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Numero do processo: 10970.720122/2012-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 22 /2 01 2- 44 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000634/99-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 206 em face de decisão da DRJ/RJ de fls. 194 que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade de fls 152, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 66 .0 00 63 4/ 99 -0 1 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13766.000634/9901 Resolução nº 3201000.760 S3C2T1 Fl. 294 2 Como de costume, transcrevo o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: A Ementa do Acórdão da DRJ/RJ foi assim publicada: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de Apuração: 01/10/1989 a 31/08/191 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo tribunal Federal. Solicitação Indeferida." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13766.000634/9901 Resolução nº 3201000.760 S3C2T1 Fl. 295 3 Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conheço do tempestivo Recurso Voluntário. PRELIMINAR Com relação à preliminar de alegação do efeito suspensivo do Recurso Voluntário e a não obrigatoriedade de arrolamento de bens, verificase nos autos em fls. 274 a 291 que os créditos foram suspensos e o arrolamento de bens não mais exigido. Dessa forma, conforme Art. 33 do Decreto 70.235/72 (PAF) e Súmula Vinculante n.º 21 do STF, é inegável o efeito suspensivo do Recurso Voluntário e é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Contudo, é preciso considerar que a lide não está em condição de ser julgada, pelo exposto a seguir. DILIGÊNCIA Verificase que tanto as manifestações do contribuinte quanto as decisões administrativas presentes nos autos mencionam haver discussão judicial a respeito da inconstitucionalidade do Finsocial mas não há nos autos quaisquer peças judiciais ou informações a respeito. Em respeito ao devido processo legal, a ampla defesa e ao contraditório, reiteradamente este relator tem se manifestado a favor da diligência que instrua o processo para que ao contribuinte e ao Estado seja proferida decisão completa e satisfatória, fundamentada em informações verdadeiras e sólidas (vide Resolução 3201000.683). Também para evitar eventual descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, no caso do prosseguimento deste procedimento administrativo, a diligência se faz necessária. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13766.000634/9901 Resolução nº 3201000.760 S3C2T1 Fl. 296 4 Desta feita, com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, determinase que o contribuinte seja intimado para que junte aos autos os desdobramentos judiciais principais, com a juntada das decisões, certidões do trânsito em julgado, petições e movimentações da Ação Ordinária 9100036102 perante a Justiça Federal do Estado do Espírito Santo, Tribunal Regional Federal/ES. Tudo no prazo de 30 dias, prorrogável uma única vez por igual período. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.971874/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/05/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 74 /2 00 9- 19 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.326), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 518DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904941/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.358
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 41 /2 01 2- 40 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.269. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010008/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991
INCENTIVO FISCAL - FINAM. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. IRRETROATIVIDADE DA NORMA. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE SUSPENSÃO POR MEDIDA JUDICIAL DE DÉBITOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Salvo exceções expressas e principiológicas, as normas não podem retroagir, especialmente em matéria tributária, para gerar novo ônus ao Contribuinte.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
A suficiência de depósito judicial, em processo no qual há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é matéria a ser apreciada e ponderada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil. O mesmo se aplica quando há declaração judicial de extinção do débito.
Numero da decisão: 1402-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
CAIO CESAR NADER QUINTELLA- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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SUL PAULISTA DE ENERGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991 INCENTIVO FISCAL FINAM. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. IRRETROATIVIDADE DA NORMA. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE SUSPENSÃO POR MEDIDA JUDICIAL DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Salvo exceções expressas e principiológicas, as normas não podem retroagir, especialmente em matéria tributária, para gerar novo ônus ao Contribuinte. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. A suficiência de depósito judicial, em processo no qual há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é matéria a ser apreciada e ponderada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil. O mesmo se aplica quando há declaração judicial de extinção do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 00 08 /2 00 2- 11 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 420 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) CAIO CESAR NADER QUINTELLA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 397 a 415) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (fls. 379 a 392) que manteve o Despacho Decisório de indeferimento (fl. 175) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl.5). A opção pelo incentivo ao FINAM foi feita pela ora Recorrente, Cia. Sul Paulista de Energia, na sua DIPJ 1992, entregue em 14 de maio de 1992, relativa ao ano calendário de 1991. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 22/09/1994, apresentado por procurador do contribuinte, trazendo o recibo de entrega e cópias das Fichas 10, 12, 14, Anexos A, 1, 2 e 4 da DIPJ 1992, bem como cópias das DIPJs 1993 e 1994. Também instrui o pedido com inúmeros comprovantes de recolhimento de imposto de renda dos anoscalendário de 1991, 1992 e 1993 (fls. 07 a 131). Devidamente processado o Pedido, após juntada de Consulta ao CADIN, Certidão Previdenciária e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão em agosto e setembro de 2002, a Fiscalização regional emitiu Intimação inominada (fl. 171) solicitando DARF comprobatórios dos recolhimentos relativos ao IRPJ/1992, inclusive os referentes aos incentivos fiscais. A referida Solicitação não foi atendida pelo contribuinte (prazo de 30 dias), sendo exarado o r. Despacho Decisório (fls. 175) indeferindo PERC, na data de 26/03/2003. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 421 3 Tal decisão indefere o pedido com base na simples alegação de que não foram apresentados comprovantes de recolhimento do período da opção. Eis o trecho que fundamenta e decide pela rejeição do pedido: Diante de tal revés, a ora Recorrente apresentou "Recurso" (fazendo as vezes de Manifestação de Inconformidade fls. 191 a 273), alegando que a r. Decisão deveria ser reformada, vez que não teria sido anteriormente intimada a empresa para a apresentação da documentação solicitada e que o IRPJ de 1991 teria sido recolhido na sua integralidade, havendo na época da análise do pleito discussão judicial sobre a correção pela UFIR, sempre amparada por medida judicial suspensiva (liminar e depósitos), tendo sido já, àquela época, tais depósitos convertidos em renda União, satisfazendo qualquer diferença em aberto. O recurso foi instruído com vasta documentação, qual seja cópias da DIPJ de 1992, DARFs, cópia de Inicial de Mandado de Segurança, pedido de conversão do Mandado de Segurança em Medida Cautelar, cópias de depósitos judiciais, prints de andamentos processuais, inclusive determinação de conversão dos depósitos em renda da União. Em seguida, os autos foram instruídos por extratos do SINCOR e CONTACORPJ (fls. 289 a 313), sendo encaminhados para julgamento. Em razão das alegações de depósitos existente em relação a valores debatidos de IRPJ em 1992, em 10/10/2005, a DRJ paulista resolveu (fls. 315 a 317) que fosse procedida Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 422 4 diligência para a verificação se o contribuinte fazia jus ao beneficio fiscal conforme legislação vigente. Tendo em vista a mudança de jurisdição do contribuinte, os autos foram posteriormente redirecionados a SEORT de Campinas/SP, que iniciou procedimento para verificação se o débito de IRPJ1992 (anocalendário1991) encontrase quitado, considerando a informação do postulante de que teria havido o depósito em renda da União, considerando o Mandado de Segurança nº 92.0058299. Foram consultados andamentos processuais eletrônicos do processo judicial, consulta de inscrição da PGFN e produzida informação da SECAT sobre a situação daquele processo (fls. 325 a 339), sendo, ao final, proferido r. Despacho, nos seguintes termos: Após determinada a ciência da ora Recorrente de tal r. Despacho, que não se manifestou sobre tal posição, os autos foram encaminhados à DRJ de São Paulo I, que proferiu o v. Acórdão (fls. 379 a 391), ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 423 5 (...) (...) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 424 6 Em face do v. Acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 397 a 415), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade, fazendo também alusão a todos os documentos que a instruem, sem acostar nova documentação probatória. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 425 7 É o relatório. Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, é necessário frisar que se verifica nos autos a presença de atos eivados de nulidade material, configurando verdadeira matéria de ordem de pública, a qual o Julgador tem o dever e a prerrogativa de conhecer de plano, independentemente da invocação das partes, a qualquer tempo. In casu, notase, desde as folhas iniciais do presente feito, que a opção pelo incentivo de investimento no FINAM foi efetuada pela Recorrente na sua DIPJ de 1992, entregue regularmente em 14/05/1992. À época, a Lei nº 9.069/1995 não vigorava, posto que é fruto de conversão da Medida Provisória nº 1.027, de 20 de junho de 1995. Por sua vez, todas as análises e denegações do PERC, único objeto do presente processo, basearamse no artigo 60 da Lei nº 9.069/95. Ainda, o próprio Pedido (PERC) foi apresentado em 22/09/1994, também antes da edição e vigência do normativo que sustentou a sua denegação ao longo do presente processo. Dessa forma, estamos diante de uma clara violação do Princípio da Irretroatividade (Tempus Regit Actum), sendo tal princípio, na verdade, uma norma geral de Direito brasileiro, aplicável a toda atividade jurisdicional e administrativa da nação, imponível aos atos de todos os Poderes do Estado. Tal regra se materializa no artigo 6º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro1. 1 Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 426 8 Dessa forma, temos que o ato praticado pelo contribuinte (opção pelo incentivo ao FINAM), foi praticado ANTES da vigência do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, o qual inaugurou na esfera federal o óbice geral ao gozo de incentivo ou benefício por contribuinte que possui débitos tributários exigíveis. Anteriormente a tal norma que, digase, é plenamente razoável, não sendo o seu conteúdo objeto de discussão não havia dispositivo equivalente capaz de fundamentar a negativa feita à ora Recorrente em relação ao gozo do benefício eficazmente optado, como expresso em sua obrigação acessória. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional CTN, especificamente na primeira parte do seu artigo 205 traz a seguinte previsão: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Tal prescrição autoriza o Fisco exigir, em determinadas situações, a prova de quitação determinados tributos, como é o caso dos processos administrativos que analisam os PERCs. Nesse sentido, inclusive à luz da Súmula 37 do CARF/MF e sua pacifica jurisprudência, cabe à Administração Pública verificar e apontar ao contribuinte se haveria débito em aberto e este, por sua vez, proceder à prova de quitação, inexigibilidade ou suspensão daquele crédito tributário. Contudo, temos que tal exigência deve ser feita por lei, como resta claríssimo da leitura do dispositivo autorizador de tal exigência da Fiscalização. Como mencionado, antes da Lei nº 9.065/95, não havia um dispositivo geral que regulasse tal exigência para benefícios e incentivos no âmbito federal. § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 427 9 É certo que, até a edição de tal norma federal de máxima amplitude, muitas leis que instituíam benesses tributárias ou regulavam a sua fruição traziam, em seu próprio corpo, a mesma exigência, ou semelhante, como requisito para o seu proveito. Nessa esteira, o FINAM foi instituído pelo DecretoLei nº 1.376/74, sendo alterado, modificado e regulamentado posteriormente pela Lei nº 8.167/91 e pelo Decreto 101/91, apesar desse último normativo não possuir força de lei, propriamente dita. Analisando as referidas normas, inclusive o decreto regulamentador, não encontrase nenhuma disposição que exige do contribuinte a quitação de tributos e contribuições federais, ou mesmo a ausência de quaisquer outros débitos tributários, como condição para a destinação de parte do seu Imposto de Renda ao Fundo de desenvolvimento regional em questão. Posto isso, concluíse que, à época da opção e, mesmo da apresentação do PERC ora sob análise, não havia lei, fosse geral ou específica, que fundamentasse os atos e decisões de denegação do gozo do incentivo optado pela Recorrente. Nem se diga que as razões de indeferimento foram outras, diferentes da existência de débitos ativos em face do contribuinte, vez que essa foi a única explicação e exigência feita e comunicada ao contribuinte. Diante do exposto, o v. Acórdão "a quo" deve ser reformado diante de tamanha violação legal, para se deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal em seus termos. A título de argumentação, em situação hipotética em que não houvesse tal nulidade material no presente processo, também fica claro que o v. Acórdão merece reforma, sendo o PERC procedente por outras razões. Isso pois, tal r. Decisório se fundamenta no argumento de que a SEORT regional concluiu que o depósito por ele efetuado foi em quantidade insuficiente para a suspensão total do depósito sub judice, não fazendo jus ao beneficio nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95, bem como se poderia constatar que os valores dos depósitos judiciais efetuados foram imputados no sistema SICALC para verificação da sua suficiência, concluindose negativamente. E, por sua vez, supostamente ciente de tal conclusão, a Recorrente não se manifestou, justificando, então o indeferimento do PERC. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 428 10 A efetiva conclusão de insuficiência de depósito se deu através de informações e r. Despacho da SECAT, que analisou o processo judicial referente à correção pela UFIR e seus depósitos judiciais correspondentes a estas supostas pendências de correção monetária de tributos devidos pela Recorrente. Confirase tais despachos (fls. 335 a 339): Senhor chefe, As autoras perseguindo a declaração de inconstitucionalidadeda (SIC) Lei 8383/91, para afastar a exigência da aplicação da UFIR os tributos já apurados no exercício de 1992. Requerem na Medida Cautelar, Liminar para suspensão da exigibilidade do crédito tributário em montante equivalente ao impugnado acréscimo da UFIR sobre IRPJ apurado na DIRPJ/92, anocalendário 1991, além da autorização para depósito judicial no montante do valor em discussão para se resguardarem do pagamento da mora sobre o mesmo. Deferido o depósito. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário. A Ação, no mérito, foi julgada improcedente. A apelação apresentada foi recebida nos seus regulares efeitos. No tribunal foi negado provimento à apelação. Houve interposição de Recurso Especial que não foi admitido. Houve interposição de Agravo de Instrumento de despacho denegatório em Recurso Especial. Negado seguimento no STF pelo Relator. Trânsito em julgado em 14/05/2001 Isto posto, passamos à verificação da suficiência dos depósitos judiciais efetuados. Utilizando o sistema Sicalc concluímos que os depósitos não são suficientes para quitar os saldos do IRPJ que restaram devedores no Ex./92, confome cc PJ. Extrato da conta de depósito obtida no SINALDEP (fI. ) mostra saldo. Propomos a regularização da cc da interessada com emissão de carta cobrança do saldo da parcela do IRPJ/92, cujo principal importa em R$ 1.798,02, e que restou devedor após vinculação dos depósitos judiciais efetuados transferência dos saldos quitados das demais parcelas para processo de representação para envio do mesmo à PSFN/CPS para providenciar a conversão da totalidade do depósito em renda da União Federal. Sr. Chefe, Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 429 11 Relativamente à ação acima foi verificada a suficiência dos depósitos e da conversão, tendo em vista que a União logrou êxito. No tocante aos depósitos, estes foram insuficientes (f. 227, 235 e 241), dando ensejo às cartas de cobrança às f. 245 a 247. A total convertido encontrase sem discrepâncias com os cálculos efetuados pelo DEPJUD (f. 217 a 219 e f.232, 238 e 244). Dessa forma, proponho o e via das cartas de cobrança acima. (...) Por meio de Manifestação de Inconformidade, o contribuinte objetiva ter deferido o "Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos ao FINAM", que foi indeferido em virtude do recolhimento incompleto do IRPJ devido no ano calendário de 1991, exercício 1992. A Administração Tributária denegou o benefício alegando violação ao art. 60 da Lei n º9.069/95. A empresa declara não ter procedência o recolhimento a menor alegado pelo Fisco, pois o valor estaria depositado judicialmente, com fundamento no MC nº O92.00.58299. O contribuinte informa, inclusive, que já fora solicitada a conversão em renda do total depositado. 0bs.: O recolhimento a menor corresponde aos valores referentes à correção monetária calculada pela UFIR no período. Através da AO n º 92.00.604331, o contribuinte discutiu a legalidade da aplicação da UFIR como critério de correção monetária. Como se verifica, os N. Agentes Fiscais analisaram o valor dos depósitos e cruzaram com os valores abertos no sistema da RFB e, utilizando o sofware "Sicalc", concluíram que seriam estes insuficientes. Contudo, tal postura parece extrapolar a competência do r. Órgão de Arrecadação, vez que os depósitos já tinham sido aceitos pelo Poder Judiciário, sendo inclusive determinada, por decisão judicial, a suspensão do débito garantido. Nessa esteira, na mesma data da prolatação de tal despacho (19/09/2007), foi feita consulta sobre o débito na "Consulta de Inscrição" da PGFN, e o débito ainda constava com a sua exigibilidade ainda suspensa: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 430 12 Ainda na mesma data, foi juntado aos autos as seguintes telas de andamento processual eletrônico: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 431 13 Diante disso, temos primeiramente o seguinte ponto: na mesma semana da entrega da DIPJ 1992 foi impetrado o Mandado de Segurança (posteriormente convertido em Medida Cautelar), levando a matéria para competência do Poder Judiciário, que diante dos depósitos suspendeu a exigibilidade das diferenças de atualização do Imposto pela UFIR, objeto daquele feito. Como se nota nas cópias da medida judicial e depósitos acostados aos autos, os depósitos foram efetuados logo após o ajuizamento da Ação, em 1992, sendo determinada a suspensão da exigibilidade do débito desde então. Frisese que, o suposto débito em questão apenas consta como pendência a partir de 2004, quando da sua inscrição em dívida ativa e, mais importe ainda, no Extrato de débitos mais antigo do contribuinte juntado aos autos (emitido em 2002) não constam débitos do IRPJ de 1991 abertos. Uma vez determinado pelo Poder Judiciário a suspensão da exigibilidade do débito, no caso específico pelo atendimento ao previsto no inciso II do art. 151 do CTN2, não caberia mais aos N. Servidores da RFB ponderarem, de forma paralela, sua suficiência ou não, vez que tais fatos já foram objetos de apreciação e ordem judicial expressa determinando sua suspensão. 