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Numero do processo: 13227.900127/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 01 27 /2 01 2- 60 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.533. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13227.900127/201260 Acórdão n.º 3302005.167 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.902461/2006-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2001
ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração
Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não da declaração pela qual ela se processa. Esta, a declaração, representa o instrumento (o meio), não devendo se confundir com o direito, isto é, a própria compensação. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio
da DIPJ, levando em consideração receitas e despesas dedutíveis.
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ OU CSLL. LUCRO REAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUE SÓ COMEÇA A FLUIR QUANDO A PESSOA JURÍDICA DEIXAR DE SER TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL OU QUANDO ENCERRAR SUAS ATIVIDADES. A faculdade conferida ao contribuinte, tributado com base no lucro real, para requerer a restituição do saldo negativo do IRPJ ou da CSLL não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo prescricional.
Na tributação com base no lucro real o saldo negativo de um ano incorpora-se ao saldo negativo ou positivo do ano seguinte, renovando-se período a período, de maneira que prazo prescricional somente começa a fluir quando do encerramento das atividades da empresa ou mudança do regime do lucro real para o regime do lucro presumido ou SIMPLES.
Decisão de 1a. Instância Anulada.
Numero da decisão: 1402-000.803
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, examine a matéria levando em consideração os registros constantes na DIPJ e nos pedidos de compensação retificadores, afastando a prescrição em relação aos pedidos de compensação de fls. 27 a 34, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos
de Lima que sobrestava o julgamento.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não da declaração pela qual ela se processa. Esta, a declaração, representa o instrumento (o meio), não devendo se confundir com o direito, isto é, a própria compensação. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração receitas e despesas dedutíveis. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ OU CSLL. LUCRO REAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUE SÓ COMEÇA A FLUIR QUANDO A PESSOA JURÍDICA DEIXAR DE SER TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL OU QUANDO ENCERRAR SUAS ATIVIDADES. A faculdade conferida ao contribuinte, tributado com base no lucro real, para requerer a restituição do saldo negativo do IRPJ ou da CSLL não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo prescricional. Na tributação com base no lucro real o saldo negativo de um ano incorporase ao saldo negativo ou positivo do ano seguinte, renovandose período a período, de maneira que prazo prescricional somente começa a fluir quando do encerramento das atividades da empresa ou mudança do regime do lucro real para o regime do lucro presumido ou SIMPLES. Decisão de 1a. Instância Anulada. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.902461/200680 Acórdão n.º 140200.803 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, examine a matéria levando em consideração os registros constantes na DIPJ e nos pedidos de compensação retificadores, afastando a prescrição em relação aos pedidos de compensação de fls. 27 a 34, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que sobrestava o julgamento. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de processo de compensação de saldo negativo do anocalendário de 2002. O pedido foi protocolizado em 29/03/2003, sendo que o despacho decisório foi comunicado à recorrente em 14/07/2008. Para efeito de relatório transcrevo os seguintes pontos do despacho decisório: a) Em 28/08/2003 (sic.), o interessado protocolou a Declaração de Compensação, de fls. 01 a 04, onde alega crédito advindo de saldo negativo de CSLL contemplando o anocalendário de 2002, para compensar débito vencido em 30/04/2003, no valor original de R$ 1.244.505,42 (fl. 03). b) Posteriormente, apresentou as Declarações de Compensação, de fls. 05 a 34, onde alega o mesmo crédito. c) Conforme ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 36 a 40), o contribuinte apurou CSLL a pagar no valor de R$ 2.159.817,33, informou recolhimento mensal por estimativa do montante de R$ 4.395.737,69 e, conseqüentemente, R$ 2.235.920,36 como saldo negativo de CSLL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.902461/200680 Acórdão n.º 140200.803 S1C4T2 Fl. 0 3 d) Com base nas considerações anteriores, fica confirmado o saldo negativo do interessado referente ao anocalendário 2002 no valor de R$ 2.235.920,36. e) Com base no crédito acima, o interessado pretende compensar os débitos constantes das Declarações de Compensação anexadas ao processo. Neste ponto encerro o relato constante do despacho decisório e passo a analisar os demais detalhes dos autos. Apesar do saldo negativo de R$ 2.235.920,36, referente ao anocalendário de 2002, apurado pela recorrente e confirmado pela autoridade fiscal, conforme especificado na letra “d”, acima, ao transmitir o Pedido de Compensação de fls. 01 a 04 (nº 38652.81339.290803.1.3.033807), datado de 29/08/2003, a recorrente informou saldo negativo no valor de R$ 2.132.001,22 para compensar tributo vencido em 30/04/2003, no valor original de R$ 1.244.505,42 (fl. 03) Em 17/05/2007, um ano antes do despacho decisório, a recorrente apresentou o Pedido de Compensação Retificador de nº 28696.25792.170507.1.7.038660, de fls. 05 a 08, utilizando o Programa de Versão 3.2 e não mais 1.0, retificando o saldo negativo para R$ 2.235.920,36. Do pedido de retificação de fl. 06 a 08, colho os seguintes dados: Data Inicial do Período: 01/01/2002 Data Final do Período: 31/12/2002 Valor do Saldo Negativo 2.235.920,36 Crédito Original na Data da Transmissão 2.116.951,56 Selic Acumulada 6,48 Crédito Atualizado 2.254.130,02 Total dos débitos desta DCOMP 1.326.393,88 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 1.245.674,19 Saldo do Crédito Original 871.277,37 Ao compararmos o pedido de compensação apresentado na versão do programa 1.0 com o pedido de compensação na versão do programa 3.2, conforme argumenta a recorrente, vamos perceber que nesta versão existem mais elementos, como por exemplo um campo para o valor original e outro para o valor atualizado. Feito o registro, seguindo a sequência dos autos, verifico que às fls. 09 e seguintes consta o pedido de compensação nº 34380.08126.290803.1.3.033847, apresentado em 29/08/2003, para compensar débito vencido em 29/11/2002, onde a recorrente também informou saldo negativo de 2002 de R$ 2.132.001,22, especificando estar utilizando nesta declaração de compensação o valor de R$ 118.753,11. Em 17/05/2007, conforme se extrai da fl. 14 dos autos, a recorrente, à semelhança do que realizou em procedimento anterior, apresentou pedido de retificação informando que o saldo negativo de 2002 era de R$ 2.235.920,36 e não R$ 2.132.001,22 Em síntese, da análise dos documentos de fls. 01 a 26, verificase que no decorrer de 2007 a contribuinte retificou as declarações apresentadas em 2003 fazendo constar delas o valor do saldo negativo apurado na DIPJ do anocalendário de 2002. O débito que antes só constava de seu valor corrigido agora, na nova versão, tem o valor original e o montante atualizado. Este procedimento de retificação, realizado antes do despacho decisório, foi entendido pela autoridade fiscal como sendo inclusão de novos débitos ou aumento do valor do débito, o que seria vetado pelo artigo 59 da IN nº 600, de 2005. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.902461/200680 Acórdão n.º 140200.803 S1C4T2 Fl. 0 4 Em 29/01/2008 e 05/03/2008, a recorrente apresentou os pedidos de Compensação de fls. 27 e 34 e seguintes, sendo que desta vez informou corretamente o saldo negativo apurado em 31/12/2002, pedidos estes considerados prescritos pela decisão atacada neste recurso. Em síntese, após as considerações acima referidas, concluiu a autoridade fiscal: “18. Os débitos constantes das DCOMP, anexadas ao processo às fls. 27 a 34, não terão suas compensações homologadas com base na legislação mencionada nos articulados anteriores. 19. Os débitos constantes das DCOMP, de fls. 27 a 34, foram cadastrados no processo de débito manual n° 10980.720.113/2008 58 onde serão administrados. 20. Após os procedimentos de compensação e conforme documentos, de fls. 60 a 62, constatase que o crédito reconhecido não foi suficiente para compensar a totalidade dos débitos elencados nas Declarações de Compensação conexas ao presente processo havendo remanescido saldo devedor de débito conexo à DCOMP n° 34380.08126. 21. Dessa forma, proponho que sejam homologadas integralmente as compensações dos débitos relacionados com o presente processo com exceção do débito de CSLL — código 2484 — PA 02/2003 vencimento 28/03/2003 cuja compensação seja homologada parcialmente até o valor de R$ 69.897,12. O acórdão da DRJ confirmou o despacho decisório por seus próprios fundamentos, sendo que desta decisão, em longo arrazoado, a parte interessada apresentou recursos alegando, em síntese: a) nulidade do despacho decisório e do acórdão referido por falta de descrição adequada que viabilizasse que a recorrente entendesse o porquê não a compensação de nº 34380.08126.290803.1.3.033847, apresentada em 29/08/2003 e retificada posteriormente foi homologada somente até o limite de R$ 69.897,12 e não no montante requerido (R$ 118.753,11); b) que suas declarações retificadoras tiveram por objetivo apenas corrigir o valor do saldo negativo apurado em 31/12/2002 e não aumentar o valor deste ou do débito; b) inexistência de prescrição em relação aos pedidos apresentados em 2008. Neste sentido invoca jurisprudência consolidada do STJ, confirmada em julgamento ocorrido em 04/08/2011, pelo STF, em acórdão que até a presente data não foi publicado. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.902461/200680 Acórdão n.º 140200.803 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em relação à preliminar de nulidade por falta de descrição da matéria de forma que possa ser facilmente compreendida pelo contribuinte entendo que Administração efetivamente deve aprimorar os despachos decisórios sob pena do contribuinte, que não é especialista na matéria, ser obrigado defenderse por dedução. Nos casos de compensação com saldo negativo, tendo o contribuinte demonstrado a existência original do mesmo, é fácil a Administração apontar, de forma simples, quando utilizou, quanto utilizou e qual saldo remanescente. No caso concreto, por exemplo, confirmado a apuração de saldo negativo em 31/12/2002, no valo de R$ 2.235.920,36, conforme atestado pela própria autoridade fiscal, fica fácil à Administração controlar a utilização dos valores utilizados em compensação. O que não se pode quando o contribuinte diz que não utilizou ditos valores exigir que este faça prova negativa de fato que diz não ter ocorrido. Mais, no caso concreto, nas compensações retificadoras, apresentadas antes do despacho que analisou os pedidos de compensação, em que o contribuinte alega erro no preenchimento, não pode a Administração deixar de analisar este erro. Se o contribuinte vem aos autos demonstrando equívoco ao preencher o pedido de compensação, cabe a Administração examinar a matéria. É para isto que existe as declarações retificadoras. Por oportuno, destaco que no caso dos autos a recorrente, ao apresentar os pedidos de re4tificação, não alterou o valor apurado na DIPJ, ao contrário, retificou os pedidos de compensação para fazer constar o valor encontrado na DIPJ. O saldo negativo da CSLL e do IRPJ, para todos os efeitos legais, inclusive para fins de compensação, se forma a partir da apuração feita na DIPJ, levando em consideração receitas e despesas dedutíveis e não do valor que o contribuinte coloca no pedido de compensação. Assim, nos casos em que alega erro, a Administração tem o dever de examinálo e processar os pedidos de compensação levando em consideração os valores efetivamente apurados, quer do saldo negativo, quer dos tributos a serem compensados. Conforme esta Câmara já decidiu na sessão passada, quando do julgamento do processo nº 10840.900239/200817, o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não da declaração pela qual ela se processa. Esta, a declaração, representa o instrumento (o meio), não devendo se confundir com o direito, isto é, a própria compensação. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração receitas e despesas dedutíveis. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.902461/200680 Acórdão n.º 140200.803 S1C4T2 Fl. 0 6 Quanto ao segundo aspecto do recurso, em relação aos pedidos de compensação protocolizados em 2008, de fls. 27 a 34, o artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Em que pese o art. 6o, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, ter postergado o direito à compensação para o mês de abril do ano subseqüente à apuração, bem como a faculdade de pedir restituição para o momento seguinte à entrega da declaração de rendimentos, com a substituição da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIRPJ pela Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (Instrução Normativa SRF nº 127/98, publicada no DOU de 02 de novembro de 1998), deixando de existir o vínculo do ajuste anual com aquela declaração, foi editado o Ato Declaratório SRF nº 3/2000, publicado no DOU em 11 de janeiro de 2000, dispondo que “os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” No mesmo sentido, do que dispõe o Ato Declaratório antes referido temse o artigo 6º, da Instrução Normativa nº 210, de 2002, o 5º, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e o artigo 4º, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, que se encontra em vigor, assim dispondo: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. O saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase préoperacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela prescrição. Nesta linha colho o seguinte trecho de artigo escrito por Eurico Marcos Dinis de Santi: Compensação dos prejuízos é decorrência necessária do fato gerador do imposto de renda e da CSLL. É elemento para a determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.902461/200680 Acórdão n.º 140200.803 S1C4T2 Fl. 0 7 Eliminálo seria macular os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um nãoacréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda, em montante irreal. O motivo da trava foi garantir a arrecadação e não limitar o direito à compensação. ... O objetivo da trava foi garantir uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de utilização do prejuízo acumulado. Em contrapartida, extingui o prazo (...) para que o contribuinte pudesse compensar integralmente seu saldo de prejuízo fiscal, ainda que em muitos anos1. Quanto ao segundo argumento da recorrente, qual seja, a tese dos 5 + 5, apesar desta já ter sido referendada pelo STF, nos termos do artigo 543B, do CPC, o que à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, vincula as decisões deste colegiado, diante do fato de que o acórdão não transitou em julgado, na data da sessão deste julgamento, e diante da circunstância de que o primeiro fundamento, por si só, é suficiente para acolher a tese da recorrente, optou o colegiado em não adentrar no exame do segundo ponto do recurso. Em síntese, superada a questão de nulidade do despacho decisórios por ser o mérito do recurso, em parte, favorável à recorrente, perece ser provido seu recurso com retorno dos autos à origem para que a autoridade fiscal examine a matéria levando os registros constantes das declarações retificadoras e afastando a prescrição em relação aos pedidos de compensação de fls. 27 a 34. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, examine a matéria levando em consideração os registros constantes na DIPJ e nos pedidos de compensação retificadores, afastando a prescrição em relação aos pedidos de compensação de fls. 27 a 34. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva 1 In Revista Dialética de Direito Tributário. nº 185. Fevereiro 2011, pág. 50. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10907.721231/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/02/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Inexistente a omissão suscitada, rejeitam-se os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3201-003.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
