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Numero do processo: 10580.720393/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.631
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 93 /2 01 0- 21 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 26/01/2010 (fl. 02), para exigir multa em razão da Recorrente ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 40/133) requerendo a total improcedência do lançamento. Conforme certidão lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Estado da Bahia (fl. 134), a impugnação apresentada é intempestiva. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 135/138), não conheceu da impugnação, entendendo que a tempestividade é um requisito indispensável. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 143/169) argumentando que: (i) a pessoa responsável era relativamente incapaz na época da intimação e posteriormente foi afastada por motivos médicos; (ii) devem ser observados os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; (iii) é impossível comprovar a situação de ausência de intimação vivenciada pela Recorrente, configurando uma “prova diabólica”; (iv); o processo administrativo deve buscar a legalidade e a verdade material; e (v) as bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários não devem incluir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10580.720393/201021 Acórdão n.º 2402003.631 S2C4T2 Fl. 174 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pelo Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, ao ser intimado do presente auto de infração em 26/01/2010 (fl. 02), a Recorrente apresentou impugnação administrativa apenas em 01/04/2010 (fl. 40), de forma intempestiva. Neste contexto, observando a máxima dormientibus non sucurrit jus, e considerando que desde a Lei nº 8.748/1993 não há mais hipóteses de prorrogação dos prazos administrativos, não merece conhecimento o recurso. Como é cediço, o prazo para apresentação da impugnação administrativa é de 30 dias, conforme determina o art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Caso tal previsão não seja rigorosamente observada pelo contribuinte, a consequência direta é a não instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, de acordo com o art. 14 do mesmo decreto acima mencionado, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Ademais, a Recorrente sustenta que a produção de prova demonstrando a ausência de intimação é uma prova “diabólica”, posto que impossível de ser produzida. Contudo, analisando o auto de infração lavrado, é facilmente observável que a empresa foi intimada em 26/01/2010 (fl. 02), e que apresentou a sua impugnação administrativa somente em 01/04/2010 (fl. 40). Este E. Conselho Administrativo já se manifestou diversas vezes no sentido de que não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2000, 2001. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. CONSIDERASE INTEMPESTIVA A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS O DECURSO DO PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS, A CONTAR DA DATA EM QUE FOI FEITA A INTIMAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO TENDO A FACULDADE, PORTANTO, DE INSTAURAR A FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIMENTO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE PASSAM A INTEGRAR O PRESENTE JULGADO. AUSENTE MOMENTANEAMENTE, O CONSELHEIRO LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 140200520 do Processo 13603002018200511. Julgado em 01/04/2011) Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000025/2011-53
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA COMPROVADA. ALIENAÇÃO MENTAL. ISENÇÃO RECONHECIDA.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A presença nos autos de laudo médico que comprova que o contribuinte, portador do chamado Mal de Alzheimer, sofre de demência, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção aplicável à alienação mental.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA COMPROVADA. ALIENAÇÃO MENTAL. ISENÇÃO RECONHECIDA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A presença nos autos de laudo médico que comprova que o contribuinte, portador do chamado Mal de Alzheimer, sofre de demência, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção aplicável à alienação mental. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA COMPROVADA. ALIENAÇÃO MENTAL. ISENÇÃO RECONHECIDA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A presença nos autos de laudo médico que comprova que o contribuinte, portador do chamado Mal de Alzheimer, sofre de demência, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção aplicável à alienação mental. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 25 /2 01 1- 53 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, em virtude de a autoridade fiscal ter apurado que rendimentos tributáveis no valor de R$ 70.579,40 foram indevidamente declarados como isentos, por não ter sido apresentado laudo pericial emitido por serviço médico oficial indicando a moléstia grave e quando esta se apresentrou. Na impugnação alegouse a isenção por moléstia grave a apresentouse laudo (fls. 08). Consta ainda um laudo às fls. 8. Ambos indicam que a contribuinte possui Mal de Alzheimer. A impugnação foi indeferida porque não há comprovação de uma das doenças prevista no inciso XXXIII do art. 39 do RIR1999 nem a data de início da doença. Ciência em 06/08/2012. O recurso voluntário foi apresentado em 29/08/2012 com argumentação de que o portador de Mal de Alzheimer quando se encontra com as capacidades mentais alteradas enquadrase como alienado mental, que goza de isenção do imposto de renda, anexa laudo atestando moléstia grave e Recurso Especial nº 800.543/PE. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Discutese o direito a isenção por ser a recorrente portadora de moléstia grave. É incontroversa a existência do Mal de Alzheimer. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A solução do litígio requer essencialmente descobrir se há comprovação de que a recorrente estava acometida de alienação mental, posto que essa é a previsão legal (inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988). Em termos de laudo expedido por serviço médico oficial, como exige o art. 30 da Lei 9.250/1995, há o Laudo Médico (fls. 39 ratificado com o de fls. 69) expedido pela Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000025/201153 Acórdão n.º 2802002.430 S2TE02 Fl. 80 3 Secretaria de Saúde de Vitória que atesta o Mal de Alzheimer seguido da expressão “demência” além do CID G 30.9 (Doença de Alzheimer não especificada). Anotese que o referido laudo descreve que desde 09/09/2002 a paciente vem sofrendo declínio cognitivo e que a doença é progressiva e irreversível. Consta também a decisão judicial (fls. 04) de ação de interdição na qual se declara, em 14 de junho de 2005, que a recorrente é incapacitada definitivamente para os atos da vida civil. Outros laudos particulares indicam a existência do Mal de Alzheimer, enquanto avaliações neurológicas e psiquiátricas indicam declínio cognitivo leve (fls. 39), demência possivelmente do tipo Alzheimer (fls. 40), distúrbio cognitivo/gnóstico de leve a moderado compatível com a idade (fls. 44). Embora esses documentos não empreguem a expressão alienação mental, comprovam que a recorrente é portadora de “demência”. Os dois termos não são sinônimos, porém é legítimo enquadrar a demência como espécie de alienação mental. Nesse sentido, Manuais de Perícias Médicas no âmbito do Poder Executivo Federal estabelecem que são necessariamente casos de alienação mental os estados de demência (Portaria Normativa Nº 1174/MD, de 06 de Setembro de 2006 e http://www.servidor.gov.br/seg_social/arq_down/manual_pericia_30012007.pdf). Comprovado que o contribuinte, portador do chamado Mal de Alzheimer, sofre de demência, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção aplicável à alienação mental. Esse entendimento foi adotado em precedentes do CARF. IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER Quando o quadro clínico de "alienação mental e/ou demência" decorrer da Doença de Alzheimer, fica caracterizado o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação, devendo ser reconhecida a isenção do imposto sobre os rendimentos da aposentadoria percebidos pelo paciente. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/01 05.165, de 29.11.2004,) IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER – O estado de alienação mental incipiente ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos da aposentadoria. Recurso especial negado. (Acórdão nº : CSRF/0400.121, de 22 de setembro de 2005) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL ISENÇÃO. Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1955. Nos casos de alienação mental é possível considerarse como laudo pericial emitido por serviço médico oficial o laudo do médico perito designado pelo Juízo no curso de ação judicial de interdição, desde que conste a data inicial da doença. Havendo nos autos laudos médicos confirmando de que o contribuinte é portador do chamado Mal de Alzheimer e que o quadro clínico apresentado caracteriza sua alienação mental, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992. Recurso provido.( 2202001.708, de 14/03/2012). Destarte, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10680.100285/2005-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
VALORES DESONERADOS APÓS DILIGÊNCIA.
Reconhecida pela autoridade fiscal a improcedência de parte da exigência originalmente formalizada, deve a autoridade julgadora afasta-la do lançamento perpetrado.
Recurso de Oficio Negado.
NORMAS GERAIS HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para que a Fazenda reveja os procedimentos do contribuinte que culminam com o pagamento da exação sem o prévio exame por parte da autoridade administrativa é de cinco anos, contado do fato gerador, consoante disposição do § 4° do art. 150 do CIN, aplicável a todos os tributos subordinados à modalidade de lançamento por homologação.
NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
Nos termos do art. 53 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, baixado pela Portaria MF n° 147/2007, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa do Conselho aprovada e regularmente publicada.
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA ADMINISTRATIVA N°01
Nos termos da Súmula n° 01 do Segundo Conselho de Contribuintes,
aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo".
NORMAS PROCESSUAIS EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N°02.
"O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária".
PIS. BASE DE CÁLCULO SEGUNDO A LEI 9718/98. DEFINIÇÃO DE RECEITAS AUFERIDAS.
Na composição da base de cálculo prevista Lei n° 9.718/98 devem ser somadas todas as receitas auferidas pela empresa, entre as quais se incluem os ganhos em operações de hedge e as variações monetárias ativas. Por falta de previsão legal, tais receitas não podem ser consideradas liquidas de eventuais perdas incorridas.
PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS.
Integra a base de cálculo da Cofins a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus.
PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI.
A receita proveniente do ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais não integra a base de cálculo do PIS.
PIS. BASE DE CÁLCULO: RECEITAS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR SINISTROS OCORRIDOS.
Constitui receita da segunda, e por isso, integra a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98 valor recebido de seguradora a titulo de indenização por sinistro ocorrido.
COFINS. BASE DE CÁLCULO SEGUNDO A LEI 9.718/98. DEFINIÇÃO
DE RECEITAS AUFERIDAS.
Na composição da base de cálculo prevista Lei n° 9.718/98 devem ser somadas todas as receitas auferidas pela empresa, entre as quais se incluem os ganhos em operações de hedge e as variações monetárias ativas. Por falta de previsão legal, tais receitas não podem ser consideradas liquidas de eventuais perdas incorridas.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS.
Integra a base de cálculo da Cofins a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI.
A receita proveniente do ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais não integra a base de cálculo da Cofins.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR SINISTROS OCORRIDOS.
Constitui receita da segurada, e por isso, integra a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98 valor recebido de seguradora a titulo de indenização por sinistro ocorrido.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.013
Decisão: ACORDAM os membros da QUARTA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até 11/00, inclusive, e a não incidência do PIS e COFINS sobre o crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos (Relator), Nayra Bastos Manatta e Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente) quanto ao crédito presumido. Os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Junior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan quanto as variações cambiais e recuperação de bens sinistrados. Os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade votaram pelas conclusões quanto a decadência. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Julio César Alves Ramos
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Reconhecida pela autoridade fiscal a improcedência de parte da exigência originalmente formalizada, deve a autoridade julgadora afasta-la do lançamento perpetrado. Recurso de Oficio Negado. NORMAS GERAIS HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para que a Fazenda reveja os procedimentos do contribuinte que culminam com o pagamento da exação sem o prévio exame por parte da autoridade administrativa é de cinco anos, contado do fato gerador, consoante disposição do § 4° do art. 150 do CIN, aplicável a todos os tributos subordinados à modalidade de lançamento por homologação. NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Nos termos do art. 53 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, baixado pela Portaria MF n° 147/2007, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa do Conselho aprovada e regularmente publicada. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA ADMINISTRATIVA N°01 Nos termos da Súmula n° 01 do Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". NORMAS PROCESSUAIS EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N°02. "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". PIS. BASE DE CÁLCULO SEGUNDO A LEI 9718/98. DEFINIÇÃO DE RECEITAS AUFERIDAS. Na composição da base de cálculo prevista Lei n° 9.718/98 devem ser somadas todas as receitas auferidas pela empresa, entre as quais se incluem os ganhos em operações de hedge e as variações monetárias ativas. Por falta de previsão legal, tais receitas não podem ser consideradas liquidas de eventuais perdas incorridas. PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo da Cofias a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. A receita proveniente do ressarcimento do PIS e da Cofms incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais não integra a base de cálculo do PIS. - - - PIS. BASE DE CÁLCULO: RECEITAS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR SINISTROS OCORRIDOS. Constitui receita da segunda, e por isso, integra a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98 valor recebido de seguradora a titulo de indenização por sinistro ocorrido. COFINS. BASE DE CÁLCULO SEGUNDO A LEI 9718/98. DEFINIÇÃO DE RECEITAS AUFERIDAS. Na composição da base de cálculo prevista Lei n° 9.718/98 devem ser somadas todas as receitas auferidas pela empresa, entre as quais se incluem os ganhos em operações de hedge e as variações monetárias ativas. Por falta de previsão legal, tais receitas não podem ser consideradas liquidas de eventuais perdas incorridas. COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo da Cofins a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. A receita proveniente do ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais não integra a base de cálculo da Cofias. gr' 2 Processo e 10680.100285/2005-42 S2-C2"f2 Acórdão n.° 220240013- Fl. 2 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR SINISTROS OCORRIDOS. Constitui receita da segurada, e por isso, integra a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98 valor recebido de seguradora a titulo de indenização por sinistro ocorrido. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da QUARTA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até 11/00, inclusive, e a não incidência do PIS e COFINS sobre o crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos (Relator), Nayra Bastos Manatta e Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente) quanto ao crédito presumido. Os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ali Zraik Junior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan quanto as variações cambiais e recuperação de bens sinistrados. Os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade votaram pelas conclusões quanto a decadência. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor. Q.,c,Q,-1d1=— 1à--7ç;24SIOS MANATTA Presid ita z 1F SI 't • ITO OLIVE I . • Relatora-Designada Relatório Veiculam os autos lançamentos de PIS, de COFINS e de multa isolada cientificados todos ao contribuinte em 21 de dezembro de 2005 (fls. 09, 25 e 41) e que foram reunidos todos no mesmo processo. Conforme descrição de fl. 07, o montante lançado de COHNS alcançou a importância de R$ 73.014.467,19, o qual acrescido da multa e dos juros de mora montou crédito tributário de R$ 175.321.324,11. Com respeito ao PIS, o crédito tributário total exigido alcançou a soma de R$ 56.840.320,52, sendo R$ 24.497.084,38 de principal. O lançamento de multa de oficio isolada soma R$ 118.306,66. 3 Os lançamentos de PIS e COFINS englobam diferenças apuradas pela fiscalização entre os montantes devidos e os declarados pela empresa nos períodos de apuração ocorridos entre janeiro de 1999 e dezembro de 2003. O auto de COFINS, portanto, tem como fundamentação única a Lei n° 9.718/98. Já no caso do PIS, as incidências posteriores a novembro de 2002 já encontram respaldo nas disposições da Lei 10.637/2002. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 44 a 51 detalha as infrações que teriam sido cometidas pela empresa: exclusão de vendas para empinas situadas na Zona Franca de Manaus por entendê-las equiparadas a exportação e, pois, alcançadas por isenção ou imunidade; diferenças na apuração de variações monetárias ativas, visto que a empresa adotava um regime misto: "de competência com efeitos de caixa, de modo a compensar os efeitos da variação monetária passivas (sic) em períodos de apuração subseqüentes, os quais denominou de `reversão da variação cambial'. Cabe salientar que a conta de receita de 'variação monetária' não consiste numa provisão para sofrer `reversõs'. O contribuinte justifica, então, que, 'procedendo-se desta forma, na liquidação da operação, o montante tributado de acordo com o regime de competência é exatamente o que seria tributado em se adotando o regime de caixa". A fiscalização esclarece ainda que a empresa adotou o regime de competência para apuração dos tributos PIS, COFINS, IREI e CSLL nos anos de 1999, 2000, 2001 e 2003, somente adotando o regime de caixa no ano de 2002 Esse item da autuação alcança, portanto, os períodos posteriores a novembro de 2002 em que já vigente a sistemática não-cumulativa para o PIS. diferenças de apuração de ganhos em operações de hedge; a empresa teria _ - - adotado o mesmo "regime misto" também na apuração de seus ganhos em operações de hedge, de modo a poder abater eventuais perdas ai verificadas, o que não encontraria amparo na legislação até 1° de fevereiro de 2004; não inclusão das "receitas de recuperações de materiais sinistrados". Sobre o ponto, escreveu o autuante: "Constatamos que no item 18 "e) Recuperação de créditos baixados como perda/Recuperações de Despesas" do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE PIS E COFINS", há a inclusão da "61.17.04 — RECUPERAÇÃO/DE MATERIAIS SINISTFtADOS" como sendo recuperação de créditos baixados como perdas e conseqüente redução da base de cálculo da COFINS/PIS. Intimado a justificar, o contribuinte respondeu serem recuperações de custos/despesas. Entretanto o entendimento da SRF consolidado em consultas é no sentido de que os valores de indenização recebidos, a titulo de seguro, pela perda ou sinistro de bens de seu Ativo Circulante e Permanente, deverão integrar a base de cálculo para apuração do PIS e da COF1NS (ver Solução de Consulta SRRF/TN° 11, de 24 de janeiro de 2002"); receitas provenientes do reconhecimento contábil de crédito presumido de IPI da Lei n° 9.363/96; exclusão indevida de descontos, tidos pela empresa como incondicionais, mas que ela não conseguiu comprovar de fato o serem. A fiscalização esclareceu que o contribuinte impetrara ação judicial contra as disposições da Lei n° 9.718/98 na qual foi proferida decisão definitiva contrária às suas pretensões. Ou seja, a empresa tem contra si decisão transitada em julgado que considera constitucional o alargamento da base de cálculo daquelas contribuições promovido pela Lei n° 9.718. Em virtude de decisões do STF em sentido contrário, a empresa propôs ação rescisória 4 Processo n°10680.100285/2005-42 52-C27f2 Acórdão n.° 2202-00.013- Fl. 3 que, segundo a autoridade fiscal, ainda não possuía decisão favorável quando da lavratura dos autos de infração. Contra a empresa foi ainda lavrado auto de infração para constituição de crédito — com exigibilidade suspensa — relativo à multa de oficio devida quando o contribuinte recolhe tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Isso porque, após efetuar diversos recolhimentos em atraso relativos às competências janeiro a março de 1999 e não a incluir, impetrou ação judicial visando ao reconhecimento de sua inexigibilidade na qual foi deferida liminar. A empresa impugnou os três lançamentos. Quanto ao PIS e COFINS optou por reconhecer e recolher a matéria atinente aos descontos por "não dispor dos comprovantes de que eles foram mesmo concedidos incondicionalmente". Apontou ainda diversas incorreções que teriam sido cometidas pela autoridade fiscal na apuração das bases de cálculo, bem como a desconsideração de DCTF retificadoras. Quanto à multa isolada, ap lontou—sua - insubsistência face à legislação superveniente. Após a realização de diligência que acolheu a existência de erros e recomendou sua exclusão do lançamento, a DRI afastou a decadência argüida, considerou definitivo no âmbito administrativo o lançamento no que se refere à constitucionalidade da Lei n° 9.718/98, e os considerou parcialmente procedentes com relação às matérias não submetidas ao Poder Judiciário, que entendeu serem apenas o conceito de receitas e as vendas à ZFM. Destas, apenas afastou as parcelas decorrentes dos erros cometidos e reconhecidos no relatório de diligência. Às fls. 1526 a 1528 elaborou o relator de primeira instância tabelas em que consigna o montante desonerado em cada lançamento. Para o PIS: R$ 1390.095,86; para a COFINS, R$ 2.541.568,64. Da multa isolada, a totalidade lançada: R$ 118.306,66. Propôs, por isso, recurso de oficio a esta Casa. Considerou ainda improcedente a exigência de multa de oficio isolada porque a legislação posterior afastou-a na hipótese. Inconformada com essa decisão, apresenta a empresa, tempestivamente, substancioso recurso, no qual postula: decadência do direito da Fazenda relativamente aos períodos de apuração entre janeiro de 1999 e novembro de 2000 (inclusive) em face da regra emanada do § 4° do art. 150 do CTN; inconstitucionalidade das alterações legais promovidas pelas Leis 9.718 e 10.637. Embora reconheça a existência de decisão contrária em ação própria, defende que dada sua reversibilidade diante da decisão final proferida pelo STF a continuação da exigência formalizada constituiria afronta à legalidade e verdadeiro enriquecimento sem causa; Se mantida a aplicação da Lei, defende os procedimentos adotados para apuração das variações cambiais com base nos conhecidos argumentos segundo os quais a receita que deve ser tributada é somente aquela que represente efetiva e definitiva entrada no Patrimônio da entidade, citando julgados e decisões administrativas. Segundo ela, o critério adotado não fere o regime contábil da competência, apenas assegura que não seja tributado 3/4 valor que ainda não é definitivo, o que, postula, só ocorre quando liquidada a operação ativa ou passiva que origina tanto a variação monetária como o hedge. Pelo mesmo motivo — não serem receitas - defende que o recebimento de indenização por bens sinistrados, efetuadas pelas seguradoras contratadas, não pode ser tributado. Sobre o ponto escrevem os ii. patronos: "o presente item se desfaz com o conceito de receita. .se a ACESITA vendeu o bem para um cliente, mas no caminho este bem restou danificado e imprestável, o valor a receber já estava registrado e será tributado pelo PIS e pela COF1NS. Ora, se tributado o valor recebido pela Seguradora estaremos diante do mais clamoroso bis in idem da história deste Pais! ). E prossegue: "ainda que assim não fosse, retomando ao conceito de receitas auferidas,... os valores percebidos de materiais sinistrados não podem ser considerados como receita auferida (aliás, o próprio Regulamento do Imposto de Renda admite que sequer podem ser considerados como renda), pois se tratam (sic) de mera recomposição do patrimônio perdido, portanto, não há sentido na tributação. A decisão recorrida alega que são dois fatos geradores distintos, mas esquece-se que trata-se de um único sinal presuntivo de riqueza. A empresa recebeu da Seguradora (valor) a receita que receberia do cliente e que foi tributada! Sustenta, por fim, a impossibilidade de tributação das receitas provenientes de vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus porque seriam equiparadas a exportação; É o Relatório. - Voto Vencido -- Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Como o recurso é tempestivo, impõe-se o seu exame. Por ser matéria prejudicial ao exame de mérito, cabe inicia-10 pela argüição de decadência parcial. Como é sabido, o Conselho de Contribuintes tinha entendimento consolidado de que o art. 45 da Lei n° 8 212/91 era aplicável à COFINS, mas não ao PIS. Para este, entendia aplicarem-se as disposições do CTN, sendo de cinco anos o prazo decadencial. As DRI o aplicavam a ambas as contribuições, pelo que não reconheceram a decadência em relação a nenhum dos períodos lançados. Recente decisão do STF, entretanto, considerou inaplicável a norma da Lei n° 8.212/91 tanto à COFINS como ao PIS. E na mesma ocasião em que assim entendeu, o Supremo expediu a Súmula n° 8, que é vinculante de toda a Administração Federal,. O prazo decadencial é, assim, de cinco anos, seja para o PIS, seja para a COF1NS. Desse modo, impõe-se a revisão da decisão recorrida no que tange ao afastamento que promoveu da decadência em relação a ambas as contribuições. Com respeito ao marco inicial para contagem daquele prazo de cinco anos divide-se ainda a Casa. Com efeito, há os que entendem ser sempre aplicável a regra emanada do art. 150, § 40 quando se trate de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para outros, entre os quais me incluo, há a necessidade de antecipação de recolhimento para o Processo n° 10680.100285/2005-42 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.013- Fl. 4 caracterizar o lançamento por homologação, de modo que se não houver recolhimentos, ainda que parciais, a regra de contagem se transfere para o art. 173, Ido mesmo código. No presente caso, no entanto, essa discussão ê despicienda. É que a empresa apenas questionava a exigência de valores superiores ao faturamento definido na Lei Complementar n° 70/91, esse o motivo do auto. Conta-se o prazo, pois, na forma do art. 150, § 4° do CTN. Afasto, pois, AS exigências, tanto de COEI/NTS como de PIS relativas aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a novembro de 2000, uma vez que o lançamento somente foi cientificado ao contribuinte em 21 de dezembro de 2005. A segunda matéria que pretende a empresa seja reexaminada diz respeito ao exame da constitucionalidade da Lei n° 9.718/98. Há, porém dois óbices intransponíveis para tanto. Em primeiro lugar, a matéria foi por ela submetida ao exame do Poder Judiciário, em ação rescisória-Isso implica renúnciait discussão do mesmo tópico na esfera administrativa, nos termos da Súmula Administrativa n°01 deste Segundo Conselho. SÚMULA N01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Esta Súmula foi aprovada em sessão plenária realizada em 17 de setembro de 2007 e publicada no Diário Oficial em 24 do mesmo mês e ano. Sua aplicação resulta, assim, obrigatória a todos os membros do Conselho na forma do que dispõe o art. 53 do Regimento Interno baixado pela Portaria Ministerial n° 147/2007: Art. 53. As decisões unânimes, reiteradas e uniformes dos Conselhos serão consubstanciadas em súmula, de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. § 1° A súmula será publicada no Diário Oficial da União, entrando em vigor na data de sua publicação. § 2° Será indeferido pelo Presidente da Câmara, ou por proposta do relatar e despacho do Presidente, o recurso que contrarie súmula em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso. Se isso não bastasse, há decisão transitada em julgado contrária à pretensão da empresa. Sobre ela pesam, desse modo, os efeitos da coisa julgada até que na ação rescisória por ela impetrada venha a ser reformada aquela decisão. Somente após reforma da decisão contrária que hoje prevalece, é que se pode cogitar do afastamento da Lei para o contribuinte em tela. É, portanto, aplicável a Lei n° 9.718/98, cabendo perquirir tão-somente se as parcelas questionadas pela empresa devem ou não integrar a base de cálculo nela definida. A empresa questiona o caráter de receita de dois elementos acrescidos pela fiscalização: as variações cambiais e as indenizações recebidas de seguradoras. Quanto ao 7 primeiro deles, entendo que a discussão sequer pode ser travada dada a literalidade do art. 9° da própria Lei n° 9.718: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. As variações monetárias ativas, género de que são espécie as variações cambiais ora discutidas, incluem-se na base de cálculo por equiparação às receitas financeiras. Não há como lhes negar o caráter de receita É o texto expresso da Lei que as equipara. O que se pode discutir quanto a elas é o momento em que devem ser adicionadas na base de cálculo. Há os que defendam que, mesmo no regime de competência, elas devem ser adicionadas apenas quando se saiba exatamente o valor a ser exigido na liquidação do direito ou da obrigação que lhes der causa. Desse modo, aduzem, garantir-se-ia a tributação apenas do valor efetivamente "auferido" pela empresa. Entendo que, sob regime de câmbio flutuante que tem vigorado em nosso País desde 1999, pelo menos, esse argumento não tem como ser aplicado. No regime de competência toda e qualquer receita tem de ser reconhecida quando o seu "fato gerado?' se completa. E o fato gerador da variação cambial não é o vencimento da obrigação ou do direito. Com efeito, a variação cambial ativa é o registro contábil — feito para atender princípios contábeis — da contrapartida do aumento do direito ou da redução da obrigação decorrente tão- somente de alteração no valor da moeda ocorrido desde a última demonstração contábil elaborada. Em outras palavras, basta que o real tenha oscilado em relação à moeda de referência em que está expresso o direito ou a obrigação para que se imponha o registro de variação monetária. E isso se deve à obrigação legal de as demonstrações contábeis serem apresentadas em moeda nacional, e moeda de poder de compra na data da demonstração exibida. Trata-se, como é de conhecimento geral, dos princípios contábeis de reconhecimento de receitas no período a que competirem e do denominador comum monetário. Destarte, a única causa para tal reconhecimento é a alteração no valor da moeda nacional. A variação monetária não tem nada que ver com o contrato de empréstimo, ativo ou passivo, celebrado. Mais claramente, pouco importa quando o direito ou a obrigação vence, ou mesmo se foi ou não adimplido. Tudo o que importa é verificar o exato valor dele no momento em que se elabora a demonstração financeira. Se ele difere do que foi registrado em demonstração anterior, cabe o registro de variação monetária. Será ela ativa caso tenha havido aumento de direito ou redução de obrigação; será passiva no caso oposto. Essa regra só muda se se adotar o regime de caixa na apuração e registro das receitas. Nesse caso, registra-se como variação monetária a diferença entre o valor registrado inicialmente em moeda nacional e o valor efetivamente entrado ou saído. A cada mês quando ocorrer liquidação de ativos ou passivos em moeda estrangeira, tais variações devem ser incluídas. Processo n° 10680.100285/2005-42 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.013- Fl. 5 Mas não há base legal para métodos "híbridos". Ainda mais quando, ao contrário do que afirma a recorrente, não fazem com que o regime de competência produza o mesmo efeito do regime de caixa. Refiro-me ao procedimento, adotado pela recorrente, de comparar a variação ocorrida no mês de apuração da contribuição àquela já registrada em meses anteriores e adicionar apenas o que exceder o já reconhecido. Ou seja, se o direito surge em 10 de janeiro, registra-se ao final desse mês a variação efetivamente existente. Caso nova variação ativa ocorra em fevereiro, ê adicionada normalmente. Mas se ocorrer uma reversão no mês de fevereiro, que implica o registro de uma variação monetária passiva neste mês, o registro nos meses seguintes dependerá deste mês de fevereiro. Com efeito, somente "existirá" variação ativa na parcela que exceder àquela já registrada em janeiro. Tome-se, para exemplo, um empréstimo contraído no valor de US$ 1.000.000 em 10 de janeiro quando o dólar americano valesse R$ 1,80. Este empréstimo deveria obrigatoriamente ser registrado na contabilidade pelo valor de R$ 1.800.000,00. Caso, em 31 de janeiro, o dólar passasse a valer R$ 1,50, e nessa data —31 de janeiro — a empresa levante outra demonstração financeira, o empréstimo teria de ser avaliado por R$ 1.500.000,00. A diferença — R$ 300.000,00 de redução no valor da obrigação — terá de ser registrada a débito da conta de empréstimo e a crédito de uma conta de VMA. Se em 28 de fevereiro, o dólar passar a custar R$ 1,70, o registro do empréstimo terá de ser ajustado para o valor correto nesta data — R$ 1.700.000,00 — e a diferença em relação ao que fora registrado em 31 de janeiro (em 31, não em 1° de janeiro) será variação passiva de R$ 200.000,00. Havendo nova inversão na cotação da moeda, em 31 de março, digamos para R$ 1,60, surge a obrigação contábil de ajustar o registro do empréstimo para R$ 1.600.000,00 e a diferença — R$ 100.000 — é VMA do mês de março, desde que, repetimos, a empresa aí elabore nova demonstração contábil. E assim seguir-se-á até que o registro do empréstimo desapareça da contabilidade. Suponhamos, então, que o dólar não sofra mais nenhuma alteração e o empréstimo seja, ao final de um ano, liquidado por R$ 1.600.000,00. Na contabilidade elaborada terão de estar registradas, por regime de competência, duas VNIA, num total de R$ 400.000, R$ 300.000,00 em janeiro e R$ 100.000,00 em março. Haverá, ainda, uma VMP de R$ 200.000 em fevereiro. Total "líquido" no ano: R$ 200.000,00. Se fosse aplicado o regime de caixa, dúvida não haveria quanto ao registro a ser feito: R$ 1.600.000,00 pagos contra R.