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 432 14 Ainda, como se observa nas folhas 327 a 333, a própria SECAT quando elaborou o seu r. Despacho, concluindo pela insuficiência de depósito, juntou aos autos cópias eletrônicas da decisão judicial que determinava a conversão do depósito em renda da União e, especialmente, da decisão final, declarando objetiva e processualmente a extinção do débito debatido naquela Ação nos termos do art. 794, inciso I, do CPC/1973. Frisese que na consulta efetuada pela SECAT ao sistema da PGFN o débito ainda aparecia como suspenso por medida judicial. Dessa forma, estamos diante de um atropelo de competência e processamento de informações pelo Órgão da RFB, seja em relação à PGFN ou ao próprio Poder Judiciário, no sentido de que, apenas com base em cálculos próprios, através da Sicalc, ignorando as decisões do judiciário e a situação cadastral do débito na D. Procuradoria, concluiuse que o valor dos depósitos eram insuficientes, sendo tal conclusão o único fundamento do v. Acórdão para negar o PERC. A suficiência de depósito, sem dúvida, é matéria que deve ser verificada e apurada pelas Autoridades Tributárias, mas deve ser feito formalmente, na esfera de competência em que se debate o débito, dentro do momento processual adequado e perante o crivo jurisdicional do Juízo competente. Se em algum momento houve, então, tal insuficiência, tal fato deveria ser arguido, demonstrado e a sua correção perquirida pela PGFN, perante o Poder Judiciário. Não poderia a RFB rever os atos do Poder Judiciário, tendo em vista que foi concedida medida suspendendo a exigibilidade do débito mediante os depósitos e, inclusive, posteriormente, saldado tal débito, com expressa declaração de satisfação deste. Posto isso, considerando a documentação juntado pela Recorrente referente aos recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1991, a medida judicial prontamente impetrada em 1992, seus depósitos e decisões judiciais, bem como as informações juntadas aos autos pela própria Fiscalização, concluíse que foi demonstrado no decorrer do Processo Administrativo, com sucesso, a suspensão da exigibilidade e posterior extinção da única e suposta pendência tributária do contribuinte que obstou o deferimento do PERC. Por mais essa razão, o v. Acórdão deve ser reformado, considerando o teor da Súmula 37 e a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 433 15 Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas, condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. Assim, havendo provas no processo administrativo que o contribuinte não possuía débitos de tributos ou contribuições federais plenamente exigíveis, não há motivação legal para impedir a sua fruição. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão "a quo" e deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
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Numero do processo: 10860.904689/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarouse impedida de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 04 68 9/ 20 09 -1 3 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 149 2 RELATÓRIO Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: THYSSENKRUPP AUTOMATA INDUSTRIA DE PECAS LTDA.(contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado no presente processo. Tratase pedido de reconhecimento de direito creditório, formalizado mediante “Pedido de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP. A contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, objeto de compensação, conforme PERDCOMP de fls. 12, transmitida em 30/06/2006 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de setembro/2005 no valor de R$ 15.580,39. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, fl. 3, proferido em 11/8/2009, o pleito foi deferido parcialmente em face da apuração da existência do crédito disponível de apenas 235,60, ou seja, o pagamento que se alega foi realizado a maior já se encontrava alocado a débito declarado e confessado pelo próprio contribuinte no valor de R$ 15.344,79. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, à fl. 5 alegando que: (...) A alegação do interessado para ter direito ao crédito pleiteado seria a de possuir o respectivo saldo em razão do valor do débito declarado em DCTF retificadora. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 88 a 92) negou provimento nos termos do seguinte voto: A contribuinte alega basicamente que se equivocou no preenchimento da DCTF, daí a inexistência de credito, afirma que tal DCTF foi retificada, alguns dias antes do despacho decisório, ao final requer seja reconhecido o erro de fato. Descabe razão ao impugnante, isso porque inexiste no Perdcomp qualquer registro da contribuinte de qual seria o motivo do alegado “recolhimento a maior”. O Recolhimento que apontou como realizado a maior já esta alocado a débito regularmente confessado pela contribuinte . Logo, ao apreciar o pleito a Autoridade Administrativa constatou a inexistência de crédito disponíveis para compensação e corretamente indeferiu o pleito por esse motivo. Por certo, a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar a DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Se o pagamento Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 150 3 estivesse disponível, ai sim a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito deveria verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado não apresentou expressamente um recurso voluntário, mas sim um pedido à DRJ para, em face dos documentos apresentados, analisar novamente o seu pleito. Como não há tal procedimento no PAF, a manifestação do requerente foi recebida como recurso voluntário (fls. 104105). É o relatório do essencial. DA DILIGÊNCIA Por meio da resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016, desta Turma, o feito foi baixado em diligência para que a autoridade local adotasse as seguintes providências: a) esclarecer se o direito creditório do interessado é objeto do presente feito ou se foi objeto de outro processo; b) no caso de não ter sido analisado neste feito, informar o número do PERDCOMP originário em que o direito de crédito foi analisado, o número do processo administrativo em que essa análise foi realizada e o valor deferido; c) por fim, informar, detalhadamente, como o valor de R$ 15.344,79 apontado no despacho decisório número de rastreamento 844679977 (fl. 3) foi utilizado. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Em atenção à resolução de diligência, a autoridade local produziu o despacho de fls. 145146 com o seguinte teor: Ao analisar o débito de IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005, cuja extinção ocorreu por meio de pagamento em três cotas, e confrontando as informações da DCTF e as vinculações efetuadas no sistema da RFB, constatei erros nas mesmas. Havia pagamentos alocados para cotas distintas, ocasionando a utilização indevida de alguns e a “sobra” em outros. Após a correção das vinculações, do pagamento efetuado em 30/11/2005 comprovase um montante remanescente suficiente para o reconhecimento do saldo do crédito pleiteado (R$ 874,31). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 151 4 (...) [há uma tela de sistema neste intervalo] Tendo em vista que a diligência é favorável à contribuinte, e para agilizar o julgamento, deixo de dar ciência à mesma e proponho o retorno dos autos ao CARF para prosseguimento. É o relatório. VOTO A autoridade fiscal descumpriu integralmente o teor da resolução emanada por esta Turma de Julgamento e não o fez em favor do administrado. O contribuinte pleiteou o montante de R$ 15.580,39, sendolhe concedido apenas a quantia de R$ 235,60. O objeto da lide perfaz, pois, a diferença de R$ 15.344,79. É para obter informações com o fito de decidir acerca do direito a essa diferença que baixamos o feito em diligência com quesitos específicos a serem respondidos pela autoridade administrativa. Nada obstante, a autoridade devolveu o feito com a informação de que realmente havia erros em vinculações realizadas pelo sistema da Receita Federal e que, diante de tais erros, sem especificar quais, o particular teria um direito a "sobras" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60. Ainda sob a justificativa de que o despacho seria favorável ao particular, não lhe franqueou o direito de se manifestar antes de encaminhar o processo ao CARF. Ora, desde quando o "reconhecimento" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60, quando o pleito é de R$ 15.580,39 ou seja, quase 18 (dezoito) vezes maior é favorável ao interessado? Tendo em vista que a autoridade local não cumpriu, nem sequer em parte, o teor da resolução, proponho a devolução do feito para que a autoridade local cumpra integralmente a resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016 , advertindoa de que esta é a derradeira oportunidade, sob a sua omissão ser considerada para fins de decisão de mérito da lide. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006084/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra.
PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 60 84 /2 00 9- 07 Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA , que descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 32/148, que exige o montante de R$ 7.093.239,01 de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, R$ 5.319.927,34 de multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. O lançamento decorreu da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e também sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas , conforme descrito no item 8 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 149/178, tendo como enquadramento legal o artigo 674 do RIR/1999 — Decreto n° 3.000/1999 e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995. Cientificada em 18/06/2009, a interessada apresentou tempestivamente as impugnações de fls. 181/207, instruída com Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.706 3 os documentos de fls. 208/355, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Em preliminar e com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional argui a decadência dos lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos em 2003. Alega, que se falhas existem em sua contabilidade, se devem a problemas administrativas, mas que no entanto em momento algum deixou de submeter à tributação o total de suas receitas. Que quando constatou que tal fato havia ocorrido nos anos de 2004 e 2005, apresentou por sua livre e espontânea vontade denúncia de tal fato a Receita Federal do Brasil, recolhendo tais débitos e parcelando o restante. Aduz que efetuou diversos pagamentos regulares, não considerados pela fiscalização, para os fatos geradores de 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 401.070,74, além dos parcelamentos efetuados pelo Refis, no valor de R$ 325.972,56, e simplificado, no valor de R$ 539.762,65. Argumenta que não se furtou a apresentar a documentação solicitada pelo fisco. Que não ocorreram evidentes indícios de fraude e tampouco a documentação em questão é imprestável para fins de identificar a movimentação financeira. Que as notas fiscais de saída foram colocadas a disposição da fiscalização e assim continuam, conforme fazem prova alguns protocolos de entrega de documentos. Que valores foram apresentados à tributação por meio de denúncia espontânea cujos recolhimentos e valores parcelados não foram considerados. Diz que é empresa sujeita ao regime de lucro presumido, não estando sujeita ao recolhimento de tributos sobre o lucro real. Que a falta de escrituração, por si só, não configura que o imposto deixou de ser recolhido, pois a escrituração é obrigação acessória. Que não existe nexo causal direto entre a falta de escrituração e a falta de recolhimento do imposto. Contesta a autuação relativa a regularidade da escrituração das notas fiscais, já que não poderia ter vendido 86.576 metros estéreos de madeira sem a devida emissão de documento fiscal, omitindo desta foram receita, o que corresponde a 2.473 caminhões de mercadoria sem qualquer documento fiscal que acobertasse tal remessa, trafegando distâncias que variam de 20 a 600 quilômetros, sem que nenhum órgão de fiscalização municipal, estadual ou federal tivesse identificado e lavrado qualquer medida administrativa contra o mesmo por este motivo. No tocante a movimenta bancária alega que a partir dos extratos lhe foi solicitado a exata identificação de cada lançamento bancário e para os quais não conseguiu efetuar tal identificação, presumiu que a mesma se tratada de omissão de receitas. Mas, que não existe nexo causal entre os créditos bancários e receitas escrituradas. Que existem diversas operações financeiras que compõem o giro de caixa de uma empresa que não tem relação Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 com a atividade comercial, não se constituindo em base de cálculo para a tributação. Argumenta que o seu movimento bancário é perfeitamente compatível com o volume de Notas Fiscais emitidas. Que tomando como exemplo o ano de 2004, a fiscalização apresentou um valor de créditos bancários em valores superiores as receitas escrituradas de R$ 4.761.729,07 e o faturamento oferecido a tributação foi de aproximadamente R$ 10 milhões. Que a divergência se deve a duplicidade de lançamentos em função de valores de cheques devolvidos que foram reapresentados, empréstimos feitos junto a terceiros que ingressaram na conta corrente que foram pagos e em alguns casos retomados e pagos novamente, recursos adiantados a sócios que foram devolvidos, entre outros. Que não houve prova que algum comprador houvesse efetivado depósitos em sua conta corrente em valor superior ao das notas fiscais de venda que teve emitida contra si. Aduz que relativamente a suposta omissão pela existência de depósitos bancários, o fisco efetuou o cálculo do montante tributável tendo por base o arbitramento. Que é irregular a tributação desta forma, devendo a apuração ser obtida não somente pela simples existência de depósitos em conta bancária. Que pode afirmar que os depósitos bancários não contabilizados são indícios ou prova de omissão de receitas, mas essa receita deve ser apurada na forma da Lei, de acordo com o § 2 0 do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Argui que a fiscalização lança de ofício impostos relativos a Notas Fiscais não escrituradas sem comprovar que o imposto não foi recolhido independentemente da escrituração. Que os documentos que apresentou comprovam que houve recolhimento de impostos relativamente a operações que não haviam sido apresentadas a tributação e que não foram consideradas pela fiscalização. Contesta o lançamento da Cofins e do PIS, o que de acordo com o artigo 29 da Lei n° 9.430/1996, a base de cálculo é o faturamento, e não os depósitos bancários. Que o numerário depositado em instituição financeira não constitui, por si só, fato gerador do PIS ou da Cofins, porquanto caracteriza mera presunção do auferimento de renda. Questiona o enquadramento legal da multa de ofício e insurge contra seu agravamento, dizendo que sempre agiu de boafé, devendo a máfé ser comprovada pelo fisco, sendo indispensável a comprovação do dolo específico na prática da infração, não tendo ocorrido fraude no procedimento da empresa que sempre prestou as informações solicitadas e apresentou os documentos requeridos pela fiscalização, discorrendo a respeito. Alega o caráter confiscatório da multa de ofício e a ilegalidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.707 5 A DRJ/CTA julgou parcialmente procedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA Inexistindo pagamento, o direito de constituir o crédito tributário pode ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA Não tendo sido comprovada a apresentação da documentação contábil é de se manter o lançamento. MULTA. ALEGAÇÕES CONTRA A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Mantémse o lançamento quando as multas aplicadas, estando regularmente prevista na legislação, se mostram compatível com as ocorrências descritas nos autos. Ao julgador administrativo falece competência para determinar o afastamento de lei vigente, em decorrência • de alegada inconstitucionalidade. . JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 11 de abril de 1995 e legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A decisão da DRJ reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento mantendo a exigência de R$ 5.141.092,81 de principal de IRRF, para os períodos de apuração dos anos calendário de 2004 a 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Em face do montante exonerado, foi interposto Recurso de Ofício. Cientificado dessa decisão em 30/11/2009, na pessoa de seu procurador (fl. 391), o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 392/428 em 22/12/2009, no qual faz as seguintes alegações, em resumo: ocorreu a prescrição dos fatos geradores anteriores a 16/06/2004, uma vez que o auto de infração foi lançado em 16/06/2009, ultrapassando a barreira limite dos cinco anos; os valores não estão sujeitos à incidência do IRRF, pois não se referem a rendimentos de qualquer natureza, mas sim a pagamentos de boletos, contas, matériaprima etc. Cita Súmula nº 12 do 1º CC; Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 ainda que houvesse necessidade de retenção na fonte de alguma parcela dos valores transferidos, a obrigação pelo recolhimento passa a ser do beneficiário, quando este promove sua declaração de rendimentos. Da mesma forma em relação à pessoa jurídica. Nesse sentido o Parecer Normativo nº 1, de 24/09/2002; os eventuais valores mantidos devem ser exigidos dos beneficiários e não dele, Recorrente; ainda que a fiscalização tenha sido solicitada pelo Poder Judiciário, o processo administrativo não pode dispor dos dados bancários sigilosos do contribuinte, por afrontar o seu direito de sigilo (CF, art, 5º, X e XII); o que se verifica nas informações detidas pela Fiscalização, constante dos autos, é que os valores, em sua quase totalidade, foram identificados pelo banco, ao informar os dados requeridos com a quebra do sigilo; com a identificação ou a possibilidade de fazêlo deveria a Fiscalização buscar apurar junto aos beneficiários, nos termos da lei e da norma regulamentadora; a identificação dos beneficiários isenta a recorrente de quaisquer obrigações de recolhimento, devendo ser de pronto, cancelado o lançamento daqueles valores cuja identificação foi registrada pela própria Fiscalização; a Fiscalização poderia ter investigado a destinação dos recursos e apurar os beneficiários, assim como teria todos os meios para obrigar o banco a identificar individualizadamente cada operação de TED e DOC, para verificar a correta imposição de retenção; a Fiscalização entendeu que mesmo cheques devolvidos devem ser objeto de IRRF; a multa de ofício tem caráter confiscatório e a aplicação da taxa Selic é inconstitucional; não se admite a aplicação da correção monetária e juros moratórios juntamente com a taxa Selic. A Recorrente relacionou em uma tabela diversos lançamentos realizados em favor de pessoas jurídicas, alegando que foram identificados pela Fiscalização, importando em não retenção; elencou vários lançamentos informando serem pagamentos de títulos e boletos, os quais não seriam rendimentos sujeitos à tributação pretendida; listou diversos pagamentos argumentando que se trata de pagamentos a fornecedores. Ao final, pede, preliminarmente, a prescrição do período anterior a 16/06/2004 e a ilegalidade da obtenção dos dados bancários. No mérito, requer seja julgado procedente o Recurso Voluntário, com o cancelamento do auto de infração e, sucessivamente, a redução da multa e o afastamento da taxa Selic dos juros. É o relatório. Voto Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.708 7 Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de processo de exigência fiscal em face da Contribuinte acima identificada, por meio de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF , no valor de R$ 7.093.239,01, acrescido de multa de 75% e juros de mora, calculados até 29/05/2009, perfazendo o total de R$ 17.034.574,01 (fls. 2/149). O lançamento é decorrente da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados, bem como sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, tendo como enquadramento legal o artigo 674 do RIR/1999 (Decreto n° 3.000/1999) e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995. RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento mantendo a exigência de R$ 5.141.092,81 de principal de IRRF, para os períodos de apuração dos anoscalendário de 2004 a 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Tendo em vista que o total do crédito exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, considerando que o marco inicial da contagem do prazo decadencial foi o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento). No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC , cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRRF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). No presente caso, não consta dos autos que houve pagamento antecipado. Assim devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, os lançamentos poderiam ter sido realizados a partir do próprio ano. Portanto, o marco inicial da contagem do prazo decadencial foi o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento), tendo como prazo final o dia 31/12/2008. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 18/06/2009 (fl. 179), os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 foram alcançados pela decadência, conforme decidiu a DRJ. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.709 9 Alega o Recorrente que o prazo para lançamento de tributos expirase após cinco anos do fato gerador, razão pela qual ocorrera a prescrição dos fatos geradores anteriores a 16/06/2004. Conforme já explicitado acima, quando da apreciação do Recurso de Ofício, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC, o qual estabelece que sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Como não consta dos autos que houve pagamento antecipado, devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, já foi decidido que eles foram alcançados pela decadência. Em relação aos fatos geradores a partir de 31/12/2003, inclusive, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o dia 1º/01/2005, tendo como prazo final para lançamento o dia 31/12/2009. A ciência do auto de infração deuse em 18/06/2009 (fl. 179). Portanto, os lançamentos referentes aos fatos geradores a partir de 31/12/2003 não foram alcançados pela decadência. Dessa forma, rejeitase a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. DO SIGILO BANCÁRIO Sustenta a Recorrente que o processo administrativo não pode dispor dos dados bancários sigilosos do contribuinte, por afrontar o seu direito constitucional de sigilo, ainda que a fiscalização tenha sido solicitada pelo Poder Judiciário. Vêse que o procedimento fiscal teve início a partir de demanda da Procuradoria da República no Estado do Paraná e da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba, a qual concedeu a quebra de sigilo bancário da empresa fiscalizada, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 150/151) e o próprio Recorrente assim admitiu. Ou seja, o acesso da Fiscalização aos dados da movimentação da conta bancária do Contribuinte deuse mediante autorização judicial. Dessa forma, não tem razão o Recorrente ao alegar ilegalidade na obtenção dos dados da sua movimentação bancária, uma vez que foi o Poder Judiciário, por meio da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba, quem determinou a quebra do sigilo bancário. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA O Recorrente defende que os valores lançados não estão sujeitos à incidência do IRRF e, ainda que houvesse necessidade de retenção na fonte de alguma parcela dos valores Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 transferidos, a obrigação pelo recolhimento seria do beneficiário, quando este promovesse sua declaração de rendimentos e, da mesma forma, em relação à pessoa jurídica. Também não lhe assiste razão nesse ponto, uma vez que se trata de lançamento referente a pagamentos sem causa e/ou a beneficiário não identificado efetuados pela empresa fiscalizada, mediante retirada de recursos da sua conta bancária. Na infração aqui imputada, "imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados / pagamentos sem causa", cuja tributação é exclusiva na fonte, o sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que efetua o pagamento. O artigo 61 da lei nº 8.981/95 dispõe o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária (art. 121 do CTN). Nesse caso, quem tinha a obrigação de efetuar o recolhimento do IRRF exclusivamente na fonte era a pessoa jurídica que fizera os pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, ou seja, a empresa autuada, sendo ela o sujeito passivo da obrigação. Desse modo, não tem razão a Recorrente em se eximir da responsabilidade pelas infrações cometidas, tentando atribuílas a terceiros. Isto posto, rejeito as preliminares suscitadas pela Recorrente. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O Recorrente argumenta que os valores, em sua quase totalidade, foram identificados pelo banco, ao informar os dados requeridos com a quebra do sigilo. Afirma que, com a identificação ou a possibilidade de fazêlo deveria a Fiscalização buscar apurar junto aos beneficiários, nos termos da lei e da norma regulamentadora. Defende que a identificação dos beneficiários, como descrito, isentaa de quaisquer obrigações de recolhimento, devendo ser de pronto cancelado o lançamento daqueles valores cuja identificação foi registrada pela própria Fiscalização. Relaciona em uma tabela diversos lançamentos realizados em favor de pessoas jurídicas, alegando que foram identificados pela Fiscalização, importando em não Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.710 11 retenção, assim como elenca vários lançamentos informando serem pagamentos de títulos e boletos, os quais não seriam rendimentos sujeitos à tributação pretendida. Sustenta que a Fiscalização teria todos os meios para obrigar o banco a identificar individualizadamente cada operação de TED e DOC, para apurar a correta imposição de retenção. Apresenta também uma relação de diversos pagamentos alegando que se trata de pagamentos a fornecedores. Afirma, ainda, que a Fiscalização entendeu que mesmo cheques devolvidos devem ser objeto de IRRF. Inicialmente cabe ressaltar que a Contribuinte, em sua Impugnação, não contestou expressamente a matéria relativa à falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, conforme se verifica pela decisão da DRJ, transcrita parcialmente abaixo: No tocante as alegações quanto a pagamentos efetuados, regularidade da escrituração das notas fiscais, movimentação bancária e da tributação do faturamento, tratase de matéria estranha a presente lide que versa sobre a falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e também sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, enquadradas no artigo 674 do RIR/1999 e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995, a seguir transcrito: [...] Sobre essa matéria não foi expressamente contestada pela impugnante, sendo que em relação as demais matérias já foram analisadas no processo n° 10980.006088/200987. Como essa matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, uma vez que não foi contestada por ocasião da impugnação, entendo que ela está fora do litígio. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Outrossim, apenas a título de argumentação, observase que foram anexados aos autos uma grande quantidade de documentos, aos quais o Recorrente não fez nenhuma remissão em seu recurso. No entanto, o Decreto 70.235/72 limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Reconheço que a jurisprudência deste Conselho tem abrandado o rigor dessa regra, em casos excepcionais, em prestígio ao princípio da verdade material. No entanto, esse abrandamento tem seus limites. Não se pode admitir que novos documentos sejam apresentados em sede de recurso, quando isso obstaculiza a apuração da autoridade fiscal. Do contrário, teríamos uma desordem no andamento lógico do processo, prejudicando a sua Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.711 13 conclusão. O processo é um caminhar para frente, consubstanciandose em uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas para que se não se transforme em uma querela interminável. Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo "Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal" esclarecem: [...] iv) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. v) O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente. (LÓPEZ, Maria Tereza Martinez; BIANCHINI, Marcela Cheffer. A Prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 50). Nos ensinamentos de Grinover e outros: O instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual [...] Politicamente justificase a preclusão em virtude do princípio pelo qual a passagem de um ato processual para outro supõe o encerramento do anterior, de tal forma que os atos já praticados permaneçam firmes e inatacáveis. Quanto mais rígido o procedimento como é o brasileiro, por desenvolverse através de fases claramente destinadas pela lei maior se torna a importância da preclusão. (GRINOVER, Ada Pellegrini e Outros. Teoria geral do processo.16ª ed. Malheiros: São Paulo, 2000, p. 327328. (grifos do original). No caso de lançamento fiscal referente a pagamentos realizados a beneficiários não identificados ou cujas operações não foram comprovadas, penso que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, cabe ao contribuinte, quando intimado, identificar os beneficiários e comprovar a causa dos pagamentos efetuados. Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Nessa linha de entendimento, caberia à autoridade fiscal, após a identificação dos favorecidos e comprovada a causa dos pagamentos, proceder ou não à tributação dos valores recebidos, conforme as normas específicas previstas na legislação. Após a fase da autuação, sem que tenha havido a identificação dos beneficiários ou a comprovação da causa dos pagamentos, o contribuinte deve sofrer o ônus da tributação, em conformidade com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. A razão desse raciocínio reside na possibilidade de a identificação dos beneficiários ou a comprovação da operação ou a sua causa somente na fase contenciosa tornar inócua a tributação com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, pois os contribuintes poderiam aguardar a autuação e, por ocasião do contencioso administrativo, afastar a tributação tão somente com a identificação dos beneficiários ou a comprovação da operação, fazendo com que a Fiscalização não mais pudesse autuar os favorecidos, pois, certamente, a decadência já teria fulminado a pretensão de lançamento pelo Fisco. É que a tributação baseada no art. 61 da Lei nº 8.981/95 é uma espécie de substituição tributária, na qual se estabelece que o responsável pelo tributo é aquele que efetua o pagamento, visando garantir a efetividade das normas tributárias, uma vez que não se conhece o real beneficiário ou, quando conhecido, não se sabe a verdadeira causa do pagamento, impossibilitando a apuração da natureza do fato passível de tributação. Assim, como o Fisco não tem condições de tributar o beneficiário, o ônus do imposto recai sobre o responsável tributário, com fundamento em expressa previsão legal. No presente caso, observase que o Fiscalizado não logrou efetuar a comprovação durante a ação fiscal. Transcrevo a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal sobre o assunto: 8. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTICADOS / PAGAMENTO SEM CAUSA Conforme detalhado no capítulo 6.1, foi constatado que na escrituração da empresa houve registro de diversas retiradas da contacorrente bancária contabilizadas a débito de caixa (entrada), sem o respectivo registro das saídas da conta caixa (crédito). Como, comprovadamente estes valores foram remetidos a terceiros, deveriam ter sido contabilizados a crédito da conta banco e a débito do beneficiário. Entretanto, a empresa contabilizou a crédito da conta banco e a débito de caixa, como se os valores nesta última conta tivessem permanecido. É comprovado que os valores sequer transitaram pela conta caixa, quanto mais tenham se mantido nesta, pois se referem a operações bancárias, transferências, cheques nominais, TED, DOC, etc. Através dos Termo de Intimação n° 12, 15 e 17, a empresa foi intimada a identificar a natureza dos pagamentos (despesas, mútuos, distribuição de lucros), e todos os beneficiários e operações, dos valores que saíram da conta bancária, cuja entrada foi registrada no caixa, não havendo o correspondente registro da saída. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.712 15 Nas últimas planilhas apresentadas (fls. 70 a 123 anexo I), a empresa esclarece que parte dos pagamentos referemse a despesas. Entretanto, relativamente as retiradas relacionadas às fls. 02 a 25 (volume principal), não foram identificados os beneficiários dos valores e/ou as operações que originaram os pagamentos. Comprovado que os valores foram destinados a terceiros (TED, cheques nominais, DOC, etc) e a escrituração da empresa não registra a ocorrência de tais pagamentos (segundo a escrituração, os recursos permaneceram no caixa), e mesmo intimada, não identifica os beneficiários e/ou as operações que os originaram, fica configurada a hipótese legal de pagamentos a beneficiários não identificados ou operação sem comprovação. Os recursos retirados da empresa, que totalizam R$ 13.169.912,98, sem identificação dos beneficiários, ou com identificação do beneficiário, mas sem a comprovação da causa da operação, estão sujeitos à incidência na fonte pela alíquota préestabelecida. Assim, a base de cálculo do imposto deve se submeter ao reajuste previsto no artigo 61, parágrafo 3o, da Lei n° 8.981/95, efetivado em conformidade com a fórmula estabelecida no artigo 20, parágrafo Io, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Diante disto, todas as retiradas, comprovadamente destinadas a terceiros, cujos comprovantes não foram apresentados, e não foram identificados os beneficiários e/ou as operações que originaram as transferências de valores, relacionados nas planilhas apresentadas pela empresa e consolidados no Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação Sem Causa (fls. 02 a 25), estão sujeitos ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, por enquadraremse na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado/operação sem causa. Na planilha às fls. 26 a 31 encontramse demonstradas as bases de cálculo do IRRF, de acordo com a IN SRF n° 15/2001. No Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação Sem Causa estão relacionados todos os cheques destinados a terceiros, de valor igual ou superior a R$2.000,00 e as TED, DOC, transferências e pagamentos de títulos de qualquer valor, já que estes comprovadamente foram destinados a terceiros e não exigiram rastreamento. Dessa forma, não serão analisados os documentos acostados aos autos pela Contribuinte em sede de recurso voluntário, seja por terem sido apresentados em momento posterior ao adequado, seja porque a matéria já se encontra preclusa, conforme já exposto acima. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas". Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 DA MULTA APLICADA A Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação da Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DOS JUROS DE MORA Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, também não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no seguinte sentido: a) quanto ao Recurso de Ofício: NEGAR provimento ao recurso; b) quanto ao Recurso Voluntário: NÃO CONHECER do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas". Na parte conhecida, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.713 17 Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721181/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO DE IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referem-se à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referemse à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 11 81 /2 01 3- 43 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.721181/201343 Acórdão n.º 2401004.478 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário interposto em 05/06/2013 em face do Acórdão 1254.829 18a Turma da DRJ/RJII, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. O Acórdão recorrido, cuja ciência pelo contribuinte deuse em 17/05/2013, está assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Irresignado, o contribuinte alega que possui neoplasia maligna desde 04/10/2006, conforme certidão 1123/2012 emitida pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha e apresentou declaração de IRPF retificadora, o que teria gerado o crédito tributário deste processo. Neste recurso, apresenta documento Portaria de Reforma n. 0024/SIPM, de 28 de janeiro de 2013, publicada no DOU em 30/01/2013, Seção 2, pg. 7, que transforma a <reserva remunerada> em <reforma por invalidez definitiva>, com efeitos retroativos a 04/10/2006. Desta forma, não mais deve ter seus proventos de reforma tributados pelo IRPF a partir daquela data, conforme dispositivo legal vigente. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. A fundamentação legal para a isenção do IRPF para proventos de aposentadoria ou reforma motivados por acidente em serviço e recebidos pelos portadores neoplasia maligna (dentre outras moléstias graves relacionadas) está consignada no acórdão recorrido (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88). Entendo que o contribuinte apresentou os documentos comprobatórios necessários para usufruir o benefício: possui laudo emitido por serviço médico oficial da União e a portaria de transformação da reserva remunerada para reforma a partir de 2006. A concessão de aposentadoria ou reforma para servidores é um ato complexo, que exige não apenas a aprovação pelo órgão concedente, mas também a chancela do Tribunal de Contas da União. O ato de concessão da Reforma do contribuinte por invalidez, com data retroativa está comprovada no processo pela anexação das folhas da publicação do ato no Diário Oficial da União parte 2, do dia 30/01/2013, através da Portaria SIPM de 28/01/2013, e foi considerada legal pelo Tribunal de Contas da União, conforme Acórdão 2566/2014 proferido pela 2a. Câmara, na análise do processo TC012.125/20148, disponível no sítio do TCU (http://www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/RELAC/20140613/RL_0011_19_14_2_AA.doc). Dado o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 13802.001314/96-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPI. EXERCÍCIO 1993 PROPRIEDADE "REGISTRO DESPESAS
DEPRECIAÇÃ(.) MOVES, CONDOMÍNIO DEDUT11311,1DADE
- A mera ausência de registro no cartório de registro de imóveis não é sui-reiente
pala a glosa de despesas de condomínio e de depreciação de imóvel da
sociedade, quando comprovado através de documentos hábeis a negociação da
transferência da propriedade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
- Reconhecida a dedutibilidadc das despesas, não podem persistir as exigências
reflexas
MULTA. ATRASO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO
IMPUGNADA
- À míngua de impugnação, tornou-se definitivo o lançamento
Numero da decisão: 107-09.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barretto
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Recorrida 1" TURM A/DRI-SA [.VA DOR/BA IRPI. EXERCÍCIO 1993 PROPRIEDADE "REGISTRO DESPESAS DEPRECIAÇÃ(.) MOVES, CONDOMÍNIO DEDUT11311,1DADE - A mera ausência de registro no cartório de registro de imóveis não é sui-reiente pala a glosa de despesas de condomínio e de depreciação de imóvel da sociedade, quando comprovado através de documentos hábeis a negociação da transferência da propriedade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Reconhecida a dedutibilidadc das despesas, não podem persistir as exigências reflexas MULTA. ATRASO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - À míngua de impugnação, tornou-se definitivo o lançainurto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dai plov i meato ao recurso, nos lermos do i &ator io e voto que passam a integrar o presente julgado , i, A / I 412'0 MARCOS/ 1 ,l(CIIIS NEDEI.. DE LIMA - Presidente Ç-IrVk SII,VANA RÉSaGNO GUERRA BARRETE() - Relatora „-. EDITADO EM: U 9 iji .-)0 ¡O. ,“ 1 L - Participaram, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Marcos Viniei us Neder de Lima, Luiz Martins Valer°, 1-logo Correia Solem, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Décio I 'ima Jardim, Silvaria Reseigno Guert a Bar retto e Carlos Alberto Gonçalves Nunes 1 Procx:::so 13.W2 I 311/00405 CX.::(111(3)7 Acórdio ii 3 11.17-11.19.580 17 Relatório Em decorrência da ação fiscal iniciada em 09 de setembro de 1996, foram lavrados autos de infração relativos ao IRP..1, ao 1.I.ZRF e à CSLL do ano-calendário de 1992, por força de deduções realizadas no cálculo do lucro real decorrentes de despesas de depreciação e de condomínio relativas a imóvel de propriedade registrada. em nome de terceiros Inconformada com o kinçamento, a Recorrente apresentou Impugnação aduzindo, em síntese, que o imóvel objeto do Termo de Verifica.ção seria de propriedade da. Recorrei de e não dos seus sócios, haja vista a integral izacão do capital realizada cru 31 de outubro de 1990, registrada na IfiC:ÉS1) sob o flu 35209828977; Em seguida, aditou a Impugnação, acrescentando que o bem imóvel seria o único bem que compõe seu capital social, a multa de 100% imposta estaria em. desacordo com a Lei tr. 9.430/96 e que teriam sido violados os comandos dos arts.. 248 e 286, do RIR, aprovado pelo Decreto 11. 