MARCELO GIOVANI VIEIRA Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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OMISSÃO. Inexistente a omissão suscitada, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. MARCELO GIOVANI VIEIRA – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Relatora do feito em face do Acórdão nº. 3201002.401, de 28/09/2016, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 12 31 /2 01 3- 23 Fl. 1117DF CARF MF 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/02/2013 NULIDADE ACÓRDÃO RECORRIDO. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. Nos termos do art. 56 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, quando o protocolo da Impugnação é realizado via postal, contase como data do protocolo a data da postagem do documento. Comprovada a tempestividade da Impugnação apresentada, deve ser afastada a alegação de revelia e anulado o acórdão recorrido para que outro seja proferido examinando os argumentos de defesa do contribuinte. Por sua vez, o resultado do julgamento foi assim consignado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular a decisão da primeira instância para que seja realizado um novo julgamento. Em despacho que admitiu os Embargos opostos, o Presidente desta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF assim resumiu a controvérsia: Alega a recorrente obscuridade e omissão do acórdão embargado, tendo em vista que, ao ser dado provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte “HS Serviços Administrativos Ltda”, para afastar a declaração de revelia e, por conseguinte, anular a decisão da DRJ, o acórdão deixou de se manifestar acerca dos demais recursos voluntários apresentados pelos sujeitos passivos “CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eireli” e “JP Distribuidora de Insumos Industriais Eireli”. Alega que deve ser esclarecido que tais recursos ainda não foram objeto de apreciação por este CARF. Afirma a embargante, ainda, que é “preciso esclarecer que a declaração de nulidade do acórdão proferido pela DRJ é parcial, posto que alcança tãosomente a declaração de revelia do contribuinte HS Serviços Administrativos”. Aduz, por fim, que ao recurso apresentado pela HS deve ser dado provimento parcial, tendo em vista que não foram analisadas as alegações de mérito oferecidas, mas tão somente analisouse a preliminar acerca da tempestividade da apresentação do recurso. Relatadas as razões em que se fundamentaram os embargos, passase à análise de sua admissibilidade. Estabelece o caput do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que são cabíveis embargos de declaração quando na decisão verificase obscuridade. Vejase: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10907.721231/201323 Acórdão n.º 3201003.297 S3C2T1 Fl. 1.118 3 A obscuridade ocorre quando a decisão prolatada pelo julgador não é compreensível, total ou parcialmente; ou seja, a ideia do julgador não fica suficientemente clara, impedindo que se compreenda, com exatidão, o seu integral conteúdo. Os Embargos foram admitidos nos seguintes termos: Esse é exatamente o caso em questão, onde a decisão proferida necessita de aclaramento, para que reste esclarecido o seu real alcance, nos pontos suscitados pela embargante. Assim, é de se ACOLHER os embargos de declaração opostos pela relatora, para suprirse os vícios apontados. Os autos foram a mim remetidos para julgamento na condição de Relatora originária do feito. É o relatorio. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, relatora. Tendo em vista que se trata de Embargos de Declaração por mim opostos, transcrevo as razões de sua oposição, sendo estas, por conseguinte, as razões pelas quais voto pelo seu acolhimento. Nos termos do art. 65, §1º, inciso I do RICARF, são cabíveis Embargos de Declaração quando o acórdão contiver omissão, podendo estes serem opostos pelo próprio conselheiro relator do feito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; (...) Assim, na condição de Relatora do processo nº 10907.721231/201323, proponho ao Sr. Presidente desta Turma Julgadora, Embargos de Declaração em face do acórdão nº 3201002.401, relativo à Sessão de 28 de setembro de 2016, e o faço pelas razões a seguir. Fl. 1119DF CARF MF 4 Conforme consta do Relatório do feito, tratase de Auto de Infração lavrado em face de do contribuinte Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, atual HS Serviços Administrativos Ltda (HS), e dos responsáveis solidários CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eireli (CPA) e JP Distribuidora de Insumos Industriais Eireli (JP). Após exame das Impugnações apresentadas, a DRJ, resolveu por (i) NÃO CONHECER da impugnação apresentada pela empresa HS SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA, por ser intempestiva, e (ii) CONHECER das peças impugnatórias apresentadas pelos sujeitos passivos CPA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIAIS EIRELI (CNPJ 49.292.394/000198) e JP DISTRIBUIDORA DE INSUMOS INDUSTRIAIS EIRELI (CNPJ 03.309.017/000113), para, no mérito, darlhes parcial provimento. Em face do referido acórdão foram interpostos os seguintes Recursos Voluntários: (i) HS SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA fls. 992/1001; (ii) CPA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIAIS EIRELI fls. 1.058/1.061; (iii) JP DISTRIBUIDORA DE INSUMOS INDUSTRIAIS EIRELI fls. 1.069/1.073. Ao proferir voto no referido processo, alertei quanto à existência de questão prejudicial a ser tratada, relativamente ao Recurso Voluntário apresentado por HS Serviços Administrativos Ltda., questão esta que precedia ao exame dos demais Recursos Voluntários interpostos. Tratavase da comprovação de tempestividade da Impugnação apresentada pela HS Serviços Administrativos Ltda.que deixou de ser conhecida e, por conseguinte, apreciada pela DRJ. Consoante razões de direito expostas em meu voto, a Impugnação foi apresentada de forma tempestiva pela HS Serviços Administrativos Ltda. e, portanto, esta deveria ter sido conhecida e apreciada pela DRJ. A conclusão obtida, então, foi no sentido de afastar a declaração de revelia quanto ao contribuinte HS Serviços Administrativos, que deverá ter suas razões apreciadas pela Turma julgadora de primeira instância, no que restei acompanhada pelos demais julgadores. Foi essa a parte dispositiva do voto que sagrouse vencedor: Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE HS Serviços Administrativos, para afastar e declaração de revelia e, por conseguinte, ANULAR O ACÓRDÃO DA DRJ para que outra decisão seja proferida apreciando as razões de defesa apresentadas. Todavia, observo que a referida conclusão deixou de espelhar o real posicionamento da Turma Julgadora, além de apresentar evidente omissão. Noto que na parte dispositiva do referido acórdão não constou qualquer observação relativamente aos demais Recursos Voluntários apresentados pelos sujeitos Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10907.721231/201323 Acórdão n.º 3201003.297 S3C2T1 Fl. 1.119 5 passivos CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eireli e JP Distribuidora de Insumos Industriais Eireli. É preciso esclarecer, notadamente em face da necessidade de nova decisão pela DRJ, que tais recursos ainda não foram objeto de apreciação por este CARF. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que a declaração de nulidade do acórdão proferido pela DRJ é parcial, posto que alcança tãosomente a declaração de revelia do contribuinte HS Serviços Administrativos. As demais razões atinentes às impugnações apresentadas pelos contribuintes CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eireli e JP Distribuidora de Insumos Industriais Eireli não foram objeto de qualquer reforma por esta Turma Julgadora quando do julgamento ora embargado. Por fim, há ainda outro reparo a ser feito quanto ao resultado do julgamento. Embora se tenha afirmado que o provimento do Recurso Voluntário seria total, tenho que tal provimento deve ocorrer de forma PARCIAL, uma vez que não houve qualquer análise de mérito quanto às razões recursais, mas, apenas, da questão preliminar colocada. Assim, a proposta que faço, para saneamento da omissão (e consequente obscuridade) existente no acórdão por mim relatado e redigido, é que a parte dispositiva passe a ter a seguinte redação: Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE HS Serviços Administrativos, para afastar e declaração de revelia e, por conseguinte, determinar que a DRJ complemente o acórdão proferido para apreciar a Impugnação do Contribuinte HS Serviços Administrativos. Em respeito à instrumentalidade, os Recursos Voluntários apresentados pelos contribuintes CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eireli e JP Distribuidora de Insumos Industriais Eireli apenas serão examinados após o novo acórdão da DRJ, de modo a assegurar uma decisão única a todos os sujeitos passivos arrolados no presente processo administrativo. Sendo estas as razões, voto pelo ACOLHIMENTO das razões de Embargos de Declaração ora apresentadas, COM EFEITOS INFRINGENTES, para a complementação da parte dispositiva do acórdão recorrido e, consequentemente, alteração do resultado do julgamento proferido. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo da posição adotada pela relatora, no sentido de declarar somente a nulidade parcial do acórdão de primeira instância. Com efeito, a reapreciação da matéria omitida pela Delegacia de Julgamento pode alterar o resultado do julgamento, de modo que não faz sentido a nulidade parcial, somente a nulidade total. A Fl. 1121DF CARF MF 6 nulidade parcial poderia, eventualmente, resultar em decisões contraditórias entre a parte não anulada e a parte reapreciada. Foi por esse motivo que entendi por rejeitar os embargos de declaração. Marcelo Giovani Vieira Redator designado. Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904970/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2000
CONEXÃO. NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da diligência efetuada.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2000 CONEXÃO. NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA. Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904970/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.259 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PIS Recorrente BELÉM DIESEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2000 CONEXÃO. NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA. Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da diligência efetuada. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 49 70 /2 01 1- 00 Fl. 329DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. Relatório Adotase o relatório da resolução nº 3803000.529, relator Jorge Victor Rodrigues, fls.178/1831: A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/201140, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. 1 Todas as páginas, referenciadas no acórdão, correspondem ao eprocesso. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904970/201100 Acórdão n.º 3302005.259 S3C3T2 Fl. 3 3 (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento (sic) este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. Fl. 331DF CARF MF 4 (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.904970/201100 Acórdão n.º 3302005.259 S3C3T2 Fl. 4 5 pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). Fl. 333DF CARF MF 6 (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para compará la com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10280.904970/201100 Acórdão n.º 3302005.259 S3C3T2 Fl. 5 7 único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Trata se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente. · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à Fl. 335DF CARF MF 8 manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Conforme exposto anteriormente, o presente processo é um retorno de diligência, onde o relator reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no transcorrer do seu voto. Ele converteu o feito em diligência para, trechos in verbis, fls. 188: Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. A Recorrente foi intimada para apresentar o livro diário geral e o livro razão. Após a elaboração da informação fiscal, ela também foi intimada a manifestarse e assim o fez. Diante das informações prestadas pela Recorrente, o feito foi novamente convertido em diligência sob a minha relatoria, Resolução 3302000.647, para que: (...) aprecie as alegações da recorrente quanto à inclusão indevida de IPI e ICMSsubstituição tributária na base de cálculo das contribuições, quanto ao equívoco relativo à conta operacional de “pneus/câmaras/protetores” e quanto à alegação de recolhimento de DARFs não considerados pela fiscalização. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.904970/201100 Acórdão n.º 3302005.259 S3C3T2 Fl. 6 9 Sobreveio a informação fiscal, fls. 304 e seguintes, sendo que houve ciência por parte da Recorrente, fls. 309, e manifestação pelo acolhimento da diligência. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Da reunião de processos A Recorrente pleiteia pela reunião dos seguintes processos: 10850.906134/201140; 10850.906133/201103; 10280.904439/201129; 10280.904424/2011 61; 10280.904436/201195; 10280.904440/201153; 1280.904438/201184; 10280.904443/201197; 10280.904441/201106; 10280.904427/201102; 10280.904425/2011 13; 10280.904437/201130; 10280.904426/201150; 10280.904431/201162; 10850.906137/201183; 10865.906135/201194; 10850.906136/201139; 10850.906138/2011 28; 10850.906139/201172; 10280.904444/201131; 10280.904446/201121; 10280.904433/201151; 10280.904430/201118; 10280.904432/201115; 10280.904445/2011 86; 10280.904435/201141; 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142. Afirma que os processos, acima listados, têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito, decorrente do recolhimento indevido da COFINS ou da contribuição para o PIS/Pasep, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A Recorrente afirma que por serem idênticos, os processos devem ser reunidos. Pleiteia pela conexão dos processos a fim de cumprir o princípio constitucional da celeridade processual. A fim de verificar sobre a reunião ou dos processos, importante transcrever a Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 RICARF: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito Fl. 337DF CARF MF 10 passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (grifos e sublinhados não constam no original) No caso em análise, não se trata de processos baseados em fatos idênticos, pois apesar de ser a mesma matéria, os períodos de apuração são distintos, portanto, rejeitase o pedido de reunião dos processos. 3. Do mérito 3.1. Das demais matérias e do resultado da diligência A Recorrente insurgese contra o tratamento dispensado ao seu caso, manifestando o fato de que a fiscalização deveria ter se aprofundado para verificar a existência do seu crédito. Afirma que não há necessidade de retificação da DCTF, tratandose de um formalismo exagerado, portanto, afronta o princípio da verdade material. Insurgese também contra a insuficiência de provas, conforme decidido pela DRJ/Ribeirão Preto, e afirma que fez a produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Solicita pela complementação das provas e, posteriormente, faz longa explicação sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No caso em análise, antes de adentrar no resultado da diligência propriamente dita, importante considerar o RE nº 585.2351/MG decidido sobre o regime da repercussão geral: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE nº 585.2351/MG; Relator: Cezar Peluso: Data do julgamento: 10/09/2008) (grifos não constam no original) A declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, teve efeitos "erga omnes" e tal dispositivo foi revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, foi considerada inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e para COFINS. No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.904970/201100 Acórdão n.º 3302005.259 S3C3T2 Fl. 7 11 RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, é dever deste Tribunal Administrativo aplicar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declarou dispositivo inconstitucional sob o regime de repercussão geral. Quanto ao prazo para pleitear a restituição, sua contagem somente ocorre a partir da revogação expressa da regra, que permitia o alargamento da base de cálculo, pela Lei nº 11.941, de 2009, sendo que somente a partir daí é que se tornou disponível o direito para postular pela restituição do pagamento indevido pela contribuinte. No que concerne às provas e aprofundamento da fiscalização, tais argumentos encontramse superados, uma vez que o feito foi convertido em diligência por dois momentos. Do resultado da segunda diligência, temse que, fls. 304 e seguintes: Analisando a documentação juntada aos autos pelo contribuinte, conforme documentos de fls. 216/289, confrontando com a informação fiscal de fls. 210/212, verificamos que não foi considerada a existência de IPI e ICMS na condição de substituto tributário quando da emissão de referida informação, valores esses confirmados na DIPJ referente ao anocalendário 2000. Verificamos também que houve o equívoco em relação à conta operacional de “Pneus/Câmaras/Protetores”, duplicando o valor a ser considerado. Através de pesquisas efetuadas no sistema SIEF Pagamento localizamos dois pagamentos, referentes ao recolhimento do PIS (8109), um no valor total de R$27.689,05, data de arrecadação 14/06/2000, e outro no valor total de R$41,50 (R$39,66 + acréscimos legais), sendo que ambos os pagamentos foram utilizados para amortizar o débito confessado através da DCTF do PIS (8109) do período de apuração do mês de maio de 2000. Fl. 339DF CARF MF 12 (...) Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado a título de PIS (8109) para o mês de maio de 2000 foi de R$27.051,79, enquanto que o valor recolhido, conforme já mencionado, foi de R$27.728,71 (R$27.689,05 + R$39,66), pelo que, apuramos um Saldo Recolhido a Maior de R$676,92. Desta forma, proponho que do valor pleiteado de R$813,79 seja reconhecido o valor parcial de R$676,92 do direito creditório pleiteado no PER nº 07906.92352.060605.1.2.040582, transmitido em 06/06/2005 (fls. 02/04). (grifos não constam no original) Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se faz necessário, não se tratando de mero formalismo, reconhecese o crédito parcialmente pleiteado, conforme o resultado da diligência, em virtude do princípio da verdade material. 4. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, conceder provimento parcial. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.000534/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinando-se o paradigma não analisado, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose o paradigma não analisado, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 53 4/ 20 10 -0 6 Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 956 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13864.000512/201038 37.291.7162 (AI 34) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000509/201014 37.311.3722 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000513/201082 37.311.3730 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000511/201093 37.311.3749 (AI 69) Obrig. Acessória Agravo 13864.000510/201049 37.311.3757 (AI 38) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000508/201070 37.311.3765 (AI 22) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000534/201006 37.311.3773 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000525/201015 37.311.3781 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000536/201097 37.311.3790 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000519/201050 37.311.3803 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000522/201073 37.311.3811 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000520/201084 37.311.3820 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000518/201013 37.311.3838 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000517/201061 37.316.8195 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000528/201041 37.316.8209 (Emp. e SAT) Obrig. Principal REsp do Cont. não admitido 13864.000527/201004 37.316.8217 (Seg.) Obrig. Principal Liquidado 13864.000526/201051 37.316.8225 (Terceiros) Obrig. Principal Liquidado 13864.000523/201018 37.316.8233 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000521/201029 37.316.8241 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000524/201062 37.316.8250 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000516/201016 37.316.8268 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000515/201071 37.316.8276 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000514/201027 37.316.8284 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000535/201042 37.318.2872 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 957 3 O presente processo trata do Debcad 37.311.3773, referente às Contribuições Sociais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados, destinadas a Terceiros, relativas ao período de 01/2007 a 12/2007. Nos termos do Relatório Fiscal, a Contribuinte informou código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando o correto seria 515. Em conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115, deixando de recolher valores a título de Contribuições Previdenciárias destinadas ao SENAC e SEBRAE. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.472 (efls. 780 a 786), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 787) e, em 23/09/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 788 a 799 (Despacho de Encaminhamento de efls. 836). O apelo está fundamentado no arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir os seguintes pontos: inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à questão da natureza do vício, conforme Despacho de Admissibilidade de 16/09/2015 (efls. 845 a 849), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 850/851. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional alega: ao qualificar o lançamento como o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, o CTN exigiu que o lançamento, formalizado por meio de Auto de Infração, NFLD, dentre outros, exponha o fato gerador da obrigação correspondente, i. e., as circunstâncias fáticas que, subsumidas à Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 958 4 legislação tributária, têm o condão de fazer surgir uma obrigação de pagar tributo ou penalidade pecuniária; não se pode negar, contudo, a distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco; o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato; é, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato; o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação, e a essa descrição a doutrina chama de motivação (cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, bem como jurisprudência do CARF); vêse, assim, que motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm natureza diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal; nesse passo, em se verificando que o motivo alegado não existe, ou que, à luz da legislação, não gera os efeitos pretendidos, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal; verificase, que o problema apontado pelos julgadores para anular o auto de infração. por suposto vício material, diz respeito à suposta falta de elementos para enquadrar a atividade exercida pela contribuinte no código FPAS 515; em que pese se entenda desnecessária tal informação, em razão da presunção de veracidade dos atos públicos, resta claro que a apontada deficiência pode ser facilmente sanada com a baixa dos autos em diligência para esclarecimentos da fiscalização e coleta de documentos; o vício, portanto, se existente, diz respeito apenas à formalização do lançamento, plenamente passível de correção; evidente, pois, que o Colegiado a quo considerou deficitária a motivação do Auto de Infração, razão pela qual decidiu pela anulação do lançamento; à luz de todo o exposto, se o vício é relacionado à motivação, falase em vício formal, razão pela qual, se houver de ser declarada nulidade no caso em foco, isso deve ocorrer em face de vício formal, e não por vício material, resguardandose, assim, o teor do art. 173, II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional requer, na parte do recurso que teve seguimento, o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reconhecida a nulidade por vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/02/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 959 5 862), a Contribuinte, em 15/03/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 863 a 882 (protocolo de efls. 863), contendo os seguintes argumentos: Da negativa de seguimento do Recurso Especial por falta de comprovação de requisito de admissibilidade quanto ao acórdão paradigma n° 20309.332, a Contribuinte, ao analisar seu inteiro teor, constatou que as informações nele presentes são insuficientes para identificar a situação fática discutida, dificultando, assim, a verificação da similitude entre o vício constatado no acórdão recorrido e no paradigma; ainda assim, a Contribuinte tentou identificar a suposta similitude da situação fática alegada pela recorrente e verificou que, no acórdão paradigma, não se discute a ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, como no presente caso, mas a ausência da indicação da norma a que está submetida a entidade sem fins lucrativos, quando da suspensão do benefício, para que dela seja exigido crédito tributário a título de Cofins; portanto a falta de vinculação da descrição dos fatos com a norma jurídica (ausência de tipificação do lançamento), verificada no Acórdão n° 20309.332, não guarda semelhança com a ausência de comprovação do fato gerador das contribuições destinadas a terceiros, como ocorreu no presente caso, e, por isso, não se pode considerar que o entendimento pela nulidade do lançamento, por vício formal, seria aplicável, indistintamente, a qualquer um dos dois casos; sendo assim, se o que se busca por meio do recurso em questão é definir, diante de dois entendimentos opostos sobre a mesma situação, qual é o "melhor" ou o "mais correto" a ser adotado, não pode ser admitido o apelo fazendário, justamente porque não há que se falar em entendimentos opostos, quando se compara casos distintos; nesse passo, embora o recurso especial interposto tenha sido admitido, é de rigor que seja revista a presença do requisito de admissibilidade, no que tange à necessária constatação de que o acórdão recorrido tenha dado interpretação à lei tributária diversa daquela dada por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, já que manifestamente ausente. Do Mérito a princípio, mister esclarecer que, no caso em tela, a recorrente pretende que a desconsideração, pela Autoridade Autuante, do enquadramento feito pela Contribuinte no código FPAS 566, com o novo enquadramento no Código FPAS 515, sem qualquer justificativa ou embasamento na legislação vigente à época, seja considerado mero vício formal do lançamento, passível de ser sanado; ora, limitouse a Autoridade Administrativa a enquadrar a Contribuinte no Código FPAS 515, que traz listadas inúmeras atividades econômicas, sem indicar em qual daquelas atividades enquadrarseia a Contribuinte; bem verdade que tal tarefa seria impossível, já que inexiste qualquer similitude ou aproximação entre a atividade de teleatendimento e qualquer daquelas listas sob esse código; Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 960 6 aliás, a própria Autoridade Administrativa reconhece isso, ao afirmar que a Contribuinte deveria enquadrarse no código em cujo ramo estaria inserida a atividade por ela desenvolvida, qual seja, de Call Center e outras direcionadas ao auxílio no ramo empresarial em cobrança de seus créditos, propaganda e outros serviços, atividade essa não descrita no Código FPAS 515; nesse ponto, o Código Tributário Nacional é peremptório ao prescrever que a Administração Fiscal deve comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo objeto de um lançamento fiscal, nos termos do que determina o artigo 142, do CTN; destarte, compete à Fiscalização efetuar o lançamento, e para tanto deve, obrigatoriamente, verificar e demonstrar a efetiva ocorrência da hipótese de incidência, inclusive com a descrição do fato que a realizaria e a apresentação de todos os elementos de prova para sua demonstração; a simples exigência fiscal, destituída desses elementos obrigatórios, leva à nulidade do lançamento pela ocorrência de vício material, o qual cerceia o direito de defesa do Contribuinte; assim, quando a descrição do fato não é capaz de identificar sua ocorrência, se está diante da falta de algum elemento material necessário para gerar a obrigação tributária e, portanto, o crédito dele decorrente é duvidoso, e isso é o que caracteriza a ocorrência de vício material (cita jurisprudência do CARF); portanto, é notório que, nos presentes autos, se está diante de vício material, haja vista que a Fiscalização sequer se deu ao trabalho de tentar enquadrar a atividade desenvolvida pela Contribuinte em alguma das atividades elencadas sob o Código 515 na Tabela de Códigos FPAS vigente no ano de 2007, não comprovando, assim, a ocorrência do fato gerador; e isso sequer poderia ser diferente, uma vez que a atividade de call center (ou teleatendimento) desenvolvida pela Contribuinte, repitase, jamais poderia ser enquadrada sob o referido Código FPAS 515, vigente para o exercício de 2007, que abarcava as seguintes atividades, dentre outras: Comércio Atacadista, Comércio Varejista, Agente Autônomo de Comércio, Comércio Armazenador, Comércio Transportador, Revendedor, Retalhista de Óleo Diesel, Óleo Combustível e Querosene, Empresa e Serviços de Processamento de Dados, Consórcio, AutoEscola, Partido Político, etc. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O apelo visa rediscutir a natureza do vício de nulidade do lançamento. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 961 7 Tratase de Auto de Infração Debcad 37.311.3773, referente às Contribuições Sociais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados, destinadas a Terceiros, relativas ao período de 01/2007 a 12/2007. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 318 a 322), a Contribuinte informou código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando o correto seria 515. Em conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115, deixando de recolher valores a título de Contribuições Previdenciárias destinadas ao SENAC e SEBRAE. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. A matéria que teve seguimento à Instância Especial diz respeito à natureza do vício, se formal ou material, sendo que a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 20309.332 e 20601.026. Conforme o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 845 a 849, o seguimento do apelo se deu mediante a análise apenas do primeiro deles. Confirase: "Neste caso, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e no primeiro paradigma (nº 20309.332), motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. De fato, em ambas as situações verificase que houve insuficiência na descrição dos fatos, ocasionando incerteza quanto à sua ocorrência. Contudo, no acórdão recorrido decidiuse pela nulidade por vício material, enquanto no acórdão paradigma concluiuse pela nulidade por vício formal. Diante do exposto, com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, quanto à matéria: (b) nulidade por vício formal X nulidade por vício material." (destaques no original) No caso do acórdão recorrido, conforme o voto condutor, a Fiscalização teria atribuído à Contribuinte, cujo ramo de atividade é de teleatendimento, o código FPAS 515 para os períodos de 2007, aplicando a IN RFP nº 785, que somente entrou em vigor em janeiro de 2008. O código adotado pela empresa em 2007 foi o 566. Confirase: "Afirma a Recorrente que, em 2007, período de apuração do presente auto, o enquadramento no código FPAS era efetuado pela própria empresa, a qual, por sua vez,considerando a atividade exercida, escolheu o código 566. Aduz ainda que, apenas com versão da Tabela de Códigos FPAS trazida pela IN RFP nº 785/2007, houve alteração significativa na forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS e, a partir de 02 de janeiro de 2008, a atividade de teleatendimento passou a ser expressamente listada na tabela de Códigos FPAS, seguindo o código 515. Ocorre que, à época, o enquadramento no FPAS era de fato designado à responsabilidade da empresa. Contudo, a Recorrente optou pelo código 566, código este que a excluía da obrigação de recolher Fl. 961DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 962 8 determinadas contribuições, a exemplo das destinadas ao SENAC e SEBRAE. Ora, o FPAS tem como finalidade precípua a de indicar as obrigações tributárias das empresas, de modo que a informação ao Fisco do número correspondente já indica as diversas obrigações principais e acessórias a que a empresa está submetida, permitindo, inclusive, apurar o valor da contribuição devida. Ainda que coubesse à empresa escolher o FPAS, evidentemente que esse número não poderia ser aleatório, pois a empresa teria a seu favor um 'cheque em branco' para se submeter ao regime jurídico que bem entendesse. Nesse caso de inexistência de previsão expressa da atividade da empresa no rol dos FPAS, caberia a esta identificar aquele em que seu regime jurídico se enquadraria, o que, segundo o Fisco, foi feito pela empresa de forma equivocada, levandoa a ser autuada. Ocorre que, conforme se observa do procedimento fiscal, em momento algum se verifica a fundamentação da autoridade fiscal para o enquadramento da atividade da Recorrente no código 515, ao invés do código 566 adotado pela empresa." Quanto ao único paradigma analisado para a matéria em tela Acórdão nº 203 09.332 a Fazenda Nacional levou a cabo o seguinte cotejo: Acórdão recorrido “No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material (..)”(destaques da Recorrente) Paradigma Acórdão nº 20309.332 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (destaques da Recorrente) O cotejo dos trechos acima não permite que se conheça os vícios que estão sendo cotejados, o que é de fundamental importância, quando se está tratando exatamente da natureza desses defeitos. Resta então perquirir, mediante a análise do inteiro teor do paradigma, Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 963 9 se a situação nele tratada confirmaria ou inviabilizaria a possibilidade de comparação com o acórdão recorrido. Confirase: "Por se tratar de matéria envolvendo a imunidade da COFINS, há de se observar a independência deste processo em relação ao Processo de n° 13133.000025/9962 (Imposto de Renda e CSLL), o qual foi julgado em Sessão de 11 de junho de 2003, por meio do Acórdão n° 107 07.197, de forma a dar provimento ao recurso voluntário para anular o Ato Declaratório n° 15, de 27 de março de 2002, que suspendera a imunidade. Reitero que a independência deste se justifica porque os tributos são essencialmente diferentes em sua materialidade e em seus pressupostos legais. Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 não diz respeito à COFINS, objeto do presente processo administrativo, ainda que a suspensão da imunidade, operada por ato administrativo, possa servir como subsidio para aplicabilidade do direito. (...) Em se tratando da COFINS, há de se observar que o comando legal inserido está originariamente no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal. Em decorrência, reitero que o lançamento é um ato declaratório da obrigação tributária, devendose reportar à legislação específica do tributo em análise. Pela independência da COFINS, os atos praticados, ou faltas cometidas, devem, obrigatoriamente, ser descritos no auto específico da contribuição e regidos pela lei do tempo em que foram praticados. Estas considerações preliminares são importantes, sobretudo no tocante à prova, pois "a prova" regida pelo direito substantivo há de se ater aos fatos trazidos no processo e com estes ter dependência. Não há como tratar a COFINS como decorrente do IR porque assim não o quis o legislador. (...) Em verdade, o agente fiscal pode e deve efetuar o ato administrativo do lançamento de acordo com as razões de seu livre convencimento, todavia, deve explicitar as razões que o levaram a adotar este ou aquele procedimento, de maneira que seu procedimento não se configure em arbítrio; logo, imprescindível, indicar, na descrição dos fatos, os motivos que lhe formaram o convencimento, sem se reportar a outro procedimento fiscal como prova única de suas argumentações. Ressaltese que essa exigência tem implicação substancial e não meramente formal. No mais, em se tratando de pessoa jurídica de fins não lucrativos, não basta, portanto, a autoridade julgadora dizer que houve falta de pagamento e reportarse a artigos genéricos da lei, como se fosse uma pessoa jurídica comum, eis que necessário, sob pena de nulidade, a exteriorização da base fundamental do procedimento." Destarte, constatase que o vício ocorrido, no caso do paradigma, foi a consideração, por parte da Fiscalização, de que um processo de exigência de Cofins seria decorrente de um outro processo de IRPJ, sem colacionarse os fundamentos e provas específicos do caso concreto (Cofins) mas sim adotandose os elementos do outro processo Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Resolução nº 9202000.176 CSRFT2 Fl. 964 10 (IRPJ). Quanto ao acórdão recorrido, reiterase que o vício consistiria na ausência de fundamentação, na autuação, para a atribuição de código de FPAS que somente teria sido especificado pela Administração Tributária após a ocorrência do fato gerador. Ressaltese que esse ponto restou incontroverso, já que não se verificou a oposição de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional. Assim, os vícios relatados não possuem a necessária similitude, a ponto de estabelecerse divergência jurisprudencial, exatamente no que tange à natureza do defeito se formal ou material. Com efeito, não há como discutirse a natureza do vício, quando os defeitos em confronto não demonstram similaridade. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência. Ocorre que, relativamente à matéria que teve seguimento se nulidade houve, tratase de vício formal e não material esse julgado foi o único a ser analisado no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sendo que também foi indicado como paradigma para essa matéria o Acórdão nº 20601.026. Diante do exposto, tendo em vista que o primeiro paradigma não pode ser considerado apto a demonstrar a alegada divergência, voto pela conversão do julgamento em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose o paradigma não analisado, com posterior retorno dos autos a esta Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 964DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.725545/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA.
A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte.
