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Numero do processo: 10925.905122/2012-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 22 /2 01 2- 68 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905122/201268 Acórdão n.º 3801002.904 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905122/201268 Acórdão n.º 3801002.904 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905122/201268 Acórdão n.º 3801002.904 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905122/201268 Acórdão n.º 3801002.904 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905122/201268 Acórdão n.º 3801002.904 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905122/201268 Acórdão n.º 3801002.904 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.003914/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Diante da existência de graves deficiências na escrituração do contribuinte, que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, bem como da falta de escrituração ou apresentação do livro Razão, impõe-se o arbitramento, pela fiscalização, do seu lucro.
OMISSÕES DE RECEITA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
As omissões de receita devem ser consideradas na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS.
Uma vez declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em ação processada nos termos do artigo 543-B do Código de Processo Civil, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, tal dispositivo há de ter a sua aplicação afastada, nos termos do art. 62-A, do vigente Regimento Interno do CARF, pelos conselheiros, no julgamento dos recursos administrativos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1102-001.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar os lançamentos relativos ao 4o trimestre de 2002, bem como para cancelar as exigências relativas ao PIS e à COFINS calculados sobre as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente PAPEL MAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Cabe à autoridade julgadora determinar ou não a realização de diligências ou perícias, podendo indeferir as que considerar prescindíveis, desde que o faça fundamentadamente, sem que isto caracterize qualquer violação do legitimo direito de defesa do contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Diante da existência de graves deficiências na escrituração do contribuinte, que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, bem como da falta de escrituração ou apresentação do livro Razão, impõese o arbitramento, pela fiscalização, do seu lucro. OMISSÕES DE RECEITA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. As omissões de receita devem ser consideradas na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 39 14 /2 00 7- 81 Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 3 2 Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. Uma vez declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em ação processada nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, tal dispositivo há de ter a sua aplicação afastada, nos termos do art. 62A, do vigente Regimento Interno do CARF, pelos conselheiros, no julgamento dos recursos administrativos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar os lançamentos relativos ao 4o trimestre de 2002, bem como para cancelar as exigências relativas ao PIS e à COFINS calculados sobre as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada pela Resolução CARF 1102 000.087, de 10 de maio de 2012. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 4 3 Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 4 a 60, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 2.498.969,80, aí já incluídos a multa de ofício e os juros de mora calculados até 30.04.2007. No procedimento fiscal, que abrangeu os anos calendário 2002, 2003, e 2004, foram apuradas as seguintes infrações, conforme relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 109 a 118: 1. Omissão de receitas no 4º trimestre de 2002, caracterizada pela falta de contabilização de notas fiscais de venda de mercadorias; 2. Omissão de receitas em 2003 caracterizada pelo registro a menor de notas fiscais emitidas; 3. Omissão de receitas em 2003 caracterizada pela ocorrência de depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada Com relação à primeira infração, a fiscalização verificou que nas fichas do razão do 4° trimestre de 2002, a receita de revenda de mercadorias constante foi de R$ 1.783.249,40, e as vendas canceladas totalizaram R$ 29.011,62, mesmos valores que constaram na DIPJ retificadora apresentada. Contudo, em análise ao Livro de Registro de Saídas e ao Livro de Apuração do ICMS, constatou que a receita era maior: pelo Livro de Registro de Saídas, a última nota fiscal emitida no ano foi a de n° 81814, enquanto que a nota fiscal de maior numeração lançada na conta contábil de receita de vendas foi a de número 81231. Com relação à segunda infração, a fiscalização verificou que, com relação a dez notas fiscais emitidas pelo contribuinte em 2003, o valor registrado na escrita fiscal correspondia a 10% ou a 1% do real valor constante do documento fiscal. Com relação à terceira infração, a fiscalização elaborou relação individualizada de todos os créditos nas contas bancárias do ano calendário 2003, cuja contrapartida contábil fora a conta caixa ou que não haviam sido contabilizados, e intimou o contribuinte a comprovar a origem desses créditos com documentos hábeis e idôneos, o que foi parcialmente alcançado pelo contribuinte, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, de sorte que a autuação se deu somente sobre os valores cuja origem não foi comprovada, e depois de deduzidos, ainda, os valores relativos ao recebimento das notas fiscais contabilizadas a menor (segunda infração). Em razão do evidente intuito de fraude, a fiscalização aplicou a multa de 150% às duas primeiras infrações. À infração relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada a multa de 75%. O contribuinte teve os seus resultados apurados pela sistemática do lucro arbitrado, nos anos calendário 2003 e 2004, em função da não apresentação do livro Razão relativo a esses períodos. Dos valores dos tributos apurados foram deduzidos os valores pagos ou retidos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 5 4 O contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos, arguindo, em síntese, o seguinte, conforme arrazoado de fls. 1062 a 1102. Omissão de receitas em 2002 Com relação à suposta omissão de receitas em 2002 por falta de contabilização, afirma que houve um lamentável equívoco imputável a erro ao se manusear os dados informatizados concernentes às compras e vendas registradas nos Livros de Entradas e saídas do ICMS, os quais foram apenas parcialmente transportados para a apuração do IRPJ e da CSLL. Nesse panorama, na DIRPJ do anocalendário de 2002 efetivamente ocorreu o registro a menor das vendas, somente computadas até 09 de dezembro de 2002. Entretanto, idêntico lapso ocorreu em relação às compras, pois também não foram computadas no resultado do IRPJ e da CSLL as compras verificadas no período de 10/12/2002 a 31/12/2002, apuradas conforme mostra o livro de Registro de Entradas do ICMS (Anexo II), do qual infere se que as compras omitidas equivalem a R$ 865.683,27. Desta forma, as compras omitidas superam as venda omitidas, o que torna insubsistente a base tributável de IRPJ, tendo em vista que no 4º trimestre de 2002 a empresa era tributada pelo lucro real trimestral e o excesso de compras omitidas em relação às receitas omitidas converte os resultados contábil e fiscal em prejuízo, o mesmo observandose também com relação à CSLL. E, em vista da recém introduzida sistemática de nãocumulatividade do PIS, a mesma omissão de compras, acima apontada, também torna insubsistente a pretensa exigência de PIS, no concernente a dezembro de 2002, pois as compras omitidas fornecem créditos em montante suficiente para zerar eventuais débitos decorrentes do cômputo a menor de receitas. Assim, apenas a COFINS, de fato, foi insuficientemente apurada em 2002. Porém, compensandose os excessos de IRPJ, PIS e CSLL com a insuficiência de COFINS, não restará exigência a cobrar deste último, pelo que requer que essa compensação seja determinada, em homenagem à verdade real. A atitude da empresa não pode ser caracterizada como fraudulenta, neste caso, por uma simples razão, suficiente, por si só, para afastar tal qualificação: o lapso na apuração dos tributos de que trata este item é amplamente desfavorável à Autuada. Arbitramento do lucro em 2003 e 2004 É indevido o arbitramento do lucro nos anoscalendário 2003 e 2004, pois a empresa exibiu, no decorrer da fiscalização, escrita capaz de sustentar a forma de tributação por ela adotada. De fato, o Contribuinte não atendeu a contento todas as exigências requeridas pelo Fisco, pois sucumbiu à pressão exercida para apresentar os arquivos magnéticos na forma requerida. Houve “atropelo fiscal”, com a lavratura de sucessivas intimações, até receber do contribuinte a declaração de impossibilidade de apresentar os arquivos magnéticos nos termos do exigido pela “ADE Cofis 15”, que “era o que se esperava para abreviar a investigação fiscal, pela adoção do arbitramento com base na receita bruta conhecida.” Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 6 5 Contudo, mesmo rejeitada a escrita, esta não se mostrou tão inútil, ao menos nos casos em que interessava ao Fisco, posto que em 2002 não houve o arbitramento, embora os problemas contábeis fossem idênticos aos de 2003 e 2004. Além disto, o fisco utilizou a escrita, mesmo desclassificada, para inferir pretensas fraudes e supostas omissões de receitas, conforme descrito no item 4.2 e 4.3 do relatório fiscal. Arbitramento do lucro não é penalidade e somente pode ser utilizado quando a escrituração não permite aferir os resultados apurados. Há, no processo, farta documentação extraída da contabilidade, inclusive Livro Diário. Se as pretensas irregularidades estão assentadas em registros contábeis regularmente apresentados pela contribuinte, não pode prosperar a desclassificação da escrita. Notas fiscais registradas a menor em 2003 A inferência de registro a menor de notas fiscais é incoerente com o procedimento adotado pelo Fisco, pois, apesar de desclassificada a escrita, o fisco compara notas fiscais regulamente emitidas e registradas na contabilidade com registros do Livro Registro de Saídas do ICMS, para extrair desta comparação ilações de fraude por omissão de receitas. O lapso no registro de algumas notas fiscais na escrituração do ICMS eventualmente poderia representar insuficiência quanto ao recolhimento daquele tributo. Entretanto, como esse livro é direcionado ao controle do imposto estadual, tal divergência não interferiu na apuração dos tributos federais. Não houve qualquer intenção de fraudar o erário público. Além das divergências se referirem a apenas algumas notas fiscais, é de notar que os equivocados registros sequer objetivavam reduzir o encargo com o ICMS. Neste sentido, para comprovar que o lapso foi acidental, basta observar, por exemplo, o lançamento no Livro Registro de Saídas da NF 85863, de R$ 9.289,40. Na coluna valor contábil registrouse, indevidamente, o valor incorreto, de R$ 924,94. Porém, na coluna base de cálculo, está apontado o valor correto, de R$ 9.289,40. Assim, deve ser afastada a pretensa infração tributária e desqualificado o procedimento como fraudulento. Depósitos bancários sem origem comprovada em 2003 O valor exigido a este título é absurdo, pois supera em mais de 200% o patrimônio líquido da empresa, que é de de R$ 1.216.343,00. Uma empresa de pequeno porte, que se dedica à venda de material escolar, atividade inserida num contexto comercial de grande concorrência, não poderia omitir quase três milhões em receitas em 2003 e ainda assim auferir lucros. Caberia ainda a pergunta: onde estariam estes recursos se os sócios da Autuada são pessoas, como o próprio Autuante pode perceber, que não possuem quaisquer posses relevantes? Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 7 6 A movimentação bancária posta sob suspeita foi toda processada através de contas bancárias em nome da empresa, e contabilizadas. Grande parte dos depósitos que a recorrente foi intimada a comprovar são originados da movimentação de cobrança de títulos, com relação aos quais a recorrente respondeu que correspondem a operações financeiras para capital de giro. Apesar desta informação, o Fisco tributou os depósitos originados do desconto desses papéis emitidos unicamente para angariar recursos para suprir necessidades inadiáveis de caixa. Para comprovar que as operações em tela representam meras operações financeiras, sem vinculo com receitas, a recorrente descreve a seguir as movimentações de recursos concernentes (fls. 1080 a 1084 da impugnação). Conforme a amostra acima descrita, e em vista do princípio da verdade real, é inaceitável a presunção proposta pelo Fisco, em razão da complexidade para esclarecer a origem de cada movimento. Afinal, justificar cada depósito bancário equivaleria a transcrever, na impugnação, a contabilidade, desclassificada pelo fisco. O fisco rejeita grande parte das justificativas apresentadas pela empresa durante a ação fiscal com o texto “NFs cobrem apenas parte do valor”. Mas isto ocorre porque o uso de cheques prédatados, a aceitação de cheques de terceiros, o parcelamento das vendas, etc. impossibilitam a comprovação efetiva de cada depósito, mormente no mercado de atuação da Litigante, no qual as vendas se processam, na maior parte, em bancas de corredor de colégios, cujo comércio é bastante peculiar, em vista da relação de confiança mútua entre os clientes (geralmente pais de alunos) e o vendedor dos artigos escolares. As presunções de omissão de receita, assacadas a partir de contabilidade desclassificada pelo fisco, são incompatíveis com o lucro arbitrado, sendo aplicáveis apenas às empresas tributadas pelo lucro real. A jurisprudência administrativa não admite presunções quando se trata de lucro arbitrado. A presunção de omissão de receita foi inferida de bases completamente equivocadas, levando ao duplo cômputo das receitas da empresa. Reflexos de PIS e COFINS Não pode prosperar a exigência de PIS e COFINS sobre bases não representativas de Receita Bruta. Receitas financeiras e receitas presumidas com base em depósitos bancários não são derivadas de Receita Bruta, por decorrência da declaração de inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98. Multa qualificada A justificativa apresentada pelo Fisco para qualificar a penalidade, no que concerne a infração de omissão de receitas relativa ao anocalendário 2002, é insubsistente, pois parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que houve prejuízo para o Fisco, quando, na verdade, o o lapso no registro das vendas e das compras veio em prejuízo ao Litigante. Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 8 7 No que se refere à infração por registro a menor do valor de notas fiscais, as razões do fisco são as mesmas, contudo, também neste ponto, restou incomprovada a fraude. Divergências no registro de algumas notas fiscais em livros fiscais da Fazenda Estadual, ainda mais quando a Litigante teve sua escrita desclassificada por ausente a escrita, não pode prosperar. Ademais, os erros em nada afetaram os tributos federais, conforme demonstrado. Cabe alertar que a multa qualificada, uma vez afastada, não pode ser substituida pela definida no inciso I do art. 957, do RIR/99, fato que representaria novação do lançamento, o que é vedado pelo PAF. Juros Selic Embora ausente fundamento legal válido para a cobrança de juros pela taxa SELIC, à exigência foram acrescidos juros de mora calculados pela citada taxa. Por fim, requer seja determinada a realização de diligência, para esclarecimento de situações não bem esclarecidas por ocasião da fiscalização, ou, alternativamente, a realização de perícia técnica para avaliar os fatos arguidos na defesa, para o que indica perito e os quesitos a serem respondidos. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS indeferiu o pedido de diligência ou perícia e, no mérito, manteve integralmente o lançamento efetuado. O Acórdão 1015.101, fls. 1104 a 1118, está assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. OMISSÃO DE RECEITAS. APROVEITAMENTO DE CUSTOS. Para ser admitido o aproveitamento de custos não utilizados na escrita normal, cabe ao contribuinte a prova cabal de que esse custo seja oriundo de compra não contabilizada e tenha vinculação direta com a omissão de receitas detectada pela falta de escrituração das vendas. Sem essa prova, os custos devem ser desconsiderados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. CABIMENTO. A não apresentação, pelo contribuinte, do Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, determina o arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o sujeito passivo agiu com evidente intuito de fraude. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 9 8 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. COFINS. PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.” Cientificada desta decisão em 06.03.2008, conforme AR de fls. 1124, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04.04.2008, fls. 1125 a 1552, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: Os motivos apontados pelo digno Relator do acórdão recorrido são desprovidos de qualquer fundamento. Segundo ele, verbis: “Caberia a contribuinte como única artifice do ilícito constituir prova a seu favor ou, no mínimo, inicio de prova. Mas nada veio ao processo. Apenas alegações.” Acerca disso é de dizer que a prova foi produzida através dos dois anexos extraviados, ou pelo órgão preparador ou pelo órgão julgador, pois a Litigante os entregou, juntamente com a Impugnação (Anexo I). Não é verdadeira, portanto, a conclusão do Relator de que “nenhum anexo, nenhum documento acompanhou a impugnação”. Mesmo assim, ante o extravio dos anexos, poderia o digno Relator ter baixado em diligência o processo, ou determinado a realização de perícia, solicitadas pela Impugnante. A decisão, portanto, não pode prosperar, por cerceamento do direito de defesa, pois os anexos à Impugnação entregues pela Litigante juntamente com esta, fundamentais para provar a insubsistência de parte do lançamento, foram extraviados, conforme referido no Acórdão Recorrido (fls. 1113). Para comprovar o afirmado com relação ao nãocômputo de parte das compras, elaborouse planilha (Anexo II), relativamente às compras do 4o trimestre, parcialmente computadas na DIRPJ, cujos dados foram extraídos de documentos juntados ao processo pelo Fisco (fl. 552 a 558), e que é semelhante à confeccionada pelo Fisco, inserida no Relatório (fi. 111). Ainda para mostrar o erro também em relação às compras, juntouse o extrato da conta em questão (Anexo III), onde constam as notas de compra computadas no 4o Trimestre, mas apenas as compreendidas no período de 02/10/2002 a 09/12/2002. De outra parte, para consignar a existência das Notas Fiscais de compras não computadas, juntouse cópia do Livro de Entradas (Anexo IV), relativo ao 4o Trimestre de 2002, o qual já havia sido anexado à Impugnação através do então Anexo II, extraviado. Por fim, para liquidar qualquer dúvida, no Anexo V juntamse cópias de todas as Notas Fiscais não computadas nos custos do 4° trimestre de 2002, correspondentes ao período posterior a 09/12/2002. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 10 9 Do exposto resta caracterizado, além da insubsistência do julgamento quanto a este ponto, o cerceamento de defesa. O acórdão recorrido deu guarida ao arbitramento sob o fundamento de que o Livro Razão não foi apresentado. Contudo, quando a recorrente respondeu ao fisco que não possuía Livro Razão, sua afirmativa estava direcionada a um livro impresso, encadernado, com termos de abertura e encerramento, etc., que não possuía. Prova de que o “Livro Razão” constava no meio magnético, e que este se prestou para fornecer dados, é encontrada nos próprios dizeres do Fisco, verbis: “por meio do livro diário e da relação de lançamentos contábeis em meio magnético (leiase livro razão) do ano calendário 2003 , fornecidos pelo contribuinte, foi constatado que o mesmo efetuava lançamentos a débito ou a crédito nas contas contábeis de bancos, sendo as respectivas contrapartidas lançadas na conta caixa.” Com relação à presunção de omissão de receitas por depósitos bancários, o simples fato de que o contribuinte contabilizou a movimentação financeira em seus livros Diário, por si só afasta a possibilidade de presunção prevista no art. 42 da Lei no 9.430/96. No caso, se há suspeitas de que o caixa era insuficiente para suportar os depósitos, caberia um exame do fluxo de caixa, pois a presunção assacada com base no referido artigo, de querer comprovar depósitos bancários saídos do caixa com os ingressos nesta conta, não pode prosperar por absoluta falta de lógica. Com relação aos depósitos bancários provenientes do desconto de papéis emitidos unicamente para angariar recursos para suprir necessidades inadiáveis de caixa, a DRJ rejeitou as alegações do contribuinte com argumentos que contrariam as provas dos autos, pois ficou comprovado que não era o sacado que pagava os títulos descontados. O Digno Julgador agarrouse a um único cheque, dentre dezenas, não localizado nos extratos, de R$ 15.000,00, para não acolher as alegações da Recorrente. Todavia, tal cheque efetivamente existiu, embora fosse de emissão da empresa Baronesa Comércio e Indústria de Artigos para Escritórios Ltda., de propriedade do cônjuge e do filho do signatário deste Recurso Voluntário, conforme provam os documentos ora trazidos ao processo (Anexo VI). Finalizou a peça recursal reprisando o pedido de realização de diligência ou perícia técnica. Na sessão de 10 de maio de 2012, o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal adotasse as providências a seguir transcritas: a) Examine a documentação ora acostada, em confronto com a escrituração contábil e fiscal da recorrente, e demais documentos que entenda necessário solicitar, e confirme quais Notas Fiscais do Anexo V correspondem de fato a compras registradas na escrita fiscal da recorrente, mas não contabilizadas e, consequentemente, não consideradas no cálculo do custo das mercadorias vendidas por ela efetuado; b) Intime a recorrente a apresentar o Livro Registro de Inventário e verifique a consistência das informações nele constantes com aquelas de sua escrituração comercial, de modo a confirmar os valores dos estoques iniciais e finais do 4o trimestre de 2002 levados ao cálculo do custo das mercadorias vendidas efetuado pela recorrente; Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 11 10 c) Elabore demonstrativo do qual conste, ao menos, o número da nota fiscal e o seu valor, relativamente ao solicitado no item ‘a’ acima, totalizando o valor dessas compras no 4o trimestre de 2002, podendo agregar, se entender necessário ou pertinente, outras informações que ajudem a esclarecer os motivos da inclusão ou não de determinada nota fiscal no referido demonstrativo; d) Junte aos autos cópias das contas do Razão que registram os estoques iniciais e finais, bem como das demais contas envolvidas na apuração do custo das mercadorias vendidas pela recorrente, referentes ao 4o trimestre de 2002, e, ainda, do Livro Registro de Inventário obtido, podendo agregar cópia de outros elementos que julgar relevantes para atender o quanto solicitado. As conclusões da fiscalização constam do relatório de diligência de fls. 2248 2261. Registrou a autoridade fiscal que o contribuinte apresentou, em sede de diligência, um Razão diferente daquele que havia apresentado durante os procedimentos de fiscalização, e que foram constatadas inúmeras divergências entre os valores lançados nos diversos livros e documentos apresentados (livro Registro de Inventário, livros Registro de Entradas e de Apuração do ICMS, livro Diário, balancetes, livro Razão novo, livro Razão antigo, e notas fiscais de compras). E, além disto, observou que o novo livro Razão apresentado e o livro Diário apresentam outros indícios de omissão de receitas, tais como saldo credor de caixa, saldos credores em contas de clientes e passivo fictício, que o novo livro Razão e balancetes querem fazer crer que o contribuinte teria auferido prejuízo bruto (custos aproximadamente 19% superiores à receita líquida de vendas), e que parte dos custos reivindicados se referem a notas fiscais não localizadas, ou ainda contabilizadas em duplicidade. Concluiu, portanto, que não cabia a concessão de qualquer valor a titulo de custo na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do 4o trimestre de 2002, e nem a concessão de créditos de PIS na apuração nãocumulativa do mês de dezembro de 2002. Contudo, ressaltou que, se ainda assim entendesse a autoridade julgadora que algum custo deveria ser reconhecido, várias seriam as possibilidades de cálculo deste custo acrescido, conforme alternativas que menciona, a cada uma correspondendo um valor distinto. Cientificado do resultado, o contribuinte ressalta que a diligência confirmou que o custo das mercadorias vendidas foi, de fato, apurado a menor, devendo ser considerado o valor de R$ 902.932,53 para fins de redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e de R$ 1.020.765,66 como base dos créditos para fins de PIS não cumulativo, de acordo com os item 2.5.1, terceiro parágrafo, e 2.5.3 da Informação Fiscal, respectivamente. Por outro lado, salienta que a diligência também evidenciou que, em face dos pretensos desencontros contábeis ora constatados pela autoridade diligenciante, impunhase a sua tributação pelo lucro arbitrado naquele trimestre, e não pelo lucro real. É o relatório. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 12 11 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No recurso voluntário o contribuinte alegou o cerceamento do seu direito de defesa em face do extravio dos anexos à Impugnação, bem como da negativa da autoridade julgadora de primeira instância em deferir o pedido de diligência ou perícia por ela formulado. Esta preliminar, conquanto já tenha sido analisada por ocasião do julgamento realizado pela turma em maio de 2012, e rejeitada, deve ser novamente enfrentada. Repriso os mesmos argumentos que então apresentei. Em síntese, não fez o contribuinte qualquer prova de que efetivamente houvesse entregue à repartição, junto com a sua impugnação, os anexos a que se refere, e, portanto, não há provas de que a repartição os teria extraviado. Por outro lado, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72 – PAF é expresso no sentido de que cabe à autoridade julgadora determinar ou não a realização de diligências ou perícias, podendo indeferir as que considerar prescindíveis, desde que o faça fundamentadamente. E a autoridade julgadora de primeira instância fundamentou o indeferimento, ressaltando que todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide se encontravam presentes, e que cabe à empresa produzir as provas que entenda necessárias para refutar a acusação fiscal. De qualquer sorte, com a determinação da realização de diligência por este colegiado (Resolução CARF 1102000.087), resta insubsistente qualquer alegação de possível cerceamento do seu direito de defesa. Passo ao mérito. Omissão de receitas em 2002 Conforme relatado, esta infração foi apurada pela fiscalização por confronto entre o valor das vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e na escrituração do livro Razão. A empresa, a rigor, não contesta a ocorrência da omissão de receitas decorrente da não escrituração de notas fiscais de venda, ao contrário, a confirma. Contudo, pede o aproveitamento dos respectivos custos, ao argumento de que também deixou de escriturar notas fiscais de aquisição de mercadorias no mesmo período. A DRJ não acolheu o pleito da recorrente, ao entendimento de que, para que isto fosse possível, em primeiro lugar os custos reclamados deveriam estar devidamente comprovados, e, em segundo, deveria ser comprovada a relação direta destes custos com a apuração da omissão de receitas. Entretanto, nada fora feito, pois a recorrente não apresentara nenhuma prova junto com a impugnação. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 13 12 Por ocasião do recurso, a recorrente elaborou planilha (Anexo II), na qual demonstra que os valores das compras, constantes do Livro de Apuração do ICMS, totaliza R$ 2.243.915,00. Esta planilha foi elaborada com base nas cópias do referido livro que haviam sido trazidas aos autos pelo próprio Auditor Fiscal autuante. Trouxe também aos autos cópia do Livro de Registro de Entradas (Anexo IV, que seria o Anexo II da impugnação, supostamente extraviado), o qual aponta um total de entradas de R$ 2.373.967,36 no 4o trimestre, valor que se mostra compatível com o citado no parágrafo anterior, posto que no referido livro registramse também outras entradas, além das referentes a compras de mercadorias. Trouxe ainda cópias das Notas Fiscais relativas àquelas que seriam as compras não contabilizadas (Anexo VI) – notas fiscais emitidas contra a recorrente, as quais contém um carimbo de “Lançado” com a data manuscrita, pela qual poderseia conferir cada um desses documentos com o lançamento no Livro de Registro de Entradas acima referido. Estes elementos trazidos aos autos pela recorrente sensibilizaram o relator, naquela ocasião, a propor a conversão do julgamento em diligência, acatada por maioria pela turma, especialmente em razão de que a falta de registro contábil das compras, a princípio, já seria, ou deveria ser, de conhecimento da fiscalização, que tivera acesso a todos os livros comerciais e fiscais da empresa relativos ao 4o trimestre de 2002, tanto que a omissão de receitas foi apurada justamente com base nas diferenças encontradas entre o que estava lançado nos Livros Registro de Saídas e de Apuração do ICMS, e o que estava registrado na contabilidade. Só que o Livro de Apuração do ICMS, cuja cópia já havia sido trazida aos autos pela fiscalização, indicava não somente a existência de vendas em valor superior ao escriturado (que foi o motivo da autuação), mas também a existência de um valor de compras bastante superior ao que havia sido escriturado/declarado pelo contribuinte, senão vejamos. Na DIPJ retificadora do ano calendário de 2002, apresentada em atendimento à solicitação do fisco (fls. 110), que constatara o preenchimento incompleto de algumas fichas na declaração original, constam, na ficha 06A Demonstração do Resultado (fls. 884), os seguintes valores: Receita da Revenda de Mercadorias: R$ 1.783.249,40 Vendas Canceladas: R$ 29.011,62 Custo dos Bens e Serviços Vendidos: R$ 1.241.079,74 Lucro Líquido do Período de Apuração: R$ 9.793,40 E, na ficha Ficha 04A Custo dos Bens e Serviços Vendidos, observase que, para se chegar ao valor de R$ 1.241.079,74 a título de custo das mercadorias vendidas, partiu se de um total de R$ 1.467.549,81 a título de compras efetuadas no período (fls. 876). Contudo, como as compras seriam de R$ 2.243.915,00, de acordo com o Livro de Apuração do ICMS, haveria aí, a princípio, uma diferença não contabilizada de R$ 776.365,19, que é justamente a diferença de custos que a recorrente reclamava. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 14 13 Estes fatos, por si só, a rigor, já apontavam para uma possível existência de sérias inconsistências na contabilidade do contribuinte. Contudo, como este apresentara todos os livros fiscais e comerciais à fiscalização, e esta não efetuara o arbitramento do lucro neste período, entendeu este colegiado que a conversão em diligência seria uma oportunidade para o levantamento dos eventuais custos não contabilizados, se houvesse, de modo a melhor compatibilizar a apuração do lucro real, cujo pressuposto é justamente o confronto das receitas, de um lado, e dos custos/despesas, do outro. Ocorre que, com a realização da diligência, em que pese a conclusão do fisco de que não caberia o reconhecimento de qualquer valor a título de custo não contabilizado, em face das inconsistências detectadas, afirmação com a qual se pode concordar, o fato é que as inconsistências são de tal ordem e magnitude, de acordo com o relatado pela própria autoridade diligenciante, que se torna inescapável reconhecer que simplesmente não havia condições de apuração do lucro real naquelas circunstâncias. Este entendimento não se baseia no fato de ter sido apresentado um novo livro Razão em sede de diligência, divergente do anteriormente apresentado — e também com inúmeras e sérias inconsistências — mas sim no fato de os demais livros e documentos apresentados, entre eles o “Razão antigo”, serem completamente inconsistentes entre si, conforme registrado no seguinte excerto do relatório de diligência: “1 – O Livro Razão apresentado durante a execução do procedimento fiscal (Razão Antigo), o Livro Razão apresentado durante o procedimento de diligencia (Razão Novo), o balancete e o Livro Diário, todos do 4° trimestre de 2002, são quatro (04) peças contábeis do mesmo período que contêm informações divergentes; 2 – As quatro (04) peças contábeis do mesmo período apresentam diferentes indícios de omissão de receitas, como saldo credor de caixa, passivo fictício e receitas contabilizadas a menor.” Além disto, observou a autoridade diligenciante que o livro Diário apresenta um valor de receitas de vendas de mercadorias superior inclusive ao valor constante no Livro de Registro de Saídas e no Livro de Apuração de ICMS (que foram os livros tomados como base para a apuração da omissão de receita). Como não consta nenhuma informação no relatório de diligência de que o livro Diário apresentado seria um “novo Diário”, distinto do anteriormente analisado pelo fisco, resta apenas concluir que já então, por ocasião do procedimento fiscal original, não havia qualquer consistência entre os livros Diário e “Razão antigo”. Isto porque a omissão de receitas foi apurada pela diferença entre o Livro de Apuração de ICMS e o Razão, mas se tivesse sido analisado o livro Diário versus o Livro de Apuração de ICMS, chegarseia à conclusão inversa, ou seja, de que as receitas contabilizadas eram superiores às escrituradas no livro fiscal. Em qualquer caso, não há dúvidas de que houve omissão de receitas, uma vez que o que foi declarado ao fisco, na DIPJ, foram os valores que constavam no “Razão antigo”, e não os do Diário. Mas a inconsistência entre o livro Diário e o Razão antigo resta patente. Além disto, também nos livros de Registro de Inventário constatou o fisco graves inconsistências, a saber: (i) foi verificado que todos os itens apresentavam o mesmo valor unitário tanto em 30/09/2002 quanto em 31/12/2002, o que só seria possível se nenhuma compra tivesse sido feita no trimestre, ou se todas as compras tivessem sido feitas pelos Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 15 14 mesmos valores do estoque, o que não foi o caso; (ii) comparandose os valores das notas fiscais cuja descrição coincidia com a de itens do inventário, foi verificado que os valores unitários das mercadorias em estoque em 31/12/2002, segundo o Livro de Inventário, são “absolutamente irreais e descolados da realidade”. O fato de tudo isto não ter sido aparentemente percebido por ocasião da fiscalização originalmente empreendida não autoriza a que não se reconheça a impossibilidade de apuração do lucro real, naquelas circunstâncias. Em vista do exposto, em que pese todo o esforço empreendido pela diligente autoridade fiscal diligenciante, entendo que não podem prosperar os lançamentos relativos ao 4o trimestre de 2002, uma vez que o procedimento correto, no caso, seria o arbitramento dos lucros do contribuinte, por ser a sua escrituração absolutamente imprestável para a apuração do lucro real. Arbitramento do lucro em 2003 e 2004 Aduz a recorrente ser indevido o arbitramento do seu lucro nos anos calendário 2003 e 2004, pois ela teria exibido, no decorrer da fiscalização, escrita capaz de sustentar a forma de tributação por ela adotada. Alega que houve “atropelo fiscal”, com a lavratura, pela fiscalização, de sucessivas intimações, até que recebesse do contribuinte a declaração de impossibilidade de apresentar os arquivos magnéticos nos termos do exigido pela “ADE Cofis 15”, de modo a tornar possível a adoção do arbitramento. Aponta também incoerências no procedimento fiscal: sustenta que os problemas contábeis apresentados em 2003 e 2004 eram idênticos aos apresentados no ano de 2002, para o qual o fisco não adotou o arbitramento, e, também, que o fisco utilizou a escrita, mesmo desclassificada, para inferir pretensas fraudes e supostas omissões de receitas, conforme descrito nos itens 4.2 e 4.3 do relatório fiscal. As alegações da recorrente não possuem fundamento. Na tentativa de demonstrar que o próprio fisco reconheceria que o “Livro Razão” fora apresentado em meio magnético, disse que tal afirmação seria encontrada no relatório fiscal, “nos próprios dizeres do Fisco: por meio do livro diário e da relação de lançamentos contábeis em meio magnético (leiase livro razão) do ano calendário 2003 , fornecidos pelo contribuinte, foi constatado que o mesmo efetuava lançamentos a débito ou a crédito nas contas contábeis de bancos, sendo as respectivas contrapartidas lançadas na conta caixa. (fls. 114)” Ora, nos dizeres do fisco não consta justamente a expressão posta entre parênteses na transcrição acima (“leiase livro razão”). O fisco em nenhum momento reconheceu que havia livro Razão apresentado para estes anos, ao contrário, deixou expressamente consignado que este não fora apresentado. Pelo Termo de Intimação datado de 14/02/2007 (fls. 128), o contribuinte foi cientificado de que as respostas até então apresentadas a termos de intimação anteriores, não Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 16 15 contemplavam os livros Razão nem os arquivos contábeis em meio digital, que já haviam sido solicitados. Após a apresentação de alguns dos arquivos digitais solicitados (plano de contas, despesas e Diário Geral dos anos 2002 a 2004), e de solicitar prazo para a apresentação do Razão desses anos, apresentou o contribuinte o livro Razão de 2002, e, com relação aos demais anos, assim manifestouse (fls. 135) “Não possuímos, e nem temos como apresentar, Livros RAZÃO, e nem Balancetes Analíticos dos anos 2003 e 2004. Também não temos como apresentálos em meio magnético.” Diante da ausência do livro Razão, o arbitramento dos lucros é medida que se impõe, por expressa disposição legal (art. 47 da Lei no 8.981/95), verbis: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.” Correto, portanto, o procedimento fiscal de arbitrar o lucro, tomando por base, como receita conhecida, para fins de aplicação do percentual de arbitramento, o valor da receita bruta do contribuinte, apurada a partir dos seus Livros de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS, e acrescendo, à base de cálculo, o valor dos rendimentos de aplicações financeiras apurados a partir das informações contidas em DIRF. Notas fiscais registradas a menor em 2003 Novamente alega a recorrente a incoerência do fisco, que, ao mesmo tempo que desclassifica a sua escrita, dela se serve para apurar pretensas omissões de receitas e ilações de fraude a partir da comparação de notas fiscais regulamente emitidas e registradas na contabilidade com registros do Livro Registro de Saídas do ICMS, livro que somente se presta para a apuração daquele tributo. Afirma que a divergência encontrada não interferiu na apuração dos tributos federais, e que não houve qualquer intenção de fraudar o erário público, mas tão somente lapsos acidentais, devendo ser afastada a pretensa infração tributária e desqualificado o procedimento como fraudulento. As alegações da recorrente não possuem fundamento. Não há nenhuma incoerência no procedimento do fisco, posto que este pode se valer de todos os instrumentos que dispuser para efetuar o lançamento. O fato de a escrita do contribuinte ter sido desclassificada para fins de apuração do lucro real não impede que o fisco dela extraia elementos de prova da prática de infrações à legislação tributária. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 17 16 Ademais, a lei expressamente prevê que as omissões de receita estão sujeitas ao lançamento de ofício, e que neste lançamento deve ser observada a forma de tributação a que for submetida a pessoa jurídica, portanto há plena e harmoniosa “convivência” entre o lucro arbitrado e a apuração de omissão de receitas. No caso, a omissão está perfeitamente demonstrada pela autoridade fiscal. A fiscalização, a partir da análise dos livros Diário em papel e dos lançamentos do diário apresentados em meio digital, identificou a escrituração de notas fiscais em valores que correspondiam a 10%, em alguns casos, ou a 1%, em outros, dos valores reais. Às fls. 113 consta a tabela demonstrando as notas fiscais com relação às quais foi detectada esta situação. A alegação de que o lapso teria sido acidental foi muito bem refutada pela DRJ, ao demonstrar que o suposto “lapso” ocorreu de forma concentrada somente em notas fiscais de alto valor (de R$ 9.289,40 a R$ 44.800,00), enquanto as vendas da empresa são representadas por um grande número de operações em valores inferiores a R$ 500,00. Assim, pelo conjunto dos indícios apontados (reiteração, concentração nas notas de maior valor, e aplicação de percentuais fixos), concluise que houve, sim, a intenção de fraudar o fisco, pelo que deve ser mantida a multa qualificada. Quanto à alegação de que a escrituração a menor das notas fiscais não teria interferido na apuração dos tributos federais, não passa de mera alegação, desprovida de provas, e, ademais, contrária à própria lógica, uma vez que a apuração dos tributos federais lançados é feita justamente a partir dos elementos constantes da escrituração, a qual, no caso, foi feita a menor, na parte relativa às receitas. Depósitos bancários sem origem comprovada em 2003 Sustenta a recorrente que o valor exigido a este título é absurdo e desproporcional; que a movimentação bancária posta sob suspeita foi toda processada através de contas bancárias em nome da empresa, e contabilizadas; que grande parte dos depósitos são originados da movimentação de cobrança de títulos, em operações financeiras para capital de giro; que as presunções de omissão de receita feitas a partir de contabilidade desclassificada pelo fisco são incompatíveis com o lucro arbitrado; e que a presunção de omissão de receita foi inferida de bases completamente equivocadas, levando ao duplo cômputo das receitas da empresa. As alegações da recorrente não possuem fundamento. A exigência está fundamentada em expressa disposição legal (art. 42 da Lei nº 9.430/96), que possui a seguinte dicção: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 18 17 Nesta realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimento, e não meros indícios de omissão. E a presunção legal, em favor do Fisco, tem o condão de transferir ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. A lei não faz qualquer distinção entre o fato de os depósitos estarem contabilizados ou não, apenas exige que o titular comprove a sua origem. No caso, o fisco conduziu um trabalho meticuloso com relação aos créditos bancários que foram objeto da autuação, conforme se verifica do relato fiscal. A fiscalização relacionou, para que o contribuinte comprovasse a origem, apenas os créditos nas contas bancárias cuja contrapartida contábil era a conta caixa, ou então que não haviam sido objeto de contabilização, e acatou parcialmente as justificativas apresentadas pela empresa, quando acompanhadas dos respectivos documentos comprobatórios. Confirase o relato fiscal: “» Todos os valores de notas fiscais informadas e que foram contabilizadas como recebidas por caixa foram aceitos. Sendo a soma desses documentos inferior ao depósito bancário relacionado, a diferença foi considerada como não justificada; » Os valores relativos ao recebimento das notas fiscais contabilizadas a menor, na proporção de 1% ou 10%, conforme item "4.2" acima, foram excluídos da totalização, uma vez que foram tributadas em separado; » As justificativas de recebimento por conta de notas fiscais de terceiros não foram aceitas, por não comprovadas; » As justificativas de origem por reapresentação de cheque devolvido e por títulos descontados não foram aceitas, pois não foram informadas as notas fiscais relacionadas ao respectivo cheque ou titulo descontado.” Em sede de impugnação e recurso o contribuinte apresentou sete casos, a título exemplificativo, em que os créditos bancários teriam origem em operações de desconto de títulos, efetuadas “unicamente para angariar recursos para suprir necessidades inadiáveis de caixa”. Seriam operações financeiras, sem vínculo com receitas, em que as empresas sacadas não teriam participado da operação. O próprio contribuinte teria resgatado estes títulos na forma em que descreve, para cada um destes sete casos. A DRJ já analisou corretamente estas operações, refutando as alegações do contribuinte. Em síntese, demonstrou que as alegações de resgate dos títulos com recursos próprios não foram comprovadas, e que o valor dos cheques pretensamente utilizados para quitação dos títulos em todos os casos, exceto três, superava o valor dos títulos pagos, sem que o contribuinte tivesse juntado provas de suas alegações de que esses pagamento englobariam “outros títulos de fornecedores efetivos” ou “outras contas” ou que teriam sido efetuados Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 19 18 “com cheques de terceiros”. Por outro lado, no caso dos três cheques (nos valores de R$ 9.330,00, R$ 4.790,25 e R$ 4.801,30) que faziam parte de operações de desconto de valor superior aos cheques, e em que havia efetiva comprovação do seu reembolso, o simples fato de ter havido o reembolso não constitui comprovação suficiente das alegações da empresa, ou seja, de que o título teria sido emitido graciosamente, apenas como forma de obtenção de capital de giro pela empresa, sem que representasse receita auferida. Além do caso referido pela recorrente, do cheque de R$ 15.000,00, cuja comprovação não fora feita. Não há reparos a fazer na análise conduzida pela autoridade recorrida. No caso do cheque de R$ 15.000,00, conforme alegações da própria recorrente, este foi emitido por pessoa jurídica diversa (Baronesa Comércio e Indústria de Artigos para Escritórios Ltda, de propriedade do cônjuge e do filho do signatário do Recurso). Além de sua imprestabilidade para a pretendida comprovação, pelos argumentos acima expostos, o documento referido no anexo VI (fls. 1551) sequer atende aos mínimos requisitos do que possa ser entendido como prova – tratase de cópia simples do que seria a parte remanescente do talão de cheques, após o destaque do respectivo cheque, onde consta manuscrito que o seu valor de emissão seria de R$ 15.000,00. A coexistência do lucro arbitrado com a apuração de omissão de receitas já foi tratada no tópico antecedente. Quanto ao suposto duplo cômputo das receitas, tratase de mera alegação, sem qualquer demonstração específica pela recorrente de onde isto teria ocorrido. De qualquer sorte, vale esclarecer a questão, tendo em conta o relato fiscal (fls. 117): “» O arbitramento do lucro pela receita conhecida levou em conta o valor das notas fiscais escrituradas no livro de registro de saídas; » A receita omitida por diferença de contabilização de notas fiscais referese a valores que superam aqueles constantes no livro de registro de saídas; » A receita omitida por depósitos bancários de origem não comprovada é referente a recebimentos não vinculados a nenhuma nota fiscal.” Pelo exposto, procedente este item da acusação fiscal. Reflexos de PIS e COFINS Argumenta a recorrente que as exigências reflexas de PIS e COFINS não podem prosperar na parte atinente às receitas financeiras e às receitas presumidas com base em depósitos bancários, porque não seriam representativas de receita bruta. Cediço que, regra geral, não podem os membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo tal matéria inclusive objeto da Súmula CARF nº 2. Contudo, tal regra, no vigente Regimento Interno do CARF, encontra exceção, entre outras, no disposto no art. 62A, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 20 19 inserido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU de 22.12.2010), que assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Uma vez que a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 já foi confirmada em decisão plenária do STF, tendo sido reconhecida a repercussão geral da matéria, nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil, cumpre afastar da exigência relativa ao PIS e à COFINS os valores que não correspondam ao efetivo faturamento da empresa. Isto se aplica, no caso, às receitas financeiras, que, nos autos de infração lavrados, foram computadas na base de cálculo das referidas contribuições. Deve ser cancelada, portanto, esta parte do lançamento. Não se aplica, contudo, conforme pleiteia a recorrente, às receitas presumidas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Isto porque o chamado “alargamento” da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, feito pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, e declarado inconstitucional pelo STF, diz respeito tão somente às receitas que não possam ser enquadradas como receitas provenientes das atividades que constituam o objeto da pessoa jurídica, tais como, por exemplo, receitas financeiras e receitas não operacionais. Contudo, não há nos autos quaisquer provas de que as receitas omitidas tivessem tal natureza, prova esta que, repitase, incumbiria à recorrente fazer, a fim de que fosse afastada a incidência da presunção legal em comento. Ademais, há previsão legal específica a respeito da incidência de PIS e COFINS sobre as receitas omitidas, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/95, verbis: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP.” (redação original) Multa qualificada Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.003914/200781 Acórdão n.