$ 1.800.000 inicialmente "tomados": VMA de R$ 200.000,00. Essa receita somente seria contabilizada no mês do efetivo pagamento, que pode, naturalmente, diferir do mês do vencimento. Para a fiscalização e para a empresa, entretanto, o regime a ser aplicado é o de competência. Para a primeira, isso implica a tributação sobre R$ 400.000,00. Para a empresa, sobre R$ 300.000,00. Vê-se, por esse exemplo, que o método adotado pela empresa não "produz os mesmos efeitos que o regime de caixa", como assentara a fiscalização. Na verdade, ele implica tributar mais do que pelo regime de caixa. E assim o será sempre porque o regime de caixa permite "abater" a variação monetária passiva ocorrida desde o registro até o pagamento. Já o método pretendido pela empresa apenas a "libera" de tributar mais do que os R$ 300.000, 00 já reconhecidos em janeiro. 9 Apesar disso, entendo que não há amparo legal para sua pretensão. Com efeito, o regime de competência não objetiva evitar que se registre mais do que já se registrou anteriormente. Nele, pouco importa o que ocorreu em fevereiro, a variação monetária de março é a que resulta da comparação do valor em de março e em 31 de março. Nada muda porque o valor em P de março seja maior ou menor do que em 31 de janeiro. Desse modo, tendo a empresa adotado o regime de competência, mesmo após a possibilidade de adoção do regime de caixa, possibilidade que se abriu com a edição da MP 2.158-35, deve se submeter a todas as conseqüências dele. E o mesmo raciocínio se aplica ao cômputo de ganhos em operações de hedge. Para estas, nem sequer há autorização para que se adote o regime de caixa. Já no que tange às indenizações, a empresa defende que não seriam receitas nem mesmo no conceito da Lei n° 9.718/98 porque apenas "recomporiam o patrimônio perdido". Ora, é exatamente por isso que são! De fato, com o sinistro ocorrido desapareceu para a empresa o bem sobre o qual haveria de obter receita a lhe compensar os custos incorridos e proporcionar lucro. Caso não houvesse contratado o seguro, simplesmente teria de registrar uma perda. Por tê-lo contratado "recupera" os custos incorridos da mesma forma que o faria por meio do pagamento que viesse a fazer-lhe o cliente. En passant, registro minha total concordância com o voto recorrido quando • aduz que o aspecto de "recuperação de custos" de que se revestem diversas operações não altera o seu caráter de receita. Com efeito, toda receita objetiva recuperar os custos incorridos e deixar um excedente para a empresa. Considerar que a parte que apenas recupera os custos não deva ser incluída na base de cálculo importa, assim, transformá-la, sem amparo, legal, em imposto sobre o lucro bruto (ou mais precisamente sobre a "-margem de contribuição"). Mas não é isso em absoluto que determina a Lei. Justa ou injusta, quer ela alcançar a receita, e esta é toda a contrapartida do aumento do ativo ou de redução no passivo que a empresa obtém com suas operaçõ es. Não é o excedente que daí advém, dê-se a ele o nome que se queira. Ainda mais disparatado é o argumento do bis in idem. De fato, pretende a defesa que nos casos de sinistro a empresa registra primeiro o direito contra o cliente e depois novo "ingresso", a título de "recuperação de despesas ou de custos" proveniente da seguradora. Nada mais absurdo! Se assim o fizesse, de fato estaria registrando duas receitas. Mas nunca há duas receitas sobre a mesma operação. Em primeiro lugar, deve-se registrar que o sinistro pode ocorrer dentro do próprio estabelecimento, sem que tenha havido ainda qualquer venda. Por óbvio, nenhuma receita com cliente há ainda. Mas a empresa se refere aos acidentes ocorridos após o bem de venda ter saído do estabelecimento. Afirma que esse simples fato já lhe daria direito a registrar uma receita contra o cliente e que a indenização recebida posteriormente se referiria à mesma operação. Nada mais falso. Em verdade, a receita com clientes só é registrada quando a mercadoria é entregue ao comprador. E aí depende da cláusula de entrega pactuada. Deveras, somente se na venda é adotada a cláusula de retirada pelo comprador na porta do estabelecimento vendedor, é que este pode registrar a receita neste momento. Mas por isso mesmo nem se cogita de este to Processo n° 10680.100285/2005-42 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.013- Fl. 6 receber indenização em caso de sinistro a partir dai ocorrido. Eventual sinistro atinge o novo proprietário, que já está na posse do bem, e deve ser a ele indenizado. Nas vendas contratadas para entrega no estabelecimento do comprador, ou em local por ele indicado, somente após a mercadoria ai chegar e ser recebida pelo cliente é que nasce o direito à receita para a empresa vendedora. Portanto, somente neste caso é que a vendedora receberá indenização por sinistro ocorrido no trânsito da mercadoria até o comprador; mas ai não terá registrado receita com cliente, pois ainda não transferiu a posse do bem. Em suma, inexiste possibilidade de a indenização vir a se somar à receita com clientes já registrada com aquela operação. É óbvio que a empresa vendedora deve promover a substituição do bem sinistrado, remetendo outro para o cliente. Só assim poderá manter algum valor eventualmente já recebido dele. Registre-se, entretanto, que, neste caso, o valor recebido deve ser contabilizado como adiantamento e não como receita. Ele apenas deve ser transferido para receita quando a entrega se completar . A substituição do bem, no entanto, configura uma nova operação pela qual registrará a empresa custos e receita (de clientes). Na operação sinistrada registrará custos e receita (receita!) proveniente da seguradora. Duas operações, duas receitas, dois valores tributáveis. Nenhum problema. E o valor recebido é receita pelo mesmo motivo que a variação cambial o é: aumenta o patrimônio da empresa — aumento do ativo, sem correspondente aumento do passivo. Pode-se chamar a isso de "recomposição", não importa. A "recomposição" também ocorre no caso da venda, apenas muda quem faz a recomposição... O último item do recurso diz respeito às vendas para a Zona Franca de Manaus. Pretende a empresa que sejam equiparadas à exportação e, em conseqüência, isentas ou imunes da tributação pelo PIS e pela COFINS. Divirjo também aqui, acompanhando in totum os argumentos da decisão recorrida. Por tratar muito bem o tema, peço vênia à Conselheira Silvia de Brito Oliveira, ilustre integrante deste Colegiado, para transcrever seus argumentos que, embora elaborados acerca do PIS, se aplicam igualmente à COFINS, contribuição também surgida após a edição do Decreto-lei 288. São as seguintes as considerações da eminente Conselheira: Sobre a receita de vendas para a ZFM, primeiro, cabe considerar que os dispositivos da Ml' n°2.037-25, de 2000, cujas reediçães terminaram na MI' n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, objeto de medida cautelar concedida pelo Mb tratam exclusivamente de vendas relacionadas nos inc. IV, VI, VIII e IX do art. 14 da última MP aqui citada e, intimada a se pronunciar, no curso do procedimento fuce!, a recorrente informou as vendas efetuadas para a ZFM não se enquadravam em nenhum desses incisos. Ademais, conforme pesquisa no sítio do bit para acompanhamento processual, verifica-se que a ADI n° 2348-9 foi baixada ao arquivo daquele Tribunal, em virtude de se ter transcorrido o prazo regulamentar da publicação no Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 2005 da decisão monocrática 11 proferida em 2 de fevereiro de 2005, sem interposição de nenhum recurso. Por meio da referida decisão monocrática, decidiu-se que, uma vez que a MP impugnada mediante referida ADI sofrera reedições sucessivas e não houvera nenhum aditamento à inicial, declarou-se prejudicado o pedido por perda do objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Quanto ao mérito da inclusão das receitas em questão na base de cálculo do PIS, não vislumbro abrigo na ordem jurídica para agasalhar a pretensão contrária da recorrente, pois o dispositivo legal invocado no recurso, editado em fevereiro de 1967, traz em si expressão cuia literalidade fornece os exatas contornos temporais para o alcance dos efeitos fiscais a que se refere, estando assim redigido o art. 4° do Decreto-lei n°288, de 1967: Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro será para todos os efeitos fiscais constantes da leeislacão em vivo,' equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Gnfou-se) Observa-se, portanto, que o próprio dispositivo legal tratou de restringir seus efeitos fiscais à legislação vigente à data de sua publicação, evitando-se, dessa forma, a produção de efeitos em relação a tributos que forem instituídos posteriormente, como é o caso do PIS, que somente foi introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. Destarte, não havendo na legislação de regência da contribuição em tela referência expressa à isenção ou exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes de vendas para consumo ou industrialização na Z,FM, não há fundamento legal para, equiparando tais vendas à exportação, conceder-lhes beneficias fiscais constantes de legislação superveniente à vigência do Decreto-lei n°288, de 1967. Portanto, não demonstrado nos autos que as vendas à Zona Franca de Manaus enquadram-se nas condições previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Ml' 2.158-35 de 2001, rejeito a postulação de que as receitas delas decorrentes não devam ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS nos períodos não atingidos pela decadência. Quanto ao recurso de oficio, observa-se que a DRJ apenas desonerou parcelas que a própria fiscalização considerou, em diligência realizada, terem sido indevidamente computadas no levantamento original. Sendo assim, a ele somente cabe negar provimento. E em conseqüência de tudo isso, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para afastar a exigência em relação aos períodos em relação aos quais o direito da Fazenda Nacional já se encontrava fulminado pela decadência: janeiro de 1999 a 21 de dezembro de 2000. Quanto aos demais, aplicável a Lei n° 9.718/98 por força de decisão transitada em julgado, correta a tributação, tanto pelo PIS quanto pela COFINS, das diferenças a título de variações cambiais, ganhos em operações de hedge, receitas de indenizações pagas por seguradoras e de vendas de produtos à Zona Franca de Manaus. 12 Processo n° 10680.10028512005-42 S2-C2T2 AcOrdao n. 2202-00.013- P17 E por negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Sala das Sesst - a • 03 de março de 2009 . PI t.„„, — 1 --; IR" IO CÉSAR AL :, RAMOS Voto Vencedor Conselheira SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA, Redatora Designada Por discordar do Ilustre Conselheiro Relator quanto à inclusão das receitas oriundas do ressarcimento do PIS e da Cofias incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utili7Rção no processo produtivo da empresa produtora e exportadora, passo a expor as razões condutoras do meu voto divergente. O ressarcimento em questão advém do crédito prestunido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) instituído pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que, por comprovada impossibilidade de utilização para compensação com esse mesmo imposto devido pela recorrente, nas operações de venda no mercado interno, foi-lhe ressarcido em moeda corrente, conforme determinação do art. 4° da referida lei. , Nesse ponto, releva considerar que o crédito presumido do IPI foi instituído i com o escopo precípuo de desonerar as exportações de produtos nacionais da contribuição para o PIS e da Cotins que, conquanto tenham por base imponível as receitas auferidas e, juridicamente, não configurem impostos indiretos, oneram as matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos pelo exportador para emprego no produto exportado. Para possibilitar essa desoneração, o legislador estabeleceu fórmulas para apuração do valor que, presumidade, corresponderia ao valor do PIS e da Cofins que teria sido incorporado ao preço dos referidos Sumos com vista a repassar para o adquirente (empresa produtora e exportadora) o ônus das contribuições em questão. Ora, se o crédito presumido do IPI visa exatamente a devolver ao produtor e exportador o valor presumido dessas contribuições que foi incorporado ao preço dos insumos por ele adquiridos é um verdadeiro contra-senso fazer incidir sobre esse valor o PIS e a Cofins. Por fim, aproveito para esclarecer que meu voto pelas conclusões do Eminente Relator quanto á decadência deve-se ao fato de, para mim, ser irrelevante se houve ou não antecipação de pagamento para se configurar o lançamento por homologação e, portanto, aplicar-se o disposto no art. 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 966 — código Tributário Nacional (CTN). N gt..4.... 13 Por essas razões, voto pelo provimento parcial do recurso para, além de reconhecer a decadência parcial, excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores relativos às receitas de ressarcimento de crédito presumido do II'!. Sala das S ões, em 03 de março de 2009 IP. 11 SIL • :1-Stti NI o LIVE ha, 14 Processo e 10680.100255/2005-42 S2-C21(2 Acórdão 11.° 2202-00.013- P1. TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] Apenas com Ciência; [ ] Com Recurso Especial; [ ] Com Embargos de Declaração; Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) 15
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Numero do processo: 19515.001146/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
as imputações penais de que a Contribuinte promovia remessa ilícita de recursos de seus clientes ao exterior não induz à conclusão de omissão de recursos próprios da Contribuinte, que teriam deixado de ser oferecidos à tributação.
A decisão proferida no presente feito não possui qualquer impacto nas investigações promovidas pela Polícia Federal, Ministério Público, ou em decisões do Poder Judiciário, da forma como postas nos embargos de declaração. Isso porque, ao se reconhecer que a Contribuinte figurava como original bank, e não como sender name ou receivers name, adota-se uma leitura, a princípio, compatível com as versões apresentadas pela Embargante.
