro de 2005; 8) não houve nenhuma glosa motivada na aquisição de insumos de pessoas sujeitas à COFINS no regime cumulativo; 9) foi rejeitado o pedido de diligência, pois o ônus da prova das alegações era do contribuinte. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000145/200554 Acórdão n.º 3402002.811 S3C4T2 Fl. 8 5 Regularmente notificado dessa decisão em 20/10/2009, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/11/2009, no qual reprisou as alegações de impugnação e pleiteou de forma específica créditos sobre aquisição de combustíveis, das atividades de silvicultura e do combustível utilizado nas atividades industriais. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O contribuinte vem pleiteando desde a impugnação a realização de diligência para que os "equívocos cometidos ao longo do processo de fiscalização" sejam sanados. As alegações do contribuinte quanto ao desrespeito na acumulação do saldo credor até abril de 2004 e quanto ao aproveitamento do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 foram bem apreciados pela DRJ Rio de Janeiro. A fundamentação adotada por aquele colegiado deve ser mantida por esta Turma pois: (i) não existe direito de apurar crédito da não cumulatividade da COFINS antes da eficácia da lei que a instituiu (01/02/2004), exceto quanto a eventual estoque de abertura, o que nem de longe foi glosado pela fiscalização ou objeto de alegação por parte do contribuinte; (ii) em relação aos créditos de fevereiro e março de 2004, não existe saldo a ser transferido para períodos seguintes, pois o saldo alegado no processo nº 13770.000198/200494 não foi suficiente nem para amortizar as compensações a ele vinculadas; e (iii) a teor do art. 14 da Lei nº 10.833/2003, empresas sujeitas à sistemática da nãocumulatividade do PIS e COFINS não podem apurar o crédito presumido de IPI. Portanto, inexistindo os "equívocos" alegados, o pedido de diligência deve ser indeferido, com base nos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70235/72, por se tratar de providência prescindível. No que tange à questão de fundo, o Acórdão 3403002.824 analisou questão semelhante, em relação a uma outra empresa produtora de celulose, cujo processo produtivo é bem semelhante ao da ora recorrente, pois em ambos os casos os contribuintes produzem sua própria matériaprima por meio do cultivo de florestas. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito no recurso. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art. 1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária, "agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza seccionar a atividade da recorrente. Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados, a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido naqueles atos administrativos, os quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000145/200554 Acórdão n.º 3402002.811 S3C4T2 Fl. 9 7 PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03, pois esse dispositivo legal teria encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no dispositivo legal, alude aos gastos incorridos no auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação referese unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000145/200554 Acórdão n.º 3402002.811 S3C4T2 Fl. 10 9 A adoção do custo de produção como critério jurídico hábil a propiciar a geração do crédito, conduz a conclusões diametralmente opostas das quais chegou a fiscalização. Embora as partes não tenham anexado nenhum documento ao processo que permita ao julgador aferir a veracidade das alegações, os fatos são incontroversos e o confronto do relatório fiscal com o recurso do contribuinte e a utilização da distribuição do ônus da prova permite a este colegiado proferir decisão certa quanto aos créditos glosados. Vejamos. DDOOSS BBEENNSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS A fiscalização glosou os bens discriminados na planilha de fls. 95/96, sob o argumento de que os herbicidas, fertilizantes e outros itens são sujeitos à alíquota zero. Já os serviços aduaneiros e logísticos computados como custo de aquisição dos produtos importados, foram glosados por não guardarem qualquer pertinência com o conceito de insumo adotado pela Administração Tributária. No que concerne aos herbicidas, fertilizantes e demais produtos tributados com alíquota zero, deve ser mantida a glosa procedida pela fiscalização, pois o art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, com redação da Lei nº 10.865/2004, estabelece que bens e serviços tributados com alíquota zero não geram crédito das contribuições. No que concerne aos serviços aduaneiros e logísticos computados como custo dos insumos importados, a glosa deve ser revertida, pois os custos incorridos com esses serviços relacionados com a aquisição dos insumos incluemse no custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, §§ 1º e 2º, do RIR/99, in verbis: Art.289.O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1ºO custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). §2ºOs gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. §3ºNão se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art.290.O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): Io custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; IIo custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 IIIos custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IVos encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; Vos encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §2º). DDOOSS SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS Na planilha de fls. 97 e ss. a fiscalização glosou vários serviços que no seu entender não podem ser considerados insumos, quer por serem incorridos na fase agrícola, quer por não serem diretamente aplicados no processo produtivo. Analisandose essa planilha, verificase que os serviços designados a seguir guardam relação de pertinência com as atividades da recorrente: administração de colheita florestal; administração de estradas; administração de silvicultura; administração de viveiros; benfeitorias em estradas; cadastro florestal; conservação de estradas; construção de estradas; fomento silvicultura; fomento administração (topografia e geoprocessamento); monitoramento e inventário florestal; meio ambiente e segurança industrial; segurança industrial; segurança florestal; segurança industrial; segurança do trabalho e riscos processo; serviços técnicos e meio ambiente industrial; silvicultura linha C. Todos esses serviços guardam relação de pertinência com as atividades da recorrente, enquadrandose como custos de produção a teor do art. 290, I do RIR/99, devendo, por tal motivo, serem revertidas. Em consequência devem ser mantidas as demais glosas de serviços relacionados nesta planilha, pois não foi possível estabelecer uma relação de pertinência e de essencialidade com o processo produtivo a partir dos nomes atribuídos aos serviços ou aos centros de custos. Tratandose de processo de iniciativa do contribuinte, cabia a ele o ônus da prova do direito de crédito alegado perante a Administração Tributária. DDEESSPPEESSAASS DDEE AALLUUGGUUÉÉIISS DDEE MMÁÁQQUUIINNAASS EE EEQQUUIIPPAAMMEENNTTOOSS Na rubrica "despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos", foram glosados os lançamentos relativos aos centros de custos denominados "derrubada e processamento mecanizado" e "transporte fora de estrada", pelo fato dessas despesas não se enquadrarem no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos. A fiscalização não esclareceu a razão pela qual as despesas "não se enquadram no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos". O art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, estabelece o seguinte: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000145/200554 Acórdão n.º 3402002.811 S3C4T2 Fl. 11 11 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Conforme se verifica na planilha de fls. 105, esses aluguéis estão relacionados aos centros de custos "derrubada processamento mecanizado" e "transporte fora de estrada". A nomenclatura utilizada sugere que são gastos incorridos na extração da madeira, atividade que guarda relação de pertinência com o processo produtivo, além de ser essencial para a produção do contribuinte. Assim, enquadramse perfeitamente no disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, devendo a glosa em relação a esses dois centros de custos serem revertidas. As demais glosas existentes nessa planilha devem ser mantidas, pois a partir dos nomes dos centros de custos "Geral Regional Bahia" e "Lubrificação" não foi possível estabelecer uma relação de pertinência com o processo produtivo da recorrente. Tratandose de processo de iniciativa do contribuinte, cabia a ele o ônus da prova do direito de crédito oposto perante a Administração. OOUUTTRROOSS VVAALLOORREESS CCOOMM DDIIRREEIITTOO AA CCRRÉÉDDIITTOO Na rubrica "outros valores com direito a crédito", a fiscalização glosou valores que manifestamente não dão direito ao crédito, como despesas com hospedagem de empregados; manutenção de hadware; anuidades e mensalidades de órgãos classistas; programas de formação profissional e eventos para empregados. As designações dessas despesas revelam que elas não guardam nenhuma relação de pertinência ou de essencialidade com o processo produtivo. Além disso, a defesa não se desincumbiu do ônus de comprovar o direito de crédito oposto perante a Administração, resultando daí que não existe outra solução que não a manutenção das glosas efetuadas sob essa rubrica. O exame de cada uma das planilhas de glosa revela a improcedência das alegações de defesa quanto à glosa de combustíveis de veículos e combustíveis utilizados no processo fabril, pois nas planilhas de glosa este relator não identificou nada relacionado a combustíveis. Da mesma forma, não houve nenhuma glosa motivada na aquisição de insumos de pessoas sujeitas à COFINS no regime cumulativo. Considerando o critério do custo de produção adotado pelo colegiado, a relação de pertinência do item glosado com a atividade do contribuinte e a distribuição do ônus da prova, não é possível reverter mais nenhuma glosa além das que foram revertidas neste voto. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas: a) serviços aduaneiros e logísticos computados como custo dos insumos importados; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 b) serviços de administração de colheita florestal; administração de estradas; administração de silvicultura; administração de viveiros; benfeitorias em estradas; cadastro florestal; conservação de estradas; construção de estradas; fomento silvicultura; fomento administração (topografia e geoprocessamento); monitoramento e inventário florestal; meio ambiente e segurança industrial; segurança industrial; segurança florestal; segurança industrial; segurança do trabalho e riscos processo; serviços técnicos e meio ambiente industrial; silvicultura linha C; c) aluguéis de máquinas e equipamentos apropriados nos centros de custos "derrubada processamento mecanizado" e "transporte fora de estrada". Antonio Carlos Atulim Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901978/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. PRECLUSÃO. VERDADE MATERIAL.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem, precluindo o direito de fazê-lo em momento posterior. Documentos insuficientes com que pretende o contribuinte fazer prova podem ser afastados diante de abundante e minuciosa demonstração probatória apresentada pela Autoridade Fiscal, prevalecendo esta em desfavor daquela, ainda mais quando não contestada para a apuração de crédito tributário em favor do contribuinte. O afastamento da preclusão em privilégio da verdade material pode se dar apenas diante de prova que se mostre inconteste para o julgador.
CORREÇÃO MONETÁRIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO. SELIC.
Sendo a compensação de tributos espécie de extinção do crédito tributário, que se relaciona com o pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, aplica-se a taxa Selic como atualização do crédito tributário pleiteado, desde a data do pagamento.
Numero da decisão: 3402-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente da Turma), Carlos Augusto Daniel Neto (Vice-presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. PRECLUSÃO. VERDADE MATERIAL. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior. Documentos insuficientes com que pretende o contribuinte fazer prova podem ser afastados diante de abundante e minuciosa demonstração probatória apresentada pela Autoridade Fiscal, prevalecendo esta em desfavor daquela, ainda mais quando não contestada para a apuração de crédito tributário em favor do contribuinte. O afastamento da preclusão em privilégio da verdade material pode se dar apenas diante de prova que se mostre inconteste para o julgador. CORREÇÃO MONETÁRIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO. SELIC. Sendo a compensação de tributos espécie de extinção do crédito tributário, que se relaciona com o pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, aplicase a taxa Selic como atualização do crédito tributário pleiteado, desde a data do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 19 78 /2 00 8- 85 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente da Turma), Carlos Augusto Daniel Neto (Vicepresidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") do Rio de Janeiro, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte por força da não homologação de declaração de compensação, de crédito de COFINS (valor original de R$ 10.636,86, do período dezembro/2000) decorrentes de pagamento a maior ou indevido pela empresa sucedida (Telecomunicações de Minas Gerais S/a), com débito da mesma Contribuição (período: outubro/2003). Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório acórdão recorrido in verbis: Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação (Dcomp), anexa fls. 02 a 06, de créditos provenientes de pagamentos de COFINS, período de apuração dezembro/2000, que teria sido efetuado a maior ou indevido, pela sucedida Telecomunicações de Minas Gerais S/A (CNPJ n° 17.184.201/000199), com débitos de COFINS, período de apuração outubro/2003, no valor total de RS 16.159,52. Por meio do Despacho Decisório n° 757793301, emitido eletronicamente (fl. 08), o Delegado da DERAT, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para guitar outros débitos da Contribuinte.Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 11/15), na qual alega, em síntese, que: 1) o crédito utilizado na compensação efetuada pela Telemar tem origem nas apurações da sociedade Telecomunicações de Minas Gerais S.A., posteriormente incorporada pela Requerente. 2) A questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB em 25.10.2005, referente ao 4° trimestre de 2000, entregue pela Telecomunicações de Minas Gerais S.A. (doc. n° 6). A simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível A compensação. 3) Para o período de apuração em questão (dezembro de 2000), foi apurado débito de Cofins (2172), no valor de R$ 4.941.146,99. 4) Como forma de pagamento foram vinculados: DARF no valor de R$ 4.726.271,76; DARF no valor de R$ 253.746,40 e DARF no valor de R$ 52.931,31. 5) Notese que o valor recolhido (vinculado) supera o montante do débito apurado em R$ 91.262,48, superior ao valor utilizado pela Requerente quando da transmissão da declaração. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15374.901978/200885 Acórdão n.º 3402002.827 S3C4T2 Fl. 273 3 6) Logo, conforme demonstrado, basta o confronto da DCTF retificadora com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência do crédito e a regularidade da compensação. 7) Nos termos do § P do art. 147 do CTN, pode o contribuinte retificar suas declarações até o momento em que for notificado do lançamento. 8) 0 próprio CTN fixa como prazo final para a retificação, nas hipóteses de redução e exclusão de tributo, a notificação do lançamento pelo FISCO. 9) 0 parágrafo primeiro do citado artigo está situado na Seção II do CTN, que trata das modalidades de lançamento. 0 caput do artigo, por sua vez, cuida do regime jurídico dos tributos lançados por homologação, que é o caso do IRPJ e da CSLL (sic). 10) Nesse contexto, cumpre ao contribuinte prestar suas declarações, sendo sua atividade sujeita A ulterior homologação pelo FISCO. No caso de pagamentos efetuados mediante declarações de compensação (PER/DCOMP), o contribuinte deve informar créditos e vinculálos, parcialmente ou na integralidade, aos débitos que pretende guitar via regime de compensação. 11) Por outro lado, compete ao Fisco homologar (ou não) a PER/DCOMP transmitida. Em não homologando, desconsidera os créditos e notifica o contribuinte para pagamento dos débitos já declarados. t a este ato de notificação que se refere o CTN. 12) Com base no exposto, fica claro que (i) o montante de R$ 91.262,48 foi recolhido a maior; (ii) tal valor consta do Darf cujo total é de R$ 4.726.271,76; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; (v) o citado valor foi corretamente e utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade, inexistindo débito em aberto. 13) Dessa forma, impõese a homologação da compensação n° 38287.34472.141003.1.3.048121. 14 Por todo o exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório n° 757793301, com a conseqüente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado. 15) Requer, ainda, com fulcro no art. 16, § 4°, "a" e § 5° do Decreto n° 70.235/72, a juntada posterior dos documentos que eventualmente se façam necessários, haja vista a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, em face do porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela Requerente. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no acórdão da DRJ do Rio de Janeiro, cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. 0 contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusdo, exceto em situações especificas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vieram então os autos a este Conselho, em sessão de 10/08/2011, para o julgamento do Recurso Voluntário, que repetiu os argumentos de sua manifestação de inconformidade, além de clamar pela busca da verdade material no julgamento do caso, juntando cópia da DCTF retificadora, a qual sustentaria seu direito creditório. Requereuse, então, o reconhecimento do crédito com a consequente extinção do débito tributário consubstanciado na declaração de compensação não homologada. Nesta oportunidade, por maioria de votos, resolveram os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência. Isto porque, muito embora o processo não estivesse instruído com os devidos documentos para a aferição de certeza e liquidez do crédito pleiteado, foi trazido a baila o conteúdo do artigo 37, 39 e 40 da Lei n. 9.784/99, como aplicáveis subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal ("PAF"). Tais dispositivos determinam que "quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias." Ademais, na mesma sessão de julgamento aquela C. Câmara reconheceu que em outros processos em nome da mesma empresa constatavase a verossimilhança das alegações relativamente a créditos tributários. Desse modo, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que a D. Fiscalização informasse conclusivamente sobre a existência do crédito, sua exatidão, bem como a origem e disponibilidade para a compensação pleiteada pela Recorrente. Atendendo à requisição deste Conselho, a DRF apresentou Relatório de Diligência Fiscal (fls 261 a 266). Não houve manifestação da Recorrente sobre tais informações. Finalmente, pelo relator original desse Processo, Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho ter passado a integrar a Câmara Superior de Recursos Fiscais, estes autos foram a mim redistribuídos para a finalização do julgamento. É o relatório. Voto Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15374.901978/200885 Acórdão n.º 3402002.827 S3C4T2 Fl. 274 5 Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz O presente processo já teve os seus requisitos de admissibilidade reconhecidos por este Conselho, de modo que passo à análise de seu mérito. Mas antes, realço que a questão da falta de documentos comprobatórios da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado pela Recorrente (artigo 170 do Código Tributário Nacional) para fins de compensação, já foi superada por este Conselho quando da apreciação do caso pelo Colegiado, em 10/08/2011, diante da verossimilhança das alegações do contribuinte. Ademais, a própria Fiscalização entendeu tacitamente como superada a questão (fls 266), haja vista que os documentos necessários para averiguar as alegações da Recorrente constavam dos autos do Processo Administrativo n. 10768.720287/200754, o qual está intimamente relacionado com o presente caso, como explanarei a seguir. Assim, pelo princípio da impulse oficial do processo (artigo 262 do Código de Processo Civil), julgo a questão a partir deste ponto. O caso se resume à verificação da existência de crédito de COFINS, referente ao período de dezembro 2000 (por pagamento indevido/a maior), uma vez que tal direito creditório, foi utilizado para compensação na DCOMP n. 36287.34472.141103.1.3.048121, com débitos da mesma Contribuições, relativos ao período de outubro de 2003. Segundo a Recorrente, em dezembro de 2000 seu débito de COFINS perfazia o montante de R$ 4.941.146,99 (valor trazido pela DCTF retificadora). Este débito fora quitado pelo pagamento de três DARFs, cuja soma total é de R$ 5.032.409,47 (R$ 4.726.271,76 + R$ 253.746,40 + R$ 52.391,31). Disto, conclui que teria saldo credor de R$ 91.262,48 (R$ 5.032.409,47 R$ 4.941.146,99), valor este, inclusive, bastante superior aos R$ 10.636,86 de débito que pleiteou a quitação na DCOMP n. 36287.34472.141103.1.3.048121. Fosse somente esta a realidade da origem do crédito buscado pela Recorrente (sucessora da Telecomunicações de Minas Gerais), devidamente comprovada nos autos, realmente não havia dúvidas sobre a necessidade de homologação da compensação efetuada. Entretanto, nas Informações prestadas pela DRF do Rio de Janeiro, em resposta a diligência requerida por este Conselho, aparece informação imprescindível para o caso: em outra DCOMP, à qual foi atribuído o número 42552.41386.311003.1.3.043348, controlada pelo PA n. 10768.720287/200754, a Recorrente requereu a compensação de débito com o mesmo crédito pretendido nesse processo, o que se constata pelo fato de ser utilizado neste processo um dos três DARFs citados acima, no valor de R$ 4.726.271,76. Esta segunda DCOMP tampouco foi homologada, o que também levou o processo a ser encaminhado ao CARF para julgamento do respectivo recurso voluntário. Analisando os documentos do citado PA n. 10768.720287/200754, percebe se a Autoridade Fiscalizadora, em diligência, apurou débito de COFINS em dezembro de 2000 no valor de R$ 7.693.632,72. Referente ao mesmo período, a DCTF original, emitida em 15/02/2001, eram apresentados os seguintes números: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 Já na DCTF retificadora, que foi entregue na data de 26/06/2006, constatamos os seguintes números: Os valores que aparecem como "suspensão" dizem respeito a débitos discutidos no Mandado de Segurança n. 19938000196295, cujo objeto era o alargamento da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS pela Lei n. 9.718/98, resultando em decisão final transitada em julgado favorável à União. A Fiscalização informa que para acompanhamento dos débitos discutidos na citada ação mandamental foi aberto o PA n. 10680.017091/9950, no qual consta DARF/depósito, datada de 30/07/2001, no total de R$ 65.442.556,65 para quitar os débitos suspensão relativamente à COFINS. No cálculo para conversão do depósito em renda da União, utilizou o valor constante no sistema SIEF (R$2.670.780,77), e não o valor de R$ 2.752.485,72, uma vez que ainda não havia sido processada no sistema a DCTF retificadora. Conforme documento de fls 260, os débitos com exigibilidade suspensa em razão do citado writ (atualmente controlados no PA 10680.460961/200453) foram considerados totalmente quitados pelo DARF/depósito. Diante de todos estes fatos, a DRF concluiu as informações apresentadas a este Conselho com as seguintes considerações: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15374.901978/200885 Acórdão n.º 3402002.827 S3C4T2 Fl. 275 7 De tudo quanto exposto, percebese que a Fiscalização trouxe minucioso trabalho probatório sobre a qualidade e quantidade do crédito tributário em questão, diferentemente da Recorrente. Com efeito, não bastasse não ter produzido prova alguma em sua manifestação de inconformidade, culminando no despacho decisório indeferindo a compensação pretendida, o contribuinte posteriormente trouxe aos autos Recurso Voluntário que se resume ao argumento de prevalência da verdade material sobre a verdade formal no processo administrativo, continuando praticamente inerte no que tange à comprovação do seu direito, pois somente juntou cópia da DCTF retificadora. Nada mudou depois da apresentação das informações fiscais (fls 261 a 266, trazidas aos autos em setembro de 2014), que nunca foram contestadas pela Recorrente. Inclusive, com relação à prova emprestada, trazida do PA n. 10768.720287/200754, em diligência na qual a Autoridade Fiscalizadora apurou débito de COFINS em dezembro de 2000 no valor de R$ 7.693.632,72, não houve contestação por parte do contribuinte, nem naquele processo, nem neste, de modo que considero como válida a sua utilização nestes autos, uma vez que não fere o princípio do contraditório pois este foi dispensado pelo contribuinte. Afinal, caberia ao contribuinte a demonstração de fato impeditivo, extintivo ou modificativo do seu direito (artigo 333 do CPC, trazido atualmente ao artigo 373, inciso II do Novo CPC), o que, repitase, não ocorreu. Assim, acolho as informações e provas trazidas aos autos pela Fiscalização, concluindo que a Recorrente possui o crédito líquido e certo no valor de R$ 9.567,53. Tal valor deve ser declarado como passível de compensação, uma vez que, embora estivesse sendo Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 pleiteado em duplicidade, nestes autos e também no PA Processo n. 10768.720287/200754, em sessão de julgamento desta mesma Turma do CARF, em 2 de setembro de 2011, foi negado provimento ao Recurso Voluntário desse último processo. Quanto a correção monetária do montante, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. In verbis: Mesmo na inexisten̂cia de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetiçaõ de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituiçaõ tardia e sem atualização é restituiçaõ incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposiçaõ do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correcã̧o na hipótese em exame. A jurispruden̂cia unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito à atualizaçaõ do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Por tudo quanto exporto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 9.567,53, ao qual deve aplicarse a taxa Selic para atualização desde o pagamento indevido, vale dizer, desde o recolhimento da DARF em 15/01/2001, extinguindo no quanto alcançar o débito tributário constante da DCOMP n. 36287.34472.141103.1.3.048121. Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15374.901978/200885 Acórdão n.º 3402002.827 S3C4T2 Fl. 276 9 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902458/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 24 58 /2 01 0- 15 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Por bem retratar os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório que foi objeto da decisão de primeira instância: O contribuinte transmitiu em 13/01/2007 Per/Dcomp para compensar crédito proveniente de pagamento indevido a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, período de apuração 01/06/2004 a 30/06/2004, com débito de Cofins, período de apuração dezembro de 2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis não homologou a compensação realizada e, no Despacho Decisório de fl. 31, justificou a decisão com os dizeres: “A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.” No Despacho Decisório consta também que o pagamento de R$ 24.862,48 está integralmente vinculado ao débito de Cofins, código 2172 período de apuração 30/06/2004, conforme DCTF ativa. Irresignado com a decisão, ciência em 20/09/2010, a requerente apresenta Manifestação de Inconformidade, em 08/10/2010, para pedir, preliminarmente, que “seja declarado nulo o citado despacho, tendo em vista a deficiência de fundamentação deste, o que impossibilita a plena defesa da manifestante.” Alega também “que não existe nenhuma norma que determine a retificação das DCTFs nos casos de pagamentos indevidos a maior, para que seja suprimido em tal declaração o valor do crédito compensado.” Solicita, ainda, que “caso não seja declarado nulo o citado despacho, o que se admite tãosomente pelo princípio da eventualidade e para efeitos de pedido, que ele seja julgado improcedente, com a conseqüente homologação das compensações.” Em síntese, é o relatório. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento objeto da lide em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2004 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10665.902458/201015 Acórdão n.º 3802002.036 S3TE02 Fl. 55 3 COMPENSAÇÃO Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da referida decisão em 30/05/2011 (efls. 42), o sujeito passivo apresentou, em 10/06/2011 (efls. 43), o recurso voluntário de efls. 43/49 onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância em favor da nulidade do despacho decisório por deficiência na fundamentação, e quanto à inexistência de norma legal que tornasse obrigatória a retificação da DCTF. Requer, por fim, seja dado provimento ao seu recurso para que seja declarado nulo o despacho decisório ou julgado improcedente o acórdão recorrido com a consequente homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator na ocasião em que o feito foi julgado (sessão do dia 24/09/2013): Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal No que concerne à alegação de falta de fundamentação e de motivação nas decisões proferidas pela Fazenda Nacional, tais alegações trazidas pelo recorrente não procedem e devem ser rechaçadas de pronto, porquanto nelas foram preenchidos os requisitos legais decorrentes do Decreto nº 70.235/72 e demais disposições constitucionais e administrativas. Sobre a DCTF, que é uma declaração de débitos e créditos tributários federais, contendo informações relativas aos tributos e contribuições de créditos, como também sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, é um documento que, não retificado, elimina o crédito de imediato. Ou seja, no encontro de contas, ocorre a compensação. Essa é a lógica do sistema. Daí a importância da retificação. Caso ela não seja retificada, não há como verificar a existência do crédito. E mais, esse ônus compete unicamente ao contribuinte. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 O fato central aqui é outro. Da análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 1ª Turma da delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, já que o recorrente não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Conforme entendimento exposto na decisão a quo, temse que, à luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Notese que os dados foram informados pelo recorrente e analisados pela Fazenda Nacional: os dados do pagamento (DARF) e dados do crédito e do débito na DCTF. A partir do confronto dos elementos acima indicados, verificouse que não havia mais crédito disponível para ser aproveitado no procedimento de compensação. O crédito reclamado não foi comprovado em nenhum momento (informações prestadas para a Receita Federal – Provas nestes autos). O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Posto isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGO LHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 58DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 13154.000169/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos da Cofins.
