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Numero do processo: 11610.014892/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo.
Numero da decisão: 3201-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da Contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 92 /2 00 2- 34 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 141 2 para o PIS/Pasep dos fatos geradores ocorridos no período de 10/1997 a 12/1997 não recolhidos e declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado” razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 33 e 34 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$5.358,14 (cinco mil e trezentos e cinquenta e oito reais e quatorze centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1º, L 9249/95; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1495/9611 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1546/96 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/9727 e reed. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 11/06/02 (AR à fl. 93), o contribuinte protocolou em 10/07/2002 a impugnação de fl. 2 a 5, acompanhada dos documentos de fls. 673, na qual alega: DO DIREITO Da suspensão do crédito tributário 2.1. O crédito tributário ora exigido está em discussão judicial. Tal afirmação pode ser cabalmente demonstrada através de cópia do agravo de instrumento (doc. 04) e da liminar deferindo o agravo (doc. 05), publicada no Diário da Justiça da União em 05 de junho de 1996, que comprovam a existência do processo judicial n° 96.03.0360929 ora enunciado no presente Auto de Infração como "Proc. judicial não comprovado". 2.1.1. Podemos afirmar com segurança, portanto, que a exigibilidade do débito fiscal está integralmente suspensa, tendo em vista a comprovação do referido processo judicial. 2.1.2. Assim, resta evidente a improcedência do presente Auto de Infração, uma vez que tem por objeto a exigência de valores a título de PIS com exigibilidade suspensa. II. 2 Da ilegalidade da cobrança de multa e juros de mora. 2.2. Conforme demonstrado no tópico anterior, encontrase a ora Impugnante em procedimento judicial, o que impede que se proceda a lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a ser apurada. 2.2.1. De outra parte, o artigo 62 do Decreto 70.235/72 veda a autuação de contribuinte escorado em decisão judicial, conforme reproduzido. 2.2.2. Confirma a impossibilidade da autuação nos casos de prevenção da decadência, bem como a impossibilidade da cobrança de qualquer multa de ofício o artigo 63, da Lei 9430/96 reproduzido. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 142 3 2.2.3. Como conseqüência do total descabimento de cobrança de tributos,bem como de multa, é evidente a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre um montante que nem mesmo é devido. 2.2.4. Diante disso concluise que foi efetuado equivocadamente o lançamento tributário. Por esse motivo, não se pode chegar a outra conclusão senão que tal ato administrativo é nulo de pleno direito, razão pela qual deve ser completamente cancelado. DO PEDIDO. 2.3. Diante de todo o exposto, servese a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos. 2.3.1. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n° 923, 8 o andar, em atenção ao Dr. RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante destes autos. 2.4. Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. 3. No Despacho da EQAMJ de 01/12/2011 (fl. 92) consta: “Tratase de AIDCTF de débitos do PIS declarados em DCTF como compensados, vinculados ao Mandado de Segurança n° 96.00099650 / 20ª VF SP. Em análise, verificase que a ação transitou em julgado, em 18/12/2009 (fl. 77), no STF, com Acórdão negando provimento ao Recurso Extraordinário interposto pelo contribuinte em face de decisão do TRF3 que deu parcial provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial. Tal recurso de apelação foi interposto contra a sentença que concedeu a segurança para afastar a exigência do PIS na forma instituída pela Medida Provisória n° 1.212/95 e suas sucessivas reedições.”. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 PIS – DECISÃO JUDICIAL – APLICASE A MP 1212/1995. Foi decido pelo STF no Mandado de Segurança impetrado pelo Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei nº 9.715/98, que terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 143 4 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. JUROS DE MORA. Os juros de mora independem de formalização através de lançamento e serão devidos mesmo durante o período em que permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário. JUROS DE MORA – TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, porque encontrase amparada por lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico que promoveu a constituição de crédito tributário da Contribuição ao PIS/Pasep em relação a fatos geradores Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 144 5 ocorridos entre outubro e dezembro de 1997. A contribuinte informou em DCTF ter procedido com a compensação destes débitos com créditos decorrentes do processo judicial nº 96.03.0360929. O auto de infração informa que os créditos não foram confirmados, indicando, de forma genérica, a ocorrência de “Proc jud não comprovado”. Do exposto, constatase que a autuação tem por única motivação a não comprovação da ação judicial nº 96.03.0360929, informada pela recorrente em sua DCTF. Observase, contudo, que a recorrente trouxe aos autos provas de que, efetivamente, ingressou junto ao Poder Judiciário com a ação judicial nº 96.03.0360929, comprovando, portanto, a existência da ação. Desta forma, mostrase incorreto o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração. Como consequência, em não tendo sido constatada a situação que fundamenta o presente lançamento, o mesmo deve ser cancelado, exonerando o crédito tributário nele exigido. Neste mesmo sentido, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como a decisão cuja ementa se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ” e “proc inexist no Profisc”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. (Ac. 9303 001.700, 3ª Turma, sessão de 05/10/11, relator Rodrigo Cardozo Miranda) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 145 6 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905124/2012-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 24 /2 01 2- 57 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918613/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005
DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.
No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 86 13 /2 01 1- 16 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos tributários declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 08190.31710.031007.1.7.045790, às fls. 75/80, transmitida na data de 03/10/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior da Cofins não cumulativa, efetuado em 15/03/2005. A homologação parcial decorreu da insuficiência do crédito financeiro disponível para a compensação de todos os débitos, acrescidos de multa de mora, conforme Despacho Decisório às fls. 97, datado de 09/09/2011. Intimada daquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação integral das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: ... a administração fazendária incorreu em erro ao considerar a compensação pleiteada por meio da PER/Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.044201, uma vez que o crédito não foi utilizado para quitação do débito nela constante, e que a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausências de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado e transcreve doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0237.909, datado de 12/03/2012, às fls. 110/114, sob as seguintes ementas: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. A desistência do pedido de compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/Dcomp, o qual somente será deferida caso o pedido de compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento. COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação total ou parcial de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (120/139), requerendo a sua reforma, a fim de que se homologue integralmente a compensação dos débitos declarados, alegando, em síntese, a improcedência da multa de mora, exigida sobre os débitos cuja compensação foi homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários declarados e compensados, nos termos do CTN, art. 138, tendo em vista que as DCTF foram retificadas e as diferenças apuradas, compensadas, mediante a transmissão da Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Discorreu, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.918613/201116 Acórdão n.º 3301002.276 S3C3T1 Fl. 250 3 ainda, sobre a Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.044201, requerendo o seu cancelamento sob o argumento de que o crédito financeiro, nela declarado, não foi utilizado por ela. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O presente processo trata exclusivamente da Dcomp nº 08190.31710.031007.1.7.045790, às fls. 75/80. Assim, a apreciação e julgamento do pedido de cancelamento da Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.044201 ficou prejudicado. A homologação parcial da Dcomp, pela autoridade administrativa, teve como fundamento a insuficiência do crédito financeiro declarado para compensar todos os débitos, tendo vista o acréscimo da multa de mora. A recorrente contestou a incidência dessa penalidade, alegando a ocorrência da denúncia espontânea, tendo em vista que retificou e transmitiu as respectivas DCTF retificadoras em 02/10/2008 e as compensações foram efetuadas em 03/10/2007, mediante a transmissão da Dcomp. A multa moratória devida sobre débitos pagos a destempo está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...].” Segundo este dispositivo legal, a multa de mora é devida sempre que o débito tributário for pago depois do prazo do seu vencimento previsto na legislação específica, independentemente de ter sido declarado ou não e de ter sido efetuado antes de quaisquer procedimentos administrativos, visando sua cobrança. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Já o instituto da denúncia espontânea está previsto no CTN, art. 138, que assim estabelece: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ora, segundo este dispositivo, a responsabilidade somente é excluída pelo pagamento tempestivo do tributo devido ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa. No meu entendimento, a extinção de débito tributário declarado, mediante a transmissão de Dcomp, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não corresponde a pagamento, para efeito da denúncia espontânea, nos termos do dispositivo legal citado e transcrito acima. No entanto, por meio do REsp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.918613/201116 Acórdão n.º 3301002.276 S3C3T1 Fl. 251 5 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’" 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos constam do original) No presente caso, a Dcomp foi transmitida na data de 3 de outubro de 2007 e as DCTF retificadoras, informando os débitos e as respectivas compensações foram transmitidas em 2 de outubro de 2008. Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, a decisão do STJ, reconhecendose a ocorrência da denúncia espontânea, para afastar a exigência de multa de mora sobre os débitos declarados na Dcomp em discussão. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário apenas e tão somente para afastar a exigência de multa de mora sobre os débitos cuja compensação foi homologada pela autoridade administrativa. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10909.720865/2012-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011
PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. EMBALAGEM PARA BEBIDAS. TRIBUTAÇÃO AD REM VARIÁVEL DE ACORDO COM A DESTINAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA SUJEITO A AJUSTE. ART. 54 DA LEI 11.196/2005. ART. 5º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 604/2006.
Nas operações de importação submetidas à sistemática de recolhimento por estimativa sujeito a ajuste - prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005 e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB 604/2006 -, o lançamento de ofício deve tomar como critério, para a determinação das alíquotas aplicáveis, a destinação efetivamente dada às embalagens. O lançamento de diferenças do valor da estimativa apenas se legitima se as embalagens importadas não receberam destinação, não tendo sido submetidas ao ajuste.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF nº 28.460.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. EMBALAGEM PARA BEBIDAS. TRIBUTAÇÃO AD REM VARIÁVEL DE ACORDO COM A DESTINAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA SUJEITO A AJUSTE. ART. 54 DA LEI 11.196/2005. ART. 5º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 604/2006. Nas operações de importação submetidas à sistemática de recolhimento por estimativa sujeito a ajuste prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005 e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB 604/2006 , o lançamento de ofício deve tomar como critério, para a determinação das alíquotas aplicáveis, a destinação efetivamente dada às embalagens. O lançamento de diferenças do valor da estimativa apenas se legitima se as embalagens importadas não receberam destinação, não tendo sido submetidas ao ajuste. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 08 65 /2 01 2- 68 Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF nº 28.460. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário de PIS/CofinsImportação quanto a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2011 (fls. 2/1044). A motivação do lançamento, detalhada no termo de fls. 1045/1058, reside na divergência da Fiscalização quanto à forma de proceder a apuração por estimativa e o ajuste previstos no art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 604/2006, o qual deve ser aplicado na importação de embalagens para a fabricação de bebidas, com fundamento no Regime Aduaneiro Especial de Importação, previsto no art. 51, II, “b” da Lei 10.833/2003 e regulamentado pela Instrução Normativa SRF 604/2006. Neste Regime, o valor devido das contribuições é apurado em valor fixo por unidade, a depender do peso em gramas e da destinação que se dará às embalagens importadas. Mas no caso de importações em que não se saiba ainda qual será a destinação das embalagens, o valor é recolhido por estimativa para, depois, ser submetido a um ajuste, respeitando a destinação efetivamente dada às embalagens. A Fiscalização constatou diferenças entre as quantidades indicadas pela contribuinte na Declaração de Importação e as quantidades que teriam sido efetivamente comercializadas no trimestre calendário imediatamente anterior, o que teria implicado na incorreta aplicação das alíquotas cabíveis e no conseqüente recolhimento a menor das contribuições devidas. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1572/1617) alegando, em síntese, que: 1) uma das causas das divergências apontadas pelos cálculos da Fiscalização seria a inclusão indevida de embalagens préformas que não foram importadas, mas sim adquiridas no mercado nacional; 2) algumas das embalagens préformas que foram importadas teriam sido equivocadamente consideradas pela autoridade fiscal como destinadas ao envase de água ou refrigerante, ainda que hajam notas fiscais que atestem o contrário; 3) outra explicação para as divergências apontadas pela Fiscalização seria a inclusão de valores de notas fiscais de vendas que foram canceladas; 4) a Fiscalização não respeitou o texto da alteração introduzida pelo art. 19 da Lei 11.774/2008, pois não baseou suas estimativas nos três meses imediatamente Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.720865/201268 Acórdão n.º 3403002.665 S3C4T3 Fl. 3.859 3 anteriores ao período análise, mas sim no trimestre calendário anterior; 5) ainda que existissem tais diferenças, não seriam devidas considerandose a natureza não cumulativa do PIS/CofinsImportação, cujo regime possibilita a compensação do que é devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão nº 0731.298, de 30 de abril de 2013 (fls. 3844/3853), julgou procedente a impugnação, cancelando integralmente a exigência fiscal, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA DE VENDAS. PRÉFORMAS PARA ÁGUA E REFRIGERANTES. GRUPOS DE GRAMATURAS. No Regime Aduaneiro Especial previsto no artigo 52 da Lei nº 11.156/2005, relativo às embalagens préformas referidas na alínea “b” do inciso II do artigo 51 da Lei nº 10.833/2003, é permitido o recolhimento por estimativa das contribuições para o PIS/Pasepimportação e para a Cofinsimportação, aplicando se sobre as mercadorias, no momento do registro da Declaração de Importação, o percentual de vendas de embalagens no trimestre ou nos três meses anteriores. A partir do momento em que houve a detecção da diferença de valores recolhidos pelo contribuinte posterior ao momento da venda devido à destinação dada às embalagens após a importação, em ato de verificação fiscal, o cálculo do valor devido deve ser feito com base nas vendas efetivas das mercadorias importadas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista que o cancelamento do lançamento significou a exoneração de crédito tributário em valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, houve a interposição de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O acórdão da DRJ afastou integralmente a exigência fiscal, exonerando o contribuinte de valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34 do PAF. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. A discussão gira em torno da aplicação da sistemática de recolhimento por estimativa, prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.774/2008, e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB nº 604/2006, cujo texto prevê o seguinte: Art. 5º A pessoa jurídica comercial importadora, habilitada ao regime, caso desconheça a destinação das embalagens na data de registro da declaração de importação, recolherá a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a Cofins Importação por estimativa, tendo por base os percentuais de vendas das embalagens importadas no último trimestre calendário. (...) § 3º Verificado o recolhimento a menor da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, em função da destinação dada às embalagens após sua importação, a diferença, no período de apuração em que se verificar, será recolhida com o acréscimo de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados desde a data do registro da declaração de importação. Como se percebe, o recolhimento por estimativa não é definitivo, não resolve em si mesmo a obrigação tributária, mas depende de ajuste posterior, de acordo com a efetiva destinação dada à embalagem importada. Entendo, por isso, que não há nenhum reparo a fazer na decisão da DRJ, quando explica que “o momento do cálculo por estimativa é ́o do registro da Declaração de Importação quando não souber a destinação do produto. A partir do momento que houve a detecção da diferença de valores recolhidos pelo contribuinte posterior ao momento da venda devido à destinação dada às embalagens após a importação, em ato de verificação fiscal, o cálculo do valor devido deve ser feito com base nas vendas efetivas das mercadorias importadas, e não em estimativas. Assim determina a Instrução Normativa SRF nº 604/2006 em seu parágrafo 3º” (fl. 3852). Assim, quando já é possível o cálculo do valor efetivamente devido do tributo, não se pode cogitar da sua apuração com base na estimativa. O recolhimento por estimativa toma lugar em um regime transitório, como forma de adiantar o recolhimento do tributo, até que aconteça a destinação da mercadoria e, com isso, se consiga determinar qual a alíquota aplicável e, enfim, o valor definitivo do tributo devido. Por esta razão, entendo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício, mantendose o entendimento da DRJ pelo cancelamento do lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.720865/201268 Acórdão n.º 3403002.665 S3C4T3 Fl. 3.860 5 Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904581/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/07/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 81 /2 01 2- 13 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10935.904550/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 50 /2 01 2- 54 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/201254 Acórdão n.º 3801002.350 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/201254 Acórdão n.º 3801002.350 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/201254 Acórdão n.º 3801002.350 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/201254 Acórdão n.º 3801002.350 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10380.913370/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.
Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.037
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 70 /2 00 9- 81 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 827 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 828 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 20/05/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 04226.81356.200508.1.3.042165 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRPJ, código de receita 236201, período de apuração abril 2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 104.686,14; CSLL, código de receita 248401, período de apuração abril/2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 77.117,40; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 134.063,52; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 882.606,23. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 829 4 (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, conforme comprovante de pagamento (fls.14 e 42); b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível do IRPJ mensal por estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa); c) que ao findar o anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); d) que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); e) que, inexistindo resultado positivo do PA julho/2005 e também do ano calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; f) que não há que se cogitar em incidência do IRPJ, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto; g) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao PA julho de 2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito para compensar valores (débitos de tributos a pagar) do ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; h) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório); Por fim, com base nessas razões, conclui a Contribuinte que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face da apuração de prejuízo contábil devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 830 5 (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.40/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, embora tendo efetuado o pagamento do IRPJ Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74 do período de apuração julho 2005, constatou, posteriormente, que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, mediante Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução , apurou resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, sequer havia valor a ser apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, que a soma do imposto pago por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor do imposto apurado com base em Balanço ou Balancete mensal; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, utilizando parte do referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 831 6 nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, como já dito, utilizou apenas parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos tributários com créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos tributários da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior, mas somente como saldo negativo. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a Recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto para análise, que merece reparo, referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 832 7 Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento, na sessão de 04 de dezembro de 2012 (Resolução nº 1802000132) fls. 65/73, resolveu converter o julgamento em diligência para instrução complementar, baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências conforme consta do voto condutor (fls. 72/73), in verbis: (...) Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. (...) Realizada a diligência solicitada, houve a juntada dos documentos (fls. 78/822). Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 819/821). Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 833 8 Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 822), não se manifestou, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de encaminhamento/devolução dos autos a este CARF pela DRF/Fortaleza, de 12/11/2013 (fl.823). É o relatório. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 834 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o despacho decisório da DRF/Fortaleza, denegou o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada nos autos. A Recorrente pleiteou crédito de R$ 134.063,52 (valor original), relativo a suposto pagamento indevido de R$ 1.876.090,74 (valor original) de IRPJ estimativa mensal do PA 31/07/2005, código de receita 5993, data de arrecadação 31/08/2005, conforme cópia do DARF (fl. 42). O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos: a) inexistência de crédito disponível, pois o valor recolhido do IRPJ estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito do imposto, de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando esse débito) não poderia ser aceita, pois foi transmitida, eletronicamente, após ciência do despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a Contribuinte não teria comprovado nos autos, de forma cabal, com cópia de livros e documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto informado/confessado na DCTF primitiva; b) inviabilidade do pleito de restituição/aproveitamento de crédito de determinado pagamento a maior ou indevido de IRPJ estimativa mensal; que as estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário e informado na Declaração de Ajuste Anual. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido. A decisão recorrida deve ser reformada. Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte: 1) – COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP: Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 835 10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP. Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência para a complementação de provas, conforme Resolução nº 1802000.132, de 04/12/2012, baixando os autos para a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Fortaleza, para as providências determinadas (fls. 65/73). Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência. O Relatório de Diligência da Fiscalização da DRF/Fortaleza consigna conclusão pela certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 819/821), in verbis: (...) 3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal, apresentamos nossas conclusões nos moldes como se verá adiante. 4. No presente processo, o contribuinte reivindica o direito creditório de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, que teria pago indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê lo compensado com o débito de R$ 181.803,54, DCOMP nº 04226.81356.200508.1.3.042165.. Segundo o contribuinte, para o referido período, ocorreu prejuízo fiscal do IRPJ, não sendo devido, portanto, o imposto a título de estimativa mensal. O pagamento de R$ 1.876.090,74 seria fruto de equívoco. 5. Em 13/06/2006, o contribuinte transmitiu sua DIPJ original, anocalendário 2005, a qual encontrase ativa até a presente data, sem quaisquer retificações. Nessa DIPJ, o contribuinte apurou o prejuízo fiscal do IRPJ de R$ 73.103.028,52 e, a título de estimativa mensal, os seguintes valores: PA Base de Cálculo do IRPJ Valor devido (estimativa IRPJ) Jan/2005 3.343.907,66 0,00 Fev/2005 6.645.519,07 0,00 Mar/2005 20.346.492,32 0,00 Abr/2005 17.722.420,69 0,00 Mai/2005 13.191.204,02 0,00 Jun/2005 11.986.991,25 0,00 Jul/2005 22.238.973,21 0,00 Ago/2005 36.844.078,00 0,00 Set/2005 43.249.497,34 0,00 Out/2005 53.546.298,28 0,00 Nov/2005 64.061.290,22 0,00 Dez/2005 73.173.069,26 0,00 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 836 11 6. Na Ficha 12A da DIPJ do contribuinte consta o seguinte resultado: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL VALOR À alíquota de 15% + 6% + Adicional 0,00 DEDUÇÃO () Campos 04 a 16 0,00 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 0,00 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 7. Resta evidente, mediante essa referida Ficha 12A, a não utilização do valor ora requerido de R$ 1.876.090,74 na composição de saldo negativo do IRPJ. Portanto, afastada está a hipótese de aproveitamento em duplicidade do crédito ora pleiteado. 8. Por outro lado, em sua DCTF original, enviada em 08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 1.876.090,74 (IRPJ N OBR L REAL ESTIMATIVA IRPJ, cód. 5993). Há dissonância, portanto, entre referida declaração e àquela informada em DIPJ, onde inexistiu valor apurado, o que ensejaria uma retificação. 9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de modo a se adequar a sua DIPJ original do período correlato. Nessa retificação foi excluído o débito de R$ 1.876.090,74. Em consequência, restou disponibilizado o correspondente recolhimento desse débito que fora excluído, passandoo a figurar como um pagamento indevido. 10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real, fls.139/147. Em tais documentos, há registros de que, em todos os meses do anocalendário de 2005, exceto junho e julho, houve prejuízo fiscal. O acumulado desse prejuízo fiscal, meses jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de exercício nos meses junho/2005 e julho/2005, culminaria na inexistência de IRPJ a pagar a título de estimativa mensal. 11. Em suma, considerandose a DIPJ original e a DCTF retificadora do contribuinte, bem como os respectivos registros contábeis ora demonstrados, relativamente ao IRPJ, ano calendário 2005, como a expressão da verdade, restou disponibilizado o valor creditório de R$ 1.876.090,74. 12. Consoante tela, fls. 815/818, reservouse parte desse valor, R$ 134.063,52, para a compensação de que trata o presente processo, caso essa douta Turma de Julgamento entenda procedente a reivindicação do contribuinte. (...) Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 837 12 Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve ser recohecido, pois: a) quanto ao PA julho/2005, conforme Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, elaborado e registrado na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, que a Recorrente teve resultado negativo de R$ (22.238.973,21) e, no final desse anocalendário 2005 (dezembro), teve prejuízo fiscal acumulado no ano de R$ (73.103.028,52) – DIPJ 2006/Ficha 11; b) que as cópias dos livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822); c) que o valor pago/recolhido do IRPJ estimativa do PA julho/2005, por conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando erro material a informação de apuração e confissão de débito do IRPJ estimtiva mensal do PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível para apuração do imposto para esse PA; d) que, na Ficha 12A DIPJ 2006 (anocalendário 2005), restou consignado que a Contribuinte não levou o valor recolhido indevidamente para o ajuste anual, pois não preencheu a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada com os valores zerados); e) que o crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto destes autos existe, está disponível e foi reservado para saldar os respectivos débitos confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência. 2) PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. MATÉRIA SUMULADA: No caso, o pagamento do IRPJ mensal por estimativa do PA julho/2005 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal sequer houve base imponível para apuração do imposto, em face da apuração de prejuízo já demonstrado anteriormente, ou seja, conforme transcrição das conclusões do Relatório de Diligência. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, reconheço o crédito pleiteado pela Recorrente de R$ 134.063,52 (valor original) utilizado na DCOMP, e homologo a compensação tributária objeto dos autos até o limite do crédito reconhecido. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Acórdão n.º 1802002.037 S1TE02 Fl. 838 13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 838DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720007/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO RECOLHIMENTOS NO SIMPLES COM O VALOR LANÇADO
Devem-se abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os valores do lançamento, quer na fase administrativa do lançamento, quer em sua fase processual.
Numero da decisão: 1401-001.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM DAR provimento parcial ao recurso apenas para que os recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO RECOLHIMENTOS NO SIMPLES COM O VALOR LANÇADO Devem-se abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os valores do lançamento, quer na fase administrativa do lançamento, quer em sua fase processual.
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NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO — RECOLHIMENTOS NO SIMPLES COM O VALOR LANÇADO Devemse abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os valores do lançamento, quer na fase administrativa do lançamento, quer em sua fase processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 07 /2 00 7- 64 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 587 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM DAR provimento parcial ao recurso apenas para que os recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 588 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de BelémPA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 554578, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS. Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s) calendário 2002, 2003 e 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 451.678,15, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 31/01/2007. Também integra o Auto de Infração o Termo de Verificação de Infração de folhas 409423. De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o(s) süjeito(s) passivo(s) incorreu(am) na(s) seguinte(s) infração(ões): (a) Omissão de receitas de revenda de mercadorias, obtidas a partir dos repasses das operadoras de cartão de crédito, e (b) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75%. Foi juntado, por apensação, a este o processo de exclusão do SIMPLES, n° 10215720.058/200613, em que também é interessada a recorrente. O lucro do contribuinte foi arbitrado por não ter apresentado os livros necessários para apuração do lucro real ou presumido. O(s) sujeito(s) passivo(s) tomou(aram) ciência do(s) lançamento(s) em 10/02/2007 (lis. 582) e apresentou(am) sua(s) impugnação(ões) em 14/03/2007 (fls. 586628), na(s) qual(is) alegou em síntese que: Da nulidade do lançamento 1. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa porque o auditor descreveu, no termo de verificação, que efetuou o lançamento pelo SIMPLES (ac 2002 e 2003) e pelo Lucro Presumido (ac 2004) e não encaminhou cópia dos respectivos lançamentos; 2.. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base no lucro arbitrado, prejudicando sua defesa; 3. O lançamento também é nulo por erro no enquadramento legal, conforme os fatos descritos acima (confusão no lançamento); 4. Há também cerceamento do direito de defesa pelo fato do auto de infração não expor com clareza as razões que levaram ao lançamento tributário; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 589 4 5. O lançamento padece de nulidade por não demonstrar as infrações detalhadas do SIMPLES e do Lucro Presumido; Da decadência 6. Os valores autuados relativos ao mês de janeiro de 2002 estão fulminados pela decadência, na forma do art. 150. § 4o. do Cl N: 7. Dessa forma, todo o procedimento fiscal, assim como o lançamento, padece de nulidade, como autêntico fruto da árvore envenenada; Da exclusão do SIMPLES 8. Optara pelo SIMPLES desde 01/01/97 e foi excluído dessa forma de tributação em 01/06/2006. Todavia, mesmo havendo impugnado a exclusão, foi autuado pelo Lucro Arbitrado: 9. A retroatividade da exclusão é ilegal por desrespeitar o direito adquirido de opção pelo SIMPLES; 10. A jurisprudência entende que a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES somente surtirá efeitos a partir do mês subseqüente à ciência ato declaratório de exclusão; Do lucro arbitrado 11. Na hipótese de exclusão do SIMPLES, deveria ser tributada pelo Lucro Presumido. Isto porque não excedeu ao limite de receita bruta estabelecido para esta modalidade de tributação: 12.O lançamento efetuado, com base no lucro arbitrado, é completamente nulo, pois transforma o tributo exigido em sanção pecuniária; 13.0 lançamento efetuado com base no lucro arbitrado tem caráter confiscatório, ofendendo o art. 150, IV, CF; Do sigilo bancário 14. O procedimento fiscal baseado nas informações da CPMF constitui verdadeira ofensa ao sigilo financeiro e bancário consagrado na CF; 15. O art. 5o e 6 da LC n° 105/01 e o art. 11, §§2° e 3o, da Lei n° 9.311/96, assim com o Decreto n° 3.724/2001, são inconstitucionais por ofenderem o sigilo bancário, a intimidade, a vida privada e o devido processo legal; 16. A jurisprudência majoritária tem se posicionado no sentido de que só por prévia apreciação do poder judiciário poderá ser decretada a quebra do sigilo bancário; Da omissão de receitas baseada nos depósitos bancários Fl. 589DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 590 5 17. O lançamento, fundamentado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é ilegal porque foi baseado em simples presunção (relativa), quando deveria estar lastreado em presunções absolutas; 18. A fiscalização deveria comprovar os fatos que deram origem a omissão de receitas; 19. A autoridade lançadora deveria aprofundar as investigações com o fito de identificar, de modo individualizado, os valores depositados nas contas corrente e de poupança; Da omissão de receitas das operações com cartão de crédito 20. As compras com cartão de crédito, assim como os depósitos bancários, se constituem indícios e, não, prova de omissão de rendimentos. Não caracterizam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos e nem podem ser tomados, isoladamente como acréscimos patrimoniais; 21.O art. 112 do CTN prevê que, em caso de dúvidas, as infrações devem ser interpretadas de maneira mais favorável aos contribuintes; Dos lançamentos reflexos 22. Anulandose o IRPJ, aplicase o que foi decidido aos lançamentos reflexos. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003. 2004 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em Fl. 590DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 591 6 curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANISFESTAÇAO DL INCONFORMIDADE. EFEITOS. A manifestação de inconformidade contra o ato executivo que exclui o contribuinte do SIMPLFS'nao tem efeito suspensivo, apenas devolve o objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DO LIVRO CAIXA. O arbitramento do lucro é medida necessária quando o contribuinte. si>h intimação, não apresenta os livros exigidos para apuração do lucro real mi presumido, conforme o caso. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento cio lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei n° 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, mormente quando ¿o exercício do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso. a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334. IV. Do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. REPASSE DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DL OPERADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO. Provada a entrada de recursos recebidos de operadoras de cartão de crédito, não oferecidos à tributação, procedente é o lançamento, mormente quando a contribuinte não consegue refutar a acusação com a apresentação de provas hábeis. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. A interessada foi cientificada desse Acórdão em 17/02/2010 (fls. 653). Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 05/03/2010 (fls. 654/684), reprisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 592 7 A Recorrente também tomou ciência da ADE, por via postal, em 15/12/2006 e apresentou sua manifestação de inconformidade ao ato administrativo (fls. 2729), em 15/01/2007. A DRJ manteve a exclusão. Em sede recursal (fls. 49/55), reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, alegando em síntese que: 1. O ADE afronta o art. 179 da Constituição Federal, que visou conferir maior desburocratização ao empreendedorismo; 2. Os efeitos da retroatividade do ADE violam o. art. 150, §2º, "a" da Constituição Federal; 3. Nos termos do art. 15, II, da Lei n° 9.317/96, não se pode admitir que o mês em que ocorreu a situação não seja outro que não aquele em que recebeu o ADE; 4. Cabe à SRF a apuração das opções de ingresso no SIMPLES, não podendo ser penalizado por essa omissão; 5. É parte hipossuficiente da relação, cabendo, portanto, ao fisco comprovar desde o início a utilização de máfé do SIMPLES por parte do sujeito passivo. A matéria relativa à exclusão do Simples consta do processo n° 10215 720.058/200613, juntado por apensação a este. É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 593 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A princípio cabe esclarecer que os extratos bancários, base da autuação da omissão de receitas por falta de comprovação da sua origem, foram fornecidos espontaneamente pela Recorrente sem a necessidade da expedição de RMF para os bancos, motivo pelo qual se afasta do caso concreto da necessidade de sobrestamento por questão ligada à Repercussão geral no STF. Nesse contexto, é também de se rejeitar de plano a preliminar de nulidade relacionada à quebra de sigilo bancário. Como se sabe, a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Porém, no caso concreto, como já se disse, não houve emissão de RMF aos bancos porque o contribuinte entregou os extratos bancários espontaneamente. Quanto às demais alegações de nulidade seja por cerceamento do direito de defesa, seja por falta de fundamentação adequada ou da suposta erro de enquadramento legal, apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 594 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) A Recorrente reclama também em falta ou insuficiência do fundamentação do lançamento, na medida em que a Autoridade Lançadora tenha descrito que efetuou o lançamento com base no SIMPLES e no Lucro Presumido e, na prática terminou por arbitrar todos os perídos. Ora, o que consta do TVF cristalinamente é descrição de um fato feito pelo fiscal, qual seja, que a recorrente utilizou dessas formas de tributação durante os anos calendário 2002, 2003 (Simples) e 2004 pelo lucro presumido, mas fora tributada pelo Lucro Arbitrado em razão da exclusão retroativa do SIMPLES e da impossibilidade de tributação pelo lucro presumido. A esse respeito a DRJ já deixou isso bem claro e não foi refutado pela Recorrente em seu recuso: Obtémse dos autos (fl. 399) que a exclusão do SIMPLES, a que se refere o item 8 do Termo de Verificação de Infração, ocorreu na verdade em 01/06/2003. Obtémse ainda (fl. 373) que a exclusão do SIMPLES, efetuada durante o procedimento fiscal, teve efeito retroativo à 01/01/2002, com fundamento no embaraço a fiscalização. Sintetizando: O contribuinte era optante do SIMPLES e foi excluído desta modalidade de tributação em 01/06/2003. Por essa razão, (o contribuinte) apurou o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com base no SIMPLES, durante os anoscalendário 2002 e 2003, e com base no Lucro Presumido, durante o anocaleñdário 2004. No curso do procedimento fiscal, iniciado em 14/03/2006, foi novamente excluído do SIMPLES, por embaraço à fiscalização, desta vez com efeitos retroativos; à 01/01/2002. Como (o contribuinte) não apresentou os Livros Comercias exigidos para a apuração do lucro real, e tão pouco o Livro Caixa, necessário para apuração do lucro presumido, foi tributado com base no lucro arbitrado em todos os períodos submetidos à fiscalização (ac 2002, 2003 e 2004). Logo, não é verdade que a Autoridade Lançadora tenha descrito que efetuou o lançamento com base no SIMPLES e no Lucro Presumido. O que esta afirma, inequivocamente, é que a recorrente utilizou dessas formas de tributação durante os anoscalendário 2002, 2003 e 2004, mas fora tributada pelo Lucro Arbitrado em razão da exclusão retroativa do SIMPLES e da impossibilidade de tributação pelo lucro presumido, por sua imotivada pela ausência de livros exigidos pela legislação tributária. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 595 10 Por fim, a recorrente ainda deseja que nulidade do lançamento fulminado pela decadência acolhida para DRJ parcialmente, se estenda a todo procedimento fiscal e suas conseqüências. Melhor explicando, a recorrente alegou em sede impugnatória que os valores autuados, relativos ao mês de janeiro de 2002 estariam alcançados pela decadência, ex vi art. 150, § 4o, do CTN. A DRJ acolheu então parcialmente o pleito para as contribuições sociais que tem fatos geradores mensais (PIS e COFINS). O pedido de extensão é improcedente, pois o acolhimento da decadência além de não se tratar de nulidade, conforme bem colocado pela decisão de piso, só tem efeitos sobre os tributos e os períodos de apuração por ela alcançados, não havendo qualquer razão para se estender a outros tributos ou períodos de apuração que possuem fatos geradores e bases de cálculo distintos Por todo o exposto, rejeito as preliminares. Exclusão do Simples Conforme relatado, a Recorrente foi excluída do Simples com efeitos retroativos por embaraço à fiscalização e teve seus lucros arbitrados pela falta de apresentação dos Livros Caixa e/ou Diário e Razão. Nesse ponto é preciso delimitar a lide nesse aspecto. É que a Recorrente desde a fase de manifestação de inconformidade não se insurge contra o motivo que levou efetivamente à sua exclusão do simples, o embaraço a fiscalização, limitandose a contestar os seus efeitos. Portanto, tal matéria, a causa da exclusão do Simples está fora do litígio, constituindose em matéria definitivamente julgada na esfera administrativa. A recorrente contesta a apuração com base no lucro arbitrado, vez que apresentara manifestação de inconformidade à exclusão do SIMPLES, e ainda a retroatividade da exclusão do SIMPLES. Os argumentos têm eficácia restrita aos lançamentos referentes aos anos calendário 2002 e 2003, pois somente nestes períodos o contribuinte utilizouse do SIMPLES. Em primeiro lugar, como já bem colocado pela decisão de piso: A manifestação de inconformidade contra o ato executivo que exclui o contribuinte do SIMPLES não tem efeito suspensivo, ou seja, apenas devolve o objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo. Diferentemente, do que ocorra com os recursos contra a exigência do crédito tributário, onde. por exemplo o dispositivo legal (art. 151, III, CTN), há suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a extinção do processo administrativo. Em relação aos efeitos da exclusão do SIMPLES, assim dispõe o RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999: Art. 195. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses (Lei nº 9.317, de 1996, art. 14): Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 596 11 (...) II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); (...). Art. 196. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 194 e 195 surtirá efeito (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15): (...) V a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo Lei nº 9.317, de 1996, art. 15, § 3º e Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º). Art. 197. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.317, de 1996, art. 16). Conforme está cristalinamente estampado nos preceptivos legais acima, os efeitos da exclusão, no caso concreto, retroagem, no caso, “a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior ‘ E foi exatamente o que aconteceu. O ADE n° 14 de 29 de novembro de 2006, publicado no DOU de 30 de novembro de 2006. expedido pela Delegacia da Receita Federal de Santarém/PA, retroagiu ao mês da ocorrência do fato que ocasionou a exclusão. E qual o fato que ocasionou a exclusão? O embaraço do interessado, caracterizado pela negativa, não justificada, de exibição dos livros e documentos que estava obrigado a escriturar referentes aos anos calendário de 2002 a 2004 . Logo, conforme comanda o art. 197 do RIR/99, cuja base legal é o art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, “A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarse á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”, no caso a partir de 01/01/2002. Ademais, como é sabido o “Direito cria sua própria realidade”, podendo o legislador em determinadas situações pretender, sim, fazer com que essa retroação aconteça. Embora não se desconheça a existência do princípio de irretroatividade de lei, é bom que se diga que ele se destina a servir de diretiva estabelecendo uma regra geral ao poder legislativo e não propriamente ao intérprete. No caso, o intérprete quando estiver diante de uma tal construção na figura de um dispositivo válido e vigente, não cabe a ele desprezálo. Salientese ainda que estando previstos em disposição legal em vigor, não cabe a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste CARF: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 597 12 Por todo o exposto, mantenho a exclusão do Simples constante do processo n° 10215720.058/200613, juntado por apensação a este. ARBITRAMENTO Excluída do Simples, não se desincumbiu de apresentar os livros obrigatórios seja por um regime de tributação ou pelo outro (Livros Caixa e/ou Diário e Razão). A não apresentação dos livros obrigatórios exigidos pela legislação de regência (Livros Caixa e/ou Diário e Razão.) ocasionou o arbitramento, consoante art. 530, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 8.981/95: “Art. 47. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; (...)” Conforme consta dos autos, resulta patente que a documentação efetivamente não foi entregue à fiscalização, mormente livros obrigatórios e indispensáveis, como é o caso do Livro Diário e Razão. Também não apresentou o Livro Caixa em substituição àqueles, no caso da opção pelo lucro presumido. E justamente esse fato já havia sido o motivo para a exclusão do simples. Em sua defesa, insiste no fato de que o regime adequado seria o lucro presumido (2002,2003) porque sua receita bruta estaria ainda acobertada por esse regime de tributação. Ora nada mais equivocado. É preciso sublinhar novamente que a Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. Não tendo apresentado o Livro Caixa para se adequar ao lucro presumido ou mesmo apresentado os livros Diário e Razão, Lucro Real para sujeitarse ao lucro real, automaticamente teve seus lucros arbitrados. Portanto, foi adotado o regime jurídico de tributação consistente com a legislação de regência da matéria. Não tem cabimento, assim, falar em adoção do regime de tributação com base no lucro presumido. A esse respeito cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Fl. 597DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 598 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções. Em verdade, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Feitas tais digressões e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendários autuados, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 599 14 Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Omissão de receitas das compras com cartão de crédito Por não ter nada reparar, transcrevo abaixo os fundamentos da DRJ que não foram infirmados pela Recorrente: A recorrente contesta a omissão de receitas, com base nos numerários recebidos por meio das operações de cartão de crédito, por entender que estas não caracterizam disponibilidade jurídica de renda e proventos e nem acréscimo patrimonial. Diferentemente do que ocorre com os créditos bancários (em que os valores depositados podem ser derivados de meras entradas de numerários, sem se revestir da condição de receitas, havendo a necessidade de uma norma autorizadora da presunção de omissão de receitas), os valores transferidos pelas operadoras de cartão de crédito às empresas representam a própria receita da atividade empresarial pela venda de bens e serviços. Por conseguinte, os valores repassados pelas operadoras de cartão de crédito, que não foram oferecidos a tributação, representam, diretamente, uma receita omitida no período. Portanto, mantenho o lançamento neste item também. Aproveitamento dos recolhimentos feitos no Simples Nacional A recorrente insurgese contra os valores recolhidos a título de Simples e não foram aproveitados no presente processo. Utiliza isso como argumento de defesa contra a forma em que foi apurado o imposto. Nesse sentido, tomo isso mesmo que indiretamente como um pleito e aqui assim será analisado. A esse respeito, tem seguido o entendimento pacífico nesta Turma de que se impõe o abatimento dos valores recolhidos indevidamente sob o Simples contra o que fora lançado de ofício, com repercussão, inclusive no abatimento das multas de ofício correspondentes, quer na fase administrativa do lançamento, quer na fase processual. O que está em jogo aqui é princípio da verdade material conjuntamente com a proibição de enriquecimento ilícito do Estado.. Não se trata nem mesmo de compensação, mas de mero abatimento, como corolário do exposto. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas para que os recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de ofício. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/200764 Acórdão n.º 1401001.092 S1C4T1 Fl. 600 15 Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção e o cancelamento (parcial) das exigências lançadas por via reflexa, Por todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso apenas para que os recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 600DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.901526/2012-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 26 /2 01 2- 39 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901526/201239 Acórdão n.º 3802002.771 S3TE02 Fl. 94 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901526/201239 Acórdão n.º 3802002.771 S3TE02 Fl. 95 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10830.001279/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007, 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE.
Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.
SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE.
A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão-somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE.
Inexiste previsão legal para que o contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrado retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007.
Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente.
SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS.
A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL.
À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõe-se o arbitramento do lucro.
COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO.
Na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos.
As operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparam-se, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços.
Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplica-se, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplica-se, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento).
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Preliminares Rejeitadas.