º 1102001.039 S1C1T2 Fl. 21 20 Conforme ao norte exposto, a multa qualificada foi aplicada pela fiscalização a duas infrações: (i) omissão de receitas em 2002 (falta de contabilização de notas fiscais de venda de mercadorias), por este voto integralmente exonerada; e (ii) omissão de receitas em 2003 (registro a menor de notas fiscais emitidas), já analisada e cuja multa qualificada deve ser mantida. Juros Selic Quanto à exigência dos juros Selic, tratase de matéria já pacificada neste Conselho, e objeto de súmula com o seguinte teor: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares, e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso, para cancelar todos os lançamentos relativos ao 4o trimestre de 2002, bem como para cancelar a exigência relativa ao PIS e à COFINS calculados sobre as receitas financeiras. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Relator Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 12898.000595/2010-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF e o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62A § 2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF e o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 59 5/ 20 10 -1 3 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000595/201013 Resolução nº 1801000.173 S1TE01 Fl. 3 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Histórico. Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJSimples, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Simples, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINSSimples, Contribuição ao Programa de Integração Social – PISSimples e Contribuição para a Seguridade Social – INSSSimples, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 487.514,97, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2005, relativas a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 61/120). De acordo com o relato do agente fiscal a empresa fora intimada justificar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes bancárias relacionados às planilhas às fls. 52/119, deixando, entretanto, de atender às reiteradas solicitações. Cientificada das exigências apresentou impugnações tempestivas, uma para cada tributo, alegando que seria nulo o termo de encerramento da ação fiscal por constar a informação de devolução de todos os livros e documentos, já que não apresentara nenhum elemento à autoridade fiscal. Afirmou que os valores constantes dos demonstrativos elaborados pelo agente fiscal não retratariam a realidade da empresa e pugnou pela nulidade do procedimento. A 4a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, por unanimidade, indeferiu a impugnação e manteve as exigências. Notificada da decisão, em 01/04/2011, conforme termo à fl. 253, apresentou, a interessada em 13/04/2011, recurso voluntário. Em sua defesa afirma que a turma julgadora de 1a. instância seria incompetente para julgamento da lide, que a prova teria sido obtida por meios ilícitos, diante da quebra de sigilo bancário, e com cerceamento do direito de defesa. No mérito consignou que não teriam sido deduzidos dos montantes apurados valores indevidos a título de “redução de saldo devedor”, dentre outros, e que a sua receita, dada a atividade de locação de mãodeobra e serviços terceirizados, seria apenas parte dos valores creditados nas contas e não o total, do qual deveriam ser deduzidos os salários pagos os funcionários. Ao final pugna pela decretação da nulidade do procedimento, realização de diligências e perícias e acolhimento do recurso. É o relatório. VOTO Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000595/201013 Resolução nº 1801000.173 S1TE01 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo. Conforme se depreende dos presentes autos a Fazenda Pública obteve acesso aos dados da movimentação financeira da empresa contribuinte por meio de RMF dirigida diretamente às instituições financeiras, mas sem autorização judicial. Sobre o assunto devem ser feitas as seguintes observações. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº. 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no Dje086 em 10/05/2011: Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº. 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob fundamento de inconstitucionalidade após o STF, por seu plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº. 601.314, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o STF reconheceu quanto à matéria a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional, existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 542B, do CPC, e artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000595/201013 Resolução nº 1801000.173 S1TE01 Fl. 5 4 Ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator da matéria, não determinou que os demais processos aguardassem na origem, conforme previsto no artigo 328, parágrafo único do Regimento Interno do STF. Porém, esta providência foi determinada em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº. 765.714, cuja decisão contém o seguinte teor: “Tratase de agravo de instrumento contra a decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11 § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitida o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11 § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144 § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000595/201013 Resolução nº 1801000.173 S1TE01 Fl. 6 5 No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314 RG/SP, de minha relatoria). Isso Posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Em resumo, o artigo 328, parágrafo único do RISTF, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765.714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314, nos processos que versam sobre a mesma matéria, está determinado o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, concluindose, assim, s.m.j., que tal procedimento corresponde ao sobrestamento dos demais processos, pois, do contrário, os demais processos não poderiam ser devolvidos à origem, como aconteceu com o AI 765.714/SP. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, assim dispõe no artigo 62A, anexo II: 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000595/201013 Resolução nº 1801000.173 S1TE01 Fl. 7 6 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tendo em vista que o presente processo envolve matéria discutida no âmbito jurisdicional em sede de repercussão geral reconhecida, qual seja, quebra sigilo bancário – Lei Complementar nº 105 / 2001 – como se vê do relatório, e considerando o que dispõe o artigo 62A, e parágrafos 1º e 2º do anexo II do RICARF e, ainda, o artigo 2º, § 2º, inciso I da Portaria CARF nº. 01/2012, que determinam o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que houver sobrestamento do julgamento jurisdicional dos recursos extraordinários da mesma matéria até decisão final – art.543B, do Código de Processo Civil – voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, encaminhandose o presente processo à SECAM/3ª CAM/1ªSEÇÃO, para providências cabíveis, nos termos do § 3º do artigo 2º da Portaria CARF nº. 01/2012. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10380.900768/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
RELATÓRIO
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Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior de PIS que pretende utilizar para compensar com débito de IRPJ. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 76 8/ 20 09 -5 8 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 4 2 pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 PIS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração do PIS, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivocada a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 6 4 A incidência nãocumulativa das contribuições de que trata a lei n° 10.637/2002 e a lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...]§2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 7 5 nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como conseqüência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, na Resolução 3101000.169 que determinou a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 8 6 sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento através da Resolução 3101000.169, foi dividido em duas partes: a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 9 7 O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). Apresentou os seguintes preços dos insumos: INSUMO PREÇO DATA REFERÊNCIA BASE NORMATIVA GÁS NATURAL 0,304 R$/m³ junho/2001 Portaria Interministerial MME, MF 176/2001 (2,581 U$/MBTU, câmbio 2,3436 R$/U$) TUST Pecém 0,831 R$/kW Julho/2002 Anexo I, Resolução ANEEL 358/2002 Foram apresentados os seguintes valores corrigidos dos insumos e do preço praticado na venda da CGTF para a COELCE: DATA GÁS (R$/m³) TUST (R$/Kw) CGTFCOELCE (R$/MWh) ago/02 0,30400 0,831 122,36 dez/03 0,40298 3,431 159,82 jan/04 0,40298 3,431 159,82 fev/04 0,40298 3,431 159,82 mar/04 0,40298 3,431 159,82 abr/04 0,40504 3,431 163,96 mai/04 0,40504 3,431 163,96 jun/04 0,40504 3,431 163,96 jul/04 0,40504 3,431 163,96 ago/04 0,40504 2,675 163,96 set/04 0,40504 2,675 163,96 out/04 0,40504 2,675 163,96 nov/04 0,40504 2,675 163,96 dez/04 0,40504 2,869 163,96 jan/05 0,40504 2,869 163,96 fev/05 0,40504 2,869 163,96 mar/05 0,40504 2,869 163,96 abr/05 0,40632 2,869 163,55 mai/05 0,40632 2,869 163,55 jun/05 0,40632 2,869 163,55 jul/05 0,40632 3,385 163,55 ago/05 0,40632 3,385 163,55 set/05 0,40632 3,385 163,55 out/05 0,40632 3,385 163,55 nov/05 0,40632 3,385 163,55 dez/05 0,40632 3,385 163,55 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900768/200958 Resolução nº 3101000.336 S3C1T1 Fl. 10 8 O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. Entretanto, para análise das variações do preço final praticado no contrato de fornecimento para a COELCE em contrapartida com a variação do preço dos insumos, tornase necessário conhecer a composição final do preço com base nesses insumos, ou seja, o fator de ponderação de cada insumo (gás natural e TUST) na composição do preço final da energia vendida. Apenas com base no preço dos insumos ponderados (custo total dos insumos indicados), na mesma base do preço de venda de energia (R$/MWh), é possível confirmar a afirmação dos peritos que “a variação de preço de venda não foi superior à dos insumos”. Diante dos fatos apurados nos presente autos, voto no sentido converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime novamente a recorrente, para trazer aos autos complemento do laudo pericial com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Sala das sessões, em 30 de janeiro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
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Numero do processo: 19647.006038/2004-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2003
COFINS. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
A receita bruta da pessoa jurídica cuja atividade consiste na locação de mão-de-obra temporária é o valor dos pagamentos faturados aos tomadores de serviços. Precedentes administrativos e judiciais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta da pessoa jurídica cuja atividade consiste na locação de mão deobra temporária é o valor dos pagamentos faturados aos tomadores de serviços. Precedentes administrativos e judiciais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 38 /2 00 4- 51 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de Auto de Infração (fls. 5/8) lavrado para constituir crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) quanto a fatos geradores ocorridos entre 01/01/2000 e 31/12/2003. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 16/24) a Fiscalização detalha que o lançamento decorreu do “cotejamento entre valores escriturados em sua contabilidade das contas que compõem as bases de cálculos e os valores devidos declarados em DCTF ou pagos pela empresa” (fl. 22). A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 310/331) alegando, em síntese, que: 1) atua no ramo de intermediação de mãodeobra temporária e que suas atividades consistem em disponibilizar mãodeobra qualificada a outras empresas por período previamente ajustado. Esses trabalhadores temporários devem se adequar a um perfil específico que atenda às necessidade da empresa tomadora do serviço; 2) por expressa determinação legal, teria emitido notas fiscais, a título de fatura, que incluiriam valores contratualmente ajustados e referentes a (i) remuneração dos trabalhadores temporários; (ii) encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores temporários; (iii) reembolso e despesas; (iv) valor cobrado pela prestação de seu serviço de intermediação denominado “taxa de agenciamento”; 3) os valores identificados como reembolso fariam frente aos seus gastos com valesrefeição, valestransporte, cestas básicas e planos de saúde que seriam oferecidos aos trabalhadores temporários e posteriormente reembolsados pela empresa tomadora do serviço por expressa determinação contratual; 4) os valores identificados nas faturas como “taxa de agenciamento”, referemse a comissões contraprestativas pagas diretamente a ela pelas empresas que contrataram seus serviços de intermediação; 5) os valores identificados como “taxa de agenciamento” seriam entradas permanentes ou receitas, ao passo que as remunerações dos trabalhadores temporários, encargos trabalhistas e reembolso de despesas seriam entradas passageiras, visto que apenas transitam pelo seu caixa; 6) em se tratando de PIS/Cofins, esta deve ser recolhida somente com base na receita e não no faturamento bruto, isto é, com base em valores que correspondam aos rendimentos auferidos pela prestação de seus serviços (valor que corresponderia à “taxa de agenciamento”), motivo pelo qual a Fiscalização teria se equivocado ao considerar como base de cálculo para o PIS/Cofins todos os valores constantes nas notas fiscais emitidas; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE (DRJ), por meio do Acórdão nº 1135.868, de 17 de janeiro de 2012 (fls. 414/425), julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento conforme o seguinte entendimento: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.006038/200451 Acórdão n.º 3403002.685 S3C4T3 Fl. 496 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta da pessoa jurídica que presta serviços de locação de mãodeobra temporária é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços, incluindo os valores recebidos para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de trabalhadores (salários e encargos previdenciários e trabalhistas), sendo que a legislação de regência não permite a exclusão desses valores da base de cálculo da contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, a DRJ reiterou o entendimento de que “os salários, encargos sociais e trabalhistas e demais verbas de natureza laboral são de responsabilidade da empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária, tratandose de custos necessários para o desempenho dessa atividade. Portanto, os itens constantes da nota fiscal de faturamento, que compõem o total faturado, são, ainda que possuam qualquer nomenclatura atribuída de “ressarcimento” ou reembolso, valores que são cobrados pela prestadora de serviços de seus clientes, caracterizandose como receitas” (fls. 419/420) e que “a remuneração dos trabalhadores temporários, encargos sociais e trabalhistas, reembolso de despesas, além da taxa de administração, integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total acordado e faturado pela empresa prestadora de serviço na qualidade de agenciadora de mãodeobra para serviços temporários. É dizer, o somatório dessas parcelas constituem o preço do serviço prestado. Assim, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins, cai por terra a tese segundo a qual a única receita da empresa agenciadora de mãodeobra temporária é a sua taxa de administração” (fl. 421). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 436/488) reiterando os mesmos fundamentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 28/03/2012 (fl. 436), dentro do prazo de 30 dias contados da data da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 28/02/2012 (fl. 434). Por ser tempestivo e por veicular fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Antes de adentrar o mérito, é necessário esclarecer a respeito de dois assuntos: O primeiro, de que não é necessário que o contribuinte requeira a suspensão da exigibilidade do tributo, porque esta decorre forçosamente do art. 151, III, do Código Tributário Nacional, eis que a presente discussão consubstancia um processo submetido ao PAF (Processo administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/72). O segundo, de a adesão e a liquidação de valores submetidos ao Parcelamento Especial (PAES) não é de competência deste Tribunal Administrativo, nem se submete à discussão no PAF, cumprindo apenas ao julgador a homologação do pedido de desistência e renúncia formulado pelo contribuinte. Apenas no momento da cobrança é que a Autoridade da Delegacia da Receita Federal de origem verificará se e em que medida os valores em discussão permanecerão com a exigibilidade suspensa em razão do parcelamento. Nada há pois, que prover a respeito destes dois temas. No mérito, o recurso sustenta que a base de cálculo da contribuição deveria restringirse ao valor que recebe a título de taxa administrativa, pois apenas neste valor consistiria a sua receita ou faturamento, não se podendo incluir os valores que recebe e apenas repassa a título de salários e encargos trabalhistas e previdenciários. Entendo que não procede tal argumentação. Não existe nenhum repasse neste caso, mas o pagamento de uma despesa própria, visto que o vínculo trabalhista existe entre o contribuinte e o seu empregado. É este o entendimento deste Conselho: COFINS. PRESTADORA DE SERVIÇO TEMPORÁRIO. RECEITA BRUTA. COMPOSIÇÃO. Constitui receita bruta da empresa prestadora de serviço temporário a totalidade dos valores recebidos da empresa tomadora do serviço, a qual é meramente cliente daquela, inexistindo qualquer relação jurídica entre a tomadora do serviço e o trabalhador temporário. A discriminação, em contrato, das parcelas que compõem o valor total da prestação de serviço temporário não são oponíveis ao conceito de receita bruta estatuído na legislação tributária. Recurso negado. (Acórdão 20216.324, Processo 10930.001054/200134, Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa, j. 17/05/2005) COFINS. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EMPRESA TRABALHO TEMPORÁRIO. A base de cálculo da COFINS é o valor decorrente da receita própria. A receita bruta da pessoa jurídica que fornece mãodeobra contratada temporariamente é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços. Valores pagos a título de reembolso integram a base de cálculo da COFINS. Recurso negado. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.006038/200451 Acórdão n.º 3403002.685 S3C4T3 Fl. 497 5 (Acórdão 20400.105, Processo 10140.001330/200322, Rel. Cons. Sandra Barbon Lewis, j. 17/05/2005) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA DE TRABALHADOR TEMPORÁRIO. VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃODEOBRA. NÃOEXCLUSÃO. Nas empresas de trabalho temporário, fornecedoras de mãodeobra, as despesas com pessoal não podem ser excluídas da base de cálculo da COFINS, sendo o faturamento dado pela soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços emitidas por essas empresas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso negado. (Acórdão 20310.408, Processo 10805.001495/200333, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, j. 13/09/2005) COFINS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇO DE FORNECIMENTO DE MÃO DEOBRA. VALORES COBRADOS DO TOMADOR DE SERVIÇOS COMO REEMBOLSOS DE CUSTOS. Os valores cobrados pelo prestador de serviços como reembolsos de custos, no fornecimento de mãodeobra, integram o seu faturamento, compondo, portanto, a base de cálculo da Cofins. Recurso negado. (Acórdão 20178.610, Processo 10768.010453/9877, Rel. Cons. José Antonio Francisco, j. 10/08/2005) RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO OPTANTES PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO — A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte optante pela sistemática do lucro presumido é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mãodeobra dos valores recebidos a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. (Acórdão 110200.228, Processo nº 19647.005703/200651, Relator Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, j. 05/07/2010) Voto, pois, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10920.911377/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 77 /2 01 2- 18 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 258,47, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 11/11/2004. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911377/201218 Acórdão n.º 3803005.319 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911377/201218 Acórdão n.º 3803005.319 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911377/201218 Acórdão n.º 3803005.319 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15374.005210/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
GLOSA DE CUSTOS
Comprovado que os custos contabilizados referem-se a dispêndios normais e necessários à produção dos serviços de agenciamento prestados pelo contribuinte (desestiva, capatazia, armazenagem), e constando dos autos documentos que comprovam os pagamentos e identificam os beneficiários e os serviços, não prevalece à glosa.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS OU INEXISTENTES.
Constante dos autos prova de que apenas parte da obrigação foi quitada no ano-calendário, reduz-se a omissão de receitas presumida a partir da acusação de passivo fictício.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS.
A comprovação, feita pela fiscalização, de que o contribuinte antecipou custos, acarreta o lançamento dos acréscimos decorrentes da postergação de imposto até a o período posterior em que foi pago, bem como eventual exigência a título de redução indevida do lucro líquido, correspondente ao valor não absorvido por pagamento posterior
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA- ANTECIPAÇÃO DE RECEITAS-
Se o fisco não prova a data em que o serviço considera-se prestado, essa corresponderá à da emissão da fatura.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
O decidido em relação ao lançamento principal aplica-se, no que couber, ao lançamento da CSLL.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
Comprovado nos autos que os pagamentos se referem a dispêndios normais e necessários à produção dos serviços de agenciamento prestados pelo contribuinte (desestiva, armazenagem), e constando dos autos documentos que comprovam os pagamentos e identificam os beneficiários e os serviços, descabe a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/1995.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1301-001.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitada a preliminar suscitada. No mérito, dado provimento parcial ao recurso para: I) Excluir da matéria tributável os itens referentes a glosa de custos de desestiva e descarga (itens I.3 e I.4 do TVCF), pagamentos relativos a custos não comprovados (item II do TVCF, compreendendo todos seus subitens) e redução indevida do lucro líquido por postergação de receita (item V.5 do TVCF); II- Reduzir a matéria tributável relativa a passivo fictício (item IV.1 do TVCF) para R$ 87.292,50. III- Determinar que a glosa dos prejuízos fiscais seja ajustada, conforme decidido no presente julgamento. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), somente quanto ao item I da decisão.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES
Presidente