Recurso voluntário provido em parte.
Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI N.º 10.925/2004. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedado aos cerealistas o ressarcimento do crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004.
DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
As despesas de depreciação que dão direito ao crédito da Cofins são somente aquelas que se refiram a bens integrantes do ativo permanente aplicados na produção ou na prestação de serviços. Entende-se que a produção de bens não se restringe ao conceito estrito de industrialização previsto na legislação do IPI.
Numero da decisão: 3201-002.052
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schindwein.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos da Cofins. Recurso voluntário provido em parte. Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI N.º 10.925/2004. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedado aos cerealistas o ressarcimento do crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. As despesas de depreciação que dão direito ao crédito da Cofins são somente aquelas que se refiram a bens integrantes do ativo permanente aplicados na produção ou na prestação de serviços. Entende-se que a produção de bens não se restringe ao conceito estrito de industrialização previsto na legislação do IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schindwein. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 VENDAS REALIZADAS A PESSOAS FÍSICAS. POSTERIOR EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas de mercadorias realizadas a pessoas físicas, ainda que, posteriormente, venham a ser exportadas para o exterior não compõem as receitas de exportação para fins de aproveitamento dos créditos vinculados. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI N.º 10.925/2004. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedado aos cerealistas o ressarcimento do crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. As despesas de depreciação que dão direito ao crédito da Cofins são somente aquelas que se refiram a bens integrantes do ativo permanente aplicados na produção ou na prestação de serviços. Entendese que a produção de bens não se restringe ao conceito estrito de industrialização previsto na legislação do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 01 69 /2 00 5- 71 Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos da Cofins. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schindwein. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débitos próprios com crédito oriundo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins apurada no regime não cumulativo, com origem no segundo trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A contribuinte acima identificada apresentou declarações de compensação conforme consta na tabela 1 do relatório do Despacho Decisório n. 1.511 — DRFCBA, de 16 de dezembro de 2009 (f. 807 a 091) e PER/DCOMP n. 31969.64640.310106.1.1.095642 e n. 03463.74299.310106.1.3.098856, consignando como crédito o total de R$ 6.061.068,37 relativo à Cofins não cumulativa/exportação, segundo trimestre de 2005. Os débitos se referem a vários tributos, conforme discriminado na mesma tabela. O processo foi encaminhado à Seção de Fiscalização da DRF/Cuiabá para verificação quanto à procedência dos créditos. O relatório e documentos encontramse às f. 557 a 804. As compensações foram homologadas parcialmente, tendo em vista o resultado da auditoria que considerou como crédito o valor de R$ 1.425.064,43 (declarações em Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.729 3 formulário) e R$ 338.085,17 (PER/DCOMP), conforme despacho decisório. Os fundamentos para o indeferimento parcial dos créditos foram, em resumo, alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação, alteração quanto ao valor dos créditos presumidos agroindústria, glosas de despesas de depreciação, ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação e a inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros. A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 4 de janeiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento acostado à f. 830. Em 2 de fevereiro de 2010, foi protocolada a manifestação de f. 831 a 876 (anexos as f. 877 a 1.097), firmada por procurador (cópias de instrumento de mandato e documento de identidade do procurador As f. 888 a 890), na qual, após relato dos fatos e se discorrer sobre o histórico legal da nãocumulatividade da Cofins, foi alegado, em apertada síntese, que: a) para a apuração dos créditos à receita de exportação é facultada a escolha entre a apropriação direta e o rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, este último o adotado pela contribuinte; b) todas as operações de vendas com o fim específico de exportação, inclusive aquelas feitas a pessoas físicas que exportaram as mercadorias adquiridas, geram direito ao crédito; c) são desenvolvidas atividades de produção de mercadorias para a alimentação humana e animal, conforme processo descrito; d) há direito ao crédito presumido calculado sobre o total de aquisições efetuadas de pessoas físicas e jurídicas com suspensão das contribuições, ainda que aplicadas na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, e tais créditos podem ser utilizadas para a compensação com outros tributos e contribuições; e) o cálculo do "crédito presumido agroindústria" foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei n. 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM; Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 f) "as Leis 10.637, 10.833 e 10925/2004 não fazem qualquer restrição sobre a realização e manutenção do crédito presumido quando aplicados a mercadorias exportadas, donde se deduz que o aproveitamento por compensação ou ressarcimento não poderá ser objeto de restrições por parte da Receita, conforme consta no artigo 2° do ADI n° 15/2005"; g) há direito em "realizar crédito sobre todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção, seja industrialização de óleo e farelo de soja, seja na produção de milho e soja beneficiada"; h) foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; i) pode ser mantido o crédito de Cofins sobre a totalidade de fretes suportados pela contribuinte e vinculados às operações de exportação, diretas ou indiretas; j) há créditos decorrentes de aquisições de serviços de transporte não utilizados, sendo requerido seja aceita a apresentação extemporânea de demonstrativos e documentos; k) os créditos devem ser corrigidos pela Selic. Ao final, é requerido: a) o provimento à manifestação para que seja garantido o integral direito de créditos de Cofins da manifestante; b) a correção dos créditos pela taxa Selic; c) a homologação das compensações declaradas; d) a suspensão da exigibilidade dos débitos. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CGE n.º 0420.556, de 21/05/2010 (fls. 1585 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.730 5 sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A análise de normas segundo os princípios constitucionais é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DEMONSTRATIVOS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à Cofins só são reconhecidos no caso de as operações estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. CRÉDITOS. VALORAÇÃO. A valoração dos créditos é efetuada na forma disposta na legislação, não incidindo juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos de Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1604/1661, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Considerações iniciais A Recorrente pleiteou o ressarcimento de créditos da Cofins apurados no regime não cumulativo, com origem em janeiro de 2005, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Deferiuse o pleito em parte, especificamente porque glosados créditos relativos a vendas realizadas a pessoas físicas com fim específico de exportação, créditos presumidos de agroindústria, créditos de despesas de depreciação, créditos vinculados à receita de exportação Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 pelas empresas comerciais exportadoras nas hipóteses de aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação e créditos sobre fretes decorrentes de exportações de terceiros. Impugnada a decisão, a instância de piso mantevea na integralidade. Eis, em síntese, o litígio. Das vendas realizadas a pessoas físicas A primeira matéria diz com as vendas realizadas a pessoas físicas com o fim específico de exportação. Afirma a fiscalização, no Despacho Decisório, que as vendas assim realizadas não estão previstas no art. 6º da Lei º 10.833, de 2003, de forma que não podem compor as receitas de exportação para fins de aproveitamento dos créditos vinculados. Vejamos. Como cediço, as exportações não se dão apenas através da própria empresa produtoraexportadora da mercadoria, mas, também, por meio das chamadas trading companies – aquelas pessoas jurídicas criadas com a só finalidade de promover a importação e a exportação de produtos fabricados no exterior ou aqui manufaturados –, para as quais o legislador ordinário atribuiu, também às vendas a estas efetuadas e em apreço à imunidade constitucional, isenção das contribuições para o PIS e para a Cofins, desde que os produtos tenham sido adquiridos com o fim específico de exportação. O Decretolei nº 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, por empresa comercial exportadora, para o fim específico da exportação, deu a seguinte disciplina às operações por ela realizadas: “Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decretolei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º. O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I – Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II – Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III – Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.731 7 § 1º. O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º. Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior. Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação.” (g.n). Assim também o Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; V do transporte internacional de cargas ou passageiro; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (g.n.) Como se vê, o legislador estabeleceu alguns requisitos para que a isenção do PIS e da Cofins se confirmasse: além de as vendas necessariamente terem de ser efetuadas a empresas comerciais exportadoras, devem ser assim realizadas com o fim específico de exportação, finalidade explicitada, embora já constante do Decretolei n.º 1.248, de 1972, por meio da IN SRF nº 247/2002, nos termos seguintes: remessa direta do produtorvendedor para embarque de exportação ou depósito em entreposto aduaneiro, em ambos os casos por conta da empresa comercial exportadora. Ora, como restou consignado na decisão recorrida, as vendas de mercadorias realizadas a pessoas físicas – ainda que, em momento posterior, venham a ser exportadas para o exterior – não podem ser consideradas como destinadas a uma empresa comercial exportadora, pois esta tem a natureza de uma pessoa jurídica, formal, portanto não natural. Tratase, pura e simplesmente, de uma venda no mercado interno, daí que não podem integrar a receita de exportação para o fim desejado. Do crédito presumido da agroindústria Uma outra questão submetida à apreciação deste Colegiado envolve o crédito presumido conferido por lei às agroindústrias. As Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, estabelecem, como regra geral, o não creditamento nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins (art. 3º, § 2º, das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). Nada obstante, essa regra geral foi excepcionada por lei especial, qual seja, o art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que conferiu, apenas para as pessoas jurídicas que menciona, crédito presumido a ser calculado sobre o valor que seria devido fosse a operação tributada nos termos do art. 2º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (sobre os 1,65% e os 7,6% a título de PIS e de Cofins, respectivamente): Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.732 9 capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012)” § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007). § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (g.n.). Afirma a fiscalização que, no período de análise, a Recorrente produziu mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM, fazendo jus ao crédito presumido previsto pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Apenas reduziu o valor pleiteado, que, segundo sustentou, só pode ser utilizado para deduzir as contribuições devidas. Ressaltou, também, que a Recorrente adquiria de pessoas físicas soja em grãos, posteriormente destinada à comercialização e à industrialização. Quando destinada à industrialização, o produto era transferido pelas filiais às unidades industriais localizadas em CuiabáMT e ItacoatiaraAM, através da emissão de notas fiscais de transferência para industrialização (ver fls. 1140 e ss.). O montante transferido correspondeu aos insumos utilizados na produção sobre o qual é apurado o crédito presumido. Ocorre que, para comprovar o valor das matériasprimas transferidas para as unidades industriais, a fiscalização examinou cópias das GIA Guia de Informação e Apuração de ICMS das duas filiais produtoras que foram apresentadas pela Recorrente. Apenas quanto à unidade de Cuiabá, constatouse que os valores utilizados como base de cálculo do crédito presumido no Dacon e Demonstrativos entregues superavam os valores informados na GIA a título de entradas de transferência para industrialização, uma vez que não consideradas pela Recorrente as devoluções de transferências recebidas CFOP 5152. Intimada, esta apresentou novo relatório que findou por confirmar as diferenças apontadas pela fiscalização (ver fl. 1341). De fato, analisado o demonstrativo, anexado pela fiscalização, ao Termo de Intimação de fl. 1337 (ver fl. seguinte), verificase que a resposta da Recorrente confirmou as diferenças apontadas e os valores das bases de cálculo do crédito presumido pleiteado – que, aliás, foram, por ela própria, informados na Dacon –, de modo que, considerando que o valor glosado decorreu unicamente dessas diferenças (devoluções de transferências recebidas), alegações outras que a esta não expressamente se refiram são absolutamente irrelevantes para o deslinde do litígio. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.733 11 No recurso voluntário, a Recorrente também afirma produzir mercadorias classificadas nos Capítulos 10, 12, 15 e 23 da NCM, não apenas nos Capítulos 15 (óleo de soja) e 23 (farelo de soja). Especificamente, sustenta beneficiar milho e soja, que, posteriormente, são destinados, já beneficiados, à alimentação humana e animal. Com efeito, os valores correspondentes às aquisições empregadas na produção de produtos classificados nos Capítulos 10 e 12 da NCM não foram computados na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que fiscalização apenas referiuse às aquisições de soja em grãos destinadas às unidades industriais da Recorrente. Contudo, este Conselho Administrativo, depois de intenso debate (no qual, registrese, restei vencido), assim como vem conferindo ao termo "insumos" interpretação mais abrangente que a definição conferida pela legislação do IPI, de molde a abarcar aqueles fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e para a obtenção da receita tributável pelo PIS/Cofins, também tem entendido que a produção de bens não se restringe apenas ao conceito estrito de industrialização. A título de ilustração: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. (g.n.) (3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª TO, Acórdãonº 3401003.001 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8/12/2015). É o que ocorre a atividade desenvolvida pela Recorrente nas suas filiais não industriais, nas quais são beneficiadas mercadorias, adquiridas de pessoas físicas e cooperativas, posteriormente destinadas à alimentação humana ou animal. Já a impossibilidade de ressarcimento do crédito presumido decorre da própria lei que o instituiu, como previsto no caput do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que só permite seja utilizado como dedução dos débitos da própria exação. Não por outro motivo, a RFB, por meio do ADI SRF nº 15, de 2005, dispôs que “o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa” e que “não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento” por falta de previsão legal. Concluindo, a Recorrente também faz jus ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições, notadamente milho, de pessoas físicas ou cooperativas empregadas na produção (beneficiamento), em suas filiais não industriais, de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM. Das despesas de depreciação Segundo informado no Despacho Decisório, a glosa aqui efetuada teve duas razões de existir: a) no confronto Dacon x Demonstrativo, constatouse os valores de depreciação informados para o cálculo do crédito no período de janeiro a outubro de 2005 correspondem a valores acumulados, em desacordo com a Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, § 1°, inciso III, c/c art. 3°, incisos VI e VII (em novembro de 2005, o contribuinte efetuou ajustes negativos do crédito para saneamento das incorreções, porém os créditos dos meses anteriores ficaram maiores que os devidos); b) conforme o art. 3°, inciso VI, c/c art. 3°, § 1°, da Lei nº 10.833, de 2003, os créditos básicos poderão ser calculados sobre a depreciação/amortização de máquinas e equipamentos desde que adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, o que não seria o caso. A parcela do valor glosado decorrente da primeira incorreção não foi objeto de contestação. No caso da segunda irregularidade, verificouse que parte das máquinas e dos equipamentos sobre os quais calculados a depreciação foram destinados a filiais da Recorrente que comercializam soja em grãos, ou seja, não foram destinadas às suas unidades produtoras localizadas em Cuiabá e Itacoatiara, já acima mencionadas, onde se desenvolve o processo de industrialização. A glosa teve como fundamento o art. 3°, inciso VI, c/c art. 3°, § 1°, da Lei nº 10.833, de 2003, cuja redação é a seguinte: Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.734 13 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) Para a fiscalização, portanto, apenas nas unidades industriais haveria a produção de que fala a norma, o que, entretanto, está em descompasso com o sentido lato que aqui se atribuiu ao termo. Assim, também os créditos de depreciação das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no beneficiamento de mercadorias pelas unidades comerciais da Recorrente (coletores de amostras, medidores de umidade, elevadores de grãos, máquinas de limpeza, secadores, balanças, silos metálicos, etc.), para a produção de bens classificados no Capítulos 10 e 12 da NCM, podem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. Das exportações realizadas por terceiros fretes Conforme destacado no Despacho Decisório, a Recorrente exportou mercadorias de terceiros, vale dizer, recebeu mercadorias com o fim específico de exportação. Tais operações, por expressa previsão legal, não geram créditos para a Recorrente, nos termos do art. 6º, § 4º, da Lei n° 10.833, de 2003, mas apenas para aqueles que lhe remeteram as mercadorias. (“Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação”). Além da inclusão indevida das exportações de terceiros, a Recorrente pretende o ressarcimento sobre o frete despendido nestas mesmas operações, o que foi glosado pela Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 fiscalização, ao argumento de que as respectivas despesas de fretes, relativas ao transporte das mercadorias adquiridas até o porto de embarque, não gera o direito a crédito pelos mesmos fundamentos. Ora, uma coisa é a exportação realizada por terceiros, que, como vimos, não pode integrar a receita de exportação da Recorrente. Outra é a despesa de frete, suportado pela própria, no transporte das mercadorias até o porto de embarque. Obviamente, se tal despesa tivesse sido custeada pelos terceiros que realizaram a exportação não poderia ser objeto da pretensão da Recorrente. No entanto, se esta suportou o ônus deste frete, ou seja, se foi a Recorrente quem efetivamente o pagou, tratase, evidentemente, de frete na operação de venda, despesa que pode ser excluída, nos termos do art. 3ª, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003, da base de cálculo da Cofins. Sustenta, ademais, a Recorrente que, em procedimento próprio de revisão de créditos pleiteados, identificou o não aproveitamento daqueles decorrentes de aquisições de serviços de transporte, cujos pagamentos foram por ela suportados. Diz que, na manifestação de inconformidade, requereu a oportunidade de apresentar, em data oportuna, os demonstrativos e documentos para confirmar esta informação ou, alternativamente, que se procedesse à revisão do tema proposto com a finalidade de identificar os créditos só posteriormente estimados, pedidos que foram indeferidos, ao fundamento de que as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Embora certa a DRJ, o que a Recorrente pretende, na verdade, é ampliar o valor do crédito pleiteado, quando não podia mais fazêlo, uma vez que já apreciado o pedido de ressarcimento/compensação e prolatada a decisão pela autoridade competente. Nada obstava, porém, que a Recorrente apresentasse novo pedido de ressarcimento, contemplando exclusivamente os valores que, por erro exclusivo seu, não compuseram aquele solicitado, observado, no entanto, o prazo prescricional aplicável. Da distorção no rateio proporcional Sobre o suposto equívoco que teria decorrido da descaracterização de algumas vendas efetuadas para exportação, é evidente que a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, é mero reflexo das glosas efetuadas pela fiscalização e aqui mantidas pelas razões já delineadas. Da taxa Selic sobre os valores ressarcidos No que concerne aos juros à taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, há norma expressa na Lei nº 10.833, de 2003, vedando, para o ressarcimento da Cofins, a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000169/200571 Acórdão n.º 3201002.052 S3C2T1 Fl. 1.735 15 a) reconhecer o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições, notadamente milho, de pessoas físicas ou cooperativas empregadas na produção (beneficiamento), em suas filiais não industriais, de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM; b) reconhecer os créditos de depreciação das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no beneficiamento de mercadorias adquiridas de pessoas físicas ou cooperativas pelas unidades comerciais da Recorrente (coletores de amostras, medidores de umidade, elevadores de grãos, máquinas de limpeza, secadores, balanças, silos metálicos, etc.), para a produção de bens classificados no Capítulos 10 e 12 da NCM; c) reconhecer os créditos sobre as despesas de frete, despendidos no transporte das mercadorias exportadas por terceiros, das unidades da Recorrente até o porto de embarque. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10830.002175/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA.
O regime jurídico-administrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, a apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI.