Embargos rejeitados
Numero da decisão: 1401-000.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento aos embargos, ratificando-se e integrando-se a decisão outrora proferida.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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A decisão proferida no presente feito não possui qualquer impacto nas investigações promovidas pela Polícia Federal, Ministério Público, ou em decisões do Poder Judiciário, da forma como postas nos embargos de declaração. Isso porque, ao se reconhecer que a Contribuinte figurava como “original bank”, e não como “sender name” ou “receivers name”, adotase uma leitura, a princípio, compatível com as versões apresentadas pela Embargante. Embargos rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento aos embargos, ratificandose e integrandose a decisão outrora proferida. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 46 /2 00 7- 85 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, por meio do qual aduz a existência de omissão e contradição no acórdão embargado, especificamente no que toca à existência de ações penais movidas em desfavor dos antigos administradores da Contribuinte, relacionados aos fatos julgados no presente processo. Aduz a Embargante que o lançamento fiscal discutido no presente feito decorreu de uma representação fiscal que, para sua surpresa, não consta dos autos, relacionados à investigação promovida com autorização do Poder Judiciário Federal de Curitiba, relacionada a remessa de valores ao exterior por meio da conta Beacon Hill, mantido no Chece Bank de Nova York, nos Estados Unidos da América. Conclui, com isso, não se tratar de mera omissão de receitas, “mas sim de participação do Embargado, segundo a Polícia Federal, Ministério Público Federal e Judiciário, em ações relacionadas ao cometimento de inúmeros crimes, a saber: sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas”. Como prova de suas alegações, a Fazenda Nacional embargante transcreve excertos de um habeas corpus impetrado perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, do qual se extrai o seguinte: O presente apuratório foi iniciado a partir de delação anônima, em que seu autor, de forma consistente e detalhada, registrou a maneira como o escritório de representações do banco suíço CREDIT SUISSE em São Paulo CREDIT SUISSE REPRESENTAÇÕES LTDA vinha operando no país, desde 1997, em nome e sob orientação da instituição financeira CREDIT SUISSE, com sede em Zurique, na Suíça, a revelar a prática de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de ativos. Segundo informado, uma organização criminosa liderada pelo denunciado CARLOS MARTINS, chefe do escritório CREDIT SUISSE REPRESENTAÇÕES LTDA., em São Paulo, vinha, em conluio com o denunciado RETO HUNZIKER (chefe da representação no Brasil) e com outros gerentes em São Paulo no exterior, atuando na captação de clientes para a abertura de contas na Suíça junto à matriz do banco CREDIT SUISSE e/ou suas filiais, para onde seriam remetidos recursos, sob a falsa aparência de operações de crédito de compra de títulos de capitalização, investimentos, constituição de trusts e fundações no exterior, o que, em verdade, representaria uma forma de viabilizar a evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Com efeito, as provas colhidas nos autos cujo conteúdo será abordado em tópico posterior confirmaram parte das Fl. 782DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 5 4 informações inicialmente veiculadas, com relação às atividades do referido escritório de representação do banco CREDIT SUISSE, com atuação em São Paulo, estando o esquema por ele operado estruturado da seguinte forma: O escritório de representação CREDIT SUISSE em São Paulo era dirigido pelo denunciado CARLOS MARTINS, que, à época, respondia ao denunciado RETO CARLOS HUNTZIKER, representante do escritório no Brasil e chefe regional para a América do Sul, trabalhando este, fisicamente, no mesmo escritório.Subordinados a CARLOS encontravamse os denuncidados representantes/gerentes do banco, SORAYA, MIRNA, RENATO, DANIEL e JENS, além de outros funcionários, assistentes administrativos não envolvidos nas atividades ora denunciadas. Além deste grupo, os denunciados e gerentes de contas junto ao CREDIT SUISSE na Suíça, a saber, PETER SCHAFFNER, THOMAS UHLMANN e STEFAN SAHLI (estes dois últimos chefiados por PETER na sede do Banco Credit em Zurique), PETRO BERLINGIERI, MANUEL CORREDOR (gerentes em Genebra), e MÁRIO SARTORI, em Lugano, tinham larga participação nas atividades realizadas pelo referido escritório, comparecendo ao Brasil, de duas a três vezes por ano, com o fim de visitar os clientes que a matriz captava, por intermédio do escritório de representação em São Paulo, acompanhando a abertura e movimentação das contas correntes abertas em bancos na Suíça. A cadeia hierárquica supra descrita tem a sua importância, na medida em que o escritório de representações CREDIT SUISSE em São Paulo era o destino direto das ordens e procedimentos determinados pela sede do banco na Suíça , os quais passavam por cada um dos níveis de comandos dentro do referido escritório, até atingir a sua finalidade, qual seja, a abertura clandestina de contas na Suiça, para onde eram remetidos recursos de clientes, de origem desconhecida, não declarada e/ou suspeita. Segundo apurado, o serviço prestado pela representação comercial do CREDIT consistia, sobretudo, na captação, para o banco CREDIT SUISSE na Suiça, de clientes de elevado poder aquisitivo, sobretudo no que tange à aplicação e resgate de recursos de procedência aparentemente suspeita, garantindolhes a movimentação de contas numeradas, identificadas com nome fantasia, e acobertadas por amplo sigilo bancário. Para tanto, os denunciados com exceção dos gerentes suiços denunciados vinham ao Brasil duas ou três vezes por ano se reuniam, periodicamente, no escritório da instituição em São Paulo, para o fim de programar a forma de operacionalizar areferida captação, realizando grandes eventos para venda de seus produtos. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 6 5 Uma vez atraídos os clientes de interesse do banco, e para o fim de concretizar a abertura de contas no CREDIT SUISSE na Suiça, com remessa de grandes disponibilidades financeiras àquela instituição, inclusive, para a constituição de trusts e fundações, os representantes e gerentes do escritório CREDIT SUISSE utilizavamse de 'doleiros', agentes financeiros clandestinos, que mantinham contas em bancos no exterior, a seguir, identificados. Tais contas eram abertas, mais propriamente, para o recebimento de valores que o banco CREDIT pretendia fossem, por intermédio deles, remetidos e pagos em reais a seus clientes ao mesmo banco. Estes os recebia a partir de tais contas, assim realizando as chamadas operações de 'dólar cabo', sistema de compensação de débitos e créditos que dispensa o trânsito físico da moeda estrangeira e que atinge a fnalidade do câmbio internacional, sem quaisquer ônus, a finalidade do câmbio internacional, sem quaisquer ônus tributários, já que feitas à margem do conhecimento e do controle por parte das autoridades brasileiras. A suspeita da origem ilícita dos recursos remetidos às contas na Suiça por intermédio do escritório de representação CREDIT SUISSE em São paulo, com a forte participação dos ora denunciados, veio a se confirmar, na medidas em que tais valores jamais foram declarados à Receita Federal por muitos dos clientes brasileiros da instituição (v. Apenso 8), os quais se valiam dos serviços de transferências internacionais clandestinas operadas por doleiros 'contratados' pelo referido escritório e com aval da matriz estrangeira. Somase a esta realidade o fato de que os denunciados, efetivamente, promoviam e vendiam aos clientes formas alternativas de envio de recursos ao exterior, sem, absolutamente, questionar sua origem, tendo CARLOS MARTINS cuidado de orientar seus subordinados para que, ao final de cada dia de expediente, destruíssem todas a documentação que indicasse alguma abertura de conta no exterior, fixandolhes coordenadas, caso o escritório viesse a sofrer fiscalização por parte das autoridades brasileiras. Tal fato levanos à invariável conclusão de que o escritório de representação CREDIT SUISSE era veículo seguro e corrente, usado no mercado financeiro nacional, para, com o auxílio de doleiros, mascarar a saída de vultosos recursos de seus clientes, permitindo que, sob a aparência de ativos lícitos ou seja, por meio das referidas operações de investimentos no exterior, como trusts e fundações, 'trade finance', a seguir, melhor detalhados os valores remetidos aportassem em território suíço com aparência de lícitos. As interceptações telefônicas concluídas nos presentes autos, em complementação aos documentos apreendidos, igualmente, confirmaram tais práticas. A informação fornecida pelo Banco Central, acerca das atividades permitidas ao escritório de representações do CREDIT SUISSE no Brasil, bem demonstra que o escritório Fl. 784DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 7 6 CREDIT SUISSE em São Paulo, flagrantemente, extrapolava os limites de suas funções autorizadas no país. O Banco Central detalhou, ainda que, uma vez possuindo autorização para atuar como escritório de representação estrangeira de banco do mesmo nome, este poderia apenas fazer contratos comerciais de interesse do representado ou de suas filiais no exterior, vedada a prática de operações privativas das instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, segundo os termos da Resoluçao 2592 de 25.2.1999. II O ESCRITÓRIO DE REPRESENTAÇÃO CREDIT SUISSE E SEU 'MODUS OPERANDI' NO BRASIL Segue, abaixo, com maior detalhamento, a descrição das atividades rotineiramente empreendidas pelo escritório: 1 Captação e prospecção de clientes seduzidos pela proposta de abertura de contas bancárias numeradas no exterior, protegidas por amplo sigilo bancário (...) 2 Realização clandestina de transferências internacionais ao exterior e do exterior ao Brasil (...) 3 Criação e disponibilização das 'empresas de prateleira' Mediante tal procedimento, o escritório CREDIT SUISSE constituía e disponibilizava aos clientes, por um alto custo, as chamadas 'empresas de prateleira' que titularizavam contas bancárias abertas por seus clientes, com o intuito de estes ocultarem sua própria identidade, sendo que aquelas apenas existiam formalmente, não operacionalmente. Os clientes se tornavam, então, diretores da 'empresa fantasma', sempre por orientação do próprio Credit Suisse, mais propriamente, pelo denunciado CARLOS MARTINS, conforme confissão extraída de um dos clientes do escritório que chefiava. 4 Constituição de trusts e fundações. (...) 5 Não realização efetiva dos procedimento de 'compliance' (...) 6 Concessão de operações de crédito e outras operações privativas de instituição financeira. Tal atividade que era direcionada a clientes (pessoas físicas e jurídicas) foi admitida, em depoimento policial, pelo próprio denunciado CARLOS MARTINS, chefe do escritório, quando a eles interessava o chamado 'trade finance', consistente no auxílio do banco (empréstimos, capital de giro) para o cliente poder Fl. 785DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 8 7 exportar determinado produto. Neste caso, o escritório de representação do CREDIT SUISSE era procurado para, por meio de representante seu, intermediar a negociação, viabilizando as remessas ao exterior, sempre com o auxílio de doleiros, ou seja, sem que fossem adotados os procedimentos de transferências internacionais regulados pelo Banco Central. III CONTAS NUMERADAS: Alguns do clientes ouvidos em sede policial confirmaram a existência de contas numeradas de sua titularidade, codificadas junto ao Credit Suisse no exterior, e não declaradas à Receita Federal (Apenso 8). (...) Não bastassem tais atuações, apurouse que apenas alguns dos funcionários do escritório eram registrados em carteira, sendo outros, como RENATO BRUNNER, DANIEL LUTZ, RETO CARLOS, CARLOS MARTINS e JENS SPINDLER, contratados diretamente pela matriz do Banco na Suíça, tendo seus salários e bônus pagos no exterior, sem qualquer registro junto ao escritório de representação no Brasil, ou, aparentemente, junto à Receita Federal. IV DA CONDUTA DOS ACUSADOS DO ESCRITÓRIO DE REPRESENTAÇÕES CREDIT SUISSE NO BRASIL: a) CARLOS MARTINS, como chefe do escritório de representações em São Paulo, coordenava as atividades de captação de clientes. Estava subordinado a RETO CARLOS (Diretor Regional), respondendo este a ALEXANDER SIEGENTHALER e este a WALTER BERTOLD, Diretor de Private Banking, que, por sua vez, se reportava a OSWALD GRUEBEL, presidente mundial do CREDIT SUISSE, estes três últimos, atuantes junto à sede do banco CREDIT na Suíça. Dentre os documentos apreendidos junto à residência de CARLOS MARTINS, destacamse planilhas registradas em CD e impressas nos autos, contendo uma relação de clientes e o número de suas contas. Outros clientes foram identificados nos documentos denominados profiledata e statement of investments apreendidos. Ordens provinham, ainda, do denunciado CARLOS MARTINS, no sentido de que seus subordinados não guardassem fisicamente qualquer documento referentes aos clientes, devendo destruílos ao final do dia, principalmente, na iminência de alguma ação policial. Informações sobre os mesmos apenas poderiam ser arquivadas no servidor da Suíça, de forma a impedir o acesso, por policiais ou pela perícia, a documentos importantes e confidenciais de operações realizadas a partir do Brasil rumo ao exterior. Constatouse, inclusive, 'queda de conexão' com o servidor na Suíça, justamente no dia da busca e apreensão realizada no escritório de representação do CREDIT SUISSE, em São Paulo, episódio raro na rotina da empresa. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 9 8 Mantinhase, ainda, um sistema chamado 'hold mail', segundo o qual, por medida de segurança, as correspondências a clientes não eram encaminhadas aos seus endereços, mas armazenadas pelo banco pelo período de 5 anos, à sua disposição para serem retiradas apenas no escritório, recurso utilizado para reforçar o sigilo das comunicações e transferências efetuados pela instituição. Segundo depoimentos colhidos, CARLOS MARTINS mantinha constantes contatos com doleiros, e cujos nomes eram repassados aos gerentes do escritório, a fim de que os atendesse como intermediários das movimentações financeiras paralelas que o escritório efetuava. CARLOS MARTINS recebia, constantemente, instruções de seus clientes para movimentar suas contas correntes na Suíça, a exemplo da pessoa de Carlos Leal Villa, em cujo testemunho apurouse ter conta junto ao CREDIT SUISSE na Suíça, administrada por THOMAS UHLMANN e movimentada, em São Paulo, por intermédio de CARLOS MARTINS." Ainda, a Embargante transcreve trechos do aditamento da denúncia oferecida em desfavor dos gestores da Creditt Suice no Brasil, empresa incorporada pela Embargada, nos seguintes termos: ALEXANDRE SIEGENTHALER, (...) CHRISTIAN PETER WEISS, (...) Pelos motivos, a seguir, expostos: Conforme relatado na denúncia, ALEXANDER SIEGENTHALER era o diretor, junto ao Credit Suisse na matriz, em Zurique, e chefe do setor de Private Banking, responsável pelas atividades do denunciado CARLOS RETO HUNZIKER atuante na América do Sul, inclusive no Brasil. Nesta condição, orientava a política de Private Banking a ser desenvolvida no país, através do escritório de representação do Credit Suisse, a qual, segundo dados obtifos, constituise numa das atividades mais rentáveis para o banco. O objetivo visado pela instituição, à época, representado, neste segmento, por ALEXANDER SIEGENTHALER não era apenas apresentar e promover os produtos do banco aos clientes no Brasil, mas garantir a manutenção de suas contas e investimentos, com relação aos clientes antigos junto a este banco, e assim, também, a captação de novos clientes, com remessas de valores, extraoficialmente, do Brasil à Suiça (sendo que todos representantes do Credit atuantes no país conheciam e se utilizavam dos doleiros ora denunciados). De tais clientes, aliás, é que advinha a renda arrecadada pelo setor de 'Private', Fl. 787DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 10 9 através da abertura de novas contas numeradas e renovação de sua carteira de investimentos, pelo que são cobradas tarifas de sua manutenção, taxas de custódia de títulos, comissão sobre compra e venda de ativos, entre outros, podendo chegar seu lucro a 1% ao ano do valor da arrecadação em favor do banco. Explicase, daí, a quantidade de executivos suiços que vem sendo enviados ao Brasil, como 'flyers' e expatriados, neste caso, mantidos pela representação no Rio e em São Paulo a custos exorbitantes, em função dos benefícios que obtêm no país. (...) Com a deflagração da Operação Suiça, ALEXANDER SIEGENTHALER foi substituído por MARCEL GÜTTINGER, que, oficialmente, em uma solenidade em Punta Del Leste, fora apresentado como diretor do mesmo segmento de "Private Banking" do Credit Suisse, no final de 2006, encontrandose este ativo na instituição.Na seqüência, apurou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal que, não obstante os resultados colhidos com a Operação Suíça e as noticias internacionais das práticas espúrias desenvolvidas pelo banco e seus representantes no Brasil, as operações ilegais do Credit Suisse no Brasil não cessaram, em especial, a de fazer operar no país, por meio de seus representantes, instituição financeira sem a devida autorização. Nesta linha, mas ora acautelandose quanto à flagrante utilização de doleiros para promover a remessa de divisas e lavagem de dinheiro, a partir do Brasil, a instituição Credit Suisse segue enviando seus funcionários (em especial, de Zurique e Genebra) para promoverem a prospecção de novos clientes, com abertura de contas numeradas/aplicações em seu favor junto ao Credit na Suíça, assim como para providenciar movimentações financeiras de dinheiro já depositado nas contas daquele país. O novo "officer" ou "flyer" que, há meses vem sendo enviado ao Brasil é CHRISTIAN WEISS, atuando como um"Relationship Manager" (RM), ou seja, um gerente de contas na Suíça, responsável pelos contatos (novos e reiterados) com clientes residentes no Brasil. Encontrase alocado na matriz em Zurique, tendo assumido, na época dos fatos narrados na denuncia inaugural, a posição de Assistant VicePresident. Tal