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento aos Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ GLOSA DE CUSTOS Comprovado que os custos contabilizados referemse a dispêndios normais e necessários à produção dos serviços de agenciamento prestados pelo contribuinte (desestiva, capatazia, armazenagem), e constando dos autos documentos que comprovam os pagamentos e identificam os beneficiários e os serviços, não prevalece à glosa. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS OU INEXISTENTES. Constante dos autos prova de que apenas parte da obrigação foi quitada no anocalendário, reduzse a omissão de receitas presumida a partir da acusação de passivo fictício. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS. A comprovação, feita pela fiscalização, de que o contribuinte antecipou custos, acarreta o lançamento dos acréscimos decorrentes da postergação de imposto até a o período posterior em que foi pago, bem como eventual exigência a título de redução indevida do lucro líquido, correspondente ao valor não absorvido por pagamento posterior INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA ANTECIPAÇÃO DE RECEITAS Se o fisco não prova a data em que o serviço considerase prestado, essa corresponderá à da emissão da fatura. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 52 10 /2 00 1- 11 Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 3 2 O decidido em relação ao lançamento principal aplicase, no que couber, ao lançamento da CSLL. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Comprovado nos autos que os pagamentos se referem a dispêndios normais e necessários à produção dos serviços de agenciamento prestados pelo contribuinte (desestiva, armazenagem), e constando dos autos documentos que comprovam os pagamentos e identificam os beneficiários e os serviços, descabe a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/1995. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitada a preliminar suscitada. No mérito, dado provimento parcial ao recurso para: I) Excluir da matéria tributável os itens referentes a glosa de custos de desestiva e descarga (itens I.3 e I.4 do TVCF), pagamentos relativos a custos não comprovados (item II do TVCF, compreendendo todos seus subitens) e redução indevida do lucro líquido por postergação de receita (item V.5 do TVCF); II Reduzir a matéria tributável relativa a passivo fictício (item IV.1 do TVCF) para R$ 87.292,50. III Determinar que a glosa dos prejuízos fiscais seja ajustada, conforme decidido no presente julgamento. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), somente quanto ao item I da decisão. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento aos Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em julgamento recurso interposto em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada por SCS Sociedade Comercial de Serviços Químicos Ltda., manteve integralmente o lançamento de IRRF, cancelou parcialmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e cancelou integralmente os lançamentos de PIS e Cofins. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 4 3 Termo de Verificação Fiscal As infrações apuradas pela fiscalização estão descritas no Termo de Verificação e Constatação de fls. 601/617, e seriam representadas por: (i) glosa de custos indedutíveis; (ii) pagamentos sem causa; (iii) bem de natureza permanente deduzido como custo; (iv) omissão de receita; (v) inobservância do regime de competência. Os custos glosados seriam decorrentes de majoração do custo das mercadorias vendidas (CMV), custos de imposto de importação maior que o devido e custos de desestiva e descarga por falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados. Os pagamentos sem causa são os relativos aos custos com operação de desestiva e armazenagem sem comprovação. A omissão de receita foi apurada a partir da identificação de manutenção, no passivo, de obrigação não comprovada ou o inexistente; bem como por diferença de estoque a partir de auditoria de produção. A inobservância do regime de competência foi caracterizada pela antecipação de custos de imposto de importação de 1999 para 1998, acarretando postergação de imposto e redução indevida do lucro líquido, e pela antecipação de custos de capatazia, desestiva e armazenagem de 1999 para 1998, resultando em redução indevida do lucro líquido. Foi ainda glosada compensação de prejuízos por insuficiência de saldo, tendo em vista a reversão dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas, O Termo de Verificação Fiscal relata que a empresa comercializa uma única mercadoria – Barrilha e todas suas compras são representadas por importações, sendo o imposto de importação registrado como custo comercial. Assenta a autoridade fiscal que a entrada da barrilha (mercadoria) na empresa, caracterizada através de emissão de Nota Fiscal de Entrada (NFE), deveria ser contabilizada pelo lançamento a débito na conta "10023 Barrilha" e a crédito na conta "20030 Fech/câmbioTermo Futuro", pelo valor CIF da mercadoria (barrilha) em R$ (o valor CIF convertido em R$ pela taxa do dólar no dia do registro da declaração de importação), sem adicionar o imposto de importação, que deveria ser apenas discriminado na NFE para servir de base de cálculo para o ICMS na importação, tendo em vista que o imposto de importação já estava registrado em conta de custo específica (400610 Imp. de Importação). Informa ainda que o contribuinte lançou as Notas Fiscais de Entrada de formas diversas, e ao efetuar os lançamentos das Notas Fiscais de Entrada (débito a conta 10023 e a conta 20030), com o histórico "valor referente livro de entradas", distorceu valores segundo as quatro maneiras que discriminadas e detalha no TVF. Aduz que, diante da falta de uniformidade contábil, acrescida da dificuldade proveniente da escrituração por partidas mensais e sintéticas, elaborou os quatro anexos a fim de se evidenciar os fatos contábeis e comerciais, e apurar os efeitos tributários, quais sejam: (a) Anexo I Apuração das Compras de Barrilha; (b) Anexo II – Demonstrativo da Majorações das Compras; (c) Anexo III Demonstrativo Trimestral do Custo das Mercadorias Vendidas a Glosar; (d) Anexo IV – Demonstrativo do Imposto de Importação a Glosar; (e) Anexo V – Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 5 4 Empréstimos e Devolução de Empréstimos de Mercadorias; (f) Anexo VI Levantamento Quantitativo de Barrilha. Na sequência, passa a explicar como chegou à identificação das infrações apuradas, reportandose aos Anexos acima mencionados. I Glosa de Custos Indedutíveis: Da majoração do custo das mercadorias vendidas A empresa contabilizou como Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) conta mercadorias, conforme Razão às fls. 150, os valores discriminados na coluna IV do Anexo III, às fls. 622, enquanto a fiscalização apurou os montantes indicados na coluna V "CMV Apurado p/Fiscalização" e evidenciou as diferenças como "Majoração de CMV na coluna VI do Anexo III, nos meses de JAN, MAI, JUN, AGO, OUT e DEZ/98. Entretanto, tendo em vista a apuração trimestral do imposto, foram considerados os somatórios trimestrais para efeitos de tributação (coluna VII do Anexo III) e lançados no último mês do trimestre. O contribuinte, embora tenha optado pela apuração trimestral do IRPJ, efetuou registro anual em seu livro de Registro de Inventário e em desacordo com o valor contabilizado na conta "10023 Barrilha (Mercadorias)", em DEZ/98, levando a fiscalização considerar como estoque, em DEZ/97 e DEZ/98, os valores registrados nos livros de inventário nºs. 1 e 2, às fls. 161/164, respectivamente, e nos meses de JAN a Nov., os valores registrados como saldos na referida conta 10023, às fls. 145. A apuração do Custo das Mercadorias Vendidas, pela fiscalização, em cada mês, decorreu da fórmula simplificada de sua apuração: CMV = Ei + Compras – Ef (...). A contabilização indevida das Compras, (...) resultou em majoração das Compras e, consequentemente, na majoração do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), contabilizado na conta 400033. Foi verificado também que as operações de empréstimo de mercadoria serviram unicamente para majoração das compras e do custo das mercadorias vendidas, pois a empresa, nos meses de maio, julho e outubro, contabilizou como compras as entradas de mercadorias por empréstimo e não considerou como vendas as saídas de mercadorias por devolução de empréstimo, excluindo do faturamento, nos respectivos meses conforme discriminado (...). Valores a Tributar: 1 ° Trimestre MAR/98: R$76.857,91 2° Trimestre JUN/98 : 95.112;12 4° Trimestre DEZ/98 : R$131 85,18 Enquadramento legal: Arts.195, inc. I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inc.I, e 243, do RIR/94. Da Glosa de Imposto de Importação maior que o devido Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 6 5 A empresa contabilizou como Custo Comercial com Imposto de Importação Conta 400610, conforme Razão as fls. 157/158 os valores discriminados na coluna I do Anexo IV, à fl. 623, enquanto a fiscalização apurou os montantes indicados na coluna II — Imposto de Importação apurado pela fiscalização" e evidenciou as diferenças na coluna III — Majoração de Imposto de Importação", nos meses de FEV, MAR, MAI, JUN, AGO, SET, OUT e NOV/98. Entretanto, tendo em vista a apuração trimestral do imposto, foram considerados os somatórios trimestrais para efeitos de tributação (coluna IV do Anexo III) e lançados no último mês do trimestre. Valores a tributar: 1 ° Trimestre MAR/98: R$ 19.411,98 2° Trimestre JUN/98: R$ 11.974,32 4° Trimestre NOV/98: R$ 36.574,12 Enquadramento legal: Arts. 195, inc. I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inc.I, e 243, do RIR/94. Da glosa de custos com operação de desestiva indedutível A empresa levou a débito do Resultado do Exercício, a título de Custo com Desestiva, diversos valores sem respaldo em Notas Fiscais de Serviços; 0 contribuinte, embora intimado e reintimado a apresentar as Notas Fiscais, não apresentouas, exibindo somente cópia autenticada de faturas (do Fornecedor Pronave Agentes de Comércio Exterior Ltda.), que mesmo originais, constituem documentos comerciais, mas não têm isoladamente valor probante como documento fiscal, pois não apresentam as formalidades legais; Caso a empresa tivesse apresentado à fiscalização notas fiscais de serviço e respectivas faturas originais, as mesmas, se idôneas, comprovariam, de forma inequívoca, a efetividade dos serviços prestados; Entretanto, a empresa apresentara apenas as cópias das faturas autenticadas (data da autenticação posterior ao início do procedimento fiscal), cabendo ressaltar que os pagamentos através de comprovantes de depósitos, em conta da Pronave, às fls.365/440, não comprovam a efetividade dos serviços, ainda mais que constatamos que nos casos dos prestadores de serviços Rodrimar e Suma, o contribuinte utilizou o artifício da contabilização de despesas com o histórico "Valor referente Recibo...", para se aproveitar de simples remessas de numerário para contabilizar como despesas com desestiva os valores enviados para pagamento de impostos e taxas já devidamente contabilizados em contas específicas, conforme Fluxo de Caixa, à fl. 525, retido pela fiscalização, através do termo de 05/11/2001, à fl. 510. Valores a tributar: Jan/98: R$ 448.465,87 Fev/98: R$ 226.841,46 Mar/98: R$ 124.489,58 Abr/98: R$ 185.826,33 Mai/98: R$ 113.508,09 Jun/98: R$ 222.779,99 Jul/98: R$ 76.184,78 Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 7 6 Ago/98: R$ 14.031,07 Set/98: R$ 218.473,22 Nov/98: R$ 183.718,35 Dez/98: R$ 84.152,91 Enquadramento legal: Arts.195, inc. I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inc.i , e 243, do RIR/94. Dos custos com operação de descarga indedutível A empresa levou a débito do Resultado do Exercício, a título de Custos com Descarga, diversos valores sem respaldo em Notas Fiscais de Serviços; 0 contribuinte, embora intimado e reintimado a apresentar as Notas Fiscais, não apresentouas, exibindo somente cópia autenticada de faturas (do Fornecedor Pronave Agentes de Comércio Exterior Ltda.), que mesmo originais, constituem documentos comerciais, mas não tem isoladamente valor probante como documento fiscal; Causa estranheza o fato de a empresa ter optado pela autenticação de cópia no decorrer da fiscalização, e ter se negado a apresentar as Notas Fiscais de Serviço e respectivas faturas originais, que, se idôneas, comprovariam, de forma inequívoca, a efetividade e o valor dos serviços; As operações, sem comprovação hábil e idônea, efetuaramse através de débito na conta 40065 Descarga e crédito na conta 10006 — Banco Bradesco; Valores a tributar: Julho/98 R$ 43.150,08 Agosto/98: R$ 88.083,38 Enquadramento legal: Arts. 195, inc.I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inc.I, e 243, do RIR/94. II— Pagamentos sem causa Dos custos com operação de desestiva sem comprovação A empresa levou a débito do Resultado do Exercício, a título de custos com desestiva, diversos valores sem qualquer comprovação; Os cheques foram debitados da c/c n° 3976335(Bradesco), conforme extratos às fls. 511/522 e Fluxos de Caixa anexados às fls. 523/547; E os lançamentos foram efetuados através de débito na conta 400564 Operação de desestiva e crédito na conta 100064 Banco Bradesco, conforme a seguir relacionados: Contábil . Cheque Pagam. Valor Histórico. Fl. Diário Fl. proces. 31/01 612 06/01/98 64.714,34 Vl desestiva Segacious 03 512/173 31/03 595 12/03/98 37.762,15 Vl desestiva Rodrimar 24 527/528/188/189 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 8 7 31/03 612 18/03/98 37.762,15 Vl desestiva Rodrimar 25 513/189 31/03 669 30/03/98 50.350,00 Vl desestiva Rodrimar 28 514/191 125.874,30 30/04 665 01/04/98 70.290,00 Vl desestiva Rodrimar 44 515/195 31/05 818 05/05/98 66.858,56 Vl ref. Rodrimar 56 516/202 30/06 1012 04/06/98 37.119,18 Vl Rec.AS.Marítima 70 518/208 30/06 1020 18/06/98 37.119,18 Vl ref.Rec.Eurobrás 73 519/210 30/06 1084 29/06/98 49.492,26 Vl ref.Rec.Eurobrás 75 520/211 123.730,62 Dos custos com operação de armazenagem sem comprovação A empresa levou a débito do Resultado do Exercício, a titulo de Custos com armazenagem, diversos valores sem qualquer comprovação; Os cheques foram debitados da c/c n° 3976335(Bradesco), conforme extratos as fls. 511/522 e Fluxos de Caixa anexados As fls. 523/547; Os lançamentos efetuaramse através de débito na conta 400599Operação de armazenagem e crédito na conta 100064Banco Bradesco. Contábil Cheque Pagam. Valor Histórico. Fl. Diário Fl. proces. 31/05 978 29/05 65.450,62 Vl ref. Armz. Rodrimar 03 517/207 31/08 1419 25/08 31.018,33 Rodrimar 24 522/220 31/08 1283 31/07 40.482,76 Vl adiantamento Rodrimar 25 221/218/536 71.861,19 (Obs 1. Os valores em negrito nas tabelas acima foram indicados pelo autuante como valores a tributar, com enquadramento legal no art. 195 inc. I, e 197 e Par. Único, 273 e 247 do RIR/94) (Obs. 2 esses mesmos valores foram indicados pelo autuante para incidência do imposto de renda exclusivametne na fonte, à alíquota de 35%, após o reajuste da base de cálculo, com enquadramento no art. 61 da Lei 8.981/95). Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 9 8 III – Bem de natureza permanente deduzido como custo. Custo de aquisição de bem do ativo permanente, deduzido indevidamente como custo operacional. A Nota Fiscal de entrada N° 49, de 05/05/98 (fl. 264), referente à aquisição de máquina “caçamba automática p/descarga de granel sólido", no valor de R$ 75.179,48, foi Contabilizada como Compra de Barrilha conta 100234 e, consequentemente, levada a débito do Resultado do Exercício 2° trimestre, a título de: CMV conta 400033 R$ 75.179,48 Tendo em vista que a contabilização das Compras se deu através de partidas mensais, somente verificando a planilha "Posição de ICMS período: 01/01/1995 a 31/05/98", às fls. 563/566, podemos constatar que o valor de R$ 672.588,45 registrado a débito da conta 100234 Barrilha, incluiu a NF 49, no valor de R$ 75.179,48; Correspondendo o valor de R$ 672.588,45 a todas as entradas com crédito de ICMS menos o ICMS creditado no mês: R$ 842.932,01 R$170.343,56 = 672.588,45, conforme mês de MAI198 colunas IV, II e I, respectivamente, do Anexo II, às fl. 621; Valor a tributar em maio/98: R$ 75.179,48 IV — Omissão de receitas Passivo fictício Conta 20038CISPER Omissão de Receita caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação não ou inexistente, no montante de R$ 171.500,00; Tal obrigação foi assumida através de Notas Fiscais irregulares, nºs. 177.944 e 178.333, com emissão vedada pelo Art. 314 do RIPI (Regulamento do Imposto de Industrializados), por acobertar operação de Empréstimo de Mercadoria que não correspondeu saída efetiva da mercadoria descrita na Nota Fiscal do estabelecimento emitente. E a fiscalização comprovou a falta de registro desta mercadoria no estoque através da Auditoria de Estoque (item IV 2 deste termo), conforme Anexo VI, onde, sem considerar as notas fiscais de empréstimo e devolução de empréstimo, foi apurado estoque final de 1.485,584 ton., enquanto o livro de inventário indicava estoque de 1.058,205. As Notas Fiscais 177.944 e 178.333 foram emitidas em 21/12/98 e 23/12/98, pela "Cisper Companhia Industrial São Paulo e Rio CNPJ 33.174.145/000168", com novo CNPJ 02106.312/00040 (da Cisper Utilidades Domésticas) NF 177.944 Operação de Empréstimo de 400 ton. de barrilha, no valor de R$ 98.000,00; NF 178.833 — Operação de Empréstimo de 300 ton, de barn/ha, no valor de R$ 73.500,00. Entretanto, mesmo que as Notas Fiscais, relativas a operação de empréstimo de mercadoria fossem regulares, parte da obrigação no montante de R$ 87.293,50, correspondendo a 356,300 ton. métricas, conforme ANEXO V, à fl. 625, já havia sido quitada sem contabilização, através da operação de devolução de empréstimo, pelas Notas Fiscais Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 10 9 irregulares (sem corresponder à saída efetiva da mercadoria descrita na Nota Fiscal do estabelecimento emitente), Nºs. 2691 a 2704, emitidas em 31/12/1998, pela SCS Sociedade Comercial e de Serviços Químicos Ltda. A empresa SCS Sociedade Comercial e de Serviços Químicos Ltda. intimada por Termo em 03/12/2001 a comprovar, através de conhecimentos de transportes, as efetivas saídas de mercadorias relativas as operações de "empréstimo e devolução de empréstimo de mercadoria", não logrou apresentálos. E, em 29/01/99 e 30/01/99, através das Notas Fiscais irregulares (sem corresponder à saída efetiva da mercadoria descrita na Nota Fiscal do estabelecimento emitente), Nºs. 2860 a 2870 e 2879 a 2882, relativas a operação de devolução de empréstimo, deveria ter ocorrido a liquidação do empréstimo, mas tal não foi contabilizado, da mesma forma adotada na devolução de empréstimo de mercadoria em 31/12/98, conforme ANEXO V, às fls. 625. Anteriormente, a empresa, intimada por termo, à fls. 449, a comprovar o saldo/98 e os respectivos pagamentos em 1999, da conta 20038 — Cisper, somente apresentou cópia do Razão da conta (fl. 160), onde comprovamos a obrigação fictícia, com pagamento sem causa no valor de R$ 30.870,00 em 30/01/1999, uma vez que o empréstimo de mercadoria foi liquidado, sem contabilização, com devoluções de empréstimo de mercadoria. Valor a tributar: DEZ/98: R$ 171.500,00 Enquadramento legal: Arts.195, inc.II, 197 e parágrafo único, 226 e 228 do RIR/94; Art.24 da lei 9.249/95; Art. 40 da lei 9.430/96. Do levantamento quantitativo de barrilha — Auditoria de Estoque Omissão de Receitas com base em levantamento quantitativo de Barrilha (única mercadoria comercializada) adquirida e vendida, apurado através das Notas Fiscais de Entrada (compras e devoluções) e Saída (Vendas), conforme ANEXO VI; A auditoria de estoque realizada tomou por base o estoque inicial de DEZ/97 Livro Registro de Inventário N°.1, depois todas as Entradas e Saídas de Mercadoria, pelas datas das respectivas notas fiscais e deixando de considerar as notas fiscais abaixo discriminadas: 1) NF 18, de 02/01/98, ref. a Dl 97/12041530 desembaraçada em 26/12/97, tendo em vista que: Ø as entradas de mercadoria foram contabilizadas pelos lançamentos 10023 a 20003 (CâmbioTermoFuturo); Ø o contrato de câmbio 97/003866 no valor de R$ 171.395,00, relativo às faturas 148 e 147/97, abrangeu as Notas Fiscais de Entrada 17 e 18, respectivamente, constou do saldo de passivo conta 20030 Fechamento/Câmbio —Termo Futuro, conforme documentos anexados as fls. 253/263 e 450, o que comprova que a mercadoria referente a NF 18 foi registrada em 1997, pois não poderia haver obrigação com câmbio futuro em contrapartida a compra de mercadoria não contabilizada; 2) Notas Fiscais de Empréstimo de Mercadoria (de terceiros) e Notas Fiscais de Devolução de Empréstimo de Mercadoria (da SCS para terceiros), desconsideradas pelos fatos a seguir: Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 11 10 Ø não apresentação de qualquer conhecimento de transporte que ampare a efetiva movimentação da mercadoria por parte do cedente ou do cessionário, somada a inexistência de permissão de emissão de Nota Fiscal, por parte do Regulamento do IPI/1998, referente a operação que não corresponda a efetiva saída do produto nela descrito para os casos de empréstimo de mercadoria; sujeitando o contribuinte à multa prevista no art. 463, inciso II, do RIPI/98; Ø as operações de empréstimo de mercadoria terem servido unicamente para a majoração das compras e do custo das Mercadorias Vendidas, pois a empresa contabilizou como Custos, nos meses de MAI, JUL e OUT, as entradas de mercadorias por empréstimo e excluiu do faturamento, nos respectivos meses, as saídas de mercadorias por devolução de empréstimo; As eventuais quebras de estoque, caracterizaram, conforme o caso, saídas de mercadorias sem emissão de notas fiscais ou existência de mercadorias sem comprovação de procedência regular; Em cada período, o estoque contábil foi obtido pela fórmula: Estoque = Estoque Anterior + Importações Saídas, conforme Anexo VI; Os períodos que apresentaram, ao fim da auditoria, estoques negativos, foram aqueles nos quais houve mais saídas do que entradas regulares. Em tais períodos configurouse omissão de receitas; Na coluna VII está indicado o valor em Quilogramas do estoque. Um valor de estoque negativo caracterizou a entrega a consumo de mercadoria estrangeira que entrou no estabelecimento sem que tenha havido registro de declaração de importação no SISCOMEX. 0 valor comercial da mercadoria foi determinado dividindose o valor da Nota Fiscal de Saída pela quantidade da mercadoria em Quilogramas. Este valor unitário da mercadoria foi multiplicado pela quantidade de "Quilogramas negativos" do estoque, encontrandose o valor da omissão de receita, transcrito na coluna VIII do Anexo VI; Valor a tributar : JANEIRO/98: R$ 58.187,83 ABRILJ98: R$ 14.017,30— AGOSTO/98: R$ 128.751,90 DEZEMBRO/98: R$ 30.606,18 Enquadramento legal: Arts. 195, inc. II, 197 e parágrafo único, 225, 226, 227 e 231, do RIR194; Art.24 da Lei 9.249195 e Art.41 da Lei 9.430/96. Da diferença de estoque em 31/12/98 Omissão de Receita Operacional caracterizada pelas diferenças apuradas em inventário final. Estoque Físico de Mercadoria Nacionalizada apurado pela fiscalização — 1.485,584 TM (1) Lançado no Livro de Inventário N°2 1.058,205 TM Diferença de estoque — 427,379 TM Estoque físico em 31/12/1998, conforme ANEXO VI (fl. 673); Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 12 11 Valor unitário conforme NF 2506 (fl. 277), de 31/12/1998: 500,000 TM = R$ 98.145,55 TM = R$ 196,29. Omissão de receita: 427,379 TM X R$ 196,29 = R$ 83.890,69 Valor a tributar: DEZ/98: R$83.890,69 Enquadramento legal: Arts. 195, inc.II, 197 e parágrafo único, 207, 220, 226, e 231, do RIR/94; Art.24 da Lei 9.249/95; Art.41 da Lei 9.430/96. V Inobservância do regime de Competência Da antecipação de custos de importações de 1999 A empresa levou a débito do Resultado do 4° trimestre/98, a título de CMV(cta. 400033) e Imposto de Importação (cta. 400610), os valores relativos as Notas Fiscais de Entrada 2505 e 2506, de 31/12/98; Entretanto, a fiscalização verificou que as notas fiscais 2505 e 2506 são referentes às Declarações de Importação ns. 98/13042346 e 98/13042370, desembaraçadas em 04/01/99 e anexadas as fls. 276 e 278, constatandose, assim, que tais custos são de 1999, diante da impossibilidade da entrada de mercadoria antes de seu desembaraço aduaneiro; i) Postergação do pagamento de imposto: Dez/98 IRPJ pago em MAR/99, conforme LALUR 01 R$122.431,05; Enquadramento legal: Arts. 194, 195, inc.I, 197, 219, inc.I, 220 e 222, do RIR/94; Arts.43, 44, parágrafo 1°, inc.II e 61 da Lei 9.430/96. ii) Da redução indevida do lucro líquido Dez/98: R$183.381,86 R$122.431,05 = R$60.950,81 Enquadramento legal: Arts. 194, 195, inc.1, 197, 219, inc.II, 220, 222, do RIR194. Da redução indevida do lucro líquido — Antecipação de custos com armazenagem de 1999 Os custos antecipados são referentes a mercadorias estrangeiras não nacionalizadas em DEZ/98, com suspensão de tributos até a nacionalização, entrepostadas em armazém alfandegado, e foram levados a débito do Resultado do Exercício em que ocorreu o pagamento de Armazenagem, em desacordo ao regime de competência que prevê a apropriação dos custos juntamente com as receitas a eles inerentes; Glosa dos Custos com Armazenagem conta 400599, levados a débito do Exercício encerrado em DEZ/98, antes da nacionalização das mercadorias, em nome da SCS ou de terceiros, através do agenciamento da SCS; (...) Valor a Tributar: DEZ/98: R$134.535,94 Enquadramento legal: Arts. 194, 195, inc.1, 197, 219, inc.II, 220, 222, do RIR/94. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 13 12 Da redução indevida do lucro líquido — antecipação de custos com desestiva de 1999 Os Custos Antecipados são referentes as mercadorias estrangeiras não nacionalizadas em 1998, com suspensão de tributos até a nacionalização, entrepostadas em armazém alfandegado, e foram levados a débito do Resultado do Exercício em que ocorreram os pagamentos de desestiva, em desacordo ao regime de competência que prevê a apropriação dos custos juntamente com as receitas a eles inerentes; Glosa dos Custos com Desestiva conta 400564, levados a débito do Resultado do Exercício encerrado em DEZ/98, antes da nacionalização das mercadorias, em nome da SCS ou de terceiros, através do agenciamento da SCS ou de terceiros, através do agenciamento da SCS; (...) A empresa intimada e reintimada (fls. 499 e 451), a apresentar as Notas Fiscais comprobatórias dos custos com desestiva, somente apresentou cópias autenticas de faturas sem valor fiscal probante. E, ainda que venha juntar as Notas Fiscais, grande parte dos custos com a desestiva dos navios relacionados corresponde, pelo regime de competência, a custos do 1° trimestre de 1999, uma vez que, em Dez/98, ocorreu nacionalização de pequena parte da mercadoria entrepostada. (...) Valor a Tributar: DEZ/98: R$ 98.678,38 + R$ 151.794,84 = R$ 250.473,22 (Antecipação do 1º trim./99) Enquadramento legal: Arts. 194, 195, inc.1, 197, 219, inc.II, 220, 222, do RIR/94. Da redução indevida do lucro líquido — Antecipação de custos com capatazia de 1999 Os Custos antecipados são referentes as mercadorias estrangeiras não nacionalizadas em 1998, com suspensão de tributos até a nacionalização, entrepostadas em armazém alfandegado, e foram levados a débito do Resultado do Exercício em que ocorreram os pagamentos de capatazia, em desacordo ao regime de competência que prevê a apropriação dos custos juntamente com as receitas a eles inerentes; Glosa dos Custos com Capatazia conta 400572, levados a débito do Resultado do Exercício encerrado em DEZ/98, antes da nacionalização das mercadorias, em nome da SCS ou de terceiros, através do agenciamento da SCS. Valor a Tributar: DEZ/98: R$ 20.167,11 + R$85.705,44 = R$105.872,55 (Antecipação do 1° trim./99) Enquadramento legal: Arts. 194, 195, inc.1, 197, 219, inc.II, 220, 222, do RIR194. Da redução indevida do lucro líquido — Postergação de receitas para o exercício seguinte Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 14 13 Postergação de Receita caracterizada pela contabilização das Notas Fiscais de Serviços 169, 170 e 171 em Jan/99, quando os Serviços de Agenciamento foram prestados em DEZ/98, conforme comprovam as datas de desembaraço das declarações de importação correspondentes; Tendo em vista que o fato gerador do imposto de renda nasce com a disponibilidade econômica ou jurídica de renda, o faturamento de uma empresa corresponde, ainda que não recebido o preço, ao serviço prestado, nascendo assim o dever de considerar o valor no anobase da ocorrência. Estranhamente, o saldo de Clientes (contas 100080 e 100099), existente em 27/09/2001, incluía o registro das 3 (três) notas fiscais citadas, conforme o demonstrativo de contas a receber, retido pela fiscalização através de termo de 05/11/2001, que prova a emissão das referidas notas fiscais em 28/12/98. Contudo, a empresa, intimada, em 13/09/2001, e reintimada em 27/09/2001 a discriminar o saldo de 31/12/98 das contas "100080 Clientes por Venda de Mercadorias", no montante de R$ 1.317.574,49, e "100099 por Prestação de Serviços", no montante de R$ 100.020,05, apresentou um único demonstrativo sob o titulo "Composição do saldo de contas a receber de clientes — vendas de mercadorias + serviços prestados", datado de 16/10/2001. E pelo demonstrativo único, assinado pelo contador e pela procuradora da empresa, verificamos a realidade dos fatos: os serviços especificados nas Notas Fiscais de Serviço 169, 170 e 171 foram faturados em 28/12/98, embora na 5ª via conste a data de emissão de 04/01/99. (...) Posteriormente, após o termo de 05/11/2001 retendo o "Relatório, datado de 04/01/99, de contas a Receber Serviços" (item 6), e devolução de cópia de todos os documentos retidos, o contador declarou nos itens 4.2 e 4.3 do termo de atendimentos que "as Notas Fiscais de Serviços 169, 170 e 171": a) Equivocadamente, foram informadas como abertas em DEZ/98, pois à época da elaboração da listagem de faturas em aberto, não tínhamos em nosso poder os controles de faturamento e respectivas notas fiscais; b) As listagens de contas a receber em 31/12/98 devem ser refeita, agora com base nos controles devolvidos pela Fiscal. As empresas Companhia Industrial São Paulo e Rio Cisper e Cisper Utilidades Domésticas S/A, foram intimadas, por via postal, conforme AR assinado em 17/10/1998, as fls. 502/507, para prestarem informações que esclareceriam definitivamente este fato das datas de emissão das notas fiscais citadas. Entretanto, não atenderam à intimação. Todavia, o direito à. receita de prestação de serviços nasce no momento em que este é prestado e de acordo com o regime de competência dos exercícios, as receitas correspondentes a serviços prestados devem ser reconhecidas no exercício social em que foram executados os serviços de agenciamento, independentemente do efetivo pagamento. Valor a Tributar: DEZ/98: R$ 229.403,83 Enquadramento legal: Arts. 194, 195, inc.II, 197, 219, inc.II, 220, 222, do RIR/194. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 15 14 VI – Saldo insuficiente de prejuízos glosa compensação indevida Compensação indevida, no 3° trimestre/98, de prejuízos fiscais apurados em Dez/97 e 2° trim./98, tendo em vista a reversão dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas através deste Auto de Infração. Impugnação A interessada apresentou impugnação tempestiva, assim sintetizada no relatório que integra a decisão de 1ª instância: I — Da contabilização das contas a) 0 auto toma em conta o critério adotado para o lançamento do custo da mercadoria a ser vendida que como indica o termo é unicamente representada pelo produto barrilha; b) Sendo o produto importado, a interessada adotou o critério de tomar em conta, para efeito do cálculo do custo, o valor constante da nota fiscal de entrada, emitida em razão do ingresso da mercadoria importada no estabelecimento; c) A fiscalização tomou, para efeito de apuração, como critério, a data da emissão da DI, ainda que a mercadoria não estivesse liberada para a entrada física no estabelecimento; d) Tomando em conta as variações quantitativas no estoque, apuradas mensalmente, e consolidadas a cada trimestre civil, elaborou o autuante mapa resumo que se constituiu no anexo III; e) Através dele, demonstrase a existência de um custo de mercadoria contabilizado a maior, o que afetaria, a cada trimestre, o valor correspondente ao tributo tido por devido; f) A interessada procedeu a recomposição do mapa, tomando em conta os mesmos dados adotados pelo autuante e nisso se constitui no mapa anexo 1; g) Considerando as diferenças indicadas na coluna "CMV a glosar" temse R$ 84.121,00 como valores lançados a maior e R$ 94.512,00 como valores lançados a menor; h) Por conseguinte, se adotado o critério utilizado pelo Fisco, haveria uma diferença em favor da interessada, correspondente a custos de mercadorias vendidas lançadas a menor de R$ 10.331,00; i) Destaquese que no mapa não está se considerando a aquisição de 500 toneladas de barrilha, coberta pela nota fiscal 018, que foi objeto de importação realizada através de desembaraço aduaneiro, realizada no ano de 1997, mas objeto de nota fiscal de entrada no ano de 1998; j) 0 lançamento, portanto, não pode prosperar; k) Ademais, mesmo se o lançamento fosse procedente, apenas para argumentar, o valor correspondente ao estoque aferido em um período de apuração, acarretaria Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 16 15 um ajuste equivalente ao período subsequente, não havendo, assim, diferença de imposto a cobrar, mas quando muito a existência de mora; 1) Neste caso, tratandose de simples inobservância ao regime de escrituração do resultado, determina a legislação vigente que, apurada eventual diferença de tributo, só poderá ser cobrada a parcela correspondente à mora; II— Do imposto de importação contabilizado a maior a) Utilizou a interessada o critério de contabilização a data da emissão da nota fiscal de entrada, enquanto que o Fisco utilizou o critério de apuração conforme a data do pagamento da DI; b) Alterandose o critério adotado pelo Fisco, verificase que o total do chamado imposto a glosar é de R$ 27.124,00 menos um valor a recuperar de R$ 21.422,00, ou seja, apresenta um liquido apenas de R$ 5.702,00 que, obviamente, é anulado pela contabilização das mesmas operações em outro período de apuração; c) Da mesma forma, discutese aqui apenas a mora, não havendo diferença de imposto; d) Notese também que o autuante considerou o valor tido como devido levandose em conta os resultados do 1º, 2° e 4º trimestres de 1998; e) Sendo o valor do imposto diretamente ligado ao custo da mercadoria, necessariamente uma avaliação tem de considerar todo o períodobase e não apenas alguns trimestres em que se apura para efeito fiscal, pois qualquer custo afeta o período subsequente; III — Dos custos de operação de desestiva indeduíveis a) Os pagamentos vinculados a este gasto foram em tese considerados pelo autuante como despesa necessária à comercialização da mercadoria, sendo que, a importada só poderia ser vendida no país após suportados todos os gastos necessários ao desembaraço aduaneiro; b) Em suma, não há qualquer dúvida de que o pagamento foi efetivamente realizado, sempre por cheque e consequentemente por depósito bancário; c) Também que o serviço realizado pelo credor é dedutível para a apuração do lucro tributável, bem como o credor é identificado e a operação realizada encontravase descrita no próprio documento básico, seja ele nota fiscal ou recibo; d) A interessada elaborou no Anexo 3 planilha com a indicação do número do cheque ou ordem de pagamento e a cada documento os serviços prestados com vinculação especifica e a natureza do gasto, além da operação realizada por remissão ao navio e a data em que foi concluída; e) Assim, foram atendidos todos os requisitos necessários para que se considere o pagamento dedutível; Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 17 16 IV — Dos custos com operação de descarga tida por indedutíveis; V Custos com desestiva tidos por realizados sem comprovação; VI Custos de armazenagem sem comprovação. a) A operação é idêntica ao item anterior, havendo a comprovação dos pagamentos através dos documentos juntados como Anexo 3; VII— Dos bens de natureza permanente deduzidos como custo a) A observação é correta. Entretanto, é necessário considerar a depreciação, pois se integrados ao ativo permanente estariam sujeitos à contabilização da perda de valor em razão do tempo de uso; b) Considerando que o bem foi adquirido em 1998 e, por conseguinte, as quotas de depreciação já estariam contabilizadas como despesa até o exercício de 2001, só poderiam ser considerados como tributáveis as parcelas relativas à mora, em razão da dedução antecipada, considerada ao tempo de aquisição do bem e não parceladamente; VIII— Do passivo fictício contra Cisper a) A interessada importou barrilha por conta e ordem da Cisper; b) Existindo mercadoria em estoque, que pertencia a seu cliente que se encontrava depositada junto a interessada, procedeu a mesma a operação consistente na venda destes produtos a terceiros, com obrigação de repor o estoque tão logo isso fosse demandado pela Cisper; c) A operação denominada de empréstimo foi formalizada pela transferência da posse da mercadoria da Cisper para a interessada, através de uma nota fiscal que indicava como natureza da operação "empréstimo"; também foi formalizada pela venda da mercadoria pela interessada a terceiros através de uma nota fiscal fatura, baixando o estoque e a previsão de custo da mercadoria vendida, cuja origem foi a provisão de valor a pagar a Cisper; além disso, tal operação foi representada pela devolução da mercadoria a Cisper, através da nota fiscal que indicava como natureza da operação o "empréstimo"; d) Em outras palavras, a interessada vendeu mercadorias que havia recebido por empréstimo de terceiros e, realizada nova importação utilizouse das mercadorias recebidas para seu próprio estoque, devolvendo a mesma quantidade de mercadorias à Cisper, encerrandose, assim, a operação; e) Até que a devolução se completasse, a interessada era necessariamente devedora do produto recebido por empréstimo e foi exatamente isso que foi contabilizado em seus livros; f) Não há passivo fictício, pois o credor é identificado e a obrigação de pagamento decorre do recebimento da mercadoria por empréstimo, existindo perfeita identificação entre os valores lançados nas notas fiscais respectivas e o que está em referência na contabilidade; IX — Do levantamento quantitativo do estoque de barrilha Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 18 17 a) A interessada elaborou, em contraposição ao Anexo 6, elaborado pelo Fisco, demonstrativo do estoque quantitativo de barrilha; b) Não existem diferenças que possam ser consideradas para a apuração do resultado; c) O demonstrativo elaborado pelo Fisco importou em dois equívocos: não considerou o valor inicial de 500.000 Kg. de barrilha entrados no estabelecimento em 02/01/2998, o que elimina as variações negativas de estoque deste período e considerou equivocadamente as entradas de 500.000 Kg. de barrilha ocorridas em 23/07/1998, o que eliminaria, em consequência, as variações negativas de estoque de 04/08/1998 e subsequentes, inclusive, relativas ao mês de dezembro de 1998; d) Não há, portanto, diferença de imposto a apurar; X — Da redução indevida do lucro líquido por antecipação dos custos de importações, armazenagens, desestiva e capatazia a) A interessada levou em consideração para determinação do custo de estoque a data em que efetivamente foram emitidas as notas fiscais correspondentes, seja pela própria interessada, no caso da importação, seja pelos prestadores de serviços nos casos de armazenagem, desestiva e catapazia; b) Em todos os casos os pagamentos estão comprovados e as despesas são dedutíveis para comprovação do resultado; c) Por conseguinte, qualquer que seja o critério adotado, só poderá ser cobrada, no caso, a mora correspondente a um trimestre na apuração do imposto; XI — Postergação de receitas para o exercício seguinte a) Os serviços prestados pela suplicante são de agenciamento e se representam pela intermediação na aquisição da mercadoria importada e a entrega ao seu destinatário; b) Em suma, a empresa não é uma simples casa de despachos aduaneiro, mas ao contrário, responsabilizase pela execução de todas as tarefas necessárias para que o produto seja entregue nos estabelecimentos nas condições do pedido; c) Por este motivo, a interessada só considerou, para efeito de apuração do lucro tributável, os valores materializados pelas faturas que emitiu, já no anobase de 1999, embora o desembaraço tenha ocorrido em 17 e 22 de dezembro de 1998; d) Entendeu o Fisco que a data para reconhecimento do crédito da remuneração a receber deveria ser a do desembaraço aduaneiro e não a da emissão da nota fiscal que formaliza a entrega da mercadoria e completa o processo de agenciamento; e) Tal entendimento é equivocado, já que os serviços contratados não foram de desembaraço aduaneiro, mas sim de agenciamento; f) E ele só se completa com a entrega da mercadoria ao cliente. Se por qualquer motivo isso não ocorrer, nada é devido, razão pela qual o direito a receber a Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 19 18 remuneração só se materializa com a emissão da nota fiscal de saída, que remete o produto ao cliente; g) De acordo com o regime de competência, que preside a apuração do lucro, os créditos a receber tomam em conta a data da emissão dos respectivos instrumentos cambiais, no caso a nota fiscal de venda da mercadoria; h) Até que a venda seja realizada, não há nenhum crédito a receber, mesmo que o serviço esteja integral ou parcialmente executado; i) Em suma, a execução do serviço, sem emissão de fatura não é fato econômico gerador do resultado, mas apenas representa uma expectativa de que isso ocorra; XII — Da glosa de prejuízos Ao cair por terra a autuação, a glosa de prejuízos também terá a mesma sorte. XIII IRRF Quanto à autuação de IRRF, entendeu o Fisco que a interessada havia efetuado diversos pagamentos a beneficiários não identificados e/ou efetuara pagamentos sem causa (fls. 608/610). Entretanto, defendese a interessada, argumentando que os valores foram efetivamente pagos a empresas existentes no País, por depósito em conta bancária, com a perfeita identificação do serviço realizado, o que desconstitui a autuação. Ao final, a interessada requereu (...) a realização de uma diligência, para que através da pericia contraditória prevista no art. 148 do CTN, se comprove: a) .A exatidão dos mapas anexos de 1 a 6, em razão dos dados constantes da contabilidade e dos documentos pertinentes. b) Reflexo que tais dados tem sobre o resultado tributável, alterandose através deles o lançamento. c). Em razão ao que acima se indicou qual o eventual tributo devido. Diligências Pela Resolução 054/2005, a Relatora converteu o julgamento em diligência tendo formulado os seguintes quesitos a serem respondidos pela fiscalização: 1. Informar, à luz da contabilidade da interessada, bem como dos documentos que lhes dão suporte, se ocorreram diferenças na apuração do custo das mercadorias vendidas conforme o mapa elaborado pelo Fisco, constante do Anexo III (fl. 622) e o elaborado pela interessada para contrapôlo (fl. 727). Em caso positivo, solicito discriminálas, analisando o respectivo impacto sobre as bases da autuação; Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 20 19 2. do resultado auferido no item 1 da presente, demonstrar qual seria o valor correspondente ao imposto de importação deduzido indevidamente pela interessada e que deveria ser objeto de glosa, comparando, para efeito de cálculo os valores dispostos no Anexo IV (elaborado pelo Fisco — fl. 623) e o Demonstrativo de fl. 728 juntado pela interessada em sua impugnação; 3. Informar, à luz dos dados extraídos da contabilidade da interessada, se fora considerado pelo Fisco, quando da elaboração do Anexo VI (fls. 626/662), a nota fiscal 018 (aquisição de 500 toneladas de barrilha), objeto de importação realizada através do desembaraço aduaneiro ocorrido no ano de 1997, mas objeto de nota fiscal de entrada no ano de 1998. Em caso negativo, informar qual seria o reflexo deste dado na contagem do estoque de barrilha pertencente a interessada e ainda se procederia computar o estoque conforme levantamento elaborado pela interessada e juntado a sua impugnação (fls. 908/938); 4. Se há divergência, quando se calcula o custo, tomar por critério o valor da nota fiscal de entrada emitida em razão do ingresso da mercadoria importada no estabelecimento, ao invés de se tomar por critério a data do registro da Declaração de Importação, mesmo não estando a respectiva mercadoria liberada para a entrada física no estabelecimento. Em caso positivo, informar qual seria o impacto para o fisco a adoção do primeiro critério, realizando para tanto demonstrativo analítico; 5. Verificar a procedência das informações prestadas pela interessada em sua impugnação (fl. 706), no que toca à infração de omissão de receitas — passivo fictício, de que efetuou informações por conta e ordem do seu cliente CISPER — Companhia Industrial São Paulo e Rio de Janeiro e que em face de tais operações possuía em estoque mercadoria que pertencia a seu cliente, estando apenas depositada junto à interessada, à luz da contabilidade e dos documentos suportes da interessada e da sua cliente — CISPER, realizando, para tanto, circularização junto à mesma, anexando, por amostragem, documentação comprobatória de que realmente os produtos foram entregues a terceiros em nome da CISPER; 6. Verificar a exatidão das informações contidas no Anexo IV (fls. 809/812) elaborado pela interessada acerca das operações efetuadas com a CISPER e o reflexo das mesmas, acaso corretas, junto à tributação efetuada com base na possível omissão de receitas. Em resposta à solicitação, o Fisco se pronunciou da seguinte forma (fls. 1.079/1.080): “ Quanto ao item I, verificamos pelos mapas e documentos anexados que não há qualquer impacto positivo sobre as bases da autuação. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 21 20 Quanto ao item II, encontrase o mesmo prejudicado, visto que o item I é negativo; Quanto ao item III, o fiscal deixou de considerar a nota fiscal 18, de 02/01/1998, cujo desembaraço ocorreu em dezembro de 1997, mas a nota de entrada só foi emitida em 02/01/1998; No estoque de 31/12/1997 não há nenhum reflexo, passando somente a existir no momento da entrada no estoque, fato que se dá com a emissão da nota fiscal de entrada (02/01/1998); IV Se considerar o registro da declaração de importação haverá uma divergência quanto ao recolhimento do imposto por quanto existe postergação; Se tomarmos por base a data da emissão da nota fiscal de entrada, não haverá nenhum impacto fical; V quanto ao item V, não foi possível comprovar a alegação do impugnante quanto a esse quesito, sendo, portanto, cabível o lançamento efetuado pelo fiscal autuante; Quanto ao item 6, restou provadas as informações contidas no anexo IV referente aos empréstimos de mercadorias entre a SCS e a CISPER, conforme se verifica nas notas de entradas da CISPER e saídas emitidas pela SCS”. Foi determinada nova diligência pela Relatora, a fim de que o autuante, ou outro servidor designado, demonstrasse como foram encontrados os valores constantes na coluna V do Anexo III, fazendo constar informações do quantitativo (kg) de barrilha vendida (saída), bem como seu preço unitário médio, demonstrado mês a mês, com o resultado do somatório mensal. A resposta encontrase às fls. 1.091, e dela ciente, o contribuinte discordou de dados da informação fiscal relativos ao item compras dos meses de janeiro, julho, outubro e novembro, pedindo que fosse determinada nova diligência para a discriminação analítica das compras apuradas nos períodos questionados. (fls. 1.098). Decisão de Primeira Instância Levado a julgamento o processo, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI, por unanimidade de votos, acolheu em parte a impugnação e julgou (i) procedente o lançamento de IRRF, no valor de R$ 316.875,21; (ii) procedente em parte os lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 862.600,23, e de CSLL, no valor de 229.173,37 e (iii) improcedentes os lançamentos de PIS e Cofins, em decisão assim ementada: PEDIDO DE PERÍCIA. ADAPTADO À DILIGÊNCIA. A conversão do julgamento em diligência, adaptando os quesitos apresentados pela interessada, os quais também tinham o condão de dirimir dúvidas documentais e conceituais, não sendo apropriado, neste caso, o deferimento da perícia, que se encontra intimamente ligada à elucidação de aspectos técnicos que exijam habilidade especifica, supriu as dúvidas remanescentes acerca da autuação efetuada junto à interessada. Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 22 21 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇAS NO ESTOQUE. Quando se detecta que o Fisco não considerou, para efeito de entrada, nota fiscal, cuja autenticidade não fora questionada, pressupondo ser hábil e idônea, e se verifica que a quantidade ali descrita não fez parte do estoque final dc ano anterior, necessário se toma sua inclusão, no cômputo do estoque, inexistindo, portanto, qualquer diferença que resulte em omissão de receita. GLOSA DE CUSTOS. CMV. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Inexistindo, in casu, diferenças nos estoques pertencentes à interessada, também caem por terra as infrações relativas à glosa do CMV, bem como àquela relativa ao imposto de importação. GLOSA DE CUSTOS. DESESTIVA. CAPATAZIA. DESCARGA. FALTA DA EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. No que toca aos dispêndios deduzidos para o cômputo do lucro real, o ônus probante incumbe à interessada. In casu, deveria ela ter apresentado ao fisco relação de causa e efeito entre os custos com a desestiva, capatazia, descarga e as mercadorias objeto da importação. Diante da discrepância nos valores relativos ao serviço prestado constante nas faturas anexadas por cópia, sem a descrição do serviço prestado e quem seria o beneficiário, não se consegue inferir como e a quem, efetivamente, tais serviços foram prestados. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS OU INEXISTENTES. A interessada, ao deixar de trazer qualquer prova acerca da veracidade das suas alegações, nem mesmo após a diligência realizada, através de documentos hábeis e idôneos, para o afastamento da omissão de receitas com base na ausência de comprovação das obrigações ou sua inexistência, então mantidas no passivo, faz com que a autuação seja mantida, na espécie em análise. PAGAMENTOS SEM CAUSA. GLOSA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante à dedutibilidade de seus dispêndios, para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ. A simples existência de cópias de faturas, em caráter genérico, sem a descrição do serviço e da natureza da operação e qual seria o beneficiário, sustenta a glosa efetuada pelo fisco neste sentido. Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 23 22 BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESA. INVOCAÇÃO DO ABATIMENTO DA DEPRECIAÇÃO. O direito à dedução das depreciações ou amortizações pressupõe o exercício de uma faculdade pelo contribuinte, em momento e pela forma corretos, não cabendo o seu reconhecimento após a glosa das despesas, quando se verifica que o bem era de natureza permanente e fora deduzido do lucro da interessada. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. OCORRÊNCIA. À interessada incumbiria o ônus de provar e motivar a razão pela qual o ingresso ocorrera antes do desembaraço da mercadoria, eis que, in casu, não poderia ser considerada como entrada na empresa e, portanto, nacionalizada, uma mercadoria que s6 foi desembaraçada no ano seguinte. Diante da ausência de documentação probante de suposto equivoco cronológico entre a data do desembaraço e a data da entrada da mercadoria na empresa interessada, deve ser mantida a autuação de postergação do pagamento do imposto REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO. OCORRÊNCIA As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem, com raras exceções, reconhecer os resultados das receitas pelo regime de competência. A documentação e os esclarecimentos apresentados pelo interessado haviam sido examinados pela fiscalização, em sede investigatória, onde não houve contestação pela interessada quanto ao reconhecimento das receitas em exercício posterior, ao que contabilizou as despesas. Neste sentido, fazse mister a manutenção do lançamento, eis que o reconhecimento de receita em exercício posterior ao de competência configura a sua respectiva postergação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 PIS E COFINS. ERRO NA FORMA DE APURAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DAS AUTUAÇÕES. Cai por terra o lançamento de oficio de tributo ou contribuição de forma diversa daquela pela qual a lei dispõe. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Ao deixar de subsistir a autuação de omissão de receita na exigência principal, igual sorte colherá o lançamento dela reflexo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 24 23 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado (artigo 61 da Lei n° 8.981/1995). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Em síntese, a motivação expressada pela Relatora foi a seguinte: Passivo Fictício: (...) não trouxe a interessada qualquer prova de suas alegações. Tampouco após a diligência, nada trouxe para corroborar sua defesa, em que pese a realidade das operações de empréstimo entre a interessada e a CISPER. Entretanto, as divergências no tocante às obrigações relatadas no Termo de Verificação não foram comprovadas pela interessada através de documentos hábeis e idôneos, requisito essencial para o afastamento da omissão de receitas com base na ausência de comprovação das obrigações ou sua inexistência, então mantidas no passivo. Correto, portanto, o lançamento de R$ 171.500,00 a título de omissão de receitas (primeira infração descrita no AI — fls. 664. Da apuração das compras realizadas pela interessada durante o ano de 1998 (...) quanto à Nota Fiscal 018, emitida em 02/01/1998, verificou o Fisco que o contrato de câmbio (fls. 261/263), no valor de R$ 171.395, relativo às faturas 147 e 148, de 1997, abrangia as Notas Fiscais de Entradas n°s. 17 e 18 e constou do saldo do passivo (fls. 253/263 e 450). Contudo, para efeito da entrada no estoque, baseandose o Fisco na quantidade informada pela interessada em seu Livro de Inventário (fls. ), notase que a nota fiscal de entrada n° 018 (fls. 268) encontrase datada de 02/01/1998. Não há questionamento de qualquer ausência de autenticidade na nota. Não comprovou o Fisco que essa entrada de 500.000 ton de barrilha já estaria computada em 1997. Não há motivo para que a nota fiscal de entrada n° 18 deixe de ser considerada para o anocalendário de 1998, mesmo com o fechamento do câmbio para dezembro de 1997, pois a contagem física levantada deve estar atrelada ao estoque de mercadorias com as datas das entradas e saídas para que seja apurada porventura uma diferença de estoque, o que desencadearia a presunção legal de omissão de receitas, pautada no artigo 41 da Lei n° 9.430/1996. Portanto, neste ponto, entendo que à interessada assiste razão, devendo a nota fiscal n° 18 ser computada na apuração das compras para o ano de 1998. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 25 24 Entretanto, quanto às notas fiscais nºs. 83; 2482; 2486/2490 (...), estas não poderão fazer parte do estoque, eis que a mercadoria sequer chegou a ingressar na empresa, razão pela qual correto encontrase o Fisco, ao excluílas do cômputo do quantitativo de barrilha apurada no ano de 1998. Correto o Fisco também no que pertine à Nota Fiscal n° 49 (fls. 264), eis que se refere a outra mercadoria pertencente ao ativo imobilizado (Caçamba Automática), estando, portanto, fora do cômputo do estoque de barrilha apurado no ano de 1998. Quanto às notas fiscais de entrada nos 2.505 e 2.506, verificou o Fisco que, embora tivessem sido emitidas no ano de 1998 (como se as mercadorias já estivessem nas dependências da interessada), as mesmas ainda não haviam sido desembaraçadas, o que ocorrera apenas em 04/01/1999, conforme se observa dos documentos de fls. 276 e 278. (...). Sem o devido desembaraço, as mesmas não podem constar dos estoques. Correto, também, o Fisco ao entender que o cômputo desta mercadoria antecipadamente resultaria numa antecipação indevida de custos. Assim sendo, quanto à auditoria de estoque levantada pelo Fisco, a minha única discordância diz respeito a não aceitação da nota fiscal n° 18, pois (...) após o desembaraço ocorre a entrada da mercadoria na empresa. Ela poderia perfeitamente sofrer o desembaraço em 31/12/1997 e em 02/01/1998 ingressar nos estoques da empresa. Se contarmos a data do desembaraço, o raciocínio do Fisco sobre a antecipação indevida dos custos no caso das notas fiscais ingressada antes do desembaraço cairia por terra. No que pertine aos demais fatos ocorridos e que foram relatados no Termo de Verificação, os quais ocasionaram as distorções nos estoques de barrilha para o ano de 1998, ao Fisco assiste razão, já que Notas Fiscais de Empréstimo de Mercadoria de terceiros e Notas Fiscais de Devolução de Empréstimo de Mercadorias da interessada para terceiros não sustentam as informações relativas aos efetivos ingressos no estoque para que se possa computar corretamente o custo das mercadorias vendidas. Além disso, não houve por parte da interessada apresentação de qualquer conhecimento de transporte que ampare a efetiva movimentação da mercadoria por parte do cedente ou do cessionário, somada à inexistência de permissão de emissão de nota fiscal por parte do Regulamento do IPI, referente à operação que não corresponde à efetiva saída do produto nela descrito — para os casos de empréstimo de mercadorias. (...) Alega que tal situação poderia ensejar a inobservância do regime de escrituração, mas nunca alteração do CMV, (...). Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 26 25 (...) a apropriação de custos cuja competência seria do ano corrente (no caso, 1998) em período posterior, é caso de inobservância do regime de competência dos exercícios. Só que no caso, tal fato não existe, uma vez que as mercadorias ingressadas no estoque da interessada por meio de empréstimo, sem que haja um controle efetivo e discriminado por quem toma o empréstimo e quem cede, além do que efetivamente não se sabe o quantitativo de mercadoria que continuará nesta situação e por quanto tempo, já que inexiste controle acurado sobre tais entradas e saídas. Estas situações gerariam distorções nos estoques de mercadorias e refletem diretamente a apuração do estoque e, por conseguinte, o CMV. Assim, de acordo com a planilha de fls. 626/662, considero no mês de janeiro a entrada de 500.000 kg. de barrilha, conforme nota fiscal n° 18 (fls. 256), devendo, portanto, ser essa quantidade acrescida ao quadro demonstrativo do quantitativo de barrilha (Anexo VI fls. 626/662), ajustandose os demais valores. (...) Assim sendo, entendo que os valores de R$ 58.187,83; R$ 14.017,30; R$ 128.751,30 e R$ 30.606,18 (item IV. 2 do Termo de Verificação), além da autuação da diferença de estoque em relação ao Livro de Inventário em 31/12/1998, no valor tributável de R$ 83.890,69, item IV.3 do Termo de Verificação devem ser excluídos da presente exigência. Da glosa de custos: a) Majoração do custo das mercadorias vendidas (CMV). (...) a diferença entre os custos relativos ao CMV tem por base a ausência no cômputo das compras das mesmas 500 ton. de barrilha, cuja entrada ocorrera através da Nota Fiscal n° 18, já considerada neste voto. (...) Portanto, entendo que deva ser considerada no quantitativo das entradas, o que alteraria também o demonstrativo de apuração das compras e todo o demonstrativo relativo ao CMV. Assim, este item da autuação também não deve prosperar, devendo ser excluídos da base de cálculo os valores de R$ 76.857,91; 95.112,12 e 131.585,18. Quanto ao imposto de importação contabilizado a maior, a(...) a interessada (...) contabilizou a nota fiscal 018, a qual não havia sido considerada pelo Fisco, em face do desembaraço da mercadoria ter ocorrido em dezembro. Entretanto, repito, como a entrada dos 500.000 Kg de barrilha ocorrera em 02/01/1998 (Nota Fiscal 018) também não há o que tributar, razão pela qual devem ser excluídos da base de cálculo os valores de R$ 19.411,98; 11.974,32 e 36.574,72. b) Glosa de custos de desestiva, descarga e armazenagem Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 27 26 A fundamentação do fisco para a glosa dos custos em razão da operação de desestiva deveuse ao fato de que não foram apresentadas as notas fiscais, exibindo somente cópias autenticadas das faturas, que mesmo originais, constituem documentos comerciais, mas não têm isoladamente valor probante como documento fiscal, pois não apresentam as formalidades legais. (...) Entendera o fisco que se a interessada tivesse apresentado as notas fiscais de serviços e as respectivas faturas originais, as mesmas, se idôneas, comprovariam, de forma inequívoca, a efetividade dos serviços prestados. A dedutibilidade dos custos e/ou despesas operacionais condicionase observância das prescrições legais e regulamentares, quanto à regular escrituração e comprovação dos respectivos dispêndios. (...) Quanto às despesas operacionais, existe um prérequisito que é justamente o da sua comprovação. A necessidade de comprovação decorre de que somente poderá ser considerada como dedutível a despesa para qual for demonstrada, com documentação hábil e suficiente, sua ocorrência, ressalvada a sua necessidade e a estrita conexão do gasto com a atividade explorada pela pessoa jurídica. (...) (...) as despesas serão dedutíveis se observadas as quatro regras gerais básicas para dedutibilidade, que são: a) serem comprovadas e escrituradas; b) os valores não serem passíveis de apropriação direta em custos e não constituírem inversões de capital; (...) c) serem despesas necessárias, entendidas assim as essenciais, normais e vinculadas à fonte produtora dos rendimentos; d) serem debitadas no períodobase competente (...) 0 Fisco informa, através do Termo de Verificação e Constatação (fls. 601 que a interessada comercializa um única mercadoria — BARRILHA — e todas as suas compras são importações efetuadas através da ANSAC. Quanto à utilização da fatura com cópia autenticada no lugar da nota fiscal, tendo em vista constarem daquelas a Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 28 27 descrição dos serviços prestados, entendo que em nada desabonaria a dedutibilidade dos dispêndios. Contudo, no que toca à demonstração da efetividade dos serviços prestados, é bem verdade que a interessada deveria ter elaborado, além de uma planilha explicativa, trazendo em seu bojo a descrição do serviço prestado com a correspondente data; o valor; a data do pagamento; o número da nota fiscal correspondente à fatura comercial então apresentada e o número do cheque. Paralelo a isso, já que no caso de despesas dedutíveis, incumbe ao interessado, segundo entendo, o ônus da prova de que efetivamente incorreu no respectivo dispêndio, deveria ter apresentado ao fisco a relação de causa e efeito entre os custos com a desestiva, capatazia, descarga com as mercadorias objeto da importação. Não se consegue inferir quais as despesas incorridas a este título estão ligadas às mercadorias importadas, que foram desembaraçadas nesta época e ingressadas no estabelecimento da interessada, para, ai, sim, haver a comprovação da efetividade dos serviços prestados. Assim sendo, mantenho a glosa de custos relacionados à desestiva para todo o anocalendário de 1998, bem como a glosa com as operações de descarga tributadas para o período de julho e agosto de 1998, nos valores, respectivamente, de R$ 43.150,08 e 88.083,38 e as despesas com armazenagem para maio e agosto de 1998, nos valores, respectivamente, de R$ 65.450,62 e R$ 71.861,19. Aquisição de bem de natureza permanente contabilizado como custo ( ...) pleiteia que seja deduzida a depreciação do bem, em face do seu uso. Todavia, é importante ressaltar que esse benefício (depreciação/amortização) pressupõe o exercício da opção. Cabe acrescer que os procedimentos contábeis e o cumprimento de obrigações fiscais devem ser efetuados pelo contribuinte, em épocas e com obediência de formalidades próprias, não cabendo neste âmbito o seu reconhecimento para assim reduzir a exigência regularmente formalizada. Por tal razão, também deve ser mantida a exigência aqui apontada, no valor de R$ 75.179,48 (maio/1998). Dos pagamentos sem causa/beneficiários não identificados (...) relativos a pagamentos sem causa, em face da operação de desestiva não comprovada. No caso, a tributação foi efetuada, uma vez que foram verificados pelo Fisco divergência nas informações prestadas Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 29 28 pela interessada quanto aos pagamentos por ela realizados sob esta rubrica. (...) (...) as despesas com desestiva são necessárias à empresa, havendo, no entanto, falha na comprovação da efetividade dos serviços prestados, em relação às importações, desembaraços e entradas realizadas durante o ano de 1998. (...) os pagamentos realizados a este título, segundo o disposto na escrituração da interessada e apontado pelo fisco, está em divergência, sendo certo que a interessada não trouxe qualquer documento que comprovasse, através de coincidência entre as datas e valores o motivo pelo qual contabilizou beneficiários no fluxo de caixa diversos daqueles constantes do seu livro Diário, com exceção dos valores de 18 e 30 de março e 01 de abril, onde há coincidência entre os beneficiários. Contudo, não foram trazidos aos autos comprovantes dos pagamentos com a individualização do beneficiário, tal qual dispõe a legislação. (...) Portanto, entendo estar correto o Fisco neste caso, razão pela qual mantenho a infração, constante do item 6 do auto de infração (pagamento sem causa). Da inobservância do regime de competência: (...) Argúi o Fisco que a empresa levou a débito do Resultado do 4° trimestre de 1998, a titulo de CMV e imposto de importação os valores relativos as notas fiscais de entrada n° 2505 e 2506, de 31/12/1998, sendo que tais notas referiamse a Declarações de Importação desembaraçadas em 1999 (fls. 276 e 278). (...), verificase às fls. 719, cláusula 2ª do Contrato Social acostado aos autos pela interessada que seu objeto é: a importação e exportação; a compra e venda de matérias primas, produtos químicos, alimentos para animais, fertilizantes e mercadorias em geral, a prestação de serviços de agenciamento e intermediação comercial, bem como de apoio operacional na importação e exportação, atuação como operadora portuária; locação de equipamentos próprios utilizados na movimentação, empilhamento, ensaque e expedição de cargas; transporte de cargas por conta própria ou de terceiros no âmbito estadual e interestadual; e participar do Capital Social de outras sociedades como acionista ou sóciaquotista. Ora, diante inúmeras atividades e atendose aos documentos constantes dos autos, verificase que as notas fiscais de entrada, acostadas às fls. 275 e 277, informam o ingresso na empresa SCS de 422.540 Kg e 500.00 Kg, respectivamente, de Carbonato de Sódio (Barrilha), o que se encontra dissonante da data do Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 30 29 respectivo desembaraço e conferência aduaneira, que, em tese, teria ocorrido após a data de entrada. Teria, neste caso, a interessada o ônus de provar e motiva a razão pela qual o ingresso ocorrera antes do desembaraço da mercadoria, já que neste mesmo voto, considerei como data da entrada, para a nota fiscal 018, a data do efetivo ingresso da mercadoria na sede da interessada, sendo certo que seu desembaraço ocorrera em dezembro de 1997 e sua entrada em janeiro de 1998. Seguindo este mesmo raciocínio, não poderia considerar como entrada a mercadoria que sequer fora desembaraçada, deixando, portanto, de ser coerente com a linha de pensamento adotada até então. Neste sentido, encontrase correto o Fisco no seu entendimento, já que, diante da ausência de documentação probante de suposto equivoco cronológico entre a data do desembaraço e a data da entrada da mercadoria na empresa interessada, razão pela qual mantenho a autuação de postergação do pagamento do imposto (item 08 do auto de infração), no valor de R$ 122.431,05 e da redução indevida do lucro (parte do item 09 do auto de infração), no valor de R$ 60.950,81. Da redução indevida do lucro Quanto à redução indevida do lucro por antecipação dos custos de importações, armazenagens, desestiva e capatazia, (...) (...) Defendese a interessada, por conseguinte, afirmando que a empresa não é uma simples casa de despachos aduaneiro, mas ao contrário, responsabilizase pela execução de todas as tarefas necessárias para que o produto seja entregue nos estabelecimentos nas condições do pedido. Assim, só considerou, para efeito de apuração do lucro tributável, os valores materializados pelas faturas que emitiu, já no ano de 1999, embora o desembaraço tivesse ocorrido entre 17 e 22 de dezembro de 1998. Na verdade, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem, com raras exceções, reconhecer os resultados das receitas pelo regime de competência. Comprovado o reconhecimento de receitas em exercício posterior ao de competência, fica configurada a postergação, sendo devido lançamento. A documentação e os esclarecimentos apresentados pelo interessado foram examinados pela fiscalização, em sede investigatória, onde o interessado não contesta que reconheceu as receitas em exercício posterior ao que contabilizou as despesas, devendo, portanto, ser mantido, na espécie, o presente lançamento no valor de R$ 229.403,83, além da multa e juros isolados sobre o imposto postergado. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 31 30 Da autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte (...) Observase aqui, por seu turno, relativamente ao imposto na fonte, que existe substancial diferença em relação ao lançamento da infração do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social quanto aos efeitos da infração cometida, pois basta a caracterização como operação não comprovada ou sem causa para sua tributação, conforme estabelece o § 10 do dispositivo legal citado, não havendo qualquer relevância quanto aos seus efeitos na apuração do resultado do exercício, ao contrário do que já acontece para o IRPJ. Entendo que, no caso, inexiste qualquer óbice quanto à simultaneidade das exigências lançadas a título de IRPJ e IRRF sobre o fato de não haver a identificação do beneficiário. Em primeiro lugar, quanto ao IRPJ, a dedução para fins de apuração do lucro real só poderia se concretizar, se os gastos, fossem conhecidos com exatidão e quem seria efetivamente o beneficiário da renda. Caso a empresa não identifique os beneficiários, os valores pagos não poderão ser dedutíveis para efeito da apuração do lucro real. Isto é um fato. Tais valores simplesmente serão objeto de adição ao lucro real, eis que anteriormente haviam sido deduzidos. De outro lado, a situação quanto ao imposto de renda na fonte é um pouco diferente, eis que configurandose a hipótese de existência de pagamentos a beneficiários não identificados, sobre tais pagamentos incidirá exclusivamente na fonte o imposto de renda. Ai sim exigese o tributo. Dos lançamentos decorrentes de PIS, COFINS e CSLL (...) Quanto ao lançamento de PIS e de COFINS, (...), possuem apurações mês a mês. No caso, como o fisco realizou os lançamentos das duas contribuições sob a forma trimestral, não há como prosperarem tais exigências. Portanto, entendo que devem ser julgados IMPROCEDENTES. 0 auto de infração de CSLL, por ser decorrente do principal (de IRPJ), as conclusões no presente voto serão as mesmas. Da Glosa de Prejuízos A glosa dos prejuízos fiscais, tendo em vista a apuração das infrações, deve ser mantida, sendo que o resultado será ajustado conforme o decidido no presente voto, (...) Ciente da decisão em 12/12/2011, a interessada ingressou com recurso em 11/01/2012. Recurso Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 32 31 Preliminarmente, fala do indeferimento da perícia contido na manifestação de fl. 1098, discorre sobre o princípio da verdade material, prevalência dos fatos sobre as formas, enriquecimento ilícito, princípio da legalidade, e conclui que o fato de as autoridades fiscais se negarem a verificar as provas que a Recorrente informa serem necessárias à comprovação de seus argumentos, bem como indeferir o pedido de perícia, tornam nulo o Acórdão. Pondera que a afirmação de que a Recorrente não comprovou suas alegações não configura fundamento suficiente para manter o crédito tributário, pois a interessada esclareceu que a comprovação de suas razões dependiam de perícia, solicitada às fls. 1098, que não foi realizada porque considerada despiciendas. Alega ausência de motivação, com violação aos inciso VII e X do Parágrafo único do art. 2º e ao § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Alega, ainda, nulidade do acórdão por cerceamento de defesa, pela inconsistência da descrição dos motivos que justificam a negativa da perícia e a consequente exigência do crédito tributário. Conclui a preliminar afirmando que o Acórdão é nulo por preterição do direito de defesa e ausência de motivação, reportandose ao art. 59, II, do Decreto n] 70.235/72. No mérito, suas razões de defesa podem assim ser resumidas: 1 Glosa de custos relativos às operações de desestiva, capatazia, descarga e armazenagem. Destaca que o único fundamento para a glosa foi a falta de descrição dos serviços prestados, informação de quem seria o beneficiário, para, dessa forma, poder haver a comprovação da prestação dos serviços. Salienta que a fiscalização partiu de inúmeras informações cedidas pela recorrente para proceder à glosa. Acosta documentos (Doc.03) que comprovam o pagamento dos serviços prestados, com a descrição dos mesmos, informando os dados dos beneficiários, o que comprova a efetividade do serviço prestado atrelada à identificação do pagamento ao beneficiário. 2 Passivo fictício Diz que o fundamento do Acórdão para manter a autuação (que a interessada não trouxe provas acerca da veracidade de suas alegações). Conforme se depreende da análise das fls. 314/344, a Recorrente juntou as notas fiscais de saída da Cisper para a SCS, assim como as de devolução da SCS à Cisper, que comprovam, de forma inequívoca, as operações de empréstimo. Essas informações constam nos campos das notas fiscais “natureza da operação” e “informações complementares”. Às fls. 624/625 fora juntada planilha explicativa das operações de empréstimo, consolidando todas as informações necessárias para a verificação. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 33 32 3 Dos pagamentos sem causa. Após transcrever o item da ementa quanto a essa matéria, que expressa que o ônus da prova no tocante à dedutibilidade de seus dispêndios é do sujeito passivo, e que a simples existência de cópias de faturas, em caráter genérico, sem a descrição do serviço e da natureza da operação e qual seria o beneficiário, sustenta a glosa efetuada pelo fisco neste sentido, diz estar juntando aos autos (doc. 3) os documento que demonstram a comprovação dos pagamentos, identificando os beneficiários. 4 Inobservância do regime de competência. Após transcrever o item da ementa que trata dessa matéria e item, que expressa que à interessada incumbiria o ônus de prova e motivar a razão pela qual o ingresso ocorrera antes do desembaraço da mercadoria, que, no caso, não poderia ser considerada como entrada na empresa e nacionalizada, diz estar juntando a documentação (Doc. 4) que justifica o corrido em relação às notas fiscais 2502 e 2506. 