Numero da decisão: 1402-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que votaram por dar provimento e apresentarão declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que votaram por dar provimento e apresentarão declaração de voto. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE. A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão-somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para que o contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrado retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007. Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõe-se o arbitramento do lucro. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. Na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos. As operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparam-se, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços. Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplica-se, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplica-se, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 12 79 /2 01 1- 91 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 3 2 Nacional CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE. A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para que o contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrado retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007. Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do anocalendário subsequente. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõe se o arbitramento do lucro. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. Na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 4 3 As operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparamse, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços. Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplicase, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplicase, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que votaram por dar provimento e apresentarão declaração de voto. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 5 4 (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 6 5 Relatório LORIVAL EMIDIO EPP, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 67.537.365/000120, com domicílio fiscal na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, na Rua Willian Booth, nº 860, Bairro Jardim Paulicéia, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1293/1364, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1385/1417. Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, em 18/01/2011, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Seguridade Social (INSS) de (fls. 45/95), com ciência pessoal, em 28/01/2011 (fl. 56), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.714.249,31, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referentes ao exercício de 2007, correspondente ao anocalendário de 2007. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício 2007, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO: Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea “a”, 5° e 7°, § 1°, da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9. 732, de 1998; art. 186 e 188, do RIR/1999; 2 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO: Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada no art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996 c/c art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; arts. 186 e 188, do RIR/1999. É importante observar, que a exclusão do Simples Federal operouse com a edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 02, de 17 de janeiro de 2011, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas, o qual delimitou seus efeitos ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, conforme fl. 19 do processo administrativo número 10830.000679/201189, juntado a este a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP. Da mesma forma, é importante observar que as exigências fiscais, referentes ao anocalendário de 2007, se encontra formalizado por meio do processo administrativo número 10830.725586/201161, também juntado a este a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, tendo em conta que o lançamento relativo ao 1º semestre daquele anocalendário é decorrente da exclusão do Simples já referida acima. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 7 6 Em razão da juntada do processo administrativo número 10830.725586/2011 61 é importante observar que no processo juntado a este foram detectadas infrações à legislação tributárias, que dão suporte aos lançamentos formalizados, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 12 de dezembro de 2011. Houve a formalização dos seguintes créditos tributários, cujas irregularidades encontramse descritas no auto de infração do IRPJ: Valores: R$ 111.903,08, referido ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); R$ 23.717,21, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fatos geradores de janeiro a junho de 2007; R$ 13.720,32, também da CSLL, fatos geradores em 30/09/2007 e 31/12/2007; R$ 14.915,55, da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); R$ 4.278,50, da Contribuição para o PIS/Pasep. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 02/26), entre outros, os seguintes aspectos: que o presente Termo de Verificação referese exclusivamente Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) anocalendário 2006, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, da seguinte forma e amplitude; que durante a ação fiscal constatouse que, para o anocalendário 2006, a fiscalizada ultrapassou o limite de receita bruta permitido para as empresas optantes pelo Simples, motivo pelo qual, através do Ato Declaratório Executivo n° 02 de 17 de janeiro de 2011, a mesma foi excluída do Simples no anocalendário 2007; que é mister esclarecer que o encerramento é parcial e se refere única e exclusivamente ao anocalendário 2006, ficando cientificado da inclusão do período compreendido entre janeiro a dezembro de 2007, para prosseguimento da ação fiscal; que tendo em vista que a fiscalizada declarou a menor o Simples devido no anocalendário 2006, procedemos à lavratura do presente Auto de Infração, concernente à legislação que disciplina a matéria, conforme a seguir será explanado; que em conformidade com o disposto no artigo 173, I, combinado com o artigo 150 e parágrafo quarto, ambos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) procedemos ao lançamento de ofício, na forma do artigo 142 do mesmo diploma legal, relativo aos fatos apurados por este Serviço de Fiscalização concernente exclusivamente ao ano calendário 2006; que, no que diz respeito da impossibilidade de equiparação às operações de consignação na revenda de veículos próprios, é de se dizer que em petição protocolizada (fls. 903) em 26/02/2010, a fiscalizada afirmou que exerce, de forma exclusiva, a comercialização de veículos usados, cuja atividade tem regime jurídicotributário especifico; que afirmou, também, que a receita tributada é obtida pela diferença entre o valor da nota fiscal de venda e o valor da nota fiscal de entrada do veículo e que entende que, no ano de 2006, não haveria impedimento para a tributação pelo Simples, seguindo a apuração da receita pela regra do artigo 5º da Lei 9.716/98; Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 8 7 que a fiscalizada está equivocada, pois não há previsão legal para a apuração das receitas de acordo com o artigo 5º da Lei 9.716/98, para a apuração do Simples, eis que este regime (Simples) possui regras específicas, não se admitindo qualquer redução de sua base de cálculo (receita bruta), com exceção das vendas canceladas e dos descontos incondicionais; que o Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, é um regime de tributação favorecido, instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, com amparo no inciso IX, do artigo 170 e do artigo 179 da Magna Carta; que esta assertiva é corroborada através das Soluções de Consulta na RFB e nas Decisões administrativas, na qual, a possibilidade de equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, prevista no art. 5° da Lei 9.716/98 e na Instrução Normativa SRF n° 152/98, não se aplica às empresas tributadas pela sistemática do SIMPLES, pois estas não podem deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar a base de calculo do valor do mensal devido; que das apurações efetuadas, apuração correta das bases de cálculo do simples, portanto, para a presente autuação, foram extraídos os dados contidos nos Livros e documentos apresentados pela fiscalizada, bem como dos resumos de faturamento informado nas petições, da DSPJ – original (fls. 863/864), referente ao anocalendário 2006; que a fiscalizada reduziu indevidamente as bases de cálculos do Simples, através da dedução do custo de aquisição dos veículos; que em função da apuração das diferenças de base de cálculo (a maior) e a conseqüente alteração das alíquotas das aplicáveis as Base de cálculo declaradas pela fiscalizada, foi apurada a insuficiência do valor recolhido sobre a receita bruta declarada; que do arrolamento de bens de direito, ou seja, da firma, empresário individual, confusão patrimonial da pessoa física equiparada à jurídica. Sendo assim, no presente lançamento o credito tributário é superior a R$ 500.000,00 e excede a 30% do patrimônio conhecido do sujeito passivo, motivo pelo qual à luz da legislação em vigor é mister efetuar o arrolamento de bens e direitos; que será efetuado o arrolamento dos bens constantes nos sistemas da RFB e da última Declaração de Ajuste do único sócio, para garantia do crédito tributário, na qualidade de sujeito passivo tendo em vista a ausência de bens no CNPJ da firma individual e, a confusão patrimonial da pessoa física equiparada à jurídica; que, tendo em vista que os elementos apresentados são suficientes para formação de convicção no que tange a infração à legislação tributaria, lavramos o presente Auto de Infração do Simples em face do Lorival Emidio EPP, a efeito no contribuinte anteriormente citado, referente ao Simples (AC 2006), ficando cientificado da inclusão e prosseguimento da ação fiscal para o ano calendário de 2007. Em sua peça impugnatória de fls. 1254/1274, apresentada, tempestivamente, em 23/02/2011, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 9 8 que, no que diz respeito à nulidade pela inobservância do tempo fixado para a duração da fiscalização, é de se dizer que o principio da razoável duração do processo foi positivado na Constituição Federal, recentemente, pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004, de forma explicita no artigo 5°, inciso LXVIII. Tratase de um direito fundamental (na realidade, uma garantia) determinando que os Órgãos estatais devem solucionar os processos num prazo razoável. A idéia central desse novo direito individual, a evidencia, é que seria improdutivo (meramente simbólico) garantir o direito sagrado ao devido processo legal, se esse direito nunca se materializa. Ficava sempre postergado para o futuro, dificilmente alcançado pelo titular do direito; que a impugnante pede aos julgadores examinem as intimações, repetidamente, lançadas, pois esse exame confirmará que a fiscalização postergou a execução da auditoria, por quase dois anos, sem qualquer justificativa fosse dada; que os prazos para a duração razoável do procedimento fiscal, fixados pela Portaria Receita Federal do Brasil n° 11.371, de 12.12.2007, não foram obedecidos, o que determina a nulidade dos questionados lançamentos; que, no que diz respeito do paradoxo de que a tributação pelo simples tornouse infinitivamente superior à tributação pelo lucro arbitrado, é de se dizer que quer a Impugnante insistir na informação de que o Fisco atestou que a sua movimentação financeira está suportada pelo faturamento das empresas. Sendo assim, a suspeita da prática de omissão de receita, que havia determinado a abertura da fiscalização, foi afastada pela força das provas apresentadas pela intimada; que a autuação dentro do Simples tomandose o valor de saída dos veículos, no final, ganha foros de penalidade; que do ângulo da receita, o absurdo é ainda maior. Deveras, a receita declarada pela empresa foi de R$ 560,001,00 e, num passe de mágica, sem que tenha um centavo de omissão, a receita tributada passou para a cifra estratosférica de R$ 6.288.174,27 (ver Demonstrativo de Percentuais aplicáveis sobre a receita bruta do auto de infração); que, considerando a regra de hermenêutica que impede interpretar a Lei de forma a alcançar conclusão absurda, a decretação da improcedência das exigências em questão é medida que se impõe; que, no que diz respeito à negativa de vigência ao art. 5°, da Lei n° 9.716/98, portanto, não há “beneficio fiscal”, pois a definição de base de cálculo é matéria de reserva legal, é de se dizer que da interpretação das normas com berços constitucional, ou seja, a D. Fiscalização, no item 55 do Termo de Verificação Fiscal, afirma que” o simples é um regime de tributação favorecido, instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, com amparo no inciso IX, do artigo 170 e do artigo 170 da Magna Carta”; que a interpretação restritiva guarda compatibilidade com as normas de isenção, enquanto norma constitucional deve receber a interpretação mais ampla possível, em especial quando tal norma visa dar efetividade ao magno principio da igualdade, que para ser alcançada pode exigir uma discriminação positiva, como é o caso do regime do Simples; Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 10 9 que a definição de base de cálculo é matéria de reserva legal, portanto, sem embargo, a interpretação dada pela D. Fiscalização sobre o regime do Simples Federal não tem a devida sustentação jurídica; que, deveras, a definição da base de cálculo do art. 5°, da Lei n° 9.716/98, não pode ser derrogada por mera interpretação. Alem disso, essa definição é prévia a qualquer regime de tributação, sendo matéria vedada ao estratégico manejo do aplicador da lei; que a instrução normativa é ato vinculado à lei, portanto, a D.Fiscalização enxergou no art. 4°, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006, apoio para a tese levantada; que, seja como for, uma simples Instrução Normativa não pode ingressar no âmbito da definição da base de cálculo de qualquer regime de tributação, pois essa matéria é de reserva legal; que não há antinomia entre a Lei 9.716/98 e a Lei 9.317/96 (Lei do Simples Federal), portanto a prevalência da Lei especial sobre a geral. Sendo assim, a D. Fiscalização se esforçou para encontrar um artigo na Lei do Simples Federal (Lei 9.317/96) que desse respaldo à tese levantada. Não consegui. Deveras, o art. 5° da Lei n° 9.317/96 (Lei do Simples) não tem o comando pretendido; que a D. Fiscalização não conseguiu encontrar na Lei do Simples uma regra que respalde a cerebrina tese que dá suporte aos questionados lançamentos; que a tributação superior ao do lucro arbitrado, portanto, tomandose como elemento comparativo o imposto de renda, vêse que na forma heterodoxa de tributação dentro do Simples Federal há uma diferença abissal entre o Simples e o lucro arbitrado, que representa a tributação mais onerosa do nosso sistema legal; que, portanto, a tributação no Simples, mediante a base de cálculo inventada pela D. Fiscalização, transcendeu o campo tributário, tornando a aplicação da Lei do Simples uma efetiva penalidade; que a ausência de liquidez dos lançamentos, sendo assim, a Impugnante tem plena certeza que os questionados lançamentos serão afastados. Todavia, por cautela, consigna que esse atos de oficio não tem a imprescindível liquidez porque não foram abatidos os recolhimentos efetuados pela empresa; que da exclusão do simples, quer a Impugnante, com a ênfase necessária, rechaçar a afirmativa que, no anocalendário de 2006, foi constatado que a empresa ultrapassou o limite de receita bruta permitido. Isto não é verdade. A D. Fiscalização é que tentou construir essa realidade mediante a tributação no Simples com base no valor de saída dos veículos, negando vigência ao Art.5°, da Lei n° 9.716/98; que a exclusão do Simples, além das razões contidas na presente defesa, é nula porque o ato de exclusão foi assinado por pessoa que não tem competência para tanto. Ademais, a empresa deveria ter sido cientificada do aludido ato de exclusão. Inconformado com a exclusão formalizada, o contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 22/37, do processo administrativo nº 10830.000679/201189, em 23 de fevereiro de 2011, alegando, em síntese, as Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 11 10 mesmas razões de fato e de direito da impugnação ofertada nos autos do processo administrativo que trata das exigências fiscais, com os acréscimos a seguir destacados: que a exclusão do Simples, ora questionada, decorreu de fiscalização ultimada contra a empresa, que resultou na acusação de que a ora Requerente teria superado o limite da receita no anocalendário de 2006; que, na realidade a causa apontada para a exclusão é uma criação da D. Fiscalização, justificada conforme Item 54, do Termo de Verificação Fiscal presente nos autos do processo administrativo que formalizou os lançamentos; que Requer a nulidade do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples, publicado no DOU de 14/01/2001, tendo em conta que está assinado pelo Chefe do Serviço de Fiscalização, sem que tenha sido indicada a portaria de delegação, pois tal competência é privativa do Sr. Delegado. Inconformado com as exigências fiscais, referentes ao anocalendário de 2007, se encontra formalizado por meio do processo administrativo número 10830.725586/2010169, também juntado a este a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP apresenta a sua peça impugnatória alegando, em síntese, as mesmas razões de fato e de direito da impugnação ofertada nos autos do primeiro processo administrativo que trata sobre as exigências fiscais relativo ao anocalendário de 2006, com os acréscimos a seguir destacados: que a auditoria foi concluída com a emissão de lançamentos baseados na forçada e equivocada tese de que a compra e venda de veículos usados, atividade desenvolvida pela empresa, se insere no contexto da intermediação de negócios, o que determina a tributação com os percentuais presuntivos de lucros destinados às prestadoras de serviços; que tal tese foi afastada pela Solução de Divergência nº 4, de 09/03/2011, DOU de 14/03/2011, mediante a qual restou atestado, em caráter definitivo que “a venda de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou contrato estimatório, é feita em nome próprio. Por esse motivo, não constitui mera intermediação de negócios; que o arbitramento referente ao primeiro semestre de 2007 é mera decorrência do ato de exclusão do Simples. Assim, o juízo sobre o arbitramento depende da apreciação da manifestação de inconformidade oposta quanto à exclusão do Simples; que os autos de infração questionados foram emitidos antes da impugnação contra o ato de exclusão do Simples, o que seria juridicamente impossível, sob pena de esvaziar a defesa contra a exclusão formalizada. Acrescenta que, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, este se reveste de precariedade, passando a ter efeitos jurídicos definitivos somente com o transito em julgado na esfera administrativa; que ao dizer que o termo de exclusão “se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte”, o texto normativo define que qualquer efeito decorrente da exclusão não pode gerar conseqüências, enfim, não é possível emitir lançamento de ofício que tenha como suporte tal exclusão. Como parte do crédito tributário formalizado está ligada ao processo de exclusão do Simples, a autoridade fiscal estaria impedida de ultimar o lançamento; Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 12 11 que tal fato tem origem no entendimento equivocado de que, no Simples, não é possível adotar a sistemática prevista no art. 