posição vem confirmada em carta dirigida à CLAUDINE SIERO, em data de 09 de agosto de 2007, pelo qual CHRISTIAN, assinando juntamente com o denunciado PETER LENGSFELD, este na função de VicePresidente do Banco, conformam a finalização do contrato de retrocessão e de relacionamento profissional que possuíam com Claudine, em 06 de fevereiro, assim como a realização dos pagamentos que lhe eram devidos. CHRISTIAN Fl. 788DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 11 10 WEISS, igualmente, consta do documento em anexo, entitulado "Sample od Retrocession" (com o valor de crédito a ser depositado à Claudine), na qualidade de "Your Advisor" (seu consultor) do setor de Private Banking do Credit Suisse em Zurich. No curso das investigações, apurouse que CHRISTIAN vinha ao Brasil, cerca de quatro vezes ao ano, para encontros pessoais com clientes brasileiros, para fomentar movimentações de suas contas na Suíça, e oferecer aos novos contascorrentes numeradas e de investimentos. Os registros no passaporte de CHRISTIAN de entrada no Pais, relatórios de visitas anexados aos autos de busca e apreensão e algumas das conversas telefônicas interceptadas revelaram que CHRISTIAN, de fato, esteve no Brasil por diversas vezes (após a deflagração da Operação Suíça, e desde quando PETER SCHAFFNER e STEFAN SAHLI deixaram de vir ao Pais), possuindo relação próxima com muitos dos clientes por eles anteriormente contactados. ciente de sua conduta ilegal embora não a admita no período em que "trabalhou" no Brasil, tratou sempre de conversar reservadamente ao telefone, deixando para cuidar dos detalhes pessoalmente no âmbito das reuniões agendas. Em duas das ligações captadas, porém, o denunciado deixa evidente que vinha operando instituição financeira ilegalmente, na medida em que recebeu ordens verbais de movimentação de contas corrente/investimento na Suíça, anunciando, ainda, que, mesmo após a deflagração das operações policiais Kaspar I e Suiça, o banco Credit Suiise continua mantendo (clandestinamente) em São Paulo e, (camufladamente) no Rio de Janeiro ( na forma de sociedade limitada), escritório de representação da mesma instituição, mantendo ativdades semelhantes às anteriormente reprimidas. A partir da reconstituição de restos colhidos da lixeira do quarto do hotel do denunciado, foram identificadas ordens de dado cliente com conta numerada, dirigida à matriz do banco, de compra e venda de posições de investimentos, indicando possuir este conta no exterior, muito provavelmente aberta a partir do Brasil, por seu intermédio de outro 'officer' que o antecedeu. Segundo apurado, tais investimentos, em regra, são ofertados em moeda estrangeira por um gerente estrangeiro no Brasil, sendo que, por certo, o cliente remete ou já remeteu, a partir do Brasil, a quantia necessária para a compra de tais investimentos, sem a necessária operação formal de câmbio. Notese, ainda, que as condutas de CHRISTIAN, segundo apurado, se mostraram diversificadas, senão vejamos:a) Captação de novos clientes: (...) b) movimentação de aplicações financeiras de clientes ativos: (...) Fl. 789DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 12 11 Com base nestas acusações, constantes da ação penal, entende a Fazenda Nacional que os fatos em discussão perante o Poder Judiciário são prejudiciais na sua análise por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com fulcro no art. 935 do Código Civil e arts. 63 e seguintes do CPC. Por fim, aduz ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, em desfavor dos interesses da Fazenda Nacional, ante a inexistência, nos presentes autos, da representação fiscal exarada pelo Memocircular Cofis/GAB nº 2005/0994. Com estas razões, pede o provimento dos presentes embargos para que seja sanada a contradição e a omissão indicadas, “especialmente no tocante a juntada aos autos da REPRESENTAÇÃO FISCAL”. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos de declaração são tempestivo. Havendo imputação de omissões e contradições no voto embargado, entendo devam os presentes ser conhecidos. Segundo as alegações constantes dos embargos de declaração, as questões posta a análise e julgamento perante o Poder Judiciário, relacionados às ações da empresa Credit Suisse no Brasil, seriam prejudiciais à análise do presente feito, não podendo a esfera administrativa interferir ou desconstituir as situações jurídicas consolidadas no âmbito dos processos judiciais relacionados nos embargos. De fato, é entendimento assente neste Conselho de que as questões postas em julgamento perante o Poder Judiciário tornam prejudicial a sua análise perante a esfera do processo administrativo. No entanto, no presente caso, as imputações feitas no âmbito judicial, a princípio, não se relacionam especificamente aos fatos que levaram à lavratura do lançamento em desfavor do Embargado, por créditos tributários próprios. Vejase: Das transcrições trazidas pela Embargante, imputase que a empresa sucedida pela Embargada atuou de forma ilícita na evasão de divisas e remessas ao exterior de valores Fl. 790DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 13 12 não oferecidos à tributação por seus clientes, ou seja, outras pessoas físicas e jurídicas com patrimônio no Brasil, cujos valores teriam sido enviados ao exterior. Transcrevo as imputações constantes da denúncia, da forma como apresentadas pela Embargante, in litteris: O objetivo visado pela instituição, à época, representado, neste segmento, por ALEXANDER SIEGENTHALER não era apenas apresentar e promover os produtos do banco aos clientes no Brasil, mas garantir a manutenção de suas contas e investimentos, com relação aos clientes antigos junto a este banco, e assim, também, a captação de novos clientes, com remessas de valores, extraoficialmente, do Brasil à Suiça (sendo que todos representantes do Credit atuantes no país conheciam e se utilizavam dos doleiros ora denunciados). De tais clientes, aliás, é que advinha a renda arrecadada pelo setor de 'Private', através da abertura de novas contas numeradas e renovação de sua carteira de investimentos, pelo que são cobradas tarifas de sua manutenção, taxas de custódia de títulos, comissão sobre compra e venda de ativos, entre outros, podendo chegar seu lucro a 1% ao ano do valor da arrecadação em favor do banco. Explicase, daí, a quantidade de executivos suiços que vem sendo enviados ao Brasil, como 'flyers' e expatriados, neste caso, mantidos pela representação no Rio e em São Paulo a custos exorbitantes, em função dos benefícios que obtêm no país. (...) Com a deflagração da Operação Suiça, ALEXANDER SIEGENTHALER foi substituído por MARCEL GÜTTINGER, que, oficialmente, em uma solenidade em Punta Del Leste, fora apresentado como diretor do mesmo segmento de "Private Banking" do Credit Suisse, no final de 2006, encontrandose este ativo na instituição.Na seqüência, apurou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal que, não obstante os resultados colhidos com a Operação Suíça e as noticias internacionais das práticas espúrias desenvolvidas pelo banco e seus representantes no Brasil, as operações ilegais do Credit Suisse no Brasil não cessaram, em especial, a de fazer operar no país, por meio de seus representantes, instituição financeira sem a devida autorização. Nesta linha, mas ora acautelandose quanto à flagrante utilização de doleiros para promover a remessa de divisas e lavagem de dinheiro, a partir do Brasil, a instituição Credit Suisse segue enviando seus funcionários (em especial, de Zurique e Genebra) para promoverem a prospecção de novos clientes, com abertura de contas numeradas/aplicações em seu favor junto ao Credit na Suíça, assim como para providenciar movimentações financeiras de dinheiro já depositado nas contas daquele país. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 14 13 No mesmo sentido segue a decisão em habeas corpus proferida pelo TRF da 3ª Região, igualmente apresentada como razões de embargos, de onde se extrai o resumo das operações tidas por ilícitas e investigadas na respectiva ação penal, a saber: Segue, abaixo, com maior detalhamento, a descrição das atividades rotineiramente empreendidas pelo escritório: 1 Captação e prospecção de clientes seduzidos pela proposta de abertura de contas bancárias numeradas no exterior, protegidas por amplo sigilo bancário (...) 2 Realização clandestina de transferências internacionais ao exterior e do exterior ao Brasil (...) 3 Criação e disponibilização das 'empresas de prateleira' Mediante tal procedimento, o escritório CREDIT SUISSE constituía e disponibilizava aos clientes, por um alto custo, as chamadas 'empresas de prateleira' que titularizavam contas bancárias abertas por seus clientes, com o intuito de estes ocultarem sua própria identidade, sendo que aquelas apenas existiam formalmente, não operacionalmente. Os clientes se tornavam, então, diretores da 'empresa fantasma', sempre por orientação do próprio Credit Suisse, mais propriamente, pelo denunciado CARLOS MARTINS, conforme confissão extraída de um dos clientes do escritório que chefiava. 4 Constituição de trusts e fundações. (...) 5 Não realização efetiva dos procedimento de 'compliance' (...) 6 Concessão de operações de crédito e outras operações privativas de instituição financeira. Tal atividade que era direcionada a clientes (pessoas físicas e jurídicas) foi admitida, em depoimento policial, pelo próprio denunciado CARLOS MARTINS, chefe do escritório, quando a eles interessava o chamado 'trade finance', consistente no auxílio do banco (empréstimos, capital de giro) para o cliente poder exportar determinado produto. Neste caso, o escritório de representação do CREDIT SUISSE era procurado para, por meio de representante seu, intermediar a negociação, viabilizando as remessas ao exterior, sempre com o auxílio de doleiros, ou seja, sem que fossem adotados os procedimentos de transferências internacionais regulados pelo Banco Central. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 15 14 No presente feito, todavia, imputase à própria Recorrente, na condição de contribuinte, a remessa de valores para o exterior. Ou seja, o lançamento imputa omissão de receita da Embargada, por seus próprios recursos, que teriam sido omitidos e não oferecidos à tributação no Brasil. Tanto é assim que o acórdão embargado chama a atenção para o fato de que, dos documentos embasam a autuação, a Contribuinte aparece como “original bank”, e não como “sender name” ou “receivers name”. Transcrevo excerto do voto embargado, in verbis: E mais: em todas as ordens de pagamento a empresa (DONALDSON LUFKIN AND JENRETTE SECS) figura como “original bank”, e nunca no campos “senders name” ou “receivers name”. Ou seja: na documentação que fundamenta o auto de infração, a empresa figura como a instituição financeira onde os recursos movimentados saíram, e nunca como quem enviou ou recebeu os recursos. Neste ponto é importante salientar que é exatamente para evitar a interpretação incorreta que em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso do vernáculo (art. 156 do CPC), e, ainda, só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado (art. 157 do CPC). Isso porque, a documentação em língua estrangeira, além de obscurecer a prova, confunde as partes e todos que lidam com o processo pois não sabem, ou às vezes acham que sabem, traduzi la. E o que é pior, cada um atribui um sentido e significado diferente ao mesmo conteúdo. E, no meu entendimento, ocorreu exatamente um erro de interpretação tanto em relação à identificação da empresa (DONALDSON LUFKIN AND JENRETTE SECS é pessoa jurídica diversa de DONALDSON LUFKIN & JENRETTE LTDA.) quanto à função da empresa no processo de envio e recebimento dos recursos. Confirase o equívoco: Identificação da pessoa jurídica: ignorando o termo “SEC.” que sempre apareceu ao final do nome, bem como o endereço norte americano, a Autoridade Fiscal entendeu estar devidamente caracterizado o contribuinte brasileiro, pelo seguinte argumento (fl. 317): 7.2) Este contribuinte é o único portador dessa identidade no cadastro de Pessoa Jurídica do sistema da Receita Federal, sem homonímia. ii) Função da empresa no processo de envio e recebimento de recursos: ignorando o fato de a empresa sempre constar como original bank e nunca como sender ou receiver, a Autoridade Fiscal entendeu estar o contribuinte suficientemente caracterizado como recebedor de recursos não declarados e como beneficiário de ordens de pagamento (fl. 317) Fl. 793DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 16 15 7.3) O contribuinte aqui identificado está plena e suficientemente caracterizado como recebedor de recursos não declarados sem utilização do Sistema Financeiro Nacional através do Banco Central, e como beneficiário de ordens de pagamento, por meio de contas (objeto de investigações pela Policia Federal e Ministério Público), mantidas ou administradas por instituições bancárias ou financeiras, condenadas no exterior por receber e transferir ilegalmente bilhões de dólares em transações de "off shores" mantidas por casas de câmbio sulamericanas; No intuito de fulminar quaisquer dúvidas porventura restantes, verificase a documentação trazida aos autos pela Recorrente, devidamente traduzidos para o vernáculo por meio de tradutor juramentado, que demonstra a existência, desde 1972, de empresa nomeada Donaldson, Lufkin & Jenrette Securities Corporation, com sede no Estados Unidos da América. Não entendo, assim, como possam as imputações penais trazidas à baila, de que a Contribuinte promovia remessa ilícita de recursos de seus clientes ao exterior, possa acarretar na conclusão de omissão de recursos próprios da Contribuinte, que teriam deixado de ser oferecidos à tributação. Lado outro, a decisão proferida no presente feito não possui qualquer impacto nas investigações promovidas pela Polícia Federal, Ministério Público, ou em decisões do Poder Judiciário, da forma como postas nos embargos de declaração. Isso porque, ao se reconhecer que a Contribuinte figurava como “original bank”, e não como “sender name” ou “receivers name”, adotase uma leitura, a princípio, compatível com as versões apresentadas pela Embargante. Por fim, ressalto que cumpre à Autoridade Fiscal instruir o lançamento com todos os elementos de prova necessários a sustentar a versão dos fatos e elementos da relação jurídico tributária constantes do lançamento. Em verdade, o processo administrativo toma como pressuposto um ato administrativo, qual seja, o lançamento tributário, e a partir dele se desenvolve. Se este ato administrativo não está sustentado em elementos de prova suficientes à sua manutenção, não cabe ao órgão julgador da esfera administrativa sanar referidas ausências, dentro do que alguns chamam de “salvabilidade do auto de infração”. Não se admite, permissa venia, que os órgãos julgadores da instância administrativa advoguem em favor da manutenção de lançamentos eivados de nulidade, ou que não estejam respaldados em elementos suficientes à sua manutenção. Postos os esclarecimentos supra, entendo deva ser negado provimento aos presentes embargos, ratificandose e integrandose a decisão outrora proferida. É como voto. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 794DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001146/200785 Acórdão n.º 1401000.927 S1C4T1 Fl. 17 16 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990676/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/2003
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2003 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 76 /2 00 9- 11 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 15) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 a 03) relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cód. 2089, no montante de R$ 46,13, ocorrido em 31/07/2003, com débito próprio de IRPJ — cód. 2089. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 19/01/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 06, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 08, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 27427.95163.241105.1.2.040774, relativo ao período de apuração mai/2003. Nesse período, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.990676/200911 Acórdão n.º 1802001.719 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.844,20, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.386, de 27 de outubro de 2010 (fls.14/17), cientificado ao interessado em 16/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.14): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador:31/07/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 32136.95534.190106.1.3.042844 (fls.01/03), transmitido em 19/01/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ: R$ 67,09, código 2089, relativo ao 4º trimestre de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 46,13, código – 2089; Período de Apuração: 30/06/2003; Data de Arrecadação: 31/07/2003. Consta do despacho decisório de fl.06, emitido em 21/09/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 21/10/2009 (fl.08), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.09), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de maio/2003 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 3.844,20. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2089) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo do IRPJ relativo ao período de apuração de maio/2003, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.990676/200911 Acórdão n.º 1802001.719 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo do IRPJ relativo ao período de apuração de mai/2003, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo do IRPJ do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2004 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo ao período de apuração de maio/2003. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.990676/200911 Acórdão n.º 1802001.719 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 19/01/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 21/09/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 21/10/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004662/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
DECISÃO RECORRIDA.NULIDADE
É nula a decisão recorrida quando houver retificação parcial do lançamento e o contribuinte não for previamente intimado para ciência, com possibilidade de manifestação e comprovação dos fatos.