0 1.041/94.. Argumentou, ainda, que detém a propriedade econômica do bem e que o auto de infração agi ediria mandamentos do Código Tributário Nacional. A 1)1t1 manteve o lançamento por exigir registro no Cartório de Registro de Imóveis como requisito indispensável ao co.mputo das despesas incorridas para fins de apuração dos tributos, bem como em. razão do atraso na entrega da declaração de rendimentos relativa ao eXereiCi0 de 1992. A -Recorrente interpôs Recurso Voluntário se insurgindo apenas em lace das glosas de despesas relacionadas ao imóvel que assevera ser de sua propriedade, não se maio testando contra a aplicação da multa imposta cru razão do atraso na entrega dc declaração. É o relatório 2 PI ()cesso n'' 0013 1 4/96. CCO 1if:07 Acóntio n " 107-09580 179 VO i:0 Consel hei] a SI LV AN.A R ESCleiN0 Uri-1Z R.A BAR k 1JIO - Relatora Frata-se dc lançamento formalizado, em razao de glosa de despesas relacionadas a bem imóvel, com fundamento nos artigos 1.54, 157, parágrafo 1', 173; 221, parágrafo 7" e 387, inciso E, do RIR/80, sob a justificativa dc que inexistiria registro da transferêncra da propriedade no Cartório de Registro de Imóveis. Primeiramente, pontuo que os dispositivos legais invocados como suporte ao lançamento dizem respeito tão-somente à apuração do lucro real, não se referem diretamente a possibilidade ou não de dedução de despesas, notadamente aquelas relacionadas a bens do ali vo imobilizado, vei bis: t 154 'Lucro real é o lucro liquido do C.Verde10 ajustado pelas adioies, c.rciuoc oi.i compcns.açócs pi escrita) . 011 auiorizado por este rcgul(lmento ((ir tipo 387 c $88) (L),:creio_lei ri" 1 598/77, artigo 6)" A compensação de pé (juízo fisc:al está regulameniada no artigo 382 dofl1R/80, constante do Subtítulo ii - Lucro Real, tendo por base o lucro líquido do uk:ercielo apurado com observância da lei COMe I"c io!, ai t. 154 a .157 do citado regulamente),"ia verbis". ,4i. / 154 Lucro 7eal é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensaçõespi escr lias . ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei n"/ 598/77, art. (i') Ait 155 lucro líquido do exercício é a soma algébrica do lacro operacional ((.'apíltdo 11), dos 1 esultrulos não opep acionars (Capítulo 110. do saldo da conte de cot eção numerária 0,-4apitulo IV) e da, 7)01 tiupaçoes, e deverá s.er determinado com obsePvância dos pi «ceifos das lei comercial (Dcerelo-lci n'' 1 598/77, arr Ó, k Au t 156 - A pessoa jurídica será tributada de acordo com o lucro real determinado, anualmente, a partir das dvmonstr ações financeiras ( Artigo 172) Deci. o".) 844/13 - Ait $2) Ari 157 A pessoa jurídica sujeita a ti ibutaciío com base no lucro real deve manter- escrituração com ohseri>eincie das leis comerciais e fi.scais (Dcereto-lei n" 1 .598/77, mi 7") Art. 382 - A pessoa jurídica podera compensar o prejuízo ("pinado 11.10 período-base com o lucro re,il determinado rios 04 (guano) períodos-bdse sub.seqüentes. n" 1.598/77, at t. 6.1) k I" - O prejuízo compensáve/ é O apurado na demonstração do lucro p eai e registrado no I,ivro de Apuração do Lucro Real, cola . igido Gij /Vil iC (I8/ o balanço do período-base em que oco 1))') a compensação (Decreto-lei n" 1 .598/77, uri 64, 1") - Da análise do lançamento tal como efetuado, veriftea-se que a causa foi exclusivamente a ausência do registro do imóvel, não tendo sido suscitado ou abordado se o contribuinte cumpriu os requisitos do então vigente art. 191, do RIR/80 que exigia, paia a dedutibilidade, a necessidade da despesa, verbis: l'r“cesso 13M)2 001 - 14/96-05 01:01/C07 Acók dão ri " 107-09.580 o. 180 "Art, 191 - ,S'áo operacionais Os despesas não c:umputadas 7'105 C11570S. ncecs.sai its . à atividade da ciai); esa e à manuterrcão da respectiva finde produtora (Lei IP 4 506/64, dr 1. A ausência de fundamentação quanto à necessidade da despesa, capaz de torna- la dedutivel, torna prejudicado O exame no âmbito deste Conselho, sob pena de caracterizado cerceamento do direito de defesa do Recoi lente. Compulsando Os autos, veáliea-se que a única motivação para o lançamento foi a exigência de registro no Cartório de imóveis Cinge-se, portanto, a controvérsia acerca da possibilidade de, no exercício de 199:3, deduzir como despesa operacional, depreciação e gastos ielativos a imóvel esc!. iturado em nome de sócios da Recorrente que foi utilizado para integralização de capital em 31 de outubro de 1990, conforme contrato social registrado na .11.1C1-,B Entendo que o lançamento contábil no livro Diário (11 75), ratificado pelo contrato social devidamente registi ado, constitui pi ova suficiente da eletiva negociação da transferência de propliedade, a autorizar dedução das despesas efetivas e necessárias à sua manutenção., não considerando ser indispensável a averbação no competente Cartório de Registro de Imóveis, como exigido pela autoridade autuante e pela 1)Rt. Nesse sentido, invoco precedente desse Conselho, nos termos da ementa a seguir transcril a, verbis: 'iRPl— DESPL,S'ilS COA-1 ALUGUÉIS DEDUTIBILIDADE A ausência de registro no cartório de fetfistro de imóveis, por si só, em principio, não justifica a ,glosa de despesas de aluguéis pagos ao novo proptietátio, PIO 1(!(i documentalmente a efetividade da negociação de transferência da propriedade, sájcilando-s.c as devresas à análise thc,a1 da uktividade, necessidade, visualidade e n.o/ ma/idade dos dispêndios ao desenvolvimento das atividades da ci:ontribuirne ("WEL e — LXIGE.NCIAS DECORRENTES ...onforrnain-se ao decidido em relação ao MEU em face do suporte futico COMUM que a5 iiINItuern JUROS 1)1; MORA —JAX4 ,ELI( A-1171,1A DE LANÇAMENTO DE OliICIO Cor./sectários legais previS/OS urn legislac:ão vigellte de aplicação obrigatória e, indeclinável pula autoridade fiscal lançador a. IRP,1 - 1)ESPESAS OPERACIONAIS 12E57'ESAS COM DIREITOS AUTORAIS DEDUTIBILIDADh - ,,SOmente sweilos à limitação esn i belevida pelo (ui' 294 do RIR/1994, ox pa ,..arneritos que se refiram à transkrência de tecnologia (assistència técnica, cientifica, adminrstrativa ou semelhantes) As quantias pagas a título de direito autoral não t.:'..500 sujeitas ao limite imposto nu referido dispositivo obedecendo poi tanto as regras gerars Tmrd dedução de despesas 0N custos, pelos critérios de normalidadu, necessidade c usualidade, respeitado o re,irriu c:ompelência RecurNO qtíCi0 negado Rec.-urso voluntário provido (Recurso 153585, Re/ Cândido Rodrigues Nerrber, .Acór dão 105- 09,169) (gtilbs acrescidos) Aceitas as lir ovas apresentadas pai a a comi-novação da efetividade da negociação de transferência de propriedade e não tendo sido objeto do auto de infração os requisitos 11.CCCSS(U 1.0S à dedutibilidade das referidas despesas, não podem subsistir as 4 ()cesso n' 111202 001311/Q6-05 CCOI1C0 / Acói dão " 110 7-09.580 Is exigências do [Rl),J, da CSIÁ, e, consequentemente, do [RIU, exigido na lbrma do art,35, da Lei n,' 7 713/88. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências relativas ao 1R13j, IRR1 e CSLL, persistido apenas a imposição de multa regulamentar em razão do atraso da entiega da declaração de, rendi tnentos É Como voto Ylet- SII,VANA RESCIGNQ ([J ,RRA BARRE 110 MINISTÉRIO DAIAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO I)E RECURSOS PISCAIS OIJAR IA CÀMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo : 13802_001 14/96-05 Ariói dão n" : 107-09 580 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, ciedenciado junto a este Conselho, da decisão cousubstmciada no acórdão suipt a, nos termos do art 81, 3', do anexo 11, do Regimento lutei no do CARI', api ovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009 Brasília, 09 de inibo de 2010 aritUa ire ou,. a 11:8Rgtites-- Secretária da Carnal a Ciência Data: Nome: ocut adot (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PEN: H apenas com ciência; [ com RCCIII so Especial; _1 com Pmbargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003692/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram-se os embargos declaratórios. Acompanhou o julgamento, pela Embargada, o advogado Antonio Sinhiti Myasava, OAB/PR nº 25937.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PRESSUPOSTO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaramse os embargos declaratórios. Acompanhou o julgamento, pela Embargada, o advogado Antonio Sinhiti Myasava, OAB/PR nº 25937. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 36 92 /2 00 7- 90 Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de despacho para apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 e alteração, em face do acórdão n° 3201002.061, de 24/02/2016, que foi assim ementado: Assunto:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 PRELIMINARES DE NULIDADE.INEXISTÊNCIA. Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO A empresa tem direito ao reconhecimento do crédito do IPI decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, de acordo com decisão judicial, ainda que extra petita, posto que transitada em julgado, estando válida, vigente e eficaz. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS/CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. Deve ser efetuada a atualização monetária dos créditos que têm direito, posto que deferida pela sentença do TRF da 4ª Região, aplicandose os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n° 561 do Conselho de Justiça Federal. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 3201002.374 S3C2T1 Fl. 4.298 3 ESTABELECIMENTO DIVERSO. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Constatada a falta de recolhimento da exação impõese a sua exigência por meio de lançamento de oficio, a aplicação da multa de 75%, em conformidade com o art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora, com base na taxa Selic. MULTA CONFISCATÓRIA Aplicase Súmula CARF de n° 2. O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC Aplicase Súmula CARF de n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário a que se dá Provimento em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário; exceto quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo, que, nesta parte, davam provimento ao recurso. A Fazenda nacional apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando omissão, contradição e obscuridade a serem sanadas, tendo em vista a não fundamentação pelo afastamento da Súmula CARF nº 1, que proibiria o conhecimento da matéria levada ao Judiciário; assim, em relação a esse tema, continua, o Recurso Voluntário não merecia ser conhecido. A decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial e contradição entre os fundamentos do voto em relação ao item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL”, nestes termos: 1) Quanto à primeira matéria: É importante observar que essa matéria foi levada ao Judiciário pelo contribuinte. Portanto, em seu voto, a e. Turma deveria ter se pronunciado sobre o afastamento da Súmula CARF nº 1, que Fl. 4300DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 4 assim dispõe: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Assim, em relação a esse tema, o Recurso Voluntário não merecia ser conhecido. A decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial. 2) Quanto à segunda matéria: Registrese que no presente caso, o provimento judicial não determinou a incidência de Selic, o que impediria o Tribunal Administrativo de extrapolar a coisa julgada. A decisão judicial concedeu a segurança “nos termos requeridos”. Os tais termos requeridos eram exclusivamente a correção monetária, como se vê expressamente das argumentações de fls. 17 e ss. Assim, a e. Turma, ao afastar imotivadamente a Súmula CARF nº 1 e conhecer do recurso voluntário, ultrapassou os termos da decisão judicial e permitiu a aplicação de índices não condizentes com o decidido. Apesar de lacônico, pois não precisou que índices deveriam ser aplicados, o provimento jurisdicional foi cristalino em permitir apenas correção monetária, o que, de pronto, afasta a incidência de juros de mora. 3) Quanto à terceira matéria: Ademais, convém destacar que o Acórdão nº 3201002.061 também apresenta uma contradição na sua fundamentação. Vejamos: Nas fls. 4272, no item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL”, o Relator dispõe que “inexiste restrição, na decisão judicial, a esse aproveitamento do crédito, logo, inaplicável o raciocínio da segregação pela fiscalização”. Contudo, mais adiante em seu voto, aponta que comunga do mesmo entendimento contido no Acórdão nº 3202002.041. Ocorre que, esse julgado, em relação a esse assunto, acompanhou o raciocínio da fiscalização. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração, por conta das matérias apontadas acima. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Fl. 4301DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 3201002.374 S3C2T1 Fl. 4.299 5 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Para relembrar, versa o processo de auto de infração referente ao IPI não recolhido, acrescido de juros de mora e de multa, no período de abril/2002 a setembro/2006, por se utilizar de créditos indevidos. A mesma obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com Acórdão transitado em julgado, com certidão de 20/11/2000, que foi objeto de Recurso Voluntário julgado pela 1a Turma Ordinária, da 2a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, na sessão do dia em 24/02/2016, nos termos do Acórdão n° 3201 002.061, de 24/02/2016. Por sua vez, a Fazenda nacional apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando omissão, contradição e obscuridade a serem sanadas, tendo em vista a não fundamentação pelo afastamento da Súmula CARF nº 1, que proibiria o conhecimento da matéria levada ao Judiciário; assim, em relação a esse tema, continua, o Recurso Voluntário não merecia ser conhecido. A decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial e contradição entre os fundamentos do voto em relação ao item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL". Relatados os fatos, passemos à análise: 1) Quanto à primeira matéria: Sobre a alegação inicial de que no resultado do julgamento nada foi dito sobre o afastamento da Súmula CARF de n° 01, temse que de fato não houve referência direta, por desnecessária, pois a embargada obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com Acórdão transitado em julgado, com certidão de 20/11/2000, ou seja, o lançamento foi decorrente do entendimento da fiscalização de que o contribuinte teria exacerbado o provimento dado em decisão final, utilizando créditos ilegítimos de IPI para compensação, na escrita, com débitos do mesmo imposto, além aproveitar indevidamente crédito presumido de IPI, restando em aberto esse débito, ou seja, o lançamento foi decorrente da diferença apurada pela compensação indevida referente ao alcance e abrangência do M.S. 98.00209263 da 2 ª Vara da Justiça Federal do Paraná, conforme relatado na Folha de Continuação do Auto de Infração. Portanto, o auto de infração, em discussão, não foi realizado com efeito suspensivo para evitar a decadência e sim, por conta do entendimento da fiscalização da abrangência do MS. A embargada teve ciência do mesmo (AI). Logo, neste item, não há que se falar na existência de omissão no acórdão embargado, daí o seu conhecimento; bem como, não há que se falar em não observância da Súmula CARF n° 01. Quanto à 2) segunda matéria, que a decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices Fl. 4302DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 6 estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial, temse que consta na descrição do Auto de infração: Utilização dos Indices UFIR + 1% e Taxa SELIC como Correção Monetária. A fiscalização constatou, através da documentação apresentada, copies em anexo doc. de fls. 181 a 184, que a empresa utilizou para correção monetária dos créditos de IPI os índices da UFIR +.1%, ate dezembro de 1995 e a Taxa SELIC, a partir de Janeiro de 1996. Considerando que no âmbito legal a utilização do crédito do IPI se dá pelo valor nominal e que a decisão não fixou os índices de correção monetária, ouvido o Serviço de Tributação, este se manifestou , no sentido de que o aproveitamento dos créditos de IPI, no presente caso deve ser feito sem a correção monetária, já que, omissa a decisão judicial, não cabe a Administração fixar índices não previstos em lei. Conforme, cópias em anexo, docs, de fls. 105 a 107. A fiscalização em seu levantamento não utilizou nenhum índice de correção monetária. Verificase que na peça incial do MS, o contribuinte afirma que busca a declaração do direito de aplicar a correção monetária sobre créditos pretéritos não alcançados pela prescrição quinquenal não aproveitados na época, por oposição do fisco. O fato do MS, não haver determinado o índice, não prejudica a determinação judicial de existência da correção monetária. Enfim, é um aspecto não enfrentado pela autoridade fiscal que simplesmente desconsiderou a ordem judicial. Não resta dúvida que houve deferimento da correção monetária, o que possibilita ao contribuinte de forma conservadora utilizar os mesmos índices aplicados pelo fisco para correção de seu crédito tributário. Caso a autoridade fiscal não concordasse com esses índices, deveria substituir por outro índice, mas não afastar a incidência, uma vez que a aplicação decorre de decisão judicial transitada em julgado. Dessa maneira que as razões do AI são decorrentes de parte da glosa dos créditos escriturados, por entender que os mesmos terem sido escriturados sem nenhum tipo de correção. Enfim, os créditos pleiteados não admitidos pelo fisco, havendo oposição ilegítima do fisco à sua escrituração, daí o direito da atualização monetária sobre esses créditos. Portanto, também, nessa parte, não há que se falar em omissão no acórdão embargado, pois o mesmo enfrentou a matéria de atualização do crédito. 3Quanto à terceira matéria, sobre a contradição na limitação territorial da decisão judicial, a PGFN observa o seguinte: Ademais, convém destacar que o Acórdão nº 3201002.061 também apresenta uma contradição na sua fundamentação. Vejamos: Fl. 4303DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 3201002.374 S3C2T1 Fl. 4.300 7 Nas fls. 4272, no item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL”, o Relator dispõe que “inexiste restrição, na decisão judicial, a esse aproveitamento do crédito, logo, inaplicável o raciocínio da segregação pela fiscalização”. Contudo, mais adiante em seu voto, aponta que comunga do mesmo entendimento contido no Acórdão nº 3202002.041. Ocorre que, esse julgado, em relação a esse assunto, acompanhou o raciocínio da fiscalização. E por fim, em relação à alegação de conflito no julgamento, sobre a aplicação da decisão judicial (limites territoriais) pela possibilidade de aproveitamento de crédito em estabelecimento diverso e do exemplo, quando cito que comungo do mesmo entendimento no acórdão 3202002.041, que nesta parte é pela impossibilidade de aproveitamento, é necessário, antes de tudo, transcrever a ementa do julgamento e a parte que fundamenta o voto da Relatora, e percebe que não há contradição a macular o entendimento exposto: Ementa: CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Á fl. 4272, o voto, nesta parte: LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL Neste processo, a fiscalização avaliou somente os créditos do estabelecimento da Rua Valério Sobânia, ou seja, estabelecimento que moveu a ação judicial; desconsiderou qualquer crédito dos outros estabelecimentos da recorrente, com base no entendimento lastreado no princípio da autonomia dos estabelecimentos. Registrese que o Impetrante no Mandado de Segurança é a pessoa jurídica Bemeck, que é o titular do direito reconhecido pela decisão judicial final, que realizava apuração centralizada, por esse motivo, entendo que inexiste restrição, na decisão judicial, a esse aproveitamento do crédito, logo, inaplicável o raciocínio da segregação pela fiscalização. Já a ementa, neste contexto, do Acórdão nº 3202002.041, que ilustrei: CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO.IMPOSSIBILIDADE. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito Fl. 4304DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 8 Não obstante, serem conflitantes as ementas (nesta parte)possibilidade (acórdão ora embargado) e impossibilidade (ilustração), como já comentado, não invalida o voto em discussão, ao enveredar pela inexistência de restrição a esse aproveitamento de crédito e que a pessoa jurídica é a Berneck que é o titular do direito reconhecido pela decisão judicial final. Registrese que a ementa exemplificativa, levou a um engano, por conta da remissão à palavraimpossibilidade, inclusive, também, foi objeto de embargos; no entanto, não invalida o julgado que inclinouse pela possibilidade, não havendo conflito entre a ementa e fundamentação do mesmo com acompanhamento pela turma de julgamento pelo voto neste sentido. Ressaltese que sobre o acórdão exemplificativo, em todos os outros itens, não houve discórdia de outro tipo de entendimento. Portanto, também, nessa parte, não há que se falar em contradição na fundamentação e conclusão no acórdão, ora embargado, pois o mesmo enfrentou a matéria aproveitamento de crédito em estabelecimento diverso. Por todo o exposto, e com a devida vênia, não há que se falar em omissão, contradição e obscuridade no referido acórdão na parte que verse sobre o não enfrentamento pelo afastamento da Súmula Carf n° 1, e da atualização monetária; bem como o item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 4305DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
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