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, que define a receita das empresas vendedoras de veículos como sendo a diferença entre o valor da entrada (aquisição) e o valor da saída (venda). Tal definição precede à definição do regime de tributação. Enfim, não há sustentação jurídica para a exclusão do Simples, que no final é o fundamento para a adoção do arbitramento no primeiro semestre de 2007. Dessa forma, reconhecida a impossibilidade de exclusão do Simples, impõese reconhecer a inviabilidade do arbitramento dos lucros e da base de cálculo da contribuição social. Da mesma forma, as diferenças exigidas referentes ao PIS e a COFINS são indevidas, porque centradas no equivocado arbitramento efetuado, em substituição ao Simples Federal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que destaquese a este processo administrativo, formaliza exigências fiscais, conforme já ressaltado no relatório, foram juntados por anexação os seguintes processos: (i) 10830.000679/201189, que trata da exclusão do Simples Federal, e (ii) 10830.725586/2011 69, que trata das exigências fiscais com fatos geradores no anocalendário de 2007; que como a exclusão do Simples decorre, na visão da fiscalização, do fato da contribuinte ter auferido, no anocalendário de 2006, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00, e os lançamentos formalizados, para o anocalendário de 2006, têm por fundamento a discussão sobre a base de cálculo a ser utilizada na apuração dos tributos e contribuições pelo Simples, a qual teria ultrapassado aquele limite, apreciase em primeiro lugar o litígio referente às exigências fiscais referidas ao anocalendário de 2006; que, de início, a contribuinte referese ao prazo disposto no art. 24 da Lei 11.457, de 2007, o qual teria sido ultrapassado pela autoridade fiscal, no intuito de afastar a exigência, pleiteando sua nulidade; que, em uma primeira aproximação, o artigo transcrito foi inserido no Capítulo II que trata da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o que indica não se tratar de dispositivo afeito à duração do procedimento de fiscalização ou ao julgamento administrativo no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é matéria do Capítulo I da referida lei; que, por outro lado, ainda que se admita a extensão de tal mandamento ao procedimento de fiscalização, ou ao julgamento administrativo regulado pelo Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, a Lei 11.457, de 2007, não define qualquer repercussão sobre o lançamento por conta da extrapolação do prazo, menos ainda a sua nulidade ou extinção por decadência; que, portanto, nos termos da legislação, o ato administrativo somente seria nulo caso lavrado por pessoa incompetente, ou com preterição do direito de defesa, o que não acontece no presente processo. No mesmo sentido, o Código Tributário Nacional, não prevê, em seu art. 156, modalidade de extinção do crédito tributário consoante com o art. 24 da à Lei 11.457, de 2007; Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 13 12 que, assim, a legislação tributária não dá guarida à reclamação do sujeito passivo; que quanto à argumentação de que o prazo dado pelos artigos 11 e 12, da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, para que o agente fiscal execute o procedimento de fiscalização é de 120 dias, prorrogável quantas vezes necessárias pelo prazo de 60 dias, desde que sob motivação; que a contribuinte sustenta que a prorrogação dos prazos de validade do MPFMandado de procedimento Fiscal exigiria motivação, e diante de sua ausência, estaria caracterizada a nulidade dos lançamentos; que, nesse sentido, recorrendose a voto do Ilustre Relator Paulo Mateus Ciccone, proferido no Acórdão 0534.714, de 16 de agosto de 2011 (Acórdão da 2ª Turma desta DRJ), é pacífico que o MPF é mero instrumento de controle interno dos atos da Fiscalização da Receita Federal; que, nesse contexto, cabe ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram o procedimento; que, assim, reversamente ao entendimento exposto na defesa, o que ENCERRA a ação fiscal NÃO É O MPF, mas, sim, o “Termo de Encerramento” da Ação Fiscal, quando se cientifica o contribuinte de tal fato; que o AFRFB que conduziu a ação fiscal é servidor de carreira, integrante dos quadros da Receita Federal, lotado e em exercício na DRF/Campinas – SP, e competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções; que, sendo os atos e termos lavrados por servidor competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar em qualquer nulidade; que, ora, concluído o procedimento fiscal, com ele encerrouse – ou seja, extinguiuse – o MPF respectivo; que, portanto, inexistentes irregularidades ou ilegalidades que pudessem levar à nulidade requerida pela defesa, pelo que não se acolhe a preliminar suscitada; que a autoridade fiscal manifesta o entendimento de que o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1996, não é aplicável às empresas que aderiram ao Simples, mas somente às pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado; que acrescenta que tal assertiva é corroborada por diversas Soluções de Consulta da RFB, que transcreve, bem como decisões administrativas, nas quais a possibilidade de equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, prevista no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998 e na IN SRF nº 152, de 1998, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES, pois estas não Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 14 13 podem deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar a base de cálculo do valor mensal devido; que, dessa forma, o lançamento tem por fundamento o entendimento da autoridade fiscal de que as empresas optantes pelo Simples, que tenham por atividade operações de vendas de veículos usados, adquiridos para revenda, não podem, para fins tributários, se utilizarem da mesma base de cálculo, na apuração dos tributos e contribuições devidos, facultada às pessoas jurídicas com a mesma atividade, mas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, devendo utilizar como base de cálculo a receita bruta, conforme definida na legislação; que, portanto, as empresas optantes pelo Simples não poderiam deduzir o custo de aquisição dos veículos para determinar a base de cálculo dos tributos e contribuições devidos; que, por seu turno, a empresa alega, em síntese, que a base de cálculo a ser utilizada na apuração dos tributos e contribuições devidos na Sistemática do Simples, na atividade de compra e venda de veículos usados, é a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado e o seu custo de aquisição, e não o valor de saída do veiculo; que, entretanto, como se depreende da legislação que rege a sistemática simplificada para cumprimento das obrigações tributárias, a possibilidade de equiparação das operações de vendas de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, prevista no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, e na IN/SRF nº 152, de 1998, não se aplica às empresas tributadas pela sistemática do SIMPLES, pois estas não podem deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado, relativamente a operações que não sejam efetivamente de consignação; que, de fato, o SIMPLES Federal, instituído pela Lei n.º 9.317, de 1996, com amparo no artigo 170, inciso IX, da Constituição Federal, tratase de um regime de normas próprias para empresas que optem por uma sistemática de tributação simplificada, que prevê a aplicação de alíquotas para apuração dos tributos e contribuições devidos, diretamente sobre a receita bruta das empresas que, por estarem dispensadas da escrituração comercial, não efetuam a apuração do lucro real do período. Tais alíquotas são fixadas pela legislação em função do lucro presumível dessas empresas, com base nas vendas efetuadas; que efetuada a opção por tal regime e até que solicite sua exclusão, ou venha a ser excluída do SIMPLES, a empresa se submete à sistemática do regime jurídico do SIMPLES, para o qual o artigo 5º, da Lei n.º 9.317, de 1996, com a alteração do art. 3º, da Lei nº 9.732, de 1998, prevê uma alíquota única determinada em função da receita bruta mensal; que, portanto, não se mostra cabível a equiparação pretendida pela autuada, pois, em se tratando de atividade de compra e venda de veículos, atividade exercida pela contribuinte, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros do veículo recebido, excluídas tãosomente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo, repitase, inaplicável a equiparação do artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998; que cabe enfatizar que, diferentemente do que alega a autuada, o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, não se trata de regra especial da Lei n.º 9.317, de 1996, pois, reitere se, o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, referese, exclusivamente, às empresas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, não se aplicando às empresas optantes pelo Simples; Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 15 14 que, portanto, a totalidade dos valores recebidos pela fiscalizada nas operações de compra e venda de veículos integra a base de cálculo para apuração dos valores devidos pela sistemática do SIMPLES; que no que se refere às alegações de que a tributação pelo Simples, no ano calendário de 2006, mostrase mais desvantajosa do que a tributação pelo Lucro Arbitrado, ainda que utilizado o maior percentual previsto pela legislação de regência, é importante ressaltar que a opção pelo Simples, assim como a decisão de se excluir dele, é da contribuinte, e para tanto, existem trâmites e prazos determinados pela legislação aplicável; que a autoridade fiscal justifica o procedimento adotado com fundamento no fato de a autuada, na condição de empresa de pequeno porte, ter auferido, durante o ano calendário de 2006, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), sendo vedada sua permanência naquele sistema de recolhimentos de tributos e contribuições; que se trata de uma opção da contribuinte, ou seja, a inclusão nessa sistemática não é compulsória. Tãosomente por essas razões, já se verifica ser incabível aqui suas alegações; que se acrescente que, por meio da sistemática do Simples, adotada pela autoridade fiscal na apuração dos tributos e contribuições devidos, evitase que a tributação incida sobre o patrimônio, pois os valores devidos são obtidos mediante aplicação de percentual sobre a receita, em função da faixa em que essa se enquadra, conforme preceitua o artigo 23 da Lei nº 9.317, de 1996, partindose do pressuposto de que em mencionados percentuais já se consideram embutidos os custos e despesas gerais compatíveis com o porte da empresa optante por tal sistemática de tributação; que cabe acrescentar, diante dos demonstrativos elaborados pela empresa em sua impugnação, ao comparar os valores do IRPJ devidos pela sistemática do Simples com eventual Arbitramento, não pode o Fisco simplesmente efetuar o arbitramento quando não caracterizadas as condições e situações exigidas pela norma jurídica aplicável, simplesmente porque tal procedimento resultaria à autuada uma exigência fiscal de menor valor, em suma, mais favorável; que também não é lícito, à Administração Tributária, visando atender a vontade da contribuinte, desrespeitar a legislação aplicável, alterando de ofício seu regime de tributação com efeitos retroativos, simplesmente porque se mostra mais vantajoso para ela; que também se mostra descabida sua pretensão de que agora, depois de autuada, a Administração Tributária formalize, em flagrante desrespeito à legislação já reiteradamente citada, exigências fiscais com base no arbitramento de lucros, quando não houve a caracterização das situações e condições previstas na legislação que demandam tal procedimento, repitase, para o anocalendário de 2006; que conforme apreciação já efetuada, a empresa foi excluída do Simples Federal, a partir de 1º de janeiro do anocalendário de 2007. Tanto que as exigências formalizadas para o anocalendário de 2007, e aqui apreciadas, foram efetuadas a partir da apuração pelo Lucro Arbitrado e pelo Lucro Presumido, portanto, sem a utilização da apuração pelo Simples, Federal ou Nacional; Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 16 15 que cabe destacar que, conforme apreciação já efetuada, a empresa foi excluída do Simples Federal, a partir de 1º de janeiro do anocalendário de 2007. Tanto que as exigências formalizadas para o anocalendário de 2007, e aqui apreciadas, foram efetuadas a partir da apuração pelo Lucro Arbitrado e pelo Lucro Presumido, portanto, sem a utilização da apuração pelo Simples, Federal ou Nacional; que a referida exclusão não se deu sob a justificativa de que a empresa autuada exercesse a atividade compra e venda de veículos em consignação, mas porque, em decorrência da inaplicabilidade da equiparação do art. 5º, da Lei n.º 9.716, de 1999, para fins do Simples Federal, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros do veículo recebido, excluídas tão somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. E como tal receita bruta superou, no anocalendário de 2006, a importância de R$ 2.400.000,00, houve tal exclusão; que, portanto, o contribuinte deseja que seja afastada a multa de ofício porque diante de sua exclusão do SIMPLES, apresentou manifestação de inconformidade, o que impediria, segundo ela, até mesmo a formalização do lançamento de ofício, questão já objeto de apreciação; que o presente caso não se trata de concessão de medida liminar em mandado de segurança (inciso IV, artigo 151, do CTN), nem da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em ação judicial, razão pela qual não há qualquer motivação para exclusão da multa de ofício, exigida em regular procedimento de fiscalização, nos termos da legislação aplicável; que os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo este sido mantido, igual sorte devem colher as exigências relativas à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, observadas as especificidades de cada um; que no tocante às questões suscitadas a respeito da constitucionalidade e/ou legalidade dos preceitos que fundamentam a exigência fiscal, cumpre destacar que o controle da constitucionalidade das leis não é da alçada dos órgãos administrativos; que, enquanto a norma jurídica não tem declarada a inconstitucionalidade pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, vinculante para a administração pública; que, assim, não há como acatar as ponderações da interessada, pois quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis validamente editadas, exorbitam da competência das autoridades administrativas. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTESTAÇÃO. JULGAMENTO. PRAZO. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 17 16 O prazo definido para a formalização de decisão administrativa a contar do protocolo da defesa, ainda que extrapolado, não acarreta a extinção ou a nulidade do crédito constituído de ofício, por falta de previsão legal. NULIDADE. MPF. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O MPF é mecanismo de controle administrativo e o prazo de 180 dias, nele previsto, para execução das auditorias por parte da fiscalização da Receita Federal, pode ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias, sendo válidas as prorrogações feitas tempestivamente, por meio eletrônico. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. Inexiste previsão legal para que uma contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrada retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007. Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 18 17 que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do anocalendário subsequente. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. Na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos. As operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparamse, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços. Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplicase, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplicase, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento). LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõese o arbitramento do lucro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 19 18 A multa de oficio foi exigida nos termos da legislação aplicável, em regular procedimento de fiscalização, tendo em conta que o caso concreto não se trata de concessão de medida liminar em mandado de segurança (inciso IV, artigo 151, do CTN), nem da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em ação judicial), não se caracterizando qualquer razão para sua exclusão. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/10/2012, conforme Termo constante à fl. 1382, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (01/11/2012), o recurso voluntário de fls. 1385/1417, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, inicialmente, é importante destacar que foram juntados a este processo destacado em epígrafe os processos \administrativos n º 10830.000679/201189 e nº 10830.725586/201161, que tratam, respectivamente, da exclusão da Recorrente do Simples Federal e das exigências fiscais pela sistemática do lucro arbitrado referentes ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, decorrentes da aludida exclusão; que, no que diz respeito ao aspecto da questão prejudicial da avaliação de decisão que manteve a exclusão do simples, é de se dizer que a Recorrente apresentou uma defesa isolada contra o ato de exclusão do Simples, defesa esta que foi juntada a este processo e à qual foi dada improcedência. Todavia, tendo em vista a vinculação com as razões de impugnação dos questionados lançamentos, a Recorrente pede o exame da exclusão do Simples seja ultimado com questão prejudicial; que assim como na Impugnação, quer a Recorrente explicar que as razões de defesa aqui disposta alcançam todas as exigências fiscais, visto que a discussão central (a negativa de vigência ao art. 5°, da Lei n° 9.716/98) é a mesma em relação ao IRPJ, e CSLL, o PIS, a COFINS e a Contribuição Previdenciária; que a mencionada questão é a que deu substrato para as três autuações aqui discutidas, quais sejam: a do Simples Federal no anocalendário de 2006, a exclusão do Simples para o anocalendário de 2007 e a conseqüente autuação pelo lucro arbitrado no primeiro semestre de 2007; que, no que diz respeito da nulidade do lançamento prévio à exclusão do simples, é de se dizer que consta do segundo parágrafo do relatório da decisão recorrida que a Exclusão do Simples operouse com a edição do Ato Declaratório Executivo n° 2 de 17 de Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 20 19 janeiro de 2011, com os seus efeitos ao primeiro semestre do anocalendário de 2007. Está averbado no primeiro parágrafo do aludido relatório que os autos de infração foram lavrados em 28 de janeiro de 2011, antes, portanto, de transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para a manifestação de inconformidade com o ato de exclusão do Simples; que na impugnação aos lançamentos de ofício, a impugnante reclamou pela emissão dos lançamentos antes do julgamento da manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão do Simples. A decisão recorrida, em seus itens 101 e 102, diz ser “desnecessário o esgotamento do contraditório e da ampla defesa relativamente à exclusão do Simples para fins da lavratura do Auto de Infração para exigências de tributos”; que, no caso presente, o açodamento do Fisco foi além: os autos de infração foram lavrados antes de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias para a manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão. Ora, antes de decorrido esse prazo, não cabe falar em ato de exclusão definitivo. A sua eficácia tem termo inicial quando decorrido o prazo de 30 (trinta) dias. Assim, no tocante aos lançamentos do primeiro semestre de 2007, os questionados autos de infração foram emitidos quando a empresa ainda estava no regime do Simples, o que determina a sua nulidade desses questionados lançamentos; que, no que diz respeito ao afastamento indevido da equiparação da operação de compra e venda de veículos usados à operação de consignação mercantil: negativa de vigência ao art. 5° da Lei 9.716/98, é de se dizer que jamais se quis afirmar que a Recorrente não exercia a atividade que de fato exerce, que é a compra e venda de veículo usados. O que se afirmou e que se continuará afirmando, por ser o correto, é que a operação de compra e venda de veículos usados foi legalmente equiparada à atividade de consignação mercantil para fins tributários; que para sustentar essa absurda tese, foram escolhidos dois caminhos: o primeiro, com base na redação do art. 1° da IN/SRF n° 152/98, afirmando que o art. 5°, da Lei n° 9.716/98, não poderá ser aplicada pelas empresas optantes pelo Simples, pois seria dispositivo exclusivo das empresas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base n lucro real, presumido ou arbitrado; e, o segundo com base na redação do art. 4°,§ 1°, da IN/SRF 608/2006, afirmando que art. 5°, da Lei n° 9.716/98 estabelece beneficio de redução de base de cálculo, o que seria incompatível com a sistemática do Simples; que, entretanto, ambas as teorias utilizadas para dar alicerce aos questionamentos lançamentos de oficio não resistem aos óbvios testes jurídicos; que a instrução normativa não pode criar restrição não contida na Lei, e que a D. Fiscalização e a R. Decisão a quo afirmam que a regra do art. 5°, da Lei n° 9.716/96, não se aplicaria ao caso da Recorrente; que se queria atribuir razão a essa absurda interpretação, o que se admite apenas para encaminhar o debate, o regime do simples, de forma alguma, pode ser colocado na mesma esteira das formas de apuração do lucro para fins do IRPF e da CSLL; que o artigo 5° da Lei 9.716/98 trata da definição de base de cálculo e não de incentivo fiscal, e, portanto, a definição de base de cálculo é matéria de reserva legal. Sendo assim, num dos seus pontos principais, a tese fiscal embasase no entendimento de que o art. 5°, da Lei n° 9.716/98, criou um beneficio fiscal consistente na exclusão da receita bruta do valor adquirido. Portanto, isto não e correto; Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 21 20 que a definição da base de cálculo do art. 5°, da Lei n° 9.716/98, não pode ser derrogada por mera interpretação. Além disso, essa definição é previa a qualquer regime de tributação, sendo matéria vedada ao estratégico manejo do aplicador da lei; que o regime de recolhimento do simples não representa modalidade autônoma de apuração de lucro, portanto, segue a forma do lucro presumido e também não é veículo de instituição de benefício fiscal, ou seja, a D. Fiscalização quanto à n. Autoridades Julgadoras de primeira instancia, fazendo interpretação isolada e equivocada da regra contida no art. 1°, da IN/SRF 152/98, sobrepondoa ao texto legal, defendem que a autoridade apenas para as empresas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Não e verdade na lei não há restrição. Isto representa uma criação autônoma do art. 1° da IN SRF 152/98; que a interpretação restritiva guarda compatibilidade com as normas de isenção, enquanto a norma constitucional deve receber a interpretação mais ampla possível, em especial quando visa dar efetividade ao magno princípio da igualdade, que para ser alcançada pode exigir uma discriminação positiva, como é o caso do regime do Simples; que não há antinomia entre a Lei 9.716/98 e a Lei 9.317/96 (Lei do simples federal) prevalência da Lei especial sobre a geral, sendo assim, a D. Fiscalização se esforçou para encontrar um artigo na Lei do Simples Federal (Lei 9.317/96) que desse respaldo à tese levantada. Não conseguiu, ou seja, o art. 5° da Lei n° 9.317/96 (Lei do Simples) não tem o comando pretendido; que a D. Fiscalização não conseguiu encontrar na Lei do Simples uma regra que respalde a cerebrina tese que dá suporte aos questionados lançamentos; que o paradoxo, ou seja, na forma adotada pelo fisco, já no mês de julho de 2006 houve o “estouro” do limite do simples. A tributação com caráter de penalidade, adoção imperativa da excludente do art. 106, II, do CTN. Neste ponto, a tese fiscal atingiu o paroxismo da volúpia arrecadadora. Deveras, a tese arquitetada pelo ilustre Autuante é que a forma de apuração da base de cálculo do art. 5° da Lei 9.716/98 seria incompatível com o Simples. Muito bem, esperavase, assim, que a empresa fosse excluída do Simples e tributada, por exemplo, pelo lucro arbitrado; que não há margem de duvida de que a exclusão do regime do Simples tem conteúdo de penalidade (equiparase), uma vez que a empresa deixa de ter a proteção desse regime de índole constitucional. Ora, sendo assim, contrariamente ao açodado entendimento da r. decisão recorrida, impõese aplicar retroativamente no controle da legalidade do ato de lançamento, impedindo que a forçada permanência da empresa no Simples resulte numa tributação com caráter de penalidade, em conformidade com o que dispõe o inciso II, do art. 106, do CTN; que a tributação pelo Simples tornose infinitamente superior à tributação pelo lucro arbitrado, sendo assim, quer a Recorrente insistir na informação de que o Fisco atestou que sua movimentação financeira esta suportada pelo faturamento das empresas. Portanto, a suspeita da pratica de omissão de receita, que havia determinado a abertura da fiscalização, foi afastada pela força da provas apresentadas pela intimada; que da inviabilidade do arbitramento do lucro e da base de cálculo da CSLL no primeiro semestre de 2007, ou seja, nas alegações que demonstraram a improcedência dos lançamentos do ano 2006, foi observado que a tributação perpetrada no âmbito do Simples era Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 22 21 muito superior à tributação pelo lucro arbitrado, que indiscutivelmente é a mais gravosa existente no nosso ordenamento jurídico. Essa assertiva resta confirmada pelo questionado lançamento centrado no arbitramento do lucro, cujo crédito tributário lançado é infinitamente inferior ao apurado de oficio no âmbito do Simples; que, como as questões anteriormente levantadas são determinantes para a conclusão sobre a exclusão do Simples, que tem reflexo direto na avaliação do questionado no arbitramento do lucro e da base da contribuição social, a Recorrente pede que ela seja devidamente sopesada. No discurso direto: reconhecida a impossibilidade da exclusão do Simples, impõese reconhecer a inviabilidade do arbitramento do lucro e da base de cálculo da contribuinte social; que a revenda de veículos é atividade de consignação mercantil, ademais, a Recorrente se opôs frontalmente ao arbitramento do lucro do primeiro semestre de 2009. Além, disso, nesse equivocado arbitramento foi adotado o percentual de 32%, sob o pressuposto de que a revenda de veículos é remunerada por comissão; que, portanto, não há sustentação jurídica para a equiparação da operação de consignação mercantil à intermediação de negócios, como incorretamente entendeu o ilustre autuante e confirmou o acórdão recorrido. O contrato de comissão e a consignação são institutos, além de o consignatário agir em nome próprio; que da inaplicabilidade da multa de oficio aos lançamentos vinculados ao questionado arbitramento, sendo assim, parte das exigências formalizadas em face da ora Recorrente decorre de sua exclusão do Simples. Também foi relatado e comprovado que esse Ato Declaratório foi tempestivamente impugnado, sendo que a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela r. decisão a quo; que caso o entendimento alcançado seja pela manutenção do arbitramento, hipótese admitida apenas para argumentar, a exclusão da multa de oficio indevidamente aplicada aos lançamentos relativos ao primeiro semestre de 2007 é medida que se impõe; que a tributação reflexa no PIS e na COFINS, por conta da substituição do Simples Federal pelo arbitramento do lucro, além das diferenças do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro, foram emitidos lançamentos para exigir diferença de PIS e de COFINS. Tais diferenças são, igualmente, indevidas porque centrados no equivocado arbitramento substitutivo da tributação pelo Simples Federal. É o relatório. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 23 22 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 1385/1417), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (fls. 1283/1364). A exigência fiscal inicial em exame tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS, para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e Contribuição para Seguridade Social INSS, apurados pela Sistemática do Simples Federal, referidos ao ano calendário de 2006, cientificados à contribuinte em 28 de janeiro de 2011, no valor total de R$ 1.714.249,32, devido às irregularidades detectadas em regular procedimento de fiscalização, formalizado através do processo nº 10830.0012279/201191. Numa etapa posterior houve a exclusão do Simples Federal o qual se operou com a edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 02, de 17 de janeiro de 2011, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas, o qual delimitou seus efeitos ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, conforme fl. 19 do processo administrativo número 10830.000679/201189, juntado a este (processo nº 10830.001279/201191). Por sua vez, a exigência fiscal referente ao anocalendário de 2007, está formalizado por meio do processo administrativo número 10830.725586/201161, também juntado a este, tendo em conta que o lançamento relativo ao 1º semestre daquele anocalendário é decorrente da exclusão do Simples já referida acima. Para o anocalendário de 2007, por meio do processo administrativo número 10830.725586/201169, foram detectadas infrações à legislação tributárias, que dão suporte aos lançamentos formalizados, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), e às Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), cientificados ao contribuinte em 12 de dezembro de 2011. Houve a formalização dos seguintes créditos tributários, cujas irregularidades encontramse descritas no auto de infração do IRPJ: R$ 111.903,08, referido ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); R$ 23.717,21, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fatos geradores de janeiro a junho de 2007; R$ 13.720,32, também da CSLL, fatos geradores em 30/09/2007 e 31/12/2007; R$ 14.915,55, da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); R$ 4.278,50, da Contribuição para o PIS/Pasep, cujas infrações foram as seguintes: 01 LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO: Aplicação incorreta Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 24 23 do percentual de determinação do Lucro Presumido de 8% sobre as receitas tributárias auferidas na atividade de revenda de veículos (intermediação de negócios), quando o correto, para esta atividade seria 32%, o que acarretou diferenças a menor de IRPJ apurado e recolhido/declarado pela contribuinte, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Infração capitulada no art. 3º da Lei n.º 9.249, de 1995 e arts. 518 e 519, do RIR/99. Razão do arbitramento no(s) período(s): 06/2007 Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos, conforme previsão no art. 530, inciso III, do RIR/99. 2 RECEITAS DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS: Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de prestação de serviços de intermediação de negócios (comercialização de veículos), conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Infração capitulada art. 3º da Lei n.º 9.249, de 1995 e art. 532 do RIR/99. Portanto, a apreciação que se faz por meio deste acórdão abrange: 1 os lançamentos formalizados para o anocalendário de 2006, por meio deste processo administrativo (10830.001279/201191), cujas exigências fiscais foram apuradas dentro da sistemática do Simples Federal; 2 a Exclusão do Simples Federal, com efeitos no primeiro semestre do ano calendário de 2007 (processo administrativo número 10830.000679/201189); 3 os lançamentos formalizados para o anocalendário de 2007, por meio do processo administrativo número 10830.725586/201161. A decisão recorrida manteve o lançamento baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que a equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Assim como, Inexiste previsão legal para que uma contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrada retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente; que verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente; que a partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 25 24 que na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos; que as operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparamse, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços; que na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplica se, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplicase, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento); que à falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõese o arbitramento do lucro. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 26 25 A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para o contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 45/95, bem como o Termo de Constatação Fiscal de fls. 02/26, identifica por nome e CNPJ o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, cuja ciência foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 27 26 Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que o recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo o interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 28 27 Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório o suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que os Mandados de Procedimento Fiscal – MPF foram emitidos fora dos critérios estabelecidos na legislação de regência. Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão do suplicante no sentido de que as informações sucintas e falhas na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF levaria à incompetência do agente fiscal para o ato constitutivo do crédito tributário. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. A elementar alegação do recorrente de que o prazo dado pelos artigos 11 e 12, da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, para que o agente fiscal execute o Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 29 28 procedimento de fiscalização é de 120 dias, prorrogável quantas vezes necessárias pelo prazo de 60 dias, desde que sob motivação, jamais provocaria a nulidade do auto de lançamento. Ademais, é posição majoritária neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a alguma irregularidade, por ventura, existente no Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 30 29 a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo em resposta às intimações que recebeu argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). Mesmo que verdadeira fosse à assertiva do recorrente, é de se dizer que eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. No que diz respeito ao anocalendário de 2006, resta claro, nos autos, de que a autoridade fiscal manifesta o entendimento de que o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1996, não é aplicável às empresas que aderiram ao Simples, mas somente às pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Assim sendo é cristalino, nos autos, de que o lançamento tem por fundamento o entendimento da autoridade fiscal de que as empresas optantes pelo Simples, que tenham por atividade operações de vendas de veículos usados, adquiridos para revenda, não podem, para fins tributários, se utilizarem da mesma base de cálculo, na apuração dos tributos e contribuições devidos, facultada às pessoas jurídicas com a mesma atividade, mas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, devendo utilizar como base de cálculo a receita bruta, conforme definida na legislação. Portanto, as empresas optantes pelo Simples não poderiam deduzir o custo de aquisição dos veículos para determinar a base de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 31 30 Por seu turno, a empresa alega, em síntese, que a base de cálculo a ser utilizada na apuração dos tributos e contribuições devidos na Sistemática do Simples, na atividade de compra e venda de veículos usados, é a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado e o seu custo de aquisição, e não o valor de saída do veiculo. A decisão recorrida já deixou cristalino o entendimento de que a legislação que rege a sistemática simplificada para cumprimento das obrigações tributárias, fixa critérios e determina a possibilidade de equiparação das operações de vendas de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, prevista no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, e na IN/SRF nº 152, de 1998, não se aplica às empresas tributadas pela sistemática do SIMPLES, pois estas não podem deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado, relativamente a operações que não sejam efetivamente de consignação. Com todas as vênias possíveis, o SIMPLES Federal, instituído pela Lei n.º 9.317, de 1996, com amparo no artigo 170, inciso IX, da Constituição Federal, tratase de um regime de normas próprias para empresas que optem por uma sistemática de tributação simplificada, que prevê a aplicação de alíquotas para apuração dos tributos e contribuições devidos, diretamente sobre a receita bruta das empresas que, por estarem dispensadas da escrituração comercial, não efetuam a apuração do lucro real do período. Tais alíquotas são fixadas pela legislação em função do lucro presumível dessas empresas, com base nas vendas efetuadas. É lógico e razoável de que efetuada a opção por tal regime e até que solicite sua exclusão, ou venha a ser excluída do SIMPLES, a empresa se submete à sistemática do regime jurídico do SIMPLES, para o qual o artigo 5º, da Lei n.º 9.317, de 1996, com a alteração do art. 3º, da Lei nº 9.732, de 1998, prevê uma alíquota única determinada em função da receita bruta mensal. Assim sendo, não se mostra cabível a equiparação pretendida pela autuada, pois, em se tratando de atividade de compra e venda de veículos, atividade exercida pela contribuinte, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros do veículo recebido, excluídas tãosomente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo, repitase, inaplicável a equiparação do artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998. Cabe enfatizar, ainda, que, diferentemente do que alega a autuada, o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, não se trata de regra especial da Lei n.