Numero da decisão: 2201-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarou-se impedido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Carlos Fróes del Fiorentino, OAB/SP 177.451.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura do digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado) . Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarouse impedido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Carlos Fróes del Fiorentino, OAB/SP 177.451. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura do digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado) . Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 46 62 /2 00 2- 14 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP que manteve parte da autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF referente ao período de 1997 pela (a) falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata; (b) multa vinculada e juros de mora; (c) falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais. Auto de infração (fls. 370 a 425) lavrado após as constatações descritas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 371 a 372. Em decorrência de auditoria interna realizada nas DCTF Declarações de Contribuições e Tributos Federais, referentes ao 2°, 3° e 4o trimestres de 1997, foi lavrado o auto de infração espelhado nos docs. de fls. 370 a 425, exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 44.207.306,29, sendo R$ 15.667.424,80 a título de Imposto (Códigos 0481, 3426, 1708, 3251, 5273, 8045, 0561, 8053, 0588, 3208, 5299, 4217, 0473, 8053, 5217, 0473), R$ 11.750.568,60 a título de Multa de Ofício (vinculada passível de redução), R$ 13.340.496,19 a título de Juros de mora (calculados até 28/02/2002), e R$ 151,21 a título de Multa paga a menor (Código 6380). No Auto de Infração, foram apuradas inconsistência nas DCTFs identificadas com as seguintes ocorrências: pagamentos não localizados; compensações com pagamentos não localizados (fls. 377/414); pagamentos a destempo sem o cômputo de multa de mora (fls. 415/416). Houve revisão de ofício da autuação (fls. 565 a 569) com cancelamento parcial. A decisão recorrida (fls. 595 a 608) com ciência em 09.11.2011 (fls.620) manteve parte a autuação, uma vez que não foram tomadas as providências descritas no art. 8º da IN RFB nº 900 de 30/12/2008, bem como não restou demonstrado que o contribuinte é titular do crédito das pretendidas compensações. Houve exclusão da multa de ofício, em face de retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN ao constatar que o lançamento decorreu de auditoria de declarações entregues pelo sujeito passivo. A decisão recorrida esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. NULIDADE Não procede a arguição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10880.004662/200214 Acórdão n.º 2201002.121 S2C2T1 Fl. 3 3 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Relativamente a tributo que comporte transferência do respectivo encargo financeiro, não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que suportou o ônus do recolhimento e que houve pagamento indevido ou a maior. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário foi constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, as multas de ofício exigidas em decorrência das diferenças de tributo/contribuição apuradas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No Recurso Voluntário (fls.623 a 642) protocolado em 08.12.2011, sustenta em síntese: a) Nulidade do auto de infração – pois a exigência fiscal é arbitrária, sem fundamento e em desconformidade com o art. 142 do CTN; b) Os tributos cujos pagamentos foram considerados insuficientes foram comprovados pela documentação juntada na Impugnação; c) A revisão de ofício ofendeu ao disposto no art. 146, do CTN, uma vez que não poderia ter alterado o critério jurídico que embasou o auto de infração impugnado em 2002; d) Devem ser objeto do auto de infração as inconsistências relacionadas a apuração do tributo e não mero saldo decorrente a pagamento a menor; e) Ilegalidade no procedimento, pois não houve qualquer justificativa para inclusão da multa de 20%. É o breve relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requistos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação eletrônica feita com base nas declarações prestadas pelo contribuinte na DCTF, com exigência de R$ 44.207.306,29, com imposto, multa e juros. Na revisão de oficio o lançamento foi alterado significativamente, para R$ 377.435,13, mais multa de R$ 283.076,35, além de juros. Nas razões de recurso sustenta o Banco Recorrente nulidade da autuação pela falta de fundamentação e violação do art. 142, do CTN; falta de prévia notificação do sujeito passivo para investigar e comprovar os fatos. Continua, deve ser autuada apenas as inconsistências relacionadas a apuração do tributo e não o saldo do pagamento a menor, por isso incabível a atuação, se há diferença declarada e não paga. Houve ofensa o art. 149, do CTN, pela mudança do critério jurídico da autuação, acrescenta as razões de recurso. A revisão de oficio cancelou 98,35% da autuação. No mérito, sustenta o Banco Recorrente que comprovou todos os pagamentos constantes na DCTF e a decisão recorria manteve parte da autuação e a DEINF, na revisão constatou: ...em alguns casos, alguns os DARF apresentados estavam indisponíveis para alocação, em virtude de sua utilização total ou parcial, decorrentes inclusive de vinculações efetuadas em DCTF pelo próprio interessado, para amortizar débitos de IRRF de períodos de apuração diversos daqueles tratados no presente processo, referentes aos anos de 1997, 1998 e 1999. De fato, alguns desses recolhimentos foram aproveitados para amortizar diversos débitos de IRRF. Procede a preliminar sobre a falta de notificação após a decisão a DEINF de forma a conferir oportunidade para o contribuinte comprovar a quitação do tributo. Há necessidade ainda, eventualmente, da realização de novas diligencias tendo em vista as alegações do contribuinte, o montante inicial da exigência e a quase totalidade do cancelamento da autuação. Em face disso, é necessário anular a decisão recorrida para que a digna autoridade lançadora proceda a intimação do contribuinte e empreenda, se necessário, novas diligencias para constatação r dos fatos. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou provimento ao recurso para anular a decisão recorrida para outra ser proferida. (Assinatura digital) Fl. 693DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10880.004662/200214 Acórdão n.º 2201002.121 S2C2T1 Fl. 4 5 Odmir Fernandes Relator Fl. 694DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 19515.000676/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa: IRPF - ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO - ENQUADRAMENTO LEGAL - LANÇAMENTO NULO - A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do
lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.167
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos,DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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'\''''.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA .. d' •• .9."*. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, 1.. -,Iirrw 1m- ,t•- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ! , Processo n° 19515.000676/2007-14 Recurso n° 168.648 Voluntário Acórdão n° 2202-00.167 — 2 Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s): 2002 a 2004 Recorrente TSENG CHIH PING Recorrida 6aTURMA/DRJ-SÀO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: IRPF - ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO - ENQUADRAMENTO LEGAL - LANÇAMENTO NULO - A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. N . SOf leer(r sidente ITONIO OP MAR EZ — Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Heloísa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 1 i Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, TSENG CHIH PING, em 23/03/2007, o Auto de Infração de fls. 149 a 151, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004, 2003 e 2002 (respectivamente anos-calendário 2003, 2002 e 2001), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 4.659.031,41, dos quais R$ 1.537.444,97 correspondem ao imposto, R$ 2.306.167,45 à multa proporcional e R$ 815.418,99 aos juros de mora, calculados até 28/02/2007. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 137 a 144) e item "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", do Auto de Infração (fls. 150 e 151), o procedimento apurou a ocorrência da seguinte infração: 001- OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Omissão de rendimentos, conforme Termo de Verificação. Foi aplicada a multa qualificada de 150%. O trabalho da Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463, de 30/04/2004, foram investigadas contas mantidas no exterior por instituições financeiras que atuavam como prepostos bancários-financeiros de pessoas fisicas e jurídicas brasileiras. Dentre as pessoas fisicas encontrava-se o contribuinte Sr. Tseng Chih Ping, como beneficiário de recursos financeiros movimentados no exterior. A CPM I do Banestado realizou investigações acerca da movimentação financeira junto às instuições financeiras "Merchants Bank e MTB HUDSON BANK". O juizo da Suprema Corte do Estado de Nova Iorque, Estados Unidos da América, autorizou, em 29 de agosto de 2003 a liberação para as autoridades brasileiras, de informações acerca de movimentação financeira obtidas junto à "BEACON HILL SERVICE CORPORATION". O Laudo de Exame Econômico Financeiro n" 12812005-INC constatou os relacionamentos das contas mantidas junto ao Merchants Bank com aqueles comuns às contas mantidas junto à instituição Beacon Hill, bem como identificou os campos existentes nas ordens de pagamento. Também, no mesmo sentido, os Laudos e Exame Econômico Financeiro n0141212005-INC e n0196/2006-INC. As movimentações junto ao MTB Hudson Bank., conta n° 71685 - Azteca Financial Corp e a conta n" 3982071688 - Abalone Investiments Inc, identificaram o contribuinte Tseng Chih Ping a título de beneficiário e a conta beneficiária de n° 354620601, tendo como banco recebedor o General Bank., ABA 122 037841 e Citibank NYC ABA 21000089. Intimado a esclarece os fatos, o contribuinte alegou não ser detentor de contas bancárias no Merchants Bank. e MTB-Hudson Bank.. Intimado a explicar as transferências para os bancos General Bank Rosemead —ABA 122037841 - conta 35460601 e Citibank. 'NYC-ABA 21000089 - conta 88090523, identificadas nas mídias magnéticas examinadas pelas autoridades americanas e brasileiras X 3 Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 4 como tendo Tseng Chih Ping como beneficiário, o contribuinte limitou-se a informar desconhecer tais operações. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: Pesquisados os registros da base de dados CPF, não foram identificados homônimos do contribuinte. Pesquisados os registros de assinantes de telefonia, identificou- se a existência de somente um cliente registrado com o nome de Tseng Chih Ping, no mesmo endereço informado como domicílio do contribuinte fiscalizado. Confirmando as informações que resultaram na identificação inequívoca do sujeito passivo, foi identificada ordem de pagamento junto ao MTB-Hudson Bank, de 28/03/2003, no valor de quarenta e oito mil dólares, com registro a título de "beneficiary info", isto é, beneficário final da transação, o Sr. Tseng Chih Ping ou Kuo Nai Yun, cônjuge do contribuinte,cujos registros na base de dados CPF não apontam a existência de homônimos. Constatou-se ainda que nos fax de "Amigos de todos os dias e cia - n" do fax 204-8340", relativos a ordens de pagamento realizadas em 19/03/2002 e 27/03/2002, nos valores de 43.213 dólares e 53.547 dólares, respectivamente, há a perfeita identificação do contribuinte, Sr. Tseng Chih Ping e de seu cônjuge, Sra. Kuo Nay Yun, que aparece como referência adicional com os apelidos de "Kuo Nai Yu" e "Kuo Naiyu". Constatou-se ainda que o contribuinte é sócio de empresas que realizam operações de comércio exterior: Seba Comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 00.605.602/0001-72 e Tascoinport Comercial Ltda, CNPJ 01.368.728/0001-33. Cientificado do auto de infração, 23/03/2007, o contribuinte apresentou, em 24/04/2007, a impugnação de fls. 160 a 189, apresentando os seguintes argumentos de defesa. Nos trabalhos de fiscalização houve discricionariedade por parte do Auditor Fiscal da Receita Federal, e, como se sabe, não cabe qualquer espécie de escolha no exercício da função, devendo agir nos estritos limites impostos pela lei, isto é, os atos praticados são vinculados e não discricionários. Preliminar: Erro na identificacão do sujeito passivo O contribuinte afirma que desconhece a titularidade das contas beneficiárias identificadas no exterior e também desconhece a existência dos recursos nelas movimentados. O fato de não haver sido encontrado nenhum homônimo do impugnante, através de pesquisas realizadas em âmbito nacional não é o bastante para que se possa concluir, com certeza, a sua titularidade das contas beneficiárias. A pesquisa de homônimos deveria ser realizada em bases internacionais, ainda mais porque o nome do contribuinte é y 4 Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 5 comum entre pessoas da nacionalidade chinesa. Poderia ser realizada pesquisa de passaportes, por exemplo. Deveria ser buscada a verdade material, princípio da administraçã o pública. Citou trechos da doutrina que sustentam a necessidade de se buscar a verdade material, em obediência também ao princípio inquisitório, devendo o Fisco proceder a diligências buscando esclarecer os fatos tributários. Ferido está o critério pessoal da exação em tela, devendo, por isso mesmo, ser declarado nulo o lançamento, uma vez que não restou comprovado que o impugnante seja de fato o titular dos recursos movimentados no exterior. Preliminar: Violação ao sizilo bancário Houve violação ao princípio da inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados, previstos na Constituição como cláusulas pétreas, ao ter a fiscalização se valido de informações cedidas por instituições financeiras estrangeiras para lastrear lançamento que apurou omissão de rendimentos. Tal previsão constitucional visa proteger o cidadão de abusos da Administração Pública Citando trechos da doutrina, afirma que a proteção das informações fiscais e bancárias constituem parte da vida privada da pessoa fisica ou jurídica, inclusive a proteção da conta bancária ou das despesas com cartões de credito. A relativizaçã o do sigilo bancário somente pode ser concedida para fins penais, nunca fiscais, uma vez que a interpretação das garantias constitucionais não pode ocorrer ao bel prazer da administração pública. A prova obtida pela operação penal (pelo Banco Central e Polícia Federal), que culminou na quebra de sigilo bancário, não pode servir de supedâneo para o lançamento ora atacado. o procedimento adotado pelo agente fiscal no caso, ante o nítido desrespeito ao princípio do sigilo bancário, que implica também em violação à vida privada e à intimidade, previstos nos incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal, não deve prevalecer, devendo ser declarado nulo de pleno direito. Preliminar: Decadência do crédito tributário referente ao ano 2001 o lançamento referente ao ano-calendário 2001 foi atingido pela decadência, por ter sido realizado em lapso temporal superior a cinco anos da ocorrência do fato gerador. Conforme estabelece o §4° do art. 150 da Constituição Federal, nos casos de lançamento por homologação o prazo é de cinco s Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 6 anos da data de ocorrência do fato gerador, conforme infirma a doutrina e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Conclui que parte montante do crédito tributário constituído pelo lançamento é indevido, face à ocorrência da decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no ano de 2001. Mérito Somente foi constatada movimentação financeira, nunca renda auferida. o C7'N, no art.43, definiu que renda seria o produto do capital, do trabalho e da combinação de ambos, enquanto que proventos de qualquer natureza seriam os acréscimos patrimoniais decorrentes de qualquer outra fonte. o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade de acréscimo patrimonial produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos (renda) ou de qualquer outra causa (proventos). É entendimento pacífico na doutrina que somente o acréscimo patrimonial é que pode ser utilizado como base de cálculo do imposto sobre a renda. No caso em tela a autoridade fiscal tomou como fato gerador da exação a simples movimentação financeira, utilizando ainda o valor do ingresso financeiro como sua respectiva base de cálculo, verdadeiro absurdo. Não obstante a renda ser constatada a partir da receita auferida, deve haver o abatimento das despesas para que se constate a auferição ou não da renda.. Citando a doutrina, afirma que a base de cálculo não é a renda bruta do contribuinte, tampouco seu rendimento alcançado num dado instante, como, por exemplo, numa única operação financeira. A base de cálculo do imposto de renda da pessoa fisica deve ser uma medida da efetiva disponibilidade da riqueza nova do contribuinte, vale dizer, o montante da renda líquida por ele efetivamente obtida, durante certo lapso de tempo, em geral, o exercício financeiro. Não se pode transformar em renda liquida uma receita isolada, impedindo que ela, submetendo-se às deduções devidas, venha a compor a correta base de cálculo em concreto do tributo em exame. o imposto de renda não pode ser transformado em simples imposto sobre receitas, o que ocorre quando se nega venham abatidas de sua base imponível as despesas necessárias da pessoa física. .