5 Da postergação de receita Repete o esclarecimento de que não presta serviços de desembaraço aduaneiro, mas sim de agenciamento, que só se completam com a entrega da mercadoria importada ao destinatário, Por isso, embora o desembaraço tenha ocorrido em 17/12/98 e 22/12/98, só considerou os valores materializados pelas faturas, que emitiu no anobase de 1999. Aduz que o fisco não pode pretender que a data do reconhecimento da remuneração deva ser a do desembaraço, e não a da nota fiscal, que formaliza a entrega da mercadoria e termina a execução do serviço de agenciamento. Argumenta que, ainda que assim não fosse, o Fisco não poderia exigir o tributo decorrente da operação, pois se tivesse havido postergação de receita só será cabível a exigência de juros de mora.caso contrário, haveria exigência de imposto em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo. Dele conheço. Conforme se depreende do relatório, a Recorrente faz extenso discurso, colacionando doutrina sobre o dever da autoridade administrativa de buscar a verdade material, para afinal arguir a nulidade da decisão recorrida, por preterição do direito de defesa e ausência de motivação. Reportase a indeferimento de perícia solicitada na manifestação de fl. 1098, e alega a negativa de verificação das provas que informou serem necessárias à comprovação de seus argumentos, tornando nulo o Acórdão, como prevê o art. 59, II, do Decreto 70.235/72, por preterição do direito de defesa, bem como por ausência de motivação. Com a devida vênia, não vislumbro nenhum dos vícios apontados pelo ora Recorrente. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 34 33 Analisandose os autos vêse que, no item 64 de sua impugnação (fl. 711 dos autos), a interessada requereu, in verbis: “Assim, para que não haja duvida sobre matéria de fato, impõe se a realização de uma diligência, para que através da pericia contraditória prevista no art. 148 do CTN, se comprove: a) .A exatidão dos mapas anexos de 1 a 6, em razão dos dados constantes da contabilidade , e dos documentos pertinentes. b) Reflexo que tais dados tem sobre o resultado tributável, alterandose através deles o lançamento. c). Em razão ao que acima se indicou qual o eventual tributo devido.” Inicialmente, observo ser impertinente ao tema o art. 148 do CTN, que dispõe: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. No presente caso, não houve arbitramento de valor ou preço por parte da autoridade administrativa que merecesse a aplicação da regra prevista no artigo acima. E o pedido formulado, embora tenha se reportado a perícia, nos termos do Decreto nº 70.235/72 materializouse como pedido de diligência, eis que não cumpriu os requisitos para a perícia, previstos no inciso IV do art. 16, que prescreve: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Como se vê, pelos quesitos formulados, o contribuinte pretendia uma diligência para averiguar a exatidão dos demonstrativos feitos pela autoridade fiscal que embasaram a apuração da matéria tributável, a saber: Anexo I Apuração das Compras de Barrilha; (b) Anexo II – (Demonstrativo da Majorações das Compras; (c) Anexo III Demonstrativo Trimestral do Custo das Mercadorias Vendidas a Glosar; (d) Anexo IV – Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 35 34 Demonstrativo do Imposto de Importação a Glosar; (e) Anexo V – Empréstimos e Devolução de Empréstimos de Mercadorias; (f) Anexo VI Levantamento Quantitativo de Barrilha. A diligência pode ser determinada de ofício pelo julgador, ou a pedido do contribuinte. Quem afere a necessidade de diligência é o julgador, pois ela se destina a fornecerlhe elementos de convicção. Em regra, ela decorre de insuficiência de esclarecimentos no relatório fiscal, quanto à ocorrência dos fatos geradores, ou da apresentação, pelo contribuinte, de elementos que tragam dúvidas sobre a caracterização da ocorrência do fato gerador trazida pelo fisco. Na impugnação o sujeito passivo deve juntar todas as provas documentais necessários para infirmar o lançamento, e o pedido de diligência só é justificável quando a comprovação da matéria de fato não puder ser feita no corpo dos autos, quer por envolver volume muito grande de papeis e documentos, quer por impossibilidades materiais específicas, tais como verificação in loco de máquinas, instalações, exame de processo produtivo, etc., quer em face da localização das provas (documentos em poder de terceiros, por exemplo). No caso específico, as alegações e documentos trazidos na impugnação geraram dúvidas no julgador, que determinou a diligência, não nos termos genéricos formulados pelo contribuinte, mas elaborando quesitos precisos, que o habilitassem a espancar as dúvidas a respeito da ocorrência do fato gerador, o que, por óbvio, conduziriam à resposta dos quesitos formulados pelo sujeito passivo: exatidão dos mapas de apuração anexos de 1 a 6; reflexo desses mapas no resultado tributável, quantificação do tributo devido. O contribuinte foi intimado a tomar ciência do relatório de diligência em 23/10/2008, e não se manifestou. (fls. 1085/1086). Em 23 de março de 2010 a Relatora, considerando que os elementos ainda não eram suficientes para sua tomada de decisão, pediu nova diligência para que fossem encontrados os dados constantes da coluna V do Anexo III (CMV apurado pela fiscalização), fazendo constar informações do quantitativo (kg) de barrilha vendida (saída), bem como seu preço unitário médio, demonstrado mês a mês, com o resultado do somatório mensal. A informação foi prestada pelo servidor às fls. 1091. Ao tomar ciência da informação, o contribuinte alegou discordar dos valores referentes aos meses de janeiro, julho, outubro e novembro, coforme demonstrativo a seguir: mês Compras/SCS Compras/SRF CMV/SCS CMV/SRF Janeiro 417.350,24 336.594,60 423.152,43 316.370,28 Julho 674.189,45 669.889,31 676.027,73 671.727,59 Outubro 679.098,31 672.553,05 467.221,80 460.676,54 Novembro 612.090,90 570.574,47 796.878,47 755.362,04 Aduziu: “Como se vê a divergência está consolidada no item compras e por essa razão, pede a suplicante se digne v. Exa. Determinar ao Ilustre perito, que proceda a discriminação analítica das compras apuradas nos períodos questionados, para que se tenha um completo esclarecimento da matéria de fato, considerando que os discriminativos analíticos da Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 36 35 movimentação de compras alegada pela suplicante consta dos seus Livros Fiscais e está junto ao processo”. (destaquei) Ocorre que, conforme informou a autoridade na informação de fls. 1091, os valores de compras estão informados na coluna II do anexo III que integrou o TVF, e o detalhamento das compras está no Anexo I do mesmo TVF (fls. 618 a 620). E o Anexo I discrimina as compras, descabendo diligência para esclarecer algo que constava dos autos desde a lavratura do auto de infração e cuja explicação constava expressamente da informação de fls. 1091. (destaquei). Assim, a não determinação da diligência não causou cerceamento de defesa, bem como, a não realização da diligência pode ser tida como carente de motivação. Isto posto, rejeito a preliminar. Passo a analisar a s questões de mérito, na ordem em que foram apresentadas no recurso. 1Glosa de custos relativos às operações de desestiva, capatazia, descarga e armazenagem. A fiscalização glosou por falta de comprovação, os custos a seguir relacionados, por entender que a cópia autenticada da fatura não é documento fiscal hábil para a comprovação. a) Operações de desestiva: Contábil. pagamento valor histórico Fls. Diário Fls. proc. 1 31/01 02/01 05/01 76.558,59 76.513.86 Vl. Ref. Recibo Pronave 02 02 172 2 31/01 16/01 123.272,88 Vl. Ref. Recibo Pronave 04 174 3 31/01 19/01 30.661,28 Vl. Ref. Rec. Rodrimar 05 175 4 31/01 21/01 18.722,19 Vl. Ref. Rec. Suma 06 176 5 31/01 22/01 76.513,86 Vl. Ref. Recibo Pronave 05 175 6 31/01 28/01 76.884,49 Vl. Ref. Recibo Pronave 06 176 448.464.87 7 28/02 02/02 99.956,97 Vl. Ref. Recibo Pronave 12 180 8 28/02 09/02 76.884,49 Vl. Ref. Recibo Pronave 13 181 9 28/02 20/02 50.000,00 Vl. Ref. Recibo Pronave 16 184 226.841,46 10 31/03 02/03 53.241,08 Vl. Ref. Recibo Pronave 22 187 11 31/03 26/03 71.248,50 Vl. Ref. Op/Desestiba 27 190 124.489,98 12 30/04 15/04 93.414,15 Vl. Ref. Recibo Pronave 47 196 13 30/04 29/04 12.776,81 Vl. Ref. Recibo Pronave 48 197 14 30/04 27/04 66.858,56 Vl. Ref. Recibo Pronave 49 198 15 30/04 29/04 12.776,81 Vl. Ref. Recibo Pronave 51 199 185.826,33 16 31/05 13/05 16.826,78 Vl. Ref. Recibo Pronave 59 203 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 37 36 17 31/05 20/05 21/05 25/05 20.000,00 23.672,37 50.000,00 Vl. Ref. Recibo Pronave 64 206 18 31/05 27/05 3.008,94 Vl. Ref. Recibo Pronave 64 206 113.508,09 19 30/06 03/06 70.290,00 Vl. Ref. Recibo Pronave 70 208 20 30/06 15/06 70.341,12 Vl. Ref. Recibo Pronave 71 209 21 30/06 25/06 82.148,87 Vl. Ref. Recibo Pronave 75 211 222.779,99 22 31/07 13/07 31.790,25 Vl. Ref. Recibo Pronave 98 214 23 31/07 17/07 31.790,25 Vl. Ref. Recibo Pronave 100 215 24 31/07 31/07 12.604,28 Vl. Ref. Recibo Pronave 104 217 76.184,78 25 31/08 18/08 14.031;07 Vl. Ref. Recibo Pronave 116 219 14.031;07 26 30/09 29/09 66.635,01 Vl. Ref. Recibo Pronave 131 225 27 06/10 66.635,01 Vl. Ref. fat 075 Pronave 135,151, 226,228 28 16/10 42.601,60 Vl. Ref. Recibo Pronave 138, 155 227,231 29 26/10 42.601,60 Vl. Ref. Recibo Pronave 138, 158 227,233 218.473,22 30 30/11 10/11 66,726,00 Vl. Ref. Recibo Pronave 163 237 31 30/11 05/11 56.332,35 Vl. Ref. Recibo Pronave 166 238 32 30/11 18/11 60.660,00 Vl. Ref. Recibo Pronave 170 239 183.718,35 33 31/12 01/12 84.152,91 Vl. Ref. Recibo Pronave 177 242 84.152,91 b) Operações de descarga: pagamento valor Histórico Fls. Diário Fls. proc. 1 30/07 20.000,oo Vl. Ref. Recibo Pronave 103 216 2 31/07 23.150,08 Vl. Ref. Recibo Pronave 104 216 43.150,08 3 21/10 88.083,38 Vl. Ref. fat. 076 Pronave 156 232 A decisão recorrida assim tratou essa questão: (...) a fundamentação do fisco para a glosa dos custos em razão da operação de desestiva deveuse ao fato de que não foram apresentadas as notas fiscais, exibindo somente cópias autenticadas das faturas, que mesmo originais, constituem documentos comerciais, mas não têm isoladamente valor probante como documento fiscal, pois não apresentam as formalidades legais. (...) Entendera o fisco que se a interessada tivesse apresentado as notas fiscais de serviços e as respectivas faturas originais, as Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 38 37 mesmas, se idôneas, comprovariam, de forma inequívoca, a efetividade dos serviços prestados. (...) Quanto à utilização da fatura com cópia autenticada no lugar da nota fiscal, tendo em vista constarem daquelas a descrição dos serviços prestados, entendo que em nada desabonaria a dedutibilidade dos dispêndios. Contudo, no que toca à demonstração da efetividade dos serviços prestados, é bem verdade que a interessada deveria ter elaborado, além de uma planilha explicativa, trazendo em seu bojo a descrição do serviço prestado com a correspondente data; o valor; a data do pagamento; o número da nota fiscal correspondente à fatura comercial então apresentada e o número do cheque. Paralelo a isso, já que no caso de despesas dedutíveis, incumbe ao interessado, segundo entendo, o ônus da prova de que efetivamente incorreu no respectivo dispêndio, deveria ter apresentado ao fisco a relação de causa e efeito entre os custos com a desestiva, capatazia, descarga com as mercadorias objeto da importação. Não se consegue inferir quais as despesas incorridas a este título estão ligadas às mercadorias importadas, que foram desembaraçadas nesta época e ingressadas no estabelecimento da interessada, para, aí, sim, haver a comprovação da efetividade dos serviços prestados.” Assim sendo, mantenho a glosa de custos relacionados à desestiva para todo o anocalendário de 1998, bem como a glosa com as operações de descarga tributadas para o período de julho e agosto de 1998, nos valores, respectivamente, de R$ 43.150,08 e 88.083,38 e as despesas com armazenagem para maio e agosto de 1998, nos valores, respectivamente, de R$ 65.450,62 e R$ 71.861,19. O que salta aos olhos aqui é que a decisão está inovando. Confirma o julgador que o fundamento do fisco para a glosa foi a não apresentação das notas fiscais, substituídas que foram pelas cópias autenticadas das faturas, sem valor probante fiscal, e que o fisco entendera que se tivessem sido apresentadas as notas fiscais de serviços e as faturas originais, estaria comprovada a efetividade do serviço prestado. Rejeita o fundamento do fisco para a glosa, afirmando que “a utilização da fatura com cópia autenticada no lugar da nota fiscal, tendo em vista constarem daquelas a descrição dos serviços prestados, entendo que em nada desabonaria a dedutibilidade dos dispêndios.” Ora, esse argumento, por si só, desconstitui o fundamento da glosa, e obrigaria seu cancelamento. Contudo, o julgador discorda do entendimento do fisco de que, se tivessem sido apresentadas as notas fiscais de serviços e as faturas originais, estaria comprovada a efetividade do serviço prestado. E erige, ele próprio, um novo fundamento para a glosa, ao afirmar: Contudo, no que toca à demonstração da efetividade dos serviços prestados, é bem verdade que a interessada deveria ter Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 39 38 elaborado, além de uma planilha explicativa, trazendo em seu bojo a descrição do serviço prestado com a correspondente data; o valor; a data do pagamento; o número da nota fiscal correspondente à fatura comercial então apresentada e o número do cheque. Paralelo a isso, já que no caso de despesas dedutíveis, incumbe ao interessado, segundo entendo, o ônus da prova de que efetivamente incorreu no respectivo dispêndio, deveria ter apresentado ao fisco a relação de causa e efeito entre os custos com a desestiva, capatazia, descarga com as mercadorias objeto da importação. Ora, essas exigências não constam do lançamento, e não poderiam ter sido aduzidas na decisão. Tal ato caracteriza alteração do lançamento, para o que não tem competência o julgador, bastando, portanto, para prover o recurso. Além disso, constam dos autos os documentos que identificam os serviços prestados e seus beneficiários, bem como comprovam seu pagamento por cheque e correspondente depósito na conta do beneficiário. Isto posto, voto pelo cancelamento da glosa. 2 Passivo fictício Esse item se relaciona com empréstimo de mercadoria entre a Recorrente e a Cisper. A fiscalização considerou que as notas fiscais 177.994 e 178.333, por meio das quais foi assumida obrigação no montante de R$ 171.500,00, são irregulares, por não corresponderem à saída efetiva da mercadoria do estabelecimento emitente. Disse que as mercadorias correspondentes a essas notas não foram registradas no estoque, conforme apurado na auditoria de estoque onde, mesmo desconsiderando as operações de empréstimo e devolução da mercadoria, o estoque final apurado foi superior ao indicado no livro de Inventário. E aduz que mesmo que as operações de empréstimo fossem regulares, parte da obrigação, no montante de R$ 87.293,50, correspondente a 356.300 ton, métricas, já havia sido quitada, sem contabilização, através de devolução de empréstimo. O contribuinte, que no procedimento de fiscalização fornecera ao fisco as notas fiscais que acobertaram as operações de empréstimo, explicou que vendeu mercadorias que recebeu por empréstimo de terceiros (no caso, a Cisper), e que assim, assume a obrigação correspondente, pois até que proceda à devolução (que faz quando realiza importações) ele é necessariamente devedor do produto, e foi essa a operação contabilizada nos seus livros. Diz não existir passivo fictício, pois o credor é identificado e a obrigação de pagamento decorre do recebimento da mercadoria por empréstimo, existindo perfeita identificação entre os valores lançados nas notas fiscais respectivas e o que está em referência na contabilidade. A decisão recorrida reconhece que as operações de empréstimo foram verdadeiras, mas manteve integralmente a omissão de receita (R$ 171.500,00) com a seguinte motivação: “Contudo, não trouxe a interessada qualquer prova de suas alegações. Tampouco após a diligência, nada trouxe para corroborar sua defesa, em que pese a realidade das operações Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 40 39 de empréstimo entre a interessada e a CISPER. Entretanto, as divergências no tocante às obrigações relatadas no Termo de Verificação não foram comprovadas pela interessada através de documentos hábeis e idôneos, requisito essencial para o afastamento da omissão de receitas com base na ausência de comprovação das obrigações ou sua inexistência, então mantidas no passivo.”(destaquei) Como visto, a fiscalização considerou que os empréstimos de mercadorias (que resultaram na obrigação registrada) não existiu, porque, segundo resultado da auditoria de estoque, essas mercadorias não teriam sido registradas no estoque, mesmo sem considerálas, o estoque final apurado (Ei + C – Ef) é superior ao registrado no Livro de Inventário. Ocorre que as divergências quanto ao estoque final, não são suficientes para embasar a afirmação de que as operações de empréstimo não existiram. Pelas explicações fornecidas pela interessada, as operações com empréstimo de mercadorias não afetam o estoque final, pois as mercadorias vendidas não estavam no seu estoque (foram recebidas por empréstimo de terceiros), e quando ocorre uma posterior entrada por importação, há concomitante saída em devolução de empréstimo. A planilha relativa às operações de empréstimo de mercadorias (Anexo V do TVF, fls. 624/625) foi elaborada pela fiscalização com base nos documentos fornecidos pela fiscalizada, indicando, entre outros dados, a nota fiscal, a operação (entrada ou saída). Assim, não procede o argumento de falta de comprovação das alegações de defesa. Estando devidamente comprovadas as operações por meio das notas fiscais constantes dos autos, as mercadorias recebidas em empréstimo respaldam o registro das obrigações correspondentes, as quais devem ser baixadas quando da devolução. Conforme demonstrado pela autoridade fiscal às fls. 625, a obrigação correspondente às notas fiscais 177944 e 178.333 (R$ 171.500,00 = 700.000 ton.met.) foi parcialmente quitada ainda no ano de 1998 (R$ 87.292,50). Nesses termos, dou provimento parcial a esse item, para reduzir a matéria tributável relativa a omissão de receita para a importância de R$ 87.292,50. 3 Dos pagamentos sem causa. Observo, inicialmente, que o Termo que o Termo de Verificação e Constatação Fiscal tratou a glosa de custos de desestiva, armazenagem e descarga em dois itens diferentes. No item I, subitens I.3 e I.4 , glosou custo relativos a, respectivamente, desestiva e descarga, pagos à Pronave mediante cheques e respectivos depósitos, comprovados documentalmente por cópia autêntica das respectivas faturas, por considerar que esses documentos não são hábeis fiscalmente para a comprovação, reclamando a apresentação da nota fiscal. No seu item II, o Termo de Verificação e Constatação Fiscal tratou de pagamentos contabilizados como custos de operação de desestiva (II.1) e descarga (II.2) sem qualquer comprovação. Além da glosa da despesa a eles relativa (por ausência de documento Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 41 40 comprobatório), nos subitens II.1.1 e II.2.1 submeteuos à tributação exclusiva na fonte a título de pagamento a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95). Contudo, para todos os valores relacionados (e tributados) no TVF como pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, consta dos autos, às fls. 724/526 e 826/900, comprovantes dos pagamentos, identificando o beneficiário e a causa. E com o recurso, a Recorrente reapresenta as provas que afastam a meu sentir, afastam a tributação. Nesse passo, entendo que não prospera o lançamento em relação ao presente item. 4 Inobservância do regime de competência. Esse item da defesa se relaciona com os seguintes fatos: a) Contabilização (e reflexo em conta de resultado do 4º trimestre de 1998) das notas fiscais de entrada n° 2505 e 2506, de 31/12/1998, que se referem a Declarações de Importação desembaraçadas em 04/01/1999, configurando antecipação de custos. Esse fato deu origem à autuação de postergação do pagamento do imposto (item 08 do auto de infração), no valor de R$ 122.431,05 e da redução indevida do lucro (parte do item 09 do auto de infração), no valor de R$ 60.950,81. b) Antecipação de custos de armazenagem, desestiva e capatazia, referentes a mercadorias estrangeiras não nacionalizadas em DEZ/98, com suspensão de tributos até a nacionalização, entrepostadas em armazém alfandegado, e que foram levados a débito do Resultado do Exercício em que ocorreu o pagamento dos referidos custos, em desacordo ao regime de competência que prevê a apropriação dos custos juntamente com as receitas a eles inerentes. c) Postergação de Receita caracterizada pela contabilização das Notas Fiscais de Serviços 169, 170 e 171, às fls.495/497, em Jan/99, quando os Serviços de Agenciamento foram prestados em DEZ/98, conforme comprovam as datas de desembaraço das declarações de importação correspondentes. Os fatos descritos nos itens c) e d) ocasionaram autuação por redução indevida do lucro líquido. Quanto ao item a) acima, a decisão recorrida assentou que incumbiria ao contribuinte o ônus de provar e motivar a razão pela qual o ingresso ocorrera antes do desembaraço da mercadoria, que, no caso, não poderia ser considerada como entrada na empresa e nacionalizada. Em seu recurso, a Recorrente diz que a explicação reclamada pelo julgador estaria sendo anexada com o recurso, no Doc. 4. Porém, esse Doc. nada contém além da cópia das notas fiscais questionadas (emitidas em dezembro de 1998), dos comprovantes de importação indicando registro da DI em 30/12/98 e desembaraço em janeiro de 99, e guia de pagamento do ICMS. Especificamente para o item b), nada aduziu a Recorrente. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.005210/200111 Acórdão n.º 1301001.276 S1C3T1 Fl. 42 41 Sobre o item c), alegou que os serviços são de agenciamento, representados pela intermediação na aquisição de mercadoria importada e entrega ao destinatário, não se completando com o desembaraço, materializandose pela emissão das faturas, que ocorreu em 1999. Afirmou, ainda, que mesmo que tivesse postergado receita, só seria cabível a exigência de juros. Nesse aspecto, entendo que assiste razão à Recorrente, pois o fisco não prova que o serviço prestado se completou na data do desembaraço, e assim, não há como exigir que a receita seja reconhecida em data diferente da emissão da nota fiscal de prestação do serviço, merecendo, portanto, reparo a r. decisão recorrida. Quanto a glosa de compensação de prejuízos por insuficiência de saldo, o mesmo deverá ser ajustado ao aqui decidido. Pelas razões acima declinadas, rejeito a preliminar suscitada, para no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: I Excluir da matéria tributável os itens referentes a glosa de custos de desestiva e descarga (itens I.3 e I.4 do TVCF), pagamentos relativos a custos não comprovados (item II do TVCF, compreendendo todos seus subitens) e redução indevida do lucro líquido por postergação de receita (item V.5 do TVCF); II Reduzir a matéria tributável relativa a passivo fictício (item IV.1 do TVCF) para R$ 87.292,50. III Determinar que a glosa dos prejuízos fiscais seja ajustada, conforme decidido no presente julgamento. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10410.004206/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO
São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou tributação definitiva.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele comprovar a origem dos recursos informados para justificar os dispêndios e aquisições de bens e direitos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO.
Devem ser considerados como aplicações de recursos os valores das despesas da atividade rural escrituradas no Livro Caixa nos meses em que efetivamente ocorreram, mediante comprovação.
DEPENDENTE E PENSÃO ALIMENTÍCIA. DUPLA DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE.
O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia não pode efetuar a dedução de dependente, na sua Declaração de Ajuste, com o mesmo dependente da pensão alimentícia.
DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DUPLA DEDUÇÃO. DECISÃO JUDICIAL.
As despesas com instrução de alimentando somente poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda na declaração, se efetuadas em cumprimento de decisão judicial ou acordo judicial homologado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a comprovar da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Está sujeita ao imposto a pessoa física que auferir de capital na alienação de participações societárias, considerando-se, como custo de aquisição, o aumento de capital por incorporação de reservas, desde que tributado na pessoa jurídica.
MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO.