º 9.317, de 1996, pois, reitere se, o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, referese, exclusivamente, às empresas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, não se aplicando às empresas optantes pelo Simples. Assim, em conclusão, a totalidade dos valores recebidos pela fiscalizada nas operações de compra e venda de veículos integra a base de cálculo para apuração dos valores devidos pela sistemática do SIMPLES. No que se refere às alegações de que a tributação pelo Simples, no ano calendário de 2006, mostrase mais desvantajosa do que a tributação pelo Lucro Arbitrado, ainda que utilizado o maior percentual previsto pela legislação de regência, é importante ressaltar que a opção pelo Simples, assim como a decisão de se excluir dele, é do contribuinte, e para tanto, existem trâmites e prazos determinados pela legislação aplicável. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 32 31 Ora, não pode o Fisco simplesmente efetuar o arbitramento quando não caracterizadas as condições e situações exigidas pela norma jurídica aplicável, simplesmente porque tal procedimento resultaria à autuada uma exigência fiscal de menor valor, em suma, mais favorável. Também não é lícito, à Administração Tributária, visando atender a vontade do contribuinte, desrespeitar a legislação aplicável, alterando de ofício seu regime de tributação com efeitos retroativos, simplesmente porque se mostra mais vantajoso para ela. No que se refere à exclusão do Simples Federal, o contribuinte pleiteia inicialmente o reconhecimento da nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 02, de 17 de janeiro de 2011, sob a justificativa de que teria sido assinado por autoridade incompetente. Ora, sem mais delongas, o próprio ato questionado traz de forma expressa, já em seu preâmbulo, a identificação do documento de outorga de delegação ao Chefe do Serviço de Fiscalização para sua emissão, inexistindo a pretensa nulidade, ou seja, resta claro a designação de competência “... no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 3º da Portaria de Atribuições dos Setores nº 09, de 09 de janeiro de 2009, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas, publicada no Diário Oficial da União de 13 de janeiro de 2009...”. Como visto no relatório a autoridade fiscal justifica o procedimento adotado, para fins de exclusão do SIMPLES, fundamentado no fato de o autuado, na condição de empresa de pequeno porte, ter auferido, durante o anocalendário de 2006, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), sendo vedada sua permanência naquele sistema de recolhimentos de tributos e contribuições. Indiscutivelmente, dispõe o artigo 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, que não poderá optar pelo Simples Federal, a pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00. Por sua vez, os efeitos da exclusão operaramse a partir do mês de janeiro do anocalendário de 2007, até o mês de junho do mesmo ano, conforme previsão contida no inciso IV, do artigo 15, da Lei n.º 9.317, de 1996. Já sobre os efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal, no que se refere às exigências com fatos geradores no anocalendário de 2007, conforme a determinação contida no art. 16 da referida Lei nº 9.317, de 1996, “a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Assim, a exclusão da sistemática do SIMPLES é requisito legal para a sujeição da pessoa jurídica à sistemática de tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, impondose tal prática, portanto, a fim de assegurar o direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário devido em outra modalidade de tributação, quando verificados os impedimentos legais à opção pela sistemática simplificada. Enfim, basta a exclusão do Simples para que os efeitos do referido ato administrativo se façam sentir, dado os seus já mencionados atributos da autoexecutoriedade e da imperatividade ou coercibilidade, os quais, para serem aplicados, independem da declaração de validade ou invalidade do ato. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 33 32 Assim, a manifestação de inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES não é empecilho ao lançamento dele decorrente, relativo ao anocalendário de 2007, apenas obstando o atributo da exigibilidade conferido ao ato administrativo. Por outro lado, resta claro nos autos de que a autoridade fiscal fundamenta o lançamento nos artigos 518 e 519 do RIR/99 (artigos 15 e 16 da lei n.º 9.249, de 1995), conforme seu entendimento de que os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta conhecida, proveniente da atividade de vendas de veículos, deve ser equiparada à operações de consignação, na apuração do Lucro Presumido, é de 32%, tendo em vista tratarse de atividade equiparada à intermediação de negócios. É de se ressaltar que referida exclusão não se deu sob a justificativa de que a empresa autuada exercesse a atividade compra e venda de veículos em consignação, mas porque, em decorrência da inaplicabilidade da equiparação do art. 5º, da Lei n.º 9.716, de 1999 para fins do Simples Federal, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros do veículo recebido, excluídas tãosomente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. E como tal receita bruta superou, no anocalendário de 2006, a importância de R$ 2.400.000,00, houve tal exclusão. É de se ressaltar que o percentual aplicável sobre essa diferença, calculada nos termos do § 1º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF nº 152, de 1998, há de ser 32% (trinta e dois por cento), previsto, segundo o mesmo Parecer Cosit nº 45, de 2003, para as atividades de prestação de serviços em geral. Notese que, no âmbito da Administração Tributária, diversas Soluções de Consulta, inclusive, entre ela, a de nº 76, da SRRF10/Disit, de 18 de outubro de 2011, afirmam que o percentual aplicável há de ser de 32% (trinta e dois por cento) no caso do IRPJ previsto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, para as atividades de prestação de serviços em geral. Portanto, corretos os percentuais utilizados pela autoridade fiscal, conforme a atividade, na determinação das bases de cálculo para incidência de tributos e contribuições, tanto no Lucro Arbitrado como no Lucro Presumido. No que se refere ao arbitramento efetuado, para o primeiro semestre do ano calendário de 2007, a contribuinte havia optado pelo Simples Federal e, pelo Lucro Presumido, no segundo semestre. Assim, excluída do SIMPLES, o art. 16 da referida Lei nº 9.317, de 1996, determina que a pessoa jurídica sujeitarseá a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Nesse sentido, a empresa foi intimada a recompor sua escrituração através da sistemática do Lucro Real, manifestandose no sentido de que tal procedimento não era cabível, motivo pelo qual não o efetuou. Resta claro nos autos, que a interessada foi intimada, por diversas vezes (28/01/2011, 03/03/2011, 15/04/2011, 11/07/2011) a recompor sua escrituração para o Lucro Real, mas a contribuinte afirmou que, no primeiro semestre do anocalendário de 2007, era optante pelo Simples, e no segundo semestre do anocalendário de 2007, pelo Lucro Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 34 33 Presumido, o que lhe retiraria as condições formais e materiais de uma tributação pelo Lucro Real. Da mesma forma, resta claro nos que, a partir da análise dos Livros fiscais apresentados, constatouse a impossibilidade de efetuar a recomposição da escrituração para o Lucro Real, pois não foi possível apurar, mensalmente, o Custo das Mercadorias Vendidas, conforme detalhamento feito pela fiscalização no TVF. Em conseqüência, para o primeiro semestre do anocalendário de 2007, arbitrouse o lucro, tendo em vista que a empresa não efetuou a recomposição da escrituração contábil e fiscal necessária à apuração por meio do Lucro Real. É de se observar, que se tratando de exclusão de ofício do Simples Federal, uma vez iniciado o procedimento de ofício, fica excluída a espontaneidade do sujeito passivo e, portanto, vedada a sua opção pela tributação na forma do lucro presumido. Com certeza que o lucro arbitrado é, forma excepcional de se quantificar a renda tributável, é utilizada pela Administração Tributária, em casos de omissões ou erros graves constatados na escrituração na qual se deve respaldar a contribuinte. E este é o fato determinante para a adoção dessa modalidade de apuração do lucro. A legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e jurisprudencial nos ensina que o imposto de renda devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando: 1) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real; 2) o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular; 3) o contribuinte optar indevidamente pelo lucro presumido; 4) o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou domiciliado no exterior; 5) o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir, totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário; 6) o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, nos casos em que o mesmo se encontre obrigado ao lucro real;7) o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 e § 2º do artigo 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 35 34 As irregularidades da escrita apresentada, apontada no auto de infração e, posteriormente analisada pela decisão recorrida, ao enfrentar os argumentos da impugnação, deixam claro que não foram atendidas as condições das leis comercial e fiscal, de forma a que permitisse ao fisco verificar a exatidão do lucro real apurado. Assim, a manutenção de uma escrita, sem o preenchimento dos requisitos da legislação comercial e fiscal, para as empresas optantes pela tributação com base no Lucro Real, enseja o abandono da contabilidade e o cálculo do lucro tributável por arbitramento, por determinação legal e em consonância da reiterada jurisprudência deste Colegiado. Ora, a falta de apresentação dos livros e documentos ou a não reconstituição da escrita em prazo razoável, concedido em juízo de admissibilidade, quando necessário, por não permitirem a conferência fiscal, acarretam ao sujeito passivo o ônus de ter seu lucro arbitrado, medida necessária para a apuração das exigências fiscais formalizadas mediante lançamento de ofício. Enfim, alcançada a conclusão acerca da impossibilidade da apuração pelo Lucro Real, cumpre ao Fisco, tãosomente, adotar o arbitramento como única forma, com respaldo legal, para se apurar o resultado da pessoa jurídica, eis que as outras modalidades de apuração ensejam, necessariamente, como requisito legal, o apoio em escrituração e documentação regular, a qual deve ser mantida de acordo com a sistemática escolhida (Lucro Real ou Presumido). Resta observar, que a apresentação e/ou alegação da existência dos livros comerciais e fiscais, após o encerramento da fiscalização, não tem o condão de afastar o arbitramento, efetuado exatamente pela ausência dessa de exibição dessa documentação, porquanto essa forma de apuração de lucro não é condicional e alterável pela posterior apresentação dos livros exigidos. Quanto à exigência da multa de ofício, para as exigências fiscais referentes ao anocalendário de 2007, reiterese que a manifestação de inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES não é empecilho ao lançamento dele decorrente, relativo ao ano calendário de 2007, apenas obstando o atributo da exigibilidade conferido ao ato administrativo. Isto porque o artigo 151 do Código Tributário Nacional relaciona as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas nada dispõe sobre qualquer forma de impedimento à sua constituição. E o meio correto para isto é o Auto de Infração, conforme preceituado nos artigos 9º e 10 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, com a nova redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (capacidade contributiva e confisco), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 36 35 considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 37 36 No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 38 37 Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Nesta linha de entendimento, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É entendimento, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência para poder promulgar a lei não seria razoável que, subordinados na hierarquia administrativa, considerassem inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 39 38 não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Por fim, infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência e a certeza da relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 40 39 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 41 40 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Em face de problemas momentâneos no sistema de acesso informatizado (e processo) e por não ter condições de deixar para fazer esta declaração de voto em outra oportunidade, propugnando pela celeridade processual, destaco que faço a presente sem acesso aos autos, louvandome, contudo, das informações contidas no relatório do voto vencedor e o quanto anotei quando do julgamento, dados que tenho por suficientes à presente análise. Em síntese, pode se dizer: a) que é fato incontroverso que a fiscalizada exerce a atividade de compra e venda de veículos usados e que em momento algum lhe é imputado inobservância ao disposto no parágrafo único do artigo 5º da Lei nº 9.715, de 1998. b) que no anocalendário de 2006 fez opção para ser tributada com base no SIMPLES; c) que a exigência, neste auto de infração, em relação ao anocalendário de 2006, deuse com base no SIMPLES; d) que apesar da exigência tributária, em relação ao anocalendário de 2006, ter se dado com base no SIMPLES, o lançamento entendeu inaplicável, para as empresas do SIMPLES, o disposto no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998; e) ao entender inaplicável as disposições do artigo 5º, da Lei nº 9.716, de 1998, às empresas do SIMPLES, o acórdão recorrido fixou como receita o valor integral da venda dos veículos e não apenas a diferença entre o preço de aquisição e de venda, conforme estabelece o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998; f) a adoção do critério de apuração de receita indicado na letra "d", acima, fez com que, para o ano de 2006, se apurasse receita superior ao limite previsto para o SIMPLES, o que resultou sua exclusão a partir de 2007 e exigência, para este ano, com base no lucro presumido. É o breve relatório, passo ao voto. Em primeiro lugar deixo consignado que é entendimento pacífico no sentido que as empresas que se dedicam à compra e venda de veículos usados podem optarem em ser tributadas com base no SIMPLES. Na linha do entendimento aqui registrado, a exigência do crédito tributário, no presente lançamento, em relação ao anocalendário de 2006 deuse com base no SIMPLES. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 42 41 Nesta mesma linha, a título exemplificativo, cito a Solução de Divergência Cosit nº 4, de 09 de março de 20111. Da receita das empresas que negociam veículos usados As empresas que negociam veículos usados, nos termos do art. 5º da Lei nº. 9.716, de 19982, se submetem a um regime fiscal específico, qual seja, admitem, à opção do contribuinte, um conceito de receita bruta diferente do usual (equiparam receita às consignações)3. Ao inserir no sistema jurídico a norma contida no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, (equiparando receita às consignações), adotouse a técnica legislativa da ficção jurídica, procedimento admitido em nosso sistema. Outro exemplo neste sentido encontrase no artigo 5º da Lei nº 8.023, de 1990, que dispõe sobre o resultado da atividade rural onde a norma prevê que, à opção do contribuinte, o resultado da atividade rural, quando positivo, "limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase." Se para efeitos da venda de veículos usados receita é igual a consignação pode se dizer que, neste caso, por ficção jurídica, "receita é igual a diferença entre o valor pelo 1 SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 4, DE 9 DE MARÇO DE 2011 D.O.U.: 14.03.2011 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL EMENTA: A venda de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou contrato estimatório, é feita em nome próprio. Por esse motivo, não constitui mera intermediação de negócios, de sorte que o exercício dessa atividade, por si só, não veda a opção pelo Simples Nacional. O contrato de comissão (arts. 693 a 709 do Código Civil) tem por objeto um serviço de comissário. Nesse caso, a receita bruta (base de cálculo) é a comissão, e a tributação se dá por meio do Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Já o contrato estimatório (arts. 534 a 537 do Código Civil) recebe o mesmo tratamento da compra e venda. Ou seja, a receita bruta (base de cálculo), tributada por meio do Anexo I da Lei Complementar nº 123, de 2006, é o produto da venda a terceiros dos bens recebidos em consignação, excluídas tãosomente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Inaplicável a equiparação do art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, para fins de Simples Nacional. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal, art. 146, inciso III, alínea 'a' e parágrafo único; Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 3º, 17 e 18; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, arts. 534 a 537, e 693 a 709; e Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º.FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral. 2 Art. 5º. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação." 3 Entendese por consignação mercantil o contrato pelo qual uma pessoa consignador ou consignante, entrega a outra, consignatário, mercadorias, a fim de que esta última as venda por conta própria e em seu próprio nome, prestando o consignatário ao consignante o preço entre ambos ajustado para a operação, qualquer que seja o valor alcançado pela venda feita a terceiros. Difere a consignação mercantil, essencialmente do mandato e da comissão mercantil. Difere do primeiro, porque, enquanto o mandatário age em nome do mandante, o consignatário age em seu próprio nome. Difere de ambos mandato e comissão, porque, enquanto o mandatário e comissário agem por conta, respectivamente, do mandante e do comitente, o consignatário age por conta própria. Em verdade, a distinção não se limita a esses aspectos exteriores ou formais. Há uma maneira de ser íntima, substancial, interior na consignação mercantil, que lhe dá tipicidade específica. É que nela duas operações de venda transcorrem, quando se completa a operação. No momento em que o consignatário vende mercadoria a terceiro, automaticamente ele a compra ao consignante." (Amilcar de Araújo Falcão). Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 43 42 qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição.4" Do conceito de receita às empresas do SIMPLES É possível existir um conceito de receita para as empresas optantes do SIMPLES e outro conceito às demais empresas? Diante do preceito constitucional contido no art. 170, IX, da Constituição, prevendo que o legislador deve dispensar tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, seria possível existir norma impondo um conceito de receita às empresas do SIMPLES que resultasse em algo mais abrangente do que o conceito de receita aplicado às demais empresas? No momento em que a legislação admite que as empresas que se dedicam ao comércio de veículos usados podem optar com base no SIMPLES, e que o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, por ficção, equiparou receita à consignação, temse que para as empresas que se dedicam a este ramo, estando ou não no SIMPLES, por ficção legal, "receita é a diferença entre o preço de aquisição e de venda". Com a devida vênia e o respeito que tenho pelo ilustre relator e pelos Conselheiros que o acompanharam, a solução adotada no voto vencedor sustentando que o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, não se aplica às empresas do SIMPLES decorre de premissa equivocada, qual seja, que para as empresas do SIMPLES que se dedicam ao comércio de veículos usados receita é algo diferente daquilo que a lei, por ficção, considera como tal para as outras empresas que atuam neste mesmo segmento, o que é um grande equívoco. Ademais, no momento em que o artigo 170, IX, da Constituição, prevê que o legislador deve dispensar tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, afronta a norma constitucional aqui indicada a interpretação legislativa que leva à conclusão de que duas empresas que atuem no mesmo setor, só que uma no SIMPLES e outra não, para a primeira se tenha um conceito de receita tributável que resulte em maior exigência de tributos. Como apontado em voto da lavra do ilustre Conselheiro Frederico "Seria uma incongruência político jurídica se um tratamento tributário privilegiado destinado às micro e pequenas empresas acabasse por prejudicálas. (acórdão 1402001.389, jul. um. 11/06/2013). Do alcance do artigo 5º da Lei nº. 9.716, de 1998 e das Instruções Normativas referente à natureza das atividades das empresas que se dedicam ao comércio de veículos usados. Conforme dito anteriormente, a lei pode, por ficção, à opção do contribuinte, definir o que seja receita. Neste sentido, o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, definiu que na atividade de compra e venda de veículos usados receita equivale ao resultado da consignação, isto é, "a diferença entre o preço de aquisição e de venda". Contudo, indago: A norma também teria estabelecido que a atividade comercial de compra e venda de veículos usados, por ficção, equivale à prestação de serviços? 4 Neste mesmo sentido artigo 96, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 44 43 Em relação à pergunta acima indicada a resposta é negativa. Não existe, ficção jurídica estabelecendo que a atividade de compra e venda de veículos usados, para fins tributários, equivale à prestação de serviços, justificando tributação com base de cálculo de 32%. A edição de Instruções Normativas prevendo base de cálculo de 32%, para a receita decorrente da venda de veículos, apurada na forma do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, ao meu sentir, afrontam o artigo 97, IV, do CTN. É importante que se tenha presente que não se pode confundir a ficção jurídica definindo o que seja receita no comércio de veículos usados para, sem previsão legal, criar nova ficção, isto é, que tal atividade de compra e venda equivale à prestação de serviços. Neste sentido, e somente a título de notícia, constatei que o assunto já foi objeto da Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de Santa Catarina ASSOVESC, resultando reconhecido, nas decisões proferidas5, que "a existência de autorização legal, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação (art. 5º, da Lei 9.716/98) não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço, para fins de definição da alíquota do IRPJ e da CSLL (arts. 15, III, "a" e 20 da Lei 9.249/95).". Neste sentido, destaco a ementa do citado julgamento: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS USADOS. POSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À CONSIGNAÇÃO. DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA FINS DE APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. PRETENSÃO DA FAZENDA DE ENQUADRAR TAIS ATIVIDADES À CATEGORIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. DESRESPEITO À LEGALIDADE ESTRITA. 1. Caso em que se discute a legalidade da interpretação conferida pela Fazenda Nacional ao artigo 5º da lei 9.716/98, nos termos da IN SRF n. 390/2004, segundo a qual as operações de compra e venda de veículos usados realizadas por suas associadas equivalem à consignação mercantil, de sorte que devem ser equiparadas, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, às atividades de prestação de serviços de intermediação de negócios, as quais são tributadas pela alíquota de 32%. 2. A existência de autorização legal, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação (art. 5º, da Lei 9.716/98) não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço, para fins de definição da alíquota do IRPJ e da CSLL (arts. 15, III, "a" e 20 da Lei 9.249/95). Não há como se vislumbrar tal alcance às normas em questão, mormente porque, nem no caso de compra de veículo para revenda, nem no de recebimento de automóvel como parte do pagamento de outro, há, efetivamente, uma prestação de serviço, mas simples operações de compra e venda, as quais não se encontram nas exceções previstas pelos artigos 15 e 20 da Lei 9.249/95. 5 sentença, acórdão do TRF 4 e RESP 1.160.907 Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 45 44 3. Esta Corte, em caso análogo, já decidiu ser "Inconcebível que, para fins de incidência de PIS e Cofins, a compra e venda de veículos seja uma operação mercantil, devendo as contribuições incidir sobre o valor total da operação, e, para efeitos de base de cálculo de IRPJ e CSLL, a mesma operação seja uma prestação de serviços, sujeitando o contribuinte à regra do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei 9.249/1995" (REsp n. 1.201.298/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma desta Corte, cujo acórdão foi publicado no DJE do dia 4/2/2011). 4. Agravo regimental não provido (AgRg no Recurso Especial nº 1.1160.907 SC. Jul. 14 de fevereiro de 2012. Rel. Ministro Benedito Gonçalves). À minha decisão contida nesta declaração de voto agrego os fundamentos da decisão do REsp 1.160.907 SC, que resultou no agravo regimental cuja ementa acima transcrevi. Eis os fundamentos utilizados pelo Ministro Benedito Gonçalves: "A recorrente, com fundamento no artigo 5º, da Lei 9.716/98, defende que as operações de venda de veículos usados, por serem equiparadas às operações de consignação devem ser consideradas como prestação de serviço de intermediação de vendas e, por consequência, o IRPJ e a CSLL sobre elas incidente devem ser calculados com base na alíquota de 32%, à qual estão sujeitas as empresas prestadoras de serviço. Para dirimir a controvérsia, fazse pertinente a transcrição dos artigos de lei referentes ao tema. Com efeito, o artigo 5º, da Lei 9.716/98, determina que: Art. 5º. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Por seu turno, os artigos 15, inciso III, alínea "a" e 20, da Lei 9.249/95, os quais prevêm a alíquota de 32% para apuração do IRPJ e da CSLL, assim dispõem: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). [...] Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 46 45 corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) Medida Provisória nº 232, de 2004). Da leitura dos dispositivos acima, verificase que o artigo 5º, da Lei 9.716/98 garante aos contribuintes que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores, o direito de proceder à equiparação das vendas de veículos usados com as operações de consignação, para fins tributários. (grifos no original) Os artigos, 15, III, "a" e 20, da Lei 9.249/95, por sua vez, definem que as bases de cálculo do IPRJ e da CSLL referentes aos contribuintes que realizam atividades de prestação de serviços, correspondem ao percentual de 32% sobre a receita bruta. Como mencionado, a Recorrente, com fundamento nas normas acima, editou a IN SRF nº 390/04 , na qual se regulamenta a forma de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos pelas pessoas jurídicas que realizam operações de venda de veículos usados, estabelecendo que, a partir de 2003, tais tributos serão apurados com base na alíquota de 32%. Eis o teor da mencionada norma, no que aqui importa: [...]Art. 96. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. § 1º Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. § 2º Considerase receita bruta, para efeito deste artigo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado tiver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 3º Na determinação da base de cálculo estimada e do resultado presumido ou arbitrado, aplicarseá o percentual de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, definida no § 2º, auferida nos períodos de apuração ocorridos até 30 de agosto de 2003, e o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para os períodos ocorridos a partir de 1º de setembro de 2003. § 4º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Seção, é o preço ajustado entre as partes. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 47 46 § 5º A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da SRF, o demonstrativo de apuração da base de cálculo a que se refere o § 2º. § 6º As disposições desta Seção aplicamse exclusivamente para efeitos fiscais (grifos no original). Conjugandose os artigos de lei acima transcritos com o que dispõe a Instrução Normativa, percebese claramente que esta extrapolou os limites daqueles, em clara ofensa ao Princípio da Legalidade Estrita, preconizado pelo artigo 97, inciso IV, do CTN, na medida em que agravou a exação existente sem prévia lei que o permitisse. De fato, a existência de autorização legal, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço. Não há como se vislumbrar tal alcance às normas em questão. Ora, nem no caso de compra de veículo para revenda, nem no de recebimento de automóvel como parte do pagamento de outro, há, efetivamente, uma prestação de serviço, mas simples operações de compra e venda, a qual não se encontra nas exceções previstas pelos artigos 15 e 20 da Lei 9.249/95. No REsp 1.201.298 SC, julgado em 16/11/2010, tendo por relator o Ministro HERMAN BENJAMIN, a essência do apelo da Fazenda Nacional era de que "(...) o art. 5º da Lei 9.716/98, ao equiparar a operação de venda de veículos usados à consignação, para fins tributários, acabou na verdade por equiparála a um contrato de prestação de serviços, haja vista que a consignação seria um contrato de comissão e este uma prestação de serviço." Sustentava a recorrente de que "os Tribunais já se manifestaram no sentido de que na venda por consignação aquele que aliena não é possuidor do bem, mas mero intermediário que aufere no caso da venda determinada comissão. Assim que, a consignação prevista na Lei n. 9.716/98 é uma modalidade de consignação por comissão." (eSTJ, fl. 190)." Com base em tais argumentos, a recorrente sustentava a legalidade da IN 390/04 estabelecendo base de cálculo de 32% para as atividades que se dedicavam à compra e venda de veículos usados. O STJ, ao apreciar a questão, na mesma linha em que defendo em meu voto, assim decidiu: IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS E RECEBIMENTO DE AUTOMÓVEL COMO PARTE DO PAGAMENTO. OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ART. 15, § 1º, III, DA LEI 9.249/95. 1. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são, em regra, respectivamente, 8% e 12% da receita bruta. Para as atividades previstas no inciso III do § 1º do art. 15, no entanto, as bases de cálculo dos tributos corresponderão a 32% da receita bruta. 2. A Lei 9.716/95 autorizou o contribuinte a equiparar, como operações de consignação, aquelas em que recebe veículo usado como parte do pagamento de um que foi vendido e em que adquire um outro usado para revenda. 3. O comando legal é dirigido ao contribuinte. A norma seria esvaziada por completo se, com isso, fosse consideravelmente aumentado o custo tributário das operações. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 48 47 4. Não ocorre, efetivamente, prestação de serviço, mas simples operação de compra e venda, nos casos de compra de veículo para revenda ou de recebimento de automóvel como parte do pagamento de outro. 5. Inconcebível que, para fins de incidência de PIS e Cofins, a compra e venda de veículos seja uma operação mercantil, devendo as contribuições incidir sobre o valor total da operação, e, para efeitos de base de cálculo de IRPJ e CSLL, a mesma operação seja uma prestação de serviços, sujeitando o contribuinte à regra do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei 9.249/1995. 6. Recurso Especial não provido. (REsp 1.201.298 SC. Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN. Julgado em 16/11/2010). Em resumo, em se tratando de compra e venda de veículos usados, quer seja por empresas do SIMPLES ou não, por ficção legal, temse por receita "a diferença entre o preço de aquisição e de venda do veículo." No caso das empresas do simples a base legal tributável será a integralidade do valor correspondente "a diferença entre o preço de aquisição e de venda do veículo". Para as empresas tributadas com base no lucro presumido pegase a receita apurada conforme o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998 e aplicase o percentual de 8%, previsto no artigo 15, caput, da Lei nº 9.249, de 1997. No caso concreto, do equívoco da autoridade fiscal quanto à apuração da receita tributável, resultou a conclusão de que a contribuinte, em 2006, teria extrapolado os limites para continuar operando no SIMPLES, motivo pelo qual, para o ano seguinte, resultou tributada com base no lucro arbitrado. Contudo, quando se corrigem os equívocos temse que não persiste a autuação, quer em relação ao ano de 2006, quer em relação ao ano de 2007. ISSO POSTO, voto no sentido de prover o recurso para canelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 49 48 Declaração de Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Em apertada síntese, a empresa, optante do Simples no anocalendário 2006, foi autuada para aquele período por entender o Fisco não ser cabível a aplicação do disposto no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Como consequência, foi fixado como receita o valor integral da venda dos veículos e não apenas a diferença entre o preço de aquisição e de venda, conforme estabelece o referido comando legal. Decorreu disso a exclusão da empresa da sistemática simplificada, a partir do anocalendário 2007, já que apurada receita acima do limite permitido para o Simples, e a apuração de exigência com base no lucro presumido. Com efeito, o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, estabelece que: “As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação”. O fato de o artigo não particularizar as pessoas jurídicas beneficiadas com o tratamento tributário nele estabelecido deixa claro que a sua intenção é a de privilegiar a atividade explorada. Querme parecer claro, portanto, que qualquer pessoa jurídica que cumpra os requisitos estabelecidos no sobredito dispositivo legal, independentemente do regime de tributação adotado ou da opção pela forma de pagamento dos tributos devidos, fará jus ao tratamento tributário favorecido nele previsto. Não obstante, a Instrução Normativa SRF nº 152, de 1998, ao regulamentá lo, estabeleceu, no seu art. 1º, que a beneficiária do tratamento tributário ali previsto é a pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Seguramente para alguns, entre os quais se encontra a autuante, o fato de a norma complementar não mencionar a pessoa jurídica optante pelo Simples a exclui do tratamento tributário favorecido previsto na lei. Com a devida vênia daqueles que compartilham tal entendimento, frustrarse ia, por certo, o objetivo da Lei nº 9.317, de 1996, e da Lei Complementar nº 123, de 2006, caso prevalecesse essa interpretação. Afinal, seria uma incongruência políticojurídica se um Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 50 49 tratamento tributário privilegiado destinado às micro e pequenas empresas acabasse por prejudicálas. Por outro lado, há de se convir que, afora o lucro real, qualquer outro lucro é, em última análise, presumido, tenha ele a denominação que tiver. O lucro arbitrado, por exemplo, não deixa de ser presumido. Aliás, lembro que a ele se chega mediante o emprego do coeficiente de determinação do lucro que a lei houve por bem denominar de “presumido”, majorado em 20% (vinte por cento). Como tanto o imposto quanto a contribuição incidem sempre sobre o lucro, é certo que, mesmo aqueles que optam pelo sistema simplificado de pagamento, pagam o imposto e a contribuição com base num lucro que também é presumido. Isto é matematicamente provável. A simplificação do sistema, porém, faz com que se salte a etapa de apuração do lucro, indose direto para a quantificação dos tributos, que, englobados, são recolhidos sob um único código de receita. E para fulminar qualquer dúvida de que a Administração Tributária reconhece o direito da pessoa jurídica optante pelo Simples de se equiparar a que efetua operações de consignação, transcrevo uma das ementas do Parecer Cosit nº 45, de 17.10.2003, que diz: “POSSIBILIDADE DE INGRESSO NO SIMPLES. OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. OPERAÇÕES DE VENDA DE VEÍCULOS USADOS. É facultado às pessoas jurídicas que realizem operações em consignação por comissão (contratos de comissão, arts. 693 a 709, do Novo Código Civil, Lei no 10.406, de 2002), e às a elas equiparadas, o ingresso no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), por não configurarem estas atividades mera intermediação de negócios. Dispositivos Legais: Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 9o, XIII.” Estou certo, portanto, de que o procedimento fiscal contrariou a legislação de regência da matéria ao estabelecer, como ponto de partida dos lançamentos, o preço de venda dos veículos adquiridos para revenda. Assentado este entendimento, observo que, de acordo com o art. 142 do CTN, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento; é da sua competência, portanto, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. E a autoridade administrativa que constitui o lançamento é a que procede à auditoria, a que fiscaliza. Logo, a ela compete determinar a matéria tributável e o tributo por ventura não determinados pelo contribuinte objeto de fiscalização. Se a autoridade se equivoca ao aplicar a legislação de regência da matéria examinada e, por conseguinte, deixa de determinar corretamente a matéria tributável e o tributo devido, não cabe à autoridade julgadora fazer os acertos necessários para ajustar o lançamento à legislação tributária, pois este procedimento configuraria inovação, inadmissível na fase contenciosa do processo. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/201191 Acórdão n.º 1101001.615 S1C1T1 Fl. 51 50 É de bom alvitre notar que, neste caso, não se trata de afastar uma parte da matéria tributável que se reputa improcedente; tratase de dar nova configuração a um lançamento cuja matéria tributável e, consequentemente, o tributo cobrado se apresentam em desacordo com a lei, em virtude de lapso na sua interpretação. Diante do exposto, não vejo outro caminho senão o de rejeitar integralmente os lançamentos decorrentes da acusação de omissão de receitas de vendas, dando provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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