\1( 6 Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 7 Em nenhum momento restou evidenciado a existência de acréscimo patrimonial por parte do contribuinte e foi indevidamente tomada como base de cálculo do tributo o simples ingresso financeiro. Acréscimo patrimonial significa riqueza nova, o que não ficou evidenciado neste caso. A movimentação financeira já é tributada pela CPMF, não podendo a autoridade administrativa alterar a definição, o conteúdo e os institutos do direito privado. o desvirtuamento do conceito de renda afrontou o art. 110 do CTN, ao tomar como base de cálculo do IRPF signo que não corresponde à sua respectiva material idade constante de sua hipótese de incidência. Apontou também o contribuinte que nenhum dos dispositivos legais elencados no auto de infração foram infringidos, uma vez que não houve o auferimento efetivo de renda tributável. Não houve a identificação de acréscimo patrimonial não correspondente aos rendimentos declarados, apenas identificou- se ingressos financeiros, que não podem ser tomados como base de cálculo do imposto de renda. A presente autuação é desprovida de qualquer substrato comprobatório capaz de embasar a tributação pretendida pelo Fisco Federal. Da Multa e da abusividade em sua aplicação Não existindo renda a ser tributada, não se pode cogitar em aplicação da abusiva multa de 150%. Na eventualidade de haver a manutenção do principal, mesmo assim a multa não pode prevalecer. A atitude do contribuinte não configura a hipótese legal ensejadora da aplicação da multa, uma vez que não ficou comprovada qualquer prática fraudulenta à legislação fiscal, de parte do contribuinte. A simples movimentação financeira não é fato ilícito que comporte a incidência de multa. o estado de direito democrático impede que qualquer penalidade seja aplicada por simples presunção, devendo ser comprovada a ocorrência do ilícito. Além disso, na hipótese de ser mantida a multa, ela deve ser reduzida a patamares que não impliquem o confisco do patrimônio do contribuinte. A multa deve respeitar o princípio da proporcional idade, guardando relação com a gravidade da infração. .X 7 Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 8 Houve o desrespeito ao principio do não-confisco, apregoado no art. 150, IV da Constituição. A vedação ao confisco tem estreita relação, ainda, com o direito de propriedade, conforme defende a doutrina. Trouxe à colação trecho da doutrina em que se fala que não pode o direito de propriedade ser ferido contra a vontade do proprietário. o patrimônio do contribuinte não pode ser dilapidado como resultado da exigência fiscal, sendo inadmissíveis multas excessivamente onerosas, irrazoáveis, insuportáveis, abusivas, enfim, desproporcionais à falta cometida. Requer seja a multa reduzida ao patamar de 20 a 30%, para evitar o confisco e o enriquecimento ilícito do Fisco. A vedação ao caráter confiscató rio da autuação tributária guarda também estreita relação com o princípio da capacidade contributiva. No caso concreto, não há plausibilidade da multa frente ao princípio da capacidade contributiva, uma vez que a multa está onerando o contribuinte excessivamente. Afirma ainda que os tribunais vêm reduzindo a multa flagrantemente confiscatória a padrões punitivos que não representem enriquecimento ilícito do ente tributante, obedecidos os princípios da razoabilidade e da eqüidade. Tendo em vista a não correspondência da atitude do contribuinte às hipóteses de incidência da multa contidas no art. 44 da Lei n" 9.430/96, requer a anulação da multa ou, subsidiariamente, reduzir seu percentual a 20% ou 30%, afastando o enriquecimento ilícito do Fisco e o confisco ao patrimônio do contribuinte. Da indevida apuração da Taxa Selic o STF já decidiu que é inconstitucional a TR, antecessora da taxa SELIC para fins de atualização monetária de valores. Em 5 de dezembro de 2007, os membros da 6' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, e considerou procedente em parte o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Tendo havido a perfeita identificação do contribuinte como beneficiário de recursos enviados ao exterior, .pelos dados obtidos das instituições financeiras envolvidas, não há por que 8 Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 9 prevalecer a alegação de erro na, identificação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada; PRELIMINAR - VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO O sigilo bancário, neste caso, foi afastado por ato de autoridade judicial estrangeira, no exercício da soberania do Estado estrangeiro e meramente transferido às autoridades brasileiras, por ordem da Justiça Federal. Não constitui violação da intimidade o simples acesso à movimentação bancária do contribuinte, vez que os atos administrativos reputam-se pautados na impessoal idade e os funcionários da administração tributária tem o dever legal de manter sigilo das informações a que tem acesso em função do cargo. Preliminar rejeitada PRELIMINAR. DECADÊNCIA. ANO-CALENDÁRIO 2001. Tendo havido a constatação do intuito doloso no sentido de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, o prazo decadencial a ser considerado é aquele do lançamento de oficio, isto é, extingue-se após cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ficando afastada a figura da homologação. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS ENVIADOS AO EXTERIOR A não-comprovação da origem dos recursos financeiros enviados para contas bancárias mantidas no exterior e não informados nas respectivas declarações de ajuste anuais autoriza a autuação lastreada na apuração de omissão de rendimentos. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO.Nã o pode ser inquinado pela alegação de confisco o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de rendimentos, bem como impôs multa de oficio que apresentou como base de cálculo o correspondente imposto apurado. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA (150%). A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de oficio, consubstanciadas pela tentativa de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto, é de se manter a multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). 9 Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 10 JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabeleci da. Lançamento Procedente Cientificado em 11/06/2008, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 08/07/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 226/261, acompanhado de anexos reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas, que aditando os seguintes pontos: - Da necessidade de observância do principio da legalidade; - Da preliminar de nulidade do auto de infração, pela fiscalização não buscar a verdade material; - Da irregular violação de sigilo bancário; - Do prazo decadencial do lançamento; - Da impossibilidade de incidência do IR sobre a movimentação financeira; - Da inexistência de comprovação de infringência aos dispositivos legais combatidos; - Da confiscatoriedade e ausência de razoabilidade da pena aplicada; - Da indevida aplicação da taxa selic; É o relatório. Io Processo n° 19515.000676/2007-14 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.167 Fl. 11 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator O recurso voluntário está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme o auto de infração, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos. Preliminarmente, cabe apontar uma questão prejudicial, entendo que ocorreu um erro na identificação da infração, de acordo com os documentos ocorreram depósitos bancários no exterior e em dólares tendo como beneficiário o contribuinte, mas esse fato apenas não têm o condão de comprovar que tais depósitos se referem a rendimentos recebidos pelo contribuinte. Está comprovado que os referidos depósitos originaram-se de recursos da conta no exterior, entretanto não restou comprovado pelo Fisco o motivo da transação ou a que título se deram os depósitos. Observe-se, que no auto de infração o Fisco relacionou, em tabela, valores de depósitos bancários creditados em suas contas nos anos de 2001, 2002 e 2003. Fato é que, na ação fiscal, não restou comprovada a natureza dos recursos depositados como "rendimentos" recebidos de modo a evidenciar a omissão de rendimentos recebidos. Em suma, entendo que, se existe previsão legal de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e se, de fato, essa origem não foi comprovada, descabe o lançamento com base na infração "Omissão de Rendimentos Recebidos", infração esta distinta e com enquadramento legal específico. Portanto, necessitaria estar provada pelo Fisco, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da percepção dos recursos depositados nas referidas contas bancárias, para que fosse possível aferir, se, de fato, tratavam-se de rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Como essa prova não é clara, não há como prosperar o lançamento com a infração e enquadramento legal indicado. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Sala çls Sessões, em 29 de ju o de 2009 Avk) L').) /frí ONIO LOPO MARTI Z - Relator II MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 19515.000676/2007-14 Recurso n°: 168.648 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2202-00.167. Brasília, 2 8 SEI 2009 Sy(liALLMANNig ,/E Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000953/2008-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 03/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art.35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art.35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 09 53 /2 00 8- 58 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15758.000953/200858 Acórdão n.º 2803002.135 S2TE03 Fl. 122 2 Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15758.000953/200858 Acórdão n.º 2803002.135 S2TE03 Fl. 123 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 1o e 3o, da Lei n. 8.2121991, todos por ter informado corretamente os fatos geradores de contribuições previdenciária no período de 01.2004 a 12.2004. A ciência do auto de infração inaugural foi em 03.12.2008 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: ilegalidade/inconstitucionalidade da aplicação da multa e juros (selic). Esse é o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15758.000953/200858 Acórdão n.º 2803002.135 S2TE03 Fl. 124 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção e da aplicação de juros (taxa Selic) em face do principios da legalidade, vedação ao confisco, capacidade contributiva, equidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. III Todavia, este voto discorda parcialmente do lançamento, quanto à aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15758.000953/200858 Acórdão n.º 2803002.135 S2TE03 Fl. 125 5 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15758.000953/200858 Acórdão n.º 2803002.135 S2TE03 Fl. 126 6 pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. IV Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art.35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10855.002749/99-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
FTNSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPETRAÇÃO DE
MANDADO DE SEGURANÇA COM O MESMO OBJETO DO
PEDIDO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto.
- Proferida a decisão definitiva na via judicial, resta à Administração curvarse ao decisum, promovendo seu cumprimento, nos exatos termos em que foi proferido.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.188
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Heroldes Bahr Neto
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 FTNSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COM O MESMO OBJETO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO.- A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. - Proferida a decisão definitiva na via judicial, resta à Administração curvar- se ao decisum, promovendo seu cumprimento, nos exatos termos em que foi proferido. • RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / i a Tunua Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso voluntário, nos teunos do voto do relator. LU LO GUERRA DE CASTRO Presidente )1 / I , I / I , , 1 i i ‘ak 1 , - ; / ' 1, n ,14' ,'", Il Ij 444 i ;41" • e ator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Balir Neto, Nilton Luiz Bartoli e Luis Marcelo Guerra de Castro. , 1 , /, 1 .., ..i Processo n° 10855.002749/99-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.188 Fl. 412 :k k 11 -..: Relatório --, Por bem retratar os fatos do presente processo administrativo, adoto como - relatório o despacho da DRF — Sorocaba (SP), de fls.404/407 : - "1)0 presente processo administrativo iniciou-se por força do pedido de restituição combinado com pedido de compensação apresentado pelo contribuinte em destaque (fls.01 a 02). Tais pedidos foram objeto de apreciação no âmbito desta delegacia, quando não se reconheceu o crédito pleiteado, nos termos do Despacho Decisório n° 1389/99, de folhas 45, que apresentou como fundamento da decisão a ocorrência da decadência do direito de pleitear, nos termos do artigo 168, 1, da Lei n°5.172/66 (CT1V). , Não se resignando com o referido indeferimento, o contribuinte apresentou impugnação que, apreciada pela DR I — Delegacia da Receita Federal de Julgamento, teve a solicitação indeferida «is. 70 a 73), ratificando o despacho proferido por esta delegacia. Contra a decisão da DRJ o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, onde foi dado provimento ao recurso, afastando a decadência do direito de pleitear a restituição e determinando o retorno dos autos à delegacia para verificar a efetividade dos alegados recolhimentos a maior do FINSOCIAL (fls.98 a 120). Diante da decisão prolatada no âmbito administrativo esta delegacia efetuou os cálculos necessários à apuração do crédito do contribuinte, bem como efetuou os procedimentos necessários à verificaçã o da suficiência dos indébitos do contribuinte para a quitação dos créditos tributários que se pretendia ver quitados (fls.278 a 287, 289 a 290 e 292 a 304). Destaque-se que, por intermédio do despacho de folhas 289/290, decidiu-se que a efetivação do procedimento de compensação deveria aguardar o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8 que, naquele momento, apresentava decisão favorável ao contribuinte. Ocorre que, durante a análise do processo administrativo n° 10855000104/2007-00 foi apurado que o Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8 já se encontra arquivado, sendo que a decisão judicial ali transitada em julgado é desfavorável ao contribuinte, fazendo-se necessário consignar tal fato neste processo administrativo, motivo pelo qual --1 providenciamos a juntada das cópias de folhas 339 a 401, extraídas do PAJ n° 10855000911/00-86, que faz o \ . . acompanhamento do referido Mandado de Segurança. \ 7 „/-. 3N. DA AÇÃO JUDICIAL Do pedido Analisando os documentos juntados às folhas 339 a 401, verifica-se que foi impetrado o Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8 por intermédio do qual o contribuinte requereu lhe fosse reconhecido o direito de efetuar a compensação, no prazo prescricional de 10 anos, indébitos de FINSOCLIL decorrentes de recolhimento efetuados em valor superior ao devido à alíquota de 0,5% sendo que tal compensação deveria se dar nos termos da Lei n° 8.383/91, com parcelas vencidas ou vincendas de créditos tributários de COFINS (fls.339 a 369). Da liminar Conforme decisão judicial de folhas 384 a 386, a liminar foi parcialmente deferida, possibilitando a compensação do FINSOCIAL recolhido indevidamente nos períodos de março/1990 a março/1991, com base em alíquotas superiores à 0,5% com débitos de tributos e contribuições vencidos e vincendos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Da sentença Em 06/09/2001 foi prolata sentença, cuja cópia encontra-se às folhas 387 a 393, julgando parcialmente procedente o pedido e concedendo em parte a segurança definitiva pleiteada para "...autorizar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL , que excederam à alíquota de 0,5% (meio por cento), no período compreendido entre março de 1990 e fevereiro de 1991, com parcelas vencidas ou vincendas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS." Do acórdão do TRF — 3 a Região Contra a referida sentença foi apresentada apelação que, apreciada pelo TRF — 3" Região (fls.394/399), culminou com o provimento da apelação da União e da remessa oficial declarando a prescrição dos créditos pleiteados, tendo ocorrido o trânsito em julgado do acórdão prolatado, conforme certidão de folhas 400. tal acórdão declara expressamente em sua ementa: O prazo para o contribuinte pleitear a compensação de tributo sujeito à homologação é de cinco anos, contados do pagamento antecipado, pro força do art.3°, da LC n° 118/2005. A LC n° 118/2005, no que diz respeito ao seu art.3°, deve ser aplicada quanto aos processos em curso, em razão do caráter interpretativo do dispositivo legal em questão. Prescritas as parcelas objeto da ação mandamental, vez que recolhidas anteriormente a cinco anos da sua propositura. Mandado de Segurança impetrado em 23.03.200. DARF's com recolhimento de outubro/89 março/91. 