Numero da decisão: 2201-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 45 /2 01 2- 71 Fl. 339DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da DRJ Fortaleza/CE que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho. Mister realçar que o lançamento foi realizado para prevenir a decadência, em razão de propositura de ação judicial, nos termos expostos pela Autoridade Fiscal. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 51.023.6006 (fls. 3 do processo digitalizado), pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 78.449,11, em valores consolidados em fevereiro de 2013. O lançamento está devidamente explicitado no Relatório Fiscal de folhas 11. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o crédito referente às contribuições devidas no exercício 2009, ocorreu em 18 de fevereiro de 2013, conforme se verifica às folhas 03. Em 19 de março de 2013, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.132). Em 12 de dezembro de 2013, a 6ª Turma da DRJ de Fortaleza, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0828.151 (fls. 272), de forma unânime, entendeu por não conhecer a defesa administrativa apresentada, restando, o decisum assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS OU FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias os pagamentos de notas fiscais ou faturas de serviços prestados mediante cooperativas de trabalho. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO DO LANÇAMENTO. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO NAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, pelo sujeito passivo, como o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência ao litígio nas instâncias administrativas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 273): "Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais, consoante discriminação adiante esmiuçado. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 340 3 a) AI DEBCAD 51.023.6006, importando R$ 78.449,11, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte patronal pela contratação de cooperados mediante cooperativa de trabalho, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. Foi confeccionado o levantamento: “T3 – Cooperativa de Trabalho“, incidindo a parte patronal sobre cooperativa de trabalho (rubrica 1c, alq. 15%), não declarado em GFIP, período de 01/2009 a 12/2009; Mediante exame da contabilidade conta contábil do Passivo Circulante: “0021111001 FORNECEDORES– PAÍS TERCEIROS” e notas fiscais de serviços contratados, no período de 01/2008 a 12/2008, foi verificada a contratação de serviços de Cooperativas de Trabalho. O relatório fiscal aduz que (fls. 11/18): O Auto de Infração AI (DEBCAD N° 51.023.6006) "lavrado por descumprimento de obrigação principal do qual este Relatório é parte, tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo à contribuição social objeto de ação judicial, na qual a empresa é parte, referente ao período de 01/2009 a 12/2009, face Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN perante do Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona a constitucionalidade do inciso IV, artigo 22 da Lei 8.212/91. 1.5Essa ação foi proposta pela Confederação Nacional da Indústria CNI, em 09/01/2002, e a SAMARCO MINERAÇÂO S.A., pertencendo ao Sindicato Nacional da Indústria da Extração Mineral do Ferro e Metais Básicos SINFERBASE, entidade vinculada à CNI, em caso de decisão favorável à autora da ação, teria os seus efeitos reconhecidos na auditada. Até a presente data não foi proferida qualquer decisão de mérito sobre essa questão controversa, conforme, consulta ao site do STF realizada em 20/06/2012, cuja tela onde consta a situação atual da referida ação foi anexada ao presente processo. Foi anexada também ao presente processo, cópia da “Nota Técnica Não Recolhimento Cooperativa de Trabalho”, onde, dentre outros, a empresa apresenta trecho da decisão publicada em 12/02/2010, nos autos da RE 595838 RG/SP, que trata da mesma questão, o E. STF “... reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada”, o que trará um efeito erga omnes à questão. Este lançamento tem o objetivo de prevenir a decadência no lançamento do débito, tendo a empresa o prazo de 30 dias para impugnar administrativamente as questões não submetidas ao Judiciário. De se destacar que o presente crédito previdenciário não se encontra com a sua exigibilidade suspensa, uma vez que não está Fl. 341DF CARF MF 4 entre as hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966), que cuida da suspensão da exigibilidade do crédito tributário:" Da Impugnação Inconformada com a autuação, cientificada em 18.02.2013, a empresa apresentou impugnação em 19.03.2013, que, em síntese, argumenta que (fls. 132/142): Sobre a Representação Fiscal para Fins Penais RFFP: como não foi cometido ilícito algum, já que os valores pagos pela impugnante não são base de cálculo das contribuições previdenciárias, não há porquê formalizar RFFP; A RFFP deve esperar o encerramento do processo administrativo; a RFFP deve ser suspensa pela DRJ; Sobre o salário de contribuição previdenciário: acorde com o art. 28, I da Lei nº 8.212/91 c/c arts. 457 e 458 da CLT, para que incida contribuição previdenciária a verba há de ser destinada a retribuir o trabalho, não indenizatória, paga de forma habitual e pelos serviços efetivamente prestados. o art. 201, § 11 da CF/88 estabelece que somente os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária; Admitirse o contrário, em discrepância à definição de remuneração estabelecida pela legislação trabalhista, representaria flagrante afronta ao disposto pelo artigo 110 do Código Tributário Nacional, na medida em que o legislador tributário estaria alterando a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal. Aqui, com muito mais rigor deve ser interpretada a regra, na medida em que está tratando de um preceito de ordem pública. Sobre as Cooperativas de Trabalho A cooperativa de trabalho é equiparada à empresa, nos termos do art. 15, § único da Lei nº 8.212/91; Da incerteza e iliquidez da base de cálculo " o artigo 22, IV da Lei n° 8.212/91 estabelece a incidência de contribuição previdenciária à alíquota de 15% (quinze por cento) "sobre o valor bruto da nota Fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho' Entretanto, tal valor abrange, além da prestação de serviço correspondente à remuneração do trabalhador cooperado outras despesas inerentes à I prestação do serviço, tais como combustível, manutenção, troca de peças dos veículos, considerandose tratarse de contratação de cooperativo de transporte de passageiros Ocorre que, como já visto, a base de cálculo do tributo constitucionalmente prevista somente permite a sua incidência Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 341 5 sobre a remuneração paga ao empregado, pessoa física, em retribuição ao seu trabalho. Para que fosse possível a efetiva verificação da base de cálculo sujeita a incidência da contribuição previdenciária o Ilustre Agente Fiscal deveria ter considerado como base de cálculo da exação o exato montante pago a título de remuneração, excluídos outros valores decorrentes de despesas inerentes à prestação do serviço. O Ministério Público Federal manifestouse favoravelmente à procedência da ADI nº 2.5945; E nem se diga que a incidência da contribuição sobre 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal, nos termos do art. 218 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, teria o condão de segregar da nota fiscal o montante correspondente à remuneração do cooperado, pois, tal percentual representa mera estimativa, o que torna a base de cálculo adotada completamente ilíquida e incerta. Da ADI nº 2.5945 até momento a referida ação não foi julgada. Ressaltese ainda que, por conta da existência da mencionada ADI, o Recurso Extraordinário n° 595.838 foi afetado pelo regime de repercussão geral, de modo que a decisão proferida em qualquer um dos referidos processo deverá produzir efeitos erga omnes, razão pela qual, na remota hipótese de permanência da presente autuação, deverá ser sobrestado o seu julgamento até a decisão final proferida no julgamento das mencionadas ações judiciais Junta jurisprudência e doutrina. Requer improcedência do lançamento; subsidiariamente, caso prevaleça o lançamento, pede sobrestamento do julgamento até que seja julgada a respectiva ADI. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 09 de janeiro de 2014, às 15:15hs, por meio de acesso ao seu domicílio eletrônico, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 287) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Fl. 343DF CARF MF 6 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso passo a apreciá lo na ordem de suas alegações. NULIDADE DA DECISÃO: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO Argui, a Recorrente, nulidade na decisão de piso em face da ausência da análise de todos os argumentos constantes da impugnação. Vejamos (fls. 290): "Como já exposto, o fundamento da autuação fiscal foi a suposta ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias, parte patronal, incidente sobre os pagamentos realizados pela Recorrente às Cooperativas de Trabalho. Com efeito, a Recorrente demonstrou que as sociedades cooperativas de trabalho, equiparandose às pessoas jurídicas para todos os fins, especialmente previdenciário e, que a base de cálculo das contribuições previdenciárias deve ser composta pelos valores pagos pelo empregador em contraprestação a um trabalho realizado pelo empregado, pessoa física, de natureza não indenizatória. Ademais, a Recorrente demonstrou que a base de cálculo do auto de infração originário do presente processo administrativo é incerta e ilíquida. Tendo em vista que, a nota fiscal emitida pela cooperativa abrange, além da remuneração do trabalhador cooperado, outros valores decorrentes de despesas inerentes à prestação de serviço Todavia, a decisão recorrida, deixou de analisar e justificar os argumentos adotados como fundamento, cerceou a possibilidade de defesa e contraditório da Recorrente, violando frontalmente o disposto pelos artigos 5o, LV e 93, IX da Constituição Federal. Sendo assim, a Recorrente tem o direito de que os argumentos expostos em sua impugnação sejam integralmente analisados e, se for o caso, justificadamente refutados, tendo em vista que a matéria alegada pela Recorrente está estritamente vinculada ao fundamento que ensejou a lavratura dos autos de infração." (grifos originais) Em que pese a opinião pessoal deste Relator, não observo a nulidade apontada. A decisão de piso, sujeita como cediço ao duplo grau de jurisdição, entendeu pela concomitância de instância como matéria preliminar. Reproduzo (fls. 276): "Preliminar de renúncia à esfera administrativa Percebese que há coincidência de objetos na ADI nº 2.5945 e na presente ação fiscal administrativa, já que ambos tratam da discussão sobre a exigência de contribuição previdenciária sobre a contratação de cooperados mediante cooperativa de Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 342 7 trabalho, de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, consoante previsão do art. 22, IV da Lei nº 8.212/91 (na redação da Lei nº 9.876/99) e os arts. 195, I “a” c/c 154, I da Constituição Federal. O Decreto nº 7.574/11, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, assim dispõe sobre os efeitos das decisões judiciais nos processos fiscais administrativos: Decreto nº 7.574/11: Art.87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, levada a lide tributária para apreciação do Poder Judiciário, impedida fica a Administração de apreciar o mérito comum do pleito jurisdicional, sob pena de potencialmente ferir o princípio da unidade da jurisdição, caso em que haja diferença de entendimento entre Administração e o Poder Judiciário. Cabe à administração, tão somente, dar cumprimento ao dispositivo jurisprudencial." A simples leitura pacifica a questão. A decisão de piso entendeu pela concomitância de instâncias, matéria preliminar à análise de mérito. Logo, não há que se falar em nulidade de decisão em razão da não apreciação de todos os pontos constantes da impugnação. Recurso negado nesse ponto. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Alega a Recorrente a inexistência de renúncia ao contencioso administrativo. São seus argumentos (fls. 291): "De acordo com o entendimento manifestado pela Colenda Delegacia Regional de Julgamento no acórdão recorrido, não se tomou conhecimento da impugnação apresentada nos presentes autos, com relação à parte em que a Recorrente discute "sobre a exigência de contribuição previdenciária sobre a contratação de cooperados mediante cooperativa de trabalho, de 15 % sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços consoante previsão do art. 22, IV da Lei n° 8.212/91 (na redação da Lei n° 9.876/99) e os artigos 195, I "a"c/c 154, I da Constituição Federal*, por entender que a matéria discutida no Fl. 345DF CARF MF 8 presente processo administrativo já seria objeto da ADI n° 2.594. De fato, conforme constou no relatório fiscal, o lançamento foi lavrado para prevenir a decadência, tendo em vista a pendência de julgamento da ação direta de constitucionalidade n° 2.5945, proposta pela Confederação Nacional da Indústria à qual a Recorrente se vincula por intermédio do Sindicato Nacional da Indústria da Extração Mineral do Ferro e Metais Básicos, beneficiandose, portanto, de eventual decisão favorável proferida nos autos da referida ação. Após o ajuizamento da mencionada ADI e prestadas às informações pelo Congresso Nacional, instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pela procedência do feito. Destacase que, até momento a referida ação não foi julgada, conforme reconhecido pela Turma Julgadora. Ressaltese ainda que, por conta da existência da mencionada ADI, o Recurso Extraordinário n° 595.838 foi afetado pelo regime de repercussão geral, de modo que a decisão proferida em qualquer um dos referidos processo deverá produzir efeitos erga omnes." Nesse ponto assiste razão ao Recorrente. Não há concomitância de instâncias. Segundo a decisão de piso, verificase concomitância toda vez que o contribuinte buscar o judiciário e da decisão resultante, poder restar prejudicado, pelo sucesso da lide judicial, o lançamento tributário objeto da discussão no âmbito administrativo. Entre outros fundamentos, apóiase o Conselheiro na dicção da Súmula CARF nº 1. Vejamos seus termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (destaques nossos) Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime deste Colegiado: há tácita renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejálo com o objeto do processo judicial que se analisa. Segundo o dicionário Michaelis 'online', publicado no sitio uolBusca (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10), o verbete objeto, em sua acepção jurídica: "objeto •sm(lat objectu) Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma. Coisa material:Havia na estante vários objetos.Col: bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim). Motivo, causa. Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 343 9 Assunto, matéria. Intenção, desígnio, mira. Fim a que se mira ou que se tem em vista. FilosAquilo que é pensado, por oposição ao próprio ato de pensar. DirTudo aquilo sobre que recai um direito, ou uma ação, ou obrigação." (sublinhamos) Também no mesmo sentido, um tanto amplo para os fins do nosso estudo, caminha o dicionário jurídico. Para objeto do processo, encontramos a seguinte significação (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial): "Conjunto de fatos que integrando o processo, o levam a conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)" Das significações apresentadas, podemos inferir que o objeto da demanda processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar. Porém, somente tal entendimento é suficiente para se verificar a concomitância, como entende a decisão recorrida? Não nos parece a melhor doutrina. O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: Fl. 347DF CARF MF 10 "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. Por exemplo se pode entender melhor. Dois senhores podem discutir sobre um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do imóvel a um comerciante. Tempos depois, o comerciante propôs a compra do imóvel. Firmam um contrato de compra e venda, com pagamento parcelado. Ajustam que durante o pagamento parcelado da compra, o locatário, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel. Iniciados os pagamentos, o comprador vêse em dificuldades financeiras e atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista, o imóvel a outrem, porém ajustando com o novo comprador, que entregará o imóvel desocupado. Ingressa com medida judicial, ação de despejo, visando a retomada do imóvel. Nesse caso o objeto é a posse do imóvel. O locatário, aqui ainda promitente comprador, inconformado com o desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel. Partes envolvidas: as mesmas. Resultado, objeto , de uma e de outra: o imóvel. Importante recordar que se o direito de promitente comprador for reconhecido, por óbvio que a segunda decisão terá seu resultado impactando na primeira, na ação de despejo. Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não. A distinção é flagrante quanto à causa de pedir. Em uma e em outra ação, embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto. Esses requisitos para que se reconheça a identidade de ações e portanto, a concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas, 10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examinar a litispendência: "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b) as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir (causa petendi), a razão de fato pela qual o autor pede a condenação, no processo penal o fato criminoso. Numa expressão bem simples, se o mesmo autor, com o mesmo Fl. 348DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 344 11 fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu, a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos) Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que em sua importantíssima obra, Instituições de Direito Processual Civil ( Vol III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera: "Didaticamente e seguindo uma linha tradicional no processo civil brasileiro, o Código de Processo Civil afirma que uma ação é precisa reprodução de outra quando em ambas coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (...)" (destacamos) Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer a questão como posta pela decisão de piso, ou seja, há concomitância quando o contribuinte pode alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição aqui atacada, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. Fl. 349DF CARF MF 12 Ao aplicarmos aos exemplos acima a clássica doutrina processualista, que exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos. Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 345 13 análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. Fl. 351DF CARF MF 14 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado) Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual." Assentes quanto ao conceito de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto. No caso em apreço, a determinação da identidade de ações se torna ainda mais necessária e, com a devida vênia, o desacerto do entendimento esposado no voto recorrido ainda mais flagrante. Como bem apontado pela Turma a quo, a entidade ao qual o contribuinte se encontra filiado impetrou ADI pela qual a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos à cooperativa de trabalho. Ora, o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente para prevenir a decadência dos eventuais créditos tributários previdenciários decorrentes de tais pagamentos. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 346 15 Vejamos a questão da concomitância. Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes. No plano judicial, encontramos uma ADI proposts pela CNI à qual a Recorrente se vincula, em face da lei de Custeio da Previdência no que tange a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos às cooperativas de trabalho. No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente do pagamento efetuado às cooperativas. Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Confederação por substituição processual e Congresso Nacional Pedido Nulidade/Cancelamento lançamento Inconstitucionalidade de dispositivo da Lei de Custeio Causa de pedir Nulidade/ não incidência Ofensas aos preceitos constitucionais A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência entres os elementos caracterizadores das lides, o que torna despiciendo que o contribuinte possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta. Assim, mister que se conheça do recurso apresentado, uma vez que não se pode, sob ofensa ao primado da lógica jurídica, aplicarse a Súmula CARF nº 1 ao caso em apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute inconstitucionalida. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por regularidade na compensação. Não obstante o exposto, mister realçar que a concomitância de ações exige além da identidade do pedido, a identidade da causa de pedir. Em consequência, entendo pelo conhecimento do recurso. NO MÉRITO Antes de adentrarmos ao mérito das razões recursais, necessário reconhecer a declaração de inconstitucionalidade, pronunciada pelo Pretório Excelso, do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, que fundamenta parte do lançamento fiscal. Sobre o tema, reproduzo, por sua concisão e clareza, e por concordar com seu inteiro teor, o voto da Conselheira Dione J Wasilewski, condutor do Acórdão 2201003.800, de 08 de agosto de 2017: Fl. 353DF CARF MF 16 "Ocorre que esse dispositivo teve sua constitucionalidade questionada perante o Supremo Tribunal Federal STF, no RE 595.838, tendo sido reconhecida sua repercussão geral, o que o submeteu a julgamento na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973 (Lei nº 5.869, de 1973). Julgando o mérito, o STF declarou a inconstitucionalidade da norma impugnada, em acórdão cuja ementa tem a seguinte redação: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A União interpôs Embargos de Declaração em face dessa decisão, buscando a modulação dos seus efeitos. Esses embargos, entretanto, foram rejeitados, conforme evidencia a ementa do acórdão: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 347 17 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Tendo isso em vista, e considerando a previsão contida no § 2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, pelo qual as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento administrativo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria." (destaques não constam do original) Recordemos a imputação fiscal (fls. 11): 1.3 O Auto de Infração AI DEBCAD Número: 51.023.6006, que compõe o presente processo (Comprot N° 15504 725.545/201271) abrange Contribuição Previdenciária parte patronal lançada. 1.4 O Auto de Infração AI (DEBCAD N° 51.023.6006) lavrado por descumprimento de obrigação principal do qual este Relatório é parte, tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo à contribuição social objeto de ação judicial, na qual a empresa é parte, referente ao período de 01/2009 a 12/2009, face Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN perante do Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona a constitucionalidade do inciso IV, artigo 22 da Lei 8.212/91. 1.5 Essa ação foi proposta pela Confederação Nacional da Indústria CNI, em 09/01/2002, e a SAMARCO MINERAÇÃO S.A., pertencendo ao Sindicato Nacional da Indústria da Extração Mineral do Ferro e Metais Básicos SINFERBASE, entidade vinculada à CNI, em caso de decisão favorável à autora da ação, teria os seus efeitos reconhecidos na auditada." (grifei) Inegável que o motivo do lançamento, prevenção de decadência de eventuais créditos tributários, restou superado em razão da inconstitucionalidade decretada. Forçoso reconhecer a improcedência do lançamento tributário. Fl. 355DF CARF MF 18 CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso voluntário, para, afastando as preliminares arguídas, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17787.720023/2015-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 78 7. 72 00 23 /2 01 5- 21 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 17787.720023/201521 Acórdão n.º 1001000.311 S1C0T1 Fl. 90 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza (CE), mediante o Acórdão nº 0835.340, de 19/11/2014 (efls. 78/87), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos no original) O Contribuinte supraqualificado foi cientificado do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, data do Registro ocorrida em 09/01/2015, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF/ Rio de Janeiro/RJ), fl. 6, por meio do qual tivera impedida a opção pelo citado Regime de Tributação, em virtude de possuir débitos previdenciários e débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com exigibilidade não suspensa, ali informados. Inconformado com o não atendimento do seu Pleito, objeto do mencionado Termo de Indeferimento, data do registro em 09/01/2015, fl. 6, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade, fls. 35/36, requerendo a sua inclusão no mencionado sistema de tributação diferenciado e argumentando em síntese: O Requerente todos os anos vem pagando ou parcelando os débitos no site da Receita Federal com referência a débitos previdenciários e da Receita Federal, a fim de não sair do Simples Nacional, a Empresa é de pequeno porte, exercendo as funções de comércio varejista que produz salgados e a sua renda é pequena e não tem como sobreviver se sair do Simples Nacional. Esse final de ano, requereu outra vez a opção do Simples e como causa de impedimento veio inicialmente informando problemas no Cadastro Municipal, já resolvido; quando entrou no site novamente em 09/01/2015, veio o indeferimento, tendo em vista a existência de débitos com RDB de uma multa de 01/07/2008, cuja guia foi extraída e paga nesta data em 01/2015 (anexo). Quanto aos valores de débitos previdenciários referentes às competências de 11/2008, 12/2008, 01/2009, 02/2009, 03/2009, 09/2009 e 11/2009, o Requerente tentou através do seu certificado digital parcelamento de débito, mas só estavam disponíveis os valores que foram parcelados de um outro período de 07/2010 09/2010 e 01/2013, conforme Pedido 1294043 de 13/01/2015, já paga a primeira parcela. Desta forma não existiria nenhum débito disponibilizado no site da Receita. A acrescentar apenas o fato de que o Termo de Indeferimento (efl. 4) refere se ao anocalendário 2010, cuja solicitação de opção foi na data de 29/01/2010. A DRJ constatou que o débito não previdenciário foi liquidado, mas considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois os débitos previdenciários "foram liquidados somente após a data do vencimento legal, estabelecida pela Resolução CGSN em vigor, conforme os Extratos DATAPREVINSS – liquidação dos débitos após janeiro de 2010". O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 90DF CARF MF Processo nº 17787.720023/201521 Acórdão n.º 1001000.311 S1C0T1 Fl. 91 3 Anocalendário: 2015 DÉBITOS LIQUIDADOS APÓS A DATA DO VENCIMENTO LEGAL. Tendo sido constatado que os débitos previdenciários foram liquidados após a data do vencimento legal, estabelecida pela Resolução em vigor do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), é cabível o Termo de Indeferimento da opção ao mencionado Regime Tributário diferenciado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2015 COMPARECIMENTO DO CONTRIBUINTE AOS AUTOS. DATA DEFESA. As Intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do Contribuinte supre sua falta ou irregularidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 19/04/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 75, a recorrente encaminhou o recurso voluntário via SEDEX CORREIOS, sendo postado em 22/06/2016, conforme carimbo aposto no envelope (efls. 86/87). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 17787.720023/201521 Acórdão n.º 1001000.311 S1C0T1 Fl. 92 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Considerandose que a data de ciência foi no dia 19/04/2016 (terça feira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na quartafeira, dia 20/04/2016. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de trinta dias, em 19/04/2016 (quintafeira), e o recurso voluntário foi apresentado em 22/06/2016, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.015334/2004-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1002-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 53 34 /2 00 4- 75 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2002, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 1.324,35 (mil trezentos e vinte e quatro reais e trinta e cinco centavos) (efl. 7). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2/5) versando exclusivamente na alegação de que, no contexto, haveria configuração do instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), porquanto encaminhado documental precedente a qualquer ato da Administração Fazendária. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/SPOI proferise o Acórdão nº 1612.551 (efls. 21/24) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 30/38), reiterando o mesmo argumento rechaçado e acrescentando que, a seu ver, os lançamentos estariam esvaziados de fundamento jurídico, haja vista a suposta ausência de previsão legal para tal, fato que só teria ocorrido com o advento da Lei nº 10.406/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Aduzse, primeiramente, a ilegalidade normativa necessária ao suporte das exações objurgadas. Na especificidade, diante das razões apresentadas, há a compreensão de que as penalidades foram instituídas com base em instrumentos regulatórios expedidos Receita Federal do Brasil, vigentes à época da constituição do crédito tributário. Mercê da casual leitura, pretendese, desta forma, o afastamento das multas, uma vez que as normas infralegais manejadas, IN SRF nº 73/96 e IN nº 126/98, elencadas no auto de infração, não detêm natureza de lei, por isso inaptas a produzirem os efeitos determinados pelo inc. V, do art. 97, do CTN. Compreendo, de antemão, que o raciocínio advogado não merece guarida. Em verdade, o cerne da questão gravita em aferir a relação de validade entre o veículo introdutório e a norma na perspectiva do ordenamento jurídico. A ideia, nesse caso, é verificar não apenas como se sucedeu a introdução normativa, mas também, se esta atende as regras e os princípios matizados pelo direito positivado. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 19679.015334/200475 Acórdão n.º 1002000.012 S1C0T2 Fl. 56 3 Nesse sentido, é consabido que qualquer ato desenvolvido sobre a égide de um sistema jurídico vigente coordenase pelo mecanismo de fundamentação hierárquica derivativo da norma imediatamente superior. Mais que isso, denotase a pertinência de que, mediante o percurso de degraus ascendentes, seja alcançado o cume de um sistema piramidal, ocupado pela Constituição Federal, sendo esta a base de validade de todas as demais normas em vigor. De fato, essa apertada síntese nada mais é do que a própria Teoria Kelseniana que acabou por aprimorar o Direito ao nível de Ciência, apresentando precisamente a proposta de um corte epistemológico, de onde configurase a norma como objeto de estudo. No contexto, para que se infirme as alegações da recorrente, imprescindível elaborar uma breve digressão histórica que permeia a evolução do dever instrumental consubstanciado na entrega da DCTF. Incumbe constatar, inicialmente, que a instituição da referida declaração, bem como a correspondente penalidade para sua entrega a destempo, decorre da norma extraída do § 3º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, que assim dispõe: “Art. 5º O Ministro de Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 3º Sem prejuízo da penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº. 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº. 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Notadamente, o texto colacionado exprime a autorização legal atribuída ao Ministro da Fazenda para instituir ou extinguir obrigações acessórias. Ocorre que, além do Decreto, constam outros atos normativos presentes na fundamentação legal do auto de infração. Com estrita relação a tal norma, emerge a Portaria MF n.º 118, de 1984 (efl. 7) destinada a materializar a delegação desta competência ao Secretário da Receita Federal, permitindolhe regulamentar o regime jurídico que rege a matéria. É dizer com isso que, a partir da construção jurídica hierarquicamente validada, criouse fundamento para a expedição das Instruções Normativas nº 73/96 e 126/98. Por esses termos, a recorrente equivocase ao entender que a mera regulamentação confundese com a instituição da obrigação acessória instrumental. De fato, a cominação legal a que se refere o inc. III, do art. 97, do CTN, tomada para a aplicação da multa pela entrega em atraso da DCTF durante o anocalendário 2002, remonta como fundamentação legal o DecretoLei nº 2.124/84 e não as instruções normativas multicitadas. Fl. 68DF CARF MF 4 Reforçando e atribuindo legitimidade a esse raciocínio, acrescento que a inteligência perfilhada encontrase em consonância com os precedentes extraídos da Corte Constitucional: "A Primeira Turma desta Corte sedimentou entendimento no sentido de que a Instrução Normativa nº 129/86, alterada pela IN nº 126/98 e disciplinada pela IN SRF nº 73/96, não instituiu a penalidade por atraso na entrega da DCTF, penalidade que foi prevista no artigo 11 do Decretolei nº 2.065/83.” (REsp 602.641/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 15/02/2007, p. 214)." "A instrução normativa 73/96 estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação ao princípio da legalidade.” (EDcl no AgRg no REsp 507.467/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 225)." INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (CF, ARTS. 5º, II; 150, I; CTN, ART. 97). “A expressão ‘legislação tributária’, contida no § 2º do art. 165, da Constituição Federal, tem sentido lato, abrangendo em seu conteúdo semântico não só a lei em sentido formal, mas qualquer ato normativo autorizado pelo princípio da legalidade a criar, majorar, alterar alíquota ou base de cálculo, extinguir tributo ou em relação a ele fixar isenções, anistia ou remissão.” (ADI 3949 MC, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 14/08/2008, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL0236802 PP00248 RTJ VOL00212 PP00372). Ademais, muito embora não tenha sido levantado pela recorrente, mas ao mesmo tempo para que não pairem dúvidas sobre a extensão apreciativa deste conselho, eventualmente qualquer argumentação acerca da constitucionalidade do referido Decreto afastase do âmbito de competência desta instância administrativa. Para tanto, basta a direta remissão à Súmula Vinculante nº 2, de observação obrigatória no âmbito do CARF, para resolver em definitivo este aspecto, sendo oportuno a transcrição do verbete: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ultrapassada esta questão, temse que, a despeito de a entrega das declarações ter se consumado antes de qualquer providência da Receita Federal do Brasil, não há razões além daquelas tecidas pela Delegacia de Julgamento para acatar a tese da denúncia espontânea. Em verdade, o CARF já apreciou suficientemente este aspecto, a ponto de sedimentar posição consolidada, na qual encontramse pacíficos os dizeres da Súmula Vinculante nº 49, perfeitamente aplicáveis a discussão, de acordo o seguinte entendimento: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 19679.015334/200475 Acórdão n.º 1002000.012 S1C0T2 Fl. 57 5 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.721986/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/05/2014
Interposição fraudulenta presumida
Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação.