Numero da decisão: 3302-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. O regime jurídico-administrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, a apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 BEBIDAS DA MARCA XTAPA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. As bebidas da marca XTapa classificamse no código 2202.90.00 da TIPI, ainda que apresentem propriedades alimentares. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. PRODUTO EXCLUÍDO DA RELAÇÃO DE ALIMENTO PARA PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA. APURAÇÃO DO IPI DEVIDO COM BASE NA ALÍQUOTA ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. Os suplementos vitamínicos, por não enquadrarem como alimento para praticantes de atividade física, nos termos da Portaria 222/1998 da extinta Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, não estão sujeitos às alíquotas específicas fixadas no Ato Declaratório SRF 12/2000. RESSARCIMENTO. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. PRODUTO SUJEITO A APURAÇÃO DO IPI COM BASE ALÍQUOTA AD VALOREM. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR REMANESCENTE DO IMPOSTO. POSSIBILIDADE. Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, a apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 21 75 /2 00 2- 11 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 O regime jurídicoadministrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fl. 2) de saldo remanescente de crédito básico do IPI apurado no 4º trimestre de 2001, no valor de R$ 232.298,39, acompanhado do Pedido de Compensação (fl. 4), em que pleiteada a compensação do referido crédito com os débitos do IRPJ, CSLL, Contribuição para PIS/Pasep e Cofins, discriminados no extrato de fls. 55/56. Com respaldo na Informação Fiscal de fls. 52/54, a autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 58, deferiu parcialmente o crédito pleiteado, no valor de R$ 7.084,48, glosou o valor de R$ 225.213,91 e homologou parcialmente as compensações pleiteadas, com base no argumento de que a contribuinte dera saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada e sem o lançamento do imposto devido. Por força desse entendimento, a escrita fiscal da interessada foi reconstituída e o saldo credor do IPI reduzido para o valor de R$ 7.084,48. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as suas razões de defesa, que foram assim resumidas no relatório encartado na decisão recorrida: 1. O mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao processo de auto de infração de IPI n° 10830.002310/200643, assim, o exame do mérito desses autos deve ser sobrestado até o julgamento final na esfera administrativa do auto de infração relativo à mesma matéria; 2. Houve mudança de critério fiscal, pois o mesmo pedido foi deferido para a empresa Vita Alimentos; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.002175/200211 Acórdão n.º 3302003.049 S3C3T2 Fl. 101 3 3. Protesta contra a cobrança dos débitos compensados enquanto estiver pendente a discussão sobre a legitimidade dos procedimentos adotados pela contribuinte; requereu, ainda, seja sustada a precipitada cobrança, consignandose a suspensão da exigibilidade das parcelas indicadas nesta. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do Despacho Decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 152/166), em que, por unanimidade de votos, foi deferido parcialmente a solicitação e reconhecido o direito creditório no valor adicional de R$ 5.902,58, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTOS SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestre calendário, em virtude de lançamento de imposto, deferese o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Solicitação Indeferida Em 18/12/2006, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 181). Inconformada, em 16/1/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 182/203, em que reafirmou os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade e reiterou que fossem considerados os créditos das mercadorias devolvidas, assim como o pedido de diligência apresentado na manifestação de inconformidade, para fim de confirmar tais devoluções. Em 31/8/2011, por meio da petição de fls. 236/237, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, por meio do qual renunciou às alegações suscitadas em relação às compensações e manteve as razões recursais atinentes ao direito creditório pleiteado. Na Sessão de 29 de janeiro de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.295 (fls. 280/283), os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, por maioria de votos, conheceu do recurso voluntário, na parte em que se discutia o direito de crédito, vencido este Conselheiro Relator, que não tomava conhecimento do recurso na sua totalidade. Em seguida, por unanimidade de voto, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem aguardasse a decisão definitiva do processo do auto de infração correspondente (processo nº 10830.002310/200643). Em 25/7/2014, por meio do Despacho de fl. 279, os autos foram devolvidos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento, tendo em vista que o recurso objeto do processo 10830.002310/200643 fora provido por este Conselho e, como não houve interposição de recurso especial pela PGFN, a referida decisão tornouse definitiva na esfera administrativa. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.324 (fls. 280/283), o julgamento do recurso foi novamente convertido em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem adotasse as seguinte providências: a) juntasse aos autos a decisão definitiva deste Conselho, proferida no âmbito do processo 10830.002310/200643 e demais peças processuais que entendesse necessárias para o deslinde da presente controvérsia; b) procedesse nova análise do Pedido de Ressarcimento de fl. 2 e, se fosse o caso, apurasse o novo valor do crédito a que tem direito a recorrente, tendo em conta o teor da decisão definitiva proferida no âmbito do citado processo; c) após, cientificasse a recorrente do resultado da análise do direito creditório, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias, para que, querendo, apresentasse as considerações que entendesse pertinentes; e d) por fim, após expirado o prazo fixado para manifestação da recorrente, com ou sem pronunciamento desta, os autos fossem devolvidos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento ao pleiteado na referida diligência, foram juntados aos autos o acórdão nº 3102001.184, de 01 de setembro de 2011 (fls. 285/295), proferido no âmbito do processo 10830.002310/200643, porém, de acordo com a Informação Fiscal de fl. 296, a autoridade fiscal não procedeu a nova análise do Pedido de Ressarcimento de fl. 2 solicitada, sob o argumento de que, embora afastada a exigência expressa no auto de infração, a decisão sobre a apuração do crédito não tinha sido conclusiva, haja vista que, no âmbito do referido acórdão fora concluído que "não caberia ser refeita a reconstituição da escrita considerando as alíquotas ad valorem, e também não restou determinado qual seria a correta classificação fiscal do produto." No final, foi determinado o retorno dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, todavia, em razão da formalização da desistência do pedido de compensação apresentado pela recorrente, tomase conhecimento apenas das razões de defesa restrita ao litígio concernente à parcela do direito creditório não reconhecido nas instâncias anteriores. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, em 31/8/2011, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do presente recurso voluntário, com renúncia apenas das razões de defesa suscitadas em relação às compensações pleiteadas e não homologadas, mas com a manutenção das razões aduzidas em relação à parcela do direito creditório não reconhecido. Pelas razões aduzidas no voto vencido encartado na Resolução nº 3102 000.295 (fls. 274/276), este Conselheiro manifestou o entendimento de que o pedido de desistência formulado pela recorrente não se limitava apenas às compensações não homologadas, mas também implicava desistência do pedido de ressarcimento do direito creditório não reconhecido pelas anteriores instâncias de julgamento, portanto, tratavase de desistência integral do recurso voluntário em apreço. Acontece que esse entendimento foi rejeitado pela maioria dos membros do Colegiado, que decidiu que o referido pedido de desistência limitavase apenas à parcela dos débitos cuja compensação não fora homologada, logo, as razões de defesa atinentes à parcela do direito creditório não reconhecido deveria ser conhecida pelo Colegiado, pelas razões declinadas no voto vencedor que integra o mencionado acórdão. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.002175/200211 Acórdão n.º 3302003.049 S3C3T2 Fl. 102 5 Assim, uma vez superada a questão atinente ao alcance do pedido de desistência apresentado pela recorrente, este Relator curvase ao entendimento da maioria e passa analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente na peça recursal em apreço, referente à parcela do pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito do IPI não reconhecido pelas instâncias de julgamento anteriores. No recurso em apreço, a recorrente reconheceu que o desfecho do julgamento deste processo estava vinculado ao julgamento do auto de infração encartado no processo n° 10830.002310/200643, já que a reconstituição da sua escrita fiscal, ultimada no âmbito da citada autuação, acarretara a inexistência parcial do saldo credor de IPI objeto do pedido de ressarcimento em apreço, uma vez que o valor do crédito fora utilizado para amortizar os débitos do IPI apurados por conta da citada reconstituição da escrita fiscal. Com efeito, compulsando a Informação Fiscal de fls. 52/54, verificase que o motivo que levou ao não reconhecimento da parcela do crédito do IPI pleiteada nos presentes autos foi a reconstituição da escrita fiscal da recorrente mediante (i) a inclusão dos novos débitos apurados, relativos à saída da bebida da marca XTAPA, e (ii) a reincorporação dos valores de créditos estornados, referente aos pedidos de ressarcimento dos créditos glosados, que resultou na apuração dos novos valores dos saldos devedores ou credores especificados na planilha de fls. 49/50. Segundo a fiscalização, a recorrente classificou incorretamente o mencionado produto no código TIPI 2106.90.30, sujeito a alíquota zero do IPI, quando o correto seria no código TIPI 2202.90.00, sujeito à tributação com base nos valores fixos por unidade (alíquota específica), calculados sobre a saída de 12 unidades do produto, fixados no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, combinado com o disposto no Ato Declaratório Executivo SRF 2/2001, que estendeu o regime de tributação com base na quantidade do produto para as bebidas enquadradas como "repositores hidroeletrolíticos" ou "como alimentos para praticantes de atividades físicas". Nesse sentido, é pertinente ressaltar que, se a bebida classificada no código TIPI 2202.90.00 não se enquadrasse nas condições estabelecido no citado Ato Declaratório, ou seja, se ela não fosse um alimento para praticante de atividades físicas, ao invés da cobrança do IPI com base na alíquota por unidade do produto (alíquota específica), ele estaria sujeito à alíquota ad valorem de 40%. No acórdão nº 3102001.184, de 01 de setembro de 2011 (fls. 285/295), proferido no âmbito do processo n° 10830.002310/200643, os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, tendo em conta que o produto da marca XTAPA não era um alimento para praticante de atividade física, conforme entendera a fiscalização, firmaram o entendimento de que ele não estava sujeito à alíquota específica fixada no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, mas a alíquota ad valorem determinada para o código TIPI 2202.90.00, pois, na condição de suplemento vitamínico, conforme especificado na Portaria da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde 32/98, o citado produto classificavase no código TIPI 2202.90.00. Com base nesse entendimento, o citado Colegiado deu provimento ao recurso voluntário, sob o argumento de que a manutenção da autuação, mediante nova reconstrução da escrita fiscal da recorrente, com a utilização da alíquota ad valorem respectiva, afiguravase, como novo lançamento realizado por quem não estava habilitado legalmente a proceder, ou seja, o citado Colegiado julgador. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 Nesse sentido, para espancar qualquer dúvida a respeito do fundamento da decisão esposada no referido acórdão, seguem transcritos os excertos relevantes extraídos do voto condutor do referido julgado, in verbis: Neste ponto, e a despeito do acerto ou não no que tange a classificação fiscal do produto proposta pelo autuante, o que me parece absolutamente contraditório é haver este se inspirado na norma geral e abstrata da Anvisa, veiculada pela referenciada Portaria nº 222, para a identificação do produto comercializado pela recorrente como repositor hidroeletrolitico ou alimento para praticante de atividade física se, e aqui reside a contradição, o mesmo órgão do Ministério da Saúde já havia, agora em norma individualizada (Portaria nº 32/98), expedida em processo instaurado pelo mesmo contribuinte, como suplemento vitamínico. A despeito de haver concluído por enquadrar o produto na mesma posição 2200, mas não como repositor energético como pretendeu o autuante, convém atentarmos para passagem do Acórdão 320100.888, de 02 (dois) de fevereiro de 2011 (dois mil e onze), desta mesma Turma de Julgamento e de relatoria do Conselheiro Ricardo Rosa: Esclarecidos todos estes aspectos, há que se fazer uma importante ressalva na parte que tange ao enquadramento da mercadoria sub examine nos Atos Declaratórios nº 012 de 2000 e 02 de 2001, da Secretaria da Receita Federal. Conforme se depreende dos autos, ambos Atos Declaratórios fazem menção expressa aos produtos "que se enquadrem como "repositores hidroeletrolíticos" ou "como alimentos para praticantes de atividades físicas", "nos termos e condições fixados pela Portaria nº 222 da Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde". Ora, pareceme claro que o enquadramento nos termos e condições fixados pela Portaria 222 operase no âmbito da Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, não sendo razoável que um produto analisado por aquele Órgão e enquadrado como Suplemento Vitamínico, nos termos da Portaria n° 32/98, seja mais tarde identificado pelo Ministério da Fazenda como Repositor Energético, enquadrado na Portaria 222. De fato, se, por um lado, como dito antes, nenhuma decisão tomada por outro Ministério do Poder Executivo pode afastar a competência da Secretaria da Receita Federal de determinar a classificação fiscal de um produto, também esta não poderá interferir em assuntos afetos a outros Ministérios, como é o caso da identificação do produto como sendo um suplemento vitamínico ou um repositor energético, decisão que compete à Secretaria de Vigilância Sanitária. Ademais, as próprias ordens de execução do Ministério da Fazenda remetem ao enquadramento determinado pelo Ministério da Saúde. Desta maneira, embora a classificação fiscal correta seja a defendida pelo Fisco, o cálculo do tributo devido deve Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.002175/200211 Acórdão n.º 3302003.049 S3C3T2 Fl. 103 7 ser feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não pela alíquota especifica. Enfim, independentemente da análise incisiva quanto a correta classificação do produto em questão, para o qual me afiguraria necessário o acatamento da proposta do sujeito passivo no que tange a realização de uma diligência pericial, o que se apresenta como certo, inclusive nos termos de precedente desta turma, é que incorreta teria sido a apuração do tributo com base em valor fixo. Isto dado ao seu não enquadramento aos termos dos Atos Declaratórios SRF retro citados. Assim é que, inspirado na mesma premissa de julgamento adotada pela DRJ para afastar o lançamento sobre os produtos acondicionados em recipientes com capacidade inferior a 361 ml, também não vejo como prosperar a exigência com esteio em valor fixo sobre saídas de produtos não enquadrados como repositores energéticos. A alternativa à conclusão proposta, qual seja a manutenção da autuação mediante nova reconstrução da escrita agora com a aplicação da alíquota ad valorem respectiva, afigurase, para este julgador, como novo lançamento por quem não está habilitado legalmente a proceder (no caso, esta autoridade julgadora). E é, sim, novo lançamento porque, mesmo que se esqueça a complexidade de se empreender nova reconstrução da escrita do sujeito passivo e de todo o regime de débito crédito, a identificação do quantum devido, agora com a aplicação de alíquota ad valorem, demandaria a identificação do valor saídas, sendo esta a base de cálculo (e não apenas o volume das vendas), e da alíquota especifica. Enfim, um trabalho todo novo, inclusive valendose de interpretação jurídica diversa da original. Logo, fica demonstrado que, a classificação fiscal do produto da marca XTAPA foi expressamente determinada, ou seja, que o referido produto classificavase no código TIPI 2202.90.00 e não no código TIPI 2106.90.30, como equivocadamente classificara a recorrente, mas a apuração do IPI devido do referido produto é feita com base na alíquota ad valorem e não alíquota específica como procedera a fiscalização. Assim, embora o entendimento, esposado no referido julgado, quanto à classificação fiscal do referido produto, possa ser aqui integralmente adotada, ante a identidade da matéria discutida em ambos os processos, o mesmo não pode ser feito em relação ao fundamento da decisão quanto à forma de apuração do imposto, haja vista que, nos presentes autos, o litígio não diz respeito à cobrança do crédito tributário lançado, mas ao ressarcimento de saldo credor remanescente do IPI, apurado no final do 1º trimestre de 2001, com fundamento no art. 11 do Lei 9.779/1999, a seguir transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Não se pode olvidar que o regime jurídicoadministrativo se assenta em dois princípios basilares: a indisponibilidade do interesse público e supremacia deste sobre o privado. Logo, quando institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, entra em conflito com o disposto nos citados princípios, certamente, a força normativa destes devem prevalecer. No caso em tela, uma vez decidido, de forma definitiva, que o produto da marca XTapa fora incorretamente classificado pela recorrente no código TIPI 2106.90.30, a apuração do valor do saldo credor do IPI, por ela realizado, com base nessa classificação fiscal, obviamente, não pode ser aceita. Também pelas mesmas razões aduzidas no acórdão nº 3102001.184, proferido no âmbito do processo n° 10830.002310/200643, não pode ser aceita apuração do valor do IPI com base na alíquota específica do produto, fixada no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, porque tal procedimento de apuração do IPI não se aplica ao citado produto, conforme decidido no âmbito do citado julgado. Assim, em consonância com as conclusões exaradas no referido acórdão e tendo em conta o disposto nos citados princípios, no caso em tela, a apuração do direito creditório deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada para o citado produto no código 2202.90.00 da TIPI, o que deverá ser feito pela unidade da Receita Federal de origem, em razão da competência para analisar os processos envolvendo ressarcimento de tributo administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), estabelecida no art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB (aprovado pela Portaria MF 203/2012), bem como no art. 69 na Instrução Normativa nº 1.300, de 2012. Em relação as demais alegações suscitadas no presente recurso, inclusive pedido de diligência, obviamente, estão todas superadas, ante a decisão definitiva proferida do acórdão nº 3102001.184, em que foram rejeitadas tais questões pelo referido Colegiado julgador, o que torna despicienda a apreciação delas no âmbito deste julgamento. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para determinar que a autoridade da Receita Federal de origem proceda a apuração do valor do valor do crédito do IPI com base na alíquota ad valorem do imposto fixada para o código 2202.90.00 da TIPI, na data da ocorrência dos fatos geradores, devendo ser observado ainda o seguinte: a) a parcela do crédito já reconhecido no âmbito dos despacho decisório e da decisão de primeira instância não poderá ser revista para reduzir o valor do crédito já reconhecido, por se tratarem de decisão definitiva na esfera administrativa, em razão da não interposição de recurso de ofício, por falta de atendimento dos requisitos de admissibilidade; e b) eventual irresignação da recorrente quanto ao valor do crédito passível de ressarcimento a ser reconhecido pela autoridade competente da unidade da Receita Federal de origem deverá ser feita na forma prevista na Solução de Consulta Interna Cosit 18/2012, combinado com o disposto nos itens 61 a 80 do Parecer Normativo Cosit 8/2014, no que aplicável ao caso em tela. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.002175/200211 Acórdão n.º 3302003.049 S3C3T2 Fl. 104 9 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720018/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. CONDUTA REITERADA. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE.