A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas se sujeita à multa de oficio, por isso incabível a multa isolada com a dupla penalidade ou concomitância pelo mesmo fato devido a título de carnê-leão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS E DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Reputa-se verdadeira as matérias da autuação que não forem contestadas pelo contribuinte na Impugnação do lançamento, salvo questões de ordem publica e clara percepção do defeito na constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele comprovar a origem dos recursos informados para justificar os dispêndios e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Devem ser considerados como aplicações de recursos os valores das despesas da atividade rural escrituradas no Livro Caixa nos meses em que efetivamente ocorreram, mediante comprovação. DEPENDENTE E PENSÃO ALIMENTÍCIA. DUPLA DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia não pode efetuar a dedução de dependente, na sua Declaração de Ajuste, com o mesmo dependente da pensão alimentícia. DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DUPLA DEDUÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. As despesas com instrução de alimentando somente poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda na declaração, se efetuadas em cumprimento de decisão judicial ou acordo judicial homologado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a comprovar da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao imposto a pessoa física que auferir de capital na alienação de participações societárias, considerando-se, como custo de aquisição, o aumento de capital por incorporação de reservas, desde que tributado na pessoa jurídica. MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO. A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas se sujeita à multa de oficio, por isso incabível a multa isolada com a dupla penalidade ou concomitância pelo mesmo fato devido a título de carnê-leão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS E DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputa-se verdadeira as matérias da autuação que não forem contestadas pelo contribuinte na Impugnação do lançamento, salvo questões de ordem publica e clara percepção do defeito na constituição do crédito tributário.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele comprovar a origem dos recursos informados para justificar os dispêndios e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Devem ser considerados como aplicações de recursos os valores das despesas da atividade rural escrituradas no Livro Caixa nos meses em que efetivamente ocorreram, mediante comprovação. DEPENDENTE E PENSÃO ALIMENTÍCIA. DUPLA DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia não pode efetuar a dedução de dependente, na sua Declaração de Ajuste, com o mesmo dependente da pensão alimentícia. DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DUPLA DEDUÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. As despesas com instrução de alimentando somente poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda na declaração, se efetuadas em cumprimento de decisão judicial ou acordo judicial homologado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 42 06 /2 00 9- 87 Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a comprovar da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao imposto a pessoa física que auferir de capital na alienação de participações societárias, considerandose, como custo de aquisição, o aumento de capital por incorporação de reservas, desde que tributado na pessoa jurídica. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas se sujeita à multa de oficio, por isso incabível a multa isolada com a dupla penalidade ou concomitância pelo mesmo fato devido a título de carnêleão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS E DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase verdadeira as matérias da autuação que não forem contestadas pelo contribuinte na Impugnação do lançamento, salvo questões de ordem publica e clara percepção do defeito na constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10410.004206/200987 Acórdão n.º 2201002.338 S2C2T1 Fl. 3 3 Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife/PE que, por unanimidade de votos, manteve parte da autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anoscalendário de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, sobre as seguintes acusações fiscais: a) Omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa física; b) Acréscimo patrimonial a descoberto APD; c) Omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas; d) Dedução indevida de dependente; e) Dedução indevida de despesas médicas; f) Dedução indevida de despesas com instrução; g) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; e h) Falta de recolhimento do IRFonte a título de carneleão. Auto de Infração a fls. 1150/1164, com ciência em 01.09.2009 (fls. 1164). Relatório de Fiscalização a fls. 1096/1149. Impugnação a fls. 1167/1197. Decisão recorrida a fls. 1222/1261, com ciência em 19.01.2010 (AR fls. 1278), com o cancelamento da multa qualificada de 150%, reduzindoa ao percentual de 75%, pela falta da comprovação do dolo, daí o recurso de oficio. Foi mantida a omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e a glosa das despesas médicas, pela ausência de impugnação destes itens da autuação. A glosa da dedução com dependente nos anos de 2004 a 2006 foi mantida em razão de o autuado pagar pensão alimentícia ao mesmo deduzir o dependente e a decisão judicial não fazer qualquer ressalva da despesa concomitante. O acréscimo patrimonial a descoberto APD foi mantido por não se admitir, nas origens, os recursos das receitas da atividade rural, pela falta de comprovação, assim como de exclui da origem a integralização do capital da sociedade Conny Ind. e Com. de Sucos e Refrigerantes Ltda., no valor de R$ 1.700.000,00. Mantida a omissão de rendimentos dos depósitos bancários pela falta de comprovação. Mantida a ganho de capital pela falta de comprovação do custo de aquisição dos bens e direitos alienados. A decisão recorrida esta assim ementada: Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos, que não pode ser substituída por meras alegações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESPESAS RELATIVAS À ATIVIDADE RURAL. ESCRITURAÇÃO NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial do contribuinte os valores relativos às despesas decorrentes da atividade rural escrituradas no Livro Caixa e nos meses em que efetivamente elas ocorreram, conforme comprovação documental acostada ao processo. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. ADMISSIBILIDADE O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia não pode efetuar a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do anocalendário. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM DEPENDENTE. ADMISSIBILIDADE. As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante, somente poderão ser deduzidas na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, se efetuadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10410.004206/200987 Acórdão n.º 2201002.338 S2C2T1 Fl. 4 5 seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CRÉDITOS DE VALOR ABAIXO DO LIMITE LEGAL. No caso de pessoa física não devem ser considerados, para fins de apuração da omissão de rendimentos, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir de capital na alienação de participações societárias, considerandose, como custo de aquisição, o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, e desde que devidamente tributado na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. Relativamente aos rendimentos recebidos de pessoas físicas, é cabível exigência da multa isolada no percentual de 50%, incidente sobre o valor do imposto mensal devido a título de carnêleão e não recolhido nas datas previstas na legislação de regência, independentemente da multa de ofício incidente sobre o imposto suplementar apurado em procedimento de ofício. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Reputamse não contestadas as matérias, quando o contribuinte não menciona, em sua impugnação, as infrações apontadas. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES 6 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO DE OFÍCIO. Recurso Voluntário (fls. 1285/1315) sustenta que os rendimentos da atividade rural e a omissão dos depósitos bancários devem integrar o fluxo mensal das origens na apuração da variação patrimonial a descoberto. Deixar de incluílas resulta em acréscimo a descoberto indevido e no bis in idem. Sustenta que a glosa das deduções das despesas com instrução e com dependente é ilegítima e deve ser cancelada. Recurso de Oficio decorre do cancelamento da multa qualificada pelo reconhecimento da inexistência de fraude ou dolo. Anoto, o recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 de 21.12.2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator. Cuidase de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício da decisão da DRJ que manteve parcialmente a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, com as seguintes acusações: a) Omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa física; b) A PD acréscimo patrimonial a descoberto; c) Omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas; d) Dedução indevida de dependente; e) Dedução indevida de despesas médicas; f) Dedução indevida de despesas com instrução; g) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e h) Falta de recolhimento do IR Fone a título de carneleão. Vamos ao exame de cada um dos itens da autuação. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10410.004206/200987 Acórdão n.º 2201002.338 S2C2T1 Fl. 5 7 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e glosa das despesas médicas. Os itens “a” (omissão de rendimentos, recebidos de pessoa física) e “e” – (glosa de despesas médicas), ficam mantidos pela ausência de contestação, desde a fase da Impugnação do lançamento. Glosa das despesas com dependentes dos anoscalendário de 2004 a 2006. Comprovou a fiscalização que o autuado fez dedução de despesas com o dependente e, ao mesmo tempo, deduziu o pagamento de pensão alimentícia com esse mesmo dependente. Agiu com inteiro acerto a autuação e a decisão recorrida. É totalmente incabível a concomitância da dedução de dependente e da pensão alimentícia, ou deduz o dependente ou deduz a pensão alimentícia, um anula o outro. A dedução da pensão alimentícia impede a dedução do dependente. Glosa das despesas com instrução do dependente dos anoscalendário de 2004 a 2006. Aqui a mesma falha do autuado, com uma ressalva. A dedução das despesas com instrução de dependente e o pagamento de pensão alimentícia a esse mesmo dependente, é possível desde que na decisão judicial que fixa ou homologa a pensão alimentícia inclua as duas situações sob a responsabilidade do autuado: pagar pensão e as despesas com instrução. A decisão judicial não traz qualquer ressalva, daí a glosa foi acertada, não possui reparos e deve ser mantida. APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Sustenta aqui o Recorrente que os rendimentos da atividade rural, oferecidos à tributação, e o depósito bancário apurado e tributado pela autuação, devem compor ou integrar o fluxo mensal das origens para apuração da variação patrimonial a descoberto. A fiscalização e a decisão recorrida não admitiram as receitas da atividade rural pela falta de comprovação dessas receitas. As receitas declaradas na atividade rural para integrar o fluxo de caixa das origens devem ser comprovadas. Comprovadas não só as receitas, mas os efetivos dispêndios para permitir inclusão no fluxo de caixa do APD. Com enorme trabalho observamos que a fiscalização conseguiu comprovar a algumas receitas da atividade rural do autuado, que foram “aproveitadas” nas origens do fluxo de caixa, conforme se lê no relatório de fiscalização. Assim as receitas declaradas, que não forem comprovadas não podem, de fato, integrar o fluxo de caixa, como quer o Recorrente. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES 8 Os deposito bancários omitidos e objeto da atuação, de fato, devem compor ou integrar o fluxo mensal das origens, conforme sustenta o Recorrente. Contudo, leio com todas as letras no item 40.3 da decisão recorrida que houve o computo de todas as receitas omitidas e decorrentes da autuação dos depósitos bancários de origem não comprovada. Com isso, a matéria cai no terreno da prova do fato alegado. Cabia assim ao Recorrente comprovar fato contrário, modificativo ou extintivo do direito à autuação, mas nada é comprovado. Dessa forma, não vemos qualquer reparo na autuação e na decisão recorrida, que agiram com inteiro acerto. Sustenta ainda o Recorrente que o valor de R$ 1.700.000,00, objeto de integralização de capital da sociedade de que é titular, com sua mulher, foi feito no ano de 2003 e não no ano de 2004, como considerou a fiscalização. Assim, acrescenta, este valor deve ser excluído do fluxo de caixa na apuração do APD, em razão da decadência. Sustenta ainda em relação a esse valor que a fiscalização não se aprofundou no exame da prova da receita desse valor ter origem em período aquisitivo anterior ao ano de 2003. Ora, aqui novamente é necessário saber a quem cabe o ônus da prova. Os documentos da empresa obtidos pela fiscalização, sem contrariedade, comprovam a escrituração contábil dessa importância no ano de 2004. Com essa comprovação documental, feita pela diligente fiscalização, houve inversão do ônus da prova. Cabia ao autuado Recorrente, diante da comprovação existente, comprovar fato contrário, seja modificativo ou extintivo do direito à autuação. Não basta alegar ou argumentar, o autuado precisa comprovar suas alegações. Precisa contrariar ou pelo menos abalar a convicção do julgador, colocar em dúvida fundada o trabalho da fiscalização. Sem isso prevalece a autuação, que possui a presunção de veracidade. Por falta de comprovação do fato alegado não há qualquer reparo neste item da autuação e da decisão recorrida, que agiram com inteiro acerto e devem ser mantidas. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Sustenta o Recorrente que parte dos depósitos bancários possui origem na atividade rural desenvolvida. Conforme vimos, o Recorrente não conseguiu comprovar as receitas declaradas da atividade rural. Além disso, o Recorrente possui outras atividades: é político, empresário e agropecuarista (fls. 881 e segts.). Enfim, sem comprovação das alegações prevalece a autuação e a decisão recorrida. Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10410.004206/200987 Acórdão n.º 2201002.338 S2C2T1 Fl. 6 9 Sustenta o Recorrente que não houve omissão do ganho de capital porque a alienação da participação societária se fez pelo valor da aquisição, com a soma da reserva de reavaliação incorporada ao capital social. Diz ainda, nas suas razoes de recurso que a fiscalização desconsiderou o laudo de avaliação e excluiu a reserva de reavaliação incorporada ao capital social e ao custo de aquisição. Observamos, com todas as letras que não houve qualquer desconsideração do laudo de avaliação, o que se desconsiderou foi o valor da reserva de reavaliação, não o laudo. O conflito aqui não é laudo como pensa o recorrente. Aqui a lide reside em saber se integra ou não ao custo de aquisição da participação societária na pessoa física, a reserva de reavaliação incorporada ao capital da empresa submetido a tributação pelo lucro presumido. Comprovou a fiscalização que na data da alienação da participação societária, a reserva de reavaliação da sociedade Conny Ind. e Com. de Sucos e Refrigerantes Ltda. não estava incorporada ao capital social. Sustentou a decisão recorrida, sem contrariedade, que a reserva de reavaliação, feita pela sociedade Conny, que se encontrava submetida ao lucro presumido, somente poderia integrar o custo de aquisição da participação societária na pessoa física do Recorrente , se essa reserva fossem incorporados ao capital e submetido a tributação na pessoa jurídica, conforme prevê o art. 52, da Lei n° 9.430, de 1996: Art.52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Observase com clareza de detalhes que, na data da alienação da participação societária, a reserva de reavaliação não estava incorporada ao capital social e não foi submetida a tributação na pessoa jurídica para permitir a integralização do custo de aquisição da pessoa física, como fez o autuado. Por essa razão, perfeitamente correto o procedimento fiscal, sem haver qualquer contrariedade e reparos na decisão recorrida, que possui riqueza detalhes da operação realizada pelo Recorrente e pela sociedade. Multa isolada por falta de pagamento pelo carneleão Nos meses de julho, setembro e outubro de 2005, maio e agosto de 2006, o autuado recebeu rendimentos de pessoas físicas, sujeitandose, com isso, à tributação na fonte pelo carneleão, conforme lemos no Auto de Infração a fls. 1.152 e 1.161. Pois bem, essa omissão de rendimentos, que não foi objeto de contestação,. conforme vimos, foi autuada com a multa de oficio de 75% e ao mesmo tempo com. a multa isolada do carnêleão. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES 10 Portanto, pelo mesmo fato, houve o agravamento da penalidade, com a imposição da multa isolada em razão de a falta do pagamento do IRFonte, por intermédio do chamado carneleão. Aqui a autuação e a decisão recorrida não agiram com o costumeiro acerto. Assiste inteira razão ao Recorrente. Há perfeita concomitância entre a multa de oficio de 75% e a multa isolada, exigia sobre o mesmo fato. Por essa razão, pelo meu voto, cancelo a multa isolada pela concomitância. Recurso de oficio A decisão recorrida, com inteira propriedade, cancelou a multa qualificada de 150% aplicada sobre o ganho de capital, nos anos de 2006 a 2009, com base na Súmula 14 deste Conselho, e por entender que não ficou comprovado o dolo e de os fundamentos para a sua aplicação serem estendidos à ofensa à Lei 8.137, de 1990. De fato, não há comprovação dolo e, ainda que houvesse, teria de envolver a pessoa jurídica e na capitalização e tributação das reservas de reavaliação, conforme vimos, com pouco reflexo do aspecto subjetivo ao Recorrente, ainda que este sócio majoritário, com 85% do capital da sociedade alienada. A Súmula 14 do Carf apenas deixa clara esta situação, na omissão de rendimentos, é necessária à comprovação do dolo para a qualificação da penalidade e nem poderia ser diferente. Também não existe qualquer fundamento em qualificar a penalidade, como fez a autuação, pela possível infração à Lei n° 8.137, de 1990. A qualificadora, com a duplicação da penalidade para 150%, tem por fundamento o art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, pela infração aos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1.964. Não há qualquer referencia à tipificação qualificada com a Lei n° 8.137, de 1990. Observese, a Lei n° 8.137, de 1990 cuida dos crimes tributários, trata do tipo penaltributário, e não admite confusão com o tipo tributário – penal, da Lei n° 9.430, de 1996, objetos totalmente distintos. Vemos assim total acerto da decisão recorrida ao cancelar a multa qualificada, que deve ser mantida, com o improvimento do Recurso de Ofício. Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao Recurso de Oficio e dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a multa isolada, pela concomitância com a multa de oficio. (Assinatura digital) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10410.004206/200987 Acórdão n.º 2201002.338 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900110/2013-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/01/2012
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 10 /2 01 3- 90 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. . Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900110/201390 Acórdão n.º 3801003.056 S3TE01 Fl. 16 8 prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10711.005243/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/05/2008
CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quando o auditor-fiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 37, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O contribuinte que prestadas as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 37, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66.
MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO.
No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 37, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado.
Numero da decisão: 3401-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
JULIO CESAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quando o auditorfiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 37, INCISO IV, ALÍNEA “E”, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que prestadas as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 37, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO. No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 37, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 52 43 /2 00 9- 18 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório 0 presente processo trata de auto de infração por descumprimento do prazo para prestação da informação da desconsolidação da carga, nos termos da IN RFB n° 800/2007. Valor total da autuação R$ 5.000,00. Argumenta a fiscalização que o conhecimento filhote foi informado em 26/05/2008, após a atracação da embarcação, que ocorreu em 24/05/2008. Intimada, a Recorrente apresentou a impugnação com os argumentos descritos a seguir: Argumenta que inexistia na intimação fiscal qualquer registro acerca do prazo para interposição de recursos. Inexiste qualquer comprovação de viabilização do sistema pela Receita Federal, sendo tal fato circunstância de conhecimento público e notório. Argumenta a nulidade da fundamentação legal adotada (IN RFB n° 800/2007). Alega que a multa importa e inviabilidade econômica da contribuinte. Devese observar o principio da proporcionalidade e o artigo 100, inciso III, e o artigo 112, ambos do CTN. Solicita a improcedência da autuação. A DRJ entendeu que o Recorrente perdeu o prazo para a prestação da informação é dado pelo artigo 50 da IN RFB n° 800/2007, que estabelece comando provisório ao artigo 22 da mesma INRFB, julgando improcedente a Impugnação. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10711.005243/200918 Acórdão n.º 3401002.446 S3C4T1 Fl. 6 3 A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos acima descritos na manifestação de inconformidade. Voto Vencido Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O auto de infração foi lavrado em razão da Recorrente ter prestado informação sobre operações de comércio exterior, fora do prazo. A recorrente alega que referida multa não veio da Lei expressa. No entanto não assiste razão a recorrente neste item tendo em vista que o enquadramento legal da infração praticada pela Recorrente é o art. 37, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que assim dispõe: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga”. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo é patente. O que se discute é se o atraso na informação é a conduta tipificada no art. 37, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66 e, como já analisado, a conduta da Recorrente está enquadrada de forma corretada, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração. A Recorrente argumenta ainda que a multa aplicada é desproporcional e irrazoável, não possui fato típico, entre outros argumentos, no entanto foi aplicada a multa de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em consonância com a previsão do art. 37, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66, cuja informação foi prestada fora do prazo. Da denúncia espontânea A Recorrente não sustenta em suas defesas que ocorreu a denúncia espontânea, em razão de ela ter prestado as informações antes da lavratura do auto de infração. No entanto, tratando a matéria de ordem pública passo a julgar. Veja o seguinte Acórdão: “TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 4540 SP 2002.61.19.0045400 (TRF3) . Data de publicação: 05/11/2003 Ementa: ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 18 DA LEI Nº 1.533 /51. DECADÊNCIA. ART. 138 do CTN . PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. I. Havendo os recolhimentos, dos quais pretende a impetrante afastar a exigência da multa de mora, sido efetuados de maneira esparsa no tempo e, impetrada a segurança, quando já se escoara o lapso decadencial de 120 dias, incide o comando insculpido no Art. 18 da Lei nº 1.533 /51. II. Extinção do "writ" que se impõe, de ofício, por se tratar de matéria de ordem pública, reconhecível a qualquer tempo e grau de jurisdição, podendo a impetrante reclamar seu direito pela via ordinária. III. A ocorrência de denúncia espontânea, a teor do que reza o Art. 138 do CTN , afasta a responsabilidade do infrator, determinando, pois, a exclusão da multa moratória. IV. O pedido de parcelamento do débito fiscal, mesmo antes de qualquer procedimento administrativo, não caracteriza hipótese de denúncia espontânea. Precedentes da Primeira Seção do STJ. V. Apelação e remessa oficial providas.” A denúncia espontânea é instituto previsto no art. 138, do CTN, a qual exclui a responsabilidade do sujeito passivo, quando este cumpre a obrigação e, se for caso, paga o tributo e os juros antes do início do procedimento fiscal. Nessa hipótese a multa pela infração cometida é excluída. A infração tratada nestes autos, por ser infração administrativa, até o ano de 2010 não gozava do benefício da denúncia espontânea. Contudo, no ano de 2010, com o advento da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, art. 40, § 2º, e do art. 102, do Decretolei nº 37/66 passou a prever a exclusão da multa na denúncia espontânea também para as infrações administrativas, conforme é possível verificar abaixo: “§ 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento”. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10711.005243/200918 Acórdão n.º 3401002.446 S3C4T1 Fl. 7 5 Muito embora a nova redação acima transcrita seja posterior aos fatos que ensejaram a multa, sua aplicação é retroativa, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN. No caso ora analisado, não resta dúvida de que as informações sobre os embarques, não obstante tenham sido prestadas depois do prazo, foi informada antes da lavratura do auto de infração. Diante desses fatos, é clara a existência de denúncia espontânea, motivo de declaração de insubsistência do auto de infração. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reformar o acórdão da DRJ e declarar insubsistente o auto de infração objeto deste processo. Angela Sartori Relator Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos – Redator designado Dissentiu o colegiado, por voto de qualidade, da aplicação do instituto da denúncia espontânea, como propunha a n. relatora. E foram, basicamente, dois os motivos. Por primeiro: não há tal pleito nos autos, seja na impugnação apresentada seja no recurso voluntário. Em ambas as peças de defesa, limitase a autuada, sob diferentes roupagens, a esgrimir um único argumento, qual seja, a impossibilidade de exigência da multa porquanto fixada apenas em ato normativo. Esse argumento foi muito bem enfrentado pela dra Ângela. Com essa refutação, parecenos, encerrase a possibilidade do julgamento, configurando decisão ultra petita a avocação daquele instituto “de ofício”. Não nos sensibiliza a afirmação de que se chegou a tanto porque o instituto constituiria matéria de ordem pública. Isso porque, à guisa de precisa definição jurídica da expressão, a limitamos aos casos já consagrados de decadência e de prescrição. Mas ainda que a isso pudéssemos mesmo chegar sem configurar decisão sobre algo não pedido, há na peça de acusação referência a comando legal expresso que impede sua aplicação na hipótese. Tratase do § 3º do art. 683 do decreto 6.759 (Regulamento Aduaneiro) transcrito pelo autuante às fls. 8/9 dos autos e que assim dispõe: §3º Depois de formalizada a entrada do veiculo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Assim, ainda que a norma posterior tenha previsto a denúncia espontânea para infrações administrativas entendemos que ela somente poderia alcançar a hipótese dos autos se a ela fizesse expressa menção. Desse modo, incabível o afastamento da penalidade sem que, ao menos, isso tenha sido suscitado pela defendente, a quem caberia demonstrar, então, porque não se lhe aplica a norma expressa excludente da espontaneidade. Foi com essas considerações que o colegiado não acolheu a proposta da relatora, sendo este o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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