Aplica-se a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, em co-autoria com o real beneficiário, e ainda, declara-se a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ - PARECER/CAT No. 1067/2009.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3301-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Aplicase a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ PARECER/CAT No. 1067/2009. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 19 86 /2 01 4- 71 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 655 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1666.162 (fls. 377 a 423), de 26 de fevereiro de 2015, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) – DRJ/SPO – que julgou, por maioria de votos, improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 30/07/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 6.637,16, em virtude dos fatos a seguir escritos. A empresa em epígrafe não apresentou documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos que demonstre o financiamento de suas importações, o que configura a presunção legal tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76 e por consequência a incidência da pena de perdimento. Devido a impossibilidade de apreensão das mercadorias passiveis de perdimento, incidiu o disposto no §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976. Assim, foi lavrado o presente Auto de Infração para a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 15/08/2014 (fls. 3), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 27/08/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 251 à 299, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES ⊙ A NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA REGISTRO DE PROCEDIMENTO FISCAL A empresa Sosecal S.A. foi intimada para apresentar defesa quanto à aplicação de multa por decorrência da cessão de nome e suposta interposição fraudulenta de terceiros. Ocorre porém que não foi dado conhecer em momento oportuno à impugnante do RPF 0727600 / 2014 / 00052 1, que teriam acobertado o processo administrativo referenciado, devendo ser lembrado ainda que não, ou não foi dado conhecer, de existente Mandado de Procedimento Fiscal ou Registro de Procedimento Fiscal exarado em face da impugnante. Deixou de observar o agente fiscal que serão aplicadas ao responsável solidário as mesmas regras procedimentais previstas para o devedor principal, e que tal Fl. 655DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 656 3 inobservância gera a nulidade de todo o procedimento. Junta textos da jurisprudência administrativa. Assim, deveria a autoridade competente ter expedido Mandado de Procedimento Fiscal em face da peticionante e ofertado o devido contraditório. Não o fazendo maculou todo o procedimento, não podendo imputar responsabilidade solidária a pessoa que não participou do procedimento de fiscalização. ⊙ DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO SEM MPFF (MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO) Com o simples compulsar do "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e do "Termo de Intimação SAPEA n° 05/2014", podemos observar que estão alicerçados em suposto Registro de Procedimento Fiscal de número 07276002014000521 do qual nunca foi dado conhecimento a ora impugnante, o que já gera a nulidade de todo o procedimento. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (N° Acórdão 1301000.824 Processo n. 19515.005149/200879. Relator(a) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR. Data da Sessão14/03/2012). Ocorre que o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização é o meio legal e adequado para dar início ao procedimento especial de fiscalização aduaneira, tanto que no auto de infração só existe o campo para o preenchimento com o número no MPF e não com o número de RPF. Conforme nos relata a própria Receita Federal do Brasil, o Registro de Procedimento Fiscal é documento de caráter interno que registra todas as atividades fiscais Transcreve trechos da Portaria Coana n ° 33, de 16 de novembro de 2003. A Receita Federal possui meios específicos e adequados para o desempenho das suas funções, de forma a preservar os direitos dos contribuintes, nestes termos a Portaria 3.014 da Secretaria da Receita Federal do Brasil, já prescrevia a necessidade de emissão do Mando de Procedimento Fiscal – Fiscalização. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria 3.014 da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, é cediço de todos, que o disposto no art. 2°, §3°, I do Decreto n° 3.724/2001 está dispensando do Mandado de Fiscalização somente para os atos fiscalizatórios ordinário previsto no despacho de importação (IN 680), atos a serem praticados durante o normal trâmite do despacho aduaneiro, e não os atos previstos na IN 1.169/11. As diligências permitidas e exercidas no curso do despachado aduaneiro de importação estão previstas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil n° 680. Já neste ponto, com o simples compulsar da supra mencionada IN 680, podemos facilmente observar que não existe previsão, ou seja, autorização de praticar os atos fiscalizatórios, exercidos no presente caso, devendo ser expedido o competente Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização. Está prescrito no artigo 23 da Instrução Normativa 680 que nas hipóteses de constatação de indícios de fraude na importação, independente do despacho aduaneiro de importação e canal de conferência, os elementos deverão ser encaminhados ao setor competente para, de forma fundamentada, ser submetida ao procedimento especial de fiscalização. O artigo supra transcrito não deixa margem de dúvida de que o procedimento especial de fiscalização não está inserido no despacho aduaneiro de importação, ou Fl. 656DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 657 4 seja, não é um mero ato fiscalizatório, é procedimento apartado de fiscalização com amplos poderes tendente a aferir inclusive a ocorrência de ilicitudes penais. O presente procedimento de fiscalização se deu baseado na Instrução Normativa n° 1.169/2011, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 056/2013. Transcreve o artigo 1º da Instrução Normativa n° 1.169/2011. Observase que o artigo, in fini, pressupõe que se inicia o referido procedimento especial “independentemente de ter sido iniciado o despacho aduaneiro (...)", deixando claro que o procedimento especial de fiscalização não está inserido no despacho aduaneiro. A própria instrução normativa 1.169/2011 é hialina que são procedimentos totalmente distintos, que não podem andar em conjunto, posto que no parágrafo único do artigo 5° prescreve que ficará interrompido o despacho aduaneiro enquanto perdurar o procedimento especial de fiscalização, restando claro que o procedimento especial não faz parte do despacho aduaneiro: Transcreve o artigo 5º da Instrução Normativa SRF n° 1.169/2011. Se entendêssemos que o procedimento especial de fiscalização faz parte do despacho aduaneiro, seria aceitar que o procedimento especial de fiscalização está determinando a interrupção do próprio processo de fiscalização. Por outro lado seria admitir à tábua rasa, que o procedimento especial de fiscalização se cinge ao livre talante do servidor fiscal, o que não prescreve a norma à qual deve se submeter. No caso em tela nem mesmo foi dado ciência do suposto RPF, expedido em face da empresa SOSECAL S.A., já que não lhe foi disponibilizada cópia ou acesso pela internet, ou no presente processo. Isto posto, resta hialino que o RPF utilizado para fulcrar o início da atuação do auditor fiscal não se presta para tal mister, assim como a impugnante nunca tomou ciência do RPF ou de MPF, já culminando de nulidade todo o procedimento administrativo que deve decretado por impulsão dessa Autoridade. ⊙ A ILEGITIMIDADE PASSIVA E DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Diz o ilustre auditor fiscal que a responsabilidade da ora impugnante é objetiva em face da previsão do artigo 136 do Código Tributário Nacional. Não temos dúvidas que o CTN adota a responsabilidade objetiva via de regra. Ocorre, porém que as exceções a esta regra são maiores que a própria regra em si, o próprio artigo 137 do CTN já traz as hipóteses de ressalva. Junta textos da doutrina de Eduardo Sabbag: (SABBAG, Eduardo Moraes. Direito tributário São Paulo : Siciliano Jurídico, 2003, p. 164). Portanto, o artigo 136 do CTN define que a infração é objetiva, por regra, porém o próprio CTN prevê situações de subjetividade para apuração de infrações, como no caso dos art. 112 e 108 ,§2° do CTN. Podemos facilmente observar no caso em tela diz o auditor fiscal que os fatos narrado possuem correspondência no artigo 1° da Lei n° 8.137/1990, logo se subsume perfeita menção ao Inciso I do artigo 137 do CTN, por lógica não se aplica a responsabilidade objetiva, não havendo presunção de solidariedade a ser aplicada. ⊙ AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E DE FUNDADA SUSPEITA Com o compulsar do "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e o "Termo de Intimação SAPEA n° 05/2014" não observamos em momento algum a Fl. 657DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 658 5 indicação de fatos que levariam a uma fundada suspeita de ilegalidade punível com perdimento da mercadoria de forma a motivar a fiscalização. Nos "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e o "Termo de Intimação SAPEA n° 05/2014", ou mesmo do MPF, não foi encontrado fato que pudesse ser interpretado como indício de ilegalidade que pudesse submeter a presente operação de importação ao procedimento especial de fiscalização, como pretende a autoridade fiscal. Somente no Auto de Infração a autoridade aduaneira explicita que as suspeitas se deram com esteio em importação pretérita realizada pela Impugnante que tinha por finalidade nacionalizar equipamentos de telecomunicação em 16/09/2013, Declaração de Importação 13/18162337. Estas suspeitas não recaem em momento algum sobre a presente Declaração de Importação, qual seja 14/00854603, não podendo a alfândega abrir procedimento especial somente por suspeita ocorridas em outro processo de importação. Ocorre que o Decretolei 37 de 1966, recepcionado em nosso ordenamento como Lei Ordinária, que organiza os serviços aduaneiros em território nacional, é hialino ao explicitar que somente com fundada suspeita de ilegalidade a Receita Federal poderá adotar o procedimento especial de fiscalização. Transcreve o artigo 53 do DecretoLei n° 37/66. Da mesma forma o Regulamento Aduaneiro, Decreto 6759/2009, prescreve que para que uma mercadoria seja retida e submetida a processo de fiscalização devem estar presente, necessariamente fatos que embasem uma fundada suspeita de ilegalizada e penalizada com perdimento de mercadoria. Transcreve o artigo 793 e 794 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Transcreve o artigo 1º e artigo 4º da Instrução Normativa 1169/2011. Junta textos da doutrina de Paulo Cesar Alves Rocha. No presente processo, em momento algum, como podemos observar, fora colacionada fundada suspeita que pudesse embasar o pedido de submissão do presente processo de importação ao procedimento especial de fiscalização ou mesmo a retenção da mercadoria. Junta textos da jurisprudência: (TRF4 AG: 25073 PR 2007.04.00.0250734, Relator: JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 07/11/2007, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 20/11 /2007); (TRF4 2006.70.08.001662 9/PR , Relator: ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA, Data de Julgamento: 23/06/2010, PRIMEIRA TURMA); (TRF4 AG: 10564 PR 2008.04.00.0105647, Relator: JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 23/07/2008, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 05/08/2008). Como já mencionado, o MPFF é um instrumento de garantia do sujeito passivo que dá maior eficácia normativa ao Princípio do Devido Processo Legal. A inobservância de suas regras, a não demonstração clara e objetiva do que se pretende fiscalizar, bem como a não indicação do que teria gerado a fundada suspeita, vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e Contraditório. Nesse sentido, é importante destacar que a autoridade fiscal deixa de apontar a fundada suspeita, ou motivar a fiscalização, e não demonstra, de forma objetiva, o objeto da fiscalização a ser executado no procedimento fiscal, o que acarreta a nulidade do procedimento fiscal. ⊙ AUSÊNCIA DE ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR FISCAL Fl. 658DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 659 6 Também podemos observar que até o presente momento, não foi apresentado ao contribuinte, o ato administrativo que delegou ao respeitável auditor atribuição para a execução do processo especial de fiscalização, devidamente assinado pelo Inspetor Chefe, ou pelo Chefe do Sapea, quando houver ato de delegação de atribuição. Para tanto, caberia ao titular da unidade da SRF emitir MPFF determinando o início da ação fiscalizadora descrita na epigrafada Instrução Normativa, nomeando auditor para sua execução, ou até mesmo delegar esta atribuição ao Chefe do Sapea, o que não resta comprovado no caso em tela. O presente caso tratase de circunstância de competência específica do Auditor Fiscal da Receita Federal que, para atuar em objeto da IN 1.169, sempre estará na dependência de ato circunstanciado e especial, emanado pelo InspetorChefe ou da COANA, nomeando um auditor federal para a execução do procedimento especial. Nesse diapasão, já restou comprovada a necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, autorizando o procedimento especial de fiscalização e nomeando Auditor Fiscal para execução. Transcreve o artigo 6º do Decreto n° 70.235/72. É indiscutível que no presente caso a obediência hierárquica imposta pela norma administrativa restou comprometida, motivo que deve ser obstado o procedimento eivado de ilegalidade. Como consequência infalível da atuação sem autorização, o que implica em agir fora dos limites de competência, o Decreto n° 70.235/1972 impões o ônus da nulidade do ato administrativo. Ante ao exposto, é imperativa a aplicação dos dispositivos legais apresentados, razão pela qual se requer a nulidade do procedimento administrativo instaurado e, consequentemente, das sanções dele resultantes. ⊙ DA INOBSERVÂNCIA DO PRAZO e PRORROGAÇOES IMOTIVADAS. Diz o termo de início de fiscalização que a DI 14/00854603 foi submetida a procedimento especial previsto na IN 1169/2011, por conseguinte a própria instrução normativa 1169/2011 SRFB prescreve prazo de máximo de 90 (noventa) dias para o seu término, sendo que sua prorrogação deve ser motivada. Transcreve o artigo 9º da IN 1169/2011. Com a simples análise dos autos, podemos observar que o presente procedimento teve início em 03 de fevereiro de 2014, ocorre, porém que o presente auto de infração e foi concluído no dia 30 de julho de 2014, quando da juntada dos devidos documentos ao auto de infração, data em que já havia escoado o prazo legal, ou seja, já havei o transcorrido mais de 150 dias de fiscalização sem qualquer motivada prorrogação. Não só se ultrapassou o prazo estipulado para a conclusão da fiscalização com esteio na IN 1.169, mas também com base no art. 7°, § 2° do Decreto 70.235/72, que prescreve o prazo de 60 para validade do MPF, prazo este que pode ser renovado somente de forma justificada. Podemos observar que após a data máxima prevista na IN 1169, bem como pelo Decreto 70.235/72 o respeitável auditor ainda não havia concluído o procedimento administrativo. É cediço que todo ato administrativo emitido pela Administração pública deve conter os elementos essenciais, quais sejam: sujeito, objeto, forma, finalidade, prazo e motivo. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 660 7 No presente caso, não foi apresentado à ora peticionante a motivação para prorrogação do procedimento administrativo fiscal ou registro de procedimento fiscal. A não apresentação do motivo/fundamento para prorrogar o procedimento especial de fiscalização, ou mesmo de decisão que prorrogou de forma motivada a fiscalização, MPF ou RPF, acarreta a nulidade do processo administrativo. Como já observado no tópico, todos os prazos legais e mandamentais já transcorreram sem a devida conclusão, extrapolando o prazo de 90 dias prescrito na Instrução Normativa e de 60 dias prescrito no Decreto 70.235/72 para a conclusão da fiscalização. Junta textos da jurisprudência: (STJ REsp: 666277 CE 2004/00975916, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 02/11 /2005, T2 – SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 21.11.2005 p. 187). Nestes termos, pelo decurso do prazo de fiscalização, assim como, pelas prorrogações imotivadas e desproporcionais deve ser reconhecida a ilegalidade, eivando o processo administrativo. ⊙ DA FALTA DE ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR FISCAL e FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PARA PRORROGAR A FISCALIZAÇÃO Urge salientar que, ao analisarmos o Termo de Início de Ação Fiscal, anexo ao Autor de Infração ora impugnado, observase que o procedimento de fiscalização está alicerçado no RPF 07276002014000521. Nessa linha, é cediço de todos que o Registro de Procedimento Fiscal não concede poderes para o auditor prorrogar o prazo da fiscalização. Ademais, não é da competência do auditor fiscal prorrogar a fiscalização, sendo que no caso em tela nem mesmo foi emitido o chamado Termo de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal. Incorre em ilegalidade na medida em que o próprio auditor fiscal extrapola o prazo de 90 dias na fiscalização sem ter poderes para tal mister e sem motivar a necessidade da continuidade da fiscalização. Não é pela ilegalidade da não emissão de MPF que os direitos assegurados ao contribuinte não podem ser exercidos, assim a Portaria SRF n.° 6.087/2005 prescreve a necessidade da renovação de Mandado de Fiscalização com nomeação de novo auditor fiscal, pela autoridade emitente, para a continuidade da fiscalização após o vencimento do prazo. Transcreve o artigo 16 da Portaria SRF n.° 6.087/2005. Extraímos do dispositivo acima, paralelamente em análise ao caso em tela, que o Auditor Fiscal não possui atribuição para continuar a desde o momento que foram completos os noventa dias, e muito menos de determinar a sua continuidade haja em vista que o rol é taxativo para preservar o princípio da segurança jurídica no processo administrativo. Mesmo com o prazo para fiscalizar vencido, o respeitável auditor fiscal, continuou com a fiscalização, infringindo de forma latente todo o artigo 16 da Portaria SRF n.° 6.087/2005, quando deveria ter sido expedido novo Mandado de Fiscalização pela autoridade competente, nomeando novo fiscal para terminar os trabalhos, encerrando (interpretando o artigo a contrário sensu) na nulidade dos atos praticados. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 661 8 Por fim, não há MPF exarado em face da ora impugnante, e o presente auto foi expedido quando o RPF já estava vencido já que todos os prazo para a fiscalização já havia escoado eivando de nulidade o procedimento administrativo. DO MÉRITO ⊙ AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL Compulsando o presente auto de infração, podemos observar quando da descrição dos fatos e enquadramento legal que diz o respeitável auditor fiscal que estaria a ora impugnante incorrendo em ocultação do real comprador ou responsável pela operação da importação. Por tudo apresentado neste Auto de Infração, restou legalmente presumida a ocorrência da ocultação do real comprador ou do responsável pela operação de importação constante da Declaração de Importação n° 14/00854603 em consequência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nos pagamentos à consecução desse fim. E a presunção legal da ocorrência da ocultação do real comprador ou responsável por essa operação de Comércio Exterior implica, logicamente, na cessão de nome para o acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação contida na DI objeto deste auto de infração. Na Dl 14/00854603 foi informado tratarse de operação de Comércio Exterior que teria sido efetuada por conta e ordem da Sosecal S/A e na condição de adquirente das mercadorias é esta empresa que deve dispor dos recursos financeiros necessários à realização dessa importação. Por esse motivo e em razão da presunção legal de interposiçâo fraudulenta, a multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei ns 11.488/07 deve ser aplicada à Sosecal S/A. E, em decorrência desta ocultação do real comprador, faria jus à multa por cessão de nome. Contudo, no caso em tela, para lastrear a referida multa, invocam a ocultação do real comprador e a presunção de dano ao erário com esteio no art. 23, inciso V e parágrafos 1° e 2° do DecretoLei 1.455/76. Essas infrações à legislação aduaneira, cujas suspeitas de ocorrência nas operações de importação realizadas pela Sosecal Ltda foram detectadas pela Coana, estão previstas no art. 105, inciso VI, do DecretoLei 37/66 e art. 23, inciso V, do Decreto Lei 1.455/76 e, caso sejam constatadas, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. Com a simples leitura dos dispositivos invocados, principalmente quanto ao parágrafo 2° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, fica claro que a presunção invocada não se subsume aos fatos narrados não podendo prosperar. A presunção está firmada no fato de não restar comprovado a origem dos recursos empregados na operação de importação, o que é de fácil comprovação. Junta textos da doutrina de Heleno Tavares Torres. Esta presunção é condição para a qualificação de uma situação acima identificada, como é o caso da hipótese de ocultação do comprador ou de responsável pela operação. Despreza o respeitável auditor fiscal que a empresa adquirente possui Capital Social integralizado no valor de R$1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil ais) sob o argumento de que na declaração de IRPJ no exercício de 2013, ano Fl. 661DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 662 9 calendário 2012, teria a empresa adquirente informado prejuízo que foi superior às receitas líquidas de sua atividade. Observe que o argumento utilizado é muito precário, posto que não foi utilizado as informações do exercício de 2013, e sim de 2012, informações estas de dois anos atrás, não refletindo a atual situação da empresa. Deixa também de observar que a DIPJ do ano calendário 2012 foi objeto de retificação (doc. 5) passando a constar um lucro da monta de R$2.811.271,22 (dois milhões, oitocentos e onze mil, duzentos e setenta e um reais e vinte e dois centavos). Também colacionados foram, em resposta ao quesito 15 e 16 da intimação n° 05/2014, extratos da declaração de importação que comprova que os custos tributários foram arcados pela importadora (doc. 4), extratos bancários comprovando os débitos, assim como, contrato de câmbio em nome da adquirente, e extrato bancário comprovando a saída dos valores, comprovando a Disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Nesta senda, não há que se dizer que não restou comprovada a origem dos recursos empregados na importação ou a sua efetiva transferência, estes restam comprovados pelos documentos ora colacionados jogando por terra a presunção suscitada. ⊙ DA VINCULAÇÃO ENTRE SOSECAL E SW E DA ORIGEM DOS VALORES Já restou hialino desde a resposta do primeiro termo de intimação fiscal que, a SW administra os recursos da empresa Sosecal S.A., assim para tal mister foi celebrado contrato de prestação de serviço já colacionado aos autos. Ademais, em resposta ao termo de intimação fiscal 21/2014 a empresa Sosecal deixa bem claro que os seus recursos são provenientes da venda de uma diversidade de produtos no atacado e no varejo, comprovando o dito colacionando documentos contábeis, já mencionados supra, que comprovam a capacidade financeira, origem dos recursos e efetiva transferência. Todos os recursos restaram devidamente comprovados e justificados, restando hialino a capacidade financeira da empresa adquirente para suportar a importação, devendo ser declarado insubsistente o presente auto de infração. ⊙ O AUTO DE INFRAÇÃO É INTEGRALMENTE BASEADO EM INDÍCIOS A fiscalização faz inúmeras presunções consubstanciadas em fatos e alegações nc o comprovados e ignora justificativas apresentadas pela importadora, não logra nc o êx. o na sua tarefa legal de provar aquilo que afirma. A jurisprudência pátria já pacificou que as infrações baseadas em ocultação do real comprador não devem se basear em indício e sim em provas inequívocas. Junta textos da jurisprudência administrativa: (DRJFNS Ac. 0710040 Delegado da Receita Federal J. 22. 06.2007 ); (CARF Proc. 12466004106200426 (320100496) Rel. Cons. Adm. J. 01.07.2010). De acordo com Moacyr Amaral dos Santos, o desconhecimento ou ignorância da realidade fática, ou seja, a incerteza de que os fatos considerados conhecidos sejam reais, põe em risco a validade da presunção sobre o fato desconhecido, levando a fiscalização à perda de tempo com a sucumbência das acusações irrelevantes. A própria autoridade fiscal reconhece que tais ilações se prestam apenas como indícios durante todo o auto de infração, inclusive nomeando um capítulo do auto de infra ã de “Dos indícios de ocultação do real comprador”. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 663 10 Interessante que os ditos indícios são as únicas "provas" colacionadas a s a os para tentar comprovar a suposta ocultação do real comprador, deixando de colacionar provas admitidas em direito. Junta textos da jurisprudência administrativa: (ACÓRDÃO 301 28762); (ACÓRDÃO 30128627). Ora, a situação demandaria justamente o inverso: caberia ao Fisco demonstrar efetivamente a ocorrência da ocultação do real comprador, e a incapacidade financeira do importador. Repitase, a aludida atividade vinculada não se mostra compatível com a dúvida. Em virtude do princípio da verdade real, aplicável ao processo administrativo, a Administração deve provar suas alegações por meio de provas robustas, e não através de meras suposições que não demonstram qualquer correlação entre a conduta da adquente e a pena a ser aplicada. Portanto, tendo em vista que as alegações da RFB são baseadas apenas em suposições, sem o necessário arcabouço de provas, nem mesmo a prova do nexo de causalidade entre as condutas que esta visa penalizar e o caso concreto, não há como subsistir a imposição da pena de perdimento em questão. Assim, ante o exposto, concluise que a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência do fato, gerando a insubsistência da autuação. ⊙ DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE A ocultação do suposto real adquirente significa manter recôndito da relação obrigacional tributária, dolosamente, mediante o emprego de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, o verdadeiro sujeito passivo, o que geralmente se opera atendendo aos seguintes requisitos: a) conluio entre as partes: acordo prévio entre o real beneficiário, geralmente o detentor do capital, e um terceiro sem capacidade econômicofinanceira compatível com a operação de comércio exterior, que é utilizado para tentar fazer parecer às autoridades tributárias tratarse do sujeito passivo quando não o é; b) o propósito de enganar terceiro ou fraudar a lei: o fim objetivado tentar enganar a ação fiscalizatória da RFB, ocultar o real beneficiário da operação de comércio exterior e suprimir ou não recolher os tributos devidos, com o fito de fraudar a legislação; c) a discordância consciente entre a vontade e a declaração: uma terceira pessoa conscientemente tenta encobrir a verdade, o real enquadramento tributário, o real sujeito passivo, mediante declaração falsa. Ocorre que, no presente caso, nenhum destes requisitos restou demonstrado, ou até mesmo abordado, não havendo como os fatos narrados no auto de infração se subsumirem em ocultação, interposição, simulação ou fraude. Junta textos da doutrina de Angela Sartori. O Projeto de Lei que redundou na edição da Lei n° 9.613/98 introduziu em nosso ordenamento jurídico o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros. Referida norma dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos. A definição do delito de interposição fraudulenta no dizer do legislador, corresponde: aquele em que alguém prestase a intermediar negócio com recursos ou coisas que sabe ser produto de crime antecedente. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 664 11 Transcreve trechos da Exposição de Motivos da Lei Lei n° 9.613/98. Do exposto, a "interposição fraudulenta" corresponderia a um crime conexo, posto que praticado na intenção de ocultar coisa ou dinheiro que tem como origem um dos crimes elencados no artigo 1° da Lei n° 9.613/98. Portanto pressupõe um crime antecedente, como por exemplo: tráfico de drogas; terrorismo; contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua produção; de extorsão mediante sequestro; contra a administração pública (corrupção); contra o sistema financeiro nacional; praticado por organização criminosa. Portanto, a condição para aplicação do artigo acima é que a interposta pessoa saiba que os recursos financeiros empregados nas operações têm origem em um dos crimes antecedentes tipificados no artigo 1° da referida Lei. Diante de todo o exposto, entendemos que a pena de perdimento aplicada aos casos de interposição fraudulenta e falsidade só insurge no mundo jurídico quando praticada ao fito de ocultar dinheiro ilícito, fruto de crime antecedente, nos termos do artigo 1 da Lei n° 9.613/1998. ⊙ DA AUSÊNCIA DE DOLO E DE DANO AO ERÁRIO Sabese que a pena de perdimento aplicada pela fiscalização requer a presença de expediente fraudulento ou de simulação (dolo/máfé). No presente caso porém, não há qualquer referencia a fraude ou simulação realizado pelas Autoras, entendendo a fiscalização apenas por ocultação de "reais compradores" ou "responsáveis pela operação" meramente com base no relacionamento comercial existente entre as empresas. Para a caracterização do delito punível com a medida mais grave, qual seja, a pena de perdimento, é necessária a clara visualização do dolo especifico, ou seja, da ciência da prática do ato fraudulento visando a obtenção de vantagem que não seria auferida de outro modo, de maneira a se justificar sua prática. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (STJ , Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 08/10/2013, T1 PRIMEIRA TURMA); (STJ AgRg no REsp: 1156417 SC 2009/01746582, Relator: Ministro SÉRGIO KUKINA, Data de Julgamento: 19/09/2013, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/09/2013); (STJ , Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 02/06/2011, T2 SEGUNDA TURMA). Cumpre ressaltar que todos os entes envolvidos na operação, até mesmo aqueles acusados de serem os supostos “responsáveis pela operação" possuem plena capacidade econômica e financeira, como já demonstrado, para realizar as importações diretamente, caso tivessem interesse, não sendo necessária interposta pessoa de modo a realizar qualquer tipo de fraude. Ainda que se aceitasse a possibilidade de uma participação em interposição fraudulenta, esta se daria com o objetivo, dolo, devidamente representado, qual seja, ou a incapacidade financeira de custear a importação, o que não se verifica, ou ainda o afastamento das obrigações tributária dela devida, o que nunca ocorreu. A Receita entende que a ocultação do real adquirente ou do encomendante tem o escopo de afastar as obrigações tributárias principais e acessórias do processo de importação. Contudo, tal afastamento nunca foi verificado visto que todas as obrigações fiscais foram cumpridas, não havendo nenhum dano ao erário decorrente da referida operação. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 665 12 Na operação que deu azo a Autuação, todos os impostos foram recolhidos (Imposto de Importação, IPI, PIS/COFISImportação e o ICMSImportação), tanto é que não houve lançamentos tributários nesse sentido, circunstanciando o presente auto apenas as questões aduaneiras, haja vista não haverem cotas tributárias a ser burladas, vez que todas foram devidamente adimplidas. Resta evidente que a fiscalização nunca demonstrou nenhuma conduta fraudulenta ou simulada com o intuito de ocultar o real comprador das mercadorias ou sua conseqü.ncia prática, o dano ao erário, visto que este nunca aconteceu. Uma vez percebido que todos os impostos devidos na importação foram regularmente recolhidos, ou seja, não há demonstração de dolo ou máfé em ocultar o "real comprador", fica claro que não houve dano ao erário, que seria o dolo da interposição fraudulenta. Nos casos em que a importação por encomenda não decorre de fraude comprovada, mas possui apenas interpretação controversa das relações comerciais existentes entre a importadora e terceiros, para se definir quem seria o efetivo destinatário das mercadorias, fica premente a necessidade de caráter objetivo para a aplicação de pena de perdimento, qual seja, o dano ao erário que nunca ocorreu. O auto de infração impugnado em momento algum aponta, de forma especifica e direta, qualquer prejuízo incorrido pelo Erário em relação aos fatos abrangidos na fiscalização e tampouco o dolo ou máfé dos agentes envolvidos. A pena de perdimento almeja punir os intervenientes do comércio exterior brasileiro que dolosamente transgridam as normas aduaneiras que ocasionam dano ao Erário. Dessa forma, para que a mesma seja válida e justificadamente aplicada, fazse necessária a comprovação de que o agente agiu dolosamente, bem como que o ato acarretou dano ao Erário. Impende enfatizar que não foram apresentados pela autoridade aduaneira quaisquer fatos objetivos que apontem para ações dolosamente promovidas pela impugnante a fim de infringir as normas aduaneiras. Por mais este fator, percebese que a atuação da impugnada é desmedida e totalmente contrária aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, considerada a total inexistência de elemento doloso por parte da impugnante. Pelo contrário, pela apresentação dos documentos solicitados, atendimentos as intimações fiscais, e pelo contrato colacionado aos autos e normas da Anatel, e toda analise da operação só podemos concluir que não houve dolo. ⊙ DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA Conforme demonstrado nos tópicos anteriores, à ora Impugnante fora aplicada pena de multa em razão de supostos indícios de que estaria cedendo seu nome e de que haveria interposição fraudulenta, sendo tal penalidade aplicada com base no disposto nos artigos 23, V, parágrafos 1° e 2° do DL 1.455/1976 e 33 da Lei 11.488/2007. Ocorre, entretanto, que as penalidades descritas acima possuem naturezas distintas e, por consequência, se dirigem a agentes diversos, é o que se passa a demonstrar. A pena de perdimento constante do artigo 23 do DL 1.455 visa a punição do "adquirente", nos casos em que houver indícios de ocultação do real comprador, ou seja, pretende coibir a ação de agentes ocultos, verdadeiros responsáveis pela importação. Pretensão diversa possui a multa disposta no artigo 33 da Lei 11.488/2007, tendo o condão de atingir o importador ou exportador ostensivo, de modo que, com seu Fl. 665DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 666 13 advento, não há mais que se falar em sujeição solidária do importador à pena de perdimento, nem mesmo do adquirente à multa de 10% sobre o valor da mercadoria. Nessa linha, concluise que, pela suposta ocultação do real comprador, apenas pode sofrer a penalidade o adquirente e, consequentemente, pelo fato de “ceder o nome”, somente pode ser punido o importador ostensivo. Ora, a Impugnante é apenas a adquirente da mercadoria importada, sendo que em momento algum logrou êxito o Auditor Fiscal em provar o contrário, de modo que não pode sofrer a penalidade ora discutida, posto que de aplicação exclusiva ao importador ostensivo. O parágrafo único do artigo 33 constitui norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente “cede o nome”. Por outro lado, se além de “ceder o nome”, a empresa não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no artigo 81, § 1°, da Lei 9.430/1996. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei 11.488/2007, aplicase o artigo 33 retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Como o autor de infração foi lavrado posteriormente á entrada em vigor da Lei 11.488/2007, impondose a conversão da pena de perdimento ao importador, é manifesta sua improcedência. Lançamento Improcedente Acordam os membros da 2° Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente o lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente acórdão. Desta feita, não há como prosperar a multa aplicada à empresa SOSECAL S.A., ora Impugnante, pois figurou na operação de importação como adquirente, devendo a penalidade ser direcionada à Vale Importação, pois importadora ostensiva da mercadoria. ⊙ DOS PEDIDOS Por todo o exposto, pede e espera a Impugnante seja declarada a nulidade dos Autos de Infração, nos termos das preliminares arguidas, ou caso ultrapassadas, seja reconhecida a insubsistência dos mesmos, bem como, em virtude das razões aqui expendidas. Provará o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial pelos documentos em anexo. A decisão ora recorrida julgou improcedente o pedido do Contribuinte por maioria de votos, vencidos o relator Jorge Lima Abud e o julgador Renato Yoshikawa, com o voto vencedor de Tânia Regina Coutinho Lourenço. Tendo em vista a negativa do Acórdão ora recorrido que indeferiu a impugnação do Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário (fls. 430 a 461), em 1º de junho de 2015, visando a reforma da citada decisão. É o relatório. Voto Fl. 666DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 667 14 Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1666.162, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/05/2014 Interposição fraudulenta presumida Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação. Aplicase a multa do art. 33 da Lei nº. 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei nº. 