Mantém-se a qualificação da penalidade quando a contribuinte, embora tendo conhecimento das representativas receitas auferidas em suas atividades ao longo dos trimestres integrantes de dois anos-calendário fiscalizados, deixa de apresentar DIPJ, informa em DCTF apenas débitos decorrentes de retenções de imposto por ela promovidas, e não apresenta livros e arquivos digitais à Fiscalização, alegando dificuldades em sua geração, para somente em impugnação mencionar, sem provas, a existência de danos causados por evento natural.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Relatora, acompanhada pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto vencido e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto vencido e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Numero da decisão: 1101-000.823
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. CONDUTA REITERADA. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Mantém-se a qualificação da penalidade quando a contribuinte, embora tendo conhecimento das representativas receitas auferidas em suas atividades ao longo dos trimestres integrantes de dois anos-calendário fiscalizados, deixa de apresentar DIPJ, informa em DCTF apenas débitos decorrentes de retenções de imposto por ela promovidas, e não apresenta livros e arquivos digitais à Fiscalização, alegando dificuldades em sua geração, para somente em impugnação mencionar, sem provas, a existência de danos causados por evento natural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Relatora, acompanhada pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto vencido e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto vencido e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. CONDUTA REITERADA. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Mantémse a qualificação da penalidade quando a contribuinte, embora tendo conhecimento das representativas receitas auferidas em suas atividades ao longo dos trimestres integrantes de dois anoscalendário fiscalizados, deixa de apresentar DIPJ, informa em DCTF apenas débitos decorrentes de retenções de imposto por ela promovidas, e não apresenta livros e arquivos digitais à Fiscalização, alegando dificuldades em sua geração, para somente em impugnação mencionar, sem provas, a existência de danos causados por evento natural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Relatora, acompanhada pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 00 18 /2 01 0- 19 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 441 2 designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto vencido e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto vencido e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 442 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão exarado pela DRJ em Campo Grande que, por unanimidade de votos, manteve a multa na sua forma qualificada. A fiscalização teve início em 20/04/2009 (proc. fls. 03 e 04) referente aos anoscalendários de 2006 e 2007. A autoridade fazendária, por meio do Relatório Fiscal (proc. fls. 159 a 161), asseverou que após diversas intimações e reintimações o contribuinte apenas apresentou: · Os livros fiscais de saída e apuração do ICMS, bem como DCTFs: o Referentes aos 1º e 2º semestres de 2006 e, o 1º e 2º semestre de 2007; · No entanto, deixou de apresentar: o Livros fiscais de entrada, o Contrato social e alterações, o Livros contábeis (diário, razão e LALUR), o Arquivos digitais (contabilidade e documentos fiscais); e o Declarações de Imposto de Renda dos anos calendários de 2006 e 2007. Vale mencionar que em 01/06/2009, o contribuinte, em resposta à Intimação Fiscal 015/2009 e 015/2009, apresentou: · Contrato Social Consolidado, · Livro de Registro de Saídas 2006/2007, · Livros de Registro de Entradas 2006/2007, · Livros de Apuração de ICMS 2006/2007. No entanto, tais livros não foram recebidos pela autoridade fiscalizadora por falta de autenticação. Concluiu o auditor fiscal pelo arbitramento do lucro tendo por base os livros fiscais apresentados. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 443 4 Ademais foi aplicada multa na sua forma qualificada “tendo em vista a reincidência do sujeito passivo em auferir rendas e não declarar as mesmas ao fisco federal, com o intuito de suprimir tributos, por dois anos consecutivos”. Os Autos de Infração de IRPJ e CSLL foram lavrados em 24/03/2010 (proc. fls. 162 a 179) e o contribuinte cientificado em 14/04/2010. Em 11/05/2010, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. fls. 202 a 210) por meio da qual justificou a não apresentação dos livros mercantis em razão de um temporal ocorrido na sede da empresa, que danificou os documentos impressos e igualmente o sistema eletrônico de dados, não sendo possível a recuperação das informações. Ciente da impossibilidade de recuperação da escrituração mercantil, o interessado aderiu em 26/11/2009 ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Elaborou o cálculo do IRPJ e da CSLL com base no valor contábil constante dos livros fiscais, das GIA´s e DACON´s apresentadas. Entendeu cabível a multa de ofício no percentual de 75%. Desta forma, a Impugnação restringiuse apenas ao agravamento da multa. Alegou que a aplicação da penalidade na sua forma agravada deuse unicamente sob o argumento de que foi constatado omissão de receitas, não restando comprovada a ocorrência de intuito de fraude, dolo ou simulação. Colacionou aos autos farta jurisprudência deste colegiado. Fez menção ao enunciado da Súmula nº 14, que assevera que a simples omissão de receita não justifica o agravamento da multa, sendo necessária para tanto a comprovação do intuito da fraude do sujeito passivo. Alegou ainda que não cabe o agravamento da multa por não atendimento de intimações, tendo em vista que sempre manteve contato direto com a fiscalização, sendo que a não apresentação dos documentos solicitados foi causada por evento da natureza e de força maior, visto que o temporal danificou os documentos impressos e os computadores de maneira que todos os dados foram perdidos. Desta forma, afirmou que não há que se falar em recusa ou em imposição de dificuldade ao exercício do lançamento tributário. Ademais, ressaltou que os fatos por si só demonstram a ausência de máfé, já que a impossibilidade de recuperação dos dados acarretoulhe o prejuízo de aproximadamente um milhão de reais, tendo em vista que a Lei nº 11.196/05, que estabelece o parcelamento, prevê benefícios de alíquota zero do PIS/COFINS sobre produtos lácteos, o qual não pode fazer jus frente à ausência dos documentos comprobatórios. A DRJ em Campo Grande exarou Acórdão, em 03/09/2010, por meio do qual, por unanimidade de votos, manteve o crédito tributário exigido (proc. fls. 268 a 272). A Turma relatou que restou comprovado o intuito de fraude visto que os livros fiscais apresentados originalmente (Registro de Entrada e Registro de Saídas) não estavam devidamente autenticados. Ademais, embora a situação fiscal do contribuinte na base de dados da Receita Federal do Brasil constasse como “ativa”, a última DIPJ entregue referiu se ao anocalendário de 2005 e esta só foi apresentada em 11/02/2009. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 444 5 Relatou que, no curso da ação fiscal, vários Termos de Intimação não foram atendidos. Nas DCTF´s referentes aos semestres de 2006 e 2007 foram declarados apenas débitos de IRRF e, por fim, além dos livros Registro de Saída e Registro de Apuração de ICMS (somente este último autenticado) e das GIAs, nenhum outro documento foi apresentado. O órgão julgador a quo ainda afirmou que a justificativa apresentada pelo contribuinte estava desprovida de qualquer comprovação, visto que não se especificou quando ocorreu o temporal ou quais as medidas tomadas à época para a regularização da escrita e a recuperação dos documentos. Ressaltou ainda, que nenhum dos documentos danificados, mesmo que parcialmente, foi entregue à fiscalização. Além disso, não houve qualquer recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS. Quanto à tributação da CSLL, a Turma entendeu que se aplica o que foi decido em relação ao IRPJ, no que for pertinente. Por fim, concluiu que a multa deve permanecer na sua forma qualificada. Os valores lançados originalmente (IRPJ e CSLL acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora), constituem autos apartados (proc. nº 13161.000544/201051). O contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2010 (proc. fls. 270 a 288). De início, afirmou que deixar de declarar as receitas e os respectivos impostos e contribuições ao Fisco nada mais é que omissão de receitas e, neste sentido, é pacífico na jurisprudência administrativa que tal omissão não justifica o agravamento da multa. Alegou que caberia ao Fisco a comprovação do evidente intuito fraudatório o que não restou provado. Quanto à alegação de que a fraude darseia tendo em vista a ausência de autenticação nos livros fiscais, o Recorrente afirmou que a simples ausência de autenticação não pode tornar a escrituração imprestável, frente à garantia da verdade material. Juntou jurisprudência sobre o tema. Já relativo à prova do temporal ocorrido, a Postulante asseverou que se tratou de evento público e notório amplamente divulgado pela imprensa. Relatou ainda que durante a fiscalização informou à autoridade fazendária das diversas dificuldades que vinha enfrentando para gerar os arquivos magnéticos Alegou que em momento algum atuou com descaso, sendo apresentados todos os documentos que tinha consigo e prontamente prestou as informações solicitadas. Mais uma vez o contribuinte afirmou que não restou provado o intuito de fraude, devendo, portanto, ser afastada a aplicação da multa na sua forma agravada. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 445 6 Voto Vencido PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A problemática trazida à baila cingese à aplicação da multa. A Autoridade Fiscalizadora entendeu cabível a cominação da multa na sua forma qualificada, o que é rechaçado pelo contribuinte sob o argumento de que não resta comprovado nos autos o intuito fraudatório. Segundo o Fisco, o procedimento da contribuinte não se subsume à simples omissão de receita. Alega que a não autenticação dos livros fiscais, a apresentação a destempo da DIPJ anocalendário 2005, o não atendimento às intimações no curso do procedimento fiscalizatório, a apresentação de DCTF apenas declarando débitos de IRRF, e a não apresentação de livros fiscais são suficientes para qualificar a multa. No que tange à falta de autenticação dos livros, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, por si só, tal ausência “não é suficiente para o arbitramento do lucro, vez que não especificada no art. 399 do Decreto nº 85.450/80 (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 894.173/SP, DJ 10/12/2007). Ora, se é entendimento consolidado do STJ de que a não autenticação não acarreta no arbitramento do lucro, que é procedimento excepcional realizável apenas em face de real impossibilidade de apuração do lucro real, não se pode aceitar que seja apto a qualificar a multa. No tocante à apresentação extemporânea da DIPJ 2006, é importante mencionar que conforme alegado pelo próprio órgão julgador a quo, a mesma se deu em 11/02/2009, ou seja, antes mesmo do início da ação fiscal (09/04/2009), conforme se verifica à fl. 3. Desta forma, não há que se falar em fraude ou sonegação. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 446 7 Quanto às DIPJs 2007 e 2008, a não apresentação não pode ser considerada como conduta tendente a ludibriar o Fisco; assim o seria, por outro lado, se houvesse a apresentação de declarações com valores a menor, o que não é o caso. Tratase, portanto, de omissão de receitas, a qual, conforme versa o dispositivo da súmula CARF nº 14, não acarreta na aplicação de multa na forma qualificada. Por fim, a autoridade fazendária alega que o contribuinte não respondeu a diversos Termos de Intimação, no entanto, verificase que os Termos não atendidos referemse à apresentação de DIPJ e, como já mencionado, tais declarações não foram entregues ao Fisco, o que impossibilitou a Recorrente de apresentar à autoridade fiscalizadora. Verificase, desta forma, que a Autoridade Fazendária não se eximiu do seu dever de comprovar o intuito fraudatório do contribuinte, o que acaba por afastar a aplicação da multa na sua forma qualificada. Ante o exposto, dou provimento ao recurso interposto para afastar a aplicação da multa qualificada, mantendo a multa no percentual de 75%, a qual já foi objeto de parcelamento realizado. Sessão, 06 de novembro de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 447 8 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto expressa o entendimento majoritário da Turma em favor da manutenção da qualificação da penalidade, único ponto posto em litígio pela recorrente. Disse a Fiscalização que a qualificação da penalidade decorria da reincidência do sujeito passivo em auferir rendas e não declarar as mesmas ao fisco federal, com o intuito de suprimir tributos, por dois anos consecutivos. E, de fato, o lançamento formaliza a exigência de IRPJ e CSLL em razão de receitas trimestrais superiores a R$ 3 milhões, auferidas em 2006 e 2007, sendo que a última DIPJ apresentada pela contribuinte trataria das apurações do anocalendário 2005, e fora entregue em 11/02/2009. Ainda, aparentando não ter realizado atividades sujeitas à incidência de tributos sobre o lucro, a contribuinte apresentara DCTF tempestivamente para os semestres de 2006 e 2007, informando, apenas, débitos de IRRF. Durante o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou livros fiscais sem autenticação e, posteriormente, livros de apuração de ICMS autenticados em 05/04/2009, os quais se prestaram à apuração da base de cálculo para o arbitramento. Estas informações evidenciam que a contribuinte tinha conhecimento do volume de operações realizadas nos anos passados, e ainda assim preferiu manterse inerte para, quando questionada, alegar dificuldades em razão de evento natural que teria danificado os documentos por ela mantidos. Importante ressaltar que a alegação de que um temporal ocorrido na sede da empresa teria danificado documentos impressos e igualmente, o sistema eletrônico de dados somente surge em impugnação (fl. 203), e não vem acompanhada de qualquer prova ou mesmo da informação da data de sua ocorrência. Apenas por essa razão, a justificativa já mereceria ser desconsiderada. Observase, ainda, que ao longo do procedimento fiscal a contribuinte apenas mencionou dificuldades em gerar os arquivos digitais solicitados (fl. 11 e 16), e consignou que houve problemas sérios em nossos programas de contabilidade pois foi afetado o disco rígido de nossas máquinas (fl. 13), impedindo a Fiscalização de investigar a existência de algum dano efetivo às instalações da empresa. De toda sorte, ainda que admitida a ocorrência do alegado evento natural e os danos por ele acarretados, uma vez conhecida a receita bruta, a legislação possibilita ao sujeito passivo regularizar o recolhimento de seus tributos na forma assim expressa pelo Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, observado o disposto no art. 516, § 6º, assegurada, ainda, a tributação com base no Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13161.720018/201019 Acórdão n.º 1101000.823 S1C1T1 Fl. 448 9 lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; lI o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. Assim, a inércia da contribuinte ao longo dos anos transcorridos entre a ocorrência dos fatos tributáveis (2006 e 2007) e o procedimento fiscal (2009) deixa patente que seu interesse era não recolher os tributos devidos em razão das representativas receitas auferidas em sua atividade. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e manter a aplicação de multa qualificada. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 314DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16327.720832/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
REDUÇÃO DE CAPITAL COM ENTREGA DE AÇÕES AOS ACIONISTAS. EFETIVAÇÃO. AUTORIZAÇÃO DO BANCO CENTRAL. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Os atos societários de redução de capital das instituições financeiras devem ser autorizados pelo Banco Central do Brasil, somente tendo efetividade a partir de tal autorização.
Não prospera a preliminar de ilegitimidade passiva, quando o sujeito passivo da obrigação tributária foi corretamente identificado no auto de infração.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie.
INCORPORAÇÃO DE AÇÃO.
Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. OMISSÃO.
Os juros sobre o capital próprio compõem a base de cálculo da pessoa jurídica que o receber.
MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA.
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007 (art. 44, II, "b").
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araujo e Gilberto Baptista que davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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EFETIVAÇÃO. AUTORIZAÇÃO DO BANCO CENTRAL. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Os atos societários de redução de capital das instituições financeiras devem ser autorizados pelo Banco Central do Brasil, somente tendo efetividade a partir de tal autorização. Não prospera a preliminar de ilegitimidade passiva, quando o sujeito passivo da obrigação tributária foi corretamente identificado no auto de infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. OMISSÃO. Os juros sobre o capital próprio compõem a base de cálculo da pessoa jurídica que o receber. MATÉRIA PRECLUSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 32 /2 01 3- 26 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007 (art. 44, II, "b"). MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araujo e Gilberto Baptista que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 691DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra o contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o auto de infração de fls. 2/32, que exige o Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ, a Contribuição sobre o lucro líquido/CSLL, a Contribuição para o Pis/Pasep/Pis/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, nos termos dos art. 926 do Decreto 3.000, de 1999, pela omissão de receita financeira caracterizada pela falta de contabilização de juros sobre o capital próprio recebido; pela omissão de rendimento na determinação do ganho de capital após a alienação de investimento e pela multa por falta de pagamento do IRPJ sobre estimativas e seus reflexos na CSLL, PIS e Cofins, conforme Termo de Início de Fiscalização, fls. 75/82. Termo de Verificação Fiscal No TVF, a autoridade fiscal informa que o objetivo da ação foi a verificação do recolhimento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre os ganhos obtidos no processo de incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A ocorrido no primeiro semestre de 2008. Relata que, em 17/04/2008, os responsáveis pela Bovespa Holding S/A e pela Bolsa de Mercadorias e Futuros resolveram constituir a Nova Bolsa S/A que, a partir de 08/05/2008, incorporaria as ações de ambas as bolsas. Nesta operação, o contribuinte Alpes Corretora que detinha ações da Bovespa Holding S/A pelo valor patrimonial de R$ 7.059.630,06 recebeu ações da Nova Bolsa pelo valor de R$ 78.938.247,78 gerando um ganho de capital de R$ 71.878.617,72, não oferecido à tributação. De acordo com o TVF, o contribuinte apresentou ata de assembléia geral extraordinária na qual ficou estabelecida a redução de capital com a entrega aos sócios. A publicação da ata ocorreu em 22/11/2007. Porém, a aprovação pelo Banco Central foi dada em 29/08/2008. No entendimento da fiscalização, em maio/2008, quando houve a incorporação das ações, elas ainda pertenciam ao contribuinte, uma vez que atos dessa natureza só podem produzir efeitos após o consentimento do Banco Central, pois caso contrário, na hipótese de não ser dada a autorização, tais atos já teriam causado os efeitos prejudiciais que o Banco Central procura evitar. Informa o TVF que o contribuinte foi beneficiário de juros sobre o capital próprio no ano base de 2008 e não ofereceu à tributação e que houve a aplicação da multa de ofício de 50% decorrente da insuficiência de recolhimento das estimativas no ano base de 2008 em função do não oferecimento do ganho de capital em maio e junho. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 O sujeito passivo teve ciência em 12/08/2013, fl. 74, e impugnou o lançamento, em 11/09/2013, fls. 85 a 117, alegando em síntese o que se segue: Impugnação Preliminar de nulidade. Erro na eleição do sujeito passivo. Alega que promoveu a redução de seu capital social, de acordo com a Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31/10/2007, restituindo 7.173.408 ações para a sócia majoritária, Alpes Investimentos e Participações S/A e 40 ações para o sócio minoritário, Reginaldo Alves dos Santos. Ato contínuo, houve redução de capital social da Alpes Investimentos e Participações S/A, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 07/11/2007, restituindo ao sócio majoritário Reginaldo Alves dos Santos, 7.059.616,70 ações da Bovespa. Desta forma, defende que, no momento em que se deu a incorporação das ações da Bovespa pela Nova Bolsa (a partir de 08/05/2008), a impugnante não era mais detentora de ações da Bovespa. Informa que a redução de capital social da impugnante só foi registrada pela Jucesp, em 12/12/2008, em virtude da necessidade de prévia autorização pelo Bacen, autorização que ocorreu em 29/08/2008, mas que isso não altera o fato de que as ações foram restituídas ao Sr. Reginaldo Alves dos Santos antes da incorporação das ações pela Nova Bolsa. Acrescenta que pelo atestado na Ata de AGE, em 07/11/2007, houve o registro da redução de capital desta empresa pela Jucesp, em 14/03/2008, e que a restituição passou a ter validade, eficácia e vigência a partir desta data e que é fato notório que, desde 14/03/2008, a ações da Bovespa já pertenciam de fato e de direito ao Sr. Reginaldo Alves dos Santos, não havendo que se falar em expectativa de direito, mas de direito líquido e certo. Corrobora este entendimento o fato de que até a data da impugnação a declaração de Imposto de Renda entregue, em 30/10/2009, pelo Sr. Reginaldo Alves dos Santos não foi objeto de qualquer questionamento quanto à transmissão da titularidade das ações da Bovespa. Acrescenta que a AGE atendeu o disposto nos artigos 173 e 174 da Lei 6.404/76 e que a validade do ato, com o registro da ata da AGE, em 14/03/2008 concretizou a sua vigência e eficácia, inclusive com efeitos retroativos, conforme preceituam os artigos 1º e 36 da lei 8.934/94. Da improcedência do lançamento: falta de consumação dos fatos geradores. Para o caso de ser superada a preliminar, o impugnante defende que a simples ocorrência da incorporação das ações não configura fato gerador dos tributos objeto do lançamento, pois não houve disponibilização de renda e não restou comprovado o efetivo ganho de capital auferido pela impugnante. Em seguida, cita o CTN, artigos 110, 116 e 117, o Código Civil, e doutrina, para defender, novamente que a redução de capital já se concretizara ao tempo da incorporação e que se tratara de um negócio jurídico com condição resolutória. Assim, desde o momento da realização da ata da assembléia que determinou a redução do capital social da empresa, o ato Fl. 693DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 13 5 societário já surtiria os efeitos (restituição das ações aos sócios), sendo que todas as formalidades foram cumpridas e somente convalidaram o ato originalmente praticado. Acrescenta que o fato de a substituição de ações ter ocorrido com base no valor de mercado não implicou em qualquer ganho financeiro efetivo, visto que não houve renda realizável, mas decorreu apenas da necessidade de se converter as ações objeto de substituição numa mesma unidade de medida e que a impugnante não teve qualquer participação no ato de incorporação de ações, de sorte que não se pode imputar a ela a “alienação” das ações, justamente porque a “alienação”, como negócio jurídico, depende da intenção da parte e do ganho financeiro concreto, o que definitivamente não ocorreu no caso concreto e que as novas ações poderiam sofrer desvalorização no momento da liquidação e que seria injusto pagar um suposto ganho de capital que não obteve concretamente. Defende que não houve acréscimo patrimonial e disponibilização de fato dos valores, pois as ações não foram liquidadas. Cita doutrina para dizer que o imposto de renda só é devido quando a pessoa aufere os valores da renda. Cita o regulamento do Imposto de Renda e jurisprudência do Carf para defender a necessidade da alienação ou liquidação das ações para a apuração do ganho de capital. Com base em seu entendimento de que não houve ganho de capital, defende que não houve omissão de receita financeira caracterizada pela falta de contabilização de juros sobre capital próprio, nem rendimento não computado na determinação do ganho de capital após alienação/liquidação do investimento. Cita parecer da PGFN que teria consignado que a incidência do imposto de renda sobre um ganho de capital fictício importaria em violação do princípio do patrimônio. Improcedência da multa isolada – concomitância Defende que houve a aplicação sobre o mesmo fato e sobre a mesma base de cálculo de duas penalidades, caracterizando a concomitância que deve ser afastada. Acrescenta que a lei não determina expressamente que deve haver concomitância entre a multa de ofício e a isolada e que o interprete não pode estender seu alcance. Cita jurisprudência do Carf. Da impossibilidade de aplicar juros sobre a multa Defende que os juros só podem ser aplicados sobre o montante do crédito não pago no vencimento, conforme art. 161 do CTN, e o art. 61 da Lei 9.430/96, também, não prevê a obrigação da incidência dos juros sobre o valor da multa, determinando apenas que sobre os débitos incidirão os juros de mora, ou seja, determina que sobre o valor principal irá recair os juros. Cita doutrina e jurisprudência do Carf. Pedido. Pede, em caráter preliminar, o reconhecimento da ilegitimidade passiva da impugnante, e subsidiariamente, o cancelamento do auto de infração, ou no mínimo, o cancelamento das multas isoladas aplicadas em concomitância com a multa de ofício e o afastamento da aplicação dos juros Selic para atualização das multas aplicadas. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 A DRJ/BELO HORIZONTE (MG) decidiu a matéria consubstanciada pelo Acórdão 0254.361, de 25 de março de 2014, julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Não prospera a preliminar de ilegitimidade passiva, quando o sujeito passivo da obrigação tributária foi corretamente identificado no auto de infração. A deliberação pactuada em assembléia de acionistas de redução do capital social pela entrega de ativos a seus acionistas, em se tratando de instituição financeira, não produz efeitos no momento em que assinada. Tal deliberação depende de ato de homologação do Banco Central do Brasil. A lei é taxativa ao dispor que os atos dependentes de aprovação pelo Governo não podem ser registrados. Enquanto pendente tal aprovação, o ato não produz nenhum efeito jurídico perante terceiros. O registro público é condição necessária para tanto (validade perante terceiros). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. OMISSÃO. Os juros sobre o capital próprio compõem a base de cálculo da pessoa jurídica que o receber. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O ganho de capital auferido em decorrência de operação incorporação de ações também sofre tributação da contribuição social. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese à CSLL. MULTA PROPORCIONAL E EXIGIDA ISOLADAMENTE. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano calendário, o lançamento abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; e o imposto apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no ano calendário correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2008 INCIDÊNCIA DO PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 14 7 A contribuição para o PIS/Pasep, com incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo as receitas não operacionais decorrentes da venda de ativo imobilizado ou permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS Ano calendário: 2008 INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO CUMULATIVA. A COFINS, com incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo as receitas não operacionais decorrentes da venda de ativo permanente. É o relatório. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do relatório e decisão recorrida que o presente processo trata de auto de infração decorrente das seguintes acusações fiscais: omissão de ganho de capital na incorporação de ações e de juros de capital próprio. A peça recursal repete os mesmos fatos e fundamentos da impugnação, aduzindo, em síntese, que não houve o suposto ganho de capital e nem a aferição de juros sobre capital próprio em virtude da incorporação das ações da BOVESPA pela NOVA BOLSA, tendo em vista que, antes da realização desta operação, a recorrente procedeu à redução de capital, de sorte que as ações que detinha da BOVESPA foram repassadas para a pessoa física do sócio, além do que, não houve na operação nenhum ganho financeiro efetivo. 1) Argüi, em preliminar, a nulidade do lançamento fiscal por erro na identificação do sujeito passivo. Neste ponto a contribuinte/recorrente suscita preliminar de ilegitimidade passiva, em razão de, supostamente, na data do fato gerador, não mais ser proprietária de participação acionária na Nova Bolsa. Segundo a contribuinte, houve deliberação em AGE realizada em 31/10/2007, restituindo 7.173.408 ações para a sócia majoritária, Alpes Investimentos e Participações S/A e 40 ações para o sócio minoritário, Reginaldo Alves dos Santos, e à redução de capital social da Alpes Investimentos e Participações S/A, AGE realizada em 07/11/2007, restituindo ao sócio majoritário Reginaldo Alves dos Santos, 7.059.616,70 ações da Bovespa. Entende a ora recorrente que na data do evento externo da incorporação de ações, em 08/05/2008, as ações recebidas em razão da relação de troca não mais pertenciam à Alpes Corretora. Como bem assentado na decisão recorrida, tal entendimento não prospera, haja vista que a própria defesa salienta que a deliberação de redução do capital social da Alpes Corretora era condicional, pois dependia da homologação do Banco Central do Brasil, tendo o Sr. Presidente da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31.10.2007, esclarecido: “(...) o pagamento aos acionistas somente poderá ser efetuado após a aprovação do Banco Central do Brasil” Compulsando os autos verificase do Termo de Verificação Fiscal o seguinte histórico: "Em 17/04/2008, os responsáveis pela Bovespa Holding S/A e pela Bolsa de Mercadorias e Futuros resolveram constituir a Nova Bolsa S/A, que, a partir de 08 de maio de 2008, incorporaria as ações de ambas as bolsas. No caso dos detentores de ações da Bovespa Holding S/A ficou estabelecido que a Nova Bolsa adquiria cada ação pelo valor de R$ 24,82. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 15 9 As ações da Bovespa Holding tinham valor patrimonial de R$ 2,21971 e cada ação correspondeu a 1,42485643 ações da Nova Bolsa. Desta maneira, o contribuinte Alpes Corretora que detinha 3.180.429 ações da Bovespa Holding S/A pelo valor patrimonial de R$ 7.059.630,06 recebeu 4.531.654 ações da Nova Bolsa pelo valor de R$ 78.938.247,78 (3.180.429 X 24,82). Essa diferença de R$ 78.938.247,78 () 7.059.630,06 = R$ 71.878.617,72 deveria ter sido oferecida à tributação em maio de 2008, em função do ganho de capital obtido na venda das ações da Bovespa Holding S/A. Além disso, ficou estabelecido que cada detentor de ações da Bovespa Holding receberia gratuitamente uma ação preferencial da Nova Bolsa para cada dez ações ordinárias da Bovespa Holding o que correspondeu ao recebimento de 318.042 ações que foram resgatadas pelo de R$ 5.455.519,76 em junho/2008. Assim, o contribuinte deveria ter oferecido à tributação o montante de R$ 5.455.519,76 + 71.878.617,72 = R$ 77.334.137,48." Pois bem. Como se observa, a questão posta, é a natureza jurídica da deliberação do BACEN que autoriza a redução de capital da recorrente. A redução de capital da Alpes ocorreu por meio da assembléia realizada em 31/10/2007; a incorporação das ações da Bovespa Holding ocorreu em 08/05/2008. No entanto, a homologação da operação pelo Banco Central somente ocorreu em 29/08/2008. No caso, o dispositivo legal que confere competência ao BACEN é o artigo 10, inciso X, alínea “f”, da Lei nº 4.595/64: “Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil: [...] X Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: [...] f) alterar seus estatutos.” E, como bem assentado nas contrarrazões apresentadas pela PGFN, no caso específico de sociedades corretoras de valores mobiliários, prevê o artigo 17 da Resolução nº 1.655/89 do Conselho Monetário Nacional: “Art. 17. Subordinarseão à prévia aprovação do Banco Central, além da autorização de que trata o "caput" do artigo 3º, os seguintes atos relativos à sociedade corretora: [...] III alteração do valor do capital social;” (grifos acrescidos) Observese que a literalidade do dispositivo regulamentar não deixa dúvida no sentido de que a autorização para alteração do valor do capital social deve se dar previamente à consecução do ato. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Com efeito, sem a autorização do BACEN, carece de eficácia a disposição de redução de capital social e, por conseguinte, a transmissão de bens aos sócios a esse título. Cumpre destacar que ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, a necessidade de autorização pelo BACEN da operacionalização da pretendida redução de capital não se refere à mera formalidade. Na verdade, tal comando importa na essência do controle estatal sobre as flutuações do Sistema Financeiro Nacional e, sobretudo, dos riscos próprios aliados ao mercado de valores, sendo certo que, conforme expressamente contido na legislação de regência, a realização de alterações das empresas que nele atuam demandam a necessária e prévia autorização do Banco Central do Brasil. A autorização do BACEN, portanto, apresentase como efetiva conditio sine qua non para a operacionalização da alteração do capital social da entidade, sendo inclusive, expressamente vedado o seu registro até que efetivamente verificada a existência da apontada autorização, conforme, inclusive, a expressa redação contida no art. 35, inciso VIII da Lei 8.934/94, que aponta: “Não podem ser arquivados (....)os contratos ou estatutos de sociedades mercantis, ainda não aprovados pelo Governo, nos casos em que for necessária essa aprovação, bem como as posteriores alterações, antes de igualmente aprovadas.” Não bastassem essas considerações, relevante destacar ainda que, tratandose as ações apontadas como efetivos e verdadeiros “bens móveis”, cabe verificar a consideração de que a modificação da propriedade, nos termos da Lei Civil Brasileira, somente se efetivaria a partir da efetiva tradição, o que, inegavelmente, somente aconteceu entre a contribuinte e os sócios destinatários após a efetiva concessão da autorização pelo BACEN. Diante disso, resta evidente que os bens somente poderão ser retirados do patrimônio da instituição financeira, em virtude da redução de capital, após a aprovação do BACEN. Nesse contexto, convém relembrar o requisito essencial para a mudança do titular do direito de propriedade sobre bens móveis, isto é, a tradição dos bens. Sem a tradição, permanecem os bens sob a titularidade do antigo proprietário. Vêse, pois, que, em casos de redução de capital social pelas instituições financeiras, os registros contábeis a serem seguidos por estas instituições por força das orientações normativas do Banco Central do Brasil somente evidenciam a redução definitiva do capital quando da autorização deste órgão da ata da assembléia que pactuou tal deliberação, e não em função da data de realização dessa assembléia de acionistas. Diante de todo o exposto, não há como se afastar a sujeição passiva imposta pela autoridade fiscal à recorrente, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva. 2) Da improcedência do lançamento por falta de consumação dos fatos geradores. Aqui, em síntese, alega a recorrente que, não obstante, ainda que fosse detentora das ações, o que se admite apenas para argumentar, a simples ocorrência de incorporação de ações da Bovespa pela Nova Bolsa não configurou fato gerador dos tributos objeto do presente lançamento, visto que não houve disponibilização de renda. Aduz, ainda, que o cerne da questão a ser dirimida no presente caso é se a incorporação das ações constitui uma espécie de alienação e, portanto, com ganho de capital, ou se caracteriza mera permuta, posição essa que defende em longo arrazoado estribado em pareces de renomados juristas e jurisprudência. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 16 11 Compulsando os autos verificase que a autoridade fiscal fundamenta a peça acusatória com suporte em pronunciamento de Edmar de Oliveira Andrade Filho, concluindo pela caracterização da incorporação de ações como alienação, sujeita, no caso de acréscimo patrimonial, à incidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Por importante ao deslinde da questão, a seguir, reproduzo, na íntegra, o pronunciamento do Ilustre Jurista Edmar de Oliveira Andrade Filho, eis que, além de didático e esclarecedor, converge com o entendimento das autoridades autuante e julgadora de primeiro instância. Trechos extraídos do recente voto vencedor proferido pelo i. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Acórdão 1301001.787, de 03 de março de 2015: "A incorporação de ações é operação regida pelo artigo 252 da Lei nº 6.404/76 e que tem por objetivo a criação de uma subsidiária integral (sociedade unipessoal referida no art. 251 da referida Lei) a partir de sociedade já existente; envolve, pois a conversão de uma sociedade com dois ou mais sócios ou acionistas para tornála unipessoal de modo que todas as ações sejam de titularidade de uma sociedade brasileira. Pode ou não haver transformação em sentido próprio (artigo 220 da Lei nº 6.404/76), que designa a mudança de tipo de sociedade; só haverá transformação de sociedade que vier a se tornar subsidiária integral se for uma sociedade por ações. A transformação é exigida porque o caput do artigo 251 da Lei nº 6.404/76 determina que a “subsidiária integral” seja uma sociedade por ações. O artigo 252 da Lei nº 6404/76 estabelece um procedimento especial para essa conversão e dá nome de incorporação de ações. A palavra incorporação, neste contexto, não tem a mesma significação que a incorporação de sociedade, pois não há a extinção de sociedade, mas sim, mera conversão de sociedade anônima. A operação de incorporação de ações requer a existência de pelo menos três partes distintas. A sociedade investida, que se tornará uma subsidiária integral e, portanto, passará a ter um único acionista; a sociedade incorporadora das ações ou quotas, que terá o seu capital aumentado em decorrência de subscrição feita pela terceira parte, representada pelos demais sócios ou acionistas da sociedade investida e que “trocarão” as ações ou quotas do capital daquela que se tornará subsidiária integral por ações ou quotas da sociedade incorporadora que, como visto, terá o seu capital aumentado mediante a emissão de novas ações ou quotas. Em termos práticos, a sociedade que vier a ser a incorporadora das ações adquire todas as ações (ou o restante para completar a totalidade, se ela já for acionista) da sociedade que vier a ser sua subsidiária integral; essa aquisição é feita mediante o recebimento por conferência das ações ou quotas em subscrição de aumento de seu próprio capital. Assim, a recebedora das ações ou quotas da sociedade que vier a se tornar a subsidiária integral extingue a obrigação pela subscrição das ações mediante a entrega de ações de seu próprio capital. A operação será submetida à assembléia geral (de sócios ou acionistas) das sociedades envolvidas, exceto aquela que se tornará a subsidiária integral. Em princípio, não será necessária a realização de assembléia na sociedade que se tornará a subsidiária integral porquanto nela não ocorrerá acréscimo patrimonial de qualquer natureza; uma única mudança ocorre no quadro de sócios ou acionistas, que é reduzido a um. No entanto, haverá necessidade de realização de assembléia em razão da transformação do tipo societário ou para mudança nos direitos atribuídos pelas ações ou quotas, de acordo com a sua espécie, ou, ainda, para modificação do quadro dirigente, se for o caso. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 Na sociedade que se tornará a única acionista da subsidiária integral (incorporadora das ações ou quotas), a realização de uma assembléia geral é necessária porque haverá aumento de seu capital social e porque certos acionistas ou sócios poderão dissentir da decisão e requerer o reembolso do valor das suas ações ou quotas. Ademais, a lei impõe formalização de um protocolo e justificação com os termos do negócio jurídico a ser realizado e a apresentação de um laudo de avaliação do valor econômico das ações ou quotas que estarão sendo objeto da “troca” e que, em última análise, diz respeito ao valor do aumento do capital social, que pode ser realizado com ou sem prêmio (ágio na emissão de ações). Na sociedade (ou nas sociedades) que vier a subscrever ações ou quotas do capital da sociedade incorporadora das ações, a assembléia geral deve ser convocada em razão do disposto em Lei (§ 2º do artigo 252), que exige que uma operação desta natureza deva contar com a deliberação prévia dos sócios ou acionistas que podem dela dissentir. Neste caso, a Lei retira dos administradores os poderes para realizar uma operação que envolve ativos da sociedade. Algumas controvérsias existem acerca do caráter jurídico da “troca” de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei nº 6.404/76 (vide, no meu livro “Imposto de renda das empresas”, no Capítulo 31, o item 31.3). Sob a perspectiva daquele que realiza da “troca” das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos termos do artigo 227 da Lei nº 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei nº 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável e, se for o caso, haverá a realização do ágio ou deságio já amortizado e objeto de controle na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real. Por fim, cabe aduzir que ainda que a operação venha a ser qualificada como “liquidação de investimento”, não é permitido o adiamento da tributação incidente sobre o eventual ganho de capital, nos termos do item II do artigo 430 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 que trata, unicamente, das operações de incorporação, fusão ou cisão em razão da menção, no citado preceito, da figura do Fl. 701DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 17 13 “acervo líquido”, assim considerado a diferença entre ativos e passivos recebidos em razão de qualquer uma das citadas operações." (GRIFEI) Quanto a tal aspecto, qual seja, pronunciamentos doutrinários acerca da natureza da incorporação de ações, se representativa ou não de alienação capaz de fazer emergir ganho tributável, merece transcrição também, na linha do adotado pela decisão de primeira instância, fragmento de artigo da autoria de Jéferson Roberto Nonato acerca da matéria em referência. "Ganhos de capital nas alienações de participações societárias. Disciplina tributária De plano devemos focar a hipótese em que a titularidade das ações alienadas, em situação de Incorporação de Ações, fosse detida por uma Pessoa Jurídica. Para esta hipótese, já vigorou, entre nós, o disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2.002. Tal regra permitia que a Pessoa Jurídica alienante, em caso de Incorporação de Ações, deslocasse a tributação sobre os Ganhos de Capital para o momento da alienação, baixa ou liquidação das ações que foram adquiridas no processo de Incorporação de Ações. Os termos de tal dispositivo eram os seguintes: ... Esta permissão legal foi amplamente utilizada em Planejamentos Tributários e Societários, terminando revogada pelo art. 15 da Medida Provisória nº 232 de 30 de Dezembro de 2.004. Desta citação legal, se pode extrair que o legislador ordinário sempre reconheceu a ocorrência de Ganhos ou Perdas de Capital em situação de Incorporação de Ações, não importando para tal configuração, a inexistência de fluxo financeiro ou de manifestação de vontade do titular das ações alienadas. Não se tem na espécie mera substituição de ativos, como advogado por alguns. Efetivamente o ato jurídico encerra uma das espécies do gênero alienação que pode gerar ganho ou perda de capital para o alienante porque se materializa a transmissão onerosa da propriedade de ativos, sempre passível de avaliação em termos de moeda corrente." Como visto, em consonância com os pronunciamentos acima reproduzidos, a legislação tributária já previa a incidência do imposto e da contribuição social no ganho de capital derivado de incorporações de ações, tanto que autorizou o diferimento dessa tributação no período de vigência da norma trazida pelo art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Irrelevante, no caso, como asseverado por Jéferson Roberto Nonato, “a inexistência de fluxo financeiro ou de manifestação de vontade do titular das ações alienadas”. Amparado em tais considerações, entendo pela procedência da tributação do GANHO DE CAPITAL promovida pela autoridade fiscal. E, no caso dos autos, consta que a transferência das ações se deu por valor de mercado, superior ao custo de aquisição. Não há como acolher a argumentação de que não houve acréscimo no patrimônio da contribuinte/recorrente por ocasião do mencionado processo de incorporação de ações, na medida em que houve a elevação de seu patrimônio que se sujeita à apuração de ganho de capital. Observese que, para a empresa incorporadora, o custo de aquisição das ações incorporadas corresponde ao valor das ações emitidas em decorrência do aumento de capital para entrega aos acionistas da incorporada, o qual é considerado em caso de alienação futura. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 Nesse sentido e rejeitada a alegada ilegitimidade passiva da recorrente, não há reparo a fazer na tributação dos juros sobre capital próprio não oferecidos à tributação sob a alegação de que pertenciam ao sócio. 3) Do incorreto lançamento de valores a título de IRPJ e CSLL Alega a contribuinte/recorrente, neste ponto, "que os valores utilizados como base para o lançamento dos tributos questionados, per si, estão errados, o que implica em falta de liquidez e certeza quanto ao crédito tributário." Aduz, mais: "Ora, na incorporação das ações houve um acordo entre os acionistas da BOVESPA para não alienarem suas ações num determinado período, a fim de manter a coesão do grupo até a concretização da junção da BM&F e da BOVESPA e a sua repercussão no mundo econômico, inclusive para proteção de especulação. Tal restrição foi refletida às ações da própria incorporadora. Desse modo, conforme bem asseverou Ricardo Mariz de Oliveira no parecer ora acostado, em determinado período as ações incorporadas ficaram inalienáveis em razão de cláusulas contratuais, de sorte que o valor nominal considerado pelo Fisco para autuar a Recorrente e demais empresas corretora de valores mobiliários não reflete o valor das ações no momento em que, efetivamente, a Recorrente poderia vender tais ações no mercado de balcão. (...) A desconsideração da cláusula lock up no lançamento fiscal, além de implicar na inadequada descrição do fato gerador da obrigação tributária, em virtude da equivocidade na indicação da data da ocorrência do fato, implicou na inadequada quantificação do montante tributável, o que torna o lançamento fiscal ilíquido e passível de ser anulado." Com relação a este ponto, acrescento que a interessada apresentou a impugnação ao lançamento sem fazer qualquer menção a este tópico. Agora, em sede de recurso, traz essa alegação, a qual não merece acolhida a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, ao determinar que a matéria a qual não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Acerca do instituto da preclusão, assim leciona Humberto Theodoro Júnior: A essência da preclusão, para Chiovenda, vem a ser a perda, extinção ou consumação de uma faculdade processual pelo fato de se haverem alcançado os limites assinalados por lei ao seu exercício. Decorre a preclusão do fato de ser o processo uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas, a fim de que se obtenha a prestação jurisdicional, com precisão e rapidez. Sem uma ordenação temporal desses atos e sem um limite de tempo para que as partes os pratiquem, o processo se transformaria numa rixa infindável. Do exposto, sobressai a falta de competência da Autoridade Julgadora de segunda instância para tomar conhecimento dessa matéria em sede de recurso voluntário. 4) Improcedência da Multa Isolada. Concomitância. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 18 15 Alega a contribuinte/recorrente, em síntese, "que não há como prosperar também a multa isolada aplicada em razão da suposta falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, isto porque da leitura do auto de infração depreendese que sobre o mesmo fato e sobre a mesma base de cálculo fora imputada à Recorrente duas penalidades diversas, o que caracteriza concomitância a ser afastada". Como já conhecido nesta Turma, minha posição pessoal é pela manutenção integral das multas isoladas aplicadas, uma vez que não partilho do entendimento de nenhuma das inúmeras teses que vicejam nesta Corte Administrativa propondo o seu cancelamento, em função das circunstâncias específicas que cercam a determinação do seu montante em cada caso concreto. A meu modo de ver, a penalidade pelo descumprimento da obrigação de recolher as antecipações devidas está expressamente prevista em lei e não guarda qualquer correlação com o montante do imposto devido ao final do ano, nem tampouco pode ser afastada sob o argumento de concomitância com a multa proporcional eventualmente aplicada. Vejamos: A legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do ano calendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, aplicase o disposto na Lei nº 9.430/96, art. 44, § 1º, com a modificação dada pela Lei 11.488, de 2007 (inciso II, 50%), in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano calendário. Ausente tal demonstração, ou apurando a Fiscalização que estes balancetes revelam resultado inferior ao devido, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deve a contribuinte apurar e recolher os valores estimados com os acréscimos Fl. 704DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceria devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, mesmo verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano calendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, (com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007) a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Inadmissível, assim, a interpretação de que as multas isoladas (50%) e a multa de ofício (75%) pela falta de recolhimento do devido no ajuste do final do exercício é caso de duplicidade de lançamento. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Cabe registrar que a multa isolada em questão teve por fundamento o art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, de modo que, aqui, não é aplicável a súmula CARF nº 105, recentemente publicada e que abaixo reproduzo. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo Fl. 705DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 19 17 tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (GRIFEI) Notese que o enunciado trata especificamente da multa isolada lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, na redação original do dispositivo legal, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007. Enfim, neste ponto, acompanhando o quanto decidido em primeiro grau, mantenho a multa isolada (50%). 5) Da impossibilidade de aplicar juros sobre a multa Por fim, alega a recorrente, em apertada síntese, ausência de previsão legal para aplicação dos juros sobre a multa. Neste ponto, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Fl. 706DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301001.856 S1C3T1 Fl. 20 19 Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, PIS E COFINS uma vez que decorrente da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 708DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10880.008369/99-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
DOCUMENTOS APREENDIDOS
Alegações de impossibilidade de comprovar a regularidade das operações, em razão de apreensão de livros fiscais, documentos e valores, não justificam o não esclarecimento solicitado pelo Fisco, quando tais livros e documentos não constam do Auto de Infração e Apreensão pela Policia Federal.
EXTRATOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Insubsiste o lançamento realizado com base exclusivamente em depósitos bancários sem vinculação deles a receita desviada, até o advento do art. 42 da Lei n. 9.430/96, com eficácia a partir de 01/01/1997. Como o lançamento foi fundamentado com base na Lei 8.021/90, o item "E" do Termo de Verificação Fiscal deve ser cancelado.
OMISSÃO DE RECEITAS:
EMPRÉSTIMOS RECEBIDOS DOS SÓCIOS
Constitui omissão de receita a falta de comprovação da efetiva entrega de recurso à empresa em casos de empréstimos feitos por sócios ou pessoas a eles ligadas.
INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL
A não comprovação de origem e efetiva entrega à empresa dos recursos aplicados na integralização de capital autoriza presumir que eles sejam originários da receita omitida.
DIVERGÊNCIA ENTRE RECEITA INFORMADA E RECEITA ESCRITURADA.
O sujeito passivo não logrou demonstrar com documentos consistentes as divergências encontradas pela confrontação entre os boletos apresentados pela própria empresa (receita registrada na escrituração) e a informada pelo SISBACEN. Correta a conclusão de que houve omissão de receita.
VALORES ENCONTRADOS NA EMPRESA
Caracteriza-se como omissão de receita, a falta de registro e de justificação concreta da origem dos valores em moedas estrangeiras encontrados na empresa.
PIS/FATURAMENTO
Exonera-se o lançamento pois fundamentado nos DLs-2.445/88 e 2.449/88, com execução suspensa pela Resolução 49/95 do Senado Federal. Impossibilidade de constituição de nova lançamento, pois o crédito foi atingido pela decadência do art. 173 do CTN.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE
Exonera-se as parcelas constituídas com base no art. 8º do DL - 2.065/83, revogado pelos arts. 35 e 36 da Lei 7.713/88, ex-vi do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/96.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/FINSOCIAL
Como tributações reflexas, seguem o decidido no IRPJ.
MULTA DE OFÍCIO
Ficam reduzidas as multas de ofício de 100% dos créditos tributários devidos, previsto no art. 4º, inciso I, da Lei 8.218/91, para 75%, conforme inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96 d inciso I do Ato Declaratório Normativo COSIT 01/97 de 07/01/97, c/c alínea c, inciso II, do artigo 106 do CTN.
Numero da decisão: 1402-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base tributável o valor de Cr$ 1.482.703.320 correspondente à infração descrita no item E do Termo de Verificação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado .
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-02-15T20:51:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-02-15T20:51:00Z; Last-Modified: 2016-02-15T20:51:00Z; dcterms:modified: 2016-02-15T20:51:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:3352f780-ed4c-4b93-98a7-9b854f916b62; Last-Save-Date: 2016-02-15T20:51:00Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-02-15T20:51:00Z; meta:save-date: 2016-02-15T20:51:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-02-15T20:51:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-02-15T20:51:00Z; created: 2016-02-15T20:51:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-02-15T20:51:00Z; pdf:charsPerPage: 2484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-02-15T20:51:00Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 118 1 117 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.008369/9923 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.069 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ. Recorrentes UNIVERSO TURISMO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 DOCUMENTOS APREENDIDOS Alegações de impossibilidade de comprovar a regularidade das operações, em razão de apreensão de livros fiscais, documentos e valores, não justificam o não esclarecimento solicitado pelo Fisco, quando tais livros e documentos não constam do Auto de Infração e Apreensão pela Policia Federal. EXTRATOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Insubsiste o lançamento realizado com base exclusivamente em depósitos bancários sem vinculação deles a receita desviada, até o advento do art. 42 da Lei n. 9.430/96, com eficácia a partir de 01/01/1997. Como o lançamento foi fundamentado com base na Lei 8.021/90, o item "E" do Termo de Verificação Fiscal deve ser cancelado. OMISSÃO DE RECEITAS: EMPRÉSTIMOS RECEBIDOS DOS SÓCIOS Constitui omissão de receita a falta de comprovação da efetiva entrega de recurso à empresa em casos de empréstimos feitos por sócios ou pessoas a eles ligadas. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL A não comprovação de origem e efetiva entrega à empresa dos recursos aplicados na integralização de capital autoriza presumir que eles sejam originários da receita omitida. DIVERGÊNCIA ENTRE RECEITA INFORMADA E RECEITA ESCRITURADA. O sujeito passivo não logrou demonstrar com documentos consistentes as divergências encontradas pela confrontação entre os boletos apresentados pela própria empresa (receita registrada na escrituração) e a informada pelo SISBACEN. Correta a conclusão de que houve omissão de receita. VALORES ENCONTRADOS NA EMPRESA Caracterizase como omissão de receita, a falta de registro e de justificação concreta da origem dos valores em moedas estrangeiras encontrados na empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 83 69 /9 9- 23 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 119 2 PIS/FATURAMENTO Exonerase o lançamento pois fundamentado nos DLs2.445/88 e 2.449/88, com execução suspensa pela Resolução 49/95 do Senado Federal. Impossibilidade de constituição de nova lançamento, pois o crédito foi atingido pela decadência do art. 173 do CTN. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Exonerase as parcelas constituídas com base no art. 8º do DL 2.065/83, revogado pelos arts. 35 e 36 da Lei 7.713/88, “exvi” do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/96. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/FINSOCIAL Como tributações reflexas, seguem o decidido no IRPJ. MULTA DE OFÍCIO Ficam reduzidas as multas de ofício de 100% dos créditos tributários devidos, previsto no art. 4º, inciso I, da Lei 8.218/91, para 75%, conforme inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96 d inciso I do Ato Declaratório Normativo COSIT 01/97 de 07/01/97, c/c alínea “c”, inciso II, do artigo 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base tributável o valor de Cr$ 1.482.703.320 correspondente à infração descrita no item E do Termo de Verificação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 120 3 Relatório Em decorrência de ação fiscal direta, a empresa identificada foi autuada e intimada a recolher crédito tributário constituído de IRPJ; PIS; FINSOCIAL/FATURAMENTO; IRRF; CSL; multas e acréscimos legais, conforme autos de infração e demonstrativos de fls. 01 e 43 a 64, decorrentes da constatação de omissão de receitas e, consequentemente, foram considerados automaticamente distribuídos para cálculo do IRRF, além de integrarem a base de cálculo do PIS, do FINSOCIAL e da CSL. O agente fiscal lavrou o Termo de Verificação de fls. 41, tipificando as seguintes irregularidades cometidas pela autuada, caracterizadas como OMISSÃO DE RECEITAS prevista no art. 229 do RIR aprovado pelo Decreto 1.041/94: A) EMPRÉSTIMOS, no valor de Cr$ 134.729.000,00 efetuados em 02/91 e 07/91 pelo Sr. CHIANG JENG YIH, marido da Sra. CHIANG JENG MEI TZUO, sócia da empresa autuada, sem as respectivas comprovações de entrega de tais valores (fls.40); B) INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL, no valor de Cr$ 14.000.000,00 em 02/91 efetuado pela Sra. CHIANG JENG MEI TZUO, sócia da empresa autuada, sem as respectivas comprovações desses valores (fls. 41); C) Diferenças entre registros do SISBACEN confrontados com os BOLETOS apresentados pela empresa, no valor de Cr$ 2.406.051,00 – sem comprovação do respectivo oferecimento à tributação (fls.42); D) VALORES APREENDIDOS PELA POLICIA FEDERAL num total de Cr$ 46.933.084,60 sem comprovações da origem e de oferecimento à tributação (fls.42); E) VALORES CREDITADOS EM CONTACORRENTE da empresa no BANESPA, num total de Cr$ 1.482.703.320,00 de out/91 a dez/91 também sem comprovação da origem e de oferecimento à tributação (fls.42). Tais irregularidades resultaram em lançamentos de oficio referentes: a) IRPJ no valor de 1.027.892,32 UFIRs, além de multa e juros, por infração ao disposto nos artigos 157 e parágrafo 1 °; 175, 178, 179; 387inciso I, do RIR/80; aplicada multa por atraso na entrega da DIRPJ com base no art. 727, inciso I, alínea "a" do Decreto 85450/80 e art. 17 do DL 1967/82; b) PIS no valor de 17.956,96 UFIRs, além de multas e juros, conforme dispõem o art. 3° , alínea "h" da LC7170, c/c art.1 ° parágrafo único da LC17173, titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF142/82, e art. 1 0 do DL2.445/88 c/c art.1 ° do DL2.449/88; c) FINSOCIAL FATURAMENTO no valor de 55.252,18 UFIRs, além de multa e juros, de acordo com art. 1 °, parágrafo 1 0 , do DL1.940/82 e artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto 92.698/86 e art. 28 da Lei7.738/89; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 121 4 d) IRRF no valor de 697.184,11 UFIRs, além de multa e juros, conforme dispõe o artigo 8° do DL2.065/83; e) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL no valor de 255.916,33 UFIRs, além de multa e juros, de acordo com o art. 2° e seus parágrafos, da Lei 7.689/88. Os valores dos créditos tributários acima descritos, constituídos de oficio, assim como os demais termos constantes do Auto de Infração, foram retificados pelo agente autuante, conforme TERMO DE RE RATIFICAÇÃO DO Al., de fls. 73/74, em decorrência de compensação a maior de prejuízos fiscais, resultantes de outro lançamento fiscal, em 11/01/94, relativo ao mesmo exercício, pela FM1.703, no valor de Cr$ 5.000.000,00. Em razão dessa retificação, o valor do IRPJ supramencionado passou a ser de 1.031.242,07 UFIR, permanecendo inalterados os valores relativos aos demais tributos e contribuições, sendo aberto novo prazo de impugnação, conforme ciência dada ao contribuinte, no próprio Termo de ReRatificação do Al, em 24/04/95 (fls. 74). Quanto à retificação dos valores do Auto do IRPJ, a interessada nada questionou e quanto à autuação de fls.43/63, apresenta, TEMPESTIVAMENTE, impugnação de fls.68/70, sem apontar nenhuma preliminar e no mérito alega: 1) Quanto aos EMPRÉSTIMOS RECEBIDOS DA SÓCIA, alega que os registrou na sua contabilidade; que não se trata de receita da empresa, mas de empréstimo de sócio que, oportunamente, será devolvido; 2) Em relação à INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL, feita pela sócia, argumenta que não configura receita, logo inexiste a omissão de receita; 3) Quanto as diferenças entre os valores dos BOLETOS e registros do SISBACEN, argumenta que estão devidamente comprovadas em documentos e livros contábeis que estão apreendidos pela Policia Federal, impossibilitando a partir de então sua atividade regular, deixando inclusive de apresentar declarações de rendas, o que fará quando receber tais documentos e livros; que não existiu a irregularidade apontada pela Receita e, ainda que tivesse existido, a atuação da Policia impediu a empresa de regularizar essa situação. 4) Com relação aos VALORES APREENDIDOS, alega que dizem respeito ao próprio capital de giro da empresa, utilizado para suas operações diárias; que a Receita autua a empresa porque não teria registrado regularmente a entrada desse capital e ao mesmo tempo a autua porque constata a existência desse mesmo capital, um fato que seria obviamente decorrente do outro, logo injustificável a dupla punição; 5) Com relação ao MOVIMENTO BANCÁRIO, alega que tais valores não representariam lucro, mas sim troca de moedas, verificandose num mesmo dia o crédito e débito na conta, o que demonstra valores em circulação; que a receita seria apenas a diferença entre "preço" de venda e compra de moeda estrangeira, em torno de 0,015% da operação; alega que não teria oferecido ao Fisco extratos de sua contacorrente, nem autorizado a violação de seu sigilo bancário, em razão do que não teria respaldo legal a autuação, já que colhidos com violação das garantias constitucionais de proteção ao sigilo bancário; que a legislação não confere aos Fiscais de Tributos poderes para acesso As contas bancárias dos contribuintes, não Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 122 5 devendo prosperar nem tendo valor jurídico os elementos que serviram de base para a autuação; finalmente, argumenta que fica duplamente impugnada a autuação com base na movimentação bancária, porque não significam lucro da empresa e porque a prova foi obtida de forma ilícita. Por fim, requer seja julgado integralmente improcedente o Auto de Infração. Ato contínuo, a DRJ de São Paulo, proferiu v. acórdão nº 014988/9711.3131 de fls. 80/90, exonerando o PIS/FATURAMENTO, uma vez que fundamentado nos DLs 2.445/88 e 2.449/88, que tiveram sua execução suspensa pelo Senado Federal (Resolução 49/95); exonerando ainda o IRRF, porque fundamentado no art. 8° do DL 2.065/83, revogado pelos art. 35 e 36 da Lei 7.7131/88, "exvi" do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/96 e reduzindo a multas aplicadas no importe de 100% para todos os crédito tributários exigidos, prevista no art. 40, inciso I, da Lei 8.218/91, para 75% conforme o inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96 e inciso I do Ato Declaratório Normativo COSIT 01/97, de 07/01/97, c/c alínea "c", inciso II, do art. 106 do CTN. O restante, dos itens previstos no A.I. foram mantidos devido a não comprovação por parte da Recorrente das diferenças encontradas. Da decisão que reduziu o crédito foi interposto Recurso de Ofício e da parte mantida foi interposto Recurso Voluntário pelo contribuinte. A Recorrente apresenta em seu Recurso Voluntário de fls. 94/96 os mesmos argumentos previstos em sua impugnação inicial. Ato contínuo, tendo em vista a Medida Provisória 162130, foi negado seguimento ao Recurso Voluntário, eis que a Recorrente não tinha feito o deposito do valor de 30% do crédito tributário exigido. Após a declaração de inconstitucionalidade da exigência do depósito, foi determinado o prosseguimento do Recurso Voluntário. O Recurso foi distribuído para ser julgado pela 2ª Turma Especial desta Seção, porém, por votação unanime, o colegiado declinou sua competência devido ao valor do auto de infração extrapolar o limite de alçada. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 123 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator RECURSO DE OFÍCIO A r. decisão “a quo” de fls.87/88 afastou as seguintes exigência previstas no Auto de Infração: PIS/FATURAMENTO Com a suspensão da execução dos DecretosLei2445/88 e 2449/88, pela Resolução n° 49/95, do Senado Federal, a interessada, como prestadora de serviços passa a ser contribuinte do PIS, com base no Imposto de Renda (PIS/REPIQUE art. 3°, Parágrafo 2 °, da LC7/70 c/c LC7/70 e MP 1.175/95, art. 17, inciso VIII). Sendo assim, exoneramse os créditos lançados do PIS/FATURAMENTO, deixandose de proceder a novo lançamento, uma vez que os fatos autuados ocorreram em 1991, período já atingido pela decadência (art. 173 combinado com art. 156, inciso V,ambos do CTN). IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Indevida a exigência do IRRF, porque constituída com base no art. 8° do DL2.065/83, revogado pelos art. 35 e 36 da Lei 7.713/88, "exvia do Ato Declaratório Normativo COS1T 06/96. Embora a presente decisão esteja cancelando o lançamento de IRFON, fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional vir a proceder novo lançamento (ILL), devendo, nesta hipótese, ser observado o disposto no parágrafo único do artigo 149 do CTN. [...] MULTA DE OFÍCIO Ficam reduzidas as multas de oficio de 100%, dos crédito tributários devidos, prevista no art. 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, para 75%, “exvi" do inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96 e inciso I do Ato Declaratório Normativo COSIT 01/97, de 07/01/97, c/c alínea "c", inciso II, do art. 106 do CTN. Da leitura da fundamentação utilizada pelo D. Julgador de 1ª Instância pode se concluir que agiu corretamente em excluir da exigência tais créditos, eis que as exclusões do lançamento ocorreram devido alteração da legislação. Desta forma, conheço do Recurso de Ofício e nego provimento. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 124 7 RECURSO VOLUNTÁRIO Inicialmente, em relação a infração imputada no item E do termo de verificação fiscal relativa aos valores creditados em conta corrente do Banco BANESPA sem comprovação da origem e oferecimento a tributação, há de se destacar o seguinte: O item "E" do Termo de Verificação Fiscal TVF é referente ao período do anocalendário de 1993 e a infração relativa a omissão de receita encontrada por meio do cruzamento de movimentação financeira em conta corrente foi fundamentada no artigo 8 da Lei 8.021/90, período anterior a 01/01/1997 em que a fiscalização tinha o ônus de comprovar que as incompatibilidades encontradas entre a renda declara e a verificada nos extratos bancários se referiam a receita desviada para caracterizar a irregularidade tributária. A suposta obrigação do sujeito passivo de esclarecer ao Fisco as divergências encontradas entre as movimentações financeiras e a declaração de renda só veio com o advento da Lei 9.430/96. Assim em períodos anteriores a Lei 9.430/96 o agente fiscal era quem tinha o ônus de comprovar que a diferença encontrada entre os valores movimentados em conta bancária eram relativos a omissão de receita imputada ao sujeito passivo. Frente a este relevante fato, entendo que o lançamento relativo ao item "E" do TVF, referentes aos valores creditados em conta corrente do Banco BANESPA se basearem em simples presunção do agente autuante, o que não é admitido no direito tributário nacional. Desta forma, voto no sentido de cancelar o lançamento consubstanciado no item E do TVF do auto de infração em epigrafe. Em relação as demais alegações produzidas pela Recorrente em sua defesa inicial e posteriormente em seu recurso, entendo que não servem para elidir o trabalho fiscal, vejamos. A alegação da Recorrente de que não conseguiu apresentar a documentação adequada para refutar as irregularidades perpetradas no auto de infração por que a Policia Federal tinha apreendido tais documentos, não deve prosperar, eis que o sujeito passivo não conseguiu comprovar tal argumento de defesa. Em relação a suposta violação da garantia constitucional de proteção de sigilo bancário, não pode ser aqui analisada eis que envolve matéria de natureza constitucional e como tal, sujeita a apreciação exclusiva do Poder Judiciário pelo princípio da jurisdição una. O CARF uniformizou seu entendimento conforme Súmula CARF nº 2. No mais, em relação as irregularidades relativas aos empréstimos e a integralização de capital, não restaram comprovados nos autos as respectivas entradas de tais valores na contabilidade da empresa. De mesma forma, em relação às diferenças entre registros do SISBACEN confrontados com boletos entregues pela própria Recorrente e a dos valores apreendidos pela Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10880.008369/9923 Acórdão n.º 1402002.069 S1C4T2 Fl. 125 8 POLICIA FEDERAL, a Recorrente não conseguiu comprovar por meio de documentos o oferecimento de tais valores a tributação, bem como a origem dos montantes. Por fim,a Recorrente não juntou aos autos nenhuma prova para desconstituir as divergências encontradas pelo agente autuante, não restando alternativa senão dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência apontada no item "E" do Termo de Verificação Fiscal e em relação aos demais itens, manter a r. decisão “a quo” em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 10480.726868/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
OPERAÇÕES. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A prática de operações cuja única motivação consiste na criação artificial de condições para auferir-se vantagens tributárias não é oponível à Fazenda Pública.
DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR POR SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. A imputação de pagamentos somente é possível, em procedimento fiscal ou em julgamento, em face de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo. Na ausência de um destes elementos, a hipótese é de compensação, expressamente vedada por lei em face de direito creditório apurado por outro sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OPERAÇÕES. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A prática de operações cuja única motivação consiste na criação artificial de condições para auferir-se vantagens tributárias não é oponível à Fazenda Pública. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR POR SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. A imputação de pagamentos somente é possível, em procedimento fiscal ou em julgamento, em face de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo. Na ausência de um destes elementos, a hipótese é de compensação, expressamente vedada por lei em face de direito creditório apurado por outro sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OPERAÇÕES. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A prática de operações cuja única motivação consiste na criação artificial de condições para auferirse vantagens tributárias não é oponível à Fazenda Pública. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR POR SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. A imputação de pagamentos somente é possível, em procedimento fiscal ou em julgamento, em face de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo. Na ausência de um destes elementos, a hipótese é de compensação, expressamente vedada por lei em face de direito creditório apurado por outro sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 68 68 /2 01 2- 83 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório CARRILHO ADMINISTRADORA E CONSTRUTORA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/06/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 21.550.991,15. A autoridade lançadora apurou omissão de receita não operacional na alienação a seus sócios Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque, de investimentos antes detidos pela autuada na empresa Cia. Industrial e Mercantil de Cimentos – CIMEC. Descrevendo as operações realizadas para venda da referida participação societária à Camargo Corrêa S/A, a autoridade lançadora concluiu que a contribuinte apenas transferiu a tributação do ganho de capital na venda das ações da CIMEC para as pessoas físicas dos sócios, uma vez que, o valor de alienação para estes foi o custo contábil da participação societária constante na escrituração da fiscalizada, bem inferior ao de mercado, obtido quando da alienação à Camargo Correa S/A. Observou que os sócios Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque somente promoveram o pagamento relativo à aquisição de ações depois de efetivado o pagamento da venda realizada a Camargo Corrêa S/A. Relacionando outros fatores que chamam atenção na operação, a autoridade lançadora asseverou que os atos negociais praticados se deram em direção contrária à norma legal, unicamente com o intuito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária de forma a diminuir sua tributação. Destacando que as operações foram estruturadas em seqüência e que não garantem a legitimidade do conjunto, sendo realizadas num curto intervalo de tempo, asseverou que deve o Fisco coibir e, para fins de tributação, desconsiderar os atos ou negócios jurídicos que visem a reduzir o valor de tributo ou a evitálo ou a ocultar a real natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Observou clara falta de propósito negocial ante a opção por uma forma mais complexa diante da possibilidade de um ato puro e simples de venda de participação societária, acrescentou que os procedimentos adotados não passaram de atos formais desprovidos de motivação econômica e propósito negocial, uma vez que não houve desembolsos financeiros por parte dos sócios adquirentes e concluiu ser evidente que a seqüência de atos praticados objetivou unicamente reduzir a tributação através da transferência da sujeição passiva, do ganho de capital da “CARRILHO” para os seus sócios. Apurou, assim, o ganho de capital auferido pela pessoa jurídica na referida alienação, tendo em conta o valor acordado e pago por Camargo Corrêa S/A e o custo contábil da participação societária. Referido valor foi adicionado ao lucro presumido dos 1o e 3o trimestres do anocalendário 2008. Impugnando a exigência, a contribuinte apontou incongruências na acusação fiscal e a ausência de tipificação legal para a exigência fiscal como motivos de nulidade do lançamento. No mérito, procurou justificar a venda de ações da CIMEC para seus sócios em razão das condições econômicas da alienante e da alienada e invocou a prevalência dos Fl. 780DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 5 4 registros presentes em seus Livros de Registro de Ações Nominativas, desmerecendo os efeitos de seu registro posterior. Por fim, defendeu a obrigatoriedade do aproveitamento do imposto já pago por seus sócios, destacando que o pedido de restituição de indébito pelas pessoas físicas não seria razoável à luz dos princípios da moralidade e da eficiência, além de desfavorecer a autuada com a majoração da multa de ofício aplicada, retardar a percepção pelas pessoas físicas e ainda correr o risco da prescrição. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · O lançamento é válido, e fundamentando na constatação de omissão de ganho de capital decorrente da alienação de investimento à Camargo Correa S/A, conforme expresso no Termo de Encerramento da ação fiscal; · A sequência de operações no sentido de transferir a titularidade da participação na CIMEC para os sócios Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque, sem prejuízo ou ganho para a interessada, e, logo após, num curto período de tempo, para a Camargo Correa, evidencia não houve outro propósito senão a economia no pagamento de tributos, com a transferência do ganho de capital para esses sócios. · A falta de propósito negocial caracteriza abuso de direito3, o que implica que os efeitos do ato maculado pelo defeito não são oponíveis na esfera tributária. · ... quanto ao aproveitamento do imposto pago pelos sócios Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque, cumpre informar esta instância julgadora não tem competência para fazêlo. O pleito deve ser dirigido à Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição do contribuinte. Cientificada pessoalmente da decisão de 1a instância em 15/03/2013 (fl. 732), antes de se verificar a ciência por meio da disponibilização da decisão na Caixa Postal “E CAC” (fls. 737/738), a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente em 12/04/2013 (fl. 740/772). Inicialmente faz breve resumo da demanda, historiando os fatos ocorridos, e destacando que, embora não informado pela autoridade fiscal, o patrimônio líquido da CIMEC, em 31/12/2007, considerando os prejuízos que vinha acumulando nos anos anteriores, era de R$ 12.080.498,06, de modo que a venda das participações a seus sócios em 03/01/2008 foi realizada por valor proporcional a 158% do patrimônio líquido da CIMEC em 31/12/2007. Reportase aos contratos firmados e à regularidade da transferência formalizada no Livro de Registro de Ações Nominativas e no Livro de Transferência de Ações Nominativas da CIMEC, e observa que mesmo em face destes elementos a autoridade fiscal entendeu que a venda aos sócios deveria ser desconsiderada. Na seqüência, reafirma a existência de contradição entre a Descrição dos Fatos e o Termo de Encerramento, para depois relatar os termos de sua impugnação e abordar a decisão recorrida. Trata dos vícios materiais dos lançamentos tributários objeto deste processo administrativo, inicialmente abordando a já mencionada incongruência e contradição na descrição da infração imputada à contribuinte, em razão da qual não lhe foi possível Fl. 781DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 6 5 identificar qual é, de fato, a acusação da autoridade fiscal: se omissão de ganho de capital, que decorreria da alienação de participação societária da RECORRENTE para seus sócios, ou ganho de capital que teria a RECORRENTE auferido na alienação da participação societária diretamente à Camargo Correa S/A, em face da desconsideração da alienação anterior aos sócios. Acrescenta que a referência, na descrição dos fatos no auto de infração, à alienação do investimento pelo valor do patrimônio líquido é imprópria, porque a venda foi realizada pelo valor de custo do investimento, e este correspondia a 158% do patrimônio líquido da investida à época. Reportase aos requisitos expressos no art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 para afirmar o prejuízo ao exercício de sua defesa, transcreve doutrina e consigna que era dever da Autoridade Fiscal delimitar, de forma clara e precisa, a infração supostamente cometida. A ambigüidade presente na acusação determinaria a declaração de nulidade dos lançamentos, consoante julgados administrativos e outros excertos doutrinários que cita. Finaliza frisando que as acusações realizadas pela autoridade fiscal são contraditórias, e produz quadro sinótico para evidenciar tal circunstância. Diz que a autoridade julgadora de 1a instância reconheceu o descompasso antes referido, mas tentou justificálo aduzindo que no auto de infração é feito mero “resumo” da infração, a qual estaria circunstanciada no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Discorda, porém, desta forma de construção do auto de infração, dado o prejuízo causado à sua defesa, e como as acusações seriam contraditórias, aduz não ter a autoridade julgadora de 1a instância esclarecido porque deveriam prevalecer as razões do Termo de Encerramento da ação fiscal, ressaltando que não cabe ao contribuinte ou à autoridade julgadora escolher, dentre as acusações conflitantes da autoridade fiscal, qual é a preponderante. Acrescenta que a alienação aos sócios não se verificou pelo valor do patrimônio líquido, como consignado no auto de infração, mas sim por valor bastante superior a ele (158%). Prossegue argüindo a nulidade do lançamento em razão da ausência de tipificação legal para exigência fiscal. Reproduz o enquadramento legal consignado no lançamento e assevera que nenhum deles autoriza a autoridade fiscal a caracterizar, por presunção legal, a ocorrência de omissão de ganho de capital. Cumprialhe, assim, comprovar que a venda ocorreu por preço superior ao declarado e foi omitida a diferença do ganho tributável, e não fundamentarse em presunção (sem previsão legal aplicável) de que o preço deveria ter sido superior. Reportase a julgado deste Conselho e acrescenta que a decisão recorrida não indica qualquer fundamento legal, seja para (i) fazer prevalecer a infração descrita no Termo de Encerramento da Ação Fiscal sobre aquela indicada na Descrição dos Fatos do próprio auto de infração; (ii) seja para justificar a presunção adotada pela fiscalização para desconsiderar o valor praticado entre a RECORRENTE e seus sócios, quando da venda da participação na CIMEC. Na seqüência, por dever de cautela, e ainda que de forma precária, em razão da dificuldade que lhe é imposta pelos vícios antes mencionados, a recorrente apresenta suas razões de mérito contra as duas acusações mencionadas. Tendo em conta que para a autoridade julgadora de 1a instância a infração seria a venda direta dos ativos à Camargo Corrêa, enuncia as justificativas apresentadas para manutenção da exigência e a elas opõe o fato de a transação entre a recorrente e seus sócios ter sido realizada em condições comutativas, em especial quando se considera as perdas que a CIMEC vinha enfrentando, mês a mês, sendo também inegável que realizada no interesse da recorrente. Discorre sobre os prejuízos acumulados por CIMEC, seu alto nível de endividamento bancário e a repercussão destas Fl. 782DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 7 6 circunstâncias nos limites de crédito da recorrente, refutando a afirmação de que houve falta de propósito negocial na venda realizada pela RECORRENTE aos seus sócios nem que não houve ganho para a RECORRENTE na operação. Acrescenta que as incongruências nas datas do registro contábil da alienação pela RECORRENTE aos sócios, mencionadas pela autoridade julgadora de 1a instância, não se sustentam frente à regular autenticação dos Livros de Registro de Ações Nominativas e do Livro de Transferências de Ações Nominativas da CIMEC, e também porque a autoridade fiscal acatou a venda como realizada em 03/01/2008, sem apresentar qualquer alegação de falsidade ou adulteração nos livros da CIMEC, ou nas condições acordadas nos respectivos contratos de cessão e transferência de ações celebrados entre a RECORRENTE e seus sócios. Cogita que a autoridade fiscal entendeu que, como a RECORRENTE não teve ganho de capital na venda aos seus sócios e o preço somente foi por eles pago em 09/04/2008, deveria ser desconsiderada a venda aos seus sócios e tributada, na RECORRENTE, a venda por eles realizada à Camargo Correa S/A. Contudo, esta pretensão não teria fundamento, porque a Fiscalização não suscitou qualquer falsidade na venda de ações promovida em 03/01/2008, e é incontroverso que o preço foi pago nos termos do contrato, até porque, questionada, Camargo Correa S/A expressamente afirmou que não adquiriu ações da recorrente. A Fiscalização, assim, atevese a um fato isolado (pagamento a prazo) para desconsiderar toda a operação regularmente realizada. Ao final, houve abuso de direito por parte do Fisco, que presumiu não ter ocorrido a venda pelos sócios da recorrente à Camargo Correa S/A, em que pese todos os fatos em contrário. Defende que a presunção deve estar prevista na lei tributária, e não foi apresentado fundamento legal neste sentido. Por sua vez, se a acusação da fiscalização é de simulação, demandaria prova, e todos os aspectos aqui mencionados são contrários à sua ocorrência. Reproduz jurisprudência e conclui que havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 142 do CTN. O imposto, por definição (CTN, art. 3o), não pode ser usado como medida compensatória de fato superveniente ocorrido após a venda das ações aos sócios da recorrente. Subsidiariamente defende a obrigatoriedade do aproveitamento do imposto já pago, afirmando que houve erro na apuração do imposto devido, reportandose aos documentos juntados à impugnação que demonstram os valores pagos pelos sócios da recorrente, e asseverando que: 72. Por qualquer das acusações apontadas no Auto de Infração, o imposto pago pelos Srs. Ricardo, Antônio, Leonardo e Juliana, na venda das ações à Camargo Correa S/A, deve ser aproveitado no lançamento. De fato: (i) se considerado, como valor de venda da RECORRENTE aos Srs. Ricardo, Antônio, Leonardo e Juliana, o mesmo valor por qual eles venderam as ações à Camargo Correa S/A, temse que, na operação, eles, Srs. Ricardo, Antônio, Leonardo e Juliana, em razão do lançamento, não teriam auferido ganho de capital (o ganho de capital teria sido na RECORRENTE); ou (ii) se considerado que a venda, à Camargo Correa S/A, teria sido realizada diretamente pela RECORRENTE, temse que os Srs. Ricardo, Antônio, Leonardo e Juliana não teriam igualmente ganho de capital. Assim, como parte do tributo apurado através do presente Auto de Infração já foi efetivamente pago, ainda que pelas pessoas físicas dos sócios da RECORRENTE, seria obrigatório o afastamento proporcional da exigência tributária apurada em desfavor da ora Fl. 783DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 8 7 RECORRENTE, como se fundamenta adiante. Por sua vez, a instância julgadora tem sim competência para analisar este pedido. Isto porque a redução do imposto ora exigido é decorrente da decisão administrativa que (eventualmente) decidir pela desconsideração da operação praticada entre a RECORRENTE e seus sócios, e demais disso esta providência influi no cálculo da multa de ofício e dos juros de mora aqui lançados. Acrescenta que o pedido de restituição do indébito pelas pessoas físicas ofenderia os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência, se reconhecido que houve pagamento indevido pelos sócios pessoas físicas, e afirma que em caso contrário haveria verdadeiro locupletamento sem causa da Fazenda Pública, pois se encontra na posse/propriedade dos valores já pagos pelos sócios da recorrente, mas exige multa em relação à mesma renda e ao mesmo fato tributável. Cita jurisprudência administrativa em favor deste entendimento. Ao final, pede: (i) preliminarmente, que seja reconhecida, com fundamento no art. 142 do CTN, no art. 10o do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 5o da Constituição Federal de 1988, a nulidade dos lançamentos, cancelando os respectivos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, em face (a) de vício material consubstanciado em erro na construção do auto de infração, em razão das incongruências e dos conflitos havidos na descrição dos fatos e motivação do lançamento; e (b) de vício formal consubstanciado na ausência de tipificação legal para presunção de omissão de receitas na venda realizada pela RECORRENTE aos Srs. Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque; (ii) alternativamente, caso não acolhidas as preliminares de nulidades suscitadas, que seja, no mérito, julgados totalmente improcedentes os lançamentos, tendo em vista a regularidade das operações praticadas entre a RECORRENTE e os Srs. Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque; e (iii) ainda, caso não acolhido qualquer dos pedidos anteriores e, como pedido sucessivo eventual, que na apuração do IRPJ, através do respectivo Auto de Infração ora impugnado, seja considerado o imposto de renda efetivamente pago, pelos Srs. Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque, na apuração do ganho de capital auferido na venda das ações à Camargo Corrêa, devendo incidir multa e juros apenas sobre o crédito tributário remanescente assim apurado. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente principia o mérito de sua defesa apontando incongruências na descrição da infração imputada à contribuinte, na medida em que a autoridade lançadora afirmou no Auto de Infração ter havido omissão de ganho de capital na alienação de participação societária realizada pela recorrente aos seus sócios, mas no Termo de Encerramento da Ação Fiscal defendeu a inexistência da operação de compra e venda realizada aos sócios, afirmando que a pessoa jurídica autuada seria a efetiva alienante do investimento na CIMEC. Não procede a dúvida aventada pela recorrente. A autoridade lançadora promoveu a exigência correspondente ao ganho de capital na alienação da participação societária em referência porque concluiu que ele deveria ter sido tributado na pessoa jurídica autuada, verdadeira alienante, o que foi evitado mediante prévia alienação do investimento aos seus sócios pessoas físicas pelo valor do custo contábil. Assim, está correta a conclusão do Termo de Encerramento da Ação Fiscal no sentido de que o procedimento adotado simplesmente transfere a tributação do ganho de capital da alienação da participação societária na “CIMEC” da “CARRILHO” para as pessoas físicas dos sócios da autuada, bem como a infração apontada no lançamento de omissão de ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de mercado e o da alienação de participação societária, feita à pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado. Como o investimento foi previamente alienado aos sócios pessoas físicas pelo custo contábil, a diferença entre este e o valor de alienação à real adquirente (valor de mercado) corresponde ao ganho de capital omitido pela pessoa jurídica. A omissão, nestes termos, decorre, sim, de ganho de capital que teria a RECORRENTE auferido na alienação da participação societária diretamente à Camargo Correa S/A, como dito na defesa, e corresponde ao ganho de capital omitido na alienação de participação societária da RECORRENTE para seus sócios, na medida em que nesta alienação o investimento foi baixado em contrapartida ao seu exato valor contábil, portanto sem apuração de qualquer ganho. Em suma, no entender da Fiscalização, se a autuada transferisse o investimento por ela detido na CIMEC aos seus sócios pelo valor de mercado, objetivamente oferecido pelo futuro adquirente, o ganho de capital teria sido regularmente tributado. Ao promover a baixa do investimento em favor de seus sócios pelo valor contábil, materializouse a omissão aqui imputada à pessoa jurídica. Não se verificam, portanto, acusações conflitantes da autoridade fiscal, e não prospera a dúvida levantada acerca da efetiva infração imputada contra a recorrente. Uma leitura rápida da infração descrita no Auto de Infração pode até permitir a argumentação desenvolvida pela recorrente. Todavia, a análise conjunta daquela descrição com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal que o complementa, como expresso no Auto de Infração, somente autoriza concluir que a Fiscalização se reportava, efetivamente, à omissão de ganho de capital por aquela que era a verdadeira alienante da participação societária previamente transferida aos seus sócios. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 10 9 Em verdade, há apenas um erro material na indicação do título da infração na descrição dos fatos do Auto de Infração, onde constou: Ganhos de Capital – Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor do Patrimônio Líquido, porque não se teve em conta esta característica do investimento alienado. Mas esta incorreção não causou qualquer prejuízo à defesa, porque toda a acusação fiscal, inclusive a descrição resumida da infração consignada na seqüência daquele título, enuncia claramente os parâmetros de cálculo da receita omitida. Em conseqüência, não houve ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ao art. 142 do CTN, ou cerceamento ao direito de defesa da autuada. A recorrente entende também prejudicado o lançamento por ausência de tipificação legal para exigência fiscal, na medida em que os dispositivos legais indicados não autorizam a autoridade fiscal a presumir a ocorrência de omissão de ganho de capital. Contudo, ao contrário do que diz a defesa, a Fiscalização não só alega que a venda ocorreu por preço superior ao declarado, como também que a alienante era, na verdade, a autuada. Reuniu, assim, as provas que entendeu suficientes para desqualificar a operação intermediária realizada, as quais serão mais adiante analisadas. Por sua vez, se a Fiscalização, de fato, desconsiderou o valor praticado entre a recorrente e seus sócios, quando da venda da participação na CIMEC, e tomou como referência desta alienação o custo contábil, esta matéria também diz respeito ao mérito e será, adiante, analisada. Assim, considerando que os artigos citados pela Fiscalização (arts. 521, 522 e 528 do RIR/99) tratam, precisamente, da tributação do ganho de capital por pessoas jurídicas tributadas na sistemática do lucro presumido, como é o caso da autuada, não se verifica a omissão que, no entender da recorrente, invalidaria o lançamento. Esclareçase, ainda, que o recurso voluntário interposto não abordou aspectos referentes à incompatibilidade da presente exigência com as normas que regem a distribuição disfarçada de lucros, e tais aspectos somente foram veiculados em sustentação oral, na qual a recorrente se reportou, inclusive, à decisão favorável da antiga 3ª Turma da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento em face de exigência veiculada contra outra pessoa jurídica que também alienou sua participação societária na CIMEC em circunstâncias semelhantes às aqui verificadas. Frente a tal contexto, cumpre observar que a presunção de distribuição disfarçada de lucros foi originalmente estipulada em face dos contribuinte sujeitos à tributação segundo a sistemática do lucro real, e além de a presente exigência observar a opção da contribuinte pelo lucro presumido, aquela presunção também não tem lugar porque há evidências suficientes dos fatos efetivamente ocorridos, o que dispensa a construção dos indícios previstos no art. 464 do RIR/99 para determinação dos valores que seriam passíveis de tributação na fiscalizada. Por sua vez, a decisão proferida pela antiga 3ª Turma da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, além de ter em conta exigência formulada segundo a sistemática do lucro real, foi tomada por maioria de votos, restando vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes Moura, sendo que da declaração de voto apresentado por este último extraise: Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso Fl. 786DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 11 10 voluntário, peço vênia para divergir quanto à interpretação dada às conclusões da ação fiscal. Isso porque, conforme apresentado de maneira bastante didática pelo relator, a autuação deuse em razão de a autoridade autuante entender que ocorreu um planejamento tributário abusivo. A recorrente (pessoa jurídica), em vez de alienar diretamente suas ações da CIMEC para a Camargo Corrêa, consumou a operação por meio de seus sócios (pessoas físicas), o que resultou em uma tributação de ganho de capital favorecida. Vale transcrever fragmentos do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (TEAF) de fls. 26/47, no qual a autoridade tributária relata os fatos que fundamentaram a autuação: [...] Ocorre que, em seguida, entendo que a autoridade autuante incorreu em equívoco ao tipificar a autuação como uma distribuição disfarçada de lucros (DDL), como se pode observar no item 31 do TEAF: [...] A confusão fica mais evidente quando a base de cálculo da infração é apurada, conforme esclarecimentos nos itens 38 e 39 do TEAF: [...] A apuração do ganho de capital fica demonstrada tanto no aspecto temporal quanto no material. As datas apresentadas como fato gerador 12/03/2008 (item 9.4 do TEAF) e 22/08/2008 (item 9.7 do TEAF) são precisamente aquelas em que ocorreram as vendas das ações da CIMEC pelos sócios pessoas físicas. Conforme quadro no item 37 do TEAF, a primeiro pagamento da venda foi efetuado em 12/03/2008, e o segundo em 22/08/2008. E o quantum é exatamente a diferença entre o custo contábil da participação societária alienada e o valor pago na venda das ações. Ora, a autuação fiscal não trata de DDL. Por isso que qualquer análise do aspecto temporal, levandose em consideração a distribuição disfarçada de lucros, não guarda nenhuma correspondência com os fatos geradores lançados no auto de infração. Portanto, a questão que se coloca é a seguinte: a tipificação dada pela Fiscalização, de DDL, ainda que imprecisa, teria o condão de descaracterizar a autuação, considerando que a descrição de fatos e a apuração da base de cálculo amparase na hipótese de incidência do ganho de capital? Entendo que não. Apreciando a impugnação e o recurso voluntário interposto pela recorrente, percebese que houve uma perfeita compreensão dos fatos narrados pela Fiscalização, ou seja, não restou caracterizado nenhum cerceamento de defesa. Por sua vez, o relato elaborado pela autoridade fiscal mostrase claro, ao discorrer sobre os fatos e as razões pelas quais entendeu ser cabível a autuação. Apesar de ter concluído pela tipificação incorreta, não eivou de nulidade o procedimento fiscal. Há que se destacar a jurisprudência do CARF, transcrita a seguir, no sentido de que a deficiência no enquadramento legal, por si só, não prejudica a defesa, desde que os fatos estejam devidamente descritos na autuação e permitam a adequada compreensão por parte da contribuinte, tanto que contesta, com detalhamento, as razões apresentadas pela Fiscalização. [...] Fl. 787DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 12 11 E, diante do exposto, apreciando o caso concreto na ótica da infração tributária ganho de capital, entendo não haver reparos na autuação fiscal. Aqui, como demonstrado, a acusação somente reflete a ocorrência de ganho de capital não tributado na sistemática do lucro presumido. As referências a expressões usadas na legislação que rege a presunção de distribuição disfarçada de lucros foram feitas em termos comuns, e não com vistas a firmar os indícios ali tratados. Ademais, nenhuma referência há ao art. 464 do RIR/99. Logo, as circunstâncias presentes nestes autos são totalmente distintas daquelas que ensejaram a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1103001.097, como bem demonstram os seguintes excertos extraídos do voto condutor do Conselheiro Marcos Shigueo Takata: Refletindo cuidadosamente sobre as considerações feitas no Termo de Encerramento Fiscal que integra os autos de infração, do conjunto delas e no contexto em que elas foram colocadas, concluo que, a rigor, a razão e o motivo dos lançamentos foi a identificação de que as efetivas vendas das ações da CIMEC para a CCSA se deram pela recorrente, e não por seus sócios pessoas físicas – daí o ganho de capital no procedimento, i.e., na venda das ações da CIMEC à CCSA ser da recorrente. O que implica dizer, a razão e o motivo dos lançamentos não foi a DDL, embora a última requalificação jurídica ultimada tenha sido a de DDL, impondo a aplicação de suas consequências. [...] Vejo que se desnuda o que deduzi acima. Um ato puro e simples de venda da participação societária pela recorrente para a CCSA. Eis a valoração. A sequência dos negócios jurídicos, a forma mais complexa, curto período de tempo (“momentos depois”) entre a venda para os sócios e a venda por esses para a CCSA, o “retorno” dos recursos à recorrente. Tudo a denunciar a abusividade dos negócios, sem propósito negocial. O que isso tem a ver com a DDL? [...] Ato posterior praticado pelo sócio nada tem de ver com a DDL. Esta se encerra no ato com o sócio. DDL é ato para o sócio, e não pelo sócio. A sequência de atos no procedimento discutido nada tem com DDL. A forma complexa, o curto intervalo de tempo entre o negócio com o sócio e o negócio do sócio com terceiro, e a transferência de recursos pelos sócios para a recorrente (decorrente da venda das ações da CIMEC para a CCSA pelos sócios adquirentes), nada disso tem relação com o sentido de DDL. Tudo isso tem relação com requalificação jurídica dos fatos (para fins fiscais) por abusividade, para se reconhecer que quem vendeu as ações da CIMEC para a CCSA é a recorrente (sendo dela o ganho de capital auferido na venda para a CCSA), e não seus sócios. Para a valoração empreendida pelo autuante, ele ressalta a venda aos sócios sem recebimento de valor algum pela recorrente, reconhecendo apenas escrituralmente o valor, com a transferência de direito às pessoas ligadas (sócios) sem pagamento e por valor inferior ao de mercado (fls. 36 e 37). Também, o “retorno” dos recursos da venda das ações à CCSA para a recorrente (digo retorno entre aspas, pois o que a recorrente recebeu não foi o valor da venda aos sócios, mas boa parte do valor da venda pelos sócios à CCSA). Fl. 788DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 13 12 Ora, se isso tem importância, a DDL não seria a diferença entre o valor de venda das ações da CIMEC à CCSA e o preço de venda das ações aos sócios da recorrente –como pretendeu o autuante. A DDL seria o próprio valor de venda das ações da CIMEC à CCSA, se esse for o valor de mercado. [...] Esclarecido o sentido das regras de DDL, vêse que a valoração fáticojurídica efetuada nada tem a ver com a DDL, que foi a requalificação jurídica final como havia sinalizado anteriormente. A evidência do que disse até agora, ou pelo menos um sintoma, está no equívoco do autuante na aplicação das regras de DDL ao afirmar que a DDL se configurou na alienação final pelos sócios. Ora, a DDL se aperfeiçoa e se encerra na data da alienação aos sócios, e não na sequência praticada pelos sócios, i.e., na alienação feita pelos sócios. É o que se vê nos instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 5 e 16 – datas de 12/3/08 e 22/8/08, que são as das vendas feitas pelos sócios à CCSA). Como é dito no Termo de Encerramento de Ação Fiscal: [...] Da análise de todo o “filme”, particularmente concordo com boa parte das valorações feitas pelo autuante, para concluir que, com base nelas e na análise do “filme”, e não das “fotos” isoladas, efetivamente o que se deu foi a venda das ações da CIMEC para a CCSA pela recorrente, e não por seus sócios. Valorações tingidas pela coloração apresentada no “filme”, e não isoladamente de uma ou outra “foto”. Ganho de capital da recorrente pela venda das ações da CIMEC para a CCSA. Isso independe de se aceitar ou não como valor de mercado o preço de venda praticado com a CCSA. Entretanto, não foi isso que o autuante acabou por “aplicar” (ele aplicou as regras de DDL). [...] Do que ficou deduzido, não há como se manter a autuação pela aplicação das regras de DDL, diante da valoração feita pelo autuante do quadro fático, colocandose em planos de valor diversos o motivo e a razão da requalificação jurídica, e a (requalificação jurídica) ultimada por DDL. No presente caso não houve este descompasso na acusação. Ainda que a presente exigência tenha sido formulada pelo mesmo agente fiscal, e no mesmo momento em que formalizado aquele lançamento, a circunstância específica da autuada ser optante pelo lucro presumido evitou a qualificação jurídica da operação como distribuição disfarçada dos lucros, e a acusação repousou sobre a existência de ganho de capital não tributado, compatível com os fatos descritos, e especialmente com a data de sua ocorrência, qual seja, 12/03/2008 e 22/08/2008, quando ocorrida a suposta alienação da CIMEC pelos sócios pessoas físicas à empresa Camargo Corrêa S/A. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. No mérito, a recorrente afirma que a venda do investimento aos seus sócios foi realizada por valor correspondente a 158% do patrimônio líquido (valor contábil) da CIMEC, a evidenciar que a venda se realizou em condições comutativas, bem como no Fl. 789DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 14 13 interesse da recorrente, tendo em conta os prejuízos e dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa alienada, com repercussões nos limites de crédito da recorrente, necessário para o exercício de suas atividades no ramo imobiliário. Todavia, não há reparos à decisão recorrida que, quanto a estas alegações, trouxe expresso que: 22. Não há acordar com as razões da defesa. Antes de tudo, baldadas as contraposições à “alienação” da participação aos sócios em si, pois que, como visto, a infração se trata de ganho de capital (receita não operacional) decorrente da alienação direta da participação na CIMEC à Camargo Correa S.A. 23. Ante as seguintes evidências, extraídas dos itens 8.2 a 9.8 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, onde se descreve em detalhes a dinâmica da transferência da participação da CIMEC para os sócios da Carrilho, em 03.01.2008 e 21.08.2008, e destes a Camargo Correa S/A, em 12.03.2008 e 22.08.2008, resta claro, a “alienação” da participação na CIMEC para os sócios da Carrilho, e destes para a Camargo Correa deuse apenas de forma escritural: 23.1 – As ações supostamente vendidas aos sócios o foram pelo custo contábil; não se levou em conta o seu valor de mercado. 23.2 – A forma de pagamento se deu integralmente a prazo, ou seja, as ações foram transferidas sem que a Carrilho recebesse qualquer quantia por elas de antemão; o que veio ocorrer, com lançamentos a débito no caixa geral da empresa (conta 1.1.1.01.001), em 09.04.2008 e 15.09.2008, depois dos pagamentos efetuados pela Camargo Correa S/A em 12.03.2008 e 22.08.2008 (vide itens 9.4 e 9.8). 23.3 No Livro de Registro de Ações Nominativas da CIMEC a “alienação” das ações de propriedade da Carrilho para os seus sócios teria ocorrido em 30.11.2007. No Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas da CIMEC a referida “alienação” teria ocorrido em 03.01.2008 – não houve com efeito desconsideração dos referidos livros, mas sim a constatação de incongruências entre as datas da suposta alienação aos sócios. 24. A sequência de operações no sentido de transferir a titularidade da participação na CIMEC para os sócios Ricardo do Amaral Carrilho, Antônio Benévolo do Amaral Carrilho, Leonardo Monteiro de Albuquerque e Juliana Maria Matos Albuquerque, sem prejuízo ou ganho para a interessada, e, logo após, num curto período de tempo, para a Camargo Correa, revela não houve outro propósito senão a economia no pagamento de tributos, com a transferência do ganho de capital para esses sócios. 25. O fato de observarse, em determinada operação, a atinente legislação de regência, não implica necessário reconhecimento de seus efeitos na esfera tributária. A formalidade jurídica há de ser expressão fidedigna da realidade1. 26. A falta de propósito negocial caracteriza abuso de direito2, o que implica os efeitos do ato maculado pelo defeito não são oponíveis na esfera tributária. 27. Essa é a linha de entendimento do Carf, que vem construindo nova visão acerca do Planejamento Tributário, segundo a qual se deve buscar a essência dos atos e 1 Não basta ser lícito, é preciso ser eficaz perante o Fisco (GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2004, p. 106) 2 No dizer de Luciano Amaro, o abuso de direito se traduziria em procedimentos que, embora correspondentes a modelos abstratos legalmente previstos, só estariam sendo concretamente adotados para fins outros que não aqueles que normalmente decorreriam de sua prática. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 15 14 negócios jurídicos empregados3, como se vê do excerto do Acórdão nº 10323.290/ 2007, da lavra do Conselheiro Aloysio Percínio: O autor do voto condutor do acórdão recorrido, com pertinência, também tratou do abuso de direito praticado: “140. Em suma, não há dúvida de que a interessada tem o direito, previsto na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito. Como tal, uma vez provado tratarse de operação com esta razão principal, como penso restou provado nestes autos pelos motivos por mim expostos neste voto, pode o Fisco recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo.” A jurisprudência deste Conselho tem adotado firme posicionamento acerca da necessidade de propósito negocial para aceitação das conseqüências tributárias da operação de incorporação, a exemplo dos seguintes acórdãos: “OPERAÇÃO ÁGIO. SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO. VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO. Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. (Ac. 10195.537/ 2006 – Rec 145171) OPERAÇÃO COM ÁGIO. SIMULAÇÃO RELATIVA. As operações estruturadas, realizadas em prazo ínfimo, de aporte de capital com ágio, capitalização e alienação, constituemse em simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação das ações. Seu único propósito foi evitar a incidência de ganho de capital. (Ac. 10196087/ 2007 – Rec. 145921)” (grifouse) 28. Nesse quadro, correta a tributação do ganho de capital na Carrilho, verdadeira alienante da participação societária à Camargo Correa S/A. Como demonstrado na preliminar de nulidade, a acusação fiscal consistiu em afirmar que a contribuinte autuada era a verdadeira alienante do investimento por ela detido em CIMEC, e em conseqüência foi aqui tributado o valor do ganho de capital omitido ao se contabilizar a alienação daquele investimento por valor inferior ao real, mediante o registro de sua alienação aos sócios. A recorrente frisa que a transferência do investimento a seus sócios se fez por valor equivalente a 158% do patrimônio líquido da CIMEC, e reportase aos prejuízos e dificuldades financeiras desta para refutar a afirmação de que falta de propósito negocial na venda realizada a seus sócios. Contudo, estas justificativas apenas atribuem propósito negocial à venda do investimento, e não na sua implementação mediante prévia transferência da participação societária pelo custo contábil aos sócios da autuada. Não há qualquer questionamento quanto ao efetivo interesse da recorrente em alienar o investimento. As 3 Para Marcus ABRAHAM (O planejamento tributário e o direito privado. São Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 360) o ato ou negócio jurídico realizado pelo contribuinte cujo motivo não esteja em sintonia com a realidade econômica que realmente se apresenta poderá ser considerado nulo. Em outras palavras, se o que se fez não foi realizado efetivamente para o que se apresenta, mas o foi por algum outro motivo que tenha relação exclusiva com a redução da carga fiscal, sem que haja efetivamente um motivo intrínseco ao próprio negócio, há que se ter atenção quanto à efetiva validade desta operação, que certamente será questionada pelo Fisco. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 16 15 irregularidades apontadas cingemse à forma como esta alienação se processou. Por sua vez, o fato de o custo contábil representar 158% do patrimônio líquido da CIMEC também nada afeta as conclusões fiscais, porque nenhum ganho foi reconhecido pela pessoa jurídica autuada em razão destas circunstâncias. A recorrente defende a regularidade dos registros da venda do investimento nos livros sociais, e destaca que a própria autoridade fiscal acata a venda como realizada em 01/03/2008. De fato, a autoridade fiscal reconhece a ocorrência da alienação em 03/01/2008, e a autoridade julgadora bem observa esta circunstância. Mas o fato de a alienação das ações da autuada para seus sócios ter sido consignada no Livro de Registro de Ações Nominativas da CIMEC em 30/11/2007 está relatado na acusação fiscal como um dos fatores que chama a atenção na operação, em conjunto com outras anormalidades resultantes do ajuste promovido entre partes ligadas, por meio do qual foi possível a supressão do ganho ora tributado. São eles: 12.1. o fato da empresa apenas efetuar a alienação de suas ações para os sócios momentos antes do pagamento das parcelas pela empresa compradora, Camargo Correa S/A; 12.2. a alienação é realizada pelo valor do custo contábil da participação societária registrada na escrituração da fiscalizada, sem levar em consideração o valor de mercado da mesma, situação esta que não aconteceria se a venda fosse efetuada para uma pessoa não ligada, ou seja, operando em condições de livre concorrência de mercado; 12.3. a venda das ações para os sócios dáse de forma integralmente a prazo, ou seja, a propriedade é transferida sem que a “CARRILHO” receba qualquer quantia como forma de pagamento. Outra situação que normalmente não aconteceria numa venda usual praticada no livre mercado, entre pessoas não ligadas; [...] Ao final, as operações suspeitas foram realizadas entre pessoas ligadas e com uma vantagem tributária incontestável: afastar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre a totalidade do ganho de capital auferido por pessoa jurídica tributada na sistemática do lucro presumido, e submeter o mesmo ganho à tributação nas pessoas físicas, à alíquota de 15%. Por sua vez, a baixa contábil do investimento mantido pela autuada na CIMEC é registrada em 03/01/2008 e 21/08/2008, para já em 07/03/2008 e 22/08/2008 verificarse a formalização do contrato de compra do investimento por Camargo Correa S/A, providência certamente precedida de negociações entre as partes, a motivar a transferência do investimento entre pessoas ligadas e reduzir a tributação que seria devida. Neste contexto, como dito pela Fiscalização, para fins de tributação, cabe a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado (alienação do investimento na CIMEC através das pessoas físicas dos sócios) e a exigência do tributo incidente sobre a real operação (alienação do investimento na “CIMEC” pela “CARRILHO”). Não se trata, portanto, de fazer prevalecer um registro em relação a outro, mas sim analisar a operação em sua integralidade e definir os reais efeitos tributários que dela decorrem. A recorrente contesta o uso de presunções, assevera que a Fiscalização não apontou a ocorrência de simulação, e reportase a declaração de Camargo Correa S/A afirmando que não adquiriu as ações da recorrente. O trabalho fiscal, porém, revela que a formalização da alienação da participação aos sócios decorre apenas de registros escriturais, cuja efetivação demanda apenas o interesse da pessoa jurídica e das pessoas ligadas, permitindolhes conduzir as formas de modo a alcançar uma redução da incidência tributária. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 17 16 Os registros com incompatibilidades de datas (fls. 200 e 212) revelam a possibilidade desta manipulação, justamente porque se tratam de operações entre pessoas ligadas. De outro lado, porém, não se trata de propriamente de simulação, motivo pela qual a Fiscalização não se reportou a esta circunstância. Há, como dito na decisão recorrida, o uso abusivo desta facilidade escritural entre pessoas ligadas, que acabou por reduzir o lucro tributável da autuada. Por certo havia interesse negocial na venda do investimento à Camargo Correa S/A, como antes dito, mas uma vez vislumbrada a possibilidade desta venda se efetivar, as partes ligadas alteraram o contexto formal para reduzir a carga tributária que dela decorreria. Irrelevantes, portanto, as justificativas apresentadas para a venda do investimento. Correta, portanto, a conclusão fiscal no sentido de que o ganho de capital auferido na operação deveria ter sido objeto de tributação na pessoa jurídica autuada, sujeitandose à incidência direta do IRPJ e da CSLL por se tratar de acréscimo ao lucro presumido, circunstância que, notoriamente, é mais onerosa que a incidência do IRPF prevista nos casos de ganho de capital. Por fim, no que tange ao aproveitamento do imposto de renda pago pelos sócios da autuada, tratandose de tributo recolhido por outro sujeito passivo, a hipótese pretendida configurase como compensação, expressamente vedada no art. 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, por se verificar entre créditos e débitos de sujeitos passivos diferentes. Ainda que se trate da mesma renda e do mesmo fato tributável, nos termos referidos pela defesa, não é possível promover a imputação dos recolhimentos apontados à presente exigência porque promovidos por outros sujeitos passivos. A imputação somente é possível quando o crédito tributário e o recolhimento correspondem ao mesmo tributo, ao mesmo fato gerador e ao mesmo sujeito passivo. Na ausência de um destes elementos, o procedimento seria de compensação, sujeita a limites legais como antes indicado. Eventualmente o reconhecimento dos fatos imputados pela Fiscalização poderia, apenas, permitir aos sócios da autuada reconstituir sua apuração e assim determinar créditos decorrentes de tributos recolhidos indevidamente, passíveis de restituição ou de compensação com débitos próprios. De toda sorte, não cabe a este órgão julgador manifestarse acerca da existência de crédito, na medida em que este reconhecimento depende de procedimento próprio de iniciativa do interessado, a ser apreciado pela autoridade administrativa que o jurisdiciona, nos termos da legislação vigente. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Fl. 793DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 18 17 Declaração de Voto Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Inicialmente, ressalto que acompanho a Relatora nas preliminares, pois concordo que não há incongruências na descrição da infração. Não obstante, não exista a incongruência apontada pela recorrente, verifico, no TVF ora sub examine, uma argumentação um tanto quanto imprecisa ao qualificar a conduta da recorrente, se não vejamos. No parágrafo 14 do TVF, o autuante diz que: “Os atos negociais praticados se deram em direção contrária à norma legal”, o que poderíamos concluir que estaria então qualificando a conduta como simplesmente ilegal, mas também como “fraude à Lei”, pois, no parágrafo 15, o autuante sustenta que “Tratase da realizações de operações estruturadas em sequência que, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal...”. Ora, sendo formalmente válidas, mas que vão em sentido contrário à norma legal, só podemos concluir que o autuante está qualificando a conduta como fraude à lei (ao espírito da lei). Todavia, no mesmo parágrafo 15, o autuante sustenta que “os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhe é próprio”, ou seja, isso leva a crer que esteja a sustentar que a conduta da recorrente se enquadra em um simulação relativa. Não obstante, no parágrafo 16, o autuante sustenta a falta de propósito negocial dos atos praticados pela recorrente, para, então, no parágrafo 18 “in fine”, sustentar que: “a fiscalizada buscou criar um planejamento para obter economia tributária, de forma abusiva, em prejuízo do fisco federal”, ora, a falta de propósito negocial e abuso do direito são elementos que nos leva a pensar que o autuante esteja tratando de elisão fiscal abusiva, na teoria tão conhecida de Marco Aurélio Greco. Em suma, o TVF é impreciso ao qualificar os atos praticados, ou seja, se são fraude à lei, simulação relativa ou uma elisão tributária abusiva. Entretanto, há uma outra questão muito relevante, pois o autuante afirma, no parágrafo 19 do TVF, que: “Com efeito, ficou evidente que a sequência de atos praticados objetivou unicamente reduzir a tributação através da transferência da sujeição passiva, do ganho de capital, da ‘Carrilho’ para seus sócios”. Certamente, a prova de que teria havido uma redução da carga tributária ao se transferir a tributação do ganho de capital para os sócios, seria um elemento importante na linha de acusação trilhada pelo autuante, especialmente, para configurar a elisão tributária abusiva, mas também para demonstrar que existiria um ato dissimulado sobre o qual incidiria uma carga tributária mais grave. No entanto, o autuante não demonstra o que alega, pois não há qualquer planilha ou cálculo demonstrando que a tributação do ganho de capital pelos sócios gerou uma carga tributária menor do que seria gerada se tivesse sido tributada pela recorrente. Notese que não se pode verificar a veracidade de tal afirmativa apenas pela comparação das alíquotas nominais em jogo, algo que sequer o autuante fez, mas seria necessário não só comparar a carga tributária sofrida pelas pessoas físicas com aquela que a recorrente efetivamente sofreria se tributada pelo lucro presumido, mas também pelo lucro real (já que poderia, dentro de qualquer planejamento, alterar legalmente a sua modalidade de apuração no ano em que fosse realizar os eventos). Vale lembrar que, in casu, o ônus da prova cabia ao Fisco, pois ele é que está a afirmar que a conduta da recorrente levou a uma redução da carga tributária da operação. Passo, então, para última parte do meu voto. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 19 18 Inicialmente, ressalto que o voto da Relatora é muito claro ao sustentar que a fundamentação legal da autuação não faz nenhuma referência ao art. 464 do RIR/99, ou seja, a infração conhecida como distribuição disfarçada de lucros e, certamente, o autuante não o fez porque a recorrente é optante pelo lucro presumido. Não obstante, trago o assunto à baila, pois é fundamental que compreendamos a infração conhecida como “distribuição disfarçada de lucros”. Peço a paciência dos meus pares, pois fazse necessário pequena digressão até chegarmos no ponto que efetivamente é pertinente à matéria posta em julgamento. Inicialmente, há que se entender bem a DDL, pois, a prima facie, poderseia concluir equivocadamente, que a DDL seria um procedimento simplesmente para pagar lucros sem tributação para os sócios, o que não é verdade, pois, se assim fosse, tal infração não mais existiria após o art. 10 da Lei 9.249/95 ter isentado a distribuição de lucros. Em verdade, apenas o inciso V do art. 60 do DL 1.598/77 restou revogado tacitamente pelo art. 10 da Lei 9.249/95, tanto que não foi reproduzido no art. 464 do RIR/99. Ora, nas hipóteses de DDL do art. 60 do DL 1.598/77, o que se verifica é a transferência da tributação de uma determinada base tributável para os sócios. Ora, ao vender ao sócio um bem por valor notoriamente inferior ao de mercado, importar em transferir um parcela do patrimônio da pessoa jurídica para o sócio, mas também possibilitar a postergação da tributação, pois apenas quando o sócio alienar o bem é que o ganho seria tributável; porém, pagar a título de aluguel a sócio valor muito acima do de mercado, significa aumentar despesa dedutível e, consequentemente, reduzir base tributável na PJ e, por outro lado, aumentar os rendimentos tributáveis tributáveis da pessoa física, ou seja, há também transferência da tributação. Alguns entendem que o art. 60 do DL 1.598/77 (DDL) trata apenas de simulação, o que levaria a concluir que a norma era então desnecessária, pois, se tratando de simulação, não seria necessário uma norma para dizer que deveria ser desconsiderado o ato simulado e tributado o ato dissimulado, já que essa norma já existe, ou seja, art. 149, VII, do CTN. No entanto, se não foi exigido pelo legislador a comprovação do dolo do contribuinte, por outro lado, não nos parece que o legislador tenha afastado da aplicação do art. 60 a 62 condutas simuladas com o fito também de transferir a tributação aos sócios. Assim, independentemente se a conduta foi dolosa ou não, a constatação objetiva de atos enquadráveis em uma das hipóteses abstratas dos incisos do art. 60 do DL 1.598/77 leva a qualificálos como DDL e darlhes os efeitos previstos no art. 62 do mesmo diploma. Ocorre que a aplicação deste dispositivo fica limitada às pessoas que apurem o IR sobre o lucro real, por força da literalidade do art. 62 em tela. Certamente, a discussão do caso em tela envolveria, se o recorrente tivesse optado pelo lucro real, a hipótese de DDL do inciso I ou, em um esforço exegético, na hipótese do inciso VII do art. 60 do DL 1.598/77, os quais assim versam: “Art 60 Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; (...) VII realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa Fl. 795DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 20 19 ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros; (...)” No entanto, como o recorrente é optante pelo lucro presumido, o autuante não pôde sustentar sua acusação em tais dispositivos legais. Todavia, peço a paciência dos meus pares, para fazermos um exercício exegético, qual seja, analisarmos a situação ora posta em julgamento, desconsiderando o fato de a recorrente ter optado pelo lucro presumido, para verificarmos se a sua conduta poderia ser enquadrada como DDL. A título ilustrativo, apenas para demonstrar que a situação em tela seria enquadrável em DDL se o recorrente fosse optante pelo lucro real, vale trazer à colação o seguinte excerto da ementa do Acórdão nº nº 10708243, de 12/09/2005, da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: “IRPJ – ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A PESSOA LIGADA A PRAZO A VALOR PATRIMONIAL – FALTA DE ESTIPULAÇÃO DE CORREÇÃO MONETÁRIA – QUADRO DE NOTÓRIA INFLAÇÃO DDL – CARACTERIZAÇÃO – A alienação a prazo, em ambiente de notória inflação, de participação em sociedade por quotas de responsabilidade limitada a prazo pelo valor patrimonial, sem estipulação de correção monetária, com conseqüente corrosão do valor da moeda, naturalmente faz com que o valor estipulado seja inferior ao valor de mercado, tipificando, pois, hipótese de distribuição disfarçada de lucros.” A decisão acima é muito próxima da que estamos analisando, ou seja, a alienação de participação societária a sócio por valor considerado, em tese, abaixo do de mercado. No caso acima retratado, a decisão se baseou no fato de que, em período de alta infração, a venda foi feita a prazo sem qualquer estipulação de correção monetária. No caso em tela, o autuante alega que a recorrente vendeu aos sócios a sua participação pelo valor contábil. Todavia, será que o valor contábil pode ser tido como “notoriamente inferior ao valor de mercado”4? A resposta é dada de maneira definitiva pelo RIR/99, se não vejamos o que dispõe o art. 464, caput e § 1º, in verbis: “Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; (...) § 1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). 4 A expressão ”notoriamente inferior ao valor de mercado” foi interpretado pelo item 7 do Parecer CST 449/71 (lembro que DDL já existia desde o art. 72 da Lei 4.502/64) da seguinte forma: “Há de ser sabida por todos, não do público em geral, mas dos que costumam transacionar com os referidos bens, ou constatada através de publicações especializadas. Se há controvérsias em torno, cujo deslinde dependa de pesquisas mais aprofundadas, então já não mais será notório” Fl. 796DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.726868/201283 Acórdão n.º 1302001.746 S1C3T2 Fl. 21 20 (...)” Ora, se a devolução de participação no capital social a valor contábil não se enquadra em DDL, ou que dizer então da alienação por meio de venda? Não me parece também que possa ser enquadrável como DDL. Qual a diferença para o suposto planejamento se a participação na Cimec fosse recebida em devolução de capital ou pela venda aos sócios? Não haveria, mesmo porque, se devolvido o capital social, esse poderia depois ser restabelecido por um aporte dos sócios, nas mesmas datas em que ocorreram os pagamentos pela aquisição. Ocorre, porém, que o autuante coloca a operação dentro de um contexto no qual, concomitantemente com a compra da participação pelos sócios, houve a alienação a terceiros e que seria esse um dos aspectos a caracterizar a simulação ou o abuso do direito. Ora, a norma que rege DDL não se ocupa dos fatos que ocorrem após os negócios entre as partes ligadas. Ademais, repito, para que esses fatos fossem relevantes, na linha de acusação construída pela recorrente, teria ela que ter feito demonstração da vantagem tributária de ser transferido a tributação do ganho de capital para os sócios. Assim, se o recorrente tivesse optado pelo lucro real, os fatos narrados não se enquadrariam em DDL, por que então teria ele que ser tributado como se DDL fosse pelo simples fato de ter optado pelo lucro presumido? Não há, por vários motivos: primeiro, não restou precisa a qualificação de sua conduta como simulação, fraude à lei ou abuso de direito; segundo, não foi demonstrado pela acusação a redução na carga tributária ao se transferir a tributação para a pessoa física do sócio; terceiro, a alienação da participação a valor contábil não pode ser considerada como notoriamente inferior ao valor de mercado. Por último, caso vencido, voto por determinar que seja deduzido dos valores lançados os valores já pagos pelos sócios sobre o mesmo ganho de capital na alienação da CIMEC a terceiros, sob pena, de assim não o fazendo, haver o enriquecimento sem causa da União. (documento assinado digitalmente) Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 797DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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