4 Processo n° 10855.002749/99-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.188 Fl. 413 Indevida a condenação em honorários advocatí cios em sede de Mandado de Segurança. Súmulas n's 512 do E. STF e 105 do E. STJ. Apelação da União e remessa oficial providas para decretar a prescrição, com a extinção do processo, com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, IV, do CPC. Os autos do processo judicial foram baixados à vara de origem, onde encontram-se arquivados, conforme despacho de folhas 401 e consulta de folhas 402. DO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO Conforme já dito, os procedimentos adotados nesta delegacia (fls.278 a 287, 289 a 290 e 292 a 304) ampararam-se no Acórdão prolatado pelo Conselho de Contribuintes (fis.98 a 120), onde se reconheceu que não havia ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição. Tal acórdão ao assim decidir amparou-se no entendimento de que tal prazo seria de 10 anos (cinco anos para a homologação do lançamento, contados a partir do fato jurídico tributário, mais cinco anos para repetição, contados a partir da homologação), sendo que, no presente caso concreto, quando da protocolização do pedido, em 13/08/99, não havia transcorrido o referido prazo de 10 anos. Entretanto, o TRF-3" Região ao enfrentar o mesmo caso concreto aqui em análise, no âmbito do citado Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8, adotou entendimento diferente, no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear a compensação de tributo sujeito a lançamento é de cinco anos, contados do pagamento antecipado, motivo pelo qual declarou a prescrição das parcelas objeto da referida ação mandamental (fls.394 a 399). Ressalte-se que, considerando o entendimento do TRF-3" Região, haveria ocorrido a perda do direito mesmo considerando-se a data de protocolo do processo administrativo. Registre-se que as parcelas objeto da referida ação mandamental são as mesmas que foram objeto do presente processo administrativo. Isto pode ser facilmente verificado ao se comparar as planilhas anexadas à petição inicial do referido mandamus (fls.370 a 381) com planilhas anexadas ao presente pedido de restituição/compensação (fls.25 a 30 e 32 a 37). • Registre-se também que, quando da apresentação do Recurso Voluntário, o contribuinte já havia impetrado o Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8 (protocolado em 23/03/200, conforme tela de folhas 402), fato este que, a nosso ver, apesar de ainda não noticiado no âmbito do presente processo administrativo quando do julgamento do Conselho de Contribuintes, configurou renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto, nos termos do Ato Declarató rio Normativo COSIT n°3/1996. Tal entendimento 1011Pdecorre do fato de que o mandanus impetrado requer expressamente o reconhecimento do prazo de 10 anos para a efetivação da compensação, enquanto que o Recurso Voluntário também pleiteia o mesmo direito, caracterizando assim o mesmo objeto." Após toda essa análise, juntados os documentos pela DRF, em especial a decisão final no Mandado de Segurança proferida pelo TRF-3" Região em 26/04/06 (fls.395/399), bem como a comprovação de trânsito em julgado do mesmo (fls.402), e em virtude dos fatos narrados, foram encaminhados os autos a este Conselho para manifestação e apreciação sobre a matéria anteriormente decidida pelo 2° Conselho de Contribuintes (fls.98/120). É o relatório. 011 _ Processo n° 10855.002749/99-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201 -00.188 Fl. 414 • Voto Conselheiro HEROLDES BAHR NETO, Relator O presente processo trata do Pedido de Restituição/Compensação de Finsocial, formalizado em 13/08/99, relativo às parcelas recolhidas acima da aliquota de 0,5%, referente ao período de apuração de setembro de 1989 a fevereiro de 1991, com os débitos vincendos relacionados no quadro 04 dos pedidos de compensação (fls.01/02 e 25). Ocorre que, indeferida a compensação em 09/12/99 pela DRF-Sorocaba (fis.5), por entender que havia decorrido o prazo decadencial de 5 anos para a restituição de Finsocial, a Contribuinte, em 23/03/2000, impetrou o Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8 (fis.339/369), requerendo o mesmo objeto do processo administrativo de compensação, qual seja, "reconhecimento do direito à compensação dos valores superiores à alíquota de 0,5% (meio por cento), recolhidos a título da contribuição ao FINSOCIAL, no período compreendido entre setembro de 1989 a fevereiro de 1991, com parc las vencidas ou vincendas da COFINS". Em 12/04/2000, foi obtida liminar no Mandado de Segurança, parcialmente procedente, concedendo a compensação referente aos períodos de março/1990 a março/1991 (fls.96/96). Enquanto isso, em sede de processo administrativo, ingressou a Contribuinte com recurso contra a decisão exarada pela DRF — Sorocaba e, em 22/08/2000, a DRJ — Campinas indeferiu a solicitação(fls.70/73). Irresignado com a decisão da DRJ, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, onde foi dado provimento ao mesmo, segundo ementa transcrita abaixo: FINSOCIAL — PRAZO PARA A REPETIÇÃO DO INDÉBITO — Tratando-se de hipótese em que o pagamento indevido encontra amparo na declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, no exercício do seu controle &Jia°, quanto às majorações de aliquotas dessa contribuição, conta-se tal prazo da data em que o sujeito passivo teve o seu direito reconhecido pela administração tributária, neste caso, a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95 (31.08.1995). Recurso Provido. No entanto, até o momento do julgamento pelo 2° Conselho, não constava no processo administrativo informação de que a Contribuinte tinha ingressado com ação judicial pleiteando o mesmo objeto dos presentes autos. Dessa forma, na seqüência, foi providenciada a juntada ao processo administrativo dos documentos referentes ao Mandado de Segurança n° 2000.610.000979-8 bem como das decisões obtidas no mesmo, motivo pelo qual retornaram os autos o de Contribuintes para se manifestar acerca da decisão exarada anteriormente, às fls.98120 Nessas condições, cumpre destacar que o cerne da questão da presente análise se restringe à concomitância do Mandado de Segurança em relação ao processo administrativo, bem como, da decisão final proferida naquele, situação esta que, repita-se, não se tinha conhecimento à época do julgamento no Conselho de Contribuintes. Primeiramente, vale ressaltar que quanto à concomitância das ações judicial e administrativa, no aspecto temporal, resta inequívoca a ocorrência da mesma, uma vez que, conforme as datas expostas acima, a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança enquanto estava em andamento a via administrativa, ou seja, logo após a decisão da DRF-Sorocaba que indeferiu o pedido de compensação, e assim, depois de impetrar o mandamus, prosseguiu na esfera administrativa, recorrendo à DRJ-Campinas contra decisão anteriormente prolatada, e por fim, ao Conselho de Contribuintes. Em relação à concomitância referente aos objetos, resta indiscutível a identidade entre o objeto do Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8 e o dos presentes autos, conforme pode ser nitidamente comprovado na certidão do TRF-3 a Região (fls.145): ... OBJETO: "...Reconhecimento do direito à compensação dos valores superiores à alíquota de 0,5% (meio por cento), recolhidos a título da contribuição ao FINSOCIAL, no período compreendido entre setembro de 1989 a fevereiro de 1991, com parcelas vencidas ou vincendas da COFLVS, ..."(grifo nosso) Assim, restou claro que a Contribuinte optou pela via judicial no que se refere ao objeto deste processo. Portanto, o entendimento deste Conselho é que em havendo identidade de objetos entre a ação judicial e o processo administrativo, configurada está a concomitância entre as esferas, e assim, caracterizada está a renúncia à via administrativa, uma vez que a decisão do Judiciário é soberana, se sobrepondo àquela. Desta feita, em havendo decisão definitiva da via judicial, resta à instância administrativa o seu cumprimento. Nesse sentido dispõe o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Anexo II da Portaria MF O 55, de 16/03/98): Art. 16. Em qualquer fase o recorrente poderá desistir do recurso em andamento nos Conselhos. ,sç 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção, sem ressalva, do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo Contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Segue a jurisprudência deste Conselho: "FINSOCL4L. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPETRAÇÂO DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PEDIDO ADM1NISTRATIVO.A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa Processo n° 10855.002749/99-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.188 Fl. 415 renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO." (grifo nosso) (Recurso n° 131420, Segunda Câmara — Terceiro Conselho de Contribuintes) Assim, o entendimento deste Conselho é que, em que pese a concomitância em relação ao tempo da propositura da ação judicial, em não havendo a identidade dos objetos das ações, não se configura a concomitância, no entanto, não é o que ocorre no caso, pois nitidamente observa-se que o propósito dos processos judicial e administrativo é o mesmo. Deste modo, havendo identidade entre os objetos das esferas administrativa e judicial, configurada está a concomitância, e conseqüentemente a renúncia à instancia administrativa, à qual cabe, por sua vez, somente cumprir o mandamento judicial. Assim, no momento em que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário o reconhecimento de direito creditório e, ao mesmo tempo, solicita à instância administrativa, desiste desta segunda, em preferência da primeira, em consonância com o princípio constitucional da unidade da jurisdição, previsto no art. 5 0, XXXV da Constituição Federal/88, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Nesse contexto, ocorre que, conforme discorrido acima, não só foi impetrado Mandado de Segurança pela Contribuinte, como em 26/04/2006, se obteve decisão fmal nos mesmos, (fls.3951399 e 402), conforme ementa do TRF-3 a Região, transcrita abaixo : MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. F1NSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS INDEVIDOS EM SEDE DE MANDADO DE SEGURANÇA (SÚMULAS NoS 105/STJ E 512/STF). • I. O prazo para o contribuinte pleitear a compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação é de cinco anos, contado do pagamento antecipado, por força do art.3°, da LC n° 118/2005. A LC n° 118/2005, no que diz respeito ao seu art.3°, deve ser aplicada quanto aos processos em curso, em razão do caráter interpretativo do dispositivo legal em questão. 2. Prescritas as parcelas objeto da ação mandamental, vez que recolhidas anteriormente a cinco anos da sua propositura. Mandado de Segurança impetrado em 23.03.2000. DARF 's com recolhimento de outubro/89 a março/91. 3. (..) 4. Apelação da União e remessa oficial providas para decretar a prescrição, com a extinção do processo, com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, IV, do CPC. Dessa forma, a segurança concedida parcialmente pela i a instância judiciária, proporcionando a compensação de FINSOCIAL nos períodos compreendidos entre setembro/89 e fevereiro/91, foi revertida pelo TRF-3 a Região, que entendeu, decaídos os créditos de FINSOCIAL da Contribuinte referentes a tal período. 411" E conforme tela de fis.402, o Mandado de Segurança encontra-se arquivado na vara de origem. - Assim, em face da existência de ação judicial por meio da qual a interessada : pleiteou a restituição/compensação objeto do presente processo e obteve uma decisão defmitiva, não cabe à autoridade julgadora administrativa apreciar a matéria, uma vez que a Constituição Federal adota o modelo de jurisdição una, sendo, portanto, a decisão judicial . transitada em julgado soberana. Desse modo, a decisão definitiva no Mandado de Segurança n° 2000.61.10.000979-8, que tratou da matéria objeto dos presentes autos, infirmou a competência administrativa para decidir de modo diverso. Nessas condições, tendo em vista a decisão definitiva nos autos do Mandado de Segurança, resta a este Conselho alterar a decisão anteriormente prolatada em fls.98/120, a fim de dar cumprimento ao que foi estabelecido no acórdão proferido pelo TRF'-3 a Região no processo 2000.61.10.000979-8, AMS 232314. • Dessa forma, NÃO CONHEÇO DO RECURSO, e declaro EXTINTO o presente feito, tendo em vista a ação judicial. S • a das Sesike-„, em 17 4 - 'unho í'ã 2019 # O tk‘l S i .° 10 4n À HEROLDES BAHR N O - R,I ator , , J.2.' io 1 1
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001234/2004-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
A área de reserva legal averbada e comprovada com outros documentos deve ser aceita para fins de apuração do ITR. A propósito, incide ao caso o enunciado da Súmula n. 41 CARF: a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
VALOR DA TERRA NUA. PROCEDIMENTO DE REVISÃO. IMPERATIVIDADE.
O valor da terra nua será determinado pela fiscalização com base em informações sobre preços de terras constante do SIPT sempre que forem identificados informações inexatas, incorretas ou fraudulentas prestadas pelo contribuinte, nos moldes em que previsto na legislação. Não sendo seguido o rito necessário, descabe a manutenção da autuação.
Numero da decisão: 9202-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A área de reserva legal averbada e comprovada com outros documentos deve ser aceita para fins de apuração do ITR. A propósito, incide ao caso o enunciado da Súmula n. 41 CARF: “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. VALOR DA TERRA NUA. PROCEDIMENTO DE REVISÃO. IMPERATIVIDADE. O valor da terra nua será determinado pela fiscalização com base em informações sobre preços de terras constante do SIPT sempre que forem identificados informações inexatas, incorretas ou fraudulentas prestadas pelo contribuinte, nos moldes em que previsto na legislação. Não sendo seguido o rito necessário, descabe a manutenção da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 12 34 /2 00 4- 77 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial apresentado à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suposta contrariedade em face do Acórdão n° 310200.087, de 26/03/2009, que foi assim ementado: RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A área de reserva legal averbada e comprovada com outros documentos deve ser aceita para fins de apuração do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROCEDIMENTO DE REVISÃO. IMPERATIVIDADE. O valor da terra nua será determinado pela fiscalização com base em informações sobre preços de terras constante do SIPT sempre que forem identificados informações inexatas, incorretas ou fraudulentas prestadas pelo contribuinte, nos moldes em que previsto na legislação. Não sendo seguido o rito necessário, descabe a manutenção da autuação. A recorrente indica que o acórdão recorrido teria contrariado os artigos 144, 179, 155 c/c 176, § 2 do CTN, 170; § 1 da Lei n° 6.938/81; 16, § 2 da Lei n° 4.771/65; 1, 8°, 10, caput e § 7° e 14, caput e § 1 da Lei n° 9.393/96; 12, § 1°, da Lei n° 8.629/93. Por meio do Despacho n. 001 – 1ª Câmara/3ª Seção [fl. 149], o i. Presidente daquele Órgão do CARF entendeu pelo seguimento do Especial. Intimado para se manifestar, o sujeito passivo mantevese silente. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10670.001234/200477 Acórdão n.º 9202002.684 CSRFT2 Fl. 9 3 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, e 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). O Recurso é tempestivo, a decisão foi não unânime, e a sessão de julgamento anterior a 30/06/2009. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária eextrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para• que uma área seja considerada de utilização limitada (reserva legal, reserva particular do patrimônio natural —RPPN, de declarado interesse ecológico, de servidão florestal, etc.) ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Aqui somente faremos considerações sobre a área de reserva legal, objeto do lançamento. A reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse• rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1°, § 2°, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país,determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (área tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, pareceme claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essa área de utilização limitada, ou seja, caso a área de reserva legal não exista, afastarseia a isenção legal, não se podendo deferir a benesse tributária simplesmente a partir dos percentuais abstratos de reserva legal previstos no art. 16 do Código Florestal. De outra banda, existindo tal área, o contribuinte pode se beneficiardo favor legal. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10670.001234/200477 Acórdão n.º 9202002.684 CSRFT2 Fl. 10 5 precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucariaangustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com conseqüências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10670.001234/200477 Acórdão n.º 9202002.684 CSRFT2 Fl. 11 7 precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. O contribuinte lembra, e isso é reconhecido no voto condutor da decisão recorrida, que as áreas foram averbadas em data posterior a de ocorrência dofato gerador (01/01/00), em 19 defevereiro de 2001, e que há inúmeros documentos (laudos etc)que atestam que estas áreas efetivamente existem.Também considera que o § 7° do artigo 10 da Lei 9.393196,introduzido pela MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001,dispensou o contribuinte da apresentação de documentos paraexoneração do imposto que incidiria nestas áreas. Temos então prova da existência da área de reserva legal, motivo pelo qual deve ser deferida conforme averbação, documento que, digase, possui fé pública, não tendo a fiscalização comprovado a sua inexistência. A propósito, incide ao caso o enunciado da Súmula n. 41 CARF: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 Quanto ao VTN, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas,incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto,considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629,de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita,preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnico se mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra: c) dimensão do imóvel Ante à legislação acima transcrita, depreendeseque, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso em apreço, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas. Tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto o lançamento, na parte do arbitramento do VTN, é improcedente Em face de todo o exposto encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela PFN,para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, para que seja mantida o decisum recorrido. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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