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ PARECER/CAT Nº. 1067/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De forma sucinta o que se discute nos autos é o fato de o beneficiário da operação de comércio exterior ser ou não o importador de fato e não haver a comprovação de origem, disponibilidade e da transferência dos recursos para realizar a referida operação. Os argumentos trazidos no Recurso Voluntário são os mesmos quando da impugnação. A Fiscalização, por meio do Auto de Infração (fls. 5 a 6), entendeu que o Contribuinte cedeu o seu nome de pessoa jurídica para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação. Salientase que no presente caso, quando da análise pela DRJ, julgouse por maioria de votos improcedente o pedido do Contribuinte. Neste contexto, citase trechos do voto vencedor como razões para decidir por bem expressar os fatos e a subsunção destes à legislação aplicável (fls. 416 e seguintes): Ao apreciar a impugnação o relator demonstrou sua convicção por meio dos seguintes argumentos: Se o importador de fato, aquele que financia a importação não foi identificado – como é próprio da prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – não cabe a multa de 10% prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007, mas a declaração de inaptidão do CNPJ, prevista no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, o importador de fato poderá deixar de ter o seu CNPJ declarado inapto, na medida em que identificar para a fiscalização quem foi o financiador da importação, ou seja o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR). Assim, não se teria mais uma prática presumida, mas sim uma prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Isso a doutrina denomina de ‘denuncia premiada’ quando a interposta pessoa traz o sujeito passivo oculto Fl. 667DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 668 15 (REAL COMPRADOR) para dividir consigo o pólo passivo da autuação referente à exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Portanto, incabível a infração por "cessão de nome" tipificada no artigo 33 da Lei n° 11.488/07 para o presente caso Tendo em vista discordância de tal entendimento, algumas considerações devem ser tecidas para compreensão da conclusão prevalente. Então, vejamos: Muitas vezes a empresa prefere concentrarse em sua atividadefim, terceirizando as atividadesmeio. Isso também ocorre no comércio exterior. Por vezes, uma empresa nãoimportadora precisa importar mercadorias, e recorre a outra, especialista na área. Atualmente, há duas formas de terceirização das operações de comércio exterior reconhecidas e regulamentadas pela SRFB, sendo que ambas devem atender a determinadas condições previstas na legislação: Importação por Conta e Ordem, e Importação por Encomenda. CARACTERÍSTICAS DA IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM Na primeira, importação por conta e ordem, há o real adquirente e o importador. A importação é feita pelo importador, por conta o adquirente assume o custo da operação e ordem o adquirente toma as decisões. O importador, neste caso, é apenas um prestador de serviços. CARACTERÍSTICAS DA IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA Nesta operação, a importação é promovida por pessoa jurídica importadora, para revenda a outra encomendante predeterminada. O importador aqui é um revendedor. ESCOLHA ENTRE AS DUAS OPÇÕES: A empresa deve observar o tratamento tributário específico dessas operacõ̧es e alguns cuidados especiais, a fim de não ser surpreendida por autuação ou até mesmo perdimento das mercadorias. Há diferença de custos entre ambas, além de diferentes efeitos e obrigações tributárias a que estão sujeitas essas duas operações, não só na esfera federal, mas também no âmbito estadual. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM INTRODUÇAÕ: Nesse tipo de operaçaõ, uma empresa – a adquirente , interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços – a importadora por conta e ordem – para que esta, utilizando os recursos originários da contratante (quem suporta o custo da operação é a adquirente), providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente. (...) O QUE É A IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM ? Nela, quem importa de fato é a adquirente, pois é a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Faz isso por meio da interposta pessoa (a importadora por conta e ordem), que é mera mandatária da adquirente. Mesmo que a importadora, além de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 669 16 executar o despacho de importação, também intermedie o negócio no exterior, contrate transporte, seguro, etc. É a adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação. A operaca̧õ cambial para pagamento de uma importação por conta e ordem pode ser realizada em nome da importadora ou da adquirente, tanto faz (diferente do caso de importaca̧õ por encomenda). A importadora por conta e ordem pode, inclusive, fechar o cam̂bio em seu nome, o que não muda o fato de que a mercadoria é do adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, isso não muda o fato de que a operação ocorre efetivamente entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. REQUISITOS, CONDIÇÕES E OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS: (...) CUIDADOS ESPECIAIS: Na importação por conta e ordem de terceiro, o fato do importador, na qualidade de mandatário do adquirente, registrar a DI em seu nome, não caracteriza uma operação própria, mas, sim, por ordem do adquirente, do mandante, que o contratou para tal fim. Ainda que o importador recolha os tributos incidentes na importação, ou venha a efetuar pagamentos ao fornecedor estrangeiro, com recursos financeiros fornecidos pelo adquirente (como adiantamento ou acerto de contas) para a operação contratada, a empresa contratante é a real adquirente das mercadorias importadas e não a empresa contratada, que é, nesse caso, uma mera prestadora de serviços. Embora seja a importadora que promova o despacho de importação em seu nome e efetue o recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadorias (II, IPI, COFINSimportação, PIS/PASEPimportaca̧õ e CIDEcombustíveis), é a adquirente – a mandante da operação de importação – aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Conseqüentemente, embora o importador seja o contribuinte dos tributos federais incidentes sobre as importações, o adquirente das mercadorias é responsável solidário pelo recolhimento desses tributos, seja porque ambos tem̂ interesse comum na situaçaõ que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. (vide arts. 124, I e II da Lei no 5.172, de 1966 – CTN; arts. 103, I, e 105, III, do Decreto no 4.543, de 2002; arts. 5o , I, e 6o, I, da Lei no 10.865, de 2004; e arts. 2o e 11 da Lei no 10.336, de 2001). Ocultação do real adquirente – Interposição fraudulenta de terceiros: A caracterização de indícios de irregularidades nesse tipo de operação autoriza a aplicação de procedimentos especiais de controle, previstos na IN SRF n. 52, de 2001, na IN SRF n. 206, de 2002, assim como na IN SRF 228/02, podendo a mercadoria permanecer retida por até 180 dias, para execução do correspondente procedimento de fiscalização, visando a apurar as eventuais irregularidades ocorridas. A ocultação do real adquirente na importação, mediante fraude ou simulação, além de acarretar o perdimento da mercadoria, tem sérias implicações perante a legislação Fl. 669DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 670 17 de valoração aduaneira, porque pode ocultar transações entre pessoas relacionadas – que têm tratamento normativo distinto – e do Imposto de Renda, relativamente aos preços de transferência. Dispõem ainda os artigos 59 e 60 da Lei n. 10.637/2002 que se presume fraudulenta a interposição de terceiros em operação de comércio exterior quando não comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados, sujeitando a mercadoria à pena de perdimento e o importador à declaração de inaptidão de sua inscrição. Alegações da autoridade fiscal para a autuação PRESUÇÃO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E DA CESSÃO DE NOME A Declaração de Importação nº 14/08735700 foi selecionada para o canal cinza de conferência aduaneira pela CoordenaçãoGeral de AdministraçãoAduaneira – Coana. Essa seleção é decorrente de fortes evidências e também da constatação de indícios da ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias ou responsável pela operação de importação em outra DI anteriormente registrada pela Sosecal. A parametrização para o canal cinza implica na seleção da DI para submissão ao procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN RFB 1169/11 para apuração dos elementos indiciários de fraude e que são puníveis com a pena de perdimento das mercadorias objeto de infrações à legislação aduaneira. Atuando na DI 14/08735700 como adquirente das mercadorias, a Sosecal S/A é que deve dispor dos recursos necessários à realização dessa operação de importação. Analisando as operações de importação realizadas anteriormente pela Sosecal S/A foi constatado que essa empresa realizou a nacionalização de uma grande variedade de produtos. Essa diversidade de produtos exigiria um grupo de empregados significativo tanto para o gerenciamento dos diferentes fornecedores das mercadorias no exterior quanto para a distribuição dos produtos no mercado nacional, porém, foi verificado que a Sosecal S/A informou à RFB ter um quadro de funcionários composto de apenas quatro empregados. Esse fato revela mais um indício da ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias ou do responsável pela operação de importação nas DI registradas em nome da Sosecal S/A. Assim, lavrouse o auto de infração para exigência da multa prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488, de 2007. Nesse sentido, encontrase o PARECER PGFN/CAT Nº 1067/2009, que trata do assunto em pauta e sustenta a presente autuação: Ementa: CNPJ. Declaração de inaptidão da inscrição de pessoa jurídica neste cadastro. Hipótese de interposição fraudulenta na importação/exportação. Art. 81 da Lei no 9.430, de 1996 e art. 33 e parágrafo único da Lei no 11.488, de 2007. Inexistência de fundamento para retroação desta última norma. Não caracterização de pena ou sanção. CTN, art. 106, II, “c”. (...) Fl. 670DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 671 18 III – CONCLUSÃO. 54. A conclusão é: a) houve interposição fraudulenta presumida, ou seja, o real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador/exportador e este não comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação: aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição, ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei no 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e, ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ; b) se houve interposição fraudulenta e o importador/exportador ostensivo comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação: aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição, sem declaração da inaptidão no CNPJ, ou, se antes do advento desta norma, incide a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei no 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário e, caso se trate de inexistência de fato, a declaração da inaptidão da inscrição do contribuinte no CNPJ. 55. São estas as considerações que submeto à apreciação de Vossa Senhoria, propondo seja remetido o processo à Unidade consulente, para ciência deste parecer. 56. Outrossim, é recomendável que a orientação em comento seja adotada uniformemente no âmbito desta ProcuradoriaGeral e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante do que se sugere à remessa de cópia deste Parecer àquela Secretaria e às Unidades da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Assim, se o real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação, aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição. Por todo o exposto, julgo improcedente a impugnação constante do presente processo. Com o exposto, de acordo com os autos do processo e a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 671DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 672 19 Fl. 672DF CARF MF
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Numero do processo: 13820.000195/2004-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000
PRAZO PRESCRICIONAL DE 10 ANOS.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000
RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indefere-se o pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3001-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer à Recorrente o direito de solicitar a restituição de contribuição paga indevidamente no prazo de dez anos.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indeferese o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer à Recorrente o direito de solicitar a restituição de contribuição paga indevidamente no prazo de dez anos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 01 95 /2 00 4- 18 Fl. 285DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 3ª Turma da DRJ/Campinas (efl. 233 e ss): Tratase de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 19/03/2004, no valor de R$ 10.914,01, correspondente a recolhimentos feitos a título de Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidentes nas operações de compra de combustível pela contribuinte diretamente da distribuidora nos períodos de apuração fevereiro/1999 a junho/2000, conforme petição de fls. 02/03, planilha de cálculo de fls. 04/06 e notas fiscais de fls. 07/27. Ao direito creditório postulado a contribuinte vinculou débitos tributários mediante apresentação de declarações de compensação (fls. 34 e 163). Intimouse a interessada para que ela informasse como contabilizou os tributos destacados nas notas fiscais acostadas aos autos (fl. 42), ao que se seguiram as respostas. Intimouse também a empresa Esso Brasileira de Petróleo para que esta informasse o motivo dos diferentes critérios utilizados para os destaques de PIS e de Cofins nas notas fiscais referentes às aquisições de combustível da interessada, bem como da ausência de destaque da Cofins em determinado período (fl. 41). A DRF Santo Andre emitiu o Despacho Decisório de fls. 104/107, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que: 0 Não houve o destaque da base de cálculo da Cofins, consistindo tal fato em inobservância do requisito estabelecido no § 1° da Instrução Nonnativa SRF n° O6/99, necessário para que se obtenha o ressarcimento desse tributo; 0 Uma das condições para se efetuar a restituição consiste em não ter a contribuinte repassado o ônus do tributo a terceiro, ou estar por este expressamente autorizado a recebêla, nos termos do artigo 166 do CTN. No caso em análise, verificouse que os tributos de PIS e Cofins destacados nas notas fiscais foram contabilizados como despesa pela contribuinte (Custo Operacional), fato que implica em seu repasse aos clientes, e descumprimento da condição do referido artigo. Cientificado desse despacho em 20/12/2006 (fl. 118v), a interessada apresentou manifestação de inconforrnidade em 22/12/2006 (fls. 121/127), na qual alega, em síntese: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13820.000195/200418 Acórdão n.º 3001000.184 S3C0T1 Fl. 3 3 O fato de os créditos de Cofins não terem constado destacadamente das notas fiscais de aquisição de combustíveis não é motivo que impeça o cálculo do valor dessa contribuição, haja vista ainda ter sido destacado o valor da base de cálculo do PIS. Demais disso, o auditor poderia ter intimado a fornecedora de combustíveis para prestar esclarecimentos e, se fosse o caso, retificar os documentos fiscais; 0 Sobre o prazo prescricional, deve ser considerado o prazo de dez anos até a publicação da I./ei Complementar n° 118/05; O artigo 166 do CTN referese exclusivamente aos tributos não cumulativos, pois somente no caso destes é possível se comprovar através de documentos fiscais a transferência do encargo financeiro. Já no caso dos tributos cumulativos, o fato de integrarem o custo das mercadorias não importa a suposição dessa transferência, como o fez a decisão. Ainda, 0 auditor não poderia criar obrigações que não lhe foram impostas pela Instruçao Normativa SRF n° 06/99; A Solução de Consulta SRRF/7RF/DISIT n° 215, de 27/05/2005, colacionada na decisão da DRF de origem para fundamentar seu indeferimento, não se aplica ao seu caso, haja vista referir se a período diverso; O Caso se entenda pela improcedência de seu pedido, os valores principais dos débitos objeto da carta de cobrança não são passíveis de “multa moratória”, pois as compensações efetuadas não caracterizam prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, sendo devidos, neste caso, somente os juros, tudo com base no disposto da Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Em 24/01/2007, juntouse às fls. 156/159 resposta ã intimação da empresa Esso Brasileira de Petróleo, pela qual esta informa que no período março/1999 a junho/2000 não cobrou de seus clientes consumidores os valores correspondentes à Cofins incidentes sobre suas vendas de diesel, e, por isso, não foi consignado o destaque nas notas fiscais relativas a essa operações. A DRJ/Campinas ementou da seguinte forma: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARC1MENTO. SUBSTITUIÇÃO TR1BUTÁR1A. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN Fl. 287DF CARF MF 4 SRF n° 6/99. Constatado o atendimento dos requisitos nela contidos, cabível o reconhecimento do direito creditório correspondente, bem como ‹a homologação da compensação efetuada até o limite desse direito creditório. assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO I›A SEGURIDADE SOCIAI. COFINS Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARCIMENTO. SUBSRIRUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indeferese o pedido de ressarcimento. Rest/Ress. Def. em Part No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 257 e ss), basicamente, limitase a sustentar 2 argumentos: a) Possibilidade de a Recorrente restituir tributo ou contribuição pago indevidamente no prazo de dez anos, cujos fatos geradores tenham se dado antes da vigência da Lei Complementar 118/2005; e b) O direito de restituir os créditos apurados da COFINS em razão do não recolhimento por parte da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, distribuidora de combustíveis, na condição de substituta tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 3.746,21 (efl. 260), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13820.000195/200418 Acórdão n.º 3001000.184 S3C0T1 Fl. 4 5 a) Da Possibilidade de a Recorrente restituir tributo ou contribuição pago indevidamente no prazo de dez anos, cujos fatos geradores tenham se dado antes da vigência da Lei Complementar 118/2005 A Súmula CARF 91 é clara ao tratar dessa questão: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Seguindo nesse caminho, o RICARF, aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015estabelece, em seu art. 72: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, em relação a este ponto, há que se dar provimento ao pedido da Recorrente. b) Do direito de restituir os créditos apurados da COFINS em razão do não recolhimento por parte da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, distribuidora de combustíveis, na condição de substituta tributária. A Instrução Normativa SRF n° 06, de 29/01/99, estabelecia: Art. 2°. As refinarias de petróleo ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a COFINS e a contribuição para o PIS/PASEP, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas, relativamente às vendas de gasolina automotiva e de óleo diesel. (...) Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1”. Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. A DRF de origem os valores pleiteados de Cofins em razão da ausência de destaque nas notas fiscais de aquisição de óleo diesel do valor da base de cálculo dessa contribuição. Fl. 289DF CARF MF 6 Efetivamente, o destaque das bases de cálculo do PIS e da Cofins é formalidade necessária à obtenção do ressarcimento, consoante § 1° do artigo 6°. Desta forma se demonstrava a efetiva ocorrência de retenção daquelas contribuições. A corroborar esse entendimento, informou a empresa Esso Brasileira de Petróleo que no período março/1999 a junho/2000 não cobrou de seus clientes consumidores os valores correspondentes à Cofins incidentes sobre suas vendas de diesel. Assim, não foi consignado o destaque nas notas fiscais relativas a essa operações. Nessa matéria, então, demonstrase que a Recorrente não tem direito ao ressarcimento dos valores de Cofins pleiteados. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer à Recorrente o direito de solicitar a restituição de contribuição paga indevidamente no prazo de dez anos. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 290DF CARF MF
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